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Numero do processo: 17546.000881/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
DECADÊNCIA PARCIAL -
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
Considera-se lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 2301-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto da Redatora; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de deixar claro o devido período de apuração do crédito tributário
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Fabio Pallaretti Calcini
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício. Considera-se lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto da Redatora; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de deixar claro o devido período de apuração do crédito tributário MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Fabio Pallaretti Calcini
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SEF DE S.J.DOS CAMPOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. Considerase lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 08 81 /2 00 7- 89 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto da Redatora; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de deixar claro o devido período de apuração do crédito tributário MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Fabio Pallaretti Calcini Fl. 368DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.000881/200789 Acórdão n.º 2301003.887 S2C3T1 Fl. 367 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração/Requerimento para correção de divergência de acórdão, formulado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São José dos Campos, em São Paulo, contra o Acórdão 2301 002.747, de 19 de abril de 2012 (fls. 307). A embargante alega, em apertada síntese, que ocorreu um equívoco quanto ao período apurado no lançamento. É o relatório Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São José dos Campos opôs Embargos de Declaração (fls. 361), contra o Acórdão 2301002.747, por entender que houve um equívoco em sua Ementa quanto ao período apurado no lançamento Alega a embargante que, na Ementa do Acórdão proferido por esta Turma de Julgamento, consta, de forma equivocada, o período de apuração de 01/04/2003 a 30/12/2003 e, conforme se verifica no DAD, às fl.s 6 a 14, no DSD, fls. 15 a 20 e no RL, fls. 24 a 29, o período de apuração correto é 01/04/1999 a 31/03/2003. De fato, da análise do acórdão proferido, verificase que há razão no requerimento de correção feito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, pois o acórdão contém a inexatidão material apontada. Verificase que, no voto condutor do aresto, às fls. 310, esta Conselheira deixa claro que o lançamento se refere a fatos geradores ocorridos no período de 04/99 a 03/03, e na ementa, consta, de forma equivocada, o período de 01/04/2003 a 30/12/2003. Assim, por serem procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos embargos opostos pela Fazenda Nacional, para suprir a contradição apontada, e fazer constar, na Ementa, o período de 01/04/1999 a 31/03/2003. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher os embargos opostos, para fazer constar, no dispositivo da Ementa, que o período de apuração é 01/04/1999 a 31/03/2003. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900395/2009-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO.
Inexiste fundamento a justificar a inconformidade do contribuinte em face de homologação parcial de compensação quando o direito creditório invocado na peça irresignatória foi o reconhecido pela autoridade e aplicado, até o seu limite, em débitos consignados na DCOMP apresentada. Não cabe ademais, nas instâncias julgadoras o cancelamento da homologação já realizada.
Numero da decisão: 1802-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antônio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. Inexiste fundamento a justificar a inconformidade do contribuinte em face de homologação parcial de compensação quando o direito creditório invocado na peça irresignatória foi o reconhecido pela autoridade e aplicado, até o seu limite, em débitos consignados na DCOMP apresentada. Não cabe ademais, nas instâncias julgadoras o cancelamento da homologação já realizada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. Inexiste fundamento a justificar a inconformidade do contribuinte em face de homologação parcial de compensação quando o direito creditório invocado na peça irresignatória foi o reconhecido pela autoridade e aplicado, até o seu limite, em débitos consignados na DCOMP apresentada. Não cabe ademais, nas instâncias julgadoras o cancelamento da homologação já realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 03 95 /2 00 9- 46 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antônio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900395/200946 Acórdão n.º 1802001.959 S1TE02 Fl. 177 3 Relatório Tratam os presentes autos de homologação parcial de compensação, cujo crédito está em suposto pagamento a maior da CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração 30/11/2003, recolhido através de DARF no código 2469 em 30/12/2003. O débito que se tentou compensar é de CSLL – Ajuste Anual do anocalendário de 2003. O saldo de crédito pleiteado corresponde ao montante de R$ 295.484,91. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o Relatório proferido pela 8a Turma da DRJ/SP1, consoante Acórdão n° 16 31.959, às efls. 80/81: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01 a 04) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 821096947(fl. 05), de 18/02/2009, no qual a autoridade homologou parcialmente, por insuficiência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP nº 27219.49449.280205.1.3.049081 (fls. 27 a 32). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 30/12/2003, de R$ 3.510.084,01, código de receita 2469 (CSLL ENTIDADES FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), relativo ao período de apuração de 30/11/2003, do qual seria parte o montante de R$ 295.484,91 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 29), fora parcialmente utilizado na quitação de débitos do interessado, inexistindo, assim, crédito suficiente para a liquidação do débito declarado para compensação. 3. Em conseqüência, apurou saldo devedor consolidado para pagamento até 27/02/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 346.465,68, de principal, R$ 192.045,92, de juros, e de R$ 69.293,13. de multa. 4. Cientificado da decisão em 04/03/2009 (fl. 41), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 03/04/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 295.484,91, seria líquido e certo porque corresponderia à diferença a maior entre o recolhimento de R$ 3.510.084,01, em DARF (fl. 10), relativo à CSLLEstimativa de 11/2003, e o valor correto, de R$ 3.214.599,10 (R$ 295.484,91 = R$ 3.510.084,01 3.214.599,10), constante da DIPJ do referido ano (fl. 09); ii) o mencionado valor de recolhimento teria, ainda, sido declarado na DCTF do 4º trimestre de 2003 (fl. 12), a qual, porém, teria sido retificada, em 13/08/2008 (fl. 13), para conter o valor correto (fl. 14); Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 iii) em 27.02.2004 teria emitido indevidamente a DCOMP nº 18069.76782.270204.1.3.048468 (fls. 15 a 20) para compensar débito no valor de R$ 301.499,61, utilizando o mesmo crédito; iv) pelo exposto, pleiteia seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a DCOMP nº 27219.49449.280205.1.3.049081 e cancelandose a DCOMP n° 18069.76782.270204.1.3.048468, já que o crédito teria sido integralmente utilizado. 5. É o Relatório Na análise do caso, entendeu a nobre turma julgadora pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pela ora recorrente às efls. 1/4, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls. 78): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INSUFICIÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de CSLL teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da manutenção do lançamento através do Acórdão supracitado em 14/07/2011, a recorrente denotando sua irresignação apresentou Recurso Voluntário em 15/08/2011, às efls. 88/108, aduzindo em apertada síntese: i) pelo reconhecimento da tempestividade na proposição recursal realizada, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; ii) pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário constante no referido Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional e §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; iii) pelo reconhecimento do direito líquido e certo do crédito pleiteado, o que comprova por meio da juntada de cópia do DARF recolhido e DIPJ Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900395/200946 Acórdão n.º 1802001.959 S1TE02 Fl. 178 5 do período, que determina o valor efetivamente devido do tributo, e pela “homologação tácita” do valor ali declarado como devido; iv) que a divergência entre DCTF e DIPJ não pode ilidir seu direito creditório, dado que a DCTF é obrigação “acessória”, sendo a formalização do crédito tributário documentalmente representada pela DIPJ e que deste fato, não pode ser negado seu direito ao crédito de recolhimento a maior (a recorrente expressamente dispõe que o crédito tributário declarado em DCTF para esse tributo foi ‘informado com erro’) e; v) que houve cerceamento do direito de defesa no momento de produção das provas, pois a autoridade julgadora analisou o direito creditório apenas à luz da DCTF, e não nos demais documentos apresentados que comprovam seu direito creditório, especialmente no que consta na DIPJ. Ao final, pede pela procedência de seu recurso e pela homologação de sua compensação. É o relato do essencial. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dele, tomo conhecimento. A interposição de recurso na esfera administrativa feita de forma tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), e especificamente in casu, que trata de não homologação de compensação, ao §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Feitas essas considerações, passase à análise central do pleito, que envolve o reconhecimento do direito creditório pleiteado na PER/DCOMP, na forma do recolhimento a maior da CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração 30/11/2003. Como se extrai do relatório, o contribuinte efetuou o recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal, em DARF com as seguintes características (efls. 10): 02 Período de Apuração 30/11/2003 03 Número do CPF ou CGC 43.073.394/000110 04 Código da Receita 2469 05 Número de Referência 06 Data de Vencimento 30/12/2003 07 Valor do Principal 3.510.084,01 08 Valor da Multa 0,00 09 Valor dos Juros e/ou Encargos 0,00 10 Total 3.510.084,01 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900395/200946 Acórdão n.º 1802001.959 S1TE02 Fl. 179 7 11 Autenticação Bancária (Pagto) 30/12/2003 A informação constante na DCTF original (efls. 11/12) entregue (12/02/2004), contempla como valor devido para esta epígrafe o montante de R$ 3.510.084,01. Houve a apresentação da DCTF retificadora (efls 13/14), em 13/08/2008, reduzindo o valor declarado para o montante de R$ 3.214.599,10. O contribuinte também entregou a Declaração Anual do Imposto de Renda (DIPJ) na data de 30/06/2004 (efls. 8/9), noticiando cálculo da CSLL – Estimativa Mensal do mês de Novembro de 2003, demonstrando o valor devido de R$ 3.214.599,10. Em 27/02/2004, o contribuinte apresentou PER/DCOMP de n° 18069.76782.270204.1.3.048468, requisitando compensação cujo crédito original sustentou ser de R$ 294.807,48, após o que solicitou o cancelamento, em forma de manifestação de inconformidade (Processo Administrativo Fiscal n° 16327.902123/200808). Em 28/02/2005, o contribuinte apresentou PER/DCOMP de n° 27219.49449.280205.1.3.049081, requisitando compensação pela utilização do mesmo crédito só que no valor de R$ 295.484,91, argumentando que a primeira entrega deveria ser cancelada. É sobre este último PER/DCOMP que trata o Despacho Decisório em análise, que homologou parcialmente a compensação declarada pelo contribuinte e foi expedido em 18/02/2009, tendo sido intimado o contribuinte em 04/03/2009. A informação ali constante dá conta de que o contribuinte já utilizou parte do crédito pleiteado na DCOMP 18069.76782.270204.1.3.048468, ficando disponível apenas o saldo de R$ 677,43 para utilização na presente compensação. Neste caso, a recorrente deveria ter entregue seu pedido de cancelamento antes da homologação ter sido realizada. O reconhecimento creditório através do Despacho Decisório no Processo Administrativo Fiscal 16327.902123/200808 ocorreu em 12/08/2008, ou seja, após o contribuinte ter entregue seu pedido de compensação em “duplicidade” utilizando duas vezes o mesmo crédito. Naqueles autos o direito creditório foi reconhecido e a compensação homologada até o limite da disponibilidade. Assim, restando um saldo de crédito, foi possível a utilização no presente processo, apenas do montante parcial ainda não utilizado, ou seja, disponível. Assim sendo, é de se manter a homologação parcial do pedido de compensação, na forma do Despacho Decisório, não havendo como cancelar a homologação já realizada devidamente controlado por outro Processo Administrativo Fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15374.906517/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 30/11/2000
O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, motivo pelo qual compõe a sua base de cálculo.
Recurso Voluntário Negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3202-001.069
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 30/11/2000 O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, motivo pelo qual compõe a sua base de cálculo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, com origem em pagamento a maior do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 151.983,30, referente ao período de apuração encerrado em 30/11/2000. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 65 17 /2 00 9- 80 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por meio do Despacho Decisório de fl. 50, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo da DCOMP de número 34847.89196.130905.1.3.047699, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$ R$ 151.983,30, oriundo de recolhimento efetuado em 08/12/2000 nesse mesmo valor, relativo ao3º decêndio de novembro de 2000. A verificação da legitimidade dos créditos alegados foi efetuada pelo processamento eletrônico, que identificou o pagamento, mas constatou que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório. Em conseqüência, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 27/04/2000, manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2000, por meio do arrazoado de fls. 02/21, alegando, em preliminar, o cerceamento do seu direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório (arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96) “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”. Conclui que tal vício redundaria na nulidade. No mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento (que são a base de cálculo do PIS e da Cofins) segundo seu entendimento, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema. Finaliza tal argumentação nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”; Vem ao final requerer que seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15374.906517/200980 Acórdão n.º 3202001.069 S3C2T2 Fl. 104 3 Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da não cumulatividade e da base de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO”. Em síntese, é o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 09 39.058, de 10/02/2012 (fls. 61/69), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 30/11/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a não homologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como "parte integrante" do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 73/100, por meio do qual repisa argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade quanto à exclusão do ICMS nas bases de cálculo do IPI, do PIS e da Cofins. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em seu alentado recurso, a Recorrente apenas questiona o entendimento firmado pela instância a quo quanto à inclusão do ICMS nas bases de cálculo do IPI, do PIS e da Cofins (não obstante, essas duas últimas contribuições não compõem o crédito vindicado). A matéria já foi objeto de diversos julgamentos deste Colegiado Administrativo e firmouse no sentido oposto ao pretendido no recurso. Por comungar com o mesmo entendimento, adoto, como razão de decidir, o voto proferido pelo Conselheiro Paulo Sergio Celani, nos autos do processo administrativo n.º 15374.914749/200910 (Acórdão n.º 3802 001.970, de 21/08/2013; transcrição parcial): Incidência do IPI sobre o ICMS No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui sua própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de cálculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I – o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II – a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III – a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...); II – no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15374.906517/200980 Acórdão n.º 3202001.069 S3C2T2 Fl. 105 5 b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; (...)” A Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989): (...) II – quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989). § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” A Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I – na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1º. Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I – o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” No julgamento do RE nº 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 de ICMS deve ser incluído na própria base de cálculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: “3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2º, I, e 8º, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de cálculo do IPI. A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a não incidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Ante o exposto, não havendo equívocos na decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908891/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 91 /2 00 9- 74 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.146, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908891/200974 Acórdão n.º 3802001.833 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908891/200974 Acórdão n.º 3802001.833 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Eg. CARF. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003919/2004-54
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
ARQUITETURA DE INTERIORES. DECORAÇÃO. PROJEÇÃO E ALOCAÇÃO DE MOBILIÁRIO FIXO.
A opção ao Simples Federal é vedada a contribuintes que prestem serviços de arquitetura de interiores, caracterizada pela alocação de mobiliário fixo (sic), voltada à reordenação dos espaços interno.
Numero da decisão: 1101-000.804
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR - Relator
(assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 ARQUITETURA DE INTERIORES. DECORAÇÃO. PROJEÇÃO E ALOCAÇÃO DE MOBILIÁRIO FIXO. A opção ao Simples Federal é vedada a contribuintes que prestem serviços de arquitetura de interiores, caracterizada pela alocação de mobiliário fixo (sic), voltada à reordenação dos espaços interno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ARQUITETURA DE INTERIORES. DECORAÇÃO. PROJEÇÃO E ALOCAÇÃO DE “MOBILIÁRIO FIXO”. A opção ao Simples Federal é vedada a contribuintes que prestem serviços de arquitetura de interiores, caracterizada pela alocação de “mobiliário fixo” (sic), voltada à reordenação dos espaços interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 39 19 /2 00 4- 54 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. Relatório Versa o presente processo a respeito da exclusão da peticionária junto ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Federal, concretizada por meio do Ato Declaratório Executivo n° 439172, de 07.08.2003, emitido pela DRF/CTA (fl. 61), em razão da apuração do exercício de suposta atividade vedada pela legislação, referente ao CNAE – 74993/06 – serviços de decoração de interiores. Os fundamentos legais da extrusão foram apontados, pelo Fisco, como correspondentes aos artigos 9º, inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96, ao artigo 73 da Medida Provisória n° 2.15834/01 e aos artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, e 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 250/02. A interessada, em 31.05.2004, interpôs a reclamação administrativa de fls. 01/16, acompanhada dos documentos de fls. 17/60, por meio de seu representante legal (fl. 16). Ressaltouse, na oportunidade, que: foi surpreendida a reclamante com o aviso de que não constava mais como optante do Simples Federal, em 26.05.2004, ao tentar transmitir a Declaração Simplificada do período. Na ocasião, obteve a sociedade a informação de que havia sido emitido ADE, enviado pelo correio. A missiva foi devolvida com a informação de que o número do logradouro não existia. Em seguida, foi afixado edital, informando da exclusão; não se pode aceitar que o A.R. tenha sido devolvido por falta de numeração, porque a sede da interessada sempre foi à Rua Hermes Fontes, nº 431, bairro Batel, CEP 80440070, em Curitiba/PR, de fácil localização. Disso se evidencia que a empresa entregadora cometeu grave erro, que não pode prejudicar o contribuinte; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 12 3 dessa forma, comprovada a irregularidade na comunicação da exclusão, arguiuse a tempestividade da reclamação administrativa apresentada, dado que a ciência por edital somente seria válida se sem êxito fossem as tentativas de ciência pessoal, postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicilio tributário, nos termos do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; o erro na entrega da intimação ocasionou a não apresentação de reclamação em tempo hábil, prejudicando a interessada em seu direito ao contraditório; no mérito, é equivocado o entendimento que deu causa à exclusão, porquanto a atividade da reclamante, identificada a serviços de “decoração de interiores”, não se assemelha à profissão de arquiteto. Transcrevese a Deliberação Normativa n° 024/00, do CREA/PR, que define critérios e parâmetros para a fiscalização e a lavratura de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, essenciais ao exercício das atividades de projeto, execução, reforma e feitura de obras de “arquitetura de interiores”; ao definir a atividade de decoração de interiores, citada Deliberação Normativa assim dispõe: “I – Decoração de Interiores (NÃO sujeita a esta Norma): Simples arranjo de espaço interno criado pela disposição de mobiliário não fixo, obras de arte, cortinas e outros objetos de pequenas dimensões, SEM alteração do espaço arquitetônico original, SEM modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado, NÃO implicando portanto em modificação na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso, e que também NÃO implique na modificação da parte externa da edificação”. Vêse, assim, que esta atividade é distinta da “arquitetura de interiores”, que implica em modificações de estrutura ou de fachada, em substituição/colocação de materiais de acabamento e em aposição de mobiliário fixo; a atividade que exerce é complementar à do arquiteto, e não se pode falar em similaridade; a primeira não exige formação superior, ao contrário da segunda. O artigo 108, § 1°, do CTN diz que o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei; tendo sido impedida, pelos sistemas da RFB, de apresentar a Declaração Simplificada, anexouse esta à reclamação administrativa, requerendo –se sua acolhida e a suspensão de qualquer penalidade devida em virtude de atraso na entrega. À fl. 65, a Secat da DRF/CTA acolheu a reclamação e julgou o mérito, mantendo a exclusão do sujeito passivo, por se entender que os serviços de decoração de interiores e de projetos se assemelhavam à atividade de arquiteto. Cientificada em 01.07.2004 (fl. 68), apresentou a excluída a manifestação de inconformidade de fls. 69/76, por meio de representante legal (fl. 16), erigindo as seguintes assertivas: a solicitação de nulificação da exclusão foi negada, com base na expressão “serviços de projetos”, alegadamente similar à arquitetura. Ocorre, porém, que a sociedade executa somente serviços especializados em móveis e em decorações de ambiente. A decisão é nula, porque baseada em elementos estranhos ao processo; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 13 4 os argumentos veiculados anteriormente são oportunos e, por isso, devem ser repisados. Pleiteiase a nulidade do ADE, por inexistência de atividade de serviços de projetos. A 2ª TURMA DA DRJ EM CURITIBA – PR, ao estudar a manifestação inconformista protocolizada, deu por indeferila, segundo acórdão (fls. 78/82) que assim restou ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2002 ARQUITETO. ATIVIDADE ASSEMELHADA. É vedada ao Simples atividade assemelhada à de arquiteto. Solicitação Indeferida.” Cientificada do acórdão em 18.03.2008 (fl. 85), a excluída interpôs Recurso Voluntário (fls. 88/96) a este colegiado, em 17.04.2008, puxando à lume argumentos análogos aos agitados em primeiro grau, focados em contradizer as razões decisões predecessoras. Levado o remédio recursal a julgamento, perante a 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, optouse por converter o feito em diligência (fls. 99/101), com vistas a que a autoridade fazendária originária perquirisse a real atividade do contribuinte e instasse este a instruir o debate com cópias de suas notas fiscais de prestação de serviços, cotejadas por amostragem. Anexados tais documentos (fls. 105/128), foi redigido o Relatório de fls. 135/136, de cujo corpo se extrai o seguinte excerto: “No período em julgamento, ano calendário de 2002 até o final do primeiro semestre de 2007, foram emitidas as Notas Fiscais de Prestação de Serviços de no 0099 a 0192. Por economia processual, anexamos apenas cópias de algumas notas, visto que todas possuem como discriminação dos serviços 'Referente Serviços Prestados de Decoração', conforme fls. 105 a 118. Não foi apresentado nenhum bloco de Notas Fiscais de Venda de Mercadorias. A impressão de telas do Sistema Consulta Declarações IRPJ de fls. 130 a 134, corrobora que a partir do ano calendário de 2003, quando a declaração do Simples passou a segregar as receitas, que a empresa não obteve Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 14 5 nenhuma receita que não fosse proveniente da prestação de serviço. Foram apresentados alguns 'projetos' elaborados pela empresa. Na planta e elevações de fls. 120 a 122, verificase que além de dispor os móveis no ambiente, a empresa projeta os balcões/estante (mobiliário fixo). Já nas plantas de fls. 125 a 127, do mesmo modo, além de distribuir o mobiliário, são projetados detalhes em gesso no teto da maioria dos ambientes (revestimento fixo). 0 mesmo ocorre no projeto de fl. 128. Da Deliberação Normativa n° 024/200 da Camara Especializada de Arquitetura de fls. 39 e 40, contida no Manual de Fiscalização de Arquitetura do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREAPR) e trazida aos autos pela própria empresa extraise: ‘II — Arquitetura de Interiores: Reordenação do espaço interno visando a otimização e adequação a novos usos, IMPLICANDO em alterações como: [...] Substituição ou colocação de materiais de acabamento em pisos (madeira, mármore, etc.), forros e paredes (madeira, gesso, etc), Colocação de mobiliário fixo em alvenaria ou outro material. [...]’ Concluímos, portanto, que a recorrente adentra no rol de atividades de Arquitetura de Interiores.” (g.n.) Em reação à estresida manifestação fazendária, a peticionária aviou os argumentos encartados às fls. 138/143, segundo os quais: i) a recorrente não realiza projetos arquitetônicos estruturais, mas, sim, escorços de decoração, denotativos da distribuição espacial de móveis no ambiente cuidado; ii) a projeção de balcões, estantes e armários embutidos não significa aposição de elementos imóveis, como faz acreditar o senso comum. A bem da verdade, essa conclusão se deve ao fato de ditos móveis serem, em regra, inaproveitáveis em outros ambientes – e não à circunstância de serem, supostamente, inamovíveis. A expressão “mobiliário fixo”, empregada pela comentada Deliberação Normativa do CREA/PR, é contraditória; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 15 6 iii) por fim, a projeção de detalhes em gesso (“revestimento fixo”), desenvolvida pela postulante, não modifica este cenário, pois, aqui também, estáse diante da colocação de elementos decorativos móveis, embora inaproveitáveis em outros lugares. Os autos vieram, então, a mim, para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. Toda a controvérsia destes autos se cinge à definição da natureza das atividades desenvolvidas pela recorrente. Contanto que não se consiga identificar os préstimos decorativos desenvolvidos, de um lado, à profissão da arquitetura, de outro, deverá o ADE de fl. 61 ser anulado, com efeitos ex tunc; caso contrário a extrusão junto ao Simples Federal deverá ser mantida, em toda sua abrangência. A Deliberação Normativa nº 024/00 (fls. 38/40), da lavra da Câmara Especializada de Arquitetura do CREA/PR, trazida aos autos pelo próprio sujeito passivo, elucida o critério definitivo para a qualificação do objeto social da peticionária, descrito nos atos constitutivos desta como correspondente ao “ramo de ‘Prestação de Serviços especializados em móveis e decorações de ambientes’” (fl. 26). Vejase, nesse sentido, as definições que indigitada Deliberação apresenta para os préstimos de “Decoração de Interiores” (não afeto à profissão arquitetônica) e de “Arquitetura de Interiores”: “I – Decoração de Interiores: Simples arranjo do espaço interno criado pela disposição de mobiliário não fixo, obras de arte, cortinas e outros objetos de pequenas dimensões, SEM alteração do espaço arquitetônico original, SEM modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado, NÃO implicando portanto em modificação na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso, e que também NÃO implique na modificação da parte externa da edificação” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 16 7 “II – Arquitetura de Interiores: Reordenação do espaço interno visando a otimização e adequação a novos usos, IMPLICANDO em alterações como: Modificações na divisão interna com adição ou retirada de paredes (stands em espaços abertos ou fechados). Modificações na estrutura. Substituição ou colocação de materiais de acabamento com pisos (madeira, granito, mármore, etc.), forros e paredes (Madeira, gesso, etc.) Colocação de mobiliário fixo em alvenaria ou outro material. Colocação de mobiliário de grandes dimensões como pórticos, totens mesmo que temporário. Colocação repetitiva de mobiliário padrão. Modificação do aspecto externo da edificação através de intervenções como substituição de cores, esquadrias, revestimento ou pintura etc.” (g.n.) Visualizase, dos textos copiados, que a divergência existente entre as prestações decorativas e os serviços de arquitetura repousa no fato de as primeiras se aterem a alocações de “mobiliário não fixo” (expressão pleonástica, ainda que inteligível, à falta de outra mais adequada), de diminutas dimensões, sem realização de modificações estruturais no ambiente (instalações, forros, pisos, paredes). Os últimos, de seu passo, tocam a atividades que impliquem em quaisquer modificações de projeto ou de espaço arquitetônicos, inclusive mediante colocação de “mobiliário fixo” de qualquer material. Acontece que, como bem citado pelo Relatório fiscal de fl. 135/136, o estudo das plantas e das elevações desenvolvidas pelo contribuinte deixa evidenciado que este também realiza projetos e instalações de balcões, estantes, armários embutidos e assemelhados. A resposta de fls. 138/143, declinada pela excluída, não refuta essa constatação, limitandose a asseverar que esse tipo de mobiliário tem natureza “não fixa”, a despeito da impossibilidade prática de seu emprego em ambientes distintos daqueles para os quais fora planejado. Parece a nós, entretanto, que a situação se amolda, perfeitamente, à tipologia de “colocação de mobiliário fixo em alvenaria ou outro material”, ínsita à arquitetura de interiores. Bancadas ou armários embutidos, afinal, reordenam o espaço interior, de forma relativamente perene, ao contrário do que sucede com o simples rearranjo estético de mobiliário “não fixo”, de diminutas dimensões. Demais disto, também ficou consignado, incontroversamente, que a recorrente realiza adições de detalhes e de acabamentos de gesso em paredes e junções. Essa hipótese é bem subsumida, entrevemos, à abstrata previsão de “colocação de materiais de acabamento com pisos (madeira, granito, mármore, etc.), forros e paredes (Madeira, gesso, etc.)”, vinculada à profissão arquitetônica. Cerramos a exegese, pois, de que o objeto social prático da peticionária não é de simples decoração, mas, sim, de verdadeira arquitetura interiorana. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 17 8 Vejase que poderíamos questionar, zeteticamente, os termos preconizados pela Deliberação Normativa em dissecação, proferida pela Câmara Especializada de Arquitetura do CREA/PR. A força cogente deste instrumento, no entanto, deriva da norma outorgante de competência esculpida pelo artigo 46, alíneas “e” e “f”, da Lei nº 5.194/66: “Art . 46. São atribuições das Câmaras Especializadas: (...) e) elaborar as normas para a fiscalização das respectivas especializações profissionais; f) opinar sôbre os assuntos de interêsse comum de duas ou mais especializações profissionais, encaminhandoos ao Conselho Regional.” Não podemos, pois, deixar de aplicar o entendimento suso resenhado, haja vista a impossibilidade de debatermos a validade da legislação ordinária ou infraordinária positivada, nos exatos termos sedimentados pela Súmula CARF nº 02: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Lógico, destarte, que o caso se relaciona diretamente à situação do revogado artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” (g.n.) Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 18 9 Sala das Sessões, em 13 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 19 10 Voto Vencedor Conselheira NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Redatora designada A controvérsia gira em torno da classificação ou não de serviços de decoração de interiores como assemelhado ao de arquitetura, entendo que não se confundem. A expressão “ou assemelhados” constante do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 constitui verdadeira cláusula geral, ou seja, uma janela aberta deixada pelo legislador para ser preenchida pelo aplicador do Direito caso a caso, e na situação em análise vêse que não se aplica a vedação do dispositivo supra mencionado. A Recorrente atua no ramo de decoração de interiores prestando serviços de decoração, por meio de projetos de balcões e estantes, bem como de arremates de gesso. Entendo que tais atividades não implicam em “alteração do espaço arquitetônico original”, “modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado”, “modificação na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso”, ou ainda na “modificação da parte externa da edificação”, atividades estas arroladas como excludentes do conceito de decoração de interiores segundo a Deliberação Normativa nº 024/2000 da Câmara Especializada de Arquitetura do CREA/PR. Este Colegiado por diversas vezes já se manifestou neste sentido, vide: SIMPLES. EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DECORAÇÃO DE INTERIORES. A atividade de decoração de interiores não consta do rol de atividades impeditivas para a opção pelo Simples, nem se assemelha à atividade de arquiteto. Não há, na espécie, fundamento para a exclusão da sistemática do Simples. (Terceiro Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, acórdão nº 30238.884, julgado em 09/08/2007 e acórdão nº 30238.288, julgado em 06/12/2006) SIMPLES. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. VENDA DE OBJETOS DE DECORAÇÃO E RESPECTIVA INSTALAÇÃO. A vedação legal de permanência no Simples daqueles que exercem atividades auxiliares de construção civil, por definição, não alcança os casos em que o serviço somente vise a maior comodidade do adquirente. (Terceiro Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, acórdão nº 30239.993, julgado em 13/11/2008) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.003919/200454 Acórdão n.º 1101000.804 S1C1T1 Fl. 20 11 Ademais, as atividades exercidas pela Postulante não exigem “habilitação profissional legalmente exigida” como preceitua o fim do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 ao arrolar os impedidos de optar pelo SIMPLES. Destarte, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para afastar a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Nara Cristina Takeda Taga Redatora Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, A ssinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900764/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.930891/2011-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 91 /2 01 1- 65 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.364, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930891/201165, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, 6 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721338/2010-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ser comprovado.
As intimações para apresentação de documentos em fase pré-lançamento podem conter prazos diversos.
GRATIFICAÇÃO DE CONFIDENCIALIDADE. TRIBUTAÇÃO.
A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos. Exclusivamente as verbas especificadas em lei não sofrem tributação, o que não é o caso da gratificação de confidencialidade.
Numero da decisão: 2403-002.379
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva, que votaram pela não tributação de abono de confiabilidade. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Julio de Souza, e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ser comprovado. As intimações para apresentação de documentos em fase prélançamento podem conter prazos diversos. GRATIFICAÇÃO DE CONFIDENCIALIDADE. TRIBUTAÇÃO. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos. Exclusivamente as verbas especificadas em lei não sofrem tributação, o que não é o caso da gratificação de confidencialidade. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva, que votaram pela não tributação de abono de confiabilidade. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 13 38 /2 01 0- 16 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Julio de Souza, e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10983.721338/201016 Acórdão n.º 2403002.379 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 0731.362 da .6 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Trata este processo de auto de infração, cujo objeto é a constituição de crédito das contribuições devidas a outras entidades e fundos, relativo ao período de 01/2006 a 12/2007, incidente sobre os valores pagos a título de indenização de confidencialidade, considerado pela fiscalização como integrante da remuneração dos segurados que a receberam, no valor de R$ 47.447,12. Inconformada com o auto de infração, a autuada apresentou instrumento de impugnação, acostada ao processo nº 10983.721336/201027, cujos termos, no essencial, traz os seguintes argumentos: Reclama que a autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares com respeito da prestação de esclarecimentos pela contribuinte, e conseqüentemente, em relação à fiscalização. Relata que foram exigidas grande quantidade de informações e documentos em exíguos prazos de dois, cinco e dez dias, ultimando em prejudicar sobremaneira a resposta da contribuinte, podendo, inclusive, ser motivo de nela inserir ambigüidades e contradições, em afronta ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Isto, ao seu ver, transborda em muito o limite do razoável (CF, art. 37; art. 2º, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999), viola as garantias do devido processo legal e do contraditório (CF art. 5o, II e LV), e, objetivamente fere os limites impostos pelo art. 844; art. 835, §3°, do RIR/99. Sustenta que a indenização de confidencialidade não possui natureza salarial. É prêmio que possui valor variável e que é pago sem habitualidade ao pessoal de nível gerencial. Carreia aos autos, ainda, trecho de decisão de proferida no âmbito da 6ª Vara do Trabalho de Florianópolis, em litígio entre empregada da impugnante e esta. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Conclui que não há como considerar a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de gratificação de confidencialidade em virtude de sua natureza não salarial. Por fim, requer: a produção de todas as provas em direito admitidas: a documental inclusa, a documental superveniente, requisição de informações a repartições públicas, diligências, exibição de documentos em posse de terceiros. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · A autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares com respeito da prestação de esclarecimentos pela contribuinte, e conseqüentemente, em relação à fiscalização. · O prazo para apresentação dos documentos é de 20 dias conforme RIR/99. · Relata que foram exigidas grande quantidades de informações e documentos em exíguos prazos de dois, cinco e dez dias. · Fiscalização não compreendeu as particularidades da matéria. · O sigilo e a confidencialidade são de grande valor para empresas que exploram atividade que envolve o uso de tecnologia de ponta. · É comum que a determinados empregados seja imposta a confidencialidade. · A indenização de confidencialidade não possui natureza salarial. É prêmio que possui valor variável e que é pago sem habitualidade ao pessoal de nível gerencial. Cita decisão da Justiça do Trabalho. É o relatório Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10983.721338/201016 Acórdão n.º 2403002.379 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NULIDADE A recorrente alega que a autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares com respeito da prestação de esclarecimentos pela contribuinte, e conseqüentemente, em relação à fiscalização, que o prazo legal (artigo 844 RIR/99) para apresentação dos documentos é de 20 dias e relata que foram exigidas grande quantidades de informações e documentos em exíguos prazos de dois, cinco e dez dias. Não entendo haver aqui razão para declarar a nulidade do lançamento. Para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ser comprovado. No início da ação fiscal, por meio do Termo de Início da Ação Fiscal, foram dados prazos de 5 dias úteis, 10 e 20 dias para apresentação de documentos. Seguiramse 7 Termos de Intimação Fiscal com prazos diversos. As intimações para apresentação de documentos ocorreram em fase pré lançamento. Era uma fase de investigação acerca do cumprimento das obrigações. Não constatei prejuízo para a recorrente. Não percebo cerceamento ao contraditório e ampla defesa. GRATIFICAÇÃO DE CONFIABILIDADE A recorrente alega que a gratificação de confidencialidade não possui natureza salarial, que é prêmio, que possui valor variável e que é pago sem habitualidade ao pessoal de nível gerencial. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Conforme apresentado no Relatório Fiscal e comprovado por documento (Termo Aditivo ao Contrato Individual de Trabalho – Quadro Gerencial), os empregados obrigamse a manter sigilo acerca das informações da empresa desde a contratação até 36 meses após a rescisão. Pela manutenção do sigilo, quando da rescisão, a empresa paga uma gratificação. O que cabe decidir aqui é se a verba é tributável ou não. Segundo o artigo 28 da Lei 8.212/91, a tributação incide sobre a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10983.721338/201016 Acórdão n.º 2403002.379 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; As verbas não sujeitas à incidência são, exclusivamente, as especificadas no parágrafo 9º do próprio artigo 28 e lá não está prevista a gratificação por confidencialidade. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; A verba não é eventual, é prevista no contrato de trabalho, tem tempo definido para o pagamento, tem o período aquisitivo definido como o prazo do contrato de trabalho e uma obrigação desde a contratação até 36 meses após a rescisão. Entendo, portanto, correta a decisão de primeira instância. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11065.725226/2011-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
MULTA
A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria, observado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional.
MULTA QUALIFICADA
A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária.
SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO.
É possível a dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplicifado - SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para deferir o pedido de dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado - SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. MULTA A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria, observado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO. É possível a dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplicifado - SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para deferir o pedido de dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado - SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. MULTA A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria, observado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea c , do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF. APROVEITAMENTO. É possível a dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplicifado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal, AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 52 26 /2 01 1- 40 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.557 2 desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para deferir o pedido de dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.558 3 Relatório DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal na empresa Calçados Q Sonho Ltda foram lavrados os seguintes Autos de Infração AI: a) AI DEBCAD 51.006.2210/2011 referente a contribuições previdenciárias patronais, incluindo as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, tendo como base de cálculo a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento das empresas FFE Indústria de Calçados Ltda. ME e Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda. ME, nas competências 01/2009 a 12/2009 b) AI n DEBCAD 51.006.2229/2011, referente a contribuições para outras entidades e fundos: Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (Salário Educação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social da Indústria SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, tendo como base de cálculo a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados constantes das folhas de pagamento das empresas FFE Indústria de Calçados Ltda. ME e Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda. ME, nas competências 01/2009 a 12/2009. A autoridade lançadora consigna que no curso da ação fiscal, examinadas diversas operações envolvendo a impugnante e as empresas FFE Indústria de Calçados Ltda. ME e Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda. ME, restou constatado que, embora constituídas regularmente, estas pessoas jurídicas não são, de fato, sociedades independentes da Calçados Q Sonho Ltda. Conclui que a separação entre essas três empresas deuse de forma artificial e com o objetivo, de criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias patronais e para outras entidades e fundos. Assim sendo, foram lançados, em nome da Calçados Q Sonho Ltda, os créditos correspondentes às contribuições previdenciárias, parte patronal, e para outras entidades e fundos, concernentes às folhas de pagamento das empresas FFE Indústria de Calçados Ltda. ME e Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda. ME, aferidas as respectivas bases de cálculo utilizadas a partir das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e folhas de pagamento dessas empresas, relativas ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009. As empresas FFE Indústria de Calçados Ltda. ME, CNPJ 04.318.535/0000166, e Law of Shoes Indústria de Calçados Ltda. ME, CNPJ 04.868.159/000183, foram objeto de diligência conforme os Mandados de Procedimento Fl. 450DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.559 4 Fiscal MPFD 10.1.07.00201101130 e MPFD 10.1.07.00201101131, respectivamente. Ambas as empresas optantes pelo SIMPLES. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a unificação dos processos em razão do princípio da segurança jurídica e risco de decisões conflitantes; a nulidade do lançamento por ausência do ato declaratório de exclusão do SIMPLES das empresas LAW e FFE para lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresas enquadradas no SIMPLES; há irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, não se encontra nos autos. O MPF é elemento imprescindível à validade do ato de fiscalização, que precede a constituição do crédito tributário; cerceamento do direito de defesa (inciso LV do art. 5o da CF). A DRJ deixou de apreciar diversos pontos alegados pela recorrente em sua impugnação; a fiscalização não logrou êxito em demonstrar que os atos praticados não foram realizados ou não eram válidos. Também não demonstrou a existência de negócio jurídico oculto, sem o qual não há falar em dissimulação; As empresas têm objetivos sociais regulares. No âmbito calçadista, a operacionalização da descentralização ou a terceirização de algumas etapas/fases se dá pela industrialização por encomenda, onde, no caso concreto, a QSONHO é a empresa encomendante e as empresas FFE e LAW são as industrializadoras. Assim, denotase a existência de efetivas razões empresariais na relação jurídica estabelecida com as empresas FFE (um dos ateliês que executavam a preparação/costura dos cabedais) e LAW (um dos ateliês que executavam a preparação dos solados = préfabricado), sendo absolutamente descabida, a alegação fiscal de simulação; as empresas estavam instaladas em prédios industriais distintos e separadas fisicamente, eis que o acesso dos empregados ao local de trabalho não era o mesmo, cada empresa com seu respectivo "portão de entrada" e não havia confusão entre os empregados das empresas, eis que cada qual possuía uniforme com identificação de seu efetivo empregador. Mas, é claro; nada disso foi examinado pela fiscalização, abstendose de aprofundar a investigação, mencionando no relatório fiscal apenas o que lhe convém. A informação de que as empresas FFE e LAW ocupavam o mesmo prédio está incompleta e não corresponde à realidade, de modo que sequer como indício poderá ser considerada; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.560 5 A constatação de que sócios das empresas são exempregados ou até mesmo parentes, não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre elas existentes, senão concorrerem outros requisitos necessários, o que não se vê nos autos. Não há ilegalidade; a contratação de exempregados da recorrente não representa qualquer ilegalidade ou simulação com intuito fraudulento. Até porque, se a intenção fosse essa, os trabalhadores teriam sido apenas transferidos, evitandose o custo com as rescisões contratuais; as empresas FFE e LAW jamais tiveram suas GFIP enviadas pela recorrente, como quer fazer crer a fiscalização. Pelo contrário, os arquivos foram gerados e transmitidos em computador pertencente ao profissional/escritório contábil responsável pela elaboração/processamento da folha de pagamento das referidas empresas; inexiste sentença trabalhista condenatória em que tenha sido reconhecida a existência de fraude trabalhista e ou empresa interposta. A ação trabalhista ajuizada por José Rudinei Machado contra as empresas LAW e QSONHO foi objeto de conciliação entre o reclamante e a LÁW, tendo sido esta a responsável pelo pagamento do valor total do acordo, conforme documentação anexa O advogado de responsabilidade do sindicato patronal e de seus associados. Quanto à reclamação trabalhista movida por Neila Regina dos W Santos Cardoso, contra as empresas FFE e QSONHO, o ajuizamento ocorreu após a incorporação da FFE; As alegações lançadas no relatório fiscal não passam de meras conjecturas e conclusões desprovidas do indispensável suporte probatório, além de interpretações equivocadas da legislação trabalhista; quanto à relação custo dos produtos vendidos x custo da mão de obra, em razão da terceirização, visando unicamente uma melhor eficiência de suas operações e, por consequência, melhor competitividade, o custo com pessoal representa um menor peso em relação ao faturamento. As demais empresas arroladas no relatório vendem os serviços de industrialização, cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados, o que representa um maior peso em relação ao custo total de sua atividade; quanto às despesas com material de expediente, manutenção do imobilizado e medicina do trabalho, deveria ter sido perquirido pela fiscalização se tais despesas eram suportadas pelas empresas LAW e FFE ou financiadas pela recorrente, o que poderia evidenciar uma relação de dependência econômica e financeira, o que não é o caso dos autos. Pelo contrário, tratase de uma despesa típica de uma empresa normal e independente, que assume integralmente o risco econômico do empreendimento. Vejase que não só as despesas com honorários médicos eram suportadas pelas empresas LAW e FFE, mas tantas outras inerentes à saúde dos trabalhadores, conforme comprovantes de pagamento e Razão da correspondente conta contábil, documentação em anexo. Todas as transações bancárias eram realizadas pelos próprios sócios das empresas; o comodato de máquinas, equipamentos e outros bens móveis destinados à industrialização está devidamente previsto em contrato (doc. anexo VIII da impugnação) e é legal; quanto à exclusividade das atividades, existem estabelecimentos industriais com número extremamente reduzido de clientes a quem prestam serviços, muitas vezes, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.561 6 deforma exclusiva, sem que isso represente simulação de negócios. Há contratos firmados e a fiscalização não desqualificou nenhum deles; as conclusões apresentadas pela fiscalização no seu relatório, equivocadamente analisadas pela DRJ não são suficientes para desconsiderar a relação empresarial existente entre as empresas, sem que sejam apresentadas provas cabais de que na verdade ocorreu simulação, pois, a mesma deve estar, necessariamente, tipificada; tanto a FFE quanto a LAW eram empresas de pequeno porte e o uso de telefone convencional não se mostrava necessário. Quando necessário, os sócios utilizavam seus próprios telefones celulares, o que evidentemente não causa nenhum espanto, pois se trata de uma forma legítima de redução de custos; não foi produzida prova da intermediação de mão de obra ilícita a ensejar aplicação dos preceitos contidos nos artigos 9o e 444 da CLT, por menos do entendimento consubstanciado no item I da Súmula 331 do TST. Não há sequer indícios de os empregados das empresas contratadas (FFE e LAW) terem laborado nas dependências da recorrente e sob seu comando. Pelo contrário, há de se presumir que os serviços foram prestados na sede da empresa contratada, sob recrutamento e subordinação desta; outros aspectos relevantes, não levantados pela auditoria e simplesmente ignorados pela DRJ: razões empresariais para descentralizar a produção; a abstenção da fiscalização em analisar a estrutura negocial como um todo, e não de forma individualizada, no caso, apenas a relação jurídica mantida com as empresas FFE e LAW, pois realiza os mesmos negócios, considerados como simulação, com dezenas de outras empresas; a incorporação das empresas noticiada no relatório fiscal se deu com fins exclusivamente empresariais, sendo autêntica hipótese de reorganização societária, visando otimizar os resultados dos negócios e as operações desenvolvidas pelas empresas, representando ganho de sinergia e não implicando de forma alguma na presunção de que a FFE e a LAW não eram empresas independentes antes da incorporação, sendo que inclusive a fiscalização não ousou dizer isso; A farta documentação probatória anexada aos autos, demonstra de forma inequívoca, que as empresas, indevidamente consideradas interpostas pela fiscalização, assumiam, integralmente, o risco econômico do empreendimento, eis que todos os custos e despesas foram por estas suportadas; os custos com as indenizações trabalhistas foram devidamente pagos é lançados na contabilidade das empresas que efetivamente foram empregadoras dos reclamantes (docs. anexo VI daimpugnação); os custos com fabricação, tais como com aluguel, energia elétrica e água (docs. anexo II e XII, respectivamente, da impugnação) foram efetivamente pagos pelas empresas FFE e LAW e devidamente apropriados em suas respectivas contabilidades, reforçando a tese de que existiram de fato; as empresas FFE e LAW efetivamente funcionavam como empresas independentes, com registros de despesas típicas de uma empresa normal; tais como despesas com informática (docs. anexo IX da impugnação), medicina do trabalho (docs. anexo X da impugnação), honorários de contador (docs. anexo XIII da impugnação), treinamento de empregados (docs. anexo XIV da impugnação), transporte e EPIs (docs. anexo XV da impugnação), seguro de vida para empregados (docs. anexo XVI da impugnação) e mensalidades sindicais destinadas a seu sindicato de classe, Fl. 453DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.562 7 inclusive taxa de manutenção da central de reciclagem do lixo/resíduos gerados na sua atividade (docs. anexo XVII da impugnação); não ha simulação porque todas as cláusulas do negócio jurídico, realizado são verdadeiras (motivos empresariais na essência). A contratação das empresas FFE e LAW foi verdadeira, assim como tantas outras (vide amostragem juntada aos autos); não há simulação na remessa das matérias primas nem na industrialização realizada pelas empresas; não há mentira na cobrança dos serviços prestados, muito menos nos valores faturados; todos os tributos incidentes sobre a operação escolhida foram recolhidos pelas partes; enfim, não há mentira na adoção da estrutura jurídica escolhida; não existiu dolo específico para aplicação da multa de ofício. A multa determinada pelo art. 44, § 1o da Lei 9.430/96 somente se justifica nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, devendo ser interpretada restritivamente. Observese que o recorrente atendeu a todas as solicitações do Fisco; observou a legislação societária, com o arquivamento dos atos nos órgãos competentes; registrou todos os atos em sua escrituração contábil/fiscal; e cumpriu todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega das declarações e dos arquivos magnéticos exigidos pela RFB. Tais fatos não evidenciam a máfé inerente à prática de atos fraudulentos. Pelo contrário, evidenciam que a recorrente agiu certa de que estaria praticando o chamado negócio jurídico indireto, de forma absolutamente pública; a dedução/compensação dos valores recolhidos no SIMPLES. por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. Por intermédio da Resolução 2803000144 – 3a Turma Especial do CARF, de 20/11/2012, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora aprecie os argumentos e documentos apresentados pelo recorrente, fls. 441/447. Atendendo a resolução do CARF foi emitido relatório da diligência fiscal, anexo ao processo nº 11065.725225/201103, Q SONHO, período 01/2008 a 12/2009, ás folhas 1527 a 1538. O recorrente apresentou contestação ao relatório da diligência fiscal, anexada ao processo nº 11065.725225/201103, Q SONHO, alegando em síntese: a ilegalidade da reabertura da ação fiscal. Assim, o lançamento é nulo. Sucessivamente, requer que sejam desentranhados dos autos o relatório de diligência fiscal e os documentos que o acompanham, julgando o lançamento fiscal somente com base nos documentos até a decisão que determinou a diligência; o recorrente não era empregador, não selecionou, contratou nem remunerou segurados vinculados às empresas LAW e FFE, assim, não pode ser considerado sujeito passivo direto da obrigação tributária; o MPF é instrumento de controle da atividade de fiscalização, portanto criado para assegurar transparência ao trabalho fiscal. É garantia do contribuinte reitera os termos da defesa, insurgindo contra a alegação de ingerência administrativa/financeira; Fl. 454DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.563 8 é absurda a presunção de que as empresas LAW e FFE usufruíam da estrutura de vigilância e segurança da recorrente; a evolução remuneratória da Sra. Daiane Spohr não se presta a comprovar a ingerência administrativa da recorrente nas empresas LAW e FFE. A fiscalização não logrou êxito na comprovação; não se pode admitir que declarações (GFIP) preenchidas com erro cadastral por terceiro (contador contratado e remunerado pelas empresas LAW e FFE) sejam consideradas indícios de simulação; os adiantamentos foram realizados na proporção da produção. No final do mês com a emissão da nota fiscal ocorria a quitação mediante baixa na conta de adiantamentos de clientes e o saldo remanescente depositado na conta corrente; não se pode admitir que interpretações pessoais possam ser motivos para desconsiderar operações formalmente realizadas pelo contribuinte; por fim, requer a improcedência do lançamento fiscal e o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.564 9 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. O contribuinte apresentou recurso voluntário do processo 11065.725226/201140 (período 01/2009 a 12/2009) apensado ao Processo 11065.725225/201103 (período 01/2008 a 12/2008). Os processos são da mesma empresa Q SONHO e tratam do mesmo assunto (simulação), apenas lançados separadamente por ano (2008 e 2009). Assim devem ser analisados em conjunto. MPF. NÃO HÁ NULIDADE Do exame da legislação que instituiu e disciplina o mandado de procedimento fiscal, constatase sua finalidade essencial: segurança ao contribuinte quanto à regularidade e imparcialidade do procedimento de fiscalização, afastandose pseudoações fiscais. A professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in: DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella; MELLO, Celso Antônio Bandeira de: Princípios Constitucionais da Administração Pública: aspectos relativos à competência do AuditorFiscal da Receita Federal e sua função de servidor de Estado. Brasília: Unafisco Sindical, 2002.) emitiu parecer acerca da competência e validade do ato de lançamento tributário e assim se manifestou: Em consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito pelo lançamento, assim entendido o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Por sua vez, a Medida Provisória nº 2.17529, de 24/08/2001, define, no art. 6º, as atribuições privativas do AuditorFiscal da Receita Federal, incluindo entre elas a de “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário”. A portaria SRF nº 3.007, de 26/11/2001, indica as autoridades competentes para emitir o MPF (art. 6º) e os dados que devem conter os MPFs, inclusive os dados identificadores do sujeito passivo, a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência), o prazo para a realização do procedimento fiscal (art. 7º); fixa os prazos máximos de validade dos MPFs, com possibilidade de prorrogação (art. 12 e 13); a previsão de indicação de outro auditorfiscal quando o indicado no MPF não concluir o procedimento fiscal nos prazos indicados nos artigos 12 e 13 (art. 16). Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.565 10 A primeira observação a fazer é no sentido de que a competência para a realização dos procedimentos fiscais é privativa dos AuditoresFiscais nos termos do artigo 8º da Medida Provisória nº 2.17529, já analisada, e da legislação tributária também já mencionada. Como também é de sua competência privativa a constituição, mediante lançamento, do crédito tributário. Sendo sua a competência, por força de lei, não há fundamento legal para a sua limitação por meio de portaria da Secretaria da Receita Federal. Certamente não há impedimento a que as autoridades indicadas na portaria emitam o MPF quando tiverem conhecimento de fatos que devam ser objeto de fiscalização ou de diligência. Mas essa possibilidade não pode limitar ou impedir a iniciativa de cada AuditorFiscal para o exercício das atribuições que são inerentes ao seu cargo e cuja omissão pode caracterizar ilícito administrativo, civil e até criminal. (...). A medida disciplinada pela Portaria SRF nº 3.007/2001 pode ser um elemento a mais no sentido de aperfeiçoamento da fiscalização; mas não pode reduzir, impedir ou limitar a iniciativa própria do AuditorFiscal, sob pena de infringência às normas legais que definem as suas atribuições. Notese que, entre as autoridades mencionadas no artigo 6º da referida portaria para emitir o MPF, a maior parte delas desempenha função de direção (CoordenadorGeral de Fiscalização, CoordenadorGeral de Administração Aduaneira, Superintendente da Receita Federal), o que permite inferir que não exercem função de fiscalização e dependerão, em muitos casos, da informação de seus subordinados para tomar a iniciativa de emissão do MPF. Assevera a importância do MPF com instrumento para a moralidade administrativa à medida que impõe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB o exercício da atividade de fiscalização sem desvio de conduta. Em uma de suas primeiras conclusões na análise da matéria pondera acerca de ser contrário ao “bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigirem que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei”. Reportase ao artigo 3º da Lei 8.112/90 – Estatuto dos Servidores Públicos, para buscar o conceito de cargo público como sendo um conjunto de atribuições e responsabilidades. E que, uma vez criado o cargo por lei é ela quem define tal conjunto. Escorandose em outros administrativistas de escol como Hely Lopes Meirelles e Celso Antônio Bandeira de Melo, a professora Maria Sylvia reafirma, com as palavras de Hely Lopes Meirelles, que a competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável pela vontade dos interessados. No final conclui que o AuditorFiscal tem o dever irrenunciável de exercer todas as atribuições próprias de seu cargo, por força de lei, não podendo depender de decisão de autoridades superiores nem sofrer qualquer tipo de limitação. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.566 11 Relativamente às conseqüências a que estão sujeitos os auditoresfiscais pela inobservância dos preceitos legais atinentes ao cargo, a professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, afirma que: A omissão no desempenho de suas atribuições caracteriza improbidade administrativa, conforme artigo 11, inciso II, da Lei nº 8429, de 2.6.92. Além disso, estará cumprindo ordem manifestamente ilegal se for impedido ou limitado no exercício de suas atribuições com base em MPF emitido em desacordo com a lei. Os atos infralegais que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal MPF não deixam dúvida quanto à sua natureza de controle interno da atividade fiscal. À luz destas considerações, está claro que a interpretação que enxerga o MPF como instrumento de limitação da competência do agente fiscal está na contramão dos artigos 142 e 196 do CTN, da Lei 10.593/2002 e da melhor doutrina administrativista pátria. A finalidade do MPF visa conferir ciência ao contribuinte do procedimento fiscal. Ademais, consta dos autos que na ocasião da instauração dos procedimentos fiscais, a recorrente já havia incorporado as empresas LAW e FFE, de forma que a ciência dos Termos de Início das Diligências Fiscais foi obtida junto à recorrente e no mesmo momento da ciência do TIPF da fiscalização que também contém o número do MPF. Os citados termos foram recepcionados pela mesma pessoa na mesma data e no mesmo horário. O contribuinte foi cientificado previamente da ação fiscal, assim, não há que se falar em irregularidade do ato de fiscalização que precede a constituição do crédito fiscal. No mesmo sentido, não há ilegalidade de ação fiscal acompanhada de MPF e Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF constantes dos autos e com ciência do contribuinte para cumprir diligência fiscal solicitada pelo órgão julgador. Não há que se falar em reabertura da ação fiscal, nem em nulidade do lançamento, tampouco, em desentranhamento dos autos do relatório de diligência fiscal e os documentos que o acompanham, em razão da verdade material. Não houve cerceamento do direito de defesa. Todos os atos da fiscalização foram cientificados ao contribuinte que teve o direito de contestação. Todos os argumentos e documentos foram analisados pela fiscalização e pela autoridade julgadora de primeira e segunda instância administrativa fiscal, inclusive as razões do recurso voluntário que foi objeto de diligência fiscal com ciência do contribuinte e direito ao contraditório e ampla defesa. DA JUSTIFICATIVA DA INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E SIMULAÇÃO Está evidenciado nos autos que as empresas prestadoras LAW e FFE são optantes pelo sistema SIMPLES. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência do ato declaratório de exclusão do SIMPLES das empresas LAW e FFE. A desconsideração da personalidade jurídica das empresas se deu em razão da caracterização de interpostas pessoas e simulação apontada fiscalização. Consta do relatório de diligência fiscal, anexo ao Processo 11065.725225/201103 às fls. 1527/1538, resultante da resolução do CARF, que a fiscalização partiu do pressuposto de que as empresas LAW e FFE, embora regulares sob o aspecto formal, Fl. 458DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.567 12 foram constituídas por interpostas pessoas. Assim, a responsabilidade pela mão de obra sempre foi da QSONHO. O registro dos trabalhadores nas prestadoras de serviço foi fruto da simulação implementada. A obrigação tributária tinha a QSONHO como a própria contribuinte, embora a simulação desse outro contorno. A fiscalização justifica a interposição de pessoas e a simulação argumentando no relatório fiscal e na diligência fiscal: a) mesmo domicílio fiscal: embora os prédios fossem distintos se situam no mesmo terreno, o que se enquadra e é entendido como um mesmo estabelecimento, nos termos do art. 609, III do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI – Decreto 7.212/2007. São prédios adjacentes às instalações da recorrente, conforme foto do satélite apresentada na impugnação, fl. 427. A própria recorrente, à fl. 1.244, na descrição das instalações da LAW e da FFE evidencia a inexistência de obstáculos físicos separando as empresas; b) as empresas interpostas FFE e LAW não tinham autonomia e usavam serviços de segurança da QSONHO: por exemplo, não contabilizavam despesa com vigilância, nem possuíam vigias ou porteiros em seu quadro de funcionários. As instalações das interpostas eram protegidas pelo sistema de vigilância da recorrente, fl. 1529, conforme informações extraídas do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS (Processo 11065.725225/201103, fls. 1.301 a 1.306). As prestadoras FFE e LAW usufruíam da estrutura de vigilância e segurança da recorrente o que refuta a tese de independência de suas instalações; c) composição societária: o fato de os quadros societários das empresas LAW e FFE serem compostos por filhos dos donos da recorrente, os quais também eram ex funcionários da QSONHO; d) o fato de empregados da recorrente administrarem simultaneamente uma das prestadoras evidencia a ingerência. No recurso voluntário a recorrente alega que a senhora Daiane Spohr trabalhava pela manhã na Q SONHO, desempenhando funções administrativas, enquanto no restante do dia administrava sua empresa. Entretanto, durante o período de atuação concomitante, a sua remuneração total (de empregada da recorrente e sócia da empresa prestadora) manteve o mesmo nível de quando era somente empregada da Q SONHO, conforme tela do CNIS constante dos autos; e) envio de GFIP da FFE e LAW tendo como telefone de contato a Q SONHO: enquanto prestadora de serviço das empresas FFE e LAW, seria aceitável que fosse informado o telefone da YELLOW EXPRESS ASSESSORIA E DESPACHOS LTDA (prestador de serviço Carlos Felipe Ramisch) no SEFIP, e não o telefone da QSONHO, a qual seria completamente independente daquelas, conforme argumenta a própria recorrente. Isso denota uma estreita ligação entre QSONHO, LAW e FFE; f) nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – SIMPLES da FFE o telefone de contato da empresa e do representante é o da QSONHO: na declaração da FFE (Processo 11065.725225/201103, fls. 1.330 a 1.339), foi informado o telefone da QSONHO, tanto no contato da empresa, quanto no contato do representante Fábio Augusto Spohr. Na informação da LAW, anocalendário 2008, foi informado na declaração do SIMPLES o telefone fixo da YELLOW EXPRESS (Processo 11065.725225/201103, fls. 1.320 a 1.329); Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.568 13 g) relação custo dos produtos vendidos versus custo da mão de obra: a partir da análise dos empregados da FFE e da LAW, constatase que a especialização dessas empresas, principalmente da FFE, estava fora dos padrões aceitáveis. Na relação de empregados que tiveram vínculo com a FFE entre 04/2006 e 12/2009, por meio do Código Brasileiro de Ocupações – CBO, constatouse que todos os empregados eram “sapateiros”, operários da indústria calçadista, trabalhadores da área fim. Não havia um funcionário administrativo sequer. Nenhum porteiro, copeira, faxineira, vigilante, secretária, assistente administrativo. h) máquinas, mesas, cadeiras, relógio de ponto utilizados na produção: na análise das notas fiscais de remessa de maquinário em comodato às empresas FFE, LAW e Q SONHO (fls. 1.343 a 1.346), observouse que na nota fiscal nº 78.718, além do maquinário, foram cedidas 12 mesas e 12 cadeiras à empresa FFE. Na nota fiscal nº 79.256, que apresenta o maquinário cedido à LAW, a recorrente cedeu até o relógio ponto. Diante do exposto, não se pode comprovar a autonomia das empresas; i) a relação de dependência econômica e financeira das empresas LAW e FFE em relação a QSONHO: conforme demonstrado no Relatório Fiscal, as empresas LAW e FFE operavam de forma cativa para a recorrente, tendo a totalidade de suas receitas brutas com origem na QSONHO. O aporte de recursos e o fluxo financeiro eram efetuados em sincronismo com a necessidade de caixa daquelas empresas, demonstrando a dependência financeira e econômica. Pelos Livros de Registro de Saídas da LAW e da FFE (Processo 11065.725225/201103, fls. 1.347 a 1.450), verificouse que as mercadorias eram remetidas para a recorrente sempre ao final do mês. O pagamento pelos serviços se dava de forma parcelada, conforme conta do grupo Clientes – Devedores por Duplicatas, CALÇADOS Q SONHO LTDA, código 011311000001. No início do mês era efetuado um aporte mais significativo. O restante, ao longo do mês, variando entre uma e três parcelas, de acordo com a necessidade de recursos das fornecedoras; j) a ingerência financeira exercida pela QSONHO sobre as prestadores LAW e FFE: na situação da LAW, cujo Razão da conta 011120000001 – Banco do Brasil S/A – CSL é apresentado nos autos, a recorrente realizava aportes a título de adiantamento para registrar sempre saldo credor quando estivesse devedor, como exemplo dia de pagamento de funcionários. Isso se repetiu vários meses. Na FFE a situação era idêntica. Ela também não dispunha de capital de giro, o controle financeiro era implementado pela QSONHO, sempre por meio de adiantamentos para suprir pagamentos a funcionários, dentre outros; l) é dever da autoridade administrativa de rever de ofício os lançamentos executados pelo sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, sempre que esses tenham agido com dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 149, VII e art. 142 do CTN. A autoridade fiscal deve requalificar os atos ou negócios jurídicos, em busca da verdade material, executados pelos contribuintes sempre que esses agirem com dolo, fraude ou simulação; m) por fim, a fiscalização sustenta que a recorrente (QSONHO) simulou situação a fim de se beneficiar indevidamente de tratamento tributário diferenciado, constituindo empresas por meio de interpostas pessoas (LAW e FFE), mantendo, assim, três empresas do ponto de vista formal, quando de fato o que existia era apenas uma. Essa simulação teve o propósito principal de evadir as contribuições previdenciárias patronais e destinadas às outras Entidades e Fundos, por meio da utilização de mão de obra alocada nas Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.569 14 empresas LAW e FFE, que por serem optantes pelo Simples Nacional tinham folhas de pagamento menos oneradas por esses encargos tributários. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE Diante do relato constante no relatório fiscal e da diligência fiscal, dos argumentos e fundamentos da fiscalização e da decisão recorrida, ficou evidenciado que a Q SONHO exercia ingerência financeira sobre as empresas LAW e FFE, sendo dependentes econômica e financeiramente. Apesar do registro das despesas nas suas contabilidades, a origem dos recursos e o mecanismo de adiantamentos em perfeito sincronismo com as necessidades de caixa das fornecedoras caracteriza a simulação e a constituição de empresas interpostas (LAW e FFE) da Calçados QSonho Ltda. Assim, em razão do princípio da primazia da realidade, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. A recorrente apenas afirma de maneira genérica que não houve simulação entre as empresas e que suas ações são independentes econômica, administrativa e financeiramente; que as informações da fiscalização são incompleta e não corresponde à realidade; que a constatação de que sócios das empresas são exempregados ou até mesmo parentes não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre as empresas; que as informações nas GFIP das empresas ligandoas entre si foi um erro de terceiros (contador); que não existe prova de vinculação trabalhista de empregados entre as empresas; que não existe relação entre as empresas entre o custo dos produtos vendidos versus custo da mão de obra, que pudesse caracterizar a simulação; que as despesas com materiais administrativos e outras inerentes à saúde dos trabalhadores eram de responsabilidade de cada empresa; que a forma dos serviços exclusivos contratados não representa simulação; que a fiscalização não analisou a estrutura negocial das empresas; que as empresas assumiam o risco econômico do empreendimento e os custos e despesas. Entretanto, a recorrente não demonstrou nem provou especificamente que os argumentos apontados pela fiscalização para caracterizar a simulação entre as empresas são improcedentes. As argumentações sem comprovação não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Como o advento MP 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, a multa a ser aplicada para os lançamentos de ofício relativos às contribuições sociais e contribuições para outras entidades, período 01/2009 a 12/2009, é a prevista no art. art. 35A da Lei 8.212/1991. Entretanto, como demonstrado nos autos, foi aplicada a multa qualificada de 150% em razão da constatação de simulação pelo contribuinte caracterizada pela fiscalização, nos termos do parágrafo 1 do artigo 44 da Lei 9.430/96, e alterações, hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.570 15 A fundamentação legal da multa aplicada consta do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD anexo aos autos. Correta a aplicação da multa pela fiscalização. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS AO SIMPLES Com base no art. 21, § 5º, da Lei Complementar nº 123/2006, o Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN regulou a compensação e a restituição dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido. A Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94/2011, art. 118, § 3º, dispõe que a compensação pode ser de ofício e com débitos junto à Fazenda Pública do próprio ente, inclusive em caso de exclusão da empresa do Simples Nacional (art. 119, § 5o): Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art.21. Os tributos devidos, apurados na forma dos arts. 18 a 20 desta Lei Complementar, deverão ser pagos: § 5º O CGSN regulará a compensação e a restituição dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido. (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) § 6º O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) .................... Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011 (*) Art. 118.A ME ou EPP optante pelo Simples Nacional somente poderá solicitar a restituição de tributos abrangidos pelo Simples Nacional diretamente ao respectivo ente federado, observada sua competência tributária. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 5º) § 3ºOs créditos a serem restituídos no Simples Nacional poderão ser objeto de compensação de ofício com débitos junto à Fazenda Pública do próprio ente. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 10) Da Compensação Art. 119.A compensação dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido, será efetuada por aplicativo a ser disponibilizado no Portal do Fl. 462DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.571 16 Simples Nacional, observandose as disposições desta seção. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, §§ 5ºa 14) § 1ºQuando disponível o aplicativo de que trata o caput: I será permitida a compensação tão somente de créditos para extinção de débitos junto ao mesmo ente federado e relativos ao mesmo tributo; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 11) II os créditos a serem compensados na forma do inciso I serão aqueles oriundos de período para o qual já tenha sido apropriada a respectiva DASN apresentada pelo contribuinte, até o anocalendário 2011, ou a apuração validada por meio do PGDASD, a partir do anocalendário 2012; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 5º) III o valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento), relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 6º) IV observarseão os prazos de decadência e prescrição previstos no CTN. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 12) § 2ºOs valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios previstos para o imposto de renda, inclusive, quando for o caso, em relação ao ICMS e ao ISS. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 7º) § 3ºNa hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 8º) § 4ºSerá vedado o aproveitamento de créditos não apurados no Simples Nacional, inclusive de natureza não tributária, para extinção de débitos do Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 9º) § 5ºOs créditos apurados no Simples Nacional não poderão ser utilizados para extinção de outros débitos junto às Fazendas Públicas, salvo quando da compensação de ofício oriunda de deferimento em processo de restituição ou após a exclusão da empresa do Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 10) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.725226/201140 Acórdão n.º 2803002.911 S2TE03 Fl. 1.572 17 § 6ºÉ vedada a cessão de créditos para extinção de débitos no Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 13) § 7º Nas hipóteses previstas no § 5º, o ente federado deverá registrar os dados referentes à compensação processada no aplicativo específico do Simples Nacional, para bloqueio de novas compensações ou restituições do mesmo valor. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, § 5º) (Incluído pela Resolução CGSN nº 100, de 27 de junho de 2012) Desse modo, é possível a compensação dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado – SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais para a compensação. Ademais, deve ser aplicada a súmula CARF nº 76 do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL, o Discriminativo do Débito – DD, os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal; e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para deferir o pedido de dedução dos valores recolhidos para o regime tributário simplificado – SIMPLES com os valores apurados no lançamento fiscal em epígrafe, desde que o contribuinte tenha cumprido todos os requisitos legais. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10830.720237/2012-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/01/2012
ESTAGIÁRIOS IRREGULARMENTE CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE REQUISITOS PARA CONFIGURAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
A contratação irregular de estagiários sem a devida obediência aos requisitos formais e materiais elencados na Lei nº. 6.494/77, vigente à época do fato gerador, enseja a caracterização deles na condição de segurados empregados, conforme art. 9o, I, h do RPS, cujas remunerações devem incidir contribuições previdenciárias por força do que preceitua o art. 28, § 9o, da Lei n. 8.212/91.
SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INSCRIÇÃO. VALOR DA MULTA DISPOSTO NO ART. 283, § 2º, DO RPS.
Toda empresa está obrigada a inscrever todos os seus segurados empregados na Previdência Social, sob pena de ser autuada.
O valor a ser pago a título de multa corresponde àquele previsto no art. 283, § 2º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a retificação do valor da multa estabelecido no art. 283, § 2º, do RPS, a saber, R$ 1.254,89 (mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), aplicado por cada segurado não inscrito, acrescido das agravantes já indicadas. Fez sustentação oral o Dr. Michel Zumerkorn Hassen - OAB/311031/SP Ausente justificadamente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 17/01/2012 ESTAGIÁRIOS IRREGULARMENTE CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE REQUISITOS PARA CONFIGURAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A contratação irregular de estagiários sem a devida obediência aos requisitos formais e materiais elencados na Lei nº. 6.494/77, vigente à época do fato gerador, enseja a caracterização deles na condição de segurados empregados, conforme art. 9o, I, h do RPS, cujas remunerações devem incidir contribuições previdenciárias por força do que preceitua o art. 28, § 9o, da Lei n. 8.212/91. SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INSCRIÇÃO. VALOR DA MULTA DISPOSTO NO ART. 283, § 2º, DO RPS. Toda empresa está obrigada a inscrever todos os seus segurados empregados na Previdência Social, sob pena de ser autuada. O valor a ser pago a título de multa corresponde àquele previsto no art. 283, § 2º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a retificação do valor da multa estabelecido no art. 283, § 2º, do RPS, a saber, R$ 1.254,89 (mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), aplicado por cada segurado não inscrito, acrescido das agravantes já indicadas. Fez sustentação oral o Dr. Michel Zumerkorn Hassen - OAB/311031/SP Ausente justificadamente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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AUSÊNCIA DE REQUISITOS PARA CONFIGURAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A contratação irregular de estagiários sem a devida obediência aos requisitos formais e materiais elencados na Lei nº. 6.494/77, vigente à época do fato gerador, enseja a caracterização deles na condição de segurados empregados, conforme art. 9o, I, “h” do RPS, cujas remunerações devem incidir contribuições previdenciárias por força do que preceitua o art. 28, § 9o, da Lei n. 8.212/91. SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INSCRIÇÃO. VALOR DA MULTA DISPOSTO NO ART. 283, § 2º, DO RPS. Toda empresa está obrigada a inscrever todos os seus segurados empregados na Previdência Social, sob pena de ser autuada. O valor a ser pago a título de multa corresponde àquele previsto no art. 283, § 2º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 37 /2 01 2- 33 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a retificação do valor da multa estabelecido no art. 283, § 2º, do RPS, a saber, R$ 1.254,89 (mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), aplicado por cada segurado não inscrito, acrescido das agravantes já indicadas. Fez sustentação oral o Dr. Michel Zumerkorn Hassen OAB/311031/SP Ausente justificadamente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.720237/201233 Acórdão n.º 2403002.044 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, e Recurso de Ofício, interposto em face do Acórdão prolatado nestes autos, que julgou parcialmente procedente a Impugnação, reduzindo o montante apurado em R$ 5.976.875,52 para R$ 1.992.291,84 (um milhão, novecentos e noventa e dois mil, duzentos e noventa e um reais e oitenta e quatro centavos), em razão de não restar caracterizada uma terceira reincidência específica, conforme alegada pela autoridade fiscal. Assim, o crédito tributário constituído em razão do descumprimento de obrigação acessória, o qual foi descrito no Auto de Infração (DEBCAD n. 51.013.1131) da seguinte forma. O período de apuração compreendeu as competências de 01/2007 a 12/2007, e se deu diante da ausência de inscrição de segurados empregados irregularmente contratados como estagiários não incluídos em folhas de pagamento. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 06/12, verbis: “18. Analisando os Termos apresentados, constatouse que eles não atendiam os requisitos formais e materiais da Lei nº. 6.494/, de 07/12/1977. (....) 29. A partir dos fatos relatados, depreendese, portanto, que os trabalhadores ocupantes do cargo ESTAGIÁRIOSEXTERNOS, foram contratados para atuar em várias localidades da federação, situação essa claramente consignada em seus termos de “estágio”, com o intuito de desempenhar a mesma função dos empregados propagandistas da empresa, cujo objeto social é a comercialização de produtos farmacêuticos e afins, conforme consta da 3ª alteração do contrato social. No entanto, seus proventos foram intencionalmente afastados do campo de incidência das contribuições previdenciárias, mascarados na condição de Bolsa Auxílio e Auxílio Bolsa. (...) 31. É de se ressaltar, que a contratação de estagiários de forma irregular, por parte da fiscalizada, já foi objeto de fiscalização pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que resultou no Auto de Infração nº. 013717677 lavrado pela Delegacia Regional do Trabalho em Pernambuco, em outubro de 2006, como também pela Receita Federal do Brasil, resultando nos autos de infração, processos nº. 10830.012858/201088, nº. 10830.012857/201033 e nº. 10830.012859/201022, os quais envolvem o período de 2005 a 2006, demonstrando que essa prática irregular já vinha sendo adotada de maneira sistemática. 32. As situações acima expostas, comprovadas por esta fiscalização através de documentos e informações da folha de Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 pagamentos, demonstram que o sujeito passivo agindo, assim, ocultou, intencionalmente, do Fisco, o pagamento de verbas de natureza salarial, dando a esses proventos a denominação de Bolsa Auxílio e Auxílio Bolsa, de tal modo a esquivarse da tributação. 33. Portanto, considerando que a fiscalizada deixou de atender os requisitos formais e materiais da Lei nº. 6.494, de 07/12/1977, os valores percebidos a título de Bolsa Auxílio e Auxílio Bolsa foram tributados, sofrendo a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, que resultou no crédito tributário constituído através do Auto de Infração – Processo 10830.720235/201244. 34. Também, restou caracterizada a condição de segurados empregados para os trabalhadores que receberam proventos nessas rubricas, pois a simples apresentação dos Termos de Compromisso não poderia constituir prova suficiente da inexistência de vínculo empregatício, já que a forma como ocorreram as contratações, demonstrou que os referidos “estágios” não propiciavam a complementação do ensino e da aprendizagem e não eram planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares, de acordo com o disposto no parágrafo 3º, do artigo 1º da Lei nº. 6.494/77, e artigos 5 e 6º, do Decreto nº. 87.497/82”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 630/649 do processo principal, n. 10830.720235/201244. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Secretaria da Previdência Social – Secretaria da Receita Previdenciária – Unidade Atendimento em Suzano/SP, prolatou o Acórdão de fls. 215/221, mantendo em parte o crédito tributário constituído, para determinar apenas a sua redução em razão da não configuração de uma circunstância agravante, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Data do fato gerador: 17/01/2012. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, por descumprimento de obrigações acessórias, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o respectivo lançamento já podia ser efetuado. SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INSCRIÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. Deixar a empresa de inscrever segurado empregado na Previdência Social constitui infração à legislação previdenciária. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.720237/201233 Acórdão n.º 2403002.044 S2C4T3 Fl. 4 5 INFRAÇÃO. REINCIDÊNCIA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. A reincidência constitui circunstância agravante da infração, da qual dependerá a gradação da multa. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Para melhor esclarecer as razões de reforma da autuação inicial, é importante colacionar, também, trecho do voto condutor do acórdão, in verbis: (...) Com efeito, aplicouse a multa no valor de R$ 5.976.875,52 (cinco milhões, novecentos e setenta e seis mil e cinqüenta e dois centavos), uma vez que foram encontrados 176 (cento e setenta e seis) segurados empregados nessa situação. Entretanto, em consulta aos arquivos desta Secretaria, verificamos que ainda não houve decisão definitiva em face dos Autos de Infração n. 37.299.2897 e n. 37.299.2919, lavrados na mesma ação fiscal. E, que, por conseguinte, os mesmo não podem ser considerados para efeito da gradação da multa. Pelo que é de se levar em conta somente os Autos de Infração lavrados nos Procedimentos Fiscais – PF n. 0938062 e n. 09444045, em conformidade com o demonstrado abaixo: (...) É de se esclarecer que deve ser considerados apenas um reincidência, quando em um procedimento fiscal anterior tenham sido lavrados mais de um Auto de Infração, independentemente de as decisões administrativas definitivas terem ocorrido em datas diferentes, consoante o parágrafo 2º do art. 483 da Instrução Normativa RFB n. 971, de 13112009. Pelo que o valor mínimo da multa – R$ 1.617,12 – deve ser elevado em 4 vezes, em razão da ocorrência de duas reincidências genéricas. E, ainda, o valor mínimo, deve ser elevado em 3 vezes pelo ocorrência de crime, em aplicação ao art. 290, incisos II e V, c/c os incisos II e IV do art. 292 do RPS, como segue: (...) DO RECURSO Submetido à apreciação do CARF pela sistemática do Recurso de Ofício, foi também interposto, tempestivamente, Recurso Voluntário, de fls. 205/211, requerendo a reforma do Acórdão, com arrimo nos seguintes argumentos: 1. O valor inicial da multa considerado pela autoridade fiscal (R$ 1.617,12) não condiz com o valor definido pela legislação aplicável (R$ 1.254,89) – art. 283, § 2º, do Decreto n. 3.048/99; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 2. Inaplicabilidade das circunstâncias agravantes consideradas no processo em epígrafe, por ausência de expressa menção no dispositivo aplicável; 3. Não houve a devida comprovação de que os Autos de Infração indicados para a configuração da reincidência estão efetivamente encerrados com decisão desfavorável e irrecorrível a teor do art. 290, parágrafo único, do Decreto n. 3.048/99; 4. Ausência de infração à legislação previdenciária, uma vez que os segurados empregados os quais a autoridade fiscal se refere se tratam, na verdade, de estagiários devidamente contratados, razão pela qual não configurariam segurados empregados. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.720237/201233 Acórdão n.º 2403002.044 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 222, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS A autuação aqui analisada alcança apenas a penalidade em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, qual seja, deixar de proceder com a inscrição de segurados empregados na Previdência Social. Isso porque foi constatado, conforme se depreende do Relatório Fiscal (Fls. 06/18), a contratação irregular de estagiários sem a devida obediência aos requisitos formais e materiais elencados na Lei nº. 6.494/77, vigente à época do fato gerador, o que ensejou a caracterização deles na condição de segurados empregados, conforme art. 9o, I, “h” do RPS, cujas remunerações devem incidir contribuições previdenciárias por força do que preceitua o art. 28, § 9o, da Lei n. 8.212/91. Por tal razão, é de se observar a clara violação aos artigos 17 da Lei 8.213/91 e 18 do Decreto 3.048/99, que ensejam na multa disposta no art. 283, § 2o, deste último diploma, in verbis: Lei n. 8.213/91. Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Decreto n. 3.048/99. Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I o empregado e trabalhador avulso pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, observado o disposto no § 2º do art. 20, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mãodeobra, no caso de trabalhador avulso; (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008). Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Art. 283. (...) § 2o A falta de inscrição do segurado sujeita o responsável à multa de R$ 1.254,89 (mil, duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), por segurado não inscrito. (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008). Sendo assim, merece acolhida o argumento expendido pela Recorrente no tocante à aplicação de multa correspondente a R$ 1.254,89 por cada segurado. Sim, porque a atualização do valor disposta na Portaria Interministerial MPS/MF nº. 02, de 06.01.2012, especificamente em seu art. 8o, é aplicável apenas na hipótese do art. 283, caput, do Decreto n. 3.048/99, não alcançando o valor disposto em seu parágrafo 2o. Senão, vejamos: Art. 8º. A partir de 1º de janeiro de 2012: IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) a R$ 161.710,08 (cento e sessenta e um mil, setecentos e dez reais e oito centavos); Percebese, pela leitura do dispositivo, que os referidos valores não alcançam a infração aqui discutida, até mesmo porque o dispositivo aplicável não estabelece valores mínimos e máximos. No caso em tela, deverá ser aplicada a multa no importe de R$ 1.254, 89 (um mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nova centavos) por cada segurado e seus devidos acréscimos de acordo com as circunstâncias agravantes. Quanto a estas, não prospera a alegação de que não haveria incidência dos artigos 290 a 292 do Regulamento da Previdência Social RPS, em virtude da ausência de expressa menção no dispositivo violado. Isso porque as agravantes ali dispostas aplicamse a todas as infrações previstas no RPS, razão pela qual devem ser mantidos os fatores de elevação estabelecidos no Acórdão prolatado pela DRJ, em razão da caracterização de dolo/fraude/máfé e a configuração das reincidências. No tocante às agravantes em razão da reincidência decorrente dos autos de infração 37.078.5673; 37.078.5681; 37.078.5827 e 51.013.1123, o que elevou a multa em quatro vezes, concluise que o cálculo foi feito da forma correta. É certo que a DRJ diligenciou no sentido de apurar a definitividade das decisões, refazendo o cálculo. Os auditores tem fé de ofício no exercício de suas funções e apresentou o número dos autos de infração ensejadores do agravamento da multa. Portanto, caberia ao contribuinte apresentar prova da pendência de atos administrativos com relação àqueles autos de infração e, não tendo o feito, é de se ter como regular o cálculo. Cabe apenas refrisar o aduzido pela DRJ em seu voto ao esclarecer que “deve ser considerado apenas uma reincidência, quando em um procedimento fiscal anterior tenham sido lavrados mais de um Auto de Infração, independentemente de as decisões terem ocorrido em datas diferentes, consoante o § 2o do art. 483 da Instrução Normativa RFB nº. 971, de 13 112009”. Em relação ao argumento de que os segurados empregados não inscritos, cujo fato culminou na lavratura da autuação em epígrafe, comporiam, na verdade, o quadro de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.720237/201233 Acórdão n.º 2403002.044 S2C4T3 Fl. 6 9 estagiários da empresa, tal alegação não merece acolhida, eis que restou comprovado, no Relatório Fiscal, a ausência dos requisitos elencados na Lei n. 6.494/77. Portanto, não sobejam dúvidas quanto à caracterização dos supostos estagiários na condição de segurados, inclusive, entendimento este já amplamente discutido, fundamentado e, conseguintemente, consignado no processo principal n. 10830.720235/2012 44, de mesma relatoria. Ante o exposto, deve o Acórdão da DRJ/CPS ser mantido em razão do descumprimento da obrigação de inscrição de segurados empregados, assim considerados os estagiários irregularmente contratados pela empresa, conforme art. 9o, I, “h” do RPS, cujas remunerações devem incidir contribuições previdenciárias por força do que preceitua o art. 28, § 9o, da Lei n. 8.212/91. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme narrado no relatório do presente voto, o Acórdão de fls. 215/221, manteve em parte o crédito tributário constituído, para determinar apenas a redução da multa em razão da não configuração de uma circunstância agravante, conforme trecho da ementa que abaixo se transcreve, verbis: INFRAÇÃO. REINCIDÊNCIA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. A reincidência constitui circunstância agravante da infração, da qual dependerá a gradação da multa. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Para melhor esclarecer as razões de reforma da autuação inicial, é importante colacionar, também, trecho do voto condutor do acórdão, in verbis: (...) Com efeito, aplicouse a multa no valor de R$ 5.976.875,52 (cinco milhões, novecentos e setenta e seis mil e cinqüenta e dois centavos), uma vez que foram encontrados 176 (cento e setenta e seis) segurados empregados nessa situação. Entretanto, em consulta aos arquivos desta Secretaria, verificamos que ainda não houve decisão definitiva em face dos Autos de Infração n. 37.299.2897 e n. 37.299.2919, lavrados na mesma ação fiscal. E, que, por conseguinte, os mesmo não podem ser considerados para efeito da gradação da multa. Pelo que é de se levar em conta somente os Autos de Infração lavrados nos Procedimentos Fiscais – PF n. 0938062 e n. 09444045, em conformidade com o demonstrado abaixo: (...) É de se esclarecer que deve ser considerados apenas um reincidência, quando em um procedimento fiscal anterior tenham sido lavrados mais de um Auto de Infração, independentemente de as decisões administrativas definitivas Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 terem ocorrido em datas diferentes, consoante o parágrafo 2º do art. 483 da Instrução Normativa RFB n. 971, de 13112009. Pelo que o valor mínimo da multa – R$ 1.617,12 – deve ser elevado em 4 vezes, em razão da ocorrência de duas reincidências genéricas. E, ainda, o valor mínimo, deve ser elevado em 3 vezes pelo ocorrência de crime, em aplicação ao art. 290, incisos II e V, c/c os incisos II e IV do art. 292 do RPS, como segue: (...) Agiu corretamente a DRJ as agravantes acima citadas, haja vista a observância do disposto no art. 483 da IN RFB n. 971/2009, que vincula a administração tributária ao contribuinte, em razão do disposto no art. 100, I, do CTN. Abaixo segue o trecho do dispositivo da Instrução normativa 971/2009, utilizado corretamente pela DRJ: Art. 483. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I a ausência de agravantes implica utilização dos valores mínimos estabelecidos, conforme o caso; II as agravantes previstas nos incisos I e II do art. 482 elevam a multa em 3 (três) vezes; III as agravantes previstas nos incisos III e IV do art. 482 elevam a multa em 2 (duas) vezes; IV a agravante prevista no inciso V do art. 482 eleva a multa em 3 (três) vezes, a cada reincidência específica, e, em 2 (duas) vezes, a cada reincidência genérica; V cada reincidência das infrações referidas no art. 288 do RPS, cometidas por OGMO, seja ela genérica ou específica, eleva a multa em 2 (duas) vezes; VI caso haja concorrência entre as agravantes previstas nos incisos I a IV do art. 482, prevalecerá aquela que mais eleva a multa; VII caso haja concorrência entre a agravante prevista no inciso V e quaisquer das demais do art. 482, ambas serão consideradas na aplicação da multa. § 1º A caracterização da reincidência sempre se dará em relação a procedimentos fiscais distintos. § 2º Será considerada apenas uma reincidência, quando em um procedimento fiscal anterior tenham sido lavrados mais de um Auto de Infração, independentemente de as decisões administrativas definitivas terem ocorrido em datas diferentes. § 3º Caso haja concorrência de reincidência genérica com reincidência específica, prevalecerá a específica. No entanto, conforme narrado, equivocouse a DRJ apenas com relação ao valor mínimo da Multa, conforme já enfrentado acima, devendo ser estipulado no valor de R$ Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.720237/201233 Acórdão n.º 2403002.044 S2C4T3 Fl. 7 11 1.254, 89 (um mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nova centavos) por cada segurado e seus devidos acréscimos de acordo com as circunstâncias agravantes. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para dar parcial provimento, a fim de determinar a retificação do valor da multa estabelecido no art. 283, § 2º, do RPS, a saber, R$ 1.254,89 (mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), aplicado por cada segurado não inscrito, acrescido das agravantes já indicadas. Conheço do recurso de ofício para negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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