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Numero do processo: 13116.902493/2011-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
INEXATIDÃO MATERIAL.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 24 93 /2 01 1- 20 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 136 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 22584.93234.050307.1.2.040179, em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do primeiro trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$40.149,00 recolhido em 08.03.2005 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 57, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Valor do crédito pleiteado do PER/DCOMP: 40.149,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. [...] Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento Legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.461, de 20.12.2013, efls. 7579: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição autorizada por lei. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. Mantémse o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. IRPJ. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. PARCELAMENTO EM ANDAMENTO. É vedada a restituição de recolhimentos relativos a crédito tributário incluído em processo de parcelamento em andamento, por faltarlhes os atributos de certeza e liquidez. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 16.06.2014, efl. 130, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.07.2014, efls. 81129, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 137 3 III DO DIREITO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo, o julgador deve sempre buscar a verdade material dos. fatos, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além. daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A busca pela verdade deve funcionar como verdadeiro norte do processo administrativo, de modo que a autoridade administrativa competente deve sempre sopesar os dados contidos nos autos e a realidade aplicável ao caso, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir seu convencimento. [...] Como se vê, em decorrência do principio da verdade material, corolário do processo administrativo, temse que o julgador não pode se ater aos dados contidos nos autos, devendo utilizar de todos os meios possíveis e ilícitos para alcançar a verdade dos fatos. No presente caso, em que pese a PER/DCOMP ter vinculado DARF utilizado para pagamento de débito devidamente declarado em DCTF, tal pagamento ocorreu quando já havia iniciado fiscalização na empresa Recorrente, motivo pelo qual o auditor autuante não considerou o pagamento efetivado, sob argumento de falta de espontaneidade. Assim, o i. auditor fiscal autuante [...] lavrou auto de infração para a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o lucro Liquido CSSL, abarcando os valores objeto da DCTF retificadora apresentada em 09/01/2006. Ora, ilustres julgadores! Se os valores objeto da presente PER/DCOMP tivessem sido integralmente vinculados e utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF, como aduzido [...] no julgamento do manifesto de inconformidade, qual a necessidade de se lavrar auto de infração para cobrança destes mesmos valores? É fato certo e notório que os valores utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF não foram considerados pelo fiscal autuante. O próprio Termo de Verificação Fiscal deixa claro tal fato ao enunciar que "Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de oficio. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados" [...]. Todavia, não obstante a realidade existente (auto de infração para cobrança dos valores declarados em DCTF retificadora, por não considerar os pagamentos efetuados), a Delegacia da Receita Federal do Brasil não se valeu do princípio da verdade material, se atendo ao simples fato de que o crédito reclamado na PER estava vinculado a débito confessado em DCTF, sem considerar o auto de infração lavrado para cobrança destes valores. Ocorre que o princípio da verdade material é corolário do processo administrativo, devendo ser amplamente observado, sob pena de afronta às disposições legais. Desta maneira, considerando que os pagamentos vinculados aos débitos confessados em DCTF foram objeto de autuação, e devendo a Administração Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 138 4 Pública valerse do princípio da verdade material, temse que o pedido de compensação merece ser homologado, devendo ser reformada a decisão que indeferiu tal pedido. DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO A ilustre julgadora, em citação totalmente fora de contexto, uma vez que em nenhum momento argumentou a respeito da existência de prescrição do direito de pleitear a restituição; citou o artigo 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional, que trata sobre o prazo prescricional. [...] Da data do pagamento indevido até a data de transmissão do pedido de restituição/compensação, decorreu o lapso temporal inferior a 02 (dois) anos. Considerando que nos termos do artigo 168, do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, em caso de pagamento indevido ou a maior, evidente que o crédito objeto do presente pedido de compensação não se encontra abarcado pela prescrição, uma vez que da data da extinção do crédito tributário [...] até a data do pedido de restituição [...], decorreu lapso temporal bem inferior ao prazo limítrofe de 05 (cinco) anos. Assim, temse que não há o que falar em prescrição do direito de se pleitear a restituição do crédito tributário pago indevidamente. DA CONSISTÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO ORA PLEITEADO COM O DÉBITO INDICADO NA PER/DCOMP O acórdão [...] aduziu que para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido è que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário e sim de suspensão. Ainda, afirmou que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando, daí, que, por não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, disse que a orientação passada pelo fiscal autuante foi de que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados, razão pelo qual os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de oficio. Logo, a autoridade a quo não pode reconhecer crédito algum, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição. Tais argumentos são desprovidos de razão, motivo pelo qual não merecem prosperar. Primeiramente cumpre sa salientar que os argumentos lançados pela i. Julgadora/Relatora são contraditórios. Num primeiro momento aduz que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF, motivo pelo qual restou inexistente o crédito reclamado na PER. Num segundo momento, aduz de forma contrária, reconhecendo que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento. Todavia, aduz que por Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 139 5 não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se reconhece a certeza e a liquidez necessárias à pretendida restituição, uma vez que o parcelamento é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e não de extinção. Ora! Razão não assiste a Julgadora Tributária. Em que pese o parcelamento ser causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e ainda estar em vigência, tal fato não pode ser motivo para o indeferimento do presente pedido. E assim o é porque, em que pese serem relativos ao mesmo tributo, os créditos objeto do pedido de compensação não foram considerados pelo auditor fiscal autuante, tendo sido lavrado auto de infração que está sendo pago através de parcelamento. Ou seja, tratase de hipóteses distintas, uma vez que o próprio fiscal autuante não considerou os pagamentos efetuados através do DARF, motivo pelo qual não poderiam ser utilizados para pagamento do débito objeto de autuação, e, muito menos, sua compensação com outros débitos ser condicionada ao término do parcelamento. Se o fiscal autuante, no momento da lavratura do auto de infração, não considerou os pagamentos realizados através dos DARF's, autuando a Recorrente pelo não pagamento do tributo, tais pagamentos não poderiam ser utilizados para pagamento do auto de infração. Se os pagamentos realizados através de DARF pudessem ser utilizados para pagamento do débito objeto de fiscalização, o i. auditor fiscal autuante deveria considerar os pagamentos realizados, lavrando auto de infração somente em relação à multa e aos juros, pela não consideração da espontaneidade do pagamento. Ou então, o próprio fisco, no momento da consolidação do débito do Parcelamento Excepcional PAEX, deveria abater o valor dos pagamentos efetuados por meio de DARF's. E se assim não o fez, não pode o Julgador Tributário, ao analisar os pedidos de compensação, condicionar o deferimento da PER/DCOMP ao término do parcelamento, uma vez que ps créditos objeto da PER não foram dados como garantia do parcelamento, até mesmo porque a lei não exige tal garantia, sendo que, em caso de não pagamento das parcelas, o Fisco deve se valer de outros meios legais de cobrança. Ora, ilustres julgadores! Qual outra conduta possível que a Recorrente deveria se valer a não ser o pedido de compensação? O pagamento indevido ocorreu, uma vez que os pagamentos efetivados não foram considerados pelo fiscal autuante e sequer abatidos no momento do parcelamento. Logo, não haveria outra conduta a ser realizada pela Recorrente a não ser valerse do pedido de compensação. E condicionar o deferimento deste pedido ao término do parcelamento, fadaria o crédito à ocorrência de prescrição. Ademais, em pesquisa ao site da Receita Federal do Brasil, no campo perguntas e respostas, constatouse que não podem ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; e o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 140 6 Ou seja, como o débito objeto do auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente foi parcelado, tendo o débito sido consolidado, não pode ser objeto de compensação. Além disso, o argumento da Julgadora Tributária no sentido de que os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação. Com os valores lançados de oficio, em razão da orientação repassada ao contribuinte pelo autuante, não merece prosperar. E assim o é porque no Termo de Verificação Fiscal o fiscal autuante tão somente consignou que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados. Tal fato não pode induzir o Julgador Tributário à conclusão que chegou de que os pagamentos deveriam ter sido objeto de compensação com os valores lançados de oficio, sendo incluídos no processo de parcelamento. O fato de o fiscal autuante ter facultado a possibilidade de compensação com os débitos lançados, não obrigada o contribuinte a agir de tal maneira, conforme afirma o julgador tributário. A compensação com os valores lançados seria uma faculdade do contribuinte, que pode se valer ou não desta prerrogativa, de acordo com o seu interesse. E por ter a Recorrente aderido ao Parcelamento Excepcional PAEX, para quitação dos débitos, achou por bem compensar os créditos oriundos do pagamento indevido realizado por meio de DARF's com outros débitos que não os lançados, exercendo sua faculdade de compensar os créditos com os débitos que entendeu adequado. Assim, resta evidente que o condicionamento estabelecido pelo i. Julgador Tributário, de deferimento do pedido de compensação ao término do parcelamento é indevido, merecendo ser reformada a r. decisão recorrida, uma vez que a compensação dos pagamentos efetuados com os valores lançados de oficio era mera faculdade do contribuinte, que por ter aderido ao PAEX, entendeu compensar os créditos devidos com outros débitos que não os lançados de oficio. Por fim, cumpre esclarecer, que condicionar o deferimento do pedido de compensação com o término do parcelamento, fere direito líquido e certo da Recorrente.em ter restituído/compensado débito pago indevidamente, uma vez que esperar o término do parcelamento para poder requerer a compensação certamente fará com o direito de compensação esteja prescrito, em total afronta à legislação pátria vigente. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO TOTALMENTE DIFERENTE DA R. RECORRIDA EM RELAÇÃO AO MESMO CASO DOS AUTOS Como visto anteriormente, foram objeto de fiscalização e posterior autuação os seguintes tributos: CSSL e IRPJ. O caminho trilhado em relação aos dois tributos foi o mesmo, qual seja: o contribuinte efetuou o pagamento através de DARF's, sendo que o pagamento não foi considerado pelo auditor fiscal autuante sob o argumento de falta de espontaneidade, uma vez que os pagamentos ocorreram quando já havia iniciado o procedimento fiscalizatório. Em razão de o fiscal autuante não ter considerado os pagamentos efetivados por meio dos DARF's, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento ou Restituição' e Declaração de Compensação PER/DCOMP, para compensar os pagamentos não acolhidos pelo auditor fiscal autuante com outros débitos, uma vez Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 141 7 que o débito objeto do auto de infração lavrado em seu desfavor fora parcelado através da adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX. Em primeira.análise, os pedidos de compensação foram indeferidos, sendo proferido despacho decisório de não homologação de compensação, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na declaração. Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em relação a todos os pedidos de compensação, sendo que parte dos manifestos foram encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB e outra parte à 3ª Turma da DRJ/REC. Os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 3ª Turma da DRJ/REC tiveram o destino delineado anteriormente, cujas argumentos são refutados no presente recurso, em razão do seu indeferimento. Já os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB, teve caminho totalmente diverso, com a procedência do pedido sob o argumento de que: como afirma o contribuinte, o Auditor Fiscal, ao apurar a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, deixou de deduzir o valor pago e declarado pela interessada em DCTF retificadora. Em razão disto, resta claro que a empresa recolheu indevidamente e tem direito de repetição do indébito, pois a autuação já contemplou no lançamento de oficio aquele valor. a compensação pode ser homologada até o limite daquele crédito, tendo em vista que comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional para absorver o débito tributário. por fim, aduz que a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, que é o caso dos autos, motivo pelo qual julgou procedente a manifestação de inconformidade formulada, reconhecendo o crédito do sujeito passivo, homologando a compensação até o limite daquele crédito, nos termos da legislação de regência. Como se vê, em relação ao mesmo caso, alguns manifestos de inconformidade teve destino totalmente diverso, sendo julgados procedentes, em total atenção à realidade ocorrida nos autos, por restar liquido e certo o direito da Recorrente à compensação. Portanto, temse que, no presente caso, devese dado o mesmo tratamento dispensado aos pedidos de compensação julgados pela 4ª Turma DRJ/BSB, com o julgamento de procedência do presente Recurso Voluntário, pela existência de direito líquido e certo da Recorrente à compensação e por ser medida da mais lidime justiça. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: IV DO PEDIDO Por todo o exposto, requer: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 142 8 a) Que seja recebido e processado o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, reconhecendo a existência de crédito e anulando a r. decisão recorrida que não homologou as compensações efetivadas, uma vez que devidamente comprovada a existência do crédito; b) a homologação do pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, pelos próprios e jurídicos fundamentos deste Recurso; c) a juntada dos documentos (PER/DCOMP, DCTF, DARF, auto de infração, Termo de Verificação Fiscal e comprovante de parcelamento) ora anexados; d) o cadastramento do Advogado MÁRCIO EMRICH GUIMARÃES LEÃO. OAB/GO 19.964, para o recebimento das intimações provenientes destes autos, no endereço constante do rodapé desta; e) Pugna, ainda, pela juntada posterior de documentos que reputar pertinentes. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Os argumentos atinentes ao Auto de Infração formalizado no processo nº 13116.000427/200656, efls. 3853 e 133134, devem ser ali tratados (art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente não instaurou no tempo, no lugar e na forma própria a fase litigiosa no procedimento (art. 14 do 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 143 9 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que se encontra no ARQUIVO DEL REC FED EM ANAPOLISGO desde 29.07.2010. Ocorre que o contencioso do lançamento de ofício não pode ser inaugurado nos presentes autos, que trata do Per/DComp, cujo rito está previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que se refere as alegações pertinentes ao parcelamento formalizado nos processos nºs 18208.001246/200712, 18208.001247/200767 e 18208.001248/200710, efls. 5455, vale ressaltar que cabe a autoridade preparadora da unidade de origem de circunscrição da Recorrente analisar a matéria, nos termos do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. Ademais, o referido processo encontrase no SETOR PROC ELETRÔNICO REFIS DRF ANA GO desde 01.06.2007, efl. 132. Para fins de esclarecimento vale discriminar os débitos de IRPJ objeto de parcelamento, efls. 5455, e aqueles que foram lançados, conforme o Auto de Infração, efls. 3853: Período de Apuração Débitos de IRPJ Parcelamento Valores Originais R$ Débitos de IRPJ Auto de Infração Valores Originais R$ 1º Trimestre de 2001 18.072,18 44.628,47 2º Trimestre de 2001 28.040,19 28.040,19 3º Trimestre de 2001 66.039,94 66.039,94 4º Trimestre de 2001 1º Trimestre de 2002 2º Trimestre de 2002 580,97 580,97 3º Trimestre de 2002 771,22 771,22 4º Trimestre de 2002 1º Trimestre de 2003 3.302,68 2º Trimestre de 2003 3.082,22 3º Trimestre de 2003 2.139,94 4º Trimestre de 2003 11.034,07 60.936,80 1º Trimestre de 2004 4.667,85 107.022,23 31.119,06 107.022,23 2º Trimestre de 2004 95.700,78 3.456,45 23.043,00 95.700,78 3º Trimestre de 2004 1.016,43 1.016,43 4º Trimestre de 2004 O Auto de Infração foi lavrado em 2006 e somente em 2007 a Recorrente efetuou a adesão ao parcelamento e como visto nem todos os débitos de IRPJ lançados no Auto de Infração foram parcelados. Relativamente ao pedido de cadastramento do patrono para o recebimento das intimações provenientes destes autos, temse que consta no enunciado da Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Por conseguinte, o pleito da Recorrente não pode ser deferido, uma vez que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 144 10 No caso de prescrição da repetição de indébito em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir a partir da data do pagamento indevido (art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). Verifica se que não houve o transcurso do prazo prescricional, haja vista que a Recorrente formalizou o Per/DComp em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de IRPJ, código 0220, do primeiro trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$40.149,00 recolhido em 08.03.2005. No que tange ao resultado do julgamento em outro procedimento, vale ressaltar que a cada processo autônomo, como é o caso dos presentes autos, prevalece o princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua convicção na apreciação da prova (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 145 11 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 4. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 146 12 A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a integral alocação integralmente para quitação de débito da Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.461, de 20.12.2013, efls. 7579, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado no PER, razão pela qual foi indeferido o pedido de restituição. Alega a inconformada que efetuou pagamento indevido do IRPJ, que restou evidenciado seu crédito, por ocasião da autuação efetuada e relativa ao ano calendário 2004, quando realizou, durante o procedimento fiscal, os recolhimentos listados no quadro à fl. 03, que não foram considerados pelo autuante em razão do procedimento de fiscalização em andamento e, consequente ausência de espontaneidade. Afirma ainda, que os valores lançados de ofício através do Auto de Infração lavrado foram incluídos em processo de parcelamento em 14/09/2006, valores divididos em 120 parcelas, o que comprova com o extrato PAEX fls. 54/55. [...] Como se observa, para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido. Por outro lado, sabese que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, e sim de suspensão, nos termos dos arts. 151 e 156 do CTN, adiante transcritos: [...] No caso concreto, conforme se relatou, o contribuinte pleiteia restituição de recolhimentos do IRPJ relativos ao mesmo tributo e mesmo período de apuração incluído em processo de parcelamento que se encontra em andamento na DRF de sua jurisdição, ou seja, o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando daí que, por não estar o crédito Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 147 13 tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, transcrevese a seguir orientação repassada ao contribuinte pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal cuja, cópia foi trazida pela inconformada, fl. 53: “Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de ofício. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados” Portanto, os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de ofício, na realidade, deveriam ter sido incluídos no processo de parcelamento, a pedido do interessado, para apuração do montante a parcelar, se não o foram, só após extinção do montante parcelado, é que poderão ser restituídos ou compensados com outros débitos a critério do contribuinte. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição, nos termos do art. 170 do CTN). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.905175/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.737
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 75 /2 01 2- 78 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09052.650, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.650. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.169) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.721093/2017-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS FORNECIDOS PELAS FONTES COM RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO SUFICIENTE.
Os rendimentos pagos a título de aluguéis com os devidos descontos efetuados pela fonte pagadora e informados na declaração de rendimentos fornecida ao contribuinte fazem prova da retenção do imposto e habilita o recebedor a utilizá-lo como antecipação. A documentação probatória apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa nesta etapa recursal.
Numero da decisão: 2001-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS FORNECIDOS PELAS FONTES COM RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO SUFICIENTE. Os rendimentos pagos a título de aluguéis com os devidos descontos efetuados pela fonte pagadora e informados na declaração de rendimentos fornecida ao contribuinte fazem prova da retenção do imposto e habilita o recebedor a utilizá-lo como antecipação. A documentação probatória apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa nesta etapa recursal.
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS FORNECIDOS PELAS FONTES COM RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO SUFICIENTE. Os rendimentos pagos a título de aluguéis com os devidos descontos efetuados pela fonte pagadora e informados na declaração de rendimentos fornecida ao contribuinte fazem prova da retenção do imposto e habilita o recebedor a utilizálo como antecipação. A documentação probatória apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa nesta etapa recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 10 93 /2 01 7- 70 Fl. 157DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável para a contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos com desconto do IRRF. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte R$ 9.299,32, sendo R$ 581,85 a título de imposto suplementar com multa de 75% e R$ 8.717,47 com multa de 20%, todos acrescidos de juros de mora, referente ao anocalendário de 2014. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que o Contribuinte não comprovou corretamente a retenção do imposto de renda retido na fonte sobre aluguéis recebidos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação do IRRF em divergência com os dados contidos no sistema eletrônico da Receita Federal, como segue: Em nome da contribuinte acima identificada foi lavrada em 13/02/2017 a Notificação de Lançamento de fls. 122/127, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF, exercício 2015, ano calendário 2014, sendo apurados os seguintes valores: (...) O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2015, apresentada à RFB pela contribuinte, cujo resultado havia sido de imposto a pagar no valor de R$ 12.632,55 – fls. 110/119. Motivou o lançamento de ofício a constatação pela Fiscalização de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 2.115,83, e de compensação indevida de imposto de renda na fonte IRRF no valor total de R$ 8.717,47, relativa às fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda, no valor de R$ 644,53, por falta de comprovação, e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda, no valor de R$ 8.072,94, correspondente à diferença entre o declarado de R$ 14.446,74 e o constante em Dirf de R$ 6.373,80. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 125), constatouse a compensação indevida do IRRF, no valor total de R$ 8.717,47, referente às fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda. Em que pese a apresentação das Declarações de Operações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob e dos Extratos de Repasses ao Proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda (fls. 04 e 14/39), relativos a contratos de locações de imóveis onde a contribuinte figura como locadora, não ficou cabal e inequivocamente comprovada a retenção do imposto de renda na fonte correspondente aos rendimentos de aluguéis recebidos das fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13888.721093/201770 Acórdão n.º 2001001.110 S2C0T1 Fl. 158 3 (...) Da legislação acima extraise que a condição para a dedutibilidade do imposto de renda retido na fonte é a posse pelo contribuinte de comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora, para apresentação à Fiscalização quando intimado a fazêlo. Fazse mister frisar que a DIRF e o comprovante de rendimentos são os instrumentos legais para se justificar o IRRF. Na ausência de tais documentos, o contribuinte pode apresentar o DARF em seu nome para que possa provar que não só houve a retenção na fonte, mas também o efetivo recolhimento do imposto. No caso em tela, os documentos elaborados pela administradora de imóveis não suprem a necessidade de apresentação do comprovante de rendimentos, sendo insuficientes para comprovar a retenção do imposto, uma vez que não foram emitidos pelas fontes pagadoras dos aluguéis. Assim, inexiste reparo ao trabalho efetuado pelo fisco, uma vez que não foi provada a retenção na fonte em favor do contribuinte. Sendo assim, não há reparo a ser feito no lançamento no que concerne ao IRRF, cabendo manter a glosa de compensação indevida no valor de R$ 8.717,47. A parcela de imposto suplementar não impugnada, no valor de R$ 581,85, correspondente à omissão de rendimentos apurada, foi quitada pelo impugnante, conforme extrato de fls. 133/135, permanecendo em cobrança no presente processo o imposto de R$ 8.717,47, sujeito à multa de mora e juros de mora. Do exposto, encaminho o voto no sentido de considerar a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, resultando, por consequência, na manutenção integral do crédito tributário remanescente. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 9.299,32, sendo: R$ 581,85, sujeito à multa de ofício de 75%, parte não impugnada, e R$ 8.717,47, sujeito à multa de mora de 20%, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A requerente entregou o IRPF Exercício 2015 AnoCalendário 2014 informando o Imposto Retido na Fonte de acordo com os Comprovantes de Rendimentos fornecidos pela Administradora de Imóveis Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda. Os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte foram descontados dos aluguéis pagãos pelas empresas locatárias AG Ferreira & Cia Ltda, CNPJ nº 44.754.877/000143 e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda, CNPJ nº 11.814361/000198, nos valores retidos de R$ 644,53 e R$ 14.446,74 respectivamente, conforme cópia da DIMOB em anexo. Fl. 159DF CARF MF 4 Acontece que as fontes pagadoras (locatárias) não informaram na DIRF os valores retidos corretamente. Cópia do sistema DIRF fonte pagadora extraído do portal ecac em anexo. A Receita Federal junto aos DD. Membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deveriam analisar que realmente teve omissões e erros nas informações prestadas entre as declarações DIRF x DIMOB x DIRPF. Senhores Julgadores, está claro que o erro houve nas informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, tendo em vista que a requerente informou em sua DIRPF o valor descontado dos seus recebimentos de aluguéis e valore fornecidos através de documento hábil e verídico pela administradora de imóveis. Em vista do exposto, peço que seja novamente analisada minha DIRPF, e cobrar de quem realmente deve ser cobrado, e por ser a verdade, peço apenas justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência na lide é de cunho probatório material do imposto retido na fonte e descontado da Contribuinte no momento dos recebimentos dos valores referentes a aluguéis. A Autoridade Autuante tem como forte a afirmação de que não restou cabalmente comprovada a retenção do imposto, no seguinte texto: Em que pese a apresentação das Declarações de Operações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob e dos Extratos de Repasses ao Proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda (fls. 04 e 14/39), relativos a contratos de locações de imóveis onde a contribuinte figura como locadora, não ficou cabal e inequivocamente comprovada a retenção do imposto de renda na fonte correspondente aos rendimentos de aluguéis recebidos das fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda. Todavia, o texto que recusa a possibilidade de ter sido comprovada a operação com retenção afirma que foram apresentadas as DIMOBs e os extratos de repasses ao proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis, exatamente a quem cabe providenciar as informações ao Fisco. Somese a isso que a Contribuinte juntou aos autos, fl. 149, o Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis que identifica como fonte pagadora Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda, tendo como intermediária a Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis. Da mesma forma, também juntou aos autos, fl. 150, o Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis que identifica como fonte pagadora AG Ferreira Cia. Ltda, que tem Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.721093/201770 Acórdão n.º 2001001.110 S2C0T1 Fl. 159 5 como intermediária na locação a mesma imobiliária. Nos referidos comprovantes conta o valor bruto mês a mês, o valor da comissão descontada e o imposto retido. Ambos os documentos, somadas as retenções do imposto de renda retido na fonte igualam o valor informado pela Recorrente na sua Declaração de Ajuste Anual de 2014. O fato das informações constantes no sistema da Receita Federal acusar valor diferente dos informados nas DIMOBs e nos Comprovantes de Rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras não justifica a glosa da utilização do imposto de renda retido na fonte, porque a Recorrente agiu com base nos documentos recebidos da fonte pagadora e na atribuição que lhe compete como recebedora dos aluguéis e contribuinte do imposto em relação aos valores informados oficialmente. Se o sistema da Receita referente à DIRFs apresenta divergências de valores, não compete a Recorrente comprovar se houve falta de recolhimento ou outra falha qualquer de parte das fontes pagadoras, vez que nem autoridade tem para tanto junto àqueles estabelecimentos. Por fim, cabe salientar que a parcela do Lançamento que se refere ao imposto suplementar no valor de R$ 581,85 foi recolhida pela Recorrente, não tendo sido objeto sequer de defesa na impugnação, bem assim como em sede recursal. Neste sentido, a lide se limita à divergência de valores no que se refere à comprovação documental, o que resultou no valor de R$ 8.717,47 de crédito tributário remanescente. Pelo que consta dos autos a comprovação documental apresentada pela Recorrente supre suficientemente o requerido de sua parte como contribuinte, respaldada pelas informações fornecidas através das DIMOBs e especialmente pelos Comprovantes de Rendimentos que lhe foram disponibilizados, e juntados aos autos pela Contribuinte, como se vê às fls. 149 e 150 do processo. Neste sentido considerase devidamente comprovada a retenção pelos descontos efetuados quando dos pagamentos dos aluguéis em valores líquidos como demonstrados. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para excluir o crédito tributário remanescente no valor de R$ 8.717,47, pela improcedência do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014138/2006-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.
PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de
juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital
dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos
aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados.
Numero da decisão: 1101-000.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 41 38 /2 00 6- 57 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 3 2 Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2006, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.374.667,49. A autoridade lançadora glosou parte dos juros sobre o capital próprio deduzidos no anocalendário 2002. Embora os valores do Patrimônio Líquido da pessoa jurídica permitissem dedução até o R$ 8.017.934,81, do valor total contabilizado (R$ 7.836.856,08), admitiuse apenas a parcela de R$ 4.927.088,02 porque correspondente à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP naquele anocalendário. A parcela de R$ 2.909.768,06 corresponderia ao anocalendário de 1999, e assim não se conformaria ao disposto nos arts. 251 e 374 do RIR/99, que estabelecem a apropriação de despesas segundo o regime de competência. Impugnando a exigência, a contribuinte defendeu que: 1) a despesa decorreu da deliberação dos sócios no anocalendário 2002, e assim não poderia ter sido registrada em 1999; 2) a lei não estabelece prazo para esta deliberação, e a dedução observou os limites estabelecidos na legislação; 3) a Instrução Normativa SRF nº 11/96 apenas relaciona a despesa ao ato que determina seu nascimento; 4) a legislação não veda a dedução de despesas registradas em período subseqüente ao de competência; 5) a interpretação adotada pelo Fisco prejudicaria a pretendida isonomia de tratamento tributário entre o capital próprio e o de terceiros. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · [...] não ocorreu o fato gerador da despesa, no anocalendário 1999, mediante o pagamento ou creditamento aos sócios dos juros sobre o capital próprio; · [...] como somente no anocalendário 2002 teria se materializado o pagamento ou o creditamento, em favor dos sócios, dos juros sobre o capital próprio, não se pode reconhecer como dedutíveis valores que não foram pagos ou creditados em períodos anteriores, mas apenas a despesa paga ou incorrida no próprio anocalendário de 2002, e nos limites legalmente estabelecidos para esse período; · A Instrução Normativa SRF nº 11/96 não trouxe qualquer inovação, pois o próprio art. 9o e seu §1o da Lei nº 9.249/95 estabelecem a indedutibilidade do pagamento dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância do regime de competência. · Ao estabelecer como limite o valor equivalente a 50% dos lucros acumulados e reserva de lucros, admitiu a Lei que, caso a pessoa jurídica não procedesse ao pagamento ou creditamento, aos sócios, dos juros sobre o capital próprio calculados sobre o lucro do período, poderia ela, nos períodos de apuração subsequentes, realizar o pagamento ou creditamento Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 5 4 com base nos lucros acumulados e nas reservas de lucros. Porém, nessa última hipótese, a base de cálculo para o limite do valor dedutível a título de juros sobre o capital próprio deve corresponder, obviamente, ao período de apuração do pagamento ou crédito dos juros; e não ao período de apuração em que foram gerados aqueles lucros, posteriormente destinados a lucros acumulados e a reserva de lucros. · Entendimento em contrário resultaria admitir a esdrúxula possibilidade de que uma mesmíssima quantia, em períodos diversos, pudesse vir a constituir base de cálculo para o limite do valor dedutível a título de juros sobre o capital próprio, a saber: lucro apurado num ano e integralmente destinado a lucros acumulados e/ou a reservas de lucros em outro ano. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/12/2009 (fl. 160), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 30/12/2009 (fls. 161/173), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação e colaciona decisões no âmbito do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e do Superior Tribunal de Justiça – STJ, as quais concluem, de forma clara e inequívoca, que não há qualquer óbice ao procedimento praticado pela recorrente. A recorrente assim sintetiza seus argumentos de direito: Tendo em vista que a despesa de JCP (quer do capital investido em 1998 quer do relativo ao ano de 2001), nasceu em função da deliberação dos titulares do capital que determinaram o seu pagamento, o exercício de competência da despesa só poderá ser aquele no qual ocorreu tal deliberação. De fato, ainda que seja possível calcular a remuneração em tela para um determinado anocalendário, devese ter em conta que o seu pagamento ou crédito é uma faculdade, de forma ser possível a assunção ou não desse encargo. Nesta última hipótese, simplesmente não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em uma despesa decorrente de uma obrigação inexistente ou cujo provisionamento não se justifica na contabilidade. Na ocorrência da primeira opção, a conseqüente despesa deve ser de imediato contabilizada. Tal raciocínio é lógico quando se busca o fundamento do instituto do JCP, qual seja o de remunerar a permanência do capital próprio por um determinado período, o que pode ocorrer em períodos diferentes daquele em que o lucro foi gerado, pelo simples fato da existirem lucros acumulados passíveis de distribuição. Assim, sob o ponto de vista jurídico, estamos diante de uma situação em que o direito é potestativo, que depende da vontade ou do livre arbítrio pelo uso deste direito, assim como é o caso da distribuição de dividendos, que também decorre da formação de lucro, mas não passa a existir apenas pela formação deste lucro, sendo necessário, para que surja a obrigação de pagar, uma deliberação por parte dos sócios. Por esta razão, e não podia ser de outra forma, tendo em vista a deliberação dos sócios para o crédito dos JCP, a Recorrente registrou o total da despesa no ano calendário de 2002. Acrescenta que a Lei nº 9.249/95 limita os juros à variação “pro rata” da TJLP, o que significa que essa variação deve corresponder ao tempo decorrido entre o início do período de apuração até a data do pagamento ou crédito dos JCP e deve ser aplicada sobre o patrimônio líquido existente no início desse período, consideradas as eventuais mutações ocorridas durante o período. E assim procedeu a recorrente, aplicando esta taxa sobre os Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 6 5 patrimônios líquidos de 1998 e 2001, de modo que o valor registro em 2002 ficou abaixo do limite calculado em razão dos lucros do período e acumulados. Observa que ao estabelecer tais limites, o legislador teve em mente não só a possibilidade de pagamento por parte daqueles que, mesmo não tendo auferido lucros suficientes no período, dispunham de lucros acumulados e reservas de lucros, bem como o contribuinte que, não havendo pago nem creditado os JCP em determinado período, viesse a optar por esta dedução em exercício subseqüente. Neste sentido, inclusive, é a determinação que permite a imputação dos juros sobre capital própria ao valor do dividendo mínimo obrigatório, especialmente tendo em conta que a lei não estabelece limitação temporal à deliberação sobre a distribuição de lucros. A lei apenas condiciona o efetivo pagamento ou crédito à existência de lucros, sem impedir a dedução de excedente em período posterior. Inexiste a condição imposta pelo Fisco. De outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 11/96 não teria, de fato, inovado a legislação, isso porque a referência ao regime de competência constante do ato administrativo só pode relacionar a despesa ao ato que determina seu nascimento, qual seja a deliberação dos sócios. Reportase ao Parecer Normativo CST nº 58/77, no sentido de que a obrigação de pagar determinada despesa (enquadrável como operacional) nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornam incondicional. Como o pagamento ou crédito é faculdade da pessoa jurídica, se a mesma optar por não assumir esse encargo, não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em uma despesa decorrente de uma obrigação inexistente ou cujo provisionamento não se justifica contabilmente. Reitera que a lei não qualifica como indedutíveis as despesas registradas em período subequente, e observa que o art. 347 do RIR/99, por ser mais específico, sobrepõese à regra do art. 374 do mesmo Regulamento. Finaliza fazenda referências aos acórdãos deste Conselho nº 10196.751 e 10708.941, bem como à manifestação do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.086.752PR. E pede, assim, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Diz a Lei nº 9.249/95, na redação já atualizada pela Lei nº 9.430/96: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4o (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (negrejouse) A Fiscalização defende que a pessoa jurídica somente pode deduzir, na apuração do lucro tributável, os juros correspondentes à variação da TJLP aplicada sobre o capital próprio no período de referência, ao passo que a contribuinte afirma seu direito de deduzir, no momento da deliberação, também os juros correspondentes à variação daquela taxa em períodos anteriores, mas que ainda não haviam sido contabilizados. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 8 7 Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema. A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos: IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP — PAGAMENTO ACUMULADO — LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE —Ainda que nada obste a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter este sido passível de distribuição , para efeitos de aferição dos limites possíveis de dedutibilidade do encargo, se deve levar em conta os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição. (Acórdão nº 10708.941, sessão de 28 de março de 2007, Relator Conselheiro Natanael Martins) JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL — O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 10196751, sessão de 29 de maio de 2008, Relator Conselheiro Valmir Sandri) Na concepção que orienta estas julgados, os juros são dedutíveis no período de apuração em que haja o pagamento ou crédito, desde que observado o limite legal para sua distribuição, e isto tendo em conta os parâmetros verificados no anocalendário da deliberação. Mais recentemente, o acórdão nº 1402001.179 também foi inspirado por aquele mesmo entendimento. Nas palavras do I. Conselheiro Antonio José Praga de Souza, relator deste último acórdão, no caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinando o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. E acrescenta: antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida, não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência, posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros. A recorrente também reportase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.086.752PR, de cuja ementa extraise: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anos calendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 9 8 II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (Relator Ministro Francisco Falcão, DJe: 11/03/2009, julgamento em 17/02/2009) De outro lado, há jurisprudência administrativa favorável ao entendimento que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Os juros sobre o capital próprio devem ser apropriados com observância do regime de competência, com obediência os limites impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos de lucros acumulados ou do exercício, na data do crédito ou pagamento. (Acórdão nº 19500.023, sessão de 20 de outubro de 2008, Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DESPESAS COM PAGAMENTO A TITULAR, SÓCIOS OU ACIONISTAS. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução dos valores de juros pagos a título de remuneração do capital próprio, autorizada pela Lei n° 9.249/1995, não alcança os juros pagos em períodos anteriores, em vista do regime de competência. (Acórdão nº 140100.348, sessão de 10 de novembro de 2010, Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto) DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. INOBSERVÂNCIA DE REGIME CONTÁBIL. INOCORRÊNCIA Não tratando os autos de registro em período diverso ao que competia a despesa, ou de postergação do pagamento do imposto, descabe apreciar os efeitos preconizados pelas normas regulamentares que disciplinam tais matérias (artigos 247 e 273 do RIR/99). (Acórdão nº 130200.465, sessão de 27 de janeiro de 2011, Relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. (Acórdão nº 120100.348, sessão de 11 de novembro de 2012, Relator designado Conselheiro Marcelo Cuba Netto) A Secretaria da Receita também já se manifestou contrariamente ao entendimento da recorrente, ao editar as seguintes Soluções de Consulta: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 10 9 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores. Dispositivos Legais: RIR/3.000, de 1999, art. 347 e IN SRF nº 11/1996, art. 29. (Solução de Consulta SRRF/6a RF nº 63, de 24 de abril de 2001) JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 78; RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29. (Solução de Consulta SRRF/9a RF nº 32, de 27 de janeiro de 2010) Os julgados administrativos contrários à tese defendida pela recorrente fundamentamse em doutrina que classifica o registro dos juros sobre capital próprio como opcional, de modo a limitar os efeitos da deliberação de crédito/pagamento ao período de apuração no qual auferidos os lucros distribuídos. Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli em Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (36ª ed., São Paulo, IR Publicações, 2011, p. 130), que “(...) a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos). O referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio (Op. cit., p. 131). No mesmo sentido é a manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho em Imposto de Renda das Empresas (3a ed., São Paulo, Atlas, 2006, p. 240242): A partir dos dispositivos legais e regulamentares transcritos ou referidos, é possível inferir que a dedutibilidade de despesa relativa a juros sobre o capital próprio está subordinada a critérios quantitativos objetivos. A existência desses critérios, em princípio, não impede que uma empresa remunere, da forma como melhor lhe aprouver, o capital de seus sócios ou acionistas. De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nessa esfera as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode – no presente – deliberar a respeito dos pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. Há que se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, como visto, a dedutibilidade dos juros sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há um primeiro limite que diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 11 10 outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e além desses critérios existem dúvidas se tais encargos têm a sua dedutibilidade subordinada ou não ao regime de competência. O art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência, o que está correto; o problema é saber quando surge a despesa e quando o atendimento ao regime de competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em que a despesa se torna incorrida, ou seja, quando houve a formação da relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros. Pois bem, o “regime de competência” é um princípio geral que sofre recortes de várias espécies segundo a vontade da lei. Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em cash basis e algumas despesas não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial de imputação temporal dos juros sobre o capital, de modo que é intuitivo que eles devem ser registrados segundo o regime de competência. Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram a regra geral do art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decreto lei nº. 1.598/77, as referidas leis não revogaram expressamente ou tacitamente aquele diploma normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto no parágrafo 1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei posterior revoga a anterior “quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior”. As Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96, embora tenham trazido diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. As leis, nesse caso, se entrelaçam, não se excluem. Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 padece do vício da ilegalidade. Ela tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96. Se a dedutibilidade dos juros estivesse subordinada unicamente ao regime de competência, isto é, se não existissem limites objetivos a serem observados, a eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüência porque a observância – e a eventual inobservância – desse regime não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade. A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital, no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas. O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma deliberação nesse sentido e que não imponha condição suspensiva para o aperfeiçoamento do direito e da correspondente obrigação. Antes da formalização do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm nem mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. Ora, se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública, não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o capital é uma faculdade e, como tal, pode ou não ser Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 12 11 exercida pelos próprios sócios, razão pela qual os juros não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista. Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães bem sintetiza as conclusões extraídas deste texto, no voto condutor do Acórdão nº 130200.465: Do referido texto, que acolho por inteiro, ressalto as seguintes conclusões: 1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência; 2. tratandose de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das disposições do art. 6º do DecretoLei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem de forma expressa em disposição de lei; 3. a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio não se subordina única e exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma tributária impõe limites objetivos; 4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida; 5. do ponto de vista estritamente tributário, os juros sobre o capital próprio, diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista; 6. nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado; 7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores; 8. descabe, no contexto em que as disposições relativas à observância do regime de competência devam ser interpretadas, falarse em postergação do pagamento do imposto; 9. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade. A caracterização do registro de juros sobre o capital próprio como faculdade ou opção é aspecto que envolve, também, a definição de sua natureza. Luís Eduardo Schoueri, em seu artigo Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 13 12 "Nova Contabilidade" (in Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos), 3o volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193), aborda a criação desta dedução em contexto que facilita a compreensão de sua natureza: Os juros sobre o capital próprio devem ser inseridos em contexto mais amplo, tendo em vista que acompanharam a isenção de dividendos. Sob tal perspectiva, parece possível ver nos juros sobre capital próprio uma criativa solução do legislador brasileiro para enfrentar a prática da subcapitalização, ou thin capitalization. Tal prática, que se mostrou corrente em países nos quais a distribuição de dividendos é tributada, consiste em os sócios de determinada sociedade, em vez de aportarem seus investimentos no capital social da referida sociedade, mantêlos como empréstimos. Revelase vantajosa na medida em que as despesas da sociedade com o pagamento dos juros decorrentes de tais empréstimos são dedutíveis, ao passo que os dividendos distribuídos não. Assim, em situações em que tanto os juros quanto os dividendos pagos aos sócios são tributados, é mais vantajoso para os sócios capitalizar suas empresas por meios de empréstimos do que por aportes no capital social, uma vez que o pagamento de juros, diferentemente dos dividendos, é despesa dedutível da sociedade. Para evitar a prática da thin capitalization, países como os Estados Unidos da América estabeleceram alguns limites para a capitalização por meio de empréstimos dos sócios. Com efeito, a legislação desses países estabeleceram diversos métodos para se constatar se a subcapitalização estaria ocorrendo, a exemplo do limite máximo de empréstimos em relação ao valor do capital subscrito e integralizado; uma vez constatada a ocorrência da prática, autorizado ficaria o Fisco a tributar os juros excessivos como dividendos. No Brasil, com o advento da Lei n° 9.249/1995 (produzindo efeitos para o exercício de 1996), os dividendos pagos pelas sociedades brasileiras aos seus sócios ou acionistas, pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou não no País, passaram a ser rendimentos não tributáveis. Conforme reconhecido pela própria Exposição de Motivos do Ministério da Fazenda que acompanhou, à época, o Projeto de Lei n° 913/1995, tratouse de medida de integração entre o imposto de renda da pessoa física e o imposto de renda da pessoa jurídica, com vistas a evitar a incidência do primeiro sobre recursos já tributados pelo ultimo5. O tema da integração da tributação das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, ocupou, nas últimas décadas, estudos e debates nos Estados Unidos e na União Européia6. E dizer, pretendeuse eliminar, com tal expediente, a dupla tributação econômica. Conferirse isenção aos dividendos recebidos pelos acionistas ou sócios é método tradicional para evitarse a dupla incidência econômica do imposto, cuja adoção já foi considerada pelo Departamento do Tesouro norteamericano em estudo sobre os diversos "protótipos" de integração7. Daí encontrarse nos juros sobre capital próprio expediente criativo para se evitar a thin capitalization. Em face da isenção dos dividendos recebidos então estabelecida, e que passou a diferenciar o modelo brasileiro daquilo que se encontrava, via de regra, no direito comparado, a solução adotada seguiu caminho inverso à experiência internacional. Enquanto alhures se conferia aos juros a indedutibilidade própria de dividendos, o Brasil inovava, permitindo que se deduzissem os juros sobre o capital próprio, equiparandoos, portanto, ao tratamento tributário de juros propriamente ditos. Os "juros sobre o capital próprio" têm a finalidade de permitir ao sócio ou acionista perceber um rendimento equivalente ao que receberia se buscasse outra aplicação financeira de longo prazo. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 14 13 Assim, consoante a disciplina do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995, a sociedade paga uma remuneração a seus acionistas e reconhece o valor como uma despesa dedutível, abatendoa de seu lucro tributável8. Ao mesmo tempo, tais valores encontramse sujeitos à retenção na fonte, no momento do pagamento ao acionista, à alíquota de 15%. Desincentivase, pois, a capitalização das sociedades por meio de empréstimos, ou subcapitalização, já que ela não é necessária para se conseguir a dedutibilidade dos pagamentos aos sócios. A este respeito, assinalou a Exposição de Motivos que acompanhou o Projeto de Lei do qual derivou a Lei n° 9.249/1995: "A permissão da dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras, capacitandoas a elevar o nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia." [...] (negrejouse) Na seqüência, descrevendo o debate existente na doutrina acerca da natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio, referido autor conclui que a divergência existente resulta da tentativa de enquadrar os juros sobre o capital próprio nas categorias de Direito Civil, e assume razoável tomálos como vero conceito de Direito Tributário, sem qualquer amparo em categorias do Direito Privado. Daí que: Afastandose qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital. O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica de custo de oportunidade, entendida enquanto renúncia, pelo agente econômico, dos benefícios derivados de determinado investimento em função do potencial de lucro superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o lucro do negócio, sob uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se desconsiderado o lucro sobre o capital. [...] A natureza de remuneração do capital emprestada ao instituto constante do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995 permite que se concretizem as exigências do princípio da igualdade e da capacidade contributiva. [...] É neste ponto que se revela, a partir de uma perspectiva essencialmente tributária, a relevância dos juros sobre o capital próprio. Tal instituto, ao permitir que as empresas que se valem de recursos de seus próprios sócios ou acionistas tomem a dedutibilidade dos valores pagos enquanto remuneração pelo referido capital, restabelece a igualdade destes em relação a contribuintes que, com igual capacidade econômica, façam uso de capital emprestado por terceiros. [...] Em síntese, por meio dos juros sobre capital próprio, assegurase igual tratamento tributário à atividade empresarial, afastandose a diferenciação por conta da origem de seu capital (próprio ou de terceiros). Do ponto de vista do investidor, também, se concretiza a igualdade, naquilo que se equiparam ambas as situações. Se é verdadeira a premissa de que do lucro obtido na atividade empresarial, uma parte corresponde à remuneração do capital e outra, à atividade produtiva, então não há razão para a remuneração do capital Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 15 14 proveniente de aplicações financeiras ter tratamento diferente daquele mesmo capital investido na empresa. Daí a tributação exclusiva na fonte. [...] Tais considerações, intimamente relacionadas com o conceito econômico de custo de oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que é dedutível. E dizer, do ponto de vista tributário, a situação apresentase tal qual como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (negrejouse) Abordando a questão, expõe Alberto Xavier, em Natureza Jurídico Tributária dos “Juros sobre Capital Próprio” face à Lei Interna e aos Tratados Internacionais (in Revista Dialética de Direito Tributário, nº 21, Junho de 1997, p. 7/11), que o “juro sobre capital próprio” outra coisa não é que um resultado distribuível da companhia sujeito a regime fiscal especial” e “opcional para os lucros distribuíveis que se enquadram no duplo limite atrás referido”. E acrescenta: Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados não excederem o duplo limite atrás referido, a sua totalidade pode beneficiarse da dedução fiscal, muito embora o contribuinte possa optar por submeter apenas parte ao regime de dedutibilidade, ficando a outra parte sujeita ao regime comum. Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados excederem o duplo limite, só poderão beneficiar da dedução fiscal até o referido limite, ficando no remanescente sujeitos ao regime tributário geral. Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquele que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado: Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. Como bem disse a recorrente, se a pessoa jurídica optar por não assumir esse encargo, não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em uma despesa decorrente de uma obrigação inexistente ou cujo provisionamento não se justifica contabilmente. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 16 15 Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no anocalendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. Pertinente observar que, neste contexto, não há que se falar em inobservância do regime de escrituração, e de eventual antecipação de pagamento dos tributos incidentes sobre o lucro. A tributação foi devida no passado porque a sociedade não optou por destacar parte da base de cálculo como juros sobre capital próprio, e assim descaracterizála como lucro. Como bem observou o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no voto condutor do Acórdão nº 130200.465: As disposições dos artigos 247 e 273 do RIR/99, não custa repisar, não guardam relação com a matéria submetida a exame, eis que não estamos diante nem de valores que competem a outro período de apuração nem de postergação de pagamento de imposto. Despicienda, assim, a análise dos efeitos decorrentes da aplicação dos dispositivos acima mencionados. No que diz respeito ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, cabe, apenas, destacar a ausência de efeito vinculante. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 17 16 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13830.902068/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.902062/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 20 68 /2 00 9- 41 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.902068/200941 Acórdão n.º 1402003.728 S1C4T2 Fl. 3 2 Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de PIS (código de receita 8109) e COFINS (código de receita 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ:2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcornp (...), ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/18 na qual alega, em síntese, que: a) na DIPJ anobase de 2004, a Recorrente apurou crédito fiscal suficiente a embasar os pedidos de compensação; b) os créditos originaram recolhimento a maior, já que as estimativas recolhidas com base em balancetes de suspensão e redução do imposto superaram o valor devido do exercício, no montante de (...), no ano calendário de 2004; c) a utilização do saldo recolhido a maior para compensação com outros tributos administrados pela RFB é legitima. Ao final, requer a homologação da declaração de compensação apresentada por embasarse em crédito legitimo. A DRJ, decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade por dois motivos, sendo o primeiro com base na impossibilidade de se compensar crédito originado de pagamento indevido ou a maior de estimativa no próprio mês e o segundo fundamento é pautado na falta de documentação para comprovar a liquidez e certeza do crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou a alegação de que o direito a restituição deve seguir o entendimento que aplica cumulativamente o artigo 165 e o artigo 150, parágrafo quarto do CTN (ou seja a tese dos 5 + 5). É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.902068/200941 Acórdão n.º 1402003.728 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.720, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13830.902062/2009 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.720): Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será aplicado aos demais processos vinculados. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Apesar de um dos fundamentos do v. acórdão para manutenção do indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação ter sido pautado na impossibilidade de se compensar o valor pago a maior da estimativa no próprio mês, contrariando a Súmula CARF 84, o principal motivo utilizado para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi a falta de provas para comprovar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário rebatendo o primeiro fundamento do v. acórdão que não integra a motivação do r. Despacho Decisório e acostou o Livro Razão que demonstra apenas a escrituração das Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.902068/200941 Acórdão n.º 1402003.728 S1C4T2 Fl. 5 4 antecipações, para tentar comprovar a liquidez e certeza do crédito. Entretanto, apenas o Livro Razão não é suficiente para comprovar a existência e regularidade do crédito em discussão nos autos, conforme muito bem explicado na decisão "a quo", que demandou a demonstração da apuração da base de cálculo e do tributo devido. Desta forma, como o r. Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação por ter considerado que tal montante relativo a pagamento a maior da estimativa teria sido utilizado para extinguir outros débitos da própria Recorrente e como não foi apresentado nos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar a certeza e liquidez do crédito, não resta alternativa senão manter o v. acórdão, deixando de reconhecer o crédito e não homologar a compensação requerida. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727927/2017-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017
AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder-dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
É indevida a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir decadência do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória.
AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE.
A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescissória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados.
Numero da decisão: 3302-006.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder-dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É indevida a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir decadência do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória. AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE. A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescissória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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DE SEGUROS PREVIDÊNCIA DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É indevida a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir decadência do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória. AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 79 27 /2 01 7- 11 Fl. 3914DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 3 2 A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescissória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/BHE nº 0278.278, da 6ª Turma, proferido na sessão de 09 de março de 2018: Tratase de Auto de Infração AI relativo ao período de janeiro de 2013 a março de 2017 por meio do qual se exige Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Relatório da Ação Fiscal Por meio do Relatório da Ação Fiscal de fls. 3.620/3.628 a Autoridade lançadora esclarece que: Contencioso judicial relativo à Cofins A Fiscalizada é uma sociedade anônima fechada que tem como objetivo a exploração e operação de seguros de pessoas e danos em todo o território nacional, podendo participar de outras sociedades como sócia ou acionista. Este procedimento fiscal é similar ao desenvolvido nas fiscalizações dos períodos de julho de 2008 a dezembro de 2011, no qual foi lavrado o Auto de Infração nº 11080.725641/201377 e janeiro de 2012 a dezembro de 2012, no qual foi lavrado o Auto de Infração 11080.722155/201569, ambos referentes a Cofins. Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 4 3 A empresa impetrou mandado de segurança com o objetivo de desobrigála do recolhimento da Cofins nos termos previstos na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e com retorno à hipótese do parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Obteve decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça STJ no sentido de que a isenção concedida no parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº 70, de 1991, não foi revogada pelo parágrafo 5º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. A decisão transitou em julgado em primeiro de dezembro de 2008. Contudo, no ano de 2010 a Fazenda Nacional ingressou com uma ação rescisória perante o STJ com o objetivo de desconstituir a decisão judicial obtida nos autos do mandado de segurança, tendo sido deferido o pedido de antecipação de tutela para suspender os efeitos do acórdão rescindendo até o julgamento da ação rescisória. A antecipação de tutela deferida, para fins de suspensão da eficácia do acórdão rescindendo, implica restabelecimento da obrigatoriedade de o contribuinte recolher a Cofins nos termos dos parágrafos 5º, 6º e 7º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. A Fiscalizada, visando evitar cobranças indevidas em decorrência da decisão provisória obtida na ação rescisória, interpôs medida cautelar em que houve a concessão de medida liminar para suspender a exigibilidade dos créditos tributários em discussão. Na petição inicial da medida cautelar incidental consta como pretensão da empresa tão somente a suspensão da exigibilidade de crédito tributário da Cofins objeto da Certidão da Dívida Ativa CDA nº 00.6.13.0043580 (Processo Administrativo 11080.004601/200316) e da CDA nº 00.6.13.0032627 (Processo Administrativo 11080.011595/199951). Declarações e registros contábeis da Fiscalizada Constatouse, no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON e na Escrituração Fiscal Digital EFD Contribuições, relativas aos anos de 2013, 2014, 2015, 2016 e primeiro trimestre de 2017, que todos os campos relativos à Cofins estavam zerados, embora existissem informações das bases de incidência do Programa de Integração Social PIS. Também não houve declaração em DCTF. Os valores das bases foram confirmados pelo contribuinte em suas respostas e pela Fiscalização na auditoria realizada, assim como na contabilidade da empresa. Observouse, ainda, que nenhum recolhimento de Cofins foi realizado, tampouco houve depósito judicial. Valores apurados e multa de ofício Fl. 3916DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 5 4 Elaborouse tabela onde estão elencados os valores das bases de cálculo e retenções na fonte da Cofins para os meses de janeiro de 2013 a março de 2017. Sobre os valores apurados efetuouse o presente lançamento com multa de ofício de 75%, conforme determina o inciso I, do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A discriminação do valor da contribuição apurada, dos juros de mora e da multa, bem como os respectivos enquadramentos legais e o prazo para pagamento ou impugnação estão contidos no Auto de Infração e anexos. Impugnação A Autuada apresentou a impugnação de fls. 3.637/3.648, aduzindo, em síntese, que: Suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de Cofins ainda discutidos em ação rescisória. Imposição indevida de multa de ofício Tratase de caso idêntico ao tratado no Processo Administrativo nº 11080.725641/201377, envolvendo a Impugnante, em cujo julgamento a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF decidiu pelo afastamento da multa de ofício justamente em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído no bojo do referido processo, até que fosse proferida decisão definitiva no âmbito da ação rescisória. A Autoridade Administrativa reconheceu na fundamentação do AI ora impugnado que o cerne desta autuação corresponde ao mesmo assunto tratado nos autos do processo administrativo supramencionado. Os créditos tributários de Cofins encontramse com a exigibilidade suspensa até a decisão definitiva no âmbito da ação rescisória, razão pela qual não merecem prosperar os termos em que foi lavrada a presente autuação, no que toca a aplicação da multa de ofício. A pretensão da Impugnante na ação cautelar era de obter o reconhecimento da suspensão de todos os atos e efeitos de cobranças futuras até o julgamento final da ação rescisória ainda em curso. No momento em que foi concedida a medida liminar restou determinada a suspensão de todos os atos e os efeitos de cobrança, assim como as cobranças vinculadas aos débitos de Cofins até então constituídos e já inscritos em Dívida Ativa da União (Processo Administrativo nº 11080.004601/200316 e Processo Administrativo nº 11080.011595/9951). A decisão que antecipou a tutela na ação rescisória, para meramente suspender os efeitos do acórdão rescindendo, nunca autorizou a cobrança da Cofins antes do julgamento definitivo Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 6 5 do feito, de modo que os créditos desta contribuição sempre estiveram inexigíveis, mormente após a concessão da antecipação de tutela, restando ao Fisco tão somente a possibilidade de exercer seu direito de constituílo para fins de prevenção de decadência, sem a imposição de multa de oficio, tal como preconizado no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Verificase, ainda, que em momento algum foi apontado no AI o intuito da mera prevenção de decadência, extrapolando, assim, os limites da tutela antecipatória concedida à Fazenda Nacional na ação rescisória e, por conseguinte, afrontando a decisão que deferiu a medida liminar na ação cautelar para reconhecer expressamente a suspensão da exigibilidade da Cofins. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF possui entendimento sumulado no sentido de que não cabe imposição da multa de ofício nos lançamentos em que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa por medida liminar em ação judicial (Súmula CARF nº 17). Não incidência de Cofins sobre receitas decorrentes das atividades desenvolvidas pelas companhias seguradoras Conforme decidido Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.0846, em que reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, a base de incidência da Cofins se restringe exclusivamente ao faturamento do contribuinte, assim entendido a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. No que tange as receitas de prêmios de seguro consideradas no AI, isto é, os valores recebidos pela Impugnante pelos contratos de seguro que celebra, fundamental ressaltar que uma companhia seguradora não vende mercadorias ou presta serviços, já que se limita a indenizar o resultado desfavorável de danos causados aos beneficiários do seguro. Assim, tendo em vista que a Impugnante não se inclui (i) entre as empresas vendedoras de mercadorias; (ii) entre as prestadoras de serviços; e (iii) entre as empresas mistas vendedoras de mercadorias e prestadoras de serviços, não há dúvidas de que ela não pode ser classificada como contribuinte da Cofins, razão pela qual se impõe o afastamento da integralidade do presente crédito tributário. Não merecem prosperar, igualmente, quaisquer alegações de que o faturamento corresponde à receita bruta oriunda não apenas da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais. Tal entendimento somente poderia ser admitido a partir de janeiro de 2015, quando começou a vigorar a Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, que determinou que o faturamento a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, passasse a compreender Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 7 6 a receita bruta de que trata a nova redação do artigo 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. As receitas financeiras auferidas pela Impugnante evidentemente não decorrem de atividade típica do ramo securitário, bem como qualquer outra receita patrimonial, sendo certo que o CARF já afastou a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras de seguradoras. As receitas financeiras e patrimoniais estão fora do campo de incidência da Cofins, ainda que se admita que o conceito de faturamento corresponde à receita bruta oriunda do exercício das atividades empresariais do contribuinte, já que tais receitas “não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário”. Pedidos Pleiteia a Interessada, ao fim, que seja acolhida a impugnação para desconstituir integralmente o presente AI, já que lavrado em desconformidade com a decisão proferida na ação cautelar e com os ditames do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, bem como em razão de que as receitas auferidas pela Impugnante não se coadunam com o conceito de faturamento para fins de incidência da Cofins, na forma da redação originária da Lei nº 9.718, de 1998 e conforme entendimento do STF. Na hipótese de não acolhimento do pleito anterior, requer a exclusão da multa de ofício, bem como o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da ação rescisória, haja vista a conexão da exigibilidade dos créditos constituídos com o resultado definitivo de tal ação. A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação da recorrente, por unanimidade de votos, sendo seus fundamentos resumidos na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 REGIME CUMULATIVO. RECEITA BRUTA. ABRANGÊNCIA. A jurisprudência do STF e do STJ se consolidou no sentido de que o conceito de receita bruta, para fins de incidência da Cofins, não abarca apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Após a vigência da Lei nº 12.973, de 2014, a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço da prestação de serviços em geral, o resultado auferido nas operações de conta alheia e as outras receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 8 7 LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL SUSPENDENDO A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade não esteja suspensa por medida judicial caberá lançamento com aplicação de multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo analisado. I Concomitância Identidade de objeto de matéria discutida em ação judicial e defesa administrativa A recorrente no mandado de segurança nº 1999.71.00.0126706, pleiteou e obteve provimento judicial no sentido de ser desobrigada do recolhimento da COFINS nos termos trazidos pela Lei nº 9.718/19, requerendo a retomada da sistemática de recolhimento prevista na Lei Complementar 70/91. Em seu recurso voluntário a recorrente discute novamente a matéria já debatida na ação judicial, o que não é possível, pois, uma vez levado ao judiciário a discussão, seja ela anterior, concomitante ou posterior ao procedimento administrativo, abre mão o contribuinte do contencioso administrativo. Tal fato é tratado em Súmula editada pelo E. CARF, vejamos: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 9 8 Destarte, não se toma conhecimento dessa parte do recurso impetrado pela recorrente. II Mérito A matéria colocada para análise e decisão no presente processo já foi objeto de decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, em sessão realizada em 17 de setembro de 2014, acórdão nº 3102002.283, de lavra do I. Conselheiro José Fernandez do Nascimento. A diferença da presente demanda consiste, exclusivamente, no período de apuração, 01/07/2008 a 31/12/2011, no processo acima mencionado e, no nesse 01/01/2013 a 31/03/2017. Desta forma, uma vez tratar de matéria idêntica e por comungar do mesmo entendimento, peço vênia para adotar como minhas as razões de decidir esposadas no acórdão 3102002.283, colacionada abaixo: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese a duas questões: a) extinção do crédito tributário lançado, nos termos do art. 156, X, do CTN, em face da decisão transitada em julgado, proferida no âmbito do Mandado de Segurança n° 1999.71.00.0126706 (REsp n° 336.280/RS); e b) impossibilidade de aplicação da multa de ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada pela decisão judicial proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS, promovida pela recorrente. Da extinção do crédito tributário lançado. A recorrente alegou a improcedência da autuação, com base no argumento de que, por força do disposto no art. 156, X, do CTN, o crédito tributário lançado fora extinto pela referida decisão judicial, com trânsito em julgado em 1/12/2008, que não poderia ser restabecidos com fundamento em mera decisão antecipatória de tutela concedida na Ação Rescisória nº 4.596/RS. A alegação da recorrente não procede, haja vista que, com a finalidade de desconstituir a citada decisão judicial favorável a autuada, por meio da Ação Rescisória nº 4.596/RS, ajuizada perante o STJ, a União Federal/Fazenda Nacional obteve o deferimento do pedido de antecipação de tutela, para suspender os efeitos do acórdão rescindendo até o julgamento da ação rescisória. Dessa forma, se o efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos pela citada medida de antecipação de tutela, por força do disposto no art. 142 do CTN, e sob pena de responsabilidade funcional, a autoridade fiscal deveria exercer o poderdever de proceder o lançamento do crédito tributário. Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 10 9 Aliás, nesse sentido, a autoridade fiscal lançadora, expressamente, consignou o Relatório de Ação Fiscal (fls. ...), integrante do questionado Auto de Infração, que lançamento visava “resguardar os interesses da Fazenda Nacional com relação aos fatos escritos, não impedindo a realização de novas fiscalizações dentro do prazo decadencial”. Logo, a autuação em questão foi realizada em consonância com o que determina o referido preceito legal, não havendo qualquer mácula que possa conspurcar a sua legitimidade. No que tange à alegação da recorrente de que houve afronta ao princípio da segurança jurídica, uma vez que se tratava de um direito advindo de pronunciamento jurisdicional já transitado em julgado, a meu ver, tratase de questão que não cabe a este Colegiado se manifestar a respeito, posto que se trata de matéria relativa aos efeitos da coisa julgada, ponto que, certamente, será dirimido no âmbito do julgamento da referida Ação Recissória (sic), não tendo qualquer efeito prático ou jurídico o pronunciamento deste Colegiado sobre a questão, ante prepoderância da decisão proferida na esfera do Poder Judiciário. Por essas razões, rejeitase a alegação de improcedência do lançamento do crédito tributário objeto da autuação em questão. Da impossibilidade de aplicação da multa de ofício e da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. A recorrente alegou a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada pela decisão judicial proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS. Assiste razão à recorrente. Com efeito, de acordo com extrato de fls. 4713/4715, em 20/3/2013, a autuada ingressou com a Medida Cautelar nº 20.749, perante o STJ, tendo sido deferida a medida liminar, em 11/4/2013, para fim de suspender “a exigibilidade do crédito tributário em discussão até ulterior deliberação desta Corte”. Em 15/4/2013, a referida decisão foi publicada no Diário de Justiça. No corpo da referida decisão (fls. ......), há autorização expressa para a autoridade fiscal realizar o lançamento do crédito tributário em questão, nos termos do art. 142 do CTN e 63 da Lei 9.430/1996, com vista a prevenir a decadência, enquanto não sobrevier o trânsito em julgado da sentença, conforme explicitado no excerto a seguir reproduzido: É certo que, com a suspensão dos efeitos do acórdão rescindendo, cabe à autoridade administrativa proceder ao lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN e 63 da Lei 9.430/99. O Superior Tribunal de Justiça já assentou que a Fl. 3922DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 11 10 suspensão da exigibilidade do crédito tributário por ordem judicial não determina a impossibilidade de a Fazenda Pública proceder ao lançamento tributário, de modo a prevenir a decadência, enquanto não sobrevier, naturalmente, o trânsito em julgado da sentença. (grifos não originais) De acordo com subitem 3.1 do referido Relatório de Ação Fiscal (fls. .....), verificase que a autuação em questão foi realizada com respaldo na decisão de antecipação tutela deferida em favor da Fazenda Nacional, no âmbito da citada Ação Rescisória, que suspendeu os efeitos do acórdão rescindendo, proferido pelo STJ no julgamento do REsp n° 336.280/RS. Da leitura da referida decisão (fls. 3226/3228), verificase que não havia qualquer determinação acerca da suspensão da exigibilidade de eventual crédito tributário lançado. Entretanto, no dispositivo da decisão proferida no âmbito da referida Medida Cautelar nº 20.749 foi esclarecido que o lançamento era para prevenir a decadência. Dessa forma, ainda que o procedimento fiscal tenha se iniciado antes da referida decisão liminar, dada a sua natureza interpretativa, inequivocamente, ela deve retroagir, inclusive, para alcançar os lançamentos anteriormente realizados. Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 63 da Lei 9.430/1996, deve ser afasta a exigência da multa de ofício aplicada. Pela mesma razão, impõese a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até porque consta da referida decisão expressa menção neste sentido, conforme se infere do teor do trecho que segue reproduzido: De outra parte, todavia, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, impõese assegurar ao contribuinte, igualmente, o direito de não se submeter, desde logo, à míngua de urgência, às exigências tributárias decorrentes da possível rescisão do acórdão. Com efeito, se por um lado há urgência em conferir à Fazenda Nacional o direito de não pagar imediatamente o que fora reconhecido ao contribuinte no acórdão rescindendo, por outro não se pode olvidar que a coisa julgada ainda não foi desconstituída. Tão somente seus efeitos foram suspensos, por força da decisão que proferi nos autos da AR 4.596/RS. (grifos não originais) Com base no exposto, em consonância com disposto no art. 151, V, do CTN, e no que determina o art. 63 da Lei 9.430/1996, deve ser afastada a multa de ofício aplicada e suspensão da exigibilidade do crédito objeto do auto de infração em apreço, até que seja proferida a decisão definitiva no âmbito da Ação Rescisória nº 4.596/RS. Da conclusão. Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 12 11 Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para afastar a aplicação da multa de ofício e determinar suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, até que seja proferida a decisão definitiva no âmbito da Ação Rescisória nº 4.596/RS. Ressaltase que em pesquisa realizada no site do STJ, os processos judiciais acima mencionados continuam em andamento, não havendo decisão definitiva em nenhum deles, sendo certo que a decisão obtida pela recorrente na ação cautelar que suspende a exigibilidade dos créditos tributários continua vigente, observese: Fl. 3924DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 13 12 III Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício.. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 3925DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.905945/2008-59
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, fazse necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 59 45 /2 00 8- 59 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.905945/200859 Acórdão n.º 3003000.173 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 41909.84207.311005.1.7.046022, cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente ao período de apuração de fevereiro de 2004 (data da arrecadação 15/03/2004), no valor original na data de transmissão de R$ 14.019,12. Após processada, foi exarado o Despacho Decisório (efls. 02), emitido em 18/07/2008, no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese, ter feito a retificação da DCTF conforme as informações do PER/DCOMP em 15/08/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 10 039.830. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o recolhimento já estaria vinculado a um débito declarado em DCTF e a falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, sustentando que a apuração mensal do tributo estaria de acordo com a DIPJ . É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11080.905945/200859 Acórdão n.º 3003000.173 S3C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior da Cofins, do período de apuração de fevereiro de 2004, conforme declarado na DCTF retificadora do 1° Trimestre de 2004, apresentada em 15/08/2008 e refletido na correspondente DIPJ. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Da mesma forma fundamentouse a decisão de primeira instância, ressaltando que a retificação da DCTF se deu posteriormente à apresentação da DCOMP. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De fato não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010, abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11080.905945/200859 Acórdão n.º 3003000.173 S3C0T3 Fl. 5 4 (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No entanto, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 15/08/2008, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da Cofins referente ao período de apuração em discussão e confirmar as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000188/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontram-se fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao ano-calendário de 2001.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO
Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados
TAXA DE JUROS SELIC
Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
Numero da decisão: 2401-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário apurado referente ao ano-calendário 2001.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontram-se fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao ano-calendário de 2001. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
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FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontramse fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao anocalendário de 2001. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 88 /2 00 7- 32 Fl. 243DF CARF MF 2 Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário apurado referente ao anocalendário 2001. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1730.467 (fls. 189/202): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 3 3 Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o interessado, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos, informações, esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. Documentos apreendidos pela Polícia Federal ainda permanecem acessíveis para pedido de cópias. A omissão do interessado quanto a essa providência não pode beneficiálo com a caracterização do cerceamento de defesa. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A existência de pagamento antecipado, decorrente de apuração do imposto, é requisito essencial para a caracterização do lançamento por homologação. Na sua ausência, aplicase o art. 173, I, do CTN e o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetua. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR. Os rendimentos presumidamente omitidos com base no artigo 42, da Lei 9.430/96, estão sujeitos ao ajuste anual e, por isso, o fato gerador é anual e ocorre no dia 3l de dezembro do correspondente ano. Tratase de rendimentos cuja origem é desconhecida e, dessa forma, não podem ser considerados de tributação exclusiva ou definitiva, únicas hipóteses, no caso do IRPF, de ocorrência de fato gerador mensal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DESCONSIDERAÇÃO DE VALORES INFERIORES AO LIMITE LEGAL. A legislação prevê a exclusão de valores inferiores a R$ 12.000,00 desde que o somatório seja inferior a R$ 80.000,00 no anocalendário, o que não se aplica ao presente caso. METODOLOGIA DE APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. O lançamento com base em acréscimo patrimonial tem fundamento legal na Lei n.° 7.713/88 e sistemática de apuração própria, distinta da que se aplica à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, origem do presente auto de infração. Fl. 245DF CARF MF 4 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considera se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. Lançamento Procedente. O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 147/152), lavrado contra o Contribuinte em 30/08/2007, relativo aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, decorrente de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica e Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no qual é exigido R$ 151.794,67 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 113.846 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 109.406,63 de Juros de Mora, calculados até 31/07/2007, ficando o Crédito Tributário no valor total de R$ 375.047,30. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 148/151), temos que: 1. O Contribuinte não declarou os rendimentos de trabalho assalariado recebidos de H & S Trading Importadora e Exportadora Ltda., no ano de 2003, no valor de R$ 6.184,05 com Imposto Retido na Fonte de R$ 321,04; 2. O Contribuinte não comprovou a origem dos rendimentos que serviram de base para os depósitos / créditos efetuados em suas contas corrente e de poupança, mantidas junto aos bancos Bradesco e Citibank, nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, pessoalmente, em 30/08/2007 (fl. 147) e, em 27/09/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 170/181. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1730467, em 11/03/2009 a 10ª Turma resolveu, por maioria de votos, rejeitar as preliminares arguidas e julgar procedente o lançamento, mantendo o Crédito Tributário exigido. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio, em 14/04/2009 (AR fl. 206) e, inconformado com a decisão prolatada, em 13/05/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 215/242, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta sobre: 1. A nulidade da Autuação Fiscal por falta de provas da efetiva omissão de rendimentos (Item II.1 219/221); 2. A Decadência do Crédito tributário decorrente de fatos geradores ocorridos em 2001, uma vez que, no caso em tela, o tributo está sujeitos ao lançamento por homologação e por essa razão têm seu prazo decadencial contado a partir da ocorrência do fato gerador, conforme preconiza o Art. 150, § 4º, do CTN (Item II.2 fls. 221/224); 3. A omissão de supostos rendimentos baseandose unicamente na existência de depósitos bancários (Item II.3 fls. 224/227); Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 4 5 4. A inaplicabilidade da Taxa Selic como indexador dos juros moratórios (Item II.4 fls. 227/233). Finaliza seu RV requerendo seu conhecimento e o acolhimento das preliminares levantadas a fim de cancelar a exigência fiscal ou, caso assim não se entenda, seja dado provimento para reformar o Acórdão recorrido afastando definitivamente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência Aduz o Recorrente que o crédito tributário apurado relativo aos fatos geradores ocorridos em 2001 estariam fulminados pela decadência, tendo em vista que o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 30/08/2007, conforme a contagem do prazo decadencial quinquenal na forma do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física é anual, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário do recebimento dos rendimentos. Nesse contexto, à luz do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os rendimentos dos depósitos bancários encontramse sujeitos à aplicação da tabela progressiva, que conduz ao ajuste anual. Dessa forma, após longo debate no contencioso administrativo acerca da matéria este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) consolidou o entendimento através da Súmula nº 38, conforme o teor abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Fl. 247DF CARF MF 6 Dessa forma, para fins de contagem do prazo decadencial nos tributos lançados por homologação, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, salvo na hipótese da inexistência de pagamento parcial ou da comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, situação que atrai a regra prevista no CTN, art. 173, I, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, conforme Declaração de Ajuste Anual (fls. 153), houve o recebimento de rendimentos tributáveis com imposto de renda retido na fonte, o que atrai a regra do CTN, art. 150, § 4º, nos termos da Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Assim, como o Auto de Infração é relativo aos anos calendário de 2001 a 2003, ocorrendo o fato gerador no dia 31 de dezembro do anocalendário, e dado que a ciência do lançamento ao sujeito passivo foi perfectibilizada em 30/08/2007, encontramse fulminados pela decadência os fatos geradores relativos ao anocalendário de 2001. Nulidades do lançamento O contribuinte alega a nulidade do lançamento e para tanto assevera que a Fiscalização procedeu ao lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF sem fazer prova da efetiva omissão de rendimentos. Destarte, o auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que estabelece a caracterização de omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente autuante, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. Dessa forma, indefiro a preliminar suscitada. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada A despeito da matéria, o legislador federal estabeleceu a presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I Os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. Nesse caso, não há necessidade do Fisco comprovar o consumo da renda relativa à referida presunção, conforme entendimento já pacificado no âmbito do CARF, através do enunciado da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Como se vê, para a caracterização da omissão necessário se faz a intimação do sujeito passivo objetivando a comprovação da origem dos depósitos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 249DF CARF MF 8 Da Comprovação da origem dos valores depositados O contribuinte traz alegações gerais quanto à legitimidade da presunção da existência de rendimento tributável quando não comprovada a origem dos depósitos. Assevera que o valor de R$ 1.006,50, depositado em 23.10.2001, na conta do Bradesco advém de resgate de título de capitalização. Afirma que os valores de R$ 1.000,00 (depositado em 30/09/2002), R$ 271,00 (depositado em 22/04/2002), R$ 270,00 (depositado em 08/05/2002), R$ 8.400,00 (depositado em 10/09/2003) e R$ 1.960,00 (depositado em 17/11/2003), decorrem de contratação de empréstimos pessoais com o Citibank. Conforme divulgado no próprio site do Citibank, o “Citiplan” e o “Citicrédito". Com efeito, as alegações apresentadas pelo contribuinte são vagas, e sem comprovação efetiva, através de prova documental, de que alguns depósitos se tratam de empréstimos e outro decorrente de resgate de título de capitalização. Não há na peça recursal, um esforço do contribuinte objetivando fazer a correlação entre os valores depositados e os fatos alegados, sem, no entanto, apresentar argumentos convincentes para combater a caracterização da omissão apontada. Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados, de maneira individualizada. O Recorrente, não logrou refutar a presunção apontada. Embora as informações, palavras, códigos, contidos nos extratos sirvam para indicar uma provável existência de determinada movimentação financeira, não se prestam, de forma isolada, para comprovar a origem dos depósitos bancários por falta de demonstração e correlação como prova válida. As deduções expressamente autorizados em lei são aquelas relativas à transferência entre contas, cheques devolvidos e exclusão de créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, o que foi feito pela fiscalização. Assim, com base nos elementos inseridos no processo administrativo fiscal, não há reparos a serem feitos no lançamento, devendo ser mantida a exigência fiscal. Juros SELIC Contesta ainda a aplicação da SELIC na apuração do crédito tributário em discussão Contudo, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta feita, correta a aplicação da taxa de juros SELIC no lançamento fiscal. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 6 9 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para declarar a decadência referente ao ano calendário de 2001. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000068/2005-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 00 68 /2 00 5- 42 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 99 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 19/24) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 1999, onde se apurou: Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. De acordo com o Demonstrativo das Infrações (efls. 24), a glosa foi realizada devido à não coincidência entre os valores declarados e as informações consignadas em DIRF pelas fontes pagadoras e por não ter o contribuinte, após intimado, comparecido para prestar esclarecimentos. O sujeito passivo apresentou impugnação (efls. 03/04), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 64): Em resumo, o contribuinte argumentou que o Imposto de Renda Retido na Fonte que foi glosado corresponde aos rendimentos percebidos de quatro fontes pagadoras, por prestação de serviço, conforme demonstrativo abaixo: Fontes Pagadoras CNPJ Valor dos Rendimentos Valor do IRRF Prefeitura Municipal de Peri Mirim 41.611.856/000180 30.000,00 3.930,00 Prefeitura Municipal de São Bento 06.214.258/000177 36.000,00 5.580,00 Prefeitura Municipal de Lago da Pedra 06.021.810/000100 22.529,00 4.035,48 Prefeitura Municipal de Axixá 06.008.569/000180 24.000,00 2.280,00 112.529,00 15.825,48 Na impugnação, o contribuinte informou, ainda, que prestou serviços às fontes pagadoras e que os rendimentos foram devidamente informados na Declaração de Ajuste Anual. Informou, ainda, que cada fonte pagadora apresentou a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, fato que ocorreu após o lançamento do Auto de Infração. A Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte foi apresentada, em 30/12/2004, em nome da cada fonte pagadora. Como prova, o contribuinte carreou aos autos cópias dos Recibos de Entrega das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRFs, apresentadas em nome da cada fonte pagadora, documentos anexados às fls. 25/36. Os julgadores da 1ª Turma da DRJ/FOR decidiram converter o julgamento em diligencia (efls. 46/48) para que as fontes pagadoras fossem intimadas a comprovar os pagamentos feitos ao contribuinte no ano calendário 1998 e a respectiva retenção do IRRF, conforme indicado nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte apresentadas em 30/12/2004 (efls. 25/36). Extraise da Informação Fiscal (efls. 61) que: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 100 3 1) A Prefeitura de Lago da Pedra informou que não foi possível prestar as informações solicitadas por não encontrar nos seus arquivos os documentos solicitados (fls. 54); 2) A Prefeitura de Axixá enviou Ofício, com data de 22/06/2011, solicitando dilação do prazo por mais vinte dias face à dificuldade de localizar os documentos solicitados (fls. 55). Esse expediente foi recepcionado em 05/07/2011, porém, até a presente data nenhuma outra resposta foi apresentada. As Prefeituras de Peri Mirim e de São Bento não apresentaram resposta até a presente data. A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR (efls. 63/68) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:1998 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. FALTA DE DIRF. Para efeito da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte com o Imposto Devido apurado na Declaração de Ajuste Anual, devese apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos. Cientificado do acórdão de primeira instância em 28/06/2012 (efls. 72), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 27/07/2012 (efls. 75/77) apresentando uma breve descrição dos fatos ocorridos e solicitando que o Auto de Infração seja julgado improcedente pelas razões a seguir reproduzidas. 4.1.1 que a glosa do Imposto Retido na Fonte, tipificação da Infração que deu origem ao Lançamento ora questionado, deixe de existir, tendo em vista a DIRF ter sido apresentada pelas Fontes Pagadoras, saneando a irregularidade até então existente; 4.1.2 A DIRF significa uma Declaração da Fonte Pagadora, à Receita Federal, de que pagou ao portador do CPF indicado, no período também indicado, o valor total informado e o correspondente Imposto Retido na Fonte, procedimento que foi realizado, embora com atraso; 4.1.3 o fato das Prefeituras haverem apresentado as DIRF após o contribuinte ter recepcionado o Auto de Infração, não se sustenta, tendo em vista a inexistência de Ato Legal dispondo sobre a matéria; 4.1.4 o fato do requerente ter sido o Contador dessas Prefeituras naquele período, não sustenta o Lançamento, por falta de legislação impeditiva; Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 101 4 4.1.5 a falta de juntada aos autos, por parte do contribuinte, de documentos da fonte pagadora, também não é motivo de sustentação do Lançamento, por considerar que a DIRF supre essas informações, considerando que a Fonte Pagadora declarou que pagou e reteve os valores questionados. O contribuinte não os anexou aos autos, quando da Ia impugnação, por não mais dispor em seus arquivos e ter tido dificuldade em obtêlos junto às Fontes Pagadoras, que havia mudado de Gestores. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame dos autos verificase que, após diligenciar junto às fontes pagadoras, a DRJ manteve integralmente a dedução indevida apurada no lançamento conforme razões de decidir a seguir reproduzidas, as quais acompanho: Cabe por bem se ressaltar que as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte foram apresentadas após a ciência do Auto de Infração, em uma mesma data. Examinandose os documentos acostados aos autos, notadamente, as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte, percebese, facilmente, que todas as Declarações foram apresentadas em uma mesma data, ou seja, em 27/12/2004. Percebese, ainda, que cada fonte pagadora possuía apenas o senhor contribuinte como beneficiário de rendimento com retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte. Ademais, verificase que o senhor contribuinte prestava serviço de contabilidade às fontes pagadoras, todas prefeituras municipais. É o que se pode inferir da impugnação e da ocupação principal e da natureza da atividade, informadas na Declaração de Ajuste Anual. Conforme o relatório de diligência, nenhuma das quatro fontes pagadoras informou se havia pago rendimento ao senhor contribuinte e se havia retido e recolhido o respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] É certo que o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de prestação de serviço é compensável com o Imposto de Renda Devido apurado na Declaração de Ajuste Anual (Lei nº 9.250, de 1995, art.12). É certo também que o Imposto Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na Declaração, se, efetivamente, o ônus Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 102 5 de pagamento tenha sido do contribuinte e o contribuinte possua um comprovante de rendimentos e de retenção de imposto, emitido em seu nome, pela fonte pagadora (Lei nº 7.450, de 1985, artigo 55). Para o presente caso, vêse que o contribuinte não carreou aos autos o nenhum Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, que tivesse sido fornecido pela fonte pagadora. Ademais, nenhuma das quatro fontes pagadoras informadas na Declaração de Ajuste Anual confirmou que tivesse pago ao senhor contribuinte, no anocalendário de 1998, rendimentos por prestação de serviços de contabilidade. [...] Desta forma, não tendo o contribuinte logrado comprovar a efetividade da retenção do IRRF (no valor de R$ 3.930,00, no valor de R$ 5.580,00, no valor de R$ 4.035,40 e no valor de R$ 2.280,00), através de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, nos termos do artigo 941 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, é indevida a compensação do IRRF na Declaração de Ajuste Anual, pois nos termos do artigo 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995 (artigo 87 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), somente poderá ser compensado do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual o Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo e respaldo em Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fornecido pela fonte pagadora. Cumpre ressaltar que a DIRF é um documento emitido pela fonte pagadora que serve como prova relativa dos rendimentos pagos ao contribuinte e da respectiva retenção de imposto de renda efetuada no ano calendário. Assim, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da veracidade das informações ali consignadas. Havendo questionamento acerca dos valores declarados, cabe ao contribuinte o ônus de comproválos de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. No caso concreto extraise do Auto de Infração que, após intimado pela autoridade lançadora, o interessado não compareceu para prestar esclarecimentos (efls. 24). Verificase, ainda, que mesmo após a ciência da decisão de piso, este não apresentou nenhum comprovante de rendimentos ou outro elemento de prova com o intuito de suprir as pendências apontadas na primeira instância. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 103 6 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720010/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto.
Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura-se com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada.
A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso.
SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016):
"1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo.
2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira.
3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo.
4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional.
6. Fixação de tese em relação ao item a do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
7. Fixação de tese em relação ao item b do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando).
A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal.
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA.
No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas.
LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE.
Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentá-los, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda).
MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS.
Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica-se ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1301-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, reduzir para 75% a multa de ofício referente à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários referente ao ano-calendário 2010, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator); e (iii) negar provimento ao recurso dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos dos coobrigados Jacques Broder Cohen e Débora Christian Fachim Nogueira e excluir também do pólo passivo da obrigação tributária, de ofício, os demais coobrigados, e o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que deu provimento ao recurso da coobrigada Débora Christian Fachim Nogueira. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto -Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal. Rejeita-se a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura-se com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso. SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item a do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 7. Fixação de tese em relação ao item b do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentá-los, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica-se ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal. Rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaurase com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 10 /2 01 5- 92 Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.465 2 DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72, que não é o caso. SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.466 3 aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.467 4 APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentálos, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, reduzir para 75% a multa de ofício referente à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários referente ao anocalendário 2010, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator); e (iii) negar provimento ao recurso dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos dos coobrigados Jacques Broder Cohen e Débora Christian Fachim Nogueira e excluir também do pólo passivo da obrigação tributária, de ofício, os demais coobrigados, e o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que deu provimento ao recurso da coobrigada Débora Christian Fachim Nogueira. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.468 5 Nelso Kichel Relator. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.469 6 Relatório Tratase dos Recursos Voluntários apresentados, individualmente, pelo sujeito passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA (efls. 1285/1315) e pelos seguintes responsáveis solidários: DÉBOARA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA (efls. 1319/1344), HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK (efls. 1351/1376) e JACQUES BRODER COHEN (efls. 1377/1399), em face da decisão da DRJ/São Paulo (efls. 1621/1273) que, em 30/05/2016, julgou Impugnações improcedentes: a) ao manter o crédito tributário integralmente, atinente aos Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012; b) ao mater a sujeição passiva solidária (CTN, art. 124, I): Débora Christian Fachim Nogueira; Henrique Kertzman Misionschnik; Jaques Broder Cohen; Silvia Regina de Almeida; Eudes Souza Cardoso Guimarães. c) ao manter a sujeição passiva solidária (CTN, arts. 124, II e 135, III): Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica conforme Instrumento de Contrato Social e Alterações (efls. 237/286). Obs: (i) Consta da decisão recorrida que Henrique Kertzman Misionschnik apresentou impugnação intempestiva na instância a quo, a qual não foi conhecida naquela instância. Preclusão administrativa (revelia) quanto à sujeição passiva solidária; Quanto aos fatos, consta do autos: que, 26/03/2015, a fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo lavrou Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, regime de apuração pelo lucro arbitrado, imputando as seguintes infrações ao sujeito passivo (efls. 958/1066), in verbis: (...) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2010, 06/2010, 09/2010, 12/2010, 03/2011, 06/2011, 09/2011, 12/2011, 03/2012, 06/2012, 09/2012 e 12/2012 Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.470 7 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. Razão do arbitramento no(s) período(s): 06/2010, 09/2010, 12/2010, 03/2011, 06/2011, 09/2011, 12/2011, 03/2012, 06/2012, 09/2012 e 12/2012 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. 0001 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL (...) Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2011 930.415,13 150,00 28/02/2011 1.820.227,22 150,00 31/03/2011 1.990.632,08 150,00 30/04/2011 1.747.782,36 150,00 31/05/2011 392.519,47 150,00 30/06/2011 568.727,21 150,00 31/07/2011 1.655.648,04 150,00 31/08/2011 2.581.186,61 150,00 30/09/2011 2.230.719,23 150,00 31/10/2011 3.681.731,49 150,00 30/11/2011 3.694.690,33 150,00 31/12/2011 4.311.686,08 150,00 31/01/2012 2.816.590,47 75,00 28/02/2012 3.479.243,01 75,00 31/03/2012 2.955.671,08 75,00 30/04/2012 2.619.633,39 75,00 31/05/2012 2.938.793,98 75,00 30/06/2012 2.808.335,48 75,00 31/07/2012 2.785.049,89 75,00 31/08/2012 2.949.394,53 75,00 30/09/2012 3.041.526,06 75,00 31/10/2012 2.951.751,53 75,00 Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.471 8 30/11/2012 2.739.073,64 75,00 31/12/2012 2.608.624,66 75,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 537 do RIR/99 (...) 0002 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras no anocalendário de 2010, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado e reintimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 100.000,00 150,00 28/02/2010 31.202,00 150,00 30/04/2010 461.431,04 150,00 31/05/2010 208.191,03 150,00 30/06/2010 722.022,33 150,00 31/07/2010 479.890,64 150,00 31/08/2010 616.223,82 150,00 30/09/2010 773.939,27 150,00 31/10/2010 399.581,33 150,00 30/11/2010 301.082,43 150,00 31/12/2010 790.272,48 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99 (...) que integra os autos de infração o Termo de descrição dos fatos (efls. 944/957); que, ainda, integra o lançamento fiscal o Termo de Ciência de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal da Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo, de 05/01/2015, no qual estão narrados os fatos (efls.02/34), in verbis: (...) Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.472 9 01. Da autorização judicial de compartilhamento de informações entre a RFB, o Ministério Público Estadual e o GAECO ABC. Por meio do Ofício n° 76/14 GAECO ABC (Anexo I) recebemos a mídia digital contendo cópia do procedimento investigatório criminal n° 07/13 GAECO ABC, bem como do apenso do procedimento relativo à quebra de sigilo telefônica e de dados. Conjuntamente, recepcionamos a cópia da decisão da Excelentíssima Juíza de Direito da 5a Vara Criminal de São Bernardo do Campo (Anexo II) proferida nos autos 301609038.2013.8.26.0564, pela qual deferiu o compartilhamento das informações obtidas naquele feito com a Receita Federal, "uma vez que a investigação aponta suposta fraude em seus sistemas e possível envolvimento de funcionário de seus quadros nos delitos ora investigados". Da investigação criminal resultou até a presente data em duas denuncias crime interpostas na 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo em distribuição por dependência aos autos da medida cautelar n° 2237/13: A primeira elaborada aos 09/09/2014 pelos Promotores de Justiça Dr. Lafaiete Pires e Dr. Kleber Henrique Basso (Anexo III), que constam como denunciados as pessoas naturais de Sr. Jacques Broder Cohen, Sr. Henrique Kertzman Misionschink, Sra. Débora Christian Fachim Nogueira, Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, Dra. Silvia Regina de Almeida OAB 136529 e Sr. Eudes Souza Cardoso Guimarães, todos pela pratica dos seguintes fatos delituosos: da organização criminosa (art. 2o da Lei 12.850/13) e da pratica de estelionatos. A denuncia contem reproduções das escutas regulares e autorizadas que denotam a participação de cada qual dos denunciados na atividade delituosa, utilizandose da "Brazilian Landbank" — ora fiscalizada no âmbito tributário, como "palco de destaque" de atuação da organização criminosa. Na segunda denuncia que foi formalizada em 15/12/2014 (Anexo IV) pelos Promotores Dr. Lafaiate Ramos Pires e Dr. Bruno Servello Ribeiro, novamente três daqueles personagens: Sr. Jacques Broder Cohen, Sra. Débora Christian Fachim Nogueira e Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira estão denunciados pela prática de falsos ideológicos e ainda de forma individual o Sr. Jacques Broder Cohen pela prática de exercício ilegal da atividade. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.473 10 02. Do Mandado de Busca e de Apreensão expedido pela 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo. Aos 10/06/2014 a Juíza de Direito Dra. Daniela de Carvalho Duarte defere o Pedido de Busca e de Apreensão nos imóveis que relaciona na decisão prolatada nos autos do processo 30160938.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos agentes da Receita Federal para o cumprimento da ordem e o compartilhamento das provas coletadas com este específico Órgão, para análise conjunta dos documentos apreendidos" (Anexo V). No mesmo mandamento decretou a prisão temporária pelo prazo de cinco dias de: Sr. Jacques Broder Cohen; Sr. Henrique Kertzman Misionschnik; Sra. Débora Christian Fachim Nogueira e do Sr. Marcelo Mareei Fachim Nogueira. O relatório da sentença de forma resumida descreve o minucioso detalhamento que consta da Petição Judicial de Mandado de Busca e Apreensão e Decretação de Prisão Temporária de autoria dos Promotores de Justiça Dr. Lafaiete Ramos Pires e Dra. Mylene Comploier datado de 03/06/2014 (Anexo VI). A titulo de esclarecimento e voltado aos detalhes da atividade econômica desenvolvida pela Pessoa Jurídica "Brazilian Landbank" que lhe proporcionou significativa obtenção de Renda, mas que nada confessou em relação aos débitos decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da Sentença: (...). (...) O Ministério Público apontou fortes indícios da pratica do crime de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi: A quadrilha atua oferecendo às empresas de médio e grande porte o serviço de compensação de seus débitos tributários federais, a ser executada por meio de direitos creditórios de terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa dos débitos devidos. Uma vez entabulado contrato com a empresa vítima, a "BLB" já recebe os valores contratados para executar a compensação a que se propõe. Apresenta, então, ao fisco, direitos creditórios que invariavelmente resultam ineficazes a dar quitação aos créditos tributários. Tais créditos são, por exemplo, adquiridos por valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente por serrem eivados de dúvida quanto a sua validade. São Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.474 11 provenientes de ações, por exemplo, contra a União para o recebimento de títulos da dívida externa emitidos no inicio do século, já prescritos. Por vezes, conforme relatou Luciano, sequer existe a ação. Diante da recusa do fisco em aceitálos, o grupo tenta recursos administrativos que vão postergando a cobrança, enquanto permanece iludindo a empresa vitima com promessas de que resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna insustentável: a empresa vitima não consegue obter sua Certidão Negativa de Débitos CND e tem seus débitos inscritos em divida ativa da União. Nesse momento, percebendo o engodo, as empresas vítimas rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente. (...) 03. Dos elementos apreendidos que estão no momento no Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo/SP (documentação física). Do trabalho de busca e apreensão promovido pela operação conjunta desenvolvida pelo GAECO e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, representada pelo ESPEI (Escritório de Pesquisa e Investigação) e pelo Serviço de Fiscalização desta Unidade (DRF/SBC), os elementos coletados tiveram uma primeira verificação pelos responsáveis pela Busca ocorrida logo depois da Operação, sendo que este Auditor teve acesso a parte dos elementos físicos apreendidos e que constam das 17 caixas que os acondicionam. (...) No entanto, constatamos que nas 17 caixas verificadas não constam livros de escrituração contábil, livros caixa, livros de inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração do lucro real, notas fiscais de prestação de serviços, livros de registro de prestação de serviços ou livros afins que devam obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos fatos contábeis desta pessoa jurídica ou de outra pessoa jurídica pertencente ao grupo "Brazilian". (...) 06. Do objeto da ação fiscal e do seu andamento até a redistribuição de atribuição. A ação fiscal inicialmente determinava que fosse examinado o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ da pessoa jurídica do ano calendário de 2010. Houve alteração por manter os mesmos indícios da motivação originária e foram incluídos os dos anos calendários subseqüentes: de 2011 e 2012. (...) Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.475 12 07. Do cumprimento espontâneo, mas irregular, das obrigações tributárias principal e acessórias pela contribuinte nos anos calendário de 2010, 2011 e 2012. A Fiscalização constatou irregularidades no preenchimento das três espécies de Declarações de entrega obrigatória pela contribuinte: na DIPJ (Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica), na DCTF (Declaração de Débitos e de Créditos Tributários) e na DACON (Declaração de Apurações de Contribuições Sociais). A contribuinte entregou as DIPJ nas datas e preenchidas com os dados que constam na seguinte tabela: Ano calendário 2010 2011 2012 ANEXO XLIV XLV XLVI Data entrega 30/06/2011 27/06/2012 28/06/2013 N° declaração 1208487 863939 1251260 N° do recibo 05.39.49.94.69 06.32.01.63.55 38.37.90.38.77 Tipo de declaração Lucro Presumido Entregue com certificado digital Sim Forma de Escrituração Contábil Contábil Dados Representante legal Pessoa Jurídica Marcelo Marcel Fachin Nogueira, CPF 245.581.03808 Dados do Responsável Preenchimento Roberto Lippi, CPF 584.089.91868, CRC 1SP080504O0 Receita Bruta 1° Trimestre 0,00 0,00 9.251.504,56 (*) Receita Bruta 2° Trimestre 0,00 0,00 8.366.762,85 (*) Receita Bruta 3o Trimestre 0,00 0,00 8.775.970,64 (*) Receita Bruta 4o Trimestre 0,00 0,00 8.299.449,83 (*) IRPJ a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 179.030,09 IRPJ a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 161.335,25 IRPJ a pagar no 3o Trimestre 0,00 0,00 169.519,41 IRPJ a pagar no 4o Trimestre 0,00 0,00 159.989,00 CSLL a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 99.916,25 CSLL a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 90.361,04 CSLL a pagar no 3° Trimestre 0,00 0,00 94.780,48 CSLL a pagar no 4° Trimestre 0,00 0,00 89.634,06 Ficha 54 — Discriminação da Receita Sem informação 34.693.687,72 Verificase que havia certa habitualidade na conduta da contribuinte em entregar a DIPJ com todos os campos preenchidos com "Zero", sejam os destinados às informações de receitas ou de Apurações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). (...) Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.476 13 Ocorre que a verdade material constatada aponta que estas informações prestadas pela contribuinte são inverídicas, principalmente, frente ao volume de rendimentos por ela auferidos, como será abordado em tópico próprio. (...) O Anexo XLVIII relaciona que para os três anos calendário não foram declarados débitos a título de IRPJ, de CSLL, de PIS/Pasep e de apenas R$ 0,01 (um centavo de real) a título de COFINS no mês de novembro de 2010. As DCTF contemplam apenas débitos declarados de Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de trabalho assalariado para os meses de janeiro a março de 2011, no montante de R$ 54,31 (cinqüenta e quatro reais e trinta e um centavos). Observase insignificância nas retenções de imposto quando se compara com a montante de recursos financeiros movimentados pela contribuinte. As DACON foram entregues para todo o período sob análise conforme indicamos no Anexo II. Contudo, verificase que nas 36 DACON o procedimento "de nada informar" nos campos que se destinam às apurações das contribuições para o PIS, e para a COFINS se repete, ou seja, simplesmente as entregou para não ficar inadimplente com a obrigação de entrega, mas nada presta de informação em relação aos rendimentos auferidos (...), vez que preenche os campos com "ZERO". Sendo assim, os míseros R$ 54,31 (cinqüenta e quatro reais e trinta e um centavos) que declara como débito para o Fisco Federal para os três anoscalendário sob ação fiscal decorrem de valores que reteve de alguns dos seus funcionários, de forma que nada declarou e nada recolheu a título de tributos federais apurados sobre o exercício de sua atividade empresarial neste período. 08. Da falta de apresentação de Livros de Escrituração Contábil e a não convalidação exoficio da opção da contribuinte em realizar a apuração de seu resultado pela modalidade do Lucro Presumido. A contribuinte foi devidamente intimada para que apresentasse os livros de sua escrituração, conforme constam dos Termos lavrados (Anexo XI, datado de 11/09/2013; Anexo XIII, de 30/09/2013; anexo XXVII, de 27/01/2014; e, Anexo XLI, de 25/09/2014). Pelo último está cientificado de que houve a extensão do período sob fiscalização para abranger o período de 01/01/2010 a 31/12/2012. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.477 14 Esclarecemos que a contribuinte optou em apurar seus Resultados para efeito de tributação pela modalidade do Lucro Presumido, conforme constam das três DIPJ que entregou. Esta informação está em descompasso com o adequado procedimento já que nada recolheu a título de IRPJ. A regular opção é manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido (IRPJ) correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, nos termos do § 1 o do artigo 26 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, a entrega destas três DIPJ sob a modalidade do Lucro Presumido está ao dissabor legal, justamente por que lhe falta o requisito do pagamento do débito de IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada um dos anos calendário sob exame ou de forma alternativa, (...). E mais, a legislação em vigor lhe permitia realizar uma escrituração simplificada com a adoção do Livro Caixa em substituição da regular escrituração Contábil, desde que a simplificada contemple a escrituração de sua movimentação financeira, mas também por sua opção indica nas DIPJ relativas aos anos calendário de 2011 e 2012 existência de regular escrituração. Ocorre que, até a presente data não cumpriu com a entrega para a Fiscalização de nenhum dos livros que contenham sua escrituração, independente de ser o Livro Caixa ou o Livro Diário. Verificamos que estes livros não estão no rol de elementos apreendidos na Operação de Busca e Apreensão judicial. (...) Esclarecemos que a falta de apresentação de sua escrituração impeditivo ao pleno desenvolvimento da auditoria programada para esta ação fiscal, vez que impossibilita a verificação dos fatos contábeis e a identificação das bases tributárias contabilizadas da contribuinte, além de obscurecer a natureza da riqueza que nela ingressou. (...) Ocorre que a falta de apresentação para a Fiscalização do Livro Diário ou do Livro Caixa (se escrituração simplificada) é uma das hipóteses previstas para a apuração do resultado pela modalidade do Lucro Arbitrado, nos termos dos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), que mantém respaldo no artigo 47 da Lei n° 8.981/95 e no artigo 1 o da Lei n° 9.430/96. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.478 15 (...) Diante destas considerações, constatamos que a contribuinte não está apta a apurar o resultado de suas atividades pela modalidade do Lucro Presumido como indicou em sua D1PJ, pelas razões cumulativas: de não ter cumprido com a obrigação principal de pagamento do IRPJ devido no primeiro trimestre de apuração de cada ano calendário; e, de não ter apresentado para a Fiscalização a sua escrituração contábil Livros Diário ou Livros Caixa. 09. Da constatação da efetiva atividade empresarial da contribuinte Esclarecemos que o inicio desta ação fiscal já foi conturbado. A AFRFB Patrícia havia sido impedida de ingressar na empresa em 12/09/2013 portando o segundo Termo lavrado (Anexo XI) para coleta da ciência pessoal de Representante Legal da contribuinte. O seu ingresso no estabelecimento e a ciência pessoal só foi efetivada com a chegada do apoio do Chefe deste Serviço de Fiscalização AFRFB Marcos Antonio que se deslocou para o local. Até a presente data, as manifestações que a contribuinte apresentou para a Fiscalização se resumem em pedidos de postergação no prazo. Só houve a entrega de seu Estatuto Social e de algumas das Alterações do Contrato Social. Nada mais entregou. O não atendimento persistiu inclusive com o lhe requerido pelo Termo de Intimação Fiscal lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII), cuja reintimação ocorreu pelo Termo lavrado em 18/02/2014 (Anexo XXIX). Em atendimento aos preceitos legais disciplinados pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96 a Fiscalização lhe requereu que comprovasse com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos financeiros que transitaram nas contas mantidas sob sua titularidade junto às Instituições Financeiras: Citibank, Itaú e Unibanco. Os créditos submetidos à comprovação foram pinçados dos registros que constavam nos respectivos extratos, sendo que foram excluídos aqueles que não representavam ingresso de novas riquezas, como resgate de aplicações ou transferências entre contas do mesmo titular, desde que plenamente reconhecidos pelo histórico da transação. Tais créditos foram regularmente listados em forma individualizada e estavam em anexo ao Termo de Intimação. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.479 16 A falta de atendimento e por conseqüência falta de comprovação por parte da contribuinte torna tais créditos como rendimentos submetidos a regular tributação. O advento da regular Operação de Busca e Apreensão Judicial e do compartilhamento destes elementos para com o Fisco, possibilitou esta Fiscalização conhecer tanto a real atividade desempenhada pela contribuinte bem como a identificação das pessoas naturais que são os seus administradores de fato. Parte das informações de grande significância adveio da regular escuta autorizada judicialmente, cujos trechos de relevância sob o aspecto tributário e sob o aspecto da responsabilização solidária de seus administradores já estão transcritos nas petições judiciais elaboradas no curso do procedimento Judicial e reproduzidos nos conteúdos das Sentenças proferidas Anexos I ao VI, que de forma integral corroboram como elementos de prova deste trabalho de auditoria. No procedimento de verificar os elementos físicos apreendidos, extraímos cópias e as digitalizamos para compor os elementos de prova da Constatação das irregularidades de cunho tributário. Sendo assim, os seguintes Anexos contemplam algumas das naturezas de elementos e/ou documentos apreendidos: Anexo LI Hospital São Domingos Ltda. São 60 páginas em que constam: (...) . Email emitido pelo Sr. Guimarães (se intitula Email emitido como Diretor Executivo) e encaminhado para os diretores do hospital, prestando informações de como deveriam preencher suas DCTF e seus Pedidos de Compensação para utilização de créditos provenientes de processo judicial ligado ao IAA; (...) . Notificação Extrajudicial proposta pelo Hospital em face do Sr. Flávio Borenstein e da "Brazilian LandBank". Relata a impossibilidade técnica e de Ativos não aptos para extinção das obrigações tributárias e requer sejalhe ressarcido o montante de R$ 16.404.764,57 (dezesseis milhões, quatrocentos e quatro mil, setecentos e sessenta e quatro reais e cinqüenta e sete centavos). (...) Anexo LVI Mapas de Controle dos Créditos Aproveitados. (...) alguns dos "clientes" em que constam: nome ou prenome do cliente; ano; valor e o percentual de Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.480 17 deságio pactuados; a efetiva utilização mensal do crédito e o saldo pendente de aproveitamento; e ainda, contem colunas para o valor nominal e o valor já com o deságio remuneração a ser repassada para a "Brazilian Landbank: Para ilustração delas extraímos e a seguir relacionamos: o codinome , o ano, o valor pactuado e o percentual de deságio: TERRACLEAN 2011 R$ 1.200.000,00 30% (dois mapas); KW DO BRASIL 2011 R$ 2.000.000,00 40%; TEK TRADE 2012 R$ 8.000.000,00 25%; SORVETES JUNDIÁ 2012 R$ 5.000.000,0040%; MOABE ENERGIA 2012 R$ 2.000.000,00 30%; GIBELLO & GIBELLO 2012 R$ 200.000,00 30%; FRANCO & BACHOT 2012 R$ 2.000.000,00 50%; LAPA TREINAMENTO 2012 R$ 412.000,00 30%; JAVA SEGURANÇA 2011 R$ 284.000,00 40%; CHRONOS 2012 R$ 2.000.000,00 35%; (...) Anexo LXII Brazilian LandPar Projeto 2014.São 24 páginas onde o Grupo apresenta a nova modalidade de negócios com imóveis a ser implementada.Traz exemplos numéricos de remuneração; perguntas e respostas; empresas alvo de interesse e as que não interessam ao grupo, mas a parte mais significativa para esta Auditoria é que busca empresas com produtos de renome no mercado, mas que passam por dificuldades de fluxo de caixa, logo se desenrola nas entrelinhas a aplicação do planejamento tributário, em que se deixará de recolher os tributos federais, para se aplicar os procedimentos relativos às pretensas compensações (...). (...) A assessoria tributária e jurídica prestada pelo Grupo "Brazilian" é justamente no sentido de promover as fraudes constatadas na utilização de compensações indevidas por se valer de créditos originários ilegítimos ou lastreados em títulos ineficazes para a extinção do credito tributário. (...) Constatamos que a contribuinte tinha no período sob fiscalização como principal atividade a captação de empresas com dificuldades de fluxo de caixa com a finalidade de lhe prestar serviços e orientação de forma viciada, para que utilizassem créditos inexistentes ou ilegítimos ou de natureza não tributária em procedimentos administrativos de Compensação de Débitos perante a Receita Federal. Pelo fato dos créditos não se prestarem para a finalidade objeto do contrato firmado com seus clientes, caracteriza Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.481 18 se a fraude e a conduta típica do estelionato, na qual as pessoas naturais na qualidade de administradores de direito ou de fato da 'Brazilian LandBank" receberam quantias exorbitantes a titulo de vantagem ilícita e em prejuízo aos clientes. No exercício da ampla astúcia, estes diretores utilizavam a pessoa jurídica regularmente constituída para dar a transparência de regularidade e de capacidade financeira, promovendo inclusive o engodo em sua alteração contratual na qual elevou o seu Capital Social de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) para os R$ 442.800.000,00 (quatrocentos e quarenta e dois milhões e oitocentos mil reais), contudo, justamente esta Alteração de Contrato Social não foi entregue para a Fiscalização e tão pouco foi encontrada ou verificada no rol de elementos apreendidos. No entanto, a Clausula Segunda da Alteração Contratual datada de 10/11/2011 (fls. 42 do Anexo IX), informa que a integralização do aumento de Capital se deu pelo Título da Dívida Pública emitido pelo Estado da Bahia de n°43.988 ao Portador em 28/01/1913 e de acordo com Lauda de Avaliação em 09/12/2010 mantém valor atualizado de R$ 442.584.121,75 (...). Em circunstancias normais e de validade jurídica teríamos a incidência do Instituto do Ganho de Capital, cuja base de calculo seria a diferença entre o valor de aquisição deste Título e o valor aproveitado como Aumento de Capital Social que foi levado a efeito por meio da Alteração do Contrato Social, porém e diante do entendimento que tal Título não mantém validade jurídica e/ou econômica e que esta operação na realidade só serviu para dar aparência de grandeza e de solidez do Grupo perante "suas presas", foi desprezado seus efeitos pela Fiscalização. 10. Da identificação das pessoas naturais que são os administradores de fato da contribuinte. A regular escuta autorizada judicialmente permitiu identificar que o sócio majoritário Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, não passa de um pessoa "figurativa" e que está ao dispor do Chefe do Grupo Sr. Jacques Broher Cohen, casado ou que mantém relacionamento estável com Sra. Débora Christian Fachim Nogueira, irmã de Marcelo. A Denúncia Crime interposta por dependência aos autos da Medida Cautelar 2237, da 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo (Anexo III com 70 páginas), reproduz as transcrições das escutas captadas e relata com clareza a responsabilidade de cada uma das seis pessoas Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.482 19 naturais denunciadas e o papel que cada qual representava na Organização, visando em conjunto usufruírem de vantagem ilícita por meio da "Brazilian LandBank". Desta forma e com a autorização judicial proferida de compartilhamento de informações entre os Órgãos envolvidos na Operação (Anexo II), ratificamos e aproveitamos do relato que consta da Denuncia Crime retro referida, para responsabilizar as seguintes pessoas naturais como administradores de fato da contribuinte em lide, associados ao administrador de direito Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, RG 285933723, CPF 245.581.03808, residente e domiciliado à Praça Antonio Pinheiro da Costa, 55, apto 113, bloco 4, CEP 09725120, Vila Gonçalves, São Bernardo do Campo/SP, descrevendo apenas uma síntese elucidativa sobre cada qual: 1. Jacques Broder Cohen, RG 3409389, CPF 028.676.498 97, residente e domiciliado à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261, setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Apresentase como o DiretorPresidente do Grupo. É quem de fato detém as ações e os destinos do Grupo. Mantém patrimônio elevado, mas em nome de empresas em decorrência de ser inapto para a atividade empresarial. O Anexo LXIII demonstra o valor de seu patrimônio. Documento da lavra de sua esposa/companheira Sra. Débora que estava no rol dos elementos apreendidos pela Operação de Busca e Apreensão autorizada judicialmente 2.Henrique Kertzman Misionschnik, RG 1521056/MG, CPF483.644.36600, residente e domiciliado à Rua México, 245, apto 102, CEP 11410350, Pitangueira, Guarujá/SP. Sócio de fato do Sr. Jacques. Realiza manobras para postergar o conhecimento sobre a verdade das ilusórias compensações. Administrava os empregados. Gerenciava pagamentos. Responsável pelo saneamento das pendências com pessoal ou comerciais. 3.Débora Christian Fachim Nogueira, RG 28.593.3723, CPF120.666.12839, residente e domiciliada à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261,setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Mantinha a função de ocultar a figura de Jacques nas empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.483 20 4.Silvia Regina de Almeida, CPF 030.337.78879, OAB 136529,residente e domiciliada à Rua Brasil, 444, apto 74, CEP 09627000, Rudge Ramos,São Bernardo do Campo/SP. Advogada do Grupo. Acompanhava a apresentação do produto nos casos dos créditos ilegítimos ou inexistentes. Elaborava os contratos dos negócios efetivados. Atuava com seus conhecimentos jurídicos no encantamento das "presas", tanto na captação como na manutenção do erro depois de notificados pela Receita Federal da irregularidade nas compensações. 5.Eudes Souza Cardoso Guimarães, RG 257095858, CPF 143.129.20877, residente e domiciliado à Rua Amaro Coutinho, 57, CEP 03896010, Ponte Rasa, São Paulo/SP. Diretor executivo do Grupo Representante comercial comandante. Responsável pela manutenção da vitima da organização criminosa em erro, quando intimada pela Secretaria da Receita Federal. 11. Da apuração do Resultado tributável da contribuinte pela modalidade do Lucro Arbitrado. Diante do fato de que a Fiscalização não convalidou a sistemática de apuração do resultado pelo Lucro Presumido por ela adotada em razão da falta de recolhimento do débito relativo ao primeiro período de apuração de cada qual dos anos calendários, combinado com a falta de entrega dos Livros de sua escrituração contábil, conforme tópico próprio anterior, não resta alternativas para o Fisco Federal senão seguir os ditames legais disciplinados pelos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99) apuração pelo Lucro Arbitrado. Nestas circunstancias é requisito fundamental conhecer a real atividade empresarial da contribuinte, vez que a sua Receita Bruta já é Conhecida, nos termos do artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. A real atividade empresarial que foi objeto de desenvolvimento de tópico próprio anterior, lhe enquadra num percentual de 38,6% a ser aplicado sobre a Receita Bruta Conhecida, nos termos do artigo 519 e seus §§ cc artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. A Receita Bruta Conhecida foi objeto de dois procedimentos distintos: um para o anocalendário de 2010 e o outro para os subseqüentes 2011 e 2012. Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.484 21 Para o anocalendário de 2010 verificouse existência de créditos registrados na movimentação financeira da contribuinte que devidamente intimada não logrou êxito em comproválos, tão pouco apresentou quaisquer manifestações e/ou elementos em relação aos valores individualmente lhe requeridos, caracterizando a hipótese disciplinada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, compilamos os dados que constam do anexo ao Termo de Intimação lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII) e os totalizamos por mês, conforme consta do Anexo LXIV, cujo resultado está na tabela demonstrativa ao final deste tópico em conjunto com os demais valores mensais dos anoscalendário subseqüentes. Para os anoscalendário de 2011 e 2012 constatamos que a contribuinte dispunha destes dados em relatório próprio que foi objeto da Operação de Busca e Apreensão. O Anexo LXV Declaração de Faturamento 2011. É uma declaração formal datada de 30/01/2012 e assinada pela Assistente Administrativa Aline Rosi Rodrigues e pelo "sócio de direito" Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira. Esclarecemos que todos os elementos apreendidos que especificavam controles financeiros de recebíveis ou de pagamentos efetuados estavam assinados pela Aline, conforme fartamente descrito em tópicos anteriores. Esclarecemos existência de erro material na soma do total anual que consta da declaração que registra R$ 25.605.965,26 enquanto que o valor correto é R$ 25.607.976,25, resultando na diferença a menor de R$ 2.010,99, considerada insignificante sob o aspecto fiscal vez que representa 0,0078% da Receita Bruta Conhecida. O Anexo LXVI Declaração de Faturamento 2012. Também é uma declaração formal datada de 16/01/2013, assinada pelo "sócio de direito" Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira e pelo contador Roberto Lippi. Os dados mensais registrados nesta declaração são fiéis aos valores trimestralmente informados na correspondente DIPJ, nas linhas relativas às receitas submetidas ao percentual de 8% e os signatários são os mesmos que constam como responsáveis na DIPJ (Anexo XLVI). Esclarecemos que igualmente ao ano de 2011, houve erro material na soma do total anual que consta da declaração de 2012, registra R$ 34.693.687,72 enquanto que o valor correto é R$ 34.695.699,72, resultando na diferença a menor de R$ 2.012,00 e representa 0,0058% da Receita Bruta Conhecida. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.485 22 A tabela a seguir indica os valores mensais da Receita Bruta Conhecida pela Fiscalização para efeitos da apuração do resultado tributável da contribuinte. Período Apuração 2010 2011 2012 janeiro 100.000,00 930.415,13 2.816.590,47 fevereiro 31.202,00 1.820.227,22 3.479.243,01 março 1.990.632,08 2.955.671,08 Total no trimestre 133.212,00 4.743.285,43 9.253.516,56 abril 461.431,04 1.747.782,36 2.619.633,39 maio 208.191,03 392.519,47 2.938.793,98 junho 722.022,33 568.727,21 2.808.335,48 Total no trimestre 1.391.644,40 2.709.029,04 8.366.762,85 julho 479.890,64 1.655.648,04 2.785.049,89 agosto 616.223,82 2.581.186,61 2.949.394,53 setembro 773.939,27 2.230.719,23 3.041.526,06 Total no trimestre 1.870.053,73 6.467.553,88 8.775.970,48 outubro 399.581,33 3.681.731,49 2.951.751,53 novembro 301.082,43 3.694.690,33 2.739.073,64 dezembro 790.272,48 4.311.686,08 2.608.624,66 total no trimestre 1.490.936,24 11.688.107,90 8.299.449,83 total no ano 4.885.846,37 25.607.976,25 34.695.699,72 12. Do reflexo das irregularidades constatas na incidência dos tributos federais. A constatação de que a contribuinte auferiu Receita Bruta Conhecida e que nada declarou a título de débitos para o PIS/Pasep, para a COFINS e para a CSLL em suas DCTF, como também nada recolheu e que não se utilizou de nenhuma outra modalidade de extinção do crédito tributário decorrente da renda auferida, necessário se faz a constituição destes débitos mediante o procedimento ex ofício, razão pela qual estamos requerendo junto a Autoridade Administrativa a complementação desta ação fiscal, para a inclusão das verificações pertinentes as três contribuições retro referidas dentro do mesmo período de apuração do IRPJ. 13. Da responsabilidade solidária das pessoas naturais em relação aos débitos para com a Fazenda Nacional. O Código Tributário Nacional (CTN) disciplina que será contribuinte solidário aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.486 23 Sendo assim, se constitui em devedor solidário na qualidade de sujeição passiva da obrigação jurídica tributária aquele que apresenta interesse comum na situação ou as pessoas expressamente designadas por lei, nos termos do artigo 124 do CTN, Então, para os fins da responsabilização com base na lei vigente, entendese como responsável solidário tanto o sócio de direito bem como as pessoas naturais que mantinham interesse em comum, atuando em nome da pessoa jurídica e com poderes de gestão de fato, independentemente da denominação lhe conferida pela Organização à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Por fim, a lei estabelece ainda que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, com base na documentação probatória especificada em pormenores em cada qual dos tópicos relatados e, principalmente, na DENUNCIA CRIME (Anexo III) que em suma, qualifica e descreva Jacques Broder Cohen, Henrique Kertzman Misionschnik, Débora Christian Fachim Nogueira, Marcelo Fachim Nogueira, Silvia Regina de Almeida e Eudes Souza Cardoso Guimarães, todos identificados e domiciliados conforme descrevemos no tópico 10 do presente Termo, que agiram em concurso e unidade de desígnios entre si, promoveram, constituíram, financiaram ou integraram, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa, assim definida como a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais notadamente estelionatos, sem prejuízo de outras infrações penais. A pedra de toque na caracterização do dolo desta equipe está justamente no fato de que buscavam "presas" em débito para com o Fisco Federal para lhes propor com falso engodo a iludida compensação, vez que utilizavam títulos que não se prestavam para a extinção do crédito tributário, razão pela qual não utilizaram o mesmo remédio no preenchimento das DCTF da "Brazilian LandBank", preferindo adotar o método de nada declarar e nada recolher aos cofres federal. Logo, todos estas seis pessoas naturais serão carreadas na qualidade de responsáveis solidários por sujeição passiva dos débitos tributários a serem constituídos no curso desta ação fiscal. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.487 24 (...) que o crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 24.843.927,09 na data da lavratura dos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 (efls. 958/) assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até mês 03/2015) Multa de Ofício Total IRPJ 6.186.576,82 1.715.300,66 6.799.919,75 14.701.797,23 CSLL 1.877.284,50 521.580,86 2.066.543,11 4.465.408,47 Cofins 1.955.504,66 557.644,55 2.152.649,09 4.665.798,30 PIS/Pasep 423.692,68 120.823.00 466.407,41 1.010.923,00 Total 24.843.927,09 que foi imputada responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado de ofício: a) ao sócio: Marcelo Fachim Nogueira, sócio: Enquadramento legal: A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso II, da Lei n° 5.172/66. A partir de 01/01/2000 Artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66. A partir de 01/01/2000 Artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66 b) coobrigados (art. 124, I, CTN): Débora Christian Fachim Nogueira; Henrique Kertzman Misionschnik; Jaques Broder Cohen; Silvia Regina de Almeida; Eudes Souza Cardoso Guimarães. Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.488 25 b) sujeição passiva solidária (CTN, arts. 124, II e 135, III): Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica. Cientes do lançamento fiscal e da imputação da sujeição passiva solidária, o sujeito passivo e os responsáveis solidários, como já mencionado alhures, apresentaram impugnação na instância a quo, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida (efls. 1261/1273) que, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) Na indigitada impugnação, contribuinte alega, em apertada síntese, preliminarmente, a inexistência de responsabilidade solidária, por não haver descrição de fatos acerca da conduta de cada participante na dita empreitada criminosa, pautandose somente a fiscalização na peça elaborada pelo Ministério Público, o que inquina a referida imputação. Neste sentido, invoca o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como o teor do verbete nº 1 da Súmula do CARF, dispositivo que trata da separação de instâncias administrativa e judicial na apreciação das demandas de natureza tributária envolvendo o fisco federal, e ainda, cita arestos proferidos por aquele tribunal administrativo sobre a matéria. Nas preliminares, aduz ainda o cerceamento do direito de defesa na medida que se buscou conhecer dos documentos bancários, por meio de RMF, sem a devida autorização judicial para tanto, como também não teve a fiscalização qualquer apego em demonstrar, a partir da circularização e cruzamento de documentos comerciais, fiscais e contábeis apreendidos em anterior procedimento cautelar de busca e apreensão, a materialidade das infrações, concluindo, por presunção e sem oportunizar o direito do contribuinte em apresentar suas contrarrazões, pela existência das provas aptas a sopesarem os ilícitos tributários. No mérito, traz à colação a necessidade de autorização judicial para o acesso aos dados bancários, conforme estabelece a decisão proferida no âmbito do RE nº 389808, de 15/12/2010, o que, em seu sentir, obsta a utilização da regular RMF emitida no curso da ação fiscal, fato que contamina ex nunc todos os atos administrativos produzidos, sobejamente o auto de infração ora em exame. No que tange ao arbitramento, contribuinte alega que a medida gravosa não restou suficientemente justificada na exação, posto que não há qualquer menção expressa acerca da desconsideração do lucro presumido apurado no período sob Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.489 26 análise, como ainda a base de cálculo encetada incluiu valores citados em contratos dos quais não participa, o que inquina a base de cálculo considerada, haja vista não serem operações comerciais engendradas por ele. Por derradeiro, insurgese contra a multa qualificada, pois a exação aplicada naquele percentual deve vir sempre acompanhada de acervo probatório idôneo a configurar a conduta típica engendrada pelo contribuinte, e não mero descumprimento aduzido pela não apresentação da escrituração comercial e fiscal. Nesta toada, cita os verbetes nº 14 e 96 da Súmula do CARF. Pelo exposto, pugna pelo reconhecimento da tempestividade da impugnação, preliminarmente pelo afastamento da responsabilidade solidária promovida na demanda, e, no mérito, pela improcedência do lançamento. Alternativamente, subsistindo o entendimento acerca da legalidade do lançamento, pugna pelo afastamento da multa qualificada. Houve também a interposição de impugnação por parte das pessoas naturais arroladas na condição de responsáveis solidários nos termos do art. 124, I, da norma geral tributária. Nesta senda, Silvia Regina de Almeida interpôs referido recurso em 23/04/2016, preliminarmente trazendo à luz o argumento de que não teve qualquer interesse no fato gerador da obrigações tributária, pois era somente funcionária contratada do contribuinte, vínculo que se iniciou em maio de 2011, para desempenhar atividade jurídica, sendo uma espécie de departamento jurídico, escoimandose que qualquer ato voltado para a atividade finalística desenvolvida no período, sendo que no contrato celebrado, além da locação de três salas comerciais pertencentes ao contribuinte, ficou consignada a relação acima mencionada. Destaca que referida relação contratual foi rescindida em 04/03/2013. Alega, com efeito, que jamais praticou qualquer ato para captação de clientes ou efetuado vendas referentes ao objeto social do contribuinte, prestando somente serviços jurídicos, e que participava das reuniões com clientes apenas a pedido da área comercial, atendendo aos clientes e a seus departamentos jurídicos. Nas questões de Direito, esclarece que sua inclusão no pólo passivo da responsabilidade tributária não respeitou aos princípios reitores do processo administrativo e da administração pública, especialmente o princípio da legalidade, que exige a exaustiva demonstração de elementos materiais lógicojurídicos que vinculem sua participação nos injustos, não somente a subsunção a dispositivos legais previstos na norma tributária, e a validade da presunção que, se não confrontada com outros elementos de prova, não pode ser instrumento hábil a fundamentar a imputação, visto que o Direito admite outros meios de provas a serem utilizados. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.490 27 No que se refere à responsabilidade tributária, aduz que este instituto difere da responsabilidade pessoal, sendo imprescindível a demonstração inequívoca de interesse comum no fato gerador, expressão que, a despeito da abstração prevista na norma geral, decorre da participação na realização do fato gerador, que, conjuntamente, deve ter contra si provado tal liame, razão pela qual solicita a exclusão de seu vínculo de responsabilidade solidária com a exação em tela. Débora Christian Fachim Nogueira e Henrique Kertzman Misionschnik, apresentam, nesta ordem, em 01/05/2015 e 05/05/2015, suas impugnações, que, embora em peças apartadas, tem materialmente a mesma fundamentação jurídica – inclusive com redação quase que idêntica, consignando inicialmente que a responsabilidade tributária se baseia unicamente na denúncia formulada pelo Parquet, não havendo qualquer fato novo a vinculálos ao fato gerador, muito menos a comprovação de interesse comum na relação tributária. Relata como fundamento de sua defesa, portanto, que a fiscalização limitouse a descrever aquela imputação. Ausente qualquer vínculo societário formal com o contribuinte, alegam que fazem parte do quadro societário de outra sociedade empresária e que, por ocasião de oitiva junto ao MP/SP, categoricamente afirmam jamais ter participado como sócios do contribuinte, o que comprova a inexistência de interesse comum com o fato gerador que deu ensejo à exação. No mais, tal qual o contribuinte aduz em sua impugnação, pretendem afastar as infrações tributárias pelo fato de haver sido engendrada conduta que cerceou seu direito de defesa, bem como se mostrou desprovida de validade jurídica o arbitramento levado a efeito pela fiscalização, razão pela qual pedem sejam excluídos do polo passivo da demanda e, alternativamente, acaso não seja acatado o pedido supra, a multa qualificada seja objeto de reforma. Jaques Broder Cohen, na mesma linha de dicção dos anteriores, alega a inexistência de qualquer relação que, por desdobramento, implique na responsabilidade tributária que lhe fora imputada pela fiscalização, que se pautou somente na descrição fática aportada no relato formulado no procedimento investigatório. O dito interesse comum, a seu juízo, não restou demonstrado, inquinando, por este turno, qualquer vinculação de seu nome com o crédito tributário. Expõe ainda possíveis nulidades a prejudicarem a validade da autuação, como o cerceamento do direito de defesa amparado pela insuficiente descrição dos fatos ensejadores das infrações capituladas na reprimenda e pela inversão do ônus da prova engendrada na ação fiscal, sem, contudo, haver qualquer previsão legal para tanto. Por fim, insurgese contra o arbitramento do lucro, por não haver descrição suficiente para amparar a adoção desta modalidade de apuração do lucro, bem como pela inexistência Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.491 28 de fatos que conduzam à qualificação da sanção punitiva acoimada ao valor principal dos tributos devidos, ora no que tange ao arbitramento, ora no que concerne à infração encartada como omissão de receitas pela via direta. É o relatório necessário. Passo ao exame. (...) Na sessão de 30/05/2016, a 8ª Turma da DRJ/São Paulo julgou as impugnações improcedentes, mantendo integralmente o crédito tributário lançado de ofício e as sujeições passivas solidárias, cuja ementa e parte dispositiva do acórdão transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentálos, resta imprescindível a aplicação da medida gravosa do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99(Regulamento do Imposto de Renda) OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. COTEJO ENTRE AS DECLARAÇÕES E DEMAIS DOCUMENTOS FISCAIS. NOTAS FISCAIS COMO MEIO DE PROVA DIRETA. No curso da autoria, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON, e notas fiscais regularmente emitidas, se comprovado que contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9430/96. No curso do procedimento fiscal, após a constatação da existência de depósitos bancários em conta de titularidade do contribuinte, cabível a aplicação da presunção legal instituída pelo art. 42 da Lei 9430/96. Se, após ter sido oportunizado o direito do contribuinte de produzir prova em contrário sobre o origem dos depósitos, não for produzida prova hábil a afastar tal presunção legal, a autoridade administrativa tem o dever de incluir tais valores na base de cálculo do IRPJ e seus reflexos, a título de receitas operacionais. MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL DO ART. 44 DA LEI 9430/96. PERCENTUAL QUALIFICADO ANTE A CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A multa de ofício prevista na norma tributária se aplica em Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.492 29 razão do princípio da legalidade estrita, baliza do Direito Tributário. Constatada a existência da fatos enquadrados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4502/64, que se ligam hodiernamente ao que estabelece o art. 1º1 da Lei nº 8137/90, a qualificação da referida multa deve ser aplicada pela autoridade administrativa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Comprovado o interesse comum entre as pessoas envolvidas no fato gerador da obrigação tributária, quer seja mediante a produção de prova no curso da ação fiscal, quer por meio de prova legalmente produzida em procedimento diverso, no jargão jurídico conhecida como prova emprestada, tal responsabilidade deve ser formalizada pela autoridade administrativa, devendo ser observados todas as conseqüências pertinentes a este instituto, especialmente a inexistência do benefício de ordem na cobrança do crédito tributário. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO.PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DEFINIDO NO ART. 15 DO DECRETO 70237/72. INTEMPESTIVIDADE. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. A apresentação da impugnação administrativa fora do prazo implica no reconhecimento de sua intempestividade, o que, por desdobramento, impõe a não instauração do contencioso administrativo e a preclusão do direito do responsável solidário em apresentar defesa nas fases posteriores da demanda em sede administrativa. No entanto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário comunica a todos os citados na ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimemse o contribuinte e os responsáveis tributários solidários para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – à exceção de Henrique Kertzman Misionschnik (impugnação intempestiva) , em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. (...) Nesta instância recursal ordinária, a pessoa jurídica Sujeito Passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e fls. 1285/1315). Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.493 30 Obs: Como não havia nos autos o documento de ciência da decisão recorrida pelo sujeito passivo, e para verificação da tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado, esta Turma na sessão de 12/06/2018, conforme Resolução nº 1301000.601 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, devolveu os autos à unidade de origem da RFB para que juntasse aos autos o comprovante de ciência do sujeito passivo e do responsável solidário EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES (efls.. 1422/1449). Efetuado o saneamento do processo, dada ciência, aberto prazo para recurso (efls. 1451/ 1460), não houve manifestação adicional da Pessoa Jurídica e não houve apresentação de Recurso Voluntário por parte do Sr. EUDES SOUZA CARDOSO. Consta dos autos ciência dos sujeitos passivos solidários: a) MARCELO MARCEL FACHIM NOGUEIRA em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1280), e não apresentou Recurso voluntário. b) SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA em 08/06/2016 por via postal AR (e fl. 1281), e não apresentou Recurso Voluntário; c) JACQUES BRODER COHEN em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1282), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls.1377/1399); d) HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK em 09/06/2016 por via postal AR (efl. 1283), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls. 1351/1376); e) DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1284), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls. 1319/1344).; f) EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES em 14/08/2018 por via postal AR (efl. 1460), não apresentou Recurso Voluntário. Quanto às razões do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, em síntese, são as seguintes: I Das preliminares suscitadas: a) deficiência de fundamentação da decisão da DRJ: que a decisão recorrida, por ser sucinta, não atendeu ao disposto no art. 489 do Novo Código de Processo Civil CP (Lei 13.105/2015); que a decisão da DRJ deve ser anulada, e retorno dos autos para nova decisão, observando os requisitos do art. 489 do citado diploma legal. b) da inexistência de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN, em relação aos imputados: que a fiscalização não descreveu objetivamente as condutas individualizadas de cada imputado; que em face da ausência de descrição pormenorizada do interesse comum, requerse, nesse ponto, o acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento fiscal; que, na hipótese da sujeição ser mantida, que deve ser limitada ao período em que efetivamente atuou cada um dos imputados. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.494 31 c) cerceamento do direito de defesa: descrição insuficiente dos fatos nos Autos de Infração; que a fiscalização não descreveu suficientemente a base de cálculo, quanto às infrações imputadas; que o que há é apenas planilha de fls. 753/754, juntada aos autos pelo fisco, obtida pelo compartilhamento dos documentos apreendidos pelo Ministério Público e uma listagem de depósitos fls. 416; que para conhecimento do faturamento a fiscalização não circularizou as provas; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou ao conhecimento do faturamento, demonstrar o cálculo e justificar os elementos utilizados; que isso não foi feito, não consta dos autos; que a prova utilizada não se sustenta ante a movimentação financeira apresentada, bem como nos contratos, como se pode ver no Contrato de fls. 771/777; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados, o que não fez; que a fiscalização não acatou, não aceitou os dados e registros da contribuinte, e não justificou por qual razão; que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição da escrituração; que no caso só teria ocorrido ausência de declaração. 2 Mérito: a) omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada: que deve ser afastada a autuação quanto anocalendário 2010 com base depósitos bancários, por ilegal a quebra do sigilo bancário, acesso sem autorização judicial. b) arbitramento do lucro: que discorda do coeficiente de arbitramento (margem de lucro presumida), base de cálculo; que a descrição dos fundamentos não consta da descrição dos fatos no auto de infração; que não consta qual a razão para o afastamento do lucro presumido e os fundamentos para o lucro arbitrado; que o lançamento fiscal não tem motivação; que a fiscalização não demonstrou os motivos para desconsideração do lucro presumido, limitandose a afirmar que a real atividade da contribuinte é a prestação de Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.495 32 serviços; que não demonstrou a proporção do faturamento entre a prestação de serviços e atividade imobiliária (porção de exploração imobiliária); que desconsiderou todos os empreendimentos imobiliários desenvolvidos pela contribuinte sem fazer qualquer exame ou investigação sua existência, como faz prova o contrato de fls. 856 e seguintes; que a fiscalização não levou em conta os diversos contratos celebrados pela contribuinte de constituição de sociedade em conta de participação para exploração de inúmeros imóveis. b) base de cálculo: que parte dos recursos pertencem a terceiros e não poderiam ser considerados no cálculo, conforme dispõe o contrato, cláusula 6ª, de fls. 771 e seguintes: que parte dos contratos utilizados como base de cálculo não pertencem à recorrente, pois são contratos entre terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls. 755, 847/849, 851/853 e 855; que a base de cálculo foi superestimada, e que não tem como comprovar pois os documentos foram apreendidos; porém o fisco tem disponibilidade sobre esses documentos em face do compartilhamento de provas deferido judicialmente. c) multa de 150%: que a qualificação da multa deuse com base em argumentos genéricos; que deuse pura e simplesmente pela falta de declaração e falta de recolhimentos, contrariando não só a jurisprudência, mas também as Súmulas CARF nºs 14 e 96; que deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício. Por fim, a recorrente pediu: a) a anulação da decisão recorrida, por inobservância do art. 489 do novo CPC; b) exclusão dos responsáveis solidários; c) subsidiariamente, a suspensão, sobrestamento do processo, até que sejam julgadas as ações criminais em curso no Poder Judiciário; d) quanto mérito, a improcedência do lançamento fiscal e, caso não seja improcedente, requer o afastamento da qualificadora da multa. Razões do Recurso Voluntário dos coobrigados: Sr. HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK; Sr. JACQUES BROTER COHEN; Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.496 33 Sra. DÉBORA CHRISTIAN FACHIM|; Embora os recursos tenham sido apresentados individualmente, todos alegaram as mesmas matérias, em síntese: a) preliminares: suscitou as mesmas preliminares já suscitadas pela pessoa jurídica autuada. b) mérito: alegou as mesmas matérias já alegadas pela pessoa jurídica autuada. Por fim, pediu: a) preliminarmente: a nulidade da decisão recorrida, retorno dos autos à primeira instância de julgamento para nova decisão, sob pena de supressão de instância; subsidiariamente, a exclusão da responsabilidade solidária; b) mérito: improcedência do lançamento fiscal e, caso não seja improcedente, o afastamento da qualificadora da multa de ofício. É o relatório. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.497 34 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator. ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Os Recursos Voluntários do sujeito passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA (efls. 1285/1315) e dos responsáveis solidários DÉBOARA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA (efls. 1319/1344) e JACQUES BRODER COHEN (efls. 1377/1399) são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade. Portanto, conheço dos recursos. Quanto ao Recurso Voluntário do Sr. HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK (efls. 1351/1376), responsável solidário, embora apresentado tempestivamente, conheço parcialmente, ou seja, não conheço quanto à matéria sujeição passiva solidária por estar preclusa, pois na primeira instância de julgamento o Sr. Henrique Kertzman Misionschnik apresentou impugnação intempestiva, a qual sequer foi conhecida pela decisão a quo que, de forma expressa, pronunciou a intempestividade, implicando preclusão (revelia) (efl.1267), in verbis: (...) As impugnações foram interpostas dentro do prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70235/72, razão pela qual devem ser conhecidas, à exceção daquela aviada por Henrique Kertzman Misionschnik, que, apresentada pela via postal, tem como data de entrega 05/05/2015, portanto, fora do prazo recursal definido pelo dispositivo supra, o que, por consectário, implica no reconhecimento de sua intempestividade e no não conhecimento da instauração da fase litigiosa, não obstante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em tela subsistir a todos os envolvidos na ação fiscal. (...) Não apresentaram Recurso Voluntário os responsáveis solidários: SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA ciência da decisão a quo em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1281); não apresentou Recurso Voluntário; Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.498 35 EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES ciente da decisão a quo em 14/08/2018 por via postal AR (efl. 1460); não apresentou Recurso Voluntário. MARCELO MARCEL FACHIM NOGUEIRA é titular de direito da pessoa jurídica autuada, conforme Instrumento de Contrato Social e Alterações (efls. 237/286), ciência da decisão a quo em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1280), não apresentou Recurso Voluntário. OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL Conforme relatado, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil, unidade DRF/São Bernardo do Campo, constatou que nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, a contribuinte, submetida ao regime do lucro presumido: a) não pagou IRPJ e CSLL e também não recolheu PIS e Cofins; b) apresentou DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011 sem movimento, ou seja, sem faturamento, campos zerados (efls. 685/722). Intimada e reintimada pelo fisco para a apresentar o livro Caixa, razão, Diário e documentos, a contribuinte nada forneceu à Fiscalização. Então, o fisco arbitrou o lucro. Infrações imputadas (exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins): a) omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada (presunção legal, prova indireta, art. 42 da Lei 9.430/96), anocalendário 2010, com multa qualificada (150%) b) omissão de receitas da atividade receita bruta de prestação de serviços em geral, anoscalendário 2011 e 2012, com aplicação de multa de 150% e 75%, respectivamente (prova direta, art. 24 da Lei 9.249/95). Imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado de ofício: a) art. 124, I, do CTN: Débora Christian Fachim Nogueira; Henrique Kertzman Misionschnik; Jaques Broder Cohen; Silvia Regina de Almeida; Eudes Souza Cardoso Guimarães; b) arts. 124, II e 135, III): Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.499 36 Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica. A decisão a quo julgou as Impugnações improcedentes, ao manter a exigência do crédito tributário e, ainda, manteve a sujeição passiva solidária de todos os imputados (coobrigados). OBJETO DOS RECURSOS APRESENTADOS 3.1Preliminares suscitadas: a) nulidade do lançamento fiscal: descrição insuficiente dos fatos, falta de motivação, cerceamento do direito de defesa. b) nulidade da decisão a quo. fundamentação deficiente, cerceamento do direito de defesa. 3.2 Mérito: a) omissão de receitas depósitos bancários e origem não comprovada, ano calendário 2010, Planilha elaborada pela Fiscalização (efls. 912/913); b) omissão de receitas receitas da atividade de prestação de serviços em geral: anocalendário 2011 Planilha de faturamento, receita bruta, elaborada pela própria contribuinte, de 30/01/2012 (efl. 914); anocalendário 2012 dados da DIPJ. c) arbitramento do lucro base de cálculo: d) multa qualificada (150%). d) sujeição passiva solidária dos imputados (coobrigados). Identificados os pontos controvertidos, passo, primeiro, a enfrentar as preliminares suscitadas. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.500 37 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA O sujeito passivo e os coobrigados suscitaram preliminar de nulidade dos autos de infração, por cerceamento do direito de defesa: descrição insuficiente dos fatos nos autos de infração; que a fiscalização não descreveu suficientemente a base de cálculo, quanto às infrações imputadas; que há apenas planilha de fls. 753/754, juntada aos autos pelo fisco, obtida pelo compartilhamento dos documentos apreendidos pelo Ministério Público e uma listagem de depósitos fls. 416; que para conhecimento do faturamento a fiscalização não circularizou as provas; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou ao conhecimento do faturamento, demonstrar o cálculo e justificar os elementos utilizados; que isso não foi feito, não consta dos autos; que a prova utilizada não se sustenta ante a movimentação financeira apresentada, bem como nos contratos, como se pode ver no Contrato de fls. 771/777; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados, o que não fez; que a fiscalização não acatou, não aceitou os dados e registros da contribuinte, e não justificou por qual razão; que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição da escrituração; que no caso só teria ocorrido ausência de declaração; que o lançamento fiscal não tem motivação. Rechaço peremptoriamente a alegação de existência de prejuízo à defesa quanto aos fatos imputados nos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Quanto às infrações imputadas, os autos de infração apresentam adequada, precisa, exata, descrição ou narrativa dos fatos, capitulação legal, valor tributável, demonstrativo de base de cálculo, alíquota e valor da exação fiscal apurada, com respectivos demonstrativos de cálculo, em observância ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235 e art. 142 do CTN. Veja. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.501 38 Quanto à infração omissão de receitas receita bruta mensal de prestação de serviços em geral, consta do Auto de Infração do IRPJ (e963/964), in verbis: (...) 0001 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL O contribuinte não emitiu as notas fiscais referentes a serviços gerais que prestou e nem informou rendimentos na respectiva DIPJ que entregou tempestivamente no anocalendário de 2011, caracterizando omissão de receitas da atividade. Para o período de 2012 embora tenha informado rendimentos na DIPJ, nada recolheu ou declarou em DCTF a título de débitos de tributos federais decorrentes da receita que auferiu. A regular e autorizada judicialmente Operação de Busca e de Apreensão no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas possibilitou verificar e apurar a sua RECEITA CONHECIDA, nos termos da legislação tributária e da modalidade de apuração do resultado pelo Lucro Arbitrado, e de que esta Receita advêm da atividade de prestação de serviços, conforme relato pormenorizado que consta do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado aos 05/01/2015, cuja ciência ocorreu pelo Edital nº 16/2015, publicado no DOU de 13/02/2015, com a documentação probatória que foram carreadas ao Termo em forma de Anexos do I ao LXVII; pelos demais fatos narrados no Termo de Registro de Ocorrências de 09/02/2015 e no Termo de Descrição dos Fatos de 23/03/2015, sendo que todos estes Termos são integrantes dos presentes autos de infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2011 930.415,13 150,00 28/02/2011 1.820.227,22 150,00 31/03/2011 1.990.632,08 150,00 30/04/2011 1.747.782,36 150,00 31/05/2011 392.519,47 150,00 30/06/2011 568.727,21 150,00 31/07/2011 1.655.648,04 150,00 31/08/2011 2.581.186,61 150,00 30/09/2011 2.230.719,23 150,00 31/10/2011 3.681.731,49 150,00 30/11/2011 3.694.690,33 150,00 31/12/2011 4.311.686,08 150,00 31/01/2012 2.816.590,47 75,00 28/02/2012 3.479.243,01 75,00 31/03/2012 2.955.671,08 75,00 30/04/2012 2.619.633,39 75,00 31/05/2012 2.938.793,98 75,00 Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.502 39 30/06/2012 2.808.335,48 75,00 31/07/2012 2.785.049,89 75,00 31/08/2012 2.949.394,53 75,00 30/09/2012 3.041.526,06 75,00 31/10/2012 2.951.751,53 75,00 30/11/2012 2.739.073,64 75,00 31/12/2012 2.608.624,66 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 537 do RIR/99 (...) Como dito, os valores tributáveis mensais demonstrativo acima constam do auto de infração IRPJ (efls 963/964) e foram obtidos pela Fiscalização assim: a) quanto ao anocalendário 2011, em Operação de Busca e Apreensão no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas, por ordem judicial. Portanto, o demonstrativo original, elaborado pela própria fiscalizada BRAZILIAN LANDBANK consta da Planilha Faturamento Bruto 2011, de 30/01/2012, assinada por Aline Rosi Rodrigues e, também, assinada por Marcelo Marcel Fachim Noqueira (efls. 912/913); b) quanto ao anocalendário 2012, transcrição da própria DIPJ que a contribuinte entregou ao fisco (transmitiu eletronicamente à RFB) (efls. 723/745), porém nada pagou, nada recolheu. Quanto à infração omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada, anocalendário 2010, consta do auto de infração do IRPJ (efl. 965) e autos reflexos (CSLL, PIS e Cofins), in verbis: (...) 0002 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras no anocalendário de 2010, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado e reintimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A regular e autorizada judicialmente “Operação de Busca e de Apreensão” no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas possibilitou verificar que os ingressos em contascorrentes advêm da atividade de prestação de serviços, conforme relato pormenorizado que consta do Termo Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.503 40 de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado aos 05/01/2015, cuja ciência ocorreu pelo Edital nº 16/2015, publicado no DOU de 13/02/2015 e pelos demais fatos narrados no Termo de Ocorrências de 09/02/2015 e no Termo de Descrição dos Fatos de 23/03/2015, sendo que todos estes Termos são integrantes dos presentes autos de infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2010 100.000,00 150,00 28/02/2010 31.202,00 150,00 30/04/2010 461.431,04 150,00 31/05/2010 208.191,03 150,00 30/06/2010 722.022,33 150,00 31/07/2010 479.890,64 150,00 31/08/2010 616.223,82 150,00 30/09/2010 773.939,27 150,00 31/10/2010 399.581,33 150,00 30/11/2010 301.082,43 150,00 31/12/2010 790.272,48 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99 (...) Na DIPJ do anocalendário 2010, a contribuinte não declarou faturamento, ou seja, receita bruta mensal e anual valor zerado (efls. 685/722). O demonstrativo de valores tributáveis foi extraído da planilha de depósitos bancários a crédito não justificados pela contribuinte do anocalendário 2010, que discrimina operação de depósito, uma por uma, nª do Banco, nº da Agência, conta corrente, data, valor creditado e histórico (efls. 913/914). Cópia dos extratos bancários fornecidos pelos Bancos, RMF, constam dos autos (efls.427/684). A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, com demonstrativo discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico (efls. 419 /426). Como visto, não tem plausibilidade fáticojurídica a alegação da recorrente de que o lançamento fiscal teria descrição insuficiente dos fatos, falta de motivação, e que a fiscalização ainda não teria demonstrado suficientemente a base de cálculo quanto às infrações imputadas. Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.504 41 Diversamente do alegado pela recorrente, as infrações imputadas estão motivadas, precisamente narradas, descritas nos autos de infração com adequada identificação e demonstração dos Elementos Pessoal, Material, Temporal, Espacial e quantitativo e ainda capitulação legal. Apenas a ausência ou insuficiência de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal das infrações imputadas implicaria vício de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, o que não é o caso. Conforme já dito, os fatos imputados estão apurados, narrados, de forma clara, objetiva e suficiente, com capitulação legal e motivação, o que permitiu ao sujeito passivo e aos responsáveis solidários o pleno entendimento e compreensão da acusação fiscal, não restando comprovado o alegado prejuízo à defesa. Nesse sentido, também são precedentes do CARF, ou seja, pela inocorrência de vício que pudesse macular, inquinar de nulidade o lançamento fiscal, in verbis: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. (Acórdão nº 1402002.522 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 17/05/2017, Paulo Mateus Ciccone Relator). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. (Acórdão nº 1401001.884 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 18/05/2017, Antonio Bezerra Neto–Presidente e Relator). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. (Acórdão nº 2202004.663–2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 07/08/2018, Rosy Adriane da Silva Dias Relatora). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.505 42 legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.(Acórdão nº 2401005.668–4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 07/08/2018, Cleberson Alex Friess Relator). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração:01/01/2007a30/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art.142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE .INEXISTÊNCIA. Descabida a alegação de nulidade de acórdão constituído por relatório resumido do processo, dispositivo e fundamentação, com o debate de todos os argumentos relevantes apresentados, sem qualquer cerceamento do direito de defesa da contribuinte. (Acórdão nº 3402005.560–4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 30/08/2018, Maria Aparecida Martins de Paula Relatora). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Ano calendário:2011 FASE PROCEDIMENTAL. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DE FASE LITIGIOSA. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório.O litígio instaurase com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. (Acórdão nº 1301003.292–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 15/08/2018, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator). Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade dos autos de infração. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA Os recorrentes alegaram que: que a decisão a quo, por ser sucinta, não atendeu ao disposto no art. 489 do Novo Código de Processo Civil CP (Lei 13.105/2015); Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.506 43 que a decisão da DRJ deve ser anulada, e retorno dos autos para nova decisão, observando os requisitos do art. 489 do citado diploma legal (elementos essenciais da sentença, relatório, fundamentos e dispositivo). Não procede a alegação dos recorrentes. A decisão recorrida enfrentou adequadamente as razões fundamentais de defesa suscitadas e analisou as provas, sendo suficiente sua fundamentação. Enfrentou os pontos capitais. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF. Ainda, nesse sentido também transcrevo precedentes do CARF: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2000,2001,2002,2003,2004 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa de notar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.(Acórdão nº 2402006.599–4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 13/09/2018, Mauricio Nogueira Righetti Redator). ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2011, 2012, 2013 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE.INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF.(Acórdão nº 1301003.360–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 19/09/2018, Fernando Brasilde Oliveira Pinto Presidente e Relator). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72. (Acórdão nº 120200.076 — 2ª Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.507 44 Câmara ir Turma Ordinária, sessão de 17/06/2009, Karem Jureidini Dias, Relatora). Como visto, a mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do 59 do Decretolei n° 70.235/72, que não é o caso. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. SIGILO BANCÁRIO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ACESSO DO FISCO SEM ORDEM JUDICIAL. Os recorrentes alegaram que deve ser afastada a autuação quanto ano calendário 2010 com base em depósitos bancários, por ser ilegal a quebra do sigilo bancário, acesso sem autorização judicial. Carece de plausibilidade fáticojurídica a pretensão dos recorrentes. Ante negativa da Fiscalizada de fornecer cópias de extratos bancários e por força do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2004, a Receita Federal requisitou, via Requisição de Movimentação Financeira RMF, cópias dos extratos bancários das contas correntes da autuada e, por sua vez, as instituições financeiras forneceram, disponibilizaram as informações de movimentação financeira (efls.427/684). O acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária, mediante requisição dirigida aos Bancos, não configura quebra de sigilo bancário, mas sim mero translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Essa transferência direta ou translado de informações acerca da movimentação financeira bancária, sem ordem judicial, ao fisco é constitucional. Nesse sentido, cabe destacar que o Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, na Sessão de Julgamento de 24/02/2016, no RECURSO EXTRAORDINÁRIO 601.314SP, Repercussão Geral, Relator Ministro Edson Fachin, declarou constitucional a legislação de regência do acesso direto do fisco aos dados e informações financeiras de correntistas das instituições financeiras, mediante Requisição de Informação de Movimentação Financeira RMF, conforme ementa do Acórdão que transcrevo, in verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.508 45 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Portanto, o acesso direito do fisco, sem ordem judicial, aos de dados e informações de movimentação financeira bancária da autuada do anocalendário 2010, objeto Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.509 46 do lançamento de ofício, mediante expedição de RMF, deuse com base em legislação de regência declarada constitucional pelo STF, com efeito erga omnes. OMISSÃO DE RECEITAS (LEI 9.430/96, ART. 42). DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. ANOCALENDÁRIO 2010 Os recorrentes alegaram que: que parte dos recursos pertencem a terceiros e não poderiam ser considerados no cálculo, conforme dispõe o contrato, cláusula 6ª, de fls. 771 e seguintes: que parte dos contratos utilizados como base de cálculo não pertencem à recorrente, pois são contratos entre terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls. 755, 847/849, 851/853 e 855; que a base de cálculo foi superestimada, e que não tem como comprovar, pois os documentos foram apreendidos na operação policial autorizada judicialmente; porém, o fisco tem disponibilidade sobre esses documentos em face do compartilhamento de provas deferido judicialmente. A irresignação dos recorrentes não merece guarida. Primeiro, quanto aos documentos apreendidos pela fisco na operação autorizada judicialmente não constam os livros da escrituração contábil e fiscal conforme narrativa constante do Termo de Constatação Fiscal (efls. 02/34), in verbis: (...) 03. Dos elementos apreendidos que estão no momento no Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo/SP (documentação física). (...) Os elementos de destaque, que devem ser aproveitados como documentação probatória para o regular curso desta ação fiscal no âmbito tributário, foram deles extraídas cópias digitais ou cópias impressas, permanecendo os originais nas respectivas pastas e caixas. Sendo assim, os elementos coletados pela Fiscalização neste rol de documentos apreendidos estarão relacionados em forma de Anexos, cada qual ao seu tempo e no decorrer da narrativa dos fatos e das circunstancias constatadas. No entanto, constatamos que nas 17 caixas verificadas não constam livros de escrituração contábil, livros caixa, livros de inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.510 47 do lucro real, notas fiscais de prestação de serviços, livros de registro de prestação de serviços ou livros afins que devam obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos fatos contábeis desta pessoa jurídica ou de outra pessoa jurídica pertencente ao grupo "Brazilian". (...) A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, com demonstrativo discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico (efls. 419 /426). Assim, a mera juntada de cópias de instrumentos de contratos não servem de prova de que teria receita de terceiros. Não juntou cópia de nota fiscal de faturamento e nem comprovou que os depósitos seriam coincidentes em datas e valores. Não comprovou a origem dos depósitos. Cópia dos extratos bancários fornecidos pelos Bancos, RMF, constam dos autos (efls.427/684). A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, com demonstrativo discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico (efls. 419 /426). Entretanto, a recorrente nada comprovou. Diversamente do entendimento dos recorrentes, por ter restado não comprovada a origem dos depósitos bancários a crédito nas contas correntes bancárias da autuada, embora intimada a fazêlo, o fisco, por presunção legal, então imputou a infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42). O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que encerra presunção legal, tem o condão de inverter o ônus probatório. No caso de presunção legal, o ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa a existência de infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de que não cometeu a infração, ou seja, de que não ocorreu a omissão de receitas. Portanto, é uma presunção legal relativa que pode ser afastada, arrostada, por provas hábeis e idôneas. Para fisco compete, apenas, comprovar a existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com lastro em extratos bancários (prova indiciária) da presunção de omissão de receitas. Como dito, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.511 48 bancárias, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Veja: Lei n° 8.021/1990: "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações." [revogado] Lei n° 9.430/1996 : "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar às outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, e não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos pois calcada em legislação revogada. Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.512 49 Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade do fisco provar sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável, por presunção legal. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes transcrevo (ementas de julgados, acórdãos), in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 108 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.513 50 DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.514 51 contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 19500.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). Ainda, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda da Constituição Federal. Eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, não sendo competência ao CARF o enfrentamento, no mérito, dessa questão, conforme Súmula CARF nº 02, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti tucionalidade de lei tributária. Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte, embora intimada diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desincumbiu desse ônus probatório para afastar a omissão de receitas. Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para afastar, elidir, a omissão de receitas com base em depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. Portanto, deve ser mantida a infração imputada “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. PROVA DIRETA. ANOSCALENDÁRIO 2011 E 2012. Alegaram os recorrentes: que para conhecimento do faturamento a fiscalização não circularizou as provas; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou ao conhecimento do faturamento, demonstrar o cálculo e justificar os elementos utilizados; que isso não foi feito, não consta dos autos; que parte dos contratos utilizados como base de cálculo não pertencem à recorrente, pois são contratos entre terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.515 52 Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls. 755, 847/849, 851/853 e 855. Não procedem as alegações dos recorrentes, pois a receita bruta própria foi apurada pela própria contribuinte, quanto aos anoscalendário 2011 e 2012. Assim, não cabe objetar os referidos documentos, pois não se aplicam ao caso, conforme já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar de nulidade do lançamento fiscal e também conforme demonstrado no tópico a seguir: Arbitramento do Lucro. ARBITRAMENTO DO LUCRO ANOSCALENDÁRIO 2010, 2011 E 2012 Nas razões do recurso, alegaram os recorrentes: que a fiscalização não acatou, não aceitou os dados e registros da contribuinte, e não justificou por qual razão assim procedeu; que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição da escrituração; que, no caso, só teria ocorrido ausência de declaração; que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados, o que não fez; Não procedem os argumentos dos recorrentes. Intimada, diversas vezes, a pessoa jurídica autuada, não apresentou os livros Razão, Diário e Razão e demais documentos à Fiscalização da RFB, quanto aos anos calendário 2010, 2011 e 2012. Veja. A autuada nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 apresentou, entregou, à Receita Federal as DIPJ, informando regime do lucro presumido (efls. 685/745); porém, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal, as DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011 foram entregues ao fisco com as fichas e campos zerados quanto ao faturamento (receita mensal e anual valor R$ 0,00) e não informou apuração dos tributos e contribuições e ainda não houve pagamento algum a título do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins desses anoscalendário. Cópias das DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011, com as Fichas e campos vazios (zerados), sem informar receitas e sem apuração dos tributos e contribuições (efls. 685/722). A contribuinte foi intimada, diversas vezes, no curso do procedimento de fiscalização apresentar, entregar, à Fiscalização extratos bancários, os livros Caixa, Razão, Diário e documentos da escrituração; porém, nada forneceu. As intimações ocorreram nas seguintes datas: Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.516 53 a) Termo de Início de Fiscalização, para apresentação dos extratos bancários anocalendário 2010 e outros documentos, de 12/08/2013 (efls. 287/290) b) Termo de Intimação Fiscal nº 02, de 11/09/2013, para apresentação dos extratos bancários, livros Caixa, Diário e Razão e outros documentos (efls. 291/294); c) Termo de Intimação Fiscal nº 03, de 30/09/2013, para apresentação de livros Caixa, Diário e Razão e arquivos digitais (efls. 295/297); d) Termo de Intimação e Ciência Fiscal, de 25/09/2014, para apresentar extratos bancários (efls. 665/672); e) Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e Intimação Fiscal, de 05/01/2015 (efls. 02/34). Conforme já explanado quando do enfrentamento da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal, a Fiscalização apurou a receita bruta: a) do anocalendário 2010 com base nos extratos bancários (movimentação financeira bancária depósitos a crédito em contas correntes não escriturados e de origem não comprovada), conforme matéria já enfrentada no tópico OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA; b) do anocalendário 2011 em documento elaborado pela própria contribuinte, documentos apreendidos em “Operação de Busca e de Apreensão” no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas, por ordem judicial, conforme já analisado, explicitado, demonstrado, quando da análise da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal; c) do anocalendário 2012, conforme dados de faturamento constantes da própria DIPJ 2013, anocalendário 2012 e já analisados quando do enfrentamento da preliminar suscitada de nulidade do lançamento fiscal. Conhecida a receita bruta, aplicou a Fiscalização o regime de apuração do Lucro Arbitrado, pois a contribuinte intimada, diversas vezes, não apresentou os Livros Caixa, Diário e Razão e demais documentos da escrituração, como já dito. Diversamente do alegado pelos recorrentes, a Fiscalização demonstrou os valores de receita bruta mensal e anual, quanto aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, conforme demonstrativos já transcritos quando da análise da preliminar de nulidade do lançamento fiscal. Aqui, reproduziremos, novamente, mais adiante, o demonstrativo de receita bruta dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012. Receita bruta que serviu para aplicação do respectivo coeficiente de presunção do lucro para esses anos. Quanto ao coeficiente de presunção do lucro arbitrado, a Fiscalização aplicou o coeficiente previsto para receitas de prestação de serviços em geral, para os anos Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.517 54 calendário 2010, 2011 e 201, ou seja, 38,4% (32% x 1,2), pois a Fiscalização apurou que atividade desenvolvida pela autuada, nesses anos, foi de prestação de serviços em geral. Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos apurados constante do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal, de 05/01/2015, parte integrante do lançamento fiscal, quanto à atividade da autuada (efls. 02/34), in verbis: (...) 01. Da autorização judicial de compartilhamento de informações entre a RFB, o Ministério Público Estadual e o GAECO ABC. Por meio do Ofício n° 76/14 GAECO ABC (Anexo I) recebemos a mídia digital contendo cópia do procedimento investigatório criminal n° 07/13 GAECO ABC, bem como do apenso do procedimento relativo à quebra de sigilo telefônica e de dados. Conjuntamente, recepcionamos a cópia da decisão da Excelentíssima Juíza de Direito da 5a Vara Criminal de São Bernardo do Campo (Anexo II) proferida nos autos 3016090 38.2013.8.26.0564, pela qual deferiu o compartilhamento das informações obtidas naquele feito com a Receita Federal, "uma vez que a investigação aponta suposta fraude em seus sistemas e possível envolvimento de funcionário de seus quadros nos delitos ora investigados". (...) 02. Do Mandado de Busca e de Apreensão expedido pela 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo. Aos 10/06/2014 a Juíza de Direito Dra. Daniela de Carvalho Duarte defere o Pedido de Busca e de Apreensão nos imóveis que relaciona na decisão prolatada nos autos do processo 30160938.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos agentes da Receita Federal para o cumprimento da ordem e o compartilhamento das provas coletadas com este específico Órgão, para analise conjunta dos documentos apreendidos" (Anexo V). (...) A titulo de esclarecimento e voltado aos detalhes da atividade econômica desenvolvida pela Pessoa Jurídica "Brazilian Landbank" que lhe proporcionou significativa obtenção de Renda, mas que nada confessou em relação aos débitos decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da Sentença: Tramitam neste juízo medidas sigilosas requeridas após instauração de procedimento investigatório criminal, pelo GAECO, com objetivo de apuração de eventual prática de Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.518 55 crimes de organização criminosa, estelionato, falsidades ideológicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O Parquet afirmou que, ao longo do ano de 2009 até a presente data, representantes da empresa BLB — Brazilian Landbank Empreendimentos e Representação Comercial Ltda e outras do mesmo grupo são os autores dos mencionados crimes. (...) Em resumo, depreendese dos autos que a noticia de tais delitos chegou ao conhecimento dos membros do Núcleo por intermédio de declarações prestadas por Luciano das Neves sola, no dia 14 de outubro de 2013. Naquela ocasião, a vitima declarou que Jacques Broder Cohen, que se apresentava como sócio e controlador da empresa acima mencionada, teria mediante ardil induzidoo em erro, com o fim de obter vantagem ilícita em prejuízo alheio. Isto porque teria sido entabulado um contrato entre Luciano e a empresa "BLB", cujo objetivo seria a compensação de tributos a serem recolhidos pelo estabelecimento ELVI COZINHAS INDUSTRIAIS LTDA, de propriedade de Luciano, assim, teria sido oferecido à vítima o serviço de compensação de seus débitos junto ao fisco através da compra de créditos tributários de outras empresas. Após a assinatura do contrato, a vítima efetuou as transferências de valores, no montante de três milhões de reais para a empresa "BLB". Ocorre que, não obstante o pagamento realizado, as dividas fiscais não teriam sido compensadas conforme prometido, suportando a vitima o prejuízo no valor aproximado de oito milhões de reais. Os tais créditos tributários que seriam utilizados como compensação não eram aptos a gerar efeitos junto ao fisco. A vitima declarou ter percebido que caíra em um golpe ao tomar conhecimento de que alguns dos títulos por si adquiridos sequer existiam. Durante a investigação, ao cabo dos períodos da interceptação telefônica e telemática judicialmente deferida, o Ministério Público apurou nomes de outras empresas que teriam sido vítimas das condutas perpetuadas pelos investigados. .... que a empresa GRÁFICA RAMI LTDA pagou por créditos tributários que não serviram para compensação tributária junto à receita Federal. Tal como a Elvi Cozinhas, tal empresa cobra, sem sucesso, a restituição dos valores pagos à "BLB", inclusive através do Termo de Confissão de Dívida no valor de um milhão, novecentos e setenta reais e três centavos, conforme correspondência eletrônica de HENRIQUE KERTZMAN para assinatura de MARCELO FACHIN, interceptada. Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.519 56 Quanto a FRANCO BACHOT INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA, constatouse a notificação pela Receita Federal sobre problemas com os créditos utilizados. (...) SUPERMERCADOS ZONI firmou, em 28 de novembro de 2013, contrato com Brazilian Asseis Ltda, no valor de R$ 22.200,00, cujo objeto consistia na cessão, por esta à aquela, de direitos creditórios para compensação tributária. A Brazilian Asseis não cumpriu com sua obrigação contratual. Quando cobrada por SUPERMERCADOS ZONI, o Grupo Brazilian apresentou documentos que comprovariam, em tese, a compensação pactuada: porém, a empresa vítima teria constatado que tais documentos ostentavam uma serie de indícios de falsificação. O Ministério Público apontou fortes indícios da prática do crime de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi: A quadrilha atua oferecendo à empresas de médio e grande porte o serviço de compensação de seus débitos tributários federais, a ser executada por meio de direitos creditórios de terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa dos débitos devidos. Uma vez entabulado contrato com a empresa vitima, a "BLB" já recebe os valores contratados para executar a compensação a que se propõe. Apresenta, então, ao fisco, direitos creditórios que invariavelmente resultam ineficazes a dar quitação aos créditos tributários. Tais créditos são, por exemplo, adquiridos por valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente por serem eivados de dúvida quanto a sua validade. São provenientes de ações, por exemplo, contra a União para o recebimento de títulos da divida externa emitidos no inicio do século, já prescritos. Por vezes, conforme relatou Luciano, sequer existe a ação. Diante da recusa do fisco em aceitálos, o grupo tenta recursos administrativos que vão postergando a cobrança, enquanto permanece iludindo a empresa vitima com promessas de que resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna insustentável: a empresa vitima não consegue obter sua Certidão Negativa de Débitos CND e tem seus débitos inscritos em divida ativa da União. Nesse momento, percebendo o engodo, as empresas vítimas rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente. Do resultado da operação de busca e apreensão judicialmente autorizada foram coletadas vasta documentação que comprova todas as condutas retro descritas e cujas cópias digitalizadas foram carreadas para o presente procedimento administrativo e serão devidamente abordadas no decorrer deste Termo. Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.520 57 03. Dos elementos apreendidos que estão no momento no Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo/SP (documentação física). Do trabalho de busca e apreensão promovido pela operação conjunta desenvolvida pelo GAECO e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, representada pelo ESPEI (Escritório de Pesquisa e Investigação) e pelo Serviço de Fiscalização desta Unidade (DRF/SBC), os elementos coletados tiveram uma primeira verificação pelos responsáveis pela Busca ocorrida logo depois da Operação, sendo que este Auditor teve acesso à parte dos elementos físicos apreendidos e que constam das 17 caixas que os acondicionam. (...) No entanto, constatamos que nas 17 caixas verificadas não constam livros de escrituração contábil, livros caixa, livros de inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração do lucro real, notas fiscais de prestação de serviços, livros de registro de prestação de serviços ou livros afins que devam obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos fatos contábeis desta pessoa jurídica ou de outra pessoa jurídica pertencente ao grupo "Brazilian". (...) 08. Da falta de apresentação de Livros de Escrituração Contábil e a não convalidação exoficio da opção da contribuinte em realizar a apuração de seu resultado pela modalidade do Lucro Presumido. A contribuinte foi devidamente intimada para que apresentasse os livros de sua escrituração, conforme constam dos Termos lavrados (Anexo XI, datado de 11/09/2013; Anexo XIII, de 30/09/2013; anexo XXVII, de 27/01/2014; e, Anexo XLI, de 25/09/2014). Pelo último está cientificado de que houve a extensão do período sob fiscalização para abranger o período de 01/01/2010 a 31/12/2012. Esclarecemos que a contribuinte optou em apurar seus Resultados para efeito de tributação pela modalidade do Lucro Presumido, conforme constam das três DIPJ que entregou. Esta informação está em descompasso com o adequado procedimento já que nada recolheu a titulo de IRPJ. A regular opção é manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido (IRPJ) correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, nos termos do § I o do artigo 26 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, a entrega destas três DIPJ sob a modalidade do Lucro Presumido está ao dissabor legal, justamente por que lhe falta o requisito do pagamento do débito de IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada um dos anos calendários sob exame ou de forma alternativa, do adequado procedimento Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.521 58 na utilização de outro meio de extinção destes débitos inaugurais de cada período. E mais, a legislação em vigor lhe permitia realizar uma escrituração simplificada com a adoção do Livro Caixa em substituição da regular escrituração Contábil, desde que a simplificada contemple a escrituração de sua movimentação financeira, mas também por sua opção indica nas DIPJ relativas aos anos calendários de 2011 e 2012 existência de regular escrituração. Ocorre que, até a presente data não cumpriu com a entrega para a Fiscalização de nenhum dos livros que contenham sua escrituração, independente de ser o Livro Caixa ou o Livro Diário. Verificamos que estes livros não estão no rol de elementos apreendidos na Operação de Busca e Apreensão judicial. (...) contador indicado nas DIPJ Sr. Roberto Lippi (...). Sendo assim, verificase existência de escritório de contabilidade que lhe prestava serviços, no entanto permaneceu recalcitrante em deixar de apresentar para a Fiscalização os Livros de Registro de sua Escrituração Contábil Regular (Livros Diário) ou Simplificada (Livros Caixa). Esclarecemos que a falta de apresentação de sua escrituração impeditivo ao pleno desenvolvimento da auditoria programada para esta ação fiscal, vez que impossibilita a verificação dos fatos contábeis e a identificação das bases tributárias contabilizadas da contribuinte, além de obscurecer a natureza da riqueza que nela ingressou. Aliás, deixou de entregar os livros para a Fiscalização não por acaso ou por descuido diante de tantas intimações. A atitude de não entregar a escrituração de cunho obrigatória nos âmbitos da legislação civil e tributária, visa cumprir com o objetivo de criar dificuldades na identificação das pessoas naturais que foram os reais beneficiários dos recursos transitados nas contas mantidas junto às Instituições Financeiras que estão sob sua titularidade. Ocorre que a falta de apresentação para a Fiscalização do Livro Diário ou do Livro Caixa (se escrituração simplificada) é uma das hipóteses previstas para a apuração do resultado pela modalidade do Lucro Arbitrado, nos termos dos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), que mantém respaldo no artigo 47 da Lei n° 8.981/95 e no artigo 1 o da Lei n° 9.430/96. (...) Diante destas considerações, constatamos que a contribuinte não está apta a apurar o resultado de suas atividades pela modalidade do Lucro Presumido como indicou em sua D1PJ, pelas razões cumulativas: de não ter cumprido com a obrigação Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.522 59 principal de pagamento do IRPJ devido no primeiro trimestre de apuração de cada ano calendário; e, de não ter apresentado para a Fiscalização a sua escrituração contábil Livros Diário ou Livros Caixa. 09. Da constatação da efetiva atividade empresarial da contribuinte. Esclarecemos que o inicio desta ação fiscal já foi conturbado. A AFRFB Patrícia havia sido impedida de ingressar na empresa em 12/09/2013 portando o segundo Termo lavrado (Anexo XI) para coleta da ciência pessoal de Representante Legal da contribuinte. O seu ingresso no estabelecimento e a ciência pessoal só foi efetivada com a chegada do apoio do Chefe deste Serviço de Fiscalização AFRFB Marcos Antonio que se deslocou para o local. Até a presente data, as manifestações que a contribuinte apresentou para a Fiscalização se resumem em pedidos de postergação no prazo. Só houve a entrega de seu Estatuto Social e de algumas das Alterações do Contrato Social. Nada mais entregou. O não atendimento persistiu inclusive com o lhe requerido pelo Termo de Intimação Fiscal lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII), cuja reintimação ocorreu pelo Termo lavrado em 18/02/2014 (Anexo XXIX). Em atendimento aos preceitos legais disciplinados pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96 a Fiscalização lhe requereu que comprovasse com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos financeiros que transitaram nas contas mantidas sob sua titularidade junto as Instituições Financeiras: Citibank, Itaú e Unibanco. Os créditos submetidos à comprovação foram pinçados dos registros que constavam nos respectivos extratos, sendo que foram excluídos aqueles que não representavam ingresso de novas riquezas, como resgate de aplicações ou transferências entre contas do mesmo titular, desde que plenamente reconhecidos pelo histórico da transação. Tais créditos foram regularmente listados em forma individualizada e estavam em anexo ao Termo de Intimação. A falta de atendimento e por conseqüência falta de comprovação por parte da contribuinte torna tais créditos como rendimentos submetidos a regular tributação. O advento da regular Operação de Busca e Apreensão Judicial e do compartilhamento destes elementos para com o Fisco, possibilitou esta Fiscalização conhecer tanto a real atividade desempenhada pela contribuinte bem como a identificação das pessoas naturais que são os seus administradores de fato. Parte das informações de grande significância adveio da regular escuta autorizada judicialmente, cujos trechos de relevância sob Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.523 60 o aspecto tributário e sob o aspecto da responsabilização solidária de seus administradores já estão transcritos nas petições judiciais elaboradas no curso do procedimento Judicial e reproduzidos nos conteúdos das Sentenças proferidas Anexos I ao VI, que de forma integral corroboram como elementos de prova deste trabalho de auditoria. No procedimento de verificar os elementos físicos apreendidos, extraímos cópias e as digitalizamos para compor os elementos de prova da Constatação das irregularidades de cunho tributário. (...) constatamos que a contribuinte tinha no período sob fiscalização como principal atividade a captação de empresas com dificuldades de fluxo de caixa com a finalidade de lhe prestar serviços e orientação de forma viciada, para que utilizassem créditos inexistentes ou ilegítimos ou de natureza não tributária em procedimentos administrativos de Compensação de Débitos perante a Receita Federal. Pelo fato dos créditos não se prestarem para a finalidade objeto do contrato firmado com seus clientes, caracterizase a fraude e a conduta típica do estelionato, na qual as pessoas naturais na qualidade de administradores de direito ou de fato da 'Brazilian LandBank" receberam quantias exorbitantes a titulo de vantagem ilícita e em prejuízo aos clientes. (...) 11. Da apuração do Resultado tributável da contribuinte pela modalidade do Lucro Arbitrado. Diante do fato de que a Fiscalização não convalidou sistemática de apuração do resultado pelo Lucro Presumido por ela adotada em razão da falta de recolhimento do débito relativo ao primeiro período de apuração de cada qual dos anos calendários, combinado com a falta de entrega dos Livros de sua escrituração contábil, conforme tópico próprio anterior, não resta alternativas para o Fisco Federal senão seguir os ditames legais disciplinados pelos artigos 529 e 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99) apuração pelo Lucro Arbitrado. Nestas circunstancias é requisito fundamental conhecer a real atividade empresarial da contribuinte, vez que a sua Receita Bruta já é Conhecida, nos termos do artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. A real atividade empresarial que foi objeto de desenvolvimento de tópico próprio anterior, lhe enquadra num percentual de 38,6% a ser aplicado sobre a Receita Bruta Conhecida, nos termos do artigo 519 e seus §§ cc artigo 532 do Decreto n° 3.000/99. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.524 61 A Receita Bruta Conhecida foi objeto de dois procedimentos distintos: um para o anocalendário de 2010 e o outro para os subseqüentes 2011 e 2012. Para o anocalendário de 2010 verificouse existência de créditos registrados na movimentação financeira da contribuinte que devidamente intimada não logrou êxito em comproválos, tão pouco apresentou quaisquer manifestações e/ou elementos em relação aos valores individualmente lhe requeridos, caracterizando a hipótese disciplinada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Sendo assim, compilamos os dados que constam do anexo ao Termo de Intimação lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII) e os totalizamos por mês, conforme consta do Anexo LXIV, cujo resultado está na tabela demonstrativa ao final deste tópico em conjunto com os demais valores mensais dos anoscalendário subseqüentes. Para os anoscalendário de 2011 e 2012 constatamos que a contribuinte dispunha destes em relatório próprio que foi objeto da Operação de Busca e Apreensão. O Anexo LXV Declaração de Faturamento 2011. É uma declaração formal datada de 30/01/2012 e assinada pela Assistente Administrativa Aline Rosi Rodrigues e pelo "sócio de direito" Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira. Esclarecemos que todos os elementos apreendidos que especificavam controles financeiros de recebíveis ou de pagamentos efetuados estavam assinados pela Aline, conforme fartamente descrito em tópicos anteriores. Esclarecemos existência de erro material na soma do total anual que consta da declaração que registra R$ 25.605.965,26 enquanto que o valor correto é R$ 25.607.976,25, resultando na diferença a menor de R$ 2.010,99, considerada insignificante sob o aspecto fiscal vez que representa 0,0078% da Receita Bruta Conhecida O Anexo LXVI Declaração de Faturamento 2012. Também é uma declaração formal datada de 16/01/2013, assinada pelo "sócio de direito " Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira e pelo contador Roberto Lippi. Os dados mensais registrados nesta declaração são fiéis aos valores trimestralmente informados na correspondente DIPJ, nas linhas relativas às receitas submetidas ao percentual de 8% e os signatários são os mesmos que constam como responsáveis na DIPJ (Anexo XLVI). Esclarecemos que igualmente ao ano de 2011, houve erro material na soma do total anual que consta da declaração de 2012, registra R$ 34.693.687,72 enquanto que o valor correto é R$ 34.695.699,72, resultando na diferença a menor de R$ 2.012,00 e representa 0,0058% da Receita Bruta Conhecida. Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.525 62 A tabela a seguir indica os valores mensais da Receita Bruta Conhecida pela Fiscalização para efeitos da apuração do resultado tributável da contribuinte. Período Apuração 2010 2011 2012 janeiro 100.000,00 930.415,13 2.816.590,47 fevereiro 31.202,00 1.820.227,22 3.479.243,01 março 1.990.632,08 2.955.671,08 Total no trimestre 133.212,00 4.743.285,43 9.253.516,56 abril 461.431,04 1.747.782,36 2.619.633,39 maio 208.191,03 392.519,47 2.938.793,98 junho 722.022,33 568.727,21 2.808.335,48 Total no trimestre 1.391.644,40 2.709.029,04 8.366.762,85 julho 479.890,64 1.655.648,04 2.785.049,89 agosto 616.223,82 2.581.186,61 2.949.394,53 setembro 773.939,27 2.230.719,23 3.041.526,06 Total no trimestre 1.870.053,73 6.467.553,88 8.775.970,48 outubro 399.581,33 3.681.731,49 2.951.751,53 novembro 301.082,43 3.694.690,33 2.739.073,64 dezembro 790.272,48 4.311.686,08 2.608.624,66 total no trimestre 1.490.936,24 11.688.107,90 8.299.449,83 total no ano 4.885.846,37 25.607.976,25 34.695.699,72 (...) Obs: (i) Quanto ao anocalendário 2010, intimada a comprovar os depósitos bancários a crédito em suas contas bancários, deixou de comprovar a origem demonstrativo dos créditos não comprovados (efls. 912/913); (ii) Quanto anocalendário 2011, demonstrativo de receita bruta faturamento bruto elaborado pela própria contribuinte, data de 30/01/2012, (efl 914) e ajustes da Fiscalização narrados na transcrição acima; (iii) Quanto ao anocalendário 2012, os valores de receita bruta são aqueles informados na DIPJ 2013, anocalendário 2012 (efls. 723/745), pois os tributos e contribuições não foram pagos. Foram lançados de ofício. Os valores do lucro arbitrado para cada trimestre dos anoscalendário 2010, 2011, 2012 estão anexos aos autos do IRPJ e da CSLL. Estão corretos. O Arbitramento do lucro para o IRPJ e a CSLL para esses anos objeto da autuação é definitivo, ainda que fossem apresentados os livros após a lavratura dos autos de infração. No caso, a contribuinte deixou de apresentar à Fiscalização os livros Caixa, Razão e Diário e documentos de suporte dos registros contábeis e não produziu prova nos autos que pudessem afastar o omissão de receitas. Matéria sumulada pelo CARF, cujo verbete transcrevo: Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.526 63 úmula CARF nº 59 A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Assim, deve ser mantido o arbitramento do lucro. Já as contribuições (PIS e Cofins), apuração mensal, sobre a receita bruta mensal, também, seus respectivos valores constam de demonstrativos constantes dos respectivos autos de infração, regime cumulativo. Não há reparo a fazer. Portanto, não há reparo a fazer no lançamento fiscal. MULTA QUALIFICADA (150%): ANOSCALENDÁRIO 2010 E 2011. ANOCALENDÁRIO 2012: MULTA 75%. Alegaram os recorrentes: que a qualificação da multa deuse com base em argumentos genéricos; que se deu pura e simplesmente pela falta de declaração e falta de recolhimentos, contrariando não só a jurisprudência, mas também as Súmulas CARF nºs 14 e 96; que deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício. Não procedem as alegações dos recorrentes. A contribuinte entregou as DIPJ nas datas e preenchidas com os dados que constam na seguinte tabela. (...): Ano calendário 2010 2011 2012 ANEXO XLIV XLV XLVI Data entrega 30/06/2011 27/06/2012 28/06/2013 N° declaração 1208487 863939 1251260 N° do recibo 05.39.49.94.69 06.32.01.63.55 38.37.90.38.77 Tipo de declaração Lucro Presumido Entregue com certificado digital Sim Forma de Escrituração Contábil Contábil Dados Representante legal Pessoa Jurídica Marcelo Marcel Fachin Nogueira, CPF 245.581.03808 Dados do Responsável Preenchimento Roberto Lippi, CPF 584.089.91868, CRC 1SP080504O0 Receita Bruta 1° Trimestre 0,00 0,00 9.251.504,56 (*) Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.527 64 Receita Bruta 2° Trimestre 0,00 0,00 8.366.762,85 (*) Receita Bruta 3o Trimestre 0,00 0,00 8.775.970,64 (*) Receita Bruta 4o Trimestre 0,00 0,00 8.299.449,83 (*) IRPJ a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 179.030,09 IRPJ a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 161.335,25 IRPJ a pagar no 3o Trimestre 0,00 0,00 169.519,41 IRPJ a pagar no 4o Trimestre 0,00 0,00 159.989,00 CSLL a pagar no 1° Trimestre 0,00 0,00 99.916,25 CSLL a pagar no 2° Trimestre 0,00 0,00 90.361,04 CSLL a pagar no 3° Trimestre 0,00 0,00 94.780,48 CSLL a pagar no 4° Trimestre 0,00 0,00 89.634,06 Ficha 54 — Discriminação da Receita Sem informação 34.693.687,72 Verificase que havia certa habitualidade na conduta da contribuinte em entregar a DIPJ com todos os campos preenchidos com "Zero", sejam os destinados às informações de receitas ou de Apurações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). (...) A Fiscalização aplicou multa qualificada apenas quanto aos anoscalendário 2011 e 2012, pois a contribuinte ocultou do fisco o faturamento bruta total da empresa desses anos, ou seja, escondeu a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, consta do Termo de Descrição dos fatos, parte integrante do lançamento fiscal, in verbis: (...) em relação à aplicação da multa exofício, (...), constatamos a caracterização esculpida no § 1 o do artigo 44 da Lei 9.430/96 com as redações posteriores a seguir indicadas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II... § 1a O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)". Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.528 65 A legislação em referência atribui a multa de oficio em 150% para os casos de dolo, fraude ou simulação nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. As pessoas naturais que administravam de fato ou de direito a pessoa jurídica sob Fiscalização tinham o pleno conhecimento das obrigações tributárias, tanto é que orientavam a forma de como deveriam proceder nas eivadas compensações negociadas em relação aos preenchimentos das DCTF. Inclusive estava estampado nos meios de divulgação da empresa (mídia e prospectos) a assessoria tributária como uma das atividades empresarial do "Grupo Brazilian". Contudo, mantinham conduta de negligencia em relação ao cumprimento de suas próprias obrigações principal ou acessória. A atividade principal era a de angariar rendimentos justamente daqueles que estavam em situação de inadimplência perante o fisco federal. Logo, a conduta consciente de obter os rendimentos por meio das cessões de créditos que não se prestavam para a finalidade de compensar tributos federais, associada à conduta de nada recolher e de nada declarar a título de débitos decorrentes da renda auferida, caracterizam a qualificação da multa a ser constituída de oficio para os anos calendários de 2010 e de 2011. Pelo fato de ter apresentado a DIPJ relativa ao ano calendário de 2012 com os dados de seus rendimentos e com a apuração do IRPJ e da CSLL, a Fiscalização entende que a conduta possibilitou a RFB verificar que o resultado da apuração informada não estava recolhido e nem declarado, razão pela qual se lançou a multa de oficio de 75%, com respeito ao inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. (...) No caso, ainda consta dos autos que a empresa nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 foi utilizada para lesar clientes, auferiu receitas ludibriando clientes, auferindo vantagens indevidas, praticando em tese vários crimes, inclusive contra a ordem tributária. Todos os integrantes da empresa, titular de direito e administradores de fato, foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo, por vários delitos penais praticados, constam duas ações penais que narraram em detalhes que os integrantes da empresa formaram Quadrilha, crime organizado, investigado pela GAECO, conforme narra o TERMO DE CIÊNCIA, DE ESCLARECIMENTOS, DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL (efls. 02/34), in verbis: (...) 02. Do Mandado de Busca e de Apreensão expedido pela 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.529 66 Aos 10/06/2014 a Juíza de Direito Dra. Daniela de Carvalho Duarte defere o Pedido de Busca e de Apreensão nos imóveis que relaciona na decisão prolatada nos autos do processo 30160938.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos agentes da Receita Federal para o cumprimento da ordem e o compartilhamento das provas coletadas com este específico Órgão, para analise conjunta dos documentos apreendidos" (Anexo V). No mesmo mandamento decretou a prisão temporária pelo prazo de cinco dias de: Sr. Jacques Broder Cohen; Sr. Henrique Kertzman Misionschnik; Sra. Débora Christian Fachin Nogueira e do Sr. Marcelo Mareei Fachin Nogueira. O relatório da sentença de forma resumida descreve o minucioso detalhamento que consta da Petição Judicial de Mandado de Busca e Apreensão e Decretação de Prisão Temporária de autoria dos Promotores de Justiça Dr. Lafaiete Ramos Pires e Dra. Mylene Comploier datado de 03/06/2014 (Anexo VI). A titulo de esclarecimento e voltado aos detalhes da atividade econômica desenvolvida pela Pessoa Jurídica "Brazilian Landbank" que lhe proporcionou significativa obtenção de Renda, mas que nada confessou em relação aos débitos decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da Sentença: Tramitam neste juízo medidas sigilosas requeridas após instauração de procedimento investigatório criminal, pelo GAECO, com objetivo de apuração de eventual prática de crimes de organização criminosa, estelionato, falsidades ideológicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O Parquet afirmou que, ao longo do ano de 2009 até a presente data, representantes da empresa BLB — Brazilian Landbank Empreendimentos e Representação Comercial Ltda e outras do mesmo grupo são os autores dos mencionados crimes. Em resumo, depreendese dos autos que a noticia de tais delitos chegou ao conhecimento dos membros do Núcleo por intermédio de declarações prestadas por Luciano das Neves sola, no dia 14 de outubro de 2013. (...) O Ministério Público apontou fortes indícios da pratica do crime de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi: A quadrilha atua oferecendo às empresas de médio e grande porte o serviço de compensação de seus débitos tributários federais, a ser executada por meio de direitos creditórios de terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa dos débitos devidos. Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.530 67 Uma vez entabulado contrato com a empresa vitima, a "BLB" já recebe os valores contratados para executar a compensação a que se propõe. Apresenta, então, ao fisco, direitos creditórios que invariavelmente resultam ineficazes a dar quitação aos créditos tributários. Tais créditos são, por exemplo, adquiridos por valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente por serem eivados de duvida quanto a sua validade. São provenientes de ações, por exemplo, contra a União para o recebimento de títulos da divida externa emitidos no inicio do século, já prescritos. Por vezes, conforme relatou Luciano, sequer existe a ação. Diante da recusa do fisco em aceitálos, o grupo tenta recursos administrativos que vão postergando a cobrança, enquanto permanece iludindo a empresa vitima com promessas de que resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna insustentável: a empresa vitima não consegue obter sua Certidão Negativa de Débitos CND e tem seus débitos inscritos em divida ativa da União. Nesse momento, percebendo o engodo, as empresas vítimas rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente (...) Como visto, tratase de empresa cujos donos, administradores de fato e de direito, atuaram fora da lei, auferindo vantagens ilícitas. E assim também agiram contra o fisco apresentando declarações falsas, sem movimento, nos anoscalendário 2010 e 2011, quando a empresa teve vultosa movimentação financeira (receita bruta). E, ainda, nada recolheram de tributos e contribuições federais quanto aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 (sonegação fiscal). Por isso, deve ser mantida a multa qualificada dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Primeiro, as razões do recurso da pessoa jurídica autuada, na parte que trata da defesa dos coobrigados, não conheço, pois a pessoa jurídica no seu recurso não tem legitimidade para defender terceiros, ou seja, as pessoas físicas coobrigadas. Os coobrigados JACQUES BRODER COHEN em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1282), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls.1377/1399) e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1284), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (efls. 1319/1344) alegaram, em síntese: da inexistência de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN. Ainda: Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.531 68 que a fiscalização não descreveu objetivamente as condutas individualizadas de cada imputado; que falta descrição pormenorizada do interesse comum; que, na hipótese da sujeição passiva solidária ser mantida, que deve ser limitada ao período em que efetivamente atuou cada um dos imputados. Obs: Quanto aos demais coobrigados: (i) Henrique Kertzman Misionschnik apresentou impugnação intempestiva na instância a quo, a qual não foi conhecida naquela instância. Preclusão administrativa (revelia). Portanto, não conheço do recurso voluntário que apresentou, na parte que trata da sujeição passiva solidária (matéria preclusa); (ii) Eudes Souza Cardoso Guimarães e Marcelo Marcel Fachim Nogueira, embora intimados do lançamento fiscal e da imputação da sujeição passiva solidária, não apresentaram impugnação na primeira instância de julgamento; foram atingidos pelos efeitos da preclusão (revelia). Embora intimados da decisão a quo, não apresentaram recurso voluntário (iii) SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA ciência da decisão a quo em 08/06/2016 por via postal AR (efl. 1281); não apresentou Recurso Voluntário (preclusão). Portanto, restam para serem analisados apenas os recursos dos coobrigados: JACQUES BRODER COHEN e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA. Não procede a irresignação dos recorrentes. O titular de direito da pessoa jurídica autuada BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA é o Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, conforme Instrumento de Contrato Social e Alterações (efls. 237/286). Entretanto, o Fisco constatou que a empresa, de fato, foi comandada por uma Quadrilha (organização criminosa), tanto pelo titular de direito quanto pelos administradores de fato, quanto aos anocalendário 2010, 2011 e 2012, e imputou responsabilidade solidária a todos, ou seja, ao titular de direito Marcelo Marcel Fachim Nogueira e aos administradores de fato todos os demais coobrigados imputados. Nesse sentido transcrevo, o item 13 do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal (efls. 02/34), reproduzido no Termo de Descrição dos Fatos (efls. 944/957), que transcrevo, in verbis: (...) 13. Da responsabilidade solidária das pessoas naturais em relação aos débitos para com a Fazenda Nacional. O Código Tributário Nacional (CTN) disciplina que será contribuinte solidário aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Sendo assim, se constitui em devedor solidário na qualidade de sujeição passiva da obrigação jurídica tributária aquele que apresenta interesse comum na situação ou as pessoas Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.532 69 expressamente designadas por lei, nos termos do artigo 124 do CTN. Então, para os fins da responsabilização com base na lei vigente, entendese como responsável solidário tanto o sócio de direito bem como as pessoas naturais que mantinham interesse em comum, atuando em nome da pessoa jurídica e com poderes de gestão de fato, independentemente da denominação lhe conferida pela Organização à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Por fim, a lei estabelece ainda que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, com base na documentação probatória especificada em pormenores em cada qual dos tópicos relatados e, principalmente, na DENUNCIA CRIME (Anexo III) que em suma, qualifica e descreve Jacques Broder Cohen, Henrique Kertzman Misionschnik, Débora Christian Fachim Nogueira, Marcelo Fachim Nogueira, Silvia Regina de Almeida e Eudes Souza Cardoso Guimarães, todos identificados e domiciliados conforme descrevemos no tópico 10 do presente Termo, que agiram em concurso e unidade de desígnios entre si, promoveram, constituíram, financiaram ou integraram, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa, assim definida como a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais notadamente estelionatos, sem prejuízo de outras infrações penais. A pedra de toque na caracterização do dolo desta equipe está justamente no fato de que buscavam "presas" em débito para com o Fisco Federal para lhes propor com falso engodo a iludida compensação, vez que utilizavam títulos que não se prestavam para a extinção do crédito tributário, razão pela qual não utilizaram o mesmo remédio no preenchimento das DCTF da "Brazilian LandBank", preferindo adotar o método de nada declarar e nada recolher aos cofres federal. Logo, todos estas seis pessoas naturais serão carreadas na qualidade de responsáveis solidários por sujeição passiva dos débitos tributários a serem constituídos no curso desta ação fiscal. (...) Em resumo, estamos indicando como responsáveis solidários por sujeição passiva da obrigação tributária devida e ora constituída em desfavor da "Brazilian" as pessoas naturais a seguir indicadas, pelas atitudes e condutas que constam das Denúncias Crime que integram os elementos de prova desta ação fiscal Anexos III e IV do "Termo de Ciência, de Esclarecimentos, ..." e com o relato do Tópico "10 a respeito da Identificação das Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.533 70 Pessoas Naturais", com base no inciso I do artigo 124 do CTN: (...). A Conduta de cada um dos coobrigados está descrita, de forma individualizada, no item 10 já citado, ou seja, do Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal (efls. 02/34) e que transcrevo: (...) 10. Da identificação das pessoas naturais que são os administradores de fato da contribuinte. A regular escuta autorizada judicialmente permitiu identificar que o sócio majoritário Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, não passa de um pessoa "figurativa" e que está ao dispor do Chefe do Grupo Sr. Jacques Broher Cohen, casado ou que mantém relacionamento estável com Sra. Débora Christian Fachim Nogueira, irmã de Marcelo. A Denuncia Crime interposta por dependência aos autos da Medida Cautelar 2237, da 5a Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo (Anexo III com 70 páginas), reproduz as transcrições das escutas captadas e relata com clareza a responsabilidade de cada uma das seis pessoas naturais denunciadas e o papel que cada qual representava na Organização, visando em conjunto usufruírem de vantagem ilícita por meio da "Brazilian LandBank". Desta forma e com a autorização judicial proferida de compartilhamento de informações entre os Órgãos envolvidos na Operação (Anexo II), ratificamos e aproveitamos do relato que consta da Denuncia Crime retro referida, para responsabilizar as seguintes pessoas naturais como administradores de fato da contribuinte em lide, associados ao administrador de direito Sr. Marcelo Mareei Fachim Nogueira, RG 285933723, CPF 245.581.03808, residente e domiciliado à Praça Antonio Pinheiro da Costa, 55, apto 113, bloco 4, CEP 09725120, Vila Gonçalves, São Bernardo do Campo/SP, descrevendo apenas uma síntese elucidativa sobre cada qual: 1. Jacques Broder Cohen, RG 3409389, CPF 028.676.49897, residente e domiciliado à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261, setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Apresentase como o DiretorPresidente do Grupo. É quem de fato detém as ações e os destinos do Grupo. Mantém patrimônio elevado, mas em nome de empresas em decorrência de ser inapto para a atividade empresarial. (...). 2.Henrique Kertzman Misionschnik, RG 1521056/MG, CPF483.644.36600, residente e domiciliado à Rua México, 245, apto 102, CEP 11410350, Pitangueira, Guarujá/SP. Sócio de fato do Sr. Jacques. Realiza manobras para postergar o conhecimento sobre a verdade das ilusórias compensações. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.534 71 Administrava os empregados. Gerenciava pagamentos. Responsável pelo saneamento das pendências com pessoal ou comerciais. 3.Débora Christian Fachim Nogueira, RG 28.593.3723, CPF120.666.12839, residente e domiciliada à Rua Omar Daibert n° 1, casa 260 e 261,setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820680, São Bernardo do Campo/SP. Mantinha a função de ocultar a figura de Jacques nas empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo. 4.Silvia Regina de Almeida, CPF 030.337.78879, OAB 136529,residente e domiciliada à Rua Brasil, 444, apto 74, CEP 09627000, Rudge Ramos,São Bernardo do Campo/SP. Advogada do Grupo. Acompanhava a apresentação do produto nos casos dos créditos ilegítimos ou inexistentes. Elaborava os contratos dos negócios efetivados. Atuava com seus conhecimentos jurídicos no encantamento das "presas", tanto na captação como na manutenção do erro depois de notificados pela Receita Federal da irregularidade nas compensações. 5.Eudes Souza Cardoso Guimarães, RG 257095858, CPF 143.129.20877, residente e domiciliado à Rua Amaro Coutinho, 57, CEP 03896010, Ponte Rasa, São Paulo/SP. Diretor executivo do Grupo Representante comercial comandante. Responsável pela manutenção da vitima da organização criminosa em erro, quando intimada pela Secretaria da Receita Federal. (...) Como visto, essas pessoas agiram mancomunadas, combinadas, ajustadas (ajuste doloso), organização criminosa (quadrilha), cometeram diversos crimes em tese, conforme Denúncias oferecidas ao Poder Judiciário pelo MP (já identificadas no TVF, fatos transcritos no relatório) e também, nesse contexto, cometeram fraude, sonegação fiscal total dos tributos e contribuições dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, conforme art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), e arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. O Sr. Jacques Broder Cohen, de fato, é o DiretorPresidente do Grupo. É quem de fato detém as ações e os destinos do Grupo. Mantém patrimônio elevado, mas em nome de empresas em decorrência de ser inapto para a atividade empresarial. A Sra. Débora Christian Fachim Nogueira mantinha a função de ocultar a figura de Jacques nas empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nesse sentido, a título de ilustração, transcrevo precedentes deste CARF: Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.535 72 Ementa(s) Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Anocalendário: 2010, 2011. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de fato), prevista no art. 135, III é solidária e não exclui do pólo passivo a pessoa jurídica administrada. Sendo notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela se indiscutivelmente este que era o responsável de fato pela gestão dos negócios da empresa indicada no pólo passivo da autuação. (...). (Acórdão 1302002.549 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 20/02/2018, Relator e Presidente Luiz Tadeu Matosinho Machado). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.Configurado o interesse comumn as situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art.124,I, c/cart.135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo in teresse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1301001.525 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/05/2014, Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Relator). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (“laranjas”) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos admi nistradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN. (Acórdão nº 1102001.320–1ª Câmara/ 2ªTurma Ordinária, Sessão de 24/03/2015, Relator João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc). SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN. Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.536 73 Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro so cietário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controla dor, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado inte resse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3401003.809 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26/06/2017, Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. DOLO. PODERES DE GERÊNCIA. Os administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, desde que cabalmente provado o dolo. (Acórdão nº 3301003.159–3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 27/01/2017, Relatora Semíramis de Oliveira Duro). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1302001.962–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 11/08/2016, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado). Portanto, está caracterizada a sujeição passiva solidária dos recorrentes JACQUES BRODER COHEN e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA. Os demais coobrigados foram atingidos pela preclusão, quanto à sujeição passiva solidária, ou seja: Sr. Eudes Souza Cardoso Guimarães, Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira e Sra. Silvia Regina de Almeida não apresentaram recurso voluntário (preclusão); Sr. Henrique Kertzman Misionschnik, embora tenha apresentado recurso voluntário, restou não conhecido na parte que tratou de sujeição passiva solidária, pois na primeira instância apresentou impugnação intempestiva, a qual sequer foi conhecida pela decisão a quo que, de forma expressa, pronunciou a intempestividade, implicando preclusão (revelia) na parte atinente à sujeição passiva solidária. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10932.720010/201592 Acórdão n.º 1301003.677 S1C3T1 Fl. 1.537 74 Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar preliminares de nulidade suscitadas e no mérito negar provimentos aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Voto Vencedor Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada Apenas para divergir no que tange à aplicação da multa qualificada no caso do lançamento por presunção da omissão de receitas por depósitos bancários sem comprovação de origem. Neste caso, o entendimento majoritário do Colegiado é no sentido de que ela seja reduzida para 75%, nos termos da Súumula CARF 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo É como voto. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1537DF CARF MF
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