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Numero do processo: 10880.961840/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 18 40 /2 00 8- 00 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.961840/200800 Acórdão n.º 1301003.159 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.961840/200800 Acórdão n.º 1301003.159 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.961840/200800 Acórdão n.º 1301003.159 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.961840/200800 Acórdão n.º 1301003.159 S1C3T1 Fl. 6 5 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.961840/200800 Acórdão n.º 1301003.159 S1C3T1 Fl. 7 6 d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10880.961840/200800 Acórdão n.º 1301003.159 S1C3T1 Fl. 8 7 Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940314/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 31 4/ 20 11 -7 5 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940314/201175 Resolução nº 3301000.675 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940314/201175 Resolução nº 3301000.675 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940314/201175 Resolução nº 3301000.675 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724547/2015-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
NULIDADE. FISCALIZAÇÃO. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. CARÁTER INQUISITORIAL
O procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo, sendo-lhe vedado retificar a declaração de ajuste anual relativa ao exercício sob fiscalização.
DEPENDENTE. Comprovada a efetiva relação de dependência entre o titular e o dependente na DAA, deve ser cancelada a respectiva glosa.
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, somente poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em cumprimento de acordo, decisão judicial ou escritura pública devidamente comprovada.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Comprovadas as despesas médicas realizada em nome da dependente deve ser cancelada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir as deduções, vinculadas a Avanir Machado Neves, de dependente e de despesas médicas no montante de R$ 2.135,26.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente NEWTON ALVES DE REZENDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 NULIDADE. FISCALIZAÇÃO. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. CARÁTER INQUISITORIAL O procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo, sendo lhe vedado retificar a declaração de ajuste anual relativa ao exercício sob fiscalização. DEPENDENTE. Comprovada a efetiva relação de dependência entre o titular e o dependente na DAA, deve ser cancelada a respectiva glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, somente poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em cumprimento de acordo, decisão judicial ou escritura pública devidamente comprovada. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Comprovadas as despesas médicas realizada em nome da dependente deve ser cancelada a glosa. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 45 47 /2 01 5- 56 Fl. 79DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir as deduções, vinculadas a Avanir Machado Neves, de dependente e de despesas médicas no montante de R$ 2.135,26. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS): O contribuinte supra identificado foi notificado a recolher Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código 2904, no valor de R$3.927,41 decorrente da glosa de dedução de dependentes no valor de R$1.974,72 (fl. 20), glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$14.400,00 e glosa de despesas médicas no valor de R$2.530,00 por falta de comprovação. Enquadramento legal: a) Arts. 8º, inciso II, alínea “c”, e 35 da Lei nº 9.250/95; arts. 2º e 15 da Lei nº 10.451/2002; art. 38 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 77 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99; b) art. 8º, inciso II, alínea “f”, da Lei nº 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 78 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 – RIR; c) art. 8º, inciso II, alínea “a”, e §§ 2º e 3º da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99RIR. O notificado apresentou a impugnação das folhas 4 a 11 em 20/08/2015, através de seu representante legal, qualificado na folha 12, requerendo prioridade na tramitação do processo Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.724547/201556 Acórdão n.º 2202004.518 S2C2T2 Fl. 80 3 administrativo com base no art. 71 da Lei nº 10.741/2003 e alegando a tempestividade da impugnação e que não concorda com o lançamento do principal, multa e juros visto que não foi notificado ou intimado pela RFB que estava na “malha fina” devido a pendências na sua Declaração de Ajuste Anual – DAA e que por este motivo o lançamento deve ser considerado nulo. Quanto a pensão alimentícia, alega o contribuinte que é responsável pela pensão paga a Geralda Maria do Nascimento cuja glosa foi devido a falta de comprovação da dependência através da Certidão de Casamento. Requer a nulidade do lançamento por falta de notificação devido ao direito constitucional previsto no artigo 5º, inciso LV da CF/. Alega ter o direito a revisão da sua DAA do exercício 2013 com base no art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto nº 3.000/99). Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com base no artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional – CTN. Conclui pedindo que: a)seja acolhida a preliminar de nulidade visto que não foi concedido direito de defesa antes do lançamento fiscal; b) que seja concedido prazo e direito de revisar sua DAA do exercício 2013; c) que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário; d) que sejam recebidos os comprovantes dos fatos alegados e declarado nulo o lançamento fiscal; e) que seja declarado a inexistência de débitos junto a RFB Tendo em vista o disposto na Portaria nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e conforme definição da CoordenaçãoGeral de contencioso administrativo e judicial da RFB, o presente eprocesso foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), negou provimento à Impugnação (fls. 32), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. Fl. 81DF CARF MF 4 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo, sendolhe vedado retificar a declaração de ajuste anual relativa ao exercício sob fiscalização. DEPENDENTE. Não comprovada a efetiva relação de dependência entre o titular e o dependente na DAA, deve ser mantida a respectiva glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, somente poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em cumprimento de acordo, decisão judicial ou escritura pública. Os valores referentes ao 13º salário são tributados exclusivamente da fonte e não são passíveis de dedução na DAA. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto, está condicionada ao atendimento de requisitos previstos em lei, sendo que a autoridade lançadora pode solicitar a comprovação ou justificação das deduções, sendo ônus do declarante a comprovação do direito às deduções utilizadas na declaração. Cientificado (AR fls. 44), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 46/54), no qual requer a juntada, em fase recursal, os seguintes documentos: a) declaração de pagamento emitida pelo grupo AMIL (fls. 57/64); b) declaração de Geralda Maria do Nascimento de que recebeu a importância de R$ 2.712,00 nos meses de janeiro à dezembro (fls. 65); c) certidão de casamento do Recorrente com Avanir Machado das Neves (fls. 66) d) Escritura Pública de Divórcio Consensual com Partilha de bens de Newton Alves de Rezende e Geralda Maria do Nascimento (fls. 72) É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.724547/201556 Acórdão n.º 2202004.518 S2C2T2 Fl. 81 5 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) PRELIMINARES 1.1) NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO Alega a Recorrente que ausência de notificação antes que fosse procedida o presente lançamento é causa de nulidade por ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa Incorretas as alegações do Recorrente. Em primeiro lugar, é importante esclarecer que não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização. Isso porque ele é, essencialmente, inquisitorial, não havendo que se falar em contraditório e ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é Fl. 83DF CARF MF 6 eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014) Sendo assim, não há que se falar nulidade do lançamento por ausência de citação do contribuinte antes da autuação fiscal. 1.2) DA REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DAA O Recorrente insiste em alegar que, nos termos do art. 835 do RIR/99, teria o direito à revisão da sua Declaração de Ajuste Anual DAA e, com isso, excluir eventual multa de ofício. Ora, como bem esclareceu a decisão recorrida: Quanto a retificação da DAA, cabe esclarecer que a mesma pode ser feita a qualquer tempo, entretanto, a partir do início do procedimento fiscal perde a espontaneidade,conforme previsão do artigo 7º do Decreto 70.235/72, e não tem mais direito a proceder a retificação. Art. 7o O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1 O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas §2° Para os efeitos do disposto no § Io, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.724547/201556 Acórdão n.º 2202004.518 S2C2T2 Fl. 82 7 (...) Assim, uma vez iniciada a ação fiscal, toda e qualquer alteração na Declaração de Ajuste Anual do período sob fiscalização deve ser efetuada de ofício pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento. Portanto, não cabe o pedido de revisão da sua DAA visto que a mesma foi revista de ofício através da fiscalização. Improcedente, portanto, a pretensão do Recorrente, devendo ser mantida a glosa do montante de R$ 14.400,00 pagos à título de pensão alimentícia. 2) MÉRITO 2.1) DA POSSIBILIDADE DA JUNTADA DE DOCUMENTOS EM FASE RECURSAL O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) Fl. 85DF CARF MF 8 "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) A Recorrente requereu a juntada, em grau de recurso dos documentos de fls 57/74. Como se tratam de documentos cuja análise pode ser feita de plano, aceito a juntada em homenagem ao princípio da verdade material. 2.2) DEDUÇÃO DAS DESPESAS COM A DEPENDENTE AVANIR MACHADO DAS NEVES Em relação à dedução com as despesas do plano de saúde da dependente Avanir Machado das Neves Rezende, o Recorrente juntou, em fase recursal, comprovantes de pagamento do plano de saúde (fls. 57/64) e a certidão de casamento de fls. 66. A decisão recorrida indeferiu a dedução das referidas despesas, uma vez que "o contribuinte não anexa aos autos qualquer documento (Certidão de Casamento ou Escritura Pública) capaz de comprovar a relação de dependência de Avanir Machado das Neves Rezende, logo, fica mantida a glosa de dependente. Os incisos do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, discriminam quem pode ser considerado dependente para fins de imposto de renda: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.724547/201556 Acórdão n.º 2202004.518 S2C2T2 Fl. 83 9 VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte.(grifamos) Dessa forma, uma vez juntada aos autos a certidão de casamento do Recorrente com a Sra Avanir deve ser reconhecido o direito à dedução das despesas. 2.2) DEDUÇÃO DA PENSÃO ALIMENTÍCIA Sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo a pensão judicial, nos seguintes termos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em Fl. 87DF CARF MF 10 virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A decisão recorrida indeferiu a dedução das despesas com pensão alimentícia em razão da falta de apresentação de escritura pública ou acordo judicialmente homologado fixando o valor da pensão, nos seguintes termos: O contribuinte, mesmo intimado, não comprova que o pagamento da pensão decorre de decisão judicial, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da folha 21, como segue: “Glosas das pensões alimentícias pagas a Geralda Maria do Nascimento no valor de R$14.400,00 por falta de apresentação de Escritura Pública, Decisão Judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia conforme solicitado na intimação.”(grifei) Para comprovar o pagamento, o notificado anexou o Termo de Atendimento nº 2013/10000141670 de 04/09/2014 onde solicitou a análise de pendências verificadas na DAA entregue em 28/04/2013 e posteriormente, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 2013/139857702528404, anexou declaração de GERALDA MARIA DO NASCIMENTO, CPF nº 015.714.83942, informando que recebeu pensão alimentícia do notificado no valor de R$32.544,00 no ano calendário 2013, quando o lançamento referese ao ano calendário 2012 e a DAA não constitui prova do efetivo pagamento. Portanto, não atende a solicitação fiscal que é a apresentação da decisão judicial, acordo homologado ou a escritura pública. Em seu recurso, o Recorrente faz a juntada da Escritura Pública de Divórcio Consensual com Partilha de bens de Newton Alves de Rezende e Geralda Maria do Nascimento (fls. 69/72). No item 1 da referida escritura (fls. 71) está expressamente previsto o pagamento da pensão alimentícia e o seu valor, nestes termos: 1) DA PENSÃO ALIMENTÍCIA: que fica instituída a prestação de pensão alimentícia, a ser paga pelo cônjuge varão a conjuge virago, fixada em 04 (quatro) salários mínimos, do país, equivalentes, nesta data a R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais) sendo reajustado de acordo com o aumento dado pelo governo. Todavia, o recibo juntado às fls. 69 referese ao Exercício 2014, ano calendário 2013. O presente lançamento referese ao anocalendário 2012. Tal fato foi identificado na decisão recorrida e o contribuinte não juntou, em grau de recurso, a documentação apontada. 2.3) DEDUÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.724547/201556 Acórdão n.º 2202004.518 S2C2T2 Fl. 84 11 A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 89DF CARF MF 12 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos) A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas por entender que: No presente caso, o contribuinte informou pagamentos efetuados ao Plano de Saúde AMIL no valor de R$2.530,00 referente a dependente Avanir Machado das Neves, CPF 584.784.77934 cuja relação de dependência não foi comprovada nos autos e, portanto, não pode efetuar deduções de não dependente. Logo, mantémse a referida glosa por não estar comprovada a despesa e por não comprovar a relação de dependência da beneficiária do plano de saúde. Intimado da referida decisão, o contribuinte, juntou, em fase recursal, os documentos de comprovantes de pagamento do plano de saúde (fls. 57/64) e a certidão de casamento de fls. 66 por meio dos quais procura sanar as objeções apontadas na decisão recorrida, devendo, portanto, ser parcialmente acatada a dedução com despesa médica. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, , em dar provimento parcial ao recurso, para admitir as deduções, vinculadas a Avanir Machado Neves, de dependente e de despesas médicas no montante de R$ 2.135,26. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.724547/201556 Acórdão n.º 2202004.518 S2C2T2 Fl. 85 13 Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.990907/2009-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 09 07 /2 00 9- 96 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10880.990907/200996 Acórdão n.º 3002000.271 S3C0T2 Fl. 322 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 14.036,19, relativo ao período de apuração setembro/2004, com débitos também de Cofins (fls. 1 a 4). Por meio de Despacho Decisório à fl. 5, a Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou que seu direito ao crédito decorria da aplicação retroativa da sistemática cumulativa sobre as receitas decorrentes de contratos anteriores a outubro/2003, conforme estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 468/2004. Como se esqueceu de retificar DCTF e Dacon, a Derat considerou ser o crédito inexistente, problema esse que foi sanado com a retificação das declarações (fls. 9 a 13). Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório da Derat, atos de constituição e representação da empresa, as DCTFs retificadoras do 1º ao 4º trimestre de 2004 e os Dacons retificadores do mesmo período (fls. 14 a 133). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 54.328 (fls. 136 a 141), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que, na ausência de documentação probatória que desse suporte às alterações promovidas nas declarações, a DCTF e o Dacon retificados após ciência do Despacho Decisório não seriam suficientes para conferir certeza e liquidez ao crédito que se pretendia compensar. Consignouse no voto que não houve demonstração documental do atendimento às várias condições estabelecidas na IN SRF nº 468/2004, de modo a permitir ao contribuinte apurar as contribuições na forma como o fez, restando incerto o direito à utilização do regime cumulativo. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF e o Dacon retificados após a ciência do despacho decisório não podem ser considerados instrumentos hábeis para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10880.990907/200996 Acórdão n.º 3002000.271 S3C0T2 Fl. 323 3 O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 19/02/2016 (sextafeira), conforme AR constante à fl. 143, e protocolizou seu recurso voluntário em 22/03/2016 (último dia do prazo), conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 144. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que não há impedimento para a retificação da DCTF após o Despacho Decisório, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do Carf, e que a documentação juntada à Manifestação de Inconformidade é suficiente para provar seu direito creditório, devendo ser promovida reforma da decisão de primeira instância (fls. 145 a 152). Junta, a título de prova, atos de constituição e representação da empresa, a DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004, o Dacon retificador do 3º trimestre de 2004, Per/Dcomp, o Despacho Decisório, a Manifestação de Inconformidade, o Acórdão DRJ e o Darf informado no PER/Dcomp (fls. 153 a 317). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este julgamento recai sobre a prova suficiente do direito creditório quando pleiteado pelo contribuinte. Em relação aos fundamentos da decisão de primeira instância, não se contesta a assertiva de que o ônus probatório repousa sobre quem postula a compensação. Contestase apenas a afirmativa de que a retificação da DCTF e Dacon após o Despacho Decisório, desacompanhada de documentação que demonstre o acerto e veracidade das alterações, não faz prova de direito creditório. O Recurso Voluntário tem como ponto central a alegação de que tais retificações são, sim, prova suficiente, sem maiores considerações. Antes de adentrar a questão posta pelo contribuinte, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida que vise a reduzir tributo. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10880.990907/200996 Acórdão n.º 3002000.271 S3C0T2 Fl. 324 4 Somese a essas considerações que a DCTF constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984. Logo, eventual retificação dessa confissão de dívida deve estar necessariamente amparada por suporte probatório, sendo tal obrigação afirmada, entre outros dispositivos, pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), nos seguintes termos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Já o Dacon é um demonstrativo da apuração das contribuições sociais que auxilia a fiscalização, mas não tem o mesmo status jurídico que a DCTF. Assim, como dito, é um indício, mas não é prova. Procedendose à análise das razões de decidir preconizadas no Acórdão da DRJ, constatase o mesmo entendimento deste Colegiado, não havendo qualquer reforma ou mesmo reparo a ser feito à decisão, que está bem fundamentada e que adoto como motivo de decidir em complemento ao que consta neste voto. Transcrevemse os trechos pertinentes: A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. O contribuinte alega que o crédito foi apurado em razão do ajuste que teria efetuado, alterando o regime nãocumulativo de incidência total para o regime nãocumulativo de incidência sobre a receita parcial, nos termos do art. 1º da IN SRF nº 468, de 8 de novembro de 2004. Esse ato normativo, ao regulamentar o disposto no caput e no inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 dezembro de 2003, estabeleceu várias condições a serem observadas para a permanência no regime da cumulatividade das receitas auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) O manifestante, no entanto, não trouxe aos autos quaisquer documentos que comprovem o auferimento de receitas, a partir de 1º de fevereiro de 2004, vinculadas a contratos firmados antes de 31/10/2003 nas condições estabelecidas pela IN nº 468/2004, como aquelas relativas aos tipos de contratos, prazo e preço fixado. Não é suficiente a afirmação de que procedeu a ajustes na forma de apuração das contribuições sem a demonstração documental da origem do seu procedimento. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10880.990907/200996 Acórdão n.º 3002000.271 S3C0T2 Fl. 325 5 (...) Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. (grifado) Do exposto, concluise que o contribuinte não logrou demonstrar que cumpria as condições para continuar a apurar as contribuições no regime cumulativo e nem que o montante que alegou ter como crédito contra a Fazenda estava correto. Uma vez não comprovada nem a certeza nem a liquidez do crédito, não é possível o reconhecimento do direito à compensação, que somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Em relação à alegação de que não há impedimento para a retificação da DCTF após o Despacho Decisório, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do Carf, não há discordância por parte desta relatora. O ponto a se destacar é que a retificação apresentada após o Despacho Decisório desacompanhada de documentação hábil e suficiente não faz prova do direito que se alega. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725500/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.972
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 55 00 /2 01 2- 05 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13811.725500/201205 Acórdão n.º 3201003.972 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.443, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13811.725500/201205 Acórdão n.º 3201003.972 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13811.725500/201205 Acórdão n.º 3201003.972 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13811.725500/201205 Acórdão n.º 3201003.972 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721770/2011-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL.
O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobreleva-se dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio torna-se extinto.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO.
Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
MULTA QUALIFICADA. EMPREGO DE EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO ECONÔMICO.
O emprego de empresa veículo, despida de propósito econômico, com o fim de dar a aparência de obediência aos requisitos de dedutibilidade do ágio amortizado, previstos nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, autoriza a aplicação da multa qualificada, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2007.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação ao ágio, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobreleva-se dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio torna-se extinto. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA QUALIFICADA. EMPREGO DE EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO ECONÔMICO. O emprego de empresa veículo, despida de propósito econômico, com o fim de dar a aparência de obediência aos requisitos de dedutibilidade do ágio amortizado, previstos nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, autoriza a aplicação da multa qualificada, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação ao ágio, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobrelevase dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio tornase extinto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 70 /2 01 1- 11 Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.479 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA QUALIFICADA. EMPREGO DE EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO ECONÔMICO. O emprego de empresa veículo, despida de propósito econômico, com o fim de dar a aparência de obediência aos requisitos de dedutibilidade do ágio amortizado, previstos nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, autoriza a aplicação da multa qualificada, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação ao ágio, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.480 3 Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL relacionados à despesas de amortização de ágio, nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010, com aplicação de multa de 150%. As infrações são descritas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 47): Isto posto, temse que dos valores deduzidos a título de amortização de ágio da base de cálculo do imposto de renda – IRPJ e da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, (...) com exceção do ágio relativo à aquisição societária da Companhia Maranhense de Refrigerantes – CMR que não fora adicionada para apuração da CSLL, cujo fato será tratado em termo específico, os demais valores são decorrentes da operação de incorporação, em 01/0/2007, da Leovin Participações (...), a qual detinha, formalmente, 40% de participação no capital da fiscalizada, adquirida, em 24/01/2005, por 135.400.000,00 (...), sendo 61.657.096,00 relativo ao valor do patrimônio líquido da participação, e R$ 73.742.904,00 relativo ao pagamento de ágio fundamentado na rentabilidade futura da investida (laudo de Avaliação anexo) Ocorre que da análise detalhada dos documentos apresentados pela fiscalizada como sendo relativos à operação de compra e venda de 40% do seu patrimônio líquido para a Leonvin Participações, infere esta equipe de fiscalização que o envolvimento desta última (Leonvin) fora meramente uma formalidade engendrada com o intuito único e exclusivo de reduzir o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, amortizando ágio de si mesma (...) conforme passaremos a pormenorizar os atos e fatos formadores das provas, seja indiciária ou material, que em um raciocínio lógico, não leva a outra verdade a não ser àquela de que o negócio com a Leonvin tratase de um ato jurídico simulado. DA LEONVIN PARTICIPAÇÕES Ou seja, a Leonvin foi sempre uma empresa que nunca operou de fato, servindo apenas como instrumento de um mecanismo tendente a evitar o fisco federal conhecer a extensão, a natureza ou circunstâncias materiais, bem como as reais características essenciais de um negócio jurídico com repercussão tributária. DA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE 40% DO PL DA RENOSA Ao contrário do que quer fazer crer a fiscalizada, a operação de compra e venda de 40% de seu capital, na verdade não ocorreu entre sua controladora Refrigerantes do Nordeste S.A. e a Leonvin Participações. Na realidade esse negócio foi celebrado diretamente, de fato e formalmente, entre a primeira e a investidora estrangeira, a Forsab Investments (Proprietary) Limited, pelos motivos adiante aduzidos. O contribuinte apresentou impugnação administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal em Campo Grande pela manutenção do lançamento (fls. 1989): Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.481 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. CARACTERIZAÇÃO. O registro contábil e a subsequente amortização de ágio fictício caracteriza conduta dolosa, autorizando a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo da CSLL. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. CARACTERIZAÇÃO. O registro contábil e a subsequente amortização de ágio fictício caracteriza conduta dolosa, autorizando a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.482 5 materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho decidiu dar provimento parcial, apenas para desqualificar a multa de ofício (fls. 2454): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. AUSÊNCIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não restando inequivocamente demonstrado o evidente intuito doloso da contribuinte, a multa de ofício deve ser desqualificada. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A decisão adotada em relação ao IRPJ também se aplica ao lançamento da CSLL, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os une. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 03/03/2015 (fls. 2483), que interpôs recurso especial em 10/03/2015 (fls. 2484). Neste recurso alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da multa qualificada, constando como paradigmas os acórdãos: (i) 1101000899 (processo administrativo nº 19515.005924/200977) e (ii) 1101 000.913 (processo administrativo nº 16643.000421/201095). O recurso especial foi admitido pela Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF com relação ao primeiro paradigma: 1101000899 (fls. 2506), conforme decisão cujos trechos são colacionados a seguir: Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.483 6 Acórdão nº1101000.899, de 11.06.2013 (...) Examinando o acórdão paradigma verificase que o mesmo traz o entendimento de que se sujeita a multa qualificada a exigência tributária decorrente da prática de negócio jurídico fictício, que se presta, apenas, a construir um cenário semelhante à hipótese legal que autoriza a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que não restando inequivocamente demonstrado o evidente intuito doloso da contribuinte, a multa de ofício deve ser desqualificada. Ademais, está ausente o elemento subjetivo na prática do ilícito, ou seja, a intenção de praticar o ato e de produzir o resultado e que e na maioria dos lançamentos que versam sobre a presente matéria, a multa de ofício não é qualificada. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida no acórdão examinado revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela PGFN. O outro paradigma é da mesma Turma, e por essa razão não pode ser considerado, em conformidade com o art. 67 do Anexo II do RICARF. Do exame dos requisitos de admissibilidade estabelecidos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, verificase que o recurso especial deve ser admitido, pois existe a divergência jurisprudencial indicada. O contribuinte foi intimado em 30/07/2018(fls. 2531), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 04/08/2015 (fls. 2533). Em síntese, o contribuinte sustenta: (i) a inadmissibilidade do recurso especial, pois seria necessário o reexame da matéria fáticoprobatória; (ii) no mérito, a insubsistência da multa qualificada, por ausência de dolo, fraude ou simulação. Subsidiariamente, sustenta que não deveria ser mantida a multa qualificada mesmo se considerado o negócio jurídico como indireto. Pede, assim, seja negado provimento ao recurso especial. O contribuinte, também em 04/08/2015, apresentou embargos de declaração, apontando omissões, erros materiais e obscuridades no acórdão da Turma Ordinária (fls. 2561). A Turma Ordinária decidiu por acolher em parte os embargos de declaração, sem atribuição de efeitos infringentes (fls. 2611). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.484 7 Acolhemse parcialmente os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimentos à embargante, quando as omissões, erros materiais e obscuridades constatadas não tiverem o condão de alterar o que restou decidido pela decisão embargada. Em síntese, a Turma corrigiu erros materiais, consistentes em equivocada menção (a) a empresa estranha ao processo (CVI Refrigerantes), (b) quanto a matéria não tratada em recurso voluntário (adicional do IRPJ) e supriu omissão sobre nulidade do acórdão da DRJ, nos termos do art. 146, do CTN. A Procuradoria foi intimada do acórdão, apenas ratificando seu recurso especial a respeito da multa qualificada (fls. 2627). Anteriormente à sua intimação formal, o contribuinte interpôs recurso especial em 02/06/2016 (fls. 2631/2632), No recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) quanto à dedutibilidade dos encargos com amortização de ágio, apresentando como paradigmas os acórdãos: 1302001.150 e 1302001.182, que teriam interpretado os artigos 7º e 8/º, da Lei nº 9.5325/1997 e artigo 386 de forma distinta do recorrido; (ii) relativamente à dedutibilidade dos encargos com amortização de ágio na base de cálculo da CSLL, indicandose como acórdãos paradigmas os de nº 1201001.237 e 10322749, que teriam divergido na interpretação do artigo 57, da Leio nº 8.981/1995; (iii) incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, com paradigmas nº 110300.193 e 1202001.096, em interpretação ao artigo 161, do CTn e 61, da Lei nº 9.430/1996. O recurso especial foi parcialmente admitido, por decisão do Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção: a) Validação da amortização de ágio produzido através da aquisição de participação societária entre empresas independentes com o uso de empresa veículo. Acórdãos Paradigmas n. 1302001.150 e 1302 001.182 Legislação: artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97 e Art. 386 do RIR/99).(...) c) Quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício. Acórdãos Paradigmas n° 110300.193 e 1202001.096. Legislação: artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96 Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, e tendo a recorrente comprovado a divergência jurisprudencial para parte das matérias contestadas, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial (arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.485 8 A Procuradoria foi intimada, apresentando contrarrazões ao recurso especial em (fls. 3398), requerendo seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte quanto às duas matérias admitidas. O contribuinte foi intimado quanto à decisão do Presidente de Câmara em 22/12/2016 (fls. 3432), apresentando agravo em 27/12/2016 (fls. 3433). O Presidente da CSRF decidiu por manter a decisão do Presidente de Câmara, negando conhecimento ao tema relacionado à base de cálculo da CSLL (fls. 3457). O contribuinte foi regularmente intimado desta decisão em 29/03/17 (fls. 3475). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto a decisão da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial do contribuinte, passando a analisar o seu mérito. Lembro que a Procuradoria não questionou o conhecimento do recurso em contrarrazões. Ágio As operações que originaram o ágio em discussão nos autos foram assim descritas pelo auditor fiscal autuante: DA LEONVIN PARTICIPAÇÕES A empresa LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA. (...) foi constituída em 10 de dezembro de 2004 (...) os sócios da empresa eram as pessoas físicas Senhor Jobelino Vitoriano Locateli (...) e José Tavares de Lucena (...). Em 11 de janeiro de 2005 houve a 1ª Alteração e Consolidação do Contrato Social (...), houve as seguintes alterações no quadro societário Jobelino Vitoriano Locateli retirouse da sociedade, cedendo e transferindo para o novo sócio BEBIDAS LATINAS LTD., sociedade organizada e existente de acordo com as Leis da Ilha Jersey (...) a totalidade de suas quotas (...); José Tavares de Lucena retirouse da sociedade, cedendo e transferindo para o novo sócio ABACUS (NOMINES) LIMITED, sociedade organizada e existente de acordo com as Lei das Ilha Jersey, com sede social localizada na Motte Chambers (...), a totalidade de suas quotas. Vale ressaltar o fato das novas sócias terem sido constituídas no mesmo dia, tendo inclusive a identificação do CNPJ sequencial. Cerca de um mês depois de sua constituição, as novas sócias, empresas estrangeiras, aprovaram a mudança do objeto social Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.486 9 da sociedade que passou a ser a administração de bens e ativos próprios e a participação societária na fiscalizada. (...) Apenas dois dias após a citada 1ª Alteração e Consolidação, em 013 de janeiro de 2005, ocorre a 2ª Alteração e Consolidação do Contrato Social. (...) os sócios estrangeiros BEBIDAS LATINAS LTD. e ABACUS (NOMINES) LIMITED aprovam a designação do Senhor Ricardo Torres de Melo (...) como diretor da sociedade para exercer suas funções em conjunto com o diretor anteriormente designado e investido, Senhor Jobelino Vitoriano Locateli. É de se salientar que, nesta mesma data, o Senhor Ricardo Torres de Melo também já exercia o cargo de diretor executivo da fiscalizada (...) Na Reunião do Conselho de Administração da fiscalizada, realizada em 24 de janeiro de 2005, os conselheiros aprovaram a emissão de 10.066666 (...) ações ordinárias subscritas pela LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA., com preço de emissão de R$ 13.450,03 (...) por ação, perfazendo um investimento no montante de R$ 135.400.000,00 (...), sendo, deste valor, R$ 125.333.334,00 (...) a título de pagamento de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da fiscalizada. As referidas ações foram, segundo consta deste mesmo ato, integralizadas em moeda corrente nacional, por meio de transferência bancária para a conta da Renosa. No mesmo dia 24 de janeiro de 2005, foi realizada a 3ª Alteração e Consolidação do Contrato Social (...). Nesta ocorre um aumento do capital da Leonvin pelas sócias estrangeiras (...) no montante expressivo de R$ 135.924.000,00 (...), passando o capital social de R$ 1000,00 (...) para considerável cifra de R$ 135.925.000,00 (...), mediante a emissão de R$ 135.924.000,00 novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00. (...) Ainda na alteração contratual em comento, as sócias estrangeiras aprovam o suposto investimento correspondente a 40% (...) do capital da fiscalizada, visando à realização do objetivo social da sociedade, com a respectiva subscrição de 10.066.666 (...) ações ordinárias de emissão da Renosa. A 4ª Alteração e Consolidação de Capital, datada de 04 de julho de 2007 (...) as sócias estrangeiras resolvem reduzir o capital social de R$ 2.900.000,00 (...), com o consequente cancelamento de 2.900.000,00 (...) quotas do capital social. (...) Por derradeiro, conforme consta na Ata de Assembleia Geral Extraordinária da fiscalizada, realizada em 01 de setembro de 2007 e regisrada na JUCEMAT em 25/09/2007, ocorre a aprovação acerca da incorporação da LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA. pela Renosa (...) Diante disso, tratarei no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio com a utilização de holding de investimento, denominada informalmente de "empresa veículo", como também a artificialidade (ou não) da criação da LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA. pela Recorrente. Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.487 10 O lançamento tributário e o acórdão recorrido tratam da interpretação do s artigos artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997. Lembro o teor do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.488 11 tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. E a previsão do artigo 8º, da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Em comentários aos citados dispositivos legais, Marcos Vinicius Neder e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira tratam da possibilidade de holding e incorporação reversa, sem prejuízo do reconhecimento do ágio dedutível: A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução do ágio, no caso da "incorporação reversa", algo que não estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a ser dedutível também no momento em que a investida incorpora a investidora. Tratase, claramente, da incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa que autoriza deduzir o ágio na "incorporação reversa" teve como objetivo estimular o interesse da iniciativa privada na aquisição de participação societária em empresas públicas em fase de privatização. (...)" A Lei não proibiu o aproveitamento do ágio no caso de incorporação de empresas holdings, constituídas pelos controladores indiretos com o propósito de adquirir, consolidar e gerir a participação na empresa investida. Não apenas isso não foi proibido como foi expressamente autorizado, na medida em que a Lei permitiu a dedução do ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida na empresa que nela detém a participação acionária e estimulou os processos de privatização (...) A norma tributária, ao conceder o incentivo tributário de aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não fez restrição ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como comentamos anteriormente, inclusive ao permitir a dedução do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da Instrução CVM 349/2001, que dispõe sobre o tratamento contábil do ágio na incorporação reversa de holdings em empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...) A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio quando a empresa incorporada, adquirente do investimento, Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.489 12 fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse recebido recursos de seu sócio ou acionista em aumento de capital, ou ainda quando tivesse recebido a participação acionária em subscrição de ações de sua emissão. Logo, o tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela Lei" (Análise do Tratamento Contábil e Fiscal do Ágio em Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto há a Interposição de Holding, in Controvérsias JurídicoContábeis, 4ª Volume, São Paulo, Dialética, 2013, fls. 161, 162 e 179). No caso destes autos, a LEOVIN PARTICIPAÇÕES LTDA. constituiu "empresa veículo" para a aquisição de participação societária na Recorrente. Analisandose a operação em sua integralidade, devidamente descrita no Termo de Verificação Fiscal, constata se que houve dispêndio pela aquisição da Recorrente, que posteriormente incorporou a LEONVIN. Não há qualquer irregularidade nestas operações. Acrescento que é legítima a transferência de ágio em operação societária, fundamentandose a hipótese no artigos 248, da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. O artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 teve redação alterada nos anos de 2007 (Lei nº 11.638/2007) e 2008 (Medida Provisória nº 449/2008). Como tratamos nos autos de fatos ocorridos entre 2007 a 2010 reproduzo a seguir a redação vigente do dispositivo legal em cada um dos anos calendários. No anocalendário de 2007, a redação do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 era a seguinte: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; Fl. 3489DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.490 13 III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. No ano de 2008 e seguintes, aplicase a redação conferida pela Medida Provisória nº 449/2008, publicada em 03 de dezembro daquele ano e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.491 14 c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. De toda sorte, respeitadas as condições tratadas pelo dispositivo da Lei nº 6.404/1976, desde a original redação, a Lei nº 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. O artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos, regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.492 15 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 trata indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Portanto, a exigência da aplicação do método de equivalência patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. A transferência de ágio efetuada pela Recorrida em operações societárias descritas no relatório deste acórdão , portanto, decorre da regular transferência de investimento em observância a estas normas. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original". A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Ressalvo, por fim, que não vislumbro que o ágio gerado na operação acima referida é intragrupo, como julgou a Turma a quo. Em que pese a capitalização da LEONVIN tenha ocorrido quando as empresas estrangeiras já eram sócias desta pessoa jurídica, o contexto desta capitalização é evidente para a aquisição de participação societária na RENOSA, ora Recorrente. Diante disso, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto ao ágio. Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvo me ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.493 16 direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, contrariamente àquilo que alega a Contribuinte, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.494 17 lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Com base no art. 161, caput, do CTN, a Contribuinte insiste na tese de que os juros devem incidir apenas sobre valor do tributo, e não sobre valor de multa de ofício. Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Sobreleva considerar, ainda, que a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça é também pela manutenção da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Destaco ementas de acórdãos das duas Turmas de Direito Público: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.495 18 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no RESP 1335688, DJ de 04/12/2012, Primeira Turma) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp 1129990, DJ de 01/09/2009, Segunda Turma) Os referidos julgamentos não foram submetidos à sistemática de recursos repetitivos. No entanto, em respeito à orientação do STJ – como também o entendimento da maioria desta Turma a respeito de matéria de direito – voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, adotando as razões dos votos acima referidos. Multa Qualificada O contribuinte pede não seja conhecido o recurso especial da Procuradoria, pois seria necessária a reavaliação de prova dos autos. Entendo que o contribuinte não tem razão, pois é possível aferir a legitimidade da imposição de multa qualificada, avaliandose a interpretação jurídica adotada pelo acórdão recorrido amoldase à legislação. Assim, conheço o recurso especial da Procuradoria, passando a analisar seu mérito. A qualificação da multa no caso teve fundamento no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, que tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Este dispositivo legal foi combinado com os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, no lançamento tributário, constando do citado artigo: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.496 19 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Em todas estas hipóteses, é indispensável a apuração do dolo do contribuinte para a qualificação da multa de ofício. Com efeito, a multa foi qualificada pelo auditor fiscal autuante, pelos seguintes fundamentos: Extraise da auditoria fiscal, que a fiscalizada, com o propósito de eximirse do pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, utilizou mecanismo tendente a evitar o fisco federal conhecer a extensão, a natureza ou circunstâncias materiais, bem como as reais características essenciais, dos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2007 a 2010, apostando na inércia do fisco enquanto decai o direito de constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício. Assim, a multa de ofício foi qualificada conforme determina o art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1.996, uma vez que a ação se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. O acórdão recorrido julgou a multa qualificada da forma seguinte, conforme voto do Conselheiro Relator: No caso em apreço, não considero amplamente demonstrado o evidente intuito doloso do recorrente no sentido de “forçar” a dedução de despesa com a amortização de um ágio que, por inexistente, não poderia ser dedutível. Com base nos elementos constantes dos autos, não considero possível apontar, com plena certeza, a existência de simulação ou fraude que justificassem a exacerbação da penalidade. Para caracterizar simulação ou fraude é necessária a presença de dolo. Age com dolo aquele que, tendo ânimo de prejudicar alguém, adota conduta nesse sentido. No caso presente em apreço, contudo, é possível admitir que a contribuinte tenha agido com a plena convicção de que seu comportamento estava de acordo com a lei. Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.497 20 Com base nestes fundamentos, considero ausente o elemento subjetivo na prática do ilícito, ou seja, a intenção de praticar o ato e de produzir o resultado. Ressalto, por oportuno, que na maioria dos lançamentos que versam sobre a presente matéria, a multa de ofício não é qualificada. Conseqüentemente, a desqualificação da multa se coaduna com a jurisprudência dominante neste colegiado. Assim, considero que no presente caso a multa qualificada é inaplicável, razão pela qual em relação a este tema o recurso voluntário merece ser provido, reduzindose a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). De fato, o elemento doloso na conduta do agente é fundamental na identificação das hipóteses dos artigos 71 a 73, para justificar a qualificação da multa de ofício. No processo em análise, entendo não comprovado o intuito doloso, afinal, o contribuinte agiu por entender de forma legítima, havendo ao menos dúvida razoável (ao tempo dos fatos geradores) acerca da legalidade do ágio amortizado. Assim, o acórdão recorrido não merece reparos, razão pela qual nego provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusão Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a legitimidade do ágio, mas negando provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício e por conhecer negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, que trata da multa qualificada. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator designado De início, a questão relacionada à dedutibilidade da amortização do ágio, trazidas à baila no apelo do sujeito passivo. Tais são os fatos mais relevantes anotados no Termo de Verificação Fiscal, no que importa à matéria em julgamento: Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.498 21 1) a pessoa jurídica LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA foi constituída em 10 de dezembro de 2004, com a razão social "LEONVIN CONSULTORIA MERCADOLÓGICA E EMPRESARIAL LTDA", tendo como sócios Jobelino Vitoriano Locateli e José Tavares de Lucena, e capital inicial de R$ 1.000,00; 2) em 11 de janeiro de 2005, Jobelino Vitoriano Locateli retirouse da sociedade, cedendo a totalidade de sua quotas (500 quotas, com valor nominal de R$ 1,00, cada) para o novo sócio BEBIDAS LATINAS LTD, sociedade organizada de acordo com as Leis da Ilha Jersey, com sede social localizada na Motte Chambers, St. Helier, Jersey. Também José Tavares de Lucena retirouse da sociedade, cedendo para o novo sócio ABACUS (NOMINES) LIMITED, sociedade organizada de acordo com as Leis da Ilha Jersey, com sede social localizada na Motte Chambers, St. Helier, Jersey, a totalidade de suas quotas (500 quotas, com valor nominal de R$ 1,00, cada); 3) um mês depois de sua constituição, as novas sócias aprovaram a mudança do objeto social da sociedade, que passou a ser a administração de bens e ativos próprios e a participação societária na fiscalizada. Operouse, ainda, a aprovação da mudança do nome empresarial de LEONVIN CONSULTORIA MERCADOLÓGICA E EMPRESARIAL LTDA para LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA (doravante LEONVIN). Por derradeiro, no que diz respeito à gestão da sociedade, aprovouse a designação do antigo sócio Jobelino Vitoriano Locateli como diretor da sociedade; 4) em 13 de janeiro de 2005, os sócios estrangeiros, BEBIDAS LATINAS e ABACUS, aprovaram a designação de Ricardo Torres de Melo como diretor da sociedade, para exercer suas funções em conjunto com o diretor anteriormente designado e investido, Jobelino Vitoriano Locateli. Nessa mesma data, Ricardo Torres de Melo também já exercia o cargo de diretor executivo da fiscalizada, o que pode ser constatado na Ata de Assembleia Geral de Transformação da Renosa Indústria Brasileira de Bebidas Ltda em S/A, datada de 09 de dezembro de 2004 e registrada na JUCEMAT em 11/01/2005; 5) em 24 de janeiro de 2005, os conselheiros aprovaram a emissão de 10.066.666 ações ordinárias, subscritas por LEONVIN, com preço de emissão de R$ 13.450,03 por ação, perfazendo um investimento no montante de R$ 135.400.000,00, sendo, deste valor, R$ 125.333.334,00 a título de pagamento de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da fiscalizada. As referidas ações foram integralizadas em moeda corrente nacional, por meio de transferência bancária para a conta de Renosa; 6) no mesmo dia 24 de janeiro de 2005, as sócias estrangeiras, BEBIDAS LATINAS e ABACUS, aumentaram o capital de LEONVIN no montante expressivo de R$ 135.924.000,00, passando o capital social de R$ 1.000,00 para considerável cifra de R$ 135.925.000,00, mediante a emissão de 135.924.000 novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00. A sócia ABACUS subscreveu e integralizou em moeda nacional o valor de R$ 68.024.500,00 com o saldo remanescente de contratos de câmbio, enquanto a sócia BEBIDAS LATINAS subscreveu e integralizou em moeda nacional o montante de R$ 67.899.500,00 também com o saldo remanescente de contratos de câmbio. Nessa alteração contratual, as sócias estrangeiras aprovaram o suposto investimento correspondente a 40 % do capital da fiscalizada, visando à realização do objetivo social da sociedade investidora, com a respectiva subscrição de 10.066.666 ações ordinárias de emissão da Renosa; 7) em 04 de julho de 2007, as sócias estrangeiras reduziram o capital social de LEOVIN em R$ 2.900.000,00, com o consequente cancelamento de 2.900.000 quotas do Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.499 22 capital social e restituição de capital às sócias na seguinte proporção: R$ 1.448.550,00, em favor de BEBIDAS LATINAS, e R$ 1.451.450,00 em favor de ABACUS. No ato em tela, a designação de Ricardo Torres de Melo para o cargo de diretor da LEOVIN foi ratificada pelas sócias. Este mesmo diretor assinou como mandatário das pessoas jurídicas integrantes do quadro societário; 8) conforme ata de Assembleia Geral Extraordinária de 01 de setembro de 2007, aprovouse a incorporação de LEONVIN por Renosa, bem como a aprovação/ratificação dos termos, condições e justificação do Protocolo e Justificação sobre a incorporação do acervo líquido total de LEONVIN, firmado em 31/08/2007, que estabelecia a incorporação da totalidade dos elementos patrimoniais desta última, e confirmava que os elementos do ativo e do passivo da incorporada são aqueles descritos e caracterizados no aludido Protocolo e Justificação, por seus valores contábeis em 31/08/2007; 9) dentre as justificativas apresentadas pelo referido Protocolo e Justificação, diziase que a incorporação acarretaria maior racionalização, otimização de resultados e desenvolvimento das operações sociais da incorporadora e da incorporada, afora o fato de que sua extinção, por incorporação, propiciaria o aproveitamento fiscal do ágio pago pela incorporada, na aquisição de ações da incorporadora; 10) na verdade, não houve racionalização, otimização de resultados e desenvolvimento das operações da incorporada, visto que esta jamais teve qualquer atividade operacional, pois apenas serviu para transportar o investimento para fiscalizada; 11) na ata da reunião do Conselho de Administração da fiscalizada, realizada em 24 de janeiro de 2005, há referência a um Acordo de Acionistas (Shareholders Agreement) firmado em 14 de dezembro de 2004, entre suas acionistas, Refrigerantes Noroeste S/A e LEONVIN. Da mesma forma, na Ata de Reunião do Conselho de Administração da sócia Refrigerantes Noroeste S/A, realizada em 26 de dezembro de 2004, existe menção ao mesmo Acordo de Acionistas celebrado entre esta e LEONVIN; 12) ao analisar o Acordo de Acionistas e o Acordo de Joint Venture (Joint Venture Agreement), firmado em 13/12/2004, constatouse que tais instrumentos, ao contrário do disposto nas atas dos Conselhos de Administração da fiscalizada e da Refrigerantes Noroeste S/A, citadas no item anterior, não fazem nenhuma referência a LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA como parte da pactuação; 13) LEONVIN foi criada apenas 3 (três) dias antes da celebração do Joint Venture Agreement, que dispunha sobre a entrada dos investidores de fato no capital da Renosa; 14) em consulta ao Diário Oficial Empresarial do Estado de São Paulo, página 40117, de 05/04/2007, podese observar que os beneficiários da redução de capital de R$ 2.900.000,00, aprovada pelas sócias estrangeiras de LEONVIN, foram Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Melo. Essa publicação ocorreu sob a vigência da 3a Alteração e Consolidação do Contrato Social, ou seja, quando não mais havia sócios pessoas físicas no quadro societário, o que torna cristalino que BEBIDAS LATINAS e ABACUS eram "empresas de papel", sem substrato econômico, da mesma forma que LEONVIN; Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.500 23 15) em que pese constar na DIPJ, anocalendário 2006, o pagamento de dividendos no montante de R$ 2.799.999,99, este, de fato não existiu a tal título, porquanto as sócias estrangeiras não passavam de empresas artificialmente criadas; 16) a receita que deu lastro à remuneração acima decorreu, exclusivamente, de ganhos de equivalência patrimonial relativos ao investimento efetuado na fiscalizada; 17) corrobora a tese de que LEONVIN não passava de uma empresa fictícia o fato de não constar, em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP durante toda sua existência, nenhum movimento de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, quer sejam empregados ou contribuintes individuais; 18) com efeito, LEONVIN não informou fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, não obstante a previsão do parágrafo único da cláusula 10 de seu Contrato Social, que assim dispunha: "O Diretor receberá um pro labore, fixado por deliberação dos sócios titulares de quotas que correspondem a mais que metade do capital social. Ou seja, a despeito de tal previsão contratual quanto ao recebimento de remuneração, os diretores designados, Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Melo, prestaram serviços a LEONVIN, durante toda a existência desta, sem nada receber a título de pro labore; 19) no anocalendário de 2006, um ano depois de ter realizado um investimento de R$ 135 milhões, LEONVIN transmitiu para Receita Federal duas Declarações de inatividade; 20) a operação de compra e venda de 40% do capital de Renosa não se efetivou, na verdade, entre sua controladora, Refrigerantes do Noroeste S/A, e LEONVIN. Na realidade, esse negócio foi celebrado diretamente, de fato, entre a primeira e a investidora estrangeira Forsab Investments (Proprietary); 21) o Acordo Joint Venture (Joint Venture Agreement), o Acordo de Acionistas (Shareholders Agreement) e as Garantias da Noroeste (Warranties by Noroeste), bem como suas respectivas traduções juramentadas, permitem concluir que as partes envolvidas no negócio são Forsab Investments (doravante FORSAB) e a fiscalizada, pois LEONVIN, que ainda estava em fase de constituição, sequer fora mencionada nesses atos, assinados em 13/12/2004 pelos representantes de Refrigerantes do Noroeste, de Forsab Investments e de Renosa. Ademais, são os próprios Acordos Joint Venture e de Acionistas, em suas cláusulas 1.2.7 e 2.2.12, respectivamente, que criam a pessoa figurativa da futura LEONVIN, a "SUBSIDIÁRIA FORSAB", como se fosse a própria investidora Forsab Investments no Brasil, para os fins específico de cumprimento dos termos do acordo; 22) a publicação do Ato de Concentração AC n° 08012.000240/200508, no DOU de 10/01/2005, requerida por Refrigerantes do Noroeste S/A e por Forsab Investments (Proprietary) Limited, não deixa dúvidas quanto às partes do Acordo Joint Venture e esclarece o objeto do negócio: constituição, pelas requerentes, de uma "Joint Venture" para atuar, principalmente, na indústria de bebidas (engarrafamento de refrigerantes); 23) a verdadeira investidora, FORSAB, autorizou a subsidiaria Forsab (futura LEONVIN) a subscrever ações adicionais do capital de Renosa no valor equivalente a US$ 50 milhões, conforme cláusula 2.3 do Acordo Joint Venture; Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.501 24 24) vistorias, transferência de tecnologia, estipulação de valor e condições contratuais, bem como a declaração de vontade de efetuar a subscrição de ações no capital da fiscalizada, visando a garantir segurança e menor risco inerentes a uma relação negocial efetiva, com substância real, foram expressamente acordadas entre a acionista majoritária Noroeste e a investidora FORSAB (cláusula 2.2.11 do Acordo de Acionistas), que, de fato e de direito, assumiu os riscos e as vantagens do investimento de US$ 50 milhões (item (E), cláusulas 2.1 e 2.2 do Acordo Joint Venture e cláusulas 3.1, 3.1.4, 4.4.1 e 29 do Acordo de Acionistas): 2.1 As Partes concordam que o primeiro alvo da expansão da RENOSA será a aquisição de negócios de bebidas na América do Sul. (grifo nosso). 2.2 As Partes estimam que as aquisições acima mencionadas irão requerer investimentos adicionais em dinheiro, em montante não menor que US$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de Dólares), (grifo nosso). (E) Que a FORSAB, confiando nas garantias, indenidades, informações, compromissos e garantias dadas pela NOROESTE, na sua qualidade de acionista da RENOSA, deseja adquirir uma participação no capital da RENOSA devido ao programa de expansão da RENOSA, e que para atingir esse objetivo está disposta a capitalizar a RENOSA e a financiar o seu programa de expansão, (grifo nosso). 3.1 Este Acordo não terá validade ou efeito a menos que antes das ou nas datas aplicáveis referidas na cláusula 3.2 em conjunto com a cláusula [...] 3.1.4 FORSAB realize exame de auditoria fiscal, trabalhista, financeira, contábil, ambiental e legal da RENOSA, e caso afete a mesma, também das operações da NOROESTE de revenda de bebidas transferidas à RENOSA, e entregue à NOROESTE um aviso de auditoria declarando que a FORSAB está satisfeita com os resultados do seu exame de auditoria e deseja continuar com a subscrição de Ações no capital da RENOSA contemplada por este Acordo, (grifo nosso). 4.4.1. Na Data Efetiva, as partes firmarão o Estatuto Social da RENOSA de acordo com a minuta anexa como Anexo 4.4.1.,que disporá sobre o capital social aumentado decorrente da introdução da parcela do capital do preço de subscrição de US$ 50.000.000,00 mencionado na cláusula 4.4. e nos outros documentos societários que comprovam a aquisição de ações pela FORSAB no capital social da RENOSA. Tal estatuto social e documentos societários serão registrados na Junta Comercial dentro de 30 (trinta) dias da Data Efetiva; 29 TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA A RENOSA comprometese a disponibilizar por escrito aos Acionistas da FORSAB, sem qualquer contraprestação, os avanços tecnológicos utilizados atualmente pela RENOSA nas seguintes áreas: Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.502 25 filtração do processamento de açúcar; processos de engarrafamento aprimorados; e maximização da receita, (grifo nosso). 25) algumas exigências contratuais firmadas no referido Acordo de Acionistas foram cumpridas antes mesmo da constituição de LEONVIN (10/12/2004) conforme Ata de Assembleia Geral de Transformação da Renosa em Sociedade Anônima e seus Anexos, realizada em 09/12/2004, inclusive em cumprimento ao disposto na cláusula 4.4.1, acima transcrita; 26) nas Atas das Assembleias Gerais Ordinárias e Extraordinárias da fiscalizada, realizadas em 04/12/2007, 30/04/2008, 30/04/2009 e 30/04/2010, consta, expressamente, na lista de assinatura dos acionistas presentes na reunião, Forsab Investments (Proprietary) Limited. Intimada a apresentar a Ata da Assembleia e o Boletim de Subscrição pelos quais formalizouse a participação de FORSAB no capital da Renosa, a fiscalizada esclareceu que tal formalização se deu por termo lavrado no livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas, em decorrência do negócio jurídico praticado no dia 24 de outubro de 2007 entre as acionistas anteriores, Bebidas Latinas e Abacus, e FORSAB. A fiscalizada acrescentou, ainda, que a emissão de boletim de subscrição para essa operação não foi necessária, porquanto não houve emissão de novas ações, mas mera transferência de ações que já haviam sido emitidas. Na mesma ocasião, a fiscalizada informou que não se convocou Assembleia de Acionistas para esse evento; 27) o Estatuto Social da fiscalizada prevê, no artigo 7o, parágrafo 3o, alínea "e", a exigência de aprovação, pelos acionistas que representem 10% do capital votante, da celebração de qualquer negócio apto a afetar a estrutura societária da companhia. A justificativa para o fato de não ter ocorrido a deliberação comentada no item anterior está na falta de necessidade, uma vez que a operação não provocou nenhuma mudança real na estrutura societária da Renosa, pois FORSAB, por tudo já exposto, era a verdadeira proprietária dessas ações, agora objeto de mera formalização de transferência, planejada para ocorrer tão logo fosse formalizada a incorporação de LEONVIN. Podese ver, no livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas, que a formalização da transferência aconteceu no dia 24/10/2007, ou seja, 54 dias depois do referido ato de incorporação; 28) consta como Cedente e Cessionário, nos Termos de Transferência das ações, apenas Philipp Hugo Gustsche, representando as três pessoas jurídicas envolvidas, conforme se infere da comparação entre as assinaturas apostas nos referidos documentos e no livro de Presença de Acionistas. Aqui, devese ter em conta que o representante no Brasil de BEBIDAS LATINA e de ABACUS é Ricardo Torres, e não Philipp Hugo Gustsche. Há ainda de se realçar que os Termos de Abertura e de Encerramento do mencionado livro de Transferência de Ações foram lavrados na mesma data, isto é, em 12/01/2005, embora existam registros de Termos de Transferência entre dezembro de 2004 e agosto de 2009; 29) Philipp Hugo e Alan David assinaram o livro de Presença de Acionistas como representantes de LEONVIN, relativamente às assembleias realizadas pela companhia a partir de dezembro de 2004. No entanto, como já dito anteriormente, estas pessoas jamais fizeram parte do quadro societário ou da diretoria de LEONVIN. Daí se conclui que esses senhores representavam, na realidade, a investidora FORSAB, acionista e participante da administração da Renosa, antes ou depois do evento de incorporação de LEONVIN, ocorrido Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.503 26 em setembro de 2007, e da mera formalização de transferência de ações, ocorrida em 24/10/2007; 30) nenhum ato formal inerente à citada operação de compra e venda de participação societária, seja Acordo de Acionista, seja Contrato de Compra e Venda de Ações ou algo similar, propriamente celebrado entre a fiscalizada e LEONVIN, foi apresentado à Fiscalização, malgrado as intimações lavradas para tal. Assim postos os fatos, cumpre observar que a situação fática em exame deve ser apreciada, no que diz respeito ao IRPJ, sob a perspectiva dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, e do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, este último com a redação anterior à Lei nº 12.973/2013: a) artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997: "Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.504 27 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." b) artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977: "Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.505 28 de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada" Diante de tais dispositivos normativos, depreendese que a dedutibilidade do ágio amortizado, na apuração do lucro real, carece de amparo legal, no caso concreto, já que o ágio não foi suportado, com sacrifício patrimonial, pela pessoa jurídica incorporada ou pela pessoa jurídica incorporadora. Percebase a esse respeito que o caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Como se pode ver, este artigo se refere ao ágio previsto no artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, e este dispositivo trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Sobrelevase dos preceitos normativos supracitados como já adiantado que o verbo adquirir implica sacrifício patrimonial da incorporada ou da incorporadora. Por conseguinte, não se sustenta a imaginada legalidade da influência de despesa com amortização de ágio, na redução do lucro tributável pelo IRPJ, se esse mesmo ágio for obtido, pela incorporadora ou pela incorporada, mediante transferência, para aumento ou integralização de capital, de investimento adquirido por terceiro com a citada mais valia. Vale dizer, de outra forma, que a influência no resultado tributável pelo IRPJ, ora em foco, só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida. No caso em exame, coube à pessoa jurídica FORSAB suportar o sacrifício patrimonial pela aquisição da participação societária no capital da fiscalizada. Nessa aquisição, FORSAB arcou com despesa de ágio de R$ R$ 125 milhões. A vedação à influência dessa despesa no lucro real apurado por Renosa é consequência da inexistência de confusão patrimonial entre FORSAB e Renosa. A alternativa que pareceu viável ao grupo FORSAB, para o propósito de se beneficiar do ágio pago na aquisição de Renosa, foi a de constituir, em 10/12/2004, a empresa veículo LEONVIN com capital social de R$ 1.000,00, aumentado, em 24/01/2005, no montante expressivo de R$ 135.924.000,00. Importa considerar que as sócias no capital de LEONVIN, ao tempo da aquisição das ações de Renosa, eram as pessoas jurídicas Bebidas Latinas e Abacus, subsidiárias de FORSAB localizadas em Jersey, Ilhas do Canal, paraíso fiscal reconhecido pela IN RFB nº 1.037/2010. Nas circunstâncias comentadas, pareceu aos idealizadores do planejamento tributário que seria legítima a dedução do ágio amortizado por Renosa, depois de incorporar a empresa veículo. Nesse contexto, devese ressaltar a falta de propósito negocial, na constituição de LEONVIN, sociedade formada entre pessoas físicas, uma delas o Sr. Jobelino Vitoriano Locateli, que passou a administrála (após a transferência da totalidade das quotas a BEBIDAS LATINAS e a ABACUS), juntamente com Ricardo Torres de Melo (que já exercia Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.506 29 a direção executiva da fiscalizada). Conforme aponta a Fiscalização, LEONVIN não desenvolveu qualquer atividade operacional, prestandose exclusivamente ao objetivo de transportar para Renosa o ágio pago por FORSAB. Em outras palavras, LEONVIN não tinha propósito econômico, revelandose desprovida de objeto social de fato. Sua função de mera empresa veículo é decorrência de um projeto que unicamente visava a revestir a aparência de obediência aos requisitos da Lei nº 9.532/1997, para a dedução da amortização do ágio pago por FORSAB. Consignese, ainda, que, com a incorporação de LEONVIN por Renosa, mantevese o cenário empresarial anterior ao da criação de LEONVIN, composto pelas pessoas jurídicas Noroeste, FORSAB e Renosa. Isso reforça a percepção de que LEONVIN era parte de um mecanismo exclusivamente montado para possibilitar a dedutibilidade da amortização do ágio. Cabe enfatizar que FORSAB, pessoa jurídica estrangeira, não podia diretamente gozar da dedução do ágio, pois não se submete ao IRPJ previsto no ordenamento jurídico pátrio. No entanto, a amortização do ágio que fora pago na aquisição de Renosa poderia beneficiar o grupo investidor, sob o ponto de vista tributário, com a diminuição do IRPJ da investida, desde que se concretizasse a confusão patrimonial entre esta e a investidora, o que nunca esteve presente nos planos do investimento realizado. No tocante à acusação de infração à legislação da CSLL, impõese salientar, antes de tudo, que o ágio pago com lastro em rentabilidade futura deve ser contabilmente amortizado ao longo do tempo, conforme orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI 1 : "11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio [. . .] c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. [...] 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, 1 Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke. São Paulo: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FEA/USP), 7a Edição. Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.507 30 já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente). (...)" (grifei) Portanto, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, na aquisição de investimento, é despesa amortizável; como tal, está sujeita à norma veiculada pelo artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Isso porque, como é cediço, as ações são bens móveis, conforme previsão do artigo 82 do vigente Código Civil. Nesses termos, o ágio pago sob a justificativa de rentabilidade futura, na aquisição de ações, constitui gasto que deve ser amortizado, como despesa, dentro do período pelo qual se pagou por lucros futuros. Nessas circunstâncias, tal despesa de amortização não pode afetar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do já mencionado artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995. Ademais, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial do sujeito passivo para, no mérito, negarlhe provimento. Quanto à qualificação da multa de ofício, dêse relevo à transferências da totalidade das quotas de capital de LEONVIN, pouco mais de um mês após a constituição dessa pessoa jurídica. Como já foi dito, seus fundadores eram pessoas físicas, que cederam seus direitos societários às pessoas jurídicas estrangeiras BEBIDAS LATINAS e ABACUS, ligadas ao grupo FORSAB. No entanto, em consulta ao Diário Oficial Empresarial do Estado de São Paulo, página 40117, de 05/04/2007, podese observar que os beneficiários da redução de capital de R$ 2.900.000,00, aprovada pelas sócias estrangeiras de LEONVIN, foram Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Melo. Segundo a Fiscalização, essa publicação ocorreu sob a vigência da 3a Alteração e Consolidação do Contrato Social, ou seja, quando não mais havia sócios pessoas físicas no quadro societário, o que torna cristalino que BEBIDAS Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.508 31 LATINAS e ABACUS eram "empresas de papel", sem substrato econômico, da mesma forma que LEONVIN. Por sua vez, o Acordo de Acionistas (firmado em 14/12/2004) e o Acordo de Joint Venture (firmado em 13/12/2004), assinados pelos representantes de Refrigerantes Noroeste, Forsab Investments e Renosa, não fazem nenhuma referência a LEONVIN PARTICIPAÇÕES LTDA, entre as partes integrantes da pactuação, não obstante se verifique o nome de LEONVIN na ata da reunião do Conselho de Administração da fiscalizada e na Ata de Reunião do Conselho de Administração da sócia Refrigerantes Noroeste S/A. Ainda na linha das conclusões da Fiscalização, corrobora a tese de que LEONVIN não passava de uma empresa fictícia o fato de não constar, em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP durante toda sua existência, nenhum registro relativo a segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, quer sejam empregados ou contribuintes individuais. Vale dizer, LEONVIN não informou fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, não obstante a previsão do parágrafo único da cláusula 10 de seu Contrato Social, que assim dispunha: "O Diretor receberá um pro labore, fixado por deliberação dos sócios titulares de quotas que correspondem a mais que metade do capital social." Nesse cenário, depreendese que Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Melo jamais prestaram serviços a LEONVIN, por um motivo óbvio: LEONVIN nunca existiu, de fato. Reforça tal dedução o fato de que, no anocalendário de 2006, um ano depois de ter realizado um investimento de R$ 135 milhões, LEONVIN transmitiu para Receita Federal duas Declarações de inatividade. O Ato de Concentração AC n° 08012.000240/200508, publicado no DOU de 10/01/2005, bem como o Acordo de Acionistas e o Acordo de Joint Venture, acima citados, traduzem que a verdadeira investidora era a pessoa jurídica estrangeira FORSAB. E mais: inequivocamente demonstram, juntamente com os demais elementos fáticos aqui mencionados, que a criação e o emprego de LEONVIN, na arquitetura societária engendrada, constituíram um mecanismo concebido para forjar a aparência de negócios reais com o fim de possibilitar a dedução do ágio amortizado, na determinação do lucro real de Renosa. Sem dúvida, a arquitetura societária engendrada não tinha propósito negocial. Os articuladores de todo o esquema montado buscaram um único fim, ao tecerem tal arranjo: reduzir ilicitamente o IRPJ e a CSLL, lançando mão de um contrato de sociedade para ser utilizado com a intenção de atestar a existência jurídica da empresa veículo, malgrado despida de propósito econômico. Esse contrato, juntamente com documentos da escrituração, foram apresentados à Fiscalização com vistas à comprovação da regularidade da dedução do ágio amortizado. Por conseguinte, asseverase que seu uso serviu à finalidade de dar uma aparência de legalidade a um fato que não o é, pois a redução dos tributos registrada, nas declarações da fiscalizada, em razão da despesa de amortização desse ágio, não tem o amparo da lei. À vista do exposto, sustentase que a introdução da empresa veículo, na arquitetura societária montada, configura ato de execução de uma prática juridicamente reprovável, que objetivava modificar as características dos fatos geradores de IRPJ e CSLL, concretizandose tal empreitada ilícita com a geração e contabilização da despesa de amortização do ágio, influenciando indevidamente os resultados tributáveis. Nessa toada, podese assegurar a ocorrência da prática de FRAUDE, conforme artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, estando visível o dolo, uma vez constatada, como de fato se constata, a vontade livre de realizar a conduta típica, bem com a demonstração de que os responsáveis agiram com consciência da ação típica e do resultado juridicamente Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 9101003.533 CSRFT1 Fl. 3.509 32 desvalorado, consistente na redução ilícita da base tributável do IRPJ e da CSLL, motivo por que se deve aplicar a multa qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007. No mesmo rumo, também é inequívoca a prática de SONEGAÇÃO prevista no artigo 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, porquanto comprovada a ação dolosa de parcialmente impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das circunstâncias materiais dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, já que apresentou ao Fisco declarações calcadas em circunstâncias fáticas inverídicas: a aquisição das ações de Renosa por LEOVIN (principalmente) e a transferência das quotas de LEOVIN para BEBIDAS LATINAS e ABACUS. Tanto a aquisição das ações de Renosa por LEOVIN como a transferência das quotas de LEOVIN para BEBIDAS LATINAS e ABACUS perfazem um complexo de negócios irreais, concebidos no interior de um planejamento tributário levado a cabo com a apresentação ao Fisco das declarações de tributos calculados sob a influência indevida do ágio amortizado. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial fazendário para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 3509DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724553/2014-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO.
Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA.
A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO.
Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 2202-004.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
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PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 53 /2 01 4- 26 Fl. 2934DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9547 e nº 51.065.2760, referentes, respectivamente, à contribuição patronal de 20% sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, e às contribuições descontadas dos segurados contribuintes Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.935 3 individuais (11%), sendo os lançamentos atinentes às competências 01/2010 a 12/2011, e ao levantamento JG. Foram responsabilizados solidariamente a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. e a JCGontijo Guara II Empreendimentos Imobiliários S/A., e os sócios da recorrente Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini. Passase a transcrever, na sequência, o bem elaborado resumo do procedimento fiscal e dos termos da impugnação, levado a efeito pela instância de piso: (...) 1.6. No desenvolvimento das atividades fiscais, seguiramse intimações para apresentação documentos e/ou prestação de informações/esclarecimentos de cujas respostas vale destacar: 1.6.1. Os Instrumentos Particulares de Parceria Comercial firmados entre a Autuada e alguns corretores de imóveis pessoas físicas constam cláusulas abusivas e de caráter unilateral, onde a Parceira Empresa (LPS Brasília) dita as regras contratuais, reservando para si muitos direitos e poucos deveres, e, para o Parceiro(a) Comercial (Corretor Pessoa Física), foram estipulados poucos direitos e muitas obrigações – características entendidas como próprias de uma relação de subordinação e exclusividade. Transcreve algumas previsões dos citados instrumentos. 1.7. Ademais, da análise dos referidos instrumentos, dentre outras informações, extraise que, o cliente comprador, ao fechar a compra do imóvel intermediado pelos corretores pessoa física, assumia três diferentes obrigações: i) pagar o preço do imóvel; ii) remunerar a corretora de imóveis pessoa jurídica; e iii) remunerar o corretor de imóveis independente (pessoa física). 1.8. Ainda, da análise dos dados dos arquivos digitais fornecidos pela Fiscalizada (CD/R das Folhas de Pagamento e da Contabilidade) entregues pela empresa LPS e nas informações das Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (Gfip) extraídas dos sistemas informatizados da RFB, não foi encontrada qualquer remuneração paga ou creditada a título de comissão/premiação de venda aos profissionais corretores bem como não foi registrado qualquer segurado corretor de imóvel. 1.9. A fim de complementar a juntada de informações e provas, a Autoridade Fiscal diligenciou junto às pessoas jurídicas incorporadoras/construtoras para as quais a Fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária, junto a prestadores de serviços pessoas físicas integrantes das equipes de venda da LPS Brasília, bem como junto a compradores de imóveis. Ao todo, foram realizadas 27 diligências em incorporadores/construtores; 11 junto a pessoas físicas (diretores, coordenadores e corretores de imóveis); e 09 em compradores. 1.10. Das referidas diligências, de forma sumariada, foram obtidas as seguintes informações: 1.10.1. Os corretores pessoas físicas que intermediaram os negócios de compra e venda dos imóveis se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília. 1.10.2. Ainda, os valores constantes do contrato de compra e venda eram, geralmente, inferiores ao constante no contrato de proposta de compra e venda, Fl. 2936DF CARF MF 4 devido a não inclusão do valor pago a título de comissão aos membros da equipe de vendas, especialmente os profissionais pessoas físicas. 1.10.3. Os contratos de proposta de compra e venda eram firmados, somente, entre promitente comprador e corretor, muito embora tivessem como intermediadora da venda a Autuada. 1.10.4. Ademais, a Autoridade Fiscal exemplifica a colhida de informações com dados referentes a valores envolvidos nas aquisições e corretagem, forma de pagamento com exigência de emissão de cheques distintos para a efetiva aquisição do imóvel para cada destinação contratualmente diversa (sinal, comissões etc.). 1.11. Na sequência dos trabalhos fiscais, instada a prestar novas informações/esclarecimentos, daquilo informado em resposta pelo Diretor de Negócios Adriano de Araújo Lima Freitas e pela Coordenadora de Produtos Eleonora Adele Maria Bucci, a Fiscalizada se pronuncia merecendo ser ressaltado o que segue: 1.11.1. Existência de contrato de parceria firmado entre a LPS Brasília (Lopes Royal) e os profissionais liberais; 1.11.2. No exercício das atividades laborais, os profissionais liberais usavam crachá, camiseta e cartão de identificação da empresa LPS Brasília; 1.11.3. Quanto, especificamente, ao citado Diretor de Negócios, temse que este, para competências dos anos de 2011 e 2012, após a constituição de empresa, emitiu notas fiscais como contraprestação dos serviços prestados à LPS Brasília, referentes aos percentuais de comissão/premiação que, ressaltese, eram definidos pela Diretoria Comercial e a Executiva desta. 1.11.4. Adicionalmente, fazendo referência a emails enviados pela Secretaria de Vendas da LPS Brasília aos profissionais corretores, menciona as “orientações” quanto ao modus operandi a ser observado e adotado para fins de pagamento final da comissão de corretagem. 1.12. Assim, da análise dos documentos e dos esclarecimentos prestados pelos Coordenadores e Diretores diligenciados, entendeuse que, na forma de condução do quanto avençado com as pessoas físicas (corretores de imóveis), foi objetivado o propósito específico de não recolhimento das contribuições previdenciárias oriundas das remunerações pagas a tais pessoas que prestaram serviço de intermediação imobiliária para a Autuada. 1.13. Acrescenta que tal comportamento é típico do fenômeno da Pjotização que vem ganhando adeptos no meio empresarial brasileiro, consistindo, em verdade, na adoção de planejamento tributário abusivo. 1.14. Lado outro, das diligências realizadas junto aos corretores diligenciados, destacamse as seguintes informações: 1.14.1. Todos os documentos básicos emitidos na venda de imóvel, bem como o contrato de prestação de serviço firmado entre as partes (Corretor e LPS), normalmente ficavam sob o controle (posse e guarda) da imobiliária Lopes Royal e/ou incorporadora/construtora e uma das vias para o comprador do imóvel, nada ficando com os corretores. 1.14.2. A prestação dos serviços se dava em caráter de exclusividade, com observância obrigatória das escalas de plantões de venda, bem como era imperativa a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da fiscalizada, sob pena de desligamento do quadro das equipes de venda da imobiliária LPS Brasília (Lopes Royal). Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.936 5 1.15. Ainda, das diligências realizadas em incorporadoras/construtoras, total de 27, além de sumariar algumas das informações coletadas, transcreve no processo o “fluxo de operação imobiliária” fornecido por uma daquelas empresas, bem como, reproduz cláusulas contratuais das celebrações firmadas entre as incorporadoras/construtoras e a Fiscalizada (Contrato de Intermediação para Alienação de Unidades Habitacionais e Outras Avenças). 1.15.1. Como subsídio material, acosta aos autos diversas Propostas de Compra e Venda, cheques referentes a valores de sinal, contratos de promessa de venda e compra de unidades imobiliárias etc. 1.15.2. Insta ressaltar que, dentre as citadas previsões contratuais, constava, de forma expressa, a intenção de que os promitentes compradores pagassem direta e separadamente a comissão de corretagem. 1.16. Diante das informações coletadas e acima sintetizadas, entendeu a Autoridade Fiscal pela subsunção dos pagamentos da comissão/premiação aos corretores pessoas físicas em virtude dos serviços de intermediação imobiliária prestados pela LPS Brasília às normas de incidência tributária. 1.17. Assim foi resumido pela referida Autoridade: “Constitui fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (pessoas físicas: corretores, coordenadores, diretores...) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS BRASILIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA, segundo informações constantes nos levantamentos ...”. 1.18. Adicionalmente, esclarece que em virtude da não apresentação de documentos solicitados à Fiscalizada e da prestação de esclarecimentos deficiente, insatisfatória e/ou que não foram merecedoras de fé, no tocante ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes, as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos corretores independentes/demais membros das equipes de vendas (salário de contribuição) foram arbitradas, com fundamento no art. 148 do CTN. 1.19. Em adição, informa que o lançamento foi dividido em levantamentos distintos para cada empresa contratante (incorporadora/construtora) dos serviços prestados pela Fiscalizada. 1.20. Para mais do tratado, informa que o procedimento da aferição indireta se justifica e fundamenta nos princípios da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, com esteio no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91; no art. 3º, parágrafo único e no art. 20, III da Lei nº 6.530/78 e nos artigos 1º ao 3º, parágrafo único do Decreto nº 81.871/78, combinados com o previsto na Tabela de Honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF). 1.21. Com efeito, no caso em tela, considerouse como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na contabilidade da Fiscalizada. 1.22. Complementa asseverando que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas a título de comissão/premiação de venda não foram declarados em Fl. 2938DF CARF MF 6 folha de pagamento nem em GFIP e nem lançados em títulos próprios da contabilidade. 1.23. Quanto ao cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes, informa que não foi observado o limite máximo do salário de contribuição devido à não informação por parte da empresa LPS do nome, CPF e do creci dos corretores, bem como da respectiva remuneração auferida pelos serviços prestados. 1.24. Sobre as contribuições previdenciárias apuradas foi aplicada a multa de 150% (qualificada), motivada pela prática de atos ilícitos pela Fiscalizada (sonegação fiscal). 1.25. Como informações complementares, assevera que a Lei nº 4.591/64, a Lei nº 6.530/78, bem como a Lei nº 10.406/02, exigem formalidades e documentos próprios para a prestação de serviços referentes à incorporação imobiliária, alienação/comercialização de imóveis ou de fração ideal de terrenos vinculadas a unidades imobiliárias autônomas. 1.26. Desta forma, do conjuntos dos fatos narrados, documentos analisados e informações colhidas, aduz a Autoridade Fiscal que a imobiliária fiscalizada, quer na sua condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviços dos profissionais pessoas físicas, atuou no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores independentes prestavam serviços para os compradores de unidades imobiliárias, em virtude de um complexo processo de intermediação engendrado pela Fiscalizada. 1.27. Tal atitude, perante a legislação tributária, caracteriza ato ilícito consubstanciado em sonegação de tributos, especificamente no pertinente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à Fiscalizada. 1.28. Ademais, registra a Autoridade Lançadora que a prática da Fiscalizada é contumaz e, apesar de ter sido alvo de procedimentos fiscais anteriores, permanece infringindo a legislação tributária e demais leis que versam sobre o assunto. 1.29. Para mais de seus argumentos, fundamenta o entendimento exarado no art. 123 do Código Tributário Nacional, no art. 722 do Código Civil e em reiteradas decisões jurisprudenciais que transcreve e/ou cita. 1.30. Com fundamento nos artigos 124, I e 135, III do CTN e no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, c/c art. 222 do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99), a Autoridade Fiscal articula seus argumentos de solidariedade passiva tributária. 1.30.1. Após traçar breve histórico das alterações na composição societária, objeto e na própria razão social da Autuada, ressalta que a LPS Brasil – Consultoria de Imóveis, sócia da ora Autuada (51% capital social) tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas, sendo a Fiscalizada uma das integrantes do referido grupo econômico, cujo principal objeto consiste na prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos. 1.30.2. Diante do relatado supra, existem diversos interesses comuns entre as duas empresas, tais como, dentre outros, na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, razão por que entendeu a Autoridade Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.937 7 Fiscal pela formalização do vínculo de responsabilidade, por solidariedade da indigitada empresa. 1.30.3. Ademais, os sócios pessoas físicas, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, tendo em vista que participaram conjuntamente com a Autuada na ilegalidade e abusividade que transferia ao comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação dos corretores independentes, foram arrolados como responsáveis solidários dos créditos tributários lançados contra o Contribuinte. 1.30.4. Lado outro, relaciona as empresas incorporadoras/construtoras contratantes dos serviços da ora Autuada e aduz que por contratarem os serviços da empresa LPS BRASÍLIA (de forma verbal ou por escrito) para a comercialização de diversos imóveis ou fração ideal de terreno vinculada a unidade autônoma (venda na planta ou em lançamento) da sua carteira de negócios imobiliários e por participarem, de forma isolada e/ou conjuntamente com a Autuada, da ilegalidade e abusividade atinente à transferência para o comprador do imóvel da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores independentes, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários constituídos. 1.31. Por fim, informa que caracteriza infração à lei (crime teórico de sonegação de contribuições previdenciárias, tipificado no art. 337A do Código Penal) o procedimento adotado pelos administradores da LPS Brasília em não incluir (ou não fazer incluir) nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias relativos às remunerações pagas às diversas pessoas físicas que certamente lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária no período de 01/2010 a 12/2011. Em virtude do fato relatado foi expedida a competente Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). DAS IMPUGNAÇÕES IMPUGNAÇÕES DE MARCO ANTONIO MOURA DEMARTINI E WILDEMIR ANTONIO DEMARTINI (RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS) 2. Os sujeitos passivos, por responsabilidade solidária, MARCO ANTONIO MOURA DEMARTINI e WILDEMIR ANTONIO DEMARTINI, por intermédio de patrono, apresentaram, tempestivamente (27/10/2014), em face de todos os Autos de Infração lançados no presente processo administrativo, impugnações às fls. 1.701/1.720 e 1.947/1.966, acompanhadas, respectivamente, dos documentos de fls. 1.722/8 e 1.968/1.973. 2.1. Haja vista que ambas as Impugnações foram subscritas pelo mesmo patrono e contém a exata mesma substância, seguem abaixo sumariadas as alegações apresentadas: 2.2. Após breve sumário dos fatos envolvidos com o procedimento fiscal realizado na Autuada, insurgemse, primeiramente, contra os Termos de Sujeição Passiva formalizados contra os ora Impugnantes, sendo que remetem à Impugnação da Autuada as questões de mérito. 2.3. Ademais, contestando a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal para fins da configuração da suposta solidariedade passiva (art. 124, I, bem como o art. 135, III, ambos do CTN) hostilizam, primeiramente, a adequação fática ao termo “interesse comum” expressada no bojo do indigitado art. 124, I dirigese as pessoas Fl. 2940DF CARF MF 8 que participam do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. 2.4. Em complemento, suscitam que a jurisprudência tem desenvolvido a noção de indivisibilidade da obrigação tributária solidária, diante do que o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. Colaciona julgados. 2.5. No mesmo sentido, sustenta que a existência de interesse econômico comum não conduz à solidariedade preconizada pela invocada norma, pois que no viés de tal interpretação deixa de ser possível a caracterização de ambos os sujeitos como devedores originários, passando a haver, no caso, um devedor originário e a tentativa de estender a outro sujeito, com base em fato novo, que extrapola o fato gerador, o que atribuiria à solidariedade caráter sancionatório. 2.6. Destacam, em arremate, que o interesse comum do art. 124, I é sempre jurídico, sendo inconfundível com o interesse econômico. Encarta julgados. 2.7. Tratando do objetado casuísmo, sustentam que a Autoridade Fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. 2.8. Acrescentam que não foi demonstrado, ou sequer alegado, qualquer indício de confusão patrimonial entre os Impugnantes e a LPS Brasília, sendo tal falta suficiente para afastar a alegada solidariedade. 2.9. Ademais, articula que não restou evidenciado que os Impugnantes teriam sequer participado da relação jurídica instaurada entre a LPS Brasília e os Corretores Independentes donde sobrevém a impossibilidade de demonstração de interesse comum. 2.10. Para mais, asseveram que o interesse comum sustentado pela Autoridade Fiscal seria de natureza meramente econômica, consistente na expectativa de que a Autuada auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário 2.11. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, inciso I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participassem. 2.12. Lado outro, apontam suposta inconsistência no Relatório Fiscal ao chamar os impugnantes a responder pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, III, do CTN, é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (Autuada). 2.13. Ainda, asseveram que o Relatório Fiscal não comprovou que os Impugnantes teriam agido de forma ilegal, ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao contrato social da LPS Brasília. 2.14. Destarte, em virtude da impossibilidade de imputação objetiva da solidariedade aos sócios, vez que julgado inconstitucional e posteriormente Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.938 9 revogado o art. 13, da Lei nº 8.620/93, sem a demonstração do dolo específico dos sócios quanto a conduta diretamente relacionada ao surgimento da obrigação tributária exigida, manifestada por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida, não se pode cogitar da responsabilização dos Impugnantes. 2.15. É pacífico o entendimento na jurisprudência quanto a não ser suficiente para a responsabilização tributária a simples condição de sócio. 2.16. No pertinente às penalidades aplicadas, aduz que os Impugnantes não podem arcar com tais, ainda menos com as quantias referentes ao agravamento das sanções, tendo em vista que o art. 124, I, impõe a responsabilidade solidária somente quanto à obrigação tributária principal. 2.17. Para mais de seus argumentos, fundamentado no art. 5º, XLV, da Constituição Federal, combinado com o quanto previsto no art. 137, I e II, do CTN, conclui que a responsabilidade pelas penalidades decorrentes de infrações será apenas do agente que as praticar quando as infrações em questão constituam crime, ou ainda quando dependam de dolo específico. 2.17.1. Diante do que desenvolve, conclui que a inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, inciso I, bem como do art. 135, inciso III, ambos do CTN, impõe o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. 2.18. Alfim, requer seja a presente Impugnação recebida e os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes. 2.19. Alternativamente requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 2.20. Ademais, solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao processo administrativo em tela sejam remetidas ao endereço dos Impugnantes e para o escritório dos patronos que subscrevem as Impugnações. IMPUGNAÇÃO DE LPS BRASIL CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A. (RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA) 3. O sujeito passivo, por solidariedade, LPS BRASIL CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A, por intermédio de patrono, apresentou, tempestivamente (27/10/2014), em face de todos os Autos de Infração lançados abarcados no presente processo administrativo, impugnação às fls. 1.729/1.748 acompanhada dos documentos de fls. 1.750/1.849, por intermédio da qual, em síntese, apresentou os seguintes argumentos: 3.1. Após sintetizar os fatos decorridos do procedimento fiscal, cujas autuações são ora contestadas, aduz que os fundamentos técnicojurídicos que autorizam a coobrigação por solidariedade não se encontram devidamente caracterizados, nem comprovados, no caso presente. 3.2. Destarte, atacando a subsunção da aventada solidariedade ao art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), articula que a expressão interesse comum requerida pela indigitada norma deve ser entendida em seu sentido técnico e não, como pretendeu a Autoridade Autuante, em seu sentido comum ou atécnico. 3.3. Ademais, expressa o entendimento de que o referido preceptivo não se dirige a terceiros estranhos à relação jurídico tributária, mas às pessoas que Fl. 2942DF CARF MF 10 participam do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. Colaciona doutrina e acosta excerto de julgado. 3.4. Tornando à questão interpretativa do interesse comum, sustenta ser tal um interesse jurídico, inconfundível com o interesse meramente econômico. 3.5. Tratando do casuísmo em tela, afirma não haver no trabalho fiscal qualquer prova de que a Impugnante teria interesse comum nos supostos fatos geradores da obrigação tributária lançada contra a Autuada e, ademais, a qualidade de sócio não seria suficiente a ensejar a solidariedade tributária. 3.6. Ainda, articulando pela necessidade de comprovação de confusão patrimonial para fins da caracterização da solidariedade passiva tributária, assevera que, contrario sensu, a falta de tal prova exclui a solidariedade. 3.7. Após alguma digressão, apresenta conclusão de que o Relatório Fiscal teria indicado como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário, o que evidenciaria a confusão entre o interesse comum com o interesse meramente econômico. 3.8. Quanto à fundamentação da responsabilidade solidária calcada no art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 124, II, do CTN, argumenta que tal previsão está adstrita aos contornos já existentes no ordenamento jurídico no que diz respeito ao aspecto pessoa da regramatriz do tipo tributário, bem como ao que determina o art. 128 do Codex Tributário, no que diz que a responsabilidade tributária somente pode atingir pessoa vinculada ao fato gerador. Colaciona doutrina. 3.9. Ademais, para a caracterização de grupo econômico, é preciso que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo para autorizar a solidariedade da obrigação tributária e, ainda, que o grau de centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou nãorealização dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Acosta doutrina e jurisprudência acerca do tema. 3.10. Em adição, assevera que a Fiscalização não logrou comprovar que a Impugnante exerce sobre a Autuada poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado ou o cumprimento/descumprimento das obrigações tributárias, decorrendo da tese fiscal que a solidariedade é consequência do mero fato de ser a Impugnante sócia da Autuada. 3.11. Lembra que o art. 13 da Lei nº 8.620/93 foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte (RE nº 562.276PR), não sendo, pois, possível a solidariedade objetiva dos sócios por dívidas previdenciárias inadimplidas. 3.12. No tocante às penalidades impostas, conjugando as previsões dos artigos 124, I do CTN, 5º, XLV, da Constituição Federal, e 137 do CTN, aduz pela impossibilidade de responsabilização por penalidades. 3.13. Noutro giro, sustenta que no que diz respeito às infrações que constituam crime ou dependam de dolo específico, a responsabilidade é adstrita, somente, ao agente. 3.14. Do que expõe, requer o recebimento e processamento da Impugnação em tela para, ao final, julgar integralmente improcedente. Ademais, requer a produção de todas as provas admitidas em direito e, finalmente, solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.939 11 IMPUGNAÇÃO DE LPS BRASÍLIA – CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. (CONTRIBUINTE) 4. O sujeito passivo LPS BRASÍLIA – CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA., por intermédio de patrono, apresentou, tempestivamente (27/10/2014), em face de todos os Autos de Infração lançados, impugnação às fls. 1.852/1.910, acompanhada dos documentos de fls. 1.911/1.946, por intermédio da qual, em síntese, apresentou os seguintes argumentos: 4.1. Após sintetizar os fatos decorridos do procedimento fiscal, cujas autuações são ora contestadas, e as conclusões expressadas pela Autoridade Fiscal, tidas por acusações pela Defendente, as quais sumariza em tópicos. 4.2. Do que apresenta, ressalta quais seriam a tese central dos hostilizados Autos de Infração, a saber: a) A Impugnante teria tomado serviços de contribuintes individuais (corretores independentes); b) Efetuados pagamentos de remunerações aos corretores independentes, sem que tenha havido o correspondente recolhimento de contribuições previdenciárias reputadas incidentes e, por tanto, devidas. 4.3. Na sequência, expõe as justificativas das indigitadas conclusões da Autoridade Fiscal. Em resumo, seriam: (a) os compradores de imóveis não teriam livre convencimento de que teriam contratado Corretores Independentes; (b) seria ilegal a celebração de contratos de corretagem não formais (orais); (c) a fiscalizada teria praticado atos simulados/dissimulados numa tentativa de fazer crer que os corretores independentes prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias; (d) com a transferência, aos compradores, da “responsabilidade” pelo pagamento das comissões, eximindo a fiscalizada do pagamento dos encargos tributários devidos na operação; (e) a transferência da sujeição passiva tributária aos compradores; (f) foi aplicada a multa qualificada (150%) em razão da “ocorrência do crime de sonegação fiscal em todo o período de apuração das contribuições previdenciárias, haja vista a empresa LPS já ter incorrido no mesmo crime em fiscalizações realizadas anteriormente sobre o mesmo fato gerador dos créditos ora constituídos”. 4.4. Passando à análise das questões envolvidas nas objetadas autuações, aduz que as alegações apresentadas pela Autoridade Fiscal não se mostrariam capazes de identificar a roupagem jurídica da qual se revestiria a relação estabelecida entre a Impugnante e Corretores Independentes, ignorando dispositivos existentes na legislação vigente que afastam esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços. Fundamenta sua análise no quanto encerrado no art. 6º da Lei n° 6.530/78 e art. 728 do Código Civil. 4.5. Na esteira do raciocínio que desenvolve, sustenta, albergado no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado, ao incumbente, “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. 4.6. Em acréscimo, assevera não haver serviço na corretagem, pois que não há propriamente troca entre a atividade do corretor e a obrigação do incumbente de pagar a corretagem. O corretor é “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obtêlo. 4.7. Ademais, sustenta ser inconfundível a figura do corretor com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário. Nesse sentido, inócua a afirmação da Autoridade Lançadora de que a atividade dos corretores independentes se Fl. 2944DF CARF MF 12 desenvolveria sob a orientação, coordenação, controle, supervisão e direção da impugnante, vez que os corretores correm todos os riscos associados à suas próprias atividades. 4.8. Com fulcro em diversos dispositivos legais e normativos (Decreto nº 2.475/1897, Decretolei nº 1344/39, Resolução CNSP nº 295/13, Lei nº 6.530/78, Decreto nº 81.871/78) entende por fragilizada a suposição da Autoridade Fiscal de que, no âmbito da corretagem imobiliária, pode existir a figura do preposto. 4.9. Em adição, ainda que se tomasse como possível a constituição de preposto por corretor de imóveis, ele não agiria “enquanto corretor de imóveis”, mas como mero “instrumento” deste. Por isto, a exigência quanto ao atendimento do público, nas transações patrocinadas por pessoa jurídica, a cargo de um corretor de imóveis, elimina toda chance de que o “patrocínio” seja de qualquer maneira associada ou identificada à preposição, a qual, em regra, implica o exercício de uma atividade que não é a mesma desempenhada pelo corretor. Preposto não é corretor, é instrumento deste; no patrocínio, o Corretor Individual não deixa de agir como corretor de imóveis e, por isto, não pode ser tido como mero preposto. 4.10. Com efeito, sustenta haver relação de horizontalidade entre corretores de imóveis (pessoa físicas e pessoa jurídica), vez tratarse de relação entre iguais, que somente pode consistir numa espécie de associação ou parceria. Tal interpretação ultimouse consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. 4.11. Na citada relação de associação ou parceria, a Impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma universalidade de potenciais compradores. Os corretores independentes dedicamse à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado, e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a Impugnante. Assim, não existe, na associação, qualquer delegação, por parte da imobiliária, de uma atividadefim ou atividade meio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse. Ao revés, as atividades da imobiliária e do corretor independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos. 4.12. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. 4.13. Na linha do quanto encordoado, alega ser plenamente possível que a Impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos Corretores Independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, advirtase, é muito comum numa sociedade (que também possui causa associativa): um sócio pode oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se tome prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos que lhes são comuns. 4.14. No caso concreto, afirma que o Corretor Independente é remunerado pelo comprador de imóveis pelo seu atendimento e, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc), “remunera” a imobiliária. Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.940 13 4.15. Afirma inexistir o pagamento de remunerações entre Impugnante e os corretores independentes, mas mero rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. Sobre a questão, percebese que a Autoridade Fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos pela Impugnante. 4.16. Abordando a questão atinente ao livre convencimento dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os corretores independentes como intermediadores de seus interesses, articula que todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos corretores independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e Corretor Independente. 4.16.1. Adicionalmente, ainda que assim não fosse, nada impede que o contrato de corretagem seja celebrado verbalmente entre as partes, ou, ainda, que a sua existência seja deduzida a partir do comportamento concludente dos envolvidos. Ressalta que o próprio Auditor admitiu a possibilidade do contrato de corretagem ser celebrado tacitamente. 4.17. N’outro giro, argumenta que tampouco se sustenta a acusação de simulação. Segundo o raciocínio da Autoridade Fiscal, o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com vistas a encobrir o negócio dissimulado, pelo qual seria a Impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações. Porém, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Ou bem a suposta transferência de ônus é apenas aparente e, neste caso, nada caberia dizer sobre a sua legalidade ou ilegalidade, pois ela sequer existiria ou, então, ela é real e efetiva e não haveria como se negar que, concretamente, os pagamentos aos corretores independentes foram realizados pelos compradores. 4.17.1. Ainda, ressalta que a acusação de simulação somente faria sentido se a Autoridade Fiscal tivesse afirmado e demonstrado o conluio entre a Impugnante e o comprador, não sendo aplicável a mera presunção de que todos os compradores de imóveis teriam ajustado acordos simulatórios com a impugnante e os corretores de independentes 4.18. Sustenta, ademais, que o tema da responsabilidade pelo pagamento da corretagem é objeto de discussão no âmbito do direito do consumidor, em que tem prevalecido o entendimento de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador, com o consequente pagamento, por este, da remuneração devida aos intermediadores. Colaciona julgado. 4.18.1. Como corolário, não seria verdadeira a afirmação do Relatório Fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis. Ainda, a ilegalidade da prática comercial em comento, mesmo se confirmada, não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados, em última instância, os suportes fáticos referidos na legislação tributária. 4.18.2. Em acréscimo, assevera que a Autoridade Fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos corretores independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos foram ilegais, abusivos, lesivos etc., como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de Fl. 2946DF CARF MF 14 direito do consumidor. Ainda que admitida, esta discussão somente pode repercutir no âmbito da responsabilidade civil, nada importando ao direito tributário. 4.18.3. Torna a insistir na falsidade da ilação segundo a qual, da eventual ilegalidade da assunção da obrigação de corretagem pelo comprador, deriva a caracterização do fato do pagamento da corretagem pela imobiliária. 4.19. Outrossim, argumenta que, ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a Autoridade Fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal. O art. 123 do CTN exclui, como regra geral, a possibilidade de transferirse a sujeição passiva. A afirmação de que houve transferência de sujeição passiva, portanto, contrasta com a ineficácia que o CTN normalmente atribui às convenções que tenham este escopo. 4.20. N’outra vertente, ainda que a Autoridade Fiscal não tenha logrado êxito em comprovar a efetiva realização de pagamentos pela Impugnante, em benefício dos corretores independentes, intenta a Irresignada demonstrar a inexistência do fato tributável discutido por meio da apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos que foram emitidos por compradores em favor de corretores independentes, documentos estes obtidos com muito custo pela Defendente, haja vista não manter a guarda de documentos relativos à atividade de terceiros. 4.21. Em reforço, aduz que a controvérsia já foi objeto de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que negou ter havido qualquer pagamento de corretagem pela Impugnante em benefício dos corretores independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque, ao não realizar os pagamentos aos corretores independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções, para fins de apuração do imposto de renda. 4.22. Pelas razões que expõe e entende suficientes para fulminar os guerreados AI, conclui pela necessidade de cancelamento das exigências de penalidades decorrentes do suposto descumprimento de obrigações acessórias. 4.23. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela Autoridade Fiscal mediante circularização, sustenta trataremse de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. 4.23.1. Ainda que assim não fosse, e o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidos pela autoridade fiscal, há diversas declarações que comprovam, ao contrário do que se pretendia, a narrativa dos fatos e a interpretação jurídica da Impugnante. Embora tenha recebido dos corretores independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a Autoridade Fiscal os ignorou. 4.23.2. Afirma que o consumidor, na maioria das vezes, não tem condições de realizar uma análise técnicojurídica do negócio de que participa. Há de se diferenciar a aparência que o empresário quer conferir ao seu negócio, única conhecida pelo consumidor, da essência jurídica que ele possui e que deve ser buscada pelo Fisco. Entende que a Autoridade Fiscal não se limitou a coletar fatos puros quando indagou da existência de “trabalho”, ou “serviço”, ou “vinculação” aos compradores. Tratase de emissão de opinião sobre a roupagem jurídica de que se revestem os fatos puros. 4.23.3. D’outra margem, entende que a Autoridade Fiscal ignorou esclarecimentos prestados pelos corretores independentes, bem como cláusulas integrantes dos contratos firmados entre estes e a Autuada, os quais deixam bastante claro o objeto da parceria e a inexistência de prestação ou tomada de serviços. De Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.941 15 forma análoga, deixou de considerar os esclarecimentos prestados por algumas incorporadoras e contratos de corretagem disponibilizados por outras. Acosta conversas eletrônicas, questionários respondidos por um dos corretores independentes, excertos do contrato de parceria firmado entre os corretores e a Impugnante, declaração manuscrita e outras explicações etc. 4.24. Para mais do já relatado, refuta o procedimento adotado pelo Auditor Fiscal para definir a base de cálculo do Auto de Infração com utilização do procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes estabelecidas pela legislação de regência. No caso de falta de informações sobre fatos tributáveis, a Autoridade Fiscal pode, observadas as condições legais específicas, valerse de procedimento de arbitramento, mas nada a autoriza da descumprir o teto da salário de contribuição. 4.24.1. Apresenta método alternativo para a aferição do número de segurados (corretores independentes) e da base de cálculo individual, baseado no número de operações intermediadas pela impugnante. No entanto, sustentando que a adoção do método sugerido seria impossível, vez que a revisão de lançamento não pode alterar o critério jurídico do lançamento, por força do artigo 146 do CTN, e não pode versar sobre fatos que já poderiam ser conhecidos pela autoridade fiscal, ex vi do artigo 149 do CTN, não resta outra alternativa que não o cancelamento integral do lançamento afeito à cota do segurado. 4.25. Remetendo a aplicação da aferição do Salário de Contribuição de contribuinte individual ao disposto no art. 201, § 3º, do Decreto nº 3.048/991, sustenta ser ônus do AuditorFiscal a identificação dos beneficiários das remunerações discutidas para que restassem cumpridas as exigências mínimas necessárias para a apuração de base de cálculo legalmente válida. Ao contrário, a Autoridade Fiscal optou por se utilizar da criatividade e adotar um procedimento de arbitramento sem qualquer base legal, motivo pelo qual o lançamento deverá ser cancelado. 4.26. Entende relevante o fato do AuditorFiscal ter adotado a Tabela de Honorários do CRECI para definir, a partir do percentual previsto de 50% para o rateio da comissão entre imobiliária e Corretores Independentes, o valor que teria sido pago a estes. Considerando que o CRECI, seguindo o entendimento decorrente da legislação especial e dos usos e costumes da prática da corretagem imobiliária, entende que este rateio não diz respeito a pagamento de remuneração, a Autoridade Fiscal teria realizado uma aferição indireta a partir de um documento que nega toda a sua tese. 4.27. A par da ilegalidade do arbitramento, é de se levar em conta que a alíquota aplicável, no caso da contribuição do segurado, é a de 11%, não a de 20%, como propôs a Autoridade Fiscal. Discorda da interpretação do AuditorFiscal ao § 4º do art. 30 da Lei nº 8.212/91 que acarretou na inaplicabilidade da dedução de 45% da contribuição devida pela impugnante, limitada a 9% do saláriode contribuição, vez que não teriam sido as contribuições declaradas. 4.28. Ademais, entende pelo cabimento da referida dedução com amparo em jurisprudência administrativa que acosta. 4.29. Subsidiariamente, pleiteia seja reconhecido o descabimento do agravamento da multa de ofício com base na acusação de suposto evidente intuito de fraude por parte da Impugnante. Fl. 2948DF CARF MF 16 4.30. A adoção de procedimento fiscal indevido, caso praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação com o fisco, entretanto, age de forma consciente com o objetivo de não recolher tributo que entende ser devido. 4.31. O modelo de negócio adotado pela Impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos Corretores Independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. 4.32. É absurda, portanto, a suposição de que a fiscalizada teria adotado um procedimento sabidamente incorreto. Em tal contexto, a majoração da multa de ofício fere o bom senso e a correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 – além de contrariar toda a jurisprudência do Carf sobre o tema. 4.33. No tocante à incidência de juros sobre a multa de ofício, defende o entendimento de que a expressão “crédito” contida no art. 161 do CTN abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrente do descumprimento da obrigação tributária. Assim, estaria excluído deste conceito o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. 4.34. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. JCGONTIJO GUARÁ II EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A. (RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO) (...) A exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeira instância (fls. 2014/2069), havendo sido excluída do pólo passivo a responsável solidária JCGontijo Guará Empreendimentos Imobiliários S/A. Por conseguinte, a autuada interpôs recurso voluntário em 18/5/2016 (fls. 2071/2142), e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários respectivamente às fls. 2263/2283, 2288/2314, e 2383/2449. Nesses documentos, foram reprisadas, em linhas gerais, as aduções das peças impugnatórias mais acima minuciadas, bem como contestados certos pontos da argumentação da DRJ/SPO. Ademais, foram juntados parecer de jurista renomado, e dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria. Em 7/6/2017 apresentou a autuada petição (fls. 2602/2606) juntando documentos novos ao processo, e demandando a aplicação do decidido no RE [sic] 1.599.51/SP à controvérsia. É o relatório. Voto Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.942 17 Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, cabendo ressalvar, contudo, não ser possível admitir a apreciação do documento intitulado "Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes", elaborado por empresa de consultoria, e "Laudo de Avaliação da LPS Brasília Auditores Independentes", ambos presentes nessas peças recursais. Tratase de material de nítido cunho probatório, restando precluso o momento processual para sua apresentação, ante o disposto no art. 16, inciso III e §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, caso se configurassem em documentos que por si só, apontassem de maneira segura e inquestionável a justa solução da lide posta, poderiam ser, em tese, superadas tais vedações, face a outros princípios que regem o contencioso tributário; não se trata em absoluto, porém, de tal caso. Já no que concerne ao parecer jurídico juntado pelos recorrentes, veiculando tal texto tese jurídica de caráter eminentemente opinativo, não há vedação a seu conhecimento, para fins de, eventualmente, fornecer subsídios à formação de convencimento do julgador. Também os documentos juntados em petição posterior ao ingresso do recurso voluntário, pelas mesmas razões mais acima vertidas, não merecem acolhimento. E, quanto à alusão ao recurso repetitivo mencionado nessa mesma petição, será tal decisão oportunamente abordada, até mesmo face aos cogentes regramentos do art. 62 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343/15). Sublinhese, em decorrência do explanado, que as alegações recursais pautadas em sua essência nos referidos documentos inadmitidos serão, consequentemente, não apreciadas. Ainda a título preliminar, deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, formulado nos recursos, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Nesse rumo, também é demandada a ciência pessoal do patrono dos recorrentes, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF. Do recurso voluntário da autuada As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei nº 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: Fl. 2950DF CARF MF 18 (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. Ao contrário, os princípios constitucionais da solidariedade e da equidade na participação do custeio atraem, inafastavelmente, a conclusão de que a prestação de serviços referenciada na norma previdenciária não se limita àquele estrito conceito tipificado no diploma civilista, mas tem seu alcance amplificado tal como acontece nas relações de consumo, vide o art. 3ª, § 2º do Código de Defesa do Consumidor: § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desses contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve no caput do seu art. 3º: Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. Ou seja, a despeito das peculiaridades da corretagem, para fins previdenciários ela se constitui sim, em prestação de serviços, devendo ser destacado que a interpretação das leis ordinárias deve ser sempre realizada sob o lume dos princípios constitucionais, com ênfase, no caso, nos já mencionados princípios da solidariedade e da equidade na participação do custeio (exvi dos arts. 3º, 194 e 195 da CF). Sob esse prisma, e analisando a atividade de corretagem no caso, de seguros o Ministro Herman Benjamim, como relator do voto condutor do REsp nº 519.260/RJ, em 9/4/2008 (1o qual deu origem à Súmula 458 do STJ), assim explicou: De outro lado, e como de conhecimento geral, toda e qualquer interpretação do direito infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República. 1 Súmula 458 do STJ: A contribuição prevideinciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. (DJe 8/9/2010) Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.943 19 Não é por outra razão que a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da equidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Vale dizer, as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social "independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" (Leandro Paulsen, Contribuições Custeio da Seguridade Social, 2007, pág. 22). Assim, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos corretores, em razão da intermediação que realizam, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da equidade na forma de participação no custeio (que, em última análise, configura desdobramento do princípio da isonomia), pois se criaria uma única categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Noutro giro, temse que a contribuinte alega que não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os corretores independentes, sendo a relação de corretagem estabelecida entre esses e os compradores dos imóveis. Seus clientes são, assevera, as empresas incorporadoras, não ditos compradores, conforme laudo de avaliação de composição patrimonial. Afirma, nesse passo, que o pagamento aos corretores é realizado pelos clientes adquirentes, como atestado pelos recibos colacionados. Também refere que parecerista contratado aduz que a maior parte das vendas não resulta do estande de vendas, mas sim de contrato prévio entre corretor e comprador, que integraria carteira de clientes daquele. Salientese, previamente, que as conclusões do indigitado parecerista, bem como da recorrente, amparamse em significativa medida em documento não conhecido pelo Colegiado Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes visto que apresentado em momento extemporâneo do contencioso. E, ainda que fosse conhecido, é de se ressaltar que não teria sido submetido ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios. Feitas essas necessárias ressalvas, cumpre frisar que não constam elementos nos autos a corroborar a narrativa da autuada. As diligências realizadas pela fiscalização por amostragem junto aos compradores de imóveis (Anexo III), trazem dados consistentes no sentido de que os corretores identificavamse sempre como representantes da imobiliária, trajando uniforme e portando crachás e cartões de visita para assim serem identificados. A transação acontecia geralmente em estandes de venda junto ao local da obra visitada pelo interessado. Contrariamente ao que aventa a peça recursal, na maioria dos casos não há qualquer sinal de que havia contato prévio entre compradores e corretores, antes da visita dos primeiros aos referidos locais. Muito menos existe evidência nos autos de que tais compradores pertenciam a lista de clientes cadastrados junto aos corretores, ou que estes teriam sido por aqueles contratados, formal ou informalmente. Tais informações se coadunam com os depoimentos colhidos junto aos prestadores de serviço de intermediação imobiliária pessoas físicas (Anexo IV), de modo a permitir desvelar o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos Fl. 2952DF CARF MF 20 estandes ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida, não escolhendo assim quem lhe atenderia. Como bem pontuado pela decisão de piso, e malgrado o entendimento da recorrente em sentido diverso, os corretores presentes nesses plantões, a despeito de sua pretensa autonomia, se traduziam, aos olhos dos potenciais adquirentes, em vendedores representantes da empresa face a sua identificação e atuação apresentando o produto, tabela de preços e condições/detalhes do empreendimento. Daí, caso pactuado o negócio, era firmada proposta de compra pelo valor total, com pagamento de sinal. Em momento posterior, o comprador assinava o instrumento de promessa de compra e venda propriamente dito, no qual o montante do negócio consta reduzido. Com efeito, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra, para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido; do valor inicial acertado eram assim descontadas as quantias associadas a esses cheques, pagos a título de comissão. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Eventual prejuízo em posterior alienação do bem quando de eventual apuração de ganho de capital, dada a corretagem não integrar o valor da aquisição, não prevalecia na realidade, provavelmente sequer era cogitado frente à satisfação auferida com a aquisição. Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. O fato é que os elementos dos autos, a experiência comum, bem como sucessivas decisões em sede judicial, reconhecem que nas vendas de imóveis em plantão o corretor que intermedia a transação, na ampla maioria dos casos, não realiza sua atividade em prol do comprador, mas sim opera tendo em vista aos interesse de seu contratante, a empresa imobiliária ou mesmo diretamente a incorporadora. A notoriedade dessa situação é atestada por uníssonos julgados, valendo transcrever a seguinte passagem do acórdão do REsp nº 1.599.511/SP, no qual o relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, após explicar que usualmente o incumbente no contrato de compra e venda de imóveis é o vendedor, passar a asseverar: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.944 21 expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. (...) Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até a contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). Cabe chamar a atenção, contudo, que nesse julgamento, realizado em 24/8/2016, restou assentada a seguinte tese (Tema nº 938) em sede de recurso repetitivo (art. 1.040 do CPC): 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de compra e venda de unidade imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. Considerando os termos do art. 62 do RICARF, não subsistem as alegações da fiscalização, bem como da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a comissão de corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, visto que superadas por essa decisão do STJ, a qual afastou, inclusive, as arguições de que estaria a ocorrer venda casada. Por outra via, mister frisar que tal percepção não afeta a responsabilidade tributária do tomador dos serviços de corretagem, posto que o art. 123 do CTN dispõe que Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Então, ainda que o pagamento dos serviços tenha sido realizado por terceiro que não o contratante dessa prestação, tal feito não influi na incidência das contribuições previdenciárias, não sendo relevante a origem do fluxo financeiro notese que pode ser quitado certo salário ou prestação de serviços com cheques de terceiros, sem alterar a relação jurídica tributária. Importa lembrar que a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras. Oportuno reproduzir os termos dos arts. 3º e 5º do Decreto nº 81.871/78, que regulamenta profissão de corretor de imóveis: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. Fl. 2954DF CARF MF 22 (...) Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. De sua parte, os contratos firmados entre as incorporadoras e a autuada, conforme exemplos juntados aos autos, atribuem com exclusividade à recorrente a intermediação/mediação na venda dos imóveis construídos, sendo que alguns explicitam que tal incumbência de "corretagem imobiliária" se consubstancia em "serviços a serem prestados e desenvolvidos" de modo a ser auferida a devida remuneração pela contratada, a ser rateada entre a esta e os corretores autônomos, que, conforme descrito, restam por ser pagos diretamente pelos adquirentes. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo que poderia englobar consultoria e promotoria de vendas, pactuava a prestação de serviços de corretagem/mediação com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é compatível com o objeto social da empresa: "a atividade de prestação de serviços técnicos de planejamento, organização; compra e venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios". Tal prestação de serviços pois, como visto, para fins de incidência de contribuições previdenciárias a atividade de corretagem traduzse em modalidade de prestação de serviços era realizada mediante a contratação de corretores, em conformidade com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Nessa toada, as metas, as escalas de trabalho, os rateios de corretagem, eram aspectos essenciais das atividades desenvolvidas, e sobre os quais apenas uma das cogitadas 'parceiras', a imobiliária, tinha poder de disposição. Deve ser registrado que alguns depoentes confirmaram não ter relação de prestação de serviços com a autuada, mas sim de parceria comercial, o que por outro lado conflita com depoimentos em sentido diametralmente oposto, no sentido de que o vínculo tinha caráter de relação de emprego. Tais diferenças parecem residir, em substancial medida, no grau hierárquico da função desempenhada pelo corretor coordenador, diretor ou mero corretor autônomo individual dentro da empresa. Ou seja, quanto mais alto o cargo exercido, mais o diligenciado Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.945 23 tende a dissociar seu trabalho de uma prestação de serviços, identificandoa como parceria, ou havendo mesmo constituído pessoa jurídica para efetivar tal relação. Por outra via, na maior parte dos casos os corretores autônomos sem função adicional na imobiliária trazem versão diversa, inclusive asseverando terem firmado contrato de prestação de serviço, sendo que sua via deste não lhe era fornecida pelo empresa, aliás; ainda, há corretor depoente que alude à natureza de sua relação como sendo empregatícia. Cabe anotar ser natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc, bem como participação em treinamentos. Existe sim, o desempenho de uma atividade de coordenação por parte da empresa sobre a atividade dos corretores, visando padronizar os serviços prestados e transmitir credibilidade aos potenciais adquirentes. Porém o estabelecimento de sanções em caso de faltas, com a possibilidade de rescisão contratual, o regramento unilateral das condições da atividade por apenas um dos parceiros, sem a menor participação dos corretores, que meramente aderem às condições pré estabelecidas pela autuada, são características que revelam grau significativo de subordinação e controle dos corretores autônomos frente à imobiliária, grau esse o qual, ainda que não suficiente para atrair vínculo empregatício, afasta claramente a tese associativa ou de parceria dimensionada na peça recursal, remetendo claramente à realização de prestação de serviços. Reiterese que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam parte dos serviços objeto do contrato com a imobiliária por exemplo, a divulgação do lançamento na mídia não era realizada por corretores, logicamente, mas sim diretamente pela imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Em outros termos, a recorrente, para se desincumbir de seu dever de prestar o serviço de corretagem às incorporadoras comitentes, contratava corretores autônomos os quais poderiam realizar suas atividades como pessoa física ou jurídica, podendo ou não ter atribuições adicionais no âmbito da organização. Em regra, esses corretores atendiam aos potenciais adquirentes quando estes visitavam os plantões de vendas do empreendimento imobiliário. O pagamento do serviço prestado por esses corretores ao seu contratante direto, a imobiliária, era realizado não por essa tomadora imediata, mas pelos compradores de imóveis, mediante emissão de cheque à parte no nome daqueles, com a concordância dos envolvidos. Portanto, há que se concluir que a obrigação tributária da autuada, como contratante desses corretores, não resta modificada pelo acerto realizado quanto ao pagamento, forte no art. 123 do CTN; constatase então correta a imputação fiscal, no que se refere à aferição de infringência ao disposto nos arts. 22, III; 28, III, 30, inciso I, § 4º; 32, inciso IV e 33, §§ 3º a 6º da Lei nº 8.212/91. Fl. 2956DF CARF MF 24 No tocante ao tópico recursal denominado "O limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração", merece ser dito que a questão referente à circularização foi enfrentada à minúcia pela DRJ/SPO e, não se discordando das razões ali discorridas, pedese a devida vênia para que elas passem a integrar esta fundamentação: 8. O processo administrativo fiscal é composto por uma sequência de atos dentre os quais é possível identificarse duas fases distintas: a inquisitorial (preliminar) e a contraditória. 8.1. Na fase preliminar, investigativa, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditoria contábilfiscal e verifica a subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária. 8.2. Em tal fase, a indigitada Autoridade forma sua convicção com base nos elementos colhidos e análises efetuadas, não havendo, ainda, que se falar em processo nem, tampouco, em contraditório. 8.3. Efetuado o lançamento e, com isso, constituído o crédito tributário, nasce para o então sujeito passivo, após regular cientificação, a faculdade de provocar o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória – por intermédio da sua insurgência (Impugnação) contra o ato concreto resultante da primeira fase (lançamento). 8.4. Destarte, ratifiquese, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente ganha espaço após a formalização do lançamento regulamente cientificado ao contribuinte que, então, tem o direito de desafiálo com a interposição de defesa, com a exposição dos argumentos e provas que julgar pertinente para embasar suas alegações. 8.5. Assim, diante do sintetizado, as objetadas circularizações, consistentes em técnica de auditoria largamente utilizada, tratandose de coleta de dados e informações e, por corolário, abrangidas pela fase inquisitorial do procedimento, não estão sujeitas ao contraditório, haja vista que prévias ao atacado lançamento. 8.6. Lado outro, tendo sido levadas ao conhecimento do sujeito passivo, mediante relatório e termos acostados aos autos, sujeitas, por tanto, à contradita, referidas circularizações em nada se aproximam da ideia de provas obtidas ilicitamente, pois que não se desnudam contrárias à lei lato sensu, nem contrárias a procedimento. Ademais, há que se realçar que a ampla maioria dos depoimentos colhidos via circularização confirma de modo consistente as conclusões da fiscalização quanto aos fatos submetidos à investigação. Por exemplo, não se nega a possibilidade de que em determinadas circunstâncias, tenham havido contatos prévios entre corretores e compradores interessado, mas essas situações surgem, à toda vista, como exceção, não como regra. Também a maior parte dos corretores diligenciados corrobora a versão do Fisco de que prestavam serviços nos plantões de venda à autuada firmando inclusive contrato de prestação de serviços, do qual não lhes era fornecida cópia sob seu controle, orientação e regras fixadas unilateralmente, conforme abordado à saciedade, estando até mesmo sujeitos a sanções. E, como já referido, as alegações de parceria são ventiladas predominantemente por corretores que também tinham competências funcionais/gerenciais outras dentro da empresa, cabendo cautela na apreciação de seus depoimentos. Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.946 25 E o que a recorrente rotula como mera "opinião", guiada pela "aparência", dos compradores de imóveis, é na realidade bastante compatível a realidade documental espelhada nos autos, valendo sublinhar, uma vez mais, que os tribunais pátrios vem reconhecendo reiteradamente que a prestação de serviços em situações tais como a analisada se dá em benefício primeiro do contratante pessoa jurídica, não sendo o serviço de corretagem prestado aos compradores, ao contrário do que insistentemente aduzido no recurso. Melhor sorte não favorece a recorrente, no que diz respeito ao arbitramento realizado pela fiscalização. Com esteio no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, diante da apresentação deveras deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou as quantias devidas, arbitrando a remuneração paga aos corretores, base de cálculo das contribuições. O procedimento de aferição deuse tomando como base 100% das comissões recebidas pela autuada e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas às intermediações imobiliárias realizadas para a empresa JCGontijo Guara II Empreendimentos Imobiliários S/A. (LEV JG). A partir desses dados, foi então utilizada a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte. Argui a autuada que deveriam ter sido utilizados critérios outros, que reputa serem mais adequados, aludindo explicitamente aos constantes do art. 201, § 3º do Decreto nº 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social). Vejase, não obstante, que tal dispositivo é destinado especificamente aos segurados de que tratam as alíneas 'e' a 'i' do inciso V do art. 9º desse decreto, ou seja, titular de firma, diretor não empregado, sócio e ou associado de cooperativa, situações em nada assemelhadas às ora examinadas. Acrescentese que a fiscalização logrou demonstrar, via quadro Demonstrativo (fls. 75/76), que o critério de aferição foi inclusive benéfico à recorrente, posto que nos casos particulares nos quais se pôde chegar a números mais concretos, o percentual da corretagem destinado aos corretores pessoa física superava o pagamento da corretagem à pessoa jurídica. E anotese também que, a despeito de alguns corretores haverem formalizado pessoas jurídicas para realizar suas atividades, restou evidenciado, conforme argumentação desenvolvida supra, e em concordância com o entendimento da fiscalização, que a natureza dos serviços constituíase materialmente em prestação de serviços por pessoa física, verificados inclusive os vínculos de subordinação, ainda que mitigados relativamente ao vínculo empregatício, a justificar a utilização das tabelas da CRECI na espécie. Constatase ser bastante proporcional e adequado o critério de aferição utilizado, portanto, e em consonância com as normas de regência. Fl. 2958DF CARF MF 26 Quanto à suposta improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição, devese destacar que não foi possível à fiscalização, face à não colaboração da recorrente em apresentar os dados individualizados de pagamentos das comissões aos prestadores de serviços de corretagem, por operação de venda dados aos quais tinha decerto acesso, pois quedava com os cheques àqueles devidos, até a conclusão do negócio , discriminar por beneficiário a comissão a ele paga. Destarte, os valores lançados, por uma questão lógica, acabaram por superar o limite máximo de salário contribuição, pois estão vinculados ao conjunto das operações mensais realizadas para cada incorporadora no mês, não a um contribuinte individual determinado, situação na qual aí sim, o limite em questão não poderia ser ultrapassado. Para assim compreender, basta consultar o DD (Discriminativo do Débito) do lançamento. Também por essa via, então, não prosperam as alegações recursais. A recorrente se insurge, ainda, contra a qualificação da multa de ofício. Partilhase, nesse particular, do ponto de vista expresso no voto do relator da decisão contestada, o qual restou vencido àquela ocasião. Explico. A fiscalização entendeu, ao justificar a qualificação questionada, que a autuada "atua no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...). Prossegue afirmando que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda para os compradores tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", com ênfase nas contribuições previdenciárias. Ora, a validade da precitada transferência de responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária contratante para o comprador do imóvel era matéria acerca da qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, nesta última especialmente sob o enfoque consumerista. Não obstante, consoante anteriormente explicitado, quedou assentado em 2016 pelo STJ em recurso repetitivo a validade desse tipo de cláusula contratual, desde que previamente informado o preço do total da aquisição ao comprador, com destaque do valor da comissão. À luz dessa decisão, resta bastante difícil sustentar a tese vertida pela fiscalização, de que se tal proceder teria natureza simulatória voltada para a elisão fiscal. Ainda que possa ter se originado em prática voltada para tais fins, o fato reconhecido judicialmente é que se trata de prática amplamente disseminada no mercado imobiliário, e que restou admitida como harmônica perante o ordenamento jurídico. Quanto ao aspecto da informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser elucidada caso a caso, o que extrapola os limites da presente lide. Assim sendo, e em que pese a multicitada transferência de pagamento não ter a repercussão pretendida pela recorrente, ou seja, ela não traz consequências no que tange ao fato jurídico anterior que acarreta sua sujeição passiva como contribuinte dos tributos exigidos, temse que não há elementos adicionais suficientes circunstanciados no auto de infração aptos a respaldar a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exonerada do lançamento. Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.947 27 Por fim, no que concerne aos juros sobre a multa de ofício, cabe lembrar o caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: Fl. 2960DF CARF MF 28 De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Do recurso voluntário da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., por ser esta sóciamajoritária da autuada com 51% do seu capital social, integrando grupo econômico formado por cerca de 23 empresas coligadas/controladas atuante no ramo imobiliário, o que atrai a incidência do art. 124, inciso I do CTN e do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no interesse comum carece, entendese, de elementos adicionais outros que não a mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra. Não obstante, é de ser salientado que a própria empresa tida como responsável admite no seu recurso fazer a autuada parte do grupo econômico por ela capitaneado. Diante de tal realidade, e a despeito das considerações vertidas pela recorrente, dado o princípio da legalidade aplicase de plano o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 2º, § 2º da CLT: Lei nº 8212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) X as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; DecretoLei nº 5.452/43 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.948 29 industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Convém registrar que o inciso IX do art. 30 da Lei de Custeio não traz ressalva alguma sobre a exclusão das penalidades da sujeição passiva solidária. De qualquer maneira, a multa de ofício, penalidade que restou mantida após o presente julgamento, não prescinde do dolo específico referido pela recorrente,para sua aplicação, pois decorre do descumprimento objetivo do dever de pagar ou recolher a contribuição, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo observado a autoridade fiscal a legislação supra explicitada, não prospera o recurso da pessoa jurídica responsável solidária. Dos recursos voluntários de Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini A atribuição de responsabilidade solidária aos epigrafados, amparada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Bom, conforme mencionado linhas acima, não se concebe que a mera participação no quadro societário de empresa ampare a imputação de solidariedade conforme previsto no art. 124, inciso I do CTN. Por outro lado, o que aparenta ser a justificativa para a aplicação do art. 135, inciso III do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos está contida na passagem acima 'participarem conjuntamente com a empresa autuada da iliegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos'. Ora, como dantes abordado, o próprio intérprete máximo da legislação infraconstitucional, em sede de recurso repetitivo, já firmou não haver ilegalidade, a princípio, nesse gênero de transferência. Fl. 2962DF CARF MF 30 Adicionalmente, anotese que não restou apontada qualquer outra violação legal, contratual ou estatutária. Frente a tais constatações, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária aos referidos sócios da autuada. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Parabenizo o i.Cons. Relator pelas bem expostas palavras, pormenorizada análise dos autos e fundamentada argumentação jurídica. A verdade, entretanto, é que divirjo na própria essência da causa, razão pela qual apresento a seguir os fundamentos do meu voto. Conforme o relatório apresentado, tratase de lançamento de Contribuições Previdenciárias em função de a Contribuinte ter tomado serviços de intermediação imobiliária de segurados contribuintes individuais, especificamente pelo pagamento de remuneração a título de comissão ou prêmio de vendas de imóveis. Em outras palavras, o "serviço" que a autoridade lançadora indica ter sido exercido pelos corretores pessoas físicas à Contribuinte foi a intermediação na venda/compra dos imóveis, i.e., na corretagem propriamente dita. Acontece que o contrato de corretagem, especificamente intermediação imobiliária identificada pela autoridade lançadora, é ato comercial autônomo do profissional perante as partes que almejam o contrato envolvendo o imóvel, seja vendedorcomprador, seja locadorlocatário, seja ainda permutantes ou contrato de qualquer outra natureza. Especificamente, observase que a Recorrente não é nenhuma desses, mas sim corretora, de forma que entre eles não houve sequer contrato de corretagem, mas sim outro, seja empregatício, seja associativo. Em qualquer deles, entretanto, certo é que não há prestação de serviços na intermediação imobiliária. Essa matéria não é nova nesse Conselho. O CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. A título exemplificativo, convém apresentar precedentes em ambos os sentidos. A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.949 31 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO Fl. 2964DF CARF MF 32 CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil expressamente afirma que não tem essa natureza. É imperioso registrar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, estabelece que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado. Se nem mesmo a "Lei tributária" pode alterar esses conceitos, com ainda mais razão é possível afirmar que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.950 33 interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária porquanto estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 , com ainda mais razão se nega ao intérprete tal poder. Esse motivo é, por si só, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pode deixar de aplicar a Lei o que é expressamente vedado , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é contratado por outra, o incumbente, para encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não tendo poder para representar o incumbente nem para firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor, contratado sem nenhuma cláusula acessória, nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se este encontrar um negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pela intermediação do corretor, inclusive imobiliário, independente de estar dias a fio à disposição do incumbente, buscando encontrar negócio, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem comparecer única vez in loco, encontra um negócio para o incumbente. Diferente é a hipótese em que, ao contrato de corretagem, acrescentamse outras obrigações, acessórias ou mesmo principais, alterando a natureza do negócio jurídico. Efetivamente, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 2 2 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 2966DF CARF MF 34 Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site ou outdoor; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas, a atender o telefone, a panfletar etc. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem alterase, podendo, ou não, perder a sua essência. Nessa senda, não custa relembrar a lição de PONTES DE MIRANDA que aponta as diversas correntes possíveis em relação à natureza do contrato de corretagem. In verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 3 3 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.951 35 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor, que fica obrigado a anunciar que encontrou um negócio, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte da essência do negócio. Ainda assim, é necessário distinguir a causa (antecedente jurídico) do pagamento ao corretor: se o pagamento é pela corretagem propriamente dita, ou seja, por ter encontrado um negócio, então as obrigações acessórias não são remuneradas; se, de outro lado, o pagamento é pelo adimplemento das obrigações acessórias descritas permanecer no stand de vendas, fazer ligações ou propaganda etc. , então sim é que o pagamento decorre da prestação de serviços. Neste caso, porém, o pagamento será devido independente de ter ou não encontrado o negócio. Nesse sentido, inclusive, com grande simplicidade, o incomparável PONTES DE MIRANDA: "O corretor é remunerador pelo resultado. O locador de obra ou de serviço, pela obra ou pelo serviço."4 Frisase: o corretor pode prestar serviços. São exemplos exatamente o "ficar à disposição do incumbente", o "panfletar", o "elaborar laudo de avaliação do imóvel" etc. Nestes casos o pagamento é pelo serviço prestado, e naturalmente está dissociado da conclusão de um negócio envolvendo o imóvel (venda, locação, permuta etc.). Esses serviços são inconfundíveis com o ato comercial de intermediação. Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Em que pese tenha identificado algumas obrigações acessórias, reconhece que a base de cálculo é composta pelos pagamentos efetuados a título de corretagem, e não como contraprestação por essas outras obrigações. Ainda que se pudesse configurar a corretagem como hipótese de prestação de serviço do corretor em prol do incumbente, o que já foi afastado acima, é necessário analisar ainda outra questão que, ab ovo, fere de morte o presente lançamento: qual a relação entre os contribuintes autônomos corretores pessoas físicas e a Recorrente? Concluiu a autoridade lançadora que, tendo a Contribuinte exercido atividade de intermediação, e não estando os corretores pessoas submetidos às regras da relação de trabalho, então estavam prestando serviços. Excluiu, contudo, a possibilidade de que os corretores pessoas físicas estivessem atuando em parceria com as corretoras pessoas jurídicas. A verdade é que o Código Civil estabeleceu que: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. 4 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 430. Fl. 2968DF CARF MF 36 Percebese que a Lei estabeleceu a presunção de que o vínculo entre dois corretores é de parceria. Tratase de uma norma dispositiva: presumese existir parceria, mas esse vínculo pode ser afastado ou alterado, desde haja ajuste em contrário. Em outras palavras, não apenas é plenamente possível que dois ou mais corretores atuem em parceria como, na falta de provas de que as partes e não um terceiro, como é a autoridade lançadora estipularam em contrário, essa é a natureza da relação entre si. Mais uma vez, socorremonos da doutrina: "Na hipótese de ser a corretagem conjunta, ou seja, mais de um corretor intermediar a realização do negócio, o preço da mediação será dividido em partes iguais, pelo número de corretores participantes, salvo expressa disposição contratual em contrário." 5 E "Se forem vários os corretores a participação da intermediação, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. É comum que negócios de grande e médio porte tenham participação de vários corretores. Divergindo eles sobre a partilha da comissão, cabe ao comitente consignála em juízo. No caso concreto, pode ser necessário averiguar a participação efetiva de cada corretor em cada intermediação e se não foi estabelecido percentual diverso para cada um." 6 Assim, não bastava demonstrar que os corretores pessoas físicas tinham algum vínculo com a Contribuinte; deveria a autoridade lançadora ter demonstrado que a Contribuinte atuava como tomadora do serviço, enquanto as pessoas físicas lhe prestavam serviços, eram suas subordinadas, jamais podendo estar alçadas ao patamar de parceiras. E, mais, que a remuneração era devida em função do serviço, e não pela corretagem. Ora, ainda que se entendesse que a corretagem é prestação de serviço e que houve tomada de serviço in casu o que passaria pela necessária análise da efetiva intermediação de negócios imobiliários pela Contribuinte , o que justifica a afirmação de que foi a Contribuinte quem tomou o serviço dos corretores pessoas físicas? O fato de que ela é uma empresa e eles pessoas físicas? Poderseia argumentar o inverso: que foram eles, pessoas físicas, quem tomaram serviço da Contribuinte, pessoa jurídica; que eles a remuneram, com parte da comissão recebida, pelo trabalho de prospectar incumbentes, de instalar e manter equipamentos, de fazer a panfletagem, de planejar a melhor estratégia de marketing etc. Pode se argumentar que se tratam de serviços que eles, pessoas físicas, tomaram dela, imobiliária, em prol da atividade deles, que é intermediar compra e venda de imóveis. Eles, corretores pessoas físicas, podem tomar esse serviço de qualquer imobiliária ou mesmo fazêlo por conta própria enquanto ela, Contribuinte, é quem dependeria deles, os corretores, na figura de seus clientes, para auferir receita. Podese argumentar que sem a comissão da venda efetuada pelos corretores pessoas físicas, a Contribuinte não sobreviveria. Para que não restem dúvidas: nas relações privadas em sentido amplo, tanto a pessoa física pode prestar serviços às pessoas jurídicas, como estas podem prestar aquelas. Assim, a empresa toma serviços do advogado, do contador, do pintor, mas também o hóspede toma serviço do hotel, o viajante da transportadora, a platéia do cinema etc. Ou seja, não se pode pular à conclusão de que é a pessoa jurídica que toma o serviço da pessoa física 5 CORNETTI, Marcelo Tadeu, Direito comercial direito de empresa, São Paulo, Saraiva, 2009, p. 161 6 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 686. Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 10166.724553/201426 Acórdão n.º 2202004.571 S2C2T2 Fl. 2.952 37 simplesmente porque serem, respectivamente, jurídica e física. É necessário buscar extrair quem exerce a atividade e quem remunera. No caso do corretor pessoa física e da imobiliária exatamente por ser um contrato de parceria é possível identificar que ambos exercem atividades: a pessoa física é quem conclui o negócio, com contata o cliente final etc.; a pessoa jurídica é quem encontra o negócio, quem organiza a propaganda, quem cuida das formalidades. Novamente: é plenamente admissível observar o negócio assim: o corretor pessoa física, profissional que é, precisa de um espaço físico, de estrutura de atendimento etc., mas, não desejando despender tempo nem dinheiro com esses investimentos, prefere remunerar uma imobiliária pelo direito de usar suas estrutura. Inclusive, o parecer jurídico anexado aos autos relata que, em pesquisa de mercado, foi identificado que a maior parte dos negócios não é concluído no stand de vendas, mas sim pela carteira de clientes privada do corretor. Ainda que compartilhe das ressalvas do relator em relação aos dados concretos alcançados, percebese que a experiência prática leva a conclusões dessa natureza: é comum em visitas a stand de vendas que os corretores ali presentes busquem firmar um vínculo com o cliente, e que apresentem outros imóveis sempre que perceberem que aquele não é melhor negócio desejado pelo potencial comprador. Nessa senda, percebese que o corretor pessoa física é o principal beneficiário dos "serviços" prestados pela imobiliária, e não o inverso. Mais: ainda que se aceite que o ato de encontrar um negócio é um serviço, em favor de quem é prestado esse serviço? Da pessoa que deseja concluir o negócio, pessoa essa denominada incumbente (porque incumbe o corretor de encontrar o negócio). Quem é o incumbente no caso de compra e venda de imóveis? O comprador ou o vendedor do referido imóvel. Podese imaginar que outro corretor (pessoa física ou jurídica), enquanto corretor, seja incumbente? Não faz sentido, uma vez que esse outro corretor, stricto sensu, não tem poder de concluir o negócio, não representa as partes e nem tem mandato, de forma que somente o incumbente (vendedor ou comprador) é quem pode efetuar a venda ou a compra. Na dúvida, portanto, ainda que se concebesse que a corretagem prestada pelos contribuintes autônomos fosse considerada prestação de serviço, essa prestação não teria sido realizada em prol da Recorrente, verdadeiramente uma parceira, e sim das incumbentes (os proprietários dos imóveis ou dos compradores). Ora, reforçase a tese de que haveria parceria, no caso concreto, o fato de que, tal como descrito no transcrito art. 728, a remuneração (corretagem) era repartida entre os corretores e a Recorrente. Mais uma vez, enquadrase perfeitamente na hipótese do art. 728, i.e., parceria ou associação. Voltando assim à leitura da Lei, é perceptível que apesar da clareza solar dos arts. 722 e 728 do CC/2002 os aplicadores do direito continuaram extrair uma natureza prática do vínculo diversa daquela expressamente definida no CC/2002. Exatamente para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis, amiudando a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora pessoa jurídica). Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Fl. 2970DF CARF MF 38 Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, se não for empregado hipótese em que fará jus a salário, não dependendo exclusivamente da corretagem , o corretor pessoa física será associado a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação. Configurase, portanto, contrato de associação, e não de prestação de serviços. Não há, nesta última hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. E, novamentem em conformidade com o art. 728 do CC/2002, tendo atuado em conjunto, os corretores (pessoas físicas e jurídicas) fazem jus ao compartilhamento da corretagem. Não à toa foi imputado aos corretores pessoas físicas parte das corretagens, e não a sua integralidade. Essa natureza associativa só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. Em suma, corretagem não configura prestação de serviço. Ainda que assim não fosse, a Contribuinte não é a incumbente, e sim parceira dos corretores pessoas físicas, de forma que não é ela quem remunera eles, mas sim compartilha a remuneração paga pelo incumbente seja o comprador, seja o vendedor do imóvel. Concluise, portanto, que não há o fato gerador e, subsidiariamente, que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente autuação. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 2971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900866/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL.
Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3401-005.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 08 66 /2 01 2- 51 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10384.900866/201251 Acórdão n.º 3401005.118 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2009 (1º trimestre), no valor de R$ 22.230,20. Em ato contínuo declarou, também, via PER/DCOMP a compensação de parte desse valor (R$ 2.496,00), relacionados a tributos administrados pela RFB apurados no ano de 2008. Do Despacho Decisório A DRF de Teresina em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela homologação parcial do débito, reconhecendo o direito ao crédito no valor de R$ 0,20 (rastreamento nº 031029579 de 04/09/2012) e procedeu com a intimação da contribuinte para efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. O Despacho vem fundamentado nos seguintes termos: "Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho". Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que tem direito ao montante do crédito presumido de IPI requerido, pois a Lei nº 9.363/96 não faz restrição ao fato de o produto exportado ser ou não tributado pelo IPI, além da jurisprudência de nossos tribunais ser uníssona nesse sentido e transcreve diversos julgados; (ii) contesta a redução da base de cálculo do crédito presumido com a glosa das aquisições de pessoa física, cooperativa e transferência entre matriz e filial, porque o benefício tem como escopo principal desonerar os produtos finais para exportação, compensandose as contribuições do PIS/Pasep e da COFINS embutidos nos preços das matériasprimas e insumos usados no processo de fabricação, inclusive os recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa, acrescidos do material de embalagem. Transcreve vasta jurisprudência a seu favor sobre a matéria. (iii) requer, ainda, o reconhecimento da correção monetária de seu crédito pela SELIC, desde a data do pedido de ressarcimento. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10384.900866/201251 Acórdão n.º 3401005.118 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Cabe destacar do voto, com relação as demais matérias relacionadas a aquisições de cooperativa, de pessoas físicas e de transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, que a decisão de piso atevese ao motivo para o indeferimento, citando a seguinte parte: “Não obstante as considerações anteriores, nos deparamos com impedimento legal para a concessão do Crédito Presumido do IPI requerido nas Per/Dcomps acima discriminadas, tendo em vista que toda a receita de exportação da empresa, no período 01/2009 a 09/2011 seja proveniente do produto quartzito mourisca, classificado sob o código 2506.20.00, da Tabela de Incidência do IPI, classificado NT, que, nos termos do art. 21 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 420/2004, não dá direito ao Crédito Presumido do IPI” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final improcedente a glosa realizada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10384.900866/201251 Acórdão n.º 3401005.118 S3C4T1 Fl. 5 4 A peça recursal limitase a reproduzir aquilo que foi dito na Manifestação de Inconformidade, sem contestar nenhum ponto das razões que fundamentaram a decisão recorrida. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10384.900866/201251 Acórdão n.º 3401005.118 S3C4T1 Fl. 6 5 Quanto a verificação fiscal realizada, embora sendo por amostragem, sobre os documentos fiscais de compra de insumos no período e sua correta escrituração, efetuando glosas referente aquisições de pessoas físicas, de cooperativa e também, de produtos objeto de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, a interessada preferiu defender simplesmente a tese de que o crédito é presumido e todos os custos de produção atinentes a matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, devem ser, irrestritamente, considerados. A lide, portanto, restringese a discussão sobre o enquadramento do produto exportado denominado “quartzitos”, classificado sob o código 2506.20.00 da tabela TIPI, considerada como produto NT, tido como único produto exportados no período, afastando, dessa forma, a totalidade do crédito pretendido. Os argumentos colocados no voto da decisão de piso tem por definição que estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (IPI), excluídos aqueles a que correspondem a notação “NT” (nãotributado). Esse, inclusive, foi o entendimento externado pela CSRF 3º Turma, contido no voto vencedor do acórdão nº 9303 004.890 (23/03/2017), que ao analisar os art. 2º e 8º do RIPI/2002, fez a seguinte colocação: Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Com relação a recorrente não há dúvida que a mesma seja estabelecimento industrial, pois o próprio fisco atesta que outros produtos são industrializados por ela e assim foram reconhecidos. A incidência do IPI não se dá pela classificação do estabelecimento, mas sim, se o produto foi ou não industrializado, se passou por alguma etapa do processo de industrialização. O conceito de produto industrializado está definido no art. 3º do Decreto 7.212/2010: “Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária”. O que caracteriza industrialização, está definido no art. 4º do mesmo Decreto: Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10384.900866/201251 Acórdão n.º 3401005.118 S3C4T1 Fl. 7 6 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Mais adiante, no art. 5º do Decreto 7.212/2010, está relacionado tudo que “Não se considera industrialização” e nenhum de seus itens relaciona o produto de classificação 2506.20.00, ou dos produtos classificados na TIPI como “NT”. Vem contribuir para a presente discussão o julgado a seguir transcrito: O IPI incide sobre o produto, não sobre a produção. Incide sobre o produto industrializado, não sobre a industrialização. Ou, como salientou o Ministro José Delgado, "não é o ato de industrialização que gera a incidência do IPI, posto que este recai no produto objeto da industrialização" (STJ, REsp 216.217/SP, 1ª Turma, DJ de 29/11/1999, p. 130) Em suma, a Constituição não estabelece a tributação da industrialização, mas prevê a incidência do imposto sobre a operação que tem produto industrializado como objeto. Não há, pois, óbice de natureza constitucional de que o contribuinte do IPI seja pessoa diversa daquela que realizou o processo de industrialização. A limitação contida no art. 153, IV, da Constituição diz respeito apenas ao alcance das expressões "produto" e "industrializado". Produto é aquilo que é criado, gerado, elaborado. É o bem com expressão econômica, destinado ao comércio ou consumo. E para estar sujeito à incidência do tributo, o produto deve ser industrializado, o que significa nos termos do art. 46 do CTN, ter sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (TRF4 501375927.2011.4.04.7108, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 08/08/2013). Até aqui poderíamos atribuir razão a recorrente, caso o fato restringisse apenas ao enquadramento do produto objeto da glosa, na classificação em código da TIPI na condição de NT – nãotributado. Mas o que afasta a pretensão da recorrente, do direito de se apropriar de crédito presumido de IPI nas exportações de “quartzitos”, classificação NCM 2506.20.00, é a completa ausência de provas de que o produto passou por algum processo ou submetido a qualquer operação que lhe modificasse sua natureza. Nada foi trazido aos autos em matéria de prova da submissão do produto “quartzitos” ao processo de industrialização. Diante da ausência de qualquer material informativo sobre o produto exportado, objeto de glosa de crédito presumido de IPI, levome a concluir que efetivamente realizouse a exportação de “quartzito” embalado em seu estado natural, na forma como Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10384.900866/201251 Acórdão n.º 3401005.118 S3C4T1 Fl. 8 7 extraído da mina, sem ser submetido a nenhuma operação que o modificasse, impedindo seu enquadramento como produto industrializado. Com relação a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o crédito requerido, a partir do seu pedido, não assiste razão à recorrente. O pedido de ressarcimento veio acompanhado de declaração de compensação, que independentemente do resultado da análise fiscal e do resultado desse julgamento, não restará crédito a ser restituído. Totalmente despiciendo esse pedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914241/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.295
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 41 /2 01 2- 47 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914241/201247 Acórdão n.º 3401004.295 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 1278.400, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914241/201247 Acórdão n.º 3401004.295 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914241/201247 Acórdão n.º 3401004.295 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914241/201247 Acórdão n.º 3401004.295 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.000904/2003-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO DEMONSTRADO
É ônus do contribuinte a juntada de todos os documentos que comprovem os créditos alegados que pretendem ser compensados. Não restando claro e devidamente comprovado documentalmente o direito aos créditos, impossível o reconhecimento creditório e sua consequente compensação.
Numero da decisão: 1401-002.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vice-presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: Letícia Domingues Costa Braga
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO DEMONSTRADO É ônus do contribuinte a juntada de todos os documentos que comprovem os créditos alegados que pretendem ser compensados. Não restando claro e devidamente comprovado documentalmente o direito aos créditos, impossível o reconhecimento creditório e sua consequente compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vicepresidente), Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 09 04 /2 00 3- 85 Fl. 634DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou parcialmente procedente declaração de compensação apresentada em 25/04/2003 na qual o contribuinte pretende compensar débitos com vencimentos de fevereiro a abril de 2003, no valor total de R$ 3.786.507,86, com supostos créditos de saldo negativo de IRPJ (R$ 2.655.033,79) e de CSLL (R$ 913.766,13), apurados no anocalendário de 2002, que totalizam o valor de R$ 3.568.800,22 (fls. 01). As fls. 186/189 encontrase nova DCOMP apresentada em 26/08/2003, na qual o contribuinte pretende usar o seu suposto saldo remanescente para compensar débito no valor de R$ 184.934,42. A DRF em Jundiai/SP reconheceu os valores de R$ 2.406.678,78 de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002 e R$ 820.320,26 de saldo negativo de CSLL do mesmo período" (fls. 523). Contra a homologação parcial, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese: Que o despacho decisório não levou em consideração na composição do saldo negativo do IRPJ o valor de R$ 344.191,07, oriundo da empresa CONEPAR PETROQUÍMICA SA, a qual a recorrente incorporou em dezembro/02. Que a decisão recorrida não levou em consideração valores de IRRF do ano calendário de 1999, que tiveram reflexos na composição dos saldos negativos do IRPJ dos anos subseqüentes, até o ano calendário de 2002, no qual residiria o crédito glosado. Que a decisão recorrida não levou em consideração base de cálculo negativa da CSLL referente ao ano de 1995, que impactou no ano calendário de 2002. A decisão objeto do presente Recurso manteve o não reconhecimento do saldo negativo oriundo da empresa incorporada pela Recorrente, "em face da inovação na fundamentação fática e jurídica do indébito, apresentada somente quando da manifestação de inconformidade" (fls. 524). Quanto aos reflexos do IRRF do ano de 1999, a decisão recorrida analisou pontualmente a apuração do IRPJ dos anos calendários 1999 a 2002 e entendeu por ratificar "a apuração efetuada pela DR em Jundiai/SP na revisão de oficio, no valor de R$ 2.406.678,78 referente ao saldo negativo de IRPJ do AC 2002, não havendo mais nada a ser reconhecido como saldo negativo de IRPJ referente ao período" (fls. 527verso). Já quanto ao credito relativo a CSLL, a decisão recorrida também verificou a apuração da CSLL do contribuinte referente ao ano calendário de 1995 e 2000 e até o ano calendário de 2002, para concluir que "referente ao saldo negativo de CSLL do AC 2002, cabe, ainda, reconhecer o valor de R$ 45.935,94 (R$ 866.262,20 — R$ 820.326,26)" (fls. 530 verso). No mérito do seu Recurso Voluntário o contribuinte, inicialmente, defende a legitimidade do aproveitamento do saldo negativo do IRPJ da empresa controlada que foi extinta, o que o faz nos seguintes termos: "23. Embora a recorrente tenha cumprido as diversas solicitações da SRF de modo a comprovar a legitimidade dos créditos pleiteados, em momento algum, lhe foi solicitado documentos relacionados aos créditos da empresa CONEPAR, razão pela qual requer, nesta oportunidade, a juntada de todos os comprovantes de IRRF de aplicações financeiras" (fls. 546). Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13839.000904/200385 Acórdão n.º 1401002.398 S1C4T1 Fl. 607 3 Já quanto ao saldo negativo do IRPJ, o Recorrente alega que no recálculo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 a decisão recorrida não levou em consideração a procedência de pedido de restituição formulado em processo administrativo no ano de 2000. Vejamos as razões do recorrente: 28. A DRJ recalculou o saldo negativo daquele exercício [1999] para reduzilo de R$ 2.459.860,03 para R$ 1.961.130,69, entretanto, a apuração do saldo negativo deste período foi objeto do pedido de restituição, processo n° 13839.000543/0071 (doc), no qual a DRF reconheceu o direito de credito em R$ 2.459.860,03, cujo fato foi ignorado pela DRF e pela DRJ na decisão recorrida" (fls. 547). Ainda em relação ao saldo negativo de IRPJ, o Recorrente também sustenta que não foram levados em consideração o recolhimento de dois DARF´s no ano calendário de 2000, nos seguintes termos: 30. Em relação ao ano calendário de 2000, a recorrente recolheu dos DARF 's de R$ 58.187,09 e R$ 49.017,05, referente ao IRPJ nos meses de Julho e Setembro respectivamente, os quais sequer foram considerados na apuração por parte da DRJ" (fls. 547). Por fim, quanto ao saldo negativo da CSLL o Recorrente alega que: "36. Nos AC's de 1995 e 1996 a recorrente apresentou saldo negativo da contribuição nos valores de R$ 282.913,62 e R$ 136.554,51 respectivamente. Iniciandose a compensação de tais valores com o tributo devido no AC de 2000 (...) 37. Da compensação realizada, restou saldo a pagar de R$42.812,31, referente a julho de 2000. Deste valor a recorrente recolheu a quantia de R$31.793,56 conforme Darf juntado à manifestação de inconformidade, sendo que o valor restante de R$11.018,75 foi compensado com saldo negativo da contribuição de 1996". (fls. 548/549). Com tais considerações, pede a procedência do Recurso Voluntário para a homologação integral das compensações realizadas. Vieram esses autos a julgamento em 26/01/2011, tendo sido convertidos em diligência para os seguintes fins: a) Informar e juntar aos autos o desfecho do processo administrativo n°13839.000543/0071; b) Na hipótese de êxito do contribuinte no processo administrativo n° 13839.000543/0071, informar se ainda há crédito disponível em favor do contribuinte oriundo do processo administrativo n° 13839.000543/0071; c) Na hipótese de haver crédito disponível em favor do contribuinte oriundo do processo administrativo n° 13839.000543/0071, recalcular o saldo negativo do IRPJ Fl. 636DF CARF MF 4 discutido no presente processo administrativo, levandose em consideração àquele crédito; d) Confirmar a existência dos DARFs de R$ 58.187,09 e R$ 49.017,05; Na hipótese da existência dos DARFs mencionados no item anterior, recalcular o saldo do IRPJ também levando em consideração tais valores. A diligência fiscal retornou com os seguintes dados: Quesito "a" Informações sobre o desfecho do processo administrativo n° 13839.000543/0071. Extrato juntado As fls. 568/574 confirmam o encerramento do referido processo, bem assim a liquidação dos débitos nele indicados. Quesito "b" Informar sobre eventual saldo de crédito no processo administrativo n° 13839.000543/0071. Demonstrativo da compensação, considerando o valor do crédito de IRPJ/2000, de R$ 2.459.860,03, reconhecido pela DRF/Jundiai no processo administrativo n° 13839.000543/00 71, pelo Despacho Decisório às fls. 559/561, indica a insuficiência do crédito para a compensação de todos os débitos declarados. Além dos débitos compensados nesse processo, que era de conhecimento imediato da DRF/Jundiai, eis que de códigos diferentes de IRPJ,a empresa, em 2000, utilizou o mesmo crédito para a compensação de débitos de IRPJ, porquanto de mesma natureza, o fez sem processo, conforme indicado nos extratos das DCTF juntados As fls. 575/581. Quesito "c" Na eventual existência de crédito no processo 13839.000543/00 71, recalcular o saldo negativo do IRPJ discutido no presente processo. A resposta para o presente quesito fica prejudica em razão da informação prestada no item "b". Quesito "d" Confirmar a existência dos DARFs de R$ 58.187,09 e R$ 49.017,05. Esses dois pagamentos estão devidamente confirmados e alocados aos respectivos débitos, conforme indicado no extrato SIEF de fl. 325,porquanto foram considerados para a formação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ/Campinas às fls. 524/525. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13839.000904/200385 Acórdão n.º 1401002.398 S1C4T1 Fl. 608 5 Vale ressaltar que tais pagamentos já haviam sido considerados pela DRF/Jundiai no Despacho Decisório, fls. 363 — item 6. Cientificado o contribuinte, não apresentou qualquer nova informação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. No mérito, conforme relatado tratase de declaração de compensação em que a contribuinte pretende ver reconhecido o direito creditório nos valores de R$ 2.655.033,79 e R$ 913.766,43 referentes, respectivamente, a saldo negativo de IRPJ e de CSLL, ambos do anocalendário 2002. A DRF em Jundiaí/SP reconheceu os valores de R$ 2.406.678,78 de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 e R$ 820.326,26 de saldo negativo de CSLL do mesmo período. Quanto ao crédito remanescente pleiteado pela recorrente, ordenada a diligência fiscal por esse conselho, retornou o relatório juntado aos autos às fls.609 e segs onde restou demonstrado não existir qualquer crédito em favor da recorrente, tendo em vista que a contribuinte utilizou desses mesmos créditos para realizar outras compensações. Com o retorno dos autos da diligência realizada, devidamente intimada a recorrente, não se manifestou contrariamente a qualquer das informações prestadas pelo auditor fiscal, donde se conclui estarem corretas todas as informações. Conclusão Assim, tendo em vista o acima exposto concluise não restar qualquer direito creditório a ser reconhecido, orientando, portanto, o meu voto no sentido de julgar improcedente o presente recurso e declarar a inexistência de créditos em favor da recorrente. Letícia Domingues Costa Braga Fl. 638DF CARF MF
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