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Numero do processo: 11080.903798/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2008 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 37 98 /2 01 2- 69 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.945, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.903798/201269 Acórdão n.º 3402005.168 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720104/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE. MPF. INOCORRÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124 DO CTN.
O interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária principal, norteia a hipótese de responsabilização solidária incrustada no art. 124, inciso I do CTN.
INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária.
DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO FISCAL.
A ocorrência de dolo, fraude ou simulação concretizam a exceção do art. 150, §4º do CTN, remetendo a observância do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dicção do art. 173, I do CTN.
MULTA QUALIFICADA.
A sonegação fiscal é conduta que autoriza a qualificação da multa, nos ditames do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplicam-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, os mesmos fundamentos aplicados ao IRPJ, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
Numero da decisão: 1201-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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MPF. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124 DO CTN. O interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária principal, norteia a hipótese de responsabilização solidária incrustada no art. 124, inciso I do CTN. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO FISCAL. A ocorrência de dolo, fraude ou simulação concretizam a exceção do art. 150, §4º do CTN, remetendo a observância do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dicção do art. 173, I do CTN. MULTA QUALIFICADA. A sonegação fiscal é conduta que autoriza a qualificação da multa, nos ditames do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. LANÇAMENTOS REFLEXOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 01 04 /2 00 9- 13 Fl. 530DF CARF MF 2 Aplicamse às contribuições sociais reflexas, no que couber, os mesmos fundamentos aplicados ao IRPJ, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cuja a cobrança reportase aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, com crédito total apurado no valor de R$ 9.935.135,78, incluindo o principal, a multa e os juros de mora atualizados até a data de 27/02/2009. De acordo com a Descrição dos Fatos dos Autos de Infração, o contribuinte, juntamente ou por intermédio dos sujeitos passivos solidários, quais sejam, CASA DA CARNE SOUZA LTDA, PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA e SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA, incorreu em omissão de receitas operacionais. O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão da falta de apresentação do Livro Diário e Razão e sobre a exigência principal foi aplicada a multa de 150% (qualificada) em razão da conduta do contribuinte se subsumir à hipótese abstrata da sonegação. Impugnações Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 3 3 A empresa fiscalizada e SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA não apresentaram peças de defesa. No entanto foram apresentadas as impugnações pelos demais sujeitos passivos solidários. Em síntese, PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA e CASA DA CARNE SOUZA LTDA dispenderam as mesmas teses e argumentos de defesa contra os termos do lançamento. A autoridade julgadora de primeira instância elucidou os principais pontos ali aduzidos, de modo que peço vênia para reproduzilos: “Da preliminar de nulidade dos AI 1. O auto de infração é nulo em razão da incompetência do AFRFB que constituiu o crédito tributário, conforme fatos e fundamentos destacados abaixo; 2. O contribuinte teve ciência do MPF em 06/10/2005, a despeito dele ter sido expedido em 2008, o que demonstra que a fiscalização foi realizada de forma açodada, absolutamente incompatível com o princípio da verdade material; 3. Pelo demonstrativo de emissão e prorrogação do MPFF n° 02201002008007583, verificase que há três prorrogações sem ciência expressa do contribuinte e do impugnante; 4. O AFRFB originalmente incumbido de executar o MPFF foi mesmo que continuou a executar o mandado após as prorrogações, fato que contamina a constituição do crédito tributário em razão da incompetência do agente público que efetuou o lançamento; 5. A incompetência da agente público é decorrente da extinção do MPF pela falta de ciência das prorrogações, na forma do artigo 14, inciso II, c/c os artigos 11, inciso I, e 12 da Portaria RFB n° 11.371/2007; 6. No caso de extinção do MPF, um novo pode ser emitido desde que haja indicação de outro AFRFB para sua execução, conforme dispõe o art. 15, parágrafo único, da Portaria RFB n° 11.371/2007; 7. A supressão da competência tem fundamento no art. 194 do CTN, devendo o lançamento ser considerado nulo na forma do art. 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72; 8. Nesse sentido a jurisprudência do Conselho de Contribuintes às folhas 258261; Da decadência 9. Os tributos objeto do lançamento se submetem a modalidade de lançamento por homologação. Dessa forma, nos termos do art. 150 §4° do CTN, aplicável ao caso, os créditos referentes aos meses de janeiro a junho de 2002 foram extintos pela decadência; Fl. 532DF CARF MF 4 Da responsabilidade tributária 10. A competência para imputação da responsabilidade pelo crédito tributário é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no curso da execução fiscal, sob pena de nulidade do ato administrativo que invadiu a competência alheia. Nesse sentido os acórdãos do Conselho de Contribuintes às folhas 264 267; 11. Não consta de seu depoimento o início de sua participação no esquema, o que impossibilita a imputação da responsabilidade solidária no período referente a autuação; 12. A fiscalização deveria ter tentado provar a efetiva participação do impugnante no período de apuração; 13. A omissão da fiscalização torna impossível a defesa de impugnante, impedindoa de fazer prova de que no período de autuação não participava do esquema; 14. A fiscalização deveria ter diligenciado a FRIBOI citado no depoimento como seu principal fornecedor, a fim de levantar o montante remetido às empresas que participaram do esquema; 15. A fiscalização não instruiu a autuação com elementos que comprovem a participação do impugnante no esquema criminoso durante os anoscalendário objeto da autuação, ferindo o art. 9º do Decreto n° 70.235/72; 16. Não participou de qualquer esquema criminoso durante os anoscalendário sob autuação; 17. Nos termos do Código de Processo Civil o ônus da prova cabe a quem alegar, no caso, o fisco; 18. Não se eximirá de sua responsabilidade pelas infrações cometidas, contudo não pode admitir a responsabilidade pelo pagamento de um crédito que não tem a menor relação com sua pessoa; 19. A fisco tentar imputar a responsabilidade à impugnante pela totalidade do crédito tributário devido pela autuada, mesmo sabendo que várias pessoas participaram do esquema; Da multa qualificada 20. A multa qualificada, fundamentada na sonegação, somente pode ser aplicada à pessoa que praticou o fato, posto que nenhuma pena pode passar da pessoa do apenado; Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 4 5 Divergem as alegações do sujeito CASA DA CARNE SOUZA LTDA apenas no seguinte ponto: “(...) 32. A confissão do sócio PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, acerca de sua participação no esquema de sonegação fiscal, só tem validade a seu desfavor, haja visa que a sociedade e o sócio terem personalidades jurídicas distintas; 33. O nome da recorrente sequer consta dos depoimentos prestados à Polícia Federal; (...)” Acórdão nº 0115.657 – 1ª Turma da DRJ/BEL Responsabilidade Tributária Quanto à alegação de que a imputação de responsabilidade competiria exclusivamente à PGFN, expõe a autoridade julgadora, em sentido contrário, que o lançamento efetuado pelo Fisco deveria identificar, dentre outros, os sujeitos passivos da obrigação tributária, assim compreendidos tanto o contribuinte como o responsável tributário, depreendendose tal assertiva através da leitura sistemática dos artigos 121 e 142 do CTN. Constatouse, ainda, que o procedimento adotado pela autoridade fiscalizatória só viria a beneficiar o responsável tributário, na medida em que lhe assegura o contraditório e a ampla defesa desde o lançamento. No que se refere a empresa CASA DA CARNE SOUZA LTDA, especificamente, reputouse que, na ausência de provas que revelassem, sem margem de dúvidas, a participação da sociedade impugnante nos fatos que motivaram o lançamento, e diante da enfática negação desta acerca de sua participação nos mesmos fatos, o fisco não poderia mantêla no polo passivo da obrigação tributária. Logo, a responsabilidade tributária da sociedade referida fora afastada para efeitos do processo administrativo fiscal. Já quanto à PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, constatouse que o depoimento do recorrente, exposto na descrição dos fatos do Auto de Infração, seria a prova cabal de sua participação no esquema de sonegação fiscal que envolve ainda o contribuinte MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA ME e o Sr. SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA. Entendeuse que as provas trazidas pela fiscalização seriam suficientes para instruir a autuação com elementos que comprovassem a participação do impugnante no esquema criminoso, de modo que caberia a este trazer a contraprova para eximirse de sua responsabilidade. A participação do impugnante no esquema, nos moldes trazidos pelo depoimento, relevaria mais que um interesse comum na situação que constituiu o fato gerador Fl. 534DF CARF MF 6 da obrigação, ou seja, um interesse maior do impugnante, pois sua empresa seria destinatária das mercadorias que foram objeto do lançamento. Ademais, elucidouse que a responsabilidade tributária decorrente da prática de ato criminoso é solidária perante os atores da conduta proibida (art. 135 e 137 do CTN) Do exposto, reputouse indeclinável a participação do recorrente na conduta que ensejou o fato gerador da obrigação, mantendo sua responsabilização pela satisfação do crédito tributário. Nulidade do Procedimento Fiscal Sustentouse que o vício apontado pelo recorrente neste ponto não seria capaz de macular de nulidade o lançamento. Primeiro porque não haveria previsão legal neste sentido. Segundo, sob o argumento de que a Portaria RFB n° 11.371/2007 seria uma norma infra legal que apenas regularia, internamente, os procedimentos de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Receita Federal do Brasil, não tendo o poder de atribuir competência e poderes às autoridades administrativas na forma preconizada pelo art. 194 do CTN, tão pouco de anular a exigência fiscal albergada pelas normas condutoras do lançamento, mormente o Código Tributário Nacional e o Processo Administrativo Fiscal. Não sendo verificada qualquer ofensa a estes últimos diplomas legais, concluiuse não haver como prosperar a tese de nulidade suscitada. Decadência Segundo a autoridade julgadora, o recorrente, ao abordar o dolo suscitado pela fiscalização, limitase a afastar, sem êxito, sua participação na referida conduta. Pela falta de comprovações que validassem suas alegações, considerouse a conduta dolosa do contribuinte como matéria não impugnada, aplicandose ao caso concreto o art. 173, I, do CTN. Constatouse, então, que os créditos tributários, com fatos geradores ocorridos até 30/11/2004, poderiam ser lançados ainda no anocalendário de 2004. Logo, aplicandose o art. 173, I, do CTN, o lustro decadencial teria se iniciado em 01/01/2005 (primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ser efetuado), tendo prazo fatal em 31/12/2009. Considerando que o lançamento ocorreu no curso do anocalendário de 2009, entendeuse por sua constituição dentro do prazo decadencial. Multa Qualificada Reputouse comprovada a participação do impugnante no fato gerador da obrigação principal e ainda uma conduta ativa deste no esquema de sonegação, de modo que seria medida cabível a sua responsabilização pelo pagamento da multa qualificada a teor do que dispõem os artigos 124, inciso I, e 137 do CTN. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 5 7 Ainda ponderouse que a redução do percentual da multa só seria possível se restasse comprovada a ausência do dolo do contribuinte, matéria que sequer fora objeto da impugnação. Do Lançamento Reflexo Houvese por bem aplicar às contribuições sociais reflexas o que foi decidido para o principal, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Recurso Voluntário Diante das circunstâncias, apenas PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA apresentou o respectivo recurso, limitandose a reproduzir a maioria dos pontos trazidos em sede de impugnação. Quanto à nulidade do procedimento fiscal, o recorrente acrescenta as seguintes constatações: “(...) É que o próprio CTN, em seu art. 194, possibilita que a competência administrativa das autoridades fiscais pode ser determinada pela "legislação tributária". Já quanto ao conceito de "legislação tributária", o art. 96 do CTN estabeleceu que toda e qualquer norma, ainda que infralegal (normas complementares), faz parte de seu conteúdo administrativo. Portanto, se a Portaria RFB n. 11.371/2007 determina que, em hipóteses como a dos presentes autos, a execução do MPF deve ser feita por outro AFRFB, revelase nula a prática do ato administrativo (lavratura do AINF) por um AFRFB que, à luz da legislação tributária, não poderia praticálo. Ademais, não se pode confundir a mens legis com a mens legislatoris, ou seja, por mais que o responsável pela edição da Portaria RFB n. 11.371/2007 tenha tido a intenção de que ela viesse a regular "internamente, os procedimentos de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Receita Federal do Brasil", o contexto normativo na qual ela está inserida revela que tal instrumento normativo efetivamente prescreveu regras de competência, as quais devem ser respeitadas, sob pena de nulidade, conforme dispõe o art. 59,1, do Decreto n. 70.235/72.” Ainda, no que concerne à suposta ausência de sua participação no esquema durante o período da autuação, o recorrente lança os seguintes argumentos adicionais: Fl. 536DF CARF MF 8 “(...) O pior de tudo é que, logo após reconhecer que não houve reconhecimento quanto ao período da participação do recorrente no esquema, O V. ACÓRDÃO RECORRIDO, para manter a higidez da exação em desfavor do recorrente, FUNDAMENTOUSE EM UMA PRESUNÇÃO, (...) (...) Como essa presunção não está acobertada por qualquer dispositivo legal, é clara a hipótese de violação do art. 9º do Decreto n. 70.235/72, que prevê a necessidade de o lançamento ser instruído "com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". (...) (...) dáse conta de que ela, de uma só vez, (i) inverte a regra do ônus probatório estabelecida no art. 9º do Decreto n. 70.235/72, que impõe à fiscalização o ônus de comprovar a existência do ilícito; (ii) exige que o recorrente faça prova contra si, violando o princípio nemo tenetur se detegere (o direito de não produzir prova contra si mesmo); e (iii) exige que o recorrente produza a denominada prova negativa (ou prova diabólica), isto é, a prova de um fato que não ocorreu. (...) Em outras palavras, era possível e por isso mesmo era obrigatório à fiscalização investigar e apontar em que medida foi a vantagem obtida pelo recorrente, id est, qual a extensão do interesse comum do recorrente na situação que constitua o fato gerador. A omissão da d. fiscalização, proposital ou não, torna impossível ao recorrente defenderse da autuação, impedindoo de fazer prova de que, no período da autuação, ele não participava do suposto esquema, até porque os documentos que poderiam provar a extensão de sua vantagem estão em poder da Polícia Federal no Amazonas. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 6 9 Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Introdução Cumpre observar que a matéria aqui enfrentada coincide com os fatos apurados no processo administrativo fiscal nº 10283.720097/200941, cuja a relatoria também compete ao presente julgador. A empresa aqui fiscalizada possui, conforme se verá adiante, a mesma função da entidade ali fiscalizada, SEVERINO G. DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL ME, no esquema fraudulento desvendado pela autoridade administrativa. Desta forma, salvo algumas peculiaridades pontuais, serão aqui delineadas exatamente as mesmas razões adotadas naquela ocasião para examinar a responsabilidade de e a multa qualificada aplicada por ocasião do ilícito tributário elucidado pela fiscalização. Nulidade do Procedimento Fiscal As alegações do recorrente neste ponto restringemse a atacar as formalidades concernentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A crítica mais firme neste sentido cingese à inobservância do art. 15 da Portaria RFB nº 11.371/2007, a qual dispõe que na emissão de um novo MPF não poderá ser indicado o mesmo AuditorFiscal da RFB responsável pela execução do MPF extinto. Neste albor, restaria patente a incompetência do Sr. Osimar dos Santos Souza. Contudo ainda transmite suas indignações quanto à ausência de ciência expressa da empresa fiscalizada, quando foram promovidas sucessivas prorrogações do MPF. Ora, ainda que tais alegações se mostrem verídicas, a análise aqui perpetuada deve ser norteada pelo atendimento ao princípio da verdade material. Tais inconsistências referemse a questões de ordem meramente formal, que de nenhuma forma comprometeram a posterior formalização do lançamento ou, no curso da ação fiscal e deste processo administrativo, de modo geral, cercearam de qualquer forma o direito de defesa da empresa autuada. O MPF é a ordem específica que apenas instaura o procedimento fiscal, perfazendo um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos adotados pela Administração Tributária. A discussão quanto à competência da pessoa responsável por tal ato nos parece questão irrelevante, nestes autos exclusivamente, dadas as vultuosas montas omitidas pela empresa fiscalizada e elucidadas pelo trabalho fiscal. Ressaltese, não pretendese aqui desmerecer ou inferiorizar, de qualquer forma, as formalidades ínsitas a ação da fiscalização. Lançando olhar de maneira isenta, Fl. 538DF CARF MF 10 imparcial e isolada, sem qualquer influência das informações expostas nesta demanda, não resta dúvida que tais normas devem ser seguidas à risca, pois, de certo, otimizam o trabalho fiscal e evitam a materialização das máculas potencialmente desencadeadoras de irregularidades posteriores. O fato é que, neste momento processual, já realizado todo o trabalho fiscal; desvendada a ação sonegatória da empresa fiscalizada e dos respectivos responsáveis solidários; definido o quantum devido pelo contribuinte; e aplicadas as devidas penalidades, mostrase medida totalmente injusta desnaturar a cobrança de todo o crédito tributário, para fazer prevalecer a desobediência de uma mera formalidade. Veja que em um contexto amplo, voltado essencialmente para a consumação do preceito que pugna pela elucidação da verdade material, esta formalidade, observada de forma individualizada, se mostra inócua. Enquanto, em sentido contrário, todo o procedimento fiscal desenvolvido posteriormente à suposta instauração irregular, se mostra de ímpar presteza a elucidar o que de fato ocorreu. Os fatos inequívocos firmados nestes autos coadunam com a identificação da real capacidade contributiva da entidade fiscalizada e, ulteriormente, representam a consonância com diretrizes basilares impostas pela Magna Carta. Reconhecer a nulidade suscitada pela parte desafiaria uma ação em total alinho aos preceitos máximos do ordenamento jurídico pátrio. O procedimento fiscal cumpriu com a sua função essencial, identificou a omissão de receitas, submeteuas à apreciação da contribuinte e dos responsáveis e somente então procedeu a constituição definitiva do crédito tributário. A deficiência inofensiva, de ordem meramente formal, quanto ao ato que a instaura, não merece ser acolhida como motivação para a decretação de nulidade do lançamento. Ademais, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar que tais supostas irregularidades teriam de fato causadolhe prejuízo real que, de qualquer forma, ofendesse direitos e garantias a ele inerentes no âmbito do processo administrativo fiscal. Cumpre ressaltar que a jurisprudência do CARF, de forma uníssona, valida todo o racional aqui exposto: MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. (Acórdão nº 3402004.756 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 24/10/2017) MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 7 11 (Acórdão nº 2201003.781 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 08/08/2017) NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. (Acórdão nº 2202003.835 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09/05/2017) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno, disciplinado por ato administrativo, de planejamento e controle da administração tributária federal. Eventuais omissões ou irregularidades formais em sua emissão ou prorrogação, não enseja a nulidade do lançamento de ofício, vinculado e obrigatório, por lei. (Acórdão nº 3401003.437 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária) Desta forma, não há como se acatar que as irregularidades na emissão ou execução do MPF possam desnaturar o lançamento por meio da decretação de sua nulidade. Rejeito, pois, as alegações preliminares do recorrente no que tange à nulidade. Decadência Conforme se verá adiante, o presente voto vai no sentido da correção da aplicação da multa qualificada de 150% tendo em vista o claro intuito fraudulento da conduta do contribuinte. Superado este ponto, cumpre expor que, uma vez firmada a conduta dolosa e fraudulenta da empresa fiscalizada, não há como supor a contagem do prazo decadencial levando em consideração o quanto disposto no art. 150, §4º do CTN. O próprio dispositivo excepciona a aplicação do aspecto temporal ali disposto nos casos de dolo, fraude ou simulação: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 540DF CARF MF 12 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. São hipóteses que decerto comprometem o trabalho da fiscalização e, em circunstâncias peculiares, podem demandar maiores esforços e diligências mais elaboradas para a determinação do crédito tributário, de modo que transcorrese maior lapso de tempo em uma investigação completa e eficiente. Ao menos essa é a presunção lançada. Nestes casos, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN, o qual estende o prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Eis a dicção legal do supracitado artigo de lei: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)” Veja que não se trata de uma penalidade, mas da concessão de maior tempo para a Administração Pública promover o trabalho fiscal, dados os empecilhos fáticos, as inexatidões materiais e a necessidade de um olhar mais atento e pormenorizado ao caso concreto. Assentadas estas premissas não há como reconhecerse a consumação do prazo decadencial. Os fatos geradores perfectibilizados no anocalendário de 2004 teriam o início do lapso temporal no dia 01/01/2005 e seu término, portanto, em 31/12/2009. O lançamento ocorreu no curso do anocalendário de 2009. Desta forma rejeito as arguições do recorrente aqui delineadas, para manter intacto o lançamento e a respectiva multa qualificada aplicada. Responsabilidade Tributária O depoimento de PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, o ora recorrente, representa um marco neste procedimento administrativo, especificamente no tocante à determinação da infração tributária e à atribuição de responsabilidade aos sujeitos passivos solidários que concorreram para a prática do ilícito. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 8 13 Tanto é assim que a empresa fiscalizada e o principal mentor de toda a operação fraudulenta desvendada (SIDONEI) quedaramse inertes durante todo o procedimento fiscal, até a esse momento. As informações ali dispendidas caracterizaram uma genuína confissão, em que o sujeito reconhece a existência de um esquema fraudulento, premeditado e planejado, voltado exclusivamente para a sonegação fiscal, ou seja, para evitar o impacto tributário inerente as atividades desempenhadas pelos agentes envolvidos. Provavelmente faltaram provas e argumentos às partes que se omitiram, dada a força probante do referido depoimento. Neste sentido vejamos os esclarecimentos do recorrente: “QUE é proprietário do estabelecimento comercial, denominado CASA DA CARNE SÃO PEDRO, há aproximadamente 10 (dez) anos; QUE tem movimentação financeira referente a mercadorias adquiridas para seu estabelecimento comercial no montante de RS 1.000.000,00 (um milhão de reais); QUE tem como maior fornecedor de carne bovina para a sua empresa a FRIBOI, esclarecendo que a empresa FRIBOI é o abatedouro e a mencionada compra é feita por uma empresa interposta denominada SEVERINO G.DE OLIVEIRA, cujo proprietário é SIDONEI; QUE não se recorda o sobrenome do mesmo; QUE esclarece o Interrogado que as suas* compras não se resumem somente à carne bovina, tendo outros fornecedores em menor escala de carne de aves; QUE o despachante responsável pelo recebimento e desembaraço de suas mercadorias é o senhor de nome ADILSON ou AGILSON, sendo que não se recorda, também, do seu sobrenome; QUE seu relacionamento com o senhor SIDONEI é estritamente comercial, sendo que o mesmo trabalhou juntamente com o seu pai na Prefeitura do Município de Careiro Castanho há mais de 20 (vinte) anos atrás; QUE confessa a realização de compras de mercadorias para a sua empresa se utilizando das empresas MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA e SEVERINO G. DE OLIVEIRA, ambas de propriedade do senhor SIDONEI; que tal operação era com intuito de se livrar da tributação incidente sobre essas transações comerciais; QUE esclarece ainda que tal procedimento, hoje, é oferecido com extrema facilidade, não só para ele, mas como para vários comerciantes locais: QUE esclarece ainda o Interrogado que não é o único que se utiliza das duas empresas supramencionadas para tal fim, podendo citar outros empresários, como da JK FRIGORÍFICOS, e ARI FRIGORÍFICOS BAHIA, QUE as compras realizadas através da empresa de SIDONEI também eram realizadas por sua mãe ANTONIA CAVALCANTE DE SOUZA e seu irmão ANTONIO AFONSO JACOB DE SOUZA, esclarecendo que tais compras eram centralizadas pelo Interrogado, para que o mesmo pudesse ter o maior poder de barganha: QUE confessa que as empresas criadas pelo senhor SIDONEI teriam um período certo de existência, entretanto, o mesmo não sabe precisar tal tempo; QUE sabe que tais empresas tinha um tempo certo de existência, pois sabe que tais empresas iriam "espocar", ou seja, não Fl. 542DF CARF MF 14 poderiam mais ser utilizadas em virtude do grande volume de impostos sonegados: QUE se recorda de uma conversa com o senhor SIDONEI em que o mesmo falou que só poderia usar a empresa a SEVERINO G. DE OLIVEIRA, posto que iria parar o funcionamento da empresa MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA, dizendo ainda que não importaria o tempo gasto, mas um dia ele iria limpar o nome de sua esposa: QUE esclarece que MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA é esposa do senhor SIDONEI GONÇALVES ". A Polícia Federal, em diligência anterior a instauração desta ação fiscal, já constatara que o senhor SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA realizava compras em nome de suas empresas (entre elas Maria Alcilene Gomes da Silva – ME, a empresa fiscalizada) para outros empresários do setor de carnes e estivas de Manaus, assumindo a carga tributária devida e eximindo os empresários beneficiados do pagamento dos tributos federais, mediante o recebimento de um percentual daquilo que seria devido, ocorrendo que a "contabilidade" de SIDONEI escritura apenas uma pequena parte de sua movimentação, a fim de, inclusive, não permitir que as suas empresas saiam do limite do SIMPLES. Cumpre reproduzir, à título complementar, a confissão de SIDONEI, a qual se mostra elucidativa quanto aos termos em que se materializava a operação: "QUE é o responsável de fato pelas empresas MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA e SEVERINO G. DE OLIVEIRA e FL DE OLIVEIRA; QUE admite a utilização das empresas MARIA ALCILENE G. DA SILVA e SEVERINO G. DE OLIVEIRA para a realização de compras de mercadorias em favor de terceiras empresas a fim de eximilas da integralidade da carga tributária devida; QUE iniciou este tipo de atividade com a empresa MARIA ALCILENGE G. DA SILVA no ano de 2002; QUE há esta época a empresa funcionava em um pequeno estabelecimento localizado no bairro de São José; QUE, ainda nessa época foi convidado por um indivíduo conhecido como MARCELINHO para que realizasse compras se utilizando do nome da empresa MARIA ALCILENE em proveito das empresas CASA DA CARNE JK; para o empresário MOAB, com estabelecimento no bairro de São José na antigamente chamada Rua Marginal; para o FRIGORÍFICO BEM HUR de propriedade do empresário VALTER, na Cidade Nova; para a CASA DA CARNE SÃO PEDRO, de propriedade de PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA; FRIGOSOUZA, DE propriedade de ANTÓNIA CAVALCANTE DE SOUZA; para o empresário ARI BAHIA, cujo estabelecimento fica no bairro Cidade Nova, na Av. Noel Nutels, ao lado do posto de combustíveis Equatorial, em frente a casa de shows Manaus Show Clube; FRIGORÍFICO VITELO e MANAUS SUL; QUE MARCELINHO era um despachante que atuava na região da CEASA; QUE alega ter perdido contato com o mesmo; QUE a negociação feita com MARCELINHO era para que o reinquirido cobrasse o percentual de 8% (oito por cento) sobre o valor da mercadoria comprada; QUE desses 8%, cinco seriam para o pagamento do ICMS logo na entrada da mercadoria; QUE os três por cento restantes eram divididos meioameio com MARCELINHO; QUE a empresa MARIA ALCILENE era adepta ao regime de Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 9 15 tributação simplificada SIMPLES; QUE grande parte desses internamentos não eram escriturados em sua contabilidade a fim de que a empresa não saísse do limite de faturamento estabelecido pelo SIMPLES; QUE igual procedimento foi adotado com relação a empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA; QUE os internamentos realizados através da empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA, já se deram através de negociação direta com os empresários beneficiados, sem a participação de MARCELINHO; QUE foram beneficiados com o não pagamento de tributos através de internamentos realizados pela empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA os empresários PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, RISOMAR GOMES DE SOUZA (DISTRIBUIDORA OMAR), ANTONIAS CAVALCANTE DE SOUZA, ARI BAHIA (ARIVALDO ANDRADE DE ALMEIDA) e ANTONIO AFONSO JACOB DE SOUZA; QUE o valor acertado para a realização desses internamentos, já descontado o ICMS variava entre 2,5% a 3%; QUE constituiu ainda a empresa FL DE OLIVEIRA em nome de sua mãe; QUE o objetivo da constituição da FL DE OLIVEIRA era transferir para ela as atividades da SEVERINO G.DE OLIVEIRA; QUE a SEVERINO G. DE OLIVEIRA foi constituída em nome de seu pai, falecido em fevereiro de 2006; QUE determinou a falsificação de um instrumento público de procuração assinado pelo seu pai, a fim de que pudesse manter em atividade a empresa SEVERINO G. DE OLIVEIRA". Deflagrada a operação, foram presos SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA e o empresário PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, identificado como o principal beneficiado do esquema. Confessaram, ambos, os crimes cometidos contra o chamado sistema de internamento de mercadorias na Zona Franca de Manaus. Ora, está escancarado nos autos que o recorrente participou ativamente da operação que culmina no ato de sonegação fiscal por essa ação fiscal desvendado. Tratase de indício veemente e inequívoco, reconhecido pelo próprio autor do crime, de que este tem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador desta obrigação principal, trazendo à tona a hipótese de responsabilização solidária incrustada no art. 124, inciso I do CTN. Ainda que não se possa atestar com absoluta certeza que o recorrente efetivamente adotou esta prática exatamente no período autuado, este afirma como se ordinariamente e repetidamente o tivesse feito, sem qualquer especificação temporal. Neste caso a comprovação pendente para determinar este fato depende das informações do próprio recorrente, mas este se manteve passivo e omisso, não trazendo à tona qualquer lastro documental que apontasse em sentido contrário. Uma vez firmado que o recorrente era o maior beneficiário do esquema e que não foi apto a provar que não participou deste nos períodos de 2004, 2005 e 2006, não resta outra alternativa senão manter a aplicação do art. 124 do CTN ao caso concreto. A responsabilização atribuída deixa de ser uma presunção relativa quando o contribuinte não é definitivamente apto a ilidila. E de fato, na derradeira oportunidade que teve, por meio do presente Recurso Voluntário, limitase a lançar argumentos superficiais, meras alegações sem o respectivo lastro documental. Fl. 544DF CARF MF 16 A fiscalização, em contrapartida, a despeito da ausência de documentação fiscal e contábil hábil a demonstrar a real condição econômica do contribuinte, lança a presunção de omissão de receitas das vendas realizadas pelo contribuinte, com base na incompatibilidade entre as informações prestadas à RFB (declarações como SIMPLES) e os Demonstrativos de Apuração Mensal DAM, referentes aos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, que lhe foram disponibilizados pela DRFManaus. Tais fatos, ornando perfeitamente com as informações trazidas pelos depoentes e, especialmente quanto ao recorrente, escancaram o contexto fático em que a maioria das empresas as quais detinha gestão se beneficiavam de forma fraudulenta, esquivandose da devida tributação. Os atos omissivos perpetrados pela pessoa jurídica ora fiscalizada, indiretamente, criam as condições favoráveis para que também o recorrente atue ao arrepio da legislação pátria, propiciando a sonegação fiscal. Deste modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária atribuída à PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA. Em último esforço, o recorrente alega a incompetência da atividade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. Neste passo devese firmar que o art. 121 do CTN equipara o contribuinte aos responsáveis, sendo ambos considerados sujeitos passivos da obrigação principal. Daí porque merecida a aplicação do art. 142 do CTN, especialmente no que concerne a competência da autoridade administrativa para identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, abarcando assim, a atribuição de responsabilidade tributária a quem de direito. Este é, inclusive, o entendimento sustentado pela DRJ/BEL, nos autos do PAF nº 10283.720097/200941, o qual, conforme já salientado, guarda relação fática direta com esta demanda: A jurisprudência do CARF atesta tal posição: INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. (Acórdão nº 2202003.853 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10/05/2017) Assim, também não há respaldo para acatar as alegações do recorrente neste ponto. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10283.720104/200913 Acórdão n.º 1201002.091 S1C2T1 Fl. 10 17 Multa Qualificada Diante de todo o exposto no tópico pretérito e, essencialmente considerando as confissões dos sujeitos passivos responsabilizados, denotase o caráter fraudulento e iminentemente doloso da operação, que em um de seus efeitos concretos culminou na infração identificada na presente autuação, evidenciando aqui a inequívoca intenção de frustrarse a devida tributação. Tal prática, no mesmo passo em que caracteriza hipótese de qualificação da multa aplicada, nos termos do §1º do art. 44 da Lei nº 9430/96 também impulsiona a aplicação do art. 173, I do CTN, para fins de análise do prazo decadencial a ser relevado. Nitidamente a conduta da empresa fiscalizada e, de modo geral, o esquema proporcionado por SIDONEI, finalizam uma ação ou omissão tendente a impedir totalmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária pela autoridade fazendária. É cediço que o ato, por si, norteia o quanto disposto no art. 71 da Lei nº 4.502/64, caracterizando, portanto, a sonegação fiscal. O §1º do art. 44 da Lei nº 9430/96, por sua vez, elenca a medida sonegatória como uma das hipóteses autorizadoras da qualificação da multa: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Reiterese, uma vez que o recorrente participou de forma ativa de todo o esquema que visava à sonegação, nada mais justo e válido do que estender a ele, solidariamente, a cobrança da referida multa qualificada, representando a contraprestação punitiva por medidas das quais também atuou de forma direta e ativa. Lançamentos Reflexos Aplicamse aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ, quais sejam, a CSLL, o PIS e a COFINS, os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Conclusão Fl. 546DF CARF MF 18 Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.001752/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73).
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO
A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pelo sujeito passivo regularmente intimado autoriza o lançamento de oficio por omissão de receitas.
SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA BRUTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
A pessoa jurídica que ultrapassou o limite de receita bruta previsto para a empresa de pequeno porte no ano-calendário de 2005, deve ser excluída do Simples a partir de 1/01/2006. Na falta de contestação expressa A. exclusão de oficio, considera-se tal ato definitivo na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1301-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pelo sujeito passivo regularmente intimado autoriza o lançamento de oficio por omissão de receitas. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA BRUTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A pessoa jurídica que ultrapassou o limite de receita bruta previsto para a empresa de pequeno porte no ano-calendário de 2005, deve ser excluída do Simples a partir de 1/01/2006. Na falta de contestação expressa A. exclusão de oficio, considera-se tal ato definitivo na esfera administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pelo sujeito passivo regularmente intimado autoriza o lançamento de oficio por omissão de receitas. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA BRUTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A pessoa jurídica que ultrapassou o limite de receita bruta previsto para a empresa de pequeno porte no anocalendário de 2005, deve ser excluída do Simples a partir de 1/01/2006. Na falta de contestação expressa A. exclusão de oficio, considerase tal ato definitivo na esfera administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 17 52 /2 00 9- 81 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 643 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 644 3 Relatório FRIGORÍFICO PIRAJA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE CARNES LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR (fls. 234 e ss), que, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação Fiscal, (fls. 59/63), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: O processo é de autos de infração do Simples Federal (fls. 01/65), exigindo o crédito tributário no valor consolidado de R$ 2.288.215,59, conforme demonstrativo à folha inicial. A exigência é decorrente de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento no anocalendário de 2005 (AC/2005), por parte da pessoa jurídica (PJ) acima identificada. Os lançamentos estão distribuídos pelos tributos integrantes da sistemática do Simples (IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e INSS), incluindo valor do principal, mais multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora. Os detalhes do procedimento fiscal estão registrados no Relatório Fiscal, às fls. 59/63, cujo resumo é o seguinte: — A ação fiscal começou através do Termo de Inicio de Fiscalização (TIF) cientificado em 16/09/2008, por edital, depois de a postagem ter sido devolvida pelo serviço de Correios (fls. 83/84). Na ocasião a PJ foi intimada a apresentar a documentação contábil/fiscal, inclusive extratos bancários. — Em 29/09/2008, a empresa pediu prorrogação por mais 60 (sessenta) dias para juntar a documentação solicitada, no que foi atendida. — Vencido esse prazo, sem que a fiscalizada se manifestasse, a Fiscalização requisitou os extratos, na forma da lei, juntos aos bancos do Brasil, Bradesco e CEF, que atenderam à solicitação da RFB. — De posse dos tais extratos, a Fiscalização listou todos os créditos nas c/c da PJ, excluindo aqueles que não significaram efetiva entrada de recursos, tais como: devoluções, transferências entre contas de mesma titularidade, estornos e empréstimos. — Isto posto, a fiscalizada foi intimada a justificar/comprovar a origem dos créditos listados nos anexos ao Termo de Intimação Fiscal — 01, cientificado em 20/02/2009, conforme fls. 96/115. — Em 20/02/2009, a fiscalizada apresentou cópias do contrato social e alterações, folhas impressas como sendo Livro Registro de Saídas, Entradas Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 645 4 e Apuração do ICMS (sem assinatura e sem encadernação), algumas notas fiscais de saída e alguns relatórios contábeis de movimentação financeira. — Em 27/03/2009, a fiscalizada pediu dilação de prazo para atendimento de solicitações feitas ainda no TIF. — Em 13/04/2009, a fiscalizada entregou relatórios com justificativas de depósitos bancários, a saber: depósitos reapresentação de cheques devolvidos; transferências entre contas da mesma titular; empréstimos empresa Frigocames; empréstimos Antônio Fernando de Souza Andrade; empréstimos empresa Valdo Wilson Moraes Manhães; contrato de aluguel de veículos; vendas com cartões de crédito; movimentação contas Fernando Andrade; e contrato de intermediação para compra de bovinos. — Analisando tais documentos, chegouse as conclusões objeto do Termo de Constatação e Intimação Fiscal — 02, cientificado A. PJ em 03/08/2009 (fls. 188/198), assim resumidas: apresentar documentação probante dos ditos depósitos e reapresentação de cheques devolvidos (microfilmagem e identificação de origem); dos empréstimos (contratos de mútuo); dos empréstimos Empresa Frigocarnes (contrato de mútuo); dos contratos de aluguel; e de vendas com cartão de credito. Foram excluídas a movimentação de contas de Antônio Fernando Andrade, por ser de pessoa física; e contrato de intermediação para compra de carnes de Antônio Fernando Andrade com a Frigocarnes, por ser de pessoa física (Antônio Fernando). — Em 08/09/2009, a fiscalizada entregou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal — 02, acompanhada de documentos, tendo o autuante dito que: (a) Alguns dos depósitos listados nas planilhas anexas ao citado termo foram comprovados e justificados; (b) Os contratos de empréstimos não foram entregues; (c) Os contratos de compra de bovinos e de movimentação de contas do Sr. Antonio Fernando foram entregues equivocadamente fiscalização de PJ, já que se referiam à pessoa fisica; (d) Contrato de aluguel não foi entregue; e (e) Vendas com cartão de crédito, nada foi entregue. — Afinal, o autuante informa que fez a consolidação bancária, afastando os depósitos de origem comprovada, bem como as receitas declaradas na DSPJSimples, e efetuou o lançamento de oficio dos demais depósitos, nos termos do art. 42, da Lei n2 9430, de 1996, conforme demonstrativo de valores apurados a. . fl. 63. Em virtude da autuação fiscal, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais e para Exclusão do Simples Federal (vide fls. 204/216). A exclusão de oficio ocorreu através do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRFNCA nº 11, de 04/11/2009, com efeito a partir de 01/01/2006 (fl. 208). Em 27/11/2009, a empresa foi cientificada do feito, por Edital (fl. 220). Da Impugnação Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 646 5 Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 222/224, que aduziu os seguintes argumentos: Em 29/12/2009, apresentou impugnação, as fls. 222/224, instruída somente com cópias do documento de identidade do signatário e da alteração contratual da sociedade registrada em 23/11/2005. Não trouxe documentação que pudesse subsidiar a defesa. As alegações da impugnante se encontram resumidas nos itens a seguir: (i) Em preliminar, após alegar que o lucro da sua atividade é de cerca de 6%, inferior que o da caderneta de poupança, pugna que é nulo o auto de infração hostilizado, por ausência de justa causa para a sua lavratura, eis que lhe falta fundamento legal plausível, dado que a impugnante não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração. (ii) Que, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos, que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos a investidas ilegais, consoante o seu art. 52, inciso II. (iii) Conclui que é nula a exação, não havendo como prosperar a pretensão do Fisco, quer pela falta de justa causa para a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela impropriedade de que está revestido o ato formal, porque direcionado no sentido da exigência, desamparado da indispensável garantia legal. Reforça, a propósito, que a irrogaçdo de conduta ilícita não passa de equívocos, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação, tampouco abre espaço para o apenamento pretendido. (iv) No mérito, alega, sem apresentar contraprova, que: (a) não teriam sido considerados os depósitos efetuados entre contas da empresa, bem como os depósitos oriundos de cheques devolvidos; (b) idem, com relação aos documentos relativos a empréstimos realizados com as empresas FR1GOCARNES e Valdo Wilson Morais Manhdes; (c) nem todos os créditos constantes nos extratos bancários solicitados pela fiscalização são oriundos de receitas; (d) a autuada não vulnerou quaisquer normas da legislação federal, muito menos cometeu atos irregulares, para sujeitarse ás cominações impostas através dos autos de infração em tela. (v) Quanto a isso, alude que toda ação fiscal há de ser instaurada em consonância com os princípios da moralidade, legalidade e eficiência, que devem reger os atos de toda a administração pública, nos termos do art. 37 (caput) da CF11988, respeitando os direitos individuais. Ante o exposto, requer o cancelamento do auto de infração, mediante declaração de nulidade ou improcedência, caso superada a questão preliminar. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 647 6 Em julgamento realizado em 29 de setembro de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SDR, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1524 953, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NULIDADE FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e houve garantia do direito de defesa na impugnação. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pelo sujeito passivo regularmente intimado autoriza o lançamento de oficio por omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA BRUTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A pessoa jurídica que ultrapassou o limite de receita bruta previsto para a empresa de pequeno porte no anocalendário de 2005, deve ser excluída do Simples a partir de 1/01/2006. Na falta de contestação expressa A. exclusão de oficio, considerase tal ato definitivo na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 243 e ss, onde tão somente reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, e pede a improcedência do lançamento. Recebi os autos, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 648 7 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, em 27/11/2009, para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, em razão de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação de origem, relativo ao período de 2005, totalizando o crédito tributário de R$2.288.215,59, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SDR e intimada ao recolhimento dos débitos em 14/01/2011, conforme o edital, à fl. 242, e apresentou em 14/02/2011, recurso voluntário, juntado às fls. 243 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Alega, em síntese, o recorrente, que as informações obtidas pela fiscalização foram obtidas de forma ilegal e inconstitucional, já que quebrado o sigilo bancário sem autorização judicial. (ressaltese que este irem não foi levantado em sede de impugnação) Conforme se depreende do TVF, vejamos: Entendo não ter razão a recorrente, pelos motivos a seguir. Isso porque o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa matéria em sede de Repercussão Geral. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 649 8 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ” Ademais, transcrevo o dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim também o entendimento da Profa. Maria Rita Ferragut1: "O sigilo bancário não é absoluto, e, no que diz respeito ao aspecto fiscal, deve ceder ao interesse público de obter informações que possam se configurar relevantes a tipificar indícios de prática do fato jurídico tributário. A interpretação do direito à privacidade, na forma ora proposta, garante tanto a eficácia na produção de provas tributárias, quanto a concretização da legalidade e da igualdade. Os benefícios parecem, portanto, muito maiores que a prevalência cega e absoluta da privacidade." Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. Ademais, alega o princípio do não confisco, declarando que a multa confiscatória seria ilegal, não havendo proporcionalidade. Ressaltese que aqui foi aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1 As provas e o direito Tributário, pág. 110. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 650 9 Impugna também que a exclusão de ofício do SIMPLES ocorreu de forma ilegal e irregular, pois foi intimado somente via edital. Ora a intimação ocorreu, conforme fls. 220, de forma válida. Ademais, apenas para colocar, tanto na apresentação da impugnação quanto do recurso voluntário, ele foi intimado por edital. Ademais, conforme mencionado na decisão recorrida, a recorrente foi excluída de ofício do SIMPLES, a partir de 01/01/2006, em razão de ter ultrapassado o limite de receita bruta para EPP em 2005, em que pese tal alegação em sede recursal, o mesmo não foi impugnado. A contribuinte foi excluída de oficio do Simples a partir do dia 1 2/01/2006, por haver ultrapassado o limite de receita bruta para EPP no anocalendário de 2005, nos termos do ADE DRFNCA n2 11/2009 (fl. 208). Contudo, não se verifica nos autos a presença de contestação expressa em relação a tal matéria, como determina o art. 17 do PAF, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) Ainda que houvesse contestação na forma do dispositivo retro, a exclusão de oficio seria julgada procedente, pois, no AC/2005, conforme apurou a Fiscalização, a receita bruta auferida pela empresa atingiu a casa dos R$ 10.173.369,70, acima do limite de R$ 2.400.000,00, nos termos do art. 2 2, inciso II, e art. 20, inciso II, ambos da Instrução Normativa (IN) SRF n2 355, de 2003, combinados com o art. 47, inciso II, da IN SRF n2 608, de 2006. Dessa maneira, considerase definitiva na esfera administrativa a exclusão de oficio em comento. No mérito alega que o lançamento efetuado não representa a realidade dos fatos, pois feito de forma ilegal e equivocada. Afirmando que a presunção da omissão de receitas não é possível. Ora, devidamente intimado para justificar as movimentações, apenas alegou que seriam decorrentes de empréstimos de pessoa jurídica e pessoa físicas, aluguel de veículos e vendas com cartões de crédito. Novamente intimada a apresentar contratos e demais documentos que comprovassem tais alegações, não o fez em sua totalidade. Assim, a fiscalização procedeu na exclusão dos valores que reconheceu a comprovação e que não representavam a entrada de novos recursos, bem como excluiu as receitas devidamente declaradas em DSPJ SIMPLES. Com relação à presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 651 10 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Ou seja, a presunção da omissão de receitas é prevista na norma. A recorrente, ainda que devidamente intimada não logrou êxito na comprovação do alegado. CONCLUSÃO Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10540.001752/200981 Acórdão n.º 1301002.872 S1C3T1 Fl. 652 11 Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 652DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.720474/2011-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13609.720474/201135 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.700 – 2ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDSON PEREIRA DOS SANTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 04 74 /2 01 1- 35 Fl. 132DF CARF MF 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2010, anocalendário 2009, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF Suplementar – R$ 3.548,98; multa de ofício (passível de redução) – R$ 2.661,73; juros de mora (calculados até 31/03/2011) – R$ 333,24, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 6.543,95 (seis mil, quinhentos e quarenta e três reais, noventa e cinco centavos). Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na Notificação de Lançamento, constatouse omissão de rendimentos recebidos acumuladamente decorrente de ação da Justiça Federal, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 42.613,77, da fonte pagadora Banco do Brasil S/A CNPJ nº 00.000.000/000191, conforme informações prestadas em DIRF – Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.278,41. O autuado apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 11/02/2015, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.991 (fls. 96/103), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13609.720474/201135 Acórdão n.º 9202006.700 CSRFT2 Fl. 3 3 Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/03/2015 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/03/2015, o Recurso Especial (fls. 105/110). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 1ª Câmara, de 29/05/2015 ( fls. 119/122), em confronto com o paradigma: 2201002.588. · Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. · Afirma que não é justificável a derrubada integral do auto de infração, e que se deve recalcular o valor do imposto, tomandose como base o decidido recentemente em sede de recurso repetitivo, uma vez que aplicandose essa metodologia, poderá haver ainda imposto a ser recolhido, não havendo justificativa para sua dispensa, até porque a atividade de Fiscalização é vinculada (art. 142 do CTN). · Acrescenta que o contribuinte se defende dos fatos, tendo entendido perfeitamente a acusação que lhe foi dirigida pela Fiscalização. E finaliza: “Como o Judiciário entendeu apenas que a metodologia do cálculo da Fiscalização estava equivocado, não há pertinência em querer derrubar todo o auto de infração, sendo apenas necessária a indispensável adequação do caso “sub judice” à jurisprudência sedimentada nos tribunais superiores”. Cientificado do Acórdão nº 2801003.991, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 18/06/2015, o contribuinte apresentou, em 29/06/2015, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fl. 128). · Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que o acórdão recorrido não merece quaisquer reformas, por trazer aos autos a verdadeira justiça ao Recorrido. · Ressalta que independentemente do acórdão ser reformado, a prescrição quinquenal já se operou sobre todas as parcelas mensais, e que o recurso da Fazenda Nacional tratase de uma forma de procrastinar ainda mais a injusta decisão inicial de aplicar de ofício a incidência do imposto pelo total apurado. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 119/122. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido, entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a regra aplicável no art. 62_A do RICARF em consonância com a interpretação adotada pelo STJ no REsp nº 1.118.429/SP, o qual firmou entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente, que o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a jurisprudência do STJ a quem compete promover a interpretação ultima da lei federal, já ter se posicionado pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei 7.713/88, o que enseja um erro de cunho material na apuração do montante devido, porém em momento algum, o relator, deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação revisional de benefícios de aposentadoria intentada contra o Instituto Nacional de Previdência Social INSS, no valor de R$ 42.613,77 sobre os quais incidiu o Imposto de Rende Retido na Fonte — IRRF de R$ 1.278,41. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13609.720474/201135 Acórdão n.º 9202006.700 CSRFT2 Fl. 4 5 não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). [...] Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: [...] Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: [...] Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. [...] Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 96 e seguintes, assim descrita: Fl. 136DF CARF MF 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. " Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se as decisões reiteradas do STJ, como mencionado pelo relator do acórdão recorrido, que acabaram por ensejar julgamento no âmbito do STJ em sede de repetitivos e, posteriormente pelo STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13609.720474/201135 Acórdão n.º 9202006.700 CSRFT2 Fl. 5 7 Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Fl. 138DF CARF MF 8 Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Por fim, quanto ao argumento de ter ocorrido prescrição quinquenal em relação a todas as parcelas mensais caso se opte por reformar a decisão proferida, e que o recurso da Fazenda Nacional trata de uma forma de procrastinar, entendo pela impossibilidade de apreciar qualquer novo argumento trazido pelo recorrente não suscitado em sede de impugnação, por ter se operado a preclusão. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13609.720474/201135 Acórdão n.º 9202006.700 CSRFT2 Fl. 6 9 Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, contudo, no presente caso, não há retorno a Câmara a quo, tendo em vista que o único argumento trazido pelo sujeito passivo ter sido a impossibilidade de utilização do regime de caixa. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904247/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 47 /2 01 2- 89 Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 10746.904247/201289 Acórdão n.º 3301004.326 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.895, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.620. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10746.904247/201289 Acórdão n.º 3301004.326 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 10746.904247/201289 Acórdão n.º 3301004.326 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10746.904247/201289 Acórdão n.º 3301004.326 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1572DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.720532/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
O acórdão proferido com desconhecimento de impugnação tempestiva e regularmente apresentada pelo contribuinte configura preterição do direito de defesa, hipótese de nulidade prevista no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Descabe prolação de novo acórdão, de natureza integrativa, pelo colegiado de primeira instância administrativa, para sanar a nulidade da decisão, que prejudica os atos posteriores que dela sejam consequência (§ 1º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972) e também porque esgotada a competência e a jurisdição da do órgão prolator da decisão nula (art. 61 do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 3401-004.019
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de piso, por preterição do direito de defesa, devendo o presente processo ser devolvido à primeira instância administrativa para que seja proferido novo julgamento, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. O acórdão proferido com desconhecimento de impugnação tempestiva e regularmente apresentada pelo contribuinte configura preterição do direito de defesa, hipótese de nulidade prevista no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Descabe prolação de novo acórdão, de natureza integrativa, pelo colegiado de primeira instância administrativa, para sanar a nulidade da decisão, que prejudica os atos posteriores que dela sejam consequência (§ 1º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972) e também porque esgotada a competência e a jurisdição da do órgão prolator da decisão nula (art. 61 do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de piso, por preterição do direito de defesa, devendo o presente processo ser devolvido à primeira instância administrativa para que seja proferido novo julgamento, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 05 32 /2 01 0- 76 Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.026 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado em 21/12/2010, com a finalidade de formalizar a exigência (i) da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) acrescido de juros moratórios e multa de ofício, de maneira a totalizar o crédito tributário histórico de R$ 738.664,64, situado às fls. 395 a 399, e (ii) da contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescido de juros moratórios e multa de ofício, de maneira a totalizar o crédito tributário histórico de R$ 4.545.629,15, situado às fls. 406 a 410, ambos referentes ao período de apuração correspondente aos meses de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. 2. Segundo se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal (TVF), situado às fls. 377 a 394, o auto de infração se deve ao fato de a contribuinte, banco comercial cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias e serviços permitidos aos Bancos Comerciais e às Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, por meio das respectivas carteiras, podendo, inclusive, administrar carteira de valores mobiliários, de acordo com o art. 3ª de seu Estatuto social, não ter oferecido à tributação das contribuições sociais as receitas decorrentes de serviços financeiros. 3. A contribuinte autuada, intimada em 27/12/2010, apresentou, em 18/01/2011: (i) impugnação situada às fls. 421 a 436, na qual requereu a total improcedência do auto de infração lavrado referente exclusivamente ao PIS e, no mesmo dia, (ii) uma segunda impugnação situada às fls. 758 a 774, referente exclusivamente à Cofins, e informou, ainda, em ambas, ter impetrado o Mandado de Segurança nº 2006.51.01.0226515, que tramitou na 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária do Rio de Janeiro, com decisão sem trânsito em julgado. 4. Ocorre que a impugnação referente exclusivamente à Cofins não foi juntada ao eProcesso. 5. Assim, em 26/06/2012, dandose conta apenas da impugnação referente ao PIS, a 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) prolatou o Acórdão DRJ nº 1247.897, de relatoria da AuditoraFiscal Gisele Lima Habib, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação apresentada para: (i) cancelar o crédito tributário lançado referente à Contribuição para o PIS incidente sobre as receitas não operacionais, nos meses 01/2007 a 12/2008, no valor total de R$ 110,42, conforme discriminado na planilha constante do item “26” do voto do auditorfiscal relator, bem como os juros de mora incidentes sobre o crédito tributário exonerado; e (ii) no que tange ao crédito tributário remanescente, por estar em consonância com o determinado na sentença proferida no processo Mandado de Segurança nº 2006.51.01.0226515, entendeu que não deveria ter sido lançado em decorrência da ordem judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário correspondente, devendo a unidade de origem “(...) quanto à sua cobrança, verificar junto à PFN se o provimento judicial obtido suspende, ou não, a exigibilidade crédito tributário remanescente”, cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.027 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Considerase definitivamente constituído na esfera administrativa o lançamento não impugnado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONIAS. Afastada a aplicação do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPEDE LANÇAMENTO. É de se cancelar o lançamento da Contribuição para o PIS incidente sobre receitas não operacionais, por estar em desacordo com o determinado em sentença proferida em Mandado de Segurança. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciálas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.028 4 Crédito Tributário Mantido em Parte 6. A contribuinte, intimada da decisão em 22/11/2012, conforme aviso de recebimento situado à fl. 553, apresentou, em 28/11/2012, na unidade local, cópia da impugnação protocolada referente à Cofins. 7. Paralelamente, em observância ao prazo recursal, a contribuinte interpôs, em 17/12/2012, recurso voluntário, situado às fls. 556 a 561, no qual alegou, em síntese: (i) a nulidade do acórdão de primeira instância administrativa ao proferir decisão condicional ao determinar à unidade de origem verificar junto à PFN se o provimento judicial suspende ou não a exigibilidade do crédito tributário remanescente; (ii) que o processo judicial é prejudicial ao administrativo, e (v) subsidiariamente, a necessidade do sobrestamento do presente feito até o ulterior julgamento definitivo do processo judicial. 8. A unidade, ciente da segunda impugnação apresentada pela contribuinte, referente à Cofins, constatou que de fato ocorrera o seu protocolo, tendo sido a peça recepcionada pelo mesmo funcionário que atestou o recebimento da primeira, referente ao PIS e, assim, remeteu o processo à Delegacia Regional de Julgamento que, por seu turno, proferiu o Despacho nº 04/2012: “Considerando ter a contribuinte comprovado a apresentação tempestiva de impugnação contra o lançamento da Cofins efetuado por meio do Auto de Infração de fls. 26 a 30, entendo que a decisão proferida por meio do Acórdão nº 1247897, de 26/06/2012, declarando a constituição definitiva do referido crédito tributário, deva ser revista. Assim, proponho que o presente processo seja restituído à Dicat EQCAU/DRF/RJ1, para as seguintes providências: a) seja procedida à juntada por anexação do presente processo ao de nº 18470720532/201076; e b) atendida a solicitação contida no item anterior, seja o processo nº 18470720532/201076 restituído a esta Turma de Julgamento para que seja revista a decisão proferida por meio do Acórdão nº 1247897, de 26/06/2012”. 9. Assim, em 25/02/2013 a 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) prolatou nova decisão, o Acórdão DRJ nº 12 53.160, também de relatoria da AuditoraFiscal Gisele Lima Habib, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação apresentada para: (i) ”considerar nula a declaração efetuada por meio do Acórdão DRJ/RJOII nº 1247.897, de 26 de junho de 2012, sobre a constituição definitiva do crédito tributário referente à Cofins lançado por meio do Auto de Infração de fls. 395 a 399”; e (ii) julgar “procedente em parte a impugnação para cancelar o crédito tributário lançado referente à Cofins incidente sobre as receitas não operacionais, nos meses 01/2007 a 12/2008, no valor total de R$ 679,51, conforme discriminado na planilha constante do item “42” do voto, assim como os juros de mora Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.029 5 incidentes sobre o crédito tributário exonerado”, especificando, ainda, que “deve a Delegacia de origem, atentar para o disposto no item 43 do voto”, que abaixo transcrevemos: 10. Transcrevese, ainda, a ementa do segundo acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPEDE LANÇAMENTO. É de se cancelar o lançamento da Contribuição para o PIS incidente sobre receitas não operacionais, por estar em desacordo com o determinado em sentença proferida em Mandado de Segurança. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECLARAÇÃO DE CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA ESFERA ADMINISTRATIVA POR INEXISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO NULA. É de se considerar nula a declaração consignada em Acórdão referente à constituição definitiva de crédito tributário por inexistência de impugnação quando restar comprovada a apresentação tempestiva da peça impugnatória. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMA LEGAL. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.030 6 As argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciálas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 11. A contribuinte, alegando ter sido intimada da nova decisão em 13/10/2014, apresentou novo recurso voluntário, situado às fls. 819 a 825, no qual alegou, em síntese, a nulidade insanável do Acórdão DRJ nº 1253.160, que teria feito “(...) inusitada e incompreensível confusão que deságua em erro de julgamento” ao declarar nulo o acórdão de primeira instância que o precedeu, referente à Cofins, e, logo em seguida, julgar novamente procedente em parte o quanto requerido para o mesmo tributo (Cofins). Assim, segundo a contribuinte recorrente, o erro consiste no fato de a DRJ “(...) rejulgou, sem competência funcional, julgamento anterior dela mesma”. Reiterou, ainda, os argumentos de seu primeiro recurso voluntário, requerendo, ao final, a improcedência dos autos de infração lavrados. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 12. Devido às particularidades do presente caso, os recursos voluntários apresentados pela contribuinte serão analisados, em seus requisitos de admissibilidade mais adiante, em conjunto com a apreciação das alegações de nulidade das decisões recorridas. 13. Em primeiro lugar, cabe a análise a respeito da tempestividade do recurso voluntário interposto contra a segunda decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão DRJ nº 1253.160, proferido em sessão de 25/02/2013, uma vez que consta dos autos o seguinte aviso de recebimento, situado à fl. 1.024: Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.031 7 14. Em conformidade com o documento acima, a intimação foi feita em 25/09/2014, o que implica dies ad quem ou prazo final para interposição de recurso voluntário em 27/10/2014. 15. A contribuinte, no entanto, conforme documento de fl. 925, interpôs seu recurso em 04/11/2014: 16. Há, no entanto, dúvida objetiva a respeito da data da intimação e, portanto, da tempestividade da peça recursal, pois afirma a contribuinte ter sido intimada da decisão em apreço em 13/10/2014, conforme trecho a seguir, recortado da fl. 926: Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.032 8 17. A questão demandaria, em princípio, diligência para que a unidade local esclarecesse a respeito da efetiva data da intimação da contribuinte: se 25/09/2014 (conforme aviso de recebimento) ou 13/10/2014 (conforme alega a recorrente). 18. No entanto, para fins de reconhecimento da questão que será analisada a seguir, entendemos que a apreciação da tempestividade do recurso pode ficar adiada para depois da decisão, a ela prejudicial, a respeito de estar inquinada de nulidade a segunda decisão, o Acórdão DRJ nº 1253.160, proferido em sessão de 25/02/2013. 19. Isto ocorre porque as nulidades devem ser conhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição. Seu reconhecimento, por seu turno, tornaria o segundo recurso voluntário prejudicado, ainda que seu apelo reste, neste sentido, integralmente provido. 20. A nulidade, como consabido, apenas não será pronunciada nem precisará ser suprida ou refeito o ato reputado nulo quando se afigurar possível decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a sua declaração, conforme inteligência do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, o que não é o caso, como se verá a seguir. 21. Em nosso entendimento, o órgão julgador de primeira instância administrativa esgotou sua competência e jurisdição ao proferir o Acórdão DRJ nº 1247.897, de 26/06/2012. Contudo, algumas considerações devem ser feitas para se chegar a tal conclusão. 22. Segundo se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal, foi inaugurado procedimento de fiscalização por meio do Mandado de Procedimento Fiscal nº 071600.2010000134, referente ao período compreendido entre 01/2007 e 12/2008, com o objetivo de se verificar a correta apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins. 23. Assim, os dois autos de infração foram objeto, portanto, do mesmo procedimento fiscal, que compreendeu o mesmo período de apuração (01/2007 a 12/2008), ambos lavrados em 21/12/2010, tendo sido a contribuinte intimada pessoalmente de ambos em 27/12/2010. Na verdade, os dois autos de infração são apenas um, o Auto de Infração nº 071600/00013/10. Em outras palavras, dois tributos cobrados em um mesmo auto e em um mesmo processo administrativo (18470.720532201076). 24. De maneira inusual, ainda que não expressamente vedada pelo ordenamento, em 18/01/2011, a contribuinte apresentou não uma, mas duas peças de impugnação para o auto ora combalido: uma para o PIS e outra para a Cofins. Conforme se Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.033 9 descreveu de maneira minudente no relatório que integra o presente acórdão, a impugnação referente à Cofins não foi anexada ao eprocesso, o que levou a DRJ a considerar constituído definitivamente o crédito tributário referente à Cofins. 25. Em outras palavras, ignorando a existência de impugnação específica quanto à Cofins, entendeu o colegiado de primeiro piso ter se operado a preclusão consumativa neste particular, conforme trecho do voto da AuditoraFiscal relatora no Acórdão DRJ nº 12 47.897, de 26/06/2012: 26. A contribuinte, intimada da decisão em apreço, levou ao conhecimento da unidade a cópia da impugnação referente à Cofins, que foi reconhecida como legítima. Ato contínuo, precedeuse a uma segunda decisão, “integrativa”: em outras palavras, a segunda decisão a quo buscou anular a primeira apenas parcialmente, naquilo que importa à Cofins, mantendo o quanto decidido com relação ao PIS, conforme trecho do o Acórdão DRJ nº 12 53.160, de 25/02/2013 que se transcreve abaixo: 27. Estabelecidas as premissas fáticas mais relevantes, passamos a decidir. 28. Constatouse, após a intimação da primeira decisão, o Acórdão DRJ nº 1247.897, de 26/06/2012, ter sido ignorada parte substancial da defesa da contribuinte em virtude de não ter sido juntada impugnação referente à Cofins ao eprocesso, tendo a recorrente comprovado documentalmente a existência de tal peça de defesa, bem como o seu tempestivo protocolo. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 18470.720532/201076 Acórdão n.º 3401004.019 S3C4T1 Fl. 1.034 10 29. Assim, o Acórdão DRJ nº 1247.897, de 26/06/2012, é nulo em virtude de ter sido proferido mediante flagrante preterimento do direito de defesa, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 30. A nulidade foi, inclusive, reconhecida pela DRJ no Despacho nº 04/2012, o que motivou a prolação de novo acórdão. 31. Ocorre que esta nova decisão, supostamente integrativa, o Acórdão DRJ nº 1253.160, de 25/02/2013, é igualmente nulo em virtude de dupla fundamentação: (i) em primeiro lugar, porque a nulidade do primeiro acórdão prejudica os atos a ele posteriores, em conformidade com o § 1º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972; e (ii) em segundo lugar, porque a nulidade somente poderá será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade, em conformidade com o art. 61 do Decreto nº 70.235/1972. 32. A turma julgadora esgotou sua jurisdição ao proferir o primeiro acórdão e, não obstante, dentro do prazo recursal e, portanto, tempestivamente, em 17/12/2012, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 556 a 561, deslocando, assim, a competência para este Conselho. Em nenhum momento, mesmo diante da constatação de erro que culminou em preterição do direito de defesa, fulminando de nulidade o primeiro acórdão, verificouse a devolução da competência ao julgador de primeira instância administrativa. 33. A recalcitrância quanto à decisão, tanto das partes como do julgador, deve ser expressa apenas pelos meios permitidos pelas normas que regem o processo administrativo, e não por meio de manifestações outras que, a bem da verdade, serão indiferentes ao Direito. Não cabe a reforma de decisão de primeira instância administrativa, já desafiada por recurso voluntário tempestivamente interposto, por parte do próprio órgão prolator. 34. Com base nestes fundamentos, e em atenção ao quanto determinado no § 2º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, voto para que seja declarada de ofício a nulidade do Acórdão DRJ nº 1247.897, de 26/06/2012, e do Acórdão DRJ nº 1253.160, de 25/02/2013, devendo o presente processo ser devolvido à primeira instância administrativa para que seja proferido novo julgamento. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco – Relator Fl. 1045DF CARF MF
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Numero do processo: 35366.000566/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte.
CO-RESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO.
As pessoas físicas listadas na Relação de Co-Responsáveis - CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal - PAF.
AÇÃO FISCAL EM PERÍODO JÁ FISCALIZADO
Ação Fiscal, em período já fiscalizado, cujo resultado constitua autuação singular, decorrente do exame de fato novo, não tratado na ação fiscal anterior, não caracteriza revisão de Auditoria Fiscal.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
1. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402-005.900, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento.
2. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS.
3. Sendo insubsistente a contribuição, é igualmente insubsistente a multa, que tem por base de cálculo aquela rubrica.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO.
A omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias e GFIP suscita a lavratura do auto de infração previsto no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2402-006.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe parcial provimento com fim de declarar a decadência dos créditos laçados até a competência 11/2001 e excluir da base de cálculo da multa i) os valores relacionados ao Processo nº 35366.000326/2007-57; e ii) para a competência 12/2001, as rubricas constantes dos Processos nº 35366.000315/2007-77 e 14485.000202/2008-26 em virtude dos reflexos da decadência reconhecida em relação às obrigações principais neles referidas. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ronnie Soares Anderson e Mauricio Nogueira Righetti que votaram pela aplicação do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991 em relação às competências alcançadas pela decadência nos processos relativos à obrigação principal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte. CORESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO. As pessoas físicas listadas na Relação de CoResponsáveis CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal PAF. AÇÃO FISCAL EM PERÍODO JÁ FISCALIZADO Ação Fiscal, em período já fiscalizado, cujo resultado constitua autuação singular, decorrente do exame de fato novo, não tratado na ação fiscal anterior, não caracteriza revisão de Auditoria Fiscal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 05 66 /2 00 7- 51 Fl. 881DF CARF MF 2 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. 1. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402005.900, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento. 2. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. 3. Sendo insubsistente a contribuição, é igualmente insubsistente a multa, que tem por base de cálculo aquela rubrica. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. A omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias e GFIP suscita a lavratura do auto de infração previsto no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, por maioria de votos, darlhe parcial provimento com fim de declarar a decadência dos créditos laçados até a competência 11/2001 e excluir da base de cálculo da multa i) os valores relacionados ao Processo nº 35366.000326/200757; e ii) para a competência 12/2001, as rubricas constantes dos Processos nº 35366.000315/200777 e 14485.000202/200826 em virtude dos reflexos da decadência reconhecida em relação às obrigações principais neles referidas. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ronnie Soares Anderson e Mauricio Nogueira Righetti que votaram pela aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/1991 em relação às competências alcançadas pela decadência nos processos relativos à obrigação principal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1720.324 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloII/SP – DRJ/SPOII que julgou procedente Auto de Infração, lavrado sob o Debcad nº 37.066.6062, por ter a empresa deixado de registrar em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP o total das remunerações pagas a segurados, conforme registrado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa e seu anexo (fls. 11/76). O Auto de Infração é relativo às competências 01/1999 a 06/2006. Por bem retratar as razões trazidas no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa e na Impugnação, reproduzse trechos correspondentes do acórdão recorrido: Relatório Fiscal De acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fl 8 (as folhas referidas neste acórdão pertencem ao processo administrativo ora em apreciação), a autuada não declarou nas GFIP do período parte das remunerações efetuadas a empregados, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho . Aplicouse a multa determinada no art. 284, inc. II do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 (100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas. limitada por competência em razão do número de segurados da empresa), no valor de R$2.042.613,14 (Dois milhões, quarenta e dois mil, seiscentos e treze reais e quatorze centavos) conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (ls 9 a 74). A Empresa foi regularmente cientificada da ação fiscal por MPF Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 4) c os documentos auditados, solicitados mediante TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fls.5). O Contribuinte tomou ciência da autuação em 22/02/2007, conforme documento de fl. 75. Impugnação Em 05/03/2007, a empresa protocolou defesa tempestiva de fls. 77 a 167, acompanhada de documentos de fis 168 a 208, alegando que a ação fiscal é nula pelas seguintes razões: Preliminar a) Deveria estar motivada conforme os ditames do art. 149 do CTN concomitante ao art. 570 da IN 03/2005 o que não ocorreu pois se trata de uma revisão fiscal, que se refere aos mesmos fatos geradores da ação realizada anteriormente, de n° 09293319F00, encerrada em 22/12/2006. b) Embora o prazo de validade do MPF atual, de n° 09369309D00, tenha expirado em 15/02/2007, o AI foi emitido em 15/02/2007 (sic), postado no Fl. 883DF CARF MF 4 correio apenas em 16/02/2007 e recebido pela empresa em 22/02/2007. Foi, portanto, emitido e enviado à contribuinte em período não coberto pelo MPF. c) A lavratura do AI descumpriu o disposto nos artigos 12 e 13 da Portaria MPS/SRP n° 3.031/2005. Esta diligência não passa de uma continuação da anterior, iniciada com a emissão do Mandato de Procedimento Fiscal MPF n° 09293319F00 em 13/03/2006 e encerrada pelo Termo de Encerramento de Ação Fiscal — TEAF em 22/12/2006. Mérito d) Embora o AI refirase ao pagamento de contribuintes individuais, não identifica quem são estes segurados, o que constitui evidente cerceamento de defesa, agravado pelo fato desta autuação ser conexa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD relativa a contribuições não declaradas em GFIP lançada na fiscalização anterior. Nos termos do artigo 32 da Lei 8.212/91, a NFLD e o Al deveriam ser julgadas em conjunto. e) Todas as contribuições sociais sobre pagamentos a contribuintes individuais foram recolhidas e informadas regularmente em GEIP, conforme comprova quadro por amostragem à fls. 83/84. f) A fiscalização não poderia autuar a empresa porque a Lei 8.212/91, em seu art.28, § 9°, “q” estipula que não é salário de contribuição previdenciário os valores relativos á assistência prestada por serviço médico ou odontológico (sic). É ilegal o ato administrativo que exorbita o texto legal. g) O lançamento não discrimina o salário de contribuição apurado pela fiscalização, o salário de contribuição reconhecido pelo contribuinte, a contribuição efetivamente recolhida e a diferença de recolhimento. h) A fiscalização arbitra a contribuição dos contribuintes individuais sem especificar o motivo e dispositivo legal que a autorizam fazêlo. i) A notificação foi recebida pelo autuado somente sete dias após sua emissão e, além disso, a auditoria fiscal não enviou o CD com os arquivos digitais devidamente validados pelo programa próprio de validação da Previdência Social. j) Enquanto a autuação é especifica para ao CNPJ da matriz, algumas das remunerações listadas como não declaradas em GFIP pertencem às filiais. O fato de a fiscalização não informar a origem de cada remuneração configura cerceamento de defesa. k) O Relatório Fiscal simplesmente informa o total declarado em GFIP e a diferença sem discriminar os nomes dos segurados e respectivo limite de salário de contribuição. Além das razões acima, a empresa argúi que os fatos geradores anteriores ao ano de 2002 estão extintos em decorrência da decadência qüinqüenal e, finalmente, que não existem razões legais e, portanto, configura abuso de poder responsabilizar os sócios e procuradores por obrigação tributária da contribuinte. Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/SPOII julgou procedente o lançamento, conforme se pode verificar da ementa da decisão fustigada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 884DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 4 5 Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 AI DEBCAD:37.066.6062, de 15/02/2007. AÇÃO FISCAL EM PERÍODO JÁ FISCALIZADO Ação Fiscal, em período já fiscalizado, cujo resultado constitua autuação singular, decorrente do exame de fato novo, não tratado na ação fiscal anterior, não caracteriza revisão de Auditoria Fiscal Previdenciária. INSTITUTO DA CONEXIDADE PROCESSUAL. conexidade entre processos não compromete a legitimidade intrínseca dos mesmos. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. CORESPONSÁVEL O anexo "CORESP Relação de Coresponsáveis" lista as pessoas físicas c jurídicas representantes legais do sujeito passivo com a finalidade de subsidiar a Procuradoria, caso haja necessidade de execução judicial. Lançamento Procedente Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário o sujeito passivo se deteve a reiterar os argumentos e repisar os pedidos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 885DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Conhecimento O recurso é tempestivo, mas deve ser conhecido apenas parcialmente, eis que há matérias alheias à lide, além de alegações que não foram objeto de impugnação ou da decisão recorrida. De saída há que se esclarecer que não há na peça impugnatória nenhum pedido de perícia e, por óbvio, também não foi indeferido por meio da decisão recorrida esse suposto pedido, eis que inexistente. Ademais, com relação às alegações apresentada pelo contribuinte, dispõem o inciso III do art. 16 e o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da leitura dos dispositivos acima, vêse que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta e os pontos de discordância que possuir o autuado deverão ser apresentados, via de regra na impugnação, admitindose que novas razões sejam trazidas no recurso voluntário somente quando essas se prestam a contrapor a decisão de primeira instância administrativa. Dessa forma, os argumentos insertos no recurso voluntário a respeito de indeferimento de pleito pericial não serão objeto de análise por tratarse de matéria estranha à lide e não suscitada no acórdão de primeira instância administrativa. Tratamento da Obrigação Acessória Decorrente de Obrigação Principal Embora entenda desejável que o Auto de Infração por não declaração de fatos geradores em GFIP tramite conjuntamente com os Processos Administrativos Fiscais – PAF que tratem das obrigações principais respectivas, inexistem prejuízos ao contribuinte quando a autuação por descumprimento da obrigação acessória é julgada após conhecidas as decisões a respeito lançamento do tributo, como é o caso. Além do que, não há qualquer normativo que obrigue a tramitação em conjunto. Aliás, é imperativo que, no caso específico de autuação por não inclusão de fatos geradores em GFIP, seja conhecida a decisões relativas às obrigações principais, pois isso se refletirá diretamente no auto de obrigação acessória, ou seja, caso a decisão de mérito dos PAF relacionados ao tributo seja por reconhecer a inocorrência total ou parcial dos fatos Fl. 886DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 5 7 geradores lançados, não subsistirá a autuação por ter deixado o contribuinte de incluir na declaração tais fatos geradores. Por outro lado, a jurisprudência do CARF é no sentido de ser justificável, no julgamento da obrigação acessória, apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da autuação que analisou a obrigação principal, tendo em vista em vista a conexão existente entre os fatos que deram azo a ambos os lançamentos. Senão vejamos trecho da ementa do Acórdão nº 2401003.165, de 14/09/2013, sobre o assunto: ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATOS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Assim todas as questões trazidas ao presente PAF relacionadas diretamente com as obrigações principais não serão apreciadas no presente voto, eis que já o foram por ocasião da análise das NFLD que versam sobre os lançamentos dos tributos. O presente Auto de Infração decorre de lançamento de créditos relativo às NFLD sob os Debcad nº 37.010.1995, (Processo nº 19515.000523/200840), 37.010.1987 (Processo nº 35366.000315/200777), 37.010.1979 (Processo nº 35366.000326/200757), 37.010.1960 (Processo nº 14485.000203/200871), 37.010.1952 (Processo nº 14485.000202/200826) e, assim sendo, o resultado advindo do julgamento de referidas NFLD devem ser aplicados à exação que aqui se discute. Nesse sentido, entendo necessário reproduzir no presente voto a ementa dos julgados acerca dos citadas NFLD: Processos 19515.000523/200840, Acórdão nº 2401004.735, de 04/04/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. Integra a remuneração do segurado os valores recebidos a título de alimentação pagos em pecúnia. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto Fl. 887DF CARF MF 8 vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processos 35366.000315/200777, Acórdão nº 2402001.715, de 11/05/2011: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004 MPF NULIDADE INEXISTÊNCIA A intimação do contribuinte da prorrogação da ação fiscal ocorrida posteriormente ao término da vigência do MPF anterior não representa qualquer nulidade, assim como não é nulo o lançamento cientificado ao contribuinte após o término da vigência do MPF RESPONSÁVEIS LEGAIS PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES Os representantes legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de CoResponsáveis não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso seja constatada a prática de atos com infração de leis. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal CONVERSÃO DA TOTALIDADE DAS FÉRIAS EM PECÚNIA – IMPOSSIBILIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO A legislação prevê que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valor relativo à conversão em pecúnia de até 1/3 do período de férias. A conversão integral das férias em pecúnia, além de não ter amparo legal, integra o salário de contribuição por não atender à regra de exceção prevista na lei Fl. 888DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 6 9 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processos 35366.000326/200757, Acórdão nº 2402006.120, de 4/04/2018, julgado nesta mesma sessão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. DISPOSITIVO DE LEI DECLARADO INCONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. SÚMULA VINCULANTE. REPRODUÇÃO DA DECISÃO PELOS COLEGIADOS DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida nos termos da legislação de regência, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. Processos 14485.000203/200871, Acórdão nº 2402006.121, de 4/04/2018, julgado nesta mesma sessão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e nem daquelas que, mesmo relacionadas à lide tributária, não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. CORESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO. As pessoas físicas listadas na Relação de CoResponsáveis – CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal PAF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 889DF CARF MF 10 Não se verifica procedente a alegação por ausência de fundamentação legal quando as normas legais que respaldam a autuação encontram exaustivamente relacionadas no documentos integrantes da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO. Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante informado pela empresa. INCORREÇÃO DOS VALORES LANÇADOS. INOCORRÊNCIA. Observandose que os valores das contribuições previdenciárias dos segurados empregados foram calculados nos estritos termos da legislação de regência, respeitandose, inclusive, o limite máximo do salário de contribuição legalmente estabelecido, verificase improcedentes as alegações quanto a incorreção dos valores objeto de lançamento. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN. À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicamse as regras previstas no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no 173, I do Codex Tributário. O prazo para o pagamento das contribuições relacionadas à competência 12 somente vence no mês de janeiro, mês a partir do qual o lançamento pode ser realizado. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. Ficando evidenciada a existência de pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação na relação pactuada entre trabalhador e empregador restará caracterizado o vinculo desses trabalhadores na condição de segurados empregados da Previdência Social. Processos 14485.000202/200826, Acórdão nº 2402006.122, de 4/04/2018, julgado também nesta mesma sessão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e que não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. CORESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO. As pessoas físicas listadas na Relação de CoResponsáveis – CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo Fl. 890DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 7 11 pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal PAF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO. Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante registrado na contabilidade da empresa. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando consta dos autos todos os elementos necessários à exteriorização das irresignações do sujeito passivo. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN. À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicamse as regras previstas no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Para os casos em que não houver antecipação de pagamento devese observar a disciplina do art. 173, I do Codex Tributário. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VALORES ESCRITURADOS NA CONTABILIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Constatada a partir das demonstrações contábeis da empresa a existência de valores pagos a contribuintes individuais em relação aos quais não foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, é lícito que a autoridade autuante proceda o lançamento respectivo. De se ressaltar que, em relação ao Processo nº 35366.000326/200757, Acórdão nº 2402006.120, a NFLD foi cancelada, eis que os dispositivos que respaldavam o lançamento foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, com posterior edição de Resolução do Senado Federal atribuindo efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, o que impõe excluir do Auto de Infração todos os valores relativos aos levantamentos contidos em referidos processos. Com relação aos demais PAF, foram afastados todos os argumentos recursais, excluindose dos lançamentos somente competências alcançadas pela decadência. Desse modo, tal resultado será aqui aplicado e assim, fica mantido o Auto de Infração em relação a tais processos. Fl. 891DF CARF MF 12 Ressalvese que não se está estendendo ao presente feito fiscal as decisões relacionadas à decadência, adotadas nas NFLD de obrigação principal. A contagem do prazo decadencial por não inclusão de fatos geradores em GFIP segue regra própria e será objeto de analise em tópico específico. Por essas razões, dou parcial provimento ao recurso voluntário neste ponto para que o Auto de Infração seja retificado, dele excluindose do cálculo da multa os valores relacionados ao Processo nº 35366.000326/200757. Coresponsáveis Sobre relação de coresponsáveis que integra o auto de infração, cabe esclarecer que esta tem por finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional CTN e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I do § 5° art. 2° da Lei n° 6.830/1980, in verbis: Art. 2° Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal § 5° O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I – o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros. [...] Esclareçase que as pessoas físicas listadas na Relação de Coresponsáveis – CORESP não integram o pólo passivos da lide tributária. O auto de infração fora lavrado exclusivamente contra a pessoa jurídica, tendo o CORESP finalidade exclusivamente informativa, não atribuindo responsabilidade a que quer que seja, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Em razão disso, não conheço do pedido. Nulidades MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Infere a recorrente que o lançamento seria nulo, pois a emissão e remessa da NFLD teriam ocorrido em período não coberto por Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Outra questão aventada na peça recursal é que a ação fiscal não poderia ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação ao contribuinte. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 8 13 O MPF é documento emitido pela Administração para que o sujeito passivo, objeto de algum procedimento fiscal, seja intimado de que tal procedimento emana e será realizado por autoridade competente. O que se verifica no caso concreto é que o prazo previsto no MPF inicial não foi suficientes para a conclusão da ação fiscal, o que levou à emissão de MPF Complementares no sentido de prorrogar o período de fiscalização. O procedimento de prorrogação dos MPF é previsto na legislação e o fato de o contribuinte ser cientificado da prorrogação após terminado o prazo do MPF anterior não é razão para nulidade do lançamento. Segundo a recorrente, ao término de cada MPF imaginava que a ação fiscal havia sido encerrada sem qualquer lançamento e em seguida era surpreendida pela entrega do MPF Complementar. Ora, eventual prejuízo à recorrente decorreria da execução de uma ação fiscal não precedida de MPF, esta sim, situação que poderia ensejar nulidade. No entanto, os MPF existem e ao recebêlos à época em que foram apresentados, a reclamante tomou ciência de que o procedimento fiscal não havia sido encerrado o que permitiu que o Fisco continuasse os trabalhos de fiscalização, afastando qualquer alegação futura de prejuízo sob tal argumento. Tampouco se pode considerar que a ciência do lançamento efetuada após o prazo de encerramento do MPF seja motivo de nulidade, uma vez que a finalidade de existência do mandado já teria sido efetivamente cumprida. De resto, estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal, como ocorreu no presente caso, não há que se falar em irregularidades no lançamento se foram seguidas as disposições legais pertinentes à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 660 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, vigente à época do lançamento. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o entendimento que tem prevalecido no âmbito deste Conselho é no sentido de que supostas irregularidades no MPF não ensejam nulidade do lançamento, conforme se depreende do Acórdão n° 9202003.956, de 22/04/2016, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais Fl. 893DF CARF MF 14 vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades no procedimento fiscal, cabendo afastar a preliminar visto não se vislumbrar a nulidade alegada. REVISÃO FISCAL O Auto de Infração foi lavrado sob a vigência do Mandado de Procedimento Fiscal que autorizou a diligência fiscal. Não se trata de continuação da fiscalização n° 09293319F encerrada em 22/12/2006, mas de uma nova ação fiscal, singular, autorizada pelo MPF n° 09369309D, inexistindo óbice à realização de procedimento fiscal cujo resultado constitua autuação singular, decorrente do exame de fato novo, não tratado na ação fiscal anterior. Também não se procedeu a revisão de nenhum lançamento efetuado em procedimento fiscal anterior, não havendo que se falar em inobservância ao art. 149 do CTN ou ao art. 570 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005. Sobre a aplicação da redação do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pela Decreto nº 3.048/1999, na redação anterior à edição do Decreto 6.032/2007, não vejo como atender a esse pleito da recorrente tendo em vista que o que deve constar do relatório “IPC – Instrução Para o Contribuinte” é o dispositivo em vigor na data da emissão do auto de infração. MOTIVAÇÃO Sobre as alegações contidas no recurso voluntário de que a autuação não teria sido motivada, em detrimento do disposto no art. 50 da Lei nº 9.784/1999, o Relatório Fiscal da Infração (fl. 10) e o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 11), dentre outros documentos anexos ao Auto de Infração, apresentam claramente a motivação do lançamento. Vejamos: RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO Em ação fiscal desenvolvida na empresa contatamos a não inclusão em suas guias de recolhimento do FGTS e de informações à Previdência Social GFIP de parte dos valores pagos aos seus trabalhadores. Tal procedimento constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5 da Lei 8212/9, combinado com o artigo 225, inciso IV, parágrafo IV do Decreto 3048/99. As importâncias não incluídas na GFIP encontramse apontadas nos anexos que acompanham o presente auto de infração: Relatório relativo às verbas apuradas e alíquotas aplicadas Resumo das bases e cálculo da multa Discriminação das notas fiscais de cooperativas Detalhamento dos valores do tipo Detalhamento dos valores do tipo 2 RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA A multa aplicada foi calculada de acordo com o disposto no artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social Decreto 3048/99 , e no artigo 32. inciso IV, parágrafo 5 da Lei 8.212/91. Os cálculos para a aplicação da multa encontramse demonstrados nos anexos que acompanham o auto de infração Relatório relativo às verbas apuradas e aliquotas aplicadas Fl. 894DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 9 15 Resumo das bases e cálculo da multa Discriminação das notas fiscais de cooperativas Detalhamento dos valores do tipo 1 Detalhamento dos valores do tipo 2 Ao valor total apurado e aplicável à infração foi aplicado o limite previsto no inciso II do artigo 284 do Decreto 3048/99. Ao longo do período objeto do auto de infração janeiro de 1999 a junho de 2006 a empresa manteve um número de empregados nunca inferior a 1000 e nunca superior a 5000, o que determina o limite de 35 vezes o valor mínimo, fixado em R$ 1.156,95 ( 35 X 1156,95 = 40.493,25 ) pela portaria 342 de 17/08/2006. Quanto a alegação de que o fato de não ter sido especificado o órgão emissor da Portaria MPS nº 342 de 17/08/2006 ou a data de sua publicação no Diário Oficial da União demonstraria a “ incúria dos agentes Fiscais, que não medem esforços para trazer toda a sorte de dificuldades para que o contribuinte não ofereça a sua impugnação ao lançamento fiscal”, uma simples consulta em qualquer site de busca na Internet com os dados disponíveis no Auto de Infração possibilitaria o acesso a esse ato normativo. Sem razão a recorrente. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL Sobre a suscitada nulidade em razão de o sujeito passivo não ter recebido os arquivos da fiscalização em meio digital, também não vejo no que essa suposta ocorrência possa ter ocasionado qualquer um tipo de prejuízo, eis que todos os documentos relacionados ao lançamento foram disponibilizados à recorrente, possibilitandolhe o pleno exercício à ampla de defesa e o contraditório. AUTUAÇÃO NO CNPJ DA MATRIZ Inexiste impedimento para que do auto de infração com o registro do CNPJ da matriz conste lançamentos de filiais. Além disso, os documentos que integram a Autuação especificam todos os fatos geradores que não foram informados em GFIP, carecendo de razão a alegação de cerceamento de defesa suscitada. Dito isso, afastamse as preliminares apresentadas Decadência A respeito da decadência, devese considerar que o lançamento em análise referese a auto infração por descumprimento de obrigação acessória. Ao contrário das NFLD ou dos Autos decorrentes de obrigações principais, na hipótese de obrigação acessória, a penalidade provém do descumprimento de imposição legal “de fazer” ou “deixar de fazer”, não havendo relação com a existência ou não de recolhimentos, como ocorre nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Fl. 895DF CARF MF 16 O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. No intuito de afastar qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, foi editada a Súmula Vinculante de n º 8, redigida nos seguintes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O texto constitucional em seu art. 103A deixa clara a extensão dos efeitos da aprovação de súmula vinculante, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dispõe a regra constitucional em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao ser declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevaleceram as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN quanto ao prazo para a autoridade administrativa constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Ao dispor sobre decadência, causa extintiva do crédito tributário, estabelece CTN em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. De outro modo, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado, mesmo que em valor inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo para homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Confirase: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 896DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 10 17 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No caso concreto, a identificação do dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, deve considerar a natureza da exação. A aplicação do § 4º do art. 150 do CTN somente é possível quando se está diante do pagamento de tributo, que, em data posterior, acaba por ser homologado pela autoridade administrativa expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, in cusu, temse lançamento por descumprimento de obrigação acessória e, dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado, ou seja, a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no art. 173, I do CTN. Neste ponto, apenas esclareço a inaplicabilidade da Súmula CARF nº 99, posto que a regra ali expressa se volta para lançamentos relacionados a obrigação principal em que se verifique o recolhimento antecipado, ainda que parcial, em relação a rubrica especificamente exigida na autuação. Notese que no presente caso o auto de infração tem como fundamento o fato de a empresa ter deixado de informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências a que se refere o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 11. Assim para o exame da caducidade do crédito objeto de autuação devese levar em consideração a data limite para entrega da GFIP. Nesse sentido, convém verificar nos normativos próprio da GFIP Manual da GFIP, versão 8.4, qual a data para apresentação da guia: A GFIP/SEFIP é utilizada para efetuar os recolhimentos ao FGTS referentes a qualquer competência e, a partir da competência janeiro de 1999, para prestar informações à Previdência Social, devendo ser apresentada mensalmente, independentemente do efetivo recolhimento ao FGTS ou das contribuições previdenciárias, quando houver: Fl. 897DF CARF MF 18 a) recolhimentos devidos ao FGTS e informações à Previdência Social; b) apenas recolhimentos devidos ao FGTS; c) apenas informações à Previdência Social. O arquivo NRA.SFP, referente ao recolhimento/declaração, deve ser transmitido pelo Conectividade Social até o dia sete do mês seguinte àquele em que a remuneração foi paga, creditada ou se tornou devida ao trabalhador e/ou tenha ocorrido outro fato gerador de contribuição ou informação à Previdência Social. Caso não haja expediente bancário, a transmissão deve ser antecipada para o dia de expediente bancário imediatamente anterior. O arquivo NRA.SFP, referente à competência 13, destinado exclusivamente à Previdência Social, deve ser transmitido até o dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da referida competência. Com base nas regras descritas acima, verificase que o prazo para entrega das GFIP será até o dia 7 do mês seguinte ao pagamento da remuneração, com relação à GFIP da competências dezembro e do décimoterceiro salário, o prazo somente vence nos dias 07 e 31 de janeiro do ano subsequente ou no dia útil que lhes anteceder. Assim, como, a teor do art. 173, I do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, considerandose que o recorrente foi cientificado do lançamento em questão em 22/02/2007, operouse a decadência em relação à multa aplicada para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001, os quais devem ser excluídos do lançamento. Mérito Os Dispositivos legais que fundamentaram a autuação, na redação vigente à época da lavratura do auto de Infração eram o § 5º e o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/1991: Art. 32 A empresa é também obrigada a: (IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio do documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. § 5º Á apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator a pena administrativa corresponde à multa de cem por cento do valor devido relativos à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Pois bem, restou esclarecido alhures que foram afastados os argumentos recursais e mantidos todos os lançamentos relativos às obrigações principais, à exceção daqueles referentes às contribuições incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 11 19 Tal circunstância denota a efetiva ocorrência dos fatos geradores não declarados em GFIP e que deram ensejo à lavratura do presente Auto de Infração, corretamente fundamentado no inciso IV e § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Por outro lado, o Anexo ao Auto de Infração (fls. 12/76) apresenta relação detalhada das remunerações não informadas em GFIP, carecendo de razão as asserções contidas no recurso voluntário em sentido contrário. É certo que não consta do Auto de Infração a relação dos contribuintes individuais cujas remunerações também foram objeto da presente autuação (vide item 3 do Anexo ao Auto de Infração – fl. 33), mas isso em razão de a recorrente não ter apresentado as folhas de pagamentos relativas a tais contribuintes (tendo sido inclusive autuada por esse motivo) o que levou o Fisco a apurar os valores com base nos registros contábeis empresa. Sem razão a recorrente no que diz respeito ao mérito da autuação. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que o Auto de Infração seja retificado, dele excluindose os valores relacionados ao Processo nº 35366.000326/200757 e os lançamentos relativos às competências até 11/2001 por virtude de decadência. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 899DF CARF MF 20 Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Redator Designado Como de costume, o voto do ilustre Conselheiro Relator está muito bem fundamentado. Este Colegiado, todavia, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento no tocante ao tópico "decadência", como abaixo será exposto. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402 005.9001, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. Vejase, nesse sentido, o relatório desta decisão, que, por sua vez, reportase ao relatório fiscal nos seguintes termos: Aplicouse a multa determinada no art. 284, inc. II do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 (100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas. limitada por competência em razão do número de segurados da empresa), no valor de R$2.042.613,14 (Dois milhões, quarenta e dois mil, seiscentos e treze reais e quatorze centavos) conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (ls 9 a 74). Sendo insubsistente a contribuição, é igualmente insubsistente a multa, que tem por base de cálculo aquela rubrica. A rigor, portanto, podese afirmar que não se está acolhendo a decadência ventilada no recurso interposto neste PAF, mas sim os reflexos da decadência declarada no PAF conexo. 1 [...] OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 2402005.900, PAF 10803.720154/201271, sessão de 04/07/2017, relator João Victor Ribeiro Aldinucci, por unanimidade) Fl. 900DF CARF MF Processo nº 35366.000566/200751 Acórdão n.º 2402006.119 S2C4T2 Fl. 12 21 E mais, este Conselheiro não desconhece o entendimento segundo o qual, "nos períodos em que tenha havido decadência com relação ao lançamento da obrigação principal, a multa deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991" (CSRF, acórdão nº 9202006.447). Entendese, no entanto, que esse raciocínio é equivocado pelos seguintes fundamentos: (1) A aplicação isolada do art. 32A, inc. I, da Lei 8212/91, somente tem cabimento quando não há o lançamento da obrigação tributária principal. Neste caso concreto, houve sim o lançamento das contribuições devidas à seguridade social, cuja decadência foi reconhecida nos PAFs principais. Atualmente, nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições, aplicase, em regra, a multa de ofício de 75%. Vejase: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). É por essa razão que, para efeito de comparação da multa mais benéfica ao contribuinte, é tomado em consideração o art. 35A supra mencionado, em comparação com a soma das multas previstas no art. 35 e nos §§ 4º e 5º do art. 32, em redação anterior à Lei 11941. Quer dizer, a afirmação de retroatividade benigna do art. 32A, inc. I, da Lei, não resiste ao fato de que, para os fatos geradores ocorridos na atual vigência da Lei 8212/91, a decadência da obrigação principal inevitavelmente conduz à decadência da multa, que passou a assumir a natureza de multa de ofício. (2) Logo, a aplicação da Portaria PGFN/RFB 14/09 conduziria à conclusão de que, no comparativo da multa mais benéfica, a multa mais favorável ao contribuinte, no caso concreto seria a multa de ofício calculada com base no art. 35A, diante da decadência das contribuições. (3) De acordo com o próprio § 1º do art. 3º da citada Portaria, a aplicação isolada da multa prevista no art. 32A somente é cabível quando as multas por falta de entrega ou de informações em GFIP tenham sido aplicadas isoladamente: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 901DF CARF MF 22 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Isto é, a aplicação isolada do art. 32A, inc. I, para o caso in concreto, de forma alguma poderia ser tida como cumprimento do disposto na Portaria. (4) O art. 32A, inc. I, da Lei, nem era vigente à época dos fatos geradores, mas sim o art. 35 e os §§ 4º e 5º do art. 32, em redação anterior à Lei 11941. A multa prevista no revogado art. 35 era calculada sobre as contribuições em atraso, contribuições, contudo, cuja extinção foi reconhecida. Já a multa prevista no revogado § 5º do art. 32 também era calculada sobre o montante das contribuições (cem por cento do valor devido já não mais devido por força da decadência relativo à contribuição não declarada), contribuições, como dito, que já estão invariavelmente extintas, como reconhecido no PAF principal. Logo, e no entender deste relator, seja em observância à redação anterior da Lei 8212, seja na atual vigência do art. 35A, deve ser reconhecido os efeitos da decadência do PAF principal, afastandose, assim, a incidência de multa nesse período. Diante do exposto, votase no sentido de divergir do ilustre Conselheiro Relator, para reconhecer os reflexos da decadência sobre a multa lançada neste processo. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003828/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Ao constatar que a pessoa jurídica deixou de oferecer à tributação parte de sua receita operacional, de acordo com sua escrita fiscal, cabe o lançamento de ofício para cobrar o valor recolhido a menor.
Numero da decisão: 1402-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 290 1 289 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.003828/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.972 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente ANALVA P. SILVA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. Ao constatar que a pessoa jurídica deixou de oferecer à tributação parte de sua receita operacional, de acordo com sua escrita fiscal, cabe o lançamento de ofício para cobrar o valor recolhido a menor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 38 28 /2 00 9- 05 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10320.003828/200905 Acórdão n.º 1402002.972 S1C4T2 Fl. 291 2 Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10320.003828/200905 Acórdão n.º 1402002.972 S1C4T2 Fl. 292 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. Ao constatar que a pessoa jurídica deixou de oferecer à tributação parte de sua receita operacional, de acordo com sua escrita fiscal, cabe o lançamento de ofício para cobrar o valor recolhido a menor. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo nos seguintes termos: "A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0320100200800276, que culminou com a formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, na modalidade do Simples. Do Procedimento Fiscal Em 11/08/2008 o sujeito passivo foi intimado, via postal, a apresentar diversos elementos da escrita contábil e fiscal da empresa, entre eles o livro Registro de Entradas, de Saídas, de Apuração do ICMS, Registro de Inventário e Livro Caixa. O contribuinte apresentou em 21/08/2008 os três primeiros livros, e informa que o Registro de Inventário e Livro Caixa não haviam sido apresentados uma vez que a empresa realizava escrita fiscal. Não estando a empresa eximida da obrigação de apresentação dos referidos livros, foi reintimada a apresentálos. No mesmo termo, foi solicitado ao sujeito passivo que justificasse a falta de escrituração de valores informados pelos seus fornecedores, "Indústrias de Bebidas Joaquim Thomas de Aquino Filho", CNPJ 31.901.382/000239, "Leitesol Indústria e Comércio S/A", CNPJ 65.979.973/000240, "Swedish Match do Brasil S/A", CNPJ 33.016.338/002568 e "Indústrias de Bebidas Joaquim Thomas de Aquino Filho", CNPJ 31.901.382/000905, tendo Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10320.003828/200905 Acórdão n.º 1402002.972 S1C4T2 Fl. 293 4 em vista que no Livro Registro de Entradas haviam sido escrituradas somente duas notas fiscais, em desconformidade com o que constava no cadastro "Compras DIPJ Terceiros Ano Calendário 2005", também informação prestada pela empresa. Em 22/01/2009 foi entregue na DRF/São Luis/Maranhão, o Livro Caixa (Razão Analítico) e o Registro de Inventário (fls. 198). Em 12/02/2009 foram apresentados os extratos da conta bancária mantida no Banco do Brasil, no anocalendário de 2005. Em 07/04/2009 foi recebido pelo interessado, via postal, novo Termo de Intimação Fiscal, desta vez para apresentar a documentação relativa aos valores lançados no Livro Razão Analítico, com a denominação "Recebimento DPL", de 02/2005 a 12/2005, discriminando valores mês a mês. Este pedido foi atendido em 22/04/2009, conforme fls. 220. Após análise do Livro Razão Analítico, apresentado pelo contribuinte, constatou a fiscalização que o mesmo deixou de oferecer à tributação, por meio da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples (PJSI 2006), parte da receita operacional auferida nos períodos da autuação. O lançamento de ofício relativo ao Simples, período de 01/01/2005 a 31/12/2005 está consubstanciado nos autos de infração Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples (fls. 04), no valor de R$ 64.606,72; Contribuição para o PIS/Pasep Simples (fls. 26), no valor de R$ 64.606,72; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples (fls. 36), no valor de R$ 104.505,82, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples (fls. 46), no valor de R$ 209.011,86; e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples (fls. 56), no valor de R$ 419.642,50 apurando o crédito tributário total no valor de R$ 862.373,62 (oitocentos e sessenta e dois mil, trezentos e setenta e três reais e sessenta e dois centavos), aí incluído o principal, multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até 30/10/2009. Da impugnação O sujeito passivo foi cientificado, via postal, dos Autos de Infração em 24/11/2009, conforme fls. 245, e apresentou, em 21/12/2009, a impugnação de fls. 250/251 com a seguintes alegações: 1 todo o embasamento das razões de irregularidades apontadas se dão pela apuração de levantamento na escrita apresentada pelo contribuinte (livro Razão Analítico), o que na realidade, em nenhum momento foi efetuada tal apresentação pelo impugnante; 2 não entende quais requisitos ou fatores foram usados para base de cálculos que levaram a tão exorbitantes valores de impostos a recolher, haja vista que, conforme levantamento realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado do Maranhão sua movimentação de compras foi no valor de R$ 364.158,76 (trezentos e sessenta e quatro mil cento e cinqüenta e oito reais e setenta e seis centavos) no período de janeiro a dezembro de 2005. Isso totalmente aquém do apurado pela Receita Federal através de seu Auditor Fiscal; e Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10320.003828/200905 Acórdão n.º 1402002.972 S1C4T2 Fl. 294 5 3 sempre buscou cumprir fielmente com suas obrigações tributárias, zelando sempre pelo seu nome e de sua empresa. Ao final requer sejam cancelado o débito fiscal reclamado. É o Relatório.” Do recurso voluntário Inconformado com a decisão de 1ª Instância, o recorrente apresenta em 22/05/2015 o recurso voluntário com as seguintes razões: 1 Que os cheques de terceiros/consumidores são utilizados pelos comerciantes varejistas para pagamento de seus fornecedores, empregados, tributos e outros, como intuito de economizar CPMF. 2 A recorrente fica com o encargo de receber cheques de terceiros e depositálos na sua conta corrente e passa a pagar por todos os comerciantes atacadistas e varejistas. 3 Esses cheques de terceiros que na maioria das vezes nem eram clientes diretos da impetrante foram depositados no ano de 2005 em contas bancárias, que não foram omitidas da tributação do IR/PIS/COFINS/CSLL/INSS. Em verdade todas as movimentações dessas contas foram escrituradas numa conta contábil. 4 Que a Auditora Fiscal houve por bem em desconsiderar toda a contabilidade tornandoa imprestável para a apuração do lucro real, bem como adicionou os depósitos bancários não contabilizados, considerando estes como omissão de receita. 5 Não cabe o arbitramento de lucro, pois a auditora determinou que a empresa regularizasse a contabilidade sem explicar que queria, na realizada, o desmembramento de contas de forma diária com o objetivo de identificar o lucro líquido pelo método de real; demonstrou e justificou o movimento bancário; toda a documentação dos lançamentos esteve à disposição da Auditora Fiscal que por isso tinha como identificar o lucro real; a contabilidade foi dada como imprestável pelo simples fato de ser resumida por escrita fiscal;não se apontarem as deficiências e situações que não permitiram visualizar o lucro líquido pelo método do lucro real. É o relatório Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10320.003828/200905 Acórdão n.º 1402002.972 S1C4T2 Fl. 295 6 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A recorrente não apresenta comprovação de que transita em suas contas bancárias recursos de terceiros. A recorrente alega que “a Auditora Fiscal houve por bem em desconsiderar toda a contabilidade tornandoa imprestável para a apuração do lucro real, bem como adicionou os depósitos bancários não contabilizados, considerando estes como omissão de receita”. Contudo verificase que a recorrente é optante do Simples e a autuação foi realizada nesse regime de recolhimento. Portanto não houve desconsideração da contabilidade. Também não houve adição de depósitos bancários não contabilizados, pois a base de cálculo foi apurada do confronto entre o do livro Razão Analítico apresentado pelo recorrente e as receitas declaradas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples (anocalendário 2005), Com esse confronto, foi confirmada a existência de receitas que não integraram as informações prestadas pela empresa à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) por intermédio da PJSI 2006 (anocalendário 2005), o que caracteriza omissão de receitas. A recorrente alega ainda que não caberia o arbitramento de lucro, repisase que a atuação foi realizada no regime de recolhimento do Simples, Portanto não houve o arbitramento de lucros. Os argumentos apresentados pela recorrente além de estarem completamente desassociados dos fatos apurados pela fiscalização foram apresentados somente em fase de recurso voluntário. Devem ser afastadas a doutrina e jurisprudência trazidas pelo recorrente, pois estas não se aplicam aos fatos descritos nesse processo. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10320.003828/200905 Acórdão n.º 1402002.972 S1C4T2 Fl. 296 7 Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000219/2006-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-006.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 19 /2 00 6- 64 Fl. 326DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 03/08), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2002, anocalendário 2001, no valor de R$ 49.301,78, acrescido da multa e juros de mora (calculados até 24/02/2006), perfazendo um crédito tributário total de R$ 120.030,10 (cento e vinte mil, trinta reais, e dez centavos). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 0405, que acompanha a notificação sob análise, a infração decorreu do recebimento de rendimentos pagos por intermédio da Caixa Econômica Federal, decorrentes de ação trabalhista (nº 11.3373/91), relativa a expurgos inflacionários da URP (Unidade de Referência de Preços) do mês de fevereiro de 1989. Dessa ação trabalhista o impugnante veio a receber R$ 183.591,74, já descontado os honorários advocatícios (R$ 9.662,72), sendo que este valor foi informado na Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) como rendimentos isentos e não tributáveis (fl. 36), em razão da decisão proferida pela Justiça Trabalhista, a qual teria se baseado no Provimento CG/TST 01/96 (fls. 3132). Por entender que a Justiça Trabalhista não possui competência para tratar de matéria tributária federal, e baseada em orientação da Procuradoria da Fazenda Nacional do Rio Grande do Norte (Parecer PFN/RN/RWSA n 2 001/2006, fls. 3335) a fiscalização lavrou o auto de infração em exame, sob a seguinte classificação: 001 CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS DA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 10/09/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.710 (fls. 291/299), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13433.000219/200664 Acórdão n.º 9202006.851 CSRFT2 Fl. 3 3 Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/198 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/10/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 14/11/2014, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 301/306). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 1ª Câmara, de 30/06/2015 ( fls. 315/317). A recorrente, em suas alegações, requer: · Que a autuação seja mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo. · Argumenta que tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária. · Diz que inexiste irregularidade que fundamente o cancelamento do auto de infração, mostrandose adequada sua manutenção com a realização das retificações cabíveis. Cientificado do Acórdão nº 2801003.710, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 04/08/2015, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 315. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, em consonância com a interpretação adotada pelo STJ no REsp Resp 1.118.429/SP, o qual firmou entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente, que o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a jurisprudência do STJ a quem compete promover a interpretação ultima da lei federal, já ter se posicionado pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei 7.713/88, o que enseja um erro de cunho material na apuração do montante devido, porém em momento algum, o relator, deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Deixo de apreciar as questões preliminares suscitadas pelo Recorrente, pois, conforme se verá a seguir, o resultado lhe será favorável. O presente lançamento referese à apuração de classificação indevida de rendimentos que foram recebidos em razão de Ação Trabalhista em que os funcionários pleitearam o pagamento do índice de 26,05% fixado para a URP relativa ao mês de fevereiro de 1989 e a integração desses valores às verbas salariais vencidas/vincendas, além de seus consequentes: FGTS, férias, gratificação de natal e anuênios; mas que , em virtude de acordo homologado pela justiça do trabalho, os reclamantes renunciaram expressamente ao direito de incorporação das diferenças e reajustes salariais e seus acessórios aos salários. Como se vê, tratase, na espécie, de rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13433.000219/200664 Acórdão n.º 9202006.851 CSRFT2 Fl. 4 5 Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. [...] Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: [...] É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543– C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Fl. 330DF CARF MF 6 A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 291 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. " Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso”. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se as decisões reiteradas do STJ, como mencionado pelo relator do acórdão recorrido, que acabaram por ensejar julgamento no âmbito do STJ em sede de repetitivos e, posteriormente pelo STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13433.000219/200664 Acórdão n.º 9202006.851 CSRFT2 Fl. 5 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso Fl. 332DF CARF MF 8 repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13433.000219/200664 Acórdão n.º 9202006.851 CSRFT2 Fl. 6 9 determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte, diante restar consignado no próprio voto: " Deixo de apreciar as questões preliminares suscitadas pelo Recorrente, pois, conforme se verá a seguir, o resultado lhe será favorável." Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.722344/2013-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 23 44 /2 01 3- 25 Fl. 89DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0435.140 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos para com a Secretaria da Receita Federal, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. Cumpre, preambularmente, anotar que não cabe discussão da constitucionalidade e/ou ilegalidade de lei em sede administrativa consoante estabelece o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 na redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Acresce, como ensina Seabra Fagundes, que “administrar é aplicar a lei de ofício”, e dispondo a Lei Complementar nº 123, de 2006, no art. 17, inciso V, que está impedida de optar pelo Simples Nacional quem possui débitos tributários cuja exigibilidade não esteja suspensa, não há como acolher suas alegações. Desta forma, é de se rejeitar todas as alegações a esse título aduzidas ao longo da peça impugnatória. No mérito, a contribuinte alegou que estava em dia com suas obrigações fiscais, tendo retificado as GFIPs, conforme a documentação juntada às fls. 25 a 70. Contudo, não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, pois é este o documento hábil que comprova a regularidade fiscal da empresa. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a contribuinte possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, rejeito as preliminares aduzidas e, no mérito, julgo improcedente a manifestação de inconformidade,mantendo o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional, por seus próprios fundamentos. É o meu voto. Voto Fl. 90DF CARF MF Processo nº 18470.722344/201325 Acórdão n.º 1001000.422 S1C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Alega a Recorrente, em Recurso Voluntário, que: E conclui pedindo o deferimento de seu pleito. Com relação à alegação de obediência ao principio constitucional da isonomia e outros, alegados pela recorrente, reitero o que decidido e apontado no acórdão da DRJ, o qual permitome repetir: não cabe discussão da constitucionalidade e/ou ilegalidade de lei em sede administrativa consoante estabelece o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 na redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por outro lado, a DRJ não questionou as alegações da Recorrente quanto ao parcelamento dos débitos, tendo baseado a sua decisão, única e exclusivamente, no fato de a Recorrente não ter apresentado a certidão negativa de débitos (ou positiva com efeitos de negativa) e que, ainda, não a obteve porque foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Portanto negou provimento a impugnação, baseada no artigo 205, do Código Tributário Nacional CTN, o qual reproduzo a seguir: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Fl. 91DF CARF MF 4 Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. O art. 205, do CTN dispõe que "A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa,". No caso, nem a Lei Complementar 123/2006 e nem a Resolução CGSN 94/2011 impõem a apresentação da referida certidão como condição para o ingresso no Simples Nacional. Por outro lado, constam nos autos, a prova de que os débitos , de fato, estavam com a exigibilidade suspensa, posto que parcelados. Reproduzo, a seguir o Termo de Indeferimento (TI): A recorrente apresentou o correspondente pedido de parcelamento (fl 26), onde consta que os débitos de competência 07/2008 a 12/2012 foram incluídos no pedido de parcelamento. A tela (fl 70) demonstra que os débitos, listado no TI, estão devidamente parcelados. Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se provou existir, no caso da Recorrente. Por último, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre matérias constitucionais Fl. 92DF CARF MF Processo nº 18470.722344/201325 Acórdão n.º 1001000.422 S1C0T1 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 93DF CARF MF
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