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Numero do processo: 12448.737118/2012-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA.
Perfeita a decisão recorrida, ao discorrer que o art. 116, parágrafo único, do CTN requer, com vistas a sua plena eficácia, que lei ordinária estabeleça os procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes da federação ao desconsiderarem atos ou negócios jurídicos abusivamente praticados pelos sujeitos passivos. Na esfera federal, há na doutrina nacional aqueles que afirmam ser ineficaz a referida norma geral antielisiva, sob o argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida norma, sob o argumento de que o Decreto nº 70.235/72, que foi recepcionado pela Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal. Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que afirma a eficácia imediata da norma geral antielisiva, pois esta interpretação é a que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas. No mesmo sentido, precedente na 1ª Turma da CSRF, Ac. 9101-002.953.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
Numero da decisão: 9101-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, para não conhecer do tema em relação ao erro de identificação de sujeição passiva, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que rejeitaram a preliminar e conheceram da matéria. Por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso quanto à matéria relativa à efica´cia do para´grafo único do art. 116 do CTN, a fim de conhecer dessa matéria, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que acolheram a preliminar e não conheceram desse tema. Em relação às demais matérias, por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso, nos termos do despacho de admissibilidade. No mérito, (i) em relação à efica´cia do para´grafo único do art. 116 do CTN, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) em relação à concomita^ncia da exige^ncia da multa de ofi´cio e da multa isolada, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; (iii) em relação à incide^ncia dos juros de mora sobre a multa de ofi´cio, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente MMX MINERAÇÃO E METÁLICOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA. Perfeita a decisão recorrida, ao discorrer que o art. 116, parágrafo único, do CTN requer, com vistas a sua plena eficácia, que lei ordinária estabeleça os procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes da federação ao desconsiderarem atos ou negócios jurídicos abusivamente praticados pelos sujeitos passivos. Na esfera federal, há na doutrina nacional aqueles que afirmam ser ineficaz a referida norma geral antielisiva, sob o argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida norma, sob o argumento de que o Decreto nº 70.235/72, que foi recepcionado pela Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal. Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que afirma a eficácia imediata da norma geral antielisiva, pois esta interpretação é a que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas. No mesmo sentido, precedente na 1ª Turma da CSRF, Ac. 9101002.953. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 71 18 /2 01 2- 69 Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.038 2 Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no REsp 1.335.688PR). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, para não conhecer do tema em relação ao erro de identificação de sujeição passiva, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que rejeitaram a preliminar e conheceram da matéria. Por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso quanto à matéria relativa à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, a fim de conhecer dessa matéria, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que acolheram a preliminar e não conheceram desse tema. Em relação às demais matérias, por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso, nos termos do despacho de admissibilidade. No mérito, (i) em relação à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) em relação à concomitância da exigência da multa de ofício e da multa isolada, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; (iii) em relação à inciden̂cia dos juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.039 3 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por MMX MINERAÇÃO E METÁLICOS S.A. (doravante “empresa”, “recorrente” ou “MMX”) em face do acórdão n. 1201001.136 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 2a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O caso envolve a exigência de IRPJ e CSLL sobre rendimentos de ganhos de capital, multas exigidas isoladamente sobre estimativas não pagas, multa de ofício qualificada (150%) e juros. Quanto à exigência principal, destacase o seguinte trecho do auto de infração (AIIM) (efls. 1644 e seg.): 001 – GANHOS E PERDAS DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO – OMISSÃO Falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação. Após detalhada análise dos documentos fiscais utilizados pela Fiscalização, constatamos a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÀO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA, com infração do artigo 418 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n. 3000, de 26/03/1999, conforme Termo de Constatação Fiscal, que faz parte integrante e inseparável deste Auto de Infração (...) Enquadramento legal Art. 3o, par. 2o, inciso IV, da Lei n. 9.718/98 Arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 418, 425 e 427, do RIR/99 As exigências em questão podem ser assim resumidas: a) IRPJ e CSLL, acrescidos de multa qualificada e juros de mora, sobre ganho de capital verificado pela empresa Centennial Asset Mining Fund LLC, quando da alienação de ações que mantinha no capital da empresa Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.040 4 Centennial Asset Participações Amapá S/A (CAP Amapá S/A), a uma subsidiária integral da empresa ClevelandCliffs Inc.; b) IRPJ e CSLL, acrescidos de multa qualificada e juros de mora, sobre ganho de capital verificado pela empresa Centennial Asset Mining Fund LLC, quando da alienação das acõ̧es que mantinha no capital da empresa Centennial Asset Participações MinasRio S/A (CAP MinasRio S/A), à empresa Anglo American Participacõ̧es e Minerações S/A; c) multas isoladas impostas pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL relacionados aos fatos acima apontados. Colhese do acórdão a quo a seguinte descrição dos fatos atinente às operações realizadas (efls. 2409 e seg.) “6. Os fatos e circunstâncias que fundamentam o lançamento foram discriminados no Termo de Constatação Fiscal (TCF) de fls. 1594/1641, o qual, resumidamente, expõe o seguinte. 7. No ano de 2005, o Sr. Eike Fuhrken Batista era sócio majoritário (99,9%) de três empresa detentoras de direito de lavras no Brasil. Eram elas: EBX Energia Ltda, EBX Mineração Ltda. e MMX Corumbá Participações Ltda. As duas primeiras mudaram de nome e passaram a se denominar, respectivamente, MMX Amapá Mineração Ltda e MMX MinasRio Mineração e Logística Ltda. 8. Em novembro de 2005, o Sr. Eike Fuhrken Batista adquiriu a MMX Mineração e Metálicos S/A (antes Tressem Participações S/A), uma sociedade anônima de capital aberto. 9. A autoridade lançadora menciona que, também em novembro de 2005, o Sr. Eike Fuhrken Batista constituiu um fundo de investimento estrangeiro (Centennial Asset Mining Fund LLC), cujo capital pertencia integralmente a ele, Eike Batista. Em dezembro daquele ano (2005), o referido fundo de investimento, por meio de subscrição de capital em dinheiro (R$ 16.588.160,00) passou a ser acionista da MMX Mineração e Metálicos S/A, ou seja, a fiscalizada. 10. De outro lado, em abril de 2006, também por meio de subscrição de capital, mas mediante conferência de ações, o Sr. Eike Fuhrken Batista transferiu a titularidade das ações daquelas empresas mineradoras para a fiscalizada, ou seja, o Sr. Eike Fuhrken Batista deixou de ser sócio direto das empresas mineradoras, que passaram a ser controladas pela MMX Mineração e Metálicos S/A. Esta, então, em abril de 2006, passou a ser propriedade majoritária do Sr. Eike Fuhrken Batista (70%) e do referido fundo de investimento, Centennial Asset Mining Fund (CAMF) LLC, (30%), também de sua propriedade. (...) 11. Segue o TCF descrevendo que, no mesmo mês de abril de 2006 (dia 28), o Centennial Asset Mining Fund LLC deixa a sociedade na MMX Mineração e Metálicos S/A. Suas 32.000 (30%) ações são cindidas da sociedade, cabendolhe, na repartição do capital, 30 % de cada uma das empresas mineradoras antes integralmente detidas pela MMX Mineração e Metálicos S/A. Assim, as referidas mineradoras passaram a ser propriedades não mais só da MMX Mineração e Metálicos S/A, a qual passou a deter 70% daquelas, mas também do Centennial Asset Mining Fund LLC, com os outros 30% do investimento. 12. Contudo, conforme esclarece o TCF, o referido fundo não ficou, ele mesmo, com a posse direta das referidas ações das mineradoras. De forma concomitante com a cisão da MMX Mineração e Metálicos S/A, constituíramse três Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.041 5 empresas, cujo capital foi subscrito justamente com as ações das mineradoras que o Centennial Asset Mining Fund LLC recebera na cisão da MMX Mineração e Metálicos S/A. Essas três empresas são a Centennial Asset Participações Amapá S/A (detendo 30% da mineradora MMX Amapá Mineração Ltda), Centennial Asset Participações MinasRio S/A (30% da MMX MinasRio Mineração e Logística Ltda), e Centennial Asset Participações Corumbá S/A (30% MMX Corumbá Participações Ltda). 13. Dessa forma, após esse processo de cisão e de constituição de novas empresas, o quadro acionário ficou assim, segundo se depreende do Termo de Constatação Fiscal: (...) 14. Segue o TCF informando que, em março de 2007, a Centennial Asset Participações Amapá S/A (CAP Amapá) foi vendida a uma subsidiária integral da ClevelandCliffs, Inc. (empresa sediada nos Estados Unidos da América), pelo valor de R$ 282.891.000,00 (US$ 133 milhões), efetivamente pagos. Esta foi uma das operações autuadas no lançamento relativo ao ganho de capital, conforme subitem 4.1.1 retro. (...) MMX MinasRio – Cisão e novas empresas 15. Relata o TCF que, em abril de 2007, uma das mineradoras, a MMX MinasRio Mineração e Logística Ltda, sofre cisão e alteração de nome. De tal operação, passaramse a ter as seguintes empresas: MMX MinasRio Mineração Ltda (nova denominação da remanescente), LLX MinasRio Logística S/A e LLX Açu Operações Portuárias S/A. (...) Centennial Asset Participações MinasRio S/A Cisão 16. Em maio de 2007, houve nova cisão, agora da empresa Centennial Asset Participações MinasRio S/A (CAP MinasRio, nos quadros anteriores), fazendo surgir uma nova empresa denominada Centennial Asset Participações Logística S/A. Venda da Centennial Asset Participações MinasRio S/A e subscrição na MMX MinasRio Mineração S/A e na LLX MinasRio Logística S/A 17. Constatou a fiscalização que, em maio de 2007, o Centennial Asset Mining Fund LLC vendeu ao Anglo American Participações e Minerações S/A 100 % das ações Centennial Asset Participações MinasRio S/A. 18. Dentro do mesmo acordo de compra e venda de ações, foi determinado o aumento de capital das empresas MMX Minas Rio Mineração S/A e na LLX MinasRio Logística S/A, por parte da mesma empresa, a Anglo American Participações e Minerações S/A, de modo a que essa empresa detivesse, além dos 30% das ações dessas mineradoras adquiridas diretamente do Centennial Asset Mining Fund LLC, passasse a ser titular de mais 19% do capital dessas, perfazendo um total de participação de 49%. Assim, por força da mesma operação, a MMX Mineração e Metálicos S/A, a fiscalizada, que antes detinha 70% das mineradoras do sistema MinasRio, reduziu sua participação para 51%. 19. A fiscalização confirma que essas operações foram efetivamente realizadas mediante liquidação do leilão em bolsa (Bovespa). Assim, em 18/07/2007, a Anglo American Participações em Mineração Ltda, efetivamente, pagou pelas ações da Centennial Asset Participações MinasRio S/A o valor de R$ 1.317.797.874,32, bem como em 18/07/2007, houve os efetivos aumentos de capital, integralizados pela Anglo American, tanto na MMX MinasRio Mineração S/A, quanto na LLX MinasRio Logística S/A, nos montantes Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.042 6 respectivos de R$ 1.295.642.758,26, mediante a emissão de 477.600 novas ações; e de R$ 335.984.682,60, mediante a emissão de 240.629 novas ações. (...) Constituição da IronX Mineração S/A 20. A fiscalização então destaca o processo de reestruturação societária da empresa IronX Mineração S/A, a qual foi constituída em dezembro de 2007 sob o nome de Begônia Participações S/A, com capital de R$ 800,00 pertencente ao sr. Eike Fuhrken Batista. 21. Em janeiro de 2008, a MMX Mineração e Metálicos S/A, a fiscalizada, passou a deter 99,62 % das ações da IronX Mineração S/A. Ou seja, passou a IronX Mineração S/A a ser mais um subsidiária da fiscalizada. Venda da IronX Mineração S/A para a Anglo American 22. Conforme destaca o TCF, em março do mesmo ano de 2008, ocorre mais uma reorganização societária no âmbito dos negócios da MMX Mineração e Metálicos S/A. 23. Mediante contrato de compra e venda de ações, firmado entre o Sr. Eike Fuhrken Batista, a Anglo American Participações e demais sócios da MMX Mineração e Metálicos S/A, esta foi novamente cindida, sendo que, após esse evento, 63,48% das ações da IronX Mineração S/A antes detidas pela MMX Mineração e Metálicos S/A foram vendidas para a Anglo American Participações. Conforme o referido contrato, o compromisso era no sentido de que a esta última empresa comprasse o restante 36,51% das ações da IronX Mineração S/A. Cisão parcial da MMX Mineração e Metálicos S/A, com versão do patrimônio da MMX MinasRio Mineração S/A para a IronX Mineração S/A. 24. Com avaliação a valor contábil na data base 31/12/2007, foram vertidos da MMX Mineração e Metálicos S/A para a IronX Mineração S/A, R$ 871.903.818,66. A parcela do patrimônio líquido cindido da MMX Mineração e Metálicos S/A corresponde às suas participações, diretas e indiretas, conforme o caso, na MMX MinasRio Mineração S/A e MMX Amapá Mineração Ltda e outros ativos, direitos e obrigações, resultando em um aumento do capital social da IronX Mineração S.A com a conseqüente emissão de novas ações atribuídas aos acionistas da MMX Mineração e Metálicos S/A na proporção da participação que esses detêm no capital social da MMX Mineração e Metálicos S/A. 25. Segue a fiscalização relatando que, em 05/08/2008, a Anglo American Participações em Mineração Ltda, adquiriu a totalidade das ações de emissão da IronX Mineração S/A, detidas diretamente pelo Sr. Eike Fuhrken Batista. Como resultado da aquisição a Anglo American Participações em Mineração Ltda adquiriu, mediante pagamento em dinheiro, 193.462.160 ações ordinárias representativas de 63,3% do capital social da IronX, por valor equivalente a cerca de R$ 5,4 bilhões, representando um preço por ação da IronX de R$ 28,147 (fls. 1259 e ss). 26. Aquisição resultou na transferência do controle da IronX Mineração S/A a Anglo American Participações em Mineração Ltda, sendo que as ações remanescentes, 36,7%, foram adquiridas aos demais acionistas, em 01/12/2008 (fls. 1551 e ss), por R$ 3.170.855.473,36, completando a aquisição de 100% das ações da IronX Mineração S/A, já então denominada Anglo Ferrous Brazil S.A. 27. Segundo a fiscalização, ao adquirir a totalidade das ações da IronX Mineração S/A, dado que a esta tinham sido transferidos os direitos patrimoniais de lavra da empresa MMX Minasrio Mineração S/A (ver acima), a IronX Mineração S/A (depois Anglo Ferrous) passou a deter os 51% restantes Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.043 7 de participação no capital social da MMX MinasRio Mineração S/A. Dado que a Anglo American Participações já detinha 49% comprados em 14/05/2007, passou a ter a totalidade das ações da empresa MMX MinasRio deter 100% de participação no capital social da Anglo Ferrous Brazil S/A (atual denominação da IronX Mineração S.A). 28. A fiscalização teceu os seguintes comentários acerca das operações societárias e de vendas de ação para a Anglo American Participações: (...) Na realidade, nunca houve vontade da Anglo American em fazer aporte de capital ou adquirir 100% de empresas coligadas com a finalidade de atingir 49% das ações do Sistema MMX MinasRio. O que de fato a Anglo American intencionava era comprar 100% das ações do Sistema MMX MinasRio. E essa intenção se materializou em 31 de março de 2008. Nessa data, através do "Contrato de Compra e Venda de Ações", a Anglo American comprou do Sr. Eike Fuhrken Batista e outros acionistas minoritários, através da aquisição das ações de emissão da IronX Mineração S/A mediante pagamentos efetuados em 05/08/2008 e 02/12/2008 os restantes 51% das ações de emissão da MMX MinasRio S/A, conseguindo, assim, 100% das operações de mineração e escoamento de minérios (mineroduto) do Sistema MMX MinasRio. Nota: Em decorrência de exigência contratual, as ações do Sistema MMX MinasRio, exceto as da LLX MR (que ficou com as operações portuárias), foram vertidas ao capital da IronX Mineração S/A por cisão da MMX S/A, aprovada em 19/06/2008. Desta forma, restou desclassificado o aporte de capital efetuado através do contrato de compra e venda de ações de 14/05/2007. A verdadeira vontade da compradora Anglo American foi de adquirir da MMX S/A 100% das ações de emissão das companhias MMX MR e LLX LR do Sistema MMX MinasRio que compunham as atividades de mineração e mineroduto. Só não adquiriu as ações de emissão da LLX MR porque não se interessou pelas operações portuárias, permanecendo com os 49% da participação inicial. O que ocorreu naquela data foi a simulação de diversos atos constitutivos, com a finalidade de modificar a alienação das ações de emissão da MMX MR e da LLX MR, para a Anglo American, fazendo parecer que existia uma operação de aporte de capital com integralização de novas ações daquelas companhias. Se prevalecesse o "planejamento tributário", haveria a tributação em apenas 51% do ganho de capital na alienação de 100% das ações da MMX MinasRio Mineração S/A e não haveria ganho de capital na alienação da LLX Minas Rio Logística S/A (todas as ações foram negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). (...) 29. No referido termo, ao adentrar nas operacõ̧es analisadas, a autoridade fiscal tece comentários sobre a natureza dessas operações, notadamente quanto ao objetivo, que, segundo entendeu, seria de fugir da tributação de estilo. Reproduzse excerto do documento fiscal: (...) CONSTATAÇÃO FISCAL Após detalhada análise dos documentos fiscais utilizados pela Fiscalização, constatamos a prática de simulação, perpetrada mediante a articulacã̧o de operacõ̧es com o intuito de evitar a ocorren̂cia do fato gerador do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL Contribuica̧õ Social sobre o Lucro Líquido, com OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇAÕ DE Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.044 8 PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA, com infração ao artigo 418 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto no 3.000, de 26/03/1999. O "planejamento tributário" utilizado não se refere a negócios empresariais, a única finalidade foi de, através de diversos atos constitutivos, praticar simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorren̂cia do fato gerador do imposto, que pode ser sintetizada nas seguintes premissas: Primeira, ter a posse de bens ativos de grande potencial de valorização; Segunda, a venda de ativos por valor superior ao custo gera ganho de capital, tributável; Terceira, os ganhos de capital dos fundos de investimentos estabelecidos no exterior e regularmente legalizados na CVM Comissão de Valores Mobiliários, estão isentos de impostos por operações na bolsa de valores; Quarta, a subscriçaõ de ações com ágio não é fato gerador do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. Conclusão: 1) Basta criar um fundo investidor no exterior e alienar os bens ativos através deste fundo e ficar livre da tributacã̧o; 2) Basta dar roupagem de subscrição de ações com ágio a uma operação de compra e venda de ativos, para que esta não seja alcançada pela incidência do imposto. Se assim fosse, não haveria tributação dos ganhos de capital nas alienações de participações societárias. Os criadores desse "planejamento" tiveram tanta certeza da impunidade que não observaram para o fato de que a estratégia utilizada é uma fórmula forjada, fraudulenta, simulada, que não tem poderes para elidir a tributaçaõ. Não existe proporcionalidade nos ganhos financeiros de um fundo de investimento que não tem a finalidade de aplicar em capital produtivo. Não existe precedente no mercado financeiro para uma aplicação num período menor que dois anos ter um ganho de capital tão grande. Tal rentabilidade não existe, o que ocorreu foi uma simulação de diversos atos de constituição de empresas com a finalidade de fraudar o fisco. (...) O que se constatou foi que o grupo econômico, recorrendo às operações de reorganização societária, elaborou formas jurídicas aparentemente válidas que dissimularam o fato gerador do crédito tributário. A conclusão é pela ocorrência de abuso de formas jurídicas em atos que visaram impedir o crédito tributário. No ordenamento infraconstitucional, destacase a previsão do parágrafo único do artigo 116, do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172/66, segundo o qual a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, bem como, no artigo 149, VII, do mesmo CTN, o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. (...) Recálculo da estimativa mensal 30. A fiscalização, no que toca à segunda infração lançada, informa que, para efeito de recálculo da estimativa mensal, foi considerado que, ao praticar a simulação com o intuito de evitar o fato gerador do imposto, o contribuinte Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.045 9 assumiu o risco sobre todas as conseqüências tributárias, inclusive as penalidades. 31. Em decorrência da recomposição dos resultados mensais, diante das infrações apuradas e dos valores recompostos dos resultados mensais dos balancetes de suspensão e redução mês a mês a partir dos seus valores detalhados na parte A do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, com base no previsto pelos artigos 15 e 16 da INSRF 93/97, foi recalculado as estimativas mensais do IRPJ Imposto de renda Pessoa Jurídica e CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Considerando o disposto no artigo 44 da Lei 9.430/1996, modificada pela Lei 11.488/2007, foi aplicada a multa de 50% sobre o imposto devido mês a mês, a título de multa isolada: (...)” O acórdão recorrido decidiu negar provimento ao recurso de ofício, negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo responsável tributário EIKE FUHRKEM BATISTA (doravante “Sr. Eike” ou “responsável tributário”), bem como dar provimento aos recursos voluntários interpostos pelos responsáveis tributários Paulo Carvalho de Gouveia, Marcelo Adler Cheniaux e Flávio Godinho. Quanto ao recurso voluntário interposto pela empresa, o acórdão recorrido decidiu afastar a preliminar de erro na identificação do sujeito e, no mérito, negarlhe provimento, compreendendo cabível a aplicação do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (“CTN”) para reputar ilegítima a estrutura adotada, com a aplicação de multa de ofício qualificada (150%) e de multa isolada por falta de pagamentos de estimativas mensais, bem como de juros de mora sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇAÕ DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Sujeito passivo da obrigação tributária principal é qualificado como contribuinte quando tenha relaçaõ pessoal e direta com a situaca̧õ que constitua o respectivo fato gerador. E responsável tributário quando, mesmo sem revestir a condica̧õ de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Embora lhes emprestem a vontade, os dirigentes das pessoas jurídicas não assumem a posição de contribuinte quanto aos atos por estas praticados. Assumem, todavia, a posição de responsáveis tributários pelas obrigações fiscais das pessoas jurídicas quanto aos atos praticados com excesso de poderes ou infracã̧o de lei, contrato social ou estatutos. NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA. O art. 116, parágrafo único, do CTN requer, com vistas a sua plena eficácia, que lei ordinária estabeleça os procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes da federação ao desconsiderarem atos ou negócios jurídicos abusivamente praticados pelos sujeitos passivos. No que concerne à União, há na doutrina nacional aqueles que afirmam ser ineficaz a referida norma geral antielisiva, sob o argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida norma, sob o argumento de que o Decreto no 70.235/72, que foi recepcionado pela Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal. Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que afirma a eficácia imediata da norma geral antielisiva, pois esta interpretação é a que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.046 10 em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ATO JURÍDICO. ABUSIVIDADE. Revelase abusiva e, portanto, deve ser desconsiderada para fins tributários, a transferência de participaçaõ societária feita: (i) a outra pessoa jurídica do mesmo grupo econômico, residente em jurisdição que não tributa a renda na operações com o exterior; (ii) por um valor muitíssimo inferior ao que essa mesma participação foi posteriormente foi alienada a terceiros, e (iii) sem propósito negocial crível, exceto o de evitar a ocorren̂cia dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL incidentes sobre o ganho de capital auferido na alienação daquela participaca̧õ societária a terceiros. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória no 351/2007, convertida na Lei no 11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuicã̧o devidos ao final do respectivo ano calendário. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a inciden̂cia dos juros de mora. Precedentes da CSRF e de ambas as Turmas do STJ. Em face da referida decisão, foram opostos embargos de declaração pelo responsável tributário (efls. 2464 e seg.), os quais não foram admitidos por despacho (efls. 2783 e seg.). Também foram opostos embargos de declaração pela empresa (efls. 2482 e seg.), os quais foram igualmente rejeitados por despacho (efls. 2507 e seg.). Nesse seguir, foram interpostos recursos especiais pela empresa (efls. 2531 e seg.) e pelo responsável tributário (efls. 2716 e seg.; 2805 e seg.). O recurso especial da empresa tratou das seguintes matérias: (1) eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN; (2) erro na identificação do sujeito passivo; (3) concomitan̂cia da exigência da multa de ofício e da multa isolada; (4) incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Por sua vez, o recurso especial do Sr. Eike tratou da aplicação do art. 135 do CTN para fins de responsabilidade tributária, requerendo a sua exclusão do polo passivo da exigência fiscal. Inicialmente, o recurso especial da empresa foi admtido apenas parcialmente por despacho (efls. 2865 e seg.), o que foi confirmado em sede de reexame de admissibilidade (efls. 2837 e seg.), de forma a não ser admitido o apelo quanto à exigen̂cia concomitante da multa de ofício e da multa isolada por estimativas. Por sua vez, por meio dos mesmos despachos, não foi admitido o recurso especial do Sr. Eike quanto ao tema da responsabilidade tributária. A empresa (efls. 2920 e seg.) e o responsável tributário (efls. 3003 e seg.), opuseram agravos em face das aludidas decisões. Ao analisar as referidas petições, o então i. Conselheiro Presidente da CSRF decidiu (efls. 3014 e seg.), in verbis: Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.047 11 “NEGO CONHECIMENTO às peticõ̧es dos sujeitos passivos de fls. 2920/2925 e 3003/3011 como agravo e: 1) DEFIRO o pedido de retificação do despacho de reexame apresentado por MMX MINERAÇÃO E METÁLICOS S/A em razão de lapso manifesto na análise da divergência referente à exigen̂cia concomitante da multa isolada e da multa de ofício, do que resulta o seguimento integral do recurso especial interposto; e 2) INDEFIRO o pedido de retificacã̧o do despacho de reexame apresentado por EIKE FUHRKEM BATISTA por não restar demonstrado lapso manifesto ou inexatidão material a ser saneado.” A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 2880 e seg.), complementandoas após a segunda análise de admissibilidade narrada (efls. 3020 e seg.). Em suas contrarrazões, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial da empresa, a PFN requer seja mantida a decisão recorrida em sua integralidade. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Conhecimento O recurso especial interposto pelo responsável tributário não foi admitido pelos despachos enunciados nos autos do presente processo administrativo. Por sua vez, foram admitidas pelos despachos as seguintes matérias presentes no recurso especial da empresa: (1) erro na identificacã̧o do sujeito passivo; (2) eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN; (3) concomitância da exigência da multa de ofício e da multa isolada; (4) incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. A PFN não apresentou, em contrarrazões, oposição ao conhecimento do recurso especial da empresa. Contudo, na sessão de julgamento iniciada em fevereiro de 2018, em sede de sustentação oral, a PFN alegou ausência de divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos apresentados como paradigmas quanto às matérias (1) erro na identificação do sujeito passivo e (2) eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, requerendo, portanto, não seja conhecido o recurso especial a esse respeito. Compreendo que os despachos bem analisaram o cumprimento dos requisitos necessários para o conhecimento do recurso especial da empresa, razão pela qual não merecem reparos, inclusive quanto aos temas (1) erro na identificação do sujeito passivo e (2) eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN. Quanto ao tema (1), atinente ao erro na identificação do sujeito passivo, a recorrente indicou como paradigmas de divergência os acórdãos n. 10195018 e n. 10809507, ambos do Primeiro Conselho de Contribuintes. O acórdão n. 10195018 restou assim ementado: IRPJ – ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA – O erro de identificação do sujeito passivo Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.048 12 representa vício insanável, quanto à existência do Ato Administrativo de Lançamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES – CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. A questão analisada no acórdão n. 10195018 dizia respeito à eleição do sujeito passivo: considerada simulada/dissimulada a pessoa jurídica constituída em meio a uma operação, pode essa pessoa jurídica ser o contribuinte dos tributos ou é necessário descortinála para que o real beneficiário e idealizador das operações figure como contribuinte? Destacase o seguinte trecho do voto condutor do aludido paradigma, in verbis: Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.049 13 Como se pode verificar, identificando vícios de simulação/dissimulação nas operações praticadas, o acórdão n. 10195018 compreendeu que houve erro na identificação do sujeito passivo ao elegerse, como contribuinte, justamente a empresa orquestrada para a consumação da aludida simulação/dissimulação, quando, na verdade, os reais beneficiários deveriam ocupar tal posto da obrigação tributária. Por sua vez, ao enfrentar essa mesma questão, o acórdão recorrido alcançou conclusão distinta, compreendendo que a pessoa física que orquestrou as operações consideradas simuladas/dissimuladas não seria o contribuinte da obrigação tributária, devendo figurar nessa condição uma das pessoas jurídicas constituídas em meio às operações em questão. Vale destacar o seguinte trecho do acórdão recorrido, in verbis: “As alusões feitas pela fiscalização ao Sr. Eike Batista tem̂ uma razão de ser, qual seja, o fato de ser ele o controlador, direto ou indireto, de todas as pessoas jurídicas que fazem parte da estrutura empresarial em comento. Isso posto, como as pessoas jurídicas não têm vontade própria, mas sim tomam de empréstimo a vontade das pessoas físicas que direta ou indiretamente as controlam, não é surpresa que, no caso, a autoridade fiscal tantas vezes tenha mencionado o nome do Sr. Eike Batista. De fato, não há dúvida de que foi ele o arquiteto dos atos e negócios jurídicos que por fim evitaram a tributacã̧o do Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.050 14 IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital verificado na alienação de parte das quotas do capital das mineradoras. Entretanto, ser o mentor dos atos e negócios jurídicos de um planejamento tributário abusivo (elisão fiscal abusiva) não faz dele contribuinte dos tributos devidos. Da mesma forma que, em caso de pessoa jurídica acusada de cometer sonegação fiscal (evasão fiscal), a pessoa física controladora, mentora do ilícito, também não deverá ser alçada à posição de contribuinte. De fato, nos incontáveis casos de sonegação fiscal apreciados tanto pelo extinto Conselho de Contribuinte quanto pelo CARF, nunca se pôs em dúvida que o contribuinte é a própria pessoa jurídica, e não a pessoa física do sócio, do acionista controlador ou do gerente. O sócio, o gerente ou o acionista controlador, mentor dos atos e negócios jurídicos que levaram à sonegaca̧õ fiscal, não é levado à posica̧õ de contribuinte. Responderá pelo crédito na condição de responsável tributário pelos tributos sonegados, mas não na condição de contribuinte. Isso posto, tal como se dá nos casos de sonegação fiscal (evasão fiscal), também nas hipóteses de planejamento tributário abusivo (elisão fiscal abusiva) não há razão para atribuirse ao sócio, ao gerente ou ao acionista controlador a condição de contribuinte do crédito tributário, mas apenas a condicã̧o de responsável tributário, tal como feito nos autos do presente processo. No presente processo, acaso entendamos por correta a desconsideração levada a efeito pela fiscalização (matéria que será abordada nos itens 2.2 e 2.3 deste voto), restará a ora recorrente MMX Mineracã̧o e Metálicos S/A, e não o Sr. Eike Batista, como contribuinte (art. 121, parágrafo único, inciso I, do CTN) do IRPJ e da CSLL lanca̧dos, daí porque não há que se falar em erro na identificaca̧õ do sujeito passivo.” O despacho de admissibilidade, portanto, adequadamente identificou a semelhança entre o acórdão recorrido e o acórdão n. 10195018 indicado como paradigma, bem como a divergência entre as soluções adotadas. O acórdão n. 10809507 foi o segundo paradigma de divergência indicado pelo recorrente quanto à matéria em análise, o qual restou assim ementado: IRPJ e CSLL Exercício: 1999 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM GANHO DE CAPITAL – Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. SUJEIÇÃO PASSIVA. ERRO. INEXISTÊNCIA – Se verificada a gravidade, precisão e concordância nas conclusões da autoridade fiscal sobre a existência de atos dissimulados, todos devem ser desconsiderados para efeito de constituição do fato jurídico, elegendose por sujeito passivo o real contribuinte/responsável. DECADÊNCIA. PENALIDADE QUALIFICADA Configurado o evidente intuito de fraude com o emprego de simulação, mediante procedimentos de efêmera reorganização societária, que alfim resultou tão somente em alienação de participação societária sem a apuração e pagamento dos tributos devidos sobre o ganho de capital, mantémse a multa qualificada de 150%, com repercussão na contagem do prazo decadencial que Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.051 15 se desborda da regra do art. 150, §4º, para regra do art. 173, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Destacase o seguinte trecho desse segundo acórdão indicado como paradigma: “Destas premissas, concluo que não houve erro de sujeição passiva, porquanto a necessária concordância e precisão na construção do fato jurídico demonstram que a empresa 5246 Participações de fato recebeu como sócios os alienantes pessoas jurídicas, a 5256 Participações e a Thyssen Industries, com o fim exclusivo de aquisição da participação societária pela última e venda pelas primeiras. Portanto, reputo correto o lançamento quando indicou como sujeito passivo a alienante BW participações, uma vez que esta auferiu o beneficio do não pagamento do imposto pelo ganho de capital na venda da sua participação na Elevadores S'úr e Astel. Ora, se devem ser desconsiderados os atos dissimulatórios, estes devem ser em sua integralidade.” Também no acórdão n. 10809507 compreendeuse que, ao desconsiderarse os atos simulados/dissimulados, o contribuinte da obrigação tributária deve ser aquele “auferiu o beneficio do não pagamento do imposto pelo ganho de capital”. Notese que o fato desse acórdão ter sido julgado de forma desfavorável ao contribuinte não é fator relevante para tornálo convergente (e não divergente) com o acórdão recorrido. Ocorre que, nesse acórdão n. 10809507, considerouse que o beneficiário do ganho de capital foi corretamente eleito como contribuinte da obrigação tributária, enquanto que, no presente caso, o recorrente sustenta justamente que não apresentaria esse característica, requerendo seja reconhecido que seria o Sr. Eike, e não a empresa MMX, quem realmente “auferiu o beneficio do não pagamento do imposto pelo ganho de capital”. Mais uma vez, então, o despacho de admissibilidade adequadamente identificou a semelhança da matéria tratada entre o acórdão recorrido e o acórdão n. 10809507 indicado como paradigma, bem como a divergência entre as soluções adotadas. Por sua vez, quanto ao tema (2), referente à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, o recorrente apresentou como paradigmas da divergência os acórdãos n. 202 16.959, do então Segundo Conselho de Contribuintes, bem como o acórdão n. 3401001.969, da então 1a Turma Ordinária, 4a Câmara, Terceira Seção. No acórdão n. 20216.959, a questão analisada pelo então Segundo Conselho de Contribuintes dizia respeito precisamente à eficácia jurídica do art. 116 do CTN, tendo em vista que o seu dispositivo expressamente requer sejam “observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. O referido acórdão, ao analisar a referida norma geral contida no CTN, decidiu que a sua eficácia seria contida e dependeria da edição de lei ordinária específica, o que não teria ocorrido até a época dos fatos. O acórdão n. 20216.959 restou assim ementado: IPI. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. O dispositivo previsto no parágrafo único do art. 116 do CTN, com a redação dada pela LC n. 104/2001, revestese de eficácia limitada, ou seja, dependia, à época da ocorrência dos fatos geradores alcançados pelo lançamento de oficio, da existência de norma integradora que lhe garantisse eficaćia plena. Inexistente Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.052 16 esta à época dos fatos, o lançamento padece da falta de suporte legal para sua validade e eficácia. Por sua vez, o acórdão recorrido analisou a mesma questão (eficácia jurídica do art. 116 do CTN), alcançando, contudo, entendimento divergente, no sentido de que a referida lei ordinária específica seria desnecessária. Notese que, embora o tributo objeto do AIIM discutido no acórdão n. 202 16.959 fosse o IPI, a questão decidida disse respeito exclusivamente à norma geral do art. 116 do CTN, não apresentando qualquer relevância para as razões de decidir a espécie tributária em análise. Da mesma forma, o tributo objeto do AIIM que originou o presente processo administrativo não foi determinante para a decisão adotada no acórdão recorrido. Pelo contrário, o voto do i. Conselheiro Relator restou embasado em questões de teoria geral. É possível fazer um paralelo à infinidade de casos pertinentes à aplicação do art. 150 ou 173, ambos do CTN, para a contagem do prazo decadencial: por se tratar de matéria atinente à incidência ou não de norma geral contida no CTN, este Colegiado da CSRF, acertadamente, não requer que o acórdão paradigma e o recorrido digam necessariamente respeito ao mesmo tributo. O mesmo se dá com o segundo paradigma apresentado pelo recorrente sobre a matéria, qual seja, o acórdão n. 3401001.969. Colhese o seguinte trecho do voto condutor do aludido acórdão paradigma, in verbis: “O procedimento realizado pela fiscalização sob o pretexto de que tratarseia de uma dissimulação não encontra suporte legal na legislação. É que o parágrafo único do artigo 116, do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar no 104, de 10/01/2001, que poderia dar sustentação a tal procedimento, ainda está na dependência da edição de lei ordinária, senão vejamos: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: [...]. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária." (grifei) Essa condição, de que a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador seja acompanhada da observância dos procedimentos estabelecidos em lei ordinária, não foi, e nem poderia, cumprida no presente lançamento, de sorte que o mesmo não pode ser aqui referendado. (...) Ou seja, se não é vedado que se criem empresas e que estas sejam enquadradas no regime simplificado de tributação, e se essas empresas são efetivamente constituídas e operam segundo os preceitos legais exigidos [contratos sociais, inscrição no CNPJ, emissão de notas fiscais de venda, recebimentos, pagamentos de tributos etc.], somente mediante a observância dos tais “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, a que alude o citado parágrafo único do art. 116 do CTN, é que poderia haver a desconsideração de tais atos ou negócios jurídicos”.” Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.053 17 Naquele caso, discutiase a cobrança de PIS e COFINS em face da desconsideração, pela autoridade fiscal, de duas pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, sob o entendimento de que estariam dissimulando o que na verdade seria uma única empresa. Novamente a questão julgada por aquele Colegiado não se ateve a peculiaridades da legislação da contribuição ao PIS, da COFINS ou do SIMPLES, mas sim à eficácia jurídica do art. 116 do CTN, tendo em vista que o seu dispositivo expressamente requer sejam “observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. O referido acórdão, analisando, portanto, a referida norma geral contida no CTN, decidiu que o procedimento de desconsideração, com fulcro no art. 116 do CTN, não poderia ter sido desencadeado na pendência de lei ordinária específica. Há evidente divergência em relação ao acórdão recorrido. Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria, por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração, tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada. Entretanto, por maioria de votos, compreendeuse que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não substitiria caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Nesse seguir, ratificando os termos dos despachos anteriormente proferidos nestes autos (efls. 2865 e seg.; efls. 3014 e seg.), compreendo preenchidos os requisitos para a interposição do recurso especial quanto às matérias: (1) erro na identificação do sujeito passivo; (2) eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN; (3) concomitância da exigência da multa de ofício e da multa isolada; (4) incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Mérito 1. Erro na identificação do sujeito passivo. Por restar vencido quanto ao conhecimento da matéria pertinente ao erro na identificação do sujeito passivo, deixo de apresentar o conteúdo do respectivo voto. 2. Eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN. O acórdão recorrido adotou como premissa que, em face de um suposto dever fundamental de pagar de tributos, o parágrafo único do artigo 116 do CTN veicularia norma de reação ao abuso no planejamento tributário, abstraindo dai as seguintes consequências: (i) a eficácia da referida norma seria imediata. Na pendência de lei ordinária regulando procedimento especial para a sua aplicação, deveria ser aplicado o procedimento geral previsto pelo Decreto n. 70.235/72; (ii) a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN não demandaria demonstração da prática de atos simulados referidos pelo art. 149 do CTN, nos termos do art. 167 do Código Civil. Os institutos tutelados pelo legislador complementar seriam o “abuso de direito” e a “fraude à lei”. Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.054 18 (iii) se uma determinada reestruturação societária não apresentar propósitos extratributários convincentes, estas devem ser consideradas inoponíveis ao fisco. Transcrevo o seguinte trecho do acórdão recorrido, in verbis (efls. 3432 e seg.): “A Carta de 1988, como é cedico̧, instituiu uma enorme quantidade de direitos e garantias fundamentais, bem como atribuiu ao Estado o dever de concretizálos. E uma vez que a concretizaçaõ de direitos exige o dispêndio de vultosos recursos públicos, recursos esses obtidos pelo Estado principalmente via tributação, surge por determinação constitucional, ao lado dos direitos e garantias fundamentais, o dever fundamental de pagar tributos. Pois bem, os planejamentos tributários abusivos são práticas adotadas por grandes empresas, via de regra engendrados por caras “empresas de consultoria”, e tem̂ como finalidade possibilitar ao contribuinte fugir ao seu dever fundamental de pagar tributos. O micro, o pequeno e o médio contribuintes via de regra não praticam elisão fiscal abusiva pois os custos do planejamento dificilmente compensariam a economia de tributos. Nesse sentido, interpretarse o art. 116, parágrafo único, do CTN, introduzido pela Lei Complementar no 104/2001, da forma defendida pela ora recorrente, significaria uma autorização para que os grandes contribuintes deixassem de cumprir, ao menos até a promulgação da lei ordinária (e já se vão quase 14 anos de omissão legislativa no âmbito federal), o seu dever fundamental de pagar tributos, mediante a adoção de planejamentos tributários abusivos. Seria assim uma inovação legislativa com vista a impedir que o fisco coibisse o ilícito, já que, como ressalta Torres, o combate à fraude à lei e ao abuso de forma jurídica já existia mesmo antes do advento da norma em questão. Além de não se coadunar com o dever fundamental da pagar tributos, tal interpretação também constitui uma afronta ao princípio da capacidade contributiva, insculpido no art. 145, § 1o, da Constituição, já que os grandes contribuintes, justamente aqueles que possuem maior capacidade econômica, estariam sendo gravados com uma tributaçaõ inferior à sua capacidade, e em detrimento da tributaca̧õ incidente sobre os demais contribuintes, uma vez que o montante de recursos orçamentários necessários à concretização dos direitos e garantias fundamentais permanece inalterado. É de se em conta, ainda, que a nova ordem constitucional conferiu grande importância a valores morais, tais como a boafé e a funcã̧o social do contrato, repudiando por conseguinte a adoção de praticas abusivas perpetradas seja pelo Estado seja pelos particulares. Em assim sendo, também aqui a interpretaca̧õ defendida pela recorrente não se harmoniza com a Constituição na medida em que, segundo ela, enquanto não for promulgada a lei ordinária prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN, o Fisco estaria impedido de coibir práticas abusivas perpetradas pelos grandes contribuintes. Por tudo o que foi dito, das duas interpretações possíveis para o art. 116, parágrafo único, do CTN, aquela que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas (valores da boafé e da função social do contrato), é sem dúvida aquela defendida pelo professor Ricardo Lobo Torres. Ressaltese que não estamos aqui a afirmar que a interpretacã̧o proposta pela contribuinte seja inconstitucional, até porque este Conselho não é competente apreciar essa questão. O que estamos dizendo é que, das duas interpretações possíveis, seguramente a que melhor se harmoniza com a Constituica̧õ é a que Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.055 19 afirma a eficácia imediata, para a União, da norma geral antielisiva, daí porque, de acordo com as regras de hermenêutica jurídica, deve prevalecer sobre a interpretação defendida pela contribuinte.” Permissa vênia, não se pode concordar com as premissas e as conclusões alcançadas pelo acórdão recorrido. O art. 146 da Constituição Federal, além de atribuir ao legislador complementar competência legislativa em matéria tributária, também especificou matérias que lhe seriam privativas, fundamentais ao funcionamento harmônico do modelo federativo brasileiro. Assim, cabe à lei complementar dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária, regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes, entre outras coisas. Surge, então, o primeiro ponto de intersecção, com dignidade constitucional, entre “planejamento tributário” e “normas de competência”. Esse encontro, sob a influência que o civil law notadamente exerceu sobre a Assembleia Constituinte, poderia realizarse ao menos de duas formas, mas necessariamente por decisão do legislador competente: em âmbito constitucional ou infraconstitucional. Diante do modo analítico e detalhado com que tutelou o Direito tributário, não seria de se estranhar que a Constituinte houvesse se preocupado em regular diretamente o planejamento tributário. No entanto, não foi esse o caminho trilhado. A Constituição protege um núcleo de liberdades econômicas do particular, mantendoo livre de intervenções do Estado e dentro do qual está inserido o planejamento tributário1. Conforme leciona TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JÚNIOR2, essas liberdades atribuem ao ser humano um espaço que não pode ser absorvido pela sociabilidade, tendose como reconhecida a capacidade de “reger o próprio destino, expressar a sua singularidade como indivíduo, igual entre iguais: o homem como distinto e singular entre iguais”. Merecem destaque a livre iniciativa, a autonomia privada e liberdades como de empresa, de investimento, de organização e de contratação3. Na mesma linha, LUÍS EDUARDO SCHOUERI4 conclui que Estado Democrático e Social de Direito, estabeleceria um espaço de liberdade, no qual a sociedade poderia se organizar para o atingimento de seus próprios objetivos, que não se confundiriam com os objetivos da coletividade. Contudo, ao mesmo tempo em que a Constituição garante aos particulares esse âmbito de liberdade, outorga ao legislador infraconstitucional a competência para regular e interferir em seu exercício, seja para estabelecer a cobrança de tributos, seja para limitar planejamentos tributários. É relevante notar que presença de decisão clara do legislador (agente competente) para a referida intervenção no patrimônio particular é cláusula irrenunciável de estirpe constitucional, sem o que se adentra no tenebroso campo do arbítrio e das ilegitimidades. 1 Nesse sentido, vide: ÁVILA, Humberto. Eficácia do Novo Código Civil na Legislação Tributária. In Grumpenmacher, Betina Treiger (coord.) Direito Tributário e o novo Código Civil São Paulo: Quartier Latin, 2004, p. 7577. 2 FERRAZ JÚNIOR, Tercio Sampaio. Direito Constitucional: liberdade de fumar, privacidade, estado, direitos fundamentais e outros temas. – Barueri, SP : Manole, 2007, p. 196. 3 Cf. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso à livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 128129. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. p. 35. Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.056 20 A exigência de lei para a desconsideração de planejamentos tributários não encontra fundamento “apenas” no princípio da legalidade em matéria tributária (art. 5o e art. 150, I, da Constituição), mas também nas normas de Direito Econômico presentes no texto constitucional (arts. 170 e seg. da Constituição). O Estado, por meio da tributação, deve participar dos bemsucedidos resultados econômicos dos particulares a ele conectados, a fim de obter receitas derivadas suficientes a fazer frente às necessidades públicas. Conforme o princípio da legalidade, o legislador deve eleger, dentro de seu respectivo âmbito de competência tributária, fatos geradores que captem capacidades contributivas conforme uma dosagem adequada à divisão do custo estatal. Essa competência tributária também confere ao legislador ordinário a aptidão para a enunciação de normas de reação a planejamentos tributários específicos (chamadas comumente de “SAAR”, como referência a “special anti avoidance rules”). Por sua vez, ao prescrever que compete à lei complementar estabelecer normas gerais sobre a ocorrência do fato gerador, apuração da obrigação tributária, entre outros elementos, conferiuse ao legislador a aptidão privativa para enunciar norma geral de reação ao planejamento tributário (“GAAR”, como referência a “general anti avoidance rules”). Notese que compete ao legislador complementar regular o planejamento tributário por meio de norma geral, mas não lhe é permitido tornar absolutamente ilícita a sua prática. Se há limites ao exercício da liberdade, o Estado de Direito também pressupõe limites ao legislador para a sua restrição, pois, conforme salutar preocupação de TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JÚNIOR, “a liberdade pode ser disciplinada, mas não pode ser eliminada” 5. Não poderia o Estado utilizar mecanismos de coerção para compelir o contribuinte à prática de determinados atos e, assim, à ocorrência de hipóteses de incidência de tributos (ou seja, de intervenção no patrimônio particular). Assim ocorrendo, como adverte LUÍS EDUARDO SCHOUERI6, estarseia atentando de modo inadmissível contra a proibição ao confisco e o Direito à propriedade. A matéria sob análise é de máxima importância e merece análise detida da referida divisão de competências entre o legislador complementar e o legislador ordinário. Dedico os dois próximos subtópicos a essa análise, o que evidenciará a imprescindibilidade de lei ordinária específica para que o parágrafo único do art. 116 adquira qualquer eficácia. 2.1. A competência do legislador complementar para a tutela do planejamento tributário Muitos ordenamentos jurídicos estrangeiros possuem normas gerais que se prestam a alcançar algumas ou todas as espécies tributárias, com a prescrição de critérios, objetivos ou não, para a identificação do “abuso” e a reação aos planejamentos tributários não tolerados. No Brasil, como se viu, a Constituição não prescreveu ela própria uma GAAR, mas conferiu ao legislador complementar a competência para fazêlo. Bem compreendida a função da lei complementar no ordenamento jurídico brasileiro, visualizase com clareza o acerto da Constituinte ao conferirlhe tal atribuição. Não parece haver dúvidas que a lei complementar é um “instrumento de articulação das normas do 5 FERRAZ JÚNIOR, Tercio Sampaio. Direito Constitucional: liberdade de fumar, privacidade, estado, direitos fundamentais e outros temas. – Barueri, SP : Manole, 2007, p. 195. 6 SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 46. Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.057 21 sistema”7. Até pouco tempo, havia intenso debate doutrinário8 quanto à razão dessa “articulação”, se por força do critério da hierarquia ou da função (competência). JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES9 foi um dos primeiros a suscitar o critério da função (ou competência) como aquele que melhor solucionaria a questão. Sob essa perspectiva, enquanto o legislador complementar seria competente para tratar de determinadas matérias, o legislador ordinário seria incompetente para tutelálas: ao legislar sobre temas cuja competência seria do legislador complementar, a lei ordinária não padeceria por contrariar a lei complementar (hierarquia), mas sim por ter sido enunciada por agente incompetente (função ou competência). Nas palavras daquele professor, “a lei complementar é resultante de um procedimento legislativo vinculado a critério constitucionais de direito formal (e.g. o quórum de votação) e de ordem material ou de direito substantivo (a matéria correspondente a uma fatia do campo global distribuído rigidamente segundo esquemas constitucionais de competência legislativa).” Modernamente, HUMBERTO ÁVILA10 observa que, como a Constituição atribuiria às leis complementares diferentes funções, não poderia ser unitariamente descritas e nem teria hierarquia unitária: seria necessário investigar a função de cada instrumento legal. Ao analisarse o arcabouço constitucional pertinente ao tema do planejamento tributário, o critério da função (ou competência) explica bem o papel exercido pela lei complementar. Em conformidade com o art. 146 da Constituição, compete ao legislador complementar decidir se haverá uma norma geral de reação a planejamentos tributários e, nesse caso, quais os critérios para a identificação das hipóteses as quais o fisco deverá reagir (hidrômetro da intolerância). Compete ao legislador complementar legitimamente eleito manifestar a decisão sobre quais circunstâncias e em qual intensidade deverá o Estado intervir no exercício de liberdades econômicas. Essa é a função do legislador complementar e não do legislador ordinário, que é incompetente para tanto. Não obstante, o critério da hierarquia também poderia explicar a questão, alcançando conclusão similar, caso se reconheça a eloquência do silêncio do legislador complementar que conscientemente deixar de enunciar qualquer GAAR. Por essa perspectiva, haveria antinomia entre lei ordinária que extrapolasse GAAR veiculada (ou a ausência desta) por lei complementar, com a invalidade da primeira. Do mesmo modo, ao adotarse o critério da função, não haveria necessariamente antinomia, mas incompetência do legislador ordinário para cogitar de GAAR diversa daquela enunciada pelo agente competente eleito pela Constituinte, qual seja, a lei complementar. Portanto, aplicandose essas variáveis teóricas à matéria sob exame, verifica se que o legislador complementar, vocacionado a enunciar uma GAAR, assume o papel nuclear de legitimar a reação dos entes federados às modalidades de atos praticados pelo contribuinte que ocasionem a redução do ônus tributário: todas as unidades legiferantes (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) apenas podem editar normas para a reação a planejamentos tributários que sejam comportadas pela lei complementar, qual seja, o CTN. 7 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 589. 8 Vide: CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 58 e seg.; CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 22122, 402 e seg. 9 BORGES, José Souto Maior. Lei Complementar Tributária. São Paulo : Revista dos Tribunais, 1975, p. 73 e seg. 10 ÁVILA, Humberto. Sistema Constitucional Tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 188. Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.058 22 Embora tenha sido concebida formalmente como lei ordinária há 50 anos, o CTN foi recepcionado pela nova ordem constitucional de 1988, em razão de seu conteúdo, como se lei complementar fosse. Ocorre que o CTN contém normas para a tutela de boa parte das questões referidas no art. 146 da Constituição, inclusive quanto ao hidrômetro de intolerância à redução ou diferimento do ônus tributário. Dentro desse âmbito de competência, de forma concreta, o legislador complementar enunciou apenas normas de reação à “fraude”, à “simulação”, ao “dolo” na evasão de tributos (CTN, art. 149, VII), com a tutela específica de casos de “dissimulação” (CTN, art. 116, parágrafo único). Tais elementos, de forma rigorosa, sequer seriam qualificados como hipóteses de uma GAAR, pois se voltam contra a evasão fiscal e não à concepção de “abuso” geralmente presente em normas gerais de intolerância ao planejamento tributário. Embora muito se discuta o assunto, o legislador competente (CTN) sempre limitou os poderes da administração fiscal para desconsiderar atos praticados pelo contribuinte, restringindoos para tornar inoponíveis apenas atos “simulados”, “fraudulentos”, cometidos com o “dolo” da evasão de tributos. Não há a outorga, pelo legislador competente (CTN) para que a administração fiscal considere inoponível atos que não estejam sob o escopo dos referidos institutos. Conforme se colhe do art. 72, da Lei 4.502/64, fraude é “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. A exigência do dolo, nesse enunciado prescritivo, tem o condão de agregar ao conceito de fraude a intenção de ofender o Direito, de cometer ato sabidamente ilícito, e não qualquer hipótese na qual o contribuinte realiza atos para reduzir a ocorrência do fato gerador. O dolo, no Direito Civil, remete ao “emprego de um artifício ou expediente astucioso para induzir alguém à prática de um ato que o prejudica e aproveita ao autor do dolo ou a terceiro”11. Dolo seria a própria intenção de causar dano a outrem, de contrariar o direito.12 Cabe apenas frisar que, no Direito Tributário, o dolo apresenta peculiaridades relevante em relação ao seu correspondente no Direito Privado, em que o vício é causado por uma das partes do negócio jurídico em relação à outra. No âmbito tributário, não seria elemento típico do dolo a intenção de uma das partes prejudicar outras do negócio jurídico, mas sim de evadir tributos devidos ao fisco, que sequer é parte daquela relação. 11 DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico. São Paulo : Saraiva, 1998, p. 232. 12 PAULO AYRES BARRETO diferencia o dolo da simulação, na medida em que, naquele “apenas um dos interessados tem ciência do ato doloso, enquanto na simulação, ambas as partes têm participação na ação concertada”. A diferença de dolo e fraude residiria no fato de que esta “se consuma sem a intervenção pessoal do prejudicado. Além disso, enquanto o dolo geralmente antecede ou é concomitante à prática do negócio jurídico, a fraude é perpetrada posteriormente à sua celebração” (BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso à livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 157186) Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.059 23 Quanto à simulação, o legislador tributário não edificou um instituto distinto para a “simulação fiscal”, mas laborou com remissão normativa, acolhendo o conceito normativo de “simulação” prescrito pelo Direito privado.13 Notese que o art. 109 do CTN prescreve que “os princípios gerais de direito privado utilizamse para a pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários”. Daí decorre que, se determinado instituto do Direito privado compõe algum enunciado prescritivo de matéria tributária, ao menos duas hipóteses seriam possíveis: (i) pode o legislador tributário atribuir definição, conteúdo e alcance diversos do que se verifica no Direito privado (apenas o nome de batismo seria igual nas diferentes searas jurídicas), ou; (ii) caso o legislador tributário silencie quanto à questão, deve o instituto deve ser compreendido conforme o seu perfil no Direito privado.14 Conjugandose os artigos 109 e 110 do CTN, surge a questão: a lei tributária poderia utilizar o termo “simulação” para se referir a questão diversa da tutelada pelo Direito Civil, alterando a definição, o conteúdo e o alcance daquele instituto tradicional na seara privada? Em tese, sim, pois a expressão não foi utilizada, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. No entanto, o legislador tributário não alterou o sentido desse instituto, utilizandoo tal qual no Direito privado. No âmbito privado, o perfil jurídico da simulação foi revisto em decorrência da enunciação do novo Código Civil, de 2002. No Código Civil de 1916, a simulação correspondia a um defeito do negócio jurídico, decorrente de vício na vontade do agente, que poderia agir tanto de forma maliciosa, quando o negócio seria anulável (art. 102), como inocente (art. 103), em que o negócio subsistiria. A simulação trazida pelo novo Código Civil difere ao menos em dois pontos de sua conformação anterior (art. 167). O negócio jurídico simulado será nulo (e não mais anulável), não surtindo efeitos desde a sua realização, bem como não se perpetuará no tempo, conforme o art. 169 do novo Código. Também não há mais menção à possibilidade de simulação inocente, pois a simulação deixa de se referir a um elemento subjetivo, configurando critério objetivo de validade do próprio negócio. Nesse cenário, a simulação a que se refere o art. 149, VII, do CTN, corresponde à “mentira” quanto à prática de um ato relevante para fins tributários. Sonegase da Administração Fiscal a verdade dos fatos ocorridos. O ato simulado é um ato aparente, que não existe no mundo dos fatos, mas apenas de forma precária no mundo jurídico. Na simulação absoluta, o contribuinte buscaria construir determinado invólucro que, caso real, lhe atribuiria benefícios fiscais, embora nada exista. Na simulação relativa, a ocorrência do fato gerador de uma obrigação tributária seria ocultada pela oposição do ato simulado. 13 Sobre a relação entre os conceitos de direito civil e tributário, vide: ÁVILA, Humberto. Eficácia do Novo Código Civil na Legislação Tributária. In Grumpenmacher, Betina Treiger (coord.) Direito Tributário e o novo Código Civil São Paulo: Quartier Latin, 2004, p. 6572. 14 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. p. 762763. Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.060 24 Com a simulação absoluta, na linha com o que expõe TULIO ROSEMBUJ15, as partes criariam com a sua declaração uma aparência de negócio que não querem realizar e do qual não esperam nenhum efeito. Seria uma aparência sem qualquer conteúdo verdadeiro e, assim, juridicamente inexistente, como é o caso da fraude contra credores em que se cria um passivo inexistente ou se diminui o ativo, sem que nada realmente tenha sido realizado. Com a simulação relativa, as partes criariam a aparência para um negócio jurídico diverso daquele que efetivamente querem. Seria um disfarce, em que apenas aparentemente se realizaria um negócio jurídico, para, na verdade, realizarse outro negócio. É ilustrativo o Recurso Especial n. 243.767MS, do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, para a distinção de simulação (absoluta) e dissimulação (relativa): “Duas situações, entretanto, podem verificarse. Uma, em que a simulação seja absoluta. As partes não pretenderam concluir negócio algum, como no exemplo acima mencionado. Isso reconhecido, não produzirá efeito. Pode, entretanto, ser relativa a simulação. As partes efetivamente desejavam a pratica de determinado contrato, mas esse ficou dissimulado por um outro. Assim, por exemplo, fezse uma doação, dissimulada em compra e venda. Em tal caso, prevalecerá o negócio real.” No Direito tributário brasileiro, então, a simulação se presta à sonegação, ou seja, ao ilícito. O que se combate não é a utilização de formas anormais, atípicas para se alcançar determinado resultado. Combatese o ato doloso da evasão de tributos em que as partes realizam um determinado negócio jurídico, mas declaram ao fisco que outro teria sido realizado. Notese que, para aferirse a ocorrência de simulação, não é relevante questionar a existência de razões extratributárias. Interessa demonstrar que, por meio dos negócios jurídicos apresentados pelo contribuinte, foram ocultadas do fisco a verdadeira configuração dos atos praticados (dissimulação) ou, ainda, que nada realmente foi realizado (simulação absoluta). 2.2. A competência do legislador ordinário para a tutela do planejamento tributário. Em vista das normas constitucionais de competência tributária e da decisão do legislador complementar, lei ordinária de cada ente federado detém ao menos três funções prescritivas quanto às seguintes matérias atinentes ao planejamento tributário: i) regular procedimento especial para que se descortinem os casos de dissimulação (CTN, art. 116, parágrafo único); ii) enunciar normas de reação a planejamentos tributários específicos (SAAR) e; iii) reconhecer a legitimidade de planejamentos tributários também específicos (safe harbour rules). Em relação à primeira das funções citadas, é curioso observar que o legislador ordinário tem se mantido inerte há 17 anos na sua tarefa de regular o procedimento especial para a aplicação da norma do parágrafo único do art. 116 do CTN, incluído pela Lei Complementar n. 104/2001. A eficácia do referido dispositivo permanece em estado de hibernação, por restar contida à edição de lei ordinária até hoje não enunciada. Nos estritos limites da competência que lhe foi atribuída pela Lei Complementar n. 104/2001, caberia à lei ordinária apenas e tão somente definir um procedimento especial para a desconsideração de atos “dissimulados”. O legislador ordinário 15 ROSEMBUJ, Tulio. El fraude de lei, la simulación y el abuso de las formas em el derecho tributario. Barcelona : Marcial Pons. 1999, p. 49. Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.061 25 seria incompetente para definir outras hipóteses de desconsideração que não estejam compreendidas no art. 116 do CTN (“dissimulação”) ou, ainda, estabelecer critérios não adotados pelo legislador complementar, a exemplo de “propósitos negociais”. O acórdão recorrido adotou o entendimento de que, na pendendência de lei ordinária especificamente produzida para regular o procedimento necessário à aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, o Decreto n. 70.235 lhe faria as vezes. Permissa vênia, parece evidente que esse entendimento torna sem efeito a parte final prescrita pelo Legislador Complementar para o parágrafo único do art. 116 do CTN (“observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”), não se mostrando razoável ou mesmo possível. Sob uma interpretação literal do dispositivo, chama a atenção que o legislador tenha utilizado os termos “os procedimentos a serem estabelecidos”, evidenciando que a nova “lei ordinária”, específica para a matéria, ainda deveria ser prescrita, não se confundindo com qualquer instrumento normativo já existente no ordenamento, A análise histórica da matéria conduz à mesma conclusão: desde a inclusão do parágrafo único ao art. 116 do CTN, medidas provisórias/leis ordinárias têm sido propostas para regular a matéria, justamente em face da sua imprescindibilidade para atribuir eficácia ao aludido dispositivo do CTN. O fato, contudo, é que nenhuma dessas medidas provisórias/leis ordinárias foram aprovadas pelo Congresso Nacional. Logo após a inclusão do parágrafo único ao art. 116 do CTN, o Poder Executivo editou a Medida Provisória n. 66/2002, que, sua exposição de motivos, assim dispunha: “14. Os arts. 15 a 19 dispõem sobre os procedimentos a serem adotados pela administração tributária no tocante à matéria, suprindo exigência contida no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional.” Os referidos dispositivos da MP 66/2002 não foram convertidos em lei pelo legislador ordinário. A inexistência da aludida lei ordinária até o presente momento não se deve a descuido do legislador ordinário: tratase de silêncio eloquente, que representa a decisão do Congresso de não atribuir eficácia jurídica ao parágrafo único do art. 116 do CTN. Essa decisão, que foi conferida ao legislador ordinário, deve ser respeitada pela administração fiscal. Vale destacar respeitável posição doutrinária nesse mesmo sentido. Em sua obra “Planejamento Tributário”, na qual tem se apoiado boa parte das autuações fiscais e julgamentos levados a termo sobre esse tema, MARCO AURÉLIO GREGO enfatiza, in verbis: “Isso significa dizer que, enquanto não for devidamente editada lei ordinária dispondo a respeito, falta um elemento essencial à aplicabilidade do parágrafo examinado, sendo ilegal o ato administrativo que, nesse interregno, pretender nele apoiarse, Enquanto não vier a ser editada a lei ordinária prevista no dispositivo, falta ao dispositivo a plenitude da proteção dos seus efeitos e, por consequência, a autoridade administrativa não pode ato de desconsideração nele fundamentado”. Na pendência da edição da referida lei ordinária, não há, como supõe o i. Conselheiro relator do acórdão a quo, carta branca para a prática de quaisquer atos pelos Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.062 26 contribuintes tendentes a se esquivar a incidência tributária. Ocorre que permanece vigente a decisão do legislador, esculpida no art. 149 do CTN, de reação a atos simulados, praticados com o dolo para a evasão de tributos. Para a aplicação desse enunciado prescritivo o procedimento geral previsto pelo Decreto n. 70.235 seria o adequado. Merece, portanto, revisão a decisão recorrida, na medida em que não é possível atribuir qualquer eficácia ao parágrafo único do art. 116 do CTN, seja no momento em que lançamento em questão foi realizado, seja no momento em que este Colegiado da CSRF realiza o julgamento do recurso especial interposto pelo contribuinte, pois o Poder Legislativo ainda não editou a lei ordinária necessária para regular o procedimento especial para a sua aplicação. Notese que, no caso concreto, a autuação fiscal fez referência também ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada. Entretanto, o Colegiado da CSRF, por maioria de votos, compreendeu que, da forma como foi elaborada, a autuação fiscal não substitiria caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Ademais, é importante repisar que a decisão recorrida, ora submetida ao crivo desta CSRF, pautouse exclusivamente no entendimento de que o art. 116, parágrafo único, do CTN, teria eficácia imediata para a reação ao abuso no planejamento tributário, considerando despicienda, para essa finalidade, a aferição de simulação dos atos praticados, como se pode observar do seguinte trecho do acórdão a quo: “Em verdade, como se observa ao longo de todo o TCF, entendeu a autoridade, com base no art. 116, parágrafo único do CTN, que houve planejamento tributário abusivo perpetrado pela contribuinte com vistas a evitar a inciden̂cia do IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital auferido na alienaca̧õ da participação no capital das mineradoras. (...) Não há no voto vencedor do acórdão recorrido uma única linha quanto ao art. 149 do CTN e o enfrentamento dos requisitos exigidos por esse dispositivo para a descaracterização de atos simulados, nos termos do art. 167 do Código Civil. Ocorre que, conforme a interpretação do acórdão recorrido, a norma do parágrafo único do artigo 116 do CTN tutelaria hipóteses de abuso, compreendendo institutos como “abuso de direito” e “fraude à lei”, bem como estes deveriam ser verificados a partir de alguns elementos, entre eles a ausência de propósitos extratributários convincentes para a reestruturação realizada. Ausentes propósitos negociais convincentes, os efeitos fiscais da reestruturações deveriam ser desconsideradas pelo fisco. Destacamse os seguintes trechos do acórdão recorrido, em que resta claro que a autuação fiscal foi mantida por considerarse presente o “abuso”, a “abusividade do planejamento tributário”, in verbis: “Ocorre que esses exames (e possivelmente outros) não podem nem devem ser levados a cabo no âmbito do presente julgado. Realmente, como dito antes, o que está sob apreciação da Turma é a abusividade, ou não, da estrutura empresarial efetivamente empregada pelo grupo Eike Batista. É sobre essa estrutura que o Colegiado deve se manifestar. Uma observação, entretanto, deve ser feita. Não se sustenta a afirmação da defesa segundo a qual a justificativa da cisão foi a vedação da participação de Centennial Asset Mining Fund LLC em empresas com atividade diversa da de Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.063 27 mineração e logística, como seria o caso da participação, ainda que indireta, em MMX Corumbá Participações Ltda. Isso porque, mesmo após a cisão, CAMF permaneceu participando, ainda que indiretamente, do capital de MMX Corumbá, através de CAP Corumbá S/A. Não houve, portanto, propósito negocial crível para a cisão em comento, mas apenas “pretexto” para sua realização, como diria Marco Aurélio Greco. Restou sobejamente comprovado nos autos que o único propósito da estrutura empresarial adotada pelo grupo econômico Eike Batista foi evitar a tributação do ganho de capital que seria auferido pela contribuinte acaso viesse, ela própria, a alienar os 30% da participação nas mineradoras. A “solução” adotada pelo grupo econômico Eike Batista foi a de “transferir” a referida participação a outra empresa do grupo, qual seja, Centennial Asset Mining Fund LLC, estrategicamente sediada em Nevada, EUA, Estado que não tributa a renda das empresas relativamente às operações realizadas com o exterior. Tal “transferência” foi realizada por meio de aumento no capital social da recorrente, tendo CAMF adquirido 30% de participação societária por um valor cerca de 100 vezes inferior àquele em que a participação nas mineradoras foi posteriormente vendida a terceiros. Resumindo, não houve real e legítimo propósito negocial do grupo econômico Eike Batista na “transferência” de 30% das ações MMX Mineração e Metálicos S/A à CAMF (e por conseguinte 30% do capital das mineradoras), mas somente o intuito do grupo Eike Batista de evitar a incidência dos tributos que seriam devidos pela recorrente acaso ela própria fizesse a alienação da participação de 30% no capital das mineradoras à subsidiária integral da empresa ClevelandCliffs Inc. e à empresa Anglo American Participações e Minerações S/A. Mas devemos reconhecer que a ausência de propósito negocial legítimo, apesar de ser um fato que deve ser levado em consideração, é por si só insuficiente para afirmarse a abusividade de uma elisão fiscal. A abusividade deve ser apreciada casoacaso e a ausência de propósito negocial deve ser levada em consideração juntamente com outros fatores, como por exemplo as operações em sequência, as operações realizadas internamente a um mesmo grupo econômico, as operações realizadas com pessoas ligadas residentes em locais com tributação favorecida, etc. No caso dos presentes autos, todas as circunstâncias acima mencionadas se verificaram, como já visto anteriormente. Ademais, não custa lembrar, verificouse também aqui uma enorme desproporcionalidade entre: (i) o valor que CAMF LLC investiu para adquirir a participação de 30% no capital das mineradoras (R$ 16.588.160,00 em dezembro de 2005), e; (ii) o valor que CAMF LLC alienou parte dessa participação (R$ 282.891.000,00 em março de 2007, para a subsidiária de Cleveland Cliffs, e R$ 1.317.338.748,03 em maio de 2007 para a subsidiária de Anglo Américan). Em outras palavras, em pouco mais de um ano o investimento feito por de CAMF LLC no capital da contribuinte, no total de R$16.588.160,00, foi alienado (em parte, pois ainda lhe restou a participação em LLX Açu e em MMX Corumbá) pelo montante de R$1.600.229.748,03, ou seja, aproximadamente 100 vezes o valor investido. Tudo isso sem a incidência de tributação sobre o enorme ganho de capital percebido. Por todo o exposto, e tomados em conjunto os fatos acima narrados, convençome, para além de qualquer dúvida razoável, que foi abusiva a economia de tributos engendrada pelo grupo Eike Batista, daí porque entendo como correta a desconsideração dos atos abusivos levada a efeito pela Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.064 28 fiscalização, com a consequente a exigência do IRPJ e da CSLL em face da ora recorrente.” Por conseguinte, tendo em vista que a matéria devolvida a esta CSRF diz respeito à eficácia ou não do parágrafo único do art. 116 do CTN, bem como sequer ser possível a reanálise dos fatos para verificar a possibilidade de subsunção destes ao art. 149, VII, do CTN (esta matéria não foi enfrentada pelo acórdão recorrido para verificar a legitimidade ou não da reestruturação implementada), fazse necessário dar provimento ao recurso especial interposto. 3. Concomitância da exigência da multa de ofício e da multa isolada. Por restar vencido quanto às matérias precedentes, fazse necessário analisar a higidez da multa isolada pela não apuração de estimativas, cobrada cumulativamente com a multa de ofício. Para a solução da divergência ora em análise, é preciso saber se a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSL deve ser cobrada cumulativamente com a multa de ofício, na hipótese de auto de infração lavrado após o término do exercício fiscal. Conforme a Súmula CARF n. 82, “após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. A inteligência da Súmula decorre da constatação de que as estimativas, recolhidas ou não, seriam meras antecipações do tributo cujo fato gerador ocorreria efetivamente no dia 31.12. O legislador tributário, ao estruturar a sistemática de apuração do IRPJ/CSL pelo lucro real anual, foi coerente com essa metodologia: 1) durante o exercício fiscal, o contribuinte deve recolher estimativas mensais. Se no curso do exercício fiscal a fiscalização constatar que o contribuinte não apurou e recolheu estimativas menais, salvo na hipótese de apresentação de balanços de suspensão ou redução, deverá lavrar auto de infração para a cobrança de tais valores, com a imposição da multa correspondente; 2) após o fim do exercício fiscal, nenhuma estimativa mais é devida ou multa pelo seu não cumprimento são exigíveis. O contribuinte deve apurar o IRPJ/CSL e recolher os valores devidos. Se após o término do exercício fiscal a fiscalização constatar que o contribuinte não apurou e recolheu o IRPJ/CSL, deverá lavrar auto de infração para a cobrança de tais valores, com a imposição da multa correspondente. O legislador tributário, ao estruturar a sistemática de apuração do IRPJ/CSL pelo lucro real anual, naturalmente não exigiu a cumulação da exigência das estimativas e do IRPJ/CSL. Da mesma forma, o legislador coerentemente não exigiu a cumulação das multas, o que, entre outros princípios, ofenderia a proibição da consunção. No caso da multa isolada por não apuração de estimativas sob julgamento, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.065 29 deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também não é mais exigida pelo legislador. Após 31.12, competirá à fiscalização exigir não mais estimativas, mas o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa de ofício cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Apenas na hipótese de a fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do próprio exercício fiscal é que se mostra cabível tanto a exigência dessas antecipações quanto a imposição da correspondente multa pelo não cumprimento desta. Merecem destaque algumas decisões proferidas por esta CSRF, que igualmente compreenderam inaplicável aludida multa isolada após o encerramento do exercício fiscal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial negado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei IV 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor e estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão n. 9101000.575, de 18.05.2010) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Acórdão n. 9101001.547, de 22.01.2013) Compreendo que tais fundamentos já seriam suficientes para dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.066 30 Há, no entanto, uma questão fundamental que deve ser enfrentada, tendo em vista o seu caráter vinculante. Fazse necessário decidir se a Súmula n. 105 é aplicável também aos períodos posteriores à edição da Lei n. 11.488/2007, de forma a ter eficácia no julgamento do presente caso: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n. 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Para tanto, é preciso analisar os efeitos trazidos pela Lei nº 11.488/2007 sobre o 44 da Lei nº 9.430/96, de forma a verificar se a Súmula n. 105 é igualmente aplicável aos períodos posteriores a 2007. Em sua redação original, o art. 44 da Lei n. 9.430/96 assim prescrevia: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, o dispositivo passou a dispor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Tanto nos termos do RICARF vigente à época da enunciação da Súmula n. 105 do CARF (08.12.2014) quanto no atual, para a edição de súmulas, são levados à apreciação dos Conselheiros deste Tribunal determinado número de julgados sobre a matéria, considerados capazes de possibilitar a “mais precisa percepção possível não apenas da questão de direito cuja relevância há de se aferir, como também do conflito em que ela se insere” 16. Os casos selecionados devem propiciar a ventilação dos mais relevantes argumentos quanto à 16 TALAMINI, Eduardo. Julgamento de recursos no STJ ‘por amostragem’. Informativo Justen, Pereira Oliveira e Talamini, 2008. Disponível em www.justen.com.br/informativo. Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.067 31 interpretação que deve ser atribuída à legislação federal, pois a norma decorrente da súmula deverá ser aplicada a todos os demais casos que apresentem questão de direito equivalente. Por esse arcabouço jurídico, atribuise à súmula do CARF a feição de precedente com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”17. Por essa sistemática, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a edição da súmula passam a ser aplicáveis, de forma obrigatória, a todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF. Para a solução do presente caso, é preciso compreender essa relação de complementariedade: a ratio decidendi dos acórdãos paradigmas não se desprendem da respectiva súmula, nem esta deve ser aplicável a hipóteses que não estariam abrangidas pelos aludidos paradigmas. Em outras palavras, como a súmula é norma geral e concreta18 que veicula a ratio decidendi outrora presente em reiterados acórdãos individuais e concretos, a sua aplicação é restrita às situações que sejam equivalentes àquelas tratadas nos referidos acórdãos paradigmáticos. A aplicação de uma súmula a um caso concreto pressupõe que as premissas fáticas e as normas questionadas neste sejam equivalentes às premissas fáticas e às normas questionadas nos paradigmas que ensejaram a súmula. No caso, duas ratio decidendi podem ser abstraídas dos fundamentos dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF. A primeira delas é que, pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deve ser absorvida pela multa de ofício. É o que se observa dos seguintes acórdãos que serviram de inspiração à Súmula n. 105: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.307, de 24/04/2012) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza 17 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29. 18 Vide, sobre o tema: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 3541. Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.068 32 etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CARF, 3ª Turma Especial, 1ª Seção, 1803001.263, de 10/04/2012) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.261, de 22/11/2011) Neste último acórdão, houve a transcrição integral dos fundamentos adotados em outro julgamento da CSRF, que restou assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. (CSRF/0105.838, de 15.04.2008) A segunda ratio decidendi, que se abstrai dos paradigmas que inspiraram a Súmula n. 105 do CARF, consiste no não cabimento de lançamento de multa isolada cuja base de cálculo seja coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.069 33 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. (CSRF, 9101001.203, de 17/10/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 IRFONTE. AFASTAMENTO. O próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado. (CSRF, 9101001.238, de 21/11/2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. (...) (CARF, 1ªC/2ªTO, 110200.748, de 09/05/2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, no caso de penalidades, está prevista no artigo 173, I do CTN, apresentandose regular a exigência formalizada dentro deste prazo. Por sua vez, em relação aos tributos, havendo antecipação de recolhimentos o prazo é contado na forma do art. 150, §4o. do CTN. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). (...) (CARF, 4ªC/2ªTO, 1402001.217, de 04/10/2012) Em todos esses julgados, portanto, compreendeuse não ser cabível o lançamento de multa isolada, quando: Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.070 34 pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deva ser absorvida pela multa de ofício; a sua base de cálculo seja coincidente ou esteja inserida na base de cálculo das multas de ofício. Os referidos fundamentos permanecem aplicáveis mesmo após a edição da Lei n. 11.488/2007, o que obriga este Colegiado à aplicação da Súmula 105, que não possui restrição temporal em seu enunciado. Em primeiro lugar, não há dúvidas que a referida súmula consagrou o princípio da consunção, que justamente serviu de fundamento aos acórdãos que a inspiraram. É o que se observa dos fundamentos do acórdão 0105.838, proferido pela CSRF em 15.04.2008, da relatoria do então Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, in verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam ‘principio da consunção’. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ‘pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...’. E prossegue ‘no crime progressivo portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave’. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado no final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo.” Repitase: mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 ao art. 44 da Lei n. 9.430/96, a teoria da consunção permanece plenamente aplicável à matéria sob julgamento. Esse é, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”), como se observa do seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.071 35 PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Em seu voto, acompanhado pela unanimidade da Segunda Turma da 1a Seção do STJ, o i. Ministro HUMBERTO MARTINS, relator do referido julgado, assim explicitou os fundamentos, in verbis: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.072 36 Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Em decisão posterior, no REsp 1.499.389/PB, o STJ novamente vivificou o princípio da consunção para afastar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada, em período posterior à Lei n. 11.488/2007. A referida decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1499389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 28/09/2015) É fundamental notar que a ratio decidendi presente nos referidos julgados do STJ, que se detiveram às alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, não é distinta daquela adotada pelo CARF em seus reiterados julgados proferidos na vigência da redação original do art. 44 da Lei n. 9.430/96 e que motivaram a edição da Súmula n. 105. Nesse seguir, após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, o mesmo dilema quanto à consunção, anteriormente enfrentado pelo CARF e solucionado pela Súmula n. 105, permanece presente. Além disso, também a segunda a ratio decidendi da Súmula n. 105 permanece aplicável mesmo após a edição da Lei n. 11.488/2007, atinente à impossibilidade da base de cálculo da multa isolada estar inserida na base de cálculo das multas de ofício. Notese que, no acórdão 110200.748, também citado acima entre os paradigmas da Súmula n. 105 do CARF, a então Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA consignou que o fundamento para a proibição da cumulação da multa de ofício com a multa isolada se daria pelo fato da base de cálculo desta estar compreendida na base de cálculo daquela, in verbis: “No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.073 37 Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido.” (grifos acrescidos) Como se pode observar, a ratio decidendi adotada nesse julgado, proferido com vistas à redação original da Lei n. 9.430/96, continua perfeitamente aplicável às normas sancionatórios veiculadas pela Lei n. 11.488/2007: enquanto a redação original previa que as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício seriam idênticas, com a redação vigente a partir de 2007, não há mais necessária coincidência, embora seja certo que o valor da base de cálculo da multa isolada permanece inserido na base de cálculo da multa de ofício. 4. Incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Quanto a esse tema, a controvérsia interpretativa não se refere necessariamente à norma dos arts. 113 ou 139 do CTN. No âmbito do CTN, a questão reside mais precisamente na norma que se constrói a partir de seu art. 161. O art. 161 do CTN, cumprindo o papel previsto no art. 146 da Constituição Federal, estabelece norma geral, aplicável a todos os entes da federação, quanto à incidência de juros de mora, no percentual de 1%, sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Expressamente, contudo, o seu § 1° resguarda a cada um dos entes federados a competência para estabelecer regramento próprio. Cada ente federado, por meio de seu respectivo Poder Legislativo, poderá prescrever regramento próprio, com taxa de juros diferente daquela prevista na norma geral (1%) ou, por exemplo, prever a incidência de juros de mora tanto sobre o débito principal quanto sobre as multas ou, ainda, estabelecer que os juros incidam apenas sobre o valor do débito principal, mas não sobre o das multas. A União, no caso, é exemplo de unidade federativa que, de longa data, produz regramentos próprios quanto à incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Assim o fazendo, a União encontra resguardo jurídico no art. 161 do CTN, mas afasta a eficácia da norma geral veiculada neste dispositivo. Portanto, para a solução do caso concreto, a questão não se esgota com a compreensão da norma geral veiculada pelo CTN. É necessário saber qual o tratamento foi atribuído pelo legislador ordinário à materia, o que obriga que se considere o teor da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.074 38 ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se pode observar, valendose de sua competência, o legislador ordinário decidiu: prever a incidência de juros de mora sobre multas isoladas pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 43); prever a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 61); não prever nada quanto à incidência de juros de mora sobre multas de ofício. A evolução legislativa demonstra que não se trata de um silêncio insignificante, mas expressão de decisão consciente do legislador. As leis que se sucederam, em especial, o Decretolei n. 2.232/87, a Lei n. 7.691/88, a Lei n. 7.738/89, a Lei n. 7.799/89, a Lei n. 8.218/91, a Lei n. 8.383/91, a Lei n. 8.981/95, a Lei n. 9.430/96, a Lei n. 10.522/02, demonstram que a decisão do legislador variou no tempo, por vezes determinando a incidência de juros sobre a multa de ofício, por vezes a excluindo. Há uma diferenciação relevante: o dispositivo não estabelece, por si, a incidência de alguma taxa de juros sobre a multa, mas possibilita que leis específicas a estabeleça.19 Essa retrospectiva é relevante para constatar que o legislador competente não agiu ao acaso: tratase de silêncio eloquente do legislador que, ao tutelar a matéria, deixou conscientemente de prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Este já foi o entendimento adotado por este Tribunal administrativo, inclusive no âmbito da 1ª Turma da CSRF, como se observa dos seguintes exemplos: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. (Processo nº 10680.002472/200723. Acórdão n. 9101000.722. CSRF, 15.12.2010.) 19 Nesse sentido, vide, por exemplo: FAJERSZTAJN, Bruno. Exigência de juros de mora sobre as multas de ofício no âmbito da Secretaria da Receita Federal, in Revista Dialética de Direito Tributário v. 132. São Paulo : Dialética, 2006, p. 27 e seg. Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.075 39 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Processo nº 16327.004079/200275. Acórdão n. 10196.008. TO, 01.03.2007) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. (Processo nº 10980.013431/200605. Acórdão nº 10196.607, TO, 06.03.2008) JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Processo nº 16327.004252/200235. Acórdão nº 20216.397, TO, data da publicação 14.06.2005) (grifo nosso) Também em relação a essa matéria, portanto, compreendo que assiste razão ao contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e dar PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto o I. conselheiro, peço vênia para discordar em relação ao conhecimento da matéria "sujeição passiva indireta" e ao mérito das matérias "eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN", "concomitância da multa isolada com a multa de ofício" e "incidência de juros de mora sobre a multa de ofício". Passo ao exame. I. Admissibilidade. Sujeição Passiva Indireta. Para restar demonstrada a divergência na interpretação da legislação tributária, requisito previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, a decisão recorrida e paradigma devem compartilhar um suporte fático com similitude. Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.076 40 Nesse contexto, cumpre discorrer, inicialmente, sobre a situação em que se deu a autuação fiscal. A Contribuinte (MMX) detinha ativos com grande potencial de valorização, dentre os quais: EBX ENERGIA (MMX MINASRIO) e EBXMINERAÇÃO (MMX AMAPÁ), e pretendia vender as ações das empresas na BOVESPA. Caso tivesse seguido o caminho convencional, teria que apurar ganho de capital, nos seguintes termos: MMX AMAPÁ MMX MINASRIO Preço de venda: R$282,8 milhões Preço de venda: R$1,317 bilhões Custo de aquisição: R$1,1 milhão Custo de aquisição: R$384 mil Ganho de Capital: R$ 281,3 milhões Ganho de Capital: R$1,316 bilhões Optou por construir uma estrutura societária para buscar amparo na isenção prevista no art. 81, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.981 20, de 1995 e IN SRF nº 25, de 2001. A norma prevê que não há incidência nos ganhos líquidos obtidos em operações de bolsa no caso de investimento estrangeiro no Brasil. Em breve síntese, foi por isso que o grupo econômico adquiriu a MMX, e ao mesmo tempo constituiu a CENTENNIAL FUND LLC (com sede em NevadaEUA), fundo de investimento estrangeiro. 20 Ficam sujeitos ao Imposto de Renda na fonte, à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos: I pelas entidades mencionadas nos arts. 1º e 2º do DecretoLei nº 2.285, de 23 de julho de 1986; II pelas sociedades de investimento a que se refere o art. 49 da Lei nº 4.728, de 1965, de que participem, exclusivamente, investidores estrangeiros; III pelas carteiras de valores mobiliários, inclusive vinculadas à emissão, no exterior, de certificados representativos de ações, mantidas, exclusivamente, por investidores estrangeiros. § 1º Os ganhos de capital ficam excluídos da incidência do Imposto de Renda quando auferidos e distribuídos, sob qualquer forma e a qualquer título, inclusive em decorrência de liquidação parcial ou total do investimento pelos fundos, sociedades ou carteiras referidos no caput deste artigo. § 2º Para os efeitos deste artigo, consideramse: a) rendimentos: quaisquer valores que constituam remuneração de capital aplicado, inclusive aquela produzida por títulos de renda variável, tais como juros, prêmios, comissões, ágio, deságio e participações nos lucros, bem como os resultados positivos auferidos em aplicações nos fundos e clubes de investimento de que trata o art. 73; (Vide Lei nº 12.431, de 2011) b) ganhos de capital, os resultados positivos auferidos: b.1) nas operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, com exceção das operações conjugadas de que trata a alínea a do § 4º do art. 65; b.2) nas operações com ouro, ativo financeiro, fora de bolsa; Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.077 41 Primeiro, aumentou o capital da MMX, mediante integralização das quotas da EBX ENERGIA (MMX MINASRIO) e EBXMINERAÇÃO (MMX AMAPÁ), e aporte de 7 milhões de dólares da CENTENNIAL FUND LLC. Depois, houve cisão parcial da MMX, transferindo para a CENTENNIAL FUND LLC precisamente percentual das quotas da EBX ENERGIA (MMX MINASRIO) e EBX MINERAÇÃO (MMX AMAPÁ). Enfim, a CENTENNIAL FUND LLC (fundo de investimento no exterior, supostamente amparado pela isenção do art. 81, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.981, de 1995 e IN SRF nº 25, de 2001), alienou na BOVESTA as quotas da MMX AMAPÁ e MMX MINASRIO (já alterados os nomes para CENTENNIAL AMAPÁ e CENTENNIAL MINASRIO). Os adquirentes foram CLEVELAND CLIFFS (das quotas da CENTENNIAL AMAPÁ) e ANGLO AMERICAN (das quotas da CENTENNIAL MINASRIO). A acusação fiscal é precisa, compreendendo que as operações visaram encobrir a real operação, de alienação dos ativos MMX MINASRIO e MMX AMAPÁ, que estaria sujeita a ganho de capital, exatamente a tipificação do auto de infração, art. 418 do RIR/99: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). Vale transcrever as conclusões da autoridade autuante: Parecer desta fiscalização com relação às alienações de participação societária de "propriedade" do "fundo de investimento" Centennial Asset Mining Fund LLC: (...) A constituição da Centennial Asset Mining Fund LLC foi "esquematizada" pelo Sr. Eike Fhurken Batista e outros minoritários para compor um "planejamento tributário", com o objetivo de evitar a ocorrência do fato gerador do imposto, de forma simulada e fraudulenta, como segue: Após constituir o fundo no exterior e fazer aporte de capital na MMX Mineração e Metálicos S/A (MMX S/A), através das "Atas das Assembléias Gerais e Extraordinária" da MMX S/A, de 28/04/2006, promoveu a cisão parcial patrimonial da MMX S/A, transferindo bens e direitos para a Centennial Asset Participações Amapá S/A, Centennial Asset Participações MinasRio S/A e Centennial Asset Participações Corumbá S/A (receptoras), ato contínuo, transferiu a participação da Centennial Asset Mining Fund LLC na MMX S/A para estas três empresas receptoras, (por redução do capital na MMX S/A), de forma que o fundo de investimento detivesse 100% das ações das receptoras, negociandoas, inicialmente, através de um instrumento particular de Contrato de Compra e Venda de Ações (com assinaturas do Sr Eike Fuhrken Batista, representando o fundo de investimento Centennial Asset Mining Fund LLC e o Sr Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.078 42 Marcelo Adler Cheniaux, representando a Centennial Asset participações MinasRio S/A ambos dirigentes do fundo de investimento) e, concluindo, através de pregão na bolsa de valores travestidos de investimento de empresa financeira domiciliada no exterior, com isenção de impostos. (Grifei) Merece destaque a expressão "valores travestidos de investimento de empresa financeira domiciliada no exterior". Tratase da situação tratada pelos presentes autos. Ocorre que os paradigmas apresentados em nenhum momento guardam similitude com o discutido na decisão recorrida. No tópico " Interpretação das normas da legislação civil (art. 167 do CC) na ausência de norma de natureza fiscal específica para tipificar as simulações", acórdão paradigma nº10195.018, foi apreciada situação no qual a fiscalização desconsiderou atos e negócios praticados por determinado contribuinte por ver neles existência de simulação prevista nos arts. 102 a 105 do antigo CC, mas deu provimento ao sujeito passivo por erro na identificação do sujeito passivo. No tópico "Interpretação das normas que tratam de determinados atos como infração à legislação fiscal por caracterização de "evidente intuito de fraude", acórdão paradigma nº10809.507, tratouse de verificar se os procedimentos utilizados pela contribuinte teriam constituído infração à legislação fiscal com evidente intuito de fraude. A situação era a transferência do controle de Elevadores Sur S/A (SUR) e Astel Manutenção e Assistência Técnica (ASTEL) para uma empresa do Grupo Thyssen Krupp. Enfim, no tópico " Interpretação da simulação a que se refere o art. 149 do CTN", o acórdão paradigma nº 9101001.945 apreciou a mesma situação trazida pelo acórdão paradigma anterior, nº10809.507, tendo tratado da tributação do ganho de capital contra a recorrente, pela venda de ações das empresas Elevadores Sur e Astel à empresa Thyssenkrupp Elevadores S/A, considerado simulada a transferência dessas ações à empresa “5246” por um preço mínimo (que a seguir efetuou a venda a Thyrssenkrupp pelo valor real), e imputado a aplicação da multa qualificada (150%) e responsabilização do Sr. Adroaldo Aumonte (sócio gerente da empresa). Como se pode observar, em nenhum momento os paradigmas trataram do contexto fático dos presentes autos, no qual se buscou reorganização societária para se adequar à norma de contorno do art. 81, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.981, de 1995, e se esquivar da incidência do art. 418 do RIR/99 (Ganho de Capital). Vale repisar, o acórdão recorrido interpretou a legislação tributária em face de situação sem nenhuma similitude com os paradigmas. Nos presentes autos apreciouse contexto no qual foi adquirida de maneira regular empresa (MMX) para desempenhar papel de holding do grupo econômico no Brasil, e ao mesmo tempo foi constituído fundo de investimento no exterior (CENTENNIAL), especificamente para "receber" os investimentos que a MMX pretendia alienar na Bovespa sem apurar ganho de capital. O fundo de investimento no exterior, ao alienar as ações do investimento na bolsa de valores, buscou a isenção prevista no art. 81, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.981, de 1995. Como se pode observar, em nenhum momento, o fundamento principal da autuação fiscal dos presentes autos, a construção visando contornar o ganho de capital e busca de incidência em norma de isenção específica para fundos de investimento localizados no Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.079 43 exterior, não foi discutido nos paradigmas. Tornase impossível efetuar qualquer cotejo entre as decisões para se buscar divergência de interpretação entre recorrido e paradigmas sobre a matéria "sujeição passiva indireta" pretendida pela Contribuinte. Diante de situações que não se comunicam, tornase impossível efetuar o cotejo previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, entre o acórdão recorrido e paradigmas, para verificar se restou demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso especial em relação à matéria. II. Mérito. Eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN. Sobre a matéria, não assiste razão à Contribuinte a respeito da inaplicabilidade do art. 116, parágrafo único do CTN. O assunto já foi apreciado pelo presente Colegiado 21, no Acórdão nº 9101 002.953, tratado na seguinte parte da ementa: SIMULAÇÃO RELATIVA. VÍCIO DE VONTADE. CTN, ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. É legítima a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do IRPJ, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN. Adoto as razões do voto da I. Conselheira Cristiane Silva Costa, que tratou da matéria com clareza e objetividade: O Código Tributário Nacional, em sua redação original, previa a possibilidade de revisão de ofício do lançamento tributário na hipótese de simulação: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei Complementar nº 104/2001 incluiu o parágrafo único ao artigo 116, para assim dispor: Art. 116. (...) 21 Foi negado provimento ao recurso especial do Contribuinte, por maioria de votos, vencidos Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.080 44 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Desde sua edição, a doutrina se divide para tratar da norma do artigo 116, parágrafo único, como eficaz, ou não. Paulo Ayres Barreto entende que a norma ainda seria ineficaz: "Enquanto lei ordinária não disciplinar o procedimento de desconsideração dos negócios jurídicos realizados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador, será inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN. Há ineficácia técnica, de natureza sintática." (Planejamento Tributário Limites Normativos, 1ª edição, São Paulo, Noeses, 2016, p. 256) De outro lado, como pondera Regina Helena Costa, atual Ministra do Superior Tribunal de Justiça, "o direito positivo já autorizava a desconsideração de negócios jurídicos dissimulados, à vista do disposto no art. 149, VII, CTN, que estabelece que o lançamento deva ser procedido de ofício na hipótese de o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, ter agido com dolo, fraude ou simulação" (Curso de Direito Tributário, Saraiva, 2009, p. 184). Em que pese interprete desta forma, a Ministra ainda leciona que "Além de parecer desnecessária, ante o disposto no art. 149, VII, CTN, abriga a referida norma demasiada generalidade e latitude, demandando, a nosso ver, que outra lei venha a estatuir as hipóteses de sua aplicação, sob pena de concederse demasiada liberdade ao administrador fiscal na desconsideração dos atos e negócios jurídicos" (obra citada, p. 185). Entendo que a norma do artigo 116 é eficaz, legitimando a desconsideração de atos simulados, reforçando a previsão contida no artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional. A doutrina de Paulo de Barros Carvalho também merece menção, admitindo a desconsideração de atos pelo Fisco, quando demonstrada a simulação. Sua doutrina enfrenta a simulação sob o ponto de vista da vontade: "Apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica e jurídica, ocultando, por formas artificiosas, a realidade, configuram 'operações simuladas'. Se os verdadeiros motivos dos atos praticados pelas partes não cumprirem com a finalidade imputada a eles por lei, bem como neles estiverem presentes cabalmente notas que indiquem verdadeira hipótese de omissão da real intenção do que faz suporte ao negócio jurídico escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer tratamento tributário de ato dissimulado e seus consequentes efeitos jurídicos. (...) Para que haja simulação é necessário, portanto: (i) conluio entre as partes, (ii) divergência entre a real vontade das partes e o Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.081 45 negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco. Se tais características, porém, não se apresentarem no caso concreto, será vedado à autoridade administrativa desconsiderar o ato" (Derivação e Positivação no Direito Tributário, p. 82) Esclareço que não comungo do entendimento do ilustre Professor Paulo de Barros Carvalho sobre a necessidade de ilicitude, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, para fins de desconsideração de operações pelo Fisco (na mesma obra, o professor sustenta que "para que seja admissível a autuação fiscal, desconsiderando o negócio jurídico praticado, não basta que os efeitos econômicos de tal prática sejam semelhantes aos de ato diverso, mas é imprescindível que tenha havido ilicitude em tal realização, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64")". Ora, a conformação dos fatos jurídicos à figura da simulação não depende da identificação destes com os artigos 71 a 73 referidos, basta que se amoldem às prescrições do Código Civil (167) e Código Tributário Nacional (art. 149, VII e 116, parágrafo único). As normas de Direito Tributário, no que concerne à simulação, não alteraram o conceito de simulação tratado pela norma de direito privado, relacionada à vontade do agente, manifestada de forma distinta no ato simulado daquela pretendida pelo ato dissimulado. (Grifos originais) A decisão recorrida também apresenta substanciosos argumentos (Acórdão nº 1201001.136, Conselheiro Marcelo Cuba Neto): Em outras palavras, de acordo com Torres, o art. 116, parágrafo único, do CTN, sendo uma norma nacional, é imediatamente aplicável aos entes da federação que possuam normas sobre o procedimento administrativo fiscal, como é o caso da União, cuja regulação é feita pelo Decreto nº 70.235/72, recepcionado pela nova ordem constitucional com status de lei ordinária. Havendo, então, duas interpretações para o mesmo dispositivo legal, caberá a esta Turma, ao menos em relação ao caso sob exame, decidir qual das duas deverá prevalecer. Mas a interpretação de normas jurídicas pelo aplicador do Direito não é um ato de vontade, ou seja, havendo duas interpretações possíveis, deverá o aplicador verificar qual delas é a “correta”, segundo as regras de hermenêutica jurídica. E em um sistema como o adotado em nosso país, de supremacia da Constituição, a primeira providência nos casos em que houver duas interpretações possíveis para a mesma norma jurídica é verificar se há incompatibilidade entre alguma delas e a Carta Magna. Feito isso, e acaso ambas forem compatíveis, devese verificar se alguma delas melhor concretiza as normas constitucionais. Se ambas as interpretações bem concretizem a Constituição, passase às demais regras de hermenêutica jurídica a fim de verificarse qual delas é a “correta”. Mas, no Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.082 46 caso dos presentes autos essa última providência não será necessária, como se verá a seguir. A Carta de 1988, como é cediço, instituiu uma enorme quantidade de direitos e garantias fundamentais, bem como atribuiu ao Estado o dever de concretizálos. E uma vez que a concretização de direitos exige o dispêndio de vultosos recursos públicos22, recursos esses obtidos pelo Estado principalmente via tributação, surge por determinação constitucional, ao lado dos direitos e garantias fundamentais, o dever fundamental de pagar tributos23. Pois bem, os planejamentos tributários abusivos são práticas adotadas por grandes empresas, via de regra engendrados por caras “empresas de consultoria”, e têm como finalidade possibilitar ao contribuinte fugir ao seu dever fundamental de pagar tributos. O micro, o pequeno e o médio contribuintes via de regra não praticam elisão fiscal abusiva pois os custos do planejamento dificilmente compensariam a economia de tributos. Nesse sentido, interpretarse o art. 116, parágrafo único, do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, da forma defendida pela ora recorrente, significaria uma autorização para que os grandes contribuintes deixassem de cumprir, ao menos até a promulgação da lei ordinária (e já se vão quase 14 anos de omissão legislativa no âmbito federal), o seu dever fundamental de pagar tributos, mediante a adoção de planejamentos tributários abusivos. Seria assim uma inovação legislativa com vista a impedir que o fisco coibisse o ilícito, já que, como ressalta Torres, o combate à fraude à lei e ao abuso de forma jurídica já existia mesmo antes do advento da norma em questão. Além de não se coadunar com o dever fundamental da pagar tributos, tal interpretação também constitui uma afronta ao princípio da capacidade contributiva, insculpido no art. 145, § 1º, da Constituição, já que os grandes contribuintes, justamente aqueles que possuem maior capacidade econômica, estariam sendo gravados com uma tributação inferior à sua capacidade, e em detrimento da tributação incidente sobre os demais contribuintes, uma vez que o montante de recursos orçamentários necessários à concretização dos direitos e garantias fundamentais permanece inalterado. É de se em conta, ainda, que a nova ordem constitucional conferiu grande importância a valores morais, tais como a boa fé e a função social do contrato, repudiando por conseguinte a adoção de praticas abusivas perpetradas seja pelo Estado seja pelos particulares. Em assim sendo, também aqui a interpretação defendida pela recorrente não se harmoniza com a 22 Sobre o assunto vide Stephen Holmes e Cass Sunstein in “The Cost of Rights: Why Liberty Depends on Taxes”, W. W. Norton & Company, 1999. Entre nós vide Flávio Galdino in “Introdução à Teoria dos Custos dos Direitos: Direitos não nascem em árvores”, Lumen Juris, 2005. 23 Sobre o assunto vide a famosa obra de José Casalta Nabais, “O Dever Fundamental de Pagar Impostos”, Almedina, 2009. Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.083 47 Constituição na medida em que, segundo ela, enquanto não for promulgada a lei ordinária prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN, o Fisco estaria impedido de coibir práticas abusivas perpetradas pelos grandes contribuintes. Por tudo o que foi dito, das duas interpretações possíveis para o art. 116, parágrafo único, do CTN, aquela que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas (valores da boafé e da função social do contrato), é sem dúvida aquela defendida pelo professor Ricardo lobo Torres. (Grifos Originais) Conforme colocado com bastante clareza pela jurisprudência colacionada, o ordenamento jurídico vigente torna prescindível a utilização do art. 116, parágrafo único, como fundamentação de autuação fiscal que trata da desconsideração de negócios jurídicos, especialmente se considerando o disposto no art. 149, inciso VII do CTN, inclusive expressamente citado pela autuação fiscal 24. De qualquer forma, tal constatação não retira a eficácia do dispositivo normativo. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial em relação à matéria. III. Mérito. Concomitância da Multa Isolada e Multa de Ofício. Não assiste razão à Contribuinte ao aduzir sobre a concomitância da multa isolada e da multa de ofício. A princípio, vale discorrer sobre o lucro real, um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral 24 Vide Termo de Verificação Fiscal: O que se constatou foi que o grupo econômico, recorrendo às operações de reorganização societária, elaborou formas jurídicas aparentemente válidas que dissimularam o fato gerador do crédito tributário. A conclusão é pela ocorrência de abuso de formas jurídicas em atos que visaram impedir o crédito tributário. No ordenamento infraconstitucional, destacase a previsão do parágrafo único do artigo 116, do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172/66, segundo o qual a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, bem como, no artigo 149, VII, do mesmo CTN, o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.084 48 Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.085 49 Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade, a multa isolada, para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei) A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E a nova redação, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007 (o caso em debate), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.086 50 A matéria foi tratada exaustivamente no mencionado Acórdão nº 9101 002.438. de relatoria da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que de maneira precisa e objetiva, apresentou uma interpretação histórica, teleológica e sistêmica do dispositivo normativo. Transcrevo excerto no qual trata da não aplicação do princípio da consunção, no qual menciona entendimento da exConselheira Karem Jureidini Dias. Há argumentos no sentido de que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Dizem seus adeptos que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.087 51 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.088 52 imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.089 53 IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.090 54 de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos e exigidas de forma isolada. Enfim, transcrevo parte de conclusão do didático voto: A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Portanto, em relação à multa isolada sobre estimativa mensal, não há reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal. Não há que se falar em concomitância nos lançamentos de multa isolada e multa de ofício. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial em relação à matéria. Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.091 55 IV. Mérito. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Sobre a matéria, juros de mora sobre multa de oficio, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) O entendimento apresentado é convergente com o voto do REsp nº 1.129.990PR, conforme excerto transcrito 25. Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. 25 Vide ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1129990/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2009, DJe 14/09/2009) Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.092 56 A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação". A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.093 57 Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(Grifos no original) No mesmo sentido, vale citar o REsp 834.681MG e o AgRg no REsp 1.335.688PR. Enfim, a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, portanto, que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial em relação à matéria. Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.447 CSRFT1 Fl. 3.094 58 V. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Contribuinte em relação à matéria "sujeição passiva indireta", e negar provimento em relação às matérias "eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN", "concomitância da multa isolada com a multa de ofício" e "incidência de juros de mora sobre a multa de ofício". (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3094DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.910377/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.229
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 03 77 /2 00 9- 82 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF nº 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP [...], relativa à compensação do débito de R$ 5.506,25 de CSLL devido por estimativa (código de receita 2484) no mês de novembro/2004, com utilização do direito creditório de R$ 5.451,73 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 30/11/2004, da estimativa de CSLL de outubro/2004 (R$ 257.928,62). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 [...], não homologou a compensação declarada em 23/12/2005 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 04/05/2009 [...], a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade [...], instruída com os documentos [...], cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 5 4 b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; f) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subseqüentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; g) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; h) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. 4. É o relatório." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual repisa os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.221, de 14/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.910369/200936 paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.221): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DOS FATOS A recorrente protocolou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de compensação no processo administrativo em questão a qual entendeu que a contribuinte somente poderia utilizar o crédito na dedução do Imposto de Renda ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao final do período de apuração. A instância a quo manteve a decisão impugnada sob o argumento de que prevalece o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº. 460 de outubro de 2004, sendo que a mesma determinação permaneceu na IN SRF 600 de dezembro de 2005. Tal entendimento somente veio a ser modificado através da IN SRF 900 de dezembro de 2008, contudo esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, sob o que não cabe a aplicação do preceito do artigo 106 do CTN para fazer retroagir a norma mais favorável ao contribuinte, pois não se trata de norma estritamente interpretativa, pois, por se tratar de dispositivo que regula a compensação seria norma de natureza material, motivo pelo qual devem ser aplicadas as que estavam vigentes à época do encontro de contas. Declara ainda que o descumprimento do artigo 10 da IN 460 de 2004 caracterizaria violação ao preceito do artigo 170 do CTN o qual estabelece que o direito à compensação fica sujeito à condição e garantia que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o §14 do artigo 74 da Lei 9430/96 estabelecido que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 7 6 Diz também que a autoridade julgadora não pode descumprir o entendimento da própria Receita Federal. A recorrente inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma decisão recorrida, haja vista que não é este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CARF), conforme reiteradas decisões colacionadas ao recurso. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre a qual o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 8 7 restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 9 8 De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 10 9 apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 11 10 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 12 11 a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10980.910377/200982 Acórdão n.º 1402003.229 S1C4T2 Fl. 13 12 Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 670DF CARF MF
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Numero do processo: 10813.000022/2010-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 50, de 28.04.2010, efl. 30, com efeitos a partir de 01.05.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, no uso das suas atribuições e tendo em vista o disposto no inciso VII do art. 29 da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 00 22 /2 01 0- 49 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 78 2 Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 e no § 1° do art. 4° da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e do que consta no Processo Administrativo xf 10813.000022/201049, determina: 1 A exclusão da empresa VANDERLEI BIANCHINIME, CNPJ n° 05.408.218/0001 01, situada na Av. Jose Faifer, n° 20, Bairro Córrego Rico, Jaboticabal/SP, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 2 A exclusão surtirá efeito a partir de 01/05/2009. 3 Poderá a empresa, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste ADE, manifestarse por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto if 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.822, de 13.03.2013, efls. 3839: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 05.04.2013, efl. 42, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.05.2013, efls. 5368, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: II O Direito II. 1 PRELIMINARES II.1.1 DA INÉPCIA DA INICIAL: Com o devido respeito, mas a inicial (fls. 01) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL [...] descreve os fatos de forma Incompleta e inconsistente diante dos princípios constitucionais [...]. Embora se entrelaçando esta preliminar com a matéria de mérito, está claro que em momento algum ficou provado que houve comercialização dos referidos maços de cigarros; até porque, quando da realização de diligências da polícia o recorrente não se encontrava em seu estabelecimento comercial consoante se denota do B.O, pois, quem acabou sendo supostamente "averiguada" foi sua esposa Senhora Leonice Frelsleben Bianchini (que sequer assinou qualquer documento de fls. 08/09). Aliás, o B.O. e o histórico nele inserido não se presta a produzir prova alguma em se considerando a natureza do suposto ilícito citado na inicial ou seja, comercializar mercadorias... Apenas diz que em vistoria em bares desta cidade, Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 79 3 lograram êxito em apreender no local dos fatos, 10 maços de cigarros da marca Eight os quais foram encontrados desacompanhados da correspondente nota fiscal e com indícios de falsificação dos selos. Estranhamente, mas importante se verificar que o laudo pericial n. 1383/08??? às fls.11, diz claramente no primeiro quesito que o material se apresenta devidamente embalados e sem indícios de violação. PORTANTO, há uma dissonância entre o que consta do B.O que diz (...) "com indícios de falsificação dos selos". [...] Ora Excelências, se o núcleo do artigo 29, inciso VII da Lei Complementar n. 123/2006 utiliza o verbo comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, como se pode afirmar que "ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com a exclusão do SIMPLES NACIONAL? Com o princípio do [...] "aquilo que não consta dos autos não está no mundo jurídico" temos que no caso em tela, a petição inicial está inapta a produzir seus efeitos no mundo jurídico, pois da narração dos fatos não decorre logicamente a conclusão; pois sequer ficou demonstrada a comercialização e tampouco a figura do artigo 288 do código penal (contrabando ou descaminho) porque não houve qualquer tipo de investigação que levasse ao enquadramento legal acima citado. Diante de tal fato outra não pode ser a decisão se não acolher imediatamente a preliminar da inépcia da inicial, como forma da mais lídima justiça. II.1.2 DA CARÊNCIA DE AÇÃO: [...] Assim sendo, faltando ao presente procedimento qualquer uma das condições de ação o feito deverá ser julgado improcedente e, no caso, arquivado, por ser de justiça. [...] II. 2MÉRITO Terminada a fase de instrução e sendo o recorrente intimado a fazer o presente recurso, no mérito é importante também deixar claro que o presente procedimento administrativo não deve prosperar pelos motivos a seguir: 1. O auto de infração e termo de apreensão e guarda de fls. 03/04 e 05, em nome da requerida e sua esposa não pode prevalecer haja vista que o auditor apenas fez cumprir o que constava do B.O e seus agregados tais como auto de exibição e apreensão, laudo pericial, etc; porém, o fato é que a REVELIA também neste aspecto, se deu de forma nula, pois a pratica de comercialização não ficou comprovada. 2. Também não ficou comprovada a citada falta da correspondente nota fiscal, pois, os cigarros apreendidos pertenciam à pessoa física (do recorrente) de Vanderlei Bianchini que infelizmente é fumante. Sendo assim, comprou os cigarros para seu uso pessoal tanto que no citado B.O sequer informam onde os cigarros foram apreendidos, ou seja, se em exposição para venda, sob algum móvel, etc. NÃO HÁ ESPECIFICAÇÃO AINDA DE QUALQUER DANO AO ERÁRIO; assim sendo, COMPROVADAMENTE NÃO HÁ COMO IMPOR À REQUERIDA TANTO O PERDIMENTO DOS CIGARROS BEM COMO E PRINCIPALMENTE A EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. 3. O laudo pericial de fls. 11 e seguintes também é falho ao apontar que os cigarros apreendidos são de origem do Paraguai. E por quê? Achase isso por conta da selagem e supostamente a marca; porém não houve exame técnico específico para Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 80 4 se saber o 'D.N.A' do fumo existente em seu interior e que se pode eficaz e facilmente separar aquilo que é fabricado no Brasil e no Paraguai. 4. É também de se observar que na remessa n. 108/2009 (fls. 13) há uma demonstração de colocar todos em uma só lista (rotulagem) da prática ilícita que neste caso não ocorreu, ou seja, assim querem de forma uníssona impor a todos ali citados como membros de uma grande organização sonegadora de impostos e de crimes hediondos. É um absurdo total. Absurdo porque se realmente os fatos ocorreram deveria ser melhor apurado, ouvindose os investigadores, a suposta (o) averiguada (o) sobre os fatos, de onde efetivamente vieram os cigarros, se estavam expostos à venda ou se era para uso próprio, quem vendeu, etc. Vanderlei (recorrente) não sabe de quem comprou os cigarros. O fato de ser encontrado os cigarros no "local dos fatos" por si não induz a ninguém dizer que estava sendo comercializado, mormente porque esse aspecto não ficou devidamente apurado nos autos. 5. O processo (mesmo que administrativo) é para andar e não retroceder ou andar sem apurar. No caso, apenas e tão somente documentos sem valor algum que vieram da Policia Judiciária de Jaboticabal e mais nada, foram utilizados por este R. órgão e está sendo o suficiente para apreender, impor perdimento e o pior, impor a exclusão do SIMPLES NACIONAL TOTALMENTE SEM PROVA ALGUMA. 6. Outro fato ilegal são os A.R (S) de fls. 20 a 22 que foram entregues a pessoas distintas da pessoa que deveria ser intimada, no caso, o Senhor Vanderlei Bianchini, basta para tanto ver as assinaturas. [...] 8. Por outro lado, em face do exposto, seria uma ilegalidade sem limites a imposição do último parágrafo de fls. 28, que retroage a 01/05/2009 os efeitos do ato declaratório (fls.30) impondo a exclusão da requerida ao SIMPLES NACIONAL. 9. Vejam Excelências, que às fls. 33 ocorreu regularmente a intimação do Senhor Vanderlei Bianchini com sua verdadeira assinatura e não como aquelas citadas no item 06 deste tema, o que motivou o presente recurso tempestivamente. 10. Quanto ao pedido de reconsideração (fls. 34) feito pela requerida, num ato de desespero, acabou informando que as mercadorias adquiridas foram feitas sem notas fiscais, mas isso ocorreu porque a pessoa física Vanderlei Bianchini comprou as para seu uso como já fora informado anteriormente. [...] Por conseguinte, dispositivo de norma infraconstitucional, que traga no seu bojo o mecanismo da verdade sabida, neste ponto, não foi recepcionado pela Constituição (inconstitucionalidade superveniente) se a norma préexiste a esta. Se a norma posterior a Constituição é inconstitucional, pois, padece de vício material (referese ao conteúdo da norma), porque afronta matéria contida no art. 5º, LV, da Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: ** À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do processo administrativo em tela, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso com suas preliminares para o fim de assim ser decidido, cancelandose o ato declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL e seus Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 81 5 reflexos, ou seja, eventuais débitos fiscais, apreensão, perdimento do bem, etc. Pedido de arquivamento. ** Aguardase ser devidamente intimado da decisão para os devidos fins de direito. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 82 6 II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 83 7 Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: INTRODUÇÃO Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em RIBEIRÃO PRETO, Tendo lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810900/01853/09, constante do processo administrativo n° 10813000.020/2010 50, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com a exclusão do Simples Nacional, nos termos do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. [...] DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO A Delegacia de Polícia do Município de JaboticabalSP, da Polícia Civil do Estado de São Paulo, encaminhou à Delegacia de Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto SP, o Ofício 996/2009, datado de 24/09/2009, acompanhado do Boletim de Ocorrência n° 309/09 e Auto de Exibição e Apreensão em que encaminha cigarros apreendidos durante fiscalização feita pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/01853/09, Ofício n° 996/2009, Boletim de Ocorrência n° 309/2009, Auto de Exibição e Apreensão e Laudo, fls. 0313. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/01853/09 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10813.000020/201050 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 84 8 administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 85 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 86 10 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.822, de 13.03.2013, efls. 3839, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do artigo 29, inciso VII da Lei Complementar nº 123/2006, a exclusão da empresa optante pelo Simples Nacional darseá de ofício quando ela comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Conforme Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional e documentos que a instruem, a Polícia Civil do Estado de São Paulo apreendeu, no estabelecimento comercial do interessado, 10 maços de cigarros de procedência em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 87 11 estrangeira, sem a prova de sua introdução regular no país, configurando, em tese, crime de contrabando ou descaminho. Os argumentos de defesa não procedem. A contrário do que aduz o interessado, a comercialização de maços de cigarros, sem notas fiscais de aquisição (ou seja, sem a prova de sua introdução regular no país), é sim motivo para exclusão de ofício do Simples Nacional, por configurar, em tese, crime de contrabando ou descaminho. O argumento de que a exclusão da empresa do Simples Nacional implicaria no encerramento de suas atividades, é irrelevante para o julgamento deste processo, eis que tal circunstância não possui amparo na legislação do Simples Nacional. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 50, de 28.04.2010, efl. 30, com efeitos a partir de 01.05.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10813.000022/201049 Acórdão n.º 1003000.117 S1C0T3 Fl. 88 12 os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660431/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.832
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 31 /2 01 2- 67 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660431/201267 Acórdão n.º 3401004.832 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660431/201267 Acórdão n.º 3401004.832 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660431/201267 Acórdão n.º 3401004.832 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660431/201267 Acórdão n.º 3401004.832 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660431/201267 Acórdão n.º 3401004.832 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660431/201267 Acórdão n.º 3401004.832 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660438/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.839
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 38 /2 01 2- 89 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660438/201289 Acórdão n.º 3401004.839 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660438/201289 Acórdão n.º 3401004.839 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660438/201289 Acórdão n.º 3401004.839 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660438/201289 Acórdão n.º 3401004.839 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660438/201289 Acórdão n.º 3401004.839 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660438/201289 Acórdão n.º 3401004.839 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.904913/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 49 13 /2 01 2- 58 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10730.904913/201258 Acórdão n.º 3302005.653 S3C3T2 Fl. 208 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela DRJ/BHE, em sessão de 11 de novembro de 2014, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AnoCalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito liquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 25.11.2011, DCOMP objetivando compensar suposto crédito de PIS relativo ao mês de julho de 2010, com débito da mesma contribuição do mês de outubro de 2010. (fls. 19 a 24) Sobreveio, em 05.12.2012, despacho decisório noticiando que foi localizado o pagamento indicado na declaração de compensação, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do conteúdo do despacho decisório em 17.12.2012, a contribuinte protocolou, em 16.01.2013, requerimento para que fosse "reconsiderada a retificação de DCTF referente ao mês de julho/2010" com número de recibo nº 15.96.41.42.1962, transmitida em 14.01.2013. Tal requerimento foi recepcionado como manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ/BHE, sob o fundamento de que caberia ao contribuinte demonstrar qual o erro no valor por ele declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB, sob pena de se manter o indeferimento. Aduziu ainda a DRJ/BHE que a DACON transmitida antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior, bem como que a retificação de DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte de outros elementos de prova, não se presta para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em 17.11.2014 o contribuinte tomou conhecimento do acórdão recorrido, por meio de acesso ao ecac, protocolando recurso voluntário em 15.12.2014, onde alega, em síntese: a) embora tenha cometido erro no preenchimento da DACON e apresentado DCTF retificadora após a intimação da RFB, sofreu retenções, pela Petrobras, referentes ao código 6190 (IRPJ, CSLL, Cofins e PIS); Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10730.904913/201258 Acórdão n.º 3302005.653 S3C3T2 Fl. 209 3 b) na apuração do PIS não cumulativo referente ao mês de julho de 2010, por erro material, deixou de deduzir a totalidade das retenções sofridas, incorrendo em pagamento a maior equivalente a R$27.671,45 (fl. 75); c) que em diversos julgados, uma vez comprovada a existência do crédito, a verdade material prevalece sobre o formalismo, reconhecendose o direito ao crédito pleiteado. d) que além da DCOMP em análise nestes autos, foram transmitidas as DCOMP´s nº 02595.85228.251111.1.3.048757, no valor de R$20.036,40 e nº 13813.08208.251111.1.3.045248, no valor de R$2.354,53, perfazendo um total de R$53.845,07. (sic) Anexou cópias: I) da DCTF retificadora; II) do Informe de Rendimentos do ano calendário 2010; III) da PER/DCOMP; IV) do acórdão recorrido; V) da 12ª alteração contratual; VI) dos documentos do representante legal. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e do ônus probatório. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10730.904913/201258 Acórdão n.º 3302005.653 S3C3T2 Fl. 210 4 não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, até a interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte não apresentou qualquer documento que ao menos indicasse que o valor do PIS relativo mês de julho de 2010 era inferior ao que fora efetivamente recolhido, o que ocasionou o não reconhecimento de seu direito creditório pela DRJ. O art. 373 do CPC/2015 dispõe, com efeito, que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. No mesmo sentido dispõe o §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, ao estabelecer que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, ou, neste caso, junto a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Excepcionalmente, em homenagem ao princípio da verdade material, tem se admitido a juntada de provas documentais em momentos posteriores à manifestação de inconformidade. Ocorre que o único documento distinto das declarações transmitidas ao fisco e dos documentos de identificação e qualificação trazido aos autos foi a cópia do Informe de Rendimentos do ano calendário 2010, emitido pela Petrobrás S/A. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10730.904913/201258 Acórdão n.º 3302005.653 S3C3T2 Fl. 211 5 Não foi apresentado qualquer documento que comprove a receita auferida no mês de julho de 2010, e nem mesmo que o saldo do PIS a recolher deste período era inferior ao pagamento realizado. Para tanto, poderiam ter sido apresentados, por exemplo, cópias das folhas do livro diário que confirmem o valor do PIS apurado e as retenções deduzidas, e também cópias das folhas do livro razão relativas as contas de receita auferida e de apuração da contribuição, sendo que ambos deveriam ainda ser acompanhados de cópias dos termos de abertura e encerramento. Assim, tendo em vista que os documentos trazidos aos autos não se mostram suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar, não há como reconhecer o direito creditório declarado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.000922/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO INTEGRAL
Quando comprovado o recolhimento do montante integral dos tributos e multa de ofício devidos deve ser afastada a multa de ofício lançada.
Recurso Voluntário parcialmente conhecido e na parte conhecida deu-se provimento.
Numero da decisão: 3301-004.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida dar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO INTEGRAL Quando comprovado o recolhimento do montante integral dos tributos e multa de ofício devidos deve ser afastada a multa de ofício lançada. Recurso Voluntário parcialmente conhecido e na parte conhecida deu-se provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida dar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO INTEGRAL Quando comprovado o recolhimento do montante integral dos tributos e multa de ofício devidos deve ser afastada a multa de ofício lançada. Recurso Voluntário parcialmente conhecido e na parte conhecida deuse provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida dar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 09 22 /2 00 7- 22 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11131.000922/200722 Acórdão n.º 3301004.746 S3C3T1 Fl. 196 2 Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 121 a 146) interposto pelo Contribuinte, em 29 de setembro de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1660.100 (fls. 110 a 113), de 7 de agosto de 2014, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou, por maioria de votos, não conhecer da Impugnação (fls. 76 a 82) no tocante à matéria objeto de ação judicial, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, por intermédio do qual se exige o crédito tributário consolidado no valor de R$ 175.069,03, relacionado a tributos incidentes na importação (Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/COFINSImportação), além dos juros e multas; acerca dos fatos motivadores do respectivo lançamento, a autoridade fiscal descreveos em fls. 7 e seguintes, devendo dentre tais, entretanto, ressalvar o trecho transcrito a seguir, que menciona a impetração de medida judicial tendo por objeto a mesma matéria aqui impugnada. A autuada, por meio da DI (Declaração de Importação) no 05/04362059 ..., registrada em 29/04/2005, submeteu a despacho de importação uma Impressora Offset, Marca Sakurai, modelo Oliver a 272EII, fatura próforma B001004..., classificável na Tarifa Externa Comum no código 8443.19.90, conforme a única adição dessa DI. A mercadoria retromencionada foi desembaraçada sem o recolhimento de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o PIS ..., tendo a liberação ocorrido, em 04/04/2005... ao amparo do Agravo de Instrumento nr. 2004.81.00.0264843, da 2a Vara da Justiça Federal do Ceará. Porém, no julgamento do citado Mandado de Segurança, esta foi denegada por sentença. Tanto administrativamente, quanto no Mandado de Segurança acima citado, a empresa havia pleiteado imunidade do II e do IPI com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” da Constituição Federal, combinado com o inciso VII do artigo 14 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). Em relação ao COFINSimportação e PISimportação, havia solicitado não incidência dessas contribuições com base no inciso VII do artigo 2o da Lei no Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11131.000922/200722 Acórdão n.º 3301004.746 S3C3T1 Fl. 197 3 10.865/2004, o qual remete ao § 7o do artigo 195 da Constituição Federal... (fl. 07) Cientificada do auto de infração, a Impugnante apresentou sua defesa em fls. 76/82, oportunidade em que efetua, em suma, as seguintes alegações: (i) Não merece prosperar a autuação, uma vez que a Impugnante é entidade imune, nos termos preconizados pela Constituição Federal/CF, sendo, pois, destinatária das regras de imunidade prescritas pelos arts. 150, VI, “c”, e, 195, § 7o da CF, e, ao mesmo tempo, cumpridora dos requisitos previstos no art. 14 do Código Tributário Nacional/CTN; assim, de modo alguma qualquer tributação poderá atingir o seu patrimônio, como é o caso das exigências contidas na Lei no 8.212/91 (em virtudes de alterações procedidas pela Lei no 9.532/97), visando alterar aqueles requisitos estabelecidos pelo CTN; (ii) Sendo a Impugnante entidade beneficente, atuando no ramo de educação e assistência social, não auferindo lucro, e, portanto, cumpridora das exigências estabelecidas pelo art. 14 do CTN mencionado anteriormente, aplicando seus recursos na manutenção de seus fins, faz jus à imunidade de impostos e contribuições, nos termos previstos pela CF; (iii) Possui direito adquirido, uma vez que a constituição da pessoa jurídica impugnante deuse em momento anterior à vigência do DecretoLei no 1.577/77, desamparando, desse modo, os fundamentos do auto de infração, uma vez que somente poderão lhe serem exigidos aqueles requisitos determinados pelo art. 14 do CTN e pela Lei no 3.577/59, nos termos do seu art. 1º. (iv) Por derradeiro, requer que a sua impugnação seja considerada procedente. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão afastando a multa de ofício aplicada e reconhecer o direito a imunidade tributária prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal de 1988. O Contribuinte apresentou, ainda, Requerimento (fls. 163 a 166), em 2 de outubro de 2014, visando a suspensão da exigibilidade do Processo nº 11131.000922/200722. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1660.100, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11131.000922/200722 Acórdão n.º 3301004.746 S3C3T1 Fl. 198 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/04/2005 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Medida judicial: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula nº 1, Portaria CARF nº 52, de 2010). Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 11ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, não conhecer da impugnação, mantendose, por consequência o crédito tributário exigido no valor de R$ 175.069,03. Vencido o julgador Amilton Rodrigues Fonseca. Por meio do ora analisado Recurso Voluntário o Contribuinte requer que seja reformada a decisão da 11ª Turma da DRJ/SPO exonerando o valor cobrado neste processo administrativo, referente a DI nº 05/04362059, afastando a multa de ofício e os encargos e juros incidentes, além de reconhecer o direito pleiteado pelo Contribuinte à imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c e no art. 195, §7º da Constituição Federal, limitada aos requisitos estabelecidos no art. 14 do Código Tributário Nacional. Analisando o recurso extraise que o Contribuinte tratou das preliminares e do mérito, na seguinte ordem: Preliminares: . De imprescindibilidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão. Aplicação imediata do art. 151, III, c/c 205 e 206, todos do CTN; . Do direito do fisco de constituir os créditos tributários. Do direito a impugnálos; Mérito: . Da imunidade da Fundação Edson Queiroz; . Do direito adquirido à imunidade tributária. Após a interposição do referido Recurso Voluntário o Contribuinte apresentou Requerimento (fls. 163 a 166), em 2 de outubro de 2014, em que alega, apresentando comprovantes em anexo, que foram realizados os depósitos judiciais integrais dos valores exigidos nos autos do Mandado de Segurança nº 002648484.2004.4.05.8100 (2004.81.00.0264843), porém sua condição de devedor junto à Receita Federal do Brasil foi mantida quando realizou a pesquisa fiscal visando renovar sua Certidão Conjunta. Desta forma aponta no Requerimento (fls. 164): Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11131.000922/200722 Acórdão n.º 3301004.746 S3C3T1 Fl. 199 5 Alega ainda o Contribuinte que “além dos valores de principal e multa, a Requerente tratou de depositar também os encargos de juros, o que demonstra sua absoluta boafé”, considerando, portanto, indevida a manutenção de débitos na consulta fiscal. Além disso, o Contribuinte destaca que na via administrativa aguarda julgamento do seu Recurso Voluntário pelo CARF e na via judicial o Mandado de Segurança nº 002648484.2004.4.05.8100 encontrase no Superior Tribunal de Justiça (ARESPE nº 527880/CE), aguardando apreciação. Portanto a finalidade do Requerimento ora analisado é trazer ao processo a informação de que os créditos tributários provenientes das exações incidentes nas DIs discutidas em sede de Mandado de Segurança estão suspensos por conta dos depósitos judiciais realizados, não podendo ser óbice para a emissão da Certidão Conjunta do Contribuinte. Requer, por fim, que seja suspensa a exigibilidade do presente processo administrativo, uma vez que os débitos estão integralmente garantidos pela comprovação dos depósitos judiciais. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11131.000922/200722 Acórdão n.º 3301004.746 S3C3T1 Fl. 200 6 Em que pese o entendimento do Contribuinte, a questão central neste processo é a opção de discutir a matéria objeto dos presentes autos por intermédio de processo judicial e neste sentido cito o voto da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls. 112 e 113): Consoante relatado, a matéria aqui impugnada já fora objeto de ação judicial, mais especificamente, já fora discutida e decidida no âmbito do Mandado de Segurança no 2004.81.00.0264843, oportunidade em que foi exarada sentença denegando a segurança pleiteada (fls. 52/56). Pois bem, o direito brasileiro consagra, expressamente, o Princípio da Unidade de Jurisdição, onde “A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.” Esse princípio, ou Sistema de Jurisdição Única, é aquele segundo o qual a função jurisdicional é monopólio do Poder Judiciário, de cuja apreciação não pode ser excluída qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito ( art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988). A CF/88 não adotou, assim, o sistema de contencioso administrativo de inspiração francesa (dualidade de jurisdição), limitando a aplicação do processo administrativo em relação ao judicial; por tal fato, inferese que, em havendo a impetração de qualquer espécie de medida judicial tendo por objeto dirimir conflito acerca de matéria impugnada administrativamente, qualquer decisão administrativa que se fizer não será definitiva, dependendo o seu cumprimento do respectivo provimento judicial. Assim, em face de pedido formulado em ação judicial, visando não acatar a exigência fiscal, não se dará seguimento à impugnação, em homenagem ao referido princípio, sem que isso implique ofensa ao direito de defesa do contribuinte. A opção do sujeito passivo em submeter a controvérsia à tutela do Poder Judiciário faz presumir a renúncia ao seu direito de ver apreciada a mesma matéria na esfera administrativa. Sendo prerrogativa constitucional da função jurisdicional dirimir de forma definitiva os conflitos de interesses, não faz sentido discutir a mesma matéria, concomitantemente, em duas instâncias. A eleição da via judicial impõe, como decorrência lógica, o abortamento da instância administrativa. Procurando uniformizar, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os procedimentos a serem adotados, na hipótese de sobreposição de instâncias, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação fixou, por meio do Ato Declaratório Normativo COSIT no 03, de 14/02/1996, a seguinte orientação: Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.o 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n.o 27/96, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11131.000922/200722 Acórdão n.º 3301004.746 S3C3T1 Fl. 201 7 (...) Acerca do assunto, a orientação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria CARF no 52, de 2010, é a seguinte: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois, tal procedimento feriria a Constituição Federal do Brasil, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. De todo o exposto, Voto por não conhecer da Impugnação e manter o crédito tributário exigido e devido no presente auto de infração. A decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido traz o entendimento no sentido de não conhecer da Impugnação apresentada pelo Contribuinte uma vez que ao optar pela via judicial, por meio do Mandado de Segurança nº 002648484.2004.4.05.8100, o Contribuinte acaba, necessariamente, por renunciar a apreciação da matéria na esfera administrativa, uma vez que a apreciação do Poder Judiciário não pode ser excluída de qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito, conforme o art. 5º, XXXV da Constituição Federal. Com isso posto voto por não conhecer do mérito do Recurso Voluntário por concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial impetrado pelo Contribuinte. Quanto ao Requerimento do Contribuinte de 2 de outubro de 2014, em que alega, apresentando os respectivos comprovantes, que foram realizados os depósitos judiciais integrais dos valores exigidos nos autos do Mandado de Segurança nº 0026484 84.2004.4.05.8100 (2004.81.00.0264843), requer o afastamento da multa de ofício e dos juros correspondentes. Como se verifica o depósito integral, voto por afastar a multa de ofício e os encargos e juros incidentes Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto por dar conhecimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte, e, na parte conhecida, dar provimento para afastar a multa de ofício e os encargos e juros incidentes devido ao depósito integral. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11131.000922/200722 Acórdão n.º 3301004.746 S3C3T1 Fl. 202 8 Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 13411.000504/2001-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1996 a 29/02/1996, 01/06/1996 a 30/06/1996, 01/05/1997 a 31/12/2000
PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08
O Plenário do Supremo Tribunal Federal - STF, ao debater a edição da Súmula Vinculante nº 8, acentuou que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art.5º do DL nº1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 não alcança os créditos de natureza não tributária, e o parágrafo único do art. 5 do DL nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais em razão das normas relativas à prescrição e à decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art.18, §1º, da CF de 1967/1969) quanto sob a Constituição atual (art.146, b, III, da CF/1988).
PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS - STJ.
O Superior Tribunal de Justiça- STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN).
Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, sob pena de perda do mandato.
Numero da decisão: 9303-007.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08 O Plenário do Supremo Tribunal Federal STF, ao debater a edição da Súmula Vinculante nº 8, acentuou que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art.5º do DL nº1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 não alcança os créditos de natureza não tributária, e o parágrafo único do art. 5 do DL nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais em razão das normas relativas à prescrição e à decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art.18, §1º, da CF de 1967/1969) quanto sob a Constituição atual (art.146, b, III, da CF/1988). PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS STJ. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 05 04 /2 00 1- 29 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13411.000504/200129 Acórdão n.º 9303007.001 CSRFT3 Fl. 380 2 Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, sob pena de perda do mandato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, vigente á época, contra acórdão nº 20217.465, proferido pela 2º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir o lançamento relativo a fatos geradores de janeiro e fevereiro de 1996, em razão da decadência. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado em decorrência da insuficiência de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativa aos meses de janeiro, fevereiro e junho de 1996, e por falta de pagamento nos meses de maio de 1997 a dezembro de 2000, do qual a contribuinte teve ciência em 24/05/2001. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a contribuinte obteve ordem liminar em Mandado de Segurança para apurar sua base de calculo segundo as mesmas regras aplicáveis ãs instituições financeiras, ou seja, sobre o lucro operacional bruto. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13411.000504/200129 Acórdão n.º 9303007.001 CSRFT3 Fl. 381 3 Entretanto, esta medida não impediu o lançamento da multa de oficio, pois a ação judicial foi impetrada em 18/04/2001, quando a Fiscalização já estava em andamento, de vez que havia sido iniciada em 12/04/2001. O Acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1996 a 29/02/1996, 01/06/1996 a 30/06/1996, 01/05/1997 a 31/12/2000 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS extinguese em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 42 , do CTN. Excluise, pois, do lançamento as parcelas relativas aos fatos geradores ocorridos antes de 24/05/1996. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. O recurso voluntário não se presta para pedir compensação de tributo desvinculado do lançamento tributário. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. No lançamento de oficio decorrente da falta de recolhimento de tributo federal é cabível a aplicação da multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. cabível a exigência, no lançamento de oficio, de juros de mora calculados com base na variação acumulada da taxa Selic, nos termos da previsão legal expressa no art. 13 da Lei nº 9.065, de 20/06/1995. Recurso provido em parte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária ao entendimento do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, defende o prazo de 10 anos para o Fisco proceder a formalização de exigência da contribuição social em causa, indica como paradigma o Acórdão nº 20308.633, de 29/01/2003. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13411.000504/200129 Acórdão n.º 9303007.001 CSRFT3 Fl. 382 4 Em seguida, o Presidente da extinta Segunda Câmara, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 230/232. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso, ás fls. 249/251. Devidamente cientificada, a Contribuinte também apresenta Recurso Especial, alega interpretação divergente da legislação tributária, indica como paradigmas os acórdãos de nºs 10705.089 e 30131.013. O Presidente da Segunda Câmara, negou seguimento ao Recurso, por entender que não houve comprovação de dissídio jurisprudencial nos termos da legislação de regência. Nada obstante, a Contribuinte interpôs agravo em face do despacho que negou seguimento o recurso interposto. Em seguida, o Presidente do CARF rejeitou o recurso de agravo e manteve na integra o despacho que denegou seguimento ao Recurso. No essencial é o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, contra a Contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração lavrado em decorrência da insuficiência de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativa aos meses de janeiro, fevereiro e junho de 1996, e por falta de pagamento nos meses de maio de 1997 a dezembro de 2000, do qual a contribuinte teve ciência em 24/05/2001. Por sua vez, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar os fatos geradores de janeiro e fevereiro de 1996, no sentido de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo para o PIS é de cinco anos, considerando que no presente caso, a ciência do auto de infração se deu em 24/05/2001, de modo que não pode subsistir nenhuma exigência decorrente de fatos geradores ocorridos antes de 24/05/1996. Alega a Fazenda Nacional, que o prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias são de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/9, vez que o auto de infração foi lavrado em data anterior á do término do prazo de dez anos, devendo ser reformado integralmente o acórdão vergastado. Prima facie, cabe ressaltar que se aplica ao caso em questão a Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que passou a ser adotado o prazo limite de cinco anos estabelecido pelo Código Tributário Nacional CTN. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13411.000504/200129 Acórdão n.º 9303007.001 CSRFT3 Fl. 383 5 Neste sentido, afasto aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, e passo a decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário Nacional, se da data de ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Analisando a quaestio, com a alteração regimental, que o art. 62, § 2 ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo, sob pena de perda de mandato. Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O precedente tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13411.000504/200129 Acórdão n.º 9303007.001 CSRFT3 Fl. 384 6 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos)". Assim, de um exame meticuloso junto aos autos, verifico que houve recolhimento parcial da contribuição, na linha do que foi decidido pelo STJ, aplico o prazo decadencial de 5 anos relativo ao PIS, nos termos do artigo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, por conseguinte, estão decaídos os períodos anteriores a julho de 1998, já que a Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/07/2003. Quanto as demais questões do Recurso, o mérito da exigência está sendo discutido na esfera judicial, como se demonstra na petição inicial acostada junto aos autos. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13411.000504/200129 Acórdão n.º 9303007.001 CSRFT3 Fl. 385 7 Fl. 385DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.001590/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 15 90 /2 00 5- 31 Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.749, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (apurada no regime nãocumulativo), relativos ao quarto trimestre de 2004. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 067/2008, às folhas 1417 a 1421, e Despacho Decisório, à folha 1422), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 1427 a 1449, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itaj aí/SC ao deixar de considerar entendimento j á pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 4 3 internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também ofato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. Por fim, traz a contribuinte relatórios de "Serviços de Conferência de Capatazia", emitidos pelo "Sindicato de Conferentes de Itajaí", referentes à atracação de navio estrangeiro, com fins de evidenciar, por tais documentos, a efetiva prestação dos serviços de descarga, embarque e remoção de conteineres vazios e cheios, a pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no exterior, por meio de representantes residentes e domiciliados no Brasil. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 5 4 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.069, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 2523 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 6 5 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com declaração de compensação de fls. 420/421 (R$ 15.135,22 – crédito de dezembro) protocolada em 06/06/2005. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 7 6 comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 8 7 Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 9 8 operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 10 9 A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 11 10 E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10909.001590/200531 Acórdão n.º 3302005.564 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 2616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900082/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI – PER nº 12552.31509.140305.1.1.015243, referente ao 3º trimestre de 2004, no montante de R$ 250.123,65. Ao crédito foi vinculada a declaração de compensação DCOMP nº 19181.70036.300305.1.3.018863, transmitida para quitar débito no montante de R$ 36.817,35. 2. Tal pedido foi indeferido, o que motivou a recorrente interpor a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/14, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão n. 0941.717, proferido pela DRJ de Juiz de Fora/MG (fls. 46/55), assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 00 08 2/ 20 09 -8 2 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.900082/200982 Resolução nº 3402001.390 S3C4T2 Fl. 91 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando estes produtos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). O mesmo ocorre com o crédito presumido que demanda que a operação de exportação se dê sobre produtos tributados. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, pneus fora da estrada, eletrodos para soldagem, graxas para máquinas e equipamentos, a energia elétrica e combustíveis, etc., elementos que não atuam diretamente sobre o produto, e, ainda, os gastos com a prestação de serviços não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PERÍCIA. DILIGÊNCIA. É o julgador de primeira instância competente para denegar a diligência ou perícia prescindível, assim também entendida aquela que não afetará a solução do litígio, em razão de já haver já nos autos motivo suficiente para a formação de sua convicção e denegação do pleito do contribuinte (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.900082/200982 Resolução nº 3402001.390 S3C4T2 Fl. 92 3 3. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o "recurso voluntário" de fls. 60/61, oportunidade em que informou a adesão ao parcelamento veiculado pela lei n. 11.941/09, adesão essa que, segundo o contribuinte, por uma "falha sistêmica", teria sido efetuada mediante protocolo físico (fls. 62/65). 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Como mencionado alhures, um dos fatos trazidos ao conhecimento deste Colegiado seria a adesão do contribuinte ao chamado REFIS IV, o que, se de fato ocorrido, implicará a extinção da presente contenda pela perda do seu objeto. Acontece que os documentos acostados aos autos não são suficientes para atestar se de fato a sobredita adesão foi efetivada, motivo pelo qual resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: (i) cópias dos documentos que atestam a suposta adesão do contribuinte ao REFIS IV e a eventual situação deste parcelamento, indicando, inclusive, (i.i.) a data em que tal fato teria ocorrido e (i.ii) se o débito aqui discutido está abrangido por este eventual parcelamento. 6. Uma vez realizada a diligência acima, (ii) deverá o Recorrente ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 7. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 92DF CARF MF
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