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Numero do processo: 10380.006662/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 28/02/1998
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99).
Numero da decisão: 2301-007.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 28/02/1998 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99).
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 66 62 /2 00 7- 02 Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.654 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.006662/2007-02 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 263/271) interposto pelo Contribuinte DAFONTE VEÍCULOS LTDA, contra a decisão da 6ª Turma da DRJ/FOR (e-fls. 234/248), que julgou parcialmente procedente a impugnação contra a Notificação de Lançamento de Débitos n o 35.785.590-6 (e-fls. 02/20), conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 28/02/1998 NFLD. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de .contribuições previdenciárias é de 10 anos, conforme Lei n° 8.212/91, art. 45. EMPRÉSTIMO DO SÓCIO À EMPRESA. PROVA. Para que o empréstimo do sócio à empresa se configure legal, é necessário que seja comprovada a sua capacidade financeira e a transferência dos recursos. Lançamento Procedente em Parte De acordo com o Relatório Fiscal (e-fls. 25/26), no período de 05/1996 a 09/1996, o sócio Eduardo Dourado da Fonte não retirava pró-labore, mas a empresa pagava para ele aluguel, condomínio e conta de energia elétrica de sua residência, bem como seguro do seu automóvel. Diz, ainda, o agente fiscal que nos meses de 07/1997 a 02/1998, o empresário retirava pró-labore mensal de R$ 2.000,00 (dois mil reais) e emprestava dinheiro para a empresa para que ela pagasse suas contas pessoais, porém em valores bem superiores à sua retirada. Esses valores foram caracterizados como retirada de pró-labore e lançados na presente notificação sob análise. A decisão de primeira instância excluiu do lançamentos os valores referentes ao aluguel de 09/1996 e ao seguro do carro, no montante principal de R$ 8.021,89 (oito mil, vinte e um reais e oitenta e nove centavos), conforme tabela a seguir: Cientificado da decisão de primeira instância em 13/03/2009 (e-fl.260), o contribuinte interpôs em 14/04/2009 recurso voluntário (e-fls. 263/271), no qual alega decadência do crédito tributário pela regra do art. 173 inciso I do CTN e Súmula Vinculante n o 08 do STF É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.654 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.006662/2007-02 Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O recorrente alega em seu recurso extinção do crédito tributário pela aplicação da regra decadencial contida no art. 173 inciso I do CTN e Súmula Vinculante n o 08 do STF. Sobre o tema, a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às Contribuições Previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12/08/2009, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.654 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.006662/2007-02 Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. No presente caso, a autuação se referiu a verbas de Participação no Lucros pagas aos segurados empregados, de sorte que é aplicável a Súmula CARF nº 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração)." Nesse passo, verifica-se pelo exame do RDA – Relatório de Documentos Apresentados (e-fls. 13/15) que houve pagamento antecipado nas competências que foram objeto do lançamento em questão. Assim, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, considerando-se como termo inicial do prazo decadencial a data de ocorrência do fato gerador. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 23/03/2006 (fls. 85) e os fatos geradores do crédito tributário abrangem as competências 05/1996 a 02/1998, constata-se a ocorrência da decadência de todo o período lançado, objeto do litígio. Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-007.654 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.006662/2007-02 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e dar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13896.900666/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO CONTRA A FAZENDA NACIONAL. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. DCTF RETIFICADORA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO INDEFERIDO.
O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse órgão.
Para supressão ou redução de imposto a pagar (confessado em DCTF- original), mediante DCTF-retificadora, existindo resistência do Fisco em processo de compensação tributária, a legislação tributária estabelece necessidade do contribuinte fazer a comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil, com documentos de suporte dos registros contábeis, demonstrando onde estaria o alegado erro de fato (CTN, art. 147, § 1º, e art. 923 do RIR/99, atual art. 967 do RIR/2018).
Declarações elaboradas de forma unilateral, inclusive DCTF (retificadora), reduzindo débito confessado na DCTF (original), por si só, não comprovam alegado crédito contra a Fazenda Nacional, exige-se comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada da escrituração contábil e documentos de suporte de onde foram extraídos os dados e assim justificar a apresentação da DCTF (retificadora) e permitir análise da formação do alegado crédito e aferição da sua liquidez e certeza (art. 170 do CTN).
O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal.
E o momento da produção da prova, conforme estatuem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 é por ocasião da apresentação das razões de defesa na instância a quo e admitida a complementação de provas, na instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário.
Não comprovada a formação do crédito pleiteado, sua liquidez e certeza, indefere-se o alegado crédito e não se homologa a compensação tributária.
PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal.
A perícia técnico-contábil se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos da escrituração contábil.
Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.
A diligência fiscal, perícia técnico-contábil, não têm o condão de substituir a parte recorrente na sua atividade de produção de prova.
É ônus do contribuinte comprovar o fato constitutivo do alegado direito creditório contra a Fazenda Nacional (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC - Lei nº 13.105/2015, art. 373, I).
Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, por ter caráter procrastinatório da exigência do crédito tributário pela Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 1401-004.540
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao pedido de diligência. Vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DIREITO CREDITÓRIO CONTRA A FAZENDA NACIONAL. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. DCTF RETIFICADORA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO INDEFERIDO. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse órgão. Para supressão ou redução de imposto a pagar (confessado em DCTF original), mediante DCTFretificadora, existindo resistência do Fisco em processo de compensação tributária, a legislação tributária estabelece necessidade do contribuinte fazer a comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil, com documentos de suporte dos registros contábeis, demonstrando onde estaria o alegado erro de fato (CTN, art. 147, § 1º, e art. 923 do RIR/99, atual art. 967 do RIR/2018). Declarações elaboradas de forma unilateral, inclusive DCTF (retificadora), reduzindo débito confessado na DCTF (original), por si só, não comprovam alegado crédito contra a Fazenda Nacional, exigese comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada da escrituração contábil e documentos de suporte de onde foram extraídos os dados e assim justificar a apresentação da DCTF (retificadora) e permitir análise da formação do alegado crédito e aferição da sua liquidez e certeza (art. 170 do CTN). O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 06 66 /2 00 8- 30 Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 361 2 E o momento da produção da prova, conforme estatuem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 é por ocasião da apresentação das razões de defesa na instância a quo e admitida a complementação de provas, na instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Não comprovada a formação do crédito pleiteado, sua liquidez e certeza, indeferese o alegado crédito e não se homologa a compensação tributária. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnicocontábil se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos da escrituração contábil. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. A diligência fiscal, perícia técnicocontábil, não têm o condão de substituir a parte recorrente na sua atividade de produção de prova. É ônus do contribuinte comprovar o fato constitutivo do alegado direito creditório contra a Fazenda Nacional (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC Lei nº 13.105/2015, art. 373, I). Considerase inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, por ter caráter procrastinatório da exigência do crédito tributário pela Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao pedido de diligência. Vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 362 3 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 363 4 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 316/328) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (efls. 303/307) que indeferiu o crédito pleiteado e não homologou a compensação tributária objeto do presente processo. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 17/12/2003, a contribuinte transmitiu eletronicamente a DCOMP nª 23417.73572.171203.1.7.040986 (retificadora da DCOMP original nº 12154.16854.111203.1.3.040780) (efls. 02/06), informando compensação tributária, sob condição resolutória, onde consignou: Débitos (confessados): (...) (...) Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 364 5 Crédito: (utilizado): R$ 212.283,65 (original). Origem seria pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA 31/10/2003, valor do recolhimento R$ 289.234,21 (original): (...) (...) (...) Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 365 6 Obs: Cópia do comprovante de pagamento do IRPJ Estimativa Mensal PA 31/10/2003, código de receita 2362, data pagamento 28/11/2003, valor R$ 289.234,21 (efl. 69). que, em 20/05/2008, a unidade de origem da RFB, no caso DRF/Barueri indeferiu o alegado crédito, pois inexistente (já fora utilizado, alocado, consumido pelo débito do IRPJ estimativa mensal do próprio PA informado na DCTF), conforme Despacho Decisório (efl. 07), cuja fundamentação e conclusão transcrevo, in verbis: (...) (...) Ciente desse despacho decisório em 28/05/2008 quartafeira (efls. 10/11), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/06/2008 segundafeira (efls. 12/24), cujas razões estão assim resumidas no relatório da decisão recorrida (efls. 303/307), in verbis: (...) 3. Regularmente cientificada por via postal em 28/05/2008 (fls. 1011), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 27), apresentou, em 26/06/2008, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1324, instruída com os documentos de fls. 25138, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argumenta que recolheu débito de R$ 289.234,21 de estimativa de IRPJ do mês de outubro/2003, mas, como era devido o valor de R$ 76.950,57, conforme podese observar da Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 366 7 Ficha 11 da DIPJ 2004, houve um recolhimento a maior de R$ 212.283,65; b) o princípio da verdade material, conquanto decorrente do princípio da legalidade, consiste no reconhecimento, pela Administração Pública, da veracidade dos fatos; como a administração tributária encontrase vinculada ao que determina a lei, é possível concluir que só haverá obrigação tributária se o fato realmente se amoldar a sua hipótese de incidência; a DCTF entregue pela contribuinte não condiz com a realidade fática, pois o valor do imposto de renda devido por estimativa no mês de outubro/2003 não era de R$ 289.234,21, mas sim o valor de R$ 76.950,57; c) a manifestante pode pleitear a restituição/compensação dos tributos recolhidos aos cofres públicos de maneira indevida (pagamento indevido ou a maior), só podendo haver a imposição de algum tipo de penalidade caso reste configurado infração à lei; d) pelos documentos ora juntados, especialmente pela DIPJ da manifestante, restou claro a legitimidade e a liquidez do referido crédito tributário, impondose, por conseguinte, a homologação da presente declaração de compensação; do contrário, o princípio da verdade material seria letra morta, pois ele se sucumbiria diante de um mero erro no preenchimento da DCTF; e) que retificou a DCTF do 4º trimestre/2003 em 26/06/2008, com a finalidade de sanar o erro de preenchimento, no que tange ao valor devido de IRPJ de outubro/2003; f) como todos os débitos reclamados pela autoridade fiscal foram regularmente satisfeitos, não se pode imputar à empresa a cobrança de quaisquer juros moratórios ou multa; g) protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos para demonstrar a veracidade dos fatos alegados na presente manifestação de inconformidade, especialmente a prova pericial, caso se entenda necessário. (...) Na sessão de 24/01/2014, a 1ª Turma da DRJ/Curitiba indeferiu o crédito pleiteado e não homologou a compensação, conforme Acórdão (e fls. 303/307), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 367 8 PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia quando a interessada protesta por ela, mas deixa de formular os quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Ciente desse decisum em 24/02/2014 segundafeira (efl. 314), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26/03/2014 quartafeira (efls. 316/328), cujas razões, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) (...) Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 368 9 (...) (...) (...) Fl. 368DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 369 10 (...) (....) (...) (...) Fl. 369DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 370 11 (...) Obs: Nesta instância recursal ordinária do CARF, a contribuinte não juntou outros elementos de prova além daquelas já apreciadas na instância a quo. A contribuinte juntou aos autos na primeira instância, e já apreciados pela decisão recorrida os seguintes elementos de prova: (i) Cópias do recibo e das Fichas 11 e 12A DIPJ 2004, anocalendário 2003, transmitida em 22/06/2004, onde consta débito apurado do IRPJ estimativa mensal do PA 31/10/2003 R$ 76.950,57 (efls. 71/74). (ii) Cópia da DCTF Original 4º trimestre /2003, valor do débito do IRPJ PA 31/10/2003 confessado R$ 289.234,21, de 12/02/2004 (efl. 76 e efl. 85); (iii) Cópia de folhas do Razão Conta contábil IRPJ devido R$ 76.950,59 e estornos (efls. 78/79). (iv) Cópia DCTF Retificadora transmitida em 26/06/2008 (após data de ciência do despacho decisório), onde consta redução do Débito IRPJ estimativa mensal do PA 30/10/2003 4º trimestre/2003 para R$ 76.950,56 (efls. 81/84 e 86/138). É o relatório. Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 371 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Tratase de processo de compensação tributária. A contribuinte utilizou na DCOMP objeto dos autos como crédito R$ 212.283,65 de suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal do PA outubro/2003, valor recolhido R$ 289.234,21 em 28/11/2003, cujo débito seria apenas R$ 76.950,57. As decisões anteriores nos presentes autos denegaram o alegado crédito pleiteado, pois: a) primeiro, o despacho decisório da DRF/Barueri indeferiu o alegado crédito por sua inexistência. O valor integral do pagamento restou consumido, utilizado, alocado, ao próprio débito do IRPJ estimativa mensal do citado PA, confessado na DCTF, R$ 289.234,21; b) por último, a 1ª Turma da DRJ/Curitiba indeferiu o pretenso crédito, pois a contribuinte não comprovou o alegado erro de fato. Veja, a contribuinte tendo transmitido a DCTF retificadora após ciência do despacho decisório, buscou reduzir o débito de R$ 2289.234,21 para R$ 76.950,57. Ora, débito do imposto confessado na DCTF Original, para sua redução ou supressão, após ciência do despacho decisório, perda da espontaneidade, necessário comprovar o alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil com documento de suporte dos fatos nela registrados. A contribuinte deixou de comprovar na instância a quo o alegado erro de fato. Nesse sentido, transcrevo a fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido (efl. 306), in verbis: (...) 10. Como a estimativa de outubro/2003 foi apurada com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, conforme informado na Ficha 11 da DIPJ 2004, concluise que em Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 372 13 28/11/2003 (data do recolhimento efetuado) a interessada já devia ter levantado o balanço ou balancete do período de 01/09/2003 a 31/10/2003, com base no qual apurou o débito de R$ 289.234,21 cujo valor foi confessado nas DCTF’s apresentadas em 12/02/2004 e 19/05/2004, que constituem instrumento de confissão de dívida, conforme dispõe a Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, e as posteriormente editadas em sua substituição. 11. Logo, o débito de R$ 289.234,21 não teve seu valor apurado de forma aleatória, segundo critério exclusivo da contribuinte, pois o artigo 35, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, determina expressamente que os balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário, ou seja, com realização de todos procedimentos contábeis e fiscais exigidos no encerramento do período de apuração, inclusive adições e exclusões no Lalur. (...).. 12. Por conseguinte, tendo posteriormente, no preenchimento da DIPJ 2004, apresentada em 22/06/2004, constatado que o débito de IRPJ devido por estimativa no mês de outubro/2003 era na realidade no valor de R$ 76.950,57, conforme informado na sua Ficha 11, cabe a reclamante apresentar esclarecimentos acerca da natureza do erro que alega ter cometido na apuração do valor confessado na DCTF do 4º trimestre/2003, demonstrando qual equívoco ou evento posterior ocasionou a redução para R$ 76.950,57 do valor do débito de R$ 289.234,21 que acreditava piamente ser devedor e cujo recolhimento efetuou em 28/11/2003. 13. Dessa forma, tendo a interessada se limitado a alegar mero erro no preenchimento da DCTF, corroborada apenas por planilha não conclusiva com ajustes na conta 21121012IRPJ Devido (fl. 78), entendo que não restou comprovada a existência de crédito líquido e certo passível de ser utilizado na compensação declarada nos autos, conforme exigido pelo artigo 170 do CTN. (...) Como visto, a decisão a quo, na fundamentação do voto condutor, consignou que a contribuinte, tendo transmitido a DCTFretificadora após ciência do despacho decisório, limitou se a alegar a ocorrência de erro de fato: a) quanto ao pagamento do valor do débito (recolhimento indevido ou a maior); e b) quanto à confissão na DCTF original do valor do débito (confissão de débito indevido ou a maior); Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 373 14 c) porém, não produziu prova hábil, idônea, cabal, do alegado erro de fato, pois não juntara cópia dos livros Diário, Razão, Lalur e dos balancetes de suspensão/redução art. 35 da Lei 8.981/95. Nesta instância recursal, novamente sem juntar os citados elementos de prova necessários para comprovar o alegado erro de fato, a recorrente simplesmente no nível retórico, argumentativo, citando o princípio da verdade material, pediu: a reforma da decisão recorrida, para reconhecimento do alegado crédito, o qual já estaria comprovado nos autos sua liquidez e certeza; que, no entanto, caso os elementos de prova já juntados na instância a quo (já analisados pela decisão recorrida) sejam realmente insuficientes para formação da convicção do julgador, então que se proceda a conversão do julgamento em diligência; que incabível a exigência dos juros de mora. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. Não procede a irresignação da recorrente. Veja, a contribuinte juntou aos autos na instância a quo apenas: (i) Cópia do comprovante de pagamento, devidamente carimbado pela Instituição Financeira, valor do pagamento/recolhimento do IRPJ Estimativa Mensal do PA outubro/2003, R$ 289.234,21, data de pagamento 28/11/2003 (efl. 69); (ii) Cópias do recibo e das Fichas 11 e 12A DIPJ 2004, anocalendário 2003, transmitida em 22/06/2004, onde consta débito apurado do IRPJ estimativa mensal do PA 31/10/2003 R$ 76.950,57 (efls. 71/74). (iii) Cópia da DCTF original 4º trimestre /2003, valor do débito do IRPJ PA 31/10/2003 confessado R$ 289.234,21, de 12/02/2004 (efl. 76 e efl. 85); (iv) Cópia de folhas do Razão Conta contábil IRPJ devido R$ 76.950,59 e estornos (efls. 78/79). (v) Cópia DCTF retificadora transmitida em 26/06/2008 (após data de ciência do despacho decisório), onde consta redução do Débito IRPJ estimativa mensal do PA 30/10/2003 4º trimestre/2003 para R$ 76.950,56 (efls. 81/84 e 86/138). Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 374 15 A decisão recorrida já havia sinalizado à contribuinte dos elementos de prova necessários para comprovação do alegado erro de fato, ou seja: cópia dos livros Diário, Razão, Lalur e dos balancetes de suspensão/redução art. 35 da Lei 8.981/95 para demonstrar, de forma cabal, de onde extraiu os dados informados na DIPJ e na DCTF retificadora. Entretanto, a recorrente, de forma recalcitrante, não juntou aos autos outros elementos de prova, além daqueles já enfrentados pela decisão recorrida. Simplesmente, no plano retórico, argumentativo, nas razões do recurso, a recorrente invocou o principio da verdade material; que o erro de fato já estaria demonstrado nos autos e que, se ainda houvesse dúvida acerca da existência do alegado crédito, caberia a conversão do julgamento em diligência fiscal. Data venia laborou, em completo, equívoco a recorrente. Nos presentes autos, o erro de fato alegado pela contribuinte não está comprovados. E, ainda, incabível o pedido de realização de diligência fiscal. Para supressão ou redução do débito do imposto confessado em DCTF original, mediante DCTF retificadora apresentada após ciência do despacho decisório, perda da espontaneidade, existindo resistência do Fisco em processo de compensação tributária, a legislação tributária estabelece necessidade do contribuinte fazer a comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil (livros Diário, Razão Analítico, Lalur e Balancetes Mensais de Suspensão/Redução), com documentos de suporte dos registros contábeis, demonstrando onde estaria o alegado erro de fato, o que teria gerado a apuração errônea do IRPJ estimativa mensal (CTN, art.147,§1º). Declarações elaboradas de forma unilateral, como DIPJ, inclusive DCTF (retificadora), reduzindo débito confessado na DCTF (original), por si só, não comprovam alegado crédito contra a Fazenda Nacional, exigese comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada da escrituração contábil e documentos de suporte de onde foram extraídos os dados que foram utilizados para alimentar essas declarações e, assim, justificar a apresentação da DCTF (retificadora) e permitir análise da formação do alegado crédito e aferição da sua liquidez e certeza (art.170 do CTN). O art. 923 do RIR/99, atual art. 967 do RIR/2018, estatui que a escrituração contábil/fiscal, mantida com observância da legislação de regência, faz prova dos fatos nela registrados, in verbis: Art.967. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Leinº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º) No caso, a contribuinte não juntou cópia do livro Diário Geral, do livro Razão Auxiliar, do LALUR e dos Balancetes Mensais de Suspensão/Redução (art. 35 da Lei nº 8.981/95) de como registrou a apuração do IRPJ estimativa Mensal do PA outubro/2003. Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 375 16 A contribuinte ficou inerte, não produziu elementos de provas nesta instância recursal, no prazo recursal. A decisão recorrida já havia sinalizado à contribuinte das provas necessárias para comprovação do alegado erro de fato, porem a recorrente apenas ficou, como dito, no plano retórico. Assim, a mera juntada de cópias de folhas do Razão Conta contábil IRPJ devido R$ 76.950,57 (efls. 78/79) nada acrescenta para resolução na lide, em termos de comprovação do alegado erro de fato, de como foi apurado o IRPJ Estimativa Mensal PA outubro/2003. Pelo qual o valor apurado, confessado na DCTForiginal e pago R$ 289.234,21 (efl. 76 e efl. 85) não seria correto? Pelo qual o valor correto seria R$ 76.950,57? Cadê a escrituração contábil, com os documentos de suporte dos fatos nela registrados, de que trata o art. 923 do RIR/99? Não restou comprovado o alegado erro de fato, ou seja, não restou comprovado a razão pela qual a contribuinte apresentou DCTFRetificadora do PA outubro/2003, ao reduzir o imposto estimativa mensal de R$ 289.234,21 para R$ 76.950,57. O ônus probatório do erro de fato, vale dizer, do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015 (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...). E o momento da produção da prova, conforme estatuem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 é por ocasião da apresentação das razões de defesa na instância a quo e admitida a complementação de provas, na instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Como visto, a recorrente não complementou os elementos de prova nesta instância recursal ordinária do CARF, no prazo recursal, preferiu ficar no plano retórico. Não comprovado, de plano, o alegado erro de fato, inaplicável a Súmula CARF nº 84, cujo verbete estatui, in verbis: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.(Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, não restou comprovado o alegado erro de fato. Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 376 17 Logo, o pagamento da estimativa mensal do PA outubro/2003, que tem natureza de mera antecipação do imposto devido na declaração de juste anual, deuse na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96. A contribuinte não juntou aos autos cópia dos Balancetes Mensais de suspensão/redução (art. 35 da Lei nº 8.981/95), cópia do Livro Lalur, cópia do livros Diário e Razão, para comprovar eventual excesso de pagamento de estimativas mensais em relação ao imposto devido apurado com base no lucro real anual ajuste anual. Ou seja, não comprovou eventual saldo negativo do imposto do anocalendário 2003 no ajuste anual. Destarte, não restou comprovado nos autos o alegado erro de fato e, por conseguinte, não restou comprovado o alegado direito creditório Não comprovada a formação do crédito pleiteado, sua liquidez e certeza, indeferese o alegado crédito e não se homologa a compensação tributária. Não cabe pedido de realização de diligência para juntar provas documentais, ou seja, cópia da escrituração contábil da recorrente e documentos de suporte dos fatos nela registrados, pois as provas, caso existissem, a contribuinte já teria juntado aos autos e se existentes, e não fez a juntada, a diligência não se presta para substituir a parte na sua atividade de produção de prova, mormente, como no caso, cujo ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório alegado contra a Fazenda Nacional é da recorrente. Assim, o pedido de diligência é procrastinatório da exigência do débito confessado na DCOMP e não quitado. Não se pode, sob o manto da verdade material, tornar o processo administrativo fiscal de compensação tributária, que por essência deveria ser célere, em um processo sem fim. Além disso, é inadmissível o pedido genérico de diligência, quando formulado em desacordo com inciso IV do art. 16 do Decreto nº 700.235/72, sendo considerado não formulado (§1º do art. 16 do citado diploma legal), como no caso. O contribuinte não comprovou existência de força maior para a não juntada de elementos de prova aos autos que pudessem comprovar o alegado erro de fato. Pelas razões expostas, indeferese o pedido genérico de realização de diligência fiscal. Nesse sentido, ou seja, pela rejeição da diligência são também os precedentes jurisprudenciais deste CARF que, a título ilustrativo, transcrevo ementas de acórdãos: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 377 18 desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdãon°20601.462,sessãode09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 10249.407,sessãode06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão n° 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. (Acórdão n° 10515.978,sessãode20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem. (Acórdão n° 10248.141,de25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 20180.294,sessãode23/05/2007). PERÍCIA.DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão n° 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 378 19 perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. n°1802001.006,sessãode17/10/2011). ASSUNTO: PERÍCIA/DILIGÊNCIA PRESCINDIBILIDADE A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 10705.810, Relatora Karem Jureidini Dias). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2009,2010,2011.DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícias só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formação da convicção do julgador .(Acórdão n°1402 003.129 4ª Câmara/2º Turma Ordinária, sessão de 15/05/2018, Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator). Em relação aos débitos confessados na DCOMP objeto dos autos, e pela inexistência do alegado direito creditório, estão sim sujeitos à cobrança com os respectivos juros de mora Taxa SELIC. Nesse sentido a matéria está sumulada desde longa data, cujos verbetes transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13896.900666/200830 Acórdão n.º 1401004.540 S1C4T1 Fl. 379 20 exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por tudo que foi exposto, voto para indeferir o pedido de realização de diligência fiscal e, no mérito propriamente dito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10820.720940/2018-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2013
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENUNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
GFIP. MULTA POR ATRASO.
A exigência da multa por atraso na entrega da GFIP é aferida pelo simples fato do cumprimento a destempo dessa obrigação acessória, prescindindo de qualquer verificação junto ao sujeito passivo, a qualquer título.
O lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade do agente, ex vi parágrafo único do art. 142 do CTN.
A redução de penalidade está condicionada à existência de previsão legal.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 002.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-007.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula CARF no 02), e negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10920.724374/2015-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2013 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. GFIP. MULTA POR ATRASO. A exigência da multa por atraso na entrega da GFIP é aferida pelo simples fato do cumprimento a destempo dessa obrigação acessória, prescindindo de qualquer verificação junto ao sujeito passivo, a qualquer título. O lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade do agente, ex vi parágrafo único do art. 142 do CTN. A redução de penalidade está condicionada à existência de previsão legal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 002. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
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INTIMAÇÃO PRÉVIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. GFIP. MULTA POR ATRASO. A exigência da multa por atraso na entrega da GFIP é aferida pelo simples fato do cumprimento a destempo dessa obrigação acessória, prescindindo de qualquer verificação junto ao sujeito passivo, a qualquer título. O lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade do agente, ex vi parágrafo único do art. 142 do CTN. A redução de penalidade está condicionada à existência de previsão legal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 002. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula CARF no 02), e negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10920.724374/2015-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 09 40 /2 01 8- 56 Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.513 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.720940/2018-56 Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2301-007.504, de 8 de julho de 2020, que lhe serve de paradigma. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da Turma da DRJ, aqui sintetizado. Versa o presente processo sobre lançamento (auto de infração) no qual é exigido da contribuinte crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, relativa ao ano-calendário em questão. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em síntese, o que se segue: a ocorrência de denúncia espontânea, falta de intimação prévia, atenuação, preliminar de decadência, citou jurisprudência, preliminar de nulidade, preliminar de prescrição, princípios. Não obstante as alegações de defesa, a impugnação foi julgada improcedente. Cientificado da decisão de piso o Recorrente interpôs recurso voluntário aduzindo o que se segue: argui caráter confiscatório da multa aplicada; argui denúncia espontânea; invoca os princípios que norteiam o processo administrativo, ao teor da lei 9.784/99, a exigir a proporcionalidade entre a multa aplicada e o dano emergente da infração a que se refere; argui não ter havido prévia intimação do sujeito passivo para sanar a irregularidade; alega que as multas não foram aplicadas imediatamente após a infração, como ocorre na multa por atraso na entrega da DCTF; argui mudança de critério jurídico adotado no lançamento, caracterizado pela negativa em se admitir a denúncia espontânea no caso em análise; alega não ter havido prejuízo ao erário; colaciona jurisprudência que entende aplicável à matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2301-007.504, de 8 de julho de 2020, paradigma desta decisão. Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.513 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.720940/2018-56 Não conheço do requerimento da redução da multa por suposto caráter confiscatório, por escapar à competência desse colegiado, ao teor da súmula CRAF nº 002, verbis: Súmula CARF nº 002 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conheço das demais matérias do recurso voluntário, por conterem os requisitos de admissibilidade. Rejeito as alegações de ofensa a dispositivos do CTN, por não vislumbrar vício algum no lançamento. A exigência da multa por atraso na entrega da GFIP, que tem fundamento no §1º, inciso II, do art. 32-A da Lei nº 8.212, de1991, não tem natureza meramente arrecadatória, e sim punitiva; e se afere pelo simples fato do cumprimento a destempo dessa obrigação acessória, prescindindo de qualquer verificação junto ao sujeito passivo, seja a título de orientação, seja a título de formação de juízo de conveniência e oportunidade, estes completamente estranhos à atividade do lançamento. Esse entendimento encontra fundamento, ainda, na súmula CARF nº 46, verbis: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Registro que o lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade do agente, ex vi parágrafo único do art. 142 do CTN, o que impede sejam afastados preceitos legais em vigor. Registro que o fato do lançamento ter ocorrido próximo ao termo final da decadência não implica mudança de critério jurídico, ao teor do art. 146 de CTN, e sim, o exercício legítimo e obrigatório da atividade fiscal afeta ao lançamento. Rejeito a alegação de denúncia espontânea, ao teor da súmula CARF nº 49, que vincula esse colegiado, verbis: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) Quanto aos princípios referidos pelo sujeito passivo, estes não tem aptidão para a afastar a aplicação da legislação tributária, plenamente em vigor. Observo, ainda, que a jurisprudência citada pela recorrente, por não ter caráter vinculante, não tem aplicação obrigatória no âmbito desse colegiado. Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.513 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.720940/2018-56 Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer da arguição de inconstitucionalidade; e, no mérito, negar provimento ao recurso. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula CARF no 02), e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18470.908145/2012-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 25/03/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Sabrina Coutinho Barbosa e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Sabrina Coutinho Barbosa e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 81 45 /2 01 2- 21 Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-001.345 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.908145/2012-21 O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 18110.90207.260711.1.3.04-8480 (fl. 02/06), transmitido em 26/07/2011, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior, referente ao período de apuração de fevereiro de 2010. O valor a ser restituído foi indeferido e, em consequência, a compensação declarada foi não homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada dessa decisão em 14/11/2012, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 03/12/2012 (fl. 08/09)), na qual alegou que efetuou o recolhimento em questão e, posteriormente, verificou que havia pago a maior. Informou, ainda, que não entregou DCTF e Dacon retificadoras, por estar sob procedimento de fiscalização sobre outra matéria. A contribuinte apresentou juntamente com sua Manifestação de Inconformidade cópias do PER/DCOMP, da DCTF e da Dacon originais, do Despacho Decisório, da planilha de apuração da COFINS, do Livro Registro de Apuração do ICMS, dos documentos do procurador e dos atos constitutivos da empresa. Em sequência, analisando as argumentações e os documentos apresentados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz de Fora (DRJ/BHE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 101/102), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando os argumentos já manifestados. Juntou adicionalmente apenas cópias das DCTF e Dacon retificadoras. É o relatório, em síntese. Voto Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-001.345 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.908145/2012-21 Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontra-se dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23-B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I - omissis ......................................................................................................... III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira - se a fato ou a direito superveniente; c) destine - se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos citados, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-001.345 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.908145/2012-21 compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria refere-se ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias, as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente e c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerando-se os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, tem-se admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente deve-se admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-001.345 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.908145/2012-21 uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estaria-se diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindo-o do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, deve-se tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerando-se as vicissitudes do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Porém, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comprová-lo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e se possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, consequentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógico- jurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente entregou planilha de apuração e o Livro Registro de Apuração do ICMS, ou seja, fez juntar ao seu recurso inicial um conjunto probatório mínimo, embora tênue. Então, baseado no raciocínio lógico-jurídico desenvolvido ao logo do presente voto, entendo que seria possível se aceitar provas adicionais no Voluntário, entretanto, a contribuinte apenas juntou cópias das DCTF e Dacon retificadoras, as quais não se configuram prova. Assim procedendo, a contribuinte não demonstrou de forma robusta a existência do crédito e a justeza de sua pretensão. Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-001.345 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.908145/2012-21 De fato, a contribuinte não ter trazido provas mais robustas com seu Voluntário torna-se inexplicável, tendo em vista ter ficado claramente consignado na decisão de piso que o indeferimento do pleito se devia justamente a falta de comprovação do crédito pretendido. Ademais, a recorrente inovou nas suas razões ao afirmar que o suposto crédito se originaria de vendas realizadas à pessoa jurídica preponderantemente exportadora, as quais não incidiriam as contribuições para o PIS e para a COFINS. Por um lado, tal argumento não poderia ser conhecido por esta Turma Julgadora, pois não constou da peça inaugural da lide. Por outro, contudo, é importante ressaltar que a recorrente não carreou aos autos nenhuma comprovação dessa novel alegação. Logo, resta evidente que, quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de prová-lo, seja na Manifestação de Inconformidade, seja no Voluntário. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16403.000645/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/04/2005 a 30/06/2005, 01/07/2005 a 30/09/2005, 01/10/2005 a 03/12/2005, 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/04/2006 a 30/06/2006, 01/07/2006 a 30/09/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006
CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
CUSTOS/DESPESAS. VEÍCULOS. COMBUSTÍVEIS/LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com combustíveis e lubrificantes utilizados na frota de veículos da empresa geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 3301-007.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a glosa de combustíveis e lubrificantes.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a glosa de combustíveis e lubrificantes. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Breno do Carmo Moreira Vieira.
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CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CUSTOS/DESPESAS. VEÍCULOS. COMBUSTÍVEIS/LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com combustíveis e lubrificantes utilizados na frota de veículos da empresa geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a glosa de combustíveis e lubrificantes. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 06 45 /2 00 8- 13 Fl. 535DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Breno do Carmo Moreira Vieira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 520 a 523) interposto contra o Acórdão n 06-29.430, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (e-fls. 509 a 516), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento no valor total de R$ 360.643,54 de crédito de PIS não cumulativo, relativo aos anos de 2004, 2005 e 2006. Segundo o Despacho Decisório, de n° 13/2008, anexado às fis. 455/469, Seção de Fiscalização da DRF em Ponta Grossa, , houve reconhecimento parcial (R$ 308.644,77) do direito creditório pleiteado, conforme se segue (fl. 468). Às folhas 453/454 encontra-se a relação de todos os Pedidos de Ressarcimento (PER) analisados neste processo, originais e retificadores, e de todas as Declarações de Compensação (DCOMP) vinculadas a estes PER, as quais foram objeto de compensação após o reconhecimento do direito creditório acima citado. Às folhas 441/452 encontra-se a relação de todas as glosas efetuadas pela fiscalização, trimestre a trimestre, descritas no despacho decisório. E às fls. 207/274 encontram-se as relações de todas as notas fiscais glosadas, por trimestre. Considere-se, ainda, que, além das compensações efetuadas em Dcomp houve também compensações de ofício realizadas pela DRF Ponta Grossa com outros débitos da contribuinte (autorização da recorrente encontra-se à fl. 489), sendo, então, creditada na conta corrente bancária da mesma a importância de R$ 231.286,14. Cientificada do Despacho Decisório em 05/01/2009 (fl. 499), a contribuinte, em 30/01/2009, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 500/504, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, afirma que não impugnará todas as glosas efetuadas pela autoridade fazendária. No entanto, discorda de dois tipos de glosas efetuadas: relativamente aos valores de “combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da empresa, que são empregados no transporte de matéria prima e produtos acabados e encargos de depreciação de veículos de sua frota utilizados no transporte de insumos e na venda de seus produtos”. Fl. 536DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 Relativamente às glosas efetuadas nos valores creditados de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matéria-prima e produtos acabados, a recorrente argumenta que não há base legal “para a autoridade fiscal glosar os créditos do PIS não cumulativo referente a combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da empresa. Ao contrário, o art. 3”, 11, da Lei 10.833/2003, permite ao contribuinte descontar créditos calculados em relação a combustíveis e lubrificantes”. Alega que a autoridade administrativa entendeu que “apenas os bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda podem ser considerados na apuração de créditos a serem descontados da contribuição a ser recolhida Sustenta, no entanto, que a “a única exigência da legislação para o contribuinte ter o direito aos créditos do PIS é que os bens ou serviços sejam utilizados no processo produtivo de modo que tais valores não poderiam ter sido glosados. Segundo afirma, “tais combustíveis e lubrificantes são utilizados, em sua maioria, em veículos da empresa que atuam no transporte de matéria prima até a sede da empresa para posterior industrialização, restando evidente seu consumo no processo de produção”. Relativamente à depreciação, sustenta que as glosas efetuadas pela autoridade administrativa dos valores de créditos relativos “à aquisição de determinados bens destinados ao ativo permanente” contraria o disposto no art. 3°, inciso VI, da Lei 10.833/2003. Discorda do entendimento do Fisco segundo o qual apenas os bens utilizados na produção de produtos destinados à venda poderiam ser considerados para efeitos de creditamento na rubrica “depreciação”. Afirma que “não há como negar que os bens objeto da glosa fiscal são efetivamente máquinas ou equipamentos, ou seja, não há como negar, por exemplo, que um veículo não seja uma máquina ". Segundo sustenta, “a circunstância da ciência contábil classificar os bens do ativo separando os veículos das máquinas e equipamentos não deve impedir o direito ao crédito, haja vista que o legislador não é especialista em contabilidade, tendo ele, certamente, ao referir-se a máquinas e equipamentos, incluído ali os demais integrantes do imobilizado tangível. inclusive os veículos Isto posto, requer a reforma da decisão proferida, de modo a reconhecer o direito da contribuinte ao ressarcimento de créditos do PIS não cumulativo especificados nesta manifestação de inconformidade. Ocasião seguinte, o Colegiado da DRJ opinou por julgar improcedente a indigitada Manifestação de Inconformidade, rebatendo todos os pontos abordados pelo Contribuinte; dito Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/04/2005 a 30/06/2005, 01/07/2005 a 30/09/2005, 01/10/2005 a 03/12/2005, 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/04/2006 a 30/06/2006, 01/07/2006 a 30/09/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. A partir de 01 de fevereiro de 2004, pode-se descontar créditos calculados em relação à depreciação apenas de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 537DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 A aquisição de combustíveis e lubrificantes gera direito a crédito apenas quando seu uso seja como insumo do processo produtivo. Por fim, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, ora sujeito à análise do e. CARF. Nessa oportunidade, reitera os argumentos exibidos em sua exordial defensiva. Não foram apresentados documentos adicionais na etapa recursal, vindo os autos, conclusos ao presente Conselheiro. É o que cumpre relatar. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF. Portanto, opino por seu conhecimento. Antes de avaliar detidamente os assuntos acima, impera exibir que o thema decidendum aborda a essência do que pode ser configurado insumo, e qual a amplitude de sua creditação na matriz tributária da não-cumulatividade. Nessa senda, sem maiores delongas ou redundâncias desnecessárias, é fundamental que se tenha em consideração os termos do REsp 1.221.170 (julgado sob o rito do art. 543-C do antigo CPC, e alusivo à indústria de alimentos), em que o STJ definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de COFINS, deve observar o critério da essencialidade e relevância, considerando-se a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Vide a ementa do indigitado Acórdão (publicado em 24/04/2018): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, Fl. 538DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Nessa esteira, cunhou-se a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF n° 247 e n° 404, de tal modo que as despesas e custos essenciais à atividade do Contribuinte devem implicar, como regra, no seu respectivo abatimento na base de cálculo. Assim, o binômio da “essencialidade e relevância” acaba por atingir uma ampla gama de elementos aplicados na cadeia produtiva de determinada atividade. E, por assim ser, a dimensão conceitual de insumo merece ser vista caso a caso, para que não ocorra ultraje nem aos ditames do Acórdão do Tribunal da Cidadania, tampouco aos regramentos normativos internos da RFB (COSIT/RFB Nº 05/2018, e Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF). Observa-se, pois, que tal intelecção jurisdicional vislumbrou alcançar a ampla escala de elementos utilizados nos processos produtivos, mas não de forma irrestrita. Assim, a casuística proporciona ao Contribuinte a segurança de que seus insumos serão efetivamente avaliados como tanto, desde que essenciais e relevantes em sua atividade. Logo, evita-se igualmente uma espécie de regresso ad infinitum, efetuando-se um corte dogmático pela exegese da legislação. Este, por sua vez, resolveria a situação pragmática quase que como a evitar um impasse semelhante ao do Teorema de Agripa (referido na Filosofia Cética como um impasse decorrente de três alternativas, sendo nenhuma delas aceitável à meta de demonstrar fundamento filosófico para uma teoria: regressão infinita; escolha arbitrária; e petição de princípio ou argumento de autoridade). Por óbvio, os termos do Acórdão do REsp 1.221.170 foram doravante acompanhados pelo CARF, em estrita observância do comando de seu regimento ( art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015). Cito como exemplo: a. Acórdão n° 9303-010.107, Rel. Cons. Tatiana Midori Migiyama, sessão de 11 de fevereiro de 2020 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2006 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre Fl. 539DF CARF MF Documento nato-digital https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Regress%C3%A3o_infinita&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Arbitrariedade&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Peti%C3%A7%C3%A3o_de_princ%C3%ADpio https://pt.wikipedia.org/wiki/Argumento_de_autoridade Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 a (i) aquisição das embalagens utilizadas, eis que protegem a integridade da maçã e ainda possuem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada; (ii) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados nos transporte dos produtos e (iii) depreciação sobre carretão com rolete e registrador eletrônico de temperatura, eis que utilizados na produção de maçã. b. Acórdão n° 9303-010.118, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 11 de fevereiro de 2020 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2007 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a (i) aquisição das embalagens utilizadas, eis que protegem a integridade da maçã e ainda possuem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada; (ii) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados nos transporte dos produtos e (iii) depreciação sobre carretão com rolete e registrador eletrônico de temperatura, eis que utilizados na produção de maçã. Portanto, tendo como base o pressuposto exibido acima, ter-se-á a subsequente análise dos pontos em debate na presente instância recursal. Da atividade comercial exercida pelo Recorrente Ultrapassado este singelo introito, vale um breve descritivo sobre a atividade desempenhada pelo Contribuinte, descrita ao longo do PAF (e-fl. 100) e devidamente acatada pela fiscalização: Produto final: Madeira de Ipê / Cumaru / Pinus / Itauba / Jatobá / Cedrinho / Sucupira preta/ Muricatiara / Massaranduba / Angelim / Cedroarana / Garapeira / Tatajuba, Madeira de ipê perfilados, assoalho de cumaru, decking de Ipê / Cumaru / Garapeira muiracatiara, Aprov. assoalho de ipê, Aprov. madeira de cedrinho, (Todas as madeiras citadas se dividem em: Assoalhos internos, pisos diversos, lambris, S4S, molduras, decking liso ou antiderrapante, estrados para jardins, e afins). Produtos Secundários: (Aproveitamento de material lenhoso, Aprov. madeira de cedrinho, Aprov. Madeira de pinho, Madeira de pinho, Resíduos de pinho, Resíduos Serragem e madeira de pinus e eucalipto para embalagem). Descritivo: Chegada da matéria prima, através do transporte realizado pelas frotas da própria empresa e/ou transportadora terceirizada, descarregamento e recebimento com a realização da conferência física da madeira no setor pátio; Passando para o processo de classificação segundo a qualidade, medidas e comprimentos; Passando para a montagem e gradeação em pallet's com tabiques para acondicionamento nas câmaras de estufas a Fl. 540DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 vapor, marca Beneck e Engecass; Neste momento a madeira entra no processo de secagem a vapor; Após é realizado a aferição da saída da estufa em medidor de umidade, marca Marrari com sistema contínuo de leitura; Após entra no processo de Usinagem em plainas de 8 eixos já com moldagem do produto final; Após segue para o processo de Corte / fresagem nos topos para acabamento nos comprimentos adequados; Após segue para o Lixamento /polimento de acabamento e finalmente segue para o processo de Expedição/embalagem em pallet's ou caixas conforme pedidos e modelo da empresa; Em resumo, o Contribuinte revela que os produtos acima podem também ser conhecidos pelas seguintes nomenclaturas: assoalhos internos, pisos diversos, lambris, S4S, molduras, decking liso ou antiderrapante, estrados para jardins, e afins. Em seu contrato social, a empresa relata o objeto de sua atividade como sendo a “indústria, comércio e beneficiamento de madeiras, por conta própria, representações comerciais, importação e exportação de artefatos de madeira, agropecuária e o transporte rodoviário de cargas”. Nota-se, pois, que a atividade precípua do Contribuinte centra-se na indústria e comércio de artefatos de madeira, operacionalizando desde o transporte da matéria-prima até a posterior venda do produto acabado. 1. Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado Especificamente à este tema, restou decidido pela DRJ que o desconto de créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode se dar se adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. No caso, entenderam os julgadores de piso que “aqueles bens que não estejam diretamente ligados à produção de bens e serviços da recorrente não podem ser considerados no cálculo dos créditos a serem aproveitados no sistema da não cumulatividade”. Para melhor elucidação, transcrevo parte do Despacho Decisório, tangente à glosa em questão (e-fl. 262): Verificou-se também, através das cópias das notas fiscais (fls. 163 a 172) apresentadas em resposta à intimação n° 301/2009, a inclusão de bens (Radiador para estufa duplo) com data de aquisição de 30/04/2004 (f1.163). No entanto, conforme o artigo 43 da Lei n° 10.865/2004, a partir de 01/08/2004, dão direito a crédito somente os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços, adquiridos a partir de 01/05/2004. Desse modo, restaram também glosados os valores referentes aos encargos de depreciação do bens adquiridos antes de 01/05/2004. Assim, com relação a esta rubrica, os valores glosados totalizaram R$ 38.149,70 no período sob análise. Os valores mensais objeto de glosa encontram-se nas planilhas de crédito (fls. 246 e 247). Assim, mister ressaltar que as máquinas ora em debate são veículos (utilizados no transporte da matéria-prima e na venda de produtos) adquiridos anteriormente a 30/04/2004. Ora, ocorre que o Contribuinte entende que estes são igualmente uma categoria de máquinas, e que os mesmos créditos devem se dar àqueles bens adquiridos antes de 30/04/2004, quando Fl. 541DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 ainda não estava vigente a Lei n° 10.865/04. Aliás, o Recorrente entende que esta norma de 2004 queda-se maculada de inconstitucionalidade, o que justificaria o afastamento da glosa que lhe recaiu. A despeito da recalcitrância do Contribuinte (e ainda que se considere os veículos como integrantes do ativo imobilizado), não vejo como acolher seu pleito neste item de análise. Isso porque a redação do art. 31 da Lei n° 10.865/04 dispôs com hialina clareza o prazo de aquisição dos ativos imobilizados, leia-se: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. Percebe-se, pois, que a vedação legal ao desconto de créditos apurados sobre os encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30.04.2004 decorre da norma acima transcrita, e é taxativa. Ademais, vale lembrar que não é facultado ao Conselheiro agir em contraposição a mandamento legal expresso, razão pela qual vejo como impossível acolher o pleito do Contribuinte. Aliás, este posicionamento ressoa na jurisprudência do CARF, veja-se: a. Acórdão n° 3401-007.414, Rel. Cons. Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, sessão de 17 de fevereiro de 2020 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 30/04/2004. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite o creditamento pelos encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30/04/2004, por força do art. 31 da Lei n° 10.865/2004. b. Acórdão n° 3302-008.009, Rel. Cons. Walker Araújo, sessão de 28 de janeiro de 2020 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. DATA DE AQUISIÇÃO. LIMITAÇÃO É vedado por lei o desconto de créditos, a partir de agosto de 2004, relativos à depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. Assim, em estrita observância ao princípio da legalidade, torna-se inafastável a glosa perpetrada. Quanto ao mais, vale relembrar que não cabe à esta Corte Administrativa opinar sobre eventual malferimento à constitucionalidade, como bem expressa o teor da Súmula CARF n° 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 542DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 Portanto, mantenho a glosa dos valores alusivos à depreciação de Bens do Ativo Imobilizado, adquiridos antes de 30/04/2004. 2. Da glosa dos créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte da matéria-prima Conforme exposto no Despacho Decisório, e posteriormente encampado no Acórdão da DRJ, considerou-se que a aquisição de combustíveis e lubrificantes gera direito a crédito apenas quando seu uso seja como insumo no processo produtivo; utilizou como fundamento normativo, além do art. 3°, II, da Lei n° 10.833/03, a IN n° 404/2004. Para melhor exposição, transcrevo trecho relevante da indigitada decisão: Por conseguinte, não se pode considerar “insumo” dos produtos fabricados pela interessada, na definição posta na legislação transcrita, os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da empresa para o transporte de matéria prima e produtos acabados, posto que tais itens não são matérias prima, produto intermediário ou material de embalagem, que sofram alteração em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. No caso. os gastos com combustíveis e lubrificantes caracterizam-se. meramente. Como despesas operacionais. que não têm previsão legal para serem descontados como créditos da COFINS. Portanto, embora a legislação preveja a possibilidade de creditamento de valores calculados sobre aquisições de combustíveis e lubrificantes, a condição para o seu aproveitamento é a sua utilização como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação do serviço. Afinal, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa. Dessa forma, os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte na aquisição da matéria-prima utilizada em seu processo produtivo, não geram direito a crédito do COFINS, em razão de não ser diretamente aplicado ou consumido na fabricação dos produtos. A despeito da louvável fundamentação da instância de piso, seu teor meritório merece reforma. Isso porque, nos termos do já mencionado REsp 1.221.170/PR, o conceito de insumo, considerando combustíveis e lubrificantes, alcança um amplo espectro avaliativo. Nessa senda, o crédito decorrente de combustíveis ou lubrificantes utilizados no transporte da matéria- prima deve ser igualmente inserido no conceito de insumo, tendo em vista a essencialidade e relevância de sua participação no processo produtivo. Nesse espeque, seja qual for a vertente encampada pelo Fisco (transporte da matéria prima ATÉ o estabelecimento, ou DENTRO deste), vejo como se custo de aquisição fosse (Art. 3°, inciso II, da Lei n° 10.833/03)! Despiciendo dizer que, para o correto deslinde de toda cadeia produtiva, o insumo necessita ser movimentado dentro do estabelecimento, acarretando, para tanto, um inexorável gasto. Quanto ao mais, assevero que o presente tema encontra-se superado em questão probatória, discutindo-se nesta etapa recursal apenas o direito ao creditamento. Para melhor dar supedâneo à esta análise, colaciono a seguinte jurisprudência da Câmara Superior: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Fl. 543DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. São itens essenciais ao processo produtivo do Contribuinte em referência os combustíveis (óleo diesel e gás GLP) utilizados na movimentação de matéria- prima; e os bens adquiridos para manutenção de máquinas e equipamentos. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. (GN) (Acórdão n° 9303-009.681, Rel. Cons. Vanessa Marini Cecconello, sessão de 16 de outubro de 2019) De mais a mais, interessa relatar a existência de semelhante processo neste CARF, com Acórdão da CSRF já publicado favoravelmente ao Contribuinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 CUSTOS/DESPESAS. VEÍCULOS. COMBUSTÍVEIS/LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com combustíveis e lubrificantes utilizados na frota de veículos da empresa geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (Acórdão n° 9303-009.115, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 17 de julho de 2019) Fl. 544DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-007.917 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16403.000645/2008-13 Conclusão Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa de combustíveis e lubrificantes. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10925.001361/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1802-000.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos do presente processo para juntada ao de nº 10925.002675/2005-38, para posterior julgamento por dependência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: Não se aplica
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DE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos do presente processo para juntada ao de nº 10925.002675/200538, para posterior julgamento por dependência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 01 36 1/ 20 05 -1 8 Fl. 430DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 431 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.391/402 e 420/421 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis (fls. 378/382) que indeferiu a manifestação de inconformidade, mantendo a denegação do direito creditório pleiteado e a não homologação da compensação tributária quanto aos PER/DCOMP objeto dos autos, ratificando o despacho decisório da DRF/Joaçaba. Quanto aos fatos, consta dos autos: que a recorrente transmitiu, eletronicamente, pela internet praticamente uma centena de PER/DCOMP, utilizando pretenso crédito – direito creditório de pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ – estimativa mensal (código de receita 2362) e CSLL – estimativa mensal (código de receita 2484) do anocalendário 2001, para quitação, sob condição resolutória, de débitos tributários de anos subsequentes. A seguir transcrevo quadro resumo dos PER/DCOMP objeto dos autos: PER/DCOMP DATA DE TRANS. ORIGEM DO CRÉDITO (pag. indevido ou a maior) DATA ARRECA DAÇÃO – DARF VALOR DARF VALOR ORIG. UTIL. NA COMP. Fls. 35015.03675.231003.1.3.04 4803 23/10/2003 CSLL (2484) 29/03/2001 5.111,03 5.111,03 09/13 25901.44774.150604.1.3.04 8246 15/06/2004 IRPJ (2362) 31/08/2001 11.466,11 314,26 14/18 29131.18723.231003.1.3.04 8001 23/10/2003 IRPJ (2362) 30/04/2001 8.508,13 8.508,13 19/23 05492.96361.231003.1.3.04 9343 23/10/2003 IRPJ (2362) 31/07/2001 9.585,89 9.585,89 24/28 16361.51333.231003.1.3.04 0581 23/10/2003 CSLL (2484) 31/05/2001 6.483,07 6.483,07 29/33 18468.53090.231003.1.3.04 4997 23/10/2003 IRPJ (2362) 31/05/2001 10.005,68 9.911,68 34/38 05463.36923.231003.1.3.04 2334 23/10/2003 CSLL (2484) 30/04/2001 5.674,39 5.674,39 39/43 04406.77448.231003.1.3.04 6750 23/10/2003 IRPJ (2362) 29/03/2001 7.464,86 7.464,86 44/48 03042.92425.090304.1.3.04 0401 09/03/2004 CSLL (2484) 31/08/2001 7.396,98 6.352,60 49/53 32171.05433.231003.1.3.04 6984 23/10/2003 CSLL (2484) 31/07/2001 6.256,38 6.256,38 54/58 00773.38372.080104.1.3.04 0851 08/01/2004 CSLL (2484) 31/12/2001 7.823,00 7.823,00 59/63 37892.94250.080104.1.3.04 1628 08/01/2004 IRPJ (2362) 28/02/2001 7.604,85 7.604,85 64/68 15922.56860.080104.1.3.04 1843 08/01/2004 CSLL (2484) 28/02/2001 5.186,62 5.186,62 69/73 27859.33419.150604.1.3.04 3246 15/06/2004 IRPJ (2362) 31/05/2001 10.005,68 675,51 74/78 03640.22311.080104.1.3.04 5246 01/08/2004 CSLL (2484) 30/11/2001 8.294,69 8.294,69 79/83 02942.54234.140404.1.3.04 7001 14/04/2004 IRPJ (2362) 31/08/2001 11.466,11 11.433,17 84/88 42911.79143.150604.1.3.04 3970 15/06/2004 IRPJ (2362) 30/11/2001 10.892,79 10.892,79 89/93 03661.90750.080104.1.3.04 1204 08/01/2004 IRPJ (2362) 31/12/2001 12.487,03 12.487,03 94/98 22124.55380.170105.1.3.04 4807 17/01/2005 CSLL (2484) 31/01/2001 11.566,42 11.566,42 99/103 42181.81938.170105.1.3.04 3708 17/01/2005 IRPJ (2362) 28/09/2001 11.404,45 11.404,45 104/108 24607.49399.080104.1.3.04 3647 08/01/2004 IRPJ (2362) 30/11/2001 13.360,53 2.575,05 109/113 42898.71787.231003.1.3.04 5157 23/10/2003 CSLL (2484) 29/06/2001 9.984,58 9.984,58 114/118 30164.95637.150604.1.3.04 4723 15/06/2004 CSLL (2484) 31/08/2001 7.396,98 1.203,21 119/123 05381.40395.080104.1.3.04 0070 08/01/2004 CSLL (2484) 31/10/2001 7.119,97 7.119,97 124/128 27768.96979.111203.1.3.04 0060 11/12/2003 IRPJ (2362) 30/11/2001 13.360,53 10.785,48 129/133 40448.15966.180803.1.3.04 2846 18/08/2003 CSLL (2484) 30/11/2001 8.294,69 3.752,77 134/138 23589.39086.271004.1.3.04 7507 27/10/2004 IRPJ (2362) 31/10/2001 11.185,13 11.177,28 139/148 00524.05413.271004.1.3.04 8017 27/10/2004 IRPJ (2362) 31/01/2001 12.851,58 12.851,58 149/158 37467.74063.231003.1.3.04 4602 23/10/2003 IRPJ (2362) 23/02/2001 7.604,84 7.604,84 159/163 31937.34103.231003.1.8.04 0800 23/10/2003 164 32094.96977.011203.1.8.04 0230 01/12/2003 165 41643.37070.300703.1.3.04 7915 30/07/2003 CSLL (2484) 29/03/2001 5.111,03 5.111,03 166/170 Fl. 431DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 432 3 13432.27099.221003.1.8.04 5156 22/10/2003 IRPJ (2362) 28/12/2001 14,65 14,65 171/176 07388.13239.111203.1.8.04 7927 11/12/2003 177 01445.71814.180803.1.3.04 7483 18/08/2003 CSLL (2484) 31/08/2001 10,00 10,00 178/182 15746.69673.221003.1.8.04 8830 22/10/2003 183 07629.41051.180803.1.3.04 9760 18/08/2003 CSLL (2484) 31/07/2001 6.256,38 6.256,38 184/188 33855.26023.221003.1.8.04 8087 22/10/2003 189 42901.02669.241003.1.3.04 6874 24/10/2003 CSLL (2484) 28/12/2001 10,00 10,00 190/194 13270.63490.111203.1.8.04 3370 11/12/2003 195 10805.50595.300703.1.3.04 5210 30/07/2003 CSLL (2484) 31/05/2001 6.483,07 2.338,99 196/200 23498.74053.231003.1.3.04 9330 23/10/2003 CSLL (2484) 31/10/2001 7.119,97 7.119,97 205/209 01736.43296.111203.1.8.04 7009 11/12/2003 210/211 10874.37983.231003.1.3.04 1523 23/10/2003 CSLL (2484) 23/02/2001 5.186,62 5.186,62 212/216 01242.55374.231003.1.8.04 7182 23/10/2003 217 03601.85350.011203.1.8.04 2702 01/12/2003 218 40448.15966.180803.1.3.04 2846 18/08/2003 CSLL (2484) 30/11/2001 8.294,69 3.752,77 219/223 33482.12277.221003.1.8.04 3469 22/10/2003 224 16203.17339.300903.1.3.04 2430 30/09/2003 CSLL (2484) 30/11/2001 8.294,69 3.561,82 225/229 15049.00141.221003.1.8.04 0045 22/10/2003 230 21934.34621.231003.1.3.04 2533 23/10/2003 CSLL (2484) 30/11/2001 8.294,69 8.294,69 231/235 28935.86151.111203.1.8.04 7943 11/12/2003 236 21733.30528.300703.1.3.04 4070 30/07/2003 CSLL (2484) 02/01/2001 7.390,55 7.390,55 237/241 38724.88142.221003.1.8.04 6615 22/10/2003 242 11954.40170.180803.1.3.040962 18/08/2003 CSLL (2484) 31/10/2001 7.119,97 7.119,97 243/247 03481.79101.221003.1.8.047514 22/10/2003 248 28188.87950.180803.1.3.04 5505 18/08/2003 CSLL (2484) 29/06/2001 9.984,58 9.984,58 249/253 21053.85348.221003.1.8.04 9003 22/10/2003 254 39058.77348.300903.1.3.04 6907 30/09/2003 IRPJ (2362) 02/01/2001 11.686,20 11.686,20 255/259 21343.40557.221003.1.8.04 8725 22/10/2003 260 32244.32387.180803.1.3.04 0302 18/08/2003 CSLL (2484) 31/05/2001 6.483,07 4.144,08 261/265 25307.95507.221003.1.8.04 8921 22/10/2003 266 23613.36180.231003.1.3.049976 23/10/2003 CSLL (2484) 28/12/2001 7.823,00 7.823,00 267/271 38263.33321.111203.1.8.04 4315 11/12/2003 272/273 39587.34066.231003.1.3.04 4003 23/10/2003 IRPJ (2362) 28/12/2001 12.487,03 12.487,03 274/278 08735.34120.111203.1.8.04 5089 11/12/2003 279 10719.93897.241003.1.3.04 0558 24/10/2003 IRPJ (2362) 14/11/2001 93,12 93,12 280/284 13709.42978.111203.1.8.04 4530 11/12/2003 285 17895.50687.300703.1.3.04 2947 30/07/2003 CSLL (2484) 30/04/2001 5.674,39 5.674,39 286/290 12024.45059.221003.1.8.04 3105 22/10/2003 291 41620.70170.231003.1.3.04 7509 23/10/2003 IRPJ (2362) 30/11/2001 13.360,53 13.360,53 292/296 26914.45778.111203.1.8.04 8346 11/12/2003 297 na unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Joaçaba, os PER/DCOMP foram baixados para análise manual, gerando o presente processo; em 30/05/2005, a contribuinte tomou ciência de intimação fiscal, por via postal (fls. 03/09), no sentido de fazer a comprovação do alegado crédito (direito creditório) pleiteado do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2001 e utilizado nesses PER/DCOMP, nos sequintes termos: (...) INTIMAÇÃO N° 12.485 No exercício regular das funções do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal , de acordo com o disposto no art. 7º da Lei nº 2.354/54 e no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, damos inicio à Revisão de Declaração de Compensação, nos termos do Fl. 432DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 433 4 art. 147 da Lei nº 5.172/66 — CTN, fica INTIMADO o contribuinte acima identificado, para, no prazo de 05 (cinco) dias úteis contados do recebimento desta Intimação, apresentar os elementos abaixo descritos: 1 — Comprovar a origem do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior informado nas Declarações de Compensações abaixo relacionadas na Tabela 01. É necessário, principalmente, comprovar mediante documentação hábil e idônea que os pagamentos são indevidos ou a maior e que estão comprovados na escrituração contábil e fiscal da empresa, mormente no que se referem às retificações de declarações para redução de imposto a pagar ou a redução de base cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 2 — Elaborar uma planilha de cálculo que justifique as alterações das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de modo a demonstrar a diferença antes e após as retificações de declarações e esclarecendo qual foi o principal item de redutor da base de cálculo. Esta planilha deverá demonstrar claramente a Demonstração do Resultado do Exercício de cada período retificado, bem como apresentar as exclusões e adições ao Lucro Liquido, permitidas em lei. (...) Embora intimada para pretar esses esclarecimentos, e efetuar a comprovação dos créditos pleiteados, a contribuinte apenas forneceu ao fisco cópias de declarações retificadoras que reduziram os tributos informados nas declarações primitivas, conforme narra o Relatório Fiscal (fls. 337/342): (...) Na análise preliminar das compensações efetuadas pelo contribuinte verificamos que ele havia retificado, diversas vezes, sem motivo aparente, as declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIRPJ e as declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. Nestas retificações o contribuinte reduziu consideravelmente o valor de seus tributos devidos, principalmente, o IRPJ e CSLL e tentou utilizar esses valores nas declarações de compensações como se fossem pagamentos indevidos ou a maior. Este fato chamounos a atenção pelos valores envolvidos e pela maneira como foram efetuadas as retificações de declarações, pois o contribuinte alterou vários valores na DIRPJ e quando intimado a se manifestar sobre as retificações ele não o fez, apenas trouxe a esta DRF cópias das declarações retificadas. (...) Não concordando com as informações prestadas pela contribuinte, o fisco, imediatamente, iniciou então procedimento de fiscalização em 13/07/2005, tendo como objeto os períodos de apuração dos anoscalendário 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, Fl. 433DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 434 5 implicando, por fim, na desclassificacão da escrituração contábil (escrituração contábil imprestável para apuração do lucro real) desses períodos de apuração, procedendo ao Arbitramento do Lucro para apuração do IRPJ e da CSLL, conforme Relatório de Atividade Fiscal (Termo de Encerramento Fiscal) de 17/12/2005 (fls. 298/326). Nesse procedimento de fiscalização, conforme também consta do citado Relatório de Atividade Fiscal, foram lavrados autos de infração, com imposição de multa qualificada de 150%, gerarando 4 (quatro) processos para exigência do respectivo crédito tributário: 1) Processo n° 10925.002675/200538 – IRPJ e CSLL reflexa sobre a receita conhecida; 2) Processo n° 10925.002676/200582 – PIS Faturamento e Verificações Obrigatórias; 3) Processo n° 10925.002677/200527 – COFINS e Verificações Obrigatórias; 4) Processo n° 10925.002678/200571 – IRPJ e reflexos sobre Omissão de Receitas. Ainda, houve: (i) Representação Fiscal para Fins Penais protocolizada – Processo nº 10925.002679/200516, conforme determinação da Portaria SRF n° 326, de 15/03/2005 e em atenção ao previsto na IN SRF n° 264, de 20/12/2002; (ii) processo de arrolamento de bens para acompanhamento do patrimônio da autuada, protocolizado – processo nº 10925.002680/200541. em 03/07/2006, foi proferido, nos presentes autos, o Despacho Decisório – DRF/Joaçada nº 416, denegando o crédito pleiteado e determinado, ainda, à fiscalização que fosse iniciado procedimento para lavratura de auto de infração para aplicação da multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.883/2003 (fls. 337/344), in verbis: (...) Despacho Nos termos do relatório e fundamentação acima, decido indeferir a solicitação formulada pelo contribuinte de modo não reconhecer o direito ao crédito contra a União por pagamento indevido ou a maior e conseqüentemente não homologar as compensações efetuadas. O contribuinte poderá utilizar os pagamentos para deduzir o Auto de Infração efetuado pela fiscalização que desconsiderou a sua escrita fiscal. Ordem de Intimação Encaminhese para a SAORT/DRFJOASC para cientificar o contribuinte da presente decisão de modo a iniciar imediatamente a cobrança administrativa e amigável e, se esta ação se mostrar infrutífera, encaminhar imediatamente para cobrança mediante a inscrição em Divida Ativa da União e efetuar o lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, e, ainda, facultandolhe interpor manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, nos termos do art. 2° da Portaria SRF n° 4.980/2004. Fl. 434DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 435 6 (...) Ciente desse decisum em 13/07/2006 (fl. 346), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/08/2006 junto à DRJ/Florianópolis (fls. 350/369), juntando ainda os documentos de fls.370/376, cujas razões estão assim resumidas no relatório da decisão a quo, que transcrevo (fls.379/380), in verbis: (...) Não cabe a aplicação de multa isolada proposta na informação fiscal; Com base em Instrução Normativa da Receita Federal e nos julgados do Conselho de Contribuintes foi que a ora requerente considerou retificadas suas declarações e gerado crédito em seu favor, nada mais necessitando aguardar. Se a DRF não examinou as retificadoras, não pode agora alegar eventual ausência de informações naquela, negando a homologação. A obrigação de examinar a retificadora e exigir o que necessário fosse era única e exclusiva responsabilidade da Receita Federal; As D1RPJ da empresa em anos anteriores foram retificadas em 2003, gerando os créditos que foram compensados na PER/DCOMP em discussão. Praticamente como represália às tais compensações efetuadas em meados de 2005, iniciouse a fiscalização que resultou nos processos n° 10925.002675/200538, 10925.002678/200571 e mais dois. O contribuinte exerceu um direito e foi punido; No mínimo, há necessidade de aguardar os julgamentos daqueles processos, visto que, se no julgamento da DRJ ou no Conselho de Contribuintes, evidenciarse que há o direito demonstrado pelo contribuinte, a homologação das compensações, que aqui se discute, terá que ser feita; Requer sejam lidas as impugnações aos dois atos fiscais dos processos acima mencionados. Ainda assim transcrevese aqui parte dos fundamentos que lá constaram, quando apresentadas em janeiro de 2006; O empresário admite que nada conhece de contabilidade, mas não pode acreditar que não sejam verdadeiras as informações que lhe foram passadas pelos profissionais da NMS Soluções Integradas em Gestão Ltda., porque conforme demonstram estes, basearamse na lei, na doutrina, nas regras fiscais e nos princípios contábeis; Não é exata a afirmação do AFRF acerca da falta de informações da contribuinte. Além da existência nas impugnações de janeiro de 2006, de informações contrárias ao argumento fiscal, recebeu em 30.05.2006 uma intimação para aqui prestar novos esclarecimentos, em 13.06.2006, e apresentou em mais de 350 páginas um completo e amplo detalhamento, que estão nos autos, não "apenas cópias das declarações retificadas" como diz o fisco. (...) Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 436 7 Por sua vez, a DRJ/Florianópolis, debruçandose no mérito acerca das razões deduzidas na manifestação de inconformidade, indeferiu o pedido de revisão do despacho decisório, mantendo a denegação do direito creditório e a não homologação das compensações objeto dos autos, consoante Acórdão de 11/07/2008 (fls. 378/382), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE. A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o que não poderá ser admitida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 ESCRITURAÇÃO. COMPROVAÇÃO EXIGIDA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis. Solicitação Indeferida Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em indeferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade, nos termos do relatório e voto do relator. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 06/08/2008 (fl. 383), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/08/2008 (fls. 391/402 e 420/421), juntando ainda os documentos de fls. 403/419, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) O acórdão recorrido e a pretensa ausência de prova do direito creditório: que a alegada ausência de provas, nos presentes autos, decorre de falha da DRF de origem; que boa parte da documentação apresentada à fiscalização, que lhe foi entregue em 22/06/2005, foi juntada apenas nos autos do processo nº 10925.001362/2005 62; porém, mesmo assim, parece que nem tudo foi juntado; que a contribuinte pediu copia desse processo e não obteve em tempo hábil, mas, apesar disto, o que já havia juntado naqueles autos seria suficiente para análise; que, se necessário, seja determinado, por pela Turma, a busca das provas constantes dos autos do citado processo; que, portanto, nos autos dos processos nº 10925001362/200562 e 10925.002675/200538 há um completo e detalhado conjunto de provas, mais que suficiente para elucidação do litígio; que, então, a resposta, ou solução, à duvida do fisco é bastante simples: basta examinar os recolhimentos a maior e as declarações retificadoras; que, como é sabido, se a Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 437 8 contribuinte constata que, em face de registros contábeis, apurou e pagou valores do IRPJ e da CSSL a maior do que seria devido (numa contabilidade tecnicamente bem feita e dentro de regras legais), pode retificar sua declaração e, se apurar créditos contra o fisco, pode utilizálos em compensação tributária. É a lei que diz; que, no presente caso, foi o que fez a contribuinte, contratou empresa especializada que recompôs toda a escrita fiscal e contábil entre 1995 e 1999 e revisou 2000 a 2003, tendo antes a cautela de visitar a repartição da Receita Federal, local, para certificarse de que seus procedimentos estariam corretos. Houve uma reunião, neste sentido, e isto foi claramente mencionado na impugnação do ato fiscal contido no processo 10925.002675/2005 38, não tendo havido daquela regional contestação a tal procedimento e afirmação; que nos autos do processo 10925.001362/200562, mediante solicitação da Receita Federal, foram juntadas mais de 300 (trezentas) páginas; que, entre às fls. 202 e 503, naqueles autos, foram juntados documentos pela recorrente, entre eles cópias de livros de apuração de ICMS, Razões Analíticos e relatórios de inventários; que não se sabe o porquê não foram juntados aos autos do presente processo; que nos autos do processo 10925.002675/200538 também foram juntadas centenas de páginas de documentos e a contribuinte rebateu, ponto por ponto, as alegações fiscais e digase, de passagem, seus argumentos foram ACATADOS no julgamento ocorrido na 5ª Camara do E. Conselho de Contribuintes, na sessão de 14/08/2008; que não há, muito mais, o que provar; que basta fazer o exame dos documentos contidos nos autos desses dois processos e juntar, se for o caso, aos presentes autos; que, se ali não está a documentação necessária, a culpa é exclusiva do fisco, visto que os documentos solicitados foram apresentados e os pontos esclarecidos; que, no mínimo, houve falha da autoridade preparadora dos autos; que se faça diligência para juntar aos autos o que se entenda ainda necessário para formação da convicção dos julgadores; que, se a contribuinte tiver que ir ao Judiciário, uma perícia técnica externa, com certeza, será determinada. 2) – Direito de Compensação Tributária: que o direito de compensar, na forma como procedeu a contribuinte, necessita ser examinado sob dois prismas; um primeiro, tecnicamente preliminar, mas que se confunde com o mérito, qual seja, o de processamento da declaração retificadora; e, um segundo, que é a retificação da declaração, em si, suas possibilidades legais, doutrinárias e práticas de sua realização e dos resultados daí decorrentes. 2.1 – Processamento da declaração retificadora: quando o fisco deixa de homologar a compensação efetuada, alegando dependência de análise da declaração retificadora, se culpa existe, ela é do fisco. A requerente considerou retificadas suas declarações e gerado o crédito em seu favor, nada mais necessitando aguardar. Se, como demonstrado, a DRF de origem não examinou as retificadoras, não pode, agora, alegar eventual ausência de informações e negar a homologação. A obrigação de examinar a retificadora e exigir, o que necessário fosse, era única e exclusivamente de responsabilidade da Receita Federal. Não é demais lembrar que se torna inaceitável não admitir o reconhecimento dos créditos, ante a dúvida (dada como certeza pelo fisco) de que não teria ocorrido o pagamento a maior. Ora, o pagamento a maior efetivamente se deu em decorrência da revisão da Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 438 9 escrituração, por ter constatado a contribuinte a existência de erros na declaração original. Ocorre que, provavelmente, como deixanos entender o Relatório da Fiscalização, poderia haver falta de informações na retificadora, mas, nesse caso, necessário recorrer à jurisprudência do Egrégio C. Contribuintes de que a falha (falta de análise da retificadora) teria sido da DRF, pois não buscou todas as informações necessárias à validação da retificação (Acórdão nº 101 95.371 e Acórdão nº 10705.745); que, no máximo, antes de negar a homologação, deveria o fisco, gastar o tempo que fosse necessário na análise das declarações retificadoras, e não simplesmente negar aqui um direito líquido e certo. Se faltam provas deveria haver diligência para a contribuinte, uma vez intimada, apresentálas; que a possibilidade legal de retificação das DIPJ não é mero devaneio, mas direito que pode ser utilizado e necessita ser respeitado. É tão forte a instalação de uma "retificadora" que "quando o sujeito passivo, comprova que apresentou declaração de rendimentos retificadora, anterior a ação fiscal, alterando os valores originalmente lançados com omissão de receitas, não cabe o lançamento com base neste aspecto". 2.2 – As declarações retificadoras que, em si, passaram a refletir a composição dos valores dos créditos compensados: que, na Informação Fiscal já referida neste relatório, restou consignado que o fisco desconsiderou as retificadoras apresentadas em 2003, lavrando autos de infração em 2005 quanto aos períodos de apuração objeto das retificadoras; que a decisão de não homologação das compensações, por conseguinte, está relacionada à lavratura dos autos de infração; que a recorrente insurgiuse contra os lançamentos de ofício; que as DIRPJ e as DIPJ foram retificadas em 2003, gerando os créditos que foram compensados PER/DCOMP em discussão; que parece ato de represália, em relação a tais compensações efetuadas, o início da fiscalização em 2005 que resultou na lavratura dos autos de infração de que tratam os processos nºs 10925.002675/200538, 10925.002678/200571 e outros; que a contribuinte exerceu um direito e foi punida; que, até agora, as "retificadoras" não foram claramente examinadas com direito à ampla defesa e ao devido processo legal, pois o direito creditório e as compensações foram denegadas pelo fato da escrituração contábil ter sido descaracterizada (imprestável para apuração do lucro real), tendo o fisco aplicado o regime de apuração do Arbitramento do Lucro (conforme autos de infração do IRPJ e da CSLL processos nºs 10925.002675/200538 e 10925.002678/2005 71), tornando, por conseguinte, as “retificadoras” inócuas; que, entretanto, os citados processos que tratam da descacterização da escrituração comercial foram julgados improcedentes: a) em 14/08/2008, pela 5ª Câmara do antigo CC, houve julgamento do processo nº 10925.002675/200538 (IRPJ e CSLL sobre receitas conhecidas), cujo resultado foi, por 6 votos a 2, dar razão à contribuinte, tornando insubsistente o lançamento fiscal com base no arbitramento do lucro, pela ilegalidade da desclassificação da escrituração contábil; b) em relação ao processo nº 10925.002678/200571 (IRPJ e reflexos sobre omissão de receitas), a própria DRJ/Florianópolis afastou a infração omissão de receitas (crédito tributário de R$ 881.554,90), cujo recurso de ofício – sequer foi julgado pelo Conselho , pois ficou abaixo do limite de alçada (processo devolvido pelo CC à origem e arquivado); que, pelo exposto, quanto ao direito creditório pleiteado e às compensações informadas, deve prevalecer a verdade material; Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 439 10 que protesta, desde já, pela produção de todas as provas testemunhais ou periciais que sejam necessárias e pela baixa em diligência dos autos, se for o caso, e demais procedimentos cabíveis e aplicáveis. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso, para que seja reformada a decisão recorrida, reconhecido o crédito pleiteado e homologadas as compensações objeto dos autos. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 440 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos do processo tratam de declaração de compensação tributária de débitos de diversos períodos de apuração, com utilização de suposto crédito – direito creditório – decorrente pagamento indevido ou maior do IRPJ – estimativa mensal e da CSLL estimativa mensal, quanto ao anocalendário 2001. Nas razões do recurso, a contribuinte argumentou: que, em 2003, contratou a NMS Soluções Integradas em Gestão Ltda, empresa especializada, que recompôs toda a escrita fiscal e contábil até 1999 (contabilidade tecnicamente mal feita entre os anos de 1993 e 1998) e revisou 2000 a 2004, tendo antes a cautela de visitar a Repartição da RFB, local, para certificarse de que seus procedimentos estariam corretos; que houve uma reunião, neste sentido, e isto foi claramente mencionado na impugnação do ato fiscal contido no processo 10925.002675/200538, não tendo havido da Repartição Fiscal contestação a tal procedimento e afirmação; que, em face disso, apresentou declarações retificadoras de DIRPJ, DIPJ e DCTF, quanto aos períodos de 1998 a 2004; que, em decorrência da revisão da escrituração contábil e da apresentação das declarações retificadoras apurou créditos contra o fisco, por pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de CSLL desses períodos; que utilizou esses créditos em compensações tributárias, mediante transmissão eletrônica de PER/DCOMP, nos anos de 2003, 2004 e 2005; que, em 2005, por conta dessas declarações retificadoras e da utilização dos créditos nos PER/DCOMP, foi objeto de procedimento de fiscalização por parte da RFB; que lhe foram aplicados vários autos de infração, especialmente aqueles objeto dos processos nºs:10925.002675/200538 e 10925.002678/200571. O primeiro, referese aos autos de infração do IRPJ e da CSLL quanto aos anoscalendário 1999 a 2004 com base na receita conhecida (desclassificação da escrita contábil, a qual foi considerada imprestável para apuração do lucro real e, por conseguinte, houve arbitramento do lucro). O segundo, referese ao lançamento do IRPJ e reflexos sobre Omissão de Receitas do anocalendário 2002); que, em face desses autos de infração, o crédito pleiteado desses períodos de apuração foi denegado e as compensações não foram homologadas (as declarações retificadoras foram desconsideradas); que, entretanto, a contribuinte rebateu, impugnou, recorreu, dessas autuações; Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 441 12 que, em relação ao processo nº 10925.002678/200571 – Omissão de receitas do anocalendário 2002 (IRPJ e reflexos), a DRJ/Florianópolis exonerou o crédito tributário, recorrendo de ofício ao então Conselho de Contribuintes. Entretanto, o processo foi devolvido pelo CARF à origem e arquivado, pois o valor exonerado ficara dentro de limite de alçada da DRJ, não comportando tal recurso; que, atinente ao processo nº 10925.002675/200538, o crédito tributário foi, também, exonerado integralmente pela 5ª Câmara do então Conselho de Contribuintes, na sessão de 14/08/2008, por acolhimento da decadência do crédito tributário do anocalendário 1999 e por insubsistência do lançamento fiscal quanto aos anoscalendário 2000, 2001, 2002 , 2003 e 2004, conforme Acórdão nº 10517.154, vencido o Cons. Relator Waldir Veiga Rocha, designado redator do voto vencedor o Cons. Paulo Jacinto Nascimento que assim concluiu seu voto: (...) Diante disso, em relação ao anocalendário de 1999, alargo o provimento dado pelo relator originário, reduzindo para 75% a multa de lançamento de oficio e acolhendo a preliminar de decadência em relação ao quarto trimestre e, em relação aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, julgo insubsistente o lançamento, porquanto ilegítimo o arbitramento. (...) que, em face da insubistência dos autos de infração aplicados, tornase necessário enfrentar, no mérito, a questão das declarações retificadoras entregues ao fisco, o crédito pleiteado e bem assim as compensações efetuadas, para que não haja prejuízo ao direito de defesa, ao contraditório e ao devido processo legal administrativo; que não procedem os argumentos da decisão recorrida de que não constam dos autos as provas do direito creditório pleiteado; que as provas foram entregues à fiscalização e deveriam constar do presente processo; que, entretanto, a autoridade preparadora somente juntou tais elementos de prova nos autos dos processos nºs 10925.001362/200562 e 10925.002675/200538. que, portanto, nos autos dos processos nº 10925001362/200562 e 10925.002675/200538 há um completo e detalhado conjunto de provas, mais que suficiente para elucidação do litígio; que então, caso necessário, que se baixem os autos do presente processo para diligência fiscal, para que sejam juntadas as provas para formação da convicção dos julgadores. Nesta esfera recursal, compulsando os autos e consultando os sistemas informatizados de controle de processos do CARF, inclusive o SINCON, consta que: em relação ao processo nº 10925.002678/200571 infração imputada Omissão de Receitas, anocalendário 2002, o fisco apurou, constatou, que a contribuinte efetuara na sua escrituração um lançamento contábil, em 31/12/2002, no valor de R$ 4.199.731,62, a débito de Clientes e a crédito de Resultados de Exercícios Anteriores, com o lacônico histórico "saldo de balanço". O fisco, então, entendeu que tal lançamento teria servido para incrementar o Patrimônio Líquido com receitas não oferecidas à tributação (Omissão de Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 442 13 Receitas). Crédito tributário lançado de ofício (autos de infração do IRPJ e reflexos) no valor de R$ 881.554,90. a contribuinte contestou, no âmbito da DRJ/Florianópolis, com base nestas razões, em síntese: referese a contas a receber datado do período entre 1994 e 1998. Havia sido baixado anteriormente da contabilidade, pois era considerado incobrável na época. Foi re lançado em 31/12/2002, tendo em vista a intenção da empresa em reaver estes valores, num processo de cobrança que se iniciou. Entretanto, a fiscalização entendeu que este valor era uma “maquiagem” de um ingresso de caixa e que o fatocrédito não teria acontecido ou seu suporte seria irregular. O fatocrédito aconteceu e tem suporte, tanto que o saldo atual de clientes passa dos oito milhões de reais, dentro do qual encontramse estes títulos que se tentou recuperar. Entendeu a fiscalização que isto seria omissão de receita, o que é totalmente incoerente com o que dispõe a legislação própria, que considera para efeitos de tributação somente os valores efetivamente recuperados e desde que baixados, anteriormente, como perda. O lançamento contábil, em comento, é composto de notas que já existiam, estavam registradas antes e atualmente os valores não foram ainda cobrados; não se pode tributar esse montante, pois o mesmo não foi recuperado ainda (...); – o fisco DRF/Joaçaba sabia, perfeitamente, que existiam problemas na escrituração contábil da empresa até 1999 (contabilidade mal feita entre os anos de 1993 e 1998); foi contratada, então, a NMS Soluções Integradas em Gestão Ltda, em 2003, para recompor os registros onde estivessem falhos e pudessem ser regularmente refeitos; houve visita, em 2003, à DRFJoaçaba, fato que incentivou o representante da empresa a adotar as providências que profissionais especializados lhe indicavam como úteis e necessárias; em 2003 já era desnecessário à NMS recompor registros anteriores a 1998 para fins fiscais. No entanto, no que concerne às regras de direito civil, quanto a decadência/prescrição de créditos comerciais, era perfeitamente possível ainda entre 2000 e 2003 registrar e buscar valores eventualmente não recebidos desde 1993; que a contribuinte provou que os R$ 4.199.731,62 (valores não recebidos de clientes desde 1993) não são uma “invenção”, são números reais, resultado de uma relação de clientes reais, decorrentes de vendas efetivas feitas com notas fiscais, buscados numa contabilidade mal feita entre os anos de 1993 e 1998. Como estavam contabilizados lá em 1993 a 1998 é dificil descobrir hoje, mas isto já não importa, porque sobre aquele período já não tem mais influência o fisco. Importa é que um lançamento efetuado em 2002 possui documentos regulares e passíveis de contabilização sem tributação, dentro da técnica contábil e fiscal. E, por fim, acrescenta, a contribuinte: (...) Os comprovantes existem. Sao as cópias de notas ou faturas, com nomes, números e datas e relatório detalhado. Claro que quando houve lá naqueles anos anteriores venda com nota fiscal, houve tributação Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 443 14 daquela receita. Se não existem livros de 1993 a 1997 que impliquem em não se poder ver se houve a baixa como contas incobráveis, isto não impede o registro atual, porque se irregularidade houve entre 1993 e 1997, o fisco a eles não tem mais acesso. Não pode o fisco tributar agora em 2005, lançamentos daquelas datas. (...) não tinha, tecnicamente, um bom contador até 2003 e ainda que, até 1996, fossem dedutíveis como despesa, para fins de apuração do lucro real, as importâncias necessárias à formação de provisão para créditos de liquidação duvidosa; que, apenas a partir do ano de 1997, a sistemática de provisão constituída com base em percentual aplicável sobre o total dos créditos a receber foi substituída pelo regime de dedução direta de perdas ocorridas no recebimento de créditos, conforme o disposto na Lei n° 9.430/96, art. 9° a 14. Ainda acrescentou: (...) Hoje sabese, também, que quanto aos Créditos Recuperados, o total dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época e a qualquer titulo, deverá ser computado na determinação do lucro real. A recuperação do crédito que tenha sido anteriormente contabilizado como perda implica o seu reconhecimento contábil a crédito de conta de resultado, QUANDO VIER A SER RECEBIDO, não antes. Lembremos que o contribuinte contratou a empresa NMS para revisar sua contabilidade exatamente porque conhecia muitíssimo pouco de todos estes detalhes técnicos contábeis e jurídicos. O fisco não prova o que aconteceu entre 1993 e 1998 e se provasse sobre aqueles fatos não poderia interferir, além do que, se foram os valores dos clientes baixados como despesa à época, serão quando recebidos, reconhecidos como receita e ATÉ PODERIAM SER TRIBUTADOS, MAS APENAS QUANDO RECEBIDOS. O fisco sabe que dos R$ 4.199.731,62 contabilizados, NÃO HOUVE AINDA INGRESSO DE COBRANÇAS, portanto não houve receita. Achar estranha a forma como o lançamento foi feito, é no máximo "achar estranha", não fraudulenta nem irregular. A forma de contabilizar desde que não contrária à lei ou não se possa considerar fraude, no máximo pode ser estranha, mas é de pleno direito do contador fazêla desta ou daquela forma. Embora não seja o caso, mesmo que o contribuinte estivesse "inventando" uma receita, ela seria do tipo que somente seria tributada quando houvesse o recebimento do valor, não agora na data do lançamento. Uma perícia técnica, aliada a um parecer de tributarista especializado, sem dúvida demonstrará, se necessário ir ao judiciário, que efetivamente não tem sustentação contábil ou jurídica a tributação que o fisco pretende arrancar no presente ato fiscal. Os nobres julgadores sabem disto. Fl. 443DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 444 15 (...) o fisco utiliza no ano base de 2002, um único lançamento para, isoladamente, tentar arrancar do contribuinte, mais a vultosa importância de R$ 881.554,90 de indevidos IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, numa engenhosa e inverídica construção. (...) O empresário admite que nada conhece de contabilidade, mas não pode acreditar, que não sejam verdadeiras as informações que lhe foram passadas pelos profissionais da NMS Soluções Integradas em Gestão Ltda, porque conforme demonstraram estes, basearamse na lei, na doutrina, nas regras fiscais e nos princípios contábeis. Não se pode admitir que tudo esteja errado. Foram contratados para prestar um bom trabalho e como comprovado na impugnação apresentada em Janeiro/2006, fizeram visita à DRF, apresentando seus planos de revisão contábil. (...) Em face da irresignação da contribuinte, a DRJ/Florianópolis, em suma, exonerou o crédito tributário objeto do processo nº 10925.002678/200571, recorrendo de ofício de sua decisão ao então Conselho de Contribuintes. Consultando os sistemas eletrônicos SINCON e COMPROT, consta que o valor do crédito tributário exonerado pela 3ª Turma/DRJFlorianópolis no valor de R$ 881.554,90, por ser inferior ao limite de alçada, não comporta recurso de ofício. Por isso, os autos do processo foram devolvidos em 08/10/2008 pelo então Conselho de Contribuintes à origem, onde foram arquivados na DRJ/Joaçaba em 08/12/2008. Já, quanto ao processo nº 10925.002675/200538, consultando o sistema eletrônico de controle de processos no âmbito do CARF, consta, realmente, que, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso pelo Acórdão 10517.154, restando o crédito tributário integralmente exonerado do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. A propósito, transcrevo a ementa desse acórdão e parte dispositiva, in verbis: (...) Processo n° 10925.002675/200538 Recurso n° 155.202 Voluntário Matéria IRPJ e OUTRO EXS.: 2000 a 2005 Acórdão n° 10517.154 Sessão de 14 de agosto de 2008 Recorrente BEBBER COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA. Recorrida 3ª TURMA/DRJFLORIANÓPOLIS/SC Fl. 444DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 445 16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. ARBITRAMENTO DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA LEGITIMIDADE A desclassificação da escrita e o decorrente arbitramento dos lucros somente se legitimam quando a contabilidade apresenta vícios que a imprestabilizam para apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA DESCABIMENTO Descabe a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada quando as circunstâncias apontadas pelo Fisco não denotam o evidente intuito de fraude. TAXA SELIC A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: ANO CALENDÁRIO DE 1999: Por maioria de votos, REDUZIR a multa para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Waldir Veiga Rocha (Relator). Por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao quarto trimestre de 1999. Vencido o Conselheiro Waldir Veiga Rocha (Relator). DEMAIS ANOS CALENDÁRIO: Por unanimidade de votos, REDUZIR a multa para 75%. Por maioria de votos, DECLARAR insubsistente o lançamento. Vencidos os Conselheiros Waldir Veiga Rocha (Relator) e José Clóvis Alves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. (...) Em 28/05/2009, o Pres. da 5ª Câmara do 1º CC, atual 3ª CAM da 1ª Seção, deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o citado acórdão nº processo nº 10925.002675/200538, conforme DESPACHO – PRESI – S1 C3T01 Nº 220/2009 nas fls.1384/1386 daquele processo. A contribuinte foi cientificada do Acórdão 10517.154, do Recurso Especial e do Despacho nº 220/2009, apresentando contrarrazões em 23/0602009, conforme despacho de fl. 1415 daquele processo. Na CSRF/1ª Turma, os autos do processo nº 10925.002675/200538 foram distribuídos para relatar em 26/10/2011, sem previsão para julgamento. Fl. 445DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10925.001361/200518 Resolução nº 1802000.109 S1TE02 Fl. 446 17 Destarte, ainda pende de apreciação pela CSRF/1ª Turma o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o referido Acórdão da 5ª Câmara do 1º CC, atual 3ª CAM da 1ª Seção de julgamento do CARF, processo nº. 10925.002675/200538. Conforme demonstrado, para análise de mérito da lide do presente processo, tornase necessário, primeiro, aguardar o desfecho final, ou seja, o julgamento definitivo da lide na esfera administrativa do processo nº 10925.002675/200538, em face da conexão ou prejudicialidade daquele processo em relação a este, quanto a fatos e provas. Por conseguinte, voto para encaminhar os autos do presente processo para juntada ao de nº 10925.002675/200538 que se encontra na CSRF/1ª Turma, para posterior julgamento por dependência por este CARF. À 2ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento do CARF para as providências de sua alçada. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13736.002031/2007-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A lei n° 8.852/94, não contempla as hipóteses de isenção ou não incidência, apenas define o que é vencimento básico, vencimentos e remuneração.
Súmula CARF. N° 68. A lei n° 8852, de1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2002-005.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A lei n° 8.852/94, não contempla as hipóteses de isenção ou não incidência, apenas define o que é vencimento básico, vencimentos e remuneração. Súmula CARF. N° 68. A lei n° 8852, de1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
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A lei n° 8.852/94, não contempla as hipóteses de isenção ou não incidência, apenas define o que é vencimento básico, vencimentos e remuneração. Súmula CARF. N° 68. “A lei n° 8852, de1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 41/42) contra decisão de primeira instância (e-fls. 31/35), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 20 31 /2 00 7- 27 Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-005.639 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13736.002031/2007-27 Cientificado, o impugnante insurgiu-se contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1º da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17). A 1ª Turma da DRJ/RJOII julgou improcedente a impugnação assim se manifestando: (...) Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1° da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. (...) Por fim, esclareça-se que houve a apresentação de declaração retificadora na qual a fiscalização constatou omissão de rendimentos. Dessa forma, havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 — RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN), deve ser mantido o lançamento. Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-005.639 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13736.002031/2007-27 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, nos mesmos termos e alegações da impugnação. Requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 24/04/2008 (e-fl. 40); Recurso Voluntário protocolado em 05/05/2008 (e-fl. 41), assinado pelo próprio contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Relata o Sr. AFRF: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********11.829,47, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *************0,00. Irresignado com a r. decisão revisanda o recorrente maneja recurso próprio. Pois bem, o Regulamento do Imposto de Renda no Capítulo II- Rendimentos Isentos ou Não Tributáveis em seu art. n° 39 não contempla o Adicional por tempo de serviço, no seu contexto. A lei n° 8852/94, não contempla ou outorga isenções, no seu conteúdo. A Carta Política de 88, em seu art. 111, assim prescreve: “Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Suspensão ou exclusão do crédito tributário; Outorga de isenção Dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias”. Ademais este Colendo Órgão de Julgamento, já pacificou a matéria via Súmula n° 68, que assim regra: “A lei n° 8852, de1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-005.639 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13736.002031/2007-27 Assim nesta quadra de entendimento, a r. decisão de origem não está a carecer de reparos, devendo ser mantida por seus próprios fundamentos. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10675.904024/2012-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3003-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta, à vista dos documentos apresentados na fase recursal, apure a existência e o valor do crédito em favor da Recorrente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lara Moura Franco Eduardo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges, Ariene d'Arc Diniz e Amaral, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: JOSE CARLOS PEDRO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta, à vista dos documentos apresentados na fase recursal, apure a existência e o valor do crédito em favor da Recorrente. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Lara Moura Franco Eduardo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges, Ariene d'Arc Diniz e Amaral, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem sintetizar os fatos, adoto o relatório contido na decisão da DRJ/JFA (fls. 104 a 157): Trata o presente processo da Declaração Eletrônica de Compensação –DCOMP nº 12516.97518.280709.1.3.043765, do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$5.553,67, recolhido em 25/06/2009. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 04 02 4/ 20 12 -0 1 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3003-000.148 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904024/2012-01 Regularmente cientificada do Despacho Decisório, por via postal, a contribuinte protocolou a presente manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que possui o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior, consoante o Dacon entregue em 05/08/2009, que demonstra a inexistência de contribuição a ser recolhida no mês de maio de 2009 e que retificou a DCTF para constar o efetivo valor devido. Aduz ainda a necessidade de intimação para prestar esclarecimentos e solicitar correções antes da emissão do Despacho Decisório e da observância do princípio da busca pela verdade material. O órgão de primeira instância administrativa julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento, em resumo, de que o impugnante não trouxe ao processo elementos suficientes à comprovação do crédito correspondente ao pagamento indevido ou a maior do PIS. O contribuinte foi intimado acerca do Acórdão que julgou a impugnação em 25/02/2014, conforme “Termo de Ciência por Decurso de Prazo” anexado ao presente processo (fl. 102). Insatisfeito com o teor da decisão, em 17/03/2014 interpôs Recurso Voluntário (fls. 104 a 157), reafirmando o que foi alegado em fase de impugnação e colocando o que resumidamente se segue: O DACON relativo referente ao mês de Maio/2009 indicaria a existência de crédito do PIS no valor de R$ 1.333,43; Além desta Declaração, confirmariam a existência do crédito a conta Razão, que apresenta saldo no valor de R$ 1.996,40 de “PIS a Compensar” em 01/07/2009; A origem do crédito da contribuição estaria em operações de arrendamento mercantil, que foram pagas no respectivo período, porém não contabilizadas; Após o aproveitamento do mencionado crédito, oriundo de pagamentos realizados pela recorrente por operações de arrendamento mercantil, teria se dado a recomposição das contas e verificada a ocorrência de pagamento a maior correspondente a Março/2009 e Maio/2009; Haveria faltado ao julgador de primeira instância a busca pela verdade material dos fatos, que poderia ter sido obtida através dos dados existentes no banco de dados da Administração Pública; O crédito em questão encontrava-se líquido e certo quando da realização da compensação, demonstrado na escrituração digital da recorrente, entregue à Receita Federal em momento anterior à lavratura do despacho decisório; A DCTF pertinente ao período questionado foi retificada, fazendo constar o valor efetivamente devido da contribuição, não possuindo o erro de informação naquela Declaração a capacidade de aniquilar o direito ao crédito; Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3003-000.148 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904024/2012-01 A empresa contribuinte deveria ter sido intimada antes da emissão do despacho decisório para demonstrar a efetiva existência do crédito utilizado nas compensações, pois teria comprovado a efetiva procedência da compensação; Deve ser prestigiada a verdade material dos fatos ocorridos, vez que os elementos colacionados ao processo confirmariam apuração do crédito utilizado na compensação efetuada e afastariam as imputações feitas no despacho decisório; Em matéria tributária, o ônus de provar as imputações feitas pelo Fisco pertenceria a ele próprio, tendo em vista a obrigatoriedade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado; Caberia ao Fisco apresentar elementos de prova que ilidam as comprovações realizadas pelo requerente nos autos; O exercício da legislação tributária que define infrações haverá de ser aplicada á vista da verdade real e de maneira mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o art. 112 do CTN. Voto Conselheira Lara Moura Franco Eduardo, Relatora. Em vista da ausência de “Termo de Juntada ao Processo” e de carimbo da data de recepção do Recurso Voluntário na unidade da RFB responsável pela instrução processual, tomo como data de apresentação da peça recursal aquela aposta no envelope juntado às fl. 156, qual seja, 17/03/2014. O Recurso encontra-se datado de 14/03/2014, mas foi postado em 17/03/2014, de acordo com o carimbo acrescentado pela agência postal no envelope de fl. 156, tendo sido recepcionado pela DRF/Uberlândia em 18/03/2014, como se verifica, por sua vez, no carimbo de protocolo da unidade da RFB. Sobre a remessa de impugnação via postal em processo administrativo fiscal, disciplina o art. 56, §§ 5º ao 7º, do Decreto nº 7.574 de 29 de setembro de 2011, que regulamenta, dentre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3003-000.148 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904024/2012-01 § 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. § 6º Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. § 7º No caso previsto no § 5º, a unidade de preparo deverá juntar, por anexação ao processo correspondente, o referido envelope. (grifei) Portanto, tendo o contribuinte tomado ciência do Acórdão da DRJ/JFA em 25/02/2014 (data de ciência por decurso de prazo), e considerando-se como data da apresentação da peça recursal a de 17/03/2014, conheço do Recurso Voluntário, por entender que se encontra satisfeito o requisito da tempestividade, como também se encontra atendido o requisito relacionado à competência material deste colegiado para o exame da matéria ali tratada. De acordo com o precedentemente relatado, trata-se de DCOMP na qual se pleiteia o reconhecimento de crédito do PIS relativo ao PA 05/2009, não homologada por despacho decisório da unidade de origem da RFB sob o fundamento de que o pagamento em questão teria sido utilizado para quitação de outro débito indicado em DCTF, decisão esta que foi mantida por acórdão da DRJ. Examinando os autos, verifica-se que o cerne da divergência gira em torno da comprovação da existência do indébito, manifestando-se a autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que o conjunto probatório não seria suficiente para provar o excesso de pagamento. Na fase de impugnação, constata-se que o sujeito passivo não apresentou escrituração contábil-fiscal, planilha, notas fiscais nem quaisquer documentos aptos a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado, restringindo-se a juntar demonstrativo do saldo credor do PIS, DACON relativo ao PA 05/2009 e DCTF retificadora incompleta, estando ausente as folhas de apuração justamente do PIS e da COFINS. Em regra, os elementos de prova devem ser apresentados em conjunto com a impugnação, sob pena de preclusão do direito de fazê-lo, conforme dispõe o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972 1 . A juntada de documentos posteriormente à impugnação deve encontrar amparo nas exceções descritas nas alíneas “a” a “c” do citado § 4º. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3003-000.148 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904024/2012-01 Contudo, a jurisprudência do CARF inclina-se no sentido de que, em se tratando de Despacho Decisório de emissão eletrônica, o princípio da verdade material é capaz de relativizar a formalidade do § 4º, quando a prova trazida tardiamente possa dar solução ao processo, encerrando a “verdade” dos fatos, como se pode verificar das Ementas dos Acórdão das 3ª e 1ª Turmas da CSRF, a seguir reproduzidos: Acórdão nº 9303-009.835 Seção 10/12/2019 Relator LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/10/2003 PER/DCOMP. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente serem apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de Despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Acórdão nº 9303-007.855 Sessão 22/01/2019 Relator(a) VANESSA MARINI CECCONELLO PROVAS. VERDADE MATERIAL. Admite-se a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando comprovam inequivocamente a certeza e liquidez do direito creditório declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida. Assim sendo, entendo que os novos documentos que guarnecem o Recurso Voluntário devem ser acolhidos, examinados e considerados na formação da convicção manifestada neste voto. Encontra-se colocado nas razões de defesa que, após apropriação de créditos obtidos em operações mercantis referentes aos PA 03/2009 e 05/2009, teria havido alteração nos saldos a pagar do PIS, configurando-se o recolhimento a maior da contribuição nos citados períodos. Da análise do conjunto dos documentos carreados aos autos, verifica-se o seguinte: Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3003-000.148 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904024/2012-01 O DACON Mensal referente ao PA 05/2009, entregue em 05/08/2009, portanto, em momento anterior à lavratura do despacho decisório, traz na Ficha 06A o valor de R$ 417.399,97 para “Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil”, e na Ficha 14 um crédito de PIS remanescente no valor de R$ 1.333,43. Ou seja, a pessoa jurídica, pela Declaração em menção, que é original, não teria apurado contribuição a pagar no período-base; A DCTF original anexada ao processo, transmitida em 28/07/2009, apresenta PIS a Pagar no valor de R$ 1.996,40, que foi recolhida e cujo pagamento a recorrente considera indevido, na integralidade; Já a DCTF retificadora anexada ao processo, transmitida em 30/11/2012 (após a emissão do despacho decisório), não apresenta PIS a Pagar para o PA em questão; No balancete mensal referente ao PA 05/2009, pode-se verificar que a conta passiva “Operações de Arrendamento Mercantil” possui débito no valor de R$ 417.399,97, porém não é possível visualizar o registro da despesas entre as contas desta natureza. De modo que, no caso, estamos diante de uma situação que enseja a realização de diligência, com o objetivo de que a verdade dos fatos reste bem evidenciada. Frente ao conjunto de documentos apresentados, há indício da existência do crédito, mas não é possível afirmar-se com segurança o valor correspondente a este. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a ser promovida pela unidade de origem da RFB, a fim de que sejam esclarecidos os pontos seguintes: (1º) Verificar o valor e confirmar a efetiva ocorrência de Despesas com Operações de Arrendamento Mercantil, aptas a compor a “Base de Cálculo dos Créditos à Alíquota de 1,65%”, contida na Ficha 06A do DACON, para o PA de 05/2009; (2º) Refazer a apuração do PIS para o PA 05/2009, apropriando-se os créditos gerados por Despesas com Operações de Arrendamento Mercantil, desde quando tenham suporte em documentação contábil e fiscal hábil (contratos, recibos, notas fiscais etc), informando ao final do exame se existe crédito que decorra de pagamento indevido ou a maior em favor da Recorrente, e qual o seu valor, que possibilite a compensação do débito indicado na DCOMP de fl. 02 a 06, ainda que de modo parcial. Ao final da apuração, o contribuinte deve ser cientificado do resultado da diligência e da possibilidade de impugnação dos cálculos em 30 (trinta) dias, a contar da data de ciência. Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3003-000.148 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904024/2012-01 Concluso todo o procedimento descrito, o presente processo deve retornar ao CARF, para julgamento do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lara Moura Franco Eduardo Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000476/2010-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2011
EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS FISCAIS. PAGAMENTO APÓS O PRAZO DE TRINTA DIAS DA CIÊNCIA DO ADE PARA REGULARIZAÇÃO.
Identificado que o débito somente foi regularizado após o prazo de trinta dias, estabelecido pelo artigo 31, §2º, da Lei Complementar nº 123/2006, há que ser mantida a exclusão.
Numero da decisão: 1002-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Zedral e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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PENDÊNCIAS FISCAIS. PAGAMENTO APÓS O PRAZO DE TRINTA DIAS DA CIÊNCIA DO ADE PARA REGULARIZAÇÃO. Identificado que o débito somente foi regularizado após o prazo de trinta dias, estabelecido pelo artigo 31, §2º, da Lei Complementar nº 123/2006, há que ser mantida a exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Zedral e Thiago Dayan da Luz Barros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 04 76 /2 01 0- 15 Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.494 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.000476/2010-15 Relatório Por bem retratar os fatos, reproduz-se inicialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (“DRJ/JFA"), o qual será complementado ao final: Trata o presente processo de exclusão do regime do Simples Nacional, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/VAR nº 425670, de 2010 (fl. 03), em virtude de a interessada “possuir débito(s) deste Regime Especial, com a exigibilidade não suspensa”. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando e requerendo, em síntese, que: A Empresa ... não se encontra em condições financeiras para pagar seus débitos no prazo previsto no Art. 4° deste ADE. Sabendo que a Receita Federal não concede parcelamento para débitos desta natureza, mesmo assim solicitamos através deste o parcelamento, para que possamos acertar as nossas contas com Receita Federal. Em sessão de 10/05/2012, a DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. A empresa excluída do Simples Nacional por possuir débitos sem exigibilidade suspensa tem 30 dias, contados da comunicação da exclusão, para regularizá-los. Nos fundamentos do voto relator (fls. 75 do e-processo): De acordo com a tela de fl. 29, os débitos motivadores da exclusão não foram regularizados no prazo de que trata o § 2º do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006, transcrito no princípio do presente voto. E mais, há débitos da empresa até a presente data, tanto que, em sede de manifestação de inconformidade, houve pedido de parcelamento. A interessada tinha débitos e não efetuou a comunicação de exclusão obrigatória e, em conseqüência foi excluída de ofício. E mais, a empresa não comprovou a regularização dos débitos motivadores da exclusão em tempo hábil, não havendo como permitir a sua permanência como optante pelo Simples Nacional. Quanto à solicitação de parcelamento dos débitos relativos ao Simples Nacional, tem-se que a manifestação de inconformidade não é a via adequada para tal requerimento, pois, a competência para concessão de parcelamentos não é atribuição das Delegacias de Julgamento. Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.494 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.000476/2010-15 Irresignado, o contribuinte apresentou peça recursal na qual informa que os débitos motivadores da sua exclusão se encontram parcelados desde 19/06/2012. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-001.494 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.000476/2010-15 Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Como se denota dos autos, o contribuinte tomou ciência acórdão recorrido em 30/05/2012 (fls. 35 do e-processo), apresentando o recurso voluntário, ora analisado, no dia 28/06/2012 (fls. 37 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, é tempestiva a defesa apresentada e, por isso, deve ser analisada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito O recurso do contribuinte foi formalizado no documento disponibilizado pela própria Receita Federal para contestação à exclusão do Simples Nacional, mas se trata de recurso voluntário e não de impugnação cujo destino é a Delegacia de Julgamento. Nessa nova defesa, ao contrário das manifestações anteriores nas quais o contribuinte informava não estar em condições de regularizar sua situação e pleiteava para que fosse-lhe concedido um programa de parcelamento, o contribuinte informa ter realizado na data de 19/06/2012 o parcelamento regulamentado pela Instrução Normativa nº 1.229/2011. Sucede que o contribuinte foi cientificado do ADE nº 426.680/2010 na data de 24/09/2010 (fls. 24 do e-processo) e o artigo 31, §2º, da Lei Complementar nº 123/2006 disponibiliza o prazo de trinta dias para regularização de débitos identificados em aberto aptos a enseja a exclusão do contribuinte do regime simplificado, aliás, como foi muito bem colocado pela instância a quo. Nesse sentido, o contribuinte teria até 26/10/2010 para regularizar seus débitos. Tendo em vista que a suspensão da exigibilidade somente veio a ocorrer no ano seguinte, não é possível a manutenção do contribuinte ao regime. Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-001.494 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13643.000476/2010-15 A própria norma instituidora do Simples Nacional é muito clara nesse sentido, de modo que não existe no ordenamento jurídico outro dispositivo legal específico e capaz de garantir a manutenção do contribuinte no regime. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.673151/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 07/11/2003
PRECLUSÃO. DOCUMENTO JUNTADO EM FASE RECURSAL.
É preclusa a juntada de documentos em sede recursal, salvo exceções previstas nas alíneas do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-008.072
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880.673119/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DOCUMENTO JUNTADO EM FASE RECURSAL. É preclusa a juntada de documentos em sede recursal, salvo exceções previstas nas alíneas do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880.673119/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3302-008.046, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o processo de contestação contra Despacho que indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado por meio do PER, uma vez que o pagamento do tributo apontado, tido como indevido, estava integralmente utilizado para quitação de débitos próprios. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando, em síntese, que o débito objeto da sua solicitação foi indevidamente recolhido e, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 31 51 /2 01 1- 38 Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.072 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.673151/2011-38 ao contrário do que afirma a decisão, não houve efetiva utilização do crédito. Salienta que o pagamento indevido decorre de remunerações recebidas a título de comissão de venda oriunda do exterior (prestação de serviço) que, de acordo com o art. 45, inciso III, do Decreto nº 4.542, de 2002, gozam do benefício de isenção. Ressalta que decidiu desistir dos pedidos de compensação, optando pela sua devolução nos termos do art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, com a devida aplicação de correção monetária com base na taxa Selic. O órgão julgador de primeira instância administrativa (DRJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa do acórdão prolatado, aqui sintetizado: (i) Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. (ii) Dentre as hipóteses de isenção da Cofins e do PIS estão as receitas decorrentes de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, devendo, para gozo do benefício, ser comprovado que o recebimento decorrente represente ingresso de divisas. Intimado da decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivo, no qual reprisou as alegações ofertadas na manifestação de inconformidade ao tempo que criticava as razões de decidir do acórdão guerreado e aduzia documentos. Por fim, requer a reforma da decisão de primeiro grau, o reconhecimento do direito à restituição e que as intimações sejam encaminhadas ao representante legal ou administrador do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-008.046, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. A recorrente rebate as razões de fato lançadas pela decisão recorrida, acerca da total carência de provas do seu alegado direito à restituição, e repete as mesmas alegações ofertadas na manifestação de inconformidade, agora aduzindo alguns documentos. Quando da improcedência da manifestação de inconformidade, a decisão recorrida assim explicitou os documentos faltantes: (...) Como se vê, dentre as hipóteses de isenção da Cofins e do PIS estão, de fato, as receitas decorrentes de serviços prestados à pessoa física ou jurídica residente Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.072 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.673151/2011-38 ou domiciliada no exterior, condicionado, entretanto, que o pagamento assim advindo represente ingresso de divisas. Ou seja, para a verificação se os valores recebidos do exterior atendem às condições estabelecidas em lei, não se caracterizando, portanto, fato gerador da obrigação tributária, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de recebimento de valores do exterior, contratos de câmbio, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações, de forma a demonstrar o nexo direto de casualidade (sic) entre as receitas obtidas e a entrada de divisas. (grifou-se) Em sede de recurso voluntário, foram trazidos aos autos - contrato de câmbio de compra - tipo 03 - transferências financeiras do exterior, entre a recorrente e o Banco Sudameris Brasil S/A; dois DARFs em nome da recorrente; declaração firmada por Yassuo Miyamoto, contendo faturamento mensal da pessoa jurídica no ano de 2003; Contrato de serviço de agenciamento com SIIX Corp. (tradução juramentada) e registrado no 4º Registro de Títulos e Documentos da cidade de São Paulo sob microfilme nº 4849260. Em que pese a recorrente ter trazido agora alguns documentos, no seu esforço para provar o suposto direito à restituição, ao meu sentir, a documentação trazida está longe de fazer prova do direito vindicado pela recorrente, porquanto nenhum documento da escrituração contábil da empresa que refletisse as operações narradas no ano de 2002 veio à colação. Nessa moldura, continua a mesma situação de falta de provas anteriormente admoestada, pois como bem apregoado pela decisão recorrida: é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada. Posto isso, oriento meu voto por negar provimento ao recurso voluntário. Cumpre ressaltar, todavia, que os fundamentos adotados pelos conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho para também negar provimento ao recurso voluntário foram diversos dos meus, é o que se passa a explanar. Entenderam os conselheiros que diversos documentos trazidos em sede de recurso voluntário, poderiam, em tese, ser considerados como indiciários da existência do crédito pleiteado, todavia foram apresentados intempestivamente, operando-se a preclusão do direito de apresentá- los. Ao apresentar a manifestação de inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, a recorrente não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos a existência dos créditos pleiteados. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-008.072 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.673151/2011-38 A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação (manifestação de inconformidade) mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observa-se que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, a contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da manifestação de inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra a recorrente estar abrigada em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Destarte, não há como serem acolhidas as pretensões da recorrente, devendo persistir a negativa do direito creditório pleiteado, mantendo-se a decisão de piso, e portanto negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-008.072 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.673151/2011-38 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital
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