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Numero do processo: 19515.000210/2008-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - FALTA DE INTERESSE DE AGIR.
Em seu recurso especial a Fazenda Nacional defendeu que se aplica ao caso a regra do artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, devendo-se verificar, no momento da execução do julgado, qual norma é mais benéfica à autuada (se a multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35-A da Lei n° 8.212/91). Contudo, no caso inexiste penalidade lançada. Portanto, quanto à matéria, a Fazenda Nacional carece de interesse processual, de interesse de agir, na medida em que a tese suscitada não se aplica aos fatos verificados.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 16/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Em seu recurso especial a Fazenda Nacional defendeu que se aplica ao caso a regra do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, no momento da execução do julgado, qual norma é mais benéfica à autuada (se a multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35 A da Lei n° 8.212/91). Contudo, no caso inexiste penalidade lançada. Portanto, quanto à matéria, a Fazenda Nacional carece de interesse processual, de interesse de agir, na medida em que a tese suscitada não se aplica aos fatos verificados. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 10 /2 00 8- 91 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/200891 Acórdão n.º 9202002.831 CSRFT2 Fl. 244 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face do Município de São Paulo – Secretaria Municipal de Educação, CNPJ n° 46.392.114/000125, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 37.014.9858 (fls. 0132), para a exigência de contribuição previdenciária correspondente a quinze por cento sobre o valor bruto das faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados pela cooperativa de trabalho denominada Cooperativa Paulista de Trabalho, CNPJ n° 51.561.819/000169, nas competências 08/2001 e 10/2001 a 12/2001. Apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF proferiu o acórdão n° 240300.368, que se encontra às fls. 185189, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/200891 Acórdão n.º 9202002.831 CSRFT2 Fl. 245 3 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I, CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art. 62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil, no caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até as competências 11/2001 e 13/2001, com base no artigo 173, inciso I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Intimada do acórdão em 19/04/2011 (fls. 187), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 190203, acompanhado dos documentos de fls. 204207, cujas razões podem ser assim sintetizadas: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/200891 Acórdão n.º 9202002.831 CSRFT2 Fl. 246 4 a) Com relação à incidência do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, há nítida divergência entre a decisão recorrida e os acórdãos nos 230100.283 e 240100.120; b) Cumpre observar que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei n°8.212/91; c) Insta aqui consignar que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque o que se encontrava em julgamento era o lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social e se travou discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei n° 11.941/2009 (fruto da conversão da MP n° 449/2008) no art. 35 da Lei n°8.212/91; d) Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e do paradigma encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP n° 449/2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009) e do art. 35A da Lei n°8.212/1991. Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei n° 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei n° 11.941/2009; e) Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96. No julgado paradigma, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa; f) Dessa forma, uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial no que toca ao diploma legal a reger a aplicabilidade da multa no caso em testilha, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido; g) O artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual esta inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/200891 Acórdão n.º 9202002.831 CSRFT2 Fl. 247 5 h) Para a solução destes questionamentos, devese lembrar que "não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum"; i) Nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar a sistemática aplicável para os demais tributos federais; j) A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96; k) Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido, cumpre a fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96; l) Por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; m) Assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigidos, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de ofício (ou seja, espontaneamente — o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941/09. É o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212; n) Logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de ofício, considerandose que não houve o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96; o) A multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/200891 Acórdão n.º 9202002.831 CSRFT2 Fl. 248 6 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de ofício. A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A; p) Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; q) Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; r) A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP n° 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária; s) O lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei n°8212/1991, introduzido pela Lei n°11.941/2009; t) Requer (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo H, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n°8.212/91. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 2400284/2011 (fls. 208 212), a contribuinte foi intimada e não se manifestou, conforme informou a repartição de origem às fls. 216. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/200891 Acórdão n.º 9202002.831 CSRFT2 Fl. 249 7 É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Sob minha ótica, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não pode ser conhecido, pois não há interesse de agir. Reitero que o acórdão proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, acolheu a decadência para os fatos ocorridos até as competências 11/2001 e 13/2001, com fundamento no artigo 173, inciso I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso com relação à multa, determinando o recálculo com base na redação dada pela Lei n° 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei n° 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. A insurgência da recorrente está relacionada à penalidade e sua pretensão é no sentido de que se aplique ao caso a regra do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, no momento da execução do julgado, qual norma é mais benéfica à autuada (se a multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35A da Lei n° 8.212/91). Contudo, no caso, o lançamento está desacompanhado de multa, conforme se pode observar às fls. 0102. Tal fato foi assim explicado pela autoridade lançadora (fls. 39): 3.22. Cabe lembrar que no caso de infração ao dispositivo da legislação previdenciária, a responsabilidade pelo pagamento da multa é pessoal do dirigente, em relação ao respectivo período de gestão, conforme artigo 41 da Lei n° 8.212 de 24/07/1991 c/c com o artigo 283, § 1° e artigo 289 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1999. Portanto, a tese defendida pela Fazenda Nacional não se aplica aos fatos verificados neste feito, já que inexiste multa lançada. Conseqüentemente, a recorrente não tem interesse processual, interesse de agir, de modo que sua insurgência não pode sequer ser conhecida. Voto, pois, no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/200891 Acórdão n.º 9202002.831 CSRFT2 Fl. 250 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10882.902858/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 58 /2 00 8- 41 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte SPS SUPRIMENTOS PARA INDUSTRIA LTDA. se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0532.847, proferido em primeira instância pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS – DRJ/CPS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do credito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS – DRJ/CPS, toma se de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: “Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do credito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP , não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da existência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que houve equivoco no preenchimento do campo relativo ao documento Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10882.902858/200841 Acórdão n.º 3802001.781 S3TE02 Fl. 112 3 de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do credito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim requer a homologação da compensação por força da existência do credito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o credito requerido.” Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de pagar o tributo e a acessória de informar, e a comprovação cabal de ter recolhido a maior o valor do tributo compensado. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Consoante defendido pela interessada, a transmissão de DCTF retificadora para correção do montante devido a título de COFINS em função da equivocada inclusão na apuração do tributo de peças tributadas pela contribuição à alíquota zero, seria conduta suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. De acordo com o sujeito passivo, o montante realmente devido a título de Cofins foi consignado na DCTF retificadora. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contratrio sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já iteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Todavia, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, notase que o Recorrente juntou aos autos apenas, à época de sua manifestação de inconformidade, a DCTF retificadora e o DARF quitando o valor originalmente indicado na DCTF retificada. No entanto, carece de demonstração efetiva da materialidade do crédito. Insta salientar que a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor da Cofins era efetivamente devido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10882.902858/200841 Acórdão n.º 3802001.781 S3TE02 Fl. 113 5 Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo da Cofins declarada na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Logo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 14479.000224/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2006
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Assim, levando em consideração que as contribuições sociais incidem sobre o total das remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais, restringido a ação fiscal apenas a uma rubrica (bolsa de estudos), não há como negar a existência de pagamento parcial. Logo, na hipótese deve incidir a norma estabelecida no art. 150, §4° do CTN.
VÍCIO FORMAL MPF - INOCORRÊNCIA
A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento.
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO.
São devidas as contribuições previdenciárias patronais a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção.
SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
Recurso de Ofício Provido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento ao recurso de ofício para que a decadência seja aplicada com base no artigo 150,§ 4º do Código Tributário Nacional e excluídas do lançamento as competências até 06/2001, inclusive. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi (Relatora), que negaram provimento ao Recurso de Ofício. Designada para fazer o voto divergente a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, que apresentará Declaração de Voto por entender que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de abono educação.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, levando em consideração que as contribuições sociais incidem sobre o total das remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais, restringido a ação fiscal apenas a uma rubrica (bolsa de estudos), não há como negar a existência de pagamento parcial. Logo, na hipótese deve incidir a norma estabelecida no art. 150, §4° do CTN. VÍCIO FORMAL MPF - INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. São devidas as contribuições previdenciárias patronais a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Negado
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, levando em consideração que as contribuições sociais incidem sobre o total das remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais, restringido a ação fiscal apenas a uma rubrica (“bolsa de estudos”), não há como negar a existência de pagamento parcial. Logo, na hipótese deve incidir a norma estabelecida no art. 150, §4° do CTN. VÍCIO FORMAL MPF INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. São devidas as contribuições previdenciárias patronais a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 02 24 /2 00 7- 94 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 2 Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento ao recurso de ofício para que a decadência seja aplicada com base no artigo 150,§ 4º do Código Tributário Nacional e excluídas do lançamento as competências até 06/2001, inclusive. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi (Relatora), que negaram provimento ao Recurso de Ofício. Designada para fazer o voto divergente a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, que apresentará Declaração de Voto por entender que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de abono educação. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 508 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 17/07/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 19/07/2006, de contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados referentes a bolsas de estudo concedidas aos empregados, no período de 01/1999 a 03/2006. Após a impugnação os autos baixaram em diligência para que a fiscalização elaborasse relatório aditivo, já que não constava do original a fundamentação legal que sustentasse a aferição indireta, sendo reaberto prazo para manifestação de quinze dias. A recorrente foi cientificada e se manifestou pelo cerceamento de defesa, posto que o prazo deveria ter sido de trinta dias. Aceita a manifestação da notificada, foi reaberto prazo de defesa de trinta dias. Novamente houve aditamento à defesa e Acórdão de fls. 343/357, julgou a exação procedente em parte para excluir as competências até 11/2000, em vista da decadência e da exclusão parcial de valores relativos a bolsas de estudo, pagas aos segurados empregados. Em vista da desoneração do crédito foi interposto o presente recurso de ofício, sem qualquer comunicação e abertura de prazo para interposição do recurso voluntário pelo contribuinte. Resolução de fls. 372/373, converteu o julgamento em diligência para que fosse dada ciência ao contribuinte do Acórdão exarado na 1ª instância e aberto prazo para apresentação de recurso voluntário, onde o contribuinte argúi em síntese: a) a nulidade do lançamento porque a foi cientificado da NFLD após a expiração do MPF; b) a nulidade do lançamento porque inexiste dispositivo legala sustentar a contribuição sobre bolsas de estudo; c) a nulidade do lançamento epla falta de motivação; d) que não incide contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo, conforme jurisprudência do STJ e do CARF; e) que todos os empregados tinham acesso às bolsas de estudo e por ser estabelecimento de ensino é natural que forneça bolsas a seus empregados; f) que as bolsas de estudo fornecidas por força de convenção coletiva de trabalho não integram o salário de contribuição; g) que seus documentos são idôneos, foram apresentados, não cabendo o arbitramento na forma do artigo 148, do CTN; Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 4 h) que a decadência deve ser aplicada com base no artigo 150 §4º do CTN, pois houve recolhimento na rubrica segurados, relativamente à folha de pagamento; i) que estão decadentes as competências até 06/2001. Por fim, faz considerações acerca da sua condição de entidade beneficente de assistência social, para dizer que independentemente da existência de ato cancelatório, o colegiado deveria examinar detalhadamente o caso da recorrente. Requer a nulidade da notificação e que as intimações sejam feitas exclusivamente no endereço de seu patrono. Cumprida a diligência, os autos retornaram a este Colegiado para apreciação de ambos os recursos, de ofício e voluntário. É o relatório. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 509 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi O recurso voluntário cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares A recorrente alega a nulidade do lançamento porque teve ciência da NFLD quando o Mandado de Procedimento Fiscal estava extinto. Esclareço à recorrente que a ciência da notificação fiscal de lançamento de débito ter ocorrido após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, não é causa da nulidade do lançamento eis que o mesmo ocorreu quando o MPF ainda estava válido. A ciência da notificação ao sujeito passivo não pode ser confundida com o lançamento do crédito previdenciário, que foi efetuado dentro do prazo estipulado pelo MPF. Ademais, o Enunciado N. 25, conforme Resolução MPS/CRPS n. 01, que transcrevo a seguir, se presta para dirimir a questão: RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006 – DOU de 06/03/2006 Edita o enunciado n. 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Enunciado N. 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. Não houve desobediência ao princípio da legalidade, no que se refere à ausência de descrição dos fatos geradores no relatório fiscal, que explicita claramente que a notificação se refere ao pagamento de bolsas de estudo sem a comprovação de que estão abrigadas no artigo 28, parágrafo 9º da Lei n.º 8.212/91. O relatório aditivo trouxe a fundamentação legal da aferição indireta e retificou o lançamento frente aos documentos apresentados por ora da defesa e que não tinha sido feito quando da auditoria fiscal. O Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 6 contribuinte foi cientificado do novo relatório e foi reaberto o prazo de defesa, por duas vezes, oportunizandolhe trazer suas razões em estrita observância do princípio da legalidade. O Relatório Fiscal de fls. 72/75 e o Relatório Complementar de fls. 165/167, obedeceram aos preceitos contidos nos artigos 10 e 11 do Decreto n.º 70.235/72, dizendo explicitamente quais os fatos geradores constantes do levantamento, não se sustentando a tese de que o relatório deixou de discriminar o fato gerador do lançamento: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 510 7 A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à decadência, tenho que o levantamento referese a cota dos segurados incidente sobre valores pagos a título de bolsas de estudo, nas competências de 01/1999 a 03/2006. Decisão de primeira instância, baseada no relatório aditivo de fls. 165/167, retificou o crédito lançado para excluir período decadente até 11/2000, com base no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e as bolsas de estudo que foram pagas de acordo com a legislação, conforme planilha de fls. 168/170. Com efeito, a decadência deve ser aplicada com base no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 8 antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação (bolsas de estudo), assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, estando correta a exclusão das competências até 11/2000, inclusive: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito A questão de mérito reside no fato dos valores pagos para custear bolsas de estudo integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 511 9 incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 10 f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 512 11 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Portanto, a verba relativa a bolsas de estudo para estar fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, precisa cumprir os requisitos descritos na letra “t” do parágrafo 9º do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91. Quando da ação fiscal, a recorrente não logrou comprovar que os valores pagos a título de bolsas de estudo se subsumiam à condições impostas na legislação para serem excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias e por este motivo, todo o valor da rubrica serviu de base de incidência contributiva. Contudo após a impugnação e frente a documentos juntados, o fisco através de diligência efetuada, retificou o lançamento para excluir os valores pagos a título de bolsas de estudo de acordo com a legislação vigente. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 12 definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de bolsas de estudo aos funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação em desacordo com a legislação, ou seja, que não está adequada ao expresso no §9º, letra”t” do artigo 28 da Lei n.º 8;212/91, possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Como visto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não estando adequada à dispensa legal da incidência de contribuições previdenciárias, as parcelas pagas a título de bolsas de ensino no período remanescente do lançamento, conforme já analisado, deve persistir. Vale ressaltar ainda que, mesmo que porventura se ventile a hipótese de validação trabalhista de negociação coletiva que atribua natureza jurídica diversa à verba em questão, como as contribuições previdenciárias são tributos e por isso, sujeitas à regência do CTN, cabe mencionar o art. 123: Art.123 Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante da normatividade susoelencada, inferese que os contratos firmados entre as partes, inclusive os coletivos, não possuem força vinculante para o Fisco, pois os mesmos só criam regras válidas para os convenentes, não para um terceiro, in casu, a Previdência Social, principalmente em face do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 513 13 No que se refere à aferição indireta, a mesma foi utilizada no levantamento porque conforme explicitado no relatório fiscal,o contribuinte não demonstrou, durante a auditoria, para quem eram pagas as verbas relativas a bolsas de ensino, se eram disponibilizadas a empregados e a dirigentes e se eram relativas à qualificação profissional, educação básica ou ensino superior. Tais informações foram prestadas posterior e parcialmente, o que levou à retificação do crédito lançado. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 14 § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." A recorrente não apresentou todos os documentos capazes de subsidiar o lançamento e por isso alguns valores foram aferidos indiretamente, com base nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de apresentação deficiente de documentos, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. O artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente: Art.233 (...) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. No caso em tela, os documentos apresentados pelo contribuinte não continham todas as informações necessárias e relativas às bolsas de ensino solicirtadas pelo fisco, o que motivou o arbitramento. Quantoà solicitação para exame da sua condição de entidade beneficente de assistência social e da imunidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias, informo à recorrente que este processo não trata da questão da isenção/imunidade, não sendo possível o exame do assunto. A entidade teve cassada a isenção patronal das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/1993, através do Ato Cancelatório n.º 02/2004, emitido em 28/12/2004, sendo que o recurso interposto pela entidade teve decisão administrativa definitiva Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 514 15 exarada no Acórdão n.º 830/2007, do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, confirmando a cassação da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. .Desta forma, o Ato Cancelatório da isenção patronal, foi definitivo e produziu seus efeitos, não havendo que se perquirir, neste processo de lançamento do débito, quanto a sua pertinência ou validade. A recorrente não trouxe aos autos qualquer comprovação de que solicitou novamente o benefício legal. Portanto, de acordo com todos os elementos constantes dos autos o que se vislumbra é que a entidade teve a isenção patronal das contribuições previdenciárias cancelada a partir de 01/01/1993, decisão que se tornou definitiva. Além disso o presente levantamento de débito referese à cota dos segurados das contribuições previdenciárias, não havendo que se falar em isenção patronal. Com referência a Ação Civil Pública, o Acórdão recorrido já informou ao contribuinte que já foi proferida a sentença em 01/09/2006 e manifestação sobre embargos de declaração em 09/04/2007, onde decidiu, em síntese: "Assim, conheço dos presentes embargos, e, no mérito, acolhoos para retificar o disposto na sentença de fls. 2.364/2400, nos seguintes termos: "Isto posto, nos termos da fundamentação supra, julgo parcialmente procedentes os pedidos formulados na inicial, pata: 1.declarar a invalidade do registro e do certificado de entidade beneficente de assistência social deferido pela Resolução 015/2000 para o período compreendido entre 01.01.1998 e 31.12.2000, bem como do registro e do certificado deferido pela Resolução n.° 129/95 para o período compreendido entre 01.01.1995 e 31.12.1997, este último somente a partir de 1996; 2. declarar o não preenchimento, pela ré Fundação Armando Alvares Penteado — FAAP, no período de 1996 a 2002, dos requisitos legais para a obtenção do certificado de entidade beneficente de assistência social, bem como para o reconhecimento de imunidade em relação às contribuições sociais previstas nos artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212/1991 ; 3. declarar, expressamente, como conseqüência da nulidade dos Registros e Certificados mencionados no item 1 deste dispositivo, a inexistência de imunidade da Fundação Armando Alvares Penteado em relação às contribuições sociais previstas nos artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212/1991, a partir de 1996 até a eventual obtenção de novo Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, o que, por sua vez, libera as autoridades administrativas para adoção de medidas necessárias à cobrança do crédito tributário apurado nesses períodos; e para declarar os réus Célia Procópio de Araújo Carvalho, Antônio Bias Bueno Guillon, Américo Fialdini Júnior e Victor Mirshawka solidariamente responsáveis pelo pagamento dos valores não recolhidos Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 16 pela FAAP a titulo de contribuição previdenciária, no período compreendido entre 1996 a 2002. No mais, mantenho a decisão de fls. 2.364/2400 em todos os seus termos. P.R.1". Quanto à intimação dos atos administrativos, o parágrafo 4º, do artigo 23, do Decreto n.º 70.235/72, traz que será considerado o domicilio tributário do sujeito passivo o endereço postal do seu cadastro junto à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, autorizado pelo sujeito passivo: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Desta forma, é inócua a solicitação para intimação exclusiva ao patrono da recorrente. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. A Declaração de Voto que consta do dispositivo do Acórdão e da ata da sessão de julgamento, não foi apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, como determina o artigo 63, parágrafos 7º e 8º do RICARF – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, considerandose como não formulada. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 515 17 Voto Divergente Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pela ilustre Conselheira Relatora no que pertine ao prazo decadencial afeto ao presente caso. Como dito no acórdão, trata a presente notificação lavrada em 17/07/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 19/07/2006, de contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados referentes a bolsas de estudo concedidas aos empregados, no período de 01/1999 a 03/2006. O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram declarados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir seus créditos no lapso de 10 (dez). Deste julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08. De acordo com o art. 103A da Constituição Federal/88, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 18 insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. As contribuições previdenciárias, assim como toda e qualquer obrigação tributária, uma vez não recolhidas dentro de certo período de tempo (cinco anos), serão exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN no caso de não haver o recolhimento antecipado: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No entanto, havendo pagamento parcial, a contagem do prazo qüinqüenal deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. Se antes, o início da contagem ocorria com o primeiro dia do exercício seguinte, com esta nova norma, o fato gerador ressalta a importância da contagem, iniciandose a partir de então, vejamos: "Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." No caso em análise, o lançamento combatido teve origem no pagamento dos valores despendidos a título de bolsas de estudos concedidos aos segurados, tidos pela autoridade fazendária como salários indiretos. Ciente que as contribuições sociais incidem sobre o total das remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais, apenas sobre a rubrica “bolsa de estudos” restringiuse a ação fiscal. Logo, indubitavelmente, o caso é de pagamento a menor das contribuições sociais. Por isso, deve a análise do prazo decadencial sujeitarse às imposições normativas do art. 150, §4º do CTN. A ação fiscal compreendeu o período de 01/1999 a 03/2006. A ciência pelo contribuinte ocorreu em 19/07/2006. Extinguindo o direito de a Seguridade Social constituir o crédito tributário após 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, temse que, de fato, decaiu o direito de o Fisco Previdenciário promover qualquer lançamento relativo aos fatos geradores Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/200794 Acórdão n.º 2302002.412 S2C3T2 Fl. 516 19 compreendidos entre 01/1999 a 06/2001, devendo tais competências serem excluídas da cobrança. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Designada. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 20 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Numero do processo: 10945.000636/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa: PRAZO DECADENCIAL. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. PLEITO ANTERIOR A 09.06.2005. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para compensação de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, extingue-se depois de decorridos 05 (cinco) anos da homologação tácita ou expressa do pagamento antecipado, sempre que o pleito de compensação tenha sido apresentado até 09.06.2005. Entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, no bojo do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
Tendo em vista que o despacho decisório inicial limitou-se a pronunciar a operação do prazo extintivo, não poderia a instância recorrida ter-se imiscuído na análise do mérito da compensação – especialmente ante a manutenção do entendimento acerca da fluência do prazo para compensação –, devendo os autos serem enviados à origem para a análise desta questão.
Numero da decisão: 1101-000.822
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com a determinação do retorno dos autos à origem para a análise do mérito da compensação. Vencido o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negava
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: PRAZO DECADENCIAL. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. PLEITO ANTERIOR A 09.06.2005. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para compensação de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, extingue-se depois de decorridos 05 (cinco) anos da homologação tácita ou expressa do pagamento antecipado, sempre que o pleito de compensação tenha sido apresentado até 09.06.2005. Entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, no bojo do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA Tendo em vista que o despacho decisório inicial limitou-se a pronunciar a operação do prazo extintivo, não poderia a instância recorrida ter-se imiscuído na análise do mérito da compensação – especialmente ante a manutenção do entendimento acerca da fluência do prazo para compensação –, devendo os autos serem enviados à origem para a análise desta questão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: PRAZO DECADENCIAL. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. PLEITO ANTERIOR A 09.06.2005. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para compensação de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, extinguese depois de decorridos 05 (cinco) anos da homologação tácita ou expressa do pagamento antecipado, sempre que o pleito de compensação tenha sido apresentado até 09.06.2005. Entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, no bojo do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA Tendo em vista que o despacho decisório inicial limitouse a pronunciar a operação do prazo extintivo, não poderia a instância recorrida terse imiscuído na análise do mérito da compensação – especialmente ante a manutenção do entendimento acerca da fluência do prazo para compensação –, devendo os autos serem enviados à origem para a análise desta questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com a determinação do retorno dos autos à origem para a análise do mérito da compensação. Vencido o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negava provimento ao recurso voluntário. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, protocolada em 11.03.2005 (fls. 01/04), enunciadora de encontro de contas relativo a: i. débitos tocantes à 1ª e à 2ª quotas de IRPJ (código de receita 0220), atinentes ao 2° trimestre de 2004, nos valores, respectivamente, de R$ 1.186,20 (um mil, cento e oitenta e seis reais e vinte centavos) e de R$ 3.331,14 (três mil, trezentos e trinta e um reais e quatorze centavos); ii. crédito correspondente a suposto recolhimento indevido da 3ª quota do IRPJ tangente ao 3° trimestre de 1999, no valor de R$ 2.481,92 (dois mil, quatrocentos e oitenta e um reais e noventa e dois centavos). Com base na Informação Fiscal Seort/DRF/Foz n° 068/2005 (fls. 34/39), foi proferido o despacho decisório de fls. 39/40, por meio do qual se indeferiu a homologação da compensação declarada, em face de o crédito utilizado já estar, aduzidamente, alcançado pela decadência, conforme disposto no artigo 168, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 e no Ato Declaratório SRF n° 96/1999. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/200568 Acórdão n.º 110100.822 S1C1T1 Fl. 2 3 Regularmente cientificada desse despacho por via postal (A.R recebido em 20.04.2005, fl. 42v), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (fl. 49), apresentou, em 20.05.2005, a manifestação de inconformidade de fls. 45/48, cujo teor é sintetizado a seguir: i. a decisão proferida pela DRF/Foz do Iguaçu esbarra em uma premissa falsa, pois o artigo 168, inciso I, do CTN determina que o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário – o que, tratandose de lançamento por homologação, na falta de ato expresso da autoridade administrativa, materializase com o curso de 05 (cinco) anos, a partir da ocorrência do fato gerador; ii. logo, o prazo para pleitear a restituição só começa a fluir depois de concretizàda a homologação do lançamento pelo Fisco, ou depois de decorrido o prazo de 05 (cinco) anos a que se refere o § 4° do artigo 150 do CTN. À fl. 60, consta despacho do colegiado recorrido, solicitando, ao órgão de origem, a confirmação da efetiva existência do direito creditório indicado pela interessada. À fl. 66, jaz a resposta da DRF/Foz do Iguaçu, por meio da qual constou, dentre outras informações, o relato de que os passivos compensados não tinham sido declarados em DCTF. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, ao analisar a manifestação de inconformidade protocolizada, houve por bem indeferila, não homologando a compensação, forte em considerações assim ementadas: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas ao direito creditório utilizado e ao débito a ser compensado, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. PRAZO DECADENCIAL PARA SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para solicitação de restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 ° do art. 150 do CTN. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Constatada a inexistência do direito creditório indicado na declaração de compensação, é de se não homologar a compensação declarada. Compensação não Homologada.” Não conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 91/95, voltado a reproduzir, síntese, as ilações aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. O debate descortinado se baseia, inicialmente, na suposta decadência do direito do contribuinte de aproveitar, mediante Declaração de Compensação, transmitida em 11.03.2005 (fls. 01/04), créditos derivados de suposto pagamento indevido ou a maior, engendrado em 29.11.1999 (fl. 05). O despacho decisório de fls. 39/40 – que primeiro tratou do pleito de compensação – houve por bem não homologar o ajuste de contas intentado, com esteio, exclusivamente, na adução de que a DCOMP inaugural deveria ter sido apresentada dentro de 05 (cinco) anos, contados do recolhimento das cifras indébitas – é dizer, até 29.11.2004. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/200568 Acórdão n.º 110100.822 S1C1T1 Fl. 3 5 Para embasar esse entendimento, citaramse os artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, do CTN, abaixo transcritos: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...)” “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...)” Ato contínuo, trouxese à baila o disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005, também adiante reproduzido – dispositivo ao qual se pretendeu dar feições de simples norma interpretativa, não constitutiva de nova situação jurídica: “Art. 3º. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” Apresentada manifestação de inconformidade, o contribuinte demonstrou entendimento pela aplicação de prazo decenal de decadência, com amparo na conhecida tese dos “cinco mais cinco”, segundo a qual o lustro de caducidade só se iniciaria depois de esgotado o quinquênio dentro do qual a Fazenda deveria homologar o pagamento antecipado, sob pena de reconhecimento tácito (artigo 150, § 4º, do CTN). O aresto de primeira instância, presentemente recorrido, reiterou a exegese do despacho decisório exordial. Mais ainda, buscou se imiscuir, de ofício, no mérito do encontro de contas pleiteado, nos seguintes termos (fl. 87): Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 “Além do mais, inobstante não tenha informado débito algum de IRPJ na DCTF do 4° trimestre/1999 (fl. 59), verificase que consta da DIPJ 2000 (ND 0834850), regularmente apresentada pela interessada em 30/06/2000, que no 3° trimestre/1999 foi apurado R$ 30.542,65 de imposto de renda a pagar (fl. 55), o qual foi apenas parcialmente quitado mediante recolhimentos de três quotas em 29/11/1999 (fl. 64): 1° quota (vencimento em 29/10/1999): imposto........................... R$ 2.457,35 multa de mora................ R$ 243,27 juros de mora................. R$ 24,57 total................................ R$ 2.725,19 2° quota (vencimento em 30/11/1999): imposto........................... R$ 2.457,35 juros de mora................. R$ 24,57 total................................ R$ 2.481,92 3° quota (vencimento em 31/12/1999): imposto........................... R$ 2.457,35 juros de mora................. R$ 24,57 total................................ R$ 2.481,92 Logo, de qualquer forma, ao contrário do alegado pagamento a maior, existe na verdade débito de IRPJ em aberto no valor original de R$ 23.170,60 no 3º trimestre/1999.” Pois bem. No que atine, em primeiro lugar, à suposta decadência do direito de formalizar a compensação estudada, é cediço que a razão está com o contribuinte, e não com o Fisco. O prazo para restituição ou para compensação de créditos derivados de pagamentos indevidos ou a maior foi explanado, com foros de definitividade, pelo Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, sujeito à sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil. No bojo deste julgamento, o Pretório determinou, mais precisamente, segundo exegese constitucional do artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que o interregno aplicável às reclamações de indébitos – quer administrativos, quer judiciais – deveria ser um dos seguintes: i. pleitos anteriores a 09.06.2005, inclusive: prazo decadencial ou prescricional equivalente a 05 (cinco) anos, computados da data da homologação tácita ou expressa do pagamento antecipado indevido ou a maior; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/200568 Acórdão n.º 110100.822 S1C1T1 Fl. 4 7 ii. pleitos posteriores a 09.06.2005: prazo decadencial ou prescricional correspondente a 05 (cinco) anos, contados do átimo em que fosse realizado o pagamento antecipado indevido ou a maior. Transcrevase, por oportuno, a ementa do indigitado aresto, exarado pelo Pleno do STF: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade ou aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 8 Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso Extraordinário desprovido.” Importa recordar que a orientação sob escólio é de observância obrigatória por este Conselho, forte no artigo 62A, caput, da Portaria MF nº 256/2009: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No caso concreto, tendo em vista que a DCOMP analisada é pretérita à data de 09.06.2005, não há que se falar em impingência de prazo quinquenal computado a partir do pagamento indevido ou a maior. Cabe cominar, aqui, em verdade, lapso de 05 (cinco) anos contado de outro ponto de partida, correspondente ao término do prazo estatuído para que a Fazenda homologasse, tácita ou expressamente, o pagamento antecipado. Logo, o pleito compensatório poderia ter sido veiculado até 30.09.2009, e não até 29.11.2004, como quis fazer crer o despacho decisório de fronde. Afastase, portanto, a alegação de decadência erigida pelo decisum inaugural. Sucede, contudo, que o v. acórdão de primeiro grau, após manter o argumento que determinou o despacho decisório de indeferimento, ingressou em matéria cuja apreciação não lhe cabia naquele átimo – a saber, o mérito da compensação –, eis que o tema não foi objeto de exame quando do Despacho Decisório inicial. Essa supressão de instância não pode prosperar, mormente pelo fato de que, ao manter o fundamento da operação do lapso extintivo, a douta DRJ inquestionavelmente apreciou questão que era prejudicial ao mérito. Em tendo sido a prejudicial acolhida, todo o mais foi analisado em sede de mero obiter dictum, sendo de rigor o retorno dos autos à origem para que seja efetivamente analisado o mérito da compensação aqui discutida. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/200568 Acórdão n.º 110100.822 S1C1T1 Fl. 5 9 Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, com o afastamento da decadência e a remessa dos autos à origem, para a análise meritória da compensação em testilha. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 14098.000197/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
ZONA FRANCA DE MANAUS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CF.
As receitas provenientes da comercialização de produtos para a Zona Franca de Manaus são equiparadas a receitas de exportações por força do art. 4º do Decreto-Lei nº. 288/67, razão pela qual são imunes à incidência da contribuição previdenciária nos termos do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal.
TRADING COMPANIES. EXPORTAÇÃO INDIRETA. IMUNIDADE. ART. 149.
Se a empresa entrega sua produção rural por meio de trading companies, que providenciam sua exportação, incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, 1) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação sobre vendas para a Zona Franca de Manaus e exportação via trading companies, vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da imunidade da exportação por meio de trading.. 2) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso na questão da tributação incidente sobre vendas no mercado interno face a pedido de desistência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CF. As receitas provenientes da comercialização de produtos para a Zona Franca de Manaus são equiparadas a receitas de exportações por força do art. 4º do DecretoLei nº. 288/67, razão pela qual são imunes à incidência da contribuição previdenciária nos termos do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. TRADING COMPANIES. EXPORTAÇÃO INDIRETA. IMUNIDADE. ART. 149. Se a empresa entrega sua produção rural por meio de trading companies, que providenciam sua exportação, incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 97 /2 00 8- 15 Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, 1) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação sobre vendas para a Zona Franca de Manaus e exportação via trading companies, vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da imunidade da exportação por meio de trading.. 2) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso na questão da tributação incidente sobre vendas no mercado interno face a pedido de desistência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/200815 Acórdão n.º 2403002.237 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS, que entendeu por manter a autuação constante do DEBCAD n. 37.184.0660 (Contribuições parte empresa e GILRAT), no valor de R$ 57.040.173,41, consolidado em 04/09/2008, referente ao período de 01/09/2003 a 31/12/2006. Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 48/52: 1. Este relatório é integrante do AI – Auto de Infração, de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à comercialização da produção própria e adquirida de terceiros e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalhoGILRAT; em épocas próprias, cujos recolhimentos não foram comprovados ou foram efetuados a menor. 2. A empresa sob Ação Fiscal, constituída em 12/1980, é uma agroindústria que se enquadra na relação do art. 2º, caput, DL 1146/70 e tem por objetivo principal a produção, comercialização, exportação e importação de álcool, açúcar e derivados desses e secundariamente, a exploração e comercialização de canadeaçúcar e culturas intercalares compatíveis e demais atividades agrícolas, prestação de serviços relacionados com as atividades citadas, geração, transmissão e comercialização de excedentes de energia elétrica. (...) 4. Constitui Fato Gerador do presente crédito previdenciários (Não declaradas em GFIPGUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES A PREVIDÊNCIA SOCIAL no período de 09/03 a 12/06): 4.1. Levantamento CP – valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, realizadas no mercado interno. A discriminação da base de cálculo consta do RL – Relatório de Lançamento. (...) 7. As alíquotas aplicadas para cálculo da contribuição previdenciária encontramse descritas detalhadamente no relatório intitulado “Discriminativo Analítico do Débito – DAD”. Em anexo, tais quais: Contribuição própria Rural: 2,5% GILRAT: 0,1% Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 170/196. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, prolatou o Acórdão n. 0419.385, fls. 908/922, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO MPF O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão de trâmite desse instrumento. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. A fiscalização lavrará notificação fiscal débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. RESPONSABILIDADE Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. MERCADO EXTERNO. A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. ZONA FRANCA DE MANAUS Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/200815 Acórdão n.º 2403002.237 S2C4T3 Fl. 4 5 Quanto às contribuições sociais, a imunidade prevista pelo art. 149, parágrafo 2º da Constituição Federal não se estende às receitas decorrentes da venda a adquirente domiciliado na Zona Franca de Manaus. DILAÇÃO PROBATÓRIA Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção, apenas das hipóteses do parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto n. 70.235/1972. Considerase não formulado o pedido de perícia que não nomear perito e indicar os seus motivos e os quesitos requeridos. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941.2009 – APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA A análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 933/968, na qual reiterou a informação de desistência parcial do litígio administrativo, no que concerne às contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta do requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: O TIAF data de 19/05/2005, no entanto, no seu corpo, consta que foi emitido em 30/04/2008 e a fiscalização somente foi encerrada em 17/09/2008, 120 dias após o início do prazo, ou seja, o dobro da sua validade; Não havia necessidade de constituição do crédito tributário do período de 09/2003 a 12/2006 de eventuais diferenças de contribuições, uma vez que em janeiro de 2008, antes mesmo de iniciada a fiscalização, a empresa havia apresentado GFIPs retificadoras contemplando todas as incidências previdenciárias dos período apontados na fiscalização e que no entanto, por erro de procedimento interno, na elaboração de GFIP para recolhimento de FGTS em regime de parcelamento e recolhimentos de empregados desligados cujas verbas de FGTS são parte integrantes, as novas GFIPs eram preenchidas apenas com informações previdenciárias vinculadas as bases do FGTS em questão, ou seja, somente com informações relativos aos funcionários desligados e o que vale são as GFIPs entregues anteriormente; Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 As contribuições ao INSS não são devidas sobre o faturamento resultante das exportações, oriundas de receitas de operações com empresas localizadas na Zona Franca de Manaus; É necessária a realização de prova pericial para análise das notas fiscais emitidas, comprovando que a fiscalização não excluiu do faturamento os valores referentes às vendas para o mercado externo, realizadas de forma indireta, nem as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. DEMAIS INFORMAÇÕES – DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO PARA INCLUSÃO NO PARCELAMENTO DA LEI 11.941/09 Após o recurso voluntário interposto, o contribuinte, em razão do advento da Lei 11.941/09, requereu a desistência parcial do recurso para incluir os valores referentes à sua comercialização para o mercado interno, optando por discutir apenas as contribuições exigidas sobre vendas para a Zona Franca de Manaus e exportação. Em 25 de fevereiro de 2010 a petição foi protocolada, fl. 929/931 e o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da DRJ em Cuiabá/MT, encaminhou os autos à auditora fiscal Simone Chiosini Sanches para manifestação à respeito do pedido, fl. 981. A auditora exarou Informação Fiscal na fl. 989, que considerando os valores informados pelo contribuinte de R$ R$ 25.691.499,34 seria na verdade de R$ R$ 28.180.856,81, referente ao principal. O contribuinte na fl. 994 concordou com os valores da informação fiscal, remanescendo o valor total de R$ 8.338.190,18 (oito milhões trezentos e trinta e oito mil cento e noventa reais e dezoito centavos), incluídos multa de mora e juros. É o relatório. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/200815 Acórdão n.º 2403002.237 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls., tenho o recurso por tempestivo e, por estarem presentes os demais requisitos, adentro ao mérito da questão. DO MÉRITO ZONA FRANCA DE MANAUS Primeiramente, cumpre destacar que a presente autuação, após desistência parcial da contribuinte, conforme explanado no relatório, referese tão somente à incidência de contribuições previdenciárias provenientes de faturamentos gerados da comercialização da produção da Recorrente para outras pessoas jurídicas estabelecidas na Zona Franca de Manaus e exportações indiretas realizadas através de Trading Companies. Conforme o relatório fiscal, o Levantamento CP, tem como base de cálculo o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. A Zona Franca de Manaus (ZFM) é uma área de livre comércio de importação e exportação, cuja criação se deu através do DecretoLei nº. 288/67, sendo por ele regulada, na qual dispõe incentivos fiscais para o desenvolvimento econômico da área. Referido decretolei, com a promulgação da Constituição Federal, foi por ela recepcionada, à luz dos seus arts. 3º, III, 43, § 2º, III, 151, I e165, § 7º e, especialmente, pelo art. 40 da ADCT, in verbis: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: (...) III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; **************************************************** Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. (...) § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 (...) III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; **************************************************** Art. 151. É vedado à União: I instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócioeconômico entre as diferentes regiões do País; **************************************************** Art. 165. (...) § 7º Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades interregionais, segundo critério populacional. **************************************************** Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Isso porque, ao preceituar como um dos objetivos fundamentais a redução das desigualdades regionais, e para tanto estaria legitimada a concessão de incentivos fiscais, única exceção ao princípio da isonomia, razão pela qual o orçamento fiscal e de investimentos teriam como um de suas funções a redução das desigualdades interregionais. É com esteio em tais dispositivos que o DecretoLei nº. 288/67 foi recepcionado pela Carta Maior a patamar ainda mais elevado, tendo sido constitucionalizados todos os seus dispositivos em razão do efetivo cumprimento dos objetivos para os quais a Zona Franca de Manaus se presta. A este respeito, o ilustre professor IVES GANDRA DA SILVA MARTINS no parecer de n. 0752/12, de 05/03/2012, publicado no FISCOSoft On Line, 20/03/2012, disponível em www.gandramartins.adv.br: O DL 288/67 nasceu como decretolei, mas é considerado pelos doutrinadores, após a EC 1/69, com eficácia de lei complementar, pois cuida simultaneamente de matéria tributária envolvendo todos os entes federativos. Sempre considerei a Lei Complementar não uma lei da União, mas da Nação, pois ela cuida de matérias que exigem tratamento uniforme em todo o território nacional. A União apenas empresta seu aparelho legislativo para a Federação elaborar esse diploma, que depende, para sua aprovação, de maioria absoluta nas duas Casas do Congresso, onde se encontram presentes todos os integrantes da Federação, vale dizer, na Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/200815 Acórdão n.º 2403002.237 S2C4T3 Fl. 6 9 Câmara, a população dos Municípios, e no Senado, os representantes dos Estados e Distrito Federal (7). E assim foi recepcionada a referida lei pela Constituição de 1988, mas em patamar mais elevado, de vez que foram constitucionalizados os dispositivos do DL 288/67. Vale dizer, todos os seus dispositivos passaram a ser norma constitucional de exceção, com garantia, inicialmente, de assim permanecerem até 2013 e, pela EC 42/66, até 2023. Em outras palavras, tudo, tudo, tudo o que foi outorgado à Zona Franca de Manaus, em 1967, ficou assegurado, como sistema constitucional de exceção, até 2023, fugindo, pois, à normatividade tributária constitucional estatuída no capítulo I do Título VII da Lei Suprema, no que disponha diversamente No mesmo sentido, disserta Fabio Pereira Garcia dos Santos na obra Tributação na Zona Franca de Manaus: (comemoração aos 40 anos da ZFM)/ Coordenadores Ives Gandra da Silva Martins, Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho, Marcelo Magalhães Peixoto. – São Paulo: MP Ed., 2008, fls. 121/137, in verbis: O artigo 4º do Decretolei n. 288/67 nada mais é que uma ficção jurídica. Com efeito, o ordenamento constitucional vigente à época da edição do DecretoLei n. 288/67, por não ter autorizado a União a outorgar isenções heterônomas, possibilitava unicamente esta interpretação. Assim, segundo o artigo 4º do Decretolei n. 288/67, o regime jurídico das operações de remessa de mercadorias para a ZFM segue o regime jurídico da exportação de mercadorias em geral. Embora tenha o Decretolei n. 288/67 estabelecido uma ficção jurídica, não há que se falar em inconstitucionalidade do diploma normativo. Este não afrontou qualquer dispositivo das diversas constituições com as quais conviveu. A expressão, utilizada no artigo 4º do Decretolei n. 288/67 “para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor” deve ser entendida de forma abrangente, no sentido de que a equiparação deve considerar a legislação atualmente em vigor, e não somente aquela em vigor em 28.2.1967. O artigo 4º do Decretolei n. 288/67 foi constitucionalizado pelo artigo 40 do ADCT. Assim, embora formalmente infraconstitucional, o dispositivo tem conteúdo (é materialmente) constitucional. Por ter força constitucional, a natureza jurídica da exoneração tributária decorrente da operação de remessa de mercadorias para a ZFM, na forma do artigo 4º do Decretolei n. 288/67, é de imunidade tributária. Conforme se vê, portanto, as características e incentivos fiscais da ZFM foram mantidos pela Constituição Federal pelo prazo de vinte e cinco anos a partir da sua promulgação, conforme o art. 40 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Tal prazo, convém salientar, foi prorrogado por mais dez anos, ou seja, até 05/10/2023, através da Emenda Constitucional nº. 42/2003, que incluiu o art. 92 ao ADCT. Portanto, ainda persistem as disposições tratadas no mencionado DecretoLei, notadamente seu art. 4º, onde se determina a equiparação da comercialização de produtos para consumo ou industrialização destinados a ZFM como exportação para o estrangeiro, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro É pacífico o entendimento do STJ neste sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4o. DO DL288/67). PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo exegese do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a COFINS sobre tais receitas. 2. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (1420880 PE 2011/01258248, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 04/06/2013, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 12/06/2013) **************************************************** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA. DL. N. 288/67. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA83/STJ. PRECEDENTES. 1. Destacase que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Lei Maior. Isso não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Esta Corte possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decretolei n. 288/67. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/200815 Acórdão n.º 2403002.237 S2C4T3 Fl. 7 11 3. Agravo regimental não provido por outros fundamentos. (1179615 SC 2010/00226947, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 02/09/2010, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/10/2010) Logo, as receitas oriundas da comercialização de produtos para a ZFM estão imunes da incidência da contribuição previdenciária presentemente tratada, espécie de contribuição social, conforme previsão do art. 149, § 2º, I, da Carta Magna, a saber: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Portanto, em consonância com a lei e a jurisprudência, não merece prosperar a pretensão fazendária de recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas provenientes de comercialização de produtos para a Zona Franca de Manaus, eis que equiparadas a receitas de exportações, encontramse acobertadas pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. TRADING COMPANY – EXPORTAÇÃO INDIRETA A utilização de empresas intermediadoras de exportação, Trading Company, configura exportação indireta que, em nada se dissocia das exportações diretas. Aplicase ao caso o Decreto n. 1.248/72, art. 1º e 3º, in verbis: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 **************************************************** Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.894, de 1981) Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vem decidindo que está caracterizada a imunidade decorrente de receitas de exportação realizadas de forma indireta. Para ilustrar o entendimento, colacionase precedente desta câmara e turma na qual fui relator, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. ATO COOPERATIVO. IMUNIDADE. POSSIBILIDADE. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Não incide na base de cálculo da contribuição previdenciária a receita decorrente de exportação devidamente destacada e oriunda de venda intermediada por Cooperativa, caracterizando o Ato Cooperativo. Recurso Voluntário Provido (CARF. 2a Seção de Julgamento, Processo nº 13856.000933/200762, Recurso nº 260.661 Voluntário, Acórdão nº 2403001.063 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Sessão de 08 de fevereiro de 2012) Participaram daquele julgamento, além de mim, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Vencido), Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro (Vencido), Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Outro precedente de bastante destaque é o da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, em que houve intermediação por cooperativa, assim como por Trading Company, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/12/2003 ENTREGA DE PRODUTO RURAL A COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/200815 Acórdão n.º 2403002.237 S2C4T3 Fl. 8 13 mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão as receitas serem apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural a cooperativa que providencia a exportação, direta ou por meio de trading companies, incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 2a Seção, Processo nº 15956.000612/200765, Recurso nº 257.269 Voluntário, Acórdão nº 2301003.019 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 16 de agosto de 2012) No voto vencedor do acórdão, o redator designado Conselheiro Mauro José da Silva, destaca que: No entanto, ainda que toda a exportação feita pela cooperativa tenha sido realizada por meio de trading companies, ainda assim teríamos que considerar a imunidade por força do DecretoLei 1.248/72, recepcionado pela atual Constituição, que concedeu uma série de incentivos fiscais às operações realizadas pelas trading companies quando tiverem por objeto específico atividades ligadas ao envio de produtos pátrios ao exterior. Vejamos: (...) Portanto, a apropriação das receitas brutas no momento que a cooperativa exporta por meio de trading companies considerará que se trata de receita decorrente de exportação, nos exatos termos da norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal (CF). Pelo exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário por considerar que o fato gerador não ocorreu ou, se ocorreu, trata se de operação imune à contribuição previdenciária. Da mesma forma, é a produção doutrinária a respeito do assunto no livro Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto – coordenadores) – São Paulo: MP, 2012, p. 330, in verbis: A regramatriz de incidência de contribuição devida pelas agroindústrias não efetua a distinção quanto ao destino da comercialização da produção: mercado interno ou mercado externo. A ausência de notação no tocante ao destino da comercialização da produção corrobora a extensão da imunidade às receitas auferidas pelas agroindústrias. Sasha Calmon Navarro Coêlho afirma que as exonerações tributárias sempre se referem ou ao antecedente (hipótese) ou ao Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 conseqüente normativo. Tratandose de imunidades a exoneração atinge o campo da hipótese normativa, de modo que a imunidade tributária das receitas de exportação exclui a competência para instituição de quaisquer contribuições incidentes sobre a receita. Portanto, não merece ser dado o mesmo tratamento de venda para o mercado interno para as exportações indiretas realizadas via trading company. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10569.000726/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Relatório
Versam os autos de Auto de Infração lavrado em desfavor do interessado para exigência de PIS do período de abril a dezembro de 2007, no valor de R$392.309,74, de COFINS do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, no valor de R$8.154.836,84, em ambos já se incluindo o tributo, multa e juros de mora.
No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fl. 41 a 46), consta que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, venceu em 15/03/2007 e apenas em 03/12/2010 a recorrente veio a apresentar a certidão referente ao processo acima citado, na~o havendo nos sistemas da RFB registro de processos de renovação do certificado, e por ser requisito indispensável para usufruir das isenções que tratam o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, lançou os valores ora discutidos.
Informa ainda o termo que, o lançamento inclui o período em que o contribuinte deixou de possuir o certificado que lhe garantia a condição de isento, ou seja, a partir de abr/2007, apurando-se as contribuições devidas sobre o total da receita auferida, conforme balancetes mensais, bem como inclui o lançamento da Cofins, referente ao período de jan/2006 a mar/2007, calculado sobre o total das receitas, exclui´das aquelas consideradas pró´prias da atividade, como as doações recebidas, cuja natureza na~o se reveste do cara´ter contraprestacional direto.
Cientificada do lançamento em 20/12/2010, a recorrente apresentou impugnação em 19/01/2011, expondo em apertada síntese que, por ser entidade beneficente goza da imunidade quanto às contribuições sociais conforme disposto no artigo 195, §7º, da CRFB/88. Aduz que, em 2004, em razão de autuação indevida da Receita Federal do Brasil, a recorrente impetrou mandado de segurança nº 2004.51.01.010454-1 objetivando o afastamento da autuação face a sua condição imune, tendo sido julgado procedente a demanda estando, atualmente, sobrestada aguardando o julgamento do RE 566.622, no qual a repercussão geral do tema foi reconhecida. Apesar disso, pretende o fisco realizar lançamento da Cofins sobre receitas que não seriam abrangidas pela imunidade, de acordo com os artigos 13 e 14 da MP nº 2.158-35/2001. A recorrente também não concorda com o referido enquadramento legal aplicado pela autoridade, vez que nenhum dos dispositivos citados da MP nº 2.158-35/2001 refere-se ao artigo 197, §7º, da CRFB/88. E, por fim, no que tange ao fato de não possuir o CEBAS durante o período de 16/03/2007 a 31/12/2007, alega que sempre teve direito à imunidade e que a demora do órgão expedidor não pode ser considerada de modo a prejudicá-la.
Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro-I/RJ, proferiu o Acórdão de nº 12-49.172, nos seguintes termos:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL - EFEITOS NO LANÇAMENTO - A mate´ria já submetida a` apreciação do Poder Judiciário na~o deve ser apreciada pelo julgador administrativo, sobrepondo-se a decisão judicial a` administrativa.
AÇÃO JUDICIAL - PROVIMENTO OBTIDO ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - A liminar obtida judicialmente pelo contribuinte, confirmada por sentença, suspende a exigibilidade do cré´dito tributa´rio por ela alcançado, na~o cabendo, ainda, a exigência da multa de ofício proporcional.
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - LEGISLAÇÃO APLICA´VEL A` APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - As entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, para fins de apuração do PIS e da Cofins nos termos previstos na MP nº 2.158-35/2001.
Impugnação Procedente em Parte Cre´dito Tributa´rio Mantido em Parte Em apertada síntese, a DRJ/RJO-I entendeu por bem em não conhecer da matéria relativa ao PIS, do período de abril a dezembro de 2007, ao entendimento de que o sujeito passivo possuía ação judicial sobre a matéria idêntica. Houve por bem, no entanto, em excluir a multa de ofício, com base no art. 63, da Lei nº 9.430/96, porque o sujeito passivo era titular de liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário já quando do lançamento.
Com relação à COFINS, a DRJ dividiu a abordagem do lançamento em dois períodos, sendo que para o período de janeiro de 2006 a março de 2006, quando o contribuinte era detentor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, entendeu que apesar disso a isenção não alcançaria as receitas de atividade que não fossem próprias, e para o período em que deixou de possuir CEBAS válido (período de abril a dezembro de 2007), entendeu que perdeu a qualidade de entidade isenta, mantendo, portanto, o lançamento sobre a receita bruta, com exclusões e reclassificações legais já procedidas.
Ciente em 21/11/2012 do Acórdão da DRJ, conforme AR de fl. 612 (numeração eletrônica no PDF n.e.), o contribuinte apresentou em 21/12/2012 seu Recurso Voluntário (fls. 625/649 n.e.) a este Conselho, alegando, em síntese que :
a) Que é entidade imune de contribuições sociais, o que abrange tanto o PIS quanto a COFINS, e que a ação por ela promovida já lhe reconhece esse direito de imunidade;
b) Que para a COFINS, relativa ao período de janeiro de 2006 a março de 2007, a própria decisão recorrida reconheceria que a entidade seria imune, e, portanto, é indevida a exigência, apontando que as bases de cálculo utilizadas pelo lançamento dos períodos em que titular de CEBAS e período em que vencido o certificado, seria praticamente os mesmos, o que demonstraria ter a decisão ofendido sua imunidade;
c) Que quanto ao período de abril a dezembro de 2007, sempre foi entidade beneficente de assistência social, e que apresentou tempestivamente seus pedidos de renovação, de modo que a morosidade do órgão público em sua análise não poderia lhe prejudicar, requerendo fosse oficiada a entidade para atestar que nunca deixara de ser entidade beneficente. Especificamente para o período em questão, anexa Certificado que atestaria essa condição, emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, o que demonstraria sua condição de entidade beneficente;
d) Afirma que sua imunidade à contribuições foi reconhecida judicialmente, estando pendente de recursos especial e extraordinários interpostos pela União, os quais não possuem efeito suspensivo, e que o provimento judicial abrangeria também a Cofins;
e) Diante da imunidade reconhecida, a legislação infraconstitucional não poderia restringir o direito emanado da constituição, fazendo incidir tributação sobre receitas que no entender do legislador não seriam próprias, quando as mesmas são empregadas para a consecução das atividades da entidade.
f) Reporta-se à impugnação, na qual junta diversos documentos pelos quais pretendeu demonstrar que sempre cumpriu os requisitos dos art. 14, do CTN, e do art. 55, da Lei nº 8.212/91 (o qual ela trata como revogado).
g) Por fim, concluir não pode ser possível proceder aos lançamentos em questão, diante de sua imunidade ilimitada e irrestrita às contribuições sociais.
DA DISTRIBUIÇÃO
Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, aos quais foram acrescentados documentos juntados eletronicamente, de modo que os documentos recebidos encontram-se numerados até a folha 648 (seiscentos e quarenta e oito ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Relatório Versam os autos de Auto de Infração lavrado em desfavor do interessado para exigência de PIS do período de abril a dezembro de 2007, no valor de R$392.309,74, de COFINS do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, no valor de R$8.154.836,84, em ambos já se incluindo o tributo, multa e juros de mora. No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fl. 41 a 46), consta que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, venceu em 15/03/2007 e apenas em 03/12/2010 a recorrente veio a apresentar a certidão referente ao processo acima citado, na~o havendo nos sistemas da RFB registro de processos de renovação do certificado, e por ser requisito indispensável para usufruir das isenções que tratam o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, lançou os valores ora discutidos. Informa ainda o termo que, o lançamento inclui o período em que o contribuinte deixou de possuir o certificado que lhe garantia a condição de isento, ou seja, a partir de abr/2007, apurando-se as contribuições devidas sobre o total da receita auferida, conforme balancetes mensais, bem como inclui o lançamento da Cofins, referente ao período de jan/2006 a mar/2007, calculado sobre o total das receitas, exclui´das aquelas consideradas pró´prias da atividade, como as doações recebidas, cuja natureza na~o se reveste do cara´ter contraprestacional direto. Cientificada do lançamento em 20/12/2010, a recorrente apresentou impugnação em 19/01/2011, expondo em apertada síntese que, por ser entidade beneficente goza da imunidade quanto às contribuições sociais conforme disposto no artigo 195, §7º, da CRFB/88. Aduz que, em 2004, em razão de autuação indevida da Receita Federal do Brasil, a recorrente impetrou mandado de segurança nº 2004.51.01.010454-1 objetivando o afastamento da autuação face a sua condição imune, tendo sido julgado procedente a demanda estando, atualmente, sobrestada aguardando o julgamento do RE 566.622, no qual a repercussão geral do tema foi reconhecida. Apesar disso, pretende o fisco realizar lançamento da Cofins sobre receitas que não seriam abrangidas pela imunidade, de acordo com os artigos 13 e 14 da MP nº 2.158-35/2001. A recorrente também não concorda com o referido enquadramento legal aplicado pela autoridade, vez que nenhum dos dispositivos citados da MP nº 2.158-35/2001 refere-se ao artigo 197, §7º, da CRFB/88. E, por fim, no que tange ao fato de não possuir o CEBAS durante o período de 16/03/2007 a 31/12/2007, alega que sempre teve direito à imunidade e que a demora do órgão expedidor não pode ser considerada de modo a prejudicá-la. Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro-I/RJ, proferiu o Acórdão de nº 12-49.172, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL - EFEITOS NO LANÇAMENTO - A mate´ria já submetida a` apreciação do Poder Judiciário na~o deve ser apreciada pelo julgador administrativo, sobrepondo-se a decisão judicial a` administrativa. AÇÃO JUDICIAL - PROVIMENTO OBTIDO ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - A liminar obtida judicialmente pelo contribuinte, confirmada por sentença, suspende a exigibilidade do cré´dito tributa´rio por ela alcançado, na~o cabendo, ainda, a exigência da multa de ofício proporcional. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - LEGISLAÇÃO APLICA´VEL A` APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - As entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, para fins de apuração do PIS e da Cofins nos termos previstos na MP nº 2.158-35/2001. Impugnação Procedente em Parte Cre´dito Tributa´rio Mantido em Parte Em apertada síntese, a DRJ/RJO-I entendeu por bem em não conhecer da matéria relativa ao PIS, do período de abril a dezembro de 2007, ao entendimento de que o sujeito passivo possuía ação judicial sobre a matéria idêntica. Houve por bem, no entanto, em excluir a multa de ofício, com base no art. 63, da Lei nº 9.430/96, porque o sujeito passivo era titular de liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário já quando do lançamento. Com relação à COFINS, a DRJ dividiu a abordagem do lançamento em dois períodos, sendo que para o período de janeiro de 2006 a março de 2006, quando o contribuinte era detentor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, entendeu que apesar disso a isenção não alcançaria as receitas de atividade que não fossem próprias, e para o período em que deixou de possuir CEBAS válido (período de abril a dezembro de 2007), entendeu que perdeu a qualidade de entidade isenta, mantendo, portanto, o lançamento sobre a receita bruta, com exclusões e reclassificações legais já procedidas. Ciente em 21/11/2012 do Acórdão da DRJ, conforme AR de fl. 612 (numeração eletrônica no PDF n.e.), o contribuinte apresentou em 21/12/2012 seu Recurso Voluntário (fls. 625/649 n.e.) a este Conselho, alegando, em síntese que : a) Que é entidade imune de contribuições sociais, o que abrange tanto o PIS quanto a COFINS, e que a ação por ela promovida já lhe reconhece esse direito de imunidade; b) Que para a COFINS, relativa ao período de janeiro de 2006 a março de 2007, a própria decisão recorrida reconheceria que a entidade seria imune, e, portanto, é indevida a exigência, apontando que as bases de cálculo utilizadas pelo lançamento dos períodos em que titular de CEBAS e período em que vencido o certificado, seria praticamente os mesmos, o que demonstraria ter a decisão ofendido sua imunidade; c) Que quanto ao período de abril a dezembro de 2007, sempre foi entidade beneficente de assistência social, e que apresentou tempestivamente seus pedidos de renovação, de modo que a morosidade do órgão público em sua análise não poderia lhe prejudicar, requerendo fosse oficiada a entidade para atestar que nunca deixara de ser entidade beneficente. Especificamente para o período em questão, anexa Certificado que atestaria essa condição, emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, o que demonstraria sua condição de entidade beneficente; d) Afirma que sua imunidade à contribuições foi reconhecida judicialmente, estando pendente de recursos especial e extraordinários interpostos pela União, os quais não possuem efeito suspensivo, e que o provimento judicial abrangeria também a Cofins; e) Diante da imunidade reconhecida, a legislação infraconstitucional não poderia restringir o direito emanado da constituição, fazendo incidir tributação sobre receitas que no entender do legislador não seriam próprias, quando as mesmas são empregadas para a consecução das atividades da entidade. f) Reporta-se à impugnação, na qual junta diversos documentos pelos quais pretendeu demonstrar que sempre cumpriu os requisitos dos art. 14, do CTN, e do art. 55, da Lei nº 8.212/91 (o qual ela trata como revogado). g) Por fim, concluir não pode ser possível proceder aos lançamentos em questão, diante de sua imunidade ilimitada e irrestrita às contribuições sociais. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, aos quais foram acrescentados documentos juntados eletronicamente, de modo que os documentos recebidos encontram-se numerados até a folha 648 (seiscentos e quarenta e oito ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório.
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Recorrente SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO RJ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 69 .0 00 72 6/ 20 10 -5 1 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/201051 Resolução nº 3402000.579 S3C4T2 Fl. 650 2 Relatório Versam os autos de Auto de Infração lavrado em desfavor do interessado para exigência de PIS do período de abril a dezembro de 2007, no valor de R$392.309,74, de COFINS do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, no valor de R$8.154.836,84, em ambos já se incluindo o tributo, multa e juros de mora. No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fl. 41 a 46), consta que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, venceu em 15/03/2007 e apenas em 03/12/2010 a recorrente veio a apresentar a certidão referente ao processo acima citado, naõ havendo nos sistemas da RFB registro de processos de renovação do certificado, e por ser requisito indispensável para usufruir das isenções que tratam o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, lançou os valores ora discutidos. Informa ainda o termo que, o lançamento inclui o período em que o contribuinte deixou de possuir o certificado que lhe garantia a condição de isento, ou seja, a partir de abr/2007, apurandose as contribuições devidas sobre o total da receita auferida, conforme balancetes mensais, bem como inclui o lançamento da Cofins, referente ao período de jan/2006 a mar/2007, calculado sobre o total das receitas, excluídas aquelas consideradas pró́prias da atividade, como as doações recebidas, cuja natureza não se reveste do caráter contraprestacional direto. Cientificada do lançamento em 20/12/2010, a recorrente apresentou impugnação em 19/01/2011, expondo em apertada síntese que, por ser entidade beneficente goza da imunidade quanto às contribuições sociais conforme disposto no artigo 195, §7º, da CRFB/88. Aduz que, em 2004, em razão de autuação indevida da Receita Federal do Brasil, a recorrente impetrou mandado de segurança nº 2004.51.01.0104541 objetivando o afastamento da autuação face a sua condição imune, tendo sido julgado procedente a demanda estando, atualmente, sobrestada aguardando o julgamento do RE 566.622, no qual a repercussão geral do tema foi reconhecida. Apesar disso, pretende o fisco realizar lançamento da Cofins sobre receitas que não seriam abrangidas pela imunidade, de acordo com os artigos 13 e 14 da MP nº 2.15835/2001. A recorrente também não concorda com o referido enquadramento legal aplicado pela autoridade, vez que nenhum dos dispositivos citados da MP nº 2.15835/2001 referese ao artigo 197, §7º, da CRFB/88. E, por fim, no que tange ao fato de não possuir o CEBAS durante o período de 16/03/2007 a 31/12/2007, alega que sempre teve direito à imunidade e que a demora do órgão expedidor não pode ser considerada de modo a prejudicá la. Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de JaneiroI/RJ, proferiu o Acórdão de nº 1249.172, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL EFEITOS NO LANÇAMENTO A mateŕia já submetida à apreciação do Poder Judiciário não deve ser apreciada pelo julgador administrativo, sobrepondose a decisão judicial à administrativa. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/201051 Resolução nº 3402000.579 S3C4T2 Fl. 651 3 AÇÃO JUDICIAL PROVIMENTO OBTIDO ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A liminar obtida judicialmente pelo contribuinte, confirmada por sentença, suspende a exigibilidade do cré́dito tributário por ela alcançado, não cabendo, ainda, a exigência da multa de ofício proporcional. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS As entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, para fins de apuração do PIS e da Cofins nos termos previstos na MP nº 2.158 35/2001. Impugnação Procedente em Parte Cred́ito Tributário Mantido em Parte Em apertada síntese, a DRJ/RJOI entendeu por bem em não conhecer da matéria relativa ao PIS, do período de abril a dezembro de 2007, ao entendimento de que o sujeito passivo possuía ação judicial sobre a matéria idêntica. Houve por bem, no entanto, em excluir a multa de ofício, com base no art. 63, da Lei nº 9.430/96, porque o sujeito passivo era titular de liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário já quando do lançamento. Com relação à COFINS, a DRJ dividiu a abordagem do lançamento em dois períodos, sendo que para o período de janeiro de 2006 a março de 2006, quando o contribuinte era detentor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, entendeu que apesar disso a isenção não alcançaria as receitas de atividade que não fossem próprias, e para o período em que deixou de possuir CEBAS válido (período de abril a dezembro de 2007), entendeu que perdeu a qualidade de entidade isenta, mantendo, portanto, o lançamento sobre a receita bruta, com exclusões e reclassificações legais já procedidas. Ciente em 21/11/2012 do Acórdão da DRJ, conforme AR de fl. 612 (numeração eletrônica no PDF – “n.e.”), o contribuinte apresentou em 21/12/2012 seu Recurso Voluntário (fls. 625/649 – n.e.) a este Conselho, alegando, em síntese que : a) Que é entidade imune de contribuições sociais, o que abrange tanto o PIS quanto a COFINS, e que a ação por ela promovida já lhe reconhece esse direito de imunidade; b) Que para a COFINS, relativa ao período de janeiro de 2006 a março de 2007, a própria decisão recorrida reconheceria que a entidade seria imune, e, portanto, é indevida a exigência, apontando que as bases de cálculo utilizadas pelo lançamento dos períodos em que titular de CEBAS e período em que vencido o certificado, seria praticamente os mesmos, o que demonstraria ter a decisão ofendido sua imunidade; c) Que quanto ao período de abril a dezembro de 2007, sempre foi entidade beneficente de assistência social, e que apresentou tempestivamente seus pedidos de renovação, de modo que a morosidade do órgão público em sua análise não poderia lhe prejudicar, requerendo fosse oficiada a entidade para atestar que nunca deixara de ser entidade beneficente. Especificamente para o período em questão, anexa Certificado que atestaria essa condição, emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, o que demonstraria sua condição de entidade beneficente; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/201051 Resolução nº 3402000.579 S3C4T2 Fl. 652 4 d) Afirma que sua imunidade à contribuições foi reconhecida judicialmente, estando pendente de recursos especial e extraordinários interpostos pela União, os quais não possuem efeito suspensivo, e que o provimento judicial abrangeria também a Cofins; e) Diante da imunidade reconhecida, a legislação infraconstitucional não poderia restringir o direito emanado da constituição, fazendo incidir tributação sobre receitas que no entender do legislador não seriam próprias, quando as mesmas são empregadas para a consecução das atividades da entidade. f) Reportase à impugnação, na qual junta diversos documentos pelos quais pretendeu demonstrar que sempre cumpriu os requisitos dos art. 14, do CTN, e do art. 55, da Lei nº 8.212/91 (o qual ela trata como “revogado”). g) Por fim, concluir não pode ser possível proceder aos lançamentos em questão, diante de sua imunidade ilimitada e irrestrita às contribuições sociais. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, aos quais foram acrescentados documentos juntados “eletronicamente”, de modo que os documentos recebidos encontramse numerados até a folha 648 (seiscentos e quarenta e oito – ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/201051 Resolução nº 3402000.579 S3C4T2 Fl. 653 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. A questão posta nos autos cingese à matéria probatória, na medida em que o Mandado de Segurança promovido pela recorrente com objetivo de ver reconhecida a sua condição de entidade imune, produz efeitos no presente julgamento. No caso, a decisão recorrida entendeu que o referido Mandado de Segurança e respectivas decisões abrangeria tão somente a contrição ao PIS, não se estendendo á Cofins. A recorrente, por sua vez, sustenta de modo contrário, afirmando que o provimento judicial de que é titular, reconhece sua condição de imune às contribuições sociais, de modo geral, razão pela qual estaria imune tanto ao PIS quanto à Cofins, de maneira que não caberia a exigência em questão. Da análise dos autos, verificase indicio de veracidade dos fatos alegados pela recorrente, vez que pelo documento juntado às fls. 256 n.e., concluise que o julgador a quo do MS, estendeu a imunidade prevista no art. 195, §7º, da CF, para a contribuição do PIS, prevista no art. 239, da Carta Magna. Diante disso, temse que o judiciário considerou a recorrente imune do PIS com base em fundamento que garante imunidade à Cofins, porém, resta aqui saber se a recorrente naquela Ação Mandamental, pleiteou o reconhecimento de imunidade, em relação à Cofins também. No que tange ao período de janeiro de 2006 a março de 2007, período este em que a recorrente era detentora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, a autoridade fiscal lançou a Cofins sobre o total das receitas, excluindo somente as atividades consideradas próprias, como as doações recebidas, não fazendo qualquer menção do que viria ser a uma atividade nãoprópria prestada pela entidade beneficente. Por fim, referente ao período de abril a dezembro de 2007, em que a recorrente deixou de possuir CEBAS válido, a autoridade fiscal, entendeu que a recorrente perdeu a qualidade de entidade isenta, mantendo, portanto, o lançamento sobre a receita bruta, com exclusões e reclassificações legais já procedidas. Portanto, tenho que as alegações da recorrente somadas com os documentos trazidos no recurso servem como “início de prova” desta realidade, de modo que entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho seja o mesmo convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Providenciar copia da petição inicial e da sentença proferida nos autos do mandado de segurança nº 2004.51.01.0104541; 2 – Descrever quais as receitas consideradas pela autoridade lançadora como sendo próprias bem como quais seriam as receitas consideras “nãopróprias” que compuseram Fl. 653DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/201051 Resolução nº 3402000.579 S3C4T2 Fl. 654 6 o lançamento, fazendoo para todo o período autuado, mesmo para aquele em que não foi apresentado CEBAS; 3 Manifestarse quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN e 12 da Lei 9.532/97, durante o período autuado ou no exercício subsequente, neste último caso quanto a distribuição de sobras ou resultados; 4 – Oficiar ao Conselho Nacional de Assistência Social solicitando que se manifeste quanto à condição da entidade em questão, quanto à sua natureza de entidade beneficente de assistência social, bem como se preenchia os requisitos para assim ser considerada, nos anoscalendário de 2006 e 2007; respondendo ainda se existiam, no referido período, razões de fato ou de direito que obstariam a entidade de obter o CEBAS. 5 Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 654DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720115/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES.CONCEITO.
É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
PIS e COFINS. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. 9.718/98. Deve ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto. Fez sustentação oral: Jarbas Andrade Mochioni - OAB/SP 617621
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES.CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. PIS e COFINS. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. 9.718/98. Deve ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto. Fez sustentação oral: Jarbas Andrade Mochioni - OAB/SP 617621 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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DEDUÇÕES.CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. PIS e COFINS. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. 9.718/98. Deve ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto. Fez sustentação oral: Jarbas Andrade Mochioni OAB/SP 617621 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 15 /2 01 2- 66 Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 2 ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), no período de 01/01/2008 a 31/12/2010, exigindoselhe contribuição de R$ 3.650.807,18, multa de ofício de R$2.738.105,44 e juros de mora de R$ 998.995,79, perfazendo o total de R$ 7.387.908,41. Também foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no mesmo período, exigindoselhe contribuição de R$ 16.864.282,96, multa de ofício de R$ 12.648.212,27 e juros de mora de R$ 4.613.465,80, perfazendo o total de R$ 34.125.961,03. Os enquadramentos legais encontramse a fls. 1.337 e 1.347. De acordo com o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, de fls.1.326 a 1.334, a fiscalização apurou as seguintes infrações: 1 – Falta de inclusão das “Receitas Financeiras” e de “Outras Receitas Operacionais” na base de cálculos das contribuições lançadas; O Auditorfiscal constatou que tais receitas não foram incluídas no período de 01/2008 a 05/2009, tendo em vista as disposições contidas na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, artigo 3º, inclusão não obrigatória, por revogação do dispositivo, após 06/2009. 2 – Exclusões indevidas da base de cálculo: 2.1 – eventos conhecidos/indenizáveis Em atendimento à intimação, a contribuinte informou que tais exclusões referemse à utilização pelo beneficiário de consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, efetivadas nos termos da resposta à consulta formulada à Agência Nacional de Saúde ComplementarANS. Entendeu, a fiscalização, que tal procedimento configura uma dedução indevida, pois se compõem de custos com os Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.732 3 atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da própria operadora e que configura o regime da “não cumulatividade” e nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 as operadoras de planos de assistência à saúde foram mantidas no regime “cumulativo”. 2.2 – eventos em coresponsabilidade assumida. A fiscalização realizada constatou que somente no mês de dezembro de 2008 as despesas/custos foram superiores aos eventos ocorridos com beneficiários de planos de saúde pertencentes a outras operadoras. “Nos demais meses, por conseqüência, os recebimentos foram sempre superiores aos custos/despesas, não gerando diferença a ser excluída da Receita de Vendas de Bens e Serviços para fins de apuração da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS”, conforme entendeu o Auditorfiscal. Apurou que em todo o período fiscalizado a contribuinte excluiu o valor total referente às despesas/custos da Receita de Vendas de Bens e Serviços, ensejando a glosa pela fiscalização. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 1.362/1.404 e, inicialmente, demonstrou conhecer as razões do Auditorfiscal ao lavrar o presente auto de infração: O fundamento primeiro dos autos é que a Impugnante não teria incluído na base de cálculo das contribuições acima referidas valores existentes na contabilidade desta sob a rubrica Receitas Financeiras nem valores sob as chamadas Outras Receitas Operacionais. Ele considerou nos autos, ainda, que foram excluídas da base de cálculo de ambas as contribuições os chamados Eventos Conhecidos e Indenizáveis, bem como os valores contidos na conta Eventos em Co Responsabilidade Assumida. Afirma que a “Impugnante é uma cooperativa de trabalho médico. Como é de conhecimento geral, o Sistema Cooperativo Nacional, como um todo, vem há décadas divergindo do entendimento autoridades fiscais sobre a tributação aplicável à atividade cooperativa. Em preliminar alega que não foram deduzidos dos montantes lançados os valores referentes às contribuições retidas na fonte pelos tomadores de serviços pessoas jurídicas.” Preliminarmente, alega nulidade do auto de infração, tendo em vista que a fiscalização “ao elaborar o demonstrativo no qual apurou a base de cálculo do PIS e da COFINS, que entendeu por devida, deixou de proceder ao registro em separado das receitas auferidas de atos cooperados e não cooperados.” Para alicerçar sua afirmação, apóiase em atestado de auditores independentes e jurisprudência do CARF, constante no processo 13808.001908/9973. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 4 Quanto ao mérito, primeiramente discorre sobre as características das cooperativas e afirma que tais pessoas jurídicas não podem ter o mesmo tratamento tributário que as demais pessoas jurídicas e cita doutrina que entende devida para o caso. Afirma que: Como é cediço, sendo os atos de serviço médico incluídos no objeto social da cooperativa Impugnante e já pacificamente reconhecido tanto pela doutrina, quanto pela Jurisprudência, que os atos cooperativos não configuram negócio mercantil na espécie, não há que se falar em receita bruta ou faturamento, que é a base de cálculo do PIS e da COFINS, ressaltando ainda que o resultado positivo decorrente dos atos cooperativos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. os conceitos de “ingressos”, “receita bruta” e “faturamento”, e argumenta que “a diferença entre tais conceitos é premissa essencial para a compreensão do que representa receita nas atividades de intermediação, na medida em que, nem todo ingresso de capital representa acréscimo patrimonial, eis que grande parte dos ingressos é repassada a terceiros, não se configurando, assim, faturamento da intermediadora, mas sim do intermediado”. Alega que, “sem prejuízo da apreciação das anteriores teses acima relatadas, mister reconhecer que a impugnante pratica atos negociais em favor dos SP RIBEIRÃO PRETO DRJ Fl. 1660 Impresso em 25/10/2012 por ALEXANDRE GOMES CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MAURO HENRIQUE ALVARENGA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2012 por HAMILTON FERNANDO CASTARDO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por HEITOR CHAUD Processo 16004.720115/201266 Acórdão n.º 1438.360 DRJ/RPO Fls. 5 5 cooperados, fálos por delegação, ou seja, por ordem e conta dos cooperados.” e que somente pode ser considerado faturamento a taxa de administração. Alça a contribuinte ao regime de incidência nãocumulativo e entende que a incidência sobre Receita e não Faturamento está equivocada, além de discordar da revogação da isenção para cooperativas da Lei Complementar n° 70/91. Alega isonomia, tendo em vista que a legislação dos tributos em tela permite a algumas cooperativas uma série de deduções para se chegar à base de cálculo das contribuições, nos termos do Art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835. Discorda dos cálculos e da interpretação do Auditorfiscal quanto à glosa da exclusão "Eventos Conhecidos/Indenizáveis" e dos "Eventos em CoResponsabilidade assumida", citando entendimento da Agência Nacional de Saúde – ANS. Por fim, discorda da multa de 75%, nos seguintes termos: III.2.9 Da Necessidade Redução da Multa dentro dos Critérios de Razoabilidade e Proporcionalidade. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.733 5 Por último, ainda em homenagem ao princípio da eventualidade, a Impugnante pondera que o valor da multa aplicada de 75% do valor do débito, considerando as circunstâncias de inexistência de dolo ou máfé, tratandose de profundo debate jurídico, deva ela ser reduzida a critérios proporcionais e justos. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A partir de 01/11/1999, a base de cálculo da Cofins das cooperativas é a mesma aplicada às demais sociedades, com as exclusões a elas pertinentes. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I co responsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A partir de 01/11/1999, a base de cálculo do PIS das cooperativas é a mesma aplicada às demais sociedades, com as exclusões a elas pertinentes. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 6 podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I co responsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. REDUÇÃO. INAPLICABILIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente tem respaldo legal. Estando a multa por descumprimento de obrigação principal prevista em lei e havendo sido aplicada de acordo com os parâmetros estabelecidos na legislação, não podem ser objeto de análise as supostas ofensas a princípios constitucionais na esfera administrativa, em face da submissão desta ao Princípio da Legalidade. Inexiste previsão legal que ampare a solicitação de redução da multa aplicada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na inpugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de discussão acerca da base de cálculo de PIS e Cofins para as Operadoras de Saúde que atuam na forma cooperativa. Após analisar os autos percebo que as questões discutidas referemse: (a) à tributação de atos cooperados; (b) às deduções de base de cálculo previstas na Medida Provisória nº 2.15835; e, (c) decorrentes da inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Para defender a ausência de tributação em razão de tratarse de cooperativa, a Recorrente, em bem fundamentado recurso discorre sobre: (i) nulidade do auto de infração porque não separou as receitas de atos cooperados e não cooperados; (ii) da inexistência de faturamento para as Cooperativas que fazem apenas atividade meio; (iii) da impossibilidade de incidência de PIS e Cofins sobre os valores de operações por conta alheia; (iv) da incidência apenas sobre a Taxa de Administração cobrada pela Cooperativa; (v) da não revogação da isenção trazida pela Lei da Cooperativa e (vi) da aplicação extensiva às cooperativas médicas do artigo 15 da MP 2.15835, em prol ao princípio da isonomia. No que se refere às exclusões específicas do setor de saúde, constantes do inciso III, § 9º, artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a Recorrente discorre sobre a diferença entre os Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.734 7 conceitos de “coresponsabilidade cedida” e “indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos”, utilizando em seu argumento Parecer da ANS. Em relação à tributação das outras receitas, a Recorrente discorre acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS, nos termos das decisões do Supremo Tribunal Federal. (i) Ato Cooperativo No tocante ao ato cooperativo, discordo das alegações trazidas pela Recorrente. Em primeiro lugar, a Recorrente pleiteia a nulidade da presente autuação em razão de o agente fiscal não ter segregado as receitas decorrentes de ato cooperativo e ato não cooperativo. Rejeito a preliminar argüida. É que, no entender da fiscalização esta distinção é irrelevante, inclusive, justamente por isso o auto de infração foi lavrado. Conforme registrado nos autos pela própria fiscalização e contribuinte, a contabilidade da Cooperativa faz as distinções necessárias, inclusive para o fim de atender as exigências da Agência Reguladora – ANS. Assim, na hipótese de a Recorrente ter êxito em alguma de suas alegações, não haverá problema para executar o acórdão proferido. De idêntica forma, a autuação não inviabilizou a defesa da Recorrente, posto que partiu da conhecida premissa de que a segregação dos valores era irrelevante. Supero a prelimimar e passo ao mérito. A Recorrente traz argumentos sobre atos cooperativos auxiliares, a função de intermediadora dos planos de saúde, a isonomia necessária para as cooperativas, o que justificaria a não tributação dos valores por ela recebidos de terceiros para a utilização dos serviços médicos prestados pelos cooperados. Não encontro guarida para as alegações da Recorrente. Entendo que ato cooperativo é apenas e unicamente aquele prestado entre cooperado e cooperativa, neste aspecto, a simples existência de terceiro seria suficiente para descaracterizar o ato como cooperativo. Irrelevante, para este raciocínio, os argumentos apresentados. Ao contrário da interpretação apresentada pelo acórdão exarado pela DRJ, entendo pela não incidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperados. Todavia, divirjo dos argumentos da Recorrente no sentido de que todos os atos por ela praticados seriam atos cooperados. No caso, apenas seriam atos cooperados, os prestados entre cooperativas e entre cooperados e cooperativas, nos estritos termos da lei. Por bem tratar da matéria, transcrevo voto proferido pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas nos autos do processo nº 13971.002373/200411: “Para esclarecer do que se trata, aos olhos do legislador, o cooperativismo, a legislação estabelece, ainda, o conceito de “ato cooperado” que, in casu, é importante para a definição da questão da tributação das cooperativas. Estabelece o artigo 79 da Lei nº Lei nº 5.764/71, verbis: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 8 aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” (destaquei) Portanto, ato cooperado (ou cooperativo) é aquele praticado pela cooperativa com seus associados ou com outras cooperativas. Nada impede, contudo, que as cooperativas realizem atos negociais com terceiros. Aliás, justamente em cumprimento de seus objetivos sociais as cooperativas normalmente realizam atos com terceiros. É sobre estes atos que dispõe o artigo 86 da citada lei: “Art. 86 – As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo.” (destaquei) Ou seja, a própria lei, prevendo que, para atingir seus objetivos sociais, as cooperativas precisariam realizar atos com não associados, reconheceu expressamente tal possibilidade e regulamentoua, nos termos do artigo 87, a saber: “Art. 87 – Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para a incidência de tributos.” (destaquei) Resta evidente, da leitura do dispositivo em destaque, que em relação aos atos praticados com terceiros, permitese a incidência de tributos. Ademais, se a legislação explicita que os resultados das operações realizadas com terceiros (não cooperados) deverá ser contabilizado em separado, para que possa haver a incidência de tributos sobre tais resultados, a contrario sensu é possível concluir que, em relação aos resultados das operações realizadas entre cooperados e cooperativas (os chamados atos cooperados), não pode haver incidência tributária. A legislação, portanto, estabelece um caso claro de não incidência tributária, ao retirar do campo de incidência os atos cooperados. Por outro lado, é evidente que os atos que não se enquadram em tal categoria, quais sejam, aqueles realizados com terceiros, podem ser objeto de tributação. (...) Importa ressaltar, que a realização de atos entre as cooperativas e terceiros é perfeitamente legal, quando tem por finalidade o benefício dos seus cooperados (afinal, este é o objeto social da cooperativa, em última análise). Logo, não se está aqui a Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.735 9 discutir se os atos praticados pela Recorrente, com terceiros não cooperados, são legais ou não. Não se discute que tais atos foram realizados em benefício dos cooperados. O que se está a analisar é se, nestas operações é cabível a incidência tributária. Conforme mencionado acima, pareceme claro que a legislação eximiu da tributação os atos cooperados, mas manteve a possibilidade de incidência tributária quando da realização de atos das cooperativas, com terceiros, ainda que em benefício de seus cooperados, criando mecanismo visando afastar a bitributação de mesmos valores (cujos beneficiários são, em última instância, os cooperados). (...) No presente caso a Recorrente recebe de terceiros (beneficiários) valores que, embora de titularidade dos cooperados, devem ser tributados nesta etapa do fluxo financeiro, pois se consubstanciam faturamento, sem que haja disposição legal que autorize a não incidência tributária. Logo, nego provimento à alegação da Recorrente de inexistência de base tributável por ser totalmente decorrente de ato cooperado, vez que é devido o PIS sobre os valores recebidos pela Recorrente, ainda que em nome de seus cooperados, sendo tais quantias faturamento tributável, por configurar resultados de operações com não cooperados.” A Recorrente pleiteia também a equiparação, por isonomia, às cooperativas de produção, para fins de exclusão de determinados valores da base de cálculo do PIS e COFINS. A possibilidade de redução da base de cálculo está calcada no Decreto nº 4.524/02: Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º ; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 10 VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput: I na comercialização de produtos agropecuários realizada a prazo, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e II os adiantamentos efetuados aos associados, relativos a produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 3º Relativamente às exclusões previstas nos incisos I a V do caput, as operações serão contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. § 5º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos Fundos referidos no inciso VI do caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 6º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado.” – destaquei. A lei é clara ao aplicar as deduções de base apenas às cooperativas de produção (exceção feita ao item VI), tanto é assim que referemse à “empréstimos rurais”, “venda de mercadorias”,”produtos”, “atividades rurais”. Destaco que as questões realtivas a afronta ao princípio constitucional da isonomia não pode ser analisada sob pena de afronta à Súmula CARF nº 2: “SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nunca é demias lembrar que aos conselheiros do CARF é vedado dexiara de aplicar sumula editada por este colegiado. Desta forma, também não pode prevalece a alegação da Recorrente neste particular, razão pela qual nego provimento as alegações referentes à não incidência de PIS e Cofins em decorrência de tratarse de ato cooperativo. Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.736 11 (ii) Exclusões Específicas do Setor de Saúde Outra discussão presente nos autos esta relacionada com as exclusões específicas aplicáveis ao setor de saúde, consubstanciada, especificamente, no inciso III, §9º, artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Da análise dos autos verifico que, neste ponto, a fiscalização e contribuinte divergem sobre aspectos conceituais. O acórdão recorrido (fls.1667/ 1760 defende que o dispositivo legal citado se refere ao saldo apurado entre as diferenças dos valores recebidos e repassados a título de coresponsabilidade cedidas. Já a Recorrente, defende que se trata do custo com indenizações e valores recebidos a título de coreponsabilidade cedida. Entendo estar com razão a Recorrente. A questão das deduções da base de cálculo do setor de saúde foi bem analisada pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas nos autos do processo nº 13971.002373/200411, em voto que na oportunidade acompanhei, in verbis: “Conforme esclarecido a Recorrente pretende, no que se refere à sua natureza de operadora de saúde, excluir da base de cálculo o valor referente aos ‘c) eventos a liquidar com assistência (...) – despesas efetuadas pela Contribuinte com os eventos indenizáveis, cuja dedução da base de cálculo é expressamente contemplada no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.’ Para que seja possível concluir acerca do requerido pela Recorrente, necessário se faz analisar as hipóteses de dedução legalmente previstas, senão vejamos. Claro está que a discussão em tela referese à conceituação da base de cálculo, para as contribuições sociais de PIS e COFINS, das empresas do ramo de seguro saúde1 Operadoras de Planos de Assistência à Saúde (“OPS”), as quais são regulamentadas e fiscalizadas pela ANS Agência Nacional de 1 RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. "Art. 10. As operadoras segmentadas conforme o disposto nos arts. 3º ao 9º desta Resolução deverão classificarse nas seguintes modalidades: I administradora; II cooperativa médica; III cooperativa odontológica; IV autogestão; V medicina de grupo; VI odontologia de grupo; ou VII filantropia." RESOLUÇÃO NORMATIVA – RN Nº 159, DE 3 DE JULHO DE 2007 "Art. 2º Para fins desta resolução, definese: I – operadora de planos privados de assistência à saúde OPS: a pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação, sociedade simples ou empresária que opere produto, serviços ou contrato de planos privados de assistência à saúde definidos no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998." Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 12 Saúde Suplementar, vinculada ao Ministério da Saúde e criada pela Lei 9.961/00. Especialmente, interessa, para o caso em apreço, as operadoras de saúde denominadas como de “medicina de grupo”, a saber: RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. “SEÇÃO V DA MEDICINA DE GRUPO Art. 15. Classificamse na modalidade de medicina de grupo as empresas ou entidades que operam Planos Privados de Assistência à Saúde, excetuandose aquelas classificadas nas modalidades contidas nas Seções I, II, IV e VII2 desta Resolução.” destaquei As operadoras de medicina de grupo oferecem basicamente dois tipos de coberturas assistenciais na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. Os planos de saúde oferecem aos seus usuários, o direito de usufruir da assistência médica em caso de necessidade, com serviços prestados nas instalações próprias da operadora, por profissionais por ela empregados (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos 2 “SEÇÃO I DA ADMINISTRADORA Art. 11. Classificamse na modalidade de administradora as empresas que administram planos ou serviços de assistência à saúde, sendo que, no caso de administração de planos, são financiados por operadora, não assumem o risco decorrente da operação desses planos e não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares ou odontológicos. SEÇÃO II DA COOPERATIVA MÉDICA Art. 12. Classificamse na modalidade de cooperativa médica as sociedades de pessoas sem fins lucrativos, constituídas conforme o disposto na Lei n.º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que operam Planos Privados de Assistência à Saúde. (...) SEÇÃO IV DA AUTOGESTÃO Art. 14. Classificamse na modalidade de autogestão as entidades de autogestão que operam serviços de assistência à saúde ou empresas que, por intermédio de seu departamento de recursos humanos ou órgão assemelhado, responsabilizamse pelo Plano Privado de Assistência à Saúde destinado, exclusivamente, a oferecer cobertura aos empregados ativos, aposentados, pensionistas ou exempregados, bem como a seus respectivos grupos familiares definidos, limitado ao terceiro grau de parentesco consangüíneo ou afim, de uma ou mais empresas, ou ainda a participantes e dependentes de associações de pessoas físicas ou jurídicas, fundações, sindicatos, entidades de classes profissionais ou assemelhados. (...) SEÇÃO VII DA FILANTROPIA Art. 17. Classificamse na modalidade de filantropia as entidades sem fins lucrativos que operam Planos Privados de Assistência à Saúde e tenham obtido certificado de entidade filantrópica junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS e declaração de utilidade pública federal junto ao Ministério da Justiça ou declaração de utilidade pública estadual ou municipal junto aos Órgãos dos Governos Estaduais e Municipais." Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.737 13 custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede referenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde”. Não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não do reembolso das despesas médicas aos associados e da existência de rede própria da OPS. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de terceiros (credenciados), mas apenas algumas possuem o custo de uma rede própria. No caso em análise a Recorrente é operadora de saúde (OPS) que comercializa planos de saúde e atua na forma de cooperativa, em razão deste fato, com base no parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, pleiteou a exclusão da base de cálculo dos valores referentes à rubrica contábil 2.2.1. Logo, a questão é, a legislação permite que os valores referentes às consultas e honorários médicos pagos à credenciados, cooperados e rede própria sejam deduzidos da base de cálculo do PIS e Cofins? A Receita Federal vêm entendendo que não existe esta possibilidade, pois se existisse o PIS e a Cofins das OPS incidiria sobre receita líquida, não sobre faturamento, elemento que efetivamente compõe o aspecto quantitativo da regra matriz de incidência tributária. É indiscutível que o segmento de saúde é altamente peculiar, tanto que sua Contabilidade possui, inclusive, Plano de Contas Próprio, instituído e “controlado” pela ANS. Tal fato é imprescindível para o deslinde da questão, pois as matérias fiscais em discussão apenas têm sentido se, também, forem analisadas com base neste Plano de Contas, o qual reflete as especificidades do setor. Pois bem. Em primeiro lugar fazse necessário consolidar o entendimento do que é faturamento para uma operadora de saúde, nos termos da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (“receita da venda de produtos e serviços”). Pareceme evidente que uma OPS tem como faturamento todos os valores cobrados a título de: (i) prestações mensais faturadas contra seus clientes, pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, bem como (ii) prestação de serviços médicos com a utilização de sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc) por terceiros, aqui entendidos quaisquer pessoas físicas ou jurídicas , inclusive outras operadoras de saúde. Ao meu sentir, é esta, conceitualmente, toda a receita passível de ser faturada pela operadora de saúde, logo, estes valores é que consistem no faturamento das OPS. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 14 A complexidade para o correto entendimento da legislação de PIS e COFINS específica para as OPS se evidencia a partir da análise prática do conceito de faturamento, justamente porque a ANS estabeleceu no Plano de Contas Contábil das Operadoras, (a) algumas rubricas de custos classificadas no mesmo Grupo de Contas deFaturamento/Receita das Operadoras e (b) outras rubricas de faturamento classificadas no mesmo Grupo de Contas de Custos/Despesas. É o caso, respectivamente : a) dos CUSTOS INCORRIDOS COM OUTRAS OPERADORAS (CONGÊNERES) que são contabilizados no Grupo 3 – RECEITAS (conta 3117 e 3118) reduzindo o montante do Faturamento / Receitas Operacionais da Operadora (conta redutora); e b) das receitas advindas do FATURAMENTO CONTRA OUTRAS OPERADORAS (CONGÊNERES) que são classificadas no Grupo 4 – DESPESAS (conta 4123 e 4124) reduzindo o montante dos Custos e Despesas dos eventos assistenciais (conta redutora). Desta forma, o faturamento das OPS, conforme conceito pré definido (total dos valores referentes a venda de produtos e serviços, e coberturas oferecidas), não é encontrado apenas nas rubricas contábeis do GRUPO 3, contas de RECEITAS. Acrescido a este fato, o legislador optou para fins de incidência das contribuições ao PIS e COFINS que sabidamente, no sistema cumulativo, incidem sobre o faturamento e de forma cumulativa a possibilidade de abatimentos na base de cálculo do tributo. Frisese, não houve alteração no conceito de faturamento, como havia quando se pretendeu a equiparação do conceito de faturamento à receita bruta3 (o que foi julgado inconstitucional pela Suprema Corte), o legislador apenas orientou a apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS às peculiaridades do plano de contas contábil específico a incidência e concedeu determinado benefício de diminuição de carga tributária, consubstanciado na redução da base de cálculo dos referidos tributos. Neste particular, erra a fiscalização ao regularmente limitar a interpretação das deduções de base, sob o entendimento de que outra interpretação alteraria o conceito de faturamento. Diz o dispositivo legal: “Art. 2°. O art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: 3 Tal equiparação foi declarada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 357.950, em sessão de 09/11/2005. “Lei nº 9.718/98 (...) Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...)” Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.738 15 (...) § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I— coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Aqui chego ao ponto nevrálgico da questão. O que significam os incisos do parágrafo 9º supra ? Alcançam a exclusão pretendida pela Recorrente? Para melhor compreensão de meus pares, passo a analisar cada inciso, com base na legislação específica do setor, subsidiada pelas determinações estabelecidas no Plano de Contas Contábil adotado pelas OPS, definido pela Agência Nacional de Saúde. CoResponsabilidades Cedidas É de sumária nitidez a determinação contida na Lei nº 9.718/98 (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OPS), dos valores referentes às coresponsabilidades cedidas. Neste ponto, crucial é saber o que são “co responsabilidade cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seu consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas dispendidas ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 16 saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERÊNCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente, apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações. A substituição de prestadores de serviços na rede credenciada – principalmente congêneres é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPS, justamente pela necessidade de manutenção da capacidade e da qualidade de atendimento aos usuários dos planos de saúde. Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso I” do citado §9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à “coresponsabilidade cedida”. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste “inciso I”. No Plano de Contas adotado pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costuma gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e 3.1.1.8. São os CUSTOS COM CONGÊNERES e estão classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.739 17 A mera análise do Plano Contábil é suficiente para constatarse que, na prática, este valor seria naturalmente deduzido do montante das Receitas, uma vez que se trata de uma “conta redutora” de receita, com a necessária aposição do sinal negativo, melhor dizendo, valor inverso ao das contas de receitas, verbis: “CONTA: 3.1.1.7 () CONTRAPRESTAÇÕES DE CORRESPONSABILIDADE TRANSFERIDA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” A providência legislativa, portanto, ao definir a exclusão da conta 3.1.1.7, responsável pelo registro do “custo” com a contratação das congêneres como prestadores de serviços, ajustou o valor da base de cálculo do PIS e da COFINS das OPS, retirando do total faturado o montante “repassado” (pago ou prometido pagar) aos terceiros que “assumiram” a assistência de determinados beneficiários. A meu sentir, resta inconteste que, por força de lei, houve a redução da base do PIS e Cofins pela exclusão de valores pagos a prestadores de serviços, neste item em particular credenciados congêneres (que assumem a responsabilidade pela cobertura de atendimento à saúde de determinados beneficiários da OPS contratante), e que são sem dúvida terceiros. E este fato não significa que a legislação alterou o significado de faturamento, mas que definiu, isso sim, um benefício ao setor de saúde ao permitir que as OPS excluam das bases de cálculo dos tributos em questão, os valores repassados aos terceiros congêneres. Friso: não se refere à alteração do conceito de faturamento, mas apenas de exceção legal que, enquanto válida, vigente e eficaz no ordenamento jurídico, deve ser observada por toda administração pública. Provisões Técnicas A possibilidade da exclusão dos valores destinados à constituição das reservas técnicas obrigatórias às OPS (a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas) também não gera dúvida, em virtude da setorização em rubrica contábil própria. A manutenção das reservas técnicas pelas OPS são exigidas pela ANS que também estabelece os níveis de valores, bem como exige que essas obrigações estejam integralmente garantidas por ativos reais (imóveis hospitalares em funcionamento ou em aplicações financeiras diversificadas e de liquidez imediata). Essas provisões são necessárias para garantir a manutenção da atividade das OPS em caso de risco de descontinuidade no atendimento aos seus beneficiários, e se justificam pela característica social do serviço prestado. Neste aspecto, na hipótese de a operadora de saúde deixar de atender os seus beneficiários em virtude, por exemplo, de má administração, a ANS prevê diversas regras para a manutenção do serviço até a equalização do problema, regras estas que determinam, inclusive, a intervenção direta na direção da OPS. Para estas situações, prevêse a utilização das provisões Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 18 realizadas pelas empresas, na mesma linha do que ocorre com as seguradoras, que não de saúde, sujeitas às determinações deste tipo pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP. Ao tratar das deduções relativas às provisões a legislação contempla a exclusão da “parcela de contraprestações pecuniárias (ou seja, faturamento) destinadas à constituição de provisões técnicas”. A lei permite, portanto, que o valor recebido a título de receita que for destinado às Reservas Técnicas obrigatórias por lei (regulamentação da ANS) seja excluído da tributação do PIS e Cofins. Impera recordar que dispositivo semelhante desonera estes mesmos valores de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro – CSL – estando o legislador na firme intenção de não tributar valor que, por força de lei, seja indisponível ao contribuinte. Ante o exposto, pareceme clara a exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, dos valores referentes às Provisões Técnicas. E vez que os valores estão definidos em conta específica (SUBGRUPO: 3.1.2. VARIAÇÃO DA PROVISÃO TÉCNICA DE OPERAÇÕES DE ASSIST. À SAÚDE) não costuma causar problemas de interpretação entre os agentes da Receita Federal. Entendo que a questão não está diretamente discutida nestes autos, mas é preciso analisar todas as hipóteses de exclusão para que seja possível concluir se o procedimento adotado pela Recorrente encontra supedâneo legal. Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.740 19 “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 20 o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. 4 Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.741 21 Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1)O credenciado presta o serviço para o beneficiário; Janeiro/X1 (2)após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação.Fevereiro/X1 (3)apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento.Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/ alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 22 legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Entretanto, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.742 23 Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, tem se a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 24 Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora.” Neste contexto, entendo que assiste razão à Recorrente, no sentido da exclusão da base de cálculo dos valores pagos a credenciados terceiros (não a totalidade da conta contábil 4.1.1., que conta com valores relativos à rede própria por exemplo) mas aqueles valores pagos a credenciados. Para fim de ajuste, deverá ser acrescido o valor recebido a título de co responsabilidade cedida, o qual deve ser oferecido à tributação pela Recorrente. Esclareço que a decisão recorrida glosou equivocadamente, a meu ver, o desconto realizado pela Recorrente relativo ao valor pago a título de coresponsabilidade cedida, tendo entendido que apenas parte deste valor pode ser deduzido. A exclusão da totalidade do valor pago a título de coresponsabilidade cedida está prevista no inciso I do mencionado §9 do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Não pode ser confundindo com o inciso III e, portanto, não pode ser glosado pela fiscalização. (iii) Outras Receitas Por fim, resta analisar a questão relacionada a possibilidade de inclusão na base de cálculo das contribuições de receitas estanhas ao faturamento no período de vigência da Lei 9.718/98, uma vez que o presente auto de infração utilizou a base alargada para o cálculo das contribuições lançadas. Do Termo de Constatação de fls. 1326, destaco: Desta análise, constatamos que o contribuinte deixou de incluir no total das Receitas no período de 01/2008 a 12/2008 e 01/2009 a 05/2009 a conta 34 – “Receitas Financeiras” como também deixou de incluir os valores lançados na conta 333 “outras receitas oper. De assit. Saúde não relacionados com o plano”. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.743 25 Tais receitas deveriam ser incluídas para a apuração da base de cálculo das contribuições tendo em vista o disposto no § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que teve vigência até 05/2009, sendo posteriormente revigado pelo art. 79 da Lei nº 11.941/09. Em relação ao alargamento da base de cálculo, a questão encontrase pacificada no E. STF, que decidiu no seguinte sentido: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346.084/PR. Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno) Do voto do Relator do Acórdão, Ministro Marco Aurélio, destaco: “Vale dizer que se está diante de diploma normativo cujo § 1 do art. 3 veio à luz sob o signo da inconstitucionalidade parcial, ao fazer compreender no conceito de receita bruta do contribuintes entradas outras diversas do produto da venda de mercadorias e serviços, instituindo, por conseqüência, nova fonte destinada a garantir a manutenção da seguridade social , o que somente por lei complementar poderia se feito validamente, como previsto no § 4º do referido art. 195 da Carta”. Importante ressaltar que, embora ao julgador administrativo faleça competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, o Regimento Interno deste Conselho, em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, assim prescreve: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 26 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou No mesmo sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já vinha afastando a incidência das contribuições sobre as receitas que não sejam decorrentes do faturamento da empresa, senão vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS. É preciso que o contribuinte comprove os fatos alegados, ou ao menos traga aos autos provas circunstanciais ou indícios suficientes para que se requisite a perícia contábil. A não apresentação de documentos suficientes ou fatos objetivos neste sentido tornam verdadeiras as alegações da Fiscalização. COFINS. LEI Nº 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DA SELIC. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorada pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Acertada a aplicação da taxa Selic. Recurso provido em parte (Acórdão . 20181.031. Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/08/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS e da COFINS sobre receita de deságio. Recurso provido (Acórdão. 20180.899. Relator Walber José da Silva) Assim, a receitas estranhas ao faturamento, lançadas nas contas 34 – “Receitas Financeiras” e conta 333 “outras receitas oper. De assit. Saúde não relacionados com o plano”, devem ser excluídas do Auto de Infração lavrado.. Quanto a multa, não merece reparos a decisão recorrida posto que esta se encontra prevista em lei em pleno vigor, sendo vedado, como já dito, ao julgador administrativo afastala por ilegalidade ou inconstitucionalidade. (art. 26 A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.) Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser cancelados os lançamento efetuados sobre as outras receitas diversas do conceito de Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.744 27 faturamento (assim entendido como venda de bens e serviços) e ajustada a base de cálculo nos termos do inciso I e III, §9º, artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, os quais determinam a dedução dos valores pagos a título de indenização aos terceiros (inciso III credenciados e inciso I congêneres) e a adição dos valores referentes à coresponsabilidade cedida recebida pela Recorrente (Conta Contábil: 4.1.2.3). É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tomei vista destes autos para melhor me inteirar dos assuntos discutidos. Ante os fatos expostos e considerando o voto proferido, acompanho na integralidade o ilustre Conselheiro Relator, entendendo serem relevantes apenas algumas considerações. A v. decisão recorrida pautase em dois aspectos para negar a redução de base pleiteada pelo contribuinte com a aplicação do inciso III, § 9º, artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, a saber: (i) entende que o inciso reportase ao saldo existente entre os valores recebidos e pagos a título de co responsabilidade cedida ; (ii) interpreta como impossível que o valor de co responsabilidade cedida recebida seja menor que o valor pago a título de indenização, porque este fato resultaria em redução negativa. Analisemos o dispositivo legal: “Art. 3°. ... (...) § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I— coresponsabilidades cedidas; Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 28 II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Alguns conceitos já estão definidos na decisão do I. Conselheiro Relator: CORESPONSABILIDADE CEDIDAS – ocorre quando há transferência de responsabilidade, quando outra Operadora de Saúde OPS passa a responder pelo beneficiário mediante o pagamento de um valor mensal; INDENIZAÇÕES POR EVENTOS OCORRIDOS EFETIVAMENTE PAGOS – hipótese em que não há transferência de responsabilidade, mas algum terceiro atende ao beneficiário da OPS, neste caso pagase apenas o valor do evento e apenas depois de terse constatado que realmente ocorreu. Temse, portanto, que os itens mencionados são diametralmente opostos no que se refere à transferência de responsabilidade e forma de pagamento/procedimento. Não há meios de serem confundidos. A despeito deste fato, pareceme claro que está havendo uma confusão de conceitos. O entendimento da fiscalização – mantido no v. acórdão recorrido – é de que o inciso III supra mencionado trata, apenas, de valores referentes a coresponsabilidade cedidas, tanto que concluem que o inciso III determina a exclusão do “saldo” entre o valor recebido a título de coresponsabilidade cedida e o pago, a este mesmo título, a terceiros. Tal interpretação é ilógica pela própria existência do inciso I, que expressamente determina a exclusão dos valores pagos a título de “I— coresponsabilidades cedidas”. Ou seja, o valor relativo às coresponsabilidades cedidas à terceiros já está excluída da base de cálculo por força de outro dispositivo, o inciso “I”. Neste sentido, aceitar que o inciso III também versa sobre exclusão de “co responsabilidades cedidas” seria admitir a ilógica possibilidade de dois incisos versarem sobre a mesma exclusão ou de um mesmo valor poder ser excluído duas vezes. Tal fato seria suficiente para a exclusão do raciocínio. A questão é realmente de difícil compreensão porque está intimamente vinculada às especificidades do setor. É preciso conhecer as regras específicas do setor para entender o sentido das exclusões propostas pelo legislador. Por este raciocínio, é o plano contábil da ANS que explica as exclusões específicas. Conforme esclarecido pelo Ínclito Relator, o valor que a Recorrente recebe a título de transferência de responsabilidade de outras OPS fica registrado em conta do passivo, de recuperação de despesa . Em vista desta disposição da rubrica contábil o valor recebido a título de coresponsabilidade cedida não é, normalmente, tributada pelo PIS e Cofins, simplesmente porque não está registrada como receita. Veja, como todas as OPS seguem a mesma norma (inciso I, §9º, artigo 3º, Lei nº 9.718/98), TODAS excluem da base de cálculo o valor pago a título de co responsabilidade cedida. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/201266 Acórdão n.º 3302002.003 S3C3T2 Fl. 1.745 29 Logo, se as OPS que receberem os valores a título de coresponsabilidade cedida (transferência de responsabilidade) também não tributarem o valor recebido por que este valor está classificado como ressarcimento de despesas, não haverá nenhuma tributação. Vejamos um exemplo prático: OPS 1 OPS 2 Paga R$ 100 à OPS 2 e exclui da base Recebe R$ 100 da OPS1 e classifica no passivo, logo não tributa Em virtude desta característica específica, é imperioso que este valor (os citados R$ 100,00), pago por uma OPS e recebido pela outra, seja incluído na base tributável do PIS e COFINS de alguma das OPS, sob pena de restar sem tributação. Por esta razão, que no inciso III o legislador diz que serão excluídos “os valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos” mas, deste quantum, será mantido um valor, aquele referente “às importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Para exemplificar, a lei determina que será excluído R$ 1.000,00 a título de indenizações. Deduzidos deste R$ 1.000,00 aquele valor de R$ 100,00 a título de transferência de responsabilidade (coresponsabilidade que me cederam) que, por que estava no passivo, não seria tributado. Assim, destes R$ 1.000,00, serão mantidos R$ 100,00 que não seriam tributados por estarem na conta de passivo, sendo reduzido da base apenas a quantia de R$ 900,00. Com isso, ajustase a base do PIS e Cofins das Operadoras de Saúde – OPS para que a tributação incida apenas sobre o valor efetivamente recebido a título de receita. É exatamente por esta razão que não se deduz da base de cálculo TODO o custo das OPS, sendo inadmissível o entendimento de que o custo com a rede própria deve ser reduzido da base de cálculo do PIS e Cofins. A meu sentir, parece claro q ue o legislador pretendeu ajustar a base de cálculo de PIS e COFINS para que apenas o efetivo faturamento fosse tributado sem, contudo, esvaziar a base de cálculo por completo. Ante estas considerações, acompanho o d. Conselheiro Relator na integralidade de seu voto. É como penso, é como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 18088.720141/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - SENAR - INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR - INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais.
As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 01 41 /2 01 2- 37 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720141/201237 Acórdão n.º 2401003.114 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.354.4766, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais patronais destinada ao SENAR sobre a venda de produtos destinadas a exportação. Segundo Relatório Fiscal (fls. 13 a 17), A Empresa em questão é agroindústria, em relação ao período objeto do débito, deste modo a contribuição devida por ela à Entidade Terceira –SENAR, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, em consonância com o art. 22A da Lei nº 8.212/91. A imunidade prevista no art. 149, § 2º, inc. I da Constituição não alcança as contribuições destinadas ao SENAR, pois estas são contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. A Emenda Constitucional 33, de 11/12/2001 definiu não configurar como hipótese de incidência de contribuições sociais as receitas decorrentes de exportação de produtos cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 12/12/2001. Entretanto, não é alcançada por esta imunidade a contribuição destinada ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 25/04/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 25/04/2012. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 97 a 112. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 189 a 192 que confirmou a procedência do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. AGROINDÚSTRIA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. É devida a contribuição ao SENAR nas operações da agroindústria com o mercado externo, não lhe sendo aplicável a imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 199 a 225 . Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as alegações da impugnação, quais sejam: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 1. Nulidade do AI, vez que a IN RFB n. 971 foi publicada em 2009 e suas diretrizes não tem o condão de modificar a interpretação da legislação tributária sem observância aos preceitos estatuídos pelo CTN, notadamente pelo art. 146 onde a modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 2. Entre os argumentos apresentados, pretende demonstrar que a contribuição ao SENAR deve ser considerada contribuição social por possuir como efeito mediato melhorar a qualidade de vida de toda a população rural brasileira. 3. É completamente distinta a finalidade das contribuições “sociais” e “de interesse das categorias profissionais e econômicas”. Enquanto a última visa atender aos interesses de uma determinada categoria de trabalhadores, a primeira objetiva atender a toda coletividade, menos que indiretamente. 4. Destaca ser a atividade de lançamento vinculada à legislação tributária, não podendo a autoridade fiscal dela se afastar. E que não existe fundamento legal para a cobrança da presente exação, contrariando a Constituição Federal. 5. Menciona, em seguida, o Manual da GFIP, dispondo em seu capítulo VI, item 6.1, alínea “a”, não serem devidas as contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, cuja comercialização tenha ocorrido a partir de 12/12/2001, em decorrência da Emenda Constitucional nº 33, de 11/12/2001. 6. Menciona também a Consulta Técnica nº 886/2007 e o Parecer MPS/CJ nº 71/2007, como argumentos a justificar a não incidência do Senar nas exportações realizadas pela empresa. 7. Conclui afirmando que a Emenda Constitucional nº 33/01 determinou a não incidência de contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação. E sendo a contribuição ao SENAR parte integrante das contribuições sociais, não poderia incidir sobre as receitas decorrentes de exportação. 8. A contribuição ao SENAR é de natureza social, como as demais destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. 9. Faz um histórico acerca da instituição das contribuições destinadas ao SENAR, concluindo que verificase que a contribuição do art. 22A da lei 8212/91, destinase ao custeio das mesmas despesas da contribuiçãoinscrita no art. 3, possuindo, portanto, a mesma natureza, diferindo somente quanto as bases de cálculos as quais incidem. Exemplo destas contribuições são as devidas aos Conselhos de categoria, donde em decisão judicial asseverouse tratar de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. 10. Requer, assim, seja declarado insubsistente o presente Auto de Infração, determinando o arquivamento do processo correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720141/201237 Acórdão n.º 2401003.114 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 237. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras: Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) QUANTO A SUPOSTA INCOMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO DE SENAR SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA A EXPORTAÇÃO O recorrente alega que a imunidade tributária das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação, também, se aplicariam as contribuições ao SENAR, pelo fato destas não serem contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas. Neste ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. Bastanos observar o art. 1 da Lei 8.315/91, para que se identifique a natureza da entidade, senão vejamos: Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. Assim, entendo estar correto a decisão de primeira instância, que afastou a pretensão do recorrente. Realmente as contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que entende o recorrente, constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. A Emenda Constitucional nº 33/01, o art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição Federal passou a ter a seguinte redação: Art. 149. (…) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Assim o art. 149, § 2º, inciso I, da CF deixa claro que retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação, o que não se aplica as contribuições destinadas ao SENAR. Este entendimento está normatizado no art. 245 da IN MPS/SRP nº 03/2005 e no âmbito da Receita Federal pelo § 3o do art. 170 da Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009, trazido pelo julgador na decisão proferida. Dessa forma, entendo que não há qualquer reparo a ser feito no lançamento realizado, muito menos a que se falar na nulidade apontada pelo recorrente. A IN 971, apenas esclarece o que já era a interpretação em relação ao alcance da EC n. 33/01 e a própria lei 8315/01. A definição e destinação das contribuições arrecadas pela Previdência Social, previstas na lei 8.315/91, assim, como o próprio conceito do SENAR, corroboram a destinação da arrecadação, senão vejamos: Art. 3° Constituem rendas do Senar: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: (...) § 1° A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são beneficiários diretos. § 2° As pessoas jurídicas ou a elas equiparadas, que exerçam concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso I deste artigo, permanecerão contribuindo para as outras entidades de formação profissional nas atividades que lhes correspondam especificamente. § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720141/201237 Acórdão n.º 2401003.114 S2C4T1 Fl. 5 7 disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. Aliás, foi exatamente essa a conclusão da autoridade julgadora, sendo que entendo indevida a nomenclatura adotada no parecer senão vejamos: De fato, podese extrair da Lei nº 8.315/91 (lei que criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR) que a contribuição em questão é paga por integrantes de um grupo específico, sendo revertido em benefício do mesmo, restando patente a sua conformação à hipótese de contribuição de interesse de categorias profissionais e econômicas. Não procede o entendimento apresentado pela impugnante acerca do enquadramento da exação como contribuição social, uma vez que, apesar de presente a função social na sua instituição, não se vislumbra qualquer vinculação dos valores arrecadados com o custeio da Seguridade Social. Concluise dos fatos expostos inexistir equívoco no Manual da GFIP ao afirmar a não incidência das contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtores rurais, porém, não se encontra abrangida por esta denominação a contribuição ao SENAR. O teor da Consulta Técnica nº 886/2007 trazida aos autos pela defesa não possui aplicabilidade ao caso em comento, seja diante da perda de sua eficácia, uma vez que as consultas possuíam validade de 2 anos contados de sua publicação ou conclusão, seja diante da existência de previsão normativa dispondo expressamente entendimento contrário, como já esclarecido. O mesmo podese dizer em relação ao Parecer MPS/CJ nº 71/2007 igualmente mencionado pela defesa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16682.720679/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009
PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF.
Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária.
FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA A QUO PARA NOVO JULGAMENTO.
Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância a quo para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa.
Preliminar Acolhida.
Nulidade Reconhecida.
Numero da decisão: 3402-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF. Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária. FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Preliminar Acolhida. Nulidade Reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 79 /2 01 1- 26 Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/201126 Acórdão n.º 3402002.150 S3C4T2 Fl. 1.401 3 Relatório Por estar bem delineado e resumir os elementos fáticos deste processo, reproduzo o relatório contido do Acórdão 1339.582 da 5ª Turma da DRJ/RJ2: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 523/536 em virtude da apuração de falta de recolhimento do PIS no período de 31/10/2006 a 31/05/2009, que exige contribuição de R$ 21.624.341,52, multa de ofício de R$ 16.218.256,00 e juros de mora de R$ 7.588.925,99, perfazendo o total de R$ 45.431.523,51. No Termo de Verificação de Infração (fls. 537/552), o AFRFB autuante esclarece que: 1. A interessada solicitou a habilitação ao Regime Especial de Utilização de Crédito Presumido da Contribuição para o PIS e a COFINS por meio do processo nº 15374.00083/200821, conforme preceitua o art. 63, §1º, incisos I e II da Instrução Normativa SRF nº 247 de 2002. 2. O pedido foi indeferido em 26/12/2008 e a interessada foi cientificada em 07/05/2009. 3. Em 04/06/2009, a empresa apresentou nova petição considerada como renovação do pedido, de acordo com o que preceitua o art. 2º, § 7º do Decreto nº 3.803/2001 e o art. 63, § 5º da IN SRF nº 247/2002. 4. Tal pedido foi deferido, sendo emitido o Ato Declaratório Executivo nº 67 de 13/04/2010 habilitando a interessada a partir de 04/06/2009 (data da renovação). 5. O procedimento fiscal foi direcionado para o lançamento relativo a insuficiência de declaração e recolhimento do PIS e da COFINS, no período de 10/2006 a 05/2009. 6. O §2º do art. 3º do Decreto nº 3.803/2001 dispõe que, no caso do indeferimento do requerimento, as contribuições que deixaram de ser pagas, serão consideradas devidas desde o início da fruição indevida do benefício. 7. A interessada impetrou ação judicial (MS 2009.51.01.01.0148130) pleiteando que fosse desobrigada da apresentação da CND no processo no qual pleiteia o reconhecimento do seu direito ao regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição ao PIS e a COFINS. O MS teve a segurança denegada. Foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento. E foi negado provimento ao embargos de Declaração no Agravo. 8. Nas competências de 10/2006 a 04/2009, a Mantecorp não efetivou qualquer registro contábil relativo à apuração e à utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS. 9. Em relação à competência de 05/2009, a empresa efetivou depósito judicial no valor de R$ 950.482,89 mais multa no valor de R$ 15.682,97, perfazendo um total registrado contabilmente de R$ 966.165,86. O valor do débito consta na DCTF, mas não foi especificado na DACON. O enquadramento legal encontrase no auto de infração (fls. 523/536 ). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou Impugnação e, em virtude da DRJ ter sintetizado os fatos de maneira clara e eficiente, transcrevo a síntese dos fatos por ela relatados quando da decisão de Primeira Instância: Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Cientificada em 26/08/2011, a interessada apresentou em 23/09/2011 a impugnação de fls. 555/603, na qual alegou que: Protocolizou junto à CMED, em 18/04/2007 o Pedido de Aditamento ao Requerimento Inicial de Habilitação para a Concessão de Crédito Presumido, instruído com os documentos previstos nas alíneas do item 5 do Comunicado nº 9/01, com o objetivo de alterar a apresentação do medicamento LIORAM; As certidões que instruíam o processo encontravamse perfeitamente válidas; Após a análise da CMED o pedido foi encaminhado a RFB, por meio do ofício nº 1561 de 2007, expressando a regularidade dos preços e enquadramentos dos medicamentos comercializados pela Impugnante; O processo foi encaminhado indevidamente para DIORT São Paulo que o remeteu para o Rio em 29/11/2007; O processo somente foi formalizado em 17/01/2008; Em 17/04/2008 a impugnante foi intimada para que comprovasse o pagamento de supostos débitos apontados no relatório Informações de Apoio para Emissão de Certidão, que prestou esclarecimentos em 25/04/2008; Em 26/12/2008 a DERAT indeferiu a habilitação da impugnante ao regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS por entender que não foram atendidas as exigências do artigo 2º do Decreto nº 3803/01. A impugnante não foi intimada a prestar esclarecimentos a estes novos débitos que motivaram o indeferimento do pedido; A impugnante foi cientificada em 07/05/2009 e nesta data, já havia se passado mais de um ano da data em que a impugnante prestou esclarecimentos à Derat; Em 04/06/2009 a Impugnante apresentou petição requerendo a reconsideração do indeferimento; O pedido de Habilitação foi deferido sendo publicado o Ato Declaratório Executivo nº 67/10, em 14/04/2010; Embora a petição solicite a reconsideração do indeferimento do regime especial de crédito presumido, a DERAT entendeu que se tratava de uma renovação, de tal sorte que o deferimento em comento somente passaria a produzir efeitos a partir da data de seu protocolo 04/06/2009; A impugnante não tomou conhecimento de que o seu pedido de reconsideração havia sido tratado como renovação do pedido, visto que tal informação conta apenas em documento interno do processo de habilitação; A impugnante cumpre os requisitos previstos na legislação para a fruição do regime especial desde 2001 e a RFB jamais se pronunciou sobre o assunto a despeito das previsões no artigo 2º do Decreto nº 3.803/2001; Embora a impugnante já fizesse jus ao regime especial desde a data do protocolo do primeiro requerimento junto à Câmara de Medicamentos e estando diante de um Pedido de Aditamento ao Requerimento Inicial de Habilitação para Concessão de Crédito Presumido, a Receita Federal tratou o, desde o primeiro momento, como um pedido de concessão de regime especial de crédito presumido; A RFB não cumpriu os prazos previstos no artigo 2º do Decreto nº 3.8013/2001 e no artigo 63 da IN SRF nº 247/2002 o que gera o deferimento automático do regime especial de crédito presumido conforme previsto no §2º do artigo 63 da IN citada; Não ocorreu a suspensão do prazo, uma vez que quando a interessada foi intimada o prazo já estava esgotado; A finalidade do deferimento automático é a de assegurar uma mínima segurança jurídica aqueles que se utilizam do regime especial, haja vista que os preços são desde logos reduzidos em função do aproveitamento do crédito presumido, em benefício dos consumidores, não havendo possibilidade de posterior ressarcimento; Que as certidões a serem analisadas seriam aquelas apresentadas em 2007 e que o indeferimento ocorreu em razão de débitos que estavam com a exigibilidade suspensa; Que o pedido efetuado em 2009 foi um pedido de reconsideração e não uma renovação do pedido, uma vez que foram apenas reiterados os argumentos já apresentados pela impugnante no curso do processo, não sendo sanadas quaisquer irregularidades que tenham dado ensejo ao indeferimento do pedido; Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/201126 Acórdão n.º 3402002.150 S3C4T2 Fl. 1.402 5 Que uma vez que o pedido apresentado em 2007, diferentemente do que entendeu a DERAT não era um pedido de habilitação, e sim, um pedido de aditamento, haja vista que a impugnante utiliza o crédito presumido desde 2001, o seu indeferimento somente poderia abranger o produto objeto da alteração, e não a totalidade dos produtos farmacêuticos comercializados pela impugnante, havendo incorreção na base de cálculo apurada pela fiscalização; Os juros não podem ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal; A interessada junta cópia do processo de habilitação ao crédito presumido de PIS e COFINS. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, e após realização da diligência, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, RJ, proferiu o Acórdão de nº. 1339.582, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009 REGIME ESPECIAL. MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO. EXCLUSÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não cabe às Delegacias de Julgamento apreciar oposição a indeferimento do regime especial de utilização do crédito presumido do PIS e da Cofins de que trata o art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000. Indeferido o pedido de habilitação, correto o lançamento do tributo inadimplido decorrente do indevido aproveitamento de créditos. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial do seu montante integral. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros moratórios sobre o crédito tributário que esteja com sua exigibilidade suspensa por depósito judicial do seu montante integral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Inicialmente a DRJ, entendeu não ser competente para apreciar oposição a indeferimento do regime especial de utilização de crédito presumido do Pis e da Cofins, de que trata o art. 3º da Lei 10.147/00, nos termos do art. 229 do Anexo à Portaria MF nº 587 de 2010, deixando, portanto, de analisar as alegações da contribuinte acerca de sua regularidade fiscal. Quanto ao lançamento de ofício, a DRJ considerou correta a autuação fiscal, vez que o indeferimento vedava a contribuinte de efetuar aproveitamento de crédito presumido e mesmo assim, a contribuinte valeuse dos créditos, portanto, válida a ação do Fisco em exigir tributo não recolhido por uso indevido de crédito presumido. No que tange à multa e juros de mora, a DRJ verificou foi lançado o valor do débito de PIS no período de 05/2009, declarado em DCTF, com exigibilidade suspensa tendo Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 em vista haver depósito do montante integral, julgando, assim, pelo cancelamento da multa e dos juros de mora constantes do lançamento de ofício quanto ao período em questão, mantendo a autuação nos demais quesitos. DO RECURSO Ciente em 04/04/12 do Acórdão nº. 1339.582, e não se conformando com a manutenção parcial das exigências a ele impostas, o contribuinte apresentou em 03/05/12 Recurso Voluntário a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, reiterou os argumentos alegados em sede de Impugnação, acrescentando de nulidade da decisão da DRJ e da competência da DRJ para análise dos atos ilegais praticados nos autos. Quanto à nulidade da decisão da DRJ, sustenta a recorrente, em apertada síntese, que a referida delegacia não apreciou todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente na impugnação, alegou que deveria a DRJ ter analisado as alegações de nulidade do processo administrativo de habilitação no regime especial de crédito presumido de nº 15374.000083/200821, pois desse processo se originou o lançamento de ofício. Portanto, o fato de a DRJ não analisar tais alegações, torna impossível refutar o lançamento de ofício sem que a Recorrente demonstre as nulidades do referido processo de concessão do regime especial de crédito presumido de Pis/Cofins. Alega ainda, em síntese, que a DRJ é competente para analisar as alegações de atos ilegais praticados no processo administrativo em respeito aos Princípios da Legalidade e da Autotutela, a DRJ possui competência para apreciar a existência de vício insanável de ilegalidade em razão da afronta ao art. 63, II, da IN SRF nº 247/2002, pois cabe à Administração rever os seus próprios atos em obediência à norma legal vigente. Ao fim, requereu o provimento do recurso, seja em razão da preliminar, para declarar nula a decisão proferida pela DRJ, seja em razão do mérito, com o consequente cancelamento do lançamento de ofício. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até a folha 1399 (um mil novecentos e dez), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/201126 Acórdão n.º 3402002.150 S3C4T2 Fl. 1.403 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso atende aos pressupostos de tempestividade e de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A análise dos autos permite concluir que o Recurso Voluntário apresentado pretende a reforma da decisão da DRJ/RJOII, que manteve lançamento de ofício, o qual visa constituir crédito tributário pela glosa do usufruto do direito ao crédito presumido de PIS e COFINS previsto no art. 3º, da Lei nº 10.147/2000 (relativo à importação ou fabricação de medicamentos), sob o fundamento fiscal de que o sujeito passivo, no período da autuação (out/2006 a mai/2009), não detinha regularidade fiscal que lhe propiciasse gozar do incentivo, mas apenas a partir de 04/06/2009, quando teria renovado seu pedido de habilitação e comprovado sua regularidade fiscal. Afirma a Recorrente em suas razões, em apertadíssima síntese, além das preliminares de nulidade tanto da autuação em si quanto da decisão da DRJ, no mérito, de que não se trataria de Pedido de Habilitação ao Regime Especial, e sim de mero Aditamento para inclusão de dois novos tipos de medicamentos, já que seria usufrutuária do benefício desde muito tempo antes de que tenha protocolizado o Requerimento que ensejou a formação do Processo nº 15374.00083/200821; bem como que diante do decurso do prazo de 30 dias previsto no Decreto nº 3.803/2001, teria se operado o deferimento automático do regime especial, não se podendo aplicar retroativamente os efeitos do indeferimento posterior; que, quando foi instada a promover a regularização de débitos que estariam registrados em seu desfavor, simplesmente comprovara estarem os mesmos inexigíveis, o que motivara o deferimento, não cabendo tratar referidos “esclarecimentos” como renovação do pedido, para que não se lhe aplique efeitos retroativos ao regime especial. Por fim, sucessivamente, pleiteia a redução da exigência, pela limitação da autuação aos medicamentos que pretendera incluir com o pedido em questão, assim como para que seja afastada a incidência dos juros sobre a multa. A análise dos autos permite concluir que o deslinde da controvérsia aqui instalada passa, necessariamente (embora não exclusivamente, por óbvio), pelo exame da cronologia dos fatos, assim como, principalmente, pela regularidade do sujeito passivo ao longo do tempo em que tramitara o Processo nº 15374.00083/200821, porém, como visto e observado da leitura do relato dos autos, a Delegacia de Julgamento abstevese de apreciar tais matérias, declarandose incompetente para adentrar na análise dos motivos determinantes do indeferimento do Regime Especial que ampara o crédito presumido que aqui é “reflexo”,deixando de apreciar ponto que, a meu ver, é crucial e essencial ao deslinde da causa. Tenho que, ainda que tramitando por Órgão que não seja do Ministério da Fazenda, mas ainda assim componente do “Poder Público”, o processo de concessão/cassação do Regime Especial perseguido pela empresa foi o principal motivador do lançamento aqui discutido, e, neste tocante, deveria a instância de julgamento a quo ter proferido juízo de valor acerca dos fatos, pronunciando seu entendimento acerca de estar ou não a empresa devidamente amparada pelo já citado regime, sua natureza (se de aditamento, renovação ou Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 outra natureza) para com isso deixar de recolher a contribuição exigida, lastreando assim de validade o lançamento que aqui se cuida. Neste tocante, a DRJ/RJ2 assim se pronunciou: “Como se vê, não cabe às Delegacias de Julgamento apreciar oposição a indeferimento do regime especial de utilização do crédito presumido do PIS e da Cofins de que trata o art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000. Nesse contexto, as alegações da defesa endereçadas contra os procedimentos e os atos da administração tributária que resultaram, ao fim, no indeferimento do pedido de habilitação ao regime especial, deixam de ser examinadas por exorbitarem da esfera de atuação deste órgão.” Ainda que, como dito, tendo sua tramitação em esfera diversa desta em que é apreciado o Processo Administrativo Fiscal, a omissão acerca dos “motivos determinantes” para a realização do ato administrativo de lançamento nestes autos versado, é ofensiva ao direito ao contraditório e ampla defesa garantido aos contribuintes no âmbito do PAF (sob pena de cerceando do direito de defesa do mesmo), bem como, macula de vício o devido processo administrativo fiscal, ao qual a legalidade – dos atos administrativos em geral – é condição sine qua non para sua válida existência. A real posição do contribuinte em relação ao Regime Especial pleiteado, para a qual existiriam reflexos diretos em sua condição tributária, é situação sobre a qual deveria ter se pronunciado a Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ2), aprofundando a questão quanto a verdade material ocorrida nos autos, a fim de validar ou não os efeitos jurídicos que decorrem daquele Regime Especial, já que constituise na “causa” que lastreia o lançamento questionado. O próprio julgamento de mérito que se pudesse fazer sobre o que destes autos consta, sem que se tenha adentrado no conhecimento do mérito do Processo nº 15374.00083/200821, e da cronologia de sua tramitação, fica inviabilizado. Vejase, por exemplo, que sequer encontrase nos autos cópia integral do precitado processo. Ademais, seria necessário, sob a ótica deste julgador, entender se o mesmo tratase de “Aditamento” ou de “Pedido de Habilitação” de novos tipos/classes de medicamentos. Ademais, a análise da cronologia dos acontecimentos seria também crucial para o cabal entendimento dos fatos que permearam toda a tramitação processual daquele referido processo, permitindo saber se mesmo antes de protocolizar o requerimento que culminou na formação do Processo nº 15374.00083/200821, o contribuinte já era detentor do Regime Especial do Crédito Presumido de que trata o art. 3º, da Lei nº 10.147/2000, para outros remédios e classes de medicamentos. E ainda, se quando do recebimento do Ofício SE/CMED nº 1.561, de 09/11/2007, que culminou na formação do referido Processo nº 15374.00083/200821, o sujeito passivo possuía regularidade fiscal (entendida nos termos dos arts. 151, 205 e 206, do CTN), e se durante toda a tramitação do referido processo, ou seja, a partir de 18/04/07 (data do protocolo do pedido junto à CMED) e a data do deferimento do Regime Especial pelo Ato Declaratório Executivo nº 67/2010, perdeu essa regularidade fiscal; e, em caso de haverem débitos, apontar quais que foram informados ao contribuinte, relacionados às folhas 14, 17, 18 e 23, pela Intimação de folhas 43 e 44 (todas do Processo nº 15374.00083/200821) que estariam a impedir a certificação da regularidade fiscal do sujeito passivo, e que acabaram por motivar o indeferimento do regime. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/201126 Acórdão n.º 3402002.150 S3C4T2 Fl. 1.404 9 Ou seja, toda a matéria de fato restara prejudicada pelo fato de ter o Órgão julgador e piso, se abstido de adentrar na análise efetiva do mérito e na cronologia da tramitação do Processo nº 15374.00083/200821, redundando por certo em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, e quiçá impossibilitando a completa e exauriente análise que seria necessário ser realizada para um justo julgamento que se pretenda realizar no âmbito desta Casa. Entendese perfeitamente a premissa adotada pela DRJ, e sobre esse posicionamento se compreende que realmente restaria apenas aplicar o que restara decidido no âmbito do Processo referenciado; porém, se dos acontecimentos daquele processo está o substrato de motivação do ato administrativo de lançamento que aqui se avalia, entendese indispensável conhecer todas as suas nuances para que se possa proferir julgamento sobre a legalidade do ato de lançamento tributário, de modo que entendese haver competência para referida análise. Neste sentido, ainda que tratando de regime diverso (Regime Automotivo), e com órgão regulatório diverso (MDIC), porém em situação análoga (Crédito Presumido), pode se verificar que esta Casa têm apreciado este tipo de temática, emitindo seu entendimento acerca da concessão/cassação de Regimes Especiais, na análise de validade dos lançamentos tributários, a se verificar: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência da infração. REGIME AUTOMOTIVO. PROPORÇÃO. MDIC. HOMOLOGAÇÃO. ACORDO. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considerase adimplida a condição estabelecida em Lei quando observados os critérios definidos em acordo firmado entre a beneficiária e as entidades de classe ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Negado” (CARF Acórdão 310201.483 3ª Seção 1ª Cam. 2ª TO. Rel. Ricardo Paulo Rosa. Julg. Em 24/04/2012) – Grifouse. “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/07/2000 PROTEC ÃO À BANDEIRA BRASILEIRA Para os efeitos do Decretolei nº 666/69, considerase de bandeira brasileira o navio afretado por empresa brasileira devidamente autorizada a funcionar no transporte de longo curso. EX TARIFÁRIO Para fazer jus a um Ex tarifário, a mercadoria importada deve coincidir perfeitamente com a descric ão do Ex, o que ocorreu na presente hipótese, haja vista os documentos e os laudos tećnicos acostados aos autos. REGIME AUTOMOTIVO. Não comprovac ão do descumprimento da condic ão onerosa do regime automotivo pelo contribuinte, tendo a autoridade autuante se bastado em assertivas que não são corroboradas pelos documentos que foram acostados aos autos, notadamente Acordo firmado com a ABIMAQ, não sendo devida, portanto, a multa prevista no artigo 13 da Lei n° 9.447/97. REGIME AUTOMOTIVO. IMPOSTO DE IMPORTAC ÃO E IPI VINCULADO. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 Fundado em interpretac ão da PGFN, o Parecer Cosit n 13/2004 tratou da matéria de forma profunda e abrangente e considerou descabida a exige ncia desses tributos no caso de inadimplemento do regime. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DA PROPORC ÃO PREVISTA NO REGIME AUTOMOTIVO. HOMOLOGAC ÃO DE ACORDOS COM A ABIMAQ/SINDIMAQ. Os acordos com entidades de classe representativas da indústria brasileira de bens de capital e a beneficiária do regime automotivo estão previstos no art. 6 do Decreto nº 2.072/96 apenas para o efeito alterar a proporc ão estabelecido nessa norma para as aquisic ões de bens de capital produzidos no País e os importados. A lei não previu a homologac ão de acordos que extrapolem o prazo do beneficio, o qual teve vige ncia até 31/12/1999 (art. 1, da Lei nº 9.449/97). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE” (3º CC – 1ª Câmara – Acórdão nº 30134.376 – Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda – j. 23.01.2008) grifouse. Verificase, portanto, que muitas têm sido as oportunidades em que se adentra na análise do mérito da concessão ou não de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara tributária, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária que está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF. Deste modo, a DRJ e esta Casa detém competência para analisar o Regime Especial, para avaliar se os efeitos tributários que dela emanam revestemse dos atributos necessários para sustentar o lançamento tributário praticado pela Administração. Assim sendo, em estrita observação aos princípios resguardados à qualquer das partes litigantes em processo, seja judicial, seja administrativo, por absoluto respeito à Constituição Federal, com a devida vênia das autoridades julgadoras de primeiro grau, entendo nula a decisão administrativa proferida neste processo, merecendo estes autos retornarem à instancia a quo para novo julgamento, a fim de que todos os pontos argüidos pelo sujeito passivo tenham a devida apreciação de mérito. Na esteira das considerações acima, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para anular a decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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Numero do processo: 36624.000531/2005-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, a fim de trazer cópia dos autos das obrigações principais reflexas, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, a fim de trazer cópia dos autos das obrigações principais reflexas, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, a fim de trazer cópia dos autos das obrigações principais reflexas, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 24 .0 00 53 1/ 20 05 -2 5 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Resolução nº 2301000.387 S2C3T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Oeste / SP, fls. 0158 a 0171, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 002, a autuação referese a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. Consta do RF: “Durante a fiscalização constatouse que a empresa apresentou GFIP sem que nela constassem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, incorrendo dessa forma na infração prevista no Art 32, par 5, da Lei 8212/91, pois deixou de informar os pagamentos efetuados a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de 01/1999 a 12/2003 e 03/2004. Nas competências em que foram constatadas as infrações o número de segurados da empresa variou entre 1000 e 1300. Não constam circunstâncias agravantes.” Em 05/08/2004 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0106 a 0109, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que: 1. Tratase de autuação reflexa do lançamento número 35.672.2627, uma vez que a multa aqui lançada tem sua base de cálculo estabelecida pelo valor que não teria sido declarado em GFIP por pagamentos a autônomos, conforme relação constante daquela NFLD; 2. Ocorre que a exigência é indevida; 3. Preliminarmente, há que se considerar que, apesar do zelo com que os dignos fiscais exerceram suas funções, foram cometidos erros no lançamento35.672.2627, que tornam aquele lançamento de todo nulo; 4. Como o presente auto de infração é reflexo daquele, também nula esta autuação deve ser declarada; 5. Com efeito, como se pode verificar no RL RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS, foram incluídos no ano de 1999 os mesmos pagamentos relativos ao ano de 1998, ou seja, os mesmos valores e números de cheques, o que indica que a fiscalização, ao utilizarse do recurso de copiar e colar do Fl. 402DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Resolução nº 2301000.387 S2C3T1 Fl. 4 3 Windows, esqueceuse de excluir os valores relativos aos anos anteriores, conforme exemplos citados; 6. No mérito a exigência também é improcedente; 7. A declaração de valores em GFIP somente é possível se o prestador do serviço fornecer a fonte pagadora seu número de inscrição no INSS ou então seu número de inscrição no PIS; 8. Ocorre que a defendente não obteve dos prestadores de serviço tais informações o que impossibilitou que a mesma elaborasse a correspondente GFIP; 9. Não consta da legislação qualquer dispositivo legal que proíba a empresa de efetuar o pagamento para o autônomo se este não estiver inscrito no INSS ou se não possuir inscrição no cadastro do PIS; 10. Assim, não tendo como obrigar aos autônomos que lhe prestam serviço o fornecimento de tais números ou comprovante de inscrição e, em sendo necessária a indicação de tais números para o preenchimento da GFIP fica a defendente na situação de não poder deixar de pagar o autônomo e também de estar impossibilidade de preencher a GFIP por absoluta falta de dados; 11. Portanto, estando impossibilitada de preencher a GFIP por falta de dados que não podendo obrigar ao autônomo a lhe fornecer os mesmos, de todo indevida é a aplicação da presente penalidade; 12. Por tais motivos e por tudo o mais que certamente será suprido pelo ilustre julgador, requer a Impugnante o cancelamento do lançamento. Diante dos argumentos da defesa, foram solicitados esclarecimentos à fiscalização, fl. 0115, sobre a suposta duplicidade citada na defesa. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 0126, posicionandose, em síntese, pela retificação parcial da autuação, no ano questionado pelo sujeito passivo. A Delegacia emitiu Despacho Decisório (DD), retificando o valor da autuação, declarando nulo os lançamento do ano 1999, com lavratura de outro lançamento (Debcad 5.672.7661), e reabrindo o prazo para defesa da recorrente, fls. 0128 a 0131. A recorrente apresentou nova impugnação, fls. 0143 a 0154, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que: 1. No caso em exame, os lançamentos representados, quer pela 35.672.262 7, quer pela autuação que deu origem a Fl. 403DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Resolução nº 2301000.387 S2C3T1 Fl. 5 4 este feito, nasceram eivados de vicio insanável, de vez que neles foram indicados fatos geradores jamais ocorridos, dai defluindo valores de tributos e multas manifestamente, infundados, indevidos, ilegais e em desacordo com a verdade material; 2. A conseqüência é a impossibilidade de a Administração sanar tais vícios essenciais por meio de revisão já que não se configura nenhuma das hipóteses do art. 149 do CTN sendo de rigor a anulação dos atos e produção de novos lançamentos, tanto para a exigência de multa, pela lavratura de novo auto de infração, quanto para a exigência do tributo supostamente devido, pela expedição de outra Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD); 3. Foi o que fez, em parte, a autoridade fiscal, ao expedir nova NFLD em setembro de 2004, em substituição á original; 4. Ocorre que, a esse tempo, já se operara a decadência em relação as contribuições supostamente devidas anteriormente a setembro de 1999, não podendo, em conseqüência, ser mantida a sua exigência e, tampouco, a autuação presente neste processo, correspondente ao crédito tributário decaído; 5. Os créditos constantes do lançamento por descumprimento de obrigação tributária principal já foram alcançados pela decadência, devendo ser aplicada a regra prevista no § 4º, Art. 150 do CTN; 6. Por tudo isso, preliminarmente, a entidade defendente impugna a exigência contida no despacho declaratório exarado neste processo, uma vez que representa a exigência de multa sobre crédito tributário já atingido pela decadência, além de, sob o aspecto formal, ser incabível a revisão do auto em lugar de sua anulação; 7. No mérito, a defendente se reporta à defesa já representada por ocasião da lavratura do auto uma vez que, na condição de entidade que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para gozar da imunidade de contribuições sociais previstas no art. 195 § 7° da CF, não está sujeita ao recolhimento dos mencionados tributos, sendo, portanto, impossível caracterizarse a infração que lhe é imputada pelo despacho de fls (a folha não foi citada); Fl. 404DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Resolução nº 2301000.387 S2C3T1 Fl. 6 5 8. Em face do exposto, requer seja dado provimento à. presente defesa e cancelada a exigência, com o conseqüente arquivamento dos autos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0179 a 0218, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, os motivos já eXpostos em sua defesa e: 1. No mérito, a recorrente, desde sua defesa, arguiu ser titular de imunidade, que lhe põe a salvo das contribuições exigidas na notificação, tributos esses que recolheu indevidamente, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 7º, da CF; 2. O Conselho de Contribuintes já reconheceu a recorrente como entidade imune, de sua qualidade de entidade imune, como se observa do acórdão proferido nos autos do processo 10875.000346/9803; 3. A decisão exarada entendeu, entretanto, que por não possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, de que trata o art. 55, II da Lei 8212/91, a recorrente não se enquadraria no referido preceito; 4. A decisão sustenta também, que o preenchimento dos requisitos do art. 14 do CTN não seriam aplicáveis à imunidade relativa a contribuições sociais a cargo do empregador; 5. Ao assim decidir, a autoridade administrativa põese em conflito com decisões pacificas do Supremo Tribunal Federal que está adstrita a observar; 6. Deve ser aplicado ao caso o determinado no Art. 14, do CTN, e não o determinado na Lei 8.212/1991; 7. A Lei 8.212/1991, no que tange à regulação de isenção de entidades beneficentes de assistência social, é inconstitucional, formal e materialmente; 8. Por todo o exposto, requer a recorrente seja dado provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e cancelar a autuação. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Resolução nº 2301000.387 S2C3T1 Fl. 7 6 A Quarta Câmara de Julgamento (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social decidiu converter o julgamento em diligência, para a solução de dúvidas, fls. 0324 a 0326, quanto ao recolhimento do extinto depósito prévio nos lançamentos. A Delegacia anexou documentos e emitiu posicionamento sobre as dúvidas do julgador, fls. 0327 a 0370, informando, em síntese, que, o sujeito passivo só obteve decisão favorável para se eximir do depósito prévio para o presente processo, o que não ocorreu com os lançamentos pro descumprimento de obrigação principal, motivo de seu trânsito em julgado administrativo. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Na análise dos autos, a Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que o sujeito passivo tivesse ciência da decisão do CRPS, fls. 0324 a 0326, da documentação anexada, do despacho elaborado, fls. 0327 a 0370, e da decisão pela conversão, concedendo prazo para a apresentação de novos argumentos, caso desejasse. A recorrente foi devidamente intimada, fls. 0308, e não apresentou novos argumentos, fls. 0384. É o Relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Resolução nº 2301000.387 S2C3T1 Fl. 8 7 Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto ás preliminares, há questão a ser esclarecida. Com os debates no colegiado, dúvidas surgiram a respeito dos fatos geradores que fundamentam essa autuação. Verificamos que os lançamentos, por descumprimento de obrigações principais, não foram analisados pela segunda instância, devido a necessidade de depósito recursal, medida banida da legislação, atualmente. Cabe ressaltar, também, que o Relatório Fiscal da autuação em questão, fls. 002, pouca informação traz a respeito dos fatos geradores. Portanto, para melhor esclarecimento sobre a questão, o colegiado decidiu pela necessidade de diligência, a fim de que se anexe a este processo cópias integrais dos lançamentos citados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), fls. 0100, e que seja dada ciência dessa resolução ao sujeito passivo, a fim de que este apresente argumentos, em trinta dias da ciência, caso deseje. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em converter o julgamento em diligência, nos termso acima. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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