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Numero do processo: 11516.720795/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 79 5/ 20 13 -1 3 Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.457 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1448.147, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP, que manteve em parte o os lançamentos, abrangendo o anocalendário de 2009 para os tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Os lançamentos perpetrados pelo Fisco e que aqui passam a ser apreciados referemse a dois casos de "omissão de receitas", assim discriminados: 1) por prova direta: Omissão de Receitas por não Contabilização de Notas Fiscais de Venda (Multa qualificada em 1505) 2] por prova indireta presunção legal: Omissão de Receitas por Presunção Legal (Passivo Fictício). Cabe ver cada um dos casos (Multa de 75%) 1) OMISSÃO DE RECEITA NÃO CONTABILIZAÇÃO DE NFS. DE VENDA O auto de infração de fls. 647 está assim lavrado: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS NOTAS FISCAIS DE VENDA NÃO CONTABILIZADAS Omissão de receitas decorrente de notas fiscais emitidas e não devidamente contabilizadas em títulos próprios. conforme relatório fiscal em anexo Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa (%) 31/01/2009 2.001.217,97 150,00 28/02/2009 1.745.330,98 150,00 31/03/2009 1.633.988,56 150,00 30/04/2009 765.494,37 150,00 31/05/2009 329.227,50 150,00 30/06/2009 1.225.468,41 150,00 31/07/2009 899.758,91 150,00 30/09/2009 135.011,80 150,00 30/11/2009 863.269,15 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3o da Lei n° 9 249/95. Arts 247, 248, 249, Inciso I I, 251, 277, 278, 279, 230 e 283 do RIR/99 Segundo o "Relatório Fiscal" lavrado pela Autoridade Tributária (fls. 681/702), "no exame das notas fiscais de vendas emitidas pelo sujeito passivo no ano de 2009, confrontadas com os valores lançados na contabilidade como receitas operacionais nas contas 4004VENDAS DE PRODUTOS, 4023 VENDAS DE PRODUTOSFILIAL RJ e 4010PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, foi constatado que diversas notas fiscais de vendas de produção não foram devidamente reconhecidas como receitas operacionais", e que, "apenas de forma parcial, o faturamento decorrente da atividade operacional do sujeito passivo foi submetido à tributação". No levantamento fiscal teriam sido omitidos valores da ordem de R$ 9.648.768,15, referentes a 84 documentos fiscais emitidos no ano de 2009 que deixaram de ser oferecidos à tributação, que se encontram listados na planilha intitulada "Discriminativo das Notas Fiscais de Venda Não Contabilizadas" (fls. 569/570). Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.458 3 Apontou a Fiscalização em seu Relatório Fiscal ter realizado o "agravamento da multa imposta" (fls. 698/699), em razão de que "as circunstâncias descritas revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante sonegação, fraude e conluio praticados de forma dolosa e agravam o valor da multa imposta, conforme disposições contidas no artigo 44, inciso I, parágrafo 1°da lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964". A defesa, em síntese alega que ainda que concordassse com o valor de R$ 9.648.768,15 apurado pelo Fisco, contesta suas conclusões de "Omissão de Receitas", sustentando que do montante levantado, R$ 394.724,00 referemse a notas fiscais canceladas e que não poderiam ser tratadas como receitas e que, do restante (R$ 9.254.044,15), parte foi contabilizada a crédito da conta 9693 Credores por Devolução (R$ 3.157.364,89), parte contra outra conta de mesma denominação (Credores por Devolução código 2022), no importe de R$ 1.202.106,00 e o remanescente contra as contas 61 Produtos Acabados (R$ 4.423.740,58) e 63 Matéria Prima (R$ 470.832,68). Afirma ainda a defesa que "a contrapartida de todas as notas fiscais de venda foi a débito em conta de CLIENTES"" (ibidem fls. 723). A contabilização praticada implicou que as receitas de vendas não foram contabilizadas no resultado e esse ficou a menor em R$9.648.768,15 . Mas também implicou que as contas acima creditadas e que são devedoras, em decorrência dos créditos nela recebidos, foram então diminuídas e, diminuídas foram a menor para o resultado e em igual valor ao das receitas de venda. O resultado final de 2.009, só demonstrou menor receita de vendas e menor custo de produtos vendidos, menores devoluções de vendas, em iguais valores. O efeito final no resultado de 2.009 foi "zero"! Pelo fato das receitas de vendas não serem creditadas no resultado, a Fiscalização autuou como omissão de receitas, dentro do regime de lucro real. A Fiscalização e depois a Decisão de Primeira Instância ignoraram a contabilização praticada constante no Livro Diário n°29, e não quiseram entender o efeito contábil "nulo " no "resultado contábil e fiscal " para fins de IRPJ e CSLL. Já para fins de apuração de PIS e COFINS em decorrência de créditos contábeis nessas contas devedores, a empresa deixou de tomar créditos fiscais sobre as reduções. Não foi apurada de quanto é a diferença entre débitos e créditos fiscais. 2] por prova indireta presunção legal: Omissão de Receitas por Presunção Legal (Passivo Fictício). Cabe ver cada um dos casos (Multa de 75%) A segunda infração objeto dos lançamentos perpetrados pela Fiscalização dividese em dois itens, ambos com sustentáculo na "presunção legal" inserta no artigo 281, III, do RIR/19993, como se vê na reprodução do auto de infração de fls. 647/648: Omissão de Receita Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamento, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação do Passivo Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.459 4 0002 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação não comprovada, conforme relatório fiscal em anexo Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa {%] 31/12/2009 5.240.482,29 75,00 31/12/2009 5.394.767,03 75,00 Enquadramento legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9 249/95 \rts. 247, 243, 249, Inciso I, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99 Em relação ao primeiro valor R$ 5.240.482,29 , a conta atingida foi a CONTA 6026 FATURAMENTO ANTECIPADO, enquanto que o segundo diz respeito à rubrica do Passivo CONTA 8870 ADIANTAMENTOS DE CLIENTES, no valor total de R$ 5.394.767,03. 2.1) FATURAMENTO ANTECIPADO Em relação à primeira conta (FATURAMENTO ANTECIPADO), descreveu o Fisco que o sujeito passivo apresentou demonstrativos com a composição dos saldos inicial e final desta conta dos anos de 2007 e 2008, acompanhados de documentos. Asseverou que "todas as vendas efetuadas com a emissão de notas fiscais com CFOP 6922 foram concluídas com a posterior emissão das notas fiscal com CFOP 6116, ainda nos anos de 2008 e 2009. Diante disto, é inexorável a conclusão que as vendas efetuadas foram concretizadas e os produtos devidamente entregues", e que "em suma, todos os lançamentos constantes do demonstrativos lastreados pelas notas fiscais não deveriam ter sido lançadas a crédito ou mantidas na conta do passivo Faturamento Antecipado, tendo em vista que os bens foram entregues ou posto à disposição dos clientes, conforme inclusive atestam os recebimentos assinados pelos clientes no rodapé de diversas notas fiscais acostadas (fls. 197/232 e 535/568)". De seu canto, a defesa rebate as acusações e pondera, resumidamente, que teria havido decadência do valor de R$ 3.704.494,72, e que a diferença de R$ 1.535.987,57 (R$ 5.240.482,29 R$ 3.704.494,72) "deve ser lançada novamente corretamente" (impugnação fls. 734). A DEFESA alega ainda que todos os Autos de Infração (IRPJ,CSLL, COFINS e PIS) sobre Vt .< de R$ 5.240.472,29 estão errados quanto à descrição dos fatos (FATOS SÃO OUTROS) .quanto à data do fato gerador (OC^ . 1L VAM EM DIVERSAS DATAS) e quanto ao enquadramento legal ( É TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS NAS ÉPOCAS PRÓPRIAS EM VEZ DE PASSIVO FICTÍCIO) e quanto à base de cálculo (QUE CONSIDERA VALORES DECAÍDOS DESDE 2007). E conclui:: O lançamento efetuada por essa FISCALIZAÇÃO sobre o saldo contábil autuado em 31/12/2009 NÃO É PASSIVO , logo é IMPOSSÍVEL PARA O CONTRIBUINTE comprovar que estivesse em ABERTO um PASSIVO! 2.1) CONTA 8870 ADIANTAMENTOS DE CLIENTES Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.460 5 Da mesma forma que no tópico anterior, afirma o Fisco que o sujeito passivo apresentou demonstrativos com a composição dos saldos inicial e final desta conta dos anos de 2005 a 2009, acompanhados de documentos que, entretanto, são referentes a notas fiscais emitidas sob os códigos "CFOP 5101 e 6101 (Venda de produto/', e que, tais notais fiscais " não deveriam ser lançadas em contas do passivo Adiantamento de Clientes tendo em vista que os bens foram entregues ou postos à disposição dos clientes, conforme atestam os recebimentos assinados pelos clientes no rodapé de diversas notas fiscais", que, "as vendas decorrentes das notas fiscais emitidas com CFOP 6922 (simples faturamento) em 2008 foram absolutamente concretizadas ao longo do próprio ano de 2008 com a emissão da respectiva nota fiscal com código CFOP 6116 (Simples remessa) conforme demonstrado pelo próprio sujeito passivo na "Relação das notas fiscais CFOP 69226116" (fls. 534/568)", e que, "em suma, nenhum dos lançamentos efetuados em 2008 que compõe o saldo final desta conta em 31/12/2008 são pertinentes e os documentos apresentados não serão considerados hábeis e idôneos para sua comprovação". Em sua linha, a defesa alega repisa os argumentos de "decadência" parcial, aduzindo que "de 31/12/2007para trás, que na verdade é saldo de 2006, está tudo DECAÍDO (...) que não cabe ao caso autuação por PASSIVO FICTÍCIO (...) tratamse de vendas mal contabilizadas e que não foram nas épocas próprias para os RESULTADOS" (impugnação fls. 740). Concorda, de forma literal (fls. 740) ter havido erro contábil, mas ressalva que, "no entanto (...) não é pelo fato de notas fiscais de venda estarem contabilizadas no PASSIVO que possam ser tratadas nessa autuação como PASSIVO FICTÍCIO". Para concluir: A DEFESA alega que está errado o lançamento efetuado por essa FISCALIZAÇÃO já que o saldo autuado errT31/12/2009 NÃO É PASSIVO , logo é IMPOSSÍVEL PARA O CONTRIBUINTE comprovar que estivesse_em ABERTO um PASSIVO! Deveria ser tudo lançado novamente e corretamente! A DRJ cancelou parte da autuação, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009 Diligência/Perícia.Prescindibilidade. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Decadência. Lançamento por Homologação. Restando incomprovado o passivo em 31/12/2009, data do levantamento do Balanço Patrimonial do anocalendário/2009, irrelevante que a obrigação tenha sido contraída em 2005, 2006, Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.461 6 2007 ou 2008, em nada sendo afetada a presunção legal de omissão de receita aplicável ao caso. Ocorrido o fato gerador das exações em 31/12/2009 e os lançamentos sido cientificados em 10/06/2013, inexistente a decadência suscitada pela impugnante. Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Omissão de Receitas. Receitas Não Contabilizadas. Presumese omissão de receitas quando a contribuinte não consegue justificar nem comprovar, com sua escrituração e documentos hábeis, o motivo de valores contabilizados a débito da conta de Duplicatas a Receber terem sido feitos em contrapartida a contas do ativo circulante, reduzindoas, ou do passivo, aumentadoas, e não contra receitas, como seria o procedimento contábil padrão. Comprovada a presença, no rol das notas fiscais listadas pelo Fisco e que deram origem aos lançamentos, que algumas delas foram canceladas, impõese excluir da base imponível a somatória das mesmas. Omissão de Receitas. Passivo Fictício. A omissão de receita caracterizase pela manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não reste comprovada. Enquanto o valor não comprovado ou já quitado estiver registrado no passivo indevidamente, está caracterizada, por presunção legal, a omissão de receitas. Realizado o lançamento com a observância de todas as normas legais, cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos, do contrário aplicase a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas que, por sua natureza "juris tantum", deve ser infirmada pela parte contrária com provas robustas, o que não se viu nos autos presentes. Livros e Documentos Contábeis. Guarda e Exibição. Os livros e documentos que suportem lançamentos contábeis que projetem efeitos futuros devem ser mantidos em boa guarda e Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.462 7 conservação pelos contribuintes até o findar do período em que a Fazenda Pública possa atuar, consoante comando legal consolidado no artigo 264, do RIR/1999. Arbitramento. Não Cabimento. Não tendo sido descaracterizada nem desclassificada a escrituração da autuada, correto o procedimento fiscal de adotar, para fins dos lançamentos realizados, o regime de tributação assumido pela contribuinte, no caso, o Lucro Real, conforme mandamento do artigo 24, da Lei n° 9.249, de 1995, pelo que descabido o arbitramento pretendido pela impugnante. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Tendo a autuada optado pelo regime do Lucro Real, correto o procedimento do Fisco em realizar os lançamentos de PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade, a teor das Leis n 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso a DRJ excluiu da tributação as notas fiscais que foram canceladas efetivamente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos aduzidos anteriormente na respectiva impugnação e aduzindo em complemento em relação à primeira infração: A contabilização dos créditos contábeis referentes essas Notas Fiscais de Venda não foi no DRE Demonstrativo de Resultado ,e sim foi em contas de Passivo e em contas de^tivo. Essa foi a FORMA CONTÁBIL adotada para essas Notas Fiscais e também para outros documentos também contabilizados nessas mesmas contas e adiante citados. Ora, não é preciso maior aprofundamento para se detectar que, reversamente ao pensar da impugnante, o não trânsito dos valores expressos nas notas fiscais listadas pelo Fisco (exceto as canceladas, acima demonstradas) pelas contas de receitas da empresa, levou a um absurdo descompasso contábil, com óbvios reflexos tributários, primeiramente em relação ao PIS e COFINS, cuja base de cálculo é a receita mensal auferida, depois, para o IRPJ e a CSLL, tributos baseados sobre o lucro e que foi violentamente afetado pela não inserção das receitas em sua apuração. Quanto ao desejo da impugnante de que os "custos" relativos às citadas receitas sejam acolhidos, nenhuma razão lhe cabe, posto que não pode o sujeito passivo beneficiarse de seus próprios erros, ou seja, se não fez a contabilização de tais dispêndios na época oportuna (o que não restou comprovado), não poderia pretender que o Fisco o fizesse de ofício. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.463 8 Mais a mais, a "planilha" demonstrativa apresentada pela impugnante com a qual pretendeu contraporse ao trabalho fiscal, mostra, surpreendentemente, um "anular" de valores, oportunidade em que o mesmo total das notas fiscais de vendas emitidas, R$ 9.254.044,15 (já com a exclusão das nfs. canceladas no importe de R$ 394.724,00) é literalmente fulminado pelos lançamentos que a impugnante diz ter realizado, como se vê na reprodução abaixo, extraída de sua peça contestatória fls. 724: (...) Ou seja, nenhum centavo circulou por receita, fato que, independentemente das normas e padrões contábeis ignorados e até vilipendiados, acabou por impedir qualquer tributação federal. Mais ainda, mesmo que aceitas, hipoteticamente, as alegações da defesa de que TODOS OS VALORES ("coincidentemente" iguais, até os centavos) das receitas seriam absorvidos pelos custos, ainda assim, repitase, o PIS e a COFINS não poderiam ter seus recolhimentos afetados, posto que para tais contribuições a base de cálculo é a receita e não o lucro. Em suma, não é crível, sequer sob o ângulo de uma economia de mercado, que valores de receitas e custos/despesas sejam exatamente iguais e se anulem, ou seja, não haja lucro, mormente em um regime capitalista. É o relatório. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.464 9 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No decorrer do procedimento fiscal foram constatadas as infrações abaixo, ambas caracterizadas pela omissão de receitas operacionais: 1) por prova direta: Omissão de Receitas por não Contabilização de Notas Fiscais de Venda; 2] por prova indireta presunção legal: Omissão de Receitas por Presunção Legal (Passivo Fictício)Delimitação da Lide Delimitação da diligência A presente diligência limitase apenas à primeira infração: Omissão de receitas Notas fiscais de venda não contabilizadas e seus efeitos no IRPJ e CSLL Em relação à primeira infração, o Termo de Verificação Fiscal acusa de cometimento de omissão direta de receitas, nos seguintes termos: No exame das notas fiscais de vendas emitidas pelo sujeito passivo no ano de 2009, confrontadas com os valores lançados na contabilidade como receitas operacionais nas contas 4004VENDAS DE PRODUTOS, 4023VENDAS DE PRODUTOSFILIAL RJ e 4010PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, foi constatado que diversas notas fiscais de vendas de produção não foram devidamente reconhecidas como receitas operacionais. Apenas de forma parcial, o faturamento decorrente da atividade operacional do sujeito passivo foi submetido à tributação. Confrontando as receitas efetivamente auferidas, apuradas através das notas fiscais emitidas, com aquelas registradas em sua contabilidade e declaradas em DIPJ, fica patente a flagrante divergência. Restou configurado verdadeiro descompasso, denunciando à tributação apenas parcela das receitas efetivamente auferidas com a atividade operacional do sujeito passivo. (...) Observase uma omissão de receitas operacionais no valor de R$ 9.648.768,15 (nove milhões, seiscentos e quarenta e oito mil, setecentos e sessenta oito reais e quinze centavos) que não foi, dolosamente, oferecido à tributação. Foram nada menos que 84 (oitenta e quatro) documentos fiscais emitidos no ano de 2009 que deixaram de ser oferecidas à tributação, que se encontram discriminadas na planilha intitulada "Discriminativo das Notas Fiscais de Venda Não Contabilizadas", anexa fls. 569/570, das quais juntamos, por amostragem as seguintes (fls. 571/580): Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.465 10 (...) Desta forma ficou confirmada a omissão de receita pela não contabilização das notas fiscais aludidas, deixando de oferecer à tributação o valor total de R$ R$ 9.648.768,15 (nove milhões, seiscentos e quarenta e oito mil, setecentos e sessenta oito reais e quinze centavos) . Afora as exclusões das notas fiscais cancelas, a DRJ manteve o lançamento nos seguintes termos: A contabilização dos créditos contábeis referentes essas Notas Fiscais de Venda não foi no DRE Demonstrativo de Resultado ,e sim foi em contas de Passivo e em contas de^tivo. Essa foi a FORMA CONTÁBIL adotada para essas Notas Fiscais e também para outros documentos também contabilizados nessas mesmas contas e adiante citados. Ora, não é preciso maior aprofundamento para se detectar que, reversamente ao pensar da impugnante, o não trânsito dos valores expressos nas notas fiscais listadas pelo Fisco (exceto as canceladas, acima demonstradas) pelas contas de receitas da empresa, levou a um absurdo descompasso contábil, com óbvios reflexos tributários, primeiramente em relação ao PIS e COFINS, cuja base de cálculo é a receita mensal auferida, depois, para o IRPJ e a CSLL, tributos baseados sobre o lucro e que foi violentamente afetado pela não inserção das receitas em sua apuração. Quanto ao desejo da impugnante de que os "custos" relativos às citadas receitas sejam acolhidos, nenhuma razão lhe cabe, posto que não pode o sujeito passivo beneficiarse de seus próprios erros, ou seja, se não fez a contabilização de tais dispêndios na época oportuna (o que não restou comprovado), não poderia pretender que o Fisco o fizesse de ofício. Mais a mais, a "planilha" demonstrativa apresentada pela impugnante com a qual pretendeu contraporse ao trabalho fiscal, mostra, surpreendentemente, um "anular" de valores, oportunidade em que o mesmo total das notas fiscais de vendas emitidas, R$ 9.254.044,15 (já com a exclusão das nfs. canceladas no importe de R$ 394.724,00) é literalmente fulminado pelos lançamentos que a impugnante diz ter realizado, como se vê na reprodução abaixo, extraída de sua peça contestatória fls. 724: (...) Ou seja, nenhum centavo circulou por receita, fato que, independentemente das normas e padrões contábeis ignorados e até vilipendiados, acabou por impedir qualquer tributação federal. Mais ainda, mesmo que aceitas, hipoteticamente, as alegações da defesa de que TODOS OS VALORES ("coincidentemente" iguais, até os centavos) das receitas seriam absorvidos pelos custos, ainda assim, repitase, o PIS e a COFINS não poderiam ter seus recolhimentos afetados, posto que para tais contribuições a base de cálculo é a receita e não o lucro. Em suma, não é crível, sequer sob o ângulo de uma economia de mercado, que valores de receitas e custos/despesas sejam exatamente iguais e se anulem, ou seja, não haja lucro, mormente em um regime capitalista. A empresa, por outro lado, alega que houve uma contabilização não usual, que não foi bem entendida tanto pelo fiscal quanto pela DRJ e que indiscutivelmente ficou de fora do lucro real todos os custos relacionados a essas notas fiscais que foram atuadas: Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.466 11 A DEFESA alega que a Decisão de Primeira Instância não entendeu os efeitos contábeis já que o lucro contábil e nem o lucro real não foram afetados pela contabilização praticada. Estão erradas as afirmações feitas de que: "o lucro foi violentamente afetado pela não inserção das receitas em sua apuração", "acabou por impedir qualquer tributação federal". Outra afirmação errada é: "..se não fez a contabilização de tais dispêndios na época oportuna ( o que não restou comprovado), não poderia pretender que o Fisco o fizesse de ofício." Ora! Os se os "dispêndios" estão contabilizados em 2.009 e são gastos efetivos não adianta a Decisão ignorar dessa forma! Aliás, são "dispêndios a própria decisão não contestou. São gastos escriturados no Livro Diário n° 29 e, é só ver os débitos naquelas contas que foram reduzidas pelas contrapartidas dos créditos das notas fiscais de venda! É só ver que após tais créditos nas contas devedoras, esses passaram a ter saldos devedores menores e esses saldos menores foram para o resultado contábil nos grupos de "custos dos produtos vendidos " e "devoluções de vendas"! Para melhor comprovar, ainda foram anexados na impugnação os documentos referentes aos lançamentos a débito naquelas contas devedoras e que sofreram as reduções por créditos! Com isso prova que os "dispêndios efetivos foram maiores que os valores levados para o resultado contábil como "custo de produtos vendidos " e "devoluções". Repetindo: A "receita de venda" foi debitada em clientes e a contrapartida contábil foi creditada nas contas já descritas, e onde nelas estão os "dispêndios". Os "dispêndios" que foram reduzidos pelos créditos! E depois foram para o resultado contábil em valores menores exatamente no valor da receita de vendas. Assim, duas informações importantes precisam ser melhor esclarecidas. Primeiro se todos os custos referentes a essas notas fiscais base para a omissão de receitas de fato não foram contabilizadas e, por último, se a diferença correspondente a Receita e custos de cada uma dessas operações não foram levadas à resultado e tributadas conforme assevera em seu recurso, só que contabilizas tais diferenças de forma atípica: É que o regime de tributação adotado pela recorrente no período da atuação foi o Lucro Real. Nesse contexto onde o autuante não arbitrou o lucro, independente da existência ou não de omissões, existem fortes indícios de que a recorrente cometera erros de contabilização de seus custos. Assim, em nome do princípio da verdade material, para que não paire dúvidas quanto à validez e legalidade do lançamento, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Aprofundar melhor a investigação do conjunto probatório e outros documentos contábeis que possam ainda ser necessários para complementar a prova trazida e esclarecer as dúvidas acima apontadas Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.720795/201313 Resolução nº 1401000.423 S1C4T1 Fl. 1.467 12 Se for o caso, refazer o cálculo do lucro real, ajustando sua base de cálculo com os custos reais apurados que não foram considerados no lançamento do IRPJ e da CSLL; Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório aos interessados e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10730.003838/2005-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.
Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximir-se da exigência da multa moratória.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-
B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1302-002.005
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximir-se da exigência da multa moratória. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543- B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fl. 203DF CARF MF 2 Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Calheiros Soriano. Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801-00.093, deliberada em 11 de abril de 2012, e-fls. 95 a 101, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: A empresa em epígrafe protocolizou pedido de restituição, em 08/08/2005, dos valores pagos a título de mora espelhados na tabela de fls. 02, relativos a diversos DARF de recolhimentos de tributos federais efetuados em atraso (IRPJ, PIS, Cofins e CSLL), ocorridos em 10/09/98, 31/03/99, 10/11/99, 13/12/99, 28/12/99, 30/03/00, 28/06/00, 31/05/01, 03/07/02, 18/12/03, 29/06/04, 15/09/04, 12/11/04, 25/02/05, 29/04/05, 27/05/05 e 31/05/05, totalizando o valor de R$ 45.258,20 – fls. 01 a 03. A contribuinte entende que faz jus à restituição desses valores com fulcro no instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Às fls. 24 e seguintes anexa Per/Dcomp pretendendo compensar o referido crédito pleiteado com indébitos tributários. Pelo Parecer Seort/DRF/Niterói nº 71/05 exarado às fls. 28 e ss a autoridade a quo indeferiu as Per/Dcomp pelas seguintes justificativas: a) prescrição do pedido da contribuinte em relação a todos os pagamentos efetuados em data anterior a 09/08/2000, em vista do prazo qüinqüenal para o exercício do direito de ação; b) considerou não formulado o pedido de restituição para os demais pagamentos considerados indevidos pela recorrente, porque utilizou-se de formulário (Anexo I – fl. 01) quando deveria ter –se utilizado do programa de geração do Per/Dcomp, nos termos da legislação tributária vigente; c) não havendo crédito a ser reconhecido, não homologou as compensações pleiteadas pela contribuinte. Na manifestação de inconformidade de fls. 36 e ss a contribuinte argumenta que (i) o prazo para repetição do indébito tributário é de dez anos (discorre sobre a tese dos cinco mais cinco), (ii) utilizou-se corretamente de formulário e não do pedido eletrônico – programa Per/Dcomp – porque a IN SRF nº 460/04, em seu artigo 76, § 3º, veda a utilização do programa para a restituição de crédito de natureza daquele solicitado – multa moratória. Corrobora o seu entendimento o inciso IV, alíneas ‘d’ e ‘e’, do art. 2º da IN SRF 517/2005 que permite a utilização do programa no caso de restituição de multas e juros lançados ex officio. Argumenta que superados os dois óbices suscitados pela autoridade a quo, não há como não homologar os pedidos de compensação conseqüentes. Com relação ao mérito da questão, reitera que se trata de denúncia espontânea os recolhimentos em atraso e, portanto, são passíveis de restituição os valores pagos a título de multa moratória. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10730.003838/2005-87 Acórdão n.º 1302-002.005 S1-C3T2 Fl. 3 3 A Nona Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I exarou o Acórdão nº 1218.649/08, fls. 49 e ss, mantendo o não reconhecimento do direito creditório da contribuinte, e, por conseguinte, não homologando as compensações pleiteadas. Assim restou ementado o aresto: “RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS A CONTAR DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior extingue-se em cinco anos contados da extinção do crédito tributário. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA SOBRE DÉBITO PAGO ESPONTANEAMENTE COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. APLICABILIDADE DA LEI DE REGÊNCIA. A previsão legal expressa da obrigatoriedade do pagamento da multa de mora sobre débitos pagos em atraso vincula a autoridade administrativa, que não goza de discricionariedade para decidir sobre a aplicabilidade ou não do encargo moratório. As leis regularmente inseridas no ordenamento jurídico têm presunção de legalidade e só podem ser afastadas por ato do Poder Judiciário.” A questão do formulário ser o meio inapropriado para veicular o pedido de restituição foi superada por aquela turma julgadora em vista da contribuinte haver emitido a Per/Dcomp com o mesmo crédito e débitos a serem compensados no dia seguinte à apresentação do formulário, em 09/08/2005, o que supriu qualquer deficiência neste sentido. Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 61 e seguintes atacando a prescrição declarada pela turma de julgamento recorrida em face da decisão do Superior Tribunal de Justiça, que declarou a inconstitucionalidade da aplicação retroativa do artigo 4º da Lei Complementar nº 118, de fevereiro de 2005, preceito que fixou em cinco anos do pagamento o prazo hábil para pedido de restituição de indébitos tributários nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Reiterou os argumentos que impõe a devolução do pagamento da multa de mora, respaldado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN), que cuida da denúncia espontânea. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto [...] I) Preliminar – prescrição do pedido de restituição A recorrente argumenta que tem dez anos (tese dos cinco + cinco anos), até a data da formalização do pedido (no caso emissão da Per/Dcomp), em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em contraposição à tese defendida pela Secretaria Receita Federal que declarou estarem prescritos os pedidos relativos aos pagamentos efetuados até 09 de agosto de 2000 (prazo quinquenal). [...] Fl. 205DF CARF MF 4 II) Dos pagamentos realizados após 09 de agosto de 2000 – denúncia espontânea No que respeita aos pagamentos efetuados após a referida data, cujo pedido de restituição não foram fulminados pela prescrição, cabe apreciar a questão de mérito suscitada: se os recolhimentos das multas moratórias estão abrangidos pelo instituto da denúncia espontânea ou não. A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso repetitivo, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). [...] Nos presentes autos não há como verificar se os recolhimentos em atraso se enquadram em uma das hipóteses que permitem a aplicação da “denúncia espontânea” a qual acarreta a exoneração da cobrança da multa moratória. [...] Daí ser necessário para o perfeito deslinde do litígio que a unidade de jurisdição informe se a recorrente: (a) apresentou DCTF com os valores dos débitos tributários condizentes com os períodos de recolhimentos dos DARF e posteriormente retificou os valores para maior; informar sobre as datas de entrega das DCTF, se for o caso; (b) se não sofreu ação/procedimento fiscal; (c) se os valores pleiteados a título de multa moratória foram efetivamente recolhidos aos cofres públicos e condizem com aqueles pleiteados na tabela anexa ao Formulário de fl. 01. [...] Em cumprimento à solicitação de diligências, a autoridade designada apresentou as tabelas de e-fls. 179 a 182 referente às DCTF entregues pela recorrente, informando às e-fls. 183 e 186 que os recolhimentos das referidas multas moratórias foram efetivamente realizados (fls. 110 a 132 e 182), bem como que não houve procedimento fiscal instaurado contra a contribuinte no período. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora São duas as matérias a serem dirimidas no presente litígio. A primeira concerne à ocorrência ou não da prescrição do pedido da recorrente haja vista ter protocolizado/emitido o Per/Dcomp em 08 (formulário/papel) e 09 (emissão eletrônica) de agosto de 2005 pleiteando a restituição do pagamento das multas moratórias incidentes sobre vários tributos recolhidos em atraso, pagamentos ocorridos nos Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10730.003838/2005-87 Acórdão n.º 1302-002.005 S1-C3T2 Fl. 4 5 meses de 09/98, 03/99, 11/99, 12/99, 03/00, 06/00, 05/01/, 07/02, 12/03, 06/04, 09/04, 11/04, 02/05, 04/05, 04/05, 05/05. Consoante já constou na deliberação da Resolução relatada, A recorrente argumenta que tem dez anos (tese dos cinco + cinco anos), até a data da formalização do pedido (no caso emissão da Per/Dcomp), em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em contraposição à tese defendida pela Secretaria Receita Federal que declarou estarem prescritos os pedidos relativos aos pagamentos efetuados até 09 de agosto de 2000 (prazo quinquenal). Em recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11, transitada em julgado em 17/11/11) 1, e processada sob o rito do artigo 543-B do Código de Processo Civil (CPC), a Corte Superior deliberou sobre o prazo prescricional das ações de repetição de indébitos tributários, em face da Lei Complementar nº 118/05 e a constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, Fl. 207DF CARF MF 6 considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. [...] Constata-se, portanto, que a decisão do STF não socorre o pleito da recorrente, pois emitiu eletronicamente a Per/Dcomp em 09 de agosto de 2005, além do prazo da vacatio legis (vencido em 09 de junho daquele ano), pelo que é de se declarar prescrito o pedido de restituição dos pagamentos efetuados antes de 09 de agosto de 2000, por aplicável o prazo prescricional do quinquídio. No que respeita os pagamentos em atraso efetuados após agosto de 2000 - 31/05/01, 03/07/02, 18/12/03, 29/06/04, 15/09/04, 12/11/04, 25/02/05, 29/04/05, 27/05/05 e 31/05/05 - estes não estão alcançados pela prescrição, mas cabe um segundo exame para averiguar se comporta aplicar o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do CTN. Esta matéria também resta assente no Superior Tribunal de Justiça: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10730.003838/2005-87 Acórdão n.º 1302-002.005 S1-C3T2 Fl. 5 7 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos não pertencem ao original) (Súmula STJ 360) 1 Destarte, nos casos de o contribuinte antecipar o pagamento de tributos em atraso, de forma integral, à própria declaração do débito em DCTF (quando constitui o crédito tributário contra si), ou ser notificado de ofício, a Corte Superior atribui por "prêmio" a exoneração da multa moratória e caracterizada a denúncia espontânea tributária. Assim, requerida as diligências para investigar a entrega das referidas DCTF relativas aos tributos e pagamentos cujas multas moratórias foram requeridas na tabela que instrui o Per/Dcomp objeto dos autos (e-fls. 04), a seguir demonstram-se os valores das multas a que faz jus a recorrente, por não haverem os tributos sido previamente confessados à Administração Tributária, nem objeto de qualquer procedimento de ofício: Cód. Receita Período de Apuração Data DARF/Pgto em atraso Data da entrega / DCTF original Direito a Rest/M.Mora 8109 03/00 31/05/2001 04/05/2000 não 1 Súmula nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Fl. 209DF CARF MF 8 2089 3/trim/00 31/05/2001 13/11/2000 não 2372 3/trim/00 31/05/2001 13/11/2000 não 2172 07/00 31/05/2001 13/11/2000 não 2172 03/00 31/05/2001 04/05/2000 não 8109 04/02 03/07/2002 08/08/2002 sim 2172 05/02 03/07/2002 08/08/2002 sim 2172 04/02 03/07/2002 08/08/2002 sim 2372 2/trim/03 18/12/2003 11/08/2003 não 2089 2/trim/03 18/12/2003 11/08/2003 não 2172 06/03 18/12/2003 11/08/2003 não 2372 2/trim/02 29/06/2004 08/08/2002 não 2172 07/04 15/09/2004 12/11/2004 sim 2372 3/trim/04 12/11/2004 12/11/2004 sim 2089 3/trim/04 12/11/2004 12/11/2004 sim 2172 02/05 29/04/2005 28/09/2005 sim 8109 02/05 29/04/2005 28/09/2005 sim 8109 12/04 31/05/2005 10/02/2005 não 2172 10/04 31/05/2005 10/02/2005 não 2172 12/04 31/05/2005 10/02/2005 não 2372 4/trim/04 31/05/2005 10/02/2005 não 2089 4/trim/04 31/05/2005 10/02/2005 não Recolhimentos de tributos em atraso que a recorrente faz jus à repetição da multa moratória: Cód. Receita / Tributo Período de Apuração 8109/PIS 04/02 2172/Cofins 05/02 2172/Cofins 04/02 2172/Cofins 07/04 2372/CSLL 3/trim/04 2089/IRPJ 3/trim/04 2172/Cofins 02/05 8109/PIS 02/05 Observe-se, ainda, há que se excluir do pedido da recorrente, por não se tratarem, de plano, de pagamentos de tributos em atraso, sem confissão prévia, destaquei, aqueles efetuados sob o código 9100 - por referirem-se a adesão a parcelamento REFIS, bem como aquele pagamento efetuado sob código 2932 - por tratar-se de procedimento de ofício para exigência de IRRF. Por todo o exposto, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário e reconhecer o crédito tributário consubstanciado nas multas moratórias consoante tabela acima e homologar as compensações requeridas até o limite deste crédito. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10730.003838/2005-87 Acórdão n.º 1302-002.005 S1-C3T2 Fl. 6 9 Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000038/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 30/11/2006
DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O prazo decadencial no regime de drawback na modalidade suspensão deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I do CTN, iniciando-se a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado.
DRAWBACK. DESCUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO. MULTA E TRIBUTOS. BIS IN IDEM. NÃO CARACTERIZADO.
O descumprimento do regime de drawback implica exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados, sem o prejuízo de eventuais penalidades cabíveis em face desse descumprimento. Não sendo tributo uma sanção por ato ilícito, não há que se falar em bis in idem na exigência concomitante da multa pecuniária com os tributos cabíveis na importação desprovida do benefício fiscal.
Recurso de Ofício provido
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que acompanharam a divergência apenas quanto à aplicação do art. 106, I do CTN. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.000038/201133 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402003.201 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria Drawback Recorrentes APA CONFECÇÕES S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 30/11/2006 DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback na modalidade suspensão deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I do CTN, iniciandose a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado. DRAWBACK. DESCUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO. MULTA E TRIBUTOS. BIS IN IDEM. NÃO CARACTERIZADO. O descumprimento do regime de drawback implica exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados, sem o prejuízo de eventuais penalidades cabíveis em face desse descumprimento. Não sendo tributo uma sanção por ato ilícito, não há que se falar em bis in idem na exigência concomitante da multa pecuniária com os tributos cabíveis na importação desprovida do benefício fiscal. Recurso de Ofício provido Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que acompanharam a divergência apenas quanto à aplicação do art. 106, I do CTN. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 00 38 /2 01 1- 33 Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo, que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração, lavrado em 11/02/2011, para a exigência de Imposto de Importação e PIS/Cofinsimportação, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, além de multa regulamentar pelo descumprimento do regime aduaneiro especial. A ação fiscal teve por objetivo efetuar a fiscalização do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão dos Atos Concessórios nºs 20050109120, 20050195301, 20050276182, 20050316311 e 20050331639, cuja beneficiária é a empresa APA CONFECÇÕES S/A. Ao final, concluiu a fiscalização que: (...) 3 DA CONCLUSÃO Do cotejo das informações constantes do SISCOMEX com os documentos apresentados pelo contribuinte à guisa de comprovação do cumprimento do Regime, concluise que o contribuinte é inadimplente total em todos os Atos Concessórios em tela por variadas razões, conforme abaixo descrito. Destaquese que as razões a e b são complementares e se aplicam a todos os Atos Concessórios, a razão c é exclusiva de alguns RE. a) Conforme se atesta pelos dossiês extraídos do banco de dados do SECEX/SISCOMEX, o contribuinte não apresentou à SECEX nenhum dos RE apresentados no curso desta fiscalização. Tal fato motivou sua situação de INADIMPLENTE TOTAL. A Receita Federal do Brasil não é competente para aceitar exportações não apresentadas à SECEX e que portanto não passaram por sua análise e aprovação. Tal entendimento encontrase no Parecer Cosit n° 53, de julho de 1999. Por este motivo, não serão aceitos os RE apresentados no curso desta fiscalização para comprovar o cumprimento do regime; b) O contribuinte, apesar de intimado e reintimado, não apresentou o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, ou controle equivalente, para os anos 2005, 2006 e 2007 (janeiro). A escrituração de tal Livro, além de obrigatória (art. 369, inciso III, do Decreto n° 4.544/02), é instrumento de comprovação do cumprimento do Regime; desta forma, não sendo comprovada a correta aplicação dos insumos Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 3 3 importados com suspensão dos tributos, a importação será enquadrada em regime comum (art. 70, inciso i, alínea "h" da Lei n° 10.833/03); e c) Diversos RE possuem retificações tentadas após a averbação, visando incluir Atos Concessórios. Conforme já exposto, tais retificações são imprestáveis, visto que a averbação marca o fim do despacho aduaneiro de exportação. São os seguintes RE que se encontram nesta situação: 06/0455891/001, 06/0249212/001 06/0232300/001, 06/0232543/001, 06/0207734/003, 06/0206353/002, 06/0206353/006, 06/0206353/010, 06/0241703/001, e 06/0249424/001 (AC 20050316311 DOC. 09); 06/0232300/002, 06/0245271/001, 06/0245271/002, 06/0232543/002, 06/0207734/001, 06/0207734/002, 06/0230477/001, 06/0230477/002, 06/0206353/001, 06/0206353/003, 06/0206353/004, 06/0206353/005, 06/0206353/007, 06/0206353/008, 06/0206353/009, 06/0206353/011, 06/0206353/012, 06/0207285/002 e 06/0241703/002 (AC 20050276182 DOC. 10). 4. DAS INFRAÇÕES APURADAS, DOS TRIBUTOS EXIGÍVEIS E DAS PENALIDADES O art. 117 do CTN estabelece que os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Assim sendo, no Regime de Drawback Suspensão, a condição resolutória é a comprovação das exportações, dentro das condições, limites e valores previstos no Ato Concessório. Verificada a condição (comprovação da efetiva exportação), a suspensão tributária transformase em verdadeira isenção. Do contrário, não comprovado o efetivo cumprimento das condições, limites e valores previstos no Ato Concessório, tornamse exigíveis os tributos suspensos desde o momento da importação dos insumos estrangeiros. Deste modo, restou comprovado que o contribuinte está totalmente inadimplente em todos os Atos Concessórios ora fiscalizados, em razão de não haver sido efetivada nenhuma exportação aproveitável para extinção do regime. De outro lado, o contribuinte também não demonstrou que adotou qualquer medida extintiva do Regime prevista no art. 342, inc. I do Decreto n° 4.543/02. Assim, fica o contribuinte sujeito ao pagamento dos tributos suspensos em todas as importações relacionadas a estes Atos, quais sejam: Imposto de Importação, IPIVinculado a importação, PIS e COFINS, juntamente com os acréscimos legais devidos, conforme enquadramento legal mencionado nos respectivos demonstrativos de apuração constantes do Auto de Infração. Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 4 O contribuinte incorreu, ainda, em outra infração: decorrido sem exportação o prazo fixado para o vencimento do regime, deve ser observada alguma das opções legais de extinção do regime (nacionalização dos insumos, destruição ou reenvio para o exterior); não tendo sido adotada nenhuma destas providências passa o contribuinte a utilizarse, indevidamente, do regime, vez que mantém suspensão de tributos — cerne do beneficio do regime drawback — quando já não mais podia fazê lo, o que encontra sanção no art. 107, VII, e, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.833/2003, que apena com a multa diária de R$ 1.000,00, na forma abaixo demonstrada. (...) A contribuinte apresentou sua impugnação, alegando a ilegalidade e manifesta improcedência do lançamento, em síntese, pelos seguintes motivos: ∙ Ocorreu a extinção do crédito tributário (artigo 156, inciso IV do CTN) pela ocorrência da decadência (artigo 173, inciso I do CTN), ou prescrição (Artigo 174 do CTN), sendo certo que tais prazos não se interrompem ou subordinam a ocorrência do evento futuro exportação, eis que não houve nenhum óbice ao lançamento, na modalidade do artigo 142 do CTN; ∙ Logrou este contribuinte demonstrar, cabalmente, a vinculação física dos insumos importados, que foram empregados no seu processo produtivo, e consequentemente exportados, merecendo gozar do beneplácito legal de não incidência dos tributos suspensos na importação, in casu Imposto de Importação, COFINS e PIS; ∙ A figura inadimplência total dos Atos Concessórios é despida de verdade e isso se pode notar com os documentos apresentados a fiscalização, e pela incongruência da própria SECEX ao deferir determinados atos concessórios em 23/09/2008; ∙ Que se algum erro de forma ocorreu, embora exista vinculação expressa de Atos Concessórios às Declarações de Importação e DDE's e RE's, evidentemente que é escusável, e não poderá interferir na vinculação física dos exames das mercadorias, e na aferição da verdade pela Autoridade Tributária Revisora; ∙ A multa regulamentar aplicada (R$ 1.000,00 por dia, a partir do suposto “inadimplemento dos atos concessórios” vide Decreto 37/66), que até a data da autuação seu montante perfazia R$ 7.182.000,00, é bisonha e malfere princípios e garantias elementares de Direito, tais como legalidade, moralidade, proporcionalidade, razoabilidade, não confisco, e ainda que foi derrogada pelo Decreto 4543/2002, precisamente nos dispositivos dos artigos 342,1 e 645,1, não merecendo prosperar de nenhuma maneira. A 23ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO, mediante o Acórdão nº 1662.732, de 29 de outubro de 2014, julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, excluindo o valor de R$ 7.182.000,00 referente à multa regulamentar e mantendo o montante de R$ 496.003,30, referente à exigência de Imposto de Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 4 5 Importação e Contribuição PIS/Cofins, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 30/11/2006 DRAWBACK. O Beneficiário desembaraçou mercadorias com suspensão de impostos. Findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário nenhuma das providências para adimplir o regime, resolveuse a suspensão, exigindo os tributos devidos, nas importações. A Fiscalização e controle de regimes especiais, como é o caso do “Drawback”, é de competência da Receita Federal do Brasil por envolver renúncia fiscal. O Princípio da Vinculação Física deve ser estritamente observado pelo beneficiário do Regime. O adimplemento da obrigação do Regime Aduaneiro Especial de Drawback modalidade suspensão implica em um controle a respeito dos insumos importados efetivamente utilizados nos produtos exportados, e não apenas do produto exportado. Exclusão da multa regulamentar. A fiscalização invoca o mesmo fato para imputar ao beneficiário do Regime de Drawback duas consequências: descumprimento da condição resolutiva e exigência da multa regulamentar tipificada. Portanto, resta caracterizado o bis in idem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Essa decisão foi encaminhada à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 70 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, por força do recurso necessário. Tendo sido a contribuinte cientificada por via postal em 13/11/2014, apresentou seu recurso voluntário, em 11/12/2014, alegando, em síntese: PRELIMINAR DECADÊNCIA AO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não há dúvida entre as partes que o dispositivo legal que deverá cuidar do instituto da decadência resta positivado no artigo 173, inciso I do CTN, cuja redação é a seguinte: (...) O prazo decadencial se interrompe ou se suspende, subordinandose a qualquer evento futuro e incerto, tal como exposto no acórdão atacado quando alega a inexistência de vencimento do Ato Concessório. A legislação é clara em determinar seu cômputo sem qualquer interferência de fatores alheios a ocorrência do fato gerador, eis que o mesmo é informado pelo princípio da legalidade, e a administração Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 6 também o é, e ainda, NÃO HOUVE QUALQUER ÓBICE AO LANÇAMENTO. Portanto, de acordo com o julgado acima [Processo n° 15165.002071/200716. Acórdão 3202000.878 2 Câmara / 1ª Turma Ordinária, julgado em 21/08/2013. Relator: Gilberto de Castro Moreira Júnior], considerando que as Declarações de Importação foram realizadas no ano de 2005, o prazo quinquenal começou a fluir a partir de 01/01/2006, vencendose em 31/12/2010, não há nenhuma dúvida sobre a extinção do crédito tributário apurado neste procedimento administrativo diante da sua manifesta decadência. MÉRITO DO MANIFESTO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL AO COMPROMISSO DE EXPORTAR (...) esta Recorrente, na impugnação então aviada, foi exaustiva no reexame da situação de fato ocorrida na origem, e distorcida pelo autuante de 1º grau, quando se afastou do dever de examinar o conjunto de documentos encaminhados, agindo em manifesto desacordo com as normas de regência, e principalmente com os princípios da legalidade, moralidade e eficiência, dirigidos à Administração. Os Atos Concessórios restaram EXPRESSAMENTE VINCULADOS às Declarações de Importação e Registros de Exportação, conforme se resume da planilha abaixo: (...) A operação acima resumida, repitase, resta derradeiramente comprovada com Declarações de Importações (DI) vinculadas aos Atos Concessórios, notas fiscais, conhecimentos de transportes, livos fiscais, Registro de Exportação (RE) vinculados aos Atos Concessórios, inclusive com admissão expressa pela Autoridade Tributária nesse sentido. O âmago da questão está assentado sobre a comprovação da efetiva operação da exportação, e isto, sem sombras de dúvidas, restou demonstrado com a documentação apresentada, e consequentemente extinto o regime de drawback pelo implemento da condição resolutiva, isto é, efetiva exportação, e isenta (melhor, não incidência) do pagamentos desse imposto. Às fls. 2.032 é notório que o acórdão aborda o conjunto de documentos necessários a comprovar a operação de exportação. Como se vê é citado expressamente o Comunicado DECEX nº 2, de 31/01/00, em seu Título 21, são Registro de Exportação (RE 's) averbados. Com a devida vênia tal fato comprovante dos Registros de Exportação (RE's) averbados restaram cristalinamente anexados a estes autos eletrônicos, sendo inclusive admitidos como fato incontroverso pela autoridade julgadora. Portanto, há provas robustas nestes autos acerca da MANIFESTA VINCULAÇÃO FÍSICA DOS REGISTROS DE EXPORTAÇÕES AOS ATOS CONCESSÓRIOS. Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 5 7 Não há qualquer motivo justificável que possa validar o argumento assentado na instância de piso acerca do inadimplemento total do compromisso de exportar, como quer fazer convencer o acórdão objeto do presente recurso. Nesse sentido eis a jurisprudência administrativa: "Processo: 10209.000533/200360 Recurso n° 131.508 Acórdão n° 30333.239, Sessão de 19 de junho de 2006 Recorrente ALBRAS ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A Recorrida: RJFORTALEZA/CE (...) PROCESSO N°: 13502.000614/200171 SESSÃO DE : 14 de setembro de 2004 ACÓRDÃO N°: 30331.581 RECURSO N°: 126.761 RECORRENTE: BRESPEL COMPANHIA INDUSTRIAL BRASIL ESPANHA (...) Dessa forma, considerando os argumentos até aqui esposados, tornase induvidoso a vinculação física dos insumos importados através dos atos concessório de drawback suspensão utilizados no processo industrial da ora Recorrente e a consequente exportação do produto industrializado. A configuração de tal operação enseja o reconhecimento do adimplemento ao compromisso de exportar e, por sua vez, a NÃO INCIDÊNCIA do Imposto de Importação, COFINS, PIS e Multa Regulamentar. A figura inadimplência total dos Atos Concessórios é despida de verdade, conforme se pode notar com os documentos apresentados à fiscalização, e ainda pela incongruência da própria SECEX ao deferir determinados atos concessórios em 23/09/2008, Que se algum erro de forma ocorreu, embora exista vinculação expressa de Atos Concessórios às Declarações de Importação e DDE's e RE's, evidentemente que é escusável, e não poderá interferir na vinculação física dos exames das mercadorias, e na aferição da verdade pela Autoridade Tributária Revisora; É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. "PRELIMINAR DECADÊNCIA AO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO" Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 8 É matéria incontroversa que o dispositivo legal aplicável para a decadência do direito de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo é o art. 173, I do CTN, o qual dispõe que esse prazo é de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A controvérsia reside sobre qual data começaria fluir o prazo quinquenal. Entende a recorrente que, considerando que as Declarações de Importação foram realizadas no ano de 2005, o prazo quinquenal começaria a fluir a partir de 01/01/2006, vencendose em 31/12/2010, de forma que o crédito tributário estaria extinto pela decadência. A questão da decadência no regime aduaneiro especial de Drawback já foi pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adota o prazo decadencial em conformidade com o art. 173, inciso I, do CTN. Conforme conclui o trecho abaixo do voto condutor do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, na hipótese do Drawback na modalidade suspensão, o lançamento somente poderia ser efetuado ao fim do regime, de forma que o prazo decadencial não poderia fluir a partir das importações: Processo nº 13884.005117/200201 Recurso n° 301134.536 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.147 – 3ª Turma Sessão de 11 de agosto de 2009 (...) Voto (...) A primeira questão que se apresenta a debate diz respeito à decadência para lançamento do crédito tributário quando o sujeito passivo encontrase ao abrigo de regime aduaneiro especial em que o lançamento fiscal não pode ser feito enquanto durar o RAE. Aqui, não se pode falar em homologação de pagamentos ou de atos preparatórios efetuados pelo sujeito passivo, pois, na vigência do regime, não há lançamento ou atos preparatórios a serem praticados. Desta feita, o § 4° do art. 150 não se aplica ao caso em discussão, o qual é regido pelo disposto no inciso I do artigo 173 do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. De outro lado, temse que, nas hipóteses de drawback, modalidade suspensão, o lançamento não pode ser efetuado na data da importação vinculada ao ato concessório, em virtude da suspensão, mas, tãosomente, a partir do momento em que se encerra o regime, posto que, até essa data, o sujeito passivo poderia adimplir as condições, e, com isso, resolver a pertinente obrigação tributária. Já no caso de drawback isenção, o prazo da Fazenda tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do registro da Declaração de Importação. (...) [grifos desta Relatora] Esse entendimento também foi seguido no Acórdão nº 3101000.465, de 28 de julho de 2010, cuja ementa segue abaixo: Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 6 9 Processo nº 10855.004733/200113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101000.465 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2010 (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/03/1995 a 17/08/1995 DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação estabelecido no Ato Concessório. (...) Assim, com fundamento no art. 173, I do CTN, o prazo de decadência para a hipótese dos autos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", somente começa a fluir a partir do exercício subsequente ao fim do regime aduaneiro inadimplido. Dentro do prazo de fruição do regime aduaneiro de Drawback suspensão não se poderia constatar eventual inadimplemento desse regime, e, portanto, não haveria que se falar em lançamento. Considerandose que os regimes aduaneiros mais antigos venceram em 30/11/2006, o prazo inicial mais remoto para a contagem da decadência é 01/01/2007, com encerramento do quinquênio em 31/12/2011. Dessa forma, não se verifica a decadência do presente lançamento efetuado em 11/02/2011, com ciência da contribuinte em 16/02/2011, devendo ser rejeitada a preliminar da recorrente nesse sentido. "MÉRITO DO MANIFESTO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL AO COMPROMISSO DE EXPORTAR" O regime de drawback, na modalidade suspensão, foi instituído pelo Decreto lei nº 37/66: Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 10 III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº 8.402, de 1992) § 1º A restituição de que trata este artigo poderá ser feita mediante crédito da importância correspondente, a ser ressarcida em importação posterior. § 2º O regulamento estabelecerá limite mínimo para aplicação dos regimes previstos neste capítulo. § 3º Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1º do art.75. [grifos desta Relatora] À época dos fatos o Drawbacksuspensão, era regulamentado pelo Decreto nº 4.543/2002, o qual dispunha: Art. 335.O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei nº 37, de 1966, art. 78, e Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; e III restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. Art. 336.O regime de drawback poderá ser concedido a: I mercadoria importada para beneficiamento no País e posterior exportação; II matériaprima, produto semielaborado ou acabado, utilizados na fabricação de mercadoria exportada, ou a exportar; III peça, parte, aparelho, máquina, veículo ou equipamento exportado ou a exportar; IV mercadoria destinada a embalagem, acondicionamento ou apresentação de produto exportado ou a exportar, desde que propicie comprovadamente uma agregação de valor ao produto final; ou V animais destinados ao abate e posterior exportação. § 1º O regime poderá ainda ser concedido: I para matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem a concessão; ou II para matériaprima e outros produtos utilizados no cultivo de produtos agrícolas ou na criação de animais a serem exportados, definidos pela Câmara de Comércio Exterior. (...) § 3º O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com recursos captados no exterior (Lei nº 8.032, de 1990, art. 5º, com a redação dada pela Lei nº 10.184, de 12 de fevereiro de 2001, art. 5º). (...) Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 7 11 Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Art. 342.As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a)devolução ao exterior ou reexportação; b)destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c)destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; II no caso de renúncia à aplicação do regime, adoção, no momento da renúncia, de um dos procedimentos previstos no inciso I; e III no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, requerimento de regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. (...) Art. 344. A Secretaria da Receita Federal e a Secretaria de Comércio Exterior poderão editar normas complementares às dispostas nesta Seção, em suas respectivas áreas de competência. Conforme se depreende da leitura do art. 78, II do Decretolei nº 37/66 acima, a exigência de vinculação física do bem importado ao produto exportado está estabelecida em lei, o que também se confirma com interpretação da lei contida nos artigos transcritos do Regulamento Aduaneiro. Para a fruição do regime de drawback, na modalidade suspensão, a mercadoria importada deve vincularse fisicamente a uma exportação, seja como o bem a ser beneficiado, seja como matériaprima, produto semielaborado, parte ou peça de produto a ser exportado, ou, ainda, para embalagem ou acondicionamento do produto a ser exportado. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgado cuja ementa segue abaixo, manifestouse de acordo com esse entendimento: Processo nº 10940.002794/200411 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.833– 3ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/02/2001, 25/05/2001 05/06/2001, 19/06/2001, 03/07/2001, 05/10/2001, 19/12/2001. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de Drawback Suspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 12 benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Nesse mesmo sentido foi também decidido por este Conselho Administrativo no Acórdão cuja ementa segue abaixo, por Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Paulo Sérgio Celani, como Redator Designado: Processo nº 12452.000484/200902 Recurso nº 921.126 Voluntário Acórdão nº 3201001.132 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2012 (...) ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2005 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. VINCULAÇÃO DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO AO ATO CONCESSÓRIO. Exigemse Imposto de Importação, IPIimportação, Cofins importação, PIS/Pasepimportação e acréscimos legais sobre importações de mercadorias despachadas para consumo no regime de drawback suspensão se não ficar comprovado, seja por meio da correta e oportuna vinculação dos Registros de Exportação aos respectivos atos concessórios, seja por meio de auditoria fiscal de produção, que estas mercadorias tenham integrado produtos exportados ou sido utilizados na fabricação destes. (...) No caso presente, entendeu a fiscalização que a recorrente estava inadimplente no regime de Drawback suspensão em relação a todos os Atos Concessórios fiscalizados, em razão de não haver sido efetivada nenhuma exportação aproveitável para extinção do regime, nem tampouco demonstrada a adoção de qualquer medida extintiva do regime prevista no art. 342, inciso I do Decreto n° 4.543/02, sendo cabível, então, a exigência dos tributos suspensos nas importações relacionadas a esses regimes. Argumenta a recorrente no recurso voluntário que, a seu ver, a vinculação das Declarações de Importação e Registros de Exportação, restaria comprovada "com Declarações de Importações (DI) vinculadas aos Atos Concessórios, notas fiscais, conhecimentos de transportes, livros fiscais, Registro de Exportação (RE) vinculados aos Atos Concessórios". Conforme prerrogativa dada pelo art. 344 do Regulamento Aduaneiro/2002, a Secretaria de Comércio Exterior editou normas complementares para o regime de drawback, mediante a Portaria Secex nº 14/2004, a qual dispõe: Art. 139. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 8 13 Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. Art. 159. A liquidação do compromisso de exportação no Regime de Drawback, modalidade suspensão, ocorrerá mediante: I exportação efetiva do produto previsto no Ato Concessório de Drawback, na quantidade, valor e prazo nele fixados; (...) Art. 161. Será declarado o inadimplemento do Regime de Drawback, modalidade suspensão, no caso de não cumprimento do disposto no art. 159. Art. 162. O inadimplemento do Regime será considerado: I Total: quando não houver nenhuma exportação que comprove a utilização da mercadoria importada; II parcial: se existir exportação efetiva que comprove a utilização de parte da mercadoria importada. Parágrafo único. O inadimplemento poderá ocorrer em virtude do descumprimento de outras condições previstas no ato de concessão, como a não observância do prazo de 60 (sessenta) dias previsto no art. 139. Art. 163. O inadimplemento do Regime será comunicado à Secretaria da Receita Federal e aos demais órgãos ou entidades envolvidas, por meio de módulo específico Drawback do SISCOMEX, podendo futuras solicitações do mesmo titular ficar condicionadas à regularização da situação fiscal. Desta forma, não tendo a contribuinte apresentado, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação, as comprovações das importações e exportações vinculadas ao regime, configurouse o inadimplemento do regime, nos termos do art. 162, parágrafo único e art. 139 da Portaria Secex nº 14/2004. Tendo sido considerada inadimplente pela SECEX, a contribuinte, que tinha o ônus da prova sobre o cumprimento do regime aduaneiro, não logrou êxito em comprovar perante a fiscalização da Receita Federal, por outros meios de prova, a efetiva aplicação dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão nos produtos exportados, conforme previsto na legislação, vez que, conforme motivou a fiscalização: i) A contribuinte não apresentou à SECEX nenhum dos RE´s apresentados no curso da fiscalização. Conforme entendimento expresso no Parecer Cosit n° 53/99, a Receita Federal do Brasil não é competente para aceitar exportações não apresentadas à SECEX e que, portanto, não passaram por sua análise e aprovação. b) O contribuinte não apresentou o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, ou controle equivalente, para os anos 2005, 2006 e 2007 (janeiro), sendo que a escrituração desse Livro é obrigatória e seria relevante para a comprovação da correta aplicação dos insumos importados com suspensão dos tributos. Também os Laudos de Produção e de Consumo apresentados pela contribuinte não se prestaram a comprovar a efetiva utilização das mercadorias importadas no processo produtivo Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 14 das mercadorias a serem exportadas (art. 78, inciso II, do DecretoLei n° 37/66), eis que a contribuinte incluiu, indevidamente, os tempos gastos nos desembaraços aduaneiros (de importação e de exportação) no tempo de produção. c) Diversos RE´s possuem retificações tentadas após a averbação visando incluir Atos Concessórios, o que não se pode admitir. De forma que, os documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização não foram suficientes para comprovar a vinculação física dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão aos produtos exportados. Como bem destacou a decisão recorrida, para efeito de comprovação de extinção do regime de drawback suspensão, somente são aceitos Registros de Exportação (RE´s) para os quais foram informados todos os dados exigidos na legislação no momento da exportação, não se podendo admitir RE´s que ampararam uma exportação normal serem retificados após o despacho de exportação para comprovar a exportação. (...) Como já abordado, somente podem ser aceitos para a comprovação do regime, modalidade suspensão, RE que contenham: I. No campo 2a um dos códigos de enquadramento relativos a operações de drawback (81101, 81102, 81103 ou 81104); e II. No campo 24 (dados do fabricante) o número do Ato Concessório a ser comprovado. Para que o exportador possa vincular as informações no campo 24, ele necessariamente deverá colocar a letra N no campo 22, informando que o exportador não é o fabricante (mesmo que o seja). De outro lado, se exportador colocar a letra S no campo 22, o campo 24 é automaticamente suprimido impossibilitando qualquer vinculação do RE a um Ato Concessório. O corpo da legislação do Drawback é em suma um estímulo à exportação, propiciando ao exportador nacional condições competitivas em termos de preço no mercado internacional, desonerando os tributos devidos numa importação comum, sob a condição de que os produtos importados sejam empregados na industrialização dos produtos a serem exportados (art. 78, inciso II, do DecretoLei n° 37/66). Assim, a exigência expressa na legislação acima citada, visa o controle do Regime num momento crucial que é o da exportação dos produtos produzidos com insumos importados com tributos suspensos. Assim, não pode o exportador, após concluídos todos os procedimentos do despacho de Exportação, utilizarse de uma exportação efetuada no regime normal para comprovar a Concessório de Drawback Suspensão. (...) Em situação semelhante, no Acórdão nº 3201001.132 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, já citado neste Voto, assim se manifestou o Conselheiro Redator do Voto Vencedor: (...) Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 9 15 A vinculação do Registro de Exportação RE ao ato concessório e a informação do RE no módulo específico do Siscomex, no prazo de 60 (sessenta) dias da data limite para exportação, são exigências da legislação de drawback que permitem à fiscalização aduaneira verificar, documental e fisicamente, se os produtos exportados declarados no RE são os previstos no ato concessório. A IN SRF nº 21, de 1994, ao dispor que a declaração para despacho aduaneiro de exportação contém um ou mais registros de exportação, que cada registro de exportação somente pode ser utilizado em uma única declaração para despacho aduaneiro e que o registro da entrega dos documentos de instrução do despacho, no Siscomex, marca o início do procedimento fiscal e impede qualquer alteração, pelo exportador, na declaração para despacho por ele formulada, sem a prévia anuência da fiscalização aduaneira, evidencia que alterações de RE, após a entrega dos documentos no Siscomex, somente podem ser efetuadas com a anuência da fiscalização aduaneira, ainda que depois do fim do despacho aduaneiro. A não vinculação do RE ao ato concessório no momento previsto na legislação implica o inadimplemento do regime de drawback. Por outro lado, conforme afirmado pela autoridade fiscal e pelos julgadores de primeira instância, o exame do processo produtivo da contribuinte não permitiu concluir que houve a vinculação entre as mercadorias importadas sob o regime de drawback e as exportações, logo, com base neste procedimento fiscal, não se comprovou o adimplemento do regime. (...) [grifos desta Relatora] Assim, entendo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário objeto do presente processo. O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Além da exigência dos tributos que haviam sido suspensos em face do regime, a fiscalização aplicou a multa pelo cometimento da infração prevista no art. 107, VII, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) (...) e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; (...) Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 16 Entendeu, no entanto, o julgador de primeira instância pela exoneração dessa multa, em face da caracterização de bis in idem, nesses termos: (...) A fiscalização está se atendo ao mesmo fato DESCUMPRIMENTO DA CONDIÇÃO RESOLUTIVA para imputar ao beneficiário do Regime Aduaneiro Especial de Drawback duas consequências: I. Exigência dos tributos suspensos e os respectivos acréscimos legais; e II. Exigência da multa regulamentar tipificada pelo artigo 107, VII, e, do DecretoLei n°37/1966. Portanto, resta caracterizado o bis in idem. (...) Embora a vedação ao bis in idem não esteja expressamente prevista na Constituição Federal, o princípio do non bis in idem é reconhecido pela doutrina como decorrência direta dos princípios constitucionais da legalidade, da tipicidade, do devido processo legal e da proporcionalidade. Da mesma forma que “ninguém pode ser condenado ou processado duas ou mais vezes por um mesmo fato” no direito penal, não pode a Administração impor uma segunda sanção administrativa a quem já sofreu uma outra sanção em face da mesma conduta, conforme bem esclarece Mello:1 (...) O princípio do non bis in idem impede a Administração Pública de impor uma segunda sanção administrativa a quem já sofreu, pela prática da mesma conduta, uma primeira. É dizer, uma vez imposta a sanção administrativa, esgotase a competência punitiva atribuída à Administração Pública, não sendo lícita a imposição de nova sanção pelo mesmo fato. (...) Conforme expressamente dispõe o art. 3º do Código Tributário Nacional, "tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", o que significa dizer que tributos não se confundem com penalidades decorrentes do cometimento de alguma infração. Com efeito, no caso de inadimplemento do regime aduaneiro, a exigência dos tributos que estavam com suspensos durante o prazo do regime, não se caracteriza como sanção por ato ilícito, mas tão somente, a exigência dos tributos que incidem normalmente no regime comum de importação, eis que descumprido o regime aduaneiro especial que amparava a suspensão. De forma que, no presente caso, não há que se falar na aplicação de duas sanções distintas em face do mesma conduta, mas da exigência dos tributos cabíveis na 1 MELLO, Rafael Munhoz de. Princípios Constitucionais de Direito Administrativo Sancionador. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 210/211. Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 10 17 importação comum, desprovida do benefício fiscal, e da multa pecuniária (esta sim uma sanção por ato ilícito) pelo cometimento de infração prevista em lei. Os argumentos apresentados pela então impugnante de que a multa lesaria os princípios e garantias elementares de Direito, tais como legalidade, moralidade, proporcionalidade, razoabilidade, e não confisco, não poderiam ser conhecidos no âmbito administrativo, pois significaria aferir a constitucionalidade de dispositivo de lei, o que é vedado a Administração Pública, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011. Tampouco mereceria guarida o argumento da então impugnante de que o Decreto nº 4.543/2002 teria derrogado um artigo previsto em Decretolei, com status de lei. Assim, pelo exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a exigência da multa prevista no art. 107, VII, "e" do DecretoLei n° 37/1966, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.833/2003, bem como de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Inicialmente, devese frisar que esta declaração de voto se cingirá a analisar a questão discutida no Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, em razão de nossa concordância com a posição da ilustre relatora acerca do Recurso de Ofício. Conforme sintetizado pela relatora do caso, os motivos da autuação foram os seguintes: i) A contribuinte não apresentou à SECEX nenhum dos RE´s apresentados no curso da fiscalização. Conforme entendimento expresso no Parecer Cosit n° 53/99, a Receita Federal do Brasil não é competente para aceitar exportações não apresentadas à SECEX e que, portanto, não passaram por sua análise e aprovação. b) O contribuinte não apresentou o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, ou controle equivalente, para os anos 2005, 2006 e 2007 (janeiro), sendo que a escrituração desse Livro é obrigatória e seria relevante para a comprovação da correta aplicação dos insumos importados com suspensão dos tributos. Também os Laudos de Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 18 Produção e de Consumo apresentados pela contribuinte não se prestaram a comprovar a efetiva utilização das mercadorias importadas no processo produtivo das mercadorias a serem exportadas (art. 78, inciso II, do DecretoLei n° 37/66), eis que a contribuinte incluiu, indevidamente, os tempos gastos nos desembaraços aduaneiros (de importação e de exportação) no tempo de produção. c) Diversos RE´s possuem retificações tentadas após a averbação visando incluir Atos Concessórios, o que não se pode admitir. Observase que a decisão a quo considerou que o regime de drawback fora integralmente inadimplido essencialmente pela ausência dos Livros de Controle da Produção e do Estoque para insumos importados e produtos exportados, considerada obrigatória para a comprovação da utilização dos bens importados no processo produtivo das mercadorias exportadas. O ponto analisado aqui diz respeito à necessidade ou não da observância da chamada "regra da vinculação física" nas importações realizadas sob regime de drawback suspensão, no caso em tela. O regime de drawbacksuspensão, foi instituído pelo Decretolei nº 37/66: Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Para a compreensão de seu estatuto jurídico, por expressa remissão do caput do artigo 78 do DecretoLei nº 37/66, devese compulsar o Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos que ensejaram a autuação, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, e posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.759/2009, especialmente em seus artigos 338 a 344, nos quais se verifica como fundamento à chamada regra da vinculação física o seu artigo 341, verbis: Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. A despeito da balizada opinião da relatora, não visualizo neste dispositivo qualquer regra jurídica que imponha a observância de um critério de identidade física entre os bens importados e aqueles utilizados no processo produtivo das mercadorias exportadas. Em rigor, o que o artigo 341 faz é referência à utilização dos insumos importados com o benefício Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 11 19 da suspensão dos impostos devidos, o que de resto é óbvio diante da própria razão de concessão desse incentivo à exportação. Todavia, ele não veda em qualquer momento que se utilizem insumos equivalentes produzidos no país, isto é, que sejam fungíveis entre si, sem afetar a qualidade da mercadoria exportada e sem corresponder a qualquer espécie de fraude à lei. Como dito anteriormente, tratase de um benefício à exportação, e ela deve ser o "fiel da balança" da correta exegese deste dispositivo. A sistemática do drawbacksuspensão consiste na permissão à importação de insumos com suspensão dos tributos, para serem destinadas à industrialização para produção da mercadoria cuja exportação se pretende incentivar. O legislador não cogita, ao dispor sobre o regime do drawback, da utilização de mercadoria nacional, pois está tratando de um benefício para a importação de insumos necessários à produção de determinadas mercadorias. O objetivo dele é estimular a exportação, e a comprovação do atendimento do Ato Concessório no que concerne a ela dá por adimplido o compromisso assumido pelo Contribuinte. Além disso, como bem pontuado pelo Conselheiro Luís Rogério Sawaya Batista, no seu voto no Acórdão CARF nº 3403003.054, constituiuse em um rotundo equívoco tratar a "exigência de vinculação física" como um princípio jurídico, tratandose, rigorosamente, de regra jurídica (como de resto já tratamos desde o início de nosso voto). Não nos parece que esse equívoco seja despropositado ele tem a finalidade de imbricar no estatuto teleológico e axiológico do instituto do drawbacksuspensão tal comando, agregandoo ao estado de coisas a ser atingido e promovendo uma verdadeira inversão da finalidade inicial do regime aduaneiro especial (do foco na exportação passase à enfatizar a importação do insumo). Portanto, com olhos voltados ao objetivo real do regime de drawback suspensão a exportação da mercadoria na quantidade e qualidade determinada no ato concessório tornase de ululante clareza a ausência de qualquer vedação da substituição dos insumos importados por insumos nacionais idênticos, porque o cerne do benefício é o produto final exportado. Beira às raias do irracional e do arbitrário exigir que o Contribuinte mantenha estoques separados de uma matériaprima nacional e outra importada, quando ambas são absolutamente fungíveis entre si, indo inclusive contrário ao que dispõe o artigo 85 do Código Civil Brasileiro: Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituirse por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. A característica principal de um bem fungível, como os insumos importados sob o regime de drawbacksuspensão, é a possibilidade, autorizada por lei, de que sejam substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Além de irracional, é irrazoável exigir que, sem prévia determinação legal, façase uma separação entre o estoque de insumos nacionais e internacionais, mesmo quando comprovado que eles são do mesmo tipo, quantidade e qualidade. Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 20 Tanto é assim que o Superior Tribunal de Justiça, intérprete maior da legislação federal, por diversas ocasiões já reiterou o entendimento de que havendo a fungilibidade/equivalência entre o produto nacional e o importado, há que se reconhecer o cumprimento do regime pela exportação das mercadorias, não havendo necessidade da manutenção de estoques distintos. Senão, vejamos abaixo as ementas a respeito, que representam o entendimento das duas turmas da Seção competente do STJ: TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. SODA CÁUSTICA IMPORTADA. CELULOSE EXPORTADA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÍSICA. DESNECESSIDADE. EQUIVALÊNCIA. 1. Hipótese em que a contribuinte importou soda cáustica para ser utilizada como insumo na produção de celulose a ser posteriormente exportada, no regime de drawback, modalidade suspensão. 2. A empresa adquiriu a soda cáustica também no mercado interno e, por questões de segurança e custo, utilizou indistintamente o produto importado e o nacional na produção da celulose exportada. 3. É incontroverso que a contribuinte cumpriu o compromisso de exportação firmado com a CACEX. Assim, a quantidade de soda cáustica importada foi efetivamente empregada na celulose exportada. 4. Seria desarrazoado exigir que a fábrica mantivesse dois estoques de soda cáustica, um com o produto importado e outro com conteúdo idêntico, porém de procedência nacional, apenas para atender à exigência de identidade física exigida pelo fisco. 5. O objetivo da legislação relativa ao drawback, qual seja a desoneração das exportações e o fomento da balança comercial, independe da identidade física entre o produto fungível importado e aquele empregado no bem exportado. É suficiente a equivalência, o que ocorreu in casu, sem que se cogite de fraude ou máfé. 6. Precedente da Primeira Turma. 7. Recurso Especial não provido. (REsp 341.285/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 25/05/2009) TRIBUTÁRIO. DRAWBACK. SODA CÁUSTICA. EMPREGO DE MATÉRIAPRIMA IDÊNTICA NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO EXPORTADO. BENEFÍCIO FISCAL. 1. É desnecessária a identidade física entre a mercadoria importada e a posteriormente exportada no produto final, para fins de fruição do benefício de drawback, não havendo nenhum óbice a que o contribuinte dê outra destinação às matérias primas importadas quando utilizado similar nacional para a exportação. 2. In casu, o acórdão de segundo grau decidiu que o fato de a empresa ter empregado similar nacional da soda cáustica Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 12 21 importada na industrialização da celulose que foi exportada não implica a desconstituição do benefício da suspensão do tributo. 3. Recurso especial nãoprovido. (REsp 413.564/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 05/10/2006, p. 236) Desse modo, na esteira da jurisprudência do STJ, já que se reconhecer a fungibilidade entre os insumos nacionais e internacionais, para fins de atendimento aos requisitos do ato concessório do regime de drawbacksuspensão. Por outro lado, verificase que a ausência de apresentação do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque foi o ponto central da autuação. Todavia, com a verificação da ausência de fundamento legal para a exigência da vinculação física que seria comprovada por tal livro, cai por terra a sua exigência. Nesse sentido é o voto vencedor no Acórdão CARF nº 3403003.054, que reproduzimos abaixo: Dessa forma, se o cerne do litígio, como apontado pela Decisão, consiste em saber se a Recorrente infringiu o princípio da vinculação física, bem como se deveria manter o Livro ou fichas de controle da produção ou sistema “similar”, que permitisse controles de estoques, e se os Livros Registro de Inventário, Entradas e Saídas teriam o condão de suprir os controles necessários, entendo que a Recorrente não descumpriu totalmente o regime de drawback. Na realidade, toda essa exigência decorre da premissa assumida pela Fiscalização, ratificada pela DRJ, que a Recorrente deveria manter controle físico de seu estoque importado e nacional, para fins de comprovação dos AC´s, premissa esta, repito, não expressa na legislação e que decorre, ao meu ver, de um posicionamento da Fiscalização. Afastada a premissa viciada, não há que se fundar a autuação na inexistência do livro que, para fins de controle do adimplemento do Ato Concessório, é despiciendo. Isso tudo que foi dito anteriormente veio a ser aclarado definitivamente pelo artigo 17 da Lei 11.774, de 2008 (conversão da Medida Provisória 428, de 2008), que trouxe o seguinte comando: Art.17.Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 22 Consignando de forma literal a interpretação que já era há muito dada tanto no âmbito do CARF, como no acórdão 930300.211, da 3º CSRF, como também pela Primeira e Segunda Turmas do STJ, nos precedentes citados anteriormente. Na esteira do que expusemos com mais vagar na declaração de voto apresentada no Acórdão CARF nº 3402003.037, parecenos que tal dispositivo não inovou de qualquer forma no ordenamento tributário, vindo somente dar a interpretação autêntica do Legislativo à legislação de regência do regime aduaneiro especial em comento. Entendo que estamos diante de um dispositivo de lei estritamente interpretativo, desafiando a aplicação do art.106, I do Código Tributário, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O caráter "autêntico" é dado a qualquer interpretação decorrente do próprio sujeito que tenha produzido o texto a ser interpretado seria como se Machado de Assis subscrevesse carta em que confirmasse a traição de Capitu, que deveria ser tomada com a interpretação autêntica da obra "Dom Casmurro". Naturalmente que ao falarmos de Direito, especialmente Direito Tributário, cujas principais regras são produzidas por um Parlamento, fica evidente o caráter ficcional dessa autenticidade (Cf. PUGIOTTO, Andrea. La legge interpretativa e i suoi giudici. Milano: Giuffré, 2003. P.125127) de modo que a subjetividade do legislador se revela como uma noção meramente metafórica, para não dizer ideológica, diante da possibilidade de composições absolutamente distintas desse órgão emitirem leis interpretativas. Isso demanda que substituamos o pressuposto da identidade do autor ou do órgão para a identidade de função (legislativa), que liga a força normativa dos dois atos, lei interpretada e lei interpretativa se prestando a justificar a interpretação autêntica. Deixando de lado as discussões teóricodoutrinárias, é fato que o artigo 106, I do CTN fala expressamente na figura da "lei interpretativa" e que diversas manifestações dos tribunais superiores consideraram esse figura como plausível juridicamente no ordenamento pátrio, a exemplo do voto do Min. Celso de Mello no julgamento da ADIN 6053/ DF: (...) É plausível, em face do ordenamento constitucional brasileiro, o reconhecimento da admissibilidade das leis interpretativas, que configuram instrumento juridicamente idôneo de veiculação da denominada interpretação autêntica. As leis interpretativas desde que reconhecida a sua existência em nosso direito positivo não traduzem usurpação das atribuições institucionais do Judiciário e, em consequência, não ofendem o postulado fundamental da divisão funcional do poder. Portanto, não se quer aqui discordar da plausibilidade das teses que sustentam um caráter inovador da lei interpretativa mas sim entender o que o CTN refere ao falar dela, e quais são suas forma, conteúdo e limites dentro do Direito Brasileiro (e até mesmo a sua compatibilidade com o regime constitucional tributário, que expressamente alberga a irretroatividade na esfera tributária). Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 13 23 A questão principal, para além da legitimidade de tal prática, é como age o Legislativo ao emanar leis de tal natureza se de forma declarativa, decisória ou criativa o que nos parece poder ser reduzido a três possibilidades(Cf. GUASTINI, ob.cit., p.98): i) Em primeiro lugar, pode ser o caso de existir uma moldura (para usar o léxico kelseniano) de múltiplos sentidos interpretativos possíveis para determinado texto de lei, sejam eles gramaticais, jurisprudenciais ou de qualquer outra fonte, cabendo ao legislador escolher um dentre eles. ii) Em segundo lugar, pode suceder que exista a moldura citada acima, mas que o legislador escolha um significado além desse marco preexistente. iii) Em terceiro lugar, pode ser o caso de que não haja, em absoluto, uma multiplicidade de interpretações divergentes, mas uma interpretação determinada e consolidada (jurisprudencialmente, por exemplo), e que o legislador imponha significado distinto do usualmente aceito. Como bem colocado por Gustavo Zagrebelsky (Il sistema delle fonti del diritto. Torino: UTET, 1984. P.91), apenas no primeiro caso estaremos diante de uma lei interpretativa que constitua genuína interpretação, isto é, que atue de forma decisória, sem inovar no conteúdo do Direito vigente. Nos demais casos, o que há é inovação, criação de norma nova, não suportada semanticamente pela lei interpretada. Entendemos que apenas no primeiro caso se poderá falar em lei interpretativa, para fins de aplicação do art.106, I do CTN, haja vista que nos demais há a inovação que demanda a irretroação, por força da segurança jurídica e da regra de irretroatividade veiculada na Constituição. Outro problema, esse mais relevante ao deslinde da questão, é qual critério para identificação de uma lei interpretativa. Como coloca Ricardo Guastini (Ob. Cit., p.8687), essa questão comporta duas respostas, em tradução livre: a) Um primeiro modo de ver a questão é aquele segundo o qual as leis interpretativas se identificam sobre a base de indícios puramente textuais, como o título da lei ("Lei de interpretação autêntica") e/ou a formulação de suas disposições ("A disposição tal deve ser entendida no sentido que...", e similares). b) Um segundo e mais estendido modo de ver a questão é aquele segundo o qual as leis interpretativas se identificam sobre a base de um não textual, mas estrutural, e precisamente pelo fato de que as disposições interpretativas não ditam normas em sentido estrito (reguladoras de algum tipo de suposto de fato), mas sim metanormas (ou normas de segundo grau), que tem por objeto nada mais que o significado das disposições interpretadas. De maneira que uma disposição interpretativa é tal sempre que não seja idônea para resolver controvérsia alguma por si mesma, senão que em combinação com a disposição interpretada, com a qual "se solda", de maneira que as duas formam, por assim dizer, um único texto normativo (sujeito, por suposto, a ulteriores interpretações). Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 24 Parecenos que a segunda solução é a mais consentânea, pois seria de um artificialismo exacerbado exigir que houvesse menção nominal à natureza interpretativa para que uma lei fosse compreendida como tal. Nesse mesmo sentido entendeu Aliomar Baleeiro: "Expressamente interpretativa", todavia, não quer dizer que o novo diploma empregue essas palavras sacramentais, apresentandose como tal na ementa ou no contexto. Basta que, reportandose aos dispositivos interpretados, lhes defina o sentido e aclare as dúvidas. (Direito Tributário Brasileiro, 11ªed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. P.670) Além disso, a prática jurisdicional pátria tem reconhecido a possibilidade de leis interpretativas sob um critério estrutural, mesmo que não venha a remissão expressa à natureza interpretativa. Exemplo disso foi a discussão sobre o art.11 da Lei 9.779/99 e seu caráter interpretativo, sem prejuízo da sua redação não constar nenhuma referência expressa nesse sentido, presente no REsp 746.768, relatado pelo Min. Castro Meira. No caso em tela, a regra do art.17 da Lei nº 11.774/2008 apenas declarou a interpretação dentre as possíveis de serem construídas à partir do art.341 do RA/2002 que já gozava de respaldo jurisprudencial e também doutrinário. Isso caracterizaa, na senda explanada acima, como uma lei interpretativa. E mais, funcionalmente compreendida, ela encampa exatamente a função pela qual a interpretação autêntica não pode ser dispensada do sistema jurídico contemporâneo, sobretudo em um Estado que almeja finalidades e pratica um agir teleologicamente orientado. A lei interpretativa é sua forma de corrigir uma interpretação transviada que a Administração pratique de determinada lei, contrária à finalidade para a qual tal lei foi criada. No caso do drawbacksuspensão, o regime foi criado com a finalidade de estimular a exportação de determinadas mercadorias nunca é demais ressaltar tal ponto mas a Administração Tributária, em uma inversão de objetivos, passou a tratála como um benefício relacionado à importação, e focando na exigência da tal "vinculação física" que, a despeito de irrazoável e desproporcional, era fundamento de diversas autuações fiscais. Para corrigir esse desvio interpretativo, o legislador achou por bem declarar o sentido correto do dispositivo, dando mais segurança àqueles que importem sob o regime aduaneiro mencionado. Assim, por força do art.106, I do CTN, tal dispositivo deve retroagir para atingir as situações pretéritas, inclusive esta que julgamos, afastando totalmente a exigência da vinculação física que fundamentou a autuação fiscal. Por outro lado, caso se considere que a Lei 11.774/2008 inovou no ordenamento jurídico, melhor sorte não socorre à autuação, em razão da aplicação do art.106, II, "b" do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10074.000038/201133 Acórdão n.º 3402003.201 S3C4T2 Fl. 14 25 Tal dispositivo, que também trata da eficácia retroativa de leis tributárias, determina que para os atos administrativos ainda não definitivamente julgados (como este), a lei deve retroagir sempre que ela dispense alguma ação ou omissão que tenha dado causa ao Auto de Infração, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se trata aqui da alínea "a" do art. 106, II do CTN, que trata dos casos em que determinada conduta deixe de ser tratada como infração, mas do caso em que determinadas ações ou omissões sejam exigidas pela legislação tributária e deixem de sêlo posteriormente, devendo a nova lei retroagir beneficiando a todos aqueles cuja violação de tal exigência pretérita esteja pendente de julgamento definitivo. Nesse exato sentido é o entendimento do Conselheiro Charlos Mayer de Castro Souza: Ora, empregar os insumos importados no produto a ser exportado que resulta do processo de industrialização é conduta comissiva encartada, ainda que implicitamente, no artigo 78, II, do Decretolei 37, de 1966, obrigação que, por norma jurídica posterior de mesma hierarquia, deixou de ser exigida para os insumos fungíveis, fato que reclama a sua aplicação retroativa por força do artigo 106, II, “b”, do CTN. Ora, o ato julgado no caso é a não observância da vinculação física que, conforme o entendimento do fiscal, era de necessária observância para o adimplemento do Ato Concessório do drawback, mas que deixou de ser tratado como necessário por legislação superveniente. (http://www.conjur.com.br/2015jul29/charlessouzavinculacao deixaraplicadadrawback) Portanto, a exigência da vinculação física na industrialização para exportação de produtos que tiveram o benefício do drawbacksuspensão padecem sob qualquer ângulo que se enfrente a questão. Em primeiro lugar, devemos consignar que entendemos que não há como se depreender do art.341 do RA/2002 a exigência de vinculação física ou a impossibilidade de utilização de insumos nacionais iguais aos importados, na linha de precedentes do CARF e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. À partir daí, há dois desdobramentos com o art.17 da Lei 11.774/2008: I) Caso se entenda tal lei não inovou (como entendemos neste voto), há que se reconhecer que tal dispositivo teve caráter meramente interpretativo, devendo retroagir para beneficiar o contribuinte no presente caso, por força do art.106, I do CTN. II) Caso se entenda que a lei inovou, dispensando a exigência da vinculação física, há que se reconhecer que o dispositivo deixou de tratar como necessária a ação de industrializar exatamente os insumos importados, devendo tal dispensa retroagir por força do art.106, II, "b" do CTN, beneficiando ao contribuinte do presente caso. Portanto, por onde quer que se enfrente a questão, os fundamentos da autuação caem por terra, independente da premissa adotada. Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 26 No caso em tela, os Registros de Exportação foram considerados imprestáveis para demonstrar o atendimento ao regime aduaneiro em razão de não comprovarem a atendimento da "exigência" da vinculação física, o que já foi francamente demonstrado ser um equívoco da Administração Tributária. Assim, por tudo que foi exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/0 9/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM , Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Numero do processo: 10886.001391/2009-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, em face da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
Numero da decisão: 9202-004.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que o conheceu.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que o conheceu. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, em face da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que o conheceu. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 13 91 /2 00 9- 61 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 2 Em sessão plenária de 23/08/2011, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, exarandose o Acórdão nº 280101.786 (fls. 68 a 72), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de 'moléstia grave' previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão. Recurso Voluntário Provido" Cientificada do acórdão em 11/10/2011 (fls. 73), a Fazenda Nacional interpôs, em 13/10/2011 (fls. 75), o Recurso Especial de fls. 76 a 78, visando rediscutir a isenção por moléstia grave, alegando que a doença da qual foi acometida a Contribuinte, Mal de Alzheimer, não consta no rol de moléstias constante da lei de regência. Para tanto, indica como paradigma o Acórdão nº 2202000.849. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de fls. 112 a 114, de 27/11/2015. Após a ciência do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, não houve manifestação (fls. 122/123). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Nesse passo, importa salientar que a alegada divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, à luz do mesmo ordenamento jurídico. No caso do acórdão recorrido, tratase de isenção concedida a rendimentos de pensão recebidos por portadora de Mal de Alzheimer, de 88 anos de idade, no anocalendário de 2005, em face do seguinte conjunto probatório: "Após a análise dos documentos apresentados, não restam dúvidas quanto ao fato de que a restituição pleiteada se refere a Imposto incidente sobre pensão; tendo, inclusive, o Relator do Acórdão recorrido afirmado que “primeiramente, cabe destacar que a Sra. Maria Jenny Bacelar Correa recebe rendimentos que têm a natureza de pensão, conforme documento acostado à f1.02 do processo”. (pág. 25 dos autos) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 10886.001391/200961 Acórdão n.º 9202004.496 CSRFT2 Fl. 125 3 Resta então analisar se, à época dos recolhimentos, a recorrente era portadora de moléstia que lhe garantisse a isenção do Imposto de Renda. Segundo o laudo médico oficial, emitido pelo Estado do Amazonas, concluise: "que a doença apresentada, desde 11.02.2004, CID10, G30, pela Sra. Maria Jenny Bacelar Correea, enquadrase na Lei nº 7.713 de 22.12.88, Art. 6°, Inciso XIV, alterada pela Lei n° 11.052 de 29.12.2004. Posteriormente, a Recorrente anexou novos atestados e declarações, emitidos pelo Estado do Rio de Janeiro, todos afirmando que a mesma apresenta a doença de Alzheimer. Podemos então constatar que, desde 2004, a recorrente já era portadora da Doença de Alzheimer, caracterizada pela síndrome demencial, constituída da demência senil, e comprometimento da memória; é de ser entendido, desta forma, que a contribuinte já se encontrava em estado de alienação mental." (grifei) Quanto ao paradigma Acórdão nº 2202000.849 este assim registra, relativamente ao conjunto probatório: "Dentre os documentos juntados constam laudos e atestados médicos, todos emitidos no ano de 2007, segundo os quais, em síntese, o requerente é portador, na atualidade (30/11/2007), de Doença CID 10. F 00 (Doença de Alzheimer), de caráter definitivo, apresentando distúrbios cognitivos, principalmente da memória e discreta desorientação temporal espacial, apresentando prejuízo para suas atividades da vida diária e já não realiza suas habilidades laborativas, necessitando também de suporte familiar como cuidados de suspensão, colocandoo num processo evolutivo de alienação mental. Ora, é cristalino, que o Laudo Médico Pericial (fls. 57) indica, que o Sr, Luiz Serrano Vereza, apresentava, em 30 de novembro de 2007, Doença CID 10. F 00 (Doença de Alzheimer), não estando, portanto, tal moléstia, relacionada no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação da Lei n° 8,541, de 1992, art. 47, de modo que esse contribuinte, por esse motivo, não faz jus ao beneficio da isenção ali prevista. Ademais, mesmo que a doença indicada no laudo estivesse ao amparo da legislação de regência, se faz necessário ressaltar que o laudo não indica que a doença já existia no ano de 2002, afirma tãosomente que a mesma existe na atualidade (30/11/2007). Assim sendo, da mesma forma não caberia razão ao recorrente. Com efeito, não há como comparar os conjuntos probatórios, cada qual com suas especificidades: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 4 no caso do acórdão recorrido há um laudo pericial oficial atestando que a doença que a Contribuinte tinha desde 2004, CID 10, G30, enquadrase no art. 6°, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, alterada pela Lei nº 11.052, de 2004, sendo que se trata de rendimentos do anocalendário de 2005; no caso do paradigma, os laudos médicos apresentados comprovam que, em 2007, o Contribuinte tinha a doença CID 10. F 00, sendo que se trata de rendimentos do ano calendário de 2002. Destarte, não há como caracterizarse a alegada divergência, se sequer os códigos das doenças são idênticos. Pelo contrário, a divergência entre os códigos, aliada à descrição dos sintomas, leva à conclusão de que os Contribuintes não se encontravam no mesmo estágio do Mal de Alzheimer, inclusive no que tange ao sintoma da alienação mental. Ademais, no caso do paradigma sequer restou provado que, no anocalendário em tela, o Contribuinte já tinha a doença, além do que o laudo diz apenas que se trata do Mal de Alzheimer, sem afirmar que tratarseia de moléstia integrante do rol das isentas, como no recorrido. Assim, as soluções diversas não decorrem basicamente de interpretação divergente da lei e sim da situação fática que se apresenta em cada caso, mais especificamente do conjunto probatório que orientou cada uma das decisões, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002827/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2005, 2006
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
São solidariamente obrigadas pela multa equivalente a 100% do valor aduaneiro as pessoas que, de qualquer forma, concorreram para a prática da infração ou dela se beneficiaram.
Recursos voluntários negados.
Numero da decisão: 3402-003.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por dar provimento parcial com base no princípio da retroatividade benigna para sujeitar a empresa ocultadora e seu sócio à multa por cessão do nome.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator
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PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas pela multa equivalente a 100% do valor aduaneiro as pessoas que, de qualquer forma, concorreram para a prática da infração ou dela se beneficiaram. Recursos voluntários negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por dar provimento parcial com base no princípio da retroatividade benigna para sujeitar a empresa ocultadora e seu sócio à multa por cessão do nome. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 28 27 /2 00 8- 89 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 03/12/2008 (fl. 03), lavrado para exigir a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro, em razão de dano ao erário e em face das mercadorias não terem sido encontradas para apreensão. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, as acusações são de interposição fraudulenta comprovada, por meio da qual as empresas ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA E TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, teriam ocultado a real adquirente das mercadorias, a empresa VALBRASIL COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, a qual fornecia os recursos financeiros para viabilizar as operações e era a destinatária dos produtos importados. Foram arrolados como responsáveis solidários, além da VALBRASIL, a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, pertencente ao mesmo grupo da ALFA e as pessoas físicas OSVALDO OLIVEIRA DE AZEVEDO, BRUNO ALVES FRANÇA, LUIZ FERNANDO PINTO e PAULO EDUARDO PINTO. As pessoas físicas OSVALDO OLIVEIRA DE AZEVEDO E BRUNO ALVES FRANÇA não impugnaram o lançamento. Apresentaram impugnações as empresas ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA, TRANSAEX ASSESSORIA LTDA e VALBRASIL COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA; bem como as pessoas físicas LUIZ FERNANDO PINTO e PAULO EDUARDO PINTO. Em sede de impugnação, todos os sujeitos passivos negaram a interposição fraudulenta e a responsabilidade solidária; negaram a existência de dolo ou simulação; e negaram a existência de dano ao erário. As empresas ALFA e TRANSAEX pleitearam alternativamente a aplicação da multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 em lugar da pena de perdimento. Por meio do Acórdão nº 18.003, de 27 de maio de 2010, a 7ª Turma da DRJ Fortaleza, julgou improcedente as impugnações e declarou revéis as pessoas físicas OSVALDO OLIVEIRA DE AZEVEDO E BRUNO ALVES FRANÇA. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/10/2005, 19/12/2006 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002827/200889 Acórdão n.º 3402003.192 S3C4T2 Fl. 3 3 PENA DE PERDIMENTO OU MULTA QUE LHE É SUBSTITUTIVA. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N° 11.488/2007. APLICAÇÃO CUMULATIVA. A imposição da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, contra a pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes, não afasta a aplicação cumulativa da pena de perdimento das mercadorias importadas irregularmente ou da multa que lhe é substitutiva. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/10/2005, 19/12/2006 LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondem pela infração quando restar comprovado que concorreram, de qualquer forma, para a prática da mesma, ou dela se beneficiaram. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. A ausência de impugnação por parte de um dos sujeitos passivos solidários acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/10/2005, 19/12/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. DESPACHANTE ADUANEIRO. INTERESSE COMUM NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. SUJEIÇÃO PROCESSUAL PASSIVA SOLIDÁRIA. 0 despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importação e exportação de quaisquer produtos, ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras (art. 10 do Decreto n° 646/1992). A Comissária de Despachos equiparase ao despachante aduaneiro, pois somente essas pessoas possuem a devida autorização, perante a Receita Federal do Brasil, para procederem a atos relativos as operações de despacho de importação/exportação. Se, tanto como pessoas físicas, quanto como pessoas jurídicas, demonstrarem interesse comum no fato gerador do imposto de importação e violarem essa proibição, respondem como responsáveis solidários, cabendo a exigência também contra eles dos tributos e multas nas operações de importação/exportação, concomitantemente com as penalidades pertinentes. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Impugnação Improcedente" Todos os envolvidos foram regulamente notificados do acórdão de primeira instância às fls. 451/469. As empresas ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e seu sócio LUIZ FERNANDO PINTO; bem como a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA e seu sócio PAULO EDUARDO PINTO foram notificados do acórdão de primeira instância em 05/07/2010 e apresentaram recursos voluntários em 03/08/2010 às fls. 471/494 e 495/517, respectivamente. Os referidos sujeitos passivos alegaram, em síntese, a inexistência de dano ao erário; a inexistência de interposição fraudulenta; e a inexistência de dolo ou simulação, pois as importações ocorreram por conta própria. O simples fato de terem ocorrido adiantamentos por parte dos clientes da ALFA não descaracteriza importação por conta própria. Desde a época do processo de habilitação do Siscomex o fisco tinha ciência de que a ALFA e a TRANSAEX ocupavam o mesmo endereço e em momento algum esse fato foi contestado. Alegaram que não existe subsunção entre a situação fática e a norma punitiva aplicada. Pleitearam alternativamente a aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 em lugar da pena de perdimento. A TRANSEX alegou que não existe coresponsabilidade tributária dela e de seu sócio, PAULO EDUARDO PINTO, em relação à multa ora lançada, pois o art. 10 do Decreto nº 646, de 09/09/1992 só alcança a pessoa física do despachante aduaneiro e não a empresa comissária de despachos. Sendo assim, é improcedente a alegação de que a TRANSAEX teria se utilizado da ALFA para burlar tal vedação, pois norma proibitiva só atinge a pessoa física do despachante aduaneiro. A atribuição de responsabilidade à TRANSAEX e a seu sócio, foi feita sem base em provas concretas e não possui sustentação jurídica. A empresa VALBRASIL COMÉRCIO E INDÚSTRIA foi notificada da decisão de primeira instância em 05/07/2010 (fl. 463) e apresentou recurso voluntário em 04/08/2010 (fls. 518/523). Preliminarmente, contestou o acórdão de primeira instância na parte em que decretou a revelia em relação aos sócios. Defendeu a exclusão de seus sócios do polo passivo da autuação, por não ter sido comprovada a prática de nenhum ato com excesso de poderes, infração de lei ou do contrato social. No mérito, alegou que não existe base legal para o fisco arrolar a VALBRASIL como responsável solidária pelo valor da multa, pois não existem provas de que a empresa usou a ALFA COMERCIAL para se desincumbir do pagamento do IPI. A responsabilidade tributária não pode ser atribuída por presunção. O único motivo que ensejou sua responsabilização foi a não localização na contabilidade da ALFA COMERCIAL dos lançamentos dos valores do frete internacional, do seguro, das despesas portuárias e com despachante aduaneiro. Alegou que o fisco não conseguiu justificar suas acusações, pois detalhou na fl. 09 do auto de infração todos os pagamentos efetuados pela empresa, o que comprova cabalmente a legalidade de sua atuação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002827/200889 Acórdão n.º 3402003.192 S3C4T2 Fl. 4 5 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. Inexistindo preliminares a serem resolvidas, passase à análise do mérito. Verificase que, ao contrário o alegado nos recursos voluntários apresentados, a fiscalização conseguiu provar a interposição fraudulenta da empresa ALFA COMERCIAL, que foi utilizada para ocultar a real importadora das mercadorias, a VALBRASIL COMÉRCIO E INDÚSTRIA. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 09/18 (numeração do processo eletrônico), a fiscalização detalhou que as importações materializadas por meio das duas declarações de importação arroladas neste processo foram registradas em nome da ALFA COMERCIAL, mas foram financiadas pela VALBRASIL COMÉRCIO E INDÚSTRIA. Em resumo, foi constatado basicamente que: a) a empresa ALFA funciona no mesmo local da TRANSAEX; b) o sócio Luiz Fernando Pinto é sócio administrador da ALFA e também administrador da TRANSAEX, cujo objeto social é a prestação de serviços aduaneiros, realizando todo trabalho relativo aos despachos aduaneiros da ALFA; c) a ALFA possuía apenas uma funcionária e todos os seus trabalhos, quando não realizados por essa funcionária, eram realizados pela TRANSAEX; d) a ALFA utiliza os mesmos recursos materiais, logísticos e de pessoal da TRANSAEX; e) a ALFA não apresentou nenhum instrumento de negociação com os exportadores no estrangeiro; f) as saídas dos produtos importados do local do desembaraço aduaneiro ocorriam diretamente para a VALBRASIL, sendo que as notas fiscais de entrada e saída na ALFA eram emitidas em número sequencial, com as mesmas quantidades, e em datas próximas; g) a ALFA não possuía capacidade financeira de operar, pois os documentos contábeis revelam que seu capital social era por demais diminuto para fazer frente às operações; e h) que a VALBRASIL efetuou aportes financeiros para o fechamento dos contratos de câmbio, pagamento de tributos incidentes na importação e pagamentos de fretes e seguros internacionais, em relação às duas DI objeto deste processo, conforme demonstrativo de fl. 10. Os fatos narrados e provados pela fiscalização convergem para a conclusão de que se tratam de operações de importação conduzidas por conta e ordem da VALBRASIL (art. 27 da Lei nº 10.637/2002), mas efetuadas em desconformidade com as prescrições dos arts. 2º a 5º da IN 225/2002 para esse tipo de operação, o que caracteriza a interposição fraudulenta. As constatações da fiscalização são mais do que suficientes para comprovar que houve a interposição fraudulenta da ALFA COMERCIAL com o fim de ocultar a VALBRASIL, o que afasta as alegações de lançamento baseado em mera presunção e de falta de descrição pormenorizada da conduta imputada a cada uma das empresas. As defesas alegaram que não existiu dano erário porque todos os tributos devidos na importação foram recolhidos. Acontece que o dano ao erário não está vinculado ao recolhimento dos tributos incidentes na importação, mas sim à caracterização da interposição fraudulenta. Em outras palavras, o art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 já diz quais são as condutas que tipificam o dano ao erário e, entre elas, está arrolada a interposição fraudulenta de terceiros. Assim, do fato de os tributos aduaneiros terem sido recolhidos na importação, não decorre logicamente a Fl. 542DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 conclusão de que não houve dano ao erário nas importações materializadas pelas DI objeto da autuação. As defesas alegaram que para a caracterização da interposição fraudulenta é necessário que exista a tipificação do crime de lavagem ou ocultação de bens, previstos na Lei nº 9.613/98 e que não houve tipicidade entre as condutas e o disposto no art. 23, V, do DL nº 1.455/76. O art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/76, assim estabelece: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como se vê, a interposição fraudulenta se caracteriza apenas pela ocultação do real importador mediante fraude ou simulação, não exigindo nenhuma vinculação com a prática de quaisquer outros crimes que lhe sejam anteriores ou posteriores. No caso dos autos, a situação fática acima evidenciada (a falta de capacidade financeira da ALFA, confusão patrimonial entre a ALFA e a TRANSAEX, bem como o financiamento das operações por parte da VALBRASIL) se almolda perfeitamente à descrição da legal da interposição fraudulenta, o que afasta a alegação de ausência de tipicidade da conduta imputada aos contribuintes. A defesa alegou também que não houve dolo e que, assim, não seria possível aplicar o art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/76. No que concerne ao dolo, ele está perfeitamente caracterizado nos autos pelos seguintes elementos: a) confusão patrimonial entre a ALFA e a TRANSAEX; b) a existência de unicidade de comando dessas duas empresas (o sócio Luiz Fernando Pinto); c) a execução dos serviços da ALFA pela TRANSAEX; d) a ausência de documentos que demonstrem a negociação por parte da ALFA com os exportadores no exterior; e) os adiantamentos de recursos por parte da VALBRASIL para a ALFA efetuar o pagamento de tributos aduaneiros e fechamentos de câmbio, quando sabidamente o adquirente de mercadorias importadas (VALBRASIL) não tem que se preocupar com detalhes inerentes ao despacho de importação, uma vez que é mero comprador de mercadoria nacionalizada; e f) a confissão da própria VALBRASIL ao alegar em sede de impugnação e de recurso que forneceu o numerário necessário ao financiamento das operações. Ao contrário do que alegaram os recorrentes, a acusação de interposição fraudulenta não está baseada em presunções e, tampouco, em irregularidades formais, mas sim em elementos de prova que, reunidos e considerados nos eu conjunto, convergem para a conclusão de que a ALFA e a TRANSAEX agiram com a intenção deliberada e dirigida para ocultarem a VALBRASIL nas duas importações objeto desta autuação. No que concerne à responsabilidade solidária da TRANSAEX e de seu sócio, não prosperam as alegações de defesa, pois a situação fática constatada e provada pela Fl. 543DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002827/200889 Acórdão n.º 3402003.192 S3C4T2 Fl. 5 7 fiscalização, revela que a TRANSAEX, com a participação de seu sócio administrador, concorreu de forma determinante para a prática da interposição fraudulenta da ALFA, restando plenamente acertada a imputação da responsabilidade com base no art. 95 do DL nº 37/66. Sendo assim, é improcedente a alegação que falta de provas e ausência de sustentação jurídica para a imputação da responsabilidade solidária. Ademais, é preciso esclarecer que a responsabilidade solidária não foi atribuída à TRANSAEX e seu sócio exclusivamente porque eles se valeram da ALFA para burlar o art. 10 do Decreto nº 646/92. Além de terem burlado esse decreto, eles também utilizaram a ALFA para ocultar o real adquirente das mercadorias em operações de importação por conta e ordem: a VALBRASIL. Sendo assim, como a acusação de burla ao art. 10 do Decreto nº 646/92 é apenas mais um elemento que converge para a conclusão no sentido do uso da ALFA para acobertar importações por conta e ordem, tornase irrelevante para o deslinde deste processo, decidir se a pessoa jurídica se equipara ou não a despachante aduaneiro, para o fim da vedação estabelecida no art. 10 do Decreto nº 646/92, bem como se esse dispositivo regulamentar viola ou não viola a Constituição Federal. Também não possuem força para elidir o quanto foi constatado pela fiscalização, o fato de ter sido informado no processo de habilitação no Siscomex que a ALFA e a TRANSAEX ocupavam o mesmo endereço e tinham um sócio em comum. No que concerne ao pleito alternativo, no sentido de aplicação da multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, tal pedido não tem a menor condição jurídica de prosperar, pois esse dispositivo legal não pode ser aplicado retroativamente às declarações de importação objeto deste processo, as quais foram registradas nos anos de 2005 e 2006. Especificamente quanto ao recurso voluntário da VALBRASIL, este colegiado não pode tomar conhecimento das alegações da pessoa jurídica direcionadas à defesa de seus sócios, pois a pessoa jurídica não tem procuração para defender seus sócios. Compulsando os autos, verificase que as pessoas físicas OSVALDO OLIVEIRA AZEVEDO e BRUNO ALVES FRANÇA, sócios administradores da VALBRASIL, não impugnaram o auto de infração para contestarem a atribuição de responsabilidade tributária. Ambos se tornaram revéis no processo e não existe nenhum reparo a fazer no acórdão de primeira instância. No mérito, a VALBRASIL alegou que não existe base legal para o fisco arrolála como responsável solidária pelo valor da multa, pois não existem provas de que tenha usado a ALFA; que a responsabilidade não pode ser atribuída por presunção; que o único motivo para sua responsabilização foram falhas na contabilidade da ALFA. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 As alegações são improcedentes, pois no processo está mais do que provado que a VALBRASIL utilizou a ALFA para efetuar importações por conta e ordem, sem o cumprimento dos requisitos exigidos para esse tipo de importação. É improcedente a alegação de que a responsabilidade solidária lhe foi atribuída apenas com base falhas na contabilidade da ALFA, pois a irregularidade que lhe foi imputada foi a de efetuar importação por conta e ordem sem estar habilitada para tanto, ocultandose atrás da ALFA. Conforme evidencia o documento de fls. 124/125, a VALBRASIL não possuía habilitação para importar na época dos fatos, muito embora tenha afirmado em seu recurso que atuou de acordo com os ditames da Lei. Tal alegação não procede porque a empresa para poder efetuar importações por conta e ordem precisava cumprir os requisitos estabelecidos na IN n° 225/2002, que trata da importação por conta e ordem de terceiros; bem como as exigências da IN 455/2004, que regulava a habilitação no Siscomex, sucedida pela IN 650/2006, que exigiam prévia habilitação da pessoa física responsável pela pessoa jurídica adquirente de mercadorias importadas por sua conta e ordem. Ademais, os documentos de fls. 47/64 comprovam os adiantamentos efetuados pela VALBRASIL e existe confissão da própria empresa nos recursos apresentados neste processo de que as operações eram efetuadas por conta e ordem, conforme o seguinte excerto de seu recurso voluntário: (...) (...) Sendo assim, a responsabilidade solidária foi corretamente atribuída com base no art. 95 do Decretolei nº 37/66, in verbis: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Quanto à inexistência de vantagens para a VALBRASIL, também não tem razão a defesa. A VALBRASIL obteve um vasto leque de vantagens; a) importou sem estar habilitada no Siscomex; b) fugiu do controle aduaneiro efetuado sobre adquirentes de mercadorias importadas; c) beneficiouse do anonimato para escapar de sanções administrativas e fiscais; d) esquivouse da responsabilidade solidária; e e) esquivouse da equiparação compulsória a contribuinte do IPI do art. 9º do RIPI/2002. Considerando que o farto conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização, quando analisado em conjunto, converge para a conclusão de que ALFA e Fl. 545DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.002827/200889 Acórdão n.º 3402003.192 S3C4T2 Fl. 6 9 TRANSAEX ocultaram a VALBRASIL nas operações objeto de fiscalização, só resta a este relator propor ao colegiado a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. Antonio Carlos Atulim Fl. 546DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905879/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.280
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior". Foi exarado despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 58 79 /2 00 9- 81 Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 10469.905879/200981 Acórdão n.º 3402003.280 S3C4T2 Fl. 3 2 O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho, alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando, na verdade, a grande maioria de suas vendas são de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação na DCTF relativa ao período. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário, no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntando notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, por meio da Resolução 3802000.049, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal reconheceu o direito creditório do contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação declarada, assim concluindo: (...)Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.260, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903727/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.260): Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 10469.905879/200981 Acórdão n.º 3402003.280 S3C4T2 Fl. 4 3 "Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório utilizado na compensação declarada. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2893DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932401/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.742
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 01 /2 00 9- 34 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.932401/200934 Acórdão n.º 3402003.742 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.932401/200934 Acórdão n.º 3402003.742 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.932401/200934 Acórdão n.º 3402003.742 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.932401/200934 Acórdão n.º 3402003.742 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721951/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO.
A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte.
Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, torna-se legal a amortização do ágio.
PROPÓSITO NEGOCIAL. VALIDADE DA OPERAÇÃO.
Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador.
Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio torna-se ainda mais justificada.
ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE.
O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial.
BAIXA DA MARCA DO ATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO NO PREÇO DE CUSTO. POSSIBILIDADE DE AGREGAÇÃO AO PREÇO DE VENDA.
Os gastos incorridos com marcas não podem ser separados dos custos relacionados ao desenvolvimento do negócio como um todo. Dessa forma, as marcas não devem ser reconhecidas como ativos intangíveis. No entanto a agregação do valor da marca à expectativa de rentabilidade futura, para compor o preço de venda, encontra possibilidade lógica e fática.
VALIDADE DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONCRETIZAÇÃO DOS RESULTADOS ESPERADOS. FLUXO DE CAIXA DESCONTADO.
Sob o respaldo do Princípio da Legalidade, constata-se que não há nenhuma necessidade de comprovação específica, através de laudo de avaliação, da rentabilidade futura que fundamente o ágio. A metodologia do fluxo de caixa descontado, desde que aplicada corretamente, utilizando premissas compatíveis com os negócios da empresa adquirida, deve ser considerada apropriada para se avaliar a expectativa de rentabilidade futura. Quanto a não concretização da expectativa projetada por ocasião do pagamento do ágio, ressalte-se a total desnecessidade da efetiva produção dos resultados esperados, dos lucros de fato. O fundamento econômico positivado na lei tributária é a expectativa de rentabilidade futura e não sua efetiva verificação.
Numero da decisão: 1201-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários, vencido o Conselheiro José Carlos, que lhes dava parcial provimento, para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade solidária.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 11/11/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, torna-se legal a amortização do ágio. PROPÓSITO NEGOCIAL. VALIDADE DA OPERAÇÃO. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio torna-se ainda mais justificada. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. BAIXA DA MARCA DO ATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO NO PREÇO DE CUSTO. POSSIBILIDADE DE AGREGAÇÃO AO PREÇO DE VENDA. Os gastos incorridos com marcas não podem ser separados dos custos relacionados ao desenvolvimento do negócio como um todo. Dessa forma, as marcas não devem ser reconhecidas como ativos intangíveis. No entanto a agregação do valor da marca à expectativa de rentabilidade futura, para compor o preço de venda, encontra possibilidade lógica e fática. VALIDADE DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONCRETIZAÇÃO DOS RESULTADOS ESPERADOS. FLUXO DE CAIXA DESCONTADO. Sob o respaldo do Princípio da Legalidade, constata-se que não há nenhuma necessidade de comprovação específica, através de laudo de avaliação, da rentabilidade futura que fundamente o ágio. A metodologia do fluxo de caixa descontado, desde que aplicada corretamente, utilizando premissas compatíveis com os negócios da empresa adquirida, deve ser considerada apropriada para se avaliar a expectativa de rentabilidade futura. Quanto a não concretização da expectativa projetada por ocasião do pagamento do ágio, ressalte-se a total desnecessidade da efetiva produção dos resultados esperados, dos lucros de fato. O fundamento econômico positivado na lei tributária é a expectativa de rentabilidade futura e não sua efetiva verificação.
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DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, tornase legal a amortização do ágio. PROPÓSITO NEGOCIAL. VALIDADE DA OPERAÇÃO. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 19 51 /2 01 2- 74 Fl. 4389DF CARF MF 2 BAIXA DA MARCA DO ATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO NO PREÇO DE CUSTO. POSSIBILIDADE DE AGREGAÇÃO AO PREÇO DE VENDA. Os gastos incorridos com marcas não podem ser separados dos custos relacionados ao desenvolvimento do negócio como um todo. Dessa forma, as marcas não devem ser reconhecidas como ativos intangíveis. No entanto a agregação do valor da marca à expectativa de rentabilidade futura, para compor o preço de venda, encontra possibilidade lógica e fática. VALIDADE DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONCRETIZAÇÃO DOS RESULTADOS ESPERADOS. FLUXO DE CAIXA DESCONTADO. Sob o respaldo do Princípio da Legalidade, constatase que não há nenhuma necessidade de comprovação específica, através de laudo de avaliação, da rentabilidade futura que fundamente o ágio. A metodologia do fluxo de caixa descontado, desde que aplicada corretamente, utilizando premissas compatíveis com os negócios da empresa adquirida, deve ser considerada apropriada para se avaliar a expectativa de rentabilidade futura. Quanto a não concretização da expectativa projetada por ocasião do pagamento do ágio, ressaltese a total desnecessidade da efetiva produção dos resultados esperados, dos lucros de fato. O fundamento econômico positivado na lei tributária é a expectativa de rentabilidade futura e não sua efetiva verificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários, vencido o Conselheiro José Carlos, que lhes dava parcial provimento, para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 11/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório Fl. 4390DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 3 3 Tratase de autuação formalizada pelo lançamento que apurou falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL e formalizou a exigência de crédito tributário. O valor das infrações atribuídas ao sujeito passivo encontrase à fls. 3212 dos autos. Segundo a fiscalização, ocorreu infração à legislação do IRPJ e da CSLL, consistindo na dedução indevida de despesa de amortização de ágio gerado pela simulação de incorporação de empresa controladora por empresa controlada, operação denominada incorporação reversa. Conforme o agente fiscal, as empresas envolvidas na operação foram: i) Luiz Calvo Sanz S/A, compradora de fato; ii) Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda, constituída em 14/09/2004, e com duração de menos de três meses – registrando em sua contabilidade apenas sua constituição, as operações em tela e sua dissolução; iii) GDC Alimentos S/A, empresa adquirida; iv) Empresas com participação societária mínima na empresa adquirida, sediadas em paraísos fiscais ou em dependências que possuem regime fiscal privilegiado, relacionadas na fls. 3040 dos autos. De uma situação inicial, qual seja, a GDC Alimentos S/A, controlada pela GDC Holdings LCC, com participação residual de outras empresas, foram realizados os seguintes atos: 1. Alienação de Participação Societária e Formação do Ágio Compra, com ágio de R$ 95.380.833,17, em 25/10/2004, da GDC Alimentos S/A pela Luiz Calvo Sanz S/A, reputada como compradora de fato pela fiscalização, com a intermediação da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda, considerada “empresa veículo”. 2. Transmissão do Ágio A transmissão do ágio se deu a partir da incorporação da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda pela GDC Alimentos S/A. 3. Conclusões da AuditoriaFiscal Da análise dos fatos e documentos, concluiu a Auditoria que houve desconformidade entre o ato desejado e o praticado. O que teria ocorrido é a aquisição da GDC Alimentos S/A diretamente pela empresa Luiz Calvo Sanz S/A (sediada na Espanha), embora tenham sido realizadas Fl. 4391DF CARF MF 4 várias operações intermediárias sem propósito negocial autônomo, que não o de criar o ágio que viria ser amortizado. As evidências que denotam ser este o ânimo inicial dos atos negociais foram as seguintes: i) Presença da adquirente de fato em todos os atos que compuseram a operação, retirando da subsidiária Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda o papel de representála; ii) Antes da adquirente de fato ser acionista formal da GDC Alimentos S/A, já assinava, como titular direta, documentos relativos à empresa a ser adquirida; iii) A subsidiária Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda assinava conjuntamente com a adquirente de fato apenas os documentos relativos à parte do negócio que envolveria a transmissão do ágio, enquanto os demais documentos eram assinados exclusivamente pela adquirente de fato; iv) Declaração explícita da efemeridade da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda; v) Inexistência de autonomia da subsidiária Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda, visto que os atos relevantes foram realizados pela vontade exclusiva da adquirente de fato, na jurisdição ou território nacional a que estava submetida; vi) Existência de confusão patrimonial, em razão de contrato de penhor, que manda indenizar à Luiz Calvo Sanz S/A os prejuízos causados à Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda e à sua sucessora (a incorporadora GDC Alimentos S/A); vii) A Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda teve uma vida de apenas 70 dias, estando sua atividade limitada, por disposições contratuais, a realizar os atos desejados pela adquirente de fato; viii) Esta mesma empresa, segundo parecer técnico da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, era uma sociedade de propósito específico sem atividades operacionais; ix) O Protocolo e Justificação da incorporação da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda pela GDC Alimentos S/A apresenta como motivo a redução de custos e aumento de eficiência da organização societária recém estruturada, mostrando que sua constituição não atendera a fundamentos econômicos; x) No mesmo sentido afirmou parecer técnico da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, que visava dar subsídios ao julgamento pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE da adequação da concentração entre Luiz Calvo Sanz S/A (a controladora espanhola) e GDC Alimentos S/A. Definiu, então, a fiscalização, que a aquisição foi precedida de uma injustificável retificação de atos societários, reconhecendo a devolução de marca tradicional conhecida nacionalmente e que continuava constando de seus produtos, com redução do valor contábil do patrimônio líquido e ativo imobilizado, que objetivou aumentar o valor do ágio a ser amortizado pela adquirente. Fl. 4392DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 4 5 4. Multa Qualificada Concluiu a AuditoriaFiscal pela aplicação da multa qualificada no percentual de 150% pela constatação de que as infrações foram cometidas com base em artifícios fraudulentos que envolviam o uso abusivo de personalidade jurídica com o fim exclusivo de operar reduções e supressões de tributos. 5. Sujeição Passiva Solidária Pelo exame da questão, a AuditoriaFiscal concluiu haver responsabilidade na consecução dos ilícitos praticados pelas pessoas que envidaram esforços para a redução ilícita do IRPJ e da CSLL devidos. Os papéis desempenhados por essas pessoas e os respectivos elementos de prova foram detalhados à f. 3098 e seguintes dos autos, sendo indicado o fundamento legal para a sua responsabilização solidária, por infração à lei: Art. 135, II e III do CTN, art. 50 da Lei nº 10.406/02, e suas condutas foram assim descritas em fls. 3100 e seguintes dos autos. Impugnações Foram apresentadas as seguintes impugnações: i) De GDC Alimentos S/A, f. 3339, em 06/11/2012; ii) De Hermano de Villemor Amaral (Neto), f. 3672, em 16/11/2012; iii) De Áurea d’Àvila Mello Cotrim, f. 3698, em 16/11/2012; iv) De José Eduardo Simão, f. 3724, em 06/11/2012; v) De Ismar Machado Assaly, f. 3747, em 06/11/2012; vi) De Moacir Zilbovicius, f. 3771, em 06/11/2012. Impugnação da GDC Alimentos S.A. Os argumentos apresentados nesta defesa são aproveitados na fundamentação das impugnações trazidas pelos responsáveis tributários, no que concerne especificamente a indevida glosa das despesas de amortização do ágio. O impugnante, ora recorrente, divide a matéria enfrentada em alguns tópicos, dentre os quais, os principais, serão delineados a seguir: Fl. 4393DF CARF MF 6 Da Efetiva Operação Realizada – Aquisição GDC Alimentos por Terceiros Independentes Mediante Pagamento em Dinheiro Neste capítulo, a impugnante oferece análise detalhada dos atos que compuseram a operação, visando demonstrar a legalidade: i) Da constituição da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda; ii) Da compra da GDC Alimentos Ltda pela empresa do item precedente, com ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura; iii) Inclusão da Luiz Calvo Sanz S/A, como credora em Contrato com Garantia de Penhor; iv) Incorporação da sociedade do item (i) pela sociedade do item (ii), que assim pode passar a amortizar o ágio. Decadência/Preclusão do Direito de Questionar os Fatos que Deram Origem ao Ágio A impugnante argumenta pela impossibilidade do Fisco questionar o ágio formado em operação ocorrida em 25/10/2004, nos termo do art. 150, § 4°, quer do art. 173, inc. I do CTN, citando Professores Humberto Ávila e Eurico Marcos Santos Diniz, jurisprudência administrativa e notando que poderia haver autuação fiscal sem exigência de tributo. Demonstração da Validade e do Propósito Negocial da Operação de Aquisição da Impugnante Neste tópico, é apresentado o propósito negocial da operação, tomandose emprestada metáfora de Marco Aurélio Greco (no sentido de que se deve analisar o conjunto dos fatos, que melhor reflete os acontecimentos, em lugar de cada um isoladamente). Seriam esses os atos, resumidamente: i) Constituição de uma empresa subsidiária com aporte de capital; ii) Compra de empresa operacional com ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura; iii) Incorporação da subsidiária pela empresa operacional. A legitimidade desses atos é sustentada com as seguintes linhas de raciocínio: 1. Possibilidade de Amortização do Ágio Pago por Não Residentes – Falsa Premissa do Sr. Agente Fiscal Fl. 4394DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 5 7 A impugnante cita jurisprudência administrativa com base fática análoga, qual seja, aquisição de empresas, mediante subsidiárias em território nacional, por empresas sediadas no exterior, e consequente aproveitamento de ágio. Aponta requisitos legais e contábeis e afirma inexistirem restrições na legislação tributária e defende a correção do procedimento. 2. Suposta Aquisição Direta pela Sociedade Espanhola Alegações que não Correspondem à Verdade dos Fatos Admitindo para fins argumentativos a suposta afirmação fiscal, procura demonstrar a improcedência dos cinco supostos motivos que a embasariam: presença efetiva da Luiz Calvo Sanz S/A em todas os atos da operação, argumentando que é prática negocial corriqueira da qual nada de pode concluir no sentido almejado pela autoridade fiscal; ocupação antecipada, pela Luiz Calvo Sanz S/A , da posição de titular da aquisição, revelando a ausência da empresa como compradora, nos documentos mencionados; declaração explícita da transitoriedade/efemeridade da subsidiária, perfazendo coerência com os propósitos negociais da subsidiária, sob todos os pontos de vista jurídicos, não se podendo extrair daí ilícito tributário; falta de autonomia da subsidiária e o consequente não cabimento do argumento fiscal, quanto ao local de assinatura de contrato, para caracterizála; confusão patrimonial revelada em contrato de penhor e o cabimento da forma adotada, visto que qualquer prejuízo na operação atingiria a controladora da subsidiária em território nacional. 3. Demonstração do Propósito Negocial para a Constituição da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda Para fins de demonstração do propósito, a impugnante combate as afirmações da autoridade fiscal: objetivo da subsidiária em realizar um único negócio, qual seja, as pessoas jurídicas constituídas no Brasil tendo por objeto a participação em outras sociedades e restringindose a um negócio determinado; inexistência de propósito negocial, pois teria sido constituída apenas para fins de redução de tributos, descrevendo a operação ao afirmar que a possibilidade de aproveitamento do ágio era conhecida e que todos os requisitos para isso foram cumpridos; a vida efêmera da subsidiária decorre do propósito negocial da operação e o aproveitamento do ágio se efetivaria da mesma forma se a incorporação houvesse sido direta. Da Correta Baixa da Marca do Ativo da Impugnante Antes da Aquisição Aponta os requisitos para que a marca possa constar do ativo, afirmando que a marca “Gomes da Costa” não só cumpria, e que sua contabilização estava em desacordo com os princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, teria havido equívoco no registro contábil, cuja regularização teve também efeito no BACEN. Fl. 4395DF CARF MF 8 Validade do Laudo de Avaliação que Demonstra a Expectativa de Rentabilidade Futura – Desnecessidade de Realização de Resultados Futuros Assevera que o laudo foi elaborado por empresa especializada, que a empresa operacional é conhecida nacionalmente, e é líder na produção de seu segmento, de molde a ser cabível a expectativa. A não realização das previsões se deveu a investimentos e a fatores imponderáveis, não sendo obrigatória como condição para fins fiscais, citando jurisprudência administrativa. Além disso, as considerações fiscais não expurgaram a própria realização do ágio. Da Inexistência de Simulação – Operação Efetivamente Realizada A impugnante reafirma a inexistência de simulação, que os atos praticados o foram em consonância com a vontade das partes e congruentes com a legislação. Investiga o instituto, procurando demonstrar não ser aplicável aos fatos, lembrando que a simulação não se presume e não se prova por meio de indícios. Da Inexistência de Sonegação, Fraude ou Conluio – Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada No mesmo diapasão, com farta citação doutrinária e jurisprudencial, sustenta a inexistência de dolo, sonegação, fraude ou conluio, de forma que não cabe a multa agravada. Da Decadência do Direito de Glosar o Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa Referente aos AnosBase de 2005 e 2006 Haja vista a lavratura da peça fiscal em 08/10/2012, entende que não poderiam ser atingidos os anosbase 2005 e 2006, por decorrido o prazo decadencial, para lançamento de ofício, previsto no CTN, que poderia ser realizado mesmo sem exigência de tributo, ou seja, para redução de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL. Da inaplicabilidade da Multa Isolada em Razão do Encerramento do Anobase Quando da Lavratura dos Autos de Infração Analisando a evolução legislativa e citando Marco Aurélio Greco e jurisprudência administrativa, afirma que a multa isolada somente pode ser exigida antes do término do período base, quando já se conhece o montante do tributo devido ou do prejuízo apurado. Fl. 4396DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 6 9 Da Duplicidade de Cobrança Impossibilidade de Cumulação da Multa Isolada a Multa de Ofício Defende a impossibilidade de cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício incidente sobre os mesmos valores (mesma materialidade), citando Professor Tercio Sampaio Ferra Junior e jurisprudência administrativa. Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Aponta a inexistência de previsão legal para cobrança de juros sobre a multa, entendendo que é aplicável apenas sobre o principal, conforme dispositivos e jurisprudência administrativa que cita. Do Pedido A impugnante apresenta os seguintes pedidos: i) O recebimento, o conhecimento e o provimento da Impugnação ii) desconstituição dos créditos tributários exigidos; iii) cancelamento integral dos autos de infração; iv) restabelecimento dos saldos de prejuízo fiscal e base negativas acumulados Pelo princípio da eventualidade: i) reconhecimento da decadência para a glosa de prejuízo fiscal e base negativa; ii) redução da multa agravada, considerandose que não existiu sonegação, fraude ou simulação; iii) cancelamento da multa isolada quer pelo encerramento do período, quer pela duplicidade da cobrança. Impugnações dos Responsáveis Tributários Os sujeitos passivos solidários, após qualificaremse e resumirem a autuação, apresentaram suas impugnações em idênticos termos: Reiteração da Impugnação da GDC Alimentos S.A. Fl. 4397DF CARF MF 10 Os impugnantes ratificam e reiteram os argumentos da impugnante GDC Alimentos S/A com referência à autuação relativa ao IRPJ e CSLL. Sujeição Passiva A auditoria caracterizou a sujeição passiva dos impugnantes em razão dos mesmos serem administradores da autuada, à época dos fatos, que subsumirseiam ao disposto no art. 135, inciso III do CTN. Especificamente quanto à Moacir Zilbovicius, a auditoria caracterizou a sua sujeição passiva em razão do mesmo ter assinado alguns documentos como representante das empresas GDC Holdings LCC, Ampex, Dislupa e Valle Miranda. Tal fato, no entanto, subsumirseia ao mesmo art. 135, inc III do CTN. Disso discordam os impugnantes, com os seguintes argumentos: Ausência de Responsabilidade na Presente Etapa Processual Entendese que a responsabilização é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, pendente de constituição definitiva do crédito tributário, juntando jurisprudência que considera aplicável ao caso. Acrescentase que o dolo, do qual depende a dita responsabilização, somente estará comprovado quando definitivo o crédito tributário Não Ocorrência de Atos Praticados com Excesso de Poderes ou Infração de Lei, Contrato Social e Estatutos Arguise que a autoridade fiscal não comprovou quais teriam sido os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, limitandose a afirmar que os responsáveis participaram dos processos decisórios relativos às operações que teriam culminado na suposta redução indevida de tributos. Em síntese, alegase que não foi comprovada o excesso de poder, infração ao estatuto ou à lei, sendo que a esta última não pode ser decorrente de suposta falta de pagamento do tributo, consoante doutrina e jurisprudência que transcreve. Dos Pedidos Por fim, requerem: “(...) Diante do exposto, reiterandose os argumentos expostos na peça impugnatória pela GDC Alimentos S/A, e demonstrado não ser possível a imputação da responsabilidade solidária ao Impugnante, requerse a esta E. Turma de Julgamento o Fl. 4398DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 7 11 conhecimento e o provimento da presente Impugnação, com o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, com o que se estará fazendo JUSTIÇA!(...)” Da decisão de 1° instância Através do acórdão nº 0432.243, a 4ª Turma da DRJ/CGE julgou improcedentes as Impugnações apresentadas, conforme os fundamentos abaixo. Glosa de Despesa com Amortização do Ágio O valor do investimento foi de R$ 112.091.396,00, dos quais R$ 95.380.833,17, isto é, 85% se refeririam a ágio. O fundamento para o pagamento de tal valor se encontraria no laudo de avaliação econômicofinanceira, f. 1664 e seguintes dos autos. Contudo, entendeuse que esse laudo não fundamentou o valor na expectativa de rentabilidade futura, mas no fluxo de caixa. Abstraindose momentaneamente de tal impropriedade, verificouse à fls. 1670 que apenas 36% desse fluxo de caixa é oriundo do horizonte de 5 anos a partir de 2004 – período explícito de maior previsibilidade , vindo a maior parte (quase 2/3) da perpetuidade. Concluiuse, assim, que o valor justificável do investimento deveria ser pouco mais de 1/3 do valor apontado acima, cerca de R$ 40.000.000,00, que resultaria em um ágio de cerca de R$ 23.000.000,00. Considerandose que houve questionável baixa de ativos da GDC Alimentos S/A, no valor aproximado de R$ 18.000.000,00, reputouse que não seria desmotivado dizer que eventualmente um ágio de R$ 5.000.000,00 seria mais realista, considerando todas as circunstâncias envolvidas. O fluxo de caixa estimado depende de investimentos, a serem feitos pela adquirente, de R$ 7.000.000,00 (f. 1669), gastos com propaganda de até R$ 16.000.000,00, aumento de capital de giro de R$ 40.000.000,00, quitação de dívidas de R$ 45.000.000,00, (f. 1670), investimentos adicionais de R$ 12.000.000,00 em 2005 e anuais de R$ 4.000.000,00. Além disso, há dependência de transferência de tecnologia (f. 1669) e fornecimento de matéria prima pela compradora (f. 1668). Entendeuse que todos esses fatores, se devidamente considerados, implicariam considerável redução do valor do fluxo de caixa. Como demonstrou a autoridade fiscal, mediante exame dos documentos enumerados à fls. 3060 dos autos e seguintes, o negócio desejado foi buscado como finalidade desde antes do início da operação, constando em trechos dos instrumentos contratuais que tão logo fosse efetuada a compra da participação societária na GDC Alimentos S/A, esta Fl. 4399DF CARF MF 12 companhia deveria incorporar a sua controladora transitória para tornarse controlada direta da Luiz Calvo Sanz S/A. Percebeuse que a empresa Luiz Calvo Sanz S/A assinou todos os contratos relativos às etapas das operações, denunciando seu papel ativo como compradora, embora diga a defesa que se trata de prática empresarial corriqueira. Ao contrário, entendeuse que tal atitude revelou a completa falta de autonomia da subsidiária, salientada ainda pela confusão patrimonial revelada pela existência de contrato de penhor mediante o qual prejuízo sofrido pela subsidiária seria indenizado à controladora. Embora diga a defesa que tratase de medida coerente e lógica, posto que prejuízo na subsidiária refletirseia na controladora, tal prática vai contra o princípio da entidade. De tudo isso defluiuse que a subsidiária Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda é destituída de propósito negocial, interposta na negociação com o fim único e exclusivo de, por artifício meramente escritural, transmitir o ágio, em tese pago na aquisição de participação societária, e que seria amortizado para fins fiscais. Neste sentido, analisando o relato fiscal, verificouse que o agente tem pleno conhecimento que documentalmente a aquisição da GDC Alimentos Ltda, em 25/10/2004 (f. 3043), se deu pela Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda, mas que esta é uma “empresa veículo” constituída apenas para formar e transmitir o ágio a ser aproveitado tributariamente em momento futuro. Não vislumbrouse ilícito ou, ao contrário, imposição legal dessa prática, mas, da mesma forma que a autoridade autuante percebeu, este é mais um indício, que compõe o conjunto veemente e coerente com a consecução do objetivo almejado, da verdadeira natureza e finalidade da reorganização em tese empreendida. Da mesma forma, entendeuse que as disposições do Acordo de Acionistas, em seu aspecto formal, nada trariam de ilícito. Porém, o que ali é delineado nada mais é que cândida assunção de toda a operação, sem explicitar seu objetivo tributário. Quanto à incorporação reversa, decidiuse que somente possui razoabilidade lógica e fundamentada justamente pela ausência de razoabilidade para constituição da subsidiária que intermediou o negócio, à toda evidência, com a única finalidade tributária de formar o ágio. De tudo quanto foi exposto, emergiu a conclusão de que a forma jurídica adotada teve como propósito gerar um expressivo valor de ágio na contabilidade da investidora, o qual, após a incorporação desta pela controlada, seria transferido para a contabilidade da incorporadora (a Impugnante), podendo daí para frente ser amortizado, com redução do lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Nesse contexto, entendeuse pouco importar se de dois meses ou de dois anos o tempo decorrido entre a constituição da empresa e sua incorporação. O curto intervalo entre os dois momentos evidencia a intenção do contribuinte. O tempo mais elástico, entretanto, não é prova de que aquele propósito não existisse. Fl. 4400DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 8 13 Decadência O direito de examinar a existência e regularidade do ágio nasce, para o Fisco, no momento em que seu registro contábil reduz o valor do tributo. Por essas razões, rejeitouse a alegação de decadência. Demonstração da Validade e do Propósito Negocial da Operação de Aquisição da Impugnante Destacouse o fato da impugnante descrever em linha gerais os atos negociais realizados, empregando criativa metáfora emprestada de Marco Aurélio Greco, que salienta a importância de analisar o conjunto de etapas de uma situação complexa, em lugar de cada quadro isolado. Porém, ao apresentar os fatos, analisaos quadro a quadro, mostrando entender a licitude de cada um, para em seguida mostrar o equívoco da Autoridade Fiscal. São esses os quadros: Possibilidade de Amortização do Ágio Pago por Não Residentes – Falsa Premissa do Sr. Agente Fiscal A impugnante afirma que é uma premissa equivocada, citando casos em que o ágio registrado na subsidiária brasileira poderia ser amortizado. Porém, nos casos citados, a amortização se dá na empresa situada em território nacional, e não na empresa situada no exterior, como corretamente afirmou a Autoridade Fiscal. Assim, segundo a DRJ, nada há a reparar na autuação, com relação a esse ponto. Suposta Aquisição Direta pela Sociedade Espanhola – Alegações que Não Correspondem à Verdade dos Fatos Firmouse que não fora fundamentada a autuação na aquisição direta ou indireta, mas na formação do ágio durante o proceder, que não teve outra fundamentação que não esta e, por isso, foi descaracterizada. A autoridade fiscal demonstrou conhecer que, documentalmente, não houve a aquisição direta. Mas concluiu, que, salvo pelos atos cuja única motivação foi gerar o ágio que se pretendia amortizar, esse era o objetivo colimado e, aliás, confessado, ainda que sob reserva de que todas as etapas intermediárias foram legalmente desenvolvidas. Demonstração do Propósito Negocial para a Constituição da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda Fl. 4401DF CARF MF 14 Os atos constituintes da operação, conjuntamente considerados, permitiram a conclusão de que inexistiu propósito outro que não a economia tributária, sendo irrelevante para descaracterizála a existência de pagamentos em dinheiro ou a tributação de eventual ganho de capital sofrido por partes intervenientes. Da Correta Baixa da Marca do Ativo da Impugnante Antes da Aquisição Percebeuse que, para o contribuinte, as marcas têm caráter dúplice, conforme o conveniente. Em um momento, servem para integralizar capital e valorizar a empresa. Anos depois, sua contabilização é equivocada e serve para aumentar o ágio, já que desprovidas de valor. Reputouse que este caráter dúplice não pode ser aceito, mais ainda pela ausência de elementos intangíveis para comproválos, resumindose sua justificativa, na época, de que constou erroneamente na ata levada a registro na JUCERJ. Assim, independentemente de qualquer outra consideração acerca da validade ou não da operação, assim entendida como todos os atos que levaram à formação do ágio em epígrafe, entendeuse que este foi indevidamente majorado em R$ 18.080.000,00. Validade do Laudo de Avaliação que Demonstra a Expectativa de Rentabilidade Futura – Desnecessidade de Realização dos Resultados Previstos A amortização fiscal do ágio deve ser justificado com base na expectativa de rentabilidade, e não na expectativa de geração de fluxo financeiro. As poucas e tênues ligações que o laudo faz entre o fluxo financeiro e a rentabilidade é a presunção de que preços, custos e despesas crescerão no mesmo índice da inflação, que a margem bruta crescerá e que as vendas crescerão. Concluiuse, então, que o laudo de avaliação econômico financeira não atende aos requisitos da legislação tributária para fundamentar a amortização de ágio pretendida, pois não está direcionado à previsão de rentabilidade, não devendo causar espécie que não tenha sido constatada rentabilidade durante o período da indevida amortização. Da Inexistência de Sonegação, Fraude ou Conluio – Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada Por todo o exposto, constatouse que a conduta do contribuinte pautouse pela simulação (art. 167, do Novo Código Civil) de uma situação que visou reduzir as exações fiscais devidas, com interposição de pessoa jurídica criada exclusivamente para o fim de reduzir tributos, o que configurase como o abuso de personalidade jurídica (art. 50, do Novo Código Civil). A prática perpetrada é também fraude, segundo disposição do art. 72, da Lei 4.502/64, e deve ser mantida a aplicação da multa agravada de 150%, por ser motivo para tanto, ao teor do art. 44 da Lei 9.430/96. Fl. 4402DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 9 15 Da Decadência do Direito de Glosar o Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa Referente aos AnosBase de 2005 e 2006 Entendeu a autoridade fiscal, que tal valor, por se tratar de uma expectativa de direito – seria compensado em data futura, quando apurados resultados positivos portanto, sujeito a exame de sua idoneidade fiscal quando esses resultados fossem apurados, e não quando de sua constituição. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada em Razão do Encerramento do AnoBase quando da Lavratura dos Autos de Infração Se a multa pode ser aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, fica patente a possibilidade de que isso ocorra mesmo após o encerramento do anocalendário, pois, só depois disso é que pode ser apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Dessa forma e no caso, decidiuse que a multa isolada deve ser calculada tendo como base de cálculo o valor de cada uma das estimativas mensais que deixaram de ser pagas pelo contribuinte. Da Duplicidade de Cobrança – Impossibilidade de Cumulação da Multa Isolada com a Multa de Ofício Não se pode afirmar que as duas sanções incidam sobre a mesma base, já que não se confunde a estimativa com o tributo apurado ao final do período anual. Portanto, as multas podem ser cumuladas, estando correto o lançamento neste ponto, que deve ser mantido. Da Inexistência de Previsão Legal para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com Amortização de Ágio A controvérsia não gira em torno de saber se existe ou não lei impedindo a amortização do ágio, mas a própria existência do ágio, e se a aquisição societária portava um fim negocial lícito ou, ao revés, consistiu em simulação destinada a reduzir IRPJ e CSLL. Nesse sentido, considerando a descaracterização do ágio, entendeuse que a respectiva amortização não pode prevalecer nem para o IRPJ, nem para a CSLL. Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa No caso em tela, não consta do auto de infração a incidência de juros sobre a multa. Dessa forma, decidiuse no sentido de que se o ato contra o qual a impugnante investe Fl. 4403DF CARF MF 16 não se consumou, sendo mera possibilidade, a manifestação por parte do órgão de julgamento, além de desnecessária, é incabível. Aplicabilidade à CSLL Ao que não foi objeto de abordagem específica relativamente à CSLL, aplicouse o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de impugnação. Da Responsabilidade por Solidariedade Com relação ao Sr. Hermano Villemor Amaral, constatouse, dentre outros fatos, que foi procurador da Luiz Calvo Sanz S/A, responsável pela administração da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda e membro do Conselho de Administração da GDC Alimentos S/A. A Sra. Áurea d´Ávila Mello Cardoso, dentre outros fatos, foi procuradora da Luiz Calvo Sanz S/A, responsável pela administração da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda. Além desses papéis, entendeuse que foram mentores de toda a operação, sendo sócios principais da firma Vilemor Amaral Advogados, com atuação na área de planejamento tributário. Os Srs. José Eduardo Simão e Ismar Machado Assaly possuíram e administraram de forma direta ou indireta a GDC Alimentos S/A, desde 19/12/1997, quando adquiriram participação societária na empresa. Assim atestouse, pela posição que ocuparam na administração da empresa, e pela presença constante em todos os contratos por meio dos quais se efetivou a operação, o reconhecimento de sua solidariedade passiva. Destarte, reputadas corretas as ponderações da Auditoria, das quais resultaram declarar a sujeição passiva solidária dos Srs. Hermano de Villemor Amaral (neto), Áurea d´Ávila Mello Cotrim, José Eduardo Simão, Ismar Machado Assaly e Moacir Zilbovicius. No mérito comprovouse a existência de atos, perpetrados pelas pessoas indicadas, que leva à sua responsabilização solidária por infração à lei – Art. 135, II e III do CTN, art. 50 da Lei nº 10.406/02. Conclusão Com esses fundamentos, votouse no sentido de conhecer as impugnações, ressalvada a questão dos juros sobre multa, e, no mérito, negarlhes provimento. Recurso Voluntário Fl. 4404DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 10 17 O recorrente relata os principais pontos do v. acórdão recorrido (destacados em momento imediatamente precedente deste voto), no mesmo passo em que repisa, em idênticos termos, a tese e os argumentos sustentados em sede de impugnação. Da mesma, forma, os recursos voluntários apresentados pelos responsáveis se mantiveram em idêntico teor. A única exceção é o conteúdo do Recurso Voluntário apresentado pela pessoa física Hermano de Villemor Amaral. O responsável traz à baila linha de raciocínio distinta da delineada em impugnação e, inclusive, dos outros recursos voluntários apresentados pelos supostos responsáveis tributários (que, digase de passagem, são muito semelhantes entre si), qual seja: “(...) Não há qualquer previsão em lei complementar da responsabilidade de acionistas de sociedades anônimas. O CTN prevê uma hipótese de responsabilidade de “sócios”, pela liquidação irregular de sociedades de pessoas, dos acionistas de sociedades de capital, não.(...)” “(...) O mandatário do acionista não pode responder por atuar como tal, quando o ato praticado não implicaria responsabilidade nem do mandante. Devese considerar também que os sócios da “Luiz Calvo Sanchez do Brasil Participações Ltda.” deixaram de sêlo com a sua incorporação e posterior extinção, de modo que o Recorrente deixou de ser mandatário de sócios da empresa supracitada. Caso o fato de o Recorrente ser mandatário dos sócios estrangeiros da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda. pudesse, em tese, atribuirlhes responsabilidade por obrigação tributária supostamente não cumprida por GDC Alimentos S.A., o fato de haver esse pretenso descumprimento ocorrido após a incorporação da primeira pela segunda dessas sociedades eliminaria a configuração dessa hipótese, de vez que, quando o descumprimento pretensamente ocorreu, não mais havia nem a Luiz Calvo Sanchez do Brasil Participações Ltda., nem, portanto, seus sócios, nem por conseguinte, o mandatário de seus sócios.(...)” “(...) O mesmo raciocínio se empregaria para afastar a responsabilização do recorrente porque administrador da “Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda.(...)”. “(...) Demonstrado que, como membro do Conselho de Administração da “GDC Alimentos S.A.”, apenas, o recorrente não pode ser, conceitualmente, responsabilizado com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN (...)” Repisa e reafirma a questão da decadência trazida nos autos do Recurso Voluntário da GDC Alimentos S.A. Fl. 4405DF CARF MF 18 É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Preliminar Decadência A Recorrente alega decadência, vez que decorrido mais de cinco anos entre os fatos que deram origem ao ágio e o lançamento. Contudo, não tenho a mesma opinião. Isso porque, a decadência prevista no CTN está se insere na hipótese de exigência de um crédito tributário. Desta sorte, só há que se falar em decadência nas situações em que exista crédito sujeito a lançamento. No caso em tela, o prazo decadencial começa fluir a partir do instante em que o registro do ágio se reflete na apuração do tributo devido, o que só vem a ocorrer quando o ágio passa a ser amortizado. Antes desse momento, o que se tem é o simples registro na contabilidade do ágio, o que não traz qualquer efeito para fins de IRPJ e CSLL. do Fisco. O que legitima a autuação do Fisco, e em especial o lançamento tributário, são os efeitos que o registro contábil produz sobre o montante do tributo apurado. Tal circunstância, no que concerne ao ágio, só se faz presente quando o contribuinte passa a amortizar aquele valor, reduzindo conseqüentemente o lucro líquido. Dessa forma, enquanto não gerado o efeito de redução do tributo, não existe inércia, que é o pressuposto fático da decadência. Portanto, o direito de examinar a existência e regularidade do ágio nasce, para o Fisco, no momento em que reduzido o valor do tributo por consequência da amortização. Desta sorte, afasto a preliminar de decadência. Mérito Fl. 4406DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 11 19 Amortização Fiscal do Ágio O princípio da estrita legalidade conduz o contribuinte para a possibilidade de amortização fiscal do ágio (sobrepreço) pago em investimento que lastreia a aquisição de participação societária de coligada ou controlada, baseado em expectativa de rentabilidade futura, através da reunião patrimonial entre investidora e investida, com a incorporação, fusão ou cisão. Tal assertiva representa a dicção legal do art. 7º da Lei nº 9532/97: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea a do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea c do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea b do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 4407DF CARF MF 20 § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea b do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito.” Desta forma, resta inequívoco que, sob uma interpretação exclusivamente respaldada pelo princípio da verdade formal, para a dedução das despesas de amortização do ágio e a conseqüente redução da base de cálculo do IRPJ/CSLL, suficiente a confusão patrimonial entre investida e investidora, capaz de efetivar a aplicação do princípio contábil do emparelhamento de receitas e despesas. Reúnese, em uma mesma entidade, o acervo patrimonial cuja rentabilidade futura justificou o ágio, do qual insurgirão eventualmente as receitas esperadas, com o acervo patrimonial em que estão registrados os sacrifícios do investimento realizado, ou seja, as despesas de amortização do ágio. Quanto ao caso concreto, então, essencial a constatação, dentre todas as reorganizações/reestruturações societárias que se desenharam, se foram cumpridos os requisitos legais e devidamente atendidas as formalidades, para ao menos, neste momento inicial, atingirse uma presunção relativa de veracidade dos fatos. Vejamos. Em suma, a empresa espanhola LUIZ CALVO SANZ S.A., representando o Grupo Calvo, constituiu no Brasil a empresa LUIZ CALVO SANZ DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. A empresa espanhola realizou aporte de capital em sua subsidiária brasileira, para que esta última satisfizesse a obrigação decorrente de Contrato de Compra de Participação Societária firmado com a GDC HOLDING LCC, no afã de efetivar a aquisição de participação societária da controlada brasileira GDC ALIMENTOS LTDA, ora recorrente. A compra da participação societária aconteceu com o acordo de compra de 80% em 2004 e a compra dos restantes 20% em 2008. Fl. 4408DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 12 21 O valor estabelecido e pago no investimento incluiu um ágio de aproximadamente R$ 95 milhões, sob a justificativa de expectativa de rentabilidade futura da ora recorrente. Assim, a empresa LUIZ CALVO SANZ DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, passou a deter 80% das ações da empresa GDC ALIMENTOS S.A. Ato contínuo, a recorrente incorporou a empresa LUIZ CALVO SANZ DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, concretizando a incorporação reversa, e passando a amortizar fiscalmente o ágio pago na sua aquisição à razão de 1/60 avo. Em 2008, por fim, ocorre o termo final da responsabilização dos antigos detentores de participação na GDC Alimentos S/A, são pagas as últimas parcelas referentes aos 20% da participação societária e transferidas as ações correspondentes. As passagens transcritas do relatório do v. acórdão recorrido comprovam as etapas da operação e o desenvolvimento das reorganizações societárias: “(...) anteriormente a 25 de outubro de 2004, eram acionistas da GDC Alimentos S/A a empresa GDC Holdings LLC, como acionista majoritária, e três outras empresas com participação acionária ínfima. (...) Foi constituída a empresa Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda, controlada pela Luiz Calvo Sanz S/A, que, em 25 de outubro de 2004, adquiriu 80% da participação societária na GDC Alimentos S/A, por R$ 112.091.396,00, com ágio de R$ 95.380.833,17. (...) Em 26 de novembro de 2004 a Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda foi incorporada pela GDC Alimentos S/A, de molde que o ágio formado por sua aquisição passou a ser por ela própria amortizado em 60 parcelas mensais de R$ 1.589.680,55. (...)” De fato, fora esse o racional operacional que ensejou diretamente a amortização do ágio. Irretorquível a conclusão de que todas as reorganizações societárias foram revestidas de completa legalidade, coadunando com preceitos basilares das searas societária, contábil e, por fim, tributária. Há o pagamento efetivo de um ágio, em dinheiro, na aquisição da recorrente por terceiros independentes. A própria fiscalização reconhece o respeito total as formalidades impostas pela legislação: Fl. 4409DF CARF MF 22 “(...) não há discordância da ocorrência dos atos formalmente considerados, que, considerados isoladamente, como imagens estáticas, não revelariam nenhuma ilicitude.(...)” “(...) mediante uma série de atos formalmente lícitos, contra os quais não havia terceiros interessados que pudessem contestá los, mas cujo objetivo foi a criação do ágio que é o centro da controvérsia fiscal que aqui se discute.(...)” “(...) Mas concluiu, corretamente, que, salvo pelos atos cuja única motivação foi gerar o ágio que se pretendia amortizar, esse era o objetivo colimado e, aliás, confessado, ainda que sob reserva de que todas as etapas intermediárias foram legalmente desenvolvidas.(...)” Em nenhum momento questionase a possibilidade fáticojurídica de uma incorporação reversa. Apesar disso, válida a ilustração de sua afirmação no ordenamento, inclusive em lei específica que visa, entre outros, a regulação e autorização da amortização fiscal do ágio. Em referência ao supracitado art. 7º da Lei nº 9532/97, tal peculiaridade é positivada por meio do art. 8º da Lei nº 9532/97, in verbis: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Perfazse situação em que a empresa investida incorpora a empresa investidora, ou seja, a incorporadora passará a deduzir despesas de amortização do ágio na medida em que concretiza, ou não, uma expectativa baseada em sua própria rentabilidade. Reiterase, neste momento, posicionamento já sustentado pelo presente julgador em outras oportunidades, de que o sistema de amortização do ágio, no caso como ora se afigura, produz um benefício fiscal lastreado pura e simplesmente pelo atendimento à hipótese de incidência do IRPJ e, por conseqüência lógica e sistemática, ao princípio da capacidade contributiva. Em outras palavras, o fato da aquisição de participação societária ser sucedida quase que simultaneamente à incorporação, revela que a concretização gradativa dos lucros que ensejaram o pagamento do ágio fundamentado pela expectativa de rentabilidade futura será automaticamente neutralizada pelo sacrifício econômico dispendido em tal pagamento, pelas despesas de amortização do ágio. Neste ato, com um lapso temporal exíguo entre a aquisição de participação e a incorporação, evitase a tributação dos lucros que eventualmente seriam auferidos pela empresa investida, no caso de considerarse esta última ainda como uma entidade autônoma (diante de expressa vedação legal quanto ao cômputo das contrapartidas da amortização contábil na determinação do lucro real). Fl. 4410DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 13 23 No mesmo passo evitase a tributação na própria incorporadora, diante da simultânea confrontação dos lucros com as despesas de amortização do ágio. Neste ponto reside o benefício fiscal da operação: em nenhum momento tributamse os lucros percebidos no investimento, há uma isenção. No entanto, a situação que se desenha não levaria a outra conclusão se não a isenção na tributação da operação, uma vez que não faria sentido, sob a ótica fiscal, tributarse uma mera expectativa de renda. Veja, o nascedouro deste ágio é uma expectativa de rentabilidade, de modo que o emparelhamento de receitas e despesas desta operação deve satisfazer exclusivamente o atendimento desta expectativa, em termos contábeis e tributários. Sob um prisma contábil, inicialmente o valor referente ao pagamento do ágio referese a uma expectativa, por isso deve ser registrado no ativo, apesar de sua contrapartida ser uma despesa. Independente do deslinde das operações que se antecedem e se sucedem, com a incorporação concretizada logo após o pagamento do ágio, as receitas que eventualmente sejam auferidas devem ser imediatamente confrontadas com as referidas despesas que a formaram. Desta forma, o lucro auferido na operação nunca irá perfazer um lucro de fato. O que se concretiza gradativamente é a expectativa. Esta é registrada inicialmente na contabilidade da investidora, mas, com a incorporação reversa, não deve perder sua natureza essencial, sob pena de ferimento e contaminação à realidade fática e a ordem tributária. Isto porque, sob o prisma fiscal, a mera expectativa de renda não norteia a definição de aquisição de disponibilidade jurídica e econômica elencada no art. 43 do CTN, para fins de incidência do imposto de renda. O sistema de amortização do ágio, visa, então, em primeira e última instância positivar os preceitos basilares do sistema tributário constitucional (principalmente o princípio da capacidade contributiva e o princípio da igualdade). Aqui está toda a carga de manifestação fiscal do instituto de amortização do ágio. O momento de incorporação e a conseqüente efetivação do disposto no art. 7º da Lei º 9532/97 é que determinarão o aproveitamento do benefício fiscal e exprimirão a manifestação extrafiscal do instituto criado. O art. 7º da Lei nº 9532/97 c/c o art. 8º da Lei nº 9532/97, neste caso concreto, autorizam o gozo do benefício fiscal através da incorporação às avessas e, assim, alagam de legalidade as reorganizações societárias descritas, em total consonância com o sistema tributário e os princípios ali intrínsecos. Contudo, a análise da ilegalidade, segundo a fiscalização, encontrase na análise de um conjunto de atos, que não visaria um propósito negocial autêntico e legítimo. A ausência deste propósito contaminaria inúmeras peculiaridades que, apesar de formalmente lícitas, seriam apenas as manifestações lógicas da germinação de uma semente de artificialidade e, assim, impossibilidade fática. Fl. 4411DF CARF MF 24 Em outras palavras, a alegada ausência de propósito negocial colocaria em xeque, por exemplo, a utilização de empresaveículo, a suposta aquisição direta pela sociedade espanhola e/ou a possibilidade de amortização do ágio pago por não residentes, dentre outros. Estes pontos serão analisados de forma pormenorizada a seguir, com intuito de se buscar uma verdade absoluta, considerando a legalidade do conjunto de operações que precederam e culminaram na amortização fiscal do ágio. Propósito Negocial É de notório saber que o conceito de propósito negocial, ou substância econômica, carrega alta subjetividade em sua propagação conteudística pela seara tributária. Não são elementos aceitos e incorporados pelo ordenamento jurídico brasileiro, inexistindo qualquer dispositivo legal que lhes dêem substrato, de modo que as análises variam de acordo com o caso concreto e com a posição pessoal de cada julgador/doutrinador. É importante novamente ressaltar que se tem presenciado com preocupante freqüência, a utilização pelo Fisco da doutrina do propósito negocial (businesspurpose doctrine) por meio da qual se defende que a simples ausência sob a ótica do fisco de outros motivadores para a operação que não o alcance do benefício fiscal, já é elemento suficiente que invalida os atos do contribuinte ou, ao menos, inviabiliza o benefício fiscal almejado. Reafirmo o entendimento de que tal racional adotado pela autoridade fiscal guarda certa contradição com diversas regras e estruturas criadas há muito tempo pelo legislador pátrio, por meio das quais são oferecidos benefícios fiscais às empresas que, ao cumprirem determinados requisitos, acabam levando desenvolvimento econômico à determinadas regiões do Brasil (regime fiscal da Zona Franca de Manaus). A definição de um propósito negocial norteia a condução dos negócios da sociedade empresária, leiase, as reestruturações/reorganizações societárias, segundo posturas previsíveis ou admissíveis pelo ordenamento jurídico, levandose em conta seu objeto social e sua atividade econômica tendente ao auferimento de lucros. No caso em tela, a materialização da ausência de propósito negocial se deu na empresa LUIZ CALVO SANZ DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, sendo esta última que fundamentou, pagou e registrou o ágio em seu ativo. Segundo a fiscalização a criação desta, os atos ali praticados e sua extinção por incorporação escancararam como o único e exclusivo objetivo para toda a operação, o aproveitamento da amortização fiscal do ágio e, então, o gozo do benefício fiscal. Tratase de uma holding ou, como a fiscalização preferiu denominar, uma empresaveículo, que visava a participação em outras sociedades. Seu objeto social está integralmente alinhado com as disposições da Lei nº 6.404/76, em seu art. 2º, § 3º: Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é Fl. 4412DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 14 25 facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. Veja, a lei claramente define a possibilidade da constituição de uma holding com o intuito único de gozo de incentivos fiscais, que nada mais são que benefícios fiscais, assim como é o ágio. O surgimento e motivação do sobrepreço pago na aquisição de participação societária se deu em empresa que visava exclusivamente este fim, o que não é vedado pela legislação, muito pelo contrário. Coadunando inclusive com o entendimento aqui adotado, o v. acórdão assim concluiu: “(...) não é ilegal que a pessoa jurídica tenha por objeto a participação no capital de outras sociedades, como assegura o art. 2º, §3º, da Lei nº 6.404/1976 (...) (...) se a pessoa jurídica, com base nesse dispositivo legal, é constituída tendo por objeto exclusivamente participar do capital de outras sociedades, não se pode esperar que ela tenha tido outra expressiva atividade, operacional ou não.(...)” Portanto a empresa LUIZ CALVO SANZ DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA poderia de fato ser constituída sob um objeto social voltado exclusivamente para o gozo do benefício fiscal, de modo a permitir legalmente que todos os atos nesta praticados pudessem visar apenas este fim. Superado este fato, devese ressaltar ainda que uma coesa estruturação societária e um planejado controle de custos são elementos indispensáveis para a obtenção de lucros. Considerandose que os tributos representam custos de significativo impacto no orçamento empresarial, conclusão irrefutável é a de que as medidas para minimizar a carga tributária são de larga utilização pelas empresas visando a otimização de resultados positivos. São práticas que visam, indubitavelmente, o auferimento de lucros. Neste contexto, imprescindível a lembrança do “Princípio da Livre Iniciativa (Art. 1º, IV) e do Princípio da Propriedade Privada (Art. 170, II), que garantem aos contribuintes o direito de organizar seus negócios da maneira que lhes convier. Se dessa estruturação decorre economia tributária, tanto melhor para a atividade desenvolvida. Citese ainda o Princípio da Livre Concorrência (Art. 170, IV todos da CF/88), na medida em que admitir uma economia tributária àquele que melhor gere seus custos tributários é contribuir para o fomento da competição empresarial, salutar para o consumidor de seus produtos.” Conforme se verá adiante, o ora recorrente justificou a amortização fiscal do ágio apenas como uma conseqüência a um propósito negocial definido previamente, decorrente da intenção de expansão internacional do Grupo Calvo. Fl. 4413DF CARF MF 26 No entanto, mesmo que a intenção fosse unicamente a de gozo do benefício fiscal, restara demonstrado que tal ato de fato ocasionaria uma economia tributária, em uma redução de custos e, pelo menos em tese, em um aumento dos lucros da empresa, o que já bastaria, para nortear um propósito negocial a criação da empresaveículo e, conseqüentemente, à operação. Ora, a maioria das empresas, com raríssimas exceções, visam o retorno/realização de investimentos concretizados, mais especificamente dos sacrifícios econômicos dispendidos, dos custos, gastos e despesas. Este retorno é materializado através dos lucros, dos resultados positivos, das receitas. Um propósito negocial ou uma substância econômica, apesar de suas variâncias de manifestação conforme as individualidades e peculiaridades de cada caso, devem perfazer, na essência, uma ação, ou um conjunto de ações, que visem o lucro como objetivo maior e principal. Concluise que uma economia tributária é, per si, uma busca pela otimização de resultados, por lucros e, assim, por um propósito negocial/substância econômica, ou vicee versa. Somase o fato da legislação permitir a criação de empresas (holdings) com este único fim. Evidenciase, neste passo, que a definição que melhor apropria a essência de um propósito negocial, em termos tributários, e no caso presente, portanto, deve ser no sentido de considerar a busca pela redução das incidências tributárias, por si, como um propósito negocial que viabiliza a dedução do ágio, mesmo que seja constituída empresaveículo (holding) com este único objetivo. Já existem importantes precedentes do CARF nesta direção: GANHO DE CAPITAL. VENDA DE QUOTAS. PLANEJAMENTO FISCAL ILÍCITO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR CONTÁBIL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor contábil, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. (Acórdão nº 1402001.472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09 de outubro de 2013) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. Fl. 4414DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 15 27 O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. (...) Outra tese do Fisco que merece análise é a de que os atos praticados poderiam ser desconsiderados, porque não teriam conteúdo econômico (ou propósito negocial), já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Porém, tal afirmativa está em descompasso com o ordenamento jurídico. Como se vê, em última análise, a afirmação do Fisco consiste em sustentar que o planejamento tributário é proibido e que a economia tributária só é admissivel se for acidental. Apenas por isso, já se percebe a improcedência do argumento. Mas, a análise da tese do Fisco confirma o equivoco desta interpretação da fiscalização, pois nem esta motivação vicia o negócio e nem existe lei atribuindo tal efeito. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Fl. 4415DF CARF MF 28 Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios. " (Acórdão n. 1101000.835 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de dezembro de 2012) A doutrina do propósito negocial, no entanto, assevera que a mera concordância dos atos e negócios jurídicos com a letra estrita e fria da lei tributária é inapta a embasar uma economia tributária válida. Apesar de amplamente amparado pela jurisprudência e inclusive pela legislação, na tentativa de reduzir a subjetividade que tangencia a discussão, relativizando por ora o posicionamento pessoal do presente julgador, a busca que se proporá a traçar é no sentido de desvendar se há algum outro propósito negocial que não exclusivamente o gozo do benefício fiscal. Desta forma, é possível que se leve em consideração as duas principais correntes que nascem e se estabelecem dentro desta subjetividade, conferindo ao menos parcial objetividade à presente análise. Neste sentido, a grande questão a ser analisada é se as reorganizações societárias que ali se deram foram dotadas de artificialidade. Premissa essencial que se traça é a de que a verificação da presença do propósito negocial se dá de forma negativa, ou seja, há que ser provada a sua ausência e não a sua presença. Isso porque o ordinário se presume, enquanto o extraordinário se prova. A fiscalização, assim, para sustentar a ausência de propósito negocial, trouxe alguns apontamentos que em suma culminaram na seguinte conclusão: “(...) Concluiu a autoridade lançadora tratarse de uma sucessão de negócios jurídicos simulados, engendrados com o propósito único de gerar um vultoso valor de ágio a ser transferido, posteriormente, para a contabilidade da Impugnante, proporcionando assim o direito de amortizar o ágio, reduzindo no mesmo montante o lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL.(...)” Fl. 4416DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 16 29 O recorrente, em contrapartida, apesar de não ter o ônus fiscal neste caso, em seu Recurso Voluntário traz argumentos que sustentam a presença do propósito negocial na operação. Vai além da especificidade de criação, atuação e extinção da empresa LUIZ CALVO SANZ DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, para identificar um objetivo abrangente, que esmiúça a intenção do Grupo Calvo. Algumas passagens transcritas a seguir devem clarificar esta constatação: “(...) No intuito de expandir suas atividades, o Grupo Calvo iniciou a prospecção de novos mercados, tendo escolhido o Brasil como um país estratégico para realização de investimentos. (...) Em 14/09/2004, no contexto de expansão internacional de suas atividades, o Grupo Calvo constituiu a Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda., subsidiária brasileira que seria a responsável pela aquisição da empresa alvo. Ressaltese que referida sociedade foi constituída nos estritos termos da lei, com objeto social válido e com comprovada realização de seu propósito negocial. (...) (...) tratavase de uma única negociação que representaria o ingresso no mercado brasileiro, em posição estratégica perante outros concorrentes.(...) (...) De fato, verificouse que a decisão de realizar este único negócio estava correta, uma vez que a Recorrente possui hoje o maior complexo de captura, recepção e processamento de pescados da América Latina, produzindo diariamente mais de 1,3 milhão de latas e empregando mais de 2.000 colaboradores só no Brasil. A Recorrente ocupa hoje a posição de líder no segmento de pescados enlatados na América Latina.(...) (...)Ocorre que, por uma decisão empresarial de interesse de seus controladores, foi deliberada a incorporação da subsidiária brasileira pela empresa adquirida (ora Recorrente), o que também possui permissão prevista expressamente em Lei. (...)” A parte final da operação evidencia, dentro de todo o contexto operacional, os motivos de não ocorrer uma incorporação direta, da investida pela investidora: (...) A opção pela incorporação reversa possui razoabilidade e lógica facilmente demonstráveis, pois era a recorrente quem possuía toda a estrutura operacional, financeira, comercial e administrativa para execução das atividades que seriam desempenhadas pelo Grupo Calvo no Brasil. Além disso, a Recorrente já detinha reconhecimento pelo mercado brasileiro. (...)Este era o caminho mais natural, direto e simples para a consolidação do investimento no Brasil, com o consequente aproveitamento fiscal conforme expressamente permitido nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9532/97.(...) Fl. 4417DF CARF MF 30 Cristalino, então, que a criação da empresa visando exclusivamente economia tributária é apenas a consequência legal de uma operação que tinha como principal escopo a união entre uma empresa brasileira, de reconhecimento e expertise nacional, com a força econômica e financeira de um Grupo espanhol que intentava crescimento em nível internacional. Cabe salientar que a utilização de empresaveículo, já discriminada em parte precedente deste voto, para a perfectibilização da operação não é suficiente, por si só, para invalidar o negócio jurídico, especialmente, e aqui reside o inédito adendo, se restar demonstrada a existência de estruturas ou caminhos alternativos disponíveis ao contribuinte e que levassem ao mesmo resultado. Neste sentido traz à tona a obviedade e a lógica o recorrente: “(...)Ressaltese que o Grupo Calvo poderia ter optado por continuar suas atividades no Brasil por meio de sua subsidiária Luiz Calvo Sanz do Brasil, caso esta sociedade tivesse incorporado diretamente a Recorrente – operação que teria o mesmo efeito fiscal no que tange ao aproveitamento do ágio (ou seja, a suposta “empresa veículo” poderia ter continuado a existir até hoje, com a mesma consequência do ponto de vista fiscal).(...)” Resta totalmente mitigada, assim, a alegação de que a utilização de empresa veículo o teria sido concretizada em termos e condições pejorativos, desconsiderando um propósito negocial. Tratase de uma perspectiva subjetiva e unilateral da fiscalização. Na mesma linha de raciocínio o recorrente rebate as alegações de que o ágio fora pago por não residentes e que, por isso, não seria gerado o direito ao benefício fiscal no Brasil: “(...) não haveria sentido na realização de uma suposta simulação, já que o aproveitamento fiscal do ágio seria possível mesmo que a aquisição fosse realizada pela sociedade espanhola. Ainda, mesmo nos casos em que houve a aquisição de participação societária com ágio por empresas nacionais, também foi analisada pelo CARF a validade da capitalização dessa participação, com ágio, em uma nova sociedade constituída para esse fim(...)” Inicialmente o recorrente sustenta a própria tese levantada pela fiscalização a seu favor. Traz farta e contundente jurisprudência do CARF no sentido de demonstrar a possibilidade de aquisição direta de participação societária pela empresa estrangeira e a posterior transferência do ágio para a subsidiária brasileira. A transferência se daria por meio da conferência de ações da sociedade estrangeira em integralização de capital na subsidiária brasileira, com o único propósito de gozo do benefício fiscal. Fl. 4418DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 17 31 Da mesma forma, expondo a operação que de fato ocorreu, traz o recorrente robusta jurisprudência do CARF indicando a validade da operação como um todo e, em particular, da utilização e operacionalização da empresaveículo. A empresa holding, conforme já exposto, é criada justamente com o objeto social voltado para a participação em outras sociedades e o aproveitamento de incentivos fiscais. Coadunando estes dois vieses e o objetivo maior do Grupo Calvo, vemos total possibilidade de que se absorva um aporte de capital advindo da entidade sobre a qual a empresaveículo detém participação com o exclusivo fito de se aproveitar o benefício fiscal que a legislação expressamente autoriza, uma vez que esta última não possui uma atividade operacional, geradora de lucros e formadora de um fluxo de caixa que suporte o pagamento do investimento de forma autônoma, Veja, a empresa constituída no Brasil está subordinada à sua controladora, ao Grupo Calvo, de maneira geral. Quaisquer alegações da fiscalização relativas a formalidades que supostamente indiquem a artificialidade da empresaveículo LUIZ CALVO SANZ DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA devem falecer neste momento: i) a confusão patrimonial com o Contrato de Penhor, uma vez que este último trata de uma mera disposição contratual que apenas simplifica os mecanismos negociais; ii) sua efemeridade, pois não há qualquer vedação societária quanto ao lapso temporal entre reorganizações societárias. A empresa holding fora criada com um propósito e quando atendeu a este, naturalmente fora extinta, pois deixou de ter utilidade/função/atuação lucrativa no mercado brasileiro; iii) a assinatura dos contratos, principalmente o Contrato de Compra de Participação Societária, junto com a empresa LUIZ CALVO SANZ S/A, o que revela apenas a subordinação da empresaveículo ao Grupo Empresarial, tratandose de um procedimento comum à operação de um modo global. Tratamse de situações normais a qualquer operação envolvendo um Grupo empresarial estrangeiro, que detém a força econômica e decisória para induzir e conduzir parte dos atos de sua subsidiária brasileira. Não quer dizer que a subsdiária não tenha qualquer autonomia. Esta representa e tem como premissa a vontade maior de seu Grupo, mas tem autonomia para atuar respaldado pelo conhecimento e domínio que, supostamente, possui da legislação local, especificase, as limitações e permissões peculiares que a lei nacional impõe. Em suma, não há qualquer vedação legal quanto a realização de qualquer destas operações, até porque seria uma afronta a princípios basilares do direito tributário não permitilas. Ora, independentemente de ter havido aquisição direta pela empresa espanhola ou a aquisição propriamente pela subsidiária nacional, de qualquer modo concretiza se faticamente a ideologia intrínseca em um contexto histórico de criação do benefício fiscal, a sua manifestação extrafiscal, qual seja, o estímulo à investimento na aquisição de empresas privadas nacionais com perspectivas de crescimento de rentabilidade, como incentivo à geração de riqueza, de empregos e, como consequência, de incrementar a própria arrecadação tributária. Também, independente se houve a transferência do ágio ou se fora utilizada uma empresaveículo, há a materialização da manifestação fiscal do instituto criado pelo legislador, que neste caso representa uma isenção ao contribuinte, donde os lucros amortizados Fl. 4419DF CARF MF 32 nada mais são do que uma expectativa de renda e não devem de fato serem tributado se levarmos em consideração a hipótese de incidência do IRPJ e o princípio da capacidade contributiva. É inequívoco, portanto, que há um real propósito negocial na operação, que norteia todas e quaisquer interpretações (seja ela histórica, lógica, literal ou sistemática) dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9532/97, dispositivos legais que autorizam a amortização fiscal do ágio. Enveredase, assim, uma presunção quase que absoluta de veracidade apontando para a total legalidade do gozo do benefício fiscal. Contudo, a fiscalização levanta alguns pormenores que devem ser enfrentados para que se atinja, por fim, uma verdade absoluta dos autos, coadunando integralmente e de forma definitiva e sincrônica a aplicação do princípio da verdade material com o princípio da verdade formal. Baixa da Marca do Ativo antes da Aquisição O ativo intangível perfaz, ainda nos dias de hoje, enorme controversa e muitas incertezas, principalmente no que concerne a mensuração de valores determinados e/ou determináveis, capazes de representar fidedignamente uma realidade fática. Em suma, tratase de um ativo não monetário identificável sem substância física, ou incorpóreo. A contabilidade, neste passo, não acompanhou as evoluções da sociedade e o desenvolvimento econômico e financeiro mundial, em especial quanto ao reconhecimento do valor criado pelos ativos intangíveis, como idéias, marcas, maneiras de trabalhar, franquias, cujo valor em muitas empresas é superior aos ativos contabilizados. Tal dissociação afeta os analistas, diretores financeiros e investidores, de modo que estes não possuem dados sólidos para decidir. Alguns requisitos devem ser preenchidos para a devida classificação do ativo intangível: devem ser identificáveis, controlados e geradores de benefícios econômicos futuros. O controle é possível e, no caso em tela, é perceptível com a constatação de que as marcas patenteadas em questão sempre tiveram seus registros homologados pelo INPI, inclusive no período a partir de 2004. O grande problema enfrentado aqui é a identificação, leiase, a separação dos gastos incorridos com a marca dos custos relacionados ao desenvolvimento do negócio como um todo. Se torna quase impossível uma mensuração com confiabilidade nestes moldes. As conclusões acima atingidas são conseqüentes a análise do CPC 04 (Comitê de Pronunciamento Contábil 04). Veja, à época da baixa do ativo, 2004, não havia qualquer normatização contábil significativa quanto a classificação, mensuração ou registro de ativos intangíveis. Engloba, este grupo contábil, elementos modernos e até então pouco explorados pela contabilidade, mas que foram lentamente sendo positivadas, apesar das calorosas discussões que ainda circundam o tema. Razão pela qual motivase o apoio nas disposições do CPC 04, aprovado em 05/11/2010. No tópico 12 do referido CPC discriminase a separação como um dos critérios de identificação de um ativo intangível: Fl. 4420DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 18 33 12. Um ativo satisfaz o critério de identificação, em termos de definição de um ativo intangível, quando: (a) for separável, ou seja, puder ser separado da entidade e vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado, individualmente ou junto com um contrato, ativo ou passivo relacionado, independente da intenção de uso pela entidade; Nos tópicos 63 e 64, do mesmo CPC 04, há determinação expressa de que as marcas não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis: 63. Marcas, títulos de publicações, listas de clientes e outros itens similares, gerados internamente, não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis. 64. Os gastos incorridos com marcas, títulos de publicações, listas de clientes e outros itens similares não podem ser separados dos custos relacionados ao desenvolvimento do negócio como um todo. Dessa forma, esses itens não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis. Portanto, uma vez não respeitado o critério de identificação, diante da impossibilidade fática de separabilidade, as marcas não devem ser reconhecidas como ativo intangível. Exatamente de acordo com o referido Pronunciamento Contábil se manifestou o recorrente em seu Recurso Voluntário: (...) não é possível a venda da marca “Gomes da Costa”, sem a venda de todos os demais ativos tangíveis e intangíveis que a suportam, como clientes e produtos. Tratase de um ativo inseparável que não pode ser visivelmente identificado e individualizado. (...)” De fato, o reconhecimento da marca “Gomes da Costa” no ativo intangível da recorrente, perfazendo o valor de R$ 18.080.000,00, era uma irregularidade que deveria ser sanada, uma vez em descompasso com as normas e princípios contábeis aceitos (CPC 04). Neste momento deve ser aproveitada a conclusão atingida pela Fiscalização a favor do recorrente, qual seja: “Embora tais marcas tenham sido consideradas no preço de venda, não foram consideradas no preço de custo (valor patrimonial da empresa)”. Ora, natural que isto tenha ocorrido, quando as normas contábeis indicam a impossibilidade de separação da marca como ativo intangível, não sendo considerada no valor patrimonial da empresa. Em contrapartida, o ágio é fundamentado por expectativa de rentabilidade futura e é justamente a abrangência e ligeira flexibilidade desta expectativa que respalda e legitima a inclusão da marca no preço de venda da participação societária. Fl. 4421DF CARF MF 34 Veja, neste contexto a marca está sendo vendida junto com todos os demais ativos tangíveis e intangíveis que a suportam, o que não gera qualquer contradição colocando em xeque a inseparabilidade deste elemento. Além disso, o investimento que lastreia o sobrepreço pago é fundamentado por uma expectativa de rentabilidade futura que, conforme se verá adiante, não está vinculada de forma plena a realidade, ou seja, não há obrigatoriedade estrita e irretorquível de que esta expectativa se concretize. Esta definição, por si, retira a necessidade imprescindível de fidedignidade à realidade fática. Logicamente que deve haver uma aproximação, baseada em um demonstrativo hábil e idôneo, mas partese do pressuposto de que a expectativa que abarca a marca e perfaz um valor agregado, não se compara com a fidedignidade dos registros contábeis de uma entidade. Pelos princípios e normas contábeis, pela incerteza em relação a identificação (diante de sua inseparabilidade) e, por consequência lógica destes, pela fidedignidade à realidade que devem representar os registros contábeis de uma empresa, tornase impossível a determinação segregada da marca no patrimônio líquido a, assim, no preço de custo. Por outro lado, uma expectativa não guarda total compromisso com a realidade, apenas uma aproximação, pois trata de um evento futuro, sujeito, assim, a inúmeras variâncias e imprevistos, de modo que a incerteza, mas inequívoca constatação da existência de um valor à marca, encontra possibilidade fática no momento de inclusão e agregação no preço de venda. Por fim, cabe ressaltar que o ativo intangível deve ser baixado e os ganhos ou perdas decorrentes da baixa devem ser determinados pela diferença entre o valor líquido da alienação, se houver, e o valor contábil do ativo. Esses ganhos ou perdas devem ser reconhecidos no resultado e devidamente tributados. Assim o fez o recorrente, conforme os documentos constantes dos autos e a declaração abaixo: “(...)Devese deixar registrado que esse valor do intangível não foi registrado como custo por parte dos antigos controladores da Recorrente, motivo pelo qual houve o pagamento de IR/Fonte sobre o valor do ganho de capital correspondente.(...)” Deste modo, a baixa da marca do ativo antes da aquisição é alagada de validade e, assim, não contamina a legalidade da amortização do ágio em questão. Validade do Laudo de Avaliação que Demonstra a Expectativa de Rentabilidade Futura A legislação tributária não contém requisitos sobre o critério de avaliação da expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Sob o respaldo do Princípio da Legalidade, presumese, então, que não há nenhuma necessidade de comprovação específica, através de laudo de avaliação, da rentabilidade futura que fundamente o ágio. Há a necessidade, logicamente, de que a escrituração contábil registre e embase a ocorrência do ágio, mas a forma de comprovação da perspectiva de resultados futuros que sustente o investimento empreendido não encontra respaldo expresso na legislação, de Fl. 4422DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 19 35 modo que o contribuinte deve buscar o máximo aproximamento da realidade, independente do instrumento contábil que adotará para atingir tal finalidade. No caso de pagamento de um sobrepreço (ágio) na aquisição de participação societária de coligada ou controlada com base nesta justificativa comumente é utilizada a metodologia do fluxo de caixa descontado. Esta metodologia, desde que aplicada corretamente, utilizando premissas compatíveis com os negócios da empresa adquirida, deve ser considerada apropriada para se avaliar a expectativa de rentabilidade futura. A mais abalizada doutrina acena neste sentido: “O valor de rentabilidade futura pode ser apurado com base em estimativas financeiras como o fluxo de caixa futuro descontado, que reflete o resultado futuro esperado para aquela empresa em termos monetários. (...)” (Roberto Quiroga Mosquera e Rodrigo de Freitas – Aspectos Polêmicos do ágio na Aquisição de Investimento: (i) Rentabilidade Futura; (ii) Ágio Interno.) “(...) Como indicador da capacidade de geração de riquezas, encontramos no fluxo de caixa a evidência da eficiência esperada de determinado negócio. Assim, são superados algumas dificuldades existentes no lucro contábil. Ele propõese a retratar o potencial econômico dos itens patrimoniais de determinados empreendimentos, inclusive o Goodwill.(...)” (FIPECAFI. Da mensuração Contábil à Econômica. São Paulo: Atlas, 2001. P. 275.) O fluxo de caixa descontado considera os resultados futuros da entidade, com base em determinados pressupostos, como a taxa de desconto, muitas vezes alicerçado no chamado “custo médio ponderado do capital” ou WACC. O valor da empresa é obtido descontandose fluxos de caixa esperados para a empresa, ou seja, os fluxos de caixa residuais após a realização de todas as despesas operacionais e impostos pelo custo médio ponderado de capital. O cálculo do valor de uma empresa se divide em Valor Presente dos Fluxos de Caixa do Período Analisado e Valor Presente do Valor Residual ou da Perpetuidade. O WACC considera os diversos componentes de financiamento incluindo dívida, patrimônio líquido e títulos híbridos, utilizados por uma empresa para financiar suas necessidades financeiras. A projeção da rentabilidade futura, então, é concretizada por um período de tempo definido pelo avaliador, que normalmente considera uma taxa de crescimento por um período inicial de alguns anos e, a partir daí, considera uma taxa estável, refletindo o efeito do método da perpetuidade, sob a premissa de que o exercício das atividades da empresa tem prazo indeterminado de duração. A jurisprudência do CARF respalda o posicionamento defendido: ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Fl. 4423DF CARF MF 36 Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributários. Se, no momento do lançamento, o Fisco teve acesso ao demonstrativo que fundamentava o ágio e deixou de questionálo, descabe fazêlo em momento processual posterior. (...) 3) O ágio se justifica pela expectativa de rentabilidade da empresa adquirida, respaldada em laudo de avaliação econômicofinanceira, elaborado por Ribeiro & Associados International, utilizando o método de fluxos de caixa descontados. Disse a impugnante que o laudo não foi questionado pelas autoridades fiscais; ao contrário, teriam elas reconhecido expressamente que o ágio registrado pela Hubbell do Brasil teve por fundamento a expectativa de rentabilidade futura. Portanto, todas as condições para a amortização do ágio estariam presentes. (...) No entanto, ao longo de todo o Relatório Fiscal, em momento algum se diz que o fundamento econômico do ágio seria outro, diverso daquele informado pela recorrente, ou que o registro contábil do ágio teria deixado de atender às disposições legais relativas ao demonstrativo a ser arquivado como prova dolançamento. (Acórdão nº 1302001.508 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23/09/2014) Desta forma, o fluxo de caixa descontado tornase um instrumento hábil e idôneo a demonstrar a rentabilidade futura de uma empresa, bastando, por si, para uma coesa justificação do pagamento do ágio no investimento. Quanto a não concretização da expectativa projetada quando do pagamento do ágio, ressaltese a total desnecessidade da efetiva produção dos resultados esperados, dos lucros de fato. O fundamento econômico positivado na lei tributária é a expectativa de rentabilidade futura e não sua efetiva verificação. Tornase totalmente plausível que os resultados efetivos da empresa possam ser superiores ou inferiores àqueles projetados, no passo em que são imprevisíveis determinados eventos futuros na data de aquisição. Os exemplos são inúmeros, incluindo possíveis mudanças na economia nacional ou até mesmo global, impactos de novas tecnologias e novos concorrentes, contingências cíveis ou trabalhistas, dentre muitos outros riscos inerentes à atividade empresarial. Caso os lucros esperados não se concretizem, este fato circunstancial e meramente formal, imprevisível na data de aquisição, não pode ser utilizado para desnaturar a validade de um ágio que cumpre com todos os requisitos previstos em lei. Fl. 4424DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 1201001.534 S1C2T1 Fl. 20 37 A lógica é simples neste caso. Se o valor projetado for menor que o lucro de fato obtido, prejudicado é o contribuinte, que não previu a rentabilidade da forma correta e não conseguirá amortizar o ágio na proporção equivalente ao lucro que de fato obteve. O lucro que excedeu o valor previsto será tributado de qualquer forma pois o valor amortizado só alcança o ágio efetivamente pago, as despesas incorridas, portanto, baseado nos limites previstos através do fluxo de caixa descontado, neste caso concreto. Se o valor correspondente à expectativa de rentabilidade futura representar valor maior do que o lucro de fato obtido, também não há qualquer diferença em termos de tributação, pois este excedente amortizado representa prejuízo em relação ao que se previa e ao que foi efetivamente pago. Neste caso, chegará o momento em que o contribuinte só amortizará despesas, sem confrontar as receitas respectivas, relativas aos esperados resultados positivos, perfazendo, assim, prejuízo, que não seria tributado, de qualquer forma, pois não norteia o fato gerador do Imposto de Renda. É um mecanismo perfeito que se regula automaticamente diante de seus princípios conceituais, mantendo a isenção fiscal a qualquer custo e privando o Fisco de qualquer onerosidade e o contribuinte de qualquer injustiça ou desigualdade tributária. Portanto o ágio é amortizado perfeitamente no limite a concretizar a expectativa, de modo que se prevista a maior ou a menor nenhum impacto tem sobre uma defasagem de tributação, seja sobre algum acréscimo patrimonial percebido ou sobre um prejuízo apurado. Há total respeito ao princípio da capacidade contributiva. Logicamente a avaliação ou o demonstrativo e as suas formalidades são essenciais para a correta fundamentação do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura, mas eventuais diferenças apuradas a maior ou a menor do lucro de fato obtido não representam ônus fiscal capaz de descaracterizar a operação. Portanto, quanto a este ponto também não há que se falar em qualquer irregularidade que invalide o gozo do benefício fiscal em questão. Atestase, neste momento, a completa legalidade da amortização do ágio e, finalmente, o atingimento de uma verdade absoluta aos olhos do presente julgador, primando se pela improcedência dos lançamentos e da autuação. Reflexos da Legalidade da Amortização do Ágio Por consequência lógica, quaisquer discussões decorrentes do mérito em questão devem ser consideradas neste momento para breves esclarecimentos. As multas aplicadas perdem o seu objeto e, assim, não devem ser aplicadas: não há totalidade ou diferença de tributo ou contribuição a pagar e/ou recolher. A multa de ofício, daí, já se desnatura. Fl. 4425DF CARF MF 38 A qualificação da multa, baseada em conduta dolosa, sonegatória ou fraudulenta do recorrente, por óbvio, deve ser desonerada, visto que a operação se mostrou completamente legal. As estimativas mensais devem ser revistas, com a consideração das despesas de amortização fiscal legalmente realizadas mensalmente e a multa isolada não deve ser aplicada, pois as diferenças percebidas e glosadas não devem prosperar diante da validação da operação. Não há que se falar, então, na cobrança dos juros moratórios, calculados de acordo com a variação da Taxa Selic, sobre os valores constituídos a título de multa de ofício nem de multa isolada. Com relação aos demais lançamentos decorrentes do IRPJ, aplicase o reflexo, visto são oriundos do principal e referemse a mesma matéria tributável, pugnandose, por fim, pela improcedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Bem como, não há que se falar em responsabilidade tributária solidária, se não há tributo devido. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para, AFASTAR a PRELIMINAR de DECADÊNCIA e, no MÉRITO, DARLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 4426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.023245/99-36
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 202-00.449
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Resolução nº 202-00.449; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-12-30T11:56:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Resolução nº 202-00.449; xmpMM:DocumentID: uuid:d1eccf80-f3a8-41bd-bb0d-ba96f436b880; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Resolução nº 202-00.449; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-12-30T11:56:13Z; created: 2016-12-30T11:56:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2016-12-30T11:56:13Z; pdf:charsPerPage: 532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-12-30T11:56:13Z | Conteúdo => 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ALDENOR DA SILVA COUTINHO. I ~C ..C-M.F I. FI. RESOLUÇÃO N° 202-00.4~9 ALDENOR DA SILVA COUTINHO DRJ ~m Fortaleza - CE 10380.023245/99-36 118.571 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2003 Recorrente Recorrida Processo n° Recurso n° .u ay-.{:. /;~~ltA";1P~<? Tffeõnqúe rinheiro 10rres . Presidente f \ . RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. c1/opr \ . Ano-calendário: 1993, 1994, 1995 1 2 'CC-MF IFI. . RELATÓRIO 10380.023245/99:.36 118.571 ALDENOR DA. SILVA COUTINHO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Uma vez lá, foi prolatada a decisão que segue assim .ementada, ensejando o Recurso Voluntário que ora se julga: . ~ O pedido de, compensação foi então convolado para pedido de consulta, e encaminhado à autoridade competente, que, compulsando os autos, verificou tratar-se, de fato, de requerimento de' compensação, ao que remeteu os autos de volta à SESIT/DRF/FLA, para saneamento, o que foi feito, com a manifestação do Contribuinte no sentido de requerer a remessa do mesmo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para apreciação de seu pleito. Ementa: Restituição "Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Diante do exposto, proponho o INDEFERIMENTO do pedido de restituição porJalta de amparo legal." "Da análise dos autos' verifica-se que a atividade econômica da empresa é o comércio varejista (CNAE 5279-5), folha 17, portanto, contribuinte do PIS, consoante a Lei Complementar 07 de 07 de setembro de 1970. , " o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição 'pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o' pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada, ,j inconstitucional pelo Supremo TribunalFederal em ação declaratória ou em , " , recurso extraordinário, extingue-se após o transcurs(J do prazo de 5(cinco) ,anos, Icontado da data de extinção do crédito tributário - arts. 165, I e 168, 1 . da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966(Côdigo Tributário NaciOna!)) f 2 Irresignado, o Contribuinte apresentou a manifestação de incónformidade de fi. 22, informando ser empresa prestadora de serviços e não comerciante varejista, e requerendo informações sobre a legislação tributária. Encaminhado selÍ pedido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, foi o mesmo indeferido, às fls. 18/19, sob a alegação de que: Apresentou o Recorrente, em í7/08/1999, pedido administrativo de réstituição de valores recolhidos a título da Contribuição para o PIS, no período de 02/1993 a 08/1995, em decorrência da declaração pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445 e 2.449, ambos de 1988. Processo n° Recurso n° Recorrente As. pesso.as jurídicas que tenham co.mo. atividade eco.nômica o. co.mércio. 'varejista (venda de mercado.rias) estão. o.brigadas à co.ntribuição. para. o. PIS/Faturamento., à alíquo.t~ de 0,75% (setenta e cinco. po.r .cento.) incidente so.bre arecf!ita bruta, nafo.rma disciplinada na Lei ICo.mplementar n '07/70, co.mbinado. co.m o. artigo. r da Lei Co.mplementar n° 17/73, e aliéraçifes .! po.sterio.res o.ra vigenteS no.no.sso.ordenamento. jurídico. . Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso n° . 10380.023245/99-36 118.571 . SOLICITAÇÃO INDEFERIDA ". É o relatório. 1J( . I . , ' . ( I"CC. -MF IFI. 3 Verifico; inicialmente, que o preseI)te recurso é tempestivo e trata de matéria . de competência deste Egrégi.o Conselho. Logo, do mesmo ,conheço. .4 / I'" CC-MF .1. FI. I ' VOTO DO C0N:SELHEIRO-RELATOR GUSTAVO KELL Y ALENCAR .' . 10380.023245/9.9-36 118.571 Ministério da Fazenda Segundo. Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso n° alad~ s~s~eS~5 denov,o de2003 G ,TAVOJ~LY ALENCAR . Para que se pc>'ssaefetivamente apreciar o mérito da causa 'é necessário que se saiba com precisão qual a atividade efetivamente praticada pelo Recorrente, vez que não há . consenso entre os atos constitutivos do mesmo, a Decisão da DRF e as alegaçõ~s dos autos: " Por tal,. voto no sentido' de se converter Q presente julgamento em diligência a. fimde que seja efetivamente verificada qual a atividade prati'cada pelo Contrib.\linte; vez 'que tal terá iqfluência direta no deslinde da presente demanda. . ., . Apó~ tal verificação pela autoridade fiscalizadora, que seja concedido oportunidade para o Contribuinte se manifestar, caso deseje. É como voto. 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006844/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. TRIBUTAÇÃO.
Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202-004.022 - CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201- 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. TRIBUTAÇÃO. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 68 44 /2 00 8- 01 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11080.006844/200801 Acórdão n.º 2202003.561 S2C2T2 Fl. 214 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor da contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do ano calendário de 2005, exercício de 2006, no importe de R$ 22.417,48, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora, calculados pela taxa Selic. Foi ainda exigida multa isolada, pela não antecipação do imposto, no valor de R$ 12.587,64. Na descrição dos fatos (Relatório, fl. 09), narra a Autoridade Fiscal responsável que a contribuinte informou em sua declaração de rendimentos o valor de R$ 87.760,00, e o pagamento de carnêleão, recebidos de Nelton de Zorzi. Trata longamente do processo de separação da interessada e de seu exmarido, dos acordos judiciais e extrajudiciais e do cumprimento das obrigações. Da análise das informações prestadas e obtidas, concluiu que: R$ 82.632,19 foram pagos pelo excônjuge, mediante depósitos mensais em dinheiro ou Cheque em contacorrente efetivados entre janeiro e novembro/2005, em razão de instrumento particular firmado entre as partes. Tais valores foram titulados nos documentos ora como "a titulo de juros e correção monetária previamente fixados" (conforme constou da proposta de acordo judicial) e ora como "a titulo de compensação" (conforme constou do instrumento particular de confissão de divida) e não foram incluídos sob qualquer forma na DIRPF/2006 nem houve o recolhimento do carneledo sobre os mesmos. Citando os artigos 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 1988 e o artigo 55 do RIR/1999, destacou que os valores compensatórios recebidos pela contribuinte, independentemente do nome que lhes foi atribuído, são tributáveis. Listou os valores, a partir de depósitos em cheque, efetuados na conta corrente da interessada (fl. 14). Arrematou com a disposição de que o somatório anual dos rendimentos tributáveis da contribuinte, ou seja, pensão alimentícia mais valores compensatórios é de R$ 169.299,39. Como declarou R$ 87.760,00, a diferença a ser levada ao ajuste anual é de R$ 81.539,39. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11080.006844/200801 Acórdão n.º 2202003.561 S2C2T2 Fl. 215 3 Dispôs ainda que pelo pagamento mensal a menor do carnêleão referente aos valores recebidos de pessoa física (art. 8° da Lei 7.713/88), fica a contribuinte sujeita à aplicação da multa isolada no percentual de 50% do carnêledo não recolhido, de que trata o art. 44, § 1°, inc. III, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. A cópia da DIRPF/2006 está nas folhas 40 e ss. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, na folha 173 e ss. Em síntese, diz que os valores tributados são meras antecipações de transferências patrimoniais acordadas entre os excônjuges, constituindose em rendimentos isentos a título de "doações, heranças e meações". Combate ainda a aplicação da multa isolada pela não antecipação a título de carnê leão. A manifestação de inconformidade foi analisada pela DRJ em Porto Alegre/RS, que em suma entendeu que não constituem rendimentos isentos de tributação pelo IRPF os valores depositados mensalmente em conta corrente do contribuinte relativos a compensação por atraso no pagamento de valores acordados na separação conjugal com origem em imóveis partilhados e não alienados e que admitese o lançamento da multa isolada sobre carnê leão não recolhido, concomitante à multa de ofício sobre o imposto suplementar decorrente de declaração inexata, visto que se tratam de infrações distintas. Considerouse improcedente a impugnação, mantendo a exigência tributária. Cientificada dessa decisão em 03 de janeiro de 2012 (AR na folha 189), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 03 de fevereiro de 2012, com protocolo na folha 192. Em sede de recurso, argumenta que não auferiu renda e que os depósitos eram antecipações de valores devidos pelo exmarido, que não podem ser tributados. Chamaos de "empréstimos". Diz que os valores foram usados para tratamento médico do filho menor, que eram encargos do genitor. PEDE que seja dado provimento a seu recurso para "anular os lançamentos de multas e tributos que não são devidos". Em 15 de fevereiro de 2016 esta Turma Julgadora proferiu resolução no sentido de verificar a tempestividade do recurso, uma vez que o prazo esgotarase em 02 de fevereiro de 2012 e o mesmo fora apresentado em 03 de fevereiro daquele ano. A DRF em Pelotas/RS manifestouse na folha 212 dizendo que 02/02/2012 foi feriado local e não houve expediente na repartição. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, uma vez que a DRF preparadora afirmou a existência de feriado local, sem expediente na repartição, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11080.006844/200801 Acórdão n.º 2202003.561 S2C2T2 Fl. 216 4 É incontroverso que a recorrente recebeu os valores aqui tributados e sabese a origem dos recursos: foram depósitos em cheque efetuados por seu exmarido, relativos a questões envolvendo a separação consensual dos dois. A discussão repousa então sobre a natureza desses pagamentos, ou seja, a que título foram efetuados, e se seriam ou não tributáveis. Disse a fiscalização em seu relatório, folha 11: Informou serem tais depósitos provenientes da dívida constante de termo firmado com o excônjuge, e que estaria inclusive executando o mesmo pelo fato de ter interrompido os pagamentos. Entregou nova cópia mais legível da proposta de separação consensual, datada de 21/11/2003, anexada do citado termo de compromisso firmado pelo casal na mesma data da proposta de separação (21/03/2003), onde constava a razão da divida de R$ 1.600.000,00 do separando para com a separanda, sendo esta proveniente de dois bens, um apartamento em Porto Alegre — RS a ser vendido pelo valor mínimo de R$ 1.200.00,00 e uma casa em Pindamonhangaba, pelo valor mínimo de R$ 400.000,00. Tais vendas deveriam ser procedidas dentro de um ano a contar daquela data e o produto da venda repassado integralmente a Sra. Cleufe, a qual deveria receber, mensalmente, enquanto não pagos os valores, o mesmo valor que receberia a titulo de férias (doc. 07) Na separação foram fixadas várias obrigações ao exmarido. Pagar pensão à exmulher, pagar pensão e despesas do filho, vender imóveis e repassar o dinheiro à exmulher. Enquanto não vendesse tais imóveis, para o que se fixou prazos, deveria ir adiantando valores á exmulher, como compensação. Ou seja, ela deveria receber R$ 1.600.000,00 do exmarido. Mas esse valor estava imobilizado na forma de imóveis, que deveriam ser vendidos. Enquanto não vendidos os imóveis, ela iria recebendo, além da pensão, uma quantia mensal fixada. Essa quantia é que não foi declarada e está sendo exigido o imposto sobre a mesma. Não consta que, ao receber o valor da venda dos tais imóveis, estimada em R$ 1.600.000,00, a contribuinte deveria devolver os valores "adiantados" no ano de 2005. Então isso não era um "empréstimo", porque os valores integrarseiam definitivamente ao patrimônio da interessada. Observese que aqui, no processo tributário, não se discute os valores que a contribuinte não recebeu, ou as obrigações que o exmarido deixou de cumprir. Isso é discussão para a seara do processo civil, da exigência das obrigações assumidas lá. Aqui estão em observância os valores que ela recebeu. Portanto, alegar que o exmarido deixou de cumprir certas obrigações e que ela estava sendo "compensada" com esses valores não é hábil para ilidir a exigência tributária aqui em caso. As alegações da interessada são controversas ao longo dos autos. Falase em adiantamento de doação, adiantamento de meação, compensação, adiantamento de juros compensatórios e, no recurso, de forma nova, falase em despesas médicas do filho menor, para justificar os depósitos em sua conta. Essa última alegação, registrese, é totalmente desprovida de provas. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11080.006844/200801 Acórdão n.º 2202003.561 S2C2T2 Fl. 217 5 Já se constatouse que houve pagamento de pensão ao filho menor e também de outras despesas dele, conforme acordo judicial, que não foram incluídas na apuração aqui em debate. Disse a fiscalização, no seu relatório (fl.12): R$ 34.000,00 e R$ 15.094,00, também recebidos do exCônjuge de janeiro a dezembro/2005, na forma de depósito DOC C em sua conta bancária, teriam sido pagos, respectivamente, como pensão alimentícia do filho e depósitos voluntários de pai para filho, os quais, apesar de não corroborados por outros documentos, foram considerados esclarecidos pela Fiscalização, em razão de pertinentes ao filho menor, Nicolas de Zorzi, declarante em separado, e com respaldo em acordo judicial.(destaquei) Pelo exposto, entendo que os valores depositados pelo exmarido na conta da recorrente submetemse ao disposto no artigo 3º, §1º da Lei nº 7.713, de 1988, como apontado pela fiscalização, e são tributáveis. MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO O entendimento que vinha expressando, neste aspecto, era no sentido de ser preciso contextualizar a situação analisada, para se verificar as conseqüências e sanções a serem aplicadas, dentre as previstas no nosso ordenamento jurídico. A ausência de declaração de um rendimento, ou seu reconhecimento a menor, demanda a constituição da respectiva obrigação tributária pelo Fisco, mediante lançamento de ofício, e traz como corolário direto a aplicação da multa de 75%, chamada “multa de ofício”, que encontra sua legitimidade no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A conduta realizada pela contribuinte, pelo que do processo consta, evidencia contraditório exigirse dela, nesse contexto, o recolhimento do IRPF antecipado (carnê leão). Se no seu entendimento (equivocado) o rendimento era isento ou não tributável, não há que se falar em antecipação. Embora pudesse ser, hipoteticamente, desdobrada em etapas, a conduta da contribuinte possui indissociável unidade lógica. Assim, sua segmentação, para fins de aplicação de penalidade, implicaria em injustificável bis in idem, pois significaria a aplicação de duas sanções sobre o mesmo suporte fático. Outrossim, tendo em vista que a interpretação do regime de aplicação de penalidade tributária é regida pelos preceitos contidos no art. 112 do CTN, dispositivo abaixo reproduzido: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11080.006844/200801 Acórdão n.º 2202003.561 S2C2T2 Fl. 218 6 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Entendia que não se pode, desse modo, interpretar literalmente cada enunciado, desprezando a análise sistemática e sua implicação sobre o mesmo contexto fático. Da mesma forma a natureza punitiva do vínculo estabelecido pela autoridade fiscal exige que, dentre as alternativas de interpretação possíveis, seja acolhida aquela mais favorável ao contribuinte. Registrava que a alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida no decorrer do ano calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê leão ou de estimativas, e a segunda quando verificada omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Desta feita, encerrado o ano calendário, não haveria o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos, a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Quando se fala em multa isolada, esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnê leão devidos durante o ano calendário. Nada obstante, esse era o entendimento já assentado no âmbito deste Conselho. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício 2003, 2004, 2005 (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]” (Processo n.º 10909.000897/200786; Acórdão n.º 210100.281, 2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11080.006844/200801 Acórdão n.º 2202003.561 S2C2T2 Fl. 219 7 incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso voluntário provido. (Processo n.º 18471.000571/200586; Acórdão n.º 2802002.160, 2013) MULTA ISOLADA – DUPLA INCIDÊNCIA – A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas deve ser punida com a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996. Indevida sua exigência conjunta com a multa de ofício por declaração inexata, com a mesma base de cálculo.(CSRF/0400105,de 22/09/2005, da 4ª Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.( CSRF/0400832, de 04/03/2008 da 4ª Turma, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e CSRF/0104987, de 15/06/2004 da 1 Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) Contudo, em recente Acórdão, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no seguinte sentido: Acórdão 9202004.022 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2016 MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas. Nesse Acórdão, entendeuse que a Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, não deixa dúvidas, no sentido de que estão tipificadas duas multas: uma pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual, e outra, isolada, pela falta do pagamento mensal, a título de antecipação. Ainda, que a "vasta jurisprudência do CARF", dizia respeito a exigências anteriores à legislação ora aplicada, ou seja, a "fatos geradores anteriores a 2007, proferidos à luz da redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente". Dessa feita, ressalvado meu entendimento pessoal, é mister curvarme ao expressado pela Câmara Superior, em solução de divergência, como medida de eficiência, economicidade, segurança e confiança nos julgamentos administrativos. Não obstante, se reconhecido que havia dúvidas quanto à aplicação das duas multas, para fatos geradores ocorridos antes da alteração promovida no artigo 44 da Lei nº Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11080.006844/200801 Acórdão n.º 2202003.561 S2C2T2 Fl. 220 8 9.430, de 1996, como é o caso aqui em análise, cujos fatos geradores ocorreram em 2005, a aplicação de penalidades deve ser da forma menos gravosa ao contribuinte. No Acórdão acima transcrito, inclusive, foi citado o seguinte Acórdão, como paradigma: Acórdão nº 2201002.718, de 09/12/2015: "MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual."(destaquei) CONCLUSÃO Pelo todo acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa exigida isoladamente em decorrência de recolhimento a menor do imposto a título de carnê leão. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 220DF CARF MF
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