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Numero do processo: 11080.723230/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Restando comprovado, mediante laudo médico oficial, ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos, consoante regram os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Restando comprovado, mediante laudo médico oficial, ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos, consoante regram os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Recurso Voluntário Provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. Restando comprovado, mediante laudo médico oficial, ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos, consoante regram os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 32 30 /2 01 3- 47 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2010 de R$ 4.078,63 para o montante de R$ 2.346,38 (fls. 5/10). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Comando da Aeronáutica; O contribuinte apresentou impugnação, conforme fl. 02, informando que os rendimentos objeto da apuração de omissão são isentos por corresponderem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por “portador de moléstia grave“, juntando documentos. A DRJ/POA manteve a exigência (fls. 34/37), havendo o contribuinte interposto recurso voluntário em 7/6/2013 (fls. 41/47), repisando as razões da impugnação e carreando novo documento. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11080.723230/201347 Acórdão n.º 2402005.142 S2C4T2 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. A controvérsia cingese à comprovação de que o contribuinte possui a condição de portador de moléstia grave, tendo o aresto contestado entendido que o "parecer" elaborado pela Diretoria de Saúde do Comando da Aeronáutica apresentado à fl. 4 não seria hábil para tanto, pois apesar de diagnosticar o interessado como portador de neoplasia maligna, consigna duas datas distintas para o início da enfermidade. Uma data retroage “à data do Parecer especializado da Clínica de Proctologia do HACO de 20/06/2011”. Segundo a outra, “Este parecer retroage à 14/10/2010, data do laudo histopatológico”. Justificável, assim, a dúvida que levou a decisão de primeira instância a denegar o pleito do notificado. Todavia, foi trazido em sede de recurso voluntário o laudo que diagnosticou (fls. 45/46), via procedimento anátomopatológico, ser o contribuinte portador de adenocarnicoma invasor e adema tubular de intestino grosso conforme procedimento realizado na data de 14/10/2010. Tal data corresponde à lançada no parecer em comento como sendo do "laudo histopatológico", e, preenchendo esse documento os demais requisitos para ser considerado laudo médico oficial, resta esclarecida a condição de portador de moléstia grave do contribuinte a partir de outubro de 2010. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10715.723488/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em face da intempestividade. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhou pelas conclusões.
Robson José Bayerl Presidente substituto e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em face da intempestividade. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhou pelas conclusões. Robson José Bayerl Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em face da intempestividade. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhou pelas conclusões. Robson José Bayerl – Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 34 88 /2 01 2- 96Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Tratase, na espécie, de multa administrativa pelo descumprimento de prazo para registro de armazenagem de carga, por parte do depositário, no período de janeiro/2008 a dezembro/2008, aplicada pela Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão – ALF/GIC/RJ. Em impugnação o contribuinte sustentou equívoco no levantamento, eis que desconsiderou o prazo de desconsolidação de carga como de efetivo armazenamento; que foram incluídas cargas de outros recintos alfandegados, sobre as quais a recorrente não possui responsabilidade alguma; que foram listadas cargas não sujeitas a armazenamento (TC4); que o elevado volume de operações o impediria de se defender adequadamente; e, que a multa imposta somente foi regulamentada, em 2009, portanto, posteriormente à época dos fatos lançados. A DRJ Florianópolis/SC deu parcial provimento ao recurso para excluir cargas relativas a recintos alfandegados não submetidos à operação do recorrente, mediante decisão assim ementada: REGISTRO DE ARMAZENAGEM INTEMPESTIVOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA EXECUTAR ATIVIDADES DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS SOB CONTROLE ADUANEIRO. O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos dentro do prazo estabelecido na norma vigente. Impugnação Procedente em Parte.” Em recurso voluntário, como preliminar, pugnou pela obediência ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, no que concerne à tempestividade e, no mérito reprisou a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Examinando os elementos componentes dos autos constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via eletrônica em 07/11/2013, às 15:36, quintafeira, pela abertura dos arquivos correspondentes, conforme Termos de Abertura de Documento de fls. 1.846/1.847. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 19/12/2013 (fl. 1.880), quintafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 07/12/2013, sábado, prorrogandose para o primeiro dia útil subseqüente, 09/12/2013, segundafeira. Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10715.723488/201296 Acórdão n.º 3401003.121 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça interposta. Por conveniente, refuto a alegação que, mesmo perempta, a peça deva ser conhecida e examinada, em homenagem ao princípio da ampla defesa, como sugere o recorrente, haja vista que o exercício de qualquer direito deve se balizar pelas normas que o regulam, sob pena de instalarse a balbúrdia. No caso específico, a definição dos prazos recursais pelo Decreto nº 70.235/72 atende a imperativos de organização mínima do trâmite processual na seara administrativofiscal. Em face de todo o exposto, considerando que a peça não atende a requisito essencial de admissibilidade, a tempestividade, voto por não conhecêlo. Robson José Bayerl Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11080.721585/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SEST/SENAT - CONTRIBUIÇÃO DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO
A Lei nº 8.706/1993, no art. 7º, inciso II, institui a contribuição mensal obrigatória dos transportadores rodoviários autônomos para o SEST e o SENAT (1,5% e 1,0%) e o Decreto 1.007/1993 determinou no art. 2º, § 3°, que as contribuições devidas pelos transportadores autônomos ao SEST e ao SENAT serão recolhidas diretamente pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para afastar a tributação do AIOP 37.343.096-5 (parte Empresa) incidente nos seguintes Códigos de Levantamento: LEV: AF - COOPERATIVAS; LEV: AF1 - COOPERATIVAS; e LEV: AF2 - COOPERATIVAS. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Leandro Alves dos Santos, OAB/DF nº 44.655/DF.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO RETENÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 15 85 /2 01 2- 11 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SEST/SENAT CONTRIBUIÇÃO DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO A Lei nº 8.706/1993, no art. 7º, inciso II, institui a contribuição mensal obrigatória dos transportadores rodoviários autônomos para o SEST e o SENAT (1,5% e 1,0%) e o Decreto 1.007/1993 determinou no art. 2º, § 3°, que as contribuições devidas pelos transportadores autônomos ao SEST e ao SENAT serão recolhidas diretamente pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para afastar a tributação do AIOP 37.343.0965 (parte Empresa) incidente nos seguintes Códigos de Levantamento: LEV: AF COOPERATIVAS; LEV: AF1 COOPERATIVAS; e LEV: AF2 COOPERATIVAS. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Leandro Alves dos Santos, OAB/DF nº 44.655/DF. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 792 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1045.459 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principal e acessória: (a) AIOP nº 37.343.0965 (parte Empresa), (b) AIOP nº 37.343.0973 (parte Terceiros), (c) AIOA nº 37.348.8629 (CFL 68); e (d) AIOA nº 37.348.8637 (CFL 69). O Relatório da decisão de primeira instância informa que os Autos de Infração lavrados pelo descumprimento de obrigações acessórias AIOA nºs 37.348.8629 (CFL 68) e AIOA nº 37.348.8637 (CFL 69) foram pagos pelo contribuinte, encontrandose na situação “baixado por liquidação em 17/05/1012”, conforme consulta efetuada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, o lançamento referente aos Autos de Infração de obrigação principal: (a) AIOP nº 37.343.0965 (parte Empresa) O Auto de Infração Debcad nº 37.343.0965 referese ao lançamento das contribuições da empresa no período de 02/2007 a 12/2008 incidentes sobre: a) o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais e a segurados contribuintes individuais transportadores autônomos (correspondente a 20% do valor do frete) e, b) o total das notas fiscais de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados, por intermédio das cooperativas de trabalho. O crédito atingiu o valor de R$ 123.204,64 (cento e vinte e três mil, duzentos e quatro reais e sessenta e quatro centavos), consolidado em 15/02/2012. Este Auto de Infração contém os seguintes levantamentos: AB1 – PRO LABORE – contribuição patronal não declarada em GFIP, incidente sobre remuneração paga ao segurado contribuinte individual – Sr. Leandro Bortoncello (sócio), em 31/12/2007, no valor de R$ 77.000,00 a título de pagamento de empréstimo. Multa de 75%; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 AC e AC1 – GLOSA COMPENSAÇÃO RETENÇÃO – glosa de compensação de valores retidos declarados a maior em GFIP, no campo “compensação – valor compensado” e no campo “retenção – valor compensado”, no período de 07/2007, 01/2008, 03/2008, 04/2008 e 05/2008, conforme discriminado na “Planilha 2 Glosa de retenção declarada na GFIP”. Tratase de retenção prevista na Lei nº 9.711/1998. AC (03/2008), AC1 (07/2007 a 05/2008). Multa de 20%; AE1 – C.INDIVIDUAL NÃO IDENTIFICADO – contribuição previdenciária patronal incidente sobre numerário relativo a saldos credores de caixa em 08/2007, para os quais a autuada não identifica os destinatários, tidos por essa razão como remuneração paga a contribuintes individuais não identificados. Multa de 75%. AF, AF1 e AF2 COOPERATIVAS – contribuição previdenciária patronal (15%) não declarada em GFIP, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços de cooperativas em geral e de base reduzida no caso das notas fiscais da Unimed, variável conforme o contrato. AF (02/2007 a 10/2008. Multa de 24%); AF1 (03/2007 a 11/2008. Multa de 75 %) e AF2 (12/2008. Multa de 75%). Vide Planilha 3 – Cooperativas em Geral; Planilha 4 – Cooperativa Unimed e Planilha 5 – Resumo Cooperativas. AI, AI1 e AI2 – C INDIV TRANSP AUTÔNOMO – contribuição previdenciária a cargo da empresa (20%) incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais transportadores autônomos (remuneração é de 20% sobre o valor do frete). A empresa lançou indevidamente na conta 3.2.02.0.2.02 – Fretes Terceirizados – Pessoa Jurídica, valores de serviços prestados por contribuintes individuais – transportadores autônomos, conforme Planilha 6 – Contribuintes Individuais Contas Fretes Terceirizados – PJ. Vide item 6.8.6 do Relatório Fiscal. AI (02/2007 a 10/2008. Multa 24%); AI1 (03/2007 a 11/2008. Multa 75%) e AI2 (12/2008. Multa 75%). (b) AIOP nº 37.343.0973 (parte Terceiros) 2) O Auto de Infração Debcad nº 37.343.0973 referese ao lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos (SEST e SENAT), no período de 02/2007 a 12/2008 incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais – transportadores autônomos (correspondente a 20% do total do frete). O crédito atingiu o montante de R$ 24.919,07 (vinte e quatro mil, novecentos e dezenove reais e sete centavos), consolidado em 15/02/2012. O Relatório Fiscal (fls. 35/43) consigna que o fato gerador das obrigações previdenciárias e sociais tem origem no pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais e a Fl. 799DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 793 5 cooperados por serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho, cujos valores constam das notas fiscais de prestação de serviços. Este Auto de Infração contém os seguintes levantamentos: AG, AG1 –TRANSP AUTÔNOMO SEST SENAT – contribuição do transportador autônomo, destinada ao SEST e ao SENAT (2,5%), recolhida pela empresa (fls. 27 dos autos), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a estes segurados. A empresa declarou em GFIP categoria 13 para os transportadores autônomos enquanto que o correto é categoria 15, conforme demonstrado na Planilha 12. Multa de 24%. AI, AI1 e AI2 – C INDIV TRANSP AUTÔNOMO – contribuição a cargo da empresa (2,5%) destinada ao SEST e ao SENAT, incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais transportadores autônomos (20% sobre o valor do frete). A empresa lançou indevidamente na conta 3.2.02.0.2.02 – Fretes Terceirizados – pessoa Jurídica, valores de serviços prestados por contribuintes individuais – transportadores autônomos, conforme Planilha 6 – Contribuintes Individuais Contas Fretes Terceirizados – PJ. Vide item 6.8.6 do Relatório Fiscal. AI (02/2007 a 10/2008); AI1 (03/2007 a 11/2008) e AI2 (12/2008). Multa de 24%. O contribuinte teve ciência dos Autos de Infração, por via postal Aviso de Recebimento AR, em 17.02.2012, conforme fls. 03, 04 e 19. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal, é de 02/2007 a 12/2008. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa foi cientificada por via postal da autuação em 17/02/2012 (fls. 03, 04, 19), tendo apresentado impugnação através do arrazoado de fls. 676/697, cujos argumentos estão reproduzidos a seguir: 1. Do direito de petição. Destaca que a petição deve ser recebida e sua recusa implica cerceamento de defesa. 2. Do decurso do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. Requer a anulação de todos os Autos de Infração pelo decurso do prazo do MPF e face à ausência de prova acerca da efetiva cientificação do sujeito passivo quanto às prorrogações daquele documento, na forma conforme determina o art. 9º, caput e § 1º, da Portaria RFB nº 11.371/2007. 3. Impugnação ao Auto de Lançamento Debcad nº 37.343.096 5 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 3.1 Dos fatos. Relata que está sendo exigida a contribuição patronal do período de 02/2007 a 12/2008, relativa a suposto pagamento de prólabore, glosa de suposta compensação, contribuinte individual não identificado e recolhimento sobre notas fiscais de prestação de serviços de cooperativas, explicando que as infrações não procedem visto que diversas rubricas foram justificadas à época da auditoria, assim como outras têm entendimento jurisprudencial farto a favor do contribuinte, devendo ser afastadas. 3.2 Auto de Infração que não respeita a questão formal. Dever de lançamento distinto para infração distinta. Alega que o Auto de Infração contém vício de forma, dificultando que se compreenda as razões da autuação. Sustenta que para cada infração deve existir um Auto de Infração distinto, conforme determina o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, o que não se observa nos autos. Toma como exemplo o relatório de Fundamentos Legais do Débito, afirmando que a rubrica descrita no item 224.05 fundamentase no art. 22, III da Lei nº 8.212/1991 e a rubrica descrita no item 227.01 no art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991, o que evidencia a prática de infrações distintas, não podendo ser objeto do mesmo lançamento. Mais a mais, são infrações apuradas em competências distintas, o que dificulta a defesa. Requer a nulidade do Auto de Infração. 3.3 Devido pagamento com os descontos legais da contribuição da empresa sobre a remuneração de transportadores autônomos – fretes e carretos. Impossibilidade. Lançamento conjunto. Alega que tinha o interesse em pagar o item 203 e 203.06, já que reconhecidamente se equivocou em sua contabilidade. Ocorre que, como dito no tópico anterior, infrações distintas foram lançadas no mesmo auto, o que torna impossível o pagamento com os benefícios legais, em total afronta ao artigo 9º do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, requer o reconhecimento da nulidade do presente auto, visto que não possibilita o efetivo pagamento de parcelas incontroversas, ficando a Impugnante obrigada a atacar tudo. 3.4 Da decadência parcial Relata que o Auto de Lançamento fora expedido em 15/02/2012 e o primeiro momento auditado pela Receita fora em 02/2007, havendo período decaído, consoante previsão do art. 150 do CTN, devendo ser reconhecida a decadência do período compreendido entre 01/02/2007 a 14/02/2007. 3.5 Levantamento AB1. Inexistência de pró labore. Retirada de montante como empréstimo. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 794 7 Relata que fora autuada por não recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas às pessoas físicas que lhe prestam serviços, especificamente seu sócio, Sr. Leandro Bortoncello. Sustenta que o lançamento em relação ao sócio, de que recebera em 10/10/2007, R$ 77.000,00 a título de prólabore, não pode prevalecer. Explica que o Sr. Bortoncello tomou empréstimo da Transmiro a fim de construir sua casa, resgatando pequenos montantes de tempo em tempo e, ao final , fazendo um saque total superior ao necessário para a obra. Assim, em momento em que impugnante necessitou de dinheiro, o Sr. Leandro Bortoncello retornou o valor, mas este só fora lançado contabilmente em 31/12/2007. Entende que estando justificado o valor apurado pelo Fisco, deve ser considerado improcedente o Auto de Infração neste particular. 3.6. Levantamento AF, AF1 e AF2 – Cooperativas – Não incidência da contribuição previdenciária patronal. Relata que o Fisco apurou em relação às rubricas 227 e 227.01 a ausência de recolhimento da contribuição previdenciária sobre as notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, tendo como objeto o artigo 22, IV da Lei n° 8.212/1991. Ao mesmo tempo, o art. 4º da Lei n° 5.764/1971, que define a Política Nacional do Cooperativismo, dispõe que as cooperativas são sociedades de pessoas, que em nada se confunde com a pessoa física. Diz que o art. 195 da Constituição Federal possibilita a criação de contribuições financiadas pela sociedade, mas tendo como base de cálculo do tributo os rendimentos pagos à pessoa física que preste serviços a alguém e não à pessoa jurídica, como aponta o art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991. Desta forma, sendo a cooperativa uma sociedade de pessoas, a contribuição previdenciária não pode incidir sobre as notas fiscais por elas emitidas, em flagrante descompasso com o preceito constitucional, devendo ser considerado improcedente o Auto de Infração neste particular. 3.7. Da multa de ofício. Dever de redução proporcional. Razoabilidade. Não confisco. Não concorda com a aplicação de multa de ofício, pois desborda da razoabilidade, tendo flagrante caráter de confisco. Salienta que o valor principal cobrado é de R$ 57.693,67, montante este que englobaria TODAS as rubricas supostamente devidas. Se a empresa, na presente defesa administrativa, impugna expressamente 2 (duas) das 3 (três) supostas infrações, deve haver a redução da multa de ofício, ao menos de forma proporcional. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Repisa que não está sendo dada à impugnante a chance de reconhecer a infração nos casos de incidência da contribuição sobre o frete, pois para o caso não há Auto de Lançamento próprio e que não fosse isso a impugnante poderia pagar o valor com os descontos legais. 3.8 Indevida aplicação da Taxa Selic Discorre sobre a taxa Selic, dizendo que ela tem natureza remuneratória de títulos, consoante entendimento do STJ, sendo inaplicável em matéria tributária. 4. Impugnação ao Auto de Lançamento – Debcad nº 37.343.0973 4.1 Dos fatos O Auto de Infração trata da exigência de contribuições a terceiros (SEST/SENAT). 4.2 Da responsabilidade pelo pagamento do SEST/SENAT. Alega que os contribuintes das contribuições ao SEST/SENAT previstas no inciso II do art. 7º da Lei 8.706/1993 são os próprios transportadores autônomos; que esta assertiva é corroborada pelos arts. 65, § 5º e art. 1111 da IN RFB n° 971/2009, bem como pelo art. 2º, § 3º do Decreto 1.007/1993, que colocam as pessoas jurídicas tomadoras do serviço como responsáveis tributários pelo recolhimento e arrecadação do tributo, mediante substituição tributária. Refere que o art. 121, § único, II do CTN é claro ao definir que responsável será aquele não contribuinte que seja obrigado ao pagamento do tributo por expressa disposição de "LEI". Porém, a Lei 8.706/1993 não atribuiu ao tomador de serviço a responsabilidade pelo pagamento do tributo dos transportadores autônomos, disposto no inciso II do art. 7º. Não há qualquer dispositivo legal atribuindo a responsabilidade aos tomadores de serviço, o que seria necessário, pois como é sabido, somente a lei pode inovar o ordenamento jurídico. A responsabilidade tributária dos tomadores do serviço de transportadores autônomos somente foi instituída pelo Decreto 1.007/1993 (art. 2º, § 3º , "a"), também sido tal ponto tratado pela IN RFB n° 971/2009 (art. 1111), acusando que os instrumentos normativos secundários (Decreto e Instrução Normativa) desbordaram da lei, ou seja, impuseram obrigação não prevista naquela, ao determinarem a responsabilidade do tomador de serviço, através do mecanismo da substituição tributária, em situação que a lei não o fez, o que é completamente inadmissível. Ainda que se considere (indevidamente) a ora impugnante como responsável tributária pelas contribuições previstas pelo art. 7º, II da Lei 8.706/1993, ressalta o teor do art. 216, § 2º, da IN RFB 971/2009, que determina ser responsável a cooperativa de trabalho a reter e recolher as contribuições ao SEST/SENAT Fl. 803DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 795 9 devidas pelo transportador cooperado, quando o serviço for prestado com sua intermediação. Alega que a autoridade fiscal identificou a contratação de muitos fretes/transportes por meio de cooperativas, o que faz crer que grande parte das contribuições do SEST/SENAT que estão sendo exigidas da impugnante seriam de responsabilidade das cooperativas contratadas. Pelo exposto, requer seja anulado o presente auto de infração, uma vez que o crédito tributário referente às contribuições previstas no art. 7º, II da Lei 8.706/93 não é de responsabilidade da ora impugnante, conforme exposto acima; ou alternativamente, a anulação ao menos parcial do auto, dada a responsabilidade disciplinada pelo art. 216, § 2º da IN RFB 971/2009, para as contratações que tenham sido intermediadas por cooperativas. 4.3. Do valor da multa Reclama do valor da multa de mora de 24% fixada em R$ 3.514,12, com base no art. 35, I, II e III da lei nº 8.212/1991, com redação conforme a Lei 9.876/1999, requerendo a sua redução para 20%, de acordo com o art. 35, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. 4.4 Indevida aplicação da taxa Selic Repisa os mesmos argumentos já referidos anteriormente em relação à taxa Selic, alegando a impossibilidade de sua utilização. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1045.459 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.343.0973 AUTO DE INFRAÇÃO.CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A ciência das alterações e prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal se dá de forma eletrônica. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 LANÇAMENTO. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS A exigência do crédito tributário, mesmo não formalizada em Autos de Infração distintos para cada tributo não prejudica a defesa do contribuinte e não resulta prejuízo para o sujeito passivo. DECADÊNCIA Nos termos do CTN, não há que se declarar a decadência para crédito relativo a 02/2007 e lançado 15/02/2012. EMPRÉSTIMO AO SÓCIO. VERBA REMUNERATÓRIA. PROVA O contribuinte deve produzir prova convincente de que a verba paga ao sócio a título de empréstimo não se constitui em retirada de prólabore. Em não o fazendo, prevalece a exigência fiscal. COOPERATIVA. CONTRIBUIÇÃO. ILEGALIDADE É legítima a cobrança de contribuições destinadas à Seguridade Social, com base no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.876/1999. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de ilegalidade. SEST/SENAT. CONTRIBUIÇÃO DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. OBRIGAÇÃO DE RECOLHER A pessoa jurídica tomadora dos serviços do transportador rodoviário autônomo é obrigada a recolher a contribuição devida por estes ao SEST e ao SENAT. MULTA A multa aplicada nos estritos limites previstos em lei não caracteriza confisco, não podendo ser reduzida ou dispensada. SELIC Os juros, calculados pela variação da taxa Selic, têm caráter irrelevável e estão de acordo com a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. INTIMAÇÃO As intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. SUSTENTAÇÃO ORAL A legislação que rege o processo administrativo fiscal não prevê a oportunidade de sustentação oral no julgamento de 1ª instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 805DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 796 11 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 33, Decreto 70.235/1972 e art. 151, III, CTN (ii) Cuidase de procedimento administrativo instaurado com o fito de exigir os valores lançados por meio dos DEBCAD's 37.343.0965, 37.343.0973, 37.348.8629 e 37.348.8637, sendo certo que a Recorrente formalizou o pagamento dos dois últimos, referentes ao descumprimento de obrigações acessórias (iii) Em relação ao AIOP 37.343.0965: (iii.1) a Recorrente não teria recolhido a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ao sócio Leandro Bortoncello, que a r. decisão não goza de acerto. Tratamse, em verdade, de empréstimos feitos pela Recorrente, que foram devidamente restituídos em momento posterior, conforme demonstrado documentalmente durante o transcorrer da fiscalização. Não procede, portanto, a alegação de que não houve a comprovação documental de tais operações, como pretende o acórdão discutido. (iii.2) Da contribuição prevista no Art. 22, IV, da Lei 8.212/91, devida as empresas tomadoras de serviços por meio de cooperativas STF RE 595.838 (iii.3) Dos valores exigidos a título de multa violação aos princípios da razoabilidade e do nãoconfisco desvirtuando o poder conferido pela Constituição às entidades fiscais. (iv) Em relação ao AIOP 37.343.0973: (iv.1) Das contribuições ao SEST/SENAT. a responsabilidade pelo recolhimento de verbas tributarias é do sujeito descrito no Art. 121 do Código Tributário Nacional Inadmissível que se fale, neste norte, que a exigência fiscal discutida possui como base legal o disposto pela Instrução Normativa SRP n.° 03 de 2005, pois, assim como a IN 971/2009, esta extrapola a previsão contida no codex tributário Fl. 806DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 (v) Da Taxa SELIC A intenção do Fisco em aplicar a mencionada taxa para correção dos débitos abarca em evidente lesão às disposições da Constituição Federal, ferindo não só o direito das empresas, como também a ordem econômica e financeira, desvirtuando dessa forma, a essência do Estado Democrático. Além disso, importa esclarecer que o Código Tributário Nacional fora criado por meio de Lei Ordinária, porém recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com força de Lei Complementar, conforme prevê o artigo 34, § 5o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Curial se afirmar, ainda, que em respeito ao princípio da hierarquia das normas, o artigo 161, § 1o do Código Tributário Nacional (Lei Complementar), que estabelece o índice de juros de 1% ao mês, se sobrepõe à hipótese da Lei 8.981, de 20.01.95, instituidora da Taxa Selic. Evidente, portanto, que não pode a fiscalização reclamar o pagamento de juros de mora sobre multa, calculadas por TAXAS DE JUROS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA (como é o caso da SELIC), sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, e de ferir os preceitos contidos no parágrafo 1o, do artigo 161, do CTN, e no parágrafo 3o, do artigo 192, da CF. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, É o Relatório. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 797 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 784. Da delimitação da lide O Relatório da decisão de primeira instância informa que os Autos de Infração lavrados pelo descumprimento de obrigações acessórias AIOA nºs 37.348.8629 (CFL 68) e AIOA nº 37.348.8637 (CFL 69) foram pagos pelo contribuinte, encontrandose na situação “baixado por liquidação em 17/05/1012”, conforme consulta efetuada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, restaram para discussão neste Colegiado o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.343.0965 (parte Empresa) e o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.343.0973 (parte Terceiros). DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 808DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (...) Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (b) Da regularidade da lavratura dos AIOPs. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1045.459 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principal e acessória: (a) AIOP nº 37.343.0965 (parte Empresa), (b) AIOP nº 37.343.0973 (parte Terceiros), Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOPs que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura dos AIOPs) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 798 15 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: Fl. 810DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.234.8904, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 799 17 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 33, Decreto 70.235/1972 e art. 151, III, CTN Analisemos. De fato, o Recurso Voluntário suspende exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 33, Decreto 70.235/1972 c/c art. 151, III, CTN: Decreto 70.235/1972 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Portanto, nada há que se contestar neste tópico. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 (ii) Cuidase de procedimento administrativo instaurado com o fito de exigir os valores lançados por meio dos DEBCAD's 37.343.0965, 37.343.0973, 37.348.8629 e 37.348.8637, sendo certo que a Recorrente formalizou o pagamento dos dois últimos, referentes ao descumprimento de obrigações acessórias Analisemos. O Relatório da decisão de primeira instância informa que os Autos de Infração lavrados pelo descumprimento de obrigações acessórias AIOA nºs 37.348.8629 (CFL 68) e AIOA nº 37.348.8637 (CFL 69) foram pagos pelo contribuinte, encontrandose na situação “baixado por liquidação em 17/05/1012”, conforme consulta efetuada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, restaram para discussão neste Colegiado o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.343.0965 (parte Empresa) e o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.343.0973 (parte Terceiros). Portanto, nada há que se contestar neste tópico. DO MÉRITO. (iii) Em relação ao AIOP 37.343.0965 (parte Empresa): (iii.1) a Recorrente não teria recolhido a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ao sócio Leandro Bortoncello, que a r. decisão não goza de acerto. (iii.2) Da contribuição prevista no Art. 22, IV, da Lei 8.212/91, devida as empresas tomadoras de serviços por meio de cooperativas STF RE 595.838 (iii.3) Dos valores exigidos a título de multa violação aos princípios da razoabilidade e do nãoconfisco desvirtuando o poder conferido pela Constituição às entidades fiscais. Analisemos cada tópico acima separadamente. (iii.1) a Recorrente não teria recolhido a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ao sócio Leandro Bortoncello, que a r. decisão não goza de acerto. Analisemos. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 800 19 Ora, conforme já debatido em sede de primeira instância, os argumentos da Recorrente continuam desacompanhados de qualquer elemento probante de forma a desconstituir o lançamento fiscal em relação à contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ao sócio Leandro Bortoncello. Desta forma, mantenho hígida a decisão de primeira instância que negou provimento ao Recurso neste ponto. (iii.2) Da contribuição prevista no Art. 22, IV, da Lei 8.212/91, devida as empresas tomadoras de serviços por meio de cooperativas STF RE 595.838 Analisemos. Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário RE 595.838/SP com Repercussão Geral, art. 543B, CPC, impetrado por Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Observase que esta decisão foi publicada na Ata nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Em consulta ao sítio do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2651722) temse a movimentação processual indicando a rejeição por unanimidade dos Embargos de Declaração, além do trânsito em julgado em 09.03.2015: Em 11.03.2015 Transitado(a) em julgado em 09/03/2015. Em 08/01/2015 Conclusos ao(à) Relator(a) Fl. 814DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 Em 08/01/2015Juntada a petição nº58621/2014.58621/2014 Em 19/12/2014 Juntada da certidão de julgamento referente à sessão Plenária de 18/12/2014. Em 18/12/2014Embargos rejeitados TRIBUNAL PLENO Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014. Ainda assim, segue trecho do voto do Ministro Relator (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação a seguir: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343/2015, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, do RICARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 801 21 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62, §2º, do RICARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543 B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, parágrafo primeiro, inciso I, e . 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à tributação no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV. Portanto, devem ser afastados da tributação os seguintes Códigos de levantamento relacionados às contribuições incidentes sobre os valores pagos a cooperativa de trabalho: LEV: AF COOPERATIVAS LEV: AF1 COOPERATIVAS LEV: AF2 COOPERATIVAS (iii.3) Dos valores exigidos a título de multa violação aos princípios da razoabilidade e do nãoconfisco desvirtuando o poder conferido pela Constituição às entidades fiscais. Analisemos. As considerações acerca de inconstitucionalidade já foram analisadas no tópico (a) Da inconstitucionalidade. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 (iv) Em relação ao AIOP 37.343.0973: (iv.1) Das contribuições ao SEST/SENAT. Analisemos. As considerações acerca de inconstitucionalidade já foram analisadas no tópico (a) Da inconstitucionalidade e afastadas tais alegações do contribuinte. Em relação ao SEST/SENAT, Temos que o Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD às fls. 27, informa a fundamentação legal para a cobrança do SEST/SENAT: Fundamentos Legais das Rubricas 409 TERCEIROS SEST/SENAT (FPAS 620) CONTRIBUIÇÃO DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO RECOLHIDA PELA EMPRESA 409.03 Competências : 02/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008 Lei n. 8.706, de 14.09.93, art. 7., II, parágrafos 1. e 2.; Decreto n. 1.007, de 13.12.933 (com as alterações dadas pelo art. 1., do Decreto n. 1.092, de 21.03.94), art. 1., I, "b", II, "b", art. 2., II, parágrafo 3., art. 3., parágrafo 1. Desta forma, foi considerado o FPAS 6200 TOMADOR DE SERVIÇO DE TRANSPORTADOR RODOVIÁRIO AUTÔNOMO (contribuição ao SEST/SENAT recolhidas pelo tomador), sendo devida a contribuição para o SEST/SENAT, conforme anexo III da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Em que pese o argumento do contribuinte no sentido de que a exigência fiscal discutida possui como base legal o disposto pela Instrução Normativa SRP n.° 03/2005, que a exemplo da IN RFB nº 971/2009 extrapola a previsão contida no codex tributário, não como concordar com tal argumento pois, conforme o Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD às fls. 27, o amparo legal utilizado pela AuditoriaFiscal no lançamento está centrado na Lei n. 8.706/1993 e no Decreto n. 1.007/1993. Neste sentido, a Lei nº 8.706/1993, no art. 7º, inciso II, institui a contribuição mensal obrigatória dos transportadores rodoviários autônomos para o SEST e o SENAT (1,5% e 1,0%) e o Decreto 1.007/1993 determinou no art. 2º, § 3°, que as contribuições devidas pelos transportadores autônomos ao SEST e ao SENAT serão recolhidas diretamente pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços. Lei nº 8.706/1993 Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Fl. 817DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 802 23 Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; III pelas receitas operacionais; IV pelas multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V por outras contribuições, doações e legados, verbas ou subvenções decorrentes de convênios celebrados com entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais. § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS. Decreto 1.007/1993 Art. 2° Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: I empresa de transporte rodoviário: a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia; II salário de contribuição do transportador autônomo: a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos no § 4° do art. 25 do Decreto n° 612, de 21 de julho de 1992. § 1º O disposto no inciso I deste artigo abrange, também, as empresas de transporte de valores, locação de veículos e distribuição de petróleo. (redação dada pelo Decreto nº 1.092, de 21 de março de 1994) § 2º No caso das empresas de distribuição de petróleo, as contribuições ao Sest e ao Senat, previstas nos incisos I e II, alíneas a , do art. 1º, serão calculadas sobre o montante da remuneração paga ou creditada aos seus empregados, diretamente envolvidos com o transporte. (redação dada pelo Decreto nº 1.092, de 21 de março de 1994) Fl. 818DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 § 3° As contribuições devidas pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: a) pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços; b) pelo transportador autônomo, nos casos em que prestar serviços a pessoas físicas. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (v) Da Taxa SELIC Analisemos. As considerações acerca de inconstitucionalidade já foram analisadas no tópico (a) Da inconstitucionalidade e afastadas tais alegações do contribuinte. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação à época dos fatos geradores: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Portanto, diante do exposto acima, não prospera tal argumentação da Recorrente. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721585/201211 Acórdão n.º 2202003.237 S2C2T2 Fl. 803 25 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no AIOP 37.343.0965 (parte Empresa), de forma a afastar a tributação incidente nos Códigos de Levantamento: LEV: AF COOPERATIVAS; LEV: AF1 COOPERATIVAS; e LEV: AF2 COOPERATIVAS. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 820DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13808.001089/2001-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997, 1998
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DOAÇÕES - VALOR DE ALIENAÇÃO DE VEÍCULO - PROVA.
Quando da não apresentação, pelo contribuinte, de elementos de provas convincentes acerca de seus argumentos acerca de origens de recursos não computadas, de se manter o demonstrativo de acréscimo patrimonial a descoberto efetuado pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 9202-004.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar a alienação do veículo saveiro como origem de recursos. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento integral ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Quando da não apresentação, pelo contribuinte, de elementos de provas convincentes acerca de seus argumentos acerca de origens de recursos não computadas, de se manter o demonstrativo de acréscimo patrimonial a descoberto efetuado pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar a alienação do veículo saveiro como origem de recursos. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento integral ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 10 89 /2 00 1- 77 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001089/200177 Acórdão n.º 9202004.020 CSRFT2 Fl. 704 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2801000.294, prolatado pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 27 de outubro de 2009 (efls. 668 a 678). Ali, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, na forma de ementa e decisão a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DOAÇÕES VALOR DE ALIENAÇÃO DE VEICULO DIVIDAS E ÔNUS REAIS PROVA Indispensável a apresentação de elementos de prova dos argumentos expendidos, sob pena de manutenção do demonstrativo efetuado pela Fiscalização com observância da legislação de regência e calcado nas provas constantes dos autos. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMAÇÃO EM DIPJ PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE PARTICIPAVA COMO SÓCIO O lançamento decorrente da revisão de declaração pode se basear em informações constantes de DIPJ apresentada pela pessoa jurídica da qual o interessado participava como sócio à época do fato gerador. Recurso negado. Decisão: Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Enviados os autos ao contribuinte para ciência, ocorrida em 17/05/2010 (efl. 683). insurgese o autuado contra o Acórdão, no dia 27/05/2010 (efl. 684), através de Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 684 a 690). O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 697/698, tendo se alegado no pleito: a) Quanto à doação recebida do Sr. Rogério Tuma nos anoscalendário de 1996 e 1997: Fl. 704DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001089/200177 Acórdão n.º 9202004.020 CSRFT2 Fl. 705 3 Divergência em relação ao decidido em 18/02/1998 no Acórdão 10415.979, de lavra da 4a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como em relação ao decidido pela 6a. Câmara, ainda do referido 1o. Conselho de Contribuintes, agora no Acórdão 10614.439, prolatado em 24/02/2005, adotados como paradigmas a partir do disposto no art. 67, § 5o. do Regimento citado e cujas ementas e decisões são a seguir transcritas. Acórdão 10415.979 IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Tributase mensalmente a partir de 1989, a variação patrimonial não justificado com rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração. DETERMINAÇÃO DA OMISSÃO MENSAL Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontandoas com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurado em um período mensal, dentro do mesmo anocalendário, independentemente de comprovação por parte do contribuinte, evidenciando, dessa forma, a omissão de rendimentos a ser tributado em cada mês, de conformidade com o que dispõe o art. 2° da Lei n° 7.713/88. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Na hipótese de falta de entrega da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, é de se excluir da base de cálculo a multa de 1% por mês ou fração de atraso, prevista no artigo 17 no Decretolei n° 1967/82, tendo em vista que a entrega da declaração feita posteriormente ao início de procedimento de ofício fiscal suprime a espontaneidade do sujeito passivo e enseja lançamento com a respectiva multa de ofício calculada sobre a totalidade do imposto devido, o que afasta a aplicação simultânea da multa de 1% (um por cento). DOAÇÃO COMPROVAÇÃO Tratandose de doação de mãe para filho, o que quase sempre ocorre por meio informal, o valor doado justifica o acréscimo patrimonial pretensamente descoberto, se a doadora confirma a transferência do numerário e a disponibilidade de recurso para comportar a liberalidade não é contestada pelo fisco. EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer outro meios, como comprovação da efetiva transferência de numerário e capacidade financeira do credor. Recurso parcialmente provido. Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para aceitar como origem o valor de R$ 12.000,00 e excluir a multa por atraso na entrega da declaração exigida com a multa de ofício. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001089/200177 Acórdão n.º 9202004.020 CSRFT2 Fl. 706 4 Acórdão 10614.439 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Devem ser levadas em consideração, na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, valores efetivamente lançados em declaração de doador e donatário quanto à doações efetuadas em anos calendário pretéritos. Não é da essência do ato de doação a transferência financeira dos recursos doados. Recurso parcialmente provido. Decisão: por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para acolher como origem, no mês de novembro de 1996, a importância de R$18.000,00; em dezembro de 1997, R$15.000,00; e em dezembro de 1999, R$7.000,00, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Quanto à esta matéria, argumenta o contribuinte, em sua demanda, que os julgadores não poderiam deixar de considerar, para fins de cômputo como origem nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, as provas trazidas aos autos, de forma que fosse considerada a doação efetuada no valor de R$ 88.125,00, no anocalendário de 1997, a saber: a) Declaração de Ajuste Anual do doador e b) declaração firmada por aquele (vide e fls. 525/526 e 614). Ainda, salienta que o doador (Sr. Rogério Tuma) é pessoa de sua família, devendo neste caso ser dispensada toda a formalidade da doação quando feita através de entrega de moeda e de pagamento por conta do doador (alega o contribuinte que o Sr. Rogério Tuma teria feito pagamentos relativos à aquisição, por parte do autuado, de imóvel em Foz do Iguaçú/PR, no valor de R$ 15.000,00 em 15/01/1996, seguido de vinte e três parcelas mensais de R$ 1.875,00, com o restante da doação R$ 30.000,00 sendo disponibilizada em moeda corrente). b) Quanto à alienação do veículo Saveiro, de placa VW 3331, declarada pelo autuado em sua declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 1996 (vide efl. 38): Divergência em relação ao decidido em 11/04/2000 no Acórdão 10417.432, de lavra da 4a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, de ementa e decisão a seguir transcritas: IRPF ARBITRAMENTO DE CUSTOS DE CONSTRUÇÃO No arbitramento de custos de construção imobiliária, presentes os pressupostos que levam ao procedimento, a data do Alvará de Licença será tomada como de início da construção apenas se o contribuinte não declarar, tempestivamente, seu início anterior. IRPF ALIENAÇÃO DE VEÍCULOS O Documento Transferência de Veículo, parte do Documento Único de Trânsito DUT, é instrumento hábil à transferência de veículos junto ao DETRAN, o qual, através de sua apresentação, pelo adquirente nele identificado, emite outro em favor deste. Por sua finalidade, tal documento não pode ser exigível do alienante para comprovar venda de veículo, tempestivamente, declarada, inclusive com identificação do adquirente e respectivo CPF. Assim, até prova em contrário do fisco, o valor da alienação é Fl. 706DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001089/200177 Acórdão n.º 9202004.020 CSRFT2 Fl. 707 5 recurso para justificar eventual aumento patrimonial do sujeito passivo. IRPF AUMENTO PATRIMONIAL Na apuração de eventual aumento patrimonial a descoberto devem ser levadas em conta todas as disponibilidades do sujeito passivo, até a data do evento, inclusive rendimentos líquidos do cônjuge e saldos de disponibilidades de exercício anterior, tempestivamente declarados.Recurso parcialmente provido Decisão: por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do aumento patrimonial a descoberto, no ano calendário de 1993, 28.509,54 UFIR; no ano calendário de 1994, 65.227,06 UFIR; e no ano calendário de 1995, R$ 45.263,30, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Insurgese aqui o recorrente contra a exigibilidade do DUT para fins de cômputo do valor de alienação declarado como origem, para fins do cálculo do APD, reiterando, ainda, as considerações já tecidas em sede de impugnação. Requer, assim, quanto à matéria, que o recurso seja recebido e lhe seja dado provimento, para que se cancelem as referidas exigências constantes no auto de infração Encaminhados os auto, para fins de ciência, à PGFN, ocorrida em 03/11/2014 (efl. 699), esta optou por utilizar as razões de decidir do recorrido como contrarrazões de recurso (efl. 700) É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente, indicação de divergência e prequestionamento, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito, na ordem das matérias em que apresentadas pelo recorrente. a) Quanto à doação recebida do Sr. Rogério Tuma no anoscalendário de 1996 e 1997: Como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos acerca da temática de acréscimo patrimonial a descoberto, quando justificado por mútuos, faço notar que entendo aqui também como aplicável o mesmo entendimento no sentido de desnecessidade de comprovação de trânsito dos recursos financeiros, para fins de sua consideração como origem de recursos. Mutatis mutandis, perfeitamente aplicável, também ao caso de doação para fins de quitação de imóvel do donatário, o teor do Acórdão CSRF 9.20203.413, de 21 de outubro de 2014 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001089/200177 Acórdão n.º 9202004.020 CSRFT2 Fl. 708 6 "(...) Melhor elucidando, a Turma recorrida não admitiu como comprovação do acréscimo patrimonial os valores dos empréstimos tomados pela contribuinte simplesmente em face das informações constantes da Declaração de Imposto de Renda, mas, sim, com base no conjunto probatório constante do processo (g.n.), especialmente comprovantes de depósitos na conta da vendedora do imóvel, associados à declaração desta confirmando as operações, datas e valores. Ora, o simples fato de inexistir comprovantes de depósitos e/ou transferências dos mutuantes para a contribuinte (mutuário) não é capaz, isoladamente, de afastar a legitimidade da operação, mesmo porque, admitindose que tais empréstimos se destinaram à quitação de parcelas do imóvel encimado, na forma que a autuada vem sustentando desde o primeiro momento, não há que se exigir que o numerário circule primeiramente nas contas bancárias da contribuinte, para ser posteriormente destinada ao pagamento das parcelas pertinentes à aquisição de referido imóvel.(g.n.) (...) Na verdade, a pretensão fiscal repousa basicamente em não aceitar o recebimento do numerário advindo dos empréstimos em moeda corrente, eis que a documentação trazida à colação pela contribuinte se apresenta como hábil e idônea tendente a comprovar a efetividade das operações (g.n.), (...)" Todavia, de se depreender do teor do Acórdão, com cujo posicionamento alinhome integralmente, duas consequências: a) A primeira, já mencionada, de desnecessidade, para fins de cômputo como origem de recursos, de que haja trânsito de numerário pela conta do contribuinte, quando da utilização dos recursos oriundos de mútuo (ou doação, da mesma forma, em meu ver) para quitação pelo doador de dívida imobiliária do donatário; b) Todavia, quando não haja tal comprovação de trânsito do referido numerário, que esta seja suprida por documentação hábil e idônea que comprove a operação realizada, condição à qual também acedo. Feita tal digressão, no caso em questão, é de se questionar, assim, quanto à doação de R$ 88.125,00 se, em se tratando de doação entre parentes, a declaração do donatário e doador em sua declaração de ajuste anual para o anocalendário de 1997 (DIRPF), acompanhada de declaração de próprio punho (vide efls. 42, 525/526 e 614) seria(m) elementos suficientes (documentação hábil e idônea), a fim de que se considerasse a referida doação como efetivada para fins de seu cômputo como origem de recursos ou não no demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Entendo que não. A valoração probatória, a partir dos elementos constantes dos autos, não me permite firmar convencimento acerca da efetividade da operação de doação, uma vez que: a) Ainda que houvesse pagamentos referente ao imóvel, conforme escritura de compra e venda de efls. 421 a 423 (supostamente pago pelo doador) em 1996, a doação não Fl. 708DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001089/200177 Acórdão n.º 9202004.020 CSRFT2 Fl. 709 7 aparece declarada na DIRPF do donatário no referido anocalendário (vide efls. 34 a 40); b) a declaração de próprio punho de efl. 614, de lavra do suposto doador, somente foi lavrada cerca de seis meses após a lavratura do auto de infração; c) Ainda que se tratem de parentes, poderiam ter sido juntados, pelo autuado, comprovantes dos pagamentos realizados pelo suposto doador, no valor de R$ 58.125,00 nos anoscalendários de 1996 e 1997, referente ao terreno, supostamente por aquele pagos; d) Novamente, mesmo se tratando de parentes, julgo o saldo de R$ 30.000,00 montante bastante elevado, de forma a que não se tenha qualquer tipo de comprovação bancária de saque e/ou outra forma de disponibilização do montante ao donatário, ainda que não fosse via trânsito direto em sua conta corrente. Diante de tal conjunto probatório, julgo insuficientes os elementos de prova trazidos aos autos pelo recorrente quanto à efetividade da doação em questão, e, assim, nego provimento ao recorrido nesta matéria, mantendose a decisão recorrida quanto à não consideração da doação do Sr. Rogério Tuma como origem de recursos nos demonstrativos de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. b) Quanto à alienação do veículo Saveiro, de placa VW 3331, declarada pelo autuado em sua declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 1996: Em que pese a argumentação do recorrente, no sentido de que a prova teria de ser realizada pela autoridade autuante, rejeito tal assertiva, á luz do disposto no art. 806, do Decreto no. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), verbis: Art.806.A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, §1º). Todavia, ainda a propósito, de se ressaltar que se deve, para fins da análise de tributação a título de APD, obedecer ao disposto no art 807 do mesmo RIR/99, verbis: Art.807.O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Especificamente quanto à alienação do veículo Saveiro, noto que, ainda que tenha se verificado a inexistência do Documento Ùnico de Transferência, o contribuinte declarou o veículo como constituinte do seu patrimônio em sua DIRPF no final do ano calendário imediatamente anterior à venda em valor superior a esta (vide efl. 38), venda esta ali também declarada como efetuada ao Sr. MARIO CORACARI CPF 454.936.77849 por R$ 5.000,00, no anocalendário de 1996. Assim, julgo razoável que se admita como origem, no demonstrativo de origens de recursos para fins de apuração do APD para o AC de 1996, o valor constante de DIRPF da alegada venda, de R$ 5.000,00. Assim, voto por dar provimento ao recurso quanto a esta segunda matéria recorrida, de forma a considerar a alienação do veículo saveiro como origem de recursos no demonstrativo do AC/1996, no valor de R$ 5.000,00. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001089/200177 Acórdão n.º 9202004.020 CSRFT2 Fl. 710 8 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para considerar a alienação do veículo saveiro como origem de recursos, no valor de R$ 5.000,00, no ano calendário de 1996. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 710DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10183.721770/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL.
Acolhem-se parcialmente os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimentos à embargante, quando as omissões, erros materiais e obscuridades constatadas não tiverem o condão de alterar o que restou decidido pela decisão embargada.
Numero da decisão: 1401-001.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em PARTE os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimentos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas e Ricardo Marozzi Gregorio.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. Acolhemse parcialmente os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimentos à embargante, quando as omissões, erros materiais e obscuridades constatadas não tiverem o condão de alterar o que restou decidido pela decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em PARTE os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimentos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas e Ricardo Marozzi Gregorio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 70 /2 01 1- 11 Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão embargada, fls: 2456: Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, apurando a falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL decorrente da contabilização de despesas indedutíveis, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 44.413.916,09, compreendendo os dois tributos citados, acrescidos de multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 3º da Lei nº 7.689/1988 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 03 a 11, 12 a 21, 24 a 28 e 29 a 35. Os fundamentos de fato e de direito que dão suporte ao lançamento foram descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 47 a 63, que pode ser assim resumido: A auditoria se instaurou para verificar a legitimidade da amortização de ágio, derivado de aquisição de participação societária, ocorrida nos anos de 2007 e 2008. A verificação, posteriormente, se estendeu aos anos de 2009 e 2010. O ágio deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL teve origem para a contribuinte na operação de incorporação, ocorrida em 01/09/2007, da sociedade denominada Leonvin Participações Ltda., a qual detinha 40% de participação no capital social da incorporadora. A participação societária foi adquirida pelo valor de R$ 135.400.000,00, dos quais R$ 61.657.096,00 correspondem ao valor do patrimônio líquido e R$ 73.742.904,00 a ágio por rentabilidade futura. Inferiu a Fiscalização que a operação com a Leonvin foi engendrada com o único propósito de reduzir o pagamento do IRPJ e da CSLL, mediante amortização de “ágio de si mesma”. Teria havido nessa operação negócio jurídico simulado. A Leonvin Participações fora constituída em 10/12/2004, tendo por sócios Jobelino Vitoriano Locateli e José Tavares de Lucena e por capital social o irrisório valor de R$ 1.000,00. Em 11/01/2005, processouse a primeira alteração contratual, retirandose da sociedade os primitivos sócios e ingressando as pessoas jurídicas denominadas Bebidas Latinas Ltd e Abacus (Nominees) Limited, ambas sociedades organizadas de acordo com as leis da Ilha Jersey, com sede em Motte Chambers, St. Helier, Jersey. As duas pessoas jurídicas foram constituídas na mesma data. O antigo sócio da Leonvin, Jobelino Vitoriano Locateli, embora tendo se retirado formalmente da sociedade, não se afastou dela, pois foi designado diretor da empresa. Em 13/01/2005, deuse a segunda alteração do contrato social, designandose para a função de diretor Ricardo Torres de Mello, que já exercia na Impugnante idêntica função. Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.446 S1C4T1 Fl. 3 3 Em 24/01/2005, o conselho de administração da Impugnante deliberou a emissão de 10.066.666 ações ordinárias, com preço de emissão de R$ 13.450,03 (sic) por ação, perfazendo um investimento no montante de R$ 135.400.000,00, dos quais R$ 125.333.334,00 a título de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. As ações foram subscritas e o valor integralizado, no mesmo dia, pela Leonvin, mediante transferência bancária para a conta da Impugnante. Também na mesma data, 24/01/2005, foi alterado o capital social da Leonvin para R$ 135.925.000,00, sendo ela autorizada a adquirir 40% do capital da Impugnante. Posteriormente, Ricardo Torres de Mello assinou como mandatário de Bebidas Latinas Ltd e de Abacus (Nominees) Limited a deliberação de reduzir o capital social da Leonvin em R$ 2.900.000,00. Em 01/09/2007, deuse a aprovação da incorporação da Leonvin Participações Ltda. pela Impugnante, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas Ltda. Essas circunstâncias levaram a Fiscalização a concluir que a pessoa jurídica Leonvin Participações Ltda. fora criada sem fundamentação econômica e sem objeto social de fato, com o único propósito de reduzir artificialmente a tributação, servindo como “empresaveículo” para transferir o investimento realizado diretamente na Impugnante, ensejando a dedutibilidade do ágio. [...] A 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, [...] O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 07/02/2012, conforme AR de fls. 2015 e apresentou recurso voluntário em 07/03/2012 (v. fls. 20192094), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. Sua peça recursal foi acompanhada dos documentos de fls. 2101 2407. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou as contrarrazões de fls. 24082452. Este colegiado, em sessão de julgamento realizada em 26 de agosto de 2014, deu provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos seguintes termos: i) Por unanimidade de votos, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); e ii) Pelo voto de qualidade, negou provimento em relação às demais matérias. O Acórdão nº 1401001.241 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. AUSÊNCIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não restando inequivocamente demonstrado o evidente intuito doloso da contribuinte, a multa de ofício deve ser desqualificada. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A decisão adotada em relação ao IRPJ também se aplica ao lançamento da CSLL, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os une. Devidamente cientificada do citado Acórdão, a contribuinte apresentou embargos de declaração (fls. 37443745), que foram recebidos nos termos do art. 65, §1º, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF. A embargante alegou omissões, erros materiais e obscuridades no Acórdão embargado, relativamente às seguintes matérias: a) erro material quanto à ausência de pagamento pelo ágio apurado no caso concreto; b) erro material pela dupla referência à empresa CVI Refrigerantes (fls. 2745 e 2746), que é estranha aos fatos tratados no presente processo; c) erro material quanto ao julgamento do adicional de IRPJ, matéria que não foi objeto do recurso voluntário (mas apenas da impugnação); d) omissão quanto à preliminar de nulidade do acórdão da DRJ por violação do art. 146 do CTN (item 5 do Recurso Voluntário); e) omissão quanto à realização do propósito negocial por parte da embargante; f) obscuridade quanto à contínua e frenética troca de ações e participações societárias; g) obscuridade/contradição quanto à natureza jurídica da empresa Leonvin; h) obscuridade quanto à suposta transação entre partes relacionadas Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.446 S1C4T1 Fl. 4 5 A embargante requereu o conhecimento e o provimento dos presentes embargos, a fim de sanar os vícios acima apontados, com efeitos infringentes. É o relatório. Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os presentes embargos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Para maior clareza, as diversas alegações da embargante serão individualmente analisadas. Arguição de erro material quanto à ausência de pagamento pelo ágio apurado no caso concreto No entender da embargante, o Acórdão guerreado incorreu em grave erro material, qual seja, a suposta inexistência de pagamento do ágio posteriormente amortizado pela embargante. Neste sentido, anexou prova do pagamento (efetiva transação de recursos financeiros), consubstaciado nos contratos de câmbio de fls. 12871304, no valor total de R$ 135.925.000,00 (doc. 01). Não assiste razão à embargante. Ao contrário do que afirmou a embargante, o fluxo de R$ 135.924.000,00 das subsidiárias estrangeiras da FORSAB (BEBIDAS LATINAS LTDA. e ABACUS) para a LEONVIN foi, sim, devidamente considerado pelo Acórdão embargado, conforme se observa pela simples leitura das conclusões do Acórdão embargado, fls. 24732474, verbis (grifado): No caso em análise, em etapa anterior à "incorporação reversa", a FORSAB, por meio de suas subsidiárias estrangeiras BEBIDAS LATINAS LTDA e ABACUS, aumentou o capital da LEONVIN em R$ 135.924.000,00. Ato contínuo, a LEONVIN utilizou esses recursos para adquirir 40% de participação societária na RENOSA, com a criação de um ágio no valor de R$ 125.333.334,00. Ato contínuo, a RENOSA absorveu a pessoa jurídica que detinha 40% do seu capital social (LEONVIN). Desta forma, a LEONVIN (criada 3 dias antes da assinatura do termo de “Joint Venture” entre a controladora da RENOSA e a FORSAB), desapareceu do mundo jurídico, deixando como única “herança” para a RENOSA (ora recorrente) o expressivo valor de R$ 125.333.334,00, contabilizados a título de ágio (“ágio de si mesma”). Em sede recursal, a contribuinte alegou que esta estranha operação de "incorporação reversa" teria possibilitado a expansão do grupo no Brasil. No entanto, a mesma situação societária teria sido obtida mediante a aquisição direta, pela FORSAB, da parcela de 40% de participação societária da RENOSA (obviamente, sem a criação do “ágio de si mesmo” nesta última). Devese ter em conta, ainda, que a LEONVIN sempre foi uma pessoa jurídica com existência meramente formal, posto quer só Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.446 S1C4T1 Fl. 5 7 registrou fatos modificativos e permutativos ligados ao investimento na própria RENOSA. A LEOVIN nunca auferiu receitas da atividade operacional e somente apresentou (em fevereiro e março de 2006), duas declarações de empresa inativa. Ao término das estranhas operações societárias, a LEOVIN (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da LEOVIN foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a RENOSA. Na realidade, as considerações da embargante somente denotam seu inconformismo com a decisão constante do Acórdão recorrido. Os embargos declaratórios, contudo, não constituem instrumento recursal adequado para veicular esta espécie de inconformismo. Uma vez demonstrada a inexistência de erro material no Acórdão embargado, no que tange ao pagamento pelo ágio apurado no caso concreto, concluise que, em relação ao presente tema, os presentes embargos não merecem acolhimento. Arguição de erro material pela dupla referência à empresa CVI Refrigerantes (fls. 2475 e 2476) A embargante apontou um erro material no Acórdão embargado, que consistiu numa dupla referência à pessoa jurídica CVI Refrigerantes, que é estranha aos fatos tratados no presente processo. Em relação a este item, assiste razão à embargante. De fato, o nome da contribuinte (RENOSA) foi, por duas vezes, substituído pelo nome CVI Refrigerantes, que é uma pessoa jurídica totalmente estranha aos fatos tratados nos presentes autos. Assim sendo, em relação ao presente item, os embargos merecem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, para esclarecer que, no Acórdão embargado, às fls. 2475 e 2476, onde se lê "CVI Refrigerantes", devese ler "Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S.A.". Arguição de erro material quanto ao julgamento do adicional de IRPJ, matéria que não foi objeto do recurso voluntário A embargante destacou que o Acórdão embargado pronunciouse sobre um suposto erro de cálculo do adicional do IRPJ. Afirmou, contudo, que tal matéria não foi objeto do recurso voluntário, tendo sido mencionada apenas em sua impugnação. Compulsando o recurso voluntário, constato que assiste razão à embargante. Assim sendo, em relação ao presente item, os embargos merecem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, para tornar sem efeitos as referências do Acórdão embargado ao suposto erro no cálculo do adicional de imposto de renda (fls. 24782479). Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Arguição de omissão quanto à preliminar de nulidade do acórdão da DRJ por violação do art. 146 do CTN Em sua peça de embargos, a contribuinte afirmou que, no item V do seu recurso voluntário, arguiu a nulidade do acórdão da DRJ, uma vez que o critério jurídico utilizado no lançamento fiscal não poderia ter sido alterado/modificado pelo colegiado julgador de 1ª instância, o que representaria uma clara afronta ao disposto no art. 146 do CTN. Assiste razão à recorrente, no que tange à omissão contida no acórdão embargado. De fato, consta do item V de seu recurso voluntário a contribuinte arguiu a nulidade do acórdão da DRJ, por suposta inovação de critério jurídico, vedada pelo art. 146 do CTN. E, de fato, o acórdão embargado abstevese de apreciar esta preliminar de nulidade. Por essa razão, passo a apreciar a citada preliminar. O trecho abaixo, em destaque, passa a integrar o Acórdão anteriormente proferido por esta Turma. Preliminar de nulidade do Acórdão recorrido A recorrente arguiu a nulidade do Acórdão da DRJ, por alegada mudança de critério jurídico, procedimento vedado pelo art. 146 do CTN. Confrontando o inteiro teor do Termo de Verificação Fiscal com as razões de decidir constantes do Acórdão prolatado pela DRJ, não verifico nenhuma mudança de critério jurídico. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a causa ensejadora do auto de infração foi a ilegitimidade da amortização de ágio nos anos de 2007 a 2010, em face da incorporação da empresa Leonvin Participações Ltda., que detinha 40% da participação societária na Impugnante, adquirida por meio de subscrição de novas ações em 24/01/2005. Foi este, precisamente, o fundamento adotado pelo voto condutor do Acórdão prolatado pela DRJ Campo Grande, o que facilmente se constata pela leitura da ementa da aludida decisão: OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. Nestes termos, não verifico nenhuma afronta ao disposto no art. 146 do CTN, razão pela qual voto pela rejeição da presente preliminar de nulidade. Devese, outrossim, modificar a parte dispositiva do Acórdão embargado (fls. 2480), que passa a ter a seguinte redação (em negrito a parte acrescentada ao texto): Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.446 S1C4T1 Fl. 6 9 Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do Acórdão de piso e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, apenas para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Assim sendo, em relação ao presente tema, considero que os embargos merecem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, apenas para integrar o Acórdão embargado com os trechos em epígrafe, que tratam da preliminar de nulidade do Acórdão proferido pela DRJ Campo Grande. Arguição de omissão quanto à realização do propósito negocial por parte da embargante Em relação a este tema, assim se manifestou a embargante, fls. 2572: [...] foi omisso o acórdão quanto à efetiva concretização do programa de expansão da Embargante, a qual obteve um aumento considerável do lucro apurado ao longo dos anos (2004 a 2009), tornando sua participação mais efetiva e diretamente essencial no mercado do ramo de bebidas, com a aquisição da empresa Companhia Maranhense de Refrigerantes, situada no Estado do Maranhão e na região norte do Estado do Tocantins (fls. 108 a 123 dos autos), expansão esta almejada e concretizada conforme o plano de negócios pactuado através do Acordo de Joint Venture, desde 2004. [...] é fato que a composição societária da Renosa não ficou inalterada, como pontuado superficialmente pela referida decisão, tendo o investimento efetuado pela Leonvin sido fundamental para tanto. Não merecem prosperara as alegações da Embargante. Ao contrário do que consta da peça de embargos, o Acórdão embargado tratou com bastante profundidade a questão de a Leonvin ter cumprido o papel de mera sociedade veículo para viabilizar a criação e posterior transferência do ágio para a RENOSA. Para maior clareza, transcrevo um pequeno trecho do Acórdão embargado, que tratou dessa matéria (já com a devida substituição da "CVI Refrigerantes" pela "RENOSA", conforme anteriormente decidido no corpo deste voto): Uso de sociedadesveículo (conduit companies) Segundo a doutrina de Marco Aurélio Greco, empresa de passagem é uma pessoa jurídica utilizada apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transitar um patrimônio ou um determinado recurso. No presente caso, a única função da LEONVIN no conjunto de operações realizadas foi servir de veículo para a criação do ágio e sua quase imediata transferência à própria pessoa jurídica reavaliada (RENOSA, ora recorrente). Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 A FORSAB desejava adquirir 40% da participação societária da RENOSA. No entanto, em vez de simplesmente adquirir tal participação diretamente, optou por aumentar o capital da LEONVIN (empresa veículo), que imediatamente adquiriu para si os 40% de participação societária na RENOSA. Nessa operação, a LEONVIN registrou um ágio no valor de R$ 125.333.334,00. Por fim, a RENOSA praticou a chamada “incorporação reversa”, incorporando a LEONVIN e absorvendo para o si o ágio anteriormente pago sobre a aquisição de parte de sua própria participação societária (“ágio de si mesmo”). Como se percebe, ao término destas operações, a LEONVIN (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da LEONVIN foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a RENOSA. Assim sendo, em relação ao presente tema, considero que os presentes embargos não merecem ser acolhidos. Arguição de obscuridade quanto à troca de ações e participações societárias Sobre este tema, assim se pronunciou a embargante, fls. 2573: Conforme se verifica, o i. Relator consignou que, no caso concreto, teriam ocorrido uma frenética e contínua transferência e troca de ações nas operações societárias que beneficiaram a ora Embargante na apuração e amortização do ágio objeto de questionamento nos presentes autos. Todavia, tal afirmação, insistentemente repetida ao longo de seu voto, não se coaduna com a realidade dos fatos vivenciados e comprovados no caso concreto. Neste particular, considero que não assiste razão à embargante. Ao contrario do que afirma a embargante, o voto condutor da decisão de piso expôs, de maneira clara e detalhada, todo o conjunto de operações societárias quer culminaram com a dedução de um ágio pela própria pessoa jurídica reavaliada (RENOSA). Para maior clareza, considero produtivo transcrever o seguinte trecho do Acórdão embargado, fls. 2477: É de todo evidente que o conjunto de operações descritas no presente processo foi articulada pelas pessoas físicas que, direta ou indiretamente, controlam o capital das empresas envolvidas, para criar, formalmente, uma situação que se enquadrasse na possibilidade de deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a publicação da Lei n° 10.637/02. A sucessão dos atos, a inexistência de fluxo financeiro, a proximidade temporal entre eles e a extinção da empresa LEONVIN por incorporação reversa revelam que nunca houve a intenção real de aumentar o capital social da LEONVIN para efetivamente operar segundo seu objetivo social, mas sim de criar uma situação efêmera, de passagem, que possibilitasse um Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.446 S1C4T1 Fl. 7 11 registro de ágio a ser amortizado por empresa do grupo (no caso, a RENOSA, ora recorrente). Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que as operações societárias em tela tiveram finalidades negociais, além da mera redução da incidência tributária. No entanto, a inquestionável realidade é que se a FORSAB adquirisse diretamente a participação de 40% no capital da RENOSA (conforme previamente acordado pela controladora da RENOSA (NOROESTE) e a FORSAB) não haveria a formação do ágio dedutível, segundo a legislação brasileira. Por todas as razões expostas, nada do que foi trazido no recurso sensibiliza meu espírito a ponto de produzir dúvida quanto à inexistência de fato da elevação do capital da LEONVIN. Tal operação foi constituída exclusivamente para possibilitar a formação de um ágio, passível de gerar despesa de amortização. E a referida operação foi rapidamente seguida de uma incorporação reversa, visando a transferência do aludido ágio para a própria pessoa jurídica reavaliada, que foi a RENOSA (ora recorrente). A clareza desta exposição demonstra, à exaustão, que inexiste a alegada obscuridade apontada pela embargante. Mais uma vez, considero que os argumentos da embargante somente denotam seu inconformismo com a decisão constante do Acórdão embargado. Os embargos declaratórios, contudo, não constituem instrumento recursal adequado para veicular esta espécie de inconformismo. Diante do exposto, considero que, em relação ao presente tema, os presentes embargos não merecem acolhimento. Arguição de obscuridade / contradição quanto à natureza jurídica da empresa Leonvin A embargante questionou a clareza do seguinte trecho do acórdão embargado, fls. 2474 (grifado): Devese ter em conta, ainda, que a LEONVIN sempre foi uma pessoa jurídica com existência meramente formal, posto que só registrou fatos modificativos e permutativos ligados ao investimento na própria RENOSA. A LEONVIN nunca auferiu receitas da atividade operacional e somente apresentou (em fevereiro e março de 2006), duas declarações de empresa inativa. Segundo a embargante, o acórdão embargado deveria melhor esclarecer o entendimento acima afirmado, uma vez que a LEONVIN foi constituída com propósito específico de participar em outra sociedade (holding pura ou "sociedade de participação"), razão pela qual jamais exerceria uma atividade operacional. Não assiste razão à embargante. Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 Inexiste qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão guerreado, quando o parágrafo transcrito pela embargante é analisado em conjunto com os parágrafos que o antecedem, verbis: A incorporação às avessas apresentase como hipótese fora do perfil objetivo do instituto jurídico e, por isso, demanda uma razão específica relevante que afaste a estranheza da operação e que mostre sua perfeita adequação à realidade fálica do caso. No caso em análise, em etapa anterior à "incorporação reversa", a FORSAB, por meio de suas subsidiárias estrangeiras BEBIDAS LATINAS LTDA e ABACUS, aumentou o capital da LEONVIN em R$ 135.924.000,00. Ato contínuo, a LEONVIN utilizou esses recursos para adquirir 40% de participação societária na RENOSA, com a criação de um ágio no valor de R$ 125.333.334,00. Ato contínuo, a RENOSA absorveu a pessoa jurídica que detinha 40% do seu capital social (LEONVIN). Desta forma, a LEONVIN (criada 3 dias antes da assinatura do termo de “Joint Venture” entre a controladora da RENOSA e a FORSAB), desapareceu do mundo jurídico, deixando como única “herança” para a RENOSA (ora recorrente) o expressivo valor de R$ 125.333.334,00, contabilizados a título de ágio (“ágio de si mesma”). Em sede recursal, a contribuinte alegou que esta estranha operação de "incorporação reversa" teria possibilitado a expansão do grupo no Brasil. No entanto, a mesma situação societária teria sido obtida mediante a aquisição direta, pela FORSAB, da parcela de 40% de participação societária da RENOSA (obviamente, sem a criação do “ágio de si mesmo” nesta última). Devese ter em conta, ainda, que a LEONVIN sempre foi uma pessoa jurídica com existência meramente formal, posto quer só registrou fatos modificativos e permutativos ligados ao investimento na própria RENOSA. A LEOVIN nunca auferiu receitas da atividade operacional e somente apresentou (em fevereiro e março de 2006), duas declarações de empresa inativa. Ao término das estranhas operações societárias, a LEOVIN (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da LEOVIN foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a RENOSA. A leitura deste trecho demonstra a inexistência de qualquer obscuridade ou contradição nos argumentos do Acórdão embargado, razão pela qual considero que, em relação ao presente tema, os presentes embargos não merecem acolhimento. Arguição de obscuridade quanto à suposta transação entre partes relacionadas Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.446 S1C4T1 Fl. 8 13 Por derradeiro, a embargante alegou que nem Leonvin nem Forsab detinham qualquer participação societária na embargante, antes do acordo de jointventure (fls. 1150 a 1157), firmado entre partes independentes. A obscuridade apontada pela embargante não existe. As transações entre partes relacionadas, mencionadas no Acórdão embargado, obviamente não incluem o acordo de jointventure, firmado entre NOROESTE (controladora da RENOSA) e a FORSAB. No entanto, é evidente a existência de dois conjuntos de operações envolvendo partes relacionadas: a) as operações envolvendo a FORSAB, suas subsidiárias estrangeiras (BEBIDAS LATINAS LTDA. e ABACUS) e a LEONVIN (empresa veículo, de duração efêmera); b) a operação envolvendo a RENOSA e a LEONVIN (empresa veículo, de duração efêmera). Para maior clareza, transcrevo alguns trechos relevantes do Acórdão embargado: A FORSAB desejava adquirir 40% da participação societária da RENOSA. No entanto, em vez de simplesmente adquirir tal participação diretamente, optou por aumentar o capital da LEONVIN (empresa veículo), que imediatamente adquiriu para si os 40% de participação societária na RENOSA. Nessa operação, a LEONVIN registrou um ágio no valor de R$ 125.333.334,00. Por fim, a RENOSA praticou a chamada “incorporação reversa”, incorporando a LEONVIN e absorvendo para o si o ágio anteriormente pago sobre a aquisição de parte de sua própria participação societária (“ágio de si mesmo”). Como se percebe, ao término destas operações, a LEONVIN (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da LEONVIN foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a RENOSA. Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que as operações societárias em tela tiveram finalidades negociais, além da mera redução da incidência tributária. No entanto, a inquestionável realidade é que se a FORSAB adquirisse diretamente a participação de 40% no capital da RENOSA (conforme previamente acordado pela controladora da RENOSA (NOROESTE) e a FORSAB) não haveria a formação do ágio dedutível, segundo a legislação brasileira. Por todas as razões expostas, nada do que foi trazido no recurso sensibiliza meu espírito a ponto de produzir dúvida quanto à inexistência de fato da elevação do capital da LEONVIN. Tal operação foi constituída exclusivamente para possibilitar a formação de um ágio, passível de gerar despesa de amortização. E a referida operação foi rapidamente seguida de uma Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 incorporação reversa, visando a transferência do aludido ágio para a própria pessoa jurídica reavaliada, que foi a RENOSA (ora recorrente). Demonstrada a inocorrência da obscuridade apontada pela embargante, considero que em relação ao presente tema os presentes embargos não merecem acolhimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e acolher parcialmente os presente embargos, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimentos, nos seguintes termos: a) Esclarecer que, no Acórdão embargado, às fls. 2475 e 2476, onde se lê "CVI Refrigerantes", devese ler "Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S.A."; b) Tornar sem efeitos as referências do Acórdão embargado ao suposto erro no cálculo do adicional de imposto de renda (fls. 24782479); c) Incorporar o trecho abaixo ao Acórdão anteriormente proferido por esta Turma: Preliminar de nulidade do Acórdão recorrido A recorrente arguiu a nulidade do Acórdão da DRJ, por alegada mudança de critério jurídico, procedimento vedado pelo art. 146 do CTN. Confrontando o inteiro teor do Termo de Verificação Fiscal com as razões de decidir constantes do Acórdão prolatado pela DRJ, não verifico nenhuma mudança de critério jurídico. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a causa ensejadora do auto de infração foi a ilegitimidade da amortização de ágio nos anos de 2007 a 2010, em face da incorporação da empresa Leonvin Participações Ltda., que detinha 40% da participação societária na Impugnante, adquirida por meio de subscrição de novas ações em 24/01/2005. Foi este, precisamente, o fundamento adotado pelo voto condutor do Acórdão prolatado pela DRJ Campo Grande, o que facilmente se constata pela leitura da ementa da aludida decisão: OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. Nestes termos, não verifico nenhuma afronta ao disposto no art. 146 do CTN, razão pela qual voto pela rejeição da presente preliminar de nulidade. Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.446 S1C4T1 Fl. 9 15 d) Dar a seguinte redação à parte dispositiva do Acórdão embargado (fls. 2480, a parte acrescentada ao texto está em negrito): Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do Acórdão de piso e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, apenas para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13588.000187/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/10/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, com relação à infração relativa à apresentação de GFIP inexata anterior a 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades estabelecidas na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo não recolhimento do tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess.
Redator designado: CLEBERSON ALEX FRIESS
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: Relator Damião Cordeiro de Moraes
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/10/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, com relação à infração relativa à apresentação de GFIP inexata anterior a 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades estabelecidas na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo não recolhimento do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess. Redator designado: CLEBERSON ALEX FRIESS (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/10/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracterizase como descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, com relação à infração relativa à apresentação de GFIP inexata anterior a 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades estabelecidas na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo não recolhimento do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 58 8. 00 01 87 /2 00 7- 14 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 330 2 em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess. Redator designado: CLEBERSON ALEX FRIESS (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 331 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa USINA SAPUCAIA S/A, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) que julgou procedente a autuação fiscal. 2. Segundo o relatório fiscal (fl. 25), a empresa foi autuada por haver divergências entre a elaboração e apresentação de GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e as folhas de pagamento. Ademais, a fiscalização entendeu que, no período de 01/2004 a 10/2005, as GFIPs continham o código FPAS 825, quando o correto seria o código 531, estando, portanto, sujeita à penalidade prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91 e arts. 284, inciso II, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social – RPS. 3. Após ser devidamente intimada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 70 a 75), tendo a decisão de primeira instância julgado o lançamento procedente. O acórdão recorrido (fls. 274 a 281) restou assim ementado: "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/10/2005 INFRAÇÃO: GFIP – APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. Nos termos do disposto no art. 32, IV, § 5º da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, c/c art. 225, IV e § 4º do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, apresentar a empresa, GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração passível de autuação. Lançamento Procedente." 4. Inconformado com esta decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 289 a 294) tempestivamente, conforme AR de fls. 286, aduzindo, em síntese: a) o fato de ter apresentado GFIP com código FPAS 825 quando o correto seria o código 531 configura erro material, não previsto em lei como punível e passível de acerto a qualquer momento, por não produzir dano administrativo; e b) embora as GFIP’s estejam inferiores aos valores totais das folhas de pagamento, as contribuições previdenciárias estão corretas, incidentes sobre o total das folhas de pagamento, não havendo saldo credor a favor do INSS. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 332 4 5. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados a este Conselho, para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 333 5 Voto Vencido Conselheiro Relator Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO 2. Consta do relatório fiscal que a empresa foi autuada por informar na GFIP valores inferiores aos constantes nas respectivas folhas de pagamento, o que configura a infração prevista no art. 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/91. 3. Em razão das alegações feitas pela recorrente na impugnação e das guias de recolhimento anexadas ao processo, os autos foram encaminhados ao auditor fiscal notificante para apreciação. 4. Na informação fiscal de fl. 270, o auditor afirmou que a própria empresa reconhece que a folha de pagamento está com valores maiores que os declarados em GFIP, o que caracteriza omissão de fatos geradores, já que a empresa é obrigada a prestar todas as informações dos fatos geradores de contribuições previdenciárias ao INSS. Afirmou, ainda, que o auto de infração foi lavrado em razão da não declaração das diferenças apuradas das folhas de pagamentos e não declaradas em GFIP, estando de acordo com as normas legais. 5. Consta na decisão de primeira instância a informação de que o auto de infração lavrado por ter a empresa apresentado GFIP com erro no código FPAS encontrase extinto, eis que a recorrente optou por efetuar o pagamento com redução, razão pela qual estes autos limitamse a discussão acima citada. 6. Neste momento, passo à análise das questões suscitadas. 7. Embora a recorrente alegue que as contribuições previdenciárias estejam corretas mesmo estando os valores declarados em GFIP inferiores àqueles constantes das folhas de pagamento, entendo que não existe razão neste ponto. 8. Isso porque, conforme dispõe o art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, é dever do contribuinte apresentar todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, não podendo ser apresentadas com omissões ou incorreções, o que sujeita o infrator à penalidade prevista em lei. 9. Dessa forma, a recorrente, ao apresentar GFIP com valores inferiores, descumpriu o mandamento legal, estando correta a decisão de primeira instância neste ponto. 10. Assim, cabe a este julgador apreciar a questão da aplicação de penalidade por apresentação de GFIP com valores inferiores aqueles constantes das folhas de pagamento. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 334 6 11. Antes da publicação da Lei nº 11.941/09, a multa pela (i) não declaração em GFIP de fatos geradores da contribuição previdenciária, (ii) pela não apresentação de GFIP e (iii) pelo preenchimento incorreto da GFIP estava prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91. 12. Com a publicação da Lei nº 11.941/09, o mencionado artigo foi revogado e a multa do art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 restou substituída por aquela prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, ou seja, (i) R$ 20,00 para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP; ou (ii) 2% (dois por cento), ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%, observado o disposto no § 3º deste artigo. Vale dizer que a multa, após a publicação da Lei nº 11.941/09, reduziu de forma substancial. 13. Diante disso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, amparado na retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional – CTN examinou a questão e entendeu que a penalidade lançada contra o contribuinte prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 restou substituída pela multa do art. 32A da Lei nº 8.212/91, que deverá ser aplicada inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência da Lei nº 11.941/09. 14. Assim, no que tange à regra aplicável ao caso em análise, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, entendo que a penalidade deve ser reduzida para adequála ao art. 32A, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração for inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há que se falar em retroatividade. CONCLUSÃO 15. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para aplicar a multa do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 335 7 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess, Redator designado Peço licença ao nobre relator para divergir quanto ao critério a ser utilizado para aplicar, em relação à multa, a retroatividade benigna expressa no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 2. De fato, em face às alterações promovidas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, há que se verificar, em matéria de penalidade relacionada a infrações anteriores a 12/2008, a situação mais favorável ao sujeito passivo. 3. Conforme relatado, a multa aplicada nos autos, referente às competências de 12/1999 a 10/2005, foi imposta com fundamento no art. 32, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, destinada a punir a apresentação com incorreções da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), independentemente da existência ou não de tributo a recolher. A penalidade referese, portanto, ao descumprimento de obrigação acessória. 4. Sob a égide da legislação anterior, na hipótese de se verificar na ação fiscal, além da declaração inexata, a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias, ainda havia o lançamento do crédito tributário, com aplicação da multa então prevista no art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, cuja natureza vinculavase ao descumprimento de obrigação principal. 5. A MP nº 449, de 2008, introduziu uma nova sistemática de multas. A penalidade por incorreção ou omissão nas informações na GFIP passou a ser tratada, em substituição ao art. 32, §§ 4º a 6º, no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. 6. Por sua vez, o art. 35A trouxe para o contexto da legislação previdenciária a multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, isto é, quando do descumprimento de obrigação principal (não recolher tributo): Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7. De sorte que o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao estabelecer um percentual fixo de multa de 75% (setenta e cinco por cento), em seu inciso I, sobre o valor da contribuição não declarada, impõe uma única multa tanto para a conduta do não recolhimento das contribuições previdenciárias, quanto para a apresentação deficiente da GFIP em relação a essas mesmas contribuições. Transcrevo a redação do art. 44, inciso I: Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 336 8 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) (...) 8. É de verse que na legislação atual, verificado simultaneamente o descumprimento de obrigação principal e acessória relacionadas às contribuições previdenciárias (não recolher e declarar com incorreções/omissões), haverá a incidência de apenas uma penalidade, qual seja a multa de ofício do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida por força do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, 9. Assim, a multa prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, restou substituída pela multa do art. 32A da mesma Lei na hipótese que tenha sido aplicada isoladamente, sem a imposição de penalidade pelo descumprimento da obrigação de recolher a contribuição previdenciária. Nesse contexto fático, será cabível tal comparação para fins da definição da norma jurídica mais benéfica ao sujeito passivo. 10. Ao revés, na hipótese de lançamentos correlatos pela falta de pagamento e declaração inexata na GFIP relacionada à contribuição previdenciária, a multa prevista no art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, e aquela do art. 32, §§ 5º e 6º, da mesma Lei, foram substituídas por uma única multa, qual seja a do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (ex vi do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991). 11. Por conseguinte, para se verificar a situação mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, há que se realizar, por competência, a seguinte comparação de penalidades entre mesmas contribuições: a) legislação anterior: somatório da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e das multas aplicadas na forma do art. 32, §§ 4º a 6º, da mesma Lei (obrigação acessória), e b) legislação atual: multa de ofício de 75% prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008, sem qualquer limitação. 12. Em outras palavras, no que tange à penalidade constante desses autos, ela deverá, por competência, ser recalculada na execução do julgado, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, como determina o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, deduzindo se a multa aplicada na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal e utilizandose o valor resultante, caso mais benéfico ao sujeito passivo. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13588.000187/200714 Acórdão n.º 2301004.308 S2C3T1 Fl. 337 9 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, como determina o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente. Acompanho o relator nas demais matérias do seu voto. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11522.001491/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE.
1. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma (art. 65 do RICARF).
2. Se a decisão não refletir os fundamentos do acórdão, em evidente contradição, os embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes, para corrigi-la.
QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. MODULAÇÃO TEMPORAL DAS DECISÕES EM CONTROLE CONSTITUCIONAL DE CONSTITUCIONALIDADE. RESTRIÇÃO DE EFEITOS QUE NÃO ATINGIU OS ELEMENTOS DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A modulação dos efeitos não atingiu os elementos do fato gerador da obrigação tributária em tela, ou os critérios da regra-matriz de incidência tributária.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para: (i) sanar a contradição, dando efeitos infringentes aos embargos e determinando a retificação do acórdão para, integrando no seu dispositivo e na sua ementa, o parcial provimento do recurso voluntário, a fim de declarar a extinção, pela decadência, dos créditos tributários referentes às competências 06/1999 a 10/2000; e (ii) sanar a omissão, sem alteração do resultado do julgamento, determinando a ratificação do acórdão no mérito, cuja fundamentação será integrada pela fundamentação exposta nos termos do voto do relator. E rejeitar a questão de ordem decorrente da modulação dos efeitos da decisão.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. 1. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma (art. 65 do RICARF). 2. Se a decisão não refletir os fundamentos do acórdão, em evidente contradição, os embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes, para corrigi-la. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. MODULAÇÃO TEMPORAL DAS DECISÕES EM CONTROLE CONSTITUCIONAL DE CONSTITUCIONALIDADE. RESTRIÇÃO DE EFEITOS QUE NÃO ATINGIU OS ELEMENTOS DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. A modulação dos efeitos não atingiu os elementos do fato gerador da obrigação tributária em tela, ou os critérios da regra-matriz de incidência tributária. Embargos Acolhidos em Parte.
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Embargante SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO E ESPORTE SEE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. 1. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma (art. 65 do RICARF). 2. Se a decisão não refletir os fundamentos do acórdão, em evidente contradição, os embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes, para corrigila. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. MODULAÇÃO TEMPORAL DAS DECISÕES EM CONTROLE CONSTITUCIONAL DE CONSTITUCIONALIDADE. RESTRIÇÃO DE EFEITOS QUE NÃO ATINGIU OS ELEMENTOS DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. A modulação dos efeitos não atingiu os elementos do fato gerador da obrigação tributária em tela, ou os critérios da regramatriz de incidência tributária. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 14 91 /2 00 7- 18 Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para: (i) sanar a contradição, dando efeitos infringentes aos embargos e determinando a retificação do acórdão para, integrando no seu dispositivo e na sua ementa, o parcial provimento do recurso voluntário, a fim de declarar a extinção, pela decadência, dos créditos tributários referentes às competências 06/1999 a 10/2000; e (ii) sanar a omissão, sem alteração do resultado do julgamento, determinando a ratificação do acórdão no mérito, cuja fundamentação será integrada pela fundamentação exposta nos termos do voto do relator. E rejeitar a questão de ordem decorrente da modulação dos efeitos da decisão. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11522.001491/200718 Acórdão n.º 2402005.321 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face de acórdão desta Turma, cuja ementa e resultado são os seguintes: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SERVIDORES PÚBLICOS NÃO EFETIVOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA. Os servidores não submetidos a concurso público nos termos da Constituição Federal se submetem ao Regime Geral da Previdência. Recurso Voluntário Negado. A recorrente, ora embargante, afirma ter havido contradição e omissão, além de ter suscitado questão que, no seu entender, seria de ordem. Em síntese, seus embargos estão fundamentados nos seguintes argumentos: a) da contradição: o acórdão embargado acolheu a tese da recorrente e reconheceu a decadência das contribuições referentes às competências 06/1999 a 10/2010, mas, na conclusão, negou provimento ao recurso, o que caracteriza contradição; b) da omissão: o acórdão embargado não se pronunciou sobre a tese de defesa apresentada no item 3 das razões recursais (exclusão das contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento de remuneração a servidores de cargos efetivos ingressos no Estado por meio de concurso público), tratando a questão de forma generalizada; c) questão de ordem: o Supremo Tribunal Federal modulou os efeitos da decisão proferida na ADI 3.609, para conservar os efeitos da Emenda Constitucional Acreana nº 38/2005 até 18/02/2015, interferindo na definição do regime previdenciário aplicável aos servidores. Nesses termos, requereu a embargante o conhecimento e o acolhimento dos embargos, para sanar os supostos vícios. É o relatório. Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Os embargos são tempestivos e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. 2 Da contradição Segundo a embargante, o acórdão embargado acolheu a sua tese e reconheceu a decadência das contribuições referentes às competências 06/1999 a 10/2010, mas, na conclusão, negou provimento ao recurso, o que caracterizaria contradição. À fl. 2800, verificase que, na fundamentação, o acórdão realmente declarou a decadência das contribuições referentes às competências retro mencionadas, tendoo feito por provocação da própria embargante. Vejase: Desta forma, reconheço a contagem de prazo decadencial conforme disposto no art. 150, § 4°, do CTN e, por conseqüência, pela decadência do crédito tributário referente as competências de 06/1999 a 10/2000. Contudo, tanto na conclusão, quanto na ementa, negouse provimento ao recurso voluntário, em contradição com o fundamento acima exposto. É evidente, portanto, a existência de contradição, de forma que os embargos devem ser acolhidos neste ponto. Conforme preleciona o art. 65 do RICARF, "cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver [...] contradição entre a decisão e os seus fundamentos". Sendo assim, o acórdão deve ser retificado, em consonância com a conclusão a ser exposta adiante. 3 Da omissão Segundo a embargante, o acórdão embargado não se pronunciou sobre a tese de defesa apresentada no item 3 das razões recursais (exclusão das contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento de remuneração a servidores de cargos efetivos ingressos no Estado por meio de concurso público), tratando a questão de forma generalizada. No aludido item 3, a recorrente argumentou que a DRJ não permitiu a exclusão das contribuições referentes a servidores ingressos por meio de concurso público, alegando que as provas coligidas aos autos, consistentes nas publicações no Diário Oficial do Estado, assim como as nomeações, são insuficientes. Nesse ponto, fato é que o acórdão embargado tratou apenas dos servidores investidos em cargo sem a realização de concurso público, como se vê nos seguintes excertos: Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11522.001491/200718 Acórdão n.º 2402005.321 S2C4T2 Fl. 4 5 Assim, considerando o texto normativo vigente, bem como a norma constitucional que impõe a obrigatoriedade de aprovação em concurso público para o ingresso do servidor em emprego ou cargo público, cabível a autuação do Recorrente quanto aos servidores exercentes de cargos ou empregos públicos que não tenham sido admitidos por meio de concurso. (fl. 2801 com destaques) [...] Todavia, analisando todos os elementos do processo administrativo fiscal, entendese que a efetivação concedida a estes funcionários não atendera ao art. 37, II, da CF e 19, § 1° do ADCT, vez que não comprovada a efetivação de concursos e aprovação. (fl. 2804 com destaques) Logo, o acórdão foi realmente omisso quanto à tese do item 3 das razões recursais, o que atrai a incidência do art. 65 do RICARF, segundo o qual "cabem embargos de declaração quando [...] for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Sendo assim, será corrigida a omissão retro mencionada. Para tanto, valese das razões da DRJ, que, para evitar tautologia, serão adotadas como razões de decidir. Passando ao exame das provas anexadas pela defesa, constase que a postulante juntou diversos Contratos de Trabalho regidos pela CLT conforme expressam claramente suas cláusulas no intuito de fazer prova da condição de concursados dos servidores elencados no rol aqui tratado. Não obstante, no que concerne a tais contratos não pairam dúvidas quanto ao seu enquadramento nas disposições do § 13 do art. 40 da CF/88, a partir das alterações promovidas pela Emenda Constitucional n° 20/2008: Art. 40... (...) § 13. Ao servidor, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação, bem como de outro cargo temporário ou emprego público aplicase o regime geral de previdência social. (grifei) Pelos fundamentos legais expostos, tais contratos não se prestam para ilidir o lançamento, ao contrário, consubstanciam o entendimento da autoridade fiscal quanto à vedação legal de que os servidores assim contratados possam pertencer ao regime próprio do Estado do Acre, devendo obrigatoriamente contribuir para o regime geral de previdência. Isto posto, nenhum reparo há que se fazer nos lançamentos relativos às remunerações dos segurados dessa forma contratados. Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Especificamente nesse ponto, ao se fazer o cotejo entre o rol de servidores supostamente investidos através de concurso público (relação constante do item 3 da razões de recurso) e os documentos juntados às fls. 1791/2629, verificase, exemplificativamente, que os servidores Antonio Francisco Ventura (fl. 1832), Clenilda Rocha da Silva (fl. 1834), Fabio Henrique dos Santos Peviani (fl. 1836), dentre tantos outros, eram celetistas, de modo que a decisão recorrida não merece qualquer reparo. No mais, e de forma escorreita, entendeu a DRJ que "apenas a ficha cadastral do servidor ou meros recortes de jornais veiculando a realização/aprovação em concursos não tem o condão de comprovar a efetiva posse no cargo" (fl. 2733). Destarte, integrase ao acórdão embargado as razões de decidir acima expostas, sem alteração do resultado do julgamento. 4 Da questão de ordem Segundo a embargante, o Supremo Tribunal Federal modulou os efeitos da decisão proferida na ADI nº 3.609, para conservar os efeitos da Emenda Constitucional Acreana nº 38/2005 até 18/02/2015, interferindo na definição do regime previdenciário aplicável aos servidores. Os embargos serão conhecidos neste ponto, vez que a decisão do Pretório Excelso é posterior à decisão embargada. Ocorre que a Suprema Corte não modulou os efeitos da declaração de inconstitucionalidade para fins previdenciários e tributários, como pretende fazer crer a embargante, mas sim para assegurar "tempo hábil para a realização de concurso público, a nomeação e a posse de novos servidores, evitandose, assim, prejuízo à prestação de serviços públicos essenciais à população". Quisse, portanto, assegurar a continuidade dos serviços prestados pelos servidores investidos sem concurso, como consta, textualmente, na decisão da Corte Suprema. Vejase a ementa do decisum: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EC Nº 38/2005 DO ESTADO DO ACRE. EFETIVAÇÃO DE SERVIDORES PÚBLICOS PROVIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO ATÉ 31 DE DEZEMBRO DE 1994. VIOLAÇÃO DO ART. 37, II, CF. PRECEDENTES. 1. Por força do art. 37, inciso II, da CF, a investidura em cargo ou emprego públicos depende da prévia aprovação em concurso público, sendo inextensível a exceção prevista no art. 19 do ADCT. Precedentes: ADI nº 498, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 9/8/96; ADI nº 208, Rel. Min. Moreira Alves, DJ de 19/12/02; ADI nº 100, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ de 1/10/04; ADI nº 88, Rel. Min. Moreira Alves, DJ de 8/9/2000; ADI nº 1.350/RO, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 1/12/06; ADI nº 289, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 16/3/07, entre outros. 2. Modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, nos termos do art. 27 da Lei nº 9.868/99, para se darem efeitos prospectivos à decisão, de modo que somente produza seus efeitos a partir de doze meses, contados da data da publicação da ata do julgamento, tempo hábil para a realização de concurso público, Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11522.001491/200718 Acórdão n.º 2402005.321 S2C4T2 Fl. 5 7 a nomeação e a posse de novos servidores, evitandose, assim, prejuízo à prestação de serviços públicos essenciais à população. 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (ADI 3609, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 05/02/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe213 DIVULG 29102014 PUBLIC 30102014) (destacouse) É elucidativo, nesse contexto, o seguinte trecho do voto condutor do acórdão: Entretanto, tendo em vista informação trazida pela Procuradoria Geral do Estado do Acre (fl. 185), no sentido de que foram contratados, entre o período de 5/10/1983 a 18/1/1994, 11.554 (onze mil quinhentos e cinquenta e quatro) servidores sem aprovação em concurso público, os quais se encontram trabalhando (com a ressalva daqueles que já se aposentaram ou foram exonerados) em todas as secretarias e entidades da Administração estadual, inclusive em repartições que prestam serviços públicos essenciais, como as secretarias de saúde (3.488 servidores), de educação (4.280 servidores) e de segurança (656 servidores), proponho, de forma semelhante ao que o Tribunal decidiu na ADI nº 4.125/TO e na ADI nº 3.819/MG, a modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, nos termos do art. 27 da Lei nº 9.868/99, para dar efeitos prospectivos à decisão, de modo que somente produza seus efeitos a partir de doze meses, contados da data da publicação da ata deste julgamento, tempo hábil para a realização de concurso público, nomeação e posse de novos servidores, evitandose, assim, prejuízo aos serviços públicos essenciais prestados à população. (destacouse) Portanto, a modulação dos efeitos não atingiu os elementos do fato gerador da obrigação tributária em tela, ou os critérios da regramatriz de incidência tributária. Foram restringidos os efeitos apenar para garantir a continuidade dos serviços públicos, notadamente dos serviços prestados pelos 11.554 servidores contratados sem aprovação em concurso, mas não para fins previdenciários e tributários. É sabido que "a segurança jurídica, cláusula pétrea constitucional, impõe ao Pretório Excelso valerse do comando do art. 27 da Lei 9.868/1999 para modular os efeitos de sua decisão, evitando que a sanatória de uma situação de inconstitucionalidade propicie o surgimento de panorama igualmente inconstitucional"1. Destarte, se a declaração de inconstitucionalidade envolver "o sacrifício da segurança jurídica ou de outro valor constitucional materializável sob a forma de interesse social"2, o STF deve valerse da norma do art. 27, para restringir, temporalmente, os efeitos de sua decisão. Valendose dessa norma, a Corte Constitucional modulou os efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Emenda estadual, para garantir a continuidade dos 1 ADI 4.029, rel. min. Luiz Fux, julgamento em 832012, Plenário, DJE de 2762012. 2 AI 474.708AgR, rel. min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, julgamento em 1732008, DJE de 1842008. Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 serviços públicos essenciais à população daquele Estado, em nada interferindo sobre o fato de a recorrente ter realizado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições contra si lançadas. Logo, não tem razão a embargante. 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e ACOLHER PARCIALMENTE os embargos de declaração opostos pela recorrente, para: (i) sanar a contradição e, dando efeitos infringentes aos embargos, determinar a retificação do acórdão, para integrar no seu dispositivo e na sua ementa, o parcial provimento do recurso voluntário, a fim de declarar a extinção, pela decadência, dos créditos tributários referentes às competências 06/1999 a 10/2000; (ii) sanar a omissão, sem alteração do resultado do julgamento, determinando a ratificação do acórdão no mérito, cuja fundamentação será integrada pela fundamentação acima. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001497/99-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS.
Constatado erro material no acórdão, são cabíveis embargos inominados para correção do vício, passando esse acórdão a ter as seguintes ementa e decisão:
Ementa:
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995
NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário.
NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de 05 anos, como definido no CTN, não se aplicando ao caso a norma do artigo 45 da Lei 8.212/1991.
Recurso parcialmente provido.
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a exação referente a períodos de apuração iniciados a partir de dezembro de 1993, inclusive.
Embargos providos.
Numero da decisão: 9303-003.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para acrescentar ao acórdão embargado o voto vencedor e retificar a ementa e a parte dispositiva da decisão veiculada na folha de rosto do acórdão, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS. Constatado erro material no acórdão, são cabíveis embargos inominados para correção do vício, passando esse acórdão a ter as seguintes ementa e decisão: Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de 05 anos, como definido no CTN, não se aplicando ao caso a norma do artigo 45 da Lei 8.212/1991. Recurso parcialmente provido. Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a exação referente a períodos de apuração iniciados a partir de dezembro de 1993, inclusive. Embargos providos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para acrescentar ao acórdão embargado o voto vencedor e retificar a ementa e a parte dispositiva da decisão veiculada na folha de rosto do acórdão, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Erro no período decaído, falta de juntada de voto vencedor. Recorrente DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM LIMEIRA SP Interessado INDÚSTRIA E COMÉRCIO BARANA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS. Constatado erro material no acórdão, são cabíveis embargos inominados para correção do vício, passando esse acórdão a ter as seguintes ementa e decisão: Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social PIS é de 05 anos, como definido no CTN, não se aplicando ao caso a norma do artigo 45 da Lei 8.212/1991. Recurso parcialmente provido. Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a exação referente a períodos de apuração iniciados a partir de dezembro de 1993, inclusive. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 14 97 /9 9- 06 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.001497/9906 Acórdão n.º 9303003.408 CSRFT3 Fl. 446 2 Embargos providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para acrescentar ao acórdão embargado o voto vencedor e retificar a ementa e a parte dispositiva da decisão veiculada na folha de rosto do acórdão, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de processo devolvido pela DRF em Limeira/SP mediante despacho de fl. 434, em que aponta incoerência no dispositivo do acórdão (fl. 208). A unidade preparadora constatou que nos autos foram exigidos débitos do PIS até o fato gerador (período de apuração setembro/95) e a decisão constante da folha de rosto do acórdão era no sentido de “restabelecer a exigência dos fatos geradores a partir de dezembro de 1995”. Alega, ainda, não ter sido juntado o voto vencedor. O Acórdão 0202.826, de 16 de outubro de 2007, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar de oficio eventuais diferenças relativas às contribuições sociais, extinguese no prazo de cinco anos, contados do fato gerador. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.001497/9906 Acórdão n.º 9303003.408 CSRFT3 Fl. 447 3 Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150, §§ 1° e 4°, do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Os embargos foram admitidos como inominados, conforme previsão do art. 66 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2015, vigente à época da devolução dos autos ao CARF, por erro material, conforme despacho às fls. 437 e 438. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Conheço dos embargos interpostos recepcionados como embargos inominados de que trata o art. 66 do RICARF/2015. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Conforme acima relatado, constatase nos presentes autos erro material, passível de correção pela via dos presentes embargos. O Acórdão 0202.826, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deu provimento parcial ao Recurso Especial da Contribuinte. Ocorre que, indevidamente, constou da folha de rosto do acórdão que o provimento parcial era no sentido de restabelecer a exigência dos fatos geradores a partir de dezembro de 1995, período fora daquele discutido no presente processo. Com razão aquela Delegacia, vez que o crédito tributário em discussão se refere a fatos geradores ocorridos entre agosto de 1992 e setembro de 1995, cuja ciência foi dada em 27/9/2005. A par desse erro material, houve também um outro lapso nesse acórdão, mais precisamente, no procedimento de juntada de documento aos autos. No caso, o voto vencedor que me coube redigir, por designação do presidente, foi formalizado, mas por lapso juntouse o acórdão apenas com o voto vencido. Com isso, a decisão, sem os fundamentos e a ementa do voto representativo da maioria. Constatados esses vícios, trago à colação o voto, e o faço transcrevendoo, na íntegra. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Fl. 447DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.001497/9906 Acórdão n.º 9303003.408 CSRFT3 Fl. 448 4 A teor do relatado, o apelo ora em análise cingese à questão do prazo decadencial para constituição do crédito tributário do PIS. No tocante à decadência, o meu posicionamento é no sentido de que a Contribuição para ao Programa de Integração Social PIS, sujeitase ao prazo decadencial estabelecido no artigo 45 da Lei 8.212/1991, como assim votei até a sessão de julgamento de maio de 2004. Todavia, em respeito à assentada jurisprudência deste Colegiado, que tem decido reiteradamente pelo prazo qüinqüenal, resguardo minha posição para curvarme ao entendimento da maioria e passo a adotar, também, o prazo limite de cinco anos para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pertinente à contribuição para o PIS, nos termos do Código Tributário Nacional. O CTN dá duas formas para se contar o prazo decadencial. Na primeira delas, o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo a quo é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, independe de ter havido ou não pagamento. Analisando os autos, verificase que não houve, para os períodos de apuração a que se refere o lançamento em análise, recolhimento da contribuição devida. Daí, o termo inicial ser o previsto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. De outro lado, o crédito tributário em discussão, cuja ciência do lançamento fora dada em 27/09/1999, referese a fatos geradores ocorridos entre agosto de 1992 e setembro de 1995. Com isso, as contribuições com vencimento até dezembro de 1993, encontravase, à época da lavratura do auto de infração, fulminada pela caducidade. Esclareçase, por oportuno, que a contribuição referente ao mês de competência de dezembro de 1993, com vencimento em janeiro de 1994, não fora alcançada pela decadência, haja vista que o lançamento a ela pertinente somente poderia haver sido efetuado a partir de janeiro de 1994. Por conseguinte, o termo inicial a que se refere o inciso I do artigo 173 do CTN somente começou a fluir em 1º de janeiro de 1995 e exauriuse no primeiro dia do ano de 2000, portanto, após a data de ciência do auto de infração. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional para restabelecer a exação referente a períodos de apuração iniciados a partir de dezembro de 1993, inclusive. Henrique Pinheiro Torres Fl. 448DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.001497/9906 Acórdão n.º 9303003.408 CSRFT3 Fl. 449 5 Em outro giro, a ementa do acórdão deve refletir a posição adotada pela maioria do colegiado. Sintetizadas as razões do voto vencedor, in casu, foi lavrada nos termos seguintes: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PIS. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social PIS é de 05 anos, como definido no CTN, não se aplicando ao caso a norma do artigo 45 da Lei 8.212/1991. Recurso parcialmente provido. Por derradeiro, a decisão do julgado foi assim redigida: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a exação referente a períodos de apuração iniciados a partir de dezembro de 1993, inclusive. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento aos embargos inominados, para retificar o acórdão recorrido, fazendo constar o voto vencedor a ementa e decisão, transcritos linhas acima. Henrique Pinheiro Torres Fl. 449DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000827/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/10/2010
O CONTRIBUINTE DEVIDAMENTE INTIMADO DEIXOU DE APRESENTAR DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. VIOLAÇÃO AO DEVER LEGAL. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. DEVER DO FISCO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/10/2010 O CONTRIBUINTE DEVIDAMENTE INTIMADO DEIXOU DE APRESENTAR DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. VIOLAÇÃO AO DEVER LEGAL. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. DEVER DO FISCO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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Recorrente FUNDACAO PRIMEIRA DE SAO VICENTE PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL, CIENTIFICO E DE PRESTACÃO DE SERVIÇOS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/10/2010 O CONTRIBUINTE DEVIDAMENTE INTIMADO DEIXOU DE APRESENTAR DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. VIOLAÇÃO AO DEVER LEGAL. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. DEVER DO FISCO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 27 /2 01 0- 54 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 73 2 Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 74 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.270.8676, CFL.38, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP 449, de 03.12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, 27.05.2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 05 a 07, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 08 e 09. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 25/10/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 18 a 21, recebida, em 26/11/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 22 a 36. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 37 e 38. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0536.654 6ª, Turma DRJ/CPS, em 24/01/2012, fls. 42 a 46. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 28/06/2013, conforme AR, de fls. 58. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 60 a 65, recebida, em 29/07/2013, desacompanhado de qualquer documento. As teses recursais sumariadas estão a seguir descritas. Mérito. · que a autuação não resiste ao confronto dos preceitos constitucionais, pois não houve descrição precisa dos fatos, não sendo apontadas as diferenças consistentes a ensejar o lançamento, o que implica em cerceamento do direito de defesa, uma vez que a atuação não foi demonstrada de forma precisa, não tendo o fisco mencionado os fatos geradores das supostas contribuições devidas, deixando, assim, o fisco de motivar o lançamento e comprovar os fatos alegados, o que Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 75 4 enseja vício insanável, que causa a nulidade da notificação, conforme legislação e jurisprudência; · que o fisco não fez a devida compensação dos valores recolhidos pela recorrente, de forma arbitraria, o que leva a nulidade da notificação, devendo os atos administrativos serem motivados, artigo 50, da Lei 9.784/99, sendo o mesmo exigido pelo artigo 11, III, do Decreto 70.235/72, exigindo, ainda, os artigos 201 a 204, do CTN, que se indique a origem e natureza do crédito; · que os artigos 145, III, do CTN; 149, IX e 53, da Lei 9.784/99 trazem as hipóteses que geram a nulidade do lançamento, restando demonstrada a nulidade do auto de infração, medida cabível a efetivação da justiça; · Conclui a recorrente: a) que o recurso seja procedente, com a decretação de nulidade da notificação, pois inconsistente e eivada de vícios, uma vez que as contribuições foram lançadas de encontro a legislação de regência, não sendo precisos os fatos no relatório fiscal e nem foram apontadas as diferenças que ensejam o lançamento, o que dificulta e cerceia o direito de defesa da recorrente. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 69. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 03, fls. 270. É o Relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 76 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Esclarecimento Inicial. Cabe de pronto esclarecer que o presente lançamento cuida de Auto de Infração de Obrigação Acessória, ou seja, de aplicação de penalidade (multa) por descumprimento de dever instrumental determinado por lei, como estabelece o artigo 115, da Lei 5.172/66. Assim sendo, o presente lançamento não é Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD e nem Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP e muito menos exige contribuição social previdenciária, isto é, o tributo em si, essa é a razão pela qual inexistem diferenças de contribuição a serem apontadas, pois não se está falando em base de cálculo de contribuição, sendo nesses tópicos, absolutamente irrelevantes as teses apresentadas pela recorrente aplicandose a elas a teoria do divorcio ideológico do Supremo Tribunal Federal – STF como a seguir transcrito, o que inviabiliza ao seu acolhimento. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 77 6 configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Mérito. O fisco demonstrou de forma objetiva os fatos que deram ensejo a atuação e os discriminou em seu REFISC, o que a seguir transcrevo. 1. Apesar de intimada pessoalmente, através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, datado em 17/03/2010 e Termo de Intimação Fiscal n° 2 de 20.07.2010, a empresa não apresentou as seguintes Folhas de Pagamento no período de 01 a 12/2007 , inclusive o décimo terceiro salário de 2007 para os segurados empregados. Autônomos — Ilha Comprida — Laboratório de Aquicultura Marinha, referentes aos meses de fevereiro, março, abril, setembro, outubro, novembro e dezembro; Segurados empregados — Farmácia Popular — referentes aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro c dezembro; Segurados empregados — Terminal Bom Despacho Bahia — referente aos meses de julho, setembro, outubro e dezembro; Segurados empregados CROI — Centro de Referência de Oncologia Infantil referente aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro; Segurado empregado Adalto Paulino Barbosa da Administração — referente aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro c dezembro; Segurados empregados TTPS — Terminal Pesqueiro Público de Santos, referente aos meses de abril a setembro. 2. A empresa apresentou o livro diário de 2007 sem anexar o Balanço Patrimonial. Assim, a empresa descumpriu as formalidades previstas em lei, conforme artigo 1184 § 2° do Código Civil. 3. Também deixou de lançar no diário, remuneração mensal de alguns estagiários bolsistas e autônomos na época da ocorrência dos fatos geradores, lançando apenas na data do efetivo pagamento, conforme planilha c recibos salariais anexos. Dessa forma apresentou documentação deficiente, no período de 01 a 12/2007. 4. A empresa apresentou o livro diário com balancetes anexos do período de janeiro a dezembro de 2007, ocorre que constam contas de prestação de serviços, referentes a outros serviços profissionais(conta 0003), serviços auxiliares de medicina (conta 0011), serviços de consultoria (conta 0002) e Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 78 7 serviços de pessoa jurídica (0007), entretanto, não apresentou documentos, referentes às contas mencionadas, para verificação e análise. Além disso, a Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 01, nos tópicos “DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO”, bem como no “DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA”, apresentam de forma clara, simples, objetiva e ilustrativa todas as características e fundamentos do lançamento. Inexistindo, assim, qualquer vício ou nulidade no lançamento, uma vez que todos os requisitos de lei estão presentes. · Fato gerador – deixar de atender a determinação legal, descumprimento do dever instrumental; · Dispositivo legal infringido – folha de rosto do AI; · Motivação – ter o contribuinte descumprido o determinação legal, violação da lei tributária. No caso em tela é desnecessário e até impossível a realização de compensação de valores, pelo aproveitamento de contribuições supostamente recolhidas pelo contribuinte, haja vista que não se está exigindo nesses autos de infração contribuição social previdenciária, mas sim multa punitiva prevista em lei pelo descumprimento de dever instrumental pelo contribuinte. Ficou demonstrada como supramencionada que a motivação da aplicação do auto de infração está declinada de forma clara e objetiva, contudo, apenas, a título de esclarecimento a Lei 9.784/99 não se aplica ao PAF, pois esse tem legislação própria, artigo 69, da própria Lei 9.784/99 e jurisprudência do STJ a seguir citada. EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 79 8 Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 80 9 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Os artigos 201 a 204, da Lei 5.172/1966, não se aplicam ao lançamento tributário, pois referemse especificamente a inscrição da dívida e a expedição da respectiva Certidão de Dívida Ativa, mas a origem como já demonstrada é o desrespeito a lei tributaria pelo não cumprimento do dever instrumental e a natureza do crédito é multa punitiva (sanção) pela prática do ato infrator. O fisco está promovendo a revisão do lançamento provocada pelo contribuinte em razão da impugnação e respectivo recurso entendendo inexistir, como, também, entendo inexistir qualquer mácula, pecha e nulidade no auto de infração. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15983.000827/201054 Acórdão n.º 2202003.210 S2C2T2 Fl. 81 10 Com os esclarecimentos acima rejeito todos os pedidos, pois os argumentos apresentados não são suficientes para alterar o lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000231/2009-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004, 2005
CONHECIMENTO.
Na vigência da Portaria 256/2009, cabível Recurso Especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso de critérios jurídicos distintos aplicados a situações fáticas semelhantes, caracterizada a existência de divergência.
SIMULAÇÃO.
Em se tratando de operações simuladas, devem os tributos ser exigidos em razão das operações efetivamente realizadas, desconsiderando-se os atos simulados.
PAGAMENTO SEM CAUSA.
Os pagamentos efetuados sem causa justificada devem ser tributados, nos moldes do artigo 61 da Lei n° 8.981/95.
Numero da decisão: 9202-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GERSON MACEDO GUERRA - Relator.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator-designado.
EDITADO EM: 18/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Na vigência da Portaria 256/2009, cabível Recurso Especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso de critérios jurídicos distintos aplicados a situações fáticas semelhantes, caracterizada a existência de divergência. SIMULAÇÃO. Em se tratando de operações simuladas, devem os tributos ser exigidos em razão das operações efetivamente realizadas, desconsiderandose os atos simulados. PAGAMENTO SEM CAUSA. Os pagamentos efetuados sem causa justificada devem ser tributados, nos moldes do artigo 61 da Lei n° 8.981/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 31 /2 00 9- 98 Fl. 3261DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA Relator. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redatordesignado. EDITADO EM: 18/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata de Auto de Infração, fls. 1321, através do qual se exige, do contribuinte o IRRF, com base no artigo 674, do RIR/99, pela verificação da ocorrência de pagamento sem causa. Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. Fl. 1302, a fiscalização Federal, pautada, quase que exclusivamente, em auto de infração lavrado pelo Estado de São Paulo, considerou fraudulentas as operações de aquisição de soja, remessa para industrialização e subsequente exportação do produto, de modo a lançar o IRRF, e efetuar a glosa de créditos de PIS e COFINS sobre referidas aquisições e contratações de serviços de industrialização. Tendo em vista que fora contratada empresa de consultoria tributária para gestão da operação, também foi lançado o IRRF sobre as respectivas despesas. Sobre a conclusão fiscal, vale a transcrição do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: Toda a operação é maculada pela SIMULAÇÃO. A vasta documentação acostada ao presente procedimento fiscal, oriunda de um minucioso trabalho realizado pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, mostra com clareza ímpar, os atos fraudulentos praticados pelos participantes do esquema de evasão fiscal. Foram constatadas duas operações de exportação para uma mesma nota fiscal. A empresa COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NORTE PIONEIRO — CANORP emitia uma nota fiscal real (exportação realizada) e uma duplicata da real, com dados da fiscalizada, que acobertava uma exportação inexistente. Uma era a exportação real e a outra a não realizada. As duas operações ocorriam em paralelo. A exportadora, CANORP, emitia uma duplicata da nota fiscal real (exportação não ocorrida) e também o memorando de exportação para o vendedor da mercadoria com finalidade de exportação, que no caso é a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, criando assim uma vitrina que aparentava uma operação normal. Fl. 3262DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 9202003.877 CSRFT2 Fl. 3.262 3 Como se pode ver, toda a operação, desde a aquisição da soja, foi considerada fraudulenta, tendo em vista que as operações de exportação assim o foram. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada. Já no julgamento do Recurso Voluntário, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, prolatou o Acórdão n. 2202002.473, o qual, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, fls. 2.650/2.656, nos seguintes termos: IRF PAGAMENTOS SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA — ÔNUS DA PROVA Para a exigência do Imposto de Renda na Fonte por pagamento sem causa ou operação não comprovada, com fundamento no art. 61, § 1°, da Lei n° 8.981, de 1995, o ônus de comprovar a ocorrência da situação descrita na norma abstrata é do Fisco. Tendo a fonte pagadora apresentado documentos fiscais que atestam a efetividade das operações que ensejaram os pagamentos, é do Fisco o ônus de provar a eventual inidoneidade desses documentos. Recurso provido. Diante dessa decisão, a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, alegando que da análise de todo o conjunto probatório carreado aos autos é possível concluir que não houve aquisição de soja, nem seu beneficiamento, tampouco a exportação do produto, sendo fictas todas as operações. Assim os pagamentos decorrentes dessas operações não tiveram causa A Fazenda Nacional aponta como acórdãos paradigma, aptos a ensejar na divergência capaz de concluir pelo conhecimento do presente Recurso Especial, os Acórdãos n. 1302000.992 e 10323.637. Referido recurso teve sua admissibilidade examinada pela presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, nos moldes dos art. 67 e 68 do RICARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009. No referido exame, entendeuse por estar demonstrada a divergência quanto a efetiva ocorrências das operações entre a recorrida e as empresas Master e Rubi, bem como a existência de causa para as operações: “em face de conjuntos de operações semelhantes, no acórdão recorrido concluiuse pela efetividade destas operações, enquanto que nos paradigmas ditas operações foram consideradas como fictícias, decorrentes de simulação”. Intimado do Recurso da Fazenda, o contribuinte, tempestivamente, apresentou contra razões, onde alega, em resumo: 1. A inadmissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, tendo em vista que a divergência apontada entre o recorrido e os paradigmas consiste na ocorrência ou não das operações, ou seja, divergência em relação às matérias fáticas, e não de interpretação da Lei, na medida em que Fl. 3263DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 os Acórdãos paradigmas apresentados tratam de glosas de créditos na apuração do PIS, COFINS e de despesa na apuração do IRPJ; a. A divergência, nesse contexto, encontrase na análise das provas e não na interpretação da Lei, de modo que o Recurso da Fazenda Nacional não merece conhecimento, já que sua admissibilidade demanda a reanálise das provas. 2. No mérito, alega o contribuinte que no procedimento fiscal apenas as operações de exportação foram tidas como simuladas, não havendo qualquer comprovação nesse sentido quanto às demais operações, não havendo qualquer demonstração de sua suposta inidoneidade. Logo, não restou efetivamente comprovado trataremse de pagamentos sem causa. Assim pugna pelo não provimento do Recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL Inicialmente, entendo pertinente a discussão acerca da admissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional, pois entendo não estarem presentes os pressupostos necessários para conhecimento do Recurso Especial em pauta. O Art. 67, anexo II, do RICARF, vigente à época da interposição, determinava que compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra a decisão que der à lei tributária interpretação divergente que lhe tenha dado outra câmara, turma especial ou a própria CSRF. O atual art. 67 do RICARF, mantém a mesma redação em seu caput. Vejase que a divergência a ser demonstrada deve ter como parâmetro a interpretação da lei tributária, e não da divergência fática (ocorreu ou não a operação) tal como pretende a PGFN e como bem restou destacado no despacho de admissibilidade do recurso especial, cujo trecho reproduzo para bem ilustrar a questão: Cientificada do acórdão em 06/12/2013 (fls. 2.657), a Fazenda Nacional interpôs, em 09/12/2013 (fls. 2.659), tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 2.660 a 2.667, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 2009, visando rediscutir a efetiva ocorrência das operações entre a Autuada e as empresas Master e Rubi, bem como a existência de causa para tais operações. Como paradigmas, foram indicados os Acórdãos n. 1302000.992 e 10323.637. .... Diante do exposto, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a questão da efetiva ocorrência das operações entre a Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 9202003.877 CSRFT2 Fl. 3.263 5 Autuada e as empresas Master e Rubi, bem como a existência de causa para tais operações. Percebase que em momento algum, foi apontada a divergência de interpretação da lei tributária, mas apenas da opinião acerca ocorrência ou não do fato. Por essa razão, entendo que não seja possível conhecer do Recurso Especial. Além da ausência de divergência de interpretação da lei, entendo que os acórdãos paradigmas também tratam de situações que em nada se assemelham com o acórdão recorrido para os fins próprios desta última instância recursal administrativa. O acórdão recorrido (AC 2202002.473) trata de julgamento de auto de infração lavrado por ter a fiscalização considerado como sem causa os pagamentos efetuados em favor das empresas Santa Cruz, Rubi, Sperafico da Amazônia, Agrícola Sperafico e Master e ter lançado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, com fundamento no art. 674 do RIR/99, vide fl. 1.312/1.313 da numeração dos autos em papel. O paradigma (AC 1302000.992 – Pastifício Santa Amália) trata lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos de PIS e COFINS, por glosa de despesas, nos termos do art. 249, I e 299 do RIR/99 (despesas não dedutíveis), por não terem sido consideradas como necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. (fl. 15 do Acórdão paradigma, tópico 2.2.) O outro paradigma (AC 10323.637 – Beraca Sabará Químicos e Ingredientes Ltda), também aborda auto de infração para constituição de crédito tributário relacionado a IRPJ e CSLL fundamentados em: a) glosa de custos registrados na contabilidade; b) glosa de despesas não dedutíveis – Art. 299 do RIR/99 e; c) insuficiência das estimativas mensais recolhidas, resultante das glosas de custos e despesas relacionadas. Vejase que a “lei tributária” da qual os paradigmas tratam não são as mesmas do acórdão recorrido e, diante do caso concreto, entendo que essa falta de convergência é apta a ensejar o não conhecimento do Recurso Especial Conforme se denota das contra razões do contribuinte, foi nesse sentido o já decidido nos autos do Processo Administrativo n. 19515.000230/200943, que trata do mesmo contribuinte, mesmo tributo, mesma base fática, mesmo procedimento fiscal, e mesmos paradigmas trazidos em Recurso Especial. Vale a Transcrição de trecho da referida peça processual (contra razões), onde cita a decisão que não admitiu o recurso da Fazenda: Pois bem, examinando a questão litigiosa trazida pela Recorrente, verifica se, de plano, que inexiste dissídio jurisprudencial no caso vertente. Tanto em relação ao Acórdão 10323.637, quanto em relação ao 1302000.992. Isso porque, o acórdão recorrido versa sobre do IRFonte sobre pagamento sem causa, com fulcro no artigo 35, da Lei 9.430/96; por sua vez, ambos acórdãos paradigmas tratam da exigência de IRPJ/CSLL. (...) A ilustre procuradora busca demonstrar que nos acórdãos paradigmas o colegiado se convenceu da ocorrência da fraude, com a participação do contribuinte, por isso manteve a exigência daqueles tributos. Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 Todavia, no acórdão recorrido a decisão foi no sentido de que não caberia a exigência do IRFonte (...) Cabe esclarecer que na apreciação da prova, a autoridade judicante de segunda instância formou livremente sua convicção fundamentada nos elementos produzidos nos autos, amparada no princípio da persuasão racional (art. 29 do Decreto70.235, de 6 de março de 1972). Não há, pois, qualquer divergência jurisprudencial no presente caso. Mais adiante, nas referidas contra razões, há transcrição de parte da decisão exarada em reexame necessário do Recurso Especial interposto, que manteve o despacho que negou a admissibilidade, no seguinte sentido: Isso porque, está absolutamente caracterizado que os acórdãos 10323.637 2 1302000.992, apontados como paradigmas que se prestam para comprovar a divergência, pois, não versam sobre a exigência de IRFonte sobre pagamento sem causa e sim a glosa de despesas similares na apuração do IRPJ e CSLL (...) Nesse diapasão, ressaltou o ilustre relator do acórdão atacado que os pagamentos foram contabilizados e os beneficiários identificados, bem como ofereceram tais rendimentos à tributação, portanto, houve a incidência de IRFonte e, posteriormente de IRPJ e reflexos nos beneficiários. Logo, no entendimento do Colegiado, a ocorrência de fraude nessas operações não poderia ensejar a incidência do IRFonte calcado no artigo 35, da Lei 8.981/1995. Sendo assim, para configurar o dissídio jurisprudencial no presente caso, caberia à Fazenda Nacional apresentar acórdão paradigma que, em situação semelhante, apreciou e manteve a incidência do IRFonte com fulcro na mesma norma (art. 35, da Lei 8.981/1995). Nas referidas decisões, restou consignado, corretamente a meu ver, que nos acórdãos paradigmas, o colegiado se convenceu da ocorrência da fraude, com a participação do contribuinte, por isso manteve a exigência dos tributos, enquanto no acórdão recorrido a decisão foi no sentido de que não caberia a exigência do IRFonte, não havendo, portanto, qualquer divergência jurisprudencial no caso. Entendeuse no referido processo que para configurar o dissídio jurisprudencial caberia à Fazenda Nacional apresentar acórdão paradigma que, em situação semelhante, apreciou e manteve a exigência do IRFonte com fulcro na mesma norma. Além disso, percebase que o próprio acórdão não destoa dos paradigmas (inclusive pelo fato de não estar julgando as repercussões ao IRPJ), haja vista que sua razão de decidir considera que a simulação apenas não comprova o caráter "sem causa do pagamento" Vejamos trecho do acórdão nesse sentido: “Todavia, não se vê nos autos nada que sustente essa conclusão. É certo que houve a autuação do Fisco Estadual que considerou essas operações como simuladas. Mas esse fato, por si só, não é suficiente para sustentar a autuação objeto deste processo que é aquele do pagamento sem causa.” (fl. 6.104) Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 9202003.877 CSRFT2 Fl. 3.264 7 A conclusão do acórdão é clara e objetiva, a fiscalização e conclusões a que chegaram o Fisco Estadual, que considerou as operações como simuladas, não é suficiente para ensejar a autuação do IRRF por pagamento sem causa. E não pode ser diferente, como são normas distintas que tratam das questões, os requisitos para sua aplicação também são distintos, de modo que não se pode falar em divergência da interpretação da lei tributária nesse caso. Ante estas considerações, entendo por não merecer conhecimento o Recurso Especial da Fazenda Nacional. DO MÉRITO De toda sorte, acaso reste vencido quanto à admissibilidade do Recurso Especial, analiso o mérito do Recurso Especial, que, ao meu ver, não merece provimento. A autuação em apreço tem como amparo legal o art. 674 do Decreto n. 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, cuja matriz legal é o art. 61 da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, in verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. * * * * * Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Os dispositivos acima preveem a incidência o Imposto de Renda exclusivamente na fonte nos casos de: a) pagamentos efetuados a beneficiários não identificados; b) pagamentos sem causa, quando não se comprova a efetividade da operação relacionada ao pagamento e; c) concessão de benefícios indiretos, art. 74, parágrafo 2º da Lei n. 8.383/1991. Como bem ressaltado no voto da Turma a quo, para a aplicação da norma acima, fazse necessário comprovar a efetividade da saída de recursos da empresa para pagamento de despesa que efetivamente não tenha ocorrido. Isto é, prova de que os recursos tiveram destinação incerta ou diversa daquela apontada nos registros contábeis e documentos da contribuinte. No caso concreto, o Fisco Estadual, Federal e a DRJ verificaram que houve irregularidade no que se refere ao procedimento de exportação da soja. Já as operações realizadas pelo contribuinte e que ensejaram na lavratura do IRRF estão lastreadas em contratos de prestação de serviços, notas fiscais, contratos de industrialização, escrituração contábil da operação, demonstrativo da operação financeira. Não houve alegação por parte da fiscalização de que as notas fiscais dessas operações foram duplicadas, tal qual se arguiu das notas de exportação. O antigo 1º Conselho de Contribuintes já decidira em caso similar, que a operação em apreço não pode ser descaracterizada, haja vista a impossibilidade de comprovação da falsidade material da documentação apresentada pelo contribuinte para comprovar a operação (documentos contábeis e fiscais de aquisição dos grãos de soja e pagamentos para industrialização e beneficiamento dos grãos). Entendeu o 1º CC que o ônus da prova da inexistência da operação é do fisco, conforme se depreende do Acórdão nº 10422.364, lavrado nos autos do Processo Administrativo n. 10805.000658/200611. Abaixo segue a ementa do referido Acórdão, in verbis: IRF – PAGAMENTOS SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA – ÔNUS DA PROVA – Para a exigência do Imposto de Renda na Fonte por pagamento sem causa ou operação não comprovada, com fundamento no art. 61, parágrafo 1º, da Lei n. 8.981, de 1995, o ônus de comprovar a ocorrência da situação descrita na norma abstrata é do Fisco. Tendo a fonte pagadora apresentado documentos fiscais que atestam a efetividade das operações que ensejaram os pagamentos, é do Fisco o ônus de provar a eventual inidoneidade desses documentos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ÁDRIA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 9202003.877 CSRFT2 Fl. 3.265 9 ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Mallmann, Heloísa Guarita Souza, Gustavo Lian Haddad, Antonio Lopo Martinez, Marcelo Neeser Nogueira Reis e Remis Almeida Estol. À seguir transcrevo os trechos pertinentes do voto condutor do acórdão, in verbis: (...) São condições indispensáveis para a aplicação desse dispositivo a comprovação da efetiva saída de recursos da empresa para pagamento de despesa a qual, efetivamente, não ocorreu. Isto é, de que os recursos tiveram destinação incerta ou diversa daquela apontada nos registros contábeis e documentos da contribuinte. No presente caso, segundo os registros contábeis da Autuada e os documentos trazidos aos autos, os pagamentos em questão foram feitos às empresas Rubi S.A., Sperafico da Amazônia S.A. e Santa Cruz Industrial, conforme notas fiscais 72/98. Os documentos de fls. 106/120 atestam, também, a efetividade dos pagamentos referentes a essas notas fiscais. Diante dos documentos fiscais relativos às operações que ensejaram os pagamentos e dos comprovantes da efetividade desses pagamentos, teria a Fiscalização que demonstra que tais operações não existiram de fato e, portanto, de que os documentos fiscais são inidôneos e de que a contratação desses serviços, bem como os pagamentos, foram mera simulação. Todavia, não se vê nos autos nada que sustente essa conclusão. A própria Fiscalização considerou idôneas as notas fiscais de aquisição, conforme notas fiscais de fls. 64/71. Ora, se houve a compra de soja em grão e a venda de soja beneficiada, ainda que não tenha havido a exportação, é forçoso concluir que houve o beneficiamento. Por que, então, não considerar como efetivas as operações que ensejaram os pagamentos referentes ao beneficiamento e armazenamento da soja? É certo que houve a autuação do Fisco Estadual que considerou essas operações como simuladas. Mas, esse fato, por si só, não é suficiente para sustentar a autuação objeto deste processo, ainda mais quando se verifica que a própria autoridade lançadora admite a efetividade de operações que justificariam esses custos. Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 Assim, o que se tem é documentos fiscais, cuja idoneidade não se contesta, referentes a prestação de serviços de beneficiamento e armazenamento de soja contratados pela Recorrente, comprovantes da efetividade dos pagamentos aos prestadores desses serviços e notas fiscais referentes a compra de soja em grãos e de venda de soja beneficiada, que justificam logicamente a contratação e pagamento desses serviços. Não vislumbro, portanto, base para que se considerem os pagamentos em questão como sem causa ou a beneficiários não identificados. (...) Além do precedente acima, outro, mais recente, datado do ano de 2012, também foi julgado no mesmo sentido, in verbis: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRFAnocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. O lançamento de ofício, conforme retrata o art. 142 do CTN, constitui ato administrativo vinculado, sendo ônus da Fazenda a comprovação da situação reputada ocorrida, a partir da qual subsume determinada situação à hipótese legal aplicada. É condição indispensável à aplicação do art. 674 do RIR a comprovação da efetividade saída de recursos da empresa para pagamento de despesa a qual, efetivamente, não ocorreu. Isto é, de que os recursos tiveram destinatário distinto daquele apontado nos registros contábeis e documentos da contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Descabe qualquer pedido de diligência estando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. (Processo 11080.005777/200638, Contribuinte: BL INDUSTRIA OTICA LTDA, Data da Sessão: 17/04/2012, Relatora MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Nº Acórdão 2202001.713) Outrossim, não menos importante do que os precedentes acima, é o acórdão prolatado nos autos do Processo Administrativo n. 19515.000230/200943, formalizado no Acórdão n. 1402001.343 (já transitado em julgado), de auto de infração lavrado contra o mesmo contribuinte e que trata do mesmo tributo, da qual o acórdão recorrido reproduziu os trechos competentes, que tomam o mesmo rumo de decidir do acórdão imediatamente acima citado, senão vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2002, 2003, 2004 IRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 9202003.877 CSRFT2 Fl. 3.266 11 Tributo não é penalidade ou sanção de ato ilícito. A exigência de IRFonte com fulcro no art. 35 da Lei 8.981/1995 deve observar 2 premissas básicas: i) a efetiva realização do pagamento (prova a cargo do Fisco); ii) a inexistência ou não comprovação da causa do desembolso, e/ou a constatação de que o beneficiário não é aquele apontado pela fonte pagadora (prova também a cargo do Fisco). Na situação versada nos autos, comprovado pelo autuado que os pagamentos se deram em função da prestação de serviços dos beneficiários, com efetiva retenção de IRFonte; comprovado ainda que os serviços foram prestados, ainda que parcialmente (aquisição e processamento), o fato de não ter sido comprovada a exportação desses produtos, pode ensejar a glosa dos benefícios tributários vinculados à venda destinada ao exterior, porem, não autorizam a exigência de IRFonte sob a acusação de pagamento sem causa. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido. * * * * * Todos estes fatos levam à mesma conclusão da fiscalização, ou seja, todas as operações estavam interligadas e não existiram. (...)” Pois bem, pela análise dos autos estou convencido de que não há que se falar em incidência do IRFonte em face de pagamento sem causa nessas operações, pois: 1) ocorreu a incidência do IRFonte, na pagamento dos serviços prestados à Máster, bem como à Rubi, sendo que tais empresas, em principio, ofereceram tais valores à tributação (fato incontroverso nos autos); 2) foram juntados documentos pela Recorrente que demonstram ter havido a prestação de mencionados serviços (industrialização e consultoria tributária), bem como que demonstram a ocorrência de todas as transações financeiras das etapas da operação descritas pela Fiscalização; 3) os beneficiários dos pagamentos foram todos identificados, quanto a isso não se tem dúvida; 5) se tais operações ocorreram exatamente como descreveu o Fisco e que os benefícios da autuada foram exatamente os créditos do PIS/Cofins e IPI (isso sim trata se de fato incontroverso), então a operação teve causa, qual seja, obter tais ganhos, sendo que os valores pagos nada mais é do que a devolução dos recebimentos somados à parcela pela “prestação dos serviços”. Frisese que também não há dúvida quanto a receita obtida pela autuada, tanto que o fisco corretamente compensou tais valores com as despesas glosadas pelo que apurou apenas 401,94 de base de calculo do IRPJ. 4) se por outro lado, as operações forem verdadeiras e a contribuinte autuou de boa fé, então não há mesmo que se falar em pagamentos em causa. Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 12 5) nos exatos termos do art. 3º. do CTN, tributo não é sacão de ato ilícito. Pelos fatos relatados pelo fisco estadual, entendo que as provas carreadas aos autos pela contribuinte não foram suficientes para comprovar a efetividade das operações que teriam dado suporte aos pagamentos efetuados. Diante de todos estes fatores, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, razão pela qual nego provimento ao Recurso Especial. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso da União, mantendo a decisão da Turma a quo. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 3272DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 9202003.877 CSRFT2 Fl. 3.267 13 Voto Vencedor Com a devida vênia ao posicionamento esposado pelo Relator, ouso discordar. Quanto ao conhecimento, entendo que se está diante de hipótese onde o critério jurídico em discussão é a caracterização ou não de etapas subsequentes de aquisição, industrialização e posterior exportação de grãos como operações simuladas, sendo que, no presente julgado recorrido, deixou de se caracterizar como simulação tal sequência de operações, sendo porém, notese, tal sequencia, sob ponto de vista fático, inteiramente semelhante àquelas analisadas nos julgados paradigmáticos colacionados pela recorrente. Enquanto no julgado recorrido optouse por fracionar a análise das etapas para fins de caracterização da simulação e consequente efetividade das operações, nos casos paradigmáticos se optou por analisar o conjunto de operações como um todo para fins de tal caracterização. Daí se concluir pela existência de divergência quanto à aplicação de critério jurídico para situações fáticas semelhantes (ainda que se tratem de tributos diversos), e, assim, voto por conhecer do recurso. Adentrando o mérito, novamente com a devida vênia, também discordo do posicionamento esposado pelo relator, no sentido de necessidade de comprovação de falsidade documental das etapas de aquisição de grãos e suposto beneficiamento dos referidos, a fim de que se possa concluir pela invalidade da operação, o que poderia dar azo à aplicação do disposto no art. 61, §1o. da Lei no. 8.981, de 1995, consoante realizado pela autoridade lançadora. Apesar dos registros contábeis fazem prova da efetiva saída dos recursos da autuada, entendo, com base nos elementos indiciários constantes dos autos, não terem restado comprovadas as operações de aquisição e beneficiamento de grãos de soja, destacandose, em especial, as seguintes evidências: a) Na forma ressaltada pela autoridade autuante, a estranheza deste ciclo de atividades em relação às atividades econômicas da autuada, bem assim a discrepância entre os preços praticados nas operações de aquisição de soja e os preços praticados em mercado (vide efls. 1302 a 1306 e remissões); b) Inexistência de conhecimento de transporte para os grãos supostamente adquiridos e beneficiados (vide efl. 1303); c) A clara vinculação entre as supostas etapas de aquisição e beneficiamento e a posterior etapa de exportação, para a qual se comprovou a utilização de notas fiscais duplicadas, acompanhado de outros indícios que permitem concluir pela não ocorrência da referida etapa (vide aqui itens 55 a 71 da decisão da DRJ de origem, efls. 2847 a 2850). A propósito, conforme muito bem ressaltado pela Fazenda em seu pleito recursal, a partir de outros trechos do julgamento da autoridade julgadora de 1a. instância , verbis: "(...) A independência das operações comerciais é mero sofisma. Conforme exposto no tópico anterior todas as operações eram Fl. 3273DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 14 vinculadas. No ponto, importante transcrever as seguintes observações da DRJ de São Paulo/SP (fls. 2.405/2455): "41. Os contratos de compra e venda de grãos de soja, firmados com a empresa Santa Cruz, possuíam as mesmas cláusulas. Passo a destacar duas delas: "SEGUNDA PAGAMENTO PARÁGRAFO ÚNICO O COMPRADOR efetuará os pagamentos com duplicatas de venda dos produtos industrializados, destinados ao mercado interno ou externo, as quais o VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação. QUINTA CONDIÇÕES GERAIS O VENDEDOR é responsável pela legitimidade do crédito oriundo da venda da matéria prima, respondendo civil e criminalmente pel mesmo, sujeitandose, ainda, às penalidades prescritas em lei por quaisquer atos de falsidade, inclusive ideológicas, obrigandose, desde já, a devolver os valores efetivamente recebidos, mais multas e juros de mora e outros acréscimos que venham a ser cobrados do COMPRADOR, pelo fisco, desde que não haja recursos administrativos e judiciais." 42. Portanto, o impugnante efetuaria o pagamento pela compra de grãos de soja à empresa Santa Cruz com as duplicatas de venda dos produtos industrializados à Canorp, ou seja, havia um ligação entre a operação de compra dos grãos de soja e a operação de venda de farelo e óleo de soja degomado à CANORP. 43. Todos os contratos de industrialização estavam ligados aos contratos de compra de grãos de soja acima citados, pois o objeto era idêntico, ou seja, a mesma quantidade de grãos de soja adquiridos da Santa Cruz era industrializada, adequais os contratos de compra de grãos de soja determinavam a entrega do produto no estabelecimento da industrializadora. 44. Da mesma forma, os contratos de performance de exportação estavam atrelados aos contratos de compra de grãos de soja e de Industrialização, tendo em vista que a quantidade de produto constante na cláusula primeira, parágrafo segundo, era a mesma prevista nos demais contratos citados. 45. Por fim, os contratos de venda de farelo e óleo para a CANORP também possuíam as mesmas cláusulas, transcrevo a primeira cláusula: PRIMEIRA DO OBJETO A COMPRADORA se obriga a adquirir da VENDEDORA (...) toneladas de farelo de soja desengordurado (...) PRIMEIRA DO OJETO A COMPRADORA se obriga a adquirir da VENDEDORA (...) toneladas de óleo de soja degomado (...) _ (g.n.) 46. Somente o contrato 245/04 (fls. 579/581) previa a venda de óleo de soja degomado e/ou refinado. 47. Importante destacar os Termos de quitação geral e recíproca de subrogação (fls. 548/549, 565/566 e 582/583), firmados entre as empresas Santa Cruz, Canorp e CBD que comprovam que todas as etapas (compra de grãos de soja, industrialização, Fl. 3274DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000231/200998 Acórdão n.º 9202003.877 CSRFT2 Fl. 3.268 15 performance de exportação e venda de farelo e óleo de soja) estavam interligadas, destaco trechos destes termos: A SANTA CRUZ vendeu a CBD 55.590 TN de grãos de soja em fevereiro/2004, aceitando expressamente em contrato (nü 042/2004) como pagamento daquele fornecimento as duplicatas de venda dos produtos industrializados pela CBD, destinados ao mercado interno e externo, as quais aceitou como boas e valiosas desde então; A seu turno, a CBD efetuou venda dos ditos produtos industrializados (Farelo e Óleo de Soja) para CANORP, sendo certo que por este fornecimento a CANORP aceitou expressamente em contrato (nQ 045 e 046 ambos de 2004) que a CBD efetuasse a subrogação de seus direitos ao fornecedor da matériaprima empregada na industrialização dos produtos adquiridos, ou seja comprometeuse a efetuar o pagamento diretamente a SANTA CRUZ, a CANORP declara ter efetuado o pagamento das duplicatas emitidas pela CBD diretamente a SANTA CRUZ nas datas aprazadas, bem como esta última declara ter recebido a este título."(fls. 548/549). A SANTA CRUZ vendeu a CBD 47.753 TN de grãos de soja em março/2004, aceitando expressamente em contrato (n° 84/2004) como pagamento daquele fornecimento as duplicatas de venda dos produtos industrializados pela CBD, destinados ao mercado interno e externo, as quais aceitou como boas e valiosas desde então; A seu turno, a CBD efetuou venda dos ditos produtos industrializados (Farelo e Óleo de Soja) para CANORP, sendo certo que por este fornecimento a CANORP aceitou expressamente em contrato (nQ 87 e 88 ambos de 2004) que a CBD efetuasse a subrogação de seus direitos ao fornecedor da matériaprima empregada na industrialização dos produtos adquiridos, ou seja comprometeuse a efetuar o pagamento diretamente a SANTA CRUZ, A CANORP declara ter efetuado o pagamento das duplicatas emitidas pela CBD diretamente a SANTA CRUZ nas datas aprazadas, bem como esta última declara ter recebido a este título." (fls. 565/566) A SANTA CRUZ vendeu a CBD 53.619 TN de grãos de soja em julho/2004, aceitando expressamente em contrato (nQ 241/2004) como pagamento daquele fornecimento as duplicatas de venda dos produtos industrializados pela CBD, destinados ao mercado interno e externo, as quais aceitou como boas e valiosas desde então; A seu turno, a CBD efetuou venda dos ditos produtos industrializados (Farelo e Óleo de Soja) para CANORP, sendo certo que por este fornecimento a CANORP aceitou expressamente em contrato (nü 244 e 245 ambos de 2004) que a CBD efetuasse a subrogação de seus direitos ao fornecedor da matériaprima empregada na industrialização dos produtos adquiridos, ou seja comprometeuse a efetuar o pagamento diretamente a SANTA CRUZ, A CANORP declara ter efetuado o pagamento das duplicatas emitidas pela CBD diretamente a SANTA CRUZ nas datas aprazadas, bem como esta última declara ter recebido a este título." (fls. 582/583)" (...)" Fl. 3275DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 16 Assim, concluo pela existência de simulação nas operações sob análise, sendo de se afastar os efeitos jurídicos das etapas aqui caracterizadas como simuladas, devendose buscar os efeitos jurídicotributários do que realmente ocorreu. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, reformandose o recorrido para declarar a invalidade do ciclo de operações de aquisição de grãos, beneficiamento e exportação de grãos objeto de tributação, visto que simuladas, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Fl. 3276DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, A ssinado digitalmente em 30/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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