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Numero do processo: 10580.720095/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008
SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº. 9.430/96. SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS DA AÇÃO RESCISÓRIA.
É devido o recolhimento da Cofins pelas sociedades civis de profissão regulamentada, nos termos do art. 56 da Lei nº. 9.430/96. Tendo sido julgado procedente o pleito da ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional, os efeitos decorrentes da decisão rescindida desfazem-se de forma ex tunc, a fim de que a situação volte a seu status quo ante.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO.
O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF, a este Colegiado é vedado deixar de observar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Incabível negar-se a aplicação da multa de ofício, prevista na lei nº. 9.430/96, ao argumento de que violaria princípios constitucionais.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº. 9.430/96. SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS DA AÇÃO RESCISÓRIA. É devido o recolhimento da Cofins pelas sociedades civis de profissão regulamentada, nos termos do art. 56 da Lei nº. 9.430/96. Tendo sido julgado procedente o pleito da ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional, os efeitos decorrentes da decisão rescindida desfazemse de forma ex tunc, a fim de que a situação volte a seu status quo ante. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. 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Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face da contribuinte CAM CLÍNICA DE ASSISTÊNCIA À MULHER LTDA, em 06/01/2011, para exigência da Cofins, bem como de juros de mora e multa de ofício agravada, no valor total de R$ 2.000.370,59, em razão de ter sido verificada a falta de recolhimento da referida contribuição no período compreendido entre 31/01/2006 e 31/12/2008. Neste ponto, por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de janeiro de 2006 a dezembro de 2008. Conforme apontado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração, foi constatada a falta de recolhimento ou declaração da Cofins nos períodos verificados. A contribuinte apresentou à Fiscalização documentos judiciais acerca da controvérsia a respeito da isenção da Cofins para as sociedades civis de profissão regulamentada. Todavia, a autuante afirma que a contribuinte deixou de recolher e declarar a Cofins sem ter nenhum respaldo legal ou judicial. Cientificada da exigência fiscal em 06/01/11, a autuada apresenta em 07/02/11 a Impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Os valores imputados no auto de infração são indevidos, pois à época a empresa não era contribuinte da Cofins, conforme a decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS nº 2000.33.000078947. • A Lei Complementar nº 70, de 1991, previa em seu artigo 6º, II, a isenção da Cofins para as sociedades civis prestadoras de serviço de profissão regulamenta. Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, passou a surgir a controvérsia pelo artigo 56, que em seu texto dizia revogar a isenção concedida pela Lei Complementar. Ocorre que tal alteração só poderia ser feita mediante lei complementar, haja vista que a superioridade hierárquica da lei complementar não é conferida pelo elemento material, mas sim formal. • Coube ao STJ e STF decidirem se o artigo 56 da Lei nº 9.430, de 1996, era ou não constitucional. Desta forma o controle de constitucionalidade exercido foi abstrato, fazendo valer dali em diante (ex nunc), erga omnes, a decisão exarada pelas cortes superiores. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.720095/201112 Acórdão n.º 3202000.750 S3C2T2 Fl. 853 3 • Destaquese, também, que a multa aplicada fere o artigo 150, IV, da Constituição Federal de 1988, que veda a utilização do tributo com efeito confiscatório. Há também violação dos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade e da capacidade contributiva. • O ato administrativo vinculado pode sofrer controle principiológico, permitindo à própria administração pública a revisão de seus atos ilegais ou inconstitucionais.” A DRJSalvador/BA julgou a impugnação procedente em parte, afastando o agravamento da multa de ofício aplicada (efls. 816/822), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar nº 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996, conforme já pacificado pelo Supremo Tribunal Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Incabível a duplicação do percentual da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, quando não restar comprovada a ação ou omissão dolosa de que tratam os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (efls. 828/845), repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Alegou, em síntese: que o crédito tributário lançado de ofício é inexigível, por ter sido assim declarado judicialmente, nos autos do mandado de segurança nº.2000.33.00.0078947, o qual tramitou na 10ª vara da Justiça Federal. Afirma que, na data da autuação, por força daquela decisão judicial, não era contribuinte da Cofins; tece considerações acerca da alegada isenção da Cofins para as sociedades civis de profissão regulamentada e as disposições do inciso II do art . 6º da Lei Complementar Fl. 854DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 nº. 70/91 e do art. 56 da Lei nº. 9.430/96. Afirma que, não obstante o STJ ter firmado seu entendimento afastando a cobrança da Cofins das sociedades civis, houve por bem aquela Corte rever o seu posicionamento e decidir por considerar a revogação da isenção da Cofins trazida pela Lei nº. 9.430/96, o que fez com que a Fazenda Nacional intentasse diversas ações rescisórias, a fim de desconstituir as decisões transitadas em julgado favoráveis às sociedades civis; que coube, assim, ao STF e ao STJ decidirem se o art. 56 da Lei nº. 9.430/96 era ou não constitucional. Este controle de constitucionalidade exercido foi abstrato, fazendo valer as decisões exaradas por aquelas cortes, erga omnes, dali em diante. Afirma que, nesta situações, o STF firmou o entendimento de que, em sede de controle abstrato, devese respeitar as situações jurídicas constituídas, a boafé e o direito adquirido, de forma que os efeitos do controle concentrado serão ex nunc, para o futuro; que os débitos argüidos foram compensados antes do término da ação rescisória, por força da coisa julgada que existia favorável à autuada em relação à isenção da Cofins; e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% afronta os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco. Ao final, requereu o total provimento do recurso interposto, a fim de desconstituir o Auto de Infração, reconhecendose a improcedência do crédito tributário exigido. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, tratase a lide de Auto de Infração lavrado em face da contribuinte já identificada nos autos, para exigência da Cofins, bem como de juros de mora e multa de ofício agravada, no valor total de R$ 2.000.370,59, em razão de ter sido verificada a falta de recolhimento da referida contribuição no período compreendido entre 31/01/2006 e 31/12/2008. O agravamento da multa de ofício foi afastado pela DRJ, que decidiu manter a penalidade no percentual de 75%. Não se está aqui a discutir a constitucionalidade ou não do art. 56 da Lei nº. 9.430/96, visto que tal matéria já foi objeto de ação judicial movida pela contribuinte. Quanto a tal ação, esclarece a autoridade autuante todas as etapas de seu julgamento, a saber: “A fiscalizada impetrou MS nº. 2000.33.00.0078947. perante a Justiça Federal na seção judiciária da Bahia, para lhe garantir isenção da COFINS, o qual foi julgado “improcedente” em primeira instância. Inconformada com a decisão contida na sentença proferida em 1ª instância, lançou mão de recurso de apelação perante o Tribuna Regional Federal da 1ª Região, que em acórdão proferido, decidiu pela improcedência do recurso de apelação. Mais uma vez a fiscalizada, inconformada com a decisão proferida em acórdão pelo TRF1ª Região, ajuizou recurso especial perante o Superior Tribunal de Justiça, eu decidiu em acórdão proferido, dar provimento ao recurso especial analisado. Contra a decisão contida no acordai de recurso especial proferido pelo STJ, a Fazenda Nacional ajuizou a Ação Rescisória nº. 3.572BA (2006/01139442) que foi julgada procedente em Fl. 855DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.720095/201112 Acórdão n.º 3202000.750 S3C2T2 Fl. 854 5 09/12/2009, restabelecendo, portanto, a decisão contida no acórdão proferido pelo TRF1ª Região, o qual manteve a sentença prolatada pelo Juízo de primeiro grau, que havia denegado a segurança.” Assim, diferentemente do que faz parecer a autuada, não se está a discutir os efeitos de qualquer controle de constitucionalidade que tenha sido exercido pelo STF ou pelo STJ, mas sim dos efeitos da ação rescisória contra a sentença proferida em sede de recurso especial ajuizada pela contribuinte. A ação rescisória é forma de relativização da coisa julgada e visa desconstituir a sentença de mérito já transitada em julgado. Sobre os efeitos rescindendos decorrentes da procedência da ação rescisória, afirma José Arnaldo Vitagliano: “os efeitos da decisão de procedência da ação rescisória atingem diretamente a sentença atacada, rescindindoa por completo, tornandoa nula” 1 Ainda sobre o alcance do pedido rescisório, vale citar os ensinamentos de Ernane Fidélis dos Santos2, no sentido de que o novo julgamento tem o condão de fazer com que, caso a decisão rescindida já tenha sido executada, as coisas voltem ao estado anterior, por força de nova execução. Eis seus dizeres: “O pedido que se pode cumular ao de rescisão é apenas o de novo julgamento da causa. Não se comporta, na rescisória, pedido específico de condenação à devolução de coisa, dinheiro, indenização por serviço prestado etc., quando já tiver havido execução da sentença ou acórdão rescindendos. Mas, na consideração de que, declarada a rescisão do ato jurídico judicial, tudo volta ao estado anterior, o iudicium rescissorium poderá gerar efeitos secundários que também autorizam execução. O autor da rescisória fora condenado, como réu, a pagar quantia em dinheiro, ou a entregar imóvel que tinha em sua posse. No novo julgamento, o acórdão da rescisória deu pela improcedência do pedido condenatório, ou ao de reivindicação. Como efeito secundário da decisão, que é declaratória, muito lógico que, já tendo havido execução, por outra se façam voltar as coisas ao estado anterior, isto é, que se permita ao autor fazer, através do processo executório, o imóvel voltar a sua posse, e a se reembolsar da quantia que pagou indevidamente, em execução, com os acessórios que lhe são peculiares”.(grifo não constante do original) No mesmo sentido é a lição de Pontes de Miranda3, segundo a qual a prestação jurisdicional que fora entregue em ação anterior será desfeita, em caso de êxito do juízo rescisório. Noutros dizeres, sendo julgado procedente o pleito rescisório, os efeitos decorrentes da decisão rescindida desfazemse de forma ex tunc, a fim de que a situação volte a seu status quo. Isso porque, com o trânsito em julgado da sentença rescindente, tudo que fora rescindido é retirado do mundo jurídico, ou seja, a sentença que anteriormente era eficaz, deixa de existir, prevalecendo, portanto, o novo julgamento proferido em sede do juízo rescisório. Assim, no momento em que a ação rescisória foi julgada procedente, houve a desconstituição da decisão proferida pelo STJ que garantia à contribuinte a não incidência da Cofins, restabelecendose a decisão proferida em 2ª instância, desfavorável à autuada. 1 VITAGLIANO, José Arnaldo. Coisa Julgada e Ação Anulatória. Curitiba: Juruá, 2004. p. 148. 2 SANTOS, Ernane Fidélis dos. Manual de direito processual civil. Volume 1. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 762/763. 3 MIRANDA, Pontes, de. Tratado da ação rescisória. 2. ed. São Paulo: Bookseller, 2003, p. 521/540 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Deveria a contribuinte então, naquele momento, ter efetuado o recolhimento da Cofins foi julgada devida pelo Poder Judiciário. Não o fazendo, procedente a autuação perpetrada. Neste sentido, irretocável o entendimento da DRJ, quando afirma: “(...) no momento que o Poder Judiciário decidiu pela validade da revogação da isenção da Cofins, deveria a contribuinte ter buscado a regularização de seus débitos de Cofins, e não ter permanecido inerte, sem declarar ou pagar a Cofins. Temse por correto, portanto, o procedimento da Fiscalização, ao lançar de ofício a Cofins devida nos períodos de apuração dos anos de 2006, 2007 e 2008”. Quanto à aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, temse eu a penalidade cominada em lei não é atividade discricionária, sendo, antes, obrigatória e vinculada, não podendo a autoridade fiscal deixar de aplicála, em se configurando a situação tipificada no texto legal, sob pena de responsabilidade funcional. O que se tem nos autos é que a contribuinte deixou de recolher a COFINS que era devida. Tal fato subsumese exatamente à hipótese prevista no inciso I art. 44 da Lei 9.430/1996 – qual seja, a falta de recolhimento do imposto devido – e enseja a quem nela incorre a multa de 75% da obrigação tributária não satisfeita. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Ora, o não recolhimento da COFINS caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a multa referida, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei. Acertada a decisão da DRJ que reduziu, de ofício, o percentual aplicado, nada havendo a reparar na sentença a quo neste sentido. Por último, temse que, conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF, a este Colegiado é vedado deixar de observar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, excetuandose os casos previstos em seu parágrafo único. Desta forma, não é cabível negarse a aplicação da multa de ofício, prevista na lei nº. 9.430/96, ao argumento de que violaria os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 857DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.720095/201112 Acórdão n.º 3202000.750 S3C2T2 Fl. 855 7 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001806/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
RECEITA DA ATIVIDADE RURAL - VENDA DE PRODUTOS POR
PREÇO VARIÁVEL, FIXADO CONFORME COTAÇÃO - APURAÇÃO.
No caso de venda antecipada de produto ou compromisso de venda, por preço estabelecido por cotação, a receita da atividade rural deve ser apurada considerando-se a cotação do produto no momento da entrega.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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I 1- MINISTÉRIO DA FAZENDA -45T:p7r:( CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10950.001806/2007-14 Recurso n° 163.799 Voluntário Acórdão n° 2201-00.347 - r Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s).: 2004 Recorrente BERNADETE BAREA AITA Recorrida 2' TURNLVDRI-CURITIBAPR • ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - TRPF Exercício: 2004 RECEITA DA ATIVIDADE RURAL - VENDA DE PRODUTOS POR PREÇO VARIÁVEL, FIXADO CONFORME COTAÇÃO - APURAÇÃO. No caso de venda antecipada de produto ou compromisso de venda, por preço estabelecido por cotação, a receita da atividade rural deve ser apurada considerando-se a cotação do produto no momento da entrega. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. - Moisés CSI'rizt11:19-CLT-Siac unes a 21va- Presidente em exercício ÍPIttr()1"3?" • f;o Paul Pereira &Los - Relator EDITADO EM: 19 ABR Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Edgar Silva Vida! (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia. Moreira Barros Ma77a (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Rayana Alves de Oliveira França e Janaína Mequita Lourenço de Souza. • Relatório BERNADETE BAREA AITA interpôs recurso voluntário contra acórdão da TURMA/DRJ-CURITIBA/PR que julgou procedente em parte lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 250/287. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 66.542,75, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 148.257,24. • A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no instrumento de autuação é a omissão de rendimentos da atividade rural. Segundo o relato fiscal, o lançamento teve por base diferenças apuradas entre os valores que a Contribuinte recebeu pelo exercício da atividade canavieira através de consórcio de produtores e as receitas por ela declaradas. Destaca que a receita auferida pela Contribuinte por meio do consórcio de produtores representa 94% de toda sua receita bruta e quase a totalidade das despesas e custos também se refere à exploração por meio de consórcio. Apurou a Fiscalização, prossegue o relato, valores contabilizados pelo consórcio como variações monetárias ativas, da ordem de R$ 4.681.462,82, não foram apropriados pelos consorciados nas suas receitas declaradas; que, por outro lado, o consórcio incorporou ao resultado despesas financeiras, no valor de R$ 5.415.075,81. Após extensa análise dos fatos, concluiu a autoridade lançadora que: o sujeito passivo omitiu receitas da atividade rural relativas ás atualizações positivas do preço da cana de açúcar (fixação), realizadas em conformidade com a cotação mensal deste produto divulgada pela CONSECANA, efetuadas nos valores recebidos a titulo de adiantamento pela entrega futura deste produto. Omitiu também as receitas provenientes das variações positivas realizadas no saldo devedor previsto no contrato presente às jis. 181/185, negociados pelo consórcio JBN E OUTROS no qual o sujeito passivo é integrante e possui, 667 de participação, decorrentes da variação da cotação do preço desse produto divulgada pela CONSECANA. O Contribuinte impugnou o lançamento no qual contesta o entendimento da fiscalização quanto ao valor efetivo da receita. Argumenta que na conta variação monetária ativa foram escrituradas as atualizações, ou seja, apenas a variação mensal do preço da cana de açúcar e que isso é mera atualização de valor não podendo ser considerado como aquisição de disponibilidade de renda. Insurge-se contra o percentual da multa aplicada que diz ser confiscatória e contra a incidência de juros com base na taxa Selic. A r TURMAJDRI-CURITD3A/PR julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o valor do imposto apurado no lançamento de R$ 66.542,75 para R$ 41.238,49 com base, em síntese, nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, contesta a afirmaçà'o da Impugnante de que as variações positivas nos preços da cana não podem ser consideradas rendimentos tributáveis. Ressalta que • Processo ré 10950.001806/2007-14 S2-C2T1 Acórdão n.° 220140347 FL 2 o resultado da atividade rural deve ser apurado na forma como preconizada na Lei n° 8.023, de 1990, com o cotejo entre as receitas e as despesas e que as variações positivas integram as receitas, como as variações negativas são despegas. Destaca, todavia, que somente se considera na apuração do resultado da atividade rural as receitas auferidas e as despesas incorridas no curso de cada ano calendário e que as variações registradas na conta de obrigação na contabilidade do Consórcio deve ser desprezada já que se trata de conta meramente escriturai, sem correspondente movimentação financeira. Em conclusão, a Turma Julgadora de primeira instancia, elaborou quadro no qual separa as variações monetárias ativas referentes aos adiantamentos e as variações decorrentes do contrato com a USASIGA, excluindo este último resultado. A Decisão de primeira instância destacou, ainda, a regularidade das exigências da multa de oficio e dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, ressaltando que se trata de exigências baseadas em disposição legal expressa. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 15/10/2007 (fls. 340) e, em 05/11/2007, interpôs o recurso de fls. 342/373 no qual reitera que não ocorreu o fato gerador, nos termos do art. 43 do CTN, pois as variações monetárias ativas que foram consideradas como receitas não representaram acréscimo patrimonial e, portanto, •não implicam em aquisição de disponibilidade de renda. Sustenta, em longo arrazoado, a não' incidência do imposto de renda sobre variações monetárias positivas por não se constituírem aquisição de renda. Reitera, também, as manifestações contrárias à multa de oficio que teria natureza confiscatória e aos juros de ora, calculados com base na taxa Selic. •É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator • O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, o litígio persiste apenas cOm relação à parte do lançamento envolvendo valores correspondente a variações monetárias ativas dos adiantamentos, que deixaram de ser apropriadas como receitas, eis que, com relação à variação monetária do saldo devedor do contrato a decisão de primeira instância já afastou a exigência. A parte em discussão corresponde às variações individuais contabilizadas pelo consórcio às fls. 113/115 e à variação monetária apurada nas planilhas de fls. 189/192. Antes de examinar especificamente os fatos, cumpre tecer algumas considerações a respeito do tratamento tributário para os adiantamentos recebidos e/ou a venda de produtos para entrega futura. Reza o art. 61 do RIII/99: Art. 61. Á receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades • definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtor-vendedor. § 20 Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. § 3° Nas vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotação internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. Do exame desses dois dispositivos resta claro no caso de recebimento de adiantamento pelo produtor a receita deve ser apropriada na data da efetiva entrega do produto e que, no caso de fixação do preço por cotação, deve prevalecer o preço no momento do fechamento da operação. • O que se extrai dessas orientações é que, no caso de adiantamento para entrega futura de produtos a preço de mercado sendo este variável, a receita deve ser calculada considerando o preço do produto no momento da entrega, independentemente da sua cotação no momento do adiantamento. Isso implica dizer que, apurando-se a receita com base neste critério, não há que se falar em adicionar ou subtrair da receita assim apurada valores a titulo de variação monetária ativa ou passiva, considerada a variação de preço entre o momento do adiantamento e o da entrega dos produtos. PTOCCISO If 10950.001806/2007-14 S2-C2T1 Acórdão ri.° 2201-00347 Fl. 3 No presente caso, o que se verifica é que o faturamento foi feito pela cotação do produto no momento da entrega, fato que, aliás, é admitido na autuação. Tomando-se por base a planilha de fls. 189/192, na qual se baseou a autuação, o que se verifica é que esta regista, a cada mês, o saldo dos valores adiantados, e ao saldo do mês anterior é adicionado os novos adiantamentos e subtraidas as entregas. Pois bem, a cotação considerada para a apuração do valor dos adiantamentos feitos no mês, da cana entregue no mês e do saldo no mês é a mesma. • Para demonstrar este fato, tomemos como exemplo o mês de julho de 2003. O saldo em junho era de 327.553,72 t de cana, correspondente ao valor de R$ 8.575.356,46. Em julho foi feito novo adiantamento de 62.811,39, à cotação de R$ 24,08, correspondendo ao valor de R$ 1.513.126,32; e foram entregues 73.367,78 t de cana que, à mesma cotação de R$ 24,08, correspondia ao valor de R$ 1.766.295,17. Somando-se o saldo anterior de junho ao valor do adiantamento e subtraindo o valor da cana entregue, obtém-se a cifra de RS 8.322.187,61, correspondente ao saldo de 316.997,33 t de cana. Porém, calculando-se o valor deste saldo pela cotação do mês (RS 24,08) é que se obtêm a cifra de R$ 7.636.465,74. Pois bem, o valor da variação monetária ativa de RS 685.721,87 corresponde à diferente entre R$ 8.322.187,61 e R$ 7.636.465,74. Isto é, para se calcular a variação monetária se atualizou o saldo, após os novos adiantamentos e entregas, utilizando como parâmetro a mesma cotação utilizada na entrega do produto. Ora, se a cana foi entregue pelo seu valor conforme a cotação no momento da entrega não há falar em diferença a ser acrescida ou deduzida para fins de apuração da receita da atividade. Assim, diferentemente do que concluiu a Fiscalização, a variação monetária ativa apurada pelo consórcio não reflete nenhuma diferença a menor no preço de entrega do produto, mas apenas a atualização do preço do saldo devedor. A variação monetária, tanto ativa quanto passiva, constante da referida planilha corresponde apenas ao acréscimo ou decréscimo do valor do saldo em decorrência da variação de preço da cana a cada mês, sem nenhuma relação com a cana entregue. Portanto, não há que se falar em adicionar ou subtrair essa variação monetária para fins de apuração da receita da atividade rural. Segundo o relato fiscal o Contribuinte deduziu como despesa a variação monetária passiva. Se deduziu a variação passiva, como afirmado, a Contribuinte o fez indevidamente e, portanto, a dedução poderia ter sido glosada. Mas, se o lançamento, equivocadamente, lançou como omissão de receita a variação monetária ativa, ao invés de glosar a dedução indevida da variação monetária passiva, o erro somente poderia ser corrigido mediante novo lançamento. O julgamento deve se limitar a confirmar o lançamento correto ou afastar a exigência indevida. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. (—?4Itõ p0A2,6PERE1TRA) BARBOSA • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10950.001806/2007-14 Recurso n°: 163.799 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhbr (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ri° 2201-00.347. Brasília/DE, 19 Aqc 2Glü EVELINE COËLHOE TO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904830/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.904830/200948 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.750 – 3ª Turma Especial Sessão de 9 de julho de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente ARCA ARMAZENS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA (Sucedida por Nichio Sobrinho Café S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 48 30 /2 00 9- 48 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório ARCA ARMAZENS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA (Sucedida por Nichio Sobrinho Café S/A), ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ , interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. 0 presente processo tem como objeto a compensação que é objeto da declaração 23689.30331.271005.1.3.042706. 0 crédito pleiteado, no valor de R$ 913,52, referese a parcela de pagamento indevido de estimativa de CSLL (código 2484), mês 08/2001, no valor total de R$ 4.188,87. Conforme despacho decisório eletrônico de fls 05 a declaração de compensação foi não homologada sob o fundamento de que o recolhimento apontado como origem do crédito teria se esgotado para extinguir débito cuja receita, período e valor são coincidentes com aqueles do alegado crédito. Cientificada do despacho em 29/04/2009 (fls 17), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 01/04, na qual alega que, equivocadamente, informou no Per Dcomp que seu crédito seria referente a pagamento indevido de estimativa, referente a agosto de 2001, quando, na verdade, é oriundo de saldo negativo de CSLL apurado no mesmo ano. Aduz, ainda, que não teria logrado êxito em sua tentativa de promover a retificação do Per Dcomp, quanto à natureza do crédito. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1238486, de 13 de julho de 2011 (fls. 25/28), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. A declaração de compensação somente pode ser retificada enquanto pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente . Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 22/12/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 44), apresentou o recurso voluntário em 20/01/2012 fls. 46/51, onde reafirma seu direito seu direito ao crédito postulado indevidamente como pagamento a maior ou indevido, quando se trata na realidade de saldo negativo de CSLL. É o relatório Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10783.904830/200948 Acórdão n.º 1803001.750 S1TE03 Fl. 112 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP cujo direito creditório foi postulado como pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao fato gerador 31/08/2001, cujo pagamento ocorreu em 28/09/2001. Alega a recorrente em síntese que teria cometido lapso material no preenchimento da PER/DCOMP sendo que a estimativa recolhida compõe na verdade o saldo negativo de CSLL de 2001, conforme pode ser verificado junto a sua DIPJ. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, inicialmente não subsiste mais a restrição em relação a compensação de estimativas de IRPJ e CSLL recolhidas indevidamente, apontada como óbice pela Delegacia de Julgamento, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 84: (verbis) Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Já o único fundamento contido no despacho decisório (fl. 18 e 32 eproc) é de que o crédito pretendido já se encontra alocado para outros débitos do contribuinte. A confirmarse a efetiva existência de saldo negativo de CSLL de acordo com a sua DIPJ relativa ao ano calendário 2001 haveria em tese direito creditório frente a Fazenda Nacional. Considerando, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de CSLL, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 14033.000217/2011-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.155
Decisão: Resolução 2403000.155
Decisão: Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Resolução 2403000.155 Decisão: Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.
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score : 1.0
Numero do processo: 10235.000851/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 08 51 /2 00 8- 18 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10235.000851/200818 Acórdão n.º 2302002.406 S2C3T2 Fl. 511 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 30/09/2002, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos servidores comissionados lotados em gabinete, apuradas nas folhas de pagamento, no período de 01/1999 a 06/2001. Após a impugnação os autos baixaram em diligência, fls.327, para a verificação da existência de servidores vinculados a regime próprio de previdência, no levantamento efetuado. Informação de fls. 328, retifica o crédito lançado, retirando do lançamento 28 servidores que não pertenciam ao regime geral de previdência social, conforme planilhas de fls.329/334, juntando documentos de fls. 328/424. O contribuinte foi notificado e DecisãoNotificação de fls. 429/438, julgou o lançamneto procedente em parte. Não foi apresentado recurso e o notificado impetrou Mandado de Segurança para que lhe fossem apresentados os autos originais das NFLD’s e para que fosse reconhecida a Procuradoria Geral do Estado como competente para se manifestar no procedimento administrativo e não a Procuradoria da Assembléia Legislativa. A segurança foi concedida porque o Estado do Amapá não tinha sido cientificado da DecisãoNotificação que tinha sido enviada à Assembléia Legislativa. A Decisão foi então enviada e recebida pelo Gabinete do Governador, conforme carimbo aposto às fls.466. Sentença de fls. 471/476, proferida no MS diz: (...) b) anulo os atos praticados nos autos das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD n.ºs 35.439.4053/2002 e 35.439.4061/2002, a partir da expedição das notificações destinadas a dar ciência ao Estado do Amapá das decisões relativas à sua impugnação ao lançamento dos débitos, a fim de que sejam renovados com observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. (...) Reaberto o prazo recursal, frente à sentença acima referida, a Procuradoria Geral do Estado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) que seja declarada a nulidade da notificações desde o seu início, pois não foia assinada pelo Governador ou pelo Procurarador Geral; Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 c) a nulidade da decisão de primeira instância, pois a Procuradoria Geral do Estado não foi intimada do resultado da diligência que modificou o crédito lançado; d) a improcedência do lançamento pela insubsistência fática ou jurídica do fato gerador ou da base de cálculo; e) a nulidade da multa aplicada e o afastamento dos juros moratórios; f) por fim protesta por todos os meios de prova e que as intimações sejam feita à Procuradoria Geral do Estado do Amapá. É o relatório. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10235.000851/200818 Acórdão n.º 2302002.406 S2C3T2 Fl. 512 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido. O lançamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de servidores não abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá e antes da emissão da Decisão de primeira instância foi realizada diligência, que retificou o crédito lançado. De acordo com o exame dos autos é de se ver que o Estado do Amapá impetrou Mandado de Segurança para que as intimações fossem efetuadas à Procuradoria Geral do Estado e não à Procuradoria da Assembléia Legislativa, cuja sentença, além de conceder a segurança determinou a anulação de todos os atos, a partir da ciência da impugnação, para que fossem renovados com a observância dos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada, leiase Procuradoria Geral do Estado (conforme sentença proferida no MS) tenha sido cientificada do resultado da diligência de fls.329/424, que retificou o crédito lançado. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência em parte do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos Fl. 691DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10235.000851/200818 Acórdão n.º 2302002.406 S2C3T2 Fl. 513 7 Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente, conforme disposto na sentença do Mandado de Segurança, do resultado da diligência fiscal de fls. 329/424, abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de nova decisão. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 693DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15504.015168/2010-04
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO.
Não configuradas as alegadas omissões no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.
Numero da decisão: 1802-001.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO. Não configuradas as alegadas omissões no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 51 68 /2 01 0- 04 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela interessada acima identificada, Viviane Mendes Pena Cardoso (na condição de responsável tributário), visando sanar alegados vícios de omissão presentes no Acórdão nº 1802001.393, proferido por este colegiado na sessão de 03/10/2012. O presente processo abrange créditos tributários referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativos a fatos geradores apurados junto à empresa Moda ÍtaloBrasileira Ltda. nos anoscalendário de 2005 a 2007. A empresa autuada, Moda ÍtaloBrasileira Ltda., era optante do Simples, mas foi excluída deste regime de tributação com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2004. Essa exclusão, constante de outro processo, foi confirmada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, e não foi objeto de recurso ao CARF. A referida empresa havia apresentado declarações simplificadas para os anos de 2005 a 2007, mas o regime tributário adotado nestas declarações não foi acolhido, em razão da mencionada exclusão do Simples. No presente processo, pela falta de apresentação de livros fiscais e da respectiva documentação comprobatória, foi realizado o arbitramento do lucro com base nas receitas declaradas e em receitas omitidas, que foram apuradas a partir das vendas realizadas por meio de operadoras de cartão de crédito/débito. A apuração das diferenças exigidas sobre a receita declarada em DSPJ se deu mediante a dedução dos valores recolhidos, de acordo com a participação de cada tributo no recolhimento simplificado. Sobre esta infração foi aplicada a multa de 75%. Para o outro item de autuação, relativo às receitas omitidas, aplicouse a multa de 150%. Foi ainda atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário para Fernando da Mota Júnior e Viviane Mendes Pena Cardoso, nos termos do art. 135, III, do CTN, e também para a empresa JRM Comércio de Roupas e Acessórios Ltda., na condição de responsável por sucessão, conforme o art. 133, I, do CTN. Houve apresentação de impugnações, e na primeira instância administrativa a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG manteve integralmente o crédito tributário constituído, bem como a sujeição passiva solidária das demais pessoas envolvidas, na condição de responsáveis tributários. Na seqüência, houve apresentação de recurso voluntário por Viviane Mendes Pena Cardoso (na condição de terceiro responsável art. 135, III, do CTN) e pela empresa JRM Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 4 3 Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. (na condição de responsável por sucessão art. 133, I, do CTN). O exame destes recursos se deu pelo já mencionado Acórdão nº 1802 001.393, ora embargado, que foi proferido por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006, 2007, 2008 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário apresentado por um dos autuados, em razão de seu protocolo ter ocorrido posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. PROVA Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar diligências caso entenda isso necessário. AMPLA DEFESA Não pode alegar desconhecimento das peças processuais o contribuinte que delas extraiu cópia integral. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA Constatada a ocorrência de sonegação/fraude, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA Exigese multa qualificada quando a pessoa jurídica agiu com o intuito de escamotear ao Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador de crédito tributário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. INTERPOSTA PESSOA Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 5 4 Constatada a interposição de pessoa com o objetivo de mascarar a identificação de seu verdadeiro administrador, deve ser este responsabilizado quando ficar comprovado que ele exerceu poderes de gerência. Somente foi conhecido o recurso de Viviane Mendes Pena Cardoso. A intempestividade prejudicou o conhecimento do recurso da empresa JRM Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. (arrolada como responsável por sucessão). Posteriormente à ciência do referido acórdão, Viviane Mendes Pena Cardoso apresentou embargos de declaração, a serem examinados no presente momento, argumentando: que não existe nos autos qualquer prova de que a Embargante tivesse exercido a função de administradora de fato da sociedade autuada, mesmo tendo procuração que lhe garantia poderes amplos. Pelo contrário, a Embargante somente exteriorizou atos formais de quem exerce a função de tesoureira; que a responsabilização não foi analisada e/ou exteriorizada na r. decisão, o que enseja uma omissão, devendo, assim, a mesma ser sanada por essa Egrégia Turma. Em nenhum momento a decisão, ora guerreada, trouxe a lume a exteriorização de qualquer ato praticado pela Embargante com violação ao contrato social ou lei ou ato normativo, evidenciando, assim, falta de provas quanto à responsabilidade tributária da Embargante; que o Termo de Verificação Fiscal traz em seu bojo fundamentações diversas, com base em documentos que não fazem parte integrante dos autos, impossibilitando a Embargante de se defender amplamente contra as imputações lançadas contra si na qualidade de coobrigada; que se indaga o que levou o fisco a expedir um ofício direcionado ao cartório de Contagem e, especialmente, requerer cópia de procurações, sendo que tanto a pessoa jurídica, quanto à Embargante, nunca tiveram domicílio fiscal naquela cidade? Porque nenhum outro cartório, principalmente de Belo Horizonte, foi intimado para tal fim? Que informação o Fisco detinha, que não consta nos autos, que o levou a proceder de forma tão direcionada? que se nota, pelo trabalho apresentado pelo Fisco, que o mesmo detinha informações e/ou documentos que não foram inseridos no PTA em questão, o que impede que a Embargante exerça sua defesa com plenitude. Tal situação é totalmente inconcebível no estado de direito; que não há nos autos qualquer Declaração do IRPJ Simples da empresa Moda ÍtaloBrasileira Ltda. Ademais, a peça fiscal cita um "Dossiê Integrado", que foi pesquisado, e através do qual se concluiu que a empresa realizou vendas no anocalendário de 2005 a 2007. Que dossiê é esse? Onde ele se encontra? Como se tem acesso a ele? Porque o mesmo não foi juntado aos autos? Como a Embargante poderia, ao menos, se defender de tal absurdo? que o Fisco nem mesmo realizou qualquer diligência no sentido de localizar o contador da empresa, o que é praxe em qualquer fiscalização, com o fito de verificar quem era o responsável pela empresa e o real beneficiário e autores das condutas descritas no Termo Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 6 5 de Verificação Fiscal. Portanto, totalmente falho o trabalho do fisco e leviana a responsabilização da Embargante pelo crédito tributário apurado; que tais alegações foram devidamente apresentadas no Recurso Inominado aviado pela Embargante, sem, contudo, terem sido enfrentadas por essa ilustre turma de julgamento, ensejando, assim, mais uma omissão; que diante das razões invocadas, como medida da mais lídima justiça, essa r. turma de julgamento deve sanar as omissões existentes, o que desde já se requer. Este é o Relatório. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O Despacho de Encaminhamento, às fls. 1.053, informa que a Embargante (Responsável Solidária, com CPF nº 036.789.23674) foi cientificada do Acórdão nº 1802 001.393 por edital, em 06/12/2012; que ela opôs os referidos embargos de declaração em 04/02/2013; e que, portanto, os embargos seriam intempestivos. Nos embargos, a interessada consignou a seguinte informação: Conforme se verifica nos autos, a ciência da referida decisão ocorreu em 28/01/2013 (segundafeira), iniciando o prazo no primeiro dia útil subseqüente, qual seja, 29/01/2013 (terça feira), findandose no quinto dia subseqüente, 02/02/2013 (sábado), prorrogandose para o primeiro dia útil subseqüente, qual seja, 04/02/2013. Portanto, não resta dúvida quanto à tempestividade dos presentes Embargos de Declaração. Compulsando os autos, observase que a decisão sobre o recurso voluntário foi encaminhada com aviso de recebimento (AR), e que a correspondência retornou dos Correios em 07/11/2012 com a observação “Não existe o nº indicado”. Em razão disso, foi elaborado edital de intimação, afixado em 21/11/2012 e desafixado em 06/12/2012, data em que a lei considera realizada a intimação ficta. A Contribuinte teria 5 dias, a contar desta intimação, para apresentar os embargos, e em 04/02/2013 este prazo realmente estava totalmente ultrapassado. Na seqüência, em 28/01/2013, a Contribuinte desta vez recebeu, por via postal, um aviso de cobrança, e é a este documento que ela faz referência nos embargos. Esta segunda intimação, relativa a aviso de cobrança, não reabre prazo para apresentação de embargos, o que aponta para a intempestividade registrada no referido despacho de encaminhamento da unidade de origem. Ocorre que a primeira correspondência, aquela que motivou a elaboração de edital por ter retornado com a informação de “não existe o nº indicado”, registrava o seguinte endereço da interessada: Av. Celso Porfírio Machado, 173, Belvedere, Belo Horizonte/MG, enquanto que a segunda correspondência, que foi recebida pela interessada, registrava como endereço: Av. Celso Porfírio Machado, 172, Belvedere, Belo Horizonte/MG. A Tela de consulta aos dados do CPF, também juntada aos autos, indica que o endereço correto é Av. Celso Porfírio Machado, 172, Belvedere, Belo Horizonte/MG. Este foi o motivo de o Correio não ter encontrado o “nº indicado” na primeira correspondência, e a ter devolvido à unidade de origem. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 8 7 O erro na indicação do endereço na primeira correspondência prejudica a intimação por edital, porque ele deve ser motivado por uma tentativa não exitosa, mas válida. A única intimação válida é a que foi realizada pela segunda correspondência, e em relação a ela o prazo legal foi devidamente observado, conforme alega a interessada. Os embargos são, portanto, tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo abrange créditos tributários de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) apurados junto à empresa Moda ÍtaloBrasileira Ltda., relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005 a 2007. Outras pessoas foram chamadas a responder pelo crédito tributário, entre elas Viviane Mendes Pena Cardoso (ora embargante), cujo vínculo de responsabilidade se deu nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional – CTN. Em sede de embargos, a interessada repete os mesmos argumentos que vem apresentando deste a primeira fase do processo administrativo. Ocorre que tais argumentos já foram exaustivamente examinados, conforme evidencia a transcrição do voto que orientou o acórdão embargado: [...] Como já mencionado, em sede de recurso voluntário, Viviane Mendes Pena Cardoso basicamente reiterou os mesmos argumentos de sua impugnação, acrescentando apenas a alegação de que a Fiscalização da Receita Federal não teria competência legal para atribuir responsabilidade tributária a terceiros, eis que essa matéria seria própria da fase de execução fiscal, a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional. Em relação a esse ponto, que se insere dentro das preliminares, cabe registrar que de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, compete à autoridade fiscal “identificar o sujeito passivo”, dentre outras medidas próprias ao exercício da atividade de lançamento. O art. 121 do mesmo código, por sua vez, define os sujeitos passivos da obrigação tributária como sendo: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso da Recorrente, a hipótese de responsabilização é a prevista no art. 135, III, do Código Tributário Nacional: Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 9 8 SEÇÃO III Responsabilidade de Terceiros (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) II (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Portanto, não há dúvidas de que a autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Aliás, é justamente o exercício desta competência e a conseqüente possibilidade de apresentação de defesa administrativa por estas pessoas que poderá dar ensejo à formação de um título executivo contra elas. Assim, rejeito esta preliminar. Quanto às demais questões novamente trazidas pela Recorrente, quase nada há a acrescentar aos sólidos e detalhados fundamentos apresentados pela decisão recorrida. Primeiramente, no que toca ao papel desenvolvido por Viviane Mendes Pena Cardoso junto à empresa autuada, vale registrar as informações contidas na Representação de fls. 189 a 194, que motivou a presente ação fiscal: Receita Federal COORDENAÇÃOGERAL DE FISCALIZAÇÃO COFIS REPRESENTAÇÃO FISCAL –EEF CASTELHANA N° 15 RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS Contribuinte: MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA. CNPJ: 03.898.452/000120 I INTRODUÇÃO: A presente representação foi elaborada pela Equipe Especial de FiscalizaçãoEEF de que trata a Portaria Copes n° 01, de 12/03/2009, após a análise dos autos do processo judicial n° 2008.38.00.038500 e dos Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 10 9 documentos apreendidos durante a denominada “Operação Castelhana”. Não obstante os documentos se encontrarem sob segredo de justiça, o MM. Juiz Federal Substituto da 4ª Vara Federal, Seção Judiciária de Minas Gerais, determinou a extensão da quebra de sigilo à Receita Federal, asseverando que só podem ser aproveitados pela autoridade fiscal os dados pertinentes à fiscalização para efeito de constituição de crédito tributário, devendo a autoridade administrativa preservar o sigilo dos dados a que tenha acesso. Em 15/06/2009, a Justiça determinou o compartilhamento de documentos da Operação Castelhana com a Procuradoria da Fazenda Nacional. II CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas: De Acordo com o CNPJ, a empresa foi aberta em 28/06/2000 por VALTAIR PEREIRA DE ALMEIDA, CPF 070.892.68780 e FERNANDO DA MOTA JUNIOR, CPF 033.834.49696. Em 18/09/2001 foi excluído o sócio VALTAIR PEREIRA DE ALMEIDA e incluído o sócio CARLINHO JOSE DA SILVA, CPF 715.653.02672. Este último sócio também foi excluído em 07/10/2002, permanecendo as quotas correspondentes em nome da própria empresa (tesouraria). III SÓCIO DE DIREITO: O sócio de direito da empresa é Fernando da Mota Junior, CPF 033.834.49696, que possuía 23 anos na data da constituição da empresa. Embora tão jovem, teria constituído uma franquia de luxo da marca alemã Hugo Boss. De acordo com o CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, o Sr. Fernando trabalhou para a empresa Central de Distribuição do Brasil Ltda. no ano de 2001, onde exercia as funções de “outros trabalhadores de serviços de abastecimento e armazenagem”, CBO 39.190. Neste emprego recebia mensalmente a quantia de R$ 190,00 (cento e noventa reais). Curiosamente, nesta mesma época, ele estaria à frente da famosa grife em Belo Horizonte. De acordo com os bancos de dados da Receita Federal, o Sr. Fernando não dispunha de capacidade econômico financeira para atuar na direção dessa franquia de luxo, haja vista que nas Declarações de Ajuste Anual dos anos calendário 2001 e 2002 ele declarou apenas participação no capital social de empresas e rendimentos muito baixos. No período de 2004 a 2007 ele não teve movimentação financeira. IV DÉBITOS TRIBUTÁRIOS: Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 11 10 Nos sistemas da RFB consta o seguinte débito da empresa: (...) V DOCUMENTOS RECEBIDOS DURANTE A FISCALIZAÇÃO DA EMPRESA INVICTA COMÉRCIO E DISTRIBUICÃO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 02.623.207/000148, MPF n° 06101.002003 000117: • Resposta da empresa RENASCE REDE NACIONAL DE SHOPPING CENTERS LTDA. (administradora do BH Shopping) à intimação da fiscalização, na qual consta que VIVIANE MENDES PENA CARDOSO, com endereço à Av. Celso Porfírio Machado, 172, Belvedere, em Belo HorizonteMG, é a responsável pela empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA e pelos contatos comerciais entre ela e a administração do Shopping; • Três acordos entre a administradora do BH Shopping e Fernando da Mota Júnior (“laranja” da MODA ÍTALO BRASILEIRA), referentes ao aluguel da loja onde funciona a empresa, e nos quais consta Viviane Mendes Pena Cardoso como testemunha; • Acordo entre a administradora do BH Shopping e a empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA, datado de 21/03/2003, no qual Viviane Mendes Pena Cardoso assina pela empresa; • Instrumento Particular de Contrato Atípico de Locação de Loja de Uso Comercial do BH Shopping, datado de 18/04/2001, no qual assinam como fiadores Viviane Mendes Pena Cardoso e seu marido Paulo Victor Cardoso, além de outros membros da família Cardoso; • Instrumento Particular de Promessa de Cessão do Direito de Uso de Integrar Estrutura Técnica do BH Shopping, datado de 18/04/2001, no qual assinam como avalistas Viviane Mendes Pena Cardoso e seu marido Paulo Victor Cardoso, além de outros membros da família Cardoso; • Instrumento Particular de Aditamento de Cessão de Contrato Atípico de Locação de Loja de Uso Comercial do BH Shopping, datado de 15/10/2002, no qual Viviane Mendes Pena Cardoso assina pela empresa cessionária/locatária MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA e como fiadora do contrato; • Instrumento Particular de Aditamento e Cessão da Promessa de Cessão do Direito de Uso de Integrar Estrutura Técnica do BH Shopping, datado de 15/10/2002, no qual Viviane Mendes Pena Cardoso assina Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 12 11 pela empresa cessionária/locatária MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA e como avalista no contrato; • Termo de Constatação Fiscal onde consta informação prestada pelo síndico do edifício situado na Rua Leopoldina, 161, no Bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, de que a empresa denominada “Hugo Boss” funcionou na loja 157 e pertencia aos irmãos Viviane e Gustavo; • Contrato de Locação da loja 157 situada na Rua Leopoldina, 161, no Bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, datado de 21/06/2000, no qual assinam como fiadores Viviane Mendes Pena Cardoso e seu marido Paulo Victor Cardoso, além de outros membros da família Cardoso; • Termo de Acordo datado de 26/03/2002, referente à desistência da locação da loja 157, situada na Rua Leopoldina, 161, no Bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, no qual Viviane Mendes Pena Cardoso assina pela empresa locatária MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA; VI DOCUMENTOS APREENDIDOS DURANTE A OPERAÇÃO CASTELHANA: Diversos documentos relativos à contribuinte foram apreendidos durante a denominada “Operação Castelhana” no endereço comercial da empresa PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, CNPJ 17.238.718/0001 13, à Rua Úrsulo Paulino, n° 1321, Bairro Betânia, em Belo Horizonte, em cumprimento ao MBA n° 172/2006, expedido pela MMa. Juíza Federal da 4ª Vara Criminal da Seção Judiciária de Minas Gerais. Dentre esses documentos destacamos os seguintes: • Expediente apócrifo de 08/02/2006, encaminhado por Paulo Victor Cardoso (proprietário da PINK ALIMENTOS DO BRASIL e marido de Viviane Mendes Pena Cardoso) a Dr. Carlos Eduardo (provavelmente Carlos Eduardo Leonardo de Siqueira, advogado do escritório Juvenil Alves e denunciado pelo Ministério Público Federal) referente a notificação que teria sido recebida pela empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA (Termo 46, fl. 1179); • Termo de Verificação Fiscal, Auto de Infração e Planilha referentes a lançamento efetuado na empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA (Termo 46, fls. 1183/1187); • DARF referente ao PAF n° 10680006821/200514 da empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA. Este DARF Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 13 12 se refere ao lançamento acima citado (Termo 46, fl. 1180); • Autorização para levantamento de informações cadastrais assinada por Viviane Mendes Pena Cardoso, em nome de MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA, e encaminhada à Agência Empresarial Alterosa do Banco do Brasil (Termo 46, fl. 1188); • Documentos de cadastro da empresa MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA junto ao Banco do Brasil, denominados “CadastroPessoa Jurídica”, “Relatório de Informações Adicionais Pessoa Jurídica” e “Relacionamento com o Cliente”, sendo que os dois primeiros foram assinados por Viviane Mendes Pena Cardoso em 27/10/2003. No cadastro consta que Viviane Cardoso é a pessoa indicada para esclarecimentos de cadastro/balanço (Termo 46, fls. 1189/1194); • Documento denominado “Cadastramento de pessoa física”, referente ao cadastro do “sóciogerente” Fernando da Mota Júnior junto ao Banco do Brasil (Termo 46, fl. 1195); • CNPJ da empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA. (Termo 46, fls. 1196 e 1204); • Proposta para emissão dos Cartões de Crédito Bradesco e Termo de Adesão ao Respectivo Regulamento assinada por Viviane Mendes Pena Cardoso (Termo 46, fl. 1197); • Documentos denominados “FichaProposta de Abertura de Conta de Depósito Pessoa Jurídica” da empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA no Bradesco, na qual consta Viviane Mendes Pena Cardoso como representante/procurador (Termo 46, fl. 1198 e 1200); • Documentos denominados “FichaProposta de Abertura de Conta de Depósito Pessoa Física” de Viviane Mendes Pena Cardoso no Bradesco, na qual consta que ela é procuradora/administradora da empresa MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA (Termo 46, fls. 1199 e 1203); • Documentos denominados “FichaProposta de Abertura de Conta de Depósito Pessoa Física” de Fernando da Mota Júnior e Carlinho José da Silva, nas quais constam que eles seriam sócios da empresa MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA (Termo 46, fls. 1201/1202); • Documento apócrifo dirigido ao Bradesco, no qual consta Viviane Mendes Pena Cardoso como a responsável pelas informações (Termo 46, fl. 1205); • Documento de cadastro da empresa MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA junto ao Bradesco (Termo 46, fl. 1206); Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 14 13 • Documento de cadastro de Fernando da Mota Júnior junto ao Bradesco (Termo 46, fl. 1207);. • Correspondência encaminhada ao Banco do Brasil pela MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA (Termo 46, fl. 1208); (...) VII NOTÍCIA NA IMPRENSA: Corroborando o que os documentos acima já comprovam, extraímos da intemet, do sitio http://indexet.investimentosenoticias.com.br, notícia veiculada na Gazeta Mercantil, datada de 09/04/2003, dando conta de que a empresa MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA é uma franquia da grife alemã Hugo Boss em Belo Horizonte e cuja sóciaproprietária é Viviane Mendes Pena Cardoso. VIII CONCLUSÃO: Esses documentos analisados em conjunto comprovam que a empresa pertence de fato a Viviane Mendes Pena Cardoso, que era a pessoa que realmente a administrava. É de se notar que a blindagem da MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA foi efetuada através da inserção de interpostas pessoas em seu quadro societário, especialmente o Sr. Fernando da Mota Júnior, visando esconder a ligação da MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA com sua verdadeira proprietária. Com isso a responsabilidade pelas obrigações tributárias foi atribuída a terceiros sem qualquer capacidade econômicofinanceira para adimplilas. Isto posto, propomos o encaminhamento da presente representação à DRF/BHE/MG para subsidiar a responsabilização de Viviane Mendes Pena Cardoso em eventual lançamento a ser efetuado em cumprimento ao MPF n° 06101.00200801632, o qual se encontra aberto. Todos os documentos citados acima estão juntados aos autos, às fls. 195 a 273, e dos quais a Recorrente teve plena ciência, uma vez que extraiu cópias integrais do presente processo (fls. 460/462 e 471/472). Afastada, portanto, qualquer possibilidade de Viviane Mendes Pena Cardoso ter exercido a mera função de tesoureira da empresa. Em relação à constituição do próprio crédito tributário, que também foi contestado pela Recorrente, cabe mencionar que não houve qualquer vício de nulidade por cerceamento de defesa. Todos os elementos mencionados Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 15 14 pela Fiscalização, além dos acima citados, também estão juntados aos autos, como restará esclarecido adiante. Da mesma forma, não houve decadência. A ciência do lançamento ocorreu em 27/08/2010. Deste modo, para a grande maioria dos fatos geradores, ou seja, para aqueles ocorridos do terceiro trimestre de 2005 em diante (IRPJ e CSLL), ou de agosto/2005 em diante (PIS e COFINS), não haveria decadência nem mesmo pelo menor dos prazos do CTN, aquele constante de seu art. 150, § 4º. Todavia, ainda houve no presente caso a caracterização de fraude, o que desloca a contagem da decadência para o art. 173, I, do CTN, afastandoa para qualquer um dos períodos autuados, inclusive os acima referidos. Reproduzo abaixo o aprofundado e exauriente exame feito pela decisão recorrida acerca das questões suscitadas por Viviane Mendes Pena Cardoso em suas peças de defesa: Em seu arrazoado, VIVIANE MENDES PENA CARDOSO alega ser “terceira sem nenhum vinculo jurídico” com a empresa autuada. Neste papel, “apenas exercia o cargo de tesoureira da empresa”, na condição de “subordinada ao sócio administrador da mesma, recebendo ordens e as executando”. E quem seria tal sócio administrador? De jure, este título caberia a FERNANDO DA MOTA JÚNIOR, “nascido aos 23/02/77”, residente na “Rua Conchas, n° 84, bairro São Salvador CEP 30.881210”, em Belo Horizonte, que participou do quadro societário da empresa desde sua fundação, no anocalendário de 2000 (fls. 117 e 118). É no mínimo curioso que, entre março e setembro do ano seguinte, ele se achasse empregado na empresa CENTRAL DE DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA, CNPJ n° 02.568.639/000101, exercendo função própria de “trabalhadores de serviços de abastecimento e armazenagem” (fls. 195 e 196) e percebendo salário mensal de R$ 190,00 (cento e noventa reais). Portanto, a impugnante afirma que ele teria conseguido gerenciar sua novel sociedade empresária, com todos os percalços típicos da fase inicial de qualquer empreendimento, ao mesmo tempo em que prestava serviços a outra empresa. E há mais: apesar de sua modesta condição, FERNANDO DA MOTA JÚNIOR teria conseguido integralizar sua fração de capital (igual a R$ 25.000,00 fls.117 e 118), além de adquirir os bens de ativo permanente indispensáveis ao aparelhamento da loja e, até que ela entrasse em equilíbrio financeiro, arcar com despesas derivadas de seu funcionamento aluguel, condomínio, folha de salários, etc. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 16 15 Esta estranha superposição de atividades ora bem sucedido empresário do comércio, ora simples trabalhador braçal já causaria espanto. Porém, isto não é tudo: de acordo com a defesa, este jovem operário teria mostrado desenvoltura internacional suficiente para obter a franquia de uma das mais prestigiosas griffes da moda mundial, a alemã Hugo Boss. E os portentos não cessam por aí: ele haveria conseguido que VIVIANE MENDES PENA CARDOSO, esposa de um poderoso industrial (ou seja, pessoa de extração social totalmente diversa da sua), se colocasse a seu serviço — em circunstâncias que a impugnante não se deu ao trabalho de elucidar. E ainda mais: obteve que esta mesma senhora viesse, juntamente com outros membros de sua família, a ser sua fiadora tanto junto ao locador da loja na Rua Leopoldina quanto, mais tarde, junto à RENASCE REDE NACIONAL DE SHOPPING CENTERS LTDA., administradora do BH SHOPPING; neste último caso, conforme “instrumento particular de contrato atípico de locação” de fls. 211, sua soidisante empregada mostrouse disposta a garantir o pagamento de um aluguel mensal mínimo igual a R$ 11.610,12. Esta garantia foi, aliás, renovada na “promessa de cessão do direito de integrar estrutura técnica do BH Shopping” de fls. 219, em que FERNANDO DA MOTA JÚNIOR se confessa devedor da quantia de R$ 266.339,22. Este taumaturgo mantevese, por todo o tempo em que operou tais prodígios, residindo na mesma casa, num bairro de periferia de Belo Horizonte, enquanto sua “empregada” morava na Avenida Celso Porfírio Machado, n° 172, Belvedere, notoriamente uma das localizações mais valorizadas desta mesma cidade, e desenvolvia estranhas atividades para uma simples “tesoureira”, tais como conceder entrevista à Gazeta Mercantil em 9 de abril de 2003, de que se extraem os seguintes trechos, que dispensam maiores comentários (fls. 270 e 271 — grifos acrescidos): A grife alemã Hugo Boss lança, amanhã, em Belo Horizonte, a marca paralela “Hugo”. [...] o novo mix será revendido com exclusividade, no Brasil, na loja franqueada da companhia mantida no BH Shopping, o que demandou investimentos da ordem de R$ 50 mil em mídia local. “Esse é o investimento médio aplicado em publicidade por estação”, informa a sóciaproprietária da franquia em Belo Horizonte, Viviane Mendes Pena Cardoso, representante exclusiva da Hugo Boss no mercado mineiro. [...] Segundo ela, a expansão do mix de produtos resultou na aquisição de 8 mil peças para o lançamento do outono inverno2003, resultado 50% maior comparado ao aporte aplicado no mesmo período do ano passado. [...] “Contamos com uma ampla linha de produtos, que custam entre R$ 120 (tshirt) e R$ 7 Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 17 16 mil (terno), permitindo ao cliente maior opção de escolha, principalmente no que se refere ao fator preço”, ressalta. Eis, em resumo fiel, a tese de defesa: algo tão implausível quanto um mau folhetim, cuja apresentação como expressão da verdade chega a tangenciar o derrisório. Entretanto, mesmo diante desta absoluta inverossimilhança, a impugnante abstémse de apresentar uma só prova que sustente sua versão dos fatos. Ao contrário, no “Termo Resposta” de fls. 175 a 177, ela insiste em ter sido uma simples “empregada”, isto é, “tinha uma remuneração fixa mensal, horário a ser cumprido todos os dias, bem como era subordinada às ordens, etc.”. Esquivase a comprovar esta relação de emprego, alegando que prestaria seus serviços em “caráter precário e informal”, recebendo seu salário “em espécie”, sem nenhum recibo. Acrescenta que, esporadicamente, serlheiam entregues também “valores variáveis, o que dependia do desempenho de vendas da empresa Moda ÍtaloBrasileira”, mas tais valores seriam “depositados diretamente em sua conta”. Ou seja, não demonstra ser verdadeiro aquilo que afirma. Portanto, na falta desta indispensável demonstração, devese afastar, em definitivo, a fantasiosa tese de que a impugnante se achasse subordinada a FERNANDO DA MOTA JÚNIOR.. A impugnante também afirma que NÃO HÁ NOS AUTOS QUALQUER DOCUMENTO OU ESPÉCIE DE PROVA, DE QUE A IMPUGNANTE TIVESSE PRATICADO UM ATO JURÍDICO EM NOME DA EMPRESA [...]. Ora, isto se encontra mais que demonstrado: examinem se, por exemplo, os termos da procuração de fls. 132, em que a empresa autuada conferiulhe poderes para (grifou se) [...] praticar atos de administração e interesses da outorgante, podendo para tanto a procuradora pagar e receber contas, comprar e vender mercadorias ligadas ao seu ramo de negócios, promover cobranças judiciais ou amigável, assinar recibos, assinar cheques, dar quitações, abrir e movimentar contas bancárias e outras aplicações financeiras em quaisquer órgãos bancários, emitir, endossar cheques, verificar saldos, retirar talões de cheques, fazer depósitos e tiradas, endossar e assinar duplicatas, representar amplamente a outorgante junto repartições públicas em geral, sejam federais, estaduais ou municipais, nela requerendo e assinando o que necessário for, representar a outorgante no comércio geral, Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 18 17 empresa de economia mista, autarquias, entidades paraestatais, junto ao Instituto Nacional de seguridade Social, nos Órgãos do Imposto de Renda, na Empresa de Correios e Telégrafos, companhias telefônicas, assinar tudo relacionado a veículos no DetranMG, junto a embaixadas, consulados, alfândegas, fazer remessas para o exterior, constituir advogados com a cláusula “ad judicia” para o foro em geral, requerer, recorrer, transigir, desistir, propor e variar de ações, assinar, admitir, fixar ordenados e dispensar empregados, representála perante a qualquer Juízo, Instância ou Tribunal, inclusive na Justiça do Trabalho, Juntas de Conciliações e Julgamento, no Conselho de Contribuintes, assinando toda documentação referente ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Programa de Integração Social PIS, fazer declarações de créditos, firmar compromissos, representála junto aos órgãos Públicos, sejam Federais, Estaduais, Municipais ou Autarquias em geral, representálas perante a repartições públicas, cartórios, Sindicatos, Juntas Comerciais, ministérios e onde mais, requerer, recorrer, transigir, desistir, propor e variar ações, contestálas, defender os direitos e interesse da outorgante, inclusive substabelecer no todo ou em parte os poderes aqui outorgados, enfim, praticar mais todos os atos necessários ao fiel e cabal cumprimento do presente mandato. (Feita sob minuta). Naquele instrumento, enumeramse quarenta e quatro infinitivos verbais pagar, receber, comprar, vender, etc. que abrangem todo o espectro das atividades típicas de um gerente. E, certamente, ela fez largo uso destes poderes, como se deduz do expressivo faturamento da autuada durante o período fiscalizado Outra prova encontrase no documento de fls. 236, assinado exclusivamente por VIVIANE MENDES PENA CARDOSO, por meio do qual foi rescindido o contrato de locação do imóvel até então ocupado por MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA., na rua Leopoldina, n° 161, loja 157, em Belo Horizonte. Por óbvio, tratase de assunto da mais elevada importância, que jamais se confundiria com as atribuições de um simples tesoureiro. Igualmente, não se deve olvidar que ela sempre surge, juntamente com familiares seus, como fiadora dos contratos locatícios dos imóveis ocupados pela empresa autuada, mesmo quando envolviam quantias da ordem de R$ 266.339,22 (fls. 219). Mais uma vez, portanto, fica confirmado o acerto da responsabilização ora em exame. Recordese também a entrevista por ela concedida à Gazeta Mercantil, a qual conduz a um dilema: se, como Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 19 18 alegado, VIVIANE MENDES PENA CARDOSO jamais passou de uma simples empregada da MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA., então a entrevista seria uma inexplicável patranha; se, porém, ela disse a verdade à Gazeta Mercantil, então jamais se limitou ao papel subalterno que descreve em sua defesa. Tratase de duas proposições mutuamente excludentes e que não admitem uma terceira via; e, ao mero exame, constatase que apenas a segunda é plausível. Assim, a conseqüência lógica é a de que as alegações da impugnante são inverídicas. E há mais, como, por exemplo, às fls. 141, o “cadastro de clientes” de MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA. junto ao Banco Bradesco S.A., em que consta, como endereço para entrega de correspondência, não o da loja ou de seu putativo sócioadministrador, mas o da residência de VIVIANE MENDES PENA CARDOSO. Dai se deduz, mais uma vez, que ela detinha e exercia poderes de gerência. E mais ainda: a sociedade RENASCE REDE NACIONAL DE SHOPPING CENTERS LTDA., administradora do BH SHOPPING, foi intimada (fls. 203) a fornecer “identificação completa da(s) pessoa(s) [...] com quem são feitos os contactos comerciais”, sendo respondido que tal pessoa seria VIVIANE MENDES PENA CARDOSO (fls. 206). O resto da impugnação demonstra o afã — quase o desespero — de afastar a responsabilização, com argumentos tais como o que segue: [...] O QUE LEVOU O FISCO A EXPEDIR UM OFÍCIO DIRECIONADO AO CARTÓRIO DE CONTAGEM E, ESPECIFICAMENTE, REQUERER CÓPIA DE PROCURAÇÕES, SENDO QUE TANTO A PESSOA JURÍDICA. QUANTO A PESSOA IMPUGNANTE, NUNCA TIVERAM DOMICÍLIO FISCAL NAQUELA CIDADE? [...] QUE INFORMAÇÃO O FISCO DETINHA, QUE NÃO CONSTA DOS AUTOS, QUE 0 LEVOU A PROCEDER DE FORMA TÃO DIRECIONADA? SERÁ QUE O FISCO DETINHA UMA BOLA DE CRISTAL? Entretanto, o Fisco não precisou invocar poderes mágicos para agir: afinal, desde a Operação Castelhana, já dispunha da informação de que a impugnante era procuradora da autuada e que o respectivo mandato havia sido lavrado em Contagem (ver fls. 259 e 261). Uma vez que esta comarca dispõe de poucos cartórios, foi simples localizar aquele em que se elaborou este Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 20 19 documento. Na verdade, o estranho não é que a procuração tenha sido descoberta onde foi lavrada, mas, sim, que tenha sido lavrada onde foi descoberta, já que “tanto a pessoa jurídica quanto a pessoa impugnante nunca tiveram domicílio fiscal naquela cidade”, como ressaltou a peça de defesa. A impugnante mostrase sumamente curiosa quanto ao “dossiê” mencionado pelo Autor do feito: quer saber o que seja, onde esteja, como se chega a ele e, principalmente, por que não foi juntado aos autos. Esta ansiedade pode ser aplacada com a trivial informação de que “dossiê” é, em suma, simplesmente a massa de informações de toda sorte levantadas pela fiscalização; parte delas constitui o conjunto probatório dos lançamentos de ofício e encontrase juntada aos autos; o restante não tem interesse para o feito fiscal e, portanto, não se encontra nos autos, os quais, segundo o artigo 2º do Decreto n° 70.235, de 1972, devem conter “somente o indispensável à sua finalidade”. Apenas isto. O Fisco não realiza lançamentos sem provas. E estas se encontram nos autos e a elas a impugnante teve acesso, extraindo, inclusive, cópia das mesmas, para preparar sua defesa (vejamse fls. 462 e 463). A impugnante aponta a ausência das DIRPF de FERNANDO DA MOTA JÚNIOR, com vistas à comprovação de que “a condição financeira do mesmo destoa da pessoa jurídica autuada”. Ora, esta comprovação existe e foi examinada, linhas acima. E melhor, foi demonstrado à saciedade que esta pessoa jamais foi, de facto, proprietário da MODA ÍTALO BRASILEIRA LTDA. Diz que “o fisco não procedeu” a “qualquer diligência”, quer para localizar os “livros fiscais” da autuada, quer seu contador, o que seria “praxe em qualquer fiscalização”. Bem, se “qualquer diligencia” significa nenhuma diligência, isto é falso: constam dos autos uma visita ao endereço cadastral MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA., sem sucesso; envio e reenvio de termos de intimação ao endereço cadastral de FERNANDO MOTA JUNIOR, exigindo a entrega de livros e documentos fiscais, sem resposta; envio e reenvio a VIVIANE MENDES PENA CARDOSO de termos de intimação no mesmo sentido, não atendidos. Logo, houve muitas diligências para encontrar estes livros e documentos, todas frustradas por falta de atendimento dos interessados no processo. No que tange ao contador da firma, se a interessada considera indispensável sua oitiva, inferese que ela entende que tal profissional disporia de provas em seu favor; logo, competiria a ela obter tais provas, entrando em contacto com o mesmo — algo perfeitamente factível, principalmente para alguém que se alegou “tesoureira” da autuada. Por outro lado, o Autor do feito Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 21 20 é livre para cessar suas pesquisas ao constatar que já dispõe de provas suficientes para fazer o lançamento de oficio, como neste caso. Portanto, este argumento também não merece acolhida. Alegase não haver provas de que tenham sido realizadas vendas usando CNPJ correspondente a uma filial já baixada; entretanto, examinandose os autos, constatase que a filial de CNPJ 03.898.452/000201 da empresa MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA. foi baixada por liquidação voluntária em 24 de julho de 2002 (fls. 389), e que este mesmo CNPJ consta de numerosos relatórios elaborados por administradoras de cartão de crédito, abrangendo as vendas realizadas entre 2006 e 2008 (vejamse, por exemplo, fls. 294, verso, a 301). A peça impugnatória nega eficácia à autuação, dizendo que a fiscalizada, em nenhum momento, esteve submetida a qualquer medida judicial; acrescenta que seria defeso o uso de “qualquer prova realizada em contencioso do qual não tenha participado o contribuinte”, alegando a inexistência de medida judicial contra a autuada. E, jovialmente, indaga: CADÊ [sic] A CÓPIA DA INICIAL QUE REQUEREU TAL ORDEM, BEM COMO A DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINA A QUEBRA DO SIGILO[...]? Ora, a própria impugnante transcreve, em parte, esta ordem, a qual determina “a expedição de requisição à Polícia Federal para que instaure inquéritos policiais” destinados a investigar a conduta dos responsáveis por diversos grupos empresariais — dentre eles, PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA., CNPJ nº 17.238.718/000113 (fls. 498), determinando igualmente que o Fisco Federal tomasse ciência dos resultados destes inquéritos. Recordese que, nos escritórios de PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA., foram encontrados documentos de interesse de MODA ÍTALOBRASILEIRA LTDA., ficando evidente a existência de vínculo entre VIVIANE MENDES PENA CARDOSO e esta última pessoa jurídica (vejamse fls. 189 a 194). Ora, de posse desta notícia, tornouse imperioso que o Fisco, na pessoa de seus servidores e obedecendo ao princípio da vinculação positivado no parágrafo único do artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), desse início à investigação sobre as atividades desta mesma pessoa física, procedimento este que redundou nos Autos de Infração e na responsabilização em comento. Acentuese, também, que as investigações do Fisco como regra independem de permissivo ou de comando judicial para serem realizadas, em face da separação dos Poderes do Estado. Por fim, cabe recordar que, segundo o artigo 14 do Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 22 21 Decreto n° 70.235, de 1972, a fase contenciosa do procedimento inaugurase com a impugnação ao lançamento ou seja, com a apresentação de sua defesa. Portanto, se esta defesa foi oferecida como efetivamente ocorreu não existiu o cerceamento de direitos alegado pela interessada. Estas considerações também deitam por terra os argumentos de que o Autor do feito se teria valido de provas “emprestadas” ou extraídas de “processo criminal sigiloso”. A fiscalização, embora dispondo de informações obtidas já em novembro de 2006, quando se deflagrou a Operação Castelhana, em nenhum momento se apoiou somente nestas informações: ao contrário, procedeu de modo inteiramente independente, intimando os envolvidos, comparecendo ao local onde, supostamente, funcionaria a empresa autuada, colhendo informações junto a administradoras de cartões de crédito, etc. Aliás, sob este aspecto, a impugnante não contesta o valor das receitas omitidas e apuradas pelo Autor do feito, limitandose a negar a existência de “qualquer documento/comprovante” de que a autuada tenha declarado “APENAS, os montantes” reconhecidos na autuação. Entretanto, basta compulsar os autos para encontrar tais declarações (fls. 390 a 448) e confirmar a enorme omissão de receita praticada pela autuada nos anoscalendário de 2005 a 2007, quando, em números redondos, de cada dez reais de receita de vendas, apenas três eram oferecidos à tributação. Ora, uma discrepância desta ordem jamais poderia ser atribuída a eventos fortuitos ou à simples culpa de quem houvesse preparado as declarações em tela; é forçoso reconhecer nisto o intuito de escamotear ao Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos ora exigidos. A impugnante argúi a decadência do crédito tributário lançado, com base no art. 150, § 4°, do CTN. Entretanto, a homologação tácita não se opera nos casos em que ocorra dolo, fraude ou simulação, conforme ressalva o mesmo dispositivo (grifos acrescidos): Art. 150. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, no caso presente, tanto o uso de interposta pessoa quanto a contumaz e intencional omissão de receita levaram à necessária aplicação da ressalva contida no § Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 23 22 4º acima transcrito; neste caso, por conseguinte, devese obedecer à regra prescrita pelo artigo 173, inciso I, do CTN, como segue: Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Logo, não há acolhida possível a este argumento. E isto conduz ao tema da multa qualificada: a impugnante alega a ausência de provas de que a empresa autuada houvesse agido com dolo. Entretanto, isto ficou comprovado à saciedade, tornando imperiosa a exigência da multa estipulada no artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei n.° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 , como segue: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) [...] §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Considerandose que VIVIANE MENDES PENA CARDOSO exerceu efetivamente o comando da empresa autuada e o fez praticando o ilícito tributário acima descrito, patenteiase a subsunção dos fatos ora examinados à hipótese do artigo 135, inciso III, do CTN, como segue: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 24 23 A Recorrente não conseguiu refutar nenhuma das razões da decisão recorrida, pelo que adoto os seus fundamentos para também manter integralmente a exigência fiscal, conforme ela foi constituída pela Fiscalização. Diante do exposto, voto no sentido de: não conhecer do recurso interposto pela empresa JRM Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. (responsável por sucessão), em razão de sua intempestividade; e relativamente ao recurso interposto por Viviane Mendes Pena Cardoso (na condição de terceiro responsável), rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Não houve qualquer omissão sobre as questões suscitadas na fase recursal. Aliás, os pontos embargados já foram detidamente examinados desde a primeira fase do processo administrativo. Foi caracterizada a omissão de receitas em empresa que era administrada de fato pela embargante, e tal expediente foi praticado com a utilização de interposta pessoa, justamente para frustrar o recebimento dos tributos pelo Fisco. Os fatos justificam perfeitamente a atribuição do vínculo de responsabilidade previsto no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. A convicção desta turma julgadora quanto à apreciação das provas está fartamente demonstrada e fundamentada, e os embargos de declaração não têm o condão de ensejar um reexame geral de provas. Não configuradas as alegadas omissões no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos. É como voto. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.015168/201004 Acórdão n.º 1802001.725 S1TE02 Fl. 25 24 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10932.000587/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-003.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso de Ofício Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 206 1 205 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000587/200774 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 2301003.499 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria CONT PREV DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TME PLÁSTICOS S A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso de Ofício Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 05 87 /2 00 7- 74 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10932.000587/200774 Acórdão n.º 2301003.499 S2C3T1 Fl. 207 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra decisão de primeira instância que julgou procedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.075.7718, lavrados em 25/09/2007, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias , adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT) e contribuições de terceiros incidentes sobre remunerações de empregados e contribuintes individuais extraídos da folha de pagamento, no período de 07/1997 a 12/2000, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 2.111.523,62, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 28/09/2007, fls. 76, a recorrente apresentou impugnação, fls. 79/83, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 175/180, julgou o lançamento improcedente. O Acórdão a quo aplicou a regra decadencial do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN) e afastou todo o lançamento. Em obediência ao art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/3008, foi apresentado recurso de ofício, uma vez que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto O Recurso de Ofício atende ao estabelecido no art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/2008, portanto dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10932.000587/200774 Acórdão n.º 2301003.499 S2C3T1 Fl. 208 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10932.000587/200774 Acórdão n.º 2301003.499 S2C3T1 Fl. 209 7 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10932.000587/200774 Acórdão n.º 2301003.499 S2C3T1 Fl. 210 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies Fl. 215DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10932.000587/200774 Acórdão n.º 2301003.499 S2C3T1 Fl. 211 11 a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. A autuação em análise diz respeito a fatos geradores apontados pela fiscalização nos meses de 07/1997 a 12/2000. Para tais competências, tornase desnecessária a discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo art. 150, §4º ou aquele constante do art. 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas chegaremos à conclusão de que o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento. Tomando o dies a quo do prazo decadencial aquele constante do art. 173, inciso I, teríamos para a competência 12/2000 o início da contagem decadencial em 01/01/2001, o que resultaria Fl. 216DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 no prazo final de 31/12/2005. Portanto, o lançamento cientificado em 28/09/2007 foi concluído após a ocorrência da caducidade do direito do fisco de declarar a constituição do crédito tributário, tornando improcedente a autuação. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10640.901867/2009-49
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 18 67 /2 00 9- 49 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901867/200949 Acórdão n.º 1802001.615 S1TE02 Fl. 125 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Por esclarecer os fatos e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: O interessado transmitiu a Dcomp nº 30450.76922.020505.1.3.041010, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior ao IRPJ, efetuado em 29/04/2005. A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01), na qual alega que “o crédito tributário foi apurado seguindo as normas tributárias, com base em balanço ou balancete de suspensão”. “É o breve relatório.”. Em sua decisão, a DRJJFA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte através do Acórdão n° 09 – 36.836, Sessão de 15 de setembro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ano calendário: 2004 ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901867/200949 Acórdão n.º 1802001.615 S1TE02 Fl. 126 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, em 02/04/2012, Recurso Voluntário (fls. 114/116) no qual aduziu, em síntese; 1) Entende que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação; 2) Alega por derradeiro que a não homologação do pedido de compensação ensejaria a perda do crédito tributário em decorrência da prescrição. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 06.03.2012, conforme aviso de recebimento às fls. 112 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 02.04.2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora, que apurou estimativa de IRPJ, para o período de 03/2005 no valor de R$17.923,47 e, efetuou em 29.04.2005, pagamento de estimativa (código 5993) para o período correspondente, no valor de R$23.534,36, sendo que posteriormente transmitiu a DComp nº 30450.769220.020505.1.3.041010, na qual utiliza a diferença como crédito a ser compensado. A DRJ manteve a não homologação da compensação efetuada, sob o argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a não homologação ensejaria a perda do direito creditório em decorrência da prescrição, sendo uma questão de “justiça” a autoridade fiscal permitir a utilização do crédito na compensação solicitada. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901867/200949 Acórdão n.º 1802001.615 S1TE02 Fl. 127 4 reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901867/200949 Acórdão n.º 1802001.615 S1TE02 Fl. 128 5 Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRFJFA quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901867/200949 Acórdão n.º 1802001.615 S1TE02 Fl. 129 6 Nesse sentido, apesar de constar dos autos a DIPJ/2005, DCTF(s), DARF de recolhimento da estimativa, não fora possível aferir qual valor das estimativas que fora levado para compor o ajuste final. Isto porque, a Recorrente possui diversos PERDCOMPS requerendo compensação de estimativas pagas durante o anocalendário de 2004: Processos no. 10640.900400/200981, 10640.900398/200941, 10640.900401/200926, 10640.900402/2009 71, 10640.901865/200950, 10640.901866/200902, 10640.901867/200949, 10640.901866/200902, 10640.901868/200993. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora/MG) para análise do PERDCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (documento assinado digitalmente) Relator Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10640.004849/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 04 84 9/ 20 08 -3 6 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004849/200836 Resolução nº 2401000.293 S2C4T1 Fl. 1.138 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 09 25.448 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.168.1464. A lavratura foi efetuada para exigência das contribuições patronais para a seguridade social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e da aposentadoria especial. De acordo com o relatório fiscal, fls. 17/20, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, as quais foram discriminadas nas planilhas de fls. 21/307. Afirmase que a entidade, por estar em débito com a Seguridade Social, teve o seu pedido de reconhecimento de isenção da cota patronal, protocolizado sob o n.º 37005.002094/200453, em 15/06/2004, indeferido pelo INSS. A decisão de primeira instância, fls. 1.001/1.013, consignou que a entidade não teve o seu direito à isenção reconhecido pela administração tributária, em razão da existência de débitos para com a Seguridade Social, portanto, seria procedente o lançamento. Inconformada, a entidade interpôs recurso (fls. 1.017/1.050), no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o recurso é tempestivo; b) os fundamentos do lançamento e da decisão recorrida foram o indeferimento do pedido de isenção e a existência de débitos da recorrente para com a Seguridade Social, todavia, esses motivos não devem ser considerados; c) nos termos do art. 39 da MP n.º 446/2008, o pedido de reconhecimento de isenção da autuada foi automaticamente deferido; d) o seu recurso contra o indeferimento do pedido de isenção pela SRP possui efeito suspensivo e encontrase pendente de julgamento; e) os débitos consubstanciados pelas NFLD n° 35.584.1843, 35.584.2335, 35.584.2327 e AI n° 35.584.2343, todos eles encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso V do Código Tributário Nacional, por força da antecipação de tutela deferida nos autos do processo n° 2005.38.010042256; Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004849/200836 Resolução nº 2401000.293 S2C4T1 Fl. 1.139 3 f) a recorrente, sendo entidade beneficente de assistência social, é imune quanto ao recolhimento das contribuições exigidas, portanto, não poderia ter o seu direito tolhido por normas infraconstitucionais; g) a única norma vigente que estabelece limites à imunidade é o Código Tributário Nacional, eis que recepcionado pela Constituição de 1988 como Lei Complementar; h) a multa tem caráter confiscatório; i) a aplicação da taxa de juros SELIC é inconstitucional. Ao final, pede o cancelamento do AI ou a retificação dos valores lançados a título de multa e juros. É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004849/200836 Resolução nº 2401000.293 S2C4T1 Fl. 1.140 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A necessidade de conversão em diligência A solução da presente lide depende de informação a ser prestada na diligência requerida, quando da apreciação do processo n. 37005.002094/200453, o qual trata de pedido de isenção da cota patronal previdenciária formulado pela recorrente. O referido processo de pedido de isenção retornou à origem, por força da Resolução n. 2401000.291, exarada nesta mesma sessão, a qual determinou: “Diante dos fatos acima narrados, a solução da lide exige que conste dos autos a informação se o presente requerimento de reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias decorreu de seu anterior cancelamento ou se foi protocolizado em razão do INSS não haver acatado a existência de direito adquirido da recorrente ao benefício fiscal. Devem então os autos retornarem à DRF de origem para que se responda o questionamento apresentado no parágrafo precedente, facultandose ao sujeito passivo manifestarse no prazo legal acerca da informação prestada.” Considerando o caráter de dependência entre os processos, a informação prestada no processo n. 37005.002094/200453 e a eventual manifestação do sujeito passivo no mesmo devem ser juntadas aos presentes autos, com retorno a esse colegiado para prosseguimento. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002385/2002-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO FEITO.
Tendo a contribuinte comprovado, a partir de documentação hábil e idônea, a causa e os beneficiários dos pagamentos objeto do lançamento, não se pode cogitar na manutenção da tributação levada a efeito pelo Fisco, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, com fundamento no artigo 61, § 1o, da Lei n° 8.981/1995, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO FEITO. Tendo a contribuinte comprovado, a partir de documentação hábil e idônea, a causa e os beneficiários dos pagamentos objeto do lançamento, não se pode cogitar na manutenção da tributação levada a efeito pelo Fisco, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, com fundamento no artigo 61, § 1o, da Lei n° 8.981/1995, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO FEITO. Tendo a contribuinte comprovado, a partir de documentação hábil e idônea, a causa e os beneficiários dos pagamentos objeto do lançamento, não se pode cogitar na manutenção da tributação levada a efeito pelo Fisco, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, com fundamento no artigo 61, § 1o, da Lei n° 8.981/1995, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 23 85 /2 00 2- 39 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório RENATO ARAGÃO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 11/11/2002, exigindo lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, apurado a partir da ocorrência/constatação de pagamento sem causa/operação, em relação ao ano calendário 1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 296/302, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 6a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, consubstanciada no Acórdão nº 8.363/2005, às fls. 1.832/1.850, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 4a Câmara, em 16/08/2006, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 104 21.811, sintetizados na seguinte ementa: “IRF PAGAMENTO SEM CAUSA COMPROVAÇÃO A exigência do imposto de renda na fonte com fundamento no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995, somente se sustenta quando houver indiscutível comprovação de que o sujeito passivo efetuou pagamento sem causa justificada ou a beneficiário não identificado. Tendo sido comprovada a causa dos pagamentos através de documentação hábil e idônea, bem como identificados os beneficiários, não há como subsistir a exigência do imposto, nessa parte. PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS IRRF FALTA DE RECOLHIMENTO Comprovada a duplicidade de algumas Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 18471.002385/200239 Acórdão n.º 9202002.689 CSRFT2 Fl. 12 3 das parcelas exigidas, correta a sua exclusão do cômputo da infração. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido.” Em face de Embargos Inominados opostos pela Presidência da 4a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a SJ do CARF entendeu por bem acolhêlos, somente para consignar a desistência parcial do recurso voluntário manifestada pela contribuinte, rerratificando, porém, o resultado do julgamento original, nos termos do Acórdão nº 340200.082, de 07/05/2009, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 EMBARGOS INOMINADOS Verificada a existência de questão que não foi examinada pelo Colegiado por ocasião do julgamento, é de se acolher os Embargos Inominados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA. PARCELAMENTO DE DÉBITO. (PAEX). Sendo a renúncia um ato voluntário e unilateral pelo qual alguém abdica de um direito, o processo deve ser extinto com julgamento de mérito (art. 269, inciso V, do CPC). Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 1.989/1.998, com arrimo no artigo 7o, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação de regência, mais precisamente o artigo 61, § 1o, da Lei nº 8.981/1995, bem como evidências de prova constantes dos autos, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Em defesa de sua pretensão, assevera que a Câmara recorrida, ao afastar a tributação dos valores de R$ 75.000,00; R$ 175.000,00 e R$ 5.000,00, malferiu o dispositivo legal encimado, eis que, apesar de deter beneficiários identificados, não restou comprovada a operação ou a sua causa. Sustenta que os cheques compensados nas importâncias supramencionadas, os quais a contribuinte defende terem sido destinados à empresa Ponto Filmes Ltda., como forma de pagamento pela prestação de serviços por conta do filme “O Noviço Rebelde”, em verdade, foram pagos ao Sr. Alvenir Coimbra, que a autuada alega ser representante da empresa retro. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Defende que, apesar de toda alegação, a contribuinte não logrou comprovar que aludidos valores foram, de fato, pagos à empresa Ponto Filmes Ltda., pela prestação de serviços, com a apresentação dos comprovantes dos cheques e/ou frente e verso dos mesmos, ou ainda recibos ou notas fiscais pertinentes. Contrapõese ao entendimento levado a efeito pela Câmara recorrida, aduzindo para tanto que a tributação fora rechaçada exclusivamente em razão dos cheques terem sido entregues ao representante legal da empresa (Ponto Filmes Ltda.). Alega, ainda, que em diligência determinada na empresa Ponto Filmes Ltda., esta não apresentou nenhuma comprovação hábil de que os pagamentos foram recebidos por ela, nem informações onde foram endossados ou depositados os cheques supra, inexistindo, igualmente, qualquer disposição contratual estabelecendo que os pagamentos seriam realizados ao Sr. Alvenir Coimbra. Para reforçar sua tese, ressalta que o filme “O Noviço Rebelde” já se encontrava pronto e em exibição comercial no ano de 1998, antes da ocorrência dos pagamentos serem realizados, os quais, inclusive, sequer foram incluídos no passivo da empresa em 31/12/1997, demonstrando que não se destinaram ao pagamento de serviços em produção de filme que já estava pronto e acabado. Argumenta que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a operação ou causa que acarretou os mencionados pagamentos, na forma que exige o artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95, não se prestando para tanto a simples identificação dos beneficiários. Quanto ao pagamento de R$ 5.000,00 realizado à empresa Imagem Produções Artísticas Ltda., suscita que a contribuinte não logrou comprovar que se destinava à quitação da dívida de R$ 6.800,00. Igualmente, para os pagamentos de R$ 75.000,00 e R$ 175.000,00, sustenta que não se destinaram à empresa Ponto Filmes por obrigação decorrente de prestação de serviços, mas ao Sr. Avelino Coimbra, sem que restasse comprovada a operação ou sua causa. Dessa forma, não tendo o sujeito passivo demonstrado o interesse jurídico de referidos pagamentos, realizados ao Sr. Avelino Coimbra e à empresa Imagem Produções Artísticas Ltda., impõese a manutenção da exigência fiscal lastreada no artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido contrariou, em tese, a legislação de regência, notadamente o artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95, conforme Despacho nº 220200.011/2010, às fls. 1.999/2.001. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 2.005/2.008, corroborando os fundamentos do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, sobretudo quando inobservados os pressupostos para conhecimento da peça recursal. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 18471.002385/200239 Acórdão n.º 9202002.689 CSRFT2 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a contrariedade à lei/provas suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo no artigo 61, e parágrafos, da Lei n° 8.981/95, exigindo lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, apurado a partir da ocorrência/constatação de pagamento sem causa. Interposta impugnação, às fls. 943/963, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, afastando a tributação de parte dos pagamentos tributados, tendo em vista que a contribuinte logrou comprovar a operação que lhe deu causa, consoante Decisão da 6a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, consubstanciada no Acórdão nº 8.363/2005, às fls. 1.832/1.850. Ainda irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 1.860/1.876, tendo a Colenda 4a Câmara do então 1o Conselho de Contribuintes negado provimento ao recurso de ofício e provido parcialmente o voluntário, para excluir da autuação os pagamentos nos valores de R$ 75.000,00, em 26/01/1998; R$ 175.000,00, em 10/02/1998; R$ 60.000,00, em 10/03/1998; R$ 20.000,00, em 24/03/1998; R$ 5.000,00, em 30/04/1998; e R$ 3.910,00, em 30/11/1998, restando Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo, que excluíam apenas os valores de R$ 60.000,00, em 10/03/1998; R$ 20.000,00, em 24/03/1998; e R$ 3.910,00, em 30/11/1998. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, às fls. às fls. 1.989/1.998, contra parte do Acórdão tomado por maioria, a pretexto de ter contrariado a legislação que regulamenta a matéria, especialmente o artigo 61, § 1o, da Lei nº 8.981/1995, bem como evidências de prova constantes dos autos, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. A fazer prevalecer seu entendimento, alega que a Câmara recorrida, ao afastar a tributação dos valores de R$ 75.000,00; R$ 175.000,00 e R$ 5.000,00, malferiu o dispositivo legal encimado, eis que, apesar de deter beneficiários identificados, não restou comprovada a operação ou a sua causa. Sustenta que os cheques compensados nas importâncias supramencionadas, os quais a contribuinte defende terem sido destinados à empresa Ponto Filmes Ltda., como forma de pagamento pela prestação de serviços por conta do filme “O Noviço Rebelde”, em verdade, foram pagos ao Sr. Alvenir Coimbra, que a autuada alega ser representante da empresa retro. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Defende que, apesar de toda alegação, a contribuinte não logrou comprovar que aludidos valores foram, de fato, pagos à empresa Ponto Filmes Ltda., pela prestação de serviços, com a apresentação dos comprovantes dos cheques e/ou frente e verso dos mesmos, ou ainda recibos ou notas fiscais pertinentes, tendo a Câmara recorrida afastado a tributação sobre tais valores exclusivamente em razão dos cheques terem sido entregues ao representante legal da empresa (Ponto Filmes Ltda.). Alega, ainda, que em diligência determinada na empresa Ponto Filmes Ltda., esta não apresentou nenhuma comprovação hábil de que os pagamentos foram recebidos por ela, nem informações onde foram endossados ou depositados os cheques supra, inexistindo, igualmente, qualquer disposição contratual estabelecendo que os pagamentos seriam realizados ao Sr. Alvenir Coimbra. Para reforçar sua tese, ressalta que o filme “O Noviço Rebelde” já se encontrava pronto e em exibição comercial no ano de 1998, antes da ocorrência dos pagamentos serem realizados, os quais, inclusive, sequer foram incluídos no passivo da empresa em 31/12/1997, demonstrando que não se destinaram ao pagamento de serviços em produção de filme que já estava pronto e acabado. Argumenta que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a operação ou causa que acarretou os mencionados pagamentos, na forma que exige o artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95, não se prestando para tanto a simples identificação dos beneficiários. Quanto ao pagamento de R$ 5.000,00 realizado à empresa Imagem Produções Artísticas Ltda., suscita que a contribuinte não logrou comprovar que se destinava à quitação da dívida de R$ 6.800,00. Igualmente, para os pagamento de R$ 75.000,00 e R$ 175.000,00, sustenta que não se destinaram à empresa Ponto Filmes por obrigação decorrente de prestação de serviços, mas ao Sr. Avelino Coimbra, sem que restasse comprovada a operação ou sua causa. Dessa forma, não tendo o sujeito passivo demonstrado o interesse jurídico de referidos pagamentos, realizados ao Sr. Avelino Coimbra e à empresa Imagem Produções Artísticas Ltda., impõese a manutenção da exigência fiscal lastreada no artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95. Como se observa, o cerne da questão posta nos autos se fixa em determinar se os valores pagos ao Sr. Avelino Coimbra (R$ 75.000,00 e R$ 175.000,00) e à empresa Imagem Produções Artísticas Ltda. (R$ 5.000,00) encontram lastro em operações legítimas que lhes ofereçam causa, de maneira a afastar a tributação procedida pela autoridade lançadora com arrimo no artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95, que assim prescreve: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.” Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 18471.002385/200239 Acórdão n.º 9202002.689 CSRFT2 Fl. 14 7 Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitadas pela nobre Procuradoria, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Consoante se positiva dos autos, concluise que a questão repousa eminentemente na análise do conjunto probatório colacionado aos autos pela contribuinte com a finalidade de comprovar a operação/causa dos pagamentos sob análise. De um lado, a autoridade lançadora e, bem assim, a Procuradoria da Fazenda Nacional, sustentam que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar a operação/causa de referidos pagamentos, nos termos do artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95, sobretudo em razão de não ter sido apresentada nenhuma nota fiscal e/ou recibo por parte das empresas tidas como prestadoras de serviços ou mesmo cópia dos cheques. De outra banda, a Câmara recorrida afastou a tributação sobre os pagamentos acima listados, por entender, em suma, que a documentação acostada aos autos pela contribuinte tem o condão de demonstrar as respectivas operações e/ou causas. Com a devida vênia à nobre Procuradoria, compartilhamos com a tese aventada pela maioria da Câmara recorrida. De fato, como muito bem delineado pela nobre subscritora do voto condutor do Acórdão guerreado, o conjunto comprobatório constante do processo, ainda que de forma não tão plena, com apresentação de notas fiscais e/ou recibos das prestadoras de serviços, se presta a comprovar a causa de aludidos pagamentos. Quanto aos pagamentos de R$ 75.000,00 e R$ 175.000,00, destinados à empresa Ponto Filme Ltda., recebidos pelo seu procurador, Sr. Alvenir Correa Coimbra, mister registrar que à época existia Contrato de prestação de serviços firmado entre a autuada (Renato Aragão Produções Artísticas Ltda.) e a Ponto Filmes Ltda., às fls. 981/985, com o objeto "administração/produção executiva e direção de arte/cenografia da obra audiovisual cinematográfica de longametragem intitulada 'O Noviço Rebelde'." Mais a mais, os pagamentos foram realizados, em conformidade com as disposições contratuais, ao Sr. Alvenir Correa Coimbra que, comprovadamente, detinha poderes para recebêlos em nome da prestadora de serviços (Ponto Filmes Ltda.), como se extrai da Procuração de fls. 986, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir: “ Cabem, nesse momento, algumas considerações de cunho geral que aproveitam a todos os valores assim glosados. Da análise dos documentos existentes nos autos, no que diz respeito a essa justificativa, extraemse as seguintes constatações: 1a) Efetivamente, existia, à época dos fatos, um contrato de prestação de serviços (fls. 981/985) firmado entre Renato Aragão Produções Artísticas Ltda. e a Ponto Filmes Ltda., cujo objeto era a "administração/produção executiva e direção de arte/cenografia da obra audiovisual cinematográfica de longa metragem intitulada 'O Noviço Rebelde'." (cláusula primeira). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Tal contrato previa uma remuneração, a qual está fixada na Cláusula quarta, sendo de se destacar o conteúdo do item 4.3: "A CONTRATANTE pagará a CONTRATADA o valor descrito de percentual de ADMINISTRAÇAO na cláusula 4 (item 4.1.) em aportes semanais, dependendo sempre da sua capacidade de caixa, podendo portanto flexibilizar estes pagamentos, conforme determina a CLÁUSULA 3 (item 3.1.), ou seja, juntamente com as verbas que farão frente às despesas demonstradas pelo CONTRATO." Merece registro, ainda, a previsão contratual da cláusula terceira, em especial do item 3.1, o qual, inclusive, está mencionado na cláusula supratranscrita: "Caberá ao CONTRATADO solicitação semanal ao CONTRATANTE, das verbas que fará frente às despesas com demonstração de suas utilizações, e sempre que solicitado nova verba, deverá fazer a prestação de contas referente à verba anterior, através de relatórios técnicos contábil, analítico e sintético com a demonstração das alocações das verbas gastas, e o acompanhamento por item do orçamento dos valores previstos e conseqüentemente utilizados." 2a) O Sr. Alvenir Correa Coimbra detinha procuração da pessoa jurídica Ponto Filmes Ltda. (fls. 986) para "que com plenos direitos possa em nome da sociedade, assinar, contratar e distratar, endossar, vender, comprar, representar a sociedade junto a repartições públicas federais, estaduais, municipais e autarquias, além de representála em juízo ou fora dele, e tudo o mais que se fizer necessário ao fiel cumprimento do presente mandato." Ou seja, independentemente do vínculo trabalhista ou societário com a pessoa jurídica Ponto Filmes Ltda., o Sr. Alvenir Correa Coimbra era seu representante legal, com poderes gerais e amplos de administração e gerência da pessoa jurídica, além dos expressamente elencados, dentre os quais é conseqüência lógica que está o receber e dar quitação (já que está expresso o poder para endossar só pode endossar se tiver recebido antes). 3a) O filme "O Noviço Rebelde" é uma realidade. E, assim sendo, não há como se pretender negar que o objeto do contrato antes apontado foi cumprido, foi executado, e teve um resultado final. Também é imperioso reconhecer que, para que tal produto do cinema nacional tenha sido produzido, ocorreram dispêndios, gastos, investimentos financeiros; enfim, pagamentos foram feitos. 4a) É fato e contra fato não há argumento que nos créditos do filme "O Noviço Rebelde" (fls. 987) consta como Diretor Tizuka Yamasaki, como Produção Executiva Carlos Alberto Diniz e como Arte e Figurinos, Yurika Yamasaki, todos nomes constantes do referido contrato de prestação de serviços (fls. 981/985). E, como Gerente Administrativo o crédito é para Alvenir Coimbra, exatamente o beneficiário dos cheques emitidos pela Recorrente e procurador da empresa Ponto Filmes Ltda., prestadora dos serviços relativos à produção e execução do multicitado filme. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 18471.002385/200239 Acórdão n.º 9202002.689 CSRFT2 Fl. 15 9 Ora, esses elementos, por si só, evidenciam uma razoabilidade, uma coerência lógica nas justificativas apresentadas pelo Contribuinte, desde a fase impugnatória. Na verdade, pois, não vislumbro nenhuma das hipóteses previstas no artigo 61, da Lei n° 8981, antes indicadas, a autorizar essa imposição do IRF, relativamente aos pagamentos que se justificam pela produção e execução do filme "O Noviço Rebelde", como será individualmente tratado na seqüência. Isso por que: a) de beneficiário não identificado não se trata porque os pagamentos foram feitos para Ponto Filmes Ltda., por intermédio do Sr. Alvenir Correa Coimbra, que responde pela referida empresa em função de procuração recebida (fis. 986). Há nos autos, inclusive, recibos seus comprovando tal situação (fis. 998 e 1036), os quais não podem ser simplesmente ignorados ou desconsiderados, com fundamento em presunção da sua imprestabilidade, sem fatos concretos; b) pagamentos sem causa não são porque o contrato de prestação de serviços para a produção do filme "O Noviço Rebelde" (fls.981/985) os justifica. Igualmente, não há nenhum elemento, ou mesmo indício, que desabone a validade jurídica e econômica de tal contrato; c) de operação sem causa também não há de se falar porque a sua causa está materializada com o resultado final da produção do filme "O Noviço Rebelde" (vide doc. de fls. 987). Entendo, também, que, por ser uma tributação verdadeiramente gravosa ao Contribuinte — pois a alíquota é de 35% e a base de cálculo é reajustada — não se deve ter o rigor absoluto de se exigir a coincidência total de datas e valores, entre os documentos e os registros contábeis, o que a jurisprudência de hoje nem mesmo exige quanto aos depósitos bancários do artigo 42, da Lei n° 9430196. Assim, o mesmo raciocínio deve ser usado aqui para se concluir que, pela razoabilidade, coerência, lógica e pertinência, devem ser aceitas as justificativas e comprovantes para as despesas, mesmo que, formalmente, alguns desses documentos apresentem algumas falhas ou imperfeições, mas que não comprometem a convicção do julgador. Ainda mais em situações, como a presente, em que há a confirmação de recebimentos pelo beneficiário, inclusive com recibos (por exemplo, fls. 998, 1036). Além disso, eventuais irregularidades na prestadora do serviço, que não emitiu nota fiscal ou não tem conta corrente bancária, por exemplo, como consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 253/295), não podem ser imputadas à responsabilidade do Contribuinte/Recorrente. Isto posto, passemos à análise das glosas mantidas pelo acórdão recorrido, adotandose a mesma ordem e seqüência constantes naquele voto:” Fl. 9DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Com mais especificidade, relativamente a cada pagamento realizado e ora objeto de contestação, o voto condutor do Acórdão recorrido assim se posicionou: a) Tratase de pagamento, no valor de R$ 75.000,00, feito a Ponto Filme Ltda., que não foi aceito pela falta de emissão de recibo ou nota fiscal da prestadora do serviço, ou cópia do cheque, não aceitando, por si só a contabilidade da Recorrente e não admitindo que esse valor tenha sido recebido pelo procurador da Empresa, Sr. Alvenir Correa Coimbra, mesmo que seu nome conste do cartaz promocional do filme. Conforme já exposto, entendo que todo o conjunto probatório dos autos é suficiente a demonstrar a causa e o beneficiário de tal pagamento, ficando prejudicado o argumento de falta de nota fiscal ou recibo a ser emitido pela prestadora do serviço, mesmo porque, como também já afirmado antes, tratase de uma obrigação de terceiros, cuja falta não pode ser imputada ao Contribuinte/Recorrente. Excluo, pois, esse valor da autuação. c) Tratase de um pagamento, no valor de R$ 175.000,00, também vinculado à produção do filme "O Noviço Rebelde". Por todos os motivos apresentados acima, entendo que resta comprovado adequadamente tal pagamento, inclusive porque há recibo emitido pelo Sr. Alvenir Correa Coimbra, na qualidade de procurador da empresa Ponto Filmes Ltda., o qual não pode ser, simplesmente, desconsiderado (fis. 998). Excluo esse valor da autuação. [...]” Por sua vez, relativamente ao valor de R$ 5.000,00, igualmente, objeto de contestação pela Procuradoria da Fazenda Nacional, explicitou a contribuinte ser parte do pagamento de dívida no valor de R$ 6.800,00, tendo juntado documentos comprobatórios de aludida argumentação, como se verifica do excerto do voto condutor do Acórdão recorrido abaixo transcrito: “[...] h) item (2) — Referese ao valor de R$ 5.000,00, que, segundo o Contribuinte é parte do pagamento de R$ 6.800,00, feito à empresa Imagem Produções Artísticas Ltda. Há cópias de DOC Eletrônico, cópias dos cheques e lançamentos contábeis (fis. 1055/1059), os quais foram considerados insuficientes pelo julgador de primeira instância, que entendia necessária a emissão de nota fiscal ou recibo por essa pessoa jurídica prestadora do serviço. Todavia, entendo que há prova da causa da operação e do beneficiário que, é, efetivamente, a empresa Imagem Produções Artísticas Ltda. A propósito, vejase o doc. de fls. 1058: tratase de um fax, datado de 07.04.98, cobrando o pagamento de R$ 6.800,00, o qual foi pago parcialmente com cheque datado de 08.04.98 um dia após – no valor de R$ 5.000,00 (fls. 1055). Esse fax, logo, justifica o pagamento de R$ 5.000,00, pois há coincidência com o histórico do cheque e o fato dele ser nominal à empresa beneficiária (vide espelho do cheque às fls. 1055). Fl. 10DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 18471.002385/200239 Acórdão n.º 9202002.689 CSRFT2 Fl. 16 11 Por esses motivos, excluo o valor de R$ 5.000,00 da autuação. [...]” Verificase, portanto, que as provas foram devidamente produzidas pela contribuinte, mais precisamente quanto à comprovação da causa dos pagamentos, não se cogitando na manutenção do feito em razão exclusivamente da ausência de notas fiscais e/ou recibos, sobretudo quando os documentos carreados aos autos pela contribuinte se apresentam robustos no sentido de corroborar sua argumentação, como acima demonstrado. Por outro lado, mesmo admitindo que a prova produzida pelo contribuinte não seja plena como pretende a fiscalização, ad argumentandum tantum, ainda assim vale mais que uma presunção, conjectura, ilação. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 4a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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