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Numero do processo: 15504.017473/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da Terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da Terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 534 1 533 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.017473/200999 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.662 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de fevereiro de 2013 Assunto REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente VIVIANE ANGÉLICA FERREIRA ZICA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE/MG Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 17 47 3/ 20 09 -9 9 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.017473/200999 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.662 S3C4T1 Fl. 535 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração (fls.02/06), lavrado em 06/11/2009 (fl.10), pelo qual foi exigido o PIS não recolhido nos meses de março, novembro e dezembro de 2006, devido pela pessoa jurídica da qual a Autuada era responsável. Segundo consta no termo de verificação fiscal (fls.11/12), a fiscalização constatou divergência entre o valor apurado e valor declarado. Após intimação para esclarecimento, a Contribuinte informou que a divergência se deu em razão de equívocos. Como a sociedade foi dissolvida pela OAB/MG de modo irregular, segundo a autoridade fiscal, o auto de infração foi lavrado contra a sóciaadministradora da época dos fatos geradores, Viviane Angélica Ferreira Zica. Também foram incluídos no polo passivo da obrigação o administrador Willian Pires da Silva e o sóciooculto Juvenil Alves Ferreira Filho. O Sóciooculto apresentou Impugnação às fls.125/155. A Autuada, sóciaadministradora, apresentou Impugnação às fls. 208/254. O administrador Willian Pires da Silva apresentou Impugnação às fls.293/312. A DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu todas as Impugnações e manteve o lançamento em sua integralidade, ao prolatar acórdão (fls. 352/408) com a seguinte ementa: “RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, respondem tanto aqueles que seu estatuto designar como o sócio gerente de fato. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DAS SOCIEDADES. A dissolução irregular de sociedades constitui infração de lei capaz de responsabilizar seus representantes pelos tributos devidos à fazenda pública. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. A Autuada, Viviane Angélica Ferreira Zica, foi intimada do acórdão da DRJ em 20/03/2012 (fl. 413) e interpôs Recurso Voluntário via correios (fls. 415/489). Pela cópia do envelope juntada aos autos (fls. 430/431), não é possível identificar a data da postagem do Recurso. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.017473/200999 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.662 S3C4T1 Fl. 536 3 Nos autos não estão presentes as intimações e os Recursos Voluntários dos demais responsáveis. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Como nos autos não há informação concernente à intimação da decisão DRJ em relação aos Responsáveis Willian Pires da Silva e Juvenil Alves Ferreira Filho, bem como não é possível identificar a data da postagem do Recurso da Recorrente Viviane Angélica Ferreira Zica, de modo que, quanto a esta última não se pode fazer análise da tempestividade, converto o julgamento em diligência, a fim de que os autos retornem à origem para sanar as seguintes dúvidas: Os coresponsáveis Willian Pires da Silva e Juvenil Alves Ferreira Filho foram intimados da decisão da DRJ? Caso a resposta seja afirmativa, devese anexar aos autos os Avisos de Recebimento; caso seja negativa, devese intimálos, dandolhes o prazo legal para interposição do Recurso Voluntário. Com base na cópia física dos autos, que provavelmente está mais legível, em qual data a Recorrente postou o Recurso Voluntário? Após a realização diligência, os autos devem retornar ao CARF, com o recurso dos demais responsáveis, se for caso, para julgamento do mérito. Ex positis, converto o julgamento em diligência, nos termos propostos acima. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 542DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002424/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995
DCOMP. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. OBJETOS DISTINTOS. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de ação judicial buscando o reconhecimento de que está correto determinado procedimento contábil adotado na DIPJ não torna litigioso e nem concomitante, com a ação judicial, o débito apurado pelo contribuinte, objeto de pedido de compensação mediante DCOMP.
No caso concreto, pelo que se extrai da DIPJ Retificadora do ano-calendário de 1995, exercício 1996, datada de 22/12/1998 (fl. 124), a recorrente apurou saldo negativo no valor de R$ (4.472.505,12), "decorrente de antecipações de IRRF sobre receitas financeiras". Conforme já decidido pela CSRF, no caso concreto, decorridos mais de 5 anos, a autoridade fiscal não pode glosar despesas, apontar receitas tributáveis ou critério de correção das demonstrações financeiras para alterar o valor do saldo negativo. Tal fato importaria, por linhas transversas, fazer lançamento para exigir crédito em relação a período já extinto pela decadência. Contudo, tem a autoridade fiscal a prerrogativas de conferir se as retenções de IRRF, bem como os pagamento das estimativas, que serviram para constituir o saldo negativo efetivamente ocorreram.
A recorrente declarou que sofreu retenção em razão de aplicações financeiras no valor de R$ 4.472.505,12. Este fato, ou seja, a efetividade destas retenções não foi analisado pela fiscalização, cautela que se recomenda antes do homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.334
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a desvinculação entre o crédito e a ação judicial, e determinar o retorno dos autos à DRF para exame do mérito do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 DCOMP. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. OBJETOS DISTINTOS. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de ação judicial buscando o reconhecimento de que está correto determinado procedimento contábil adotado na DIPJ não torna litigioso e nem concomitante, com a ação judicial, o débito apurado pelo contribuinte, objeto de pedido de compensação mediante DCOMP. No caso concreto, pelo que se extrai da DIPJ Retificadora do anocalendário de 1995, exercício 1996, datada de 22/12/1998 (fl. 124), a recorrente apurou saldo negativo no valor de R$ (4.472.505,12), "decorrente de antecipações de IRRF sobre receitas financeiras". Conforme já decidido pela CSRF, no caso concreto, decorridos mais de 5 anos, a autoridade fiscal não pode glosar despesas, apontar receitas tributáveis ou critério de correção das demonstrações financeiras para alterar o valor do saldo negativo. Tal fato importaria, por linhas transversas, fazer lançamento para exigir crédito em relação a período já extinto pela decadência. Contudo, tem a autoridade fiscal a prerrogativas de conferir se as retenções de IRRF, bem como os pagamento das estimativas, que serviram para constituir o saldo negativo efetivamente ocorreram. A recorrente declarou que sofreu retenção em razão de aplicações financeiras no valor de R$ 4.472.505,12. Este fato, ou seja, a efetividade destas retenções não foi analisado pela fiscalização, cautela que se recomenda antes do homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 24 24 /2 00 8- 30 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a desvinculação entre o crédito e a ação judicial, e determinar o retorno dos autos à DRF para exame do mérito do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório PIRELLI PNEUS LTDA., já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. O caso concreto trata de pedido de compensação em que a essência do julgamento tem por objeto enfrentar os seguintes pontos: a) se o débito objeto da compensação decorre de decisão judicial não transitada em julgado; b) existência ou não do crédito que comporte a homologação. Pelo que se extrai da fl. 01 dos autos, em 10/07/2008 a recorrente apresentou pedido de restituição do valor de R$ 4.472.505,12, informando tratarse de: "saldo negativo de imposto de renda de pessoa jurídica IRPJ do anocalendário de 1995 decorrente de antecipações de IRRF sobre receitas financeiras". O pedido de restituição foi fundamentado com a petição de fls. 02 a 14 e instruído com os documentos referentes as retenções na fonte, de fls. 31 a 105. A DIPJ Retificadora do anocalendário de 1995, exercício 1996, datada de 22/12/1998 (fl. 124) consta das fls. 106 e seguintes, sendo que à fl. 112, a recorrente apurou saldo negativo de R$ (4.472.505,12), valor este que corresponde exatamente ao pedido de restituição. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 3 À fl. 126 consta cópia do auto de infração notificado em 23/04/2001, referente a fatos geradores nos anoscalendário de 1995 e 1996, contendo, as seguintes infrações: 001) DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO. IMOBILIZADO. COTAS DEDEPRECIAÇÃO NÃO DEDUTÍVEIS. Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/1995 R$ 5.895.226,00 0,00% 31/12/1996 R$ 4.112.343,00 0,00% 002 GANHOS DE PERDAS DE,CAPITAL ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/1995 R$ 148.453,00 0,00% 31/12/1996 R$ 5.147,00 0,00% 003 DESPESA. INDEVIDA DE CORREÇÃO MONETÁRIA Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/1995 R$ 841,.010;00 0,00% 004 GLOSA. DE PREJUÍZOS. COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. INFRAÇÃO NÃO SUJEITA À REDUÇÃO POR PREJUÍZO Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/1995 R$ 31.761.652,28 0,00% 31/12/1996 R$ 35.425.906,67 0,00% Pelo que se extrai do termo de verificação fiscal do auto de infração acima referido, o lançamento fora feito para evitar a decadência, tendo em vista que o contribuinte, em setembro de 1994, procedeu fiscal e contabilmente os ajustes referentes ao plano verão. Assim, seus efeitos tributários projetaramse para o futuro, sendo objeto de auto de infração tanto os relacionados ao ano de 1994, quanto 1995 e 1996. Ao que se depreende dos autos, em relação ao auto de infração noticiado à fl. 125, houve depósito judicial sendo deferido à requerente o levantamento dos valores referentes ao ano de 1995, em face da decadência reconhecida pelo Conselho. Ainda quanto à citada ação judicial, verifico que ela transitou em julgado em 05/08/2011, conforme se depreende das informações que seguem, extraídas de consulta realizada em 02122012: Data Descrição Documentos 08/08/2011 BAIXA DEFINITIVA A SEÇÃO JUDICIÁRIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2011200352 DESTINO: JUÍZO FEDERAL DA 8 VARA DE SÃO PAULO >1ªSSJ>SP 08/08/2011 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2011198634 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA QUARTA TURMA 05/08/2011 REMESSA À DPAS PARA BAIXA DEFINITIVA GUIA NR.: Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 4 2011198634 DESTINO: PASSAGEM DE AUTOS 05/08/2011 TRANSITOU EM JULGADO A DECISÃO EM 30/06/2011 Em 23 de abril de 2009, conforme demonstram os documentos de fls. 200 e seguintes, a interessada requereu que o crédito correspondente ao pedido de restituição fosse utilizado na compensação de débitos próprios, mediante Declaração de Compensação Eletrônica Retificadora nº 13.899.88619.240409.1.7.020401, com débitos de COFINS do período de apuração de março de 2009. À fl. 205 consta despacho decisório datado de 18/06/2009, de onde extraio os seguintes pontos: "13. O contribuinte impetrou, contra a Fazenda Nacional, o Mandado de Segurança n° 94.00.270364, com a finalidade de manter, em sua escrituração contábil e fiscal, os ajustes em setembro de 1994, concernentes à utilização de indexadores econômicos aplicáveis à Correção Monetária das Demonstrações financeiras diversos do previsto na legislação, relativo ao TPC de Janeiro de 1989 — "Plano Verão". 14. Nos termos literais do pedido, "seja concedida a segurança definitiva para assegurar seu direito de manter os lançamentos efetuados, referentes a ajustes fiscais para fins de determinação do lucro sujeito a tributação, mediante adoção de critérios que considere o diferencial de correção monetária que existiu em 1989, correspondente variação do IPC do IBGE, com o aproveitamento integral, na forma de Lei, dos prejuízos fiscais assim apurados". 15. Efetivamente, o contribuinte excluiu, para apuração do Lucro Real do mês de Setembro de 1994, o valor de R$ 90.878.935, relativo aos efeitos do ajuste da correção monetária até esse mês, sendo que o referido procedimento já foi objeto de verificação fiscal anterior, havendo sendo constituído o crédito tributário correspondente (Processo n° 10805.0000720/0082). .... 17. Em sentença proferida em 12 de Dezembro de 1997 (fls. 175/192), o mandado de segurança n° 94.00.270364, foi julgado parcialmente procedente na pretensão do contribuinte, arbitrando o juízo de primeira instância indexador inferior ao pleiteado, entretanto superior ao previsto na legislação. 0 contribuinte apresentou recurso de apelação, ao qual a União Federal interpôs Recurso adesivo. .... "....os valores das deduções poderão, em caso de decisão judicial completa ou parcialmente desfavorável ao contribuinte, ser compensados do montante devido". assim, fica evidente que o crédito pleiteado pelo contribuinte não tem como pressuposto a certeza e a liquidez, visto que a manutenção dos efeitos contábeis e fiscais da correção monetária das demonstrações financeiras, Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 5 condição necessária para a existência de saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 1995, encontrase em curso de uma ação judicial. Portanto, a situação é de incerteza quanto a haver uma obrigação do fisco em relação ao contribuinte e, se esta existir e for pecuniária, à quantia em que se expressa (liquidez); não bastasse o não preenchimento dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo artigo 170 do CTN, a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial também encontra óbice no artigo 170A do CTN; portanto, verificando que o pedido de restituição que lastreia a compensação declarada pelo contribuinte referese a crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, cabe considerála nãodeclarada, conforme art. 74, § 12, inciso II da Lei n° 9.430, de 1996; assim sendo, cabe aqui a aplicação da multa isolada conforme previsão contida no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com as redações dadas pela Lei n° 11.051, de 2004 e pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 252, de 2005; diante do exposto, conclui pela ADMISSÃO da Declaração Retificadora n° 13899.88619.240409.1.7.020401; por considerar NÃOFORMULADO o Pedido de Restituição; por Considerar NÃODECLARADA a compensação pleiteada na DCOMP retificadora acima numerada; e, pelo prosseguimento da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Na data de 3 de agosto de 2009 a Empresa apresentou Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° 1163/2009, alegando, resumidamente, o seguinte: I) PRELIMINAR — CONHECIMENTO E PROCESSAMENTO DA PRESENTE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE: informa da decisão liminar do TRF da Primeira Região no sentido de garantir o direito de defesa e a apreciação de seu recurso; .... IV) DO DIREITO — DA LEGITIMIDADE DA COMPENSAÇÃO REALIZADA. IV.1. da liquidez e certeza do crédito compensado aduz que era tributada, à época, pelo lucro real, optando pela apuração anual com recolhimentos por estimativa, que fez conforme balancetes de suspensão ou redução, consoante autorização do artigo 3º da Lei n°8.981, de 1995; que na apuração do lucro real de 1995, apurou um lucro real integralmente compensado com o saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores (conforme quadro que apresenta, fl. 229), não apurando qualquer valor de imposto a pagar no período; que teve receitas financeiras sobre as quais foi recolhido o imposto na fonte, no valor de R$4.472.505,12, valor que passou a constituir crédito de saldo negativo de IRPJ, compensável com outros débitos tributários; que o valor do IRRF está integralmente comprovado pelos informes de rendimentos e, ainda, foi devidamente informado à época da Declaração de Rendimentos; portanto, o crédito é inquestionavelmente líquido e certo, tratandose de saldo negativos de IRPJ decorrente de crédito de IRRF recolhido em favor da Requerente por instituições financeiras, sem qualquer vinculação com processo administrativo ou judicial; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 6 IV.2. da inexistência de vinculação do crédito de saldo negativo de IRPJ de 1995 com a decisão a ser proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 94.03.0917415 — a Receita Federal alega que a compensação realizada pela Requerente encontraria óbice no artigo 170A do CTN, sustentando que o reconhecimento do direito creditório dependeria de decisão judicial; (a) da inaplicabilidade do art. 170A do CTN, ao caso concreto — o citado artigo proíbe a compensação de créditos objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado. No caso em comento, contudo, o direito decorre de antecipações feitas a título de IRRF que, ao fim do anocalendário, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal, resultaram em crédito a ser compensado nos exercício futuros. Não há dúvidas quanto à existência do IRRF ou mesmo seu valor. Em outras palavras, não há qualquer ação judicial movida pela Requerente na qual esteja sendo discutido a existência do direito ao crédito de IRRF. Portanto, já na primeira análise, resta equivocada a premissa fiscal da impossibilidade de compensar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995, alegando descumprimento do art. 170A do CTN; (b) da inexistência de vinculação do crédito decorrente de 1RRF à decisão a ser proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 94.03.0717415 — a referida ação judicial visa o reconhecimento do direito de aplicar o indexador econômico IPC 89 para a correção de suas demonstrações financeiras no anocalendário de 1994, convalidando, nos períodos posteriores, em especial, nos anoscalendário de 1995 e 1996, os efeitos fiscais decorrentes. Embora o objeto da discussão seja o valor do IRPJ devido no anocalendário de 1995, o valor do 1RRF sobre receitas financeiras apurado neste período não está afetado por esta discussão judicial. Isto porque o Juiz, ao decidir sobre o depósito dos valores controversos, expressamente consignou que a discussão judicial estava restrita às quantias depositadas judicialmente (que não incluíam o valor do IRRF sobre receitas financeiras). A informação relativa ao depósito judicial — de relevância fundamental para o caso — foi "esquecida" pela r. decisão proferida pela D. Delegacia da Receita Federal quando do relato da ação judicial (ver itens 13 a 18 do r. despacho decisório). Deferido o depósito, o Juiz determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários "nos limites das importâncias depositadas", nos termos do art. 151, IV do CTN. Assim, a controvérsia da ação judicial está vinculada apenas àquelas importâncias depositadas judicialmente. Em caso de decisão final desfavorável, os valores depositados serão convertidos em renda da União, sendo certo que, em caso de decisão pela concessão da segurança, os valores poderão ser levantados pela requerente. Em qualquer situação, a decisão judicial a ser proferida não trará efeito em relação ao IRRF que compõe o crédito de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Assim, diferentemente do que sustentou a D. Delegacia de Julgamento (sic), os efeitos fiscais discutidos na ação judicial não têm qualquer influência no direito de crédito objeto do presente pedido de compensação. IV.3. da vinculação com o processo administrativo n° 10805.000636/200139 e dos efeitos da decisão do Conselho de Contribuintes — o crédito de saldo negativo decorrente do IRRF esteve vinculado tãosomente ao processo administrativo acima referido, que decorreu do Auto de Infração lavrado em 23 de abril de 2001 para exigir o IRPJ supostamente devido pela requerente no anocalendário de 1995 e 1996, no montante histórico de RS16.549.527,00. No ato de lançamento, a Receita Federal expressamente declarou que os créditos de IRRF detidos pela empresa foram considerados na composição do débito exigido, estando, portanto, intrinsecamente ligados ao auto de infração, não podendo, dessa forma, ser Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 7 utilizados pela empresa em outros processos de compensação. Portanto, o valor do IRRF ficou "vinculado/preso" A decisão a ser proferida nos autos do processo administrativo, sendo que a utilização deste valor estava condicionada a solução de mérito a ser proferida pelo Conselho de Contribuintes. Pois bem, decisão final que liberou/desvinculou foi proferida em junho de 2005, reconhecendo que, quando da lavratura do Auto de Infração, em 2001, teria transcorrido mais de cinco anos da data do fato gerador e, por isso, teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, nos termos do art. 150, § 40 do CTN. Importante dizer que a decisão reconheceu a impossibilidade do Fisco exigir qualquer valor relativo ao IRPJ do anocalendário de 1995, em outras palavras, o Conselho de Contribuintes reconheceu a extinção do crédito tributário pela inércia do Fisco. A decisão teve duas conseqüências jurídicas: (i) o reconhecimento expresso da extinção do crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Sendo assim, independentemente da análise de mérito a ser proferida nos autos do Mandado de Segurança e ilegítima qualquer cobrança de IRPJ deste período. Concluir de outra forma, isto é, que a decisão reconhecendo a decadência não afetaria a discussão judicial seria esvaziar por completo o conteúdo da decisão proferida na esfera administrativa e tornar irrelevante toda a discussão administrativa travada; (ii) ainda, mais do que o reconhecimento expresso da extinção do crédito tributário, houve a homologação da escrita fiscal da Requerente para o anocalendário de 1995, isto é, a decisão proferida confirmou a escrita fiscal para o anocalendário de 1995 reconhecendo a existência de um débito tributário e aceitando o crédito de saldo negativo apurado e declarado pela Requerente. Em razão da decisão proferida a Requerente apresentou petição nos autos do Mandado de Segurança para o levantamento dos depósitos e pedido administrativo de restituição dos créditos de IRPJ decorrentes. A requerente tem absoluta certeza que, diante do reconhecimento administrativo de inexigibilidade de qualquer valor para o anocalendário de 1995, em razão do transcurso do prazo decadencial, faz jus ao valor do IRPJ apurado se recomposta a escrita fiscal para retirar os efeitos do indexador IPC 89, independentemente da solução final de mérito. Em outros termos, diante da decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes, a ação judicial perdeu objeto em relação ao anocalendário de 1995, visto que, repita se, homologouse a escrita fiscal da Requerente sem os efeitos do indexador IPC 89 (Plano Verão), resultando, pois, inexistência de IRPJ a pagar (sic). Quanto ao pedido de compensação, com o encerramento da discussão referente ao auto de infração mencionado, e homologação da escrita fiscal do respectivo ano, é direito líquido e certo da Requerente receber o valor do IRRF do ano de 1995 que estava a ele vinculado/preso. É de se refutar o entendimento da Delegacia da Receita Federal de que o reconhecimento da decadência não resultaria na conclusão de existência de um crédito, mas tãosomente na inexistência de um valor a pagar. Tal afirmação é um inegável erro jurídico, além de representar uma limitação totalmente indevida dos efeitos da decisão proferida. Isso porque, como acima demonstrado, no momento da lavratura do auto de infração, a fiscalização expressamente vinculou/prendeu o crédito de IRRF ao lançamento, como espécie de garantia de pagamento desse suposto débito, impossibilitando, assim, seu uso pela Requerente para pagamento de outros débitos. Com o fim do processo administrativo favorável à Requerente, a conseqüência lógica não é outra se não a liberação desse crédito de IRRF. Contrariamente ao entendido pela citada Delegacia, da decadência reconhecida pelo Conselho de Contribuintes resultam duas conclusões lógicas: (i) a inexistência de um débito fiscal; e, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 8 (ii) a liberação de um crédito de IRRF que estava vinculado a esse processo administrativo. (iii) considerando que na Declaração de Rendimentos apresentada pela Requerente à época continha o saldo negativo de IRPJ, decorrente de IRRF sobre aplicações financeiras, ao se reconhecer definitivamente homologada a escrita fiscal, o Órgão recursal reconheceu também a existência do crédito em face do Fisco. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Deve ser considerada nãodeclarada a compensação cujo fundamento é ação judicial ainda não transitada em julgado. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. EFEITO. A homologação tácita, nos lançamentos por homologação, impede a constituição do crédito tributário pelo Fisco, mas não se aplica ao saldo negativo apurado, cuja comprovação está obrigada a pessoa jurídica que pretender restituílo ou compensálo. Cientificada da aludida decisão (fl. 368), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/09/2010 (segundafeira), na qual contesta e repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Por fim, registro que, no que se refere ao mandado de segurança, a recorrente desistiu da ação judicial, levantou os valores de 1995 em face da decadência e informou que incluiria no parcelamento da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009, os valores lançados em relação ao ano de 1996. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O caso concreto trata de pedido de compensação em que a essência do julgamento tem por objeto enfrentar os seguintes pontos: a) se o débito objeto da compensação decorre de decisão judicial não transitada em julgado; b) existência ou não do crédito que comporte a homologação. Pelo que se extrai da DIPJ Retificadora do anocalendário de 1995, exercício 1996, datada de 22/12/1998 (fl. 124) a recorrente apurou saldo negativo no valor de R$ (4.472.505,12) e apresentou pedido de restituição que posteriormente foi transformado em pedido de compensação. Se o valor do saldo negativo foi apurado na própria DIPJ, aparentemente não se trata de crédito judicial. O crédito foi apurado pela recorrente em sua DIPJ. Após assim proceder, ingressou com ação judicial pedindo que fosse reconhecida a legalidade de seu procedimento, obtendo liminar neste sentido. Para prevenir a decadência a autoridade fiscal, discordando do procedimento da contribuinte, lavrou auto de infração. A parte interessada, por sua vez, em relação ao ano de 1995, depositou os valores em juízo. Ocorre que, posteriormente, a CSRF cancelou a exigência contida no auto de infração, por considerar decadente o lançamento. Reconhecida pela CSRF a inexistência de débito em relação ao ano de 1995 o Poder Judiciário, conforme verifiquei, expediu alvará possibilitando que a contribuinte levantasse os valores. Da análise que fiz levando em consideração a causa de pedir e o pedido da ação judicial, frente ao argumento da recorrente de que o saldo negativo deste processo decorre de antecipações feitas a título de IRRF que, ao fim do anocalendário, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal, resultaram em crédito a ser compensado nos exercício futuros, não consigo vislumbrar identidade de pedido e nem de causa de pedir. No mais, se a ação da autora fosse improcedente a consequência seria a conversão em renda dos valores que foram depositados, permanecendo, por decorrência, o saldo negativo das retenções do IRRF. Feito tais registros, como suprimi a leitura de determinadas partes do relatório, para melhor compreensão dos aspectos de fato e de direito pelos demais membros do colegiado, destaco que ao calcular o IRPJ do anocalendário de 1995, especificado na declaração retificadora, a contribuinte, amparada por decisão judicial proferida em mandado de segurança, considerou em sua escrituração contábil e fiscal, nos ajustes em setembro de 1994, indexadores diversos dos adotados pela fiscalização. Tal fato produziu reflexos nos anos Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 10 seguintes, inclusive no anocalendário de 1995. As diferenças produzidas nos anos calendário de 1995 e seguintes foram objeto de depósito judicial. Daí o meu entendimento de que, se improcedente a demanda judicial os depósitos converterseiam em renda e permanecia o saldo devedor correspondente às retenções do IRFF sobre aplicações financeiras. Diante do procedimento da recorrente, a autoridade fiscal lavrou auto de infração para prevenir a decadência. Porém, este Conselho, em decisão transitada em julgado, afastou a exigência por reconhecer que, quando do lançamento, o crédito tributário, em relação ao anocalendário de 1995, já estava extinto pela decadência. Com a decisão do Conselho, conforme consulta que realizei no andamento do processo judicial, a recorrente levantou os valores referentes à autuação do anocalendário de 1995. Permaneceram depositados os valores dos anos subsequentes, em relação aos quais a recorrente desistiu da ação e incluiu os débitos discutidos em parcelamento. Dados os fundamentos do acórdão recorrido, não posso deixar de analisar neste recurso se a decadência em relação ao ano de 1995 convalidou o procedimento da requerida quanto ao critério de apuração do saldo negativo do IRPJ. Pois bem, por meio da entrega da DIPJ o contribuinte identifica a matéria tributável e apura o imposto devido, informandoo à autoridade fiscal. Em discordando do montante apurado pelo sujeito passivo, seja ele positivo ou negativo, a autoridade fiscal tem o prazo de cinco anos para lavrar auto de infração, sob pena de homologação tácita do procedimento realizado pelo sujeito passivo. Tenho entendido que este prazo de cinco anos, a contar do lançamento, operase tanto em favor do contribuinte quanto em favor do fisco. Neste sentido reportome aos acórdãos decorrentes do processo do Laboratório Bauru de Patologia Clínica S/C Ltda, julgados na sessão de 09 de agosto de 2012, de onde transcrevo, a título de exemplo, a ementa do acórdão nº 1402001.170, do qual fui relator: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 11 A questão que se coloca é o marco inicial da contagem do prazo decadencial, isto é, se da entrega original da DIPJ ou da data da entrega da DIPJ retificadora. Partindo da premissa de que por meio da entrega da DIPJ o contribuinte identifica a matéria tributável e calcula o valor do imposto devido, é a contar desta data que começa a fluir o prazo para retificações por parte do sujeito passivo ou de procedimentos do fisco para exigir diferenças. Porém, não se pode ignorar os efeitos da DIPJ retificadora. As normas internas adotadas pela Receita Federal do Brasil dizem que a DIPJ retificadora substitui a DIPJ original para todos os efeitos. Se a DIPJ retificadora substitui a DIPJ original para todos os efeitos, entendo eu que não há como desconsiderar o efeito que diz respeito ao marco inicial da decadência. Em outras palavras, a DIPJ retificadora suspende o prazo decadencial. Ao meu sentir, o marco inicial da decadência para lançar eventuais diferenças, em caso de DIPJ retificadora, contase a partir desta. Por esta linha de raciocínio seria legítima a exigência feita por meio do auto de infração de fls. 125 e seguintes que atacou o procedimento adotado na DIPJ retificadora. Contudo, tal matéria, em relação ao auto de infração de fls. 125, foi examinada pela CSRF que não acolheu esta tese e que resultou, inclusive, no levantamento dos valores que se encontravam depositados judicialmente, conforme apurei em consulta ao agravo regimental relativo ao processo judicial antes referido. Não se discute a existência das retenções que formaram o Saldo Negativo do IRPJ. Contudo, com a correção monetária aplicada em relação aos valores dos exercícios anteriores, o saldo negativo é menor do montante indicado pela contribuinte. Por ser menor a autoridade fiscal lavrou auto de infração e a contribuinte depositou a diferença em juízo. Se vencida na ação judicial os valores converterseiam em renda. A CSRF, adotando posição divergente deste relator, entendeu que a autoridade fiscal não mais poderia efetuar o lançamento. Dado a decisão da CSRF, não cabe reapreciar a matéria, cabendo analisar quais as consequências da decisão da CSRF. No entender da DRJ a decisão da CSRF não convalida o crédito informado na DIPJ. Partido da linha que tanto o contribuinte quanto à Fiscalização têm prazo de 5 (cinco) anos para, mediante procedimentos específicos, desconstituírem o que foi constituído por meio da DIPJ, tenho que a decisão da CSRF não convalida o crédito constante da DIPJ, mas também não o desconstitui os valores efetivamente retidos na fonte ou aqueles recolhidos a título de estimativas que serviram para formar o saldo negativo. Ao que parece, tanto era necessário o lançamento em relação ao anocalendário de 1995 para alterar o crédito adotado pelo sujeito passivo que a autoridade fiscal assim procedeu. Dado o entendimento de que o crédito em questão decorre de decisão judicial não transitada em julgado, tenho que o assunto, neste ponto, além das considerações feitas no início deste voto, requer o exame de três elementos, com o posterior cotejamento e reflexos entre estes e o pedido de compensação: I) A causa de pedir e o pedido do mandado de segurança; II) Os termos do mandado de segurança e do auto de infração referente ao anocalendário de 1995, cujo crédito exigido foi afastado em face da decadência; III) A materialidade dos valores relativos ao IRRF que compuseram o saldo negativo no ano de 1995. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 12 Da causa de pedir e do objeto do mandado de segurança Do que se extrai da sentença, a causa de pedir da ação acima referida está no fato de que o artigo 30 da Lei nº 7.789, de 1989, ao fixar os indexadores, expurgou a correção monetária do mês de janeiro de 1989, que no dizer da recorrente foi de 70,28%. Neste sentido transcrevo o seguinte trecho da sentença: "impetrou mandado de segurança objetivando que se lhes reconheça o direito de conservar na escrita fiscal os lançamentos efetuados a título de ajuste para fins de determinação do lucro sujeito à tributação, mediante a adoção do critério considerado o diferencial de correção monetária existente em 1998, correspondente à variação do INPC de forma a traduzir integral aproveitamento prejuízos fiscais existentes naquele período." "Pretende, enfim, lhe que seja reconhecido o direito líquido e certo de realizar a correção monetária de suas demonstrações financeiras no anobase de 1989, através dos índices de inflação medidos pelo IBGE (IPC) em substituição ao BTNF adotado." Da transcrição acima temse que o objeto da ação era convalidar o procedimento contábil realizado pelo sujeito passivo. Do procedimento adotado pela contribuinte resultou o saldo negativo no anocalendário de 1995, que a recorrente indicou à compensação. No entanto, em que pese o procedimento da recorrente ter produzido reflexo na saldo negativo do anocalendário de 1995, não é possível afirmar que os valores indicados para compensação são oriundos de créditos judiciais com decisão não transitada em julgado. Na verdade, o crédito indicado à compensação foi o apurado conforme DIPJ Retificadora. O objeto do mandado de segurança era buscar certeza de que o procedimento adotado na DIPJ estava correto. Discordando do procedimento levado a efeito pelo contribuinte lavrouse o auto de infração que resultou cancelado, em relação ao ano de 1995, pela CSRF. Assim, o valor apurado na DIPJ em nenhum momento perdeu sua materialidade. O fato de se propor ação judicial buscando o reconhecimento de que está correto determinado procedimento contábil adotado na DIPJ, não torna litigioso do débito apurado pelo contribuinte, seja ele com saldo positivo ou negativo. b) existência ou não do crédito que comporte a homologação. No entender da douta maioria deste colegiado, sempre que o contribuinte informar saldo negativo, decorridos 5 anos, a autoridade fiscal não pode glosar despesas, indicar omissão de receita ou outros procedimentos para alterar a base de cálculo e o valor do imposto devido. Tal procedimento importaria, por vias transversas, em lançamento depois de decorrido o prazo decadencial1. Contudo, pode a autoridade fiscal, a qualquer tempo, verificar a existência material das retenções ou do recolhimento das estimativas que formaram o saldo devedor. No caso concreto, pelo que se extrai da DIPJ Retificadora do anocalendário de 1995, exercício 1996, datada de 22/12/1998 (fl. 124), a recorrente apurou saldo negativo no valor de R$ (4.472.505,12), "decorrente de antecipações de IRRF sobre receitas financeiras". Conforme já decidido pela CSRF, no caso concreto, decorridos mais de 5 anos, a autoridade fiscal não pode glosar despesas, apontar receitas tributáveis ou critério de correção das 1 No caso concreto, ao reconhecer a decadência em relação ao anocalendário de 1995, a decisão da CSRF confirma este entendimento. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10530.002424/200830 Acórdão n.º 1402001.334 S1C4T2 Fl. 0 13 demonstrações financeiras para alterar o valor do saldo negativo. Tal fato importaria, por linhas transversas, fazer lançamento para exigir crédito em relação a período já extinto pela decadência. Contudo, tem a autoridade fiscal a prerrogativas de conferir se as retenções de IRRF ou o pagamento das estimativas que serviram para constituir o saldo negativo efetivamente ocorreram. A recorrente declarou que sofreu retenção em razão de aplicações financeiras no valor de R$ 4.472.505,12. Este fato, ou seja, a efetividade destas retenções não foi analisado pela fiscalização, cautela que se recomenda antes da homologação da declaração de compensação. Em resumo, na no processo judicial não se discutia o saldo negativo do ano calendário de 1995 informado na DIPJ, mas sim critério de correção monetária que, por consequência, ao meu sentir, influi no valor do saldo negativo. Por entender incorreto o procedimento da contribuinte lavrouse auto de infração. No referido auto de infração, segundo foi noticiado, na apuração do crédito tributário, subtraiuse o saldo negativo que a fiscalização entendia correto. Daí a expressão usada pela recorrente de que "seu saldo negativo havia ficado preso". Usando da faculdade que o sistema processual civil lhe assegura, a recorrente depositou em juízo o valor que a autoridade fiscal entendia devido. Cancelado o lançamento na esfera administrativa a consequência foi o levantamento, por autorização judicial, do valor correspondente ao ano de 1995. Ao meu sentir, o fato de se propor ação judicial buscando o reconhecimento de que está correto determinado procedimento contábil adotado na DIPJ, não torna litigioso do débito apurado pelo contribuinte, seja ele com saldo positivo ou negativo. Dos fundamentos acima concluo que: a) o crédito oferecido à compensação decorre do SNIRPJ do anocalendário de 2005 e não de crédito reconhecido na esfera judicial; b) que em face da decisão da CSRF reconhecendo a decadência não é possível alterar o valor do imposto devido no anocalendário de 1995. c) que a unidade de origem, na execução do acórdão, confira a materialidade do montante das retenções de fonte que importaram no valor do saldo negativo (R$ 4.472.505,12). ISSO POSTO, voto, no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a desvinculação entre o crédito oferecido para compensação e a ação judicial, determinando o retorno dos autos à DRF para exame do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 12/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10680.935618/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas em PERDCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 35 61 8/ 20 09 -8 1 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935618/200981 Resolução nº 1801000.212 S1TE01 Fl. 3 2 Por meio de PERDCOMP a interessada pretende a compensação de débitos próprios com direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito pleiteado nos presentes autos totaliza R$ 286.269,13. Pelo Despacho Decisório a DRF em Belo Horizonte não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações sob o argumento de que o DARF mencionado pela interessada como origem do indébito havia sido alocado a um débito confessado em DCTF e, assim, não haveria crédito disponível para compensação pleiteada. Em manifestação de inconformidade defendeuse a interessada alegando que, de acordo com a DIPJ do anocalendário 2003 – exercício 2004, teria apurado um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 40.003,77. Assim, considerandose o débito apurado e o pagamento efetuado, verificarseia o indébito no valor de R$ 294.465,83. Apresenta planilha demonstrativa do pretenso indébito, confrontando DCTF original, DCTF retifícadora e DIPJ. Afirma ter cometido mero erro de fato no preenchimento da DCTF, de modo que não haveria recolhimento suplementar algum a ser efetuado após a retificação da DCTF. Defendeuse, ainda, contra os encargos moratórios imputados ao débito exigido. No julgamento do litígio a Turma Julgadora de 1a. instância observou que a DCTF retificadora foi apresentada após a não homologação da compensação pleiteada e que a contribuinte não teria apresentado qualquer prova do erro cometido no preenchimento da DCTF original. Observou que na DIPJ do anocalendário 2003 teria sido apurado um saldo negativo de IRPJ, assim composto: DIPJ 2003 DCTF Original DCTF Retificadora IRPJ Apuração Anual Alíquota 15% 330.483,34 Adicional 196.322,22 Total IRPJ Apurado 526.805,56 () Deduções () IRRF 294.465,83 () IR Pago Estimativa 192.335,96 () Total Deduções 486.801,79 IR a Pagar IRPJ Apurado Deduções 40.003,77 334.496,60 40.003,77 Assinalou que o IRPJ declarado na DCTF original foi apurado sem o cômputo do IRRF consignado pelo contribuinte em sua DIPJ. Nesse sentido o direito de crédito Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935618/200981 Resolução nº 1801000.212 S1TE01 Fl. 4 3 invocado na manifestação de inconformidade corresponderia a esta mesma importância R$ 294.465,83 e que o valor deduzido a título de "IR pago por estimativa", no importe de R$ 192.335,96 estaria em consonância com os valores declarados em DCTF, extintos pelo pagamento. Assim, o valor do IRPJ a pagar, consignado na DIPJ, estaria adstrito à confirmação do IRRF deduzido. Constatou que, de acordo com a DIPJ, que o IRRF teria origem em rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio recebidos pela interessada de 2 (duas) fontes pagadoras que estariam em consonância com aqueles informados em DIRF. Contudo, na DIPJ, a linha correspondente aos rendimentos de juros sobre o capital próprio estaria zerada (Ficha 06 B – linha 37), razão pela qual a dedução do IRRF não teria amparo. Assim, o DARF utilizado para pagamento do IRPJ apurado no anocalendário 2003 não representaria indébito. Também justificou a aplicação dos encargos moratórios sobre o débito indicado para compensação. Notificada da decisão, em 05/09/2011 (AR fl. 41), apresentou, a interessada, em 04/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz, quanto à retificação da DCTF, que a declaração é o instrumento para se dar conhecimento ao Fisco do cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes e que as informações nela contidas devem retratar a realidade das atividades econômicas, não se podendo admitir a vedação da correção de erros que possam ser comprovados pela análise de sua documentação contábil, livros fiscais e documentos correlatos. Pondera que com a retificação da DCTF teria comprovado, de maneira hialina, a existência de crédito, e consequentemente, do seu direito em ser restituído do pagamento a maior efetuado, já que a DIPJ comprovaria um IRPJ devido para o anocalendário 2003, de R$ 40.003,77, enquanto que no valor recolhido, de R$ 334.469,60, por equívoco, não teria sido feita a dedução do IRRF de R$ 294.465,83. Explica que auferiu rendimentos com juros sobre o capital próprio, mas que parte do valor teria sido contabilizado e oferecido à tributação no anocalendário 2002, na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99) no valor total de R$ 2.288.905,47. O valor teria sido registrado, na DIPJ, equivocadamente na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Esclarece que muito embora parte da receita auferida com Juros sobre o Capital Próprio tenha sido obtida no ano calendário de 2002 e declarada na DIPJ AC 2002, apenas foi realizada a retenção do IRRF no ano de 2003, conforme se verificaria das informações prestadas no comprovante de rendimentos (doc. n° 10), porque somente em 2004 teria recebido da fonte pagadora o respectivo informe de rendimentos. Teria assim procedido em estrita observância à legislação que determina que somente o IRRF comprovado com o informe de rendimentos pode ser deduzido na apuração anual. Afirma que, comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos com juros sobre o capital próprio, parte no anocalendário 2002 e parte no anocalendário 2003, faria jus à dedução do valor do IRRF de R$ 294.465,83 no ajuste do anocalendário 2003. Apresenta cópia de registros contábeis e outros documentos para comprovar suas alegações. Tece considerações a respeito da vedação de enriquecimento ilícito do Fisco, do princípio da verdade material da não caracterização da mora e da não incidência de encargos moratórios. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935618/200981 Resolução nº 1801000.212 S1TE01 Fl. 5 4 Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. VOTO. Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Verifico que o presente processo não está em condições de julgamento. A recorrente pleiteia o reconhecimento de indébito, no valor de R$ 294.465,83, pelo recolhimento a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito seria resultado da diferença entre o valor efetivamente devido, de R$ 40.003,77, como apurado na DIPJ do anocalendário 2003, e o valor recolhido em DARF, de R$ 334.469,60. O direito creditório pleiteado nestes autos também é pleiteado e encontrase em litígio nos seguintes processos distribuídos a esta Relatora: 10680.935619/200925; 10680.935620/200950; 10680.935621/200902; 10680.935622/200949; 10680.935623/200993; 10680.935625/200982; 10680.933966/200913; Nos processos acima listados as peças e argumentos de defesa apresentados pela interessada são idêntico, assim como são idênticas as decisões proferidas pela Turma Julgadora de 1a. instância. Em pesquisas realizadas junto ao sistema Eprocesso constatei a existência de inúmeros outros processos em nome da mesma interessada. Entretanto, não foi possível verificar quantos deles se referem aos mesmos fatos – mesmo direito creditório. A Portaria RFB n º 666, de 24/04/2008, assim dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:... IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; ... Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935618/200981 Resolução nº 1801000.212 S1TE01 Fl. 6 5 Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. ... Assim, nos termos da Portaria acima mencionada, deverá a Unidade de jurisdição da recorrente proceder à juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada. Quanto ao mérito noto que a Turma Julgadora de 1a. instância consignou que, apesar do valor do IRRF informado pela recorrente na DIPJ ter sido confrontado e confirmado com o valor informado pelas fontes pagadoras em DIRF, os rendimentos que deram origem a tais retenções não teriam sido oferecidos à tributação pois a linha correspondente na DIPJ estaria zerada. A seu turno a recorrente alega que teria se equivocado no preenchimento da DIPJ, informando o valor dos rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Observou, ainda, que parte dos rendimentos teria sido oferecida à tributação na DIPJ do anocalendário 2002 e parte na DIPJ do anocalendário 2003. Apresentou, para comprovar suas alegações, cópia do Livro Razão e balancetes de 2002 e 2003 na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99), assim como comprovantes de rendimentos. Pelo exposto voto no sentido de converter o presente julgamento na realização de diligência para que: 1) a Unidade de jurisdição da recorrente proceda a juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada; 2) verifique, junto aos registros contábeis da recorrente, se, de fato, os rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, que deram origem às retenções discutidas nos autos, foram oferecidos à tributação, esclarecendo, ainda, quanto ao período de apropriação e de oferecimento à tributação de tais receitas e de retenção do IRRF. Ao final deverá o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos efetuados a fim de atender a esta solicitação, dandose ciência à interessada do resultado, conforme determina o PAF, retornandose, posteriormente, o presente processo, a esta relatora, para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13896.911479/2009-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2008
DCTF. RETIFICAÇÃO ANTES DO LANÇAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não apreciado.
Numero da decisão: 3803-003.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Alexandre Kern.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2008 DCTF. RETIFICAÇÃO ANTES DO LANÇAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não apreciado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Alexandre Kern. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP no 18191.86155.160209.1.7.046506 através do qual a contribuinte pretende compensar crédito pago indevidamente ou a maior de COFINS do período de apuração 10/2004, no valor original de R$ 18.381,93, com débitos de COFINS e de PIS/PASEP de períodos de apuração 12/2008 no valor total de R$ 28.903,74. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 14 79 /2 00 9- 62 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 A DRF em Barueri indeferiu o pedido através de Despacho Decisório Eletrônico alegando que o pagamento foi localizado, mas, que fora integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Ireesignada a contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade onde alega, que em revisão de apuração do PIS e da COFINS constatou recolhimentos a maior que o devido, que retificou as suas declarações (DCTF, DIPJ e DACON) e as apresentou anteriormente ao Despacho decisório suas versões retificadas. Argumenta que resta demonstrados pelos documentos apresentados (DCTF, DIPJ e DACON) a existência do credito pleiteado. Requer por fim, deferimento do pedido e homologação da compensação. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada sob o argumento de falta de provas, tanto para substanciar a redução do de débito originalmente declarado em DCTF, quanto para comprovar a existência do direito creditório pleiteado. Inconformado o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário. Colacionando vasta doutrina, a recorrente pugna pela primazia do princípio da verdade material no processo administrativo em contraposto à verdade formal no processo judicial, alegando ser de responsabilidade da Receita à instrução probatória e que apenas complementariamente o interessado deve participar desta referida fase probatória. Afirma que sequer foi intimada a apresentar documentos que comprovam a origem dos créditos pretendidos. Alega que a recorrente retificou as informações fiscais "com obvio suporte nos seus balanços e notas fiscais" o que seria suficiente para comprovação do crédito. Ao final requer a homologação das declarações e subsidiariamente que lhe seja concedido prazo de 30 dias para a apresentação de documentos. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte apresentou PER/DCOMP que foi indeferido pela ausência de crédito. O Despacho Decisório adota como razão de decidir o fato do pagamento ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensações dos débitos informações em PER/DCOMP. Em sua defesa o sujeito passivo informa que em revisão de apuração de PIS e COFINS constatou recolhimento a maior e que retificou a DCTF, DIPJ e DACON antes do despacho decisório. Anexa as declarações retificadoras em sua manifestação de inconformidade. Do pedido de prazo para apresentação de documentos. A Recorrente requer prazo de 30 dias para apresentação de documentos contábeis que comprovem a origem dos créditos. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.911479/200962 Acórdão n.º 3803003.789 S3TE03 Fl. 11 3 O pedido da Recorrente encontra óbice na legislação que rege o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72 que determina este momento como sendo no ato da impugnação, senão vejamos o enunciado dos artigos 15 e 16: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Pelo que, por absoluta falta de previsão legal, indeferimos o pedido de prazo para apresentação de documentos. Da retificação de declarações. O Contribuinte retificou as informações inicialmente declaradas em DCTF, reduzindo o valor do COFINS devido no mês maio de 2004 de R$ 61.190,47 para R$ 28.285,92. Nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN, a contribuinte pode retificar suas declarações antes do despacho decisório, ainda que esta seja sujeira a comprovação. Passemos a leitura do dispositivo destacado: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo apresentou retificação das suas declarações antes de notificado do despacho decisório, estando dentro do prazo de sua espontaneidade. Da Nulidade do Despacho Decisório. Compulsando as informações constantes dos autos, observase que o Despacho Decisório teve como data de emissão o dia 07/10/2009 (fl.7) e o seu indeferimento se deu em razão do alegado DARF, no valor de R$ 61.190,47, ter sido integralmente utilizado para pagamento do mesmo tributo, ou seja, COFINS de maio/04, informado em DCTF. Ocorre que a contribuinte retificou as suas obrigações acessórias perante a Receita Federal, entre elas a DCTF em 22/07/2009 (Fl.21), através da qual o valor devido da COFINS para o mês de maio/04 foi reduzido para R$ 28.285,92 (Fl. 22). Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Observase que na data em que o PER/DCOMP foi analisado eletronicamente o débito da contribuinte, informado em DCTF retificadora, era de R$ 28.285,92 e não de R$ 61.190,47, portanto, entendemos que não poderia ter sido utilizado como razão de decidir a utilização integral do valor recolhido para pagamento da referida contribuição. O que entendemos como o procedimento correto por parte da RFB seria o encaminhamento do PER/DCOMP para análise manual a fim de que a contribuinte fosse intimada a apresentar documentos fiscais hábeis a comprovar a redução do valor do tributo informado em DCTF retificadora, tais como: balancetes, razão, livros e documentos fiscais, além das planilhas demonstrativas do crédito apurado. Pelo exposto dou provimento parcial para anular o processo desde a origem, para que novo Despacho Decisório seja proferido, levando em consideração a DCTF vigente à época da emissão do Despacho Decisório, concedendo oportunidade à contribuinte para que exerça o seu direito de defesa. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979251/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/07/2001
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2001 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 51 /2 00 9- 51 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02)relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ— cód. 2089, no montante de R$ 25,17, ocorrido em 31/07/2001, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 18/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. . Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10. 20912001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.20912001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CAL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, • conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PERIDCOMP nº15063.73247.141105.1.2.040506, relativo ao período de apuração abr/2001. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979251/200951 Acórdão n.º 1802001.628 S1TE02 Fl. 3 3 Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 2.097,27, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SP1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.299, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 16/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2001 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 9415.92012.181105.1.3.047069 (fls.01/02), transmitido em 18/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 44,97, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 25,17, código – 2089; Período de Apuração: 30/06/2001; Data de Arrecadação: 31/07/2001. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fls.07/08), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl. 08), relação dos conhecimentos de transporte relativo ao período de apuração abril/2001 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 2.097,27. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (IRPJ, código 2089) foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de abril/2001, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979251/200951 Acórdão n.º 1802001.628 S1TE02 Fl. 4 5 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo do IRPJ relativo período de apuração de abr/2001, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo do IRPJ do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação de conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de abril/2001. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979251/200951 Acórdão n.º 1802001.628 S1TE02 Fl. 5 7 Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 18/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10680.914548/2008-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 TEMPESTIVIDADE. AVISO DE RECEBIMENTO. INCORREÇÃO. Em havendo um engano na informação aposta no aviso de recebimento atinente à notificação original, tem-se como suprida a falta da Recorrente, cujo efeito é que a manifestação de inconformidade deve ser considerada como apresentada dentro do prazo legal.
Numero da decisão: 1801-001.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a preliminar de intempestividade e determinar o retorno dos autos à DRJ de jurisdição da Recorrente para a autoridade de primeira instância de julgamento examinar as demais questões controvertidas indicadas na manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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AVISO DE RECEBIMENTO. INCORREÇÃO. Em havendo um engano na informação aposta no aviso de recebimento atinente à notificação original, temse como suprida a falta da Recorrente, cujo efeito é que a manifestação de inconformidade deve ser considerada como apresentada dentro do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a preliminar de intempestividade e determinar o retorno dos autos à DRJ de jurisdição da Recorrente para a autoridade de primeira instância de julgamento examinar as demais questões controvertidas indicadas na manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.914548/200846 Acórdão n.º 180101.042 S1TE01 Fl. 277 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 31.08.2007, fls. 0611, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$36.511,88 referente ao anocalendário de 2004 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico nº 790520955, fl. 04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que não houve apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) corresponde ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. O valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito foi de R$36.511,88. Valor do saldo negativo informado na DIPJ/2005 foi de R$0,00. Consta no documento de fls. 129 extraído do sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de Consulta de Postagem temse que houve tentativa sem êxito de notificar a Recorrente. O Aviso de Recebimento nº 790520955, referente ao Despacho Decisório Eletrônico nº 790520955, fl. 04, foi postado em 16.09.2008 e devolvido em 22.09.2008 sob o fundamento de que o destinatário mudouse do domicílio fiscal localizado na Rua Professor Vieira Mendonça nº 1121, salas 01, 02 e 03, bairro Pampulha, Belo Horizonte/MG, CEP 31.310260. Assim, a Recorrente foi cientificada mediante Edital da DRF Belo Horizonte/MG afixado em 29.10.2008 e desafixado em 13.11.2008, fls. 9899, e apresentou a manifestação de inconformidade em 14.05.2009, fls. 0103, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que não foi regularmente intimada do Despacho Decisório Eletrônico e que somente tomou conhecimento da irregularidade fiscal no momento em que solicitou a renovação da Certidão Conjunta Positiva com Efeito de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Divida Ativa da União em 23.04.2009. Argui que tem direito ao reconhecimento do direito creditório constante no pleito inicial e confirma a existência do crédito tributário necessário à compensação apresentando em 30.04.2009 a DIPJ retificadora do anocalendário de 2004. Conclui A vista do exposto solicita: • Atualização no cadastro deste órgão, da retificação da DIPJ 2005 ano calendário 2004. • Baixa dos Débitos/Pendências na Receita Federal, apontadas e devidamente esclarecidas, cujo objetivo é a obtenção da Certidão Conjunta Positiva com Efeito de Negativa de Débitos relativos aos Tributos Federais e à Divida Ativa da União. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.914548/200846 Acórdão n.º 180101.042 S1TE01 Fl. 278 3 Em conseqüência foi emitido o Despacho em 06.08.2010, fl. 104, onde consta Tendo em vista apresentação de Manifestação de Inconformidade intempestiva e revogação de medida liminar que suspendia a exigibilidade dos créditos tributários relativos ao processo acima referido, encaminhamos em anexo Darf relativos às Dcomp Não Homologadas para recolhimento ate 31/08/2010. Findo este prazo este processo será enviado PFN para fins de inscrição em Divida Ativa. Comunicada em 11.08.2010 por via postal no seu domicílio fiscal localizado na Rua Professor Vieira Mendonça nº 1121, salas 01, 02 e 03, bairro Pampulha, Belo Horizonte/MG, CEP 31.310260, fl. 105, a Recorrente apresenta em 26.08.2010, fl. 106110, o aditamento à manifestação de inconformidade apresentando as mesmas razões de defesa anteriormente suscitadas, acrescentando que originalmente destacou a matéria relativa à tempestividade da peça de contestação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0230.122, de 21.12.2010, fls. 131135:“Manifestação de Inconformidade Não Conhecida”. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 Manifestação de Inconformidade Intempestiva. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza Manifestação de Inconformidade, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Notificada em 06.04.2011 por via postal no seu domicílio fiscal localizado na Rua Professor Vieira Mendonça nº 1121, salas 01, 02 e 03, bairro Pampulha, Belo Horizonte/MG, CEP 31.310260, fl. 138, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.05.2011, fls. 139144, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que não alterou seu domicílio fiscal informado RFB e que é equivocada a informação de que “mudouse” do seu domicílio fiscal originário constante nos registros internos da RFB. Conclui Requerse, então, seja admitido e provido o presente recurso, determinandose o retorno dos autos A instância de origem para que seja determinando o julgamento do mérito da manifestação de inconformidade, com exame da documentação comprobatória da existência do crédito, consubstanciada na Retificação da DIPJ 2005 Ano Calendário 2004, que instruiu aquela pega. Na.hipótese de ser outro o entendimento deste I. órgão Julgador, requerse o provimento do recurso, julgando o mérito em favor da Recorrente, como autoriza o §3º, do artigo 59, do Dec.70.235/72, para que seja acolhida a manifestação de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.914548/200846 Acórdão n.º 180101.042 S1TE01 Fl. 279 4 inconformidade e a documentação que a instrui com o consequente cancelamento do débito reclamado. P. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Em preliminar tem cabimento o exame da alegação da Recorrente de que apresentou a manifestação de inconformidade tempestivamente. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que considerase efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Em conformidade com o documento de fls. 129 extraído do sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de Consulta de Postagem temse que houve tentativa sem êxito de notificar a Recorrente. O Aviso de Recebimento nº 790520955, referente ao Despacho Decisório Eletrônico nº 790520955, fl. 04, foi postado em 16.09.2008 e devolvido em 22.09.2008 sob o fundamento de que o destinatário mudouse do domicílio fiscal originalmente localizado na Rua Professor Vieira Mendonça nº 1121, salas 01, 02 e 03, bairro Pampulha, Belo Horizonte/MG, CEP 31.310260. Comunicada do Despacho, fl. 104, em 11.08.2010 por via postal no seu domicílio fiscal localizado na Rua Professor Vieira Mendonça nº 1121, salas 01, 02 e 03, bairro Pampulha, Belo Horizonte/MG, CEP 31.310260, fl. 105, a Recorrente apresenta em 26.08.2010, fl. 106110, o aditamento à manifestação de inconformidade apresentando as mesmas razões de defesa anteriormente suscitadas, acrescentando que originalmente destacou a matéria relativa à tempestividade da peça de contestação. Notificada em 06.04.2011 do Acórdão da 2ª TURMA/DRJBHE/MG nº 02 30.122, de 21.12.2010, fls. 131135, por via postal no seu domicílio fiscal localizado na Rua 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.914548/200846 Acórdão n.º 180101.042 S1TE01 Fl. 280 5 Professor Vieira Mendonça nº 1121, salas 01, 02 e 03, bairro Pampulha, Belo Horizonte/MG, CEP 31.310260, fl. 138, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.05.2011, fls. 139144. Analisando todos os documentos que instruem os autos, verificase que, de fato, o domicílio da Recorrente é aquele constante nos registros internos da RFB, no qual ela deve ser notificada dos atos administrativos. Verificase que no documento de fls. 129 a justificativa para devolução ao remetente da formalização da ciência do Despacho Decisório Eletrônico nº 790520955, fl. 04, foi a informação de que ela havia mudado de endereço, motivo pelo qual houve a notificação por Edital, fls. 9899. Haja vista dados supervenientes, verifica se que tal afirmativa não é congruente com a realidade fática, já que a Recorrente foi cientificada posteriormente de outros atos processuais no seu domicílio fiscal localizado na Rua Professor Vieira Mendonça nº 1121, salas 01, 02 e 03, bairro Pampulha, Belo Horizonte/MG, CEP 31.310260, fls. 105 e 139. Por esta razão, temse que houve um engano na informação aposta no aviso de recebimento atinente à notificação original de fl. 129, o que contamina de irregularidade a ciência da Recorrente por edital, fls. 9899. Fica assim suprida a falta da Recorrente, cujo efeito é que a manifestação de inconformidade, fls. 0103, deve ser considerada como apresentada dentro do prazo legal. Por todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a preliminar de intempestividade e determinar o retorno dos autos à DRJ de jurisdição da Recorrente para a autoridade de primeira instância de julgamento examinar as demais questões controvertidas indicadas na manifestação de inconformidade. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13706.001356/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2201-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
EDITADO EM: 06 de maio de 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente EDITADO EM: 06 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente EDITADO EM: 06 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 06 .0 01 35 6/ 20 07 -4 0 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13706.001356/200740 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.148 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de lançamento pelo qual se exigiu da Contribuinte, acima, identificada, multa de mora e juros de mora, isoladamente, em razão de recolhimento de imposto de renda na fonte – IRRF declarado em DCTF e pago em atraso, sem esses acréscimos. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que incorreu em erro de fato na DCTF; que informou como data de vencimento do imposto 23/04/2003 quanto o correto seria 23/06/2003; que apresentou declaração retificadora, em 18/04/2007, corrigindo o erro. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou improcedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que o lançamento foi feito de forma automática, sem prévia investigação por parte do Fisco e que, no caso, entende que o órgão lançador deveria aprofundar a investigação, realizando um trabalho de auditoria, antes de proceder ao lançamento; que a simples constatação de possível irregularidade, decorrente de uma verificação superficial e informatizada não poderia levar “à apressada conclusão de que a interessada teria feito pagamentos intempestivos e sem os acréscimos devidos”. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II recorreu de ofício de sua decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Os fatos, em apertada síntese, são os seguintes: a Contribuinte apresentou DCTF na qual indicou como vencimento do imposto 23/04/2003, e informou como data de pagamento 23/06/2003; o pagamento do imposto efetivamente se deu em 23/06/2003, e sem acréscimos de multa de mora e juros de mora. A autoridade lançadora, com base nestes dados concluiu que o pagamento foi feito com atraso e sem os acréscimos legais devidos, e emitiu o auto de infração para exigir esses acréscimos. Pois bem, diferentemente do que concluiu a decisão recorrida, penso que não era o caso de se proceder a nenhuma investigação, mas de, como se fez, com base nos dados disponíveis, suficientes para apurar a infração, proceder ao lançamento. Aliás, é precisamente esta a exceção que faz a Instrução Normativa SRF nº 94/97, no seu artigo 3º, a saber: Art. 3º O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Parágrafo único. A intimação de que trata este artigo poderá ser dispensada, a juízo do AFTN: a) se a infração estiver claramente demonstrada e apurada; b) se verificada a inexistência da infração. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13706.001356/200740 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.148 S2C2T1 Fl. 4 3 Ora, neste caso, a infração estava claramente determinada: com base nos próprios dados declarados, estava caracterizado o pagamento com atraso, sem os acréscimos legais. Tratandose de erro de fato, caberia à Contribuinte, como fez, com a ciência da autuação, impugnar o lançamento, apresentando essa alegação; e caberia à decisão de primeira instância verificar a ocorrência ou não do alegado erro, o que não se fez. Cumpre, agora, em sete de recurso voluntário, fazer tal verificação. Ocorre que os elementos carreados aos autos não se apresentam, a meu juízo, suficientes para se concluir nem pela ocorrência do alegado erro, nem pela sua não ocorrência. A Contribuinte apresenta transcrição de ata de assembléia geral que teria ocorrido em 23/06/2003 em que se decidiu pela distribuição dos lucros sobre o capital próprio, data a partir da qual os rendimentos teriam sido disponibilizados. Mas o elemento apresentado, como se viu, é mera transcrição, produzida pelo próprio contribuinte, sem predicados de oficialidade, inclusive assinada apenas pelo Secretário, o que o desqualifica como meio de prova válido. Penso também, que, por prudência, deveria ser dada oportunidade à Fazenda Nacional de verificar os fatos, seja para confirmar a alegação, seja infirmála. Assim, proponho a realização de diligência para que a autoridade administrativa: 1) intime a Contribuinte a apresentar o Livro de Atas de Assembleias Gerais da BHP Billion Metais S/A onde consta a ata da assembléia correspondente à transcrição de fls. 43 (do eprocesso) para verificação da efetividade da deliberação bem como da data de realização da reunião; 2) Realize outros procedimentos tendentes à apuração da efetiva data da ocorrência do fato gerador e, consequentemente, da data do vencimento do imposto. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101099/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS.
As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da Cofins com incidência não-cumulativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da Cofins com incidência não-cumulativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da Cofins com incidência nãocumulativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS Redator designado. EDITADO EM: 23/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Porto AlegreRS, assim ementado (fls. 138/139): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Ementa: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A recorrente foi cientificada do acórdão em 20/07/2010 (AR fl. 141), protocolizando o recurso de fls. 142/154, em 11/08/2010, alegando, em síntese, que a cessão de créditos de ICMS não devem compor a base de cálculo do PIS/PASEP, por não se caracterizar receita decorrente da atividade própria da empresa, citando alguns acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, unificados e transformados no atual CARF, in verbis: "PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de Pis e Co fins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial." (Ac. 20179.962). Dentre outros, cita ainda acórdão da CSRF, que igualmente, que o valor do ICMS transferido para terceiros não integra a base de cálculo da COFINS (Processo Administrativo nº13. 005.000684/200564). Cita, ainda, o processo nº 11065.100352/200719, julgado pela 4ª Câmara da 3ª Seção deste E. CARF. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 330101.374 S3C3T1 Fl. 158 3 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Não deve haver incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar de operação de mera mutação patrimonial, não devendo por isto, compor a base de cálculo das referidas contribuições. O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintídio e respeitados os demais requisitos legalmente estabelecidos. O objeto discutido no presente processo, incidência ou não do PIS/COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, é por demais conhecido no âmbito deste colegiado. A despeito de a lei dispor sobre base de cálculo do PIS e Cofins não cumulativa, como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e da superveniência legislativa que resultou na exclusão da base de cálculo da referida contribuição as transferências onerosas de créditos de ICMS originados de operações de exportação, a que se referem a Lei Complementar nº 87, de 1996, tudo indica que os referidos créditos não devem integrar a base de cálculo da Cofins, vez que na referida sistemática, por definição da própria Lei nº 10.833, de 2003, os créditos nela previstos não constituem receita bruta da pessoa jurídica. O art. 155, § 2º, inciso X, da Constituição Federal, dispõe que o mesmo não incidirá sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior, sendo assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores. Nesse sentido a Lei Complementar nº 87, 13 de setembro de 1996 (Lei Kandir), ao dispor sobre o ICMS, possibilitou às empresas exportadoras a possibilidade de transferências dos créditos excedentes de ICMS para outros contribuintes, nos seguintes termos: “Art. 24. A legislação tributária estadual disporá sobre o período de apuração do imposto. As obrigações consideramse vencidas na data em que termina o período de apuração e são liquidadas por compensação ou mediante pagamento em dinheiro como disposto neste artigo: I as obrigações consideramse liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de período ou períodos anteriores, se for o caso; II se o montante dos débitos do período superar o dos créditos, a diferença será liquidada dentro do prazo fixado pelo Estado; III se o montante dos créditos superar os dos débitos, a diferença será transportada para o período seguinte. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, permitir que: I sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado.” Portanto, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos não se caracterizam como receita, por expressa disposição legal (art. 3º, § 10, da Lei nº 10.833, de 2003), que ao definir a natureza dos créditos apurados de acordo com o estabeleceu que os mesmos não constituem receita da pessoa jurídica: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição.” Ainda no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, citado pela Recorrente, conforme se depreende do trecho do acórdão nº 20179.962, julgado na sessão de 24/01/2007, quando por unanimidade de votos, deuse provimento quanto à exclusão da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS, razão pela qual peço vênia para transcrever o seguinte trecho do voto do Conselheiro Gileno Gurjão Barreto (esta parte foi provida por unanimidade dos julgadores da Primeira Câmara), com a qual estou de pleno acordo, in verbis: “Superada esta primeira questão, passamos ao dos créditos do ICMS. Quanto a este tocante, vêse que se trata de operação Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 330101.374 S3C3T1 Fl. 159 5 meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, 6ª edição, página 334, “o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pelas diferenças entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas.” Prossegue, “por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador”. Exemplifica os respectivos cálculos e arremata afirmando que, apesar de não haver recolhimento do ICMS (em casos de apuração de saldo credor), em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa. Traduzindo, na apuração do resultado do exercício, o valor que constará do demonstrativo contábil será sempre o valor do “débito” do ICMS, sem que seja cotizado com os “créditos” decorrentes das aquisições. Aqueles créditos já foram “débitos” de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem, o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemente, jurídico. Previu o legislador hipótese de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica em especial quando o próprio contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos , desde que atendidas as condições constantes no Regulamento do ICMS do EstadoMembro em questão. Assim, até por ser o ICMS um tributo estadual, inexistindo previsão legal para compensação deste com tributos federais, a contribuinte ora recorrente transferiu créditos de ICMS para seus fornecedores, em operação denominada cessão de créditos. Assim, em verdade, tal operação não transitou, nem deveria, em contas de resultado e tampouco representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 patrimonial, utilizandose de créditos de ICMS registrados em seu Ativo como meio de pagamento para liquidar operações com seus fornecedores, em virtude do princípio da livre convenção entre as partes, basilar do Direito Comercial, para satisfazer sua obrigação para com seus fornecedores, mediante dação em pagamento, na figura de cessão de créditos. Ora, apenas se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS. Apenas a título ilustrativo, a operação em si de cessão de tais créditos poderia redundar em ganho, caso com ágio, tributável, sim, pelo Imposto de Renda e pela contribuição social sobre o lucro, quando poderíamos discutir sua tributação pela contribuição ao PIS. Caso haja deságio, será uma despesa dedutível dos primeiros tributos e nada significaria na apuração da contribuição ao PIS. Ou seja, o que pretendeu a autoridade não encontra respaldo jurídico, tampouco dos princípios fundamentais de contabilidade.” A propósito, transcrevo, por pertinente, o seguinte excerto extraído do voto proferido pelo Juiz Federal Leandro Paulsen, do TRF/4ª Região, por ocasião do julgamento do Agravo de Instrumento n.º 2006.04.00.0146112/RS, em 29082006: "Efetivamente, o entendimento do Fisco, no sentido de que o crédito de ICMS seria passível de tributação a título de PIS e COFINS restringe indevidamente o alcance da imunidade expressamente assegurado aos exportadores pelo art. 155, § 2º, X, "a", da CRFB/88. Mas não é só este óbice à incidência. Nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. Isso porque a receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza. É preciso considerar a receita sob a perspectiva do princípio da capacidade contributiva. Vejase a lição de JOSÉ ANTÔNIO MINATEL: "... há equívoco nessa tentativa generalizada de tomar o registro contábil como o elemento definidor da natureza dos eventos registrados. O conteúdo dos fatos revela a natureza pela qual esperase sejam retratados, não o contrário. [...] Equivocase a administração pública na tentativa de tributar a receita segundo os mesmos critérios que determinam o seu registro contábil para a tributação do lucro." (MINATEL, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP, 2005, p. 244 e 258) Os créditos de ICMS ou mesmo os valores correspondentes à sua transferência a terceiros não constituem receita tributável, reveladora de riqueza e, portanto, de capacidade contributiva. Cuidase de mero ressarcimento ou compensação por custo tributário suportado pelo exportador enquanto contribuinte de fato. O direito à manutenção do crédito vem minimizar os efeitos econômicos da sua incidência, fazendo com que o exportador que suportou o ônus tributário seja ressarcido quanto a tal custo. Não se cuida, pois, de receita no sentido a que se possa Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 330101.374 S3C3T1 Fl. 160 7 atribuir ao art. 195, I, a, da CF. Neste sentido, aliás, cabe transcrever novamente a obra já referida: "Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial... [...] A recuperação de um valor anteriormente registrado como encargo tributário não tem o condão de transformálo automaticamente de despesa em receita, ainda que a forma adotada para sua escrituração em conta credora possa contribuir para a configuração de aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação, efeito que, de concreto, traduz o retorno ao status quo ante, não reunindo condições de materializar ingresso de elemento novo que se qualifique no conceito de receita. [...] ... se o tributo a ser ressarcido incidiu em etapa econômica do processo produtivo e foi suportado como parte integrante do preço de insumos adquiridos pela empresa, o crédito assim concedido tem função de minimizar os custos de fabricação de produtos em razão de determinada política governamental. Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos..., pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia a sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais de conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração. [...] 32. Não se qualifica como receita o ingresso financeiro que tem como causa o ressarcimento, ou recuperação de despesas e de custo anteriormente suportado pela pessoa jurídica, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial. Equiparase aos efeitos da indenização e, portanto, não ostenta qualidade para que possa ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o animus para obtenção de disponibilidade de nova riqueza. 33. A recuperação de tributo, anteriormente registrado como encargo, não tem o condão de transformálo automaticamente de despesa em receita." (MINATEL, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP, 2005, p. 218/219, 222, 224 e 259). Impende que se atende, ainda, para o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos concedidos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada e violadora da forma federativa de estado, bem como contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos." Ademais disto, tributar cessão de créditos de ICMS originados de operações de exportação, seria o mesmo que tributar as receitas decorrentes de exportações, o que é vedado pelo ordenamento constitucional e infraconstitucional, conforme concluiu a Segunda Turma do colendo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do benefício fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 de cálculo das contribuições PIS e COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2º, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1º e 2º, da Lei Complementar n.º 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença mantida. (TRF4, APELREEX 000866676.2008.404.7108, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 02/06/2010)”. Em relação ao alcance do § 10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que define a natureza dos créditos de ICMS, os quais como visto, não devem compor a base de cálculo do PIS e Cofins, todavia, isso não quer dizer que tais créditos estão imunes à tributação, ao contrário, comporão a base de cálculo do IPRJ e da CSLL, conforme teve ocasião de decidir o colendo TRF da 4ª Região, nos seguintes termos: “EMENTA: PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS APURADOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A nova sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. 2. O sistema de não cumulatividade das contribuições não é o mesmo aplicado aos tributos indiretos, como o ICMS e o IPI. A nãocumulatividade das contribuições permite uma apropriação "semidireta" das contribuições incidentes em fase anterior, por meio da admissão de créditos decorrentes de insumos utilizados na produção, os quais são deduzidos das contribuições a recolher. 3. A impetrante busca modificar a forma de utilização dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativa a fim de deduzilos do lucro líquido, com reflexos na apuração do IRPJ e CSLL. 4. O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/03 limitase ao âmbito de tributação da COFINS, não refletindo na base de cálculo do IRPJ e CSLL. A interpretação extensiva adotada pela impetrante subverte a lógica do sistema concebido, já que ao pagar menos tributo, terá menos despesa, arcando com o IRPJ e CSLL calculados sobre o lucro líquido então apurado. 5. Se tal sistema de não cumulatividade implica aumento da carga tributária, refoge ao âmbito de atuação do Poder Judiciário qualquer ingerência nos motivos levaram a adoção dessa política fiscal, ao menos na estreita via do mandamus. 6. As hipóteses de exclusão do lucro líquido vêm expressamente dispostas em lei (art. 97, CTN), sendo inviável instituir nova forma exclusão do lucro líquido, sob pena de ofensa ao princípio da separação de poderes. (TRF4, AC 000286378.2009.404.7205, Segunda Turma, Relatora Vânia Hack de Almeida, D.E. 02/06/2010)”. O voto condutor do acórdão acima citado, entendeu ainda que a mesma sistemática aplicada à Cofins, por expressa previsão no §10, do art. 3º da lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado extensivamente ao PIS, tendo em vista a paridade dos regimes da não cumulatividade, nos seguintes termos: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 330101.374 S3C3T1 Fl. 161 9 “Em relação ao PIS, não obstante a ausência de disposição semelhante ao § 10 do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, os argumentos ora expostos são plenamente aplicáveis, tendo em vista a paridade dos regimes de nãocumulatividade instituídos.” No mesmo sentido, em caso similar, merece ser destacado ainda, o seguinte fundamento adotado pelo voto condutor do REsp nº 1.025.833, de relatoria do Exmo. Sr. Ministro Francisco Falcão, julgado pela 1º Turma do E. STJ, na sessão de 6/11/2008 (DJ: 17/11/2008), nos seguintes termos: “Destaco, ainda, trecho do voto proferido no acórdão recorrido, cujo fundamento adoto como razão de decidir, litteris: "Mesmo a redação das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não produz o efeito de transmutar em receita aquilo que seja mero ressarcimento de despesa anterior (tributo pago), concedida na forma de crédito fiscal escriturável. O oposto resultaria no total desprezo pela própria natureza das verbas constantes na escrituração contábil, e a desvinculação da realidade não é opção conferida ao legislador. Este raciocínio não é desconhecido da própria lei tributária, que o acolhe ao estabelecer a necessidade de respeito a definições, conteúdo e alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizadas pelo legislador tributário" (grifos acrescidos) Portanto, tributar cessão de créditos de ICMS originados de operações de exportação, seria o mesmo que tributar as receitas decorrentes de exportações, o que é vedado pelo ordenamento constitucional e infraconstitucional, conforme concluíram os arestos acima citados. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, RelatorDesignado Discordo do Ilustre Relator quanto ao direito de a recorrente excluir da base de cálculo da Cofins não cumulativa as receitas decorrentes de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para a Cofins, adotado pela recorrente, assim dispõe: “Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...).” Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 330101.374 S3C3T1 Fl. 162 11 Do exame desse dispositivo, concluise que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência da Cofins nãocumulativa, excluindo de sua incidência apenas as receitas e ingressos expressamente elencados no parágrafo 3º acima transcrito. As receitas e/ ou os ingressos decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros, mediante dinheiro e/ ou pagamento na aquisição de matériasprima e insumos empregados no processo produtivo de mercadorias, não foram contempladas. A cessão de crédito de ICMS a terceiros constitui um negócio jurídico entre o cedente, no caso a requerente, e o cessionário, neste caso, o fornecedor/vendedor de matérias prima adquiridas por aquele. Tanto é que foi efetuada mediante a emissão de nota fiscal, salvo prova em contrário com pagamento à vista. O fato de a operação, por opção da requerente, transitar ou não por conta de resultado não significa nem prova que não houve ingresso no patrimônio da pessoa jurídica. Independentemente da forma de escrituração, sempre haverá ingresso em dinheiro, título e/ ou mercadorias. Na aquisição de mercadorias, matérias primas, insumos, etc, tributados com o ICMS, na realidade ocorre duas operações: a compra de mercadorias, matérias primas e insumos, propriamente dita; e a compra do crédito do ICMS embutido naqueles produtos. Assim, ao realizar a venda dos produtos, vendese também o crédito referente àquele imposto neles embutidos. Isto ocorre sem que, necessariamente, se escriturem contas de resultados. Dessa forma, a apuração de saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa deve ser efetuado levandose em conta que a contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A título de informação, cabe destacar que com a edição da Lei nº 11.945, de 04/06/2009, art. 17, que deu nova redação ao art. 1º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que incluiu no § 3º deste artigo o inciso VI, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar a base de cálculo da Cofins. Assim, até aquela data, inexistia amparo legal para excluir tais receitas da base de cálculo desta contribuição ou as isentando. No presente caso, como o ressarcimento complementar pleiteado decorre exclusivamente do fato de a recorrente não ter incluído na base de cálculo da contribuição as receitas de cessão onerosa de ICMS para terceiro, no período de competência de abril a junho de 2008, correta a glosa efetuada pela autoridade administradora competente. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 10283.006067/2002-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF - AUDITORIA EM DCTF - DIFERENÇAS DE IMPOSTO - MULTA DE OFÍCIO - LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA - RETROATIVIDADE BENIGNA.
Por força da retroatividade benigna, aplica-se a lei a fatos pretéritos não definitivamente julgados, quando esta lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 13/05/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF AUDITORIA EM DCTF DIFERENÇAS DE IMPOSTO MULTA DE OFÍCIO LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força da retroatividade benigna, aplicase a lei a fatos pretéritos não definitivamente julgados, quando esta lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 60 67 /2 00 2- 52 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 26/07/2011, foram julgados os Recursos Voluntário e de Ofício, exarandose o Acórdão 220201.291 (fls. 1 a 12), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PAGAMENTO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXTINÇÃO DO LITÍGIO. O pagamento do crédito tributário no curso do processo administrativo fiscal tem como conseqüência direta a extinção do litígio em relação às matérias a ele relacionadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 DCTF. DIFERENÇAS APURADAS EM AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Legítimo o lançamento de ofício de diferenças apuradas em procedimento de auditoria interna em DCTF, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, efetuado antes da edição da Medida Provisória no 135, de 2003, convertida na Lei no 10.833, de 2003. DCTF. PAGAMENTOS VINCULADOS A OUTROS DÉBITOS. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006067/200252 Acórdão n.º 9202002.623 CSRFT2 Fl. 12 3 Comprovado nos autos que os pagamentos informados na DCTF (complementar) objeto de lançamento de ofício que já havia sido alocados a débitos informados em outra DCTF (retificadora) do mesmo período entregue anteriormente, mantémse a exigência de fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 ABRANDAMENTO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força da retroatividade benigna, aplicase a lei a fatos pretéritos não definitivamente julgados quando esta lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto. Cientificada do acórdão em 31/08/2011 (fls. 302), a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento nos artigos 67 a 70 do Regimento Interno do CARF. O Recurso Especial visa a rediscussão da exclusão da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho 220000833, de 29/11/2011. O apelo traz os seguintes argumentos, em síntese: o acórdão recorrido incorre em equívoco manifesto ao pressupor a retroatividade benéfica do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, tendo em vista que a situação prevista no referido dispositivo de lei não é a mesma que fundamentou a exigência da multa de oficio no presente caso, deixando a referida decisão ainda de fazer incidir, na espécie, o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, legítimo e correto fundamento do auto de infração; ora, sabese que o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, foi introduzido no ordenamento jurídico para complementar a sistemática criada pela Lei n° 10.637, de 2002, que, mediante alteração do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, instituiu a Declaração de Compensação DCOMP, permitindo ao contribuinte efetuar a compensação de crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal SRF com débitos próprios de mesma natureza, sob condição resolutória de posterior homologação pela autoridade administrativa competente, substituindo assim o regime anterior, no qual a compensação só se efetivava depois de deferido requerimento apresentado pelo contribuinte perante a repartição pública respectiva; diante de tais alterações, foi editada a Lei de n° 10.833, de 2003, que acrescentou novos dispositivos ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, atribuindo à DCOMP a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 natureza instrumento de confissão de dívida, fixando prazo para a sua homologação pelo Fisco e disciplinando o procedimento e os efeitos para o caso da nãohomologação da compensação declarada, como também no caput do seu art. 18 autorizou o lançamento da multa de oficio isolada quando fosse o caso de compensação indevida, senão confirase: Lei n° 10.833/2003 "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964." posteriormente, a Lei n° 11.051, de 2004, estabeleceu regime diferenciado para as compensações ditas “nãohomologada” e “não declarada”, pelo que restringiu o cabimento da multa isolada prevista no caput do art. 18 agora para os casos de compensação “nãohomologada”, em que tenha ficado caracterizada a prática das infrações dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, dando a seguinte redação ao dispositivo legal em comento: Lei 10.833/2003: "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964." recentemente, a Lei n° 11.488, de 2000, alterou o caput do dispositivo apontado, prevendo o cabimento da multa isolada aos casos de compensação "não homologada" quando se comprove falsidade da declaração do contribuinte, a saber: "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." pela leitura do dispositivo em comento, vêse que a sistemática introduzida pelas Leis 10.637, de 2002 e n° 10.833, de 2003 e posteriores alterações, ao considerar a DCOMP como verdadeira confissão de dívida, previu, em relação à compensação 'não homologada', o lançamento da multa de oficio, de forma isolada e desde que configurada a infração do contribuinte, dado que o principal declarado em DCOMP, nesses casos, pode ser imediatamente exigido do devedor respectivo, prescindindo de lançamento, conforme autoriza o §6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; assim, nos casos de compensação indevida, enquanto a nova sistemática previu a imposição de multa isolada, já que prescindível o lançamento do principal, a anterior previa a exigência de multa juntamente com o principal lançado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006067/200252 Acórdão n.º 9202002.623 CSRFT2 Fl. 13 5 definitivamente, a hipótese dos autos não se subsume à contemplada pelo art. 74 da lei n° 9.430, de1996, após as alterações da MP n° 135, de 2003, atual Lei n° 10.833, de 2003; explicase: o Auto de infração foi lavrado em razão do direito creditório reconhecido não ter liquidado integralmente os débitos objeto da compensação; a autuação teve como base o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, a seguir transcrito: Medida Provisória n° 2.15835/2001 "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apurados, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." o novo regime instaurado pela Lei n° 10.833, de 2003, que atribuiu à DCOMP os efeitos de confissão de dívida, somente passou a viger a partir de 30/10/2003; dessa maneira, só a partir de 30/10/2003, quando não homologada a DCOMP apresentada após essa data, é que se tornou possível a cobrança imediata do principal, ao mesmo tempo em que se previu o lançamento da multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n° 10.833/2003, acaso configurados os seus pressupostos; no presente caso, primeiramente, há que se fazer uma ressalva de que a autuação decorreu em razão de diferenças apuradas na compensação, apresentada pela contribuinte, antes mesmo da vigência da Lei n° 10.637, de 2002, que instituiu a própria DCOMP; em hipóteses tais, exigese, como efetivamente foi feito, o lançamento do principal nos termos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, acrescido da multa de oficio, que tem por fundamento o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996; assim sendo, não há que se falar em incidência do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, no caso em alusão, porquanto não há DCOMP apresentada pela contribuinte com efeito de confissão de dívida, pressuposto imprescindível para incidência do referido dispositivo, pelo que o lançamento da multa se faz perfeitamente possível com base na conjugação dos arts. 90 da MP n° 2.15358/2001 e 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996; por esse motivo, no caso em comento, os requerimentos de compensação apresentados pela contribuinte não produzem os efeitos de confissão de dívida de que trata o §6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, nem tampouco ocasionam o lançamento da multa isolada do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, tanto é que a referida autuação contemplou o valor do tributo devido, acrescido dos juros de mora e multa de oficio correspondente, tudo de acordo com a autorização dos arts. 90 da MP n° 2.15835/2001 c/c 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996; em.todo caso, é de se verificar que, tendo havido a autuação do principal e juros, que, inclusive, restou mantida nesse particular pela decisão recorrida, não há como se Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 furtar à aplicação da multa de oficio, dado que aquela pressupõe esta, especialmente quando se constata a falta de recolhimento de tributo devido; no mais, é preciso realizar interpretação sistemática do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, para entender o caráter manifesto de norma especial destes dispositivos, que só contemplam as situações de DCOMP “não homologada”, surgidas após a edição da Lei n° 10.833/2003; nos demais casos do art. 90 da MP n° 2.15835, de 2001, especialmente de requerimentos de compensação indeferidos que tenham sido apresentados antes da edição das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, conforme já se salientou, a multa de oficio sempre foi e continuará sendo devida e seu fundamento é o art. 44 da Lei n° 9.430/96; por todo o exposto, venho indagar: houve qualquer repercussão retroativa mais benéfica entre as normas comparadas art. 90 da MP n° 2.15835/2001 x art. 18, caput, da MP n°135/2003? Obviamente que não, e por razões simples: (1) o art. 90 da MP aludida não regulou matéria relacionada à infração tributária, disciplinando, ao revés, hipóteses de lançamento de oficio; a matriz legal da infração discutida é mesmo o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996; (2) da mesma forma, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, apenas eliminou limitação à forma de constituição do crédito tributário das parcelas referidas no art. 90 da MP em alusão, ao passo que NÃO pretendeu disciplinar, como não o fez, a multa do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; (3) não se infere do art. 18 da MP n° 135, de 2003, tratamento mais benéfico de relação à penalidade imputada aos lançamentos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001 art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, mas, ao contrário, o referido dispositivo de lei criou novas infrações tributárias, as quais também impôs penas completamente diversas daquela primeira penalidade; com efeito, o citado art. 18 ingressou na ordem jurídica com dois únicos propósitos: a) eliminar restrição ao modo de constituição do crédito tributário de que tratava o art. 90 da MP n. 2.15835/2001; b) criar hipóteses de multa isolada para casos particulares de compensação; ao assim fazer, o art. 18 da MP n° 135, de 2003 não repercutiu sobre o conteúdo do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996; de fato, a multa do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, já à época do art. 90 da MP n° 2.15835/2001 e até os dias atuais, tem aplicação presente quando, realizado o lançamento de oficio pela autoridade fiscal, restam configuradas as hipóteses de: 1) falta de pagamento ou recolhimento da totalidade ou diferença de imposto e contribuição; 2) falta de declaração ou; 3) declaração inexata; ressaltese que as infrações aludidas são individualizadas e independentes entre si, podendo a multa em alusão ser imposta ao sujeito passivo quando evidenciadas quaisquer daquelas situações ou mesmo mais de uma delas; nos casos do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, o lançamento de oficio era formalizado para exigência das diferenças de tributos apuradas em declaração do contribuinte, vinculadas a informações declaradas pelo sujeito passivo, consideradas como indevidas ou não comprovadas pelo fiscal; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006067/200252 Acórdão n.º 9202002.623 CSRFT2 Fl. 14 7 retornando à norma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996 e complementandoa com o conteúdo do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, é certo que o lançamento constituído nos moldes deste último dispositivo realizava, ao mesmo tempo, duas das situações exigidas para imposição da multa de oficio, quais sejam: a) falta de pagamento ou recolhimento da totalidade ou diferença de imposto e contribuição e b) declaração inexata. assim, apurada pela auditoria fiscal a ilegitimidade de causa redutora do “saldo a pagar” informada em declaração do contribuinte (pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade), além de se constatar a ausência de pagamento ou recolhimento do crédito tributário vinculado à informação indevida ou não comprovada pelo sujeito passivo, constituído via lançamento de oficio naquela oportunidade, a declaração do contribuinte era considerada como "INEXATA", tendo em vista que as informações ali levantadas pelo sujeito passivo não encontravam correspondência na realidade; é certo, pois, que o art. 18 da MP n° 135, de 2003, não pretendeu regular quaisquer daquelas infrações tributárias ou sobre elas repercutiu de qualquer modo; de fato, o art. 18 em referência é norma pontual, que, em primeiro lugar, eliminou a vinculação do crédito tributário de que trata o art. 90 da MP ao lançamento de oficio, abrindo a possibilidade da sua constituição por outro modo, incluindo a declaração do próprio sujeito passivo nos documentos sujeitos aos efeitos dos §§ 1° e 2° do art. 5° do DL n° 2.124, de 1984; para que tivesse havido qualquer repercussão benéfica in casu, era preciso que o art. 18 da MP n° 135, de 2003, pronunciasse que, a partir daquela data, aos lançamentos formalizados nas situações do art. 90 da MP n° 2.15835/2001 não mais se aplicaria a multa de oficio do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, ou se aplicaria a referida penalidade em percentual minorado, o que, entretanto, incorreu na hipótese; ademais, cabe dizer que a redação do art. 18 da MP n° 103/2003, deveras confusa, é capaz de induzir o intérprete a erro, tendo em vista que, ao se utilizar da expressão "limitarseá", pode levar ao equivocado entendimento de que, agora, a situação do contribuinte seria melhorada porque aos lançamentos antes formalizados com base no principal devido, encargos de mora e multa de oficio, cingirseiam à imputação de multa isolada e tãosomente em casos restritos; a interpretação supra é deveras teratológica, a uma, pois o dispositivo citado não vedou que as diferenças de tributo(s) fundadas em declaração do sujeito passivo continuassem sendo formalizadas via lançamento de oficio, com a imposição da multa cabível (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96), inclusive quando sujeitas aos efeitos dos §§ 1° e 2° do art. 5° do DL n° 2.124, de 1984, tendo em vista que, quanto a estas últimas, a sua forma de constituição dependeria da disciplina da SRF no exercício da atribuição de que trata o art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999 a duas, porque a multa de oficio do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de1996, em tudo difere das multas isoladas do caput do art. 18 MP n° 135/2003, não se podendo, com isso, comparálas para dizer se houve ou não minoração da situação do contribuinte; pelo que se vê acima, além de possuírem hipóteses de cominação diversas, as multas comparadas (multa de oficio e multa isolada) divergem também quanto ao modo de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 sua constituição; a primeira multa de oficio (art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996) é lançada em conjunto com o tributo devido e juros de mora, porque a infração cominada em tudo pressupõe a existência de lançamento de oficio, ao passo que a segunda multa isolada (art. 18, caput, da MP n° 135/2003), relacionandose a infração que independente da constituição do tributo devido, é constituída de forma isolada; tratandose, pois, de penalidades diversas, a comparação não se faz possível in casu para os efeitos do art. 106, II, do CTN; o entendimento demonstrado pelo acórdão recorrido é por demais perigoso porque afasta a aplicação da multa de oficio no presente caso, sem autorização legal e em contrariedade à lei, com o que poderá, inadvertidamente, incentivar o nãorecolhimento do tributo, porquanto, em caso de autuação, apenas seria devida a multa de mora (além dos consectários legais), penalidade em tudo mais vantajosa e que não pune o contribuinte inadimplente na forma e proporção idealizadas pelo legislador; outro não é o entendimento do CARE, no sentido do cabimento da multa de oficio, tendo em vista lavratura de auto de infração, em que se exige o tributo e a multa de oficio, tendo em vista ser esta multa vinculada à exigência do tributo por lançamento de oficio. Ao final, a Fazenda Nacional pede que o recurso seja conhecido e provido. Cientificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional em 03/01/2011 (fls. 326), o contribuinte não ofereceu ContraRazões. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Trata o presente recurso, dos efeitos da inovação introduzida pelo artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, sobre a exigência de créditos tributários. A despeito dos argumentos contidos no apelo, entendo que a melhor interpretação é aquela que vem sendo adotada no CARF, espelhada no acórdão recorrido, da lavra da Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que ora transcrevo e adoto como minhas razões de decidir: “Em relação à multa de ofício de 75% exigida sobre os débitos de IRRF informados em DCTF cujos créditos vinculados não foram comprovados, há que se invocar, de ofício, em homenagem ao princípio da legalidade, as alterações ocorridas na legislação que fundamenta a autuação, supervenientemente à formalização do presente lançamento. À época do lançamento, tais diferenças eram exigidas por meio de lançamento de ofício e, conseqüentemente, com aplicação da multa de ofício de 75% (inciso I do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996), conforme disposto no art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006067/200252 Acórdão n.º 9202002.623 CSRFT2 Fl. 15 9 relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (grifei) Posteriormente, o art. 18 da Medida Provisória no 135, de 2003, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a seguir transcrito, veio limitar a aplicação do art. 90 da Medida Provisória , no 2.15835, de , 2001: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) Como se vê, a aplicação do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ficou limitada à imposição de multa isolada, calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no caso de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo ou quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (créditos de terceiros; créditoprêmio instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; crédito referente a título público; crédito decorrente de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 decisão judicial não transitada em julgado; e crédito referente a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF). Assim, nos casos de diferenças apuradas em procedimento de auditoria interna em DCTF, constituídas com base no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e desde que a penalidade aplicada não tenha por fundamento as hipóteses previstas no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, há que se afastar a aplicação da multa de ofício de 75%, em função do princípio da retroatividade benigna da lei, constante na alínea “c” do inciso II, do art. 106 da lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito, com destaque: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Nestes termos, há que se afastar a aplicação da multa de ofício sobre os valores lançados de ofício, incidindo apenas os acréscimos moratórios (multa e juros de mora)” Resta aduzir que a interpretação esposada pela Fazenda Nacional faz cair por terra a própria lógica que sempre orientou a exigência de créditos tributários, qual seja, a distinção entre a omissão e a simples inadimplência. Com efeito, ao adotar tal lógica, estarse ia igualando a conduta daqueles que omitem o fato gerador, daqueles que o confessam, deixando apenas de efetuar o respectivo recolhimento. Com estas considerações, NEGO provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006067/200252 Acórdão n.º 9202002.623 CSRFT2 Fl. 16 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10680.935622/2009-49
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas em PERDCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 35 62 2/ 20 09 -4 9 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935622/200949 Resolução nº 1801000.216 S1TE01 Fl. 3 2 Por meio de PERDCOMP a interessada pretende a compensação de débitos próprios com direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito pleiteado nos presentes autos totaliza R$ 106.122,96. Pelo Despacho Decisório a DRF em Belo Horizonte não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações sob o argumento de que o DARF mencionado pela interessada como origem do indébito havia sido alocado a um débito confessado em DCTF e, assim, não haveria crédito disponível para compensação pleiteada. Em manifestação de inconformidade defendeuse a interessada alegando que, de acordo com a DIPJ do anocalendário 2003 – exercício 2004, teria apurado um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 40.003,77. Assim, considerandose o débito apurado e o pagamento efetuado, verificarseia o indébito no valor de R$ 294.465,83. Apresenta planilha demonstrativa do pretenso indébito, confrontando DCTF original, DCTF retifícadora e DIPJ. Afirma ter cometido mero erro de fato no preenchimento da DCTF, de modo que não haveria recolhimento suplementar algum a ser efetuado após a retificação da DCTF. Defendeuse, ainda, contra os encargos moratórios imputados ao débito exigido. No julgamento do litígio a Turma Julgadora de 1a. instância observou que a DCTF retificadora foi apresentada após a não homologação da compensação pleiteada e que a contribuinte não teria apresentado qualquer prova do erro cometido no preenchimento da DCTF original. Observou que na DIPJ do anocalendário 2003 teria sido apurado um saldo negativo de IRPJ, assim composto: DIPJ 2003 DCTF Original DCTF Retificadora IRPJ Apuração Anual Alíquota 15% 330.483,34 Adicional 196.322,22 Total IRPJ Apurado 526.805,56 () Deduções () IRRF 294.465,83 () IR Pago Estimativa 192.335,96 () Total Deduções 486.801,79 IR a Pagar IRPJ Apurado Deduções 40.003,77 334.496,60 40.003,77 Assinalou que o IRPJ declarado na DCTF original foi apurado sem o cômputo do IRRF consignado pelo contribuinte em sua DIPJ. Nesse sentido o direito de crédito Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935622/200949 Resolução nº 1801000.216 S1TE01 Fl. 4 3 invocado na manifestação de inconformidade corresponderia a esta mesma importância R$ 294.465,83 e que o valor deduzido a título de "IR pago por estimativa", no importe de R$ 192.335,96 estaria em consonância com os valores declarados em DCTF, extintos pelo pagamento. Assim, o valor do IRPJ a pagar, consignado na DIPJ, estaria adstrito à confirmação do IRRF deduzido. Constatou que, de acordo com a DIPJ, que o IRRF teria origem em rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio recebidos pela interessada de 2 (duas) fontes pagadoras que estariam em consonância com aqueles informados em DIRF. Contudo, na DIPJ, a linha correspondente aos rendimentos de juros sobre o capital próprio estaria zerada (Ficha 06 B – linha 37), razão pela qual a dedução do IRRF não teria amparo. Assim, o DARF utilizado para pagamento do IRPJ apurado no anocalendário 2003 não representaria indébito. Também justificou a aplicação dos encargos moratórios sobre o débito indicado para compensação. Notificada da decisão, em 05/09/2011, apresentou, a interessada, em 04/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz, quanto à retificação da DCTF, que a declaração é o instrumento para se dar conhecimento ao Fisco do cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes e que as informações nela contidas devem retratar a realidade das atividades econômicas, não se podendo admitir a vedação da correção de erros que possam ser comprovados pela análise de sua documentação contábil, livros fiscais e documentos correlatos. Pondera que com a retificação da DCTF teria comprovado, de maneira hialina, a existência de crédito, e consequentemente, do seu direito em ser restituído do pagamento a maior efetuado, já que a DIPJ comprovaria um IRPJ devido para o anocalendário 2003, de R$ 40.003,77, enquanto que no valor recolhido, de R$ 334.469,60, por equívoco, não teria sido feita a dedução do IRRF de R$ 294.465,83. Explica que auferiu rendimentos com juros sobre o capital próprio, mas que parte do valor teria sido contabilizado e oferecido à tributação no anocalendário 2002, na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99) no valor total de R$ 2.288.905,47. O valor teria sido registrado, na DIPJ, equivocadamente na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Esclarece que muito embora parte da receita auferida com Juros sobre o Capital Próprio tenha sido obtida no ano calendário de 2002 e declarada na DIPJ AC 2002, apenas foi realizada a retenção do IRRF no ano de 2003, conforme se verificaria das informações prestadas no comprovante de rendimentos (doc. n° 10), porque somente em 2004 teria recebido da fonte pagadora o respectivo informe de rendimentos. Teria assim procedido em estrita observância à legislação que determina que somente o IRRF comprovado com o informe de rendimentos pode ser deduzido na apuração anual. Afirma que, comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos com juros sobre o capital próprio, parte no anocalendário 2002 e parte no anocalendário 2003, faria jus à dedução do valor do IRRF de R$ 294.465,83 no ajuste do anocalendário 2003. Apresenta cópia de registros contábeis e outros documentos para comprovar suas alegações. Tece considerações a respeito da vedação de enriquecimento ilícito do Fisco, do princípio da verdade material da não caracterização da mora e da não incidência de encargos moratórios. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935622/200949 Resolução nº 1801000.216 S1TE01 Fl. 5 4 Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. VOTO. Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Verifico que o presente processo não está em condições de julgamento. A recorrente pleiteia o reconhecimento de indébito, no valor de R$ 294.465,83, pelo recolhimento a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito seria resultado da diferença entre o valor efetivamente devido, de R$ 40.003,77, como apurado na DIPJ do anocalendário 2003, e o valor recolhido em DARF, de R$ 334.469,60. O direito creditório pleiteado nestes autos também é pleiteado e encontrase em litígio nos seguintes processos distribuídos a esta Relatora: 10680.935618/200981; 10680.935619/200925; 10680.935620/200950; 10680.935621/200902; 10680.935623/200993; 10680.935625/200982; 10680.933966/200913; Nos processos acima listados as peças e argumentos de defesa apresentados pela interessada são idêntico, assim como são idênticas as decisões proferidas pela Turma Julgadora de 1a. instância. Em pesquisas realizadas junto ao sistema Eprocesso constatei a existência de inúmeros outros processos em nome da mesma interessada. Entretanto, não foi possível verificar quantos deles se referem aos mesmos fatos – mesmo direito creditório. A Portaria RFB n º 666, de 24/04/2008, assim dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:... IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935622/200949 Resolução nº 1801000.216 S1TE01 Fl. 6 5 ... Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. ... Assim, nos termos da Portaria acima mencionada, deverá a Unidade de jurisdição da recorrente proceder à juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada. Quanto ao mérito noto que a Turma Julgadora de 1a. instância consignou que, apesar do valor do IRRF informado pela recorrente na DIPJ ter sido confrontado e confirmado com o valor informado pelas fontes pagadoras em DIRF, os rendimentos que deram origem a tais retenções não teriam sido oferecidos à tributação pois a linha correspondente na DIPJ estaria zerada. A seu turno a recorrente alega que teria se equivocado no preenchimento da DIPJ, informando o valor dos rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Observou, ainda, que parte dos rendimentos teria sido oferecida à tributação na DIPJ do anocalendário 2002 e parte na DIPJ do anocalendário 2003. Apresentou, para comprovar suas alegações, cópia do Livro Razão e balancetes de 2002 e 2003 na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99), assim como comprovantes de rendimentos. Pelo exposto voto no sentido de converter o presente julgamento na realização de diligência para que: 1) a Unidade de jurisdição da recorrente proceda a juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada; 2) verifique, junto aos registros contábeis da recorrente, se, de fato, os rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, que deram origem às retenções discutidas nos autos, foram oferecidos à tributação, esclarecendo, ainda, quanto ao período de apropriação e de oferecimento à tributação de tais receitas e de retenção do IRRF. Ao final deverá o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos efetuados a fim de atender a esta solicitação, dandose ciência à interessada do resultado, conforme determina o PAF, retornandose, posteriormente, o presente processo, a esta relatora, para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935622/200949 Resolução nº 1801000.216 S1TE01 Fl. 7 6 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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