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Numero do processo: 10980.014664/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO.
A exigência de multa de mora e de juros de mora é devida quando
comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo.
Numero da decisão: 1402-000.375
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Antônio José Praga de Souza e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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JUROS DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. A exigência de multa de mora e de juros de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Antônio José Praga de Souza e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 13/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.014664/200617 Acórdão n.º 140200.375 S1C4T2 Fl. 69 2 Relatório Soceppar S/A Soc Cerealista Exp de Produtos Paranaenses recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo do Auto de Infração nº 0010964, às fls. 21/25, cientificado em 01/12/2006 (fl. 34), em que são exigidos R$ 48.188,95 de multa paga a menor sobre quota de IRPJ, a teor do art. 160 do CTN, art. 1º da Lei nº 9.249, de 1995 e arts. 43 e 61 e §§ 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, e R$ 26,77 de juros pagos a menor ou não pagos sobre quota de IRPJ, com fundamento no art. 160 da Lei nº 5.172, de 1966, art. 1º da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996. O lançamento fiscal originouse de Auditoria Interna na DCTF do quarto trimestre de 2000, em que se constatou a “FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS”. Em 29/12/2006, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01/12, instruída com os documentos de fls. 13/33, onde alega, em síntese, a denúncia espontânea da infração, a teor do art. 138 do CTN. Cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e, ao final, requer o cancelamento do lançamento e a restituição de R$ 5.354,33 pagos a título de multa de mora. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06 20.477 (fls. 3538) de 18/12/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. A exigência de multa de mora e de juros de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 05/02/2009 (A.R. de fl. 41), a interessada interpôs recurso voluntário em 05/03/2009 (fls. 4757) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 13/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.014664/200617 Acórdão n.º 140200.375 S1C4T2 Fl. 70 3 Destaquese, de início, que o instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. Com efeito, não merecem prevalecer os argumentos formulados pela interessada. Ela recorre ao instituto da denúncia espontânea, assim introduzido no ordenamento jurídico, através do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A tese da impugnante se funda na premissa de que a denúncia espontânea excluiria toda e qualquer modalidade de penalidade, inclusive as de caráter moratório. Essa interpretação, à primeira vista possível em face da literalidade da redação, a qual não estabelece distinção entre as modalidades de multa, tornase insustentável quando examinada a partir de uma perspectiva sistemática, que leva em conta a lógica interna do ordenamento jurídico como um todo. Inicialmente, há que se distinguir a multa punitiva da multa moratória, sendo esta indenizatória e aquela punitiva, conforme ensina Paulo de Barros Carvalho, em Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 514: As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. Muitos a consideram de natureza civil, porquanto largamente utilizadas em contratos regidos pelo direito privado. Essa doutrina não procede. São previstas em leis tributárias e aplicadas por funcionários administrativos do Poder Público. A interpretação que deve prevalecer, quanto aos efeitos da denúncia espontânea, é aquela segundo a qual os benefícios decorrentes da denúncia espontânea circunscrevemse às multas de natureza punitiva, que são justamente aquelas aplicadas pela autoridade fiscal em procedimento de fiscalização, não se aplicando às penalidades de caráter indenizatório, como a multa de mora. É que, caso a multa moratória fosse também excluída pela denúncia espontânea, seria ela totalmente inócua, já que o contribuinte sempre poderia optar por deixar de recolher o tributo no prazo legal, e escolher um dia qualquer para saldar sua dívida com o fisco, bastando que pague “espontaneamente”, sem qualquer multa pelo inadimplemento. Além disso, na hipótese de o fisco bater a sua porta antes do pagamento, também não poderia exigir a multa de mora, já que a penalidade cabível seria a multa de ofício. Em suma, caso vingasse a tese formulada pela litigante, a multa de mora seria absolutamente desprovida de eficácia, pois jamais seria exigível, nem por ato espontâneo do contribuinte, nem por dever do fisco. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 13/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.014664/200617 Acórdão n.º 140200.375 S1C4T2 Fl. 71 4 Por óbvio que essa conclusão foge ao bom senso, e merece, portanto, ser rejeitada. Não pode o ordenamento jurídico, por um lado, criar um instituto e conferir legitimidade à autoridade fiscal para aplicálo visando a determinados fins, e, de outro lado, retirarlhe totalmente sua eficácia. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifouse) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) A interpretação no sentido de que a denúncia espontânea é apta a eximir o contribuinte somente das penalidades de natureza punitiva, sendo ineficaz quanto às multas moratórias, é compartilhada por Paulo de Barros Carvalho, ao comentar o art. 138 do CTN, na obra Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 512: A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. (Grifouse) Na jurisprudência deste Conselho encontramse diversos julgados em consonância com a presente decisão, conforme se transcreve a seguir: Número do Recurso: 135810 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10746.000330/200558 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESTITUIÇÃO/COMP COFINS Recorrida/Interessado: DRJBRASÍLIA/DF Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 13/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.014664/200617 Acórdão n.º 140200.375 S1C4T2 Fl. 72 5 Data da Sessão: 18/10/2007 15:00:00 Relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis Decisão: ACÓRDÃO 20312511 Resultado: NPQ NEGADO PROVIMENTO POR QUALIDADE Texto da Decisão: Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mauro Wasilewski (Suplente) e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN referese a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. (Grifouse) Recurso negado. ____________________________________________________ Número do Recurso: 151552 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10830.003822/0015 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrida/Interessado: 4ª TURMA/DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 24/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10196167 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. (Grifouse) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 13/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.014664/200617 Acórdão n.º 140200.375 S1C4T2 Fl. 73 6 COMPENSAÇÃO Se a Secretaria da Receita Federal reconhece o valor do crédito integrante do pedido de restituição, e se esse valor é suficiente para comportar todos os débitos cuja compensação foi pleiteada, é de ser homologada a compensação. ...” Ex positis, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 13/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13709.001615/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiS1CA IRPF
Exercício: 200.3
RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de pensão alimentícia judicial, ainda que reste comprovado que o contribuinte beneficiário da pensão seja portador de moléstia grave ou deficiente fisico.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.949
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimiade de votos, em negar provimento ao recurso, nos temos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiS1CA IRPF Exercício: 200.3 RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de pensão alimentícia judicial, ainda que reste comprovado que o contribuinte beneficiário da pensão seja portador de moléstia grave ou deficiente fisico. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-07T13:21:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-07T13:21:09Z; Last-Modified: 2011-10-07T13:21:09Z; dcterms:modified: 2011-10-07T13:21:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:af55905b-0d8d-4d38-825d-66aabb320bf2; Last-Save-Date: 2011-10-07T13:21:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-07T13:21:09Z; meta:save-date: 2011-10-07T13:21:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-07T13:21:09Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-07T13:21:09Z; created: 2011-10-07T13:21:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-10-07T13:21:09Z; pdf:charsPerPage: 979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-07T13:21:09Z | Conteúdo => rovanni Christi —Presidente EDITADO EM: 29/11/2010 S2-CIT2 Fl. 43 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13709.001615/2005-41 Recurso n° 512.945 Voluntário Acórdão le 2102-00.949 — la Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Matéria IRPF - Rendimentos isentos Recorrente MARIA CARLOTA HOFFMANN CASADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiS1CA IRPF Exercício: 200.3 RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO, São ..tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de pensão alimentícia judicial, ainda que reste comprovado que o contribuinte beneficiário da pensão seja portador de moléstia grave ou deficiente fisico. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relataclo iscu dos os presentes autos. ACORD M os Membilos do Colégiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao curso, nos t rrn s do voto da Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acacia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nribia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatório Contra MARIA CARLOTA HOFFMANN CASADO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 07/09, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2002, exercício 2003, para saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 319,91. A referida notificação alterou, ainda, o valor de despesas com instrução de R$ 2.458,00 pata R$ 1.998,00. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, esclarecendo que seus rendimentos são isentos. A autoridade julgadora de primeira instância, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/RJOII no 13-23.890, de 20103/2009, fls. 30/31. Cientificada da decisão de primeira instancia, por via postal, em 10/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 32, a contribuinte apresentou, ern 10/07/2009, recurso voluntário, fls. 34, no qual no qual reitera a mesma alegação impugnação. o Relatório. Voto Conselheira Nirbia Matos Moura 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos" de admissibilidade. Dele conheço. O lançamento cuida de glosa parcial da dedução de despesas com instrução, que foi ajustada ao limite previsto na legislação, sendo que a contribuinte não se manifesta contra a referida glosa. Entretanto, a despeito da falta de manifestação contra a glosa procedida pela autoridade fiscal, a contribuinte afirma que seus rendimentos são isentos. Destaque-se que quando cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação ao temp .() que retificou sua DAA para indicar a totalidade de seus rendimentos como isentos e não tributáveis. Das DAA, original e retificadora, fls. 26/29 e 03/06, verifica-se que a contribuinte possui duas fontes de rendimentos: Comando da Aeronáutica e pensão alimentícia judicial. Na DAA original, que serviu de base para o lançamento, somente os rendimentos recebidos a titulo de pensão alimentícia judicial foram oferecidos à tributação, enquanto na Processo n° 13709.001615/200541 S2-C1T2 Acárao n,° 2102-00,949 Fl 44 retificadora, conforme já mencionado, a totalidade dos rendimentos foram considerados isentos. Ocorre que não lid que se falar em isenção quanto aos rendimentos recebidos a titulo de pensão alimentícia judicial, por completa falta de previsão legal. Logo, correto o lançamento, já que a contribuinte não se manifesta contra a glosa de despesas com instrução . Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. tit NUbia Matos Moura - Relatora 3
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002387/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Anocalendário: 1988NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO.É facultado ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, ou pedir a restituição.Recurso Voluntário Provido em Parte.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.835
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. É facultado ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, ou pedir a restituição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0220.570, da DRJ/Belo Horizonte, o qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Usando do princípio da economia processual e no intuito de ilustrar aos pares a matéria, adoto e ratifico excertos do relatório objeto da decisão recorrida, que bem descrevem os fatos até aquela fase dos autos, ipsis verbis: “A contribuinte acima qualificada apresentou, em 21/07/2008, pedido de restituição de créditos relativos à contribuição para o PIS, no montante de R$ 745.000,00, oriundos de ação judicial: processo n° 1998.38.00.0461839/MG (fls. 02/03). Conforme fls. 04/58, no supracitado feito, transitou em julgado, em 07/02/2006, acórdão do Tribunal Regional Federal da 1a Região, em que se reconheceu a inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445 e 2.449, de 1988; a recepção da LC n° 7, de 1970, pela Constituição Federal de 1988, com base de cálculo do PIS correspondente ao faturamento do sexto mês anterior ao recolhimento; e a compensabilidade dos indébitos da contribuinte, corrigidos monetariamente, com quaisquer tributos federais administrados pela SRF. Os créditos judiciais foram habilitados no processo administrativo n° 10665.720262/200628. O pleito foi indeferido pela autoridade jurisdicionante sob o fundamento de que a decisão judicial transitada em julgado teria autorizado tãosomente a compensação dos créditos e não a restituição em espécie (fls. 59/60). Cientificada da decisão em 10/09/2008 (fl. 61), manifestou a contribuinte, em 09/10/2008, às fls. 62/73, sua inconformidade, aduzindo que a jurisprudência consolidouse no sentido de que a compensação e a restituição em espécie constituem formas de execução quando procedente a ação. Reproduziu ainda os artigos 34 a 38 da IN SRF n° 600, de 2005, que cuidam da compensação de oficio, assim como disposições do CTN relativas a juros de mora (artigos 161, § 1 0, e 167, § único) e à decadência do direito à constituição do crédito tributário (artigo 173), além de julgados do STF e STJ referentes a prescrição e decadência do crédito tributário”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve a glosa do crédito pretendido, em acórdão resumido na seguinte ementa: “As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem dar cumprimento às decisões judiciais, que têm força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Solicitação Indeferida”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10665.002387/200834 Acórdão n.º 330200.835 S3C3T2 Fl. 2 3 Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos, interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente. O processo foi distribuído a este Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece ser conhecido, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos exigidos para sua admissibilidade. Restituição Conforme acima relatado, a decisão recorrida indeferiu o pedido de restituição em questão sob o fundamento de que a decisão judicial transitada em julgado teria autorizado tãosomente a compensação dos créditos, devidamente corrigidos, e não a restituição em espécie. O art. 165 do Código Tributário Nacional ao tratar da matéria em tela, assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 A Lei nº 8.383/91 determina: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29/06/1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29/06/1995) A Lei nº 9.430/96, assim dispõe ao tratar de compensação, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Grifo nosso). Da análise dos excertos legais acima, entendo que uma sentença judicial transitada em julgado, a qual confere ao contribuinte o direito à compensação, não tem o condão de limitar a opção legal pela restituição. Juros Quanto a alegação da Recorrente de que o valor a ser restituído deve ser acrescido de juros de 1% (um por cento) ao mês, entendo que a partir de 01/01/1996, em decorrência da edição da Lei nº 9.250/96, aplicase a SELIC. Nesse sentido, e.g., temos os seguintes julgados: “Ementa: .... III. Na repetição de indébito, seja como restituição ou compensação tributária, com o advento da Lei 9.250/95, a partir de 1º/01/96, os juros de mora passaram ser devidos pela Taxa Selic a partir do recolhimento indevido, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c art. 167, parágrafo único, do CTN. Tese consagrada na Primeira Seção, com o julgamento dos EREsp’s 291257/SC, 399497/SC e 425709/SC em 14/05/03. ....” (STJ. REsp 255952/PR. Rel.: Min. Castro Meira. 2ª Turma. Decisão: 18/09/03. DJ de 28/10/03, p. 246.) “Ementa: .... IV. A taxa de juros do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –Selic, mandada aplicar especificamente à compensação e à restituição, pela Lei 9.250, de 26/12/95, incide a partir de 1º/01/96 (art. 39, § 1º), afastados, nesse período, os juros de mora e quaisquer outros índices de correção monetária. Precedentes do STJ. ....” (TRF1ª Região. AC 2000.34.00.0198340/DF. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 12/02/03. DJ de 14/03/03, p. 30.) “Ementa: .... III. Na repetição de indébito ou na compensação, com o advento da Lei 9.250/95, a partir de 1º/01/96, os juros de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10665.002387/200834 Acórdão n.º 330200.835 S3C3T2 Fl. 3 5 mora passaram ser devidos pela Taxa Selic a partir do recolhimento indevido, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c art. 167, parágrafo único, do CTN. ....” (TRF2ª Região. AC 2001.51.01.0226414/RJ. Rel.: Des. Federal Chalu Barbosa. 3ª Turma. Decisão: 05/08/03. DJ de 26/08/03, p. 190.) “Ementa: .... IV. A regra insculpida no art. 167, parágrafo único, do CTN somente deverá ser observada nos casos em que o trânsito em julgado for anterior a 31/12/95 ... sendo certo que, a partir de 1º/01/96 somente há ensejo para aplicação da Taxa Selic (art. 39, § 4º, Lei 9.250/95), a qual já inclui correção monetária e juros de mora. ....” (TRF5ª Região. AC 2001.05.00.0342793/PB. Rel.: Des. Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria. 4ª Turma. Decisão: 03/12/02. DJ de 18/02/03, p. 977.) Conclusão Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito a restituição com incidência da SELIC. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013960/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2004
CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - DIFERENÇA
DE ALÍQUOTA INTRODUZIDA PELA Lei 9876/99 - CONTRIBUIÇÕES
SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS
E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - SALÁRIO INDIRETO -
PAGAMENTOS FEITOS AOS ADMINISTRADORES - EXCLUSÃO DE
CO-RESPONSÁVEIS - PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL -
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
O questionamento em juízo acerca da alíquota introduzida pela Lei 3876/99 (20%) inviabiliza o conhecimento do recurso na esfera administrativa, tendo em vista que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo
administrativo A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços.
O art. 28, § 9º da Lei 8.212/91 não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais
A destinação de PAGAMENTOS AOS DIRETORES, MESMO QUE FOSSE INTITULADO COMO LUCROS AOS ADMINISTRADORES ao contrário da distribuição de lucros ou resultados a empregados, e distribuição
de lucros aos sócios, não possui previsão legal para que não constitua salário de contribuição. Na modalidade como pagos, passam os valores a constituir uma espécie de remuneração, ganho, que não encontra respaldo legal para ser
excluído da base de cálculo de contribuições previdenciárias.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A mera alegação de que os valores pagos aos empregados constituem participação nos lucros não possui o condão de afastar o lançamento se não comprovado o cumprimento da lei 10.101/2000.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.907
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em conhecer parcialmente o recurso tendo em vista ação judicial envolvendo parte da matéria recorrida; II) em rejeitar as preliminares
suscitadas, e III) no mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Marcelo Freitas Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2004 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - DIFERENÇA DE ALÍQUOTA INTRODUZIDA PELA Lei 9876/99 - CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - SALÁRIO INDIRETO - PAGAMENTOS FEITOS AOS ADMINISTRADORES - EXCLUSÃO DE CO-RESPONSÁVEIS - PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL - RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O questionamento em juízo acerca da alíquota introduzida pela Lei 3876/99 (20%) inviabiliza o conhecimento do recurso na esfera administrativa, tendo em vista que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. O art. 28, § 9º da Lei 8.212/91 não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais A destinação de PAGAMENTOS AOS DIRETORES, MESMO QUE FOSSE INTITULADO COMO LUCROS AOS ADMINISTRADORES ao contrário da distribuição de lucros ou resultados a empregados, e distribuição de lucros aos sócios, não possui previsão legal para que não constitua salário de contribuição. Na modalidade como pagos, passam os valores a constituir uma espécie de remuneração, ganho, que não encontra respaldo legal para ser excluído da base de cálculo de contribuições previdenciárias. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A mera alegação de que os valores pagos aos empregados constituem participação nos lucros não possui o condão de afastar o lançamento se não comprovado o cumprimento da lei 10.101/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • .1_,P ::;:...al ,. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.013960/2007-66 Recurso n° 152.688 Voluntário Acórdão n° 2401-00.907 — 4' Câmara /1' Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2010 Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Recorrente CIA SIDERÚRGICA BELGO MINEIRA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A - SRP ASSINTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2004 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - DIFERENÇA DE ALIQUOTA INTRODUZIDA PELA Lei 9876/99 - CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - SALÁRIO INDIRETO - PAGAMENTOS FEITOS AOS ADMINISTRADORES - EXCLUSÃO DE CO-RESPONSÁVEIS - PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL - RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O questionamento em juízo acerca da aliquota introduzida pela Lei 3876/99 (20%) inviabiliza o conhecimento do recurso na esfera administrativa, tendo em vista que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições preindencianas sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. O art. 28, §rda Lei 8.212/91 não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais A destinação de PAGAMENTOS AOS DIRETORES, MESMO QUE FOSSE INTITULADO COMO LUCROS AOS ADMINISTRADORES ao contrário da distribuição de lucros ou resultados a empregados, e distribuição de lucros aos sócios, não possui previsão legal para que não constitua salário de contribuição. Na modalidade como pagos, passam os valores a constituir uma espécie de remuneração, ganho, que não encontra respaldo legal para ser excluído da base de cálculo de contribuições preindenciárias. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento (-:\t„,,importa em renúncia e conseqüente concordância com os tenn da NFLD. A dül mera alegação de que os valores pagos aos empregados constituem participação nos lucros não possui o condão de afastar o lançamento se não comprovado o cumprimento da lei 10.101/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em conhecer parcialmente o recurso tendo em vista ação judicial envolvendo parte da matéria recorrida; II) em rejeitar as preliminares suscitadas, e IH) no mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Marcelo Freitm cli Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Á ELIAS SAM AIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • Processo n° 10680.013960/2007-66 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.907 Fl. 175 Relatório O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, quais sejam diretores empregados e não empregados, membros do Conselho de Administração e Fiscal, à título de gratificação "atribuição estatutária" no período 04/2002 a 07/2004, fls. 146 a 150. Parte da contribuição descrita nesta NFLD, 5% foi apurado por meio da NFLD 37025734-0, devendo ficar sobrestado face ação judicial que questiona a alíquota de 20%. Relevante destacar que o lançamento foi efetuado 08/09/2006, tendo o recorrente dado ciência no dia 15/09/2006. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 51 a 65. Foi emitida Decisão-Notificação confirmando a procedência do lançamento, fls. 114 a 121. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 126 a 142.Em sintese, a contratada em seu recurso alega o seguinte: Necessário o trâmite conexo da presente NFLD com as NFLD 37.025.730-8 e 37.025.733-2, tendo em vista que o recorrente possui mandado de segurança discutindo a majoração das contribuições sobre a remuneração dos administradores, promovida pela lei 9876/99. Necessária a realização de perícia para que determine que os valores distribuídos na verdade constituem distribuição de lucros e resultados e portanto não há incidência de contribuições previdenciárias. Não pode prosperar a indicação dos diretores como co-responsáveis. Inconstitucional as alterações promovidas pela lei 9876/99 em face da Lei Complementar n°84/96, sendo que a matéria encontra-se em discussão judicial. Em considerando que a participação nos lucros e resultados de forma desvinculada do salário está descrito no texto da Constituição não há dúvida que a PLR, na forma definida em lei não integra a remuneração para qualquer fim. É certo que não é permitido ao intérprete esquecer da posição hierárquica do texto constitucional, nem tampouco que se trata do texto que dá os contornos ao Estado, ditando os valores e princípios que rege todo os sistema. g, 3 A lei de custei da Previdência Social deixa evidente que no contexto atual não há distinção de forma de tributação, seja do empregado ou do contribuinte individual, sendo que o valor incidirá sobre o valor da remuneração, sendo assim, retira da incidência das contribuições a participação nos lucros ou resultados da empresa. Todos os preceitos para distribuição de lucros de acordo com a Lei 6404/64 encontram-se preenchidos, portanto inaplicável a tributação pretendida. Requer o acolhimento do presente recurso para que sejam acatados os pedidos acima elencados, em especial a nulidade da decisão de P instância para que se determine a realização da perícia requerida, e por fim a improcedência da NÉLD. O processo foi encaminhado a este conselho sem o oferecimento de contra- razões. É o relatório. 4 IR Processo n°10680.013960/2007-66 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.907 Fl. 176 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 197. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Preliminarmente, quanto a EXCLUSÃO DOS CO-RESPONSÁVEIS deve- se esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações acessórias, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de Co-Responsáveis — CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X - Relação de Co-Responsáveis (CORES13), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa - pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento. Outra preliminar que entendo deva ser avaliada diz respeito a realização de perícia. Quanto a negativa da PROVA PERICIAL ferindo o princípio da ampla defesa, razão não confiro ao recorrente. Entendo não estarem presentes os requisitos indispensáveis a sua autorização, de acordo com o disposto no art. 6°, IV da Portaria MPAS n 357/2002, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 6' A impugnação mencionará: 1- a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; 14, Ir 5 IV - as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim corno, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1 0 É facultada ao impugnante ajuntada de documentos após a impugnação e antes da decisão, devendo a mesma ser requerida à autoridade julgadora. § 2' Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS. § 3 0 Na hipótese do parágrafo anterior, caso não haja recurso voluntário a autoridade julgadora poderá apreciar a matéria de fato e, se pertinente, reformar a decisão. § 4° Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 5" As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, em cartório ou por servidor da Previdência Social, mediante conferência comas originais. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considera-se não formulado o pedido de perícia. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o principio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 7° da Portaria MPAS n ° 357/2002: Art. 7° A autoridade julgadora determinará de oficio ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva decisão-notificação, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. § 1° Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 6°. § 2° O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho Interlocutório, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. rir 6 • • Processo n° 10680.013960/2007-66 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.907 Fl. 177 - Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n o 8.748/93) Não obstante, o princípio que informa o processo administrativo é o livre convencimento do julgador. Caso o julgador entenda que nos autos já estão provas suficientes ou que não são necessárias ou as considere prescindíveis ou impraticáveis pode indeferir o pedido. Ademais, mesmo considerando que a perícia determinasse tratar-se de pagamento de PLR para os diretores não empregados, prevista no texto constitucional, não há como considerar que os valores estariam excluídos do conceito de salário de contribuição, uma vez que a Constituição Federal é explicita em descrever a PLR em prol dos empregados urbanos e rurais, nos termos de lei, sendo que a lei 10.101/00, trata especificamente de regras de PLR devidas aos empregados, conforme demonstra-se-á na apreciação do mérito a seguir DO MÉRITO Destaca-se de pronto, que não será conhecido o mérito do recurso acerca da aplicação do percentual de 15% sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, pois toda a contribuição está sendo objeto de questionamento judicial, não havendo como separar a aliquota de 15% descrita nesta NFLD e a de 5% descrita na NFLD 37025734-0, diferença apurada pela diferença de aliquota acrescentada pela Lei 9876/99, tendo em vista o recorrente encontrar-se em processo Indiciai a respeito da mesma matéria. Nesse sentido dispõe a súmula deste 2° Conselho de Contribuintes:SÚMULA N°1 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." No entanto, será objeto de julgamento os argumentos recursais de assunto diverso do disposto na referida ação judicial, seja ele a contribuição previdenciária exigida sobre os valores distribuídos aos diretores empregados e não empregados, bem como aos membros do conselho de administração e fiscal, o qual alega o recorrente tratar-se de PLR prevista no texto constitucional, desvinculado do conceito de salário de contribuição. Contudo, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, suscitados pelo recorrente em sua peça recursal, frise-se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame • da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Nesse mesmo sentido, para efeitos de esclarecimento, segue trecho do Parecer/CJ n ° 2.547, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 23/8/2001. Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posiciona-se no sentido de que a Administração deve abster-se de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. No mesmo sentido posiciona-se o extinto 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula n°. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Assim, não há o que ser questionado acerca dos dispositivos da legislação previdenciária que determinam a incidência de contribuições sobre os pagamentos feitos a segurados empregados e contribuintes individuais, e que merecem avaliação, considerando não estarem abarcados pela ação judicial do recorrente. Quanto aos valores pagos à titulo de ATRIBUIÇÃO ESTATUTÁRIA A DIRETORES NÃO EMPREGADOS E CONSELHEIROS, bem como ATRIBUICÁO ESTATUTÁRIA A DIRETORES EMPREGADOS entendo que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de afastar o levantamento em questão. Os pagamentos, conforme descrito pela autoridade fiscal em seu relatório não constituem meros pagamentos de distribuição de lucros, mas verdadeiras gratificações, pagas em períodos próximos aos pagamentos de PLR. Podemos identificar que em relação aos CI, não há que se falar também em distribuição de lucros aos sócios, pagamentos estes, que dependendo da maneira como pagos poderiam, não constituir verba salarial, nos termos da legislação própria, qual seja: Lei 8212/91, Lei 10.101/00 e lei 6404/76, já que poderiam constituir remuneração pelo capital empregado. 4e- Processo n° 10680.013960/2007-66 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.907 Fl. 178 Percebemos no lançamento em questão, a destinação de valores aos administradores e empregados, passando estes valores a constituir uma espécie de remuneração, ganho, que não encontra respaldo legal para ser excluído da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Conforme descrito acima, o pagamentos da gratificação, ainda que descrita pelo recorrente como Participação nos Lucros, visou remunerar o trabalho prestado enquanto administrador, e não remuneração do capital. Assim, razão também não assiste ao recorrente para que ditos valores sejam excluídos da base de cálculo. Quando analisamos o trabalho de profissionais autônomos (contribuintes individuais), identificamos um contrato civil de prestação de serviços, onde a execução do trabalho, dentro da conformidade do contrato, gera um ganho. Também não há que falar em aplicação das regras inerentes a Lei 10101/2000 e ao disposto no art. 70 da CF/88, tendo em vista que o pagamento não era direcionado aos segurados empregados, mas administradores, que para efeitos da legislação previdenciária são enquadrados como segurados contribuintes individuais, sem qualquer respaldo para que os valores pagos a título de participação nos lucros sejam excluídos do conceito de salário de contribuição. LEI N° 10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000 Dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências. Faço saber que o Presidente da República adotou a Medida Provisória n' 1.982-77, de 2000, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Antonio Carlos Magalhães, Presidente, para os efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal, promulgo a seguinte Lei Art..1" - Esta Medida Provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7 0, inciso XI, da Constituição. Art.2° - A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: 1- comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. ,s-ç I° - Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: 9 I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art.3° - A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. No mesmo sentido aplica-se a legislação trabalhista. O art. 458 da CLT, § 2° • descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial. Senão vejamos: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Súmula n°258 do TST.) § 1° Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2 0 Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário , as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: 1— vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II — educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III — transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV — assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde; V — seguros de vida e de acidentes pessoais; VI —previdência privada; VII — VETADO. Ou seja, pelo que foi colocado a possibilidade de exclusão das parcelas de distribuição de lucros vale apenas para os empregados, razão porque correto o lançamento. Note-se, ainda, que apesar de argumentar que a parcela paga aos empregados constitui ?LR, não demonstrou o recorrente, qualquer documento, que comprovasse suas Processo n° 10680.01396012007-66 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.907 Fl. 179 alegações. Assim, não há como considerar tais pagamentos como distribuição de lucros ao empregados, visto não estarem previstas as regras concernentes a lei 10.101/2000. Ademais, pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Como o lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais faz-se conveniente apreciar o salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: 111 - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite timo a que se refere o §50,. De acordo corno previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em unta ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97)- grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9°, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (..) § 90 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei 11 0 9.528, de 10/12/97) a) os beneficios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade; (Redação dada pela Lei n' 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n°5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a titulo de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n°9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso 1 do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; 3. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CL 77 4. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 14 da Lei n°5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a titulo de incentivo à demissão; 6. recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a titulo de licença-prêmio indenizada; 9. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 90 da Lei n°7.238, de 29 de outubro de 1984; .0 a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; z) a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica; 11,12 Processo ról 10680.013960/2007-66 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.907 Fl. 180 1) o abono do Programa de Integração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei n°9528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a titulo de complementação ao valor do auxilio-doença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroinchistria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei n°4.870, de de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10112/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CL?'; (Alínea acrescentada pela Lei n' 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) 1) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98) 1/13 u) a importância recebida a titulo de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei n' 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8° do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos pagamentos destinados aos empregados e contribuintes individuais à titulo de atribuição estatutária, mesmo considerando, conforme dito pelo recorrente de PLR. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação, ou não cumprindo os preceitos legais para exclusão não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos, independente da frequência no pagamento, ou da intenção do empregador ao determinar o pagamento Dessa forma, razão não assiste ao recorrente. Observa-se, ainda que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é unia das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: 1- suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso tendo em vista ação judicial envolvendo parte da matéria recorrida, para rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 14
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000066/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:
“SALDO NEGATIVO DE IRPJ
4º TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO DE 2004.
COMPENSAÇÃO
O IRRF é considerado antecipação do devido, podendo somente ser deduzido do IRPJ apurado no final do período ou compor eventual saldo negativo.
O saldo negativo de IRPJ poderá ser objeto de restituição,
na hipótese de apuração trimestral, a partir do primeiro
mês subseqüente ao término do Período de apuração.
O sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou
contribuições administrados pela SRF, poderá utilizá-lo na
compensação de débitos próprios.
Aplicação da Lei n° 9.430/96, artigo 64, § 3 e do artigo 653 do
Decreto n° 3000/99.
Numero da decisão: 1201-000.389
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso e no mérito NEGAR PROVIMENTO.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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COMPENSAÇÃO O IRRF é considerado antecipação do devido, podendo somente ser deduzido do IRPJ apurado no final do período ou compor eventual saldo negativo. O saldo negativo de IRPJ poderá ser objeto de restituição, na hipótese de apuração trimestral, a partir do primeiro mês subseqüente ao término do Período de apuração. O sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuições administrados pela SRF, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Aplicação da Lei n° 9.430/96, artigo 64, § 3 e do artigo 653 do Decreto n° 3000/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso e no mérito NEGAR PROVIMENTO. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS – Presidente (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO – Relator (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS (PRESIDENTE), ANTONIO CARLOS GUIDONE FILHO (VICEPRESIDENTE), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RÉGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ, MARCELO CUBA NETTO E RAFAEL CORREIA FUSO. Relatório Tratase de Declaração de Compensação entregue pela contribuinte em 15/06/2005, na qual pleiteou a extinção do crédito tributário saldo negativo de IRPJ relativo ao 4º Trimestre de 2004, com debito de Cofins não cumulativa, relativa maio de 2005, com vencimento em 15/06/2005. Em intimação encaminhada pela Receita Federal, a Infraero apresentou cópia planilha com a relação das retenções de impostos efetuados por órgão público federal de acordo com a Lei n° 9.430/96, compensados no 4° trimestre de 2004, e CD, contendo arquivos em meio eletrônico para análise. Já em relação aos comprovantes das retenções dos órgãos públicos de acordo com a Lei n° 9.430/96, devido a grande quantidade, a Infraero informou que serão enviados após análise da planilha e especificação. Foram apresentados ainda cópia da DIRFs originais e retificadoras, comprovantes anuais de retenções de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins entregues pelas fontes pagadoras, com os comprovantes de recolhimento, As compensações foram homologadas parcialmente, nos seguintes termos: SALDO NEGATIVO DE IRPJ 4º TRIMESTRE DO ANOCALENDÁRIO DE 2004. COMPENSAÇÃO. O IRRF é considerado antecipação do devidos podendo somente ser deduzido do IRPJ apurado no final do período ou compor eventual saldo negativo. O saldo negativo de IRPJ poderá ser objeto de restituição, na hipótese de apuração trimestral, a partir do primeiro mês subseqüente ao término do Período de Apuração. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14033.000066/200710 Acórdão n.º 120100.389 S1C2T1 Fl. 234 3 O sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuições administrados pela SRF, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. DECLARAÇÃO HOMOLOGADA PARCIALMENTE Em 15/06/2005, a contribuinte acima identificada transmitiu à Secretaria da Receita Federal (SRF) a declaração de compensação n° 04319.29691.150605.1.3.024887 (fls. 02 a 32) onde requer a homologação de compensação de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao 4° trimestre do ano calendário de 2004, no montante de R$ 3.269.710,46, com débitos de COFINS referente a maio do anocalendário de 2005, no montante de R$ 3.532.595,18, conforme o PER/DCOMP acima mencionado. DA DECISÃO: 5. Preliminarmente, cabe enfatizar que a direito de a contribuinte efetuar a compensação, nos moldes em que foi solicitada, está previsto no art. 170 do CTN; no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996; e regulamentado pela IN SRF n° 600/2005, que em seu art. 2° combinado com o art. 26, abaixo transcritos, faculta ao sujeito passivo, o direito de restituir/compensar o crédito decorrente de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, desde que decorrente de pagamento espontâneo, indevido ou maior que o devido, e mediante apresentação à SRF de Declaração de Compensação: (...) 6. O presente PER/DCOMP mencionado no parágrafo 01 deste Despacho Decisório é tempestivo, posto que foi transmitido em 15/06/2005 e referese à compensação de pretenso crédito de Saldo Negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004— Ajuste Trimestral, portanto estando dentro do prazo de 05 (cinco) anos, conforme o disposto no art. 165, incisos I, e art. 168, inciso I, da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional, abaixo transcritos: (...) 7. Tendo em vista os PER/DCOMP da contribuinte, é necessária a análise da DIPJ/2005, constante na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, referente ao 4° trimestre do anocalendário de 2004, o que será feito a seguir: 4° trimestre do AnoCalendário de 2005 8. Cotejando os valores constantes da DIPJ apresentada pela contribuinte à Receita Federal do Brasil — RFB, conforme relatório emitido pelo sistema IRPJ anexo às fls. 36 e 37, com os Fl. 235DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 dados constantes no sistema SIEF/DIRF (fls. 160 a 163) temse a seguinte situação: A) Na ficha 12A — Cálculo do IR sobre o lucro real — PJ em Geral, da DIPJ/2005, anocalendário 2004, anexa à fl. 37, a contribuinte apura saldo negativo de IRPJ — 4° Trimestre de 2004 no valor de R$ 3.269.710,46; B) Compõe este saldo negativo, o valor de R$ 2.378.850,70, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF e R$ 890.859,76 referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público Federal; C) No relatório emitido pelo sistema SIEF/DIRF, anexo às fls. 160 a 163, as retenções relativas aos códigos de retenção 3426 e 6800, declaradas pela contribuinte em resposta à Intimação n° 236/2007 (fls.102 a 157), foram confirmadas, conforme a Tabela 01. 9. Ao receber a resposta da Intimação n° 236/2007 (fls.102 a 157), verificouse que a contribuinte utilizou o IRRF relativo ao 1° trimestre do anocalendário de 2004 da fonte pagadora GOL TRANSPORTES AÉREOS S/A para deduzir o saldo de IRPJ apurado ao final do 4º trimestre de 2004. Analisando a Ficha 12A — Cálculo do IR sobre o Lucro Real referente ao 1° trimestre de 2004 (fl.173) notase que a contribuinte também utilizou saldo de IRRF para deduzir o IRPJ apurado ao final deste período de apuração. Contudo, em reposta a Intimação n° 084/2007 (fls. 164 a 171) contida no Processo n° 14033.000255/200512, a contribuinte declarou que não utilizou estes valores de IRRF para deduzir o saldo de IRPJ apurado no 1° trimestre de 2004, somente foi utilizado no 4° trimestre de 2004. 10 Com relação às retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos, a contribuinte entregou uma planilha condensando todas estas retenções, conforme fls. 106 a 108. Da presente planilha, somente foram conferidas as retenções com valor superior a R$ 1.000,00 em virtude da grande quantidade de documentos a serem verificados. Dessa análise, chegouse a conclusão que a contribuinte utilizou as retenções de todo o ano calendário de 2004 para deduzir o saldo de IRPJ apurado ao final do 4° trimestre do anocalendário de 2004, conforme Tabela 02. Em reposta a Intimação n° 084/2007 (fls. 164 a 171) contida no Processo n° 14033.000255/200512 e da análise do Processo n° 14033.000261/200570 (fls. 174 a 179) verificouse que a contribuinte não utilizou estes valores de IR retidos sobre pagamentos efetuados por órgãos públicos para compor o saldo negativo dos 1° a 3° trimestres de 2004, conforme fls. 180 a 182. (...) 11. No presente caso, a matéria (pretensos créditos de IRRF sobre pagamentos efetuados por órgãos públicos e sobre rendimentos de aplicação financeira em renda fixa) encontrase disciplinada nos art. 653, 729, 732, 773, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, Decreto n° 3.000/99, abaixo transcritos: (...) Fl. 236DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14033.000066/200710 Acórdão n.º 120100.389 S1C2T1 Fl. 235 5 12. Do exposto, depreendese que o imposto de renda retido na fonte (IRRF), incidente sobre os pagamentos efetuados por órgãos públicos, é considerado antecipação do devido, podendo somente: 1) Ser deduzido daquele (IRPJ) apurado no final do período, devendo constar em campo próprio da DIPJ, de acordo com os dispostos nos art. 653, 729, 732, 773, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, Decreto n° 3.000/99, acima transcritos; 2) Compor eventual saldo negativo, hipótese em que este (saldo negativo) poderá ser restituído ou compensado com qualquer tributo ou contribuição administrado pela SRF devido a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, de acordo com o art 5º da IN SRF n° 600/2005, abaixo transcrito. 13. Dessa forma, a contribuinte não poderia ter utilizado o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicação financeira em renda fixa e sobre os pagamentos efetuados por órgãos públicos para deduzir do IRPJ devido após o encerramento do período de apuração. Portanto, reconheço somente o direito creditório, no montante de R$ 2.570.892,79, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004 composto pelo valor de R$ 2.366.449,28 referente a IRRF sobre os rendimentos de aplicação financeira em renda fixa e no valor de R$ 204.443,51 referente a IRRF sobre os pagamentos efetuados por órgãos públicos, conforme Tabelas 03 e 04 abaixo. 14. Os débitos e o crédito em análise neste processo foram inseridos no Sistema de Apoio Operacional (SAPO) para que fosse feito o Demonstrativo de Compensação Analítico, o qual demonstra que o crédito não é suficiente para compensar integralmente os débitos solicitados, conforme a fl. 172; 15. Isto posto, e CONSIDERANDO o disposto no art. 170 do CTN, no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e o disposto nos artigos 2° e 26 da IN SRF 600/2005; CONSIDERANDO haver sido constatada a existência de crédito, conforme comprovação efetuada nos autos do presente processo administrativo; CONSIDERANDO que o crédito não é suficiente para compensar integralmente os débitos; CONSIDERANDO tudo o mais que nos autos consta; HOMOLOGO PARCIALMENTE a presente Declaração de Compensação. A contribuinte foi intimada da decisão supracitada em 07/08/2007, sendo apresentada Manifestação de Inconformidade em 05/09/2007, alegando em síntese que: Fl. 237DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 a) o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os pagamentos efetuados por órgãos públicos, é considerado antecipação do devido podendo somente ser deduzido daquele (IRPJ) apurado no final do período, devendo constar em campo próprio da DIPJ, de acordo com o disposto no art. 653, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, Decreto n° 3.000/99 ou compor eventual saldo negativo, hipótese em que este (saldo negativo) poderá ser restituído ou compensado com qualquer tributo ou contribuição administrado pela SRF devido a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração, de acordo com o art. 5° da IN SRF n° 600/2005, e artigos 653, 729,732 e 773 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99 (Decreto n° 3.000/99); b) Contudo, nenhum destes dois dispositivos contém a limitação que embasa a conclusão do despacho decisório que rejeita parte da compensação da Infraero; c) O art. 653, §3º do Decreto n.° 3.000/99, apenas afirma que o valor do imposto de renda, retido na fonte, em pagamentos efetuados por órgãos públicos, serão considerados antecipação do imposto devido. Por sua vez, o art. 5°, inc. II da Instrução Normativa SRF n.° 600, de 28 de dezembro de 2005, informa que os saldos negativos de Imposto de Renda Retido na Fonte, poderão ser objeto de restituição a partir do mês subsequente ao do trimestre de apuração; d) Ou seja, não há qualquer proibição para que tais créditos sejam compensados com pagamentos futuros. O fato, é que a Infraero, na época em que houve a retenção e recolhimento do Imposto de Renda a Receita, cumpriu com sua obrigação de pagar, tempestivamente. O aproveitamento do crédito decorrente da antecipação, por sua vez, dependia do encaminhamento dos comprovantes anuais de retenção pelos órgãos públicos, que tem o prazo até 28 de fevereiro do exercício seguinte ao da retenção para encaminhálos a Infraero, conforme artigo 31 da IN SRF 480/2004, o que torna prejudicada a aplicação do entendimento exposto pela Secretaria da Receita Federal; e) Portanto, verificase que a conclusão a que chegou a Receita Federal, é uma limitação injustificada e sem base legal ao direito a compensação, redundando na falta de pagamento, incidência de juros e multa em valores já pagos pela Infraero, para fins de formalização de cobrança; f) Contraria, a própria Instrução Normativa SRF n.° 600/2005, que prevê no art. 2°, inc. I, que informa ser passível de restituição, pagamento espontâneo indevido ou maior que o devido. Ora, se a Infraero adimpliu com a obrigação de pagar, no período, corretamente, e por sua vez, os substitutos tributários realizaram retenções no período, superior que ao devido, os pagamentos realizados por substituição tributária são pagamentos a maior, como qualquer outro, não sendo cabível limitações à compensação dos mesmos; g) Ou seja, uma vez retido o valor, este tornase disponível para o contribuinte, que poderá utilizálo para pagamento dos impostos e contribuições de mesma espécie, o que procedeu a Infraero; h) Nesse caso, entendese, incidiu sobre a compensação, o disposto no art. 74, §2° da Lei n.° 9.430, que dispõe: "§ 2° a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação"; i) A Lei n.° 9.430, trata ainda, no §12 do art. 74, das hipóteses em que não será considerada declarada a compensação, e que são as seguintes: (...) Fl. 238DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14033.000066/200710 Acórdão n.º 120100.389 S1C2T1 Fl. 236 7 j) Verificase que a compensação efetuada pela Infraero, não contém nenhum desses vícios, não podendo ser objeto de invalidação. Desnaturar a compensação ocorrida, não encontra abrigo na lei, como aqui demonstrado, e face aos princípios regedores da administração pública, tais como a legalidade, e, em particular, da atividade tributária, como o da tipicidade fechada, não é cabível a conclusão do Despacho decisório exarado; k) Porquanto, a Infraero, ao efetuar o pagamento de seus tributos, atendeu à legislação da ocasião, agindo com boafé, e acreditando na boafé do fisco para com a Infraero. Abrigada na segurança jurídica e na legalidade administrativa administrativa, agiu segundo a lei, segura de que não se poderá repugnar o ato efetivado em conformidade com as normas regedoras da situação; l) Portanto, espera a Infraero seja reconhecida à compensação analisada, desde o momento de sua ocorrência, considerandose correto e tempestivo o adimplemento da obrigação tributária; m) Outrossim, verificase que a carta de cobrança apresenta valores originais superiores aos glosados pela Decisão ora impugnada. O valor da glosa foi de R$ 686.416,25 (seiscentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e dezesseis reais e vinte e cinco centavos) e R$ 12.401,42 (doze mil, quatrocentos e um reais e quarenta e dois centavos), e o valor original da cobrança é de R$ 755.002,61 (setecentos e cinqüenta e cinco mil, dois reais e sessenta e um centavos); n) Desta forma, ainda que se fizesse necessário o pagamento, o mesmo não poderia efetuarse conforme requerido pela Receita Federal, nas cartas de cobrança anexas à decisão impugnada. Em decisão de primeira instância administrativa, a DRJ de Brasília indeferiu a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Compensação — Saldo Negativo de IRPJ — IRRF por Órgão Público e sobre Rendimentos de Aplicação Financeira O imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do devido e pode ser deduzido daquele apurado no trimestre, ou compor eventual saldo negativo do. período, quando seu montante for superior ao devido. Solicitação Indeferida. O fundamento da decisão proferida foi que no sentido de existir de forma clara na legislação tributária que o IRRF (por órgão público) é considerado antecipação e pode ser deduzido do apurado no trimestre, ou compor o saldo negativo do período, quando seu montante for superior ao devido. Se a contribuinte utilizou na composição do saldo negativo do 4º trimestre/2004, valores retidos durante os outros trimestres do ano, os quais deviam compor o saldo negativo correspondente a cada período de apuração. A Infraero foi intimada da decisão ora citada em 22 de janeiro de 2009, apresentando Recurso Voluntário em 13/02/2009, repetindo os mesmos fundamentos trazidos na Manifestação de Inconformidade. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 8 Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao mérito, a tese defendida pela Recorrente é de que a legislação que trata da compensação não proíbe, portanto autoriza a utilização de valores retidos (saldos negativos de IRPJ) em compensações futuras. Não obstante, cumpre trazer os enunciados da legislação federal que trata dessas compensações quando envolve retenções de IRPJ por empresas públicas dispõe: “Art.64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. (...) (negritamos)” Observese de plano que os valores retidos da empresa Infraero por órgãos, autarquias e fundações públicas federais deverão receber o tratamento tributário de antecipação dos débitos fiscais, podendo ser compensado tais valores com o imposto ou contribuição da mesma espécie, conforme se constada da legislação acima destacada. Esse inclusive é o disposto no artigo 653 do RIR (Decreto nº 3000/99). A questão a ser analisada aqui é se o fato da Infraero não ter utilizado os valores de IRFonte retidos sobre os pagamentos efetuados por órgãos públicos para compor o saldo negativo do 1° a 3º trimestres, se seria possível a mesma utilizar o imposto para deduzir do IRPJ devido após o encerramento do período de apuração. Essa inclusive é a imputação negativa da Receita Federal sobre a não homologação de parte do crédito fiscal utilizado em compensação. Fl. 240DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14033.000066/200710 Acórdão n.º 120100.389 S1C2T1 Fl. 237 9 Observase inicialmente que a IN nº 460/2004, aplicável às compensações efetuadas, transcreve que o saldo negativo poderá ser restituídos na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Notese que o tratamento dado na regra acima é quanto ao saldo negativo, e não quanto à dedução do IRPJ devido após o encerramento do período de apuração. Não obstante, se olharmos para o disposto no IN nº 210/2002, certamente não se identificará qualquer menção daquilo que está contemplado na IN n.º 460/2004, qual seja: (i) somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção (não é o caso); (ii) para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Portanto, a despeito de não encontrarse em vigor o artigo 10 da IN n° 460/2004, o disposto no artigo 64, § 3°, da Lei n° 9.430/96, tratava o tributo como antecipação, tratada pela legislação tributária nos mesmos termos trazidos e reproduzidos pelo citado artigo da Instrução Normativa, sistemática essa da essência do que seria uma antecipação. Assim, se a Recorrente utilizou as retenções de IRFonte dos primeiros três trimestres de 2004 para compor o saldo no último trimestre de 2004, sem fazer a composição dessas retenções como saldo negativo no próprio trimestre, tal procedimento não poderia ocorrer. É fato notório inclusive o entendimento da Receita Federal, visto que em resposta à consulta permitiuse a dedução do IRRF, considerado como antecipação, a partir do mês da retenção. Na impossibilidade de dedução da totalidade dos valores retidos, estes comporão o saldo negativo do período de apuração, podendo ser objeto de restituição a partir Fl. 241DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 10 do período imediatamente subseqüente, ou a critério do contribuinte através de compensação com quaisquer débitos arrecadados pela Receia Federal. Vejamos: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 459 de 22 de Dezembro de 2006 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. SALDO NEGATIVO. Os valores retidos na fonte a título de Imposto de Renda na forma prevista pelos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e 34 da Lei nº 10.833, de 2003, são considerados como antecipação dos valores devidos a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, podendo ser deduzidos desses últimos valores, a partir do mês da retenção. Na impossibilidade de dedução da totalidade dos valores retidos, estes comporão o saldo negativo do período de apuração, podendo ser objeto de restituição a partir do período imediatamente subseqüente, ou, a critério do contribuinte, de compensação com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela SRF, observada a legislação de regência. Assim, se o contribuinte não computou como saldo negativo as retenções de IRFonte nos primeiros três trimestres de 2004, vindo a fazer no último trimestre de 2004, descumpriu o disposto no artigo 64, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Ademais, não identificamos entre as provas trazidas nos autos qualquer impedimento à Infraero em declarar e apurar em seus livros fiscais e contábeis as retenções de IRFonte praticadas pelos órgãos federais. Portanto, não vislumbramos como fator impediente a questão sobre os elementos impeditivos trazidos pelo artigo 31 da IN nº 480/2004. Por fim, cumpre também deixar claro que o disposto no artigo 773 do RIR não é aplicável ao caso em questão, pois o presente caso não se fere a aplicação financeira em renda fixa ou em renda variável, como o fez de forma indevida a decisão que não homologou a compensação, misturando conceitos e regras distintas, que não se aplica aos casos de retenção de IRFonte em razão do pagamento de serviços prestados pela Infraero a órgãos públicos. Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. RAFAEL CORREIA FUSO Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 242DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 14033.000066/200710 Acórdão n.º 120100.389 S1C2T1 Fl. 238 11 Fl. 243DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 01/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720655/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA_
Tendo sido o lançamento de oficio realizado com base em informações
constantes da DIPJ apresentada pela própria contribuinte, caberia a esta comprovar o alegado erro de fato ali presente.
Numero da decisão: 1201-000.353
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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CSLL— FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO Recorrente DE, BARCESSAT LTDA, Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA_ Tendo sido o lançamento de oficio realizado com base em informações constantes da DIPJ apresentada pela própria contribuinte, caberia a esta comprovar o alegado erro de fato ali presente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntáiio (assinado digitalmente) CIaudemir Rodrigues Malaquias - Presidente,. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Nato - Relatar, Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Regis Magalhães Soares Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente), Eduardo Martins Neiva Monteiro (Suplente Convocado), Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos termos do art. .33 do Decreto a' r'siinzi4Ie digitalmente g70:235/72,c) par CLAUDEMIR RODRIGUES MALAOUIAS. 22/11(201 I) por MARCELO CUE-iA FTTO Autenticado dtalmente iern 22)11/2010 pnt" MARCELO CUaA NErro E'mitido em 25/11/2010 pelo Ministéne da Fazenda DF CARF h1F Fl, 322 Conforme relatado nos autos de infração de fls. 50155 e fis. 58/63, a autoridade fiscal constatou que, relativamente ao ano-calendário de 2004, a contribuinte informou em DCTF débitos de CSLL e IRPI inferiores àqueles escriturados e informados na DIPT/2005. Regularmente intimada, a contribuinte não se manifestou sobre as diferenças apontadas, razão pela qual foi realizado o lançamento de oficio Havendo a DRI de origem decidido pela procedência parcial do lançamento (fis 122/129), a autuada interpôs recurso voluntário pedindo o cancelamento da exigência alegando, em síntese, erro de fato nas informações prestadas na DIRJ/2005, uma vez que no ano de 2004 não houve qualquer operação que suportasse a incidência do IRPI e da CSLL, (fls. 133/155), Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relatar 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 e, portanto, dele deve-se tomar conhecimento. 2) Do Alegado Erro de Fato A contribuinte informou em sua DIN/2005 o valor de R$ 47.452,95 auferido a titulo de "outras receitas operacionais". Em seu recurso, entretanto, alega ter cometido erro de fato no preenchimento da citada DIP I Afirma que, em verdade, não promoveu no ano de 2004 qualquer operação que suportasse a incidência do IRRI e da CSLL. Pois bem, as informações prestadas pelos contribuintes em suas DIF.% presumem-se verdadeiras até prova em contrário. Se o Fisco realizou o lançamento com base nas informações prestadas na DIRT, caberia a recorrente comprovar, através de elementos hábeis e idôneos (por exemplo, cópia do livro Diário ou Razão), que não auferiu a receita ali declarada. Por outro lado, ao contrário do afirmado pela recorrente, não ocorreu falta de identidade no julgamento de primeiro grau quanto à busca da verdade material. No caso, apesar de, como dito acima, o ônus da prova recair sobre a impugnante, a DR,T de origem verificou junto ao banco de dados da RFB que não havia registro em DIRF de que a autuada tivesse sido beneficiária de rendimentos de aplicações financeiras, dai porque concluiu (a meu ver açodadamente) que realmente houve erro de fato quanto ao valor de R$ 714A 68,84, informado na DIPI/2005 a titulo de "outras receitas financeiras". Situação diversa, entretanto, é a das "outras receitas operacionais", em relação as quais o Fisco não dispõe de informações internas a respeito 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. A.s. sinario digitalmente em 20/11!2 gii,11,09A 01)1001:1„gr1GUES MALAQU1AS 1(9010 per MARCELO CUBAM ETTO Auktntieado dieltalmenle em 22/ 4'1/2010 por MARCELO CUBA NETTO Emitido em 25/11/2010 peio Etinistano da Fa:tenda 2 DF CART MF H 323 Processo n" 10280 720655)2008-18 S1-C2T1 Acórdão n°1201-00353 FI 159 Marcelo Cuba Netto Assinado dtalmente em 25/11/2010 por CLAUDEMIR RODMGUES MALAOUIAS. 22/11/2010 por MARCELO CUBA N ETTO Autenticado dieitalmente em 22/1"i/2010 par MARCELO CUBA Emitido em 25 f 11/2010 pelo Ministério de Fazenda 3
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Numero do processo: 17546.001085/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN.
I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do c-rN, seja pela do art. 150, § 4º, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos.
Numero da decisão: 2402-000.575
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acatar a preliminar de decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 'ne "- • t ç-te. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 17546.001085/2007-63 Recurso e 172.242 Voluntário Acórdão n° 2402-00.575 - 4° Câmara ir Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente QUALYPAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS PLÁSTICOS Recorrida DRJ-CAMPNAS/SP Assumi: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do c-rN, seja pela do art. 150, § 40, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade • • Illea • ovimento ao recurso, para acatar a preliminar de decadência, nos te.- s e • yorGtO • relator. o'gr CEL IRA - Presidente• tãtb, / , R • a 'E Laus PINTO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mazzo. (Suplente). ti 2 Processo n° 17546.001085/2007-63 82-C4T2 Acórdão e° 2402-00375 Fl. 225 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa OUALYPLAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS, contra decisão-notificação exarada pela extinta SRP, a qual julgou procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito- NFLD. A contribuinte alega em seu recurso, que a infração apurada pela fiscalização estaria decadente, haja vista o transcurso do qüinqifidio fixado no CTN. Nos moldes da Portaria n° 83 de 26/09/09 da douta Presidência deste Colegiado, deixo de mencionar outros argumentos constantes dos autos. É o relatório./.- 2 Voto Conselheiro Rogério de Lenis Pinto, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Sustenta o contribuinte em preliminar a decadência do crédito tributário ora discutido, o que acredito faz com razão. Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que pudesse impedir a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADENCL4 DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO". Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e 46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTN.y 4 Processo n°17546.001085/2007-63 82-C4T2 Acórdão n.° 2402-00375 Fl. 226 Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3a Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 4° do 173 do CTN está, pois, no regime jurídico do tributo (...)". De qualquer forma, e alheios à discussão acima citada, os débitos constantes da presente NFLD encontram-se decadentes, mesmo que consideremos a regra do art. 173 do CTN, haja vista que se referem as contribuições cujas competências vão até 12/98, tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 19/07/2006 (fls. 01), portanto, transcorridos ambos os prazos decadenciais. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso interposto, para acatar a preliminar aventada pelo contribuinte e declarar a decadência das contribuições previdenciárias constituídas pela presente NFLD. É como voto. Sala das Sessõ ti e 22 de fevereiro de 2010 RO • • Fr ELLIS PINTO - Relator 5 O MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo tf: 17546.001085/2007-63 Recurso n°: 172.242 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.575 Brasíli, ,1 de abril de 2010 01. O ELIAS S • v i s AIO F' IRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002728/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade de lei.ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOPeríodo de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL.O prazo geral para pedido de restituição é de cinco anos contados da data do recolhimento indevido ou a maior do que o devido.Recurso voluntário negadoVistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.733
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. O prazo geral para pedido de restituição é de cinco anos contados da data do recolhimento indevido ou a maior do que o devido. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 86 a 113) apresentado em 04 de agosto de 2009 contra o Acórdão no 0525.293, de 26 de março de 2009, da 1a Turma da DRJ/CPS (fls. 80 a 83), cientificado em 06 de julho de 2009 e que, relativamente a pedido de restituição apresentado pela Interessada em 09 de junho de 2005, relativamente a PIS dos períodos de fevereiro de 1999 a abril de 2000, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos da ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Solicitação indeferida O pedido foi inicialmente indeferido pelo despacho decisório de fls. 31 a 35 em 11 de agosto de 2008. A DRJ assim relatou o litígio: Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 09/06/2005, no valor de R$ 4.628,05, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o PIS referente aos períodos de apuração de fevereiro/1999 a abril/2000, conforme planilha de cálculo às fls. 14/15 e Darf de fls. 16/23. A contribuinte fundamenta seu pleito alegando pagamento indevido em face da não recepção da Lei nº 9.718, de 1998, pela Constituição Federal de 1988, lei esta que alargou a base de cálculo do PIS. A DRF em Campinas emitiu o Despacho Decisório de fls. 31/35, indeferindo o pedido de restituição, sob a fundamentação de que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10830.002728/200570 Acórdão n.º 330200.733 S3C3T2 Fl. 116 3 • teria ocorrido a decadência do direito de pedir a restituição, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional e do Ato Declaratório SRF nº 96, 1999; • a contribuinte não demonstrou a origem do indébito; • não cabe à autoridade administrativa apreciar alegação de inconstitucionalidade. Cientificada desse despacho em 04/09/2008 (fl. 41v.), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 03/10/2008 (fls. 42/66), na qual alega que: • o direito creditório pleiteado não foi atingido pela decadência, pois quando o indébito é exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a decisão definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá perder direito que não possa exercitálo. No caso presente, há clara situação jurídica conflituosa manifestada pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo Supremo Tribunal Federal em sessão de julgamento de 09/11/2005; • conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • a nova interpretação dada pelos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, somente se aplicaria aos pedidos de restituição protocolizados após a entrada em vigor desse diploma legal, pois introduzem inovações ao plano normativo, possuindo natureza modificativa, razão pela qual não podem ser aplicados retroativamente; • a norma sobre base de cálculo insculpida na Lei nº 9.718, de 1998, não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, mesmo após a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, razão pela qual o direito creditório pleiteado é legítimo, na medida em que a interessada apenas excluiu da base de cálculo do PIS as receitas não compreendidas no estreito conteúdo do conceito de faturamento; • não há que se falar em discussão de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo na esfera administrativa, como registrou equivocadamente o despacho recorrido, posto que o STF, no âmbito de sua competência, já declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins; • as disposições contidas nos arts. 1º e 4º do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997, que consolidam as normas e procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal, sustentam o reconhecimento de seu direito à restituição; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 • a própria Administração Pública reconheceu o direito à restituição dos tributos declarados inconstitucionais, ao vetar o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.736, de 2003 ,que pretendeu restringir o direito à restituição de valores recolhidos a título de contribuição previdenciária com base no § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870, de 1994; • para que possa ser considerada tributável, a receita auferida pela contribuinte deve ter caráter de definitividade e decorrer da remuneração da atividade empresarial, ou seja, da específica atividade operacional da empresa. No caso, as receitas excluídas da base de cálculo do PIS têm origem unicamente nas receitas financeiras auferidas pela interessada no período de fevereiro/1999 a abril/2000. Vale ressaltar que, nas planilhas anexas ao pedido, estão demonstradas a base de cálculo do PIS originalmente calculada e a base de cálculo apurada após a exclusão das outras receitas (no caso, receitas financeiras). Ao final, a manifestante requer, se alguma dúvida pairar sobre os cálculos efetuados, que seja realizada diligência na empresa, a fim de se comprovar o montante do indébito pleiteado nestes autos. No recurso, a Interessada reafirmou as razões da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Quanto ao prazo para o pedido, observese que a tese de que o prazo iniciar seia na data da publicação de resolução do Senado Federal ou de decisão do STF em ação direta também já foi superada pelo próprio Superior Tribunal de Justiça. Portanto, a única controvérsia que existe atualmente sobre a contagem de prazo para restituição gira em torno de o termo inicial ser a data do recolhimento ou a da homologação tácita (“cinco mais cinco”). Nesse contexto, devese considerar que a tese dos “cinco mais cinco”, além de não se alinhar ao conceito de “actio nata” e aos princípios gerais que regem a prescrição, teve sua aplicação prejudicada em face das disposições dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118, de 2000, abaixo reproduzido: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10830.002728/200570 Acórdão n.º 330200.733 S3C3T2 Fl. 117 5 Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. No tocante à sua aplicação, o Superior Tribunal de Justiça adotou, equivocadamente, o entendimento de que a disposição somente teria aplicação em relação aos pedidos de restituição apresentados após a sua publicação, como ocorreu no Resp nº 644.736 PE. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao analisar recurso extraordinário da União em que se alegara violação à cláusula de reserva de plenário (RE 486.888PE), determinou ao Superior Tribunal de Justiça que analisasse, por meio do órgão especial, a inconstitucionalidade do dispositivo. Assim, em acidente de inconstitucionalidade (AI) em embargos de divergência no mencionado recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º em questão, da seguinte forma: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida. Do exposto, concluise ser inegável tratarse de matéria constitucional, uma vez que o mencionado art. 4º determina a aplicação retroativa da interpretação dada pelo art. 3º. A matéria ainda se encontra em julgamento no Supremo Tribunal Federal (RE 566.621) e, como se trata de matéria constitucional, o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, impede que seja afastada da aplicação da lei ao caso concreto, anteriormente à manifestação definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o Carf é incompetente para se pronunciar a respeito de inconstitucionalidade de lei: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Dessa forma, embora se trate de tese adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, não é possível aplicála em sede de decisão administrativa, enquanto não declarada definitivamente sua eventual constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, aplicase a regra geral de cinco anos contados do recolhimento indevido ou a maior do que o devido e, como o primeiro pedido foi apresentado em 09 de junho de 2005, restaram prescritos os recolhimentos efetuados anteriormente a 09 de junho de 2000, o que corresponde à sua totalidade. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10830.002728/200570 Acórdão n.º 330200.733 S3C3T2 Fl. 118 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 16062.000043/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/05/2007
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS/LIVROS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos/livros relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
REINCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DA JUNTADA DOS PROCESSOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS ANTERIORMENTE. INEXISTÊNCIA.
A comprovação da ocorrência da agravante de reincidência independe da juntada dos processos de infração lavrados em ações fiscais pretéritas, sendo suficiente a menção aos mesmos, com detalhamento suficiente a não prejudicar o direito de defesa do sujeito passivo.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 15/05/2007
MPF. ASSINATURA ELETRÔNICA PELA AUTORIDADE EMISSORA.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não gera nulidade do MPF o fato do mesmo ter sido assinado digitalmente pela autoridade emissora, posto que essa possibilidade tem previsão normativa.
TIAF.. AÇÃO FISCAL INICIADA EM FEVEREIRO DE 2007.
OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Para as ações fiscais iniciadas sob a égide da IN n. 03/2005, antes das alterações promovidas pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007, inexistia a previsão de lavratura de Termo de Inicio da Ação Fiscal, posto que a ciência do procedimento de fiscalização era suprida pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.626
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por
unanimidade de votos, em I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS/LIVROS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos/livros relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. REINCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DA JUNTADA DOS PROCESSOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS ANTERIORMENTE. INEXISTÊNCIA. A comprovação da ocorrência da agravante de reincidência independe da juntada dos processos de infração lavrados em ações fiscais pretéritas, sendo suficiente a menção aos mesmos, com detalhamento suficiente a não prejudicar o direito de defesa do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2007 MPF. ASSINATURA ELETRÔNICA PELA AUTORIDADE EMISSORA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do MPF o fato do mesmo ter sido assinado digitalmente pela autoridade emissora, posto que essa possibilidade tem previsão normativa. TIAF.. AÇÃO FISCAL INICIADA EM FEVEREIRO DE 2007. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Para as ações fiscais iniciadas sob a égide da IN n. 03/2005, antes das alterações promovidas pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007, inexistia a previsão de lavratura de Termo de Inicio da Ação Fiscal, posto que a ciência do Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 procedimento de fiscalização era suprida pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 16062.000043/200866 Acórdão n.º 240101.626 S2C4T1 Fl. 566 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 538/558, interposto pela empresa acima identificada contra decisão da DRJ em Campinas, fls. 480/486, que declarou procedente o Auto de Infração n. 37.031.1011, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fls. 04, decorreu da conduta da empresa de deixar exibir livros contábeis relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária e ter apresentado livro contábil com omissão de lançamentos. Vejam como se pronunciou a Auditoria: 1. A empresa infringiu o dispositivo legal contido nos artigos. 33, §§2 e 3 da Lei n 8.212, de 24.07.91, combinados com os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.o 3.048, de 06.05.99, quando: a) deixou de exibir à Auditoria Fiscal o Livro Diário de 2006 e o Livro de Apuração do Lucro Real de 2003 a 2006, embora tenha sido intimada a apresentálo por meio dos Termos de Intimação para Apresentação de documentos, datados 14/02/07 (recebido por Aviso de Recebimento, em 16/02/07) e de 14/05/07. b) apresentou o Livro Diário n. o 65 Julho/2005, registrado no Registro Civil 1 do Subdistrito de São José dos Campos, em 07/03/2007, no Livro de Protocolo n. 07, na folha 37, sob n. 224/2007, com omissão de informação. Vejamos: em 08/07/2005, a empresa contabilizou no referido Diário, fl. 89, a Nota Fiscal de Serviço n o 293 (cópia xerox em anexo), emitida em 04/07/05, debitando o valor líquido da nota fiscal na conta 1311010001 Benfeitorias Imóveis de Terceiros e creditando o mesmo valor na conta 2101011637 Fornecedor ASSTAM Brasil Manutenção Ambiental Ltda, 41, CNPJ 07/131/470/000133. Omitiu o lançamento contábil referente a retenção de 11% no valor de R$ 3.418,80, expresso na referida nota, cujo valor bruto é de R$ 31.080,00. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 05, dá conta que a existência de dupla reincidência genérica elevou a aplicação da penalidade a quatro vezes o valor mínimo. Segundo o Fisco, tendo sido constatada a existência de grupo econômico constituído pela notificada e as empresas abaixo arroladas, essas últimas figuram como responsáveis solidárias pelo crédito lançado. Eis a lista das empresas que compõem o suposto grupo econômico: 1) RN EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 2) ETCA EMPRESA DE TRANSPORTES COLETIVOS DO ACRE LTDA 3) BREDA SOROCABA TRANSPORTES E TURISMO LTDA 4) AUTO VIAÇÃO TRIANGULO LTDA 5) VIAÇÃO SÃO BENTO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA; 6) VIAÇÃO REAL LTDA 7) TRANSMIL TRANSPORTE E TURISMO LTDA 8) TCS TRANSPORTES COLETIVOS DE SOROCABA LTDA 9) EMPRESA DE ÔNIBUS SÃO BENTO LTDA 10) TRANSTAZA RODOVIÁRIO LTDA 11) RÁPIDO SÃO ROQUE LTDA A empresa autuada e as devedoras solidárias apresentaram impugnações, tendo a DRJ declarado procedente o crédito, no entanto, reconheceu a inexistência da responsabilidade solidária em se tratando de multa por descumprimento de obrigação acessória. No recurso apresentado, o sujeito passivo alegou, em apertada síntese, que: a) ao contrário do que afirma a DRJ recorrida, a assinatura da autoridade emissora é obrigatória no MPF e deve ser feita de próprio punho, sob pena de nulidade do procedimento, por afronta ao inciso VII do art. 7. do Decreto n. 3.969/2001; b) também é causa de nulidade a falta de emissão do Termo de Início da Ação Fiscal, o qual é obrigatório nos termos do art. 70 da Instrução Normativa INSS/DC n. 70/2002 e do art. 591 da IN SRP n. 03/2005, na redação dada pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007; c) o AI é nulo posto que não lhe foram acostadas aos autos as lavraturas efetuadas em ações fiscais anteriores para comprovar a reincidência, sendo que tal fato prejudica o seu direito de defesa; d) é improcedente a imposição de multa por falta de exibição do Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, haja vista que os dados contidos no mesmo podem ser extraídos do Livro Diário; e) o Fisco não poderia ter exigido a apresentação do Livro Diário de 2006 em 14/02/2007, em razão do prazo legal de noventa dias a partir da ocorrência dos fatos geradores; f) a multa aplicada fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ao final, pede: a) a declaração de nulidade do lançamento em face das preliminares suscitadas; ou b) a declaração de improcedência do AI; ou Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 16062.000043/200866 Acórdão n.º 240101.626 S2C4T1 Fl. 567 5 c) a exclusão da agravante de reincidência. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. PRELIMINARES Passemos à análise das preliminares. 1) Defeito nos MPF – falta de assinatura da autoridade emissora Ao alegar a invalidade da assinatura eletrônica aposta nos MPF n° 09376391F00 e 09376391CO2 a recorrente incorre em equívoco. O art. 7°, parágrafo 5°, da Portaria MPS/SRP n. 3.031, de 16 de dezembro de 2005, previa expressamente esse procedimento, conforme abaixo: Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do servidor responsável pela execução do mandado; VI nome, endereço e telefone funcionais do chefe do servidor a que se refere o inciso V; VII nome, matrícula e assinatura da autoridade emissora e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; e VIII o código de acesso à "Internet" que permita, ao sujeito passivo do procedimento fiscal, identificar o MPF. (...) § 5º Os MPF poderão ser assinados eletronicamente Por outro lado, o art. 7. do Decreto n. 3.669/2001, não traz qualquer dispositivo que preveja que a assinatura do MPF pela autoridade emissora tenha que ser efetuada de próprio punho, ou seja, não há vedação a assinatura eletrônica. Nesse sentido, a Portaria MPS/SRP 3.031/2005 não se choca com os termos do referido Decreto. Vêse então que não se verifica nos MPF que deram autorização para ação fiscal em questão a mácula de nulidade apontada pela empresa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 16062.000043/200866 Acórdão n.º 240101.626 S2C4T1 Fl. 568 7 2) Falta de emissão do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF A questão posta pela recorrente no tocante a nulidade do procedimento fiscal por ausência do TIAF resolvese pela verificação da aplicação da legislação no tempo. Necessitase, assim, pesquisar quais eram as determinações da Administração Tributária na data de início da ação fiscal sob relevo. O ato que deu ciência ao contribuinte de que o mesmo encontravase sobre ação fiscal foi o MPF n. 09376391F00, fl. 36, datado de 07/07/2007. Assim, verificase que a auditoria teve como termo inicial a referida data. Nesse marco temporal vigia o art. 588 da IN n. 03/2005, o qual carregava a seguinte redação: Art. 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito passivo da seguinte forma: I pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II por via postal, ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. § 1º Ocorrendo a recusa de recebimento do MPF, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, no campo destinado ao recibo, a expressão "recusouse a assinar", seguida da identificação do responsável pela recusa, considerandose cientificado o sujeito passivo. § 2º A ciência do MPF dá início ao procedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no § 1º do art. 645. (Revogado pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) § 3º Após a ciência do MPF, a SRP não emitirá parecer em relação a consulta relativa às obrigações previdenciárias objeto de verificação no procedimento fiscal. Percebese, portanto, que quando do início do procedimento fiscal inexistia na legislação de regência menção ao TIAF, sendo o MPF o documento hábil a demarcar o início da ação de fiscalização. Frisese que o TIAF, que tinha previsão na IN INSS/DC n. 70, de 10/05/2002, foi extinto pela IN INSS /DC n. 100, de 14/07/2005, somente vindo a ser reinserido na legislação pela IN SRP n. 23, de 30/04/2007, que alterou o art. 591 da IN n. 03, de 14/07/2005. Nesse sentido, não posso dar razão à recorrente, haja vista que a ausência do TIAF se deu por falta de previsão desse documento na legislação vigente quando do início do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 procedimento fiscal, não merecendo censura o trabalho da Auditoria no que diz respeito a esse aspecto. c) Falta de comprovação da reincidência – prejuízo ao direito de defesa Não hei de concordar com a tese da recorrente de que a falta de anexação dos Autos de Infração lavrados em ações fiscais anteriores seria motivo a descaracterizar a reincidência pelo fato de impossibilitar o seu conhecimento desses fatos e, por conseguinte, prejudicar o seu direito de defesa. Verificase do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa que a Auditoria teve o cuidado de relacionar cada uma das lavraturas efetuadas em ações passadas, citando a data da lavratura, a data de apresentação da defesa e a data do trânsito em julgado da decisão administrativa condenatória. A reincidência, a luz do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, caracterizase como a seguir: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em 'que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. Não tenho dúvidas que os elementos acostados pelo Fisco quanto à demonstração da ocorrência da reincidência foram aqueles necessários a municiar a autuada dos dados a propiciar a ampla possibilidade de impugnar a lavratura. Não há como se acatar o argumento que a empresa desconhecia os autos pretéritos, posto que, durante a tramitação dos processos administrativos fiscais relativos aos mesmos, teve a oportunidade de se contrapor aos mesmos. Além de que havendo dúvida quanto a alguma das lavraturas, o sujeito passivo poderia ter requerido cópias do respectivo processo. Vejase que a empresa sequer questiona a existência de algum dos mesmos, limitandose a afirmar que a ausência de juntada desses AI teria ocasionado cerceamento ao seu direito de defesa, com o que não devo absolutamente concordar, posto que a precisa identificação dos processos pelo Fisco permitialhe o exercício do direito de defesa com amplitude. Devo assim declarar que esse inconformismo da recorrente não procede. Passo agora ao enfrentamento das razões de mérito. a) do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR Alega a recorrente que o fato dos dados contidos do LALUR poderem ser coletados do Livro Diário descaracteriza a infração quanto a essa suposta emissão. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 16062.000043/200866 Acórdão n.º 240101.626 S2C4T1 Fl. 569 9 Sobre essa questão é imprescindível que transcrevamos o texto legal invocado pela Auditoria para fundamentar a lavratura: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) Em grosseira síntese poderíamos dizer que o LALUR é um livro fiscal, obrigatório apenas para as empresas tributadas pela sistemática do Lucro Real, cuja função é ajustar os demonstrativos contábeis à declaração de imposto de renda com adições e exclusões ao lucro líquido do períodobase, apurandose, assim, a base do imposto de renda devido Assim, ao meu sentir, não seria esse Livro relacionado diretamente às contribuições previdenciárias. Embora não se possa negar que a apuração do lucro do período seja influenciada pelas contribuições previdenciárias, devo reconhecer que o LALUR não pode ser considerado relacionado diretamente à aferição dos tributos destinados à Previdência Social, ao contrário do que se pode concluir quanto ao Livro Diário, esse sim essencial quando da verificação da regularidade do contribuinte quanto ao recolhimento dessas contribuições. Ainda mais, verifico que a omissão em tela amoldase à obrigação prevista no inciso II do art. 32 da Lei n. 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (...) Nessa toada, tenho que, quanto à apresentação do LALUR, não se configurou a infração apontada no presente AI. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 b) do Livro Diário do exercício de 2006 Alega a recorrente que não estaria obrigada a exibir o Livro Diário de 2006, posto que a intimação, efetuada em 02/2007, não estaria respeitando o prazo de noventa dias estipulado para a apresentação do mesmo. Essa alegação carrega enorme equívoco. A lavratura fiscal data de 15/05/2007, portanto, se a mesma tivesse se dado pela não exibição de documentos solicitados mediante o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD de fl. 12/13, emitido em 14/02/2007, e com data para exibição dos elementos em 22/02/2007, a sua improcedência seria inquestionável, haja vista que o AI deve ser lavrado na data da ocorrência da infração. Mas não, a autuação decorreu da falta de atendimento ao TIAD de fl. 14, emitido em 14/05/2007, com data para apresentação dos documentos em 15/05/2007. Esse termo, notese, referese especificamente ao Livro Diário de 2006. Essa omissão é que efetivamente acarretou na lavratura, caindo assim por terra a alegação recursal de que houve a exigência do Livro em período de noventa dias da ocorrência dos fatos geradores, durante o qual a empresa estaria desobrigada de exibilo. Podese então notar que a empresa não nega que tenha se omitido na entrega do Livro, apenas tenta justificar a sua não exibição, todavia, não merece sucesso nessa tarefa. Considerando que para esse tipo de infração a quantidade de ocorrências por ação fiscal não influencia no cálculo da multa, a ocorrência da falta decorrente da não apresentação do Livro Diário é suficiente a tornar procedente a lavratura. c) da multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório, ferindo os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação o enunciado de súmula, abaixo reproduzido: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 16062.000043/200866 Acórdão n.º 240101.626 S2C4T1 Fl. 570 11 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa, além da contribuição ao seguro de acidente de trabalho – RAT. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2001 Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10940.001715/2004-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. REVELIA
Desconhece-se do recurso voluntário interposto intempestivamente.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA
Não se conhece do recurso de ofício interposto contra decisão que dispensou crédito tributário em valor inferior ao limite de alçada fixado em normas legais.
Numero da decisão: 3301-000.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer de ambos os recursos, o de ofício pelo fato de o crédito tributário exonerado ter sido inferior ao limite de alçada então vigente e o voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente Dra. Renata Dalle Molle OAB/DF nº 10.219-E.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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PRAZO. REVELIA Desconhecese do recurso voluntário interposto intempestivamente. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA Não se conhece do recurso de ofício interposto contra decisão que dispensou crédito tributário em valor inferior ao limite de alçada fixado em normas legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer de ambos os recursos, o de ofício pelo fato de o crédito tributário exonerado ter sido inferior ao limite de alçada então vigente e o voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente Dra. Renata Dalle Molle OAB/DF nº 10.219E. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Fl. 511DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente, pela DRJ Curitiba/PR e pelo sujeito passivo, contra decisão que julgou procedente em parte o lançamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) referente aos meses de competência de fevereiro de 1999 a dezembro de 2003. O lançamento decorreu da nãohomologação das compensações dos débitos fiscais declarados, referentes aos períodos mensais de competência de fevereiro a julho de 2003, cujas declarações não constituíram confissão de dívidas, de diferenças apuradas entre os valores da contribuição devida apurada com base na escrita contábil e fiscal e os declarados para os períodos de competência de fevereiro de 1999 a dezembro de 2003 e, ainda, à multa isolada de ofício sobre os débitos fiscais cujas compensações não foram homologadas. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente interpôs a impugnação às fls. 218/231, requerendo o cancelamento dos lançamentos, alegando razões assim sintetizadas pro aquela DRJ: “Sob o título ‘11.1 Da inexistência de diferenças da Cofins a recolher: apuração indevida da base de cálculo pela autoridade fiscal.’, afirma que o lançamento é flagrantemente ilegal, já que as diferenças apontadas decorreriam de equívocos cometidos pelo fisco na apuração da base de cálculo da Cofins, passando a enumerálos: (a) no subtítulo ‘11.1.1 Da inclusão indevida dos valores apurados a título de PIS e de Cofins na base de cálculo da Cofins’, diz que foram incluídos, na apuração da base de cálculo da Cofins, os valores relativos às contas contábeis de códigos n.° 6110361210201, n.º 6110361210301 e n.° 61103713101, sendo que tais contas referirseiam ao registro contábil da aplicação das alíquotas do PIS e da Cofins sobre suas respectivas bases de cálculo, representadas nas demonstrações contábeis como contas redutoras de receita e, portanto, de natureza devedora, ou seja, tais contas, expressariam o valor do PIS e da própria Cofins devida, e não poderiam integrar a base de cálculo da contribuição; ressalta que tal equivoco teria sido cometido em relação a todo o período fiscalizado (do exercício 1999 ao de 2003), conforme demonstrativo que anexa (fls. 248/257), pelo que entende que deveria ser afastada a cobrança da Cofins assim indevidamente apurada; (b) no subtítulo ‘11.1.2 Do cômputo em duplicidade das receitas da administração transferidas às atividadesfim mediante rateio’, transcreve o item 5, da Instrução Contábil 6.3.27, do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, aprovado pelo Decreto n.° 84.441, de 29 de janeiro de 1980, e diz que segundo essa norma as receitas de administração devem ser transferidas mensalmente, por meio de rateio, para as atividadesfim da empresa, (em seu caso, distribuição e comercialização de energia elétrica); prosseguindo, depois de fazer unia pequena demonstração desse procedimento contábil, fala que ‘desse modo, para fins de apuração da base de cálculo da Cofins, não podem ser computadas simultaneamente as contas contábeis relativas às receitas da Administração e as que recebem os rateios dessas mesmas receitas, sob pena de duplicação desses valores na base de cálculo’ (fl. 221), e comenta que justamente esse teria sido o equívoco cometido pelo fisco, que computou em seu demonstrativo tanto as contas de receita da administração (contas n.° 631.04.11, 631.04.13 e 631.04.19), quanto àquelas recebedoras dessas mesmas receitas (contas n." 631.03.41, 631.03.43, 631.03.44, 631.03.49, 631.04.86, 631.05.41, 631.05.43 e 631.05.49), por meio de rateio; quanto a essa alegação anexa planilha demonstrativa, e pede que seja afastada a Fl. 512DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10940.001715/200455 Acórdão n.º 330100.805 S3C3T1 Fl. 496 3 cobrança feita pelo fisco (principal, multa e juros) incidente sobre essas supostas diferenças; Por seu turno, no subitem ‘11.2 Da ilegalidade do lançamento dos créditos de Cofins relativos ao período de fevereiro a julho de 2003’, sustenta que o lançamento de oficio, relativamente aos períodos de apuração fevereiro/2003 a julho/2003, incide em patente ilegalidade ao constituir valores que já havia declarado e, portanto, constituído; fala que há equívoco do autuante ao considerar que o crédito tributário compensado não teria sido confessado pela impugnante, já que tal entendimento seria contrário ao que dispõe o § 6º do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 10.833, de 2003; diz que o art. 23 da IN SRF n.° 210, de 2002, ratificaria seu entendimento, ao determinar a realização de lançamento de oficio tão somente na hipótese de compensação de tributos não lançados de ofício e nem confessados; acrescenta que a ilegalidade da constituição dos créditos da Cofins, que já teriam sido objeto de declaração, constituiu, também, uma violação ao art. 18 da Lei n.º 10.833, de 2003, que restringiu expressamente a hipótese de lançamento de ofício, em sede de compensações de tributos e contribuições federais, apenas à aplicação de multa isolada, prevista no art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, e nada mais; ressalta que a alegada ilegalidade não se refere à constituição das diferenças equivocadamente apuradas pelo fisco (conforme subitem anterior), mas sim na constituição de valores já reconhecidos pela contribuinte como devidos não só por meio de suas declarações de compensação, mas também em suas DCTF. Já, no item ‘II.3 Da inaplicabilidade da multa de 150% prevista no art. 44, § 2°, inciso II, da Lei n.° 9.430/96, questiona o lançamento de multa no percentual de 150%, dizendo que essa penalidade é completamente inaplicável ao presente caso, sendo ilegal a sua cobrança; entende que o art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, e os arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502, de 1964, para a tipificação de fraude exigem, de modo expresso, a realização de conduta dolosa, que exponha evidente intuito fraudulento, ardiloso, de máfé, que veicule um engano ou busque o engodo; em razão disso, alega que não basta que a ação ou omissão praticadas tenham afetado o fato gerador da obrigação tributária, mas há que restar claramente configurada a prática de ação ou omissão dolosa, intencional; na seqüência, tece considerações sobre a figura do dolo na caracterização da conduta do sujeito passivo, após o que diz: ‘ora, a conduta praticada pela impugnante, ainda que em última instancia possa causara diferimento do pagamento do tributo durante o processamento de suas manifestações de inconformidade, este não foi o efeito por ela pretendido, na medida em que buscou efetivamente a compensação dos tributos devidos com os créditos reconhecidos na ação judicial n.° 96.00167613, da 15ª Vara da Seção Judiciária de Brasília. Aliás, a impugnante em momento algum omitiu ou escondeu a natureza dos seus créditos ou a sua origem, tendo apresentado toda a documentação comprobatória a eles relativa juntamente com os respectivos pedidos de restituição’ (fl. 227), pelo que ficaria evidenciada a ilegalidade da caracterização de intuito fraudulento nas compensações que declarou, sendo indevida a aplicação da multa prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996. Questiona, também, a legalidade da aplicação do Ato Declaratório Interpretativo nº 17, de 2002, que teria objetivado a caracterização da conduta fraudulenta, extrapolando sua atividade regulamentar e violando o próprio art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996. Entende que o reconhecimento e a caracterização de uma conduta fraudulenta, para fins de aplicação do art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996, cabe somente após a análise livre e desvinculada da autoridade fazendária competente Fl. 513DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 das condutas praticadas e dos efeitos delas decorrentes, não se podendo admitir que mero ato regulamentar, sob o pretexto de ‘interpretar’ determinada regra legal, extrapole o conteúdo desta, indicando a priori a conduta tida como fraudulenta, posto que tal determinação amplia ilegalmente a hipótese da lei, transformando, indevidamente, a responsabilidade subjetiva para objetiva; acrescenta que o parágrafo único do citado ADI faz expressa referência à inaplicabilidade da regra disposta em seu artigo único, já que resta evidente que esse dispositivo a exime de qualquer responsabilidade pela compensação de créditos de natureza não tributária, desde que estes tenham sido reconhecidos por meio de ação judicial, o que seria o caso dos autos. Argumenta que é necessário o reconhecimento definitivo, em sede administrativa, do nãocabimento das compensações declaradas, posto que seria condição sine qua non para a imputação da multa prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996, e sem esse reconhecimento, afigurarseia ilegal o fisco considerar que as operações que praticou caracterizam evidente intuito de fraude, devendose afastar a exigência de multa isolada de ofício no percentual de 150%. Comentando que o próprio autuante disse não possuir qualquer competência para efetuar 'a apreciação valorativa quanto à correção ou incorreção do indeferimento do pedido de compensação’ diz afigurarse patentemente ilegal a sua pretensão de qualificar as compensações realizadas como fraudulentas, passíveis da aplicação de multa qualificada com base em presunção. Ao final desse item, pelas razões expostas, pede que seja afastada a imputação da multa de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração, em sua totalidade.” Analisada a impugnação, aquela DRJ não conheceu da impugnação quanto ao lançamento da multa isolada por ser objeto de processo específico (13931.000229/200506 anexado ao de n° 13931.000557/200332), considerou decaído o direito de efetuar o lançamento relativamente aos períodos de apuração entre janeiro e julho de 1999, manteve crédito tributário de R$771.940,09, exonerou crédito tributário de R$412.232,81; manteve a incidência da multa de oficio de 75%, reduzindose, por conseqüência, o percentual de incidência da multa de ofício de 150% para 75%, relativamente às exigências dos períodos de apuração fevereiro/2003 a julho/2003; e manteve a incidência dos encargos legais, julgando o lançamento procedente em parte, conforme acórdão nº 0618.629, datado de 11/07/2008, às fls. 458/478, sob as seguintes ementas: “COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, cabível o cancelamento de lançamento de ofício em face da decadência. Período apuração: 01/08/1999 a 31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. CORREÇÃO DE OFÍCIO. Constatada a existência de erro de fato, consistente na inclusão indevida de valores apurados a titulo de PIS e de Cofins na base de cálculo da contribuição exigida e do cômputo em duplicidade das receitas da administração transferidas às atividadesfim mediante rateio, quando da elaboração do auto de infração, ocasionando lançamento superior ao devido, a autoridade julgadora deve proceder à correção de oficio do lançamento. Fl. 514DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10940.001715/200455 Acórdão n.º 330100.805 S3C3T1 Fl. 497 5 Período apuração: 01/02/2003 a 30/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE CRÉDITO NÃOOCORRÊNCIA. IMPLEMENTAÇÃO DE CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. A extinção condicional de créditos da Cofins, havida em razão da apresentação de declaração de compensação, deixa de existir em função da implementação de condição resolutória, qual seja, a sua nãohomologação pelo fisco, ainda que pendente de recurso. COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de reconhecimento de direito creditório e não homologou, por conseqüência, declarações de compensação, não suspende a exigibilidade de créditos tributários lançados em processo distinto. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE E PERCENTUAL. Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida em face da pretensão de utilização de crédito de natureza nãotributária, cabível a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% na hipótese de ser caracterizado o ‘evidente intuito de fraude’ referido pela legislação. Data fato gerador; 12/11/2003, 21/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A apresentação de declaração de compensação, após 30/10/2003, representa confissão de dívida quanto aos débitos que se pretende compensar, descabendo, portanto, o lançamento de ofício de tais parcelas.” A DRJ Curitiba recorreu de ofício dessa decisão, sem, contudo, fundamentá la. Também cientificada da referida decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 481/489, requerendo a sua reforma a fim de que se cancela o lançamento, alegando, em síntese, erro na apuração da parcela lançada e exigida para o mês de competência de dezembro de 2003 e ilegalidade da cobrança da multa isolada de 150,0%, cuja impugnação não foi conhecida pela autoridade julgadora de primeiro grau. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I) do erro na apuração da Cofins do mês de dezembro de 2003; e, II) da ilegalidade da multa imposta em face da aplicação retroativa da Lei nº 11.051/04, nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN, concluindo ao final que houve erro na apuração da base de cálculo daquele mês pelo fato de o Fl. 515DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 autuante não ter considerado a reversão da receita financeira no montante de R$1.933.287,95, registrada indevidamente em 31/07/2003, no valor de R$979.933,20, e em 30/11/2003, nos valores de R$102.654,57 e R$850.700,18, de forma a compensar a tributação pelo PIS e Cofins e, ainda, que em face do disposto no art. 106, II, “a”, do CTN, a multa imposta deve ser exonerada, aplicandose retroativamente ao caso a Lei nº 11.051, de 2004. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A DRJ Curitiba recorreu de ofício de sua decisão, sem, contudo, fundamentá la. Do seu exame, verificase que o crédito tributário desonerado por ela, principal e multa de ofício, totalizou R$ 976.351,30 (novecentos e setenta e seis mil trezentos e cinquenta e um reais e trinta centavos). No entanto, na data em que foi proferida a decisão, em 11/07/2008, o limite para recurso de ofício era para exoneração de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conforme estabelece a Portaria MF nº 03, de 07 de janeiro de 2008, que, assim dispõe, in verbis: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Assim, ao contrário do entendimento do presidente da 3ª Turma de Julgamento daquela DRJ, inexiste fundamento para o presente recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, sua apresentação também não atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Do exame dos autos, verificase que a recorrente tomou ciência da decisão recorrida na data de 29 de julho de 2008, numa terçafeira, conforme prova o extrato “Histórico do Objeto” referente à entrega da correspondência, às fls, 479, que encaminhou a ela a cópia da decisão recorrida. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33, estabelece o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância para a interposição do respectivo recurso voluntário, assim dispondo, in verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.” Fl. 516DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10940.001715/200455 Acórdão n.º 330100.805 S3C3T1 Fl. 498 7 Por sua vez, o art. 35, desse mesmo Decreto determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho de Contribuintes, que julgará a perempção, in verbis: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Conforme demonstrado, a decisão recorrida foi entregue à recorrente no dia 29 de julho de 2008, numa terçafeira, dia útil na Agência da Receita Federal do Brasil em Guarapuava, PR, em que protocolou o presente recurso voluntário. Portanto, o prazo limite de 30 (trinta) dias, fixado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33, transcrito anteriormente, expirou na data de 28 de agosto de 2008, numa quinta feira, dia útil na referida agência. Contudo, o recurso voluntário foi protocolado na data de 29 de agosto de 2008 depois de decorrido o prazo limite, ou seja, depois de decorridos 31 (trinta e um dias). Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, não conheço de ambos os recursos interpostos, o de ofício pelo fato de o crédito tributário exonerado ter sido inferior ao limite de alçada e o voluntário por intempestivo. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 517DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 28/02/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 22/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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