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Numero do processo: 10980.914238/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.292
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 38 /2 01 2- 23 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 1278.397, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977149/2016-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 49 /2 01 6- 40 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977149/201640 Acórdão n.º 1401002.628 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/03/2014, no valor de R$ 170.565,24, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de CSLL a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.977149/201640 Acórdão n.º 1401002.628 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.977149/201640 Acórdão n.º 1401002.628 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720151/2016-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
Erros pontuais identificados no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque de um dos estabelecimentos da contribuinte, que representa cerca de 15% do faturamento global, não autorizam o arbitramento do lucro, ainda mais quando a verificação do custo de produção e a determinação do lucro real poderiam ter sidos realizados por meios próprios previstos em lei.
IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS).
Numero da decisão: 1201-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 29/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Erros pontuais identificados no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque de um dos estabelecimentos da contribuinte, que representa cerca de 15% do faturamento global, não autorizam o arbitramento do lucro, ainda mais quando a verificação do custo de produção e a determinação do lucro real poderiam ter sidos realizados por meios próprios previstos em lei. IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 51 /2 01 6- 35 Fl. 7010DF CARF MF 2 EDITADO EM: 29/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), em relação aos anoscalendário de 2011 e 2012, apurados por arbitramento do lucro da contribuinte. O fundamento legal invocado pelo fisco foi o art. 530, II do RIR/99, em razão da caracterização de imprestabilidade dos livros fiscais apresentados para fins de verificação do custo de produção da contribuinte. Para melhor compreensão dos fatos apurados, a seguir transcrevo a conclusão constante do Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.071/3.176: Conclusão O contribuinte estava obrigado a apresentar o Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, (inc. III e § 2o do art. 444 do RIPI/2010). Entre todos os documentos e arquivos apresentados, os únicos Livros modelo 3, formalmente existentes são os encadernados, recepcionados em 29/09/2015, por terem sido registrados junto ao Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas da Sede Comarca de Moji Mirim, SP (art. 448 do RIPI/2010), os quais são IMPRESTÁVEIS. As pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária (Lei no 5.172, de 1966, art. 195, Lei no 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 72 art. 389 do RIPI/2010). Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados (Lei no 8.218, de 1991, art. 11, § 2o, Lei no 8.383, de 1991, art. 62, e Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 72, § 3o § 2o do art. 389 do RIPI/2010). Embora intimado e reintimado por diversas vezes, o contribuinte não apresentou os arquivos digitais dos aludidos livros. Fl. 7011DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 3 3 A imprestabilidade dos livros modelo 3, inviabilizou o prosseguimento da sistemática de tributação por auditoria de estoque e gerou o arbitramento do lucro, visto ser impossível determinar o custo de produção. III – D) Dos Livros Registros nos Livros de Entrada É requisito para o direito ao crédito das NF de aquisição, que os registros das aquisições sejam escrituradas no Livro de Entrada. Constatamos que o contribuinte registrou as Notas Fiscais de Aquisição em seu Livro de Entrada, porém grande parte delas com os seguintes erros: NCM incorreto, código da mercadoria incorreto, descrição da mercadoria incorreto, em lugar das mercadorias adquiridas, informa serviços de frete, pagamento de conta de telefone, válvulas, adesivos, etc. O quadro abaixo apresenta exemplos de erros observados, que representam valores e quantidades significativos. Nem as descrições das mercadorias nas NFe são confiáveis, tendo sido observados vários erros. [...] Os Livros foram considerados IMPRESTÁVEIS por conter vícios, erros e deficiências a que está obrigado (inc. II do art. 530 do RIR/1999 – Decreto nº 3.000, de 26/03/1999). IV DOS EVIDENTES E RECORRENTES ERROS DAS NOTAS FISCAIS Além de todos os erros dos Livros, constatamos que grande parte das Matérias Primas eram importadas e que as Notas Fiscais emitidas pelo próprio contribuinte para transporte da mercadoria e entrada na fábrica continham erros recorrentes, dentre os quais destaco: a omissão do código do produto com inclusão nesse campo do CFOP; e o nome da mercadoria divergente nos campos “Descrição da Mercadoria” e “Descrição Complementar”. Exemplificativamente apresento a NFe 204, emitida em 21/08/2012, que: traz como código do produto “CFOP3102”; Descrição da mercadoria “BARRA DE CHOC.RECH. MILK WAY”; Descrição Complementar “BARRA DE CHOC.RECH. SNICKERS(No Price)”, 1.320 CDA, R$ 137.387,51, e que o contribuinte, após intimação, informa tratarse do produto 10103280. Em todos os diversos Livros modelo 3 apresentados sequer consta a existência desse produto (10103280) no mês; no Livro de Entrada é registrado com CFOP 3102 (compra para comercialização) que, em tese, permite o crédito do IPI, mas na descrição da mercadoria consta “PAGTº CONTA TELEF.FAT 2458356 RJ” no valor dos R$ 137.387,51. Para onde terá ido a mercadoria importada, visto que para a fábrica não foi? V – DO CONTROLE DE PRODUÇÃO SUBSTITUTIVO Fl. 7012DF CARF MF 4 O contribuinte afirma no item 1, inciso V da sua resposta recepcionada em 17/11/2015 (DOC F 58), que operar na plataforma SAP e que o Livro modelo 3 é gerado no SAP, vide resposta. Em 14/03/2016 efetuamos reunião no estabelecimento industrial da filial de Guararema/SP, em que estiveram presentes os Senhores Pedro Borges, Leandro Furtado, Darcio Cordeiro, David Quintanilha, Senhora Joceli Vasconcelos e a Auditora Fiscal signatária. Naquela oportunidade os representantes da empresa abriram o sistema SAP em tela projetada e a autoridade fiscal solicitou, por amostragem, que fossem abertos os registros de produção referentes a alguns produtos e, simultaneamente, acompanhou os respectivos registros nos Livros modelo 3, apresentados pela empresa. Tal sistemática buscava realizar um relatório, no sistema SAP, que demonstrasse desde a NF de entrada todo o consumo do lote através da cadeia da estrutura do produto até a NF de saída do Produto acabado. Todos os registros solicitados por amostragem não estavam corretamente anotados no Livro modelo 3, impedindo a rastreabilidade, e com registros inexistentes no modelo 3 ou em quantidades divergentes dos apontamentos constantes no sistema SAP. Ademais, considerando como realidade fática o sistema SAP, inúmeros e variados registros não tinham sido apontados no Livro modelo 3. Segundo o gerente de pesquisa e desenvolvimento, engenheiro de alimentos, Sr. Darcio Cordeiro e o procurador e gerente fiscal da empresa, Sr. David Quintanilha, o correto seria o apontamento constante do sistema SAP. A título meramente exemplificativo, cito uma dos inúmeros registros solicitados na aludida reunião. Solicitamos acompanhar a entrada e destino dado ao material de embalagem, adquirido mediante a NF de nº 90110 (chave da NF 35120958331695000174550000000901101001039232), emitida e movimentada em 13/09/2012, pela empresa Ibratec Artes Graficas Ltda, CNPJ 58.331.695/000174, quantidade 89,6 mil. Constatamos que houve o registro da entrada da mercadoria no Livro modelo 3, no mesmo dia 13/09/2012, no produto 1199723, DISPLAY TWIX PB SINGLE BR04, das 89.600 CDA. Ou seja, tratase de um display, uma embalagem de apresentação, uma caixa. Solicitamos, por amostragem, que nos fosse mostrado um lote de saída referente à aquela entrada. O Sr. Darcio, consultando o sistema SAP, informou que o registro da saída de 9.792 CDA, doc nº 712802, em 07/11/2012, mesmo produto 1199723, corresponderia a um destino dado àquela entrada. Fl. 7013DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 4 5 Perguntado sobre o destino dado à saída, informou que fora aplicada no produto acabado M3538800, TWIX PEANUT BUTTER SINGLES 12X24X47,6G, unidade CDA, contudo o Livro modelo 3 não contém o registro da identificada e visualizada no sistema SAP. Naquela oportunidade, o Sr. David Quintanilha, garantiu que iria corrigir o Livro modelo 3, de forma a que ele espelhasse fielmente o sistema SAP. Consciente do problema, fizemos constar no item 6 do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 13/04/2016 (DOC F 67), que era facultado ao contribuinte apresentar, em substituição ao Livro modelo 3, o controle de produção substitutivo (sistema SAP), nos termos do inc. I do art. 466 do RIPI/2010. Contudo, embora o contribuinte tenha apresentado inúmeras versões dos Livros modelo 3, todas elas imprestáveis, em momento algum apresentou o sistema SAP que sempre esteve disponível e que pretensamente seria fiel à verdade material VI DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DE AUDITORIA DE ESTOQUE Devido ao imenso número de mercadoria e produtos, selecionamos, por amostragem, algumas mercadorias/produtos para elaboração das planilhas de auditoria de estoque constantes do Termo de Intimação 28. Buscavase, mediante a técnica de Auditoria de Estoque, apurar diferenças no inventário e/ou nos estoques a partir do exame dos documentos, Declarações de Importações, Notas Fiscais de entrada e saída e da escrituração do estabelecimento. Nesse caso, a fórmula a ser aplicada é: Estoque não Registrado = Estoque Final Registrado Estoque Final Calculado Onde: Estoque Final Calculado = Estoque Inicial + Compras + Outras entradas Vendas – Outras Saídas. Estoque Inicial: retirado do Livro Registro de Inventário Compras: NF de compras. Outras Entradas: NF de devolução de vendas, de retorno de industrialização, entre outras. Vendas: NF de vendas. Outras Saídas: NF de devolução de compras, de saídas para amostras, feiras, entre outras. Estoque Final Registrado: Estoque Final do Inventário do estabelecimento. Fl. 7014DF CARF MF 6 As diferenças inicialmente apuradas foram apresentadas ao estabelecimento fiscalizado, mediante intimação, para justificá las com a respectiva comprovação hábil e idônea. As diferenças poderiam ser de dois tipos: (1) Estoque Final Calculado maior que o Estoque Final Registrado = Diferença Positiva: omissão de vendas, saídas de mercadorias sem Nota Fiscal; e (2) Estoque Final Calculado menor que Estoque Final do Inventário = Diferença Negativa: omissão de compras, entradas de insumos sem documentos fiscais (NF) e sem registro no Livro Registro de Entradas mod. 1, e consequentemente, pagamento de insumos com recursos não registrados na contabilidade, isto é, provenientes de receitas omitidas. Em síntese a construção da auditoria de estoque baseiase no seguinte princípio: · Duas pedras, que são os estoques inicial e final conforme Livro Registro de Inventário. · Entradas e saídas por Notas Fiscais e registros de produção, conforme NFe e Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. A despeito da imensa boa vontade da fiscalização, os Livros demonstraram ser imprestáveis, inviabilizando a conclusão do procedimento pela linha de trabalho da auditoria de estoque, pois os registros e Livros apresentados não possuem a necessária fidedignidade. Por outro lado, e conforme adiantado, o caminho simples da tributação de todos os estoques negativos, valores omitidos, estoques de aparecem e somem do nada, estoques de mudam pela simples transposição de folhas, etc, seria no mínimo injusta, pois corresponderia a muitas centenas de vezes o faturamento da empresa, dado a evidente repetição de tributação. Um dos princípios norteadores da atividade fiscal é a busca da verdade material, cabendo ao fisco apurar a essência dos fatos ocorridos para só depois concluir pela tributação, ou não, na hipótese concreta, ocorre que toda a escrituração contábil/fiscal do contribuinte fundamentase sobre um verdadeiro lodo. Sendo realmente impossível asseverar onde estão os fatos. Evidentemente houve omissão de rendimentos devido a diferenças positivas e negativas de estoques, contudo, tornouse impossível calcular o montante do tributo devido (art. 142 do CTN) pela sistemática da auditoria de estoque. Fl. 7015DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 5 7 Não nos restou outra opção que não fosse arbitrar. Cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 3.257/3.376). Alega, como preliminar: (i) a decadência parcial do lançamento, posto que a ciência do lançamento se deu em 12/12/2016, fazendo com que todo o período anterior a 12/12/2011 tenha sido alcançado pela decadência. Sustenta que o agravamento da multa é descabido, razão pela qual devese aplicar a regra decadencial prevista no art. 150, § 4° do CTN, e não o art. 173 do referido Código; (ii) a desconsideração de valores pagos de PIS/COFINS por parte da Fiscalização. A autoridade autuante teria levado em conta apenas as diferenças relativas aos períodos de 2011 e 2012 em que houve pagamento a menor (02/11, 05/11, 12/11, 01/12, 07/12, 08/12, 10/12, 11/12 e 12/12). Nos demais meses, em que houve pagamento superior ao montante apurado em arbitramento, simplesmente inseriu o valor "zero" em sua coluna "diferenças", prejudicando a IMPUGNANTE. Os valores em aberto referentes a tais contribuições seriam de R$ 480.058,71, a título de PIS e de R$ 1.667.886,91, a título de COFINS, conforme tabelas que apresentou às fls. 32673269; e (iii) ausência de exclusão de ICMS ST, IPI e receitas isentas da base de cálculo do PIS e COFINS. No mérito, sustenta, em resumo, que: (iv) no transcurso da fiscalização sempre houve pleno atendimento às intimações e boafé por parte da contribuinte. Além disso, a fiscalização recaiu exclusivamente sobre dados de custo e estoque do estabelecimento de Guararema (Linha Chocolate, dentre várias outras desenvolvidas); (v) o TVF é um documento extenso e de difícil cognição. O Livro Modelo 3, entregue em 01/09/2006, é que deve ser considerado crucial para a análise da validade ou não do arbitramento; (vi) o Livro Modelo 3, entregue em 01/09/2006, não é imprestável, conforme incorretamente alegado pela Fiscalização. Isso porque que os lançamentos na coluna "valor" somente são necessários nas operações de compra ou de venda de produto, não sendo necessários nas entradas por produção (entrada de material intermediário) ou de saída por consumo (emprego de material intermediário ou de consumo). Sempre que houve referência a uma nota fiscal, houve o correspondente lançamento na coluna valor. Para demonstrar este fato, anexou aos autos exemplos aleatórios, com milhares de registros, que, no seu entender, permitem aferir a regularidade do lançamento na coluna "valor" sempre que há menção a alguma nota fiscal; (vii) também não se sustenta a alegação do Fisco no sentido de que a contribuinte teria "omitido a coluna Lançamento". Ao contrário do que quer fazer crer a fiscalização, a coluna existe e conta com informações quando se trata de entradas e saídas lançadas nos Livros Modelos 1 e 2 —, como, quando nada registrou em tal coluna, é que Fl. 7016DF CARF MF 8 tratavase de operações internas de produção / consumo, conforme disposições literais do "RIPI" quanto ao Livro Modelo 3; (viii) o fato de o Livro Modelo 3 iniciar pela Folha 09 em nada prejudica a boa ordem do citado livro. Tratase de simples erro de paginação, totalmente irrelevante; (ix) não procede a acusação de que valores escriturados das notas fiscais estariam incorretos; (x) o fato de haver saldos negativos no meio dos períodos do Livro Modelo 3 decorre de simples lapso temporal (delay) entre apontamentos de produção e consumo, fato este ignorado pelo fisco; (xi) outro fator que poderia explicar os saldos negativos seriam as entradas e saídas "sem documentos" (com coluna "Documentos" vazia), as quais decorrem de ajustes entre o calendário civil gregoriano o "calendário SAP", que possui períodos de fechamento fixos de 28 dias. Em razão do menor número de dias, o "calendário SAP" conta 13 períodos, enquanto que o calendário civil conta 12 períodos, gerando distorções que são ajustadas no Livro Modelo 3, sem contudo, produzir qualquer influência nos estoques finais e custos finais; (xii) para cada um dos exemplos contidos na acusação fiscal há justificativa para o equívoco da fiscalização, instruída com a devida documentação probatória. Nas palavras do contribuinte: Diante da pontualidade, da improcedência ou da irrelevância para fins de custo e estoque dos apontamentos feitos pela r. Fiscalização, resta inegável que é um exagero considerar "imprestáveis" as escriturações da IMPUGNANTE para fins de apuração de IRPJ/CSLL. Para 100% das acusações demonstrou se concretamente ou a improcedência ou a existência documentada de explicações que provam não ter ocorrido nenhuma inconsistência estrutural, quanto menos para fins de custo. Como se não bastasse e veremos isso detalhadamente abaixo , a aferição dos custos seria possível por meio de procedimento legal alternativo expresso, em sendo ausentes as características de um sistema integrado de custos (v. capítulo 5.4 abaixo). Seja pela improcedência ou irrelevância dos apontamentos consignados no TVF, seja pela impossibilidade de "contornar" esse método alternativo de aferição do custo, não se justifica em absoluto a aplicação de arbitramento de lucro no presente caso. (xiii) não se verifica, na linha da doutrina e jurisprudência que cita, nenhuma das hipóteses autorizadoras de arbitramento do lucro. O que há no caso, no máximo, são "inconformidades formais no preenchimento dos livros, o que não seria suficiente para desclassificação da escrita"; (xiv) além de se revelar incabível o arbitramento do lucro no caso em tela, devese ter em conta que a Fiscalização poderia ter utilizado o procedimento do arbitramento dos custos pelos estoques, a que se refere o art. 296 do RIR/99 (com fundamento no § 3° do art. 14 do Decretolei n° 1.598/77); Fl. 7017DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 6 9 (xv) o procedimento de auditoria de estoques realizado pelo fisco restringiu se ao estabelecimento da filial de Guararema (SP), que responde por apenas 15% da receita total da impugnante; e (xvi) todos os livros foram, sim, devidamente apresentados, razão pela qual é indevida a aplicação de multa qualificada, nos termos da Súmula CARF n. 96. Protesta a contribuinte, ainda, pela posterior juntada de laudo contábil acerca da regularidade e controle de seu estoque, bem como formula pedido de perícia com apresentação de quesitos e indicação de perito. Ato contínuo, por meio de petição de fls. 6.873/6.874, a empresa apresentou laudo pericial contábil (fls. 6.875/6.963) de autoria de PricewaterhouseCoopers. Em Sessão de 23 de junho de 2017, a DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido por meio de decisão de fls. 3.257/3.376 e cuja ementa ora transcrevo: IMPOSTO DE RENDA. LIVRO DE REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. AUDITORIA SOBRE UM ÚNICO ESTABELECIMENTO. CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES PONTUAIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO. O arbitramento do lucro é ato extremado que só pode ocorrer em face da real impossibilidade de apuração do lucro real do empreendimento. Irregularidades pontuais identificadas no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque de um único estabelecimento da contribuinte, que responde por cerca de 15% do seu faturamento global, não autorizam a imputação de imprestabilidade dos livros fiscais. In casu, a verificação do custo de produção e a determinação do lucro real da impugnante poderiam ser realizados por meios alternativos previstos em lei. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Dessa decisão houve recurso de ofício, tendo em vista a exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargo de multa em montante superior ao limite fixado no art. 1° da Portaria MF n° 63, de 9 de fevereiro de 2017, do Ministro de Estado da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator Fl. 7018DF CARF MF 10 Os Autos de infração objeto do presente processo exigem IRPJ e Reflexos por arbitramento decorrente de pretensa imprestabilidade de livros fiscais, mais especificamente do Livro Modelo 3 Registro de Controle de Produção e Estoque RCPE previsto no art. 461 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados RIPI. No entender do auditor fiscal responsável pelo lançamento, a imprestabilidade dos livros teria inviabilizado a verificação do custo de produção e, conseqüentemente, impedido a apuração do lucro real da contribuinte, ensejando, assim, a adoção do método de tributação por arbitramento do lucro, com base na receita bruta mensal e na linha do que determinariam o art. 15 da Lei n° 9.249/95 e o art. 530, II do RIR/99. Como se sabe, o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. O arbitramento é uma das formas de determinação do lucro previstas no artigo 44 do CTN1, cabível apenas quando restar comprovada que a escrituração não permite a apuração do lucro real. É cediço que a jurisprudência deste Colegiado vem entendendo que a aplicação do método de arbitramento constitui medida extrema que só deve ser utilizada como último recurso, ou seja, na ausência absoluta de outro meio de apuração direta da base tributável. Pois bem. Nesse caso concreto, o arbitramento, conforme visto, foi motivado em razão de "deficiências insanáveis" no Livro Modelo 3 RCPE de um dos estabelecimentos da Recorrida, livro este apto a registrar o custo de produção de apenas uma determinada linha de negócio da Recorrente ("chocolate"). A DRJ, após minuciosa análise acerca das razões do arbitramento e das razões da peça de defesa, assim se pronunciou para afastar o método de tributação selecionado: Apesar da evidente fragilidade do procedimento de arbitramento dos lucros adotado pela autoridade autuante, considero precipitado concluir de imediato pela improcedência do presente lançamento, sem antes analisar os diversos indícios de imprestabilidade da escrituração da contribuinte, apontados pela autoridade fiscal. É o que passo a fazer, nos próximos itens do presente voto. Alegação fiscal de impossibilidade de cálculo do montante do tributo devido (art. 142 do CTN) pela sistemática da auditoria do estoque [...] A partir da atenta leitura deste laudo, considero que os trabalhos de auditoria realizados pela Pricewaterhouse Coopers PwC apresentam suficiente consistência metodológica. Considero, outrossim, que, apesar das divergências e inconsistências pontuais identificados pela auditoria, é razoável 1 "Artigo 44 A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis." Fl. 7019DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 7 11 considerar que as informações constantes do Livro Modelo 3 da contribuinte se prestam para uma adequada avaliação dos seus estoques, pertinentes aos três produtos analisados. [...] Considerações específicas Ao longo do extenso Termo de Verificação Fiscal TVF, a autoridade fiscal apresentou diversos exemplos de equívocos contábeis que, no seu entender, demonstrariam a imprestabilidade do Livro Modelo 3 para fins de apuração do custo das mercadorias e, por conseguinte, para a determinação do lucro real. Para maior clareza, transcrevo trecho relevante do citado TFV, fls. 3152, em que a autoridade autuante descreve os erros de escrituração que foram detectados no Livro Modelo 3 da contribuinte (grifado): [...] a) Lançamentos com a coluna "valor" não preenchida A autoridade autuante, por inúmeras vezes em seu Termo de Verificação Fiscal, apontou a ocorrência de diversos lançamentos contábeis no Livro Modelo 3, sem o devido preenchimento da coluna "valor". Em sua peça impugnatória, a contribuinte alegou, basicamente, que o preenchimento de coluna "valor" somente seria necessário quando se tratasse de operação de compra ou de venda de produto. No seu entender, nas operações de entrada por produção (entrada de material intermediário) ou de saída por consumo (emprego de material intermediário ou insumo) no próprio estabelecimento, seria dispensável a consignação do "valor". Neste sentido, a contribuinte fez referência ao art. 462 do RIPI, que em seu § 1° expressamente dispensa a indicação dos valores relativos às operações concernentes à movimentação de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, nas hipóteses de "Produção No Próprio Estabelecimento". Para maior clareza, transcrevo trecho relevante do retrocitado art. 462 do RIPI: [...] Às fls. 32843287 a impugnante apresentou diversos exemplos de telas do Livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque RCPE Modelo 3, demonstrando que em todas as operações envolvendo compra e venda de produtos houve o correto preenchimento da coluna "valor". Fl. 7020DF CARF MF 12 As únicas movimentações sem indicação do valor correspondiam a operações de entrada por produção (entrada de material intermediário) ou de saída por consumo (emprego de material intermediário ou insumo) no próprio estabelecimento. A título meramente ilustrativo, reproduzo uma dos exemplos referidos na impugnação, fls. 32853286. Verificando a citada tela, constato que a única movimentação sem valor corresponde a um apontamento de saída por consumo. Em todos os demais casos, em que há referência a uma nota fiscal (de compra ou de venda), consignouse corretamente o valor da operação. Fato similar ocorre com todos os outros exemplos mencionados pela impugnante. [...] Diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero inexistente o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente à alegada ausência sistemática de preenchimento da coluna "valor" no Livro Modelo 3, apresentado pela contribuinte. b) Lançamentos com a coluna "lançamento" não preenchida A autoridade autuante apontou a existência de lançamentos contábeis no Livro Modelo 3 sem o devido preenchimento da coluna "lançamento". Para ilustrar tal equívoco, anexou a seguinte imagem no Termo de Verificação Fiscal, alusiva ao produto 1195137: [...] Em sua peça impugnatória, a contribuinte esclareceu que o preenchimento da coluna "lançamento" no Livro Modelo 3 somente é obrigatório nas operações suscetíveis de registro nos Livros Modelo 1 e 2, ou seja, operações de entrada e de saída do estabelecimento, quando há "documento fiscal". Neste sentido, considera suficientemente claro o disposto do art. 462, V do RIPI, verbis (grifado): V nas colunas sob o título "Lançamento ": número e folha do livro Registro de Entradas ou Registro de Saídas, em que o documento fiscal tenha sido registrado, bem como a respectiva codificação contábil e fiscal, quando for o caso; Alegou que a coluna "documento" destinase a ser preenchida nos casos de movimentação interna (produção/consumo), e quando há "documento fiscal" também, "se houver". Neste sentido, transcreveu outro inciso do mesmo art. 462 do RIPI, acima já referido (grifado): IV nas colunas sob o título "Documento": espécie e série, se houver, do respectivo documento fiscal ou documento de uso interno do estabelecimento, correspondente a cada operação; Visando demonstrar a correção do seu procedimento, a impugnante apresentou a seguinte tela do Livro Modelo 3: Fl. 7021DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 8 13 Observando esta tela, constato que efetivamente houve registro na coluna "lançamento" nas operações de entrada ou saída de produtos do estabelecimento (operações com nota fiscal). Constato, outrossim, que na coluna "documento" houve registro em todos os lançamentos, seja nas operações de entrada e saída do estabelecimento (operações com nota fiscal), seja em apontamentos internos de produção ou consumo. [...] Diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero inexistente o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente à alegada ausência sistemática de preenchimento da coluna "lançamento" no Livro Modelo 3, apresentado pela contribuinte. c) Livros Modelo 3 que se iniciam pela Folha 09 [...] Assim sendo, diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero irrelevante o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente aos erros pontuais de paginação inicial, constatados em alguns Livros Modelo 3, apresentados pela contribuinte. d) Valores de Notas Fiscais escriturados incorretamente A autoridade autuante apontou alguns exemplos em que os valores das Notas Fiscais teriam sido escriturados de maneira incorreta. Em sua impugnação, a contribuinte esclareceu que em muitos destes casos o erro de escrituração era apenas aparente. Fl. 7022DF CARF MF 14 Reconheceu a ocorrência de alguns outros erros pontuais, os quais, contudo, seriam decorrentes da desconsideração dos valores dos impostos incidentes nas aquisições de mercadorias. [...] Apenas a título ilustrativo, menciono a explicação apresentada pela impugnante, que esclarece o suposto equívoco de repetição dos valores quando o mesmo produto referido na mesma nota fiscal (mesma carga) contou com unidades provenientes de lotes de fabricação distintos, v. fls. 32923293: [...] Atendendo a sugestão da impugnante, compulsei rapidamente os Documentos 02 e 03, que acompanham a peça impugnatória, e que correspondem aos Livros Modelo 3 de todos os produtos referentes aos meses de junho de 2011 e junho de 2012. Com base nesta inspeção visual, constato que efetivamente o número de casos em que essa repetição ocorre é praticamente irrisório frente às dezenas de milhares de operações contabilizadas pela contribuinte. Assim sendo, diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero irrelevante o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente aos erros pontuais de escrituração de valores de notas fiscais, constatados em alguns Livros Modelo 3, apresentados pela contribuinte. Ao meu sentir, eventuais erros pontuais remanescentes poderiam ser "corrigidos" pela autoridade autuante, por meio de glosas pontuais de custos e/ou lançamentos, também pontuais, a título de omissão de receitas. Revelase desproporcional o procedimento adotado pela autoridade autuante, de considerar imprestável o Livro Modelo 3 para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, proceder ao arbitramento do seu lucro. e) Saldos de estoque negativos A autoridade autuante, em seu Termo de Verificação Fiscal, apontou a existência de saldos de estoque negativos em relação a alguns produtos, em diversos períodos fiscalizados. [...] Em sua peça impugnatória, contudo, a contribuinte apresentou esclarecimentos bastante convincentes em relação a este fato, os quais transcrevo, para maior clareza, fls. 32933295: O fato de haver saldos negativos no meio dos períodos do Livro Modelo 3 decorre de simples lapso temporal (delay) entre apontamentos de produção e consumo. Cabe, antes, explicar melhor a dinâmica fabril que se reflete nos Livros. Há essencialmente três tipos de produto no estabelecimento fabril da IMPUGNANTE, como, aliás, em geral, em qualquer outro. (a) acabados (b) em elaboração Fl. 7023DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 9 15 (c) insumos/matérias primas * Os produtos do grupo (c) e (b) são utilizados — saídas por consumo — para composição dos do grupo (a) — entrada por produção; * Ao passo que os do grupo (c) são utilizados — saídas por consumo — também para composição dos do grupo (b) — entradas por produção. A representação acima é meramente esquemática, pois é claro que pode haver entre a matéria prima inicial e o produto acabado diversos níveis intermediários, em interação complexa com os respectivamente anteriores e posteriores. Que haja saldos negativos em meio aos meses dos Livros Modelo 3 de 2011 e 2012 decorre do fato de que nem sempre os apontamentos de entrada são realizados pari passu com o evento em si, ao passo que os respectivos apontamentos de saída (por consumo ou por venda/descarte) pode se dar no Livro de maneira mais próxima ao evento. Por exemplo, considerando um saldo inicial de 100 unidades do produto em elaboração “b”. * 3 (sic) saídas por consumo de 50 unidades cada do produto em elaboração “b”, ocorridas uma em 01.06.2011 e outra em 02.06.2011; * 3 entradas por produção de 50 unidades cada do mesmo produto, ocorridas duas em 01.06.2011, e outra em 05.06.2011; Ocorre que por vezes os lançamentos das entradas ocorreram de maneira aglutinada, muito embora fisicamente já houvessem acontecido. Por exemplo, as três entradas de 50 unidades, embora duas tenham ocorrido em 01.06.2011 e uma em 05.06.2011, podem ter sido lançadas no Livro Modelo 3 apenas em 05.06.2011. Nesse exemplo, em 02.06.2011, o Livro Modelo 3 registraria um saldo negativo de 50 unidades, conforme abaixo. Fl. 7024DF CARF MF 16 * Estoque inicial de 100 – 150 (saídas por consumo já lançadas no Livro) = (50) Ao passo que fisicamente havia estoque sempre positivo, inclusive em 02.06.2011, conforme abaixo. * Estoque inicial de 100 – 150 (saídas físicas por consumo já lançadas no Livro) + 100 (entradas físicas por produção ainda não lançadas no Livro) = 50. Tratase, então, de um mero lapso temporal que em algumas oportunidades acabou ocorrendo, e a despeito dos vários exemplos citados no TVF sobre esse ponto, igualmente aqui convidase a i. DRJ a percorrer os docs. 02 e 03 (Livros Modelo 3 dos meses de 06.2011 e 06.2012 referentes a todos os produtos), pois verificará que os saldos negativos em meio aos períodos são desimportantes frente às dezenas de milhares de operações que dele constam. Além disso, pedese licença para explicar que o fato de haver saldos negativos em meio aos períodos de apuração, em decorrência desses eventuais lapsos temporais, em nada afeta a possibilidade e a correção da aferição e apuração dos custos relativos a esse estabelecimento, RAZÃO POR QUE MAIS UMA VEZ SE REVELA ERRÔNEO E INADEQUADO O ARBITRAMENTO PROCEDIDO. Importante frisar que a impugnante não se limitou a apresentar esse esclarecimento de maneira meramente "teórica", tendo tomado a cautela de exemplificar na prática a ocorrência destes fatos, por meio da reprodução de telas extraídas do Livro Modelo 3. A título meramente exemplificativo, reproduzo dois exemplos extraídos da peça impugnatória, fls. 32953297: [...] Analisando os Livros Modelo 3 trazidos aos autos pela impugnante, efetivamente verifiquei que na grande maioria dos casos em que houve registro de saldo negativo tratavase de algo provisório e esporádico. De fato, as pontuais existências de saldos negativos aparentemente decorriam desses lapsos temporais referidos pela impugnante e acabaram, naturalmente, por se corrigir. Importante frisar que a autoridade autuante não fez referência expressa a nenhum saldo negativo eventualmente existente ao final dos períodos, para fins de fechamento de estoques (Livro Modelo 7). Ao meu sentir, eventuais saldos negativos apurados ao final de algum período de apuração poderiam ser "corrigidos" pela autoridade autuante, por meio de lançamentos a título de omissão de receitas. Também neste caso, considero desproporcional o procedimento adotado pela autoridade autuante, de considerar imprestável o Fl. 7025DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 10 17 Livro Modelo 3 para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, proceder ao arbitramento do seu lucro. f) Contabilização de entradas e saídas "sem documento" Por derradeiro, a autoridade autuante apontou a existência de diversos lançamentos de entradas e saídas de mercadoria, alegadamente efetuadas "sem documento" (ou seja, com a coluna "documento" vazia). Em sua peça impugnatória, a contribuinte registrou, com muita propriedade, que essas entradas e saídas "sem documento" (ou seja, com a coluna "documento" vazia) ocorrem apenas no início e no final dos meses do Livro Modelo 3. Justificou que tais lançamentos se dão a título de ajuste entre o calendário civil gregoriano e o "Calendário SAP" (doc. 04), que possui períodos de fechamento de 28 dias (e não de 28, 29, 30 ou 31 dias, como no calendário gregoriano). Segundo a impugnante, em razão do menor número de dias por mês, o "Calendário SAP" contaria com 13 Períodos, ao passo que o calendário civil conta 12 períodos (meses). Tal fato seria a causa das distorções, que são ajustadas no Livro Modelo 3, sem qualquer influência nos estoques e nos custos finais. Para maior clareza, transcrevo os pertinentes esclarecimentos apresentados pela impugnante sobre este tema, fls. 32983302: [...] Importante frisar que a impugnante, mais uma vez, não se limitou a apresentar esse esclarecimento de maneira meramente "teórica", tendo tomado a cautela de exemplificar na prática a ocorrência destes fatos, por meio da reprodução de telas extraídas do Livro Modelo 3. Às fls. 33023306 a contribuinte apresentou diversos exemplos que demonstram a realização de lançamentos de ajustes, ao final de diversos períodos, sempre seguidos de lançamentos contrários no início do período subseqüente, visando neutralizar seus efeitos na apuração final dos estoques. [...] Conclusão Ante o exposto, julgo procedente a impugnação apresentada, exonerando as exigências fiscais objeto do presente processo. Como se percebe, os Julgadores de primeira instância, por unanimidade de votos, decidiramse contra a aplicação do arbitramento nessa situação particular, uma vez que a documentação questionada, ao contrário do que alegou a fiscalização, não é imprestável, sendo que a escrituração do contribuinte permite, sim, aferir o custo de produção. Fl. 7026DF CARF MF 18 A contribuinte conseguiu comprovar, inclusive através de laudo contábil técnico, mas claro, que ela possui controle rigoroso de estoques, sendo que cada um dos indícios apurados pelo fisco foi rechaçado pontualmente com provas hábeis e explicações contundentes. O Livro Modelo 3 da contribuinte, confrontado com os demais documentos suporte, apesar de parecer complexo, se presta para uma adequada avaliação dos estoques pertinentes aos três produtos tomados como parâmetro no trabalho fiscal, não havendo qualquer razão para discordar das conclusões do laudo e da DRJ. O que ocorreu, na verdade, foi uma certa "precipitação" da autoridade responsável pelo lançamento, que não soube manusear as informações fornecidas e não compreendeu tecnicamente o método de registro. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento, convém ainda notar, arbitrou o lucro de 100% das atividades da empresa por meio da desconsideração dos livros de apenas uma de suas filiais Guararema , que representava uma única linha de produção, representando aproximadamente 15% do faturamento total da Recorrente. Ora, a fiscalização limitouse a analisar os livros de registro de inventário e o livro de controle da produção e do estoque RCPE relativos apenas ao negócio desenvolvido na filial de Guararema, mas não teceu qualquer consideração acerca da representatividade desta filial em relação à receita total e custos totais da pessoa jurídica autuada, o que a meu ver também compromete a legitimidade do arbitramento. Outro fato que chama atenção é o de que o fisco nunca solicitou, mesmo que por amostragem, informações de Livros dos demais estabelecimentos a fim de conferir se os "problemas diagnosticados" se repetiriam em relação à atividade econômica da contribuinte como um todo. A bem da verdade, após concluir pela imprestabilidade dos livros relativos a filial de Guararema, a fiscalização optou por usar o procedimento de arbitramento do lucro de toda a pessoa jurídica, sem ao menos cogitar a simples glosas dos custos daquela filial ou, quando muito, de efetuar os lançamentos com base em presunção de omissão de receitas. Ainda que, por hipótese, resultasse demonstrada a imprestabilidade da escrituração relativa à filial fiscalizada, a fiscalização deveria avaliar os custos deste estabelecimento com base nos critérios estabelecidos no artigo 296 do RIR/992, glosando daí eventual excesso de custos, mas jamais se valer da extrema medida do arbitramento do lucro da pessoa jurídica como um todo (que inclui todos os seus estabelecimentos, inclusive os que não foram fiscalizados). A Fiscalização deveria, para sustentar sua tese, ter apurado o custo com base na avaliação de estoque prevista naquele dispositivo legal específico. Diante da conclusão pela inexistência de custo integrado, o caminho específico e pertinente é o da aferição dos custos com base no artigo 296 do RIR/99. 2 "Artigo 296 Se a escrituração do contribuinte não satisfizer às condições dos §§ 1º e 2º do art. 294, os estoques deverão ser avaliados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14, § 3º ): I os de materiais em processamento, por uma vez e meia o maior custo das matériasprimas adquiridas no período de apuração, ou em oitenta por cento do valor dos produtos acabados, determinado de acordo com o inciso II; II os dos produtos acabados, em setenta por cento do maior preço de venda no período de apuração. [...]" Fl. 7027DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 11 19 A aplicação dessa hipótese de presunção legal de omissão de receita teria sido possível, mas o TVF não faz qualquer menção a seu respeito, preferindose, sem apoio legal, equivocadamente se socorrer ao danoso método de arbitramento. Feitas essas considerações, forçoso concluir que revelase incabível o arbitramento do lucro no caso em tela, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 7028DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.977146/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 46 /2 01 6- 14 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977146/201614 Acórdão n.º 1401002.625 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2013, no valor de R$ 181.676,85, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977146/201614 Acórdão n.º 1401002.625 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977146/201614 Acórdão n.º 1401002.625 S1C4T1 Fl. 5 4 Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000291/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2004
SIMPLES. INTENÇÃO DE OPTAR. INCLUSÃO DE OFÍCIO.
São manifestações inequívocas da intenção de aderir ao SIMPLES os
pagamentos nessa sistemática ao longo de todos os meses do ano-calendário e a Declaração Anual Simplificada apresentada ao final do exercício. Em tais condições, demonstrado erro de fato, cabível sua inclusão de ofício no sistema, com efeitos retroativos ao início do anocalendário.
Não alteram essa conclusão o atraso de menos de um mês no primeiro recolhimento efetuado, nem a existência de dois pagamentos isolados (PIS e COFINS) no mês de fevereiro.
Numero da decisão: 1301-000.586
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 SIMPLES. INTENÇÃO DE OPTAR. INCLUSÃO DE OFÍCIO. São manifestações inequívocas da intenção de aderir ao SIMPLES os pagamentos nessa sistemática ao longo de todos os meses do ano-calendário e a Declaração Anual Simplificada apresentada ao final do exercício. Em tais condições, demonstrado erro de fato, cabível sua inclusão de ofício no sistema, com efeitos retroativos ao início do anocalendário. Não alteram essa conclusão o atraso de menos de um mês no primeiro recolhimento efetuado, nem a existência de dois pagamentos isolados (PIS e COFINS) no mês de fevereiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 SIMPLES. INTENÇÃO DE OPTAR. INCLUSÃO DE OFÍCIO. São manifestações inequívocas da intenção de aderir ao SIMPLES os pagamentos nessa sistemática ao longo de todos os meses do anocalendário e a Declaração Anual Simplificada apresentada ao final do exercício. Em tais condições, demonstrado erro de fato, cabível sua inclusão de ofício no sistema, com efeitos retroativos ao início do anocalendário. Não alteram essa conclusão o atraso de menos de um mês no primeiro recolhimento efetuado, nem a existência de dois pagamentos isolados (PIS e COFINS) no mês de fevereiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13963.000291/200512 Acórdão n.º 130100.586 S1C3T1 Fl. 72 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório CROMA CROCETTA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0715362, de 06/03/2009, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância descreve de forma sintética e adequada o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Empresa manifesta inconformidade em razão do Despacho Decisório DRF/FNS de 20 de junho de 2007 que acatou parcialmente o pedido de inclusão de ofício no Simples, não admitindo o ano 2003, tendo deferido a partir de 2004. O Despacho Decisório fundamentase nos seguintes motivos: • Empresa não procedeu à alteração cadastral que lhe conferiria direito à opção pelo Simples, porém, efetuou recolhimentos e entregou declarações anuais, demonstrando intenção de optar por aquele regime de tributação. • A partir de 07/03/03, a empresa efetuou recolhimentos pelo Simples e para os anos calendário 2003 e posteriores, a empresa apresentou Declaração Anual Simplificada. • A empresa, em 14/02/2003 efetuou recolhimentos de PIS e COFINS referentes ao período de apuração 31/01/2003. Contribuinte argumenta: • Efetuou recolhimentos do Simples em 2003; • Desconhece e não registra os referidos recolhimentos de PIS e COFINS; • Os débitos em cobrança na PFN foram parcelados, inexistindo débitos em aberto; Contribuinte requer: • Reconsideração do Despacho Decisório para que seja reconhecido o direito de opção pelo Simples a partir de 2003 A 6ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0715362, de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13963.000291/200512 Acórdão n.º 130100.586 S1C3T1 Fl. 73 3 06/03/2009 (fls. 57/58), indeferiu a solicitação. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão bem esclarece sobre os fundamentos da decisão: A partir da constatação do erro sanável de não ter efetuado a alteração cadastral, o ponto em questão é identificar quando o contribuinte manifestou intenção de optar pelo Simples, para daí determinar os efeitos. [...] Concretamente, até fevereiro de 2003, quando no dia 14 efetuou recolhimentos de PIS e COFINS, não temos registro de manifestação da empresa de optar pelo Simples. Somente no dia 07/03/2003 é que ocorreu o primeiro recolhimento pelo Simples. A partir daí, consistentemente, foram efetuados os recolhimentos e entregues as declarações anuais. Pela aplicação da regra do parágrafo 2º do artigo 8º da Lei 9.317/96 ao caso em questão, a opção teve efeito a partir de 01/01/2004, tudo conforme Despacho Decisório contra o qual o contribuinte está se insurgindo. Quanto às demais questões apresentadas pela contribuinte, que desconhece e não registra os referidos recolhimentos de PIS e COFINS e que os débitos em cobrança na PFN foram parcelados, inexistindo débitos em aberto; a primeira argumentação, pela confrontação com os documentos presentes no processo e já citados, cai por terra e a segunda não está em questão neste processo. Ciente da decisão de primeira instância em 03/04/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 60, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/04/2009 conforme carimbo de recepção à folha 61. No recurso interposto (fls. 61/66), após reclamar contra a “injustiça praticada contra esse humilde contribuinte [...] pois única falha, alegada pela receita que cometeu foi que na luta do seu dia a dia ter recolhida, um darf simples com 1 mês, e 7 dias de atrazo [...]”, a recorrente alega, em apertada síntese: • Que está dentro das exigências da Instrução Normativa nº 250, de 26/11/2002, arts. 2º e 5º (limite de receita bruta). • Que não se enquadra nas vedações do art. 20 da referida IN. • Que não se enquadra em nenhum artigo da IN que impõe a exclusão do sistema (menciona os arts. 21, 22 e 23). • Que “Em 07/11/2002 apresentou declaração de empresa de pequeno porte, na JUCESC sob n 20022138013 protocolo n 02/2138013 (copia anexa). recolheu impostos pelo simples de janeiro a dezembro 2003 e Ao ter sido impedido de apresentar a declaração simplificada, pela internet ano base 2002, Fez requerimento a receita federal apresentando provas necessárias de sua opção pelo simples, ficando claro sua intenção, foi autorizado e feito a transmissão da declaração. (o funcionário da receita federal na época, gentilmente fez uma pesquisa interna e constatou que a empresa havia dado entrada na alteração cadastral inicial optando pelo simples em novembro de 2002 fornecendo inclusive Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13963.000291/200512 Acórdão n.º 130100.586 S1C3T1 Fl. 74 4 o numero do protocolo). De acordo com o parecer COSIT N 60/1999 a autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte pode retificar de oficio o erro, desde que seja possível identificar de forma hábil a intenção de opção pelo simples e no caso, a autoridade fiscal da região ao analizar os documentos apresentados autorizou a transmissão da declaração, Ficando claro para o contribuinte legalidade”. • Que apresentou Declaração Anual Simplificada no prazo legal, de acordo com as exigências do art. 33 da IN. • Que efetuou o recolhimento em atraso no dia 07/03/2003. Conclui com pedido de provimento de seu recurso e reforma do acórdão recorrido, para que seja reconhecido seu direito de opção pelo SIMPLES a partir de 2003. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A situação sob exame não apresenta maiores complexidades. Não tendo o contribuinte efetuado sua opção pelo SIMPLES pela via da alteração cadastral, prevista no art. 8º da Lei nº 9.317/1996, requer agora a aplicação do Parecer COSIT n° 60, de 13 de outubro de 1999 e sua inclusão de ofício no sistema simplificado de pagamentos a partir de 01/01/2003, alegando que haveria manifestações inequívocas de sua intenção de adesão ao sistema. O seguinte excerto do Parecer é relevante para a solução da questão: 11. [...] admitido o fato de contribuinte ter omitido ou apresentado informação inexata quanto à opção, poderseá utilizar da analogia para promover de ofício a inclusão no evento correspondente à opção da pessoa jurídica pela sistemática de pagamentos de que trata o SIMPLES, desde que demonstrada a intenção da pessoa jurídica em utilizarse dela. O preenchimento de dados específicos das pessoas jurídicas na FCPJ, tais como porte e impostos inclusos no recolhimento, o recolhimento por meio do DARFSIMPLES e a entrega da Declaração Anual Simplificada são formas hábeis de comprovar a manifestação da vontade de a pessoa jurídica optar pelo SIMPLES. 12. Tratase de erro de fato, cuja correção a autoridade administrativa pode, de ofício, sanar, uma vez que ao interessado não são dados os meios operacionais. Para proceder ao acerto, a autoridade administrativa (Delegado ou Inspetor da Receita Federal), mediante solicitação formal do interessado, e à vista dos documentos comprobatórios do erro, determinará a retificação de ofício da FCPJ e conseqüente inclusão da Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13963.000291/200512 Acórdão n.º 130100.586 S1C3T1 Fl. 75 5 empresa no CNPJ como optante pelo SIMPLES, com efeitos retroativos. Do exame dos autos, constato que o contribuinte efetuou os pagamentos mensalmente na forma do SIMPLES para todos os meses do anocalendário 2003 (pesquisa no sistema SINAL às fls. 24/25) e, ao final do exercício, entregou a competente Declaração Anual Simplificada (fls. 11/12). Tenho que tais manifestações, expressamente contempladas no Parecer acima, são inequívocas quanto à sua intenção de aderir ao sistema simplificado da Lei nº 9.317/1996, também se afigurando plausível que a não efetivação da alteração cadastral tenha ocorrido por erro de fato. A decisão recorrida considerou duas circunstâncias como impeditivas para que a inclusão de ofício no sistema fosse deferida a partir de 01/01/2003. A primeira delas foi a existência de dois pagamentos, um de PIS e um de COFINS, ocorridos em 14/02/2003 (vide fl. 24), por fatos geradores da competência de janeiro/2003. A segunda foi o fato de que o primeiro pagamento sob o código do SIMPLES foi feito em 07/03/2003 (fl. 24). Esses dois fatos, conjugados, levaram à conclusão de que, antes de se manifestar pelo SIMPLES, o contribuinte teria se manifestado em sentido diverso, pela apuração na forma tradicional dos tributos. Em assim sendo, a intenção manifestada em março de 2003 somente poderia autorizar, como de fato autorizou, a inclusão no sistema simplificado a partir do início do anocalendário subsequente. Penso de forma diferente. Os pagamentos de PIS e COFINS efetuados em 14/02/2003 não formalizam a opção por uma forma de apuração e pagamento de tributos. Caso se tratasse de pagamento de IRPJ calculado sobre o lucro presumido, a situação seria diferente, visto que a opção seria irretratável durante todo o anocalendário. Mas não é essa a hipótese. Dois pagamentos isolados de PIS e COFINS, em um único mês do ano, não configuram opção ou mesmo manifestação inequívoca de vontade. Por outro lado, o atraso de menos de um mês no pagamento do SIMPLES da competência de janeiro de 2003, cujo vencimento seria no décimo dia de fevereiro, mas foi recolhido em 7 de março, acrescido dos consectários legais, não pode superar o fato de que todos os pagamentos do anocalendário 2003 foram feitos sob o regime simplificado, pontualmente (com a exceção do primeiro), e que a declaração de rendimentos foi correta e tempestivamente apresentada igualmente na forma do SIMPLES. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, de modo a garantir a inclusão de ofício do contribuinte no SIMPLES, com efeitos retroativos a 01/01/2003. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13963.000291/200512 Acórdão n.º 130100.586 S1C3T1 Fl. 76 6 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.903113/2008-91
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF - período de apuração 30/09/2002 - fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF - período de apuração 30/09/2002 - fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 30/09/2002 fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0629.306, de 19 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 03 11 3/ 20 08 -9 1 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.903113/200891 Resolução nº 1003000.031 S1C0T3 Fl. 3 2 Aos 13/06/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 01), rastreamento n° 763942000, emitido em 20/05/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 39725.71313.260404.1.3.048165. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte defendeu que apurou prejuízo no valor de R$ 29.924,44 no exercício de 2002. Conforme DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos. A DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem Compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ RECOLHIDA COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. O valor da estimativa mensal de IRPJ corretamente recolhido com base na receita bruta e acréscimos não constitui pagamento indevido ou a maior passível de ser utilizado como direito creditório em declaração de compensação, cabendo à contribuinte aproveitálo mediante dedução do imposto devido na apuração anual dos resultados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que a empresa, no exercício de 2002, optou pela forma de tributação Lucro Real por estimativas, tendo recolhido mensalmente IRPJ e CSLL; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.903113/200891 Resolução nº 1003000.031 S1C0T3 Fl. 4 3 (ii) que, ao encerrar o balanço patrimonial contábil de 2002, constatou prejuízo no valor de R$ 29.924,44; (iii) que, de conformidade com a DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos; (iv) que, durante o exercício de 2004, fez diversos pedidos de restituições através de PER/DECOMP e as respectivas Declarações de Compensação. Por fim, requereu nova análise de todos as suas declarações de compensação, oriundo de pagamentos indevidos durante o exercício de 2002. É o Relatório VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Pelos fatos e provas acostados ao processo, verificase que a Recorrente pleiteia a declaração de compensação em razão de pagamento indevido ou a maior. No entendimento da mesma, por ter apurado prejuízo no ano de 2002, os recolhimentos realizados por estimativas são pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL. A IN 210/2002, vigente na época da transmissão do PER/DECOMP, determina, em seu art. 6º, que os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição. Conforme a DIPJ 2003 acostada ao processo, o valor preiteado como pagamento a maior ou indevido DARF de setembro de 2002 (fls. 08) foi computado para gerar o saldo negativo do período (vide fls. 67). Ocorre, porém, que, até 25/10/2004, a Instrução Normativa que disciplinava a restituição e compensação era a de nº 210/2002. Essa IN não estabelecia qualquer vedação com relação a utilização de crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ para compensação de débitos próprios. A IN nº 210/2002 foi revogada pela IN nº 460/2004 (publicada em 26/10/2004). A declaração de compensação ora em análise foi transmitida em 26/04/2004, anterior, portanto, a alteração normativa que proibiu a possibilidade de utilização das estimativas mensais. Ocorre que, como o valor pago na estimativa mensal de setembro de 2002 foi utilizado na apuração do saldo negativo, imprescindível verificar se o saldo negativo apurado no exercício de 2002 foi utilizado. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.903113/200891 Resolução nº 1003000.031 S1C0T3 Fl. 5 4 Isto posto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem para informar se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 30/09/2002 fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000315/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AGENTES POLÍTICOS. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS.
A empresa deve descontar as contribuições dos segurados empregados e fazer o recolhimento das mesmas no prazo previsto legalmente e regulamentar.
São devidas as contribuições tributárias previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Ente Municipal ao detentor de cargo eletivo municipal, salvo se o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, estiver afastado dele para o exercício do mandato eletivo e filiado a Regime Próprio de Previdência Social no cargo de origem.
Numero da decisão: 2402-006.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo-se o lançamento em relação às competências 12/2005, 13/2005, 01/2006, 10/2006 (Dif. Reuniões), 11/2006 (Dif. Reuniões), 12/2006 (Dif. Reuniões) e 13/2006, com exclusão dos vereadores amparados por Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AGENTES POLÍTICOS. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. A empresa deve descontar as contribuições dos segurados empregados e fazer o recolhimento das mesmas no prazo previsto legalmente e regulamentar. São devidas as contribuições tributárias previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Ente Municipal ao detentor de cargo eletivo municipal, salvo se o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, estiver afastado dele para o exercício do mandato eletivo e filiado a Regime Próprio de Previdência Social no cargo de origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo-se o lançamento em relação às competências 12/2005, 13/2005, 01/2006, 10/2006 (Dif. Reuniões), 11/2006 (Dif. Reuniões), 12/2006 (Dif. Reuniões) e 13/2006, com exclusão dos vereadores amparados por Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior
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AGENTES POLÍTICOS. Recorrente MUNICÍPIO DE UBERABA CÂMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AGENTES POLÍTICOS. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. A empresa deve descontar as contribuições dos segurados empregados e fazer o recolhimento das mesmas no prazo previsto legalmente e regulamentar. São devidas as contribuições tributárias previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Ente Municipal ao detentor de cargo eletivo municipal, salvo se o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, estiver afastado dele para o exercício do mandato eletivo e filiado a Regime Próprio de Previdência Social no cargo de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 03 15 /2 01 0- 36 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10650.000315/201036 Acórdão n.º 2402006.766 S2C4T2 Fl. 291 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendose o lançamento em relação às competências 12/2005, 13/2005, 01/2006, 10/2006 (Dif. Reuniões), 11/2006 (Dif. Reuniões), 12/2006 (Dif. Reuniões) e 13/2006, com exclusão dos vereadores amparados por Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/JFA, consubstanciada no Acórdão nº 0938.897 (fls. 89), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da Resolução 2402000.480 (fls. 123), temse que: De acordo com o relatório fiscal de f. 1722, o lançamento trata de exigência das contribuições devidas para a Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos vereadores no período de 01/01/2005 a 30/06/2007. O Ente autuado impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que os vereadores Afrânio Cardoso de Lara Resende, Hely Geraldo de Andrade e Marilda Ribeiro Resende são servidores públicos estaduais detentores de cargos efetivos e nessa condição estão vinculados ao Instituto de Previdência dos Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10650.000315/201036 Acórdão n.º 2402006.766 S2C4T2 Fl. 292 3 Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSENG), e que o ex vereador Valdecy Caetano de Souza é servidor público federal detentor de cargo efetivo e nessa condição está vinculado ao regime próprio de previdência social dos servidores públicos federais. Afirma que esses agentes políticos eram vinculados aos seus empregos públicos, auferiam salários e tinham os descontos em seus proventos que eram recolhidos aos institutos de previdência dos regimes próprios, de modo que não participam do Regime Geral de Previdência Social, nos termos da parte final do artigo 12, inciso “j”da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 10.887/2004. Sustenta que recolheu as contribuições incidentes sobre as remunerações dos demais vereadores e pede o cancelamento do crédito tributário. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário lançado, reconhecendo a decadência do período de janeiro a novembro/2005. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AGENTES POLÍTICOS. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA E IMPROCEDENTE. A empresa deve descontar as contribuições dos segurados empregados e fazer o recolhimento das mesmas no prazo previsto legalmente e regulamentar. São devidas as contribuições tributárias previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Ente Municipal ao detentor de cargo eletivo municipal, salvo se o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, estiver afastado dele para o exercício do mandato eletivo e filiado a Regime Próprio de Previdência Social no cargo de origem, É cabível a aplicação de multa e juros na ocorrência de não recolhimento das contribuições devidas, ou mesmo na hipótese do recolhimento em atraso, nos termos da previsão legal e regulamentar. A decadência, mesmo não argüida na impugnação, deve ser declarada de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10650.000315/201036 Acórdão n.º 2402006.766 S2C4T2 Fl. 293 4 O Ente Federativo, por meio de seu procurador, interpôs recurso, no qual reitera, na íntegra, as razões da defesa. Este Colegiado, por meio da Resolução 2402000.480 (fls. 123), converteu o julgamento do processo em diligência para a Unidade de Origem. Após intimar o contribuinte para apresentar uma série de documentos, a autoridade administrativa fiscal apresentou a Informação Fiscal de fls. 282 / 288. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, conforme juízo já realizado por este Colegiado, nos termos da Resolução 2402000.480. Portanto, dele se conhece nesta oportunidade. Conforme exposto no relatório supra, tratase o presente lançamento de exigência das contribuições devidas para a Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos vereadores no período de 01/01/2005 a 30/06/2007. O Recorrente aduz, em síntese, que os vereadores Afrânio Cardoso de Lara Resende, Hely Geraldo de Andrade e Marilda Ribeiro Resende são servidores públicos estaduais detentores de cargos efetivos e nessa condição estão vinculados ao Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSENG), e que o exvereador Valdecy Caetano de Souza é servidor público federal detentor de cargo efetivo e nessa condição está vinculado ao regime próprio de previdência social dos servidores públicos federais. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10650.000315/201036 Acórdão n.º 2402006.766 S2C4T2 Fl. 294 5 Afirma que esses agentes políticos eram vinculados aos seus empregos públicos, auferiam salários e tinham os descontos em seus proventos que eram recolhidos aos institutos de previdência dos regimes próprios, de modo que não participam do Regime Geral de Previdência Social, nos termos da parte final do artigo 12, inciso “j”da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 10.887/2004. Sustenta que recolheu as contribuições incidentes sobre as remunerações dos demais vereadores e pede o cancelamento do crédito tributário. Em face das alegações do Recorrente, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para a autoridade lançadora: a) esclarecer se os vereadores Afrânio Cardoso de Lara Resende, Hely Geraldo de Andrade, Marilda Ribeiro Resende e Valdecy Caetano de Souza possuíam vínculo efetivo estadual ou federal no período do lançamento, e se nessa condição estavam amparados por RPPS; b) informar em quais documentos estão vinculados os pagamentos efetuados pela recorrente no período do lançamento disponíveis em seu contacorrente (por exemplo, os valores recolhidos podem estar vinculados aos fatos geradores declarados em GFIP), sendo relevante que essa informação fique consignada em demonstrativo no qual sejam identificados os créditos e débitos da recorrente no período do lançamento; c) informar se a recorrente providenciou a inclusão dos fatos geradores aqui lançados em GFIP retificadora e se há pagamento dos valores declarados; d) informar se no período do lançamento há valores recolhidos excedentes aos valores declarados em GFIP, e se o valor excedente já foi apropriado a algum débito da recorrente ou se foi objeto de compensação ou restituição. Em atenção ao quanto solicitado, a Unidade de Origem, após intimar o contribuinte para apresentar uma série de documentos, emitiu a Informação Fiscal de fls. 282, por meio da qual prestou os seguintes esclarecimentos e conclusões, em síntese: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10650.000315/201036 Acórdão n.º 2402006.766 S2C4T2 Fl. 295 6 De todo o exposto podemos concluir: A empresa apresentou documentação que confirma os vínculos efetivos estadual ou federal e nesta condição estavam amparados por Regime Próprio de Previdência Social – RPPS de origem dos segurados vereadores: Afrânio Cardoso de Lara Resende, Hely Geraldo de Andrade, Marilda Ribeiro Resende e Valdecy Caetano de Souza, período de 11/2005 a 06/2007, inclusive 13º salário pagos nas competências de novembro. Nas competências 02/2006 e 06/2006 houve recolhimentos excedentes aos valores declarados, sendo que estes valores não foram utilizados como créditos a serem compensados. Foi efetuado pela empresa as devidas retificações das GFIP, sendo os vereadores ausentes das GFIP existente que motivaram ao lançamento, regularizados através das retificações e as devidas contribuições amortizadas com os recolhimentos excedentes. Na competência 13/2006, apesar de ter incluído os agentes políticos na retificação, o montante do valor devido supera em muito o valor excedente, razão pela não aceitação e manutenção dos lançamentos nesta competência. Na competência 02/2006 os vereadores Durval Chagas de Oliveira e Marcelo Machado Borges foram declarados com a categoria 20, sendo regularizados através da retificação, portanto indevida as contribuições referentes lançadas. Considerando que a 5ª Turma da DRF/JFA através dos Acórdãos 0938.895, 0938.898, 0938.896 e 0938.897, reconheceu a decadência do período de janeiro a novembro de 2005, e após analise desta fiscalização acerca dos comentários e conclusões acima, entendemos estar mantidos lançamentos, com exclusão dos vereadores amparados por RPPS, nas seguintes competências: 12/2005; 13/2005; 01/2006; 10/2006 (Dif. Reuniões); 11/2006 (Dif. Reuniões); 12/2006 (Dif. Reuniões) e 13/2006. Como se vê, em face da diligência solicitada por este Colegiado, bem como em razão da decadência reconhecida pela DRJ, a autoridade lançadora expressamente concluiu pela manutenção do lançamento em relação às seguintes competências 12/2005; 13/2005; 01/2006; 10/2006 (Dif. Reuniões); 11/2006 (Dif. Reuniões); 12/2006 (Dif. Reuniões) e 13/2006, com exclusão, por certo, dos vereadores amparados por RPPS. Analisandose os documentos acostados aos autos, notoriamente aqueles apresentados em sede de diligencia fiscal (fls. 137 a 277), concluise pela exatidão das conclusões alcançadas pela autoridade administrativa fiscal consubstanciadas na susodita Informação Fiscal de fls. 282 / 288. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10650.000315/201036 Acórdão n.º 2402006.766 S2C4T2 Fl. 296 7 Neste contexto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose o lançamento em relação às seguintes competências 12/2005; 13/2005; 01/2006; 10/2006 (Dif. Reuniões); 11/2006 (Dif. Reuniões); 12/2006 (Dif. Reuniões) e 13/2006, com exclusão dos vereadores amparados por RPPS. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.903457/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.
Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.
Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 34 57 /2 01 2- 72 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10183.903457/201272 Acórdão n.º 3402006.011 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre a declaração de compensação não homologada tendo em vista que o DARF apontado foi utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que, no despacho decisório, foi reconhecido crédito menor do que o valor do pagamento a maior no Darf mencionado. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 02050.668: Cientificada desta decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário tempestivo, alegando o direito à compensação, eis que possuiria crédito oponível à Receita Federal, sendolhe facultado compensar diretamente o suposto indébito, fazendo apenas a exigida "Declaração de Compensação", sem necessidade de qualquer recurso ao Judiciário. Requer a recorrente que as publicações e intimações do feito sejam lançadas em nome das patronas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.005, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10183.903448/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.005): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Indeferese o pedido da recorrente para intimação em nome das patronas, vez que inexiste previsão legal nesse sentido. No âmbito do processo administrativo fiscal, as regras sobre as intimações de atos processuais fiscal dizem respeito somente à ciência do próprio sujeito passivo no seu domicílio tributário. A matéria está pacificada nesse sentido neste CARF, conforme Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.903457/201272 Acórdão n.º 3402006.011 S3C4T2 Fl. 0 3 enunciado da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Não se discute que a recorrente, como qualquer outro contribuinte, tem o direito de efetuar administrativamente a compensação de débitos próprios administrados pela Receita Federal mediante a entrega de declaração de compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mesmo porque ela pode efetivamente fazêlo, obtendo, inclusive, o deferimento parcial de seu pleito. Também não há controvérsia nos autos acerca do fato de que o DARF especificado como origem do crédito tratase de um efetivo pagamento indevido. O fato que levou à homologação parcial da compensação declarada foi que a requerente já havia utilizado parte do crédito apontado para a compensação de débitos declarados em outras PER/DCOMP's, como já havida observado o julgador a quo: O despacho contestado já reconhece o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é a insuficiência do pagamento a maior, considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores. Nos PER/DCOMP, há o campo intitulado "Crédito Original na Data da Transmissão". Conforme instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP, o valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Quando nenhuma parcela do pagamento indevido ou a maior tiver sido restituída ou utilizada em compensação anterior, ou seja, no primeiro PER/DCOMP em que o crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo "Valor Original do Crédito Inicial". A cada novo PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser menor do que o do PER/DCOMP anterior. Portanto, na análise da compensação em litígio, não se pode desconsiderar as compensações anteriores que utilizam o mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas. (...) Em que pese a então manifestante não ter contestado a parte do despacho decisório que discriminou as parcelas do crédito original que haviam sido utilizadas em compensações anteriores, a Delegacia de Julgamento explicou em detalhes como se deu o consumo do crédito nas outras PER/DCOMP's especificadas. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.903457/201272 Acórdão n.º 3402006.011 S3C4T2 Fl. 0 4 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. No entanto, a recorrente se ateve apenas a argumentações genéricas, sem a apresentação de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, a qual deve, então, ser mantida. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721776/2015-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 77 6/ 20 15 -6 0 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16682.721776/201560 Resolução nº 3302000.793 S3C3T2 Fl. 290 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 16682.721776/201560 Resolução nº 3302000.793 S3C3T2 Fl. 291 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 16682.721776/201560 Resolução nº 3302000.793 S3C3T2 Fl. 292 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16682.721776/201560 Resolução nº 3302000.793 S3C3T2 Fl. 293 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 14120.000220/2008-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE METAS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGENTE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A simples utilização do critério da assiduidade para fins de cumprimento de metas ou resultados, por si só, não atende ao disposto em lei.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
Numero da decisão: 9202-007.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE METAS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGENTE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A simples utilização do critério da assiduidade para fins de cumprimento de metas ou resultados, por si só, não atende ao disposto em lei. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 02 20 /2 00 8- 47 Fl. 410DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2401003.801 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 4 de dezembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 335: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ASSIDUIDADE/ABSENTEÍSMO. META. VALIDADE/POSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. O legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 14120.000220/200847 Acórdão n.º 9202007.415 CSRFT2 Fl. 3 3 In casu, afastar a possibilidade de a empresa estabelecer como parâmetro/condição ao pagamento da PLR a assiduidade/absenteísmo, aferido mensalmente, mas pago em duas parcelas, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Convenção Coletiva com a explicitação de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição, ainda que apurada mensalmente a partir de valor fixo ajustável de acordo com o número de faltas do trabalhador, não há se falar em afronta a legislação de regência e, por conseguinte, na incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Interposto o Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 356 a 359, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 362 a 365, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à assiduidade parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da PLR (Contribuições Previdenciárias Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para empregados). Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o ponto nuclear posto em debate atine à possibilidade de a verba denominada pelo contribuinte como “participação nos lucros” integrar ou não o salário de contribuição para fins de cobrança de exações destinadas à Seguridade Social; b) a verba intitulada de “Participação nos Lucros ou Resultados” foi paga pela contribuinte em desacordo com os dispositivos legais, conforme devidamente enfatizado no conjunto fáticoprobatório do Relatório Fiscal, uma vez que o Acordo Coletivo de Trabalho não estabelece qualquer programa de resultados a serem cumpridos pelos beneficiários (empregados); c) não é a mera instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Convenção Coletiva de Trabalho referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório; d) os índices de ausências dos trabalhadores (absenteísmo), por si só, e desacompanhado de elementos subjacente à meta ou resultado que se pretende comprovar, não atendem aos Fl. 412DF CARF MF 4 parâmetros do programa de metas delineados no art. 2º da Lei 10.101/2000; e) por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9º, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 399 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, com as seguintes considerações: a) resta claro que a assiduidade é uma meta da mais alta importância na atividade empresarial desenvolvida pela recorrida; b) a Recorrida não efetuou qualquer pagamento em desacordo com a Lei 10.101/2000; c) é perfeitamente possível que as Convenções coletivas de trabalho ou acordos coletivos possam considerar a assiduidade dos trabalhadores como um fator influente nos lucros ou resultados de uma empresa e aceitála como meta a ser alcançada, podendo, portanto, e sem qualquer ofensa à lei, inserir cláusula que considere a assiduidade dos trabalhadores como um fator que causa reflexos na apuração de resultados ou lucros; d) o acórdão trazido pela Recorrente não traduz a melhor interpretação da Constituição Federal e da legislação reguladora da distribuição de lucros ou resultados, consubstanciada na Lei 10.101/2000 e na Lei 8.212/1991, não merecendo acatamento para reformar a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Tratase de crédito de contribuições devidas a terceiros fiscalizadas e arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil conforme o art. 94 da Lei 8.212/91, incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. O fato gerador das contribuições apuradas neste levantamento ocorreu pelo pagamento ou o crédito de remuneração mensal aos empregados através da verba PLP MENSAL, no período de 01/2004 a 12/2004. Esta verba não foi considerada na base de cálculo das contribuições recolhidas. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 14120.000220/200847 Acórdão n.º 9202007.415 CSRFT2 Fl. 4 5 Conforme narrado, a matéria objeto do Recurso Especial, a qual foi admitida para rediscussão referese à assiduidade como parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da Participação nos lucros ou resultados. O acórdão recorrido consignou entendimento no sentido da possibilidade de utilização da assiduidade como meta, em atendimento à Lei 10.101/2000, como se extrai dos trechos abaixo transcritos: Ora, tratandose de empresas de ônibus, com mais razão a assiduidade dos funcionários, especialmente motoristas, é determinante ao alcance de lucros ou resultados pretendidos. Havendo faltas de funcionários desse ofício, como exemplo, diminuirão os veículos em trânsito, exigindo o cumprimento de horas extras de outros motoristas ou deslocamentos para cumprir o serviço. Em outra via, o fato de a apuração do valor a ser pago ser mensal, igualmente, não afronta à legislação de regência. Trata se de simples mecanismo de aferição da importância a ser paga, verificada a cada mês, mas apurada ao final do ano para o pagamento em duas parcelas no ano subseqüente. Ou seja, não há se falar em pagamento mensal, mas, sim, de apuração mensal, com percentual predeterminado, estabelecendo o critério da assiduidade para fins de se chegar ao valor a ser destinado a cada funcionário. Como se observa, é um critério claro e objetivo e de fácil entendimento por parte dos funcionários, indo, portanto, ao encontro com os pressupostos exigidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria. Partindo dessas premissas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de considerar o Plano de Participação nos Lucros de Resultados da empresa em conformidade com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito. Não obstante os fundamentos expostos, o meu entendimento converge com o disposto no voto vencido constante do Acórdão de Segunda Instância, pois, com a análise dos termos da Convenção Coletiva, não se vislumbra a estipulação de meta ou resultado, mas sim a possibilidade de se reduzir o valor do benefício em razão do absenteísmo dos funcionários, conforme fundamentos abaixo colacionados: Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 414DF CARF MF 6 XI. participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O seu art. 1.º dispõe: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Essa diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer regramento infraconstitucional que venha a lhe impor determinados condicionamentos, a recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estar seia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. (...). Assiduidade como condição para pagamento da PLR A outra questão abordada no recurso referese a utilização da assiduidade dos empregados como condição para que façam jus a participação nos resultados. Iniciemos pela transcrição dos dispositivos da Convenção Coletiva de Trabalho que deu ensejo ao pagamento da verba sob discussão: Fl. 415DF CARF MF Processo nº 14120.000220/200847 Acórdão n.º 9202007.415 CSRFT2 Fl. 5 7 "44.0 PLR (PRODUTIVIDADE) Fica assegurado aos empregados a percepção dos valores decorrentes a título de prêmio de produtividade de acordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000 que disciplina a matéria, considerando os seguintes critérios: I. A apuração e aquisição do direito será realizada mensalmente e corresponderá a 11% (onze por cento) por mês efetivamente trabalhado sobre o salário normativo do mês, desde que os empregados atenda o seguinte requisito: quem tiver uma primeira falta perderá somente 20% (vinte por cento) sobre o PLR. Na Segunda falta, perderá mais 30% (trinta por cento), e numa terceira falta perderá 100 (cem por cento) do PLR. Ficou acertado também entre as partes laboral e patronal, que o funcionário que vier a faltar ao serviço por questão de nascimento de filhos e/ou falecimento de ascendente ou descendente justificado através certidões não terá perda do PLR do corrente mês. 11. O pagamento observará o valor calculado e acumulado mensalmente e ocorrerá conforme previsto no. art. 3.º , § 2.º, da Lei 10.101, de 19/12/2000, em folha suplementar nos meses de janeiro e julho de 2005, juntamente com a folha de pagamento do mês imediatamente anterior. Parágrafo Único. O benefício da presente cláusula não se incorporará ao salário, não refletirá no cômputo da média das horas extras, prêmios, adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade, além de outras vantagens e também não integrará base de cálculo para efeito previdenciário." Conforme se observa não há qualquer resultado ou meta estipulada na CCT, o que esta dispõe é a possibilidade de se reduzir o valor do benefício em razão do absenteísmo dos funcionários. A recorrente, por sua vez, sustenta que essa condição está em perfeita consonância com a Lei n.º 10.101/2000, posto que as faltas dos empregados gera uma perda de produtividade, que impacta nos resultados do negócio. De acordo com a Lei n.º 8.212/1991, transcrita acima, os valores pagos a título de PLR somente estarão excluídos do saláriode contribuição caso sejam pagos em obediência à lei específica que no caso é a Lei n.º 10.101/2000. Esta exige que o instrumento de negociação entre patrão e empregados contenha regras claras e objetivas quanto à aferição do direito à percepção do benefício. Eis o que dispõe o § 1.º do art. 2.º: §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 416DF CARF MF 8 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Quando analisamos o texto da Convenção Coletiva acima, fica evidente o não atendimento da regra legal citada. Sabese que esta norma menciona critérios e condições que podem ser eleitos no instrumento de negociação, sendo a relação meramente exemplificativa, todavia, o pagamento da PLR deve estar atrelado a algum parâmetro. No caso sob apreciação, verificase que a empresa fica obrigada a pagar a cada empregado o valor correspondente a 11% do seu salário nominal, desde que o empregado não conte com nenhuma falta ao trabalho, podendo este valor ser reduzido em razão do absenteísmo do trabalhador. Na verdade estamos diante de um benefício que não decorre de qualquer meta da empresa, o qual, todavia, pode ser reduzido como punição ao empregado pela falta ao trabalho. De se concluir que, inexistindo na Convenção Coletiva metas corporativas ou individuais a serem alcançadas, o pagamento da verba em questão está em dissonância com a lei de regência, não se aplicando a isenção prevista na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. (...). Não devo acatar também a tese de que a verba poderia ser tratada como "abono assiduidade", a qual estaria fora do campo de tributação para a Seguridade Social. Analisando o § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, dispositivo que traz relação exaustiva dos casos de exclusão de parcelas do saláriodecontribuição, não se verifica qualquer menção ao abono relacionado à frequência ao trabalho. Assim, por falta de previsão legal não se admite que este tipo de abono deixe de sofrer a incidência de contribuições. Quando a Lei (item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28) fala não incidência sobre o abono, faz a ressalva que devem ser excluídos do saláriodecontribuição apenas os abonos expressamente desvinculados do salário, o que não é o caso, haja vista que na espécie o ganho representa o percentual de 11% do salário do empregado para cada mês trabalhado. (...). Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Além dos argumentos expostos, entendo que a assiduidade, que diz respeito ao comparecimento contínuo do colaborador a seu trabalho, é dever elementar do empregado, podendo o seu descumprimento, inclusive, ocasionar justa causa para a rescisão do contrato de trabalho por desídia, conforme se observa do art. 482, alínea "e" da Consolidação das Leis do Trabalho. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 14120.000220/200847 Acórdão n.º 9202007.415 CSRFT2 Fl. 6 9 Assim, a simples utilização do critério da assiduidade não se mostra suficiente para fins de cumprimento de metas ou resultados necessários ao recebimento da PLR desvinculada do salário, de acordo com a interpretação atribuída à Lei 10.101/2000. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 418DF CARF MF
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