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Numero do processo: 10508.720194/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2011
LEI TRIBUTÁRIA. FATOS PRETÉRITOS. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A lei tributária aplica-se a ato ou fato pretérito quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, deixe de defini-lo como infração.
Revogada a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, exonera-se o contribuinte que tenha sido apenado com base no dispositivo legal vigente à época dos fatos.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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FATOS PRETÉRITOS. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. A lei tributária aplicase a ato ou fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, deixe de definilo como infração. Revogada a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, exonerase o contribuinte que tenha sido apenado com base no dispositivo legal vigente à época dos fatos. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 16/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 01 94 /2 01 3- 39 Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da MULTA ISOLADA DE 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, previsto no art. 74, § 15, da Lei 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 12.249, de 2010. A ação fiscal conduzida pela Inspetoria da Receita Federal em Ilhéus/BA foi motivada em função de pedidos de ressarcimento de saldos credores decorrentes da apuração de PIS e Cofins, regime não cumulativo, vinculados a exportação, abrangendo o período do 4º trimestre de 2009 ao 4º trimestre de 2011. Conforme apontado no Auto de Infração, foi realizada a glosa de créditos constituídos indevidamente pela contribuinte, culminando no lançamento da referida multa isolada. A descrição detalhada dos fatos e das conclusões a que chega o autuante são encontradas no Relatório Fiscal anexo ao auto de infração. São os seguintes os apontamentos do fiscal autuante, em breve síntese: · A empresa utilizou, na apuração dos créditos, os valores despendidos como bens e serviços em toda a cadeia produtiva, isto é, desde a compra/produção da muda de eucalipto até a transformação da madeira em celulose, produto principal da empresa. · Em virtude das atividades da empresa, a análise das notas fiscais classificadas como bens e serviços foram divididas em três momentos: 1º – Da formação da floresta, desde o plantio até a árvore estar pronta para o corte; 2º – Do corte da árvore, sua manipulação, transporte, até a entrega da madeira no pátio da indústria; 3º – do processo industrial de transformação da madeira em celulose. · Formação da floresta: concluise que as despesas com insumos à constituição da floresta, como com mudas, fertilizantes, herbicidas, máquinas e outros, não podem ser utilizadas como base do crédito do PIS e da Cofins, já que o custo de constituição da floresta não é considerado insumo à produção, mas bem a ser incorporado ao ativo imobilizado. E, à luz do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 35, de 2011, não é admissível o desconto de crédito calculado em relação aos encargos de exaustão da floresta, em virtude de ausência de base legal. · Corte da árvore, manipulação e transporte: a contribuinte utilizou equivocadamente, para desconto de créditos na apuração não cumulativa do PIS e da Cofins, os valores das despesas dos bens e serviços despendidos na derrubada da floresta e tratamento da madeira, até sua entrega na fábrica para sua industrialização, pois tais dispêndios não foram aplicados diretamente na produção do bem destinado à venda, a celulose. Sua relação com o produto industrializado é apenas indireta, não sendo, portanto, essa despesa passível de gerar crédito das contribuições em análise. · Processo industrial de transformação da madeira em celulose: está correto o aproveitamento neste momento, pois os valores despendidos não são classificados como ativo permanente, sendo considerados insumos do produto final a ser vendido pela empresa, a celulose. Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10508.720194/201339 Acórdão n.º 3302002.884 S3C3T2 Fl. 3 3 · Encerrada a análise do que pode ou não gerar direito a crédito, a Fiscalização passou para a aplicação das glosas aos valores solicitados nos PER/DCOMPs entregues e/ou apurados nas DACONs. · Em consultas aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte entregou PER/DCOMPs retificadores, entre 27/02/2012 e 21/11/2012, onde refez toda a apuração do PIS e Cofins não cumulativos e apurou novos valores. · Importante destacar que a entrega dos PER/DCOMPs retificadores ocorreram após a publicação da Lei 12.249/10, que alterou o artigo 74, § 15, da Lei nº 9.430/96, introduzindo a multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Como a retificadora anula a declaração anterior, esta passa a ser o pedido de ressarcimento. Diante disso, houve multa de 50% sobre os valores glosados. Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresenta Impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: · Inicialmente, há que se ter em vista que a produção de celulose voltada preponderantemente para exportação não pode ser encarada como um conjunto descoordenado das etapas florestal, de corte e manejo da madeira e de fabricação da celulose. Com efeito, todos os esforços despendidos pela impugnante, desde o inicial plantio da semente, passando pelo corte da árvore e manejo/transporte da madeira e culminando com a transformação desta madeira em celulose, são voltados à obtenção do produto final. Por isso se afirma que a atividade, apesar de complexa, é única. · No caso concreto, é preciso enfrentar a questão da classificação dos investimentos na formação da floresta como ativo imobilizado, posteriormente sujeito à exaustão. Para superar essa questão, devese ter em mente que o fato estritamente contábil não é bastante para alterar a materialidade tributária. O enquadramento de determinado bem/serviço como insumo deve ser feito à luz da inserção deste bem/serviço no processo produtivo e não em virtude de sua classificação contábil. · Os critérios de contabilização dos dispêndios atrelados à atividade de formação de floresta e reflorestamento previstos no Parecer Normativo CST nº 108, de 1978, não podem sustentar a glosa de créditos de PIS e Cofins, eis que, à época de sua edição, não se cogitava da existência de regime de apuração não cumulativo para as mencionadas contribuições. · As leis de regência do PIS e da Cofins permitem o creditamento em relação aos encargos de depreciação e amortização, sem fazerem referência expressa ao termo “exaustão”. Tratase de nítida indicação de que as despesas associadas a bens sujeitos à exaustão correspondem a efetivo insumo do processo produtivo. · Conceito de insumo: a Receita federal editou as Instruções Normativas nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, regulando as leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, limitando o direito de crédito apenas aos insumos empregados diretamente na produção, extrapolando a disposição legal, vedando ainda (sem respaldo legal) o creditamento sobre os insumos que porventura venham a ser incluídos no ativo imobilizado. A RFB adota o conceito de insumo em que se baseia a legislação do IPI, sem que as leis de regência do PIS e da Cofins façam (ou permitam que se faça) tal paralelo. Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 · O Conselho de Contribuinte, e atualmente o CARF, possui decisões em casos idênticos reconhecendo o direito ao creditamento em relação às despesas necessárias para a geração da matériaprima (madeira) utilizada na produção da celulose destinada à exportação. · A impugnante apresenta, ainda, as notas fiscais de contratação de serviços e compras de bens demonstrando a essencialidade das despesas incorridas para a fabricação da celulose. Enfim, deve ser reconhecido que os bens e serviços adquiridos configuram, sim, insumos utilizados em seu processo produtivo. · Ainda que não estivesse fundamentalmente demonstrado que os bens e serviços adquiridos pela impugnante para emprego na primeira e na segunda etapa de seu processo industrial caracterizamse como insumos utilizados na fabricação de bens destinados à exportação, o que se admite apenas para fins de argumentação, não poderia prosperar a exigência da multa aplicada, prevista na Lei nº 9.430, de 1996. · Isto porque essa multa isolada de 50% foi instituída pela Lei nº 12.249, publicada em 14 de junho de 2010. Tendo em vista que a autuação ora combatida versa sobre fatos geradores ocorridos em momento anterior à edição dessa lei, não é cabível se falar na imposição da penalidade em comento, observandose os arts. 105 e 106 do CTN. · Ainda que assim não se entenda, impende consignar que a imposição de multas isoladas para hipóteses de não homologação de declarações de compensação, especialmente nos casos em que os contribuintes tenham agido de boafé, é manifestadamente descabida e desproporcional. A multa fiscal não pode ser transformada em um instrumento de arrecadação. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2011 CRÉDITOS. INSUMOS. FORMAÇÃO DE FLORESTAS. ENCARGOS DE EXAUSTÃO. Para fins de apuração de créditos da Cofins, insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda são as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem ou quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Os custos com a formação de florestas plantadas para extração de madeira destinada à produção de celulose compõem valor do ativo imobilizado da pessoa jurídica e não geram direito a créditos da Cofins. Os encargos de exaustão pela extração de madeira de florestas não geram direito ao desconto de créditos da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 5335DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10508.720194/201339 Acórdão n.º 3302002.884 S3C3T2 Fl. 4 5 Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2011 CRÉDITOS. INSUMOS. FORMAÇÃO DE FLORESTAS. ENCARGOS DE EXAUSTÃO. Para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda são as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem ou quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Os custos com a formação de florestas plantadas para extração de madeira destinada à produção de celulose compõem valor do ativo imobilizado da pessoa jurídica e não geram direito a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Os encargos de exaustão pela extração de madeira de florestas não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/04/2011, 27/05/2011, 31/05/2011, 06/06/2011, 22/06/2011, 07/07/2011, 11/07/2011 INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/04/2011, 27/05/2011, 31/05/2011, 06/06/2011, 22/06/2011, 07/07/2011, 11/07/2011 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada de 50% instituída pela Lei nº 12.249, de 2010, que alterou o artigo 74, § 15, da Lei nº 9.430, de 1996, sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, quando o pedido de ressarcimento foi apresentado após a instituição da referida multa. Insatisfeito com a decisão de primeira instância administrativa, o Sujeito Passivo apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Fl. 5336DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Destaco, desde logo, que, embora a decisão de primeira instância, assim como as contestações apresentadas pelo contribuinte, adentrem ao mérito do litígio, que diz respeito ao enquadramento dos gastos realizados pela empresa no conceito de insumo para efeito de apuração do valor devido das Contribuições, o fato é que o processo contempla única e exclusivamente a multa de 50% do valor crédito objeto do pedido de ressarcimento considerado indevido, como fica claro desde a introdução do relatório que precede este voto. Essa informação é corroborada pelo Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à folha 03, no qual consta, apenas, a expressão do valor da multa representando a integralidade do crédito neste controvertido. Isto posto, quero sublinhar que, a meu sentir, e nos moldes como vinha decidindo a antiga 2ª TO da 1ª Câmara desta Seção, cujos integrantes coincidem em parte com os que hoje compõe esta 2ª TO da 3ª Câmara; em casos semelhantes ao presente, a melhor medida a ser adotada é aquela que seja capaz de evitar a tomada de duas decisões de mérito concorrentes sobre um mesmo tributo/contribuição, devidos no mesmo período de apuração e, ainda mais, em decisões que dependem do entendimento que se tenha acerca de idêntica matéria controvertida numa e noutra lide. Referindose ao caso concreto, não me parece que seja razoável decidir aqui sobre a possibilidade de apropriação de créditos nos gastos, por exemplo, com a formação de florestas, quando, em outro processo, no qual discutese não a multa, mas os créditos em si, decidese essa mesma questão, para a mesma empresa e para o mesmo período de apuração 01/10/2009 a 31/12/2011. Isto posto, faço a ressalva de que, neste caso em particular, uma peculiaridade do processo me inclina a propor outra solução à lide. É que multa aplicada, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei 9.430/96, introduzida pela Lei 12.249/10, foi expressamente revogada pelo artigo 27, incido II, da Lei 13.137/151. Vige hoje a multa de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. É, sem sombra de dúvida, multa de outra espécie, com outra tipificação legal, incidente sobre o valor do débito objeto de compensação e não mais sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento. A seguir o texto legal de uma e de outra. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. 1 LEI Nº 13.137, DE 19 DE JUNHO DE 2015. Art. 27. Ficam revogados: (...) II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Fl. 5337DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10508.720194/201339 Acórdão n.º 3302002.884 S3C3T2 Fl. 5 7 Como é de amplo conhecimento, o Código Tributário Nacional não deixa dúvidas sobre a aplicação, a fatos pretéritos, da lei que deixe de considerar infração o ato ainda não definitivamente julgado2. VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 08 de dezembro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 5338DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721118/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 30/04/2010
LANÇAMENTO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. CONHECIMENTO
Pela ausência de requisitos obrigatórios, determinados na legislação, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2301-004.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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score : 1.0
Numero do processo: 10111.000646/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/01/2005, 14/01/2005, 18/01/2005, 30/01/2005, 31/01/2005, 16/03/2005, 22/03/2005, 01/04/2005, 08/04/2005
IPI. APLICAÇÃO DE MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. DATA DA INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O termo inicial do prazo quinquenal de decadência para impor penalidade de natureza administrativa e tributária, prevista na legislação do IPI, conta-se a partir da data da infração, nos termos do caput do art. 78 da Lei 4.502/1964.
AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA APÓS O PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO DE IMPOR A PENALIDADE. CABIMENTO.
Na data da conclusão da autuação já havia se consumado o prazo decadência quinquenal extintivo do direito de exigir a penalidade aplicada, uma vez que as infrações foram cometidas no período compreendido entre 10 de janeiro a 8 de abril de 2005 e a ciência do auto de infração somente ocorreu no dia 5 (cinco) de julho de 2010.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-002.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, pelo reconhecimento da prejudicial de decadência. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Fez sustentação oral: Dr. José Arnaldo da Fonseca Filho - OAB 7893 - DF
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
(assinatura digital)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/01/2005, 14/01/2005, 18/01/2005, 30/01/2005, 31/01/2005, 16/03/2005, 22/03/2005, 01/04/2005, 08/04/2005 IPI. APLICAÇÃO DE MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. DATA DA INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. O termo inicial do prazo quinquenal de decadência para impor penalidade de natureza administrativa e tributária, prevista na legislação do IPI, conta-se a partir da data da infração, nos termos do caput do art. 78 da Lei 4.502/1964. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA APÓS O PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO DE IMPOR A PENALIDADE. CABIMENTO. Na data da conclusão da autuação já havia se consumado o prazo decadência quinquenal extintivo do direito de exigir a penalidade aplicada, uma vez que as infrações foram cometidas no período compreendido entre 10 de janeiro a 8 de abril de 2005 e a ciência do auto de infração somente ocorreu no dia 5 (cinco) de julho de 2010. Recurso de Ofício Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/01/2005, 14/01/2005, 18/01/2005, 30/01/2005, 31/01/2005, 16/03/2005, 22/03/2005, 01/04/2005, 08/04/2005 IPI. APLICAÇÃO DE MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. DATA DA INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. O termo inicial do prazo quinquenal de decadência para impor penalidade de natureza administrativa e tributária, prevista na legislação do IPI, contase a partir da data da infração, nos termos do caput do art. 78 da Lei 4.502/1964. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA APÓS O PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO DE IMPOR A PENALIDADE. CABIMENTO. Na data da conclusão da autuação já havia se consumado o prazo decadência quinquenal extintivo do direito de exigir a penalidade aplicada, uma vez que as infrações foram cometidas no período compreendido entre 10 de janeiro a 8 de abril de 2005 e a ciência do auto de infração somente ocorreu no dia 5 (cinco) de julho de 2010. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, pelo reconhecimento da prejudicial de decadência. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral: Dr. José Arnaldo da Fonseca Filho OAB 7893 DF (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 06 46 /2 01 0- 73 Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Auto de Infração, no valor de R$ 1.589.872,50, a título de multa isolada pela emissão irregular de notas fiscais sem a efetiva saída das mercadorias. A Fiscalização Federal relata que durante a Operação Pinóquio, foram apreendidas e lacradas, nas dependências da empresa Ahcor Importadora e Exportadora Ltda EPP, 09 (nove) caixas com diversos documentos relativos a importação, exportação e trânsitos aduaneiros. No ato da deslacração, descobriuse que os documentos encontrados não tinham relação com a empresa Ahcor, mas com a empresa Codesplan Comissária de Despachos Ltda e que, neles, havia menção à empresa Centerpharma Indústria e Comércio S/A, que, por conta disso, passou a ser investigada. Descobriuse que a empresa Centerpharma atuava como importador por conta e ordem de terceiros, sem, contudo, registrar tal prática em suas declarações de importação, e que utilizava de forma sistemática faturas comerciais com mesma numeração, quantitativo e descrição de produtos, mas de valores bastante inferiores aos identificados nas diversas vias encontradas dentro das caixas apreendidas pela Fiscalização em São Paulo. Prosseguindo com as investigações, a Fiscalização elaborou um quadro demonstrativo, contendo dia e hora de desembaraço das importação, dia e hora da saída do recinto alfandegado e dia e hora da saída da empresa Centerpharma. Esse quadro, contrastado com o percurso indicado nas notas fiscais emitidas pela empresa, que compreendia o trânsito entre São Paulo Luziânia São Paulo, comprovou que as notas fiscais de saída eram emitidas próforma para o real adquirente oculto (CONESURR) uma vez que fica demonstrada a impossibilidade de que as mesmas tenham transitadas fisicamente pelo estoque da CENTERPHARMA em LUZIÂNIA/GO. E acrescenta que A empresa confirmou por escrito que nunca realizou o transporte das mercadorias importadas até o seu estoque situado em LUZIANIA e muito menos no trecho LUZIANIA para São Paulo como informam as Notas Fiscais de entrada e de saída emitidas pela empresa CENTERPHARMA, o que corrobora com a evidência de que suas Notas Fiscais eram emitidas a fim de consubstanciar a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas na condição de contribuinte do IPI como equiparado a industrial, uma vez que a empresa fiscalizada destacava o IPI "na venda" (nota fiscal de saída) se colocando na condição de equiparada a industrial, sem agregar aos custos da importação qualquer outro ganho ou custo, permitindo assim que a empresa oculta contabilizasse tais notas fiscais e passasse a vender os produtos importados como se tivessem sido adquiridos de terceiros no mercado interno, agregando os valores como o lucro da operação, fugindo da tributação por força de sua ocultação como real adquirente dos produtos importados. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 3302002.931 S3C3T2 Fl. 1.132 3 (...) Durante o ano de 2005 a empresa CENTERPHARMA registrou no sistema siscomex, em relação a presente apuração, um total de 36 (trinta e seis) declarações de importação que somaram o montante de $ 310.324,70 (trezentos e dez mil e trezentos e vinte quatro dólares americanos e setenta centavos de dólares americanos) nas quais de forma repetida e sistemática se declarava como importador efetivo e como real adquirente, quando através dos documentos analisados conforme quadro demonstrativo anexo tais mercadorias se destinaram em sua totalidade as empresas CONESURR, adquirente da totalidade da mercadoria importada pela CENTERPHARMA, conforme consta das Notas Fiscais de Saída emitidas, inclusive em alguns casos, antes da realização do desembaraço aduaneiro e noutros casos antes da emissão da Nota Fiscal de entrada na empresa CENTERPHARMA. (...) Na impugnação ao lançamento fiscal, conforme consta do Relatório da decisão de primeira instância, o contribuinte apresenta as seguintes contestações. DECADÊNCIA DO DIREITO DE IMPOR PENALIDADES Em sede de preliminar, antes mesmo de passar ao exame do mérito das autuações ora impugnadas, cumpre à Impugnante destacar que a penalidade exigida pelo auto de infração consubstanciado no presente feito está afetada pela decadência nos termos do art.78 da Lei nº 4.502/64. Como já se tratou de adiantar, o presente processo tem por objeto a imposição da multa prevista no art. 83, inciso II da Lei n° 4.502/62, em valor igual ao das notas fiscais emitidas e consideradas inidôneas pela fiscalização. Ocorre que, para a imposição das penalidade acima descrita, o prazo decadencial de que dispõe a administração pública é de 5 (cinco) anos, contado da data de ocorrência da suposta infração. 9. Com efeito, o qüinqüênio decadencial está expressamente previsto no art. 78 da Lei n° 4.502/62. Confira se: "Art. 78. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração". Conforme pode ser observado das fls. 03/07 dos presentes autos, as supostas infrações cometidas pela ora Impugnante teriam ocorrido no período compreendido entre 10 de janeiro e 8 de abril de 2005, deflagrandose nessas datas o prazo de 5 (cinco) anos de que dispõem as autoridades administrativas para a imposição das penalidades supostamente cabíveis. Considerando que referido prazo tem natureza decadencial e, como tal, não está sujeito a causas interruptivas ou suspensivas, é fato que, em 5 de julho de 2010, quando a Impugnante foi intimada da autuação compreendida nesse feito, já estava afetado pela decadência o direito de a administração pública impor as penalidades supostamente cabíveis. A luz dos precedentes acima e diante do exposto, resta devidamente demonstrada a inexigibilidade dos valores exigidos pelos autos de infração ora combatidos, porque comprovadamente extinto o direito de a Administração Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Tributária cobrar penalidades relativas a supostas infrações ocorridas há mais de 5 (cinco) anos. DESPROPORCIONALIDADE DA PENALIDADE IMPOSTA Na remota hipótese de ser superada a preliminar de decadência acima apresentada, a presente impugnação deverá ser provida para que seja reconhecida a desproporcionalidade da multa prevista no art. 83, inciso II da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. E sabido que a Administração Pública está submetida a diversos princípios, dentre os quais estão os da razoabilidade e da proporcionalidade. Por força desses imperativos, a Administração apenas deve praticar os atos necessários à consecução das finalidades a que visa alcançar, sob pena de serem considerados ilegais e, portanto, inválidos. Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade são verdadeiros limitadores da imposição de penalidades pecuniárias, sendo inadmissíveis as multas excessivamente onerosas e irrazoáveis, que não guardem proporção entre a gravidade da infração cometida e a punição cominada. No caso específico dos autos, em determinadas importações, a Impugnante, por equívoco, acabou emitindo mais de uma nota fiscal para a mesma mercadoria, sendo certo que para o cálculo da multa regulamentar aplicada, a d. fiscalização tomou como base a soma dos valores constantes das notas fiscais erroneamente expedidas. A Impugnante não nega que cometeu um erro na emissão das notas fiscais, contudo, não pode ser punida com a aplicação de multa calculada sobre os valores constantes de todas as notas expedidas equivocadamente, sobretudo porque sua conduta — simples emissão de notas fiscais — não acarretou qualquer prejuízo para a arrecadação fiscal. Com efeito, a imposição de sanção em matéria tributária pressupõe tanto uma perda de arrecadação quanto um "ganho" fiscal por parte do infrator. Ausentes esses dois elementos, tal como se verifica no caso dos autos, não há que se falar em imposição de penalidade pecuniária, sob pena de violação aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Nesse ponto, é relevante notar que, se houve um ganho por parte da Impugnante, referido benefício não decorreu da conduta punida nesses autos, mas sim daquela discutida nos autos do Processo Administrativo n° 10111.000644/201084, em que se questiona a suposta ocorrência de subfaturamento e de irregularidades nas operações de importação. Observese que, nos autos do referido processo foram impostas à Impugnante, da forma mais gravosa possível as penalidades previstas no art.83, inciso I da Lei nº 4502/64 e art.633, inciso I do Decreto nº 4.543/02 e no art.88 da MP nº 2.15835/01. Com efeito, para imposição da multa devida em razão do suposto subfaturamento, o d. fiscal autuante considerou como base de cálculo a diferença entre as notas fiscais de maior e menor valor, sem sequer analisar cada situação individualmente considerada, a fim de verificar se o maior valor constante em nota fiscal correspondia, de fato, ao valor de mercado das mercadorias. Nesse ponto, é relevante notar que a emissão de múltiplas notas fiscais para as mesmas mercadorias não decorreu de máfé da Impugnante, mas sim de uma desorganização operacional. Tanto é assim que, em determinados casos, o valor do Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 3302002.931 S3C3T2 Fl. 1.133 5 subfaturamento indicado na "tabela de lançamento" era de R$ 0,00 (DIs n°s 05/01053195, 05/01053209, 05/01052423, 05/01052431 e 05/0243210)! Portanto, considerar o valor total das notas fiscais erroneamente expedidas pela Impugnante para a aplicação da multa regulamentar não se mostra como critério razoável e tão pouco proporcional para dimensionar a suposta infração cometida. Vale mais uma vez destacar que uma mesma infração não é mais ou menos grave, conforme o valor constante nas notas fiscais. Da forma como calculada, entretanto, a multa se revestiu de caráter verdadeiramente confiscatório, sem respaldo na Constituição e na jurisprudência do C. Supremo Tribunal Federal. A violação ao princípio da proporcionalidade fica ainda mais evidente pelo fato de a Impugnante estar sendo triplamente penalizada pelas supostas irregularidades cometidas nas importações por ela realizadas, tal como será a seguir demonstrado. Quanto mais não fosse, a penalidade imposta à Impugnante violou também o princípio da razoabilidade. Observem, dignos julgadores, que a multa aplicada nesse feito atinge o montante de R$ 1.589.872,50 (um milhão, quinhentos e oitenta e nove mil, oitocentos e setenta e dois reais e cinquenta centavos), representando quase 3 (três) vezes o valor da mercadoria importada! Do ponto de vista econômico, seria menos oneroso à Impugnante que tivesse sido decretada a perda de perdimento das mercadorias importadas do que a penalidade imposta nesses autos. Não é razoável aceitar que a pena aplicada à Impugnante seja mais gravosa do que a pena mais severa prevista na legislação aduaneira!!! Impositivo, nesse contexto, o reconhecimento da nulidade das autuações consubstanciadas no presente feito. ILEGALIDADE DA CUMULAÇÃO DE MULTAS Conforme já mencionado, o auto de infração ora impugnado foi lavrado para a exigência de multa regulamentar, prevista no art. 83, inciso II da Lei n° 4.502/64. Além disso, a Impugnante também foi autuada nos autos do Processo Administrativo n° 10111.000644/201084 para exigência de (i) multa regulamentar do IPI, prevista nos art. 83, inciso I da Lei n° 4.502/64 e (ii) multa de controle administrativo, prevista no art. 633, inciso I Decreto n° 4.543/02 e no art. 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01. Fato é que, como já se mencionou no tópico precedente, a conduta supostamente praticada pela Impugnante é uma só, não sendo admissível aceitar a imposição de múltiplas penalidades (multa regulamentar de IPI, multa de controle administrativo e outro tipo de multa regulamentar) em relação a um mesmo e único fato. A imposição cumulada de multas, além de absolutamente ilegal, é contrária à jurisprudência do C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que reconhece a necessidade de se observar o princípio do non bis in idem. Posto isso, à luz da manifesta ilegalidade da cumulação de multas impostas para punição de uma única conduta, tal como afirmam os precedentes acima colacionados, fica demonstrada, por mais uma razão, a manifesta nulidade das autuações aqui combatidas, que deverão ser integralmente canceladas, mediante acolhimento da presente impugnação. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/01/2005, 14/01/2005, 18/01/2005, 30/01/2005, 31/01/2005, 16/03/2005, 22/03/2005, 01/04/2005, 08/04/2005 IPI. EMISSÃO DE NOTA FISCAL SEM A SAÍDA DA MERCADORIA DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. MULTA DO ART.490, INCISO II DO RIPI/2002.NEGÓCIO JURÍDICO OCORRIDO. NÃO CABIMENTO. O inciso II do art.490 do RIPI/2002 não pune a simples inexistência de saída, mas pune a inexistência do negócio jurídico entre emitente e destinatário do documento fiscal cujo resultado prático é a ausência de movimentação física da mercadoria em decorrência do negócio celebrado, pelo simples motivo de que o negócio não aconteceu. Se o negócio jurídico tomou lugar, simplesmente não ocorre o tipo infracional. Uma vez que tenha exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Há uma prejudicial de decadência que precisa ser enfrentada. Conforme assevera o contribuinte, por força dos disposto no artigo 78 da Lei 4.502/64, haveria decaído o direito da Fazenda de impor a penalidade em epígrafe, já que transcorridos mais de cinco anos entre a ciência do Auto de Infração e a emissão das notas fiscais sem a correspondente saída da mercadoria. O texto legal que, na ótica da autuada, estabelece o prazo de decadência para imposição de penalidade é o que segue (Lei 4.502/64). Art.78 O direito de impôr penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. § 1º O prazo estabelecido neste artigo interrompese por qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referência ao impôsto que tenham deixado de pagar ou à infração que haja cometido, recomeçado a correr a partir da data em que êste procedimento se tenha verificado. § 2º Não corre o prazo enquanto o processo de cobrança estiver pendente de decisão, inclusive nos casos de processos fiscais instaurados, ainda em fase de preparo ou de julgamento. § 3º A interrupção do prazo mencionado no parágrafo primeiro só poderá ocorrer uma vez. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 3302002.931 S3C3T2 Fl. 1.134 7 Com efeito, é fato que o dispositivo legal arguído pela Parte não foi formalmente revogado. Encontrase registrado no sítio do Planalto, exatamente conforme acima se lê no texto dele extraído1. Isto posto, é, contudo, necessário destacar que, embora não se tenha notícia da revogação formal da norma, a leitura do § 1º do art. 78, que, anotese, também não foi formalmente revogado, denota a previsão de que o prazo de decadência do direito da Fazenda à imposição de penalidade seja interrompido. Essa possibilidade, como é de sabença, revelase absolutamente incompatível com o que prescreve o Código Tributário Nacional, que contempla, apenas, a interrupção do prazo de prescrição, nunca de decadência. A evidência da presença de uma disposição normativa que não foi expressamente revogada, mas que se demonstra inaplicável nos dias de hoje, conduz, a meu sentir, à necessária interpretação de que o disposto no artigo 78 da Lei 4.502/64, mesmo sem revogação expressa, tem condição de eficácia condicionada a sua adequação a todo o arcabouço normativo que lhe sucedeu e definiu premissas, critérios e procedimentos legais específicos para diversos institutos do Direito Tributário. Neste sentido, como é de amplo conhecimento, o artigo 146 da Constituição Federal determinou que somente a Lei Complementar poderá estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente no que se refere (dentre outros) à obrigação, ao lançamento, ao crédito, à prescrição e à decadência tributários2. É fato que deve ser admitida a interpretação de que a Lei 4.502/64, por ser anterior à Constituição Federal, teria sido recepcionada pela Carta Política e, nestas circunstâncias, promovida, ainda que apenas neste particular, ao status de Lei Complementar. Contudo, no caso do IPI, diferentemente do que se observa nas infrações de natureza aduaneira, não foi essa a interpretação dada por ocasião da regulamentação do Imposto. O que quero dizer é que, na dúvida, pesa o fato de, no caso de infrações aduaneiras, o próprio Poder Executivo, ao editar o Regulamento Aduaneiro, ter considerado válida a regra prevista no Decretolei 37/66 para contagem do prazo decadencial no caso de imposição de penalidade, inserindo no Decreto de regulamentação a regra dos cinco anos contados da infração. Desta forma, diferentemente do que se observa para as infrações previstas no Regulamento do IPI, para infrações de natureza aduaneira há disposição legal, de 1 http://www4.planalto.gov.br/legislacao 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 observação obrigatória pelos membros deste Colegiado, interpretando que o critério definido no Decretolei 37/66 deve ser aplicado. Na ausência dessa definição, cabe ao operador do direito firmar seu entendimento acerca revogação tácita ou não de disposições legais que aparentemente não se harmonizam com as regras introduzidas pelas leis que, depois delas, modificaram substancialmente a estrutura normativa no âmbito tributário. Por conta destas particularidades, e, ainda mais, considerando o que definido na Súmula Vinculante nº 083, do Supremo Tribunal Federal, me inclino pelo entendimento de que somente Lei Complementar pode estabelecer prazo de decadência, condição de que não se reveste a Lei 4.502/64; ainda mais por ter sido essa a interpretação empregada pelo Poder Executivo no processo de regulamentação do IPI. E também não podem ser acolhidos os argumentos de que as multas são desproporcionais, abusivas ou que não poderiam ser cumuladas. Como a ninguém é dado desconhecer, falece competência a este Tribunal Administrativo para deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou de princípios nela resguardados. Uma vez que exista previsão legal para aplicação das multas impostas e, por outro lado, inexista disposição que vede a cumulação das penalidades, correto o procedimento adotado pela Fiscalização Federal e inócua a reclamação do contribuinte fundamentada em tais alegações. Passo ao mérito. A questão posta cingese a decidir sobre a ocorrência da infração por emissão de nota fiscal sem a efetiva saída da mercadoria, conforme estabelece o artigo 490 do, inciso II, do RIPI/02. Segue o texto legal com grifos acrescidos. Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decreto lei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I (...) II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). (...) O auto de infração dá conta de que a Centerpharma emitia notas fiscais de entrada e de saída, em vendas à empresa Conesurr. Mediante elaboração de um quadro demonstrativo, com dia e hora de desembaraço, de saída do recinto alfandegado e de saída da empresa Centerpharma, percorrendo o trecho São Paulo/Luziânia/São Paulo, restou comprovada impossibilidade de que as mercadorias tenham transitadas fisicamente pelo estoque da Centerpharma em Luziânia/GO. Ainda mais, o fato nem é contestado pela autuada, que confirmou por escrito que nunca realizou o transporte das mercadorias importadas até o 3 Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 3302002.931 S3C3T2 Fl. 1.135 9 seu estoque situado em Luziânia e muito menos no trecho Luziânia para São Paulo, como informavam as notas fiscais de entrada e de saída emitidas. Ou seja, é fato incontroverso nos autos que a nota fiscal de saída emitida pela Centerpharma em Luziânia não correspondeu a efetiva saída, do estabelecimento, do produto nela descrito. O negócio existiu, o produto foi remetido ao adquirente, mas as notas fiscais objeto da lide não deram cobertura ao trânsito que efetivamente ocorreu e nem retrataram operação real praticada pelo estabelecimento autuado. Ainda assim, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deu provimento à impugnação. Em linhas gerais, baseouse nos seguintes fundamentos. A exegese do citado inciso II não é das mais simples. Tomo por um começo a análise da seguinte sentença do texto legal: “os que emitirem (...) nota fiscal que não corresponda à saída efetiva de produto nela descrito, do estabelecimento emitente...” Duas são as possibilidades de interpretação: podese dizer que a punição centrase na falta de movimentação física das mercadorias descritas na nota fiscal, independentemente de quaisquer outros fatores; ou também podese dizer que a penalidade está condicionada à inexistência de qualquer negócio jurídico que atue como motivador da emissão da nota fiscal e, por conseqüência, da saída das mercadorias. No primeiro caso punese por inexistência de circunstância material concreta (falta de circulação das mercadorias descritas na NF); já no segundo, punese por inexistência de circunstância jurídica motivadora da emissão do documento fiscal. A meu sentir, a conduta reprovável é a inexistência de saída das mercadorias como decorrência da ausência de ato de comércio que nelas – nas mercadorias tenha sua motivação material. A punição seria então advinda da não saída pela não existência de negócio jurídico lastreado no bem físico descrito na nota fiscal. (...) Como já se disse à exaustão em parágrafos anteriores, o fato formador do tipo infracional de tal multa prendese à inexistência de mercancia entre aqueles identificados nas notas fiscais (emitente e destinatário). Isto é, não há qualquer ação mercantil entre o emitente e o destinatário; não há, em suma, qualquer mercadoria sendo transacionada na operação falsamente descrita no documento fiscal. E este é o ponto. A ótica de quem deseja verificar a ocorrência do tipo não pode estar na formatação da operação, mas sim na pesquisa pura e simples da intenção de realizar um negócio que implique a transferência de domínio de mercadorias ou produtos. No caso da fraude descrita, há sim falsidade ideológica na emissão das notas fiscais, porém a falsidade está presa à formatação jurídica do negócio, e não à sua existência. Emitir uma nota fiscal de simples revenda quando a operação descrita deveria ser venda à ordem é falsear o perfil jurídico de algo existente, e não dar por existente algo que nunca existiu. Se “A” transaciona com “B” por conta e ordem e emite nota fiscal como se simples revenda fosse, oculta restou a real natureza do negócio, mas o negócio tomou lugar como ato de comércio que se aperfeiçoou com a tradição da mercadoria. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 (...) É inconteste a declaração do Fisco no sentido de que houve em todos os momentos, na trama descrita, a prática da mercancia, porém sob um manto jurídico distanciado da operação posta em movimento. Entre o importador e o real adquirente houve fechamento do ato negocial expresso nas DIs e na descrição das notas fiscais de saída. Houve sim compra e venda. A forma dada à transação é que foi diversa da descrita. Permitome afirmar que a linha de raciocínio do i. Julgador de primeira instância é perfeitamente compreensível e muito consistente. Se bem entendi a lógica defendida, a pena em questão não é destinada àqueles que, por quaisquer razões outras, que não a ausência da relação negocial em si, deixam de dar saída às mercadorias especificadas nas notas fiscais. Se o negócio existiu e foi tão somente executado de uma maneira diferente, ainda que mediante fraude, não caberia aplicação da multa. Compreendidas as razões de decidir da instância a quo, registro que há questões que não consigo transpor e que, por isso, me impedem de concordar com o entendimento proposto. Em primeiro lugar, a penalidade, tal como especificada em Lei, não faz qualquer referência ao negócio jurídico que dá azo à emissão da nota fiscal de saída da mercadoria, mas, exclusivamente, à emissão de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente. Segundo me parece, interpretar que a penalidade somente se aplica nos casos em que não se tenha estabelecido uma relação negocial que corresponda à operação amparada na nota fiscal, é incluir no texto legal uma condição ou requisito não especificado em lei. Depois, a premissa que, segundo depreendo do Voto, alicerça esse entendimento é também a de que a simples ausência de movimentação física do bem nos exatos termos em que foi declarada não desqualifica o ato, que existiu, embora tenha tido o seu perfil jurídico falseado. Contudo, o problema, a meu sentir, é que a falsidade de que aqui se fala não está, simplesmente, na informação de que “A” transacionou com “B” por conta e ordem e emitiu nota fiscal como se simples revenda fosse, mas na flagrante utilização do documento fiscal para dar a impressão de que uma operação, economicamente vantajosa para as partes, estava ocorrendo. Em outras palavras, não enxergo o fato sob a ótica ampla de um negócio no qual a saída das mercadorias efetivamente ocorreu, mas apenas em circunstâncias diferentes daquelas que foram reveladas. Enxergo, sim, de forma focada e restrita, a emissão indevida de nota fiscal de saída por estabelecimento, que não deu saída as mercadorias, com o objetivo de valerse dessa prática específica (emissão de nota fiscal sem saída de mercadoria) para obtenção de benefícios ilícitos. A meu sentir, a ilicitude de que aqui se trata é tão nociva quanto o foram as vantagens citadas na decisão recorrida obtidas pelas Trading Companies4, apresentadas no Voto como um exemplo de operação ilegal que enseja a aplicação da multa controvertida nos autos. 4 O Relator do processo menciona no Voto. "Esta Turma já enfrentou caso de tal natureza, quando várias notas fiscais foram emitidas consignando suposta venda de comerciante/industrial para uma trading company. As verificações realizadas pela fiscalização mostraram a inexistência de animus comercial entre o industrial e a trading, tendo em vista tratarse de fraude caracterizada pela simulação de operação não havida, viabilizadora de vendas sem nota no mercado interno. Inexistência de ajuste mercantil perfeitamente configurado como fato típico da penalidade em comento." Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 3302002.931 S3C3T2 Fl. 1.136 11 Finalmente, acrescento duas questões de natureza jurídica nas quais também apoio meu entendimento sobre o assunto. No que se refere ao Imposto sobre Produtos Industrializados, impera o princípio da autonomia dos estabelecimentos. É como se cada estabelecimento empresarial fosse uma pessoa jurídica independente, desvinculada das demais. E, de fato, de grande importância que se observe que a infração especificada em Lei não se refere à saída da mercadoria da empresa, mas do estabelecimento emitente da nota fiscal. Quer dizer que pouco importa que a operação tenha de fato ocorrido só que entre estabelecimentos diferentes. Necessariamente, a saída da mercadoria deve ocorrer do estabelecimento que emitiu a nota fiscal. Finalmente, em complementação a tudo isso, necessário lembrar que no Direito Tributário e, ainda mais, na parte dedicada à definição de infrações e penalidades, é soberano o princípio da tipicidade cerrada. Como ficou claro desde o começo do vertente Voto, há perfeita subsunção dos fatos à norma. VOTO por dar provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 10 de dezembro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Em relação ao judicioso e bem fundamentado voto do Relator, a discordância deste Redator cingese à questão atinente à aplicação, ao caso em tela, da regra de contagem do prazo decadencial, estabelecida no caput do art. 78 da Lei 4.502/1964, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 78 O direito de impôr penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. [...] (grifos não originais) Baseado no disposto no Súmula Vinculante nº 8 e tendo em conta que o referido preceito legal não foi reproduzido no Regulamento do IPI, o nobre Relator manifestou o entendimento de que o referido preceito legal fora tacitamente revogado pelas disposições posteriores do CTN sobre a matéria. Com efeito, no caso de lançamento de ofício, o art. 173, I, do CTN, fixa como termo inicial de contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, diferentemente da regra de contagem instituída no art. 78 em comento, que fixou como termo a quo do prazo decadencial a data do cometimento da infração. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 12 Em torno da questão existe ampla controvérsia no âmbito da doutrina e da jurisprudência judicial e administrativa, inclusive no âmbito da jurisprudência administrativa há decisões divergentes no âmbito da primeira instância de julgamento e no âmbito deste Conselho, conforme noticia os excertos da Solução Consulta Interna (SCI) da Cosit 32/2013, a seguir transcritos: 4. Disse não haver posição majoritária na jurisprudência administrativa de primeira instância. Transcreveu excertos de dois acórdãos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em FortalezaCE que sustentam ser aplicável às multas relacionadas ao controle administrativo das importações o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN, a indicar que aquela Corte entende ser tributária sua natureza jurídica. Anotou porém que na DRJ de Florianópolis, em duas decisões que colacionou, prevalece o entendimento de que a imposição de tais multas obedece ao prazo decadencial previsto nos arts. 78 da Lei nº 4.502, de 1964, e 139 do DecretoLei nº 37, de 1966. 5. Citou, por fim, três decisões administrativas de segunda instância, nas quais o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) firmou entendimento de que “o prazo decadencial para o lançamento da multa administrativa de controle das importações é de cinco anos contados da data da infração”, em conformidade com o art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964. Negando a natureza tributária da referida multa, disse o CARF não ser aplicável à espécie o art. 173 do CTN, que se reserva ao “crédito tributário em sentido estrito”. Para dirimir a controvérsia interna, a referida SCI apresentou, a título de conclusão, o seguinte entendimento sobre a matéria, ipsis litteris: 28.1 o prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração, por força do art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964, e do art. 139 do DecretoLei nº 37, de 1966. Da leitura do excerto transcrito, extraise que a própria Administração tributária reconheceu que o art. 78 da Lei 4.502/1964 encontrase vigente, logo, a regra de contagem do prazo decadencial, nele estabelecido, deve ser aplicada, porém, restrita às penalidade de natureza híbrida, ou seja, às penalidades de natureza administrativa e tributária, a exemplo das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações, conforme explicitado nos relevantes excertos extraídos da referida SCI, que seguem transcritos: 18. A natureza administrativa da multa aplicada pela importação irregular condiz com sua finalidade de reprimir ações prejudiciais ao controle das importações, mas não afasta o interesse tributário nessas importações, pois, do controle destas, depende a arrecadação tributária do setor. Dizse, portanto, com mais precisão, tratarse de natureza híbrida a das multas relacionadas ao controle das importações. 19. O controle aduaneiro envolve diversas atividadesmeio cuja realização interessa à Administração Tributária. Se não realizadas, afeta tanto o controle aduaneiro quanto a arrecadação tributária (essa também com um objetivo de controle aduaneiro), e faz incidir a multa prevista no art. 83 da Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10111.000646/201073 Acórdão n.º 3302002.931 S3C3T2 Fl. 1.137 13 Lei nº 4.502. As atividadesmeio e a atividade principal (de controle aduaneiro) têm a mesma natureza administrativa e, portanto, confundemse. O interesse tributário no controle aduaneiro atribui àquela multa uma natureza híbrida (administrativotributária). Portanto, a conclusão exarada na referida SCI deixa claro que a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial estabelecido no referido preceito legal aplicase apenas às multas de natureza híbrida (administrativotributária, a exemplo da multa do controle aduaneiro das importações prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/1964. Noutro giro, no que tange às penalidades de natureza estritamente tributária, caracterizadas por descumprimento de obrigação acessória, definida no art. 113 do CTN, a referida SCI deixa claro que a regra de contagem do prazo decadencial é a que se encontra definida no art. 173, I, do CTN, em que o termo a quo é definido a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Para mais detalhes, veja os pertinentes argumentos aduzidos trechos da referida SCI, que seguem transcritos: 14. O art. 4º do CTN diz que “a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação”. E o art. 113 diz que “a obrigação tributária é principal ou acessória”. O objeto da obrigação principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e o da acessória são as prestações, positivas ou negativas, previstas na legislação tributária, prestadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (CTN, art. 113, §§ 1º e 2º). Dessas disposições podese extrair a convicção de que, se o tributo e a penalidade pecuniária se relacionam ao mesmo fato (fato que gerou a obrigação de pagar tributo), então a natureza jurídica de ambos é tributária stricto sensu. 15. A lei descreve uma situação hipotética como suscetível de gerar obrigação tributária para aquele que dá causa ao fato ali previsto. A obrigação que se sobressai é a principal, isto é, a de pagar tributo ou penalidade, mas há prestações positivas ou negativas a cargo do sujeito passivo que “permeiam” e “preparam” o cumprimento da obrigação principal, evidenciando a natureza única que reveste as duas obrigações. Não há dúvida quanto à natureza jurídica tributária de ambas, que é precisamente a mesma do tributo e da multa ou penalidade cuja imposição teve como causa o descumprimento de obrigação acessória. Esse também é o entendimento deste Redator. E com base nesse entendimento, a título de exemplo, podem ser citadas como sujeitas as regras de contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, dentre outras, as multas instituídas no art. 44 da Lei 9.430/1996 e no art. 80 da Lei 4.502/1964. Entretanto, no caso em tela, a multa aplicada encontrase tipificada no art. 83, II, da Lei 4.502/1964, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 14 [...] II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) [...] No entendimento deste Relator, assim como a infração tipificada no art. 83, I, da Lei 4.502/1964, a infração descrita no transcrito inciso II, induvidosamente, também ostenta a citada natureza híbrida, ou seja, ela também tem natureza administrativa e tributária. Com efeito, a obrigação acessória estabelecida na legislação do IPI, que obriga de emissão de nota fiscal tem por objetivo a proteção do interesse da arrecadação ou da fiscalização do IPI, conforme estabelecido no art. 113, § 2º, do CTN. Por conseguinte, o descumprimento deste tipo de obrigação, os preceitos da Lei 4.502/1964 impõem as respectivas penalidades de natureza tributária, que estão sujeitas a regra de contagem do prazo decadencial, fixadas no art. 173, I, do CTN. De outro modo, diferentemente das obrigações natureza acessória, a conduta infracional, definida no art. 83, II, da Lei 4.502/1964, certamente, não tem por finalidade a proteção do interesse da arrecadação ou da fiscalização do IPI, ao contrário, tratase de conduta de natureza fraudulenta, que uma vez cometida acarreta graves prejuízos e efeitos nocivos à arrecadação e fiscalização do referido imposto, razão pela qual ela é sancionada com elevada penalidade de 100% (cem por cento) do valor da operação. Dessa forma, pelos mesmos fundamentos aduzidos em relação à imposição da penalidade destinada a sancionar a infração do art. 83, I, da Lei 4.502/1964, a regra de contagem do prazo decadencial estabelecido no caput do art. 78 da Lei 4.502/1964 também se aplica à exigência da penalidade decorrente do cometimento da infração tipificada no art. 83, II, da Lei 4.502/1964. Assim, como as infrações objeto da autuação em apreço foram cometidas no período compreendido entre 10 de janeiro a 8 de abril de 2005, logo, em 5 de julho de 2010, data em que a autuada foi cientificada da conclusão do questionado auto de infração, já havia se consumado o prazo decadencial extintivo do direito de exigir a penalidade em questão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 13896.002331/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) e RE 410.054 AgR/MG.
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 02 33 1/ 20 10 -7 9 Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.211 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento de CampinasSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, cientificado à impugnante em 20 de outubro de 2010, conforme documento de fl. 226, no valor total de R$ 264.528,10, devido às irregularidades assim descritas nos autos de infração: "001. Falta de Recolhimento da CSLL Valores da contribuição social sobre o lucro líquido, retidos das empresas contratadas para prestação de serviços, que foram apurados com base na DIRF da fiscalizada, conforme seguem demonstrados em planilhas que passam afazer parte integrante do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2005 a 31/12/2005] Enquadramento legal: Art. 2o e §§, da Lei n.° 7.689/88; Art. 28, da Lei n.° 9.430/96; Art. 37, da Lei n.° 10.637/02." l 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Fiscalização, fls. 178/193, que se transcreve: Em cumprimento ao determinado no MPF em epígrafe, iniciamos a ação fiscal relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário 2005, exercício 2006, junto ao contribuinte acima identificado, tendo em vista que o mesmo, embora apresentasse uma movimentação financeira expressiva no anocalcndário 2005, apresentou a Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde informa as receitas auferidas no período zeradas. Iniciamos o procedimento fiscal em 09/05/2008, diligenciando no domicílio fiscal do contribuinte na Av. Andrômeda, 2000, e a empresa não foi localizada, obtendose a informação de que a "empresa mudouse para Alameda Tocantins, 125." Em seguida, comparecemos no referido endereço e na recepção da portaria, fomos informados que no local não se encontra nenhuma empresa com a razão social mencionada. Deuse o prosseguimento à ação fiscal, com as providências devidas e aplicáveis na situação de empresa não localizada, conforme a seguir descritos: 1) Em 12/05/08, lavramos o Termo de Constatação Fiscal, para o registro dos fatos que constatamos em relação à localização da empresa e deusc ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal ao sujeito passivo, por Edital de Intimação SEFIS/DRF/BRE, n° 35, de 12/05/08; 2) Em 26/05/08, através de Ofício DRF/BR/SEFIS n° 008/2008, solicitousc à Junta Comercial do Estado de São Paulo, as cópias do contrato social, com as alterações posteriores e o breve relato da empresa, que foi atendida em 01/08/2008; Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.212 3 3) Ciência dos Termos de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrados em 17/07/09 e 14/05/2010, por meio dos Editais SEFIS n° 54 de 17/07/09 e n° 32 de 14/05/2010. NOTA: Considerando que a fiscalizada não se encontra no endereço constante no cadastro da RFB foi elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/2010 07. Em face da não localização da empresa, os sócios atuais do sujeito passivo, ANDRÉ LUIS MOLINA, CPF n° 388.445.76830 e EDNA APARECIDA SERVIDONE, CPF n° 080.276.744 33, admitidos na sociedade em 02/01/2008, conforme registro na JUCESP 013.810/080, foram intimados para comparecerem à Repartição, inicialmente no endereço informado no cadastro CPF, e por não terem sido localizados, enviouse a correspondência nos endereços informados no documento da JUCESP. Entretanto, também não foram localizados, dandose ciência do procedimento fiscal pelo Edital, conforme a seguir descrevemos: ANDRE LUIS MOLINA a) Correspondência enviada em 14/05/2008, à Rua Diana, 359, Apto. 05, Perdizes/SP, domicilio constante no cadastro CPF. Devolvida com informação do agente postal "ausente" b) Em 06/05/2009 foi reencaminhada à Rua Mazzini, 447 Cambuci/SP, domicílio fiscal constante no documento da JUCESP, também devolvido com informação do agente postal "ausente". c) Ciência no Termo de Intimação Fiscal pelo Edital SEFIS n° 96 de 28/10/2009. EDNA APARECIDA SERVIDONE a) Correspondência enviada em 14/05/2008, à Rua João Dias Martins, 110 apto. 301, Boa Viagem/RecifePE, domicílio fiscal constante no cadastro CPF. Devolvida com indicação "desconhecida"; b) Em 06/05/2009 foi reencaminhada à Rua Madre Eugénie Villien, n° 32, Pedreira/SP, endereço constante no documento da JUCESP. Devolvida com a informação do agente postal "número inexistente"; c) Em 12/11/2009 foi reencaminhada à Rua Muritinga, 480, apto. 94, Vila Floresta em Santo André/SP, endereço informado na DIRPF/06. Devolvida contendo as informações do agente postal: "desconhecido, informação do porteiro/síndico". d) Ciência no Termo de Intimação Fiscal pelo Edital SEFIS n° 95 de 28/10/2009. Cumpre salientar que em sessão de 31/01/2008, JUCESP 026.129/085, o endereço da sede da fiscalizada foi alterado passando da Av.Andrômeda 2000, bloco 10, Alphaville Barueri para Rua Mazzini, 447 fundos, Cambuci São Paulo, que por sinal é o mesmo endereço do sócio André Luis Molina. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DILIGÊNCIA Considerando que tanto a empresa quanto os seus sócios não foram localizados por esta fiscalização, tendo os mesmos sido intimados via Editais, e considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DIRF's, mediante Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo e da mesma forma às Instituições Financeiras, as Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.213 4 informações das movimentações financeiras através de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Atendendo o Termo de Intimação Fiscal, as empresas diligenciadas enviaram as cópias de notas fiscais de serviços prestados emitidas pela fiscalizada com os respectivos comprovantes de pagamentos, a contabilização desses pagamentos e o contrato firmado para prestação de serviços. PROBANK S/A MPF 185/08 a) Apresentou, em 18/06/2008, cópias das Notas Fiscais de Serviços Prestados; b) Comprovante de pagamentos das notas fiscais c) Escrituração contábil d) Contratos constituídos de proposta para Prestação de Serviços, firmado em 05/09/2005 e Aviso de Cancelamento de Prestação de Serviços, de 04/01/2006. C & A MODAS LTDA. MPF 186/08 a) Apresentou, em 25/06/08, cópias das Notas Fiscais de Serviços Prestados; b) Comprovação de pagamentos das notas fiscais e c) Escrituração contábil. EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO S/A MPF 187/08 r a) Apresentou, em 12/06/08, cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovação de pagamentos das notas fiscais; c) Comprovantes de rendimentos pagos e de tributos e contribuições retidos c, d) Contrato dc prestação de serviços, lavrado em 01/06/05. JANSSENCILAG FARMACÊUTICA LTDA. MPF 188/08 Tomou ciência, em 04/06/08, do Termo de Intimação Fiscal Diligência, no entanto não apresentou os elementos solicitados. PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A MPF 189/2008 a) Apresentou em 08/07/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos e c) Demonstrativos individualizados das retenções do IRRF e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL d) Termo de cessão de Contrato, datado de 09/01/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.214 5 CRC CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE LTDA. MPF 190/08 Não atendeu o Termo de Intimação Fiscal. UNIDOCK'S ASSESSORIA E LOGÍSTICAS DE MATERIAIS LTDA. MPF 191/08 a) Apresentou em 03/07/08 relação de notas fiscais emitidas com as respectivas cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços; b) Cópias do contrato dc prestação de serviços firmado em 01/12/2003 e c) Escrituração contábil dos documentos. NexoCS INFORMÁTICA LTDA. MPF 192/08 a) Apresentou em 19/06/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovante de pagamento das notas fiscais; c) Escrituração contábil dos documentos e, d) Instrumento particular de cessão de Direitos e Obrigações, datado de 07/02/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382. ACCENTURE DO BRASIL LTDA. MPF 193/08 Apresentou parcialmente cópia das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, numeradas de 2972 a 3625, e esclarecendo verbalmente a não localização das demais notas, enviou via email, relação de notas fiscais. BANCO ITAUBANK S/A MPF 194/08 a) Apresentou em 23/06/08 cópias das notas fiscais, e em 29/07/08 apresentou as notas faltantes; b) Cópia do contrato de serviço firmado em 24/05/04 e, c) Relação contendo as informações das notas fiscais, com as deduções do IRRF e das contribuições. SOTREQ S/AMPF 195/08 a) Apresentou em 18/06/08 cópias das notas fiscais; b) Demonstrativo de valores que constaram informados na D1RF; c) Escrituração contábil e, d) Contrato de prestação de serviços, firmado em 01/07/05. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.215 6 ARTHUR LUNDGREN TECIDOS S/A CASAS PERNAMBUCANAS MPF 196/08 a) Apresentou em 14/08/08 cópias das notas fiscais de serviços; b) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; c) Escrituração contábil e, d) Contrato de prestação de serviços firmado em 16/08/04. MARISA LOJAS VAREJISTAS LTDA. MPF 197/08 a) Apresentou em 20/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de depósitos efetuados na c/c bancária da ZERA; c) Contrato firmado em 07/02/2006 entre Marisa lojas varejistas e PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382 e; d) Escrituração contábil. HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA. MPF 198/08 a) Apresentou em 20/06/2008 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; c) Notas de débitos das despesas reembolsadas com os respectivos comprovantes de pagamentos; d) Contrato de prestação de serviços e, e) Escrituração contábil. SSA GLOBAL TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. MPF 199/08 Apresentou cópias das notas fiscais com os respectivos comprovantes de pagamentos. FIDELITY PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. MPF 200/2008 Apresentou em 07/05/09 os documentos que foram relacionados nos Anexos de I a IV, ou seja: Anexo I serviços que foram executados pela ZERA, com a discriminação das notas fiscais com os respectivos valores, bem como as deduções dos tributos; Anexo II contrato de prestação de serviços firmado em 27/05/05; Anexo III escrituração contábil e no Anexo IV comprovação dos pagamentos. IBI PROMOTORA DE VENDAS LTDA. MPF 201/2008 a) Apresentou em 16/06/09 as cópias das notas fiscais de serviços prestados e, b) Comprovantes de pagamentos de que foram creditados à ZERA no Banco Real S/A. DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA. MPF 202/2008 a) Apresentou em 13/06/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.216 7 b) Comprovante de pagamentos/depósitos efetuados através de boleto Itaú; c) Escrituração contábil no Livro Razão e d) Contrato de prestação de serviços n° CT IT 0005 01 2004, firmado em 05/01/04, e o Termo de Rescisão Contratual, lavrado em 05/10/06. RHMED CONSULTORES ASSOCIADOS LTDA. MPF 203/08 a) Apresentou em 18/06/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relação de pagamentos efetuados no período; c) Cópia do contrato de prestação de serviços e, d) Escrituração contábil. POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A MPF 204/2008 a) Apresentou em 25/06/08 cópias de notas fiscais de janeiro a maio de 2005; b) Comprovantes de valores líquidos que foram depositados na conta corrente bancária da ZERA e, c) Escrituração contábil. EXCIM IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A MPF 205/08 Empresa não localizada. AES COMMUNICATIONS RIO DE JANEIRO S/A MPF 206/08 a) Apresentou em 17/06/2008 cópias das notas fiscais b) Comprovantes de pagamentos c) Contrato social d) Escrituração contábil e) Contrato celebrado entre AES Communications e PROBANK Software e Consultoria S/A, datado de 01/08/2006.; ZENITH QUALITY SOLUTIONS COMÉRCIO LTDA. MPF 207/08 Tomou ciência no Termo de Inumação Fiscal Diligência em 04/06/08 e não apresentou os elementos solicitados. XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. MPF 208/08 a) Apresentou em 28/06/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.217 8 b) Relacionou em planilha os valores pagos no período (mencionou o n° da NF nos casos de documentos não localizados); c) Contrato de prestação de serviços firmado em 27/07/05; d) Termo Aditivo n° 02 de 30/05/06 ao contrato de prestação de serviços OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO ONS MPF 209/08 a) Apresentou em 02/07/2008 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relatório contendo os valores que compõem a DIRF/06; c) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; d) Escrituração contábil (livro razão e livro diário) e, e) Cópias dos contratos firmados com a ZERA. OPEN CONCEPT SERVIÇOS LTDA. MPF 210/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal diligência em 04/06/08 e não apresentou os elementos solicitados. EPS OUTSOURCING CONSULTORIA LTDA. MPF 211/08 Correspondência devolvida, por não ter sido localizada a empresa. CONNECTMEDCRC CONS., ADMIN. E TECNOL EM SAÚDE LTDA. MPF 212/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal Diligência em 05/06/08 e em 24/04/09 no Termo de Reintimação Fiscal e não apresentou os elementos solicitados. CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA. MPF 213/08 a) Apresentou em 23/06/2008 as notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos de serviços prestados; c) Instrumento particular de cessão de Direitos e Obrigações, datado de 07/02/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK, CNPJ 42.778.183/000382; e) Escrituração contábil. BANCO IBI S/A MFP n° 214/2008 a) Apresentou em 16/06/09 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos efetuados mediante crédito na conta corrente do Banco Real e, Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.218 9 c) Demonstrativo de valores que foram informados na DIRF, com os valoras das deduções do IRRF e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL. C FISCHER S/C LTDA. MPF 215/08 Correspondência devolvida com a indicação do agente postal, mudouse. C & R CONSULTORIA EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO LTDA. MPF 216/2008 a)Contrato de prestação de serviços n° CT 1T 0009 02 2004, Anexos 001 e 002, firmado em 10/09/2004; b) cópias das notas fiscais de serviços prestados com os respectivos depósitos bancários. MAGECORP SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA. MPF 217/08 Apresentou cópias de notas fiscais de serviços de sua emissão, figurando a ZERA como destinatário dos "Serviços de Consultoria e desenvolvimento de projetos". A & L INFORMÁTICA COMERCIO E SERVIÇOS LTDA. ME MPF 218/08 Correspondência devolvida com a indicação do agente postal, mudouse. PETROFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A MPF 219/2008 a) Apresentou em 15/07/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos e, c) Contrato de Prestação de Serviços. ROCHE DIAGNOSTICA BRASIL LTDA. MPF 220/08 Em 27/06/08, apresentou a cópia da nota fiscal de serviços, n° 3294, comprovante de pagamento, contrato de prestação de serviços e escrituração contábil. PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A MPF 221/08 a) Apresentou em 16/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de pagamentos; c) Contrato de prestação de serviços e, d) Escrituração contábil. LOJAS AMERICANAS S/A MPF 222/2008 a) Apresentou em 19/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de pagamentos; c) Contrato firmado em 01/06/2000. DA REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.219 10 A empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJ 1RPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/2010 07. Apesar de intimada e reintimada, via afixação de Editais na dependência desta DRF/BRE, a fiscalizada não atendeu às intimações, inclusive para apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeira. A fiscalizada embora apresentasse uma movimentação financeira expressiva no ano calendário 2005, apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, com o campo referente às informações das receitas auferidas no período "ZERADAS". Desta forma, ficou configurada a hipótese prevista no art. 33, I da Lei 9.430/96, justificandose a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, conforme previsto no art. 6o da Lei Complementar 105/2001. "Art. 33. A Secretaria da Receita Federai pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art.200 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1996;..." Relacionamos abaixo, as Instituições Financeiras que em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira, forneceram as documentações solicitadas, tais como: arquivo do extrato bancário na forma de mídia eletrônica, extratos bancários em papel, fichas de aberturas de contas com cartão de assinaturas e instrumento de procuração outorgando poderes a terceiros e cópias dos cheques emitidos, superior a R$ 5.000,00. BANCO ITAUBANK (BANKBOSTON) S/A RMF n° 42/08 BANCO DO BRASIL S/A RMF n° 43/08 BANCO REAL S/A RMF n° 44/08 BANCO RURAL S/A RMF n° 45/08 BANCO UNIBANCO S/A RMF n° 46/08 BANCO ITAÚ S/A RMF n° 47/08 BANCO BRADESCO S/A RMF n° 48/08 BANCO BANESPA (SANTANDER) RMF n° 49/08 BANCO SUDAMERIS S/A RMF n° 50/08 BANCO PINE S/A RMF n° 51/08 BANCO ABC BRASIL S/A RMF n° 52/08. Na apuração dos depósitos bancários de origens não comprovados, os créditos bancários correspondentes aos recebimentos das notas fiscais e demais valores que correspondem às Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.220 11 receitas operacionais da empresa, que foram possíveis de identificação, as transferências de valores de mesma titularidade foram excluídos, sendo os valores remanescentes considerados omissão de receita, ou seja, depósito bancário de origem não comprovado, conforme demonstrados em planilhas. DAS IRREGULARIDADES APURADAS NO SUJEITO PASSIVO Conforme já mencionado anteriormente, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação fiscal foram feitos por meio de editais afixados na dependência desta Delegacia. Desta forma, considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema D1RF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DlRF's, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo e da mesma forma às Instituições Financeiras, as informações das movimentações financeiras através de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Nos casos em que não obtivemos as cópias das Notas Fiscais solicitadas, quer seja pelo não atendimento das empresas diligenciadas ou pelas mesmas não terem sido localizadas, a falta dessas notas fiscais para obtenção das receitas omitidas foi solucionada, confrontandose os valores constantes na DIRF com os valores que comprovaram esses recebimentos, mediante créditos nas contas correntes, constantes nos extratos bancários. Elaboramos planilhas (ANEXO I) individualizadas para os valores cujas cópias das notas fiscais foram enviadas pelas empresas diligenciadas, onde constam o n° das notas fiscais, a data da emissão dessas notas, o valor bruto, a data do crédito na c/c bancária, o valor líquido creditado, as incidências sofridas do Imposto de Renda Retido na Fonte, PIS, COFINS e CSLL, e a identificação do banco. Os valores das notas fiscais foram confrontados com as DIRF's e respectivos valores líquidos creditados nas contas bancárias. Apuramos as seguintes irregularidades: > Omissão de receitas de atividades operacionais apuradas a partir das informações obtidas junto aos clientes tomadores dos serviços; > Omissões de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada; > Falta de recolhimento dos tributos retidos das empresas prestadoras de serviços (1) Valores comprovados por meio de Notas Fiscais emitidas pela fiscalizada e apresentadas pelas empresas tomadoras dos serviços e cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. (2) Valores informados em DIRF pelas empresas tomadoras dos serviços que não apresentaram as Notas Fiscais emitidas pela fiscalizada mas cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. (3) Remanescentes dos extratos bancários referentes aos créditos em conta corrente não comprovados. b) TRIBUTOS RETIDOS E NÃO RECOLHIDOS: Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.221 12 Período de Apuração BASE DE CÁLCULO IRRF BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS IRRF PIS COFINS CSLL JAN 858.840,83 712.359,77 12.882,61 4.630,34 21.370,79 7.123,60 FEV 755.543,71 613.897,24 11.333,16 3.990,33 18.416,92 6.138,97 MAR 731.021,01 566.517,48 10.965,32 3.682,36 16.995,52 5.665,17 ABR 874.741,07 738.307,45 13.121,12 4.799,00 22.149,22 7.383,07 MAI 843.390,07 695.205,21 12.650,85 4.492,83 20.736,16 6.912,05 JUN 928.328,32 758.535,84 13.924,92 4.930,48 22.756,08 7.585,36 JUL 917.589,07 751.006,44 13.763,84 4.881,54 22.530,19 7.510,06 AGO 773.151,30 618.343,66 11.597,27 4.019,23 18.550,31 6.183,44 SET 903.604,09 738.398,36 13.554,06 4.799,59 22.151,95 7.383,98 OUT 806.130,41 669.573,38 12.091,96 4.352,23 20.087,20 6.695,73 NOV 27.907,60 13.907,60 418,61 90,40 417,23 139,08 DEZ 19.268,35 15.674,60 289,03 101,88 470,24 156,75 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme já informado acima, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de íntimação/reintimação fiscal solicitando esclarecimentos, Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras foram feitos por meio de editais afixados na dependência desta Delegacia, porém a fiscalizada não atendeu às nossas intimações. Considerando que a fiscalizada não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB foi elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. O fiscalizado apresentou DIPJ pelo Lucro Real com todos os campos zerados, para o período fiscalizado. Diante do exposto, o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica foi calculado sobre o lucro arbitrado, conforme disposto no inciso III do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.222 13 "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei na 8.981, de 1995, art. 47, eLein.°9.430, de 1996, art. Io): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)" O Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi determinado mediante a utilização do percentual de 38,4,% sobre a receita bruta apurada, de acordo com o disposto no art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda: "Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § IoNas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § Io): III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;(...)" Do exposto, resultaram na constituição dos créditos tributários de: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica, efetuando a compensação do Imposto de Renda Retida na Fonte (IRRF/1708), incidente sobre as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo (ANEXO II); b) o reflexo da Contribuição Social s/ Lucro Líquido, apuradas sobre a mesma base de cálculo do IRPJ, compensandose as CSLL destacadas e incidentes nas notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II) e Auto de Infração da CSLL, retida e não recolhida, conforme demonstrado no ANEXO V; c) COFINS, apuradas sobre a mesma base utilizada para a apuração do IRPJ, compensado os valores das retenções incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II), e ainda, os valores da COFINS retidas e não recolhidas, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas para prestação de serviços (ANEXO V); d) Contribuição social s/ PIS, apuradas sobre a mesma base de cálculo do IRPJ, compensando as contribuições do PIS incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II), e ainda, as contribuições ao PIS, retidas e não recolhidas, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas" para prestação de serviços (ANEXO V), e, e) os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte, retidos e não Recolhidos,incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas para prestação de serviços (ANEXO V). Da multa agravada Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.223 14 Conforme já mencionado anteriormente, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação/reintimação fiscal solicitando esclarecimentos e a apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras foram feitos por meio de editais afixados na dependência desta Delegacia, porém a fiscalizada não atendeu às nossas intimações. Em face do exposto, a multa referente à omissão de receitas foi agravada pela falta de atendimento às intimações, previsto no artigo 959 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99) e artigo 44 da Lei 9.430/96. Da multa qualificada Aos valores submetidos à tributação por esta fiscalização, referentes à omissão de receitas foi aplicada multa qualificada, por ter o contribuinte praticado atos que se enquadram nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, incorrendo na hipótese prevista no § Io do artigo 44 da Lei 9.430/96 (com redação dada pela Lei 11.488/07). A ação/omissão dolosa está caracterizada em diversas condutas, como: > A empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. > Da análise dos documentos apresentados pelas empresas diligenciadas e pesquisas efetuadas por esta fiscalização, apurouse que o sujeito passivo utilizouse de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. > O procedimento consistiu na transferência dos contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a carteira de clientes da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128. > Ocorre que, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. > Embora tenha alterado o contrato social, o cadastro do CNPJ incluindo como sócios responsáveis ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA. > Observamos que os sócios admitidos são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, conforme abaixo descrito: EDNA APARECIDA SERVIDONE: > cadastrada no CPF em 2006; >consulta no site do TSE, o n° do título de eleitor inexistente; >não localizada nos 3 (três) domicílio fiscal (cadastro CPF, JUCESP e DIRPF). Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.224 15 ANDRÉ LUIS MOLINA: > cadastrado no CPF em 2006; >não existe declaração de ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física; >não localizado nos 2 (dois) domicílios fiscais (cadastro CPF e JUCESP). 1 > Na mesma alteração contratual em que os sócios foram substituídos, comunicouse também a alteração de endereço do sujeito passivo para a Rua Mazzini, 447 fundos Cambuci/SP que coincidentemente é o mesmo endereço do sócio André Luis Molina Rua Mazzini 447 Cambuci/SP; > Apresentação de DIPJ com informação de que não auferiu receitas de atividades (DIPJ ZERADAS) e DCTFs com valores incorretos das retenções na fonte; > Impediu a cobrança dos impostos e contribuições sociais inclusive os valores retidos das empresas contratadas, prestadoras de serviços, uma vez que as DCTF transmitidas, ainda que contivessem valores incorretos, foram RETIFICADAS mediante a apresentação de DCTF retificadora, ZERANDO as informações anteriormente prestadas; > Os valores retidos de Imposto de Renda Retido na Fonte (código 1708), bem como das Contribuições Sociais de PIS, COFINS e CSLL retidos sobre os pagamentos efetuados à prestadores de serviços, não foram recolhidos aos cofres da União. Do acordo de participação entre ZERA e PROBANK Abaixo transcrevemos o informe publicitário, juntado às fls. , acerca da união entre a ZERA e a PROBANK: "PROBANK e ZERA anunciam união em software e consultoria Nova companhia prevê faturar R$ 75 milhões até 2007 Belo Horizonte, 23 de dezembro de 2005. A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . O acordo contou com a assessoria do escritório de advocacia BARBOSA MÜSSNICH & ARAGÃO ADVOGADOS, representado pelo seu sócio ALEXANDRE COUTO SILVA. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. "O acordo de participação permitirá que as duas empresas ampliem seu portifólio de serviços e soluções e compartilhem mercados e clientes", explica o diretor da ZERA, Milton Conca. Gilberto de Freitas, diretor da PROBANK Software, destaca a forma pela qual foi estruturada a transação: "encontramos uma modelagem de negócio inovadora, que trará ganhos de sinergia, preservando a identidade das duas empresas e a independência das outras linhas de negócio. Como não se trata de fusão ou aquisição, mas de um acordo de participação para atuação conjunta apenas nas áreas de consultoria e fábrica de software, a integração será muito mais rápida e eficiente." Fazem parte da administração da nova companhia executivos e membros de Conselho de ambas as organizações. Pela PROBANK S/A, foram indicados Paulo Martins, como Presidente; Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.225 16 Gilberto Freitas, como diretor financeiro, e Ronald Valladão, como diretor comercial para governo. Da ZERA integradora foram nomeados Milton Conca, como diretor técnico, e João Ângelo Rodrigues, como diretor comercial corporativo. Nesta semana, as empresas começarão a executar a integração das operações, redes e atendimento para assegurar uma transição suave e com geração de valor imediato para clientes, parceiros e investidores. Como parte dessa integração inicial, PROBANK e ZERA anunciam as linhas de negócios que serão exploradas pela nova companhia. A PROBANK Software passará a comercializar as aplicações de negócios desenvolvidas pela ZERA: o G PM Gestão de Processos e Materiais, estilizado para planejamento e controle de produção, integrando os subsistemas WMS, MÊS e APS ao sistema ERP; e o VPLoad, aplicativo que seleciona contas do sistema de cartão de crédito VisionPlus para criação de ambientes de testes e geração de campanhas. A nova companhia também oferecerá implementação, licenciamento e suporte a todos os produtos corporativos Microsoft e Oracle, que até então faziam parte do portifólio da PROBANK S.A. A área de consultoria da PROBANK Software terá as seguintes linhas de negócios: Business, Suíte, dedicada a implementação de ERP, CRM e Supply Chain Management; Desenvolvimento de Sistemas, dedicada a implementação de metodologia de e desenvolvimento, seguindo as diretrizes do CM Ml e capacitação profissional da plataforma Java; Cartão de Crédito, para implementação e desenvolvimento de soluções baseadas nas plataformas VisionPlus e B2K; Gerenciamento eletrônicos de Documentos (GED), com certificações oficiais nas plataformas Documentum e FileNet; Business Intelligence (BI), com expertise nas plataformas Cognos, Hyperion, Informática e Business Objects; e Project Management, dedicada ao gerenciamento de projetos segundo a metodologia do PMI. A PROBANK Software oferecerá ainda diversas modalidades de contratação dos serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas e aplicativos, segundo as diretrizes do CMMI, através dos seus centros de excelência em tecnologia Java, Net e Mainframe. A nova companhia utilizará os frameworks desenvolvidos pela ZERA para projetos nessas plataformas. Sobre a PROBANK A PROBANK provê soluções e serviços que ajudam as organizações a alcançarem seus objetivos estratégicos em Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC). É líder no mercado de outsourcing e está listada entre as 500 maiores companhias brasileiras. Registrando crescimento médio anual de receitas de 83,50% nos últimos cinco anos, a companhia prevê vendas de R$ 200 milhões para o exercício de 2006. Entre as linhas de negócio da PROBANK, há soluções e serviços para integração de sistemas e terceirização de processos de negócios. Os serviços de backoffice que incluem processamento de pagamentos e depósitos (retaguarda bancária), gerenciamento de projetos e equipes e operações centrais de CRM formam a principal linha de negócio da companhia e respondem por 42% das receitas. Em seguida, com 36%, vêm os serviços de campo (field services), que incluem instalação, operação, manutenção e suporte técnico de equipamentos de TIO Outros serviços de PROBANK são: fábrica de software, consultoria e locação de equipamentos com garantia de disponibilidade (customer premises equipment). Já as soluções da companhia em infraestrutura estão voltadas para a computação de 64 bits, armazenamento e redes. O sistema de gestão da qualidade da PROBANK, está certificado em conformidade com a norma ISO 9001:2000. Em 2005, a companhia recebeu o Prêmio Info 2000, concedido pela Revista Info, como a empresa que obteve o maior crescimento em vendas de Tl no País. A PROBANK Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.226 17 também foi premiada pela revista Isto É Dinheiro como a melhor empresa na Categoria Gestão Financeira no Setor Tecnologia no ano de 2004 e listada entre as 500 maiores empresas brasileiras no ranking da mesma publicação em 2005. A PROBANK mantém parcerias de negócios com a Silicon Graphics, Sun, Microsoft, Oracle, Cisco, Enterasys, Alcatel, Huawei, Check Point e Módulo Security, tendo alcançado certificações de alto nível como Cisco Premier Partner e Microsoft Gold Partner, dentre outras. No portifólio da PROBANK há projetos de grande alcance econômico e social, como a implantação de backbone da Justiça Eleitoral, o suporte técnico às Eleições 2004 e ao Referendo do Desarmamento em 2005, a operacionalização dos programas sociais do Ministério do Trabalho e Emprego, a infraestrutura de comunicação de dados dos correspondentes bancários e a retaguarda de agências da Caixa Econômica Federal. Sobre a ZERA A ZERA é uma empresa inovadora que tem como missão agregar valor aos negócios dos clientes através de soluções integradas de Tecnologia da Informação e Comunicação. Com faturamento anual de R$ 25 milhões e cerca de 300 colaboradores, a empresa está sediada em Alphaville (SP) e mantém centros de desenvolvimento no Rio de Janeiro (RJ) e em Vitória (ES). As áreas de negócios da ZERA incluem projetos e outsourcing, consultoria em business intelligence, ERP e gerenciamento eletrônico de documentos, serviços de CRM, call center e software para planejamento e controle de produção e cartão de crédito. A empresa implementou com sucesso diversos projetos para clientes corporativos dos setores de finanças, varejo, farmacêutico, petroquímico, energia e telecomunicações. Na carteira de clientes da empresa estão C&A, Banco IBI, Xerox, Bankboston, Lojas Americanas, Marisa, Pernambucanas, Roche, Petroflex, Primesys e AES, dentre outras corporações. A ZERA tem no seu portifólio projetos implementados em outros países, através de parcerias com HP e Accenture." A Ficha Cadastral Completa da PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, traz dentre outras, as seguintes informações: > data da constituição: 20/04/2006 > Início de Atividade: 01/10/1998 > Sessão de 20/04/2006 Transformada de sociedade civil, conforme ATA, datada de 20/02/2006. Registrada anteriormente sob n° 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Barueri SP. Denominação anterior registrada em cartório: C.J.S.Informática Ltda Inclusão de CNPJ 02.817.035/000143. > Sessão de 10/09/2008 Num.Doc. 298.183/080 (...) Remanescente Milton Sergio Conca, Nacionalidade Brasileira, CPF 058.050.87812, RG/RNE 12130487... ocupando o cargo de Diretor Técnico (com início de mandato em 20/04/2006) > Sessão de 29/10/2008 Num.Doc. 357.746/089 Destituição/renúncia de Milton Sergio Conca ... ocupando o cargo de Diretor, assinando pela empresa. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.227 18 Algumas empresas diligenciadas apresentaram além dos contratos firmados entre elas e a ZERA, Termos de Cessão de Contrato/Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações, Termos Aditivos, sendo que abaixo apresentamos algumas transcrições desses documentos, por amostragem: Termo de Cessão de contrato (datado de 09/01/2006) "CEDENTE, de ora em diante simplesmente assim designada, ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... CESSIONÁRIA, de ora em diante simplesmente assim designada, PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... e Na qualidade de ANUENTE ...PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A Considerando que a CEDENTE celebrou com a ANUENTE Contrato de Prestação de Serviços de consultoria em 21/01/2004 ("Contrato") e, como legítima titular dos direitos e obrigações decorrentes do contrato, tem interesse em cedêlos e transferilos onerosamente à CESSIONÁRIA que, por sua vez, tem interesse em assumilos... Cláusula Primeira A CEDENTE, na qualidade de única e legítima titular dos direitos decorrentes do Contrato, vem pelo presente ceder como cedido tem, todos os direitos e obrigações dele decorrentes à CESSIONÁRIA, com expressa concordância da ANUENTE..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANKS/A ...CNPJ 42.778.183/000382...("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA ...CNPJ 03.529.067/000106... ("Interveniente Anuente) (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A ...CNPJ 42.778.183/000382...("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, NexoCS Informática Ltda ...CNPJ 01.023.164/000105...("Interveniente Anuente") (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.228 19 obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Termo Aditivo n° 02 ao Contrato de Prestação de Serviços Técnicos Especializados em Soluções de Tecnologia de Informação (N° DM NPPO 0666) (datado de 30/05/2006) "Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado XEROX COMÉRCIO E INDUSTRIA LTDA ("XEROX") e, de outro lado, na qualidade de sucessora de PROBANK S/A, PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A ("CONTRATADA"), ambas devidamente identificadas no "1o ADITAMENTOAO INSTRUMENTO PARTICULAR SW CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES", resolvem celebrar o presente termo aditivo que se regerá pelas condições abaixo..." (grifamos) Da leitura dos textos acima transcritos, depreendemos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 deve ser responsabilizada nos termos do Art. 124, inciso I do CTN: "São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem." Da Sujeição Passiva Solidária Conforme já informado no tópico referente à multa qualificada, o ex sócio administrador, Sr.Milton Sérgio Conca utilizou de procedimento fraudulento para eximir o sujeito passivo do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. Conforme acima informado, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Embora tenha alterado o contrato social, o cadastro do CNPJ incluindo como sócios responsáveis ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVI DONE a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA. Os fatos acima descritos caracterizam a conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo Io e art 2o da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas às autoridades fazendárias, bem como sendo caracterizadas as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr.MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Considerando o procedimento da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, que transferiu os contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.229 20 empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a sua carteira de clientes; Considerando que embora o Sr.Milton Sérgio Conca tenha se retirado da ZERA em sessão de 02/01/2008, incluindo como sócios responsáveis pela ZERA, os Srs. ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE, pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA; Considerando que o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DF SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Assim, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, sendo que uma via desses Termos com os seus anexos, serão enviados aos respectivos domicílios, em nome de: a. Sr. Milton Sérgio Conca, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, sócio administrador à época dos fatos, nos termos dos arts. 124 c/c 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). b. PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). DEMONSTRATIVO DETALHADO NOS ANEXOS ANEXO I: notas fiscais emitidas para as empresas contratantes para prestação de serviços [constituído de 67 folhas]; ANEXO II: relação das notas fiscais emitidas com os valores das retenções do imposto e contribuições sociais [constituído de 24 folhas]; ANEXO III: valores apurados de depósitos bancários de origens não comprovados [constituído de 6 folhas]; ANEXO IV: consolidação de valores das receitas omitidas e depósitos bancários de origens não comprovados, utilizados na apuração do crédito tributário, e as retenções do imposto e contribuições sociais [constituído de 01 folha]; ANEXO V: valores do IRRF, PIS, COFINS e CSLL, retido e não recolhido das empresas contratadas para prestação de serviços, bem como a falta de declaração na DCTF [constituído de 32 folhas]. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, e a ciência deverá ser dada por EDITAL DE INTIMAÇÃO SEFIS, e considerado ciente no 16° dia da afixação do Edital, tendo em vista a não localização da empresa no seu domicílio fiscal. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.230 21 3. A autoridade fiscal elaborou, ainda, os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 215/217, em nome de Milton Sérgio Conca e de fls. 219/225, em nome de PROBANK Software e Consultoria S/A, sendo que se transcreve este último: "Contexto No exercício das funções de AuditoraFíscal da Receita Federal do Brasil, em procedimento de fiscalização relativo ao sujeito passivo acima identificado, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, relativamente à fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do ano calendário 2005, exercício 2006, constatouse os fatos a seguir descritos que ensejaram a lavratura do presente Termo de Sujeição Passiva Solidária pelo crédito tributário constituído. A empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJ IRPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. Desta forma, considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicilandose às declarantcs identificadas nas DIRF's, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo. Da análise dos documentos apresentados pelas empresas diligenciadas e pesquisas efetuadas por esta fiscalização, apurouse que o sujeito passivo ulilizousc de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. O procedimento consistiu na transferência dos contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a carteira de clientes da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128. Ocorre que, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/0001 28, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Nos documentos enviados pelas empresas diligenciadas, comprovouse a o acordo de participação entre ZERA e PROBANK S/A, conforme o texto do informe publicitário abaixo transcrito, bem como corroborados nos contratos firmados com as empresas contratantes para prestação de serviços. Do acordo de participação entre ZERA e PROBANK Abaixo transcrevemos o informe publicitário acerca da união entre a ZERA e a PROBANK: "PROBANK e ZERA anunciam união em software e consultoria Nova companhia prevê faturar R$ 75 milhões até 2007 Belo Horizonte, 23 de dezembro de 2005. A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . O acordo contou com a assessoria do escritório de Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.231 22 advocacia BARBOSA MÜSSNICH & ARAGÃO ADVOGADOS, representado pelo seu sócio ALEXANDRE COUTO SILVA. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. "O acordo de participação permitirá que as duas empresas ampliem seu portifólio de serviços e soluções e compartilhem mercados e clientes", explica o diretor da ZERA, Milton Conca. (...) A ficha cadastral completa da PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, traz dentre outras, as seguintes informações: > data da constituição: 20/04/2006 > Início de Atividade: 01 /10/1998 > Sessão de 20/04/2006 Transformada de sociedade civil, conforme ATA, datada de 20/02/2006. Registrada anteriormente sob n° 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Barueri SP. Denominação anterior registrada em cartório: C.J.S.Informática Ltda Inclusão de CNPJ 02.817.035/000143. > Sessão de 10/09/2008 Num.Doe. 298.183/080 (...) Remanescente Milton Sergio Conca, Nacionalidade Brasileira, CPF 058.050.87812, RG/RNE 12130487... ocupando o cargo de Diretor Técnico (com início de mandato em 20/04/2006) > Sessão de 29/10/2008 Num.Doe. 357.746/089 Destituição/renúncia de Milton Sergio Conca ... ocupando o cargo de Diretor, assinando pela empresa. Algumas empresas diligenciadas apresentaram além dos contratos firmados entre elas e a ZERA, Termos de Cessão de Contrato/Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações, Termos Aditivos, sendo que abaixo fizemos transcrições, por amostragem: Termo de Cessão de contrato (datado de 09/01/2006) "CEDENTE, de ora em diante simplesmente assim designada, ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... CESSIONÁRIA, de ora em diante simplesmente assim designada, PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... e Na qualidade de ANUENTE ...PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A... Considerando que a CEDENTE celebrou com a ANUENTE Contrato de Prestação de Serviços de consultoria em 21/01/2004 ("Contrato") e, como legítima titular dos direitos e obrigações Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.232 23 decorrentes do contrato, tem interesse em cedêlos e transferilos onerosamente à CESSIONÁRIA que, por sua vez, tem interesse em assumilos... Cláusula Primeira A CEDENTE, na qualidade de única e legítima titular dos direitos decorrentes do Contrato, vem pelo presente ceder como cedido tem, todos os direitos e obrigações dele decorrentes à CESSIONÁRIA, com expressa concordância da ANUENTE..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROFJANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... ("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA ...CNPJ 03.529.067/000106... ("Interveniente Anuente")... (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROFJANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A ...CNPJ 42.778.183/000382... ("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, NexoCS Informática Ltda ...CNPJ 01.023.164/000105...("Interveniente Anuente") (...) (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Termo Aditivo n° 02 ao Contrato de Prestação de Serviços Técnicos Especializados em Soluções de Tecnologia de Informação (N° DM NPPO 0666) (datado de 30/05/2006) "Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado XEROX COMÉRCIO E INDUSTRIA LTDA ("XEROX") e, de outro lado, na qualidade de sucessora de PROBANK S/A, PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.233 24 ("CONTRATADA"), ambas devidamente identificadas no "lo ADITAMENTO AO INSTRUMENTO PARTICULAR SW CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES", resolvem celebrar o presente termo aditivo que se regerá pelas condições abaixo..."(grifamos) Ressaltamos também que, de acordo com as informações constantes nas Fichas Cadastrais obtidas junto à Junta Comercial do Estado de São Paulo, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Considerando o procedimento da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, que transferiu os contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a sua carteira de clientes; Considerando que embora o Sr.Milton Sérgio Conca tenha se retirado da ZERA em sessão de 02/01/2008, incluindo como sócios responsáveis pela ZERA, os Srs. ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE, pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA; Considerando que o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Portanto, fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado relativamente aos tributos IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA e o REFLEXO da Contribuição Social s/ Lucro Líquido, do Imposto de Renda Retido na Fonte, do PIS, da COFINS e da CSLL, na data de 28/09/2010, contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são encaminhados neste ato. Fica cancelado, POR ESTAR INCOMPLETO, O TERMO PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ENCAMINHADO POR ENGANO FALTA DE ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS PERTINENTES E DA ASSINATURA DO AFRFB TORNANDO SEM EFEITO O REFERIDO TERMO ENCAMINHADO POR MEIO DO AR RJ 463362599, FICANDO O SUJEITO PASSIVO INTIMADO A PARTIR DO RECEBIMENTO DESTE." 4. Inconformada, a empresa PROBANK Software e Consultoria S/A, qualificada como "Sujeito Passivo Solidário", apresentou a impugnação de fls. 236/259, em 16 de novembro de 2010, com as seguintes razões de defesa. 4.1. Afirma que, conforme suscitado pela autoridade fiscal, a PROBANK S/A e a ZERA S/A firmaram um Acordo de Participação em Dezembro de 2005, enquanto as atividades da impugnante tiveram início somente em meados de 2006. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.234 25 4.2. Acrescenta que as empresas acordantes, inclusive a impugnante, mantiveram suas personalidades jurídicas e continuaram a exercer suas atividades. Enfim, apenas uniram esforços para aumentar sua visibilidade no mercado. Em suas palavras: "A concorrência e a competitividade nunca se fizeram tão intensas ou transparentes. Com a crescente integração das economias mundiais, o mercado nacional (e internacional) reestrutura se velozmente, provocando o acirramento da concorrência entre as empresas. Diante deste cenário, a dinamização das atividades se revela como um dos aspectos mais importantes na conquista de novos mercados. Alianças estratégicas são, hoje, movimentação ínsitas a qualquer prática negocial. É essa a realidade que impulsiona novas técnicas de associação e integração. No caso em tela, a impugnante surgiu de um acordo legítimo baseado na livre iniciativa em que, repitase, as empresas acordantes continuaram a exercer suas atividades, sendo exclusivamente responsáveis pelos direitos e obrigações decorrentes desse exercício. Assim, temse que o acordo de participação foi apenas um instrumento negocial legítimo em que duas empresas, que mantiveram sua personalidade jurídica e suas atividades, decidiram unir esforços para ampliar sua penetração mercadológica. " 4.3. Diz que não se pode admitir que uma atuação essencialmente estratégica, do ponto de vista do mercado, implique em transferência de responsabilidade quanto ao cumprimento dos deveres fiscais. E que os atos eventualmente praticados pela ZERA em nada beneficiaram a impugnante, tendo em conta que atuação das empresas, a par do acordo firmado, deuse de forma apartada, sem a conjugação de interesses específicos na prática de fatos jurígenos. E, sob a ótica societária, não houve qualquer vinculação entre as partes que permitisse a conclusão do silogismo acentuado pela fiscalização. 4.4. Portanto, a obrigação tributária decorrente do exercício das atividades da ZERA cabe tão somente a ela, pois nunca houve interesse comum ou mesmo conjugação de esforços da impugnante para a elisão do fato gerador. E, se um determinado contribuinte não mantém relação com o fato jurígeno, não colhe eventuais benefícios que dela decorram, não pode ser arrolado como responsável pelo recolhimento do tributo. 4.5. Referindose ao artigo 124, Inciso I, do CTN, afirma: "Esse ponto merece reflexão. Se o dispositivo mencionado acima não comporta beneficio de ordem — dispositivo esse que se escora a fiscalização — porque então o trabalho fiscal não imputou diretamente a responsabilidade à Impugnante sem que tantos e tortuosos caminhos fossem realizados para localizar PRIMEIRAMENTE o real sujeito passivo da obrigação? A resposta é singela. Não há responsabilidade por parte da Impugnante. Prova maior disso é que não houve nenhuma prova nos autos de que realmente existia por parte da Impugnante o interesse comum na prática do fato gerador. Com efeito, conquanto o Digesto Tributário tenha garantido a prerrogativa de imputação sem benefícios de ordem por parte da Fiscalização, não o fez sem critérios. A indicação, decerto lacônica, de "pessoas que tenham interesse comum" na prática do fato imponível, deve observar balizas fálicas e comprobatórias, sob pena de afronta à segurança e estabilidade das relações jurídicas." 4.6. Transcreve jurisprudência, fls. 242/245. 4.7. Argumenta que não é jurídico, muito menos razoável, que uma empresa constituída após a ocorrência dos fatos geradores tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, tendo em conta que foi constituída somente em 20/04/2006, mais de um ano depois dos fatos geradores presentes no auto de infração. Assim, haveria uma barreira Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.235 26 temporal intransponível, na medida em que uma empresa que não existe, não pode ter interesse algum na prática de qualquer fato gerador. 4.8. Ademais, os documentos enviados pelas empresas diligenciadas comprovam que todos os pagamentos feitos em decorrência dos serviços prestados em 2005 foram efetuados diretamente para empresa ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, não havendo qualquer documento, ou declaração, que mencione a participação da Impugnante em tais atividades. 4.9. Afirma que, segundo a fiscalização, duas situações foram determinantes para a atribuição da responsabilidade solidária: o suposto esvaziamento da carteira de clientes do sujeito passivo, que ocorreu por meio da cessão de contratos para a PROBANK S/A, e o fato e o Sr. Milton Conca ter sido sócio administrador da ZERA e também ter sido diretor técnico da Probank Software e Consultoria S/A. No entanto, tais premissas seriam falaciosas e merecem ser rechaçadas. Em continua: "Segundo informações* da própria fiscalização, o sujeito passivo manteve relações negociais com 38 (trinta e oito) empresas (fls. 330/334) que, como já dito, foram intimadas a prestar esclarecimentos sobre os serviços prestados pelo sujeito passivo no ano de 2005. Algumas destas empresas , 07 (sete) especificamente, não atenderam ao Termo de Intimação Fiscal e NUNCA FIZERAM parte do rol de clientes da Impugantne. São elas: (...) Já 13 (treze) empresas enviaram a documentação solicitada pela fiscalização, mas não houve qualquer cessão de contrato e, por via de conseqüência lógica, NENHUMA COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO. São elas: (...) Somente 04 (quatro) empresas enviaram documentos comprovando a cessão de seus contratos, a saber: (...) ORA, COMO PODE HAVER O ALEGADO ESVAZIAMENTO DA CARTEIRA DE CLIENTES DO SUJEITO PASSIVO, QUANDO DAS 38 (TRINTA E OITO) T EMPRESAS DILIGENCIADAS, SOMENTE EM 04 (QUATRO) HOUVE COMPROVAÇÃO DE CESSÃO?! Pela documentação que embasou a conclusão da fiscalização, verificase que, em relação à grande parte das empresas diligenciadas não foi realizado qualquer comprovação de contrato de cessão para a Impugnante. Só se pode falar em "esvaziamento" da carteira quando, por óbvio, TODOS os contratos de uma empresa são rescindidos ou transferidos, o que não ocorreu no caso. Não há nos autos, qualquer documento que comprove que algumas dessas empresas não continuaram a ser clientes do sujeito passivo, e ainda, que o sujeito passivo não tenha obtido novos clientes a partir daí, aumentado ~ e não esvaziando a sua carteira de clientes. Por outro lado, há ainda outro fato que merece destaque. Todos os 04 (quatro) contratos foram transferidos, conforme informa a própria fiscalização, no a/wcalendário de 2006. E, pretende a fiscalização, a partir dessa premissa, imputar responsabilidade solidária à Impugnante em virtude do Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.236 27 alegado "esvaziamento" da carteira de clientes da Impugnante por fatos geradores do anocalendário de 2005. Essa pretensão é absurda e merece ser absolutamente repelida. " 4.10. Quanto ao fato de o Sr. Milton Conca ter sido diretor da impugnante no período de abril de 2006 a outubro de 2008, diz que, os fatos geradores objeto da autuação referemse ao ano calendário de 2005, data anterior à constituição da Impugnante. 4.11. Diz que a lógica de se atribuir a responsabilidade solidária pelo simples fato de um de seus diretores ter feito parte de outra empresa, é frágil e viola frontalmente o princípio da legalidade. 4.12. Em suas palavras: "A diretoria tem como função praticar todos os atos não apenas de gestão de negócios sociais, como também de orientação das atividades técnicas da sociedade. Geralmente, por decisão estratégica, os diretores são pessoas com grande conhecimento técnico na área de atuação da empresa para orientar a melhor atuação para realização de seu objeto social. A nomeação do Sr. Milton Conca como diretor da Impugnante no período de 04/2006 a 10/1008, apenas corrobora as suas alegações sobre a união de esforços visando obter maior penetração mercadológica. Ressaltese que ele foi nomeado como "diretor técnico" da Impugnante. Repitase: a nomeação de uma pessoa como diretor de uma empresa não tem o condão de atribuir à sociedade nomeante qualquer responsabilidade que este diretor tenha, eventualmente, praticado atos com excesso de poderes em outra empresa. Esse é o entendimento do Egrégio Conselho de Recursos Fiscais — CARF. Confirase: (...) Mais uma vez, não logrou êxito a fiscalização em configurar a responsabilidade solidária da Impugantne, uma vez que o trabalho fiscal partiu de uma interpretação absolutamente desprovida da razoabilidade, com o intuito único e exclusivo de satisfação de seu alegado crédito tributário à revelia dos fatos e da melhor hermenêutica jurídica. " 4.13. Requer a decadência para o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2005, tendo em conta que a formalização do crédito tributário somente se deu em 20 de outubro de 2010, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Menciona jurisprudência, fls. 253/254. 4.14. Aduz que não pode ser responsabilizada pelas multas aplicadas à empresa ZERA, sob nenhuma modalidade de sucessão. 4.15. Acrescenta que a Constituição Federal, em seu artigo 5o, XLV, dispõe que "a pena não passará da pessoa do condenado", razão pela qual há um muro constitucional que veda a cominação de pena imputável à pessoa do agente do fato punível. E que não há qualquer fundamento legal que possibilite a imputação das penalidades aplicadas em razão da conduta do sujeito passivo à Impugnante, mormente quando ela sequer estava constituída à época da suposta conduta delituosa. Transcreve jurisprudência, fls. 416/418. Em suas palavras: "Fica evidente que somente a pessoa que tenha praticado a conduta que levou à cominação da pena. No caso, foi o sujeito passivo ZERA Integradora que deixou de apresentar documentos e que, segundo a fiscalização, cometeu atos com fraude. A Impugnante, repitase pela enésima vez, sequer estava constituída à época dos fatos geradores (2005). Diante de todo o cenário doutrinário e jurisprudencial demonstrado, concluise que, se por absurdo, a Impugnante for considerada responsável por qualquer óptica obrigações contidas no auto Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.237 28 de infração, deverá ser excluído do montante a ser pago, o percentual das multas imputadas ao sujeito passivo. " 4.16. Finaliza sua defesa: "A vista do exposto, requer a Impugnante seja conhecida e provida a presente Impugnação, para que: (i) Seja acolhida a alegação de ilegitimidade passiva, eis que os requisitos necessários à imputação de responsabilidade solidária, conforme demonstrado, não se configuraram; (ii) Caso seja ultrapassada a preliminar arguida, seja acolhida a alegação de decadência do crédito tributário relativo às competências de janeiro a setembro de 2005 (inclusive), reconhecendo a extinção das somas apuradas a título de CSLL; (iii) Subsidiariamente, caso não se entenda pela desconstituição do Termo de Sujeição Passiva Solidária, o cancelamento das multas aplicadas, posto que a cominação da pena somente é imputável ao agente que pratica o fato imponível, qual seja, ZERA INTEGRADORA;" A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA. Em vista da presença de fatos que evidenciam plenamente o vínculo existente entre a impugnante e os fatos que culminaram com a formalização do lançamento, correta é sua responsabilização solidária pelo crédito tributário exigido. A responsabilidade solidária não se restringese aos tributos e contribuições exigidos, abrangendo também as multas imputadas, inclusive a multa de ofício agravada e qualificada, em vista de sua natureza patrimonial e não pessoal. DECADÊNCIA. CSLL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA.FRAUDE. PRAZO. Diante da caracterização de conduta fraudulenta, com a conseqüente qualificação da multa de ofício, a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, não se consumando para os fatos geradores em que houve formalização do crédito tributário. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 366/396 a este CARF . É o Relatório Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.002331/201079 Resolução nº 1401000.216 S1C4T1 Fl. 1.238 29 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Apesar de intimada e reintimada, via afixação de Editais na dependência desta DRF/BRE, a fiscalizada não atendeu às intimações, inclusive para apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeira. Desta forma, ficou configurada a hipótese prevista no art. 33, I da Lei 9.430/96, e que justificou a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, conforme previsto no art. 6o da Lei Complementar 105, culminandov com o lançamento do IRPJ/Reflexos. Entretanto, é de se observar que a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13706.001311/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (Relatora) e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE.
HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR - Presidente.
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
CARLOS CESAR QUADROS PIERRE - Redator designado.
EDITADO EM: 28/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (Relatora) e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE. HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR Presidente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 13 11 /2 00 9- 37 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 133 2 CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Redator designado. EDITADO EM: 28/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 0429.103 – 3ª Turma da DRJ/CGE, de 20 de junho de 2012, fls. 58/63 que julgou improcedente a impugnação contra lançamento que exige imposto de renda das pessoas físicas, ano calendário de 2004, exercício de 2005, por glosa de despesas médicas e dedução indevida de incentivo à cultura. Transcrevo o relatório do acórdão combatido, por bem caracterizar o litígio: Trata o presente processo de impugnação ao crédito tributário relativo a Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar formalizado através Notificação de Lançamento (fl. 07), em face do sujeito passivo acima identificado, emitido na data de 22/12/2008, no montante de R$ 63.868,66, por intermédio de Revisão de Declaração de IRPF referente ao exercício 2005. A partir das informações registradas nos sistemas da Receita Federal do Brasil em comparação com a Declaração prestada, foram constatados dados tributários que exigiram esclarecimentos mediante a intimação pela autoridade fiscal para apresentação de justificativa e documentos. Do confronto dos esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo com as informações registradas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, foi efetuado o lançamento dos fatos geradores conforme o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 0910): Dedução Indevida de Incentivo à Cultura, à Atividade Audiovisual e com Doações ao Estatuto da Criança e Adolescente. Falta de comprovação ou de previsão legal para a sua dedução. Glosa de R$ 480,00 . Dedução Indevida de Despesas Médicas. Falta de comprovação ou de previsão legal para a sua dedução. Glosa de R$ 9.400,00 . GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 134 3 R$ 9.400,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada via AR em 19/01/2009 (fl. 53). DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou a impugnação, recepcionada em 18/02/2009 (fl. 0204),com a juntada de documentos probatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: 1) Suponho referirse ao recibo no 0865, de 05 de abril de 2005, no valor de R$ 9.400,00, no verso do qual existe um carimbo. 2) Devo ter esquecido, na pressa, de tirar xerox do verso do citado recibo, onde constava o carimbo solicitado com o endereço do médico, antes de anexalo à Intimação no 2005/607347237641135. 3) Agora, além do recibo (frente e verso), (doc.1), junto folha fornecida pelo profissional, a meu pedido, com o endereço do consultório onde sempre me atendeu (doc.2) 4) No que respeita à glosa por deu a indevida de incentivo fiscal, acrescento à presente cópia do DARF do pagamento efetuado (doc. 3). Vez que fui induzida a erro, por pessoas ligadas à Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro, ao pretender a dedução. 5) Finalmente, junto a presente cópia de todos os recibos dos valores pagos aos profissionais relacionados, para dedução, em minha declaração de rendimentos de 2004/2005, vez que na Notificação citada somente é mencionado o valor da glosa. 6) Assim sendo, solicito me seja concedido prazo para complementar algum documento, caso seja considerado incompleto. 7) A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento, requeiro seja acolhida a presente impugnação, na parte referente à dedução das despesas médicas. Solicito, outrossim, seja acatado o pagamento referente à parte não impugnada, no valor de R$ 480,00. PEDIDO 1) Improcedência parcial do Lançamento. A contribuinte toma ciência desta decisão em 24 de julho de 2012 conforme despacho de fls.66 (Termo de Vista de Processo). Em 17 de agosto de 2012, às fls.73/75, há interposição de recurso voluntário onde a Recorrente, após narrar os fatos, alega que a dúvida postada sobre a idoneidade dos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 135 4 recibos apresentados não prospera. O DR. Alexandre Kahtalian, por vários anos, foi seu psicólogo durante fase depressiva pela qual passou, conforme relatório médico que diz anexar. No tocante ao direito, em preliminar, reclama do pagamento realizado quanto a parcela não impugnada (incentivo à cultura), conforme DARF anexo, já apresentado quando ofereceu impugnação , porém o valor não foi alocado, ainda. Pede que tal providência seja tomada. No mérito, embora julgada improcedente sua impugnação , sob entendimento de que os recibos apresentados, isoladamente, seriam insuficiente para justificar a dedução com a despesa médica, contrapõe os fatos. O tratamento de saúde foi prestado pelo Dr. Alexandre Kahtalian, psicólogo, serviço perfeitamente enquadrado naqueles previstos para dedução do imposto de renda das pessoas físicas. Reafirma que comprovou o efetivo desembolso, através dos recibos apresentados. Informa que está anexando as cópias dos cheques microfilmados, nominativos ao Dr.Alexandre Kahtalian, sendo eles: cheques nºs 850264, no valor de R$700,00; 850270 – R$ 800,00; 850292 – R$ 600,00; 850306 – R$ 800,00 ; 850345 – R$ 900,00 ; 850363 – R$ 700,00 ; 850370 – R$ 900,00 ; 850380 – R$ 300,00 ; 850393 – R$ 800,00; 850411 – R$ 900,00. Anexa cópia autenticada da declaração do médico confirmando seu tratamento. Informa que no ano 2004 o banco não forneceu cópia de dois cheques, o de nº 850316, emitido em 02/04/2004, no valor de R$900,00 e o de nº 850327, emitido em 01/06/2004, no valor de 800,00 (devidamente compensados) conforme extratos anexados. Requer ao final provimento e prioridade no julgamento, nos termos do estatuto do idoso. Anexos juntados ao recurso, fls. 77/98/99/110. Despacho de fls.118 atesta a tempestividade do recurso. Ás fls. 125 e 128 reitera pedido de prioridade no julgamento. Através do despacho de encaminhamento de fls.131, por sorteio, recebo o processo para relato. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 136 5 Voto Vencido Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Conforme anteriormente relatado tratase de exigência do imposto de renda de pessoa física, referente ao ano calendário de 2004, exercício de 2005, onde na descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 10, consigna a autoridade lançadora, o seguinte (no tocante à matéria litigiosa): Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 9.400,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal:Art.8° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3º , da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. Vejase que neste item a acusação é genérica. A acusação se esclareceu em seguida: COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE R$ 9.400,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. Na peça impugnatória, às fls.07 consta recibo assinado e com firma reconhecida do médico. Às fls.08 há nota do médico que se refere aos recibos dos anos de 2005,2006, 2007, onde consta, o endereço e os demais dados (telefones e email). Na impugnação a Contribuinte também consignou: “No que respeita ao item 1 acima – glosa de despesas médicas – só é mencionado o valor , sem referência ao profissional ou clínica. Por isso suponho referirse ao recibo 0865, de 05 de abril de 2005,no valor de R$ 9.400,00,no verso do qual existe um carimbo. Devo ter esquecido, na pressa, de tirar xerox do verso do citado recibo, onde constava o carimbo solicitado com o endereço do médico, antes de anexalo à intimação 2005/607347237641135. Agora, além do recibo (frente e verso)(doc1) junto folha fornecida pelo profissional , a meu pedido, com o endereço do consultório onde sempre me atendeu (doc 2) E pediu, também, prazo para complementar algum documento caso fosse considerado incompleto o conjunto oferecido. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 137 6 No voto condutor do acórdão recorrido, assim constou: Portanto, se houver questionamento da autoridade fiscal, torna se necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento/desembolso correspondente, que não se restringe a apresentação de simples recibos ou declarações, pois ocorre a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, que passa a ter o ônus de comprovar e justificar as deduções e deve trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Portanto a dedução fica condicionada a comprovação do atendimento a quatro (04) requisitos: 1) quem são as pessoas que receberam o tratamento de saúde, sendo aceitos apenas o próprio contribuinte ou seus dependentes incluídos na declaração; 2) quem prestou o serviço, sendo aceitos somente os profissionais descritos expressamente na legislação; 3) a descrição dos serviços prestados, para que seja possível identificar se estão enquadrados naqueles previstos no citado dispositivo legal; e 4) a comprovação do efetivo desembolso, para que se verifique se o pagamento ocorreu dentro do anocalendário correspondente. Ou seja, além da causa apontada na notificação do lançamento, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL, a decisão acrescentou que o atendimento desses dois requisitos, apontados no lançamento como causa de exigência não seriam suficientes para o direito à dedução permitida na lei. Isto porque a comprovação deveria observar quatro requisitos: 1) quem são as pessoas que receberam o tratamento de saúde, sendo aceitos apenas o próprio contribuinte ou seus dependentes incluídos na declaração; 2) quem prestou o serviço, sendo aceitos somente os profissionais descritos expressamente na legislação; 3) a descrição dos serviços prestados, para que seja possível identificar se estão enquadrados naqueles previstos no citado dispositivo legal; e 4) a comprovação do efetivo desembolso. A recorrente, em sede de recurso juntou além dos recibos, os cheques nominativos microfilmados e os extratos bancários. O artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70235/1972 determina o conteúdo da impugnação e o seu parágrafo 4º é claro quanto ao momento de juntada da prova. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 138 7 Aqui o princípio da legalidade estrita. Todavia o Processo Administrativo Federal sofre a influência de diversos princípios, dentre estes, o do formalismo moderado e o da verdade material. Além do mais, no presente caso, também vejo permissão para aceitar as provas trazidas em sede de recurso, ante o comando da letra “c” do acima transcrito, parágrafo 4º do artigo 16 , assim vazado: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) . No lançamento, a acusação foi GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE R$ 9.400,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. E esta condição foi atendida na impugnação onde a causa para manter o lançamento foi além. O Relator do acórdão combatido acrescentou nas suas razões de decidir que “ a apresentação de simples recibos ou declarações não se prestavam para comprovação da efetiva prestação do serviço”. Entendo que confrontado este argumento com a causa de lançar, pelo benefício da dúvida, é lícito supor que a recorrente entendeu que não estaria obrigada a comprovar com os cheques, os pagamentos realizados. Exigência que só se esclareceu após a ciência do acórdão. Agora, cotejando os cheques com os extratos temse a seguinte situação: os cheques estão insertos às fls.79 a 95(sendo que estão microfilmados frente e verso e todos estão nominais ao emitente do recibo – Dr Alexandre Katalian). Às fls. 101/110 constam os extratos bancários (Banco do Brasil) onde há compensação dos cheques, conforme abaixo apontados. FLS. CHEQUE VALOR R$ DATA EXT.FLS 79 850264 700,00 06/jan/04 101 81 850272 800,00 04/fev/04 102 83 850292 600,00 02/mar/04 103 85 850306 800,00 04/mai/04 105 87 850345 900,00 01/jul/04 107 89 850363 700,00 03/ago/04 108 91 850370 900,00 31/ago/04 108 93 850380 300,00 05/out/04 109 95 850393 800,00 29/out/04 109 97 850411 900,00 03/dez/04 110 7.400,00 No tocante ao cheque inserto às fls. 81, a recorrente em suas razões apontou o número 850270, quando o correto é 850272 (microfilmagem e extratos os comprovam, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 139 8 conforme tabela). Aquele de terminação 70 foi compensado em janeiro, no dia 26/01/2004, no valor de R$ 1.332,50. O valor total da glosa foi de 9.400,00 mas só restou comprovado o valor de R$ 7.400,00. Por isto encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir da exigência o valor efetivamente comprovado. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto da Conselheira Relatora, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão de mérito. Conforme se verifica no relatório e no Voto da Relatora, no lançamento, a acusação foi GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE R$ 9.400,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL; e esta condição foi atendida na impugnação. Ocorre que o Relator do acórdão combatido acrescentou nas suas razões de decidir que, apesar dos vícios da falta de carimbo e endereço do profissional terem sido sanados “a apresentação de simples recibos ou declarações não se prestavam para comprovação da efetiva prestação do serviço”. Nesta linha de raciocínio, a Conselheira Relatora entendeu que a falta de comprovação dos serviços e efetivo pagamento levariam a manutenção de parte das glosas das deduções de despesas médicas em litígio. Com a devida vênia, ouso discordar da Relatora. É que, observo que a fiscalização sequer intimou a contribuinte para comprovar os efetivos pagamentos, limitandose apenas a não aceitar os recibos apresentado Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 140 9 por considerar que não atendia aos requisitos legais, em razão da ausência do carimbo e endereço do profissional emitente. É de se considerar que a fundamentação do auto de infração é a falta do carimbo e endereço do profissional emitente dos recibos para a consideração dos mesmos como provas documentais à dedução pleiteada. Pois bem, a autoridade autuadora não afirma haver falta de comprovantes de despesas, não invoca a falta de comprovação do pagamento, nem exibe razões para sustentar que há dúvida quanto a sua idoneidade, apenas afirma faltar o carimbo e endereço do profissional emitente. Sendo assim, a DRJ, por ocasião de seu julgamento não poderia ter argüido a falta de comprovação do pagamento das despesas médicas como razão para o não reconhecimento da dedução das despesas médicas pleiteadas, vez que este não foi o fundamento utilizado para a autuação. Deveria, outrossim, ter se prestado a DRJ a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que foi neste ponto que fundouse o lançamento. Desta feita, passo a análise dos requisitos legais constantes do artigo 8º, II, a c/c seu §2º, III, para a verificação da idoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;[...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; De acordo com o extraído do texto legal acima, verifico que os documentos anexados na impugnação, como já ressaltado pela Ilustre Relatora, atendem aos requisitos legais e, por tal razão, devem ser considerados como idôneos para a comprovação das despesas medicas e conseqüente dedução das mesmas. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001311/200937 Acórdão n.º 2201002.754 S2C2T1 Fl. 141 10 Nestas condições, penso que os recibos e notas fiscais são documentos hábeis e suficientes para comprovar as despesas médicas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$9.400,00. Carlos César Quadros Pierre Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 11020.002734/2004-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO
Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Joel Miyazaki- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
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RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 34 /2 00 4- 43 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: “Tratase de recurso voluntário (fls. 112/127) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 11/02/2008, contra acórdão n° 1014.743 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, datado de 20 de dezembro de 2007, que indeferiu o pedido de ressarcimento, bem como não homologou as compensações efetuadas pela recorrente, nos termos da ementa do acórdão (fls. 107), abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 CESSÃO DE ICMS — INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS. Rest/Ress. Indeferido — Comp. não homologada. Em 25/10/2004, a contribuinte apresentou Pedido de Restituição de crédito da COFINS não cumulativo, com fulcro no §§1° e 2°, do art. 6°, da Lei n° 10.833/2003, no valor total de R$ 94.606,94, relativo ao mês de julho de 2004, referente à ilegalidade da inclusão das cessões de créditos de ICMS na base de cálculo da contribuição, e, ao fim, requer a subseqüente compensação dos valores recolhidos a maior, com débitos existentes, conforme DComp's, constantes dos autos (fls. 01/45). A autoridade local, por considerar a cessão de créditos de ICMS a terceiros como auferimento de receitas, base de cálculo da contribuição para :a COFINS, glosou os referidos valores, reconhecendo parcialmente o direito creditório da contribuinte, no valor de R$ 78.942,03, homologando parcialmente as compensações efetuadas (fls. 54/59), tendo esta interposto Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, suscitando, preliminarmente, a inexistência de lançamento para a cobrança do suposto débito, nos termos do art. 142, do CTN e, no mérito, informa que a Lei n° 10.833/2003, juntamente com a IN SRF 600 de 2005, que regulamentam a compensação e ressarcimento de créditos oriundos da contribuição para COFINS, estabelecia que as pessoas jurídicas que realizassem exportações, com esse fim especifico, poderiam compensar débitos vencidos ou vincendos junto à Secretaria da Receita Federal (fls. 69/93). Por fim argumenta que a legislação é precisa ao tributar apenas as RECEITAS auferidas pelo contribuinte, ressalvando as DESPESAS, inclusive as decorrentes de pagamentos a fornecedores através de transferência de saldo credor de ICMS. A DRJ/POA indeferiu a solicitação, nos termos da Ementa já transcrita. Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, aduzindo, em suma, ser ilegal a inclusão do crédito do ICMS cedido a terceiros como receita da mesma, incidindo assim a COFINS, pugnando pelo reconhecimento integral do crédito pleiteado bem como a homologação das compensações efetuadas.” Fl. 515DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.002734/200443 Acórdão n.º 9303003.344 CSRFT3 Fl. 515 3 A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, o qual foi julgado nos termos do Acórdão nº. 380100.430, de 25/05/2010 (efls.173/178), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência da COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não se constituindo receita. Recurso Voluntário Provido. Contra o acórdão acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls. 181/186), o qual logrou seguimento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade constante às efls. 447/448. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, às efls. 460/473. É o Relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator Preenchidas as condições de admissibilidade do recurso especial, dele tomo conhecimento. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores auferidos pela contribuinte a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS gerados na exportação. A discussão encontrase superada no âmbito deste CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil). O Recurso Extraordinário nº 606.107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual decidiu que o PIS e a COFINS não incidiam sobre os créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o art. 25 da LC 87/96, porquanto não constituíam receitas, mas sim custo recuperável sob a forma de compensação ou restituição. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 4 Em 22/05/2013, o STF proferiu decisão acerca da matéria, cujo teor restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Fl. 517DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.002734/200443 Acórdão n.º 9303003.344 CSRFT3 Fl. 516 5 Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII – Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII – Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX – Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (Rel. Min. Rosa Weber. Publicação: 25/11/2013, DJE nº. 231, Trânsito em julgado: 05/12/2013) Por outro lado, dispõe o §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF/2015: Art. 62. ............................................................................................ §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos art.s 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 1963 – Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, in casu, não pode se furtar o julgador deste Tribunal Administrativo de reproduzir a decisão definitiva proferida pelo STF, na sistemática prevista no art. 543B do CPC/1973, que julgou inconstitucional a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operações de exportação, conforme demonstrado linhas acima. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 6 Com essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. É como voto. Joel Miyazaki Relator Fl. 519DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000031/2006-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 30/06/2005
COMPETÊNCIA.
Compete à Terceira Seção de Julgamento do CARF processar e julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação de COFINS.
Numero da decisão: 1302-001.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e declinar competência em favor da Terceira Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Compete à Terceira Seção de Julgamento do CARF processar e julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação de COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e declinar competência em favor da Terceira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 31 /2 00 6- 06 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 2 Relatório Cuidase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o julgado, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 30/06/2005 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA COM TÍTULOS PÚBLICOS. Incabível a discussão quanto à possibilidade de compensação de títulos de dívida pública com débitos informados em DCTF em sede de impugnação de lançamento de multa isolada por compensação indevida, visto que a compensação já foi discutida no processo próprio e lá não foi homologada. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Tratase processo do auto de infração de fls. 03/07, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Vitória (ES) – DRF/Vitória, no qual consta a exigência de multa isolada no valor de R$ 3.628.765,19, calculada em relação a débitos de COFINS dos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2004 e fevereiro a dezembro de 2005, indevidamente compensados. De acordo com o relatório de descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04, o lançamento decorreu de compensações não homologadas, efetuadas em DCTF e notificações extrajudiciais, utilizandose de títulos da dívida pública, conforme explicitou o autuante no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal em fls. 100/116. Recurso Voluntário endereçado à 3ª Seção de Julgamento do CARF às fls. 182/191. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 15586.000031/200606 Acórdão n.º 1302001.124 S1C3T2 Fl. 204 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A matéria controversa referese à multa isolada por compensação irregular de crédito tributário relativo à COFINS com títulos da dívida pública declarada em DCTF. Verificando o que consta dos autos noto que embora o autor do feito tenha também lançado crédito de IRPJ, CSLL, PIS e IPI, não se pode afirmar que os lançamentos são conexos, decorrentes ou reflexos, relativamente ao lançamento do IRPJ, sendo cada lançamento autônomo, embora sejam todos derivados da conduta da recorrente em compensar débitos tributários com títulos da dívida pública. A própria recorrente reconheceu isso ao endereçar o recurso à 3ª Seção de Julgamento. Desta forma, para preservar a competência regimental, e para que não se alegue posteriormente qualquer nulidade decorrente de processamento irregular no âmbito do contencioso administrativo, mister se faz encaminhar o presente à 3ª Seção de Julgamento, nos termos do inciso I do art.4º do RICARF. Assim, voto para declinar da competência para julgamento, em favor da 3ª Seção de Julgamento do Carf. Sala das Sessões, 12 de Junho de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10950.000722/2002-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS, NÃO INDUSTRIALIZADOS DIRETAMENTE PELO PRODUTOR/EXPORTADOR.
Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações desses produtos. Todavia, deixa-se de aplicar essa fórmula de cálculo ao caso sob exame visto que seria mais gravosa à recorrente.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS, NÃO INDUSTRIALIZADOS DIRETAMENTE PELO PRODUTOR/EXPORTADOR. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações desses produtos. Todavia, deixa-se de aplicar essa fórmula de cálculo ao caso sob exame visto que seria mais gravosa à recorrente. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS, NÃO INDUSTRIALIZADOS DIRETAMENTE PELO PRODUTOR/EXPORTADOR. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações desses produtos. Todavia, deixase de aplicar essa fórmula de cálculo ao caso sob exame visto que seria mais gravosa à recorrente. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 07 22 /2 00 2- 59 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 9303003.334 CSRFT3 Fl. 1.323 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 330200.953, de 4 de maio de 2011, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2001 A 31/12/2001 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO VALORES DERIVADOS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS PARA REVENDA. EXCLUSÃO TAMBÉM DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Não se admite, para fim de cálculo da variável “Receita de Exportação”, utilizada para apurar percentual a ser aplicado para determinação do crédito presumido de IPI, que sejam computadas as receitas oriundas da exportação de produtos agrícolas, não industrializados. Da mesma forma, tais produtos não podem integrar o conceito de “Receita Operacional Brutal”, evitando, assim, a distorção do percentual a ser utilizado. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Não tendo o contribuinte trazido prova aos autos da realização de exportações questionadas pelo Fisco, de se manter a glosa das receitas de exportação supostamente referente a tais operações, do cômputo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E/OU PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas ou cooperativas, nos termos da jurisprudência pacífica e reiterada deste Conselho. Ademais, a questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, consubstanciado no Recurso Especial RESP 993164, de relatoria do Ministro Luiz Fux. CREDITO PRESUMIDO IPI – INSUMOS IMPORTADOS E INDUSTRIALIZADOS SEM A UTILIZAÇÃO DE INSUMOS NACIONAIS. Impossibilidade de utilização de créditos decorrentes de insumos importados que, quando industrializados não utilizaram insumos nacionais. Inocorrência do tipo descrito na Lei 9363/96. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 9303003.334 CSRFT3 Fl. 1.324 3 TAXA SELIC – RESSARCIMENTO – APLICAÇÃO. Uma vez que o ressarcimento é espécie do gênero restituição deve incidir, sobre o valor a ser ressarcido, juros de mora calculados com base na taxa SELIC. Entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo, nos autos do Recurso Especial RESP 993164 – de relatoria do Ministro Luiz Fux. Súmula 411STJ. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Ante a decisão exarada, a PGFN insurgiuse apresentando recurso especial, no qual suscitou divergência quanto à exclusão das receitas de revenda no cálculo da receita operacional bruta. Em análise de admissibilidade, o Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões – fls. 1308 a 1318. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade, e dele tomo conhecimento. A matéria recursal limitase à análise do cálculo do percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta. Segundo a fundamentação do v. acórdão recorrido, afigurase necessária a exclusão das receitas de revendas de mercadorias tanto da “receita de exportação” quanto da “receita operacional bruta”, de modo que a referida parcela não componha nem o numerador nem o denominador da equação da base de cálculo do incentivo. A recorrente afirma que o cálculo do percentual entre a receita de exportação e receita operacional bruta, definido pelo julgador a quo, estaria incorreto. Segundo seu entendimento, embora tenha procedido com acerto ao manter a exclusão das receitas de revendas de mercadorias do cálculo da "receita de exportação", teria incorrido em equivoco ao também determinar a sua exclusão do cálculo da "receita operacional bruta”. Assiste razão à recorrente quanto à incorreção do cálculo efetuado. Entretanto, entendo que o alcance de tal incorreção diverge daquela apontada pela Fazenda Nacional, conforme demonstrarseá linhas abaixo. No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 9303003.334 CSRFT3 Fl. 1.325 4 determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições. Senão vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos. Ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Aliás, essa foi a decisão do Colegiado recorrido: excluir esses valores tanto da receita de exportação quanto da operacional bruta, o que, a meu ver, não seria a melhor solução, mas, mesmo assim, é melhor do que excluir de uma e deixar em outra, como pretende a recorrente. Repare que se prevalecesse a posição da Fazenda Nacional, haveria a distorção do índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições. Assim, não se deve admitir que tais valores Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 9303003.334 CSRFT3 Fl. 1.326 5 conste apenas de uma das receitas, quer da de exportação, quer da operacional bruta. No primeiro caso, a distorção seria favorável ao sujeito passivo; no segundo, à Fazenda Nacional. Como dito anteriormente, o mais correto seria acrescentar o valor das vendas para o exterior desses produtos no cálculo da receita de exportação e, também, no da receita operacional bruta, ao invés de excluir de ambas, como fez a decisão recorrida. Todavia, essa providência acarretaria prejuízo à Fazenda Nacional em relação ao que foi decidido no acórdão recorrido, situação incompatível com o princípio do non reformatio in pejus. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10855.003033/2003-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/04/1998
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Com base no disposto no art. 106, I do CTN, afasta-se a multa de ofício lançada com base em dispositivo legal que a deixa de prever.
Numero da decisão: 9303-003.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Designado para redigir o acórdão.
EDITADO EM: 27/10/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1998 a 30/04/1998 RETROATIVIDADE BENIGNA. Com base no disposto no art. 106, I do CTN, afasta-se a multa de ofício lançada com base em dispositivo legal que a deixa de prever.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Designado para redigir o acórdão. EDITADO EM: 27/10/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BARCELONA MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 30/04/1998 RETROATIVIDADE BENIGNA. Com base no disposto no art. 106, I do CTN, afastase a multa de ofício lançada com base em dispositivo legal que a deixa de prever. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Designado para redigir o acórdão. EDITADO EM: 27/10/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 30 33 /2 00 3- 65 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Recorre a Fazenda Nacional da decisão cuja ementa transcrevo: "MULTA ISOLADA DE OFICIO DÉBITO CONFESSADO EM DCTF RETROATIVIDADE BENIGNA. Em relação às declarações apresentadas anteriormente à vigência da Lei n° 11.051, de 2004, aplicase retroativamente a legislação posterior mais benéfica, ainda que alterada por nova lei (art.106, inc. II alínea "c" do CTN), que previa aplicação da multa somente em "razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos da Lei n° 4,502/64, inocorrente no caso. JUROS DE MORA SELIC INCIDÊNCIA A taxa SELIC é aplicável na atualização dos débitos fiscais não recolhidos integralmente no vencimento da obrigação, incidindo desde esta data, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento. Recurso provido em parte. Apesar dessa ementa, constatase nos autos que, em verdade, o lançamento decorreu de o contribuinte haver recolhido a destempo débito regularmente declarado em DCTF sem fazer incidir sobre o principal a multa prevista no art. 51 da Lei 9.430. Na declaração por ele entregue não há qualquer inexatidão, até mesmo a data do efetivo recolhimento encontrase corretamente apontada. Esses fatos relatados nas contrarrazões apresentadas pela empresa são facilmente comprovados tanto pelo lançamento quanto pelo relatório da decisão realizada na DRJ, assim ementada: O lançamento teve por base, portanto, além do art. 90 da MP 2.15835, a redação do art. 44 da mesma lei, então vigente, que previa a incidência da multa de ofício isolada nesses casos. Tal hipótese deixou de existir com a edição da Medida Provisória nº 303/2006, já vigente, portanto, mesmo quando do julgamento recorrido que se deu em 2010. A incorreção da ementa e do voto do acórdão recorrido devem ter induzido a erro tanto a Procuradoria da Fazenda Nacional, que recorre como se os fatos fossem mesmo declaração de compensação com créditos não comprovados, quanto o Presidente da Câmara ao analisar sua admissibilidade e, por fim, o próprio Conselheiro Rodrigo Miranda que dele também conheceu. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como apontei no relatório, votamos este recurso como se ele tratasse de exigência de débitos que se tivesse pretendido compensar com créditos inexistentes e incorretamente alegados em DCTF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10855.003033/200365 Acórdão n.º 9303003.284 CSRFT3 Fl. 12 3 Para tais situações, perfeitamente ratificado pela Câmara Superior o entendimento esposado na decisão recorrida: não se exige a multa de ofício por aplicação retroativa do art. 106 do CTN, dado que o art. 90 da MP 2158 veio a sofrer diversas alterações que a restringiram às situações em que houvesse atitude dolosa por parte do declarante. Foi com essas considerações que o colegiado, por unanimidade, negou provimento ao recurso Fazendário, ainda que o correto fosse dele não conhecer, uma vez que a matéria que deveria ter subido seria a possibilidade de manter multa já não mais presente no ordenamento jurídico, revogada que fora desde 2006. Esse o acórdão que me coube redigir. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 11060.720765/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. ENTREGA DA DIRPF. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. DECISÃO DO STF. IMPOSTO DE RENDA. ALÍQUOTA.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Segundo decisão do STF, no RE 614406, o contribuinte não estava obrigado a efetuar a entrega da declaração do, pois sua faixa era de isenção, devido a fixação das alíquotas ser aplicada individualmente, por exercício.
Por esse motivo, a multa por ausência de apresentação de declaração de ajuste anual deve ser recalculada, levando-se em conta a declaração de inconstitucionalidade declarada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de que o lançamento da multa por atraso na entrega de declaração seja recalculado, considerando-se como isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. ENTREGA DA DIRPF. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. DECISÃO DO STF. IMPOSTO DE RENDA. ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Segundo decisão do STF, no RE 614406, o contribuinte não estava obrigado a efetuar a entrega da declaração do, pois sua faixa era de isenção, devido a fixação das alíquotas ser aplicada individualmente, por exercício. Por esse motivo, a multa por ausência de apresentação de declaração de ajuste anual deve ser recalculada, levando-se em conta a declaração de inconstitucionalidade declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ENTREGA DA DIRPF. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. DECISÃO DO STF. IMPOSTO DE RENDA. ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Segundo decisão do STF, no RE 614406, o contribuinte não estava obrigado a efetuar a entrega da declaração do, pois sua faixa era de isenção, devido a fixação das alíquotas ser aplicada individualmente, por exercício. Por esse motivo, a multa por ausência de apresentação de declaração de ajuste anual deve ser recalculada, levandose em conta a declaração de inconstitucionalidade declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 07 65 /2 01 4- 85 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de que o lançamento da multa por atraso na entrega de declaração seja recalculado, considerandose como isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11060.720765/201485 Acórdão n.º 2402004.909 S2C4T2 Fl. 65 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. ENTREGA INTEMPESTIVA. Estando, o contribuinte, obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto de renda pessoa física, e a tendo efetuada após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido, na forma do relatório e voto, que passam a integrar o acórdão. Segundo a fiscalização, a Notificação de Lançamento de fls. 08, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário originário. O lançamento originouse da multa por atraso na entrega da declaração a pagar. Em 12/02/2014 foi dada ciência à recorrente do lançamento, conforme documento da administração. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, em 27/02/2014, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: Os rendimentos auferidos tratamse ação judicial em face do INSS, ao qual obteve êxito; Não concorda com a tributação acumulada, requer que seja tributado mês a mês, segundo a decisão judicial que ajuizou em face da fazenda nacional, ao qual a sentença de fls 10 a 20 determinou a tributação mês a mês, desta decisão interpôs Recurso Extraordinário para o STF, que reconheceu a repercussão geral da matéria. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Requer a insubsistência e a suspensão do lançamento até a decisão do STF. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando a improcedente a impugnação, para maior esclarecimento, com a seguinte fundamentação: "A legislação tributária prevê que as diferenças salariais recebidas acumuladamente por força de decisão judicial sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda na fonte no mês do efetivo recebimento e na Declaração de Ajuste Anual." Em 16/06/2014, a recorrente foi cientificada do lançamento, conforme (AR). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 16/07/2014, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Deixou de declarar seus rendimentos, pois são de ação judicial e o valor de seu benefício previdenciário, almejado na ação judicial em que obteve êxito, era menor do que a faixa de isenção do tributo; 2. Tratase de tributação de uma única vez sobre parcela oriunda da soma de benefícios correspondentes a dez anos; 3. Pelo exposto, improcedente a exigência. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11060.720765/201485 Acórdão n.º 2402004.909 S2C4T2 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, tratase de multa por atraso na entrega de declaração, determinada pela legislação. Lei 8.981/1995: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; Lei 9.532/1997? Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Parágrafo único. A multa a que se refere o art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, será: a) deduzida do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; b) exigida por meio de lançamento efetuado pela Secretaria da Receita Federal, notificado ao contribuinte. Lei 9.250/1999: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. A legislação acima determina a obrigação acessória tributária de entregar a declaração, com determinação sobre o prazo para cumprimento, a forma de cálculo da multa e a forma de autuação, caso não seja cumprida Fl. 68DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Destaquese que a Lei determina que a multa será calculada pelo valor devido, ainda que integralmente pago. Os valores não declarados conforme impugnação, decisão de primeira instância e recurso são oriundos de valor recebidos em ação judicial, que tinha por base disputa sobre benefícios previdenciários. Ou seja, o valor referese a benefícios acumulados ao longo do tempo. O CARF vinha decidindo, nessa questão, pelo sobrestamento dos processos, por repercussão geral, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no, Recurso Extraordinário (RE, 614.406), no seguinte sentido: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. ... A fundamentação do lançamento e da decisão de primeira instância não deixam dúvida que o caso trata da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no ano calendário 2008, fato corroborado pelos documentos emitidos pelo INSS (fls. 17 e s ss.) que indicam que se trata de benefícios previdenciários do período de 31/01/2002 a 30/09/2007. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012." (Processo: 10840.721504/201190, Acórdão: 2802000.147, Data: 15 de maio de 2013, Relator: Jorge Claudio Duarte Cardoso). Ocorre que o STF já decidiu a questão, conforme abaixo: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO 614.406 RIO GRANDE DO SUL RELATORA :MIN. ROSA WEBER REDATOR DO ACÓRDÃO:MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) :GERALDO TEDESCO ADV.(A/S) :CARLOS ALBERTO LUNELLI Fl. 69DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11060.720765/201485 Acórdão n.º 2402004.909 S2C4T2 Fl. 67 7 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 23 de outubro de 2014. Portanto, ficou decidido que o IRPF deve levar em consideração para fixação da alíquota, individualmente, os exercícios envolvidos. Assim, não há como conceituar como integrante da base de cálculo do IRPF valor cujo cálculo foi julgado inconstitucional pelo STF. Destaquese, novamente, que o cálculo da multa, como determinado na legislação, deve levar em conta os valores devidos e o valor referente aos recebimentos acumulados não podem compor o valor a recolher. Assim, como o valor não deve ser considerado para o cálculo do imposto devido, necessária a correção do valor da multa aplicada, considerandose como isentos os rendimentos recebidos acumuladamente, por força de decisão judicial citada acima. CONCLUSÃO: Voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de que o lançamento da multa por atraso na entrega de declaração seja recalculado, considerandose como isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, nos termos deste voto. Marcelo Oliveira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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