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Numero do processo: 12448.726664/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO.
O direito de restituição/compensação de crédito oriundo de ação judicial extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito ou da homologação da desistência da execução do título judicial.
SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ Nº 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas sim a opção entre a restituição via precatório e a compensação, conforme Súmula STJ nº 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial.
DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS SEM CARÁTER DE NORMA GERAL. APLICAÇÃO SOMENTE ÀS PARTES LITIGANTES.
As decisões administrativas e judiciais não têm caráter de norma geral e seus efeitos se restringem às partes do litígio, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de norma legal ou pelos STF e STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigos 543-B e 543-C do CPC), que devem ser seguidas por este Conselho, por força do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 2202-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. O direito de restituição/compensação de crédito oriundo de ação judicial extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito ou da homologação da desistência da execução do título judicial. SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ Nº 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas sim a opção entre a restituição via precatório e a compensação, conforme Súmula STJ nº 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS SEM CARÁTER DE NORMA GERAL. APLICAÇÃO SOMENTE ÀS PARTES LITIGANTES. As decisões administrativas e judiciais não têm caráter de norma geral e seus efeitos se restringem às partes do litígio, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de norma legal ou pelos STF e STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigos 543B e 543C do CPC), que devem ser seguidas por este Conselho, por força do art. 62 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 66 64 /2 01 2- 74 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 133 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro I (RJ), que assim descreveu os fatos até a decisão daquela instância. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela pessoa física em epígrafe em 22/11/2012 (fls. 76 a 81), contra o Despacho Decisório de fls. 69 a 71, do qual a contribuinte foi cientificada em 24/10/2012 (fl. 73), que indeferiu o pedido de restituição consignado no PER/DCOMP nº 18816.74606.270312.2.2.541658 (fls. 02 e 03). No mencionado Pedido Eletrônico de Restituição foi solicitada a devolução da quantia de R$ 24.334,76, referente a crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo do Processo de Ação Judicial n° 99.00639120, sendo que ocorreu a habilitação prévia do crédito pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – Dicat/DRFI, conforme fl. 51. De acordo com a decisão exarada no mencionado Despacho Decisório, os motivos para o não reconhecimento de crédito a favor da contribuinte foram: 1° Na data de apresentação do Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado já estava extinto, por decurso de prazo, o direito de pleitear a restituição do alegado direito creditório com base no julgado judicial; e 2° Na decisão judicial em que se fundamenta o pedido administrativo foi autorizada a compensação pleiteada. Logo, se a decisão judicial que amparava o direito do contribuinte só Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 134 3 estava sujeita à execução na forma determinada, se não estava disponível a faculdade de desistir da execução na forma proposta na inicial, há de se considerar que também inexistia possibilidade de renúncia ou desistência para opção pelo pedido de restituição na via administrativa. Irresignada com a referida decisão, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade onde, resumidamente, alega que: é equivocado o marco prescricional de 15/09/2010 calculado pela AFRFB que decidiu o processo, por ter interpretado incorretamente o que determina a Súmula n° 383 do STF. E cediço que, se a prescrição foi interrompida pelo processo de execução, somente ao final desse processo é que o prazo volta a fluir, portanto, o tempo em que a execução mantevese sub judice não pode ser contado para efeito prescricional, o que fez o AFRFB em suas análises. no caso, a contagem do prazo prescricional foi interrompida em 10/04/2006, com a citação da Fazenda no processo de execução, voltando a fluir, na pior das hipóteses, a contar do trânsito em julgado daquela ação, que se deu em 06/11/2007. Portanto, de 16/09/2005, data do trânsito em julgado da ação de conhecimento, até a citação da União, no processo de execução (14/04/2006), transcorreram 210 dias, correspondentes a sete meses. Em 07/11/2007, voltou a fluir a contagem do prazo prescricional de cinco anos — o prazo prescricional não fica aquém de cinco anos, segundo a Súmula STF 383 demarcando como data do decurso do prazo o dia 15/03/2012, em vista do acréscimo de sete meses já decorridos, dos quatro anos e cinco meses restantes para a intercorrência da prescrição. Logo, o pedido de habilitação não está prescrito. Acrescenta que, na verdade, o processo de execução somente se encerrou em 07/10/2010 com a publicação da determinação judicial de arquivamento dos autos, em função do pedido de renúncia à execução do julgado, data que, se considerada, estenderia ainda mais o marco prescricional. caso não fosse apresentada a desistência dos autores em continuar com a execução, o processo administrativo não poderia seguir seu curso, em vista do que determina o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03/1996, que dispõe sobre o tratamento a ser dispensado ao processo fiscal quando o contribuinte opta pela via judicial esclarece ainda que na petição inicial do processo de conhecimento requereu a restituição das importâncias indevidamente retidas na fonte e requereu também que da decisão de compensação fosse expedido ofício à autoridade ordenadora de despesas, responsável pelo pagamento dos vencimentos dos autores, para cumprimento das determinações relativas à compensação, deixando claro que a intenção dos autores era obter a devolução do IR indevidamente retido. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 135 4 os autores ao buscarem a execução dos valores nos próprios autos da ação ordinária, agiram em consonância com a consolidada jurisprudência do STJ no sentido da possibilidade de alteração do pedido de compensação, para o de repetição de indébito, mesmo na fase de execução, sem que se constitua ofensa a coisa julgada, pois é direito do contribuinte optar pela compensação ou restituição de imposto pago indevidamente, conforme estabelece a Lei n° 9.069/95. Cita jurisprudência judicial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro I (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO EXTINTIVO DO DIREITO DE SOLICITAR RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO O direito à restituição de crédito decorrente de ação judicial extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação de conhecimento ou da homologação da desistência da execução do título judicial. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. Acórdão transitado em julgado que julgou procedente o pedido para compensação não pode ser utilizado para embasar um Pedido Administrativo de Restituição. (os grifos são do original) Cientificado dessa decisão em 03/12/2013, por via postal (A.R. de fl. 110), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/09/2014 (fls. 113 a 126), no qual repisa os argumentos da impugnação, combatendo a decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A controvérsia reside, em suma, em dois pontos: i) prescrição do pedido de habilitação de crédito decorrente de ação judicial; ii) alcance do pedido judicial de compensação. Em relação à prescrição do pedido de habilitação de crédito decorrente de ação judicial, verificase que a ação ordinária, na qual se funda o crédito pleiteado, visava à obtenção da declaração de inexistência de relação jurídicotributária relativa à incidência do Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 136 5 imposto de renda sobre as parcelas recebidas a título de abono assiduidade, férias e licenças prêmio não gozadas, assim como a restituição, por compensação, dos valores indevidamente retidos. Em 12/07/2001, foi proferida sentença julgando improcedentes os pedidos feitos, porém, em sede de apelação, o TRF da 2ª Região deu provimento ao recurso, para declarar a não incidência do imposto de renda na fonte sobre as referidas parcelas, tendo ocorrido o trânsito em julgado em 16/09/2005. A parte autora iniciou a execução do julgado e a União opôs embargos de execução objetivando reduzir a quantia executada. A sentença julgou o pedido, conforme abaixo. 2006.51.01.0089317 A Sentença de mérito impõe os limites da Execução e, na hipótese, não houve um provimento condenatório e, sim, meramente declaratório, do direito do contribuinte à compensação de valores recolhidos indevidamente a título de Imposto de Renda. Incabível, portanto, a execução das parcelas a serem compensadas, bem como o enfrentamento da questão relativa à aplicação da taxa SELIC, sob pena de ofensa à coisa julgada. Ambas as partes interpuseram recurso de apelação, tendo o Tribunal Regional Federal negado provimento aos recursos, mediante decisão transitada em julgado em 06/11/2007. Tendo a parte autora ingressado com nova execução, a União Federal interpôs Embargos à Execução (nº 2008.51.01.0180202), sendo proferida sentença julgando procedente o pedido, para reconhecer a existência de coisa julgada (a seguir transcrita e às fls. 93 e 94). Por fim, os autores interpuseram Embargos de Declaração, aos quais foram negados provimento por meio de sentença proferida em 10/05/2010 (fls. 67 e 68). 2008.51.01.0180202 Em que pese o argumento da parte embargada de que não houve início de execução, a mesma equivocase na medida em que sua peça de fls.178 dos autos principais requer expressamente a citação da União nos termos do art.730 do CPC. Outrossim, dos autos principais, em apenso, mais precisamente da sentença de fls.202/204 mantida pela decisão do Eg. TRF 2 Região (fls.207/208), observase que houve julgamento de mérito nos embargos à execução de nº 2006.51.01.0089317, inclusive no que pertine a execução do principal, in verbis: O Acórdão de fls. 146/149 dos autos principais deu provimento ao apelo dos Autores para condenar a União a compensar as importâncias descontadas indevidamente a título de imposto de renda na fonte sobre as parcelas recebidas a título de abono assiduidade, férias e licençaprêmio não gozadas. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 137 6 Ora, em se tratando de declaração de direito à compensação tributária, não há que se falar em execução forçada dos quantum a ser compensado. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO SENTENÇA DECLARATÓRIA DA COMPENSABILIDADE DE TRIBUTOS EXECUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. 1. Em se tratando de compensação tributária, o Judiciário limitase apenas a declarar a compensabilidade entre débitos e créditos. 2. Nos casos de tributo lançado por homologação, a compensação deve ser feita de moto próprio pelo contribuinte, cabendo à Administração fiscalizar o procedimento, cobrando, se for o caso, eventual saldo devedor. 3. Descabe a execução forçada, não havendo, pois, que se discutir se a liquidação de sentença deve seguir os moldes do art. 604 ou 608 do CPC. 4. Recurso especial conhecido e provido em parte. (REsp 599.803/PE, Rel. MIN. ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17.06.2004, DJ 13.09.2004 p. 216) (destaquei) Observase, portanto, que não ocorreu homologação de desistência da execução do título judicial, posto que o mérito da ação de conhecimento possui caráter meramente declaratório, para permitir ao autor a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de imposto de renda. Isso está claro na sentença proferida nos autos dos embargos à execução, exposta acima. Assim, não era cabível ação de execução de sentença, conforme decidiu o TRF. Dessa forma, o termo inicial de contagem do prazo de cinco anos, para fins de prescrição do direito creditório, é a data do trânsito em julgado da decisão da ação de conhecimento, ou seja, 16/09/2005, haja visto não ter sido admitida a execução de sentença. Diferentemente do alegado pelo Recorrente, nesse caso não ocorreu uma renúncia ou desistência da execução, o que poderia levar à interrupção do prazo prescricional. Na realidade, houve uma decisão judicial negando o direito à execução das parcelas a serem compensadas, pois não se admitia ação de execução de sentença. Portanto, tendo em vista o trânsito em julgado da ação de conhecimento ter ocorrido em 16/09/2005 (fl. 48) e o pedido de habilitação somente se deu em 24/09/2010, o seu direito à restituição do crédito já estava extinto, conforme inciso IV, do § 4º, do art. 71 da IN RFB nº 900/2008. Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 138 7 habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. [...] § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: [...] IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e [...] Nesse sentido o Parecer PGFN/CAT nº 2.093/2011: 98. Portanto, a lógica enunciada na Súmula STF Nº 150, segundo a qual o prazo de prescrição da execução coincide com o da prescrição da ação de conhecimento, também vale para a repetição de indébito tributário. E assim fica a sistemática legal que rege os prazos extintivos de repetição de indébito: a) quando a primeira iniciativa se dirigir ao Judiciário: 1º cinco anos contados do pagamento indevido, ainda que antecipado, para impetrar ação de conhecimento, constitutiva do indébito tributário (declaratória, condenatória ou mandamental, nos termos do Parecer PGFN/CRJ Nº 19/2011). Fundamento: prescrição do art. 168, do CTN; 2º cinco anos contados do trânsito em julgado da sentença descrita no item anterior para promover a execução do título judicial, seja por intermédio de execução judicial, seja por via administrativa (caso em que deverá apresentar prova da inexecução do julgado, nos termos do Parecer PGFN/CRJ Nº 19/2011). Fundamento: prescrição do art. 168 do CTN e Súmula Nº 150, do STF [...] Ainda que não se admita a prescrição do pedido do Contribuinte, não há como prosperar a sua pretensão, posto que, no tocante ao outro ponto da controvérsia, qual seja, o alcance da decisão judicial, observase que a decisão de primeira instância considerou que a União foi condenada a compensar os valores indevidamente retidos a título de imposto de renda e, dessa forma, não poderia o Contribuinte solicitar a restituição de tais valores, sob pena de modificação da decisão judicial. Não cabe reparo à decisão de primeira instância, uma vez que a sentença judicial foi no sentido de condenar a União a compensar as importâncias descontadas indevidamente a título de imposto de renda na fonte sobre as parcelas recebidas a título de abono assiduidade, férias e licençaprêmio não gozadas. Do exame da cópia da inicial juntada nas fls. 32/36 verificase que a pretensão do autor era a declaração da inexistência da relação jurídicotributária relativamente às parcelas convertidas em pecúnia de prêmio assiduidade, férias e licençasprêmio; e a Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 139 8 autorização de compensação dos valores de imposto de renda retidos na fonte sobre essas verbas, com futuras retenções de imposto de renda incidentes sobre os rendimentos dos autores. Na decisão judicial, cujo pedido administrativo se fundamenta, a compensação pleiteada foi autorizada. Com o trânsito em julgado da sentença que negou provimento aos Embargos à Execução, não havia mais possibilidade de executar judicialmente o título, para obter restituição mediante precatório ou requisição de pequeno valor. Portanto, se a decisão judicial que amparava o direito do contribuinte só estava sujeita à execução na forma determinada, não estando disponível a faculdade de desistir da execução na forma proposta na inicial, há de se considerar que também inexistia possibilidade de opção pelo pedido de restituição na via administrativa. O Contribuinte, em seu requerimento inicial de fl. 12, fez a opção pelo pedido de restituição do imposto retido indevidamente, alegando que se mostra impraticável a compensação contra parcelas futuras do imposto de renda, pois não há como determinar ao Banco Central do Brasil, autarquia que lhe paga os rendimentos, que deixe de realizar a retenção na fonte sobre seus proventos. Entretanto, não há como modificar a decisão judicial que determinou a compensação dos valores retidos indevidamente. Nessa linha de entendimento, temos as seguintes decisões do CARF: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ N. 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas a opção entre a restituição via precatório e a compensação, cf. Súmula STJ n. 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial. (Acórdão nº 3403 002.740, de 30/01/2014, Rel. Ronaldo Trevisan). NORMAS PROCESSUAIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo decadencial para se pedir a restituição/compensação do tributo pago indevidamente tem como termo inicial a data de publicação da Resolução que extirpou do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, se o direito do contribuinte à compensação for reconhecido por decisão judicial própria, considerase o trânsito em julgado dessa decisão o marco inicial para a contagem do prazo de decadência. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O pedido de restituição deve estar adstrito aos limites impostos pela decisão judicial Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão n.º 2202003.470 S2C2T2 Fl. 140 9 transitada em julgado. (Acórdão nº 20402.110, de 24/01/2007, Rel. Rodrigo Bernardes de Carvalho). Sobre a alegação do Recorrente da obrigatoriedade de se seguir as decisões do STF e do STJ nos julgamentos administrativos, também não lhe assiste razão, porquanto as decisões judiciais não possuem caráter de norma geral e somente se aplicam à partes litigantes, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de norma legal ou pelos STF e STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigos 543B e 543C do CPC), que devem ser seguidas por este Conselho, por força do art. 62 do RICARF. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732230/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. COMPROVAÇÃO EFETUADA.
Comprovado nos autos com documentação hábil e idônea que a contribuinte é a única beneficiária do plano de saúde, deve-se restabelecer a despesa médica glosada.
Numero da decisão: 2201-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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PLANO DE SAÚDE. COMPROVAÇÃO EFETUADA. Comprovado nos autos com documentação hábil e idônea que a contribuinte é a única beneficiária do plano de saúde, devese restabelecer a despesa médica glosada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 22 30 /2 01 3- 38 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2010, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 26/32, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.483,05. A fiscalização apurou a glosa de despesa médica, no valor de R$ 3.896,26, pelo fato de a contribuinte “... não ter apresentado comprovantes originais e cópias das despesas com o plano de saúde UNIMED com valores discriminados por beneficiários (titular e dependentes)”. Cientificada do lançamento, a contribuinte afirma que não tem dependente e que as despesas declaradas são próprias. Ademais, afirma que os valores foram descontados mensalmente pelo TRT, conforme informe de rendimentos e holerites anexados. A 8ª Turma da DRJ em Porto alegre/RS julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. GLOSA. A falta de apresentação de documento emitido pelo plano de saúde com a identificação dos participantes, com a discriminação dos valores correspondentes à respectiva participação, determina a glosa das despesas declaradas. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 18/02/2014 (fl. 82) e, em 27/02/2014, interpôs o recurso de fl. 88, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia, nesta Segunda Instância, à comprovação de que o contribuinte é o “único beneficiário do plano de saúde”, conforme afirmou o voto condutor da decisão recorrida. Em seu apelo reitera a contribuinte que é a única beneficiária do plano de saúde, conforme comprovante de fl. 71. De fato, compulsandose o Atestado, emitido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, fl. 71, verificase que a contribuinte não possuiu dependente, portanto, o valor de R$ 3.896,26, relativo ao plano de saúde da Unimed, deve ser considerado para fins de dedução do imposto de renda, consoante dispõe o inciso III do art. 80 do RIR/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), aprovado pelo Decreto 3.000/1999: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.732230/201338 Acórdão n.º 2201003.198 S2C2T1 Fl. 3 3 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Solucionada a controvérsia, devese restabelecer a despesa médica no valor de R$ 3.896,26. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000092/00-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle.
DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA.
Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratando-se de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizá-lo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA.
Tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório.
TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo".
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
Numero da decisão: 1301-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Sra. Andrea de Toledo, OAB nº 115.022.
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle. DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratando-se de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizá-lo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA. Tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Sra. Andrea de Toledo, OAB nº 115.022. Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle. DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratandose de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 00 92 /0 0- 73 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 140 2 Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA. Tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Sra. Andrea de Toledo, OAB nº 115.022. Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 141 3 Relatório RIGESA DO NORDESTE S/A, já devidamente qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, que indeferiu solicitação veiculada por meio de Manifestação Inconformidade anteriormente apresentada, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o presente processo de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO (fls. 01), em que o crédito indicado para o encontro de contas é de TITULARIDADE DE TERCEIRO. O Relatório contido na decisão de primeira instância, assinala. Tratase de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros no valor de R$ 10.356,47, apresentado em 29/12/1999 (fl. 01), em que a detentora do crédito, segundo relato da fiscalização, não atendeu à intimação para apresentar os documentos que comprovariam o direito creditório pleiteado, impossibilitando a apreciação do mérito. A Diort da Derat/São Paulo/SP, diante da impossibilidade acima descrita, considerou não homologadas as compensações pleiteadas, incluindo a solicitada pela contribuinte em epígrafe, partindo do entendimento de que as hipóteses de compensação com créditos de terceiros não haviam sido alcançadas pela conversão dos pedidos em declarações, motivo pelo qual inexistiria a homologação tácita prevista na legislação que rege a matéria. Ciente do Despacho Decisório em 11/12/2007, a empresa acima identificada apresentou, tempestivamente, em 09/01/2008, sua manifestação de inconformidade (fls. 21/42) alegando, em síntese, o seguinte: 1. que tem direito a apresentar manifestação de inconformidade, na condição de interessado, em respeito aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório 2. que seu pedido teria sido convertido em declaração de compensação, motivo pelo qual já estaria homologada tacitamente a compensação por decurso de prazo, para a qual pede reconhecimento, e que incabível o entendimento contido na decisão a quo de que os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros não teriam sido convertidos em declaração de compensação. Colaciona julgados do Conselho de Contribuintes que corroborariam a sua tese. 3. no que diz respeito ao direito creditório, que não se pode aceitar, para fins de indeferimento do pedido de restituição/ressarcimento, "o fraco argumento de que não teria ficado claro o fato da não existência de processo de execução nos autos da ação ordinária n° 90.00.035325", pois, "se não há necessidade de instauração de fase executiva em processo que se declarou a inexistência de relação jurídica, (...), não há que se falar em comprovação de desistência da referida ação." 4. que uma vez que a manifestante possui o direito à denúncia espontânea, no prazo de 30 dias contados da data da intimação do indeferimento definitivo do Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 142 4 processo de compensação, o Fisco não poderia, de imediato, sem prévia intimação desta decisão, exigir qualquer tipo de multa. 5. que não cabe a cobrança de juros pela taxa Selic, por entender que tal cobrança é ilegal. 6. que "sem que haja o competente lançamento de oficio por parte do fisco, o mesmo não pode alastrar seus tentáculos sobre os créditos que entende devido, de forma que a simples cobrança derivada da não homologação do pedido de compensação não pode ter o condão de qualquer obrigatoriedade." 7. que o fisco não pode vir a exigir valores supostamente não recolhidos a titulo de tributos, vez que teria decorrido período superior a cinco anos desde a ocorrência dos fatos geradores, sem que lançamento e ou qualquer tipo de cobrança tivesse sido formulada. Requer, ao final, seja conhecida sua manifestação de inconformidade e declarados extintos os valores exigidos. A já citada 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, apreciando as razões trazidas pela requerente em sede de Manifestação de Inconformidade, decidiu, por meio do acórdão nº 0813.599, de 26 de junho de 2008, pela improcedência dos pedidos formulados. O referido julgado restou assim ementado: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS. Os "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", pendentes de apreciação, ficaram de fora do rol daqueles que foram convertidos em "Declaração de Compensação", quando das modificações impostas pelas Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se falar em homologação tácita para os mesmos. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS. ILEGITIMIDADE DO DEVEDOR PARA INTERPOR MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O INDEFERIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Negado o direito de restituição/ressarcimento de tributo ao titular do pedido, idêntica decisão se aplica ao terceiro que tenha compensado dividas com o pretenso indébito fiscal daquele. Conseqüentemente, o devedor do débito que se pretende compensar é parte ilegítima para interpor manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pleito. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 102/126, em que, em apertada síntese, sustenta: que, se é ela quem está sendo compelida ao pagamento dos valores advindos da não homologação dos autos do processo administrativo n.° 10380.000092/0073 atrelado ao processo administrativo n.° 13811.002062/9985, resta evidente a plena aplicabilidade do inciso II do art. 9º da Lei n.° 9.784/99; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 143 5 que o Fisco deveria ter procedido ao pertinente lançamento de oficio, e não simplesmente exigilos mediante simples carta de cobrança; que, uma vez que os valores exigidos estão adstritos ao lançamento por homologação, podese afirmar que o direito do Fisco em exigilos se encerraria após o transcurso do prazo de 05 (cinco) anos contados da ocorrência dos fatos geradores, sob pena de se operar, via de conseqüência, o instituto da decadência; que, estando pendente de apreciação o pedido de compensação no momento da edição da MP 66/02, convertida na Lei n.° 10.637/02, inevitável seria transformálo em Declaração de Compensação nos termos do § 4° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96, na redação dada pelos mencionados atos legais; que o entendimento sufragado pela Autoridade Fiscal na decisão ora combatida, só teria aplicação caso os pedidos de compensação fossem protocolados após 31/12/2004, data de publicação da Lei n.° 11.051/04 que acrescentou algumas disposições à Lei n.° 9.430/96, entre eles o § 12°; que, decorrido período superior a 05 (cinco) anos entre a data do protocolo do pedido de restituição dos valores a serem devolvidos (10/08/1999) e a primeira decisão na via administrativa acerca da homologação ou não do direito creditório pleiteado (24/08/2007), necessariamente, o direito pretendido deveria ser considerado homologado em definitivo, conforme mandam os §§ 2°, 4° e 5° do art. 74 da atual Lei n.° 9.430/96; que, a teor do consignado na decisão recorrida, o Julgador apegouse ao fraco argumento de que não teria ficado claro o fato da não existência de processo de execução nos autos da ação ordinária n.° 90.00.035325; que, após concretização, em definitivo, do pedido de restituição/compensação da empresa SID (o que para ela ainda não teria ocorrido), seria necessário intimação para que ela, no prazo de 30 dias, recolhesse o tributo não pago em virtude de procedimento de compensação, sem a inclusão de qualquer tipo de multa, conforme o disposto no art. 160 do Código Tributário Nacional e demais legislações pertinentes à matéria; que, considerando os efeitos da verdade material inerentes ao processo administrativo, bem como o teor da Lei n.° 9.784/999, que a leva à condição de interessada, a falta de intimação no sentido de solicitar esclarecimentos e/ou juntada de documentos acerca da matéria ventilada nos autos, leva à total nulidade dos atos processuais efetivados sem este mandamento (intimação), a teor dos princípios seculares do contraditório, ampla defesa e due process of law, todos arraigados no seio constitucional; que, uma vez que ela possui o direito à denúncia espontânea, no prazo de 30 dias contados da data de intimação do indeferimento definitivo do processo de compensação autuado sob o n.° 10380.026432/9990, atrelado ao PA n.° 13811.002062/9985, o Fisco Federal não poderia, de imediato, sem prévia intimação desta decisão, exigir qualquer tipo de multa; que na exigência trazida no respectivo DARF de cobrança foi incluída a cobrança de juros pela taxa SELIC, com o que ela não pode concordar, vez que a referida taxa não fora criada por lei para fins tributários. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 144 6 Por entender essencial à solução da controvérsia, a então 2ª Turma Especial desta Primeira Seção de Julgamento, em sessão realizada em 02 de agosto de 2010, resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse apensado ao presente o processo nº 13811.002062/9985 (Resolução nº 180200.014). É o Relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 145 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Aprecio, inicialmente, os pressupostos de admissibilidade do apelo. Trata o presente processo de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO (fls. 01), em que o crédito indicado para o encontro de contas é de titularidade da pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA S/A. À época em que a compensação tributária em referência era autorizada, o seu disciplinamento era dado pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Abaixo, as disposições do referido ato normativo relacionadas com a COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. [...] Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Observase, portanto, que: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 146 8 a) a compensação em questão deveria ser requerida pelos contribuintes titulares do crédito e do débito e formalizada por meio do formulário PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS; b) no caso em que os contribuintes estivessem sob jurisdição de Delegacias da Receita Federal distintas, o formulário acima referenciado deveria ser preenchido em duas vias, e cada contribuinte deveria protocolizar uma via na Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição; c) a via do formulário entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do DÉBITO tinha caráter exclusivo de COMUNICADO; d) a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos correspondentes era da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do TITULAR DO CRÉDITO. No caso vertente, extraise dos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985, apenso ao presente, as seguintes informações: i) embora também tenha protocolado um PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, a detentora do crédito, SID MICROELETRÔNICA S/A, domiciliada em SÃO PAULO, protocolou, no período de agosto a novembro de 1999, PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS; ii) os TERCEIROS titulares de DÉBITOS foram: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, domiciliada em VALINHOS, SÃO PAULO; RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/001820, estabelecimento localizado em BLUMENAU, SANTA CATARINA, e, RIGESA DO NORDESTE S/A, CNPJ Nº 00.310.707/000102, domiciliada em PACAJUS, Ceará; iii) referidos PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO foram protocolizados em unidades administrativas vinculadas à Delegacia da Receita Federal em São Paulo, unidade de jurisdição da pessoa jurídica detentora do CRÉDITO, ou seja, em conformidade com as disposições da IN SRF nº 21, de 1997; iv) a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), apreciando o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO protocolizado e os PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO a ele vinculados, não reconheceu o direito creditório pleiteado (despacho decisório, fls. 299/306 do citado processo nº 13811.002062/9985); v) a Derat/SPO cientificou a detentora do crédito em 1º de outubro de 2007, SID MICROELETRÔNICA S/A, do Despacho Decisório acima mencionado (fls. 309); vi) em 06 de novembro de 2007, RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, assinalando ser domiciliada na cidade de CAMPINAS, SÃO PAULO, e colocandose na posição de INTERESSADA, apresentou petição à Derat/SPO objetivando ser cientificada de todos os atos processuais e decisões relacionados aos pedidos de compensação (fls. 314/315); Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 147 9 vii) em 28 de novembro de 2007, RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, protocolizou na Delegacia da Receita Federal em Campinas MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 357/379); viii) constatase, às fls. 421 dos autos, que a Delegacia da Receita Federal em Campinas, por meio de intimação datada de 25 de outubro de 2007, cientificou a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS do Despacho Decisório emitido pela Derat/SPO, momento em que a intimou a recolher os débitos cujas compensações não haviam sido homologadas; ix) às fls. 436/442, consta o acórdão nº 1619.205, de 28 de outubro de 2008, prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, do qual releva extrair, do Relatório ali contido, os seguintes fragmentos: Trata o presente feito de Pedido de Restituição (fl. 01) protocolizado em 10/08/1999, de valores pagos a titulo de CSLL por empresa por ela incorporada STC Telecomunicações Ltda. — CNPJ 57.043.036/000170, referentes aos anos calendário 1990, 1994, 1995 e 1996, no valor de R$ 3.818.319,02, em razão de ação judicial transitada em julgado no processo judicial n° 90.00.035325. ... Por meio do Despacho Decisório de fls. 299/306 proferido pela DERAT/SPO/DIORT, datado de 31/08/2007, foi indeferido o pedido e, assim, não homologada as compensações solicitadas em razão de não ter o contribuinte comprovando se possuía titulo judicial referente à Ação Ordinária n° 90.00.035325 e se o referido titulo se encontraria em fase de execução ou se já teria sido executado. O contribuinte foi cientificado por via postal, conforme AR de fls. 309v em 01/10/2007 e não apresentou manifestação de inconformidade contra a repetição do indébito e conseqüente indeferimento do pedido da autorização de compensação. Em fls. 357/379, consta petição endereçada ao Delegado desta DRJ/SPOI, datada de 28/11/2007, pela empresa Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., insurgindose contra a cobrança dos seus débitos em aberto, formalizada pela Intimação 10.830/SEORT/DRJ/CPS/1611/2007 (cópia em fls. 421), datada de 25/10/2007, no seguinte teor: ... As alegações apresentadas pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., na petição de fls. 357/379 podem ser assim sintetizadas: em face da Intimação 10.830/SEORT/DRPCPS/1611/2007, recebida pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., em 01/11/2007, restaria clara a pertinência da presente Manifestação de Inconformidade, vez que a própria intimação fiscal fora construída sob a égide do art. 17 da Lei n°10.833/03. considerando que a própria autoridade fiscal houve por intimar esta contribuinte aqui Manifestante, com base no art. 17 da Lei no 10.833/93, que alterou o art. 74 da Lei no 9.430/96, e levando em consideração que a referida norma outorga direito à Manifestação de Inconformidade em caso da não homologação do pedido de compensação (hoje declaração de compensação), emerge para esta contribuinte, na condição de sujeito passivo da obrigação fiscal, o Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 148 10 direito à ampla defesa e ao contraditório, aqui sob a pele da Manifestação de Inconformidade. o interessado teria direito à ampla e irrestrita defesa nos termos do inciso II, do art. 90 da Lei n° 9.784/1999, bem assim em face dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório e do devido processo legal. teria ocorrido a homologação tácita do pedido de restituição, por força do art. 74, §§4° e 5°, da Lei n° 9.430/96. o direito aos créditos solicitados no PA n° 13811.002062/9984 seria líquido e certo, pois uma vez que não haveria a necessidade da instauração de fase executiva em processo em que se declara a inexistência de relação jurídica, não se haveria que se falar em comprovação de desistência da referida ação. a multa que está sendo exigida da Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda. seria indevida, e a aplicação da taxa SELIC no cômputo dos juros morat6rios seria ilegal. seria necessário o lançamento de oficio para a cobrança dos débitos em aberto e não simplesmente exigilos mediante simples carta de cobrança. seria ilegal qualquer exigência de créditos tributários já extintos em face da decadência, visto que as compensações que foram indeferidas, ou seja, não homologadas, e que deram azo à malsinada cobrança de valores supostamente devidos, datam de agosto de 1999 a março de 2000. Após desenvolver suas teses de defesa a Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda. apresentou pedido formulado em fls. 379 e abaixo transcrito: a) conhecer da presente Manifestação de Inconformidade, e recebêla no efeito suspensivo, conforme autoriza o art. 74, §§ 9° e 11º da Lei n° 9.430/96, c/c art, 151, inciso III do CTN; b) julgar a mesma totalmente procedente, de modo que as compensações praticadas sejam todas homologadas em razão do §§ 4° e 5° do art. 74 da Lei n°9.430/96; c) que caso o pedido na alínea 'b' acima não seja atendido, que seja afastada a exigência de comprovação da não interposição de execução de sentença dos autos da ação declaratória de inexistência de relação jurídica autuada sob o n° 90.00.035325, e, por conseguinte, que as compensações praticadas sejam homologadas. Ou ainda, assim, não se entendendo, que todos os atos e procedimentos sejam anulados em face da falta de intimação da interessada, aqui Manifestante; d) que caso o pedido na alínea "c" acima não seja atendido, que ao menos, os valores exigidos sejam declarados extintos, seja pela falta de lançamento de oficio, seja pelos efeitos irradiados da decadência; e) que uma vez não atendida um dos pedidos elaborados entre as alíneas `b' a 'd' acima, que, ao menos seja afastada a exigência da multa e dos juros visto que totalmente ilegais; f) determinar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil proceda às devidas e necessárias anotações em seus registros e arquivos magnéticos, afim de que não figure como 'pendência' e/ou inadimplência desta Manifestante, o crédito Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 149 11 tributário ora questionado, de modo a permitir a rápida obtenção da CND — Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, bem como que seja adotado o endereço constante na primeira página desta peça para fins de intimação referente a este processo; g) determinar a realização de diligência fiscal, a fim de comprovar a veracidade e/ou existência dos documentos ora juntados e outros que se tornem necessários, tudo em homenagem ao principio da verdade real, bem como visando um melhor convencimento da Vossa Senhoria, caso entenda conveniente e necessário. x) no acórdão acima mencionado, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo decidiu não acolher a Manifestação de Inconformidade apresentada por RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: nos termos do § 3º do art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21/97, o pedido de compensação apresentada na Delegacia da Receita Federal de jurisdição do titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado, demandando, assim, atos de mero controle administrativo; diversamente, os pedidos de restituição e pedidos de compensação com débitos próprios são convertidos em Declarações de Compensação, submetendose ao rito processual previsto no Decreto 70.235/72; os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados em conformidade com a IN SRF n° 21/97, pendentes de compensação em 01/10/2002, não foram convertidos em Declaração de Compensação, haja vista o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96; embora o § 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002, autorize a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em Declaração de Compensação (DCOMP), "há que se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tãosomente aqueles que possibilitassem a compensação com débitos próprios"; extraise de tal entendimento que, independentemente do resultado da apreciação do direito creditório indicado, não há que se falar em homologação tácita de pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros; não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento a apreciação de contestação relativa ao não acolhimento da compensação em questão, sendo aplicável no caso o rito previsto na Lei 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito federal, que não prevê a suspensão da exigibilidade dos débitos em aberto; a pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA S/A foi cientificada em 01/10/2007 do despacho decisório que não reconheceu o seu direito creditório, mas não apresentou manifestação de inconformidade; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 150 12 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não detém competência para apreciar a petição apresentada pela pessoa jurídica RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA; no caso de pedido de compensação de débito de terceiros, as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a contestação da não homologação da compensação de crédito não pertencente ao próprio contribuinte; no que diz respeito à eventual irregularidade na cobrança, cabe ao contribuinte a interposição de "recurso hierárquico", "dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior", nos termos do artigo 56 da Lei n° 9.784/99; xi) às fls. 443/446, constam: intimação de ciência à pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA LTDA, datada de 09/02/2009; ciência por EDITAL, cuja desafixação foi promovida em 30/04/2009; e despacho de arquivamento do processo. É importante salientar que o acórdão nº 1619.205, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, registra que o presente processo encontravase apensado ao de nº 13811.002062/9985. Pelo que se pode supor, o presente processo foi formalizado a partir da protocolização, pela pessoa jurídica RIGESA DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 00.310.707/000102, em 05/01/2000, em órgão de protocolo do Ministério da Fazenda no estado do CEARÁ, do PEDIDO DE COMPENSAÇÃO de fls. 01. Protocolado o PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza encaminhou o processo à Delegacia da Receita Federal São Paulo, que limitouse a anexar o Despacho Decisório exarado no processo nº 13811.002062/9985, restituindo os autos à unidade de jurisdição da requerente (DRF Fortaleza). A requerente, então, cientificada do Despacho Decisório acima mencionado, apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, e a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, assinalando que "a manifestação de inconformidade acostada aos autos é tempestiva, tendo sido apresentada por parte legitima, atendendo aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações implementadas pela Lei n°8.748, de 09 de dezembro de 1993" conheceu a peça de defesa. Apreciando a Manifestação de Inconformidade, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza a indeferiu, servindose, em apertada síntese, dos seguintes fundamentos: tratandose de ato de cobrança relacionado a débito declarado e confessado em DCTF, descabia falar em lançamento de ofício e, por consequência, de caducidade do direito de praticar tal ato; a requerente não tinha legitimidade para manifestarse contra o indeferimento do DIREITO CREDITÓRIO; os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiro não foram convertidos em Declaração de Compensação, descabendo, assim, falar em homologação tácita; improcedentes as alegações acerca da incidência da multa de mora, vez que o débito foi confessado em DCTF; a cobrança de juros de mora com base na TAXA SELIC encontra amparo na legislação de regência e inexiste pronunciamento do STF acerca da sua inconstitucionalidade. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 151 13 Como já visto, em conformidade com as disposições da IN SRF nº 21/97, tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, no caso, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, e tal análise, também como já foi constatado, foi efetuada pela referida unidade administrativa nos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985. Diante de tal circunstância, revelase absolutamente equivocado, a meu ver, o tratamento dispensado pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza ao PEDIDO DE COMPENSAÇÃO de fls. 01. Não custa repisar que, em conformidade com § 3º do art. 15 da IN SRF nº 21/97, "a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado". Pelo que depreendo, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, inobservando os comandos da IN SRF nº 21/97, segregou a apreciação da Manifestação de Inconformidade em dois segmentos, quais sejam: DIREITO CREDITÓRIO e COMPENSAÇÃO. Para o primeiro, considerou que a requerente não detinha legitimidade para contestar o decidido por meio do processo administrativo nº 13811.002062/9985, e, para o segundo, analisou cada uma das alegações trazidas pela contribuinte. Penso que o tratamento dado ao pedido de compensação em referência pela Turma Julgadora a quo não encontra lastro na legislação que rege matéria. Com efeito, o denominado PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO é uno e a competência para a sua apreciação, como reiteradamente destacado, é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso vertente, portanto, a análise do pleito (PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO) foi efetivada nos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985, sendo o ali decidido (ausência de reconhecimento do direito creditório e consequente não homologação das compensações a ele associado) irreformável administrativamente, haja vista a ausência de apresentação Manifestação de Inconformidade por parte da titular do CRÉDITO. Ainda que assim não seja, penso que o "recurso" interposto nos presentes autos não pode ser provido, pelas razões a seguir esposadas. Inaplicável, ao meu ver, o disposto no inciso II do art. 9º da Lei n.° 9.784/99, por força do que dispõe o art. 69 do mesmo diploma, de modo que as questões processuais suscitadas no presente processo devem ser dirimidas à luz das disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. Não obstante, na medida em que as razões de defesa trazidas em sede de recurso estão sendo objeto de apreciação, revelase despiciendo avançar sobre tal questão. Absolutamente improcedente a argumentação de que, no presente caso, o Fisco deveria ter promovido o lançamento de ofício dos valores cujas compensações não foram homologadas, visto que, como assinalado no ato decisório de primeiro grau, tais valores foram Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 152 14 objeto de confissão de dívida por meio de DCTF, não sendo, assim, passíveis de constituição de ofício. Uma vez declarados, confessados e indeferida a extinção por compensação, revelase incabível falarse em caducidade do direito de constituir os correspondentes créditos tributários. No que diz respeito à conversão do PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO em DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, curvome, em convergência com o decidido em primeira instância, ao entendimento esposado no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/05, vez que, de fato, não se pode admitir que a interpretação do disposto nos parágrafos quarto e quinto do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhes foi dada pelas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, possa ser feita sem levar em conta o que dispõe o caput do artigo em referência. À evidência, não se pode considerar que a norma contida em um parágrafo de um determinado artigo da lei possa ser considerada dissociada da preconizada pelo caput desse mesmo artigo. Nesse sentido, ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Assim, o estabelecido nos parágrafos quarto e quinto do artigo em debate, a meu ver, só pode ser compreendido na exata delimitação feita pelo seu caput, isto é: a) os pedidos de compensação pendentes de apreciação que foram considerados, desde o seu protocolo, declaração de compensação, são aqueles cujos créditos foram apurados pelo sujeito passivo e os débitos, da mesma forma, são próprios; e b) o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada, no que diz respeito ao pedidos pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data da vigência da Lei nº 10.637, de 2002, só alcança as compensações que envolvam créditos e débitos próprios. Improcedente, pois, o argumento de que, no caso, houve homologação tácita das compensações pleiteadas. Apesar de entender que o litígio instaurado no presente processo, considerada as disposições da IN SRF nº 21, de 1997, foi definitivamente apreciado no âmbito do processo que cuidou de analisar o crédito apontado para o encontro de contas (processo nº 13811.002062/9985), em virtude dos equívocos cometidos na tramitação do processo, debruçome sobre as razões trazidas pela contribuinte em sede de recurso voluntário. Contudo, faço isso tão somente em relação aos argumentos que dizem respeito especificamente à compensação pleiteada, vez que, em conformidade com a decisão de primeiro grau, não identifico legitimidade da ora Recorrente para, no presente processo, sustentar a procedência do direito creditório que não lhe pertence. Com isso, deixo de apreciar os argumentos declinados na peça de defesa acerca da ação ordinária nº 90.00.035325. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 1301002.003 S1C3T1 Fl. 153 15 Inaplicável, à evidência, a aplicação das disposições do art. 160 do Código Tributário Nacional (CTN), vez que o tributo que a Recorrente pretendeu extinguir por compensação, servindose de crédito de terceiro, tem o vencimento previsto em lei, e, além disso, foi declarado e confessado por ela. No que tange à alegação de que, em virtude de denúncia espontânea, o Fisco não poderia, de imediato, exigir qualquer tipo de multa, releva notar que, nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". No caso vertente, como já visto, o débito que a contribuinte pretende extinguir por meio de compensação, foi declarado e confessado por meio de DCTF. Descabe, também, falar em nulidade dos atos processuais em decorrência de ausência de intimação da ora Recorrente, pois, como reiteradamente afirmado, nos termos da legislação de regência, na circunstância em que o pedido de compensação envolve crédito de terceiro, a unidade administrativa competente para apreciar o pedido é a da jurisdição do detentor do crédito, sendo a entrega de uma via do pedido de compensação à unidade distinta medida de mero controle. Decorre de tal disposição que, no presente caso, eventuais contestações acerca do pedido deveriam ter sido direcionadas para o processo nº 13811.002062/9985. No que diz respeito à incidência da TAXA SELIC na cobrança de juros de mora, a questão resta pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme SÚMULA CARF nº 4 abaixo transcrita. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante das razões expostas, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 11050.721166/2011-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/05/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.673
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/05/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 72 11 66 /2 01 1- 55 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 215 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.311. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 216 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 217 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 218 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 219 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 220 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 221 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 222 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 223 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 224 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721166/201155 Acórdão n.º 9303003.673 CSRF‐T3 Fl. 225 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13794.720458/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde abril de 2006, deve ser reconhecida isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde abril de 2006, deve ser reconhecida isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 4. 72 04 58 /2 01 3- 64 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por VICANAND VALERIANO DA SILVA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora apurada inconsistência na declaração de renda Pessoa Física ano calendário 2008 do recorrente, pois este não fora considerado como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda. O lançamento considerou tributáveis a exigência de imposto suplementar, código 2904, no valor de R$1.476,61, multa de ofício e juros de mora. A DRJ entendeu que o recorrente apresentou laudo médico oficial atestando ser portador de doença que permite a concessão do benefício que busca ser reconhecido em seu favor, fazendo jus à isenção a partir da data de emissão do laudo, no entanto, somente a partir do ano de 2011, de modo que o ano calendário de 2008 não estava englobado no período. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que apesar da hepatopatia grave ter surgido em agosto de 2011, que o laudo médico da Dra. Samanta Teixeira Bastos, atesta que o contribuinte possuía insuficiência hepato crônica (CID K72.1) desde abril de 2006; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13794.720458/201364 Acórdão n.º 2402005.350 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de moléstia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Ademais, prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, que também dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação, tenho em vista que o contribuinte juntou aos autos Laudo Médico Pericial, fl.11, emitido em 16/10/2012, emitido pelo Hospital Municipal Raul Sertã que informa que este é portador de moléstia grave (Hepatopatia grave) desde 08/2011. Em seu recurso voluntário junta aos autos novo laudo médico oficial, emitido pela Dra. Samanta Teixeira Bastos, em 18/03/2015, através do qual é atestado que este possui a Hepatopatia grave desde 04/2006. Assim, mesmo diante dos fundamentos contidos no acórdão de primeira instância, tenho que a apresentação de novo laudo médico oficial, atendendo às disposições legais sobre a matéria, o qual, atesta ser o contribuinte portador da moléstia grave no ano calendário objeto do presente processo, tem o condão de justificar a improcedência do lançamento. Ressaltese que a DRJ apenas não acatou o pleito formulado, pois, até então, as provas constantes dos autos apontavam ser o contribuinte portador da moléstia desde 08/2011, situação que a meu ver, resta ultrapassada com a apresentação do novo laudo oficial, sobretudo as informações nele constantes, no sentido de que ano de 2011, o contribuinte já deu entrada no hospital em coma, com a perda de 95% de seu fígado, o que reforça a tese de que este já era portador da doença em momento anterior a tal data. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001277/94-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1994
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-la. Por essa razão, neste caso, o direito do Contribuinte exercer o pedido de restituição não decaiu em 5 anos a partir do trânsito em julgado da decisão judicial favorável.
Numero da decisão: 3401-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer os Embargos e , no mérito, por maioria, acolhê-los parcialmente, com efeitos infringentes, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1994 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Por essa razão, neste caso, o direito do Contribuinte exercer o pedido de restituição não decaiu em 5 anos a partir do trânsito em julgado da decisão judicial favorável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer os Embargos e , no mérito, por maioria, acolhêlos parcialmente, com efeitos infringentes, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 12 77 /9 4- 27 Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte ao amparo do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3401002.598, que possui a seguinte ementa: PROCESSO 13804.001277/9427 Voluntário Acórdão n.º 3401002.598 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria: Pis Recorrente: Tectoy Indústria e Comércio Ltda Recorrida: Fazenda Nacional Assunto: Contribuição para o PIS PASEP. Ano Calendário: 1994. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO A CONTAR DA DATA DO TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO À HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO O direito do Contribuinte exercer o pedido de restituição decai em 5 anos a partir do trânsito em julgado da decisão judicial favorável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Julio César Alves Ramos e Robson Jose Bayerl votaram pelas conclusões. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. A embargante alega que seu recurso deve ser aceito por que a decisão recorrida: 1. foi omissa na apreciação de que os 3 (três) fatos suscitados no recurso voluntário, correspondentes ao (i) auto de infração de 1997, (ü) ao despacho decisório de 02/2004 (IN 210/2002) e (iii) a negativa de CND em 12/2004, impediram a continuidade da compensação, e que eles são essenciais ao deslinde do processo, "a fim de que a questão da inexistência da prescrição seja analisada sob o ponto de vista da interrupção do direito de compensar todo o seu crédito, que foi o requerimento feito pela Embargante em 1994, dentro do prazo legal." 2. foi contraditório "ao tratar da questão do formalismo, pois aceita a compensação realizada pela Embargante com base nesse primado, mas, ao mesmo tempo, deixa de lado tal princípio ao ignorar o pedido de 1994, para utilizar o de 2001 (meramente saneador), e negar o direito ao saldo a compensar." 3. foi obscuro "em relação ao fato da segmentação dos pedidos do processo, especialmente no que tange à "restituição" do saldo de PIS, dado que o requerimento inicial foi para compensar, no qual se encontra implícito todo o direito de crédito de PIS ("restituição")." 4. foi obscuro, ainda e outrossim, "que, se o pedido de 2001 for mesmo considerado como um novo requerimento de restituição, como constou no v. acórdão ora embargado, deva ser esclarecido ponto obscuro crucial sobre a prescrição, consistente no termo inicial de contagem, já que se trata do saldo de crédito de PIS." 5. foi omisso, pois afirma: "como atestado do recurso voluntário, a Embargante sustentou a ofensa à moralidade administrativa, mas, apesar Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13804.001277/9427 Acórdão n.º 3401003.023 S3C4T1 Fl. 3 3 disso, o v. acórdão de fls. não analisou a matéria, sobretudo pelo prisma dos impedimentos à compensação impostos pela Receita Federal, descritos acima: (i) auto de infração de 1997; (ii) despacho decisório (IN 210/2002); e (iii) negativa de CND." 6. foi omisso também com relação ao questionamento do locupletamento ilícito do Estado, "haja vista que não tratou da [dessa] argüição ...., especialmente porque, repitase, ela possui decisão judicial passada em julgado, não ficou inerte, padeceu ataques da Receita Federal que impediram a fruição do encontro de contas e ignorar o pedido de 1994, como termo de interrupção da prescrição, em relação ao saldo a compensar de PIS, decorre de um formalismo exagerado." Em face destes elementos, a Embargante requer que seja conhecido e providos os Embargos, para o fim de que sejam sanadas a contradição e a omissão material apontadas neste recurso. É, em apertada síntese, o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira O recurso é tempestivo e legítimo. Este processo foi iniciado com uma "comunicação espontânea referente à compensação dos valores do PIS, na qual as empresas TECTOY BRINQUEDOS S.A. e TECTOY INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA informavam: a) haverem obtido decisão judicial que garantia o direito de não recolher contribuição conforme os Decretosleis 2.445 e 2.449, de 1988; b) o objeto da comunicação seria informar como se daria o recolhimento a partir de então; c) a decisão judicial havia consolidado um crédito, representado pelas suas contribuições e importâncias recolhidas a maior a partir de 1988, que passaria a ser utilizado para compensar suas contribuições ." As empresas TECTOY BRINQUEDOS S.A. e TECTOY INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. foram sucedidas por TECTOY SA. A 1ª instância de julgamento decidiu pelo indeferimento total com base no instituto da prescrição: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1994 PRESCRIÇÃO. As dividas passivas da União prescrevem em cinco anos contados do ato ou fato do qual se originarem. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 O Acórdão recorrido conduziu sua análise dividindo a lide em duas esferas, como se independentes entre si: Ultrapassada a preliminar, no mérito, caberá a separação da análise do presente recurso voluntário em duas partes. Primeiramente, serão verificados os "pedidos de compensação" apresentados, através dos quais a Recorrente pretende ver homologadas as compensações efetuadas na contabilidade, posteriormente sobre o pedido de restituição. Com relação à primeira parte, ele reconheceu o direito à compensação nos termos da legislação vigente à época das iniciativas da contribuinte: É certo, ainda, que a compensação deve ser apreciada segundo as normas vigentes à data do ingresso do pedido de compensação. Em 1994, ano em que a Recorrente apresentou a informação das compensações, a regra vigente dispensava a apresentação de pedido de compensação para tributos da mesma espécie, também conforme pacifica jurisprudência administrativa, a compensação se dava no âmbito do lançamento por homologação. A Instrução Normativa n° 21/97, com as alterações trazidas pela Instruções Normativas n°s 73/97 e 34/98, trouxe disposições específicas apenas para Compensação entre Tributos e Contribuições de Diferentes Espécies, uma vez que as compensações entre tributos da mesma espécie eram processadas independentemente de requerimento, bastando a informação em DCTF esté é o teor da jurisprudência descrita acima. Com isso, entendo assistir razão à Recorrente quando aduz pela possibilidade de compensação de seu indébitos de crédito de PIS com crédito tributários vincendos do próprio PIS, através de DCTF. E com relação à segunda parte, a decisão recorrida adotou a tese dos julgadores de 1ª instância: Relativamente ao pedido de restituição do crédito não compensado, cujo direito já poderia ser exercido desde o transito em julgado da decisão judicial, ocorrido em 22.06.1994, temse que, conforme determina o art. 10 do Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932, "As dividas passivas da Unido, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem". (grifo nosso) Por sua vez, o prazo para pleitear a restituição de créditos oriundos de decisão judicial está previsto também no art. 168, inciso II, do CTN (...) Portanto, em relação a esta parte concordo com a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntario, não havendo como dar provimento ao pedido de restituição por ter ocorrido fora do prazo previsto no artigo 168 do CTN. Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13804.001277/9427 Acórdão n.º 3401003.023 S3C4T1 Fl. 4 5 Apreciemos, agora, as alegações da embargante: 1º) Ela afirma que o acórdão foi omisso na apreciação de que os 3 (três) fatos suscitados no recurso voluntário, correspondentes ao (i) auto de infração de 1997, (ü) ao despacho decisório de 02/2004 (IN 210/2002) e (iii) a negativa de CND em 12/2004, impediram a continuidade da compensação, e que eles são essenciais ao deslinde do processo, "a fim de que a questão da inexistência da prescrição seja analisada sob o ponto de vista da interrupção do direito de compensar todo o seu crédito, que foi o requerimento feito pela Embargante em 1994, dentro do prazo legal." Ao lermos o voto condutor, nele não encontramos explícita referência aos 3 fatos suscitados pela contribuinte para justificar sua tese de que teria ocorrido interrupção do prazo prescricional. Nesse aspecto, penso que houve a omissão alegada pela embargante. Ocorre que esses fatos indicados não interrompem a prescrição, como pretende a contribuinte em sua alegação. O Decreto n.º 20.910, de 06/01/1932, não as prevê como hipóteses de interrupção. Portanto, falta base legal a essa pretensão e proponho que a ela não seja dado provimento. 2º) Ela afirma que o acórdão foi contraditório "ao tratar da questão do formalismo, pois aceita a compensação realizada pela Embargante com base nesse primado, mas, ao mesmo tempo, deixa de lado tal princípio ao ignorar o pedido de 1994, para utilizar o de 2001 (meramente saneador), e negar o direito ao saldo a compensar." O Acórdão recorrido entendeu que a compensação feita no prazo prescricional não dependia da comunicação à Receita, nem de outra formalidade. E mais adiante ela expõe que as IN SRF 21/97 trouxe disposições específicas para compensações entre tributos de espécies diferentes, mas que essas normas não se aplicaria aos de mesma espécie, que poderia continuar sendo aproveitados, bastando o registro por DCTF. Podemos verificar no processo que a contribuinte ingressou, em 04 de agosto de 1994, com comunicação (fls. 01 a 05) à Receita Federal de que ela iniciaria o aproveitamento do crédito obtido a partir da decisão judicial transitada em julgado para compensar com tributos devidos. A Receita Federal recebeu essa comunicação e reconheceu que a contribuinte estaria exercendo seu direito (fls. 33) ao efetuar as compensações tributárias. Pareceme que razão assiste à embargante quando sugere que o acórdão foi contraditório ao não tratar com o mesmo critério as compensações feitas e o saldo eventualmente existente após essas compensações para ser aproveitado em novas compensações. Tendo a declaração de vontade da contribuinte apresentada em 1994 a qualidade de estabelecer e justificar as compensações por ela realizadas durante os cinco anos do prazo prescricional, deveria ela, ao meu ver, considerar que aquela comunicação seria base das compensações que aproveitariam o eventual saldo credor. Por isso proponho a este Colegiado que essa contradição seja superada pelo entendimento que a comunicação feita pela contribuinte em 1994 seja considerada declaração de vontade de efetuar compensações tributárias, abrangendo tanto as já realizadas quanto as ainda pendentes, firmando critério único para a matéria. Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 3º) A contribuinte afirma que o acórdão foi obscuro "em relação ao fato da segmentação dos pedidos do processo, especialmente no que tange à "restituição" do saldo de PIS, dado que o requerimento inicial foi para compensar, no qual se encontra implícito todo o direito de crédito de PIS ("restituição")." Não me parece que a razão socorra a embargante. A contribuinte, em sua comunicação de 1994 foi inequívoca ao declarar que iria aproveitar o direito creditório obtido pela decisão judicial para compensar tributos devidos. Não encontrei nessa comunicação indicação de que ela pretenderia requerer à Receita Federal a restituição dos tributos pagos. Não tem base legal a crença de que, nesse caso, um pedido de restituição de indébito estaria implícito na providência de efetuar compensações tributárias. O Acórdão recorrido, a meu ver, não foi obscuro nessa matéria. Portanto, o 'pedido de restituição' do saldo apresentado em 2001 não foi uma extensão da 'comunicação de compensação' apresentada em 1994, e aquele pedido foi ingressado após o decurso do prazo fatal de cinco anos. Por isso proponho a manutenção do indeferimento do pedido de restituição pelas razões postas no acórdão recorrido. 4º) Ela afirma que o acórdão foi obscuro, ainda e outrossim, "que, se o pedido de 2001 for mesmo considerado como um novo requerimento de restituição, como constou no v. acórdão ora embargado, deva ser esclarecido ponto obscuro crucial sobre a prescrição, consistente no termo inicial de contagem, já que se trata do saldo de crédito de PIS." Como explicado no item anterior, o termo inicial do prazo de prescrição para o pedido de restituição foi a data do trânsito em julgado da decisão judicial a partir da qual se fundamentaria o reconhecimento do direito creditório. Assim, o pedido de restituição foi feito após o prazo prescricional. Entretanto, razão assiste à embargante quanto ao termo inicial quando apreciamos as operações de compensação tributária. Essas operações foram iniciadas em 1994, com comunicação formal à Receita Federal, que, por sua vez, tornoua objeto de um processo administrativo e deu encaminhamento para que fossem verificados a correção das operações e dos valores. A meu ver, esses fatos correspondem às hipóteses de suspensão do prazo de prescrição, como consta do art. 4º do Decreto n. 20.910, de 1932. Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Nesse aspecto, penso que merece complementação o acórdão recorrido, para esclarecermos, neste julgamento, que houve suspensão do prazo prescricional para efeitos de obter a compensação do saldo eventualmente ainda existente, pois a comunicação prestada pela contribuinte em 1994 é objeto deste processo hoje sob apreciação. Ou seja, nos limites do objeto original as compensações tributárias ainda não se deu o termo final da prescrição, pois suspenso em função do processo administrativo ainda não concluído no estudo e na avaliação do direito pretendido. Itens 5º e 6º A contribuinte afirma que o acórdão foi omisso em mais dois aspectos: (a) "como atestado do recurso voluntário, a Embargante sustentou a ofensa à moralidade administrativa, mas, apesar disso, o v. Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13804.001277/9427 Acórdão n.º 3401003.023 S3C4T1 Fl. 5 7 acórdão de fls. não analisou a matéria, sobretudo pelo prisma dos impedimentos à compensação impostos pela Receita Federal, descritos acima: (i) auto de infração de 1997; (ii) despacho decisório (IN 210/2002); e (iii) negativa de CND."; (b) foi omisso também com relação ao questionamento do locupletamento ilícito do Estado, "haja vista que não tratou da [dessa] argüição ...., especialmente porque, repitase, ela possui decisão judicial passada em julgado, não ficou inerte, padeceu ataques da Receita Federal que impediram a fruição do encontro de contas e ignorar o pedido de 1994, como termo de interrupção da prescrição, em relação ao saldo a compensar de PIS, decorre de um formalismo exagerado." De fato, o acórdão recorrido deixou de apreciar essas alegações. Necessário que procuremos superar essa omissão. Respeitosamente, entendo que não houve ofensa à moralidade administrativa ou locupletamento ilícito do Estado, como argüi a contribuinte. Não me parece sustentável a proposição de que a Receita Federal teria impedido a contribuinte de compensar tributos. Os fatos listados pela contribuinte não concorrem para a sua tese de impedimento. A legislação que disciplina o instituto da compensação tributária tem base em Lei e a Receita Federal tem o dever de obedecer o que ela dispõe. As alterações das normas que regulamentam os modos de compensação eram de conhecimento da contribuinte, podendo ela, ao seguílas, exerce seu direito de peticionar e obter as compensações e as restituições. Não cabe acusar de ataque à moralidade administrativa ou locupletamento ilícito quando a contribuinte não observa o que dispõe a Lei para exercer seus direitos. Portanto, proponho a este colegiado que essas alegações não sejam acolhidas e não seja dado provimento ao recurso nestes aspectos. Concluindo, proponho seja dado provimento parcial aos embargos, nos termos aqui expostos, para sanear e superar contradições, omissões e obscuridades, e reconhecer o direito da contribuinte à compensação tributária do eventual saldo credor, conforme valores apurados pela autoridade de jurisdição, obedecidas as disposições legais e normativas que disciplinam a matéria. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10073.721173/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.677
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Márcio Leal, OAB/RJ nº 84801. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA PRESIDENTE.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
EDITADO EM: 06/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento E Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Márcio Leal, OAB/RJ nº 84801. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA– PRESIDENTE. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. EDITADO EM: 06/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento E Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 21 17 3/ 20 12 -1 5 Fl. 15852DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 15.853 ___________ Relatório Por relatar de forma completa os fatos nos autos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância de fls. 15.618 proferida pela DRJ/SP em 30 de Julho de 2013: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/08/2012 em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS acrescidos de juros de mora e multa isolada de Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de R$ 96.758.819,26, em virtude dos fatos a seguir descritos. A FSTP Brasil Ltda., empresa constituída no País, foi subcontratada pela FSTP Private Ltd., com sede em Cingapura, para a construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo, as denominadas P51, P52 e P56. O contrato principal foi firmado entre a Petrobrás Nederland PNBV, subsidiária da Petrobrás S/A, constituída na Holanda e a FSTP Private Ltd. Construídas as plataformas, foram elas exportadas para a PNBV, numa operação de exportação sem saída do território nacional, ao amparo do REPETRO, com posterior afretamento à Petrobrás S/A. Devido a inobservância de obrigações tributárias relativas ao Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, a empresa autuada incorre nos tributos incidentes nas operações de comércio exterior e nas multas isoladas de Imposto de Importação e Imposto de Exportação. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 31/08/2012 (fls.14.883), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/10/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 14.915 à 14.950, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: A SURPRESA DO LANÇAMENTO: TODA A CONDUTA DA FSTP AO LONGO DOS PROJETOS ESTÁ AMPARADA NA LEGISLAÇÃO E NAS ORIENTAÇÕES E PRÁTICAS DA PRÓPRIA FAZENDA NACIONAL. A FSTP assumiu a obrigação da construção das plataformas P51, P52 e P56 em seu estabelecimento, tendo, para tanto, se habilitado, em cada um destes projetos, ao regime de entreposto aduaneiro previsto na IN 513 (especificamente para a construção da P56 o regime de entreposto da IN 241 também foi utilizado). Ciente da complexidade do processo de construção de plataformas e da importância do cumprimento de todas as Fl. 15853DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.854 3 obrigações tributárias relativas ao regime de entreposto aduaneiro, a FSTP sempre teve a preocupação de conduzir suas atividades, consultando, sempre que possível, previamente a Fazenda Nacional e seguindo suas orientações. Desde o início dos projetos de construção das Plataformas, poucas não foram as operações de importação e de aquisição de materiais no mercado interno realizadas pela FSTP, sob as bênçãos das autoridades fazendárias. Evidentemente, nenhuma mercadoria foi desembaraçada sem a devida inspeção e autorização da Fazenda Nacional. Muitas mercadorias, inclusive, foram objeto de conferência física pela fiscalização (Canal Vermelho). No que diz respeito, especificamente, à possibilidade de fruição do regime de entreposto aduaneiro na fase de préoperação das Plataformas há, inclusive, um fato relevante. De boafé, a FSTP sempre comunicou por escrito ao Superintendente da Receita Federal da 7^ Região que, após a exportação da primeira parte das Unidades, estava a dar início à fase de préoperação, para fins de fruição do regime da IN 513. As comunicações relativas a P51 e a P52, foram, enviadas, respectivamente, nos dias 24 de novembro de 2008 e 10 de outubro de 2008. Já a comunicação de "funcionamento de operações referentes à PréOperação da Plataforma P56 sob regência da IN 513, conforme seu artigo IV", foi protocolizada em 28 de abril de 2011, tendo dado ensejo à formação do Processo Administrativo n9 10768.001315/201117. No caso da plataforma P56, mais especificamente, diante do silêncio das autoridades fazendárias, a FSTP ainda protocolizou nos dias 12 de julho e 27 de julho de 2011, requerimentos de audiências para a completa solução do assunto. Com a lavratura do Auto de Infração e, com a alegação do douto AuditorFiscal quanto à existência de pronunciamento da Divisão de Administração Aduaneira da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal no sentido de impossibilidade de fruição do regime após a exportação da plataforma, é que a FSTP tomou conhecimento do andamento do Processo Administrativo n9 10.768.001315/201117 relativo à P56. Qual não foi a surpresa, entretanto, da FSTP, ao constatar que naquele mesmo processo, a própria Fazenda Nacional havia se pronunciado no dia 04 de julho de 2011 no sentido de “(...) informar nosso entendimento sobre a operacionalidade do regime após a exportação da plataforma, na fase de préoperação". PRELIMINARMENTE: A EXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA Conforme pacífica doutrina e jurisprudência, a constituição de créditos tributários relativos aos tributos cujo fato gerador seja Fl. 15854DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.855 4 a importação é formalizada sob o regime de lançamento por homologação. Junta textos da Jurisprudência do TRF 3ª Região. É preciso, portanto, reconhecerse a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir qualquer crédito tributário relativo a fato gerador que tenha ocorrido anteriormente ao prazo de 5 (cinco) anos que antecede a data da lavratura do auto de infração (31.08.2012). A INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS IMPORTAÇÕES: OS ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS CONCEDIDOS PELA FAZENDA NACIONAL PARA FRUIÇÃO DO REGIME DE ENTREPOSTO ADUANEIRO ABRANGEM A FASE PRÉOPERACIONAL. O cerne do Auto de Infração está lastreado no entendimento do ilustre Auditor Fiscal de que, por força da regra contida no artigo 17, inciso I, da IN 513, o regime de entreposto aduaneiro disciplinado por este ato normativo deveria ser considerado extinto quando do primeiro ato de exportação da "plataforma", ou seja: antes da integral satisfação pelo estaleiro de todas as suas obrigações no contrato de construção. Esse entendimento decorreria de uma interpretação restritiva da IN 513, nos termos do artigo 111 do CTN. Porém, como facilmente se percebe, essa linha de raciocínio não pode ser encampada, eis que, (a) além de não se coadunar com os próprios termos da IN 513, (b) conduz, em última análise, a uma situação jurídica claramente incompatível com a realidade comercial inerente ao processo de construção e comercialização de plataformas e, consequentemente, com a própria finalidade do regime fiscal criado pela IN 513. Como efeito, uma das regras basilares da hermenêutica prescreve que, dentre todas as interpretações possíveis de um ato normativo, a única que não pode ser aceita é a que conduz a um resultado absurdo, incompatível com a sua própria finalidade. Junta textos da doutrina de Carlos Maximiliano a respeito do assunto. A referida lição, digase, não é estranha ao campo do direito tributário, nem mesmo nas searas onde a interpretação restritiva impõese, por força da regra positivada no artigo 111 do CTN. É esta regra basilar de hermenêutica que a interpretação dispensada pelo douto Auditor Fiscal está a afrontar, quando certamente por compreensível desconhecimento quanto ao processo de construção e venda de uma plataforma ele defende que, com a exportação da plataforma, o regime do entreposto aduaneiro estaria extinto. A prevalecer esse entendimento, terseia que reconhecer que: Fl. 15855DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.856 5 1. o legislador nacional teria criado um benefício fiscal para desonerar a carga fiscal incidente sobre a construção de plataformas e módulos a serem exportados, cujo término do referido benefício ocorrer ia antes do integral cumprimento do contrato de construção, sem a entrega pela parte contratante de todas as mercadorias necessárias para a adequada operação da plataforma; 2. o legislador nacional teria criado um beneficio fiscal, permitindo que as mercadorias necessárias para a realização da préoperação da plataforma pudessem usufruir da desoneração da carga fiscal, porém, ao mesmo tempo, teria exigido que essa "préoperação" (ou seja, a execução de ato fundamental para a aceitação do bem vendido) fosse feita no próprio estaleiro responsável pela sua construção e não em alto mar, quando a unidade já se encontra sob a posse da operadora, como sói ser a prática da indústria de petróleo e gás. Evidentemente, que esta não é nem foi a intenção do legislador nacional. O processo de industrialização de uma plataforma é composto por várias etapas e fases, que vão desde os serviços de engenharia básica, com o detalhamento do projeto, passando pela aquisição de materiais e equipamentos, construção do próprio bem sua entrega à empresa contratante e a realização dos testes de comissionamento e de préoperação, de modo que o adquirente possa, ao final, atestar a plena operacionalidade da unidade e, consequentemente, aceitála. De fato, um dos direitos daquele que encomenda a construção de uma plataforma (como a de qualquer outro bem) é a possibilidade de enjeitála caso esta não seja entregue de acordo com todas as especificações técnicas contratadas (Código Civil, artigos 313 e 615). A "préoperação" é, justamente, uma das fases de todo o processo de construção de uma plataforma. Ela abrange um conjunto de atividades realizadas durante a fase de comissionamento, com vistas a dar a partida e testar os subsistemas da plataforma, segundo as especificações do projeto, garantindo assim o seu real desempenho (a P56, por exemplo, possui 202 subsistemas). Ocorre que as condições para se dar a partida e realizar os testes dos vários subsistemas de uma plataforma de petróleo apenas são obtidas no próprio local onde esta deverá operar, leiase, em alto mar, diretamente nos campos de petróleo (no caso da P56, o Campo de Marlin Sul). Somente, ali, no local de operação, a plataforma poderá ser conectada com os dutos que advêm dos poços de petróleo, viabilizando a realização dos testes dos subsistemas com a carga real da produção. É, portanto, totalmente irreal e incompatível com a dinâmica da indústria de óleo e gás, imaginarse que a "préoperação" de uma plataforma possa ser realizada ainda no estaleiro, ou sem Fl. 15856DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.857 6 que esse bem já esteja na posse de sua operadora. Somente no local de operação da plataforma e com a conexão desta aos dutos advindos dos poços de produção é que os testes de comissionamento e de préoperação poderão ser realizados. Aliás, não é por outro motivo que, para o público em geral, assim como para o ilustre Auditor Fiscal, possa se propagar a ideia de que determinada plataforma já está em operação, quando na realidade esta ainda se encontra em fase de testes de aceitação. Como os testes pressupõem a conexão das plataformas com os dutos de produção, bem como a operação do bem com a carga real de produção, para aferirse a capacidade dos subsistemas construídos, é fácil imaginar neste cenário que a unidade já esteja em sua fase operacional. Por outro lado, uma plataforma de petróleo não é formada por um único bem. Conforme expressamente previsto na Resolução nº 36/2007 da Agência Nacional de Petróleo ANP, plataformas qualificamse como "sistemas", ou seja, como uma "reunião coordenada e lógica de um grupo de equipamentos, máquinas, materiais independentes e serviços associados que, juntos, constituem um conjunto intimamente e que funcionam como estrutura organizada destinada a realizar funções especificas. O processo de entrega da plataforma não se esgota em um ato isolado. O estaleiro contratado para sua construção, em regra, executará o fornecimento dos bens e equipamentos que lhe compõem de forma escalonada. Muitos equipamentos e materiais, especialmente no que diz respeito a benfeitorias voluptuárias, são, ordinariamente, entregues, por exemplo, após o recebimento da plataforma pela empresa compradora. Para o atendimento de todas as especificações técnicas relativas à construção desses tipos de sistemas, bens e mercadorias devem ser fornecidos pelo construtor e incorporados à unidade, mesmo após a transferência de sua primeira parte ao comprador. Toda essa realidade comercial não passou despercebida pelo legislador nacional, quando este editou a IN 513 para desonerar a carga fiscal incidente sobre a construção de plataformas por estaleiros nacionais. Ciente da complexidade do processo de construção de uma plataforma, o legislador estipulou, em mais de uma passagem da IN 513, a manutenção da vigência do regime especial de entreposto aduaneiro durante todo o prazo de execução do contrato de construção, inclusive, no que diz respeito à fase pré operacional. Para tanto, cita o artigo 4o da IN SRF nº 513/2005. O sentido dos vocábulos "testes" e "préoperação da plataforma" é inequívoco. Por definição, testes e atividades que somente podem ser realizados quando as plataformas de petróleo já estão devidamente instaladas nos seus locais de operação. Fl. 15857DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.858 7 Consequentemente, qualquer interpretação em contrário, retira o sentido normativo do referido artigo 4o em flagrante violação as regras de interpretação de conceitos privados, no âmbito do direito tributário, previstas nos artigos 109 e 110 do CTN. Conforme expressamente previsto na cláusula 2.1.2, transcrita abaixo, do Contrato de Construção (Doc. 04), a fase de pré operação integra uma das etapas do prazo de vigência do pacto celebrado pela FSTP com a empresa sediada no exterior. Seguindo esta realidade contratual, a descrição do processo de industrialização e o cronograma de execução das etapas do projeto, submetidos pela FSTP à Fazenda Nacional com os respectivos requerimentos para o deferimento do regime da IN 513, também consideraram a vigência do regime do entreposto aduaneiro na fase préoperacional, após a exportação da plataforma. Desse programa contratual dos projetos das Plataformas, a Unidade da Receita Federal do Brasil que examinou os pedidos de habilitação, não hesitou em emitir os Atos Declaratórios Executivos necessários. Considerando como prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro todo o prazo contratual, necessário para o integral cumprimento pela FSTP de suas obrigações relativas à construção das Plataformas, inclusive, os prazos relativos à realização de testes e a execução da pré operação das unidades. Uma indagação se põe: se o prazo de vigência do entreposto aduaneiro se extinguiria sempre com o primeiro ato de exportação das plataformas, por que motivos a própria Secretaria da Receita Federal, de posse do cronograma contratual, teria considerado no ADE um prazo superior as datas de saída das unidades? E mais: se o regime se extinguiria com a primeira exportação, por quais razões todas as Unidades da Receita Federal continuaram a permitir o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas, com a suspensão de tributos, ou mesmo a transferência de bens para o entreposto aduaneiro da FSTP, por alteração de beneficiários, após as notórias exportações das unidades? A resposta a todas essas indagações é absolutamente simples: todos os agentes da Fazenda Nacional que fiscalizaram de perto as operações da FSTP sempre dispensaram à IN 513 a única interpretação possível, reconhecendo que o prazo de vigência do regime do entreposto aduaneiro equivale ao prazo de vigência do contrato, nos termos do ADE. De plano, a pretensão do douto Auditor Fiscal chocasse com o princípio da legalidade, eis que, como visto, toda a conduta da FSTP está amparada em ato fazendário, que integra o conceito da legislação tributária (CTN, artigo 96). Além disso, um dos princípios normativos que informam as relações jurídicas tributárias veda, veementemente, a possibilidade de revogação e mesmo a alteração de entendimentos sobre a interpretação da legislação de regimes fiscais exonerativos concedidos por prazo Fl. 15858DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.859 8 determinado e sob determinadas condições (CTN, artigo 178). Mas não é só. Na forma como posto, o Auto de Infração também afronta os princípios da segurança jurídica, da moralidade administrativa e da própria boafé. Especificamente no campo do direito tributário, o princípio da segurança jurídica, como hoje amplamente reconhecido pela doutrina, além de impor um mínimo de previsibilidade em relação às obrigações fiscais dos contribuintes, condiciona diretamente as atividades do Estado, impedindo ou, pelo menos, restringindo a prática por seus agentes de atos que frustrem expectativas legitimamente constituídas daqueles. Junta textos da doutrina de Humberto Ávila a respeito do assunto. A tese suscitada no Auto de Infração afronta diretamente o regime jurídico que foi concedido à FSTP para a construção das Plataformas, à luz da disciplina da IN 513, sendo, portanto, imperiosa a imediata desconstituição daquele lançamento. A DIFERENÇA ENTRE PRAZO DE VIGÊNCIA DO REGIME E PRAZO DE ADMISSÃO DE CADA MERCADORIA NO ENTREPOSTO ADUANEIRO Questão completamente distinta diz respeito ao prazo pelo qual determinada mercadoria poderá ser admitida no regime de entreposto aduaneiro, nele permanecendo. O Regulamento Aduaneiro de 2002, por exemplo, estipulava que, em regra, as mercadorias apenas poderiam permanecer no regime de entreposto aduaneiro na importação pelo prazo de até um ano, prorrogável por período não superior, no total de dois anos, contado da data de desembaraço aduaneiro de admissão. O Regulamento Aduaneiro de 2009 já prevê, para determinadas hipóteses, a possibilidade de permanência das mercadorias admitidas no entreposto até o término do contrato do projeto que permitiu a sua instituição. Porém, além de um prazo geral de permanência das mercadorias no regime de entreposto aduaneiro, o legislador também teve o cuidado de erigir atos e fatos que tem por efeito jurídico promover a saída de bens que tenham sido neste admitidas independentemente do prazo de vigência do regime. São as hipóteses de "extinção do regime" em relação às mercadorias nele admitidas, que, no caso de entrepostos aduaneiros para a construção de plataformas, estão disciplinadas no artigo 17 da IN 513. Todas as hipóteses previstas nos incisos II a VI referemse a situações nas quais determinadas mercadorias, por esta ou aquela razão, passam a ser consideradas fora do regime do entreposto de aduaneiro. Porém, evidentemente, todas essas hipóteses, quando se materializam, não tem o condão de gerar a extinção do prazo de vigência do regime aduaneiro, previsto no ADE. Se, por exemplo, uma mercadoria admitida no entreposto aduaneiro é transferida para outro beneficiário, tal fato tem por Fl. 15859DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.860 9 único efeito jurídico, a sua saída do entreposto e, não, evidentemente, a extinção de todo o regime aduaneiro concedido em favor do contribuinte. No mesmo diapasão, temse as situações de despacho para consumo, destruição, reexportação. Em todos esses casos, a mercadoria é considerada fora do entreposto aduaneiro, porém, sem prejuízo da continuidade do regime especial em relação às demais mercadorias nele admitidas durante o prazo de vigência previsto no ADE. A disciplina legal dos entrepostos aduaneiros distingue, claramente, o prazo de vigência do regime daquele que limita a permanência das mercadorias no entreposto. Até mesmo os efeitos jurídicos da extinção desses prazos são regulamentados distintamente, nos artigos 21 e 23 da IN 513. Esse entendimento até o presente momento apresentado já foi devidamente encampado pela própria Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda Seção de Administração Aduaneira, ao apreciar a comunicação feita quanto à continuidade da aplicação do regime durante a fase de testes e préoperação da P56. Transcreve parte do parecer da Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda. O EQUÍVOCO DO AUTO DE INFRAÇÃO QUANTO AO TERMO FINAL DA EXPORTAÇÃO TODAS AS MERCADORIAS FORAM EXPORTADAS SOB A MESMA DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Do ponto de vista jurídico, todas as saídas promovidas pela FSTP após a entrega da parcial das Plataformas foram tratadas como sendo objeto do mesmo ato de exportação daquelas Unidades. "Plataformas" são definidas e reconhecidos pelas autoridades públicas como um "sistema" (Resolução ANP nº 36/2007). O integral cumprimento da obrigação de dar, assumida pelo construtor da plataforma, apenas se aperfeiçoará com a entrega do último componente da unidade ao comprador. Apesar do fracionamento das parcelas, a obrigação do construtor da plataforma remanesce sendo única: entregar ao comprador a plataforma com todas as especificações técnicas previstas no contrato. Na esfera do direito tributário, essa entrega (exportação) fracionada da plataforma pode ser qualificada como um "fato gerador complexo", no qual se vislumbra uma multiplicidade de fatos congregados, para sua ocorrência. Somente quando todos esses fatos estiverem integrados é que se poderá reconhecer a sua existência e a produção de seus efeitos jurídicos (CTN, artigo 116). Fl. 15860DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.861 10 De acordo com as regras do próprio SISCOMEX, todo o processo de exportação das plataformas, inclusive, no que diz respeito aos bens e mercadorias empregados na fase préoperacional, é formalizado sob uma única Declaração de Exportação ("DE"), nos precisos termos dos artigos 586 e 587 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009). Todo esse procedimento de complementação/retificação dos Registros e Declarações de Exportação não pode ser realizado de forma unilateral pela FSTP. Esses atos somente podem ser formalizados com a expressa anuência do Departamento de Comércio Exterior DECEX, órgão com competência para liberar as exportações no SISCOMEX, e da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido, destaquese, além do artigo 587 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009). Verificase que o processo de exportação das plataformas P51, P52 e P56 não se encerrou nas datas alegadas pelo douto Auditor Fiscal, que são, respectivamente, 06.11.2008, 05.09.2007, 28.06.2011, pois tais datas se referem apenas à saída da primeira parte das Plataformas. Na verdade, o processo de exportação das referidas Plataformas perdura até a data da última complementação/retificação de suas respectivas Declarações de Exportação. Tanto assim que as complementações/retificações das Plataformas P51 e P52 (as complementações da DE relativa à P56 sequer se encerraram) foram efetuadas e informadas à Receita Federal do Brasil, como preceitua artigo 587 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009), por meio de comunicações apresentadas nos dias 28.02.2012 (P51) (Doc. 10) e (P52) (Doc. 11), datas essas evidentemente posteriores às consideradas pelo ilustre Auditor. A constatação desta realidade jurídica também põe, assim, por terra toda a argumentação contida no Auto de Infração quanto à irregularidade das operações de importação e saídas de mercadorias, após as datas relativas às primeiras fases das exportações das Plataformas. Se, por acaso, desejarse sustentar que a vigência do prazo do regime do entreposto aduaneiro encerrasse no ato de exportação da plataforma, temse também, necessariamente, que reconhecer que, de acordo com os próprios procedimentos do DECEX e da Receita Federal do Brasil, este ato de exportação apenas se aperfeiçoa no momento em que a respectiva DE se torna definitiva, com todas as complementações/retificações. Antes dessas formalizações, o processo de exportação do sistema relativo a certa plataforma não pode ser considerado encerrado e, pela interpretação contida no Auto de Infração, extinto o regime de entreposto aduaneiro. TODAS AS MERCADORIAS ADMITIDAS NO REGIME FORAM APLICADAS NA CONSTRUÇÃO DA PLATAFORMA A segunda infração formalizada no Auto de Infração decorre do entendimento do ilustre Auditor Fiscal de que somente bens e Fl. 15861DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.862 11 mercadorias que possam ser qualificados como "insumos" para o processo de industrialização poderiam ser admitidos no regime de entreposto aduaneiro. Nos termos do relato fiscal, tal entendimento encontraria amparo no artigo 49 da IN 513 e nos artigos 18, inciso III, 34, parágrafo 3o, e 41 da IN 241. Com base neste tecido normativo, o douto Auditor Fiscal deu inicio a uma confusa fundamentação sobre o conceito de industrialização, para concluir que "é imprescindível que as mercadorias importadas, para se sujeitarem ao regime exonerativo de entreposto aduaneiro, devam se enquadrar perfeitamente ao conceito de insumos, independentemente da modalidade de industrialização a que se sujeitam". Esta interpretação, contudo, não se sustenta. Esse tipo de afirmação não encontra amparo em qualquer texto normativo. A palavra "insumo" sequer existe na IN 513. Pelo contrário, a IN 513 é expressa ao dispor que o regime de entreposto aduaneiro "poderá ser aplicado aos materiais, partes, peças e componentes a serem utilizados na construção ou conversão de plataformas" (IN 513, artigos 39, 27, inciso II, e 37). O que define se determinado bem é passível ou não de admissão no regime é tão somente o escopo do contrato de construção. Se determinado bem ou mercadoria, por força do pacto celebrado entre a empresa sediada no exterior e o estaleiro nacional for objeto da construção, devendo ser empregado no processo de industrialização e/ou entregue por este último ao primeiro, como parte da plataforma construída, para cumprimento da obrigação contratual, o referido bem ou mercadoria deverá ser considerado como passível de admissão no regime de entreposto aduaneiro, nos termos do artigo 3º da IN 513. Notese, na oportunidade, que até mesmo os bens relativos às benfeitorias ou pertenças que, por força da vontade das partes (contrato de construção), devem ser fornecidos pelo estaleiro nacional, são por definição legal considerados como acessórios do principal e, portanto, parte integrante deste. No caso em tela, todos os bens relacionados pela Fiscalização como insumos constituem, na realidade, objeto do escopo dos contratos de construção das plataformas P51, P52 e P5. Tais bens, em sua maioria, integram, o chamado "Módulo de Acomodação", ou seja, o local das plataformas onde ficam instalados os dormitórios e as áreas de lazer da tripulação embarcada. Qualificamse, assim, tais bens como "partes, peças e componentes" da construção, estando, consequentemente, todas as importações com estes realizadas beneficiadas pela suspensão dos tributos na forma da IN 513. AS PRORROGAÇÕES DO PRAZO DE ADMISSÃO DE MERCADORIA NO REGIME Fl. 15862DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.863 12 O Auto de Infração também imputa à FSTP omissão pela não formalização de pedidos de prorrogação de prazos para permanência no regime de entreposto aduaneiro das mercadorias relacionadas no "Anexo XXII Falta de Prorrogação P51". Dessa forma, por considerar qúe o regime fiscal da IN 513 deveria ser considerado extinto para esses bens, o douto Auditor Fiscal lançou os tributos suspensos quando de sua importação, bem como aplicou a pena de perdimento, por suposto abandono, com sua conversão em multa. Essa imputação de responsabilidade, no entanto, revelase manifestamente equivocada por uma simples razão: ao contrário do alegado no auto de infração, a FSTP apresentou, sim, pedidos de prorrogação para a extensão do prazo de sua admissão no entreposto aduaneiro para cada uma das mercadorias relacionadas no Anexo XXII " Falta de Prorrogação" P51", conforme se infere dos documentos em anexo. De qualquer maneira, a apresentação dos referidos pedidos de prorrogação sequer eram necessários, vez que, desde a edição do Decreto n9 6.759/09, o regime de entreposto aduaneiro para a construção de plataformas passou a permitir a admissão de mercadorias pelo prazo previsto no contrato. É o que se infere não apenas dos parágrafos 2o e 3o, do artigo 307, mas também, especificamente, dos artigos 405 e 408 deste diploma. À luz do novo tecido normativo, a alegação contida no auto de infração de que os pedidos de prorrogação ainda seriam necessários não se sustenta. Junta textos da doutrina de Paulo Cesar Alves Rocha a respeito do assunto. Igualmente, não há como acolher a alegação fazendária de que as mercadorias admitidas, antes da vigência do parágrafo 3o do artigo 307 Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009), não se sujeitam a tal regra, vez que "o regra da retroatividade mais benéfica aplicasse a dispositivo de lei, o que não se subsume ao presente caso, já que o parágrafo 3g, art. 307, RA 2009, não possui matriz legal". Isto porque, o caso em tela não é sequer de "retroatividade", mas sim de imediata incidência da nova norma tributária ao regime das mercadorias admitidas no entreposto aduaneiro, por força do artigo 105 do CTN. Se a mercadoria estava admitida no entreposto aduaneiro quando do advento do Regulamento Aduaneiro de 2009, seu prazo de permanência foi necessariamente estendido para o prazo de vigência do contrato. Por outro lado, se a permanência passou a ser permitida por um prazo mais longo, criandose, assim, um regime tributário mais benéfico para o contribuinte, fica afastada a possibilidade de aplicação de qualquer sanção legal, à luz do artigo 106 do CTN. Fl. 15863DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.864 13 AUSÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS A pretensão da Fiscalização Federal de também imputar à FSTP o inadimplemento de obrigações acessórias não merece acolhimento. De plano, é absolutamente improcedente a alegação de que a FSTP não teria informado, nas declarações de exportações das mercadorias relacionadas no "Anexo XXV Declaração de admissão não relacionada no RE", as respectivas declarações de admissão no entreposto aduaneiro. Como comprova a documentação em anexo, todas as declarações de admissão citadas pela Fiscalização foram devidamente informadas nos documentos de exportação, na forma da legislação aplicável (Doc. 14). Quanto à declaração de admissão nº 07/05127367, as mercadorias estão relacionadas nos sistemas da P51 e P52 em razão da alocação de parte dessas mercadorias em cada um desses projetos. Ou seja, inexiste qualquer inadimplemento da FSTP em relação às suas obrigações acessórias. Porém, ainda que as infrações apontadas fossem existentes, a Impugnante não poderia deixar de ressaltar sua flagrante insignificância e, consequentemente, a impossibilidade delas darem ensejo à aplicação de qualquer penalidade. Ora, todo o processo de administração de um entreposto aduaneiro para a construção de uma plataforma revelase extremamente complexo, envolvendo o cumprimento de centenas de milhares de obrigações acessórias (registros, emissões de documentos). Pois, diante desta realidade prática, a constatação de que uma singela e única declaração de admissão foi, por esta ou aquela razão, registrada em duplicidade, ou, mesmo de que, uma dezena de documentos não foram informados numa operação de exportação (dentre as milhares realizadas), certamente não podem ser qualificadas como uma irregularidade passível de sanção. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. AD ARGUMENTANDUM: A MODIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DA RECEITA FEDERAL, SE VÁLIDO. APENAS PODERIA SER APLICADO EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS O crédito tributário constituído pelo lançamento ora impugnado está claramente amparado em uma flagrante e radical modificação do entendimento da Fazenda Nacional em relação aos critérios jurídicos para a suspensão dos tributos incidentes sobre a importação dos bens e mercadorias aplicados à construção das plataformas P51, P52 e P56. Fl. 15864DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.865 14 Até a lavratura do Auto de Infração ora impugnada, a própria Fazenda Nacional sempre considerou suspensos os referidos tributos, por encampar a tese ora defendida pela FSTP de que o prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro apenas se extingue ao término do prazo contratual de construção das plataformas. Entendimento, este, digase, devidamente formalizado em todos os atos fiscais de desembaraço aduaneiro, formalizados quando da constituição e suspensão dos créditos tributários incidentes nas importações dos bens, nos termos do artigo 5º da IN 513. E, notese, não se está a falar aqui de um ou dois atos fiscais, mas, sim, de centenas de operações de importação, cujos respectivos desembaraços foram formalizados sem a cobrança dos tributos aduaneiros pela Fazenda Nacional. Destarte, na medida em que o Auto de Infração ora impugnado traz consigo um novo e, aos olhos da FSTP, equivocado critério jurídico para a constituição dos créditos tributários incidentes sobre as operações de importações realizadas após o primeiro ato de exportação da plataforma, tal entendimento, caso venha a ser doravante encampado pela Fazenda Nacional o que, respeitosamente não se espera apenas poderá ser aplicado aos fatos geradores ocorridos posteriormente à sua introdução, sob pena de violação do artigo 146 do Código Tributário Nacional. A IMPOSSIBILIDADE DE COBRANCA DE ENCARGOS MORATÓRIOS E PENALIDADES Independentemente de qualquer juízo relativo ao prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro disciplinado pela IN 513, a pretensão do douto Auditor Fiscal de cobrar da FSTP multas (seja qual for a sua natureza, perdimento, de ofício, não compensatória) e juros moratórios pelo suposto descumprimento das regras que disciplinam o referido regime especial também não se mostra válida. É que, como já explicitado anteriormente, a FSTP apenas encampou a conduta ora apontada como ilícita pelo ilustre Auditor Fiscal em razão de seu fiel cumprimento às orientações que lhe eram diariamente concedidas pelos próprios agentes da Fazenda Nacional. Todas as suas operações sob o regime instituído pela IN 513 foram realizada com base (i) nos procedimentos e práticas usualmente adotados pela Receita Federal do Brasil e em (ii) orientações formais ou não fornecidas diretamente pela referida instituição a Impugnante. Independentemente de qualquer juízo relativo ao prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro disciplinado pela IN 513, a pretensão do douto Auditor Fiscal de cobrar da FSTP multas (seja qual for a sua natureza, perdimento, de ofício, não compensatória) e juros moratórios pelo suposto descumprimento das regras que disciplinam o referido regime especial também não se mostra válida. É que, como já explicitado anteriormente, a FSTP apenas encampou a conduta ora apontada como ilícita pelo ilustre Auditor Fiscal em razão de seu fiel cumprimento às orientações Fl. 15865DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.866 15 que lhe eram diariamente concedidas pelos próprios agentes da Fazenda Nacional. Todas as suas operações sob o regime instituído pela IN 513 foram realizada com base (i) nos procedimentos e práticas usualmente adotados pela Receita Federal do Brasil e em (ii) orientações formais ou não fornecidas diretamente pela referida instituição a Impugnante. Com efeito, além de ter pautado, por exemplo, suas ações à luz dos termos e condições fixados pela própria Fazenda Nacional nos Atos Declaratórios Executivos, todas as operações de desembaraço aduaneiro executadas pela FSTP sempre foram devidamente fiscalizadas pelos agentes fazendários, inclusive, com a conferência física das mercadorias em determinadas operações (Canal Vermelho), sem que jamais qualquer agente público tenha lhe exigido o pagamento dos tributos aduaneiro. Diante deste cenário, ainda que se pudesse considerar válida a tese defendida no auto de infração impugnado, jamais se poderia cogitar da cobrança de quaisquer encargos moratórios ou penalidades em face da FSTP, por força da regra contida no parágrafo único, do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Ruy Barbosa Nogueira a respeito do assunto. A FLAGRANTE INPLICABÍLIDADE DA PENA/MULTA DE PERDIMENTO De plano, salta aos olhos que a hipótese de inadimplemento imputada pelo próprio Fiscal à FSTP não dá ensejo a incidência da regra contida no artigo 689, inciso XXI, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009). Nos termos do referido dispositivo, a pena de perdimento apenas poderia ser aplicada às mercadorias que tenham sido importadas e que fossem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses listadas no artigo 642 também do Regulamento Aduaneiro. Sucede que, de acordo com a fundamentação do próprio Auto de Infração, não se está no caso em tela a imputar à FSTP responsabilidade por ter extrapolado o prazo de permanência de determinada mercadoria no entreposto aduaneiro. Segundo o relato fiscal, com o primeiro ato de exportação da plataforma, o próprio regime do entreposto aduaneiro teria sido extinto. Nestes casos, inexiste situação de abandono, já que a própria legislação impõe que, quando da ocorrência de tal ato, o beneficiário seja chamado a recolher imediatamente os tributos incidentes sobre o estoque remanescente. Em outras palavras, a situação jurídica das mercadorias admitidas em determinado regime de entreposto aduaneiro é completamente diferente nos casos (a) de extrapolação de prazo de admissão e (b) de extinção do próprio regime. Quando o prazo de admissão de determinada mercadoria em um recinto alfandegado é encerrado, o legislador espera que o beneficiário lhe dê um dos destinos previstos no artigo 17 da IN 513 (leiase: Fl. 15866DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.867 16 promova a sua introdução no mercado nacional ou, por exemplo, a exporte). Caso o beneficiário não promova nenhum desses atos no prazo de 45 dias, o legislador pressupõe que este tenha optado por abandonar o referido bem, dando, assim, ensejo à aplicação da pena de perdimento. Esta presunção de abandono, todavia, não se vislumbra na hipótese de extinção do próprio regime de entreposto aduaneiro. Nestes casos, a única solução prevista na legislação é a apuração pelo beneficiário de todos os tributos incidentes sobre o estoque remanescente. Não há que se falar em abandono, já que a própria lei impõe ao beneficiário a transformação dos bens admitidos no regime em estoque, devidamente internalizado com o pagamento dos tributos. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ e dos Tribunais Regionais Federais TRFs a respeito do assunto. A INAPLICABILIDADE DA MULTA DE 75% E DA MULTA DE R$ 1.000.00 DIÁRIA A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n9 9.430/96, também não é aplicável ao caso concreto, seja pela demonstrada ausência de qualquer ilicitude por parte da FSTP, seja pela ausência das circunstâncias de fato que justificam a incidência desta sanção (lançamento de ofício). Por fim, a FSTP ressalta a flagrante inaplicabilidade da multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais) ao caso em apreço neste processo administrativo. No âmbito da IN 513, a referida multa está prevista dentro do rol de sanções administrativas aplicáveis ao beneficiário do regime (artigo 29), devendo esta ser aplicada, nos termos do artigo 107, inciso VII, alínea "e", do Decreto Lei nQ 37/1966, "por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados". Ou seja, como a própria norma indica, a referida multa possui caráter não compensatório, destinandose apenas a sancionar o inadimplemento de obrigações acessórias cometido pelo beneficiário durante a vigência do regime. A multa é aplicada com o único intuito de forçar o contribuinte a corrigir as irregularidades apontadas pela fiscalização, não sendo por outro motivo que sua aplicação é estendida até a data da efetiva regularização. Junta textos da doutrina de Ives Gandra da Silva Martins a respeito do assunto. Revelase, portanto, absolutamente ilógico pretenderse a aplicação de multa dessa natureza, quando, segundo o entendimento do próprio fiscal, o próprio regime de entreposto Fl. 15867DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.868 17 aduaneiro teria sido extinto com o primeiro ato de exportação das plataformas. Afinal, como pode ser exigida do contribuinte uma multa que visa corrigir o descumprimento de determinados requisitos, condições ou normas para utilização do regime, se o mesmo já se extinguiu? CONCLUSÃO Isto posto, a FSTP espera que a ação fiscal seja julgada totalmente improcedente, anulandose e/ou desconstituindose, em decorrência, o lançamento dos créditos tributários consubstanciados no Auto de Infração ora impugnado, por ser medida de Direito. Na oportunidade, protesta a Impugnante pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pericial e documental superveniente.” A DRJ/SP manteve o crédito tributário exigido conforme Ementa transcrita a seguir: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/10/2007 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. Construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo. Não é permitido eleger qualquer outro critério no tocante à exportação do produto acabado, a não ser como uma das hipóteses de extinção do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. A admissão da plataforma no REPETRO pressupõe a existência de uma plataforma já construída e exportada, resultando necessariamente na extinção, em momento anterior (exportação da plataforma), do próprio Entreposto Aduaneiro. No tocante a extinção do Regime de Entreposto Aduaneiro, está a se lidar com uma situação de cunho jurídico, sendo a exportação da plataforma o implemento da condição suspensiva, nos moldes do inciso II, do artigo 116 do Código Tributário Nacional. A exportação da plataforma extingue do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, não se podendo falar em “fase préoperacional” após o fim da vigência do regime. Dada a existência de estoques de mercadorias sem tenha sido dada às mercadorias quaisquer destinação, configurouse a situação de abandono. Diante da impossibilidade de apreensão das mercadorias, uma vez que foram consumidas no processo industrial, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. A fiscalização aponta que, em nenhum momento, foi autorizada a aplicação do regime na própria plataforma, fora da unidade Fl. 15868DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.869 18 industrial apropriada e/ou autorizada pela Receita Federal do Brasil.” A nobre Turma a quo converteu o julgamento em diligência conforme fls. 15830, em 20 de Março de 2015. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando que os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados na sessão da Turma a quo. Verificase nos autos em fls. que a diligencia não foi cumprida, afirma o Delegado em fls. 15842 que "...não foi localizado, na estrutura do Governo Federal, órgão ou instituição federal credenciada com a competência legal necessária para a elaboração do laudo técnico...". Contudo, se na estrutura foi possível lavrar o auto de infração, é possível também esclarecer pontos importantes de sua constituição sob pena de sua nulidade ou improcedência. Importante mencionar que a negativa de realização de perícia pode concretizar o cerceamento de defesa, pois apesar das diligências aceitarem prorrogações, estas são obrigatórias uma vez que determinadas de acordo com o Regimento Interno deste Conselho e de acordo com o PAF (decreto 70.235). Desta feita, deve o presente processo ser encaminha a DIANA da 7ª Região Fiscal para que preste os esclarecimentos solicitados abaixo, bem como identifique o órgão ou a instituição federal credenciada capaz de elaborar o laudo técnico solicitado, ou justifique a impossibilidade de cumprimento da requisição. Ante o exposto, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DIANA da 7ª Região Fiscal preste os esclarecimentos solicitados abaixo: 1) Verificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco (conforme fls. 15830 e seguintes)? Explicar e fundamentar a resposta; 2) Verificar se os materiais, partes, peças e componentes excluídos pela fiscalização por não se tratarem de insumos foram utilizados na construção ou compõem a Fl. 15869DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.677 S3C2T1 Fl. 15.870 19 plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Explicar e fundamentar a resposta; 3) Verificar se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Explicar e fundamentar a resposta; 4) Explicitar quais as atividades desempenhadas no momento da citada "fase préoperacional"; 5) Esclarecer se todos os bens importados que foram incluídos nas plataformas de petróleo já na fase préoperacional, após, portanto, a saída do produto do entreposto industrial, deveriam necessariamente serem incorporados apenas nesta fase, ou se a sua anexação as plataformas foi efetivada na fase préoperacional por motivo distinto; Deve ainda a DIANA da 7ª Região Fiscal: a) Identificar o órgão ou a instituição federal credenciada capaz de elaborar o laudo técnico solicitado, ou justificar a impossibilidade de cumprimento da requisição; b) Caso seja verificada a existência de um órgão ou a instituição federal credenciada, deve ser requerido o procedimento para elaboração de laudo técnico, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de esclarecer os questionamentos acima expostos. Além dos questionamentos acima, seja intimada a autoridade fiscal e a recorrente, com o objetivo de formular quesitos adicionais a serem respondidos ao Perito. Depois de elaborado o laudo, seja aberto de 30 dias para que a autoridade fiscal e, posteriormente, a Recorrente, apresentem suas considerações sobre as conclusões técnicas da diligência. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. É como voto. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima – Conselheiro Relator Fl. 15870DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 12749.000166/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/01/2006, 12/01/2006, 19/01/2006, 25/01/2006, 24/02/2006, 02/03/2006, 15/03/2006, 17/03/2006, 20/03/2006, 22/03/2006, 23/03/2006, 19/04/2006, 27/04/2006, 12/05/2006, 07/06/2006, 11/07/2006, 01/08/2006, 31/08/2006, 04/09/2006, 26/09/2006, 20/12/2006
AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/01/2006, 12/01/2006, 19/01/2006, 25/01/2006, 24/02/2006, 02/03/2006, 15/03/2006, 17/03/2006, 20/03/2006, 22/03/2006, 23/03/2006, 19/04/2006, 27/04/2006, 12/05/2006, 07/06/2006, 11/07/2006, 01/08/2006, 31/08/2006, 04/09/2006, 26/09/2006, 20/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 74 9. 00 01 66 /2 00 9- 16 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente de direito antidumping, acrescido de juros e multa proporcional, no valor total de R$ 6.781.705,60. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: A empresa em epígrafe importou e submeteu a despacho alhos frescos, sujeita pela Resolução Camex n° 41, de 21.12.2001, renovada pela Resolução Camex n° 52, publicada no DOU em 14.11.2007, quando originários da China, além da aplicação da alíquota normal da TEC para o Imposto de Importação, também ao pagamento do direito antidumping específico de U$ 0,52/kg (cinqüenta e dois centavos de dólar estadunidenses por quilograma). Em 20.01.2004 a 4a Vara Federal da Subseção Judiciária da Baixada Fluminense/RJ, nos autos do processo n° 2004.51.00.0000682 (Ação Ordinária/Tributária), concedeu a antecipação dos efeitos da tutela que assegurou à autora o direito de desembaraçar as mercadorias processadas pelas Declarações de Importação juntadas às fls. 16 a 137 sem o pagamento do direito antidumping previsto nas mencionadas Resoluções. Na oportunidade assim se pronunciou a referida autoridade judicial: "ISSO POSTO, com fundamento no art. 273 seus incisos e §§, do Código de Processo Civil, concedo a antecipação de tutela, para o fim especial de assegurar à parte autora o direito de desembaraçar as mercadorias importadas da República popular da China — alhos frescos/refrigerados — mencionadas na petição inicial, independentemente do pagamento dos direitos "antidumping", sem prejuízo da regular constituição do crédito tributário, ficando a sua cobrança suspensa até sentença final a ser prolatada neste processo." (Decisão de fls. 330/336). Por conseguinte foi providenciada a lavratura do Auto de Infração de fls. 01 a 28, objetivando prevenir os efeitos da decadência e salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional na eventualidade de decisão judicial definitiva desfavorável ao contribuinte, constituindo o crédito de R$ 6.781.705,60 (Termo de Encerramento de fl. 353), a título de direito antidumping e demais acréscimos legais (juros de mora e multa proporcional). Intimado da exigência em 08.06.2009, (fls. 03 e 353), o contribuinte por protocolou a impugnação em 03.07.2009 (fls. 359/385), inicialmente para dar conhecimento da sentença judicial, prolatada, em 28.06.2004, nos autos da Ação Ordinária por ela impetrada contra as determinações contidas na Resolução Camex n° 41/2001 que instituiu direitos antidumping nas importações de alho originários da República Popular da China, cujo Dispositivo da Sentença transcrevo, vejamos: "Do quanto ficou exposto, na forma da fundamentação supra, RATIFICO A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA Fl. 714DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12749.000166/200916 Acórdão n.º 3201002.103 S3C2T1 Fl. 714 3 DEFERIDA, e JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue a parte autora ao cumprimento da exigência contida na resolução CAMEX n° 41/2001 no que diz respeito ao direito antidumping exigido sobre as importações de alhos frescos refrigerados de origem da República Popular da China, uma vez que descumpridos os preceitos constitucionais de ampla defesa, contraditório e de legalidade." (fls. 341/349). Em preliminar, requer o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da ação ordinária n° 2004.51.00.0000682 e, caso a decisão judicial definitiva sejalhe desfavorável, a apreciação da impugnação. No mérito, expõe seus fundamentos no sentido de defender a inexigibilidade da cobrança do direito antidumping, cuja matéria, digase, foi integralmente levada à apreciação do Poder Judiciário. É o Relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07 18.931, de 12/02/2010 (fls. 339/342), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/01/2006, 12/01/2006, 19/01/2006, 25/01/2006, 24/02/2006, 02/03/2006, 15/03/2006, 17/03/2006, 20/03/2006, 22/03/2006, 23/03/2006, 19/04/2006, 27/04/2006, 12/05/2006, 07/06/2006, 11/07/2006, 01/08/2006, 31/08/2006, 04/09/2006, 26/09/2006, 20/12/2006 NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SOBRESTAMENTO. Ação judicial promovida pelo contribuinte, em que o pedido é idêntico, resulta em renúncia à instauração do litígio administrativo, impedindo, por conseguinte, sua apreciação e conhecimento. É vedada à Administração sobrestar o andamento do processo administrativo ou a análise da impugnação para depois do trânsito em julgado da ação em que se discute matéria idêntica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 683 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, defende a ilegalidade da cobrança dos direitos antidumping. Ao final, requer a manutenção do sobrestamento do presente processo administrativo até o trânsito em julgado da Ação Ordinária nº. 2004.51.10.0000682; a análise do recurso, caso transite em julgado decisão desfavorável ao contribuinte, e que “Sejam Fl. 715DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 homologados os desembaraços aduaneiros efetivados sem o recolhimento dos direitos antidumping incidentes sobre as importações de alhos frescos/refrigerados originários da República Popular da China, com a consequente baixa no débito e arquivamento do Processo Administrativo”. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Sustenta a Recorrente que a matéria sobre a qual versa o lançamento encontrase em debate na esfera judicial. Com efeito, o Relatório que integra a sentença prolatada na Ação Ordinária de n.º 2004.51100000682, ora em trâmite na Justiça Federal do Rio de Janeiro, indica que esta ação judicial destinase a afastar a exigência dos direitos antidumping exigidos com base na Resolução CAMEX n.º 41, de 2001 (fl. 170): 1. Tratase de Ação Ordinária proposta pela parte autora, acima nominada e qualificada na inicial, com Pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigue a parte autora ao não cumprimento da exigência contida na Resolução CAMEX n° 41/2001, no que diz respeito ao direito antidumping exigido sobre as importações de alhos frescos refrigerados de origem da República Popular da China, uma vez que descumpridos os preceitos constitucionais de ampla defesa, contraditório e de legalidade. (g.n.) A Resolução CAMEX n.º 41, de 2001, foi o fundamento jurídico utilizado pela fiscalização para embasar a exigência dos direitos antidumping. Logo se vê, portanto, que não se pode conhecer do recurso voluntário por concomitância de matéria na esfera judicial, tal como preconiza a Súmula CARF n.º 01 (“Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”). No que concerne ao pedido de sobrestamento do curso do processo para que posteriormente seja apreciada a defesa apresentada administrativamente, já enfatizou o relator da decisão recorrida ser dever da Administração, em face do princípio da oficialidade, impulsionar os processos administrativos sob sua responsabilidade até o seu desfecho, de modo que o pedido mostrase impossível de ser atendido, até mesmo porque o que vier a ser decidido na esfera judicial vinculará o deslinde do litígio na esfera administrativa. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. É como voto. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12749.000166/200916 Acórdão n.º 3201002.103 S3C2T1 Fl. 715 5 Charles Mayer de Castro Souza Fl. 717DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 18470.723025/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECONHECIDA NA FASE RECURSAL. DECISÃO DEFINITIVA.
São definitivas as decisões de primeira instância na parte objeto de reconhecimento pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECONHECIDA NA FASE RECURSAL. DECISÃO DEFINITIVA. São definitivas as decisões de primeira instância na parte objeto de reconhecimento pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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MATÉRIA RECONHECIDA NA FASE RECURSAL. DECISÃO DEFINITIVA. São definitivas as decisões de primeira instância na parte objeto de reconhecimento pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 30 25 /2 01 1- 75 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 04/11, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2010, anocalendário de 2009, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: 1. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Do valor total declarado no montante de R$ 52.651,47, somente R$ 1.944,03 foram comprovados, referentes a pagamento efetuado para SISBE SAÚDE CAIXA, restando uma diferença não comprovada de R$ 50.707,44, para os quais não foi apresentado nenhum documento comprobatório. Glosa de R$ 50.707,44, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução; 2. Dedução Indevida de Despesas com Instrução. Glosa do valor de R$ 13.544,70, indevidamente deduzido a título de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Valor total declarado e não comprovado R$ 13.544,70 – não foi apresentado nenhum documento comprobatório; 3. Dedução indevida de Dependentes. Glosa do valor de R$ 8.652,00, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, a seguir: Danielle Gomes Magalhães (não apresentou Certidão de Nascimento); Pedro Henrique Gomes Magalhães (não apresentou Certidão de Nascimento); Petterson Gomes Magalhães (não apresentou Certidão de Nascimento); Pedro Victor Gomes (não apresentou Certidão de Nascimento); e Luiz Othávio Gomes (não apresentou Certidão de Nascimento). A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/10/2012 (fls. 104), o interessado interpôs, em 30/12/2012, o recurso de fls. 72/73. Nas razões recursais aduz que os valores relativos à Pensão Alimentícia paga por decisão judicial da 5ª Vara de Família do Rio de Janeiro, fls. 21/29, a Sra. Heloysa Helena Cardoso Magalhães, não foram considerados como deduções na apuração do imposto de renda devido e, com isso, solicita a retificação da declaração por meio da peça recursal. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18470.723025/201175 Acórdão n.º 2402005.269 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. I MATÉRIAS CONFESSADAS Cumpre esclarecer que o próprio contribuinte concordou com as glosas imputadas pelo Fisco na Notificação de Lançamento de fls. 04/11, relacionadas às deduções indevidas de despesas médicas, de despesas com instrução e de despesas de dependentes com supostos filhos. Assim, o lançamento fiscal neste ponto é definitivo, a teor dos artigos 16, inciso III, e 17, ambos do Decreto 70.235/1972. Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De fato, constatase que os documentos acostados aos autos (fls. 74/102) pelo Recorrente não comprovam e não se relacionam com as glosas imputadas pelo Fisco. Portanto, considerando que não houve a impugnação do lançamento fiscal, devem ser mantidas as glosas decorrentes dessas deduções declaradas pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2010, anocalendário de 2009. II DESPESAS COM DEPENDENTE NÃO CONSTANTE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL A Recorrente afirma que os valores relativos à Pensão Alimentícia da Sra. Heloysa Helena Cardoso Magalhães não foram considerados como deduções na apuração do imposto devido, e solicita a retificação da Declaração de Ajuste Anual por meio da peça recursal. Tal alegação não será acatada, pois os valores constantes do lançamento fiscal não se relacionam com a Pensão Alimentícia da Sra. Heloysa Helena Cardoso Magalhães, sendo oriundos de deduções indevidas de despesas médicas, de despesas com instrução e de despesas de dependentes com supostos filhos: Danielle Gomes Magalhães; Pedro Henrique Gomes Magalhães; Petterson Gomes Magalhães; Pedro Victor Gomes; e Luiz Othávio Gomes. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 No espaço jurídico, cumpre informar que esta instância julgadora (CARF) não pode realizar retificações de ofício em declarações que não estão mais sob o amparo da espontaneidade, a teor do § 1º do art. 147 do CTN. Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Com isso, é forçoso concluir que não existe fundamento fático nem jurídico que autorize a retificação da declaração de ajuste anual do Recorrente pelo CARF, para deduzir os valores pagos a título de Pensão Alimentícia, conforme § 1º do art. 147 do CTN e art. 832 do RIR/1999. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR): Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. III CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10670.001088/2002-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização pelo desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas decorrentes da ação direta exercida sobre o produto em fabricação e desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de recurso repetitivos, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF, em conformidade com o seu Regimento Interno.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE.
No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo ilegítimo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade, descaracteriza o referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária (REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, submetido ao rito do artigo 543-C do CPC).
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de algodão de pessoas físicas ou cooperativas que foram objeto de pedido pela contribuinte, ainda que a outro título (aquisições de pessoas jurídicas contribuintes), considerando estritamente o método de segregação utilizado pela fiscalização para as aquisições de algodão de pessoas físicas e jurídicas e de importações; ii) retificação do valor adicionado relativo aos insumos aplicados em produtos em elaboração e produtos acabados e não vendidos que estavam em estoque em 31/12/2001, considerando a recomposição desse valor após a decisão definitiva no processo 10670.000327/2002-12, e, portanto, seja aumentado o valor do crédito presumido a ressarcir na medida do reajuste correspondente; e iii) atualização desses créditos a ressarcir pela variação da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). A Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro ressalvou que acompanhou a relatora quanto à questão do crédito presumido sobre as aquisições de água, em virtude da falta de provas de como esse insumo é aplicado no processo produtivo.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As matériasprimas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização pelo desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas decorrentes da ação direta exercida sobre o produto em fabricação e desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de recurso repetitivos, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF, em conformidade com o seu Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo ilegítimo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade, descaracteriza o referido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 10 88 /2 00 2- 18 Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária (REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, submetido ao rito do artigo 543C do CPC). Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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A Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro ressalvou que acompanhou a relatora quanto à questão do crédito presumido sobre as aquisições de água, em virtude da falta de provas de como esse insumo é aplicado no processo produtivo. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da DRJ/Juiz de Fora que manteve o despacho decisório que havia deferido apenas parcialmente o pleito de ressarcimento do crédito presumido de IPI apurado pela contribuinte no 1º trimestre/2002. A empresa postulou em ressarcimento um montante de RS 3.166.962,70, valendose da sistemática alternativa de cálculo estabelecida pela Lei n° 10.276/2001. A fiscalização da DRF em Montes Claros/MG examinou o pedido, glosando parcelas do crédito postulado e propondo o deferimento no valor de R$ 2.831.478,73. As glosas estão reunidas nos seis primeiros itens do termo, ao qual se acresce o indeferimento de pleito complementar de "correção" do seu valor pela Taxa Selic, formalizado após o ingresso do pedido original. As glosas se referiram a: Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.988 3 1. Aquisições de produtos que não foram considerados pela fiscalização matériasprimas, produtos intermediários nem material de embalagem, dentre os quais, os materiais usados no tratamento de água e de efluentes e partes ou peças de máquinas. Os itens glosados constam da planilha "INSUMOS CONSIDERADOS INDEVIDAMENTE PELO CONTRIBUINTE NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI", e seus valores, na planilha intitulada "GLOSA DE CONSUMO DE MP, PI E ME, EXCETO ALGODÃO". 2. Aquisições de produtos outros desconsiderados pela fiscalização listados na planilha "AQUISIÇÕES DE INSUMOS DESCONSIDERADAS PELA FISCALIZAÇÃO" e seus valores, na planilha "GLOSAS DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO". 3. Aquisições de lubrificantes e água, por não se tratarem de insumos, enquadrados pela empresa como combustíveis, os quais são admitidos no cálculo pela Lei n° 10.276. No entender da fiscalização, porém, combustíveis são materiais utilizados para produzir energia, enquanto lubrificantes destinamse a reduzir o atrito de peças mecânicas, bem como descabe considerar água como combustível. 4. Aquisições da matériaprima utilizada pela empresa (algodão) feitas a pessoas físicas sediadas no Brasil ou importadas (ainda que de pessoas jurídicas), entendendo a fiscalização que o benefício somente se aplica às aquisições no mercado interno a contribuintes do PIS e da Cofins. A fiscalização procedeu, ainda, a ajuste no valor excluído pela empresa a título de insumos adquiridos durante o ano anterior (2001) e aplicados em produtos em elaboração no final daquele ano, bem como em produtos prontos mas não vendidos conforme determinado nos atos normativos que regulam o benefício. Esse valor foi adicionado no ano seguinte e a fiscalização esclarece que o valor correto a ser adicionado seria de R$ 49.438.574,57, e não de R$ 50.501.865,01, como feito pelo contribuinte. Essa verificação aproveitou conclusões de trabalho de verificação anterior feito na mesma empresa, utilizados durante o ano em produtos em elaboração e não vendidos até o final do ano de 2001. Também detectou erros na apuração dos valores dos insumos efetivamente utilizados, alvo de ajustes descritos no item 6 do Termo de Verificação Fiscal. Com base nessas conclusões, foi proferido o despacho decisório pela Saort da DRF em Montes Claros/MG, que deferiu apenas o montante proposto pela fiscalização, sem qualquer correção ou atualização monetária por falta de autorização legal. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, insurgindose contra os seguintes pontos: 1 glosa de créditos decorrentes da aquisição de produtos que, no entendimento da autoridade tributária, não seriam insumos para atividade da Requerente (lubrificantes e água, bem como algodão adquirido de pessoas físicas ou importado); 2 ajuste no valor excluído, referente a insumos utilizados em produtos em elaboração e em produtos acabados não vendidos e em estoque em 31/12/2001; 3 indeferimento do pedido da Requerente de correção dos créditos pela taxa SELIC; e Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 4 cominação de acréscimos moratórios sobre os débitos tributários compensados. Mediante o Acórdão nº 0916.899, de 13 de agosto de 2007, a 2ª Turma da DRJ/JFA manteve integralmente a decisão do despacho decisório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CUSTO DE PRODUÇÃO As aquisições de lubrificantes, água, produtos para tratamento de água e de efluentes e partes e peças de máquinas não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do artigo 1°, I, da Lei 10.276/2001 e artigo 3° da Lei 9.363/96. As aquisições de insumos efetuadas de pessoas físicas e as aquisições de insumos do exterior também não integram a base de cálculo do crédito presumido, por determinação expressa contida em atos normativos da Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado. COMPENSAÇÃO. DATA DE VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Solicitação Indeferida Tendo sido cientificada dessa decisão em 06/09/2007, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: I. DA GLOSA DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS As decisões proferidas sustentaram que os valores relativos às aquisições de lubrificantes e água, bem como de algodão adquirido de pessoas físicas ou importado, não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI. No entanto, não há como negar que os lubrificantes e água adquiridos pela empresa integram o conceito de produtos intermediários, na medida em que representam insumos efetivamente consumidos no processo industrial da Recorrente, essenciais e indissociáveis da produção, como reconhece a própria decisão recorrida. Devese ressaltar que a legislação do IPI não adota expressamente, diferentemente do alegado pela Fiscalização, conceito restritivo de conotação física, ou seja, não se exige que Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.989 5 o insumo seja fisicamente consumido no processo industrial para que seja garantido o direito de crédito de IPI. Cumpre ressaltar que a Lei 9.363/96, que trata do crédito presumido do IPI, em seu artigo 3°, caput, determina que as normas a serem observadas são as que regem a incidência das contribuições ao PIS e COFINS e, apenas subsidiariamente, a legislação do IPI: (...) Ressaltese que, também no que se refere à glosa dos créditos decorrentes da aquisição de algodão de pessoas físicas ou importados, a r. decisão recorrida diverge do posicionamento que vem sendo adotado por esse Eg. Conselho. Neste sentido, citese os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: (...) Em relação a essa parcela da glosa, destaquese ainda com maior ênfase a irrelevância da ausência de incidência de PIS e COFINS sobre a última cadeia de circulação (aquisição de algodão pela Recorrente de pessoas físicas), uma vez que o incentivo em questão visa ressarcir a incidência daquelas contribuições sobre as diversas etapas dos insumos, e não apenas sobre a última. Portanto, resta comprovado o direito da Recorrente aos créditos de IPI referentes às aquisições de lubrificantes e água, bem como em relação aquisição de algodão de pessoas físicas, abusivamente glosados pela presente decisão administrativa. II. DO AJUSTE DO VALOR ADICIONADO REFERENTE AO ESTOQUE DE 31/12/01 DA CONEXÃO COM O PTA N.° 10670.000327/200212 Efetivamente, tendo em vista as decisões proferidas até o momento [acórdão do recurso voluntário] naquele processo [10670.000327/200212], não houve qualquer reflexo em relação ao presente. Ocorre que a Recorrente apresentou Recurso Especial em face daquele Acórdão, não apreciado pela Câmara Superior até o protocolo do presente recurso. Considerando que o principal objetivo daquele recurso é o reconhecimento do direito da Recorrente incluir na base de cálculo do crédito presumido do último trimestre de 2001 os valores correspondentes à aquisição de algodão de pessoas físicas, parece claro que o reconhecimento desse direito elevará não só seu beneficio referente àquele período, mas, também, o montante do crédito relativo aos produtos em elaboração e acabados e não vendidos em 31/12/2001. Nesse caso, o valor da adição a ser considerado no ano calendário de 2002 seria majorado, uma vez que será necessariamente reformulada a apuração do crédito a ser excluído em relação ao final do anocalendário de 2001 em função do estoque. III. DO DIREITO À CORREÇÃO DOS CRÉDITOS PELA SELIC Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Primeiramente, esclareçase que desde o advento do Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, o Poder Executivo reconheceu que os institutos jurídicos da restituição e do ressarcimento devem merecer o mesmo tratamento. Por outro lado, está claro que os créditos presumidos de IPI têm a mesma natureza do crédito básico do imposto, devendo respeitar a mesma sistemática legal. Com efeito, se a Receita Federal do Brasil, por expressa determinação legal (Lei nº 9.779/99), fica obrigada a permitir a compensação ou restituição dos créditos de IPI de maneira idêntica aos tributos pagos a maior ou indevidamente (art. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96), devendo, do mesmo modo, permitir a atualização monetária dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento. Isso porque a Lei nº 9.250/95 (art. 39, §4°) determina expressamente a aplicação da Selic sobre os pedidos de compensação ou de restituição feitos, pelos contribuintes. A necessidade de correção pela Selic do saldo credor de IPI objeto de Pedido de Ressarcimento já foi reconhecida diversas vezes pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejase: (...) Ressaltese, ainda, que o direito da Recorrente à repetição de indébito decorre da natureza de crédito patrimonial do saldo de crédito desta natureza se configura a partir do momento em que a legislação exige o estorno dos créditos no livro fiscal (art. 17 da IN 460/2004 e art. 17 da IN 600105), quando da apresentação dos pedidos de ressarcimento. Nesse contexto, para os casos em que a própria legislação confere o direito ao ressarcimento dos créditos, deve ser aplicada a atualização monetária pela taxa SELlC sobre os saldos do crédito, no intervalo entre o períodobase do protocolo do pedido e a data da efetiva recuperação, pois lhes foi atribuída, pela lei, a condição de crédito patrimonial oponível à Fazenda Pública, e não de crédito meramente escritura! Nesse sentido já teve oportunidade de se manifestar o Superior Tribunal de Justiça, conforme manifestado pela Primeira Turma no Recurso Especial na 611.905RS, cuja ementa encontrase abaixo reproduzida: (...) IV. DA ABUSIVA IMPUTAÇÃO DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE OS DÉBITOS COMPENSADOS (...) quando da apresentação do presente Pedido de Ressarcimento (ocorrida em julho de 2002), vinculado aos créditos compensados pela Recorrente, encontravase vigente a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, que não trazia nenhuma disposição determinando a incidência de acréscimo moratório referente ao lapso de tempo entre o vencimento do tributo e a data de apresentação do pedido de compensação. Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, não é possível argüir a aplicação retroativa da disposição constante da IN n° 323/03, uma vez que: a) os créditos compensados foram constituídos e reconhecidos pela Receita Federal em datas anteriores aos fatos geradores dos débitos compensados; b) os débitos compensados assim como os créditos utilizados para a Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.990 7 compensação, tiveram fatos geradores anteriores à publicação da citada Instrução Normativa. Por outro lado, essa aplicação retroativa implica em violação aos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, uma vez que a Requerente não pode ser surpreendida com aplicação de norma que não existia no ordenamento jurídico quando efetuou a presente compensação tributária. A QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em sessão de 03/09/2008, converteu o julgamento em diligência para que a unidade preparadora juntasse cópias da decisão definitiva proferida no Processo Administrativo n° 10670.000327/200212, relativo ao crédito presumido do ano de 2001, nesses termos: (...) Não obstante a imensa maioria das questões aqui versadas já esteja pacificada no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, há um aspecto que merece esclarecimento a ser produzido em diligência. Refirome ao ajuste promovida pela fiscalização no valor adicionado pela empresa a título de saldo de insumos empregados em produtos não concluídos ou não vendidos no ano de 2001. De fato, a legislação determina que essa parcela seja excluída do cálculo do benefício no ano em que se verifica (no caso, 2001) para ser adicionada no ano em que os produtos são completados e vendidos. A fiscalização afirma que em outro procedimento fiscal, relativo ao crédito presumido do ano de 2001, reduzira aquele valor e a empresa afirma em seu recurso estar discutindo administrativamente essa glosa. Entendo imprescindível, portanto, baixar o processo em diligência para que a unidade preparadora junte cópia da decisão definitiva proferida no Processo Administrativo n° 10670.000327/200212, que segundo a empresa encontravase na Câmara Superior de Recursos Fiscais para análise do último recurso administrativo cabível. Caso essa decisão ainda não tenha sido produzida que os presentes autos aguardem naquela unidade até que ela seja proferida e possa ser juntada. (...) A DRF/Montes Claros juntou ao processo na diligência os seguintes documentos: • Acórdão 3ª Turma/CARF n° 930300.684/2010, de 02/02/2010, relativo ao Processo n° 10670.000327/200212. • Informação Fiscal emitida pela SAFIS/DRF/MCR/MG, relativa à recomposição do Crédito do Processo n° 10670.000327/200212. É o relatório. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Voto Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Dos conceitos de MP, PI e ME aplicáveis ao crédito presumido Conforme definido no artigo 1°, §1°, inciso I e §5° da Lei nº 10.276/2001 c/c artigo 3° da Lei nº 9.363/96, abaixo transcritos, os conceitos de MP, PI e ME aplicáveis na apuração do crédito presumido pelo regime alternativo ou pela Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI: Lei 10.276/2001 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1ºA base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. (...) Lei 9.363/96 Art.3oPara os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.991 9 [grifos desta Relatora] Com efeito, o art. 147, I do RIPI/98, vigente à época dos fatos geradores, dispõe que os estabelecimentos industriais e os equiparados podem creditarse do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Assim, em consonância à lei, ao regulamento do IPI e aos atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, assim considerado como o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que não estejam compreendidos no ativo permanente da empresa. Nesse mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62, §2° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; (...) 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado DA GLOSA DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS Lubrificantes e água: As glosas das aquisições de lubrificante e água foram assim motivadas pela fiscalização: (...) Na apuração do crédito presumido o contribuinte considerou indevidamente o consumo de lubrificantes e água. O artigo 1° e seu §10 da lei n° 10.276/2001 estabelece que o crédito presumido de IPI incide sobre as aquisições de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.992 11 a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. A COTEMINAS tem como atividade operacional a fabricação de produtos têxteis (fiação e tecelagem). Na memória de cálculo do contribuinte, planilha "CONSUMO", notase que o contribuinte considerou lubrificantes e água como combustíveis. Os combustíveis são materiais utilizados com a finalidade de produzir energia. Lubrificantes são substâncias oleosas utilizadas para reduzir o atrito e lubrificar, ou seja, utilizadas com intuito de evitar os desgaste de máquinas e suas peças, com o conseqüente aumento da vida útil e redução de despesas com manutenção e reparos. Desta forma, evidente que são insumos distintos. Se água fosse combustível, seguramente as dificuldades energéticas mundiais estariam solucionadas. Lubrificantes e água são de fato utilizados no processo produtivo, mas de forma alguma são MP, PI ou ME, assim como claramente não se classificam como combustíveis. Permitir o cálculo do crédito presumido sobre lubrificantes e água, seria conceder ao contribuinte um direito não previsto em lei, ou seja, um direito claramente inexistente. Na apuração do crédito presumido pela fiscalização foram glosados os valores de consumo de lubrificantes e água considerados pelo contribuinte. (...) Conforme se depreende da leitura acima, as glosas de lubrificantes e de água deramse por dois motivos: i) não se classificam como combustíveis, como qualificados pela requerente e ii) não se incluem no conceito de MP, PI ou ME para fins de apuração do crédito presumido. Quanto à desqualificação como combustíveis de lubrificantes e água, a recorrente nada argumenta, apenas insistindo genericamente na alargamento do conceito de MP, PI ou ME para fins de inclusão das aquisições desses produtos na base de cálculo do crédito presumido. De todo modo, mesmo que a água e o lubrificante sejam imprescindíveis ao processo de fiação e tecelagem, não se enquadram no conceito de MP, PI ou ME, nos termos do entendimento exposto acima neste Voto, vez que não comprovado que integram o produto final ou sejam consumidos em contato direto com o produto em fabricação, não sendo cabível o correspondente crédito presumido nas suas aquisições. Algodão aquisição de pessoas físicas e importado: Por determinação expressa do art. 1º, §1º, I da Lei 10.276/2001 somente dão direito ao crédito presumido as aquisições de insumos adquiridos no "mercado interno", razão pela qual não se cogita de incluir as aquisições de algodão importado pela recorrente na base de cálculo do crédito presumido. Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Insurgese também a recorrente em face da exclusão das aquisições de algodão de pessoas físicas do cálculo do crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001, entretanto, a hipótese dos autos envolve também outra questão fática não levantada pela recorrente em seu recurso. Conforme consta expressamente no item 4 do Termo de Verificação Fiscal ("4) ALGODÃO ADQUIRIDO DE PESSOAS FÍSICAS E IMPORTADO"), a própria contribuinte excluiu de seu pedido o algodão adquirido de pessoas físicas, conforme trecho transcrito abaixo: (...) A COTEMINAS adquire algodão de pessoas físicas e jurídicas no mercado interno e no exterior. Na memória de cálculo do crédito presumido apresentada pela empresa notase que o contribuinte excluiu o algodão adquirido de pessoas físicas. Tendo em vista que a empresa adquire algodão de diversos tipos de fornecedores, no momento em que o algodão é consumido não se sabe se o algodão é originário de pessoas físicas, jurídicas ou de importações. A empresa utilizou como critério para segregação a aplicação do percentual mensal de aquisição por tipo de fornecedor sobre o consumo mensal, sem levar em conta os valores existentes em estoque. A COTEMINAS trabalha com elevados estoques de algodão. Fato confirmado pelos estoques existentes em 31/12/2001, 31/12/2002 e 31/12/2003, nos valores de R$ 63.332.873,48, R$ 61.002.083,79 e R$ 84.800.934,81, respectivamente. O crédito presumido de IPI é apurado considerando os valores acumulados de receitas (exportação e receita bruta) e dos custos, do início do ano até o mês da apuração, conforme artigo 10 das IN's nºs SRF 69/2001 e 315/2003. O critério de apuração adotado pelo contribuinte produz grandes distorções. Confirmam esse entendimento os seguintes exemplos: Em janeiro/2003 a empresa consumiu R$ 22.103107,96 de algodão. Em jan/2003 a empresa adquiriu algodão só de pessoas jurídicas. Desta forma considerou o consumo de algodão como sendo proveniente exclusivamente de pessoas jurídicas. Todavia o estoque de algodão em 31/dez/2002 era de R$ 61.002.083,79 e no anocalendário 2002 75,81% do algodão foi adquirido de pessoas físicas e 1,68% foi importado. Da mesma forma, em jan/2004 a empresa considerou que todas as aquisições foram provenientes de pessoas jurídicas. Assim sendo, considerou que todo o algodão consumido daquele mês foi proveniente de pessoas jurídicas. Todavia as importações representaram 20,44%, do algodão consumido naquele mês. Além disso, o estoque de algodão em 31/dez/2003 era de R$ 84.800.934,81. As aquisições de pessoas físicas e importações de algodão em 2003 representaram 62,31% e 6,68% das aquisições totais, respectivamente. Ante o exposto, fica demonstrado que o critério adotado pelo contribuinte leva a grandes distorções. (...) Ante o exposto, a segregação do algodão consumido por natureza de fornecedor (pessoas físicas, jurídicas e importações) foi apurada pela fiscalização considerando o estoque de algodão Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.993 13 existente no início do anocalendário e as aquisições acumuladas no ano. O estoque de algodão existente no início do anocalendário foi segregado de acordo com as aquisições realizadas no ano anterior. A apuração do consumo de algodão pela fiscalização consta nos demonstrativos relacionados a seguir: • AQUISIÇÕES DE ALGODÃO. • DEMONSTRATIVO DOS PERCENTUAIS DE AQUISIÇÃO DE ALGODÃO POR TIPO DE FORNECEDOR. • DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL DO ESTOQUE DE ALGODÃO EM 31/12/2001. • DEMONSTRATIVO DO PERCENTUAL DE ALGODÃO ADQUIRIDO POR TIPO DE FORNECEDOR. • APURAÇÃO DO CONSUMO TOTAL DE ALGODÃO. • APURAÇÃO DO CONSUMO DE ALGODÃO POR NATUREZA DO FORNECEDOR. (...) Conforme se depreende da leitura do texto acima, em verdade, houve uma correção dos valores apresentados para as aquisições de pessoas jurídicas em face de a fiscalização não ter concordado com o método de rateio apresentado pela contribuinte entre as aquisições de algodão de pessoas físicas e jurídicas e de importações. A recorrente não contestou o método de segregação efetuado pela fiscalização, razão pela qual tratase de matéria preclusa, nos termos do art. 17 e art. 42 do Decreto nº 70.235/72. Assim, é definitiva segregação efetuada pela fiscalização no que concerne ao montante relativo às aquisições do algodão importado e do algodão proveniente de pessoas jurídicas ou físicas. Ademais, as aquisições de pessoas físicas que não foram objeto de pedido da contribuinte, eis que não incluídas na memória de cálculo apresentada pela requerente, é matéria estranha ao presente processo. Não há que se olvidar que os limites da lide é determinado pela manifestação de inconformidade, a qual, por sua vez, está delimitada pela denegação de seu pleito, sendo inadmissível, portanto, a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada sequer no pedido inicial da requerente. No entanto, considerando que, do método de segregação utilizado pela fiscalização, subtraídas do total das aquisições de algodão as parcelas pertinentes às importações e às aquisições de pessoas jurídicas, resta um resíduo que seria pertinente às aquisições de pessoas físicas pelo rateio, entendo que somente a glosa correspondente a esse resíduo, que é parte integrante do pedido, deve ser revertida em face do entendimento exposto abaixo. Quanto à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas, no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido que o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.994 15 de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Não obstante se trate o presente caso de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/01, e não daquele previsto na Lei nº 9.363/96, entendo, até por uma questão de razoabilidade e isonomia, que o mesmo entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG deva ser aqui adotado, vez que não há, no texto de nenhuma das duas leis, a limitação expressa de não inclusão no cálculo do crédito presumido das aquisições de pessoas físicas. Nesse sentido, já decidiu este Conselho Administrativo no Acórdão nº 3403 003.173 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção, de 21 de agosto de 2014, conforme se vê em trecho do voto do Relator Rosaldo Trevisan abaixo transcrito: (...) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF nº 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/ 2003, 419/2004), diante do texto do art. 1º da Lei nº 9.363/1996: (...) O regime da Lei nº 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: (...) Veja que o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei nº 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, §2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...) (REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. É improcedente a glosa, então, neste tópico. (...) Assim, por analogia ao entendimento prolatado no REsp nº 993.164/MG, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de algodão de pessoas físicas ou cooperativas, mas somente a parte que foi objeto de pedido pela contribuinte, considerando estritamente o método de segregação utilizado pela fiscalização para as aquisições de algodão de pessoas físicas e jurídicas e de importações. Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.995 17 DO AJUSTE DO VALOR ADICIONADO REFERENTE AO ESTOQUE DE 31/12/01 A fiscalização apurou incorreção dos valores relativos aos insumos aplicados em produtos em elaboração e produtos acabados e não vendidos que estavam em estoque em 31/12/2001, corrigindo o valor de R$ 50.501.865,01 para R$ 49.438.574,57, o qual foi adicionado também na apuração do crédito presumido do anocalendário de 2002. Assim, o julgador de primeira instância entendeu pela vinculação do presente processo (1º trimestre de 2002) com o processo nº 10670.000327/200212, relativo ao 4º trimestre de 2001, entretanto, considerou que, como foi negado provimento ao recurso voluntário no processo nº 10670.000327/200212, todas as glosas da fiscalização foram mantidas e, portanto, o valor transferido para o 1º trimestre de 2002 permaneceu inalterado, não acarretando qualquer efeito no presente processo. Ocorre que, conforme informou a recorrente, foi interposto recurso especial da contribuinte naquele outro processo, o qual já foi julgado pelo Acórdão 3ª Turma/CARF n° 930300.684, conforme informações obtidas por este CARF na diligência, tendo sido dado provimento ao recurso da contribuinte para a inclusão na base de calculo do crédito presumido dos valores pertinentes às aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Argumenta com razão a recorrente que, tendo sido novamente retificada, por força da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o valor da exclusão referente ao 4º trimestre de 2001, exatamente para fixar o valor da adição do 1° trimestre de 2002, obrigatoriamente deveria ter sido determinada a consideração do valor definido na apuração do 4° trimestre de 2001, sob pena de haver uma ilegal diminuição do direito creditório da Requerente, devido à desproporção entre estorno e adição. Conforme consta na Informação Fiscal da SAFIS/DRF/MCR/MG extraída do processo nº 10670.000327/200212 e demonstrativos que a acompanham (fls. 1525/1571), após a decisão administrativa definitiva, foi efetuada a recomposição do saldo do crédito presumido em face da reversão das glosas referentes às aquisições de algodão de pessoas físicas e cooperativas naquele processo. Conforme constam nas planilhas "APURAÇÃO DOS INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS EM ELABORAÇÃO E PRODUTOS ACABADOS E NÃO VENDIDOS EM ESTOQUE EM 31/12/2001" (fl. 1549) e "APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI 4º TRIMESTRE/2.001 III CUSTO DOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO" (fl. 1563), considerando a reversão das glosas no processo nº 10670.000327/200212, a exclusão referente a insumos aplicados em produtos não vendidos existentes em estoque em 31/dez/2001 foi alterada para R$ 64.043.436,39, que é, portanto, o valor que deve ser adicionado na apuração do crédito presumido do processo nº 10670.001088/200218, relativo ao 1º trimestre de 2002, que ora se julga, ao invés do valor de R$ 49.438.574,57, inicialmente apurado pela fiscalização. Assim, a decisão recorrida deve ser reformada para que seja retificado o valor adicionado relativo aos insumos aplicados em produtos em elaboração e produtos acabados e não vendidos que estavam em estoque em 31/12/2001, considerando a recomposição desse valor após a decisão definitiva no processo 10670.000327/200212, e, portanto, seja aumentado o valor do crédito presumido a ressarcir na medida do reajuste correspondente. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 "DO DIREITO À CORREÇÃO DOS CRÉDITOS PELA SELIC" Com relação à atualização monetária dos créditos pela Selic, deve também o CARF, por força do seu Regimento Interno, reproduzir o entendimento contido no REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, já mencionado neste Voto, conforme trecho da ementa abaixo transcrito: (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. (...) 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (...). (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10670.001088/200218 Acórdão n.º 3402003.020 S3C4T2 Fl. 1.996 19 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Vale aqui a mesma ressalva feita acima de que apesar de o presente processo tratar de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/01, e não daquele previsto na Lei nº 9.363/96, por uma questão de razoabilidade e isonomia, entendo que o mesmo entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG deva ser aqui adotado, vez que não há, no texto de nenhuma das duas leis, a limitação expressa de não inclusão no cálculo do crédito presumido das aquisições de pessoas físicas. Dessa forma, considerando que a parte da decisão que foi revertida em favor da recorrente no presente Voto diz respeito à questão da inclusão na base de cálculo do crédito presumido relativamente às aquisições de não contribuintes, que é justamente a matéria sob recurso repetitivo, entendese como comprovado que a obstaculização da Fazenda pública ao recebimento pelo contribuinte de parte dos valores pleiteados decorreu de ato normativo tido por ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça, sendo cabível, por aplicação obrigatória do entendimento do mesmo Tribunal, a atualização desses créditos a ressarcir pela variação da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). "DA ABUSIVA IMPUTAÇÃO DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE OS DÉBITOS COMPENSADOS" Insurgese a recorrente em face da incidência de acréscimo moratório referente ao lapso de tempo entre o vencimento do tributo e a data de apresentação do pedido de compensação. No entanto, por força de lei, e não só em face do disposto em face de Instrução Normativa, os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento são sujeitos a multa de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [grifei] § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ademais, conforme já esclareceu a decisão recorrida, a recorrente formalizou o pedido de ressarcimento em 29/07/2002, entretanto, somente em 31/05/2003, já sob a vigência da IN SRF 323/2003, efetuou a compensação por intermédio da Declaração Eletrônica de Compensação DCOMP, vinculando os débitos nela declarados ao crédito pleiteado no presente processo, submetendose, portanto, à incidência dos juros de mora sobre os débitos vencidos até a referida data. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida para: i) inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de algodão de pessoas físicas ou cooperativas que foram objeto de pedido pela contribuinte, ainda que a outro título (aquisições de pessoas jurídicas contribuintes), considerando estritamente o método de segregação utilizado pela fiscalização para as aquisições de algodão de pessoas físicas e jurídicas e de importações; ii) retificação do valor adicionado relativo aos insumos aplicados em produtos em elaboração e produtos acabados e não vendidos que estavam em estoque em 31/12/2001, considerando a recomposição desse valor após a decisão definitiva no processo 10670.000327/200212, e, portanto, seja aumentado o valor do crédito presumido a ressarcir na medida do reajuste correspondente; e iii) atualização desses créditos a ressarcir pela variação da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Por fim, cabe lembrar que a alteração da apuração do crédito presumido do presente processo produz efeitos no processo nº 10670.001087/200273, relativo ao trimestre seguinte, em face do ajuste do valor dos insumos aplicados em produtos em elaboração e produtos acabados e não vendidos que estavam em estoque no fim do período, a ser depois adicionado à apuração do 2º trimestre de 2002. Em face disso deverá, posteriormente, ser juntada cópia da decisão definitiva deste processo, apurandose os efeitos dela decorrentes, naquele outro processo. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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