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5119691 #
Numero do processo: 19515.000210/2008-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - FALTA DE INTERESSE DE AGIR. Em seu recurso especial a Fazenda Nacional defendeu que se aplica ao caso a regra do artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, devendo-se verificar, no momento da execução do julgado, qual norma é mais benéfica à autuada (se a multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35-A da Lei n° 8.212/91). Contudo, no caso inexiste penalidade lançada. Portanto, quanto à matéria, a Fazenda Nacional carece de interesse processual, de interesse de agir, na medida em que a tese suscitada não se aplica aos fatos verificados. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/2008­91  Acórdão n.º 9202­002.831  CSRF­T2  Fl. 244          2     (Assinado digitalmente)  Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente em exercício    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage – Relator  EDITADO EM: 16/08/2013  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres  (Presidente  em  exercício),  Gonçalo  Bonet  Allage,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de  Oliveira  e  Elias  Sampaio  Freire.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira  Susy  Gomes  Hoffmann.  Relatório  Em  face  do Município  de  São  Paulo  –  Secretaria Municipal  de  Educação,  CNPJ  n°  46.392.114/0001­25,  foi  lavrada  a  notificação  fiscal  de  lançamento  de  débito  n°  37.014.985­8  (fls.  01­32),  para  a  exigência  de  contribuição  previdenciária  correspondente  a  quinze  por  cento  sobre  o  valor  bruto  das  faturas  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  foram  prestados  pela  cooperativa  de  trabalho  denominada  Cooperativa  Paulista  de  Trabalho,  CNPJ  n°  51.561.819/0001­69,  nas  competências  08/2001  e  10/2001  a  12/2001.  Apreciando o  recurso voluntário  interposto pela empresa, a Terceira Turma  Ordinária  da  Quarta  Câmara  da  Segunda  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  proferiu  o  acórdão  n°  2403­00.368,  que  se  encontra  às  fls.  185­189,  cuja  ementa é a seguinte:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001  PRELIMINARMENTE.  DECADÊNCIA  PARCIAL  QUINQUENAL.  SÚMULA  VINCULANTE  N  8.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA.  TRIBUTO  SUJEITO  AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  APLICAÇÃO.  ART.150,  §  4º.  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL.  O  STF,  em  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  art.  45  da  Lei  n  º  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/2008­91  Acórdão n.º 9202­002.831  CSRF­T2  Fl. 245          3 8.212/1991.  Após,  editou  a  Súmula  Vinculante  nº  8,  publicada  em  20.06.2008,  nos  seguintes  termos:“São  inconstitucionais  os  parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos  45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência  de crédito tributário”.  Nos  termos do art.  103­A da Constituição Federal, as Súmulas  Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir  de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual e municipal.  Tratando­se  de  contribuição  social  previdenciária,  tributo  sujeito ao lançamento por homologação, aplica­se a decadência  do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.  REGIMENTO  INTERNO DO CARF. ART.62­A. VINCULAÇÃO  À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N  973.733/SC.  TRIBUTO  SUJEITO  AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  OBRIGATORIEDADE  DE  RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173,  I, CTN.  Considerando  a  exigência  prevista  no  Regimento  Interno  do  CARF no art.  62­A,  esse Conselho deve  reproduzir as decisões  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  proferidas  em  conformidade  com  o  art.543­C  do  Código  de  Processo  Civil,  no  caso  de  decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o  RESP  n  973.733/SC  decidiu  que  o  art.  150,  §  4º  do  Código  Tributário Nacional  só  seria aplicada quando  fosse constada a  ocorrência  de  recolhimento,  caso  contrário,  seria  aplicado  o  art.173, I, do Código Tributário Nacional.  COOPERATIVAS  DE  TRABALHO.  CONTRATANTE.  CONTRIBUINTE.  Incidem contribuições previdenciárias na prestação de  serviços  por intermédio de cooperativas de trabalho.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  A  decisão  recorrida,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  a  decadência  até  as  competências  11/2001  e  13/2001,  com  base  no  artigo  173,  inciso  I,  do  CTN.  No  mérito,  por  maioria  de  votos,  deu  provimento  parcial  ao  recurso determinando o  recálculo da multa de mora, de acordo com a  redação dada pela Lei  11.941/2009  ao  artigo  35,  caput,  da  Lei  8.212/91,  prevalecendo  a  mais  benéfica  ao  contribuinte.  Vencido  na  questão  da  multa  de  mora  o  conselheiro  Paulo Mauricio  Pinheiro  Monteiro.  Intimada do acórdão em 19/04/2011 (fls. 187), a Fazenda Nacional  interpôs  recurso especial às  fls. 190­203, acompanhado dos documentos de fls. 204­207, cujas  razões  podem ser assim sintetizadas:  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/2008­91  Acórdão n.º 9202­002.831  CSRF­T2  Fl. 246          4 a) Com  relação  à  incidência  do  artigo  35­A  da  Lei  n°  8.212/91,  há  nítida  divergência  entre  a  decisão  recorrida  e  os  acórdãos  nos  2301­00.283  e  2401­00.120;  b) Cumpre observar que os acórdãos indicados como paradigma, assim como  o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP n° 449, de  03/12/2008,  convertida na Lei  n°  11.941  de  27/05/2009,  e,  portanto,  a  análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art.  35 da Lei n°8.212/91;  c) Insta  aqui  consignar  que  a  hipótese  em  análise  no  acórdão  paradigma  é  idêntica  a  que  ora  se  reporta.  Isso  porque  o  que  se  encontrava  em  julgamento  era  o  lançamento  de  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social  e  se  travou  discussão  acerca  da  retroatividade  benigna,  nos  termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela  Lei n° 11.941/2009 (fruto da conversão da MP n° 449/2008) no art. 35  da Lei n°8.212/91;  d) Contudo,  embora  diante  de  situações  semelhantes,  os  órgãos  julgadores  prolatores do acórdão recorrido e do paradigma encamparam conclusões  diversas  acerca  da  aplicação  e  interpretação  da  norma  jurídica,  em  especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada  pela MP n° 449/2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009)  e do art. 35­A da Lei n°8.212/1991. Ao examinar a matéria pertinente à  multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao  caso  a  retroatividade  benigna,  sob  o  fundamento  de  que  o  artigo  35,  caput, da Lei n° 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a  atual redação emprestada pela Lei n° 11.941/2009;  e) Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os  órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria  agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009,  qual seja, o art. 35­A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n°  9.430/96. No  julgado paradigma, a aplicação da  retroatividade benigna  na forma de aplicação do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 (norma à qual a  atual  redação  do  caput  do  art.  35  com  a  redação  dada  pela  Lei  n°  11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa;  f) Dessa  forma,  uma  vez  evidenciada  a  divergência  jurisprudencial  no  que  toca  ao  diploma  legal  a  reger  a  aplicabilidade  da  multa  no  caso  em  testilha,  passa­se  a  demonstrar  doravante  as  razões  pelas  quais merece  ser  adotado  o  entendimento  exarado  no  paradigma,  reformando­se,  assim, o v. acórdão ora recorrido;  g) O  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91  na  nova  redação  conferida  pela MP  n°  449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de  forma isolada do contexto legislativo no qual esta inserido, sobretudo de  forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449  à legislação previdenciária;  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/2008­91  Acórdão n.º 9202­002.831  CSRF­T2  Fl. 247          5 h) Para  a  solução  destes  questionamentos,  deve­se  lembrar  que  "não  se  interpreta  o  Direito  em  tiras,  aos  pedaços.  (...)  um  texto  de  direito  isolado,  destacado,  desprendido  do  sistema  jurídico,  não  expressa  significado normativo algum";  i)  Nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da  conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a  redação do artigo 35,  introduziu na Lei de Organização da Previdência  Social  o  artigo  35­A,  a  fim  de  instituir  uma  nova  sistemática  de  constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais  de forma similar a sistemática aplicável para os demais tributos federais;  j)  A  redação  do  art.  35­A  é  clara.  Efetuado  o  lançamento  de  ofício  das  contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91,  deverá  ser  aplicada  a multa  de  ofício  prevista  no  artigo  44  da  Lei  n°  9.430/96;  k) Assim,  à  semelhança  do  que  ocorre  com  os  demais  tributos  federais,  verificado  que  o  contribuinte  não  realizou  o  pagamento  ou  o  recolhimento  do  tributo  devido,  cumpre  a  fiscalização  realizar  o  lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no  artigo 44 da Lei n° 9.430/96;  l)  Por  outro  lado,  como  sói  ocorrer  com  os  demais  tributos  federais,  a  incidência da multa de mora ocorrerá naqueles  casos  expressos no  art.  61  da  Lei  n°  9.430/96.  Ou  seja,  nas  hipóteses  em  que  o  contribuinte  incorreu  na  mora  e  efetuou  o  recolhimento  em  atraso,  de  forma  espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio  no art. 149 do CTN;  m) Assim,  no  lançamento  de  ofício,  diante  da  falta  de  pagamento  ou  recolhimento do  tributo e/ou falta de declaração ou declaração  inexata,  são  exigidos,  além  do  principal  e  dos  juros  moratórios,  os  valores  relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de  ofício. A multa de ofício  será aplicada quando  realizado o  lançamento  para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora,  por  sua  vez,  ficará  reservada  para  aqueles  casos  nos  quais  o  sujeito  passivo,  extemporaneamente,  realiza  o  pagamento  ou  o  recolhimento  antes do procedimento de ofício (ou seja, espontaneamente — o que não  foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições  previdenciárias,  em  razão  do  advento  da  MP  n°  449  de  2008,  posteriormente convertida da Lei n° 11.941/09. É o que se percebe pela  simples leitura do art. 35­A da Lei n° 8.212;  n) Logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratando­se de  lançamento de ofício, considerando­se que não houve o recolhimento ou  pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no  art. 44 da Lei n° 9.430/96;  o) A  multa  de  mora,  diante  da  novel  sistemática,  tanto  no  microssistema  previdenciário,  quanto  de  acordo  com  a  disciplina  da  Lei  n°  9.430  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/2008­91  Acórdão n.º 9202­002.831  CSRF­T2  Fl. 248          6 aplicável  em  relação aos demais  tributos  federais,  não  terá  lugar nesse  lançamento  de  ofício.  A  multa  de  mora  e  a  multa  de  ofício  são  excludentes  entre  si.  E  deve  prevalecer,  na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  configurada  a  falta  ou  recolhimento  do  tributo  e/ou  a  falta  de  declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da  Lei n° 9.430/96, diante da literalidade do art. 35­A;  p) Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a  multa de mora prevista  no  art.  35,  da Lei n° 8.212/91 em sua  redação  antiga  (revogada)  está  inserida  em  sistemática  totalmente  distinta  da  multa de mora prescrita  no  art.  61 da Lei n° 9.430/96. Logo, por  esse  motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN,  pois,  para  a  interpretação  e  aplicação  da  retroatividade  benigna,  a  comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em  relação à mesma penalidade;  q) Como  conclusão,  para  se  averiguar  sobre  a  ocorrência  da  retroatividade  benigna  no  caso  concreto,  a  comparação  entre  normas  deve  ser  feita  entre o art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o  art. 35­A da LOPS;  r) A  tese  encampada  pelo  acórdão  recorrido  no  sentido  de  que  há  retroatividade  benigna  em  razão  do  advento  da  MP  n°  449/2008  (convertida na Lei n° 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35  da  Lei  n°  8.212/91,  portanto,  não merece  prevalecer,  pois  a  forma  de  cálculo  ali  defendida  somente  pode  ser  utilizada  no  caso  em  que  o  contribuinte  incorreu  na  mora  e  efetuou  o  recolhimento  em  atraso  espontaneamente.  Na  espécie,  não  houve  recolhimento  espontâneo  do  tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a  aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária;  s) O  lançamento  em  testilha  deve  ser  mantido,  com  a  ressalva  de  que,  no  momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a  norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada)  ou o art. 35­A da Lei n°8212/1991, introduzido pela Lei n°11.941/2009;  t)  Requer  (a)  seja  conhecido  o  presente  recurso,  face  à  observância  aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos  art.  67,  do  Anexo  H,  do  Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n" 256, de 22  de  junho  de  2009;  (b)  seja  dado  total  provimento  ao  presente  recurso,  para  reformar  o  acórdão  recorrido  no  ponto  em  que  determinou  a  aplicação  do  art.  35,  caput,  da  Lei  n°  8.212/91  (na  atual  redação  conferida pela Lei n° 11.941/2009), em detrimento do art. 35­A, também  da Lei n° 8.212/91, devendo­se verificar, na execução do  julgado, qual  norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada)  ou a do art. 35­A da Lei n°8.212/91.  Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 2400­284/2011 (fls. 208­ 212),  a  contribuinte  foi  intimada  e  não  se  manifestou,  conforme  informou  a  repartição  de  origem às fls. 216.  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/2008­91  Acórdão n.º 9202­002.831  CSRF­T2  Fl. 249          7 É o Relatório.  Voto             Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator  Sob minha ótica,  o Recurso Especial  interposto  pela Fazenda Nacional não  pode ser conhecido, pois não há interesse de agir.  Reitero  que  o  acórdão  proferido  pela  Terceira  Turma  Ordinária  da  Quarta  Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, acolheu a decadência para os  fatos ocorridos até as competências 11/2001 e 13/2001, com fundamento no artigo 173, inciso  I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso com relação à  multa, determinando o recálculo com base na redação dada pela Lei n° 11.941/2009 ao artigo  35, caput, da Lei n° 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.  A  insurgência da recorrente está  relacionada à penalidade e sua pretensão é  no sentido de que se aplique ao caso a  regra do  artigo 35­A da Lei n° 8.212/91, devendo­se  verificar,  no momento  da  execução  do  julgado,  qual  norma  é mais  benéfica  à  autuada  (se  a  multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35­A da Lei n°  8.212/91).  Contudo, no caso, o lançamento está desacompanhado de multa, conforme se  pode observar às fls. 01­02.  Tal fato foi assim explicado pela autoridade lançadora (fls. 39):  3.22.  Cabe  lembrar  que  no  caso  de  infração  ao  dispositivo  da  legislação  previdenciária,  a  responsabilidade  pelo  pagamento  da  multa  é  pessoal  do  dirigente,  em  relação  ao  respectivo  período  de  gestão,  conforme  artigo  41  da  Lei  n°  8.212  de  24/07/1991  c/c  com  o  artigo  283,  §  1°  e  artigo  289  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n° 3.048 de 06/05/1999.  Portanto,  a  tese  defendida  pela  Fazenda  Nacional  não  se  aplica  aos  fatos  verificados neste feito, já que inexiste multa lançada.  Conseqüentemente,  a  recorrente  não  tem  interesse  processual,  interesse  de  agir, de modo que sua insurgência não pode sequer ser conhecida.  Voto, pois, no sentido de não conhecer do recurso.    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage              Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 19515.000210/2008­91  Acórdão n.º 9202­002.831  CSRF­T2  Fl. 250          8                   Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE

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5156847 #
Numero do processo: 10882.902858/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     2  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda  (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto  Gonçalves Pereira.  Relatório  A contribuinte SPS SUPRIMENTOS PARA INDUSTRIA LTDA. se insurge  no  presente  Recurso  Voluntário  contra  o  Acórdão  nº  05­32.847,  proferido  em  primeira  instância  pela  3ª  TURMA  DA  DELEGACIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DE  JULGAMENTO EM CAMPINAS  – DRJ/CPS,  que  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade  apresentada,  negando  o  direito  creditório  pleiteado  e  indeferindo  a  compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo:   “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Ano­calendário 2004  DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS.  Correto  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo  contribuinte  por  insuficiência  de  direito  creditório,  tendo  em  vista  a  não  localização  do  recolhimento  alegado  como  origem  do  credito.  O  reconhecimento  do  direito  creditório  aproveitado  em  DCOMP  não  homologada  requer  a  prova  de  sua  existência  e montante.  Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado  aos autos elementos que permitam a verificação da existência de  pagamento  indevido  ou  a maior,  o  direito  creditório  não  pode  ser admitido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da  análise  da  Manifestação  de  Inconformidade  pela  3ª  TURMA  DA  DELEGACIA  DA  RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS – DRJ/CPS, toma­ se de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância:   “Trata­se  de  Despacho  Decisório  que  não  homologou  Declaração de Compensação eletrônica.  Na fundamentação do ato, consta:  Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado,  não  foi  confirmada  a  existência  do  credito  informado,  pois  o  DARF  (...)  discriminado  no  PER/DCOMP  ,  não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.   (...)  Diante  da  existência  do  credito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.”   Cientificada,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  alegando, em síntese, que houve equivoco no preenchimento do campo relativo ao documento  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10882.902858/2008­41  Acórdão n.º 3802­001.781  S3­TE02  Fl. 112          3 de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o  valor do DARF, teria informado o valor do credito que possuiria. Após, relata os valores que  teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como  indébito.  Ao  fim  requer  a  homologação  da  compensação  por  força  da  existência  do  credito  reivindicado.  Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração  e na qual estaria evidenciado o credito requerido.”  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância,  o  sujeito  passivo  interpôs  o  Recurso  Voluntário  alegando  como  razões  para  homologação  do  pedido  de  compensação  objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de  pagar o  tributo  e a  acessória de  informar,  e  a  comprovação cabal de  ter  recolhido  a maior o  valor do tributo compensado.  É o relatório.   Voto             Tempestivamente  interposto e atendidos os  requisitos de admissibilidade do  Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais.  Compulsando  os  autos,  constata­se  que  a  Recorrente  busca  reformar  a  decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através  da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como  se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário.  Consoante  defendido  pela  interessada,  a  transmissão  de  DCTF  retificadora  para correção do montante devido a  título de COFINS em função da equivocada  inclusão na  apuração  do  tributo  de  peças  tributadas  pela  contribuição  à  alíquota  zero,  seria  conduta  suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado.  Ocorre  que,  como  já  assentado  pela  autoridade  julgadora  a  quo,  a  simples  transmissão  de  declaração  retificadora  com  redução  do  valor  do  débito  anteriormente  confessado,  não  é  documentação  hábil  para  legitimar  a  compensação  efetuada,  sendo  necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e  de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora.  De  acordo  com  o  sujeito  passivo,  o montante  realmente  devido  a  título  de  Cofins foi consignado na DCTF retificadora.  De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o  sujeito  passivo  tem  a  possibilidade  de  retificar  sua  DCTF  antes  que  seja  iniciado  qualquer  procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por  ela praticado.  Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente  será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento,  conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN:  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     4  Art.  147 O  lançamento  é  efetuado  com  base  na  declaração  do  sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  da  própria  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  Em  que  pese  a  referência  do  dispositivo  legal  citado  à  declaração  de  prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admite­se, por analogia, sua aplicação  quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como  assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona:   “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por  homologação.  Tendo­se  em  conta  que  a  quase  totalidade  dos  tributos,  atualmente,  sujeitam­se  a  lançamento  por  homologação  vinculados  a  obrigações  acessórias  de  prestar  declarações  ao  Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente  da  retificação  de  tais  declarações,  o  §1º  do  art.  147,  tem  sido  bastante  invocado  e  aplicado para  definir  o marco  até  quando  pode  o  contribuinte  retificar  suas  declarações  livremente,  com  eficácia  imediata  e.  a  contratrio  sensu,  a  partir  de  quando  o  contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de  apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente  prestada, considere as retificações” (...)   (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código  Tributário  à  luz  da  doutrina  e  da  jurisprudência,  12ª  edição,  Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026)  Resta  claro,  portanto,  que  acarretando  a  redução  de  tributo,  a  admissão  da  retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado  na  aludida  redução  (o  contribuinte  que  promove  a  retificação),  sendo,  no  entanto,  excepcionalmente  admitida  sua  retificação  após  o  início  do  procedimento  revisional  em  privilégio  ao  princípio  da  verdade material,  conforme  decidido  já  iteradamente  por  esta  Eg.  Turma Especial, em consonância com todo o CARF.  Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o  crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado  para compensação.  Todavia, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, nota­se  que o Recorrente juntou aos autos apenas, à época de sua manifestação de inconformidade, a  DCTF retificadora e o DARF quitando o valor originalmente indicado na DCTF retificada. No  entanto, carece de demonstração efetiva da materialidade do crédito.  Insta  salientar  que  a  simples  transmissão  de  declaração  retificadora  com  redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a  compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro  no preenchimento da DCTF e de que o valor da Cofins era efetivamente devido.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10882.902858/2008­41  Acórdão n.º 3802­001.781  S3­TE02  Fl. 113          5 Tal  se dá pelo  simples  fato de que o processo  administrativo de  revisão da  compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero  retificador de DCTF após o  prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal  aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade.  Vale  frisar,  sem  embargo,  que no  que  tange  ao  instituto  da  compensação  é  ônus  do  sujeito  passivo  demonstrar,  mediante  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas,  a  composição  e  a  existência  do  crédito  pleiteado  junto  à  Fazenda  Nacional,  para  que  sejam  aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN.  Neste  espeque,  repise­se  que  a  Recorrente  não  acostou  aos  autos  documentação  suficiente  para  comprovação  de  que  houve  erro  na  composição  da  base  de  cálculo da Cofins declarada na DCTF originária.  Por  consequência,  tampouco  restou  comprovado  o  direito  creditório  pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo, que  reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora.  Assim  sendo,  não  há  fundamentos  para  que  se  aceite  agora  a  retificação  extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente.  Logo,  tendo disposto de  todas  as oportunidades  para  comprovar  seu direito  creditório, e não o fazendo no momento devido, limitando­se a Recorrente em trazer arguições  perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do  direito  creditório  pleiteado,  e,  por  conseguinte,  da  compensação  declarada,  deve  ser  negado  provimento ao Recurso Voluntário ora analisado.  Conclusão  Pelo  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  NEGAR­LHE  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA

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Numero do processo: 14479.000224/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, levando em consideração que as contribuições sociais incidem sobre o total das remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais, restringido a ação fiscal apenas a uma rubrica (“bolsa de estudos”), não há como negar a existência de pagamento parcial. Logo, na hipótese deve incidir a norma estabelecida no art. 150, §4° do CTN. VÍCIO FORMAL MPF - INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. São devidas as contribuições previdenciárias patronais a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento ao recurso de ofício para que a decadência seja aplicada com base no artigo 150,§ 4º do Código Tributário Nacional e excluídas do lançamento as competências até 06/2001, inclusive. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi (Relatora), que negaram provimento ao Recurso de Ofício. Designada para fazer o voto divergente a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, que apresentará Declaração de Voto por entender que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de abono educação. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 507          1 506  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14479.000224/2007­94  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  2302­002.412  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de abril de 2013  Matéria  Salário Indireto: Educação  Recorrentes  FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO              DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2006  Ementa:  DECADÊNCIA.   O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou  inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando­se  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  que  é  o  caso  das  contribuições  previdenciárias,  devem  ser  observadas  as  regras  do  Código  Tributário Nacional ­ CTN.   Assim, levando em consideração que as contribuições sociais incidem sobre o  total  das  remunerações  pagas  aos  empregados  e  contribuintes  individuais,  restringido  a  ação  fiscal  apenas  a uma  rubrica  (“bolsa de  estudos”),  não há  como negar a existência de pagamento parcial. Logo, na hipótese deve incidir  a norma estabelecida no art. 150, §4° do CTN.   VÍCIO FORMAL MPF ­ INOCORRÊNCIA  A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  após  a  expiração  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  não  acarreta  a  nulidade do lançamento.  AFERIÇÃO INDIRETA  Em caso de  recusa ou sonegação de qualquer  informação ou documentação  regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá  inscrever de ofício a  importância que reputar devida, cabendo à empresa ou  contribuinte o ônus da prova em contrário.  ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO.  São  devidas  as  contribuições  previdenciárias  patronais  a  partir  da  decisão  definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção.  SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 02 24 /2 00 7- 94 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     2 Incidem  contribuições  previdenciárias  sobre  a  remuneração  atribuída  ao  empregado em desacordo com as previsões de não  incidência contidas no §  9º do art. 28 da Lei 8.212/91.  Recurso de Ofício Provido  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da  Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar  provimento ao recurso de ofício para que a decadência seja aplicada com base no artigo 150,§  4º  do  Código  Tributário  Nacional  e  excluídas  do  lançamento  as  competências  até  06/2001,  inclusive.  Vencidos  os  Conselheiros  Arlindo  da  Costa  e  Silva  e  Liege  Lacroix  Thomasi  (Relatora),  que  negaram  provimento  ao  Recurso  de  Ofício.  Designada  para  fazer  o  voto  divergente a Conselheira  Juliana Campos de Carvalho Cruz. Por maioria de votos, em negar  provimento ao  recurso voluntário, vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, que  apresentará  Declaração  de  Voto  por  entender  que  não  integra  o  salário  de  contribuição  a  parcela paga a título de abono educação.     Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta    Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Designada    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liege  Lacroix  Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Andre  Luiz  Marsico  Lombardi  ,  Manoel  Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.  Fl. 531DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 508          3   Relatório  Trata  a  presente  notificação  lavrada  em  17/07/2006,  com  ciência  pelo  sujeito  passivo  em  19/07/2006,  de  contribuições  previdenciárias  relativas  a  parte  dos  segurados  referentes a bolsas de estudo concedidas aos empregados, no período de 01/1999 a 03/2006.  Após a impugnação os autos baixaram em diligência para que a fiscalização  elaborasse  relatório  aditivo,  já  que  não  constava  do  original  a  fundamentação  legal  que  sustentasse a aferição indireta, sendo reaberto prazo para manifestação de quinze dias.  A  recorrente  foi  cientificada  e  se  manifestou  pelo  cerceamento  de  defesa,  posto que o prazo deveria ter sido de trinta dias.  Aceita  a manifestação  da  notificada,  foi  reaberto  prazo  de  defesa  de  trinta  dias.   Novamente  houve  aditamento  à  defesa  e  Acórdão  de  fls.  343/357,  julgou  a  exação procedente em parte para excluir as competências até 11/2000, em vista da decadência  e da exclusão parcial de valores relativos a bolsas de estudo, pagas aos segurados empregados.  Em vista da desoneração do crédito foi interposto o presente recurso de ofício,  sem  qualquer  comunicação  e  abertura  de  prazo  para  interposição  do  recurso  voluntário  pelo  contribuinte.  Resolução de fls. 372/373, converteu o julgamento em diligência para que fosse  dada  ciência  ao  contribuinte  do  Acórdão  exarado  na  1ª  instância  e  aberto  prazo  para  apresentação de recurso voluntário, onde o contribuinte argúi em síntese:  a)  a nulidade do lançamento porque a foi cientificado da NFLD  após a expiração do MPF;  b)  a  nulidade  do  lançamento  porque  inexiste  dispositivo  legala  sustentar a contribuição sobre bolsas de estudo;  c)  a nulidade do lançamento epla falta de motivação;  d)  que  não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  bolsas  de  estudo, conforme jurisprudência do STJ e do CARF;  e)  que todos os empregados tinham acesso às bolsas de estudo e  por ser estabelecimento de ensino é natural que forneça bolsas  a seus empregados;  f)  que  as  bolsas  de  estudo  fornecidas  por  força  de  convenção  coletiva de trabalho não integram o salário de contribuição;  g)  que  seus  documentos  são  idôneos,  foram  apresentados,  não  cabendo o arbitramento na forma do artigo 148, do CTN;  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     4 h)  que  a  decadência  deve  ser  aplicada  com  base  no  artigo  150  §4º  do CTN,  pois  houve  recolhimento  na  rubrica  segurados,  relativamente à folha de pagamento;  i)  que estão decadentes as competências até 06/2001.  Por fim, faz considerações acerca da sua condição de entidade beneficente de  assistência  social,  para  dizer  que  independentemente  da  existência  de  ato  cancelatório,  o  colegiado  deveria  examinar  detalhadamente  o  caso  da  recorrente.  Requer  a  nulidade  da  notificação e que as intimações sejam feitas exclusivamente no endereço de seu patrono.  Cumprida a diligência, os autos retornaram a este Colegiado para apreciação de  ambos os recursos, de ofício e voluntário.  É o relatório.  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 509          5     Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi  O  recurso  voluntário  cumpriu  com  o  requisito  de  admissibilidade,  frente  à  tempestividade, devendo ser conhecido e examinado.  Das Preliminares   A  recorrente alega a nulidade do  lançamento porque  teve ciência da NFLD  quando o Mandado de Procedimento Fiscal estava extinto.  Esclareço  à  recorrente que  a  ciência da notificação  fiscal  de  lançamento de  débito ter ocorrido após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal –  MPF, não é causa da nulidade do lançamento eis que o mesmo ocorreu quando o MPF ainda  estava  válido.  A  ciência  da  notificação  ao  sujeito  passivo  não  pode  ser  confundida  com  o  lançamento do crédito previdenciário, que foi efetuado dentro do prazo estipulado pelo MPF.  Ademais,  o  Enunciado  N. 25,  conforme  Resolução  MPS/CRPS  n.  01,  que  transcrevo a seguir, se presta para dirimir a questão:  RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006 – DOU de 06/03/2006  Edita  o  enunciado  n.  25  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência Social  A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em  matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 ,  inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003,  publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no  artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 ­  Regimento  Interno  do  CRPS  –  e  cumprindo  deliberação  do  Conselho  Pleno  em  reunião  realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve:  Editar o seguinte enunciado:  Enunciado N. 25  A notificação do  sujeito  passivo  após  o  prazo  de  validade  do Mandado de  Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento.  Não  houve  desobediência  ao  princípio  da  legalidade,  no  que  se  refere  à  ausência  de descrição  dos  fatos  geradores  no  relatório  fiscal,  que  explicita  claramente  que  a  notificação  se  refere  ao  pagamento  de  bolsas  de  estudo  sem  a  comprovação  de  que  estão  abrigadas  no  artigo  28,  parágrafo  9º  da  Lei  n.º  8.212/91.  O  relatório  aditivo  trouxe  a  fundamentação  legal  da  aferição  indireta  e  retificou  o  lançamento  frente  aos  documentos  apresentados  por  ora  da  defesa  e  que  não  tinha  sido  feito  quando  da  auditoria  fiscal.  O  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     6 contribuinte foi cientificado do novo relatório e foi reaberto o prazo de defesa, por duas vezes,  oportunizando­lhe trazer suas razões em estrita observância do princípio da legalidade.   O Relatório Fiscal de fls. 72/75 e o Relatório Complementar de fls. 165/167,  obedeceram  aos  preceitos  contidos  nos  artigos  10  e  11  do  Decreto  n.º  70.235/72,  dizendo  explicitamente quais os fatos geradores constantes do levantamento, não se sustentando a tese  de que o relatório deixou de discriminar o fato gerador do lançamento:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do notificado;  II ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou  impugnação;  III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;  IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem  fatos novos, assegurando­lhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório,  nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  III  ­  por  edital,  quando  resultarem  improfícuos  os  meios  referidos nos incisos  I e  II.  (Vide Medida Provisória nº 232, de  2004)  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 510          7   A  decisão  recorrida  também  atendeu  às  prescrições  que  regem  o  processo  administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa  dos  fundamentos  e  se  revestiu  de  todas  as  formalidades  necessárias.  Não  contém,  portanto,  qualquer vício que suscite  sua nulidade, passando,  inclusive,  pelo  crivo do Egrégio Superior  Tribunal de Justiça:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).    “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SERVIDOR  PÚBLICO  INATIVO.  JUROS  DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ.  1.  Não  há  nulidade  do  acórdão  quando  o  Tribunal  de  origem  resolve  a  controvérsia  de  maneira  sólida  e  fundamentada,  apenas não adotando a tese do recorrente.  2. O  julgador  não  precisa  responder  a  todas  as  alegações  das  partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar  a decisão, nem está obrigado a ater­se aos fundamentos por elas  indicados “. (RESP 946.447­RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma  – DJ 10/09/2007 p.216)  Portanto,  em  razão  do  exposto  e  nos  termos  das  regras  disciplinadoras  do  processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos  atos praticados:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Quanto  à  decadência,  tenho  que  o  levantamento  refere­se  a  cota  dos  segurados  incidente  sobre  valores  pagos  a  título  de  bolsas  de  estudo,  nas  competências  de  01/1999 a 03/2006. Decisão de primeira instância, baseada no relatório aditivo de fls. 165/167,  retificou o crédito lançado para excluir período decadente até 11/2000, com base no artigo 173,  I  do  Código  Tributário  Nacional  e  as  bolsas  de  estudo  que  foram  pagas  de  acordo  com  a  legislação, conforme planilha de fls. 168/170.  Com  efeito,  a  decadência  deve  ser  aplicada  com  base  no  artigo  173,  I  do  Código Tributário Nacional.  As  contribuições  previdenciárias  são  tributos  lançados  por  homologação  e  assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     8 antecipado,  observar­se­á  a  regra  de  extinção  prevista  no  art.  156,  inciso  VII  do  CTN.  Entretanto,  somente  se  homologa  pagamento,  caso  esse  não  exista,  não  há  o  que  ser  homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o  crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha  ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do  CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173,  inciso  I,  independentemente de  ter havido o pagamento antecipado.  No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado  nesta notificação (bolsas de estudo), assim, aplica­se o artigo 173, I do CTN, estando correta a  exclusão das competências até 11/2000, inclusive:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Do Mérito  A questão de mérito reside no fato dos valores pagos para custear bolsas de  estudo integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente.  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  nestas palavras:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  A matéria  de  ordem  tributária  é  de  interesse  público,  por  isso  é  a  lei  que  determina  as  hipóteses  em  que  valores  pagos  aos  empregados  não  integram  o  salário  de  contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais.   A  retribuição  em  virtude  de  um  contrato  de  trabalho  está  no  campo  de  incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 511          9 incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória  ou  assistencial,  tais  verbas  estão  arroladas  no  art.  28,  §  9º  da  Lei  n  °  8.212/1991,  nestas  palavras:  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10/12/97)  b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97,  e  de  6  a  9  acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;  2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;  3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;  4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;  5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT;  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;     8. recebidas a título de licença­prêmio indenizada;   9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984;   Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     10 f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10/12/97)  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10/12/97)  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 512          11 s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Portanto,  a  verba  relativa  a  bolsas  de  estudo  para  estar  fora  do  campo  de  incidência das contribuições previdenciárias, precisa cumprir os requisitos descritos na letra “t”  do parágrafo 9º do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91.  Quando  da  ação  fiscal,  a  recorrente  não  logrou  comprovar  que  os  valores  pagos a título de bolsas de estudo se subsumiam à condições impostas na legislação para serem  excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias e por este motivo, todo o valor  da rubrica serviu de base de incidência contributiva.   Contudo após a impugnação e frente a documentos juntados, o fisco através  de diligência efetuada, retificou o lançamento para excluir os valores pagos a título de bolsas  de estudo de acordo com a legislação vigente.  A  interpretação  para  exclusão  de  parcelas  da  base  de  cálculo  é  literal.  A  isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo,  interpreta­se  literalmente  a  legislação  que  disponha  sobre  esse benefício  fiscal,  conforme prevê  o Código  Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  Onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei  estender a interpretação, sob pena de violar­se os princípios da reserva legal e da isonomia.   A  Lei  n  °  10.243/2001  alterou  a  CLT,  mas  não  interferiu  na  legislação  previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 refere­se ao salário para efeitos  trabalhistas,  para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de salário­de­contribuição, com  Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     12 definição  própria  e  possuindo  parcelas  integrantes  e  não  integrantes.  As  parcelas  não  integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já  referido.  Ademais  a  Constituição  Federal,  em  seu  art.  201,  parágrafo  4º  –  hoje  transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15  de dezembro de 1998 – determina, expressamente:  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. [sem grifos no original]  De  acordo  com  a  disposição  constitucional,  "todos  os  ganhos  habituais”,  à  qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o salário­de­contribuição. Significa  dizer que,  além dos pagamentos diretos,  abrange  também os  salários  indiretos  (utilidades ou  salário in natura), não importando a forma ou título.  O  salário,  para  todos  os  efeitos  legais,  inclui  alimentação,  habitação,  vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume,  fornecer habitualmente ao empregado.  No caso em tela, o oferecimento de bolsas de estudo aos funcionários é sem  dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançá­la teriam que arcar com o respectivo  ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o  mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino.  Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação em  desacordo  com  a  legislação,  ou  seja,  que  não  está  adequada  ao  expresso  no  §9º,  letra”t”  do  artigo  28  da  Lei  n.º  8;212/91,  possui  natureza  remuneratória.  Tal  ganho  ingressou  na  expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação  de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho.  Como visto, estando no campo de  incidência do conceito de remuneração e  não  estando  adequada  à  dispensa  legal  da  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  as  parcelas pagas a título de bolsas de ensino no período remanescente do lançamento, conforme  já analisado, deve persistir.   Vale  ressaltar  ainda  que,  mesmo  que  porventura  se  ventile  a  hipótese  de  validação  trabalhista de negociação coletiva que atribua natureza  jurídica diversa à verba em  questão, como as contribuições previdenciárias  são  tributos e por  isso,  sujeitas à  regência do  CTN, cabe mencionar o art. 123:  Art.123  ­  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.   Diante  da  normatividade  susoelencada,  infere­se  que  os  contratos  firmados  entre  as  partes,  inclusive  os  coletivos,  não  possuem  força  vinculante  para  o  Fisco,  pois  os  mesmos  só  criam  regras  válidas  para  os  convenentes,  não  para  um  terceiro,  in  casu,  a  Previdência  Social,  principalmente  em  face  do  princípio  da  indisponibilidade  do  crédito  tributário.  Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 513          13 No que se  refere à aferição  indireta, a mesma foi utilizada no  levantamento  porque  conforme  explicitado  no  relatório  fiscal,o  contribuinte  não  demonstrou,  durante  a  auditoria,  para  quem  eram  pagas  as  verbas  relativas  a  bolsas  de  ensino,  se  eram  disponibilizadas  a  empregados  e  a  dirigentes  e  se  eram  relativas  à  qualificação  profissional,  educação  básica  ou  ensino  superior.  Tais  informações  foram  prestadas  posterior  e  parcialmente, o que levou à retificação do crédito lançado.  A  contribuição  previdenciária  é  espécie  tributária  cuja  modalidade  de  lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150  do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  competindo  a  esta,  posteriormente,  conferir  o  procedimento  e  homologá­lo.  No  âmbito  da  Receita  Federal  do  Brasil, o Auditor­Fiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como  outros  elementos  subsidiários,  e,  com  estes  elementos  postos  a  sua  disposição,  verifica  se  o  lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologando­o.   Em caso de  recusa ou sonegação de qualquer  informação ou documentação  regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a  importância  que  refutar  devida,  cabendo  à  empresa  ou  contribuinte  o  ônus  da  prova  em  contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como,  aferir  indiretamente  a  contribuição  previdenciária  devida  e  lançá­la  de  ofício,  encontra  embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são  corolários:    CTN  "Art.  148. Quando  o  cálculo  do  tributo  tenha  por  base,  ou  em  consideração,  o  valor  ou  preço  de  bens,  direitos,  serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial."  Lei 8.212/91  "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo  único do art. 11, bem como as contribuições  incidentes a  título  de  substituição;  e  à  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d"  e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos,  na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e  aplicar  as  sanções  previstas  legalmente.  (Redação  alterada  pela  Lei nº 10.256/01)  (...)  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     14 § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  do  Seguro  Social­INSS  e  o  Departamento  da  Receita  Federal­ DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou  ao segurado o ônus da prova em contrário.    §  4º  Na  falta  de  prova  regular  e  formalizada,  o  montante  dos  salários pagos pela execução de obra de  construção civil  pode  ser  obtido  mediante  cálculo  da  mão­de­obra  empregada,  proporcional  à  área  construída  e  ao  padrão  de  execução  da  obra,  cabendo  ao  proprietário,  dono  da  obra,  condômino  da  unidade imobiliária ou empresa co­responsável o ônus da prova  em contrário.  (...)  §6  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  da  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  o  faturamento  e  o  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário."   A  recorrente  não  apresentou  todos  os  documentos  capazes  de  subsidiar  o  lançamento e por isso alguns valores foram aferidos indiretamente, com base nos dispositivos  legais  e  regulamentares  acima  transcritos,  que  autorizam  a  fiscalização  a  proceder  ao  arbitramento  da  base  de  cálculo  e  lançamento  de  ofício  dos  valores  devidos  em  caso  de  apresentação  deficiente  de  documentos,  atendendo  o  lançamento  constitutivo  do  crédito  previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 ­ Código Tributário Nacional e aos  pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91.  O  artigo  233,  parágrafo  único  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente:  Art.233  (...)  Parágrafo  único.  Considera­se  deficiente  o  documento  ou  informação  apresentada  que  não  preencha  as  formalidades  legais,  bem  como  aquele  que  contenha  informação  diversa  da  realidade,  ou,  ainda,  que  omita  informação  verdadeira.    No  caso  em  tela,  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  não  continham  todas  as  informações  necessárias  e  relativas  às  bolsas  de  ensino  solicirtadas  pelo  fisco, o que motivou o arbitramento.  Quantoà solicitação para exame da sua condição de entidade beneficente de  assistência  social  e  da  imunidade  quanto  ao  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias,  informo à recorrente que este processo não trata da questão da isenção/imunidade, não sendo  possível  o  exame  do  assunto.  A  entidade  teve  cassada  a  isenção  patronal  das  contribuições  previdenciárias  a partir  de 01/01/1993,  através  do Ato Cancelatório  n.º  02/2004,  emitido  em  28/12/2004, sendo que o recurso interposto pela entidade teve decisão administrativa definitiva  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 514          15 exarada  no Acórdão  n.º  830/2007,  do  Segundo  Conselho  de Contribuintes  do Ministério  da  Fazenda,  confirmando  a  cassação  da  isenção  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias.  .Desta  forma,  o  Ato  Cancelatório  da  isenção  patronal,  foi  definitivo  e  produziu seus efeitos, não havendo que se perquirir, neste processo de lançamento do débito,  quanto a sua pertinência ou validade.  A  recorrente  não  trouxe  aos  autos  qualquer  comprovação  de  que  solicitou  novamente o benefício legal. Portanto, de acordo com todos os elementos constantes dos autos  o que se vislumbra é que a entidade teve a isenção patronal das contribuições previdenciárias  cancelada  a  partir  de  01/01/1993,  decisão  que  se  tornou  definitiva.  Além  disso  o  presente  levantamento de débito  refere­se à cota dos  segurados das contribuições previdenciárias, não  havendo que se falar em isenção patronal.  Com  referência  a Ação  Civil  Pública,  o Acórdão  recorrido  já  informou  ao  contribuinte que já foi proferida a sentença em 01/09/2006 e manifestação sobre embargos de  declaração em 09/04/2007, onde decidiu, em síntese:  "Assim,  conheço  dos  presentes  embargos,  e,  no  mérito,  acolho­os  para  retificar  o  disposto  na  sentença  de  fls.  2.364/2400,  nos  seguintes  termos:  "Isto  posto,  nos  termos  da  fundamentação  supra,  julgo  parcialmente  procedentes  os  pedidos  formulados  na  inicial,  pata:  1.declarar  a  invalidade  do  registro  e  do  certificado  de  entidade  beneficente  de  assistência  social  deferido  pela  Resolução  015/2000 para o período compreendido entre 01.01.1998 e  31.12.2000, bem como do registro e do certificado deferido  pela  Resolução  n.°  129/95  para  o  período  compreendido  entre 01.01.1995 e 31.12.1997, este último somente a partir  de  1996;  2.  declarar  o  não  preenchimento,  pela  ré  Fundação Armando Alvares Penteado — FAAP, no período  de 1996 a 2002, dos  requisitos  legais para a obtenção do  certificado  de  entidade  beneficente  de  assistência  social,  bem como para o reconhecimento de imunidade em relação  às  contribuições  sociais  previstas  nos  artigos  22  e  23  da  Lei  n.°  8.212/1991  ;  3.  declarar,  expressamente,  como  conseqüência  da  nulidade  dos  Registros  e  Certificados  mencionados no item 1 deste dispositivo, a inexistência de  imunidade  da  Fundação  Armando  Alvares  Penteado  em  relação às contribuições sociais previstas nos artigos 22 e  23 da Lei n.° 8.212/1991, a partir de 1996 até a eventual  obtenção  de  novo  Registro  e  Certificado  de  Entidade  Beneficente de Assistência Social, o que, por sua vez, libera  as  autoridades  administrativas  para  adoção  de  medidas  necessárias  à  cobrança  do  crédito  tributário  apurado  nesses períodos; e para declarar os réus Célia Procópio de  Araújo  Carvalho,  Antônio  Bias  Bueno  Guillon,  Américo  Fialdini  Júnior  e  Victor  Mirshawka  solidariamente  responsáveis  pelo  pagamento  dos  valores  não  recolhidos  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     16 pela  FAAP  a  titulo  de  contribuição  previdenciária,  no  período  compreendido  entre  1996  a  2002.  No  mais,  mantenho  a  decisão  de  fls.  2.364/2400  em  todos  os  seus  termos. P.R.1".  Quanto à intimação dos atos administrativos, o parágrafo 4º, do artigo 23, do  Decreto  n.º  70.235/72,  traz  que  será  considerado  o  domicilio  tributário  do  sujeito  passivo  o  endereço postal do seu cadastro junto à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele  atribuído pela administração tributária, autorizado pelo sujeito passivo:  § 4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)   I ­ o endereço postal por ele  fornecido, para fins cadastrais, à  administração  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)   II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo  sujeito  passivo.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005)  Desta forma, é inócua a solicitação para intimação exclusiva ao patrono da  recorrente.  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao  recurso voluntário.    A  Declaração  de  Voto  que  consta  do  dispositivo  do  Acórdão  e  da  ata  da  sessão  de  julgamento,  não  foi  apresentada  no  prazo  de  15  (quinze)  dias,  como  determina  o  artigo 63, parágrafos 7º e 8º do RICARF – Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais, considerando­se como não formulada.      Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora    Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 515          17 Voto Divergente  Ouso  discordar,  data  venia,  do  entendimento  esposado  pela  ilustre  Conselheira Relatora no que pertine ao prazo decadencial afeto ao presente caso.  Como dito  no  acórdão,  trata  a presente  notificação  lavrada  em 17/07/2006,  com ciência pelo  sujeito passivo  em 19/07/2006, de contribuições previdenciárias  relativas  a  parte dos segurados referentes a bolsas de estudo concedidas aos empregados, no período de  01/1999 a 03/2006.  O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal  nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram  declarados  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91  os  quais  autorizavam  a  Seguridade  Social  constituir  seus  créditos  no  lapso  de  10  (dez).  Deste  julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08.   De acordo com o art. 103­A da Constituição Federal/88, regulamentado pela  Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008,  todos os órgãos  judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse  modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal  de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide:  "Art.  103­A. O Supremo Tribunal Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).  Lei n° 11.417, de 19/12/2006:  Regulamenta o art. 103­A da Constituição Federal e altera a Lei  no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a  revisão  e  o  cancelamento  de  enunciado  de  súmula  vinculante  pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências.  ...  Art.  2o  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.  §  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a  interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das  quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     18 insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos  sobre idêntica questão.  As  contribuições  previdenciárias,  assim  como  toda  e  qualquer  obrigação  tributária,  uma  vez  não  recolhidas  dentro  de  certo  período  de  tempo  (cinco  anos),  serão  exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN  no caso de não haver o recolhimento antecipado:    "Art.  173  ­  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  5  (cinco)  anos,  contados:    I  ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado;"    No  entanto,  havendo  pagamento  parcial,  a  contagem  do  prazo  qüinqüenal  deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. Se antes,  o início da contagem ocorria com o primeiro dia do exercício seguinte, com esta nova norma, o  fato gerador ressalta a importância da contagem, iniciando­se a partir de então, vejamos:    "Art.  150  ­  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame da autoridade administrativa, opera­se pelo ato em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa.  ...  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5  (cinco)  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a Fazenda Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  extinto  o  crédito,  salvo  se  comprovada  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação."    No caso em análise, o lançamento combatido teve origem no pagamento dos  valores  despendidos  a  título  de  bolsas  de  estudos  concedidos  aos  segurados,  tidos  pela  autoridade  fazendária  como  salários  indiretos.  Ciente  que  as  contribuições  sociais  incidem  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  aos  empregados  e  contribuintes  individuais,  apenas  sobre a rubrica “bolsa de estudos” restringiu­se a ação fiscal. Logo, indubitavelmente, o caso é  de pagamento a menor das contribuições sociais.  Por  isso,  deve  a  análise  do  prazo  decadencial  sujeitar­se  às  imposições  normativas do art. 150, §4º do CTN.  A ação fiscal compreendeu o período de 01/1999 a 03/2006. A ciência pelo  contribuinte ocorreu em 19/07/2006. Extinguindo o direito de a Seguridade Social constituir o  crédito  tributário após 5  (cinco)  anos a contar do  fato gerador,  tem­se que, de  fato, decaiu o  direito de o Fisco Previdenciário promover qualquer  lançamento  relativo aos  fatos geradores  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 14479.000224/2007­94  Acórdão n.º 2302­002.412  S2­C3T2  Fl. 516          19 compreendidos  entre  01/1999  a  06/2001,  devendo  tais  competências  serem  excluídas  da  cobrança.  Pelo exposto, dou provimento ao Recurso de Ofício.  É como voto.    Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Designada.  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ     20                               Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ

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Numero do processo: 10945.000636/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: PRAZO DECADENCIAL. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. PLEITO ANTERIOR A 09.06.2005. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para compensação de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, extingue-se depois de decorridos 05 (cinco) anos da homologação tácita ou expressa do pagamento antecipado, sempre que o pleito de compensação tenha sido apresentado até 09.06.2005. Entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, no bojo do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA Tendo em vista que o despacho decisório inicial limitou-se a pronunciar a operação do prazo extintivo, não poderia a instância recorrida ter-se imiscuído na análise do mérito da compensação – especialmente ante a manutenção do entendimento acerca da fluência do prazo para compensação –, devendo os autos serem enviados à origem para a análise desta questão.
Numero da decisão: 1101-000.822
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com a determinação do retorno dos autos à origem para a análise do mérito da compensação. Vencido o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negava provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES   2   (assinado digitalmente)  VALMAR FONSECA DE MENEZES  Presidente    (assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR  Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Valmar  Fonseca  de  Menezes,  Benedicto Celso Benício  Júnior,  Edeli  Pereira Bessa,  Carlos  Eduardo  de Almeida  Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.    Relatório    Trata o presente processo de Declaração de Compensação, protocolada  em 11.03.2005 (fls. 01/04), enunciadora de encontro de contas relativo a:    i. débitos tocantes à 1ª e à 2ª quotas de IRPJ (código de receita 0220),  atinentes ao 2° trimestre de 2004, nos valores, respectivamente, de R$  1.186,20 (um mil, cento e oitenta e seis reais e vinte centavos) e de R$  3.331,14 (três mil, trezentos e trinta e um reais e quatorze centavos);    ii. crédito correspondente a suposto recolhimento indevido da 3ª quota  do  IRPJ  tangente  ao  3°  trimestre  de  1999,  no  valor  de  R$  2.481,92  (dois mil, quatrocentos e oitenta e um reais e noventa e dois centavos).    Com  base  na  Informação  Fiscal  Seort/DRF/Foz  n°  068/2005  (fls.  34/39), foi proferido o despacho decisório de fls. 39/40, por meio do qual se indeferiu a  homologação  da  compensação  declarada,  em  face  de  o  crédito  utilizado  já  estar,  aduzidamente, alcançado pela decadência, conforme disposto no artigo 168, inciso I, da  Lei n° 5.172/1966 e no Ato Declaratório SRF n° 96/1999.  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/2005­68  Acórdão n.º 1101­00.822  S1­C1T1  Fl. 2          3  Regularmente  cientificada  desse  despacho  por  via  postal  (A.R  recebido  em  20.04.2005,  fl.  42v),  a  reclamante,  por  intermédio  de  seu  representante  legal  (fl.  49),  apresentou,  em  20.05.2005,  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  45/48, cujo teor é sintetizado a seguir:    i.  a  decisão  proferida  pela  DRF/Foz  do  Iguaçu  esbarra  em  uma  premissa  falsa,  pois  o  artigo  168,  inciso  I,  do CTN determina  que  o  direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de  05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário – o  que,  tratando­se  de  lançamento  por  homologação,  na  falta  de  ato  expresso da autoridade administrativa, materializa­se com o curso de  05 (cinco) anos, a partir da ocorrência do fato gerador;    ii. logo, o prazo para pleitear a restituição só começa a fluir depois de  concretizàda  a homologação do  lançamento pelo Fisco, ou depois de  decorrido o prazo de 05 (cinco) anos a que se refere o § 4° do artigo  150 do CTN.    À fl. 60, consta despacho do colegiado recorrido, solicitando, ao órgão  de  origem,  a  confirmação  da  efetiva  existência  do  direito  creditório  indicado  pela  interessada.  À  fl.  66,  jaz  a  resposta  da  DRF/Foz  do  Iguaçu,  por  meio  da  qual  constou, dentre outras informações, o relato de que os passivos compensados não tinham  sido declarados em DCTF.  A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento  em Curitiba/PR, ao analisar a manifestação de inconformidade protocolizada, houve por  bem  indeferi­la,  não  homologando  a  compensação,  forte  em  considerações  assim  ementadas:    “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2004  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  EXTINÇÃO  DE  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  SOB  CONDIÇÃO  RESOLUTÓRIA  DE  SUA  ULTERIOR  HOMOLOGAÇÃO.  A  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo,  na  qual  constam  informações  relativas  ao  direito  creditório  utilizado  e  ao  débito  a  ser  compensado,  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES   4 extingue  o  crédito  tributário  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.  PRAZO DECADENCIAL PARA SOLICITAÇÃO DE  RESTITUIÇÃO.  O prazo para solicitação de restituição de tributo ou  contribuição pago indevidamente ou em valor maior  que o devido extingue­se após o transcurso do prazo  de  cinco  anos  contados  da  data  da  extinção  do  crédito  tributário,  que  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação ocorre no momento do  pagamento  antecipado de que  trata  o  §  1  °  do  art.  150 do CTN.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO CREDITÓRIO.  Constatada  a  inexistência  do  direito  creditório  indicado na declaração de compensação, é de se não  homologar a compensação declarada.  Compensação não Homologada.”    Não conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls.  91/95, voltado a reproduzir, síntese, as ilações aventadas em primeira instância.  É o relatório.    Voto               Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator:    O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento.  Dele conheço.  O  debate  descortinado  se  baseia,  inicialmente,  na  suposta  decadência  do  direito  do  contribuinte  de  aproveitar, mediante Declaração  de Compensação,  transmitida  em  11.03.2005  (fls.  01/04),  créditos  derivados  de  suposto  pagamento  indevido  ou  a  maior,  engendrado em 29.11.1999 (fl. 05).  O  despacho  decisório  de  fls.  39/40  –  que  primeiro  tratou  do  pleito  de  compensação  –  houve  por  bem  não  homologar  o  ajuste  de  contas  intentado,  com  esteio,  exclusivamente, na adução de que a DCOMP inaugural deveria ter sido apresentada dentro de  05 (cinco) anos, contados do recolhimento das cifras indébitas – é dizer, até 29.11.2004.  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/2005­68  Acórdão n.º 1101­00.822  S1­C1T1  Fl. 3          5 Para embasar  esse  entendimento,  citaram­se os  artigos 165,  inciso  I,  e 168,  inciso I, do CTN, abaixo transcritos:    “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente  de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo,  seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o  disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I ­ cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido  ou  maior  que  o  devido  em  face  da  legislação  tributária  aplicável,  ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato gerador efetivamente ocorrido; (...)”    “Art.  168.  O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I ­ nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da  extinção do crédito tributário; (...)”    Ato contínuo, trouxe­se à baila o disposto no artigo 3º da Lei Complementar  nº  118/2005,  também  adiante  reproduzido  –  dispositivo  ao  qual  se  pretendeu  dar  feições  de  simples norma interpretativa, não constitutiva de nova situação jurídica:    “Art. 3º. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário  Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  no  momento  do  pagamento  antecipado  de  que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.”    Apresentada  manifestação  de  inconformidade,  o  contribuinte  demonstrou  entendimento pela aplicação de prazo decenal de decadência,  com amparo na conhecida  tese  dos  “cinco  mais  cinco”,  segundo  a  qual  o  lustro  de  caducidade  só  se  iniciaria  depois  de  esgotado o quinquênio dentro do qual a Fazenda deveria homologar o pagamento antecipado,  sob pena de reconhecimento tácito (artigo 150, § 4º, do CTN).  O aresto de primeira instância, presentemente recorrido, reiterou a exegese do  despacho decisório exordial. Mais ainda, buscou se imiscuir, de ofício, no mérito do encontro  de contas pleiteado, nos seguintes termos (fl. 87):    Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES   6 “Além  do  mais,  inobstante  não  tenha  informado  débito  algum  de  IRPJ  na  DCTF  do  4°  trimestre/1999  (fl.  59),  verifica­se  que  consta  da  DIPJ  2000  (ND  0834850),  regularmente apresentada pela interessada em 30/06/2000,  que  no  3°  trimestre/1999  foi  apurado  R$  30.542,65  de  imposto  de  renda  a  pagar  (fl.  55),  o  qual  foi  apenas  parcialmente  quitado  mediante  recolhimentos  de  três  quotas em 29/11/1999 (fl. 64):      1° quota (vencimento em 29/10/1999):  imposto...........................  R$ 2.457,35    multa de mora................  R$ 243,27    juros de mora.................  R$ 24,57    total................................  R$ 2.725,19        2° quota (vencimento em 30/11/1999):  imposto...........................  R$ 2.457,35    juros de mora.................  R$ 24,57    total................................  R$ 2.481,92        3° quota (vencimento em 31/12/1999):  imposto...........................  R$ 2.457,35    juros de mora.................  R$ 24,57    total................................  R$ 2.481,92      Logo,  de  qualquer  forma,  ao  contrário  do  alegado  pagamento  a maior,  existe  na  verdade  débito  de  IRPJ  em  aberto  no  valor  original  de  R$  23.170,60  no  3º  trimestre/1999.”    Pois bem. No que atine, em primeiro  lugar, à suposta decadência do direito  de formalizar a compensação estudada, é cediço que a razão está com o contribuinte, e não com  o Fisco.  O  prazo  para  restituição  ou  para  compensação  de  créditos  derivados  de  pagamentos  indevidos  ou  a maior  foi  explanado,  com  foros  de  definitividade,  pelo Supremo  Tribunal Federal, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, sujeito à  sistemática do artigo 543­B do Código de Processo Civil. No bojo deste julgamento, o Pretório  determinou,  mais  precisamente,  segundo  exegese  constitucional  do  artigo  3º  da  Lei  Complementar  nº  118/2005,  que  o  interregno  aplicável  às  reclamações  de  indébitos  –  quer  administrativos, quer judiciais – deveria ser um dos seguintes:    i.  pleitos  anteriores  a  09.06.2005,  inclusive:  prazo  decadencial  ou  prescricional  equivalente  a  05  (cinco)  anos,  computados  da  data  da  homologação  tácita  ou  expressa  do  pagamento  antecipado  indevido  ou  a  maior;    Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/2005­68  Acórdão n.º 1101­00.822  S1­C1T1  Fl. 4          7 ii.  pleitos  posteriores  a  09.06.2005:  prazo  decadencial  ou  prescricional  correspondente a 05 (cinco) anos, contados do átimo em que fosse realizado o  pagamento antecipado indevido ou a maior.    Transcreva­se,  por  oportuno,  a  ementa  do  indigitado  aresto,  exarado  pelo  Pleno do STF:    “DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LEI  INTERPRETATIVA.  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005.  DESCABIMENTO.  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA.  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACATIO  LEGIS.  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS  AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação  da  Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que,  para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o  prazo  para  repetição  ou  compensação  de  indébito  era  de  10  anos  contados  do  seu  fato  gerador,  tendo  em  conta  a  aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I,  do CTN. A LC 118/05,  embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo  reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para  5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto  à  sua  natureza,  validade  ou  aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação de indébito tributário estipulado por lei nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia  do  acesso  à  Justiça.  Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se, no mais, a eficácia da norma, permite­se  a  aplicação  do  prazo  reduzido  relativamente  às  ações  ajuizadas  após  a  vacatio  legis,  conforme  entendimento  consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES   8 Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos  contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência  do  novo  prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à  tutela  dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/05,  considerando­se  válida  a  aplicação  do  novo  prazo  na  maior  extensão  possível,  descabida  sua  aplicação  por  analogia. Além disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo  de 5 anos  tão­somente às ações ajuizadas após o decurso  da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho  de  2005.  Aplicação  do  art.  543­B,  §  3º,  do  CPC  aos  recursos sobrestados. Recurso Extraordinário desprovido.”    Importa  recordar  que  a  orientação  sob  escólio  é  de  observância  obrigatória  por este Conselho, forte no artigo 62­A, caput, da Portaria MF nº 256/2009:    “Artigo 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas  pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11  de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF”    No caso concreto, tendo em vista que a DCOMP analisada é pretérita à data  de 09.06.2005, não há que se falar em impingência de prazo quinquenal computado a partir do  pagamento  indevido  ou  a maior. Cabe  cominar,  aqui,  em  verdade,  lapso  de  05  (cinco)  anos  contado de outro ponto  de partida,  correspondente  ao  término do prazo  estatuído para que  a  Fazenda  homologasse,  tácita  ou  expressamente,  o  pagamento  antecipado.  Logo,  o  pleito  compensatório  poderia  ter  sido  veiculado  até  30.09.2009,  e  não  até  29.11.2004,  como  quis  fazer crer o despacho decisório de fronde.  Afasta­se, portanto, a alegação de decadência erigida pelo decisum inaugural.  Sucede,  contudo,  que  o  v.  acórdão  de  primeiro  grau,  após  manter  o  argumento que determinou o despacho decisório de indeferimento, ingressou em matéria cuja  apreciação não lhe cabia naquele átimo – a saber, o mérito da compensação –, eis que o tema  não foi objeto de exame quando do Despacho Decisório inicial.  Essa supressão de instância não pode prosperar, mormente pelo fato de que,  ao  manter  o  fundamento  da  operação  do  lapso  extintivo,  a  douta  DRJ  inquestionavelmente  apreciou questão que era prejudicial  ao mérito. Em  tendo  sido  a prejudicial  acolhida,  todo o  mais foi analisado em sede de mero obiter dictum, sendo de rigor o retorno dos autos à origem  para que seja efetivamente analisado o mérito da compensação aqui discutida.  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10945.000636/2005­68  Acórdão n.º 1101­00.822  S1­C1T1  Fl. 5          9 Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário,  com o  afastamento  da  decadência  e  a  remessa  dos  autos  à  origem,  para  a  análise  meritória  da  compensação em testilha.    Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2012    (assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR  Relator                              Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES

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5109015 #
Numero do processo: 14098.000197/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 ZONA FRANCA DE MANAUS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CF. As receitas provenientes da comercialização de produtos para a Zona Franca de Manaus são equiparadas a receitas de exportações por força do art. 4º do Decreto-Lei nº. 288/67, razão pela qual são imunes à incidência da contribuição previdenciária nos termos do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. TRADING COMPANIES. EXPORTAÇÃO INDIRETA. IMUNIDADE. ART. 149. Se a empresa entrega sua produção rural por meio de trading companies, que providenciam sua exportação, incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, 1) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação sobre vendas para a Zona Franca de Manaus e exportação via trading companies, vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da imunidade da exportação por meio de trading.. 2) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso na questão da tributação incidente sobre vendas no mercado interno face a pedido de desistência. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14098.000197/2008­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.237  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  USINAS ITAMARATI S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  RECEITAS  DE  EXPORTAÇÃO.  IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CF.  As receitas provenientes da comercialização de produtos para a Zona Franca  de Manaus são equiparadas a receitas de exportações por força do art. 4º do  Decreto­Lei  nº.  288/67,  razão  pela  qual  são  imunes  à  incidência  da  contribuição  previdenciária  nos  termos  do  art.  149,  §  2º,  I,  da Constituição  Federal.  TRADING  COMPANIES.  EXPORTAÇÃO  INDIRETA.  IMUNIDADE.  ART. 149.  Se a empresa entrega sua produção rural por meio de trading companies, que  providenciam sua exportação, incide a norma imunizante do inciso I, §2º do  art. 149 da CF.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 97 /2 00 8- 15 Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2    ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  1)  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação sobre vendas para a Zona Franca de  Manaus e exportação via trading companies, vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro  Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da imunidade da exportação por meio de  trading.. 2) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso na questão da  tributação  incidente sobre vendas no mercado interno face a pedido de desistência.       Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente      Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos  Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.  Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/2008­15  Acórdão n.º 2403­002.237  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande ­ MS, que entendeu por manter  a autuação constante do DEBCAD n. 37.184.066­0 (Contribuições parte empresa e GILRAT),  no valor de R$ 57.040.173,41, consolidado em 04/09/2008, referente ao período de 01/09/2003  a 31/12/2006.  Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 48/52:  1.  Este  relatório  é  integrante  do  AI  –  Auto  de  Infração,  de  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social  correspondentes  à  comercialização da produção própria e adquirida de terceiros e  do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho­GILRAT;  em  épocas  próprias,  cujos  recolhimentos  não  foram  comprovados  ou  foram  efetuados  a  menor.  2.  A  empresa  sob  Ação  Fiscal,  constituída  em  12/1980,  é  uma  agroindústria que se enquadra na relação do art. 2º, caput, DL  1146/70  e  tem  por  objetivo  principal  a  produção,  comercialização,  exportação  e  importação  de  álcool,  açúcar  e  derivados  desses  e  secundariamente,  a  exploração  e  comercialização  de  cana­de­açúcar  e  culturas  intercalares  compatíveis e demais atividades agrícolas, prestação de serviços  relacionados com as atividades citadas, geração,  transmissão e  comercialização de excedentes de energia elétrica.  (...)  4.  Constitui  Fato  Gerador  do  presente  crédito  previdenciários  (Não  declaradas  em  GFIP­GUIA  DE  RECOLHIMENTO  DO  FGTS E INFORMAÇÕES A PREVIDÊNCIA SOCIAL no período  de 09/03 a 12/06):  4.1.  Levantamento CP  –  valor  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  própria  e  da  adquirida  de  terceiros, industrializada ou não, realizadas no mercado interno.  A discriminação da base de cálculo consta do RL – Relatório de  Lançamento.  (...)  7.  As  alíquotas  aplicadas  para  cálculo  da  contribuição  previdenciária  encontram­se  descritas  detalhadamente  no  relatório  intitulado  “Discriminativo  Analítico  do  Débito  –  DAD”. Em anexo, tais quais:  Contribuição própria Rural: 2,5%  GILRAT: 0,1%  Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4  (...)  DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada  com  o  lançamento,  a  empresa  contestou  o  presente  Auto  de  Infração por meio do instrumento de fls. 170/196.  DA DECISÃO DA DRJ  Após  analisar  os  argumentos  da  Recorrente,  3ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, prolatou o Acórdão n. 04­19.385, fls.  908/922, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006  APRECIAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE.  Não  cabe  a  esta  instância  julgadora  apreciar  argumentos  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  de  norma  por  ser  matéria  reservada ao Poder Judiciário.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS  É  vedada  a  extensão  administrativa  dos  efeitos  de  decisões  judiciais  contrárias  à  orientação  estabelecida  para  a  administração direta e autárquica em atos de caráter normativo  ordinário.  VALIDADE DO MPF  O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos  fiscais,  não  implicando  nulidade  do  lançamento  as  eventuais  falhas na emissão de trâmite desse instrumento.  VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL.  A  fiscalização  lavrará  notificação  fiscal  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores,  das  contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme  dispuser o regulamento.  RESPONSABILIDADE  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente ou do  responsável  e da  efetividade, natureza e  extensão  dos efeitos do ato.  IMUNIDADE.  RECEITA  DECORRENTE  DE  EXPORTAÇÃO.  MERCADO EXTERNO.  A  imunidade  constitucional  sobre  receitas  decorrentes  de  exportação  alcança  somente  as  operações  diretas  com  o  mercado externo.  ZONA FRANCA DE MANAUS  Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/2008­15  Acórdão n.º 2403­002.237  S2­C4T3  Fl. 4          5 Quanto às contribuições  sociais, a  imunidade prevista pelo art.  149,  parágrafo  2º  da  Constituição  Federal  não  se  estende  às  receitas decorrentes da venda a adquirente domiciliado na Zona  Franca de Manaus.  DILAÇÃO PROBATÓRIA  Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente  com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção, apenas  das  hipóteses  do  parágrafo  4º,  do  art.  16,  do  Decreto  n.  70.235/1972.  Considera­se não formulado o pedido de perícia que não nomear  perito e indicar os seus motivos e os quesitos requeridos.  COMUNICAÇÃO PROCESSUAL  A  comunicação  processual  será  feita  na  forma  pessoal,  ou  por  via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio  tributário do sujeito passivo.  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  N.  11.941.2009  –  APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA  A  análise  do  valor  das  multas  para  verificação  e  aplicação  daquela  que  for  mais  benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento do pagamento ou do parcelamento.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  DO RECURSO  Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário  de fls. 933/968, na qual reiterou a informação de desistência parcial do litígio administrativo,  no que concerne às contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta do requerendo  a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma:  ­  O  TIAF  data  de  19/05/2005,  no  entanto,  no  seu  corpo,  consta  que  foi  emitido em 30/04/2008 e a fiscalização somente foi encerrada em 17/09/2008, 120 dias após o  início do prazo, ou seja, o dobro da sua validade;  ­ Não havia necessidade de constituição do  crédito  tributário do período de  09/2003 a 12/2006 de eventuais diferenças de contribuições, uma vez que em janeiro de 2008,  antes  mesmo  de  iniciada  a  fiscalização,  a  empresa  havia  apresentado  GFIPs  retificadoras  contemplando todas as incidências previdenciárias dos período apontados na fiscalização e que  no  entanto,  por  erro  de  procedimento  interno,  na  elaboração  de  GFIP  para  recolhimento  de  FGTS em regime de parcelamento e recolhimentos de empregados desligados cujas verbas de  FGTS  são  parte  integrantes,  as  novas  GFIPs  eram  preenchidas  apenas  com  informações  previdenciárias vinculadas as bases do FGTS em questão, ou seja, somente com informações  relativos aos funcionários desligados e o que vale são as GFIPs entregues anteriormente;  Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     6  ­ As  contribuições  ao  INSS não  são devidas  sobre o  faturamento  resultante  das exportações, oriundas de receitas de operações com empresas localizadas na Zona Franca  de Manaus;  ­  É  necessária  a  realização  de  prova  pericial  para  análise  das  notas  fiscais  emitidas, comprovando que a fiscalização não excluiu do faturamento os valores referentes às  vendas para o mercado externo, realizadas de forma indireta, nem as vendas realizadas para a  Zona Franca de Manaus.  DEMAIS  INFORMAÇÕES  –  DESISTÊNCIA  PARCIAL  DO  RECURSO PARA INCLUSÃO NO PARCELAMENTO DA LEI 11.941/09  Após o recurso voluntário interposto, o contribuinte, em razão do advento da  Lei 11.941/09, requereu a desistência parcial do recurso para incluir os valores referentes à sua  comercialização para o mercado interno, optando por discutir apenas as contribuições exigidas  sobre vendas para a Zona Franca de Manaus e exportação.  Em 25 de fevereiro de 2010 a petição foi protocolada, fl. 929/931 e o Serviço  de  Controle  e Acompanhamento  Tributário  da  DRJ  em Cuiabá/MT,  encaminhou  os  autos  à  auditora fiscal Simone Chiosini Sanches para manifestação à respeito do pedido, fl. 981.  A auditora exarou Informação Fiscal na fl. 989, que considerando os valores  informados  pelo  contribuinte  de  R$  R$  25.691.499,34  seria  na  verdade  de  R$  R$  28.180.856,81, referente ao principal.  O  contribuinte  na  fl.  994  concordou  com  os  valores  da  informação  fiscal,  remanescendo o valor total de R$ 8.338.190,18 (oito milhões trezentos e trinta e oito mil cento  e noventa reais e dezoito centavos), incluídos multa de mora e juros.  É o relatório.  Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/2008­15  Acórdão n.º 2403­002.237  S2­C4T3  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme o documento de fls., tenho o recurso por tempestivo e, por estarem  presentes os demais requisitos, adentro ao mérito da questão.  DO MÉRITO  ZONA FRANCA DE MANAUS   Primeiramente,  cumpre  destacar  que  a  presente  autuação,  após  desistência  parcial da contribuinte, conforme explanado no relatório, refere­se tão somente à incidência de  contribuições  previdenciárias  provenientes  de  faturamentos  gerados  da  comercialização  da  produção da Recorrente para outras pessoas jurídicas estabelecidas na Zona Franca de Manaus  e exportações indiretas realizadas através de Trading Companies.  Conforme o relatório fiscal, o Levantamento CP, tem como base de cálculo o  valor da  receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de  terceiros, industrializada ou não.  A  Zona  Franca  de  Manaus  (ZFM)  é  uma  área  de  livre  comércio  de  importação e exportação, cuja criação se deu através do Decreto­Lei nº. 288/67, sendo por ele  regulada, na qual dispõe incentivos fiscais para o desenvolvimento econômico da área.   Referido decreto­lei, com a promulgação da Constituição Federal, foi por ela  recepcionada, à luz dos seus arts. 3º, III, 43, § 2º, III, 151, I e165, § 7º e, especialmente, pelo  art. 40 da ADCT, in verbis:  Art.  3º  Constituem  objetivos  fundamentais  da  República  Federativa do Brasil:  (...)  III  ­  erradicar  a  pobreza  e  a  marginalização  e  reduzir  as  desigualdades sociais e regionais;  ****************************************************  Art.  43. Para efeitos  administrativos,  a União poderá  articular  sua  ação  em  um  mesmo  complexo  geoeconômico  e  social,  visando  a  seu  desenvolvimento  e  à  redução  das  desigualdades  regionais.  (...)  §  2º  ­ Os  incentivos  regionais  compreenderão,  além de  outros,  na forma da lei:  Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     8  (...)  III  ­  isenções,  reduções  ou  diferimento  temporário  de  tributos  federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas;  ****************************************************  Art. 151. É vedado à União:  I  ­  instituir  tributo  que  não  seja  uniforme  em  todo  o  território  nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a  Estado,  ao Distrito  Federal  ou  a Município,  em  detrimento  de  outro,  admitida  a  concessão  de  incentivos  fiscais  destinados  a  promover  o  equilíbrio  do  desenvolvimento  sócio­econômico  entre as diferentes regiões do País;  ****************************************************  Art. 165. (...)  §  7º  ­  Os  orçamentos  previstos  no  §  5º,  I  e  II,  deste  artigo,  compatibilizados  com  o  plano  plurianual,  terão  entre  suas  funções  a  de  reduzir  desigualdades  inter­regionais,  segundo  critério populacional.  ****************************************************  Art.  40.  É  mantida  a  Zona  Franca  de  Manaus,  com  suas  características  de  área  livre  de  comércio,  de  exportação  e  importação,  e de  incentivos  fiscais,  pelo prazo de  vinte e  cinco  anos, a partir da promulgação da Constituição.  Isso  porque,  ao  preceituar  como  um  dos  objetivos  fundamentais  a  redução  das desigualdades regionais, e para tanto estaria  legitimada a concessão de incentivos fiscais,  única exceção ao princípio da isonomia, razão pela qual o orçamento fiscal e de investimentos  teriam como um de suas funções a redução das desigualdades inter­regionais.  É  com  esteio  em  tais  dispositivos  que  o  Decreto­Lei  nº.  288/67  foi  recepcionado pela Carta Maior a patamar ainda mais elevado, tendo sido constitucionalizados  todos os seus dispositivos em razão do efetivo cumprimento dos objetivos para os quais a Zona  Franca de Manaus se presta.  A este respeito, o  ilustre professor  IVES GANDRA DA SILVA MARTINS  no  parecer  de  n.  0752/12,  de  05/03/2012,  publicado  no  FISCOSoft  On  Line,  20/03/2012,  disponível em www.gandramartins.adv.br:   O DL 288/67 nasceu como decreto­lei, mas é considerado pelos  doutrinadores,  após  a  EC  1/69,  com  eficácia  de  lei  complementar, pois cuida simultaneamente de matéria tributária  envolvendo todos os entes federativos.  Sempre  considerei  a Lei Complementar  não  uma  lei  da União,  mas da Nação, pois ela cuida de matérias que exigem tratamento  uniforme  em  todo  o  território  nacional.  A  União  apenas  empresta  seu  aparelho  legislativo  para  a  Federação  elaborar  esse  diploma,  que  depende,  para  sua  aprovação,  de  maioria  absoluta  nas  duas  Casas  do  Congresso,  onde  se  encontram  presentes  todos  os  integrantes  da  Federação,  vale  dizer,  na  Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/2008­15  Acórdão n.º 2403­002.237  S2­C4T3  Fl. 6          9 Câmara,  a  população  dos  Municípios,  e  no  Senado,  os  representantes dos Estados e Distrito Federal (7).  E  assim  foi  recepcionada  a  referida  lei  pela  Constituição  de  1988,  mas  em  patamar  mais  elevado,  de  vez  que  foram  constitucionalizados  os  dispositivos  do DL  288/67.  Vale  dizer,  todos os seus dispositivos passaram a ser norma constitucional  de  exceção,  com  garantia,  inicialmente,  de  assim  permanecerem até 2013 e, pela EC 42/66, até 2023.  Em outras palavras, tudo, tudo, tudo o que foi outorgado à Zona  Franca  de  Manaus,  em  1967,  ficou  assegurado,  como  sistema  constitucional  de  exceção,  até  2023,  fugindo,  pois,  à  normatividade  tributária  constitucional  estatuída  no  capítulo  I  do Título VII da Lei Suprema, no que disponha diversamente  No  mesmo  sentido,  disserta  Fabio  Pereira  Garcia  dos  Santos  na  obra  Tributação na Zona Franca de Manaus: (comemoração aos 40 anos da ZFM)/ Coordenadores  Ives  Gandra  da  Silva Martins,  Carlos  Alberto  de Moraes  Ramos  Filho, Marcelo Magalhães  Peixoto. – São Paulo: MP Ed., 2008, fls. 121/137, in verbis:  O artigo 4º do Decreto­lei n. 288/67 nada mais é que uma ficção  jurídica.  Com  efeito,  o  ordenamento  constitucional  vigente  à  época  da  edição  do  Decreto­Lei  n.  288/67,  por  não  ter  autorizado  a  União  a  outorgar  isenções  heterônomas,  possibilitava  unicamente  esta  interpretação.  Assim,  segundo  o  artigo  4º  do  Decreto­lei  n.  288/67,  o  regime  jurídico  das  operações  de  remessa  de  mercadorias  para  a  ZFM  segue  o  regime jurídico da exportação de mercadorias em geral.  Embora  tenha  o Decreto­lei  n.  288/67  estabelecido  uma  ficção  jurídica,  não  há  que  se  falar  em  inconstitucionalidade  do  diploma normativo. Este não  afrontou  qualquer  dispositivo  das  diversas constituições com as quais conviveu.  A  expressão,  utilizada  no  artigo  4º  do  Decreto­lei  n.  288/67  “para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor”  deve  ser  entendida  de  forma  abrangente,  no  sentido  de  que a equiparação deve considerar a  legislação atualmente em  vigor, e não somente aquela em vigor em 28.2.1967.  O artigo 4º do Decreto­lei n. 288/67 foi constitucionalizado pelo  artigo  40  do  ADCT.  Assim,  embora  formalmente  infraconstitucional, o dispositivo tem conteúdo (é materialmente)  constitucional.  Por  ter  força constitucional, a natureza jurídica da exoneração  tributária  decorrente  da  operação  de  remessa  de  mercadorias  para a ZFM, na forma do artigo 4º do Decreto­lei n. 288/67, é de  imunidade tributária.  Conforme  se  vê,  portanto,  as  características  e  incentivos  fiscais  da  ZFM  foram mantidos  pela  Constituição  Federal  pelo  prazo  de  vinte  e  cinco  anos  a  partir  da  sua  promulgação, conforme o art. 40 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias.  Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     10  Tal prazo, convém salientar,  foi prorrogado por mais dez anos, ou seja,  até  05/10/2023, através da Emenda Constitucional nº. 42/2003, que incluiu o art. 92 ao ADCT.   Portanto, ainda persistem as disposições tratadas no mencionado Decreto­Lei,  notadamente seu art. 4º, onde se determina a equiparação da comercialização de produtos para  consumo  ou  industrialização  destinados  a  ZFM  como  exportação  para  o  estrangeiro,  nos  seguintes termos:  Art  4º  A  exportação  de  mercadorias  de  origem  nacional  para  consumo  ou  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ou  reexportação  para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação brasileira para o estrangeiro  É pacífico o entendimento do STJ neste sentido:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  TRIBUTÁRIO.  ISENÇÃO  DO  PIS E  DA  COFINS  SOBRE  OPERAÇÕES  ORIGINADAS  DE  VENDAS  DE  PRODUTOS  PARA  EMPRESAS  SITUADAS  NA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS  (ART. 4o.  DO  DL288/67).  PRECEDENTES  DESTA  CORTE  SUPERIOR.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA 83/STJ.  AGRAVO  REGIMENTAL  DA  FAZENDA  NACIONAL  DESPROVIDO.  1. A  jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou  entendimento  de  que  a  venda  de  mercadorias  para  empresas  situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de  produto  brasileiro  para  o  estrangeiro,  em  termos  de  efeitos  fiscais,  segundo exegese do Decreto­Lei 288/67, não  incidindo  a contribuição social do PIS nem a COFINS sobre tais receitas.  2. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido.  (1420880  PE  2011/0125824­8,  Relator:  Ministro  NAPOLEÃO  NUNES MAIA  FILHO,  Data  de  Julgamento:  04/06/2013,  T1  ­  PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 12/06/2013)  ****************************************************  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO. PIS E  COFINS.  RECEITAS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÕES.  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  EQUIVALÊNCIA.  DL.  N. 288/67.  ACÓRDÃO  EM  CONSONÂNCIA  COM  A  JURISPRUDÊNCIA  DESTA CORTE. SÚMULA83/STJ. PRECEDENTES.  1. Destaca­se  que  os  órgãos  julgadores  não  estão  obrigados  a  examinar  todas as  teses  levantadas pelo  jurisdicionado durante  um  processo  judicial,  bastando  que  as  decisões  proferidas  estejam devida  e  coerentemente  fundamentadas,  em  obediência  ao  que  determina  o  art.  93,  inc.  IX,  da  Lei  Maior.  Isso  não  caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC.  2. Esta Corte possui entendimento assente no sentido de que as  operações  envolvendo mercadorias  destinadas  à Zona Franca  de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais,  conforme disposições do Decreto­lei n. 288/67.  Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/2008­15  Acórdão n.º 2403­002.237  S2­C4T3  Fl. 7          11 3. Agravo regimental não provido por outros fundamentos.  (1179615  SC  2010/0022694­7,  Relator:  Ministro  MAURO  CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 02/09/2010, T2 ­  SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/10/2010)  Logo, as receitas oriundas da comercialização de produtos para a ZFM estão  imunes  da  incidência  da  contribuição  previdenciária  presentemente  tratada,  espécie  de  contribuição social, conforme previsão do art. 149, § 2º, I, da Carta Magna, a saber:  Art.  149.  Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento de  sua atuação nas  respectivas áreas, observado o  disposto  nos  arts.  146,  III,  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que  alude o dispositivo.  §  2º  As  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico  de  que  trata  o caput deste  artigo: (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 33, de 2001)  I  ­  não  incidirão  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação; (Incluído  pela  Emenda  Constitucional  nº  33,  de  2001)  Portanto, em consonância com a lei e a jurisprudência, não merece prosperar  a  pretensão  fazendária  de  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  as  receitas provenientes de comercialização de produtos para a Zona Franca de Manaus, eis que  equiparadas  a  receitas  de  exportações,  encontram­se  acobertadas  pela  imunidade  prevista  no  art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal.  TRADING COMPANY – EXPORTAÇÃO INDIRETA  A utilização de empresas intermediadoras de exportação, Trading Company,  configura exportação indireta que, em nada se dissocia das exportações diretas.  Aplica­se ao caso o Decreto n. 1.248/72, art. 1º e 3º, in verbis:  Art.1º ­ As operações decorrentes de compra de mercadorias no  mercado  interno,  quando  realizadas  por  empresa  comercial  exportadora,  para  o  fim  específico  de  exportação,  terão  o  tratamento tributário previsto neste Decreto­Lei.  Parágrafo único. Consideram­se destinadas ao fim específico de  exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do  estabelecimento do produtor­vendedor para:  a)  embarque  de  exportação  por  conta  e  ordem  da  empresa  comercial exportadora;  b)  depósito  em  entreposto,  por  conta  e  ordem  da  empresa  comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de  exportação, nas condições estabelecidas em regulamento.  Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     12  ****************************************************  Art. 3º ­ São assegurados ao produtor­vendedor, nas operações  de  que  trata  o  artigo  1º  deste Decreto­lei,  os  benefícios  fiscais  concedidos  por  lei  para  incentivo  à  exportação,  à  exceção  do  previsto  no artigo  1º  do Decreto­lei  nº  491,  de  05  de março  de  1969,  ao  qual  fará  jus  apenas  a  empresa  comercial  exportadora. (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 1.894, de 1981)   Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vem decidindo  que  está  caracterizada a  imunidade decorrente de  receitas de  exportação  realizadas de  forma  indireta. Para ilustrar o entendimento, colaciona­se precedente desta câmara e turma na qual fui  relator, in verbis:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003  PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.  SÚMULA  VINCULANTE  Nº  08  DO  STF.  RECEITA  DECORRENTE  DE  EXPORTAÇÃO.  ATO  COOPERATIVO.  IMUNIDADE. POSSIBILIDADE.  O prazo decadencial das  contribuições previdenciárias  é de 05  (cinco)  anos,  nos  termos  dos  arts.  150,  §  4º,  havendo  antecipação  no  pagamento,  mesmo  que  parcial,  por  força  da  Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.  Não incide na base de cálculo da contribuição previdenciária a  receita  decorrente  de  exportação  devidamente  destacada  e  oriunda de venda intermediada por Cooperativa, caracterizando  o Ato Cooperativo.  Recurso  Voluntário  Provido  (CARF.  2a  Seção  de  Julgamento,  Processo  nº  13856.000933/2007­62,  Recurso  nº  260.661  Voluntário,  Acórdão  nº  2403001.063  –  4ª  Câmara  /  3ª  Turma  Ordinária, Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto,  Sessão de  08 de fevereiro de 2012)  Participaram  daquele  julgamento,  além  de  mim,  os  Conselheiros  Carlos  Alberto Mees  Stringari  (Vencido),  Cid Marconi  Gurgel  de  Souza,  Paulo Maurício  Pinheiro  Monteiro (Vencido), Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato.  Outro  precedente  de  bastante  destaque  é  o  da  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara, em que houve intermediação por cooperativa, assim como por Trading Company, in  verbis:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2002 a 30/12/2003  ENTREGA  DE  PRODUTO  RURAL  A  COOPERATIVA.  ATO  COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO.   Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre  as  Cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos  objetivos  sociais.  O  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000197/2008­15  Acórdão n.º 2403­002.237  S2­C4T3  Fl. 8          13 mercadoria.  Somente  haverá  comercialização  e  deverão  as  receitas  serem  apropriadas  por  ocasião  do  faturamento  das  vendas no mercado pela cooperativa.  PRODUTO  RURAL.  EXPORTAÇÃO  POR  MEIO  DE  COOPERATIVA.  IMUNIDADE  EM  RELAÇÃO  ÀS  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Se  a  empresa  entrega  sua  produção  rural  a  cooperativa  que  providencia  a  exportação,  direta  ou  por  meio  de  trading  companies,  incide a norma imunizante do  inciso I, §2º do art.  149 da CF.  Recurso  Voluntário  Provido.  (CARF.  2a  Seção,  Processo  nº  15956.000612/2007­65, Recurso nº 257.269 Voluntário, Acórdão  nº 2301003.019 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 16  de agosto de 2012)  No voto vencedor do acórdão, o  redator designado Conselheiro Mauro José  da Silva, destaca que:  No entanto, ainda que toda a exportação feita pela cooperativa  tenha sido realizada por meio de trading companies, ainda assim  teríamos que  considerar a  imunidade por  força do Decreto­Lei  1.248/72,  recepcionado  pela  atual  Constituição,  que  concedeu  uma  série  de  incentivos  fiscais  às  operações  realizadas  pelas  trading  companies  quando  tiverem  por  objeto  específico  atividades  ligadas  ao  envio  de  produtos  pátrios  ao  exterior.  Vejamos:  (...)  Portanto, a apropriação das  receitas brutas no momento que a  cooperativa exporta por meio de trading companies considerará  que  se  trata  de  receita  decorrente  de  exportação,  nos  exatos  termos  da  norma  imunizante  do  inciso  I,  §2º  do  art.  149  da  Constituição Federal (CF).  Pelo exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário por  considerar que o fato gerador não ocorreu ou, se ocorreu, trata­ se de operação imune à contribuição previdenciária.  Da mesma  forma,  é  a  produção  doutrinária  a  respeito  do  assunto  no  livro  Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais  (Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto – coordenadores) – São  Paulo: MP, 2012, p. 330, in verbis:  A  regra­matriz  de  incidência  de  contribuição  devida  pelas  agroindústrias  não  efetua  a  distinção  quanto  ao  destino  da  comercialização  da  produção:  mercado  interno  ou  mercado  externo.  A  ausência  de  notação  no  tocante  ao  destino  da  comercialização  da  produção  corrobora  a  extensão  da  imunidade às receitas auferidas pelas agroindústrias.  Sasha  Calmon  Navarro  Coêlho  afirma  que  as  exonerações  tributárias sempre se referem ou ao antecedente (hipótese) ou ao  Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     14  conseqüente  normativo.  Tratando­se  de  imunidades  a  exoneração atinge o campo da hipótese normativa, de modo que  a  imunidade  tributária  das  receitas  de  exportação  exclui  a  competência  para  instituição  de  quaisquer  contribuições  incidentes sobre a receita.  Portanto, não merece ser dado o mesmo tratamento de venda para o mercado  interno para as exportações indiretas realizadas via trading company.  CONCLUSÃO  Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento.    Marcelo Magalhães Peixoto.                            Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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Numero do processo: 10569.000726/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Relatório Versam os autos de Auto de Infração lavrado em desfavor do interessado para exigência de PIS do período de abril a dezembro de 2007, no valor de R$392.309,74, de COFINS do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, no valor de R$8.154.836,84, em ambos já se incluindo o tributo, multa e juros de mora. No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fl. 41 a 46), consta que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, venceu em 15/03/2007 e apenas em 03/12/2010 a recorrente veio a apresentar a certidão referente ao processo acima citado, na~o havendo nos sistemas da RFB registro de processos de renovação do certificado, e por ser requisito indispensável para usufruir das isenções que tratam o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, lançou os valores ora discutidos. Informa ainda o termo que, o lançamento inclui o período em que o contribuinte deixou de possuir o certificado que lhe garantia a condição de isento, ou seja, a partir de abr/2007, apurando-se as contribuições devidas sobre o total da receita auferida, conforme balancetes mensais, bem como inclui o lançamento da Cofins, referente ao período de jan/2006 a mar/2007, calculado sobre o total das receitas, exclui´das aquelas consideradas pró´prias da atividade, como as doações recebidas, cuja natureza na~o se reveste do cara´ter contraprestacional direto. Cientificada do lançamento em 20/12/2010, a recorrente apresentou impugnação em 19/01/2011, expondo em apertada síntese que, por ser entidade beneficente goza da imunidade quanto às contribuições sociais conforme disposto no artigo 195, §7º, da CRFB/88. Aduz que, em 2004, em razão de autuação indevida da Receita Federal do Brasil, a recorrente impetrou mandado de segurança nº 2004.51.01.010454-1 objetivando o afastamento da autuação face a sua condição imune, tendo sido julgado procedente a demanda estando, atualmente, sobrestada aguardando o julgamento do RE 566.622, no qual a repercussão geral do tema foi reconhecida. Apesar disso, pretende o fisco realizar lançamento da Cofins sobre receitas que não seriam abrangidas pela imunidade, de acordo com os artigos 13 e 14 da MP nº 2.158-35/2001. A recorrente também não concorda com o referido enquadramento legal aplicado pela autoridade, vez que nenhum dos dispositivos citados da MP nº 2.158-35/2001 refere-se ao artigo 197, §7º, da CRFB/88. E, por fim, no que tange ao fato de não possuir o CEBAS durante o período de 16/03/2007 a 31/12/2007, alega que sempre teve direito à imunidade e que a demora do órgão expedidor não pode ser considerada de modo a prejudicá-la. Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro-I/RJ, proferiu o Acórdão de nº 12-49.172, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL - EFEITOS NO LANÇAMENTO - A mate´ria já submetida a` apreciação do Poder Judiciário na~o deve ser apreciada pelo julgador administrativo, sobrepondo-se a decisão judicial a` administrativa. AÇÃO JUDICIAL - PROVIMENTO OBTIDO ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - A liminar obtida judicialmente pelo contribuinte, confirmada por sentença, suspende a exigibilidade do cré´dito tributa´rio por ela alcançado, na~o cabendo, ainda, a exigência da multa de ofício proporcional. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - LEGISLAÇÃO APLICA´VEL A` APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - As entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, para fins de apuração do PIS e da Cofins nos termos previstos na MP nº 2.158-35/2001. Impugnação Procedente em Parte Cre´dito Tributa´rio Mantido em Parte Em apertada síntese, a DRJ/RJO-I entendeu por bem em não conhecer da matéria relativa ao PIS, do período de abril a dezembro de 2007, ao entendimento de que o sujeito passivo possuía ação judicial sobre a matéria idêntica. Houve por bem, no entanto, em excluir a multa de ofício, com base no art. 63, da Lei nº 9.430/96, porque o sujeito passivo era titular de liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário já quando do lançamento. Com relação à COFINS, a DRJ dividiu a abordagem do lançamento em dois períodos, sendo que para o período de janeiro de 2006 a março de 2006, quando o contribuinte era detentor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, entendeu que apesar disso a isenção não alcançaria as receitas de atividade que não fossem próprias, e para o período em que deixou de possuir CEBAS válido (período de abril a dezembro de 2007), entendeu que perdeu a qualidade de entidade isenta, mantendo, portanto, o lançamento sobre a receita bruta, com exclusões e reclassificações legais já procedidas. Ciente em 21/11/2012 do Acórdão da DRJ, conforme AR de fl. 612 (numeração eletrônica no PDF – “n.e.”), o contribuinte apresentou em 21/12/2012 seu Recurso Voluntário (fls. 625/649 – n.e.) a este Conselho, alegando, em síntese que : a) Que é entidade imune de contribuições sociais, o que abrange tanto o PIS quanto a COFINS, e que a ação por ela promovida já lhe reconhece esse direito de imunidade; b) Que para a COFINS, relativa ao período de janeiro de 2006 a março de 2007, a própria decisão recorrida reconheceria que a entidade seria imune, e, portanto, é indevida a exigência, apontando que as bases de cálculo utilizadas pelo lançamento dos períodos em que titular de CEBAS e período em que vencido o certificado, seria praticamente os mesmos, o que demonstraria ter a decisão ofendido sua imunidade; c) Que quanto ao período de abril a dezembro de 2007, sempre foi entidade beneficente de assistência social, e que apresentou tempestivamente seus pedidos de renovação, de modo que a morosidade do órgão público em sua análise não poderia lhe prejudicar, requerendo fosse oficiada a entidade para atestar que nunca deixara de ser entidade beneficente. Especificamente para o período em questão, anexa Certificado que atestaria essa condição, emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, o que demonstraria sua condição de entidade beneficente; d) Afirma que sua imunidade à contribuições foi reconhecida judicialmente, estando pendente de recursos especial e extraordinários interpostos pela União, os quais não possuem efeito suspensivo, e que o provimento judicial abrangeria também a Cofins; e) Diante da imunidade reconhecida, a legislação infraconstitucional não poderia restringir o direito emanado da constituição, fazendo incidir tributação sobre receitas que no entender do legislador não seriam próprias, quando as mesmas são empregadas para a consecução das atividades da entidade. f) Reporta-se à impugnação, na qual junta diversos documentos pelos quais pretendeu demonstrar que sempre cumpriu os requisitos dos art. 14, do CTN, e do art. 55, da Lei nº 8.212/91 (o qual ela trata como “revogado”). g) Por fim, concluir não pode ser possível proceder aos lançamentos em questão, diante de sua imunidade ilimitada e irrestrita às contribuições sociais. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, aos quais foram acrescentados documentos juntados “eletronicamente”, de modo que os documentos recebidos encontram-se numerados até a folha 648 (seiscentos e quarenta e oito – ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica

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Relatório Versam os autos de Auto de Infração lavrado em desfavor do interessado para exigência de PIS do período de abril a dezembro de 2007, no valor de R$392.309,74, de COFINS do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, no valor de R$8.154.836,84, em ambos já se incluindo o tributo, multa e juros de mora. No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fl. 41 a 46), consta que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, venceu em 15/03/2007 e apenas em 03/12/2010 a recorrente veio a apresentar a certidão referente ao processo acima citado, na~o havendo nos sistemas da RFB registro de processos de renovação do certificado, e por ser requisito indispensável para usufruir das isenções que tratam o inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, lançou os valores ora discutidos. Informa ainda o termo que, o lançamento inclui o período em que o contribuinte deixou de possuir o certificado que lhe garantia a condição de isento, ou seja, a partir de abr/2007, apurando-se as contribuições devidas sobre o total da receita auferida, conforme balancetes mensais, bem como inclui o lançamento da Cofins, referente ao período de jan/2006 a mar/2007, calculado sobre o total das receitas, exclui´das aquelas consideradas pró´prias da atividade, como as doações recebidas, cuja natureza na~o se reveste do cara´ter contraprestacional direto. Cientificada do lançamento em 20/12/2010, a recorrente apresentou impugnação em 19/01/2011, expondo em apertada síntese que, por ser entidade beneficente goza da imunidade quanto às contribuições sociais conforme disposto no artigo 195, §7º, da CRFB/88. Aduz que, em 2004, em razão de autuação indevida da Receita Federal do Brasil, a recorrente impetrou mandado de segurança nº 2004.51.01.010454-1 objetivando o afastamento da autuação face a sua condição imune, tendo sido julgado procedente a demanda estando, atualmente, sobrestada aguardando o julgamento do RE 566.622, no qual a repercussão geral do tema foi reconhecida. Apesar disso, pretende o fisco realizar lançamento da Cofins sobre receitas que não seriam abrangidas pela imunidade, de acordo com os artigos 13 e 14 da MP nº 2.158-35/2001. A recorrente também não concorda com o referido enquadramento legal aplicado pela autoridade, vez que nenhum dos dispositivos citados da MP nº 2.158-35/2001 refere-se ao artigo 197, §7º, da CRFB/88. E, por fim, no que tange ao fato de não possuir o CEBAS durante o período de 16/03/2007 a 31/12/2007, alega que sempre teve direito à imunidade e que a demora do órgão expedidor não pode ser considerada de modo a prejudicá-la. Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro-I/RJ, proferiu o Acórdão de nº 12-49.172, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL - EFEITOS NO LANÇAMENTO - A mate´ria já submetida a` apreciação do Poder Judiciário na~o deve ser apreciada pelo julgador administrativo, sobrepondo-se a decisão judicial a` administrativa. AÇÃO JUDICIAL - PROVIMENTO OBTIDO ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - A liminar obtida judicialmente pelo contribuinte, confirmada por sentença, suspende a exigibilidade do cré´dito tributa´rio por ela alcançado, na~o cabendo, ainda, a exigência da multa de ofício proporcional. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - LEGISLAÇÃO APLICA´VEL A` APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - As entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, para fins de apuração do PIS e da Cofins nos termos previstos na MP nº 2.158-35/2001. Impugnação Procedente em Parte Cre´dito Tributa´rio Mantido em Parte Em apertada síntese, a DRJ/RJO-I entendeu por bem em não conhecer da matéria relativa ao PIS, do período de abril a dezembro de 2007, ao entendimento de que o sujeito passivo possuía ação judicial sobre a matéria idêntica. Houve por bem, no entanto, em excluir a multa de ofício, com base no art. 63, da Lei nº 9.430/96, porque o sujeito passivo era titular de liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário já quando do lançamento. Com relação à COFINS, a DRJ dividiu a abordagem do lançamento em dois períodos, sendo que para o período de janeiro de 2006 a março de 2006, quando o contribuinte era detentor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, entendeu que apesar disso a isenção não alcançaria as receitas de atividade que não fossem próprias, e para o período em que deixou de possuir CEBAS válido (período de abril a dezembro de 2007), entendeu que perdeu a qualidade de entidade isenta, mantendo, portanto, o lançamento sobre a receita bruta, com exclusões e reclassificações legais já procedidas. Ciente em 21/11/2012 do Acórdão da DRJ, conforme AR de fl. 612 (numeração eletrônica no PDF – “n.e.”), o contribuinte apresentou em 21/12/2012 seu Recurso Voluntário (fls. 625/649 – n.e.) a este Conselho, alegando, em síntese que : a) Que é entidade imune de contribuições sociais, o que abrange tanto o PIS quanto a COFINS, e que a ação por ela promovida já lhe reconhece esse direito de imunidade; b) Que para a COFINS, relativa ao período de janeiro de 2006 a março de 2007, a própria decisão recorrida reconheceria que a entidade seria imune, e, portanto, é indevida a exigência, apontando que as bases de cálculo utilizadas pelo lançamento dos períodos em que titular de CEBAS e período em que vencido o certificado, seria praticamente os mesmos, o que demonstraria ter a decisão ofendido sua imunidade; c) Que quanto ao período de abril a dezembro de 2007, sempre foi entidade beneficente de assistência social, e que apresentou tempestivamente seus pedidos de renovação, de modo que a morosidade do órgão público em sua análise não poderia lhe prejudicar, requerendo fosse oficiada a entidade para atestar que nunca deixara de ser entidade beneficente. Especificamente para o período em questão, anexa Certificado que atestaria essa condição, emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, o que demonstraria sua condição de entidade beneficente; d) Afirma que sua imunidade à contribuições foi reconhecida judicialmente, estando pendente de recursos especial e extraordinários interpostos pela União, os quais não possuem efeito suspensivo, e que o provimento judicial abrangeria também a Cofins; e) Diante da imunidade reconhecida, a legislação infraconstitucional não poderia restringir o direito emanado da constituição, fazendo incidir tributação sobre receitas que no entender do legislador não seriam próprias, quando as mesmas são empregadas para a consecução das atividades da entidade. f) Reporta-se à impugnação, na qual junta diversos documentos pelos quais pretendeu demonstrar que sempre cumpriu os requisitos dos art. 14, do CTN, e do art. 55, da Lei nº 8.212/91 (o qual ela trata como “revogado”). g) Por fim, concluir não pode ser possível proceder aos lançamentos em questão, diante de sua imunidade ilimitada e irrestrita às contribuições sociais. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, aos quais foram acrescentados documentos juntados “eletronicamente”, de modo que os documentos recebidos encontram-se numerados até a folha 648 (seiscentos e quarenta e oito – ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/2010­51  Resolução nº  3402­000.579  S3­C4T2  Fl. 650          2 Relatório    Versam os autos de Auto de  Infração  lavrado em desfavor do  interessado para  exigência  de  PIS  do  período  de  abril  a  dezembro  de  2007,  no  valor  de  R$392.309,74,  de  COFINS do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, no valor de R$8.154.836,84, em  ambos já se incluindo o tributo, multa e juros de mora.  No  Termo  de  Verificação  de  Infração  Fiscal  (fl.  41  a  46),  consta  que  o  Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, venceu em 15/03/2007 e  apenas  em 03/12/2010  a  recorrente  veio  a  apresentar  a  certidão  referente  ao  processo  acima  citado, naõ havendo nos sistemas da RFB registro de processos de renovação do certificado, e  por ser requisito indispensável para usufruir das isenções que tratam o inciso II do artigo 55 da  Lei nº 8.212/91, lançou os valores ora discutidos.  Informa ainda o termo que, o lançamento inclui o período em que o contribuinte  deixou  de  possuir  o  certificado  que  lhe  garantia  a  condição  de  isento,  ou  seja,  a  partir  de  abr/2007,  apurando­se  as  contribuições  devidas  sobre  o  total  da  receita  auferida,  conforme  balancetes mensais, bem como inclui o lançamento da Cofins, referente ao período de jan/2006  a mar/2007,  calculado  sobre  o  total  das  receitas,  excluídas  aquelas  consideradas  pró́prias  da  atividade,  como  as  doações  recebidas,  cuja  natureza  não  se  reveste  do  caráter  contraprestacional direto.  Cientificada do lançamento em 20/12/2010, a recorrente apresentou impugnação  em  19/01/2011,  expondo  em  apertada  síntese  que,  por  ser  entidade  beneficente  goza  da  imunidade quanto às contribuições sociais conforme disposto no artigo 195, §7º, da CRFB/88.  Aduz que, em 2004, em razão de autuação indevida da Receita Federal do Brasil, a recorrente  impetrou  mandado  de  segurança  nº  2004.51.01.010454­1  objetivando  o  afastamento  da  autuação  face  a  sua  condição  imune,  tendo  sido  julgado  procedente  a  demanda  estando,  atualmente, sobrestada aguardando o julgamento do RE 566.622, no qual a repercussão geral  do  tema  foi  reconhecida. Apesar disso, pretende o  fisco  realizar  lançamento da Cofins  sobre  receitas que não seriam abrangidas pela imunidade, de acordo com os artigos 13 e 14 da MP nº  2.158­35/2001.  A  recorrente  também  não  concorda  com  o  referido  enquadramento  legal  aplicado  pela  autoridade,  vez  que  nenhum  dos  dispositivos  citados  da MP  nº  2.158­35/2001  refere­se ao artigo 197, §7º, da CRFB/88. E, por  fim, no que  tange ao  fato de não possuir o  CEBAS  durante  o  período  de  16/03/2007  a  31/12/2007,  alega  que  sempre  teve  direito  à  imunidade e que a demora do órgão expedidor não pode ser considerada de modo a prejudicá­ la.  Em  análise  e  atenção  aos  pontos  suscitados  pela  interessada  na  defesa  apresentada,  a  16ª  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento no Rio de Janeiro­I/RJ, proferiu o Acórdão de nº 12­49.172, nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Período  de  apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL ­ EFEITOS NO  LANÇAMENTO  ­  A  mateŕia  já  submetida  à  apreciação  do  Poder  Judiciário  não  deve  ser  apreciada  pelo  julgador  administrativo,  sobrepondo­se a decisão judicial à administrativa.  Fl. 650DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/2010­51  Resolução nº  3402­000.579  S3­C4T2  Fl. 651          3 AÇÃO JUDICIAL  ­ PROVIMENTO OBTIDO ANTERIORMENTE AO  INÍCIO  DA  AÇÃO  FISCAL  ­  A  liminar  obtida  judicialmente  pelo  contribuinte,  confirmada  por  sentença,  suspende  a  exigibilidade  do  cré́dito  tributário por ela alcançado, não cabendo, ainda, a exigência  da multa de ofício proporcional.  ENTIDADE  BENEFICENTE  DE  ASSISTÊNCIA  SOCIAL  ­  LEGISLAÇÃO  APLICÁVEL  À  APURAÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  ­  As  entidades  beneficentes  de  assistência  social  devem  atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, para fins  de apuração do PIS e da Cofins nos termos previstos na MP nº 2.158­ 35/2001.  Impugnação  Procedente  em  Parte  Cred́ito  Tributário  Mantido  em  Parte  Em  apertada  síntese,  a  DRJ/RJO­I  entendeu  por  bem  em  não  conhecer da matéria relativa ao PIS, do período de abril a dezembro  de  2007,  ao  entendimento  de  que  o  sujeito  passivo  possuía  ação  judicial  sobre  a  matéria  idêntica.  Houve  por  bem,  no  entanto,  em  excluir  a  multa  de  ofício,  com  base  no  art.  63,  da  Lei  nº  9.430/96,  porque  o  sujeito  passivo  era  titular  de  liminar  que  suspende  a  exigibilidade do crédito tributário já quando do lançamento.  Com  relação  à  COFINS,  a DRJ  dividiu  a  abordagem  do  lançamento  em  dois  períodos, sendo que para o período de janeiro de 2006 a março de 2006, quando o contribuinte  era detentor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, entendeu  que apesar disso a  isenção não alcançaria as  receitas de atividade que não fossem próprias, e  para  o  período  em  que  deixou  de  possuir  CEBAS  válido  (período  de  abril  a  dezembro  de  2007), entendeu que perdeu a qualidade de entidade isenta, mantendo, portanto, o lançamento  sobre a receita bruta, com exclusões e reclassificações legais já procedidas.  Ciente em 21/11/2012 do Acórdão da DRJ, conforme AR de fl. 612 (numeração  eletrônica no PDF – “n.e.”), o contribuinte apresentou em 21/12/2012 seu Recurso Voluntário  (fls. 625/649 – n.e.) a este Conselho, alegando, em síntese que :  a) Que é entidade imune de contribuições sociais, o que abrange tanto  o  PIS  quanto  a  COFINS,  e  que  a  ação  por  ela  promovida  já  lhe  reconhece esse direito de imunidade;  b)  Que  para  a  COFINS,  relativa  ao  período  de  janeiro  de  2006  a  março  de  2007,  a  própria  decisão  recorrida  reconheceria  que  a  entidade  seria  imune,  e,  portanto,  é  indevida  a  exigência,  apontando  que  as  bases  de  cálculo  utilizadas  pelo  lançamento  dos  períodos  em  que  titular  de  CEBAS  e  período  em  que  vencido  o  certificado,  seria  praticamente  os  mesmos,  o  que  demonstraria  ter  a  decisão  ofendido  sua imunidade;  c)  Que  quanto  ao  período  de  abril  a  dezembro  de  2007,  sempre  foi  entidade  beneficente  de  assistência  social,  e  que  apresentou  tempestivamente  seus  pedidos  de  renovação,  de  modo  que  a  morosidade  do  órgão  público  em  sua  análise  não  poderia  lhe  prejudicar,  requerendo  fosse  oficiada  a  entidade  para  atestar  que  nunca  deixara  de  ser  entidade  beneficente.  Especificamente  para  o  período  em  questão,  anexa  Certificado  que  atestaria  essa  condição,  emitido  pelo  Conselho  Municipal  de  Assistência  Social  do  Rio  de  Janeiro, o que demonstraria sua condição de entidade beneficente;  Fl. 651DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/2010­51  Resolução nº  3402­000.579  S3­C4T2  Fl. 652          4 d)  Afirma  que  sua  imunidade  à  contribuições  foi  reconhecida  judicialmente, estando pendente de recursos especial e extraordinários  interpostos pela União, os quais não possuem efeito suspensivo, e que o  provimento judicial abrangeria também a Cofins;  e) Diante  da  imunidade  reconhecida,  a  legislação  infraconstitucional  não  poderia  restringir  o  direito  emanado  da  constituição,  fazendo  incidir  tributação  sobre  receitas  que  no  entender  do  legislador  não  seriam  próprias,  quando  as  mesmas  são  empregadas  para  a  consecução das atividades da entidade.  f) Reporta­se à impugnação, na qual  junta diversos documentos pelos  quais pretendeu demonstrar que sempre cumpriu os requisitos dos art.  14,  do CTN,  e  do  art.  55,  da Lei  nº  8.212/91  (o  qual  ela  trata  como  “revogado”).  g) Por  fim,  concluir não pode  ser possível  proceder aos  lançamentos  em  questão,  diante  de  sua  imunidade  ilimitada  e  irrestrita  às  contribuições sociais.    DA DISTRIBUIÇÃO   Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado,  vieram  os  autos  para  relatoria,  por  meio  de  processo  eletrônico,  em  03  (três)  Volumes, aos quais foram acrescentados documentos juntados “eletronicamente”, de modo que  os documentos recebidos encontram­se numerados até a folha 648 (seiscentos e quarenta e oito  – ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção  do CARF.  É o relatório.      Fl. 652DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/2010­51  Resolução nº  3402­000.579  S3­C4T2  Fl. 653          5 Voto   Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator.  A questão posta nos  autos  cinge­se  à matéria probatória,  na medida  em que o  Mandado  de  Segurança  promovido  pela  recorrente  com  objetivo  de  ver  reconhecida  a  sua  condição de entidade imune, produz efeitos no presente julgamento.  No caso, a decisão recorrida entendeu que o referido Mandado de Segurança e  respectivas decisões abrangeria tão somente a contrição ao PIS, não se estendendo á Cofins. A  recorrente,  por  sua vez,  sustenta de modo contrário,  afirmando que o provimento  judicial  de  que é titular, reconhece sua condição de imune às contribuições sociais, de modo geral, razão  pela qual estaria imune tanto ao PIS quanto à Cofins, de maneira que não caberia a exigência  em questão.  Da análise dos autos, verifica­se  indicio de veracidade dos  fatos alegados pela  recorrente, vez que pelo documento juntado às fls. 256 n.e., conclui­se que o julgador a quo do  MS, estendeu a imunidade prevista no art. 195, §7º, da CF, para a contribuição do PIS, prevista  no art. 239, da Carta Magna.  Diante disso, tem­se que o judiciário considerou a recorrente imune do PIS com  base em fundamento que garante imunidade à Cofins, porém, resta aqui saber se a recorrente  naquela  Ação Mandamental,  pleiteou  o  reconhecimento  de  imunidade,  em  relação  à  Cofins  também.  No que tange ao período de janeiro de 2006 a março de 2007, período este em  que a recorrente era detentora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social ­  CEBAS, a autoridade  fiscal  lançou a Cofins  sobre o  total das  receitas,  excluindo somente as  atividades consideradas próprias, como as doações recebidas, não fazendo qualquer menção do  que viria ser a uma atividade não­própria prestada pela entidade beneficente.  Por fim, referente ao período de abril a dezembro de 2007, em que a recorrente  deixou  de  possuir  CEBAS  válido,  a  autoridade  fiscal,  entendeu  que  a  recorrente  perdeu  a  qualidade  de  entidade  isenta,  mantendo,  portanto,  o  lançamento  sobre  a  receita  bruta,  com  exclusões e reclassificações legais já procedidas.   Portanto,  tenho  que  as  alegações  da  recorrente  somadas  com  os  documentos  trazidos no recurso servem como “início de prova” desta realidade, de modo que entendo que o  processo  não  se  encontra  em  condições  de  receber um  julgamento  justo,  pelo  que  proponho  seja o mesmo convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes  providências:  1 – Providenciar  copia da petição  inicial  e da  sentença proferida nos  autos do  mandado de segurança nº 2004.51.01.010454­1;  2  –  Descrever  quais  as  receitas  consideradas  pela  autoridade  lançadora  como  sendo próprias bem como quais seriam as receitas consideras “não­próprias” que compuseram  Fl. 653DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10569.000726/2010­51  Resolução nº  3402­000.579  S3­C4T2  Fl. 654          6 o  lançamento,  fazendo­o  para  todo  o  período  autuado,  mesmo  para  aquele  em  que  não  foi  apresentado CEBAS;  3 ­ Manifestar­se quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN e 12  da  Lei  9.532/97,  durante  o  período  autuado  ou  no  exercício  subsequente,  neste  último  caso  quanto a distribuição de sobras ou resultados;  4  –  Oficiar  ao  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social  solicitando  que  se  manifeste  quanto  à  condição  da  entidade  em  questão,  quanto  à  sua  natureza  de  entidade  beneficente  de  assistência  social,  bem  como  se  preenchia  os  requisitos  para  assim  ser  considerada, nos anos­calendário de 2006 e 2007; respondendo ainda se existiam, no referido  período, razões de fato ou de direito que obstariam a entidade de obter o CEBAS.  5 ­ Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo,  para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos  para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho.   É como voto.  (Assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator      Fl. 654DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO

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Numero do processo: 16004.720115/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES.CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. PIS e COFINS. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. 9.718/98. Deve ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto. Fez sustentação oral: Jarbas Andrade Mochioni - OAB/SP 617621 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     2 ALEXANDRE GOMES ­ Relator.    EDITADO EM: 07/08/2013  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente),  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.    Relatório  Por  bem  retratar  a  matéria  tratada  no  presente  processo,  transcreve­se  o  relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto:  A  empresa  qualificada  em  epígrafe  foi  autuada  em  virtude  da  apuração de falta de recolhimento da contribuição ao Programa  de  Integração  Social  (PIS),  no  período  de  01/01/2008  a  31/12/2010,  exigindo­se­lhe  contribuição  de  R$  3.650.807,18,  multa  de  ofício  de  R$2.738.105,44  e  juros  de  mora  de  R$  998.995,79, perfazendo o total de R$ 7.387.908,41.  Também foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  no  mesmo  período,  exigindo­se­lhe  contribuição  de  R$  16.864.282,96,  multa  de  ofício  de  R$  12.648.212,27  e  juros  de  mora  de  R$  4.613.465,80, perfazendo o total de R$ 34.125.961,03.  Os enquadramentos legais encontram­se a fls. 1.337 e 1.347.  De acordo com o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos,  de  fls.1.326  a  1.334,  a  fiscalização  apurou  as  seguintes  infrações:  1 – Falta de inclusão das “Receitas Financeiras” e de “Outras  Receitas Operacionais”  na  base  de  cálculos  das  contribuições  lançadas;  O Auditor­fiscal constatou que tais receitas não foram incluídas  no período de 01/2008 a 05/2009, tendo em vista as disposições  contidas na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, artigo 3º,  inclusão  não  obrigatória,  por  revogação  do  dispositivo,  após  06/2009.  2 – Exclusões indevidas da base de cálculo:  2.1  –  eventos  conhecidos/indenizáveis  Em  atendimento  à  intimação, a contribuinte informou que tais exclusões referem­se  à  utilização  pelo  beneficiário  de  consultas  médicas,  exames  laboratoriais, hospitalização, terapias etc, efetivadas nos termos  da resposta à consulta formulada à Agência Nacional de Saúde  Complementar­ANS.  Entendeu,  a  fiscalização,  que  tal  procedimento  configura  uma  dedução  indevida,  pois  se  compõem  de  custos  com  os  Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.732          3 atendimentos  feitos  aos  beneficiários  do  plano  de  saúde  da  própria  operadora  e  que  configura  o  regime  da  “não  cumulatividade”  e  nos  termos  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde  foram mantidas no regime “cumulativo”.  2.2 – eventos em co­responsabilidade assumida.  A  fiscalização  realizada  constatou  que  somente  no  mês  de  dezembro  de  2008  as  despesas/custos  foram  superiores  aos  eventos  ocorridos  com  beneficiários  de  planos  de  saúde  pertencentes a outras operadoras.  “Nos  demais  meses,  por  conseqüência,  os  recebimentos  foram  sempre superiores aos custos/despesas, não gerando diferença a  ser excluída da Receita de Vendas de Bens e Serviços para fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/COFINS”, conforme entendeu o Auditor­fiscal.  Apurou que em todo o período fiscalizado a contribuinte excluiu  o valor total referente às despesas/custos da Receita de Vendas  de Bens e Serviços, ensejando a glosa pela fiscalização.  Inconformada,  a  autuada  apresentou  a  impugnação  de  fls.  1.362/1.404 e,  inicialmente,  demonstrou conhecer as  razões do  Auditor­fiscal ao lavrar o presente auto de infração:  O fundamento primeiro dos autos é que a Impugnante não teria  incluído  na  base  de  cálculo  das  contribuições  acima  referidas  valores existentes na contabilidade desta sob a rubrica Receitas  Financeiras  nem  valores  sob  as  chamadas  Outras  Receitas  Operacionais.  Ele  considerou  nos  autos,  ainda,  que  foram  excluídas  da  base  de  cálculo  de  ambas  as  contribuições  os  chamados  Eventos  Conhecidos  e  Indenizáveis,  bem  como  os  valores  contidos  na  conta  Eventos  em  Co­  Responsabilidade  Assumida.  Afirma  que  a  “Impugnante  é  uma  cooperativa  de  trabalho  médico. Como é de conhecimento geral, o Sistema Cooperativo  Nacional,  como  um  todo,  vem  há  décadas  divergindo  do  entendimento autoridades fiscais sobre a tributação aplicável à  atividade  cooperativa.  Em  preliminar  alega  que  não  foram  deduzidos  dos  montantes  lançados  os  valores  referentes  às  contribuições  retidas  na  fonte  pelos  tomadores  de  serviços  pessoas jurídicas.”  Preliminarmente, alega nulidade do auto de infração, tendo em  vista  que  a  fiscalização “ao  elaborar  o  demonstrativo  no  qual  apurou a base de cálculo do PIS e da COFINS, que entendeu por  devida, deixou de proceder ao registro em separado das receitas  auferidas de atos cooperados e não cooperados.”  Para alicerçar sua afirmação, apóia­se em atestado de auditores  independentes e jurisprudência do CARF, constante no processo  13808.001908/99­73.  Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     4 Quanto  ao  mérito,  primeiramente  discorre  sobre  as  características  das  cooperativas  e  afirma  que  tais  pessoas  jurídicas  não  podem  ter  o mesmo  tratamento  tributário  que as  demais pessoas jurídicas e cita doutrina que entende devida para  o caso.  Afirma que:  Como  é  cediço,  sendo  os  atos  de  serviço médico  incluídos  no  objeto  social  da  cooperativa  Impugnante  e  já  pacificamente  reconhecido  tanto  pela  doutrina,  quanto  pela  Jurisprudência,  que os atos cooperativos não configuram negócio mercantil na  espécie,  não  há  que  se  falar  em  receita  bruta  ou  faturamento,  que é a base de cálculo do PIS e da COFINS, ressaltando ainda  que  o  resultado  positivo  decorrente  dos  atos  cooperativos  pertence,  proporcionalmente,  a  cada  um  dos  cooperados.  os  conceitos  de  “ingressos”,  “receita  bruta”  e  “faturamento”,  e  argumenta  que  “a  diferença  entre  tais  conceitos  é  premissa  essencial  para  a  compreensão  do  que  representa  receita  nas  atividades  de  intermediação,  na  medida  em  que,  nem  todo  ingresso  de  capital  representa  acréscimo  patrimonial,  eis  que  grande  parte  dos  ingressos  é  repassada  a  terceiros,  não  se  configurando, assim, faturamento da intermediadora, mas sim do  intermediado”.  Alega  que,  “sem  prejuízo  da  apreciação  das  anteriores  teses  acima  relatadas,  mister  reconhecer  que  a  impugnante  pratica  atos negociais em favor dos SP RIBEIRÃO PRETO DRJ Fl. 1660  Impresso  em  25/10/2012  por  ALEXANDRE  GOMES  CÓPIA  Documento  assinado  digitalmente  conforme MP  nº  2.200­2  de  24/08/2001  Autenticado  digitalmente  em  08/08/2012  por  MAURO HENRIQUE  ALVARENGA,  Assinado  digitalmente  em  10/08/  2012  por  HAMILTON  FERNANDO  CASTARDO,  Assinado  digitalmente  em  10/08/2012  por  HEITOR  CHAUD  Processo  16004.720115/2012­66  Acórdão  n.º  14­38.360  DRJ/RPO Fls. 5 5 cooperados, fá­los por delegação, ou seja, por  ordem  e  conta  dos  cooperados.”  e  que  somente  pode  ser  considerado faturamento a taxa de administração.  Alça  a  contribuinte  ao  regime  de  incidência  não­cumulativo  e  entende que a incidência sobre Receita e não Faturamento está  equivocada,  além  de  discordar  da  revogação  da  isenção  para  cooperativas da Lei Complementar n° 70/91.  Alega isonomia, tendo em vista que a legislação dos tributos em  tela permite a algumas cooperativas uma série de deduções para  se  chegar  à  base  de  cálculo  das  contribuições,  nos  termos  do  Art. 15 da Medida Provisória n° 2.158­35.  Discorda  dos  cálculos  e  da  interpretação  do  Auditor­fiscal  quanto à glosa da exclusão "Eventos Conhecidos/Indenizáveis" e  dos  "Eventos  em  Co­Responsabilidade  assumida",  citando  entendimento da Agência Nacional de Saúde – ANS.  Por fim, discorda da multa de 75%, nos seguintes termos:  III.2.9 ­ Da Necessidade Redução da Multa dentro dos Critérios  de Razoabilidade e Proporcionalidade.  Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.733          5 Por último, ainda em homenagem ao princípio da eventualidade,  a Impugnante pondera que o valor da multa aplicada de 75% do  valor do débito, considerando as circunstâncias de inexistência  de dolo ou má­fé, tratando­se de profundo debate jurídico, deva  ela ser reduzida a critérios proporcionais e justos.  A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu  por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010   FALTA DE RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em  procedimento  fiscal,  enseja  o  lançamento  de  ofício  com  os  acréscimos legais.  COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO.  A  partir  de  01/11/1999,  a  base  de  cálculo  da  Cofins  das  cooperativas é a mesma aplicada às demais sociedades, com as  exclusões a elas pertinentes.  OPERADORAS  DE  PLANOS  DE  ASSISTÊNCIA  À  SAÚDE.  BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES.  Conforme  disposição  legal,  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde,  assim  definidas  na  legislação  específica,  podem  deduzir  da  base  de  cálculo  da  contribuição:  I  ­  co­ responsabilidades  cedidas;  II  ­  a parcela das  contraprestações  pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pago,  deduzido  das  importâncias  recebidas a título de transferência de responsabilidades.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/12/2010  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em  procedimento  fiscal,  enseja  o  lançamento  de  ofício  com  os  acréscimos legais.  COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO.  A  partir  de  01/11/1999,  a  base  de  cálculo  do  PIS  das  cooperativas é a mesma aplicada às demais sociedades, com as  exclusões a elas pertinentes.  OPERADORAS  DE  PLANOS  DE  ASSISTÊNCIA  À  SAÚDE.  BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES.  Conforme  disposição  legal,  as  operadoras  de  planos  de  assistência  à  saúde,  assim  definidas  na  legislação  específica,  Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     6 podem  deduzir  da  base  de  cálculo  da  contribuição:  I  ­  co­ responsabilidades  cedidas;  II  ­  a parcela das  contraprestações  pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pago,  deduzido  das  importâncias  recebidas a título de transferência de responsabilidades.  MULTA  APLICADA.  LEGALIDADE.  OFENSA  AOS  PRINCÍPIOS  DA  RAZOABILIDADE  E  DA  PROPORCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA.  REDUÇÃO. INAPLICABILIDADE.  Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente tem respaldo  legal.  Estando  a  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal  prevista  em  lei  e  havendo  sido  aplicada  de  acordo  com  os  parâmetros estabelecidos na legislação, não podem ser objeto de  análise as supostas ofensas a princípios constitucionais na esfera  administrativa,  em  face  da  submissão  desta  ao  Princípio  da  Legalidade. Inexiste previsão legal que ampare a solicitação de  redução da multa aplicada.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido  Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados  os argumentos lançados na inpugnação apresentada.  É o relatório.  Voto             Conselheiro ALEXANDRE GOMES  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e  dele tomo conhecimento.  Conforme relatado,  trata­se de discussão acerca da base de cálculo de PIS e  Cofins para as Operadoras de Saúde que atuam na forma cooperativa. Após analisar os autos  percebo  que  as  questões  discutidas  referem­se:  (a)  à  tributação  de  atos  cooperados;  (b)  às  deduções de base de cálculo previstas na Medida Provisória nº 2.158­35; e, (c) decorrentes da  inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.  Para defender a ausência de tributação em razão de tratar­se de cooperativa, a  Recorrente,  em  bem  fundamentado  recurso  discorre  sobre:  (i)  nulidade  do  auto  de  infração  porque  não  separou  as  receitas  de  atos  cooperados  e  não  cooperados;  (ii)  da  inexistência  de  faturamento para as Cooperativas que fazem apenas atividade meio; (iii) da impossibilidade de  incidência de PIS e Cofins sobre os valores de operações por conta alheia; (iv) da incidência  apenas  sobre  a  Taxa  de  Administração  cobrada  pela  Cooperativa;  (v)  da  não  revogação  da  isenção trazida pela Lei da Cooperativa e (vi) da aplicação extensiva às cooperativas médicas  do artigo 15 da MP 2.158­35, em prol ao princípio da isonomia.  No  que  se  refere  às  exclusões  específicas  do  setor  de  saúde,  constantes  do  inciso  III, § 9º, artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a Recorrente discorre sobre a diferença entre os  Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.734          7 conceitos de “co­responsabilidade cedida” e “indenizações de eventos ocorridos efetivamente  pagos”, utilizando em seu argumento Parecer da ANS.   Em relação à  tributação das outras  receitas,  a Recorrente discorre acerca da  inconstitucionalidade  do  alargamento  da  base  de  cálculo  do  PIS  e COFINS,  nos  termos  das  decisões do Supremo Tribunal Federal.  (i) Ato Cooperativo  No  tocante  ao  ato  cooperativo,  discordo  das  alegações  trazidas  pela  Recorrente.  Em primeiro lugar, a Recorrente pleiteia a nulidade da presente autuação em  razão de o agente fiscal não ter segregado as receitas decorrentes de ato cooperativo e ato não  cooperativo. Rejeito a preliminar argüida. É que, no entender da fiscalização esta distinção é  irrelevante, inclusive, justamente por isso o auto de infração foi lavrado. Conforme registrado  nos  autos  pela  própria  fiscalização  e  contribuinte,  a  contabilidade  da  Cooperativa  faz  as  distinções necessárias, inclusive para o fim de atender as exigências da Agência Reguladora –  ANS. Assim, na hipótese de a Recorrente ter êxito em alguma de suas alegações, não haverá  problema para executar o acórdão proferido. De idêntica forma, a autuação não inviabilizou a  defesa da Recorrente, posto que partiu da conhecida premissa de que a segregação dos valores  era irrelevante.  Supero a prelimimar e passo ao mérito.  A Recorrente traz argumentos sobre atos cooperativos auxiliares, a função de  intermediadora  dos  planos  de  saúde,  a  isonomia  necessária  para  as  cooperativas,  o  que  justificaria  a  não  tributação  dos  valores  por  ela  recebidos  de  terceiros  para  a  utilização  dos  serviços médicos prestados pelos cooperados.  Não  encontro  guarida  para  as  alegações  da  Recorrente.  Entendo  que  ato  cooperativo  é  apenas  e  unicamente  aquele  prestado  entre  cooperado  e  cooperativa,  neste  aspecto,  a  simples  existência  de  terceiro  seria  suficiente  para  descaracterizar  o  ato  como  cooperativo. Irrelevante, para este raciocínio, os argumentos apresentados.  Ao  contrário  da  interpretação  apresentada  pelo  acórdão  exarado  pela  DRJ,  entendo pela não incidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperados. Todavia, divirjo dos  argumentos  da  Recorrente  no  sentido  de  que  todos  os  atos  por  ela  praticados  seriam  atos  cooperados. No caso, apenas  seriam atos cooperados, os prestados entre cooperativas e entre  cooperados e cooperativas, nos estritos termos da lei.  Por bem tratar da matéria, transcrevo voto proferido pela Conselheira Fabiola  Cassiano Keramidas nos autos do processo nº 13971.002373/2004­11:   “Para  esclarecer  do  que  se  trata,  aos  olhos  do  legislador,  o  cooperativismo,  a  legislação  estabelece,  ainda,  o  conceito  de  “ato cooperado” que, in casu, é importante para a definição da  questão da  tributação das cooperativas. Estabelece o artigo 79  da Lei nº Lei nº 5.764/71, verbis:  “Art.  79. Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre  as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     8 aquelas  e  pelas  cooperativas  entre  si  quando  associados,  para a consecução dos objetivos sociais.  Parágrafo  único. O ato  cooperativo não  implica operação  de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou  mercadoria.” (destaquei)  Portanto,  ato  cooperado  (ou  cooperativo)  é  aquele  praticado  pela  cooperativa  com  seus  associados  ou  com  outras  cooperativas.  Nada  impede,  contudo,  que  as  cooperativas  realizem  atos  negociais  com  terceiros.  Aliás,  justamente  em  cumprimento  de  seus  objetivos  sociais  as  cooperativas  normalmente realizam atos com terceiros. É sobre estes atos que  dispõe o artigo 86 da citada lei:  “Art.  86  –  As  cooperativas  poderão  fornecer  bens  e  serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda  aos  objetivos  sociais  e  estejam  de  conformidade  com  a  presente lei.  Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das  seções  de  crédito  das  cooperativas  agrícolas  mistas,  o  disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a  serem estabelecidas pelo órgão normativo.” (destaquei)  Ou seja, a própria lei, prevendo que, para atingir seus objetivos  sociais,  as  cooperativas  precisariam  realizar  atos  com  não  associados,  reconheceu  expressamente  tal  possibilidade  e  regulamentou­a, nos termos do artigo 87, a saber:  “Art.  87  –  Os  resultados  das  operações  das  cooperativas  com  não  associados,  mencionados  nos  artigos  85  e  86,  serão  levados à  conta do “Fundo de Assistência Técnica,  Educacional e Social” e serão contabilizados em separado,  de molde a permitir cálculo para a incidência de tributos.”  (destaquei)  Resta  evidente,  da  leitura  do  dispositivo  em  destaque,  que  em  relação  aos  atos  praticados  com  terceiros,  permite­se  a  incidência de tributos. Ademais, se a legislação explicita que os  resultados  das  operações  realizadas  com  terceiros  (não  cooperados)  deverá  ser  contabilizado  em  separado,  para  que  possa  haver  a  incidência  de  tributos  sobre  tais  resultados,  a  contrario  sensu  é  possível  concluir  que,  em  relação  aos  resultados  das  operações  realizadas  entre  cooperados  e  cooperativas  (os  chamados  atos  cooperados),  não  pode  haver  incidência tributária. A legislação, portanto, estabelece um caso  claro  de  não  incidência  tributária,  ao  retirar  do  campo  de  incidência os atos cooperados. Por outro lado, é evidente que os  atos  que  não  se  enquadram  em  tal  categoria,  quais  sejam,  aqueles  realizados  com  terceiros,  podem  ser  objeto  de  tributação.   (...)  Importa ressaltar, que a realização de atos entre as cooperativas  e  terceiros  é  perfeitamente  legal,  quando  tem  por  finalidade  o  benefício dos seus cooperados (afinal, este é o objeto social da  cooperativa,  em  última  análise).  Logo,  não  se  está  aqui  a  Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.735          9 discutir se os atos praticados pela Recorrente, com terceiros não  cooperados,  são  legais  ou  não.  Não  se  discute  que  tais  atos  foram realizados em benefício dos cooperados. O que se está a  analisar é se, nestas operações é cabível a incidência tributária.  Conforme mencionado acima, parece­me claro que a legislação  eximiu  da  tributação  os  atos  cooperados,  mas  manteve  a  possibilidade  de  incidência  tributária quando da  realização de  atos das cooperativas, com terceiros, ainda que em benefício de  seus  cooperados,  criando  mecanismo  visando  afastar  a  bitributação  de  mesmos  valores  (cujos  beneficiários  são,  em  última instância, os cooperados).  (...)  No  presente  caso  a  Recorrente  recebe  de  terceiros  (beneficiários)  valores  que,  embora  de  titularidade  dos  cooperados,  devem  ser  tributados  nesta  etapa  do  fluxo  financeiro,  pois  se  consubstanciam  faturamento,  sem  que  haja  disposição legal que autorize a não incidência tributária. Logo,  nego  provimento  à  alegação  da  Recorrente  de  inexistência  de  base tributável por ser totalmente decorrente de ato cooperado,  vez  que  é  devido  o  PIS  sobre  os  valores  recebidos  pela  Recorrente, ainda que em nome de seus cooperados, sendo tais  quantias  faturamento  tributável,  por  configurar  resultados  de  operações com não cooperados.”  A Recorrente pleiteia  também a  equiparação, por  isonomia,  às cooperativas  de  produção,  para  fins  de  exclusão  de  determinados  valores  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  COFINS.   A  possibilidade  de  redução  da  base  de  cálculo  está  calcada  no  Decreto  nº  4.524/02:  Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da  base  de  cálculo  das  contribuições,  podem  excluir  da  receita  bruta o valor (Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, art.15, e  Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36):  I  ­  repassado ao associado, decorrente da comercialização, no  mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa,  observado o disposto no § 1º ;  II ­ das receitas de venda de bens e mercadorias a associados;  III  ­ das  receitas decorrentes da prestação, aos associados,  de  serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a  assistência  técnica,  extensão  rural,  formação  profissional  e  assemelhadas;  IV ­ das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento  e industrialização de produção do associado;  V  ­  das  receitas  financeiras  decorrentes  de  repasse  de  empréstimos  rurais  contraídos  junto a  instituições  financeiras,  até o limite dos encargos a estas devidos; e   Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     10 VI  ­  das  sobras  apuradas  na  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de  Reserva  e  do  Fundo  de  Assistência  Técnica,  Educacional  e  Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971.  § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput:  I  ­  na  comercialização  de  produtos  agropecuários  realizada  a  prazo,  a  cooperativa  poderá  excluir  da  receita  bruta mensal  o  valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e   II  ­  os  adiantamentos  efetuados  aos  associados,  relativos  a  produção  entregue,  somente  poderão  ser  excluídos  quando  da  comercialização dos referidos produtos.  § 2º Para os  fins do disposto no  inciso  II do caput, a exclusão  alcançará  somente as  receitas decorrentes da venda de bens e  mercadorias  vinculadas  diretamente  à  atividade  econômica  desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa.  §  3º Relativamente  às  exclusões  previstas  nos  incisos  I  a V do  caput,  as  operações  serão  contabilizadas  destacadamente,  sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea,  com  a  identificação  do  associado,  do  valor  da  operação,  da  espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos.  §  4º  A  cooperativa  que  fizer  uso  de  qualquer  das  exclusões  previstas  neste  artigo  contribuirá,  cumulativamente,  para  o  PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.  §  5º  As  sobras  líquidas,  apuradas  após  a  destinação  para  constituição dos Fundos referidos no inciso VI do caput, somente  serão  computadas  na  receita  bruta  da  atividade  rural  do  cooperado  quando  a  este  creditadas,  distribuídas  ou  capitalizadas.  §  6º  A  entrega  de  produção  à  cooperativa,  para  fins  de  beneficiamento,  armazenamento,  industrialização  ou  comercialização,  não  configura  receita  do  associado.”  –  destaquei.   A  lei  é  clara  ao  aplicar  as  deduções  de  base  apenas  às  cooperativas  de  produção  (exceção  feita  ao  item VI),  tanto  é  assim  que  referem­se  à  “empréstimos  rurais”,  “venda de mercadorias”,”produtos”, “atividades rurais”.   Destaco  que  as  questões  realtivas  a  afronta  ao  princípio  constitucional  da  isonomia não pode ser analisada sob pena de afronta à Súmula CARF nº 2:   “SÚMULA  CARF  Nº  2  ­ O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Nunca é demias lembrar que aos conselheiros do CARF é vedado dexiara de  aplicar sumula editada por este colegiado.   Desta  forma,  também  não  pode  prevalece  a  alegação  da  Recorrente  neste  particular, razão pela qual nego provimento as alegações referentes à não incidência de PIS e  Cofins em decorrência de tratar­se de ato cooperativo.  Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.736          11 (ii) Exclusões Específicas do Setor de Saúde  Outra  discussão  presente  nos  autos  esta  relacionada  com  as  exclusões  específicas  aplicáveis  ao  setor de saúde, consubstanciada, especificamente, no  inciso  III, §9º,  artigo 3º, da Lei nº 9.718/98.  Da análise dos autos verifico que, neste ponto, a  fiscalização e contribuinte  divergem  sobre  aspectos  conceituais.  O  acórdão  recorrido  (fls.1667/  1760  defende  que  o  dispositivo legal citado se refere ao saldo apurado entre as diferenças dos valores recebidos e  repassados a título de co­responsabilidade cedidas.   Já  a Recorrente,  defende  que  se  trata  do  custo  com  indenizações  e  valores  recebidos a título de co­reponsabilidade cedida.  Entendo  estar  com  razão  a Recorrente. A questão  das  deduções  da  base  de  cálculo do setor de saúde foi bem analisada pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas nos  autos  do  processo  nº  13971.002373/2004­11,  em  voto  que  na  oportunidade  acompanhei,  in  verbis:   “Conforme esclarecido a Recorrente pretende, no que se refere à  sua natureza de operadora de saúde, excluir da base de cálculo  o valor referente aos ‘c) eventos a liquidar com assistência (...) –  despesas  efetuadas  pela  Contribuinte  com  os  eventos  indenizáveis, cuja dedução da base de cálculo é expressamente  contemplada no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.’   Para  que  seja  possível  concluir  acerca  do  requerido  pela  Recorrente, necessário  se  faz analisar as hipóteses de dedução  legalmente previstas, senão vejamos.  Claro está que a discussão em tela refere­se à conceituação da  base  de  cálculo,  para  as  contribuições  sociais  de  PIS  e  COFINS, das empresas do ramo de seguro saúde1 ­ Operadoras  de  Planos  de  Assistência  à  Saúde  (“OPS”),  as  quais  são  regulamentadas e  fiscalizadas pela ANS ­ Agência Nacional de                                                              1 RESOLUÇÃO­RDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000  Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde.    "Art. 10. As operadoras segmentadas conforme o disposto nos arts. 3º ao 9º desta Resolução deverão classificar­se  nas seguintes modalidades:  I administradora;  II ­ cooperativa médica;  III ­ cooperativa odontológica;  IV autogestão;  V ­ medicina de grupo;  VI ­ odontologia de grupo; ou  VII ­ filantropia."    RESOLUÇÃO NORMATIVA – RN Nº 159, DE 3 DE JULHO DE 2007  "Art. 2º Para fins desta resolução, define­se:  I – operadora de planos privados de assistência à saúde ­ OPS: a pessoa jurídica de direito privado constituída sob  a  forma  de  associação,  sociedade  simples  ou  empresária  que  opere  produto,  serviços  ou  contrato  de  planos  privados de assistência à saúde definidos no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998."    Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     12 Saúde Suplementar, vinculada ao Ministério da Saúde e criada  pela Lei 9.961/00.  Especialmente, interessa, para o caso em apreço, as operadoras  de saúde denominadas como de “medicina de grupo”, a saber:  RESOLUÇÃO­RDC  Nº  39,  DE  27  DE  OUTUBRO  DE  2000  Dispõe  sobre a definição, a  segmentação e a  classificação das  Operadoras de Planos de Assistência à Saúde.  “SEÇÃO V DA MEDICINA DE GRUPO Art. 15. Classificam­se  na modalidade de medicina de grupo as empresas ou entidades  que  operam  Planos  Privados  de  Assistência  à  Saúde,  excetuando­se  aquelas  classificadas  nas  modalidades  contidas  nas  Seções  I,  II,  IV  e  VII2  desta  Resolução.”  ­  destaquei  As  operadoras  de  medicina  de  grupo  oferecem  basicamente  dois  tipos  de  coberturas  assistenciais  na  área  da  saúde:  planos  de  saúde  e  seguros  saúde.  Ambos  são  sistemas  de  assistência  médico­hospitalar.   Os  planos  de  saúde  oferecem  aos  seus  usuários,  o  direito  de  usufruir  da  assistência  médica  em  caso  de  necessidade,  com  serviços  prestados  nas  instalações  próprias  da  operadora,  por  profissionais por ela empregados (denominados rede própria) e  estabelecimentos  terceiros,  contratados  pela  operadora  (denominados  credenciados),  nominalmente  indicados  em  livro  periódico  (os  livretos  do  plano).  Na  terminologia  de mercado,  estas  são  as  “operadoras”,  porque  efetivamente  “operam”  o  atendimento médico.   Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados  a  livre  escolha de profissionais,  hospitais e  laboratórios,  cujos                                                              2 “SEÇÃO I  DA ADMINISTRADORA  Art.  11.  Classificam­se  na  modalidade  de  administradora  as  empresas  que  administram  planos  ou  serviços  de  assistência à saúde, sendo que, no caso de administração de planos, são financiados por operadora, não assumem o  risco decorrente da operação desses planos e não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços  médico­hospitalares ou odontológicos.  SEÇÃO II  DA COOPERATIVA MÉDICA  Art.  12.  Classificam­se  na  modalidade  de  cooperativa  médica  as  sociedades  de  pessoas  sem  fins  lucrativos,  constituídas conforme o disposto na Lei n.º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que operam Planos Privados de  Assistência à Saúde.  (...)  SEÇÃO IV  DA AUTOGESTÃO  Art.  14.  Classificam­se  na  modalidade  de  autogestão  as  entidades  de  autogestão  que  operam  serviços  de  assistência  à  saúde  ou  empresas  que,  por  intermédio  de  seu  departamento  de  recursos  humanos  ou  órgão  assemelhado, responsabilizam­se pelo Plano Privado de Assistência à Saúde destinado, exclusivamente, a oferecer  cobertura  aos  empregados  ativos,  aposentados,  pensionistas  ou  ex­empregados,  bem  como  a  seus  respectivos  grupos  familiares  definidos,  limitado  ao  terceiro  grau  de  parentesco  consangüíneo  ou  afim,  de  uma  ou  mais  empresas,  ou  ainda  a  participantes  e  dependentes  de  associações  de  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  fundações,   sindicatos, entidades de classes profissionais ou assemelhados.  (...)  SEÇÃO VII  DA FILANTROPIA  Art. 17. Classificam­se na modalidade de filantropia as entidades sem fins lucrativos que operam Planos Privados  de  Assistência  à  Saúde  e  tenham  obtido  certificado  de  entidade  filantrópica  junto  ao  Conselho  Nacional  de  Assistência Social CNAS e declaração de utilidade pública federal junto ao Ministério da Justiça ou declaração de  utilidade pública estadual ou municipal junto aos Órgãos dos Governos Estaduais e Municipais."  Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.737          13 custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e  a utilização de  rede  referenciada,  indicada em  livro periódico.  Trata­se  de  típica  atividade  de  seguro,  denominando­se  vulgarmente  de  “seguradoras  de  saúde”.  Não  possuem  rede  própria.   A  diferença  básica,  portanto,  consiste  na  existência  ou  não  do  reembolso das despesas médicas aos associados e da existência  de  rede  própria  da  OPS.  Ambas  as  empresas  (que  comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de terceiros  (credenciados), mas apenas algumas possuem o custo de uma  rede própria.  No  caso  em  análise  a Recorrente  é operadora de  saúde  (OPS)  que  comercializa  planos  de  saúde  e  atua  na  forma  de  cooperativa, em razão deste fato, com base no parágrafo 9º, do  artigo  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  pleiteou  a  exclusão  da  base  de  cálculo dos valores referentes à rubrica contábil 2.2.1.  Logo,  a  questão  é,  a  legislação  permite  que  os  valores  referentes  às  consultas  e  honorários  médicos  pagos  à  credenciados,  cooperados  e  rede  própria  sejam  deduzidos  da  base de cálculo do PIS e Cofins?  A  Receita  Federal  vêm  entendendo  que  não  existe  esta  possibilidade,  pois  se  existisse  o  PIS  e  a  Cofins  das  OPS  incidiria sobre receita líquida, não sobre faturamento, elemento  que efetivamente compõe o aspecto quantitativo da regra matriz  de incidência tributária.  É  indiscutível  que  o  segmento  de  saúde  é  altamente  peculiar,  tanto que sua Contabilidade possui, inclusive, Plano de Contas  Próprio,  instituído  e  “controlado”  pela  ANS.  Tal  fato  é  imprescindível  para  o  deslinde  da  questão,  pois  as  matérias  fiscais  em  discussão  apenas  têm  sentido  se,  também,  forem  analisadas  com  base  neste  Plano  de  Contas,  o  qual  reflete  as  especificidades do setor.  Pois  bem.  Em  primeiro  lugar  faz­se  necessário  consolidar  o  entendimento  do  que  é  faturamento  para  uma  operadora  de  saúde,  nos  termos  da  interpretação  consolidada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (“receita  da  venda de  produtos  e  serviços”).  Parece­me evidente que uma OPS tem como faturamento  todos  os valores cobrados a título de: (i) prestações mensais faturadas  contra  seus  clientes,  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  de  direito  público ou privado, bem como (ii) prestação de serviços médicos  com a utilização de sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto  socorros,  ambulatórios,  consultórios,  etc)  por  terceiros,  aqui  entendidos  quaisquer  pessoas  físicas  ou  jurídicas  ,  inclusive  outras operadoras de saúde.  Ao meu sentir, é esta, conceitualmente,  toda a receita passível  de ser  faturada pela operadora de saúde,  logo, estes valores é  que consistem no faturamento das OPS.   Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     14 A  complexidade  para  o  correto  entendimento  da  legislação  de  PIS e COFINS específica para as OPS se evidencia a partir da  análise prática do conceito de faturamento, justamente porque a  ANS estabeleceu no Plano de Contas Contábil das Operadoras,  (a) algumas rubricas de custos classificadas no mesmo Grupo  de Contas deFaturamento/Receita das Operadoras e (b) outras  rubricas  de  faturamento  classificadas  no  mesmo  Grupo  de  Contas de Custos/Despesas. É o caso, respectivamente :  a) dos CUSTOS  INCORRIDOS COM OUTRAS OPERADORAS  (CONGÊNERES)  que  são  contabilizados  no  Grupo  3  –  RECEITAS  ­  (conta  3117  e  3118)  reduzindo  o  montante  do  Faturamento  /  Receitas  Operacionais  da  Operadora  (conta  redutora);  e  b)  das  receitas  advindas  do  FATURAMENTO  CONTRA  OUTRAS  OPERADORAS  (CONGÊNERES)  que  são  classificadas  no Grupo  4  –  DESPESAS  ­  (conta  4123  e  4124)  reduzindo  o  montante  dos  Custos  e  Despesas  dos  eventos  assistenciais (conta redutora).  Desta  forma,  o  faturamento  das  OPS,  conforme  conceito  pré­ definido  (total  dos  valores  referentes  a  venda  de  produtos  e  serviços, e coberturas oferecidas), não é encontrado apenas nas  rubricas contábeis do GRUPO 3, contas de RECEITAS.  Acrescido a este fato, o legislador optou para fins de incidência  das  contribuições  ao  PIS  e  COFINS  ­  que  sabidamente,  no  sistema  cumulativo,  incidem  sobre  o  faturamento  e  de  forma  cumulativa ­ a possibilidade de abatimentos na base de cálculo  do tributo.   Frise­se,  não  houve  alteração  no  conceito  de  faturamento,  como havia quando se pretendeu a equiparação do conceito de  faturamento à receita bruta3 (o que foi julgado inconstitucional  pela Suprema Corte),  o  legislador apenas orientou a apuração  das bases de cálculo do PIS e da COFINS às peculiaridades do  plano  de  contas  contábil  específico  a  incidência  e  concedeu  determinado  benefício  de  diminuição  de  carga  tributária,  consubstanciado  na  redução  da  base  de  cálculo  dos  referidos  tributos.  Neste  particular,  erra  a  fiscalização  ao  regularmente  limitar  a  interpretação  das  deduções  de  base,  sob  o  entendimento de que outra interpretação alteraria o conceito de  faturamento. Diz o dispositivo legal:  “Art. 2°. O art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998,  passa a vigorar com a seguinte redação:                                                              3  Tal  equiparação  foi  declarada  inconstitucional  pelo  Pleno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  no  julgamento  do  Recurso Extraordinário n.° 357.950, em sessão de 09/11/2005.    “Lei nº 9.718/98  (...)  Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão  calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.  Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.   § 1º Entende­se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo  de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de  27 de maio de 2009)   (...)”    Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.738          15 (...)  § 9° ­ Na determinação da base de cálculo da contribuição para  o  PIS/PASEP  e  COFINS,  as  operadoras  de  planos  de  assistência à saúde poderão deduzir:  I— co­responsabilidades cedidas;  II  ­  a  parcela  de  contraprestações  pecuniárias  destinadas  à  constituição de provisões técnicas;  III  —  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  titulo  de  transferência  de  responsabilidades.”  Aqui chego ao ponto nevrálgico da questão. O que significam os  incisos do parágrafo 9º supra ? Alcançam a exclusão pretendida  pela Recorrente?   Para melhor compreensão de meus pares, passo a analisar cada  inciso,  com  base  na  legislação  específica  do  setor,  subsidiada  pelas determinações estabelecidas no Plano de Contas Contábil  adotado pelas OPS, definido pela Agência Nacional de Saúde.   Co­Responsabilidades  Cedidas  ­  É  de  sumária  nitidez  a  determinação  contida  na  Lei  nº  9.718/98  (introduzida  pela  Medida  Provisória  nº  2.158­35),  sobre  a  possibilidade  de  exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de  saúde  (OPS),  dos  valores  referentes  às  co­responsabilidades  cedidas.  Neste  ponto,  crucial  é  saber  o  que  são  “co­ responsabilidade  cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas  que operam a saúde podem fazê­lo por meio de sua rede própria  e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que  esses  terceiros,  também  denominados  de  “credenciados”  ou  “congêneres”  podem  ser  contratados  de  forma  direta  ou  indireta.   Os credenciados contratados de  forma direta (ou simplesmente  credenciados)  prestam  o  serviço  “em  nome”  e  sob  a  responsabilidade  da  OPS  contratante.  Aqui,  não  há  transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à  saúde  dos  beneficiários  ou  usuários  dos  planos  de  saúde.  O  credenciado  é  contratado  para  a  prestação  de  serviços  específicos  a  serem  prestados  consoante  sua  especialidade  médica,  trata da  saúde dos beneficiários do plano por evento.  Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do  plano  de  saúde  em  seu  consultórios  particulares  e  são  remunerados  pelas  OPS,  em  função  da  quantidade  de  horas  dispendidas ou pela quantidade de consultas efetuadas.   Já as congêneres ­ credenciados contratados de forma indireta ­  são  outras  OPS  (denominadas  de  congêneres  por  serem  do  mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir  a  responsabilidade  pela  cobertura  de  assistência  à  saúde  de  determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de  Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     16 saúde  da  OPS  contratante.  Aqui  se  identifica  a  TRANSFERÊNCIA  DE  RESPONSABILIDADE  ou  TRANSFERÊNCIA  DE  RISCO.  Essas  congêneres  prestam  o  serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem  diretamente  pelo  serviço  prestado.  As  congêneres  obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras  registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar.  A  congênere  assume  o  risco  de  tratar  permanentemente  da  saúde  dos  usuários  que assumiu de outra OPS,  cobrando para  tanto  uma  taxa  mensal  para  “cuidar”  dos  beneficiários  que  foram  “transferidos”  aos  seus  cuidados.  Portanto,  recebe  um  valor  fixo  contratado  entre  as  partes,  sendo  este  valor  devido  ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário.   De forma sumária tem­se que no primeiro caso (“credenciado”),  a  responsabilidade  é  da  OPS  contratante  e  o  pagamento  do  serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto  no  segundo  caso  (“congêneres”),  a  responsabilidade  pelo  atendimento  médico  é  da  OPS  contratada  e  o  pagamento  é  realizado mensalmente,  apurado de acordo com a quantidade  de  beneficiários  transferidos/cobertos  pela  congênere.  Esta  questão da responsabilidade é  regulada pela própria ANS, que  para  garantir  os  beneficiários  exige,  cada  vez  que  a  OPS  credencia  um  prestador  de  serviço,  uma  série  de  documentos/informações.   A substituição de prestadores de serviços na rede credenciada –  principalmente  congêneres  ­  é  procedimento  complicado  e  burocrático  que,  caso  desrespeitado,  impõe  severas  multas  às  OPS, justamente pela necessidade de manutenção da capacidade  e da qualidade de atendimento aos usuários dos planos de saúde.   Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a  rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma  vez  que  se  refere  à  abrangência  geográfica  da  prestação  do  serviço.  Logo,  as  regras  aplicáveis  às  congêneres  são  denominadas regras de PRODUTO.   Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso  I”  do  citado  §9º,  menciona  que  serão  excluídos  da  base  os  valores  referentes  à  “co­responsabilidade  cedida”.  Trata,  portanto,  de  responsabilidade  e  de  cessão.  Neste  aspecto,  o  dispositivo  legal  mencionado  permite  que  sejam  excluídos  da  base  de  cálculo  os  valores  pagos  justamente  para  estas  congêneres,  que  se  responsabilizam  por  determinados  beneficiários  da  OPS  contratante,  do  que  se  conclui,  por  dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados  (contratados  de  forma  direta)  não  se  enquadram neste “inciso  I”.  No  Plano  de  Contas  adotado  pela  ANS,  a  percepção  de  qual  seria este número está evidente – e por isso mesmo não costuma  gerar  dúvidas  para  a  fiscalização,  é  que  estes  valores  estão  registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e  3.1.1.8.  São  os  CUSTOS  COM  CONGÊNERES  e  estão  classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS.  Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.739          17 A mera análise do Plano Contábil é suficiente para constatar­se  que,  na  prática,  este  valor  seria  naturalmente  deduzido  do  montante  das  Receitas,  uma  vez  que  se  trata  de  uma  “conta  redutora”  de  receita,  com  a  necessária  aposição  do  sinal  negativo,  melhor  dizendo,  valor  inverso  ao  das  contas  de  receitas, verbis:  “CONTA:  3.1.1.7  (­)  CONTRAPRESTAÇÕES  DE  CORRESPONSABILIDADE  TRANSFERIDA  DE  ASSISTÊNCIA  MÉDICO  HOSPITALAR”  A  providência  legislativa,  portanto,  ao  definir  a  exclusão  da  conta  3.1.1.7,  responsável  pelo  registro  do  “custo”  com  a  contratação  das  congêneres  como  prestadores  de  serviços,  ajustou  o  valor  da  base de cálculo do PIS e da COFINS das OPS, retirando do total  faturado  o  montante  “repassado”  (pago  ou  prometido  pagar)  aos  terceiros  que  “assumiram”  a  assistência  de  determinados  beneficiários.  A  meu  sentir,  resta  inconteste  que,  por  força  de  lei,  houve  a  redução da base do PIS e Cofins pela exclusão de valores pagos  a prestadores de serviços, neste item em particular credenciados  congêneres (que assumem a responsabilidade pela cobertura de  atendimento  à  saúde  de  determinados  beneficiários  da  OPS  contratante),  e  que  são  sem  dúvida  terceiros.  E  este  fato  não  significa que a legislação alterou o significado de faturamento,  mas  que  definiu,  isso  sim,  um  benefício  ao  setor  de  saúde  ao  permitir que as OPS excluam das bases de cálculo dos tributos  em questão, os valores repassados aos terceiros congêneres.   Friso: não se refere à alteração do conceito de faturamento, mas  apenas de  exceção  legal que,  enquanto válida, vigente e eficaz  no  ordenamento  jurídico,  deve  ser  observada  por  toda  administração pública.  Provisões  Técnicas  A  possibilidade  da  exclusão  dos  valores  destinados à constituição das  reservas  técnicas obrigatórias às  OPS  (a  parcela  de  contraprestações  pecuniárias  destinadas  à  constituição de provisões técnicas) também não gera dúvida, em  virtude  da  setorização  em  rubrica  contábil  própria.  A  manutenção das reservas  técnicas pelas OPS são exigidas pela  ANS  que  também  estabelece  os  níveis  de  valores,  bem  como  exige que essas obrigações estejam integralmente garantidas por  ativos  reais  (imóveis  hospitalares  em  funcionamento  ou  em  aplicações  financeiras  diversificadas  e  de  liquidez  imediata).  Essas provisões são necessárias para garantir a manutenção da  atividade  das  OPS  em  caso  de  risco  de  descontinuidade  no  atendimento  aos  seus  beneficiários,  e  se  justificam  pela  característica social do serviço prestado.  Neste  aspecto,  na  hipótese  de  a  operadora  de  saúde  deixar  de  atender os  seus beneficiários  ­ em virtude, por exemplo, de má  administração, a ANS prevê diversas regras para a manutenção  do  serviço  até  a  equalização  do  problema,  regras  estas  que  determinam, inclusive, a intervenção direta na direção da OPS.  Para  estas  situações,  prevê­se  a  utilização  das  provisões  Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     18 realizadas pelas empresas, na mesma  linha do que ocorre com  as  seguradoras,  que  não  de  saúde,  sujeitas  às  determinações  deste tipo pela Superintendência de Seguros Privados ­ SUSEP.  Ao  tratar  das  deduções  relativas  às  provisões  a  legislação  contempla  a  exclusão  da  “parcela  de  contraprestações  pecuniárias  (ou seja,  faturamento) destinadas à constituição de  provisões  técnicas”.  A  lei  permite,  portanto,  que  o  valor  recebido  a  título  de  receita  que  for  destinado  às  Reservas  Técnicas  obrigatórias  por  lei  (regulamentação  da  ANS)  seja  excluído da tributação do PIS e Cofins.  Impera  recordar  que  dispositivo  semelhante  desonera  estes  mesmos  valores  de  Imposto  de  Renda  e  Contribuição  Social  sobre o Lucro – CSL – estando o legislador na firme intenção de  não  tributar  valor  que,  por  força  de  lei,  seja  indisponível  ao  contribuinte.  Ante o exposto, parece­me clara a exclusão, da base de cálculo  do PIS e Cofins, dos valores referentes às Provisões Técnicas. E  vez  que  os  valores  estão  definidos  em  conta  específica  (SUBGRUPO:  3.1.2.  ­  VARIAÇÃO  DA  PROVISÃO  TÉCNICA  DE OPERAÇÕES DE ASSIST. À SAÚDE) não costuma causar  problemas de interpretação entre os agentes da Receita Federal.  Entendo  que  a  questão  não  está  diretamente  discutida  nestes  autos,  mas  é  preciso  analisar  todas  as  hipóteses  de  exclusão  para que seja possível concluir se o procedimento adotado pela  Recorrente encontra supedâneo legal.  Indenizações  Referentes  a  Eventos  Ocorridos  Este  é,  seguramente,  dos  conceitos  trazidos pela  legislação, o de mais  difícil  interpretação. As maiores  divergências  estão  justamente  no entendimento de sua significação.  Isso  porque,  a  despeito  de,  assim  como  nos  itens  analisados  anteriormente,  existir  uma  rubrica  contábil  indicando  quais  seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes  administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não  pode  ter  sido  a  intenção  do  legislador,  uma  vez  que  o  PIS  e  Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de  toda a rubrica contábil, estar­se­ia tributando apenas a receita  líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é  possível  a  “mudança  do  conceito  de  faturamento”,  não  se  admite,  ao  contribuinte,  qualquer  exclusão  referente  a  este  inciso.  De  acordo  com  este  raciocínio  a  fiscalização  proferiu  várias  interpretações  no  sentido  de  não  permitir  aos  contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS  do valor pago aos credenciados.  A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa  negativa  à  aplicação  do  dispositivo  legal,  o  que  não  pode  ser  feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu  alguma  espécie  de  exclusão,  não  resta  dúvida,  e  para  tal  conclusão basta ler os termos da lei.  Vejamos  os  exatos  termos  trazidos  sobre  este  assunto  no  parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber:  Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.740          19 “§  9°  ­  Na  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  COFINS,  as  operadoras  de  planos  de  assistência à saúde poderão deduzir:  (...)  III  —  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  titulo  de  transferência  de  responsabilidades.”   Da  análise  do  texto  citado,  parece­me  que  para  decifrar  a  intenção do  legislador é preciso repartir o dispositivo em duas  partes:  (a)  indenizações  de  eventos  ocorridos  e  efetivamente  pagos  e  (b)  valores  recebidos  a  titulo  de  transferência  de  responsabilidades.  A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se  trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser  excluídas as  referidas  indenizações, mas deverão ser  incluídos  os  valores  recebidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidades.   A  expressão  “...  poderão  deduzir  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos...”  é  óbvia.  Inconteste  que  é  possível  a  exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor?  Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação  a  este  inciso  por  entender  que  seria  “tributação  de  receita  líquida”  é  uma  discussão  que  não  pertence  a  este  tribunal  administrativo  e  uma  interpretação  defesa  às  autoridades  administrativas.  Se  o  questionamento  é  sobre  a  regularidade/constitucionalidade  da  lei,  no  sentido  do  desvirtuamento  da  intenção  do  legislador,  é  preciso  que  os  órgãos  competentes  (no  caso  a  Advocacia  Geral  da  União  –  AGU)  tomem  as  medidas  cabíveis  para  obter  a  invalidade  do  dispositivo  normativo.  Não  compete  ao  auditor  fiscal,  assim  como  ao  julgador  administrativo,  deixar  de  aplicar  a  lei,  sob  pena de responsabilidade funcional.  É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo  mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida  pelo  legislador  se  ela  for  pautada  na  interpretação  do  dispositivo  legal.  Assim,  minha  questão  quanto  ao  posicionamento  adotado  pela  fiscalização  é:  se  os  agentes  administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a  rede  própria  não  consistem  em  indenizações  dos  eventos  ocorridos, o que consiste?   De  pronto,  afasto  o  entendimento  de  que  o  inciso  III  está  vinculado  aos  eventos  decorrentes  de  “cessão  de  responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento  com  “cessão  de  responsabilidade”,  esta  apenas  é  possível,  inclusive  por  determinação  da  ANS,  quando  se  opera  a  “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive,  Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     20 o  pagamento  por  cessão  da  responsabilidade  independe  de  qualquer  evento,  é  devido  simplesmente  porque  a  responsabilidade  foi  transferida. O  simples  fato do pagamento  para  CONGÊNERES  e  para  simples  CREDENCIADOS  ser  realizado  de  forma  diferente  (o  primeiro  fixo  por  mês,  o  segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para  se constatar a diferença do inciso I e III neste particular.  Neste  diapasão,  em  termos  operacionais,  quando  se  trata  de  indenização por evento, automaticamente  se exclui a cessão de  responsabilidade, razão pela qual  todos os valores referentes à  transferência de  responsabilidade  estão  localizados no  inciso I  do citado § 9º.  Por  idêntica  forma, aparto a  interpretação de que o legislador  não  pretendeu  excluir  da  base  de  cálculo  o  valor  pago  a  terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º refere­se  a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie  de  credenciados  contratados  de  forma  indireta.  Neste  sentido,  que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a  terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio  inciso I do dispositivo legal analisado.  Com  este  raciocínio  questiono:  qual  o  conceito  de  eventos  ocorridos?  O  que  o  legislador  pretendeu,  ao  expressamente  conceder  a  possibilidade  de  redução  da  base  de  cálculo  dos  tributos em discussão?  A  despeito  do  entendimento  que  vêm  sendo  apresentado  pela  fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS,  os  eventos  ocorridos  estão  sim  definidos  na  conta  “4.1.  EVENTOS  INDENIZÁVEIS  LÍQUIDOS  /  SINISTROS  RETIDOS”.  E  trata­se  de  identidade  de  classificação,  é  exatamente  este  termo – eventos – que permite a  interpretação  que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil.  Várias  OPS  aplicam  este  entendimento  de  forma  genérica  e  excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da  conta  “4.1.1.  EVENTOS  CONHECIDOS  /  INDENIZAÇÕES  AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICO­HOSPITALAR”.  Todavia,  também  não  coaduno  com  este  entendimento.  É  que  entendo  que,  como  se  trata  de  benefício  fiscal,  a  lei  deve  ser  analisada  em  seus  termos  literais4,  lembrando  que  no  ordenamento jurídico não há palavras inúteis.  A  rubrica  4.1.1.  contém  registros  dos  custos  incorridos  com  a  rede  própria  e  a  rede  contratada  (no  caso  terceiros  simplesmente  credenciados,  não  congêneres).  Ocorre  que  entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no  dispositivo de desoneração legal. Explico.                                                              4 Código Tributário Nacional:    "Art. 111. Interpreta­se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:    I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II ­ outorga de isenção;  III ­ dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias."  Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.741          21 Conforme  se  depreende  do  texto  legal,  o  inciso  III  permite  a  dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes  aos eventos  ocorridos, efetivamente  pagos  ...” O que  significa  indenizações  de  eventos  ocorridos  efetivamente  pagos?  Mais  uma vez socorro­me dos aspectos técnicos específicos do setor.   É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da  sociedade,  não  apenas  por  tratar  de  serviço  essencial  e  se  sujeitar às  regras definidas por Agência Reguladora, mas pela  própria  operação  e  exatamente  por  isso  é  que  a  legislação  limitou  à  possibilidade  de  exclusão  da  base  de  cálculo  aos  eventos ocorridos efetivamente pagos.  Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da  ANS,  a  sistemática  de  procedimento  das  empresas  de  saúde  geralmente obedece ao seguinte critério:   (1)­O  credenciado  presta  o  serviço  para  o  beneficiário;­ Janeiro/X1  (2)­após  o  serviço  prestado,  este  credenciado  informa  à OPS,  apresentando  a  documentação  suporte  necessária  para  o  ressarcimento  do  custo,  já  que  a  credenciada  trabalha  por  evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa  quando desse aviso/notificação.­Fevereiro/X1  (3)­apenas  após  validar  a  informação  da  credenciada  a  OPS  realiza o pagamento.­Março/X1  As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos  contábeis  e  extra­contábeis,  integrados  com  os  controles  da  ANS,  e  toda  esta  informação  é  importante  porque  justamente  com  base  nesta  movimentação  de  faturamento/  pagamento/  despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os  seus  controles,  não  necessariamente  contábeis. Por  exemplo,  é  com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores  que  precisarão  ser  provisionados  (as  mencionadas  Provisões  Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim  como  são  controladas  as  alterações  de  produto  (descredenciamento/  alteração  de  rede  credenciada).  Pode­se  citar,  ainda,  o  cruzamento  de  informações  com  o  SUS  (que  é  uma  espécie  de  terceiro,  uma  vez  que  as  operadoras  precisam  ressarci­lo na hipótese da Rede pública de atendimento médico  vir a atender beneficiários das OPS).  Neste  diapasão,  os  eventos  ocorridos  em  janeiro/X1,  serão  reconhecidos  contabilmente  em  fevereiro/X1,  quando  AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando  da validação e aprovação final das contas apresentadas para a  OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento.   Este  procedimento  específico  tem  uma  razão  de  ser.  Até  o  momento do pagamento podem ocorrer ­ e efetivamente ocorrem  –  glosas.  Assim,  na  hipótese  de  o  legislador  permitir  a  contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando  valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a  Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     22 legislação  adota  o  custo  efetivo  do  evento,  não  o  valor  informado  pelo  credenciado,  mas  aquele  efetivamente  aceito  pela OPS contratante e efetivamente pago.  Pode­se dizer que, com este procedimento, o  legislador buscou  os  números  finais  mais  objetivos  possíveis,  pois  a  partir  do  pagamento entende­se incabível qualquer tipo de reajuste. Esta  “apuração  do  número  final”,  inclusive,  permite  a  rastreabilidade  dos  valores  envolvidos,  por  ser  um  número  definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de  números  preliminares  sujeitos a ajustes nos meses  seguintes,  o  que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão.  É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e  por  isso  que  se  tornou  imperioso  ao  legislador  reconhecer  a  especificidade  do  setor  e  determinar  que  apenas  poderia  ser  deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido  efetivamente pago”,  sob pena de  (i)  o benefício não poder  ser  aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou,  no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não  pagos, e reconhecidos contabilmente.  É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do  setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da  conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela  rubrica  que  podem,  a  meu  ver,  ser  considerados  como  “indenizações”  ou  ‘eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos”.  A  Rede  Própria  consiste  no  exercício  direto  do  serviço  médico,  incluindo  portanto  todos  os  custos  e  despesas  operacionais  decorrentes  da  utilização  de  hospitais,  clínicas,  ambulatórios,  laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos  empregados  médicos  e  paramédicos,  depreciação  dos  imóveis  operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratá­los nos  limites de definição ao termo “indenização”.  Estes  eventos  não  são  “indenizados”  pelas  OPS,  mas  sim  custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser  avisada  ou  aguardar  qualquer  procedimento  de  confirmação  para  ser “efetivamente paga”,  é  simplesmente elaborada pelas  OPS  e  paga,  de  forma  automática,  todos  os  meses,  como  em  qualquer outra empresa.   Não  me  parece,  ao  conhecer  o  procedimento  do  setor,  que  os  valores  referentes  à  rede  própria  estejam  dentre  aqueles  imaginados  pelo  legislador,  e  esta  interpretação  decorre  justamente da análise dos termos legais.  Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III  com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível  que  são  estes  os  valores  cuja  exclusão  foi  pretendida  pelo  legislador.  Os  credenciados  –  não  congêneres  –  atuam  por  evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após  estar efetivamente confirmado pela OPS contratante.  Entretanto, é preciso atentar para o fato de que não são todos os  eventos  AVISADOS  pelos  terceiros  que  serão  deduzidos,  mas  apenas  aqueles  efetivamente  pagos,  por  isso  se  considera  a  conta contábil de resultado.  Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.742          23 Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento  para  as OPS,  esta  questão  já  foi  superada quando definida a  base  de  cálculo.  Trata­se  de  dar  efetividade  à  intenção  do  legislador  que  foi,  claramente,  beneficiar  esse  setor  de  saúde  com  a  exclusão  de  determinados  valores  da  base  de  cálculo  constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do  valor total do faturamento).   Ante  os  esclarecimentos  expostos,  entendo  que  o  inciso  III,  do  parágrafo 9º,  do artigo 3º,  da Lei nº 9.718/98 determinou com  absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos  terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se  coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados.  No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste  inciso,  mais  uma  vez  deparamo­nos  com  o  conceito  de  transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, tem­ se  a  transferência  de  responsabilidade  quando  a  outra OPS  e  exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da  OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente  pela  prestação  do  serviço  médico.  No  caso,  assim  como  a  Recorrente  contrata  terceiros  para  lhe  prestar  serviços,  no  exercício  de  suas  atividades  é  contratada  por  outras  empresas  para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume  a  totalidade  dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de  determinados  usuários  da  OPS  contratante.  Dessa  forma,  as  partes  estabelecem  o  valor  que  a  contratada  deverá  faturar  contra a contratante, usualmente em função das quantidades de  beneficiários  a  serem  assistidos  e  o  tipo  do  plano  de  saúde  (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são  muito  comuns  neste  segmento  em  virtude  da  necessária  abrangência  geográfica  dos  planos  de  saúde.  É  certo  que  as  pessoas  estão  em  constante  movimento,  e  esta  mobilidade  faz  com  que,  às  vezes,  tenham  que  ser  atendidas  em  locais  (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu  plano  de  saúde  possui  estabelecimento,  bem  como  os  clientes  corporativos  que  mantém  filiais  e  empregados  em  vários  municípios  brasileiros,  onde  a  OPS  contratada  pelo  cliente  empresarial,  não  tem  estabelecimento.  Assim,  para  poder  atender  aos  seus  beneficiários,  e  com a  devida  autorização da  ANS, as OPS se  servem de outras empresas de saúde, as quais  terão  condições  de  atender  o  beneficiário  de  acordo  com  as  especificidades e nos locais que estes necessitem.  A meu ver,  é  evidente que  esta  receita – mensalidade recebida  pela  Recorrente  para  atender  beneficiários,  ainda  que  de  terceiros  –  é  faturamento  da  Recorrente.  Está  vinculado  ao  objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços.  Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta  receita,  nos  termos  do  Plano  de  Contas  da  ANS,  não  estão  registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao  contrário,  estão  registrados  no  GRUPO  4,  que  é  rubrica  de  CUSTOS e DESPESAS.  Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     24 Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS  contratada  como  congênere  (empresas  pertencentes  ao  mesmo  gênero  da  Recorrente)  contra  a  OPS  que  a  contratou,  é  classificada  contabilmente  como  uma  rubrica  redutora  dos  Custos e Despesas, in verbis:  “ CONTA: 4.1.2.3  (­) RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO  DE EVENTOS/  SINISTROS EM CO­RESPONSABILIDADE  DE  ASSISTÊNCIA  MÉDICO  HOSPITALAR”  Registro  que  esta  é a  exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7.  ­  conta  redutora  das  Receitas  que  está  expressamente  excluída  da  tributação,  conforme  inciso  I  –  razão pela qual  é necessário o  seu  reconhecimento  e  inclusão na base de  cálculo dos  tributos  em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidades,  a  legislação  garante  que  aquele  que  efetivamente  prestou  o  serviço,  seja  tributado.   Parece­me  claro  que,  em  relação  a  este  item  o  legislador  pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das  operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu  faturamento  total,  uma  vez  que  a  sua  aposição  em  conta  redutora  de  custos  e  despesas  podia  evitar que  fosse  tributado  pelo  PIS  e  Cofins,  mesmo  consistindo  faturamento  da  operadora.”  Neste  contexto,  entendo  que  assiste  razão  à  Recorrente,  no  sentido  da  exclusão  da  base  de  cálculo  dos  valores  pagos  a  credenciados  terceiros  (não  a  totalidade  da  conta contábil 4.1.1., que conta com valores relativos à rede própria por exemplo) mas aqueles  valores pagos a credenciados.   Para  fim  de  ajuste,  deverá  ser  acrescido  o  valor  recebido  a  título  de  co­ responsabilidade cedida, o qual deve ser oferecido à tributação pela Recorrente.   Esclareço  que  a  decisão  recorrida  glosou  equivocadamente,  a  meu  ver,  o  desconto  realizado  pela  Recorrente  relativo  ao  valor  pago  a  título  de  co­responsabilidade  cedida, tendo entendido que apenas parte deste valor pode ser deduzido.   A exclusão da totalidade do valor pago a título de co­responsabilidade cedida  está  prevista  no  inciso  I  do  mencionado  §9  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98.  Não  pode  ser  confundindo com o inciso III e, portanto, não pode ser glosado pela fiscalização.  (iii) Outras Receitas  Por  fim,  resta  analisar  a questão  relacionada  a  possibilidade  de  inclusão na  base de cálculo das contribuições de receitas estanhas ao faturamento no período de vigência  da  Lei  9.718/98,  uma  vez  que  o  presente  auto  de  infração  utilizou  a  base  alargada  para  o  cálculo das contribuições lançadas.  Do Termo de Constatação de fls. 1326, destaco:  Desta análise, constatamos que o contribuinte deixou de incluir  no total das Receitas no período de 01/2008 a 12/2008 e 01/2009  a  05/2009  a  conta  34  –  “Receitas Financeiras”  como  também  deixou  de  incluir  os  valores  lançados  na  conta  333­  “outras  receitas oper. De assit. Saúde não relacionados com o plano”.  Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.743          25 Tais receitas deveriam ser incluídas para a apuração da base de  cálculo das contribuições  tendo em vista o disposto no § 1º do  art.  3º  da  Lei  9.718/98,  que  teve  vigência  até  05/2009,  sendo  posteriormente revigado pelo art. 79 da Lei nº 11.941/09.  Em  relação  ao  alargamento  da  base  de  cálculo,  a  questão  encontra­se  pacificada no E. STF, que decidiu no seguinte sentido:  CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE  ­ ARTIGO 3º, §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  ­  EMENDA CONSTITUCIONAL Nº  20, DE  15 DE DEZEMBRO  DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO  ­  INSTITUTOS  ­  EXPRESSÕES  E  VOCÁBULOS  ­  SENTIDO.  A  norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional  ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PIS  ­  RECEITA  BRUTA  ­  NOÇÃO  ­  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI  Nº  9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindo­as  à  venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.  É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  (RE 346.084/PR. Relator(a): Min.  ILMAR GALVÃO.  Relator(a)  p/  Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO.  Julgamento:  09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno)  Do voto do Relator do Acórdão, Ministro Marco Aurélio, destaco:  “Vale dizer que se está diante de diploma normativo cujo § 1 do  art. 3 veio à luz sob o signo da inconstitucionalidade parcial, ao  fazer compreender no conceito de receita bruta do contribuintes  entradas outras diversas do produto da venda de mercadorias e  serviços,  instituindo,  por  conseqüência,  nova  fonte destinada a  garantir a manutenção da seguridade social , o que somente por  lei complementar poderia se feito validamente, como previsto no  § 4º do referido art. 195 da Carta”.  Importante  ressaltar  que,  embora  ao  julgador  administrativo  faleça  competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, o Regimento Interno deste Conselho,  em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, assim prescreve:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     26 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  No mesmo sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já vinha afastando a  incidência  das  contribuições  sobre  as  receitas  que  não  sejam  decorrentes  do  faturamento  da  empresa, senão vejamos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  31/08/1998  a  31/07/2003  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  FATOS  ALEGADOS.  É preciso que o contribuinte comprove os fatos alegados, ou ao  menos  traga  aos  autos  provas  circunstanciais  ou  indícios  suficientes  para  que  se  requisite  a  perícia  contábil.  A  não  apresentação de documentos suficientes ou fatos objetivos neste  sentido tornam verdadeiras as alegações da Fiscalização.  COFINS.  LEI  Nº  9.718/98  (ALARGAMENTO  DE  BASE).  INCONSTITUCIONALIDADE DA SELIC.  O  recente  julgamento  de  inconstitucionalidade  da  Lei  nº  9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorada  pelo  tribunal  administrativo,  devendo,  inclusive,  ser  reconhecida  e  aplicada  de  ofício  por  qualquer  autoridade  administrativa  a  nulidade  da  norma,  sob  pena  de  enriquecimento  ilícito.  Acertada  a  aplicação  da  taxa  Selic.  Recurso  provido  em  parte  (Acórdão  .  201­81.031.  Relatora  FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS)  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS   Data do fato gerador: 31/08/2000  INCONSTITUCIONALIDADE.  DECISÃO  DEFINITIVA  DO  STF. APLICAÇÃO.Tendo o Pleno  do  STF declarado, de  forma  definitiva,  a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da Lei  nº  9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta  decisão  para  afastar  a  exigência  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  receita  de  deságio.  Recurso  provido  (Acórdão.  201­80.899.  Relator Walber José da Silva)  Assim,  a  receitas  estranhas  ao  faturamento,  lançadas  nas  contas  34  –  “Receitas  Financeiras”  e  conta  333­  “outras  receitas  oper.  De  assit.  Saúde  não  relacionados  com o plano”, devem ser excluídas do Auto de Infração lavrado..  Quanto  a multa,  não  merece  reparos  a  decisão  recorrida  posto  que  esta  se  encontra  prevista  em  lei  em  pleno  vigor,  sendo  vedado,  como  já  dito,  ao  julgador  administrativo  afasta­la  por  ilegalidade  ou  inconstitucionalidade.  (art.  26  A  do  Decreto  70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.)  Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser  cancelados  os  lançamento  efetuados  sobre  as  outras  receitas  diversas  do  conceito  de  Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.744          27 faturamento (assim entendido como venda de bens e serviços) e ajustada a base de cálculo nos  termos do inciso I e III, §9º, artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, os quais determinam a dedução dos  valores  pagos  a  título  de  indenização  aos  terceiros  (inciso  III  ­  credenciados  e  inciso  I  ­  congêneres)  e  a  adição  dos  valores  referentes  à  co­responsabilidade  cedida  recebida  pela  Recorrente (Conta Contábil: 4.1.2.3).  É como voto.  (assinado digitalmente)  ALEXANDRE GOMES ­ Relator                Declaração de Voto  CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS  Tomei vista destes autos para melhor me inteirar dos assuntos discutidos.  Ante  os  fatos  expostos  e  considerando  o  voto  proferido,  acompanho  na  integralidade  o  ilustre  Conselheiro  Relator,  entendendo  serem  relevantes  apenas  algumas  considerações.  A  v.  decisão  recorrida  pauta­se  em  dois  aspectos  para  negar  a  redução  de  base  pleiteada  pelo  contribuinte  com  a  aplicação  do  inciso  III,  §  9º,  artigo  3º,  da  Lei  nº  9.718/98, a saber:  (i)  entende que o inciso reporta­se ao saldo existente entre  os  valores  recebidos  e  pagos  a  título  de  co­ responsabilidade cedida ;  (ii)  interpreta  como  impossível  que  o  valor  de  co­ responsabilidade  cedida  recebida  seja  menor  que  o  valor  pago  a  título  de  indenização,  porque  este  fato  resultaria em redução negativa.  Analisemos o dispositivo legal:   “Art. 3°. ...  (...)  § 9° ­ Na determinação da base de cálculo da contribuição para  o  PIS/PASEP  e  COFINS,  as  operadoras  de  planos  de  assistência à saúde poderão deduzir:  I— co­responsabilidades cedidas;  Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES     28 II  ­  a  parcela  de  contraprestações  pecuniárias  destinadas  à  constituição de provisões técnicas;  III  —  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  titulo  de  transferência  de  responsabilidades.”  Alguns conceitos já estão definidos na decisão do I. Conselheiro Relator:  CO­RESPONSABILIDADE  CEDIDAS  –  ocorre  quando  há  transferência de  responsabilidade, quando outra Operadora de  Saúde  ­ OPS  ­ passa a  responder pelo beneficiário mediante o  pagamento de um valor mensal;  INDENIZAÇÕES  POR  EVENTOS  OCORRIDOS  EFETIVAMENTE  PAGOS  –  hipótese  em  que  não  há  transferência de responsabilidade, mas algum terceiro atende ao  beneficiário  da  OPS,  neste  caso  paga­se  apenas  o  valor  do  evento  e  apenas  depois  de  ter­se  constatado  que  realmente  ocorreu.  Tem­se,  portanto,  que os  itens mencionados são diametralmente opostos no  que se refere à transferência de responsabilidade e forma de pagamento/procedimento. Não há  meios de serem confundidos.  A  despeito  deste  fato,  parece­me  claro  que  está  havendo  uma  confusão  de  conceitos.  O  entendimento  da  fiscalização  – mantido  no  v.  acórdão  recorrido  –  é  de  que  o  inciso  III  supra mencionado  trata,  apenas,  de  valores  referentes  a  co­responsabilidade  cedidas,  tanto  que  concluem  que  o  inciso  III  determina  a  exclusão  do  “saldo”  entre  o  valor  recebido a título de co­responsabilidade cedida e o pago, a este mesmo título, a terceiros.  Tal  interpretação  é  ilógica  pela  própria  existência  do  inciso  I,  que  expressamente  determina  a  exclusão  dos  valores  pagos  a  título  de  “I— co­responsabilidades  cedidas”. Ou seja, o valor relativo às co­responsabilidades cedidas à terceiros já está excluída  da base de cálculo por força de outro dispositivo, o inciso “I”.   Neste  sentido, aceitar que o  inciso III  também versa sobre exclusão de “co­ responsabilidades cedidas” seria admitir a ilógica possibilidade de dois incisos versarem sobre  a  mesma  exclusão  ou  de  um  mesmo  valor  poder  ser  excluído  duas  vezes.  Tal  fato  seria  suficiente para a exclusão do raciocínio.  A  questão  é  realmente  de  difícil  compreensão  porque  está  intimamente  vinculada  às  especificidades  do  setor. É  preciso  conhecer  as  regras  específicas  do  setor  para  entender o sentido das exclusões propostas pelo legislador.   Por  este  raciocínio,  é  o  plano  contábil  da  ANS  que  explica  as  exclusões  específicas. Conforme esclarecido pelo Ínclito Relator, o valor que a Recorrente recebe a título  de  transferência  de  responsabilidade  de  outras  OPS  fica  registrado  em  conta  do  passivo,  de  recuperação de despesa . Em vista desta disposição da rubrica contábil o valor recebido a título  de co­responsabilidade cedida não é, normalmente, tributada pelo PIS e Cofins, simplesmente  porque não está registrada como receita.  Veja, como todas as OPS seguem a mesma norma (inciso I, §9º, artigo 3º, Lei  nº  9.718/98),  TODAS  excluem  da  base  de  cálculo  o  valor  pago  a  título  de  co­ responsabilidade cedida.   Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16004.720115/2012­66  Acórdão n.º 3302­002.003  S3­C3T2  Fl. 1.745          29 Logo,  se  as  OPS  que  receberem  os  valores  a  título  de  co­responsabilidade  cedida (transferência de responsabilidade) também não tributarem o valor recebido por que este  valor  está  classificado  como  ressarcimento  de  despesas,  não  haverá  nenhuma  tributação.  Vejamos um exemplo prático:  OPS 1 ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ OPS 2  Paga R$ 100 à OPS 2 e exclui da base  Recebe R$ 100 da OPS1 e classifica no passivo, logo não tributa  Em  virtude  desta  característica  específica,  é  imperioso  que  este  valor  (os  citados R$ 100,00), pago por uma OPS e recebido pela outra, seja incluído na base tributável  do PIS e COFINS de alguma das OPS, sob pena de restar sem tributação. Por esta razão, que  no  inciso  III  o  legislador  diz  que  serão  excluídos  “os  valores  referentes  às  indenizações  correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos” mas, deste quantum, será mantido  um  valor,  aquele  referente  “às  importâncias  recebidas  a  titulo  de  transferência  de  responsabilidades”.  Para exemplificar, a  lei determina que será excluído R$ 1.000,00 a título de  indenizações. Deduzidos deste R$ 1.000,00 aquele valor de R$ 100,00 a título de transferência  de responsabilidade (co­responsabilidade que me cederam) que, por que estava no passivo, não  seria  tributado.  Assim,  destes  R$  1.000,00,  serão  mantidos  R$  100,00  que  não  seriam  tributados  por  estarem  na  conta  de  passivo,  sendo  reduzido  da  base  apenas  a  quantia de R$  900,00.  Com isso, ajusta­se a base do PIS e Cofins das Operadoras de Saúde – OPS  para que a tributação incida apenas sobre o valor efetivamente recebido a título de receita.  É  exatamente por  esta  razão que não se deduz da base de cálculo TODO o  custo das OPS, sendo inadmissível o entendimento de que o custo com a rede própria deve ser  reduzido da base de cálculo do PIS e Cofins. A meu sentir, parece claro q ue  o  legislador  pretendeu ajustar a base de cálculo de PIS e COFINS para que apenas o efetivo faturamento  fosse tributado sem, contudo, esvaziar a base de cálculo por completo.  Ante  estas  considerações,  acompanho  o  d.  Conselheiro  Relator  na  integralidade de seu voto.  É como penso, é como voto.  (assinado digitalmente)  FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS    Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado d igitalmente em 07/08/2013 por ALEXANDRE GOMES

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Numero do processo: 18088.720141/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - SENAR - INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR - INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18088.720141/2012­37  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.114  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de julho de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR NA EXPORTAÇÃO  Recorrente  SUCOCÍTRICO CUTRALE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  SENAR  ­  INCIDÊNCIA  SOBRE  COMERCIALIZAÇÃO  DESTINADA  AO  EXTERIOR ­ INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149  DA CF/88.  O  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  (Senar),  tem  por  objetivo  organizar,  administrar  e  executar  em  todo  o  território  nacional  o  ensino  da  formação  profissional  rural  e  a  promoção  social  do  trabalhador  rural,  em  centros  instalados  e mantidos  pela  instituição  ou  sob  forma de  cooperação,  dirigida aos trabalhadores rurais.   As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das  suas modalidades  (seja  sobre  a  comercialização,  seja  sobre  a  FOPAG),  diversamente  do  que  constituem  contribuições  de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I  do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 01 41 /2 01 2- 37 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2    ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.    Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720141/2012­37  Acórdão n.º 2401­003.114  S2­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  O  presente  Auto  de  infração  de  Obrigação  Principal,  lavrada  sob  o  n.  37.354.476­6,  em desfavor  do  recorrente  e  tem  por objeto  as  contribuições  sociais  patronais  destinada ao SENAR sobre a venda de produtos destinadas a exportação.  Segundo  Relatório  Fiscal  (fls.  13  a  17),  A  Empresa  em  questão  é  agroindústria,  em relação ao período objeto do débito, deste modo a contribuição devida por  ela  à  Entidade  Terceira  –SENAR,  incide  sobre  o  valor  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  de  sua  produção,  em  consonância  com  o  art.  22A  da  Lei  nº  8.212/91.  A  imunidade  prevista  no  art.  149,  §  2º,  inc.  I  da  Constituição  não  alcança  as  contribuições  destinadas ao SENAR, pois estas são contribuições de interesse das categorias profissionais ou  econômicas.  A  Emenda  Constitucional  33,  de  11/12/2001  definiu  não  configurar  como  hipótese  de  incidência  de  contribuições  sociais  as  receitas  decorrentes  de  exportação  de  produtos  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido  a  partir  de  12/12/2001.  Entretanto,  não  é  alcançada por esta imunidade a contribuição destinada ao SENAR, por se tratar de contribuição  de interesse de categoria profissional ou econômica.  Importante,  destacar  que  a  lavratura  do AI  deu­se  em  25/04/2012,  tendo  a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 25/04/2012.   Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 97 a 112.  Foi  proferida  Decisão  de  1  instância  às  fl.  189  a  192  que  confirmou  a  procedência do lançamento.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 AUTO DE  INFRAÇÃO.  AGROINDÚSTRIA.  RECEITAS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO.  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  AO  SENAR.  INAPLICABILIDADE  DA  IMUNIDADE  PREVISTA  NO  ARTIGO  149  DA  CONSTITUIÇÃO FEDERAL.  É  devida  a  contribuição  ao  SENAR  nas  operações  da  agroindústria  com  o  mercado  externo,  não  lhe  sendo  aplicável  a  imunidade  prevista  no  artigo  149  da  Constituição  Federal  de  1988,  por  possuir  natureza  jurídica  de  contribuição  de  interesse  das  categorias  profissionais ou econômicas.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso, conforme fls. 199 a 225 . Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as  alegações da impugnação, quais sejam:  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4  1.  Nulidade do AI, vez que a  IN RFB n. 971 foi publicada em 2009 e suas diretrizes não  tem o condão de modificar a  interpretação da  legislação  tributária sem observância aos  preceitos  estatuídos  pelo  CTN,  notadamente  pelo  art.  146  onde  a  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em  consequência  de  decisão  administrativa  ou  judicial,  nos  critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.  2.  Entre os  argumentos  apresentados,  pretende demonstrar que  a  contribuição  ao SENAR  deve  ser  considerada  contribuição  social  por  possuir  como  efeito  mediato  melhorar  a  qualidade de vida de toda a população rural brasileira.  3.  É  completamente  distinta  a  finalidade  das  contribuições  “sociais”  e  “de  interesse  das  categorias profissionais e econômicas”. Enquanto a última visa atender aos interesses de  uma  determinada  categoria  de  trabalhadores,  a  primeira  objetiva  atender  a  toda  coletividade, menos que indiretamente.  4.  Destaca  ser a atividade de  lançamento vinculada à  legislação  tributária,  não podendo a  autoridade fiscal dela se afastar. E que não existe fundamento  legal para a cobrança da  presente exação, contrariando a Constituição Federal.  5.  Menciona, em seguida, o Manual da GFIP, dispondo em seu capítulo VI, item 6.1, alínea  “a”,  não  serem  devidas  as  contribuições  sociais  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação  de  produtos  rurais,  cuja  comercialização  tenha  ocorrido  a  partir  de  12/12/2001, em decorrência da Emenda Constitucional nº 33, de 11/12/2001.  6.  Menciona  também  a  Consulta  Técnica  nº  886/2007  e  o  Parecer  MPS/CJ  nº  71/2007,  como argumentos a justificar a não incidência do Senar nas exportações realizadas pela  empresa.  7.  Conclui afirmando que a Emenda Constitucional nº 33/01 determinou a não incidência de  contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação. E sendo a contribuição  ao  SENAR  parte  integrante  das  contribuições  sociais,  não  poderia  incidir  sobre  as  receitas decorrentes de exportação.  8.  A contribuição ao SENAR é de natureza social, como as demais destinadas às entidades  privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.  9.  Faz  um  histórico  acerca  da  instituição  das  contribuições  destinadas  ao  SENAR,  concluindo que verifica­se que a contribuição do art. 22­A da lei 8212/91, destina­se ao  custeio  das  mesmas  despesas  da  contribuiçãoinscrita  no  art.  3,  possuindo,  portanto,  a  mesma  natureza,  diferindo  somente  quanto  as  bases  de  cálculos  as  quais  incidem.  Exemplo  destas  contribuições  são  as  devidas  aos  Conselhos  de  categoria,  donde  em  decisão  judicial  asseverou­se  tratar  de  Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico.  10.  Requer, assim, seja declarado insubsistente o presente Auto de Infração, determinando o  arquivamento do processo correspondente.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil,  encaminhou  o  processo  a  este  Conselho para julgamento.  É o relatório.  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720141/2012­37  Acórdão n.º 2401­003.114  S2­C4T1  Fl. 4          5   Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  237.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DAS PRELIMINARES AO MÉRITO  CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO   A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo  2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras:  Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições  sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento  de  sua  atuação  nas  respectivas  áreas,  observado  o  disposto  nos  arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195,  § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.  (...)  §  2º  as  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico  de  que  trata  o  caput  deste  artigo:  (incluído  pela  emenda constitucional n.º 33, de 2001)  I  ­  não  incidirão  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação;  (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001)  QUANTO  A  SUPOSTA  INCOMPETÊNCIA  PARA  LANÇAMENTO  DE SENAR SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA A EXPORTAÇÃO  O recorrente alega que a imunidade tributária das contribuições sociais e de  intervenção  no  domínio  econômico  incidentes  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação,  também, se aplicariam as contribuições ao SENAR, pelo fato destas não serem contribuições  de interesse de categorias profissionais ou econômicas.  Neste ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. Basta­nos observar  o art. 1 da Lei 8.315/91, para que se identifique a natureza da entidade, senão vejamos:  Art.  1°  É  criado  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em  todo  o  território  nacional  o  ensino  da  formação  profissional  rural  e  a  promoção  social  do  trabalhador  rural,  em  centros  instalados  e  mantidos  pela  instituição  ou  sob  forma  de  cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais.  Assim,  entendo  estar  correto  a decisão  de primeira  instância,  que  afastou  a  pretensão do  recorrente. Realmente as contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6  suas modalidades  (seja  sobre  a  comercialização,  seja  sobre  a FOPAG), diversamente do que  entende  o  recorrente,  constituem  contribuições  de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149  da  Constituição  não  lhes  é  aplicável,  porquanto  se  refere  expressamente  às  contribuições  sociais e às de intervenção no domínio econômico.   A Emenda Constitucional nº 33/01, o  art.  149,  § 2º,  inc.  I,  da Constituição  Federal passou a ter a seguinte redação:  Art. 149. (…)  §  2º  As  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico  de  que  trata  o  caput  deste  artigo:  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 33, de 2001)  I  não  incidirão  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação;  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)  Assim o art. 149, § 2º,  inciso  I, da CF deixa claro que  retirou da  esfera da  tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico incidentes  sobre as receitas decorrentes de exportação, o que não se aplica as contribuições destinadas ao  SENAR.  Este entendimento está normatizado no art. 245 da IN MPS/SRP nº 03/2005 e  no  âmbito  da  Receita  Federal  pelo  §  3o  do  art.  170  da  Instrução  Normativa  RFB  971,  de  13/11/2009,  trazido  pelo  julgador  na  decisão  proferida.  Dessa  forma,  entendo  que  não  há  qualquer  reparo a  ser  feito no  lançamento  realizado, muito menos a que se  falar na nulidade  apontada pelo recorrente. A IN 971, apenas esclarece o que já era a interpretação em relação ao  alcance da EC n. 33/01 e a própria lei 8315/01.  A definição e destinação das contribuições arrecadas pela Previdência Social,  previstas na lei 8.315/91, assim, como o próprio conceito do SENAR, corroboram a destinação  da arrecadação, senão vejamos:  Art. 3° Constituem rendas do Senar:  I  ­  contribuição  mensal  compulsória,  a  ser  recolhida  à  Previdência  Social,  de  2,5%  (dois  e  meio  por  cento)  sobre  o  montante  da  remuneração  paga  a  todos  os  empregados  pelas  pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que  exerçam atividades:  (...)  § 1° A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste  artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial  (Senai)  e  ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Comercial  (Senac),  prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são  beneficiários diretos.  §  2°  As  pessoas  jurídicas  ou  a  elas  equiparadas,  que  exerçam  concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso  I  deste  artigo,  permanecerão  contribuindo  para  as  outras  entidades  de  formação  profissional  nas  atividades  que  lhes  correspondam especificamente.  § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a  Previdência  Social  e  o  seu  produto  será  posto,  de  imediato,  à  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720141/2012­37  Acórdão n.º 2401­003.114  S2­C4T1  Fl. 5          7 disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes  Unidades  da  Federação,  de  acordo  com  a  correspondente  arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter  geral.  Aliás,  foi  exatamente  essa  a  conclusão  da  autoridade  julgadora,  sendo  que  entendo indevida a nomenclatura adotada no parecer senão vejamos:  De  fato,  pode­se  extrair  da  Lei  nº  8.315/91  (lei  que  criou  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  –  SENAR)  que  a  contribuição em questão é paga por  integrantes de um grupo  específico,  sendo  revertido  em  benefício  do  mesmo,  restando  patente  a  sua  conformação  à  hipótese  de  contribuição  de  interesse  de  categorias  profissionais  e  econômicas.  Não procede o entendimento apresentado pela impugnante  acerca  do  enquadramento  da  exação  como  contribuição  social, uma vez que, apesar de presente a função social na  sua  instituição, não se vislumbra qualquer vinculação dos  valores arrecadados com o custeio da Seguridade Social.  Conclui­se  dos  fatos  expostos  inexistir  equívoco  no Manual  da  GFIP  ao  afirmar  a  não  incidência  das  contribuições  sociais  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação  de  produtores  rurais, porém, não se encontra abrangida por esta denominação  a contribuição ao SENAR.  O teor da Consulta Técnica nº 886/2007 trazida aos autos pela  defesa  não  possui  aplicabilidade  ao  caso  em  comento,  seja  diante  da  perda  de  sua  eficácia,  uma  vez  que  as  consultas  possuíam  validade  de  2  anos  contados  de  sua  publicação  ou  conclusão,  seja  diante  da  existência  de  previsão  normativa  dispondo  expressamente  entendimento  contrário,  como  já  esclarecido.  O  mesmo  pode­se  dizer  em  relação  ao  Parecer  MPS/CJ nº 71/2007 igualmente mencionado pela defesa.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  do  recurso  para  no  mérito  NEGAR­­LHE PROVIMENTO.  É como voto.  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                              Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 16682.720679/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009 PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF. Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária. FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Preliminar Acolhida. Nulidade Reconhecida.
Numero da decisão: 3402-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009 PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF. Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária. FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Preliminar Acolhida. Nulidade Reconhecida.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 1.400          1 1.399  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16682.720679/2011­26  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­002.150  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de agosto de 2013  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  MANTECORP INDUSTRIA QUIMICA E FARMACEUTICA SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009  PIS  E  COFINS.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  MEDICAMENTOS.  LEI  Nº  10.147/2000.  REGIME  ESPECIAL.  CASSAÇÃO.  ANÁLISE  DO  PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF.   Está  dentro  das  atribuições  e  competências  do  CARF,  no  rito  do  PAF,  a  análise  do  mérito  e  fatos  relativos  à  tramitação  do  processo  relativo  à  concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos  tributários  que  deles  emanam  na  seara  fiscal,  pois  que  necessário  para  a  interpretação e aplicação da legislação tributária.  FALTA  DE  APRECIAÇÃO  DE  TODOS  OS  ARGUMENTOS  SUSCITADOS  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE  JURISDIÇÃO.  RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO.  Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte  litigante,  e  detendo  o  sujeito  passivo  direito  ao  duplo  grau  de  jurisdição  administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser  anulada  a  decisão  de  primeiro  grau  e  determinado  o  retorno  dos  autos  à  instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os  pontos suscitados na defesa.  Preliminar Acolhida.  Nulidade Reconhecida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do  voto do relator. Fez sustentação oral dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 79 /2 01 1- 26 Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO     2   (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto    (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator    Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho  (Presidente  Substituto),  Fernando  Luiz  da  Gama  Lobo  d'Eça,  Luiz  Carlos  Shimoyama  (Suplente),  Winderley  Morais  Pereira  (Substituto),  João  Carlos  Cassuli  Júnior  (Relator)  e  Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes  justificadamente  as  conselheiras  Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.          Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/2011­26  Acórdão n.º 3402­002.150  S3­C4T2  Fl. 1.401          3 Relatório  Por  estar  bem  delineado  e  resumir  os  elementos  fáticos  deste  processo,  reproduzo o relatório contido do Acórdão 13­39.582 da 5ª Turma da DRJ/RJ2:  Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls.  523/536 em virtude da apuração de falta de recolhimento do PIS no período  de  31/10/2006  a  31/05/2009,  que  exige  contribuição  de  R$  21.624.341,52,  multa  de  ofício  de  R$  16.218.256,00  e  juros  de  mora  de  R$  7.588.925,99,  perfazendo o total de R$ 45.431.523,51.  No  Termo  de  Verificação  de  Infração  (fls.  537/552),  o  AFRFB  autuante  esclarece que:  1. A  interessada solicitou a habilitação ao Regime Especial de Utilização de  Crédito  Presumido  da  Contribuição  para  o  PIS  e  a  COFINS  por  meio  do  processo nº 15374.00083/200821, conforme preceitua o art. 63, §1º, incisos I e  II da Instrução Normativa SRF nº 247 de 2002.   2. O pedido foi  indeferido em 26/12/2008 e a  interessada  foi cientificada em  07/05/2009.   3.  Em  04/06/2009,  a  empresa  apresentou  nova  petição  considerada  como  renovação do pedido, de acordo com o que preceitua o art. 2º, § 7º do Decreto  nº 3.803/2001 e o art. 63, § 5º da IN SRF nº 247/2002.  4. Tal pedido  foi deferido, sendo emitido o Ato Declaratório Executivo nº 67  de  13/04/2010  habilitando  a  interessada  a  partir  de  04/06/2009  (data  da  renovação).  5.  O  procedimento  fiscal  foi  direcionado  para  o  lançamento  relativo  a  insuficiência de declaração e recolhimento do PIS e da COFINS, no período  de 10/2006 a 05/2009.  6.  O  §2º  do  art.  3º  do  Decreto  nº  3.803/2001  dispõe  que,  no  caso  do  indeferimento do requerimento, as contribuições que deixaram de ser pagas,  serão consideradas devidas desde o início da fruição indevida do benefício.   7.  A  interessada  impetrou  ação  judicial  (MS  2009.51.01.01.0148130)  pleiteando  que  fosse  desobrigada  da  apresentação  da  CND  no  processo  no  qual pleiteia o reconhecimento do seu direito ao regime especial de utilização  de  crédito  presumido  da  contribuição  ao  PIS  e  a  COFINS.  O  MS  teve  a  segurança denegada. Foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento. E foi  negado provimento ao embargos de Declaração no Agravo.  8.  Nas  competências  de  10/2006  a  04/2009,  a  Mantecorp  não  efetivou  qualquer  registro  contábil  relativo  à  apuração  e  à  utilização  do  crédito  presumido da contribuição para o PIS.  9. Em relação à competência de 05/2009, a empresa efetivou depósito judicial  no valor de R$ 950.482,89 mais multa no valor de R$ 15.682,97, perfazendo  um total registrado contabilmente de R$ 966.165,86. O valor do débito consta  na DCTF, mas não foi especificado na DACON.  O enquadramento legal encontra­se no auto de infração (fls. 523/536 ).    DA IMPUGNAÇÃO  Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou Impugnação e, em  virtude da DRJ  ter  sintetizado os  fatos de maneira  clara e  eficiente,  transcrevo a  síntese dos  fatos por ela relatados quando da decisão de Primeira Instância:    Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO     4 Cientificada  em  26/08/2011,  a  interessada  apresentou  em  23/09/2011  a  impugnação de fls. 555/603, na qual alegou que: Protocolizou junto à CMED,  em  18/04/2007  o  Pedido  de  Aditamento  ao  Requerimento  Inicial  de  Habilitação  para  a  Concessão  de  Crédito  Presumido,  instruído  com  os  documentos  previstos  nas  alíneas  do  item  5  do Comunicado  nº  9/01,  com o  objetivo de alterar a apresentação do medicamento LIORAM;  As certidões que instruíam o processo encontravam­se perfeitamente válidas;  Após a análise da CMED o pedido foi encaminhado a RFB, por meio do ofício  nº  1561 de  2007,  expressando  a  regularidade  dos  preços  e  enquadramentos  dos medicamentos comercializados pela Impugnante;  O  processo  foi  encaminhado  indevidamente  para  DIORT  São  Paulo  que  o  remeteu para o Rio em 29/11/2007;   O processo somente foi formalizado em 17/01/2008;  Em 17/04/2008 a impugnante foi intimada para que comprovasse o pagamento  de  supostos  débitos  apontados  no  relatório  Informações  de  Apoio  para  Emissão de Certidão, que prestou esclarecimentos em 25/04/2008;  Em  26/12/2008  a  DERAT  indeferiu  a  habilitação  da  impugnante  ao  regime  especial  de  crédito  presumido  de  PIS/COFINS  por  entender  que  não  foram  atendidas as exigências do artigo 2º do Decreto nº 3803/01.  A impugnante não foi intimada a prestar esclarecimentos a estes novos débitos  que motivaram o  indeferimento do pedido; A  impugnante  foi cientificada em  07/05/2009 e nesta data, já havia se passado mais de um ano da data em que a  impugnante prestou esclarecimentos à Derat;  Em  04/06/2009  a  Impugnante  apresentou  petição  requerendo  a  reconsideração do indeferimento;   O  pedido  de  Habilitação  foi  deferido  sendo  publicado  o  Ato  Declaratório  Executivo nº 67/10, em 14/04/2010;  Embora  a  petição  solicite  a  reconsideração  do  indeferimento  do  regime  especial  de  crédito  presumido,  a  DERAT  entendeu  que  se  tratava  de  uma  renovação,  de  tal  sorte  que  o  deferimento  em  comento  somente  passaria  a  produzir efeitos a partir da data de seu protocolo 04/06/2009;  A impugnante não tomou conhecimento de que o seu pedido de reconsideração  havia sido tratado como renovação do pedido, visto que tal informação conta  apenas em documento interno do processo de habilitação;   A impugnante cumpre os requisitos previstos na legislação para a fruição do  regime especial desde 2001 e a RFB jamais se pronunciou sobre o assunto a  despeito das previsões no artigo 2º do Decreto nº 3.803/2001;  Embora  a  impugnante  já  fizesse  jus  ao  regime  especial  desde  a  data  do  protocolo  do  primeiro  requerimento  junto  à  Câmara  de  Medicamentos  e  estando  diante  de  um  Pedido  de  Aditamento  ao  Requerimento  Inicial  de  Habilitação para Concessão de Crédito Presumido, a Receita Federal tratou­ o,  desde  o  primeiro  momento,  como  um  pedido  de  concessão  de  regime  especial de crédito presumido;  A  RFB  não  cumpriu  os  prazos  previstos  no  artigo  2º  do  Decreto  nº  3.8013/2001 e no artigo 63 da IN SRF nº 247/2002 o que gera o deferimento  automático do regime especial de crédito presumido conforme previsto no §2º  do artigo 63 da IN citada;  Não  ocorreu  a  suspensão  do  prazo,  uma  vez  que  quando  a  interessada  foi  intimada o prazo já estava esgotado;  A  finalidade  do  deferimento  automático  é  a  de  assegurar  uma  mínima  segurança jurídica aqueles que se utilizam do regime especial, haja vista que  os preços são desde logos reduzidos em função do aproveitamento do crédito  presumido,  em  benefício  dos  consumidores,  não  havendo  possibilidade  de  posterior ressarcimento;  Que as certidões a serem analisadas seriam aquelas apresentadas em 2007 e  que  o  indeferimento  ocorreu  em  razão  de  débitos  que  estavam  com  a  exigibilidade suspensa;   Que o pedido efetuado em 2009 foi um pedido de reconsideração e não uma  renovação do pedido, uma vez que foram apenas reiterados os argumentos já  apresentados  pela  impugnante  no  curso  do  processo,  não  sendo  sanadas  quaisquer  irregularidades  que  tenham  dado  ensejo  ao  indeferimento  do  pedido;  Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/2011­26  Acórdão n.º 3402­002.150  S3­C4T2  Fl. 1.402          5 Que  uma  vez  que  o  pedido  apresentado  em  2007,  diferentemente  do  que  entendeu  a DERAT  não  era um pedido  de  habilitação,  e  sim,  um pedido  de  aditamento,  haja  vista  que  a  impugnante  utiliza  o  crédito  presumido  desde  2001,  o  seu  indeferimento  somente  poderia  abranger  o  produto  objeto  da  alteração, e não a totalidade dos produtos farmacêuticos comercializados pela  impugnante,  havendo  incorreção  na  base  de  cálculo  apurada  pela  fiscalização;  Os juros não podem ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta  ausência de previsão legal;   A interessada junta cópia do processo de habilitação ao crédito presumido de  PIS e COFINS.        DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA  Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação  apresentada,  e após  realização da diligência,  a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento no Rio de  Janeiro, RJ,  proferiu o Acórdão de nº.  13­39.582,  ementado  nos seguintes termos:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009  REGIME  ESPECIAL.  MEDICAMENTOS.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  EXCLUSÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Não cabe às Delegacias de Julgamento apreciar oposição a indeferimento do  regime especial de utilização do crédito presumido do PIS e da Cofins de que  trata o art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000.  Indeferido  o  pedido  de  habilitação,  correto  o  lançamento  do  tributo  inadimplido decorrente do indevido aproveitamento de créditos.  JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.  Incidem  juros  sobre  a  multa  de  ofício  que  não  for  paga  até  a  data  de  seu  vencimento.  LANÇAMENTO.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA.  MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.  Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa,  inclusive na  hipótese de depósito  judicial  do seu montante integral.  LANÇAMENTO.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA.  DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA.  Não  incidem  juros moratórios  sobre o  crédito  tributário que  esteja  com  sua  exigibilidade  suspensa  por  depósito  judicial  do  seu  montante  integral.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte    Inicialmente  a DRJ,  entendeu  não  ser  competente  para  apreciar  oposição  a  indeferimento do regime especial de utilização de crédito presumido do Pis e da Cofins, de que  trata o art. 3º da Lei 10.147/00, nos termos do art. 229 do Anexo à Portaria MF nº 587 de 2010,  deixando, portanto, de analisar as alegações da contribuinte acerca de sua regularidade fiscal.  Quanto ao lançamento de ofício, a DRJ considerou correta a autuação fiscal,  vez que o indeferimento vedava a contribuinte de efetuar aproveitamento de crédito presumido  e mesmo assim, a contribuinte valeu­se dos créditos, portanto, válida a ação do Fisco em exigir  tributo não recolhido por uso indevido de crédito presumido.  No que tange à multa e juros de mora, a DRJ verificou foi lançado o valor do  débito de PIS no período de 05/2009, declarado em DCTF, com exigibilidade suspensa tendo  Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO     6 em vista haver depósito do montante integral,  julgando, assim, pelo cancelamento da multa e  dos juros de mora constantes do lançamento de ofício quanto ao período em questão, mantendo  a autuação nos demais quesitos.    DO RECURSO  Ciente em 04/04/12 do Acórdão nº. 13­39.582, e não se conformando com a  manutenção  parcial  das  exigências  a  ele  impostas,  o  contribuinte  apresentou  em  03/05/12  Recurso Voluntário a este Conselho.  Após  fazer  uma  síntese  dos  fatos  ocorridos  até  a  data  da  apresentação  do  Recurso Voluntário,  reiterou os argumentos alegados em sede de Impugnação, acrescentando  de  nulidade  da  decisão  da  DRJ  e  da  competência  da  DRJ  para  análise  dos  atos  ilegais  praticados nos autos.  Quanto  à  nulidade  da  decisão  da  DRJ,  sustenta  a  recorrente,  em  apertada  síntese,  que  a  referida  delegacia  não  apreciou  todas  as  razões  de  defesa  suscitadas  pela  Recorrente na impugnação, alegou que deveria a DRJ ter analisado as alegações de nulidade do  processo  administrativo  de  habilitação  no  regime  especial  de  crédito  presumido  de  nº  15374.000083/2008­21,  pois  desse  processo  se  originou  o  lançamento  de  ofício.  Portanto,  o  fato de a DRJ não analisar tais alegações, torna impossível refutar o lançamento de ofício sem  que a Recorrente demonstre as nulidades do referido processo de concessão do regime especial  de crédito presumido de Pis/Cofins.  Alega ainda, em síntese, que a DRJ é competente para analisar as alegações  de atos ilegais praticados no processo administrativo em respeito aos Princípios da Legalidade  e  da Autotutela,  a DRJ  possui  competência  para  apreciar  a  existência  de  vício  insanável  de  ilegalidade  em  razão  da  afronta  ao  art.  63,  II,  da  IN  SRF  nº  247/2002,  pois  cabe  à  Administração rever os seus próprios atos em obediência à norma legal vigente.  Ao fim, requereu o provimento do recurso, seja em razão da preliminar, para  declarar  nula  a  decisão  proferida  pela  DRJ,  seja  em  razão  do  mérito,  com  o  consequente  cancelamento do lançamento de ofício.    DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  este  relator  por  sorteio  regularmente  realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até a folha  1399 (um mil novecentos e dez), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária,  da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF.  É o relatório.        Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/2011­26  Acórdão n.º 3402­002.150  S3­C4T2  Fl. 1.403          7 Voto             Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator.  O recurso atende aos pressupostos de tempestividade e de admissibilidade, de  modo que dele tomo conhecimento.  A análise dos autos permite concluir que o Recurso Voluntário apresentado  pretende a reforma da decisão da DRJ/RJO­II, que manteve lançamento de ofício, o qual visa  constituir  crédito  tributário  pela  glosa  do  usufruto  do  direito  ao  crédito  presumido  de PIS  e  COFINS  previsto  no  art.  3º,  da  Lei  nº  10.147/2000  (relativo  à  importação  ou  fabricação  de  medicamentos),  sob  o  fundamento  fiscal  de  que  o  sujeito  passivo,  no  período  da  autuação  (out/2006 a mai/2009), não detinha regularidade fiscal que lhe propiciasse gozar do incentivo,  mas  apenas  a  partir  de  04/06/2009,  quando  teria  renovado  seu  pedido  de  habilitação  e  comprovado sua regularidade fiscal.  Afirma  a  Recorrente  em  suas  razões,  em  apertadíssima  síntese,  além  das  preliminares de nulidade tanto da autuação em si quanto da decisão da DRJ, no mérito, de que  não se trataria de Pedido de Habilitação ao Regime Especial, e sim de mero Aditamento para  inclusão  de  dois  novos  tipos  de medicamentos,  já  que  seria  usufrutuária  do  benefício  desde  muito  tempo  antes  de  que  tenha  protocolizado  o  Requerimento  que  ensejou  a  formação  do  Processo  nº  15374.00083/2008­21;  bem  como  que  diante  do  decurso  do  prazo  de  30  dias  previsto  no  Decreto  nº  3.803/2001,  teria  se  operado  o  deferimento  automático  do  regime  especial,  não  se  podendo  aplicar  retroativamente  os  efeitos  do  indeferimento  posterior;  que,  quando  foi  instada  a  promover  a  regularização  de  débitos  que  estariam  registrados  em  seu  desfavor,  simplesmente  comprovara  estarem  os  mesmos  inexigíveis,  o  que  motivara  o  deferimento, não cabendo  tratar  referidos “esclarecimentos” como renovação do pedido, para  que não se lhe aplique efeitos retroativos ao regime especial. Por fim, sucessivamente, pleiteia  a  redução da exigência,  pela  limitação da autuação aos medicamentos que pretendera  incluir  com o pedido em questão, assim como para que  seja afastada a  incidência dos  juros  sobre a  multa.  A  análise  dos  autos  permite  concluir  que  o  deslinde  da  controvérsia  aqui  instalada  passa,  necessariamente  (embora  não  exclusivamente,  por  óbvio),  pelo  exame  da  cronologia  dos  fatos,  assim  como,  principalmente,  pela  regularidade  do  sujeito  passivo  ao  longo do  tempo  em que  tramitara o Processo nº 15374.00083/2008­21,  porém,  como visto  e  observado da leitura do relato dos autos, a Delegacia de Julgamento absteve­se de apreciar tais  matérias,  declarando­se  incompetente  para  adentrar na  análise  dos motivos  determinantes  do  indeferimento  do  Regime  Especial  que  ampara  o  crédito  presumido  que  aqui  é  “reflexo”,deixando de apreciar ponto que, a meu ver, é crucial e essencial ao deslinde da causa.  Tenho que,  ainda  que  tramitando por Órgão  que  não  seja  do Ministério  da  Fazenda, mas ainda assim componente do “Poder Público”, o processo de concessão/cassação  do Regime  Especial  perseguido  pela  empresa  foi  o  principal motivador  do  lançamento  aqui  discutido, e, neste tocante, deveria a instância de julgamento a quo ter proferido juízo de valor  acerca  dos  fatos,  pronunciando  seu  entendimento  acerca  de  estar  ou  não  a  empresa  devidamente  amparada  pelo  já  citado  regime,  sua  natureza  (se  de  aditamento,  renovação  ou  Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO     8 outra natureza) para  com  isso deixar de  recolher  a  contribuição  exigida,  lastreando assim de  validade o lançamento que aqui se cuida.    Neste tocante, a DRJ/RJ2 assim se pronunciou:    “Como  se  vê,  não  cabe  às  Delegacias  de  Julgamento  apreciar  oposição  a  indeferimento do regime especial de utilização do crédito presumido do PIS e  da Cofins de que trata o art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000. Nesse contexto, as  alegações  da  defesa  endereçadas  contra  os  procedimentos  e  os  atos  da  administração  tributária que resultaram, ao  fim, no  indeferimento do pedido  de  habilitação  ao  regime  especial,  deixam  de  ser  examinadas  por  exorbitarem da esfera de atuação deste órgão.”    Ainda que, como dito, tendo sua tramitação em esfera diversa desta em que é  apreciado  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  a  omissão  acerca  dos  “motivos  determinantes”  para  a  realização  do  ato  administrativo  de  lançamento  nestes  autos  versado,  é  ofensiva  ao  direito ao contraditório e ampla defesa garantido aos contribuintes no âmbito do PAF (sob pena  de cerceando do direito de defesa do mesmo), bem como, macula de vício o devido processo  administrativo fiscal, ao qual a legalidade – dos atos administrativos em geral – é condição sine  qua non para sua válida existência.  A real posição do contribuinte em relação ao Regime Especial pleiteado, para  a qual existiriam reflexos diretos em sua condição tributária, é situação sobre a qual deveria ter  se  pronunciado  a  Delegacia  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro  (DRJ/RJ2),  aprofundando  a  questão  quanto  a  verdade  material  ocorrida  nos  autos,  a  fim  de  validar  ou  não  os  efeitos  jurídicos que decorrem daquele Regime Especial, já que constitui­se na “causa” que lastreia o  lançamento questionado.  O próprio julgamento de mérito que se pudesse fazer sobre o que destes autos  consta,  sem  que  se  tenha  adentrado  no  conhecimento  do  mérito  do  Processo  nº  15374.00083/2008­21,  e  da  cronologia  de  sua  tramitação,  fica  inviabilizado.  Veja­se,  por  exemplo, que sequer encontra­se nos autos cópia integral do precitado processo. Ademais, seria  necessário,  sob  a  ótica  deste  julgador,  entender  se  o mesmo  trata­se  de  “Aditamento”  ou  de  “Pedido de Habilitação” de novos tipos/classes de medicamentos.   Ademais,  a  análise  da  cronologia  dos  acontecimentos  seria  também  crucial  para  o  cabal  entendimento  dos  fatos  que  permearam  toda  a  tramitação  processual  daquele  referido  processo,  permitindo  saber  se  mesmo  antes  de  protocolizar  o  requerimento  que  culminou na formação do Processo nº 15374.00083/2008­21, o contribuinte já era detentor do  Regime  Especial  do  Crédito  Presumido  de  que  trata  o  art.  3º,  da  Lei  nº  10.147/2000,  para  outros  remédios  e  classes  de  medicamentos.  E  ainda,  se  quando  do  recebimento  do  Ofício  SE/CMED  nº  1.561,  de  09/11/2007,  que  culminou  na  formação  do  referido  Processo  nº  15374.00083/2008­21, o sujeito passivo possuía regularidade fiscal (entendida nos termos dos  arts. 151, 205 e 206, do CTN), e se durante toda a tramitação do referido processo, ou seja, a  partir  de 18/04/07  (data  do protocolo do pedido  junto  à CMED) e  a data do deferimento do  Regime Especial pelo Ato Declaratório Executivo nº 67/2010, perdeu essa regularidade fiscal;  e,  em  caso  de  haverem  débitos,  apontar  quais  que  foram  informados  ao  contribuinte,  relacionados às folhas 14, 17, 18 e 23, pela Intimação de folhas 43 e 44 (todas do Processo nº  15374.00083/2008­21) que estariam a  impedir a certificação da regularidade fiscal do sujeito  passivo, e que acabaram por motivar o indeferimento do regime.  Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16682.720679/2011­26  Acórdão n.º 3402­002.150  S3­C4T2  Fl. 1.404          9 Ou seja,  toda a matéria de fato  restara prejudicada pelo fato de  ter o Órgão  julgador  e  piso,  se  abstido  de  adentrar  na  análise  efetiva  do  mérito  e  na  cronologia  da  tramitação  do  Processo  nº  15374.00083/2008­21,  redundando  por  certo  em  cerceamento  do  direito de defesa do contribuinte, e quiçá impossibilitando a completa e exauriente análise que  seria  necessário  ser  realizada  para  um  justo  julgamento  que  se  pretenda  realizar  no  âmbito  desta  Casa.  Entende­se  perfeitamente  a  premissa  adotada  pela  DRJ,  e  sobre  esse  posicionamento se compreende que realmente restaria apenas aplicar o que restara decidido no  âmbito  do  Processo  referenciado;  porém,  se  dos  acontecimentos  daquele  processo  está  o  substrato  de  motivação  do  ato  administrativo  de  lançamento  que  aqui  se  avalia,  entende­se  indispensável  conhecer  todas  as  suas  nuances  para  que  se  possa  proferir  julgamento  sobre  a  legalidade do  ato de  lançamento  tributário,  de modo que  entende­se haver  competência para  referida análise.  Neste sentido, ainda que tratando de regime diverso (Regime Automotivo), e  com órgão regulatório diverso (MDIC), porém em situação análoga (Crédito Presumido), pode­ se  verificar  que  esta  Casa  têm  apreciado  este  tipo  de  temática,  emitindo  seu  entendimento  acerca da  concessão/cassação de Regimes Especiais,  na  análise de validade dos  lançamentos  tributários, a se verificar:     “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002  DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE.  O direito de impor penalidade extingue­se em cinco anos, contados da data da  ocorrência da infração.  REGIME AUTOMOTIVO. PROPORÇÃO. MDIC. HOMOLOGAÇÃO.  ACORDO. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Considera­se adimplida a condição estabelecida em Lei quando observados  os critérios definidos em acordo firmado entre a beneficiária e as entidades  de  classe  ABIMAQ/SINDIMAQ  e  homologado  pelo  Ministério  do  Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.  Recurso Voluntário Provido  Recurso  de  Ofício  Negado”  (CARF  ­  Acórdão  3102­01.483  ­  3ª  Seção  ­  1ª  Cam. 2ª TO. Rel. Ricardo Paulo Rosa. Julg. Em 24/04/2012) – Grifou­se.      “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 18/07/2000  PROTEC ÃO À BANDEIRA BRASILEIRA  Para os efeitos do Decreto­lei nº 666/69, considera­se de bandeira brasileira o  navio afretado por empresa brasileira devidamente autorizada a funcionar no  transporte de longo curso.  EX TARIFÁRIO  Para  fazer  jus  a  um  Ex  tarifário,  a  mercadoria  importada  deve  coincidir  perfeitamente  com a descric ão do Ex, o  que  ocorreu na presente hipótese,  haja vista os documentos e os laudos tećnicos acostados aos autos.  REGIME AUTOMOTIVO.  Não  comprovac ão  do  descumprimento  da  condic ão  onerosa  do  regime  automotivo  pelo  contribuinte,  tendo  a  autoridade  autuante  se  bastado  em  assertivas que não  são corroboradas pelos documentos que  foram acostados  aos  autos,  notadamente Acordo  firmado  com a ABIMAQ,  não  sendo devida,  portanto, a multa prevista no artigo 13 da Lei n° 9.447/97.  REGIME  AUTOMOTIVO.  IMPOSTO  DE  IMPORTAC ÃO  E  IPI  VINCULADO.  Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO     10 Fundado em interpretac ão da PGFN, o Parecer Cosit n 13/2004  tratou da  matéria de forma profunda e abrangente e considerou descabida a exige ncia  desses tributos no caso de inadimplemento do regime.  MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DA PROPORC ÃO  PREVISTA  NO  REGIME  AUTOMOTIVO.  HOMOLOGAC ÃO  DE  ACORDOS COM A ABIMAQ/SINDIMAQ.  Os acordos com entidades de classe representativas da indústria brasileira de  bens de capital e a beneficiária do regime automotivo estão previstos no art.  6  do  Decreto  nº  2.072/96  apenas  para  o  efeito  alterar  a  proporc ão  estabelecido nessa norma para as aquisic ões de bens de capital produzidos  no País e os importados. A lei não previu a homologac ão de acordos que  extrapolem o prazo do beneficio, o qual teve vige ncia até 31/12/1999 (art.  1, da Lei nº 9.449/97).  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO  EM  PARTE”  (3º  CC  –  1ª  Câmara  –  Acórdão  nº  301­34.376  –  Rel.  Cons.  Rodrigo  Cardozo  Miranda  –  j.  23.01.2008) ­ grifou­se.    Verifica­se,  portanto,  que  muitas  têm  sido  as  oportunidades  em  que  se  adentra na análise do mérito da concessão ou não de Regimes Especiais, para que se avalie os  reflexos  tributários  que  deles  emanam  na  seara  tributária,  pois  que  necessário  para  a  interpretação e aplicação da legislação tributária que está dentro das atribuições e competências  do CARF, no rito do PAF. Deste modo, a DRJ e esta Casa detém competência para analisar o  Regime  Especial,  para  avaliar  se  os  efeitos  tributários  que  dela  emanam  revestem­se  dos  atributos necessários para sustentar o lançamento tributário praticado pela Administração.  Assim  sendo,  em estrita observação aos princípios  resguardados  à qualquer  das  partes  litigantes  em  processo,  seja  judicial,  seja  administrativo,  por  absoluto  respeito  à  Constituição Federal, com a devida vênia das autoridades julgadoras de primeiro grau, entendo  nula  a  decisão  administrativa  proferida  neste  processo,  merecendo  estes  autos  retornarem  à  instancia  a  quo  para  novo  julgamento,  a  fim  de  que  todos  os  pontos  argüidos  pelo  sujeito  passivo tenham a devida apreciação de mérito.  Na  esteira  das  considerações  acima,  voto  no  sentido  de  acolher  a  preliminar de nulidade suscitada para dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte  para anular a decisão da DRJ.  É como voto.  (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior – Relator.                            Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO

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5026621 #
Numero do processo: 36624.000531/2005-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, a fim de trazer cópia dos autos das obrigações principais reflexas, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  36624.000531/2005­25  Recurso nº  148.759Voluntário  Resolução nº  2301­000.387  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  16 de maio de 2013  Assunto  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE EDUCAÇÃO E CULTURA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado:  I)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  converter o julgamento em diligência, a fim de trazer cópia dos autos das obrigações principais  reflexas, nos termos do voto do(a) Relator(a).         (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente e Relator         Participaram do presente  julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA  (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS,  DAMIÃO  CORDEIRO  DE  MORAES,  MAURO  JOSE  SILVA,  MANOEL  COELHO  ARRUDA JUNIOR.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 24 .0 00 53 1/ 20 05 -2 5 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/2005­25  Resolução nº  2301­000.387  S2­C3T1  Fl. 3          2   Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  Decisão  da  Delegacia  da  Secretaria  da Receita  Previdenciária  (DRP),  São  Paulo  –  Oeste  /  SP,  fls.  0158  a  0171,  que  julgou  procedente  a  autuação  motivada  por  descumprimento  de  obrigação  tributária  legal  acessória, fl. 001.  Segundo  a  fiscalização,  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  (RF),  fls.  002,  a  autuação refere­se a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações  à Previdência Social  (GFIP)  com dados não correspondentes aos  fatos geradores de  todas  as  contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.  Consta do RF:  “Durante a fiscalização constatou­se que a empresa apresentou GFIP  sem  que  nela  constassem  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  incorrendo  dessa  forma  na  infração  prevista  no  Art  32,  par  5,  da  Lei  8212/91,  pois  deixou  de  informar  os  pagamentos  efetuados  a  contribuintes  individuais  que  lhe  prestaram  serviços  nas  competências de 01/1999 a 12/2003 e 03/2004. Nas competências em  que foram constatadas as infrações o número de segurados da empresa  variou entre 1000 e 1300. Não constam circunstâncias agravantes.”  Em 05/08/2004 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001.  Contra  a  autuação,  a  recorrente  apresentou  impugnação,  fls.  0106  a  0109,  acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que:  1.  Trata­se  de  autuação  reflexa  do  lançamento  número  35.672.262­7, uma vez que a multa aqui  lançada tem sua  base de cálculo estabelecida pelo valor que não teria sido  declarado  em  GFIP  por  pagamentos  a  autônomos,  conforme relação constante daquela NFLD;  2.  Ocorre que a exigência é indevida;  3.  Preliminarmente, há que se considerar que, apesar do zelo  com que os dignos fiscais exerceram suas funções, foram  cometidos  erros  no  lançamento35.672.262­7,  que  tornam  aquele lançamento de todo nulo;  4.  Como  o  presente  auto  de  infração  é  reflexo  daquele,  também nula esta autuação deve ser declarada;  5.  Com efeito, como se pode verificar no RL ­ RELATÓRIO  DE LANÇAMENTOS, foram incluídos no ano de 1999 os  mesmos pagamentos relativos ao ano de 1998, ou seja, os  mesmos valores e números de cheques, o que indica que a  fiscalização, ao utilizar­se do recurso de copiar e colar do  Fl. 402DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/2005­25  Resolução nº  2301­000.387  S2­C3T1  Fl. 4          3 Windows, esqueceu­se de excluir os valores relativos aos  anos anteriores, conforme exemplos citados;  6.  No mérito a exigência também é improcedente;  7.  A declaração de valores em GFIP somente é possível se o  prestador do serviço fornecer a fonte pagadora seu número  de inscrição no INSS ou então seu número de inscrição no  PIS;  8.  Ocorre  que  a  defendente  não  obteve  dos  prestadores  de  serviço  tais  informações  o  que  impossibilitou  que  a  mesma elaborasse a correspondente GFIP;  9.  Não  consta  da  legislação  qualquer  dispositivo  legal  que  proíba a empresa de efetuar o pagamento para o autônomo  se  este  não  estiver  inscrito  no  INSS  ou  se  não  possuir  inscrição no cadastro do PIS;  10.  Assim,  não  tendo  como  obrigar  aos  autônomos  que  lhe  prestam  serviço  o  fornecimento  de  tais  números  ou  comprovante  de  inscrição  e,  em  sendo  necessária  a  indicação de tais números para o preenchimento da GFIP  fica a defendente na situação de não poder deixar de pagar  o  autônomo  e  também  de  estar  impossibilidade  de  preencher a GFIP por absoluta falta de dados;  11.  Portanto, estando impossibilitada de preencher a GFIP por  falta de dados que não podendo obrigar ao autônomo a lhe  fornecer  os  mesmos,  de  todo  indevida  é  a  aplicação  da  presente penalidade;  12.  Por  tais motivos  e  por  tudo  o mais  que  certamente  será  suprido  pelo  ilustre  julgador,  requer  a  Impugnante  o  cancelamento do lançamento.  Diante  dos  argumentos  da  defesa,  foram  solicitados  esclarecimentos  à  fiscalização, fl. 0115, sobre a suposta duplicidade citada na defesa.  A  fiscalização  respondeu  aos  questionamentos,  fl.  0126,  posicionando­se,  em  síntese, pela retificação parcial da autuação, no ano questionado pelo sujeito passivo.  A Delegacia emitiu Despacho Decisório (DD), retificando o valor da autuação,  declarando  nulo  os  lançamento  do  ano  1999,  com  lavratura  de  outro  lançamento  (Debcad  5.672.766­1), e reabrindo o prazo para defesa da recorrente, fls. 0128 a 0131.  A  recorrente  apresentou  nova  impugnação,  fls.  0143  a 0154,  acompanhada de  anexos, alegando, em síntese, que:  1.  No  caso  em  exame,  os  lançamentos  representados,  quer  pela 35.672.262 ­7, quer pela autuação que deu origem a  Fl. 403DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/2005­25  Resolução nº  2301­000.387  S2­C3T1  Fl. 5          4 este feito, nasceram eivados de vicio insanável, de vez que  neles  foram  indicados  fatos  geradores  jamais  ocorridos,  dai defluindo valores de tributos e multas manifestamente,  infundados,  indevidos,  ilegais  e  em  desacordo  com  a  verdade material;  2.  A  conseqüência  é  a  impossibilidade  de  a  Administração  sanar  tais  vícios  essenciais  por meio  de  revisão  ­  já  que  não  se  configura  nenhuma  das  hipóteses  do  art.  149  do  CTN ­ sendo de rigor a anulação dos atos e produção de  novos lançamentos,  tanto para a exigência de multa, pela  lavratura  de  novo  auto  de  infração,  quanto  para  a  exigência do tributo supostamente devido, pela expedição  de  outra  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  (NFLD);  3.  Foi  o  que  fez,  em  parte,  a  autoridade  fiscal,  ao  expedir  nova  NFLD  em  setembro  de  2004,  em  substituição  á  original;  4.  Ocorre que, a esse  tempo,  já se operara a decadência em  relação  as  contribuições  supostamente  devidas  anteriormente  a  setembro  de  1999,  não  podendo,  em  conseqüência, ser mantida a sua exigência e, tampouco, a  autuação  presente  neste  processo,  correspondente  ao  crédito tributário decaído;  5.  Os  créditos  constantes  do  lançamento  por  descumprimento de obrigação tributária principal já foram  alcançados pela decadência, devendo ser aplicada a regra  prevista no § 4º, Art. 150 do CTN;  6.  Por  tudo  isso,  preliminarmente,  a  entidade  defendente  impugna  a  exigência  contida  no  despacho  declaratório  exarado  neste  processo,  uma  vez  que  representa  a  exigência de multa sobre crédito tributário já atingido pela  decadência, além de, sob o aspecto formal, ser incabível a  revisão do auto em lugar de sua anulação;  7.  No  mérito,  a  defendente  se  reporta  à  defesa  já  representada  por  ocasião  da  lavratura  do  auto  uma  vez  que,  na  condição  de  entidade  que  preenche  todos  os  requisitos  previstos  no  art.  14  do  CTN  para  gozar  da  imunidade de contribuições sociais previstas no art. 195 §  7°  da  CF,  não  está  sujeita  ao  recolhimento  dos  mencionados  tributos,  sendo,  portanto,  impossível  caracterizar­se  a  infração  que  lhe  é  imputada  pelo  despacho de fls (a folha não foi citada);  Fl. 404DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/2005­25  Resolução nº  2301­000.387  S2­C3T1  Fl. 6          5 8.  Em  face  do  exposto,  requer  seja  dado  provimento  à.  presente  defesa  e  cancelada  a  exigência,  com  o  conseqüente arquivamento dos autos.  A  Delegacia  analisou  a  autuação  e  a  impugnação,  julgando  procedente  a  autuação.  Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  fls.  0179 a 0218, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, os motivos já eXpostos em sua  defesa e:  1.  No  mérito,  a  recorrente,  desde  sua  defesa,  arguiu  ser  titular de imunidade, que lhe põe a salvo das contribuições  exigidas  na  notificação,  tributos  esses  que  recolheu  indevidamente,  de  vez  que  preenche  todos  os  requisitos  previstos no art. 14 do CTN para enquadrar­se na situação  descrita no art. 195, § 7º, da CF;  2.  O Conselho  de Contribuintes  já  reconheceu  a  recorrente  como  entidade  imune,  de  sua  qualidade  de  entidade  imune,  como  se  observa  do  acórdão  proferido  nos  autos  do processo 10875.000346/98­03;  3.  A  decisão  exarada  entendeu,  entretanto,  que  por  não  possuir  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social,  de  que  trata  o  art.  55,  II  da  Lei  8212/91,  a  recorrente  não  se  enquadraria  no  referido  preceito;  4.  A  decisão  sustenta  também,  que  o  preenchimento  dos  requisitos  do  art.  14  do  CTN  não  seriam  aplicáveis  à  imunidade  relativa  a  contribuições  sociais  a  cargo  do  empregador;  5.  Ao  assim  decidir,  a  autoridade  administrativa  põe­se  em  conflito  com  decisões  pacificas  do  Supremo  Tribunal  Federal que está adstrita a observar;  6.  Deve  ser  aplicado  ao  caso  o  determinado no Art.  14,  do  CTN, e não o determinado na Lei 8.212/1991;  7.  A Lei 8.212/1991, no que tange à regulação de isenção de  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  é  inconstitucional, formal e materialmente;  8.  Por  todo  o  exposto,  requer  a  recorrente  seja  dado  provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e  cancelar a autuação.  Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/2005­25  Resolução nº  2301­000.387  S2­C3T1  Fl. 7          6 A  Quarta  Câmara  de  Julgamento  (CAJ),  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência Social  decidiu  converter o  julgamento  em diligência,  para  a  solução de dúvidas,  fls. 0324 a 0326, quanto ao recolhimento do extinto depósito prévio nos lançamentos.  A Delegacia anexou documentos e emitiu posicionamento sobre as dúvidas do  julgador,  fls.  0327  a 0370,  informando,  em síntese,  que,  o  sujeito passivo  só obteve decisão  favorável para se eximir do depósito prévio para o presente processo, o que não ocorreu com os  lançamentos  pro  descumprimento  de  obrigação  principal, motivo  de  seu  trânsito  em  julgado  administrativo.  Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão.  Na análise dos autos, a Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção  do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que o sujeito passivo tivesse  ciência  da  decisão  do  CRPS,  fls.  0324  a  0326,  da  documentação  anexada,  do  despacho  elaborado,  fls.  0327  a  0370,  e  da  decisão  pela  conversão,  concedendo  prazo  para  a  apresentação de novos argumentos, caso desejasse.  A  recorrente  foi  devidamente  intimada,  fls.  0308,  e  não  apresentou  novos  argumentos, fls. 0384.  É o Relatório.   Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/2005­25  Resolução nº  2301­000.387  S2­C3T1  Fl. 8          7 Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Sendo  tempestivo,  CONHEÇO  DO  RECURSO  e  passo  ao  exame  de  seus  argumentos.  DA PRELIMINAR  Quanto ás preliminares, há questão a ser esclarecida.  Com os debates no colegiado, dúvidas surgiram a respeito dos  fatos geradores  que fundamentam essa autuação.  Verificamos que os lançamentos, por descumprimento de obrigações principais,  não  foram  analisados  pela  segunda  instância,  devido  a  necessidade  de  depósito  recursal,  medida banida da legislação, atualmente.  Cabe ressaltar, também, que o Relatório Fiscal da autuação em questão, fls. 002,  pouca informação traz a respeito dos fatos geradores.  Portanto, para melhor esclarecimento sobre a questão, o colegiado decidiu pela  necessidade  de  diligência,  a  fim  de  que  se  anexe  a  este  processo  cópias  integrais  dos  lançamentos citados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), fls. 0100, e que seja  dada ciência dessa resolução ao sujeito passivo, a  fim de que este apresente argumentos, em  trinta dias da ciência, caso deseje.  CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto em converter o julgamento em diligência, nos termso  acima.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA

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