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Numero do processo: 10935.002595/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
MULTA REGULAMENTAR. SICOBE. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. REVOGAÇÃO DA PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa regulamentar de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, estampada no artigo 58-T da Lei nº 10.833/2003 foi revogada pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Assim, nos termos do art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, que estabelece a retroatividade benigna no direito tributário, a multa deve ser cancelada.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, em virtude de ter sido convocado para participar de sessão extraordinária na CSRF.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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SICOBE. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. REVOGAÇÃO DA PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa regulamentar de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, estampada no artigo 58T da Lei nº 10.833/2003 foi revogada pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Assim, nos termos do art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, que estabelece a retroatividade benigna no direito tributário, a multa deve ser cancelada. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, em virtude de ter sido convocado para participar de sessão extraordinária na CSRF. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 25 95 /2 01 0- 21 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Ribeirão Preto/SP (Acórdão 1448.335), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra auto de infração lavrado para a cobrança de multa regulamentar no montante de R$ 46.847.719,15, relativamente aos fatos geradores 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009. Por bem consolidar os fatos referentes ao lançamento e à impugnação apresentada pelo Contribuinte deste processo, com riqueza de detalhes, colaciono abaixo parte inicial do relatório do acórdão recorrido in verbis (fls 280): Consoante a descrição dos fatos, à fl. 183, e o termo de verificação fiscal às fls. 174/177, a contribuinte, fabricante de bebidas, apesar de intimada em duas ocasiões (20/11/2009 e 12/03/2010) a regularizar a situação no prazo de 10 dias, deixou de efetuar o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pela execução dos procedimentos de integração, manutenção preventiva e corretiva do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), de que trata a IN RFB nº 869, de 2008, em todas as linhas de produção. Em curso se encontra a ação mandamental nº 5000059 36.2010.404.7005 ajuizada perante a Justiça Federal do Paraná (4ª Região), conforme cópia da inicial de fls. 19/62. Contudo, o pedido de liminar foi indeferido e o agravo de instrumento (nº 0007514 06.2010.404.0000/PR) foi convertido em agravo retido no âmbito do TRF da 4ª Região. Inexistente a suspensão da exigibilidade, portanto, o valor da multa regulamentar foi determinado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30: 100% do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00. Tudo conforme os relatórios de produção, de maio a dezembro de 2009, com os preços médios dos produtos (fls. 178/180). Regularmente cientificado da peça acusativa em 30/04/2010 por meio do procurador, Sr. Carlos Alberto Dulaba, constituído pelo instrumento às fls. 09 e 10, apresentou o sujeito passivo a impugnação às fls. 187/209 em 19/05/2010, subscrita pelo representante legal da pessoa jurídica, Sr. Saul Brandalise Neto, qualificado nas alterações contratuais às fls. 210/214, em que, basicamente, sustenta que o valor comercial da mercadoria, base de cálculo da multa, não pode incluir o IPI e o ICMS Substituição destacados nas notas fiscais (discrimina uma das notas fiscais, de nº 13.154, com os valores do ICMS Substituição, do IPI, do total da nota fiscal); a exigência tributária tem nítido caráter confiscatório e é carente de amparo legal, sendo que fere princípios como o da legalidade, uma vez que o valor da taxa atribuído por unidade não foi instituído por lei, mas por ato Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402003.001 S3C4T2 Fl. 112 3 declaratório executivo; outros princípios são vulnerados, conforme doutrina: propriedade, capacidade contributiva, proporcionalidade, publicidade, e isonomia; caracterizaria “bis in idem” a cobrança de taxa do SICOBE para exercício do poder de polícia já exercido pela Receita Federal mediante o controle diário da produção de bebidas efetuado no âmbito do SMV(Sistema Medidor de Vazão); por fim, o cancelamento da exigência, com o arquivamento do procedimento fiscal e o cancelamento dos créditos tributários decorrentes; ou, do contrário, que a aplicação da multa se dê sem o cômputo do IPI e do ICMS Substituição, e que, subsidiariamente, a multa seja aplicada sobre o valor da taxa não paga, ou seja, sobre R$ 0,03, sendo também necessária a redução do percentual da multa para parâmetros usuais e justos (20%); e, ainda, que o valor eventualmente pago referente à taxa SICOBE seja compensado com qualquer tributo federal; que o alegado possa ser provado por todos os meios admitidos em direito. A DRJ de Ribeirão Preto concluiu o julgamento da impugnação, tendo sido lavrada a ementa nos seguintes termos: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Foi então interposto o recurso voluntário pelo contribuinte (fls 242), que, dentre outras questões, alegou a existência de erro no julgamento proferido pela DRJ, haja vista que a matéria discutida no presente processo administrativo é diversa daquela discutida no âmbito judicial, razão pela qual não se poderia falar em concomitância. Em 30 de janeiro de 2013, tal recurso voluntário, regularmente distribuído, foi avaliado pelo Conselheiro relator Rosaldo Trevisan, então membro da extinta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que realizou a comparação ente os processos judicial e administrativo, decidindo anular o Acórdão a quo por cerceamento do direito de defesa. Destaco abaixo trecho do Acórdão então proferido pelo CARF (n. 3403001.891), que bem resume as razões do julgamento (fls 271): “Diferente, no entanto, é o caso de que trata o presente processo, no qual o julgador de primeira instância não analisa a argumentação apresentada exclusivamente na via administrativa (referente ao “valor comercial”), incluindoa sem justificativa expressa no bojo da concomitância. A ausência de análise, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa, e o tratamento inaugural da matéria por este CARF pode ser percebido como supressão de instância administrativa. Resta, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento de primeira instância, pela preterição do direito de defesa (com fundamento no art. 59, II do Decreto no 70.235/1972). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 Objetivando considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no § 2o do art. 59 do Decreto no 70.235/1972, declarase a nulidade do Acórdão nº 1431.280, da 2a Turma da DRJ/RPO, exarado no presente processo (afetando as peças processuais que lhe sucedem), devendo a DRJ, em seu novo julgamento, manifestarse expressamente sobre a matéria questionada exclusivamente na via administrativa (abrangência do termo “valor comercial”)”. Assim, a DRJ de Ribeirão Preto, em 29 de janeiro de 2014, articulou o novo julgamento determinado por este Conselho (fls 279), tendo sida lavrada a ementa nos seguintes termos: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. MULTA REGULAMENTAR. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. O montante da multa regulamentar aplicada é de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida. Reaberto o prazo para defesa, o Contribuinte teve ciência do Acordão proferido pela DRJ em 14/07/2014, conforme AR de fls. 292 e apresentou em 24/07/2014 o novo recurso voluntário de fls. 293 seguintes, no qual reclama, em brevíssima síntese, que este Conselho anule a autuação fiscal, por erro na base de cálculo, uma vez que a multa em questão deve incidir sobre o valor comercial da mercadoria, dentro do qual não se inserem os valores a título de IPI e ICMS substituição tributária, calculados “por fora”, ou seja, destacados no valor total da nota fiscal dos produtos. É o relatório Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. 1. DA CONCOMITÂNCIA Inicialmente, insta esclarecer que a questão da concomitância, existente com relação a parte da presente demanda administrativa já foi devidamente analisada pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, quando do primeiro julgamento deste processo pelo CARF, restando clara a sua existência com relação ao Mandado de Segurança nº 5000059 36.2010.404.7005, pelo qual a ora Recorre pleiteou autorização para não efetuar o recolhimento da taxa SICOBE sobre cada unidade de produto produzida, e a vedação da Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402003.001 S3C4T2 Fl. 113 5 aplicação de multas, penalidades e autuações, entre outras ações, pela Receita Federal do Brasil e Casa da Moeda. Ademais, o Contribuinte em seu recurso não trouxe quaisquer argumentações em sentido contrário ao reconhecimento da concomitância, novamente declarada pela DRJ no Acórdão de fls 279 e seguintes. Por conseguinte, entendo que já se encontra pacificada a lide no que tange à identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo, não merecendo nova apreciação pelo CARF. 2. DO VALOR DA MULTA REGULAMENTAR RETROATIVIDADE BENIGNA PARA CANCELAMENTO DA PENALIDADE É pacífico nestes autos que o sujeito passivo acima estava obrigado a instalação e utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB n° 869/2008, a partir de 15 de maio de 2009. Igualmente pacífico que, de acordo com o art. 11 da mesma Instrução Normativa RFB, a Recorrente era obrigada ao ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de integração, instalação, manutenção preventiva e corretiva do Sicobe em todas as suas linhas de produção. Tais ressarcimentos não foram realizados, dando origem ao auto de infração guerreado pela Recorrente. Assim, a discussão cingese ao valor cobrado pela Receita Federal do Brasil a título da multa regulamentar que fora determinada conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) (grifei) A discussão jurídica travada pela Recorrente é clara, assim como o supratranscrito dispositivo legal: a multa em questão incide unicamente sobre o “valor comercial” das mercadorias vendidas, no caso, cervejas e refrigerantes. Vale dizer, não incide sobre os impostos que não compõe o preço do produto e, apesar de serem destacados na nota fiscal, são “calculados por fora”, como se conhece pelo jargão contábil. Com efeito, assiste razão à Recorrente. Afinal, o artigo 30 da Lei n. 11.488/2007, ao tratar justamente de multa que se refere ao IPI, usa a mesma base de cálculo trazida pelo Código Tributário Nacional (“CTN”) para essa espécie tributária. Lembremos: Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: (...) II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; (...) Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...) II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; Não há dúvidas que o ICMS compõe o preço da mercadoria. Porém, o mesmo não ocorre com relação ao IPI e com o ICMS substituição tributária (“ICMSST”), que constituem parcelas adicionais, cobradas separadamente do comprador do produto e repassadas ao Fisco. Pois bem, diante desta situação, a Recorrente alega que a Fiscalização, ao efetuar o cálculo da multa, não teria retirado da base de cálculo os montantes destacados nas notas fiscais dos produtos a título de IPI e ICMSST. Vejamos o que diz o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls 176 e 177): “Para podermos determinar o valor da multa a ser aplicada conforme a legislação citada, em 01 de abril de 2010 intimamos o sujeito passivo acima a informar os valores mensais de vendas dos produtos relacionados em planilha anexa que foi extraído do sistema SICOBE, referente a produção registrada pelo sistema no período de maio a dezembro de 2010, (Fls. 02 a 08). Em 28 de abril de 2010 o sujeito passivo através de seu procurador trás ao processo resposta ao Termo de Intimação apresentando os documentos solicitados (notas fiscais e relatórios de preços médios de vendas) (Fls. 66 a 170). Com base nesses relatórios elaboramos a planilha de folhas, (Fls. 171 a 173), que determinou o preço médio ponderado de cada produto para cada mês.” Ocorre que nestes autos não pude encontrar a citada planilha de fls 171 a 173. Em seguida das fls 66 a 170 (numeração do processo físico), com as informações prestadas pelo contribuinte, já se encontra acostado o próprio TVF, sem a respectiva numeração física, e no processo digital com o número iniciandose em 174. Também gera dúvidas o fato de a DRJ, em seu acórdão (fls 286), ter deixado consignado que: “A multa regulamentar foi calculada com fulcro nos valores comerciais das mercadorias produzidas e estes foram apurados a partir dos preços médios de vendas informados em resposta a intimação lavrada no decorrer da ação fiscal. As notas fiscais de venda também foram apresentadas pela fiscalizada, mas apenas para as averiguações necessárias. Nos montantes mensais de vendas dos produtos, apurados segundo os preços médios, não há o cômputo dos tributos calculados “por fora”, como se diz no jargão contábil, e destacados nas notas fiscais (IPI e ICMSSubstituição). (grifei) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402003.001 S3C4T2 Fl. 114 7 Ou seja, além da planilha de fls 171 a 173, que melhor explicaria o cálculo da multa, não constar desses autos, a DRJ afirma que o IPI e o ICMSST não compuseram a base de cálculo da multa, em sentido diametralmente oposto do que clama o contribuinte. Assim, seria o caso de o julgamento ser convertido em diligência para a repartição fiscal de origem, a fim de que apresentasse o conteúdo das planilhas referidas no TVF como constantes de fls 171 a 173, trazendo nova cópia aos autos; bem como apontasse a forma de cálculo de multa, especialmente explicitando se os valores destacados nas notas fiscais a título de IPI e ICMSST foram ou não retirados da sua base de cálculo. Contudo, o artigo 58T da Lei nº 10.833/2003 foi revogado pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A dessa Lei não mais existe na ordem jurídica. Tal dispositivo também determinava a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n. 11.488/2007, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória. Destaco abaixo o conteúdo da norma revogadora: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 DOU de 20.1.2015 Art. 169. Ficam revogados: (...) III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58 A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) [grifei] Assim, não há dúvidas de que atualmente o dispositivo que fundamentou a autuação encontrase revogado pela Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe, em conformidade ao disposto no art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a multa sob análise deve ser cancelada: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Ressalto que cumpre a este Colegiado reconhecer a citada retroatividade benigna em favor do contribuinte, em razão dos princípios e regras de regem o processo administrativo fiscal, especialmente aqueles estampado na Lei n. 9.784/99, cujos dizeres transcrevo abaixo: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. (...) Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (...) IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; 3. CONCLUSÃO Ex positis, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando o crédito tributário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402003.001 S3C4T2 Fl. 115 9 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000286/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. Aceita-se comprovação de recibo de despesas médicas com características similares a outros considerados passíveis de dedução na DIRPF pelo julgador. Caso dos autos.
EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Estando configurada na decisão a omissão, erro, contradição e/ou obscuridade, há que se acolher os embargos declaratórios interpostos para sanar a irregularidade ou erro da decisão embargada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-004.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, acolhê-los, com efeitos infringentes, para considerar também dedutível o recibo médico de fl. 135, no valor de R$ 8.150,00.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. Aceitase comprovação de recibo de despesas médicas com características similares a outros considerados passíveis de dedução na DIRPF pelo julgador. Caso dos autos. EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Estando configurada na decisão a omissão, erro, contradição e/ou obscuridade, há que se acolher os embargos declaratórios interpostos para sanar a irregularidade ou erro da decisão embargada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 86 /2 00 9- 43 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, acolhêlos, com efeitos infringentes, para considerar também dedutível o recibo médico de fl. 135, no valor de R$ 8.150,00. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13881.000286/200943 Acórdão n.º 2401004.431 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos declaratórios interpostos tempestivamente pelo contribuinte em 23/01/2015, em face do Acórdão 2101002.605– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 20/01/2015. O processo referese a lançamento de IRPF relativo ao ano calendário 2005, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 25.250,00, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a dedução. O acórdão embargado considerou comprovada a despesa médica no valor de R$ 15.100,00 tendo em vista que, além dos recibos de pagamentos, o recorrente anexou aos autos, declarações dos profissionais emitentes dos recibos confirmando a realização dos serviços. Esse foi o motivo pelo qual parte dos valores foram reconsiderados, conforme trecho do Acórdão a seguir transcrito: No presente caso, dos recibos apresentados pelo contribuinte, apenas os recibos relativos aos profissionais Erika Aparecida Alves dos Santos (R$ 3.800,00), Tatiana Taira Assub (R$ 4.150,00), Kellen Patrícia Guimarães (R$ 3.350,00) e Renata Gonzaga T. do Amaral (R$ 3.800,00) foram confirmados por meio de declarações subscritas pelos profissionais, que ratificaram tanto a prestação dos serviços, como os pagamentos em dinheiro. Eis o motivo pelo qual voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 15.100,00. O embargante alega que teria sido apresentada declaração da profissional Rosilene Augusta Ferreira, no valor de R$ 8.150,00 e que não teria sido considerada no acórdão. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora Os embargos foram interpostos tempestivamente e atendem aos requisitos legais, merecendo ser analisados. Os embargos foram interpostos tempestivamente e, conforme o despacho de admissibilidade, passo a analisar. O art. 1.022 da Lei 13.105/2015, o Novo Código de Processo Civil Brasileiro, a seguir transcrito, define as hipóteses de cabimento de embargos declaratórios, que pode ser utilizada no Direito Tributário. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III corrigir erro material. O documento à efl.135 referese a uma declaração da profissional Rosilene Augusta Ferreira, de próprio punho, relativas ao tratamento psicológico de fevereiro à novembro de 2005, datada de 2009, para o contribuinte, no valor de R$ 8.150,00. Entendo que, se os outros documentos com teor similar foram aceitos como comprobatórios, flagrante o erro material que não reconheceu a isenção para o documento apontado pelo embargante, cujas características para dedução são idênticas as daqueles reconhecidos no acórdão embargado. Dado o exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos interpostos pelo recorrente, com efeitos infringentes, para considerar também exonerados do lançamento, o imposto de renda relativo ao mencionado recibo, no valor de R$ 8.150,00 (efl. 135). Maria Cleci Coti Martins. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904749/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. PROVA. ÔNUS DO RECORRENTE
Censurável o comportamento do recorrente, que não agiu com necessário zelo no preparo da defesa, porquanto, ao intento de comprovar os fatos em discussão, apenas reuniu várias cópias de contas contábeis do livro Razão, de planilhas e de balancetes que não especificam a composição dos rendimentos e do imposto de renda retido, refletindo importâncias globais ao invés de detalhar as quantias específicas à lide. Tal estado de coisas não alberga a certeza e a liquidez indispensáveis ao deferimento da diferença reclamada do saldo negativo de IRPJ.
Numero da decisão: 1301-002.065
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-07-31T20:38:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-07-31T20:38:10Z; Last-Modified: 2016-07-31T20:38:10Z; dcterms:modified: 2016-07-31T20:38:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:382ea67d-f320-4a5d-9ddf-55c13c8e3e06; Last-Save-Date: 2016-07-31T20:38:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-07-31T20:38:10Z; meta:save-date: 2016-07-31T20:38:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-07-31T20:38:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-07-31T20:38:10Z; created: 2016-07-31T20:38:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2016-07-31T20:38:10Z; pdf:charsPerPage: 2202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-07-31T20:38:10Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 371 1 370 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.904749/201030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.065 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de julho de 2016 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. PROVA. ÔNUS DO RECORRENTE Censurável o comportamento do recorrente, que não agiu com necessário zelo no preparo da defesa, porquanto, ao intento de comprovar os fatos em discussão, apenas reuniu várias cópias de contas contábeis do livro Razão, de planilhas e de balancetes que não especificam a composição dos rendimentos e do imposto de renda retido, refletindo importâncias globais ao invés de detalhar as quantias específicas à lide. Tal estado de coisas não alberga a certeza e a liquidez indispensáveis ao deferimento da diferença reclamada do saldo negativo de IRPJ. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/Ribeirão Preto (DRJ/RPO) que, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, e não homologou as compensações levadas a litígio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 47 49 /2 01 0- 30 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 372 2 Pela clareza do relatório do acórdão recorrido, reproduzoo para adotálo: “Tratase das Declarações de Compensação Eletrônicas (DCOMP) nºs 03082.82979.071205.1.3.020798, 29099.74156.160206.1.3.029574 e 33392.78184.230203.1.3.02 4582, apresentadas pela interessada em epígrafe para compensação de débitos próprios com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, informado na DCOMP com demonstrativo de crédito e na DIPJ no valor originário de R$ 845.104,26. Conforme Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 893936615, de 01/11/2010, o direito creditório foi reconhecido em parte e as compensações foram homologadas até o limite do crédito concedido, mediante o seguinte fundamento:” (grifos no original) COMPOSIÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO: a) período de apuração do crédito – anocalendário de 2001 b) tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ c) total do IRFONTE na DCOMP : R$ 845.124,26 d) total do IRFONTE confirmado: R$ 831.665,19 e) soma das parcelas de crédito: R$ 845.104,26 f) soma das parcelas de crédito confirmadas: R$ 831.665,19 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 373 3 g) valor original do saldo negativo informado na DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 845.104,26 h) valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 845.104,26 i) somatório das parcelas do composição do crédito na DIPJ: R$ 845.104,26 j) IRPJ devido: zero k) valor do saldo negativo disponível: R$ 831.665,19 l) valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/10/2010: principal: R$ 23.377,28 multa: R$ 4,.75,42 juros: R$ 12.142,13 Enquadramento legal da não homologação: artigo 168 do Código Tributário Nacional (CTN). Inciso II do parágrafo 1º do artigo 6º da Lei nº 9.430, de 1996. Artigo 5º da IN SRF nº 900, de 2008. Artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Nas Informações Complementares da Análise de Crédito, constam os seguintes dados: a) parcela confirmada do IRFONTE, com 13 fontes pagadoras, às fls. 02/03: R$ 792.906,10; b) parcela parcialmente confirmada ou não confirmada (CNPJ: 33.700.394/000140, código 3426): b.1) total da parcela do IRFONTE: R$ 52.198,16 b.1.1) total confirmado da parcela: R$ 38.759,09 b.1.2) total não confirmado da parcela: R$ 13.439,07 Composição do total do IRFONTE declarado na PER/DCOMP: R$ 792.906,10 + R$ 52.198,16 = R$ 845.104,26 Cálculo do IRFONTE confirmado: R$ 845.104,26 – R$ 13.439,07 = R$ 831.665,19 Valor do saldo negativo disponível: R$ 831.665,19 – ZERO = R$ 831.665,09 Continua a DRJ/RPO, à fl. 244: “Cientificada do Despacho Decisório, por via postal, em 10/11/2010, a interessada apresentou, em 09/12/2010, manifestação de inconformidade, protestando, inicialmente, pelo “sobrestamento da cobrança da parcela do tributo compensado e não homologado até final decisão administrativa”. No mérito, contrapõese à glosa do imposto retido pela fonte pagadora identificada pelo CNPJ: 33.700.394/000140, no valor Fl. 373DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 374 4 de R$ 13.439,07, efetuada sob a justificativa “receita correspondente oferecida parcialmente à tributação”.” Acórdão recorrido com a seguinte ementa, às fls. 241/242: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. No que tange ao efeito suspensivo das defesas apresentadas, relativamente aos débitos compensados, é matéria fora da competência da DRJ, a qual se restringe, no presente caso, ao julgamento, em primeira instância, dos processos administrativos fiscais de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo da existência do direito creditório pleiteado, cumprindo à pessoa jurídica comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento, quando o pedido de restituição/compensação se origina de saldo negativo apurado em referida declaração. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. O IRRF é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e apresentado o respectivo Comprovante de Rendimentos Pagos, emitido nos termos da legislação vigente. À falta de documentação hábil e idônea a comprovar o regular oferecimento à tributação dos rendimentos de aplicação financeira, não se admite a dedução do IRRF correspondente.” Ciência da decisão de primeira instancia em 15/09/2014, às fls. 257. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 375 5 Recurso a este Colegiado com entrada na repartição no dia 15/10/2014, às fls. 262/272. Nesta oportunidade, aduz o seguinte: 1) “O valor que deixou de ser reconhecido pela DRF Joaçaba de R$ 13.439,07, corresponde ao imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de aplicação financeira, pelo Banco Unibanco, CNPJ/MF 33.700.394/000140, sendo que a glosa foi perpetrada sob a justificativa de que a "receita correspondente oferecida parcialmente à tributação”.”; 2) “Com a redução do crédito, decorrente da glosa do valor acima, a compensação declarada no Per/DComp n° 40989.70901.140206.1.3.025908 foi homologada apenas parcialmente, e as compensações declaradas nos PerDComps n° 29099.74156.160206.1.3.029574 e 33392.78184.23026.1.3.024582, não foram homologadas.”; 3) “Inconformada com o despacho decisório da autoridade administrativa, a requerente interpôs Manifestação de Inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto SP, através da qual pleiteou o reconhecimento integral do crédito, demonstrando que os rendimentos da aplicação financeira em questão, foram efetivamente levados à tributação.”; 4) “Todavia, a Delegacia de Julgamento, ao analisar as provas trazidas aos autos, desconsiderou as mesmas, indeferindo o pedido da requerente, sob a justificativa de que a "...as planilhas, os balancetes e o Razão Contábil, trazidos na defesa, não podem ser considerados como documentos hábeis a comprovar o alegado" (fls. 251).”; 5) “Ainda, "os Balancetes não correspondem àqueles transcritos no Livro Diário, deles não constando assinatura do sócio e do contador responsável, cumprindo registrar, ainda, que não foi trazido o balancete de setembro e os balancetes de outubro e novembro foram apresentados parcialmente, sem a indicação da conta de resultado; o Livro Razão, além de restar desacompanhado dos respectivos Termos de Abertura e Encerramento, representa apenas um extrato impresso dos períodos mensais individualmente considerados e não a cópia fiel dos registros levados a efeito no citado Livro de escrituração obrigatória; e as planilhas por si sós, porque desacompanhadas Fl. 375DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 376 6 da escrituração regular, não são hábeis a provar as informações nelas constantes",(fls. 251).”; 6) “Destarte, conclui a decisão recorrida que "... à falta de demais elementos de prova hábil, subsiste a imputação de falta de comprovação da tributação regular dos rendimentos de aplicação financeira, fato o impede a dedução do IRRF no valor ora em litígio".(fls. 255).”; 7) “Não obstante, com a devida vênia, a decisão da DRJ é equivocada, uma vez se apega excessivamente a formalidades em detrimento da verdade material, razão pela qual merece ser prontamente reformada pelo CARF, senão (sic) vejamos:” 7.1.1) Primeiramente, é preciso assentar que, a requerente sofreu a retenção no valor de R$ R$ 13.439,07, decorrente de rendimentos de aplicação financeira, mantida junto ao Banco Unibanco, CNPJ/MF 33.700.394/000140, conforme se constata nos documentos de fls. 64 e 65, fornecidos pela referida instituição financeira. Este fato é, portanto, incontroverso.”; 7.1.2) “Em segundo lugar, para refutar o fundamento lançado no despacho decisório para justificar a glosa do crédito, ou seja, o de que a "receita correspondente oferecida parcialmente à tributação", a requerente carreou aos autos de forma organizada e clara, um consistente conjunto probatório, composto por documentação contábil adequada e tecnicamente possível, que comprova irrefutavelmente o registro contábil da receita da aplicação financeira, sobre a qual incidiu a retenção na fonte do imposto que constitui o saldo negativo de IRPJ, objeto do pedido de ressarcimento. [...] Tal documentação consiste na cópia do Razão Contábil das contas contábeis pertinentes, dos balancetes contábeis, planilhas de cálculo das aplicações financeiras, avisos de crédito bancário e relatório dos lançamentos contábeis efetuados. Referida documentação consta no processo às fls.6 6 a 115, para as quais pedimos vênia para remeter V. Excelência.”; 7.1.3) “A receita financeira auferida foi devidamente registrada na escrituração contábil (vide relatórios de fls. 66 a 115), submetida à tributação e informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2002, Fl. 376DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 377 7 acostada às fls. 116 a 239. Sobre isso também não há dúvida. A própria decisão recorrida estampa os relatórios contábeis que consignam o registro receitas auferidas com aplicações financeiras, bem assim a Ficha 06A da DIPJ, na qual constam as receitas financeiras auferidas pela requerente no ano calendário de 2001.”; 7.1.4) “Notese que, o valor da receita financeira constante nos relatórios contábeis e demonstrativos de fls. 66 a 115 coincide com o valor informado na DIPJ acostada às fls. 116 a 239. Portanto, é insofismável e salta aos olhos mesmo de um leigo, que o conjunto probatório carreado aos autos pelo contribuinte, comprova que a receita financeira que originou o imposto retido na fonte, objeto do pedido de restituição,foi devidamente submetida à tributação.”; 8) “Não obstante, a DRJ no afã de sempre chancelar os atos dos agentes fiscais, mesmo diante de todas as evidências em sentido contrário, preferiu manter a glosa do crédito, sob a esdrúxula evasiva de que as planilhas, os balancetes e o razão contábil trazidos na defesa não poderiam ser considerados como documentos hábeis a comprovar as alegações do contribuinte. E não seriam hábeis porque "os Balancetes não correspondem àqueles transcritos no Livro Diário, deles não constando assinatura do sócio e do contador responsável, cumprindo registrar, ainda, que não foi trazido o balancete de setembro e os balancetes de outubro e novembro foram apresentados parcialmente, sem a indicação da conta de resultado; o Livro Razão, além de restar desacompanhado dos respectivos Termos de Abertura e Encerramento, representa apenas um extrato impresso dos períodos mensais individualmente considerados e não cópia fiel dos registros levados a efeito no citado Livro de escrituração obrigatória ...”; 9) “Neste proceder a decisão recorrida contrariou principio basilar que orienta o processo administrativo tributário, qual seja o princípio da verdade material.”; 10) “[...] a decisão recorrida ignorou o conteúdo das provas apresentadas pelo contribuinte, ou seja, desprezou a realidade dos fatos tributários (a despeito de conhecêlos) e se esforçou em manter a glosa do crédito, atendose unicamente a Fl. 377DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 378 8 questões formais como assinaturas, apresentação e termos e abertura e encerramento dos livros contábeis,etc. etc.”; 11) “Com efeito, a recorrente juntou aos autos cópias dos balancetes e do livro Razão, todavia, referidas cópias por uma questão de praticidade foram retiradas do sistema de processamento de dados, mas que evidentemente apresentam os mesmos dados constantes dos livros encadernados e registrados nos órgãos competentes.”; 12) “Ora, devese ter em vista que a recorrente é empresa de grande porte, que movimenta centenas de documentos diariamente, em decorrência disso, mantém em arquivos eletrônicos, salvos em sistema próprio, todos os documentos que são levados à escrituração, facilitando assim, o controle, otimizando os serviços e o acesso por parte dos usuários, sendo que correspondem aos originais que estão em poder da requerente.”; 13) “[...] importante salientar que as provas apresentadas pela recorrente, atendem a finalidade a que se destinam, qual seja, demonstrar que os valores glosados foram de fato levados à tributação. Com efeito, a requerente juntou todos os documentos necessários e essenciais, compreendo (sic) todos os elementos relevantes e disponíveis para demonstração do alegado.”; 14) “Ressaltase que os Balancetes e Razão apresentados, ao que se soma os demais relatórios juntados, constituem prova hábil, isto é, apta a comprovar os fatos alegados e também idônea, porque é adequada e conveniente para o caso concreto, além de estarem livres de qualquer vicio ou inconsistência.”; 15) “Devese, portanto, analisar o conjunto dos documentos trazidos aos autos pela recorrente, sob a ótica e com observância dos principios que orientam e condicionam o processo administrativo tributário, devendo ser aceitos quaisquer meios de prova trazidos aos autos, desde que licitos.”; 16) “Ademais, tendo a Autoridade Julgadora considerado que as provas apresentadas não são documentos hábeis, deveria ter primado pela busca da verdade material, determinado a realização de diligencia, com a finalidade de confirmar as informações carreadas aos autos ou até solicitar a juntada dos documentos que julgasse necessários para comprovação dos fatos sob julgamento.”; Fl. 378DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 379 9 17) “Advirtase desde logo que não se trata de transferir para o julgador o dever de provar os fatos alegados. Tratase, isto sim, de observar as normas e princípios que regem o processo administrativo, tendo em conta que neste, ao contrário do que ocorre no processo judicial, o julgador não deve ficar inerte e restrito apenas aos documentos apresentados pelas partes, tem o dever de buscar a verdade real,tal como aconteceu, e desta forma, deve solicitar todos os documentos necessários para a comprovação do fato.”; 18) “Não obstante, caso se entenda que os Balancetes e o Razão contábil apresentados não são documentos hábeis, o que não se acredita, em apreço as (sic) normas e princípios que regem o processo administrativo tributário, a requerente apresenta, em anexo, novamente os documentos que já se encontram acostados as fls. 66 a 115, porém desta feita assinados pela contadora e pelo representante legal da empresa, fazendo acompanhar ainda de declaração expressa, no sentido de que os documentos apresentados representam cópia fiel dos transcritos nos livros próprios.”; 19) "Salientase que o conteúdo dos documentos ora juntados é exatamente o mesmo dos originalmente apresentados (fls. 66 a 115), buscandose apenas suprir a alegada falta de elementos de prova hábil a comprovar os fatos alegados na manifestação de inconformidade.”; 20) “[...]estes documentos, (sic) visam a contrapor os fatos apresentados no julgamento da Manifestação de Inconformidade, comprovando que os documentos ali apresentados condizem com os livros originais.”; 21) “A requerente trouxe na Manifestação de Inconformidade, os documentos que entendia aptos e essenciais a comprovar o seu direito, tendo o julgador desconsiderado tais provas, sob a alegação de que não correspondiam com os documentos escriturados.”; 22) “Desta forma, também em observância do princípio da Verdade Material e do Formalismo Moderado, devem ser admitidas as novas provas apresentadas, em exceção à regra do § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72.” 23) “Assim, pelos documentos apresentados pela requerente, verificase que de fato os rendimentos da aplicação financeira em questão foram levados à tributação, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 380 10 infirmandose assim os fundamentos invocados como justificativa para a glosa do crédito.”; 24) “Diante de todo o exposto e, considerando que a r. decisão recorrida decidiu contrariamente aos documentos apresentados nos autos, requer: i. o recebimento do presente recurso com os documentos que o acompanham e, ii. a reforma da decisão prolatada, com o reconhecimento integral do crédito pleiteado e, consequentemente, a homologação integral das compensações declaradas nos PerDComps n° 40989.70901.140206.1.3.025908, 29099.74156.160206.1.3.029574 e 33392.78184.23026.1.3.024582.”. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Cingese a controvérsia a retenção de imposto de renda no valor de R$ 13.439,07, incidente sobre aplicações financeiras. Esse montante, na verdade, corresponde a uma parte do imposto de renda de R$ 52.198,16, total retido na fonte pelo Banco Unibanco, a teor do Informe de Rendimentos Financeiros – trimestral, emitido em 23/01/2002 à fl. 62. Tal documento revela que a Recorrente aplicara, em 2001, recursos financeiros em dois produtos oferecidos pela mencionada instituição financeira: 1) renda fixa – mercado secundário, do qual obtivera rendimentos nominais de R$ 193.795,46, com retenção de imposto de renda de R$ 38.759,09; 2) renda fixa CDB Cetip Flut DI, do qual obtivera rendimentos nominais de R$ 67.195,35, com retenção de imposto de renda de R$ 13.439,07. A soma entre as parcelas de R$ 38.759,09 e R$ 13.439,07 resulta na importância de R$ 52.198,16, acima destacada. Por sua vez, o rendimento financeiro total sobre o qual incidiu o imposto de renda na fonte em montante igual à soma das duas parcelas anteriores (R$ 52.198,16) é de R$ 260.990,81 (R$ 193.795,46 + R$ 67.195,35), à fl. 63. Cabe salientar, para o caso concreto, o § 1º do artigo 9º do Decretolei nº 1.598, de 1977, segundo o qual “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.” (grifei) Daí se pode depreender, em primeiro plano, uma regra geral implícita ao direito probatório, no sentido de que os fatos que impliquem efeitos tributários favoráveis a quem os declara exigem Fl. 380DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 381 11 prova documental hábil, o que exclui os que são produzidos pelo próprio declarante, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse” 1. Pelo exposto, afastase, de imediato, a suspeita fundamental que recai sobre as supostas provas produzidas pelo próprio sujeito que postula em benefício próprio. Não é disso de que se trata, definitivamente, já que se está diante de uma informação prestada pela instituição financeira que recebeu os recursos da Recorrente para aplicálos em investimentos. Em segundo lugar, não se vislumbra, à vista do documento em referência, indício de fraude. Em suma, devese tomálo como hábil ao fim a que se destina: provar a retenção na fonte de um determinado montante de imposto de renda que incidira sobre rendimento do beneficiário. No entanto, não é possível admitir que tal parcela do imposto de renda retido na fonte componha o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001 sem a comprovação de que o rendimento sobre o qual incidiu tal tributo, no montante de R$ 67.195,35, tenha sido oferecido à tributação do imposto de renda incidente sobre o resultado do anocalendário, apurado com base na escrituração. Nesse ponto, deparase com a fragilidade da defesa, porquanto, ao intento de comprovar os fatos em discussão, apenas reuniu várias cópias de contas contábeis do livro Razão, de planilhas e de balancetes que não especificam a composição dos rendimentos e do imposto de renda retido. Com efeito, os valores expostos nessas cópias parecem refletir importâncias globais, deixando de detalhar, todavia, as quantias específicas à lide, que se resumem nas importâncias de R$ 67.195,35, a título de rendimento auferido em aplicação financeira, e o respectivo imposto de renda na fonte, retido pela instituição financeira, na cifra de R$ 13.439,07. Tal estado de coisas não alberga a certeza e a liquidez indispensáveis ao deferimento da diferença reclamada do saldo negativo de IRPJ. Nessa ordem de ideias, censurase o comportamento da Recorrente, que não teve o necessário zelo no preparo da defesa. Em face do exposto, proponho que se negue provimento ao presente recurso, tendo em conta que a Recorrente não comprovou a efetiva tributação do rendimento de R$ 67.195,33, às fls. 62/63. É como voto. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios fundamentais de direito administrativo função fiscal, 2ª. ed: Rio de Janeiro, 1996, p. 56. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904749/201030 Acórdão n.º 1301002.065 S1C3T1 Fl. 382 12 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 11128.000220/2010-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/12/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.608
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 20 /2 01 0- 01 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 183 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.266, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 184 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 185 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 186 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 187 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 188 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 189 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000220/201001 Acórdão n.º 9303003.608 CSRF‐T3 Fl. 190 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13654.000870/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2008
I) DA CONCOMITÂNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONSTATAÇÃO.
A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. Inteligência da Súmula no 1 do CARF.
II) DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.
Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento fiscal por vício material.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NÃO CONSTATAÇÃO. A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. Inteligência da Súmula no 1 do CARF. II) DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 08 70 /2 00 9- 82 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento fiscal por vício material. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000870/200982 Acórdão n.º 2402005.092 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 09/2004 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 52/55) informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receita bruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, a Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]” Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/10/2009 (fls. 01 e 101), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 106/188), alegando, em síntese, que era portadora do CEBAS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0928.207 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 192/195) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação: 1. traz à colação quadro demonstrativo das renovações do CEBAS em relação ao período de 1999 a 2011, suscitando que em todo àquele lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se cogitando no descumprimento do artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias; 2. pretende sejam analisadas todas as questões arguidas em suas peças impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo judicial, por entender que o desfecho naquela esfera não produzirá efeitos necessariamente neste processo, uma vez que no período objeto de autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos para gozo da isenção sob análise. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias; 3. infere que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. 4. contrapõese ao lançamento e, bem assim, à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a entidade nunca perdeu sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte. Acrescenta que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000870/200982 Acórdão n.º 2402005.092 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. I) DA CONCOMITÂNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Inicialmente, os elementos informativos dos autos apontam que a Recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, pleiteando a renovação do CEBAS que fora indeferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de Recurso Extraordinário nº 567076, interposto pelo INSS. Nos embargos de declaração na apelação cível n° 1999.38.00.0333672/MG, ficou assentado, na decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região, que a Recorrente (autor naquela peça judicial) juntou aos autos judiciais cópia da Resolução n° 234 do CNAS que a ela deferiu, em 09/09/99, o dito Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, atualmente designado de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), nos seguintes termos: “[...] Interposta apelação pelo INSS (fls. 273/286), este elencou os requisitos para que a entidade ficasse a salvo da revogação instituída pelo Decreto 1.572/77 (art. 1o, § 1o), quais sejam: ‘a) que tivesse sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicaão do Decreto Lei n° 1.572/77; b) que fosse portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado; c) e que estivesse isenta da contribuição.’ (fl. 275) Todavia, o INSS somente se insurgiu contra o terceiro requisito, sustentando que o Autor não o tinha preenchido. Nada falou sobre o segundo requisito, que trata do Certificado de Fins Filantrópicos, contra o qual agora se insurge. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Efetivamente, observase, nos autos, que a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos foi indeferida pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, em 19.02.98 (fl. 99), cuja decisão foi confirmada no julgamento do recurso administrativo interposto pelo Autor (fl. 100). Todavia, o próprio Autor junta aos autos cópia da Resolução n° 234 do CNAS que a ele defere, em 09.09.99, dito Certificado (fl. 101). [...]” De acordo com o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), o contribuinte tem o direito de se defender na esfera administrativa, mas, caso haja discussão na via judicial sobre o mesmo objeto litigioso, demonstra que o contribuinte abdicou da via administrativa, levando o seu caso diretamente ao Poder Judiciário ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito e, por consectário lógico do principio da jurisdição una no sistema brasileiro, isso importará em não conhecimento do recurso na via administrativa. Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrase que a aplicação desse anunciado e da legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial, tais como o art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980 e o art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991, não é uma tarefa automática, a ser exercida mecanicamente, oriunda somente da propositura de ação judicial pelo contribuinte, pressupõe se sempre a identidade de objeto nas discussões administrativas e judicial para se adotar os seus comandos impositivos. Isso porque a identidade do objeto litigioso deverá ser constatada caso a caso, de modo a identificar as semelhanças fáticas e jurídicas das questões postuladas nas instâncias administrativa e judicial. Nesse sentido, tanto a doutrina como a jurisprudência do STJ (EDcl no REsp 840.556/AM) afirmam que quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial estará caracterizada a concomitância de instância, nas palavras de Leandro Paulsen: “(...) o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial”. (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. 8a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, p. 560). No caso dos autos, o objeto da peça recursal administrativa versa, em síntese, sobre as seguintes questões: 1. se a Recorrente seria ou não detentora do CEBAS para as competências autuadas, conforme quadro demonstrativo das renovações do CEBAS (período de 1999 a 2011), já que o Fisco lançou os valores para evitar a decadência e com base no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000870/200982 Acórdão n.º 2402005.092 S2C4T2 Fl. 5 7 2. se o Fisco considerou ou não os pedidos de renovação do CEBAS para os períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, já que o Fisco não emitiu Ato Cancelatório de Isenção; 3. se a Recorrente perdeu ou não a sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, pois cabia ao Fisco demonstrar que, no período autuado, a Recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos da aludida benesse fiscal. Por sua vez, o objeto litigioso da ação judicial versa sobre a discussão da necessidade ou não de lei complementar para se estabelecer a disciplina normativa das exigências a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal. Diz a decisão de recebimento do Recurso Extraordinário nº 567076, verbis: ‘DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da necessidade, ou não, de lei complementar para a disciplinação normativa das exigências a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 566.622/RS, Rel. Min. MARCO AURÉLIO. Sendo assim, os presentes autos permanecerão sobrestados até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2008. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 567076, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2008, publicado em DJe118 DIVULG 27/06/2008 PUBLIC 30/06/2008)’ Diante desse cotejo das questões postuladas na via administrativa e judicial, é forçoso reconhecer que a ação judicial cuida de questão da constitucionalidade da norma tributária impositiva (lei ordinária ou lei complementar) que vai disciplinar as exigências a serem preenchidas pela entidade beneficente de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal/1988, enquanto o recurso administrativo se restringe a discussão se a entidade era detentora ou não do CEBAS para o período autuado e se o Fisco poderia lançar a contribuição patronal sem a emissão de Ato Cancelatório de Isenção para prevenir a decadência, tendo em vista que a Recorrente discutia judicialmente a renovação do CEBAS, em razão de questões de direito, para o período anterior as competências da autuação. Em outras palavras, administrativamente, a Recorrente impugna o lançamento com o propósito de anulálo em razão de questões de fato, ao passo que, em juízo, ela discute, para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição, a existência da norma a ser aplicada em plano distinto do período autuado e de forma abstrata dos elementos probatórios constantes dos autos, pois o objetivo desse Recurso Extraordinário nº 567076 não é desconstituir o presente lançamento fiscal e sim declarar, em sentido positivo ou negativo, uma determinada situação de direito para aplicação da lei complementar ou da lei ordinária. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Nesse passo, caso a decisão judicial encaminhe no sentido de aplicação da lei complementar (artigos 9º, § 1º, e 14, da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional1), isso, aparentemente, não influenciará no requisito de que a entidade era ou não portadora do CEBAS, pois tal requisito não faz parte do comendo normativo dessa lei complementar. Diante desse contexto, a nosso ver, não deve incidir o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF, nem a legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial, porque os elementos probatórios constantes dos autos apontam para a inexistência de coincidência de objeto litigioso ou pedido das instâncias administrativa e judicial, esta cuida de questões de direito e aquela (administrativa) tratase de questões de fato que independem das questões veiculadas no Recurso Extraordinário nº 567076. Também não encontro espaço jurídico para a aplicação das regras estabelecidas pelo art. 32 da Lei 9.430/19962 e pelo art. 32 da Lei 12.101/2009, pois o critério 1 Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos. ......................................................................................................... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. 2 Lei 9.430/1996: PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000870/200982 Acórdão n.º 2402005.092 S2C4T2 Fl. 6 9 jurídico a ser adotado deverá observar a regra do art. 144 do CTN, o qual dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada (tempus regit actum). E, com isso, para a constituição do presente lançamento fiscal, impõese reconhecer a aplicação das regras estabelecidas pelo art. 55 da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência do fato gerador. Na espécie, reforça a aplicação das regras do art. 55 da Lei 8.212/1991 o fato de que a ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/10/2009 (fls. 01 e 101), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR), e a Lei 12.101/2009 somente foi publicada em 27/11/2009, portanto, após a lavratura do lançamento fiscal. II) DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL II.a CONSTATAÇÃO DO VÍCIO O Fisco afirma que o Conselho Nacional de Assistência Social indeferiu a renovação do CEBAS para a Recorrente. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 [...]”. Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificarse, em sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (Revogado pela Lei nº 13.165, de 20150) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 legal ensejadora da autuação. Ou seja, pelos fundamentos a seguir delineados, a motivação fática e jurídica do lançamento fiscal não estão em conformidade com a legislação tributária, nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988. Conforme se observa nos autos, mesmo tendo a autoridade tributária à sua disposição todos os documentos pertinentes à escrituração contábil – bem como os demais documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado pela Lei 12.101/2009 –, limitouse a justificar a autuação apenas pela existência do indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformado pelas instâncias judiciais ordinárias. Contudo, não houve a emissão de qualquer Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991, nem a observância se a entidade cumpria ou não os demais requisitos desse mesmo artigo. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente ((Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009): I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (g.n.) § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000870/200982 Acórdão n.º 2402005.092 S2C4T2 Fl. 7 11 § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que os requisitos referemse a um rol exaustivo, incisos I a V, para que se possa gozar da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Dentro do quadro fático e jurídico, verificase que o Fisco não observou a necessidade de prévio cancelamento da imunidade/isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante disposto no § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 305, e seus parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, como condição à constituição do crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. “[...] Instrução Normativa SRP n° 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. [...]” Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente. Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção ou está discutindo a matéria no âmbito judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. Em outras palavras, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento fiscal. Por sua vez, constatase também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, bem como das informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreendese que a Recorrente possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Assim, ao realizar o lançamento, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação jurídica, que foram os §§ 1o e 4o, ambos do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica. Nesse passo, não existindo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, isso, por si só, enseja a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao devido processo legal. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes do lançamento fiscal, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000870/200982 Acórdão n.º 2402005.092 S2C4T2 Fl. 8 13 vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal sem a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionado pelo equívoco do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação formal, consoante previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991. II.b NATUREZA DO VÍCIO Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco, no Relatório Fiscal, delineou um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000870/200982 Acórdão n.º 2402005.092 S2C4T2 Fl. 9 15 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen3: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 102 47829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. 3 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 III CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para reconhecer a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15540.720058/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. João Rafael de Carvalho, OAB/RJ 152.255.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. João Rafael de Carvalho, OAB/RJ 152.255. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belém/PA, que julgou parcialmente procedente1 a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Sociais (“COFINS”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, no seguinte fato: pela análise da DACON, demais 1 Pelo valor exonerado estar abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n. 3 de 03/01/2008, não foi interposto recurso de ofício. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 05 8/ 20 14 -4 7 Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 112 2 documentos e informações prestadas pelo contribuinte, a Fiscalização entendeu que foram utilizados créditos indevidos na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativa, no importe R$ 3.999.005,68 e R$ 18.419.665,84, respectivamente, incluídos nesses valores multa proporcional de 75% e juros de mora. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis (...) 2. Segundo Termo de Constatação Fiscal de fls. 11/26 foram apuradas as seguintes infrações: a) Apuração indevida de créditos originados de notas fiscais de terceiros, referentes a despesas que na verdade pertencem à tomadora dos serviços prestados pela impugnante e que foram objeto de reembolso, sendo o valor lançado na conta “recuperação de despesa nº 35210” e não oferecido à tributação. Intimada, a empresa não apresentou esclarecimentos ou documentos; b) Créditos apurados sem comprovação documental. Intimada, a empresa novamente não apresentou esclarecimentos ou documentos que sustentassem o aproveitamento dos créditos; c) A fiscalização verificou que a impugnante aproveitou em julho/2009 créditos referentes a notas fiscais emitidas em novembro e dezembro de 2008 e que já haviam sido utilizados nos respectivos períodos de apuração. Intimada a prestar esclarecimentos a impugnante de novo silenciou; d) A impugnante utilizou para abater as contribuições referentes aos períodos lançados, saldos credores de períodos anteriores que já haviam, segundo a fiscalização, sido consumidos até o PA janeiro/2009, nada restando para os seguintes. O contribuinte foi cientificado de tal fato e intimado a apresentar esclarecimentos, através do termo de verificação e intimação fiscal de 05/09/2013, não apresentando qualquer esclarecimento ou documento. e) Complementa a fiscalização: (...) 68. Não existe a figura do crédito de PIS e COFINS nãocumulativo extemporâneo. O crédito é informado no período da aquisição do bem ou serviço utilizado como insumo, e, através da ficha 14 (PIS) e 24 (COFINS), o saldo não utilizado em um determinado período (linha 14: saldo remanescente) é transferido para o período seguinte a título de saldo de créditos de períodos anteriores (linha 01).” 3. Cientificada em 24.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 26.03.2014, impugnações de mesmo teor, uma para o PIS/Pasep e outra para a Cofins, nas quais apresenta as alegações abaixo. a) Nulidade em função de erro na capitulação da infração; (...) Ora, se houve o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS que não são devidos, como descrito na infração capitulada, a lógica seria a simples glosa do valor desses créditos, reduzindose o saldo credor acumulado das contribuições, sem a cobrança do débito de PIS/COFINS apurado nesses períodos e sem a cobrança da multa de ofício de 75%. Por outro Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 113 3 lado, se inexiste saldo credor acumulado, essa informação deveria ter sido explicitada na tabela de apuração do PIS/COFINS, mas isso não foi feito na Tabela 02 Anexa ao Termo de Constatação, impossibilitando que a Impugnante tenha conhecimento de forma como foi apurado o montante exigido na autuação.” b) “Decadência do crédito tributário consubstanciado no auto de infração, relativo aos créditos de PIS/COFINS anteriores a 24.2.2009”; c) Relativamente à glosa dos créditos sobre despesas recuperadas, a empresa alega que não poderia ser feita em virtude da mesma já haver estornado de forma espontânea os referidos créditos. (...) d) Ainda na mesma infração, procura demonstrar através de planilhas e de extratos do Razão o estorno dos créditos e, em seguida, defende o direito ao crédito sobre as citadas despesas: (...) e) Na segunda infração, referente à glosa de créditos por falta de comprovação, argumenta que o simples fato de ter deixado de apresentar todas as notas ficais exigidas pela fiscalização no curso da ação fiscal não justifica a glosa, uma vez que é possível comprovar as despesas por outros meios, citando como exemplo os comprovantes de pagamento e entrada. (...) f) Relativamente à terceira infração apontada utilização de créditos referentes a períodos anteriores e já utilizados nos períodos correspondentes – aduz que (...) embora a DACON esteja preenchida de forma equivocada, com base na documentação fiscal e contábil da Impugnante faturas, notas fiscais de entrada e de saída e livro razão notadamente analisandose as contas específicas do seu balanço/plano de contas em que estão registrados os créditos e débitos de PIS/COFINS, verificase que não houve qualquer creditamento em duplicidade.” g) Na quarta infração (saldos credores de períodos anteriores já utilizados), a impugnante, alega que (...) 75. Com base em todos esses precedentes devese, no caso concreto, prestigiar o princípio da verdade material, inclusive por meio de conversão do feito em diligência, para se ratificar a existência de saldo de crédito a suportar a redução de base de cálculo realizada nesse período, reconhecendose a insubsistência da glosa pretendida no auto de infração.” h) Aponta ainda a impossibilidade da aplicação da multa de ofício, uma vez que a ação fiscal trata unicamente de glosa de créditos e não constituição de crédito tributário; i) Reclama também da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício; j) Ao final, requer: (...) que sua impugnação seja acolhida, com a declaração de nulidade ou de improcedência do auto de infração; (...) protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, notadamente por meio de juntada de prova documental suplementar e da realização de diligência, ocasião em que desde já nomeia como sua assistente técnica (...). Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 114 4 Antes do julgamento em primeiro grau, o processo foi baixado em diligência para que se confirmasse a validade e a aptidão de gerar crédito de 4 notas fiscais (Metalpier nº 2403; Semetre nº 1231; Hojura nº 23 e Halliburton nº 1649). Em sua resposta (Relatório de fls. 1015/1020), a Fiscalização afirmou que ficou constatado que a despesa/custo representada pelas notas fiscais não foram comprovadas como sendo necessária a atividade operacional da impugnante, “sendo mantida a glosa do referido dispêndio.” Sobreveio então o Acórdão 0131.863, da 3ª Turma da DRJ/BEL, julgando parcialmente procedente a impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA. DESPESAS RESSARCIDAS. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO. Tanto a Lei nº 10.637, de 2002 (PIS/Pasep), quanto a Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins), são claras ao prever o direito ao crédito calculado, dentre outros, sobre os valores de bens adquiridos para revenda ou de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso presente nenhuma das hipóteses ocorreu, não tendo a empresa incorrido em despesa para aquisição de bens a serem revendidos ou para a prestação de serviços, inexistindo, portanto, direito ao crédito. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Incabível a utilização de créditos referentes a aquisições feitas em um período no cálculo da contribuição de período de apuração seguinte. A legislação de regência permite apenas a utilização de crédito excedente, depois de devidamente apurado em seu período respectivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA. DESPESAS RESSARCIDAS. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO. Tanto a Lei nº 10.637, de 2002 (PIS/Pasep), quanto a Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins), são claras ao prever o direito ao crédito calculado, dentre outros, sobre os valores de bens adquiridos para revenda ou de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso presente nenhuma das hipóteses ocorreu, não tendo a empresa incorrido em despesa para aquisição de bens a serem revendidos ou para a prestação de serviços, inexistindo, portanto, direito ao crédito. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Incabível a utilização de créditos referentes a aquisições feitas em um período no cálculo da contribuição de período de apuração Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 115 5 seguinte. A legislação de regência permite apenas a utilização de crédito excedente, depois de devidamente apurado em seu período respectivo. Os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a impugnação, cancelando os créditos tributários nos valores de R$ 3.379,21 (PIS/Pasep) e R$ 15.564,86 (Cofins), ambos do PA 08/2009, referente às notas fiscais 23 HOJURA ASBUILT 3D LTDA e 1649 HALLIBURTON, revertendose a glosa de créditos. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 1267 – 1303, repisando os argumentos trazidos quando da sua impugnação ao lançamento tributário, além de apontar nulidade da decisão a quo por cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não foram analisadas as provas e argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. VOTO O contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 10/06/2015, conforme AR de fls. 126 e apresentou em 09/07/2015 o recurso voluntário de fls. fls 1267 a 1303, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo, cumpre os demais requisitos legais, então dele tomo conhecimento. Já passando à análise do caso, inicialmente saliento que a Recorrente é empresa constituída sob a forma de sociedade anônima, com objeto social, dentre outros, de execução de obras e serviços para a instalação e exploração de petróleo e gás natural, execução de serviços de engenharia submarina e construção civil, inclusive construção, instalação e assistência técnica de estruturas marítimas, podendo fabricar, montar e vender equipamentos destinados a estes serviços. Pela análise da DACON, demais documentos e informações prestadas pelo contribuinte, a Fiscalização entendeu que foram utilizados créditos indevidos na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas, tratados nos itens abaixo. 1. Da (i)legalidade da glosa de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com insumos recuperáveis financeiramente Lembrese que, de forma geral, na autuação fiscal guerreada foram glosados créditos apropriados sobre bens e serviços incorridos pela Recorrente (prestadora do serviço) na prestação de serviços à Acergy MS Lts (tomadora do servilo) no contrato denominado “projeto Mexilhão”. No ínterim da fiscalização, contatouse que elevados valores encontravam se contabilizados em conta de resultado denominada “Recuperação de Despesas” (n. 51103001 – 35210). Sobre isso, a Recorrente à época informou que tal rubrica tratava de despesas recuperadas financeiramente. Dessa forma, a autoridade fiscal entendeu que por se tratar de reembolso de despesas de terceiros, não está configurada a venda ou prestação de serviço a pessoa domiciliada ou residente no exterior, de modo que não existe o direito de ser tomado crédito de PIS/COFINS não cumulativos sobre tais notas fiscais. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 116 6 Pois bem. Em sua defesa, a Recorrente coloca que estornou espontaneamente os créditos, o que comprovaria pela sua escrita fiscal e contábil, sendo que por lapso tais estornos não foram refletidos na Dacon. Por isso, trouxe aos autos o seu livro razão e planilhas para comprovar seu direito. Impende, então, analisarmos se tais valores contabilizados como créditos foram devidamente estornados ou não pela Recorrente. Sobre a importância do DACON, a decisão a quo colocou que o “referido demonstrativo é o meio pelo qual a empresa apura as contribuições devidas, de nada adiantando os alegados estornos porventura ocorridos nas contas do Razão, se os mesmos não foram refletidos nas apurações efetuadas nos Dacon, cujos resultados definiram os valores a serem recolhidos pela empresa nos diversos períodos de apuração.” Penso que andou mal a decisão recorrida nesse ponto. É com razão que a Recorrente afirma que é possível, através da análise da sua escrita fiscal e contábil, demonstrar os estornos espontâneos, que por um lapso não foram refletidos nas DACONs. Porém, é claro que igualmente precisa restar demonstrado que estes estornos refletiram no montante levados aos Cofres Públicos a título de Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse sentido, ressalto que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração do PIS e COFINS. Contudo, sua função é de refletir a situação de créditos/débitos da empresa, sendo os créditos autorizados por lei (artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003) de modo que a sua imprecisão ou omissão está adstrita à imputação das penalidades legais, porém sem levar à desconsideração de créditos que a empresa detenha, passíveis de serem comprovados por outros meios. Em outras palavras a DACON se trata “de uma declaração que pretende informar ao Fisco a composição das bases de cálculo das contribuições sociais para o PIS e Cofins, só isso. Não tem a DACON o condão de confessar dívida e servir como instrumento de cobrança, como a DCTF, essa sim uma declaração com atributos de executoriedade.” 2 É justamente por essa razão que os contribuintes deviam, além de devidamente preencher e enviar a DACON, também manter o controle das informações relativas à apuração das contribuições, especialmente com relação aos créditos a serem descontados, compensados ou ressarcidos (artigo 11 da Instrução Normativa RFB n. 1015, de 05 de março De 2010).3 2 Voto do Conselheiro Corintho Oliveira Machado, no Acórdão 3803006.914. 3 Art. 11. As pessoas jurídicas referidas no art. 2º devem manter controle de todas as operações que influenciem a apuração dos valores devidos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como dos valores retidos na fonte a serem deduzidos e dos créditos a serem descontados, compensados ou ressarcidos, especialmente quanto: I às receitas auferidas; II aos custos, às despesas e aos encargos vinculados especificamente às receitas decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou sem incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; III aos custos, às despesas e aos encargos vinculados às receitas auferidas; IV aos custos, às despesas e aos encargos vinculados especificamente às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei Nº 10.637, 30 de dezembro de 2002, e no art. 12 da Lei Nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 1º O controle das informações referidas nos incisos II a V do caput é obrigatório somente para as pessoas jurídicas que se sujeitarem, total ou parcialmente, ao regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 117 7 Pois bem. Devemos lembrar que a teoria da verdade material, contraposta a teoria da verdade formal, consiste na aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Enquanto a verdade formal rege o processo judicial, onde o magistrado não toma a frente do processo com ações ex officio de produção de provas em busca da verdade material, o processo administrativo possui como princípio norteador a verdade material, onde “a autoridade administrativa pode e deve promover as diligências averiguatórias e probatórias que contribuam para a aproximação com a verdade objetiva ou material.” 4 Tendo isso em vista, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, julgo necessária a perícia que vem sendo requerida pela Recorrente desde a sua impugnação, para sejam analisadas as provas e informações apresentadas pelo contribuinte, bem como quaisquer outros documentos que se façam necessários, apresentando conclusão final sobre se foram ou não estornados os valores em discussão. 2. Sobre a não comprovação do direito aos créditos de PIS e COFINS Saliento que o TVF esclarece que o contribuinte foi intimado para esclarecer e apresentar provas (notas fiscais) sobre o crédito tributário considerado não comprovado pela Fiscalização. Apresentou diversas notas, porém não todas (fls 16 e 17). Assim, os créditos considerados não comprovados, por não apresentação das respectivas notas fiscais, destacados na tabela de fls 17 e 18, foram glosados. Em sua impugnação, a ora Recorrente trouxe comprovantes de pagamentos a fornecedores, cópias de duplicatas, notas fiscais e extratos do seu sistema de controle de entrada da empresa. Requereu então diligência para sua análise. Contudo, a DRJ entendeu que: Com relação aos comprovantes de pagamentos e duplicatas, incabível qualquer aproveitamento por não ser possível a vinculação dos mesmos às notas fiscais glosadas. Já o extrato apresentado é apenas uma impressão de tela do que seria o sistema de controle de entradas de utilização da empresa, não reunindo condições de fazer prova das aquisições de insumos ou serviços. Porém, dentre as notas fiscais apresentadas pela Recorrente em sua impugnação, verificouse a presença de quatro que estão relacionadas no Termo de Constatação: Metalpier nº 2403; Semetre nº 1231; Hojura nº 23 e Halliburton nº 1649. Foram essas quatro notas objeto de diligência descrita no relato acima, sendo que as duas últimas tiveram as respectivas glosas revertidas pela decisão a quo, pois constatou terem sido efetivamente prestados os serviços. Com relação às glosas atinentes às notas fiscais não apresentadas, entendo que assiste razão à Recorrente quando afirma que, embora a melhor forma de comprovar a ocorrência destes custos seja efetivamente as notas fiscais, é possível que, pela apresentação de outros meios de prova, seja suprida a falta desses documentos. A apresentação de duplicatas e § 2º O controle a que se refere este artigo deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas, de forma a viabilizar a apuração dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos comuns incorridos por pessoa jurídica sujeita parcialmente ao regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins 4 MARIS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro– Administrativo e Judicial. Dialética: São Paulo: 5ª edição, p. 159 Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 118 8 comprovantes de pagamento das compras dos bens ou serviços é uma delas. Inclusive, tampouco a DRJ discordou dessa argumentação. De fato, no julgamento a quo somente não aceitouse a documentação apresentada pelo Contribuinte por “não ser possível a vinculação dos mesmos às notas fiscais glosadas.” Contudo, averiguando a vasta documentação acostada a esses autos, chego à conclusão oposta: é sim possível fazer o cruzamento dos dados das duplicatas e/ou comprovantes de pagamentos às notas fiscais indicadas nas fls 17 e 18 do TVF, que tiveram os respectivos créditos de PIS e de COFINS glosados pela autoridade lançadora. Vejase, por exemplo, a duplicada (anexo não paginável) abaixo: Todos os dados batem com duplicata referente à Nota Fiscal n. 22, de agosto de 2009, constante da tabela do TVF (fls 18), emitida pela empresa CPC do Brasil, no exato valor de R$ 51.471,32: Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 119 9 Diante do cenário acima descrito, e em nome do princípio da verdade material, pareceme absolutamente pertinente a perícia requerida pela Recorrente também com relação a este tópico, para que sejam devidamente avaliados os documentos apresentados pelo contribuinte, de forma sistemática, para que restem cabalmente comprovadas os custos incorridos pela empresa e a sua correlação com a tomada de crédito de PIS e COFINS. No presente caso, em que o contribuinte detém a necessidade de provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de seu direito, entendo que esta função vem sendo bem cumprida, porém, pelos motivos que foram usados pela Fiscalização e pela DRJ, tal esforço probatório não foi até aqui devidamente sopesado. 3. Aproveitamento de créditos em períodos anteriores (em duplicidade) A autoridade fiscal igualmente efetuou glosa de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS pois, analisando a DACON da Recorrente, constatou que foi aproveitado, em julho de 2009, créditos relativos a notas fiscais emitidas em novembro e dezembro de 2008. Ou seja, houve aproveitamento extemporâneo de créditos. Mas a questão foi que a Fiscalização concluiu que estes mesmos créditos já tinham sido utilizados nos próprios meses de novembro e dezembro de 2008. Segundo a Recorrente, o crédito aproveitado, apesar de extemporâneo, é legítimo e deve ser validado. Afirma que analisando sua documentação fiscal e contábil resta claro que não há duplicidade, embora a DACON, por equívoco, não transmita a mesma informação. Por essas razões, mais uma vez concluo pela necessidade de avaliação de todo o conjunto probatório apresentado pelo Contribuinte, nos temos requeridos em sua impugnação e sucessivamente em seu recurso voluntário. 4. Aproveitamento de créditos inexistentes (ou prescritos) Segundo a Fiscalização, pelo exame das DACONs da Recorrente, ficou constatado que todos os créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS relativos aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2008 esgotaramse no próprio ano de 2008 (fls 19 e 20), sendo indevido, portanto, a redução da base de cálculo dessas contribuições efetuadas de janeiro a julho de 2009, mediante a utilização desses mesmos créditos já extintos. A Fiscalização trata tais créditos como inexistentes ou prescritos pela seguinte razão: no seu raciocínio, somente é possível o aproveitamento de crédito extemporâneo pela informação do crédito em DACON retificadora (fls 21 e 22). Não tendo isto ocorrido, somado ao fato de se tratarem de créditos de 2008, já estaria prescrita a possibilidade do Contribuinte apropriarse devidamente de tais créditos quando da ocorrência do lançamento tributário, em fevereiro de 2014, vale dizer, 5 anos depois do primeiro dia do mês subsequente ao da apuração. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 120 10 Também neste item a Recorrente se defende pela alegação de erro na DACON, o qual, porém, não pode ser suficiente para criar obrigação tributária, uma vez que traz provas que garantem o seu direito ao crédito glosado. Como os itens anteriores necessariamente levam à necessidade de conversão do julgamento em diligência, também os quesitos apresentados pelo Contribuinte a respeito deste item devem fazer parte da perícia a ser feita. 5. CONCLUSÃO Pelos motivos acima expostos, justifico mais uma vez a necessidade de produção de perícia in casu, como requer o artigo 18 caput do PAF, bem como o artigo 464, §1º, inciso II e III do Novo Código de Processo Civil, para a conclusão do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem¸ nos termos do artigo 18, §1º do Decreto 70.235/72: i) designar servidor preferencialmente diverso daquele responsável pelo lançamento tributário para, como perito da União, proceder a prova pericial e intimar o assistente técnico da Recorrente a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos relativos ao período de apuração de 01/02/2009 a 30/09/2009, respondendo os quesitos formulados pela Recorrente em sua impugnação, quais sejam: Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 121 11 Adiciono que os laudos apresentados devem trazer dados e respostas conclusivas sobre: i.1) a existência de saldos credores desconsiderados pela Fiscalização quando do lançamento tributário; i.2) a efetividade dos estorno dos créditos mencionados no item III.1 do termo de constatação fiscal; i.3) existência de documentação suficiente para sustentar o direito aos créditos mencionados no item III.2 do termo de constatação fiscal; i.4) a ocorrência ou não de créditos utilizados em duplicidade, inexistentes ou prescritos, postos nos itens III.3 e III.4 do termo de constatação fiscal. ii) dar ciência do parecer do perito à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e;= iii) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 15540.720058/201447 Resolução nº 3402000.781 S3C4T2 Fl. 122 12 Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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Numero do processo: 13840.000240/99-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL.
Para que determinadas áreas de imóvel rural sejam excluídas da base de cálculo do lançamento do ITR, sob o fundamento de estarem incluídas dentro de parque ecológico estadual, deve o contribuinte comprovar, cabalmente, a inclusão dessas áreas dentro dos limites geográficos estipulados pelo decreto estadual que determina a criação de referido parque e a consequente existência de áreas de reserva legal e preservação permanente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 96 1 95 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13840.000240/9950 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.441 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de julho de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente FAZEDA SETE LAGOAS AGRICOLA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. Para que determinadas áreas de imóvel rural sejam excluídas da base de cálculo do lançamento do ITR, sob o fundamento de estarem incluídas dentro de parque ecológico estadual, deve o contribuinte comprovar, cabalmente, a inclusão dessas áreas dentro dos limites geográficos estipulados pelo decreto estadual que determina a criação de referido parque e a consequente existência de áreas de reserva legal e preservação permanente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 02 40 /9 9- 50 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13840.000240/9950 Acórdão n.º 2401004.441 S2C4T1 Fl. 97 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício referente à exigência de diferenças do Imposto Territorial Rural – ITR e Contribuições Sindicais, no valor total de R$ 113.889,13, do exercício de 1995, relacionado ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob nº. 1854414 2, localizado no município de Santos/SP, com área total de 2.420,0 há, conforme a Notificação de Lançamento de fls. 08/09, por divergências entre os declarados pelo contribuinte e o verificado pela autoridade fiscal. No julgamento da impugnação (fls. 40/42) apresentada pelo contribuinte, a DRJ de Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, proferiu o acórdão nº. 0411.763 de fls. 59/64, assim ementado: ALTERAÇÃO DE LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. O lançamento efetuado em consonância com os dados informados na Declaração do ITR somente é possível de alteração quando forem apresentados comprovantes que justifiquem reconhecer que os dados declarados não correspondem à realidade do imóvel ou ao disposto na legislação tributária. ÁREAS ISENTAS. Para o reconhecimento da área isenta não declarada é necessário comprovação efetiva de sua existência. Intimada do referido acórdão em 31/03/2009 (fl. 68), a ora recorrente apresentou tempestivamente o seu recurso voluntário de fls. 69/72, em 28/04/2009, alegando, em síntese: a) O imóvel objeto do lançamento é isento do ITR, pois se encontra no interior do perímetro do Parque Estadual da Serra do Mar, instituído pelo Decreto 10.251/77; b) Há fato superveniente (Acórdão de 20/09/2005 da Apelação nº. 343.846.5/000 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – fls. 81/91) que comprova estar a referida propriedade inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; c) Requer, ainda, a concessão de prazo para a averbação junto ao Cartório de Registro de Imóvel das áreas de reserva legal e preservação permanente na matrícula do imóvel, para posterior juntada aos autos. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O recurso voluntário do contribuinte ora recorrente concentra a sua argumentação, basicamente, numa única alegação: a de que estaria o imóvel denominado “Fazenda Cabuçu”, situado em área de preservação permanente, no caso, o Parque Estadual da Serra do Mar, em Santos/SP, o qual fora criado pelo Decreto 10.251/77. Ainda que não mencionado em sua peça recursal, a isenção do ITR para imóveis situados em áreas de preservação permanente se dá, na verdade, ante a exclusão dessas áreas da base de cálculo do referido imposto, por força do disposto no art. 10, § 1º, II, da Lei nº. 9.393/96, assim disposto: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) Assim, caso haja no imóvel ora em análise área de preservação permanente e de reserva legal, esta deve ser excluída da base de cálculo do lançamento. Para a mencionada comprovação da existência da alegada área de preservação permanente, o contribuinte ora recorrente menciona a existência do Decreto 10.251/77 do Estado de São Paulo. Embora o mesmo não seja trazido aos autos, consultandoo na internet, vêse que o referido decreto estabelece os limites geográficos da abrangência da área estabelecida como “Parque Estadual da Serra do Mar”. Nesse contexto, da análise que faço dos documentos acostados aos autos, sendo a escritura pública de compra e venda (fls. 13/16), mapas (fls. 17/18) e Laudo de Avaliação (aparentemente incompleto fl. 19), Termo de Cooperação Técnica entre “Prefeitura Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13840.000240/9950 Acórdão n.º 2401004.441 S2C4T1 Fl. 98 5 Municipal de Santos” e “Fazenda Cabucu” (fls. 20/21), nenhum destes é capaz de comprovar, com um mínimo de robustez, que o referido imóvel rural está situado dentro da área delimitada como “Parque Estadual da Serra do Mar”. Ainda, o recorrente menciona o Acórdão de 20/09/2005 da Apelação nº. 343.846.5/000 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – fls. 81/91. Tratase de acórdão proferido em sede de ação de indenização, ajuizada pelo contribuinte ora recorrente, visando a condenação do Estado de São Paulo ao pagamento de indenização, pelos prejuízos e demais encargos obtidos com a perda da disponibilidade do imóvel em virtude da criação do Parque Estadual da Serra do Mar pelo Decreto Estadual nº. 10.251/77. Ocorre que o recorrente não traz aos autos a cópia integral da ação, que permitiria o acesso aos documentos acostados àqueles autos judiciais, bem como eventuais provas periciais que parecem ter sido realizadas. O fato é que a referida ação foi julgada improcedente, sendo negada a indenização pleiteada pela autora daqueles autos, ora recorrente. Também é fato que, ainda que não tenha sido concedida a indenização, há o reconhecimento no referido acórdão que há, sim, no imóvel em questão, áreas que estão inseridas no já mencionado Parque Estadual da Serra do Mar. Destaco o seguinte trecho do mencionado acórdão (fl. 87): Como se vê, não há no referido processo qualquer provimento judicial que ateste, inequivocamente, que a área em questão, ou parte dela, é de preservação permanente, com a menção ao número de hectares, sua localização e demais informações pertinentes. Indícios, sem dúvidas, existem da existência de áreas desta natureza no imóvel, porém o contribuinte, ora recorrente, não logrou comprovar a sua existência, deixando de fazer a prova solicitada acerca da efetiva existência e o tamanho das áreas contidas no referido imóvel que deveriam, por previsão legal, ser excluídas da base de cálculo do ITR. Assim, entendo não estar comprovada a existência e, principalmente, a delimitação e o tamanho da área tida como de preservação permanente ou reserva legal que faça jus a isenção do ITR. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 No tocante ao pedido do contribuinte de prazo para averbação na matrícula do imóvel, destaco que o presente recurso voluntário foi apresentado em 28/04/2009, ou seja, há mais de 7 anos, prazo mais que suficiente para que o contribuinte realizasse a referida averbação e trouxesse esses documentos aos presentes autos, o qual seria passível de avaliação da sua análise ou não no presente processo. Como nada foi apresentado, descabido o pedido de abertura de prazo para juntada. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723500/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios, para sanar o vício apontado, quando existente contradição no julgado entre o dispositivo do acórdão, de um lado, e o voto-condutor e a ementa, de outro.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios, para sanar o vício apontado, quando existente omissão no julgado na parte do voto-condutor e da ementa, concernente ao critério de recálculo da multa adotado pelo colegiado por ocasião do julgamento do recurso voluntário, tendo em vista a aplicação da retroatividade benigna.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2401-004.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO, para acolher o recurso e sanar os vícios apontados pela Fazenda Nacional, no que tange ao critério para recálculo das multas, tendo em vista à aplicação da retroatividade benigna, e ao bônus de contratação, mantida intacta a parte dispositiva do acórdão embargado. Fez sustentação oral o Dr. Celso Costa OAB/SP 148.255.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator "ad hoc"
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BTG PACTUAL GESTORA DE INVESTIMENTOS ALTERNATIVOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Acolhemse os embargos declaratórios, para sanar o vício apontado, quando existente contradição no julgado entre o dispositivo do acórdão, de um lado, e o votocondutor e a ementa, de outro. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios, para sanar o vício apontado, quando existente omissão no julgado na parte do votocondutor e da ementa, concernente ao critério de recálculo da multa adotado pelo colegiado por ocasião do julgamento do recurso voluntário, tendo em vista a aplicação da retroatividade benigna. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 00 /2 01 1- 12 Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.403 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO, para acolher o recurso e sanar os vícios apontados pela Fazenda Nacional, no que tange ao critério para recálculo das multas, tendo em vista à aplicação da retroatividade benigna, e ao bônus de contratação, mantida intacta a parte dispositiva do acórdão embargado. Fez sustentação oral o Dr. Celso Costa – OAB/SP 148.255. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.404 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração tempestivamente opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 1.380/1.382, contra o Acórdão nº 2301003.720, proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual está juntado às fls. 1.354/1.378. 2. A Fazenda Nacional alega contradição e omissão no v. acórdão, nos seguintes termos: 2.1 No que tange à contradição, se faz presente entre dispositivo do acórdão, de um lado, e votocondutor e ementa, de outro, na parte relativa ao lançamento fiscal sobre o bônus de contratação. 2.1.1 Transcrevo as respectivas partes do acórdão embargado para melhor compreensão do vício apontado: DISPOSITIVO (fls. 1.356) Acordam os membros do colegiado, (...) II) Por maioria de votos: (...) b) em anular o lançamento de bônus de admissão pela existência de vício, quanto à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram pela não existência de vício; c) em qualificar o vício no bônus de admissão como material, por estar ligado à descrição do fato gerador, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em qualificar o vício como formal; (...) (Destaquei) EMENTA (fls. 1.354) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.405 4 O bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o saláriodecontribuição do empregado, independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte. (Destaquei) (...) VOTO (fls. 1.371/1.375) DO BÔNUS CONTRATAÇÃO (...) 69. Pelo exposto, entendo que os valores aqui pagos a título de bônus de contratação não sofrem a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91. (Destaquei) 2.1.2 Enquanto na parte dispositiva há expressa indicação da existência de vício material, quanto à descrição do fato gerador, que leva à nulidade do lançamento, na ementa e no votocondutor o cancelamento da autuação se deu em razão da natureza jurídica não remuneratória da parcela paga ao segurado. 2.2 No concernente à omissão, a Fazenda Nacional alega que o dispositivo do acórdão faz referência ao provimento parcial do recurso voluntário para que se proceda ao recálculo da multa, tendo em vista as alterações promovidas na legislação tributária pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Contudo, tanto no voto vencido quanto no vencedor não há qualquer menção ao tratamento a ser conferido à multa exigida no lançamento. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.406 5 2.2.1 Confirase a parte dispositiva do Acórdão nº 2301003.720, quanto a essa matéria: DISPOSITIVO (fls. 1.356) Acordam os membros do colegiado, (...) II) Por maioria de votos: (...) f) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa no lançamento por descumprimento de obrigação principal prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; g) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa, por descumprimento de obrigação acessória, o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. (Destaquei) 3. Designado relator "ad hoc" para pronunciamento sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos1, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 2ª Seção (fls. 1.385 e 1.391/1.392, respectivamente). É o relatório. 1 A designação "ad hoc" deuse com fundamento no § 7º do art. 49 c/c § 2º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.407 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator "ad hoc" 4. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo ao exame de mérito. 5. Antes, porém, saliento que a designação de relator "ad hoc" é medida excepcional, neste caso devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 5.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 2301003.720, a fim de submeter a questão à apreciação da Turma. Ressalvo, assim, que tal juízo não implica a minha concordância ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. a) Considerações Iniciais 6. Pois bem. Em primeiro lugar, reafirmo as conclusões decorrentes do exame de admissibilidade dos embargos declaratórios, no sentido de que a simples leitura do acórdão recorrido revela que os vícios apontados pela Fazenda Nacional são manifestos e devem ser sanados. 7. Ao consultar a ata da sessão do colegiado realizada no dia 18/3/2013, data em que foi julgado o processo em apreço, verifiquei que o documento registra, como relator originário, o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. 7.1 De fato, a designação do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, que subscreve o voto vencido na condição de relator "ad doc", foi realizada apenas para a formalização do acórdão (fls. 1.353). 8. A participação do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior no julgamento do recurso voluntário, segundo consta em ata, não afasta a possibilidade de equívocos de sua parte quando da formalização do acórdão, que caberia, originalmente, ao Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. 9. Nesse cenário, acredito que a solução mais razoável e compatível com a segurança jurídica, para fins de integração do julgado, é adotar como premissa que o dispositivo do acórdão está correto, na redação consignada em ata, cujo conteúdo registra detalhes no que se refere aos fatos debatidos e às divergências de votação por ocasião do julgamento das matérias. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.408 7 9.1 Vale dizer, portanto, que deverá ser agregada nova pronúncia à dicção anterior, com forma de extirpar a contradição e preencher o vácuo da omissão identificadas pela Fazenda Nacional, unicamente na parte concernente à ementa e ao votocondutor, permanecendo inalterado o dispositivo do acórdão. 10. É o que se passa a fazer, na sequência. b) Vício de Contradição: Bônus de contratação ("hiring bonus") 11. Quanto à contradição, existente na parte do acórdão relativa ao bônus de contratação ("hiring bonus"), o saneamento é realizado nos termos abaixo, mediante a substituição do votocondutor e da parte da ementa correspondente, de maneira a harmonizar os fundamentos e a linguagem com a parte dispositiva do acórdão. b.1) Votocondutor 12. Segundo o relatório da acusação fiscal, às fls. 27/49, os valores distribuídos ao segurado empregado Gabriel Felzenszwalb, relativos às competências 07/2006 e 08/2007, tratamse de um bônus de admissão, cuja natureza é salarial, por representar um salário antecipado em retribuição a uma futura prestação de serviço. 12.1 Reproduzo o trecho do relatório fiscal (fls. 34/35): (...) 30. Quanto ao valor distribuído em 08/2007, este foi recebido apenas pelo empregado GABRIEL FELZENSZWALB admitido em 01/08/2007, o que representava 2,27% dos empregados da empresa. Em 03/03/2001, o contribuinte, no item 6, Anexo VII, esclareceu "Quanto ao pagamento de R$ 309.652,15, efetuado ao empregado Sr. Gabriel Felzenszwalb, esclarecemos que o pagamento foi realizado a título de hiring bônus e não PLR com foi equivocadamente enquadrado. Tratase de pagamento excepcional e único, anterior ao ingresso no Banco, com a finalidade de possibilitar a sua contratação. Portanto, hiring bônus oferecido serviu como atrativo, entre outros fatores de ordem corporativa, para que ele viesse a prestar serviços em nosso Banco, uma vez que se trata de um profissional de perfil altamente especializado, cuja competência e nível de qualificação não são encontrados facilmente no mercado." 31. Pois bem, a própria autuada admite tratarse de bônus de admissão o valor distribuído em 08/2007 demonstrando ser uma prática corporativa da empresa, o que nos faz concluir de forma inequívoca que os valores distribuídos em 07/2006 referemse também a bônus de admissão. Não nos deixa dúvida a natureza salarial de tal rubrica, tratandose de uma salário antecipado em retribuição a uma futura prestação de serviço. (...) Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.409 8 13. É controvertida a natureza jurídica do bônus de contratação, chamado também de "hiring bonus", usual entre as grandes empresas, em que é paga uma parcela pelo contratante para fim de atrair e manter em seus quadros um profissional com perfil altamente especializado e reconhecidamente competente no seu ramo, vacilando a doutrina e a jurisprudência sobre a matéria. 14. À primeira vista, é possível visualizar tanto um componente indenizatório quanto remuneratório no pagamento da retribuição a título de bônus de contratação, imputandolhe, em tese, uma natureza mista. 14.1 Relacionase o caráter indenizatório com a desvinculação voluntária do empregado do seu atual emprego, o que pode lhe acarretar perdas, tais como o não recebimento de verbas indenizatórias a que teria direito na rescisão contratual ou a exclusão no que tange ao recebimento de participação nos lucros ou resultados. 14.2 Já a natureza remuneratória desponta na existência de condição estabelecida pelo contratante no sentido de que o pagamento está vinculado à obrigação de o trabalhador permanecer prestando serviço na nova empresa por um período determinado, como contraprestação. O pagamento se dá sob condição resolutiva, pois se houver descumprimento do prazo de permanência, há previsão de ocorrer devolução total ou parcial. Nessa hipótese, a parcela paga corresponderia a uma antecipação do ganho em contraprestação pelo trabalho que realizará o trabalhador no decorrer do tempo. 15. A autoridade fiscal entendeu que a totalidade do bônus de contratação tem caráter remuneratório e o incluiu na base de cálculo da tributação. 16. Ocorre que a definição da natureza dessa verba demanda a análise percuciente dos fatos que envolvem a autuação, avaliados no caso concreto. A princípio, o julgador está à mercê do agente lançador, já que seu relato será fundamental para a definição da natureza jurídica da parcela. 17. Com base na leitura do relatório fiscal, alhures transcrito, notase que a autoridade lançadora justifica a incidência previdenciária por considerála um "salário antecipado em retribuição a uma futura prestação de serviço", levando em conta tão somente as informações que foram prestadas pelo sujeito passivo. 17.1 Porém, a existência de pagamento excepcional e único, antes da contratação do empregado, como acatado pela fiscalização, é elemento insuficiente para configurar o caráter remuneratório. Também o é para reconhecer, como induvidosa, uma natureza de cunho indenizatório. 17.2 Caberia à fiscalização o aprofundamento da investigação, para colher elementos de prova adicionais, de modo a evidenciar com clareza a natureza jurídica da parcela. Não contém a acusação fiscal, por exemplo, qualquer referência à existência ou não de cumprimento de metas ou mesmo previsão de tempo mínimo de permanência ou vigência do contrato do trabalho. 18. Logo, a acusação fiscal é deficiente na identificação dos fatos para a escorreita aplicação do direito, pois não há certeza suficiente da ocorrência ou não do fato gerador das contribuições lançadas, necessário para surgimento da correspondente obrigação tributária. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.410 9 19. Exposto assim, o ato administrativo do lançamento revela vício intrínseco, de modo que a sua validade somente seria possível por meio da edição de um novo ato com conteúdo alterado. Destarte, é ato inconvalidável, ainda que possível a sua reedição, em tese, desde que não escoado o prazo para constituição do crédito tributário. 20. Reputo, assim, nulo o lançamento relativo ao bônus de admissão pela existência de vício material, uma vez que concernente à descrição do fato gerador. b.2) Ementa 21. Dadas as conclusões do votocondutor, acima exposto, a redação da ementa assim ficará redigida: BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA FISCALIZAÇÃO. DEFICIÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. É nula, por vício material, a autuação referente ao bônus de contratação, uma vez que deficiente a descrição pela fiscalização da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. c) Vício de Omissão: Recálculo das multas 22. Nesse ponto, a despeito do decidido pelo colegiado e consignado na parte dispositiva do acórdão embargado, os votos e a ementa silenciaram quanto ao critério a ser adotado para o recálculo das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigação principal e acessória. 22.1 Portanto, o saneamento é realizado nos termos abaixo, mediante a inclusão da matéria no votocondutor, assim como a respectiva ementa, em alinhamento com o conteúdo do dispositivo do acórdão recorrido. c.1) Votocondutor 23. Em relação às multas, tanto para a obrigação principal quanto acessória, há de se registrar que os dispositivos legais que lhes dão supedâneo foram alterados pela Lei 11.941, de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 24. No que diz respeito às obrigações principais, segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.411 10 25. Nessa hipótese, incabível a comparação da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento, ocasião em que se deve verificar o fato punido, de acordo com o art. 106 do CTN. 26. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do art. 35 acima citado. 27. Logo, deve a multa lançada por descumprimento de obrigação principal na presente autuação ser calculada nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, se mais benéfica ao sujeito passivo. Em outras palavras, no lançamento deverá ser aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, se mais benéfica à recorrente. 28. Quanto à multa por descumprimento de obrigação acessória, a previsão do § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, qual seja aquela penalidade aplicada em razão de erro no preenchimento da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) nos dados relacionados aos fatos geradores, passou a ser prevista, a partir da Lei nº 11.941, de 2009, no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. 29. Inaplicável a multa estabelecida no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos ao não recolhimento de contribuições previdenciárias, e não ao descumprimento de obrigação acessória. 30. Tanto isso é verdade que o novel art. 35A, acima mencionado, faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha, o art. 35, ao tratar das contribuições, faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Portanto, não há permissão em lei para que a multa do art. 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. 31. De modo que a multa lançada na presente autuação, por descumprimento de obrigação acessória, deverá ser calculada nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica à recorrente. 32. Em síntese, as conclusões sobre a aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidade: i) lançamento por descumprimento de obrigação principal: multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, se mais benéfica; e ii) lançamento por descumprimento de obrigação acessória (GFIP): multa prevista no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica; Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.412 11 c.2) Ementa 33. Dadas as conclusões acima, a redação da ementa, na parte da retroatividade benigna, estará assim redigida: MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para fins da aplicação da retroatividade benigna, em matéria de penalidade, a multa lançada pelo descumprimento de obrigação principal deverá ser calculada nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, se mais benéfica ao sujeito passivo, tendo em vista o contido no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para fins da aplicação da retroatividade benigna, em matéria de penalidade, a multa lançada pelo descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP deverá ser calculada nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica ao sujeito passivo. d) Ementa do Acórdão nº 2301003.720: redação consolidada 34. A seguir, transcrevese o texto consolidado da ementa do acórdão embargado, após o saneamento do julgado quanto ao bônus de contratação e à aplicação da retroatividade benigna em matéria de penalidades: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA FISCALIZAÇÃO. DEFICIÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. É nula, por vício material, a autuação referente ao bônus de contratação, uma vez que deficiente a descrição pela fiscalização da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723500/201112 Acórdão n.º 2401004.231 S2C4T1 Fl. 1.413 12 Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PLR pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para fins da aplicação da retroatividade benigna, em matéria de penalidade, a multa lançada pelo descumprimento de obrigação principal deverá ser calculada nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, se mais benéfica ao sujeito passivo, tendo em vista o contido no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para fins da aplicação da retroatividade benigna, em matéria de penalidade, a multa lançada pelo descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP deverá ser calculada nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO, para acolher o recurso e sanar os vícios apontados pela Fazenda Nacional, no que tange ao critério para recálculo das multas, tendo em vista à aplicação da retroatividade benigna, e ao bônus de contratação, mantida intacta a parte dispositiva do acórdão embargado. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 16327.001622/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.
Tendo o contribuinte fiscalizado aportado aos autos documentos que comprovam que foram observadas as condições de dedutibilidade impostas pela legislação de regência, há que se afastar o montante correspondente da matéria tributável apurada em procedimento fiscalizatório.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA.
As disposições dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, cuidam do que se poderia denominar PERDAS PRESUMIDAS, ou seja, encerram presunções legais de perdas efetivas a partir das hipóteses ali elencadas. Assim, na circunstância em que o contribuinte por meio de acordo com o devedor, lhe concede desconto com o intuito de solucionar a pendência financeira, fica caracterizada, em relação à parte não alcançada pelo citado acordo, perda efetiva, dedutível nos termos do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99).
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA EM MONTANTE SUPERIOR À MATÉRIA TRIBUTÁVEL REMANESCENTE.
Ainda que existente saldo de base negativa, de origem distinta, passível de compensação, incabível o seu aproveitamento na circunstância em que resta configurada compensação indevida de bases negativas de períodos anteriores em montante superior à matéria tributável apurada.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA.
A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício lançada encontra lastro na legislação de regência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA.
Em conformidade com a súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-002.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que davam provimento em maior extensão (cancelavam os juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício).
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 Ementa: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte fiscalizado aportado aos autos documentos que comprovam que foram observadas as condições de dedutibilidade impostas pela legislação de regência, há que se afastar o montante correspondente da matéria tributável apurada em procedimento fiscalizatório. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA. As disposições dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, cuidam do que se poderia denominar PERDAS PRESUMIDAS, ou seja, encerram presunções legais de perdas efetivas a partir das hipóteses ali elencadas. Assim, na circunstância em que o contribuinte por meio de acordo com o devedor, lhe concede desconto com o intuito de solucionar a pendência financeira, fica caracterizada, em relação à parte não alcançada pelo citado acordo, perda efetiva, dedutível nos termos do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA EM MONTANTE SUPERIOR À MATÉRIA TRIBUTÁVEL REMANESCENTE. Ainda que existente saldo de base negativa, de origem distinta, passível de compensação, incabível o seu aproveitamento na circunstância em que resta configurada compensação indevida de bases negativas de períodos anteriores em montante superior à matéria tributável apurada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício lançada encontra lastro na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. Em conformidade com a súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que davam provimento em maior extensão (cancelavam os juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício). documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte fiscalizado aportado aos autos documentos que comprovam que foram observadas as condições de dedutibilidade impostas pela legislação de regência, há que se afastar o montante correspondente da matéria tributável apurada em procedimento fiscalizatório. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA. As disposições dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, cuidam do que se poderia denominar PERDAS PRESUMIDAS, ou seja, encerram presunções legais de perdas efetivas a partir das hipóteses ali elencadas. Assim, na circunstância em que o contribuinte por meio de acordo com o devedor, lhe concede desconto com o intuito de solucionar a pendência financeira, fica caracterizada, em relação à parte não alcançada pelo citado acordo, perda efetiva, dedutível nos termos do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA EM MONTANTE SUPERIOR À MATÉRIA TRIBUTÁVEL REMANESCENTE. Ainda que existente saldo de base negativa, de origem distinta, passível de compensação, incabível o seu aproveitamento na circunstância em que resta configurada compensação indevida de bases negativas de períodos anteriores em montante superior à matéria tributável apurada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 22 /2 01 0- 92 Fl. 27615DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.578 2 A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício lançada encontra lastro na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. Em conformidade com a súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que davam provimento em maior extensão (cancelavam os juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 27616DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.579 3 Relatório ITAÚ UNIBANCO S/A, já devidamente qualificado nos presentes autos, inconformado com a decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Tendo exonerado a autuada de parcela do crédito tributário constituído, a Turma Julgadora a quo, amparada nas disposições da Portaria MF nº 03, de 2008, recorreu de ofício. O presente processo já foi objeto de uma primeira apreciação por parte desta Turma Julgadora, motivo pelo qual sirvome de fragmentos do Relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Valmir Sandri, relator anteriormente designado (Resolução nº 1301000.114, de 08 de maio de 2013 fls. 15.019/15.037). [...] Contra Banco Itaú S/A foram lavrados autos de infração para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos ao anocalendário de 2005. Dos Autos de Infração A fiscalização acusou a pessoa jurídica de ter cometido irregularidades relacionadas com a dedução de perdas no recebimento de crédito, por descumprimento dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996. ... O auditor fiscal faz as seguintes observações no TVI: 81. (...) apesar dos frequentes pedidos de prorrogação e erros na geração dos arquivos solicitados, a postura do contribuinte foi cooperativa durante todo o procedimento, não sendo identificada qualquer atitude de, intencionalmente, embaraçar a fiscalização. 2. As explicações para os erros na geração dos arquivos levaram à conclusão que se tratou de dificuldade técnica/administrativa na integração de diferentes arquivos, oriundos de diferentes bases, e de harmonização conceitual de critérios. 83. Observese ainda que o contribuinte procedeu à dedução de perdas, porém não manteve disponíveis em seus arquivos os documentos relativos às ações judiciais, comprobatórios da dedutibilidade das perdas, para cada contrato, por exemplo, cópia dos contratos, das peças iniciais, das sentenças e da certidão de objeto e pé, como é esperado que faça, no entender desta fiscalização. 84. Observese que a simples manutenção em seus arquivos de uma certidão de objeto e pé, que descrevesse a natureza da ação e histórico da ação judicial, emitida por ocasião da dedução da perda, e arquivada juntos aos demais Fl. 27617DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.580 4 documentos, seria suficiente para comprovar a condição de dedutibilidade, no entender desta fiscalização. 85. Também deve ser observado que não haveria dificuldade para obtenção de uma certidão de objeto e pé para uma ação em curso. Quanto ao Direito, ressalta o autuante a necessidade, nos casos dos incisos II “c” e III do art. 9º da Lei nº 9.430/96, de iniciar procedimentos judiciais e de mantê los pelo prazo mínimo de 5 anos (Artigo 10°, § 1°). Com relação ao Inciso II b, ressalta a necessidade de manutenção da cobrança administrativa por um prazo mínimo de 5 anos, a partir do qual a perda pode ser considerada definitiva, nos termos do Artigo 10°, § 4º. Observa, ainda, que o art. 9º da Lei nº 9.430/96 é regra específica que regulamenta a dedutibilidade das perdas, sobrepondose à regra geral que disciplina a deduções de despesas (art. 299 — RIR199), dado o princípio geral de direito de que regra específica prevalece sobre a geral. Relativamente aos descontos concedidos, o autor do procedimento consignou que nas recuperações antes do prazo legal de cinco anos para manutenção da cobrança administrativa ou judicial, foram apurados juros considerando as determinações do artigo 10, § 2° da Lei n° 9.430/96. Dessa forma, tendo em vista as determinações do artigo 61, § 3° da Lei n° 9.430, com consulta ao artigo 5°, § 3° e ao artigo 6°, § 2°, da mesma lei, foram apurados os juros isolados calculados de 1° de fevereiro do ano posterior a data em que foi registrada a perda, até 31 de janeiro de 2006. Essa parcela de juros somase aos juros de mora calculados sobre o valor do imposto apurado a partir de fevereiro de 2006 até o mês anterior à lavratura do auto de infração. Assentou a autoridade fiscal que a aplicação dos artigos 9° a 12° da mesma Lei nº 9.430/96, para a apuração da base de cálculo da CSLL tem como fundamentação legal o artigo 28 da mesma lei. Sintetiza a matéria tributável apurada como a seguir: Falta de comprovação de ação judicial, inciso III: R$ 118.761.234,72 Falta de comprovação de ação judicial, inciso II c: R$ 23.041.861,82 Falta de comprovação de contratos para valor deduzido R$ 455.138,55 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso III R$ 14.595.842,17 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso II c R$ 1.495.184,51 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso II b R$ 4.786.895,02 TOTAL DE PERDAS INDEDUTÍVEIS APURADO: R$ 163.136.156,79 Falta de adição à base de cálculo da CSLL R$ 56.939.279,16 Juros isolados R$ 2.051.662,31 Da Impugnação Fl. 27618DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.581 5 Em impugnação tempestiva, o interessado inicia por fazer um resumo das razões declinadas no TVI para o lançamento, como a seguir: 1) No item II do Termo de Verificação de Infração Considerou indedutíveis: (i) perdas em relação às quais o Impugnante não conseguiu apresentar documentação no tempo concedido; (ii) as perdas relativas aos processos judiciais em relação aos quais, embora o Impugnante tenha apresentado documentação, considerou não demonstrada a efetiva comprovação das condições impostas pelo artigo 9º da Lei n° 9.430/96, em razão das seguintes circunstâncias: (a) existência somente de petição solicitando o desarquivamento dos autos; (b) cópias de petições iniciais sem protocolo, ou com protocolo ilegível; (c) cópias de peças iniciais protocoladas com identificação da vara, mas sem qualquer outro documento emitido pelo tribunal, comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida até a data da perda, pelo prazo mínimo de 5 anos; (iii) montante em relação ao qual supostamente não teria sido relacionado nenhum contrato. 2) No item III do Termo de Verificação de Infração Entendeu que o Impugnante teria adicionado à base de cálculo da CSLL valor menor do que o efetivamente devido a titulo de parcela indedutivel de Provisão para Devedores Duvidosos. 3) No item IV do Termo de Verificação de Infração Considerou indedutiveis perdas definitivas incorridas pelo Impugnante, exigindo o oferecimento à tributação do valor relativo ao desconto concedido na renegociação de créditos, contrariando expressamente o disposto no art. 10, § 3º da Lei 9.430/96, quanto aos acordos realizados no bojo de processos judiciais e pretendendo sujeitar às condições dos arts. 9° e 10 da Lei n° 9.430/96, inclusive os descontos concedidos em acordos relativos a débitos que ainda não eram objeto de cobrança judicial. Em seguida, articula as seguintes razões de defesa: a) Com relação ao item II do Termo de Verificação de Infração — A autoridade lançadora, ao impedir prematuramente que as provas da dedutibilidade lhe fossem apresentadas, não concedendo ao Impugnante tempo necessário para tal, incorreu em cerceamento do direito de defesa, que restou efetivamente prejudicada pela impossibilidade da apresentação de documentação relativa a 3.970 contratos. Além disso, ao elaborar os Anexos I e II, não segregou as hipóteses de não apresentação de documentos dos casos de apresentação de documentos não aceitos pela fiscalização, o que implica a nulidade do lançamento relativa a tal item. Da mesma forma, não foi igualmente individualizado caso a caso, nos Anexos I e II, qual das três razões mencionadas pela fiscalização no parágrafo 53 do Termo de Verificação de Infração para a não aceitação dos documentos apresentados — a saber: (a) a existência somente de petição solicitando o desarquivamento dos autos; (b) cópias de petições iniciais sem protocolo, ou com protocolo ilegível; (c) cópias de peças iniciais protocoladas com identificação da vara, mas sem qualquer outro documento emitido pelo tribunal comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida até a data da perda, pelo prazo mínimo de 5 anos — motivou a glosa da dedutibilidade, tudo isso impossibilitando a manutenção parcial do lançamento, uma vez que a ausência de indicação individualizada da infração imputada implica a caracterização deficiente da infração que perde integralmente a liquidez e certeza em razão de vício material, além de cercear gravemente o direito de defesa do Impugnante, o que como se verá é ainda evidenciado pela falta de clareza nos critérios utilizados para a não aceitação dos documentos, demonstrada por atitudes contraditórias da administração tributária. Fl. 27619DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.582 6 Além disso, os elementos apontados pela fiscalização como indícios de não atendimento ao artigo 9° da Lei n° 9.430/96 não se prestarem para a glosa da dedutibilidade de tais despesas. Por fim, a suposta não vinculação constatada pela fiscalização de certo valor a qualquer contrato na verdade não existe, tendo sido a conclusão fiscal provocada por erro sistêmico que o Impugnante comprova. b) Com relação ao item III do Termo de Verificação de Infração — Na verdade como se verá o valor adicionado para efeito de CSL foi idêntico ao valor adicionado para IRPJ. c) Com relação ao item IV do Termo de Verificação de Infração — No caso dos acordos homologados judicialmente, o lançamento violou o artigo 10, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Quanto aos acordos relativos a débitos que não eram objeto de cobrança judicial não são aplicáveis às restrições dos art. 9° e 10 da Lei 9.430/96, que dizem respeito apenas a perdas provisórias, ou seja, créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, e não às perdas já definitivas, que efetivamente se classificam como despesas operacionais dedutíveis da base de cálculo tanto do IRPJ como da CSL, como já decidido em reiteradas oportunidades por este E. Conselho de Contribuintes. d) Com relação à base de cálculo do IRPJ e CSLL — Não foi feita sua recomposição, com a compensação de prejuízos acumulados com 30% do valor da suposta infração apurada, bem como a compensação também do crédito de que trata o art. 8° da Medida Provisória n° 1.807/99 para efeito da CSL. e) Em qualquer hipótese — Não poderão ser exigidos juros de mora sobre o valor lançado a titulo de multa de ofício, por falta de previsão legal, nem tampouco os juros poderiam ser exigidos com base na taxa SELIC, imprestável para tanto. Quanto à glosa por falta de comprovação da existência de ações de cobrança e execução, argumentou que: Nas situações em que o contribuinte apresentou somente petição solicitando desarquivamento não foi observado qualquer critério para a glosa ou a aceitação, que se demonstra pelo fato de a petição de desarquivamento (Doc. 07) relativa ao número sequencial 03004 ter sido GLOSADA pela fiscalização, ao passo que a petição de desarquivamento (Doc. 08) relativa ao número sequencial 03411 ter sido ACEITA pela fiscalização. Todo o lançamento deve ser anulado, já que a fiscalização também não indicou, nos Anexos I e II do auto de infração, quais contratos foram glosados por documentação não aceita e quais o foram em razão da não apresentação de documentos. Não procedem as razões genericamente alegadas pela autoridade lançadora para não considerar "boa" a documentação apresentada pelo Impugnante, quais sejam, a apresentação de petição solicitando o desarquivamento dos autos, de cópias com protocolo supostamente ilegível ou a falta de documento emitido pelo tribunal comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida ate a data da perda, pelo prazo mínimo de cinco anos. As petições solicitando o desarquivamento dos autos, ao contrário do que sustenta a autoridade lançadora, demonstram a existência da ação judicial, sendo certo que ações de execução de créditos são arquivadas justamente quando não se consegue intimar o réu, ou não são encontrados bens do devedor para que a execução tenha seu regular seguimento. A indicação de existência de processo Fl. 27620DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.583 7 judicial deve ser aceita pela fiscalização, mesmo porque caso o processo não existisse, a petição certamente não seria protocolada pelo cartório. A simples falta de certidão do Tribunal comprovando que determinada ação, da qual se tem a cópia protocolada, estava em curso ou que foi mantida até a data da perda, pelo prazo mínimo de cinco anos, também não se presta para a glosa da dedutibilidade. Isto porque, embora a certidão do Tribunal possa comprovar tais fatos, a existência de cópias de peças processuais produz o mesmo efeito, sobretudo quando não houver qualquer dúvida objetiva quanto à veracidade das mesmas. Nesse contexto, não é correto presumir serem indedutíveis despesas do Impugnante unicamente em razão da ausência de certidão emitida pelo Tribunal, não podendo este mero fato ser tomado como indício de não atendimento aos requisitos do artigo 9° da Lei n° 9.430/96. O pedido de prorrogação de prazo indeferido pela autoridade lançadora havia sido solicitado em 29 de novembro, sete meses depois de formulada a exigência da documentação cujo cumprimento parcial pelo impugnante gerou o presente auto de infração. O tempo concedido, no presente caso, teria sido insuficiente para o completo atendimento das exigências fiscais, porquanto tratase de lançamento referente a deduções efetuadas em 2005, cujo atendimento às condições previstas no art. 9º da Lei nº 9.430/96 dependia da comprovação da existência de ações judiciais ajuizadas desde 2000, portanto há mais de 10 anos. Somente em 18 de fevereiro de 2010 a fiscalização deuse por satisfeita quanto à identificação dos contratos que originaram as deduções (c.f. parágrafo 24 do Termo de Verificação da Infração), tendo, então, sido identificados 18.214 contratos, com relação aos quais o impugnante foi intimado em 16 de abril de 2010 (c.f. parágrafo 25 do Termo de Verificação da Infração) a comprovar documentalmente as condições de dedutibilidade. Frisese bem, 18.214 entre os cerca de 1.300.000 contratos cuja existência foi confirmada pela autoridade lançadora no início da fiscalização. Constatado pela fiscalização o ainda elevado número de contratos identificados como supostamente não atendendo as condições de dedutibilidade, foi facultada ao impugnante a apresentação de arquivo magnético com os 300 maiores contratos, sendo 100 para cada uma das situações (incisos II, b, II, c, e III do art. 9º, c.f. parágrafo 25 do Termo de Verificação da Infração). A possibilidade de fiscalização por amostragem (relativa aos 300 processos) que havia sido anteriormente facilitada ao impugnante foi, de forma abruta, simplesmente afastada pela autoridade fiscal, que exigiu a apresentação de documentos relativos a nada menos que 13.792 contratos. Em 26 de outubro de 2010, portanto, só um mês antes da recusa da fiscalização em conceder qualquer prorrogação de prazo, o Impugnante foi intimado a apresentar, em meio magnético, planilhas relacionando os 13.792 contratos (c.f. parágrafo 40 do Termo de Verificação da Infração). Foi nesse contexto que a autoridade lançadora, no que se refere ao inciso III do § 1º do art. 9º, de um universo de 13.123 contratos solicitados, considerou boa a documentação relativa a 6.155 contratos, não considerou satisfatória a relativa a 3.068, e informou não terem sido apresentados documentos relativos a 3.900 contratos. No que se refere ao inciso II, c, do § 1º do art. 9º, de um universo de 669 contratos solicitados, considerou boa a documentação de 520, não considerou satisfatória a de 79 e informou não terem sido apresentados documentos para 70 contratos. A simples discrepância entre as proporções das documentações Fl. 27621DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.584 8 consideradas “boas”, de 78% num universo de 669 contratos contra 47% num universo de 13.123 contratos, demonstra que o número de contratos por si só influiu na capacidade do |Impugnante de atender a fiscalização a contento, indicando que seguramente teria condições de apresentar número consideravelmente maior de documentos considerados “bons” pela fiscalização caso tivesse lhe sido concedido mais tempo. A própria fiscalização confirmou a disposição do Impugnante de atendêla e as dificuldades técnicas que lhe afetava. Tendo a autoridade lançadora expressamente constatado a existência de “dificuldade técnica/administrativa na integração de diferentes arquivos, oriundos de diferentes bases, e de harmonização conceitual de critérios”, inadmissível que não tenha deferido a prorrogação de prazo solicitada em 29/11/2010, o que importou cerceamento de defesa e imposição de obstáculo injustificado á plena realização da verdade material. O lançamento é nulo em razão de vício material, já que, além de omitir pontos relevantes para a defesa, não deixa claro quais foram os critérios realmente adotados para não aceitar o valor probatório dos documentos apresentados. O vício material é gerado não só pelas caracterizações deficientes da infração, como também, pela contradição entre seus elementos, que em situações idênticas receber da fiscalização tratamentos diametralmente opostos. Requer seja o processo baixado e diligência, para permitir ao Impugnante a apresentação dos documentos faltantes, formulando dois quesitos (fls. 773): (1) indicação, por contrato, do motivo da glosa e da recusa da documentação, e (2) concessão de prazo razoável para a apresentação da documentação faltante. A diferença de perdas com crédito no valor de R$ 455.138,55, para a qual não houve apresentação de contrato, decorreu unicamente de evidente erro material contido na planilha apresentada por meio do ofício CRTUAF0688/10 mencionado no parágrafo 60 do Termo de Verificação da Infração, apresentado pelo Impugnante no dia 08 de dezembro de 2010 (c.f. parágrafo 47 do Termo de Verificação da Infração). Houve supressão de “zeros” relativamente a oito contratos, citando como exemplo o contrato n.1997001836, celebrado com Comabel, Com. Rep. Madeiras Ltda., a perda de R$ 83.022,61 efetivamente ocorrida e registrada corretamente no Razão Analítico “transformouse”, em razão de erro sitêmico que suprimiu o zero, em perda de R$ 8.322,61 (remete aos documentos de fls. 4763 a 4813). Quanto ao item III do TVI alega: A acusação de adição a menor na base de cálculo da CSL, a título de provisão indedutível, em razão de suposta diferença apontada entre o valor indicado no LALUR, como adicionado para efeito de IRPJ a título de PDD indedutível (R$ 932.255.199,35), e o valor indicado no LACS a título de adição de provisão para devedores duvidosos (R$ 875.315.920,19), corresponde aos R$ 56.939.279,13 resultou de falta de aprofundamento na investigação. Como se verifica claramente do simples exame do LALUR e demais documentos anexos, contudo, esta diferença de R$ 56.939.279,13 foi também excluída para efeito da base de cálculo do IRPJ, apenas sob rubrica distinta, no tópico "33 — Outras exclusões — Receita de Rendas a Apropriar de Crédito em Liquidação" (doc. 14, mais especificamente folha 12 da parte A do Lalur). Fl. 27622DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.585 9 Como o próprio nome indica e demonstrado na folha 44 da parte B do Lalur e demais documentos anexos (doc. 14), tratase da reversão no período de receitas já tributadas no passado, mas que embora controladas em separado em "outras exclusões" para efeito de IRPJ, inadvertidamente foram consolidadas com o valor global de PDD para efeito de CSL. Prova disso é que o valor em questão, indicado em "outras exclusões" corresponde exatamente à. diferença apontada pela fiscalização, e no LACS não existe esta exclusão dentre as "outras exclusões" (doc. 14, fls. 13 do LACS). Quanto ao item IV do TVI, referente a “Fatos relativos à falta de Adição de Perdas Indedutíveis”, alega: O fiscal autuante reconheceu expressamente a existência de acordos judiciais (até porque não há como se encerrar uma ação judicial sem a concordância do réu), mas ainda assim aplicou também a estes casos o disposto nos §§ 1º e 2° do art. 10 da Lei n° 9.430/96, simplesmente ignorando o disposto no § 3º daquele mesmo dispositivo legal que dispõe expressamente que solucionado o litígio sobre o crédito por meio de acordo homologado judicialmente, somente integrará a base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor efetivamente recebido, não se aplicando ao desconto — isto é, a parcela originária do crédito não paga em razão do acordo — as regras dos §§ 1° e 2° utilizadas pela fiscalização para justificar o lançamento. Quando a fiscalização afirma, no parágrafo 94 do Termo de Verificação de Infração, que "a homologação do acordo tratase de uma ratificação da desistência ou suspensão de ações judiciais de cobrança, sendo que não há julgamento de mérito", comete manifesto equívoco, já que o Código de Processo Civil prevê expressamente, no artigo 269, inciso III, que haverá resolução de mérito, quando as partes transigirem. Ainda que eventualmente em algum caso concreto seja extinta a ação judicial sem julgamento de mérito, considerando que o art. 267, § 4° do C.P.C. é expresso no sentido de que após a citação do réu o autor só pode desistir da ação com o seu consentimento, também nesta hipótese seria aplicável o § 3° do artigo 10 da Lei 9.430/96, até porque reconhece expressamente o ilustre fiscal autuante que o valor lançado referese especificamente à “falta de adição de perdas indedutíveis, nas recuperações de créditos", o que evidencia ser incontroverso nos autos que os valores lançados referemse a descontos concedidos em acordos de renegociação de créditos. Muito embora o acima exposto por si só seja suficiente para demonstrar a improcedência da autuação relativamente aos casos em que indicado nos anexos III a V "s" no campo indicador se houve ajuizamento da ação, apenas para que não pairem dúvidas a este respeito o Impugnante anexa à presente cópia de inúmeros acordos celebrados e homologados judicialmente (doc.15) o que evidencia o absurdo de ter a fiscalização desconsiderada a norma expressa do § 3° do art. 10 da Lei 9.430/96. Além disso, mesmo que o § 3° do artigo 10 da Lei n° 9.430/96 não existisse, não poderia ser aplicada a regra do § 1° aos acordos celebrados pelo Impugnante, já que este parágrafo se refere aos casos em que ocorrer "a desistência da cobrança pela via judicial", sendo certo que a desistência pura e simples de um processo judicial não se confunde com a transação entre as partes, instituto jurídico que supõe a existência de concessões mútuas com a finalidade de por termo a um litígio, conforme disposição do artigo 840 do Código Civil. Fl. 27623DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.586 10 Como no caso a concessão dos descontos teve como contrapartida, como visto, o efetivo pagamento do crédito remanescente pelo devedor, o que implica o reconhecimento formal da dívida e a renúncia à oposição de obstáculos para quitála, existentes, portanto, as concessões mútuas que tipificam a transação, não há que se falar em desistência, sendo, assim, inaplicável o § 1º do artigo 10 da Lei n° 9.430/96. Assim, revelase manifestamente improcedente a glosa referente aos contratos reconhecidamente objeto de ação judicial, seja em razão do § 3° do artigo 10 da Lei n° 9.430/96, cuja aplicação não foi corretamente observada pela autoridade lançadora, seja em função da inaplicabilidade do § 1º desse mesmo artigo em face da ausência de verdadeira desistência. Com relação aos acordos que não foram celebrados em juízo, a autoridade lançadora reconhece, no parágrafo 92 do Termo de Verificação de Infração, que a atitude do Impugnante que gerou a glosa foi a de "celebrar acordo para recebimento de créditos em atraso, concordando em conceder descontos a seus clientes", ou seja, foi a de dar os referidos "descontos" visando unicamente ao "recebimento de créditos em atraso". O valor aqui glosado é composto integralmente de perdas/descontos concedidos na renegociação de dívidas, conforme expressamente reconhece a autoridade lançadora nos itens 92 e 93 do Termo de Verificação de Infração, e como tal consubstanciam despesas operacionais das instituições financeiras dedutíveis de imediato para efeito de IRPJ e CSL, reportandose a julgados do antigo Conselho de Contribuintes (ac. 10196.433, Ac. 10506.500 e Ac. 10706.506). Todos os valores registrados pelo Impugnante como perdas na renegociação de dívidas representam receitas que de fato não existiram, ou seja, valores registrados como receitas, tributados pelo IRPJ e pela CSL e que por alguma razão não foram percebidos. E se não houve a percepção desses valores anteriormente registrados como receitas, obviamente tem o Impugnante o direito de registrar as perdas sofridas sob pena de passar a pagar IRPJ e CSL sobre não renda, o que não se compadece com nosso ordenamento jurídico. Revelase improcedente a atitude da autoridade lançadora, que tomou os valores que foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSL e os considerou tributáveis, classificandoos como perdas prováveis com créditos de liquidação duvidosa sujeitas aos prazos e condições dos artigos 9º e 10 da Lei 9.430/96. Muito embora a autoridade lançadora tenha aplicado as regras especiais contidas nos artigos 9º e 10 da Lei n° 9.430/96, as perdas definitivas incorridas pelo Impugnante como decorrência da celebração de acordos para receber parte do crédito original, afastando, dessa forma, a regra geral de dedutibilidade prevista no artigo 299 do RIR1999, olvidouse que estas regras especiais dizem respeito apenas às perdas provisórias incorridas pelos contribuintes, e não as definitivas. A exigência de juros de mora isolados não é cabível, quer para o caso de acordos homologados por sentença judicial, quer para os acordos não celebrados em juízo. Para os relativos aos acordos homologados por sentença judicial, o TVI apresenta como fundamento legal o art. 10 da Lei nº 9.430/96. Contudo, além de o § 3° do referido art. determinar expressamente que nas hipóteses de acordo homologado por sentença judicial não é "aplicável o disposto no parágrafo anterior", o § 1º se destina apenas aos casos de "desistência da cobrança", que não se confunde com a transação. Quanto aos acordos relativos a contratos que ainda não eram objeto de cobrança em juízo, as regras dos arts. 9º e 10 da Lei nº 9.430/96 não Fl. 27624DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.587 11 se aplicam às perdas definitivas decorrentes de acordos celebrados com os devedores com o objetivo de obter o efetivo pagamento do crédito remanescente. Recomposição da base de cálculo: Em seguida, alega que ainda que fosse mantida qualquer exigência de IRPJ e CSLL, o que admite apenas para argumentar, a fiscalização deveria, necessariamente, ter compensado o valor adicional tanto de prejuízo fiscal como de crédito do art. 8° da MP 1.807/99 a que então teria direito o Impugnante, tendo em vista que em sua DIPJ do ano calendário de 2005, ao apurar o IRPJ e CSL devidos, compensou de prejuízos fiscais de anos anteriores no limite de 30% do lucro líquido ajustado, bem como quanto à CSL o crédito de que trata o art. 8° da MP 1.807/99, existindo saldo remanescente (DIPJ, doc. 17). Juros de mora sobre a multa. Considerando que o Fisco vem exigindo juros de mora sobre a multa de ofício, impugna preventivamente essa pretensão para que não se alegue que a matéria não pode ser objeto de exame porquanto não abordada na defesa. Afirma que a legislação que rege a matéria somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, não autorizando, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa. Desenvolve longa exposição sobre o tema, mencionando jurisprudência, inclusive da CSRF. Finalmente, alega impossibilidade de utilização da Selic para cálculo dos juros de mora, quer por ter natureza híbrida, quer por ser fixada unilateralmente pelo Poder Executivo, quer porque extrapola o percentual de 1% previsto no CTN. A já citada 8a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1633.449, de 26 de agosto de 2013, pela procedência parcial das lançamentos tributários. No que diz respeito aos termos do decidido em primeira instância e ao recurso voluntário impetrado pela fiscalizada, o relatório constante da Resolução nº 1301 000.114 assinala: Decisão de Primeira Instância A 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e o pedido de diligência, e julgou procedente em parte a impugnação. Quanto ao mérito, como fundamento geral de suas razões de decidir, afirma que a dedução das “Perdas em Operações de Crédito” subordinase às regras dos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, e que o art. 28 da mesma lei estende a aplicação dessas regras à CSLL. Na apreciação do caso concreto, a motivação da decisão pode ser assim sintetizada: Glosa por falta de comprovação da existência de ações judiciais de cobrança e execução: As cartas de arrematação cujas cópias encontramse às fls. 972 a 992 não são hábeis a comprovar a dedutibilidade dos contratos identificados nos números sequenciais 03557, 07319, 08265, 11973, 12153 e 12459; Fl. 27625DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.588 12 As “Solicitações da Execução da Dívida” (Doc. 5, fls. 1014 a 1026) dizem respeito a procedimento extrajudicial, e não são hábeis a comprovar a dedutibilidade dos contratos identificados nos números sequenciais 06430. 06441, 06456, 06522, 06560, 06563, 06575, 06578, 06602, 06633, 09093, 10760 e 12089. Os documentos 09, 10, 11 e 12 (fls. 1039 a 4762) foram analisados pela relatoria, tendo sido geradas as planilhas de fls. 5256 (Análise da Documentação ref. Doc. 09); 5257/5258 (Análise da Documentação ref. Doc. 10); 5259/5265 (Análise da Documentação ref. Doc. 11); 5266/5287 (Análise da Documentação ref. Doc. 12); e fls. 5288/5292 (que relaciona os Documentos Aceitos como Comprobatórios da Correta Dedução da Perda), apontando a exoneração da matéria tributável, para ambos os tributos, do valor de R$ 5.450.971,84. Alegação de erro material contido na planilha apresentada à Fiscalização: Os documentos apresentados (fls. 4764 a 4813) não estão aptos a comprovar os novos valores de perda informados pelo impugnante quanto aos contratos listados à fl. 4763. Primeiro, porque os de fls. 4764, 4790, 4796, 4803. 4810 4812 se referem a outra instituição financeira. Segundo, o de fls. 4771/4789, relativo a pessoa física, não demonstra a correção dos valores reclamados pelo impugnante. Não tendo restado provado o alegado erro material, não cabe reparo à diferença de R$ 445.138,55 apurada pela fiscalização. Diferença entre os valores (indedutíveis) adicionados a título de IRPJ e de CSLL: Restou efetivamente comprovado que a inconsistência entre o valor adicionado no LALUR e o adicionado no LACS é apenas aparente, as adições são coincidente, não havendo diferença passível de exigência, devendo ser reduzida da base tributável da CSLL o valor de R$ 56.939.279,16. Descontos concedidos em renegociação de créditos: A hipótese de desistência de cobrança pela via judicial só pode ser aplicada aos casos em que a própria lei estabeleceu como condição de dedutibilidade o início e a manutenção dos procedimentos judiciais para o recebimento do crédito. Nos casos de dedutibilidade previstos nos incisos I e II “b” do § 1º do art. 9º, que não prevêem o início e manutenção de ações judiciais para seu recebimento, a dedução da perda ocorre com o decurso do prazo neles estabelecidos (6 meses e 1 ano), sendo que a eventual quantia recebida em decorrência de acordo firmado entre o detentor do crédito e o devedor deve ser oferecida à tributação. Quanto às perdas cujo início da inadimplência ocorreu nos anos de 2002, 2003 e 2004, o desconto concedido (R$ 4.197.930,77) e os juros isolados calculados (R$ 359.351,56) relativamente ao caso do Anexo V (inciso II, “b” do § 1º do art. 9º, fls. 127 a 149) devem ser excluídos da exigência, permanecendo incólume a exigência relativamente às perdas do ano de 2005, porquanto não cumprida a condição temporal (vencimento maior que 1 ano). No que se refere aos descontos concedidos e juros isolados pertinentes ao Anexo IV (inciso II, “c” do § 1º do art. 9º, fl. 126) e ao Anexo V (inciso III do § 1º do art. 9º, fls. 111 a 125) impõese a observância do prazo de 5 anos para a dedutibilidade, como procedido pelo fiscal. Alegação de desconsideração de prejuízos fiscais e do crédito da CSLL previsto no art. 8º da MP 1.807/99: Fl. 27626DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.589 13 O documento de fls. 5253 (“Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais” relativo ao anocalendário de 2005), extraído do Sistema SAPLI, revela que naquele mesmo anocalendário o contribuinte esgotou a totalidade do saldo de prejuízos fiscais. O documento de fls. 5255 (“Demonstrativo de Base de Cálculo Negativa de CSLL“ relativo aos anoscalendário de 2005 a 2009), também extraído do Sistema SAPLI, informe que em 31/12/2005, mostra que de fato existia um “Saldo de Crédito de CSLL decorrente de BC Neg e Adições Temp. até 31/12/98”, de R$ 408.168.681,43. Por outro lado, a despeito de não haver saldo de Bases Negativas de Períodos Anteriores (linha 1) o contribuinte procedeu à compensação de BCN de períodos anteriores no valor de R$ 165.531.184,90 (linha 6) CSLL correspondente de R$ 14.897.806,56. Revela que naquele mesmo anocalendário o contribuinte esgotou a totalidade do saldo de prejuízos fiscais. Considerando as bases de cálculo exoneradas na decisão, o valor tributável apurado pela fiscalização ficou alterado de R$ 220.075.435,92 para R$ 153.487.254,15, menos, portanto, que a base de cálculo indevidamente compensada porque inexistente. Assim, não há como acolher o pleito por inexistência de saldos compensáveis. Juros sobre a multa de ofício. Os juros não estão lançados, não integrando o litígio, a cobrança (futura) dos juros sobre a multa de ofício vinculada tem fundamento do art. 161 do CTN c.c. art. 61, § 3º da Lei 9.430/96. Juros à taxa Selic Não há qualquer vedação legal à instituição da taxa referencial Selic para fins de utilização no cálculo dos juros devidos pelo contribuinte em mora. Recurso Ciente da decisão em 07/11/2011, o contribuinte ingressou com recurso em 07/12/2011. Reedita a alegação de cerceamento de defesa pela exiguidade do tempo concedido para apresentação de documentação pertinente a 13.792 contratos, a exigir, ao menos, a conversão em diligência. Diz que o fato de ter apresentado impugnação não afasta o cerceamento de defesa. Aduz que no curto período para apresentar a impugnação conseguiu apresentar vários (embora lamentavelmente não todos) documentos não apresentados por motivo de força maior durante a fiscalização, num total de 4.397 páginas, muitos dos quais foram aceitos pela decisão recorrida. Acrescenta que entre a apresentação da impugnação e do presente recurso obteve outros documentos, que ora apresenta com fundamento no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/71 (doc. 02 e 03). Entre esses documentos encontramse, por exemplo, certidões de objeto e pé e cópias dos processos judiciais cujo pedido de desarquivamento havia sido comprovado durante a fiscalização e com a impugnação, e que só não haviam sido apresentados antes por impossibilidade material em razão do tal desarquivamento. Fl. 27627DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.590 14 Da mesma forma, estão sendo anexadas novas cópias de documentos possivelmente tidos anteriormente pela fiscalização como ilegíveis, que foram novamente extraídas in locu, bem como documentação complementar em reforço à já anteriormente apresentada. Insiste na nulidade do lançamento em razão de vício material, já que, além de omitir pontos relevantes para a defesa, não deixou claro quais foram os critérios realmente adotados para não aceitar o valor probatório dos documentos apresentados, e reedita os termos da impugnação em que tratou desse ponto. Ressalta que o fato de a decisão recorrida, às fls. 5.256 a 5292, ter buscado suprir a falta de indicação individualizada das razões que levaram a fiscalização a glosar a perda relativa aos contratos, por si só demonstra a nulidade do lançamento, pois, caso as justificativas tivessem constado do lançamento, o Recorrente teria condições de demonstrar, na impugnação, a improcedência dessas justificativas. Menciona, como exemplo, as situações em que a decisão justifica a recusa alegando ser o “autor outra PJ”, quando na verdade a outra PJ é instituição financeira cujos direitos creditórios referentes às ações em questão foram transferidos para o Recorrente por cisão parcial dessas instituições (doc. 01), o que demonstra a improcedência da objeção levantada pela administração tributária. Repete a alegação da impugnação, de que o vício material é gerado, também, pela contradição entre seus elementos. No que se refere ao tratamento distinto conferido às cartas de arrematação apresentadas, reclamado na impugnação, diz que a decisão limitouse a assentar que a execução extrajudicial não se equipada à judicial, e assim, as cartas de arrematação não atendem à condição de existência de processo judicial. Sobre esse ponto, argumenta que: (a) a alegação da inaplicabilidade do art. 9º, § 1º, inciso III, da Lei 9.430/96 às cartas de arrematação relativas ao procedimento regulado pelos arts. 31 a 38 do Decretolei nº 70/66 é alegação nova, não contida no auto de infração (tanto que diversas cartas de arrematação foram aceitas pela fiscalização), e que, portanto, não poderia ter sido introduzida na decisão recorrida, sob pena de nulidade por cerceamento de defesa; (b) o Recorrente jamais sustentou que a execução judicial esteja equiparada à execução extrajudicial, mas somente que a execução mediante carta de arrematação prevista nos arts. 31 a 38 do Decretolei nº 70/66, por força do art. 29 do mesmo DL, tem força de execução judicial, ou seja, produz substancialmente os mesmos efeitos da execução judicial, com a única diferença que por se tratar de forma de autotutela, a satisfação do crédito se dá por meios mais eficazes do que os previstos no CPC, inclusive com a expressa atuação do Poder Judiciário no momento da imissão na posse do imóvel arrematado, em nada diferindo, assim, da execução efetuada nos termos do CPC. Transcreve julgado do TFR que assenta que a execução extrajudicial da hipoteca, nos termos do DL 70/66, não suprime o controle judicial, apenas institui uma deslocação do momento de atuação do Poder Judiciário. E que nesse procedimento, opcional, inverteuse a ordem, deuse prevalência à satisfação do crédito, em atenção ao interesse social de manutenção da liquidez do Sistema Financeiro da Habitação. Transcreve trecho do voto proferido pelo Ministro relator, que deixa clara a maior eficácia do processo de execução extrajudicial comparado com o judicial. Pondera que, embora o art. 9º da Lei 9.430/96 refirase a procedimentos judiciais para o recebimento do crédito, não faz sentido que a regra, cuja finalidade é admitir a dedutibilidade de perdas em relação às quais o credor tenha tomado as providências necessárias para o recebimento, não se aplique ao procedimento Fl. 27628DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.591 15 extrajudicial de que se trata, mais eficaz que o procedimento judicial (revela que o credor tomou medida mais forte para que os créditos fossem efetivamente recebidos). Especificamente para a carta de arrematação de fls. 972/973, que a decisão menciona ter sido passada em nome do Banestado, outra pessoa jurídica, diz que recebeu os direitos creditórios daquela instituição mediante cisão parcial. Assegura que, ainda que, para argumentar, a regra do inciso III do art. 9º da Lei 9.430/96 não se aplicasse ao procedimento previsto nos arts. 31 a 38 do DL 70/66, tal fato não retiraria do lançamento a incoerência apontada na impugnação, de não aceitação de cartas de arrematação absolutamente idênticas a outras que foram aceitas. Por isso, não é lógica a afirmação da decisão, de que não analisará as cartas aceitas, porque não se encontram em litígio, pois é justamente o fato de terem sido aceitos pela fiscalização e serem idênticos aos não aceitos, que revela a inconsistência do lançamento ou, quando menos, a realização da diligência solicitada. Apresenta as mesmas ponderações em relação às peças “Solicitação da Execução da Dívida (Doc. 5 da impugnação), não aceitas, mas idênticas às relativas ao Doc. 6, não rejeitadas, bem como em relação aos “pedidos de desarquivamento”. Sobre a alegação da decisão recorrida, de que a petição de desarquivamento relativa ao número sequencial 03004 “não atenderia às condições postas na intimação, pois sequer consta a indicação da natureza da ação” diz que, diante da quase certeza de que uma petição relativa a um processo em que “BANCO ITAÚ S/A(....) move em desfavor de FÁBIO CARDOSO LOPES” (fl. 1036) refirase a cobrança de dívida, o mero fato de a petição não indicar a natureza da ação não pode ser decisivo para a glosa da perda, reforçando a necessidade da diligência. Contrapõe a afirmativa da decisão recorrida, de que “a simples apresentação da cópia da petição de desarquivamento não faz prova da manutenção da ação de cobrança ou execução pelo prazo legal” argumentando que, conquanto tal seja verdade, ela é um indício de tal fato, e a afirmação da decisão, no sentido de que persiste a dúvida, se houve ou não a desistência da ação por parte da instituição financeira” é mais um fato a apontar a necessidade da diligência solicitada. Acrescenta que posteriormente à apresentação da impugnação diversas daquelas ações foram desarquivadas, possibilitando ao Recorrente a obtenção somente então das certidões de objeto e pé e cópias reclamadas (Doc. 02 e 03). Contesta as razões da decisão para refutar a alegação do erro material que teria originado a diferença de R$ 455.138,55. Diz que a “outra instituição financeira” com quem foram firmados os contratos, como já esclarecido, é o Banestado, cujos direitos creditórios foram transferidos para o recorrente por cisão parcial (Doc. 01), sendo improcedente a objeção levantada pela decisão. Sobre o item IV do TVI, que alcança “Fatos Relativos à Adição de Perdas Indedutíveis nas Recuperações”, reproduz as alegações da impugnação e adita, às decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes já arroladas, o Acórdão CARF nº 140200.394, no mesmo sentido. Reproduz as razões apresentadas de contestação aos juros isolados, juros sobre a multa e juros Selic. Sobre essa última matéria diz que, conquanto saiba da impossibilidade de a incidência da Selic ser afastada pelo CARF, em razão de súmula específica. Reitera a pretensão com o objetivo de que, na eventualidade de Fl. 27629DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.592 16 decisão plenária do E. Supremo Tribunal Federal favorável ao contribuinte sobre essa matéria, não reste preclusa a questão neste processo administrativo, podendo este Conselho afastar a exigência com base no art. 26A do decreto nº 70.235/72. Sobre a falta de recomposição da base de cálculo da CSLL, contesta a decisão quando reconhece a existência de Saldo de Crédito CSLL Decorrente de BC Neg e Adições Temp, até 31/12/2005, de R$ 408.168,43, mas não faz a compensação porque o valor mantido pela decisão é inferior ao que teria sido indevidamente compensado. Diz que, em primeiro lugar, o auto de infração não questionou a compensação de base negativa de CSLL indicada pelo contribuinte em sua DIPJ. Em segundo lugar, porque a compensação de crédito de que trata o art. 8º da MP 1.807/99 não tem qualquer relação com a compensação de base de cálculo negativa. Argumenta que enquanto esta última se dá “base contra base”, ou seja, antes do calculo da CSL devida, a compensação do crédito do art. 8º da MP 1.807/99 se dá com a própria CSL devida. Assim a eventual falta de base de cálculo negativa que desse suporte à compensação realizada, caso houvesse sido objeto de autuação nos presentes autos, apenas aumentaria ainda mais o crédito do art. 8º da MP 1807/99, que então seria passível de compensação. Aduz que, tendo comprovado que sempre pretendeu compensar seu crédito no limite permitido (30% da CSL devida), e tendo a fiscalização, em razão do auto de infração lavrado apurado valor devido de CSL superior ao apurado pelo Recorrente, deveria necessariamente ter compensado de ofício parcela adicional daquele crédito, observado o limite legal. Como já dito, esta Primeira Turma de julgamento promoveu uma primeira apreciação do recurso voluntário interposto pela fiscalizada, momento em que: i) rejeitou a nulidade suscitada com fundamento em cerceamento do direito de defesa; ii) rejeitou a arguição de nulidade com base em suposto vício material; iii) rejeitou o pedido de diligência com o objetivo de que fosse especificado, para cada contrato, as razões da glosa e recusa da documentação apresentada; e iv) resolveu converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização analisasse a documentação juntada na fase recursal, informando: (a) se haviam sido supridas as deficiências probatórias da documentação apresentada na fase de fiscalização, elaborando planilhas correspondentes ao resultado dessa análise, explicitando, para cada contrato (conforme número sequencial indicado nos Anexos 1 e 2 do Termo de Verificação) o motivo da recusa ou aceitação; (b) se havia sido superada, no todo ou em parte, a diferença de R$ 455.138,55 apontada no Auto de Infração. Em atendimento, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo DEINF/SPO produziu o Relatório de fls. 15.041/15.046, ao qual anexou as planilhas de fls. 15.047/15.055. Cientificada do RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA, a contribuinte apresentou o documento de fls. 15.058/15.068, em que, entre outros argumentos, alegou que o procedimento requisitado por esta instância julgadora limitouse a apreciar os documentos aportados ao Fl. 27630DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.593 17 processo por meio do recurso voluntário, de modo que documentos juntados por meio de petições protocolizadas em 30/04/2013 e 14/05/2013 não haviam sido apreciados. Na ocasião, aditou que observou que a documentação em referência não havia sido juntada aos autos, o que provavelmente explicaria o fato de o responsável pela diligência não têla examinado. Por meio da Resolução nº 1301000.201, de 06 de maio de 2014, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, mais uma vez, para que os documentos trazidos ao processo em 30/04/2013 e 14/05/2013 fossem apreciados. Em atendimento, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo DEINF/SPO produziu o Relatório de fls. 27.538/27.540, anexando as planilhas de fls. 27.541/27.555. Cientificada do resultado desta segunda diligência, a contribuinte trouxe aos autos o documento de fls. 27.559/27.570, contestando as conclusões ali expendidas. É o Relatório. Fl. 27631DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.594 18 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Juros Isolados, relativas ao ano calendário de 2005, formalizadas em razão da glosa de perdas no recebimento de créditos com fundamento na alegação de que não foram observados os requisitos estampados na legislação de regência. Em conformidade com o Termo de Verificação de Infração de fls. 18/38, as matérias tributáveis apuradas foram as seguintes: i) R$ 118.761.234,72, relativos a perda com créditos com garantia, vencidos há mais de dois anos, em que não foram comprovadas as ações judiciais correspondentes, nos termos do disposto no inciso III do § 1º do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996; ii) R$ 23.041.861,82, relativos a perda com créditos sem garantia, superiores a R$ 30.000,00, vencidos há mais de um ano, em que não foram comprovadas as ações judiciais correspondentes, nos termos do disposto na alínea "c" do inciso II do § 1º do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996; iii) R$ 455.138,55, correspondentes à diferença entre o que foi deduzido na determinação da base de cálculo das exações (R$ 226.499.633,53) com amparo nas disposições do inciso III do § 1º do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996, e o montante em relação ao qual foram apresentados os contratos (R$ 226.044.494,98); iv) R$ 20.877.921,70, relativos à falta de adição às bases de cálculo das exações de perdas indedutíveis (descontos); v) R$ 56.939.279,16, relativos à insuficiência de adição à base de cálculo da CSLL de despesa correspondente à provisão para devedores duvidosos; e vi) R$ 2.051.662,31 correspondentes a juros isolados. Aprecio, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO As matérias tributáveis excluídas em primeira instância, propulsoras da interposição do recurso necessário, foram as seguintes: a) R$ 5.450.971,84, referentes às perdas com créditos, com ou sem garantia, para as quais foram apresentados documentos considerados suficientes à comprovação de que a perda foi deduzida corretamente; Fl. 27632DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.595 19 b) R$ 56.939.279,16 relativos à insuficiência de adição à base de cálculo da CSLL de despesa correspondente à provisão para devedores duvidosos, por ter sido considerado comprovado que o valor efetivamente adicionado a título de Perdas em Operações de Crédito para fins de apuração do lucro real, em 31/12/2005, está coincidente com o valor adicionado a mesmo título para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, qual seja, R$ 875.315.920,19; c) R$ 4.197.930,77 e R$ R$ 359.351,56, relativos a descontos e juros isolados correspondentes, respectivamente, em virtude de que, considerando que o início da inadimplência ocorreu nos anos de 2002, 2003 e 2004, e, tratandose do caso do ANEXO V (créditos acima de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00, vencidos há mais de um ano), já foi cumprido o prazo legal estabelecido e não constitui condição de dedutibilidade a manutenção e existência de ação judicial. Penso que o decidido em primeira instância, ao menos no que diz respeito ao montante de crédito tributário exonerado, não é merecedor de reparos. Com efeito, no que diz respeito à comprovação da efetiva existência de ações judiciais capazes de servir de suporte para as deduções de perdas no recebimento de créditos, a contribuinte juntou aos autos documentos, fls. 1.039/4.762, cuja análise em primeira instância resultou nas planilhas de fls. 5256, 5257/5258, 5259/5265, 5266/5287 e 5288/5292. Referidas planilhas guardam inteira correlação com os documentos apresentados pela Recorrente, e apontam, para cada um dos documentos analisados, os motivos da sua aceitação ou rejeição como elemento comprobatório do prosseguimento da cobrança pela via judicial. A planilha de fls. 5288/5292 relaciona os DOCUMENTOS ACEITOS COMO COMPROBATÓRIOS DA CORRETA DEDUÇÃO DA PERDA. Nela, cuidou a autoridade julgadora de primeira instância de descrever, em detalhes, os elementos autorizadores da dedução dos valores correspondentes, concluindo, a partir da análise dos documentos disponibilizados pela Recorrente, que, relativamente ao montante de R$ 5.450.971,84, referidos documentos guardam correlação com perdas apropriadas no resultado e comprovam, de forma efetiva, o prosseguimento da cobrança pela via judicial. Como já visto, a autoridade fiscal, a partir do confronto entre os ajustes efetuados ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real com os promovidos para a determinação da base de cálculo da CSLL, concluiu que, enquanto para o imposto de renda, foram adicionados, a título de parcela indedutível de provisão para devedores duvidosos, o montante de R$ 932.255.199,35, para a CSLL o valor adicionado teria sido de R$ 875.315.920,19, resultando daí uma diferença de R$ 56.939.279,16, representativos da insuficiência de adição à base de cálculo da CSLL. Ocorre que a contribuinte fiscalizada trouxe aos autos documentos que demonstram que o valor de R$ 56.939.279,16, relativo a RENDAS A APROPRIAR DE CRÉDITO EM LIQUIDAÇÃO, também foi considerado na determinação do lucro real como OUTRAS EXCLUSÕES, de modo que o montante adicionado para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda foi idêntico ao levado em conta para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, qual seja, R$ 875.316.920,19. Fl. 27633DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.596 20 Estando fundamentada tão somente na diferença de adições às bases de cálculo, a infração imputada, de fato, revelase insubsistente. No que diz respeito aos DESCONTOS e JUROS ISOLADOS, entendeu a Turma Julgadora de primeiro grau que, para as perdas cujo início da inadimplência ocorreu nos anos de 2002, 2003 e 2004, o desconto concedido (R$ 4.197.930,77) e os juros isolados (R$ 359.351,56), para os casos enquadrados na alínea "b" do inciso II do parágrafo 1º do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996 (créditos acima de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa), por não ser condição de dedutibilidade a manutenção ou mesma a existência de ação judicial, devem ser excluídos da autuação. Por entender, como se verá adiante, que a exclusão deveria se dar em maior extensão, acolho também o cancelamento proposto na instância a quo. Diante das razões expostas, sou por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA POR SUPOSTA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE AÇÕES JUDICIAIS DE COBRANÇA OU EXECUÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Sustenta o Recorrente que, no caso, houve cerceamento do direito de defesa, vez que o tempo concedido para que ele apresentasse a documentação relativa a 13.792 contratos foi curto, não sendo suficiente para que as exigências fiscais fossem perfeitamente atendidas. Diz que o lançamento é nulo em razão de vício material, já que, além de omitir pontos relevantes para a defesa, não deixou claro quais foram os critérios adotados para não aceitar o valor probatório dos documentos apresentados. Destaca que a alegação da inaplicabilidade das disposições do inciso III do § 1º do art. 9º da Lei nº 9.430/96 às cartas de arrematação (arts. 31 a 38 do DecretoLei nº 70/66) é nova, não contida no auto de infração, tanto que diversas cartas de arrematação foram aceitas pela Fiscalização. Diz que não procede a objeção trazida pelo ato decisório recorrido em relação à carta de arrematação de fls. 972/973, uma vez que o BANCO BANESTADO S/A teve os seus direitos creditórios transferidos para ele mediante cisão parcial. Argumenta que, ainda que as disposições dos arts. 31 a 38 DecretoLei nº 70/66 não sejam aplicáveis ao presente caso, o fato de CARTAS DE ARREMATAÇÃO substancialmente iguais terem sido aceitas e glosadas pela Fiscalização não retira a incoerência do lançamento. Alega que, de igual forma, no que diz respeito a peças de SOLICITAÇÃO DA EXECUÇÃO DA DÍVIDA, também substancialmente idênticas, algumas foram aceitas pela Fiscalização, enquanto outras foram rejeitadas. Afirma que nas situações em que apresentou somente petição com a solicitação de desarquivamento, não foi observado qualquer critério para a glosa ou aceitação. Argumenta que não procedem as razões genéricas alegadas pela Fiscalização para promover a glosa. Relativamente à diferença de R$ 455.138,55, diz que não procedem as razões do ato decisório recorrido em relação ao erro material que deu origem à acusação fiscal (reafirma que a diferença decorreu de erro material contido na planilha apresentada por meio do Ofício CRTUAF0688/10 parágrafo 60 do Termo de Verificação de Infração). Fl. 27634DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.597 21 No que diz respeito ao alegado cerceamento do direito de defesa, penso que em razão das conversões do julgamento em diligências, a arguição restou prejudicada, eis que foi oportunizada à Recorrente prazo mais do que suficiente para apresentar os documentos relacionados às glosas efetuadas pela Fiscalização. Ademais, em que pese o fato de, por meio de intimações formalizadas no curso da ação fiscal, a contribuinte ter sido cientificada dos motivos em virtude dos quais foram consideradas não atendidas as condições autorizadoras da dedução das perdas no recebimento de créditos, os procedimentos em referência (diligências), a partir da documentação aportada ao processo por meio das defesas interpostas, produziram relatórios e planilhas demonstrativas em que os elementos justificadores das glosas efetuadas pela Fiscalização foram detalhadamente especificados. A alegada inovação por parte da decisão de primeira instância, consubstanciada na recusa acerca das denominadas cartas de arrematação como substitutivas das ações judiciais reclamadas pela autoridade fiscal, não pode ser acolhida, pois, a meu ver, o simples fato de a Fiscalização pronunciarse sobre a não comprovação da existência das referidas ações judiciais implica, à evidência, na não aceitação de citadas cartas, porventura apresentadas, como documento capaz de servir de suporte à dedução pretendida. Com o devido respeito, ainda que, eventualmente, deduções tenham sido admitidas pela autoridade fiscal, única e exclusivamente, com base em cartas de arrematação, é certo que, em sede de julgamento, firmado o juízo no sentido de que referidas cartas não substituem a ação judicial a que faz referência a lei disciplinadora da matéria, tais deduções não podem ser admitidas. Da mesma forma, supostas semelhanças de comprovação documental que tenham conduzido à decisão distinta por parte da autoridade fiscal, de modo que em determinados casos a dedução foi admitida e em outros não, além de não ser suficiente à decretação da nulidade do lançamento, também não vinculam a apreciação em sede de julgamento. No que tange à diferença de R$ 455.138,55, os esclarecimentos trazidos pelo Relatório de Diligência correspondente ao procedimento requisitado por meio da Resolução nº 1301000.114, de 08/05/2013, elucidam a questão. Com efeito, ali restou explicado que o valor efetivamente deduzido a título de PERDAS, com amparo no inciso III do art. 9º da Lei nº 9.430/96 e informado na DIPJ, foi de R$ 226.499.633,53, mas, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 37, a contribuinte informou que, para os contratos relacionados ao citado inciso III, o total seria de R$ 226.044.494,48, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício sobre o montante de R$ 455.138,55, visto que, como já dito, o valor efetivamente deduzido foi de R$ 226.499.633,53. Notase, pois, que não há questionamento acerca da ocorrência de erro material na resposta apresentada pela contribuinte à Fiscalização, mas, tão somente, que referido erro na invalida a autuação do valor de R$ 455.138,55. Tomando por base o pronunciamento feito em primeira instância, destaco que: i) o DecretoLei nº 70/66, ao facultar o credor executar a dívida pela via judicial ou extrajudicial, à evidência, não equiparou tais meios de execução; ii) apesar de a Recorrente alegar que em determinados situações a petição de desarquivamento constituiu elemento comum para aceitar ou rejeitar a dedução, nos casos de aceitação, outros elementos foram considerados; e iii) em algumas ações, em que os impetrantes foram outras pessoas jurídicas que não a ora Recorrente, referidas pessoas jurídicas apresentaram suas próprias declarações Fl. 27635DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.598 22 (DIPJ/2005), circunstância em nenhum momento contraditada ou justificada por parte da autuada. No que diz respeito às comprovações documentais trazidas ao processo e que foram apreciadas por meio de diligências fiscais, registro inicialmente que a Recorrente não cuidou de especificar o documento ou documentos que tornariam inválida a glosa promovida pelo Fisco, apenas descreveu o motivo que, para ela, não justificam o procedimento adotado pela autoridade fiscal. É certo que em relação às verificações empreendidas por meio da segunda diligência foram apontados as folhas do processo em que a documentação referenciada na contestação à diligência pode ser localizada, porém, de igual forma, não há indicação específica do documento que, entre os juntados ao processo, efetivamente contradizem a imputação feita na peça acusatória. Destaco, pois, que a Recorrente não contraditou de forma direta, por meio da indicação dos documentos que aportou ao processo, os motivos apontados pela autoridade autuante para glosar a dedução das perdas, o que prejudica até certo ponto a comprovação que pretendeu fazer por meio da peça de defesa. Não obstante, apresento nos quadros abaixo o resultado da análise que empreendi nos documentos submetidos às diligências; nos elementos apontados pela autoridade fiscal para não considerar atendidos os requisitos legais condicionadores da dedução da perda; e nas alegações da Recorrente. Esclareço que em inúmeras situações a Recorrente assinala que juntou outros documentos (inicial, petição de acordo, etc.) que não foram localizados nos autos. É importante destacar que, relativamente a essa documentação, a Recorrente não aponta qualquer elemento capaz de permitir uma rápida identificação da prova que diz juntar ao processo. PRIMEIRA DILIGÊNCIA FISCAL SEQUENCIAL VALOR ANÁLISE (1) 0692 R$ 23.909,88 NÃO ACEITO Entre os motivos apontados pela Fiscalização está o fato de não ter sido comprovada a existência de ação judicial em curso no ano de 2005. A própria Recorrente admite que, nesse ano, foi realizado acordo, de modo que caberia a ela trazer elementos relacionados ao acordo realizado e à comprovação de que a ação judicial encontravase em curso no ano de 2005. (2) 5432 R$ 6.457,35 ACEITO às fls. 14.901 consta CERTIDÃO NARRATIVA, na qual é indicado o número do contrato, desaparecendo, assim, o fundamento da glosa. (3) 658 R$ 5.327,74 NÃO ACEITO às fls. 13.280 consta CERTIDÃO NARRATIVA, porém, não identifico registro do número do contrato. (4) 2172 R$ 21.383,55 ACEITO às fls. 12.816 consta documento que indica o número contrato e apresenta vinculação à ação judicial. (5) 2236: R$ 2.575,75 ACEITO às fls. 13102/13.156 foram reunidos documentos que confirmam que a ação judicial estava em curso no ano de 2005. (6) 2704: R$ 8.605,43 NÃO ACEITO a Recorrente confirma o motivo pelo qual a comprovação não foi aceita pela Fiscalização, qual seja, a realização de acordo no ano de 2005. Fl. 27636DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.599 23 (7) 3442 R$ 6.836,98 NÃO ACEITO os documentos juntados aos autos encontramse ilegíveis (fls. 13.539/13.564) (8) 4339 R$ 6.608,90 ACEITO às fls. 13.949/13.971 constam documentos que confirmam que a Recorrente impetrou apelação (9) 4389 R$ 7.006,24 NÃO ACEITO a CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ, fls. 14.019, confirma o alegado pela Fiscalização, isto é, que o requerente quedouse inerte, não conseguindo sequer que o requerido fosse citado. (10) 3 R$ 32.709,72 ACEITO às fls. 11.466/11.467 foi juntado documento que comprova que a ação encontravase em andamento no período da dedução da perda. (11) 4 R$ 32.790,13 ACEITO às fls. 11.466/11.467 foi juntado documento que comprova que a ação encontravase em andamento no período da dedução da perda. (12) 5 R$ 48.669,58 ACEITO às fls. 11.466/11.467 foi juntado documento que comprova que a ação encontravase em andamento no período da dedução da perda. (13) 6 R$ 65.786,27 ACEITO às fls. 11.466/11.467 foi juntado documento que comprova que a ação encontravase em andamento no período da dedução da perda. (14) 41 R$ 1.658,33 NÃO ACEITO os documentos de fls. 11.488/11.495, na linha do sustentado pela Fiscalização, não permitem concluir pelo atendimento das condições para a dedução da perda. A Recorrente faz referência a um anterior encaminhamento de relatório analítico, mas não indica elementos que permitam identificar tal documento. (15) 46 R$ 54.582,61 NÃO ACEITO os documentos de fls. 11.497/11.499, na linha do sustentado pela Fiscalização, não permitem concluir pelo atendimento das condições para a dedução da perda. A Recorrente faz alusão a documentos que não foram localizados nos autos. (16) 284 R$ 32.461,11 ACEITO os documentos de fls. 12.002/12.004, na linha do sustentado pela Fiscalização, não permitem concluir pelo atendimento das condições para a dedução da perda. Contudo, a Recorrente reuniu outros documentos (fls. 12.005/12.016) que, salvo melhor juízo, permitiriam verificar as condições de dedutibilidade da perda, e que, ao que tudo indica, não foram apreciados pela Fiscalização. (17) 294 R$ 1.823.135,06 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, a documentação juntada aos autos, fls. 12.022/12.046, não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. (18) 331 R$ 99.738,33 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.062 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (19) 332 R$ 83.183,40 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.064 não permite verificar o atendimento às condições de Fl. 27637DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.600 24 dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (20) 333 R$ 46.273,66 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.066 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (21) 334 R$ 89.693,76 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.068 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (22) 335 R$ 91.180,77 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.070 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (23) 336 R$ 97.022,30 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.072 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (24) 337 R$ 90.835,89 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.074 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (25) 338 R$ 90.747,71 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.076 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (26) 339 R$ 97.951,67 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.078 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma Fl. 27638DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.601 25 proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (27) 340 R$ 55.199,40 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.080 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (28) 341 R$ 85.508,06 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.082 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (29) 342 R$ 126.640,84 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.084 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (30) 343 R$ 92.283,08 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.086 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (31) 344 R$ 100.240,41 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.088 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (32) 345 R$ 126.349,61 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.090 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (33) 346 R$ 70.299,10 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.092 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. Fl. 27639DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.602 26 (34) 347 R$ 114.429,30 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.094 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (35) 348 R$ 93.653,04 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.096 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (36) 349 R$ 81.546,61 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.098 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. Além do Relatório Interno do Banco, foram juntados os documentos de fls. 12.101/12.112, representados por extrato de consulta do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e uma proposta de execução apresentada pelo Banco do Estado de Goiás. Não localizei os contratos referenciados pela Recorrente. (37) 354 R$ 109.400,04 ACEITO além do Relatório Interno de fls. 12.116, a Recorrente juntou o pedido de desarquivamento de fls. 12.119 e cópia da sentença de fls. 12.125/12.126, documentos que, ao que tudo indica, não foram levados em conta por parte da autoridade fiscal. (38) 411 R$ 30.976,35 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.182 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. (39) 517 R$ 64.479,39 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.213 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. (40) 602 R$ 50.888,79 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, o documento de fls. 12.326 não permite verificar o atendimento às condições de dedutibilidade da perda. (41) 171 R$ 77.795,22 NÃO ACEITO os documentos juntados às fls. 11.717/11.757, conforme assinalado pela autoridade fiscal, dizem respeito a contrato distinto, fato não contraditado pela Recorrente. (42) 173 R$ 48.116,41 NÃO ACEITO o documento de fls. 11.768, como assinalado pela Fiscalização, não traz elemento que o vincule ao contrato. (43) 235 R$ 30.991,52 NÃO ACEITO de fato, na linha do sustentado pela Fiscalização, nos documentos de fls. 11.866/11.878 não identifico elemento que permita concluir que a ação judicial estava em curso no ano em que foi deduzida a perda. (44) 247 R$ 39.565,17 NÃO ACEITO a documentação juntada às fls. 11.880/11.889 não permite vincular a inicial datada de 10/02/2005 com os documentos emitidos no âmbito do Poder Judiciário, impossibilitando com isso a confirmação de que a ação encontravase em curso no ano em que a perda foi deduzida. Fl. 27640DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.603 27 (45) 266 R$ 68.842,68 ACEITO identifico elementos nos documentos de fls. 11.953/11.954 e 11.955/11.956 que autorizam concluir que a ação judicial encontravase em curso no ano em que a perda foi deduzida. (46) 306 R$ 102.636,42 NÃO ACEITO não identifico elementos nos documentos de fls. 12.049/12.060 que autorize afirmar que a ação judicial encontravase em curso no ano em que a perda foi deduzida. (47) 350 R$ 82.305,25 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, os documentos de fls. 12.100/12.114 não autorizam concluir que no ano em que a perda foi deduzida havia ação judicial em curso. (48) 364 R$ 83.991,34 NÃO ACEITO como assinala a autoridade fiscal, a documentação juntada, fls. 12.116/12.128, referese a cliente distinto. (49) 384 R$ 71.408,47 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, entre os de fls. 12.132/12.157, não identifiquei documento vinculando o contrato e o cliente às ações judiciais. (50) 401 R$ 47.806,10 NÃO ACEITO se o documento de fls. 12.165/12.166 realmente está vinculado ao contrato questionado pela Fiscalização, tratandose de dedução de perda, o registro nele contido no sentido de que "Considerando que a obrigação devida pelos executados foi satisfeita" carece de maiores esclarecimentos. (51) 408 R$ 34.551,69 NÃO ACEITO os fundamentos para a glosa foram os seguintes: divergência no número do contrato e ausência de documentos comprobatórios da ação judicial (documentos fls. 12.168/12.180); a Recorrente limitase a informar que apresentou relatório analítico evidenciando o valor da perda. (52) 443 R$ 44.968,04 NÃO ACEITO embora tenha sido possível fazer a vinculação entre a inicial de fls. 12.188/12.191 e o documento de fls. 12.197, as informações contidas neste último não autoriza afastar a justificativa apresentada pela Fiscalização para promover a glosa (comprovação por meio de documento expedido pelo Poder Judiciário da situação da ação no final do ano de 2005). (53) 501 R$ 109.836,13 ACEITO embora, de fato, não exista documento capaz de fazer vinculação entre o contrato, o cliente e a ação judicial, a documentação de fls. 12.199/12.211, consideradas conjuntamente, autoriza a conclusão acerca da existência de ação judicial no ano em que a perda foi deduzida. (54) 661 R$ 47.455,57 ACEITO penso que há elementos que autorizam vincular a inicial de fls. 12.329/12.330 (na qual consta o número do contrato) ao documento de 12.331/12.334, o que permite concluir pela existência de ação judicial no ano em que a perda foi deduzida. (55) 142 R$ 39.992,19 NÃO ACEITO os documentos de fls. 11.592/11.624 não apresentam elementos que possibilitem afastar o fundamento utilizado pela Fiscalização para promover a glosa (ausência de comprovação da existência de ação judicial em 2005) (56) 169 R$ 63.143,29 NÃO ACEITO o documento de fls. 11.658/11.659 é insuficiente para afastar o fundamento utilizado pela Fiscalização para promover a glosa (ausência de comprovação das condições de dedutibilidade) Fl. 27641DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.604 28 (57) 188 R$ 232.220,18 NÃO ACEITO não foi juntado documento e, na resposta à diligência, a contribuinte limitase a informar que anteriormente teria enviado relatório analítico evidenciando o valor da perda e comprovando as condições de dedutibilidade. SEGUNDA DILIGÊNCIA FISCAL SEQUENCIAL VALOR ANÁLISE (1) 19 R$ 1.841.698,71 NÃO ACEITO nos termos do parágrafo 5º do art. 9º da Lei nº 9.430/96, in fine, para fins de dedução da perda devese observar as condições previstas no artigo, de modo que, na linha do sustentado pela Fiscalização, a Recorrente deveria ter comprovado que adotou as medidas de cobrança cabíveis. (2) 330 R$ 1.179.305,41 ACEITO considerado unicamente o fundamento para a glosa, a Recorrente juntou aos autos extrato de consulta que comprova a continuidade da ação (fls. 15.254/15.255). Cabe ressaltar que, relativamente ao referido extrato, não identifiquei registro de pronunciamento da autoridade fiscal. (3) 18 R$ 586.188,63 NÃO ACEITO nos termos do parágrafo 5º do art. 9º da Lei nº 9.430/96, in fine, para fins de dedução da perda devese observar as condições previstas no artigo, de modo que, na linha do sustentado pela Fiscalização, a Recorrente deveria ter comprovado que adotou as medidas de cobrança cabíveis. (4) 353 R$ 521.958,42 ACEITO considerado unicamente o fundamento para a glosa, a Recorrente juntou aos autos extrato de consulta que comprova a continuidade da ação (fls. 15.309). Cabe ressaltar que, relativamente ao referido extrato, não identifiquei registro de pronunciamento da autoridade fiscal. (5) 211 e 212 R$ 252.757,27 NÃO ACEITO não foi possível estabelecer relação entre o extrato de consulta aportado aos autos (fls. 15.173 e 15.191) e o documento de fls. 15.174/15.177 e 15.192/15.195, restando comprometida, assim, a comprovação da continuidade da ação judicial. Ademais, no que tange ao sequencial 211, o fundamento para a glosa foi a ausência de apresentação do contrato e demais documentos, que não foi contraditado pela Recorrente. (6) 7910 R$ 104.018,49 ACEITO a documentação juntada pela Recorrente, fls. 25.452/25.472, afasta o fundamento da glosa (ausência de demonstração da continuidade da ação judicial) (7) 324 R$ 93.020,88 ACEITO a Recorrente juntou aos autos cópia da inicial e extrato do andamento do processo (fls. 15.241/15.246), documentos em relação aos quais não identifico questionamento por parte da autoridade fiscal. (8) 541 R$ 35.922,35 NÃO ACEITO o documento de fls. 15.549 não é suficiente à comprovação da continuidade da ação judicial, eis que cuida tão somente de andamentos relacionados a pedido de desarquivamento. (9) 734 R$ 33.623,97 NÃO ACEITO a ausência de esclarecimentos complementares acerca da extinção do processo, fls. 15.913, desautoriza o cancelamento da Fl. 27642DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.605 29 glosa. (10) 2767 R$ 23.580,04 NÃO ACEITO a documentação referenciada pela Recorrente não foi localizada nas folhas apontadas. (11) 2137 R$ 23.223,09 NÃO ACEITO a Recorrente alega que a Fiscalização considerou DEMONSTRADO O PRAZO, porém, a planilha de fls. 27.549 assinala o contrário. (12) 2518 R$ 11.752,48 NÃO ACEITO na linha do sustentado pela Fiscalização, a documentação apresentase ilegível, impedindo, assim, uma análise conclusiva acerca do atendimento às condições de dedutibilidade. (13) 1466 R$ 11.300,40 NÃO ACEITO a Recorrente alega que a Fiscalização considerou DEMONSTRADO O PRAZO, porém, a planilha de fls. 27.549 assinala o contrário. (14) 1571 R$ 6.036,42 NÃO ACEITO isoladamente, o documento de fls. 17.862/17.863 não é suficiente para afastar o fundamento da glosa. (15) 1203 R$ 5.928,45 NÃO ACEITO a Recorrente alega que a Fiscalização considerou DEMONSTRADO O PRAZO, porém, a planilha de fls. 27.548 assinala o contrário. (16) 1899 R$ 4.202,57 ACEITO a Recorrente alega que a Fiscalização considerou DEMONSTRADO O PRAZO, porém, a planilha de fls. 27.549 assinala o contrário. Contudo, foram reunidos documentos que autorizam concluir que foi observado o prazo para a dedução da perda. (17) 2616 R$ 4.143,66 NÃO ACEITO a cópia da certidão narrativa de fls. 19.764 confirma parte dos argumentos da Recorrente, porém, encontrase incompleta. (18) 2914 R$ 3.240,48 ACEITO à luz dos documentos de fls. 20.282/20.283 e 20.284, tenho por insubsistente o único fundamento utilizado pela autoridade fiscal para promover a glosa (arquivamento da ação judicial). (19) 2903 R$ 2.244,89 NÃO ACEITO a documentação referenciada pela Recorrente não foi localizada nas folhas por ela indicadas. ITEM IV DO TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO PROCESSOS JUDICIAIS VIOLAÇÃO AO ART. 10, § 3º, DA LEI Nº 9.430/96 INAPLICABILIDADE DOS CRITÉRIOS PREVISTOS NOS ARTS. 9º E 10 DA LEI Nº 9.430/96 ÀS PERDAS DEFINITIVAS DECORRENTE DE ACORDOS CELEBRADOS COM OS DEVEDORES NÃO CABIMENTO, EM QUALQUER CASO, DOS JUROS ISOLADOS Alega o Recorrente que o § 3º do art. 10 da Lei nº 9.430/96 determina de forma expressa que, solucionado o litígio por meio de acordo homologado judicialmente, somente integrará a base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor efetivamente recebido, não se Fl. 27643DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.606 30 aplicando ao desconto as regras dos §§ 1º e 2º utilizadas pela Fiscalização para justificar o lançamento. Argumenta que a regra do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser aplicada aos acordos por ele celebrados, já que o citado parágrafo se refere aos casos em que ocorre a desistência da cobrança pela via judicial, situação que não se confunde com a transação entre as partes. Afirma que as PERDAS/DESCONTOS consubstanciam DESPESAS OPERACIONAIS das instituições financeiras, dedutíveis de imediato para efeito de IRPJ e CSLL. Diz que a afirmação constante no ato decisório recorrido de que "à matéria de perdas no recebimento de créditos, são aplicáveis as normas específicas do art. 9º, da Lei nº 9.430/96, e não as normas gerais do art. 299, do RIR/99" só se aplica às perdas provisórias incorridas pelos contribuintes, e não às perdas definitivas. Amparandose nessas razões, sustenta que os juros isolados são incabíveis tanto nos acordos homologados judicialmente, como nos não celebrados em juízo. Penso que é induvidoso que, no caso albergado pelo § 3º do art. 10 da Lei nº 9.430/96 (solução da cobrança por meio de acordo homologado por sentença judicial), não cabe estorno ou adição ao lucro líquido da perda eventualmente registrada nem caracterização de postergação de imposto. Mas, a situação retratada nos autos não é exatamente essa, eis que aqui não se ventila que os acordos questionados pela Fiscalização tenham sido homologados por sentença judicial. Não obstante, embora identifique posicionamentos em sentido contrário, alinhome ao entendimento de que as disposições dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, cuidam do que se poderia denominar PERDAS PRESUMIDAS, ou seja, encerram presunções legais de perdas efetivas a partir das hipóteses ali elencadas. Nesse diapasão, a meu ver, na circunstância tratada no presente item, em que a contribuinte fiscalizada por meio de acordo com o devedor, lhe concede desconto com o intuito de solucionar a pendência financeira, fica caracterizada, em relação à parte não alcançada pelo citado acordo, a perda efetiva, dedutível nos termos do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Em convergência com o entendimento aqui esposado, extraio do acórdão nº 10196.433, do qual foi relatora a ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni, parte da sua ementa e fragmentos do voto condutor. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS — ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS — DEDUTIBILIDADE —Não tratando, a situação fática, de perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, conforme previsto no art. 9° da Lei 9.430/96, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificamse como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. [...] O auto de infração entendeu que a dedução das perdas no recebimento de créditos foi feita em desacordo com o art. 9° da Lei 9.430/96. Todavia, esse artigo não se aplica às perdas definitivas, relativas a créditos para os quais o credor já deu quitação ao devedor. Trata, o artigo, de presunção legal de perda efetiva, e o próprio autor do procedimento assim o reconhece, ao declarar, no item (8) do Termo de Fl. 27644DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.607 31 Verificação, que "o marco temporal definidor de uma presunção legal de perda dar seá no prazo de 5 (cinco) anos, ..." Sobre a dedutibilidade dos descontos concedidos, assim me manifestei no voto condutor do Acórdão 10195.469, de 26 de abril de 2006, do interesse do mesmo contribuinte: " O julgador de primeira instância analisouos e considerou que alguns deles representam descontos que, pela sua magnitude, caracterizamse como liberalidade, e os demais não apresentam elementos necessários para se verificar o atendimento aos requisitos previstos na legislação de regência. Assim, manteve a glosa ao fundamento de que, para serem dedutíveis, as perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vênia para discordar do ilustre Relator. É notório que, para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo expressivos, não representa liberalidade, caracterizandose como despesa necessária, usual e normal. O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Ou seja, a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda. Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída provisão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei 9.430/96, que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definitivas ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado. As disposições dos §§ 8° e 9° do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 90 da Lei 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, ai, os créditos já liquidados (perdas definitivas). De fato, o § 7° do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportálas, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportálas. O parágrafo 8° do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § 1° do art. 9° da Lei 9.430196 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas." Fl. 27645DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.608 32 Nessa linha, o que importa verificar é se, considerada a regra geral de dedutibilidade das despesas operacionais, o dispêndio questionado atende aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, o que, a meu ver, no caso tratado nos presentes autos, é fora de qualquer dúvida. Assim, sou pelo cancelamento da imputação feita pela autoridade fiscal relativa aos DESCONTOS e JUROS ISOLADOS correspondente na parte não alcançada pela exoneração promovida em primeira instância, isto é, dos montantes de R$ 16.679.990,93 e R$ 1.692.310,75, respectivamente. FALTA DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DESCONSIDERAÇÃO DO CRÉDITO DE CSLL PREVISTO NO ART. 8º DA MP 1.807/99 Quanto aos prejuízos fiscais, o Recorrente desiste expressamente do seu pleito. No que diz respeito à compensação do crédito de CSLL, afirma que a decisão recorrida merece forma haja vista que: i) o auto de infração em nenhum momento questionou a compensação de base de cálculo da CSLL indicada na DIPJ; e ii) a compensação do crédito de que trata o art. 8º da MP 1.807/99 não tem qualquer relação com a compensação de base de cálculo negativa. Quanto à matéria em relevo, alinhome ao entendimento esposado no ato decisório recorrido no sentido de que, embora tenha sido constatado saldo de crédito decorrente de base negativa de CSLL e adições temporárias até 31/12/1998 (art. 8º da MP nº 1.807/99), ficou constatado que a Recorrente, apesar de não dispor de saldo para tanto, promoveu a compensação de bases negativas no montante de R$ 165.531.184,90. Diante das exonerações promovidas pelo presente pronunciamento, o valor compensado indevidamente superou o valor tributável remanescente, de modo que não se pode admitir compensação adicional em qualquer montante. Irrelevante, a meu ver, o fato de a Fiscalização não ter questionado o valor compensado indevidamente que foi indicado na DIPJ. NÃO CABIMENTO DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA Alega o Recorrente que, pelo que se infere da legislação de regência, esta somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou contribuição. Relativamente ao juros sobre a multa de ofício, embora tenha me pronunciado em outras ocasiões pela procedência da sua incidência, não com base na taxa selic, mas, sim, com aplicação do percentual de 1% a que alude o parágrafo primeiro do art. 161 do Código Tributário Nacional, em razão de reiterados pronunciamentos desta Corte Administrativa, revi meu posicionamento, de modo que passei a acolher o entendimento de que efetivamente existe lastro legal para que a incidência se dê com base na taxa selic. No que diz respeito à referida matéria (juros sobre a multa de ofício), dentre inúmeros no mesmo sentido, adoto como razões de decidir o pronunciamento do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto nos autos do processo administrativo nº 19515.720343/2012 64 (acórdão nº 1402001.750, sessão de 30 de julho de 2014), que, amparado em manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consignou: Fl. 27646DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.609 33 [...] Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Fl. 27647DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.610 34 A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). Fl. 27648DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.611 35 §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3° A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 – SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins,DJU de 11.09.06 Fl. 27649DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.612 36 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. TAXA SELIC Quanto a essa matéria, embora admita a existência de súmula CARF tratando da questão, o Recorrente reitera sua pretensão de afastar a referida taxa pelos fundamentos já expostos na impugnação. No que tange aos juros de mora com base na TAXA SELIC, como admite a própria Recorrente, tal questão já foi pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula nº 4, abaixo transcrita. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante de todo o exposto, conduzo o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir a matéria tributável discriminada no quadro abaixo. MATÉRIA A SER EXCLUÍDA VALOR (R$) GLOSA DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS (LEI Nº 9.430/96, ART. 9º, § 1º, INCISO II, ALÍNEA C e INCISO III) 5.079.049,93 DESCONTOS (REMANESCENTES) 16.679.990,93 JUROS ISOLADOS (REMANESCENTES) 1.692.310,75 "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 27650DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001622/201092 Acórdão n.º 1301002.011 S1C3T1 Fl. 27.613 37 Fl. 27651DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10715.004022/2010-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada.
As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora) e Érika Costa Amargos Autran, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 40 22 /2 01 0- 26 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 294 2 para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora) e Érika Costa Amargos Autran, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3801004.795, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, reconhecendo a ocorrência da denúncia espontânea, cancelando a multa imposta com fulcro no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66 com a redação conferida pelo art. 77, da Lei 10.833/03, alegando que, apesar de o registro das cargas transportadas ter sido feito a destempo, o fora antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. O colegiado, então, consignou acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 295 3 Comprovado o equívoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido.” Insatisfeita com o referido acórdão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido no que tange ao afastamento da penalidade de natureza administrativa com a invocação da denúncia espontânea. O apelo do sujeito passivo foi admitido, conforme Despacho de Fls. 259/261. Irresignado, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões às fls. 269/288 em face do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, requerendo: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 296 4 · O não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional; · Caso não seja este o entendimento sufragado, no mérito, que seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo, uma vez que o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66 é expresso ao autorizar a aplicação da denúncia espontânea às obrigações acessórias cumpridas a destempo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ainda que apresentado tempestivamente, entendo que não deva ser admitido, pelas razões que passo a discorrer. É de se evidenciar que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência contra o acórdão de Recurso Voluntário, objetivando sua reforma, defendendo a impossibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar as multas decorrentes do cumprimento a destempo de obrigações acessórias, citando, por sua vez, como paradigma o acórdão nº 3802 001.128. Não obstante às suas alegações, é de se insurgir que o acórdão indicado como paradigma abordou matéria diferente daquela tratada no acórdão recorrido, além de trazer fundamentos distantes dos adotados pelo colegiado. Vêse que, no presente caso, o Colegiado considerou para a aplicação da denúncia espontânea o “art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66”. É de se verificar ainda que o Recurso Especial foi interposto pela Fazenda Nacional com fulcro em suposta não aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar a imposição da multa prevista no art. 107, inciso IV, “e”, do DecretoLei 37/66, decorrente do “registro dos dados de embarque no SISCOMEX em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea”, infração formalizada por meio de Auto de Infração específico, conforme constou expressamente do acórdão recorrido nº 3801004.791. Não obstante, evidente também que o acórdão recorrido direcionou se pela aplicação da denúncia espontânea, considerando como fundamento a expressa alteração promovida pela Lei 12.350/2010 ao § 2º do art. 102 do DecretoLei 37/66. O que, por conseguinte, é de se verificar que o acórdão nº 3802/00.570 indicado como paradigma não traz a similitude fática e jurídica necessária para a admissão do recurso, eis que trata do descumprimento de obrigação de registro de informações no prazo de 24 horas imposta a empresa do ramo de navegação. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 297 5 Continuando, notase que o acórdão apontado como paradigma também não mencionou sobre a alteração originada pela MP 497/2010. Vêse necessário tal menção, vez que essa MP foi convertida na Lei 12.350/2010 – que, por sua vez, alterou o § 2º do art. 102 do DecretoLei 37/66, passando a autorizar expressamente a aplicação do instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias (regime aduaneiro). O acórdão indicado como paradigma somente havia afastado a aplicação da denúncia espontânea com fulcro no art. 137 do CTN – que traz a “norma geral”. Sendo assim, em respeito ao art. 67, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015), in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. [..]” Não há que se falar em admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois o acórdão recorrido e o paradigma trouxeram fundamentações – normas diferentes – quando emanaram seus entendimentos divergentes. O que, por conseguinte, tornase impossível a observância do caput do art. 67, Anexo II, do RICARF/2015, pois não há como considerar que a turma que participou do julgamento que originou o acórdão recorrido e a turma que consolidou o entendimento do acórdão indicado como paradigma emanaram interpretação divergente da mesma norma tributária, vez que eram por óbvio diferentes. Sendo assim, ao meu sentir, resta claro que não foi comprovada a divergência necessária para a admissão do Recurso Especial, lembrando que não há que se falar em similitude fática e jurídica entre os acórdãos recorrido e paradigma. Ventiladas tais considerações, sendo “vencida” na apreciação do “conhecimento” do Recurso Especial interposto pela Fazenda, pois entendo pelo seu não conhecimento, passo a discorrer sobre a lide ora posta – qual seja, a aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. Em relação à esse tema, a priori, apenas destaco que, após muito refletir, essa conselheira alterou seu entendimento em relação a essa discussão – aplicabilidade ou não da denúncia espontânea quando se tratar de obrigação acessória em matéria aduaneira. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 298 6 Essa conselheira aplicava para o caso em comento o entendimento consolidado em todas as esferas jurídicas de que as obrigações tributárias autônomas ou acessórias deveres de caráter formal não guardam vínculo necessário com o fato gerador do tributo. E que, por conseguinte, trazia que o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas, não obstante o argumento do sujeito passivo, de que tenha informado espontaneamente antes de qualquer procedimento fiscal. E, ainda considerava, para tanto, que tal entendimento já se encontrava pacificado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através da Súmula de Enunciado n° 49 (numeração de enunciados consolidados): “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” Invocando, inclusive, o Julgado do STF, RE n° 195.161/GO de 26/04/99, que expõe que “a entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar com atraso a declaração de imposto de renda”. E, por fim, por analogia, entendia que, por se tratar o caso especificamente de penalidade por inobservância de obrigações acessórias, independentemente de se tratar de obrigação acessória “aduaneira”, observava a referida Súmula, apesar desta última ter tratado especificamente de atraso na declaração de DCTF. Não obstante, refletindo melhor sobre a aplicabilidade ou não da denúncia espontânea em matéria aduaneira, alterei meu entendimento. Eis que, a rigor, a denúncia espontânea em matéria aduaneira encontrase positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683, § 2º, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 do DecretoLei era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 299 7 a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não Fl. 300DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 300 8 pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que se deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a segurança jurídica que tanto merece. Não obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de lei, sem ao menos ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): Fl. 301DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 301 9 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...]” Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática". Sendo assim, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do DecretoLei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Fl. 302DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 302 10 Em vista de todo o exposto, voto por, no mérito, negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto da ilustre relatora, desta ouso divergir tanto em relação à preliminar de conhecimento do recurso quanto em relação ao mérito. Ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 303 11 Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 304 12 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão somente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 305DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 305 13 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 306 14 Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito Fl. 307DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 307 15 passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada'6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004022/201026 Acórdão n.º 9303003.555 CSRFT3 Fl. 308 16 [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Henrique Pinheiro Torres Fl. 309DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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