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Numero do processo: 16327.001651/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AIOP DEBCAD sob nº 37.314.923-9
Consolidado em 14/12/2010
DECADÊNCIA. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA.
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Contas às fls. que a Recorrente, ainda que não em valores julgado correto pelo FISCO antecipou seu recolhimento. Merecimento de aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, estando decaídos os meses anteriores a dezembro de 2005, uma vez que o crédito previdenciário foi consolidado em 14 de dezembro de 2010.
VALE TRANSPORTE. QUESTÃO SUMULADA NO CARF. SÚMULA. APLICAÇÃO IMPERATIVA. DETERMINAÇÃO EXPRESSA PELO REGIMENTO DOA CARF.
Art. 72.As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.
Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
ABONO ÚNICO. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO.
Abono extensivo a todos os trabalhadores, mesmo aqueles que se encontram em gozo de benefício previdenciário não configura verba remuneratório. Abono pago em única parcela que visa indenizar o trabalhador por perdas passadas não é pagamento retributivo ao trabaho.
JUROS SOBRE MULTA. ILEGALIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
No caso em tela não há no lançamento a comprovação de que foi aplicado juros sobre a multa.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas questões abono único e vale transporte, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2005, anteriores a 12/2005, nos termos do voto do(a) Relator(a); I) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente/Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira(Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Contas às fls. que a Recorrente, ainda que não em valores julgado correto pelo FISCO antecipou seu recolhimento. Merecimento de aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, estando decaídos os meses anteriores a dezembro de 2005, uma vez que o crédito previdenciário foi consolidado em 14 de dezembro de 2010. VALE TRANSPORTE. QUESTÃO SUMULADA NO CARF. SÚMULA. APLICAÇÃO IMPERATIVA. DETERMINAÇÃO EXPRESSA PELO REGIMENTO DOA CARF. Art. 72.As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. ABONO ÚNICO. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 51 /2 01 0- 54 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 Abono extensivo a todos os trabalhadores, mesmo aqueles que se encontram em gozo de benefício previdenciário não configura verba remuneratório. Abono pago em única parcela que visa indenizar o trabalhador por perdas passadas não é pagamento retributivo ao trabaho. JUROS SOBRE MULTA. ILEGALIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. No caso em tela não há no lançamento a comprovação de que foi aplicado juros sobre a multa. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas questões abono único e vale transporte, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2005, anteriores a 12/2005, nos termos do voto do(a) Relator(a); I) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente/Redator Designado. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira(Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 16327.001651/201054 Acórdão n.º 2301004.229 S2C3T1 Fl. 178 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais autuado em desfavor da Recorrente, referente às contribuições sociais previdenciárias, correspondente à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho, incidentes sobre os valores pagos aos segurados a título de vale transporte em dinheiro e abono único. As bases de cálculo para o lançamento foram apuradas nos resumos gerais das folhas de pagamento da empresa e da contabilidade. Esclarece o Auditor que a concessão da verba Abono Único decorre da obrigação prevista em Convenção Coletiva de Trabalho. Salienta, ainda, que o Vale Transporte e o Abono Único são verbas pagas em dinheiro ao empregado. Com relação a legislação mais benéfica, no que diz respeito ao cálculo da multa, a fiscalização no Levantamento VT Vale Transporte, utilizou a legislação anterior a Medida Provisória, para o período 03/05 a 10/05 e 12/05; Levantamento VT1 – Vale Transporte, aplicou a legislação atual para as competências 03/05 a 10/05, 12/05 e 01/06 a 12/06; Levantamento AB Abono Único, aplicou a legislação anterior a Medida Provisória, competência 10/05; e Levantamento ABI Abono Único, utilizou a legislação atual, competência 11/05. Foi noticiado da autuação e aviou impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 22/09/2010 foram apensados a este os processos de n° 16327.001650/201018 e o de nº nº 16327.001647/201096. Em 09 de maio de 2011 tomou conhecimento da decisão de piso e no dia 06 de junho do mesmo ano aviou o presente Recurso Voluntário. É a síntese do necessário. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa Relator O presente Recurso Voluntário foi aviado dentro do trintídio e acode os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo analise dos argumentos expendidos para, afinal, julgamento deles. DECADÊNCIA Questão de ordem pública a ser levantada independente de a Recorrente ter se pronunciado ou não. Balizo minhas decisões pela Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Contas às fls. que a Recorrente, ao menos em parte, ainda que não em valores julgado correto pelo FISCO antecipou seu recolhimento e por isto aplico, para efeito de contagem de prazo decadencial o artigo 150, § 4º do CTN, estando decaídos os meses anteriores a dezembro de 2005. VALE TRANSPORTE Por força regimental o membros do Colegiado são obrigados a seguir as sumulas exaradas por esta Corte, conforme reza o Artigo 72, ‘in verbis’: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A matéria em tela é sumulada por esta Corte, razão pela qual faço a conclusão do meu julgamento a determinação da Súmula CARF nº 89, que abaixo transcrevo: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Com razão a Recorrente. ABONO ÚNICO Foi observado e autuado pela Auditoria Fiscal, através das Folhas de Pagamento e dos Registros Contábeis, que a Recorrente remunerou seus empregados sob a Fl. 512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 16327.001651/201054 Acórdão n.º 2301004.229 S2C3T1 Fl. 179 5 forma de concessão de "Abono Único" sem a devida incidência das contribuições previdenciárias. Podese observar que a concessão dessa verba decorre de obrigação prevista em Convenção Coletiva de Trabalho. Segundo a Recorrente o referido pagamento de abono único foi realizado por força de Convenção Coletiva de Trabalho de 2005/2006, da categoria, que se refere a antecipação de reajuste salarial, sendo diferente daquele que trata o Artigo 457 da CLT, isto porque o da CLT está vinculado a contrato de trabalho e prestação de serviço, que integraria o salário, sendo considerado remuneração. Desta forma, penso que as partes (empregado/empregador) estabeleceram regras que a eles interessam, criando obrigação, cujas quais não podem trazer obrigação à terceiros, mormente à Previdência Social. A legislação previdenciária estabelece o que integra e o que não integra a base de cálculo tributária e suas exceções. No ordenamento jurídico tributário o CTN determina que somente a lei poderá instituir, extinguir, majorar, reduzir, definir fato gerador ou modificar sua base de cálculo, segundo inteligência do artigo 97, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .... IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto no artigo, 21, artigo 26, artigo 39, artigo 57 e artigo 65; .... § 1º Equiparase à majoração do tributo, a. modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. ... Logo, para criar exceção a base de cálculo é necessária que a lei o faça, não podendo um acordo coletivo legislar sobre a base de incidência das contribuições previdenciárias. A lei de regência, ou seja, a nº 8.212/91 é muito clara ao tratar das verbas recebidas pelo empregado que não integra o salário contribuição. ‘Vide’ artigo 28, § 9º , ‘e’, 7: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) (...) Fl. 513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20 de Novembro de 1998)(GN) No caso em tela, a este julgador, ficou cristalino que o abono concedido está desvinculado do salário, porque não remunera o trabalho mais indeniza por uma perda passada. Referente a habitualidade, temse que o artigo 214, §9°, alínea 'j' e §10, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõem que: Art. 214. (.) § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por forca de lei; § 10º As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Assim, viuse nos autos que o pagamento não foi habitual e tão pouco remunerou o trabalho, tão simplesmente foi uma obrigação imposta ao empregador para indenizar o trabalhador por perdas passadas. Com razão a Recorrente. DA REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Diz a Recorrente que a exigência de contribuições sociais previdenciárias das empresas encontra fundamento constitucional no artigo 195, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal, que transcrevo abaixo: "Art. 195. A Seguridade Social será custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício." Segue o raciocínio dizendo que para delimitar o alcance interpretativo do conteúdo da referida norma constitucional, o § 11º, do artigo 201, da Constituição Federal determinou que os ganhos habituais serão considerados parcela remuneratória e, por conseqüência, integrados à base de cálculo das contribuições previdenciárias. Confirase: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 16327.001651/201054 Acórdão n.º 2301004.229 S2C3T1 Fl. 180 7 "Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei." (g.n.) Que a Lei nº 8.212/91 instituiu contribuições previdenciárias para o custeio da seguridade social, dentre as quais interessa aquela prevista no artigo 22, e a transcreve: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...)" E, assim, para Recorrente, numa analise da legislação mencionada ela apresenta a premissa que qualquer verba somente ensejará o recolhimento de contribuições previdenciárias se i) retribuir (contraprestação) os serviços prestados (retributividade) ou ü) for paga com habitualidade. Conclui que o abono em testilha não está abarcado por características de retributividade e/ou habitualidade, e não deve o respectivo montante compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Quanto a habitualidade não há muito o que se analisar, eis que estampado nitidamente de que não há a mesma, sendo pago em uma única vez. Segundo o princípio da retributividade, implica dizer que o pagamento de salário corresponde ao custo do seu serviço prestado ao empregado. E isto não ocorreu no presente caso, conforme nos informa a própria CCT, cláusula 48. ‘In verbis’: Cláusula Quadragésima Oitava Para os empregados ativos ou que estivessem afastados por doença, acidente do trabalho e licença maternidade, em 31.08.2005, será concedido um abono único na vigência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006, desvinculado do salário e de caráter excepcional e transitório, no valor de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais), a ser pago após 10 (dez) dias úteis da data da assinatura da convenção coletiva de trabalho.(GN) Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 Ora, se constasse na cláusula supra que teriam direito ao abono único somente os profissionais empregados ativos, estaríamos claramente de um abono retributivo de caráter remuneratório, mas, da forma expressa deixa claro o pagamento indenizatório, isto porque remunera empregados afastados, ou seja, aqueles que não prestam serviços. Assim, por constar na CCT Cláusula 48ª que o abono é pago até para funcionários afastados ou em licença maternidade, não vejoo como verba retributiva de trabalho prestado pelo empregado. Com razão a Recorrente. ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS Deixo de analisar as questões que apontam por inconstitucionalidades e ou ilegalidades de lei, uma vez que esta Corte não é competente para tal mister, segundo a Súmula CARF nº 02, ‘in verbis’: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, ainda que o julgador pretendesse analisar a matéria posta, estando ela sumulada, encontra ele óbice porque o RICARF determina que o mesmo é submisso às questões sumuladas pela Corte, conforme reza o Artigo 72 do RICARF, como se vê abaixo: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF Eis a razão que deixo de analisar as ilegalidade e inconstitucionalidades apontadas. MULTA Diz a Recorrente que o valor da multa aplicada atendeu em parte às disposições legais vigentes à época da ocorrência dos fatos (períodos de 03 a 10 e 12/2005), por serem supostamente mais benéficas do que aquelas veiculadas pela Lei n.° 11.941/09, e em parte às disposições da nova legislação (períodos de 01, 02 e 11/2005 e 01 a 12/2006). Entretanto, segundo alega, há de ser retificado tal lançamento, eis que as multas previdenciárias sofreram relevantes alterações por intermédio da Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei n.° 11.941/09. Diz que o caso em tela trata de multa punitiva decorrente de descumprimento de obrigação tributária principal, e isto importa que a Lei n° 11.941/09 alterou significativamente a metodologia para o seu cálculo. De fato, a multa anterior era calculada de forma substanciada no tempo (24 até 100%) e hodiernamente passou a ser de 75% (150% nos casos em que é verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação). E, em conformidade com o artigo 106, II, "C", do Código Tributário Nacional, a nova multa só alcança fatos pretéritos se for mais benéfica ao contribuinte. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 16327.001651/201054 Acórdão n.º 2301004.229 S2C3T1 Fl. 181 9 Para a Fiscalização, confirmada pela decisão de piso, a sistemática utilizada na planilha elaborada por ela reflete a melhor aplicação da lei, dando ao Recorrente a multa menos severa. Já a Recorrente discorda da metodologia, dizendo que ao final acaba por sair a mais gravosa, já que a Fiscalização somou o valor da multa punitiva (obrigação acessória) ao valor da multa de mora (obrigação principal) que vigoravam à época da ocorrência dos supostos "fatos geradores" e confrontou o resultado aritmético com a soma das mesmas multas veiculadas pela Lei n.° 11.941/09. O fato é que antes da vigência da MP n.° 449/2008, havia previsões distintas para o tratamento tributário a ser dado aos casos de inadimplemento das obrigações tributárias principais e acessórias. O tratamento dado à conduta infracional (obrigação acessória) era independente e incomunicável em relação à obrigação principal de recolhimento da contribuição previdenciária, implicando que a inadimplência da obrigação principal não influía na penalidade da obrigação acessória não paga. Simplesmente aplicava a multa moratória gradual que era prevista no artigo 35 e §§ da Lei n.° 8.212/91. Entretanto, para as obrigações acessórias, a modalidade aplicada era a de multa isolada, tal como aquelas atinentes à declaração em GFIP, de acordo com o art. 32, IV e §§4° e 6° da Lei n.° 8.212/91. Mas, com a entrada em vigor da MP n.° 449/2008, os casos em que há falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, ensejam o lançamento de ofício, conforme dispõe o art. 35A da Lei n.° 8.212/91, devendo ser aplicado o art. 44 da Lei n.° 9.430/96. E, nos casos em que foi adimplida a obrigação principal, tendo havido no entanto, descumprimento da obrigação acessória (não declaração ou declaração com omissões), a legislação alterada prevê a multa isolada no artigo 32A, da Lei n° 8.212/91. Assim, plagiando o tratamento benéfico ao contribuinte, visando o seu direito à retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II e "c"do CTN, penso que a multa mais justa é do artigo 61. da Lei 9.430/96. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Diz a Recorrente que houve a aplicação de juros sobre a multa aplicada e a decisão de piso diz que não procede tal alegação, ou seja, aplicação de juros sobre a multa no lançamento de ofício, pois no Relatório de Fundamentos Legais de Débito, fls 11 (item 602.07 período 01/05 a 12/05 e 01/06 a 12/06), fica claro que não há incidência de juros sobre a multa, já que os juros foram calculados sobre o valor originário, logo, os juros incidem somente sobre o valor da contribuição. Entretanto, se ocorreu, por falta de previsão legal, não há de ser aplicado juros sobre a multa de lançamento de ofício, uma vez que a legislação que autoriza a aplicação da taxa Selic abrange tão somente aos tributos. E multa é tão somente penalização por infração, ao passo que tributo, nas palavras do Artigo 3º do CTN “é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 O Artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao Artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Transcrevoos: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei n° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8.981, de 1995, o art. 84,inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." "Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1 o de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna. Mas, equivocase a Recorrente, pois o lançamento, ao menos no Discriminativo do Lançamento não consta a dita cobrança indevida. Sem razão. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, estando o presente Recurso Voluntário em pleno ajuste com a legislação, dele conheço para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL: i) para aplicar a multa mais benéfica, nos ditames da retroatividade mais favorável ao contribuinte estampada no artigo 106, II, C do CTN, cuja qual penso ser aplicada a multa do artigo 61 da Lei nº 9.430/96; ii) para excluir da base de cálculo do lançamento as verbas pagas a título de abono único e vale transporte; iii) aplicar a Súmula CARF 99, e com apoio ao artigo 150, § 4º do CTN, excluir do lançamento o período anterior a dezembro de 2005. É como Voto. Wilson Antônio de Souza Correa Relator (assinado digitalmente) Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 16327.001651/201054 Acórdão n.º 2301004.229 S2C3T1 Fl. 182 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 520DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 16327.001651/201054 Acórdão n.º 2301004.229 S2C3T1 Fl. 183 13 § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo Fl. 521DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 14 está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 16327.001651/201054 Acórdão n.º 2301004.229 S2C3T1 Fl. 184 15 Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, como ocorre de ofício pela autoridade executora do acórdão, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual.de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator, somente neste ponto, e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, como ocorre de ofício pela autoridade executora do acórdão, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual. É o voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916985/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO.
Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntando-a ao processo administrativo para fins de prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO. Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntando-a ao processo administrativo para fins de prova. Recurso Voluntário Negado.
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IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO. Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntandoa ao processo administrativo para fins de prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 85 /2 00 9- 62 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 137), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente, PRECE – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1238.671, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro –DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Tratase do Despacho Decisório n° 831256382, de 09.04.2009, da então Delegacia Especial de Instituições Financeiras Deinf/RJO (fls.6), que, sob o fundamento de que o Darf já havia sido integralmente utilizado, não homologou a seguinte Declaração de CompensaçãoDcomp: (...) vide quadro. Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.11/16), instruída com os documentos de fls. 17/67, o interessado afirma que é entidade fechada de previdência complementar, tendo por objeto instituir plano de previdência complementar e pagar aposentadorias complementares, e, ainda, que: a) o crédito utilizado teve "origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01)"; b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e não demonstrou a existência de crédito de I0F, e "declarou como devido exatamente o valor recolhido"; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária; d) "se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário"; e) se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, "a confissão de divida e o consequente pagamento Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916985/200962 Acórdão n.º 3802001.974 S3TE02 Fl. 139 3 são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária". 3. O interessado alega que "o valor realmente devido para esta competência é de R$ 4.224,18, e não R$ 7.561,40, como erroneamente declarado em DCTF". Sustenta que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos (...), conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)". 4. Afirma que, "desta forma, fica clara a existência de simples equívoco no preenchimento da DCTF (...) e a existência do crédito, bem como a consequente extinção do débito ora indevidamente imputado". 5. Pede que a Manifestação de Inconformidade seja julgada procedente, bem como, que se homologue a compensação procedida, extinguindose o crédito tributário cobrado. 6. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls. 70/84. 7. Relatados. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/RJ1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2002. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2002. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na manifestação de inconformidade, e enfatizando a legitimidade para pleitear a compensação, por ter ocorrido decisão do Conselho da Recorrente nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 137), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega, na qualidade de responsável pela retenção do IOF junto a seus segurados, haver adotado procedimento equivocado para cálculo do imposto nas operações de empréstimos que realizou. A Recorrente atua como responsável pela retenção e recolhimento do IOF incidente sobre os contratos de crédito celebrados com seus clientes, nos termos da legislação aplicável, mormente o Decreto nº 4.494, de 2002, que, regulamentando o IOF à época da ocorrência dos fatos geradores, permitenos analisar a questão de modo objetivo. O contribuinte do IOF crédito, nos termos do art. 4º do antigo RIOF, é o tomador do crédito, seja este pessoa física ou jurídica. Todavia, o art. 5º do mesmo diploma atribui a responsabilidade pela retenção (a norma se refere a “cobrança”, mas em verdade referese a retenção) e recolhimento do IOF às instituições financeiras que efetuarem operações de crédito, empresas de factoring adquirentes do direito de crédito e pessoas jurídicas que concederem o crédito, nas operações correspondentes a mútuo de recursos financeiros. A situação, portanto, está bem posta. A Recorrente, na qualidade de entidade fechada de previdência complementar, ao realizar empréstimos atua como responsável tributário do IOF – cujo ônus econômico pertence não a si, mas ao contribuinte tomador do crédito. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916985/200962 Acórdão n.º 3802001.974 S3TE02 Fl. 140 5 Logo, ao perceber que houve cálculo a maior do IOF, seguramente houve retenção a maior do imposto, não somente um recolhimento a maior do que fora retido junto aos contribuintes. Pelo menos, não consta dos autos qualquer prova que leve a uma presunção em contrário. Ora, havendo retenção do imposto a maior, cada cliente dos financiamentos realizados pela Recorrente tornase passível de repetição do indébito de IOF, pois são os efetivos contribuintes do imposto, e que sofreram oneração econômica indevida. Estes, portanto, os legítimos pleiteantes de restituição junto à RFB. A Recorrente, ao seu turno, na qualidade de responsável pela retenção e recolhimento do imposto, não sofre qualquer prejuízo, carecendo sua legitimidade para buscar o indébito. Essa situação lógica é refletida no art. 166 do Código Tributário Nacional, o qual confere a legitimidade para pleitear repetição do indébito apenas àquelas pessoas que demonstrarem ter sofrido o ônus econômico do tributo. A única exceção permitida pelo CTN diz respeito aos casos nos quais os prejudicados autorizem expressamente um terceiro (no caso, a Recorrente) a buscar, em seu nome, o justo indébito tributário. Para provar, portanto, legitimidade no seu pleito, a Recorrente deveria ter primeiramente apresentado autorização de cada cliente seu, objeto de retenção a maior do IOF, para que esta efetuasse o pedido. No entanto, em seu recurso informa que, "(...) Assim é que mediante decisão do Conselho da Recorrente ficou decidido que a ora Recorrente estaria autorizada a buscar a repetição do indébito tributário objeto do presente processo e em contrapartida, assim que houvesse a recuperação destes valores, devolveria aos participantes (...)". Não me parece suficiente, portanto, que uma deliberação do Conselho da Recorrente faça as vezes de instrumento autorizador de indébito tributário, em nome de particulares. Até porque, dos documentos juntados ao Recurso Voluntário não enxergo nem mesmo a referida deliberação – somente consta a deliberação de 26/01/2005 para executar auditoria de empréstimos, e uma resposta de 29/03/2005 a memorando em que expressamente o Diretor de Seguridade da Recorrente entende ser “necessária consulta à SRF, para dirimir dúvidas quanto aos detalhes técnicos”, a fim de que se faça a “recuperação dos valores pagos a maior”, ainda que “de uma só vez, mediante pedido de restituição junto à Receita Federal”. Uma vez não demonstrada a legitimidade da Recorrente para buscar o indébito do IOF, resta prejudicada até mesmo a análise da materialidade do crédito. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919008/2012-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/02/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/02/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.919008/201267 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.154 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CALIENDO METALURGIA E GRAVACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/02/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 08 /2 01 2- 67 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919008/201267 Acórdão n.º 3801005.154 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913100/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.161
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado EDITADO EM: 29/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido eletrônico de restituição e declaração de compensação (PER/Dcomp) apresentado pelo interessado no dia 14/07/2004, por intermédio do qual pretende compensar débito de PIS/Pasep, referente ao período de apuração de 06/2004, mediante o aproveitamento de crédito da mesma Contribuição (PIS/Pasep), supostamente Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.913100/200892 Resolução n.º 330200.161 S3C3T2 Fl. 225 2 recolhida de forma indevida ou a maior, relativa ao período de apuração de 03/2004, em face da não utilização, à época da apuração e pagamento, de crédito incidente sobre serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na atividade industrial. A autoridade administrativa competente, por meio do Despacho Decisório de fl. 08, não reconheceu a existência do crédito alegado e não homologou a compensação declarada. O pagamento de PIS/Pasep tido como indevido fora alocado integralmente ao débito de mesmo valor declarado em DCTF, não restando comprovado a existência de pagamento a maior ou indevido. Ciente desta decisão no dia 25/08/2008, dela a interessada não concordou e ingressou com manifestação de inconformidade, na qual alega, em apertada síntese, que: a) o crédito compensado através de PER/Dcomp teve sua origem no levantamento de gastos de prestação de serviços de manutenção, apurados no período de fevereiro de 2003 a março de 2004, cujos créditos não foram considerados quando da efetivação do pagamento, conforme dispõe a Instrução Normativa (IN) SRF n° 247/2002 (arts. 66 e 67), alterada pela IN SRF n° 358/2003; b) os valores dos créditos foram levantados conforme planilha anexa (fl. 22), tendose por certo o direito da empresa em aproveitar os créditos dai decorrentes; c) ao realizar a compensação permitida pela legislação a empresa informou à Receita Federal, através da DCTF. Na oportunidade informou, inclusive, os números dos PER/Dcomp's gerados; A autoridade julgadora de primeira estância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1329.800, de 17/06/2010, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. Somente a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte da suposta existência do crédito a ser utilizado na compensação. Ciente desta decisão em 03/09/2010 (fl. 196), a interessada ingressou, no dia 05/10/2010, com o recurso voluntário de fls. 198/204, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescente que: 1 a decisão recorrida se afasta da verdade material dos fatos que deram origem ao pedido de compensação. Os fatos levam à conclusão de que o crédito utilizado na compensação é legítimo posto que decorre da aquisição de serviços de manutenção; 2 a despeito da retificação efetuada, a manutenção da DCTF está impedindo a recorrente de aproveitar um crédito legítimo, o que viola o princípio da verdade material, não devendo prosperar o entendimento da decisão recorrida de que não deve ser admitida a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.913100/200892 Resolução n.º 330200.161 S3C3T2 Fl. 226 3 3 a documentação juntada ais autos reflete, com extrema clareza, a materialidade do crédito apurado pela recorrente e utilizado na compensação sob análise. É o Relatório. VOTO Em que pese as contundentes considerações trazidas ao processo pelo eminente Relator, tenho me manifestado reiteradamente sobre a necessidade de maior respeito por parte das autoridades administrativas do princípio da verdade material em suas decisões. As alegações trazidas aos autos pela Recorrente, juntamente com documentos que entendeu pertinentes, dão conta da existência de crédito de PIS não cumulativo que deixou de ser apropriado na época própria, e que, uma vez identificado, procurouse utilizar. De fato me parece que os procedimentos, é o numero deles é cada vez maior, adotados pelo recorrente merecem certa censura, mas, a meu ver, não podem afastar o direito concedido pela legislação de regência a utilização dos créditos a que os contribuintes entendem fazer jus. A própria Receita Federal, por vezes, ainda tem dificuldade em orientar os contribuintes a cerca da forma correta a ser utilizada nestes casos. No presente processo, parece correto afirmar que o direito ao crédito pleiteado deixou de ser apreciado ante o entendimento de que “somente a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte da suposta existência do crédito a ser utilizado na compensação, não se prestando a tal comprovação o simples cotejo do pagamento arrecadado com o valor do débito declarado em DCTF não espontaneamente apresentada.” Ou seja, a Recorrente não teria comprovado que o crédito a que entende fazer jus estaria corretamente consignado em sua contabilidade. É neste ponto que entendo que a realização de diligência se torna imprescindível para o bom deslinde do presente processo. Neste contexto voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que a autoridade preparadora verifique os registros contábeis da Recorrente a fim de confirmar a existência dos alegados créditos e se eventualmente não foram utilizados em períodos posteriores, trazendo também aos autos outras informações que repute significativas para o bom deslinde do processo. A Recorrente deverá ser intimada para se manifestar do resultado da presente diligência. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000487/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
ANO-CALENDÁRIO: 2003, 2004, 2005
Ementa
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. REQUISITOS.
1. A responsabilidade dos sócios por débitos tributários está condicionada ao exercício da gerência na época dos fatos e a prática de atos ato com infração à lei ou dissolução irregular da sociedade. Precedentes Ag.Rg. no Agravo em Recurso Especial Nº 556.735-MG. Rel. Min. Humberto Martins. Segunda Turma. Julg. 23/09/2014; AgRg no Ag 1244276/SC. Rel. Min. Sérgio Kukina. Primeira Turma. Julg. 24/02/2015; AgRg no REsp 1482461/SP. Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho. Primeira Turma. Julg. 11/11/2014.
2. No caso concreto, na época dos fatos e do respectivo inadimplemento dos tributos, os recorrentes eram sócios com poder de gerência na empresa. Todavia, não é pela simples circunstância de serem sócios é que hão de responder pelos tributos. A responsabilidade que lhes é imputada decorrente da circunstância de terem encerrado as atividades da sociedade mediante procedimento irregular, qual seja, transferência da empresa a terceiros sem que estes, em momento algum, tivessem assumido o comando e dado continuidade as atividades.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PODER JUDICIÁRIO PARA EXAME DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO AVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF.
3. Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, como órgão da Administração que é, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência de lançamento de crédito tributário, sob o argumento de que a autuação se deu com base em norma inconstitucional.
4. O chefe do Poder Executivo tem prerrogativa assegurada na Constituição de propor ação direta de inconstitucionalidade para afastar do sistema jurídico norma que a considera inconstitucional. Contudo, enquanto isto não ocorre, não pode deixar de observar as leis e nem avocar para si prerrogativa que a Constituição destinou ao Poder Judiciário, qual seja, de examinar as questões relacionadas à constitucionalidade e à inconstitucionalidade das leis.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO RESP 973.733, JULGADO SOB A FORMA DE RECURSOS REPETITIVO.
5. Aplicando o entendimento consolidado no RE 973.733, julgado sob a sistemática do art. 543-C do CPC, com lançamento na modalidade de arbitramento, para os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos até 30/09/2003, bem como para os fatos geradores do PIS e da Cofins verificados até 30/11/2003 o lançamento podia ter sido realizado em 2003, tendo marco inicial do prazo decadencial 01/01/2004 e prazo final 31/12/2018. No caso dos autos a notificação dos responsáveis deu-se, respectivamente, em 30/09/2009 e 02/10/2009, razão pela qual se reconhece a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, no caso do IRPJ e da CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, no caso do PIS e da Cofins.
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA.
6. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume-se omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular for regularmente intimado e não comprovar, de forma individualizada, a origem dos mesmos.
ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS. POSSIBILIDADE.
7. A lei determina que o arbitramento se faça nos casos em que o contribuinte deixe de apresentar livros e documentos contábeis e fiscais, inclusive os auxiliares da escrituração. Na situação concreta, regularmente intimada, a contribuinte deixou de apresentar os livros contábeis. Portanto, correto o arbitramento feito pela autoridade fiscal. (Inteligência do art. 47, III, da Lei nº 8.981, de 1995).
MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO ENTRE SITUAÇÕES FÁTICAS QUE ENSEJAM MULTA QUALIFICADA DAS INFRAÇÕES QUE RESULTAM RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS.
8. Nos anos-calendário de 2003 e 2004 a autuação se efetivou a partir dos valores declarados em DIPJ condizentes, nos dizeres da autoridade autuante, com as notas fiscais emitidas pela contribuinte. O arbitramento se deu pelo fato dos antigos sócios não terem apresentado o Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR. Neste cenário, não subsiste a multa qualificada quando esta tem como causa de ser situações que caracterizam responsabilidade dos sócios, a saber, encerramento das atividades sem regular baixa da empresa ou transferência desta para o nome de terceiros que nunca exerceram atividade empresarial.
9. A conduta tida por fraudulenta, dolosa ou simulada para justificar a multa deve estar relacionada ao fato gerador, isto é, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.
10. Se a conduta do agente não estiver ligada ao fato gerador, mas sim a situação subsequente, como no caso de transferência da empresa para o nome de terceiros ou o encerramento de suas atividades, estar-se-á diante de situação que justifica a imputação de corresponsabilidade aos sócios e não qualificação da multa.
11. Quanto aos anos-calendário de 2005, em que a exigência deu-se a partir da presunção com base em depósitos bancários, de empresa que não possuía escrituração e entregou declaração zerada, a razão da qualificação da multa manteve-se na mesma linha dos motivos apontados para os anos-calendário de 2003 e 2004, razão pela qual também não subsiste.
12. Ademais, ainda em relação ao ano-calendário de 2005, mesmo com declaração entregue zerada, os DARFS de fls. 1039 a 1046 indicam que a empresa, mensalmente, apurou e recolheu tributos pela sistemática do SIMPLES, fato que, conjugado com as demais provas e circunstâncias dos autos, está a demonstrar a inexistência de ação dolosa com o objetivo de sonegar tributo.
Numero da decisão: 1402-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membro do Colegiado, Por unanimidade de votos: 1) não conhecer da preliminar de inconstitucionalidade da norma; 2) rejeitar as preliminares de nulidade; 3) acolher a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, no caso do IRPJ e da CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, no caso do PIS e da Cofins; 4) manter a responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados; e, no mérito: 5) dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil De Oliveira Pinto, Cristiane Silva Costa, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Cristiane Silva Costa (suplente convocada) e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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A responsabilidade que lhes é imputada decorrente da circunstância de terem encerrado as atividades da sociedade mediante procedimento irregular, qual seja, transferência da empresa a terceiros sem que estes, em momento algum, tivessem assumido o comando e dado continuidade as atividades. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PODER JUDICIÁRIO PARA EXAME DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO AVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF. 3. Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, como órgão da Administração que é, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência de lançamento de crédito tributário, sob o argumento de que a autuação se deu com base em norma inconstitucional. 4. O chefe do Poder Executivo tem prerrogativa assegurada na Constituição de propor ação direta de inconstitucionalidade para afastar do sistema jurídico norma que a considera inconstitucional. Contudo, enquanto isto não ocorre, não pode deixar de observar as leis e nem avocar para si prerrogativa que a Constituição destinou ao Poder Judiciário, qual seja, de examinar as questões relacionadas à constitucionalidade e à inconstitucionalidade das leis. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO RESP 973.733, JULGADO SOB A FORMA DE RECURSOS REPETITIVO. 5. Aplicando o entendimento consolidado no RE 973.733, julgado sob a sistemática do art. 543-C do CPC, com lançamento na modalidade de arbitramento, para os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos até 30/09/2003, bem como para os fatos geradores do PIS e da Cofins verificados até 30/11/2003 o lançamento podia ter sido realizado em 2003, tendo marco inicial do prazo decadencial 01/01/2004 e prazo final 31/12/2018. No caso dos autos a notificação dos responsáveis deu-se, respectivamente, em 30/09/2009 e 02/10/2009, razão pela qual se reconhece a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, no caso do IRPJ e da CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, no caso do PIS e da Cofins. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. 6. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume-se omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular for regularmente intimado e não comprovar, de forma individualizada, a origem dos mesmos. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS. POSSIBILIDADE. 7. A lei determina que o arbitramento se faça nos casos em que o contribuinte deixe de apresentar livros e documentos contábeis e fiscais, inclusive os auxiliares da escrituração. Na situação concreta, regularmente intimada, a contribuinte deixou de apresentar os livros contábeis. Portanto, correto o arbitramento feito pela autoridade fiscal. (Inteligência do art. 47, III, da Lei nº 8.981, de 1995). MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO ENTRE SITUAÇÕES FÁTICAS QUE ENSEJAM MULTA QUALIFICADA DAS INFRAÇÕES QUE RESULTAM RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. 8. Nos anos-calendário de 2003 e 2004 a autuação se efetivou a partir dos valores declarados em DIPJ condizentes, nos dizeres da autoridade autuante, com as notas fiscais emitidas pela contribuinte. O arbitramento se deu pelo fato dos antigos sócios não terem apresentado o Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR. Neste cenário, não subsiste a multa qualificada quando esta tem como causa de ser situações que caracterizam responsabilidade dos sócios, a saber, encerramento das atividades sem regular baixa da empresa ou transferência desta para o nome de terceiros que nunca exerceram atividade empresarial. 9. A conduta tida por fraudulenta, dolosa ou simulada para justificar a multa deve estar relacionada ao fato gerador, isto é, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 10. Se a conduta do agente não estiver ligada ao fato gerador, mas sim a situação subsequente, como no caso de transferência da empresa para o nome de terceiros ou o encerramento de suas atividades, estar-se-á diante de situação que justifica a imputação de corresponsabilidade aos sócios e não qualificação da multa. 11. Quanto aos anos-calendário de 2005, em que a exigência deu-se a partir da presunção com base em depósitos bancários, de empresa que não possuía escrituração e entregou declaração zerada, a razão da qualificação da multa manteve-se na mesma linha dos motivos apontados para os anos-calendário de 2003 e 2004, razão pela qual também não subsiste. 12. Ademais, ainda em relação ao ano-calendário de 2005, mesmo com declaração entregue zerada, os DARFS de fls. 1039 a 1046 indicam que a empresa, mensalmente, apurou e recolheu tributos pela sistemática do SIMPLES, fato que, conjugado com as demais provas e circunstâncias dos autos, está a demonstrar a inexistência de ação dolosa com o objetivo de sonegar tributo.
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REQUISITOS. 1. A responsabilidade dos sócios por débitos tributários está condicionada ao exercício da gerência na época dos fatos e a prática de atos ato com infração à lei ou dissolução irregular da sociedade. Precedentes Ag.Rg. no Agravo em Recurso Especial Nº 556.735MG. Rel. Min. Humberto Martins. Segunda Turma. Julg. 23/09/2014; AgRg no Ag 1244276/SC. Rel. Min. Sérgio Kukina. Primeira Turma. Julg. 24/02/2015; AgRg no REsp 1482461/SP. Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho. Primeira Turma. Julg. 11/11/2014. 2. No caso concreto, na época dos fatos e do respectivo inadimplemento dos tributos, os recorrentes eram sócios com poder de gerência na empresa. Todavia, não é pela simples circunstância de serem sócios é que hão de responder pelos tributos. A responsabilidade que lhes é imputada decorrente da circunstância de terem encerrado as atividades da sociedade mediante procedimento irregular, qual seja, transferência da empresa a terceiros sem que estes, em momento algum, tivessem assumido o comando e dado continuidade as atividades. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PODER JUDICIÁRIO PARA EXAME DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO AVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF. 3. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como órgão da Administração que é, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência de lançamento de crédito tributário, sob o argumento de que a autuação se deu com base em norma inconstitucional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 04 87 /2 00 9- 37 Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 2 4. O chefe do Poder Executivo tem prerrogativa assegurada na Constituição de propor ação direta de inconstitucionalidade para afastar do sistema jurídico norma que a considera inconstitucional. Contudo, enquanto isto não ocorre, não pode deixar de observar as leis e nem avocar para si prerrogativa que a Constituição destinou ao Poder Judiciário, qual seja, de examinar as questões relacionadas à constitucionalidade e à inconstitucionalidade das leis. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO RESP 973.733, JULGADO SOB A FORMA DE RECURSOS REPETITIVO. 5. Aplicando o entendimento consolidado no RE 973.733, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, com lançamento na modalidade de arbitramento, para os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos até 30/09/2003, bem como para os fatos geradores do PIS e da Cofins verificados até 30/11/2003 o lançamento podia ter sido realizado em 2003, tendo marco inicial do prazo decadencial 01/01/2004 e prazo final 31/12/2018. No caso dos autos a notificação dos responsáveis deuse, respectivamente, em 30/09/2009 e 02/10/2009, razão pela qual se reconhece a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, no caso do IRPJ e da CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, no caso do PIS e da Cofins. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. 6. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presumese omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular for regularmente intimado e não comprovar, de forma individualizada, a origem dos mesmos. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS. POSSIBILIDADE. 7. A lei determina que o arbitramento se faça nos casos em que o contribuinte deixe de apresentar livros e documentos contábeis e fiscais, inclusive os auxiliares da escrituração. Na situação concreta, regularmente intimada, a contribuinte deixou de apresentar os livros contábeis. Portanto, correto o arbitramento feito pela autoridade fiscal. (Inteligência do art. 47, III, da Lei nº 8.981, de 1995). MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO ENTRE SITUAÇÕES FÁTICAS QUE ENSEJAM MULTA QUALIFICADA DAS INFRAÇÕES QUE RESULTAM RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. 8. Nos anoscalendário de 2003 e 2004 a autuação se efetivou a partir dos valores declarados em DIPJ condizentes, nos dizeres da autoridade autuante, com as notas fiscais emitidas pela contribuinte. O arbitramento se deu pelo fato dos antigos sócios não terem apresentado o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Neste cenário, não subsiste a multa qualificada quando esta tem como causa de ser situações que caracterizam responsabilidade dos sócios, a saber, encerramento das atividades sem regular baixa da empresa ou transferência desta para o nome de terceiros que nunca exerceram atividade empresarial. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 3 9. A conduta tida por fraudulenta, dolosa ou simulada para justificar a multa deve estar relacionada ao fato gerador, isto é, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 10. Se a conduta do agente não estiver ligada ao fato gerador, mas sim a situação subsequente, como no caso de transferência da empresa para o nome de terceiros ou o encerramento de suas atividades, estarseá diante de situação que justifica a imputação de corresponsabilidade aos sócios e não qualificação da multa. 11. Quanto aos anoscalendário de 2005, em que a exigência deuse a partir da presunção com base em depósitos bancários, de empresa que não possuía escrituração e entregou declaração zerada, a razão da qualificação da multa mantevese na mesma linha dos motivos apontados para os anos calendário de 2003 e 2004, razão pela qual também não subsiste. 12. Ademais, ainda em relação ao anocalendário de 2005, mesmo com declaração entregue zerada, os DARFS de fls. 1039 a 1046 indicam que a empresa, mensalmente, apurou e recolheu tributos pela sistemática do SIMPLES, fato que, conjugado com as demais provas e circunstâncias dos autos, está a demonstrar a inexistência de ação dolosa com o objetivo de sonegar tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do Colegiado, Por unanimidade de votos: 1) não conhecer da preliminar de inconstitucionalidade da norma; 2) rejeitar as preliminares de nulidade; 3) acolher a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, no caso do IRPJ e da CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, no caso do PIS e da Cofins; 4) manter a responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados; e, no mérito: 5) dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil De Oliveira Pinto, Cristiane Silva Costa, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Cristiane Silva Costa (suplente convocada) e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 4 Relatório Pelo que se depreende do auto de infração de fls. 10 e seguintes, tratase de autuação, com arbitramento de lucro em cada um dos trimestres do anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, em razão das seguintes infrações: 001 Receita operacional omitida. Prestação de serviços gerais, em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005; 002 Receitas não operacionais omitidas, nos três primeiros trimestres de 2005; 003 Depósitos bancários de origem não comprovada, em cada um dos trimestres do anocalendário de 2005; 004 Receita operacional omitida. Prestação de serviços gerais, em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2003 e 2004, valores estes apurados conforme DIPJ apresentada pelo contribuinte nos anos calendário de 2003 e 2004. Às fls. 62 e seguintes consta termo complementar da descrição dos fatos indicando que a contribuinte foi intimada por edital do início da ação fiscal para apresentar os livros fiscais. Sem resposta, houve Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira RMF. A intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários também deu se por edital. Os antigos sócios também foram intimados para comprovar a origem dos depósitos bancários e apresentar os livros fiscais. Segundo a autoridade fiscal, o arbitramento do lucro deuse porque o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização, Editais e Termos de Intimação, deixou de apresentálos. Diante da informação, pelos antigos sócios, de que todos os documentos haviam sido entregues aos sócios atuais, não tendo estes sido localizados, a autoridade fiscal arbitrou o lucro com base de cálculo de 38,40%. Para os anoscalendário de 2003 e 2004 o lucro foi arbitrado conforme receita bruta declarada em DIPJ, cujos valores apresentados são compatíveis com as notas fiscais apresentadas. Para o anocalendário de 2005, como a DIPJ foi entregue zerada, o arbitramento deuse com base nos depósitos bancários. Em relação aos depósitos bancários para os quais os antigos sócios vincularam notas fiscais, foi efetuado o lançamento a título de receita operacional omitida, deduzidos destes depósitos os valores referentes à cobrança de boleto bancário, multa e juros, conforme as alegações apresentadas. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 5 Também foi efetuado o lançamento a título de receita operacional omitida para os valores constantes nas notas fiscais apresentadas pelos antigos sócios que não têm correspondência com os créditos bancários. Igualmente, foi efetuado lançamento a título de receita não operacional omitida para o valor referente ao depósito efetuado em 03/01/2005., referente a aluguel recebido pela empresa, deduzidas as despesas, na forma das alegações apresentadas pelos antigos sócios. Finalmente, foi efetuado lançamento a título de receita não operacional omitida para os valores referentes a multa e juros vinculados aos depósitos bancários, na forma das alegações apresentadas pelos antigos sócios. A multa foi aplicada de forma qualificada pelas seguintes razões articuladas pela autoridade fiscal: "Ficou comprovado que os antigos sócios, TÂNIA MARIA ANTUNES NUNES PEREIRA e ÁTILA ALEXANDRE NUNES PEREIRA, na pretensão de se eximirem das responsabilidades decorrentes da atividade empresarial, inclusive em relação a créditos tributários anteriores constituídos mediante Autos de Infração e que foram objeto de parcelamento no âmbito do PAES (as parcelas deixaram de ser pagas logo após a transferência da empresa), simularam a venda da empresa aos sócios atuais, ANDRÉ SILVA DOS SANTOS e FLÁVIODE OLIVEIRA SODRÉ, que jamais exerceram ou pretenderam exercer as atividades empresariais, tendo seus nomes sidos utilizados unicamente com a clara finalidade de simular a transferência da propriedade da pessoa jurídica. ... É inegável que TÂNIA MARIA ANTUNES NUNES PEREIRA e ÁTILA ALEXANDRE NUNES PEREIRA, ao simular a venda da empresa a ANDRÉ SILVA DOS SANTOS e FLÁVIO DE OLIVEIRA SODRÉ, agiram com dolo, buscando o resultado específico de se eximirem de suas obrigações empresariais e tributárias, haja vista, além de todo o exposto, a suspensão do pagamento do parcelamento PAES imediatamente após a transferência da empresa e a entrega da DIPJ “zerada" relativa ao anocalendário 2005. No período fiscalizado a empresa declarou receita proveniente da prestação de serviços nos seguintes valores: R$ 1.304.467,67 9 em 2003; (fl. 133) R$ 941.645,15 em 2004 (fl. 196) e sem movimento em 2005 (fls. 264/267). Foi imputada responsabilidade aos exsócios com base nos seguintes fundamentos: a) Considerando que os lançamentos se referem a fatos geradores ocorridos ao tempo em que se encontravam na condição de sócios da empresa e que, por conseguinte, encontrase revestida da condição de responsável solidário, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. b) Restou comprovado que os antigos sócios do sujeito passivo, TÂNIA MARIA ANTUNES' NUNES PEREIRA e ÁTILA ALEXANDRE NUNES PEREIRA, encerraram de fato as atividades da empresa sem proceder à competente liquidação e que o fizeram através da simulação da transferência da pessoa jurídica aos “sócios” atuais, ANDRÉ SILVA DOS SANTOS e Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 6 FLÁVIO DE OLIVEIRA SODRÉ, que, por sua vez, jamais exerceram ou pretenderam exercer as atividades empresariais, servindo apenas como “laranjas”, fica caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), combinado com o art. 5°, parágrafo 1°, alínea c, do DecretoLei n° 1.598, de 1977, e o artigo 207 do Decreto n° 3.000, de 1999. Intimados, os responsáveis tributários Átila e Tânia apresentaram a impugnação de fls. 854 e seguintes, alegando, em síntese: a) inexistência de dolo, fraude ou simulação capaz de justificar a multa qualificada e a imputação de responsabilidade tributária aos antigos sócios (fl. 897); b) ainda que se admita a transferência da empresa para supostos laranjas, tal fato não foi inserido como elemento para justificar a qualificadora da multa; c) que inexiste na situação concreta ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; d) como os impugnantes somente tiveram ciência do auto de infração em 30 de setembro e 02 de outubro de 2009, respectivamente, há decadência em relação ao período de janeiro a dezembro de 2003; e) que depósito bancário não pode ser presumido como renda, sendo que neste ponto os recorrentes invocam a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; f) não cabia o arbitramento em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004, período em que a autoridade fiscal apoiouse exclusivamente nos próprios valores declarados em DIPJ; g) Em relação ao anocalendário de 2005 a empresa aderiu ao SIMPLES, com recolhimentos mensais, não cabendo a exigência com apuração trimestral. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 1117, por maioria de votos, manteve a qualificação da multa e, por unanimidade, afastou da base de cálculo dos depósitos bancários, no anocalendário de 2005, o valor de R$ 28.000,00, mantendo a responsabilidade tributária dos antigos sócios. Da decisão da DRJ a contribuinte foi intimada por edital (fl. 1153), sem ter apresentado recurso. Inscrito o valor em dívida ativa, os responsáveis tributários apresentaram a petição de fl. 1289, asseverando que não tinham sido intimados da decisão contida no acórdão, devendo a autoridade fiscal proceder a intimação, dandolhes ciência do acórdão e abrindo prazo para recurso. O despacho de fls. 1435 indica que foi cancelada a inscrição em dívida ativa, tendo a PGFN peticionado nos autos do processo judicial requerendo a extinção da execução (fl. 1.549). Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 7 Com o cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa e a desistência da ação de execução, os responsáveis solidários foram considerados intimados em 22/06/2011 (fl. 1388) e em 21/07/2011 protocolizaram o recurso de fls. 1389 e seguintes, repisando as alegações articuladas quando da impugnação. É o relatório. Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade e merecem ser conhecidos. Inicialmente, dado a referência ao artigo 124, I e a situações contidas no 135, III e artigo 207, V, do Regulamento do Imposto de Renda, como se dissessem respeito a mesma situação, destaco que se tratam de institutos distintos, conforme passo a demonstrar pelo quadro que segue: contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 9 Do quadro acima depreendese que não pode confundir solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros. São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do no Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN. Necessário distinguir o sujeito passivo do responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR1. 1 Neste sentido é a posição do STJ. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. .... LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...]4. Na relação jurídicotributária, quando composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 10 A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. .... 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJU 15.10.2007). Grifei. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 11 Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em face das controvérsias surgidas em relação ato tema, diferentemente do que pensam alguns Conselheiros, entendo que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social não é o suficiente para atribuir a solidariedade ao sócio de fato”. Ao meu sentir, a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Em síntese, é preciso ter presente que a solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Por outro lado, em atenção aos debates que esta matéria costuma suscitar, registro que o sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Ademais, o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato é a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. I. Da análise da imputação de responsabilidade aos sócios Átila e Tânia A autoridade fiscal imputou "responsabilidade solidária" aos "exsócios" com base nos seguintes fundamentos: a) os lançamentos se referem a fatos geradores ocorridos ao tempo em que se encontravam na condição de sócios da empresa e que, por conseguinte, encontrase revestida da condição de responsável solidário, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. b) restou comprovado que os antigos sócios do sujeito passivo, TÂNIA MARIA ANTUNES NUNES PEREIRA e ÁTILA ALEXANDRE NUNES PEREIRA, encerraram de fato as atividades da empresa sem proceder à competente liquidação e que o fizeram através da simulação da transferência da pessoa jurídica aos “sócios” atuais, ANDRÉ SILVA DOS SANTOS e FLÁVIO DE OLIVEIRA SODRÉ, que, por sua vez, jamais exerceram ou pretenderam exercer as atividades empresariais, servindo apenas como “laranjas”, fica caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 12 (Código Tributário Nacional), combinado com o art. 5°, parágrafo 1°, alínea c, do Decreto Lei n° 1.598, de 1977, e o artigo 207 do Decreto n° 3.000, de 1999. A responsabilidade solidária dos sócios, nos termos do entendimento deste Colegiado e da jurisprudência do STJ, abaixo transcrita, exige a presença dos seguintes elementos: a) exercício da gerência ou comando da empresa na época dos fatos; b) ato com infração à lei ou dissolução irregular da sociedade. Ementa TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO PARA OS SÓCIOS GERENTES. SÓCIOS QUE NÃO INTEGRAVAM A GERÊNCIA DA SOCIEDADE À ÉPOCA DO FATO GERADOR E DA OCORRÊNCIA DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente da empresa é cabível apenas quando demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto, ou no caso de , não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, não é possível o redirecionamento da execução fiscal em relação a sócio que não integrava a sociedade à época dos fatos geradores e no momento da dissolução irregular da empresa executada. 3. Como se vê, conforme o acórdão recorrido, a sócia ora agravada não se encontrava na gerência da empresa no momento da ocorrência do fato gerador e à época da dissolução irregular da empresa, logo, não é cabível o redirecionamento da execução fiscal. 4. Consignese por fim quanto à alegação do estado de que o entendimento fixado no decisum ora impugnado estaria contrário ao do REsp n. 1.104.900/ES julgado sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual constando o nome do sócio na CDA a este incumbe o ônus probatório que não ficou caracterizada nenhuma das hipóteses do art. 135 do CTN, não enseja conhecimento, seja porque não foi arguido nas razões do especial, tratandose de evidente inovação recursal, seja porque não se extrai tal informação do julgado de origem, sendo impossível a constatação nesta Corte, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido. (Ag.Rg. no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 556.735 MG (2014∕01939146. Rel. Min. Humberto Martins. Segunda Turma. Julg. 23/09/20142). Ementa TRIBUTÁRIO. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. NECESSIDADE DE TER O SÓCIO PODER DE GERÊNCIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ACÓRDÃO RECORRIDO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. O Tribunal de origem manteve sentença que extinguiu o feito executivo para com a parte ora agravada, ao entendimento de que "a Embargante ingressou na sociedade apenas em 25/09/2003, portanto, posteriormente ao período dos débitos executados (2000 a 2002)". 2 Sob a relatoria deste mesmo Ministro ver AgRg no Recurso Especial nº 1.476.130SC. Jul. 16/2014. In. Revista Dialética de Direito Tributário nº 233, pag. 208. Fevereiro 2015. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 13 2. A alteração das conclusões adotadas pelas instâncias de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria,necessariamente, novo exame do acervo fático probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento de que "o pedido de redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na dissolução irregular da sociedade executada, pressupõe a permanência de determinado sócio na administração da empresa no momento da ocorrência dessa dissolução, que é, afinal, o fato que desencadeia a responsabilidade pessoal do administrador. Ainda, embora seja necessário demonstrar quem ocupava o posto de gerente no momento da dissolução, é necessário, antes, que aquele responsável pela dissolução tenha sido também, simultaneamente, o detentor da gerência na oportunidade do vencimento do tributo. É que só se dirá responsável o sócio que, tendo poderes para tanto, não pagou o tributo (daí exigirse seja demonstrada a detenção de gerência no momento do vencimento do débito) e que, ademais, conscientemente, optou pela irregular dissolução da sociedade (por isso, também exigível a prova da permanência no momento da dissolução irregular)" (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1009997/SC, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 4/5/2009). 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1244276/SC. Rel. Min. Sérgio Kukina. Primeira Turma. Julg. 24/02/2015). Ementa AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. A CORTE DE ORIGEM AFIRMOU, EXPRESSAMENTE, QUE O SÓCIO CONTRA QUEM A FAZENDA PÚBLICA PRETENDE REDIRECIONAR A EXECUÇÃO FISCAL, NÃO EXERCIA O CARGO DE GERÊNCIA SOCIETÁRIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES, O QUE AFASTA O REDIRECIONAMENTO PRETENDIDO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Súmula 435 do STJ diz que se presume dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal contra o sóciogerente. 2. Porém, para o redirecionamento da execução fiscal é imprescindível que o sóciogerente a quem se pretenda redirecionar tenha exercido a função de gerência, no momento dos fatos geradores e da dissolução irregular da empresa executada, o que, neste caso, não ocorreu, posto que a Corte de origem afirmou, expressamente, que os fatos geradores são do ano de 2001/2003, e a admissão do recorrido na empresa como sócio somente ocorreu no ano de 2004, o que afasta de plano, o redirecionamento da execução fiscal. 3. Agravo Regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1482461 / SP. Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho. Primeira Turma. Julg. 11/11/2014). No caso concreto, na época dos fatos e do respectivo inadimplemento dos tributos, os recorrentes Átila e Tânia, de fato, eram sócios com poder de gerência. Todavia, no caso concreto, não é pela simples circunstância de serem sócios é que hão de responder pelos tributos. A responsabilidade que lhes é imputada decorrente da circunstância de terem encerrado as atividades da sociedade mediante procedimento irregular, qual seja, transferência da empresa a terceiros sem que estes, em momento algum, tivessem assumido o comando e dado continuidade as atividades. Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 14 Com tais considerações, neste ponto, nego provimento ao recurso dos coobrigados no que diz respeito à pretensão de exclusão do polo passivo da obrigação. II. Da questão relacionada ao acesso dos dados bancários sem ordem judicial Conforme destacado pelos recorrentes, dentre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Dentre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres dos recorrentes, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal e; b) mediante ordem judicial. Das condicionantes estabelecidas pelo legislador constituinte, vêse clara opção de valores que entendeu merecer maior proteção, ainda que em detrimento de terceiros e do próprio Estado. Por exemplo, se a questão disser respeito a litígio fora da esfera do campo penal, nem mesmo o juiz pode quebrar o sigilo assegurado pela Constituição. Em outras palavras, aqui, nem o legislador e tampouco o juiz pode extrapolar os limites impostos pela ordem constitucional. Disto depreendese a lição de que a justiça, seja na área cível, penal ou fiscal não se realiza a qualquer preço. Existem, na busca da verdade, limitações imposta por valores mais altos que não podem ser violados. Neste sentido, lembro lição de Julio Fabbrine Mirabete para quem “entre o perigo de se condenar um inocente e se absolver culpado, absolvase o culpado.” Em outras palavras e trazendo a matéria para campo do direito tributário, entre o perigo de permitir que os agentes da fiscalização, sem o crivo da análise prévia pelo Judiciário, possam requisitar provas protegidas pelo sigilo para embasar lançamentos fiscais e deixar, eventualmente, de se cobrar determinado tributo por falta de prova, o legislador constituinte optou em proteger a primeira situação em detrimento da segunda. Aqui temse o Estado limitando seus próprios atos frente aos cidadãos. Conforme lição de Jorge Miranda3, as normas que definem direitos fundamentais são normas de caráter preceptivo, e não meramente programáticos. “Os direitos fundamentais têm seu fundamento de validade na Constituição e não na lei, com o que fica claro que é a lei que deve respeitar a Constituição, e não ao contrário. Os direitos fundamentais não são normas matrizes de outras normas, mas são sobretudo normas diretamente reguladoras de relações jurídicas.” Dados os fundamentos acima mencionados, questão que se coloca e que se constitui no ponto principal do recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei 3 Jorge \|Miranda. Manual de Direito Constitucional, tomo IV. Coimbra: Coimbra Editora, 1993, p. 276. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 15 Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. E mais: se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afeta à constitucionalidade das leis ou, em outras palavras, deixála de aplicálas pior entender inconstitucionais. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Não desconheço que em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 1005 2011. Ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 16 SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Neste contexto, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente. A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os fundamentos acima declinados também se aplicam à alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada sob a alegação de que tem caráter confiscatório. III. Da exame da tese de depósitos bancários não caracterizam riqueza nova Os depósitos bancários, por si só, não se constituem em rendimentos. Entretanto, por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 17 Para Pontes de Miranda4, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Para este autor: “Na presunção legal, absoluta, temse A, que pode não ser, como se fosse, ou A, que pode ser, como se não fosse. Na presunção iuris tantum, e não de iure, temse A, que pode não ser, como se fosse, ou A, que pode ser, como se não fosse, admitindose prova em contrário. A presunção mista é a presunção legal relativa, se contra ela se admite a prova em contrário a, ou a ou b.” ..... “A presunção simplifica a prova, porque a dispensa a respeito do que se presume. Se ela apenas inverte o ônus da prova, a indução, que a lei contém, pode ser ilidida in concreto e in hypothesi” Fixados o conceito de presunção, tenho que o depósito bancário feito em conta corrente ou de investimento do contribuinte, dentro da correlação natural dos fatos, pressupõe a existência de rendimento prévio e, se assim o é, estamos diante de uma presunção legal, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário, usando de todos os meios em direito admitidos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de receita não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos ou receita está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem uma simples transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. 4 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 18 Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Em relação a alegação do contribuinte de que nos termos da Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, o depósito em conta bancária não caracteriza receita omitida, destaco que a referida jurisprudência não se aplica ao caso concreto visto que se refere a fatos ocorridos antes da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. IV. Da alegação relacionada ao arbitramento. Sem razão a recorrente quando argumenta que o caso concreto não comportava arbitramento do lucro. No caso, aplicase perfeitamente o artigo 47, III e VIII, da Lei nº 8.981, de 1995, a seguir transcrito: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando(g.n.): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; (...) VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). No momento em que a empresa não apresentou seus livros fiscais, alegando não possuir, correto o procedimento da autoridade autuante em arbitrar o lucro. V. Da questão relacionada à qualificadora da multa Em relação ao anocalendário 2003, foram apresentadas notas fiscais com numeração compreendida entre 3125, emitida em 06/01/2003, e 3368, emitida em 29/12/2003. Das 244 notas fiscais existentes neste intervalo, foram apresentadas 220, cujo valor somado monta R$ 1.224.712,82, compatível com o valor declarado de R$ 1.304.467,67. Em relação ao anocalendário 2004, foram apresentadas notas fiscais com numeração compreendida entre 3369, emitida em 22/01/2004, e 3718, emitida em 17/12/2004. Das 350 notas fiscais existentes neste intervalo, foram apresentadas 322, cujo valor somado monta R$ 961.421,82, compatível com o valor declarado de R$ 1.086.416,58. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 19 Dos fatos até aqui relacionado não há nenhum elemento que caracterize conduta descrita nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, a ensejar a qualificadora da multa. A autoridade fiscal, a partir das notas fiscais apresentadas pelos antigos sócios, considerou que o valor das receitas da empresa estavam declarados em DIPJ. O arbitramento se deu não pela falta de escrituração, mas sim porque no período a empresa era tributada com base no lucro real e não apresentou a documentação correspondente. A conduta tida por fraudulenta, dolosa ou simulada para justificar a multa deve estar relacionada ao fato gerador, isto é, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Porém, se a conduta do agente não estiver ligada ao fato gerador e sim a situação subsequente, como no caso de transferência da empresa para o nome de terceiros ou o encerramento de suas atividades, estarseá diante de situação que justifica a imputação de corresponsabilidade aos sócios e não qualificação da multa. Ainda em relação ao exame da multa qualificada, mais especificamente em relação ao anocalendário de 2005 em que a empresa entregou declaração zerada, destaco que mesmo assim ela apurou receita, calculou tributos com base no SIMPLES e fez os correspondentes recolhimentos em cada um dos meses do anocalendário de 2005, conforme DARFs, de fls. 1039 a 1046 (dentre os quais segue abaixo o correspondente ao mês de janeiro), demonstrando que não existia conduta dolosa com a finalidade de sonegar tributos e que a entrega de declaração zerada, sem mencionar sequer os tributos pagos caracteriza, no caso concreto, erro de procedimento. Por outro lado, é preciso ter presente que a conduta tida por fraudulenta, dolosa ou simulada para justificar a multa deve estar relacionada ao fato gerador, isto é, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Porém, se a conduta do agente não estiver ligada ao fato gerador, mas sim a situação subsequente, como no caso de Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 20 transferência da empresa para o nome de terceiros ou o encerramento de suas atividades, estar seá diante de situação que justifica a imputação de corresponsabilidade aos sócios e não a qualificação da multa. Com tais considerações, neste ponto voto por dar parcial provimento para afastar a aplicação da multa qualificada. VI. Da Decadência No caso dos autos, aplicando o entendimento consolidado no RE 973.733, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), ainda que se desconsiderasse a entrega de declaração (fl. 130), com lançamento na modalidade de arbitramento, para os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos até 30/09/2003, bem como para os fatos geradores do PIS e da Cofins verificados até 30/11/2003 o lançamento podia ter sido realizado em 2003, tendo marco inicial do prazo decadencial em 01/01/2004 e prazo final em 31/12/2018. No caso dos autos a notificação dos responsáveis deuse, respectivamente, em 30/09/2009 e 02/10/2009, razão pela qual reconhece a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, no caso do IRPJ e da CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, no caso do PIS e da Cofins. VII. Da questão relacionada ao Simples Os DARFs de fls. 1039 a 1046, já referidos, demonstram que o real interesse da empresa, em relação ao anocalendário de 2005, era apurar os tributos devidos com base no SIMPLES. No entanto, em que pese ter procedido desta forma, por erro de procedimento, deixou de formalizar a opção mediante esta sistemática. Neste contexto, ainda que não se considere a opção de tributação na sistemática do SIMPLES, os valores comprovadamente recolhidos por meio dos DARFs de fls. 1039 a 1046 devem ser alocados para pagar os tributos devido nos mencionados períodos de apuração, calculando juros e multa apenas em relação à diferença a ser encontrada. ISSO POSTO, voto por 1) não conhecer da preliminar de inconstitucionalidade da norma; 2) rejeitar as preliminares de nulidade; 3) acolher a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, no caso do IRPJ e da CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, no caso do PIS e da Cofins; 4) manter a responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados; e, no mérito: 5) dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000487/200937 Acórdão n.º 1402001.951 S1C4T2 Fl. 0 21 Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 24/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10880.720762/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/08/1991
PAF INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL CIÊNCIA
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Considera-se feita a intimação por via postal na data do recebimento constante do Aviso de Recebimento AR. No caso de habitações coletivas, condomínios verticais ou horizontais em que o carteiro não tenha acesso direto aos apartamentos ou casas é válida a ciência atestada por empregado do condomínio ou outra pessoa que responda pela portaria.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3102-01.087
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/1989 a 30/08/1991 PAF INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL CIÊNCIA É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Considera-se feita a intimação por via postal na data do recebimento constante do Aviso de Recebimento AR. No caso de habitações coletivas, condomínios verticais ou horizontais em que o carteiro não tenha acesso direto aos apartamentos ou casas é válida a ciência atestada por empregado do condomínio ou outra pessoa que responda pela portaria. Recurso negado.
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Considerase feita a intimação por via postal na data do recebimento constante do Aviso de Recebimento AR. No caso de habitações coletivas, condomínios verticais ou horizontais em que o carteiro não tenha acesso direto aos apartamentos ou casas é válida a ciência atestada por empregado do condomínio ou outra pessoa que responda pela portaria. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Fl. 194DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, 17/08/2011 por LUIS MARCEL O GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Paulo Sérgio Celani e Alvaro Almeida Filho Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1322.932 da 5ª Turma da DRJ/RJ O II, que não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que a mesma foi intempestiva. De acordo com a decisão recorrida se pode observar que: Tratase de Declaração de Compensação (fls. 03/06), fundamentada em reconhecimento de direito creditório, no valor de R$ 312.006,49 , oriundo de recolhimento de tributo a titulo de Finsocial, no período de outubro de 1989 a agosto de 1991, conforme resultou do trânsito em julgado da decisão proferida nos autos do processo n° 91.07432194 da 18a VF/SP. A autoridade fiscal não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas (fl. 70), com base no parecer à fl. 66/69, sob o fundamento de que a execução da decisão transitada em julgado encontrase em pleno andamento na esfera judicial, e ainda que o direito de pleitear a restituição já se extinguira com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, mesmo se contados da data em que se tornou definitiva a decisão judicial. Cientificada da decisão em 23/06/08 (fl. 79), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 25/07/08 (fl. 87/92), alegando, em síntese que 1. o art. 170 do CTN não trata da hipótese versada no caso presente, mas de situação onde o crédito tem origem em contestação judicial de tributo pelo sujeito passivo; 2. não há qualquer possibilidade de aplicação do art. 170A do CTN, porquanto na data da entrega da DCOMP, 26/06/03, havia já o trânsito em julgado da decisão, ocorrido em 12/05/98; 3. a execução de sentença em andamento diz respeito à aplicação da taxa Selic sobre o referido crédito tributário, conforme determinação prevista na Lei n° 9.250/95; 4. o direito de proceder à compensação foi exercido pela empresa com observância rigorosa do prazo prescricional qüinqüenal de que trata o art 168, I, do CTN e a súmula 150 do STF; 5. a contagem do prazo, no caso, deve ser iniciada no mínimo em 05/04/99, data da interposição dos Embargos à Execução da Unido Federal, conforme art. 219 do CPC. 0 impugnante pede, ao final, reforma da decisão da Delegacia. Voto Fl. 195DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, 17/08/2011 por LUIS MARCEL O GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.720762/200615 Acórdão n.º 310201.087 S3C1T2 Fl. 188 3 Preliminarmente, considerandose o prazo estabelecido no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verificase que; tendo sido recebida a Manifestação de Inconformidade pela Administração Fazendária (CACMéier) em 25/07/08, e a ciência da decisão datada de 23/06/08, conforme fl. 79; é intempestivo o inconformismo. Embora a autoridade preparadora estivesse ciente da intempestividade conforme fl. 107 cc fl. 81 e fl. 87 , não se pronunciou sobre o assunto, nem lavrou o competente termo de revelia, como lhe determina o Regimento Interno da SRF e art. 21 do Decreto n° 70.235/72, limitouse a encaminhar o processo para a Delegacia de Julgamento. Explicase o encaminhamento destes autos a este órgão julgador pelo fato de que o impugnante, em tese, suscita, como preliminar, a tempestividade de sua peça contestatória. O ADN COSIT n° 15, de 12 de julho de 1996, dispõe que a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem é objeto de decisão, salvo quando suscitada a preliminar de tempestividade. Admito, assim, ter o contribuinte argüido a preliminar de tempestividade, e, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 15/96, passo, então, a análise deste pressuposto formal. Na impugnação a contribuinte afirma que a "Empresa teve efetiva ciência" do despacho decisório em 26/06/08, porém não junta qualquer prova desta alegação. Contudo, a mera declaração de que tomou ciência da decisão em 26/06/08 não elide a prova de que o próprio contribuinte conheceu da decisão em 23/06/08, conforme AR grampeado à folha 79 destes autos, esta é que importa para contagem do prazo fatal para manifestação de inconformidade. Portanto, o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade de 30 dias, improrrogável e peremptório, venceu no dia 23/07/07, sendo a impugnação protocolada em 25/07/08, após o seu transcurso. Desta forma, de acordo com o art. 14 do Decreto n° 70.235/72, não foi instaurado o contraditório administrativo, não podendo produzir efeitos o inconformismo da impugnante, extemporaneamente manifestado. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) A notificação do despacho que não reconheceu o direito creditório do contribuinte foi entregue na portaria do edifício “Palácio da Bolsa e anexo Waldemar F. Velloso” e recebida pela funcionário do condomínio Tânia Maria da Rocha Silva Cintra. Visando comprovar tal assertiva Fl. 196DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, 17/08/2011 por LUIS MARCEL O GUERRA DE CASTRO 4 anexa declaração do condomínio a qual demonstra que a referida senhora era funcionária do condomínio. b) Apenas foi notificada em 26/06/08 através do recebimento da notificação pela funcionária Luciene Cristina da Silva em seu domicílio fiscal SALA 527, assim seria tempestiva a impugnação protocolada em 25/07/2008; c) De acordo com o inciso II do art. 23 do decreto nº 70.235/72, § 4º inciso I, não é válida a intimação entregue na portaria do edifício; Em atenção aos argumentos apresentados requer a contribuinte o provimento do recurso para ser reconhecida a tempestividade da impugnação e devolução dos autos para novo julgamento da DRJ. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Como demonstrado a presente questão se restringe apenas a tempestividade ou não da manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferiu o reconhecimento de crédito. Compulsando os autos se pode aferir às fls. 79 que a notificação da decisão referida foi recebida em 23/06/2008 pela Sra. Tânia Rocha, a qual a época dos fatos era funcionária do condomínio “Palácio da Bolsa e anexo Waldemar F. Velloso”, consoante demonstra declaração presente às fls. 184 dos autos. Já às fls. 183 é possível identificar a relação das correspondência recebidas pelo condomínio em 23/06/2008 através da Sra. Tânia, a qual discrimina: 1) a data do recebimento da correspondência pelo condomínio; 2) o número do documento recebido; 3) a sala do destinatário; e 4) a data do recebimento pelo destinatário. De acordo com a relação o aviso de recebimento foi entregue no condômino no dia 23/06/2008 e recebido na sala nº 527 em 26/06/2008, assim resta analisar se a contagem do prazo de empresas com sede em condomínio tem início a partir do recebimento do funcionário do condomínio ou data que a notificação foi efetivamente entregue ao funcionário da empresa. O art. 23 do decreto nº 70.235/72 o qual regula as intimações em procedimento administrativo fiscal, assim disciplina: Art. 23. Farseá a intimação: I ... II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: I ... ; Fl. 197DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, 17/08/2011 por LUIS MARCEL O GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.720762/200615 Acórdão n.º 310201.087 S3C1T2 Fl. 189 5 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Observando os dispositivos legais acima citados, percebese que não há obrigatoriedade para efetivação da intimação de que ocorra a ciência do contribuinte e sim de que mesma tenha sido entregue em seu domicílio fiscal. Pois bem, no caso dos autos não resta dúvida que o domicílio fiscal escolhido pela recorrente foi a sala 527 do condomínio acima citado, entretanto em condomínios empresariais, comerciais e residenciais as correspondências não são entregues diretamente no domicílio do contribuinte e sim nas recepções ou portarias dos mesmos, sendo recebidas por funcionários daqueles condomínios, até porque os responsáveis pelas entregas de correspondências não tem acesso direto as unidades condominiais. Desta mesma forma foi procedido no condomínio da recorrente, pois quedou incontroverso que a notificação foi recebida em 23/06/2008 por um funcionário do condomínio, a qual, segundo documento colacionado aos autos apenas teria enviada a sede da empresa no dia 26/06/2008, assim não há como impor tal decurso de prazo ao fisco, o qual ficaria a mercê de procedimentos realizados entre contribuintes e condomínios onde estão localizada suas sedes, portanto a contagem do prazo deve se observar a data do recebimento do aviso pelo funcionário do condomínio. A presente matéria já foi pacificada tanto na esfera administrativa como na judicial, vejamos: Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20308305 do Processo 108650022939721Data 10/07/2002 Ementa NORMAS PROCESSUAIS INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL A intimação enviada para o endereço correto do intimado e recebida mediante comprovação por AR implica em presunção de que foi efetivamente recebida , cabendo ao recorrente, por inversão do ônus probatório, comprovar que não foi intimado. O recebimento de intimação por pessoas estranhas ao quadro funcional da destinatária não a invalida, já que é comum a terceirização dos serviços de portaria e vigilância pelas empresas, ou o recebimento, em condomínios, pelos Fl. 198DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, 17/08/2011 por LUIS MARCEL O GUERRA DE CASTRO 6 empregados a serviço destes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÇRIO PRAZOS PEREMPÇÃO O prazo para interposição do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de 30 dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o art. 33 do Decreto nº. 70.235/72. O recurso interposto fora do prazo legal deve ser considerado perempto. Recurso ao qual não se conhece, por perempto. STJ SEGUNDA TURMA DJe 24/09/2008 REsp 754210 / RS RECURSO ESPECIAL2005/00874382 Relator(a)Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA FÍSICA. RT. 23, II DO DECRETO Nº 70.235/72. VALIDADE. 1. Conforme prevê o art. 23, II do Decreto nº 70.235/72, inexiste obrigatoriedade para que a efetivação da intimação postal seja feita com a ciência do contribuinte pessoa física, exigência extensível tãosomente para a intimação pessoal, bastando apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço de seu domicílio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio ou qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma, cabendo ao contribuinte demonstrar a ausência dessa qualidade. Precedente: Resp. nº. 1.029.153/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 05.05.2008. 2. Validade da intimação e conseqüente ausência de impugnação ao procedimento administrativo fiscal e inexistência do direito ao pagamento com desconto. 3. Recurso especial provido. Pelas razões, conheço do recurso voluntário, para negarlhe provimento, mantendo a decisão recorrida que não conheceu a impugnação recorrida ao observar a intempestividade da manifestação de inconformidade. Sala de sessões 07 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 199DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, 17/08/2011 por LUIS MARCEL O GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.720762/200615 Acórdão n.º 310201.087 S3C1T2 Fl. 190 7 Fl. 200DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F Assinado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, 17/08/2011 por LUIS MARCEL O GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10880.720922/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1988
COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
APLICAÇÃO DOS ÍNDICES ESTABELECIDOS PELO PODER JUDICIÁRIO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito deve observar os termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 1101-001.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DOS ÍNDICES ESTABELECIDOS PELO PODER JUDICIÁRIO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito deve observar os termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 09 22 /2 00 6- 26 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720922/200626 Acórdão n.º 1101001.293 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório NESTLÉ BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com pagamentos indevidos de CSLL referentes ao anobase de 1988. A partir de 14/04/2004 a contribuinte transmitiu Declarações de Compensação DCOMP para liquidação de débito com direito creditório objeto do processo administrativo nº 13804.010673/200212, formalizado depois do trânsito em julgado de decisão judicial que declarou a inconstitucionalidade dos recolhimentos de CSLL apurados no anobase de 1988 (fls. 01/10). No despacho decisório de fls. 17/21 (dos autos digitalizados) observase que o processo administrativo antes referido veiculou pedido de restituição dos pagamentos de CSLL promovidos de abril a setembro/1989 atualizados pelos índices da Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97 e taxa SELIC de janeiro/96 a agosto/2002. O pedido assim apresentado em 13/09/2002 teve por referência a decisão final proferida na ação de repetição de indébito nº 93.00191306, editada pelo Tribunal Regional da 3ª Região em 07/12/2001. O pleito de restituição foi acompanhado de pedido de compensação com débito de COFINS apurado em agosto/2002. Em 14/10/2002 a contribuinte peticionou a retificação do crédito para inclusão dos expurgos inflacionários não computados na Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97, aumentando o valor do indébito e a ele vinculando compensações declaradas em 12 e 14/10/2002 (objeto dos processos apensos ao processo administrativo nº 13804.010673/2002 12, seguindose outras compensações, agora tratadas nestes autos. Na referida decisão consta, ainda, que o pedido de restituição apresentado nos autos do processo administrativo nº 13804.010673/200212 foi indeferido mas, tendo em conta a decisão judicial em favor do sujeito passivo, as compensações pleiteadas foram deferidas até o limite do crédito ali apurado, restando em aberto parte da COFINS referente a agosto/2002 e os débitos tratados nas DCOMP objeto dos processos apensos ao processo administrativo nº 13804.010673/200212. A contribuinte apresentou defesa, mas não alcançou sucesso em nenhuma das duas instâncias administrativas de julgamento. Ao final, também foi negado seguimento a seu recurso especial, e contra este ato a interessada havia interposto agravo em 03/09/2008. Frente a este contexto, e observando que no momento da declaração das compensações aqui tratadas ainda não transcorrera o prazo decadencial contado do trânsito em julgado da decisão judicial, a autoridade fiscal estendeu a não homologação das compensações às DCOMP apresentadas a partir de 14/04/2004 (aí considerada a retificação promovida em 15/04/2004), cientificando a contribuinte desta decisão em 04/03/2009. Manifestando sua inconformidade, a contribuinte defendeu a aplicação integral dos expurgos inflacionários, reportandose a decisões administrativas e judiciais neste sentido. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720922/200626 Acórdão n.º 1101001.293 S1C1T1 Fl. 4 3 A Turma julgadora rejeitou sua pretensão tendo em conta as decisões proferidas no processo administrativo nº 13804.010673/200212 contra a atualização pretendida, na medida em que outros índices foram determinados pelo Poder Judiciário. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/05/2010 (fl. 104 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 06/05/2010 (fls. 105/117 dos autos digitalizados), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, mas destacando que a pretensão deduzida pela Recorrente (a questão da aplicação dos expurgos inflacionários) encontra amparo no SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA — STJ e no próprio CONSELHO DE CONTRIBUINTES, de modo que não está a aventar questões polêmicas e não pacificadas na jurisprudência. A tese aqui defendida encontra largo resguardo legal, doutrinário e jurisprudencial, de modo que o que se pleiteia não é nenhum absurdo ou uma discussão nova. Discorre sobre os índices de atualização considerados na Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97 e reportase à decisão integrada ao Acórdão nº 10706.568, no qual foi reconhecida a incidência dos expurgos na aplicabilidade da NE. 08/97, especificamente para os meses de janeiro/89 (42,72%, também reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e pela antiga Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça), fevereiro/89 (10,14%, também reconhecido pela antiga Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, de forma unânime e sem possibilidade de nova apreciação pelo STF), Março/90 (84,32%, também reconhecido pelo STF e pela antiga Corte Especial do STJ), Abril/90 (44,80%, também reconhecido pelo STF e pela antiga Corte Especial do STJ) e maio/90 (7,87%, também reconhecido pelo STJ). Menciona, ainda, que a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu pela inclusão do IPC integral nos cálculos de atualização, e defende a aplicação da jurisprudência já consolidada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que incluiu referidos expurgos no Manual de Orientação para Cálculos da Justiça Federal. Observa que há manifestação favorável da Advocacia Geral da União e da Procuradoria da Fazenda Nacional, na medida em que este órgão foi dispensado de recorrer em processos judiciais que tratam da matéria. Acrescenta que a matéria em debate é de ordem pública e pode ser alegada a qualquer tempo, não sendo atingida pela preclusão, consoante já decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Recorda as restrições administrativas à atualização do indébito antes de janeiro/92, e reportandose a outros atos administrativos que aplicaram o entendimento pacificado na jurisprudência, conclui que se tomou liquido e certo a inclusão dos expurgos não contemplados na Norma de Execução nº 08/97, a fim de que haja a correta aplicação do direito conferido ao contribuinte em sede de restituição/compensação. Assevera que a Turma Julgadora de 1ª instância estava obrigada a cumprir o Parecer AGU/MF nº 01/96 e o Memorando Circular PGFN/CRJ nº 135/98, os quais contemplam expurgos não computados na Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97. Apresenta o valor atualizado de seu crédito e o afirma suficiente para as compensações promovidas. Na sequência, defende a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados em razão do recurso administrativo aqui interposto, e ao final pede a homologação integral de suas compensações. Os autos foram remetidos a este Conselho conforme despacho de fl. 148, e nas páginas subsequentes consta a juntada de informações da ação judicial nº 93.00191306, seguida de petições dos patronos da recorrente. (fls. 149/173). Por fim, em 22/04/2014 foi Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720922/200626 Acórdão n.º 1101001.293 S1C1T1 Fl. 5 4 apensado a estes autos o processo administrativo nº 13804.010673/200212, ao qual estariam apensados os processos administrativos nº 13804.007583/200286 e 13804.008205/200208, não localizados nos autos digitais. Os autos do processo administrativo nº 13804.010673/2002 12 foram remetidos a este Conselho depois de cientificada a contribuinte da decisão que rejeitou o agravo interposto contra a admissibilidade do recurso especial ali apresentado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720922/200626 Acórdão n.º 1101001.293 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O litígio aqui instaurado já teve seu mérito apreciado neste Conselho, nos termos do voto do Conselheiro Valmir Sandri, condutor do Acórdão nº 10195.918: Conforme se depreende do relatório, tratase do inconformismo da Recorrente em relação à decisão de primeira instância que indeferiu o pedido de restituição e homologou as declarações de compensações até os valores dos DARFs de fls. 384/387, sem os expurgos inflacionários não contemplados na NE/CST/CSR n. 08/97, tendo em vista que os créditos judiciais devem ser corrigidos conforme definido na decisão transitada em julgada que, no caso concreto, determinou a aplicação dos mesmos critérios utilizados pela Receita Federal na atualização de seus créditos. Como se pode constatar pelos documentos acostados aos autos, tratase de pedido de restituição e compensação de créditos tributários reconhecidos nos autos da ação judicial n° 93.001.91306, já transitada em julgado. Sendo certo que esses créditos tributários foram reconhecidos pelo Poder Judiciário, os mesmos encontramse sob o manto da coisa julgada, não havendo de se questionar a possibilidade de indeferimento do pedido de utilização dos mesmos, seja para compensação ou para a sua restituição. Ainda com observância nos documentos e alegações apresentados nos autos; também não foi iniciado o processo de execução do título judicial baseado em sentença, com fulcro no artigo 730 do Código de Processo Civil, o que poderia inviabilizar o pedido de homologação da compensação face à existência de precatório judicial. Nesse ponto, portanto, não há discordância do incontroverso direito da contribuinte a utilização do crédito tributário relativo ao recolhimento a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido recolhida no anocalendário de 1988. Dessa forma, a questão que se põe à análise pelo recurso voluntário ora apresentado é a aplicação integral dos expurgos inflacionários ocorridos nos meses de janeiro/89 (42,72%), fevereiro/89 (10,14%), março/90 (84,32%), abril/90 (44,80%) e maio/90 (7,87%), na Norma de Execução Cosit/Cosar/SRF n. 08/97, que contemplou tão somente os índices de correção do IPC, até fevereiro/90; da BTNf, de março/90 a janeiro/91; do 1NPC, de fevereiro/91 a maio/91; e ainda, da variação da UFIR verificada no período de 01.01.92 a 31.12.95. Com respeito aos índices de atualização constantes no pedido ofertado pelo contribuinte, é de se verificar que a jurisprudência deste E. Conselho de Contribuinte, é no sentido de que a atualização monetária dos valores relativos à repetição do indébito deve ser feita de acordo com os índices aplicados pelo Poder Judiciário, conforme orientação pacífica da jurisprudência, consolidados no Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução n° 242, de 03.07.2001, do Conselho da Justiça Federal, devendo se inserir, pois, na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, os expurgos inflacionários nela não contidos. De fato, após manifestação da própria Advocacia Geral da União, fundamentada em abundante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, este E. Conselho vem Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720922/200626 Acórdão n.º 1101001.293 S1C1T1 Fl. 7 6 aplicando os índices utilizados pelo Poder Judiciário para a correção monetária de indébitos tributários. Entretanto, no presente caso existe uma decisão judicial transitada em julgado, em que se determinou fosse aplicado ao valor da CSLL recolhida a maior, os mesmos índices utilizados pela Receita Federal na atualização de seus créditos, no caso, os índices da NE 08/97, que não incluem os referido expurgos inflacionários. Dessa forma, com bem asseverou a r. decisão recorrida, em se tratando de procedimento administrativo em que se está dando cumprimento a decisão judicial transitada em julgado, a atualização monetária deve ser feita de acordo com os índices determinados na norma individual e concreta (decisão Judicial) emitida pelo Poder Judiciário, ante a prevalência desse Poder sobre o âmbito administrativo. Nesse passo, com a devida vênia, adoto integralmente a bem fundamentada decisão recorrida que exauriu a questão posta nos presentes autos. A vista do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Da ementa do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região nos autos da ação de repetição de indébito nº 93.00191306 extraise o que importa ao presente litígio: [...] 2. O recurso do contribuinte deve ser conhecido, pois se é certo que são auto excludentes a compensação e a repetição, fica evidente que ao autor da ação somente resta a possibilidade de formular pedido alternativo ou sucessivo. Se alternativo, não existe ordem de preferência, ao contrário do que ocorre quando se formula pedido sucessivo (artigo 289). Neste, a própria sucessividade constitui pedido, em si, e, portanto, a sentença, quando deixa de acolhêla, acarreta a sucumbência do autor, que pode recorrer apenas com base nisto, tal como ocorrido no caso concreto. 3. É inconstitucional a exigência da contribuição social sobre o lucro (períodobase de 1988: artigo 8º da Lei n° 7.689/88). 4. A Lei n° 9.430/96 autoriza a compensação de créditos de toda e qualquer espécie apenas nas condições previstas nos artigos 73 e 74, que fixam o procedimento na via administrativa. 5. Observadas as condições e restrições materiais e processuais, é direito do contribuinte a compensação de indébito, relativo a tal exação, com créditos vincendos atinentes à própria contribuição social sobre o lucro. Precedentes da Corte. 6. A correção monetária incide desde o recolhimento indevido pelos mesmos critérios utilizados pela Receita Federal na atualização de seus créditos tributários. 7. Não se presta o CTN a autorizar a incidência de juros moratórios na compensação, os quais somente foram autorizados com o advento da Lei n° 9.250/95, que permitiu a aplicação da taxa SELIC, a partir de 01.01.96, porém sem cumulação de correção monetária. 8, São passíveis de compensação todos os recolhimentos indevidos, mesmo os efetuados antes do advento da Lei n° 8.383/91, desde que inseridos no qüinqüênio que imediatamente antecede à propositura da ação. 9. O reconhecimento da viabilidade do pedido principal (compensação), prejudica a condenação imposta na r. sentença, em acolhimento ao pedido subsidiário do autor. (negrejouse) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720922/200626 Acórdão n.º 1101001.293 S1C1T1 Fl. 8 7 Frente a esta decisão, se a contribuinte pretendia a atualização de seu crédito com índices superiores àqueles admitidos pela Receita Federal à época do trânsito em julgado (07/12/2001), cumprialhe manejar os instrumentos processuais disponíveis para tanto. Ao manterse inerte e permitir o trânsito em julgado da decisão nos termos acima expostos, a contribuinte submeteuse aos seus termos, e não tem o direito de, por meio de recursos administrativos, reverter os efeitos daquela inércia. Quanto às demais alegações da recorrente, colhese na decisão de 1ª instância proferida naqueles autos os seguintes esclarecimentos: 13. Embora a confusa redação formulada pela requerente induza ao equivocado entendimento de que os pretendidos expurgos inflacionários podem e devem ser incluídos na aplicação da própria norma de execução, tal não ocorre. Se admitida a aplicação dos expurgos inflacionários na atualização dos créditos do contribuinte, não resultará alterado o conteúdo da NE CST/CSR n° 08/97, que alcança de modo geral todos os contribuintes. 14. Na realidade, o requerente pretende sejam aplicados os expurgos inflacionários além dos índices estabelecidos na norma de execução adotada pela Receita Federal para atualização dos créditos dos contribuintes. Isso, evidentemente, em virtude de a NE CST/CSR n° 08/97 não contemplar os mencionados expurgos. 14.1. As fontes administrativas invocadas Parecer AGU/MF n° 01/96 e Memo Circular/PGFN/CRJ n° 135/98 também não respaldam a pretensão do requerente, pois tais orientações apenas dispensaram a interposição de recursos sobre a aplicação da correção monetária, em face de as supremas cortes já terem pacificado o entendimento de que a correção monetária é devida desde o pagamento indevido. Antes disso, a Fazenda Nacional não admitia a correção monetária dos recolhimentos até a instituição da Ufir, nos termos da Lei n° 8.383/91, o que resultava na desvalorização real do crédito do contribuinte no período compreendido entre a data do efetivo pagamento indevido e o início da vigência da Ufir. 14.2. Aliás, foram as conclusões contidas no Parecer AGU/MF n° 01/96 que resultaram na expedição da Norma de Execução 08/97, que permitiu a atualização monetária dos créditos a partir do recolhimento indevido, inclusive aqueles efetuados antes da vigência da Ufir. 14.3. A Norma de Execução n° 08/97 determina a aplicação dos índices de correção do IPC, até fev/90; da BTN, de mar/90 a jan/91; do INPC, de fev/91 a mai/91; e ainda, da variação da Ufir verificada no período de 01.01.92 a 31.12.95. Ressalvado comando judicial em contrário, a correção monetária dos indébitos atende ao que dispõe a referida norma de execução. No caso enfrentado, no entanto, o comando judicial (decisão transitada em julgado) adota justamente os índices da NE 08/97, pois são esses os índices utilizados pela Receita Federal na atualização de seus créditos. 14.4. As orientações contidas no invocado Manual de Orientação de Procedimentos para cálculos da Justiça Federal são dirigidas ao próprio Poder Judiciário, cumprindo à Administração Pública observar os critérios definidos pelo órgão judicante nas ações judiciais movidas pelos contribuintes. De tal forma, em se tratando de procedimento administrativo em que se está dado cumprimento a decisão judicial transitada em julgado, a atualização monetária deve ser feita de acordo com os índices determinados na norma individual e concreta (decisão judicial) emitida pelo Poder Judiciário. Apenas na hipótese de a decisão transitada em julgado determinar a aplicação de índices de atualização distintos daqueles Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720922/200626 Acórdão n.º 1101001.293 S1C1T1 Fl. 9 8 oficialmente adotados pela SRF (o que não ocorreu), deverão prevalecer os critérios definidos na demanda judicial individual. 14.5. Na decisão judicial a que se deve cumprimento no presente caso, o Poder Judiciário não determinou a aplicação dos pretendidos expurgos na correção dos créditos a serem ressarcidos ao demandante, hipótese em que a Receita Federal teria que acatar essa determinação. Pelo contrário, restou determinado que a atualização dos créditos se daria "pelos mesmos critérios utilizados pela Receita Federal na atualização de seus créditos", critérios estes que não incluem os referidos expurgos inflacionários. 14.6. Assim, como a Receita Federal não aplica os cotejados expurgos inflacionários na atualização de seus créditos, tampouco devem ser aplicados na atualização dos créditos do contribuinte, os quais a decisão transitada em julgada determinou que fossem corrigidos "pelos mesmos critérios utilizados pela Receita Federal na atualização de seus créditos tributários. Irrelevante, portanto, se a correção monetária é matéria de ordem pública e se a aplicação dos expurgos inflacionários é matéria pacificada no âmbito do STJ ou deste Conselho, estando a Procuradoria da Fazenda Nacional, inclusive, dispensada de recorrer em processos judiciais que tratam da matéria. Ainda que a Receita Federal, em razão desta dispensa, também esteja desobrigada de exigir créditos tributários motivados por aquela matéria, a contribuinte não pode ser beneficiada por esta nova postura administrativa porque tem, contra si, uma decisão judicial transitada em julgado definindo outra forma de atualização para o indébito que lhe foi reconhecido. Como dito pela autoridade julgadora de 1ª instância, a norma geral não beneficia o sujeito passivo porque este detém uma norma individual e concreta a regular a relação jurídica em debate. Estas razões, portanto, para também aqui, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11080.919029/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/08/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 29 /2 01 2- 82 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919029/201282 Acórdão n.º 3801005.169 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10530.726987/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005,2006,2007
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
GLOSA. DESPESAS COM A MANUTENÇÃO. BENS VIDA UTIL POR MAIS DE UM ANO.
Incabível a dedução de despesa com a manutenção de bens do ativo imobilizado da empresa que acarrete em aumento da vida útil do bem por mais de um ano.
GLOSA. DESPESA COM FRETE E CARRETOS.
Tem-se como pertinente a dedução das despesas com frete e carretos, sempre que devidamente comprovada a efetividade do mesmo.
DESPESA DE RECEBÍVEIS. ANOS ANTERIORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.
DESPESA DE RECEBÍVEIS. ANO QUE SOFREU ARBITRAMENTO.
Em decorrência da legislação que disciplina o arbitramento, não cabe o aproveitamento das despesas tal como pretende a recorrente.
Numero da decisão: 1803-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário admitindo a dedução das despesas relacionadas à fretes e carretos. Vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues que admitia ainda a dedução das perdas com créditos relativos aos anos-calendário de 2004 e 2005. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). GLOSA. DESPESAS COM A MANUTENÇÃO. BENS VIDA UTIL POR MAIS DE UM ANO. Incabível a dedução de despesa com a manutenção de bens do ativo imobilizado da empresa que acarrete em aumento da vida útil do bem por mais de um ano. GLOSA. DESPESA COM FRETE E CARRETOS. Temse como pertinente a dedução das despesas com frete e carretos, sempre que devidamente comprovada a efetividade do mesmo. DESPESA DE RECEBÍVEIS. ANOS ANTERIORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. DESPESA DE RECEBÍVEIS. ANO QUE SOFREU ARBITRAMENTO. Em decorrência da legislação que disciplina o arbitramento, não cabe o aproveitamento das despesas tal como pretende a recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 69 87 /2 01 1- 12 Fl. 2889DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.890 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário admitindo a dedução das despesas relacionadas à fretes e carretos. Vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues que admitia ainda a dedução das perdas com créditos relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 28/12/2011, relativos aos 1º, 2º, 3º e ao 4º trimestres do ano calendário de 2007, pretendendo cobrar do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive multa de ofício de 75% e a multa de ofício qualificada de 150% sobre os tributos lançados. A autoridade fiscal constatou que em 30.11.2009 a recorrente retificou a DCTF, ano calendário 2007, para fazer constar débitos de IRPJ e CSLL, porém esses valores divergem do quanto informado em DIPJ original. Em 13.06.2011, já no curso do procedimento fiscal, a empresa retifica sua DIPJ, ano calendário 2007, de forma a fazer coincidir com os valores declarados na DCTF retificadora de 30.11.2009. Aduz que, da análise da documentação apresentada, foram verificados os saldos contábeis com o total dos documentos apresentados, de forma a se identificar, por diferença, os valores totais não apresentados. Esses referidos valores foram considerados como não comprovados. Em uma segunda verificação, partiuse para a análise dos documentos em si, com o fim de verificar suas adequações às legislações de regência. Desse modo, nas situações em que da análise do documento não se pôde precisamente identificar o Contribuinte ou quando a documentação não se mostrou hábil a acobertar a operação mercantil, foi considerado como despesa não comprovada. No tocante às despesas com telefones, a empresa regularmente intimada apresentou documentação comprobatória referente às mesmas que, após analisadas, foram sintetizadas, conforme tabela de fl. 32, restando glosado o montante de R$ 65.567,70. Atenta para o fato de que nos documentos, nos quais a empresa recorrente não consta como beneficiária dos serviços prestados, foram verificadas as informações relativas ao endereço e ao número do telefone constantes nesses documentos, tentando correlacionálos com a empresa Fl. 2890DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.891 3 recorrente e dessa forma dispensar a eles o mesmo tratamento dado aos documentos considerados aceitos. Quanto às despesas com brindes, temse que a autoridade julgadora engloba também as despesas com brindes e despesas com doações/bonificações e aponta que de acordo com o disposto no art. 13, VII, da Lei 9.249/95 e art. 249, parágrafo único, inciso VIII, do RIR/99, referidas despesas, independentemente de quaisquer requisitos, são indedutíveis na apuração do Lucro Real, devendo, portanto, ser integralmente glosadas. Ademais, as "Despesas com Doações/Bonificações" configuramse como mera liberalidade da pessoa jurídica, não oponíveis à Fazenda Nacional, devendo igualmente ser integralmente glosadas, conforme tabela da fl. 33 do Termo de Verificação Fiscal, sendo que restaram efetuadas glosas no montante de R$ 99.632,43. Já no que se refere às despesas com veículos e de conservação de bens e instalações, refere a autoridade que a empresa engloba nesse item as despesas com carga/descarga, com veículos, com manutenção de máquinas e instalações, e que a documentação foi apresentada de forma não segregada por conta contábil, de forma que a análise procedida pela fiscalização se dera conjuntamente para as três contas contábeis. Assim, da documentação apresentada constatouse a execução de obra civil que deveria compor o Ativo Imobilizado da empresa, ao invés de ser considerada como despesa. O mesmo tratamento foi dispensado ao produto (televisor), adquirido em 06/01/2001, cujo valor mostrou se superior ao valor limite estipulado no artigo 301 do RIR/99, como condição para que bens de natureza permanente sejam deduzidos como custo ou despesa. No tocante as deduções com perdas no recebimento de crédito, alegada pela empresa, atenta a autoridade fiscal que as condições para o correto aproveitamento das perdas sofridas pela empresa no recebimento dos créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica encontramse definidas nos artigos 9 e 10 da Lei n° 9.430/96 e nas disposições dos artigos 24 e 25 da Instrução Normativa SRF n° 93/97, que disciplinam no sentido de que os créditos sem garantia de valor até R$ 5.000,00 por operação, vencidos há mais de 6 meses, poderão ser deduzidos como perdas, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; os créditos sem garantia de valor acima de R$ 5.000,00 e até R$ 30.000,00 por operação, vencidos há mais de um ano, poderão ser deduzidos como perdas, independentemente de iniciados ou não os procedimentos judiciais para o seu recebimento desde que mantida a cobrança administrativa; e os créditos sem garantia de valor superior a R$ 30.000,00 por operação somente poderão ser deduzidos como perdas após um ano de seu vencimento e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Prossegue a autoridade fiscalizadora em sua análise referindo que das planilhas apresentadas pela recorrente é possível verificar a existência de títulos antigos referentes aos anos de 2004, 2005 e 2006, cujas condições temporais para aproveitamento das perdas como despesas se deram em anos anteriores ao anocalendário fiscalizado (2007). Atenta o fato de que para o correto aproveitamento das perdas no recebimento de créditos como despesas, é necessário que o crédito tenha sido anteriormente tributado e, obviamente, nunca tenha sido deduzido como despesa. Nesse sentido, foi a empresa intimada a apresentar a contabilidade dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, a fim de que pudéssemos de fato constatar que tais perdas não haviam sido anteriormente deduzidas como despesas. Mas, em sua resposta a recorrente se disse desobrigada de apresentálas quanto aos anos calendários Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.892 4 2004 e 2005 e que, em relação ao ano calendário 2006, tivera seu lucro arbitrado pela Receita Federal. A autoridade refere que se a empresa pretende em 2007 utilizarse de perdas cujas condições temporais de aproveitamento se deram em anos calendário anteriores, tem ele a obrigação de manter em boa ordem e guarda a contabilidade desses períodos, de forma a permitir a efetiva verificação das informações. Quanto ao arbitramento do lucro, o mesmo se apresenta como artifício meramente fiscal, evitando que a recorrente frustre o lançamento do crédito tributário pela não apresentação de sua Contabilidade. Ao apreciar os créditos referentes à empresa EBAL, aduz o julgador que foi apresentado pela recorrente relação de títulos de créditos, junto à EBAL, cujos recebimentos restaram prejudicados e atenta que os referidos valores foram objeto de Instrumento particular de Confissão de Dívida, Novação e Compromisso de Pagamento, firmado entre as partes em 27/12/2007 e não estavam em sua totalidade registrados como perdas na contabilidade da recorrente. E, em análise, conclui que ao firmar contrato com a empresa EBAL, a cobrança administrativa vinha sendo mantida, aferindo que nesses casos para os valores compreendidos entre R$5.000,00 e de R$30.000,00, vencidos há mais de 01 ano, poderseia deduzir estas perdas como despesas. Porém, os descontos (30%) concedidos pela recorrente como forma de receber os valores devidos devem ser considerados como mera liberalidade e, portanto, glosados. Já, quanto aos 04 (quatro) últimos títulos (29611/29679/29680/33747), os quais não constaram do instrumento de negociação com a EBAL, e considerando que seus valores encontramse entre os limites de R$ 5.000,00 e R$ 30.000,00 e que documento algum demonstrando a manutenção da cobrança administrativa foi apresentado à fiscalização, entendem que devem os mesmos ser integralmente glosados por inobservância dos requisitos legais. E, ao referirse aos créditos e valores superiores a R$ 30.000,00, tomando em conta que nenhum documento que comprovasse o início e manutenção de procedimentos judiciais para reaver os valores da dívida foram apresentados à Fiscalização, entende, de igual forma, que devem ser glosados por inobservância dos requisitos legais. Prossegue, quanto às despesas com depreciação, que a empresa recorrente registra as depreciações em 05 (cinco) contas contábeis, sendo as despesas com depreciação Administrativa (veículos) e despesas com depreciação de Máquinas as mais significativas e, portanto, objeto da verificação. A recorrente foi regularmente intimada a apresentar a documentação (notas fiscais de aquisição, mapas de depreciação, etc) referente aos encargos de depreciação, bem como apresentar histórico e relação de veículos de 2007 a 2011, juntando as notas fiscais de aquisição e documentos de venda. Atenta para o fato de que no curso do processo, a empresa Palmitos Transportes Ltda foi diligenciada a respeito do histórico e relação de seus veículos nos anos calendários 2007 a 2011. Verificada a depreciação administrativa foi efetuada a glosa, aduzindo que o veículo foi adquirido pela empresa recorrente em 2004 e vendido à empresa palmitos Transportes Ltda em 08/12/2006, posteriormente o mesmo veículo foi readquirido pela recorrente em 27/07/2010, sendo portanto inconteste que no ano calendário de 2007, a recorrente não detinha a propriedade do veículo. No tocante às despesas com fretes e carretos, aferiu a fiscalização os conhecimentos de transporte rodoviário de cargas, tendo intimado a apresentar a documentação referente à Linha 31 (Outras Despesas Operacionais) da Ficha 05A (Despesas Operacionais) da Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.893 5 DIPJ, relativamente às despesas com Fretes e Carretos. A contribuinte apresentou cópias de conhecimentos de transporte rodoviário de cargas (CTRC) emitidos pela empresa PALMITOS TRANSPORTES LTDA, CNPJ 05.817.487/000113. Diligenciada, a empresa PALMITOS confirmou a prestação dos serviços e reconheceu a veracidade dos documentos e valores apresentados pela recorrente. Assim, verificado que, no ano calendário de 2007, o Contribuinte e a empresa PALMITOS apresentavam como sócio em comum o Sr. Alberto Aroldo Santos, CPF 171.853.86934, foi o Contribuinte regularmente intimado a apresentar a documentação relativa ao efetivo pagamento pelos serviços prestados pela empresa PALMITOS. Em sua resposta foram apresentadas cópias de cheques emitidos pelo Contribuinte e nominais à empresa PALMITOS. Ainda tendo em conta a participação societária em comum, foram analisados os CTRCs e constatamos que os mesmos não identificavam as notas fiscais a que se referiam e tampouco os destinatários da carga, informações essas obrigatórias a teor do artigo 251 do Regulamento. Nesse caminho, constatada a ausência de informações e aferindo a ligação societária existente entre ambas as empresas, a recorrente foi intimada a apresentar o contrato firmado com a empresa Palmitos e em resposta apresentou Contrato de Prestação de Serviços, firmado em 14/07/2003. A autoridade fiscal verificou que referente ao valor dos serviços prestados, o contrato limitase ao quanto estabelecido em sua Cláusula 6a, qual seja: "DO PREÇO E DAS CONDIÇÕES DE PAGAMENTO Cláusula 6a. O presente serviço será remunerado de acordo com o frete corrente, referente aos serviços efetivamente prestados, devendo ser pago em dinheiro ou cheque, ou outra forma de pagamento em que ocorra a prévia concordância de ambas as partes." Assim, observou que não constava, nos CTRCs as informações relativas às notas fiscais e aos destinatários das cargas e ante a mínima disposição contratual, no tocante à remuneração a ser paga pelos serviços, foi a recorrente intimada, a apresentar planilha de medição/composição do preço do serviço prestado, bem como indicar as notas fiscais a que se referem os CTRCs. Mas, a empresa informou ser impossível discriminar a composição dos valores dos fretes cobrados e apresentou planilha dos "valores cobrados em função da quilometragem, nos moldes do que é feito hoje [sic]". Aferiu, a fiscalização não restar dúvidas que o CTRC, a fim de fazer prova do quanto alegado pelo Contribuinte, necessita observar obrigatoriamente o que determina o Regulamento do ICMS, sob pena de tornarse inábil para comprovar qualquer despesa.Sendo assim, entendeu que a deficiência material dos CTRCs ao sonegar as informações relativas às notas fiscais e aos destinatários, transmitelhe inabilidade para comprovar as despesas de fretes, ao mesmo tempo em que impõe verdadeiro obstáculo à fiscalização dessas despesas, mormente se considerar que nem a próprio recorrente foi capaz de correlacionar os CTRCs com as notas fiscais. Aduz que a falta das informações nos CTRCs relativas às notas fiscais e aos destinatários impossibilita a fiscalização, ao mesmo tempo em que retiralhes a confiabilidade no que se refere ao valor efetivo dos serviços prestados, tornandoos, por via de conseqüência, inócuos a comprovar as despesas a que se pretendem. E analisa que resta analisar as Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.894 6 circunstâncias em que se deu a suposta prestação dos serviços, a fim de identificar quem de fato realizava os serviços de frete. Atenta para o fato de que a empresa PALMITOS TRANSPORTES LTDA, CNPJ 05.817.487/000113, sociedade limitada, constituída em 14/07/2003, cujo objeto social é o de transportes rodoviários de cargas, intermunicipal, interestadual e internacional, tendo como sócios primeiros o Sr. Fábio Birck, CPF 733.462.76104, e a Sra. Elaine Cristina Anselmo Curty, CPF 008.359.06760, foi diligenciada no curso da ação fiscal desenvolvida na empresa recorrente e intimada a apresentar diversos documentos, tais como: Contrato Social, Conhecimentos de Transportes, histórico e relação de veículos, livro de registro de empregados, cópia de contrato de aluguel e respectivos comprovantes de pagamentos, dentre outros. Ainda, no curso da ação fiscal, foi o BANCO BRADESCO SA intimado a apresentar, referente à empresa PALMITOS, relação de contas bancárias mantidas na instituição, cópia da Ficha Dados Cadastrais, cópia da Ficha de Autógrafos e, sendo o caso, cópia de Procurações/Autorizações existentes. E, outros o referido banco apresentou cópia de PROCURAÇÃO lavrada em 27/03/2003, na qual a outorgante, Sra. Elaine Cristina Anselmo Curty, concedia, em caráter irrevogável, poderes ao seu marido, o outorgado Sr. Alberto Aroldo Santos, para representála independentemente de qualquer outra formalidade legal. Assim, constatou, a fiscalização, que a empresa PALMITOS apresentou, desde seu início, íntima ligação com o Contribuinte, seja pela sua localização física, seja pelo exercício de sua administração, conforme se depreende dos quadros societários acima e das evidências constatadas após a verificação dos demais documentos obtidos na ação fiscal. Certo que a empresa PALMITOS localizase fisicamente no mesmo endereço do Contribuinte, foi a mesma intimada a apresentar cópia do contrato de aluguel e os respectivos comprovantes de pagamentos e em resposta a empresa PALMITOS apresentou Contrato de Locação e recibos de pagamento, que após verificados evidenciam: Contrato de locação firmado entre o Sr. Alberto Aroldo Santos (locador) e a empresa PALMITOS TRANSPORTES LTDA (locatário); Inexistência da data de assinatura do contrato; Prazo de Locação: 14/07/2003 a 13/06/2013, com reajuste a cada ano; Valor inicial do aluguel: R$ 400,00. Assinam o documento o Sr. Alberto Aroldo Santos e a Sra. Eliene Carmo Dos Santos, representando a empresa PALMITOS. Recibos mensais de pagamento no valor de R$ 400,00 firmados pelo locador dando quitação dos aluguéis referentes ao ano calendário 2007. E conclui, aduzindo que a Sra. Eliene Carmo Dos Santos somente ingressou como sócia na empresa PALMITOS em 04/08/2004, data essa posterior ao início (14/07/2003) da avença contratual e, portanto, encontravase a Sra. Eliene à época desprovida de poderes para representar a empresa PALMITOS. Apesar da disposição contratual expressa quanto ao reajuste anual do valor do aluguel, constatase que o valor do aluguel cobrado em 2007 mantevese pelo mesmo valor ajustado em 2003 (R$ 400,00), sendo essa situação somente explicável se considerarmos a ligação societária existente entre as empresas. Ainda, as duas empresas foram intimadas a apresentar planilhas contendo relação e histórico de seus veículos, nas quais se observa a permuta constante de veículos entre as empresas. A acobertar as permutas foram firmados Contratos De Compra E Venda entre o Contribuinte e a PALMITOS. Cita o seguinte exemplo: Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.895 7 "Apenas para exemplificar como as permutas se reduziam a simples formalidade, tome se o Contrato de Compra e Venda do veículo JQK8168, chassi 9BSR4X2A043552549, erroneamente identificado no contrato pela placa JQR8168. Tal veículo foi adquirido pela PALMITOS através de consórcio em 06/05/2004, conforme nota fiscal 14440. Em 19/02/2007 foi o veículo alienado ao Contribuinte pelo valor de R$ 200.000,00, cujo pagamento foi ajustado em R$ 40.000,00 à vista e R$ 160.000,00 financiado. Mediante TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 0007, foi o Contribuinte intimado a apresentar o documento hábil e idôneo que comprovasse o efetivo pagamento da parcela de R$ 40.000,00 à vista a empresa PALMITOS TRANSPORTES LTDA, conforme estipulado na Cláusula 6a do referido contrato. Em sua resposta o Contribuinte apresentou o cheque de número 004530, do Banco Bradesco (273), agência 2273, conta 0145130, datado de 16/04/2007, no valor de R$ 40.000,00. Acontece que esse mesmo cheque fora anteriormente apresentado pelo contribuinte como prova do efetivo pagamento pelos serviços de frete prestados pela empresa PALMITOS no mês de abril de 2007. Noutra situação, o veículo de placa JOQ6878 (Fiorino) pertencente a empresa PALMITOS desde 14/07/2006 tem suas despesas com combustível e manutenção registradas na contabilidade do Contribuinte, conforme se pode constatar ao analisar os documentos referentes às despesas com VEÍCULOS E DE CONSERVAÇÃO DE BENS E INSTALAÇÃO (item 2.3 acima), conforme a tabela de fl. 40 do Termo de Verificação Fiscal." Em ato contínuo, constata a fiscalização que situação semelhante ocorre quanto às despesas de empregados da empresa PALMITOS registradas na contabilidade do Contribuinte. Ilustra com alguns lançamentos contábeis retirados do razão da conta Caixa Movimento, nos quais se percebem despesas da empresa Palmitos suportadas pela recorrente. Esses mesmos lançamentos repetemse durante todo o ano calendário 2007, chamando a atenção principalmente o lançamento do dia 17/12, no qual se evidencia através da leitura do histórico a presença de funcionários do Contribuinte registrados na PALMITOS. Assim, a empresa Palmitos foi intimada a apresentar sua escrita contábil/fiscal, a empresa juntou documentos que apesar de supostamente conter sua movimentação financeira, inclusive bancária, não possuía as devidas formalidades (Termo abertura, Termo de Encerramento, Assinatura dos responsáveis legal e técnico) e atentava contra a boa ordem e guarda, não se prestando, nesse caso, a fazer prova em seu favor. Em outras palavras, podese dizer que a Contabilidade apresentada é imprestável, ante as deficiências observadas. E, no que se refere às declarações a que está obrigada a apresentar na qualidade de optante do SIMPLES, a empresa PALMITOS, embora tenha reconhecido serviços prestados ao Contribuinte da ordem de R$ 2.700.000,00, declara valores irrisórios de receita bruta à Receita Federal. Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.896 8 Contudo, no curso da diligência fiscal, a empresa PALMITOS retificou suas declarações para fazer coincidir sua Receita Bruta com os valores dos serviços prestados, conforme havia reconhecido. Por outro lado a contabilidade do Contribuinte está repleta de despesas da empresa PALMITOS, que por ser optante do SIMPLES não pode aproveitarse das mesmas. A tabela, de fls. 42 e 43 do Termo de verificação fiscal, identifica alguns dos lançamentos contábeis representativos de despesas da PALMITOS registradas/suportadas pelo Contribuinte, chamando a atenção o lançamento contábil do dia 02/01/2007, no qual o Contribuinte paga o INSS da empresa PALMITOS. Ainda, atenta para o intento de deixar claro quem realmente realizava os serviços de frete e demonstrar a confusão patrimonial existente. Nesse sentido, entende que não houve qualquer ganho empresarial lícito por parte da recorrente, posto não ter explicação para a contratação da empresa PALMITOS. Afere que no ano de 2007 o Sr. ALBERTO e a Sra. ELAINE CRISTINA detinham 90% de participação societária na empresa PALMITOS, sendo que desde 27/03/2003 existe uma procuração da Sra. ELAINE CRISTINA outorgando poderes irrevogáveis ao Sr. ALBERTO, que era quem de fato exercia a administração da empresa PALMITOS. Nos anos calendário 2007 e seguintes, o exercício dessa administração pelo Sr. ALBERTO tornase mais vistoso, na medida em que são inúmeros os documentos em que o mesmo assina representando a empresa PALMITOS. Verificase que praticamente, nos anos calendário 2007 a 2011, em todos as solicitações de aquisição dos veículos da empresa PALMITOS realizadas, junto às concessionárias ou junto aos bancos financiadores, o Sr. ALBERTO figura como solicitante/cliente. Isso torna inegável a administração da empresa pelo Sr. ALBERTO, principalmente se considerarmos que os demais sócios, Sr. ROGÉRIO FREITAG e o Sr. LUCIANO ANDRE BLANK figuram como funcionários da empresa PALMITOS, apesar de não estarem formalmente registrados, conforme se observa na tabela, da fl. 43 do Termo de Verificação Fiscal. Nesse caminho, expõe que em visita ao endereço cadastral da empresa PALMITOS, que é o mesmo do Contribuinte, constatou existir outras empresas sediadas no mesmo espaço físico. Não obstante esse fato, inexiste entre essas empresas e o Contribuinte a mesma relação de promiscuidade (no sentido de mistura desordenada, confusão) patrimonial que se observa com a empresa PALMITOS. Essa relação única com a empresa PALMITOS só encontra resposta se considerar a intima ligação societária entre elas. Ademais, relata a fiscalização que a participação societária de uma empresa em outra não é, via de regra, defesa pelo ordenamento jurídico, mas o seu exercício deve respeito ao regramento legal, mormente se existem entre elas transações comerciais. Observa que a situação verificada entre as duas empresas atenta frontalmente contra o Principio da Entidade (autonomia patrimonial), no qual as entidades devem ser tomadas distintamente, não se confundindo os patrimônios dos sócios com o da empresa, muito menos se confundindo patrimônios de duas entidades diversas, como é o caso constatado. Já no tocante aos Conhecimentos de Transportes, afere a autoridade fiscal que as despesas de fretes e carretos registradas na contabilidade da empresa recorrente e confirmada pela empresa PALMITOS é da ordem de R& 2.700.000,00, sendo natural que o Contribuinte, na pessoa de seus sócios e na qualidade de empresários que são, buscassem sempre as melhores condições de preço e pagamento pelos serviços tomados, de forma a garantir a perenidade de seu empreendimento. A ausência da planilha de medição, esclarecendo Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.897 9 a formação do preço cobrado, assume relevância quando se leva em conta, mais uma vez, a ligação existente entre as empresas. O relatório fiscal formula algumas perguntas: a) Há como saber se os valores cobrados pela empresa PALMITOS são os valores correntes aplicados no mercado, considerando que inexiste planilha de cálculo/medição/formação de preço? b) O Contribuinte contrataria um prestador de serviços de frete se esse mesmo prestador não lhe apresentasse uma planilha de formação dos preços, para cada serviço (entrega) realizado? E entende como resposta para ambas as perguntas: NÃO. Prossegue referindo que a empresa recorrente; entretanto, só aceita essa situação nociva por se tratar da empresa PALMITOS, cuja administração e ganhos futuros cabem ao próprio Contribuinte. E conclui que ser vantajoso ao Contribuinte transferir seus lucros, sob o manto protetor das DESPESAS COM FRETES, para ser tributados na empresa PALMITOS, optante do SIMPLES. Melhor ainda se revela, segundo essa ótica, se a empresa PALMITOS não tributa toda a sua Receita Bruta, conforme se verificou em suas declarações da pessoa jurídica. Afirma que a intenção do Contribuinte foi a de erodir sua base de cálculo dos tributos ao transferir valores para a empresa PALMITOS, que, igualmente estando sob sua administração, omitiu suas receitas brutas. Ao fim, segundo aquela ótica perniciosa, o arranjo tributário perpetrado pelo Contribuinte em conjunto com a empresa PALMITOS, mostrouse duplamente vantajoso, reduzindose base de cálculo de um lado e omitindose receitas de outro. E, expõe que era a própria empresa recorrente quem efetivamente realizava os serviços de fretes. A empresa PALMITOS existe apenas para emprestarlhe as formalidades necessárias a uma suposta contratação de serviços. No tocante à qualificação da multa, refere tratarse da disciplinada no art. 44, I, §1º da Lei 9.430/96, aplicandose apenas à infração relativa à glosa das despesas com Frete e Carretos. Isso porque a fiscalização entende que a empresa recorrente tentou modificar de forma dolosa as características essenciais do fato gerador, a fim de reduzir o pagamento do imposto devido, conforme definido no art. 72 da Lei 4.502/64. Devidamente cientificada da autuação, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação, de forma tempestiva, aduzindo que no presente auto de infração não ha descrição dos fatos geradores da suposta penalidade, assim como também não informou o dispositivo legal violado. Afere que a ausência desses requisitos viola o direito do contribuinte, posto que o autuado deve ter amplo conhecimento dos fatos que lhe são imputados para fazer a sua defesa. Atenta para o descumprimento do disciplinado no art. 10 do Decreto 70.235/72. E exemplifica referindo que o Auto de Infração não elenca os dispositivos legais, que impedem uma pessoa física de ser sócio de mais de uma empresa ou de ser procurador de uma empresa e sócio de outra. E, completa salientando que a simples alegação da existência de uma sociedade não tem o condão de determinar a existência de uma suposta "empresa de fachada". Tratase de uma nulidade por ferir o princípio da legalidade. Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.898 10 Ainda, argumenta que os materiais comprados: areia, ferro e cimento teriam sido utilizados em suposta obra na Empresa a aumentar o seu ativo imobilizado. Mas,tal assertiva labora em erro, haja vista que, como apontam os documentos que acompanham a impugnação (DOC. 01), a referida obra, em verdade, corresponde a uma reforma realizada na moega da Empresa, sendo assim, pode e deve ser considerada como despesa. Frisa que a atividade econômica principal da recorrente é o comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados, mas para tanto precisa de uma moega, que vem a ser o local onde se descarrega o feijão in natura vindo do produtor. Explica que a partir dela, são levadas as outras etapas de produção. Assim, as despesas com a manutenção da moega são dedutíveis na apuração do lucro real. Isso porque são necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Refere que a fiscalização afirma sem comprovação que ao analisar as planilhas apresentadas pelo recorrente, verificou a existência de títulos antigos, referentes aos anos de 2004, 2005 e 2006, cujas condições temporais para aproveitamento das perdas como despesas se deram em anos anteriores ao calendário fiscalizado (2007). Expõe que o aproveitamento das perdas 2004, 2005 e 2006 ocorreram, de fato, em 2007, mas esclarece que a recorrente não estava obrigada a manter a contabilidade dos anos calendários de 2004 e 2005, pelo decurso do tempo e em respeito ao comando do art. 173 do CTN. Já no que diz respeito ao ano de 2006, aduz que a recorrente teve o seu lucro arbitrado por meio do auto originado no processo n. 10530.723159/200916, ainda em curso e se o lucro foi presumido, como ele é o produto de uma operação matemática: receita menos despesa, estas foram igualmente arbitradas. De sorte que, não se aproveitou naquele ano calendário de 2007 qualquer perda. Logo, refere que o aproveitamento das despesas dos anos de 2004, 2005 2006 se deu, de forma regular, para o ano de 2007. Atenta para o fato de que o eventual descumprimento da obrigação acessória, de preenchimento completo do CTRC, não é capaz de, por si só, descaracterizar a relação de fato existente. Expõe que o CTRC é mais um documento a formalizar a relação de fato havida. Relata que houve sim a prestação do serviço de transporte de carga, com emissão de nota fiscal e pagamento do mesmo, realizado pelo contribuinte à empresa Palmitos Transportes LTDA. Pelo volume de documentos que provam o serviço de transporte prestado e remunerado, junta mês a mês todas as notas ficais conjugadas com os romaneios de carga e relatório de fretes (DOC 03). Quanto ao pagamento, o mesmo se deu e é provado por meio dos documentos de fls. 848 a 995. Já que nestas páginas há cópias dos cheques e os comprovantes das transferências havidas da recorrente para a Palmitos. E atenta para o fato de que os pagamentos eram realizados com preço de mercado (DOC.03.01). Destaca que em decorrência dos serviços prestados, a empresa Palmitos Transportes LTDA recebeu uma contraprestação pecuniária sobre a qual incidiram todos os tributos devidos. Pago por ela. E salienta que ao desconsiderar a despesas com transporte, surge uma nova cobrança. Numa clara tentativa de prevalecer o bis in idem, vez que ocorreria uma dupla cobrança em razão de um mesmo fato gerador. A empresa Palmitos Transportes LTDA já paga seus tributos e recorrente não teria o direito de abater os custos como despesa. Argui princípios constitucionais e dentre eles o do não confisco. Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.899 11 Aduz que a fiscalização foi além em busca de ilações que pudessem liquidar a existência da empresa Palmitos Transportes. Afirma que ambas as empresas são pessoas jurídicas distintas, as quais emitem notas fiscais distintas, possuem CNPJ distintos e com um distinto quadro societário. Não havendo, portanto, qualquer confusão entre seus patrimônios ou seus sócios. Argumenta AFRFB, que a suposta íntima ligação entre as referidas empresas se caracterizou pelo simples fato da Empresa Palmitos Transportes LTDA, inicialmente, possuir como seu procurador o Sr. Alberto Aroldo dos Santos, sócio da empresa autuada. No entanto, afere que tal acontecimento não é fator determinante para comprovar a suposta ligação, uma vez que conforme informado pelo próprio AFRFB, o Sr. Alberto Aroldo dos Santos, atuava tão somente como procurador da referida empresa, não possuindo qualificação de dono. Ademais, ainda que sócio fosse, tal fato por si só não caracteriza essa suposta ligação. Isso porque, como comprovado, são pessoas jurídicas distintas, não havendo qualquer impedimento legal para tanto. Salienta que poderia haver duas empresas separadas com sócio em comum ou com procurador, não sendo estes fatos capazes de mitigar o princípio da autonomia da pessoa jurídica. Afirma ser ilógica a constatação, do auditor, que as referidas empresas possuem uma ligação entre si pelo simples fato da empresa Palmitos Transportes LTDA. Localizarse fisicamente no mesmo endereço da Empresa autuada. E observa que mesmo que fosse exatamente o mesmo prédio, não há dispositivo legal que impeça o funcionamento de duas ou mais pessoas jurídicas num mesmo prédio. E refere ser errônea a suposição do auditor no sentindo de que existiria uma ligação societária entre as empresas, tendo em vista o contrato de transporte firmado entre elas ser simples. O contrato realizado entre as partes (DOC. 05) é regido, dentre outros, pelo princípio da liberdade de contratar, dessa forma as partes contratantes são livres para estabelecerem as normas que regem o referido contrato e a tentativa da fiscalização de justificar suposta ligação entre as empresas, não se sustenta apenas pela existência de despesas da empresa Palmitos Transportes Ltda registradas na contabilidade da recorrente. Relata que houve o pagamento de algumas despesas da empresa Palmitos Transportes LTDA pela Bocaiuva. No entanto tais pagamentos foram efetuados em nome da própria Palmitos Transportes LTDA, o que não é proibido pela Lei. E que meras suposições da fiscalização sem respaldo probatório fere o disciplinado no art. 37 da CF. E, quanto ao fato referido no auto de infração pela fiscalização de que no curso da diligência fiscal, a empresa PALMITOS retificou suas declarações para fazer coincidir sua Receita Bruta com os valores dos serviços prestados, destaca que a empresa Palmitos Transporte LTDA não estava, nem foi fiscalizada. Explica que era a recorrente quem estava no curso da diligência fiscal, não havia nenhum óbice legal a retificação nas declarações da empresa Palmitos Transporte Ltda. Insurgese contra a multa aplicada de 75%, em caso de falta de pagamento ou recolhimento, posto que tal multa não se aplica ao caso. Expõe que não houve omissão de receita ao fisco, já que a diferença entre as saídas e o valor declarado à União para o ano de 2006 compreendeu operações de saídas sem receitas, conforme notas e planilhas que acompanham a impugnação. Do mesmo modo, o lucro obtido pela empresa é o mesmo da referida declaração, jamais o arbitrado pela fiscalização. Assim, como não houve principal, nem falta de pagamento ou recolhimento, não deve haver aplicação de multa. Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.900 12 Destaca que ainda que tivesse ocorrido o fato mencionado pela fiscalização, ainda assim não seria cabível a cobrança de uma multa por configurar nítido confisco, cuja exigência afronta claramente a Constituição Federal em seu art. 150, IV. Entende ser nítido o efeito confiscatório da multa estabelecida, que prevê o pagamento total da importância de R$ 317.030,58, sendo notório que o valor em questão atinge e ofende diretamente o patrimônio da recorrente. Finaliza com o resumo e os pedidos. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter integralmente o lançamento. Refere que a lide, no mérito versa sobre a glosa de despesas com a manutenção da moega, perdas de recebimento de crédito, frete sobre vendas e que não abrange as despesas não impugnadas, quais sejam: despesas com telefone, brindes, carga/descarga/veículo e manut. Maq. E Insts (parcial). Ainda, versa sobre o caráter de confisco das multas de ofício aplicadas nos percentuais de 75 e 150%. No tocante à nulidade argüida, afere o julgador a quo que não prospera, posto o auto de infração seguir os ditames disciplinados nos art. 10 e 59 do Decreto 70.235/72. Entende restar claro que há fundamentação legal e descrição dos fatos, os quais serviram de base e descrevem de modo específico os fatos que suportam a autuação, bem como resta precisa a disposição legal infringida e a correspondente penalidade aplicável. Finaliza esse ponto, referindo que o direito de defesa e ao contraditório foram respeitados, sendo vislumbrado na defesa apresentada. Quanto ao mérito, refere o julgador de primeira instância que a fiscalização considerou como indedutível os gastos efetuados em obra civil (na moega) e da aquisição de televisão, porque fazem parte do ativo permanente da recorrente e por isso tais gastos deveriam ter sido ali escriturados e não como despesas dedutíveis. Cita o art. 301, §2º do RIR/99. Observa que as provas trazidas aos autos, tanto durante a ação fiscal, quanto na manifestação de inconformidade, não há nenhum indício de que tal obra civil não fosse aumentar a vida útil da moega em mais de um ano, condição que permitiria, em teste, a sua dedutbilidade como despesa. Já no tocante às despesas com televisão é indedutível, face o artigo transcrito e jurisprudência do CARF subscrita. No que diz respeito às alegações de não cabimemto da glosa das despesas com as perdas de recebimentos de créditos pela não apresentação dos documentos contábeis: por já não ser obrigado a tal pelo decurso do tempo, relativamente aos anos calendários de 2004 e 2005 e por ter sido alvo de arbitramento de base de cálculo do IRPJ no ano calendário de 2006, concluiu que os motivos das glosas guerreadas foram: a não apresentação de documentação hábil e idônea, que comprovasse que as condições necessárias à dedução das despesas com perda de recebimento de créditos, relativas aos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, teriam sido atendidas; e a não apresentação das condições de dedutibilidade dos descontos de negociação relativos a alguns títulos do ano calendário de 2006. Com relação a alegada não obrigatoriedade da entrega da documentação comprobatória solicitada pela autoridade fiscal, discorda o julgador com base no art. 37 da Lei 9.430/96. Afere que os períodos de apuração (1º ao 4º trimestres de 2007), relativos aos autos de infração em epígrafe não se encontravam decadentes na data da sua ciência, ou seja, 29/12/2011, e que os fatos em questão, referentes aos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, repercutiram nos lançamentos contábeis de 2007, a recorrente restava obrigada à apresentação de tal documentação comprobatória e não o fez, razão pela qual mantém tais glosas. Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.901 13 Com relação aos referidos descontos de negociação dos títulos, relativos ao ano calendário de 2006, aduz que os mesmos não foram alvo de contestação pela recorrente. Assim, não serão considerados como matéria não impugnada. No tocante à dedutibilidade das despesas com fretes e carretos, em razão da alegada não existência de ligação entre a Contribuinte e a transportadora Palmito Da análise do referido Termo de Verificação Fiscal (fls. 37 a 45), em conjunto com a documentação anexada ao PAF, conclui que existe estreita ligação entre a recorrente e a empresa Palmito e elenca os fatos que lhe convenceram, quais sejam: 1. O senhor Sr. Alberto Aroldo Santos, sócio administrador da Contribuinte, desde 27/03/2003, possuía procuração que lhe concedia plenos poderes sobre a empresa Palmitos, inclusive, para movimentar suas contas bancárias no Banco Bradesco S.A., além do mais, o Sr. Alberto também aparece como sócio administrador da Palmito em alguns períodos de tempo, como mostra a tabela de alterações societárias, de fl. 39. A Sra. Elaine Cristina Anselmo Curty, esposa do Sr. Alberto, aparece como sócia das duas empresas, sendo que foi a outorgante da referida procuração. Inegável a administração de fato da empresa Palmitos pelo Sr. Alberto, principalmente do período de 2007 a 2011, isso porque figura como solicitante/cliente em todas as solicitações de aquisição dos veículos da empresa Palmito realizadas junto às concessionárias ou junto a banc financiadores. Além do mais, os Srs. Luciano André Blank e Rogério Freitag, que figuram como sócios das empresa Palmito, aparecem como funcionários da Contribuinte em seu livro razão, na conta contábil CAIXA MOVIMENTO (fl. 43); 2. a empresa Palmito e a Contribuinte ocupam o mesmo espaço físico fato este comprovado in loco e por meio de contrato de aluguel firmado entre as partes (fl. 39); 3. ocorreram várias permutas de veículos entre as empresas acobertadas por meio de contratos de compra e venda firmados entre as partes, sendo que, como no caso do veículo de placa JQR8168 de propriedade da empresa Palmitos desde 06/05/2004, que foi vendido à Contribuinte em 19/02/2007 por R$ 200.000,00, sendo R$ 40,000,00 a vista e R$ 160.000,00 a prazo, intimada a Impugnante a apresentar comprovação do pagamento da referida entrada no valor de R$ 40.000,00, apresentou cheque já apresentado como prova do efetivo pagamento pelos serviços prestados pela empresa Palmitos no mês de abril de 2007.Também salta aos olhos que despesas com combustível e manutenção do veículo de placa JOQ6878 Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.902 14 pertencente a empresa Palmitos se encontrem registradas na contabilidade da Contribuinte (fl. 40); 4. a presença de despesas de salários de empregados da empresa Palmitos registradas na contabilidade da Contribuinte (fls. 40 a 42); 5. a Contabilidade da Impugnante está repleta de despesas da empresa Palmitos, inclusive o pagamento de seu INSS, conforme fls. 42; Assim, por vislumbrar a estreita ligação entre as referidas empresas, analisou a prestação do serviço de frete propriamente dita e refere que todo contribuinte tem o direito garantido pela Constituição, de praticar seus negócios e atos jurídicos da maneira que melhor lhe convier, ai enquadrandose toda e qualquer despesa que entenda necessária para o desenvolvimento da sua atividade comercial, mas para conformarse ao conceito técnico de despesa, no especial sentido que lhe dá a legislação do Imposto de Renda, deverá este dispêndio, de forma simultânea e inequívoca, ser lícito, necessário, usual ou normal, efetivo e documentado. Salienta que para sejam dedutíveis, os dispêndios devem obedecer às condições que estão determinadas nos art. 299 e seguintes do Decreto 3000/99. Expõe que a ausência ou falha em qualquer dos requisitos relacionados no citado dispositivo legal, impossibilita a incursão do ato ou fato econômico à categoria de despesa, permanecendo como mero dispêndio, aquém da possibilidade de dedução no sistema jurídicotributário de determinação do lucro tributável. Destaca que o ato ou fato deve estar acompanhado de documentação hábil e idônea, de forma que permita a identificação precisa da natureza, competência contábil e demais circunstâncias materiais do serviço contraprestado, e que, portanto, faculte o escrutínio de seus demais requisitos: licitude, necessidade, materialidade, e acima de tudo, a sua efetividade. Considerando que as despesas têm o condão de reduzir o lucro líquido e, consequentemente, o crédito tributário, é ônus, da contribuinte, comproválas de forma irrefutável. Nesse sentido, destaca ensinamentos doutrinários. Atenta para o fato de que a recorrente foi intimada, entre outras coisas, a apresentar documentos hábeis que comprovassem a efetiva prestação dos serviços de frete em lide, apresentou documentos comprobatórios dos pagamentos realizados em cheque. Entretanto, apresentou cópias de CONHECIMENTOS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS (CTRC) emitidos pela empresa PALMITOS TRANSPORTES LTDA, CNPJ 05.817.487/000113, sem a identificação das notas fiscais a que se referiam e tampouco os destinatários da carga, informações essas obrigatórias a teor do artigo 251 do Regulamento do ICMS. Apresentou o Contrato de prestação de serviços firmado com a empresa PALMITOS em 14/07/2003, porém este mostrou vago, relativamente a valor da remuneração dos serviços prestados como indica sua cláusula 6ª. Salienta que a recorrente foi intimada a apresentar os boletins de medição/composição do preço do serviço prestado, bem como indicar as notas fiscais a que se referem os CTRCs, e respondeu ser impossível discriminar a composição dos valores cobrados e apresentou planilha dos valores cobrados por quilometragem. Sendo assim, concluiu que a falta das informações nos CTRCs, relativas às notas fiscais e aos destinatários, a não Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.903 15 apresentação dos boletins de medição,bem como o caráter vago dos contratos, relativamente a remuneração dos serviços prestados, impossibilita a determinação do valor efetivo dos serviços prestados, tornandoos, por via de conseqüência, inócuos a comprovar as despesas a que se pretendem. Restou por analisar ainda as circunstâncias em que se deu a suposta prestação dos serviços, a fim de identificar quem a realizou de fato, ou seja, a Impugnante ou a Palmitos. E, afere que os fatos reportados isoladamente podem não ser caracterizados de pronto como ilícitos. Os citados fatos só crescem de relevância, se analisados como conjunto de provas e indícios que levaram o fisco a entender que as operações decorrentes do contrato de frete de mercadorias eram simuladas, demonstrando que toda logística de frete era efetivamente prestada pela própria Impugnante, que simulava a sua terceirização com o objetivo único de obter uma tributação mais favorável. Ainda atesta haver a ausência de apresentação dos boletins de medição, as inconsistências matérias dos CTRCs e a não possibilidade de determinação da composição dos preços dos serviços prestados, esta última afirmada pela própria recorrente, fatos estes que combinados com a estreita ligação existente entre as duas empresas supracitadas, configuram se em mais um forte indício de que as operações de frete eram simuladas. Já quanto à alegação de que não haveria cometido nenhuma ilicitude e que teria o direito de organizarse da forma que melhor lhe conviesse, ressalta que tal ponto de vista tem sido mitigado, principalmente com o advento da Constituição Federal de 1988 e o Código Civil de 2002, pela ponderação de outros aspectos que não se prendem, pura e simplesmente, à existência ou não deste direito, mas ao seu uso e ao modo do seu exercício. Cita doutrina a respeito. Assim, entende o julgador de primeira instância que restou demonstrado pelo fisco, que o único propósito que conduziu a recorrente a terceirizar, apenas formalmente, os serviços de frete que de fato presta diretamente aos seus clientes, foi pura e simplesmente a intenção de obter a redução da sua carga tributária, aumentando suas despesas inerentes à execução dos tais serviços (o que reduz o lucro apurado), e tributando parte destas despesas como receitas na empresa Palmitos pela tributação mais favorável do SIMPLES. Independente das alegações da recorrente de que os Romaneios de carga apresentados como provas em sua Impugnação serviriam para comprovar a efetiva prestação dos serviços pela empresa Palmitos, as provas diretas e indiretas anexadas ao PAF pela Autoridade autuante comprovam de forma insofismável, que, apesar da existência formal, os serviços prestados pela transportadora se caracterizavam pela mais completa confusão funcional e administrativa em total desacordo com os princípios administrativos e contábeis estes de utilização obrigatória na forma do art. 1.179 do Código Civil de 2002, Lei n° 10.406/2002. De igual modo, aduz que a escrituração determinada pelo Código Civil, deverá ser mantida em registros permanentes, uniformes, com obediência aos princípios fundamentais de contabilidade, cuja observância é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade. A contabilidade como ciência que tem por objeto o patrimônio das entidades (ou seja, de qualquer pessoa física ou jurídica detentora de um patrimônio) e por finalidade seu planejamento e controle, adota entendimentos e interpretações que são uniformizados por meio das Normas Brasileiras de Contabilidade, estabelecidas por Resolução do Conselho Federal de Contabilidade. Cita a Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.904 16 Resolução CFC nº 750/93 que aprovou os Princípios Fundamentais da Contabilidade estabelecidos por Normas Brasileiras de Contabilidade (no caso, Norma Técnica, NBC – T 1). Prossegue referindo que além da estreita ligação entre as mesmas, restou comprovada profunda promiscuidade administrativa e contábil, como mostra, a título de exemplificação, a presença de despesas da folha de pagamento da Palmitos escriturada na contabilidade da recorrente, o que agride, frontalmente, o princípio da entidade a cima transcrito. Nos procedimentos adotados pela empresa recorrente para terceirização dos seus serviços de transporte, restou comprovado que logística foi montada com a finalidade exclusiva de redução de tributos, simulandose a execução de serviços por terceiros, gerando despesas para redução do lucro tributável, quando na verdade era a própria recorrente que assumia a execução de todo o serviço de frete para seus clientes. Cita o art. 167 do CC e observa que as regras do direito privado consagram que a simulação pode gerar a nulidade de um ato jurídico. Na interpretação literal do dispositivo, poderseia argumentar que as nulidades somente poderiam ser pronunciadas pelo Juiz. Argumentação esta que é vencida pela leitura atenta do caput do art. 168, além do mais, o direito tributário busca nos princípios gerais de direito privado a definição, o conteúdo e o alcance do instituto simulação; todavia, os efeitos tributários são estabelecidos por regras próprias (art. 109 do CTN). Explica que o direito tributário faz diversas remissões ao instituto da simulação, sem exigirlhe o reconhecimento através de sentença judicial. A não necessidade da intervenção do Judiciário decorre do alcance do instituto, que se dá tão somente no plano da eficácia e não no da validade (o que seria próprio do direito civil). Cita o CTN e doutrina a respeito, bem como jurisprudência do CARF. Assim, entendendo caracterizada a simulação na terceirização dos serviços de frete de mercadorias por parte da recorrente, cujo objetivo final era a obtenção de vantagens fiscais com redução dos encargos tributários, tais atos podem e devem ser considerados nulos pelo fisco, exigindose por conseqüência, os tributos correspondentes aos verdadeiros atos praticados, razão pela qual afasto alegação de que não teria feito nada de ilícito e que poderia se organizar da forma que mais lhe conviesse. Com referência às presunções citadas na defesa da empresa recorrente, a jurisprudência e a doutrina já pacificaram o entendimento, de que a montagem de complexas estruturas, como a aqui apresentada, com a utilização de atos e negócios jurídicos das mais diversas configurações, podem também ser comprovadas de forma indireta, por meio de indícios, vez que em face da própria natureza do mencionado ardil resta muito difícil, para não dizer impossível, comproválo integralmente por meio de prova direta. A presunção é um meio de prova, conforme especifica o art. 212 do Código Civil, construído a partir de um substrato fático formado pela reunião de indícios. Cita doutrina a respeito. Por fim, entendeu o julgador de primeira instância comprovado que, apesar de formalmente montado como se fosse prestado por empresa autônoma (terceirizada), todo o serviço frete supostamente contratado pela recorrente era de fato por ela executado com seus próprios meios, e como tal deve sofrer a incidência dos tributos federais correspondentes, sendo, portanto, inoponíveis ao fisco, os efeitos tributários decorrentes da estrutura formal montada pela Contribuinte, sem nenhuma motivação empresarial e cujo objetivo final foi Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.905 17 simplesmente reduzir a carga tributaria. Quanto à ocorrência de bis in idem, na realidade a empresa recorrente alega que houve dupla cobrança das despesas em relação aos serviços fretes (pela empresa Palmitos) de efetividade não comprovada e os custos in natura despesas que existiriam em relação aos veículos em si do transporte como: combustível, pneu, seguros, peças, manutenção, financiamento, salários e comissões dos motoristas, tributos dos veículos. E afere que tal dupla tributação não ocorreu, isso porque não foi glosada nenhuma despesa referente a tais custos listados acima. No tocante à multa de ofício: não qualificada de 75% e qualificada de 150%, observa que decorreram da constatação da simulação conforme circunstância descrita e caracterizada pela fiscalização e que a recorrente não logrou êxito em afastar. A prática de atos simulados demonstra claramente a participação e a intenção da empresa contribuinte de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, fato sujeito a aplicação de multa de 150%, conforme estabelecido no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430, de 1996. A multa de ofício não qualificada, no percentual de 75 se perfez por determinação legal, conforme o inciso I, do art. 44, da Lei 9430/96 acima citado, sobre as glosas de despesas não relativas a simulação do serviços de frete. Logo, presentes os pressupostos contidos no art. 44, inciso I e no § 1º, da Lei 9.430, de 1996, não há que se falar em confisco. Cita jurisprudência do CARF. Ainda, cita a impossibilidade da alçada administrativa de enfrentar questões de constitucionalidade e cita os artigos da norma e a Súmula CARF nº02. Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, uma vez que é decorrente de infrações detectadas na apuração do IRPJ, com base nos mesmos pressupostos fáticos, aplica se mutatis mutando o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância em 30.04.2012, a empresa recorrente apresenta em 29.05.2012 suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva e dispondo o já mencionado na impugnação. Destaca o pedido de nulidade do lançamento por falta de enquadramento legal das infrações, ferindo princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que a relatora original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e cinco dias do mês de março do ano de dois mil e quinze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.906 18 CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA, RICARDO DIEFENTHAELER, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES Processo: 10530.726987/201112 Recorrente: BOCAIÚVA ALIMENTOS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.627 Decisão: Por maioria de votos dar provimento em parte ao recurso voluntário admitindo a dedução das despesas relacionadas à fretes e carretos. Vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues que admitia ainda a dedução das perdas com créditos relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. Vencido(s) na votação: MEIGAN SACK RODRIGUES Redator designado: SERGIO RODRIGUES MENDES Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Tratase de auto de infração lavrado em 28/12/2011, relativos aos 1º, 2º, 3º e ao 4º trimestres do ano calendário de 2007, pretendendo cobrar do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive multa de ofício de 75% e a multa de ofício qualificada de 150% sobre os tributos lançados. Da lide, resultou, pelo efeito devolutivo, a discussão tão somente referente à glosa de despesas com a manutenção da moega, perdas de recebimento de créditos, frete sobre Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.907 19 vendas e os percentuais das multas aplicadas (75% e 150%). Não houve impugnação quanto às despesas com telefone, brindes, carga/descarga/veículo e manut. Maq. e Insts (parcial). Da Nulidade do Auto de Infração Argúi a empresa recorrente que o auto de infração seria nulo, vez que em frontal desrespeito aos ditames do Decreto 70232/75. Isso porque entende que não houve enquadramento legal das infrações e descrição dos fatos. Ocorre que estudando o auto de infração em apreço, pude verificar que foram descritos os fatos, assim como consta cada enquadramento legal constante da autuação. Não sendo passível de nulidade o auto e tão pouco sendo vislumbrado prejuízo à defesa pela recorrente. Ademais, questões que envolvam discussão de princípios constitucionais devem ser objeto de discussão no Poder Judiciário, por vedação expressa da Súmula 02 do Carf. Senão, vejamos: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Do mérito Assim, da matéria que foi devolvida a este Colegiado entendo que as despesas com a moega não podem ser entendidas como custo ou despesa operacional, para efeito de determinação do lucro real. Isso porque sempre que essas despesas resultantes de reparos, conservação e instalações de bens do ativo imobilizado forem para mantêlos em condições eficientes de operação, mas que resulte em um aumento da vida útil superior a um ano e esteja relacionado intrinsecamente com a produção ou a comercialização de seus produtos ou serviços não serão admitidas como custo operacional. Tudo conforme disciplina o art. 346 do RIR/99, senão vejamos: “Despesas de Conservação de Bens e Instalações Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48 ). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.908 20 ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único ). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III ).” Temse que os valores a serem deduzidos foram empregados na compra de areia, cimento e ferro, cuja finalidade era a reforma da moega (local em que os alimentos in natura são depositados, quando chegam à empresa recorrente). Vislumbrase que a atividade da empresa diz respeito ao comércio atacadista de cereais e leguminosas, ou seja, desses alimentos provenientes dos produtores comercializados pela empresa recorrente. Mas, a própria recorrente afere expressamente que aumentou a vida útil da moega por mais de um ano. Nesse caminho, entendo que os valores não são dedutíveis, tal como disciplina o artigo supra citado. Atento para o fato de que a própria empresa refere que a nota fiscal do bem “televisão” foi acostada erroneamente, razão pela qual não se trata de discussão, mantendose a glosa quanto à mesma. Das despesas com perdas de recebimento de créditos No tocante às despesas com perdas de recebimento de créditos, temse que a empresa pretende o aproveitamento das perdas dos anos de 2004, 2005 e 2006 que ocorreram no ano de 2007. A decisão de primeira instância aduz que era obrigação da recorrente manter a contabilidade, cuja finalidade fosse comprovar as perdas desses recebimentos efetivamente, além do fato de não ter sido efetivamente deduzido como despesas em anos anteriores ou Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.909 21 mesmo que fossem passíveis de aferição do oferecimento à tributação. Como a empresa não apresentou, entendeu a fiscalização impossível de dedutibilidade tais despesas. Contudo, a empresa não possui obrigação de manter a documentação contábil por mais de cinco anos. As despesas, com a perda de recebíveis, se perfizeram nos anos de 2004 e 2005, portanto fora do prazo de exigência, já que a autuação data do ano de 2011. No tocante ao ano de 2006, uma vez a empresa ter sofrido o arbitramento, já que a contabilidade não se prestava para aferição em regime diverso, há que ser levado em conta. Tudo conforme artigo 195, §1º do CTN. Senão vejamos: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Do arbitramento Segundo verificase, no ano de 2006, a empresa sofreu um arbitramento (processo administrativo 10530.723159/200916), em decorrência da imprestabilidade da sua contabilidade. Temse que o Regime de Arbitramento é oponível, não como uma penalidade, mas sim como uma forma de apuração do lucro quando a pessoa jurídica deixa de cumprir com as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido. Ainda, observase que a legislação é clara ao dispor o conceito de receita bruta para fins do lucro arbitrado, sendo que se compreende esse conceito como o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. De igual modo, temse que na receita bruta se deverão ser excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário. Tratandose de despesas com perdas de recebimento de créditos no corrente ano, em que o lucro foi arbitrado, entendo que a contribuinte não faz jus ao devido abatimento requerido, na conformidade do que foi disposto na norma e explicitado acima. A empresa recorrente teve seu lucro arbitrado, no ano de 2006, o referido processo já se encontra em parcelamento. Entendendo que o arbitramento do lucro já abrange e engloba o cálculo das despesas com perdas de recebimento de crédito, já apreciada no ano de 2006, em lançamento próprio e independente, não pode a empresa intentar, no ano de 2007, aproveitar a dedução dessa despesa. A recorrente faria em duplicidade essa dedução, tanto no ano de 2006, pelo cálculo do arbitramento, como no ano de 2007, objeto desse processo. Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.910 22 Em suma, no arbitramento do lucro é determinado pela aplicação, sobre a receita bruta, dos percentuais fixados em lei, não havendo de se cogitar da consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis por atividade. E, se esse não fosse considerado o entendimento, observando a jurisprudência colacionada no recurso voluntário, pela recorrente, teremos que, embora no regime de tributação pelo lucro arbitrado o lucro ser determinado pela aplicação, sobre a receita bruta, dos percentuais fixados em lei, não havendo de se considerar as despesas, por já terem sido contempladas nos percentuais do arbitramento, no presente momento. Do Frete sobre vendas As despesas com frete referemse ao fato da empresa contratada (Palmitos), pela recorrente para efetivar os fretes, detinha um sócio comum, ou seja, nos quadros sociais da recorrente detinha um dos sócios da empresa Palmitos. Mas, a fiscalização promoveu a intimação, à empresa Palmitos para que apresentasse os contratos firmados entre as partes, além dos comprovantes de pagamento. Todos foram juntados aos feito. Porém, a fiscalização analisou os CTRCs (conhecimento de transporte rodoviário de carga) e verificou que não continha alguns dados, quais sejam: identificação das notas ficais a que se referiam e os destinatários da carga. Mas, referida infração diz respeito ao artigo 251 do Regulamento do ICMS e por si só não desconfigura o fato de ter a empresa recorrente realmente contratado, pago e utilizados do frente da empresa Palmitos. Ademais, entendo que a glosa dessa despesa efetivouse apenas sob a comunhão de fatores circundantes e não efetivamente sobre os fatos cerne da demanda. A relevância desse aspecto circundande, para a autuação, deixou de ser ponto para fundamentar e dar respaldo à glosa, quando a empresa Palmitos traz aos autos, toda vez que intimada, os demais documentos que comprovam a efetividade da contratação e prestação do serviço de fretes. Nesse sentindo, embora estejam ausentes, nos CTRCs, as informações relativas às notas fiscais das cargas e disposição contratual quanto à remuneração a ser paga pelos serviços, bem como o fato da contribuinte, intimada, deixa de apresentar planilha dos valores cobrados em função da quilometragem, alegando impossibilidade de discriminar a composição dos valores dos fretes cobrado, apresentou planilha dos valores cobrados em função da quilometragem, nos moldes do que é feito na atualidade. E para contextuar, a fiscalização admite que a contabilidade da empresa recorrente, mantida com observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte, bem como a diligência do mesmo em cumprir todas as intimações, demonstrando a correlação das despesas. Isso, sem levar em conta que o descumprimento de apenas uma obrigação acessória de um regulamento do fisco Estadual, não impede a empresa de fazer jus à dedução dessa despesa efetivamente comprovada por notas fiscais, conjugada com os romaneios de carga, relatórios de frete, contrato firmado, cheques e transferências dos valores. Nesse caminho e no que diz respeito aos romaneios, estão elencados as relações de várias notas fiscais, coadunadas com as placas dos veículos e motorista para cada viagem e locais de entrega. Ademais, consta da documentação o orçamento da prestação de serviço da empresa Palmitos, com valor da viagem, englobado o frete, valor da mercadoria, Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.911 23 quantidade de entrega, número de carga, placa, motorista, rota, peso e valor da nota fiscal, razão pela qual entendo devidamente comprovada as despesas, fazendo não sendo passível de glosa. No tocante às multas aplicadas A fiscalização busca caracterizar a intenção dolosa de fraudar o fisco elencando dados referentes à conexão societária entre a empresa recorrente e a empresa contratada Plamitos, bem contrato de locação, endereço, empregados e pagamentos. Ocorre que toda essa junção circundante não inibe o fato de que os fretes realmente ocorreram e foram pagos pela recorrente à empresa Palmitos. Ademais, a fiscalização não colaciona a contabilidade da empresa Palmitos, fato este imprescindível para justificar a fraude, quando o intento, descrito no TVF, era o de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária de modo a reduzir o montante do imposto devido, na medida que enxerta despesas que sabidamente não existem. No meu entendimento, a qualificação da multa, exclusivamente incidente sobre as despesas de frete, não merece prosperar, haja vista a farta documentação acostada pela recorrente que demonstram a efetividade da contratação e realização do frete. Os demais fatores circundantes não influenciam ou descaracterizam a realização da atividade de frete e as despesas oriundas da mesma. Nesse sentido, deve ser dado provimento parcial ao recurso voluntário para admitir as despesas com as perdas de recebíveis provenientes dos anos de 2004 e 2005, bem como as despesas com frete. Permanece a glosa das despesas referente ao ano de 2006 por ter este ano ter sofrido o arbitramento e aproveitado os percentuais que levam esse fato em consideração e as despesas com a moega. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10530.726987/201112 Acórdão n.º 1803002.627 S1TE03 Fl. 2.912 24 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado A divergência havida com o Voto Vencido se refere, unicamente, ao item relativo às “despesas com perdas de recebimento de créditos nos anos de 2004 e 2005”. Entendeu a Recorrente, e também a Relatora do Voto Vencido, que a empresa não possuiria obrigação de manter a documentação contábil correspondente àqueles anos (2004 e 2005) por mais de cinco anos, já que a autuação fiscal ocorreu em 2011. Tal, porém, não é correto, uma vez que a despesa correspondente somente foi lançada na contabilidade em 2007 e, como bem observa a fiscalização (fls. 34): Para o correto aproveitamento das perdas no recebimento de créditos como despesas, é necessário que o crédito tenha sido anteriormente tributado e, obviamente, nunca tenha sido deduzido como despesa. É, aliás, o que dispõe o art. 37 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Nego provimento ao recurso nessa parte. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 13005.000625/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA VINCULADO À EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da Cofins não-cumulativa, vinculado à operação de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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Recorrente DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA VINCULADO À EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da Cofins nãocumulativa, vinculado à operação de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 12/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 18 10.970, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Exportação (formulário instituído pela IN SRF n° 563, de 2005) relativo ao período de apuração de 01/01/2004 a 31/03/2004, totalizando o valor de R$ 497.160,30, conforme documento de fl. 01. Ao pedido de ressarcimento a contribuinte juntou extenso arrazoado (02/15) onde informa ter requerido ressarcimento de créditos em espécie, sendo atendida. No entanto, o montante solicitado lhe foi creditado pelo valor original, entendendo que o mesmo seria passível de atualização monetária. À fl. 05, tratando do objeto do presente processo, diz que há o locupletamento na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. Junto ao seu arrazoado a empresa apresentou os documentos de fls. 17/67. O Órgão de origem anexou os extratos de fls. 68/69, tendo emitido o Parecer DRF/SCS/Saort n° 026/09, de 13/02/2009 (fls. 70/77), constando, também, na fl. 78, o Despacho Decisório DRF/SCS n° 106/09, daquela data, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando a solução proposta no Parecer, resolveu não reconhecer o direito creditório pleiteado pela interessada e indeferir o pedido de correção pela SELIC do valor correspondente ao ressarcimento do PIS/PASEP não cumulativo exportação alcançado no processo n° 13897.000217/200456. Determinou fosse o sujeito passivo cientificado da decisão e intimado da possibilidade de apresentação, no prazo legal, de manifestação de inconformidade contra o despacho administrativo proferido. A contribuinte foi cientificada em 25/02/2009 (AR de fl. 80) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, em 11/03/2009 — fls. 81/96 — sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa protocolizou pedido de ressarcimento de crédito de PIS relativo ao 2o. trimestre de 2003, o qual foi atendido em momento bem posterior ao de seu protocolo, sem a devida correção monetária, donde a empresa teve seus créditos significativamente Fl. 310DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 130 3 reduzidos, em montante equivalente à diferença da correção monetária computada desde a data da constituição até sua liberação; • os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados à Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento. E esse ressarcimento deve corresponder à integralidade do direito pleiteado; • a pessoa jurídica que efetuar exportações sujeitas à modalidade não cumulativa do PIS e da COFINS, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de PIS nos termos das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • a demora no ressarcimento dos valores caracteriza um locupletamento duplo: a) em função da corrosão dos valores entre a data do pagamento do PIS pelos contribuintes das operações anteriores, valores que ficam nos cofres públicos até que seja constituído crédito do exportador, o qual se dá trimestralmente; b) aquele que é objeto do presente pedido, que ocorre na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. • a falta de correção dos créditos de natureza tributária expressa desigualdade de tratamento entre os contribuintes e o Fisco, em desfavor dos primeiros, eis que os débitos daqueles para com a Fazenda Nacional são sempre acrescidos de correção pela taxa SELIC (a partir de 1°/01/1996); • no presente caso, apenas parte do principal já foi ressarcida, restando uma parcela decorrente da não aplicação da correção, tendo a empresa apresentado pedido complementar (correção monetária pela taxa SELIC), o qual foi indeferido pela RFB; • as razões trazidas pela autoridade administrativa no Despacho ora atacado não merecem prosperar. Do DIREITO DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA • a autoridade administrativa afirma que a taxa Selic de juros não pode ser utilizada como índice de atualização monetária, assim como jamais o foi pela União Federal em instante algum, somente se prestando a ser empregada enquanto aquilo que é: uma taxa de juros, sendo uma das razões para o indeferimento do pedido, mas não a única; • tal afirmação não merece prevalecer, haja vista que a partir de 01/01/1996, em virtude da regra insculpida no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250, de 1995, a compensação ou restituição/ressarcimento de créditos do contribuinte deve ser corrigida apenas pelos juros da taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partira da data do pagamento indevido ou a maior, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% no mês em que estiver sendo efetuada, excluindose qualquer indexador, por que a SELIC tem natureza mista; Fl. 311DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 • considerandose que a Administração Pública se encontra vinculada aos preceitos normativos veiculados através de normas legais, em atenção ao princípio da legalidade (se refere à completa submissão da Administração às leis, devendo esta tão somente,obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática), deve ela aplicar as disposições da Lei n° 9.250, de 1995, no sentido de aplicar a taxa SELIC sobre os créditos existentes em favor da empresa; • a jurisprudência do STJ é assente quanto à aplicação da taxa SELIC nos ressarcimentos de créditos existentes em favor dos contribuintes. Transcreve ementa de julgado daquela Corte, bem como de decisões do Conselho de Contribuintes, que entende sustentar a sua tese; • existindo lei que determine a utilização da SELIC como índice de correção monetária a partir de 1996, deve a Autoridade Administrativa, em respeito ao princípio da legalidade, dar o devido cumprimento às disposições legais trazidas pela Lei n° 9.250, de 1995. Do DIREITO À CORREÇÃO MONETÁRIA • a correção monetária serve tãosomente para recompor determinado valor corroído pelo tempo, sem, no entanto, representar nenhum acréscimo ao valor principal. Registra posicionamento de doutrinador e discorre acerca de compensação, restituição e ressarcimento, entendendo que o legislador, ao garantir o direito à aplicação da taxa SELIC, objetivou estabelecer um equilíbrio, devolver, indenizar, compensar o contribuinte; • ressalta que a aplicação da sistemática não represente ônus para o devedor, ou vantagem para o credor, pois não retrata acréscimo patrimonial, mas manutenção do valor monetário defasado pelo decurso do tempo; • refere a entendimento adotado pelo Poder Judiciário — se o Fisco cobra os seus créditos acrescidos de SELIC, da mesma forma deve proceder quando a situação é inversa — citando a Súmula 46 do extinto TFR e posicionamento da Corte Superior, registrando parte de Parecer da Advocacia Geral da União e do art. 66 da Lei n°8.383, de 1991; • entende que aquele artigo dispõe expressamente sobre o seu caso, dizendo que os créditos relativos ao ressarcimento de PIS nãocumulativo, decorrentes de incentivo fiscal outorgado às exportadoras, e resultantes do pagamento de PIS em produtos exportados, representam direito líquido e certo da empresa; • o ressarcimento de créditos concedidos por lei, sem a devida correção monetária, prejudica em demasia as empresas exportadoras, visto a desvalorização da moeda no período compreendido entre a data da constituição do crédito e a compensação ou o ressarcimento em espécie; • é cristalino que a não aplicação da correção monetária dos créditos ressarcidos, desde a data da sua constituição, implica desnaturação da relação previamente ajustada entre as partes; • pagamento ou ressarcimento sem correção monetária equivale, manter o desequilíbrio da prestação e provoca lesão intolerável para o credor, seja ele ente público ou privado. Registra ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, ressaltando que nos relatórios daqueles, além da manifestação favorável à correção monetária dos créditos de IPI, percebese a menção ao art. 108 do CTN, que dispõe que na ausência de disposição expressa em lei, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária poderá valerse da analogia, ou seja, poderá usar as mesmas regras utilizadas para a restituição de impostos pagos Fl. 312DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 131 5 a maior ou indevidamente. Como frisado, o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, prevê a correção monetária desses valores. Registra entendimentos doutrinário e da CSRF; • entende que no caso em tela se faz necessário o uso da analogia a fim de garantir o direito de ter ressarcido em espécie os crédito de PIS nãocumulativo oriundos de incentivo fiscal, acrescidos da devida correção monetária. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC • transcreve parte do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, cita posicionamento de doutrinador e entende que cumpre à autoridade fiscal aplicar a taxa SELIC sobre os créditos ressarcidos à empresa no período compreendido entre a sua constituição e o ressarcimento, eis que aquela taxa foi o instrumento disponibilizado aos contribuintes credores da União Federal capaz de equiparar os créditos e débitos de natureza tributária, fazendo valer o princípio constitucional da isonomia; • refere à forma de ressarcimento de créditos de PIS decorrentes de incentivos legais, dizendo que não há previsão sancionatória para a demora nos ressarcimentos, levando à conduta protelatória por parte da SRF, em manifesto prejuízo dos contribuintes; • a empresa merece ter seus créditos restituídos de forma real, se fazendo necessária a incidência da taxa SELIC desde a respectiva constituição até o ressarcimento; • a taxa SELIC configura remuneração de valores por força do decurso do tempo, na forma com que instituída, ou seja, outra natureza não se pode atribuir àquela taxa senão a que manifesta conotação de correção monetária, a partir de 1°/01/1996. Registra julgados do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário; • a empresa pugna pela reforma in totum da decisão combatida, ressaltando que a aplicação de dois pesos e de duas medias provoca insegurança no contribuinte, já que todo e qualquer débito (independente da denominação do mesmo) é exigido pela Fazenda Pública com correção monetária, pela taxa SELIC, dos valores já ressarcidos. DO PEDIDO • requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendose o direito ao ressarcimento integral dos valores relativos ao presente processo administrativo, referentes à SELIC, por todos os motivos expostos e comprovados anteriormente; • pede e espera deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou o documento de fl. 97. O Órgão de origem remeteu o processo a esta DRJ (fl. 98). Ao enfrentar o tema, a 2ª. Turma da DRJ de Santa Maria/RS entendeu por manter o despacho decisório, rechaçando os argumentos trazidos pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, pelas razões bem retratadas na ementa do julgado abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 313DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida Finalmente no Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, a empresa epigrafada se indispõe contra o acórdão a quo, pugnando pela sua reforma para que seja admitida a correção monetária, pela Selic, do pedido de ressarcimento em espécie do crédito da contribuição ao PIS. Como motivação, basicamente reitera a Recorrente seus argumentos já trazidos por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. É o que interessa ao julgamento. Voto Vencido Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Consoante bem observou a instância de julgamento a quo, observase que a lide renovada em sede de recurso voluntário, assim como o foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade, restringese exclusivamente à questão da atualização monetária, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento acatados pela unidade de origem em seu valor principal histórico. No que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 20311.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que Fl. 314DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 132 7 admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de IPI, de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em transbordo da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já Fl. 315DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo:Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690)Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Afasto igualmente as motivações adotadas pelo acórdão recorrido, no sentido de vedar a correção em razão das normas jurídicas previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n.º 10.833/03, pois dirigidos a situações específicas que não se confundem com as dos autos. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe provimento, no sentido de reconhecer a correção monetária, pela Selic, sobre o pedido de ressarcimento dos autos, a partir da data do seu protocolo. Deve, outrossim, observar a autoridade de origem os limites do crédito histórico reconhecido ao contribuinte. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 133 9 Os presentes autos versam sobre pedido de ressarcimento do valor da taxa Selic incidente sobre o valor originário do saldo remanescente do crédito da Cofins não cumulativa – exportação do 1° trimestre de 2004, pleiteado pela Recorrente por meio do processo administrativo n° 13897.000217/200456. De acordo com petição de fls. 02/15, pleiteou a Interessada a atualização do valor do citado crédito, com base na variação da taxa Selic, ocorrida desde a constituição do crédito ou, alternativamente, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento originário. Segundo as planilhas de fls. 53/54, a base de cálculo utilizada na apuração do valor solicitado foi o valor originário do saldo remanescente pleiteado pela Interessada e não o valor originário do crédito reconhecido pela Autoridade Fiscal, no âmbito do citado processo. Logo, entendo oportuno esclarecer que os aspectos atinentes à apuração do valor do crédito pleiteado não foram analisados no Despacho Decisório de fl. 78 nem no presente Acórdão recorrido. De fato, as razões que serviram de fundamento para o indeferimento do presente pedido foram de natureza exclusivamente jurídica, baseadas no argumento de que havia expressa proibição legal para o pagamento da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento do mencionado crédito. Dessa forma, tendo em conta as razões de defesa aduzidas na peça recursal em apreço, tenho que a presente controvérsia restringese exclusivamente a questão jurídica, concernente à existência ou não de previsão de amparo jurídico para a incidência da taxa Selic sobre o valor do saldo remanescentes dos crédito da Cofins nãocumulativa – exportação do citado trimestre. Definido o cerne da presente controvérsia, peço vênia ao nobre Relator para manifestar a minha discordância em relação ao seu entendimento. Inicialmente, tenho que os presentes autos não tratam de ressarcimento de crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, conforme entendeu o ilustre Relator. De fato, segundo a própria Recorrente (fl. 03), o pleito em tela trata de pedido de ressarcimento do saldo remanescente do crédito escritural da Cofins nãocumulativa – exportação, formulado com fundamento no § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2002, que dispõe o seguinte, in verbis: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Assim, em consonância com o entendimento esposado na decisão recorrida, também entendo que há proibição expressa de incidência de qualquer acréscimo sobre o valor do ressarcimento do saldo remanescente do crédito em destaque, seja por meio de pagamento Fl. 317DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 em dinheiro ou de compensação, nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir a transcrito: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...)(grifos não originais). Cabe esclarecer que a redação do § 4º1 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a hipótese de ressarcimento do crédito em destaque. Assim, fica demonstrada a impossibilidade da incidência da taxa Selic sobre o valor originário do referido crédito, qualificando como ilegítima a pretensão da Recorrente. Ainda que assim não fosse, melhor sorte não assistiria a Recorrente, pelas razões que a seguir aduzidas. Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data constituição do crédito ou do protocolo do pedido de ressarcimento, com o argumento de que seria penalizada pelo atraso no pagamento do referido valor, assim com haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. Não procede tais argumentos. No que tange ao alegado prejuízo com a mora no pagamento do valor do citado crédito, entendo que ele inexiste no presente caso, pelas seguintes razões: (i) o direito creditório objeto do ressarcimento em tela é proveniente de um benefício fiscal, logo, a falta de atualização monetária ou qualquer outro acréscimo moratório não implicará qualquer prejuízo ao beneficiário, mas apenas não realização de um ganho adicional; e (ii) por força do princípio da indisponibilidade do interesse público, toda e qualquer concessão de recurso ou bem público tem que está amparado em lei, que não existe no caso vertente. Assim, tratandose de crédito de natureza escritural, decorrente de incentivo fiscal, o ressarcimento do saldo remanescente de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa – exportação, também por falta de previsão legal, não comporta quaisquer acréscimos, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios. Esse é também o entendimento pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme ementas dos recentes julgados que seguem transcritas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA DO FISCO. CABIMENTO. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)". Fl. 318DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 134 11 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), pacificou o entendimento de que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, exceto nos casos em que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impede a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu, com base na prova dos autos, que "não houve oposição do Fisco ao aproveitamento dos créditos presumidos de IPI, tanto que a empresa não restou obrigada a recorrer ao Judiciário para garantir o direito aos créditos". A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1.124.555/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/11/2009, DJe 07/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL PRESUMIDO. ART. 1º, DA LEI N. 9.363/96. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DEMORA DO FISCO EM LIBERAR TAIS CRÉDITOS. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES DA PRIMEIRA E SEGUNDA TURMAS. 1. Cuidase de demanda em que a empresa, ora recorrida, objetiva a correção monetária de valores ressarcidos administrativamente a título de IPI (crédito presumido de IPI), de que trata o art. 4º da Lei 9.363/96. 2. O Tribunal de origem entendeu devida a correção monetária, por meio da taxa SELIC, dos valores de crédito presumido de IPI após decorridos cento e cinquenta dias da formulação do pedido de ressarcimento. Consignou que, embora a impetrante não requeira ordem para que haja análise do pedido administrativo, a incidência de atualização dos créditos está intimamente ligada aos limites de atuação da Fazenda. 3. A jurisprudência do STJ é no sentido de que, em se tratando de créditos escriturais de IPI, só há autorização para atualização monetária de seus valores quando há demora injustificada do Fisco para liberar o pedido de ressarcimento. Tema que já foi julgado pelo regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4. No entanto, não se enquadra na hipótese excepcional a simples demora na apreciação do requerimento administrativo de restituição ou compensação de valores, sobretudo quando não há prova da existência de impedimento injustificado ao aproveitamento dos créditos titularizados pelo contribuinte. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Precedente: REsp 985.327/SC, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 4.3.2008. 5. Recurso Especial provido. (STJ, REsp 1.115.099/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16/03/2010, DJe 26/03/2010) Com base no conteúdo das transcritas ementas, resta claro que, se não existe previsão legal para a incidência de atualização monetária ou de juros moratórios, não pode o aplicador da lei, seja ele da esfera judiciária e, muito menos ainda, da seara administrativa, suprindo e invadindo a competência do legislador, numa autêntica função de legislador positivo, autorizar ou permitir que sejam corrigidos monetariamente ou acrescidos de juros moratórios o saldo dessa modalidade de crédito. Se assim o fizesse, tanto aplicador quanto o julgador estariam afrontando os ditames legais que norteiam a competência para o exercício da função administrativa e judicante. Além disso, por força do princípio da separação dos poderes (art. 2º da CF/88), a competência para elaboração de lei está reservada ao Poder Legislativo. Na suposta ausência de lei, no meu entender, não pode o aplicador ou julgador suprir eventual ausência legislativa, com o escopo de fazer justiça no caso concreto, conforme defende alguns. Neste sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignada nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 16.776∕RS2, cujo excerto da ementa, concernente a matéria em debate, segue transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. CRÉDITOS ESCRITURAIS. NÃO INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INTELIGÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS QUE REGULAM A NÃOCUMULATIVIDADE E AS ISENÇÕES DO IPI (ART. 153, § 3º, II, DA CF∕88 E ART. 49 DO CTN) (...) 2. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferenciase do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da nãocumulatividade. 3. Não havendo previsão, falece ao aplicador da lei autorizar, ou mesmo aceitar, sejam os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a oficiar acima e além dos ditames legais que norteiam sua função pública. 4. O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. 5. Embargos de declaração acolhidos. (grifos não originais) 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 416.776∕RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 16∕02∕2004, p. 205. Jurisprudência do STJ. Disponível em: <https:ww2.stj.gov.Br/revistaeletrônica> Acesso em: 10 nov. 2007. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 135 13 Também não me impressiona a alegação de que a não atualização dos referidos créditos implicaria grave ofensa ao princípio da isonomia. No caso, é pertinente a seguinte indagação: isonomia com o quê? Segundo a Recorrente, isonomia em relação ao pagamento dos tributos devidos à Fazenda Nacional. Não vejo como ser aferido qualquer critério isonômico entre as duas situações jurídicas em comparação, uma atinente ao pagamento do tributo devido e a outra relativa ao pagamento do crédito a que contribuinte tem direito a ressarcimento. A razão é clara, a começar pela posição que ocupa os sujeitos que integram as respectivas relações jurídicas, onde cada um deles posicionase de forma distinta e contraposta. De fato, na relação jurídica tributária, a Fazenda Nacional ocupa a posição de sujeito ativo, enquanto que o contribuinte atua como sujeito passivo. Por outro lado, na relação jurídica de ressarcimento, a posição de cada um dos referidos sujeitos se inverte. Além disso, não se deve olvidar que a previsão de cobrança de juros moratórios sobre o valor dos tributos devidos, com base na taxa Selic, decorre de determinação expressa de lei (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Por outro lado, tal previsão inexiste no caso da mora no pagamento do ressarcimento do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação. Dessa forma, fica mais uma vez demonstrado que a questão relevante para o deslindo da presente controvérsia está relacionada também com a falta de previsão legal para a concessão do acréscimo da taxa Selic ao valor originário do saldo remanescente do crédito em apreço. Segundo a Recorrente, se a jurisprudência administrativa e judicial estendeu aos créditos passíveis de ressarcimento a atualização monetária, prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, por analogia, a partir de janeiro de 1996, também tais créditos deveriam ser acrescidos da taxa Selic, conforme estabelecido no art. 39, § 4°, da Lei nº 9.250, de 1995. Não assiste razão a Recorrente. Com efeito, tanto o § 3º do art. 663 da Lei nº 8.383, de 1991, que previa a atualização monetária, quanto o § 4° do art. 394 da Lei nº 9.250, de 1995, que prevê a incidência da taxa Selic, tratam exclusivamente da restituição do indébito tributário decorrente do pagamento indevido ou a maior de tributos. 3 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...)" 4 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Fl. 321DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 É cediço que o direito a restituição do indébito tributário não se confunde com o direito ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação. As diferenças entre ambos os institutos jurídicos são marcantes. No quadro a seguir, estão relacionadas as principais: DIREITO DE RESTITUIÇÃO DIREITO DE RESSARCIMENTO Tem origem no fato jurídico do pagamento de tributo indevido. Tem origem no fato jurídico da exportação do insumo industrializado. Tratase de devolução de tributo irregularmente pago. Tratase de devolução de tributo regularmente pago. Tem por objetivo recompor a situação patrimonial do contribuinte, indevidamente desfalcado por recolhimento indevido de tributo. Tem por objetivo a concessão de subvenção financeira ao exportador de produtos industrializados no País, como forma de incentivo fiscal ao produtorexportador. Tem como fundamento axiológico o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa. Tem como fundamento axiológico o princípio da extrafiscalidade. Aliás, cabe ressaltar que o ressarcimento do crédito em apreço não representa uma forma de restituição dos valores das contribuições anteriormente recolhidas indevidamente pelo exportador ou até mesmo por outros contribuintes, nas operações anteriores do ciclo econômico dos insumos utilizados no processo produtivo, como alegado pela Recorrente. Na verdade, o ressarcimento do crédito em tela consiste numa forma de subvenção financeira de natureza governamental, concedida sob a forma de incentivo fiscal ao exportador dos produtos nacionais industrializados. Por tudo isso, é forçoso concluir que o fenômeno jurídico da restituição ou repetição do indébito tributário tem fundamento e natureza jurídica distintos do fenômeno do ressarcimento do crédito escritural, portanto, inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica entre os dois institutos jurídicos. É cediço que para o emprego da analogia é necessário que haja ausência de norma, isto é, que a lei seja lacunosa. No âmbito tributário, há norma específica que confirma tal regra, refirome ao caput do art. 108 do CTN, segundo o qual a integração da legislação tributária somente pode ser empregada diante da ausência de disposição legal expressa. No caso em tela, não vislumbro tal circunstância, haja vista que a ausência de previsão legal acerca da atualização ou incidência de juros moratórios sobre os valores originários dos créditos objeto de ressarcimento, com base na taxa Selic, não se configura ausência de norma legal, mas, conforme anteriormente demonstrado, omissão desejada pelo legislador, que no uso de sua prerrogativa, não editou a norma concessiva do direito ao acréscimo da taxa Selic sobre tal modalidade de crédito. Não se deve confundir opção legislativa com omissão legislativa. No caso presente, o que houve foi uma clara opção do legislador por não conceder o acréscimo moratório, calculado com base na taxa Selic. Mais uma vez, é oportuno ressaltar que por força do princípio da indisponibilidade do interesse público somente mediante lei poderia ser concedido o direito de Fl. 322DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 136 15 atualização reivindicado pela Recorrente. Principalmente, tendo em conta que tal índice tem natureza de juros moratórios, portanto, não se prestando para fim de correção monetária, forma de atualização que, segundo alguns, comportaria acréscimo ao valor originário. Ad argumentadum, em consonância com princípio da eventualidade, ainda que houvesse a suposta lacuna normativa, seria inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica, haja vista que não há entre o instituto da restituição do indébito tributário e do ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação, um elemento de identidade essencial entre eles, que lhes conferisse verdadeira semelhança, caracterizada pela presença das mesmas razões motivadoras de suas existências. Com essas considerações, entendo inaplicável qualquer modalidade de acréscimo legal, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios, calculado com base na taxa Selic, ao valor originário do saldo remanescente do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação, por duas razões: (i) a existência de expressa vedação legal para tal acréscimo (art. 13, combinado com art. 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003), e, ainda que não existisse tal vedação, o que admito apenas em caráter eventual, (ii) por falta de previsão legal não cabe a referida atualização. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 323DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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