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Numero do processo: 10283.008928/2001-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE DIREITO BASEADA NA INTEMPESTIVIDADE. PREJUDICADA.
Constatado que a impugnação ao auto de infração foi apresentada tempestivamente, perde-se o objeto quanto à discussão de direito dependente de se ter por intempestiva a impugnação.
Numero da decisão: 9303-005.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE DIREITO BASEADA NA INTEMPESTIVIDADE. PREJUDICADA. Constatado que a impugnação ao auto de infração foi apresentada tempestivamente, perde-se o objeto quanto à discussão de direito dependente de se ter por intempestiva a impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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AUTO DE INFRAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE DIREITO BASEADA NA INTEMPESTIVIDADE. PREJUDICADA. Constatado que a impugnação ao auto de infração foi apresentada tempestivamente, perdese o objeto quanto à discussão de direito dependente de se ter por intempestiva a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 89 28 /2 00 1- 56 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10283.008928/200156 Acórdão n.º 9303005.141 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial, efls. 191/199, interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão formalizada nos Acórdãos nºs. 30335.168 (de Recurso Voluntário) e (de Embargos), efls. 162/169 e 180/184, respectivamente. A ementa do Acórdão de Embargos, que contém a matéria para a qual foi suscitada divergência jurisprudencial está assim redigida. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/11/2001 TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Não cabe aos Conselhos de Contribuintes declarar a intempestividade da peça impugnatória apresentada ao julgador de 1ª instância, quando este a considerou tempestiva. Nesses casos, portanto, não caracteriza omissão, no Acórdão do julgamento de 2ª instância, quanto aos pressupostos de admissibilidade do processo, a falta de análise da tempestividade da impugnação. EMBARGOS REJEITADOS A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge dos Acórdãos Paradigmas nºs. 20204.148 e 10248.683, os quais assentaram o entendimento de que a impugnação intempestiva não instaura o litígio, não autorizando assim o exame da matéria objeto da exigência. O Recurso Especial foi admitido conforme Despacho nº 320107, de 06/02/2012, efls. 201/203. O sujeito passivo foi intimado por edital dos Acórdãos de Recurso Voluntário e de Embargos, bem como do Recurso Especial e do Despacho de Admissibilidade deste recurso, não tendo apresentado contrarrazões. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10283.008928/200156 Acórdão n.º 9303005.141 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência do acórdão recorrido em 02/03/2009, data do recebimento dos autos naquele Órgão, efl. 189, e apresentou o Recurso Especial em 11/03/2009, data do retorno do processo ao 3º Conselho de Contribuintes, efl. 190. Logo, o recurso é tempestivo, bem como atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme o Despacho de Exame de Admissibilidade. Não há contrarrazões, em especial, não há preliminares a serem apreciadas. A questão que se apresenta é a seguinte: Considerando que a impugnação apresentada pelo sujeito passivo contra o auto de infração objeto deste processo, segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, teria sido intempestiva, o que acarretaria a nãoinstauração da fase litigiosa, e que a DRJ que julgou em primeira instância a impugnação omitiuse em examinar devidamente sua tempestividade, o colegiado a quo, constatando a alegada intempestividade, não poderia ter dado provimento ao Recurso Voluntário. Antes de tratar do mérito propriamente, examino se procede a alegação de intempestividade da impugnação, adiantando que não é este o caso. À efl. 45 encontrase cópia do Aviso de RecebimentoAR, por meio do qual foi enviado o auto de infração objeto deste processo para o endereço do sujeito passivo. Vêse no AR carimbo dos Correios com data, porém não foi informada a data do efetivo recebimento. A ALF/MNS inseriu no sistema SINCORPROFISC que a ciência ocorreu em 17/01/2002, conforme efl. 47. Em 19/02/2002, efl. 48, foi apresentada a impugnação ao auto de infração. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10283.008928/200156 Acórdão n.º 9303005.141 CSRFT3 Fl. 5 4 Considerando que 17/01/2002 foi quintafeira, dia útil, o prazo de 30 dias para a impugnação iniciarseia em 18/01/2002 e terminaria no dia 17/02/2002, domingo, logo, devendo ser postergado para o primeiro dia útil subsequente, 18/02/2002, a impugnação apresentada em 19/02/2002 seria intempestiva. Porém, não há nos autos nenhum Termo de Perempção lavrado pela unidade da RFB de controle do crédito tributário, como seria de se esperar em caso de intempestividade. O que se vê nos autos, efl. 76, é que o Serviço de Controle e Acompanhamento TributárioSecat da ALF/MNS constatou omissão na data de recebimento do AR e, com base no art. 23, §2º, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, alterado pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997, alterou a data da ciência do auto de infração de 17/01/2002 para 30/01/2002, considerando a data de expedição da intimação em 15/01/2002. À folha 77 do eprocesso, encontrase Extrato de Processo do sistema SINCORPROFISC com a informação de que a ciência do lançamento ocorreu em 30/01/2002. Considerandose esta data de ciência, ao contrário do que alega a Procuradoria da Fazenda Nacional, a impugnação apresentada em 19/02/2002 é tempestiva. Concordo com o entendimento adotado no Secat/ALF/MNS de que a data do carimbo dos Correios aposto no AR não corresponde à data de recebimento pelo sujeito passivo do auto de infração e que, por ausência desta data, há que se considerar realizada a ciência quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do que determina o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997. Vejase: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10283.008928/200156 Acórdão n.º 9303005.141 CSRFT3 Fl. 6 5 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Tempestiva a impugnação, afastase a alegação de que não foi instaurada a fase litigiosa do processo, restando prejudicada a discussão sobre a alegação de que a turma a quo não poderia ter julgado o recurso voluntário. Por estas razões, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose na íntegra a decisão recorrida que deu provimento a recurso voluntário do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910847/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.857
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 47 /2 00 9- 11 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11065.910847/200911 Acórdão n.º 9303004.857 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.151, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11065.910847/200911 Acórdão n.º 9303004.857 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11065.910847/200911 Acórdão n.º 9303004.857 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11065.910847/200911 Acórdão n.º 9303004.857 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721734/2011-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
EMBARGOS. PRESENÇA DE OMISSÃO SOBRE PONTO FUNDAMENTAL. ADMISSIBILIDADE.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão se omite quanto a ponto essencial ao deslinde do litígio.
Faltando no acórdão embargado, as razões para o seu conhecimento, que havia sido negado pela relatora, cumpre suprir a omissão, sem efeitos infringentes, apontando-se os motivos do conhecimento.
Numero da decisão: 9303-005.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.133, de 8 de junho de 2016, sem efeitos infringentes.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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OMISSÃO Embargante BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS. PRESENÇA DE OMISSÃO SOBRE PONTO FUNDAMENTAL. ADMISSIBILIDADE. Cabem embargos de declaração quando o acórdão se omite quanto a ponto essencial ao deslinde do litígio. Faltando no acórdão embargado, as razões para o seu conhecimento, que havia sido negado pela relatora, cumpre suprir a omissão, sem efeitos infringentes, apontandose os motivos do conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 9303004.133, de 8 de junho de 2016, sem efeitos infringentes. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 34 /2 01 1- 44 Fl. 2748DF CARF MF 2 Relatório Em sessão de junho do ano passado, este colegiado examinou recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e lhe deu provimento para considerar tributável a receita obtida com a venda de ações decorrente do processo de desmutualização da bolsa de valores de São Paulo. Naquela assentada, a relatora restou vencida, inicialmente, quanto ao conhecimento do recurso. Para ela, a situação enfrentada no paradigma diferiria da que deveria ser enfrentada neste processo, do que não restaria configurada a divergência jurisprudencial. Fui designado para elaborar o voto vencedor, mas nele não incluí as razões que levaram o colegiado a dele conhecer, motivo dos embargos ora apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Patente a omissão alegada, cabe suprila com a inserção aqui dos motivos que levaram o colegiado a conhecer do recurso, divergindo da posição adotada pela n. relatora. Para tanto, reiterouse, mais uma vez, que a divergência de entendimentos requerida para a subida do especial deve ser aferida quanto aos fatos e não quanto aos argumentos aduzidos pelos relatores das decisões por confrontar. Esse motivo basta para afastar o segundo impedimento deduzido no voto vencido, concernente ao fato de o acórdão tido como paradigma terse lastreado na existência de compromisso de venda das ações. Com efeito, não é isso, por si só, impedimento ao conhecimento do recurso, desde que os fatos sejam suficientemente assemelhados e a legislação interpretada, a mesma. A existência ou não de compromisso escrito é matéria de mérito e apenas para os que a entendam necessária para a comprovação da intenção de venda. Analisandose, então, os dois processos, vêse que ambos cuidam do chamado processo de desmutualização e seus efeitos no que tange à tributação pelo PIS e pela COFINS das receitas obtidas com a venda das ações dele decorrentes. A jurisprudência desta Câmara Superior consolidouse no sentido de exigir como requisito para o conhecimento de recursos que envolvam tal tributação que a venda de ações em nome próprio possa ser enquadrada no rol das "atividades empresariais típicas" da entidade, por estar presente em seu estatuto social. Pois bem, firmouse igualmente a posição do colegiado no sentido de que não resta ele cumprido quando se confrontam corretoras com bancos comerciais, visto que, para estes últimos, não se enquadra a atividade de venda de ações de carteira própria como uma de suas atividades típicas. Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 16327.721734/201144 Acórdão n.º 9303005.144 CSRFT3 Fl. 3 3 Ocorre que a instituição aqui discutida é um banco múltiplo, consoante a cópia de seu estatuto social juntada às fls. 15 a 20 dos autos (numeração eletrônica), em cujo art. 2º se lê: Art. 2º A sociedade, constituída na forma de instituição financeira múltipla, tem como objeto social a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, inclusive câmbio, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e de crédito imobiliário), de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Quando confrontamos bancos com carteira de investimento a corretoras, tive oportunidade de estudar a legislação do setor e concluí que os primeiros também têm autorização para comprar e vender, em nome próprio, títulos e valores mobiliários. Com efeito, ações são valores mobiliários, segundo a definição da Lei 6.385/76. Já a Resolução CMN nº 2624/1999 autoriza os bancos de investimento a adquirir em nome próprio, títulos e valores mobiliários, sem exceção, de sorte que aí se incluem as ações. É o que expressamente consta do sítio do Banco Central do Brasil na internet1: Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas especializadas em operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros. Devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima e adotar, obrigatoriamente, em sua denominação social, a expressão "Banco de Investimento". Não possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados. As principais operações ativas são financiamento de capital de giro e capital fixo, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários, depósitos interfinanceiros e repasses de empréstimos externos (Resolução CMN nº 2.624, de 1999). Na rede mundial de computadores2, inclusive, se encontra elucidativo artigo a respeito: Bancos de investimento são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedade anônima, cujo objetivo principal é a prática de operações de investimento, participação ou financiamento a prazos médios (superiores a um ano) e de longo prazo, para suprimento de capital fixo ou de movimento de empresas do setor privado, mediante a aplicação de recursos próprios e coleta, intermediação e aplicação de recursos de terceiros. 1 https://www.bcb.gov.br/pre/composicao/bi.asp 2 https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/concursos/bancosdeinvestimentosistemafinanceiro nacional/46474 Fl. 2750DF CARF MF 4 Em sua denominação deve, obrigatoriamente, constar a expressão “Banco de Investimento”. Não podem captar recursos na forma de depósito à vista em contas correntes. A captação de recursos é feita principalmente por meio da emissão de CDB e RDB, de captação e repasse de recursos e de venda de cotas de fundos de investimentos. Os recursos captados são investidos em empréstimos e financiamentos específicos para aquisição de bens de capital pelas empresas ou para subscrição de ações e debêntures. Além de terem sido criados para canalizar recursos de médio e longo prazos para suprimento de capital fixo ou de giro das empresas, os BI’s não podem destinar seus recursos a empreendimentos mobiliários e têm limites para investimentos no setor estatal. Desta forma, orientam a aplicação de seus recursos repassados no fortalecimento do capital social das empresas, via subscrição ou aquisição de títulos; na ampliação da capacidade produtiva da economia, via expansão ou realocação de empreendimentos; no incentivo à melhoria da produtividade, por intermédio da reorganização, da racionalização e da modernização das empresas, estimulando fusões, cisões, incorporações (corporate finance), na promoção do desenvolvimento tecnológico, via treinamento ou assistência técnica. Em síntese, as operações ativas que podem ser praticadas pelos bancos de investimento são: a) Empréstimos a prazo mínimo de um ano para financiamentos de capital fixo ou capital de giro; b)Aquisição de ações, obrigações ou quaisquer outros títulos e valores mobiliários para investimento ou revenda no mercado de capitais (operações de underwriting); c) Repasses de empréstimos obtidos no País ou no exterior; d) Prestação de garantia de empréstimos no País ou provenientes do exterior. Cumprido, assim o que temos exigido para que se comprove a divergência, conhecemos do recurso da Fazenda. Suprida a omissão no acórdão guerreado, encaminho meu voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, na forma acima anotada. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 16327.721734/201144 Acórdão n.º 9303005.144 CSRFT3 Fl. 4 5 Fl. 2752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000147/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO- OMISSÃO- SAFE HARBOUR- TAXA DE CÂMBIO VIGENTE DATA DA OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR.
Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos os produtos cotejados na fixação do preço parâmetro embora não idênticos são similares o que satisfaz a exigência da legislação tributária pátria de salvaguarda na aplicação das regras de preços de transferência (art.14, IN 243/2013). Admitindo-se os produtos similares na fixação do preço parâmetro se constata que a contribuinte praticou preços nas exportações não inferiores à 90% ao praticado no mercado interno presente salvaguarda que dispensa aplicação de qualquer dos métodos de preço de transferência (safe harbour).
Os laudos apresentados pela recorrida atestam que o valor da taxa de câmbio era aquele vigente na data da operação da exportação de modo que a recorrida encontra guarida na salvaguarda.
Numero da decisão: 1402-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração.
(assinado eletronicamente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado eletronicamente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente da turma), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vice-presidente), Leonardo Gonçalves Pagano, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO- OMISSÃO- SAFE HARBOUR- TAXA DE CÂMBIO VIGENTE DATA DA OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR. Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos os produtos cotejados na fixação do preço parâmetro embora não idênticos são similares o que satisfaz a exigência da legislação tributária pátria de salvaguarda na aplicação das regras de preços de transferência (art.14, IN 243/2013). Admitindo-se os produtos similares na fixação do preço parâmetro se constata que a contribuinte praticou preços nas exportações não inferiores à 90% ao praticado no mercado interno presente salvaguarda que dispensa aplicação de qualquer dos métodos de preço de transferência (safe harbour). Os laudos apresentados pela recorrida atestam que o valor da taxa de câmbio era aquele vigente na data da operação da exportação de modo que a recorrida encontra guarida na salvaguarda.
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EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR. Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos os produtos cotejados na fixação do preço parâmetro embora não idênticos são similares o que satisfaz a exigência da legislação tributária pátria de salvaguarda na aplicação das regras de preços de transferência (art.14, IN 243/2013). Admitindose os produtos similares na fixação do preço parâmetro se constata que a contribuinte praticou preços nas exportações não inferiores à 90% ao praticado no mercado interno presente salvaguarda que dispensa aplicação de qualquer dos métodos de preço de transferência (safe harbour). Os laudos apresentados pela recorrida atestam que o valor da taxa de câmbio era aquele vigente na data da operação da exportação de modo que a recorrida encontra guarida na salvaguarda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração. (assinado eletronicamente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado eletronicamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 47 /2 00 8- 40 Fl. 3317DF CARF MF 2 Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente da turma), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vicepresidente), Leonardo Gonçalves Pagano, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios opostos pela PGFN em face de acórdão proferido por esta Turma em Recurso Voluntário que trata acerca da aplicação do art.19, da Lei n. 9.430/1996 safeharbour nas exportações. Naquela assentada esta turma entendeu que a contribuinte encontra o respaldo da lei na medida em que não praticou preços inferiores ao mercado interno, nos termos em que previsto no dispositivo, restando o Acórdão n. 1402002.347 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.Ao se constatar que o Termo de Verificação Fiscal, a descrição dos fatos e o enquadramento legal permitem a perfeita compreensão da infração que motivou a autuação, e que a interessada se defendeu especificamente e com desenvoltura das imputações do Fisco, não se pode cogitar de prejuízo algum ao direito constitucional de defesa da contribuinte. Portanto, nulidade alguma há de ser reconhecida, com esse fundamento. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR. EXPORTAÇÃO DE SUCO DE LARANJA. SIMILARIDADE DOS PRODUTOS. PREÇO PRATICADO NÃO INFERIOR A 90% DO MERCADO INTERNO DISPENSA CONTROLE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIAS. Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos os produtos cotejados na fixação do preço parâmetro embora não idênticos são similares o que satisfaz a exigência da legislação tributária pátria de salvaguarda na aplicação das regras de preços de transferência (art.14, IN 243/2013). Admitindose os produtos similares na fixação do preço parâmetro se constata que a contribuinte praticou preços nas exportações não inferiores à 90% ao praticado no mercado interno o que lhe assegura guarida na salvaguarda que dispensa aplicação de qualquer dos métodos de preço de transferência (safe harbour). Intimada da decisão a PGFN opõe Embargos de Declaração suscitando que a decisão fora omissa "uma vez que a fiscalização expressa claramente contrariedade à conversão na data do último calendário, por entender como correta a utilização da taxa de câmbio vigente na data do embarque." Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 16561.000147/200840 Acórdão n.º 1402002.496 S1C4T2 Fl. 2.032 3 Admitidos os presentes embargos ante a suscitada omissão pela PGFN passamos ao voto. Voto Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Sustenta a PGFN que a decisão é omissa no que respeita a data de conversão pela taxa de câmbio sob o estribo de que a fiscalização expressa contrariedade à conversão na data do último calendário, vez que entende como correta a taxa de câmbio vigente na data do embarque. Temse, no entanto, conforme os laudos acostados aos presentes autos, e ora reiterados em sede de memoriais do presente recurso, que a recorrida adotou justamente a taxa de câmbio vigente na data de cada uma das operações de exportação. A suposta controvérsia requentada em sede dos presentes Embargos de Declaração, com suposta omissão, fora há muito afastada quando da conversão dos presentes autos em diligência e manifestação da contribuinte que acostou reelaborou todos os cálculos das operações realizadas nos anos de 2003 e 2004 alcançando se a conclusão de que a embargada encontrava "salvaguarda" na regra de exceção do art.19, da Lei n.9430 tendo utilizadose, na realização desses cálculos, das taxas de câmbio vigentes em cada uma das operações. A pretensão da PGFN em conferir efeitos infringentes aos pretensos embargos reside única e exclusivamente na imputação de que a recorrida tivesse adotado metodologia de cálculo equivocada. Imputa a PGFN que a recorrida adotou quando do cômputo do preço o câmbio vigente no último dia do exercício em que realizadas as operações de exportação enquanto, na realidade, conforme demonstrado e atestado nos presentes autos adotou o câmbio vigente na data de cada uma das operações, nos termos da legislação tributária; o que lhe confere plena guarida na salvaguarda do art.19, da Lei n.9430. De todo o exposto somos pelo julgamento de improcedência dos presentes embargos mantendose, assim, incólume a decisão antes proferida por este colegiado. (assinado eletronicamente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 3319DF CARF MF 4 Fl. 3320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000688/2006-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais.
RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO.
Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria lei 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação.
AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de regras e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer integralmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora), Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente do recurso, apenas quanto à assinatura prévia do pacto de PLR e quanto à aplicação da retroatividade benigna da multa lançada de ofício. No mérito, acordam, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento integral, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para aplicação da retroatividade benigna da multa lançada de ofício, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 2009; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que negou provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO J.P. MORGAN S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO. Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria lei 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de regras e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 06 88 /2 00 6- 31 Fl. 1298DF CARF MF 2 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer integralmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora), Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente do recurso, apenas quanto à assinatura prévia do pacto de PLR e quanto à aplicação da retroatividade benigna da multa lançada de ofício. No mérito, acordam, por voto de qualidade, em darlhe provimento integral, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para aplicação da retroatividade benigna da multa lançada de ofício, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 2009; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que negou provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 10 3 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301002.588, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.842.5450, lavrada em 27/12/2005, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a títulos de participação nos lucros ou resultados (PLR) em desacordo com a legislação de regência, no período de 02/2001 a 04/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 36.649.043,77. O Contribuinte apresentou impugnação, fls. 209/233, na qual alegou: utilização ilegal de presunção, não incidência da contribuição sobre a PLR, validade do acordo, obediências dos requisitos da legislação que rege o pagamento de PLR, inconstitucionalidade do adicional de 2,5%, ilegalidade na inclusão de diretores na NFLD. Considerando as alegações contidas na impugnação, o Serviço do Contencioso Administrativo da DRP/São Paulo/Oeste solicitou fosse realizada diligência, fls. 287, tendo a fiscalização juntado os documentos de fls. 288/463 e o relatório de fls. 464/468. Neste último documento, a autoridade fiscalizadora destacou que os bancos possuem convenções coletivas para a participação nos lucros e resultados, mas a recorrente pagou valores bem acima dos previstos na negociação coletiva. Ainda concluiu que o Contribuinte não apresentou de forma clara como foram determinados os valores para as quantidades de salários em função das avaliações individuais e NE como foram determinadas as quantidades de salários em função das avaliações dos setores; logo, a empresa não demonstrou os critérios objetivos; as quantidades de salários que os empregados fazem jus variam de 0,38 a 64,78, de 0 a 25, de 1,37 a 25 e de 0 a 25, nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003; e, por fim, ressaltou que não consta do acordo a assinatura do representante dos Bancários. Após a complementação da impugnação pelo Contribuinte, a 12ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 501/519, julgou o lançamento procedente. O recurso voluntário, apresentado às fls. 530/573, reiterou os argumentos anteriores. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 624/662, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir do presente lançamento os valores pagos aos segurados em 2001, 2002, 2003 e 2004 até o montante que não excedeu a previsão constante nas respectivas Convenções Coletivas, bem como para, se mais benéfico ao contribuinte, aplicar a multa do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2004 Fl. 1300DF CARF MF 4 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ADICIONAL DE 2,5%. Incidência da Portaria CARF nº 001/12, a qual determina que o sobrestamento será aplicado aos casos em que, comprovadamente, o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OPÇÃO PELA NEGOCIAÇÃO POR COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL. Quando o procedimento escolhido para a negociação da Participação nos Lucros ou Resultados é a comissão escolhida pelas partes, esta deve ser integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Ausente, o representante do sindicato como participante, conjuntamente com as comissões de empregador e empregados na entabulação do acordo, verificase o descumprimento da Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CONVENÇÕES COLETIVAS QUE OBEDECEM À LEI. Reconhecendose, portanto, a validade, vigência e eficácia das Convenções Coletivas, ou melhor, que essas atenderam a Lei nº 10.101/00, consequentemente, os valores pagos aos segurados em 2001, 2002, 2003 e 2004 devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento até o montante que não excedeu as previsões constantes nas respectivas Convenções. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 11 5 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 675/731, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos para analise sobre os seguintes temas: a) possibilidade de as Convenções Coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados, dentre os quais a ausência de um representante do Sindicato dos Bancários e Financeiros (o instrumento da PLR foi acordado na comissão de negociação, não sendo possível essa substituição Comissão por Convenção – uma vez que a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre as partes mediante a escolha de um dos procedimentos que elenca). O acórdão recorrido diverge do paradigma no que toca a possibilidade de as convenções coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados. Afirmou que o acórdão guerreado reconheceu que o sindicato não participou da negociação que formulou o instrumento da PLR (na Comissão), mas considerou que a existência de Convenções Coletivas supriria tal vicio. Em outras palavras, admitiu a existência de dois acordos distintos (um formulado na Comissão e outro na Convenção), declarou a invalidade do instrumento da PLR da Comissão em virtude da ausência de participação do sindicato na negociação, mas invocou a existência de Convenções Coletivas para legitimar o pagamento irregular da PLR. Por outro lado, de maneira divergente, o acórdão paradigma manifestou o entendimento de que "o pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontrase em desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária sobre a totalidade dos pagamentos realizados." b) impossibilidade de excluir da tributação os valores pagos a titulo de PLR sem a existência de acordo prévio ao exercício, pois, enquanto o acórdão recorrido entendeu que a Lei não fixa prazo que deva existir entre o acordo e o pagamento, concluindo que os pagamentos feitos alguns dias após o acordo estão amparados pela legislação, o paradigma entendeu que o acordo deve ser sempre prévio ao exercício, sob pena de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a titulo de PLR. O entendimento no acórdão recorrido foi o de que a Lei não fixa prazo que deva existir entre o acordo e o pagamento, e que criar um prazo, um período, seria criar regra onde não há. De outro lado, o paradigma entendeu que o acordo deve ser feito previamente ao exercício. c) retroatividade benigna para aplicação da multa calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, se mais benéfica ao contribuinte – assinalou que os acórdãos indicados como paradigmas, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP n° 449/08, convertida na Lei n° 11941/09 e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput Fl. 1302DF CARF MF 6 do art. 35 da Lei 8212/91. Arguiu que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei 11941/09. Afirmou que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei 9430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Ponderou que o paradigma, por outro lado, entendeu que o art. 35 da Lei 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Salientou, enfim, que no paradigma a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2° da Lei 9430/96 foi rechaçada de forma expressa. Às fls. 732/744, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências arguidas, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando as divergências jurisprudenciais apontadas. Cientificado do Acórdão recorrido, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, às fls. 749/758, os quais restaram rejeitados, às fls. 969 a 970. Às fls. 821/845, o Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da PFN, utilizando, como argumento de defesa, os mesmos que apresentou posteriormente, sem sede de Recurso Especial. Às fls. 979/1004, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos para analise sobre os temas: a) suposta ausência de participação do sindicato de classe no acordo que prevê a PLR e o seu arquivamento na entidade sindical – expõe que a decisão recorrida houve por bem considerar que a empresa não teria cumprido requisitos estipulados na Lei 10.101/00, a fim de fazer jus à isenção concedida às verbas pagas a título de PLR, pois o sindicato não participou do acordo celebrado pela empresa com seus empregados, nos termos do art. 2º da Lei 10.101/00. Assevera que protocolou requerimento perante o sindicato solicitando a indicação de representante, todavia a solicitação não foi atendida, o sindicato se recusou a participar. Mesmo assim, o recorrente requereu o arquivamento de uma via do acordo de PLR perante o sindicato dos empregados. Em contrapartida, o voto condutor do acórdão paradigma registra que o sindicato foi notificado para participar das negociações do PLR, sendo que sua desídia, desinteresse ou qualquer outro motivo para deixar expressamente de anuir com o acordo não se presta a invalidar os termos do acordo pactuado entre a empresa e os trabalhadores. Assim sendo, a decisão do acórdão recorrido entendeu que a ausência de assinatura do sindicato no programa de PLR, mesmo sendo comunicado a participar, demonstra sua ausência nas negociações, de outra forma, diferentemente, o acórdão paradigma entende que a ausência de assinatura do sindicato no programa PLR, sabendo do fato, não é capaz de anular o pacto de PLR feitos entre a empresa e os empregados; b) suposta ausência de metas claras e objetivas e controle de seu atingimento no programa PLR mantido pelo recorrente o acórdão recorrido entendeu que o acordo para pagamento de PLR firmado não possuía regras claras e objetivas, vez que não haveria critérios subjetivos para pagamento das verbas a título de PLR, o que violaria a lei 10.101/00 (fl. 642 do arquivo digital). Todavia, no acordo firmado constam os critérios objetivos considerados para o pagamento de PLR, indicando quais eram os mecanismos de mensuração das metas estabelecidas e os indicadores de seu atingimento. Os acórdãos Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 12 7 paradigmas entenderam que, no caso do acordo de PLR firmado entre a empresa e os trabalhadores, possuindo regras claras e objetivas, e não havendo nos autos comprovação de efetivo prejuízo ao trabalhador, tal como acordado pelas partes, não pode a fiscalização desconsiderar do pagamento feito para exigir contribuições previdenciárias; c) suposto pagamento de PLR em valor "excessivo" e alegado caráter substitutivo de remuneração voto vencido do acórdão recorrido entendeu que o pagamento a título de PLR possuía caráter substitutivo à remuneração, vez que compreenderiam valores acima do salário dos empregados. O recorrente asseverou que o voto vencido do acórdão recorrido ao fixar requisitos para pagamento de PLR em excesso ao texto da Lei 10.101/00 agiu em descompasso com a legislação de regência, não sendo possível interpretar para criar novos limites não previstos em lei, em discrepância do entendimento dos acórdãos paradigmas colacionados aos autos. Às fls. 1213/1223, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, mesmo tendo admitido a divergência em relação à primeira matéria arguida, pois entendeu que, mesmo que fosse dado seguimento ao recurso, no que tange à primeira divergência arguida e ainda que a tese da recorrente seja acolhida na CSRF, o lançamento seria mantido, pois o acórdão recorrido descaracterizou os pagamentos de PLR por mais de um motivo. À fl. 1224, a Câmara Superior de Recursos Fiscais realizou Reexame de Admissibilidade, mantendo o Despacho que negou seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Às fls. 1229/1244, o Contribuinte apresentou Embargos contra o Despacho de inadmissibilidade do Recurso Especial, alegando nulidades e contradições, porém, os mesmos restaram negados, conforme Despacho de fls. 1272/1274, considerando que do despacho que nega seguimento a recurso especial informando não cabe mais recurso na esfera administrativa. Após, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 1304DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e a meu ver não atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, não merece ser conhecido. Passo a análise do conhecimento. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ADICIONAL DE 2,5%. Incidência da Portaria CARF nº 001/12, a qual determina que o sobrestamento será aplicado aos casos em que, comprovadamente, o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OPÇÃO PELA NEGOCIAÇÃO POR COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL. Quando o procedimento escolhido para a negociação da Participação nos Lucros ou Resultados é a comissão escolhida pelas partes, esta deve ser integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 13 9 Ausente, o representante do sindicato como participante, conjuntamente com as comissões de empregador e empregados na entabulação do acordo, verificase o descumprimento da Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CONVENÇÕES COLETIVAS QUE OBEDECEM À LEI. Reconhecendose, portanto, a validade, vigência e eficácia das Convenções Coletivas, ou melhor, que essas atenderam a Lei nº 10.101/00. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise as divergências jurisprudenciais no tocante às seguintes matérias: a) possibilidade de as Convenções Coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados; b) impossibilidade de excluir da tributação os valores pagos a titulo de PLR sem a existência de acordo prévio ao exercício; e c) retroatividade benigna para aplicação da multa calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, se mais benéfica ao contribuinte. No tocante ao primeiro ponto cabe discussão: Observo que o exame de admissibilidade não decidiu com base no ponto atacado pela Fazenda Nacional em sede de Recurso Especial, mas admitiu com base na interpretação própria extraída do seu entendimento no confronto entre o acórdão recorrido e o paradigma utilizado, vejamos: Afirma que, o acórdão guerreado reconheceu que o sindicato não participou da negociação que formulou o instrumento da PLR (na Comissão), mas considerou que a existência de Convenções Coletivas supriria tal vicio. Em outras palavras, admitiu a existência de dois acordos distintos (um formulado na Comissão e outro na Convenção), declarou a invalidade do instrumento da PLR da Comissão em virtude da ausência de participação do sindicato na negociação, mas invocou a existência de Convenções Coletivas para legitimar o pagamento irregular da PLR. Por outro lado, de maneira divergente, que o acórdão paradigma manifestou o entendimento de que "o pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontrase ern desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária sobre a totalidade dos pagamentos realizados." Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada, em relação à possibilidade de as convenções coletivas Fl. 1306DF CARF MF 10 superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados Aponto aqui que o argumento da possibilidade ou não de existência de dois acordos concomitantemente não foi analisado pelo acórdão recorrido. Fato este que a meu ver é essencial para similitude fáticas requerida pelo Regimento Interno do CARF para caracterização da divergência apontada. Ainda, entendo a inviabilidade do recurso quanto a este tópico, pois o acórdão recorrido já reconheceu que a inexistência de participação do sindicato no acordo da PLR traria novamente a discussão a necessidade ou não de participação do sindicato que ja restou transitada. Diante do exposto não conheço do Recurso interposto pela Fazenda no tocante ao item a) possibilidade de as Convenções Coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados; devendo ser conhecido tão somente quanto (b) à assinatura prévia do pacto de PLR e quanto (c) à aplicação da retroatividade benigna da multa lançada de ofício. DO MÉRITO Vencida quanto ao conhecimento passo a análise dos três pontos conhecidos: a) possibilidade de as Convenções Coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados; Caso vencida no conhecimento quanto a este tópico, concordo com a tese esposada pelo acórdão recorrido. Corro teoria atualmente adotada pelos Tribunais e que vem apontada pelo doutrina, é a de que não havendo resposta do Sindicato, havendo prova das tentativas a negociação pode ser seguir sem sua presença desde que cientificado o sindicato posteriormente, (MARTINS, 2001). A meu ver não se trata da convenção coletiva suprir a presença do sindicato, mas no caso concreto da existência de dois acordos concomitantes e diferentes, sendo que um deles possui como base b) impossibilidade de excluir da tributação os valores pagos a titulo de PLR sem a existência de acordo prévio ao exercício; Quanto ao acordo prévio, compulsando os autos observo que não se trata de descumprimento, entendo que a questão temporal não se sobrepõe a verdade material, pois os empregados no caso concreto participaram de todas as etapas do acordo, ajudando a elaborar seus critérios e condições. E neste ponto concordo com as ponderações do acórdão recorrido, na interpretação dada ao art. 2 a Lei 10.101/ Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 14 11 A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. No caso em análise, o acordo negociado por meio de comissão escolhida pelas partes foi assinado em janeiro/2002 com validade indeterminada. Assim, segundo os critérios acima assumidos, seu conteúdo não poderia ser aplicado para os pagamentos que se referem ao ano de 2001. Quanto aos acordos coletivos, eles foram firmados em 12/2000, 04/2002, 09/2002, 10/2003, respectivamente para os pagamentos em 2001, 2002, 2003 e 2004. Seguindo os critérios já referidos (limite máximo até o fim do terceiro trimestre), somente poderia ser aplicado o acordo que se refere aos pagamentos feitos em 2003. No caso concreto a Fazenda Nacional se insurge quanto ao ano de 2003 que restou aceito no voto recorrido, como o Recurso é da Fazenda Nacional e não posso me manifestar quanto aos demais anos, considero superada a exigência de pacto prévio neste período, mantendo o acórdão recorrido. c) retroatividade benigna para aplicação da multa calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009; Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 1308DF CARF MF 12 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 15 13 A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 1310DF CARF MF 14 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 16 15 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 1312DF CARF MF 16 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 17 17 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1314DF CARF MF 18 Em face ao exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, conhecendoo em parte, para no mérito dar provimento tão somente quanto a Retroatividade Benigna, para seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 18 19 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira relatora, para divergir do seu entendimento com relação ao conhecimento e mérito do recurso especial da Fazenda Nacional. Do conhecimento Segundo a relatora, o processo merece parcial conhecimento, considerando o não cumprimento de requisito básico, qual seja, as situações fáticas tratadas no acórdão recorrido e paradigma são distintas. Ouso divergir de seu entendimento. Quanto ao conhecimento devemos identificar não a nomenclatura adotado pelo recorrente em seu recurso especial, ou mesmo se essa é a mesma adotada no paradigma, mas se as legislação apresentada no paradigma e no recorrente são as mesmas interpretadas de forma diversa. Para isso, trago a baila, assim como o fez o despacho de admissibilidade, trecho do recorrido. Primeiramente, importante destacar o que diz o voto vencido, para que possamos confrontar com a tese do vencedor e do paradigma: Participação de representante dos sindicatos nas negociações que antecederam oacordo sobre a PLR São dois os procedimentos previstos pela lei para a celebração de acordo sobre PLR: comissão escolhida entre as partes e convenção ou acordo coletivo. Neste último, é fora de dúvida que haverá a participação do sindicato, pois é exigência do art. 611 da CLT. No primeiro, a lei determina que a comissão escolhida pelas partes será “integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria”. A expressão “também” não pode ser interpretada aqui como uma possibilidade, como quer a recorrente, e sim como uma exigência adicional, pois somente assim estaríamos garantindo que a finalidade da norma imunizante e de sua regulamentação no sentido de harmonizar as relações capital e trabalho seja atingida. As tratativas diretas entre empregados e patrão sem a intermediação do sindicato são permeadas pelo temor pelo emprego, o que retira do trabalhador a vontade livre e espontânea de suas manifestações. A repetição desses eventos pode agravar as relações capital e trabalho, ao invés de contribuir para a sua harmonização. A manifestação a posteriori do sindicato ou o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical, como no presente caso, não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estão maculadas. No caso de recusa do sindicato em participar da negociação coletiva, a CLT já prevê o procedimento para tanto no art. 616. Fl. 1316DF CARF MF 20 Assim, quando o empregador optar pela comissão escolhida entre as partes como procedimento para negociar a PLR, deve assegurar que haja participação do representante sindical durante as tratativas ou demonstrar que agiu em conformidade com o art. 616 da CLT. No caso dos autos, tal participação não existiu, conforme consta da ata de fls. 53, o que caracteriza violação da regulamentação da imunidade, determinando a incidência da contribuição sobre tais verbas. Em confronto a essa tese (que é um dos descumprimentos imputados pela autoridade fiscal), trouxe o redator do voto vencedor: No caso desses autos, a autoridade fiscalizadora elencou, no Relatório Fiscal, de fls. 42 a 46 os fatos que na sua visão comprometeram o acordo de participação nos lucros e resultados em relação ao cumprimentos dos requisitos legais: 1. no acordo entabulado pelas comissões de empregados e empregador não houve a presença do sindicato da categoria; 2. as regras não são claras e objetivas na fixação dos valores da participação; 3. divergência nos valores pagos entre o pessoal da área administrativa e o pessoal da área de negócios; 4. os valores pagos superam, em algumas vezes, os salários anuais. Verificamos que o requisito exigido pelo inciso I, do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, qual seja a participação do sindicato da categoria junto à comissão escolhida pelas partes para acordar o PLR não foi cumprido. A ata de reunião para exame e aprovação do instrumento da PLR, anexada às fls. 53/54 desses autos não deixa dúvida acerca da ausência do sindicato, ao assim registrar: “Registrese, ainda, a ausência da entidade sindical, que foi regular, jurídica e validamente notificada para indicar um representante, através de carta diretamente endereçada à entidade.” Embora a mencionada ata afirmar que o sindicato fora regularmente notificado para indicar seu representante na comissão, nada consta nos autos nesse sentido que possa modificar, extinguir ou impedir o fundamento fiscal. Necessário saber, por consequência, se a ausência de membro do sindicato no acordo entabulado pelas partes tem o condão de invalidar o seu conteúdo. É possível extrair do artigo 2º, do inciso I, da Lei nº 10.101/00 que cabem às partes, isto é, empregador e empregados escolherem qual das modalidades previstas em lei será adotada para a instituição da PLR. Seguindo o caminho do acordo previsto no inciso I, as partes legitimadas a confeccionar as Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 19 21 regras continuam sendo as mesmas, cabendo ao representante do sindicato participar dos trabalhos, porém sem o poder de veto, mas apenas de voto, o qual poderá restar vencido diante da maioria votante (empregados e empregadores), sem que isso invalide o acordo. Havendo a escolha pelos instrumentos previstos no inciso II, do artigo 2º, há alteração nas partes legitimadas, as quais passarão a ser empregador e sindicato ou empregador e federação. Assim, em princípio, seguindo as partes o caminho do acordo previsto no inciso I, do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, a ausência do sindicato não provocaria a invalidação da PLR. [...] Contudo, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem, de longa data, se posicionando no sentido de que é imperiosa a participação do representante do sindicato, de modo a dar lisura nas tratativas e escolhas do programa de participação nos lucros, protegendo, se necessário for, os interesses externados pela comissão dos empregados e, a sua ausência, implica em descumprimento da Lei nº 10.101/00 e, de acordo com a alínea “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, atrai a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título. Peço vênia para citar os seguintes julgados: (...)Acórdão nº 20600853, (...) Acórdão 230101707. Ausente, portanto, o representante do sindicato como participante, conjuntamente com as comissões de empregador e empregados na entabulação do acordo, verificase o descumprimento da Lei nº 10.101/00. Prescindível, portanto, ingressar na análise dos demais “vicios” apontados pela fiscalização, tais como ausência de regras claras e objetivas, pagamentos diferenciados de PLR ou mesmo valores que superam os salários anuais dos segurados, pois, acolhido o fato de que a presença do representante do sindicato é requisito cogente para a validade do acordo previsto no inciso I, do artigo 2º da Lei nº 10.101/00. É, portanto, fundamento suficiente para a solução da controvérsia relativa ao acordo. Isto, porque foram colacionadas a esses autos e registradas pela fiscalização de que a recorrente, no período autuado, detinha Convenções Coletivas as quais dispunham sobre programa de participação nos lucros e resultados. Na invalidade do acordo firmado entre as comissões de empregados e empregador da recorrente, verificase que nesse período vigeram as Convenções Coletivas, sobre as quais em momento algum, o Fisco suscitou o descumprimento das normas insertas na Lei nº 10.101/00. O voto do Conselheiro Relator reconhece a vigência das Convenções Coletivas, porém entende que apenas a referente ao ano de 2003 teria atendido a legislação de regência, pois na sua interpretação é necessário que os acordos (lato sensu) tenham sido assinados até o fim do terceiro trimestre. Fl. 1318DF CARF MF 22 Com a devida vênia, seguimos linha interpretativa diversa, segundo a qual a Lei nº 10.101/00 não trouxe, dentre os requisitos a serem cumpridos para a instituição da PLR, data limite para a assinatura dos acordos. Não desconhecemos o Acórdão nº 920201.246, em cujo voto vencedor do Conselheiro Marcelo Oliveira, foi assentada a ilegitimidade de acordos firmados após o período em que o incentivo à produtividade e a aferição deveriam ocorrer”. Mas, no caso dos autos, como bem trouxe o ilustre Conselheiro Relator, as Convenções Coletivas foram firmadas no curso do ano civil em que as metas foram apuradas, não se assemelhando, portanto, ao caso julgado pelo Acórdão supra citado. Ou seja, pelos pontos trazidos acima, resta patente que uma das discussões trazidas à reapreciação desse colegiado é se a presença do sindicato na negociação, mostrase requisito legal descumprido, ou dispensável face existência de outras convenções coletivas no mesmo período. Aliás, foi exatamente essa a interpretação dado pelo despacho de admissibilidade que ensejou a submissão da matéria a esse colegiado (fls. 732/734): A Fazenda Nacional afirma que no presente caso há nítida divergência entre a decisão recorrida e os paradigmas que apresenta, em relação as seguintes matérias: a) possibilidade de as Convenções Coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados, dentre os quais a ausência de um representante do Sindicato dos Bancários e Financidrios (o instrumento da PLR foi acordado na comissão de negociação, não sendo possível essa substituição Comissão por Convenção –uma vez que a lei prevê que a PLR sera objeto de negociação entre as partes mediante a escolha de um dos procedimentos que elenca); b) impossibilidade de excluir da tributação os valores pagos a titulo de PLR sem a existência de acordo prévio ao exercício; c) retroatividade benigna para aplicação da multa calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8212/91, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, se mais benéfica ao contribuinte. III — Da análise da primeira divergência indicada Inicialmente alega a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido diverge do paradigma que apresenta no que toca a possibilidade de as convenções coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados. [...] Para melhor demonstrar a divergência, transcreve o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma supra: " 0 primeiro ponto trazido pela autoridade fiscal diz respeito a existência de dois planos concomitantes pelos quais a empresa pautousepara realizar pagamentos aos seus empregados. Neste primeiro ponto, não tenho como concordar com o recorrente. A lei 10.101 descreve expressamente que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 20 23 mediante UM dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de Comum acordo. Ou seja, ao contrário do entendimento do recorrente, para estar de acordo com a lei, e portanto desvinculado do salário as partes de comum acordo devem escolher apenas um dos instrumentos. Nos termos do art. 2 da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto. Portanto, entendo que não se encontra em i consonância com a lei, o pagamento baseado em dois acordos, independente de estarem os dois acordos nos estritos limites da lei (questão que será apreciada a seguir). Dessa forma, nesse ponto já houve o descumprimento da lei o que autorizaria o lançamento das contribuições, conforme realizado e trazido pelo auditor em seu relatório, posto que a empresa deveria escolher ou a comissão, com participação de uni representante do sindicato, ou um dos instrumentos de negociação coletiva." Afirma que, o acórdão guerreado reconheceu que o sindicato não participou da negociação que formulou o instrumento da PLR (na Comissão), mas considerou que a existência de Convenções Coletivas supriria tal vicio. Em outras palavras, admitiu a existência de dois acordos distintos (um formulado na Comissão e outro na Convenção), declarou a invalidade do instrumento da PLR da Comissão em virtude da ausência de participação do sindicato na negociação, mas invocou a existência de Convenções Coletivas para legitimar o pagamento irregular da PLR. Por outro lado, de maneira divergente, que o acórdão paradigma manifestou o entendimento de que "o pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontrase ern desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária sobre a totalidade dos pagamentos realizados." Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada, em relação à possibilidade de as convenções coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados. Fl. 1320DF CARF MF 24 Da mesma forma, foi suficientemente claro o recurso especial quanto a este tema: "O acórdão recorrido, a seu turno, reconheceu que o sindicato não participou da negociação que formulou o instrumento da PLR (na Comissão), mas considerou que a existência de Convenções Coletivas supriria tal vicio. Em outras palavras, admitiu a existência de dois acordos distintos (um formulado na Comissão e outro na Convenção), declarou a invalidade do instrumento da PLR da Comissão em virtude da ausência de participação do sindicato na negociação, mas invocou a existência de Convenções Coletivas para legitimar o pagamento irregular da PLR. Confira, nesse sentido, o seguinte trecho do votocondutor do acórdão recorrido: "Verificamos que o requisito exigido pelo inciso I, do artigo 2Q da Lei nQ 10.101/00, qual seja a participação do sindicato da categoria junto a comissão escolhida pelas partes para acordaro PLR não foi cumprido. A ata de reunião para exame e aprovação do instrumento da PLR, anexada ás fls. 53/54 desses autos não deixa dúvida acerca da ausência do sindicato, ao assim registrar: (...) Ausente, portanto, o representante do sindicato como participante, conjuntamente CO!!! as comissões de empregador e empregados na entabulação do acordo, verificase o descumprimento da Lei nQ 10.101/00. Prescindível, portanto, ingressar na análise dos dentais "vicios" apontados pela fiscalização, tais conto ausência de regras claras e objetivas, pagamentos diferenciados de PLR ou mesmo valores que superam os saltirios anuais dos segurados, pois, acolhido o fato de que a presença do representante do sindicato é requisito cogente para a validade do acordo previsto no inciso I, do artigo 2 da Lei n 2 10.101/00. t, portanto, fundamento suficiente para a solução da controvérsia relativa ao acordo. Isto, porque foram colacionadas a esses autos e registradas pela fiscalização de que a recorrente, no período autuado, detinha Convenções Coletivas as quais dispunham sobre programa de participação nos lucros e resultados. Na invalidade do acordo firmado entre as comissões de empregados e empregador da recorrente, verificase que nesse período vigeram as Convenções Coletivas, sobre as quais em momento algum, o Fisco suscitou o descumprimento das normas insertas na Lei nQ 10.101/00. Ou seja, o paradigma apresentado como divergência, e acolhido pelo despacho de admissibilidade, mostrase plenamente aceitável para demonstração da divergência entre os julgados. Notese que se levássemos o processo, ora em análise, para o colegiado do paradigma, seria possível verificar a possibilidade de obter resultado diverso. Enquanto no recorrido, a presença do sindicato foi mitigada, por existir acordos/convenções coletivas firmados simultaneamente com o acordo encolhido pelas partes, no paradigma é inaceitável o sujeito passivo pagar PLR simultaneamente baseado em dois instrumentos, sendo determinante para restar descumprido os requisitos previstos na lei 10.101/2000. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 21 25 Dessa forma, plenamente demonostrada a divergência entre os julgados, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO da Fazenda Nacional em relação a matéria exigência da participação do sindicato, assim, descrita no recurso especial: a) possibilidade de as Convenções Coletivas superarem os vícios reconhecidamente existentes na negociação e no acordo entabulado com os empregados, dentre os quais a ausência de um representante do Sindicato dos Bancários e Financidrios (o instrumento da PLR foi acordado na comissão de negociação, não sendo possível essa substituição Comissão por Convenção –uma vez que a lei prevê que a PLR sera objeto de negociação entre as partes mediante a escolha de um dos procedimentos que elenca); Do mérito Participação nos Lucros Incidência de contribuição Conforme disposição expressa no art. 28, § 9o, alínea "j", da Lei n° 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7" São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei n° 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea "j", § 9o, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9oNão integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Nesse mesmo sentido, decidiu o STF acerca da possibilidade de cobrança de contribuições previdenciária em período anterior a edição da MP 794, o que rebate qualquer tese, quanto a eficácia plena do dispositivo constitucional. RE393764 AgR /RSRIO GRANDE DO SUL AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. ELLEN GRA CIEJulgamento: 25/11/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Fl. 1322DF CARF MF 26 Ementa DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7o, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7°, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança dá contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso de agravo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2"Turma, 25.11.2008. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa Participação nos lucros. Art. 7o, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Quanto ao argumento que jurisprudência tem manifestado o entendimento de que as partes são livres e tem total flexibilidade nas negociações coletivas que tratam de participação nos lucros e resultados, não podendo mero requisito formal sugerido na lei 10101/2000 servir de fundamento para desnaturação do pagamento feito pela empresa, discordo frontalmente do posicionamento da recorrente. Pelo contrário, entendo que as partes tem liberdade para propor acordos dentro da estrita observância da lei, ainda mais em se tratando de norma isentiva, onde destacase a interpretação literal. Assim, ao descumprir quaisquer dos preceitos descritos na Lei 10101/2000, quanto a concessão do benefícios de PLR, deve arcar o recorrente com o ônus de constituir os pagamentos bases de cálculo de contribuição. Participação do sindicato Quanto a este ponto, conforme já suficiente apreciado tanto no voto vencido do acórdão recorrido, como no do próprio voto vencedor, a lei exige a participação do sindicato, o que descrito pela autoridade fiscal como descumprido no presente caso, senão vejamos, trecho do relatório fiscal: Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 22 27 Ou seja, o primeiro fundamento para o descumprimento diz respeito ao inciso I, do art. 2º da Lei 10.101/2000, qual seja ausência de sindicato, fato esse apreciado tanto pelo voto vencido, como vencedor do acórdão recorrido, conforme transcrevemos, novamente, abaixo: Participação de representante dos sindicatos nas negociações que antecederam o acordo sobre a PLR São dois os procedimentos previstos pela lei para a celebração de acordo sobre PLR: comissão escolhida entre as partes e convenção ou acordo coletivo. Neste último, é fora de dúvida que haverá a participação do sindicato, pois é exigência do art. 611 da CLT. No primeiro, a lei determina que a comissão escolhida pelas partes será “integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria”. A expressão “também” não pode ser interpretada aqui como uma possibilidade, como quer a recorrente, e sim como uma exigência adicional, pois somente assim estaríamos garantindo que a finalidade da norma imunizante e de sua regulamentação no sentido de harmonizar as relações capital e trabalho seja atingida. As tratativas diretas entre empregados e patrão sem a intermediação do sindicato são permeadas pelo temor pelo emprego, o que retira do trabalhador a vontade livre e espontânea de suas manifestações. A repetição desses eventos pode agravar as relações capital e trabalho, ao invés de contribuir para a sua harmonização. A manifestação a posteriori do sindicato ou o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical, como no presente caso, não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a Fl. 1324DF CARF MF 28 assinatura do acordo já estão maculadas. No caso de recusa do sindicato em participar da negociação coletiva, a CLT já prevê o procedimento para tanto no art. 616. Assim, quando o empregador optar pela comissão escolhida entre as partes como procedimento para negociar a PLR, deve assegurar que haja participação do representante sindical durante as tratativas ou demonstrar que agiu em conformidade com o art. 616 da CLT. No caso dos autos, tal participação não existiu, conforme consta da ata de fls. 53, o que caracteriza violação da regulamentação da imunidade, determinando a incidência da contribuição sobre tais verbas. A ausência do sindicato também foi alvo de confirmação pelo voto vencedor do acórdão recorrido, contudo, interpretou o redator que, em existindo também acordos ou convenções coletivas simultaneamente, acabaria por suprir tal falta. Ora, peço vênia, para dizer ser incabível tal interpretação, em especial, quando aplicável aos presentes autos. Primeiro, assim como já enfrentado no acórdão paradigma Acórdão nº 240102.250 de 20/01/2012, inclusive de minha relatoria na Câmara Baixa, não há de se estender dar interpretação, onde a lei deixa claro as formas de formalização dos acordos de participação nos lucros. A lei 10.101 descreve expressamente que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante UM dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo. Ou seja, ao contrário do entendimento do redator do voto vencedor, para estar de acordo com a lei, e portanto desvinculado do salário, as partes de comum acordo devem escolher apenas um dos instrumentos. Nos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) · Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto. Portanto, não está em consonância com a lei, o pagamento baseado em dois acordos, independente de estarem os dois acordos nos estritos limites da lei (o que não é o caso dos autos). Dessa forma, simples fato de existirem dois acordos para pagamento concomitantemente, já implicaria descumprimento da lei o que autorizaria o lançamento das contribuições. De forma alguma, a existência de um convalida o outro, posto que a empresa deveria escolher ou a comissão, com participação de um representante do sindicato, ou um dos instrumentos de negociação coletiva. Apenas para rechaçar qualquer argumentação de que a empresa não poderia deixar de cumprir os termos dos supostos acordos e convenções coletivas, extensível a todos os Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 23 29 empregados da categoria, entendo que é possível atender as duas questões, sem estar em dissonância com a lei. Analisando a legislação afeta às negociações coletivas, é de se concluir que não existe óbice a que uma empresa firme convenção coletiva (que é mais abrangente), e mesmo tempo acordo com a comissão de empregados com a participação do representante do sindicato (que é mais específico), contudo são dois instrumentos distintos com rito próprio de validade, mas não e possível efetuar o pagamento com base nos dois acordos. Tanto que, se existirem dois instrumentos normativos vigente ao mesmo tempo, sobre a mesma matéria, prevalecerá o que for, na sua totalidade, mais favorável ao empregado, descrito como “teoria do Conglobamento”. (digase, não obrigando o empregador a cumprir os dois instrumentos, desde que abranjam os mesmos institutos). Inclusive para corroborar dita assertiva, transcrevo o art. 620 da CLT. Art. 620 A condições estabelecidas em Convenção, quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo. No caso, a próprio lei 10.101/2000, já vislumbrou a possibilidade de em existindo plano de PLR na empresa, o mesmo poderia ser compensado com as obrigações decorrentes dos instrumentos coletivos de negociação (AC/CC). Assim, caso desejasse efetuar PLR em melhores condições aos seus empregados, a empresa, utilizando seja da comissão escolhida pelas partes, seja do acordo coletivo, poderia estabelecer programa de PLR compensando os valores estabelecidos na convenção, o que estaria dentro dos limites descritos na legislação aplicável. Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Ademais, no caso concreto, nem mesmo poderseia acatar referida argumentação, considerando que o que se encontra lançado nos presentes autos, são os valores pagos/distribuídos à título de PLR previsto no acordo com a comissão de empregados, contudo sem preencher os requisitos para sua constituição (participação do representante sindical). Da participação do representante do sindicato. Conforme descrito acima, ao tratar das negociações entre empregador e empregados para o pagamento da PLR o legislador colocou à disposição das partes dois instrumentos negociais, quais sejam: convenção coletiva/acordo coletivo ou comissão formada por representantes da empresa e dos trabalhadores, esta obrigatoriamente com participação do ente sindical. Eis a disposição legal: Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 1326DF CARF MF 30 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Importante destacar que o referido dispositivo foi, inclusive, alterado recentemente, passando o inciso I a exigir que a comissão formada para negociar a PLR seja paritária, mantendose inalterada a obrigatoriedade de participação do sindicato. Eis o texto alterado: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 20 de junho de 2013) Concluise, que ao negociar o pagamento da PLR sem a participação da entidade sindical, a recorrente descumpriu o art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Portanto, é de se reconhecer que o pagamento foi efetuado em dissonância com a lei que rege a matéria. Não há de se acatar qualquer argumentação de que a participação do sindicato é mera formalidade e que o descumprimento desse requisito não pode acarretar na desconsideração da natureza jurídica do pagamento. A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8º. da Constituição Federal do 1988, a qual se reporta ao sindicato como legítimo representante dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Por outro lado, mesmo que não explicitamente provada, a alegação de que mesmo convocado para participar das negociações, o sindicato não comparaceu não serve como fundamento para descumprir o preceito legal. Embora plausível esta alegação da empresa, não serve de escusa para descumprimento da exigência legal de participação de representante sindical nas negociações para pagamento da PLR. É que, primeiro a empresa teria outro instrumento para formalizar o pagamento de PLR em conformidade com a lei 10.101/2000, no caso acordos os convenções coletivas. E nem se venha argumentar que se já fora difícil a participação do sindicado na comissão, tão difícil quanto, será exigir do sindicato firmar acordos coletivos. O ordenamento pátrio prevê remédio para esses tipos de situação. Quanto aos acordos e conveções coletivas assim, prevê a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT: Nos termos do art. 616 da CLT: "Art. 616. Os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 24 31 § 1° Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2°No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. Assim, diante da recusa do ente sindical em participar das negociações coletivas, tem a empresa ao seu dispor de instrumento legal para suscitar ao Ministério do Trabalho a sua convocação compulsória. Para os que entendem que essa possibilidade de convocação compulsória não seria aplicável, no caso de recusa de participação do representante sindical na comissão da empresa, a própria lei 10.101/2000 estabelece remédio em seu art. 4º, razão pela qual não há que se mitigar a participação do sindicato, conforme defende o recorrente. Art.4o Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos da Lei no9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1oConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2oO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3oFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4oO laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Não tendo a recorrente adotado quaisquer dessas providências, resta caracterizado o descumprimento do requisito obrigatório previsto no art. 2º. da Lei n. 10.101/2000. É de se concluir que a falta de participação do representante sindical nas negociações para pagamento da PLR constitui afronta a lei específica, estando em perfeita consonância com a lei a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas título de participações nos lucros e resultados, face não restar atendida a norma constante na alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Não fosse apenas esse requisito suficiente para dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, existe outro ponto, trazido pelo voto vencedor do acórdão recorrido, que também deve ser afastado. Fl. 1328DF CARF MF 32 Da necessidade de acordo prévio Em que pese toda a argumentação do recorrente quanto a lei não exigir a prévia estipulação de metas, ou mesmo acordo prévio, manifesto meu entendimento contrário não lhe atribuindo razão. Entendo, que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados é a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros ou resultados alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, antes do início do período a que se refira, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Vejamos o que diz o art. 2o, § Io da lei 10.101/2000: § 1" Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio com o estabelecimento de regras/metas, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário, e, por conseguinte, estariam excluidos do conceito de salário de contribuição. Conforme constante dos autos, o recorrente, procedeu a negociação da participação nos lucros com os empregados, contudo, tal negociação não ocorreu previamente ao período a que estabeleceria o pagamento. Peço vénia ao recorrente para discordar do seu entendimento de que a lei não exigiu a fixação de critérios e regras previamente. Pelo contrário, conforme transcrito acima, "dos instrumentos DEVERÃO constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições (...). Ou seja, se a lei exige fixação de regras claras e objetivas, inclusive do acordo devem constar os mecanismos de aferição do que foi acordado, mostrase claro, que acordasse previamente regras e critérios, para que depois se possa aferir se cumprido o acordado. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 36624.000688/200631 Acórdão n.º 9202005.211 CSRFT2 Fl. 25 33 que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção previamente do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados. Notese que essa interpretação, encontrase em estreita consonância com os dispositivos constitucionais e legais que tratam da matéria. Conforme já enfatizado, para dar vida ao comando constitucional que trata da participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas foi editada a Medida Provisória n. 794, de 29/12/1994, que, após várias reedições, foi convertida na Lei n.º 10.101//2000. Eis dispositivos da Lei sob comento: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Verificase que o legislador condicionou o pagamento de participação nos lucros à negociação entre capital e trabalho, devendo o instrumento decorrente do ajuste firmado conter claramente as condições necessárias à aquisição do direito ao recebimento da PLR. Embora a Lei n.º 10.101/2000 não preveja uma disposição explícita prevendo o lapso de tempo entre a assinatura do acordo e o pagamento da PLR, é de se adotar o entendimento de que decorre de seu texto, que os requisitos necessários a fruição do benefício trabalhista devem ter sido previamente estipulados. è impraticável vislumbrar regras sendo fixadas durante o transcurso do jogo. Não fosse assim, os trabalhadores não teriam como aferir se estariam alcançando os objetivos que lhe dariam direito à PLR. A lógica intrínseca ao sistema de pagamento da PLR exige que os seus beneficiários conheçam as regras previamente e, assim, Fl. 1330DF CARF MF 34 possam contribuir com seu esforço para o alcance das condições fixadas no ajuste com o patrão visando à participação nos lucros. Por esse motivo, entendo que a celebração do acordo entre empregador e empregados durante o transcurso do período de aquisição do referido direito desatende ao o § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. Nesse sentido, não se pode falar na exclusão do salário de contribuição pretendida pelas recorrentes, posto que a lei previdenciária somente afasta a incidência de contribuição quando a verba é paga de acordo com a lei regulamentadora. Eis o texto da Lei n.º 8.212/1991: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Esse entendimento vem sendo abraçado em inúmeros processos nos âmbito das mais diversas turmas do CARF: Processo 10680725036/201021 Acórdão 2401003.488 de 15/4/2014; Processo nº 12963.000110/200757 Acórdão nº 240100.839. Processo 16327.001327/201036 Acórdão nº 240102.250; Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão 9202004.347; Processo nº 13656.720604/201336 Acórdão 9202004.307. Conclusão Isto posto, voto pelo CONHECIMENTO integral do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1331DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.902573/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 25 73 /2 00 8- 40 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13896.902573/200840 Acórdão n.º 1402002.555 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13896.902573/200840 Acórdão n.º 1402002.555 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13896.902573/200840 Acórdão n.º 1402002.555 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13896.902573/200840 Acórdão n.º 1402002.555 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13896.902573/200840 Acórdão n.º 1402002.555 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.721125/2014-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
DISCUSSÃO JUDICIAL.
De acordo com os atos normativos da RFB, mesmo quando a matéria estiver sob discussão judicial, o crédito tributário deverá ser lançado, com o objetivo de evitar que os valores sejam atingidos pela decadência.
AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO.
Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN.
Numero da decisão: 2401-004.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DISCUSSÃO JUDICIAL. De acordo com os atos normativos da RFB, mesmo quando a matéria estiver sob discussão judicial, o crédito tributário deverá ser lançado, com o objetivo de evitar que os valores sejam atingidos pela decadência. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir a multa aplicada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Recorrente MUNICIPIO DE IPUBI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DISCUSSÃO JUDICIAL. De acordo com os atos normativos da RFB, mesmo quando a matéria estiver sob discussão judicial, o crédito tributário deverá ser lançado, com o objetivo de evitar que os valores sejam atingidos pela decadência. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 11 25 /2 01 4- 24 Fl. 357DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir a multa aplicada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10435.721125/201424 Acórdão n.º 2401004.933 S2C4T1 Fl. 358 3 Relatório Tratase de Autos de Infração AIs lavrados contra o município em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: · AI DEBCAD 51.045.6863: referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição dos segurados empregados, não declarada em GFIP. · AI DEBCAD 51.045.6928: referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre o adicional de férias pago a segurados empregados, não declarados em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 17/20), as contribuições lançadas se referem a adicional de férias (1/3) pago aos segurados empregados filiados ao Regime Geral de Previdência Social e que não foi informado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP). Às fls. 21/29 consta lista com nomes dos segurados que receberam o adicional de férias e respectivos valores. O despacho de fl. 3 informa que as contribuições lançadas no presente Auto de Infração estão sendo discutidas judicialmente e que o lançamento foi efetuado com vistas a se prevenir a decadência, nos seguintes termos: 1. Em procedimento de fiscalização realizado em cumprimento ao mandado de procedimento fiscal nº 0410200201300282, foi constatado que o contribuinte acima identificado obteve decisão judicial favorável (APELREEX 10239PE 2009.83.08.0013895) junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no que concerne a não incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias, horas extras e sobre os quinze primeiros dias do auxíliodoença. 2. Após interposição de Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional (REsp 1340283), o STJ decidiu, em 07/04/2014, que haveria incidência de contribuição previdenciária apenas sobre as horas extras. Em 22/04/2014 houve petição de Embargos de Declaração (EDcl nº 0124698/2014) e em 29/04/2014 os autos foram conclusos para julgamento. 3. Ante o exposto e considerando que a medida suspende a exigibilidade do crédito tributário, lavramos os autos de infração (processos 10435.721125/201424 – Adicional de Férias e 10435.721124/201480 – Horas Extras) para evitar a decadência dos valores e aguardar o julgamento definitivo por parte do STJ. Fl. 359DF CARF MF 4 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega que: a) o crédito lançado deve ter sua cobrança suspensa, por estar sendo discutido judicialmente; b) que o lançamento tributário deve ser claro e objetivo e no presente caso “a ausência da base de cálculo aplicada pelo competente auditor torna o presente Auto de Infração viciado”, razão pela qual “a defesa do município encontrase prejudicada” por ter sido ferido “frontalmente os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório”, sendo a anulação do lançamento “a medida que se impõe”; c) que o auditor não cuidou de verificar se os servidores teriam sido informados em GFIP; d) a contribuição previdenciária não pode incidir sobre verbas pagas a título de terço de férias; e) que a multa aplicada tem caráter confiscatório e é ilegal sua aplicação entre pessoas jurídicas de direito público. f) “a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, reduziu as multas aplicadas pelo INSS/RFB em face da ‘retroatividade benigna’.” Dessa forma, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, a multa moratória a ser aplicada não poderá e ser superior a 20%, ou, nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, a multa será de 2% ao mêscalendário ou fração, limitada a 20%, no caso de falta de entrega ou entrega em atraso da GFIP, ou de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Foi proferido o Acórdão 0652.020 6ª Turma da DRJ/CTA, fls. 308/313, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. Impugnação Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Cientificado do Acórdão em 20/5/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 319), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 1/6/15, fls. 323/345, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da defesa, em síntese: Preliminarmente, alega que o crédito lançado deve ter sua cobrança suspensa, por estar sendo discutido judicialmente. No mérito, afirma que o lançamento fiscal está incompleto, que o lançamento tributário deve ser claro e objetivo e no presente caso “a ausência da base de cálculo aplicada Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10435.721125/201424 Acórdão n.º 2401004.933 S2C4T1 Fl. 359 5 pelo competente auditor torna o presente Auto de Infração viciado”, razão pela qual “a defesa do município encontrase prejudicada” por ter sido ferido “frontalmente os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório”, sendo a anulação do lançamento “a medida que se impõe”. Acrescenta que os segurados não foram individualizados, levando à incerteza e liquidez do crédito, que o auditor não cuidou de verificar se os servidores teriam sido informados em GFIP. Afirma que não incide contribuição previdenciária sobre o terço de férias. Alega que a multa aplicada de 75% tem caráter confiscatório e é ilegal sua aplicação entre pessoas jurídicas de direito público. Acrescenta que a MP 449/08 reduziu as multas. Requer seja dado provimento ao recurso para que sejam anulados os autos de infração. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR Desnecessário o questionamento do recorrente sobre a suspensão da cobrança do crédito tributário. O CTN, dispõe que: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...} III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; [...] Portanto, o presente crédito tributário encontrase suspenso. MÉRITO A legislação determina que, mesmo quando a matéria estiver sendo discutida judicialmente, havendo ou não depósito judicial, os créditos devem ser lançados em sua integralidade a fim de evitar que os valores das contribuições sejam atingidos pelo instituto da decadência. O que aconteceu no presente caso. Lançamento Descabidos os argumentos do recorrente de que não foi indicada a base de cálculo ou que não foi verificado se os servidores foram informados em GFIP. Vêse que aparentemente o contribuinte se confunde quando ao objeto do presente lançamento que se refere a terço constitucional de férias pago aos segurados empregados, cujos valores não foram informados em GFIP. Portanto, tratase apenas de diferença, não havendo que se falar em segurados não informados, mas apenas diferença de remuneração. Quanto à base de cálculo, às fls. 21/29, consta lista com nomes dos segurados que receberam o adicional de férias e respectivos valores, sendo claramente indicada a base de cálculo apurada, não havendo qualquer prejuízo à defesa. Incidência de contribuições previdenciárias sobre adicional de férias Quanto ao fato gerador em questão, ele foi objeto de ação judicial. Desta forma, como demonstrado no acórdão de impugnação, não se discute administrativamente matéria objeto de discussão no âmbito judicial: Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10435.721125/201424 Acórdão n.º 2401004.933 S2C4T1 Fl. 360 7 12. Cabe ressaltar que, por força do princípio da unidade de jurisdição (Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV), as decisões judiciais se sobrepõem às decisões administrativas. 13. Em face desse dispositivo constitucional, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit) da RFB fixou, por meio do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03/1996, a seguinte orientação: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN”; (sem grifos no original) 14. Neste sentido também o entendimento disposto no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto.Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável.A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida.É Fl. 363DF CARF MF 8 irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº1.300, de 20 de novembro de 2012.eprocesso nº10166.721006/201316 15. Assim, como a natureza dos rendimentos, se tributáveis ou não, constituise em matéria objeto de discussão no âmbito judicial, não é cabível o pronunciamento da presente Turma de Julgamento a esse respeito. MULTA Quanto à multa, deve ser observado o disposto na Lei 9.430/96, art. 63: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. No mesmo sentido, têmse a súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Sendo assim, deve ser excluído do lançamento a multa de ofício aplicada. Diante da exclusão da multa, por evidente perda de objeto, desnecessário rebater os argumentos apresentados pelo recorrente nesse sentido. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir a multa aplicada. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10435.721125/201424 Acórdão n.º 2401004.933 S2C4T1 Fl. 361 9 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem deve observar o trâmite da ação judicial para adotar as providências cabíveis. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.948075/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.460
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva. Ausente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
RELATÓRIO
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva. Ausente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 48 07 5/ 20 11 -2 0 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.948075/201120 Resolução nº 1401000.460 S1C4T1 Fl. 116 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), que, por meio do Acórdão 0434.185, de 19 de novembro de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Adoto e transcrevo o relatório constante no acórdão recorrido: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 16477.89654.270407.1.7.028820 (fls. 02/07), com base em suposto crédito de saldo negativo de IRPJ referente ao período de apuração de 01/07/2006 a 30/09/2006, no montante de R$ 426.788,43. Foi emitido Despacho Decisório nº 941449045 de homologação parcial da compensação (fls. 08/13), motivado pela inexistência, em sua integralidade, do crédito utilizado para compensar os débitos informados. Tal crédito seria decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao período de apuração de 01/07/2006 a 30/09/2006. Do valor de saldo negativo de IRPJ pleiteado na Dcomp e na DIPJ/2007 de R$ 426.788,79, foi confirmado o valor de R$ 212.919,53. Foi homologada parcialmente a Dcomp nº 16477.89654.270407.1.7.028820. Não foram homologadas as Dcomp nº 39364.37823.270407.1.7.020605, 04374.70229.180507.1.3.021461, 04657.64334.090507.1.7.022165 e 31828.71444.110507.1.3.020804. Cientificada do Despacho Decisório em 18/07/2011 (fls. 10), a interessada apresentou tempestivamente a sua manifestação de inconformidade em 17/08/2011 (fls. 14/15), alegando, em síntese, que a retenção da fonte pagadora CNPJ nº 00.360.305/000104 é comprovada pelo anexo informe de rendimentos. a retenção de R$ 10.315,16 tem como beneficiário dos rendimentos o Consórcio Eixão, CNPJ nº 07.714.147/000192. Conforme o Contrato de Constituição do Consórcio, a empresa Galvão Engenharia S/A tem participação de 50%, podendo compensarse dos valores retidos pela fonte pagadora CNPJ nº 60.746.948/000112. Às fls. 64 juntouse extrato de consulta ao Portal DIRF. Como dito, a DRJ/CGE julgou a manifestação de inconformidade improcedente, que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. NÃO COMPROVAÇÃO. Constitui crédito passível de compensação somente o valor efetivamente comprovado do Imposto de Renda retido na fonte na declaração de pessoa jurídica, através de comprovante de retenção emitido, em seu nome, pela fonte pagadora dos rendimentos ou por consulta ao Portal DIRF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.948075/201120 Resolução nº 1401000.460 S1C4T1 Fl. 117 3 Descontente com a decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário tempestivo a este CARF (ciência via eletrônica por decurso de prazo em 10/12/2013 efl. 70; e juntada do recurso voluntário em 09/01/2014 efl. 71), em que delimita seu questionamento somente em relação à retenção do IRF de R$ 203.113,65, cuja origem decorre de resgate de aplicação financeira que gerou o rendimento no montante de R$ 1.347.614,00 fonte pagadora Caixa Econômica Federal (CNPJ 00.360.305/000104). Para reforçar a comprovação da retenção do IRF, junta Informativo Mensal CDB/RDB CAIXA, pleiteando ao fim pelo reconhecimento do crédito de R$ 203.113,65, decorrente desta operação de resgate. O presente processo foi distribuído para julgamento, cabendo a mim sua Relatoria. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Como visto no relatório deste acórdão, o despacho decisório deixou de homologar o montante originário de R$ 213.869,26, que é composto de saldo negativo de IRPJ originários de retenções que não foram comprovadas, conforme tabela abaixo (efl. 11): CNPJ da Fonte Pagadora Código da Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.360.305/000104 6800 203.113,65 0,00 203.113,65 Retenção na fonte não comprovada 34.274.233/036042 1708 444,86 0,00 444,86 Retenção na fonte não comprovada 60.746.948/000112 6800 10.315,16 4,77 10.310,39 Retenção na fonte comprovada parcialmente Total 213.873,67 4,77 213.868,90 Como a recorrente não havia questionado o valor não confirmado de R$ 444,86 desde a manifestação de inconformidade, a glosa deste montante deve ser mantida por não ter sido objeto da lide. Além disso, o valor glosado de R$ 10.310,39 não foi questionado no recurso voluntário, razão pela qual também não faz parte desta lide. Assim, somente a análise da glosa do valor de R$ 203.113,65 é objeto deste acórdão, sendo que a decisão quanto aos demais temas deve seguir o que foi julgado conforme a decisão de piso. Mérito Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.948075/201120 Resolução nº 1401000.460 S1C4T1 Fl. 118 4 A recorrente reafirma em sua peça recursal que sofreu retenção do IRF no montante de R$ 203.113,65 da fonte pagadora de CNPJ 00.360.305/000104 Caixa Econômica Federal. Além do informe de rendimentos já juntado à época da manifestação de inconformidade (efl. 59), em que demonstra ter sofrido a referida retenção, anexa também Informativo Mensal CDB/RDB CAIXA (efl. 111) na peça de recurso voluntário, em que alega demonstrar que foi efetuado resgate da aplicação financeira que gerou a retenção do IRF no valor pleiteado, conforme abaixo: A DRJ/CGE, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade quanto a este montante de IRRF, citando que a DIRF (retificadora) apresentada pela fonte pagadora não contempla o referido valor de R$ 203.113,65. Assim, como a DIRF apresentada foi entregue na data de 28/09/2012, ou seja, posteriormente à data do informe de rendimentos (emitido em 09/08/2011), entendeu ser aplicável ao caso a declaração entregue mais recentemente, indeferindo, portanto, o crédito (de R$ 203.113,65) pleiteado. Antes de enfrentar a questão posta pela recorrente, tenho em mente que devo emitir parecer sobre a apresentação extemporânea (somente no recurso voluntário) do documento intitulado Informativo Mensal CDB/RDB CAIXA, concluindo por sua aceitação ou não. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.948075/201120 Resolução nº 1401000.460 S1C4T1 Fl. 119 5 Como se sabe, o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelece prazo preclusivo para que documentos sejam apresentados ao processo administrativo fiscal: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim, a regra estabelecida é a de que documentos apresentados após o prazo da impugnação/manifestação de inconformidade não podem ser aceitos pela autoridade julgadora. Entretanto, no caso específico, a empresa apresentou tal documento para contrapor as razões de decidir da instância a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na falta de informação na DIRF, rejeitando os informes de rendimentos acostados pela recorrente. A bem da verdade, tal circunstância pode ser enquadrada na alínea "c" do dispositivo legal acima, pois a recorrente nada mais fez do que se contrapôs às razões de decidir da decisão de piso. Além disso, penso que se deve dar credibilidade à busca da verdade material, ao presente caso, pois se trata, em verdade, da chamada "conversa das provas", alcunha monetizada pelo I. Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes em outras sessões de julgamento desta mesma Turma. Desta forma, entendo necessário reconhecer o documento juntado no recurso voluntário para desembaraçar a questão. Pois bem. Entendo que a decisão não pode se pautar na temporaneidade da elaboração e de entrega dos citados documentos (informe de rendimentos e DIRF). A DIRF é documento entregue pela fonte pagadora aos sistemas da RFB, enquanto que o informe de rendimentos é documento que fica na posse do beneficiário do imposto de renda que foi retido na fonte. Embora seja também a fonte pagadora que elabore o informe de rendimentos, não se pode atribuir ao beneficiário do rendimento um prejuízo que, em tese, não foi por ele buscado. Pois, se no momento do fato que gerou a retenção do IR na fonte, a fonte pagadora elaborou documentos (Informativo Mensal CDB/RDB CAIXA e Informe de Rendimentos) e os entregou à beneficiária do rendimentos (recorrente), e, posteriormente, deixou de informar na DIRF a retenção do valor em discussão (R$ 203.113,65), a quem cabe a razão? Como o informe de rendimentos faz prova a favor da beneficiária dos rendimentos, talvez fosse o caso de solicitar à fonte pagadora esclarecimentos sobre a dicotomia construída por ela própria. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.948075/201120 Resolução nº 1401000.460 S1C4T1 Fl. 120 6 Por outro lado, não se pode ignorar que a DIRF (retificadora) entregue pela fonte pagadora é posterior à ciência do Despacho Decisório (ciência em 18/07/2011) que indeferiu o pedido de homologação do crédito de R$ 203.113,65, discutido no PER/DCOMP. Deste modo, a recorrente já poderia ter solicitado junto à fonte pagadora esclarecimentos sobre a falta de informação dos valores retidos por ela na DIRF. Outro ponto que precisa ser verificado, mas que, em razão da proposta anterior de não homologação do crédito não se avançou a tal assunto, é que não se sabe e não consta no processo se existem documentos e elementos que comprovem que a receita de R$ 1.347.614,00, que gerou o IRF de R$ 203.113,65, foi efetivamente tributada, em obediência à Sumula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Conclusão Desta feita, proponho CONVERTER o referido processo em diligência para que a unidade de origem verifique o que segue: 1) Solicitar esclarecimentos junto à fonte pagadora (Caixa Econômica Federal CNPJ 00.360.305/000104) para que elucide por qual motivo não informou o valor de IRFonte de R$ 203.113,65 na DIRF do mês 08/2006, tendo como beneficiária a recorrente, apresentando comprovação, caso seja possível. 2) Verificar se a receita financeira de R$ 1.347.614,00, que gerou o IRF de R$ 203.113,65, foi efetivamente inserida na base de cálculo do IRPJ, observando a disparidade que pode existir entre o período da retenção do IRF e a tributação. Para tanto, devese verificar (e anexar a este processo) a DIPJ referente ao(s) ano(s)calendário correspondente(s) e os lançamentos contábeis (livro razão) e fiscais (Lalur) que demonstram inequivocadamente que as receitas foram verdadeiramente tributadas. Ao final da diligência, favor elaborar parecer conclusivo e dar ciência à empresa, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do parecer fiscal, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Após, favor encaminhar este processo a esta turma do CARF, para o prosseguimento do julgamento deste processo administrativo fiscal. É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901169/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.693
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 69 /2 00 9- 71 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901169/200971 Acórdão n.º 3201002.693 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.422. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901169/200971 Acórdão n.º 3201002.693 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901169/200971 Acórdão n.º 3201002.693 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720631/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.088
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Recorrente HIDROALL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão que manteve intacto o indeferimento de aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/07/2009 a 30/09/2009, ao argumento de que há lançamento de ofício (com decisão administrativa definitiva), lançamento que esgotou o saldo credor originalmente apurado pelo contribuinte, razão pela qual as compensações declaradas não foram homologadas, por inexistência do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 06 31 /2 01 1- 91 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10830.720631/201191 Acórdão n.º 3302004.088 S3C3T2 Fl. 3 2 A escrita fiscal do IPI foi refeita em virtude da apuração de débitos do imposto pelo Fisco. Mesmo aproveitando os créditos escriturados pelo contribuinte, houve apuração de saldos devedores, do que resultou a lavratura do auto de infração, processo n° 10830.720891/201166. Apresentada Manifestação de Inconformidade, os argumentos de defesa foram rechaçados pela decisão recorrida. Argumentou a DRJ que há decisão nos autos n° 10830.720891/201166, que julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o lançamento do imposto, o que implica a inexistência de saldos credores passíveis de ressarcimento/compensação. Por consequência, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada neste processo, permanecendo não homologadas as compensações declaradas por inexistência de crédito, nos termos do Acórdão 14041.811 Na Manifestação de Inconformidade, bem como nas razões recursais, sustenta a Recorrente que a classificação fiscal adotada para o produto desinfetante estaria correta, classificado como produto químico orgânico, por tratarse de composto clorado, sob o código 29.33.69.19. Em suma, traz os mesmos argumentos sustentados na Impugnação do Auto de Infração, processo n° 10830.720891/201166, conforme afirmativa da própria Recorrente. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, através da Resolução nº 3801 000.750, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem juntasse a este processo a decisão administrativa definitiva proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração vinculado a este processo de ressarcimento/compensação). Posteriormente foram juntados aos autos a decisão proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração), que negou provimento ao recurso voluntário apresentado naqueles autos (Acórdão 3302002.153), bem como pedido de desistência apresentado pelo contribuinte naquele processo, do que resultou a definitividade daquela decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.085, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.720617/201197, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.085): " Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10830.720631/201191 Acórdão n.º 3302004.088 S3C3T2 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido por inexistência de saldo credor após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização proceder lançamento de ofício, impugnado, esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento intacto, decisão com transito em julgado. O voluntário sequer tratou desse assunto, reprisou os mesmos argumentos da fase instrutora. Não rebateu os argumentos utilizados no julgamento de piso. Sendo assim, não resta outra hipótese de que não seja reconhecer a inexistência de saldo credor passível de compensação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o pedido de ressarcimento/compensação foi indeferido por inexistência de saldo credor de IPI após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização a proceder ao lançamento de ofício, impugnado. Esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, no qual consta decisão definitiva negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o lançamento intacto. Mantido o lançamento do IPI, inexiste saldo credor que ampare o presente pleito. Desta forma, o fundamento adotado para concluir pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento/compensação no caso do paradigma, também justifica sua aplicação nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 688DF CARF MF
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