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Numero do processo: 13116.902493/2011-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Somente  podem  ser  corrigidas  de  ofício  ou  a  pedido  as  informações  declaradas  no  caso  de  verificada  a  circunstância  objetiva  de  inexatidão  material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos  da RFB.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carmen  Ferreira  Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente  justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 24 93 /2 01 1- 20 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 136          2 A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  nº  22584.93234.050307.1.2.04­0179,  em 05.03.2007, e­fls. 68­70, utilizando­se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  código  0220,  do  primeiro  trimestre  do  ano­calendário  de  2004  no  valor  de R$40.149,00  recolhido  em  08.03.2005  apurado  pelo  regime  de  tributação  com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados.  Consta  no  Despacho  Decisório  Eletrônico,  e­fl.  57,  que  as  informações  relativas ao reconhecimento do direito creditório  foram analisadas das quais se concluiu pelo  indeferimento do pedido:  Valor do crédito pleiteado do PER/DCOMP: 40.149,00  A  partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para restituição.  [...]  Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição.  Enquadramento Legal: Art.  165  da Lei  nº  5.172,  de 25  de  outubro  de  1966  (CTN).   Cientificada,  a  Recorrente  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade.  Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 11­44.461, de 20.12.2013,  e­fls. 75­79:   PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.  A  certeza  e  a  liquidez  dos  créditos  são  requisitos  indispensáveis  para  a  restituição autorizada por lei.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR.  UTILIZAÇÃO INTEGRAL. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA.  Mantém­se o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição quando  constatado  que  o  recolhimento  indicado  como  fonte  de  crédito  foi  integralmente  utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.  IRPJ.  RESTITUIÇÃO  INDEFERIDA.  PARCELAMENTO  EM  ANDAMENTO.  É vedada a restituição de recolhimentos relativos a crédito tributário incluído  em processo de parcelamento em andamento, por faltar­lhes os atributos de certeza e  liquidez.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Notificada  em  16.06.2014,  e­fl.  130,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  15.07.2014,  e­fls.  81­129,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.  Relativamente aos fatos aduz que:  Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 137          3 III ­ DO DIREITO  DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL   No processo administrativo, o julgador deve sempre buscar a verdade material  dos.  fatos,  ainda  que,  para  isso,  tenha  que  se  valer  de  outros  elementos  além.  daqueles trazidos aos autos pelos interessados.  A  busca  pela  verdade  deve  funcionar  como  verdadeiro  norte  do  processo  administrativo,  de modo  que  a  autoridade  administrativa  competente  deve  sempre  sopesar  os  dados  contidos  nos  autos  e  a  realidade  aplicável  ao  caso,  podendo  e  devendo buscar todos os elementos que possam influir seu convencimento. [...]  Como  se  vê,  em decorrência  do  principio  da  verdade material,  corolário  do  processo administrativo, tem­se que o julgador não pode se ater aos dados contidos  nos  autos,  devendo  utilizar  de  todos  os meios  possíveis  e  ilícitos  para  alcançar  a  verdade dos fatos.  No presente caso, em que pese a PER/DCOMP ter vinculado DARF utilizado  para pagamento de débito devidamente declarado em DCTF, tal pagamento ocorreu  quando  já  havia  iniciado  fiscalização  na  empresa  Recorrente,  motivo  pelo  qual  o  auditor autuante não considerou o pagamento efetivado, sob argumento de falta de  espontaneidade.  Assim, o i. auditor fiscal autuante [...] lavrou auto de infração para a cobrança  do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ e Contribuição Social sobre o lucro  Liquido ­ CSSL, abarcando os valores objeto da DCTF retificadora apresentada em  09/01/2006.  Ora,  ilustres  julgadores!  Se  os  valores  objeto  da  presente  PER/DCOMP  tivessem  sido  integralmente  vinculados  e  utilizados  para  pagamento  do  débito  confessado  em  DCTF,  como  aduzido  [...]  no  julgamento  do  manifesto  de  inconformidade,  qual  a  necessidade  de  se  lavrar  auto  de  infração  para  cobrança  destes mesmos valores?  É  fato  certo  e  notório  que  os  valores  utilizados  para  pagamento  do  débito  confessado em DCTF não foram considerados pelo fiscal autuante. O próprio Termo  de Verificação  Fiscal  deixa  claro  tal  fato  ao  enunciar  que  "Deve­se  ressaltar  que  durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de  IRPJ  e  CSLL,  até  então  em  atraso.  Esses  pagamentos  não  foram  considerados  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração,  em  razão  de  a  contribuinte  estar  sob  procedimento  fiscal,  portanto,  sujeita  ao  lançamento  da  multa  de  oficio.  Esses  valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados" [...].  Todavia,  não  obstante  a  realidade  existente  (auto  de  infração  para  cobrança  dos  valores  declarados  em  DCTF  retificadora,  por  não  considerar  os  pagamentos  efetuados),  a Delegacia da Receita Federal  do Brasil  não  se valeu do princípio da  verdade  material,  se  atendo  ao  simples  fato  de  que  o  crédito  reclamado  na  PER  estava vinculado a débito confessado em DCTF, sem considerar o auto de infração  lavrado para cobrança destes valores.  Ocorre  que  o  princípio  da  verdade  material  é  corolário  do  processo  administrativo,  devendo  ser  amplamente  observado,  sob  pena  de  afronta  às  disposições legais.  Desta  maneira,  considerando  que  os  pagamentos  vinculados  aos  débitos  confessados  em  DCTF  foram  objeto  de  autuação,  e  devendo  a  Administração  Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 138          4 Pública  valer­se  do  princípio  da  verdade  material,  tem­se  que  o  pedido  de  compensação  merece  ser  homologado,  devendo  ser  reformada  a  decisão  que  indeferiu tal pedido.  DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO   A ilustre julgadora, em citação totalmente fora de contexto, uma vez que em  nenhum momento  argumentou a  respeito da existência de prescrição do direito de  pleitear  a  restituição;  citou  o  artigo  165  e  168,  ambos  do  Código  Tributário  Nacional, que trata sobre o prazo prescricional. [...]  Da  data  do  pagamento  indevido  até  a  data  de  transmissão  do  pedido  de  restituição/compensação, decorreu o lapso temporal inferior a 02 (dois) anos.  Considerando que nos  termos do artigo 168, do CTN, o direito de pleitear a  restituição extingue­se com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data  da  extinção  do  crédito  tributário,  em  caso  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  evidente que o crédito objeto do presente pedido de compensação não se encontra  abarcado pela prescrição, uma vez que da data da extinção do crédito tributário [...]  até  a  data  do  pedido  de  restituição  [...],  decorreu  lapso  temporal  bem  inferior  ao  prazo limítrofe de 05 (cinco) anos.  Assim, tem­se que não há o que falar em prescrição do direito de se pleitear a  restituição do crédito tributário pago indevidamente.  DA  CONSISTÊNCIA  DO  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO DO  CRÉDITO  ORA PLEITEADO COM O DÉBITO INDICADO NA PER/DCOMP   O acórdão [...] aduziu que para que o sujeito passivo postule a restituição ou a  compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente  de  crédito  tributário por  ele  comprovadamente  extinto  em montante  indevido ou a  maior  que o  devido  è  que o  parcelamento  de  débitos  não  constitui modalidade de  extinção do crédito tributário e sim de suspensão.  Ainda,  afirmou  que  o  crédito  que  se  quer  restituir  tem  origem  em  recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito  tributário constante de processo  de  parcelamento  excepcional  PAEX  em  andamento,  resultando,  daí,  que,  por  não  estar  o  crédito  tributário  extinto  (liquidado),  não  se  lhe  reconhece  a  certeza  e  liquidez necessárias à pretendida restituição.  Por  fim,  disse  que  a  orientação  passada  pelo  fiscal  autuante  foi  de  que  os  valores  poderiam  ser  objeto  de  pedido  de  compensação  com  os  valores  lançados,  razão pelo qual os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com  os valores lançados de oficio. Logo, a autoridade a quo não pode reconhecer crédito  algum,  porque  não  sendo  líquido  e  certo  o  crédito  contra  a  Fazenda  Pública,  não  pode ser postulada sua restituição.  Tais  argumentos  são  desprovidos  de  razão, motivo  pelo  qual  não merecem  prosperar.  Primeiramente  cumpre  sa  salientar  que  os  argumentos  lançados  pela  i.  Julgadora/Relatora  são  contraditórios.  Num  primeiro  momento  aduz  que  o  recolhimento  fora  integralmente  vinculado a  débito  confessado  em DCTF, motivo  pelo qual  restou  inexistente o crédito  reclamado na PER. Num segundo momento,  aduz  de  forma  contrária,  reconhecendo  que  o  crédito  que  se  quer  restituir  tem  origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de  processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento. Todavia, aduz que por  Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 139          5 não  estar  o  crédito  tributário  extinto  (liquidado),  não  se  reconhece  a  certeza  e  a  liquidez necessárias à pretendida restituição, uma vez que o parcelamento é causa de  suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e não de extinção.  Ora! Razão não assiste a Julgadora Tributária.  Em  que  pese  o  parcelamento  ser  causa  de  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  e  ainda  estar  em  vigência,  tal  fato  não  pode  ser motivo  para  o  indeferimento do presente pedido.  E assim o é porque, em que pese serem relativos ao mesmo tributo, os créditos  objeto  do  pedido  de  compensação  não  foram  considerados  pelo  auditor  fiscal  autuante,  tendo  sido  lavrado  auto  de  infração  que  está  sendo  pago  através  de  parcelamento.  Ou seja, trata­se de hipóteses distintas, uma vez que o próprio fiscal autuante  não  considerou  os  pagamentos  efetuados  através  do DARF, motivo  pelo  qual  não  poderiam  ser  utilizados  para  pagamento  do  débito  objeto  de  autuação,  e,  muito  menos,  sua  compensação  com  outros  débitos  ser  condicionada  ao  término  do  parcelamento.  Se  o  fiscal  autuante,  no  momento  da  lavratura  do  auto  de  infração,  não  considerou  os  pagamentos  realizados  através  dos  DARF's,  autuando  a  Recorrente  pelo  não  pagamento  do  tributo,  tais  pagamentos  não  poderiam  ser  utilizados  para  pagamento do auto de infração.  Se os pagamentos  realizados através de DARF pudessem ser utilizados para  pagamento  do  débito  objeto  de  fiscalização,  o  i.  auditor  fiscal  autuante  deveria  considerar os pagamentos realizados, lavrando auto de infração somente em relação  à multa e aos juros, pela não consideração da espontaneidade do pagamento.  Ou  então,  o  próprio  fisco,  no  momento  da  consolidação  do  débito  do  Parcelamento Excepcional ­ PAEX, deveria abater o valor dos pagamentos efetuados  por meio de DARF's.   E se assim não o fez, não pode o Julgador Tributário, ao analisar os pedidos  de  compensação,  condicionar  o  deferimento  da  PER/DCOMP  ao  término  do  parcelamento,  uma  vez  que  ps  créditos  objeto  da  PER  não  foram  dados  como  garantia do parcelamento, até mesmo porque a lei não exige tal garantia, sendo que,  em caso de não pagamento das parcelas, o Fisco deve se valer de outros meios legais  de cobrança.  Ora, ilustres julgadores! Qual outra conduta possível que a Recorrente deveria  se valer a não ser o pedido de compensação?  O pagamento  indevido ocorreu, uma vez que os pagamentos  efetivados não  foram  considerados  pelo  fiscal  autuante  e  sequer  abatidos  no  momento  do  parcelamento. Logo, não haveria outra conduta a ser realizada pela Recorrente a não  ser valer­se do pedido de compensação. E condicionar o deferimento deste pedido ao  término do parcelamento, fadaria o crédito à ocorrência de prescrição.  Ademais,  em  pesquisa  ao  site  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  campo  perguntas  e  respostas,  constatou­se  que  não  podem  ser  objeto  de  compensação  efetuada pelo sujeito passivo o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União;  e  o  débito  consolidado  em  qualquer  modalidade de parcelamento concedido pela RFB.  Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 140          6 Ou  seja,  como  o  débito  objeto  do  auto  de  infração  lavrado  em  desfavor  da  Recorrente  foi  parcelado,  tendo o débito sido  consolidado, não pode  ser objeto de  compensação.  Além  disso,  o  argumento  da  Julgadora  Tributária  no  sentido  de  que  os  pagamentos  efetuados  deveriam  ser  objeto  de  compensação.  Com  os  valores  lançados de oficio, em razão da orientação repassada ao contribuinte pelo autuante,  não merece prosperar.  E  assim  o  é  porque  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  o  fiscal  autuante  tão  somente consignou que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação  com  os  valores  lançados.  Tal  fato  não  pode  induzir  o  Julgador  Tributário  à  conclusão  que  chegou  de  que  os  pagamentos  deveriam  ter  sido  objeto  de  compensação  com  os  valores  lançados  de  oficio,  sendo  incluídos  no  processo  de  parcelamento.  O fato de o fiscal autuante ter facultado a possibilidade de compensação com  os  débitos  lançados,  não  obrigada  o  contribuinte  a  agir  de  tal  maneira,  conforme  afirma  o  julgador  tributário.  A  compensação  com  os  valores  lançados  seria  uma  faculdade  do  contribuinte,  que  pode  se  valer  ou  não desta  prerrogativa,  de  acordo  com o seu interesse.  E  por  ter  a Recorrente  aderido  ao  Parcelamento  Excepcional  ­  PAEX,  para  quitação dos débitos, achou por bem compensar os créditos oriundos do pagamento  indevido  realizado  por meio  de DARF's  com  outros  débitos  que  não  os  lançados,  exercendo  sua  faculdade  de  compensar  os  créditos  com  os  débitos  que  entendeu  adequado.  Assim,  resta  evidente  que  o  condicionamento  estabelecido  pelo  i.  Julgador  Tributário, de deferimento do pedido de compensação ao término do parcelamento é  indevido,  merecendo  ser  reformada  a  r.  decisão  recorrida,  uma  vez  que  a  compensação dos pagamentos efetuados com os valores lançados de oficio era mera  faculdade  do  contribuinte,  que  por  ter  aderido  ao  PAEX,  entendeu  compensar  os  créditos devidos com outros débitos que não os lançados de oficio.  Por  fim,  cumpre  esclarecer,  que  condicionar  o  deferimento  do  pedido  de  compensação  com  o  término  do  parcelamento,  fere  direito  líquido  e  certo  da  Recorrente.em  ter  restituído/compensado débito pago  indevidamente, uma vez que  esperar o  término do parcelamento para poder  requerer a compensação certamente  fará  com  o  direito  de  compensação  esteja  prescrito,  em  total  afronta  à  legislação  pátria vigente.  DA  EXISTÊNCIA  DE  DECISÃO  TOTALMENTE  DIFERENTE  DA  R.  RECORRIDA EM RELAÇÃO AO MESMO CASO DOS AUTOS   Como visto anteriormente,  foram objeto de fiscalização e posterior autuação  os seguintes tributos: CSSL e IRPJ. O caminho trilhado em relação aos dois tributos  foi  o  mesmo,  qual  seja:  o  contribuinte  efetuou  o  pagamento  através  de  DARF's,  sendo  que  o  pagamento  não  foi  considerado  pelo  auditor  fiscal  autuante  sob  o  argumento  de  falta  de  espontaneidade,  uma  vez  que  os  pagamentos  ocorreram  quando já havia iniciado o procedimento fiscalizatório.  Em razão de o fiscal autuante não ter considerado os pagamentos efetivados  por  meio  dos  DARF's,  a  Recorrente  transmitiu  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição'  e  Declaração  de  Compensação  ­  PER/DCOMP,  para  compensar  os  pagamentos não acolhidos pelo auditor fiscal autuante com outros débitos, uma vez  Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 141          7 que  o  débito  objeto  do  auto  de  infração  lavrado  em  seu  desfavor  fora  parcelado  através da adesão ao Parcelamento Excepcional ­ PAEX.  Em  primeira.análise,  os  pedidos  de  compensação  foram  indeferidos,  sendo  proferido  despacho  decisório  de  não  homologação  de  compensação,  sob  o  argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  do  débito  informado na declaração.  Inconformado  com  a  decisão,  a  Recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade em relação a todos os pedidos de compensação, sendo que parte dos  manifestos foram encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB e outra parte  à 3ª Turma da DRJ/REC.  Os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 3ª Turma  da  DRJ/REC  tiveram  o  destino  delineado  anteriormente,  cujas  argumentos  são  refutados no presente recurso, em razão do seu indeferimento.  Já  os  manifestos  de  inconformidade  encaminhados  para  julgamento  à  4ª  Turma DRJ/BSB,  teve  caminho  totalmente  diverso,  com  a  procedência  do  pedido  sob o argumento de que:  ­ como afirma o contribuinte, o Auditor Fiscal, ao apurar a diferença entre o  valor  escriturado  e  o  declarado/pago,  deixou  de  deduzir  o  valor  pago  e  declarado  pela  interessada em DCTF  retificadora. Em  razão disto,  resta  claro que  a empresa  recolheu  indevidamente  e  tem direito  de  repetição  do  indébito,  pois  a  autuação  já  contemplou no lançamento de oficio aquele valor.  ­ a compensação pode ser homologada até o limite daquele crédito, tendo em  vista que comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a  Fazenda Nacional para absorver o débito tributário.  ­  por  fim,  aduz  que  a  compensação  de  créditos  tributários  (débitos  do  contribuinte) pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, que é  o  caso  dos  autos,  motivo  pelo  qual  julgou  procedente  a  manifestação  de  inconformidade formulada, reconhecendo o crédito do sujeito passivo, homologando  a compensação até o limite daquele crédito, nos termos da legislação de regência.  Como se vê, em relação ao mesmo caso, alguns manifestos de inconformidade  teve  destino  totalmente  diverso,  sendo  julgados  procedentes,  em  total  atenção  à  realidade  ocorrida  nos  autos,  por  restar  liquido  e  certo  o  direito  da  Recorrente  à  compensação.  Portanto,  tem­se  que,  no  presente  caso,  deve­se  dado  o  mesmo  tratamento  dispensado aos pedidos de compensação julgados pela 4ª Turma DRJ/BSB, com o  julgamento  de  procedência  do  presente  Recurso  Voluntário,  pela  existência  de  direito líquido e certo da Recorrente à compensação e por ser medida da mais lidime  justiça.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.  Concernente ao pedido expõe que:  IV ­ DO PEDIDO Por todo o exposto, requer:  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 142          8 a)  Que  seja  recebido  e  processado  o  presente  RECURSO VOLUNTÁRIO,  reconhecendo  a  existência  de  crédito  e  anulando  a  r.  decisão  recorrida  que  não  homologou  as  compensações  efetivadas,  uma  vez  que  devidamente  comprovada  a  existência do crédito;  b)  a  homologação  do  pedido  de  compensação  realizado  através  de  PER/DCOMP, pelos próprios e jurídicos fundamentos deste Recurso;  c) a juntada dos documentos (PER/DCOMP, DCTF, DARF, auto de infração,  Termo de Verificação Fiscal e comprovante de parcelamento) ora anexados;  d) o cadastramento do Advogado MÁRCIO EMRICH GUIMARÃES LEÃO.  OAB/GO 19.964, para o  recebimento das intimações provenientes destes autos, no  endereço constante do rodapé desta;  e) Pugna, ainda, pela juntada posterior de documentos que reputar pertinentes.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões  em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas,  tais como fique demonstrada  a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior, refira­se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões  posteriormente trazidas aos autos1.   Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham  correlação  com  as  situações  excepcionadas  pela  legislação  de  regência.  A  realização  desses  meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios  lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela  defendente, por essa razão, não se comprova.  Os  argumentos  atinentes  ao  Auto  de  Infração  formalizado  no  processo  nº  13116.000427/2006­56,  e­fls.  38­53  e  133­134,  devem  ser  ali  tratados  (art.  142  do  Código  Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente não  instaurou no  tempo, no  lugar e na forma própria a fase  litigiosa no procedimento (art. 14 do                                                              1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 143          9 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que se encontra no ARQUIVO DEL REC FED  EM ANAPOLIS­GO desde 29.07.2010. Ocorre que o contencioso do lançamento de ofício não  pode ser inaugurado nos presentes autos, que trata do Per/DComp, cujo rito está previsto no art.  74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  No que se  refere as  alegações pertinentes  ao parcelamento  formalizado nos  processos nºs 18208.001246/2007­12, 18208.001247/2007­67 e 18208.001248/2007­10, e­fls.  54­55, vale ressaltar que cabe a autoridade preparadora da unidade de origem de circunscrição  da Recorrente analisar a matéria, nos termos do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  ­ RFB,  aprovado pela Portaria MF nº  430,  de  09  de  outubro de 2017. Ademais, o referido processo encontra­se no SETOR PROC ELETRÔNICO  REFIS DRF ANA GO desde 01.06.2007, e­fl. 132.   Para  fins  de  esclarecimento  vale  discriminar  os  débitos  de  IRPJ  objeto  de  parcelamento, e­fls. 54­55, e aqueles que foram lançados, conforme o Auto de Infração, e­fls.  38­53:    Período de Apuração  Débitos de IRPJ ­ Parcelamento   Valores Originais ­ R$  Débitos de IRPJ ­ Auto de Infração   Valores Originais ­ R$  1º Trimestre de 2001  18.072,18  ­  44.628,47  ­  2º Trimestre de 2001  28.040,19  ­  28.040,19  ­  3º Trimestre de 2001  66.039,94  ­  66.039,94  ­  4º Trimestre de 2001  ­  ­  ­  ­  1º Trimestre de 2002  ­  ­  ­  ­  2º Trimestre de 2002  580,97  ­  580,97  ­  3º Trimestre de 2002  771,22  ­  771,22  ­  4º Trimestre de 2002  ­  ­  ­  ­  1º Trimestre de 2003  ­  ­  3.302,68  ­  2º Trimestre de 2003  ­  ­  3.082,22  ­  3º Trimestre de 2003  ­    2.139,94  ­  4º Trimestre de 2003  11.034,07  ­  60.936,80  ­  1º Trimestre de 2004  4.667,85  107.022,23  31.119,06  107.022,23  2º Trimestre de 2004  95.700,78  3.456,45  23.043,00  95.700,78  3º Trimestre de 2004  1.016,43  ­  ­  1.016,43  4º Trimestre de 2004  ­  ­  ­  ­    O Auto  de  Infração  foi  lavrado  em  2006  e  somente  em  2007  a Recorrente  efetuou a adesão ao parcelamento e como visto nem todos os débitos de IRPJ lançados no Auto  de Infração foram parcelados.  Relativamente  ao  pedido  de  cadastramento  do  patrono  para  o  recebimento  das intimações provenientes destes autos, tem­se que consta no enunciado da Súmula CARF nº  110  que  "no  processo  administrativo  fiscal,  é  incabível  a  intimação  dirigida  ao  endereço  de  advogado do sujeito passivo". Por conseguinte, o pleito da Recorrente não pode ser deferido,  uma vez que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula  de  observância  obrigatória  pelos  membros  do  CARF  (art.  72  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015).  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 144          10 No  caso  de  prescrição  da  repetição  de  indébito  em  relação  aos  tributos  sujeitos ao lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional  de 5 (cinco) anos começa a fluir a partir da data do pagamento indevido (art. 165 e art. 168 do  Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). Verifica­ se que não houve o transcurso do prazo prescricional, haja vista que a Recorrente formalizou o  Per/DComp  em  05.03.2007,  e­fls.  68­70,  utilizando­se  do  crédito  relativo  ao  pagamento  a  maior  de  IRPJ,  código  0220,  do  primeiro  trimestre  do  ano­calendário  de  2004  no  valor  de  R$40.149,00 recolhido em 08.03.2005.  No  que  tange  ao  resultado  do  julgamento  em  outro  procedimento,  vale  ressaltar  que  a  cada  processo  autônomo,  como  é  o  caso  dos  presentes  autos,  prevalece  o  princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua  convicção na apreciação da prova (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972).  A Recorrente discorda do procedimento fiscal.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à data do protocolo.   Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos  indevidamente  compensados,  bem  como  que  o  prazo  para  homologação  tácita  da  compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para  os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais3.   Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  a  Recorrente  deve  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar                                                              2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  3 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 145          11 livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Os diplomas normativos de  regências da matéria, quais sejam o art. 170 do  Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam  clara  a  necessidade  da  existência  de  direto  creditório  líquido  e  certo  no  momento  da  apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar­se­ia extinto sob  condição resolutória da ulterior homologação.  Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a  lapso  manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da  Requerente.  O  erro  de  fato  é  aquele  que  se  situa  no  conhecimento  e  compreensão  das  características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os  erros  de  escrita ou  de  cálculos. A Administração Tributária  tem o  poder/dever  de  revisar  de  ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido  na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde  o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de  fato, desde que devidamente comprovado.   O  conceito  de  erro material  apenas  abrange  a  inexatidão  quanto  a  aspectos  objetivos,  não  resultantes  de  entendimento  jurídico,  como  um  cálculo  errado,  a  ausência  de  palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou  a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão  material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32  do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art.  149 do Código Tributário Nacional). Por  inexatidão material  entendem­se os pequenos  erros  involuntários,  desvinculados  da  vontade  do  agente,  cuja  correção  não  inove  o  teor  do  ato  formalizado,  tais  como  a  escrita  errônea,  o  equívoco  de  datas,  os  erros  ortográficos  e  de  digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica  disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria.  Cabe  a  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação  inequívoca da  liquidez  e  da  certeza do  valor  de  direito  creditório  pleiteado.  Para  que  haja  o  reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior  de  tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados  informados  em  todos os  livros de  escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem como os  documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 4.  Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26  de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova  a  favor do  sujeito passivo dos  fatos nela  registrados  e  comprovados por  documentos hábeis,  segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei,  por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração.                                                              4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e  art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996.  Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 146          12 A  Recorrente  tem  o  ônus  de  instruir  os  autos  com  documentos  hábeis  e  idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale  ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto­Lei  nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que se refiram."  No  presente  caso,  a  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  Per/DComp  foi  identificada  a  integral  alocação  integralmente  para  quitação  de  débito  da  Recorrente,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição.  Verifica­se  que  os  dados  presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo  elementos de prova que  evidenciem as  alegações da Recorrente  (§ 1º do  art.  147 do Código  Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não  foram  carreados  aos  autos  pela  Recorrente  os  elementos  essenciais  a  produzir  um  conjunto  probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário.   Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 11­44.461, de 20.12.2013,  e­fls. 75­79, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância  de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999):  Conforme  relatado,  a  DRF  constatou  a  existência  do  pagamento,  todavia  observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em  DCTF. Assim,  restou  inexistente o  crédito  reclamado no PER,  razão pela qual  foi  indeferido o pedido de restituição.  Alega a  inconformada que efetuou pagamento  indevido do  IRPJ, que restou  evidenciado  seu  crédito,  por  ocasião  da  autuação  efetuada  e  relativa  ao  ano­ calendário 2004, quando realizou, durante o procedimento  fiscal, os  recolhimentos  listados no quadro à fl. 03, que não foram considerados pelo autuante em razão do  procedimento  de  fiscalização  em  andamento  e,  consequente  ausência  de  espontaneidade.  Afirma ainda, que os valores lançados de ofício através do Auto de Infração  lavrado  foram  incluídos  em  processo  de  parcelamento  em  14/09/2006,  valores  divididos em 120 parcelas, o que comprova com o extrato PAEX fls. 54/55. [...]  Como  se  observa,  para  que  o  sujeito  passivo  postule  a  restituição  ou  a  compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente  de  crédito  tributário por  ele  comprovadamente  extinto  em montante  indevido ou a  maior que o devido.  Por  outro  lado,  sabe­se  que  o  parcelamento  de  débitos  não  constitui  modalidade  de  extinção  do  crédito  tributário,  e  sim de  suspensão,  nos  termos  dos  arts. 151 e 156 do CTN, adiante transcritos: [...]  No caso  concreto, conforme  se  relatou, o contribuinte pleiteia  restituição de  recolhimentos  do  IRPJ  relativos  ao mesmo  tributo  e mesmo  período  de  apuração  incluído  em processo  de parcelamento que  se  encontra  em  andamento  na DRF de  sua jurisdição, ou seja, o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos  que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento  excepcional  PAEX  em  andamento,  resultando  daí  que,  por  não  estar  o  crédito  Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13116.902493/2011­20  Acórdão n.º 1003­000.493  S1­C0T3  Fl. 147          13 tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à  pretendida restituição.  Por  fim,  transcreve­se  a  seguir  orientação  repassada  ao  contribuinte  pelo  autuante no Termo de Verificação Fiscal cuja, cópia foi trazida pela inconformada,  fl. 53:  “Deve­se  ressaltar  que  durante  os  trabalhos  fiscais  foram  efetuados  alguns  pagamentos  pela  contribuinte  de  IRPJ  e  CSLL,  até  então  em  atraso.  Esses  pagamentos  não  foram  considerados  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração,  em  razão  de  a  contribuinte  estar  sob  procedimento  fiscal,  portanto,  sujeita  ao  lançamento  da  multa  de  ofício.  Esses  valores  poderão  ser  objeto  de  pedido  de  compensação com os valores lançados”   Portanto, os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com  os valores lançados de ofício, na realidade, deveriam ter sido incluídos no processo  de parcelamento, a pedido do interessado, para apuração do montante a parcelar, se  não o foram, só após extinção do montante parcelado, é que poderão ser restituídos  ou compensados com outros débitos a critério do contribuinte.  Assim,  não  poderia  a  autoridade  a  quo  reconhecer  crédito  algum  para  a  interessada, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não  pode ser postulada sua restituição, nos termos do art. 170 do CTN).  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para  os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do  art. 100 do Código Tributário Nacional.   Atinente  aos  princípios  constitucionais,  cabe  ressaltar  que  o  CARF  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento  de inconstitucionalidade5.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.  62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de  julho de 2015).   Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                              5 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento  Interno do CARF e Súmula CARF nº 2.  Fl. 147DF CARF MF

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Numero do processo: 10675.905175/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.737
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­004.737  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de janeiro de 2019  Matéria  DCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO.  Recorrente  ALGAR TELECOM S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/03/2008  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  DCTF  RETIFICADA  ANTERIORMENTE  AO  DESPACHO  DECISÓRIO.  O  Despacho  Decisório  deve  considerar  os  dados  existentes  em  DCTF  retificadora,  quando  esta  foi  transmitida  anteriormente  à  intimação  do  contribuinte.  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Comprovado  pelo  Contribuinte  o  erro  no  preenchimento  de  sua  DCTF,  acompanhado  dos  documentos  probatórios,  deve­se  acatar  a  alteração  dos  dados anteriormente informados.        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius  Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 75 /2 01 2- 78 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10675.905175/2012­78  Acórdão n.º 3201­004.737  S3­C2T1  Fl. 3          2  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  apresentado  pelo  Contribuinte  em  face  do  Acórdão nº 09­052.650, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento em Juiz de Fora (MG).  O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de  pagamento indevido ou a maior de Cofins.   O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do  qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados,  mas  que  haviam  sido  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  declarados  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  na  DCOMP.  Regularmente  cientificado  do  indeferimento  de  seu  pleito  o  contribuinte  protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver  transmitido DCTF retificadora na  qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP  é  suficiente para  a homologação da  compensação declarada. Requereu  a  juntada do presente  processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles.  A DRJ  julgou a Manifestação de Inconformidade  improcedente, nos  termos  do Acórdão 09­052.650. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara,  mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP.   Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário  a este  CARF,  reiterando  a  existência  do  crédito  tributário  postulado  e  anexando  documentação  complementar com vista à comprovação do seu direito creditório.  Em  primeiro  exame,  esta  Turma  Julgadora  converteu  o  feito  em  diligência  para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base  nos dados  informados em DCTF retificadora, podendo  intimar o contribuinte para apresentar  demais documentos ou informações que entenda necessário.  A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal  reconheceu  o  direito  creditório  alegado  pelo  contribuinte,  em  montante  suficiente  para  homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP.  É o relatório.     Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­004.732, de  Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10675.905175/2012­78  Acórdão n.º 3201­004.737  S3­C2T1  Fl. 4          3  30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/2012­11, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­004.732):  "(...)  Como relatado, discute­se no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela  Recorrente  por  meio  de  PER/DCOMP,  correspondente  à  apuração  de  COFINS  não  cumulativa.  De  acordo  com  o  PER/DCOMP  apresentado,  o  crédito  postulado  teve  origem  no  pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­  COFINS.  Consoante  Despacho  Decisório  Eletrônico  proferido,  o  crédito  indicado  seria  inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado  para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte.  Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado  é legítimo, informando que:    Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas.  A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento  de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado  deve existir na data da transmissão dessa Declaração"  Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu  após  a  transmissão  do  PER/DCOMP,  muito  embora  esta  tenha  ocorrido  anteriormente  à  emissão do Despacho Decisório Eletrônico.  Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir  dos  documentos  apresentados  pela Recorrente  em  sede  de Manifestação  de  Inconformidade,  entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes  para a análise do crédito postulado:  Entretanto, a contribuinte  limitou­se a apresentar a DCTF retificadora e a  informar  que  o  crédito  decorre  da  retificação  da  DCTF.  Nada  mais  foi  trazido,  como,  por  exemplo,  escrituração  contábil,  documentos  fiscais  ou  quaisquer  outros  documentos  hábeis  e  idôneos  que  demonstrassem  a  liquidez e certeza do direito creditório pretendido.  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10675.905175/2012­78  Acórdão n.º 3201­004.737  S3­C2T1  Fl. 5          4  No  presente  caso,  somente  a  apresentação  de  documentos  integrantes  da  escrituração contábil  e  fiscal da  empresa poderiam comprovar o montante  do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a  maior  efetuado  em  DARF  daria  ao  interessado  crédito  passível  de  ser  compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os  elementos  capazes  de  fornecer  à  Fazenda  Nacional  conteúdo  substancial  válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos.  Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e,  diante  dos  fundamentos  do  acórdão  recorrido,  acrescenta  aos  autos  cópia  do  seu  balancete  contábil.  Na  hipótese  dos  autos,  não  houve  inércia  do  contribuinte  na  apresentação  de  documentos,  além  do  fato  de  que  a  retificação  da  sua  DCTF  ocorreu  antes  da  emissão  do  despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede  de  Manifestação  de  Inconformidade  se  mostraram  insuficientes  para  que  a  Autoridade  Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação,  em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos.  Ademais,  não  se  pode  olvidar  que  se  está  diante  de  um  despacho  decisório  eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de  documentos  comprobatórios do  seu direito  foi,  exatamente,  no momento da  apresentação da  sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos  foram tidos por insuficientes.  Sabe­se  quem  em  autuações  fiscais  realizadas  de  maneira  ordinária,  é,  em  regra,  concedido  ao  contribuinte  diversas  oportunidades  de  apresentação  de  documentos  e  esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim,  limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação  de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece  razoável  ou  isonômico,  além  de  atentatório  aos  princípios  da  ampla  defesa  e  do  devido  processo legal.  Por  tais razões é que se  resolveu pela conversão do feito em diligência justamente  para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base  nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório,  podendo  intimar  o  contribuinte  para  apresentar  demais  documentos  ou  informações  que  entenda necessário.  E,  a  verificação  fiscal,  confirmou  o  direito  postulado  pelo  Contribuinte,  nos  seguintes termos:  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  com  utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS.  A  compensação  foi  não  homologada,  a  Manifestação  de  Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou  Recurso Voluntário.  Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201­001.164 – 2ª Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, fls. 128/132, o processo foi  devolvido  a  esta  DRF  para  analisar  a  Declaração  de  Compensação  com  base  nos  dados  informados  em  DCTF  retificadora  transmitida  anteriormente ao Despacho Decisório.  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10675.905175/2012­78  Acórdão n.º 3201­004.737  S3­C2T1  Fl. 6          5  A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor  alterado  no  Sistema  SIEF  FISCEL  conforme  declarado  na  DCTF  retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141.  Com  os  elementos  trazidos  no  processo,  bem  como  os  cálculos  efetuados às fls. 142/145, verifica­se o resultado de um crédito no valor  de  R$  33.651,25  suficiente  para  extinguir  os  débitos  do  processo  10675.905384/2012­11.  Logo, diante do  reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência  do  crédito  solicitado  pela  Recorrente  para  a  extinção  dos  débitos  declarados,  deve­se  reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário.  Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário."  Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente  processo  foi  baixado  em  diligência  (Resolução  3201­001.169)  e  a  autoridade  fiscal,  também  nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente  para a extinção dos débitos informados na DCOMP.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao  Recurso Voluntário.       (assinado digitalmente)   Charles Mayer de Castro Souza                              Fl. 151DF CARF MF

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Numero do processo: 13888.721093/2017-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS FORNECIDOS PELAS FONTES COM RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO SUFICIENTE. Os rendimentos pagos a título de aluguéis com os devidos descontos efetuados pela fonte pagadora e informados na declaração de rendimentos fornecida ao contribuinte fazem prova da retenção do imposto e habilita o recebedor a utilizá-lo como antecipação. A documentação probatória apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa nesta etapa recursal.
Numero da decisão: 2001-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO

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2001­001.110  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  30 de janeiro de 2019  Matéria  IRPF ­ IMPOSTO RETIDO NA FONTE  Recorrente  DINORA ISMAEL ELIAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2014   IMPOSTO  RETIDO  NA  FONTE.  COMPROVAÇÃO  DA  RETENÇÃO  PELA  FONTE  PAGADORA.  DECLARAÇÃO  DE  RENDIMENTOS  FORNECIDOS  PELAS  FONTES  COM  RETENÇÃO  DO  IMPOSTO.  COMPROVAÇÃO SUFICIENTE.  Os  rendimentos  pagos  a  título  de  aluguéis  com  os  devidos  descontos  efetuados  pela  fonte  pagadora  e  informados  na  declaração  de  rendimentos  fornecida  ao  contribuinte  fazem  prova  da  retenção  do  imposto  e  habilita  o  recebedor  a  utilizá­lo  como  antecipação.  A  documentação  probatória  apresentada  é  suficiente  para  respaldar  as  alegações  de  defesa  nesta  etapa  recursal.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Henrique  Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 10 93 /2 01 7- 70 Fl. 157DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável para a contribuinte, em razão da  lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a  rendimentos recebidos com desconto do IRRF.  O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte R$ 9.299,32, sendo  R$ 581,85 a  título de  imposto  suplementar  com multa de 75% e R$ 8.717,47 com multa de  20%, todos acrescidos de juros de mora, referente ao ano­calendário de 2014.  A  fundamentação  da  autuação,  conforme  consta  da  decisão  de  primeira  instância,  aponta  como  elemento  definidor  da  lavratura  do  lançamento  o  fato  de  que  o  Contribuinte não comprovou corretamente a retenção do imposto de renda retido na fonte sobre  aluguéis recebidos.  A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado  na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação do IRRF em divergência com  os dados contidos no sistema eletrônico da Receita Federal, como segue:  Em  nome  da  contribuinte  acima  identificada  foi  lavrada  em  13/02/2017 a Notificação de Lançamento de fls. 122/127, relativa ao  Imposto sobre a Renda de Pessoa Física­IRPF, exercício 2015, ano­ calendário 2014, sendo apurados os seguintes valores:  (...)  O  lançamento  decorreu  do  processamento  da Declaração  de  Ajuste  Anual – DAA IRPF/2015, apresentada à RFB pela contribuinte, cujo  resultado havia sido de imposto a pagar no valor de R$ 12.632,55 –  fls. 110/119.    Motivou  o  lançamento  de  ofício  a  constatação  pela Fiscalização  de  omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no  valor de R$ 2.115,83, e de compensação indevida de imposto de renda  na  fonte  ­  IRRF  no  valor  total  de  R$  8.717,47,  relativa  às  fontes  pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda, no valor de R$ 644,53, por falta  de comprovação, e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda, no  valor de R$ 8.072,94,  correspondente à diferença entre o declarado  de R$ 14.446,74 e o constante em Dirf de R$ 6.373,80.    Consoante  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  125),  constatou­se a compensação  indevida do IRRF, no valor total de R$  8.717,47,  referente  às  fontes  pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e  Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda.     Em  que  pese  a  apresentação  das  Declarações  de  Operações  sobre  Atividades  Imobiliárias  –  Dimob  e  dos  Extratos  de  Repasses  ao  Proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis  Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda (fls. 04 e 14/39), relativos  a  contratos de  locações de  imóveis onde a  contribuinte  figura  como  locadora, não ficou cabal e inequivocamente comprovada a retenção  do  imposto  de  renda  na  fonte  correspondente  aos  rendimentos  de  aluguéis recebidos das fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e  Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda.  Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13888.721093/2017­70  Acórdão n.º 2001­001.110  S2­C0T1  Fl. 158          3 (...)  Da  legislação acima extrai­se que a  condição para a dedutibilidade  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  é  a  posse  pelo  contribuinte  de  comprovante  da  retenção  emitido  pela  fonte  pagadora,  para  apresentação à Fiscalização quando intimado a fazê­lo.    Faz­se mister frisar que a DIRF e o comprovante de rendimentos são  os instrumentos legais para se justificar o IRRF. Na ausência de tais  documentos,  o  contribuinte  pode  apresentar  o  DARF  em  seu  nome  para  que  possa  provar  que  não  só  houve  a  retenção  na  fonte,  mas  também o efetivo recolhimento do imposto.    No caso  em  tela,  os documentos  elaborados pela administradora de  imóveis não suprem a necessidade de apresentação do comprovante  de  rendimentos,  sendo  insuficientes  para  comprovar  a  retenção  do  imposto, uma vez que não foram emitidos pelas fontes pagadoras dos  aluguéis.    Assim,  inexiste  reparo ao  trabalho efetuado pelo  fisco,  uma vez que  não foi provada a retenção na fonte em favor do contribuinte.    Sendo  assim,  não  há  reparo  a  ser  feito  no  lançamento  no  que  concerne ao IRRF, cabendo manter a glosa de compensação indevida  no valor de R$ 8.717,47.    A  parcela  de  imposto  suplementar  não  impugnada,  no  valor  de  R$  581,85,  correspondente  à  omissão  de  rendimentos  apurada,  foi  quitada  pelo  impugnante,  conforme  extrato  de  fls.  133/135,  permanecendo  em  cobrança  no  presente  processo  o  imposto  de  R$  8.717,47, sujeito à multa de mora e juros de mora.    Do  exposto,  encaminho  o  voto  no  sentido  de  considerar  a  IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, resultando, por consequência, na  manutenção integral do crédito tributário remanescente.    Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para  manter a infração apurada no valor de R$ 9.299,32, sendo: R$ 581,85, sujeito à multa de ofício  de  75%,  parte  não  impugnada,  e  R$  8.717,47,  sujeito  à  multa  de  mora  de  20%,  com  os  acréscimos legais.  Por  sua  vez,  com  a  decisão  do  Acórdão  da  DRJ,  o  Recorrente  apresenta  recurso  voluntário  com  as  considerações  e  argumentações  que  entende  justificável  ao  seu  procedimento, nos termos que segue:  A requerente entregou o  IRPF Exercício 2015 Ano­Calendário 2014  informando  o  Imposto  Retido  na  Fonte  de  acordo  com  os  Comprovantes  de  Rendimentos  fornecidos  pela  Administradora  de  Imóveis Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda.  Os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte foram descontados  dos  aluguéis  pagãos  pelas  empresas  locatárias  AG  Ferreira & Cia  Ltda,  CNPJ  nº  44.754.877/0001­43  e  Hot  Piracicaba  Comércio  de  Confecções Ltda, CNPJ nº 11.814361/0001­98, nos valores retidos de  R$  644,53  e  R$  14.446,74  respectivamente,  conforme  cópia  da  DIMOB em anexo.  Fl. 159DF CARF MF     4  Acontece  que  as  fontes  pagadoras  (locatárias)  não  informaram  na  DIRF os valores retidos corretamente. Cópia do sistema DIRF fonte  pagadora extraído do portal e­cac em anexo.  A  Receita  Federal  junto  aos  DD.  Membros  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais deveriam analisar que realmente  teve omissões e erros nas informações prestadas entre as declarações  DIRF x DIMOB x DIRPF.  Senhores  Julgadores,  está  claro  que  o  erro  houve  nas  informações  prestadas  em  DIRF  pelas  fontes  pagadoras,  tendo  em  vista  que  a  requerente  informou  em  sua  DIRPF  o  valor  descontado  dos  seus  recebimentos  de  aluguéis  e  valore  fornecidos  através  de  documento  hábil e verídico pela administradora de imóveis.  Em  vista  do  exposto,  peço  que  seja  novamente  analisada  minha  DIRPF,  e  cobrar  de  quem  realmente  deve  ser  cobrado,  e  por  ser  a  verdade, peço apenas justiça.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  A divergência  na  lide  é  de  cunho probatório material  do  imposto  retido  na  fonte  e  descontado  da  Contribuinte  no  momento  dos  recebimentos  dos  valores  referentes  a  aluguéis.  A  Autoridade  Autuante  tem  como  forte  a  afirmação  de  que  não  restou  cabalmente comprovada a retenção do imposto, no seguinte texto:  Em  que  pese  a  apresentação  das  Declarações  de  Operações  sobre  Atividades  Imobiliárias  –  Dimob  e  dos  Extratos  de  Repasses  ao  Proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis  Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda (fls. 04 e 14/39), relativos  a  contratos de  locações de  imóveis onde a  contribuinte  figura  como  locadora, não ficou cabal e inequivocamente comprovada a retenção  do  imposto  de  renda  na  fonte  correspondente  aos  rendimentos  de  aluguéis recebidos das fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e  Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda.  Todavia,  o  texto  que  recusa  a  possibilidade  de  ter  sido  comprovada  a  operação com retenção afirma que foram apresentadas as DIMOBs e os extratos de repasses ao  proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis, exatamente a quem cabe  providenciar as informações ao Fisco.  Some­se a isso que a Contribuinte juntou aos autos, fl. 149, o Comprovante  Anual  de  Rendimentos  de  Aluguéis  que  identifica  como  fonte  pagadora  Hot  Piracicaba  Comércio  de  Confecções  Ltda,  tendo  como  intermediária  a  Assessoria  Imobiliária  Miguel  Imóveis.  Da  mesma  forma,  também  juntou  aos  autos,  fl.  150,  o  Comprovante  Anual  de  Rendimentos de Aluguéis que identifica como fonte pagadora AG Ferreira Cia. Ltda, que tem  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.721093/2017­70  Acórdão n.º 2001­001.110  S2­C0T1  Fl. 159          5 como intermediária na locação a mesma imobiliária. Nos referidos comprovantes conta o valor  bruto mês a mês, o valor da comissão descontada e o imposto retido. Ambos os documentos,  somadas  as  retenções  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  igualam  o  valor  informado  pela  Recorrente na sua Declaração de Ajuste Anual de 2014.   O fato das informações constantes no sistema da Receita Federal acusar valor  diferente dos informados nas DIMOBs e nos Comprovantes de Rendimentos fornecidos pelas  fontes pagadoras não justifica a glosa da utilização do imposto de renda retido na fonte, porque  a Recorrente agiu com base nos documentos recebidos da fonte pagadora e na atribuição que  lhe compete como recebedora dos aluguéis e contribuinte do  imposto em relação aos valores  informados oficialmente. Se o sistema da Receita referente à DIRFs apresenta divergências de  valores,  não  compete  a Recorrente  comprovar  se houve  falta de  recolhimento ou outra  falha  qualquer de parte das fontes pagadoras, vez que nem autoridade tem para tanto junto àqueles  estabelecimentos.  Por fim, cabe salientar que a parcela do Lançamento que se refere ao imposto  suplementar no valor de R$ 581,85 foi recolhida pela Recorrente, não tendo sido objeto sequer  de defesa na impugnação, bem assim como em sede recursal. Neste sentido, a lide se limita à  divergência de valores no que se refere à comprovação documental, o que resultou no valor de  R$ 8.717,47 de crédito tributário remanescente.  Pelo  que  consta  dos  autos  a  comprovação  documental  apresentada  pela  Recorrente supre suficientemente o requerido de sua parte como contribuinte, respaldada pelas  informações  fornecidas  através  das  DIMOBs  e  especialmente  pelos  Comprovantes  de  Rendimentos  que  lhe  foram  disponibilizados,  e  juntados  aos  autos  pela   Contribuinte,  como  se  vê  às  fls.  149  e  150  do  processo.  Neste  sentido  considera­se  devidamente  comprovada  a  retenção  pelos  descontos  efetuados  quando  dos  pagamentos  dos  aluguéis em valores líquidos como demonstrados.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do Recurso Voluntário  e  no mérito  DAR PROVIMENTO, para excluir o crédito tributário remanescente no valor de R$ 8.717,47,  pela improcedência do Lançamento.   (assinado digitalmente)   Jose Alfredo Duarte Filho                                Fl. 161DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.014138/2006-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados.
Numero da decisão: 1101-000.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.  PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de  juros a  título de remuneração do capital próprio está  limitada, dentre outros  aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo ­ TJLP verificada no  período  ao  qual  se  referem  os  lucros  destinados.  Ao  deixar  de  segregar  o  resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital  dos  sócios,  a  sociedade  designa  integralmente  o  lucro  apurado  como  remuneração  deste  capital,  e  somente  pode  destiná­los  aos  sócios mediante  distribuição  de  dividendos.  Inadmissível,  portanto,  a  dedução  posterior  de  juros  sobre  capital  próprio  tendo  por  referência  a  variação  da  TJLP  em  períodos passados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (presidente da  turma),  José Ricardo da Silva (vice­presidente), Edeli Pereira     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 41 38 /2 00 6- 57 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 3          2 Bessa,  Benedicto  Celso  Benício  Júnior,  Mônica  Sionara  Schpallir  Calijuri  e  Nara  Cristina  Takeda Taga.  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 4          3   Relatório  BRITÂNIA  ELETRODOMÉSTICOS  LTDA,  já  qualificada  nos  autos,  recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de  Curitiba/PR  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE  a  impugnação  interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2006, exigindo crédito tributário no valor  total de R$ 2.374.667,49.  A  autoridade  lançadora  glosou  parte  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  deduzidos  no  ano­calendário  2002.  Embora  os  valores  do  Patrimônio  Líquido  da  pessoa  jurídica  permitissem  dedução  até  o  R$  8.017.934,81,  do  valor  total  contabilizado  (R$  7.836.856,08),  admitiu­se  apenas  a  parcela  de  R$  4.927.088,02  porque  correspondente  à  variação da Taxa de  Juros de Longo Prazo  ­ TJLP naquele  ano­calendário. A parcela de R$  2.909.768,06  corresponderia  ao  ano­calendário  de  1999,  e  assim  não  se  conformaria  ao  disposto nos arts. 251 e 374 do RIR/99, que estabelecem a apropriação de despesas segundo o  regime de competência.   Impugnando a exigência, a contribuinte defendeu que: 1) a despesa decorreu  da deliberação dos sócios no ano­calendário 2002, e assim não poderia ter sido registrada em  1999;  2)  a  lei  não  estabelece  prazo  para  esta  deliberação,  e  a  dedução  observou  os  limites  estabelecidos na legislação; 3) a Instrução Normativa SRF nº 11/96 apenas relaciona a despesa  ao  ato  que  determina  seu  nascimento;  4)  a  legislação  não  veda  a  dedução  de  despesas  registradas em período subseqüente ao de competência; 5) a interpretação adotada pelo Fisco  prejudicaria  a  pretendida  isonomia  de  tratamento  tributário  entre  o  capital  próprio  e  o  de  terceiros.  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:  ·  [...]  não  ocorreu  o  fato  gerador  da  despesa,  no  ano­calendário  1999,  mediante o pagamento ou creditamento aos sócios dos juros sobre o capital  próprio;  ·  [...]  como  somente  no  ano­calendário  2002  teria  se  materializado  o  pagamento ou o creditamento, em favor dos sócios, dos juros sobre o capital  próprio,  não  se  pode  reconhecer  como  dedutíveis  valores  que  não  foram  pagos ou creditados em períodos anteriores, mas apenas a despesa paga ou  incorrida  no  próprio  ano­calendário  de  2002,  e  nos  limites  legalmente  estabelecidos para esse período;  ·  A Instrução Normativa SRF nº 11/96 não trouxe qualquer inovação, pois o  próprio art. 9o e seu §1o da Lei nº 9.249/95 estabelecem a indedutibilidade  do pagamento dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância  do regime de competência.  ·  Ao  estabelecer  como  limite  o  valor  equivalente  a  50%  dos  lucros  acumulados e reserva de  lucros, admitiu a Lei que, caso a pessoa jurídica  não procedesse ao pagamento ou creditamento, aos sócios, dos juros sobre  o  capital  próprio  calculados  sobre  o  lucro  do  período,  poderia  ela,  nos  períodos de apuração subsequentes, realizar o pagamento ou creditamento  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 5          4 com  base  nos  lucros  acumulados  e  nas  reservas  de  lucros.  Porém,  nessa  última hipótese, a base de cálculo para o limite do valor dedutível a título  de juros sobre o capital próprio deve corresponder, obviamente, ao período  de  apuração  do  pagamento  ou  crédito  dos  juros;  e  não  ao  período  de  apuração em que foram gerados aqueles lucros, posteriormente destinados  a lucros acumulados e a reserva de lucros.  ·  Entendimento em contrário resultaria admitir a esdrúxula possibilidade de  que uma mesmíssima quantia, em períodos diversos, pudesse vir a constituir  base  de  cálculo  para  o  limite  do  valor  dedutível  a  título  de  juros  sobre o  capital próprio, a saber: lucro apurado num ano e integralmente destinado  a lucros acumulados e/ou a reservas de lucros em outro ano.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  09/12/2009  (fl.  160),  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  30/12/2009  (fls.  161/173),  no  qual  reprisa  os  argumentos  apresentados  na  impugnação  e  colaciona  decisões  no  âmbito  do  Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e do Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ,  as  quais  concluem,  de  forma  clara  e  inequívoca,  que  não  há  qualquer óbice ao procedimento praticado pela recorrente.  A recorrente assim sintetiza seus argumentos de direito:  Tendo em vista que a despesa de JCP (quer do capital  investido em 1998 quer do  relativo ao ano de 2001), nasceu em função da deliberação dos titulares do capital  que  determinaram  o  seu  pagamento,  o  exercício  de  competência  da  despesa  só  poderá ser aquele no qual ocorreu tal deliberação.  De  fato,  ainda  que  seja  possível  calcular  a  remuneração  em  tela  para  um  determinado ano­calendário, deve­se ter em conta que o seu pagamento ou crédito é  uma  faculdade,  de  forma  ser  possível  a  assunção  ou  não  desse  encargo.  Nesta  última hipótese, simplesmente não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em  uma despesa decorrente de uma obrigação inexistente ou cujo provisionamento não  se  justifica  na  contabilidade.  Na  ocorrência  da  primeira  opção,  a  conseqüente  despesa deve ser de imediato contabilizada.  Tal raciocínio é lógico quando se busca o fundamento do instituto do JCP, qual seja  o de remunerar a permanência do capital próprio por um determinado período, o  que pode ocorrer em períodos diferentes daquele  em que o  lucro  foi gerado, pelo  simples fato da existirem lucros acumulados passíveis de distribuição.  Assim,  sob  o  ponto  de  vista  jurídico,  estamos  diante  de  uma  situação  em  que  o  direito  é  potestativo,  que  depende  da  vontade  ou  do  livre  arbítrio  pelo  uso  deste  direito, assim como é o caso da distribuição de dividendos, que também decorre da  formação de lucro, mas não passa a existir apenas pela formação deste lucro, sendo  necessário,  para  que  surja  a  obrigação de  pagar,  uma deliberação por  parte dos  sócios.  Por esta razão, e não podia ser de outra forma,  tendo em vista a deliberação dos  sócios  para  o  crédito  dos  JCP,  a Recorrente  registrou  o  total  da  despesa  no ano  calendário de 2002.  Acrescenta que a Lei nº 9.249/95  limita os  juros à variação “pro rata” da  TJLP, o que significa que essa variação deve corresponder ao tempo decorrido entre o início  do período de apuração até a data do pagamento ou crédito dos JCP e deve ser aplicada sobre  o  patrimônio  líquido  existente  no  início  desse  período,  consideradas  as  eventuais mutações  ocorridas  durante  o  período.  E  assim  procedeu  a  recorrente,  aplicando  esta  taxa  sobre  os  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 6          5 patrimônios líquidos de 1998 e 2001, de modo que o valor registro em 2002 ficou abaixo do  limite calculado em razão dos lucros do período e acumulados.  Observa que ao estabelecer tais limites, o legislador teve em mente não só a  possibilidade  de  pagamento  por  parte  daqueles  que,  mesmo  não  tendo  auferido  lucros  suficientes  no  período,  dispunham  de  lucros  acumulados  e  reservas  de  lucros,  bem  como  o  contribuinte que, não havendo pago nem creditado os JCP em determinado período, viesse a  optar por esta dedução em exercício  subseqüente. Neste  sentido,  inclusive,  é  a determinação  que  permite  a  imputação  dos  juros  sobre  capital  própria  ao  valor  do  dividendo  mínimo  obrigatório,  especialmente  tendo  em  conta  que  a  lei  não  estabelece  limitação  temporal  à  deliberação sobre a distribuição de lucros.   A  lei  apenas  condiciona  o  efetivo  pagamento  ou  crédito  à  existência  de  lucros, sem impedir a dedução de excedente em período posterior. Inexiste a condição imposta  pelo Fisco. De outro  lado, a  Instrução Normativa SRF nº 11/96 não  teria, de  fato,  inovado a  legislação, isso porque a referência ao regime de competência constante do ato administrativo  só pode relacionar a despesa ao ato que determina seu nascimento, qual  seja a deliberação  dos sócios.   Reporta­se  ao  Parecer  Normativo  CST  nº  58/77,  no  sentido  de  que  a  obrigação de pagar determinada despesa (enquadrável como operacional) nasce quando, em  face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais  que a tornam incondicional. Como o pagamento ou crédito é faculdade da pessoa jurídica, se a  mesma optar por não assumir esse encargo, não haverá como incorrer, nesse mesmo período,  em  uma  despesa  decorrente  de  uma  obrigação  inexistente  ou  cujo  provisionamento  não  se  justifica contabilmente.   Reitera que a lei não qualifica como indedutíveis as despesas registradas em  período subequente, e observa que o art. 347 do RIR/99, por ser mais específico, sobrepõe­se à  regra do art. 374 do mesmo Regulamento.   Finaliza  fazenda  referências  aos  acórdãos  deste  Conselho  nº  101­96.751  e  107­08.941, bem como à manifestação do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº  1.086.752­PR. E pede, assim, o cancelamento do débito fiscal reclamado.  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 7          6 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Diz a Lei nº 9.249/95, na redação já atualizada pela Lei nº 9.430/96:  Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio  líquido e  limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo  ­  TJLP.  §1º  O  efetivo  pagamento  ou  crédito  dos  juros  fica  condicionado  à  existência  de  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  e  reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros  a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996)  § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota  de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.  § 3º O imposto retido na fonte será considerado:  I  ­ antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário  pessoa jurídica tributada com base no lucro real;  II ­ tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica  não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no §  4º;  § 4o (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)  § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao  regime  de  tributação  de  que  trata  o  art.  1º  do  Decreto­Lei  nº  2.397,  de  21  de  dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do  pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários.  §  6º No  caso  de  beneficiário  pessoa  jurídica  tributada  com base  no  lucro  real,  o  imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião  do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu  titular, sócios ou acionistas.  §  7º  O  valor  dos  juros  pagos  ou  creditados  pela  pessoa  jurídica,  a  título  de  remuneração do capital próprio, poderá ser  imputado ao valor dos dividendos de  que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do  disposto no § 2º.  §  8º  Para  os  fins  de  cálculo  da  remuneração  prevista  neste  artigo,  não  será  considerado  o  valor  de  reserva  de  reavaliação  de  bens  ou  direitos  da  pessoa  jurídica,  exceto  se  esta  for  adicionada  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (negrejou­se)  A  Fiscalização  defende  que  a  pessoa  jurídica  somente  pode  deduzir,  na  apuração  do  lucro  tributável,  os  juros  correspondentes  à  variação  da  TJLP  aplicada  sobre  o  capital  próprio  no  período  de  referência,  ao  passo  que  a  contribuinte  afirma  seu  direito  de  deduzir, no momento da deliberação, também os juros correspondentes à variação daquela taxa  em períodos anteriores, mas que ainda não haviam sido contabilizados.   Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 8          7 Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual  há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema.  A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos:  IRPJ  —  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  ­  JCP  —  PAGAMENTO  ACUMULADO  —  LIMITES  PARA  AFERIÇÃO  DE  DEDUTIBILIDADE  —Ainda  que nada obste a distribuição acumulada de JCP ­ desde que provada, ano a ano,  ter este sido passível de distribuição ­, para efeitos de aferição dos limites possíveis  de dedutibilidade do encargo,  se deve  levar em conta os parâmetros existentes no  ano­calendário  em  que  se  deliberou  a  sua  distribuição.  (Acórdão  nº  107­08.941,  sessão de 28 de março de 2007, Relator Conselheiro Natanael Martins)  JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE ­ LIMITE TEMPORAL — O  período  de  competência,  para  efeito  de  dedutibilidade  dos  juros  sobre  capital  próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de  órgão ou pessoa competente  sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo,  inclusive,  remunerar  o  capital  tomando  por  base  o  valor  existente  em  períodos  pretéritos,  desde  que  respeitado  os  critérios  e  limites  previsto  em  lei  na  data  da  deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada  de  JCP — desde  que  provada,  ano  a  ano,  ter  esse  sido  passível  de  distribuição­,  levando  em  consideração  os  parâmetros  existentes  no  ano­calendário  em  que  se  deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 101­96751, sessão de 29 de maio de 2008,  Relator Conselheiro Valmir Sandri)  Na concepção que orienta estas julgados, os juros são dedutíveis no período  de apuração em que haja o pagamento ou crédito, desde que observado o limite legal para sua  distribuição, e isto tendo em conta os parâmetros verificados no ano­calendário da deliberação.  Mais  recentemente,  o  acórdão  nº  1402­001.179  também  foi  inspirado  por  aquele  mesmo  entendimento.  Nas  palavras  do  I.  Conselheiro  Antonio  José  Praga  de  Souza,  relator  deste  último acórdão, no caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e  o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação  da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinando  o  momento  em  que  tal  pagamento  ocorrerá.  Assim,  o  período  de  competência,  no  qual  o  montante  dos  juros  deve  ser  registrado  como despesa  financeira  da  sociedade,  é  aquele  em  que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. E acrescenta: antes da deliberação  societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de  se  falar em direito  subjetivo dos  sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa  incorrida,  não  se  podendo  cogitar  antes  disso  em  observância  ao  regime  de  competência,  posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros.   A  recorrente  também  reporta­se  a  manifestação  do  Superior  Tribunal  de  Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.086.752­PR, de cuja ementa extrai­se:  MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO  DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA  CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE.  I  ­  Discute­se,  nos  presentes  autos,  o  direito  ao  reconhecimento  da  dedução  dos  juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da  base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano­calendário de 2002, relativo aos anos­ calendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência.  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 9          8 II ­ A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser  feita  no  mesmo  exercício­financeiro  em  que  realizado  o  lucro  da  empresa.  Ao  contrário, permite que ela ocorra em ano­calendário futuro, quando efetivamente  ocorrer a realização do pagamento.  III  ­  Tal  conduta  se  dá  em  consonância  com  o  regime  de  caixa,  em  que  haverá  permissão  da  efetivação  dos  dividendos  quando  esses  foram  de  fato  despendidos,  não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao  da apuração.  IV ­ "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o  creditamento  dos  juros  a  seus  acionistas  no  mesmo  exercício  em  que  apurado  o  lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o  exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976".  V  ­  Recurso  especial  improvido.  (Relator  Ministro  Francisco  Falcão,  DJe:  11/03/2009, julgamento em 17/02/2009)  De  outro  lado,  há  jurisprudência  administrativa  favorável  ao  entendimento  que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos:  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO ­ Os juros sobre o capital próprio devem ser  apropriados com observância do regime de competência, com obediência os limites  impostos  pelo  §  1°  do  art.  9°  da  Lei  n°  9.249/95,  considerados  para  este  fim,  os  saldos  de  lucros  acumulados  ou  do  exercício,  na  data  do  crédito  ou  pagamento.  (Acórdão  nº  195­00.023,  sessão  de  20  de  outubro  de  2008,  Relator  Conselheiro  Walter Adolfo Maresch).  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DESPESAS  COM  PAGAMENTO  A  TITULAR,  SÓCIOS  OU  ACIONISTAS.  PERÍODOS  ANTERIORES.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA. A dedução dos valores de juros pagos a título de remuneração do  capital próprio, autorizada pela Lei n° 9.249/1995, não alcança os juros pagos em  períodos anteriores, em vista do regime de competência. (Acórdão nº 1401­00.348,  sessão de 10 de novembro de 2010, Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto)  DESPESAS  OPERACIONAIS.  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DEDUTIBILIDADE  ­  A  remuneração  ou  não  do  capital  próprio  constitui  uma  faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendo­lhe lícito, ao decidir  pela  remuneração,  apropriar  a  despesa  no  momento  que  melhor  lhe  aprouver.  Contudo,  os  efeitos  fiscais  decorrentes  de  tal  decisão  são  ditados  pela  norma  tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos  critérios e limites para  fins de dedutibilidade deve ser  feita no momento em que a  despesa com os  juros  é apropriada no resultado.  INOBSERVÂNCIA DE REGIME  CONTÁBIL.  INOCORRÊNCIA  ­  Não  tratando  os  autos  de  registro  em  período  diverso ao que competia a despesa, ou de postergação do pagamento do  imposto,  descabe  apreciar  os  efeitos  preconizados  pelas  normas  regulamentares  que  disciplinam tais matérias (artigos 247 e 273 do RIR/99). (Acórdão nº 1302­00.465,  sessão de 27 de janeiro de 2011, Relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães)  REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as  demais  despesas,  somente  podem  ser  levados  ao  resultado  do  exercício  a  que  competirem. (Acórdão nº 1201­00.348, sessão de 11 de novembro de 2012, Relator  designado Conselheiro Marcelo Cuba Netto)  A  Secretaria  da  Receita  também  já  se  manifestou  contrariamente  ao  entendimento da recorrente, ao editar as seguintes Soluções de Consulta:  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 10          9 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Sob pena de infringir o regime de competência  previsto  na  legislação  própria,  é  vedado  à  pessoa  jurídica  computar  em  um  exercício  o  montante  dos  juros  sobre  capital  próprio  de  períodos  anteriores.  Dispositivos  Legais:  RIR/3.000,  de  1999,  art.  347  e  IN  SRF  nº  11/1996,  art.  29.  (Solução de Consulta SRRF/6a RF nº 63, de 24 de abril de 2001)  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DEDUTIBILIDADE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  observância  do  regime  de  competência  é  condição  para  a  dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados  sobre  as  contas do patrimônio líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei  nº  9.430,  de  1996,  art.  78;  RIR/1999,  art.  247;  IN  SRF  nº  11,  de  1996,  art.  29.  (Solução de Consulta SRRF/9a RF nº 32, de 27 de janeiro de 2010)  Os  julgados  administrativos  contrários  à  tese  defendida  pela  recorrente  fundamentam­se  em  doutrina  que  classifica  o  registro  dos  juros  sobre  capital  próprio  como  opcional,  de  modo  a  limitar  os  efeitos  da  deliberação  de  crédito/pagamento  ao  período  de  apuração no qual auferidos os lucros distribuídos.   Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli  em  Imposto  de  Renda  das  Empresas:  Interpretação  e  Prática  (36ª  ed.,  São  Paulo,  IR  Publicações,  2011,  p.  130),  que  “(...)  a  contabilização  no  período­base  correspondente  é  condição para a dedutibilidade dos  juros  sobre o  capital  próprio por  tratar­se de opção do  contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É  diferente  de  juros  calculados  sobre  o  empréstimo  de  terceiro  porque  neste,  há  despesa  incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos).  O referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros  acumulados e não de  juros sobre o capital próprio  (Op. cit., p. 131). No mesmo sentido é a  manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho  em  Imposto de Renda das Empresas  (3a ed.,  São Paulo, Atlas, 2006, p. 240­242):  A partir dos dispositivos legais e regulamentares transcritos ou referidos, é possível  inferir que a dedutibilidade de despesa relativa a juros sobre o capital próprio está  subordinada  a  critérios  quantitativos  objetivos.  A  existência  desses  critérios,  em  princípio,  não  impede  que  uma  empresa  remunere,  da  forma  como  melhor  lhe  aprouver, o capital de seus sócios ou acionistas.  De  fato,  a  remuneração do  capital  dos  sócios  ou  acionistas  é  uma  faculdade que  depende  apenas  da  decisão  formal  deles  próprios  por  intermédio  de  deliberação  tomada  em  Assembléia  de  Acionistas  ou  Reunião  de  Quotistas,  ou  em  virtude  de  cláusula  estatutária  ou  contratual  existente.  Essa  faculdade  é  garantida  por  um  feixe de normas  jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas.  Nessa  esfera  as  ações  são  governadas  pelos  princípios  da  livre  iniciativa  e  da  autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico.  Portanto, em princípio, uma sociedade pode – no presente – deliberar a respeito dos  pagamento de  juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar  como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou  a utilizá­lo ou outro momento qualquer.  Há  que  se  ter  presente,  todavia,  que  uma  coisa  é  a  possibilidade  jurídica  do  pagamento dos  juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que  deverá ser dispensado a tais juros. De fato, como visto, a dedutibilidade dos juros  sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim,  há um primeiro limite que diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 11          10 outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e  além  desses  critérios  existem  dúvidas  se  tais  encargos  têm  a  sua  dedutibilidade  subordinada ou não ao regime de competência.  O art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros  sobre  o  capital  será  aferida  de  acordo  com  o  regime  de  competência,  o  que  está  correto;  o  problema  é  saber  quando  surge  a  despesa  e  quando o  atendimento  ao  regime de competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em  que  a  despesa  se  torna  incorrida,  ou  seja,  quando  houve  a  formação  da  relação  jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica torna­se devedora dos juros.  Pois bem, o “regime de  competência” é um princípio geral  que  sofre  recortes de  várias espécies segundo a vontade da lei.  Assim,  por  exemplo,  algumas  receitas  são  tributadas  em  cash  basis  e  algumas  despesas  não  são  dedutíveis  a  despeito  de  estarem  incorridas,  e,  em  outras  situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial  de imputação temporal dos juros sobre o capital, de modo que é intuitivo que eles  devem ser registrados segundo o regime de competência.  Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram  a regra geral do art. 6º do Decreto­lei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decreto­ lei  nº.  1.598/77,  as  referidas  leis  não  revogaram  expressamente  ou  tacitamente  aquele diploma normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto  no parágrafo 1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a  lei  posterior  revoga  a  anterior  “quando  regule  inteiramente  a  matéria  de  que  tratava  a  lei  anterior”.  As  Leis  nºs.  9.249/95  e  9.430/96,  embora  tenham  trazido  diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente  a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra  do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o  qual  “a  lei  nova,  que  estabeleça  disposições  gerais  ou  especiais  a  par  das  já  existentes,  não  revoga  nem  modifica  a  lei  anterior”.  As  leis,  nesse  caso,  se  entrelaçam, não se excluem.  Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96  padece  do  vício  da  ilegalidade.  Ela  tem  fundamento  de  validade  no  art.  6º  do  Decreto­lei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95  e 9.430/96.  Se  a  dedutibilidade  dos  juros  estivesse  subordinada  unicamente  ao  regime  de  competência,  isto  é,  se  não  existissem  limites  objetivos  a  serem  observados,  a  eventual  inobservância  do  regime  de  competência  não  traria  maiores  conseqüência porque a observância – e a eventual  inobservância – desse  regime  não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade.  A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital,  no momento  em  que  eles  são  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios ou acionistas.  O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma  deliberação  nesse  sentido  e  que  não  imponha  condição  suspensiva  para  o  aperfeiçoamento do direito e da correspondente obrigação. Antes da formalização  do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm  nem  mesmo  um  direito  expectativo,  a  exemplo  do  que  ocorre  com  os  lucros  e  dividendos. Ora, se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública,  não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos  juros  sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza  jurídica? O pagamento ou  crédito  de  juros  sobre  o  capital  é  uma  faculdade  e,  como  tal,  pode  ou  não  ser  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 12          11 exercida pelos próprios sócios, razão pela qual os juros não decorrem de um direito  subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista.  Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é  aquele  em  que  ocorre  a  deliberação  de  seu  pagamento  ou  crédito  de  forma  incondicional.  Sem  essa  deliberação  a  sociedade  não  se  obriga  (não  assume  a  obrigação)  e  o  sócio  ou  acionista  nada  pode  exigir  por  absoluta  falta  de  título  jurídico  que  legitime  a  sua  pretensão.  Do  ponto  de  vista  fiscal,  é  no  momento  (período)  em  que  o  valor  dos  juros  é  imputado  ao  resultado  do  exercício  que  o  sujeito  passivo  deverá  observar  os  critérios  e  limites  existentes  segundo  o  direito  aplicável. Portanto,  é  fora de dúvida que enquanto não houver o ato  jurídico que  determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo  e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente.  O  Conselheiro  Wilson  Fernandes  Guimarães  bem  sintetiza  as  conclusões  extraídas deste texto, no voto condutor do Acórdão nº 1302­00.465:  Do referido texto, que acolho por inteiro, ressalto as seguintes conclusões:  1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera  de  decisão  da  pessoa  jurídica,  sendo­lhe  lícito,  ao  decidir  pela  remuneração,  apropriar  a  despesa  no  momento  que  melhor  lhe  aprouver,  contudo,  os  efeitos  fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência;  2. tratando­se de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das  disposições  do  art.  6º  do  Decreto­Lei  nº.  1.598/77,  a  adoção  do  regime  de  competência é obrigatória para o  registro das mutações patrimoniais, devendo as  exceções constarem de forma expressa em disposição de lei;  3.  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre  capital  próprio  não  se  subordina  única  e  exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma  tributária impõe limites objetivos;  4.  no  caso  dos  juros  sobre  o  capital  próprio,  o  regime  de  competência  surge  no  momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios  ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida;  5.  do  ponto  de  vista  estritamente  tributário,  os  juros  sobre  o  capital  próprio,  diferentemente  dos  lucros  e  dividendos,  não  gera  qualquer  expectativa  de  direito  antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um  direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista;  6.  nos  termos do art.  9º  da Lei nº.  9.249/95, a observância dos critérios e  limites  para  fins  de  dedutibilidade  deve  ser  feita  no momento  em  que  a  despesa  com  os  juros é apropriada no resultado;  7.  o  contribuinte,  ao  promover  o  cálculo  dos  juros  com  base  em  elementos  patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja,  na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores;  8. descabe, no contexto em que as disposições relativas à observância do regime de  competência  devam  ser  interpretadas,  falar­se  em  postergação  do  pagamento  do  imposto;  9.  a  Instrução  Normativa  nº.  11/96  tem  fundamento  de  validade  no  art.  6º  do  Decreto­lei nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade.  A caracterização do registro de juros sobre o capital próprio como faculdade  ou opção é aspecto que envolve, também, a definição de sua natureza. Luís Eduardo Schoueri,  em seu artigo Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 13          12 "Nova  Contabilidade"  (in  Controvérsias  Jurídico­Contábeis  (Aproximações  e  Distanciamentos), 3o volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193), aborda a criação  desta dedução em contexto que facilita a compreensão de sua natureza:  Os juros sobre o capital próprio devem ser inseridos em contexto mais amplo, tendo  em vista que acompanharam a  isenção de dividendos.  Sob  tal  perspectiva,  parece  possível  ver  nos  juros  sobre  capital  próprio  uma  criativa  solução  do  legislador  brasileiro para enfrentar a prática da subcapitalização, ou thin capitalization.  Tal  prática,  que  se  mostrou  corrente  em  países  nos  quais  a  distribuição  de  dividendos é tributada, consiste em os sócios de determinada sociedade, em vez de  aportarem  seus  investimentos  no  capital  social  da  referida  sociedade,  mantê­los  como empréstimos. Revela­se vantajosa na medida em que as despesas da sociedade  com  o  pagamento  dos  juros  decorrentes  de  tais  empréstimos  são  dedutíveis,  ao  passo que os dividendos distribuídos não.  Assim, em situações em que  tanto os  juros quanto os dividendos pagos aos  sócios  são tributados, é mais vantajoso para os sócios capitalizar suas empresas por meios  de empréstimos do que por aportes no capital social, uma vez que o pagamento de  juros, diferentemente dos dividendos, é despesa dedutível da sociedade.  Para  evitar  a  prática  da  thin  capitalization,  países  como  os  Estados  Unidos  da  América  estabeleceram  alguns  limites  para  a  capitalização  por  meio  de  empréstimos  dos  sócios.  Com  efeito,  a  legislação  desses  países  estabeleceram  diversos  métodos  para  se  constatar  se  a  subcapitalização  estaria  ocorrendo,  a  exemplo do limite máximo de empréstimos em relação ao valor do capital subscrito  e  integralizado; uma vez constatada a ocorrência da prática,  autorizado  ficaria o  Fisco a tributar os juros excessivos como dividendos.  No Brasil, com o advento da Lei n° 9.249/1995 (produzindo efeitos para o exercício  de  1996),  os  dividendos  pagos  pelas  sociedades  brasileiras  aos  seus  sócios  ou  acionistas, pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou não no País, passaram a ser  rendimentos  não  tributáveis.  Conforme  reconhecido  pela  própria  Exposição  de  Motivos do Ministério da Fazenda que acompanhou, à época, o Projeto de Lei n°  913/1995,  tratou­se  de medida  de  integração  entre  o  imposto  de  renda da  pessoa  física e o imposto de renda da pessoa jurídica, com vistas a evitar a incidência do  primeiro  sobre  recursos  já  tributados  pelo  ultimo5.  O  tema  da  integração  da  tributação das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, ocupou, nas últimas décadas,  estudos e debates nos Estados Unidos e na União Européia6.  E dizer, pretendeu­se eliminar, com tal expediente, a dupla  tributação econômica.  Conferir­se  isenção aos dividendos  recebidos pelos acionistas ou  sócios é método  tradicional para evitar­se a dupla incidência econômica do imposto, cuja adoção já  foi considerada pelo Departamento do Tesouro norte­americano em estudo sobre os  diversos "protótipos" de integração7.  Daí encontrar­se nos juros sobre capital próprio expediente criativo para se evitar a  thin capitalization. Em face da isenção dos dividendos recebidos então estabelecida,  e que passou a diferenciar o modelo brasileiro daquilo que se encontrava,  via de  regra,  no  direito  comparado,  a  solução  adotada  seguiu  caminho  inverso  à  experiência  internacional.  Enquanto  alhures  se  conferia  aos  juros  a  indedutibilidade  própria  de  dividendos,  o  Brasil  inovava,  permitindo  que  se  deduzissem  os  juros  sobre  o  capital  próprio,  equiparando­os,  portanto,  ao  tratamento tributário de juros propriamente ditos.  Os  "juros  sobre  o  capital  próprio"  têm  a  finalidade  de  permitir  ao  sócio  ou  acionista perceber um rendimento equivalente ao que receberia se buscasse outra  aplicação financeira de longo prazo.  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 14          13 Assim, consoante a disciplina do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995, a sociedade paga  uma  remuneração  a  seus  acionistas  e  reconhece  o  valor  como  uma  despesa  dedutível,  abatendo­a  de  seu  lucro  tributável8.  Ao  mesmo  tempo,  tais  valores  encontram­se sujeitos à retenção na fonte, no momento do pagamento ao acionista,  à alíquota de 15%. Desincentiva­se, pois, a capitalização das sociedades por meio  de  empréstimos,  ou  subcapitalização,  já  que  ela  não  é  necessária  para  se  conseguir a dedutibilidade dos pagamentos aos sócios. A este respeito, assinalou a  Exposição de Motivos que acompanhou o Projeto de Lei do qual derivou a Lei n°  9.249/1995:  "A permissão da dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em  especial,  deverá  provocar  um  incremento  das  aplicações  produtivas  nas  empresas  brasileiras,  capacitando­as  a  elevar  o  nível  de  investimentos,  sem  endividamento,  com  evidentes  vantagens  no  que  se  refere  à  geração  de  empregos e ao crescimento sustentado da economia."  [...] (negrejou­se)  Na seqüência, descrevendo o debate existente na doutrina acerca da natureza  jurídica  dos  juros  sobre  o  capital  próprio,  referido  autor  conclui  que  a  divergência  existente  resulta  da  tentativa  de  enquadrar  os  juros  sobre  o  capital  próprio  nas  categorias  de  Direito  Civil,  e  assume  razoável  tomá­los  como  vero  conceito  de Direito  Tributário,  sem  qualquer  amparo em categorias do Direito Privado. Daí que:  Afastando­se qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se  reconhecer  que,  na  perspectiva  do  Direito  Tributário,  corresponde  a  figura  do  artigo 9o da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital.  O  conceito  tributário  de  juros  sobre  o  capital  próprio  parte,  assim,  da  noção  econômica  de  custo  de  oportunidade,  entendida  enquanto  renúncia,  pelo  agente  econômico,  dos  benefícios  derivados  de  determinado  investimento  em  função  do  potencial de  lucro superior  vislumbrado em aplicação distinta. Em  tal  contexto, o  lucro do negócio, sob uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se  desconsiderado o lucro sobre o capital.  [...]  A natureza de remuneração do capital emprestada ao instituto constante do artigo  9o da Lei n° 9.249/1995 permite que se concretizem as exigências do princípio da  igualdade e da capacidade contributiva.  [...]  É neste ponto que se revela, a partir de uma perspectiva essencialmente tributária, a  relevância  dos  juros  sobre  o  capital  próprio.  Tal  instituto,  ao  permitir  que  as  empresas que se valem de recursos de seus próprios sócios ou acionistas tomem a  dedutibilidade  dos  valores  pagos  enquanto  remuneração  pelo  referido  capital,  restabelece  a  igualdade  destes  em  relação  a  contribuintes  que,  com  igual  capacidade econômica, façam uso de capital emprestado por terceiros.  [...]  Em síntese, por meio dos juros sobre capital próprio, assegura­se igual tratamento  tributário  à  atividade  empresarial,  afastando­se  a  diferenciação  por  conta  da  origem de seu capital (próprio ou de terceiros).  Do ponto de vista do investidor, também, se concretiza a igualdade, naquilo que se  equiparam ambas as situações. Se é verdadeira a premissa de que do lucro obtido  na atividade empresarial, uma parte corresponde à remuneração do capital e outra,  à  atividade  produtiva,  então  não  há  razão  para  a  remuneração  do  capital  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 15          14 proveniente  de  aplicações  financeiras  ter  tratamento  diferente  daquele  mesmo  capital investido na empresa. Daí a tributação exclusiva na fonte. [...]  Tais considerações,  intimamente  relacionadas com o conceito econômico de custo  de  oportunidade,  tornam  razoável,  do  ponto  de  vista  econômico  e  tributário,  a  consideração  dos  pagamentos  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  enquanto  remuneração  do  capital,  que  é  dedutível.  E  dizer,  do  ponto  de  vista  tributário,  a  situação  apresenta­se  tal  qual  como  se  o  sócio  tivesse  "emprestado''  dinheiro  à  sociedade  e  recebesse  juros  desta,  recebendo  tal  circunstância,  em  razão  do  princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de  financiamento de terceiros. (negrejou­se)  Abordando  a  questão,  expõe  Alberto  Xavier,  em  Natureza  Jurídico­ Tributária dos “Juros sobre Capital Próprio” face à Lei Interna e aos Tratados Internacionais  (in Revista Dialética de Direito Tributário, nº 21, Junho de 1997, p. 7/11), que o “juro sobre  capital  próprio”  outra  coisa  não  é  que  um  resultado  distribuível  da  companhia  sujeito  a  regime fiscal especial” e “opcional para os lucros distribuíveis que se enquadram no duplo  limite atrás referido”. E acrescenta:  Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados não excederem o duplo limite  atrás referido, a sua totalidade pode beneficiar­se da dedução fiscal, muito embora  o contribuinte possa optar por submeter apenas parte ao regime de dedutibilidade,  ficando  a  outra  parte  sujeita  ao  regime  comum.  Se  os  lucros  efetivamente  distribuídos  ou  capitalizados  excederem  o  duplo  limite,  só  poderão  beneficiar  da  dedução  fiscal  até  o  referido  limite,  ficando  no  remanescente  sujeitos  ao  regime  tributário geral.  Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercê­la ao final  do  período  de  apuração,  é  razoável  afirmar  que  a  sociedade,  por  não  segregar  o  resultado  comum  de  sua  atividade  daquele  que  seria  atribuível  à  utilização  do  capital  dos  sócios,  designou  integralmente  o  lucro  apurado  como  remuneração  deste  capital,  estipulando  dividendos  a  pagar  ou  mantendo  este  valor  em  conta  de  reservas  de  lucros  ou  lucros  acumulados  para  posterior  distribuição.  Em  conseqüência,  a  destinação  destes  lucros  aos  sócios,  no  futuro,  somente  poderá  se  dar mediante  distribuição  de  dividendos,  e  não mais  a  título de juros sobre o capital próprio.  Conclui­se,  daí,  que os  juros  sobre capital  próprio do período de  referência  devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela  Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado:   Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da  administração da companhia apresentarão à assembléia­geral ordinária, observado  o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta  sobre a destinação a ser  dada ao lucro líquido do exercício.  Como bem disse a recorrente, se a pessoa jurídica optar por não assumir esse  encargo, não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em uma despesa decorrente de uma  obrigação  inexistente  ou  cujo  provisionamento  não  se  justifica  contabilmente.  Contudo,  a  constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de  destacar  do  resultado  do  exercício  a  parcela  que  corresponderia  à  remuneração  do  capital  próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado.  Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a  opção não pode mais ser exercida.   Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 16          15 Esclareça­se, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio  de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante  de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem  considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado,  mas  apenas  que  os  juros  incorridos  no  período  de  referência  podem  ser  pagos  ainda  que  superem  o  resultado  do  exercício  correspondente,  desde  que  haja  saldo  em  conta  de  lucros  acumulados que suportem este pagamento.   Inadmissível,  assim,  a  redução dos  lucros  apurados no  ano­calendário 2005  em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto  daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital.  Pertinente observar que, neste contexto, não há que se falar em inobservância  do  regime  de  escrituração,  e  de  eventual  antecipação  de  pagamento  dos  tributos  incidentes  sobre o lucro. A tributação foi devida no passado porque a sociedade não optou por destacar  parte da base de cálculo como juros sobre capital próprio, e assim descaracterizá­la como lucro.  Como bem observou o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no voto condutor do Acórdão  nº 1302­00.465:  As disposições dos artigos 247 e 273 do RIR/99, não custa  repisar,  não guardam  relação  com  a  matéria  submetida  a  exame,  eis  que  não  estamos  diante  nem  de  valores  que  competem  a  outro  período  de  apuração  nem  de  postergação  de  pagamento de imposto.  Despicienda, assim, a análise dos efeitos decorrentes da aplicação dos dispositivos  acima mencionados.  No  que  diz  respeito  ao  pronunciamento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  cabe,  apenas, destacar a ausência de efeito vinculante.   Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO  ao recurso voluntário.      (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora    Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/2006­57  Acórdão n.º 1101­000.918  S1­C1T1  Fl. 17          16                               Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 13830.902068/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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1402­003.728  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de janeiro de 2019  Matéria  IRPJ  Recorrente  UNIDADE DE RADIOLOGIA DE ASSIS S/S LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  ,que  alega  possuir  junto  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.  Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,  conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  13830.902062/2009­73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.    (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Presidente e Relatora      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves,  Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 20 68 /2 00 9- 41 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.902068/2009­41  Acórdão n.º 1402­003.728  S1­C4T2 Fl. 3         2  Gouveia  Sampaio  e  Edeli  Pereira  Bessa.  Ausente  o  conselheiro  Paulo  Mateus  Ciccone  substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.    Relatório    Trata­se de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da  DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente.  Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido.  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  em  face  do  Despacho  Decisório  em  que  foi  apreciada  a  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP) de  fls. 01/05, por  intermédio da qual a  contribuinte  pretende  compensar  débito  de PIS  (código  de  receita  8109) e COFINS (código de receita 2172) de sua responsabilidade  com  crédito decorrente de pagamento  indevido ou  a maior  de  tributo  (IRPJ:2089).   Por  intermédio  do  despacho decisório  de  fl.  06, não  foi  reconhecido  qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte,  não­homologada  a  compensação  declarada  no PER/Dcornp  (...),  ao  fundamento de que o pagamento  informado como origem do crédito  foi  integralmente utilizado  para quitação de débitos  da  contribuinte,  "não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP".  Irresignada,  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade  de fls. 11/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/18 na qual alega,  em  síntese,  que: a)  na DIPJ ano­base  de 2004,  a  Recorrente  apurou  crédito  fiscal  suficiente a  embasar os pedidos de  compensação; b)  os  créditos  originaram  recolhimento  a  maior,  já  que  as  estimativas  recolhidas com base em balancetes de suspensão e redução do imposto  superaram o  valor  devido  do  exercício,  no montante  de  (...),  no  ano­ calendário de 2004;  c)  a utilização do  saldo  recolhido a maior para  compensação com outros tributos administrados pela RFB é legitima.  Ao final, requer a homologação da declaração de compensação  apresentada por embasar­se em crédito legitimo.  A DRJ, decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade por dois  motivos, sendo o primeiro com base na impossibilidade de se compensar crédito originado de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  estimativa  no  próprio  mês  e  o  segundo  fundamento  é  pautado na falta de documentação para comprovar a liquidez e certeza do crédito.  Inconformada,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  repetindo  as  mesmas  alegações  da  manifestação  de  inconformidade  e  acrescentou  a  alegação  de  que  o  direito a restituição deve seguir o entendimento que aplica cumulativamente o artigo 165 e o  artigo 150, parágrafo quarto do CTN (ou seja a tese dos 5 + 5).  É o relatório.  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.902068/2009­41  Acórdão n.º 1402­003.728  S1­C4T2 Fl. 4         3    Voto               Conselheira Edeli Pereira Bessa ­ Relatora  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.720,  de  24/01/2019,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  13830.902062/2009­ 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402­003.720):    ­ Recurso Voluntário:  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo,  trata  de  matéria  de  competência  desta  Corte  Administrativa  e  preenche  todos  os  demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto,  dele tomo conhecimento.   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo  II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho  de  2015.  Portanto,  o  que  for  decidido  no  presente  litígio  será  aplicado aos demais processos vinculados.   Segundo  o  r.  Despacho  Decisório  proferido  nos  autos  do  processo  em  epigrafe,  o  crédito  que  a  Recorrente  pretende  compensar não foi homologado nos seguintes termos:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Apesar de um dos fundamentos do v. acórdão para manutenção  do indeferimento do pedido de restituição e a não homologação  da  compensação  ter  sido  pautado  na  impossibilidade  de  se  compensar o valor pago a maior da estimativa no próprio mês,  contrariando  a  Súmula  CARF  84,  o  principal  motivo  utilizado  para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi  a falta de provas para comprovar a liquidez e certeza do crédito.   A Recorrente, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso  Voluntário rebatendo o primeiro fundamento do v. acórdão que  não  integra a motivação do r. Despacho Decisório e acostou o  Livro  Razão  que  demonstra  apenas  a  escrituração  das  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.902068/2009­41  Acórdão n.º 1402­003.728  S1­C4T2 Fl. 5         4  antecipações,  para  tentar  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito.   Entretanto,  apenas  o  Livro  Razão  não  é  suficiente  para  comprovar a existência e  regularidade do crédito em discussão  nos  autos,  conforme muito  bem  explicado  na  decisão  "a  quo",  que demandou a demonstração da apuração da base de cálculo e  do tributo devido.   Desta  forma,  como o  r. Despacho Decisório  não  reconheceu  o  crédito  e  não  homologou  a  compensação  por  ter  considerado  que  tal  montante  relativo  a  pagamento  a  maior  da  estimativa  teria  sido  utilizado  para  extinguir  outros  débitos  da  própria  Recorrente  e  como  não  foi  apresentado  nos  autos  documentos  contábeis  e  fiscais  para  comprovar  a  certeza  e  liquidez  do  crédito,  não  resta  alternativa  senão  manter  o  v.  acórdão,  deixando  de  reconhecer  o  crédito  e  não  homologar  a  compensação requerida.   É como voto.     Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos  §§  1º,  2º  e 3º  do  art.  47,  do Anexo  II,  do RICARF,  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário.              (assinado digitalmente)             Edeli Pereira Bessa                            Fl. 58DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.727927/2017-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder-dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É indevida a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir decadência do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória. AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE. A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescissória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados.
Numero da decisão: 3302-006.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS

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3302­006.549  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de fevereiro de 2019  Matéria  COFINS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  CIA. DE SEGUROS PREVIDÊNCIA DO SUL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017  AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA  SUSPENDER  OS  EFEITOS  DO  ACÓRDÃO  RESCINDENDO.  LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO  NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE.  Se  os  efeitos  do  acórdão  rescindendo  foram  suspensos  por  antecipação  de  tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder­ dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito  da referida ação.  CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1  DO CARF.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes,  concomitante  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do  processo  judicial.  MULTA  DE  OFÍCIO.  CRÉDITO  EM  DISCUSSÃO  EM  AÇÃO  RESCISÓRIA.  LANÇAMENTO  PARA  PREVENIR  DECADÊNCIA.  IMPOSSIBILIDADE.  É  indevida  a  aplicação  da  multa  de  ofício  no  lançamento  realizado  para  prevenir  decadência  do  crédito  tributário  em  discussão  no  âmbito  de  ação  rescisória.  AÇÃO CAUTELAR.  DEFERIDA A  SUSPENSÃO DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  EXTENSÃO  DOS  EFEITOS  PARA  AS  AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 79 27 /2 01 7- 11 Fl. 3914DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 3          2 A  medida  liminar  que  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  em  discussão  no  âmbito  de  ação  rescissória  também  alcança  a  cobrança  dos  créditos tributários já lançados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente  do  recurso  voluntário  e,  na  parte  conhecida,  em  dar  provimento  parcial  para  excluir o lançamento relativo à multa de ofício.   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).  Relatório  Transcrevo  e  adoto  como  parte  de  meu  relato  o  relatório  do  acórdão  da  DRJ/BHE nº 02­78.278, da 6ª Turma, proferido na sessão de 09 de março de 2018:  Trata­se de Auto de Infração ­ AI relativo ao período de janeiro  de  2013  a  março  de  2017  por  meio  do  qual  se  exige  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  multa  de  ofício  no  percentual  de  75%  (setenta  e  cinco  por cento) e juros de mora.  Relatório da Ação Fiscal  Por  meio  do  Relatório  da  Ação  Fiscal  de  fls.  3.620/3.628  a  Autoridade lançadora esclarece que:  Contencioso judicial relativo à Cofins  ­ A Fiscalizada é uma sociedade anônima fechada que tem como  objetivo a exploração e operação de seguros de pessoas e danos  em  todo  o  território  nacional,  podendo  participar  de  outras  sociedades como sócia ou acionista.  ­  Este  procedimento  fiscal  é  similar  ao  desenvolvido  nas  fiscalizações dos períodos de julho de 2008 a dezembro de 2011,  no qual foi lavrado o Auto de Infração nº 11080.725641/2013­77  e  janeiro  de  2012  a  dezembro  de  2012,  no  qual  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  11080.722155/2015­69,  ambos  referentes  a  Cofins.  Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 4          3 ­ A empresa impetrou mandado de segurança com o objetivo de  desobrigá­la do recolhimento da Cofins nos termos previstos na  Lei  nº  9.718,  de  27  de  novembro  de  1998  e  com  retorno  à  hipótese do parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº  70, de 30 de dezembro de 1991.  ­ Obteve decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça ­ STJ  no  sentido  de  que  a  isenção  concedida  no  parágrafo  único  do  art.  11 da Lei Complementar nº 70, de 1991, não  foi  revogada  pelo parágrafo 5º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. A decisão  transitou em julgado em primeiro de dezembro de 2008.  ­ Contudo, no ano de 2010 a Fazenda Nacional  ingressou com  uma  ação  rescisória  perante  o  STJ  com  o  objetivo  de  desconstituir a decisão judicial obtida nos autos do mandado de  segurança, tendo sido deferido o pedido de antecipação de tutela  para  suspender  os  efeitos  do  acórdão  rescindendo  até  o  julgamento da ação rescisória.  ­  A  antecipação  de  tutela  deferida,  para  fins  de  suspensão  da  eficácia  do  acórdão  rescindendo,  implica  restabelecimento  da  obrigatoriedade de o contribuinte recolher a Cofins nos  termos  dos parágrafos 5º, 6º e 7º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.  ­  A  Fiscalizada,  visando  evitar  cobranças  indevidas  em  decorrência  da  decisão  provisória  obtida  na  ação  rescisória,  interpôs medida cautelar em que houve a concessão de medida  liminar  para  suspender  a  exigibilidade  dos  créditos  tributários  em discussão.  ­ Na petição  inicial da medida cautelar  incidental consta como  pretensão da empresa tão somente a suspensão da exigibilidade  de  crédito  tributário  da  Cofins  objeto  da  Certidão  da  Dívida  Ativa  ­  CDA  nº  00.6.13.00435­80  (Processo  Administrativo  11080.004601/2003­16)  e  da  CDA  nº  00.6.13.00326­27  (Processo Administrativo 11080.011595/1999­51).  Declarações e registros contábeis da Fiscalizada  ­  Constatou­se,  no  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições Sociais ­ DACON e na Escrituração Fiscal Digital  ­  EFD Contribuições,  relativas  aos  anos  de  2013,  2014,  2015,  2016  e  primeiro  trimestre  de  2017,  que  todos  os  campos  relativos  à  Cofins  estavam  zerados,  embora  existissem  informações das bases de incidência do Programa de Integração  Social ­ PIS.  ­  Também  não  houve  declaração  em  DCTF.  Os  valores  das  bases  foram confirmados pelo contribuinte em suas respostas e  pela  Fiscalização  na  auditoria  realizada,  assim  como  na  contabilidade da empresa.  ­  Observou­se,  ainda,  que  nenhum  recolhimento  de  Cofins  foi  realizado, tampouco houve depósito judicial.  Valores apurados e multa de ofício  Fl. 3916DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 5          4 ­ Elaborou­se tabela onde estão elencados os valores das bases  de  cálculo  e  retenções  na  fonte  da  Cofins  para  os  meses  de  janeiro de 2013 a março de 2017.  ­  Sobre  os  valores  apurados  efetuou­se  o  presente  lançamento  com multa de ofício de 75%, conforme determina o inciso I, do  artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  ­ A discriminação do valor da  contribuição apurada, dos  juros  de mora e da multa,  bem como os  respectivos  enquadramentos  legais e o prazo para pagamento ou impugnação estão contidos  no Auto de Infração e anexos.  Impugnação  A  Autuada  apresentou  a  impugnação  de  fls.  3.637/3.648,  aduzindo, em síntese, que:  Suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  tributários  de  Cofins  ainda  discutidos  em  ação  rescisória.  Imposição  indevida  de  multa de ofício  ­  Trata­se  de  caso  idêntico  ao  tratado  no  Processo  Administrativo  nº  11080.725641/2013­77,  envolvendo  a  Impugnante,  em  cujo  julgamento  a  2ª  Turma  Ordinária  da  1ª  Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF decidiu pelo  afastamento  da  multa  de  ofício  justamente  em  virtude  da  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  constituído  no  bojo  do  referido  processo,  até  que  fosse  proferida  decisão  definitiva no âmbito da ação rescisória.  ­ A Autoridade Administrativa reconheceu na fundamentação do  AI  ora  impugnado que  o  cerne  desta  autuação  corresponde  ao  mesmo  assunto  tratado  nos  autos  do  processo  administrativo  supramencionado.  ­  Os  créditos  tributários  de  Cofins  encontram­se  com  a  exigibilidade  suspensa  até  a  decisão  definitiva  no  âmbito  da  ação  rescisória,  razão  pela  qual  não  merecem  prosperar  os  termos  em que  foi  lavrada  a  presente  autuação,  no  que  toca  a  aplicação da multa de ofício.  ­  A  pretensão  da  Impugnante  na  ação  cautelar  era  de  obter  o  reconhecimento  da  suspensão  de  todos  os  atos  e  efeitos  de  cobranças  futuras  até  o  julgamento  final  da  ação  rescisória  ainda em curso.  ­  No  momento  em  que  foi  concedida  a  medida  liminar  restou  determinada  a  suspensão  de  todos  os  atos  e  os  efeitos  de  cobrança,  assim  como  as  cobranças  vinculadas  aos  débitos  de  Cofins até  então constituídos  e  já  inscritos  em Dívida Ativa da  União  (Processo  Administrativo  nº  11080.004601/2003­16  e  Processo Administrativo nº 11080.011595/99­51).  ­  A  decisão  que  antecipou  a  tutela  na  ação  rescisória,  para  meramente suspender os efeitos do acórdão rescindendo, nunca  autorizou  a  cobrança  da Cofins  antes  do  julgamento  definitivo  Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 6          5 do  feito,  de  modo  que  os  créditos  desta  contribuição  sempre  estiveram  inexigíveis,  mormente  após  a  concessão  da  antecipação  de  tutela,  restando  ao  Fisco  tão  somente  a  possibilidade de exercer  seu direito de constituí­lo para  fins de  prevenção de  decadência,  sem a  imposição  de multa  de  oficio,  tal como preconizado no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996.  ­ Verifica­se, ainda, que em momento algum foi apontado no AI  o intuito da mera prevenção de decadência, extrapolando, assim,  os limites da tutela antecipatória concedida à Fazenda Nacional  na ação rescisória e, por conseguinte, afrontando a decisão que  deferiu  a  medida  liminar  na  ação  cautelar  para  reconhecer  expressamente a suspensão da exigibilidade da Cofins.  ­ O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF possui  entendimento  sumulado  no  sentido  de  que  não  cabe  imposição  da multa de ofício nos  lançamentos em que o crédito  tributário  esteja com a exigibilidade suspensa por medida liminar em ação  judicial (Súmula CARF nº 17).  Não  incidência  de  Cofins  sobre  receitas  decorrentes  das  atividades desenvolvidas pelas companhias seguradoras  ­  Conforme  decidido  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  346.084­6,  em  que  reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº  9.718,  de  1998,  a  base  de  incidência  da  Cofins  se  restringe  exclusivamente ao faturamento do contribuinte, assim entendido  a  receita  bruta  decorrente  da  venda  de  mercadorias  e  da  prestação de serviços.  ­ No que tange as receitas de prêmios de seguro consideradas no  AI, isto é, os valores recebidos pela Impugnante pelos contratos  de  seguro  que  celebra,  fundamental  ressaltar  que  uma  companhia  seguradora  não  vende  mercadorias  ou  presta  serviços, já que se limita a indenizar o resultado desfavorável de  danos causados aos beneficiários do seguro.  ­ Assim, tendo em vista que a Impugnante não se inclui (i) entre  as  empresas  vendedoras  de  mercadorias;  (ii)  entre  as  prestadoras  de  serviços;  e  (iii)  entre  as  empresas  mistas  vendedoras  de  mercadorias  e  prestadoras  de  serviços,  não  há  dúvidas de que ela não pode ser classificada como contribuinte  da  Cofins,  razão  pela  qual  se  impõe  o  afastamento  da  integralidade do presente crédito tributário.  ­  Não merecem  prosperar,  igualmente,  quaisquer  alegações  de  que  o  faturamento  corresponde  à  receita  bruta  oriunda  não  apenas da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas  a  soma  das  receitas  decorrentes  do  exercício  das  atividades  empresariais.  ­  Tal  entendimento  somente  poderia  ser  admitido  a  partir  de  janeiro de 2015, quando começou a vigorar a Lei nº 12.973, de  13 de maio de 2014, que determinou que o faturamento a que se  refere o art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, passasse a compreender  Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 7          6 a  receita  bruta  de  que  trata  a  nova  redação  do  artigo  12  do  Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977.  ­  As  receitas  financeiras  auferidas  pela  Impugnante  evidentemente  não  decorrem  de  atividade  típica  do  ramo  securitário, bem como qualquer outra receita patrimonial, sendo  certo  que  o  CARF  já  afastou  a  incidência  da  Cofins  sobre  as  receitas financeiras de seguradoras.  ­ As receitas financeiras e patrimoniais estão fora do campo de  incidência  da  Cofins,  ainda  que  se  admita  que  o  conceito  de  faturamento  corresponde  à  receita  bruta  oriunda  do  exercício  das atividades empresariais do contribuinte, já que tais receitas  “não  se  qualificam  como  oriundas  do  exercício  das  atividades  típicas do ramo securitário”.  Pedidos  ­ Pleiteia a Interessada, ao fim, que seja acolhida a impugnação  para  desconstituir  integralmente  o  presente  AI,  já  que  lavrado  em desconformidade com a decisão proferida na ação cautelar e  com os ditames do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, bem como  em  razão  de que  as  receitas  auferidas  pela  Impugnante  não  se  coadunam com o conceito de faturamento para fins de incidência  da Cofins,  na  forma da  redação originária da Lei nº 9.718, de  1998 e conforme entendimento do STF.  ­  Na  hipótese  de  não  acolhimento  do  pleito  anterior,  requer  a  exclusão da multa de ofício, bem como o sobrestamento do feito  até  o  trânsito  em  julgado  da  ação  rescisória,  haja  vista  a  conexão  da  exigibilidade  dos  créditos  constituídos  com  o  resultado definitivo de tal ação.  A  decisão  da  DRJ  julgou  improcedente  a  impugnação  da  recorrente,  por  unanimidade de votos, sendo seus fundamentos resumidos na seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017  REGIME CUMULATIVO. RECEITA BRUTA. ABRANGÊNCIA.  A  jurisprudência do STF e do STJ  se  consolidou no  sentido de  que  o  conceito  de  receita  bruta,  para  fins  de  incidência  da  Cofins, não abarca apenas as receitas decorrentes da venda de  mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais.  Após  a  vigência da Lei nº 12.973, de 2014, a receita bruta compreende o  produto  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria,  o  preço  da  prestação  de  serviços  em  geral,  o  resultado  auferido  nas operações de conta alheia e as outras receitas da atividade  ou objeto principal da pessoa jurídica.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017  Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 8          7 LANÇAMENTO.  INEXISTÊNCIA  DE  MEDIDA  JUDICIAL  SUSPENDENDO  A  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO.  MULTA  DE OFÍCIO. CABIMENTO.  Na  constituição  de  crédito  tributário  cuja  exigibilidade  não  esteja  suspensa  por  medida  judicial  caberá  lançamento  com  aplicação de multa de ofício.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Devidamente  intimada  da  decisão  acima,  a  recorrente  interpôs  o  presente  recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na impugnação.  Passo  seguinte o processo  foi  enviado ao E. CARF para  julgamento,  sendo  distribuído para a relatoria desse Conselheiro  É o relatório.  Voto              Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator:  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  trata  de  matéria  de  competência  dessa  Turma, merecendo analisado.  I  ­  Concomitância  ­  Identidade  de  objeto  de  matéria  discutida  em  ação  judicial e defesa administrativa  A  recorrente  no mandado  de  segurança  nº  1999.71.00.012670­6,  pleiteou  e  obteve  provimento  judicial  no  sentido  de  ser  desobrigada  do  recolhimento  da  COFINS  nos  termos  trazidos  pela Lei  nº  9.718/19,  requerendo  a  retomada da  sistemática de  recolhimento  prevista na Lei Complementar 70/91.  Em  seu  recurso  voluntário  a  recorrente  discute  novamente  a  matéria  já  debatida na ação judicial, o que não é possível, pois, uma vez levado ao judiciário a discussão,  seja  ela  anterior,  concomitante  ou  posterior  ao  procedimento  administrativo,  abre  mão  o  contribuinte do contencioso administrativo.  Tal fato é tratado em Súmula editada pelo E. CARF, vejamos:  Súmula CARF nº 1  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 9          8 Destarte,  não  se  toma  conhecimento  dessa  parte  do  recurso  impetrado  pela  recorrente.  II ­ Mérito  A matéria colocada para análise e decisão no presente processo já foi objeto  de  decisão  proferida  pela  2ª  Turma Ordinária  da  1ª Câmara  da  3ª  Seção  de  julgamento,  em  sessão  realizada  em  17  de  setembro  de  2014,  acórdão  nº  3102­002.283,  de  lavra  do  I.  Conselheiro José Fernandez do Nascimento.  A  diferença  da  presente  demanda  consiste,  exclusivamente,  no  período  de  apuração, 01/07/2008 a 31/12/2011, no processo acima mencionado e, no nesse 01/01/2013 a  31/03/2017.  Desta  forma, uma vez  tratar de matéria  idêntica e por comungar do mesmo  entendimento, peço vênia para adotar como minhas as razões de decidir esposadas no acórdão  3102­002.283, colacionada abaixo:  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  trata  de  matéria  da  competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  A controvérsia cinge­se a duas questões: a) extinção do crédito  tributário lançado, nos termos do art. 156, X, do CTN, em face  da  decisão  transitada  em  julgado,  proferida  no  âmbito  do  Mandado  de  Segurança  n°  1999.71.00.0126706  (REsp  n°  336.280/RS);  e  b)  impossibilidade  de  aplicação  da  multa  de  ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996,  em  face  da  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada  pela decisão  judicial  proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS,  promovida pela recorrente.  Da extinção do crédito tributário lançado.  A recorrente alegou a improcedência da autuação, com base no  argumento de que, por força do disposto no art. 156, X, do CTN,  o  crédito  tributário  lançado  fora  extinto  pela  referida  decisão  judicial, com trânsito em julgado em 1/12/2008, que não poderia  ser restabecidos com fundamento em mera decisão antecipatória  de tutela concedida na Ação Rescisória nº 4.596/RS.  A  alegação  da  recorrente  não  procede,  haja  vista  que,  com  a  finalidade de desconstituir a citada decisão judicial favorável a  autuada,  por  meio  da  Ação  Rescisória  nº  4.596/RS,  ajuizada  perante  o  STJ,  a  União  Federal/Fazenda  Nacional  obteve  o  deferimento do pedido de antecipação de tutela, para suspender  os  efeitos  do  acórdão  rescindendo  até  o  julgamento  da  ação  rescisória.  Dessa  forma,  se  o  efeitos  do  acórdão  rescindendo  foram  suspensos pela citada medida de antecipação de tutela, por força  do disposto no art. 142 do CTN, e sob pena de responsabilidade  funcional, a autoridade  fiscal deveria exercer o poder­dever de  proceder o lançamento do crédito tributário.  Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 10          9 Aliás,  nesse  sentido,  a  autoridade  fiscal  lançadora,  expressamente,  consignou  o  Relatório  de  Ação  Fiscal  (fls.  ...),  integrante  do  questionado  Auto  de  Infração,  que  lançamento  visava  “resguardar  os  interesses  da  Fazenda  Nacional  com  relação aos fatos escritos, não impedindo a realização de novas  fiscalizações  dentro  do  prazo  decadencial”.  Logo,  a  autuação  em questão foi realizada em consonância com o que determina o  referido preceito legal, não havendo qualquer mácula que possa  conspurcar a sua legitimidade.  No que tange à alegação da recorrente de que houve afronta ao  princípio da  segurança  jurídica,  uma vez que se  tratava de um  direito  advindo  de  pronunciamento  jurisdicional  já  transitado  em julgado, a meu ver,  trata­se de questão que não cabe a este  Colegiado se manifestar a respeito, posto que se trata de matéria  relativa aos efeitos da coisa julgada, ponto que, certamente, será  dirimido  no  âmbito  do  julgamento  da  referida Ação Recissória  (sic),  não  tendo  qualquer  efeito  prático  ou  jurídico  o  pronunciamento  deste  Colegiado  sobre  a  questão,  ante  prepoderância  da  decisão  proferida  na  esfera  do  Poder  Judiciário.  Por  essas  razões,  rejeita­se  a  alegação  de  improcedência  do  lançamento do crédito tributário objeto da autuação em questão.  Da  impossibilidade  de  aplicação  da  multa  de  ofício  e  da  suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado.  A recorrente alegou a impossibilidade de aplicação da multa de  ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996,  em  face  da  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada  pela decisão judicial proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS.  Assiste razão à recorrente.  Com  efeito,  de  acordo  com  extrato  de  fls.  4713/4715,  em  20/3/2013,  a  autuada  ingressou  com  a  Medida  Cautelar  nº  20.749, perante o STJ, tendo sido deferida a medida liminar, em  11/4/2013,  para  fim  de  suspender  “a  exigibilidade  do  crédito  tributário  em  discussão  até  ulterior  deliberação  desta  Corte”.  Em  15/4/2013,  a  referida  decisão  foi  publicada  no  Diário  de  Justiça.  No corpo da referida decisão (fls. ......), há autorização expressa  para  a  autoridade  fiscal  realizar  o  lançamento  do  crédito  tributário  em questão, nos  termos do art.  142 do CTN e 63 da  Lei 9.430/1996, com vista a prevenir a decadência, enquanto não  sobrevier  o  trânsito  em  julgado  da  sentença,  conforme  explicitado no excerto a seguir reproduzido:  É  certo  que,  com  a  suspensão  dos  efeitos  do  acórdão  rescindendo,  cabe  à  autoridade  administrativa  proceder  ao  lançamento,  nos  termos  dos  arts.  142  do  CTN  e  63  da  Lei  9.430/99.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  assentou  que  a  Fl. 3922DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 11          10 suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  por  ordem  judicial  não  determina  a  impossibilidade  de  a  Fazenda  Pública  proceder  ao  lançamento  tributário,  de  modo  a  prevenir  a  decadência, enquanto não sobrevier, naturalmente, o trânsito em  julgado da sentença. (grifos não originais)  De acordo com subitem 3.1 do referido Relatório de Ação Fiscal  (fls.  .....),  verifica­se  que  a  autuação  em  questão  foi  realizada  com respaldo na decisão de antecipação tutela deferida em favor  da Fazenda Nacional, no âmbito da citada Ação Rescisória, que  suspendeu os efeitos do acórdão rescindendo, proferido pelo STJ  no  julgamento  do  REsp  n°  336.280/RS.  Da  leitura  da  referida  decisão  (fls.  3226/3228),  verifica­se  que  não  havia  qualquer  determinação acerca da suspensão da exigibilidade de eventual  crédito tributário lançado.  Entretanto,  no  dispositivo  da  decisão  proferida  no  âmbito  da  referida  Medida  Cautelar  nº  20.749  foi  esclarecido  que  o  lançamento era para prevenir a decadência. Dessa forma, ainda  que  o  procedimento  fiscal  tenha  se  iniciado  antes  da  referida  decisão  liminar,  dada  a  sua  natureza  interpretativa,  inequivocamente, ela deve retroagir, inclusive, para alcançar os  lançamentos anteriormente realizados.  Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 63 da Lei  9.430/1996,  deve  ser  afasta  a  exigência  da  multa  de  ofício  aplicada.  Pela  mesma  razão,  impõe­se  a  necessidade  de  suspensão  da  exigibilidade do crédito tributário, até porque consta da referida  decisão  expressa  menção  neste  sentido,  conforme  se  infere  do  teor do trecho que segue reproduzido:  De outra parte, todavia, enquanto não julgada definitivamente  a  ação  rescisória,  impõe­se  assegurar  ao  contribuinte,  igualmente,  o  direito  de  não  se  submeter,  desde  logo,  à  míngua de urgência, às exigências tributárias decorrentes da  possível rescisão do acórdão.  Com efeito,  se por um  lado há urgência  em conferir  à Fazenda  Nacional  o  direito  de  não  pagar  imediatamente  o  que  fora  reconhecido  ao  contribuinte  no  acórdão  rescindendo,  por  outro  não  se  pode  olvidar  que  a  coisa  julgada  ainda  não  foi  desconstituída.  Tão  somente  seus  efeitos  foram  suspensos,  por força da decisão que proferi nos autos da AR 4.596/RS.  (grifos não originais)  Com base no exposto, em consonância com disposto no art. 151,  V, do CTN, e no que determina o art. 63 da Lei 9.430/1996, deve  ser  afastada  a  multa  de  ofício  aplicada  e  suspensão  da  exigibilidade do  crédito  objeto  do  auto  de  infração em apreço,  até  que  seja  proferida  a  decisão  definitiva  no  âmbito  da  Ação  Rescisória nº 4.596/RS.  Da conclusão.  Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 12          11 Por  todo  o  exposto,  vota­se  pelo  PROVIMENTO  PARCIAL  do  recurso,  para  afastar  a  aplicação  da  multa  de  ofício  e  determinar  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  lançado, até que seja proferida a decisão definitiva no âmbito da  Ação Rescisória nº 4.596/RS.  Ressalta­se que em pesquisa realizada no site do STJ, os processos judiciais  acima  mencionados  continuam  em  andamento,  não  havendo  decisão  definitiva  em  nenhum  deles,  sendo  certo  que  a  decisão  obtida  pela  recorrente  na  ação  cautelar  que  suspende  a  exigibilidade dos créditos tributários continua vigente, observe­se:    Fl. 3924DF CARF MF Processo nº 11080.727927/2017­11  Acórdão n.º 3302­006.549  S3­C3T2  Fl. 13          12   III ­ Conclusão  Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e,  na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o  lançamento relativo à multa de  ofício..  É como voto.  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator.                              Fl. 3925DF CARF MF

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7680335 #
Numero do processo: 11080.905945/2008-59
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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apuração  da  liquidez  e  certeza  do  crédito pleiteado, faz­se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo  contribuinte.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.  Em  sede  de  restituição/compensação  compete  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  do  fato  constitutivo  do  seu  direito,  cabendo  a  este  demonstrar,  mediante  adequada  instrução  probatória  dos  autos,  os  fatos  eventualmente  favoráveis às suas pretensões.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antonio  Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 59 45 /2 00 8- 59 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.905945/2008­59  Acórdão n.º 3003­000.173  S3­C0T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  gerada  pelo  programa PER/DCOMP nº 41909.84207.311005.1.7.04­6022, cujo crédito seria decorrente de  pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente ao período de apuração de fevereiro de  2004  (data  da  arrecadação  15/03/2004),  no  valor  original  na  data  de  transmissão  de  R$  14.019,12.  Após processada,  foi  exarado o Despacho Decisório  (e­fls. 02),  emitido  em  18/07/2008,  no  qual  consta  que  o  pagamento  descrito  no  PER/DCOMP  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito,  a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.   Intimado, o  contribuinte apresentou Manifestação de  Inconformidade  aonde  alega, em síntese,  ter feito a retificação da DCTF conforme as informações do PER/DCOMP  em 15/08/2008.  A Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Porto  Alegre  (RS)  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  nos  termos  do Acórdão  nº  10­ 039.830. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o recolhimento já estaria vinculado a  um débito declarado em DCTF e a falta de comprovação do direito creditório pleiteado.  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  através  de  Recurso  Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as  razões apresentadas por ocasião da  manifestação  de  inconformidade,  sustentando  que  a  apuração  mensal  do  tributo  estaria  de  acordo com a DIPJ .  É o Relatório.  Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11080.905945/2008­59  Acórdão n.º 3003­000.173  S3­C0T3  Fl. 4          3   Voto             Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator.  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive  quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma­se conhecimento.  A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a  maior da Cofins, do período de apuração de fevereiro de 2004, conforme declarado na DCTF  retificadora do 1° Trimestre de 2004, apresentada em 15/08/2008 e refletido na correspondente  DIPJ.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  já  declarados. Diante da  inexistência do crédito,  a compensação declarada não  foi homologada.  Da mesma forma fundamentou­se a decisão de primeira instância, ressaltando que a retificação  da DCTF se deu posteriormente à apresentação da DCOMP.  Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido  ou  a maior  pleiteado  em  restituição  ou  utilizado  em  declaração  de  compensação  é  realizada  considerando o  saldo disponível do pagamento nos  sistemas de  cobrança, não se verificando  efetivamente  o  mérito  da  questão,  o  que  será  viável  somente  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal.  De  fato  não  existe  norma  procedimental  condicionando  a  apresentação  de  PER/DCOMP  à  prévia  retificação  de  DCTF,  embora  seja  este  um  procedimento  lógico.  O  próprio comando inserto no art. 9º da  IN RFB nº 1.110/2010, abaixo reproduzido, ao mesmo  tempo que afirma que a  retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a  redução  de  débito  que  tenha  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização,  abre  a  possibilidade  para  uma  eventual  retificação  de  ofício  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.  Art.  9  º  A  alteração das  informações  prestadas  em DCTF,  nas  hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação  de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas  normas estabelecidas para a declaração retificada..   § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração  nos créditos vinculados.   §  2  º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto:  I ­ reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições:  Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11080.905945/2008­59  Acórdão n.º 3003­000.173  S3­C0T3  Fl. 5          4 (...)  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização.   § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte  em  redução  do  montante  do  débito  já  enviado  à  PGFN  para  inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame  em  procedimento  de  fiscalização,  somente  poderá  ser  efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento  da  declaração.(grifei)  Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto  não  exclui  o  direito  da  recorrente  à  repetição  do  indébito.  Caso  o  indébito  exista  tem  o  contribuinte  direito  à  sua  repetição,  nos  termos  do  art.  165  do  CTN  ou  de  pleitear  a  compensação dos créditos tributários.  No entanto,  em sede de  restituição/compensação  compete ao  contribuinte o  ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código  de  Processo  Civil,  artigo  373,  inciso  I.  Ou  seja,  é  o  contribuinte  que  toma  a  iniciativa  de  viabilizar  seu  direito  à  compensação, mediante  a  apresentação  da  PERDCOMP,  de  tal  sorte  que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a  ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito.  Apesar  da  recorrente  ter  providenciado  a  retificação  extemporânea  da  respectiva DCTF, recebida em 15/08/2008, os documentos apresentados são insuficientes para  se apurar o valor correto da Cofins referente ao período de apuração em discussão e confirmar  as  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  e  o  conseqüente  direito  creditório advindo do pagamento a maior.  O Recorrente não  trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações  sob  sua  responsabilidade  que  pudesse  comprovar  a  origem  do  seu  crédito,  tais  como  a  escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tão­somente, a argumentar que houve um erro de fato  no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento  do crédito.  Para  que  se  possa  superar  a  questão  de  eventual  erro  de  fato  e  analisar  efetivamente  o  mérito  da  questão,  deveriam  estar  presentes  nos  autos  os  elementos  comprobatórios  que  pudéssemos  considerar  no mínimo  como  indícios  de  prova  dos  créditos  alegados, o que não se verifica no caso em tela.  Assim,  nos  termos  do  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional,  falta  ao  crédito  indicado  pelo  contribuinte  certeza  e  liquidez,  que  são  indispensáveis  para  a  compensação pleiteada.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário, mantendo a não homologação das compensações.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges  Fl. 83DF CARF MF

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7689116 #
Numero do processo: 16024.000188/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontram-se fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao ano-calendário de 2001. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
Numero da decisão: 2401-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário apurado referente ao ano-calendário 2001. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontram-se fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao ano-calendário de 2001. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário apurado referente ao ano-calendário 2001. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.

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2401­006.091  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de março de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  REINALDO FRANCISCO ABBATE VALENZANO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003  DECADÊNCIA.  FATO GERADOR DO  IMPOSTO DE RENDA PESSOA  FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS  Súmula CARF nº  38: O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a Renda da Pessoa  Física,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano­ calendário.  A  contagem  do  prazo  decadencial  deve  ser  aferida  com  base  no  art.  173,  inciso  I  do  CTN,  tendo  em  vista  que  não  se  verificou  a  antecipação  de  pagamento  do  imposto.  Encontram­se  fulminados  pela  decadência  os  fatos  geradores referentes ao ano­calendário de 2001.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA  O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art.  42  da  Lei  nº  9.430/96.  Não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  procedimento  fiscal  por  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  o  contribuinte  foi  devidamente  intimado  pela  fiscalização,  mediante  expedição  de  Termo  de  Intimação  Fiscal  e  Termo  de  Reintimação  Fiscal,  deixando  de  comprovar,  dentro do prazo  estabelecido pela pelo  agente  fiscal,  a origem dos  recursos  creditados em conta bancária junto a instituição financeira.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITO  BANCÁRIO  DE  ORIGEM  NÃO COMPROVADA  É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei,  posto  que  o  depósito  bancário  é  considerado  uma  omissão  de  receita  ou  rendimento quando sua origem não  for devidamente comprovada, conforme  previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.  ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 88 /2 00 7- 32 Fl. 243DF CARF MF     2 Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº  9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos,  mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos  creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem  e os depósitos creditados  TAXA DE JUROS SELIC  Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito  desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar  e  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  declarar  a  decadência  do  crédito  tributário apurado referente ao ano­calendário 2001.    (Assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente.    (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana  Arrais  Egypto  e  Miriam  Denise  Xavier  (Presidente).  Ausentes  as  Conselheiras  Luciana  Matos  Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma  da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II  ­ SP (DRJ/SPOII)  que  julgou,  por  unanimidade  de  votos,  procedente  o  lançamento,  mantendo  o  Crédito  Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 17­30.467 (fls. 189/202):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003  PRELIMINAR.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16024.000188/2007­32  Acórdão n.º 2401­006.091  S2­C4T1  Fl. 3          3 Pelos  elementos  constantes  dos  autos,  fica  sem  fundamento  a  alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que  o  interessado,  tanto  na  fase  de  autuação,  quanto  na  fase  impugnatória,  teve  oportunidade  de  carrear  aos  autos  documentos, informações, esclarecimentos, no sentido de elidir a  tributação  contestada.  Documentos  apreendidos  pela  Polícia  Federal ainda permanecem acessíveis para pedido de cópias. A  omissão  do  interessado  quanto  a  essa  providência  não  pode  beneficiá­lo  com  a  caracterização  do  cerceamento  de  defesa.  Preliminar rejeitada.  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  A existência de pagamento antecipado, decorrente de apuração  do  imposto,  é  requisito  essencial  para  a  caracterização  do  lançamento por homologação. Na sua ausência, aplica­se o art.  173,  I,  do  CTN  e  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos  contados  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetua.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  autoriza  o  lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da  conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados  em sua conta de depósito ou de investimento.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  FATO GERADOR.  Os  rendimentos  presumidamente  omitidos  com  base  no  artigo  42, da Lei 9.430/96, estão sujeitos ao ajuste anual e, por isso, o  fato  gerador  é  anual  e  ocorre  no  dia  3l  de  dezembro  do  correspondente  ano.  Trata­se  de  rendimentos  cuja  origem  é  desconhecida  e,  dessa  forma,  não  podem  ser  considerados  de  tributação exclusiva ou definitiva, únicas hipóteses, no  caso do  IRPF, de ocorrência de fato gerador mensal.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  DESCONSIDERAÇÃO  DE  VALORES INFERIORES AO LIMITE LEGAL.  A  legislação  prevê  a  exclusão  de  valores  inferiores  a  R$  12.000,00 desde que o somatório seja inferior a R$ 80.000,00 no  ano­calendário, o que não se aplica ao presente caso.  METODOLOGIA  DE  APURAÇÃO  DE  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL.  O  lançamento  com  base  em  acréscimo  patrimonial  tem  fundamento legal na Lei n.° 7.713/88 e sistemática de apuração  própria,  distinta  da  que  se  aplica  à  omissão  de  rendimentos  caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada,  origem do presente auto de infração.  Fl. 245DF CARF MF     4 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS  DE  TRABALHO  COM  VINCULO  EMPREGATÍCIO  RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.  Considera  se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  interessado,  consolidando­se  administrativamente o crédito tributário a ela correspondente.  Lançamento Procedente.  O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 147/152), lavrado contra o  Contribuinte  em  30/08/2007,  relativo  aos  anos­calendário  2001,  2002  e  2003,  decorrente  de  Omissão  de  Rendimentos  do  Trabalho  com  Vínculo  Empregatício  Recebidos  de  Pessoa  Jurídica  e  Omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no qual é exigido R$ 151.794,67 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 113.846  de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 109.406,63 de Juros de Mora, calculados até  31/07/2007, ficando o Crédito Tributário no valor total de R$ 375.047,30.  De  acordo  com  a  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramentos  Legais  (fls.  148/151), temos que:  1.  O Contribuinte  não  declarou  os  rendimentos  de  trabalho  assalariado  recebidos de H & S Trading Importadora e Exportadora Ltda., no ano  de 2003, no valor de R$ 6.184,05 com Imposto Retido na Fonte de R$  321,04;  2.  O  Contribuinte  não  comprovou  a  origem  dos  rendimentos  que  serviram de base para os depósitos / créditos efetuados em suas contas  corrente  e  de  poupança,  mantidas  junto  aos  bancos  Bradesco  e  Citibank, nos anos­calendário 2001, 2002 e 2003.  O  Contribuinte  foi  cientificado  do  Auto  de  Infração,  pessoalmente,  em  30/08/2007 (fl. 147) e, em 27/09/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 170/181.  O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do  Acórdão nº 17­30467, em 11/03/2009 a 10ª Turma resolveu, por maioria de votos, rejeitar as  preliminares  arguidas  e  julgar  procedente  o  lançamento,  mantendo  o  Crédito  Tributário  exigido.  O  Contribuinte  tomou  ciência  do Acórdão  da  DRJ/SPOII,  via  Correio,  em  14/04/2009  (AR  ­  fl.  206)  e,  inconformado  com  a  decisão  prolatada,  em  13/05/2009,  tempestivamente,  apresentou  seu  RECURSO  VOLUNTÁRIO  de  fls.  215/242,  por  meio  do  qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta sobre:  1.  A nulidade da Autuação Fiscal por falta de provas da efetiva omissão de  rendimentos (Item II.1 ­ 219/221);  2.  A  Decadência  do  Crédito  tributário  decorrente  de  fatos  geradores  ocorridos em 2001, uma vez que, no caso em tela, o tributo está sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  e  por  essa  razão  têm  seu  prazo  decadencial  contado  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  conforme  preconiza o Art. 150, § 4º, do CTN (Item II.2 ­ fls. 221/224);  3.  A  omissão  de  supostos  rendimentos  baseando­se  unicamente  na  existência de depósitos bancários (Item II.3 ­ fls. 224/227);  Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16024.000188/2007­32  Acórdão n.º 2401­006.091  S2­C4T1  Fl. 4          5 4.  A  inaplicabilidade  da  Taxa  Selic  como  indexador  dos  juros moratórios  (Item II.4 ­ fls. 227/233).  Finaliza  seu  RV  requerendo  seu  conhecimento  e  o  acolhimento  das  preliminares levantadas a fim de cancelar a exigência fiscal ou, caso assim não se entenda, seja  dado provimento para reformar o Acórdão recorrido afastando definitivamente o lançamento.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora    Juízo de admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal  e  atende  aos  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.    Decadência  Aduz  o  Recorrente  que  o  crédito  tributário  apurado  relativo  aos  fatos  geradores  ocorridos  em  2001  estariam  fulminados  pela  decadência,  tendo  em  vista  que  o  contribuinte  foi  cientificado  do  Auto  de  Infração  em  30/08/2007,  conforme  a  contagem  do  prazo decadencial quinquenal na forma do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.  Como é cediço, o  fato gerador do  imposto  sobre a  renda da pessoa física é  anual,  considerando­se  ocorrido  em  31  de  dezembro  do  ano­calendário  do  recebimento  dos  rendimentos.  Nesse  contexto,  à  luz  do  disposto  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  os  rendimentos dos depósitos bancários encontram­se sujeitos à aplicação da tabela progressiva,  que conduz ao ajuste anual.  Dessa  forma,  após  longo  debate  no  contencioso  administrativo  acerca  da  matéria este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) consolidou o entendimento  através da Súmula nº 38, conforme o teor abaixo reproduzido:  Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda  da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a  partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre  no dia 31 de dezembro do ano­calendário.  Fl. 247DF CARF MF     6 Dessa  forma,  para  fins  de  contagem  do  prazo  decadencial  nos  tributos  lançados por homologação, aplica­se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, salvo na hipótese da  inexistência  de  pagamento  parcial  ou  da  comprovação  de  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação na conduta do sujeito passivo, situação que atrai a regra prevista no CTN, art. 173, I,  contando­se o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  No presente caso, conforme Declaração de Ajuste Anual (fls. 153), houve o  recebimento  de  rendimentos  tributáveis  com  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  o  que  atrai  a  regra do CTN, art. 150, § 4º, nos termos da Súmula CARF nº 123:  Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos  a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  artigo  150,  §4º,  do  Código  Tributário Nacional.  Assim,  como  o Auto  de  Infração  é  relativo  aos  anos  calendário  de  2001  a  2003, ocorrendo o fato gerador no dia 31 de dezembro do ano­calendário, e dado que a ciência  do lançamento ao sujeito passivo foi perfectibilizada em 30/08/2007, encontram­se fulminados  pela decadência os fatos geradores relativos ao ano­calendário de 2001.    Nulidades do lançamento  O contribuinte  alega  a  nulidade  do  lançamento  e  para  tanto  assevera  que  a  Fiscalização procedeu ao lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física ­ IRPF sem fazer  prova da efetiva omissão de rendimentos.  Destarte,  o  auto  de  infração  foi  devidamente  motivado  e  formalizado  com  base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que estabelece a caracterização de omissão de receita  ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto  a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados nessas operações.  Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do  direito de defesa quando o contribuinte  foi devidamente  intimado pela  fiscalização, mediante  expedição  de  Termo  de  Intimação  Fiscal  e  Termo  de  Reintimação  Fiscal,  deixando  de  comprovar,  dentro  do  prazo  estabelecido  pela  pelo  agente  autuante,  a  origem  dos  recursos  creditados em conta bancária junto a instituição financeira.  Dessa forma, indefiro a preliminar suscitada.    Omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada  A despeito da matéria, o  legislador federal estabeleceu a presunção legal de  omissão de  receita  caracterizada  em virtude da  existência de depósitos bancários  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprove  a  sua  origem,  mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  senão  vejamos  o  que  determina  a  Lei  nº  9.430/96:  Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16024.000188/2007­32  Acórdão n.º 2401­006.091  S2­C4T1  Fl. 5          7 Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I ­ Os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  Com  efeito,  referida  regra  presume  a  existência  de  rendimento  tributável,  invertendo­se,  por conseguinte,  o ônus da prova  para que o  contribuinte  comprove  a origem  dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida.  Trata­se,  assim,  de  presunção  relativa  que  admite  prova  em  contrário,  cabendo  ao  sujeito  passivo  trazer  os  elementos  probatórios  inequívocos  que  permita  a  identificação  da  origem  dos  recursos,  a  fim  de  ilidir  a  presunção  de  que  se  trata  de  renda  omitida. Nesse caso, não há necessidade do Fisco  comprovar o  consumo da  renda  relativa  à  referida  presunção,  conforme  entendimento  já  pacificado  no  âmbito  do  CARF,  através  do  enunciado da Súmula nº 26:  Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Com  efeito,  referida  regra  presume  a  existência  de  rendimento  tributável,  invertendo­se,  por conseguinte,  o ônus da prova  para que o  contribuinte  comprove  a origem  dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida.  Como se vê, para a caracterização da omissão necessário se faz a intimação  do sujeito passivo objetivando a comprovação da origem dos depósitos.   Dessa  forma,  é  perfeitamente  cabível  a  tributação  com  base  na  presunção  definida  em  lei,  posto  que  o  depósito  bancário  é  considerado  uma  omissão  de  receita  ou  rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42  da Lei n° 9.430, de 1996.    Fl. 249DF CARF MF     8 Da Comprovação da origem dos valores depositados  O contribuinte  traz  alegações  gerais  quanto  à  legitimidade da  presunção  da  existência de rendimento tributável quando não comprovada a origem dos depósitos.  Assevera que o valor de R$ 1.006,50, depositado em 23.10.2001, na conta do  Bradesco advém de resgate de título de capitalização.  Afirma  que  os  valores  de  R$  1.000,00  (depositado  em  30/09/2002),  R$  271,00  (depositado  em  22/04/2002),  R$  270,00  (depositado  em  08/05/2002),  R$  8.400,00  (depositado  em  10/09/2003)  e  R$  1.960,00  (depositado  em  17/11/2003),  decorrem  de  contratação de empréstimos pessoais com o Citibank. Conforme divulgado no próprio site do  Citibank, o “Citiplan” e o “Citicrédito".  Com  efeito,  as  alegações  apresentadas  pelo  contribuinte  são  vagas,  e  sem  comprovação  efetiva,  através  de  prova  documental,  de  que  alguns  depósitos  se  tratam  de  empréstimos e outro decorrente de resgate de título de capitalização. Não há na peça recursal,  um  esforço  do  contribuinte  objetivando  fazer  a  correlação  entre  os  valores  depositados  e  os  fatos  alegados,  sem,  no  entanto,  apresentar  argumentos  convincentes  para  combater  a  caracterização da omissão apontada.  Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº  9.430/96),  cabe  ao  contribuinte  refutar  a  alegação  de  omissão  de  rendimentos,  mediante  documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas,  fazendo  a  correlação  do  fato  alegado  como  origem  e  os  depósitos  creditados,  de  maneira  individualizada. O Recorrente, não logrou refutar a presunção apontada.  Embora as informações, palavras, códigos, contidos nos extratos sirvam para  indicar uma provável existência de determinada movimentação financeira, não se prestam, de  forma isolada, para comprovar a origem dos depósitos bancários por falta de demonstração e  correlação como prova válida.  As  deduções  expressamente  autorizados  em  lei  são  aquelas  relativas  à  transferência entre contas, cheques devolvidos e exclusão de créditos de valor individual igual  ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 dentro do  ano­calendário, o que foi feito pela fiscalização.  Assim, com base nos elementos  inseridos no processo administrativo fiscal,  não há reparos a serem feitos no lançamento, devendo ser mantida a exigência fiscal.    Juros SELIC  Contesta  ainda  a  aplicação  da SELIC  na  apuração  do  crédito  tributário  em  discussão Contudo, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme  se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos:  Súmula CARF  n°  4:  A  partir  de  1°  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.  Desta feita, correta a aplicação da taxa de juros SELIC no lançamento fiscal.  Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16024.000188/2007­32  Acórdão n.º 2401­006.091  S2­C4T1  Fl. 6          9   Conclusão  Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário,  rejeito a preliminar de  nulidade e DOU­LHE PARCIAL PROVIMENTO, para declarar a decadência referente ao ano  calendário de 2001.    (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto.                                  Fl. 251DF CARF MF

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Numero do processo: 10320.000068/2005-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

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2002­000.779  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  25 de fevereiro de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF  Recorrente  RAIMUNDO NONATO RABELO PEREIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1999  IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF.  Do  imposto  apurado  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  somente  pode  ser  deduzido  o  imposto  de  renda  efetivamente  retido  pela  fonte  pagadora,  devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que  relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.     (assinado digitalmente)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll ­ Relatora    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 00 68 /2 00 5- 42 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10320.000068/2005­42  Acórdão n.º 2002­000.779  S2­C0T2  Fl. 99          2   Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  (e­fls.  19/24)  lavrado  em  nome  do  sujeito  passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste  Anual do exercício 1999, onde se apurou: Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na  Fonte ­ IRRF.  De  acordo  com  o  Demonstrativo  das  Infrações  (e­fls.  24),  a  glosa  foi  realizada devido à não coincidência entre os valores declarados e as informações consignadas  em DIRF pelas fontes pagadoras e por não ter o contribuinte, após intimado, comparecido para  prestar esclarecimentos.  O  sujeito  passivo  apresentou  impugnação  (e­fls.  03/04),  cujas  alegações  foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (e­fls. 64):  Em resumo, o contribuinte argumentou que o Imposto de Renda  Retido  na  Fonte  que  foi  glosado  corresponde  aos  rendimentos  percebidos  de  quatro  fontes  pagadoras,  por  prestação  de  serviço, conforme demonstrativo abaixo:  Fontes Pagadoras  CNPJ  Valor dos  Rendimentos  Valor do  IRRF  Prefeitura Municipal de Peri Mirim  41.611.856/0001­80  30.000,00  3.930,00  Prefeitura Municipal de São Bento  06.214.258/0001­77  36.000,00  5.580,00  Prefeitura Municipal de Lago da Pedra  06.021.810/0001­00  22.529,00  4.035,48  Prefeitura Municipal de Axixá  06.008.569/0001­80  24.000,00  2.280,00        112.529,00  15.825,48  Na  impugnação,  o  contribuinte  informou,  ainda,  que  prestou  serviços  às  fontes  pagadoras  e  que  os  rendimentos  foram  devidamente  informados  na  Declaração  de  Ajuste  Anual.  Informou,  ainda,  que  cada  fonte  pagadora  apresentou  a  Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, fato  que  ocorreu  após  o  lançamento  do  Auto  de  Infração.  A  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  foi  apresentada, em 30/12/2004, em nome da cada fonte pagadora.  Como  prova,  o  contribuinte  carreou  aos  autos  cópias  dos  Recibos  de  Entrega  das  Declarações  de  Imposto  de  Renda  Retido na Fonte – DIRFs, apresentadas em nome da cada fonte  pagadora, documentos anexados às fls. 25/36.  Os  julgadores  da  1ª Turma da DRJ/FOR decidiram  converter  o  julgamento  em  diligencia  (e­fls.  46/48)  para  que  as  fontes  pagadoras  fossem  intimadas  a  comprovar  os  pagamentos  feitos  ao  contribuinte  no  ano  calendário  1998  e  a  respectiva  retenção  do  IRRF,  conforme  indicado  nas  Declarações  de  Imposto  de Renda Retido  na  Fonte  apresentadas  em  30/12/2004 (e­fls. 25/36).  Extrai­se da Informação Fiscal (e­fls. 61) que:  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10320.000068/2005­42  Acórdão n.º 2002­000.779  S2­C0T2  Fl. 100          3 1) A Prefeitura de Lago da Pedra informou que não foi possível  prestar  as  informações  solicitadas  por  não  encontrar  nos  seus  arquivos os documentos solicitados (fls. 54);  2) A Prefeitura de Axixá enviou Ofício, com data de 22/06/2011,  solicitando  dilação  do  prazo  por  mais  vinte  dias  face  à  dificuldade de localizar os documentos solicitados (fls. 55). Esse  expediente  foi  recepcionado  em  05/07/2011,  porém,  até  a  presente data nenhuma outra resposta foi apresentada.  As Prefeituras de Peri Mirim e de São Bento não apresentaram  resposta até a presente data.  A  impugnação  foi  julgada  improcedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR  (e­fls.  63/68) em decisão assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário:1998  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL.  COMPENSAÇÃO  DE  IMPOSTO DE  RENDA  RETIDO NA  FONTE.  GLOSA.  FALTA  DE DIRF.  Para  efeito  da  compensação  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte com o Imposto Devido apurado na Declaração de Ajuste  Anual, deve­se apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos  e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte,  fornecido  pela fonte pagadora dos rendimentos.  Cientificado  do  acórdão  de  primeira  instância  em  28/06/2012  (e­fls.  72),  o  interessado ingressou com Recurso Voluntário em 27/07/2012 (e­fls. 75/77) apresentando uma  breve  descrição  dos  fatos  ocorridos  e  solicitando  que  o  Auto  de  Infração  seja  julgado  improcedente pelas razões a seguir reproduzidas.  4.1.1  ­  que  a glosa  do  Imposto Retido  na Fonte,  tipificação da  Infração que deu origem ao Lançamento ora questionado, deixe  de  existir,  tendo  em  vista  a  DIRF  ter  sido  apresentada  pelas  Fontes  Pagadoras,  saneando  a  irregularidade  até  então  existente;  4.1.2 ­ A DIRF significa uma Declaração da Fonte Pagadora, à  Receita Federal, de que pagou ao portador do CPF indicado, no  período  também  indicado,  o  valor  total  informado  e  o  correspondente  Imposto Retido  na Fonte,  procedimento  que  foi  realizado, embora com atraso;  4.1.3 ­ o fato das Prefeituras haverem apresentado as DIRF após  o  contribuinte  ter  recepcionado  o  Auto  de  Infração,  não  se  sustenta,  tendo  em  vista  a  inexistência  de  Ato  Legal  dispondo  sobre a matéria;  4.1.4  ­  o  fato  do  requerente  ter  sido  o  Contador  dessas  Prefeituras  naquele  período,  não  sustenta  o  Lançamento,  por  falta de legislação impeditiva;  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10320.000068/2005­42  Acórdão n.º 2002­000.779  S2­C0T2  Fl. 101          4 4.1.5 ­ a falta de juntada aos autos, por parte do contribuinte, de  documentos  da  fonte  pagadora,  também  não  é  motivo  de  sustentação  do  Lançamento,  por  considerar  que  a DIRF  supre  essas  informações,  considerando  que  a  Fonte  Pagadora  declarou  que  pagou  e  reteve  os  valores  questionados.  O  contribuinte não os anexou aos autos, quando da Ia impugnação,  por não mais dispor em seus arquivos e  ter  tido dificuldade em  obtê­los  junto  às  Fontes  Pagadoras,  que  havia  mudado  de  Gestores.    Voto             Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll ­ Relatora   O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  dele tomo conhecimento.  Do  exame  dos  autos  verifica­se  que,  após  diligenciar  junto  às  fontes  pagadoras, a DRJ manteve integralmente a dedução indevida apurada no lançamento conforme  razões de decidir a seguir reproduzidas, as quais acompanho:  Cabe  por  bem  se  ressaltar  que  as  Declarações  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  foram  apresentadas  após  a  ciência  do  Auto de Infração, em uma mesma data.  Examinando­se  os  documentos  acostados  aos  autos,  notadamente,  as  Declarações  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte,  percebe­se,  facilmente,  que  todas  as Declarações  foram  apresentadas  em  uma  mesma  data,  ou  seja,  em  27/12/2004.  Percebe­se,  ainda,  que  cada  fonte  pagadora  possuía  apenas  o  senhor  contribuinte  como  beneficiário  de  rendimento  com  retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte.  Ademais,  verifica­se que o  senhor contribuinte prestava serviço  de  contabilidade  às  fontes  pagadoras,  todas  prefeituras  municipais.  É  o  que  se  pode  inferir  da  impugnação  e  da  ocupação  principal  e  da  natureza  da  atividade,  informadas  na  Declaração de Ajuste Anual.  Conforme o relatório de diligência,  nenhuma das quatro  fontes  pagadoras  informou  se  havia  pago  rendimento  ao  senhor  contribuinte  e  se  havia  retido  e  recolhido  o  respectivo  Imposto  de Renda Retido na Fonte.  [...]  É  certo  que  o  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  sobre  rendimentos  de  prestação  de  serviço  é  compensável  com  o  Imposto  de  Renda  Devido  apurado  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  (Lei  nº  9.250,  de  1995,  art.12).  É  certo  também  que  o  Imposto Retido  na Fonte  sobre  quaisquer  rendimentos  somente  poderá ser compensado na Declaração, se, efetivamente, o ônus  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10320.000068/2005­42  Acórdão n.º 2002­000.779  S2­C0T2  Fl. 102          5 de pagamento tenha sido do contribuinte e o contribuinte possua  um  comprovante  de  rendimentos  e  de  retenção  de  imposto,  emitido  em  seu  nome,  pela  fonte  pagadora  (Lei  nº  7.450,  de  1985, artigo 55).  Para o presente caso, vê­se que o contribuinte não carreou aos  autos  o  nenhum  Comprovante  de  Rendimentos  Pagos  e  de  Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, que tivesse sido  fornecido pela fonte pagadora.   Ademais,  nenhuma das  quatro  fontes  pagadoras  informadas  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  confirmou  que  tivesse  pago  ao  senhor  contribuinte,  no  ano­calendário  de  1998,  rendimentos  por prestação de serviços de contabilidade.  [...]  Desta  forma,  não  tendo  o  contribuinte  logrado  comprovar  a  efetividade  da  retenção  do  IRRF  (no  valor  de  R$  3.930,00,  no  valor de R$ 5.580,00, no valor de R$ 4.035,40 e no valor de R$  2.280,00), através de Comprovante de Rendimentos Pagos e de  Retenção de  Imposto de Renda na Fonte,  nos  termos  do  artigo  941 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, é indevida a  compensação do IRRF na Declaração de Ajuste Anual, pois nos  termos do artigo 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995 (artigo 87  do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), somente poderá  ser  compensado  do  imposto  devido  apurado  na Declaração  de  Ajuste  Anual  o  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  correspondente aos  rendimentos  incluídos na base de cálculo e  respaldo em Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção  de Imposto de Renda na Fonte, fornecido pela fonte pagadora.  Cumpre ressaltar que a DIRF é um documento emitido pela  fonte pagadora  que serve como prova relativa dos rendimentos pagos ao contribuinte e da respectiva retenção  de imposto de renda efetuada no ano calendário. Assim, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu  critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da veracidade das informações  ali consignadas. Havendo questionamento acerca dos valores declarados, cabe ao contribuinte  o ônus de comprová­los de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas.  No  caso  concreto  extrai­se  do  Auto  de  Infração  que,  após  intimado  pela  autoridade  lançadora,  o  interessado  não  compareceu  para  prestar  esclarecimentos  (e­fls.  24).  Verifica­se, ainda, que mesmo após a ciência da decisão de piso, este não apresentou nenhum  comprovante de rendimentos ou outro elemento de prova com o intuito de suprir as pendências  apontadas na primeira instância.  Por  todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito,  negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll   Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10320.000068/2005­42  Acórdão n.º 2002­000.779  S2­C0T2  Fl. 103          6                                   Fl. 103DF CARF MF

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7649595 #
Numero do processo: 10932.720010/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal. Rejeita-se a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura-se com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso. SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentá-los, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica-se ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1301-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, reduzir para 75% a multa de ofício referente à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários referente ao ano-calendário 2010, vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Relator); e (iii) negar provimento ao recurso dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento aos recursos dos coobrigados Jacques Broder Cohen e Débora Christian Fachim Nogueira e excluir também do pólo passivo da obrigação tributária, de ofício, os demais coobrigados, e o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que deu provimento ao recurso da coobrigada Débora Christian Fachim Nogueira. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto -Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa e do contraditório, com a devida ciência do auto de infração, que apresenta adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, os quais indicam ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal. Rejeita-se a preliminar de nulidade do auto de infração que foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do Decreto nº 70.235/72 e sem que tenha ocorrido qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura-se com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso. SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário (fato conhecido), depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. No curso do procedimento de fiscalização, após cotejo entre DIPJ, DCTF e DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão autorizada judicialmente, restando comprovado que o contribuinte omitiu receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer, obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO DE OFÍCIO. MEDIDA EXTREMA. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE APURAÇÃO ESCOLHIDO PELO CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações de prazo para apresentação de livros comerciais e fiscais, o contribuinte se omite em apresentá-los, resta imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. PATAMAR DE 75%. PRESUNÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. SÚMULA CARF 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS. Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica-se ao lançamento decorrente o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para decidir diversamente.

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1301­003.677  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de janeiro de 2019  Matéria  OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES E  REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010, 2011, 2012  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  FISCAL.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  PRELIMINAR  REJEITADA.  Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e  não  havendo  prova  de  violação  das  disposições  contidas  no  artigo  142  do  CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em  nulidade do lançamento em questão.   Tendo  sido  regularmente  oferecida  a  ampla  oportunidade  de  defesa  e  do  contraditório,  com  a  devida  ciência  do  auto  de  infração,  que  apresenta  adequada motivação jurídica e fática, e não provada violação das disposições  previstas  na  legislação  de  regência,  restam  insubsistentes  as  alegações  de  nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.   Descabe  a  declaração  de  nulidade,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  quando auto de infração, o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição  pormenorizada  dos  fatos  imputados  ao  sujeito  passivo,  os  quais  indicam  ainda os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal.  Rejeita­se  a  preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração  que  foi  lavrado  legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art.10 do  Decreto  nº  70.235/72  e  sem  que  tenha  ocorrido  qualquer  situação  especificada no art. 59 desse Decreto.   Durante  o  procedimento  fiscal,  em  regra,  não  há  que  se  falar  em  direito  à  ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura­se com a apresentação de  impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à  defesa  e  ao  contraditório.  Ausente  prejuízo  ao  contribuinte,  não  há  que  se  falar em nulidade do lançamento.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 10 /2 01 5- 92 Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.465          2 DECISÃO  RECORRIDA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE.  NULIDADE.  INAPLICABILIDADE.  No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com  perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e  estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que  se falar em nulidade dos atos em litígio.  O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas  partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão.  O  julgador  possui  o  dever  de  enfrentar  apenas  as  questões  capazes  de  infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não  há que se  falar em nulidade de decisão a quo que não se pronunciou sobre  determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada.   A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte  não  é  causa  de  nulidade,  que  apenas  ocorre  se  demonstrada  qualquer  das  hipóteses do artigo 59 do Decreto­lei n° 70.235/72, que não é o caso.  SIGILO  BANCÁRIO.  TRANSFERÊNCIA  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI  COMPLEMENTAR  105/2001,  ART.  6º).  DECLARAÇÃO  DE  CONSTITUCIONALIDADE  PELO  PLENO  DO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  (Repercussão  Geral.  RE  Nº  601.314SP,  Relator  Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016):  "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao  sigilo  bancário  e  o  dever  de  pagar  tributos,  ambos  referidos  a  um  mesmo  cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz  da  finalidade  precípua  da  tributação  de  realizar  a  igualdade  em  seu  duplo  compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo.  2. Do ponto  de  vista  da  autonomia  individual,  o  sigilo  bancário  é  uma  das  expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e  informações  bancárias  livres  de  ingerências  ou  ofensas,  qualificadas  como  arbitrárias  ou  ilegais,  de  quem  quer  que  seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria instituição financeira.  3. Entende­se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo  por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do  contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com  a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo.  4.  Verifica­se  que  o  Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros  constitucionais,  ao  exercer  sua  relativa  liberdade de  conformação da ordem  jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição  de  informação  pela  Administração  Tributária  às  instituições  financeiras,  assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras  do  contribuinte,  observando­se  um  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária para a fiscal.  5. A  alteração  na  ordem  jurídica promovida pela Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.466          3 aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da  Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão.  Aplica­se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional.  6.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “a”  do Tema  225  da  sistemática  da  repercussão  geral:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito ao sigilo bancário, pois  realiza a  igualdade em relação aos cidadãos,  por  meio  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a  fiscal”.  7.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “b”  do Tema  225  da  sistemática  da  repercussão  geral:  “A  Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade das  leis  tributárias,  tendo em vista o caráter  instrumental da  norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI  Nº  9.430/96,  ART.  42).  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO  LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA.  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito,  poupança  e/ou  investimento,  junto  à  instituição  financeira,  em  relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado,  não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas operações.  Para  imputação  por  presunção  legal  da  infração  omissão  de  receitas  (fato  probando)  compete  ao  fisco  comprovar  a  existência  do  fato  indiciário,  mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira  bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica,  embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito  na conta corrente bancária.  A  partir  do  fato  indiciário  (fato  conhecido),  depósitos  bancários  não  escriturados  e  de  origem  não  comprovada,  presume­se  a  ocorrência  ou  existência de omissão de receitas (fato probando).  A presunção legal tem caráter relativo, apenas inverte o ônus da prova.  O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é  do  sujeito  passivo,  que  poderá  afastá­la mediante  produção  de  prova  hábil,  idônea e cabal.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DA  ATIVIDADE  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS. PROVA DIRETA.   No curso do procedimento de fiscalização, após  cotejo entre DIPJ, DCTF e  DACON e outros documentos apreendidos em operação de busca e apreensão  autorizada  judicialmente,  restando  comprovado  que  o  contribuinte  omitiu  receitas da atividade na apuração fiscal do período, a prova direta, vale dizer,  obtida por meio idôneo, é suficiente para amparar a imputação da omissão de  receitas.  LUCRO  ARBITRADO  DE  OFÍCIO.  MEDIDA  EXTREMA.  IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DO LUCRO PELO REGIME DE  APURAÇÃO  ESCOLHIDO  PELO  CONTRIBUINTE.  NÃO  Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.467          4 APRESENTAÇÃO  DE  LIVROS  E  DOCUMENTOS.  APLICABILIDADE.   Considerando  que,  após  sucessivas  dilações  de  prazo  para  apresentação  de  livros  comerciais  e  fiscais,  o  contribuinte  se  omite  em  apresentá­los,  resta  imprescindível a aplicação do arbitramento do lucro, consentâneo o previsto  no art. 530 do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda).  MULTA  QUALIFICADA.  AFASTAMENTO.  PATAMAR  DE  75%.  PRESUNÇÃO.  DEPÓSITO  BANCÁRIO  SEM  COMPROVAÇÃO  DE  ORIGEM. SÚMULA CARF 14   A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não  autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo necessária a comprovação  do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA. CABIMENTO.   Os  administradores, mandatários,  prepostos  e  empregados  são  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que  constitua o fato gerador da obrigação principal.  LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS.  Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica­se ao lançamento decorrente  o decidido no lançamento principal, se não houver razão fática e jurídica para  decidir diversamente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  em:  (i)  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade;  (ii)  por maioria  de  votos,  reduzir  para  75%  a multa  de  ofício referente à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários referente ao  ano­calendário 2010, vencido o Conselheiro Nelso Kichel  (Relator);  e  (iii) negar provimento  ao recurso dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por  dar  provimento  aos  recursos  dos  coobrigados  Jacques  Broder  Cohen  e  Débora  Christian  Fachim  Nogueira  e  excluir  também  do  pólo  passivo  da  obrigação  tributária,  de  ofício,  os  demais coobrigados, e o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que deu provimento ao  recurso  da  coobrigada Débora Christian  Fachim Nogueira. Designada  a Conselheira Amélia  Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.468          5 Nelso Kichel­ Relator.    (assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto ­Redatora Designada    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto,  Bianca  Felicia  Rothschild  e  Fernando  Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).                                        Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.469          6     Relatório  Trata­se  dos  Recursos  Voluntários  apresentados,  individualmente,  pelo  sujeito passivo BRAZILIAN LANDBANK, EMPREENDIMENTOS, INCORPORAÇÕES  E  REPRESENTAÇÃO  COMERCIAL  LTDA  (e­fls.  1285/1315)  e  pelos  seguintes  responsáveis  solidários:  DÉBOARA  CHRISTIAN  FACHIM  NOGUEIRA  (e­fls.  1319/1344), HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK (e­fls. 1351/1376) e JACQUES  BRODER  COHEN  (e­fls.  1377/1399),  em  face  da  decisão  da  DRJ/São  Paulo  (e­fls.  1621/1273) que, em 30/05/2016, julgou Impugnações improcedentes:  a) ao manter o crédito tributário integralmente, atinente aos Autos de Infração  do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anos­calendário 2010, 2011 e 2012;  b) ao mater a sujeição passiva solidária (CTN, art. 124, I):  ­ Débora Christian Fachim Nogueira;  ­ Henrique Kertzman Misionschnik;  ­ Jaques Broder Cohen;  ­ Silvia Regina de Almeida;  ­ Eudes Souza Cardoso Guimarães.  c) ao manter a sujeição passiva solidária (CTN, arts. 124, II e 135, III):  ­  Marcelo  Marcel  Fachim  Nogueira,  titular  de  direito  da  pessoa  jurídica  conforme  Instrumento de Contrato Social e Alterações (e­fls. 237/286).  Obs:   (i)  Consta  da  decisão  recorrida  que  Henrique  Kertzman  Misionschnik  apresentou  impugnação intempestiva na instância a quo, a qual não foi conhecida naquela instância. Preclusão administrativa  (revelia) quanto à sujeição passiva solidária;  Quanto aos fatos, consta do autos:  ­  que,  26/03/2015,  a  fiscalização  da  DRF/São  Bernardo  do  Campo  lavrou  Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anos­calendário 2010, 2011 e  2012,  regime de  apuração pelo  lucro arbitrado,  imputando as  seguintes  infrações ao sujeito  passivo (e­fls. 958/1066), in verbis:  (...)  Razão  do  arbitramento  no(s)  período(s):  03/2010,  06/2010,  09/2010, 12/2010, 03/2011, 06/2011, 09/2011, 12/2011, 03/2012,  06/2012, 09/2012 e 12/2012  Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.470          7  Arbitramento  do  lucro  que  se  faz  tendo  em  vista  que  o  contribuinte  notificado  a  apresentar  os  livros  e  documentos  da  sua  escrituração,  conforme  Termo  de  Início  de  Fiscalização  e  termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentá­los.  Enquadramento Legal:  Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999:  Art. 530, inciso III, do RIR/99.  Razão  do  arbitramento  no(s)  período(s):  06/2010,  09/2010,  12/2010, 03/2011, 06/2011, 09/2011, 12/2011, 03/2012, 06/2012,  09/2012 e 12/2012 Arbitramento do  lucro que se  faz  tendo em  vista  que  o  contribuinte  notificado  a  apresentar  os  livros  e  documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de  Fiscalização  e  termo(s)  de  intimação  em  anexo,  deixou  de  apresentá­los.  Enquadramento Legal:  Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999:  Art. 530, inciso III, do RIR/99.  0001 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE   RECEITA  BRUTA  MENSAL  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS EM GERAL   (...)  Fato Gerador        Valor Apurado (R$)         Multa (%)  31/01/2011           930.415,13           150,00  28/02/2011          1.820.227,22           150,00  31/03/2011          1.990.632,08           150,00  30/04/2011          1.747.782,36           150,00  31/05/2011           392.519,47           150,00  30/06/2011           568.727,21           150,00  31/07/2011          1.655.648,04           150,00  31/08/2011          2.581.186,61           150,00  30/09/2011          2.230.719,23           150,00  31/10/2011          3.681.731,49           150,00  30/11/2011          3.694.690,33           150,00  31/12/2011          4.311.686,08           150,00  31/01/2012          2.816.590,47           75,00  28/02/2012          3.479.243,01           75,00  31/03/2012          2.955.671,08           75,00  30/04/2012          2.619.633,39           75,00  31/05/2012          2.938.793,98           75,00  30/06/2012          2.808.335,48           75,00  31/07/2012          2.785.049,89           75,00  31/08/2012          2.949.394,53           75,00  30/09/2012          3.041.526,06           75,00  31/10/2012          2.951.751,53           75,00  Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.471          8 30/11/2012          2.739.073,64           75,00  31/12/2012          2.608.624,66           75,00    Enquadramento Legal:  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012:  art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Art. 537 do RIR/99   (...)  0002 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL   DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA   Valores  creditados  em  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  junto  a  instituições  financeiras  no  ano­calendário  de  2010,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado e reintimado, não comprovou, mediante documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  (...)  Fato Gerador         Valor Apurado (R$)       Multa (%)  31/01/2010           100.000,00           150,00  28/02/2010           31.202,00           150,00  30/04/2010           461.431,04           150,00  31/05/2010           208.191,03           150,00  30/06/2010           722.022,33           150,00  31/07/2010           479.890,64           150,00  31/08/2010           616.223,82           150,00  30/09/2010           773.939,27           150,00  31/10/2010           399.581,33           150,00  30/11/2010           301.082,43           150,00  31/12/2010           790.272,48           150,00  Enquadramento Legal:   Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010:  art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99 (...)  ­  que  integra  os  autos  de  infração  o  Termo  de  descrição  dos  fatos  (e­fls.  944/957);  ­  que,  ainda,  integra  o  lançamento  fiscal  o  Termo  de  Ciência  de  Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal da Fiscalização da DRF/São Bernardo  do Campo, de 05/01/2015, no qual estão narrados os fatos (e­fls.02/34), in verbis:  (...)  Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.472          9 01.  Da  autorização  judicial  de  compartilhamento  de  informações  entre  a  RFB,  o Ministério  Público  Estadual  e  o  GAECO ABC.  Por  meio  do  Ofício  n°  76/14  ­  GAECO  ABC  (Anexo  I)  recebemos a mídia digital contendo cópia do procedimento  investigatório criminal n° 07/13 ­ GAECO ABC, bem como  do  apenso  do  procedimento  relativo  à  quebra  de  sigilo  telefônica e de dados.  Conjuntamente,  recepcionamos  a  cópia  da  decisão  da  Excelentíssima Juíza de Direito da 5a Vara Criminal de São  Bernardo  do  Campo  (Anexo  II)  proferida  nos  autos  3016090­38.2013.8.26.0564,  pela  qual  deferiu  o  compartilhamento  das  informações  obtidas  naquele  feito  com  a  Receita  Federal,  "uma  vez  que  a  investigação  aponta suposta fraude em seus sistemas e possível envolvimento  de funcionário de seus quadros nos delitos ora investigados".  Da  investigação  criminal  resultou  até  a  presente  data  em  duas denuncias crime  interpostas na 5a Vara Criminal da  Comarca de São Bernardo do Campo em distribuição por  dependência aos autos da medida cautelar n° 2237/13:  A primeira elaborada aos 09/09/2014 pelos Promotores de  Justiça  Dr.  Lafaiete  Pires  e  Dr.  Kleber  Henrique  Basso  (Anexo  III),  que  constam  como  denunciados  as  pessoas  naturais  de  Sr.  Jacques  Broder  Cohen,  Sr.  Henrique  Kertzman  Misionschink,  Sra.  Débora  Christian  Fachim  Nogueira,  Sr.  Marcelo  Marcel  Fachim  Nogueira,  Dra.  Silvia Regina de Almeida ­OAB 136529 e Sr. Eudes Souza  Cardoso Guimarães, todos pela pratica dos seguintes fatos  delituosos:  da  organização  criminosa  (art.  2o  da  Lei  12.850/13) e da pratica de estelionatos.  A  denuncia  contem  reproduções  das  escutas  regulares  e  autorizadas que denotam a participação de cada qual dos  denunciados  na  atividade  delituosa,  utilizando­se  da  "Brazilian  Landbank"  —  ora  fiscalizada  no  âmbito  tributário,  como  "palco  de  destaque"  de  atuação  da  organização criminosa.  Na  segunda denuncia  que  foi  formalizada em 15/12/2014  (Anexo  IV)  pelos  Promotores Dr.  Lafaiate  Ramos  Pires  e  Dr.  Bruno  Servello  Ribeiro,  novamente  três  daqueles  personagens:  Sr.  Jacques  Broder  Cohen,  Sra.  Débora  Christian Fachim Nogueira e Sr. Marcelo Marcel Fachim  Nogueira  estão  denunciados  pela  prática  de  falsos  ideológicos  e  ainda  de  forma  individual  o  Sr.  Jacques  Broder Cohen pela prática de exercício ilegal da atividade.  Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.473          10 02.  Do Mandado  de  Busca  e  de  Apreensão  expedido  pela  5a  Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo.  Aos  10/06/2014  a  Juíza  de  Direito  Dra.  Daniela  de  Carvalho Duarte defere o Pedido de Busca e de Apreensão  nos  imóveis que relaciona na decisão prolatada nos autos  do  processo  301609­38.2013.8.26.0564  e  autoriza,  entre  outras:  "o  apoio  dos  agentes  da  Receita  Federal  para  o  cumprimento  da  ordem  e  o  compartilhamento  das  provas  coletadas com este específico Órgão, para análise conjunta  dos documentos apreendidos" (Anexo V).  No mesmo mandamento decretou a prisão temporária pelo  prazo  de  cinco  dias  de:  Sr.  Jacques  Broder  Cohen;  Sr.  Henrique Kertzman Misionschnik; Sra. Débora Christian  Fachim  Nogueira  e  do  Sr.  Marcelo  Mareei  Fachim  Nogueira.  O  relatório  da  sentença  de  forma  resumida  descreve  o  minucioso detalhamento que consta da Petição Judicial de  Mandado  de  Busca  e  Apreensão  e  Decretação  de  Prisão  Temporária  de  autoria  dos  Promotores  de  Justiça  Dr.  Lafaiete Ramos Pires e Dra. Mylene Comploier datado de  03/06/2014 (Anexo VI).  A  titulo  de  esclarecimento  e  voltado  aos  detalhes  da  atividade  econômica  desenvolvida  pela  Pessoa  Jurídica  "Brazilian Landbank" que lhe proporcionou significativa  obtenção de Renda, mas que nada confessou em relação  aos  débitos  decorrentes  destes  Rendimentos  e  de  igual  forma,  nada  recolheu  de  tributos  federais  administrados  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraímos os  seguintes relatos do relatório da Sentença: (...).  (...)  O Ministério Público apontou fortes indícios da pratica do crime  de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi:  A  quadrilha  atua  oferecendo  às  empresas  de médio  e  grande  porte  o  serviço  de  compensação  de  seus  débitos  tributários  federais,  a  ser  executada  por  meio  de  direitos  creditórios  de  terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa  dos débitos devidos.  Uma vez entabulado contrato com a empresa vítima, a "BLB"  já recebe os valores contratados para executar a compensação  a que se propõe.  Apresenta,  então,  ao  fisco,  direitos  creditórios  que  invariavelmente resultam ineficazes a dar quitação aos créditos  tributários.  Tais  créditos  são,  por  exemplo,  adquiridos  por  valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente por  serrem  eivados  de  dúvida  quanto  a  sua  validade.  São  Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.474          11 provenientes  de  ações,  por  exemplo,  contra  a  União  para  o  recebimento de  títulos da dívida externa  emitidos no  inicio do  século,  já  prescritos.  Por  vezes,  conforme  relatou  Luciano,  sequer existe a ação.  Diante da recusa do fisco em aceitá­los, o grupo tenta recursos  administrativos  que  vão  postergando  a  cobrança,  enquanto  permanece  iludindo  a  empresa  vitima  com  promessas  de  que  resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna  insustentável:  a  empresa  vitima  não  consegue  obter  sua  Certidão  Negativa  de  Débitos  ­  CND  e  tem  seus  débitos  inscritos em divida ativa da União.  Nesse  momento,  percebendo  o  engodo,  as  empresas  vítimas  rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a  tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente.  (...)  03.  Dos  elementos  apreendidos  que  estão  no  momento  no  Serviço  de  Fiscalização  da  DRF/São  Bernardo  do Campo/SP  (documentação física).  Do  trabalho  de  busca  e  apreensão  promovido  pela  operação  conjunta desenvolvida pelo GAECO e pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil,  representada  pelo  ESPEI  (Escritório  de  Pesquisa  e  Investigação)  e  pelo  Serviço  de  Fiscalização  desta  Unidade  (DRF/SBC),  os  elementos  coletados  tiveram  uma  primeira  verificação  pelos  responsáveis  pela  Busca  ocorrida  logo depois da Operação, sendo que este Auditor teve acesso a  parte  dos  elementos  físicos  apreendidos  e  que  constam  das  17  caixas que os acondicionam.  (...)  No  entanto,  constatamos  que  nas  17  caixas  verificadas  não  constam  livros de  escrituração contábil,  livros caixa,  livros de  inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração  do  lucro  real,  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  livros  de  registro  de  prestação  de  serviços  ou  livros  afins  que  devam  obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos  fatos  contábeis  desta  pessoa  jurídica  ou  de  outra  pessoa  jurídica pertencente ao grupo "Brazilian".  (...)  06.  Do  objeto  da  ação  fiscal  e  do  seu  andamento  até  a  redistribuição de atribuição.  A  ação  fiscal  inicialmente  determinava  que  fosse  examinado  o  cumprimento  das  obrigações  tributárias  relativas  ao  IRPJ  da  pessoa jurídica do ano calendário de 2010. Houve alteração por  manter  os  mesmos  indícios  da  motivação  originária  e  foram  incluídos os dos anos calendários subseqüentes: de 2011 e 2012.  (...)  Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.475          12 07. Do cumprimento espontâneo, mas irregular, das obrigações  tributárias  principal  e  acessórias  pela  contribuinte nos  anos  ­ calendário de 2010, 2011 e 2012.  A Fiscalização constatou irregularidades no preenchimento das  três  espécies  de  Declarações  de  entrega  obrigatória  pela  contribuinte: na DIPJ (Declaração de Informações Econômico­ Fiscais da Pessoa Jurídica), na DCTF (Declaração de Débitos e  de  Créditos  Tributários)  e  na  DACON  (Declaração  de  Apurações de Contribuições Sociais).  A contribuinte entregou as DIPJ nas datas e preenchidas com os  dados que constam na seguinte tabela:    Ano ­ calendário  2010  2011  2012  ANEXO  XLIV  XLV  XLVI  Data entrega  30/06/2011  27/06/2012  28/06/2013  N° declaração  1208487  863939  1251260  N° do recibo  05.39.49.94.69  06.32.01.63.55  38.37.90.38.77  Tipo de declaração  Lucro Presumido  Entregue com certificado digital  Sim  Forma de Escrituração  ­  Contábil  Contábil  Dados Representante legal Pessoa Jurídica  Marcelo Marcel Fachin Nogueira, CPF 245.581.038­08  Dados do Responsável Preenchimento  Roberto Lippi, CPF 584.089.918­68, CRC 1SP080504O0  Receita Bruta 1° Trimestre  0,00  0,00  9.251.504,56 (*)  Receita Bruta 2° Trimestre  0,00  0,00  8.366.762,85 (*)  Receita Bruta 3o Trimestre  0,00  0,00  8.775.970,64 (*)  Receita Bruta 4o Trimestre  0,00  0,00  8.299.449,83 (*)  IRPJ a pagar no 1° Trimestre  0,00  0,00  179.030,09  IRPJ a pagar no 2° Trimestre  0,00  0,00  161.335,25  IRPJ a pagar no 3o Trimestre  0,00  0,00  169.519,41  IRPJ a pagar no 4o Trimestre  0,00  0,00  159.989,00  CSLL a pagar no 1° Trimestre  0,00  0,00  99.916,25  CSLL a pagar no 2° Trimestre  0,00  0,00  90.361,04  CSLL a pagar no 3° Trimestre  0,00  0,00  94.780,48  CSLL a pagar no 4° Trimestre  0,00  0,00  89.634,06  Ficha 54 — Discriminação da Receita  Sem informação  34.693.687,72  Verifica­se  que  havia  certa  habitualidade  na  conduta  da  contribuinte  em  entregar  a  DIPJ  com  todos  os  campos  preenchidos  com  "Zero",  sejam  os  destinados  às  informações  de  receitas  ou  de  Apurações  do  Imposto  de  Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social  sobre o Lucro Liquido (CSLL).  (...)  Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.476          13 Ocorre que a verdade material constatada aponta que estas  informações  prestadas  pela  contribuinte  são  inverídicas,  principalmente,  frente  ao  volume  de  rendimentos  por  ela  auferidos, como será abordado em tópico próprio.  (...)  O  Anexo  XLVIII  relaciona  que  para  os  três  anos  ­ calendário não foram declarados débitos a título de IRPJ,  de CSLL, de PIS/Pasep e de apenas R$ 0,01 (um centavo de  real) a título de COFINS no mês de novembro de 2010.  As  DCTF  contemplam  apenas  débitos  declarados  de  Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de trabalho  assalariado para os meses de janeiro a março de 2011, no  montante de R$ 54,31  (cinqüenta e quatro reais e  trinta e  um centavos). Observa­se  insignificância nas  retenções de  imposto  quando  se  compara  com  a montante  de  recursos  financeiros movimentados pela contribuinte.  As  DACON  foram  entregues  para  todo  o  período  sob  análise conforme indicamos no Anexo II.  Contudo,  verifica­se  que  nas  36  DACON  o  procedimento  "de  nada  informar"  nos  campos  que  se  destinam  às  apurações das contribuições para o PIS, e para a COFINS  se repete, ou seja, simplesmente as entregou para não ficar  inadimplente com a obrigação de entrega, mas nada presta  de  informação em relação aos  rendimentos auferidos  (...),  vez que preenche os campos com "ZERO".  Sendo assim, os míseros R$ 54,31 (cinqüenta e quatro reais  e  trinta  e  um  centavos)  que  declara  como  débito  para  o  Fisco Federal para os três anos­calendário sob ação fiscal  decorrem  de  valores  que  reteve  de  alguns  dos  seus  funcionários, de forma que nada declarou e nada recolheu a  título  de  tributos  federais  apurados  sobre  o  exercício  de  sua atividade empresarial neste período.  08.  Da  falta  de  apresentação  de  Livros  de  Escrituração  Contábil  e  a  não  convalidação  ex­oficio  da  opção  da  contribuinte  em  realizar  a  apuração  de  seu  resultado  pela  modalidade do Lucro Presumido.  A  contribuinte  foi  devidamente  intimada  para  que  apresentasse  os  livros  de  sua  escrituração,  conforme  constam  dos  Termos  lavrados  (Anexo  XI,  datado  de  11/09/2013;  Anexo  XIII,  de  30/09/2013;  anexo  XXVII,  de  27/01/2014; e, Anexo XLI, de 25/09/2014). Pelo último está  cientificado  de  que  houve  a  extensão  do  período  sob  fiscalização  para  abranger  o  período  de  01/01/2010  a  31/12/2012.  Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.477          14 Esclarecemos  que  a  contribuinte  optou  em  apurar  seus  Resultados  para  efeito  de  tributação  pela  modalidade  do  Lucro  Presumido,  conforme  constam  das  três  DIPJ  que  entregou.  Esta  informação  está  em  descompasso  com  o  adequado  procedimento  já  que  nada  recolheu  a  título  de  IRPJ.  A  regular  opção  é  manifestada  com  o  pagamento  da  primeira  quota  do  imposto  devido  (IRPJ)  correspondente  ao primeiro período de apuração de cada ano­calendário,  nos termos do § 1 o  do artigo 26 da Lei n° 9.430/96.  Sendo assim, a entrega destas três DIPJ sob a modalidade  do Lucro Presumido está ao dissabor legal, justamente por  que  lhe  falta o  requisito do pagamento do débito de  IRPJ  devido  no  primeiro  período  de  apuração  de  cada  um  dos  anos­ calendário sob exame ou de forma alternativa, (...).  E  mais,  a  legislação  em  vigor  lhe  permitia  realizar  uma  escrituração simplificada com a adoção do Livro Caixa em  substituição da regular escrituração Contábil, desde que a  simplificada  contemple  a  escrituração  de  sua  movimentação  financeira,  mas  também  por  sua  opção  indica nas DIPJ relativas aos anos­ calendário de 2011 e  2012 existência de regular escrituração.  Ocorre  que,  até  a  presente  data  não  cumpriu  com  a  entrega  para a Fiscalização de nenhum dos livros que contenham sua  escrituração,  independente  de  ser  o  Livro  Caixa  ou  o  Livro  Diário.  Verificamos que estes  livros não  estão no  rol de elementos  apreendidos na Operação de Busca e Apreensão judicial.  (...)  Esclarecemos  que  a  falta  de  apresentação  de  sua  escrituração  ­  impeditivo  ao  pleno  desenvolvimento  da  auditoria  programada  para  esta  ação  fiscal,  vez  que  impossibilita  a  verificação  dos  fatos  contábeis  e  a  identificação  das  bases  tributárias  contabilizadas  da  contribuinte, além de obscurecer a natureza da riqueza que  nela ingressou.  (...)  Ocorre que a falta de apresentação para a Fiscalização do  Livro  Diário  ou  do  Livro  Caixa  (se  escrituração  simplificada)  é  uma  das  hipóteses  previstas  para  a  apuração  do  resultado  pela  modalidade  do  Lucro  Arbitrado, nos termos dos artigos 529 e 530 do Decreto n°  3.000/99  (RIR/99),  que mantém  respaldo  no  artigo  47  da  Lei n° 8.981/95 e no artigo 1 o  da Lei n° 9.430/96.  Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.478          15 (...)  Diante  destas  considerações,  constatamos  que  a  contribuinte  não  está  apta  a  apurar  o  resultado  de  suas  atividades  pela  modalidade  do  Lucro  Presumido  como  indicou em sua D1PJ, pelas razões cumulativas: de não ter  cumprido  com  a  obrigação  principal  de  pagamento  do  IRPJ  devido  no  primeiro  trimestre  de  apuração  de  cada  ano  calendário;  e,  de  não  ter  apresentado  para  a  Fiscalização a sua escrituração contábil ­ Livros Diário ou  Livros Caixa.  09.  Da  constatação  da  efetiva  atividade  empresarial  da  contribuinte   Esclarecemos  que  o  inicio  desta  ação  fiscal  já  foi  conturbado.  A  AFRFB  Patrícia  havia  sido  impedida  de  ingressar  na  empresa  em  12/09/2013  portando o  segundo  Termo  lavrado  (Anexo XI)  para  coleta  da  ciência  pessoal  de Representante Legal da contribuinte. O seu ingresso no  estabelecimento e a ciência pessoal só foi efetivada com a  chegada do apoio do Chefe deste Serviço de Fiscalização  AFRFB Marcos Antonio que se deslocou para o local.  Até  a  presente  data,  as  manifestações  que  a  contribuinte  apresentou para a Fiscalização se resumem em pedidos de  postergação no prazo. Só houve a entrega de seu Estatuto  Social  e  de  algumas  das  Alterações  do  Contrato  Social.  Nada mais entregou.  O não atendimento persistiu inclusive com o lhe requerido  pelo  Termo  de  Intimação  Fiscal  lavrado  em  04/02/2014  (Anexo  XXVIII),  cuja  reintimação  ocorreu  pelo  Termo  lavrado em 18/02/2014 (Anexo XXIX).  Em  atendimento  aos  preceitos  legais  disciplinados  pelo  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/96  a Fiscalização  lhe  requereu  que  comprovasse  com  documentos  hábeis  e  idôneos  a  origem dos recursos financeiros que transitaram nas contas  mantidas  sob  sua  titularidade  junto  às  Instituições  Financeiras: Citibank, Itaú e Unibanco.  Os  créditos  submetidos  à  comprovação  foram  pinçados  dos  registros  que  constavam  nos  respectivos  extratos,  sendo  que  foram  excluídos  aqueles  que  não  representavam  ingresso  de  novas  riquezas,  como  resgate  de  aplicações  ou  transferências  entre  contas  do  mesmo  titular, desde que plenamente reconhecidos pelo histórico  da  transação.  Tais  créditos  foram  regularmente  listados  em forma individualizada e estavam em anexo ao Termo  de Intimação.  Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.479          16 A  falta  de  atendimento  e  por  conseqüência  falta  de  comprovação por parte da contribuinte  torna  tais créditos  como rendimentos submetidos a regular tributação.  O  advento  da  regular  Operação  de  Busca  e  Apreensão  Judicial e do compartilhamento destes elementos para com  o  Fisco,  possibilitou  esta  Fiscalização  conhecer  tanto  a  real atividade desempenhada pela contribuinte bem como a  identificação  das  pessoas  naturais  que  são  os  seus  administradores de fato.  Parte  das  informações  de  grande  significância  adveio  da  regular escuta autorizada  judicialmente,  cujos  trechos  de  relevância  sob  o  aspecto  tributário  e  sob  o  aspecto  da  responsabilização  solidária  de  seus  administradores  já  estão transcritos nas petições judiciais elaboradas no curso  do procedimento Judicial e reproduzidos nos conteúdos das  Sentenças  proferidas  ­  Anexos  I  ao  VI,  que  de  forma  integral  corroboram  como  elementos  de  prova  deste  trabalho de auditoria.  No  procedimento  de  verificar  os  elementos  físicos  apreendidos,  extraímos  cópias  e  as  digitalizamos  para  compor  os  elementos  de  prova  da  Constatação  das  irregularidades de cunho tributário.  Sendo assim, os seguintes Anexos contemplam algumas das  naturezas de elementos e/ou documentos apreendidos:   Anexo LI ­ Hospital São Domingos Ltda. São 60 páginas  em que constam:  (...)  . E­mail emitido pelo Sr. Guimarães  (se  intitula E­mail emitido  como  Diretor  Executivo)  e  encaminhado  para  os  diretores  do  hospital,  prestando  informações  de  como  deveriam  preencher  suas DCTF e seus Pedidos de Compensação para utilização de  créditos provenientes de processo judicial ligado ao IAA;  (...)  . Notificação Extrajudicial proposta pelo Hospital em face do Sr.  Flávio  Borenstein  e  da  "Brazilian  LandBank".  Relata  a  impossibilidade  técnica  e  de Ativos  não  aptos  para  extinção das  obrigações  tributárias  e  requer  seja­lhe  ressarcido  o  montante  de  R$  16.404.764,57  (dezesseis  milhões,  quatrocentos  e  quatro  mil,  setecentos e sessenta e quatro reais e cinqüenta e sete centavos).  (...)  Anexo  LVI  ­  Mapas  de  Controle  dos  Créditos  Aproveitados.  (...)  alguns  dos  "clientes"  em  que  constam:  nome ou prenome do cliente; ano; valor e o percentual de  Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.480          17 deságio pactuados; a efetiva utilização mensal do crédito e  o  saldo  pendente  de  aproveitamento;  e  ainda,  contem  colunas para o valor nominal e o valor já com o deságio ­  remuneração a ser repassada para a "Brazilian Landbank:  Para ilustração delas extraímos e a seguir relacionamos: o  codinome  ,  o  ano,  o  valor  pactuado  e  o  percentual  de  deságio:  TERRACLEAN ­ 2011 ­ R$ 1.200.000,00 ­ 30% (dois mapas);   KW DO BRASIL  ­ 2011  ­  R$  2.000.000,00  ­  40%; TEK TRADE  ­  2012  ­  R$  8.000.000,00  ­  25%;  SORVETES  JUNDIÁ  ­2012  ­R$  5.000.000,00­40%;  MOABE ENERGIA ­ 2012 ­ R$ 2.000.000,00 ­ 30%; GIBELLO & GIBELLO ­  2012 ­ R$ 200.000,00 ­ 30%; FRANCO & BACHOT ­ 2012 ­ R$ 2.000.000,00 ­  50%;  LAPA  TREINAMENTO  ­  2012  ­  R$  412.000,00  ­  30%;  JAVA  SEGURANÇA  ­  2011  ­  R$  284.000,00  ­  40%;  CHRONOS  ­  2012  ­  R$  2.000.000,00 ­ 35%;  (...)  Anexo  LXII  ­  Brazilian  LandPar  ­  Projeto  2014.São  24  páginas  onde  o  Grupo  apresenta  a  nova  modalidade  de  negócios  com  imóveis  a  ser  implementada.Traz  exemplos  numéricos  de  remuneração;  perguntas  e  respostas;  empresas  alvo  de  interesse  e  as  que  não  interessam  ao  grupo, mas a parte mais significativa para esta Auditoria é  que busca empresas com produtos de renome no mercado,  mas que passam por dificuldades de fluxo de caixa, logo se  desenrola  nas  entrelinhas  a  aplicação  do  planejamento  tributário,  em  que  se  deixará  de  recolher  os  tributos  federais,  para  se  aplicar  os  procedimentos  relativos  às  pretensas compensações (...).  (...)  A  assessoria  tributária  e  jurídica  prestada  pelo  Grupo  "Brazilian" é justamente no sentido de promover as fraudes  constatadas  na  utilização  de  compensações  indevidas  por  se valer de créditos originários ilegítimos ou lastreados em  títulos ineficazes para a extinção do credito tributário.  (...)  Constatamos  que  a  contribuinte  tinha  no  período  sob  fiscalização  como  principal  atividade  a  captação  de  empresas  com  dificuldades  de  fluxo  de  caixa  com  a  finalidade  de  lhe  prestar  serviços  e  orientação  de  forma  viciada,  para  que  utilizassem  créditos  inexistentes  ou  ilegítimos ou de natureza não tributária em procedimentos  administrativos  de  Compensação  de  Débitos  perante  a  Receita Federal.  Pelo fato dos créditos não se prestarem para a finalidade  objeto do contrato firmado com seus clientes, caracteriza­ Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.481          18 se a  fraude e a  conduta  típica do  estelionato, na qual as  pessoas  naturais  na  qualidade  de  administradores  de  direito  ou  de  fato  da  'Brazilian  LandBank"  receberam  quantias  exorbitantes  a  titulo  de  vantagem  ilícita  e  em  prejuízo aos clientes.  No exercício da ampla astúcia, estes diretores utilizavam a  pessoa  jurídica  regularmente  constituída  para  dar  a  transparência de regularidade e de capacidade financeira,  promovendo  inclusive  o  engodo  em  sua  alteração  contratual  na  qual  elevou  o  seu  Capital  Social  de  R$  200.000,00 (duzentos mil reais) para os R$ 442.800.000,00  (quatrocentos  e  quarenta  e  dois  milhões  e  oitocentos  mil  reais),  contudo,  justamente  esta  Alteração  de  Contrato  Social não foi entregue para a Fiscalização e tão pouco foi  encontrada ou verificada no rol de elementos apreendidos.  No  entanto,  a  Clausula  Segunda  da  Alteração  Contratual  datada de 10/11/2011 (fls. 42 do Anexo IX), informa que a  integralização do aumento de Capital se deu pelo Título da  Dívida Pública emitido pelo Estado da Bahia de n°43.988  ao  Portador  em  28/01/1913  e  de  acordo  com  Lauda  de  Avaliação  em  09/12/2010 mantém  valor  atualizado  de  R$  442.584.121,75 (...).  Em circunstancias normais e de validade jurídica teríamos  a incidência do Instituto do Ganho de Capital, cuja base de  calculo  seria a diferença entre o  valor de aquisição deste  Título  e  o  valor  aproveitado  como  Aumento  de  Capital  Social  que  foi  levado  a  efeito  por  meio  da  Alteração  do  Contrato  Social,  porém  e  diante  do  entendimento  que  tal  Título não mantém validade jurídica e/ou econômica e que  esta operação na realidade só serviu para dar aparência de  grandeza e de solidez do Grupo perante "suas presas", foi  desprezado seus efeitos pela Fiscalização.  10.  Da  identificação  das  pessoas  naturais  que  são  os  administradores de fato da contribuinte.  A  regular  escuta  autorizada  judicialmente  permitiu  identificar  que  o  sócio  majoritário  Sr.  Marcelo  Marcel  Fachim Nogueira, não passa de um pessoa "figurativa" e  que está ao dispor do Chefe do Grupo Sr. Jacques Broher  Cohen, casado ou que mantém relacionamento estável com  Sra.  Débora  Christian  Fachim  Nogueira,  irmã  de  Marcelo.  A Denúncia Crime interposta por dependência aos autos da  Medida Cautelar  2237,  da  5a  Vara Criminal  da Comarca  de  São  Bernardo  do  Campo  (Anexo  III  com  70  páginas),  reproduz as transcrições das escutas captadas e relata com  clareza  a  responsabilidade  de  cada  uma  das  seis  pessoas  Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.482          19 naturais denunciadas e o papel que cada qual representava  na  Organização,  visando  em  conjunto  usufruírem  de  vantagem ilícita por meio da "Brazilian LandBank".  Desta  forma  e  com  a  autorização  judicial  proferida  de  compartilhamento  de  informações  entre  os  Órgãos  envolvidos  na  Operação  (Anexo  II),  ratificamos  e  aproveitamos  do  relato  que  consta  da  Denuncia  Crime  retro  referida, para responsabilizar as seguintes pessoas naturais  como  administradores  de  fato  da  contribuinte  em  lide,  associados ao administrador de direito Sr. Marcelo Marcel  Fachim Nogueira, RG 28593372­3, CPF 245.581.038­08,  residente e domiciliado à Praça Antonio Pinheiro da Costa,  55,  apto  113,  bloco  4,  CEP  09725­120,  Vila  Gonçalves,  São  Bernardo  do  Campo/SP,  descrevendo  apenas  uma  síntese elucidativa sobre cada qual:  1. Jacques Broder Cohen, RG 3409389, CPF 028.676.498­ 97, residente e domiciliado à Rua Omar Daibert n° 1, casa  260 e 261, setor C, Parque Terra Nova II, CEP 09820­680,  São Bernardo do Campo/SP.  Apresenta­se como o Diretor­Presidente do Grupo. É quem  de  fato  detém  as  ações  e  os  destinos  do  Grupo.  Mantém  patrimônio  elevado,  mas  em  nome  de  empresas  em  decorrência de ser inapto para a atividade empresarial.  O  Anexo  LXIII  demonstra  o  valor  de  seu  patrimônio.  Documento  da  lavra  de  sua  esposa/companheira  Sra.  Débora que estava no rol dos elementos apreendidos pela  Operação de Busca e Apreensão autorizada judicialmente   2.Henrique  Kertzman  Misionschnik,  RG  1521056/MG,  CPF483.644.366­00,  residente  e  domiciliado  à  Rua  México,  245,  apto  102,  CEP  11410­350,  Pitangueira,  Guarujá/SP.  Sócio  de  fato  do  Sr.  Jacques.  Realiza  manobras  para  postergar  o  conhecimento  sobre  a  verdade  das  ilusórias  compensações.  Administrava  os  empregados.  Gerenciava  pagamentos. Responsável pelo saneamento das pendências  com pessoal ou comerciais.  3.Débora  Christian  Fachim  Nogueira,  RG  28.593.372­3,  CPF120.666.128­39,  residente  e domiciliada  à Rua Omar  Daibert n° 1, casa 260 e 261,setor C, Parque Terra Nova  II, CEP 09820­680, São Bernardo do Campo/SP.  Mantinha  a  função  de  ocultar  a  figura  de  Jacques  nas  empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo.  Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.483          20 4.Silvia  Regina  de  Almeida,  CPF  030.337.788­79,  OAB  136529,residente e domiciliada à Rua Brasil, 444, apto 74,  CEP  09627­000,  Rudge  Ramos,São  Bernardo  do  Campo/SP.  Advogada  do  Grupo.  Acompanhava  a  apresentação  do  produto  nos  casos  dos  créditos  ilegítimos  ou  inexistentes.  Elaborava  os  contratos  dos  negócios  efetivados.  Atuava  com  seus  conhecimentos  jurídicos  no  encantamento  das  "presas",  tanto na captação como na manutenção do erro  depois  de  notificados  pela  Receita  Federal  da  irregularidade nas compensações.  5.Eudes Souza Cardoso Guimarães, RG 25709585­8, CPF  143.129.208­77,  residente  e  domiciliado  à  Rua  Amaro  Coutinho, 57, CEP 03896­010, Ponte Rasa, São Paulo/SP.  Diretor  executivo  do  Grupo  ­  Representante  comercial  comandante.  Responsável  pela  manutenção  da  vitima  da  organização  criminosa  em  erro,  quando  intimada  pela  Secretaria da Receita Federal.  11. Da apuração do Resultado  tributável  da  contribuinte  pela  modalidade do Lucro Arbitrado.  Diante  do  fato  de  que  a  Fiscalização  não  convalidou  a  sistemática  de  apuração  do  resultado  pelo  Lucro  Presumido  por  ela  adotada  em  razão  da  falta  de  recolhimento  do  débito  relativo  ao  primeiro  período  de  apuração  de  cada  qual  dos  anos  calendários,  combinado  com  a  falta  de  entrega  dos  Livros  de  sua  escrituração  contábil,  conforme  tópico  próprio  anterior,  não  resta  alternativas para o Fisco Federal senão seguir os ditames  legais disciplinados pelos artigos 529 e 530 do Decreto n°  3.000/99 (RIR/99) ­ apuração pelo Lucro Arbitrado.  Nestas  circunstancias  é  requisito  fundamental  conhecer  a  real  atividade  empresarial  da  contribuinte,  vez  que  a  sua  Receita Bruta já é Conhecida, nos termos do artigo 532 do  Decreto n° 3.000/99.  A  real  atividade  empresarial  que  foi  objeto  de  desenvolvimento  de  tópico  próprio  anterior,  lhe  enquadra  num  percentual  de  38,6%  a  ser  aplicado  sobre  a  Receita  Bruta  Conhecida,  nos  termos  do  artigo  519  e  seus  §§  cc  artigo 532 do Decreto n° 3.000/99.  A  Receita  Bruta  Conhecida  foi  objeto  de  dois  procedimentos  distintos:  um  para  o  ano­calendário  de  2010 e o outro para os subseqüentes 2011 e 2012.  Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.484          21 Para o ano­calendário de 2010 verificou­se existência de  créditos  registrados  na  movimentação  financeira  da  contribuinte  que  devidamente  intimada  não  logrou  êxito  em  comprová­los,  tão  pouco  apresentou  quaisquer  manifestações  e/ou  elementos  em  relação  aos  valores  individualmente lhe requeridos, caracterizando a hipótese  disciplinada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96.  Sendo assim, compilamos os dados que constam do anexo  ao  Termo  de  Intimação  lavrado  em  04/02/2014  (Anexo  XXVIII)  e  os  totalizamos  por  mês,  conforme  consta  do  Anexo  LXIV,  cujo  resultado  está  na  tabela  demonstrativa  ao  final  deste  tópico  em  conjunto  com  os  demais  valores  mensais dos anos­calendário subseqüentes.  Para os anos­calendário de 2011 e 2012 constatamos que  a contribuinte dispunha destes dados em relatório próprio  que foi objeto da Operação de Busca e Apreensão.  O Anexo LXV ­ Declaração de Faturamento 2011. É uma  declaração  formal  datada  de  30/01/2012  e  assinada  pela  Assistente  Administrativa  Aline  Rosi  Rodrigues  e  pelo  "sócio  de  direito"  Sr.  Marcelo  Marcel  Fachim  Nogueira.  Esclarecemos  que  todos  os  elementos  apreendidos  que  especificavam  controles  financeiros  de  recebíveis  ou  de  pagamentos  efetuados  estavam  assinados  pela  Aline,  conforme fartamente descrito em tópicos anteriores.  Esclarecemos existência de erro material na soma do total  anual  que  consta  da  declaração  que  registra  R$  25.605.965,26  enquanto  que  o  valor  correto  é  R$  25.607.976,25,  resultando  na  diferença  a  menor  de  R$  2.010,99,  considerada  insignificante  sob  o  aspecto  fiscal  vez que representa 0,0078% da Receita Bruta Conhecida.  O  Anexo  LXVI  ­  Declaração  de  Faturamento  2012.  Também  é  uma  declaração  formal  datada  de  16/01/2013,  assinada  pelo  "sócio  de  direito"  Sr.  Marcelo  Marcel  Fachim Nogueira e pelo contador Roberto Lippi. Os dados  mensais registrados nesta declaração são fiéis aos valores  trimestralmente  informados  na  correspondente  DIPJ,  nas  linhas relativas às receitas submetidas ao percentual de 8%  e  os  signatários  são  os  mesmos  que  constam  como  responsáveis na DIPJ (Anexo XLVI).  Esclarecemos que  igualmente ao ano de 2011, houve erro  material na soma do total anual que consta da declaração  de  2012,  registra R$  34.693.687,72  enquanto  que  o  valor  correto  é  R$  34.695.699,72,  resultando  na  diferença  a  menor  de  R$  2.012,00  e  representa  0,0058%  da  Receita  Bruta Conhecida.  Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.485          22 A  tabela  a  seguir  indica  os  valores  mensais  da  Receita  Bruta  Conhecida  pela  Fiscalização  para  efeitos  da  apuração do resultado tributável da contribuinte.    Período Apuração  2010  2011  2012  janeiro  100.000,00  930.415,13  2.816.590,47  fevereiro  31.202,00  1.820.227,22  3.479.243,01  março  ­  1.990.632,08  2.955.671,08  Total no trimestre  133.212,00  4.743.285,43  9.253.516,56    abril  461.431,04  1.747.782,36  2.619.633,39  maio  208.191,03  392.519,47  2.938.793,98  junho  722.022,33  568.727,21  2.808.335,48  Total no trimestre  1.391.644,40  2.709.029,04  8.366.762,85    julho  479.890,64  1.655.648,04  2.785.049,89  agosto  616.223,82  2.581.186,61  2.949.394,53  setembro  773.939,27  2.230.719,23  3.041.526,06  Total no trimestre  1.870.053,73  6.467.553,88  8.775.970,48    outubro  399.581,33  3.681.731,49  2.951.751,53  novembro  301.082,43  3.694.690,33  2.739.073,64  dezembro  790.272,48  4.311.686,08  2.608.624,66  total no trimestre  1.490.936,24  11.688.107,90  8.299.449,83    total no ano  4.885.846,37  25.607.976,25  34.695.699,72  12. Do reflexo das irregularidades constatas na incidência dos  tributos federais.  A constatação de que a contribuinte auferiu Receita Bruta  Conhecida e que nada declarou a  título de débitos para o  PIS/Pasep, para a COFINS e para a CSLL em suas DCTF,  como  também  nada  recolheu  e  que  não  se  utilizou  de  nenhuma  outra  modalidade  de  extinção  do  crédito  tributário decorrente da renda auferida, necessário se faz a  constituição  destes  débitos  mediante  o  procedimento  ex­ ofício,  razão  pela  qual  estamos  requerendo  junto  a  Autoridade  Administrativa  a  complementação  desta  ação  fiscal, para a  inclusão das verificações pertinentes as  três  contribuições  retro  referidas dentro do mesmo período de  apuração do IRPJ.  13.  Da  responsabilidade  solidária  das  pessoas  naturais  em  relação aos débitos para com a Fazenda Nacional.  O Código  Tributário  Nacional  (CTN)  disciplina  que  será  contribuinte  solidário  aquele  que  tem  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação  que  constitua  o  respectivo  fato  gerador.  Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.486          23 Sendo  assim,  se  constitui  em  devedor  solidário  na  qualidade  de  sujeição  passiva  da  obrigação  jurídica  tributária  aquele  que  apresenta  interesse  comum  na  situação ou  as  pessoas  expressamente  designadas  por  lei,  nos  termos do artigo 124 do CTN, Então, para os  fins da  responsabilização  com  base  na  lei  vigente,  entende­se  como  responsável  solidário  tanto  o  sócio  de  direito  bem  como  as  pessoas  naturais  que  mantinham  interesse  em  comum,  atuando  em  nome  da  pessoa  jurídica  e  com  poderes  de  gestão  de  fato,  independentemente  da  denominação  lhe  conferida  pela Organização  à  época  da  ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.  Por fim, a lei estabelece ainda que a responsabilidade por  infrações da legislação tributária independe da intenção do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade,  natureza  e  extensão dos efeitos do ato.  Portanto,  com  base  na  documentação  probatória  especificada  em  pormenores  em  cada  qual  dos  tópicos  relatados  e,  principalmente,  na  DENUNCIA  CRIME  (Anexo  III)  que  em  suma,  qualifica  e  descreva  Jacques  Broder Cohen, Henrique Kertzman Misionschnik, Débora  Christian  Fachim Nogueira, Marcelo  Fachim Nogueira,  Silvia  Regina  de  Almeida  e  Eudes  Souza  Cardoso  Guimarães,  todos  identificados  e  domiciliados  conforme  descrevemos no  tópico 10 do presente Termo, que agiram  em concurso e unidade de desígnios entre si, promoveram,  constituíram,  financiaram ou  integraram, pessoalmente ou  por  interposta  pessoa,  organização  criminosa,  assim  definida como a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas  estruturalmente  ordenada  e  caracterizada  pela  divisão  de  tarefas,  ainda  que  informalmente,  com  objetivo  de  obter,  direta  ou  indiretamente,  vantagem  de  qualquer  natureza,  mediante  a  prática  de  infrações  penais  notadamente  estelionatos, sem prejuízo de outras infrações penais.  A  pedra  de  toque  na  caracterização do  dolo  desta  equipe  está  justamente  no  fato  de  que  buscavam  "presas"  em  débito  para  com  o  Fisco  Federal  para  lhes  propor  com  falso  engodo  a  iludida  compensação,  vez  que  utilizavam  títulos  que  não  se  prestavam  para  a  extinção  do  crédito  tributário, razão pela qual não utilizaram o mesmo remédio  no  preenchimento  das  DCTF  da  "Brazilian  LandBank",  preferindo  adotar  o  método  de  nada  declarar  e  nada  recolher aos cofres federal.  Logo, todos estas seis pessoas naturais serão carreadas na  qualidade  de  responsáveis  solidários  por  sujeição  passiva  dos débitos tributários a serem constituídos no curso desta  ação fiscal.  Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.487          24 (...)  ­  que  o  crédito  tributário  lançado  de  ofício  perfaz  o  montante  de  R$  24.843.927,09  ­ na data da  lavratura dos  autos de  infração do  IRPJ e  reflexos  (CSLL, PIS e  Cofins) dos anos­calendário 2010, 2011 e 2012  (e­fls. 958/)  ­  assim especificado por exação  fiscal:    Auto de  Infração   Principal (R$)  Juros de Mora  (calculados até  mês 03/2015)   Multa de Ofício  Total  IRPJ  6.186.576,82  1.715.300,66  6.799.919,75  14.701.797,23  CSLL  1.877.284,50   521.580,86  2.066.543,11   4.465.408,47  Cofins  1.955.504,66   557.644,55  2.152.649,09   4.665.798,30  PIS/Pasep   423.692,68   120.823.00   466.407,41   1.010.923,00  Total   ­  ­  ­  24.843.927,09    ­ que foi  imputada responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado  de ofício:  a) ao sócio:    ­ Marcelo Fachim Nogueira, sócio:  Enquadramento legal:  A partir de 01/01/2000 ­ Art. 124, inciso II, da Lei n° 5.172/66.  A partir de 01/01/2000 ­ Artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66.  A partir de 01/01/2000 ­ Artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66    b) coobrigados (art. 124, I, CTN):    ­ Débora Christian Fachim Nogueira;  ­ Henrique Kertzman Misionschnik;  ­ Jaques Broder Cohen;  ­ Silvia Regina de Almeida;  ­ Eudes Souza Cardoso Guimarães.  Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.488          25   b) sujeição passiva solidária (CTN, arts. 124, II e 135, III):    ­ Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica.    Cientes do lançamento fiscal e da imputação da sujeição passiva solidária, o  sujeito  passivo  e  os  responsáveis  solidários,  como  já  mencionado  alhures,  apresentaram  impugnação na instância a quo, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida  (e­fls. 1261/1273) que, no que pertinente, transcrevo, in verbis:  (...)  Na  indigitada  impugnação,  contribuinte  alega,  em  apertada  síntese,  preliminarmente,  a  inexistência  de  responsabilidade  solidária, por não haver descrição de fatos acerca da conduta de  cada  participante  na  dita  empreitada  criminosa,  pautando­se  somente  a  fiscalização  na  peça  elaborada  pelo  Ministério  Público, o que inquina a referida imputação.  Neste sentido, invoca o princípio constitucional da presunção de  inocência, bem como o teor do verbete nº 1 da Súmula do CARF,  dispositivo que trata da separação de instâncias administrativa e  judicial  na  apreciação  das  demandas  de  natureza  tributária  envolvendo o  fisco  federal,  e ainda, cita arestos proferidos por  aquele tribunal administrativo sobre a matéria.  Nas preliminares, aduz ainda o cerceamento do direito de defesa  na medida que se buscou conhecer dos documentos bancários,  por meio de RMF, sem a devida autorização judicial para tanto,  como  também  não  teve  a  fiscalização  qualquer  apego  em  demonstrar,  a  partir  da  circularização  e  cruzamento  de  documentos  comerciais,  fiscais  e  contábeis  apreendidos  em  anterior  procedimento  cautelar  de  busca  e  apreensão,  a  materialidade  das  infrações,  concluindo,  por  presunção  e  sem  oportunizar  o  direito  do  contribuinte  em  apresentar  suas  contrarrazões, pela existência das provas aptas a sopesarem os  ilícitos tributários.  No mérito, traz à colação a necessidade de autorização judicial  para  o  acesso  aos  dados  bancários,  conforme  estabelece  a  decisão proferida no âmbito do RE nº 389808, de 15/12/2010, o  que, em seu sentir, obsta a utilização da regular RMF emitida no  curso da ação  fiscal,  fato que contamina ex nunc  todos os atos  administrativos produzidos, sobejamente o auto de infração ora  em exame.  No que tange ao arbitramento, contribuinte alega que a medida  gravosa não restou suficientemente justificada na exação, posto  que  não  há  qualquer  menção  expressa  acerca  da  desconsideração  do  lucro  presumido  apurado  no  período  sob  Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.489          26 análise, como ainda a base de cálculo encetada  incluiu valores  citados  em  contratos  dos  quais  não  participa,  o  que  inquina  a  base  de  cálculo  considerada,  haja  vista  não  serem  operações  comerciais engendradas por ele.  Por  derradeiro,  insurge­se  contra  a multa  qualificada,  pois  a  exação  aplicada  naquele  percentual  deve  vir  sempre  acompanhada  de  acervo  probatório  idôneo  a  configurar  a  conduta  típica  engendrada  pelo  contribuinte,  e  não  mero  descumprimento aduzido pela não apresentação da escrituração  comercial  e  fiscal. Nesta  toada,  cita  os  verbetes  nº  14  e  96  da  Súmula do CARF.  Pelo exposto, pugna pelo reconhecimento da  tempestividade da  impugnação,  preliminarmente  pelo  afastamento  da  responsabilidade solidária promovida na demanda, e, no mérito,  pela  improcedência  do  lançamento.  Alternativamente,  subsistindo o entendimento acerca da legalidade do lançamento,  pugna pelo afastamento da multa qualificada.  Houve  também  a  interposição  de  impugnação  por  parte  das  pessoas  naturais  arroladas  na  condição  de  responsáveis  solidários nos termos do art. 124, I, da norma geral tributária.  Nesta senda, Silvia Regina de Almeida interpôs referido recurso  em 23/04/2016, preliminarmente trazendo à luz o argumento de  que não teve qualquer interesse no fato gerador da obrigações  tributária,  pois  era  somente  funcionária  contratada  do  contribuinte,  vínculo  que  se  iniciou  em  maio  de  2011,  para  desempenhar  atividade  jurídica,  sendo  uma  espécie  de  departamento jurídico, escoimando­se que qualquer ato voltado  para a atividade  finalística desenvolvida no período, sendo que  no contrato celebrado, além da locação de três salas comerciais  pertencentes ao contribuinte,  ficou consignada a  relação acima  mencionada.  Destaca  que  referida  relação  contratual  foi  rescindida em 04/03/2013.  Alega,  com  efeito,  que  jamais  praticou  qualquer  ato  para  captação  de  clientes  ou  efetuado  vendas  referentes  ao  objeto  social  do  contribuinte,  prestando  somente  serviços  jurídicos,  e  que  participava  das  reuniões  com  clientes  apenas  a  pedido  da  área  comercial,  atendendo aos  clientes  e a  seus departamentos  jurídicos.  Nas  questões  de  Direito,  esclarece  que  sua  inclusão  no  pólo  passivo  da  responsabilidade  tributária  não  respeitou  aos  princípios  reitores  do  processo  administrativo  e  da  administração pública, especialmente o princípio da legalidade,  que  exige  a  exaustiva  demonstração  de  elementos  materiais  lógico­jurídicos que vinculem sua participação nos injustos, não  somente  a  subsunção  a  dispositivos  legais  previstos  na  norma  tributária,  e  a  validade  da  presunção  que,  se  não  confrontada  com outros elementos de prova, não pode ser instrumento hábil a  fundamentar  a  imputação,  visto  que  o  Direito  admite  outros  meios de provas a serem utilizados.  Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.490          27 No  que  se  refere  à  responsabilidade  tributária,  aduz  que  este  instituto  difere  da  responsabilidade  pessoal,  sendo  imprescindível a demonstração inequívoca de interesse comum  no fato gerador, expressão que, a despeito da abstração prevista  na norma geral,  decorre da participação na  realização do  fato  gerador,  que,  conjuntamente,  deve  ter  contra  si  provado  tal  liame,  razão  pela  qual  solicita  a  exclusão  de  seu  vínculo  de  responsabilidade solidária com a exação em tela.  Débora  Christian  Fachim  Nogueira  e  Henrique  Kertzman  Misionschnik,  apresentam,  nesta  ordem,  em  01/05/2015  e  05/05/2015,  suas  impugnações,  que,  embora  em  peças  apartadas,  tem materialmente a mesma  fundamentação  jurídica  –  inclusive  com  redação  quase  que  idêntica­,  consignando  inicialmente  que  a  responsabilidade  tributária  se  baseia  unicamente  na  denúncia  formulada  pelo Parquet,  não  havendo  qualquer fato novo a vinculá­los ao fato gerador, muito menos a  comprovação de  interesse  comum na  relação  tributária.  Relata  como  fundamento  de  sua  defesa,  portanto,  que  a  fiscalização  limitou­se a descrever aquela imputação.  Ausente qualquer  vínculo  societário  formal  com o  contribuinte,  alegam que fazem parte do quadro societário de outra sociedade  empresária  e  que,  por  ocasião  de  oitiva  junto  ao  MP/SP,  categoricamente afirmam jamais ter participado como sócios do  contribuinte, o que comprova a inexistência de interesse comum  com o fato gerador que deu ensejo à exação.  No  mais,  tal  qual  o  contribuinte  aduz  em  sua  impugnação,  pretendem  afastar  as  infrações  tributárias  pelo  fato  de  haver  sido engendrada conduta que cerceou seu direito de defesa, bem  como se mostrou desprovida de validade jurídica o arbitramento  levado a  efeito  pela  fiscalização,  razão pela  qual  pedem sejam  excluídos do polo passivo da demanda e, alternativamente, acaso  não seja acatado o pedido supra, a multa qualificada seja objeto  de reforma.  Jaques Broder Cohen, na mesma linha de dicção dos anteriores,  alega  a  inexistência  de  qualquer  relação  que,  por  desdobramento, implique na responsabilidade tributária que lhe  fora  imputada  pela  fiscalização,  que  se  pautou  somente  na  descrição fática aportada no relato formulado no procedimento  investigatório. O  dito  interesse  comum,  a  seu  juízo,  não  restou  demonstrado,  inquinando,  por  este  turno,  qualquer  vinculação  de seu nome com o crédito tributário.  Expõe  ainda  possíveis  nulidades  a  prejudicarem  a  validade  da  autuação,  como  o  cerceamento  do  direito  de  defesa  amparado  pela  insuficiente  descrição  dos  fatos  ensejadores  das  infrações  capituladas  na  reprimenda  e  pela  inversão  do  ônus  da  prova  engendrada  na  ação  fiscal,  sem,  contudo,  haver  qualquer  previsão legal para tanto.  Por  fim,  insurge­se  contra  o  arbitramento  do  lucro,  por  não  haver  descrição  suficiente  para  amparar  a  adoção  desta  modalidade  de  apuração  do  lucro,  bem  como  pela  inexistência  Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.491          28 de  fatos  que  conduzam  à  qualificação  da  sanção  punitiva  acoimada  ao  valor  principal  dos  tributos  devidos,  ora  no  que  tange  ao  arbitramento,  ora  no  que  concerne  à  infração  encartada  como  omissão  de  receitas  pela  via  direta.  É  o  relatório necessário. Passo ao exame.  (...)  Na  sessão  de  30/05/2016,  a  8ª  Turma  da  DRJ/São  Paulo  julgou  as  impugnações improcedentes, mantendo integralmente o crédito tributário lançado de ofício e as  sujeições passivas solidárias, cuja ementa e parte dispositiva do acórdão transcrevo, in verbis:  (...)  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2010, 2011, 2012   ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA.  IMPOSSIBILIDADE  DE  AFERIÇÃO  PELO  REGIME  DE  APURAÇÃO  ESCOLHIDO  PELO  CONTRIBUINTE.  NÃO  APRESENTAÇÃO  DE  LIVROS  E  DOCUMENTOS.  APLICABILIDADE. Considerando que, após sucessivas dilações  de  prazo  para  apresentação  de  livros  comerciais  e  fiscais,  o  contribuinte  se  omite  em  apresentá­los,  resta  imprescindível  a  aplicação  da  medida  gravosa  do  arbitramento  do  lucro,  consentâneo  o  previsto  no  art.  530  do  Decreto  nº  3000/99(Regulamento do Imposto de Renda)  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DA  ATIVIDADE.  COTEJO  ENTRE  AS  DECLARAÇÕES  E  DEMAIS  DOCUMENTOS  FISCAIS.  NOTAS FISCAIS COMO MEIO DE PROVA DIRETA. No curso  da  autoria,  após  cotejo  entre  DIPJ,  DCTF  e  DACON,  e  notas  fiscais  regularmente  emitidas,  se  comprovado  que  contribuinte  omitiu  receitas  da  atividade  na  apuração  fiscal  do  período,  a  prova  direta,  vale  dizer,  obtida  por  meio  idôneo,  é  suficiente  para amparar a imputação da omissão de receitas.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9430/96. No  curso do procedimento  fiscal, após a constatação da existência  de depósitos bancários em conta de titularidade do contribuinte,  cabível a aplicação da presunção legal instituída pelo art. 42 da  Lei  9430/96.  Se,  após  ter  sido  oportunizado  o  direito  do  contribuinte de produzir prova em contrário sobre o origem dos  depósitos, não for produzida prova hábil a afastar tal presunção  legal,  a  autoridade  administrativa  tem  o  dever  de  incluir  tais  valores na base de cálculo do  IRPJ e  seus  reflexos, a  título de  receitas operacionais.  MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL DO ART.  44  DA  LEI  9430/96.  PERCENTUAL  QUALIFICADO  ANTE  A  CONSTATAÇÃO DE  SONEGAÇÃO,  FRAUDE OU  CONLUIO.  A  multa  de  ofício  prevista  na  norma  tributária  se  aplica  em  Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.492          29 razão  do  princípio  da  legalidade  estrita,  baliza  do  Direito  Tributário.  Constatada  a  existência  da  fatos  enquadrados  nos  arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4502/64, que se ligam hodiernamente  ao que estabelece o art. 1º1 da Lei nº 8137/90, a qualificação da  referida multa deve ser aplicada pela autoridade administrativa.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  ART.  124,  I,  CTN.  TERMO  DE  SUJEIÇÃO  PASSIVA SOLIDÁRIA. Comprovado o interesse comum entre as  pessoas envolvidas no fato gerador da obrigação tributária, quer  seja mediante a produção de prova no curso da ação fiscal, quer  por  meio  de  prova  legalmente  produzida  em  procedimento  diverso,  no  jargão  jurídico  conhecida  como  prova  emprestada,  tal  responsabilidade  deve  ser  formalizada  pela  autoridade  administrativa,  devendo ser observados  todas as conseqüências  pertinentes  a  este  instituto,  especialmente  a  inexistência  do  benefício de ordem na cobrança do crédito tributário.  IMPUGNAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  RESPONSÁVEL  SOLIDÁRIO.PRAZO  PARA  APRESENTAÇÃO  DEFINIDO  NO  ART. 15 DO DECRETO 70237/72. INTEMPESTIVIDADE. NÃO  INSTAURAÇÃO  DA  FASE  LITIGIOSA.  A  apresentação  da  impugnação  administrativa  fora  do  prazo  implica  no  reconhecimento  de  sua  intempestividade,  o  que,  por  desdobramento,  impõe  a  não  instauração  do  contencioso  administrativo e a preclusão do direito do responsável solidário  em apresentar defesa nas fases posteriores da demanda em sede  administrativa.  No  entanto,  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito tributário comunica a todos os citados na ação fiscal.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  (...)  Acordam  os  membros  da  8ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  improcedente  a  impugnação,  mantendo o crédito tributário exigido.  Intimem­se  o  contribuinte  e  os  responsáveis  tributários  solidários  para  pagamento  do  crédito mantido  no  prazo  de  30  dias  da  ciência,  salvo  interposição  de  recurso  voluntário  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  à  exceção  de  Henrique Kertzman Misionschnik (impugnação intempestiva) ,  em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º  70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º  8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de  19 de julho de 2002.  (...)  Nesta  instância  recursal  ordinária,  a  pessoa  jurídica  Sujeito  Passivo  BRAZILIAN  LANDBANK,  EMPREENDIMENTOS,  INCORPORAÇÕES  E  REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e­ fls. 1285/1315).  Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.493          30 Obs: Como não havia  nos  autos o documento de  ciência da decisão  recorrida pelo  sujeito  passivo, e para verificação da tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado, esta Turma na sessão de  12/06/2018, conforme Resolução nº 1301­000.601 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, devolveu os autos à unidade  de  origem  da RFB  para  que  juntasse  aos  autos  o  comprovante  de  ciência  do  sujeito  passivo  e  do  responsável  solidário EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES  (e­fls..  1422/1449). Efetuado o  saneamento do  processo,  dada ciência, aberto prazo para recurso (e­fls. 1451/ 1460), não houve manifestação adicional da Pessoa Jurídica e  não houve apresentação de Recurso Voluntário por parte do Sr. EUDES SOUZA CARDOSO.   Consta dos autos ciência dos sujeitos passivos solidários:  a)  MARCELO  MARCEL  FACHIM  NOGUEIRA  em  08/06/2016  por  via  postal ­ AR (e­fl. 1280), e não apresentou Recurso voluntário.  b) SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA em 08/06/2016 por via postal ­ AR (e­ fl. 1281), e não apresentou Recurso Voluntário;  c)  JACQUES BRODER COHEN em 08/06/2016  por via postal  ­ AR  (e­fl.  1282), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e­fls.1377/1399);  d)  HENRIQUE  HERTZMAN  MISIONSCHNIK  em  09/06/2016  por  via  postal ­ AR (e­fl. 1283), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e­fls. 1351/1376);  e)  DEBORA  CHRISTIAN  FACHIM  NOGUEIRA  em  08/06/2016  por  via  postal ­ AR (e­fl. 1284), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e­fls. 1319/1344).;  f) EUDES SOUZA CARDOSO GUIMARÃES em 14/08/2018 por via postal  ­ AR (e­fl. 1460), não apresentou Recurso Voluntário.  Quanto  às  razões  do  Recurso  Voluntário  apresentado  pelo  sujeito  passivo  BRAZILIAN  LANDBANK,  EMPREENDIMENTOS,  INCORPORAÇÕES  E  REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, em síntese, são as seguintes:  I ­ Das preliminares suscitadas:  a) deficiência de fundamentação da decisão da DRJ:  ­ que a decisão recorrida, por ser sucinta, não atendeu ao disposto no art. 489  do Novo Código de Processo Civil ­ CP (Lei 13.105/2015);  ­  que  a  decisão  da  DRJ  deve  ser  anulada,  e  retorno  dos  autos  para  nova  decisão, observando os requisitos do art. 489 do citado diploma legal.  b) da  inexistência de  responsabilidade solidária  com base no  art.  124,  I,  do  CTN, em relação aos imputados:  ­  que  a  fiscalização  não  descreveu  objetivamente  as  condutas  individualizadas de cada imputado;  ­ que em face da ausência de descrição pormenorizada do interesse comum,  requer­se, nesse ponto, o acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento fiscal;  ­ que, na hipótese da sujeição ser mantida, que deve ser limitada ao período  em que efetivamente atuou cada um dos imputados.  Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.494          31 c) cerceamento do direito de defesa:  ­ descrição insuficiente dos fatos nos Autos de Infração;  ­ que a fiscalização não descreveu suficientemente a base de cálculo, quanto  às infrações imputadas;  ­ que o que há é apenas planilha de fls. 753/754, juntada aos autos pelo fisco,  obtida  pelo  compartilhamento  dos  documentos  apreendidos  pelo  Ministério  Público  e  uma  listagem de depósitos fls. 416;  ­  que  para  conhecimento  do  faturamento  a  fiscalização  não  circularizou  as  provas;  ­  que  a  fiscalização  deveria  demonstrar  como  chegou  ao  conhecimento  do  faturamento, demonstrar o cálculo e  justificar os elementos utilizados; que  isso não foi  feito,  não consta dos autos;  ­  que  a  prova  utilizada  não  se  sustenta  ante  a  movimentação  financeira  apresentada, bem como nos contratos, como se pode ver no Contrato de fls. 771/777;  ­ que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados,  o que não fez;  ­  que  a  fiscalização  não  acatou,  não  aceitou  os  dados  e  registros  da  contribuinte, e não justificou por qual razão; que há necessidade de prova segura de falsidade  ou  inexatidão  para  rejeição  da  escrituração;  que  no  caso  só  teria  ocorrido  ausência  de  declaração.  2 ­ Mérito:  a) omissão de receitas ­ depósitos bancários de origem não comprovada:  ­  que  deve  ser  afastada  a  autuação  quanto  ano­calendário  2010  com  base  depósitos bancários, por ilegal a quebra do sigilo bancário, acesso sem autorização judicial.  b) arbitramento do lucro:  ­ que discorda do coeficiente de arbitramento (margem de lucro presumida),  base de cálculo;  ­ que a descrição dos fundamentos não consta da descrição dos fatos no auto  de infração;  ­  que  não  consta  qual  a  razão  para  o  afastamento  do  lucro  presumido  e  os  fundamentos para o lucro arbitrado;  ­ que o lançamento fiscal não tem motivação;  ­  que  a  fiscalização  não  demonstrou  os  motivos  para  desconsideração  do  lucro presumido,  limitando­se a afirmar que a  real atividade da contribuinte é a prestação de  Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.495          32 serviços;  que  não  demonstrou  a  proporção  do  faturamento  entre  a  prestação  de  serviços  e  atividade imobiliária (porção de exploração imobiliária);  ­  que  desconsiderou  todos  os  empreendimentos  imobiliários  desenvolvidos  pela contribuinte sem fazer qualquer exame ou investigação sua existência, como faz prova o  contrato de fls. 856 e seguintes;  ­ que a fiscalização não levou em conta os diversos contratos celebrados pela  contribuinte  de  constituição  de  sociedade  em  conta  de  participação  para  exploração  de  inúmeros imóveis.  b) base de cálculo:  ­  que  parte  dos  recursos  pertencem  a  terceiros  e  não  poderiam  ser  considerados no cálculo, conforme dispõe o contrato, cláusula 6ª, de fls. 771 e seguintes:  ­  que parte dos  contratos  utilizados  como base  de  cálculo  não  pertencem  à  recorrente, pois são contratos entre  terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo  Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls.  755, 847/849, 851/853 e 855;  ­  que  a  base de  cálculo  foi  superestimada,  e  que  não  tem  como  comprovar  pois  os  documentos  foram  apreendidos;  porém  o  fisco  tem  disponibilidade  sobre  esses  documentos em face do compartilhamento de provas deferido judicialmente.  c) multa de 150%:  ­ que a qualificação da multa deu­se com base em argumentos genéricos; que  deu­se pura e simplesmente pela falta de declaração e falta de recolhimentos, contrariando não  só a jurisprudência, mas também as Súmulas CARF nºs 14 e 96;  ­ que deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício.  Por fim, a recorrente pediu:  a)  a  anulação  da  decisão  recorrida,  por  inobservância  do  art.  489  do  novo  CPC;   b) exclusão dos responsáveis solidários;  c) subsidiariamente, a suspensão, sobrestamento do processo, até que sejam  julgadas as ações criminais em curso no Poder Judiciário;  d)  quanto  mérito,  a  improcedência  do  lançamento  fiscal  e,  caso  não  seja  improcedente, requer o afastamento da qualificadora da multa.  Razões do Recurso Voluntário dos coobrigados:   ­ Sr. HENRIQUE HERTZMAN MISIONSCHNIK;  ­ Sr. JACQUES BROTER COHEN;  Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.496          33 ­ Sra. DÉBORA CHRISTIAN FACHIM|;  Embora  os  recursos  tenham  sido  apresentados  individualmente,  todos  alegaram as mesmas matérias, em síntese:  a) preliminares:  ­ suscitou as mesmas preliminares já suscitadas pela pessoa jurídica autuada.  b) mérito:  ­ alegou as mesmas matérias já alegadas pela pessoa jurídica autuada.  Por fim, pediu:  a) preliminarmente:  ­  a nulidade da decisão  recorrida,  retorno dos  autos  à primeira  instância  de  julgamento para nova decisão, sob pena de supressão de instância;  ­subsidiariamente, a exclusão da responsabilidade solidária;  b) mérito:  ­  improcedência  do  lançamento  fiscal  e,  caso  não  seja  improcedente,  o  afastamento da qualificadora da multa de ofício.  É o relatório.                          Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.497          34       Voto Vencido  Conselheiro Nelso Kichel, Relator.    ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS    Os  Recursos  Voluntários  do  sujeito  passivo  BRAZILIAN  LANDBANK,  EMPREENDIMENTOS,  INCORPORAÇÕES  E  REPRESENTAÇÃO  COMERCIAL  LTDA  (e­fls.  1285/1315)  e  dos  responsáveis  solidários  DÉBOARA  CHRISTIAN  FACHIM  NOGUEIRA  (e­fls.  1319/1344)  e  JACQUES  BRODER  COHEN  (e­fls.  1377/1399)  são  tempestivos  e  preenchem  as  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto,  conheço  dos  recursos.  Quanto  ao  Recurso  Voluntário  do  Sr.  HENRIQUE  HERTZMAN  MISIONSCHNIK  (e­fls.  1351/1376),  responsável  solidário,  embora  apresentado  tempestivamente,  conheço  parcialmente,  ou  seja,  não  conheço  quanto  à  matéria  sujeição  passiva solidária por estar preclusa, pois na primeira instância de julgamento o Sr. Henrique  Kertzman Misionschnik  apresentou  impugnação  intempestiva,  a  qual  sequer  foi  conhecida  pela  decisão  a  quo  que,  de  forma  expressa,  pronunciou  a  intempestividade,  implicando  preclusão (revelia) (e­fl.1267), in verbis:  (...)  As  impugnações  foram  interpostas  dentro  do  prazo previsto  no  art.  15  do  Decreto  nº  70235/72,  razão  pela  qual  devem  ser  conhecidas, à exceção daquela aviada por Henrique Kertzman  Misionschnik, que, apresentada pela via postal,  tem como data  de entrega 05/05/2015, portanto, fora do prazo recursal definido  pelo  dispositivo  supra,  o  que,  por  consectário,  implica  no  reconhecimento de sua intempestividade e no não conhecimento  da  instauração  da  fase  litigiosa,  não  obstante  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  em  tela  subsistir  a  todos  os  envolvidos na ação fiscal.  (...)  Não apresentaram Recurso Voluntário os responsáveis solidários:  ­ SÍLVIA REGINA DE ALMEIDA ciência da decisão a quo em 08/06/2016  por via postal ­ AR (e­fl. 1281); não apresentou Recurso Voluntário;  Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.498          35 ­ EUDES  SOUZA CARDOSO GUIMARÃES  ciente  da  decisão  a  quo  em  14/08/2018 por via postal ­ AR (e­fl. 1460); não apresentou Recurso Voluntário.  ­ MARCELO MARCEL FACHIM NOGUEIRA é titular de direito da pessoa  jurídica  autuada,  conforme  Instrumento  de  Contrato  Social  e  Alterações  (e­fls.  237/286),  ciência  da  decisão  a  quo  em  08/06/2016  por  via  postal  ­  AR  (e­fl.  1280),  não  apresentou  Recurso Voluntário.     OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL    Conforme  relatado,  a  Fiscalização  da  Receita  Federal  do  Brasil,  unidade  DRF/São  Bernardo  do  Campo,  constatou  que  nos  anos­calendário  2010,  2011  e  2012,  a  contribuinte, submetida ao regime do lucro presumido:  a) não pagou IRPJ e CSLL e também não recolheu PIS e Cofins;  b)  apresentou  DIPJ  dos  anos­calendário  2010  e  2011  sem  movimento,  ou  seja, sem faturamento, campos zerados (e­fls. 685/722).  Intimada e reintimada pelo fisco para a apresentar o livro Caixa, razão, Diário  e documentos, a contribuinte nada forneceu à Fiscalização. Então, o fisco arbitrou o lucro.  Infrações imputadas (exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins):  a) omissão de receitas ­ depósitos bancários de origem não comprovada  (presunção  legal,  prova  indireta,  art.  42  da  Lei  9.430/96),  ano­calendário  2010,  com  multa  qualificada (150%)  b)  omissão  de  receitas  da  atividade  ­  receita  bruta  de  prestação  de  serviços em geral, anos­calendário 2011 e 2012, com aplicação de multa de 150% e 75%,  respectivamente (prova direta, art. 24 da Lei 9.249/95).  Imputação  de  responsabilidade  solidária  pelo  crédito  tributário  lançado  de  ofício:  a) art. 124, I, do CTN:  ­ Débora Christian Fachim Nogueira;  ­ Henrique Kertzman Misionschnik;  ­ Jaques Broder Cohen;  ­ Silvia Regina de Almeida;  ­ Eudes Souza Cardoso Guimarães;  b) arts. 124, II e 135, III):  Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.499          36 ­ Marcelo Marcel Fachim Nogueira, titular de direito da pessoa jurídica.    A  decisão  a  quo  julgou  as  Impugnações  improcedentes,  ao  manter  a  exigência  do  crédito  tributário  e,  ainda,  manteve  a  sujeição  passiva  solidária  de  todos  os  imputados (coobrigados).    OBJETO DOS RECURSOS APRESENTADOS    3.1­Preliminares suscitadas:    a) nulidade do lançamento fiscal:  ­ descrição insuficiente dos fatos, falta de motivação, cerceamento do direito  de defesa.  b) nulidade da decisão a quo.  ­ fundamentação deficiente, cerceamento do direito de defesa.    3.2 ­ Mérito:    a) omissão de receitas ­ depósitos bancários e origem não comprovada, ano ­ calendário 2010, Planilha elaborada pela Fiscalização (e­fls. 912/913);  b)  omissão de  receitas  ­  receitas  da  atividade  de  prestação  de  serviços  em  geral:  ­ ano­calendário 2011 ­ Planilha de faturamento, receita bruta, elaborada pela  própria contribuinte, de 30/01/2012 (e­fl. 914);  ­ ano­calendário 2012 ­ dados da DIPJ.  c) arbitramento do lucro ­base de cálculo:  d) multa qualificada (150%).  d) sujeição passiva solidária dos imputados (coobrigados).  Identificados  os  pontos  controvertidos,  passo,  primeiro,  a  enfrentar  as  preliminares suscitadas.  Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.500          37   NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  FISCAL.  INOCORRÊNCIA  DE  VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA    O  sujeito  passivo  e  os  coobrigados  suscitaram  preliminar  de  nulidade  dos  autos de infração, por cerceamento do direito de defesa:  ­ descrição insuficiente dos fatos nos autos de infração;  ­ que a fiscalização não descreveu suficientemente a base de cálculo, quanto  às infrações imputadas;  ­ que há apenas planilha de fls. 753/754, juntada aos autos pelo fisco, obtida  pelo compartilhamento dos documentos apreendidos pelo Ministério Público e uma listagem de  depósitos fls. 416;  ­  que  para  conhecimento  do  faturamento  a  fiscalização  não  circularizou  as  provas;  ­  que  a  fiscalização  deveria  demonstrar  como  chegou  ao  conhecimento  do  faturamento, demonstrar o cálculo e  justificar os elementos utilizados; que  isso não foi  feito,  não consta dos autos;  ­  que  a  prova  utilizada  não  se  sustenta  ante  a  movimentação  financeira  apresentada, bem como nos contratos, como se pode ver no Contrato de fls. 771/777;  ­ que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados,  o que não fez;  ­  que  a  fiscalização  não  acatou,  não  aceitou  os  dados  e  registros  da  contribuinte, e não justificou por qual razão;   ­ que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição  da escrituração; que no caso só teria ocorrido ausência de declaração;  ­ que o lançamento fiscal não tem motivação.  Rechaço  peremptoriamente  a  alegação  de  existência  de  prejuízo  à  defesa  quanto aos fatos imputados nos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.  Quanto  às  infrações  imputadas,  os  autos  de  infração  apresentam  adequada,  precisa,  exata,  descrição  ou  narrativa  dos  fatos,  capitulação  legal,  valor  tributável,  demonstrativo de base de cálculo, alíquota e valor da exação fiscal apurada, com respectivos  demonstrativos de cálculo, em observância ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235 e art.  142 do CTN.  Veja.  Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.501          38 Quanto à infração omissão de receitas ­ receita bruta mensal de prestação de  serviços em geral, consta do Auto de Infração do IRPJ (e­963/964), in verbis:  (...)  0001  OMISSÃO  DE  RECEITA  DA  ATIVIDADE  RECEITA  BRUTA  MENSAL  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  EM  GERAL   O contribuinte não emitiu as notas  fiscais  referentes a  serviços  gerais  que  prestou  e  nem  informou  rendimentos  na  respectiva  DIPJ que entregou tempestivamente no ano­calendário de 2011,  caracterizando omissão de receitas da atividade.  Para o período de 2012 embora tenha informado rendimentos na  DIPJ, nada recolheu ou declarou em DCTF a título de débitos de  tributos federais decorrentes da receita que auferiu.  A  regular  e  autorizada  judicialmente  Operação  de  Busca  e  de  Apreensão  no  domicílio  da  contribuinte  e  de  algumas  pessoas  naturais  a  ela  vinculadas  possibilitou  verificar  e  apurar  a  sua  RECEITA CONHECIDA,  nos  termos  da  legislação  tributária  e  da modalidade de apuração do resultado pelo Lucro Arbitrado, e  de que esta Receita advêm da atividade de prestação de serviços,  conforme relato pormenorizado que consta do Termo de Ciência,  de  Esclarecimentos,  de  Constatação  e  de  Intimação  Fiscal,  lavrado  aos  05/01/2015,  cuja  ciência  ocorreu  pelo  Edital  nº  16/2015,  publicado  no  DOU  de  13/02/2015,  com  a  documentação  probatória  que  foram  carreadas  ao  Termo  em  forma de Anexos do I ao LXVII; pelos demais fatos narrados no  Termo de Registro de Ocorrências de 09/02/2015 e no Termo de  Descrição  dos  Fatos  de  23/03/2015,  sendo  que  todos  estes  Termos são integrantes dos presentes autos de infração.    Fato Gerador        Valor Apurado (R$)         Multa (%)  31/01/2011           930.415,13           150,00  28/02/2011          1.820.227,22           150,00  31/03/2011          1.990.632,08           150,00  30/04/2011          1.747.782,36           150,00  31/05/2011           392.519,47           150,00  30/06/2011           568.727,21           150,00  31/07/2011          1.655.648,04           150,00  31/08/2011          2.581.186,61           150,00  30/09/2011          2.230.719,23           150,00  31/10/2011          3.681.731,49           150,00  30/11/2011          3.694.690,33           150,00  31/12/2011          4.311.686,08           150,00  31/01/2012          2.816.590,47           75,00  28/02/2012          3.479.243,01           75,00  31/03/2012          2.955.671,08           75,00  30/04/2012          2.619.633,39           75,00  31/05/2012          2.938.793,98           75,00  Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.502          39 30/06/2012          2.808.335,48           75,00  31/07/2012          2.785.049,89           75,00  31/08/2012          2.949.394,53           75,00  30/09/2012          3.041.526,06           75,00  31/10/2012          2.951.751,53           75,00  30/11/2012          2.739.073,64           75,00  31/12/2012          2.608.624,66           75,00    Enquadramento Legal   Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012:  art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Art. 537 do RIR/99  (...)  Como dito, os valores  tributáveis mensais  ­ demonstrativo acima  ­ constam  do auto de infração IRPJ (e­fls 963/964) e foram obtidos pela Fiscalização assim:  a) quanto ao ano­calendário 2011, em Operação de Busca e Apreensão no  domicílio da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas, por ordem judicial.  Portanto,  o  demonstrativo  original,  elaborado  pela  própria  fiscalizada  BRAZILIAN  LANDBANK  consta  da  Planilha  ­  Faturamento  Bruto  2011,  de  30/01/2012,  assinada  por  Aline  Rosi  Rodrigues  e,  também,  assinada  por  Marcelo  Marcel  Fachim  Noqueira  (e­fls.  912/913);  b)  quanto  ao  ano­calendário  2012,  transcrição  da  própria  DIPJ  que  a  contribuinte entregou ao fisco (transmitiu eletronicamente à RFB) (e­fls. 723/745), porém nada  pagou, nada recolheu.  Quanto à infração omissão de receitas ­ depósitos bancários de origem não  comprovada,  ano­calendário  2010,  consta  do  auto  de  infração  do  IRPJ  (e­fl.  965)  e  autos  reflexos (CSLL, PIS e Cofins), in verbis:  (...)  0002  OMISSÃO  DE  RECEITA  POR  PRESUNÇÃO  LEGAL  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA   Valores  creditados  em  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  junto  a  instituições  financeiras  no  ano­calendário  de  2010,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado e reintimado, não comprovou, mediante documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  A regular e autorizada judicialmente “Operação de Busca e de  Apreensão” no domicílio da contribuinte e de algumas pessoas  naturais a ela vinculadas possibilitou verificar que os ingressos  em  contas­correntes  advêm  da  atividade  de  prestação  de  serviços,  conforme  relato  pormenorizado  que  consta  do  Termo  Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.503          40 de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação  Fiscal, lavrado aos 05/01/2015, cuja ciência ocorreu pelo Edital  nº  16/2015,  publicado  no  DOU  de  13/02/2015  e  pelos  demais  fatos  narrados  no  Termo  de  Ocorrências  de  09/02/2015  e  no  Termo de Descrição dos Fatos de 23/03/2015, sendo que  todos  estes Termos são integrantes dos presentes autos de infração.    Fato Gerador         Valor Apurado (R$)       Multa (%)  31/01/2010           100.000,00           150,00  28/02/2010           31.202,00           150,00  30/04/2010           461.431,04           150,00  31/05/2010           208.191,03           150,00  30/06/2010           722.022,33           150,00  31/07/2010           479.890,64           150,00  31/08/2010           616.223,82           150,00  30/09/2010           773.939,27           150,00  31/10/2010           399.581,33           150,00  30/11/2010           301.082,43           150,00  31/12/2010           790.272,48           150,00    Enquadramento Legal:  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010:  art. 3º da Lei nº 9.249/95.  Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99  (...)  Na DIPJ do ano­calendário 2010, a contribuinte não declarou faturamento, ou  seja, receita bruta mensal e anual valor zerado (e­fls. 685/722).  O demonstrativo de valores tributáveis foi extraído da planilha de depósitos  bancários a crédito não  justificados pela contribuinte do ano­calendário 2010, que discrimina  operação de depósito,  uma por uma, nª  do Banco, nº da Agência,  conta  corrente,  data,  valor  creditado e histórico (e­fls. 913/914).  Cópia  dos  extratos  bancários  fornecidos  pelos  Bancos,  RMF,  constam  dos  autos (e­fls.427/684).  A  contribuinte  foi  intimada  04/02/2014  e  re­intimada  18/02/2014  a  comprovar  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias,  com  demonstrativo  discriminando,  depósito  por  depósito,  nº  do Banco,  nº Agência,  data,  valor  e  histórico (e­fls. 419 /426).  Como visto,  não  tem plausibilidade  fático­jurídica  a  alegação  da  recorrente  de que o  lançamento  fiscal  teria descrição  insuficiente dos  fatos,  falta de motivação, e que a  fiscalização ainda não teria demonstrado suficientemente a base de cálculo quanto às infrações  imputadas.   Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.504          41 Diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  as  infrações  imputadas  estão  motivadas, precisamente narradas, descritas nos autos de infração com adequada identificação  e  demonstração  dos  Elementos  Pessoal, Material,  Temporal,  Espacial  e  quantitativo  e  ainda  capitulação legal.  Apenas  a  ausência  ou  insuficiência  de  descrição  dos  fatos  e  a  falta  de  capitulação  legal  das  infrações  imputadas  implicaria  vício  de  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento do direito de defesa, o que não é o caso.  Conforme  já  dito,  os  fatos  imputados  estão  apurados,  narrados,  de  forma  clara,  objetiva  e  suficiente,  com  capitulação  legal  e  motivação,  o  que  permitiu  ao  sujeito  passivo e aos responsáveis solidários o pleno entendimento e compreensão da acusação fiscal,  não restando comprovado o alegado prejuízo à defesa.  Nesse sentido, também são precedentes do CARF, ou seja, pela inocorrência  de vício que pudesse macular, inquinar de nulidade o lançamento fiscal, in verbis:  NULIDADE.  IMPROCEDÊNCIA.  Tendo  sido  o  lançamento  efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo  prova  de  violação  das  disposições  contidas  no  artigo  142  do  CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento  em  questão.  (Acórdão  nº  1402­002.522  ­  4ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  17/05/2017, Paulo Mateus Ciccone ­ Relator).  ASSUNTO:  NORMAS  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA  Ano­calendário:2006  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida  a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto  de infração, e não provada violação das disposições previstas na  legislação  de  regência,  restam  insubsistentes  as  alegações  de  nulidade  do  auto  de  infração  e  do  procedimento  Fiscal.  (Acórdão  nº  1401­001.884  ­  4ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  18/05/2017,  Antonio  Bezerra  Neto–Presidente  e  Relator).  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  30/09/2012  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  FORMALIDADES  LEGAIS.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA. Auto  de  Infração  lavrado  de  acordo  com  os  dispositivos  legais  e  normativos  que  disciplinam  o  assunto,  apresentando  adequada  motivação  jurídica  e  fática,  goza  dos  pressupostos  de  liquidez  e  certeza,  podendo  ser  exigido  nos  termos  da  lei.  (Acórdão  nº  2202­004.663–2ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  07/08/2018,  Rosy  Adriane  da  Silva Dias­ Relatora).  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  31/12/2012  NULIDADE.CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  FALTA  DE  MOTIVAÇÃO.  INEXISTÊNCIA.  Descabe  a  declaração  de  nulidade,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  quando  o  relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada  dos  fatos  imputados  ao  sujeito  passivo,  indicam os  dispositivos  Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.505          42 legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e  objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela  efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame  obrigacional.(Acórdão  nº  2401­005.668–4ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  07/08/2018,  Cleberson  Alex  Friess  ­  ­ Relator).  ASSUNTO:IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período  de  apuração:01/01/2007a30/09/2008  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Rejeita­se  a  preliminar  de  nulidade do auto de  infração que  foi  lavrado  legitimamente em  conformidade com o art.142 do CTN e com o art.10 do Decreto  nº  70.235/72  e  sem  que  tenha  ocorrido  qualquer  situação  especificada  no  art.  59  desse  Decreto.  ACÓRDÃO  RECORRIDO.  NULIDADE  .INEXISTÊNCIA.  Descabida  a  alegação  de  nulidade  de  acórdão  constituído  por  relatório  resumido  do  processo,  dispositivo  e  fundamentação,  com  o  debate  de  todos  os  argumentos  relevantes  apresentados,  sem  qualquer  cerceamento  do  direito  de  defesa  da  contribuinte.  (Acórdão  nº  3402005.560–4ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  30/08/2018,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula­ Relatora).  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  Ano­ calendário:2011  FASE  PROCEDIMENTAL.  AUSÊNCIA  DE  CONTRADITÓRIO  E  AMPLA  DEFESA.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  IMPUGNAÇÃO.  INÍCIO  DE  FASE  LITIGIOSA.  Durante  o  procedimento  fiscal,  em  regra,  não  há  que  se  falar  em  direito  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório.O  litígio instaura­se com a apresentação de impugnação, momento  a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao  contraditório.  Ausente  prejuízo  ao  contribuinte,  não  há  que  se  falar em nulidade do lançamento. (Acórdão nº 1301­003.292–3ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  15/08/2018,  Fernando  Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator).  Por  tudo  que  foi  exposto,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  dos  autos  de  infração.    NULIDADE  DA  DECISÃO  RECORRIDA.  INOCORRÊNCIA  DE  VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA    Os recorrentes alegaram que:  ­ que a decisão a quo, por ser sucinta, não atendeu ao disposto no art. 489 do  Novo Código de Processo Civil ­ CP (Lei 13.105/2015);  Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.506          43 ­  que  a  decisão  da  DRJ  deve  ser  anulada,  e  retorno  dos  autos  para  nova  decisão, observando os requisitos do art. 489 do citado diploma legal (elementos essenciais da  sentença, relatório, fundamentos e dispositivo).  Não procede a alegação dos recorrentes.  A  decisão  recorrida  enfrentou  adequadamente  as  razões  fundamentais  de  defesa  suscitadas  e  analisou  as  provas,  sendo  suficiente  sua  fundamentação.  Enfrentou  os  pontos capitais.  O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas  partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui  o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada  na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou  sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da  1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF.  Ainda, nesse sentido também transcrevo precedentes do CARF:  ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA­ IRPF  Ano­calendário:2000,2001,2002,2003,2004  DECISÃO  RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o  enfrentamento das questões na peça de defesa de notar perfeita  compreensão  da  descrição  dos  fatos  que  ensejaram  o  procedimento e  estando a decisão motivada de  forma explícita,  clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em  litígio.(Acórdão  nº  2402­006.599–4ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  13/09/2018, Mauricio  Nogueira  Righetti­ Redator).  ASSUNTO:PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Ano­ calendário:2011,  2012,  2013  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS  AS  TESES  DE  DEFESA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE.INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a  responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já  tenha  encontrado  motivo  suficiente  para  proferir  a  decisão.  O  julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes  de  infirmar  (enfraquecer)  a  conclusão  adotada  na  decisão  recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se  falar  em  nulidade  de  decisão  que  não  se  pronunciou  sobre  determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão  adotada.  Inteligência  da  1ª  Seção  do  STJ  no  julgamento  dos  EDCL  no  MS  21.315­DF.(Acórdão  nº  1301­003.360–3ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  19/09/2018,  Fernando  Brasilde Oliveira Pinto­ Presidente e Relator).  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2001,  2002,  2003,  2004,  2005  NULIDADE.  A  mera  discordância  dos  fundamentos  da  decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que  apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo  59 do Decreto­lei  n° 70.235/72.  (Acórdão nº 1202­00.076 — 2ª  Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.507          44 Câmara  ir  Turma  Ordinária,  sessão  de  17/06/2009,  Karem  Jureidini Dias, Relatora).   Como visto, a mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo  contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses  do 59 do Decreto­lei n° 70.235/72, que não é o caso.  Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada.    SIGILO BANCÁRIO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA. ACESSO DO FISCO SEM ORDEM JUDICIAL.     Os  recorrentes  alegaram  que  deve  ser  afastada  a  autuação  quanto  ano­ calendário 2010 com base em depósitos bancários, por ser ilegal a quebra do sigilo bancário,  acesso sem autorização judicial.  Carece de plausibilidade fático­jurídica a pretensão dos recorrentes.  Ante negativa da Fiscalizada de fornecer cópias de extratos bancários e por  força do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2004, a Receita  Federal  requisitou,  via Requisição  de Movimentação  Financeira  ­ RMF,  cópias  dos  extratos  bancários das contas correntes da autuada e, por sua vez, as instituições financeiras forneceram,  disponibilizaram as informações de movimentação financeira (e­fls.427/684).  O  acesso  direto  do  fisco  aos  dados  de  movimentação  financeira  bancária,  mediante  requisição  dirigida  aos  Bancos,  não  configura  quebra  de  sigilo  bancário, mas  sim  mero translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.  Essa  transferência  direta  ou  translado  de  informações  acerca  da  movimentação financeira bancária, sem ordem judicial, ao fisco é constitucional.  Nesse sentido, cabe destacar que o Pleno do Supremo Tribunal Federal STF,  na  Sessão  de  Julgamento  de  24/02/2016,  no  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  601.314­SP,  Repercussão Geral, Relator Ministro Edson Fachin, declarou constitucional a  legislação de  regência do acesso direto do fisco aos dados e informações financeiras de correntistas das  instituições  financeiras, mediante  Requisição  de  Informação  de  Movimentação  Financeira  RMF, conforme ementa do Acórdão que transcrevo, in verbis:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  AO  SIGILO  BANCÁRIO.  DEVER  DE  PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF.  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  DA  NORMA  TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01.  Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.508          45 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre  o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos  referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que  se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da  tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a  autonomia individual e o autogoverno coletivo.  2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é  uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em  ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências  ou  ofensas,  qualificadas  como  arbitrárias  ou  ilegais,  de  quem  financeira.  3.  Entende­se  que  a  igualdade  é  satisfeita  no  plano  do  autogoverno  coletivo  por  meio  do  pagamento  de  tributos,  na  medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez  vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação  das necessidades coletivas de seu Povo.  4.  Verifica­se  que  o  Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de  conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu  requisitos  objetivos  para  a  requisição  de  informação  pela  Administração Tributária às instituições financeiras, assim como  manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras  do contribuinte, observando­se um translado do dever de  sigilo  da esfera bancária para a fiscal.  5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  aquela  se  encerra  na  atribuição  de  competência  administrativa  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que evidencia o caráter instrumental da norma em questão.  Aplica­se,  portanto,  o  artigo  144,  §1º,  do  Código  Tributário  Nacional.  6.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “a”  do  Tema  225  da  sistemática  da  repercussão  geral:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário,  pois realiza a  igualdade em relação aos cidadãos, por meio do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária para a fiscal”.  7.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “b”  do  Tema  225  da  sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo em vista o caráter  instrumental da norma, nos termos do  artigo 144, §1º, do CTN”.  8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  Portanto,  o  acesso  direito  do  fisco,  sem  ordem  judicial,  aos  de  dados  e  informações de movimentação financeira bancária da autuada do ano­calendário 2010, objeto  Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.509          46 do  lançamento  de  ofício,  mediante  expedição  de  RMF,  deu­se  com  base  em  legislação  de  regência declarada constitucional pelo STF, com efeito erga omnes.    OMISSÃO  DE  RECEITAS  (LEI  9.430/96,  ART.  42).  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PROVA INDIRETA. ANO­CALENDÁRIO 2010    Os recorrentes alegaram que:  ­  que  parte  dos  recursos  pertencem  a  terceiros  e  não  poderiam  ser  considerados no cálculo, conforme dispõe o contrato, cláusula 6ª, de fls. 771 e seguintes:  ­  que parte dos  contratos  utilizados  como base  de  cálculo  não  pertencem  à  recorrente, pois são contratos entre  terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo  Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls.  755, 847/849, 851/853 e 855;  ­ que a base de cálculo  foi  superestimada, e que não  tem como comprovar,  pois os documentos foram apreendidos na operação policial autorizada judicialmente; porém, o  fisco  tem  disponibilidade  sobre  esses  documentos  em  face  do  compartilhamento  de  provas  deferido judicialmente.  A irresignação dos recorrentes não merece guarida.  Primeiro,  quanto  aos  documentos  apreendidos  pela  fisco  na  operação  autorizada  judicialmente  não  constam  os  livros  da  escrituração  contábil  e  fiscal  conforme  narrativa constante do Termo de Constatação Fiscal (e­fls. 02/34), in verbis:  (...)  03.  Dos  elementos  apreendidos  que  estão  no  momento  no  Serviço  de  Fiscalização  da  DRF/São  Bernardo  do Campo/SP  (documentação física).  (...)  Os  elementos  de  destaque,  que  devem  ser  aproveitados  como  documentação probatória para o regular curso desta ação fiscal  no  âmbito  tributário,  foram  deles  extraídas  cópias  digitais  ou  cópias  impressas,  permanecendo  os  originais  nas  respectivas  pastas e caixas.  Sendo assim, os elementos coletados pela Fiscalização neste rol  de  documentos  apreendidos  estarão  relacionados  em  forma  de  Anexos, cada qual ao seu tempo e no decorrer da narrativa dos  fatos e das circunstancias constatadas.  No  entanto,  constatamos  que  nas  17  caixas  verificadas  não  constam  livros de  escrituração contábil,  livros caixa,  livros de  inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração  Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.510          47 do  lucro  real,  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  livros  de  registro  de  prestação  de  serviços  ou  livros  afins  que  devam  obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos  fatos  contábeis  desta  pessoa  jurídica  ou  de  outra  pessoa  jurídica pertencente ao grupo "Brazilian".  (...)  A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias,  com  demonstrativo  discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico  (e­fls.  419 /426).  Assim, a mera juntada de cópias de instrumentos de contratos não servem de  prova de que teria receita de terceiros. Não juntou cópia de nota fiscal de faturamento e nem  comprovou que os depósitos seriam coincidentes em datas e valores. Não comprovou a origem  dos depósitos.  Cópia  dos  extratos  bancários  fornecidos  pelos  Bancos,  RMF,  constam  dos  autos (e­fls.427/684).  A contribuinte foi intimada 04/02/2014 e reintimada 18/02/2014 a comprovar  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias,  com  demonstrativo  discriminando, depósito por depósito, nº do Banco, nº Agência, data, valor e histórico  (e­fls.  419 /426).  Entretanto, a recorrente nada comprovou.  Diversamente  do  entendimento  dos  recorrentes,  por  ter  restado  não  comprovada  a  origem  dos  depósitos  bancários  a  crédito  nas  contas  correntes  bancárias  da  autuada,  embora  intimada  a  fazê­lo,  o  fisco,  por  presunção  legal,  então  imputou  a  infração  Omissão de Receitas ­ Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (Lei nº 9.430/96, art.  42).   O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim,  pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que encerra presunção legal, tem o condão de inverter o ônus  probatório.  No  caso  de  presunção  legal,  o  ônus  probatório,  por  conseguinte,  não  é  de  quem acusa a existência de infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de  que não cometeu a infração, ou seja, de que não ocorreu a omissão de receitas.  Portanto, é uma presunção legal relativa que pode ser afastada, arrostada, por  provas hábeis e idôneas.  Para  fisco  compete,  apenas,  comprovar  a  existência  de  depósitos  bancários  não  escriturados  e  de  origem  não  comprovada,  com  lastro  em  extratos  bancários  (prova  indiciária) da presunção de omissão de receitas.  Como dito, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários  de  origem  não  comprovada),  quando  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove  através  de  documentos  hábeis  e  idôneos  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas  Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.511          48 bancárias,  uma  vez  que  não  mais  se  aplica  a  Súmula  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos  e,  também,  não  se  aplicam  os  precedentes  jurisprudenciais  calcados  em  legislação  revogada.  Isto  porque  existem  duas  realidades  distintas  no  que  se  refere  ao  uso  da  movimentação  financeira  bancária  para  a  caracterização  da  omissão  de  receitas,  sendo  uma  com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a  outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Veja:  Lei n° 8.021/1990:  "Art.  6º.  O  lançamento  de  oficio,  além  dos  casos  já  especificados em lei, far­se­á arbitrando­se os rendimentos com  base  na  renda  presumida,  mediante  utilização  dos  sinais  exteriores de riqueza.  (...)  §  5º  O  arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com  base  em  depósitos  ou  aplicações  realizadas  junto  a  instituições  financeiras,  quando  o  contribuinte  não  comprovar  a  origem  dos recursos utilizados nessas operações." [revogado]   Lei n° 9.430/1996 :  "Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos os  valores creditados  em conta de depósito ou de  investimento mantido junto a instituição financeira, em relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações".  Com base nos dispositivos acima transcritos, verifica­se que o que distingue  uma  realidade  da outra  é  que  a  partir  de 01/01/1997  entrada  em vigor  da Lei  n°  9.430/96  a  existência  de  depósitos  não  escriturados  ou  de  origem  não  comprovada  tornou­se  uma  nova  hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar às outras já existentes no  ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuou­se a carga probatória atribuída ao fisco,  que  precisa  apenas  demonstrar  a  existência  de  depósitos  bancários  não  escriturados  ou  de  origem não  comprovada, mediante  extratos  bancários,  para  satisfazer  o  onus  probandi  a  seu  cargo.  Antes,  tal  previsão  legal  para  depósitos  bancários  inexistia  e,  com  isso,  o  fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas  constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal,  entre  tais  depósitos  e  alguma  exteriorização  de  riqueza,  renda  consumida  e/ou  operação  concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas.  O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária  mantida  ao  largo  da  escrituração  contábil  da  empresa  ou  sem  comprovação  da  origem,  presume­se realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, e não mais  se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de  Recursos pois calcada em legislação revogada.  Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.512          49 Para  fatos  geradores  a  partir  de  1°/01/1997,  no  tocante  à  omissão  de  rendimentos/receitas  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  tem  vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196.  Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica  inversão do ônus da prova.  O  ônus  da  prova  de  que  não  houve  omissão  de  receitas/rendimentos  é  da  contribuinte.  Não  há  que  se  falar  em  necessidade  do  fisco  provar  sinais  exteriores  de  riqueza  ou  prova  do  consumo  da  renda  para  tributar  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  contribuinte,  conforme  matéria  já  sumulada  por  este  Egrégio  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, in verbis:  Súmula CARF nº 26:  A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada pelos  depósitos bancários sem origem comprovada.  Como  demonstrado,  o  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  é  rendimento tributável, por presunção legal.  Esse  entendimento  encontra­se,  também,  pacificado  no  âmbito  deste  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos  precedentes transcrevo (ementas de julgados, acórdãos), in verbis:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­  IRPJ.  Exercício:  2001,  2002,  2003,  2004,  2005  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.  Caracterizam  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão  nº  108­ 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria  Cabral Géo Verçoza).    ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano­ calendário:  2002  a  2004.  Ementa:  IRPJ  —  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  —  OMISSÃO  DE  RECEITAS  PRESUNÇÃO  LEGAL   Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos  quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado,  não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão  nº  101  ­ 97.116,  sessão  de  05  de  fevereiro  de  2009,  Relator  Valmir  Sandri).   ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.513          50 DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  —  SIMPLES  Exercício:  2003,  2004.  Ementa:  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA—PROCEDÊNCIA.    Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta  de depósito ou de investimento mantida junto a instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil  e idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados  nessas operações.   ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL   Em  se  tratando  de  presunção  legal,  cabe  ao Fisco  a  prova  do  fato  indiciário.  Ao  contribuinte  incumbe  provar  que  o  fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por  lei.  Esse  ônus  não  pode  ser  transferido  pelo  contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105­ 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga  Rocha).   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF.  Exercício.  2000,  2001,  2002.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTO.  LANÇAMENTO COM  BASE  EM  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE  1996.  A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  autoriza  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  sujeito  passivo.   ÔNUS DA PROVA.  Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe  a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar  seus depósitos bancários.(Acórdão nº 102­49.393,  sessão de 06  de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura).   Assunto:  SIMPLES  NACIONAL.  EXERCÍCIO:  2004,  2005  Ementa:  PRESUNÇÃO  LEGAL.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  COMPROVAÇÃO  DE  ORIGEM.  INVERSÃO  DO  ÔNUS  DA  PROVA.  ARTIGO  42,  DA LEI N°. 9.430, DE 1996.   Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa física ou jurídica, regularmente  intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.   PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA  As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  atribuindo  ao  Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.514          51 contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº  195­00.088, sessão 09 de dezembro de 2008,  Relator Benedicto Celso Benicio Junior).  Ainda, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei  n°  9.430/96,  que  presume  como  rendimento  omitido  os  valores  creditados  em  conta  de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e  os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda  – IR e o conceito de renda da Constituição Federal.   Eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no  âmbito  de  declaração  de  inconstitucionalidade  das  normas  pelo  Poder  Judiciário,  não  sendo  competência ao CARF o enfrentamento, no mérito, dessa questão, conforme Súmula CARF nº  02, cujo verbete transcrevo, in verbis:   Súmula CARF nº 2:   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti­ tucionalidade de lei tributária.   Na  fase  de  fiscalização,  como  já  demonstrado,  a  contribuinte,  embora  intimada diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desincumbiu  desse ônus probatório para afastar a omissão de receitas.  Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta  fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para afastar, elidir, a omissão de  receitas com base em depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada.   Portanto, deve ser mantida a infração imputada “OMISSÃO DE RECEITAS  – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não há reparo a fazer na  decisão recorrida.     OMISSÃO  DE  RECEITAS.  RECEITAS  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS EM GERAL. PROVA DIRETA. ANOS­CALENDÁRIO 2011 E 2012.     Alegaram os recorrentes:  ­  que  para  conhecimento  do  faturamento  a  fiscalização  não  circularizou  as  provas;  ­  que  a  fiscalização  deveria  demonstrar  como  chegou  ao  conhecimento  do  faturamento, demonstrar o cálculo e  justificar os elementos utilizados; que  isso não foi  feito,  não consta dos autos;  ­  que parte dos  contratos  utilizados  como base  de  cálculo  não  pertencem  à  recorrente, pois são contratos entre  terceiros e outras empresas do Grupo, como por exemplo  Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.515          52 Brazilian Assets, e que não foi intimada a se manifestar nos autos, sobre os documentos de fls.  755, 847/849, 851/853 e 855.  Não procedem as alegações dos  recorrentes, pois a  receita bruta própria  foi  apurada pela própria contribuinte, quanto aos anos­calendário 2011 e 2012. Assim, não cabe  objetar  os  referidos  documentos,  pois  não  se  aplicam  ao  caso,  conforme  já  demonstrado  quando do enfrentamento da preliminar de nulidade do lançamento fiscal e também conforme  demonstrado no tópico a seguir: Arbitramento do Lucro.    ARBITRAMENTO  DO  LUCRO  ANOS­CALENDÁRIO  2010,  2011  E  2012    Nas razões do recurso, alegaram os recorrentes:  ­  que  a  fiscalização  não  acatou,  não  aceitou  os  dados  e  registros  da  contribuinte, e não justificou por qual razão assim procedeu;   ­ que há necessidade de prova segura de falsidade ou inexatidão para rejeição  da escrituração; que, no caso, só teria ocorrido ausência de declaração;  ­ que a fiscalização deveria demonstrar como chegou aos valores arbitrados,  o que não fez;  Não procedem os argumentos dos recorrentes.  Intimada, diversas vezes, a pessoa jurídica autuada, não apresentou os livros  Razão,  Diário  e  Razão  e  demais  documentos  à  Fiscalização  da  RFB,  quanto  aos  anos­ calendário 2010, 2011 e 2012.  Veja.  A  autuada  nos  anos­calendário  2010,  2011  e  2012  apresentou,  entregou,  à  Receita  Federal  as  DIPJ,  informando  regime  do  lucro  presumido  (e­fls.  685/745);  porém,  como  já  demonstrado  quando  do  enfrentamento  da  preliminar  suscitada  de  nulidade  do  lançamento fiscal, as DIPJ dos anos­calendário 2010 e 2011 foram entregues ao fisco com as  fichas e campos zerados quanto ao faturamento (receita mensal e anual valor R$ 0,00) e não  informou apuração dos tributos e contribuições e ainda não houve pagamento algum a título do  IRPJ, CSLL, PIS e Cofins desses anos­calendário.  Cópias das DIPJ dos anos­calendário 2010 e 2011, com as Fichas e campos  vazios  (zerados),  sem  informar  receitas  e  sem  apuração  dos  tributos  e  contribuições  (e­fls.  685/722).  A  contribuinte  foi  intimada,  diversas  vezes,  no  curso  do  procedimento  de  fiscalização  apresentar,  entregar,  à  Fiscalização  extratos  bancários,  os  livros  Caixa,  Razão,  Diário  e  documentos  da  escrituração;  porém,  nada  forneceu.  As  intimações  ocorreram  nas  seguintes datas:  Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.516          53 a) Termo de Início de Fiscalização, para apresentação dos extratos bancários  ano­calendário 2010 e outros documentos, de 12/08/2013 (e­fls. 287/290)  b)  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  02,  de 11/09/2013,  para  apresentação  dos  extratos bancários, livros Caixa, Diário e Razão e outros documentos (e­fls. 291/294);  c)  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  03,  de  30/09/2013,  para  apresentação  de  livros Caixa, Diário e Razão e arquivos digitais (e­fls. 295/297);  d)  Termo  de  Intimação  e  Ciência  Fiscal,  de  25/09/2014,  para  apresentar  extratos bancários (e­fls. 665/672);  e) Termo de Ciência, de Esclarecimentos, de Constatação e Intimação Fiscal,  de 05/01/2015 (e­fls. 02/34).  Conforme já explanado quando do enfrentamento da preliminar suscitada de  nulidade do lançamento fiscal, a Fiscalização apurou a receita bruta:  a) do ano­calendário 2010 com base nos extratos bancários (movimentação  financeira bancária ­ depósitos a crédito em contas correntes não escriturados e de origem não  comprovada),  conforme  matéria  já  enfrentada  no  tópico  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  PRESUNÇÃO LEGAL.  INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA;  b)  do  ano­calendário  2011  em  documento  elaborado  pela  própria  contribuinte, documentos apreendidos em “Operação de Busca e de Apreensão” no domicílio  da contribuinte e de algumas pessoas naturais a ela vinculadas, por ordem judicial, conforme já  analisado, explicitado, demonstrado, quando da análise da preliminar suscitada de nulidade do  lançamento fiscal;  c)  do  ano­calendário  2012,  conforme  dados  de  faturamento  constantes  da  própria DIPJ 2013, ano­calendário 2012 e já analisados quando do enfrentamento da preliminar  suscitada de nulidade do lançamento fiscal.  Conhecida  a  receita  bruta,  aplicou  a  Fiscalização  o  regime  de  apuração  do  Lucro  Arbitrado,  pois  a  contribuinte  intimada,  diversas  vezes,  não  apresentou  os  Livros  Caixa, Diário e Razão e demais documentos da escrituração, como já dito.  Diversamente  do  alegado  pelos  recorrentes,  a  Fiscalização  demonstrou  os  valores  de  receita  bruta  mensal  e  anual,  quanto  aos  anos­calendário  2010,  2011  e  2012,  conforme  demonstrativos  já  transcritos  quando  da  análise  da  preliminar  de  nulidade  do  lançamento fiscal.  Aqui,  reproduziremos, novamente, mais  adiante,  o demonstrativo de  receita  bruta dos anos­calendário 2010, 2011 e 2012.   Receita  bruta  que  serviu  para  aplicação  do  respectivo  coeficiente  de  presunção do lucro para esses anos.  Quanto  ao  coeficiente  de  presunção  do  lucro  arbitrado,  a  Fiscalização  aplicou  o  coeficiente  previsto  para  receitas  de  prestação  de  serviços  em geral,  para  os  anos­ Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.517          54 calendário  2010,  2011  e  201,  ou  seja,  38,4%  (32%  x  1,2),  pois  a  Fiscalização  apurou  que  atividade desenvolvida pela autuada, nesses anos, foi de prestação de serviços em geral.  Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos apurados constante do Termo  de Ciência,  de Esclarecimentos,  de Constatação  e  de  Intimação  Fiscal,  de  05/01/2015,  parte  integrante do lançamento fiscal, quanto à atividade da autuada (e­fls. 02/34), in verbis:  (...)  01.  Da  autorização  judicial  de  compartilhamento  de  informações  entre  a  RFB,  o Ministério  Público  Estadual  e  o  GAECO ABC.  Por meio do Ofício n° 76/14 ­ GAECO ABC (Anexo I) recebemos  a  mídia  digital  contendo  cópia  do  procedimento  investigatório  criminal  n°  07/13  ­  GAECO  ABC,  bem  como  do  apenso  do  procedimento relativo à quebra de sigilo telefônica e de dados.  Conjuntamente,  recepcionamos  a  cópia  da  decisão  da  Excelentíssima  Juíza  de  Direito  da  5a  Vara  Criminal  de  São  Bernardo  do  Campo  (Anexo  II)  proferida  nos  autos  3016090­ 38.2013.8.26.0564,  pela  qual  deferiu  o  compartilhamento  das  informações obtidas naquele feito com a Receita Federal, "uma  vez que a investigação aponta suposta fraude em seus sistemas  e  possível  envolvimento  de  funcionário  de  seus  quadros  nos  delitos ora investigados".  (...)  02.  Do Mandado  de  Busca  e  de  Apreensão  expedido  pela  5a  Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo.  Aos  10/06/2014  a  Juíza  de  Direito  Dra.  Daniela  de  Carvalho  Duarte  defere  o  Pedido  de  Busca  e  de  Apreensão  nos  imóveis  que  relaciona  na  decisão  prolatada  nos  autos  do  processo  301609­38.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos  agentes  da Receita Federal  para  o  cumprimento  da  ordem  e  o  compartilhamento  das  provas  coletadas  com  este  específico  Órgão,  para  analise  conjunta  dos  documentos  apreendidos"  (Anexo V).  (...)  A  titulo  de  esclarecimento  e  voltado  aos  detalhes  da  atividade  econômica  desenvolvida  pela  Pessoa  Jurídica  "Brazilian  Landbank"  que  lhe  proporcionou  significativa  obtenção  de  Renda,  mas  que  nada  confessou  em  relação  aos  débitos  decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu  de  tributos  federais  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da  Sentença:  Tramitam  neste  juízo  medidas  sigilosas  requeridas  após  instauração  de  procedimento  investigatório  criminal,  pelo  GAECO,  com  objetivo  de  apuração  de  eventual  prática  de  Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.518          55 crimes  de  organização  criminosa,  estelionato,  falsidades  ideológicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.  O Parquet afirmou que, ao longo do ano de 2009 até a presente  data, representantes da empresa BLB — Brazilian Landbank  Empreendimentos e Representação Comercial Ltda e outras  do mesmo grupo são os autores dos mencionados crimes.  (...)  Em resumo, depreende­se dos autos que a noticia de tais delitos  chegou  ao  conhecimento  dos  membros  do  Núcleo  por  intermédio  de  declarações  prestadas  por  Luciano  das  Neves  sola, no dia 14 de outubro de 2013.  Naquela ocasião, a vitima declarou que Jacques Broder Cohen,  que se apresentava como sócio e controlador da empresa acima  mencionada,  teria  mediante  ardil  induzido­o  em  erro,  com  o  fim de obter vantagem ilícita em prejuízo alheio.  Isto porque teria sido entabulado um contrato entre Luciano e  a  empresa  "BLB",  cujo  objetivo  seria  a  compensação  de  tributos  a  serem  recolhidos  pelo  estabelecimento  ELVI  COZINHAS  INDUSTRIAIS  LTDA,  de  propriedade  de  Luciano,  assim,  teria  sido  oferecido  à  vítima  o  serviço  de  compensação  de  seus  débitos  junto  ao  fisco  através  da  compra  de  créditos tributários de outras empresas.  Após  a  assinatura  do  contrato,  a  vítima  efetuou  as  transferências de valores, no montante de três milhões de reais  para a empresa "BLB".  Ocorre  que,  não  obstante  o  pagamento  realizado,  as  dividas  fiscais  não  teriam  sido  compensadas  conforme  prometido,  suportando  a  vitima  o  prejuízo  no  valor  aproximado  de  oito  milhões  de  reais.  Os  tais  créditos  tributários  que  seriam  utilizados  como  compensação  não  eram  aptos  a  gerar  efeitos  junto ao fisco. A vitima declarou ter percebido que caíra em um  golpe ao  tomar conhecimento de que alguns dos  títulos por si  adquiridos sequer existiam.  Durante a investigação, ao cabo dos períodos da interceptação  telefônica  e  telemática  judicialmente  deferida,  o  Ministério  Público  apurou  nomes  de  outras  empresas  que  teriam  sido  vítimas das condutas perpetuadas pelos investigados.  .... que a empresa GRÁFICA RAMI LTDA pagou por créditos  tributários  que  não  serviram  para  compensação  tributária  junto à receita Federal. Tal como a Elvi Cozinhas, tal empresa  cobra,  sem sucesso, a  restituição dos  valores pagos à "BLB",  inclusive através do Termo de Confissão de Dívida no valor de  um  milhão,  novecentos  e  setenta  reais  e  três  centavos,  conforme  correspondência  eletrônica  de  HENRIQUE  KERTZMAN  para  assinatura  de  MARCELO  FACHIN,  interceptada.  Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.519          56 Quanto  a  FRANCO  BACHOT  INDUSTRIA  E  COMERCIO  DE MOVEIS  LTDA,  constatou­se  a  notificação  pela  Receita  Federal sobre problemas com os créditos utilizados.   (...)  SUPERMERCADOS  ZONI  firmou,  em  28  de  novembro  de  2013,  contrato  com  Brazilian  Asseis  Ltda,  no  valor  de  R$  22.200,00, cujo objeto consistia na cessão, por esta à aquela, de  direitos  creditórios  para  compensação  tributária.  A Brazilian  Asseis  não  cumpriu  com  sua  obrigação  contratual.  Quando  cobrada  por  SUPERMERCADOS  ZONI,  o Grupo  Brazilian  apresentou  documentos  que  comprovariam,  em  tese,  a  compensação  pactuada:  porém,  a  empresa  vítima  teria  constatado  que  tais  documentos  ostentavam  uma  serie  de  indícios de falsificação.  O  Ministério  Público  apontou  fortes  indícios  da  prática  do  crime de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi:  A quadrilha atua oferecendo à empresas de médio e grande  porte  o  serviço  de  compensação  de  seus  débitos  tributários  federais, a ser executada por meio de direitos creditórios de  terceiros,  os  quais  a  "BLB"  lhes  vende  como  aptos  a  dar  baixa dos débitos devidos.  Uma  vez  entabulado  contrato  com  a  empresa  vitima,  a  "BLB"  já  recebe  os  valores  contratados  para  executar  a  compensação  a  que  se  propõe.  Apresenta,  então,  ao  fisco,  direitos creditórios que invariavelmente resultam ineficazes a  dar  quitação  aos  créditos  tributários. Tais  créditos  são,  por  exemplo,  adquiridos  por  valores  bem  inferiores  aos  seus  valores  de  face,  justamente  por  serem  eivados  de  dúvida  quanto  a  sua  validade.  São  provenientes  de  ações,  por  exemplo,  contra  a  União  para  o  recebimento  de  títulos  da  divida externa emitidos no inicio do século, já prescritos. Por  vezes, conforme relatou Luciano, sequer existe a ação.  Diante  da  recusa  do  fisco  em  aceitá­los,  o  grupo  tenta  recursos  administrativos  que  vão  postergando  a  cobrança,  enquanto  permanece  iludindo  a  empresa  vitima  com  promessas  de  que  resolverá  as  pendências,  até  o  ponto  em  que a  situação  se  torna  insustentável: a  empresa vitima não  consegue  obter  sua  Certidão  Negativa  de  Débitos  ­  CND  e  tem seus débitos inscritos em divida ativa da União.  Nesse momento,  percebendo  o  engodo,  as  empresas  vítimas  rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão,  a  tentar  reaver  os  valores  entregues,  muitas  vezes  judicialmente.  Do  resultado  da  operação  de  busca  e  apreensão  judicialmente  autorizada  foram  coletadas  vasta  documentação que  comprova  todas  as  condutas  retro  descritas  e  cujas  cópias  digitalizadas  foram carreadas para o presente procedimento administrativo e  serão devidamente abordadas no decorrer deste Termo.  Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.520          57 03.  Dos  elementos  apreendidos  que  estão  no  momento  no  Serviço  de  Fiscalização  da  DRF/São  Bernardo  do Campo/SP  (documentação física).  Do  trabalho  de  busca  e  apreensão  promovido  pela  operação  conjunta desenvolvida pelo GAECO e pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil,  representada  pelo  ESPEI  (Escritório  de  Pesquisa  e  Investigação)  e  pelo  Serviço  de  Fiscalização  desta  Unidade  (DRF/SBC),  os  elementos  coletados  tiveram  uma  primeira  verificação  pelos  responsáveis  pela  Busca  ocorrida  logo depois da Operação, sendo que este Auditor teve acesso à  parte  dos  elementos  físicos  apreendidos  e  que  constam  das  17  caixas que os acondicionam.  (...)  No  entanto,  constatamos  que  nas  17  caixas  verificadas  não  constam  livros de  escrituração contábil,  livros caixa,  livros de  inventário, livros de registro de imobilizado, livros de apuração  do  lucro  real,  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  livros  de  registro  de  prestação  de  serviços  ou  livros  afins  que  devam  obediência à regular obrigação de escrituração dos atos ou dos  fatos  contábeis  desta  pessoa  jurídica  ou  de  outra  pessoa  jurídica pertencente ao grupo "Brazilian".  (...)  08.  Da  falta  de  apresentação  de  Livros  de  Escrituração  Contábil  e  a  não  convalidação  ex­oficio  da  opção  da  contribuinte  em  realizar  a  apuração  de  seu  resultado  pela  modalidade do Lucro Presumido.  A contribuinte  foi devidamente  intimada para que apresentasse  os  livros  de  sua  escrituração,  conforme  constam  dos  Termos  lavrados  (Anexo  XI,  datado  de  11/09/2013;  Anexo  XIII,  de  30/09/2013;  anexo  XXVII,  de  27/01/2014;  e,  Anexo  XLI,  de  25/09/2014).  Pelo  último  está  cientificado  de  que  houve  a  extensão do período sob fiscalização para abranger o período de  01/01/2010 a 31/12/2012.  Esclarecemos  que  a  contribuinte  optou  em  apurar  seus  Resultados para efeito de  tributação pela modalidade do Lucro  Presumido, conforme constam das três DIPJ que entregou. Esta  informação está em descompasso com o adequado procedimento  já que nada recolheu a titulo de IRPJ.  A  regular  opção  é  manifestada  com  o  pagamento  da  primeira  quota  do  imposto  devido  (IRPJ)  correspondente  ao  primeiro  período de apuração de cada ano­calendário, nos termos do § I o   do artigo 26 da Lei n° 9.430/96.  Sendo  assim,  a  entrega  destas  três  DIPJ  sob  a modalidade  do  Lucro Presumido está ao dissabor legal, justamente por que lhe  falta  o  requisito  do  pagamento  do  débito  de  IRPJ  devido  no  primeiro período de apuração de cada um dos anos calendários  sob exame ou de  forma alternativa, do adequado procedimento  Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.521          58 na utilização de outro meio de extinção destes débitos inaugurais  de cada período.  E  mais,  a  legislação  em  vigor  lhe  permitia  realizar  uma  escrituração  simplificada  com  a  adoção  do  Livro  Caixa  em  substituição  da  regular  escrituração  Contábil,  desde  que  a  simplificada  contemple  a  escrituração  de  sua  movimentação  financeira, mas também por sua opção indica nas DIPJ relativas  aos  anos  calendários  de  2011  e  2012  existência  de  regular  escrituração.  Ocorre que, até a presente data não cumpriu com a entrega para  a  Fiscalização  de  nenhum  dos  livros  que  contenham  sua  escrituração,  independente  de  ser  o  Livro  Caixa  ou  o  Livro  Diário.  Verificamos  que  estes  livros  não  estão  no  rol  de  elementos  apreendidos na Operação de Busca e Apreensão judicial.  (...) contador indicado nas DIPJ Sr. Roberto Lippi (...).  Sendo assim, verifica­se existência de escritório de contabilidade  que  lhe prestava  serviços, no  entanto permaneceu  recalcitrante  em  deixar  de  apresentar  para  a  Fiscalização  os  Livros  de  Registro  de  sua Escrituração Contábil  Regular  (Livros Diário)  ou Simplificada (Livros Caixa).  Esclarecemos que a falta de apresentação de sua escrituração ­  impeditivo  ao  pleno  desenvolvimento  da  auditoria  programada  para  esta  ação  fiscal,  vez  que  impossibilita  a  verificação  dos  fatos  contábeis  e  a  identificação  das  bases  tributárias  contabilizadas  da  contribuinte,  além  de  obscurecer  a  natureza  da riqueza que nela ingressou.  Aliás, deixou de entregar os livros para a Fiscalização não por  acaso ou por descuido diante de tantas intimações.  A  atitude  de  não  entregar  a  escrituração de  cunho obrigatória  nos âmbitos da legislação civil e tributária, visa cumprir com o  objetivo  de  criar  dificuldades  na  identificação  das  pessoas  naturais  que  foram  os  reais  beneficiários  dos  recursos  transitados  nas  contas  mantidas  junto  às  Instituições  Financeiras que estão sob sua titularidade.  Ocorre que a falta de apresentação para a Fiscalização do Livro  Diário  ou do Livro Caixa  (se  escrituração  simplificada)  é  uma  das  hipóteses  previstas  para  a  apuração  do  resultado  pela  modalidade  do Lucro Arbitrado,  nos  termos  dos  artigos  529  e  530 do Decreto n° 3.000/99  (RIR/99), que mantém respaldo no  artigo 47 da Lei n° 8.981/95 e no artigo 1 o  da Lei n° 9.430/96.  (...)  Diante destas considerações, constatamos que a contribuinte não  está  apta  a  apurar  o  resultado  de  suas  atividades  pela  modalidade  do  Lucro  Presumido  como  indicou  em  sua  D1PJ,  pelas razões cumulativas: de não ter cumprido com a obrigação  Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.522          59 principal de pagamento do IRPJ devido no primeiro trimestre de  apuração  de  cada  ano  calendário;  e,  de  não  ter  apresentado  para a Fiscalização a sua escrituração contábil ­ Livros Diário  ou Livros Caixa.  09.  Da  constatação  da  efetiva  atividade  empresarial  da  contribuinte.  Esclarecemos que o inicio desta ação fiscal já foi conturbado. A  AFRFB Patrícia  havia  sido  impedida  de  ingressar  na  empresa  em  12/09/2013  portando  o  segundo  Termo  lavrado  (Anexo  XI)  para  coleta  da  ciência  pessoal  de  Representante  Legal  da  contribuinte.  O  seu  ingresso  no  estabelecimento  e  a  ciência  pessoal só foi efetivada com a chegada do apoio do Chefe deste  Serviço de Fiscalização AFRFB Marcos Antonio que se deslocou  para o local.  Até  a  presente  data,  as  manifestações  que  a  contribuinte  apresentou  para  a  Fiscalização  se  resumem  em  pedidos  de  postergação  no  prazo.  Só  houve  a  entrega  de  seu  Estatuto  Social  e  de  algumas  das Alterações  do Contrato Social. Nada  mais entregou.  O não atendimento persistiu inclusive com o lhe requerido pelo  Termo  de  Intimação  Fiscal  lavrado  em  04/02/2014  (Anexo  XXVIII),  cuja  reintimação  ocorreu  pelo  Termo  lavrado  em  18/02/2014 (Anexo XXIX).  Em atendimento aos preceitos legais disciplinados pelo artigo 42  da Lei n° 9.430/96 a Fiscalização lhe requereu que comprovasse  com  documentos  hábeis  e  idôneos  a  origem  dos  recursos  financeiros  que  transitaram  nas  contas  mantidas  sob  sua  titularidade  junto  as  Instituições  Financeiras: Citibank,  Itaú  e  Unibanco.  Os  créditos  submetidos  à  comprovação  foram  pinçados  dos  registros  que  constavam  nos  respectivos  extratos,  sendo  que  foram  excluídos  aqueles  que  não  representavam  ingresso  de  novas  riquezas,  como  resgate  de  aplicações  ou  transferências  entre  contas  do  mesmo  titular,  desde  que  plenamente  reconhecidos  pelo  histórico  da  transação.  Tais  créditos  foram  regularmente  listados  em  forma  individualizada  e  estavam  em  anexo ao Termo de Intimação.  A falta de atendimento e por conseqüência falta de comprovação  por parte da  contribuinte  torna  tais  créditos como rendimentos  submetidos a regular tributação.  O advento da regular Operação de Busca e Apreensão Judicial  e  do  compartilhamento  destes  elementos  para  com  o  Fisco,  possibilitou  esta  Fiscalização  conhecer  tanto  a  real  atividade  desempenhada pela contribuinte bem como a identificação das  pessoas naturais que são os seus administradores de fato.  Parte das informações de grande significância adveio da regular  escuta autorizada judicialmente, cujos trechos de relevância sob  Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.523          60 o  aspecto  tributário  e  sob  o  aspecto  da  responsabilização  solidária  de  seus  administradores  já  estão  transcritos  nas  petições judiciais elaboradas no curso do procedimento Judicial  e reproduzidos nos conteúdos das Sentenças proferidas ­ Anexos  I  ao VI,  que  de  forma  integral  corroboram  como  elementos  de  prova deste trabalho de auditoria.  No procedimento de verificar os  elementos  físicos apreendidos,  extraímos  cópias  e  as  digitalizamos  para  compor  os  elementos  de  prova  da  Constatação  das  irregularidades  de  cunho  tributário.  (...)  constatamos  que  a  contribuinte  tinha  no  período  sob  fiscalização  como  principal  atividade  a  captação  de  empresas  com  dificuldades  de  fluxo  de  caixa  com  a  finalidade  de  lhe  prestar  serviços  e  orientação  de  forma  viciada,  para  que  utilizassem  créditos  inexistentes  ou  ilegítimos  ou  de  natureza  não  tributária  em  procedimentos  administrativos  de  Compensação de Débitos perante a Receita Federal.  Pelo fato dos créditos não se prestarem para a finalidade objeto  do contrato firmado com seus clientes, caracteriza­se a fraude e  a conduta típica do estelionato, na qual as pessoas naturais na  qualidade de administradores de direito ou de fato da 'Brazilian  LandBank"  receberam  quantias  exorbitantes  a  titulo  de  vantagem ilícita e em prejuízo aos clientes.  (...)  11. Da apuração do Resultado  tributável  da  contribuinte  pela  modalidade do Lucro Arbitrado.  Diante do fato de que a Fiscalização não convalidou sistemática  de apuração do resultado pelo Lucro Presumido por ela adotada  em razão da falta de recolhimento do débito relativo ao primeiro  período  de  apuração  de  cada  qual  dos  anos  calendários,  combinado com a falta de entrega dos Livros de sua escrituração  contábil,  conforme  tópico  próprio  anterior,  não  resta  alternativas  para  o  Fisco  Federal  senão  seguir  os  ditames  legais  disciplinados  pelos  artigos  529  e  530  do  Decreto  n°  3.000/99 (RIR/99) ­ apuração pelo Lucro Arbitrado.  Nestas circunstancias é requisito fundamental conhecer a real  atividade  empresarial  da  contribuinte,  vez  que  a  sua  Receita  Bruta já é Conhecida, nos termos do artigo 532 do Decreto n°  3.000/99.  A real atividade empresarial que  foi objeto de desenvolvimento  de  tópico  próprio  anterior,  lhe  enquadra  num  percentual  de  38,6%  a  ser  aplicado  sobre  a  Receita  Bruta  Conhecida,  nos  termos  do  artigo  519  e  seus  §§  cc  artigo  532  do  Decreto  n°  3.000/99.  Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.524          61 A  Receita  Bruta  Conhecida  foi  objeto  de  dois  procedimentos  distintos: um para o ano­calendário de 2010 e o outro para os  subseqüentes 2011 e 2012.  Para  o  ano­calendário  de  2010  verificou­se  existência  de  créditos  registrados  na  movimentação  financeira  da  contribuinte  que  devidamente  intimada  não  logrou  êxito  em  comprová­los,  tão  pouco  apresentou  quaisquer  manifestações  e/ou  elementos  em  relação  aos  valores  individualmente  lhe  requeridos,  caracterizando  a  hipótese  disciplinada  pelo  artigo  42 da Lei n° 9.430/96.  Sendo  assim,  compilamos  os  dados  que  constam  do  anexo  ao  Termo de Intimação lavrado em 04/02/2014 (Anexo XXVIII) e os  totalizamos  por  mês,  conforme  consta  do  Anexo  LXIV,  cujo  resultado está na  tabela demonstrativa ao  final deste  tópico em  conjunto  com  os  demais  valores  mensais  dos  anos­calendário  subseqüentes.  Para  os  anos­calendário  de  2011  e  2012  constatamos  que  a  contribuinte dispunha destes em relatório próprio que foi objeto  da Operação de Busca e Apreensão.  O  Anexo  LXV  ­  Declaração  de  Faturamento  2011.  É  uma  declaração  formal  datada  de  30/01/2012  e  assinada  pela  Assistente Administrativa Aline Rosi Rodrigues e pelo "sócio de  direito"  Sr.  Marcelo  Marcel  Fachim  Nogueira.  Esclarecemos  que todos os elementos apreendidos que especificavam controles  financeiros  de  recebíveis  ou  de  pagamentos  efetuados  estavam  assinados  pela  Aline,  conforme  fartamente  descrito  em  tópicos  anteriores.  Esclarecemos existência de erro material na soma do total anual  que  consta  da  declaração  que  registra  R$  25.605.965,26  enquanto que o valor correto é R$ 25.607.976,25, resultando na  diferença  a  menor  de  R$  2.010,99,  considerada  insignificante  sob  o  aspecto  fiscal  vez  que  representa  0,0078%  da  Receita  Bruta Conhecida  O Anexo LXVI ­ Declaração de Faturamento 2012. Também é  uma  declaração  formal  datada  de  16/01/2013,  assinada  pelo  "sócio de direito " Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira e pelo  contador  Roberto  Lippi.  Os  dados  mensais  registrados  nesta  declaração são  fiéis aos valores  trimestralmente  informados na  correspondente DIPJ, nas linhas relativas às receitas submetidas  ao  percentual  de  8%  e  os  signatários  são  os  mesmos  que  constam como responsáveis na DIPJ (Anexo XLVI).  Esclarecemos  que  igualmente  ao  ano  de  2011,  houve  erro  material  na  soma  do  total  anual  que  consta  da  declaração  de  2012, registra R$ 34.693.687,72 enquanto que o valor correto é  R$  34.695.699,72,  resultando  na  diferença  a  menor  de  R$  2.012,00 e representa 0,0058% da Receita Bruta Conhecida.  Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.525          62 A  tabela  a  seguir  indica  os  valores  mensais  da Receita  Bruta  Conhecida  pela  Fiscalização  para  efeitos  da  apuração  do  resultado tributável da contribuinte.    Período Apuração  2010  2011  2012  janeiro  100.000,00  930.415,13  2.816.590,47  fevereiro  31.202,00  1.820.227,22  3.479.243,01  março  ­  1.990.632,08  2.955.671,08  Total no trimestre  133.212,00  4.743.285,43  9.253.516,56    abril  461.431,04  1.747.782,36  2.619.633,39  maio  208.191,03  392.519,47  2.938.793,98  junho  722.022,33  568.727,21  2.808.335,48  Total no trimestre  1.391.644,40  2.709.029,04  8.366.762,85    julho  479.890,64  1.655.648,04  2.785.049,89  agosto  616.223,82  2.581.186,61  2.949.394,53  setembro  773.939,27  2.230.719,23  3.041.526,06  Total no trimestre  1.870.053,73  6.467.553,88  8.775.970,48    outubro  399.581,33  3.681.731,49  2.951.751,53  novembro  301.082,43  3.694.690,33  2.739.073,64  dezembro  790.272,48  4.311.686,08  2.608.624,66  total no trimestre  1.490.936,24  11.688.107,90  8.299.449,83    total no ano  4.885.846,37  25.607.976,25  34.695.699,72  (...)  Obs:  (i) Quanto  ao  ano­calendário 2010,  intimada a  comprovar  os  depósitos  bancários  a  crédito  em suas contas bancários, deixou de comprovar a origem ­ demonstrativo dos créditos não comprovados (e­fls.  912/913);  (ii)  Quanto  ano­calendário  2011,  demonstrativo  de  receita  bruta  ­  faturamento  bruto­  elaborado  pela  própria  contribuinte,  data  de  30/01/2012,  (e­fl  914)  e  ajustes  da  Fiscalização  narrados  na  transcrição acima;  (iii) Quanto ao ano­calendário 2012, os valores de receita bruta são aqueles  informados na  DIPJ  2013,  ano­calendário  2012  (e­fls.  723/745),  pois  os  tributos  e  contribuições  não  foram  pagos.  Foram  lançados de ofício.  Os valores do lucro arbitrado para cada trimestre dos anos­calendário 2010,  2011, 2012 estão anexos aos autos do IRPJ e da CSLL.  Estão corretos.  O Arbitramento  do  lucro  para  o  IRPJ  e  a CSLL  para  esses  anos  objeto  da  autuação é definitivo, ainda que  fossem apresentados os  livros  após a  lavratura dos autos de  infração. No caso, a contribuinte deixou de apresentar à Fiscalização os livros Caixa, Razão e  Diário  e  documentos  de  suporte  dos  registros  contábeis  e  não  produziu  prova  nos  autos  que  pudessem afastar o omissão de receitas.  Matéria sumulada pelo CARF, cujo verbete transcrevo:  Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.526          63 úmula CARF nº 59  A  tributação  do  lucro  na  sistemática  do  lucro  arbitrado  não  é  invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros  e  documentos  imprescindíveis  para  a  apuração  do  crédito  tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos  durante  o  procedimento  fiscal.  (Vinculante,  conformePortaria  MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)  Assim, deve ser mantido o arbitramento do lucro.  Já  as  contribuições  (PIS  e  Cofins),  apuração mensal,  sobre  a  receita  bruta  mensal,  também,  seus  respectivos  valores  constam  de  demonstrativos  constantes  dos  respectivos autos de infração, regime cumulativo. Não há reparo a fazer.  Portanto, não há reparo a fazer no lançamento fiscal.    MULTA QUALIFICADA (150%): ANOS­CALENDÁRIO 2010 E 2011.  ANO­CALENDÁRIO 2012: MULTA 75%.    Alegaram os recorrentes:  ­ que a qualificação da multa deu­se com base em argumentos genéricos;   ­  que  se  deu  pura  e  simplesmente  pela  falta  de  declaração  e  falta  de  recolhimentos, contrariando não só a jurisprudência, mas também as Súmulas CARF nºs 14 e  96;  ­ que deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício.  Não procedem as alegações dos recorrentes.  A contribuinte entregou as DIPJ nas datas e preenchidas com os dados que constam  na seguinte tabela. (...):    Ano ­ calendário  2010  2011  2012  ANEXO  XLIV  XLV  XLVI  Data entrega  30/06/2011  27/06/2012  28/06/2013  N° declaração  1208487  863939  1251260  N° do recibo  05.39.49.94.69  06.32.01.63.55  38.37.90.38.77  Tipo de declaração  Lucro Presumido  Entregue com certificado digital  Sim  Forma de Escrituração  ­  Contábil  Contábil  Dados Representante legal Pessoa Jurídica  Marcelo Marcel Fachin Nogueira, CPF 245.581.038­08  Dados do Responsável Preenchimento  Roberto Lippi, CPF 584.089.918­68, CRC 1SP080504O0  Receita Bruta 1° Trimestre  0,00  0,00  9.251.504,56 (*)  Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.527          64 Receita Bruta 2° Trimestre  0,00  0,00  8.366.762,85 (*)  Receita Bruta 3o Trimestre  0,00  0,00  8.775.970,64 (*)  Receita Bruta 4o Trimestre  0,00  0,00  8.299.449,83 (*)  IRPJ a pagar no 1° Trimestre  0,00  0,00  179.030,09  IRPJ a pagar no 2° Trimestre  0,00  0,00  161.335,25  IRPJ a pagar no 3o Trimestre  0,00  0,00  169.519,41  IRPJ a pagar no 4o Trimestre  0,00  0,00  159.989,00  CSLL a pagar no 1° Trimestre  0,00  0,00  99.916,25  CSLL a pagar no 2° Trimestre  0,00  0,00  90.361,04  CSLL a pagar no 3° Trimestre  0,00  0,00  94.780,48  CSLL a pagar no 4° Trimestre  0,00  0,00  89.634,06  Ficha 54 — Discriminação da Receita  Sem informação  34.693.687,72    Verifica­se  que  havia  certa  habitualidade  na  conduta  da  contribuinte  em  entregar  a  DIPJ  com  todos  os  campos  preenchidos  com  "Zero",  sejam  os  destinados  às  informações  de  receitas  ou  de  Apurações  do  Imposto  de  Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social  sobre o Lucro Liquido (CSLL).  (...)  A Fiscalização aplicou multa qualificada apenas quanto aos anos­calendário  2011 e 2012, pois a contribuinte ocultou do fisco o faturamento bruta total da empresa desses  anos, ou seja, escondeu a ocorrência do fato gerador.  Nesse  sentido, consta do Termo de Descrição dos  fatos, parte  integrante do  lançamento fiscal, in verbis:  (...) em relação à aplicação da multa ex­ofício, (...), constatamos  a caracterização esculpida no § 1 o  do artigo 44 da Lei 9.430/96  com as redações posteriores a seguir indicadas:  "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata;  (Redação  dada  pela  Lei  n°  11.488,  de  2007)  II­...  §  1a  O  percentual  de multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação  dada  pela  Lei  n°  11.488,  de  2007)".  Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.528          65 A  legislação  em  referência  atribui  a multa  de  oficio  em  150%  para  os  casos  de  dolo,  fraude  ou  simulação  nos  termos  dos  artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.  As  pessoas  naturais  que  administravam de  fato ou  de  direito a  pessoa  jurídica  sob  Fiscalização  tinham  o  pleno  conhecimento  das  obrigações  tributárias,  tanto  é  que  orientavam  a  forma  de  como deveriam proceder nas eivadas compensações negociadas  em  relação  aos  preenchimentos  das  DCTF.  Inclusive  estava  estampado  nos  meios  de  divulgação  da  empresa  (mídia  e  prospectos)  a  assessoria  tributária  como  uma  das  atividades  empresarial do "Grupo Brazilian".  Contudo,  mantinham  conduta  de  negligencia  em  relação  ao  cumprimento  de  suas  próprias  obrigações  principal  ou  acessória.  A atividade principal era a de angariar rendimentos justamente  daqueles  que  estavam  em  situação  de  inadimplência  perante  o  fisco federal.  Logo,  a  conduta  consciente  de  obter  os  rendimentos  por  meio  das cessões de créditos que não se prestavam para a finalidade  de  compensar  tributos  federais,  associada  à  conduta  de  nada  recolher  e  de  nada  declarar  a  título  de  débitos  decorrentes  da  renda  auferida,  caracterizam  a  qualificação  da  multa  a  ser  constituída  de  oficio  para  os  anos  calendários  de  2010  e  de  2011.  Pelo fato de ter apresentado a DIPJ relativa ao ano calendário  de 2012 com os dados de seus rendimentos e com a apuração do  IRPJ  e  da  CSLL,  a  Fiscalização  entende  que  a  conduta  possibilitou  a  RFB  verificar  que  o  resultado  da  apuração  informada  não  estava  recolhido  e  nem  declarado,  razão  pela  qual se lançou a multa de oficio de 75%, com respeito ao inciso I  do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Lei n°  11.488/2007.  (...)  No  caso,  ainda  consta  dos  autos  que  a  empresa  nos  anos­calendário  2010,  2011  e  2012  foi  utilizada  para  lesar  clientes,  auferiu  receitas  ludibriando  clientes,  auferindo  vantagens  indevidas,  praticando  em  tese  vários  crimes,  inclusive  contra  a  ordem  tributária.  Todos  os  integrantes  da  empresa,  titular  de  direito  e  administradores  de  fato,  foram  denunciados  pelo  Ministério  Público  de  São  Paulo,  por  vários  delitos  penais  praticados,  constam duas ações penais que narraram em detalhes que os integrantes da empresa formaram  Quadrilha,  crime  organizado,  investigado  pela  GAECO­,  conforme  narra  o  TERMO    DE   CIÊNCIA,    DE    ESCLARECIMENTOS,  DE    CONSTATAÇÃO    E    DE    INTIMAÇÃO   FISCAL (e­fls. 02/34), in verbis:  (...)  02.  Do Mandado  de  Busca  e  de  Apreensão  expedido  pela  5a  Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo.  Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.529          66 Aos  10/06/2014  a  Juíza  de  Direito  Dra.  Daniela  de  Carvalho  Duarte  defere  o  Pedido  de  Busca  e  de  Apreensão  nos  imóveis  que  relaciona  na  decisão  prolatada  nos  autos  do  processo  301609­38.2013.8.26.0564 e autoriza, entre outras: "o apoio dos  agentes  da Receita Federal  para  o  cumprimento  da  ordem  e  o  compartilhamento  das  provas  coletadas  com  este  específico  Órgão,  para  analise  conjunta  dos  documentos  apreendidos"  (Anexo V).  No mesmo mandamento decretou a prisão temporária pelo prazo  de  cinco  dias  de:  Sr.  Jacques  Broder  Cohen;  Sr.  Henrique  Kertzman Misionschnik; Sra. Débora Christian Fachin Nogueira  e do Sr. Marcelo Mareei Fachin Nogueira.  O relatório da sentença de forma resumida descreve o minucioso  detalhamento  que  consta  da  Petição  Judicial  de  Mandado  de  Busca  e  Apreensão  e  Decretação  de  Prisão  Temporária  de  autoria  dos Promotores  de  Justiça Dr.  Lafaiete  Ramos Pires  e  Dra. Mylene Comploier datado de 03/06/2014 (Anexo VI).  A  titulo  de  esclarecimento  e  voltado  aos  detalhes  da  atividade  econômica  desenvolvida  pela  Pessoa  Jurídica  "Brazilian  Landbank"  que  lhe  proporcionou  significativa  obtenção  de  Renda,  mas  que  nada  confessou  em  relação  aos  débitos  decorrentes destes Rendimentos e de igual forma, nada recolheu  de  tributos  federais  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil, extraímos os seguintes relatos do relatório da  Sentença:  Tramitam  neste  juízo  medidas  sigilosas  requeridas  após  instauração  de  procedimento  investigatório  criminal,  pelo  GAECO,  com  objetivo  de  apuração  de  eventual  prática  de  crimes  de  organização  criminosa,  estelionato,  falsidades  ideológicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.  O Parquet afirmou que, ao longo do ano de 2009 até a presente  data,  representantes  da  empresa  BLB  —  Brazilian  Landbank  Empreendimentos  e Representação Comercial  Ltda  e  outras  do  mesmo grupo são os autores dos mencionados crimes.  Em resumo, depreende­se dos autos que a noticia de tais delitos  chegou ao conhecimento dos membros do Núcleo por intermédio  de declarações prestadas por Luciano das Neves sola, no dia 14  de outubro de 2013.  (...)  O Ministério Público apontou fortes indícios da pratica do crime  de quadrilha, assim descrevendo o modus operandi:  A  quadrilha  atua  oferecendo  às  empresas  de médio  e  grande  porte  o  serviço  de  compensação  de  seus  débitos  tributários  federais,  a  ser  executada  por  meio  de  direitos  creditórios  de  terceiros, os quais a "BLB" lhes vende como aptos a dar baixa  dos débitos devidos.  Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.530          67 Uma vez entabulado contrato com a empresa vitima, a "BLB"  já recebe os valores contratados para executar a compensação  a que se propõe. Apresenta, então, ao fisco, direitos creditórios  que  invariavelmente  resultam  ineficazes  a  dar  quitação  aos  créditos tributários. Tais créditos são, por exemplo, adquiridos  por valores bem inferiores aos seus valores de face, justamente  por  serem  eivados  de  duvida  quanto  a  sua  validade.  São  provenientes  de  ações,  por  exemplo,  contra  a  União  para  o  recebimento de  títulos da divida externa emitidos no  inicio do  século,  já  prescritos.  Por  vezes,  conforme  relatou  Luciano,  sequer existe a ação.  Diante da recusa do fisco em aceitá­los, o grupo tenta recursos  administrativos  que  vão  postergando  a  cobrança,  enquanto  permanece  iludindo  a  empresa  vitima  com  promessas  de  que  resolverá as pendências, até o ponto em que a situação se torna  insustentável:  a  empresa  vitima  não  consegue  obter  sua  Certidão  Negativa  de  Débitos  ­  CND  e  tem  seus  débitos  inscritos em divida ativa da União.  Nesse  momento,  percebendo  o  engodo,  as  empresas  vítimas  rompem seu relacionamento com a "BLB" e passam, em vão, a  tentar reaver os valores entregues, muitas vezes judicialmente  (...)   Como  visto,  trata­se  de  empresa  cujos  donos,  administradores  de  fato  e  de  direito, atuaram fora da lei, auferindo vantagens ilícitas. E assim também agiram contra o fisco  apresentando declarações falsas, sem movimento, nos anos­calendário 2010 e 2011, quando a  empresa  teve  vultosa movimentação  financeira  (receita  bruta).  E,  ainda,  nada  recolheram  de  tributos  e  contribuições  federais  quanto  aos  anos­calendário  2010,  2011  e  2012  (sonegação  fiscal).  Por  isso,  deve  ser  mantida  a  multa  qualificada  dos  anos­calendário  2010,  2011 e 2012.    SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA    Primeiro, as razões do recurso da pessoa jurídica autuada, na parte que trata  da  defesa  dos  coobrigados,  não  conheço,  pois  a  pessoa  jurídica  no  seu  recurso  não  tem  legitimidade para defender terceiros, ou seja, as pessoas físicas coobrigadas.  Os coobrigados JACQUES BRODER COHEN em 08/06/2016 por via postal  ­ AR (e­fl. 1282), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e­fls.1377/1399) e DEBORA  CHRISTIAN  FACHIM  NOGUEIRA  em  08/06/2016  por  via  postal  ­  AR  (e­fl.  1284),  apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2016 (e­fls. 1319/1344) alegaram, em síntese:  ­  da  inexistência  de  responsabilidade  solidária  com  base  no  art.  124,  I,  do  CTN. Ainda:  Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.531          68 ­  que  a  fiscalização  não  descreveu  objetivamente  as  condutas  individualizadas de cada imputado;  ­ que falta descrição pormenorizada do interesse comum;  ­  que,  na  hipótese  da  sujeição  passiva  solidária  ser  mantida,  que  deve  ser  limitada ao período em que efetivamente atuou cada um dos imputados.  Obs: Quanto aos demais coobrigados:  (i) Henrique Kertzman Misionschnik apresentou impugnação intempestiva na instância a  quo,  a  qual  não  foi  conhecida  naquela  instância.  Preclusão  administrativa  (revelia).  Portanto,  não  conheço  do  recurso voluntário que apresentou, na parte que trata da sujeição passiva solidária (matéria preclusa);  (ii)  Eudes  Souza  Cardoso  Guimarães  e  Marcelo  Marcel  Fachim  Nogueira,  embora  intimados do  lançamento  fiscal  e da  imputação da  sujeição  passiva  solidária,  não  apresentaram  impugnação na  primeira  instância  de  julgamento;  foram  atingidos  pelos  efeitos  da  preclusão  (revelia).  Embora  intimados  da  decisão a quo, não apresentaram recurso voluntário  (iii)  SÍLVIA  REGINA  DE  ALMEIDA  ciência  da  decisão  a  quo  em  08/06/2016  por  via  postal ­ AR (e­fl. 1281); não apresentou Recurso Voluntário (preclusão).  Portanto,  restam para serem analisados apenas os  recursos dos coobrigados:  JACQUES BRODER COHEN e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA.  Não procede a irresignação dos recorrentes.  O  titular de direito da pessoa  jurídica autuada BRAZILIAN LANDBANK,  EMPREENDIMENTOS,  INCORPORAÇÕES  E  REPRESENTAÇÃO  COMERCIAL  LTDA é o Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira, conforme Instrumento de Contrato Social e  Alterações (e­fls. 237/286).   Entretanto, o Fisco constatou que a empresa, de fato, foi comandada por uma  Quadrilha (organização criminosa), tanto pelo titular de direito quanto pelos administradores de  fato,  quanto  aos  ano­calendário  2010,  2011  e  2012,  e  imputou  responsabilidade  solidária  a  todos, ou seja, ao titular de direito Marcelo Marcel Fachim Nogueira e aos administradores de fato  todos os demais coobrigados imputados.  Nesse  sentido  transcrevo,  o  item  13  do  Termo  de  Ciência,  de  Esclarecimentos, de Constatação e de Intimação Fiscal (e­fls. 02/34), reproduzido no Termo de  Descrição dos Fatos (e­fls. 944/957), que transcrevo, in verbis:  (...)  13.  Da  responsabilidade  solidária  das  pessoas  naturais  em  relação aos débitos para com a Fazenda Nacional.  O  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  disciplina  que  será  contribuinte  solidário  aquele  que  tem  relação  pessoal  e  direta  com a situação que constitua o respectivo fato gerador.  Sendo assim, se constitui em devedor solidário na qualidade de  sujeição  passiva  da  obrigação  jurídica  tributária  aquele  que  apresenta  interesse  comum  na  situação  ou  as  pessoas  Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.532          69 expressamente designadas por lei, nos termos do artigo 124 do  CTN. Então, para os  fins da responsabilização com base na lei  vigente, entende­se como responsável solidário  tanto o sócio de  direito bem como as pessoas naturais que mantinham interesse  em comum, atuando em nome da pessoa jurídica e com poderes  de  gestão  de  fato,  independentemente  da  denominação  lhe  conferida  pela  Organização  à  época  da  ocorrência  do  fato  gerador da obrigação tributária.  Por  fim,  a  lei  estabelece  ainda  que  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente ou do  responsável  e da  efetividade, natureza e  extensão  dos efeitos do ato.  Portanto,  com  base  na  documentação  probatória  especificada  em  pormenores  em  cada  qual  dos  tópicos  relatados  e,  principalmente,  na  DENUNCIA  CRIME  (Anexo  III)  que  em  suma, qualifica e descreve Jacques Broder Cohen, Henrique  Kertzman Misionschnik, Débora  Christian  Fachim  Nogueira,  Marcelo Fachim Nogueira, Silvia Regina de Almeida e Eudes  Souza  Cardoso  Guimarães,  todos  identificados  e  domiciliados  conforme  descrevemos  no  tópico  10  do  presente  Termo,  que  agiram  em  concurso  e  unidade  de  desígnios  entre  si,  promoveram,  constituíram,  financiaram  ou  integraram,  pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa,  assim definida como a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas  estruturalmente  ordenada  e  caracterizada  pela  divisão  de  tarefas, ainda que  informalmente, com objetivo de obter, direta  ou  indiretamente,  vantagem  de  qualquer  natureza,  mediante  a  prática  de  infrações  penais  notadamente  estelionatos,  sem  prejuízo de outras infrações penais.  A  pedra  de  toque  na  caracterização  do  dolo  desta  equipe  está  justamente  no  fato  de  que  buscavam  "presas"  em  débito  para  com  o  Fisco  Federal  para  lhes  propor  com  falso  engodo  a  iludida  compensação,  vez  que  utilizavam  títulos  que  não  se  prestavam para a extinção do crédito tributário, razão pela qual  não  utilizaram  o mesmo  remédio  no  preenchimento  das  DCTF  da  "Brazilian LandBank",  preferindo  adotar  o método de  nada  declarar e nada recolher aos cofres federal.  Logo,  todos  estas  seis  pessoas  naturais  serão  carreadas  na  qualidade  de  responsáveis  solidários  por  sujeição  passiva  dos  débitos  tributários  a  serem  constituídos  no  curso  desta  ação  fiscal.  (...)  Em resumo, estamos indicando como responsáveis solidários por  sujeição passiva da obrigação tributária devida e ora constituída  em  desfavor  da  "Brazilian"  as  pessoas  naturais  a  seguir  indicadas, pelas atitudes e condutas que constam das Denúncias  Crime  que  integram  os  elementos  de  prova  desta  ação  fiscal  ­  Anexos III e IV do "Termo de Ciência, de Esclarecimentos, ..." e  com  o  relato  do  Tópico  "10  a  respeito  da  Identificação  das  Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.533          70 Pessoas Naturais", com base no inciso I do artigo 124 do CTN:  (...).  A  Conduta  de  cada  um  dos  coobrigados  está  descrita,  de  forma  individualizada,  no  item 10  já  citado,  ou  seja,  do Termo de Ciência,  de Esclarecimentos,  de  Constatação e de Intimação Fiscal (e­fls. 02/34) e que transcrevo:  (...)  10.  Da  identificação  das  pessoas  naturais  que  são  os  administradores de fato da contribuinte.  A  regular  escuta  autorizada  judicialmente  permitiu  identificar  que o sócio majoritário Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira,  não  passa  de  um  pessoa  "figurativa"  e  que  está  ao  dispor  do  Chefe  do  Grupo  Sr.  Jacques  Broher  Cohen,  casado  ou  que  mantém  relacionamento  estável  com  Sra.  Débora  Christian  Fachim Nogueira, irmã de Marcelo.  A  Denuncia  Crime  interposta  por  dependência  aos  autos  da  Medida Cautelar 2237, da 5a Vara Criminal da Comarca de São  Bernardo  do  Campo  (Anexo  III  com  70  páginas),  reproduz  as  transcrições  das  escutas  captadas  e  relata  com  clareza  a  responsabilidade  de  cada  uma  das  seis  pessoas  naturais  denunciadas  e  o  papel  que  cada  qual  representava  na  Organização,  visando  em  conjunto  usufruírem  de  vantagem  ilícita por meio da "Brazilian LandBank".  Desta  forma  e  com  a  autorização  judicial  proferida  de  compartilhamento de informações entre os Órgãos envolvidos na  Operação (Anexo II), ratificamos e aproveitamos do relato que  consta da Denuncia Crime retro referida, para responsabilizar  as  seguintes pessoas naturais como administradores de  fato da  contribuinte em lide, associados ao administrador de direito Sr.  Marcelo  Mareei  Fachim  Nogueira,  RG  28593372­3,  CPF  245.581.038­08,  residente  e  domiciliado  à  Praça  Antonio  Pinheiro da Costa, 55, apto 113, bloco 4, CEP 09725­120, Vila  Gonçalves,  São  Bernardo  do  Campo/SP,  descrevendo  apenas  uma síntese elucidativa sobre cada qual:  1.  Jacques Broder Cohen,  RG  3409389,  CPF  028.676.498­97,  residente  e  domiciliado  à Rua Omar Daibert  n°  1,  casa  260  e  261,  setor  C,  Parque  Terra  Nova  II,  CEP  09820­680,  São  Bernardo do Campo/SP.  Apresenta­se  como  o Diretor­Presidente  do Grupo.  É  quem  de  fato detém as ações e os destinos do Grupo. Mantém patrimônio  elevado, mas em nome de empresas em decorrência de ser inapto  para a atividade empresarial. (...).  2.Henrique  Kertzman  Misionschnik,  RG  1521056/MG,  CPF483.644.366­00, residente e domiciliado à Rua México, 245,  apto 102, CEP 11410­350, Pitangueira, Guarujá/SP.  Sócio de fato do Sr. Jacques. Realiza manobras para postergar o  conhecimento  sobre  a  verdade  das  ilusórias  compensações.  Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.534          71 Administrava  os  empregados.  Gerenciava  pagamentos.  Responsável  pelo  saneamento  das  pendências  com  pessoal  ou  comerciais.  3.Débora  Christian  Fachim  Nogueira,  RG  28.593.372­3,  CPF120.666.128­39,  residente  e  domiciliada  à  Rua  Omar  Daibert  n°  1,  casa  260  e  261,setor  C,  Parque  Terra  Nova  II,  CEP 09820­680, São Bernardo do Campo/SP.  Mantinha a função de ocultar a figura de Jacques nas empresas.  Exercia de fato a direção financeira do Grupo.  4.Silvia  Regina  de  Almeida,  CPF  030.337.788­79,  OAB  136529,residente e domiciliada à Rua Brasil, 444, apto 74, CEP  09627­000, Rudge Ramos,São Bernardo do Campo/SP.  Advogada do Grupo. Acompanhava a apresentação do produto  nos  casos  dos  créditos  ilegítimos  ou  inexistentes.  Elaborava  os  contratos  dos  negócios  efetivados.  Atuava  com  seus  conhecimentos jurídicos no encantamento das "presas", tanto na  captação  como  na  manutenção  do  erro  depois  de  notificados  pela Receita Federal da irregularidade nas compensações.  5.Eudes  Souza  Cardoso  Guimarães,  RG  25709585­8,  CPF  143.129.208­77, residente e domiciliado à Rua Amaro Coutinho,  57, CEP 03896­010, Ponte Rasa, São Paulo/SP.  Diretor  executivo  do  Grupo  ­  Representante  comercial  comandante.  Responsável  pela  manutenção  da  vitima  da  organização  criminosa  em  erro,  quando  intimada  pela  Secretaria da Receita Federal.  (...)  Como  visto,  essas  pessoas  agiram  mancomunadas,  combinadas,  ajustadas  (ajuste  doloso),  organização  criminosa  (quadrilha),  cometeram  diversos  crimes  em  tese,  conforme Denúncias oferecidas  ao Poder  Judiciário pelo MP  (já  identificadas no TVF,  fatos  transcritos  no  relatório)  e  também,  nesse  contexto,  cometeram  fraude,  sonegação  fiscal  total  dos tributos e contribuições dos anos­calendário 2010, 2011 e 2012, conforme art. 44, § 1º, da  Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), e arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de  30 de novembro de 1964.   O Sr. Jacques Broder Cohen, de fato, é o Diretor­Presidente do Grupo. É  quem de  fato  detém  as  ações  e  os  destinos  do Grupo. Mantém patrimônio  elevado, mas  em  nome de empresas em decorrência de ser inapto para a atividade empresarial.  A Sra. Débora Christian Fachim Nogueira mantinha a função de ocultar a  figura de Jacques nas empresas. Exercia de fato a direção financeira do Grupo.  Os  administradores, mandatários,  prepostos  e  empregados  são  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que  tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.  Nesse sentido, a título de ilustração, transcrevo precedentes deste CARF:  Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.535          72 Ementa(s)  Assunto:Imposto  sobre  a Renda  de Pessoa  Jurídica­ IRPJ. Ano­calendário: 2010, 2011. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO.  NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR.  EXCLUSÃO  DA  PESSOA  JURÍDICA.  IMPOSSIBILIDADE.A  jurisprudência  deste  Conselho  é  firme  no  sentido  de  que  a  responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam  formais  ou  de  fato),  prevista  no  art.  135,  III  é  solidária  e  não  exclui  do  pólo  passivo  a  pessoa  jurídica  administrada.  Sendo  notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador  de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela­ se  indiscutivelmente  este  que  era  o  responsável  de  fato  pela  gestão  dos  negócios  da  empresa  indicada  no  pólo  passivo  da  autuação.  (...).  (Acórdão  1302002.549  –  3ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  Sessão  de  20/02/2018,  Relator  e  Presidente  Luiz  Tadeu Matosinho Machado).  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  INTERESSE  COMUM.Configurado  o  interesse  comumn  as  situações  que  constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência  de  identificação  entre  o  responsável  solidário  e  a  contribuinte,  resta  caracterizada  a  sujeição  passiva  solidária  nos  termos  do  art.124,I, c/cart.135, III, ambos do CTN.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA.  Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica,  pessoas  físicas,  acobertados  por  terceiras  pessoas  ("laranjas")  que  apenas  emprestavam  o  nome  para  que  eles  realizassem  operações  em  nome  da  pessoa  jurídica,  da  qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas  contas  correntes  bancárias,  fica  caracterizada  a  hipótese  prevista  no  art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo in­ teresse comum  na  situação  que  constituía  o  fato  gerador  da  obrigação  principal.  (Acórdão  1301001.525  –  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária, Sessão de  08/05/2014, Relator Paulo  Jakson  da Silva Lucas Relator).   SUJEIÇÃO  PASSIVA.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ART.  135  DO  CTN.  No  caso  de  outorga  de  procuração  com  poderes  plenos  e  ilimitados  de  administração  e  gerência,  cumulado  com  a  interposição  de  pessoas  (“laranjas”)  para  induzir  as  autoridades  fiscais  a  erro,  cabível  a  imputação  de  responsabilidade tributária  aos admi­ nistradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do  art. 135 do CTN. (Acórdão nº 1102001.320–1ª Câmara/ 2ªTurma  Ordinária,  Sessão  de  24/03/2015,  Relator  João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc).   SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  INTERESSE COMUM DE  PESSOA FÍSICA QUE COMANDA,  DE  FATO,  A  PESSOA  JURÍDICA.  INTERPOSIÇÃO  DE  PESSOAS. ART. 124 I CTN.   Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.536          73 Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro  so­ cietário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controla­ dor, dirigente e beneficiário do resultado  econômico,  correta  a  determinação  de  responsabilidade  solidária  pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado  inte­ resse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme  preceitua o inciso I do art. 124  do Código Tribu­tário Nacional.  (Acórdão  nº  3401003.809  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária,  Sessão  de  26/06/2017, Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO  BRANCO).   RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ART.  135,  III.  DOLO.  PODERES  DE  GERÊNCIA.  Os  administradores  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  desde  que  cabalmente  provado  o  dolo.  (Acórdão  nº  3301003.159–3ª  Câmara/1ªTurma  Ordinária,  Sessão  de  27/01/2017, Relatora Semíramis de Oliveira Duro).   RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  CABIMENTO.  Os  administradores,  mandatários,  prepostos  e  empregados  são  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  bem  assim  as  pessoas  que tenham interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal.(Acórdão  nº  1302001.962–3ª  Câmara/2ªTurma  Ordinária,  Sessão  de  11/08/2016,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa  Redator  designado).   Portanto,  está  caracterizada  a  sujeição  passiva  solidária  dos  recorrentes  JACQUES BRODER COHEN e DEBORA CHRISTIAN FACHIM NOGUEIRA. Os demais  coobrigados foram atingidos pela preclusão, quanto à sujeição passiva solidária, ou seja:  ­ Sr. Eudes Souza Cardoso Guimarães, Sr. Marcelo Marcel Fachim Nogueira  e Sra. Silvia Regina de Almeida não apresentaram recurso voluntário (preclusão);  ­  Sr.  Henrique  Kertzman Misionschnik,  embora  tenha  apresentado  recurso  voluntário,  restou  não  conhecido  na  parte  que  tratou  de  sujeição  passiva  solidária,  pois  na  primeira  instância  apresentou  impugnação  intempestiva,  a  qual  sequer  foi  conhecida  pela  decisão a quo  que,  de  forma  expressa,  pronunciou  a  intempestividade,  implicando preclusão  (revelia) na parte atinente à sujeição passiva solidária.    LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS E COFINS.    Por decorrer dos mesmos fatos e provas, aplica­se ao lançamento decorrente  o  decidido  no  lançamento  principal,  se  não  houver  razão  fática  e  jurídica  para  decidir  diversamente.  Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10932.720010/2015­92  Acórdão n.º 1301­003.677  S1­C3T1  Fl. 1.537          74 Por  tudo  que  foi  exposto,  voto  para  rejeitar  preliminares  de  nulidade  suscitadas e no mérito negar provimentos aos recursos voluntários.     (assinado digitalmente)  Nelso Kichel        Voto Vencedor  Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto ­Redatora Designada  Apenas para divergir no que tange à aplicação da multa qualificada no caso  do lançamento por presunção da omissão de receitas por depósitos bancários sem comprovação  de origem.  Neste caso, o entendimento majoritário do Colegiado é no sentido de que ela  seja reduzida para 75%, nos termos da Súumula CARF 14.  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito passivo  É como voto.    (assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto                  Fl. 1537DF CARF MF

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