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Numero do processo: 10510.724763/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL EXISTENTE. SIMULAÇÃO INEXISTENTE. POSSIBILIDADE.
Ágio formado pelo pagamento em leilão de privatização realizado por empresa criada para participação no leilão, com a subsequente incorporação reversa pela empresa privatizada. Operação possível.
A formação do ágio poderia se constituir da mesma forma caso a operação de aquisição tivesse ocorrido pela empresa controladora do grupo que viabilizou a compra.
Descabem as alegações de utilização de empresa veículo e de ausência de propósito negocial em face de não haver, na prática, necessidade de utilização de operações simuladas para viabilizar a formação do ágio.
Inexistência de simulação nas operações visto que não visavam burlar normas impeditivas.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Constatado saldo insuficiente para a compensação de prejuízo fiscal, deve ser efetuada a autuação.
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. No caso concreto não se aplica o princípio em razão do cancelamento integral da multa de ofício lançada no mesmo exercício.
Numero da decisão: 1401-003.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) glosa de despesas com ágio - por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a glosa da dedução com as despesas decorrentes do ágio. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira; (ii) compensação indevida de prejuízos fiscais - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (iii) multa isolada sobre estimativas - por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso em relação à imposição da multa isolada, determinando a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, foram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Eduardo Morgado Rodrigues, que votaram por cancelar integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida dos valores de multas de ofício lançadas, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada; (iv) Juros sobre multa de ofício - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (v) aplicação do art. 112 do CTN - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (vi) Recurso de ofício - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL EXISTENTE. SIMULAÇÃO INEXISTENTE. POSSIBILIDADE. Ágio formado pelo pagamento em leilão de privatização realizado por empresa criada para participação no leilão, com a subsequente incorporação reversa pela empresa privatizada. Operação possível. A formação do ágio poderia se constituir da mesma forma caso a operação de aquisição tivesse ocorrido pela empresa controladora do grupo que viabilizou a compra. Descabem as alegações de utilização de empresa veículo e de ausência de propósito negocial em face de não haver, na prática, necessidade de utilização de operações simuladas para viabilizar a formação do ágio. Inexistência de simulação nas operações visto que não visavam burlar normas impeditivas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Constatado saldo insuficiente para a compensação de prejuízo fiscal, deve ser efetuada a autuação. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 47 63 /2 01 1- 12 Fl. 6291DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.292 2 ofício lançada. No caso concreto não se aplica o princípio em razão do cancelamento integral da multa de ofício lançada no mesmo exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) glosa de despesas com ágio por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a glosa da dedução com as despesas decorrentes do ágio. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira; (ii) compensação indevida de prejuízos fiscais por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (iii) multa isolada sobre estimativas por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso em relação à imposição da multa isolada, determinando a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, foram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Eduardo Morgado Rodrigues, que votaram por cancelar integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida dos valores de multas de ofício lançadas, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada; (iv) Juros sobre multa de ofício por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (v) aplicação do art. 112 do CTN por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (vi) Recurso de ofício por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Fl. 6292DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.293 3 DO LANÇAMENTO 1 Trata o presente processo dos Autos de Infração, às fls. 02 a 101, lavrados contra a ENERGISA SERGIPE DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. (doravante denominada ENERGISA SERGIPE), para a exigência de crédito tributário no montante de 105.482.324,08 (cento e cinco milhões, quatrocentos e oitenta e dois mil, trezentos e vinte e quatro reais e oito centavos), estando assim distribuído: 2 De acordo com o Auto de Infração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e Termo de Verificação Fiscal TVF, às fls. 02 a 31 e 60 a 101, respectivamente, o crédito tributário ali lançado foi constituído em razão da Fiscalização verificar que a Contribuinte, no decorrer dos anoscalendário de 2006, 2007, 2008, 2009 e de 2010, teria cometido diversas infrações, as quais, juntamente com seus fundamentos e consequências, podem ser assim resumidas: 2.1 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS, DESPESAS NÃO COMPROVADAS (AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO), nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), correspondentes aos anoscalendário de 2006 a 2010, respectivamente, fatos geradores anuais, às fls. 05, conforme discriminado no TVF, às fls. 60 a 82, tendo como enquadramento legal o artigo 3°, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e os artigos 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), observandose que, no referido Termo, a Fiscalização aponta as razões que levaram à tributação da amortização indevida de despesas com ágio, principalmente: Fl. 6293DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.294 4 DO HISTÓRICO 2.1.1 Que o procedimento de fiscalização iniciouse com a intimação do Fiscalizado, via postal, do Termo de Início de Fiscalização – TIF, em 14/04/2011, no qual foram requeridos livros e documentos próprios e da incorporada CATLEO DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ nº 02.150.608/000128 (doravante denominada CATLEO). 2.1.2 Ao longo do procedimento fiscalizatório, vários termos foram expedidos pelas Autoridades Tributárias em desfavor dos sobreditos contribuintes, tais como de Intimação Fiscal – TI, Reintimação Fiscal – TRF, bem como foi realizada reunião com os prepostos da pessoa jurídica, contudo as sobreditas demandas foram atendidas parcialmente ou não foram atendidas, o quê, inclusive, justificou a expedição de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira –RMF relativa a empresa incorporada para instituições financeiras e perante o Banco Central do Brasil. DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL Do Leilão de Privatização da ENERGISA SERGIPE – DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A e a demonstração da geração do ágio 2.1.3 A empresa Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, ou simplesmente Energisa Sergipe, foi desestatizada em 03 de dezembro de 1997, através de leilão de privatização cujo vencedor formal e adquirente das ações foi à empresa veículo Catleo Distribuidora LTDA, CNPJ: 02.150 608/000128. 2.1.4 Constatou que a Companhia Força e Luz Cataguazes – Leopoldina (doravante denominada CATAGUAZES), CNPJ: 19.527.639/000158, através de sua empresa de propósito específico, Catleo Distribuidora LTDA, adquiriu do governo do Estado de Sergipe 86,4% do Capital total da primeira.(g.n) 2.1.5 Compulsando livros e planilhas apresentados pelo contribuinte, apurou que a sobredita aquisição se efetivou com expressivo ágio no valor de RS 504.460.578,75 {quinhentos e quatro milhões, quatrocentos e sessenta mil quinhentos e setenta e oito reais e setenta e cinco centavos) contabilizados na rubrica contábil “Ágio Ações Energipe”, código 1.3.1.1 00026. Ressalte se que o valor patrimonial do investimento contabilizado, no dia 03 de dezembro de 1997, na rubrica contábil "Ações Energipe", código 1.3.1.1 00018, do referido livro foi de R$ 75.553.777,00 (setenta e cinco milhões quinhentos e cinquenta e três mil setecentos e setenta e sete reais). 2.1.6 Extraiu dos documentos apresentados pelo Fiscalizado, que houve, na CATLEO, aumento do Capital Social no valor de R$ 49,133.664,00 (quarenta e nove milhões cento e trinta e três mil e seiscentos e sessenta e quatro reais), subscrito pela então sócia Energisa S/A, mediante a Fl. 6294DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.295 5 conferência de 4.094.472 (quatro milhões e noventa e quatro mil quatrocentas e setenta e duas) ações ordinárias do capital da Energipe Sergipe Distribuidora de Energia S/A, atualmente denominada Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A. Acrescentou que a mencionada subscrição foi contabilizada com ágio de R$ 38.829.843,00 (trinta e oito milhões oitocentos e vinte e nove mil oitocentos e quarenta e três reais). 2.1.7 Em decorrência da natureza das citadas operações, ambos os ágios não eram dedutíveis para fins fiscais, à vista disso cabia à CATLEO adicionálos ao lucro tributável, procedimento este certificado ao examinar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR 1997 e 1998. 2.1.8 Abaixo apresentou diagrama das operações supra: 2.1.9 Após esta sequência de operações que ensejaram a origem do citado ágio é possível demonstrar a trajetória desta dedução como se segue. Fl. 6295DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.296 6 Do fundamento econômico para o ágio acima descrito e o tratamento fiscal a ser dispensado. 2.1.10 Que até a publicação da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, consoante o disposto nos arts. 20, 25 e 33, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, com nova redação dada pelo Decreto Lei rt° 1.730/79, as contrapartidas da amortização do ágio ou deságio não eram computadas na determinação do lucro real, salvo quando compunha a base de cálculo, à título de custo, para fins de apuração do ganho de capital, quando da alienação ou liquidação do investimento, em coligada ou controlada, avaliado pelo valor de patrimônio líquido. 2.1.11 Nesta seara, em respeito ao disposto na alínea b, do § 2º, art. 20, do sobredito diploma legal, o Auditado apresentou estudo, datado de 28 de novembro de 1997, realizado pelo Conselho de Administração da CATAGUAZES, no qual se observou que o fundamento econômico do ágio sob julgamento (leilão de privatização), correspondeu ao valor de rentabilidade, da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 2.1.12 Que a referida lei, especialmente em seus arts. 7º e 8º, textualmente transcrito abaixo, juntamente com a Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999, provocaram significativas alterações legislativas, nascendo no mundo tributário à possibilidade de amortizar o ágio surgido na aquisição de participação societária, cujo fundamento econômico tenha sido a expectativa de resultados futuros, da coligada ou controlada, desde que o patrimônio seja absorvido por outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão. 2.1.13 Em face do exposto, inferiu que para o Grupo Energisa se aproveitar do benefício fiscal do ágio incorrido e contabilizado, deveria, necessariamente adquirir participação com ágio, e, posteriormente concretizar a absorção do patrimônio mediante reorganização societária. Fl. 6296DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.297 7 Da constituição e desenvolvimento da Catleo Distribuidora LTDA, CNPJ: 02.150.608/0001 28 Empresa veículo 2.1.14 Que em 06 de outubro de 1997, foi constituída a empresa CMS Distribuidora Dois LTDA, CNPJ: 02.150.608/000128, com capital social de 10.000 (dez mil) quotas a integralizar, cujo objeto principal era a construção e exploração de sistemas de produção, transmissão. transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica. Em 24 de novembro de 1997, o sócio majoritário da empresa CMS Distribuidora Dois LTDA, cedeu suas 9.999 (nove mil novecentos e noventa e nove) quotas, ainda não integralizadas, para a empresa CATAGUAZES concomitantemente a razão social foi alterada para Catleo Distribuidora LTDA e a administração da sociedade delegada a Maurício Perez Botelho, CPF: 738,738.10700. 2.1.15 Destacou que desde a sua constituição até final do mês de novembro de 1997, a CATLEO continuava com Capital Social a Integralizar e não apresentava nenhuma atividade operacional, bem como, consoante informações coletadas nos diversos sistemas de cadastro da Previdência Social, sequer tinha quadro de funcionários. Contudo, mesmo sem qualquer estrutura econômica, arrematou no leilão de privatização, realizado em 03 de dezembro de 1997, o equivalente a 86,42% das ações da Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, com expressivo ágio. 2.1.16 A engenharia financeira para tornar possível a aquisição ora suscitada se deu da seguinte forma, segundo o contribuinte: 2.1.17 Converteu em diagramas alterações contratuais da CATLEO, desde da constituição até a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE no Leilão de Privatização, demonstrando a apresentação do grupo econômico. Fl. 6297DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.298 8 Fl. 6298DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.299 9 2.1.18 Inferiu que os recursos aplicados na CATLEO originaramse especificamente da CATAGUAZES. Nessa senda, intimou a ENERGISA SERGIPE para apresentar os contratos de mútuos, em prol de averiguar a origem e o destino dos recursos aplicados no leilão de privatização. 2.1.19 No que tange ao contrato de mútuo de R$ 121.565.266,00 (cento e vinte um milhões quinhentos e sessenta e cinco mil e duzentos c sessenta e seis reais) firmado entre CATAGUAZES (controladora), antiga denominação da Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A (doravante denominada ENERGISA MINAS GERAIS) e a CATLEO, percebeu que: 2.1.19.1 Serviu para compor o montante a ser liquidado em face da aquisição de ações da Energisa Sergipe; Fl. 6299DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.300 10 2.1.19.2 Na busca da verdade material, foi o contribuinte regularmente intimado a apresentar documentos comprobatórios da transferência dos recursos, tais como, extratos bancários, TEDs, DOC s, entre outros. Em resposta a intimação a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S.A, alega que devido ao lapso temporal não dispõe dos documentos ora solicitados; 2.1.19.3 Ao analisar o Livro Diário da CATLEO, constatou que o lançamento relativo ao recebimento, em tese, deste mútuo, transitou, estranhamente, pela conta caixa;(g.n.); 2.1.19.4 Ao requerer de todos os intervenientes da operação os extratos bancários referentes aos anos calendário 1997 e 1998, inicialmente alegaram que, em função do lapso temporal, não detinham as informações. Posteriormente, foi apresentado um espelho do extrato bancário da ENERGISA MINAS GERAIS, referente ao banco BNDES, conta 130717, contendo saída de R$ 337.319.775,00 (trezentos e trinta e sete milhões, trezentos e dezenove mil e setecentos e setenta e cinco reais), que comprovaria o pagamento de parte das ações adquiridas no leilão de privatização; 2.1.19.5 Considerando que a supradita posição não esclareceu a origem e a destinação dos recursos aplicados na aquisição sob apreciação, intimou a ENERGISA SERGIPE para apresentar seus extratos bancários e na condição de incorporadora os da CATLEO, todavia a empresa não se manifestou; 2.1.19.6 Que o Banco Central do Brasil, mediante ofício n° 89/2011 BCB/Decic/Gabin, asseverou que a CATLEO, não mantinha conta em nenhuma instituição financeira; 2.1.19.7 Não há registro contábil na CATLEO do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros – IOF, referente ao mútuo à epígrafe; e 2.1.19.8 Pelo exposto, os recursos supracitados foram transferidos diretamente da ENERGISA MINAS GERAIS para o Governo de Sergipe e demais acionistas, não transitando pela CATLEO, fortalecendo o indício que aquela realizou a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, utilizando se da empresa veículo CATLEO, apenas com propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, conforme novação legal da lei 9.532 de 10 de dezembro de 1997. 2.1.20 Quanto ao Mútuo, envolvendo o montante de R$ 146.149.840,00 (cento e quarenta e seis milhões cento e quarenta e nove mil e oitocentos e quarenta reais), realizado entre CATLEO e Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, apurou que: 2.1.20.1 A CATLEO, conforme disposto na cláusula 17ª, do contrato de financiamento nº 97.2.515.3.1, autorizou o BNDES a disponibilizar o total do crédito concedido na conta corrente da CATAGUAZES, sua controladora a época; Fl. 6300DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.301 11 2.1.20.2 A CATAGUAZES afirmou que transferiu imediatamente para CATLEO; 2.1.20.3 Ao analisar o Livro Diário da CATLEO, atentou que o sobredito valor transitou pela conta caixa; 2.1.20.4 A inexistência de conta bancária, conforme já afirmado, aliada as constatações retro, robusteceu a percepção que os recursos supracitados foram transferidos do BNDES para empresa ENERGISA MINAS GERAIS, que por sua vez repassou diretamente para os antigos acionistas da ENERGISA SERGIPE, portanto, não transitando pela empresa CATLEO; 2.1.20.5 Quanto aos lançamentos contábeis a débito da conta caixa na CATLEO, estes visaram cumprir formalidades legais de uma operação que só aconteceu no papel, não se coadunando essência e forma; 2.1.20.6 Tais evidências tonificaram o indício de que toda operação comentada teve o único propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, utilizando a CATLEO de empresa veículo. 2.1.21 No que concerne o Adiantamento para Futuro Aumento de Capital realizado pela ENERGISA S/A para a CATLEO, no valor de R$ 309.386.669,00 (trezentos e nove milhões, trezentos e oitenta e seis mil e seiscentos e sessenta e nove reais), descobriu que: 2.1.21.1 Da análise do Livro Diário da CATLEO, observou, mais uma vez, que os recursos, apesar de envolver cifras milionárias, transitaram pela conta caixa. Ademais, repisando a informação do BACEN, a citada empresa não detém contas bancárias; 2.1.21.2 Que estes lançamentos contábeis trazem sérios indícios de que a operação de liquidação fora realizada diretamente da Energisa S/A para os antigos acionistas da Energisa Sergipe, sem, portanto, transitar pela empresa Catleo Distribuidora LTDA;(g.n.) 2.1.21.3 Que há elementos suficientes para demonstrar que os recursos aportados, em tese, na Energisa S/A, originaramse na ENERGISA MINAS GERAIS, não transitaram pela CATLEO e foram transferidos para os antigos acionistas da empresa ENERGISA SERGIPE. Nesta perspectiva, repisou as deduções anteriores no que esta relacionado a utilização pela ENERGISA MINAS GERAIS da empresa veículo CATLEO, apenas com propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, sob a égide da lei nº 9.532/97. Da consolidação das citadas operações de mútuo. 2.1.22 À vista do acima exposto constatase que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, controla diretamente a Energisa S/A, e, indiretamente a Catleo Distribuidora LTDA, através do controle direto que exerce da segunda, formando assim um grupo econômico.(g.n) Fl. 6301DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.302 12 2.1.23 É possível observar que a empresa Catleo Distribuidora LTDA não tem atividade operacional, quadro de funcionários, ou aufere qualquer receita, todavia, ainda assim, adquiriu ações da Energisa Sergipe em leilão de privatização com expressivo ágio. Da análise das operações intragrupo de mútuo realizadas ficou comprovado que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, obteve recursos junto às instituições financeiras e sócios e repassou diretamente aos antigos acionistas da segunda.(g.n) 2.1.24 A empresa Energisa Minas Gerais, já devedora das instituições/empresas acima citadas, faz transparecer que estes montantes foram transferidos via empréstimo a empresa Catleo Distribuidora LTDA, sua controlada indireta através do controle direto mantido na Energisa S/A, e, Adiantamento para Futuro Aumento de Capital a esta, sua controlada direta (99,99%). 2.1.25 Resta claro que a Catleo Distribuidora LTDA, não mantinha sequer conta em Instituição financeira e que a Energisa S/A (holding) é mera repassadora de recursos oriundos da própria Energisa Minas Gerais.(g.n) 2.1.26 Assim, concluise que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, captou recursos no mercado, transferiu de fato a empresa desestatizada, Energisa Sergipe (grupo vendedor), porém, com objetivo outro, formalizou empréstimos que de fato não ocorreram, pois não houve vontade, tampouco a efetiva transferência de recursos entre os partícipes.(g.n) 2.1.27 Observa se que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, criou artificialmente um negócio jurídico, sem substância econômica, qual seja, capitalização de empresa veículo com propósito específico de incorporação, que evidencia divergência entre a forma apresentada e a vontade fática demonstrada consoante conjunto probatório trazido aos autos, com o fito exclusivo de redução da carga tributária.(g.n) Da amortização (indevida) do ágio, gerado em si mesma, pela Energisa Sergipe: 2.1.28 Em 08 de abril de 1998, de acordo com Ata de Assembléia Geral extraordinária AGE, foi aprovada incorporação da empresa Catleo Distribuidora LTDA, pela Energisa Sergipe então controlada direta daquela.(g.n) 2.1.29 … o ágio remanescente no valor de R$ 538.012.270,00 (quinhentos e trinta e oito milhões, doze mil e duzentos e setenta reais) será mantido na incorporadora, Energisa Sergipe, conforme permissão do artigo 8o da lei 9.532/97.(g.n) Fl. 6302DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.303 13 2.1.30 Observase que a partir de abril de 1998, a Energisa Sergipe contabilizou a amortização do ágio oriundo do leilão de privatização e outras aquisições, de suas próprias ações da seguinte forma: 2.1.30.1 Débito de "Amortização Intangíveis" conta de resultado (despesa), código 6150311555501; 2.1.30.2 A crédito de Ágio Ações Incorporação Catleo" ativo diferido, código 1330315090001; 2.1.31 Da análise contábil realizada, entre os anos de 1998 a 2010, conclui se, que de fato, o ágio amortizado (despesa) integra o resultado contábil da Energisa Sergipe, e, não é adicionado ao LALUR, além do que a amortização do saldo remanescente é realizada conforme curva autorizada por resolução ANEEL. Abaixo destaco planilha que consolida este entendimento. Da Simulação e consequente Glosa do Ágio na Energisa Sergipe 2.1.32 Após todos os relatos, depreendeu que a essência do negócio jurídico ocorrido de fato foi a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, no leilão de privatização e compra isolada, pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS. 2.1.33 Corroboram com tal ilação, o fato do grupo econômico liderado pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS ter operado em prol de capitalizar a CATLEO, empresa veículo controlada que sequer detinha conta em instituição financeira, e em seguida adquirir ações da ENERGISA SERGIPE no leilão de privatização e outros, de acordo com diagrama abaixo. Fl. 6303DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.304 14 2.1.34 O cenário societário anterior a incorporação reversa da Catleo Distribuidora LTDA (empresa veículo) pela Energisa Sergipe, em abril de 1998, era o controle indireto daquela pela Energisa Minas Gerais, através do controle direto que detinha da Energisa S/A. O Diagrama abaixo racionaliza a questão. 2.1.35 Após a incorporação reversa, e, em função de aumento de capital Social da Energisa S/A, cuja subscrição se deu por terceiros, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária AGE realizada em 27 de março de 1998, a Energisa Minas Gerais passa a deter 86,5% da desta, que por sua vez detém 84% de participação na Energisa Sergipe. O Diagrama abaixo racionaliza a questão: 2.1.36 Afirmou que a CATLEO, empresa veículo, participou da operação com propósito específico de transferir o ágio oriundo do leilão de privatização e outros, para Energisa Sergipe, em face, do possível Fl. 6304DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.305 15 aproveitamento fiscal do ágio, mormente, haver previsão legal, para amortização em certos casos. 2.1.37 Encerra inferindo que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, ou seja, a aquisição de ações realizadas pela CATLEO, de fato não ocorreu, e fundamentado no preceituado nos arts. 109,116, 118 e 149 do Código Tributário NacionalCTN, combinados com os arts. 247, 248, 240, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99, impôs a glosa das despesas com ágio, uma vez que inexistem tais deduções na ENERGISA SERGIPE. 2.2 0002 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL, nos valores de R$ 3.764.003,78 (três milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, três reais e setenta e oito centavos) e R$ 1.849.368,82 (um milhão, oitocentos e quarenta e nove mil, trezentos e sessenta e oito reais e oitenta e dois centavos), correspondentes aos fatos geradores de 31/12/2006 e 31/12/2008, respectivamente, às fls. 05, conforme discriminado no TVF, às fls. 87 a 91, tendo como enquadramento legal os artigos 247, 250, inciso III, 251, 509 e 510, do RIR/1999, observandose que, no referido Termo, a Fiscalização aponta que a Contribuinte teria compensado prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no Termo de Verificação Fiscal n° 0001 anexo, parte integrante deste Auto de Infração, visto que o referido saldo fora reduzido em virtude das seguintes alterações: 2.2.1 Cancelamento da DIPJ retificadora nº 9411678, relativa ao exercício de 1996, anocalendário de 1995, apresentada em 2000, na qual teria sido registrado um prejuízo fiscal de R$ 25.051.637,76 (vinte cinco milhões, cinquenta e um mil, seiscentos e trinta e sete reais e setenta e seis centavos), entretanto, devido ao cancelamento, tornouse sem efeito, por isso a Autoridade Fiscal considerou como correto o prejuízo fiscal a compensar informado na DIPJ original, no valor de R$ 2.856.442,60 (dois milhões, oitocentos e cinquenta e seis mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e sessenta centavos); 2.2.2 Recomposição do saldo de prejuízo fiscal declarado nos anos calendário de 2000 a 2003, em razão do lançamento de ofício realizado em 26/12/2005, tratado no PAF n° 10510.003122/200574, visto que, nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2003, as infrações apuradas aumentaram a base de cálculo do lucro real e, consequentemente, ampliaram o montante de prejuízo compensado, reduzindo o saldo declarado. No tocante ao ano calendário de 2002, em decorrência da infração apurada, o prejuízo apurado no exercício foi reduzido. É importante salientar que os valores contemplam o julgamento realizado na 1a instância administrativa, estando o processo, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011), ainda pendente de apreciação na esfera administrativa; 2.2.3 Alterações dos lucros reais declarados nas DIPJs dos anos calendário de 2005 a 2007, em decorrência de lançamento de ofício Fl. 6305DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.306 16 realizado em 21/05/2010, tratado no PAF n° 10510.001892/201040, que, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011), ainda estava pendente de apreciação na esfera administrativa; 2.2.4 Glosas de amortização de ágio relacionadas aos anoscalendário de 1999 e de 2002, que reduziram os saldos de prejuízos fiscais de R$ 23.893.478,72 (vinte três milhões, oitocentos e noventa e três mil, quatrocentos e setenta e oito reais e setenta e dois centavos) para R$ 16.466.090,72 (dezesseis milhões, quatrocentos e sessenta e seis mil, noventa reais e setenta e dois centavos) e de R$ 19.406.347,46 (dezenove milhões, quatrocentos e seis mil, trezentos quarenta e sete reais e quarenta e seis centavos) para R$ 4.734.127,46 (quatro milhões, setecentos e trinta e quatro mil, cento e vinte e sete reais e quarenta e seis centavos), respectivamente; 2.2.5 Glosas de amortizações de ágio relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2010, nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), respectivamente, que também reduziram os saldos de prejuízo fiscal a compensar daqueles períodos. 2.3 0003 MULTAS OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA, calculado com base em balanço/balancete de suspensão, compreendendo quase a totalidade dos meses dos anoscalendário de 2006 a 2009, às fls. de n°s. 6 e 7, em razão de recomposição das bases tributáveis advindas das infrações apuradas pela fiscalização sob julgamento e anteriores, conforme discriminado no TVF, às fls. 98 a 100, tendo como enquadramento legal o artigo 44, inciso II, alínea"b", da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c os artigos 222 e 843, do RIR/1999. Da Qualificação e do Agravamento da Multa de Ofício 3 Da Qualificação da Multa de Ofício devido a prática de Sonegação, Fraude e Concluio. 3.1 A Autoridade Autuante, por todo trabalho realizado, consoante demonstrado no TVF, às fls. 83 a 86, entendeu que ficou caracterizada a prática de sonegação, fraude e conluio por parte das empresas ENERGISA SERGIPE, ENERGISA MINAS GERAIS, ENERGISA S/A e CATLEO, passível de aplicação da multa de ofício qualificada em 150 % (cento e cinquenta por cento), tendo em vista que a incorporação às avessas de sua controladora, CATLEO, empresa veículo, realizada pela Autuada, juntamente com a contabilização do ágio pela aquisição de suas próprias ações, configurouse em conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir Fl. 6306DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.307 17 tributos, aumentou as despesas operacionais da Energisa Sergipe, reduzindo sensivelmente o valor tributo a recolher, mediante comportamento doloso, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como alteração das características fundamentais do fato gerador, qual seja, o lucro tributável. 3.2 Tal conduta se enquadraria nos conceitos de sonegação, fraude e conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, tendo por consequência a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 2007. 4 Do Agravamento da Multa de Ofício, visto que a ENERGISA SERGIPE, segundo entendimento da Autoridade Fiscal, asseverado no TVF, às fls. 85 a 86, ainda que reiteradamente intimada, de forma deliberada não prestou esclarecimentos cruciais ao bom andamento da Auditoria, ficando, portanto, passível de agravamento da multa de ofício, a qual, com o agravamento realizado passou de 150% para 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), tendo como enquadramento legal o § 2°, inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 2007. Dos Lançamentos De Ofício Relacionados a CSLL 5 Em decorrência dos mesmos fatos foi apontada a falta de recolhimento da CSLL e das Estimativas, compreendendo os mesmos períodos de apuração, sendo lavrado o correspondente Auto de Infração, onde, também, foram apontadas diversas infrações, as quais, juntamente com seus fundamentos e consequências, podem ser assim resumidas: 5.1 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS, DESPESAS NÃO COMPROVADAS (AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO), nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), correspondentes aos anoscalendário de 2006 a 2010, respectivamente, fatos geradores anuais, às fls n° 34, tendo como enquadramento legal os artigos 2°, §§ e o 3°, da Lei n° 7.689, de 1988, com a redação dada pelo artigo 17, da Lei n° 11.727, de 23 de junho 2008; artigo 1°, da Lei n° 9.316, de 1996, artigo 28, da Lei n° 9.430, de 1996 e o art. 37, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro 2002. 5.2 0002 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA ATIVIDADE GERAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL: nos valores de R$ 12.821.491,22 (doze milhões, oitocentos e vinte e um mil, quatrocentos e noventa e um reais Fl. 6307DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.308 18 e vinte e dois centavos); R$ 6.617.206,35 (seis milhões, seiscentos e dezessete mil, duzentos e seis reais e trinta e cinco centavos) e de R$ 1.440.702,43 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil, setecentos e dois reais e quarenta e três centavos) correspondentes aos fatos geradores de 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008, respectivamente, às fls. 35, conforme discriminado no TVF, às fls. 91 a 98, tendo como enquadramento legal os artigos 2° e 3°, da Lei n° 7.689, de 1988 com as alterações do artigo 2° da Lei n° 8.034, de 12 de abril 1990 e do artigo 17, da Lei n° 11.727, de 23 de junho 2008, respectivamente, e o artigo 37, da Lei n° 10.637, de 2002, observandose que, no referido Termo, a Fiscalização aponta que a Contribuinte teria compensado base de cálculo negativa de períodos anteriores em montante superior ao saldo existente, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no Termo de Verificação Fiscal n° 0001 anexo, parte integrante deste Auto de Infração, visto que o referido saldo fora reduzido em virtude das seguintes alterações: 5.2.1 Recomposição do "SAPLI", no anocalendário de 1993, quando a Impugnante na DIPJ daquele anocalendário compensou o valor de CR$ 4.908.196,00 (quatro milhões novecentos e oito mil e cento e noventa e seis cruzeiros reais), enquanto no "SAPLI" foi registrado, equivocadamente, o valor de CR$ 893.860,00 (oitocentos e noventa e três mil oitocentos e sessenta cruzeiros reais); 5.2.2 Utilização, no mês de agosto de 1993, pela Impugnante, do percentual 30,22% (trinta inteiros e vinte e dois décimos por cento) para a correção monetária do saldo negativo da CSLL, quando o correto deveria ser 30,12% (trinta inteiros e doze décimos por cento); 5.2.3 Cancelamento da DIPJ retificadora do exercício de 1996, ano calendário de 1995, de n° 9411678, apresentada em 23/12/2000, onde a Contribuinte teria transcrito no LALUR o saldo anual de base de cálculo negativa, enquanto a Fiscalização considerou os valores apurados e controlados no "SAPLI" com base na apuração mensal, que estaria em conformidade com a DIPJ do período de n° 8626414, originalmente apresentada; 5.2.4 Recomposição da base de cálculo negativa da CSLL declarada nos anoscalendário de 2000 a 2003, em razão do lançamento de ofício realizado em 26/12/2005, tratado no PAF n° 10510.003122/200574, observandose que os valores contemplam o julgamento realizado na 1a instância administrativa, estando o processo pendente de julgamento no CARF, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011); 5.2.5 Lançamento de ofício, realizado em 21/05/2010, tratado no PAF n° 10510.001892/201040, relativos aos anoscalendário de 2005, de 2006 e de 2007, que, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011), ainda estava pendente de apreciação na esfera administrativa, o qual alterou os saldos das bases de cálculos da CSLL antes da compensação declarados nas respectivas DIPJ, observandose, ainda, que em razão dos ajustes realizados no referido processo e no de n° 10510.003122/200574, Fl. 6308DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.309 19 foi constatado, no anocalendário de 2007, o lançamento de compensação indevida de CSLL no valor de R$ 25.342.514,22 (vinte e cinco milhões, trezentos e quarenta e dois mil, quinhentos e quatorze reais e vinte dois centavos), que reduzindose do valor compensado originalmente pela Contribuinte no valor de R$ 31.959.720,57 (trinta e um milhões, novecentos e cinquenta e nove mil, setecentos e vinte reais e cinquenta e sete centavos), restaria, ainda, uma compensação indevida de R$ 6.617.207,35 (seis milhões, seiscentos e dezessete mil, duzentos e sete reais e trinta e cinco centavos), naquele anocalendário; 5.2.6 Glosas de amortização de ágio, no anocalendário de 1999, no valor de R$ 7.427.388,00 (sete milhões, quatrocentos e vinte sete mil, trezentos e oitenta e oito reais), que reduziu o saldo da base de cálculo negativa da CSLL de R$ 8.442.850,01 (oito milhões, quatrocentos e quarenta e dois mil, oitocentos e cinquenta reais e um centavo) para R$ 1.015.462,01 (um milhão, quinze mil, quatrocentos e sessenta e dois reais e um centavo), bem como no anocalendário de 2002, no valor de R$ 14.672.220,00 (quatorze milhões, seiscentos e setenta e dois mil e duzentos e vinte reais), que reduziu o saldo da base de cálculo negativa da CSLL de R$ 17.925.520,33 (dezessete milhões, novecentos e vinte e cinco mil, quinhentos e vinte reais e trinta e três centavos) para R$ 3.253.300,33 (três milhões, duzentos e cinquenta e três mil, trezentos reais e trinta e três centavos); 5.2.7 Glosa das amortizações de ágio relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2010, acima explicitado, nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), respectivamente, que também reduziriam os saldos de base de cálculo negativa da CSLL daqueles períodos. 5.3 MULTAS OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA, calculado com base em balanço/balancete de suspensão, às fls. 35 a 36, compreendendo quase a totalidade dos meses dos anoscalendário de 2006 a 2009, em razão de recomposição das bases tributáveis advindas das infrações acima apontadas, conforme discriminado no TVF n° 0001, às fls. 98 a 100, tendo como enquadramento legal o artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14, da MP n° 341, de 2007 e pelo artigo 14, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; 5.4 Houve, em decorrência das mesmas razões, apontadas no Auto de Infração do IRPJ, a aplicação da qualificação e do agravamento da Multa de Ofício. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 6309DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.310 20 6 Ciente da autuação em 21/12/2011, no dia 20/01/2012, a ENERGISA SERGIPE, impugnou os lançamentos, às fls. 5.401 a 5.662, na qual sustentou que o Auto de Infração sob julgamento não merecia prosperar, devendo ser julgado improcedente, em suma, pelas seguintes considerações de direito: 6.1 No que está relacionado a infração que classificou como 1 (um), referente a falta de adição, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis relativas à amortização de ágio, nos anos calendario de 2006 a 2010, insurgiuse alegando: 6.1.1 Preliminarmente, a ocorrência da questão prejudicial da decadência do direito da Fazenda Nacional para desconsiderar os atos que deram origem à formação do ágio decorrente do investimento na ENERGIPE e à possibilidade de sua amortização, ocorridos nos anoscalendário de 1997 e 1998. Em favor dessa refutação, argumentou que: (g.n) 6.1.1.1 O ágio apurado pela CATLEO, quando da aquisição do investimento em questão, nos anoscalendário de 1997 e 1998, foi por ela devidamente registrado nos balanços contábeis e fiscais, nos termos do artigo 20, do DecretoLei n° 1.598/77; 6.1.1.2 A sobredita operação foi informada nas correspondentes Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJs") da referida empresa, tendo as Autoridades Fiscais pleno acesso as mencionadas informações e, desde aquele momento, poderia ter se insurgido contra a formação do ágio; 6.1.1.3 Apurado e registrado corretamente o ágio, é este o momento que se inicia o prazo decadencial da Fazenda Pública Nacional para questionar a operação que deu origem à constituição de tal ágio; 6.1.1.4 Considerando que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase a regra decadencial presente no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN, portanto, o multireferido ágio só poderia ter sido objeto de lançamento de ofício até os anos de 2002 ou 2003, respectivamente, o que não ocorreu. Ademais, mesmo que as Autoridades Fiscais entendessem que se aplica a regra decadencial esculpida no art. 173, inciso I, do CTN, de igual forma o direito da Fazenda Nacional já se encontra decaído; 6.1.1.5 Em prol de subsidiar a sua alegação, citou jurisprudência administrativa do CARF, que abordaram questões relativas ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa da CSLL, mas que, no seu entender, de idêntico raciocínio, dado que a questão central versa sobre a possibilidade de o Fisco questionar registros contábeis de períodos já atingidos pela decadência para efetuar ajustes com repercussão futura. 6.1.2 No mérito, a inexistência de "criação" de um benefício fiscal, cuja ocorrência o legislador previu, como forma de incentivar o processo de Fl. 6310DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.311 21 desestatização, nos arts. 385 e 386, do RIR/99, os quais permitiram a dedutibilidade do ágio pago com fundamento econômico da expectativa de rentabilidade futura após a incorporação da Investidora (CATLEO) pela Investida (Impugnante). Nesse seguimento, assegurou, inclusive citando diversas jurisprudências administrativas oriundas do CARF, que: (g.n) 6.1.2.1 No presente caso, todos os requisitos para aplicação dos artigos 385 e 386, ambos do RIR/99, foram observados, senão vejamos: (i) Ocorrência da aquisição de investimento A CATLEO, após sair vitoriosa no leilão especial para aquisição de ações da Impugnante, firmou com o Estado de Sergipe e com a Eletrobrás contratos de compra e venda das ações da Impugnante, bem como houve a aquisição de outras ações da ENERGIPE pela Energisa alienadas por empregados e terceiros, as quais foram posteriormente conferidas ao capital social da CATLEO, por aumento de capital dessa sociedade realizado pela Energisa; (ii) Existência de ágio pago (custo de aquisição superior ao valor apurado de acordo com o método de equivalência patrimonial) fundamentado economicamente na expectativa de rentabilidade futura da investida Conforme demonstrado durante o procedimento fiscal e reconhecido pela fiscalização, sem qualquer questionamento, houve o pagamento de ágio na aquisição pela CATLEO das ações da Impugnante no montante de R$ 504.460.578,75, bem como na aquisição de ações da Impugnante pela Energisa, no montante de R$ 38.829.843,00, sendo certo que ambos estavam fundamentados na perspectiva de rentabilidade futura da investida. Vale observar que no lançamento não há qualquer questionamento sobre esses fatos; e (iii) Ocorrência de incorporação, fusão ou cisão envolvendo a sociedade investida e a investidora A Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada pela Impugnante em 08 de abril de 1998 (doe. 08), bem como Protocolo e Justificação da Operação de Incorporação, confirmam que a CATLEO, investidora, foi incorporada pela Impugnante, investida. 6.1.2.2 São absolutamente equivocados os argumentos da Autoridade Fiscal que a ENERGISA MINAS GERAIS criou artificialmente um negócio jurídico sem substância econômica, ao capitalizar uma empresa veículo (CATLEO) com o propósito específico de incorporação, bem como que inexistiria o benefício fiscal em comento caso não tivesse se utilizado da mencionada empresa veículo, pois caso a operação tivesse sido realizada conforme pretendido pela fiscalização, haveria o mesmo efeito fiscal, quer dizer: 6.1.2.2.1 Se a ENERGISA MINAS GERAIS tivesse adquirido as ações diretamente, não há dúvidas que haveria o surgimento do ágio, com o mesmo fundamento econômico; e Fl. 6311DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.312 22 6.1.2.2.2 Posteriormente, poderia haver a incorporação da ENERGISA MINAS GERAIS pela ENERGISA SERGIPE, garantindo assim a dedutibilidade questionada. 6.1.2.3 (…) O benefício da dedutibilidade do ágio pago na aquisição de ações em leilão de privatização esteve relacionado diretamente à definição dos preços ofertados nos referidos leilões e das reorganizações societárias envolvendo as empresas privatizadas, contribuindo para aumentar consideravelmente os valores auferidos pelo Governo com o processo de desestatização. (g.n) 6.1.2.4 Portanto, não resta dúvida de que se o próprio Governo, a fim de incentivar o processo de desestatização, previa a possibilidade de realização de operações com a utilização de empresas veículo, assim como incentivou reestruturações societárias com o objetivo de garantir o aproveitamento do ágio pago na aquisição de ações das empresas privatizadas, os planejamentos tributários realizados nesse contexto devem ser considerados plenamente válidos e admissíveis. (g.n) 6.1.2.5 Em casos como o ora analisado não há qualquer abusividade ou ilicitude, na medida em que a conduta das partes envolvidas foi induzida pela própria lei fiscal. (g.n) 6.1.3 Que não encontra amparo a alegação feita pela Fiscalização de que a CATLEO não possuía propósito negocial ou substância econômica, visto que a forma como a ENERGISA MINAS GERAIS efetivou o investimento na Impugnante, por meio da utilização da empresa de propósito específico, acima apontada, era praxe no mercado, e se deveu a diversas razões, principalmente: 6.1.3.1 Econômica – em favor de segregar os riscos da sua atividade operacional com os da ENERGISA SERGIPE, caso se saísse vitoriosa no leilão, uma vez a utilização de sociedade com propósito específico se configurava em uma técnica societária de limitação de responsabilidades amplamente utilizada no mercado; 6.1.3.2 Econômica evitar o aumento do seu índice de endividamento, livrandose da obtenção direta de todos os financiamentos, os quais evidenciaria seu patrimônio ao risco do endividamento, repercutindo no valor de mercado da companhia e, consequentemente, prejudicando negociações que estavam em andamento, à época dos fatos; 6.1.3.3 Societária considerando que se trata de uma sociedade anônima de capital aberto, visou evitar que a transação da compra da ENERGIPE tivesse que ser previamente submetida à aprovação da Assembléia Geral, consoante preconiza o art. 256, da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A), porquanto o interesse da companhia no leilão seria revelado, como também o próprio valor do lance se tornaria público, prejudicando toda a estratégia de precificação elaborada para participar do leilão. Fl. 6312DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.313 23 6.1.3.4 Societária – reduzir eventuais custos associados ao direito de retirada dos acionistas minoritários dissidentes da deliberação da assembléia que aprovasse a aquisição, em respeito ao disposto no § 2º, do art. 256, da Lei nº 6.404/76, assim como preservarse do potencial custo adicional decorrente do exercício do direito de retirada pelos acionistas minoritários da sociedade incorporada, conforme dispõem os arts. 224 e 264, do sobredito diploma legal. 6.1.3.5 Fiscal Prova da Regularidade Fiscal – Considerando que a Energisa Minas Gerais era, e ainda é, uma sociedade operacional com diversos empregados, existia o risco potencial de que não fosse possível obter certidões negativas de tributos, em especial do INSS, em tempo hábil para a habilitação no leilão.(...) Desta forma, a utilização de uma sociedade nova, sem vícios nem empregados, facilitava a obtenção da prova de sua regularidade fiscal e afastava definitivamente o fantasma da inabilitação ao processo de privatização. 6.1.4 Inexistência de simulação nas operações realizadas, na medida em que todas essas operações eram aquelas efetivamente queridas pelas partes, não havendo a intenção de encobrir qualquer operação ilícita. Em favor deste tópico, sustentou que: 6.1.4.1 Consoante doutrina e jurisprudência administrativa do CARF, trazida aos autos, prevalece o posicionamento no sentido de que, se o contribuinte efetivamente realizou operação lícita, a qual não tinha por objetivo ocultar negócio jurídico vedado por lei ou contrato, o simples fato dessa operação resultar em tributação inferior à outra operação que poderia ser realizada com os mesmos efeitos e, até ter por objetivo o aproveitamento de um benefício fiscal, isso não configura simulação; 6.1.4.2 No caso em espécie, não houve a prática de um ato para ocultar outro, nem a prática de um ato para a criação de um benefício, que poderia ser usufruído independentemente de quem adquirisse as referidas ações.(...) Portanto, não há que se falar em qualquer declaração enganosa de vontade, pelo contrário, foram praticados os atos que efetivamente refletiram a vontade querida pelas partes. Ademais, já foi demonstrado que existiram razões societárias e econômicas que justificaram a utilização da empresa com propósito específico, sendo certo que não há qualquer impedimento legal para este tipo de operação.(g.n) 6.1.4.3 As operações realizadas foram submetidas ao órgão regulador,no caso a Agência Nacional de Energia Elétrica ("ANEEL"), a qual reconheceu a validade dos atos praticados por meio da Resolução nº 284/2000;(g.n) 6.4.1.4 Os atos relacionados às operações analisadas no presente processo foram devidamente registrados e muitos deles contaram com a participação dos órgãos competentes, sendo devidamente registrados na Junta Comercial, e respeitaram os termos do Edital de Privatização da ENERGIPE, bem como os Contratos de Compra e Venda de Ações Fl. 6313DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.314 24 celebrados com o Governo de Sergipe e com a Eletrobrás.(...) Admitir que tivesse havido uma simulação seria o mesmo que dizer que diversos órgãos competentes estariam envolvidos nesse ato simulado, inclusive, o Governo de Sergipe, a Eletrobrás, e o próprio BNDES;(g.n) 6.4.1.5 Tendo as operações em questão ocorrido de forma lícita, não resta caracterizada qualquer declaração enganosa de vontade, mas tão somente uma estruturação de operações regulares que, dentre outros objetivos buscava o aproveitamento de um benefício fiscal, de modo que não há como se pretender caracterizar a situação ora analisada como simulação. (...)É evidente, assim, que deve ser julgado improcedente o lançamento que assim não considerou.(g.n) 6.1.5 Impossibilidade de desconsideração de negócios jurídicos lícitos e regularmente realizados, em razão da inaplicabilidade do parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional. No que está relacionado a este tema, a Defesa arrazoou que: 6.1.5.1 Considerando que não há nenhuma vedação para dedutibilidade, pela empresa Incorporadora, de despesas de amortização de ágio referente à aquisição de investimento, em favor de sustentar a autuação, a Fiscalização buscou fundamentação legal na desconsideração dos efeitos fiscais da amortização do ágio em razão da incorporação da CATLEO (investidora) pela ENERGIPE (investida). Tal pretensão deveria ter sido embasada no § único, do art. 116, do CTN, não obstante, a Autoridade Administrativa não apresentou este dispositivo como enquadramento legal da autuação por duas razões: 6.1.5.1.1 Impossibilidade de desconsideração de negócios jurídicos praticados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 104/2001, que incluiu o § único do art. 116, do CTN, visto que a operação de incorporação ocorreu no anocalendário de 1998 e por força do art. 106, do CTN, o sobredito dispositivo não se aplica a fatos pretéritos, acepção ratificada por decisões administrativas do CARF trazidas aos autos;(g.n.) 6.1.5.1.2 Segundo, porque, ainda que se considerasse que o parágrafo único do artigo 116, do Código Tributário Nacional, pudesse fundamentar o lançamento, não pode o mesmo ser aplicado, pois ainda depende de regulamentação, (...) Nesse sentido, inclusive, é a posição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.(g.n. ) 6.1.6 Inaplicabilidade da multa qualificada prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei n° 9.430/96, em razão da inocorrência, no presente caso, de fraude contra a Lei. No que esta relacionado a este item, inclusive recorrendo doutrina e a jurisprudência administrativa do CARF, o Impugnante contraditou que: 6.1.6.1 A Fiscalização qualificou a multa de ofício, embasando no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, devido de ter constatado a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Ao justificar a sobredita aplicação limitouse a reproduzir Fl. 6314DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.315 25 quase que integralmente os conceitos dos mencionados crimes dispostos nos arts. 71,72 e 73, da Lei nº 4.502/64. No entanto, ao relatar os fatos ocorridos no presente caso, não reuniu elementos necessários para comprovar a suposta fraude que teria sido cometida. 6.1.6.2 (...)para que se caracterizem as hipóteses que suportam a imposição de multa qualificada, é necessária a concreta demonstração, por parte da fiscalização, do intuito da Impugnante de ludibriar o Fisco sobre a realidade dos fatos, não bastando a alegação de que o contribuinte teria a intenção de obter uma economia fiscal. (g.n.) 6.1.6.3 (…) esse é o posicionamento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria, que vem decidindo pelo afastamento da multa qualificada nas situações em que não há a comprovação flagrante e incontestável das hipóteses previstas em lei para a qualificação da penalidade em questão 6.1.6.4 (…) para que ocorra a fraude definida pelo artigo 72 da Lei n° 4.502/64, (...) é necessário demonstrar não que o contribuinte teve a intenção de pagar menos imposto, mas que ele teve a intenção de empregar meios ilícitos, "fraudulentos", para obter a economia fiscal desejada. Todavia, (…) no caso em questão, os supostos indícios que, no entendimento da autoridade, demonstrariam a fraude, não o fazem em absoluto, já que, conforme amplamente demonstrado nos itens anteriores da presente defesa, não foram praticados quaisquer atos ilícitos por parte da Impugnante. (g.n.) 6.1.6.5 No presente caso, a ausência de comprovação da fraude alegada decorre de sua simples impossibilidade. (…) Conforme demonstrado nos itens anteriores dessa defesa, a utilização da empresa CATLEO, de forma alguma representou a criação de um benefício fiscal, sendo certo que o ágio em questão efetivamente existiu e tinha como fundamento econômico a perspectiva de rentabilidade futura. Além disso, as despesas decorrentes de sua amortização poderiam ser futuramente deduzidas, em razão das posteriores operações societárias ocorridas, independente da empresa que adquirisse as ações da ENERGIPE com ágio. (g.n.) 6.1.6.6 A utilização da CATLEO na operação deuse em razão de outros propósitos negociais, bem como, todos os atos e operações realizadas foram devidamente registrados e publicados em atendimento à legislação societária, não havendo qualquer intenção da Impugnante de ocultálas do Fisco, nem a utilização de instrumentos de falsidade para fugir à tributação do IRPJ e da CSLL. 6.1.6.7 Em situações similares de planejamentos tributários o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado pelo não cabimento da multa qualificada. 6.1.6.8 No caso em tela, restou demonstrado que a Impugnante (i) não pretendeu a criação de qualquer benefício fiscal, (ii) registrou corretamente, de forma pública, todos os atos referentes às operações realizadas, não Fl. 6315DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.316 26 havendo qualquer intenção de ocultálos ao Fisco, (iii) e não praticou qualquer ato ilícito. 6.1.7 Inaplicabilidade da multa agravada prevista no artigo 44, parágrafo 2º, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em razão da inocorrência de não atendimento à fiscalização, sendo certo que eventual atendimento insatisfatório não é suficiente para aplicação de tal multa. Em prol deste tema, a ENERGISA SERGIPE protestou, lastreada em jurisprudência administrativa do CARF, que: 6.1.7.1 consoante o disposto no sobredito dispositivo legal, o agravamento da multa de ofício só é cabível na hipótese em que o contribuinte não atende a intimação da fiscalização para prestar esclarecimentos.(...) Isto porque, o agravamento da penalidade em questão tem por objetivo penalizar apenas o contribuinte que ignora por completo a fiscalização;(g.n.) 6.1.7.2 (...) no presente caso, a simples leitura do Termo de Verificação Fiscal demonstra que, no decorrer de todo o procedimento fiscal, a Impugnante sempre se colocou à disposição da fiscalização, apresentando diversas respostas com documentos e informações solicitadas. (...) Como se vê, nesse caso, não há que se falar em não atendimento à fiscalização e sim, no máximo, em um atendimento que, de acordo com um critério subjetivo da fiscalização, não teria sido satisfatório;(g.n.) 6.1.7.3 (...) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já se manifestou no sentido de que o atendimento às intimações fiscais, ainda que considerado insatisfatório, não tem o condão de ensejar a aplicação da multa agravada, (...)a Câmara Superior de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento de que tendo o contribuinte se esforçado para apresentar, ainda que fora do prazo, uma parcela dos documentos solicitados, não seria aplicável o agravamento da multa de ofício; (g.n.) 6.2 No que diz respeito a infração que classificou como 2 (dois), relativa a inexistência de compensação indevida, nos anoscalendário de 2006 a 2008, de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, reagiu argumentando que não merecem progredir, dado que a insuficiência dos referidos saldos está fundamentada nas alterações do lucro real e da base de cálculo da CSLL decorrentes: 6.2.1 Da desconsideração, por parte da Autoridade Fiscal, das informações prestadas na DIPJ/96 retificadora do Sujeito Passivo, apresentada no ano calendário de 2000, em consequência desta ter sido cancelada de ofício, embora nunca tenha sido intimada do sobredito cancelamento, em observância ao preceituado no art. 28, da Lei nº 9.784/99, não devendo o suposto ato administrativo praticado produzir qualquer efeito no mundo jurídico contra a Impugnante;(g.n.) 6.2.2 Da infração 1 do presente auto de infração; e Fl. 6316DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.317 27 6.2.3 Das infrações apuradas nos autos dos processos administrativos n°10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, neste caso ponderou que os créditos tributários decorrentes dessas infrações não estavam, à época da apresentação da Defesa, definitivamente constituídos, não havendo, sequer, decisão definitiva na esfera administrativa que lhes confira liquidez e certeza. Complementou que: 6.2.3.1 Por estarem pendentes de julgamento no CARF, as reduções dos saldos dos prejuízos fiscais e das base de cálculo negativa da CSLL objeto dos autos de infrações ali tratados, não seriam definitivas, e, portanto, não poderia se sustentar a alegação de compensação indevida, conforme pretendido pela fiscalização, uma vez que o correspondente crédito tributário estaria suspenso nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, não sendo tal redução líquida e certa; e 6.2.3.2 Diante dessas pendências, restou comprovada a conexão da infração 2 do auto de infração em questão com a infração 1 do referido lançamento e com as infrações apuradas nos autos dos processos administrativos nos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, deve ser, ao menos, sobrestado o julgamento desse item da autuação fiscal até que seja proferida decisão definitiva sobre as infrações que o fundamentaram. (g.n.) 6.3 Quanto a infração que classificou como 3 (três), relacionada a exigência de multa isolada de 50% (cinquenta por cento), de acordo com o estatuído no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, pelo suposto não recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, nos anoscalendário de 2006 a 2009, apurado em decorrência exclusivamente das infrações 1 e 2 verificadas no auto de infração ora impugnado, as quais já geraram a exigência de IRPJ e de CSLL, acrescido de multa de ofício, contestou sobre a impossibilidade dos lançamentos, visto que representam uma duplicidade de penalidades sobre uma mesma infração, configurando, sob seu ponto de vista, bis in idem. Em proveito desta acepção, ponderou que:(g.n.) 6.3.1 Tal multa deve, assim, ser aplicada apenas nas hipóteses em que do lançamento não decorre exigência de tributo, de modo que a multa se faz necessária para apenar o contribuinte sem exigência de qualquer tributo. Justamente por ser exigida isoladamente é que recebe a denominação de multa isolada; 6.3.2 A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais manifestouse de forma pacífica pela impossibilidade da imposição de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício;e 6.3.3 O sobredito entendimento encontrase pacificado também na Câmara Superior de Recursos Fiscais; 7 Por fim, além dos requerimentos retro, o Impugnador complementou no seu pedido que: Fl. 6317DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.318 28 7.1 Em relação a infração intitulada 3, ainda que mantida essa multa isolada, a infração 3 é decorrente da reapuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL em razão das infrações 1 e 2 da autuação fiscal, de modo que sendo essas afastadas importam na improcedência concomitante da infração 3 ; 7.2 Caso venha a ser mantido o lançamento, a Impugnante requer que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional, conforme já decidido pela Ia Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723, realizado na sessão do dia 09.11.2010. (g.n.) DESPACHO DE DILIGÊNCIA DRJ/SDR Nº 45, DE 12/06/2013 8 Em 12/06/2013, diante da prejudicialidade apontada pela Defesa, concernente a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL realizadas nos processos nsº 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, que impediam a apreciação da totalidade da matéria sob julgo antes do pronunciamento definitivo do CARF, se fez necessário o retorno dos presentes autos à DRF/ARACAJU, por meio do Despacho nº 45 – 1ª Turma da DRJ/SDR, às fls. 5737 a 5747, para o seu saneamento com a adoção das seguintes providências: 8.1 Sobrestar o andamento deste processo aos resultados dos julgamentos (definitivos) na esfera administrativa dos processos de n°s. 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, até que as autoridades competentes se manifestem, de forma definitiva, sobre as matérias ali tratadas; 8.2 Após o trânsito em julgado na esfera administrativa das matérias em lide nos referidos processos, anexar à este processo as cópias das correspondentes decisões; 8.3 Adequar o Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, de Base de Cálculo Negativa da CSLL e do Lucro Inflacionário (SAPLI ) aos resultados das decisões administrativas transitadas em julgado dos referidos processos ora em trâmite no CARF, anexando a este processo os correspondente extratos; e 8.4 Após o saneamento, intimar a Contribuinte, para que esta se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias após sua ciência, e, após este prazo, providenciar o retorno do presente processo à essa DRJ/SDR para que seja dado prosseguimento à apreciação da presente lide. 9 Após a realização da referida diligência, a Autoridade Preparadora por meio da INTIMAÇÃO DRF/AJU – Sacat nº 54, de 11 de maio de 2017, às fls 5867, deu ciência do Despacho DRJ/SDR nº 045/2013 e intimou o Auditado para apresentar manifestação. Fl. 6318DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.319 29 10 Regularmente cientificado a Impugnante peticionou, às fls. 5873 a 5875, requerendo a juntada aos autos do extratos do SAPLI atualizados, em razão do trânsito em julgado das decisões proferidas nos processos administrativos de n°s. 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, consoante determinado no Despacho DRJ/SDR nº 045/2013. 11 A DRF/AJU através do Despacho Sacat nº 170/2017, às 5903 a 5905, efetivou todas as providências demandadas no Despacho DRJ/SDR nº 045/2013 e deu ciência à ENERGISA SERGIPE, por intermédio da INTIMAÇÃO DRF/AJU – Sacat nº 109, de 25 de agosto de 2017, às fls 5927 a 5928. 12 Em 27 de outubro de 2017, a Impugnante manifestouse apontando divergências entre suas apurações e os saldos de Prejuízo Acumulado e da Base Negativa da CSLL constantes dos extratos do SAPLI, às fls. 5915 a 5926, especialmente relativo aos anoscalendário de 2000, 2002, 2005 e 2006. Considerando que as alterações promovidas no presente processo influenciam nos saldos sob comento dos anoscalendário questionados, a apreciação da sobredita manifestação será realizada quando do julgamento das infrações: SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL e SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA ATIVIDADE GERAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL. É como relato. Fim da transcrição do relatório da DRJ. Analisando a impugnação a Delegacia e Julgamento considerou procedente em parte apenas para excluir o agravamento da multa de ofício, reduzindoa para 150%; e rever os valores da utilização indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em razão da modificação dos saldos de prejuízos existentes, assim como, proporcionalmente o valor da multa isolada lançada. Desta decisão a própria Delegacia recorreu de ofício ao CARF em razão do valor exonerado superar o valor mínimo para interposição do recurso necessário. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso de ofício no qual apresentou as seguintes razões: Da Infração I Glosa das dedução das despesas de Ágio. Da Operação de Aquisição e Formação do Ágio. Discorre sobre a necessidade da existência da empresa CATLEO para viabilizar a participação do leilão de privatização. Que nessa qualidade adquiriu a participação com ágio e que este ágio está fundamentado em laudo de rentabilidade futura do investimento adquirido, atendendo aos requisitos da lei para sua dedutibilidade que só passou a ocorrer após a incorporação da CATLEO pela ENERGISA SERGIPE. Fl. 6319DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.320 30 Da Possibilidade de Utilização da Empresa CATLEO. Contesta a decisão de Piso por entender que a dedução do ágio poderia se dar mesmo se a ENERGIA MINAS GERAIS adquirisse diretamente a ENERGISA SERGIPE. QuE a utilização da CATLEO deveuse a motivos societários. Que o benefício foi criado pelo Governo Federal de modo a aumentar os lances nos processos de privatização. Justifica assim, a possibilidade de utilização da CATLEO. Do Propósito Negocial para utilização da CATLEO. Alega que a controladora da ENERGISA MINAS só possuía 26% das ações e, por outro lado, a parte do controle da ENERGISA SERGIPE também era pulverizado e restaria um percentual das ações que ficaria em mãos de terceiros. Alega que a CATLEO serviu tanto para segregar os riscos da operação, quanto para viabilizar a captação direta de financiamentos para o investimento. Que não poderia submeter a proposta de aquisição em assembleia sob pena de divulgar aos concorrentes o lance a ser ofertado em leilão. Além disso haveria de apresentar certidões negativas para viabilizar a participação o que seria mais fácil em uma empresa nova. Não existindo a CATLEO haveriam problemas de direito de retirada dos acionistas minoritários que não concordassem com a incorporação. Da Inexistência de Simulação. Alega que ao contrário do que analisou a Decisão de Piso não houve simulação no caso. Entende que para que se caracterizasse a simulação seria necessário que a operação que se desejava encobrir possuísse alguma vedação legal. Que a adoção de um caminho de negócios menos oneroso não deve ser considerado como simulação. Que as razões para justificar o propósito negocial se refletem na impossibilidade de se considerálo simulado. Da Impossibilidade de Desconsideração de Negócios Lícitos. Alega que não existe base legal na decisão para a desconsideração do negócio jurídico e nem previsão legal para isso. Argumenta contestando os pontos apresentados pela decisão de Piso. Da Necessidade de Afastamento da Multa Qualificada. Alega que não restou caracterizada a simulação e, assim, descabe a aplicação da qualificação. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada. Alega que não seria possível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Da Ilegal Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício. Da Infração II Inexistência de Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais Alega neste ponto que tanto a fiscalização quanto a DRJ não consideraram na apuração dos prejuízos fiscais o que foi apresentado pelo contribuinte por meio da DIPJ/96 retificadora. Assim entende que devem ser revistos os cálculos da autuação em razão dessa DIPJ/96 retificadora e que não pode admitir a redução dos prejuízos de 1999 a 2002 sem que tenha havido fiscalização quanto a esses exercícios. Da Aplicação do art. 112 do CTN. Que em caso de julgamento do recurso por voto de qualidade, em face da norma do art. 112, que seja a multa reduzida para 75%. Fl. 6320DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.321 31 Não houve contrarrazões da procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Antes de iniciar a análise do recurso do contribuinte mister destacar o esmero com que foram elaborados o auto de infração, a decisão da DRJ e o recurso voluntário do contribuinte. Apesar de extensos textos, foram peça produzidas com bastante acuidade, que demonstraram de forma clara os motivos e fundamentos que estavam sendo utilizados o que facilitou, sem dúvida alguma a análise do recurso. Passemos, então, à análise dos pontos de discordância apontados pelo contribuinte em seu recurso contra a decisão da Delegacia de Julgamento. Da Infração I Glosa das dedução das despesas de Ágio. Nos casos de processos que envolvem a utilização indevida de ágio em operações de aquisição na qual são criadas empresas como intermediárias do negócio jurídico principal procuro entender os motivos, quando é possível, que determinaram a realização do negócio com a utilização de uma novel empresa para a aquisição da participação ao tempo em que esta aquisição poderia ocorrer de forma direta. No presente caso a operação de aquisição foi feita por meio da empresa CATLEO. A respeito da interveniência desta empresa assim se posicionou a fiscalização: 2.1.3 A empresa Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, ou simplesmente Energisa Sergipe, foi desestatizada em 03 de dezembro de 1997, através de leilão de privatização cujo vencedor formal e adquirente das ações foi à empresa veículo Catleo Distribuidora LTDA, CNPJ: 02.150 608/000128. 2.1.4 Constatou que a Companhia Força e Luz Cataguazes – Leopoldina (doravante denominada CATAGUAZES), CNPJ: 19.527.639/000158, através de sua empresa de propósito específico, Catleo Distribuidora LTDA, adquiriu do governo do Estado de Sergipe 86,4% do Capital total da primeira.(g.n) Fl. 6321DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.322 32 ........ 2.1.6 Extraiu dos documentos apresentados pelo Fiscalizado, que houve, na CATLEO, aumento do Capital Social no valor de R$ 49,133.664,00 (quarenta e nove milhões cento e trinta e três mil e seiscentos e sessenta e quatro reais), subscrito pela então sócia Energisa S/A, mediante a conferência de 4.094.472 (quatro milhões e noventa e quatro mil quatrocentas e setenta e duas) ações ordinárias do capital da Energipe Sergipe Distribuidora de Energia S/A, atualmente denominada Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A. Acrescentou que a mencionada subscrição foi contabilizada com ágio de R$ 38.829.843,00 (trinta e oito milhões oitocentos e vinte e nove mil oitocentos e quarenta e três reais). 2.1.7 Em decorrência da natureza das citadas operações, ambos os ágios não eram dedutíveis para fins fiscais, à vista disso cabia à CATLEO adicionálos ao lucro tributável, procedimento este certificado ao examinar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR 1997 e 1998. ....... 2.1.11 Nesta seara, em respeito ao disposto na alínea b, do § 2º, art. 20, do sobredito diploma legal, o Auditado apresentou estudo, datado de 28 de novembro de 1997, realizado pelo Conselho de Administração da CATAGUAZES, no qual se observou que o fundamento econômico do ágio sob julgamento (leilão de privatização), correspondeu ao valor de rentabilidade, da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 2.1.12 Que a referida lei, especialmente em seus arts. 7º e 8º, textualmente transcrito abaixo, juntamente com a Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999, provocaram significativas alterações legislativas, nascendo no mundo tributário à possibilidade de amortizar o ágio surgido na aquisição de participação societária, cujo fundamento econômico tenha sido a expectativa de resultados futuros, da coligada ou controlada, desde que o patrimônio seja absorvido por outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão. 2.1.13 Em face do exposto, inferiu que para o Grupo Energisa se aproveitar do benefício fiscal do ágio incorrido e contabilizado, deveria, necessariamente adquirir participação com ágio, e, posteriormente concretizar a absorção do patrimônio mediante reorganização societária. ............. 2.1.15 Destacou que desde a sua constituição até final do mês de novembro de 1997, a CATLEO continuava com Capital Social a Integralizar e não apresentava nenhuma atividade operacional, bem como, consoante informações coletadas nos diversos sistemas de cadastro da Previdência Social, sequer tinha quadro de funcionários. Contudo, mesmo sem qualquer estrutura econômica, arrematou no leilão de privatização, Fl. 6322DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.323 33 realizado em 03 de dezembro de 1997, o equivalente a 86,42% das ações da Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, com expressivo ágio. 2.1.16 A engenharia financeira para tornar possível a aquisição ora suscitada se deu da seguinte forma, segundo o contribuinte: Após obter informações bancárias dos envolvidos e verificar que não existiam movimentações financeiras da empresa CATLEO, asseverou que: 2.1.19.8 Pelo exposto, os recursos supracitados foram transferidos diretamente da ENERGISA MINAS GERAIS para o Governo de Sergipe e demais acionistas, não transitando pela CATLEO, fortalecendo o indício que aquela realizou a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, utilizando se da empresa veículo CATLEO, apenas com propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, conforme novação legal da lei 9.532 de 10 de dezembro de 1997. Continua suas verificações e descobriu que os recursos eferentes ao mútuo firmado com o BNDES e o adiantamento para futuro aumento de capital não transitaram em contas da CATLEO, tendo sido repassados diretamente aos acionistas da ENERGISA SERGIPE, o que entende firmar a posição de que se tratava a CATLEO de empresa veículo destinada a viabilizar a formação de ágio amortizável. Conclui a respeito da operação: 2.1.25 Resta claro que a Catleo Distribuidora LTDA, não mantinha sequer conta em Instituição financeira e que a Energisa S/A (holding) é mera repassadora de recursos oriundos da própria Energisa Minas Gerais.(g.n) 2.1.26 Assim, concluise que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, captou recursos no mercado, transferiu de fato a empresa desestatizada, Energisa Sergipe (grupo vendedor), porém, com objetivo outro, formalizou empréstimos que de fato não ocorreram, pois não houve vontade, tampouco a efetiva transferência de recursos entre os partícipes.(g.n) 2.1.27 Observa se que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, criou artificialmente um negócio jurídico, sem substância econômica, Fl. 6323DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.324 34 qual seja, capitalização de empresa veículo com propósito específico de incorporação, que evidencia divergência entre a forma apresentada e a vontade fática demonstrada consoante conjunto probatório trazido aos autos, com o fito exclusivo de redução da carga tributária.(g.n) Conclui informando que se trataria de simulação o negócio realizado pelas empresas da seguintes forma: Da Simulação e consequente Glosa do Ágio na Energisa Sergipe 2.1.32 Após todos os relatos, depreendeu que a essência do negócio jurídico ocorrido de fato foi a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, no leilão de privatização e compra isolada, pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS. 2.1.33 Corroboram com tal ilação, o fato do grupo econômico liderado pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS ter operado em prol de capitalizar a CATLEO, empresa veículo controlada que sequer detinha conta em instituição financeira, e em seguida adquirir ações da ENERGISA SERGIPE no leilão de privatização e outros, de acordo com diagrama abaixo. 2.1.34 O cenário societário anterior a incorporação reversa da Catleo Distribuidora LTDA (empresa veículo) pela Energisa Sergipe, em abril de 1998, era o controle indireto daquela pela Energisa Minas Gerais, através do controle direto que detinha da Energisa S/A. O Diagrama abaixo racionaliza a questão. 2.1.35 Após a incorporação reversa, e, em função de aumento de capital Social da Energisa S/A, cuja subscrição se deu por terceiros, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária AGE realizada em 27 de março de 1998, a Energisa Minas Gerais passa a deter 86,5% da desta, que por sua vez detém 84% de participação na Energisa Sergipe. O Diagrama abaixo racionaliza a questão: 2.1.36 Afirmou que a CATLEO, empresa veículo, participou da operação com propósito específico de transferir o ágio oriundo do leilão de privatização e outros, para Energisa Sergipe, em face, do possível aproveitamento fiscal do ágio, mormente, haver previsão legal, para amortização em certos casos. Em sua defesa a recorrente apresenta as seguintes alegações: Da Operação de Aquisição e Formação do Ágio. Discorre sobre a necessidade da existência da empresa CATLEO para viabilizar a participação do leilão de privatização. Que nessa qualidade adquiriu a participação com ágio e que este ágio está fundamentado em laudo de rentabilidade futura do investimento adquirido, atendendo aos Fl. 6324DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.325 35 requisitos da lei para sua dedutibilidade que só passou a ocorrer após a incorporação da CATLEO pela ENERGISA SERGIPE. Da Possibilidade de Utilização da Empresa CATLEO. Contesta a decisão de Piso por entender que a dedução do ágio poderia se dar mesmo se a ENERGIA MINAS GERAIS adquirisse diretamente a ENERGISA SERGIPE. Que a utilização da CATLEO deveuse a motivos societários. Que o benefício foi criado pelo Governo Federal de modo a aumentar os lances nos processos de privatização. Justifica assim, a possibilidade de utilização da CATLEO. Do Propósito Negocial para utilização da CATLEO. Alega que a controladora da ENERGISA MINAS só possuía 26% das ações e, por outro lado, a parte do controle da ENERGISA SERGIPE também era pulverizado e restaria um percentual das ações que ficaria em mãos de terceiros. Alega que a CATLEO serviu tanto para segregar os riscos da operação, quanto para viabilizar a captação direta de financiamentos para o investimento. Que não poderia submeter a proposta de aquisição em assembleia sob pena de divulgar aos concorrentes o lance a ser ofertado em leilão. Além disso haveria de apresentar certidões negativas para viabilizar a participação o que seria mais fácil em uma empresa nova. Não existindo a CATLEO haveriam problemas de direito de retirada dos acionistas minoritários que não concordassem com a incorporação. Da Inexistência de Simulação. Alega que ao contrário do que analisou a Decisão de Piso não houve simulação no caso. Entende que para que se caracterizasse a simulação seria necessário que a operação que se desejava encobrir possuísse alguma vedação legal. Que a adoção de um caminho de negócios menos oneroso não deve ser considerado como simulação. Que as razões para justificar o propósito negocial se refletem na impossibilidade de se considerálo simulado. Da Impossibilidade de Desconsideração de Negócios Lícitos. Alega que não existe base legal na decisão para a desconsideração do negócio jurídico e nem previsão legal para isso. Argumenta contestando os pontos apresentados pela decisão de Piso. Da Nossa Análise do Caso Verificamos, dadas as informações apresentadas pela fiscalização e pelo recorrente que o fato de ter sido utilizada a empresa recémcriada CATLEO para fins de viabilização é inconteste. Tanto a fiscalização afirma, quanto o recorrente anui, que a CATLEO foi realmente utilizada como forma de viabilizar a aquisição da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização. Assim, em aparência, a empresa CATLEO é, efetivamente, uma empresa denominada veículo, que foi utilizada para a participação no leilão de privatização. Nesse ponto é que surgem as fundadas dúvidas acerca de um ponto essencial. A utilização da CATLEO como participante do processo de aquisição da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização deveuse por motivos exclusivos de economia tributária ou se existiam motivos outros que demandavam a participação da empresa CATLEO no processo de aquisição. Fl. 6325DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.326 36 Em seu benefício a recorrente apresenta três alegações principais que entendo serem relevantes e que devem ser melhor aprofundadas, quais sejam: 1) Que o grupo controlador da ENERGISA MINAS GERAIS detinha apenas pouco mais de 26% do controle da empresa, e estava em negociação com a CMS para aportes de capital, assim, não poderia aumentar seu grau de endividamento; Que como a aquisição da ENERGISA SERGIPE ocorreria por meio de leilão público, não poderia levar a decisão de ofertar lance em assembleia de acionistas sob pena de publicizar seu lance e prejudicar a participação no leilão; Por fim apresenta o fato de que havendo uma grande quantidade de acionistas minoritários tanto na ENERGISA MINAS GERAIS, quanto na ENERGISA SERGIPE haveria dificuldades em tratar com essas partes que detinham direito a voto em assembleia e, ainda, podia gerar um direito de retirada de muitos dos acionistas minoritários. 2) Alega, por outro lado, que a participação do leilão por meio de uma sociedade de propósito específico facilitaria o processo pois, sendo uma empresa nova, seria mais fácil a obtenção de todas as certidões necessárias à habilitação da empresa no processo de privatização; 3) Por fim, traz também a alegação de que, a formação do ágio ocorreria de qualquer maneira, mesmo que a aquisição fosse realizada diretamente pela ENERGISA MINAS GERAIS, haja vista que o preço seria pago a partes independentes e com base em laudo de rentabilidade futura que habilitariam a formação do ágio. Além disso, mesmo adquirindo de forma direta, após realizada a incorporação, haveria a confusão patrimonial que habilitaria a dedução das despesas de ágio pagas. Necessidade de Assembleia Demonstrase, assim, que tão relevantes quanto os questionamentos apresentados pela fiscalização, são os motivos apresentados pela recorrente para justificar a realização do negócio da forma adotada. Por isso, passamos a analisar melhor essas justificativas diante das normas legais. Vejamos as normas da Lei nº 6.404/64 a respeito. CAPÍTULO XI AssembléiaGeral SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 121. A assembléiageral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto, tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento. Parágrafo único. Nas companhias abertas, o acionista poderá participar e votar a distância em assembleia geral, nos termos da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Competência Privativa Art. 122. Compete privativamente à assembléiageral: I reformar o estatuto social; Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.327 37 II eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no número II do artigo 142; III tomar, anualmente, as contas dos administradores, e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas; IV autorizar a emissão de debêntures; V suspender o exercício dos direitos do acionista (artigo 120); VI deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social; VII autorizar a emissão de partes beneficiárias; VIII deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgarlhes as contas; IX autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. Parágrafo único. Em caso de urgência, a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores, com a concordância do acionista controlador, se houver, convocandose imediatamente a assembléiageral, para manifestarse sobre a matéria. Direito de Retirada Art. 137. A aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI do art. 136 dá ao acionista dissidente direito de retirarse da companhia, mediante reembolso do valor das suas ações (art. 45), observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) I nos casos dos incisos I e II do art. 136, somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) II nos casos dos incisos IV e V, somente terá direito de retirada o titular de ações: (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) a) que não integrem índices gerais representativos de carteira de ações admitidos à negociação em bolsas de futuros; e (Incluída pela Lei nº 9.457, de 1997) b) de companhias abertas das quais se encontram em circulação no mercado menos da metade do total das ações por ela emitidas, entendendose por ações em circulação no mercado todas as ações da companhia menos as de propriedade do acionista controlador; (Incluída pela Lei nº 9.457, de 1997) III o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de trinta dias contados da publicação da ata da assembléiageral; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) IV o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art. 136, § 1º) será contado da publicação da respectiva ata; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) V o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3º e, se for o caso, da ratificação da deliberação pela assembléiageral. (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) Com relação à justificativas, de que deveria haver autorização da assembleia geral da companhia para a participação no leilão e as consequencias danosas desse ato, Fl. 6327DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.328 38 vislumbramos que na verdade não existia, juridicamente, a necessidade de anuência da assembleiageral para a participação no leilão de privatização. A análise da assembleia somente seria necessária em momento posterior, quando da necessidade de incorporação das empresas. Assim, também não haveria problemas com o direito de retirada de acionistas minoritários em razão de não ser necessária a anuência da assembleia para a participação no leilão, nem haveria o problema de publicizar o valor do lance que se pretendia ofertar pela desnecessidade de assembleia para tanto. Vêse, das normas da lei das S/A, conforme acima demonstrado, que não haveriam os empecilhos legais apontados pela empresa como determinantes para a participação no leilão de privatização por meio de empresa subsidiária, em vez da própria ENERGISA MINAS GERAIS. Assim, em relação às primeiras alegações apresentadas pelo recorrente, entendo que não subsistia a justificativa de interposição da empresa CATLEO no processo de aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE. Necessidade da Empresa Veículo CATLEO O segundo ponto das alegações recursais, no que toca à necessidade de interposição da empresa CATLEO em função de, sendo uma empresa nova, ser mais fácil a obtenção de todas as certidões para habilitação desta no leilão parece ter maior lógica jurídica. No entanto, enquanto a participação por meio de uma empresa nova traria facilidades no processo de habilitação jurídica no leilão, o fato de a empresa ser nova também dificultaria a obtenção de linhas de financiamento para o pagamento do preço do leilão. Tanto é assim que, como a CATLEO sequer possuía contascorrente bancárias, todos o valores dos adiantamentos e mútuos obtidos foram contabilizados por trânsito pelo caixa da CATLEO, haja vista que sequer havia conta para ingresso dos recursos. Assim, nestas operações apenas contabilmente os recursos circularam pela CATLEO, visto que deveriam ser registradas as operações. Na prática os recursos obtidos pela ENERGISA MINAS GERAIS em nome da CATLEO foram direcionados diretamente aos detentores da participação da ENERGISA SERGIPE, quais sejam o Governo do Estado de Sergipe e os acionistas minoritários. Assim, se por um lado a participação de uma empresa nova facilitou a habilitação jurídica no leilão, por outro lado provocou a realização de uma verdadeira engenharia financeira para viabilizar a habilitação econômica da mesma empresa no leilão, trazendo consequências no mínimo estranhas nas operações de financiamento, quando os recursos migravam diretamente dos ofertantes dos mesmos para os alienantes da participação sem transitar pelas contas da CATLEO. Essas operações que, repito, são bastante estranhas, justificaram a alegação da fiscalização de que houve simulação na operação por dar a impressão de que a aquisição teria sido realizada pela CATLEO quando, em verdade, demonstrase que essa não possuía recursos financeiros e que estes, assim como a efetiva intenção de compra seria da ENERGISA MINAS GERAIS. Por isso, em meu entender a justificativa de que a interposição da CATLEO para a aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE era necessária para facilitar e viabilizar a participação no leilão não pode, por si só ser aceita em razão de restar demonstrado Fl. 6328DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.329 39 que ao mesmo tempo em que essa interposição facilitou a habilitação jurídica no leilão, provocou, sem sombra de dúvidas, as alegações de negócio simulado que visava a modificar o real adquirente da participação. Da Possível Utilização do ágio mesmo havendo aquisição direta Chegamos , então, à terceira justificativa apresentada pelo recorrente para justificar a operação e a utilização da CATLEO como interveniente para aquisição em leilão da ENERGISA SERGIPE. Fundamenta seu entendimento no fato de que o ágio na operação seria gerado de qualquer maneira mesmo que a aquisição tivesse ocorrido diretamente pela ENERGIPE MINAS GERAIS. E que, formado regularmente o ágio, ocorrendo a incorporação da empresa adquirida, haveria a confusão patrimonial e, assim, surgiria o direito à utilização do ágio como dedução do lucro real. Requisitos para a Formação e Utilização do Ágio Vejamos as normas que regulam a escrituração e utilização do ágio. Lei nº 9.532/97 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Vejamos o conteúdo do DecretoLei nº 1.598/77 Fl. 6329DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.330 40 SUBSEÇÃO II Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Desdobramento do Custo de Aquisição Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Com base nestas normas várias decisões foram emitidas não só por este CARF, como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF estabelecendo, com base nas normas acima os requisitos essenciais que autorizam o reconhecimento do ágio e a possibilidade de utilização deste como dedução do lucro real. Neste sentido transcrevo a ementa do acórdão nº 9101003.733, datado de 11/09/2018, onde se verificam didaticamente os requisitos para a aceitação das despesas com ágio. Vejamos o texto da ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. Fl. 6330DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.331 41 A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Fl. 6331DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.332 42 Dos textos normativos que regulam a escrituração do ágio e a sua possibilidade de uso como dedução do lucro, e tomando as lições do referido acórdão no que pertinem à análise deste processo, além da vasta jurisprudência a respeito do ágio, temos que seriam os seguintes os requisitos para a análise das operações societárias que geram a existência de ágio e que autorizam a sua dedutibilidade. 1 Operações realizadas com partes independentes. Apesar de não constar no texto normativo é usual na análise dos processos relativos a ágio que a legitimidade da formação do ágio se destaca quando realizado em operações com partes independentes. Ora, no presente caso não há dúvidas quanto a este fato. A operação de aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização não só demonstra que as partes eram independentes, posto que a referida empresa era controlada pelo Governo do Estado de Sergipe, como foi realizada em procedimento público com a maior concorrência possível. 2 Existência de Laudo de Rentabilidade Futura. Demandase, para corretamente configurar o valor do ágio que pode ser escriturado que exista um laudo emitido por empresa detentora de conhecimentos a tal titulo no qual se demonstre o valor da rentabilidade futura do investimento para fins de formação de ágio na forma do art. 20, II, do DecretoLei nº 1.598/77. Neste caso foi apresentado pelo recorrente o laudo de avaliação utilizado pela empresa para fixar o preço de participação no leilão da privatização. Além disso, resta claro o fato de que sequer seria neste caso necessária a existência do referido laudo. Isso porque a aquisição foi realizada em leilão público de privatização, assim, o preço foi fixado livremente pelos concorrentes em processo licitatório de ampla concorrência. Desta forma, não há como se questionar o preço praticado na operação e, em consequência, o valor do ágio que foi escriturado em razão da aquisição da participação. 3 Operações com Propósito Negocial. Quanto a este requisito, por óbvio que sua análise é muito dissonante neste CARF principalmente à luz do entendimento dos Conselheiros representantes da Fazenda comparado aos Conselheiros representantes dos contribuintes. Isto porque, enquanto os contribuintes representantes da Fazenda buscam a existência, nos negócios realizados, de outros motivos que não a simples economia tributária, os representantes dos contribuintes entendem que a busca da economia tributária, por si só já seria um motivo mais do que suficiente para a realização de negócios. Felizmente no presente caso não há maiores dúvidas acerca do propósito negocial. A aquisição da participação societária relativa à ENERGISA SERGIPE foi, desde sempre, o objetivo final do negócio intentado pela ENERGISA MINAS GERAIS, assim, não há como se falar em ausência de propósito negocial no presente processo, razão pela qual, em relação a este requisito. 4 Confusão Patrimonial entre investidora e investida. Em relação a este requisito, e com vistas a cumprir o art. 7º, III, da lei nº 9.532/97, fazse necessário que ocorra a confusão patrimonial entre investidora e investida a fim de que o ágio possa passar a ser utilizado como dedução na apuração do lucro real da investidora. Ou seja, deve ocorrer uma operação societária de incorporação, fusão ou cisão para viabilizar a utilização do ágio como dedução. Fl. 6332DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.333 43 Novamente neste processo não há dúvidas quanto à ocorrência de confusão patrimonial. A aquisição da participação por parte da CATLEO e, posteriormente com a incorporação desta pela ENERGISA SERGIPE demonstram a ocorrência da confusão patrimonial no caso que deu azo à utilização do ágio como dedução na apuração do lucro real, Conforme se depreende da análise acima, em tese os requisitos necessários à escrituração do ágio e a sua dedutibilidade parecem ter sido cumpridos. No entanto, à luz da interpretação da fiscalização, apenas estes requisitos não seriam suficientes à conformação do ágio e de sua regularidade na espécie. Da Simulação e Da Empresa Veículo Segundo o entendimento da fiscalização, conforme apresentado mais acima, a existência destes requisitos não seria suficiente. Pelo entendimento fiscal a empresa CATLEO teria funcionado como uma empresa veículo para possibilitar a formação do ágio e, posteriormente a sua dedução. Depois, como empecilho, alega que a aquisição do controle da ENERGISA SERGIPE pela CATLEO com recursos advindos de operações direta ou indiretamente bancadas em razão da ENERGISA MINAS GERAIS representa uma simulação para encobrir o real interesse das partes no negócio. Assim, vamos aqui analisar estas duas afirmações da fiscalização que, em verdade, consistem em apenas uma. Se a utilização da empresa CATLEO na operação ocorreu de forma a simular uma operação que, de forma diversa não poderia ser realizada ou não viabilizaria a formação, escrituração e dedutibilidade do ágio na operação. A demonstração da fiscalização acerca das operações demonstram que efetivamente não havia necessidade aparente da utilização da CATLEO em relação à aquisição da participação pela ENERGISA MINAS GERAIS, no entanto, alguns argumentos utilizados pelo recorrente me pareceram muito contundentes. Primeiro: Em primeiro lugar a recorrente coloca o fato de que o grupo controlador da ENERGISA MINAS GERAIS deter apenas pouco mais de 26% do controle acionário da empresa. Assim, ao utilizar a CATLEO como forma de adquirir a participação no leilão para reduzir os problemas na tramitação e aceitação do negócio na ENERGISA MINAS GERAIS. Neste ponto, conforme já afirmamos anteriormente, apesar de ser uma justificativa plausível, a não utilização da CATLEO, apesar de dificultar a realização da operação, não a impediria, até mesmo porque demonstrase que a ENERGISA MINAS GERIAS conseguiu empréstimos e verteu um grande montante de capital na operação, fatos estes que também demandaram negociações internas e que, ainda assim, se realizaram. Segundo: Um segundo bom argumento apresentado pela empresa acerca da utilização da CATLEO no processo de aquisição é o fato de que, sendo uma empresa nova, seria mais fácil a obtenção de certidões pela mesma de modo a viabilizar a participação no leilão de privatização. Este argumento é bastante conveniente.É público e notório que no dia a dia das empresas que contratam com o serviço público, faz necessário a emissão e manutenção da regularidade fiscal e cadastral diante dos mais diversos entes públicos. Fl. 6333DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.334 44 Por óbvio uma empresa recém constituída teria muito mais facilidade de obter toda a sorte de certidões que seriam necessárias para a participação no leilão. Entretanto tal justificativa, por si só, me parece muito singela a viabilizar a anuência da regularidade de toda a operação e a possibilidade de dedução do ágio. Até porque existem empresas de grande porte que, apesar da estrutura grande, mantém sua regularidade fiscal como, por exemplo, as grandes empreiteiras que participam rotineiramente de licitações públicas. Por isso, com relação a este argumento não entendo estar convencido de que seria suficiente para infirmar toda a extensa apresentação da fiscalização. Terceiro: Por fim, temos de analisar a argumentação sobre o fato de que a operação em análise, mesmo que fosse realizada diretamente pela ENERGISA MINAS GERAIS possibilitaria a formação e utilização do ágio da mesma forma. Com relação a este argumento entendo que assiste razão ao recorrente. Acaso a ENERGISA MINAS GERAIS participasse diretamente do leilão e adquirisse o controle da ENERGISA SERGIPE o ágio se formaria normalmente a partir do confronto entre o valor pago na aquisição e o valor do patrimônio adquirido, tendo em vista que todo o valor pago a mais na operação é, em processos de privatização como o do presente caso, sem sombra de dúvidas baseado na rentabilidade futura do investimento. Por isso este ágio, assim formado se enquadraria na hipótese do art. 20, II, do DecretoLei nº 1.598/77. Posteriormente, a ENERGISA MINAS GERAIS poderia normalmente realizar a incorporação da ENERGISA SERGIPE e, assim, acontecendo a confusão patrimonial entre investidora e investida, passar a deduzir o ágio escriturado. Temos assim, que, acaso fosse realizado o negócio de forma direta restaria claro o direito de escrituração do ágio e sua posterior dedução após a incorporação. Assim sendo, não há como se considerar que a CATLEO foi utilizada como empresa veículo para viabilizar a formação do ágio. Este seria gerado de uma forma ou de outra. Por isso, entendo que descabe a alegação da fiscalização de que a CATLEO foi utilizada como empresa veículo. Apesar de a CATLEO não possuir estrutura operacional e ter sido utilizada apenas para realizar a aquisição da ENERGISA SERGIPE no leilão, não entendo ser razoável afirmar que sua utilização ocorreu apenas para viabilizar a formação e utilização do ágio. Ora, se a adquirente final poderia obter este benefício realizando a operação de forma direta não é possível entenderse que foi utilizada como empresa veículo, vez que essa denominação é utilizada nos casos em que não há possibilidade de formação ou dedução do ágio se a operação fosse realizada de forma direta. Desta forma, não existindo empecilho legal, nem financeiro, nem de outra monta que inviabilizasse a formação do ágio no caso de a operação ter sido realizada de forma direta e obtendo os mesmos benefícios fiscais, temse que a utilização da empresa CATLEO decorreu de motivos não tributários o que inviabiliza a alegação fiscal de que se tratava de empresa veículo. Fl. 6334DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.335 45 Poderia o leitor, neste ponto. questionar quais seriam os motivos não tributários que levaram a ENERGISA MINAS GERAIS a utilizar a CATLEO no processo de aquisição. Entretanto não é necessário adentrar em descobrir quais seriam os motivos. Se por questões societárias, práticas, etc. O que interessa neste ponto é avaliar se a utilização de terceira empresa no processo de aquisição visou a driblar impedimentos legais à utilização do ágio, realizando negócios sem conteúdo econômico apenas para burlar as normas e obter o benefício de dedução do ágio. Demonstrase ao final, que o benefício fiscal não foi o único a ser visado pela empresa ao utilizar a CATLEO no processo de aquisição da participação. Não havendo impedimentos a justificar a utilização da CATLEO como forma de viabilizar a dedutibilidade do ágio, não há como se caracterizar a mesma como simples empresa veículo para a formação do ágio e, assim, desconfigurase a análise da fiscalização no que tange a considerar a CATLEO como tal, impedindo, como consequência, a escrituração e dedutibilidade do ágio no negócio realizado. Como consequência das conclusões acima, acerca do entendimento pela regularidade na utilização da CATLEO como empresa interveniente de modo a facilitar apenas a realização do negócio, participação em leilão e aquisição da ENERGISA SERGIPE, entendo que não ocorreu simulação na espécie, haja vista que, desde sempre ficou demonstrado que o intuito final era o da aquisição da ENERGISA SERGIPE pela ENERGISA MINAS GERAIS. A simulação apontada pela fiscalização deixa de se caracterizar em função de não existir o fato impeditivo que possibilitasse a realização do negócio de forma direta pela ENERGISA MINAS GERAIS e a fruição do benefício fiscal que demandasse a realização de negócio jurídico diverso que visasse a burlar estes impedimentos o que, de fato, não ocorreu no caso. Por todo o exposto, com relação à formação e utilização do ágio na aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização, entendo que o negócio jurídico realizado, apesar de não ter sido realizado de forma direta, não se valeu da utilização da CATLEO como empresa veículo de modo a obter os benefícios fiscais de dedutibilidade do ágio e, assim, autoriza a hipótese de apuração, escrituração e dedução do ágio como realizado pela empresa após a incorporação da CATLEO pela ENERGISA SERGIPE. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário de modo a exonerar a glosa de dedução indevida de ágio. Da Necessidade de Afastamento da Multa Qualificada. Alega que não restou caracterizada a simulação e, assim, descabe a aplicação da qualificação. Com relação a este item e verificandose que a multa qualificada apenas foi aplicada em relação à infração relativa à glosa das despesas com ágio, tendo em vista que neste voto meu entendimento foi no sentido de exonerar esta infração, por via de consequência foi também exonerada a multa qualificada relativa à referida infração. Fl. 6335DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.336 46 Da Infração II Inexistência de Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais Alega neste ponto que tanto a fiscalização quanto a DRJ não consideraram na apuração dos prejuízos fiscais o que foi apresentado pelo contribuinte por meio da DIPJ/96 retificadora. Assim entende que devem ser revistos os cálculos da autuação em razão dessa DIPJ/96 retificadora e que não pode admitir a redução dos prejuízos de 1999 a 2002 sem que tenha havido fiscalização quanto a esses exercícios. Os argumentos apresentados pela recorrente em sede de recurso voluntário diferem dos argumentos utilizados em sede de impugnação. Quando da impugnação a recorrente apenas se manifestou quando à glosa de prejuízos fiscais em razão de autos de infração lavrados anteriormente e já transitados em julgado e, ainda, quanto ao fato de a DIPJ/96 retificadora que aumentava o saldo de prejuízos em favor da mesma ter sido cancelada. O argumento, agora trazido na impugnação relativo à impossibilidade de revisão de prejuízos fiscais de 1999 a 2002 em razão da autuação e, em consequência a geração da infração de utilização a maior de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL não foi apresentado em sede de impugnação e, assim, este argumento não foi apreciado pela Delegacia de Origem. Não pode esta Turma Julgadora, em sede de análise de recurso voluntário analisar novo argumento não antes apresentado pela defesa, tendo em vista a preclusão do direito do recorrente em inovar em sua argumentação. Assim, não sendo matéria de conhecimento obrigatório, deixo de analisar o argumento relativo à pretensa impossibilidade de revisão dos saldos de prejuízos de 1999 a 2002 veiculados pelo recorrente. Quanto aos demais argumentos, estes já apresentados em sede de impugnação, verifico que foram fundamentadamente analisados pela Delegacia de Julgamento quando da análise da impugnação. Tanto que àquela Delegacia determinou a realização de diligência de modo a adequar os saldos de prejuízos fiscais aos valores das infrações que por acaso houvessem sido reduzidas em julgamento administrativo. Com base nas novas informações apontadas pela diligência foram refeitos os cálculos e, em conclusão, foram mantidos os lançamentos relativos à utilização a maior de prejuízo fiscal e exonerado parcialmente o lançamento de utilização a maior de bases negativas de CSLL do ano de 2006, mantendose os demais lançamentos. Assim, neste ponto, não havendo elementos novos a serem analisados em sede recursal, entendo por bastante suficiente os fundamentos utilizados pela Decisão de Piso na análise da infração II, razão pela qual passo a adotálos como fundamentos para decidir este ponto. Início da transcrição do voto da Delegacia de Julgamento em face da Infração II. II Da Compensação Indevida de Prejuízo Operacional com Resultado da Atividade Geral Fl. 6336DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.337 47 113. Compulsando os autos no que está relacionado a infração sob julgo, observase que em proveito de apurar a precisão dos saldos de prejuízos acumulados constantes do sistema SAPLI da RFB e aferir a suficiência destes para suportar os lançamentos advindos das glosas das amortizações indevidas de ágio, as Autoridades Fiscais promoveram o cotejamento entre os saldos do LALUR e os controlados no sistema SAPLI. Encontradas divergências, buscaram dirimilas. 114. Prosseguindo, relativamente ao anocalendário de 1995, do qual o saldo a Defesa refutou, constataram o cancelamento da DIPJ retificadora do exercício de 1996, n° 94116 78, apresentada em 23/12/2000, que afetou significativamente o saldo controlado no sistema SAPLI, fruto da DIPJ 1996 original, n° 8626414, uma vez que existia relevante diferença entre eles. Vê se então que a atuação da Fiscalização, neste tópico, reservouse apenas a uma averiguação em favor de atestar a diferença encontrada entre os saldos controlados pelo Contribuinte e pelo Fisco, quer dizer sem promover qualquer alteração, até porque o evento de incorporação, do qual culminou com a principal autuação, ocorreu em 1997 e 1998. 115 Ademais, conforme analisaremos a seguir, em sua petição, às fls. 5938 a 5946, onde apresentou contestações a respeito do saneamento do sistema SAPLI, pela DRF/AracajuSE, após o trânsito em julgado na esfera administrativa dos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/2010 40, a Impugnante, ao propor os saldos de prejuízo acumulado, considerou o declarado na DIPJ 1996 original. 116. Além do sobredito, mas não menos importante, não podemos olvidar que apesar do questionado saldo, a partir do anocalendário de 2000 até 2007, salvo anocalendário de 2004, ter sido necessariamente objeto de apreciação nos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, visto que houve lançamentos de ofício da infração relacionada à compensação indevida de prejuízo fiscal, nos anoscalendário de 2006 e 2007, e de base de cálculo negativa da CSLL em 2007, a matéria já foi passível de discussão, inclusive estando exaurida na esfera administrativa. À vista disso, sem embargo de, por uma questão lógica, influenciar nos saldos sob julgamento, por se tratar de um evento ocorrido no anocalendário de 2000, do qual, pelas razões supraditas, a Contribuinte já devia ter conhecimento e se insurgido, operou se a preclusão temporal quanto ao ponto guerreado, o que impede este julgador de conhecer as razões da defesa. 117. No que se refere ao saneamento no SAPLI determinado pela citada diligência, isto é, adequálo as decisões transitadas em julgado na esfera administrativa relativas aos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, em prol da melhor didática, elaboramos a planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, na qual foram procedidas as retificações dos saldos conforme orientado, inclusive levando em consideração as manifestações do contribuinte, contudo excluindo as glosas de amortização do ágio, relacionadas aos anoscalendário de 1999, 2002 e de 2006 a 2010, lançadas no presente processo. Fl. 6337DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.338 48 118 Confrontando os saldos de prejuízos acumulados apurados por este julgador, entretanto, repiso, sem considerar as alterações promovidas nestes autos, e os apontados pela Defesa, às fls. 5938 a 5946, no que se refere aos anoscalendário de 2000, 2002 e 2006, ambos coincidem. 119. Adentrando no ponto crucial deste tema, qual seja o lançamento de ofício das compensações indevidas de prejuízo fiscal, relativos aos fatos geradores de 31/12/2006 e 31/12/2008, percebemos que estão suportadas principalmente pelas glosas de amortização indevida de ágio, nos anos calendário de 1999 e 2002. Nossa conclusão sobre a procedência advém ao acrescentarmos estes lançamentos aos saldos obtidos na planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO supra. Desta elaboramos a planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO APÓS A GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO abaixo, acrescentado as colunas SAPLI TRANSIÇÃO, GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO e SAPLI PÓS A GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, esta representativa do sistema SAPLI consolidado fruto da congregação de todas as modificações comentadas. Fl. 6338DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.339 49 120 Observase que ao refazermos a composição dos saldos, considerando as multicitadas glosas de amortização indevida de ágio, percebemos que não há mais saldo ao final do anocalendário de 2005, só voltando a ser registrado em 2010. As justificativas para as diferenças combatidas pelo Impugnante na peça impugnatória, às fls. 5.401 a 5.662, e em sua petição, às fls. 5938 a 5946, são: 120.1 AC 1999 Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 7.427.388,00. Disto decorreu redução do prejuízo controlado no SAPLI que passou de R$ 23.579.882,61, antes da infração, para R$ 16.152.494,61, pós infração; 120.2 AC 2002 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 14.672.220,00. Disto decorreu redução do saldo de prejuízo a compensar antes da infração de R$ 36.524.940,84, para R$ 14.425.332,84 (36.524.940,84 14.672.220,00 7.427.388,00) pós infrações; 120.3 AC 2005 – Considerando as glosas supra e as reduções após AC 2002 constantes na planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, já no AC 2005 verificase saldo insuficiente, por conseguinte, uma compensação indevida da monta de R$ 6.844.576,96, todavia não objeto de lançamento de ofício por ter sido alcançada pela decadência; 120.4 AC 2006 O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2007, havia registrado a compensação de R$ 14.682.269,04. Posteriormente, houve lançamento de compensação indevida de prejuízo, apurada no processo nº 10510.001892/201040, no montante de R$ 10.918.265,26, já transitado em julgado na esfera administrativa. Assim, considerando que os saldos, após as apurações retro, zeraram a partir do anocalendário de 2005, verificouse um saldo de compensação indevida de R$ 3.764.003,78 (R$ 14.682.269,04 10.918.265,26), a ser lançada de ofício como compensação indevida neste processo; 120.5 AC 2008 – O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2009, havia registrado a compensação de R$ 1.849.368,81, a qual, pelas razões sobreditas, foi lançada de ofício como compensação indevida neste processo; e 120.6 AC 2010 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 16.476.996,00, lançado neste processo, que reduziu o prejuízo apurado no período de R$ 23.102.955,52 para R$ 6.625.959,52 (23.102.955,52 16.476.996,00). 121. Pelo exposto, procedem os lançamentos de compensação indevida de prejuízo fiscal nos anoscalendário de 2006 e 2008, como também a redução do prejuízo fiscal apurado no AC 2010 efetivadas pela Autoridade Fiscal, não prosperando as refutações do Sujeito Passivo presentes seja na Impugnação, às fls. 5.401 a 5.662, seja em sua petição, às fls. 5938 a 5946. Fl. 6339DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.340 50 III Da Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa da Atividade Geral com Resultado da Atividade Geral 122. Para apuração do saldo da base cálculo negativa da CSLL os Auditores Fiscais adotaram estratégia similar a aplicada para averiguação do saldo de prejuízo acumulado. 123. A princípio é salutar registrar que a Defesa não combateu as constatações das Autoridades Fiscais que culminaram em redução do saldo da base de cálculo negativa da CSLL no SAPLI, no anocalendário de 1993, no montante atualizado de R$ 273.541,45 (duzentos e setenta e três mil, quinhentos e quarenta e um reais e quarenta e cinco centavos), portanto, quanto a estas modificações a matéria encontrase não impugnada. Aplicase também a este tópico as justificativas que nos levaram à conclusão da preclusão da contestação relativa ao cancelamento da DIPJ retificadora do exercício de 1996, n° 9411678. 124. No que tange à adequação do SAPLI as decisões transitadas em julgado na esfera administrativa relacionadas aos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, para melhor entendimento, também elaboramos a Planilha: SALDO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, na qual foram procedidas as retificações dos saldos conforme orientado, inclusive levando em consideração as manifestações do contribuinte, contudo excluindo as glosas de amortização de ágio, relacionadas aos anoscalendário de 1999, 2002 e de 2006 a 2010, lançadas no presente processo. 125 Confrontando os saldos de base de cálculo negativa da CSLL apurados por este julgador, registrese sem considerar os lançamentos de ofício relacionado as glosas de dedução indevida do ágio, com os indicados pela ENERGISA SERGIPE, às fls. 5938 a 5946, no que se refere aos anos calendário de 2000, 2002 e 2006, eles não coincidem pelos seguintes motivos: 125.1 O saldo da base de cálculo negativa antes da compensação no ano calendário de 2000 era de R$ 38.241.075,05 (trinta e oito milhões, duzentos e quarenta e um mil, setenta e cinco reais e cinco centavos), e não de 36.514.616,50 (trinta e seis milhões, quinhentos e quatorze mil, seiscentos e dezesseis reais e cinquenta centavos) conforme afirmado pela Contribuinte. A provável razão da diferença decorre do equívoco do Impugnante em Fl. 6340DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.341 51 transcrevêlo, reduzindoo em R$ 2.000.000,00 (dois milhões), aliado a não consideração da redução verificada em 1993 já comentada, no valor de R$ 273.541,45 (duzentos e setenta e três mil, quinhentos e quarenta e um reais e quarenta e cinco centavos). Visto que o 38.241.075,05 é o resultado de (36.514.616,50 + 2.000.000,00 273.541,45); 125.2 O saldo da base de cálculo negativa após a compensação no ano calendário de 2002 era de R$ 60.510.311,35 (sessenta milhões, quinhentos e dez mil, trezentos e onze reais e trinta e cinco centavos) e não de 58.783.852,62 (cinquenta e oito milhões, setecentos e oitenta e três mil, oitocentos e cinquenta e dois reais e sessenta e dois centavos) conforme afirmado pela Contribuinte, fruto da repercussão da diferença apontada no parágrafo anterior; e 125.3 O saldo da base de cálculo negativa após a compensação no ano calendário de 2006 era de R$ 17.903.179,37 (dezoito milhões, cento e setenta e seis mil, setecentos e vinte reais e sessenta e oitenta e dois centavos), e não R$ 14.145.731,81 (quatorze milhões, cento e quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e um reais e oitenta e um centavos), ou seja, diferença decorrente do apurado nos parágrafos anteriores, acrescida da levantada no quadro abaixo, advinda do trânsito em julgado administrativo do processo nº 10510.001892/201040, cuja consolidação foi juntada aos autos pela Defesa às fls. 5.999: 126. No tocante ao lançamento objeto do tema à epígrafe, envolvendo os fatos geradores de 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008, as principais causas foram as glosas de amortização indevida de ágio, nos anoscalendário de 1999 e 2002, culminando na extinção do saldo no anocalendário de 2006. Esta percepção clarificase ao acrescentarmos estes lançamentos aos saldos obtidos na planilha SALDO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO supra. Desta elaboramos a planilha SALDO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL APÓS A GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO abaixo, acrescentado as colunas: SAPLI TRANSIÇÃO, GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO e SAPLI PÓS GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, esta refletindo o sistema SAPLI consolidado fruto da conglobação de todas as alterações elucidadas. Fl. 6341DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.342 52 127. Semelhante ao ocorrido com o saldo de prejuízo acumulado, ao retificarmos a constituição dos saldos de base de cálculo negativa, considerando as sobreditas glosas de amortização indevida de ágio, constatamos que inexiste saldo ao final do anocalendário de 2006, só voltando a ser verificado em 2010. As justificativas para as discrepâncias atacadas pela Impugnante na peça impugnatória, às fls. 5.401 a 5.662, e em sua petição, às fls. 5938 a 5946, são: 127.1 AC 1999 Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 7.427.388,00. Disto sobreveio a redução do saldo da base de cálculo negativa controlado no SAPLI que passou de R$ 38.241.075,05, antes da infração, para R$ 30.813.687,05, pós infração; 127.2 AC 2002 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 14.672.220,00. Disto adveio a redução do saldo da base de cálculo negativa controlado no SAPLI antes da infração de R$ 60.510.311,35, para R$ 38.410.703,35 (60.510.311,35 14.672.220,00 7.427.388,00) pós infrações; 127.3 AC 2006 127.3.1 Neste anocalendário as Autoridades Fiscais lançaram neste processo como compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL o montante de R$ R$ 12.821.491,22, pois consideraram a compensação efetivada pela ENERGISA SERGIPE na DIPJ 2007, no valor de R$ 13.723.952,61, perante um saldo retificado insuficiente de R$ 902.461,39; 127.3.2 Conforme já exaurido neste voto, o sobredito fato gerador, à época da autuação, encontravase sob julgamento no processo 10510.001892/201040, cuja decisão definitiva considerou a compensação de R$ 16.660.262,63 (vide quadro do item 95.3); 127.3.3 Considerando o saneamento do SAPLI, após o trânsito em julgado na esfera administrativa dos processos: 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, e as glosas de amortização indevida de ágio nos anoscalendário de 1999 e 2002, restou um saldo inicial em 2006 de R$ 12.463.834,01; 127.3.4 Confrontando o saldo inicial supra com a compensação realizada em 2006 apontada no processo 10510.001892/201040, no valor de R$ 16.660.262,63, constatouse um saldo insuficiente de base de cálculo Fl. 6342DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.343 53 negativa de R$ 4.196.428,63, passível de lançamento de ofício neste processo, devendo ser exonerado o valor de R$ 8.625.062,59, derivado da diferença em relação ao originariamente lançado. 127.4 AC 2007 O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2008, havia registrado a compensação de R$ 31.959.720,57. Posteriormente, houve lançamento de compensação indevida de base de cálculo negativa, apurada no processo nº 10510.001892/201040, no montante de R$ 25.342.514,22, já transitado em julgado na esfera administrativa. Assim, considerando que os saldos, após as apurações retro, zeraram a partir do anocalendário anterior, restou um saldo de compensação indevida de R$ 6.617.206,35 (R$ 31.959.720,57 25.342.514,22), a ser lançada de ofício como compensação indevida neste processo; 127.5 AC 2008 – O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2009, havia registrado a compensação de R$ 1.440.702,43, a qual, pelas razões sobreditas, foi lançada de ofício como compensação indevida neste processo; e 127.6 AC 2010 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 16.476.996,00, lançado neste processo, que reduziu a base de cálculo negativa apurada no período de R$ 24.078.736,64 para R$ 7.601.740,64 (24.078.736,64 16.476.996,00). 128. Por tudo exposto, procede em parte a impugnação do contribuinte quanto a este tema, visto que deve ser mantido o lançamento, relativo ao fato gerador de 31/12/2006, até o montante de R$ 4.196.428,63, exonerandose a diferença R$ 8.625.062,59. No mais, são integralmente cabíveis os lançamentos de idêntica espécie relacionados aos fatos geradores de 31/12/2007 e 31/12/2008, bem como a redução do saldo acumulado da base de cálculo negativa, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2010, efetivada pela Autoridade Fiscal. Dessa forma, acato parcialmente as alegações da Impugnante relativas a INFRAÇÃO 2. Fim da transcrição do trecho da decisão de Piso com a análise da impugnação relativa à infração I. Como se pode acima observar os argumentos apresentados pela recorrente e já analisados pela Decisão de Piso foram completamente analisados e refeitos os cálculos de apuração da infração nº 02. Não verifiquei nenhum reparo a ser realizado na análise acima. Por estas razões, utilizando os fundamentos apontados pela decisão de Piso com os quais concordo integralmente, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o que foi decidido pela Decisão recorrida. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada. Alega que não seria possível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Fl. 6343DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.344 54 Com relação à aplicação da multa isolada a Delegacia de Julgamento decidiu pela exoneração das multas isoladas anteriores a 2007 em face de a Lei nº 11.488/2007 somente produzir efeitos a partir de janeiro de 2007. Tal entendimento encontra respaldo na Súmula CARF nº 105 que é aplicável até 2007. Assim correto o entendimento da Delegacia de Julgamento em exonerar as multas isoladas relativas ao ano de 2006. No que tange às multas dos anos de 2007 e 2008, o recorrente alega que não poderiam ser as duas multas aplicadas concomitantemente e assim, entende que devem ser canceladas as multas isoladas lançadas. Após a análise das infrações I e II, verificamos que a infração I foi integralmente exonerada e a Infração II foi parcialmente exonerada pela Delegacia de Julgamento. Entretanto, mesmo após essas exonerações, constatamos que as multas isoladas que foram mantidas decorrem das infrações de utilização a maior de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL que também serviram de base para os lançamentos das multas de ofício. Constatase, assim, que sobre as mesmas infrações foram lançadas duas multas, a de ofício e a isolada. Assim com relação à infração relativa a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção, conforme abaixo demonstrado e extraído do acórdão deste mesmo relator de nº 1401003.058, de 13 de dezembro de 2018. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: "As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 6344DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.345 55 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Fl. 6345DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.346 56 Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada." No presente caso, em razão do elevado valor da autuação levada à efeito contra o contribuinte entendo que devo tecer outras considerações a respeito, até mesmo porque tenho conhecimento de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu julgamento em sentido contrário ao deste entendimento. No julgamento que tomei conhecimento a aplicação do Princípio da Consunção foi negada na seara do direito tributário em razão do entendimento de que os princípios de direito penal não poderiam ser utilizados na seara do direito tributário. Data venia o devido respeito e consideração que tenho com as decisões proferidas pela Câmara Superior deste CARF, até mesmo porque sigo alguns de seus ensinamentos em diversos pontos, não concordo com esse posicionamento. Desde os tempos dos bancos escolares na Faculdade de Direito sempre recebi e acolhi o ensinamento de que é menos grave infringir uma norma do que um princípio. Este ensinamento decorre do fato de que os princípios do direito são normas não escritas que vigoram acima das normas positivadas e servem de guia para a sua produção e de guia para os intérpretes. Por isso os princípios são tão importantes na vida dos operadores do direito. Apresentamos a lição de renomados juristas acerca dos princípios no direito. Fl. 6346DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.347 57 Conforme Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondolhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema normativo, conferindolhe a tônica que lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico. (MELLO, 2009, p. 53) Segundo Miguel Reale Júnior: Princípios são, pois, verdades ou juízos fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos ordenados em um sistema de conceitos relativos a dada porção da realidade. Às vezes, também se denominam princípios certas proposições que, apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são assumidas como fundamentos da validez de um sistema particular de conhecimento com seus pressupostos necessários. (REALE, 1991, p. 59) Vejase que o nosso código tributário adota, ele próprio, diversos princípios do direito penal, como se pode observar pela leitura dos seguintes dispositivos. Princípio da Legalidade no direito penal: nullum crimen, nulla poena sine lege Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. ...... Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; ........... Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .......... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 6347DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.348 58 Princípio da Anterioridade: Nullum crimen, nulla poena sine lege praevia; Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Princípio da Retroatividade Benigna Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Princípio da Intervenção Mínima e da Gradação da Pena Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 6348DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.349 59 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Especificamente, em relação ao Princípio de Intervenção Mínima apresentamos a lição de César Roberto Bittencourt. O princípio da intervenção mínima, também conhecido como ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios de controle social revelaremse suficientes para a tutela desse bem, a sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais. Por isso, o Direito Penal deve ser a ultima ratio, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos do Direito revelaremse incapazes de dar a tutela devida a bens relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade. (BITENCOURT, 2009, p. 13, grifo no original) O Princípio da Consunção, nasce então da necessidade de aplicação da gradação das penas e de intervenção mínima. Por isso, novamente nos utilizamos na lição de César Roberto Bittencourt para demonstrar a construção jurídica do Princípio da Consunção. Pelo princípio da consunção, ou absorção, a norma definidora de um crime constitui meio necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime. Em termos bem esquemáticos, há consunção quando o fato previsto em determinada norma é compreendido em outra, mais abrangente, aplicandose somente esta. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de gênero e espécie, mas de minus e plus, de continente e conteúdo, de todo e parte, de inteiro e fração. Por isso, o crime consumado absorve o crime tentado, o crime de perigo é absorvido pelo crime de dano. A norma consuntiva constitui fase mais avançada na realização da ofensa a um bem jurídico, aplicandose o princípio major absorbet minorem. Assim, as lesões corporais que determinam a morte são absorvidas pela tipificação do homicídio, ou o furto com arrombamento em casa habitada absorve os crimes de dano e de violação de domicílio etc. A norma consuntiva exclui a aplicação da norma consunta, por abranger o delito definido por esta. Há consunção quando o crimemeio é realizado como uma fase ou etapa do crimefim, onde vai esgotar seu potencial ofensivo, sendo, por isso, a punição somente da conduta criminosa final do agente. Não convence o argumento de que é impossível a absorção quando se tratar de bens jurídicos distintos. A prosperar tal argumento, jamais se poderia, por exemplo, falar em absorção nos crimes contra o sistema financeiro (Lei Fl. 6349DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.350 60 n. 7.492/86), na medida em que todos eles possuem uma objetividade jurídica específica. É conhecido, entretanto, o entendimento do TRF da 4ª Região, no sentido de que o art. 22 absorve o art. 6º da Lei n. 7.492/86. Na verdade, a diversidade de bens jurídicos tutelados não é obstáculo para a configuração da consunção. Inegavelmente – exemplificando – são diferentes os bens jurídicos tutelados na invasão de domicílio para a prática de furto, e, no entanto, somente o crimefim (furto) é punido, como ocorre também na falsificação de documento para a prática de estelionato, não se punindo aquele, mas somente este (Súmula 17 do STJ). No conhecido enunciado da Súmula 17 do STJ, convém que se destaque, reconheceuse que o estelionato pode absorver a falsificação de documento. Registrese, por sua pertinência, que a pena do art.297é de dois a seis anos de reclusão, ao passo que a pena do art. 171 é de um a cinco anos. Não se questionou, contudo, que tal circunstância impediria a absorção, mantendose em plena vigência a referida súmula. Não é, por conseguinte, a diferença dos bens jurídicos tutelados, e tampouco a disparidade de sanções cominadas, mas a razoável inserção na linha causal do crime final, com o esgotamento do dano social no último e desejado crime, que faz as condutas serem tidas como únicas (consunção) e punindose somente o crime último da cadeia causal, que efetivamente orientou a conduta do agente.(BITTENCOURT, in http://www.cezarbitencourt.adv.br/index.php/artigos/36conflitoaparente entrealein866693eodecretolein20167) Além dessa positivação de alguns princípios existem outros, como o da presunção de inocência que são utilizados pela administração tributária e pela fiscalização sem que ao menos se perceba. Vejase, ao iniciar a fiscalização o agente, mesmo que plenamente convicto da existência de irregularidades cometidas pelo contribuinte não pode, simplesmente, lavrar uma autuação sem qualquer prova material. Justamente pela aplicação do princípio da presunção da inocência é que se exige e, neste ponto, este CARF é sempre rigoroso, a demonstração da infração cometida, do seu enquadramento legal e a juntada de provas de todo o alegado. Mesmo assim, ainda que muito bem constituída a autuação, o processo administrativo de constituição do crédito tributário apenas se inicia com a ciência do lançamento. O contribuinte não é nem pode ser cobrado neste momento pois, em atenção ao princípio da presunção de inocência ele só poderá ser cobrado após o esgotamento de todas as instâncias de julgamento administrativo. Demonstrase, neste caso, que em nenhum lugar está escrito que o contribuinte não é cobrado em face da presunção de inocência, no entanto a norma que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário baseouse neste princípio para sua formação. Por isso talvez, não sendo norma escrita em nenhum lugar, às vezes princípios jurídicos que não são tão comuns, podem causar estranheza e a refração de alguns intérpretes. Fl. 6350DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.351 61 Com relação ao princípio da Consunção que, reconheço, não é se sabença geral em sua completude, a estranheza decorre do fato de se afastar a aplicação de uma norma legal (a de aplicação de multa isolada por falta de recolhimento por estimativa) em razão de um princípio não escrito. Mas o princípio da Consunção funciona exatamente desta forma. Quando existem condutas praticadas pelos particulares que se amoldem a mais de uma infração, há de se aplicar a pena relativa à maior infração capitulada e deixar de aplicar a pena da menor infração até o limite daquela. Vejamos um exemplo prático do direito penal. O sujeito que pratica lesões corporais graves em outrem que é levado para o hospital e depois vem a óbito. Neste agir o sujeito está agindo da forma capitulada em dois tipos penais: o de lesão corporal grave e o de homicídio. O de lesão tem uma pena menor e o de homicídio tem uma penar maior, mas veja que a mesma ação deu azo à tipificação de dois crimes. Pela aplicação do princípio da Consunção o sujeito, sendo provada sua culpa, cumprirá a pena exclusivamente pelo crime de homicídio (que é o mais amplo e absorve o menos amplo) e não receberá a pena cumulada de lesão corporal e homicídio. É aplicação direta do princípio. No direito tributário, havendo a mesma ratio, há de haver a mesma conclusão. Não é o fato de o princípio ser afeito ao direito penal que o torna inaplicável ao direito tributário. Vejase que o próprio Superior Tribunal de Justiça, em sede de análise de Recurso Especial já se manifestou pela possibilidade de aplicação do princípio ao direito tributário em relação ao mesmo problema. 1.1.1.1 Processo AgRg no REsp 1576289 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2015/03259378 1.1.1.2 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) 1.1.1.3 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.4 Data do Julgamento 19/04/2016 1.1.1.5 Data da Publicação/Fonte DJe 27/05/2016 Fl. 6351DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.352 62 1.1.1.6 Ementa TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. 1.1.1.7 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." 1.1.1.8 Processo REsp 1496354 / PR RECURSO ESPECIAL 2014/02967297 1.1.1.9 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) 1.1.1.10 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.11 Data do Julgamento 17/03/2015 1.1.1.12 Data da Publicação/Fonte DJe 24/03/2015 1.1.1.13 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA Fl. 6352DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.353 63 PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. 1.1.1.14 Acórdão "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Os princípios não são de um direito ou de outro, são princípios de direito como um todo. Por questões de usualidade estudase mais em um determinado ramo, mas estes não deixam de poder ser aplicados a qualquer ramo do direito, senão, repisemos, cometeríamos a heresia de quebrar um princípio de direito ao negarlhe aplicação. Quanto à isto existe norma posta? Fl. 6353DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.354 64 por óbvio que não, no entanto, é norma implícita que deve ser atendida pelos operadores do direito. Assim, com relação à aplicação do Princípio da Consunção na análise da aplicação cumulativa das multas isolada e de ofício entendo da seguinte forma: 1. O sujeito passivo deixou de cumprir uma norma jurídica que determinava o recolhimento mensal da CSLL devida por estimativa, como forma de antecipação da CSLL devida ao final do anocalendário; 2. Em seguida, encerrado o exercício, o contribuinte não apura nem recolhe a CSLL devida na sistemática adotada de apuração anual da contribuição. 3. Chegada a fiscalização verifica as duas ações diversas que são, em síntese, o não pagamento de tributo. O primeiro de forma antecipada e o segundo de forma integral ao final do exercício. Assim, verificando duas ações, aplica duas sanções, uma de 50% pelo não recolhimento da estimativa e outra de 75% pelo não recolhimento da contribuição anual apurada. Ora a aplicação do Princípio da Consunção decorre do fato de que a primeira conduta é parte integrante da segunda conduta. Não existe um tributo denominado CSLL por estimativa e outro tributo denominado CSLL da apuração anual. O que se recolhe por estimativa são pedaços da CSLL que, por conveniência da administração tributária tem de ser recolhidas de forma antecipada, mesmo sem haver o conhecimento do lucro tributável. Vejase, se a fiscalização chega ao contribuinte durante o exercício e aí aplica a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa devida é um fato. Se a fiscalização chega ao contribuinte após o encerramento do exercício não pode nem mesmo lançar a estimativa devida, mas apenas o tributo devido ao final do exercício, como poderia então lançar a multa isolada pelo não recolhimento de partes deste tributo, quando a empresa já está sendo penalizada com a multa de 75% incidente sobre todo o imposto devido. O ato que está sendo punido pela fiscalização é um só. O de não recolher o tributo devido. Por isso, nos casos em que o valor lançado relativamente à multa de ofício excede o valor lançado em relação à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas a multa mais grave absorve a multa menos grave a, assim, aplicase a consunção. Por isso, na aplicação da consunção não há de se falar simplesmente em exoneração da multa isolada. Em verdade o que se diz e como demonstram os diversos julgados desta mesma turma, a consunção da exclusão da multa isolada só ocorre integralmente nos casos em que a multa de ofício aplicada lhe é superior. Assim, nos casos em que a multa isolada é superior ao valor da multa de ofício, a exoneração é parcial e limitada ao montante da multa de ofício, devendo nestas hipóteses ser mantida a punição isolada em relação ao montante que superou a multa de ofício. Fl. 6354DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.355 65 Parece estranho, mas não é. Como a estimativa é uma antecipação do imposto, ocorrem casos em que, na apuração anual a empresa verifica a existência de exclusões do lucro real que não são utilizadas no cálculo das estimativas e, assim, o tributo apurado ao final do exercício termina por ser inferior à soma dos tributos devidos por estimativas. Nestes casos a consunção se aplica parcialmente e mantémse a parcela da multa de 50% que superou o montante da multa de ofício. Acrescentese a tudo isso que a novel interpretação instituída por meio do Parecer Normativo nº 02, de 03 de dezembro de 2018, analisando o tema relativo às estimativas e o valor do tributo devido, conclui que: Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, concluise: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo anocalendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, devese efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; Fl. 6355DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.356 66 (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; g) a SCI Cosit nº 18, de 2006, deve ser lida de acordo com o Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, motivo pelo qual ratificase o disposto nos seus itens 12, 12.1, 12.1.1, 12.1.3 e 12.1.4 e 13 a 13.3, revogandose o seu item 12.1.2. A interpretação, assim estabelecida, reforça o entendimento deste relator de que o recolhimento por estimativa é parte constante do débito apurado de IRPJ ou CSLL anual, assim o tratamento relativo à falta de pagamento das estimativas e do tributo devido ao final do exercício deve ser analisado em conjunto e não como se tratando de normas independentes e que tem de ter aplicação indistinta sem qualquer moderação. Assim, reforçado com o parecer acima, e com base na utilização dos princípios do direito penal já tratados acima, entendo perfeitamente aplicável o princípio da consunção aos casos de aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. No presente caso, tendo em vista que não é possível no momento calcular os exatos valores das multas isoladas e de ofício que vão remanescer após o recálculo dos tributos devidos em face da exoneração neste voto, entendo que deve ser aplicado o princípio da consunção de modo que somente sejam cobrados do contribuinte os valores relativos às multas isoladas que superaram o montante da multa de ofício remanescente apurados quando da liquidação do julgado, em razão de serem absorvidos, em face deste princípio, os valores das multas isoladas que sejam inferiores ao valor da multa de ofício remanescente. Da Ilegal Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício. Com relação a este ponto entende o recorrente que não é cabível a aplicação de juros sobre a multa de ofício lançada. Apresenta diversos argumentos neste sentido. No entanto, em face da edição da Súmula CARF nº 108, não resta mais objeto a ser analisado posto que a referida Súmula é vinculante e de aplicação obrigatória pelos membros deste CARF. Assim, passo a reproduzir o conteúdo da referida Súmula. Fl. 6356DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.357 67 Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Acórdãos Precedentes: CSRF/0400.651, de 18/09/2007; 10322.290, de 23/02/2006; 10323.290, de 05/12/2007; 10515.211, de 07/07/2005; 10616.949, de 25/06/2008; 30335.361, de 21/05/2018; 1401 00.323, de 01/09/2010; 910100.539, de 11/03/2010; 910101.191, de 17/10/2011; 920201.806, de 24/10/2011; 920201.991, de 16/02/2012; 1402002.816, de 24/01/2018; 2202003.644, de 09/02/2017; 2301005.109, de 09/08/2017; 3302001.840, de 23/08/2012; 3401004.403, de 28/02/2018; 3402004.899, de 01/02/2018; 9101001.350, de 15/05/2012; 9101001.474, de 14/08/2012; 9101001.863, de 30/01/2014; 9101002.209, de 03/02/2016; 9101003.009, de 08/08/2017; 9101003.053, de 10/08/2017; 9101003.137 de 04/10/2017; 9101003.199 de 07/11/2017; 9101003.371, de 19/01/2018; 9101003.374, de 19/01/2018; 9101003.376, de 05/02/2018; 9202003.150, de 27/03/2014; 9202004.250, de 23/06/2016; 9202004.345, de 24/08/2016; 9202005.470, de 24/05/2017; 9202005.577, de 28/06/2017; 9202006.473, de 30/01/2018; 9303002.400, de 15/08/2013; 9303003.385, de 25/01/2016; 9303005.293, de 22/06/2017; 9303005.435, de 25/07/2017; 9303005.436, de 25/07/2017; 9303005.843, de 17/10/2017. Fl. 6357DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.358 68 Assim, em razão da obediência ao entendimento sumulado por este CARF, nego provimento ao recurso. Da Aplicação do art. 112 do CTN. Que em caso de julgamento do recurso por voto de qualidade, em face da norma do art. 112, que seja a multa reduzida para 75%. Requer ao final, em seu recurso, que em caso de julgamento por voto de qualidade que a multa seja reduzida para o percentual de 75%. Ora, conforme acima apresentado, o valor da multa de ofício lançada relativo às infrações que ainda foram mantidas restringiuse ao percentual de 75% tendo em vista que as multas qualificadas e agravadas foram exoneradas integralmente. Assim, com relação a este ponto não há objeto a ser analisado, mantendose as multas de ofício lançadas no patamar de 75%. RECURSO DE OFÍCIO Em relação ao recurso de ofício manejado pela decisão de Piso, as exonerações realizadas pela decisão decorreram dos seguintes pontos: 1 Exclusão do agravamento da multa de ofício 2 Exclusão de parte do lançamento relativo à utilização a maior de bases de cálculo negativas de CSLL no ano de 2006 3 Exoneração das multas isoladas por falta de pagamento por estimativa do ano de 2006. Vejamos os itens e os motivos apresentados pela decisão de Piso no que toca a estas exonerações: 1 1 Exclusão do agravamento da multa de ofício Passo a transcrever o trecho da decisão de Piso a respeito desta exoneração. 97 As Autoridades Fiscais entenderam que, consoante se extrai do TVF, às fls. 85 a 86, a ENERGISA SERGIPE, embora reiteradamente intimada, de forma deliberada não prestou esclarecimentos cruciais ao bom andamento da Auditoria, caracterizandose uma situação passível de agravamento da Fl. 6358DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.359 69 multa de ofício, em consonância com o § 2°, inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 2007. 98 A Impugnante, por seu turno, protestou garantindo a inocorrência de não atendimento à fiscalização, sendo certo que eventual atendimento insatisfatório não é suficiente para aplicação de tal multa. A seu favor sustentou que: 98.1 O agravamento da multa de ofício só é cabível na hipótese em que o contribuinte não atende a intimação da fiscalização para prestar esclarecimentos.(...) Isto porque, o agravamento da penalidade em questão tem por objetivo penalizar apenas o contribuinte que ignora por completo a fiscalização;(g.n.) 98.2 (...) no presente caso, a simples leitura do Termo de Verificação Fiscal demonstra que, no decorrer de todo o procedimento fiscal, a Impugnante sempre se colocou à disposição da fiscalização, apresentando diversas respostas com documentos e informações solicitadas. (...) Como se vê, nesse caso, não há que se falar em não atendimento à fiscalização e sim, no máximo, em um atendimento que, de acordo com um critério subjetivo da fiscalização, não teria sido satisfatório;e (g.n.) 98.3 (...) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já se manifestou no sentido de que o atendimento às intimações fiscais, ainda que considerado insatisfatório, não tem o condão de ensejar a aplicação da multa agravada, (...)a Câmara Superior de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento de que tendo o contribuinte se esforçado para apresentar, ainda que fora do prazo, uma parcela dos documentos solicitados, não seria aplicável o agravamento da multa de ofício. (g.n.) 99 Previamente ao nosso posicionamento quanto ao tema, é de relevo, ad argumentandum, consignar o que pretendeu o legislador ao prever o aumento da multa de ofício preceituado no art. 44, §2° inciso I da Lei 9.430/96, autorizado pelo §5° do art. 18 da Lei n° da Lei n° 10.833/200, conforme segue: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 6359DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.360 70 I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(g.n.) 100 Observase que a oneração em questão visou penalizar o Sujeito Passivo que NÃO ATENDE a intimação, quer dizer, deve haver manifesta demonstração, seja pela expressa negativa ou inércia, que o Intimado objetivou em NADA concorrer para satisfazer o pleito da Fiscalização. 101 Neste caso concreto, embora tenham sucedido muitos percalços tais como reiteradas intimações e reintimações, atendimentos parciais das demandas ou não atendimento de determinados requerimentos, segundo registrado no item 2.1.2 do relatório, não podemos assegurar que a Contribuinte não atendeu as reivindicações do Fisco plenamente. Percebese, percorrendo o TVF, às fls. 60 a 63, que livros e documentos forem entregues e intimações foram respondidas, todavia não a contento, entretanto, considerando todo o procedimento fiscalizatório em questão, longe de caracterizar uma circunstância impeditiva ou prejudicante, de forma incisiva, da definição da base de cálculo dos tributos lançados. 102 Em benefício do entendimento expressado, segue jurisprudência administrativa nesse sentido: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do atendimento parcial das intimações. (Data da Sessão 12/06/2013. Acórdão nº 1302001.121) ______________________________________________________________ MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento ou atendimento de forma parcial à intimação para apresentação de extratos bancários e comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancária, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência. (Data da Sessão 11/09/2012. Acórdão nº 1302 000.970) ______________________________________________________________ MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. O agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicado apenas nos casos em que o contribuinte deixa de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, mas não quando o sujeito passivo tão somente apresenta resposta incompleta ou diferente daquela desejada pela autoridade fiscal. (Data da Sessão 21/01/2016. Acórdão nº 1201001.291) Fl. 6360DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.361 71 103 Por consequência, prosperam as argumentações da Defesa não restando caracterizada o agravamento da multa isolada aplicada, por conseguinte o percentual deve ser reduzido de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento). Dessa forma, acato em parte as alegações da Impugnante alusivas a INFRAÇÃO 1. Em relação a este tópico não há reparos a fazer na Decisão da Delegacia de Julgamento. Acertadamente entendeu que o atendimento às intimações foi realizado de forma adequada, embora não tenha atendido da forma como desejava a fiscalização. Descabe, desta maneira, a aplicação do agravamento da multa em razão de não ter se caracterizado o descumprimento às intimações da fiscalização. Mais ainda quando, neste voto, entendo por legítima a operação realizada que deu caso à dedução glosada pela fiscalização. Em assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste ponto. 2 Exclusão de parte do lançamento relativo à utilização a maior de bases de cálculo negativas de CSLL no ano de 2006 Em relação a este item, já foi acolhido por este relator o entendimento oferecido pela Delegacia de Julgamento quanto à análise da infração 11, tendo este relator acolhido na íntegra aquele entendimento, também com relação à exoneração parcial da infração II com relação à utilização a maior de bases de cálculo negativas de CSLL no ano de 2006. Assim, por já ter concordado na íntegra com o entendimento da Decisão de Piso, desnecessário maiores considerações, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício também neste ponto. 3 Exoneração das multas isoladas por falta de pagamento por estimativa do ano de 2006. Em relação a esta exoneração também já concordamos com ela quando da análise do ponto específico. Em verdade a exoneração das multas isoladas pela falta de recolhimento por estimativa até 2006 decorre, além de tudo, da existência da Súmula CARF nº 105, conforme abaixo, com validade até dezembro de 2006. Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; Fl. 6361DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.362 72 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012 Assim, tendo em vista que a exoneração das multas isoladas do ano de 2006 encontrase em consonância com a Súmula CARF nº 105, voto por negar provimento ao recurso de ofício também neste ponto. CONCLUSÃO À vista de todo o exposto no presente, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a glosa relativa à indedutibilidade das despesas de ágio (infração 01) e excluir, em atenção ao princípio da Consunção, os valores das multas isoladas que não excederem o montante das multas de ofício lançadas nos mesmos períodos (infração 03). (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 6362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720287/2011-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DIRPF. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por atraso na entrega de DIRPF fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DIRPF. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de DIRPF fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 02 87 /2 01 1- 37 Fl. 41DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/CGE: A Notificação de Lançamento de fls. 05, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário originário, no valor de R$ 3.399,69 (três mil, trezentos e noventa e nove reais e sessenta e nove centavos). O lançamento originou se da entrega da declaração de ajuste anual fora do prazo. Na impugnação oferecida, às fl. 02/03, o autuado alegou, em síntese, que: · Seja reconsiderada a multa lançada para no valor mínimo, pois não agiu de máfé; · Requer a revisão do lançamento. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada procedente pela DRJ/CGE, conforme acórdão n. 0430.974, que está assim ementado: (efl. 27): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Restando comprovada a obrigatoriedade de entrega da DIRPF, a multa por atraso na entrega de declaração deve ser declarada procedente, independentemente da intenção do contribuinte. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário praticamente idêntico a sua impugnação, no qual ratifica os fundamentos de fato e de direito já apresentados e requer o deferimento de seu pleito. E o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, é de se destacar que o atraso na entrega da DIRPF do ano calendário de 2009 é fato incontroverso, eis que não é alvo de contestação pelo Recorrente. Em segundo lugar, observo que o Recorrente não tece uma linha sequer para rebater os fundamentos de fato e de direito consignados no acórdão de impugnação recorrido, repetindo ipsis litteris a argumentação expendida em sua impugnação. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11020.720287/201137 Acórdão n.º 1002000.023 S1C0T2 Fl. 3 3 A defesa da Recorrente baseiase unicamente no fato de não ter agido de má fé na entrega da DIRPF em atraso. Esta matéria foi alvo de percuciente análise no acórdão exarado pela DRJ/CGE e não merece reparos por parte deste colegiado, motivo pelo qual peço vênia para colacionar trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do contribuinte, os quais, de acordo com o § 3º do artigo 57 do Ricarf, desde já adoto como razões de decidir: (...) Atentese que o ato do lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória pela Autoridade Lançadora, é um ato vinculado como se depreende do Parágrafo Único, do artigo 142, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Além do mais, a responsabilidade do contribuinte perante as infrações previstas na legislação tributária é objetiva, como se aduz do artigo 163, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Consequentemente, não há como acolher as alegações do impugnante. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001955/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR.
A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
Numero da decisão: 2301-005.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 55 /2 00 6- 18 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10925.001955/200618 Acórdão n.º 2301005.957 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de Auto de Infração de Multa Por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), referente ao exercício de 2005. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação tempestiva, limitandose a impugnante a relatar a situação crítica da arrecadação municipal e a solicitar a relevação da multa aplicada. Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Campo Grande (MS) proferiu o acórdão de 1ª instância, considerando o lançamento procedente e mantendo o crédito tributário. Nessa decisão foi consignado que a apresentação anual da DITR é uma obrigação acessória prevista em lei, cujo prazo foi fixado por norma infralegal, sujeitando o contribuinte à multa pelo descumprimento desse prazo, e que não há hipótese legal para relevação da penalidade. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos da impugnação e acrescentando seu entendimento de que o art. 138 do CTN ampara sua pretensão, na medida em que a situação caracteriza denúncia espontânea, citando jurisprudências. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento. Apresentase, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2301005. 953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na forma descrita a seguir. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Verificase, no Auto de Infração, que a DITR foi apresentada no dia 07/02/2006, caracterizando o atraso, pois o prazo para apresentação da DITR 2005 era o Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10925.001955/200618 Acórdão n.º 2301005.957 S2C3T1 Fl. 4 3 previsto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 554/2005, ou seja, de 08/08/2005 a 30/09/2005. Como dito na decisão da DRJ, a obrigatoriedade de apresentação anual da DITR e a exigência da multa por atraso na sua apresentação têm previsão legal nos artigos 7º, 8º e 9º da lei 9.393/1996. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento do tributo é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ou seja, constatado o atraso na apresentação da declaração o lançamento da multa é obrigatório, por determinação legal. Quanto à possibilidade de relevação da multa aplicada, esta somente poderia ser efetuada por meio anistia concedida por lei, nos termos dos artigos 180 a 182 do CTN. A autoridade administrativa não detém essa competência. Portanto, é impossível o atendimento dessa solicitação por absoluta falta de previsão legal. Quanto ao pedido para aplicação do instituto da denúncia espontânea ao presente caso, é forçoso também refutar tal solicitação. Isto por que a penalidade por infração formal, decorrente de obrigação acessória, não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea. Tal entendimento encontrase pacificado no âmbito do STJ, conforme AIRESP 1613696 (Relator Ministro Herman Benjamin; DJE 24/04/2017). Por sua vez, no âmbito do CARF, foi editada Súmula de caráter vinculante no mesmo sentido, conforme abaixo: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em suma, restam afastadas todas as pretensões da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. João Maurício Vital Relator Fl. 31DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014080/2005-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa de Igor Giannini (R$4.330,00).
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa de Igor Giannini (R$4.330,00). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa de Igor Giannini (R$4.330,00). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 40 80 /2 00 5- 45 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 142 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 05/09) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2000 e 2001. O lançamento decorre da apuração de Dedução Indevida de Despesas Médicas, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (efls. 10/20). A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 78/93) cujos argumentos foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido (efls. 114/115): 1. Relativamente aos pagamentos ao Sr. Igor Giannini, parte o AuditorFiscal da premissa de que todas as despesas médicas da impugnante não passaram de uma tentativa de burlar o Fisco, violando o disposto no art. 5°, inciso LVII da Constituição Federal. Solicita a impugnante perícia para comprovar o tratamento com o Sr. Igor conforme quesitos de fl. 83 e indica como perito o próprio Sr. Igor. 2. Concorda com as glosas feitas referentes aos pagamentos a Dermato Sociedade Simples Ltda e Unidade de Medicina Cutânea Ltda, pois, alega que houve erro de digitação. 3. Quanto às glosas mencionadas no item 2 discorda, tão somente, da multa, solicitando que seja minorada, tendo em vista a total ausência da máfé da impugnante e atendendo aos princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e do nãoconfisco. No final, requer em preliminar que seja revisto o cálculo do crédito tributário, diante de sua divergência com o Termo de Verificação Fiscal e seja determinada a união do presente processo ao de n° l0680.0l408l/200590, por serem conexos e se tratarem do mesmo assunto, evitandose decisões antagônicas. O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/BHE em decisão assim ementada (efls. 112/118): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Exercício: 2001, 2002. AJUSTE ANUAL. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 143 3 MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE DISPENSA DO PAGAMENTO DE PENALIDADES. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Cientificada do acórdão de primeira instância em 20/02/2008 (efls. 124), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 20/03/2008 (efls. 125/132) com os argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente requer seja alterado o endereço de seus procuradores para fins de intimação. Apresenta breve descrição dos fatos processuais. Alega a nulidade do acórdão recorrido por violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que indeferiu o pedido de perícia técnica sem a devida fundamentação. Expõe que apresentou todos os comprovantes das despesas dedutíveis do IRPF, nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea “a”, § 2° e seus incisos, da Lei n° 9.250/95, e defende que, se a discordância fiscal reside apenas no pagamento, a busca pela verdade dos fatos através de procedimento probatório próprio é medida que se impõe. Sustenta que apresentou todos os comprovantes das despesas declaradas nos ajustes anuais e que a questão controvertida está no fato de o fisco não aceitar que tais pagamentos foram efetuados em dinheiro, como se esse procedimento fosse ilícito. Assevera que o pagamento das próprias despesas em espécie, além de ser lícito, ainda é a forma mais natural e frequente na contemporaneidade. Aduz que o acórdão violou a literalidade do que dispõe o artigo 8°, inciso II, alínea “a”, § 2° e seus incisos, da Lei n° 9.250/95 e também o art. 80 do RIR/99. Entende que o fisco está exigindo uma obrigação inexistente na Lei 9.250/95 e que as despesa apenas não seriam dedutíveis se este demonstrasse a inidoneidade dos comprovantes, haja vista que possui meios próprios para tanto. Apresenta jurisprudência sobre o tema. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise do Termo de Verificação Fiscal (efls. 10/20) que a autoridade lançadora procedeu à glosa de parte da despesa com a Clínica Dermato no ano calendário 2000 (R$ 3.000,00) e da despesa com Igor Giannini (R$ 4.330,00) e de parte da despesa com a Unidade de Medicina Cutânea (R$ 3.000,00) no ano calendário 2001 por não ter a contribuinte, devidamente intimada, comprovado o seu efetivo pagamento. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 144 4 O lançamento foi parcialmente impugnado e a decisão de primeira instância manteve as glosas efetuadas, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 112/118). Cumpre ressaltar, inicialmente, que o lançamento foi regularmente constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal que o acompanha, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Também não merece ser acolhida a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, uma vez que esta teve pleno conhecimento dos fatos que deram origem à autuação e que lhe foram concedidas diversas oportunidades para apresentar documentos e esclarecimentos a fim de elidir a tributação contestada. Impõese observar nesse ponto que, ao contrário do que alega a recorrente, a perícia técnica solicitada na Impugnação não foi indeferida sem a devida fundamentação pelo Colegiado a quo, conforme se verifica no trecho do voto condutor a seguir reproduzido: No que concerne aos pedidos de perícias e oitiva de testemunhas são indeferidos. Esclareçase que na relação jurídicotributária o ônus da prova incumbe a quem alega o direito. Assim, à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, por sua vez, cabe apresentar prova em contrário, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, bem como hábeis para afastar, a imputação. da irregularidade apontada. Ao julgador administrativotributário, somente “cabe complementar e ir em busca de provas para formar o seu livre convencimento, não lhe competindo suprir elementos que deveriam ser trazidos aos autos pelas partes do processo. Vale lembrar que, de acordo com o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, podendo determinar a realização de diligências ou perícias quando entendêlas necessárias e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18 do mesmo Decreto. Cabe esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, ao contrário do que entende a recorrente, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 145 5 As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que a recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.014080/200545 Acórdão n.º 2002000.981 S2C0T2 Fl. 146 6 pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que esta não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta bancária e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Cabe mencionar, ainda, que as decisões trazidas pela recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Apenas a jurisprudência do CARF espelhada nas decisões reiteradas e uniformes de seus Colegiados e consolidada através de súmula é de observância obrigatória no julgamento dos recursos, não sendo este o presente caso. Quanto ao pedido de alteração do endereço de seus procuradores para fins de intimação, devese esclarecer à contribuinte que é incabível a intimação dirigida aos advogados do sujeito passivo, nos termos da Súmula CARF n° 110 abaixo reproduzida: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902233/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.009
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 23 3/ 20 14 -4 1 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10805.902233/201441 Resolução nº 3302001.009 S3C3T2 Fl. 3 2 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.004, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902226/201449, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.004): Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10805.902233/201441 Resolução nº 3302001.009 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910057/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA
O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura.
IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80
A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 1302-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.687517/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura. IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.687517/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910057/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.527 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente CITICORP TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA INOCORRÊNCIA O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura. IRPJ SALDO NEGATIVO DIREITO CREDITÓRIO IRRF SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornamse indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.687517/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 57 /2 00 9- 51 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 3 2 Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de pagamento indevido ou efetuado em valores superiores aos efetivamente devidos a título de ajuste de IRPJ, apurado no ano calendário de 2004. Pelo que se infere do despacho decisório eletrônico proferido nestes autos o pleito da empresa recorrente foi indeferido pela Unidade de Origem sob o argumento de que o valor descrito no DARF, apontado na respectiva declaração de compensação, estaria integralmente alocado para a quitação de débitos do contribuinte, inexistindo saldo disponível para compensação dos débitos em sua declaração de compensação. Em manifestação de inconformidade regularmente apresentada o contribuinte busca esclarecer que, em verdade, no anocalendário em testilha, consideradas as estimativas pagas e o imposto retido na fonte, conforme DIRFs apresentadas, teria apurado um saldo negativo de imposto (ao invés de valor a pagar), sendo este o motivo de seu pedido de compensação. Informa, mais, que por um lapso, teria deixado de fazer a necessária informação em DCTF, equívoco que teria sido corrigido mediante retificação da predita declaração. Instada a decidir o caso, a DRJ de Salvador houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade oposta. Nos termos do acórdão recorrido, não obstante, de fato, o contribuinte ter informado valores retidos na fonte no importe de R$ 1.058.299,14, concernentes à receitas financeiras percebidas pela empresa, não constariam da DIPJ acostada aos autos demonstrações que indicariam a tributação de tais valores, não podendo considerálos para a formação do pretendido saldo negativo. Devidamente intimado do conteúdo do julgamento acima, o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário por meio do qual, em apertada síntese, sustentou: a) em prejudicial de mérito, a decadência do direito da Fazenda de revisitar a apuração do IRPJ ocorrida ano de 2004, a fim de considerar não demonstrado o direito creditório pretendido; b) no mérito, que, além de inovar a discussão (a questão afeita à tributação das receitas financeiras não teria sido suscitada até o advento do julgamento levado a cabo pela DRJ), que as preditas receitas teriam, sim, sido incluídas em seu resultado operacional, trazendo, agora, para comprovar as suas alegações, além dos documentos já acostados em sua manifestação, cópias de razões relativos aos anoscalendários de 2001 a 2004; c) a possibilidade de apresentar novos documentos (especificamente os livros tratados anteriormente), a luz do princípio da verdade material Ao final de sua peça, além de requerer o provimento de seu apelo, pede a conversão do julgamento em diligência. Este é o relatório. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.521, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.687517/2009 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.521): I Admissibilidade do recurso. O recurso é tempestivo. Contudo, a despeito de entender satisfeitos os demais pressupostos de cabimento, até por dever de lealdade, me cabe expor de forma mais detida os motivos pelos quais admitoo neste momento, particularmente, em relação ao argumento e aos documentos novos trazidos por ocasião, apenas, da interposição do apelo. De fato, tenho um entendimento já sedimentado e, na maioria das vezes, isolado, de que, em procedimentos compensatórios, o limite temporal e processual para se fazer a prova sobre "a liquidez e certeza" do direito creditório pretendido é a manifestação de inconformidade, notadamente a luz dos preceitos combinados dos artigos 170, caput, do CTN e 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. É que, a partir do preceptivo de lei complementar, fixase o ônus da prova quanto a própria existência do crédito, cuja repetição se perquira, nos ombros do contribuinte interessado, cabendo a ele, e não à Administração Pública, tal mister. Neste particular, transmitida DCOMP e verificada, prima facie, a inexistência dos requisitos necessários ao reconhecimento do direito postulado, a subsequente manifestação de conformidade (=impugnação art. 74, § 11, da Lei 9.430/96) deverá ser instruída com todos os documentos essenciais a: a) refutar os motivos declinados pela Unidade de Origem para indeferir seu pleito compensatório; b) evidenciar, consequentemente, o próprio direito creditório. Em outras palavras, o contribuinte deve demonstrar, por ocasião da oposição de sua manifestação de inconformidade, que as premissas adotadas pela Autoridade Fiscal não se sustentam a luz de suficiente, idônea e hábil, documentação. Daí, em casos muito comumente analisados por este Colegiado, em que o interessado transmite uma DCOMP veiculando um crédito inexistente (dada a alocação integral do DARF para a quitação de uma determinada obrigação), quando, assim advertido, se limita, em suas razões de insurgência (manifestação de inconformidade) a trazer, v.g., uma DCTF retificadora, sem expor os motivos desta retificação e sem comprovar tais motivos, por meio de documentos hábeis e idôneos. Isto é, na hipótese acima, as razões declinadas pela Unidade de Origem não são refutadas simplesmente porque a DCTF retificadora, de per si¸ não evidencia a Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 5 4 correção dos novos fatos nela apontados, sendo imperioso a sua efetiva e concreta demonstração, inclusive, a teor do entendimento exarado, recentemente, pela RFB por meio do Parecer Cosit de nº 2, de 2018. A hipótese dos autos, todavia, se afasta do exemplo alhures aventado. Isto porque, a par do contribuinte ter informado um crédito de pagamento indevido (ou efetivado por valor superior ao efetivamente devido1) oriundo de DARF inicialmente utilizado para a quitação de outra obrigação (sem que restasse qualquer saldo compensável de tributo), ao opor a sua "defesa" dirigida à DRJ trouxe documentos razoavelmente suficientes para comprovar que o aludido indébito realmente existia, quais sejam: a) a DCTF retificadora; b) a DIPJ; c) as DIRFs, que demonstram os valores por ele suportados, a título de IRPJ, na fonte; d) os DARFs concernentes às estimativas pagas ao longo do período de apuração. Ou seja, tais documentos comprovam que ao invés de um valor de ajuste a ser recolhido, a empresa teria, outrossim, e em tese, apurado um saldo negativo... se, contudo, a dedução do IRFonte dependeria de um segundo conjunto probatório, é questão até aqui não apontada, já que, insistase, o pressuposto do indeferimento do direito creditório era, tão só, a própria inexistência do saldo negativo. Também como já expus em casos pretéritos, e ainda que sustente que o ônus da prova, aqui, recaia sobre os postulantes, defendo e propago, de outra sorte, que a própria instrução do processo/procedimento de compensação deverá se nortear pela verdade material, mesmo que, neste caso, semelhante princípio se aplique tão só para garantir ao contribuinte a oportunidade para corretamente demonstrar o seu direito. Explicando melhor, a contribuinte deve ser, quando menos, informado sobre qual prova deva produzir, a fim de, assim, adimplir com o seu mister (ônus). Ainda que a limitação da atividade instrutória, no caso, tenha se dado como decorrência do próprio erro incorrido confessadamente pela empresa, o fato é que não se observa, em nenhum momento, qualquer pretensão da autoridade administrativa de questionar a concretização (ou não) das parcelas que comporiam o predito saldo negativo... não houve, aí, qualquer intimação subsequente ao recorrente para que demonstrasse a efetiva tributação das receitas geradoras do IRFonte . O processo se instaurou a partir da resistência ofertada pela Unidade de Origem, delimitada pela inexistência de saldo restituível do imposto ante a vinculação dos respectivos DARF ao pagamento de outra obrigação (a relação jurídicoprocessual é delimitada pela causa de pedir e pela pretensão resistida), surgindo o questionamento relativo ao IRFonte, apenas quando do julgamento realizado pela DRJ. Não é razoável admitirse que esta prova (oferecimento à tributação das receitas financeiras) deveria ser desde logo produzida, até porque, como dito, o contribuinte estava limitado aos motivos declinados pela Unidade de Origem. Em outras palavras, este questionamento deve ser considerado "novo", 1 Recusome, peremptoriamente, a utilizar a expressão "pagamento a maior", não só porque sintáticamente equivocada, mas, também, porque estéticamente inadequada. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 6 5 adequandose, pois, aqui, o caso concreto, à hipótese contida no art. 16, § 4º, alínea "c", do Decreto 70.235/72: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Para deixar ainda mais evidente, na presente demanda, o cabimento da exceção processual acima mencionada, vale destacar que o contribuinte não se contrapõe à falta de declinação de valores concernentes às receitas tributárias na linha própria de sua DIPJ, apontada, pela Turma Julgadora a quo. As novas provas não se destinam a comprovar que, no anocalendário de 2004, as receitas geradoras do IRFonte foram, naquele período, tributadas; pelo contrário, assevera (como será melhor explorado mais adiante), que tais receitas foram, "pulverizadamente", ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004, sendo este motivo pelo qual não teria informado qualquer valor dessa natureza no campo próprio de sua DIPJ. O primeiro momento que a empresa teve para esclarecer os argumentos acima se deu no ato da interposição de seu recurso administrativo, dado que arguidos como contraponto às "razões posteriormente trazidas". A luz destas ponderações, conheço, integralmente do recurso e dos documentos nele veiculados. II Preliminares. II.1 Vinculação aos demais processos compensatórios que tem por objeto partes do direito creditório ora analisado. Aqui, e de forma bastante breve, esclarecese que este feito está sendo julgado sob o rito do art. 47, § 1º, do RICARF. Objetivamente, o que for decidido aqui, prevalecerá quanto aos demais processos descritos no recurso voluntário (a luz dos preceitos do § 3º deste mesmo preceito regulamentar), dado que tais demanadas compõem lote formado "por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática". II.2 Decadência. A alegação do contribuinte não é nova é já foi objeto de sucessivas decisões por parte deste Conselho, em especial em questões análogas como, v.g., de fatos que contribuíram para a formação de ágio.. Com efeito, a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, seria a compensação do saldo negativo de IRPJ (em que se apura a existência ou não do crédito cujo ressarcimento/compensação se postula)... a decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo (ou de não homologar a Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 7 6 compensação) e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Outro entendimento engessaria a atividade fiscalizadora e reduziria, de forma ilícita, os prazos descritos nos já citados arts. 150, § 4º e 173, I, do CTN e, ainda, aquele contemplado pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Daí, o posicionamento atualmente adotado por este CARF, consoante extraído dos julgamentos abaixo reproduzidos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. CSLL. SALDO NEGATIVO. AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Recurso Voluntário Improvido (Acórdão nº 1402001.590, publicado em 20/08/2014). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 8 7 DECADÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e somente a partir de então pode se falar em lançamento (Acórdão nº 1402001.515, publicado em 23/01/2014). Não faço, vejam bem, ouvidos moucos às teses deduzidas nos acórdãos veiculados pelo embargante em seu recurso voluntário. Sei que tais julgados se opõe ao entendimento que ora exponho mas, venia concessa, simplesmente não concordo com as premissas lá adotadas. Quando a fiscalização recompõe o saldo negativo, entendo, não está promovendo novo lançamento de ofício (até porque o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador art. 146 do CTN). Neste caso, estarseá apenas verificando a existência de fato do crédito, formado a partir de informações pretéritas com repercussão futura e, como já dito, sobre os quais não se opera o ocaso decadencial. Notem, o Fisco não poderia, realmente, na forma do artigo 142 do CTN, efetuar o lançamento quanto ao período em que o saldo negativo foi apurado (identificandose, neste passo, o sujeito passivo e, se assim couber, aplicandose a penalidade cabível no caso, multa isolada por estimativas pretensamente não recolhidas); mas, impedir que o fisco examine a escrita contábil utilizada pelo contribuinte para, justamente, formar o aludido saldo, representaria, como já afirmei, engessamento desarrazoado da atividade descrita no já tratado § 5º do art. 74 da Lei .9.430/96. E a falta de razoabilidade, aqui, é palpável bastando, para tanto considerarse a seguinte situação (inclusive observável neste feito): a) o contribuinte apura saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2004 sendolhe, neste passo, franqueado o compensar já no ano de 2005; b) deixa para compensar saldos negativos do imposto às vesperas do decurso dos prescricional (para postular a compensação) e decadencial (para operar, contra o fisco, a extinção do direito de constituir o respectivo crédito tributário); c) neste caso, ao invés de 5 anos para "homologar" a predita compensação o fisco teria alguns poucos meses. Enfim... a decadência se opera em relação ao fato gerador e ao consequente direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não atingindo os fatos contábeis considerados pelo contribuinte para a apuração de seus tributos. Afasto, pois, a prejudicial em análise. III Mérito. III.1 A tese do recorrente. Como não descrevi de forma mais clara os fundamentos que permeiam as pretensões recursais, me permitam, aqui, declinar, ainda que de forma concisa, a tese sustentada pela empresa para demonstrar o seu direito creditório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 9 8 Pois bem, como se extrai do acórdão recorrido, a turma a quo teria se pronunciado pela inexistência do direito creditório levando em conta o fato de que, a partir das informações contidas na DIPJ, para se chegar ao saldo negativo apontado pelo recorrente, terseia que considerar, além dos valores relativos às estimativas pagas (consideradas comprovadas pela decisão ora combatida), os valores retidos e recolhidos por terceiros (instituições financeiras). O problema aventado pelo aresto de primeira instância é que, justamente os valores concernentes ao IRFonte, decorreriam de receitas financeiras, a priori, não tributadas pela empresa insurgente. Com efeito, da predita DIPJ, extraise a dedução do montante de R$1.058.299,14, os quais, de outra sorte, a teor, inclusive, dos preceitos da Súmula/CARF 80, somente poderiam ser abatidos do imposto devido se, e quando, comprovada a tributação das respectivas receitas (que, in casu, perfaziam o importe de R$ 5.291.496,04). Como pontuado pela DRJ, este último valor não foi informado na citada declaração no anocalendário de 2004, e, portanto, os valores das receitas financeiras acima mencionado não teria sido objeto de tributação. No seu recurso voluntário o contribuinte explica que, em verdade, considerandose estar sujeita a regime de competência, os rendimentos provenientes de suas aplicações teriam sido reconhecidos na medida de sua disponilibização, ocorrida ao longo dos anos calendários de 2001 a 2004, trazendo, para tanto, as cópias dos seus livros Razão e das DIPJs relativas aos mesmos períodos. Passo seguinte, sustenta que, nada obstante o reconhecimento prévio das preditas receitas, o IRRF se sujeitaria ao regime de caixa, de sorte que seu recolhimento somente se daria (ou se deu) a partir do pagamento, pela instituição financeira, dos aludidos rendimentos (v. as DIRFs trazidas juntamente com a impugnação). Em linhas gerais, o valor de R$ 1.058.299,14 teria sido retido e recolhido no ano calendário de 2004, ainda que, sob a ótica do recorrente, as receitas geradoras do aludido IRFonte tenham sido reconhecidas e ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004 (inclusive). Para melhor explicitar a tese sustentada pela empresa insurgente, peço vênia para reproduzir a seguinte demonstração gráfica, extraída do próprio apelo voluntário: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 10 9 Este primeiro quadro, vejam bem, apenas descreve as receitas financeiras suportadas no curso dos anos de 2001 a 2004, e os respectivos impostos retidos e recolhidos, a partir dos informes de rendimentos apresentados quanto ao ano de 2004 e com base na ficha 43 das DIPJ relativas aos demais anoscalendários. O segundo quadro, abaixo, é que, de fato, se prestaria para demonstrar a diluição das receitas, objeto desta análise, no período defendido pelo contribuinte. Vejase As informações inseridas no quadro acima teriam sido extraídas das DIPJs trazidas pela empresa, com exceção dos dados concernentes ao anocalendário de 2004 que, como já pontuado pela própria DRJ, não contemplaria qualquer informação relativa à eventuais receitas financeiras percebidas pelo recorrente no citado anocalendário. O contribuinte, destaquese, nada diz (ao menos explicitamente) sobre falta de registro de receitas financeiras no ano de 2004. Todavia, na DIPJ/2005 (AC 2004) vêse uma anotação, feita a mão, ao lado da linha 30, em que, pretensamente, o valor ali descrito (R$ 1.351.958,09), teria sido inserido de forma parcialmente equivocada. Realmente, até por remição contida na própria anotação, é possível inferir que, pelo Razão juntado ao feito, aquele valor seria assim formado: a) R$ 316.177,72, refeririamse à "outras receitas operacionais", consoante informações lançadas à contacontábil de nº 7.9.99.00.9; b) o restante, seria formado a partir de dois lançamentos, feitos, respectivamente, nas contas de nos 7.14.10.00.7 ("rendas aplica oper" R$ 234.429,41) e 7.15.10.00.0 ("rendas tits renda" R$ 801.341,72), pretensamente relativos à resultados de aplicações financeiras. Ou seja, o valor total de R$ 1.035.771,13 (resultante da soma dos rendimentos tratados em "b", supra), deveria ter sido registrado na linha 24 da DIPJ/2005 e não Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 11 10 na linha 30; haveria, pois, aí, uma erro no preenchimento desta declaração (ainda que, insistase, tal equívoco não tenha sido informado ou mesmo declarado pelo contribuinte, do forma oficiosa ou expressa). Mesmo assim, todavia (e considerado o equívoco incorrido pelo recorrente quando do preenchimento de sua declaração a par de seu silêncio), esta importância não coincide, nem de perto, com o valor de R$ 5.291.496,04 que, ao fim e ao cabo, é o cerne do problema tratado aqui neste feito. Esta disparidade, digase, poderia ser justificada acaso entendamos correta a tese da empresa insurgente (e consideremos a possibilidade deste montante ter sido tributado de forma diluída, no curso dos anos de 2001 a 2004). E, não obstante uma aparente coerência e razoabilidade extraível dos argumentos do contribuinte, passo a demonstrar que, em verdade, as premissas por ele deduzidas são, indubitavelmente, falaciosas. III.2 Os sofismas incorridos pelo recorrente. Objetivamente, o interessado embasa seus argumentos em dois pilares: a) os rendimentos provenientes de aplicações financeiras realizadas em Certificados de Depósitos Bancários CDB, são disponibilizados pelas instituições Bancárias ou assemelhadas ao longo de um determinado período (impondo o seu oferecimento à tributação segundo o regime de competência), mas seu pagamentos somente se daria, v.g., com o encerramento do contrato ou em momento posterior (quando, então, se verificaria a retenção do imposto devido pela instituição pagadora segundo o regime de caixa); b) o somatório das receitas descritas no quadro 1 e sua comparação com aquelas receitas descritas no quadro 2 (reproduzido anteriormente) comprovaria a diluição das preditas receitas ao longo dos anos de 2001 a 2004, mormente a se considerar a identidade entre os valores totais descritos nos preditos quadros, o que confirmaria a tese firmada no item "a", acima. Me atendo, neste primeiro momento, apenas na premissa fática apontada em "b", acima, de antemão já se demonstra a sua falsidade. Isto porque, os quadros reproduzidos anteriormente consideram, na base de comparação, receitas que não podem, por conta do regime tributário que lhe é aplicável, ser comparadas. Notem que particularmente quanto ao ano de 2002, o contribuinte insere, ali, ganhos concernentes ao "mercado de renda variável" (dos razões juntados, em princípio, depreendese que tais ganhos decorreriam de operações de swap). Ora, o valor R$ 5.291.496,04, como se infere dos informes de rendimentos apresentados é composto, exclusivamente, por rendimentos produzidos a partir de aplicações em renda fixa (CDB). Para que os preditos quadros fizessem algum sentido, seria necessário efetuarse a comparação apenas entre os rendimentos desta mesma natureza (CDB). Retirandose do quadro elaborado pelo próprio contribuinte as importâncias concernentes aos rendimentos de renda variável, a diferença entre os valores apontados nos informes de rendimentos e aqueles declinados no resultado da empresa, através de DIPJ (e que, portanto, teriam, como alega o recorrente, suportado a tributação), seria superior a R$ 2,6 milhões. Em outras palavras, considerando correta a tese do contribuinte a partir da premissa descrita em "a", acima, pela simples comparação entre os dados extraídos de suas DIPJs e os informes de rendimentos (apresentados em relação ao ano 2004, e informados na ficha 43 das DIPJs relativas aos anos de 2001 a 2003), chegarseia a conclusão de que a empresa não logrou demonstrar, de forma indiscutível, o Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 12 11 oferecimento à tributação de cerca de R$ 2,6 milhões de reais (R$ 5.291.496,04 R$ 2.656.893,95). É claro, todavia, que o raciocínio acima intentado não seria definitivo, já que, para termos absoluta certeza de que os rendimentos provenientes de aplicações em renda fixa não foram tributados de forma diluída, como pretende o recorrente, seria necessário explodir os dados inseridos, por exemplo, no primeiro quadro (o que seria possível a partir da análise dos Razões trazidos). Tal medida, no entanto, é, de toda sorte, despicienda. Isto porque a própria premissa apontada em "a", pilar de sustentação de toda a tese recursal, também é falaciosa... não é possível, e juridicamente sustentável, separar, no caso vertente, quanto aos rendimentos provenientes de aplicação em CDB/RDB2, o momento de sua disponibilização (disponibilidade jurídica competência), do momento de seu efetivo pagamento (disponibilidade econômica caixa). Com efeito, a teor dos preceitos do art. 30, § 1º, da Lei 4.728/65, entendese por "CDB" a "promessa de pagamento à ordem da importância do depósito, acrescida do valor da correção e dos juros convencionados". O rendimento, portanto, objeto de possível tributação nos contratos de CDB/RDB é produzido pelos juros pagos ou creditados pela instituição financeira, como contraprestação pelo "empréstimo" realizado pelo correntista. Considerese, de outro turno, as regras preconizadas pelo Banco Central do Brasil (vigentes à época dos fatos aqui tratados) sobre a remuneração das aplicações realizadas em CDB/RDB, particularmente aquelas contidas na Resolução de no 105/68, cujo o inciso primeiro, alíneas "a" e "b", assim dispunha: I Fica revigorada a faculdade atribuída aos bancos comerciais, mediante aprovação prévia do Banco Central do Brasil, para receberem de pessoas físicas ou jurídicas depósitos de prazo fixo, com cláusula de correção monetária, e emitirem certificados de depósitos, nominativos, observadas as seguintes condições: a)os depósitos da espécie serão regidos pelas condições estabelecidas nos itens III e IV da Resolução nº 31, de 30.7.1966; b)os certificados respectivos não poderão ter valor inferior a NCr$1.000,00 (hum mil cruzeiros novos), nem prazo inferior a 12 (doze) meses, admitido, porém, o pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses. Ora, comparandose as DIRFs apresentadas nos autos, à previsão contida na alínea "b", acima, está mais que evidenciado que os valores percebidos pela recorrente no ano de 2004, referemse, efetivamente, aos montantes de juros e correção monetária devidos em decorrência da contratação dos preditos depósitos a prazo. Agora, particularmente quanto a esta modalidade de investimento, o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos tratados no processo), estabelece algumas regras importantes para análise do caso. Primeiramente, vejase que o dispunha o art. 729, caput: 2 A distinção entre CDB e RDB cinge, tão só, à impossibilidade de alienação deste último tipo de rendimento (RDB). Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 13 12 Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 1º de janeiro de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta. Já o art. 730 do mesmo diploma regulamentar estendia a regra acima transcrita também "aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações (inciso III), hipótese que se adequa, perfeitamente, ao conceito extraído da Lei 4.728, alhures tratado. O § 2º do art. 731, de outro turno, estabelecia que o IR incidirá sobre valor dos rendimentos produzidos em razão das aplicações contempladas pelo inciso III do art. 730 retro ao passo que o art. 732, II, determina que o tributo seja retido, em casos tais, "por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação". Outrossim, o art. 770 do RIR/99, preconizava que os rendimentos em testilha integrariam o lucro real (§ 2º, inciso II). Por fim, atentem para o que rezava a regra encartada no art. 773 do RIR: Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado. O que se pode dessumir do compêndio legislativo trazido acima, é o seguinte: a) os contratos de CDB geram rendimentos tributáveis a partir do creditamento dos respectivos encargos remuneratórios; b) tais encargos podiam (ao menos no período em análise) ser pagos integralmente quando do vencimento do contrato ou trimestralmente (interpretação apreensível dos preceitos do inciso I, "a", da Resolução/BACEN de nº 105/68); c) se, de fato, o IRPJ segue o regime de competência, e, portanto, impõe o seu pagamento a partir da simples disponibilização jurídica da renda, é igualmente inegável que em aplicações financeiras de renda fixa, notadamente, o CDB, a disponibilidade em questão somente será observada quando do creditamento dos respectivos juros (trimestralmente ou ao final do contrato). Acaso o contrato de depósito firmado pelo recorrente juntamente ao Citybank estabelecesse regra de remuneração a ser paga apenas quando do fim de sua vigência, a lógica trazida em sua peça de defesa seria razoavelmente aceitável. Fosse esta a realidade, a tendência, aqui, seria até pela conversão do julgamento em diligência a fim de verificar se, realmente, haveria, na espécie, a geração de renda ao longo do período do contrato e o pagamento efetivo da respectiva remuneração, apenas, ao final. Reprisese, todavia, que as DIRFs exibidas indiciam, senão comprovam, que o contribuinte fazia jus ao pagamento trimestral dos juros remuneratórios decorrentes do seu contrato de CDB (basta atentarse para as guias "Mês" e "Rendimento Nominal"); estivéssemos, de fato, diante de contrato com previsão de percepção de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 14 13 juros apenas com o resgate do respectivo depósito, não haveria lógica na inserção de dados concernentes aos pagamentos devidos ao longo dos trimestres do ano 2004 (cada DIRF apresentada, referese a um trimestre daquele ano). E aí, digase, revelase a falácia contida na tese ora analisada... os rendimentos em questão foram produzidos no ano de 2004 e não em anos anteriores, justamente pela forma de contratação do CDB intentada pelo contribuinte ("pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses"), inferível a partir da própria estrutura das DIRFs juntadas ao processo. Não há, no caso vertente, distinção entre os momentos da disponibilização da renda (competência) e pagamento (caixa); pelos elementos constantes dos autos, os fatos geradores do imposto e da obrigação concernente ao fonte ocorreram simultaneamente, no próprio ano de 2004 À toda evidência, as receitas financeiras que deram origem ao IRFonte que compôs o valor do pretenso saldo negativo do IRPJ não foram ofertadas a tributação, seja no ano de 2004 como exposto anteriormente, não é possível, mesmo considerando a anotação "a mão" posta na DIPJ, atestar nem mesmo que parte destes rendimentos tenham sido incluídos no resultado da empresa , seja nos anos anteriores, atraindo para a hipótese o entendimento plasmado na já mencionada Súmula 80, deste CARF, isto é, o IRRF não é, aqui, abatível do montante do imposto apurado. E assim o sendo, como demonstrado no acórdão recorrido, em se desconsiderando o IRRF para a formação do aludido saldo, apurase, em verdade, imposto a pagar, e não um direito creditório qualquer. Não obstante criativas e muito bem construídas as alegações do contribuinte, as provas trazidas ao processo dão conta de sua procedência. III.3 Inovação pela DRJ. Por fim, o contribuinte tangencia uma possível nulidade do acórdão recorrido por pretensa inovação... realmente, a empresa recorrente chega a mencionar que, ao exigir a comprovação do oferecimento das receitas financeiras à tributação, teria desbordado dos limites da decisão proferida pela Unidade Origem (que tinha se calcado, apenas, no problema da indisponibilidade de crédito oriundo do DARF informado no PERDCOMP). Esquecese, todavia, que o contribuinte somente dera notícia da retificação de sua DCTF e da correta origem do direito creditório pleiteado quando da oposição de sua manifestação de inconformidade; assim, quem, realmente, inovou a lide foi o próprio recorrente, e não a DRJ, que apenas se opôs ao novo argumento trazido ao feito. Não haveria, portanto, inovação intentada pela turma a quo. A inovação argumentativa, insistase, adveio da própria manifestação de inconformidade. IV Conclusão. A luz do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.910057/200951 Acórdão n.º 1302003.527 S1C3T2 Fl. 15 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904945/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para esclarecer divergências entre o despacho decisório e a informação fiscal que lhe serviu de fundamento
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para esclarecer divergências entre o despacho decisório e a informação fiscal que lhe serviu de fundamento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para esclarecer divergências entre o despacho decisório e a informação fiscal que lhe serviu de fundamento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos até o presente momento, reproduzse o relatório da do acórdão da DRJ de Juiz de Fora, nº 0966111, da 2ª Turma de Julgamento: O interessado transmitiu o PER nº 29506.18276.310812.1.1.099742, no qual requer ressarcimento de crédito relativo à Cofins não cumulativa – exportação referente ao 2º trimestre de 2012; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 04 94 5/ 20 14 -0 8 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 3 2 Posteriormente transmitiu a Dcomp nº 35716.35115.310812.1.3.09 4471, visando compensar os débitos nela declarados com o crédito acima; A DRF VITÓRIA/ES emitiu Despacho Decisório no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese: a) da nulidade do despacho decisório: b) Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de PIS no regime nãocumulativo; b.1) A legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos e não faz referência à legislação do IPI; b.2) A legislação do PIS e COFINS afastase implicitamente da legislação do IPI pela própria natureza dos créditos admitidos; b.3) A materialidade do PIS e da COFINS não é semelhante à materialidade do IPI; b.4) própria legislação do PIS e da COFINS determina que os créditos dessas contribuições são distintos daqueles calculados para fins de IPI; c) Fretes; d) Serviços portuários; e) Arrendamento de estabelecimento industrial; f) Do crédito presumido; f.1) Do valor do crédito presumido glosado; g) Dos créditos indicados na linha 9 da Ficha 16A do DACON; h) Dos créditos indicados na linha 10 da Ficha 06A do DACON;. No acórdão, do qual o relatório acima foi retirado, por unanimidade de votos dos membros da Turma Julgadora, a manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2012 PIS/PASEP COFINS. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada com a r. decisão acima transcrita a recorrente, interpôs Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 4 3 recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, requerendo em preliminar a anulação do acórdão e, no mérito, o reconhecimento do direito aos créditos objeto do pedido de ressarcimento. Paço seguinte, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator Pois bem. O processo encontrase em termos, trata de matéria relacionada à competência dessa D. Turma, atende aos pressupostos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. I – Preliminar – Nulidade por ausência de motivação e falta de clareza dos critérios utilizados para glosa dos créditos A recorrente alega a existência de ausência de motivação da decisão se primeira instância, uma vez que a decisão seria constituída de mera citação de dispositivos legais, o que acarretaria preterição do direito de defesa, além de entender que os critérios utilizados para a glosa dos créditos não serem suficientemente claros. No entanto, não assiste razão à recorrente. Os motivos que determinaram a glosa de parte dos créditos de insumos utilizados pela recorrente estão expostos, ainda que de forma sucinta e claramente considerou o conceito de insumos utilizado pelo IPI para lastrear suas conclusões. Descabe a declaração de nulidade requerida pela recorrente, por cerceamento de seu direito de defesa, pois o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos que lhes foram imputados, indicando os dispositivos legais que amparam o lançamento e expõem de forma clara e precisa os elementos que levara a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos tributários que levaram ao lançamento. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do art. 59 do Decretolei nº 70.235/72, demonstração essa, ao meu ver, não alcançada pela recorrente. Somase ao acima descrito, o fato de a recorrente, de forma robusta vertida em peças explicativas e juntadas de grande quantidade de documentos, ter combatido de forma apurada todas as imputações trazidas pelo auto de infração, o que demonstra de forma clara o exercício de seu direito de defesa. Assim, não devem prosperar as alegações relacionadas às supostas nulidades apresentadas pela recorrente. II Do mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER nº 29506.18276.310812.1.1.099742, no qual requer ressarcimento de crédito relativo à Cofins nãocumulativa – exportação referente ao 2º trimestre de 2012. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 5 4 Nos termos da conclusão do despacho decisório de fls.340367, a fiscalização não reconheceu o direito creditório apurado pela Recorrente nos seguintes termos: 65. Diante de todo o exposto, em conformidade com o disposto no art. 2º da Portaria RFB nº 1.453, de 2016, c/c o art. 3º da Portaria 1.098, de 2013, alterado pela Portaria nº 1.454, de 2016, e com base nos resultados mostrados na tabela 6 acima, NÃO RECONHEÇO o direito creditório, a que se refere o PER/DCOMP nº 29506.18276.310812.1.1.099742, em nome de ADM DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.003.402/000175, no 2º trimestre de 2012, relativo aos créditos da Cofins, apurados na forma do art 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e que não pôde ser utilizado no desconto de débitos das respectiva contribuição. 66. Por conseguinte, não homologo as compensações relacionadas na tabela 1 deste Despacho Decisório, ou quaisquer outras que dependam do direito creditório referido no PER/DCOMP nº 29506.18276.310812.1.1.099742. 67. É facultada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRF/RJO II, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência deste despacho decisório, nos termos do art. 74, §§ 7º a 11, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela legislação superveniente. 68. Ressaltase que a individualização das medidas mencionadas não prejudica a observância de outras, porventura cabíveis, tendentes a salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. No citado despacho, constatase que a fiscalização se baseou na análise dos bens e serviços fornecidos pela Recorrente por meio das planilhas carreadas às fls. 189, 190 e 191 (arquivo não paginável) relativo ao período de abril, maio e junho de 2012, conforme trecho extraído da decisão: Ressaltase que toda apuração efetuada pela Fiscalização se baseou, também, na análise das planilhas entregues pelo contribuinte, abaixo especificadas. Esta documentação se encontra em poder da Fiscalização visando consultas futuras. Eis as planilhas: • Planilha eletrônica “04 Analitico Abr 2012” • Planilha eletrônica “05 Analitico Mai 2012” • Planilha eletrônica “06 Analitico Jun 2012” Entretanto, em que pese o despacho decisório ter analisado as planilhas do 2º Trimestre de 2012, levando a crer que os itens glosados dizem respeito ao crédito apurado do 2º Trim/2012, há nos autos a planilha em excel carreada às folhas 192 (arquivo não paginável) denominado "glosa de créditos no 2º trimestre de 2012" que, com exceção do crédito presumido, elenca bens e serviços do 1º trimestre de 2012, causando, assim, imprecisão em relação ao exato período que foi glosado pela fiscalização. Tal fato foi devidamente evidenciado pela Recorrente, a saber: Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 6 5 Por fim, mas não menos importante, a planilha apresentada pelas dd. autoridades fiscais para suportar a glosa em questão e que deveria conter a relação dos créditos questionados se refere ao primeiro trimestre de 2012 e não ao segundo. Com efeito, os questionamentos apresentados pelas dd. autoridades fiscais estariam suportados pela planilha “Glosa Créditos_ADM_2trim2012”, que contém as abas “ABR12”, “MAIO12”, “JUN12”, “CRÉDITO PRESUMIDO”, “Linha 9 fichas 6A_16A” e “Linha 10 fichas 6A_16A”. Ocorre que, da análise das informações constantes na referida planilha, vêse que apenas a aba “Crédito Presumido” contém informações relativas ao 2º Trimestre de 2012. Todas as demais abas trazem informações pertinentes somente ao 1º Trimestre de 2012. Frisese que tal fato foi observado pela r. decisão recorrida, que afastou a glosa dos créditos referentes a “BENS DE INFORMÁTICA” e “MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS” porque na planilha apresentada pelas dd. autoridades fiscais constou apenas o crédito referente ao mês de março de 2012. Leiase o seguinte trecho da r. decisão recorrida: “DOS CRÉDITOS INDICADOS NA LINHA 10 DA FICHA 06A DO DACON manifestante alega que "na planilha apresentada pelas dd. autoridades fiscais constam apenas despesas relativas ao mês de março de 2012 e que, portanto, não tem nenhuma relação com o presente caso, tendo em vista que o crédito pleiteado pela Defendente referese ao 2º trimestre de 2012". De fato, na planilha "Glosa de créditos no 2º trimestre de 2012" que consta do arquivo não paginável de fl. 192 só foi relacionado o mês de março/2012. Assim, os créditos glosados referentes a “BENS DE INFORMÁTICA" e “MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS" devem ser revertidos.” Ora, se as dd. autoridades julgadoras reconheceram tal falha para os créditos indicados na linha 10 da ficha 06A do DACON e cancelaram a glosa, o mesmo procedimento deve ser realizado para os demais créditos glosados. Desta forma, considerando o acima exposto, proponho converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclareça se os itens glosados são de fato aqueles informados na planilha de efls 192. A autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. Após, retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10783.904945/201408 Resolução nº 3302000.963 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16062.000133/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF.
Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2301-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado com base no regime de competência.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2007 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado com base no regime de competência. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 459 1 458 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16062.000133/201152 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.995 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente DIOCLÉCIO AMARAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano calendário de 2007 aplicase o regime de competência, calculandose o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado com base no regime de competência. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 00 01 33 /2 01 1- 52 Fl. 463DF CARF MF 2 Tratase de notificação de lançamento (efls. 361 a 367) de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício de 2009, em face de 1) omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrente de ação judicial; 2) dedução indevida de incentivo, e 3) compensação indevida de imposto complementar. Consta do relatório que acompanha o acórdão recorrido que o sujeito passivo apresentou impugnação nos termos seguintes: Em sua peça impugnatória de fls.02/16, instruída com os elementos de fls.33/340, o contribuinte acima identificado, por meio de seus bastante procuradores nomeados pelo instrumento de fls.17, contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: 1) A quantia apontada pelo Fisco foi recebida pelo notificado graças ao êxito que teve em Ação Ordinária (Processo nº 471.01.2002.0002807) movida contra o INSS na 2ª Vara Cível da Comarca da Justiça Estadual em Porto Feliz/SP; 2) “Os rendimentos pagos acumuladamente, devem ser observados para a incidência de imposto de renda os valores mensais e não o montante global auferido”, segundo entendimento expresso pelo Superior Tribunal de Justiça; 3) “O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado e, sendo assim, não é legítima a cobrança de imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”; 4) No processo em foco o impugnante “simplesmente buscou o restabelecimento de um benefício previdenciário, cujo atendimento demandou o tempo necessário para que a Autarquia examinasse a pretensão”; 5) Conforme se verifica em sua declaração de rendimentos IRPF/2009, inúmeras doações foram feitas a entidades que cuidam e amparam crianças e “não se pode aplicar a norma legal quando apenas depositada a doação em fundos estatais de proteção à criança e ao adolescente, a finalidade do depósito é a mesma quando feito em uma instituição privada”; 6) “Toda aplicação de sanção deve ser proporcional ao gravame do ilícito cometido, sob pena de serem violados direitos e garantias constitucionais tais como a aplicação proporcional das penas e a isonomia jurídica”; 7) Constitui medida antiética a cobrança de multa e juros de mora, se mora não há. “O impugnante não se encontra em mora pela elementar razão de que o vencimento da obrigação só poderia existir se houvesse algum ilícito tributário”. A impugnação foi considerada improcedente. Foi manejado recurso voluntário no qual o recorrente, após relatar seu dramático infortúnio pessoal, pugna por 1) excluir, dos rendimentos, o valor dos honorários advocatícios; 2) excluir a glosa do IRRF no valor de R$ 9.324,12, e 3) por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, aplicar o regime de competência. É o relatório. Voto Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16062.000133/201152 Acórdão n.º 2301005.995 S2C3T1 Fl. 460 3 Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço, exceto quanto à dedução dos honorários advocatícios por ausência de prequestionamento. Quanto à glosa da compensação de imposto complementar, o que ocorreu foi que o contribuinte informou, indevidamente, como imposto complementar o que, na verdade, foi o imposto de renda retido na fonte. Esse valor, como se verifica na notificação de lançamento (efl. 365), foi considerado quando da constituição do crédito. A glosa, a rigor, não resultou em prejuízo ao contribuinte, apenas adequou a natureza da parcela. Quanto ao rendimentos recebidos acumuladamente, consoante o inc. II do § 12 do art. 67 do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, é imperiosa a aplicação do entendimento esposado no RE 614.406, do STF1, que, sob o rito de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e estabeleceu o regime de competência para efeito do cálculo do Imposto de Renda sobre RRA. Ou seja, o cálculo deverá observar as tabelas vigentes em cada mês a que se refere o rendimento recebido acumuladamente. Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso e, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado com base no regime de competência. João Maurício Vital Relator 1 O entendimento foi confirmado no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 1.022.792 e a matéria resta reconhecida como de repercussão geral, Tema 368 do STF. Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.919176/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 91 76 /2 01 5- 17 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.950, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.919176/201517 Acórdão n.º 3301005.899 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001034/2003-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2003 a 31/03/2003
Ementa.
TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Numero da decisão: 9303-001.142
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa. TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
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RECURSOS FISCAIS Processo n" 11020001034/2003-51 Recurso n" 203-252293 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9.303-001142 — 3" Turma Sessão de 28 de setembro de 2010 Matéria IPI Recorrente TREBOL MOVEIS LIDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa.. TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "pila", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os Membros da 3' TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento Henrique Pinheiro Torres — Presidente Substituto Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (Substituto convocado), Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmarm. Relatório Cuida-se de recurso especial do Sujeito Passivo, fis, 201/214, contra decisão do acórdão n 203-13371, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, que negou a inclusão dos gastos com energia elétrica e combustíveis no cálculo do crédito presumido previsto na Lei ri' 10.276/2001, em virtude da falta de comprovação, bem corno a aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos, O recorrente pugna para que seja autorizada a utilização dos créditos presumidos de IN decorrentes dos custos com energia elétrica e combustíveis e que seja atualizados pela Selic o valor a ser ressarcido O recurso foi admitido apenas quanto a aplicação da taxa Selic, por intermédio do despacho n° 203-014, fls, 280/281. A Fazenda apresentou contrarrazões às fls. 308/313, É o Relatório Voto Conselheiro Gilson Macedo .Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar.. A pedra angular do litígio posta nos autos cinge-se na possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de TI. Preliminarmente, para decidir esta matéria é de suma importância registrar a diferença dos institutos do ressarcimento da restituição, A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. 2 ri Processo o' 1102000 W34/2003-51 Acórdão o " 9303-001142 CSRF-T3 Fl .316 É. certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda.. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos — na forma de Taxa Selic, vale dizer, de .juros — sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva,. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4"), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei no 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido deve-se dizer que o art. 39, § 4", da Lei no 9,250195, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso do sujeito passivo. É como voto, Sala das Sessões, em 28 de setembro de 2010 Gilson Macedo Rosenburg Filho 3
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