Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16561.000080/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.000080/2007-62
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573499
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-000.313
nome_arquivo_s : Decisao_16561000080200762.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16561000080200762_5573499.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
id : 6307331
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123949973504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 838 1 837 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000080/200762 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.313 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 03 de março de 2016 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente CARITAL BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 08 0/ 20 07 -6 2 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 839 2 Relatório PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL), apontada como responsável solidária, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS, COFINS e Multa Isolada, relativas aos anos calendário de 2003 e 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: ausência de comprovação de despesas e omissão de receitas caracterizada por passivo não comprovado. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos apurados e as razões de impugnação trazidas pela responsável solidária. Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe foram apuradas, conforme relatado no "Termo de Verificação Fiscal" (fls.335 a 341), as seguintes infrações: DESPESAS NÃO COMPROVADAS A fiscalização declara que a Contribuinte, "não apresentou documentos que comprovassem a necessidade e a efetividade, das despesas operacionais, bem como das despesas nãooperacionais, debitadas ao resultado dos exercícios fiscalizados e informados nas DIPJ, bem como não decompôs as contas do razão integrantes das mesmas, o que ensejou a glosa total das respectivas despesas, conforme demonstrado abaixo": ... MÚTUOS NÃO COMPROVADOS OMISSÃO DE RECEITA A fiscalização informou que "a caracterização do mútuo não é necessariamente a entrega da coisa mutuada, fisicamente considerada, mas a entrega do domínio sobre essa coisa. E é essa entrega de domínio que não se verifica no presente caso. Afinal, em nenhum momento fica comprovada a entrega do valor financeiro a qualquer das partes envolvidas ou que alguém depositou valor em algum lugar a mando de outrem ou mesmo que alguém pagou coisa a mando de outrem". "Resta, portanto, incomprovada a assunção da obrigação registrada no passivo da empresa, posto que em nenhum momento foram disponibilizados os instrumentos contratuais e tão pouco a comprovação de que recursos que teriam sido mutuados tenham estado à disposição do contribuinte". "Fica, assim, caracterizada a infração prevista no artigo 281 do Regulamento de Imposto de Renda/99". O detalhamento, dos mútuos não comprovados, está na fl. 339 e totalizam as valores de R$ 262.108.826,23 para o anocalendário de 2002 e R$ 202.019.390,72 para o anocalendário de 2003. 2. Em decorrência do mencionado, o total das despesas não comprovadas de R$ 1.076.071.546,16 e dos mútuos, também, não comprovados de R$ 464.128.216,95 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 840 3 foram tributados de oficio. Foram lavrados os seguintes autos de infração, em 27/07/2007, com os enquadramentos legais descritos nos mesmos (fls. 349 a 389): ... 3. A fiscalização entendeu configurada solidariedade passiva de Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos CNPJ n°. 89.940.878/000110, pois apurou administração interdependente das "Empresas Parmalat", caracterizando interesse comum. 4. Foi solicitado e obtido parecer da PFN (Anexo, III, fls. 500 a 506 e 509 a 516) sobre o assunto, sendo que a mesma entendeu pela aplicabilidade da responsabilização solidária e concluiu pelo dever do fisco lançar as obrigações tributárias contra a Carital e contra a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, com base no artigo 124, I, do CTN. 5. Em 27/7/2007, foi dada ciência da autuação à autuada "Carital Brasil Ltda., CNPJ n°. 44.764.595/000127" e em 30/07/2007 à responsável solidária "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, CNPJ n°. 89.940.878/000110". 6. Não foi apresentada impugnação em nome da autuada "Carital Brasil Ltda.,". 7. Em 29/08/2007 a autuação foi impugnada apenas pela responsabilizada solidariamente, "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos". Foi apresentando resumidamente o seguinte: 7.1. alega que é pessoa jurídica distinta da autuada, não tendo acesso a informações e documentos para defenderse do mérito da acusação, o que invalida sua condição de responsável solidária; 7.2. alega que a ligação entre a Impugnante e a Carital deixou de existir em 1999, quando a Carital, então denominada Parmalat Participações Ltda., teve seu controle cedido para terceiros, deixando de integrar ao mesmo grupo societário da Impugnante; 7.3. informa que na época em que havia alguma ligação com a Carital, a relação era baseada no controle minoritário da Impugnante pela Carital na ordem de 10% das ações. Além disso, alega que as atividades eram totalmente distintas; 7.4. alega que a solidariedade poderia parecer menos absurda se a fiscalização tivesse demonstrado algum tipo de beneficio auferido pela Impugnante em decorrência das operações realizadas pela Carital; 7.5. diz que o auto de infração é nulo, pois, atendendo ao princípio da legalidade estrita e tipicidade cerrada a fiscalização afirma o cometimento da infração pela Carital, porém, não aponta o fundamento material do vinculo que justificaria a sujeição passiva da Impugnante; 7.6. alega que glosa de despesa, não é situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal. Diz que neste caso o fato gerador é a aquisição de acréscimo patrimonial. Pergunta como pode se defender, demonstrando que não tinha interesse comum em algo que sequer conhece? Alega que o mesmo se aplica à pretensa omissão de receita; 7.7. diz que, "em vista do exposto, o cerceamento de defesa é inarredável. Há uma completa ausência da indicação do fato fenomênico que potencialmente poderia ser utilizado como pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no artigo 124, I do CTN"; Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 841 4 7.8. informa que está em recuperação judicial deferida em 04/07/2005, e desde 26/5/2006 sob controle de Lácteos do Brasil S.A.; 7.9. informa que tem decisão transitada em julgado que impossibilita atribuição de responsabilidade solidária sobre obrigações da Carital; 7.10. alega que os artigos 60 e 141 da Lei 11.101/05 afastam a sucessão tributária da recuperanda; 7.11. informa que, em 21/11/2006, o juizo da recuperação declarou que a Lácteos do Brasil S/A não se constitui como sucessora de qualquer obrigação de quaisquer outras empresas. Que em decorrência da postulação, em sede de embargos de declaração, foi substituído o nome da "Lácteos do Brasil S/A" por "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos"; 7.12. pede a exclusão da relação tributária por ilegitimidade passiva, reconhecida judicialmente; 7.13. diz que está previsto no artigo 124, I do CTN, que para haver a solidariedade é necessário haver "interesse comum" que configure um vinculo direto com o fato gerador. Alega "para que prevalecessem as pretensões da autoridade fiscal, haveria de ter restado comprovado, de maneira irretorquível e irrefutável, o vínculo direto entre esta última e os fatos geradores imputados à primeira, consubstanciando na figura do interesse comum"; 7.14. alega que os documentos apresentados pelo Sr. Francisco Mungioli à fiscalização nada provam para a imputação, pela fiscalização, da responsabilidade solidária da Impugnante; 7.15. alega que o Parecer da PGFN não daria respaldo à responsabilização, havendo vício na aplicação do artigo 124. Que o escopo do parecer se aplicaria ao caso especifico das remessas de recursos ao estrangeiro, logo, não se aplicaria aos fatos levantados no presente processo; 7.16. alega que tem direito à ampla defesa com apreciação de suas alegações, conforme Lei 9.784/99 e decisões do CC. Declara "ser totalmente descabido qualquer argumento no sentido de que a análise da responsabilidade tributária atribuída a terceiros seria de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e, por conseguinte, do Poder Judiciário, razão pela qual as razões de defesa da lmpugnante não poderiam ser analisadas por esta C. Turma de Julgamento"; 7.17. alega que "ad argumentandum", não cabe aplicar multas em eventual responsabilização solidária, conforme art 5° XLV da CF, doutrina e decisões do CC acostadas, sobre pessoalidade penal, culpabilidade, limites de responsabilidade sucessória. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1618.195, de 22 de agosto de 2008 pela procedência dos lançamentos e da imputação de RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA formalizada pela Fiscalização. O referido julgado foi assim ementado: PRECLUSÃO. Intimada, a autuada não contestou o lançamento, tendo prosseguido o julgamento, em decorrência da impugnação apresentada pela empresa responsabilizada solidariamente. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 842 5 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se aplica a nulidade do auto de infração quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação. Havendo no lançamento informações e justificativas que permitem ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, não se caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Sendo comprovado o interesse comum nos negócios da autuada e sendo comprovada a reorganização societária com a finalidade de isolar contingências nestas empresas, desonerando a "Parmalat", é aplicável o previsto no art. 124, I do CTN. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, previsto no art. deve ser interpretado como sendo nas operações da empresa ligada onde foi gerado o fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. É do Poder Judiciário a prerrogativa de determinar as obrigações a serem cumpridas pela contribuinte em processo de recuperação judicial, quando da possível execução da divida. No julgamento administrativo o foco é a regular constituição do crédito tributário e a responsabilidade solidária. A responsabilização solidária no caso de recuperação judicial é aspecto inerente execução do débito. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A multa lançada neste caso não se compara com a situação de sucessão. Na solidariedade as empresas são coresponsáveis pelas infrações cometidas, incluindo as penalidades. Irresignada, PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS interpôs recurso voluntário, fls. 605/648, por meio do qual, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, tece considerações acerca sobre a sua evolução enquanto sociedade empresária, e, adiante, sustenta: a nulidade dos autos de infração, em razão de cerceamento do direito de defesa; o reconhecimento judicial da impossibilidade de ela ser responsabilizada por débitos da pessoa jurídica fiscalizada; a inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN, ao presente caso; a impertinência da cominação de solidariedade passiva com relação a multas sancionatórias impostas à Carital; a necessidade de cancelamento dos juros de mora calculado com base na taxa SELIC; e a ilegalidade da incidência dos juros SELIC sobre a MULTA. É o Relatório. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 843 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS, COFINS e Multa Isolada, relativas aos anos calendário de 2003 e 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: ausência de comprovação de despesas e omissão de receitas caracterizada por passivo não comprovado. A contribuinte fiscalizada e autuada, CARITAL BRASIL LTDA, não impugnou as exigências formalizadas. O litígio foi instaurado a partir da interposição de impugnação por parte de PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS, apontada como responsável tributária pelos créditos tributários constituídos, com amparo nas disposições do art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Analisando o Termo de Verificação e Constatação de fls. 335/348, constato que a autoridade fiscal concluiu pela inclusão da PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS no pólo passivo da obrigação tributária formalizada com base nos seguintes elementos: i) declaração prestada pelo Sr. FRANCISCO ESTEVÃO RINCON MUNGIOLI; e ii) Parecer expedido pela Procuradoria da Fazenda Nacional em resposta à consulta a ela formalizada. O referido Termo de Verificação e Constatação assinala que o inteiro teor da consulta formalizada, bem como a resposta da Procuradoria da Fazenda Nacional, foram anexados ao citado Termo. A decisão exarada em primeira instância, de igual forma, fundamenta a manutenção da responsabilidade tributária da PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS na declaração do Sr. FRANCISCO ESTEVÃO RINCON MUNGIOLI e no PARECER expedido pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Faz referência, também, a documento entregue pelo referido senhor acerca de correspondência enviada pelo Gerente Executivo Jurídico da PARMALAT à CARITAL. Em que pese a informação constante do Termo de Verificação e Constatação em sentido contrário, não localizei nos autos a CONSULTA e o PARECER expedido pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Por outro lado, tanto o despacho de fls. 561 como a decisão de primeira instância, ao fazerem referência ao PARECER em questão, afirmam que ele compõe o ANEXO III/III fls. 508 a 516 na decisão, fls. 500/516 no despacho. Quanto à correspondência enviada pelo Gerente Executivo Jurídico da PARMALAT à CARITAL, a informação que consta da decisão de primeiro grau é de que ela encontrase no ANEXO I/III, fls. 32/39. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 844 7 Diante de tais circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam aportados ao processo os ANEXOS correspondentes ao procedimento fiscal levado efeito, especialmente os de nºs I e III. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006647/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO.
A presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
Deve-se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
Numero da decisão: 1401-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento de ofício; e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator). Designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. A presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Deve-se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10935.006647/2010-38
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5522049
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.116
nome_arquivo_s : Decisao_10935006647201038.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 10935006647201038_5522049.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento de ofício; e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator). Designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 6127108
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123953119232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.837 1 4.836 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.006647/201038 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.116 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria LUCRO REAL Recorrente TAPEVEL AUTOMOTIVA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. A presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento de ofício; e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator). Designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 66 47 /2 01 0- 38 Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.838 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Relatório Tratase de recurso de ofício e recurso voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente em parte o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: “Trata o processo dos autos de infração de fls. 2/32, em que se exigem: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJ, no valor de R$ 1.581.048,45, lavrado exigindo o imposto apurado pelo lucro real trimestral devido à omissão de receitas, evidenciada por depósitos bancários não contabilizados e que a contribuinte, intimada, não logrou justificar que se referissem a valores tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou ainda de outra origem justificada; períodos de apuração 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal no art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 40 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992; art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 249, II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287, 288 e 841, VI do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 576.192,96, em decorrência da mesma omissão de receitas descrita; períodos de apuração; 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal nos arts. 1º , 2º e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 20 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. I o da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.839 3 c) contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 132.408,02, referente a: c.l ) apuração reflexa sobre receitas não declaradas, apurada com incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; base legal no art. Io da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 1º a 4º da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002; arts. 23, 59, 63 e 79 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002; c.2) apuração reflexa sobre as receitas omitidas, por incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; base legal no art. I o da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 1ºo a 4ºda Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002; arts. 23, 59, 63 e 79 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d) contribuição ao Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 609.856,48, referente a: d.l ) apuração reflexa sobre receitas não declaradas, apurada com incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; com base legal no art. I o da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 1º , 2º , 3º e 5º da Lei n° 10.833, de 28 de dezembro de 2003; d.2) apuração reflexa sobre as receitas omitidas, por incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; base legal no art. I o da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; arts1º , 2º , 3º e 5º da Lei n° 10.833, de 28 de dezembro de 2003. 2. Foi aplicada multa de oficio de 75% do art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3 o da Lei n° 9.430, de 1996. 3. Às fls. 33/43, descrição dos procedimentos e autuação, no Termo de Verificação Fiscal e às fls. 44/103 Anexos de I a XII, detalhando a apuração dos valores lançados. 4. O autuante informou que apresentou Representação Fiscal para Fins Penais IRPJ, processo n° 10935.006649/201027. 5. A empresa foi cientificada dos autos de infração em 22/10/2010 e, tempestivamente, em 23/11/2010, apresentou a impugnação de fls. 1.112/1.143, por meio de seus representantes legais, fl. 1.144, com os documentos relacionados de fls. 1.145/1.518. 6. Afirma que a exigência é indevida, pois a base de cálculo de depósitos bancários, sem qualquer indício ou exteriorização de riqueza, não é real e constitui inovação no sistema jurídico. 7. Afirma ser necessária prova cabal da omissão para consubstancial lançamento fiscal e que os autos se apoiam em meras presunções resultantes de indícios, portanto, a exigência fiscal não teve sua materialidade provada e é nula; que inexistem presunções absolutas, portanto uma imposição fiscal baseada nas mesmas é ilegal; lembra que o fato gerador é a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação tributária, e no caso do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica ou de proventos de qualquer natureza; assim, sem ter ocorrido evento previsto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.840 4 como gerador da obrigação tributária, esta não pode ser declarada existente, pelo simples desejo do intérprete da lei, afrontando os arts. 112 e 107 do CTN. 8. Ressalta que cabe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos da exigência, o que não foi feito e, conforme art. 142 do CTN, o ônus da prova pertence exclusivamente à autoridade administrativa. 9. Aponta a impossibilidade de autuação com base apenas em extratos bancários, faltando apuração mais criteriosa; transcreve acórdãos da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF nesse sentido; explica que é notório que uma empresa necessita de capital de giro para operar e que as taxas de juros no País são estratosféricas, além de serem exigidas garantias, o que empurra as pequenas empresas para a informalidade, tendo que apelar a agiotas; tais empréstimos informais não são contabilizados, porém não constituem renda passível de tributação, não podendo ser bases de cálculo de tributos; por isso a autuação deve ser anulada. 10. Para a eventualidade de a DRJ entender por manter o lançamento fiscal baseado na presunção de omissão de receitas correspondentes a depósitos bancários recebidos, junta comprovações de depósitos recebidos nos itens anexos 01 a 39, que descreve às fls. 1.121/1.131. 11. Reclama de ter sido aplicada a multa de ofício de 75%, acusando que possui intuito arrecadatório e feição de tributo disfarçado, dado que não foi caracterizada conduta ilícita do contribuinte, eis que não se pode conceber a imposição de multas quando a conduta praticada está estribada na própria legislação e a autuação se fundamenta em mera presunção, não sendo decorrente de fato incontroverso; mas, caso mantida pelo julgador, que seja reduzida a percentuais razoáveis, pois o percentual aplicado é incompatível com os baixos índices inflacionários do momento e se caracteriza como confiscatório e viola o princípio constitucional da capacidade contributiva do art. 145, § 1º da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988; transcreve jurisprudência do Supremo Tribunal Federal STF, que entende relativa ao caso; aponta que poderseia adotar como parâmetro o Código de Defesa do Consumidor que fixou o teto máximo de 2% para a punição; lembra que a administração tributária pode revogar ou anular seus atos, consoante Súmula 473 do STF e arts. 145 e 149 e incisos do CTN. 12. Acusa ilegalidade de cobrança de juros de mora acumulados mensalmente pela taxa Selic incidentes sobre a multa de ofício; disserta que a lei determina a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de "tributos e contribuições" e que estes são diversos de atos ilícitos, não podendo ser confundidos; que, se o legislador pretendesse que os juros também incidissem sobre a multa, como ocorreu no presente caso, teria utilizado a expressão "débitos de qualquer natureza" e transcreve trechos de leis que se referem a contém essas expressões; portanto, os juros de mora do § 3º do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, incidem apenas sobre "tributos e contribuições"; requer a excluída a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade de tal exigência. 13. O processo consiste em 6 (seis) volumes.” Em face de tais argumentos, por unanimidade de votos, os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA julgaram procedente o lançamento em parte, nos termos do voto condutor. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.841 5 Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. FINANCIAMENTOS. NOTAS FISCAIS FATURA. CRÉDITOS BANCÁRIOS JUSTIFICADOS. Cabe excluir da autuação os valores de depósitos/créditos bancários justificados como financiamentos e notas fiscais faturas escrituradas recebidos, comprovados por documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006,31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinada expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Descabida a reclamação se os juros de mora foram apurados exclusivamente sobre os tributos e contribuições exigidos de ofício, não incidindo sobre a multa de ofício aplicada. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.842 6 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do referido acórdão a TAPEVEL AUTOMOTIVA LTDA. interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Vencido Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O presente Recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Conforme exposto no Relatório, versa o presente caso sobre Auto de Infração referente a IRPJ, CSLL, PIS, e COFINS exigidos devido a suposta omissão de receitas evidenciada por depósitos bancários não contabilizados, e sem a origem comprovada, e que a contribuinte intimada em sede de fiscalização, não teria logrado êxito em justificar se tais depósitos se referiam a valores tributáveis ou não tributáveis. Em decorrência do julgamento parcialmente procedente da Impugnação apresentada pelo contribuinte, este recorre quanto aos valores mantidos, bem como suscita a impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, impossibilidade de existência da referida presunção, inaplicabilidade de multa no patamar de 75%, e a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. Por outro lado, recorre a DRJ de ofício quanto ao crédito tributário exonerado. Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.843 7 Dito isto, passarei a analisar os pontos e fundamentos presentes no Recurso de Ofício e do Voluntário de forma separada. Do Recurso de Ofício Parte do crédito tributário foi exonerado tendo em vista que a DRJ aceitou parte das justificativas e documentos apresentado pelo contribuinte, no sentido de comprovar a origem de parte dos depósitos bancários efetuados. Neste ponto, entendo que a decisão não merece reforma, tendo em vista que as justificativas apresentadas pelo contribuinte, e acatadas pela DRJ, estão corretas, contudo, com o fito de prestigiar o princípio da economia processual, cada item objeto de deposito questionado será analisado de maneira conjunta com os questionamentos do contribuinte junto a análise do Recurso Voluntário, para que não haja necessidade repetir a tabela. Do Recurso Voluntário Da Impossibilidade de discussão acerca de Inconstitucionalidade de Lei. Primeiramente, insurgese a Recorrente alegando a impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Ocorre que tal matéria não pode ser apreciada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista o óbice expressamente consignado na Súmula nº 2, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, como este Egrégio Conselho não é competente para julgar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não merece prosperar o pedido de extinção do crédito tributário quanto a este tópico. Da presunção sobre os depósitos bancários e a utilização de extratos bancários Alega a Recorrente que os fundamentos embasados no Auto de Infração em referencia possuem suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não podendo admitir nesses fundamentos aparentemente superficiais e desprovidos de substância. Isto porque, segundo a Recorrente existiriam meras presunções simples que não teriam supedâneo de constituir o crédito tributário, cabendo a União o dever de provar cabalmente que os depósitos nas contas bancárias da empresa são receitas tributáveis. Entendo que não assiste razão a Recorrente. Vejase o que determina a legislação pertinente a omissão de receita calcada em depósitos bancários, qual seja a lei 9430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.844 8 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Sobre a presunção legal de omissão de receitas, é oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei n° 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou o seguinte: "Art. 6.°. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5.°. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.) " À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.° 8.021, del990: foi promulgada a já transcrita Lei n.° 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4 o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.° do art. 6.° da Lei n.° 8.021, de 12 de abril de 1990. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.845 9 Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei n° 8.021, de 1990, condicionavase à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência do fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador as chamadas presunções legais – como no caso em tela, a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que elidam a presunção de omissão resultante. Nessa linha, as presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções júris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. Assim, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. Da análise específica dos depósitos bancários Quanto à análise de cada depósito bancário, entendo que a DRJ realizou um trabalho exemplar, cotejando todos os documentos envolvidos no presente caso, motivo pelo qual entendo pela manutenção dos depósitos que foram reconhecidos, bem como pela Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.846 10 manutenção daqueles que não tiveram provas suficientes para desconstituir o lançamento tributário. Assim, valhome da tabela elaborada pela DRJ: Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.847 11 Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.848 12 Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.849 13 Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.850 14 Assim, os argumentos trazidos pela Recorrente não passaram de mera repetição dos argumentos utilizados quando da Impugnação, não sendo juntadas novas provas ou elementos que tivessem força para alterar a decisão de primeira instância. Fl. 4850DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.851 15 De igual forma, não merece reparo a parte dos depósitos que tiveram a origem reconhecida, devendo ser negado provimento ao Recurso de ofício Interposto. Da aplicação da Multa de Ofício no Patamar de 75% Insurgese também o contribuinte no que tange a aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, por ser esta, supostamente, exorbitante. Contudo, tal irresignação não merece acolhimento tendo em vista que o artigo 44 da Lei 9430/6 é expresso ao prever a aplicação da multa de 75%, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. Dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício No que tange a impossibilidade da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício assiste razão a Recorrente, devendo nesta parte ser julgado procedente o seu apelo. Por fim, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para não incidir os juros de mora sobre a multa de ofício, e manter o lançamento quanto a não comprovação os demais depósitos bancários. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencido Fl. 4851DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.852 16 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator do Voto Vencedor A minha divergência restringese apenas ao cancelamento do juros de mora sobre a multa de ofício. Não procede a alegação da recorrente no sentido de ser indevida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício . No ataque à essa questão geralmente se utiliza do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa está consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Fl. 4852DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.853 17 Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício e nego provimento ao recurso voluntário nesse aspecto também. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 4853DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917862/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.917862/2011-15
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556075
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.751
nome_arquivo_s : Decisao_10830917862201115.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917862201115_5556075.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6242965
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123960459264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.966 1 2.965 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917862/201115 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.751 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria COFINS DCOMP Eletrônico Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 62 /2 01 1- 15 Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.726, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 57/63 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 30720.64574.100506.1.2.040900, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917862/201115 Acórdão n.º 3402002.751 S3C4T2 Fl. 2.967 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 06/12/2013 (fl. 66). Inconformada, a mesma apresentou, em 17/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 68/88), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.199 (fls. 125/127),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.199 (fls. 125/127), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917862/201115 Acórdão n.º 3402002.751 S3C4T2 Fl. 2.968 5 A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.909/2010 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 30720.64574.100506.1.2.040900, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 3.273,63 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 06/2002, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 6.914.004,39, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 6.702.724,07, concluise que Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 integrou a base de cálculo o montante de R$ 108.152,78 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 108.152,78. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 3.244,58. Em sua manifestação (fls. 2.915/2.918), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.917: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 3.244,58, referente a parcela de crédito da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917862/201115 Acórdão n.º 3402002.751 S3C4T2 Fl. 2.969 7 Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917835/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.917835/2011-42
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556066
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.748
nome_arquivo_s : Decisao_10830917835201142.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917835201142_5556066.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6242947
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123963604992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.970 1 2.969 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917835/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.748 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria PIS/Pasep DCOMP Eletrônico Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 35 /2 01 1- 42 Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.702, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 56/62 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 23840.97043.100406.1.2.042378, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917835/201142 Acórdão n.º 3402002.748 S3C4T2 Fl. 2.971 3 contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fl. 65). Inconformada, a mesma apresentou, em 30/01/2014, o Recurso Voluntário (fls. 67/87), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.175 (fls. 131/133),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.175 (fls. 131/133), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917835/201142 Acórdão n.º 3402002.748 S3C4T2 Fl. 2.972 5 ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.915/2.916 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 23840.97043.100406.1.2.042378, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 424,89 referente a crédito de PIS/PASEP relativo ao período de apuração 09/2001, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 4.314.717,7, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 3.894.573,94, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 94.293,76 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da PIS/PASEP totalizam R$ 94.293,76. Assim, a parcela de PIS/PASEP relativa a essas receitas somam R$ 612,91. Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Em sua manifestação (fls. 2.921/2.924), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.923: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 424,89, referente a parcela de crédito da COFINS, solicitado neste processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721586/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NORMAS GERAIS. INOVAÇÕES E AUSÊNCIAS NA DECISÃO. NULIDADE.
A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal.
A ausência de análise e a inovação nos fundamentos pela decisão de primeira instância acarreta o cerceamento de defesa e, segundo o que determina o Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
No caso, houve a ausência de enfrentamento e a inovação de argumentos na decisão de primeira instância, motivo de nulidade da decisão, devido ao cerceamento de defesa.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (Relator), Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para a apresentação do voto vencedor o conselheiro Marcelo Oliveira.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Marcelo Oliveira Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. INOVAÇÕES E AUSÊNCIAS NA DECISÃO. NULIDADE. A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal. A ausência de análise e a inovação nos fundamentos pela decisão de primeira instância acarreta o cerceamento de defesa e, segundo o que determina o Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, houve a ausência de enfrentamento e a inovação de argumentos na decisão de primeira instância, motivo de nulidade da decisão, devido ao cerceamento de defesa. Decisão Recorrida Nula.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15504.721586/2012-98
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572454
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.895
nome_arquivo_s : Decisao_15504721586201298.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 15504721586201298_5572454.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (Relator), Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para a apresentação do voto vencedor o conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6300239
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123966750720
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-02-22T14:38:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-02-22T14:38:55Z; Last-Modified: 2016-02-22T14:38:55Z; dcterms:modified: 2016-02-22T14:38:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:3b4164f5-6cd9-4ba8-8085-7e529256d455; Last-Save-Date: 2016-02-22T14:38:55Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-02-22T14:38:55Z; meta:save-date: 2016-02-22T14:38:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-02-22T14:38:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-02-22T14:38:55Z; created: 2016-02-22T14:38:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2016-02-22T14:38:55Z; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-02-22T14:38:55Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.591 1 1.590 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.721586/201298 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.895 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FORNAC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. INOVAÇÕES E AUSÊNCIAS NA DECISÃO. NULIDADE. A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal. A ausência de análise e a inovação nos fundamentos pela decisão de primeira instância acarreta o cerceamento de defesa e, segundo o que determina o Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, houve a ausência de enfrentamento e a inovação de argumentos na decisão de primeira instância, motivo de nulidade da decisão, devido ao cerceamento de defesa. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 15 86 /2 01 2- 98 Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (Relator), Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para a apresentação do voto vencedor o conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Marcelo Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.592 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 45.374 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração – AI a seguir: a) AI n.º 37.329.3801: exigência das contribuições patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre remunerações não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, além de glosas de saláriofamília; b) AI n.º 37.329.3852: exigência da contribuição retida dos segurados não declarada na GFIP; c) AI n.º 37.329.3860: exigência da contribuição dos segurados não retida, nem declarada na GFIP; d) AI n.º 37.329.3844: exigência das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP; e) AI n.º 37.329.3844: aplicação de multa em razão da conduta de não declarar na GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Nos termos do Relato Fiscal, 36/47, a apuração fiscal deuse mediante a utilização de diversos levantamentos, os quais podem ser resumidos como a seguir: a) FP e FP1: valores constantes nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP, conforme discriminado no Anexo I. b) PL e PL1: pagamentos a título de participação nos lucros em desconformidade com a Lei n.º 10.101/2000. Os valores em questão encontramse apresentados no Anexo III. Afirma o fisco que o Acordo de PLR se apresenta omisso quanto às regras que fixam direito ao recebimento da verba e aos parâmetros de mensuração para fins de avaliação de cumprimento do acordado. Assim resta descumprido o § 1.º do art. 2.º da referida Lei. c) PT e PT1: fornecimento de alimentação sem que a empresa estivesse inscrita no PAT, conforme Anexo V. d) SF e SF1: glosa de dedução do saláriofamília repassado aos empregados em desobediência à legislação de regência, conforme demonstrado no Anexo VIII. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 e) SE, SL, SL1, ST, ST1: os Anexos II, IV e VI apresentam os valores devidos a título contribuição dos segurados não descontada, a qual foi calculada pela alíquota mínima, em razão de se poder individualizar a base de cálculo relativa ao fornecimento de alimentação. f) AP e AP1: referemse às quantias descontadas dos segurados e não repassadas à Seguridade Social, as quais estão relacionadas no Anexo VII. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta para o conjuntos das autuações, levandose em consideração as mudanças promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Há também a ressalva que no período da apuração não há o que se falar em decadência, uma vez que a empresa não declarou na GFIP as remunerações que serviram de base para a apuração. Foi lavrada Representação Fiscal Para Fins Penais para a autoridade competente, em tese, pela prática de crimes contra Seguridade Social e contra a Ordem Tributária. Cientificada dos lançamentos em 29/02/2012, a empresa apresentou impugnação na qual inicialmente afirma haver quitado o AI n.º 37.329.3852. Depois alega que as refeições fornecidas aos seus empregados não pode sofrer a incidência de contribuições, posto que não se caracteriza como remuneração. Sustenta que os pagamentos a título de PLR foram efetuados em total consonância com a Lei n.º 10.101/2000, portanto, não podem ser tributados. Afirma que as diferenças entre folha de pagamento e GFIP referemse a diferenças de 13.º Salário para os empregados que recebiam remuneração variável em 2007. Esclarece que o segurado Antônio Minelvino possuía múltiplos vínculos e já recolhia contribuição pelo teto legal. O órgão de primeira instância determinou a realização de diligência fiscal, para que a Autoridade Lançadora apreciasse os argumentos da defesa e documentos juntados. O fisco se pronunciou, sugerindo alteração da base de cálculo para a competência 12/2007, por reconhecer que houve a apuração de contribuição sobre descontos efetuados a título 13.º pago a maior. Acerca dos valores pagos ao trabalhador Antônio Minelvino, o Auditor informou que não houve a apuração da contribuição do segurado, posto que havia documentos demonstrado que este já recolhia pelo teto do saláriodecontribuição. A empresa tomou ciência da informação fiscal e se pronunciou para reiterar os termos da defesa e pedir o cancelamento das lavraturas. O órgão de primeira instância decidiu acatar em parte as razões da defesa. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.593 5 Os levantamentos PT, PT1, ST e ST1 foram excluídos da apuração em razão do que dispõe o Ato Declaratório nº 3 de 20/12/2011 pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, publicado no DOU, página 00036 em 22/12/2011, o qual manifesta o entendimento de que não há a incidência de contribuições sobre o fornecimento de alimentação in natura, independentemente da inscrição da empresa no PAT. Foi promovida a retificação da base de cálculo para a competência 12/2007, conforme sugerido pelo fisco em sua resposta à diligência fiscal. Acerca do Plano de PLR, a DRJ concluiu que este estaria em desconformidade com a lei de regência, posto que não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Aduz que o acordo para pagamento da verba não foi firmado previamente ao início do período aquisitivo do direito, bem como houve a quebra da periodicidade legal, posto que houve pagamento em 12/2007 e em 03/2008, desrespeitando o intervalo legal de seis meses entre os pagamentos a título de PLR. Inconformado com essa decisão, o sujeito passivo apresentou recurso, no qual inicialmente postula pelo reconhecimento da sua tempestividade, além de mencionar a quitação do AI n.º 37.329.3852. Depois afirma que, ao contrário dos fundamentos lançados no acórdão recorrido, a empresa cumpriu as regras da Lei da PLR. Os valores pagos a esse título decorreram de Acordo Coletivo de Trabalho ACT firmado entre a FORNAC e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, após exaustivo processo de análise de resultados. O referido ACT foi formalizado em 05/11/2007, após intensa negociação com o Sindicato representativo da categoria dos seus empregados e teve como parâmetros índices de produtividade apurados até o mês de novembro daquele ano, as projeções de lucro e o quantitativo de empregados, o que demonstra que os requisitos constantes no art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000 foram cumpridos. Não há na Lei exigência para que o acordo seja assinado antes de iniciado o período aquisitivo do direito, bastando que haja parâmetros a serem aferidos posteriormente pelas partes, o que ocorreu in casu. Reconhece que, malgrado os critérios para pagamento da PLR terem sido negociados, os mesmos não foram transladados no corpo do ACT, optandose por uma redação resumida, onde se enfatiza que o Acordo foi elaborado conforme as regras legais aplicáveis. Advoga que os pagamentos efetuados em 12/2007 e 03/2008 não ferem a regra legal de periodicidade. Menciona que o ACT para pagamento da PLR foi devidamente registrado no Ministério do Trabalho e Emprego. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Conclui que todas as regras da Lei da PLR foram cumpridas e na esteira da jurisprudência do CARF e do STJ deve ser afasta a incidência de contribuições sobre a verba em questão. É relatório. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.594 7 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Da incidência de contribuições sobre a PLR Dos termos do recurso, percebese que a única questão trazida a esse Colegiado referese à incidência de contribuições sobre as verbas pagas a título de PLR. A participação nos lucros ou resultados é uma benesse constitucional prevista no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n.º 10.101/2000. O art. 1.º desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, essa Lei veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Para o legislador a PLR sempre deve resultar de negociação entre trabalhadores e patrões, conforme se pode ver do dispositivo abaixo, o qual transcrevo com a redação vigente no período da ocorrência dos fatos geradores: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Além da obrigatoriedade de negociação, a Lei traz exigências acerca da formalização do instrumento de negociação, deve conter a clareza necessária para que as partes, principalmente os empregados, possam identificar os critérios e condições que devem ser observados para pagamento da verba, bem como a forma de mensuração dos mesmos. Eis o texto legal: §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. O relatório fiscal indica que o ACT firmado pela recorrente e o sindicato que representa os seus trabalhadores não cumpre o § 1.º acima, posto que carente das regras que norteariam procedimento de pagamento da verba. Dito de outro modo não teria havido a estipulação de qualquer meta, resultado ou índice de melhoria empresarial que, uma vez atingidos, daria direito ao recebimento da PLR. A empresa, por sua vez, alega que negociou com os empregados os índices e metas que seriam aferidos para fins de verificar o direito ao pagamento da verba, todavia, por um deslize, os parâmetros deixaram de ser transcritos no instrumento que formalizou o ACT. Para comprovar suas alegações apresentou o ACT 2007 firmado com o Sindicato das Indústria Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, ver fls. 430/431. Nesse documento verificase a existência de quatro cláusulas. A Primeira definindo os valores de PLR a serem pagos e as datas dos pagamentos. No seu § 1.º consta os critérios de proporcionalidade em função do tempo de serviço na empresa e o § 2.º menciona que a verba não tem natureza salarial. Na Cláusula Segunda há a ressalva de que não incidem encargos trabalhistas ou previdenciários sobre a verba. A Cláusula seguinte estipula que o acordo tem a vigência até 31/12/2007. E, por fim, a Cláusula Quarta traz tema estranho à PLR, ao tratar de compromisso da empresa de não reajustar o valor da refeição cobrado dos empregados. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.595 9 Nada mais foi apresentado, demonstrando, assim que o fisco acertou ao concluir que o comando inserto no § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000 foi desrespeitado, pelo fato do ACT não apresentar qualquer condição ou critério a ser alcançado para que os trabalhadores fossem agraciados pela verba em questão. Apesar da empresa garantir que houve negociação acerca das metas, nada é apresentado em socorro a esta tese. Atas de reuniões das negociações, formulários de aferição das metas, etc., nada disso foi colacionado, mas apenas o instrumento e a comprovação de que o mesmo foi registrado no órgão competente. Verificase, assim, que, ao não incluir no ACT as metas e critérios que dariam direito ao pagamento da PLR a empresa violou o § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a imunidade previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) A única conclusão possível é a de que, tendo havido o pagamento em desrespeito à Lei 10.101/2000, a verba deve ser considerada saláriodecontribuição, tendo o fisco demonstrado acerto em seu proceder. É nessa linha que tem se manifestado a jurisprudência do CARF, conforme se vê do Acórdão n.º 2301002.859, de 19/06/2012, cujo processo contou com a relatoria do Ilustre Conselheiro Leonardo Henrique Pires e que teve a ementa assim redigida: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentiválos a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos necessários à regularidade do PLR. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 do atingimento de qualquer meta ou resultado configurase como remuneração para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o propósito constitucional do instituto. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Feitas essas considerações, encaminho pela negativa de provimento ao recurso. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.596 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre relator, por quem tenho admiração, divirjo de sua decisão. Na análise do recurso, que apresenta razões para não incidência de contribuição sobre parcelas relativas a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), verificamos que a decisão traz aos autos outras razões para a tributação da verba PLR, que não estão na acusação. No lançamento há a seguinte acusação para a tributação da verba PLR: 23 Em atendimento ao solicitado a empresa apresentou o Acordo Coletivo para Participação nos Lucros e/ou Resultados, cópia em anexo, cuja redação é deficiente quanto ao estabelecimento de disposições expressas e objetivas em seus diversos aspectos, notadamente quanto aos direitos e aos parâmetros de mensuração para fins de avaliação de cumprimento do acordado. 24. Pelos termos da LEI Nº 10.101/2000 a clareza e a objetividade devem nortear a fixação tanto dos direitos substantivos dos participantes quanto das correlatas regras instrumentais, as quais devem encerrar critérios quantitativamente mensuráveis, como forma de avaliação. 25. A não observância do disposto no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000,qualifica a parcela distribuída a título de “PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS” com natureza salarial, autorizando a incidência da contribuição previdenciária. Já na decisão recorrida, no voto, há a seguinte fundamentação para a tributação do PLR: Conforme relatório fiscal e alegações apresentadas na defesa, concluise que: Não houve o estabelecimento prévio de metas e resultados, pois a PLR, como “instrumento de integração entre capital e o trabalho e como incentivo a produtividade”, deve buscar o envolvimento efetivo dos funcionários na busca dos resultados. Houve apenas a determinação do valor a ser pago como participação nos lucros ou resultados, sem o envolvimento efetivo dos funcionários na busca dos resultados. Contrariando o disposto no §1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000, não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 O acordo coletivo foi firmado em 5/11/07, com vigência estipulada em 1 ano, iniciando em janeiro/2007 e com término em 31/12/07, e restou fixado o pagamento a título de PLR em duas parcelas: em 15/12/07 e em 31/3/08. Ora, como falar em integração entre capital e trabalho e incentivo à produtividade se o acordo para o pagamento da verba foi feito pouco antes do pagamento e não antecedeu o período a que se atribui o lucro a ser distribuído. O acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos. Acrescentese que o pagamento da PLR em 15/12/07 e em 31/3/08 também não respeitou o intervalo mínimo de seis meses entre as parcelas, conforme Lei 10.101/00, art. 3o, § 2o. Portanto, correto o procedimento fiscal que apurou as contribuições sociais devidas incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de participação nos resultados, devendo ser mantidos os levantamentos PL e PL1 (AI 37.329.3801 e AI 37.329.3844) e levantamentos SL e SL1 (AI 37.329.3860). Como está claro, q decisão recorrida fundamenta sua decisão por motivos outros, que não constam da acusação, lançamento, que é, somente, a existência de redação deficiente, quanto aos direitos e aos parâmetros de mensuração para fins de avaliação de cumprimento do acordado. Ao motivar sua decisão em outros argumentos, para a tributação da PLR, a decisão recorrida: 1. Não enfrenta de forma direta a acusação contida no lançamento, retirando instância para o exercício de defesa pela contribuinte; e 2. Inova nos motivos para a manutenção do lançamento, cerceando, novamente, o exercício de defesa do contribuinte, pois, como determinado pelo devido processo legal, o acusado tem direito há acusação certa, clara e precisa. Devido ao exposto, voto pela nulidade da decisão de primeira instância, pois o Art. 59, do Decreto 70.235/1972 determina que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000024/2011-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 01/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso Especial do Procurador provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15540.000024/2011-90
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5571587
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.796
nome_arquivo_s : Decisao_15540000024201190.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15540000024201190_5571587.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 01/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6296078
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123977236480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 327 1 326 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15540.000024/201190 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.796 – 2ª Turma Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria Multa retroatividade benigna Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAND SERVIÇOS EIRELI EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 01/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 24 /2 01 1- 90 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Autos de Infração de Obrigação Principal, exigindose Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa a segurados contribuintes individuais, referentes a parte patronal, custeio da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, além da contribuição devida sobre o valor pago aos segurados contribuintes individuais e terceiros, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, respectivamente. Embora a Contribuinte tenha sido excluída do SIMPLES a partir de 1º/01/2003, manteve a declaração como optante do referido regime diferenciado, no período de 01/2006 a 06/2007. Em sessão plenária de 13/03/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2803002.170 (fls. 231 a 239), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando no Relatório Fiscal do Auto de Infração e nos seus anexos há clara identificação dos valores lançados, com todas as informações indispensáveis para contestar o débito. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para aplicar a multa, caso seja mais benéfica, prevista no art. 35, da Lei nº. 8.212/91, combinada com o art. 61, § 2º, da Lei nº. 9.430/96.” O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 05/04/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 240) e, na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de fls. 241 a 257 (Despacho de Encaminhamento de fls. 294), com fundamento no 67, do Anexo II, do Fl. 328DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 328 3 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir o recálculo da multa, para efeito de aplicação da retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 294/2012, de 06/06/2012 (fls. 319 a 325). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; para a solução destes questionamentos, devese lembrar que 'não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum" (Grau, Eros Roberto. Ensaio e Discurso sobre a Interpretaçc5o/Aplicação do Direito. 2° edição. São Paulo: Melhoramentos, pág. 40); nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de oficio das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias (a respeito, ver as fls. 38/39 do Relatório Fiscal), cumpre à fiscalização realizar o lançamento de oficio e aplicar a respectiva multa (de oficio) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430, de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 1996, ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de oficio, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; assim, no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de oficio; a multa de oficio será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário; a incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso); essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941, de 2009; é o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212, cuja literalidade se pede vênia para repisar: "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de oficio, considerandose que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas (no presente caso concreto, repisese não houve essa declaração em GFIP), nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; a multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de oficio; a multa de mora e a multa de oficio são excludentes entre si, e deve prevalecer, na hipótese de lançamento de oficio, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, diante da literalidade do art. 35A; nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento sendo o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996; logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 329 5 aqui cabe consignar o que o paradigma deixou registrado sobre o tema: "Quanto às alterações trazidas pela MP 449, a recorrente apresenta a tese de que com a nova redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/1991, as contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. De acordo com o citado dispositivo, a limitação da multa se daria em 20% que é o percentual que a recorrente pretende que seja aplicado com a retroação benigna da lei. Ocorre que a MP 449, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996". 0 inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A meu ver, a forma de cálculo que o contribuinte pretende que seja aplicada em seu favor é utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea. Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior aos 50% previstos na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, inciso II, alínea "d" que corresponde ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância, porém anterior à inscrição em divida ativa. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." a tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP n° 449, de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido, houve isto sim, lançamento de oficio, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária; por pertinente, cabe trazer à baila voto do Il. Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, proferido nos autos do processo administrativo n° 35464.003731/200395 (acórdão n° 230100.282) que corrobora, na parte abaixo transcrita, o entendimento ventilado no presente recurso, verbis: "Comparando com o artigo 44 da Lei n°9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de oficio dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: (....) Outra diferença é que as multas do artigo 44 se justificam pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento / recolhimento / declaração; sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de oficio não é cumulativa com a multa de mora. (...) Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas panes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos as penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o paaamento/recolhimento antes do procedimento de oficio, ou a multa de oficio, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de oficio e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores 6 MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de oficio. por fim, cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP n° 449, de 2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 2009: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 330 7 I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” caso se entenda pela diversidade de natureza das multas, também não se poderia falar na espécie em retroatividade benigna entre a multa prevista no art. 35 da norma revogada e na novel redação emprestada ao mesmo dispositivo pela Lei n° 11.941; nessa linha de raciocínio, a NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP n° 449/2008, atualmente convertida na Lei n° 11.941/2009. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei n° 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade, a Contribuinte quedouse silente (fls. 323 a 326). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Autos de Infração de Obrigação Principal, exigindose Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa a segurados contribuintes individuais, referentes a parte patronal, custeio da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, além da Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 contribuição devida sobre o valor pago aos segurados contribuintes individuais e terceiros, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, respectivamente. Embora a Contribuinte tenha sido excluída do SIMPLES a partir de 1º/01/2003, manteve a declaração como optante do referido regime diferenciado, no período de 01/2006 a 06/2007. Na decisão recorrida, determinouse o recálculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, ao artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que eventual retroatividade benigna seja aferida comparandose o dispositivo legal aplicado com o art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. A retroatividade benigna encontrase efetivamente prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 331 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Confrontados os textos de lei, constatase que, no caso do acórdão recorrido, comparouse, para efeito de aplicação da retroatividade benigna, a multa que fora exigida por meio do Auto de Infração de Obrigação Principal, com a multa tipificada na nova redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, que não demanda lançamento de ofício, eis que se trata de simples mora. Nesse passo, esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 332 11 condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a penalidade, nos termos em que figurou no lançamento (Relatório Fiscal de fls. 65 a 68), que já aplicou a norma mais benéfica (art. 35, II, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores, ou a multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, sendo que a soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória deve ser limitada a 75%). MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000300/2003-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada
vigente na data de sua apreciação em segunda instância, a teor da súmula CARF nº 103.
Recurso Negado
Numero da decisão: 9303-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, a teor da súmula CARF nº 103. Recurso Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19740.000300/2003-12
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5524755
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.250
nome_arquivo_s : Decisao_19740000300200312.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 19740000300200312_5524755.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
id : 6131280
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124013936640
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-15T16:39:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-09-15T16:39:46Z; Last-Modified: 2015-09-15T16:39:46Z; dcterms:modified: 2015-09-15T16:39:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:351a2fcc-da6f-45ed-adcb-a998303c53a7; Last-Save-Date: 2015-09-15T16:39:46Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-09-15T16:39:46Z; meta:save-date: 2015-09-15T16:39:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-09-15T16:39:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-09-15T16:39:46Z; created: 2015-09-15T16:39:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2015-09-15T16:39:46Z; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-09-15T16:39:46Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 429 1 428 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000300/200312 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.250 – 3ª Turma Sessão de 03 de fevereiro de 2015 Matéria Limite de Alçada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUL AMERICA CAPITALIZACAO SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, a teor da súmula CARF nº 103. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 00 /2 00 3- 12 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 430 2 Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403000.907, de 7 de abril de 2011, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, cujos membros, por unanimidade de votos, não conheceram do recurso de ofício interposto pela DRJ Rio de Janeiro I/RJ contra sua própria decisão. A DRJ recorreu de ofício de sua decisão, em face do disposto na Portaria MF nº 333, de 1997, que estabelecia o limite de R$ 500.000,00 para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das DRJs. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Período de Apuração: Ano calendário 1998. Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. Valor de alçada se revela pressuposto necessário ao conhecimento do reexame oficial, de modo que, constatado que valor é inferior ao fixado por Portaria n° 3 do CARF, implica em não conhecimento. Cientificada do acórdão, inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especia,l no qual requer que o recurso de ofício seja conhecido. Para fundamentar seu recurso discorreu: I) Síntese dos fatos; II) Do cabimento do recurso e da divergência jurisprudencial; III) Dos fundamentos para a reforma do acórdão recorrido, onde argumenta que norma posterior não poderia impedir o conhecimento do recurso, pois se trataria ato processual perfeito e acabado, sob pena de afronta à proteção constitucional ao ato jurídico perfeito (art. 5°, XXXVI), sustenta ainda que, conforme jurisprudência do STJ citada, a norma em vigor à época do advento da decisão recorrida deve reger o juizo de admissibilidade recursal; e finalmente IV) Pedido para que seja admitido e provido seu recurso. O recurso especial foi admitido, vide despacho de fls. 404/405. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 431 3 Conforme demonstrado no relatório, a DRJ Rio de Janeiro I/RJ recorreu de ofício de sua própria decisão, por ter desonerado o sujeito passivo de créditos tributários (principal e multa de ofício), no valor de R$ 988.382,13 (novecentos e oitenta e oito mil e trezentos e oitenta e dois reais e treze centavos). Nos termos da Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001, vigente à data em que proferida a decisão, 15/02/2007, o limite de alçada importava em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). No entanto, aquele limite foi alterado por meio da Portaria MF nº 03, de 07 de janeiro de 2008, estabelecendose a obrigatoriedade do recurso de ofício para exoneração superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Vejamos os termos dessa portaria: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Assim, a partir de 07 de janeiro de 2008, o limite de alçada passou a ser de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Com isso, desde essa data, o recurso de ofício está reservado a desonerações que ultrapassarem esse valor. De outro lado, observase dos autos que o julgamento do recurso de ofício objeto destes autos foi realizado no dia 7 de abril de 2011, data em que já vigia o novo limite de alçada. Neste sentido, o Colegiado recorrido decidiu por não conhecer do recurso de ofício, visto que, a competência do órgão julgador ad quem, no caso concreto, seria conferida pela devolutividade do recurso, e, no presente caso, esta não teria ocorrido, em razão de não haver sido atendido o requisito essencial à validade do recurso de ofício, qual seja, a exoneração acima do limite de alçada, limite este que deveria ser aferido, no entender do colegiado recorrido, na data do julgamento do recurso e não na de sua apresentação, conforme defende a recorrente. Esse entendimento encontra arrimo na jurisprudência do CARF, como é exemplo o acórdão nº 310100.435, cuja ementa abaixo se transcreve. AC. 310100.435 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFICIO LIMITE DE ALÇADA.A exoneração do sujeito passivo da obrigação tributária do pagamento de tributos e encargos de multas superiores ao limite de alçada fixado em ato do ministro da Fazenda impõe ao órgão judicante de primeira instância administrativa a obrigação de recorrer de oficio Na instância ad quem, o exame de admissibilidade é levado a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento do recurso.Recurso de Oficio não conhecido. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 432 4 Em suma, a jurisprudência deste Colegiado caminhava no sentido de que a verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, seria levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Este relator também comungava desse entendimento e, por diversas vezes, assim se manifestou. Todavia, recentemente, quando da discussão das propostas de súmulas a serem examinadas no próximo pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, percebi que estava equivocado, pois a posição mais consentânea com as normas processuais seria no sentido de que a verificação do limite de alçada, ensejador da interposição necessária do recurso de ofício, deveria ser aferido, no momento em que a decisão fora prolatada, e não no momento em que o recurso for julgado. A seguir, passo a expor a razões que me levaram a mudar o entendimento sobre essa questão. As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal Os processos instaurados na vigência da lei nova não oferecem maiores dificuldades, pois serão por ela disciplinado, tampouco há dificuldade de entender os efeitos da lei nova sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do processo, há alteração da lei processual, pois não há na legislação processual qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema. Teoria da unidade processual. Os adeptos dessa teoria consideram o processo como um todo, uma unidade, desdobrado em atos diversos. Essa característica unitária, faria com o processo por uma única lei, a nova ou a velha, mas como, em 1regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor, de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, o processo seria constituído de fases (postulatória, instrutória e de julgamento) autônomas, cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo. Teoria do isolamento dos atos processuais, segundo os defensores dessa corrente, a lei nova não alcançaria os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, aplicandose apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência, sem limitações quanto às fases processuais. Em síntese, por essa teoria, a lei nova, em relação ao processo pendente, confere eficácia aos atos processuais já realizados, e passa a disciplinar os demais a partir de sua vigência, respeitando o ato jurídico perfeito (acabado) e o direito adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente. Na linha desse raciocínio, temse que, se um processo foi iniciado sob a égide de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da República. 1 Regra geral, a lei produz efeitos para frentes, à exceção da lei penal mais benéfica e da que for meramente interpretativa. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 433 5 Não se pode olvidar ainda, alguns Princípios norteadores do sistema processual brasileiro, o Princípio da Imediatividade, o Princípio da Irretroatividade da Norma Processual, e o Princípio do Tempus Regit Actum. Pelo primeiro, entendese que, uma vez vigente, a norma passa a valer para todos os processos pendentes e futuros a partir de então, como previsto no 2art. 1.211 do CPC, já pelo segundo, o da irretroatividade da lei processual, temse a impossibilidade da norma processual nova alcançar ato processual praticado sob o abrigo da lei antiga, por força do primado constitucional da defesa do direito adquirido e da proteção aos efeitos do ato jurídico perfeito, e, finalmente, pelo terceiro, que na da mais é do que a síntese dos dois primeiros, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. Sob esse prisma, a lei em vigor na data da decisão regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, assim o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e os requisitos recursais regulase pela lei da data da publicação do decisum. Hoje, encontrase apascentado, na doutrina e na jurisprudência, o entendimento de que o sistema processual brasileiro abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, segundo a qual, os atos processuais são realizados durante o curso normal do processo e, uma vez inserida norma processual nova no ordenamento jurídico, em relação a processos pendente, essa novel legislação regerá apenas os atos que ainda deverão ser praticados. Esse isolamento dos atos processuais garante que a lei nova não alcançará os efeitos produzidos por atos já realizados até aquela fase do processo, por ato préexistente à nova lei. É por demais óbvio que, para os processos iniciados após a vigência da norma nova, não há que se falar em isolamento, e todos os atos do processo, desde o início, serão regido por essa nova legislação. Sobre o tema, Galeno Lacerda3, ensina que a lei nova "não pode atingir situações processuais já constituídas ou extintas sob o império da lei antiga, isto é, não pode ferir os respectivos direitos processuais adquiridos. O princípio constitucional de amparo a esses direitos possui, aqui, também, plena e integral vigência". Nelson Nery Junior4, diferencia a situação em que há alteração legislativa entre o dia do julgamento e a data da interposição do recurso, para ele, a regra do isolamento dos atos processuais deve ser particularizada quando se tratar de recurso, de modo que a lei vigente no dia em que foi proferido o julgamento é a que determina o cabimento do recurso; a lei vigente no dia em que foi efetivamente interposto o recurso é a que regula o seu procedimento Cândido Dinamarco Rangel5, um dos maiores expoente da Teoria Geral do Processo, ensina que a lei nova processual não tem aplicação imediata nas situações seguintes: quando atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas competências ou priválo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da tutela jurisdicional; 2 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes 3 O novo direito processual civil e os feitos pendentes, Rio de Janeiro, Forense, 1974, p. 13. 4 Nelson Néri Junior, Princípios Fundamentais – Teoria Geral dos Recursos, RT, São Paulo: 2000, pg. 426. 5 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. I. 5ª. ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2005, pág 120 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 434 6 quando retirar a proteção jurisdicional antes outorgada à determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida; quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; quando haja redução da possibilidade de ampla defesa, quando crie novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes; A síntese doutrinária sobre o direito intertemporal, o entendimento predominante é no sentido de que a lei vigente no dia em que foi proferido o julgamento é a que determina o cabimento do recurso, isso porque, não se pode perder de vista que se deve observar o direito adquirido e a coisa julgada, garantias constitucionais fundamentais (art. 5º, inc. XXXVI). Em outro giro, no âmbito dos tribunais, o entendimento não discrepa do da doutrina, como se pode ver do enunciado da Súmula 26 do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, abaixo transcrita. SÚMULA 26/TRF1ªREGIÃO. A lei regente do recurso é a que está em vigor na data da publicação da sentença ou decisão. O Superior Tribunal de Justiça também abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais nos termos seguintes: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA.AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 207/STJ. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos seus efeitos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, por isso que o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e o prazo para recorrer regulase pela lei da data da publicação do decisum. Distinção que evita tratamento antiisonômico na hipótese em que causas passíveis da mesma impugnação tem os seus arestos publicados em datas diversas. 2. Hipótese em que o acórdão de apelação, muito embora tenha sido publicado somente em 04.02.2003, foi proferido na sessão de 17.10.2001, data anterior à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, que entrou em vigor em 27.03.2002, e deu nova redação ao art. 530, do CPC. ("Cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência."). Fl. 434DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 435 7 4. O direito de recorrer nasce com o julgamento que em segundo grau se completa com a divulgação do resultado (art. 556, do CPC) (Lição de Galeno Lacerda in "O Novo Direito Processual Civil e os Feitos Pendentes", p. 6869). 5. Consectariamente, a lei da data do julgamento regula o direito do recurso cabível, (Pontes de Miranda, in "Comentários ao Código Processual Civil", Forense, 1975. T. VII, p. 44) 6. A ausência de interposição de embargos infringentes contra acórdão proferido por maioria de votos configura o não esgotamento da instância a quo, de modo a impedir o manejo de recurso especial.Incidência da Súmula nº 207/STJ. 7. Precedente: RESP n.º 602.916/DF, deste relator, publicado no DJ 28.02.2005. 8. Agravo Regimental desprovido.” (AgRg no REsp 663.864/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 26/09/2005, p. 205) Essa orientação da Primeira Turma da Seção de Direito Público STJ foi confirmada pela Corte Especial, em sede de Recurso Repetitivo, como demonstra a ementa transcrita linhas acima. REsp 1144079 / SP RECURSO ESPECIAL2009/01103794 Relator Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data do Julgamento 02/03/2011 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. SENTENÇA DESFAVORÁVEL À FAZENDA PÚBLICA. REMESSA NECESSÁRIA. CABIMENTO. LEI 10.352/01 POSTERIOR À DECISÃO DO JUÍZO MONOCRÁTICO. 1. A incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório é imperiosa quando a resolução do processo cognitivo for anterior à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, porquanto, à época, não havia a imposição do mencionado valor de alçada a limitar o cabimento da remessa oficial6. 6 (Precedentes: EREsp 600.874/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, CORTE ESPECIAL, julgado em 01/08/2006, DJ 04/09/2006; REsp 714.665/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2009, DJe 11/05/2009; REsp 1092058/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 01/06/2009; REsp 756.417/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 27/09/2007, DJ 22/10/2007; AgRg no REsp 930.248/PR, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, SEXTA TURMA, julgado em 21/06/2007, DJ 10/09/2007; REsp 625.224/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 29/11/2007, DJ 17/12/2007; REsp 703.726/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/08/2007, DJ 17/09/2007) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 436 8 2. A adoção do princípio tempus regit actum, pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos efeitos desses atos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório e, a fortiori, a sua submissão ao duplo grau obrigatório de jurisdição. 3. In casu, a sentença foi proferida em 19/11/1990, anteriormente, portanto, à edição da Lei 10.352/2001. 4. Recurso especial provido, determinandose o retorno dos autos ao Tribunal a quo, para apreciação da remessa oficial. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Tendo sido a questão decidida pelo STJ, na sistemática de recurso repetitivo, prevista no art. 543C do CPC, impõese a reprodução do julgado às decisões deste Colegiado, por força do art. 62A do RICARF. Não se alegue que a matéria objeto do julgado no STJ – duplo grau obrigatório, também chamado de recurso de ofício ou de remessa necessária seria diferente da aqui discutida – recurso de ofício, pois, tanto lá como aqui o que se discute é a aplicação da norma processual no tempo, o chamado direito intertemporal. Lá se decidiu qual lei regula os recursos cabíveis, se a em vigor no momento da sentença ou se a lei nova retroagiria para alcançar recursos já apresentados. Fazendose as devidas adaptações, na essência, é exatamente a matéria aqui tratada, qual lei deve ser aplicada ao recurso de ofício, no âmbito do processo administrativo fiscal, se a vigente no momento da decisão recorrida ou se a lei posterior deveria retroceder para alcançar o recurso já apresentado. Registrese ainda que o Regimento Interno do CARF, como não poderia deixar de ser, adota o Princípio do Tempus Regit Actum ao criar regra de transição7 dispondo que os recursos interpostos com fundamento nos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais seriam processados de acordo com esses regimentos, ou seja, nos termos regimentais vigentes à época da decisão recorrida. De todo o exposto, a conclusão inexorável a que se chega é no sentido de que o recurso interposto, ainda que não mais existente ou cabível, deve ser apreciado e julgado, pois a lei regente do recurso é a que vigia na data da publicação da decisão recorrida. 7 Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009) Art. 5º As negativas de admissibilidade dos recursos especiais exaradas até a data de publicação desta Portaria observarão o rito estabelecido no art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007. CAPÍTULO III DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 6ºFicam recepcionados e convalidados todos os atos e procedimentos das câmaras e turmas dos Conselhos de Contribuintes e das turmas da CSRF, bem como aqueles realizados com base na Portaria MF nº 41, de 17 de fevereiro de 2009. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 437 9 Todavia, em sentido oposto ao ora defendido por este conselheiro, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 08 de dezembro de 2014, aprovou a súmula 103, em sentido diametralmente oposto ao aqui exposto, conforme ver da descrição linha abaixo. Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Diante do exposto, resguardo meu entendimento mas, premido por determinação regimental, que veda ao conselheiro votar contra disposição de súmula, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000006/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004
FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago.
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO.
A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal.
Numero da decisão: 3401-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11634.000006/2009-93
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567649
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.007
nome_arquivo_s : Decisao_11634000006200993.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11634000006200993_5567649.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6278678
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124019179520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000006/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.007 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria PIS e COFINS Recorrente PRODUTORA E COMERCIAL AGRÍCOLA ARAPONGAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 06 /2 00 9- 93 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida este processo do auto de infração de COFINS e do auto de infração do PIS para exigir essas contribuições para os períodos de apuração: janeiro a julho de 2004 e outubro a dezembro de 2004 para a primeira e janeiro a julho de 2004 e setembro a dezembro de 2004 para a segunda. A autoridade fiscal constatou falta de pagamento e declaração das contribuições sociais ao confrontar as informações sobre elas conforme constam da DIPJ e DCTF do ano de 2004. A contribuinte impugnou os lançamentos, argumentando, conforme resumo do relator do julgamento de primeiro piso, que reproduzo: o irregularidades formais contidas no auto de infração, que, a seu ver, ensejaria sua extinção o a fiscalização baseouse em informações contidas na Declaração de Rendimentos DIPJ para efetuar o lançamento, mas que, desde 1998, essa declaração não se configura em instrumento hábil nem mesmo para confissão de dívida, sendo mera declaração de informações de interesse da administração tributária, não servindo, por si só, como base para lançamento de tributos. Acrescenta que, considerando o sistema de nãocumulatividade do PIS e Cofins a que está adstrita, há necessidade de auditoria contábil a fim de que se possa aferir o valor realmente devido de tais contribuições, considerando eventuais créditos de insumos e produtos adquiridos para industrialização e comercialização, conforme previsão legal. o que, no caso concreto, houve a informação pela empresa das estimativas de faturamento, as quais não se concretizaram, entretanto a administração pública as considerou como válidas; o que essas informações prestadas na DIPJ não podem sustentar o lançamento, e que lhes falta a verificação dos documentos hábeis por parte da autoridade lançadora. A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba considerou a impugnação improcedente e manteve os lançamentos. O Acórdão n.º 06 37.080 por ela proferido na sessão de 29/05/2012 ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11634.000006/200993 Acórdão n.º 3401003.007 S3C4T1 Fl. 3 3 É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. A faculdade estabelecida para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de nãocumulatividade, deve ser exercida pela pessoa jurídica e demonstrada em instrumento próprio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. A faculdade estabelecida para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de nãocumulatividade, deve ser exercida pela pessoa jurídica e demonstrada em instrumento próprio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte, inconformada, ingressa com recurso voluntário, através do qual retoma as razões apresentadas na impugnação, sublinhando que é razão de nulidade o lançamento desprovido de auditoria contábil para aferir o valor realmente devido, considerando eventuais créditos de insumos e de produtos adquiridos para industrialização e comercialização. Solicita seja declarada a improcedência das autuações e reformada a decisão de 1º grau. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Consultando os documentos e atos que instruem este processo verifico que a contribuinte foi intimada e reintimada (fls. 3 a 7 e 38/39) a apresentar para a autoridade fiscal os livros Diário e Razão de 2004, 2005 e 2006 e, também, a apresentar esclarecimentos a respeito da falta de informação em DCTF e do não recolhimento integral do IRPJ, CSLL do Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 PIS e da Cofins. Mas a contribuinte nada apresentou para atender essas intimações. A autoridade fiscal, assim, se utilizou das informações prestadas pela própria contribuinte para realizar os lançamentos em discussão. A contribuinte afirma que o lançamento se baseia em estimativas de receita, e não em dados da receita real. Entretanto, para atacar os lançamentos e o acórdão de 1º piso a contribuinte traz apenas argumentos. Ela não oferece, para instruir seu recurso, quaisquer elementos, documentos, livros contábeis, que demonstrem os valores reais e permitam corrigir os que ela explica seriam estimativas. Na ausência de escrituração contábil e fiscal regular, as declarações fiscais prestadas formalmente pela contribuinte podem constituir fonte para se apurar a ocorrência do fato gerador e as bases para se calcular os valores devidos. Assim, contrariamente ao que crê a contribuinte, a falta de recolhimento das contribuições a ela imputado tem base em fato: informações fiscais prestadas pela contribuinte em DCTF e DIPJ, confrontadas entre si. Constituem essas informações meios de provas, e devem ser consideradas válidas, enquanto a contribuinte não lograr afastar a presunção de sua veracidade. O lançamento é resultante de procedimento fiscal, em que a contribuinte foi previamente intimada a explicar e justificar a constatação de falta de recolhimento e declaração dessas contribuições no período sob exame, e foi intimada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, para que a autoridade fiscal pudesse examinála e verificar os valores. À contribuinte não foi suprimida a oportunidade de demonstrar a sua real receita e apresentar as declarações fiscais e os valores que consideraria corretos e devidos dessas contribuições. Desnecessária auditoria fiscal para nova verificação. Não constato que o lançamento tenha descumprido qualquer elemento necessário para sua validade, inclusive nos termos dispostos pelo artigo 9, 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Onde concluo, não se dá razão para a nulidade dos autos de infração, como pretende a contribuinte. Decreto n. 70.235, de 1972: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) .... Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. ....... Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11634.000006/200993 Acórdão n.º 3401003.007 S3C4T1 Fl. 4 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Medida Provisória nº 367, de 1993) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A contribuinte ainda reclama que o auto de infração chegou a valor devido das contribuições sem fazer um levantamento detalhado de crédito e débito, em respeito ao fato dela ser declarante pelo lucro real, e ter direito à não cumulatividade dessas contribuições, pelas aquisições de insumos e produtos. Os direitos de creditamento e de desconto das contribuições se daria com base no que regem as Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003. Ocorre que a própria contribuinte deixa de apresentar as provas do que alega. A contribuinte não traz documentos hábeis a comprovar que houve operações e que elas justificariam créditos a serem computados na apuração do PIS e da COFINS devidos. Ademais, buscando as informações fiscais prestadas pela contribuinte, nada se encontra nas bases de dados da Receita Federal. A contribuinte transmitiu, conforme informam os julgadores a quo, a DACON (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) apenas do 1º trimestre de 2004, mas sem qualquer informação. Nos períodos seguintes, a contribuinte não transmitiu esse tipo de declaração à Receita Federal, o que permitiria conhecer o resumo por ela feito das suas operações que poderia gerar direito a crédito, e se poderia supor refletir os seus controles internos. A contribuinte deixa de instruir suas alegações com prova de seu alegado direito a crédito na apuração dos valores devidos de PIS e COFINS. Parecemme corretas a argumentação e a conclusão dos julgadores de primeiro piso e não merecem reparo. Concluo propondo a este Colegiado, pelas razões expostas, que não seja dado provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000496/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, por restar evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal, caso em que não ocorre a hipótese de nulidade.
LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. . FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS.
Mantém-se o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só é suficiente para ensejar o arbitramento. No caso de se agregar um outro fundamento para o arbitramento (principal ou subsidiário), mesmo que seja invalidado não macula o outro fundamento que por si só já seria suficiente para sustentar o arbitramento.
PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA.
A MP n° 1.858-7, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999.
Numero da decisão: 1401-000.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mudança do critério jurídico. Vencidos Maurício Pereira Faro (Relator) e Cristiane Silva Costa. No mérito, por unanimidade, negar provimento. Designado para redigir voto vencedor quanto à prejudicial o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Cristiane Silva Costa, Mauricio Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, por restar evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal, caso em que não ocorre a hipótese de nulidade. LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. . FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS. Mantém-se o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só é suficiente para ensejar o arbitramento. No caso de se agregar um outro fundamento para o arbitramento (principal ou subsidiário), mesmo que seja invalidado não macula o outro fundamento que por si só já seria suficiente para sustentar o arbitramento. PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A MP n° 1.858-7, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15540.000496/2008-47
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5522060
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.969
nome_arquivo_s : Decisao_15540000496200847.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 15540000496200847_5522060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mudança do critério jurídico. Vencidos Maurício Pereira Faro (Relator) e Cristiane Silva Costa. No mérito, por unanimidade, negar provimento. Designado para redigir voto vencedor quanto à prejudicial o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Cristiane Silva Costa, Mauricio Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
id : 6127451
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124023373824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 878 1 877 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000496/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401000.969 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2013 Matéria LUCRO ARBITRADO Recorrente PLUS LIFE COOPERATIVA DE TRABALHO DE PROFISSIONAIS DA AREA DE SAÚDE E APOIO LTDA. EM LIQUIDAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, por restar evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal, caso em que não ocorre a hipótese de nulidade. LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. . FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS. Mantémse o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só é suficiente para ensejar o arbitramento. No caso de se agregar um outro fundamento para o arbitramento (principal ou subsidiário), mesmo que seja invalidado não macula o outro fundamento que por si só já seria suficiente para sustentar o arbitramento. PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A MP n° 1.8587, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mudança do critério jurídico. Vencidos Maurício Pereira Faro (Relator) e Cristiane Silva Costa. No mérito, por unanimidade, negar provimento. Designado para redigir voto vencedor quanto à prejudicial o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 04 96 /2 00 8- 47 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 879 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Cristiane Silva Costa, Mauricio Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Fl. 879DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 880 3 Relatório Tratase de autos de infração que exigem da interessada as seguintes exações: o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 316.768,59 (fls. 05/13); a Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 25.969,82 (fls. 14/21); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 119.860,96 (fls. 22/29); e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 115.066,55 (fls. 30/36). Sobre esses valores incidiram ainda a multa de ofício no percentual de 7 5% e os juros de mora. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração de IRPJ e o termo de fls. 09/10, a infração apurada é essa: Receita Operacional Omitida (Atividade não imobiliária). Prestação de Serviços. Os fatos geradores do IRPJ se referem aos quatro trimestres de 2005. Consta que o lucro desses períodos foi arbitrado, consoante os fundamentos identificados no termo de fls. 09/10, o qual vem assim vazado: 1. A sociedade cooperativa epigrafada, tem atualmente como objetivo principal a atuação na área de saúde e em estabelecimentos de saúde. 2. Efetuou a sua Declaração de Renda da Pessoa Jurídica, opcionando e se declarando como isenta. 3. Da análise desenvolvida após a apresentação dos livros pela fiscalizada, verificouse, que foi apresentado um Mandado de Segurança (Processo 2006.51.01.0062531), concedido a FEBRACOOP FEDERAÇÃO DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO E SERVIÇOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, da qual o sujeito passivo da obrigação tributária é filiado, com a suspensão da exigibilidade da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS, bem como da contribuição para o PIS e da contribuição social sobre o lucro CSLL, sobre os atos cooperativos, na forma do artigo 151, IV, do CTN. 4. O Mandado de Segurança acima, em 27/08/2008, teve a segurança pleiteada denegada. 5. O Termo de Início de Fiscalização (14/09/07) foi recebido no endereço acima, constante nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pela zeladora, sendo constatado ser a sala de segurança do prédio. O atendimento a seus cooperados ocorre na rua Maxwell, 200, Vila Isabel, Rio de Janeiro, RJ. 6. O ato cooperativo, além de ser praticado na consecução dos objetivos sociais, necessariamente deve ser praticado entre cooperativas e seus associados. 7. E ato não cooperativo, o fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 881 4 8. Em relação ao Imposto de Renda, o tratamento tributário das sociedades cooperativas está regulamentado nos arts. 182 e 183 do Decreto n° 3.000, de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). 9. O imposto de renda das sociedades cooperativas em geral nas operações com não associados será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos trimestrais. Para efeito de pagamento, a sociedade cooperativa poderá deduzir do imposto apurado, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. 10. Como se verifica, não estão cobertos pela não incidência os resultados obtidos por sociedades cooperativas em operações diversas de ato cooperativo. A base de cálculo do imposto de renda será determinada segundo escrituração contábil que apresente destaque das receitas tributáveis e os correspondentes custos, despesas e encargos, e, na sua falta, mediante arbitramento a fim de apurar o lucro a ser oferecido à tributação. 11. No razão apresentado pelo sujeito passivo da obrigação tributária, observouse não existir contabilização destacada das operações com não associados, de forma a permitir o cálculo dos tributos. 12. Para os valores a serem considerados na base de cálculo do PIS e da COFINS, a legislação considera a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, permitidas algumas exclusões, que não é o caso deste contribuinte. 13. A sociedade apresentou apenas o livro Razão. Não apresentou o livro Diário e Lalur. 14. Para efeitos de arbitramento e base de cálculo do PIS e da COFINS, são os que seguem: MÊS RECEITA BRUTA MENSAL Janeiro 55.411,95 Fevereiro 10.757,11 Março 13.783,67 Abril 14.302,29 Maio 510.019,73 Junho 428.828,97 Julho 433.443,11 Agosto 434.391,47 Setembro 440.787,23 Outubro 441.513,77 Novembro 767.412,92 Dezembro 444.715,00 3.995.367,22 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 882 5 15. No arbitramento efetuado neste auto de infração com as bases de cálculo contidas no item anterior, foram consideradas as exclusões dos valores informados pelas DIRFs em relação ao IRPJ, conforme se demonstra no Demonstrativo do Imposto Retido, parte integrante deste Termo. Os lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins se valeram da mesma material tributária, conforme se pode ver nos campos próprios de cada um dos autos de infração antes referenciados. A fundamentação legal de cada auto de infração pode ser vista no campo específico desses lançamentos. Impugnação Em 07/11/2008, a impugnante, por meio da peça de fls. 223/242, e mediante os documentos apresentados em anexos (4 pastas e 6 livros) apresentou sua impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, o que se segue: Preliminar. Irregularidade do MPF a) que houve irregularidade na execução do MPF em razão da extrapolação do prazo de validade e da matéria, bem como não houve emissão de MPF Complementar; b) que somente um MPF Complementar autorizaria a prorrogação de prazo do MPF e da inclusão da fiscalização da CSLL entre os tributos fiscalizados na execução do MPF; c) que esse entendimento é corroborado por decisões administrativas e doutrina que cita; Do arbitramento d) que embora o auditorfiscal tenha efetuado o arbitramento sob a alegação de que não teria entregue os livros e documentos de sua escrituração, esse mesmo auditor informa ter tido acesso ao Livro Razão e outros documentos bancários e contábeis; e) que os livros Diário e Lalur foram entregues ao auditorfiscal durante a fiscalização, e foram por ele analisados, mas este omitiuse no dever de dar recibo dessa entrega, o que era sua obrigação; f) que dado que o arbitramento é medida excepcional, como estipula a jurisprudência administrativa, este deve ser cancelado, pois foi ele irregular; g) que, em vista disso, anexa os livros e documentos para que seus tributos sejam apurados em procedimento normal; Do mérito. Tratamento tributário do ato cooperativo h) que o apoio e o incentivo ao cooperativismo é princípio constitucional; Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 883 6 i) que seus associados (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas) é que prestam os serviços de saúde aos clientes, configurando a cooperativa mero suporte, mero instrumento de coordenação operacional para essa prestação de serviços, conforme define seu estatuto; j ) que esse suporte aos associados é o único serviço que presta, vez que, com relação aos clientes, quem presta os serviços são os associados; k) que a jurisprudência administrativa que cita segue esse entendimento: 1) que a cooperativa de trabalho não se apropria da mãodeobra de seus sócios para executar ela o serviço; m) que os ingressos da cooperativa de trabalho são atos cooperativos, vez que os serviços são prestados pelos associados e dizem respeito à sua atividade econômica, sendo irrelevante o fato de o usuário final não compor o quadro de associados; n) que os atos cooperativos, por não gerarem acréscimo patrimonial que se caracteriza como lucro, não sofrem a incidência do IRPJ e da CSLL; o) que pelo fato de receber ingressos e não auferir receitas, não sofre a incidência do PIS e da COFINS. Em face de tais argumentos, entendeu a DRJ/RJ1 considerar improcedente a impugnação apresentada mantendose a incidência dos Créditos Tributários objetos da manifestação de inconformidade apresentadas pelo Contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. MPF. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Rejeitamse as alegações de nulidade se demonstrado que o MPF atendeu aos pressupostos normativos. ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS. Mantémse o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. Anocalendário: 2005 PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A MP n° 1.8587, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 883DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 884 7 Em face do referido acórdão de Primeira Instância a Plus Life Cooperativa de Trabalho de Profissionais da Área de Saúde e Apoio Ltda. interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Vencido Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Preliminar. Irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Alegouse que a autoridade não observou os prazos de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, nem teria ela apresentado MPF Complementar, de modo a incluir a CSLL também como tributo fiscalizado, o que tornaria nulo o procedimento. Ora, não é verdade que tenha havido alguma solução de continuidade no procedimento fiscal controlado pelo MPF F n° 07.1.02.002007003945. Como se vê às fls. 01, o referido MPF, cuja data de início se deu em 05/09/2007, com validade de até 03/01/2008 (120 dias) foi cientificado ao contribuinte em 14/09/2007. Após, tal documento sofreu sucessivas prorrogações, como se pode ver de novo às fls. 02, in fine, sempre dentro do prazo máximo de 60 dias. Do acima exposto, inferese que a prorrogação do prazo do MPF pode ser feita tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias. Porém, essa prorrogação deve se dar por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet, a qual pode ser consultada pelo sujeito passivo, dispensando completamente a ciência. O que importa dizer é Fl. 884DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 885 8 que, quando da ciência do lançamento em 08/10/2008, o referido MPF encontravase prorrogado até 29/10/2008, como se pode ver igualmente às fls. 02. além disso, o referido MPF foi sim complementado pelo MPF Complementar cuja alteração ali feita era justamente no sentido de ampliar os tributos e contribuições fiscalizados, ampliar os períodos de apuração e prorrogar a data final do mandado (fls. 02). Dessa forma, também por isso não merece razão os argumentos da Recorrente. Ademais, ainda que houvesse a suposta extinção do MPF por decurso de prazo, não caberia interpretar que uma expiração de prazo de MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma Portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública. Diante do exposto, concluise que os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 01, não ocorrendo a hipótese de nulidade suscitada pela Recorrente, em decorrência de suposta irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Do Arbitramento O auditorfiscal fundamentou o arbitramento no fato de que o Impugnante não teria apresentado os livros Diário e Lalur. Por seu turno, sustentou a Recorrente que teria apresentado tais documentos bem como o razão. Ao analisar a questão, entendeu o órgão julgador a quo que o auditorfiscal, apesar de ter referenciado que a impugnante não tinha apresentado os livros Diário e Lalur, o verdadeiro fundamento para o arbitramento residiu no fato de tratarse de sociedade cooperativa de trabalho que não discriminou o que são atos cooperados e atos não cooperados, do que a não apresentação de livros. Portanto, ao julgar improcedente a impugnação do Recorrente, alterou o órgão julgador a quo o fundamento para a adoção da excepcional medida de aplicar o arbitramento no presente caso. Pois bem, a jurisprudência desta Eg. Turma é pacífica no sentido de admitir o arbitramento do lucro quando a fiscalização demonstrar, cabalmente, a impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte e/ou quando a mesma se revelar imprestável para a apuração do Lucro Real, isto nos termos do artigo 530, inciso II, do RIR/1999, que diz: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revela indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 886 9 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou b) determinar o lucro real.” Todavia, o arbitramento do lucro há de ser afastado nas hipóteses em que as irregularidades apontadas são pontuais e identificáveis, situações nas quais se deve proceder à tributação específica segundo as infrações detectadas, no caso presente, por redução indevida do lucro líquido, via glosa de custos não comprovados. Por certo, se as irregularidades são passíveis de individualização e quantificação, inexistem motivos legais e lógicos para que a escrituração do contribuinte seja tachada de imprestável. Entendo que esse é o caso que ocorreu no presente caso. Isso porque, a Autoridade Fiscal, ao invés de proceder a análise da documentação apresentada pela contribuinte, inclusive os valores retidos a título de Imposto de Renda, limitouse a justificar o arbitramento em razão da falta de apresentação de documentos. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento buscou convalidar o arbitramento alterando o fundamento do mesmo, na medida que alterou a justificativa da adoção de referida medida, sustentando sua pertinência em razão da falta de segregação dos atos cooperados pelo contribuinte. Ora, a falta de fundamento razoável para o arbitramento, confirmada pela DRJ, não pode ser retificada pelo referido órgão julgador. Dessa forma, afasto a preliminar e dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. MÉRITO Por ter sido vencido na prejudicial do mérito, tenho que me posicionar em relação às demais matérias de mérito e, nesse sentido, acompanho o voto DRJ, mantendo a incidência da CSLL, pois independentemente do alcance da definição do ato cooperativo, prevista no art. 79 da Lei n° 5.764/71, ou das características peculiares das sociedades cooperativas ressaltadas na defesa, não restam dúvidas quanto à incidência da CSL que sofrem tais sociedades sobre a totalidade de seus resultados. Da mesma, acompanho a DRJ quanto à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização representam matéria tributável por tais contribuições, não havendo que se falar em isenções dessas contribuições para os períodos posteriores a partir de novembro de 1999. Nesse ponto, bem assim com relação à incidência da CSLL em sociedades cooperativas, faço minhas as palavras da DRJ, como se aqui estivessem transcritas. (assinado digitalmente) Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencido Fl. 886DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 887 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator do Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Redator Designado Ouso discordar o eminente relator em relação à prejudicial de mérito, no que concerne à necessidade de arbitramento. PREJUDICIAL DE MÉRITO ARBITRAMENTO O relator invalidou o arbitramento no seu voto por dois motivos: por mudança de critério de jurídico e, pelo fato, de a hipótese que o relator tomou como a “mais importante” para o fiscal manter o arbitramento teria sido o fato de que a cooperativa não promoveu a segregação contábil de suas receitas cooperadas ou não cooperadas e como suas receitas são oriundas de atos não cooperados, mostrarseia adequada a utilização dos parâmetros de arbitramento por esse prisma. No caso, foi solicitada pela autoridade fiscal a apresentar a sua escrituração contábil (Livros Razão, diário) e não foi lhe entregue, conforme comprovado pela análise da documentação existente no presente feito, sendo descabida a alegação vazia de que teria sido entregue tais livros, uma vez que a Recorrente não traz nenhuma prova de que protocolizou referida entrega, conforme bem explanado pela DRJ. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica na impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Na verdade, o arbitramento é uma medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumprisse suas obrigações fiscais quando lhe fosse conveniente. A autoridade fiscal, então, acertadamente, arbitrou o lucro no inciso III do art. 530 do RIR/99: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Fl. 887DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 888 11 Em relação ao seu argumento de que arbitramento é uma medida extrema, apesar de concordar que o arbitramento deva ser utilizado com parcimônia, principalmente naqueles casos em que a Lei apesar de delimitar objetivamente as situações que ensejariam o arbitramento, deixa margem para alguma subjetividade, como é o caso de se considerar a “escrituração imprestável”, no caso concreto, não há margem para subjetividade, não se aplicando ao caso esse argumento de que foi utilizado medida extrema. A hipótese de arbitramento por falta de entrega dos livros contábeis é fechada e objetiva, não comportando margem a dúvidas e ela por si só já da conta da necessidade do arbitramento. Acontece que o fiscal ainda trouxe um outro fundamento (subsidiário) para :justificar o arbitramento e, ao meu ver, foi mal avaliado pela DRJ e pelo relator, pois o primeiro fundamento por ser, como já se colocou, bastante fechado e objetivo (a entrega ou não dos livros contábeis/fiscais obrigatórios – art. 530, inciso III do RIR/99) não haveria, em princípio, necessidade de carrear um outro fundamento, mas a DRJ entendeu que isso aconteceu. em relação ao fato de que a cooperativa não promoveu a segregação contábil de suas receitas cooperadas ou não cooperadas e como suas receitas são oriundas de atos não cooperados, mostrarseia adequada a utilização dos parâmetros de arbitramento por esse prisma, por apontar por uma escrita que seria imprestável (outro fundamento para o arbitramento). Ora, vejo de forma diferente da DRJ, no que se refere a sua valoração de qual fundamento seria mais importante para o arbitramento. E faço isso por dois motivos. Primeiro, se por hipótese, o fiscal utilizase de duas condições não cumulativas para fazer o arbitramento (uma coisa ou outra), basta que uma delas seja verdadeira para que seu fundamento ainda continue verdadeiro, sendo desnecessário valorar uma condição mais do que outra. Por último, mas não menos importante, o fundamento consignado no auto de infração é apenas um único (art. 530, inciso III do RIR/99 (falta da apresentação dos livros obrigatórios). Eis o teor da descrição dos fatos consignado no auto de infração: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. Isso significa que o que a DRJ e o Relator interpretou, a partir do teor do TVF, como o fundamento mais importante um argumento, a meu ver, subsidiário e que aqui neste voto será desconsiderado, pois não vejo como suficiente para lastrear o arbitramento se visto de forma autônoma. Então, independente de o relator ter colocado em “xeque” a segunda condição (falta de segregação das receitas), o primeiro permanece incólume (falta da entrega dos livros obrigatórios). Tratase de regra comezinha da lógica clássica de Aristóteles e modernamente tratada nas chamadas”tabelas verdades”: (V ou V = V; V ou F = V e F ou V = V.). Traduzindo a simbologia: Se a primeira condição é verdadeira e a segunda é verdadeira, se estamos a tratar de duas condições alternativas, a proposição é verdadeira. Mesmo que uma delas seja falsa, basta uma ser verdadeira para a proposição final ser verdadeira. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 889 12 Como já se disse, a DRJ já trilhou caminho diferente avaliou as duas condições e por qualquer uma delas, afirmou o arbitramento deveria ser mantido (primeira situação descrita no parágrafo anterior – V ouV – V). Eis suas palavras: 17. Pelo exposto, entendo que o arbitramento do lucro, tanto pelo fato de não ter a impugnante identificado de forma segregada suas receitas cooperadas e não cooperadas, como também pelo não apresentação de parte essencial de sua escrita contábil, acabou por se mostrar próprio para o fim de levantar o IRPJ devido pela impugnante. Dessa forma, mantémse como lançado o auto de infração de IRPJ em exame. Porém, se o segundo fundamento for analisado como um argumento subsidiário, ou mesmo como um fundamento autônomo, a DRJ não discrepou muito do que foi posto pelo fiscal, não havendo que se falar em inovação ou mesmo mudança de critério jurídico. Ora, a avaliação deve ser sempre feita a partir da descrição dos fatos posta pelo fiscal. Se a DRJ acrescenta algum fundamento ao mesmo e ao mesmo tempo invalida o fundamento do auto de infração é que estaríamos diante de uma inovação, o que a evidência não foi o caso, pois como já se viu a DRJ deixou incólume o fundamento principal que consta do auto de infração (falta da entrega dos livros fiscais) e ratificou o fundamento auxiliar (falta de segregação das receitas). Apenas atribuiu, a meu ver equivocadamente, essa última condição uma valoração maior, e essa inversão de valorações é que conduziu a que se desse margem para entendimento diverso por parte do relator do voto vencido. Portanto, com esses fundamentos afasto a prejudicial de mérito acolhido pelo relator, mantendo assim o arbitramento para o IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 889DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002239/2010-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Ementa:
RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA DE OFÍCIO. Responde a sucessora pela multa de ofício básica, aplicada por infração cometida pela sucedida antes do evento da sucessão, independentemente do fato de sucedida e sucessora terem estado sob controle comum ou pertencido ao mesmo grupo econômico.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer, por unanimidade de votos, o Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30%, foi negado provimento ao recurso do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação à matéria da multa na sucessão, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES REGO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Ementa: RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA DE OFÍCIO. Responde a sucessora pela multa de ofício básica, aplicada por infração cometida pela sucedida antes do evento da sucessão, independentemente do fato de sucedida e sucessora terem estado sob controle comum ou pertencido ao mesmo grupo econômico. Recurso Especial do Procurador Provido. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10882.002239/2010-70
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572226
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.225
nome_arquivo_s : Decisao_10882002239201070.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 10882002239201070_5572226.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer, por unanimidade de votos, o Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30%, foi negado provimento ao recurso do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação à matéria da multa na sucessão, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
id : 6299857
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124047491072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 51; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2151; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 550 1 549 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.002239/201070 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101002.225 – 1ª Turma Sessão de 4 de fevereiro de 2016 Matéria PREJUÍZOS FISCAIS LIMITE 30% EXTINÇÃO Recorrentes FAZENDA NACIONAL e ANTARES HOLDINGS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 Ementa: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO RESULTADO AJUSTADO. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da CSLL, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Ementa: RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA DE OFÍCIO. Responde a sucessora pela multa de ofício básica, aplicada por infração cometida pela sucedida antes do evento da sucessão, independentemente do fato de sucedida e sucessora terem estado sob controle comum ou pertencido ao mesmo grupo econômico. Recurso Especial do Procurador Provido. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 22 39 /2 01 0- 70 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 551 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer, por unanimidade de votos, o Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30%, foi negado provimento ao recurso do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação à matéria da multa na sucessão, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório FAZENDA NACIONAL e ANTARES HOLDINGS LTDA. recorrem a este Colegiado, por meio dos Recursos Especiais de efls 395 e ss. e efls 416 e ss., respectivamente, contra o acórdão de nº 1201000.784 (efls 381 e ss.), que, no mérito e por voto de qualidade, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a multa de ofício. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 552 3 período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Em seu recurso especial, a Fazenda alega divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos de nº CSRF/0202.396 e de nº 9303001.863, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão n° 9303001.863 (...) MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades). Acórdão n° CSRF/0202.396 (...) MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. No mérito, a Fazenda Nacional argumenta, em síntese, que a Turma a quo excluiu a multa de oficio com base em entendimento equivocado da Súmula CARF nº 47, asseverando que o principio da personalização da pena do Direito Penal não se aplica às punições pecuniárias, "as quais incidem sobre o patrimônio, e, portanto, não podem ser classificadas como penas corporais, essas sim, intransmissíveis", e que "o sucessor responde pelas multas fiscais, pois elas incidem sobre o patrimônio da sociedade incorporada". Cita precedentes do Superior Tribunal de Justiça STJ e do Supremo Tribunal Federal STF, observando que "a tese da intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de fraude ao Fisco". E acrescenta que é desnecessária "a identificação do momento em que o lançamento da multa de oficio foi realizado em confronto com a data em que ocorreu o evento sucessório" e que é "irrelevante o fato de as empresas sucessora e sucedida encontraremse sujeitas ou não a controle comum ou integrarem ou não o mesmo grupo econômico". Pede, então, que o presente recurso seja conhecido e provido, para "reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade". Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 553 4 Em contrarrazões (efls. 474 e ss), tempestivamente apresentadas (em 2/10/2013, sendo que obteve cópia integral do processo em 17/9/2013, restando cientificada do recurso conforme efls. 474), a Contribuinte, em preliminar, pugna pela inadmissibilidade do recurso da Fazenda, uma vez que (1) não cabe recurso especial contra decisão que aplique súmula de jurisprudência do CARF (in casu, a Súmula CARF nº 47); (2) os acórdãos indicados não servem como paradigma às pretensões recursais (o primeiro paradigma não fora publicado no DOU nem no sítio do CARF, bem como nele sucessora e sucedida compõem o mesmo grupo econômico, situação que se repete no segundo paradigma); e (3) não houve prequestionamento em relação à matéria discutida no recurso, fato reconhecido no acórdão recorrido. Quanto ao mérito, aduz que o "auto de infração foi lavrado depois de ocorrer o evento da cisão da empresa responsável pela suposta infração" e que a Turma a quo nada mais fez do que aplicar o entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 47, bem como que o art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, estabelece que não serão aplicadas penalidades quando o contribuinte agir de acordo com interpretação fiscal manifestada em decisão irrecorrível de última instância (ainda que não seja parte), sendo aplicável ao IRPJ e à CSLL. Já no Recurso Especial da Contribuinte, o dissídio jurisprudencial apontado se refere ao acórdão paradigma de nº 110300.619, cuja ementa está assim redigida na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: “TRAVA” DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS NA INCORPORAÇÃO A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, mas manter ou aumentar o fluxo de caixa de arrecadação, tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra de limitação quantitativa da compensação só tem sentido no tempo (“vida” da pessoa). Como o lucro é apurado segundo cortes temporais mais ou menos arbitrários, porém necessários, por imperativo de ordem prática a limitação quantitativa de compensação de prejuízos fiscais implica essa periodicidade (e a interperiodicidade). Diante da “morte” da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo. Resumidamente, argumenta a Contribuinte que a conclusão do acórdão recorrido, ao se manifestar no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas sem a limitação de 30% do lucro líquido ajustado no caso de extinção da pessoa jurídica só seria possível se houvesse previsão expressa na lei, desconsidera o fato de que uma norma pode estar imanente no ordenamento jurídico sem estar expressa em texto legal. Aduz que "a interpretação literal não permite a compreensão exata da norma jurídica, na medida em que tal método interpretativo se apóia em um único elemento, o texto do dispositivo legal, o qual pode ser inexato". E traz exemplos de julgados do CARF e do STJ em que se utilizou Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 554 5 outros elementos de interpretação, bem como cita doutrinadores que defendem a aplicação de outros métodos interpretativos, tais como a interpretação histórica, a sistemática e a teleológica, novamente trazendo precedentes nesse sentido. Apresenta, então, apanhado histórico do regramento da matéria, permeado por julgados, mencionando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 998, de 1995. E afirma que "a única conclusão jurídica possível, que atende ao preceito de que na vigência da Lei n. 9065 o contribuinte não perde o direito à compensação, é no sentido de que o limite não se aplica nos casos de extinção da pessoa jurídica". Repisa que não se estaria diante de inexistência de norma legal ou de lacuna, mas sim de uma "norma implícita", sendo que o "silêncio eloquente" não se confunde com a lacuna, não comportando o primeiro analogia. Novamente cita precedentes e doutrinadores, e arremata: (...) Refere, então, diversos julgados ao afirmar que "a jurisprudência administrativa é firme no sentido de que a trava de 30% não tem lugar quando não houver continuidade da pessoa jurídica". E assevera que o posicionamento do STF (e do STJ) no sentido de que a autorização para a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas é forma de benefício fiscal não autoriza o entendimento sufragado pela fiscalização no sentido de que a compensação em tela decorre de liberalidade do legislador e, assim, depende de previsão em lei. Isso porque nos julgados dessas Cortes superiores que estamparam tal entendimento, a expressão "benefício fiscal" foi empregada "em sentido livre, não técnico" e que, não sendo a compensação de prejuízos benefício fiscal, não é aplicável o art. 111 do CTN. Acrescenta que, ainda que fosse aplicável, não impediria o afastamento da trava no caso de incorporação, uma vez que a interpretação desse artigo do CTN "deve ser restritiva, não literal", trazendo à colação a posição de doutrinadores, julgados e o Parecer PGFNCAT nº 1.495/2001. Pede, ao final, que o recurso seja provido, cancelandose a exigência fiscal sub judice. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 555 6 Em suas contrarrazões (efls. 528 e ss.), tempestivamente apresentadas (conforme Despachos de Encaminhamento de efls. 527, de 23/04/2014, e 543, de 25/04/2014), a Fazenda Nacional faz apanhado legislativo e jurisprudencial sobre a natureza jurídica da autorização para compensação dos prejuízos fiscais acumulados com o lucro auferido em períodos futuros, para concluir que "a autorização para a compensação de prejuízos fiscais acumulados ao longo de exercícios futuros se constitui em inegável benefício fiscal concedido pelo Estado", submetendose ao princípio da legalidade estrita e não comportando "qualquer interpretação extensiva, por analogia ou norma implícita, nos moldes propugnados no art. 111, do Código Tributário Nacional". E assim rebate os argumentos de hermenêutica da Contribuinte: Em que pese o Recorrente defender uma interpretação sistemática, histórica e finalística da legislação tributária aplicável, é fato incontroverso nos autos que não há norma expressa que autorize a pretensão do contribuinte. Não havendo norma expressa, não há que se falar em “norma implícita”, “silêncio eloqüente” ou "redução teleológica” que permita que esse benefício fiscal seja concedido. Pensar de modo diferente implicaria clara violação ao artigo 111 do CTN. Conclui, então, que o acolhimento da pretensão da Contribuinte implicaria (1) "violação ao princípio constitucional da independência dos Poderes da União", uma vez que o CARF "estaria agindo como legislador positivo, pois estaria concedendo um benefício fiscal não previsto em lei"; (2) decretação de inconstitucionalidade dos artigos 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, o que é vedado tanto pelo art. 62 do RICARF, como pelo enunciado da Súmula nº 2 do CARF; e (3) chancela de "uma fácil maneira de as empresas adiantarem a compensação de seus prejuízos fiscais à margem da lei que prevê esse benefício fiscal". Colaciona julgados do STJ que afirmam "a obrigatoriedade do contribuinte e do Estado de interpretar as normas que prevêem benefícios fiscais de forma literal" e que se posicionam pela impossibilidade de empresa incorporadora aproveitar os prejuízos fiscais de anos anteriores de empresa incorporada, justamente considerando a natureza jurídica de benefício fiscal da compensação. E cita julgado do CARF no sentido da aplicação da trava de 30% no caso de encerramento de atividades da empresa. Ao final requer seja negado seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte ou, se admitido, "lhe seja negado provimento, mantendose, quanto à matéria objeto do recurso especial manejado pelo contribuinte, o acórdão proferido pela e. Turma a quo". Ambos os recursos especiais foram admitidos, por meio do Despacho nº 120000.051 (efls. 517 e ss.) e do Despacho nº 120000.052 (efls. 524 e ss.). É o relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 556 7 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora Recurso da Fazenda Nacional Admissibilidade Principio apreciando o Recurso Especial apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional e examinando as contrarrazões do sujeito passivo no que se refere à alegada inadmissibilidade do recurso. Versa o recurso fazendário sobre a responsabilidade tributária da sucessora por multa de ofício lançada após a sucessão por infração cometida pela sucedida. Alega a Fazenda que o sucessor por incorporação responde pelas multas fiscais pois elas incidem sobre o patrimônio da sociedade incorporada, não se aplicando ao presente caso a Súmula CARF nº 47, estando equivocada a aplicação a contrario sensu feita no acórdão recorrido. Já a Contribuinte pugna pela inadmissibilidade do recurso da Fazenda por descaber recurso especial contra decisão que aplique súmula de jurisprudência do CARF. Compulsandose a decisão recorrida, vêse que a aplicação que fez da Súmula CARF nº 47 (que afirma que "devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico") não foi direta, dandose pela via inversa, a partir de argumento contrario sensu. Confirase o trecho a seguir do voto condutor (sublinhei): No que concerne à multa de ofício há que se notar que seu lançamento foi efetuado somente após o evento da cisão total da empresa VBC Participações S/A. Como é cediço, este Conselho pacificou entendimento segundo o qual, havendo o lançamento sido realizado somente após a ocorrência da sucessão, a sucessora não responde pela multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, exceto se restar provado que ambas estavam sob controle comum, ou que pertenciam a um mesmo grupo econômico, fato que, no caso sob exame, sequer chegou a ser levantado, seja pela autoridade lançadora, seja pela PGFN em suas contrarrazões ao recurso voluntário. Em sendo assim, incide no caso, a contrario sensu, o disposto na Súmula nº 47 de Colegiado, que assim estabelece (DOU de 09/12/2010): Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Sendo assim, embora o Regimento Interno do CARF estabeleça que "não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 557 8 jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF" (art. 67, § 2° do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; e art. 67, § 3°, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, ora vigente), entendo que tal disposição não se aplica ao caso presente, uma vez que ele não se amolda à dicção da súmula. Ora, como refere o acórdão recorrido, nunca se afirmou que a autuada (sucessora) estava sob controle comum da sucedida ou que ambas pertenciam a um mesmo grupo econômico. Porém, se é certo que não se pode aplicar a Súmula em questão para decidir por afastar a multa aplicada à sucessora por infração cometida pela sucedida, se provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico, não é certo que se pode, de plano, afastar a imputação da multa com base na Súmula, quando não comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Isso porque o entendimento enunciado por uma súmula do CARF representa o que está pacificado no âmbito desse tribunal administrativo sobre determinada matéria, não se podendo afirmar que, necessariamente, a aplicação inversa do teor da súmula igualmente conduza a posicionamento pacificado. Assim, se o fato de sucessora e sucedida terem estado sob controle comum ou pertencido ao mesmo grupo econômico torna cabível a imputação da multa de ofício por infração cometida pela sucedida à sucessora, o fato de não terem estado sob controle comum ou pertencido ao mesmo grupo econômico não necessariamente afasta a imputação. No que se refere à imprestabilidade dos paradigmas para estabelecer a divergência jurisprudencial e à falta de prequestionamento também alegadas pela Contribuinte como razões de inadmissibilidade do recurso fazendário, verificase que igualmente não são procedentes. Com efeito, o exame do acórdão paradigma de nº CSRF/0202.396 é suficiente para que se confirme o dissídio jurisprudencial alegado pela Fazenda. Isso porque, diferentemente do acórdão recorrido, o paradigma considerou que a sucessora responde por multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida antes da sucessão, sendo que o fato de sucessora e sucedida comporem o mesmo grupo empresarial é apresentado como razão adicional, a confirmar o entendimento pela responsabilização, já antes alcançado. Vejase o excerto a seguir do paradigma: Melhor sorte não merece os argumentos de defesa no tocante à responsabilidade da sucessora (incorporadora) por infrações fiscais cometidas pela sucedida, pois o direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades). Esta questão foi muito bem enfrentada por Marcus Vinícius Néder de Lima, no julgamento do Recurso que deu origem ao Acórdão 202.11845, transcrito pela Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no voto condutor do Acórdão n° que, em virtude da similitude com a questão aqui tratada, com os devidos agradecimentos aos ilustres conselheiros, peço licença para transcrever e adotar excertos do desse acórdão como minhas razões de decidir: (...) Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 558 9 Não fossem as razões aposta linhas acima suficientes para demonstrar a procedência da multa de oficio na empresa incorporadora, a ata sumária da assembléia geral extraordinária realizada em 30 de agosto de 2.002, cópia às fls. 213 a 219, põe, a meu ver, pá de cal na discussão, pois, conforme consta desse documento, a incorporadora era acionista controladora da incorporada, com participação superior a 99,99% das ações do capital dessa empresa, o que implica em dizer que todos os atos praticados pela incorporadora era, ao menos indiretamente, de responsabilidade da hoje incorporadora, a qual detinha o controle total da administração da incorporada. Diante disso, não consigo vislumbrar qualquer possibilidade de excluir a reclamante do pólo passivo da obrigação tributária ora em exame. Sem razão, assim, a Contribuinte. Quanto à falta de prequestionamento, a exigência de prequestionamento pelo dispositivo indicado pela Contribuinte (art. 67, § 3°, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009) se restringe ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Confirase: Art. 67. (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Ademais, a matéria da responsabilidade da sucessora pela multa de ofício vem sendo discutida no processo desde a impugnação (efls. 147 e ss.). E a menção feita no acórdão recorrido a tema que não foi objeto questionamento pela Fazenda Nacional, sobre a qual se apega a Contribuinte, referese tão somente à hipótese de sucessora e sucedida terem composto o mesmo grupo econômico. Como se viu, esse é apenas um aspecto do tema da responsabilidade da sucessora pela multa de ofício que, se não foi questionado antes do recurso especial fazendário, também não foi argumento utilizado no próprio recurso especial. Ao contrário, o recurso pugna pela responsabilidade da sucessora independentemente desse fator (com efeito, afirma ser "irrelevante o fato de as empresas sucessora e sucedida encontraremse sujeitas ou não a controle comum ou integrarem ou não o mesmo grupo econômico"). Não é de se acolher, portanto, as razões da Contribuinte no que se refere à inadmissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional. Recurso da Fazenda Mérito Passando a enfrentar o mérito da questão trazida no recurso fazendário, tenho que é a sucessora, sim, responsável pela multa de ofício aplicada pela fiscalização por infração cometida pela sucedida antes do evento da sucessão. Neste sentido vem decidindo o STJ, havendo recentemente sido publicada a Súmula 554, julgada em 9/12/2015, DJe de 15/12/2015, nos seguintes termos: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 559 10 mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Contudo, como a súmula é silente quanto ao fato de a sucessão ocorrer entre pessoas jurídicas integrantes ou não do grupo econômico, esclareço que o meu entendimento é no sentido de que a "responsabilidade dos sucessores" é tratada na Seção II do capítulo do Código Tributário Nacional CTN que trata da responsabilidade tributária. Logo no primeiro artigo dessa seção (art. 129) consta regra geral de interpretação que se aplica a todas as disposições da seção (inclusive ao art. 132), estabelecendo que "o disposto nesta Seção aplica se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data" (sublinhei). Como se vê, o mandamento geral de interpretação faz referência à expressão "créditos tributários", que abarca, a toda evidência, tanto o tributo em si, quanto a multa por infração à legislação tributária. Dessa maneira, fazendose uma interpretação sistemática do CTN, só se pode interpretar o art. 132 sob a orientação da regra interpretativa do art. 129, daí defluindo que, quando o art. 132 estabelece a responsabilidade da sucessora "pelos tributos devidos" até à data da sucessão pela sucedida, incluise aí a multa. É desnecessário para aplicação dessa regra, portanto, qualquer vinculação entre empresa sucedida e sucessora, visto que tal multa é a básica de 75%, tem natureza objetiva, e se liga ao crédito tributário. No que diz respeito ao pleito da contribuinte, em contrarrazões, para ver afastada a multa na sucessora por força do art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, entendo que não merece prosperar porque tal dispositivo legal, genérico para penalidades, em lei que trata do imposto sobre consumo, não tem o condão de afastar o repetitivo do STJ julgados no RESP Nº 923.012/MG, que, por força do art. 62 do Anexo II do RICARF, deve ser observado. Por oportuno, transcrevo parte da ementa dessa decisão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 560 11 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) Como também, transcrevo parte do voto do julgamento dos embargos desse repetitivo, para deixar claro que para o repetitivo do STJ é indiferente o fato do evento sucessório ter ocorrido antes ou após o fato gerador: 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: [...] 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 9. Todos esses aspectos foram bem examinados no acórdão embargado, in verbis: [...] 11. Ante o exposto, rejeitamse os Embargos Declaratórios. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 561 12 Além disso, também entendo que o art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado à luz do próprio CTN, que foi publicado quase dois anos depois, e cujo art. 100 assim dispõe: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ou seja, aqui temos uma lei complementar, publicada após uma lei ordinária, afirmando que decisões administrativas somente podem excluir a imposição de penalidades se a lei lhes atribuir eficácia normativa. Ocorre que não existe, em nosso ordenamento jurídico, nenhuma lei que atribuiu eficácia normativa às decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes, a ponto de afastar o que dispõe as leis vigentes, que no caso seriam as leis que determinam a trava de 30% para a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL, respectivamente arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 . Neste sentido também entendeu o Parecer Normativo Cosit nº 23, de 6 de setembro de 2013, por sua vez atualizou o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971 (apenas para substituir Conselho de Contribuintes por CARF), nos seguintes termos: Relatório Cuidase da atualização do Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, que, embora tenha vigorado até a presente data, faz referências a normas já revogadas ou modificadas. 2. Trata o presente Parecer Normativo sobre a prevalência ou não de acórdãos prolatados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ou pelos extintos Conselhos de Contribuintes (CC) do Ministério da Fazenda, em que se declara a classificação fiscal de produtos na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, ou quaisquer outras matérias, sobre decisões que venham a ser fixadas pelas diversas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em situações que versem sobre a mesma matéria. Fundamentos 3. Resumese a questão na delimitação do âmbito de eficácia das decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ou pelos extintos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 562 13 4. O inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional determina que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (...) 5. Necessário esclarecer que, embora o acima reproduzido diploma legal, em seu inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões prolatadas nos acórdãos dos Conselhos, a sua eficácia limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 6. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral, a decisão em processo fiscal proferida pelo Conselho (CARF ou CC) não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 7. Há que se ressalvar, por oportuno, que, nos termos do caput e parágrafo 2º do art. 75 do Regimento do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o Ministro da Fazenda poderá atribuir às súmulas editadas por aquele conselho efeito vinculante em relação à administração tributária federal, mediante edição de portaria específica. Somente em tal hipótese fica a administração tributária federal sujeita à observância do entendimento esposado na súmula a que se atribua tal efeito (súmula vinculante) mediante portaria da autoridade competente. 8. Por conseguinte, ao pretender orientação no sentido de conhecer a classificação de produtos na TIPI ou sobre interpretação da legislação tributária federal, caberá ao contribuinte formular consulta específica à autoridade competente na forma do que lhe facultam os art. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, e os art. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 1996, ressalvandose, todavia, o disposto no art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502, de 1964. 9. Entretanto, não prevalece a guarida deste dispositivo legal art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502, de 1964 quando sobrevenha ato normativo emanado pela autoridade competente, versando sobre a mesma matéria e de forma distinta da solução apresentada no processo de consulta, porquanto este ato se insere entre as normas complementares da legislação tributária, conforme dispõe o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 563 14 10. Esclareçase, finalmente, que o Parecer Normativo do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil é ato administrativo de natureza normativa, por força do disposto no art. 1º, inciso III, combinado com o art. 280, inciso III, todos do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 2012, incluindose, portanto, entre os atos normativos apontados no art. 100, inciso I, do CTN. Conclusão 11. Diante do exposto, concluise que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. Aliás, o Regulamento do IPI vigente ao tempo do fato gerador (como também o atual), no caso o Decreto nº 4.543, de 2002, em seu art. 610, reproduziu esse dispositivo, porém o aplicou apenas aos casos em que o interessado seja parte da decisão administrativa: Art. 610. Não será aplicada penalidade enquanto prevalecer o entendimento, a quem cumprir as obrigações acessória e principal (Decretolei no 37, de 1966, art. 101): I de acordo com interpretação fiscal constante de decisão de qualquer instância administrativa, proferida em processo de determinação e exigência de créditos tributários ou de consulta, em que o interessado seja parte; ou II de acordo com interpretação fiscal constante de ato expedido pela Secretaria da Receita Federal. Ou seja, a penalidade deixará de ser aplicada, se o sujeito passivo pagou o imposto em observância a uma decisão administrativa do qual foi parte. Ademais, ainda que houvesse decisões administrativas, ao tempo do fato gerador, permitindo a compensação além da trava de 30% nos casos de extinção de pessoa jurídica, havia também outras em sentido contrário, a exemplo do acórdão 10515908, de 16/8/2006, do acórdão 10708562, de 24/5/2006 e do acórdão 10708607, de 21/6/2006. Em face do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Recurso da Contribuinte O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Cingese aqui a controvérsia à aplicação ou não do limite de 30% para compensação de prejuízos/bases de cálculo negativas de CSLL no momento da extinção da pessoa jurídica. Em que pese a argumentação de hermenêutica da Recorrente no sentido de que, diante da falta de norma expressa proibitiva de compensação dos prejuízos fiscais/bases negativas acima do limite de 30%, estarseia diante de "silêncio eloquente" e de "norma implícita" autorizativa, entendo não haver exceção para os casos de extinção da pessoa jurídica quanto ao limite imposto pelo permissivo legal de compensação de prejuízos contido nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, os quais cumpre transcrever: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 564 15 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Vejase, a propósito, que é vedado a este tribunal afastar lei vigente. Além disso, apenas para título de argumentação, vale assinalar que a limitação imposta pela trava de 30% na compensação, quer no decurso normal das atividades da empresa quer na hipótese de sua extinção, não agride o conceito de renda, vez que, por um lado, o fato gerador do IRPJ/CSLL tem delimitação temporal e, por outro, a possibilidade de compensar prejuízos anteriores é benesse tributária suscetível aos limites que se lhe impõem. Na esteira desse raciocínio, convém trazer à colação voto do Min. Garcia Vieira do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 188.855GO, segundo o qual: "Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer “credito” contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 565 16 constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa nos anos anteriores." E é na linha da “benesse tributária” que o Supremo Tribunal Federal tem tratado a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, como se depreende dos RE 344.994/PR e 545.308/SP, e demais julgados posteriores daquela Cortel. Por oportuno, transcrevese: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. (RE 545.308, 8/10/2009, Rel. P/ acórdão Min. Cármen Lúcia) EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Demonstrações financeiras. Saldos de prejuízos fiscais do IRPJ e das bases negativas da CSLL. Natureza de benefício fiscal. Correção monetária. Revogação. Questão infraconstitucional. Ausência de previsão legal. Impossibilidade de atuação do Poder Judiciário como legislador positivo. Precedentes da Corte. 1. A questão alusiva à revogação da correção monetária pelo art. 4º da Lei nº 9.249/95 repousa na esfera da legalidade. A afronta ao texto constitucional, se ocorresse, seria meramente reflexa ou indireta. 2. Nos julgamentos do RE nº 344.994/PR e do RE nº 545.308/SP, o Tribunal concluiu que a dedução de prejuízos de exercícios anteriores da base de cálculo do IRPJ e a compensação das bases negativas da CSLL constituem favores fiscais. 3. Impossibilidade de atualização monetária do saldo a ser compensado em períodos futuros, por ausência de previsão legal. 4. Agravo regimental não provido. (AgR no RE 807.062, 2/9/2014, Rel. Min. Dias Tóffoli) É oportuno também, nesse passo, ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995, em relação às empresas inseridas no Befiex. Assim, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, ao caso concreto. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 566 17 Observese, por fim, que o posicionamento adotado pelo CARF no acórdão nº 910100.401 (1ª Turma da CSRF, 2/10/2009, Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro), é representativo da posição atual do CARF, que, alinhada com a dicção do STF nos julgados antes mencionados, vai no sentido de que "em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional". Citese como exemplo de julgado mais recente desta 1ª Turma da CSRF a manifestar o mesmo entendimento o acórdão nº 9101001.760 (de 16/10/2013, Redator Designado Marcos Aurélio Pereira Valadão). Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Na sessão de fevereiro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou os recursos especiais interpostos por ANTARES HOLDINGS LTDA. (doravante “ANTARES” ou “contribuinte”) e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”) no processo n. 10882.002239/201070, em face do acórdão n. 1201 000.784 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 2 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 567 18 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No julgamento dos recursos especiais interpostos pela, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) levada a termo no AIIM, bem como a cobrança de multa e juros de mora. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo cancelamento da autuação, os quais serão divididos em duas partes: 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável, considerada legítima pelo CARF à época dos fatos. 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. O núcleo do recurso especial ora em exame consiste em saber se, na hipótese de uma pessoa jurídica, submetida ao lucro real, apresentar lucros no exercício em que vier a ser extinta por incorporação (art. 227, § 3º, da Lei n. 6.404/64), poderá compensar integralmente, em sua última declaração de rendimentos, o seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa (CSL) acumulado de exercícios anteriores, sem a “trava de 30%” que seria aplicável caso a sua existência fosse continuada (arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95). Para a melhor compreensão do tema, suponhase, por hipótese, que uma empresa inicie as suas atividades no “ano 1”, com o capital social integralizado pelos sócios de $4.000, obtendo prejuízo no “ano 2” de $ 1.000, prejuízo no “ano 3” de $1.000 e lucro no “ano 4” de $3.000. O gráfico a seguir ilustra essa sequência de resultados: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Figura 01. Formação de prejuízos fisc a is seguida de período lucra vo. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 568 19 Nos anos “1”, “2” e “3”, naturalmente não haveria IRPJ ou CSL devidos sob a sistemática do lucro real. Tais tributos, por sua vez, poderiam incidir no “ano 4”, para a tributação dos resultados positivos obtidos. No entanto, para a apuração do referido resultado positivo, o contribuinte poderia considerar os resultados negativos obtidos nos exercícios anteriores, tendo em vista a necessária comunicação entre estes. Conforme a sistemática estabelecida pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, no “ano 4” e também em todos os próximos exercícios em que obtivesse resultados positivos, o contribuinte poderia compensar até 30% de seus lucros com os prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) apurados naqueles anos “1”, “2” e “3”. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Saldo de prejuízos acumulados compensáveis em exercícios futuros (“ano 5”, “ano 6” etc) Compensação de prejuízos fis c a is Figura 02. “Trava de 30%”. Aplicação às empresas em con nua a vidade. Não há dúvida que legislador garantiu ao contribuinte o direito de compensar a totalidade do prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), mas diluiu o seu exercício durante o tempo de atividade da empresa. A questão que se coloca no presente recurso especial consiste em saber como deve proceder o contribuinte quando não houver a aludida continuidade em suas atividades, especialmente em face de extinção por incorporação. Assim, no caso concreto ora em análise, a empresa ANTARES possuía saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL) acumulado de exercícios anteriores. No ano em que foi extinta em razão de incorporação (2006), o contribuinte havia obtido lucros e, em sua última declaração de rendimentos, os compensou com o aludido saldo. Diante da impossibilidade prosseguir compensando prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL) em exercícios futuros (pois, com a extinção, estes não existiriam), a contribuinte compreendeu inaplicável a “trava dos 30%”. A interpretação sustentada pelo contribuinte conduziria à tributação da renda, dos lucros obtidos durante o exercício de suas atividades, de tal forma que apenas o efetivo acréscimo patrimonial seria tributado pelo IRPJ e da CSL, deixando a salvo desses tributos aquilo que corresponderia efetivamente ao seu patrimônio (o que, de fato, não é hipótese de incidência do IRPJ e da CSL). Com vistas ao exemplo exposto nas figuras “1”, “2” e “3”, acima, a interpretação sustentada pelo contribuinte pode ser representada da seguinte forma: Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 569 20 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Compensação de prejuízos fisc a is sem a “trava de 30%” Lucro tributável Patrimônio inicial Figura 03. “Trava de 30%”. Interpretação do contribuinte. Por um lado, é muito diferente a interpretação adotada pelo i. agente fiscal na lavratura do AIIM, bem como pela PFN em sua manifestação perante esta CSRF. Por esta, na hipótese de incorporação, fusão ou cisão, o contribuinte perderia até 70% do saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), de tal forma que referidos tributos incidiriam sobre o patrimônio da empresa. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Parcela do patrimônio tributada pelo IRPJ e CSL. Compensação de prejuízos fisc a is com “trava de 30%" Figura 04. “Trava de 30%”. Interpretação da PFN. É importante sublinhar que o presente caso não trata de “incorporação às avessas” ou de compensação de prejuízos da empresa incorporada contra os lucros da empresa incorporadora, as quais são tuteladas pelos arts. 513 e 514 do RIR/99. No presente caso, o saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e de base negativa (CSL), apurado pela empresa incorporada (ANTARES) foi compensado com os lucros obtidos por ela, em sua última declaração de rendimentos entregues em função de sua extinção por incorporação. 1.1. A tributação dos “acréscimos patrimoniais” do contribuinte. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 570 21 Na Constituição brasileira, há expressa e detalhada repartição de competências tributárias entre os entes federados, a qual estabelece quais signos presuntivos de capacidade contributiva podem ser onerados privativamente por cada um dos entes federados. A “renda” e o “lucro”, no caso, podem ser tributados exclusivamente pela União. Saber o sentido de “renda” e “lucro” é, então, essencial para a boa aplicação das normas constitucionais de distribuição de competência tributária e das normas de incidência tributária em sentido estrito. Isso explica as constantes discussões ao seu respeito, especialmente em torno de teorias como da “renda como acréscimo patrimonial” e da “renda produto (ou “teoria fonte”). A teoria da renda como acréscimo patrimonial pode ser compreendida a partir do caso Antártica1, julgado pelo Supremo Tribunal Federal cinco anos após a promulgação da Constituição de 1988, em que esteve em foco o conceito de “renda” presente no sistema tributário de 19642. Acompanhando o voto do Min. Carlos Velloso, houve unanimidade no Plenário do Tribunal quanto ao entendimento de que “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. Notese que, caso se adote um conceito de “renda” que a identifique como o produto (“teoria da rendaproduto” ou “teoria da fonte”), apenas o fruto, o produto dos bens de capital ou do trabalho poderiam ser considerados “renda”. Sob tal perspectiva, estaria excluído do conceito de renda quaisquer ganhos e perdas de capital obtidos pela alienação da fonte produtora da renda, já que, metaforicamente, a tributação alcançaria apenas os frutos da árvore, mas não a alienação da árvore em si.3 1.1.1. O papel da lei complementar para a definição de “renda” tributável. No atual sistema jurídico brasileiro, o debate sobre qual o conceito de renda tributável deve considerar que o art. 146 da Constituição Federal atribui à lei complementar a competência para estabelecer normas gerais, especialmente sobre a definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados no texto constitucional. Assim, embora não haja delimitação expressa na Constituição quanto ao signo “renda” para fins tributários, o art. 43 do CTN veicula norma que permite que o legislador ordinário se valha ao menos de duas significações possíveis: (i) o inciso I, ao se referir à “renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, se aproxima da teoria da rendaproduto; (ii) o inciso II, ao se referir a “proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso 1 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDA CONCEITO. Lei n. 4.506, de 30.XI.64, art. 38, C.F./46, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. I. Rendas e proventos de qualquer natureza: o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso. C.F., 1946, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. II. Inconstitucionalidade do art. 38 da Lei 4.506/64, que institui adicional de 7% de imposto de renda sobre lucros distribuídos. III. R.E. conhecido e provido. (STF, RE 117887, Relator Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/1993, DJ 23041993) 2 Anterior ao atual Código Tributário Nacional. 3 Vide, sobre o tema: LANG, Joachim. The influence of tax principles on the taxation of income from capital, p. 1821; BELSUNCE, HORACIO GARCÍA. El concepto de rédito en la doctrina y en el derecho tributario. Depalma : Buenos Aires, 1967, p. 88 e seguintes. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 571 22 anterior”, se aproxima da teoria da renda acréscimo patrimonial. Em ambos os casos, o conceito estabelecido pelo CTN exige que haja a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre a renda, a fim de que seja possível a tributação. O legislador complementar exige que haja a “aquisição de disponibilidade”, pouco importando ser ela “econômica” ou “jurídica”. O legislador ordinário deve eleger hipóteses de incidência do imposto de renda que estejam compreendidas nos referidos moldes estabelecidos pela Constituição e pelo CTN. 1.1.2. A decisão do legislador ordinário: a lógica da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL e a não tributação de situações que não geram acréscimo patrimonial. Independentemente das predileções doutrinarias quanto ao mais adequado conceito de “renda” e embora se possa argumentar que a Lei Complementar tenha outorgado possibilidades mais amplas, não há dúvida que o legislador ordinário utiliza sistematicamente, como diretriz central para a tributação da renda, a teoria da renda enquanto acréscimo patrimonial. A constatação é pragmática: as regras do imposto de renda brasileiro, de forma geral, conduzem a uma base tributável que tende ao acréscimo patrimonial realizado pelo contribuinte em um determinado intervalo de tempo. Na sistemática do lucro real, aplicável no caso, a base de cálculo adotada pelo legislador ordinário corresponde ao lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. O lucro líquido, no caso, será apurado com observância das disposições das leis comerciais. É o que prescreve o art. 247 do Decreto 3.000/99 (doravante “RIR/99”), que veicula o Regulamento do Imposto de Renda, com a sistematização de toda a legislação esparsa: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). (...) Por meio das “adições”, são incluídos à base de cálculo do tributo valores deduzidos na apuração contábil e que não são dedutíveis para fins fiscais, a exemplo de uma despesa indedutível de multa de trânsito. Com as “exclusões”, são excluídos da base de cálculo do tributo as receitas apuradas pela contabilidade que não sejam passíveis de tributação, a exemplo de dividendos isentos recebidos. Finalmente, pela “compensação”, o resultado tributável passível de tributação no período de apuração é diminuído pelos resultados negativos apurados em períodos anteriores. Especialmente em relação aos prejuízos fiscais, o RIR/99 reflete em seus arts. 519 e 510 das regras vigentes sobre a matéria: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 572 23 CAPÍTULO XIV COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Disposições Gerais Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). § 2º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 3º). Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. A sistemática do lucro real, portanto, cristaliza a diretriz adotada pelo legislador ordinário de tributar os acréscimos patrimoniais, ainda que ajustes sejam realizados à apuração contábil. 1.2. A evolução legislativa a respeito da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa (CSL) Na sistemática do lucro real, a compensação de prejuízos fiscais é elemento essencial da diretriz erigida pelo legislador para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A investigação da evolução legislativa sobre a matéria nos últimos 80 anos demonstra que o legislador ordinário jamais negou o direito do contribuinte à Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 573 24 compensação da totalidade de seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) ou de base negativa (CSL). Nos idos de 1947, a Lei n. 154 regulou a compensação de prejuízos fiscais, nos seguintes termos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá se deduzido, para compensação total ou parcial, no caso da inexistência de fundos de reserva ou lucros suspensos dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. A norma então estabelecida prescreveu que: i) o lucro apurado em um determinado exercício poderia ser integralmente compensado com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 3 anos para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Em 1976, o DecretoLei n. 1.493 trouxe ligeira alteração na regulamentação da matéria, estendendo o prazo prescricional de aproveitamento dos prejuízos fiscais: Art. 12. O prejuízo verificado num exercício a partir do período base relativo ao exercício de 1977 poderá ser compensado total ou parcialmente, com os lucros contábeis apurados dentro dos 4 (quatro) exercícios subseqüentes. § 1º Entendese como prejuízo, para os fins de Imposto de Renda o verificado na apuração contábil da pessoa jurídica no período base, diminuído dos custos despesas operacionais e encargos não dedutíveis. § 2º Decorridos 4 (quatro) exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes de prejuízos porventura não compensados. A norma em questão vigorou no sistema jurídico brasileiro até 1995, alterou pouco a sistemática anterior, prescrevendo que: i) lucro apurado em um determinado exercício poderiam ser integralmente compensados com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 4 anos (e não mais 3 anos) para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Notese que, sob a égide da norma vigente até 1995, inexistia discussão quanto à possibilidade de compensação integral dos prejuízos acumulados na última declaração de rendimentos da empresa extinta por incorporação. Afinal, a possibilidade de compensação integral, em um único período, era garantida inclusive às empresas em continuidade. Em 1987, o DecretoLei n. 2.341 regulou operações como as chamadas “incorporações às avessas” e situações específicas de aproveitamento de prejuízos fiscais em restruturações societárias, com a limitação, em especial, da compensação de prejuízos fiscais Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 574 25 da empresa incorporada contra lucros da incorporadora. Aludidas normas estão refletidas nos ars. 513 e 514 do RIR/99: Mudança de Controle Societário e de Ramo de Atividade Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Incorporação, Fusão e Cisão Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Em 1991, diante do novo cenário econômico e da sistemática então adotada de apuração mensal do IRPJ, a compensação de prejuízos fiscais foi objeto de nova regulação pela Lei n. 8.383/91: Art. 38. A partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas deverão apurar, mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. (…) § 7° O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. § 8° Para efeito de compensação, o prejuízo será corrigido monetariamente com base na variação acumulada da Ufir diária. A Lei n. 8.383/91, como se vê, manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas deixou de prescrever prazo de prescrição ao seu exercício. Mas, logo em 1992, foi enunciada a Lei n. 8.541, que também manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas estabeleceu prazo para o seu exercício: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1° de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. Finalmente, em 1995, foi editada a nova tutela à compensação de prejuízos fiscais, que permanece vigente até a atualidade e é aplicável ao presente caso. Sucedendo a 8.981/95, a Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veicula norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 575 26 (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos em sua totalidade, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Como se pode observar da evolução dos dispositivos legais que regulam a matéria nos últimos 80 anos, em nenhum momento o legislador negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu prejuízo fiscal. A ordenamento jurídico: (i) Em alguns períodos da história, embora tenha estabelecido prazos ao exercício do direito, garantiu ao contribuinte o aproveitamento integral de prejuízos fiscais acumulados em ato único, inclusive (norma revogada); (ii) Vedou a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora, sem restringir de qualquer forma a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros (norma vigente); (iii) Garantiu ao contribuinte o aproveitamento da totalidade dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) acumulados de exercícios anteriores, mas diluiu o exercício desse direito no período de existência do contribuinte, sem prazo de prescrição (norma vigente). A Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veiculam norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos integralmente, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 576 27 1.3. A “trava dos 30%”: norma de diferimento da compensação dos prejuízos fiscais A norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 regula a compensação de prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), sopesando os interesses de caixa da União com a diretriz central para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. Com vistas aos interesses de caixa da União, a norma postergou, adiou, diferiu o exercício do direito do contribuinte à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base negativa (CSL), de forma a manter um fluxo arrecadatório mais contínuo. Sob essa perspectiva, a sua explicação tem raízes mais no Direito financeiro e na necessidade de superávit nos orçamentos públicos anuais do que necessariamente no Direito tributário. Houvesse o legislador cumulado a “trava de 30%” a algum prazo de prescrição para a compensação dos prejuízos fiscais acumulados (por exemplo, 4 ou 5 anos), poderíamos ter, aí, um problema sistêmico. Ocorre que, nessa hipótese, o legislador poderia entrar em contradição com a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial. O diferimento em questão, contudo, não nega o direito do contribuinte ao aproveitamento da integralidade de seus prejuízos acumulados. Pelo contrário, ao afastar a limitação temporal ao seu aproveitamento, garantindo ao contribuinte valerse do tempo que for necessário até esgotar todo o seu estoque de prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), o legislador ordinário justamente reconhece que o aludido saldo poderá ser esgotado em sua totalidade. O legislador ordinário prescreveu norma pela qual os prejuízos fiscais acumulados serão diluídos nos períodos de apuração em que o contribuinte apresentar lucros, indefinidamente, até que se esgote todo o seu saldo de prejuízos. O pressuposto de incidência da norma é, então, a continuidade da pessoa jurídica, pois somente assim o diferimento e o aproveitamento integral diluído no tempo seria possível. A exposição de motivos da medida provisória posteriormente convertida na Lei n. 9.065/95 é relevante para essa análise, in verbis: “Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n. 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje ‘vacatio legis’ em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. (negrito acrescido) Também é de grande relevância a análise desenvolvida pelo TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.4 em face da eludida exposição de motivos, in verbis: 4 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 577 28 “O recurso à E.M. é um importante indício da chamada mens legis. De um lado, ali se evidencia o objetivo do legislador: limitar, quantitativamente, sem retirar o direito de compensar até integralmente num mesmo ano. O exercício do direito à compensação do prejuízo, pela E.M., é que sofre uma limitacã̧o quantitativa. Não o próprio direito. Tanto que, como não há limite temporal para esse exercício do direito, e se trata até expressamente de prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de um ano (1995), que poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados em anos anteriores (até 31 de dezembro de 1994), com lucros auferidos em anos subsequentes, a simples postergacã̧o, à eviden̂cia, abrese espaço para a consideração de um âmbito de inferen̂cia ilocutiva: não poder haver perda ou eliminacã̧o do direito à compensacã̧o. É a lei que estabelece a garantia da plena utilização do saldo de prejuízos. Tratase de significado indireto (ilocucã̧o), isto é, por meio de uma elocuca̧õ (asserção do direito de compensar, com limite quantitativo) o legislador assevera algo expressamente. Mas mediante essa asserção também realiza uma ação que não chega a asseverar: sem limitacã̧o de tempo, a garantia de utilização é plena”. (negrito acrescido) No entanto, diante da ausência de continuidade da pessoa jurídica, tornase jurídica e faticamente impossível a diluição dos prejuízos fiscais em exercícios, sendo lícito ao contribuinte concentrar a sua compensação pelo término do diferimento. Nesse caso, o único limite aplicável à compensação de prejuízos fiscais acumulados, na hipótese de extinção da sociedade por incorporação, consiste nos lucros auferidos pela empresa no ano de sua extinção. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $2.000 venha a obter, no ano de sua extinção, lucro de $ 1.000, restaria um saldo de prejuízos acumulados de $1.000, que não poderia vir a ser aproveitado por mais ninguém, incluindose a incorporadora (DecretoLei n. 2.341/87, art. 33). Ocorre que, em termos gerais, dois fatores interferem na velocidade e na grandeza com que se dará o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado: Prosperidade do contribuinte: Quanto maiores forem os lucros líquidos obtidos pelo contribuinte, proporcionalmente maior será a fatia do prejuízo que poderá ser compensada. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $100 obtiver desempenho que lhe proporcione lucro líquido de $1.000 após adições e exclusões previstas na legislação, tenha ela perspectiva de continuidade ou não, poderá compensar em um único ato todo esse seu estoque de prejuízos. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 578 29 Vitalidade do contribuinte (ou continuidade da pessoa jurídica): A diluição dos prejuízos fiscais acumulados nos períodos de apuração futuros pressupõe que a vitalidade do contribuinte proporcione a continuidade de suas atividades (aliada à sua prosperidade, que lhe garantirá lucros passíveis de compensação). Conjugando tais fatores, a norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 poderá apresentar as seguintes consequências em variados cenários: baixa prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será consumido mais lentamente e até que os lucros gerados sejam suficientes para a sua compensação integral, sem limite temporal; elevada prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será rapidamente consumido em face dos lucros gerados; elevada prosperidade vs. extinção da entidade: o saldo de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta; baixa prosperidade vs. extinção da entidade: o estoque de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta, mas como não seriam suficientes para absorver todo o prejuízo de exercícios anteriores, haverá saldo residual não aproveitado. Para a solução do caso concreto, devemos verificar qual interpretação dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 – a do contribuinte ou a da PFN – melhor se amolda a esse arcabouço normativo e, em especial, à diretriz da renda enquanto acréscimo patrimonial adotada pelo legislador. É forçoso reconhecer que a interpretação sustentada pelo contribuinte realmente se alinha à diretriz da tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A “Figura 03”, acima, evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade das atividades da empresa por conta de sua extinção por incorporação, deve haver o acerto final de contas, com a compensação do saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) da incorporada contra os seus próprios lucros. Tal interpretação coincide com aquela adotada pelo e. STJ em uma série de julgados (vide no tópico “1.4”, abaixo). Assim, por exemplo, nos acórdãos do REsp 516849/CE, do AgRg no REsp 944.427/SP e do AgRg no REsp 516.849/CE, a Primeira Turma daquele Tribunal reconheceu como pressuposto de legitimidade da “trava dos 30%” exatamente a manutenção do direito do contribuinte à compensação da totalidade de seus prejuízos, ainda que o seu exercício seja diluído no tempo: o legislador “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada”. Na mesma linha, a Segunda Turma do e. STJ, em acórdãos como do REsp 993.975/SP e do REsp 1.132.256/SP, concluiu que a norma em questão “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 579 30 percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN”, bem como que “a legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem” (grifamos). Nos termos adotados pelo e. STJ, ao diferir o aproveitamento integral dos prejuízos acumulados (IRPJ) e da base negativa (CSL), o legislador estabeleceu um escalonamento, de forma que as empresas que apresentem continuidade – como ocorre em geral – devem observar a “trava dos 30%”. Coerentemente, esse percentual poderá ser superior na hipótese de não haver continuidade da pessoa jurídica, como se dá com a sua extinção por incorporação, fusão ou cisão. É digno de nota o voto da i. Min. Eliana Calmon, no REsp 993.975/SP, in verbis: “Pela legislação do imposto de renda, vigente até 30∕12∕94, era possível às empresas contribuintes compensar integralmente os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas apuradas e registradas no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), como previsto nos arts. 6º e 64 do DL nº 1.598∕77 e art. 12 da Lei 8.541∕92. Em 31∕12∕94, pela MP nº 812∕94, convertida na Lei nº 8.981∕95, limitouse a autorização da dedução do prejuízo compensável ao percentual de 30%, a partir de 1º de janeiro de 1995, conforme se observa dos arts. 42 e 58 do mencionado diploma legal. Apesar de limitada a dedução de prejuízos para o exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. O diferimento da dedução, a meu ver, não descaracterizou o crédito, tendo sido somente manipulado pelo fisco, segundo critérios de política econômica e fiscal arrecadatória. A limitação, que no meu ponto de vista, constitui em empréstimo compulsório, é aquela que obsta a devolução de um valor tomado do contribuinte injustamente, como ocorreu em relação à correção monetária das demonstrações financeiras, quando a Lei 8.200∕91, em reconhecendo a ilegalidade da correção estipulada no balanço de 1989, permitiu a devolução escalonada. Na hipótese dos autos, diferentemente, não tomou o fisco valor do contribuinte. O contribuinte é que teve frustrada uma expectativa de ganho com o desenvolvimento de sua atividade empresarial e suportou prejuízos, tendo direito de abater as perdas nos anos posteriores, dentro de um limite que não seja devastador para o fisco, que já contava com exações vindas da atividade empresarial. (...) Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 580 31 Uma outra argumentação, comum nas ações onde é defendida a tese do direito à dedução integral dos prejuízos, é a de que foi vulnerado o art. 110 do CTN, eis que não poderia a Lei nº 8.981∕95 subverter o conceito de renda. Como visto no início deste voto, entretanto, não houve subversão alguma, porque não se olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que se tornou escalonado.” Por sua vez, a “Figura 04” acima evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade, com a extinção da pessoa jurídica por incorporação, a interpretação sustentada pela PFN conduziria à tributação do patrimônio e não da renda. Caso essa interpretação seja adotada, não se tributária o acréscimo patrimonial (teoria da rendaacréscimo patrimonial), mas o próprio patrimônio; não se tributaria o produto do capital (teoria da renda produto), mas o próprio capital investido pelos sócios. Das duas interpretações apresentadas, apenas a sustentada pela PFN tem o condão de desvirtuar a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial eleita pelo legislador ordinário e, em afronta aos arts. 43 e 44 do CTN, transformar o IRPJ e a CSL em tributos incidentes sobre a propriedade. Tudo isso à revelia de decisão do Congresso Nacional, pois o legislador ordinário não pode ser acusado de ter cerceado o direito do contribuinte ao aproveitamento da totalidade de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) quando, na verdade, apenas diluiu o seu exercício no tempo de existência da pessoa jurídica. Esse também é o entendimento majoritário da doutrina. Destacase trecho do erudito estudo publicado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.5 sobre o tema, in verbis: “Assim, de um lado, a opção do legislador é garantir/autorizar a compensação de prejuízos à condição de uma limitação quantitativa (asserção expressa), manifestando um direito de compensar prejuízos, sem limitação temporal (asserção implícita). Promover esse bem (direito de compensar prejuízos até o seu limite total, sendo integral a dedução) constitui, de outro, o objetivo, cujo fundamento, que Schauer (ver acima) chama de justificação da regra, aponta para respeito à isonomia, na medida em que se observa que uma periodicidade estanque, que terminaria por impedir a compensação de prejuízos anteriores com lucros posteriores, conduziria a um tratamento mais oneroso de determinados contribuintes (que praticassem atividades de maior risco, a exigir período maior de investimento até o surgimento de resultados positivos), o que violaria a igualdade. Aparece aqui aquela tensão (ver Schauer anteriormente citado) entre a regra (ao limite de 30%, prejuízos fiscais poderão ser compensados) e sua justificacã̧o (princípio da isonomia), que conduz, mediante teleologia, a novas generalizacõ̧es. Isto é, ao teor da norma “é autorizado compensar prejuízos fiscais, desde 5 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 581 32 que não ultrapasse o limite de 30%”, a generalização que a fundamenta (seu telos, seu objetivo: compensaçaõ de prejuízos até seu esgotamento total por exigência da isonomia) faz surgir significados indiretos, ali presentes em forma ilocutiva: a restrição quantitativa não deve implicar perda do direito de compensar prejuízos, até porque a ausen̂cia de restrição temporal significa possibilidade de transferen̂cia para períodos posteriores até o seu esgotamento. Ou seja, partese da exigen̂cia de uma periodicidade estanque (até 30% no período) para uma nova generalizacã̧o da regra por força da sua justificação: a periodicidade anual dos tributos não impede, ao contrário, autoriza a compensação de prejuízos acumulados, em períodos subsequentes. Pois bem, e dessa nova generalização (que atende, com base em isonomia, à diferença entre contribuintes) segue outra: o aproveitamento integral dos prejuízos, num único período, por sociedade incorporada, dada a impossibilidade de seu aproveitamento integral, diferido no tempo. Notese, na tensão regra/fundamento, passamos de uma generalizacã̧o (direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo) para uma segunda (não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução) e dessa, para uma terceira (ressalvada a situacã̧o dos que de fato ou de direito estão impedidos ou impossibilitados de realizar o diferimento no tempo). Nos termos de Schauer, antes referidos, na segunda generalização temos uma sobreinclusão, na terceira, uma subinclusão, ambas dentro da mesma ratio legis.” (grifos do original) Na mesma linha, ao examinar a questão, IVES GANDRA DA SILVA MARTINS6 concluiu, in verbis: “a) não há lacuna na lei que limitou a 30% a compensação de prejuízos fiscais, pois apenas dedicada a empresas em funcionamento, como o STJ e a exposição de motivos das MPs e projetos de conversão em lei resultantes esclareceram; b) a lei objetivou, exclusivamente, distender, no tempo, o aproveitamento de prejuízo, MAS NÃO eliminálo, em havendo lucros; (...) A lei que permite a compensação do prejuízo determina QUE TODO O PREJUÍZO SERÁ COMPENSADO, DISTENDIDO NO TEMPO (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS DA LEI). A conclusão lógica é que se não há mais tempo para aproveitálo, em havendo lucros na extinção, a 6 SILVA MARTINS, Ives Gandra da. Incorporação de empresa com extinção da incorporada Possibilidade de aproveitamento do prejuízo além de 30%, acesso em: http://www.fiscosoft.com.br/a/4qc6/incorporacaode empresacomextincaodaincorporadapossibilidadedeaproveitamentodoprejuizoalemde30ivesgandradasilvamartins Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 582 33 lei permite seu aproveitamento, de uma só vez, para que não haja tributação sobre um “não acréscimo patrimonial” vedado pelo CTN (arts. 43 e 44) e pelo artigo 150, inciso I, da Lei Suprema, que impõe o princípio da legalidade para a incidência tributária”. No presente voto, então, não se afastam os arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95, bem como não se infirma a constitucionalidade7 de tais dispositivos no presente voto. Pelo contrário, aplicase ao caso concreto a norma prescrita pelo legislador ordinário, que encerra o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) com a extinção da pessoa jurídica. Interpretação diversa, tal qual a sustentada pela PFN, macularia a cobrança tributária de flagrante ilegalidade. 1.4. A jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário sobre o tema. O e. STF ainda não possui decisões a respeito do tema em análise. Não se pode confundir o presente caso com a discussão existente perante aquele Corte, afetada inclusive pelo rito da repercussão geral8, quanto à (in)constitucionalidade da “trava de 30%” em todos e quaisquer casos. Como foi dito, neste processo administrativo, inclusive por respeito ao RICARF9, assumese como legítima a “trava dos 30%” nos termos estabelecidos pelo legislador ordinário, o qual não prescreveu a sua aplicação às hipóteses de extinção da pessoa jurídica por incorporação, fusão ou cisão. Por sua vez, na linha da jurisprudência do e. STJ, a legalidade da “trava dos 30%” pressupõe a garantia ao contribuinte de que poderá aproveitar a totalidade dos seus prejuízos fiscais (IRPJ) ou de sua base negativa (CSL). No âmbito da 1a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em 7 Não cabe no bojo deste processo administrativo analisar possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicaçaõ ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” 8 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (STF, RE 591.340 RG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 09/10/2008) 9 RICARF, art. 62. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 583 34 benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). Fl. 583DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 584 35 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 25/05/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. MP 812/94. LEIS 8.981/95 E 9.065/95. LIMITAÇÃO DE 30%. LEGALIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Esta Corte, em diversas oportunidades, manifestouse no sentido da legalidade da limitação de trinta por cento (30%) na compensação de prejuízos fiscais, sob o fundamento de que a Lei 8.981/95, que estabeleceu essa limitação, não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada. 2. É legal essa limitação, em relação à compensação de prejuízos fiscais verificados até o dia 31.12.1994, a partir do exercício de 1995, não havendo contrariedade ao princípio da anterioridade. 3. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 516.849/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 03/04/2006, p. 228) No âmbito da 2a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC NÃO CARACTERIZADA – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981/95: LEGALIDADE. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981/95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 993.975/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO Fl. 584DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 585 36 DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 2. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 3. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 4. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 5. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 1.132.518/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do recurso extraordinário 232.0849, relator o Ministro Relator Ilmar Galvão, decidiu que Medida Provisória nº 812∕94, convertida na Lei 8.981∕95, foi publicada no dia 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado financeiro do exercício, encerrado no mesmo dia, sendo irrelevante, para tanto, que o último dia do ano de 1994 tenha recaído num sábado, se não se acha comprovada a nãocirculação do Diário Oficial da União naquele dia. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido. (STJ, REsp 1.132.256/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2009) No âmbito do CARF, é possível divisar dois momentos distintos em sua jurisprudência. A primeira compreende o período entre 2001 e 2009, enquanto que a segunda teve início em meados de 2009/2010. No acórdão n. 10806682, de 20.9.2001, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, julgou ser válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “INCORPORAÇÃO — DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA — LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO Fl. 585DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 586 37 DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a . norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Ainda em 2001, o acórdão n. 10193438, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou que a compensação dos prejuízos, mesmo na hipótese de extinção por incorporação, deveria respeitar a “trava dos 30%”: “IRPJ COMPESAÇÃO DE PREJUÍZOS A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIAPOSTERGAÇÃO — Não há previsão legal para exigência de multa de mora sobre o imposto postergado MULTA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO — Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação.” A incipiente divergência foi sufragada logo em 2002, quando a CSRF julgou a questão. Assim, no acórdão n. 0104258, de 2.12.2002, a CSRF, por maioria, julgou válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada.” As decisões que se seguiram, tanto das Turmas Ordinárias quanto da CSRF, navegaram em águas tranquilas, firmes na compreensão de que seria válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação. Por unanimidade, o acórdão da CSRF n. 0105100, de 19.10.2004, confirmou tal entendimento: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal.” Destacamse as seguintes decisões das Turmas Ordinárias que se seguiram, boa parte por unanimidade de votos: IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 587 38 (Acórdão n. 10807456, de 2.7.2003, da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. (Acórdão n. 10194515, de 17.3.2004, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — EMPRESAS EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL A jurisprudência do Conselho que afasta a limitação só alcança a compensação feita na declaração final de extinção.” (Acórdão n. 10195856, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% – EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. (Acórdão n. 10195872, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão CSRF/0105.100, em Sessão de 19 de outubro de 2004, publicado no DOU de 28/02/2002). (Acórdão n. 10709.243, de 05.12.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) CSL — INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM PROCESSO DE EXTINÇÃO (REGIME DE LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA) — TRAVA. DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE — A denominada trava de 30% na Fl. 587DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 588 39 compensação de prejuízos, que pressupõe o principio de continuidade da empresa, não pode ser aplicada quando a sociedade se encontra em processo de extinção em razão do regime de liquidação ordinária em que se encontra. (Acórdão n. 10707.856, de 11.11.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, vez que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. (Acórdão n. 10709.447, de 13.8.2008, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – TRAVA – CISÃO – Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela do prejuízo proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30% do lucro líquido ajustado. (Acórdão n. 10196509, de 22.1.2008, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade). Em 02.10.2009, por voto de qualidade, a CSRF alterou esse entendimento até então corrente, como se observa no acórdão n. 910100401: IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Por fim, no julgamento do recurso especial objeto desta declaração de voto, realizado em fevereiro de 2016, novamente a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) pela não observância da “trava de 30%”, ainda que o contribuinte tenha sido extinto por incorporação. Permissa venia, conforme se procurou demonstrar, tal decisão destoa de todo o ordenamento jurídico. 1.5. Conclusão quanto ao mérito principal do recurso especial. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 589 40 O caso ora em análise envolve a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros, todos apurados antes do evento de extinção por incorporação, ocorrido em 2006. Pelo que foi exposto e em linha com meu voto proferido no julgamento do presente recurso especial, entendo que o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL), tal como prescrito pelos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 (“trava dos 30%”), encerrouse com a extinção da contribuinte pela incorporação realizada, não sendo legal a glosa levada a termo no AIIM. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável considerada legítima pelo CARF à época dos fatos. Por meio de memoriais, o contribuinte requer seja afastada a cobrança multa punitiva que lhe foi imposta pela compensação de seu saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), sem a observância da “trava dos 30%”, em sua última declaração de rendimentos entregue em razão de sua extinção por incorporação, ocorrida em 2006. Alega que teria agido de boafé, acompanhando o entendimento consolidado deste Tribunal à época dos fatos, o que reclamaria a aplicação, inclusive, da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. A análise da questão demanda saber: Se há, no sistema jurídico brasileiro, proteção ao contribuinte que, de boafé, age de forma razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento; Se existente, qual seria a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose a possibilidade de cobrança do débito principal e das penalidades pecuniárias que o acompanham; Por fim, caso existente a referida proteção ao contribuinte, se o caso concreto se adequa às situações que reclamam a sua aplicação. 2.1. O sistema jurídico brasileiro protege o contribuinte que, de boafé, age de maneira razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento? Essa análise possivelmente representa um dos temas mais relevantes da teoria do Direito tributário, pois suscita posicionamentos relacionados à justiça e à sua efetiva concretização em um dado sistema jurídico, o que requer, para isso, igualdade, segurança jurídica e boafé nas relações entre fisco e contribuinte. KLAUS TIPKE10 oferece um bom ponto de partida para a compreensão do presente caso, in verbis: 10 TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo : Melhoramentos, 2002, p. 21. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 590 41 “As Constituições dos Estados de Direito não permitem que o Direito Positivo seja dissociado da Ética. Elas partem do pressuposto de que é possível reconhecer o que é justo e o que é injusto. A Constituição Brasileira declarase por ‘uma sociedade livre, justa e solidária’. A Constituição Alemã não contém qualquer declaração expressis verbis em favor da justiça, mas estatui – assim como a Constituição Brasileira – o direito fundamental à igualdade perante a lei. Tratamento isonômico como corolário da justiça pressupõe, porém, um critério adequado de comparação, um tertium comparationis orientado pela justiça. Contudo, é amplamente aceito que o princípio da igualdade seja um produto da justiça. Não existe um critério uniforme para todo o Direito. Muito mais correto é que cada ramo do Direito tenha seu próprio critério. Em outras palavras, deve ser decidido qual princípio ou qual critério é adequado para o particular ramo do Direito, tal como o Direito Tributário. Na Alemanha falase, portanto, em justiça adequada à matéria. O que é adequado à matéria depende da finalidade da regulamentação do particular ramo do Direito. O Direito Penal orientado pela culpabilidade mede a pena justa segundo o grau de culpa. Subvenções são medidas segundo a necessidade ou segundo um mérito especial. Por isso se fala em princípio da necessidade e principio de mérito. Para o Direito Tributário é amplamente reconhecido que este deve ser orientado pelo princípio da capacidade contributiva. Isso não vale, porém, para normas extrafiscais.” A justiça naturalmente também deverá ser observada na lei tributária que define infrações. Mas nessa seara há peculiaridades especiais, pois, como bem observa MARIA ÂNGELA L. PAULINO PADILHA11, “é preciso ter em mente que os interesses punitivos não se confundem com os interesses arrecadatórios do Estado, sob pena de desvirtuarse o sistema repressivo de seus propósitos”. E não se espera apenas que o legislador imprima justiça ao sistema jurídico, cabendo esse dever também ao aplicador do Direito. MORIS LEHNER12 constata que o “princípio fundamental da tributação justa” não deve ser observado apenas na edição das leis, mas também quando de sua aplicação, de forma que a interpretação da lei também deve ser orientada por esse “princípio normativo diretivo”. O Direito brasileiro não se furtou de tais constatações, o que se comprova pela análise do CTN, especialmente em seus arts. 100 e 112. O art. 112 do CTN se dirige diretamente aos aplicadores do Direito tributário, inclusive aos Conselheiros do CARF, pois trata da interpretação da legislação ordinária. O Legislador Complementar, imbuído da competência que lhe foi outorgada pelo art. 146 da 11 PAULINO PADILHA, Maria Ângela Lopes. As Sanções no Direito Tributário. São Paulo : Noeses, 2015, p. XXIX. 12 LEHNER, Moris. Consideração econômica e tributação conforme a capacidade contributiva. Sobre a possibilidade de uma interpretação teleológica de normas com finalidades arrecadatórias. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; ZILVETI, Fernando Aurélio (coords.). Direito tributário: estudos em homenagem a Brandão Machado. São Paulo: Dialética, 2001, p. 1436. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 591 42 CF/88, torna mandatório ao intérprete considerar fatores como a “natureza ou às circunstâncias materiais do fato” e a sua “punibilidade”. Em caso de “dúvida” que circunde os referidos fatores, a norma deve ser aplicada “da maneira mais favorável ao acusado”. Eis a redação do dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Parece claro que tal norma persegue a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé nas relações entre o fisco e o contribuinte. Entre outras variáveis fáticas alcançadas por essa norma, as condutas praticadas pelo contribuinte que apresentem dúvida razoável quanto à sua legitimidade devem ser escusadas de penalização. Tratase de norma de escusa de penalidade à conduta razoável, que no Direito penal encontra paralelo no consagrado “erro de proibição”. A pedra de toque para a sua aplicação é a aferição, pelo intérprete, da razoabilidade da conduta praticada pelo contribuinte, o que reclama por critérios para a outorga dessa proteção. A seleção de critérios para a identificação de condutas razoáveis, que imponham dúvida quanto à sua legitimidade capaz de amenizar ao máximo possível a aplicação de penalidades tributárias, não é tarefa das mais simples, como observa a doutrina. Nesse sentido, leciona LUÍS EDUARDO SCHOUERI13, in verbis: “À primeira vista, o dispositivo acima [CTN, art. 112] poderia ser visto como de difícil aplicação prática, ou pelo menos de difícil controle, já que seu pressuposto – a dúvida – carrega extremo grau de subjetividade. Aquilo que para um é duvidoso surge no espírito de outrem com clareza. Entretanto, a peculiaridade do processo brasileiro – tanto o administrativo quanto o judicial – em que preveem órgãos colegiados de julgamento, com sessões públicas, oferece um controle objetivo da dúvida. Não é incomum, com efeito, que decisões sejam tomadas em estreita maioria, ou até mesmo por voto de qualidade do presidente do presidente órgão julgador. Em tais casos, a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida”. Entre os critérios que podem ser adotados para aludida aferição, o caso concreto nos impõe decidir se é ou não fator relevante a constância de um determinado 13 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 592 43 entendimento pela a administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento, acompanhada da adoção, pelo contribuinte, de conduta trilhada nessa mesma direção. As decisões do CARF, produzidas para o controle da legalidade dos lançamentos tributários, são públicas e influenciam a tomada de decisões do mais cauteloso dos contribuintes. De fato, o particular que, de boafé, se preocupar em ser diligente e cumprir com todos os seus deveres perante o fisco brasileiro, sem dúvida precisará contar com o auxílio de um consultor tributário (“compliance cost”), que terá como parte fundamental de seu trabalho verificar diligentemente como a administração fiscal, especialmente por seus órgãos decisórios, aplicam os enunciados legais que influenciam o caso sob a sua análise. Para bem localizar a questão, suponhase, por hipótese, que decisões reiteradas do CARF afirmem, de forma irrecorrível para variados contribuintes, que uma determinada conduta seria plenamente legítima (“permitido”), como ilustrado na representação gráfica a seguir: Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 05. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. A representação gráfica suscita propositadamente situação de ausência de homogeneidade absoluta das decisões, exatamente para evidenciar que esta não é uma exigência para a aplicação do art. 112 do CTN. Para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável, o Legislador Complementar exige que exista “dúvida” (CTN, art. 112, caput), o que não é afastada simplesmente por uma decisão divergente (“não permitido”) de uma série constante de decisões em um mesmo sentido (“permitido”). Bem compreendidos, julgados de Turmas Ordinárias do CARF, que destoem de uma série constante de decisões, tem um papel fundamental no processo de estabilização do Direito tributário, em que o Tribunal administrativo, no âmbito de sua competência, esclarece à sociedade qual o seu entendimento quanto à legítima aplicação das normas tributárias: tais decisões divergentes (“não permitido”) ensejam a atuação da CSRF para a uniformização da jurisprudência administrativa. Diante de uma decisão da CSRF, a sociedade pode compreender com mais certeza quais condutas são (ou têm sido) legitimadas pela administração fiscal, como um aceno de segurança jurídica àqueles que seguirem o mesmo caminho. Nos moldes de nosso sistema jurídico, a decisão da CSRF apresenta elevada eloquência para a transmissão de mensagem à sociedade que, de boafé, poderá compreender como deverá agir para estar em conformidade com o entendimento da administração fiscal. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 593 44 Graficamente, em continuidade à ilustração acima, poderíamos ter a seguinte imagem como decorrência de uma decisão da CSRF: Permi do Permi do Permi do CSRF: PERMITIDO!!! Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 06. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Nesse seguir, independentemente de decisão divergente isolada (“outlines”), caso o contribuinte trilhe o mesmo caminho indicado por uma constância de decisões do CARF, confirmada por decisão ou decisões da CSRF, a sua conduta deve ao menos ser considerada razoável pela administração fiscal. Caso esse tribunal administrativo posteriormente altere o seu padrão de entendimento sobre o tema em questão, então será preciso reconhecer que haveria, ao menos, a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Essa questão foi analisada pelo CARF, por exemplo, em face da guinada de sua jurisprudência a respeito do planejamento tributário. Assim, no acórdão n. 10195.537, este Tribunal compreendeu que não seria legítimo punir o contribuinte que teria sido induzido, à época dos fatos, pela jurisprudência pretérita: PENALIDADE QUALIFICADA — INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE — ERRO DE PROIBIÇÃO — ARTIGO 112 DO CTN — SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI — Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudenciais contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Recurso provido parcialmente. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 594 45 (Acórdão n. 10195.537, Processo n. 11065.001589/200467, sessão de 24/05/2006) A aludida norma também encontra reforço no art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Como se observa, o art. 100 do CTN deixa clara a necessidade de exclusão de penalidade pecuniária caso o contribuinte obedeça normas complementares consubstanciadas, por exemplo, em decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inciso II) ou, ainda, em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). É preciso compreender claramente a relação estabelecida entre os arts. 100 e 112 do CTN. Se, por um lado, o art. 112 deixa em aberto quais critérios podem ser utilizados para que o aplicador verifique se há a “dúvida” que lhe obriga a interpretar a penalidade da forma mais favorável ao acusado, por outro, o art. 100 do CTN não exclui das decisões administrativas colegiadas a serventia de se prestarem à aferição da referida “dúvida” e da razoabilidade da conduta adotada pelo contribuinte. Também é preciso observar que constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal pode ser compreendido como práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, abarcadas pelo art. 100, III, do CTN. Tais normas encontram fundamento de validade na Constituição Federal. Entre outras normas constitucionais que podem ser citadas, merece destaque a que prescreve a observância no “princípio da razoabilidade”, explicitado por REGINA HELENA COSTA14 do seguinte modo ao lecionar sobre “princípios gerais do direito sancionador”: “Merece referencia, outrossim, o princípio da razoabilidade. No direito brasileiro, a razoabilidade encontra fundamento expresso no art. 5o, LIV, CR, segundo o qual “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. 14 COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 305 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 595 46 A razoabilidade é medida em relação ao interesse público específico. A razoabilidade deve ser tomada como aquilo que a sociedade pode admitir como uma das soluções possíveis para o caso concreto; é o padrão social a respeito de certas condutas e, portanto, só pode ser aferida em função da realidade, de um contexto determinado. Pensamos, assim, que razoabilidade e proporcionalidade sejam termos fungíveis, a significar diretriz implícita fundamentada nas ideias de devido processo legal substantivo e de justiça, com vistas à proteção da arbitrariedade” Desse modo, os aplicadores do Direito tributário, entre eles os Conselheiros do CARF, possuem uma bússola prescrita pelo ordenamento jurídico para que, no caso de conduta razoável do contribuinte que suscite “dúvida” quanto à sua punibilidade, trilhem a interpretação mais favorável ao contribuinte. Não se pode deixar de observar que o art. 100, II, do CTN, erigiu “as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa” com status de normas complementares, desde que a lei lhes atribua “eficácia normativa”. Notese que o ordenamento atribui juridicidade às normas “gerais e abstratas”, “gerais e concretas”, “individuais e abstratas” ou “individuais e concretas”15. A todos esses enunciados prescritivos o sistema jurídico atribui “eficácia normativa”. E os acórdãos enunciados pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes, que compõem a série constante referida nas ilustrações acima, possuem “eficácia normativa”, de natureza individual e concreta. A atribuição de eficácia normativa individual e concreta às referidas decisões é suficiente para os propósitos da norma de escusa de penalidade à conduta razoável: evidenciar que outros contribuintes, mesmo que estranhos ao procedimento administrativo, poderiam ter justificáveis “dúvidas” sobre a vedação de uma conduta. Foi o que reconheceu o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, suscitado pelo contribuinte em sede de memoriais: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...) 15 É o que leciona PAULO DE BARROS CARVALHO, in verbis: “Por fontes do direito havemos de compreender os focos ejetores de regras jurídicas, isto é, os órgãos habilitados pelo sistema para produzirem normas, numa organização escalonada, bem como a própria atividade desenvolvida por essas entidades, tendo em vista a criação de normas. O significado da expressão fontes de direito implica refletirmos sobre a circunstância de que regra jurídica alguma ingressa no sistema do direito positivo sem que seja introduzida por outra norma, que chamaremos, daqui avante, de “veículo introdutor de normas”. Isso já nos autoriza a falar em “normas introduzidas” e “normas introdutoras”. Pois bem, nos limites desta proposta, as fontes do direito serão os acontecimentos do mundo social, juridicizados por regras do sistema e credenciados para produzir normas jurídicas que introduzam no ordenamento outras normas, gerais e abstratas, gerais e concretas, individuais e abstratas ou individuais e concretas. Agora, tais ocorrências serão colhidas enquanto atos de enunciação, já que os enunciados consubstanciam as próprias normas. Tratase de um conceito sobremaneira relevante porque a validade de uma prescrição jurídica está legitimamente ligada à legitimidade do órgão que a expediu, bem como ao procedimento empregado na sua produção.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000.pg 45) Fl. 595DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 596 47 Deve ser verificada a relevância ao presente recurso especial desse dispositivo suscitado pelo contribuinte. Analisadas as normas do CTN sobre a matéria, é possível avançar na análise do ciclo de positivação do Direito tributário para cogitar, por hipótese, três possíveis reações do legislador ordinário: i) regular, sem restringir, a fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável; ii) restringir ou mesmo proibir que a interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida na penalização de conduta razoável; iii) quedarse silente, tendo em vista que os aplicadores do Direito tributário já se encontram suficientemente tutelados sobre a questão. O art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, como se vê, cuida da fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. O legislador ordinário requereu decisão da CSRF como requisito para a demonstração da razoabilidade da conduta do acusado capaz de evidenciar “dúvida” que lhe garanta a mais favorecida das interpretações e o afastamento de penalidades (“decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal”). Além disso, o legislador ordinário não exigiu qualquer constância de entendimento do Tribunal, valendose do singular (“decisão irrecorrível”) para fazer referência àquilo que serviria de escusa à aplicação de penalidade, enfatizando que o contribuinte não necessita ser parte do procedimento administrativo que deu origem à decisão paradigmático (“seja ou não parte o interessado”). Assim, perece correto compreender que a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, apresenta três espectros normativos. Primeiro, apenas declara a norma de escusa de penalidade à conduta razoável já prescrita pelo CTN, ao que se poderia chamar de meramente pedagógica ou didática16. Segundo, ao tornar prescindível a pluralidade das decisões de mesmo sentido, satisfazendose com uma única decisão irrecorrível da CSRF, o legislador ordinário tornou mais objetiva a aferição da “dúvida” que garante ao acusado a mais favorecida das interpretações. Por fim, ao exigir decisão irrecorrível da CSRF, o enunciado prescritivo por ser considera restritivo, pois tais condições não foram requeridas pelo legislador complementar. São controvertidas algumas questões sobre a eficácia da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Seria possível, por exemplo, questionar se haveria proporcionalidade na suposta distinção do legislador, em agraciar exclusivamente as relações jurídicotributárias atinentes ao IPI com uma norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Porque o legislador garantiria apenas em relação às relações em torno do IPI a aplicação de tal norma que, afinal, vivifica a segurança jurídica, a justiça fiscal e a boafé? No entanto, não me parece necessário enfrentar tais questionamentos, pois o presente caso seria igualmente solucionado com ou sem a aplicação direta da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Ocorre que, na hipótese da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ser aplicável apenas ao IPI e, assim, não poder ser suscitado aos casos envolvendo IRPJ e CSL, o art. 112 do CTN possui eficácia suficiente para vincular o julgador. Se o legislador ordinário quedouse silente ao voltar as suas atenções à tributação sobre a renda, o seu silêncio transmite a mensagem eloquente de que a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé administrativa 16 Há no sistema jurídico normas cuja função é meramente pedagógica, declaratória, didática. Tais normas não são, em absoluto, imprescindíveis, já que não lhes cabe mais do que repisar de forma mais clara e eficaz à sociedade algum mandamento já existente no ordenando jurídico. A importância de normas gerais e abstratas meramente pedagógicas pode estar relacionada com a necessidade de se lembrar aos aplicadores do Direito a sua cogência, de modo que, quanto menor a eficácia social das normas do sistema jurídico, mais pertinência pode vir a ter enunciados prescritivos meramente pedagógicos, didáticos. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 597 48 foram adequada e suficientemente prestigiadas pelo CTN, não sendo necessário mais qualquer atividade legislativa para dar eficácia à norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Da mesma forma, não é aplicável ao caso concreto o Parecer Normativo COSIT n. 23, de 6 de setembro de 2013, que trata da força vinculante de um acórdão administrativo em relação a terceiros. Ocorre que, no caso concreto, não se trata simplesmente de aplicar, com força de norma complementar, o teor de um acórdão do CARF, emanado em relação a um terceiro, com a consequente exclusão de penalidades (CTN, art. 100, II). Tratase de reconhecer se há ou não a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN decorrente da constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal, que se aproxima mais da hipótese do art. 100, III, do CTN. 2.2. Qual a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose o débito principal das penalidades pecuniárias que o acompanham? Na análise da obrigação tributária objeto do presente processo administrativo, é preciso distinguir o crédito tributário da penalidade pecuniária (CTN, art. 113, §1º). Ocorre que a norma de escusa de penalidade à conduta razoável apenas tem eficácia sobre a penalidade pecuniária, sem afetar a cobrança do tributo (CTN, art. 3o). O art. 146 do CTN tutela os casos em que a administração fiscal altera o seu entendimento quanto à correta aplicação de uma norma de incidência tributária. Para os contribuintes que tiveram as suas condutas já fiscalizadas para averiguação de subsunção a uma norma tributária no período em que a administração mantinha, por exemplo, entendimento de não incidência, o referido dispositivo do CTN prescreve a inalterabilidade da situação jurídica estabelecida. Em relação aos exercícios ainda não fiscalizados, no entanto, a novel interpretação poderia ser legitimamente adotada, não havendo direito adquirido desse contribuinte à interpretação pretérita. Por sua vez, a ressalva “em relação a um mesmo sujeito passivo”, contida no art. 146 do CTN, não estende a terceiros a garantia de que serão observados, pela administração fiscal, idênticos critérios jurídicos para o lançamento do tributo. Assim, se duas empresas concorrentes forem fiscalizadas pela primeira vez, para a averiguação de fatos semelhantes, em um mesmo período, pelo mesmo agente fiscal, não há, a priori, garantia a nenhuma delas de que lhes seja aplicada homogênea interpretação jurídica. Da mesma forma, ainda que todos os concorrentes de uma empresa obtenham da administração fiscal um mesmo entendimento (não cobrança de um tributo, por exemplo), não poderia esse contribuinte, apenas por esse fundamento, exigir da administração fiscal não ser cobrado desse tributo. Ocorre que “as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, que por qualquer razão venham a ser alteradas, tem relevância para afastar penalidades, mas não afetam a cobrança do tributo em si (CTN, art. 100, III e parágrafo único). Como se constata, o ordenamento jurídico proíbe que o fisco castigue, com penalidades pecuniárias, o contribuinte que agiu, à época dos fatos, em conformidade com a interpretação então mantida pela administração fiscal. Mas a proteção em exame não proíbe a administração fiscal de alterar o seu entendimento e realizar a cobrança de certo tributo dentro do prazo de 5 anos, contados conforme o art. 150 ou 173 do CTN. Assim, se aplicável ao presente caso, a norma de escusa de penalidade à conduta razoável afastaria apenas a cobrança da multa imposta no AIIM. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 598 49 2.3. O caso concreto se adequa às situações que reclamam a proteção da norma de escusa de penalidade à conduta razoável? No presente caso, é preciso aferir se, em 2006, quando a conduta do contribuinte foi concretizada, haveria uma padrão nas decisões deste Tribunal administrativo que indicasse como legítimo o caminho então trilhado. Já se verificou, na análise do mérito do presente recurso especial (vide tópico “1.4”), a evolução da jurisprudência do CARF atinente à “trava dos 30%”. A representação gráfica abaixo ilustra a constância do entendimento mantido pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes quando o contribuinte, em face de sua extinção por incorporação, realizou a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. Ac. 108‐06682, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐93438, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes CSRF, Ac. 01‐04258 Ac. 108‐07456, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2001 2002 2003 CSRF, Ac. 01‐05100 2004 Ac. 101‐94515, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95856, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2004 2006 Figura 06. Constância de decisões do CARF sobre a “trava dos 30%”. 2006 ANO DA EXTINÇÃO POR INCORPORAÇÃO E COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO ACUMULADO Ac. 105‐15908, 5ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95872, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09243, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐96509, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐07.856, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09447, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2006 2007 2008 2009 2007 2008 CSRF, Ac. 9101‐00401 2016 JULGAMENTO DO CASO CONCRETO PELA CSRF: POR VOTO DE QUALIDADE, DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE (…) Fl. 598DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 599 50 Como se observa, em 2006, o contribuinte estava imerso em um sistema jurídico no qual as decisões enunciadas pelo CARF, inclusive por sua CSRF, manifestavam com constância que, em face de extinção da pessoa jurídica por incorporação, seria legítima a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. A CSRF se manifestou sobre a matéria em 2002 e em 2004, considerando legítima tal conduta, sem destoar da imensa maioria dos acórdãos enunciados, por unanimidade de votos, pelas Turmas Ordinárias. É muito coerente a observação de ROBERTO DUQUE ESTRADA17 a respeito do cenário instaurado à época da conduta praticada pelo contribuinte (2006), in verbis: “Qualquer consultor em matéria tributária, entre dezembro de 2002 e outubro de 2009, quando indagado por clientes se uma pessoa jurídica, no período base de sua extinção, em virtude de cisão, fusão ou incorporação, poderia compensar integralmente o saldo de prejuízos fiscais acumulados, isto é, sem observar o limite de 30% de redução do lucro líquido, teria respondido afirmativamente à questão e classificado como muito remota a probabilidade de perda em eventual discussão administrativa. O consultor tributário fundamentaria sua resposta na jurisprudência consolidada da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), inaugurada pelo Acórdão CSRF/0104.258, de 1o de dezembro de 2002, da relatoria do conselheiro Celso Alves Feitosa, assim ementado: (…)” Apenas a partir de 2009 (ou agosto de 2010, quando foi formalizado o acórdão n. 910100401, da CSRF) é possível identificar uma mensagem diferente transmitida pelo órgão máximo de julgamento da administração fiscal quanto à legitimidade da conduta em questão. Dessa forma, caso se compreendesse aplicável o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, para situações envolvendo a tributação da renda (e não apenas IPI), então será forçoso concluir que há substrato fático para a sua incidência ao caso concreto: o dispositivo exige uma única decisão irrecorrível da CSRF para suscitar o afastamento de penalidade, mas o contribuinte possuía, à época dos fatos, dois acórdãos da CSRF que reconheciam a legitimidade de seu agir. Não obstante, ainda que por qualquer razão se considere inaplicável ao presente caso a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ainda assim deve ser reconhecida a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. No presente caso, o padrão da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte à época da conduta praticada pelo contribuinte, inclusive em face das decisões da CSRF, demonstra que os atos praticados apresentavam elevada razoabilidade e não seriam, a priori, considerados como sujeitos à punibilidade. Quando muito, haveria “dúvida” (CTN, art. 112, caput) quanto à sua “punibilidade” (CTN, art. 112, III). Tais normas do CTN, que tratam da interpretação da legislação ordinária, se dirigem diretamente aos agentes fiscais e aos julgadores (administrativos ou judiciais), não havendo discricionariedade quanto à sua obediência. 17 ESTRADA, Roberto Duque. Não há segurança jurídica sem decisões estáveis, in CONJUR. Acesso em: http://www.conjur.com.br/2012nov21/consultortributarionaosegurancajuridicadecisoesestaveis Fl. 599DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.002239/201070 Acórdão n.º 9101002.225 CSRFT1 Fl. 600 51 Notese que a aferição da “dúvida”, no presente caso, se torna manifesta pelo próprio julgamento do presente recurso especial, ocorrido em 2016. Neste, houve empate entre os julgadores, pois 5 deles entenderam como legítima a conduta praticada pelo contribuinte, embora outros 5 tenham entendido pela ausência de permissivo expresso no sistema para a sua realização. Por voto de qualidade do i. Presidente da Turma, considerouse como não permitido o aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas sem a “trava dos 30%”. Assim, se em 2006, quando a conduta foi praticada, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte indicava para a legitimidade dos atos praticados pelo contribuinte, em 2016 apenas um voto, em meio a um colegiado composto por 10 julgadores, seria suficiente para que a conduta em questão fosse considerada perfeitamente legítima. Nesse caso, como adverte a doutrina acima analisada, “a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida” 18. 2.4. Conclusões finais quanto à imposição de multa contra o contribuinte. Por todos os fundamentos expostos, entendo que deve ser afastada a imposição da multa imposta no AIIM contra o contribuinte. No presente no caso, seria coerente que o contribuinte conduzisse os seus atos em conformidade com o padrão estabelecido pela constância das decisões do CARF, especialmente diante das decisões da CSRF que apontavam para a mesma direção. Se duas interpretações seriam possíveis, mas o órgão máximo de julgamento da administração fiscal confirmou que uma deles seria a correta, é razoável esperar que o contribuinte trilhasse por esse caminho, não sendo legítimo ao Estado lhe penalizar por agir de tal maneira. Certa vez, REGIS FERNANDES DE OLIVEIRA19 asseverou que “O contribuinte não pode se convencer da justiça da tributação a que se vê submetido porque não encontra racionalidade na tributação nacional. Registrase grande imoralidade fiscal no país”. Se a constatação desse professor estiver minimamente correta, urge que os operadores do Direito, especialmente os agentes fiscais e os membros dos tribunais administrativos e judiciários, empenhem os seus maiores esforços para que a justiça fiscal, a segurança judicia e a boafé nas relações entre fisco e contribuinte façam parte da realidade brasileira. Se no Brasil o contribuinte pode ter a confiança de, hoje, pautarse de boafé na forma como a administração fiscal interpreta e aplica reiteradamente uma certa norma jurídica, então nossa nação já terá evoluído para um Estado democrático de Direito que garante a segurança jurídica aos seus administrados. Contudo, se um particular corre o risco de amanhã vir a ser punido por ter agido exatamente da forma como a administração fiscal, por seu órgão máximo de julgamento, afirmava ser legítima à época dos fatos, então ainda falhamos vergonhosamente em termos de justiça fiscal, segurança jurídica e boafé nas relações mantidas entre fisco e contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Luís Flávio Neto 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. 19 OLIVEIRA, Regis Fernandes de. Contribuições sociais e desvio de finalidade. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; (coord.). Direito Tributário: Homenagem a Paulo de Barros Carvalho. São Paulo: Quartier Latin, 2008. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
