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Numero do processo: 10920.721500/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.270
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 15 00 /2 01 1- 11 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 738 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0731.933 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principal, AIOP no 50.003.8015 e AIOP no 50.003.8023, em função de compensação indevida de contribuição previdenciária, nas competências 01/2009 a 05/20011: (i). AIOP nº 50.003.8015, referente a glosas de contribuições compensadas em desacordo com a legislação (inexistência de crédito), no período de 01/2009 a 05/2011, no importe de R$ 523.861,79, cujo valor consolidado na data de 03/08/2011, acrescido de juros e multa de mora de 20%, corresponde a R$ 682.661,92, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 7 a 11; e (ii) AIOP nº 50.003.8023, referente a multa isolada no percentual de 150%, prevista no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, no período de 05/2010 a 05/2011, por falsidade nas declarações de compensações informadas em GFIP, cujo valor consolidado na data de 03/08/2011, corresponde a R$ 774.731,87, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 19 a 21. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, o lançamento se refere à glosa de compensação indevida: Consta do Relatório Fiscal que a empresa vem declarando em GFIP compensações com supostos créditos, que não restaram comprovados. Que no requerimento apresentado durante o procedimento fiscal, a empresa informa ser titular de crédito judicial em fase de execução contra a Fazenda Nacional e o INSS perante a 11ª Vara Federal do Distrito Federal (processo nº 2009.34.00.0341840) e que seu procedimento se refere a pagamento mediante depósito, sendo parte em dinheiro e parte em crédito judicial por meio de conversão em renda. Cita a autoridade fiscal que na ação judicial citada, tendo por partes exeqüentes J X COMÉRCIO E TRANSPORTES DE BEBIDAS LTDA, GENTIL BUSSIKI, JOÃO CARVALHO, JX ARMAZÉNS GERAIS LTDA, e CONSUTEC SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA ME, e executadas a UNIÃO FEDERAL e o INSS, buscam o resgate de títulos antigos da dívida pública, de valores ínfimos, transformados em valores elevadíssimos, como a apólice ao portador nº 01256, emitida pela Prefeitura do Distrito Federal em 1904 (de 20 libras para R$ 8.062.910,41), a apólice ao portador nº 20373, emitida por “Municipality of Fl. 740DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Para–Belem” (de 10 libras para R$ 45.003.520,38), e a apólice nº 02202B emitida por “United States of Brazil” – 5 Percent Loan of 1895 (de 500 libras para R$ 465.195.145,86); que foi peticionado ao Juízo a inclusão no pólo ativo de várias empresas, todavia restou indeferido. É relatado que posteriormente a empresa se manifestou, para informar que promoveu o pagamento de seus débitos através de conversão em renda, lastreado com créditos do Decreto Lei nº 6019/43, objeto da ação de execução no processo nº 2009.34.00.0056188; que anteriormente fora informado incorretamente como sendo o processo nº 2009.34.00.0341840, apresentando ainda, emenda à petição inicial para sua inclusão no pólo ativo da ação judicial. Posteriormente, durante a ação fiscal, apresentou Contrato Particular de Venda Por Cessão de Crédito Judicial, tendo por cedente CONSUTEC SERVIÇOS DE COBRANÇA, ADMINISTRADORA DE BENS E CRÉDITOS LTDA, CNPJ 02.342.260/000170, e por cessionária a empresa autuada, representada por ULDÉCIO DEMCZUK, tendo objeto a venda de crédito judicial de título da dívida pública externa. Ainda, o Relatório da decisão de primeira instância mostra que a autoridade fiscal afirma ser falsa a informação prestada pela autuada de que era detentora de crédito judicial referente ao processo 2009.34.00.0341840 bem como em relação ao processo 2009.34.00.0056188: Narra a autoridade fiscal ser falsa a informação prestada pela autuada de que era detentora de crédito judicial referente ao processo 2009.34.00.0341840, bem como também falsa a informação de que passou a integrar a lide nestes autos, posto que restou indeferida a sua inclusão; da mesma forma quanto as informações referentes ao processo 2009.34.00.0056188. Relata que houve de fato foi que dado o insucesso no processo nº 2009.34.00.0341840, buscou o intento de integrar a lide no processo 2009.34.00.0056188, em trâmite na 18ª Vara Federal do Distrito Federal, cujo objeto é idêntico ao do primeiro processo. Diz que em ambos os processos o patrono é o advogado Sr. Paulo Roberto Brunetti, e contam com inúmeras pessoas físicas e jurídicas de várias regiões do país, grande parte delas incluídas após o ajuizamento da ação. Aduz que as guias de depósitos judiciais, em valores simbólicos de R$ 15,00 não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Em relação à aplicação da multa isolada agravada em 150%, mostra o Relatório da decisão de primeira instância que o contribuinte incorreu em falsidade ao afirmar ser detentor de crédito judicial e daí declarar em GFIP compensação com crédito inexistente: Que a conduta demonstra que a autuada incorreu em falsidade ao afirmar ser detentora de crédito judicial e, portanto, resta Fl. 741DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 739 5 comprovado que declarou em GFIP compensação com crédito inexistente, sendo cabível a aplicação da multa isolada agravada em 150%, como previsto no art. 89, §§ 9º e 10 da Lei nº 8.212/91. A AuditoriaFiscal emitiu Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 10920.721281/201171), por se caracterizar, em tese, crime contra a ordem tributária. O contribuinte teve ciência dos Autos de Infração em 05.08.2011. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, é de 01/2009 a 05/2011. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Os sujeitos passivos (contribuinte e responsáveis tributários) apresentaram impugnação em peça única, por meio do procurador Paulo Roberto Brunetti, às fls. 619 a 634, e documentos anexos de fls. 635 a 666, discordando da conclusão da autoridade fiscal, que dizem ser equivocada. Falam sobre o princípio da legalidade, previsto no art. 37 da Constituição Federal, de observância pela Administração Pública. Discordam da conclusão da autoridade fiscal sobre a compensação, argumentando que foi manipulada a real natureza jurídica do procedimento adotado pela impugnante, uma vez que não foi declarada compensação, mas sim, pagamento através de conversão em renda. Que por limitação do programa para se declarar o procedimento adotado, posto não existir opção para a modalidade de extinção da obrigação adotada pela impugnante, não restou outra forma senão a do autolançamento mediante compensação. Que fez uso do crédito financeiro que é detentora na Ação de Execução por Título Extrajudicial contra a União Federal, para extinguir suas obrigações tributárias na forma de pagamento através de conversão em renda. Que o procedimento nada mais é do que uma forma de execução provisória do que lhe é devido, pois o pagamento através de conversão em renda somente se aperfeiçoará por ocasião da efetiva liquidação do crédito executado Narram que não há previsão legal que dê competência à RFB para se manifestar sobre a forma de extinção da obrigação tributária pelo pagamento através da conversão em renda, maculando, assim, a lavratura fiscal. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Dizem que não se trata de crédito inexistente o de declaração falsa, uma vez que o procedimento foi o de pagamento mediante conversão em renda, lastreado com créditos do DecretoLei 6.019/43, pela modalidade de extinção do crédito tributário, amparado no art. 156, I, VI do CTN c/c art. 6º da Lei nº 10.179/2001, ratificados pela Lei nº 11.803/2008 e art. 475O do CPC. Aduzem que o crédito tem origem em Títulos da Dívida Pública, de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, inclusive reconhecido pelo BACEN, além de constar do Orçamento da União Federal. Que a impugnante é detentora do crédito utilizado, através de Contrato de Cessão de Crédito, fato inclusive admitido pela autoridade fiscal; que é descabida a afirmação de que não é detentora do crédito, ao argumento de que o pedido de habilitação nos autos da execução foi indeferido, uma vez que tal fato não retira a eficácia da cessão, posto não haver necessidade de homologação judicial para gerar efeitos. Que a Cessão de Créditos se opera, e é eficaz, através de celebração mediante instrumento particular, revestido das solenidades do § 1º do art. 654 do Código Civil, não dependendo de qualquer outra providencia ou autorização. Tem que se trata de crédito líquido, certo e exigível, que consta no orçamento da União, não havendo que se falar em sentença de mérito a amparar o direito. Que portanto, é incabível a multa isolada de 150%, uma vez que são falsas as alegações da autoridade fiscal sobre a inexistência do crédito utilizado em conversão em renda, de que promoveu compensação ou de que foram prestadas declarações falsas. Discordam da imputação de responsabilidade aos sócios diretores, uma vez que, somente se aplica aos casos de condutas que afrontam a legalidade, ao contrato ou ao estatuto social e, ainda, que configurem ao mesmo tempo, fato gerador de obrigação tributária, citando doutrina, fato não presente no caso dos autos, uma vez que os atos praticados se revestem de licitude, existe a possibilidade do uso do crédito no procedimento adotado para extinção das obrigações tributárias A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0731.933 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, conforme Ementa a seguir: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há norma legal que autorize a compensação de títulos da dívida mobiliária da União representada por Títulos da Dívida Pública Externa, com obrigações tributárias federais, por se Fl. 743DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 740 7 referir a direito creditório não administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Créditos tributários decorrentes de ações judiciais somente poderão ser compensados, mediante prova do trânsito em julgado, consoante previsão legal. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2008 a 31/05/2011 EXTINÇÃO DO CRÉDITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. OFERTA DE TÍTULO DE DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. Não há previsão legal a autorizar a extinção de crédito tributário mediante oferta de Títulos da Dívida Pública Externa. A suspensão do crédito tributário mediante depósito, somente encontra amparo legal, quando feito integralmente e em dinheiro, com posterior conversão em renda para a Fazenda Pública, quando vencido o depositante do tributo questionado. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. DIRETORES E MANDATÁRIOS DA PESSOA JURÍDICA. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Da abusividade da multa de ofício violação ao art. 150, IV, CF O contribuinte foi autuado pela Fazenda Nacional, sob a alegação de que a empresa realizou compensação indevida de contribuições previdenciárias, incluindo juros de mora e multa de ofício de 150%. Em preliminar de nulidade do auto de infração, sustentase o caráter confiscatório e desproporcional da multa de ofício Fl. 744DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 aplicada num patamar de 150%, evidentemente nociva ao contribuinte, pois, de inegável percentual elevadíssimo. Com efeito, o fisco onera duplamente o contribuinte devedor: primeiro, ao infligirlhe multas estabelecidas em. legislações vetustas e, segundo, ao aplicar seus elevados percentuais em valores corrigidos. A atividade fiscal do Estado não pode ser onerosa a ponto de se dissociar da proporcionalidade que deve existir entre a suposta violação da norma tributária e a aplicação da multa por conseqüência. Configurase no presente a contrariedade ao dispositivo constitucional elencado no artigo 150, IV, da Carta Magna (ii) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 151, III, CTN (iii) Da nulidade por cerceamento de defesa O Auto de Infração não contém todas as informações necessárias ao perfeito conhecimento do débito e sua apuração, bem como não preenche os requisitos elencados na legislação própria, não merecendo, portanto, prosperar. Assim, está inserido em total nulidade o documento ora impugnado. Com efeito, a defesa do impugnante está obstaculizada, pois não são oferecidos elementos suficientes que possam permitir a realização do contraditório e da ampla defesa, uma vez que nem ao menos lhe foi oportunizado depoimento junto a Gerência Regional de Itajaí (..) O auto de infração lavrado foi completamente de encontro ao que dispõe a Constituição Federal em seu art. 59, LV. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, É o Relatório. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 741 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 736. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (...) Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (b) Da regularidade da lavratura do AIOP. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0731.933 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principal, AIOP no 50.003.8015 e AIOP no 50.003.8023, em função de compensação indevida de contribuição previdenciária, nas competências 01/2009 a 05/20011: (i). AIOP nº 50.003.8015, referente a glosas de contribuições compensadas em desacordo com a legislação (inexistência de crédito), no período de 01/2009 a 05/2011, no importe de R$ 523.861,79, cujo valor consolidado na data de 03/08/2011, acrescido de juros e multa de mora de 20%, corresponde a R$ 682.661,92, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 7 a 11; e (ii) AIOP nº 50.003.8023, referente a multa isolada no percentual de 150%, prevista no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, no período de 05/2010 a 05/2011, por falsidade nas declarações de compensações informadas em GFIP, cujo valor consolidado na data de 03/08/2011, corresponde a R$ 774.731,87, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 19 a 21. (b.1) Da compensação A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu Fl. 747DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 742 11 montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no Fl. 748DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora, conforme o art. 89, § 4º, Lei 8.212/1991, o qual remete ao art. 35, Lei 8212/1991 e ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Lei 8.212/1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/1996 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Por fim, o Código Tributário Nacional, no art. 170A, expressamente veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (b.2) Da lavratura do AIOP Fl. 749DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 743 13 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOPs que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; Fl. 750DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 744 15 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose os AIOPs, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (i) Da abusividade da multa de ofício violação ao art. 150, IV, CRFB/1988 Analisemos. O contribuinte centra a sua argumentação no caráter confiscatório e desproporcional da multa de ofício aplicada no patamar de 150%, violando o art. 150, IV, CRFB/1988. Ora, a argumentação de inconstitucionalidade já foi debatida no tópico (a) Da inconstitucionalidade, tendo sido afastada a argumentação do Recorrente em função do 26A, caput do Decreto 70.235/1972, do art. 59, caput, Decreto 7.574/2011 e da Súmula nº 2 do CARF: Fl. 752DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Decreto 70.235/1972 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Decreto 7.574/2011 Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (...) Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (ii) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 151, III, CTN Analisemos. De fato, o Recurso Voluntário suspende exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 33, Decreto 70.235/1972 c/c art. 151, III, CTN: Decreto 70.235/1972 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Portanto, nada há que se contestar neste tópico. (iii) Da nulidade por cerceamento de defesa Fl. 753DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.721500/201111 Acórdão n.º 2202003.270 S2C2T2 Fl. 745 17 Analisemos. O contribuinte centra a sua argumentação em dois pontos. (iii.1) O auto de infração não contém todas as informações necessárias ao perfeito conhecimento do débito e sua apuração. Neste primeiro ponto, o contribuinte argumenta a falta de informações necessárias ao perfeito conhecimento do débito e de sua apuração. Ora, tal ponto já foi debatido no tópico (b) Da regularidade da lavratura do AIOP, na qual se concluiu que no Auto de Infração cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (iii.2) violação ao art 59, LV, CRFB/1988 O segundo ponto na qual a argumentação está centrada é a violação ao art 59, LV, CRFB/1988. Ora, a argumentação de inconstitucionalidade já foi debatida no tópico (a) Da inconstitucionalidade, tendo sido afastada a argumentação do Recorrente em função do 26A, caput do Decreto 70.235/1972, do art. 59, caput, Decreto 7.574/2011 e da Súmula nº 2 do CARF: Decreto 70.235/1972 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Decreto 7.574/2011 Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (...) Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 755DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.007875/2003-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração.
Embargos de Declaração Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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OMISSÃO. Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Embargos de Declaração Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 78 75 /2 00 3- 54 Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 790 a 794) apresentados em 13 de janeiro de 2012 (efl. 789) contra o Acórdão no 930301.490, de 31 de maio de 2011, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 759 a 766), cientificado em 15 de dezembro de 2011 (efl. 788), que, relativamente a auto de infração de Cofins, negou provimento ao recurso especial do Procurador, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: fevereiro de 1999 a novembro de 2002 BASE DE CÁLCULO ALARGAMENTO APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, devese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Especial do Procurador Negado Segundo o acórdão embargado, seria a seguinte a matéria do recurso: Contra Centrais Elétricas Brasileiras foi lavrado auto de infração para cobrar Cofins do período entre fevereiro de 1999 e novembro de 2002, em face da não inclusão na base de cálculo da Cofins das receitas de financiamentos, empréstimos e repasses à ITAIPU, bem como das variações cambiais relativas a tais operações. A decisão a quo determinou a exclusão da base de cálculo da Cofins as receitas fundadas no § 1º do art. 3º da lei nº 9.718, de 1998, sob argumento de que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A PGFN interpôs recurso especial alegando que a declaração de inconstitucionalidade referida na decisão foi proferida em controle difuso, não sendo pertinente darlhe efeito para todos, até que haja pronunciamento do Senado Federal. Aduz, ainda, A PGFN que em decorrência do tratado Brasil Paraguai objeto do Decreto legislativo nº 23, de 30 de maio de 1973, é necessário que se proceda à analise da diligência acostada às fls. 624 a 672, a fim de que sejam quantificadas as operações efetivamente tributáveis O recurso foi analisado pelo Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que o encontrou de acordo. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10166.007875/200354 Acórdão n.º 9303003.374 CSRFT3 Fl. 199 3 A embargante contestou a conclusão de que o conceito de receita não abrangeria receitas financeiras. Voto Assiste razão à embargante pelo fato que o colegiado não se manifestou acerca da natureza de todas as receitas empresariais que estariam submetidas à incidência da Cofins, para enquadrálas, ou não, à decisão do STF, que proclamou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em pese não ter havido a especificação das receitas, todas elas tratadas no julgamento do Recurso Especial são receitas financeiras, conforme se depreende do despacho de admissibilidade exarado pelo presidente da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes Antônio Carlos Atulim, nos seguintes termos: A matéria recorrida cingese ao reconhecimento da exclusão, das receitas decorrentes de empréstimos, financiamentos e variações cambiais, da base de cálculo da COFINS em razão do afastamento da aplicação da regra inserta no artigo 3º,§ 1º, da Lei nº 9.718/98. Insurgese, pois, o Procurador contra a linha interpretativa adotada pela decisão em epígrafe no sentido de que o referido dispositivo legal que embasa o lançamento sobre receitas financeiras foi declarado inconstitucional pelo STF, tornando se vinculante para a Administração Pública por força do Decreto nº 2.346/97. Com efeito, a PGFN, como demonstrado, insurgiuse tanto quanto à discriminação das receitas, mas também quanto à interpretação dada pela instância recorrida quanto à aplicação, ou não, da decisão que declarou inconstitucional no artigo 3º,§ 1º, da Lei nº 9.718/98. Assim, somente as receitas financeiras, quais sejam, as decorrentes de empréstimos, financiamentos e variações cambiais, foram objeto da decisão em Recurso Especial em relação à exclusão da base de cálculo da COFINS em razão do afastamento da aplicação da regra inserta no artigo 3º,§ 1º, da Lei nº 9.718/98. Ocorre que havia a alegação, em sede de Recurso Especial, que mesmo as receitas financeiras, seriam tributadas e não estariam abarcadas pela decisão do STF por estarem no âmbito da atividade empresarial do sujeito passivo. Realmente o acórdão ora embargado deveria fazer uma análise mais minuciosa das receitas e sua natureza jurídica, a fim que não restassem dúvidas acerca da aplicabilidade, ou não, do acórdão do STF em relação ao alargamento da base de cálculo. Assim, ficou patente que o acórdão que julgou o Recurso Especial interposto pela PGFN afastou a aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pela declaração de Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 4 inconstitucionalidade, sem se manifestar sobra a natureza de todas as receitas empresariais que estariam submetidas à incidência da Cofins, para determinar se estariam, ou não, enquadradas à referida decisão do STF. A própria PGFN, nos presentes embargos, não mais questiona a aplicação do acórdão do STF em relação às receitas enquadradas no alargamento da base de cálculo, mas afirma que estas receitas teriam que ser discriminadas para posterior análise se fazem, ou não, parte das receitas advindas da atividade empresarial do sujeito passivo. Essa turma tem se manifestado reiteradamente que as receitas, mesmo financeiras, mas que são decorrentes das atividades empresariais típicas, mesmo não sendo decorrentes da venda de mercadorias ou venda de serviços, estariam abrangidas pela incidência da Cofins, sendo fato gerador da referida contribuição. Fica patente que as receitas que foram aqui excluídas da base de cálculo da Cofins, fazem parte do objeto social da Eletrobrás, por constarem expressamente do artigo 40, incisos III e IV de seu estatuto, presente nos autos. Assim, essas receitas, por fazerem parte do objeto social da empresa, são consideradas receitas operacionais e deveriam ser tributadas. Foi nesse ponto que ocorreu a omissão no acórdão embargado, já que a relatora reproduziu um voto do conselheiro Henrique Pinheiro Torres, sem, no entanto, se tratar de casos iguais, justamente por haver a omissão em relação ao pedido aposto no Recurso Especial para que as receitas fossem analisadas com base no estatuto social da empresa, a fim de se determinar a natureza jurídica, e a sua conformação com a legislação e as decisões do STF Com efeito, não basta a definição de que as receitas, mesmo financeiras estão dentro do campo de incidência da Cofins, por fazerem parte da atividade empresarial da contribuinte, porque ainda existe um outro argumento usado como defesa pelo contribuinte que é a à suposta isenção contida no Tratado BrasilParaguai, objeto do decreto Legislativo nº 23, de 30/05/1973, que a fiscalização alegou não abranger as receitas ora levantadas e incluídas no presente processo, por ser o tratado anterior à implantação legal da contribuição. A DRJ considerou o lançamento procedente e indeferiu a impugnação, por considerar que o tratado somente poderia isentar os tributos presentes e não os futuros. Assim é necessário que se faça a análise das receitas, levandose em conta as isenções pleiteadas, conforme exposto acima. Pelo exposto, acolho os embargos opostos pela PGFN, com efeitos infringentes, porém determino a devolução dos autos à instância a quo, para que as receitas sejam analisadas e especificadas, inclusive quanto à suposta isenção contida no Tratado Brasil Paraguai, objeto do decreto Legislativo nº 23, de 30/05/1973, para que não haja supressão de instância, já que o acórdão da Câmara baixa não chegou a analisar essa matéria, que ficou prejudicada por terem sido consideradas todas as receitas financeiras estando fora do campo de incidência da Cofins, assim como no acórdão ora embargado. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10166.007875/200354 Acórdão n.º 9303003.374 CSRFT3 Fl. 200 5 Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 13884.720639/2014-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO.
Descabe a dedução, na declaração de ajuste anual, de pensão alimentícia já deduzida de décimo terceiro salário tributado exclusivamente na fonte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Descabe a dedução, na declaração de ajuste anual, de pensão alimentícia já deduzida de décimo terceiro salário tributado exclusivamente na fonte. Recurso Voluntário Negado.
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Descabe a dedução, na declaração de ajuste anual, de pensão alimentícia já deduzida de décimo terceiro salário tributado exclusivamente na fonte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 06 39 /2 01 4- 62 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13884.720639/201462 Acórdão n.º 2201003.220 S2C2T1 Fl. 150 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 18ª Turma da DRJ/RJ1(Fls. 118), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2010, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 2 a 10, em que foram apuradas as seguintes infrações: 1) dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 2.830,84; 2) dedução indevida de dependente, no valor de R$ 3.616,56; 3) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 1.700,00; 4) dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 7.298,41. Em virtude dessas infrações, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 4.247,59, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 8.550,82. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 2 a 10 em 09/04/2014 (fl. 109), o Contribuinte apresentou em 11/04/2014 a impugnação de fls. 11 e 12, se insurgindo contra as deduções indevidas de despesas com dependente, despesas com instrução, despesas médicas e pensão alimentícia judicial. Parte do crédito lançado foi transferido para o processo nº 16062.720.093/201410, conforme extrato de fls. 114 e 115.. Passo adiante, a 18ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: INDEVIDA DE DEPENDENTES. FILHO. ENTEADA. Podem ser deduzidos como dependentes na declaração de ajuste anual, o filho e a enteada até 21 anos de idade, devidamente comprovados. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. As despesas com instrução de filho menor dependente podem ser deduzidas na declaração do titular. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Apenas podem ser deduzidas na declaração de ajuste anual as despesas médicas, com o titular e dependentes, que preencham os requisitos formais previstos na legislação de regência. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13884.720639/201462 Acórdão n.º 2201003.220 S2C2T1 Fl. 151 3 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual os valores de pensão alimentícia determinada por decisão judicial, cujos pagamentos foram devidamente comprovados.. Cientificado em 15/07/2014 (Fls. 127), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 05/08/2014 (fls. 130 e 366 a 376), combatendo somente a dedução de pensão alimentícia. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, cumpre ressaltar que resta em litígio apenas a glosa de pensão alimentícia no valor de R$7.298,41. Percebo que a glosa da pensão alimentícia foi motivada pela fiscalização apenas pela dedução dos pagamentos relativos a parcela do 13º salário. "Com relação à dedução com pensão alimentícia, foi considerado o valor de 15% dos salários líquidos recebidos das fontes pagadoras 29.979.036/000140 INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL e 59.748.988/000114 JOHNSON & JOHNSON INDUNTR1AL LTDA. Não foram consideradas, para fins de dedução, as parcelas referentes ao 13° salário, as quais são tributáveis exclusivamente na fonte." (doc. página 07 dos autos) Destaco que o fato de a sentença judicial determinar que a pensão alimentícia incida sobre o mesmo somente autoriza a dedução do imposto de renda na declaração de ajuste anual caso não tenha havido a dedução na fonte, o que não ocorreu no presente caso. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB esclarece a questão em seu sítio eletrônico, nos seguintes termos: 340 É dedutível na Declaração de Ajuste Anual a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública descontada do décimo terceiro salário? Não. Tendo em vista que a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte, a utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. No entanto, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13884.720639/201462 Acórdão n.º 2201003.220 S2C2T1 Fl. 152 4 a pensão alimentícia paga que foi descontada do décimo terceiro constitui rendimento tributável para o beneficiário da pensão, sujeitandose ao carnêleão e, também, ao ajuste na declaração anual. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), arts. 638, inciso IV, 641 e 643. O Recorrente, por seu turno, afirma que os pagamentos se deram em razão de recebimentos do INSS e do FGTS. Contudo, no meu entendimento, tal argumentação não foi devidamente comprovada pelo recorrente em seu recurso. Por esta razão, deve ser mantida a glosa com pensão alimentícia. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16832.000177/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A não apresentação de documentos de interesse para o lançamento ou sua apresentação deficiente constitui infração e justifica o arbitramento de contribuições previdenciárias, assumindo o contribuinte o ônus da prova.
Numero da decisão: 2301-004.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INFRAÇÃO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não apresentação de documentos de interesse para o lançamento ou sua apresentação deficiente constitui infração e justifica o arbitramento de contribuições previdenciárias, assumindo o contribuinte o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 77 /2 00 8- 19 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 23/12/2008 para constituição de crédito sobre abono e comissões pagas a segurados empregados. Restou no lançamento apenas a contribuição sobre as comissões pagas em 12/2003. Como a recorrente não apresentou os documentos necessários para que a fiscalização verificasse a natureza jurídica das parcelas e a base de cálculo correspondente aos fatos geradores, foi utilizada a técnica de arbitramento de valores. No presente processo foram lançadas apenas as contribuições dos segurados empregados, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da recorrente. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA ONUS DA PROVA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, o que se constitui em presunção legal relativa, cumpre ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 30, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. É devida a contribuição à Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados (art.22, I e II da Lei 8.212/91). Entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, inciso I, da Lei n. 8.212/91). ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 8.2. O auditor fiscal considerou a política de remuneração aplicada em 2008 para arbitrar as comissões em 2003, desconsiderando os valores informados nas folhas de pagamento, por entendêlos "irrelevantes". Não ha fundamento jurídico para a utilização deste instituto. O arbitramento é uma exceção A regra da apuração efetiva da base de calculo. O art.148 do CTN bem como o art. 33 da lei 8.212/91 determinam que a aferição indireta será utilizada quando os esclarecimentos prestados pelo contribuinte ou quando os documentos não merecerem fé. 8.3. As contribuições incidentes sobre os valores pagos a titulo de comissão do período de 2001 a 2004 já foram objeto do Lançamento de Débito Confessado n° 37.005.4717 Fl. 939DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16832.000177/200819 Acórdão n.º 2301004.467 S2C3T1 Fl. 939 3 8.4. Os pagamentos supostamente omitidos pela impugnante a titulo de Abono de Sindicato e Abono Salarial não se configuram como fatos geradores da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28 § 90, alínea e, item 7° da Lei 8.212/91. Ademais não são habituais. É o Relatório. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 941DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16832.000177/200819 Acórdão n.º 2301004.467 S2C3T1 Fl. 940 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao processo de parcelamento alegado, até a presente peça recursal o recorrente não apresentou provas de que se tratavam das mesmas parcelas salariais. Não há como confirmar se os prêmios mediante cartões coincidem com as comissões de venda objeto do lançamento de ofício. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16832.000177/200819 Acórdão n.º 2301004.467 S2C3T1 Fl. 941 7 No mérito Como já ressaltado no relatório, somente restou o exame da parcela correspondente às comissões de venda, pois não foi lançado o abono para o mês de 12/2003. Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de exibir os documentos solicitados através de intimação e não trouxe qualquer contraprova que demonstrasse a não incidência. Ressaltase que a fiscalização fez incidir a contribuição sobre uma parcela cujo título atribuído pelo recorrente, “comissões”, denota sua natureza salarial; portanto, não houve qualquer arbitrariedade. Outro ponto é que o próprio recorrente alega, embora não demonstre, que se trata da mesma parcela que ele anteriormente teria confessado como sujeito à incidência da contribuição previdenciária. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 944DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 19515.003515/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Eventual discordância quanto à qualidade dos argumentos lançados na decisão de primeira instância não dá ensejo ao acolhimento de preliminar de cerceamento de defesa e consequente nulidade daquele julgado, mas sim à interposição de recurso voluntário.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, há prova, nos autos, de pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador, motivo do provimento parcial do recurso.
CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO EXTERIOR. TITULARIDADE DE FATO DE TERCEIRO.
Evidenciado pelos elementos de prova dos autos que a titularidade de conta bancária mantida no exterior não é da pessoa jurídica, mas de seus sócios, devem ser estes considerados como os reais responsáveis pela sua movimentação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO. DOLEIRO.
O fato de autuado exercer a atividade de "doleiro" não o exime do ônus de comprovar, caso devidamente intimado pelo Fisco, a origem dos depósitos bancários nos termos regrados pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, à semelhança do que acontece como os demais contribuintes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Lourenço Ferreira do Prado, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Redator Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson; II) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do ano-calendário 2001, a teor do § 4° do art. 150 do CTN, nos termos do voto relator; III) E, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Lourenço Ferreira do Prado, Wilson Antonio de Souza Corrêa e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Ronnie Soares Anderson Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Eventual discordância quanto à qualidade dos argumentos lançados na decisão de primeira instância não dá ensejo ao acolhimento de preliminar de cerceamento de defesa e consequente nulidade daquele julgado, mas sim à interposição de recurso voluntário. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, há prova, nos autos, de pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador, motivo do provimento parcial do recurso. CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO EXTERIOR. TITULARIDADE DE FATO DE TERCEIRO. Evidenciado pelos elementos de prova dos autos que a titularidade de conta bancária mantida no exterior não é da pessoa jurídica, mas de seus sócios, devem ser estes considerados como os reais responsáveis pela sua movimentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO. DOLEIRO. O fato de autuado exercer a atividade de "doleiro" não o exime do ônus de comprovar, caso devidamente intimado pelo Fisco, a origem dos depósitos bancários nos termos regrados pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, à semelhança do que acontece como os demais contribuintes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Eventual discordância quanto à qualidade dos argumentos lançados na decisão de primeira instância não dá ensejo ao acolhimento de preliminar de cerceamento de defesa e consequente nulidade daquele julgado, mas sim à interposição de recurso voluntário. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, há prova, nos autos, de pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador, motivo do provimento parcial do recurso. CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO EXTERIOR. TITULARIDADE DE FATO DE TERCEIRO. Evidenciado pelos elementos de prova dos autos que a titularidade de conta bancária mantida no exterior não é da pessoa jurídica, mas de seus sócios, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 15 /2 00 7- 74 Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 devem ser estes considerados como os reais responsáveis pela sua movimentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO. DOLEIRO. O fato de autuado exercer a atividade de "doleiro" não o exime do ônus de comprovar, caso devidamente intimado pelo Fisco, a origem dos depósitos bancários nos termos regrados pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, à semelhança do que acontece como os demais contribuintes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Lourenço Ferreira do Prado, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Redator Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson; II) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do anocalendário 2001, a teor do § 4° do art. 150 do CTN, nos termos do voto relator; III) E, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Lourenço Ferreira do Prado, Wilson Antonio de Souza Corrêa e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.327 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 021331, que julgou procedente o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 e 2002 AUTONOMIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL Não interfere no processo fiscal o procedimento criminal, seguindo ambos o seu curso normal, de forma independente, até o desfecho final. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173,1 do CTN. ACRÉSCIMO DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA.VALIDADE QUANDO DEMONSTRADA A INEXISTÊNCIA DE UNIDADE ECONÔMICA OU PROFISSIONAL. É admitida a desconsideração da personalidade jurídica quando existe prova nos autos de que a empresa não representava uma unidade econômica ou profissional, mas apenas um meio formal de o próprio impugnante realizar as operações que lhe interessava pessoalmente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 1 ´* Os números de folhas citados seguem a ordem definida no processo eletrônico. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR ANUAL. O fato de a legislação definir que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira define a sistemática de apuração da base de cálculo mês a mês, que a exemplo do acréscimo patrimonial a descoberto submetese à tributação a ser realizada mediante a tabela progressiva anual. TAXA DE CÂMBIO PARA LANÇAMENTO. A conversão de moedas para a apreciação dos valores existentes em contas no exterior é feita com base na IN 246/2002. JUROS DE LEGALIDADE. MORA. TAXA SELIC. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Lançamento Procedente Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de/votos, julgar PROCEDENTE o lançamento, na forma do relatório e do voto que passam a [inpgrar o presente julgado Segundo a fiscalização, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 02021, o lançamento referese à apuração de acréscimo patrimonial a descoberto e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos calendário de 2001 e 2002, com aplicação da multa de ofício de 75%. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no lançamento e nos demais anexos que o configuram. Em 14/12/2007, fls. 02053, foi dada ciência à recorrente do lançamento, conforme aviso de recebimento (AR). Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 02055, em 11/01/2008, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: "Inicia informando que é réu confesso nas ações penais que tratam de operações exclusivas de instituição financeira sem autorização do Banco Central. A ação penal referida foi recebida pelo juiz por existirem indícios de autoria de ilícito previsto no art. 16 da Lei 7.492/86, consubstanciado na Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.328 5 realização de atividades de intermediação de recursos financeiros de terceiros por intermédio de pessoa jurídica não autorizada pelo Banco Central. Tais fatos revelam, segundo argumenta, que a autoridade administrativa equivocouse ao atribuir ao impugnante a titularidade de valores movimentados no exterior, sendo que seu nome não constava como ordenante ou beneficiário das remessas. Sustenta que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois o procedimento fiscalizatório teve como base movimentação de valores na conta corrente da empresa Braza Corporation da qual é sócio, conforme já consta de sua declaração retificadora. Aponta que, fato de constar apenas na declaração retificadora não altera a validade da informação prestada, pois tal declaração tem a mesma natureza da declaração original, conforme art. 18 da MJ 2.18949/01. Procura demonstrar que a fiscalização admitiu a regular existência da Braza Corporation e a titularidade por parte desta da conta corrente objeto do presente lançamento, mas que procurou desconstituir a personalidade jurídica desta. Admite que a única forma que a fiscalização poderia intentar para tributálo seria por meio de comprovação de que recebeu dividendos dessa empresa e não os ofereceu à tributação, o que não foi feito. Entende que, no direito tributário, a desconsideração da personalidade jurídica somente ocorre nos casos de abuso de direito, em que os sócios, mediante atuação dolosa, cometem fraude a credores e violam prescrições legais, conforme previsto no art. 135 do CTN. Assim, deveria a fiscalização ter demonstrado a ocorrência de algum ato praticado com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, ou mesmo que houve dissolução irregular da sociedade. O fisco deveria ter constituído o crédito tributário em nome da pessoa jurídica e não em nome dos sócios desta, mormente por não ter sido trazido aos autos quaisquer indícios de que o impugnante tenha agido com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. Afirma que a autoridade fiscal fez a apuração do imposto devido de forma diversa daquela prevista na legislação tributária, pois o imposto foi calculado na forma anual e não mensalmente como determina a legislação de regência. Cita doutrina e jurisprudência administrativa que entende amparar seu argumento. Aponta que teria ocorrido a decadência de o fisco efetuar o lançamento em relação ao anocalendário 2001 e parte de 2002. Sendo o lançamento do imposto sobre a renda na modalidade lançamento por homologação, a decadência teria ocorrido cinco anos após os fatos geradores conforme estabelece o art. 150, §4°, ou seja, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 2001 e parte de 2002 já teria ocorrido a decadência quando da concretização do lançamento em dezembro/2007. Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Argumenta que a própria Secretaria da Receita Federal admitiu em reportagens que as quantias movimentadas consistem em numerário de diversas pessoas, ou beneficiários, e não dos próprios intermediários que apenas liquidavam as operações. Esse era seu caso, pois utilizava a empresa Braza Corporation para liquidar operações de interesse de diversos clientes. Sendo assim, a aplicação do §5° do art. 42 da Lei 9.430/96 resulta na necessidade de a determinação dos rendimentos omitidos ser feita em relação aos terceiros. Assim, insiste que não é titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza. Entende ser impossível o lançamento com base exclusivamente em extratos bancários, uma vez que depósitos bancários não são, por si só, prova de acréscimo patrimonial. O lançamento assim realizado estaria em ofensa ao art. 43 do CTN, pois não estaria demonstrada a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda entendida como acréscimo patrimonial. Cita a súmula 182 do TFR, algumas decisões de tribunais e do Conselho de Contribuintes para embasar seu argumento. Conclui ter ocorrido utilização indevida de presunções, pois não se pode considerar ocorrido o fato imponível sem que haja efetiva correspondência com o mundo fenomênico. Haveria ofensa à segurança jurídica, à legalidade e ao princípio da tipicidade cerrada. Entende que não restou comprovado que o impugnante seria o titular de quaisquer contas ou valores existentes no exterior ou que houve créditos na suposta conta passíveis de serem tributados nos termos da legislação em questão. Aponta a falta de liquidez e certeza do lançamento, por ter a fiscalização utilizado taxa de câmbio que conflita com orientações do Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual dos exercícios 2002 e 2003 e com o§2° do art. 16 da IN 208/2002. Registra que ocorreu duplicidade de lançamento, uma vez que, para o mesmo período, houve o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto e com base em depósitos bancários. Reclama que deveriam os depósitos bancários ser considerados como origens para o levantamento de acréscimo patrimonial a descoberto. Protesta pela aplicação de juros de mora, conforme entende determinado pelo CTN, no percentual de 1%, pois a Taxa Selic seria ilegal como juros de mora por ter caráter remuneratório e não meramente moratório." A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Em 01/07/2009, o recorrente foi cientificado da decisão, edital, fls. 02161. Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 02169, em 27/07/2009, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, os argumentos já expressos em sua impugnação, adicionando: Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.329 7 1. Impossibilidade de apresentação de documentos sem a respectiva tradução juramentada e registro em cartório; 2. Os documentos apresentados perante a Administração Pública, sem a respectiva tradução juramentada e o competente registro público, não possuem validade, conforme artigo 129, 6º, da Lei n° 6.015/73, a Lei de Registros Públicos; 3. Como exemplo de erro na tradução, em nenhum momento há a indicação de que o Recorrente é titular da conta em questão, mas apenas o representante legal {beneficial owner) da pessoa jurídica Braza Corporation; 4. Dúvidas quanto à validade dos documentos que deram suporte à autuação, pela ausência de nomes, datas e assinaturas; 5. O "Relatório Analítico Ordens Remetidas" (fls. 701 a 799, 802 a 999, 1002 a 1073, 1268 a 1399 e 1402 a 1442 inclusive as cópias em duplicidade) é um relatório que foi impresso sem qualquer identificação, assinatura ou qualquer outra informação que traga indícios de que tais relatórios são válidos, para fins de comprovação de movimentação dos recursos na conta que foi indevidamente imputada ao Recorrente; 6. Portanto, tais provas não devem ser aceitas; 7. Incompatibilidade dos valores dos relatórios e dos extratos bancários juntados aos autos, ausentes, portanto, liquidez e certeza; 8. As dúvidas quanto à validade dos demonstrativos apresentados (não autenticados ou sequer rubricados) afetam diretamente a determinação da base de cálculo dos tributos ora exigido e a base de cálculo incorreta gera tributo indevido; 9. Resta, portanto, caracterizada a falta de liquidez e certeza do lançamento tributário, o que ofende o disposto no citado art. 142, do CTN, tornando o lançamento improcedente, pela falta de clareza e liquidez, motivo pelo qual deve ser dado provimento ao presente recurso, com a reforma da decisão recorrida; 10. Violação dos Tratados Internacionais, inadmissibilidade das provas trazidas aos autos; 11. Especificamente, o Acordo de Cooperação em Matéria Penal, assinado pelos governos Brasileiro e Norteamericano, após aprovação pelo Congresso Nacional, em 18 de dezembro de 2000 (Decreto Legislativo 262) e da promulgação em 2 de maio de 2001 pelo Presidente da República (Decreto 3.810), foi validamente inserido em nosso ordenamento; 12. De acordo com o artigo VII, do referido acordo, que determina que "a Autoridade Central do Estado Requerido pode solicitar que o Estado Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Requerente deixe de usar qualquer informação ou prova obtida por força deste Acordo em investigação, inquérito, ação penal ou procedimentos outros que não aqueles descritos na solicitação, sem o prévio consentimento da Autoridade Central do Estado Requerido, nesses casos, o Estado Requerente deverá respeitar as condições estabelecidas. A Autoridade Central do Estado Requerido poderá requerer que as informações ou provas produzidas por força do presente Acordo sejam mantidas confidenciais ou usadas apenas sob os termos e condições por ela especificadas. Caso o Estado Requerente aceite as informações ou provas sujeitas a essas condições, ele deverá respeitar tais condições. 13. O magistrado norteamericano limitou o uso das informações utilizadas como base para o lançamento, na medida em que consignou em sua decisão, de forma expressa, que os dados deveriam ser utilizados apenas com o fim de facilitar investigações acerca da lavagem internacional de dinheiro; 14. Entretanto, as autoridades brasileiras desvirtuaram seu uso, pois as informações serviram de base para constituir crédito tributário, desbordando os limites da decisão norteamericana; 15. Diante disso, TODOS os documentos trazidos aos autos por intermédio da investigação policial para a apuração (exclusiva) de crimes de lavagem de dinheiro foram trazidos de forma ilegal, para fins de constituição de crédito tributário, razão pela qual deve ser reformada a decisão recorrida, por violação expressa ao MLAT, com o conseqüente cancelamento do lançamento; 16. Impossibilidade de lavratura do auto de infração, pelo conflito entre esfera criminal e administrativa fiscal; 17. Houve erro na identificação do sujeito passivo, pois a Conta corrente é de titularidade da empresa Braza Corporation; 18. A única forma que a fiscalização poderia intentar para tributar o recorrente pelos rendimentos supostamente auferidos por essa pessoa jurídica regularmente constituída seria por meio de comprovação de que o recorrente recebeu dividendos dessa empresa e não os ofereceu à tributação, hipótese essa que não se verifica nos autos; 19. Dessa forma, procurouse desconstituir a personalidade da pessoa jurídica, atribuindo aos sócios e acionistas a responsabilidade pelos supostos débitos tributários da pessoa jurídica; 20. No entanto, para a realização de tal desiderato, é necessária a observância dos preceitos legais insculpidos no Código Tributário Nacional (CTN), como está adiante demonstrado, o que comprovará o efetivo equívoco cometido pela Turma Julgadora ao ratificar o auto de infração; 21. Houve desconsideração da Personalidade Jurídica; 22. Portanto, há um vício insanável, que merece ser prontamente sepultado, eis que houve manifesto erro na identificação do sujeito passivo, bem como deve ser reformada, integralmente, a decisão recorrida, isso porque Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.330 9 a contacorrente, objeto dos valores ora atacados, não é do recorrente, e sim da empresa Braza Corporation, da qual é proprietário de ações; 23. Além disso, conforme será demonstrado, sequer no nome da pessoa jurídica poderia ter sido lavrada a autuação, pois os valores não são da pessoa jurídica e, sim, de terceiros; os valores simplesmente transitaram pela conta corrente de titularidade da Braza Corporation; 24. Quanto ao regime mensal de apuração do IRPF, verificase erro no critério jurídico do lançamento; 25. Uma das evidentes irregularidades cometidas pela fiscalização, e ratificada pela decisão recorrida, é que ao efetuar o lançamento que deu origem ao presente processo a de apuração do imposto foi efetuada de forma diversa daquela prevista na legislação tributária que rege a matéria; 26. O artigo 42, da Lei n° 9.430/96, trouxe uma sistemática de apuração que, em resumo, determina dois regimes distintos: (i) os valores cuja origem houver sido comprovada, porém não foram oferecidos à tributação, submeterseão, obviamente, ao regime tributário específico, previsto na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, conforme inteligência de seu parágrafo 2º; e (ii) por outro lado, com relação aos rendimentos nãocomprovados, o parágrafo 4º, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96 determina que "tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que teria sido efetuado o crédito pela instituição financeira; 27. Assim, na segunda hipótese dos autos, para apuração do suposto valor do imposto devido, em função da omissão de rendimentos por pessoa física, quando não comprovados, deverá ser calculado o tributo e suas penalidades considerando os meses em que os mesmos valores foram lançados a crédito em contacorrente do contribuinte; 28. Tratase de procedimento próprio, semelhante à regra de tributação dos rendimentos em bases mensais (na medida em que forem percebidos pelo beneficiário), tal como previsto no artigo 2º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; 29. Conseqüentemente, de acordo com referido dispositivo legal, o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos; 30. No presente caso, porém, verificase que a fiscalização, ao apurar os valores tidos como "omitidos" pelo Recorrente, efetuou a autuação dos valores lançados a crédito em contacorrente bancária e, sobre a totalidade, calculou o imposto na forma anual, isto é, sem considerar os valores mês a mês, procedimento corroborado pela decisão recorrida; 31. Portanto, não foi observado o procedimento obrigatório exigido pelo parágrafo 4º, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, quer pela fiscalização, quer Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 pela decisão a quo, não tendo sido considerada a forma de tributação prevista no artigo 2º da Lei n° 7.713/88; 32. A inobservância dos preceitos tributários previstos em lei, pela fiscalização e pela decisão a quo, para se apurar e ratificar o montante devido pelo contribuinte viola o disposto no artigo 142 do CTN, pelo que se impõe a reforma da decisão recorrida e a improcedência do lançamento, eis que qualquer tentativa de se ajustar esse lançamento defeituoso implicaria violação do artigo 146 do mesmo diploma; 33. Por este motivo, deve ser reformada a decisão ora recorrida e decretada a improcedência do lançamento corporificado no auto de infração originário do presente processo administrativo, por se tratar de lançamento efetuado em discordância com o procedimento imposto pela legislação tributária; 34. Ocorreu a decadência do direito de lançar; 35. Analisandose o presente caso em que: (i) o tributo exigido, IRPF, é sujeito ao lançamento por homologação; (ii) os fatos jurídicos tributários (fatos geradores) ocorreram de janeiro de 2001 a agosto de 2002; e (iii) o lançamento de ofício deuse em dezembro de 2007, concluise, portanto, que quando da constituição do crédito tributário já havia decaído o direito de constituição de eventual crédito tributário pelo Fisco, com relação ao período de janeiro de 2001 a agosto de 2002 (considerandose a legislação específica para o caso que deixa clara a ocorrência do fato jurídico tributário mensal); 36. Ainda que não sejam acolhidos os argumentos de que a tributação com base em depósitos bancários segue o regime de apuração mensal, o que se alega apenas a título de argumentação, na hipótese deste colegiado considerar que o prazo de decadência começa a correr no encerramento do anocalendário (31 de dezembro regra geral do imposto de renda das pessoas físicas), o presente lançamento também teria sido atingido pela decadência, com relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001 (quer com relação ao item 02 da autuação : "Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada", quer com relação ao item 01 da autuação: "Acréscimo Patrimonial a Descoberto"); 37. Há ausência de materialidade, pois os valores pertencem a terceiros (clientes); 38. A própria Fiscalização trouxe aos autos a correta identificação dos efetivos titulares dos recursos financeiros, ao juntar cópias dos relatórios que instruem a ação penal, consignando que o Recorrente intermediava valores de terceiros 39. Ademais, os efetivos titulares não só foram identificados, como também foram individualizados nos "Relatórios de Ordens Recebidas" e de "Ordens Remetidas"; 40. Não merece prosperar a alegação expressa na decisão recorrida, de que "a tentativa do impugnante de demonstrar que os recursos movimentados na Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.331 11 conta no exterior pertenciam a terceiros não foi acompanhada de provas que demonstrassem que tipos de negócios vinculavam o impugnante aos supostos titulares dos valores, bem como não foram apresentados elementos probatórios a respeito das transferências bancárias nos momentos de ingressos e saídas de recursos, nesse ponto, então, considerando o ônus de provar o alegado transferido ao impugnante por força da presunção legal, destacase a falta de provas"; 41. Ora, o Recorrente não só confessou (no processo criminal, conforme documentos anexados à impugnação) que os valores são de terceiros, como os identificou na impugnação; 42. A título exemplificativo transcreveu alguns dos beneficiários e ordenantes dos valores que transitaram pela contacorrente objeto da autuação; 43. No caso em tela, portanto, claro está que o Recorrente não é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, e que, efetivamente, comprovou o alegado, utilizandose do próprio relatório apresentado pela fiscalização, além de seu depoimento no processo criminal, pelo que se impõe seja reformada a decisão recorrida, e o presente lançamento seja julgado improcedente; 44. Só para argumento adicional, diante das provas carreadas aos autos, o máximo que poderia ter sido cobrado do ora Recorrente seria tão somente um percentual (correspondente à sua comissão) sobre os valores por ele intermediados; 45. Houve utilização indevida de presunções; 46. O princípio da tipicidade cerrada, ao mesmo tempo que oferece uma verdadeira garantia aos contribuintes, impõe um dever incontestável ao Estado Administração de submeter a tributação somente os eventos do mundo factual que se amoldam perfeitamente às hipóteses normativas cuidadosamente traçadas pelo legislador; 47. Assim sendo, enquanto o Fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente na ocorrência do "fato gerador", estarseá diante de meros indícios, não de prova; 48. Não terá, dessa forma, o Fisco cumprido seu ônus e a conseqüência do descumprimento desse encargo é o dever de o Julgador considerar como não comprovada a ocorrência do fato jurídico tributário; 49. Transpondo os argumentos para o presente caso, não restou comprovado, por meio das provas admitidas em direito, que: a) o Recorrente seria titular de quaisquer contas ou valores existentes no exterior; ou b) houve créditos na suposta conta do Recorrente, passíveis de serem tributados nos termos da legislação em questão; 50. Pelo exposto face à não comprovação de que o Recorrente é o titular da conta e dos recursos financeiros movimentados, nos anosbase de Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 2001 e 2002, na conta da empresa Braza Corporation e pela inexistência de provas, sequer indícios (ao contrário, restou demonstrado pelo Recorrente os remetentes e os beneficiários dos valores movimentados na conta corrente em questão), de que os valores são, na verdade, do Recorrente, requerse a reforma da decisão recorrida, e, conseqüentemente, o cancelamento da presente autuação; 51. Houve equívoco na apuração da base de cálculo, quando da conversão da moeda estrangeira em reais; 52. Tendo a Fiscalização presumido que o Recorrente teria recebido rendimentos no exterior, a conversão da moeda deveria ser apurada em conformidade com as instruções contidas no "Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual" dos exercícios de 2002 e 2003 (cópias juntadas com a impugnação); 53. Essa regra determina que, no caso de rendimentos ou pagamentos em moeda estrangeira, esses valores devem ser convertidos em dólares dos Estados Unidos da América, utilizandose o valor deste fixado pela autoridade monetária do país de origem, na data do recebimento ou pagamento e, em seguida, em reais mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado pelo Banco Central do Brasil, para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento ou pagamento; 54. Essa regra emana do disposto no § 2º, do artigo 16, da Instrução Normativa SRF n° 208, de 27/12/2002, regra, portanto, específica para o caso em questão, diferentemente do alegado pela decisão recorrida; 55. Salientese que tanto a Instrução Normativa quanto o "Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual" possuem força de norma complementar de direito tributário, devendo ser aplicados no caso em tela, a teor do que dispõe o artigo 100 do CTN; 56. Fica claro, portanto, que a fiscalização não adotou o critério previsto na regulamentação fiscal (específica) para atualizar tais valores, pelo que não se pode admitir como correto o entendimento da Turma Julgadora que ratificou esse procedimento, cita alguns exemplos que, em sua visão, demonstram que a fiscalização não adotou o critério correto de conversão da moeda, o que gerou muitas diferenças; 57. Verificase, ainda, que a fiscalização utilizou taxas de câmbio distintas para valores registrados na mesma data, pois conforme tabela, extraída dos autos, no dia 27/04/2001, por exemplo, utilizouse as cotações de R$ 2,2172 e R$ 2,1772, o que demonstra, com clareza hialina, a falta de liquidez que permeia o presente lançamento; 58. Assim, diante do exposto e do equívoco cometido pela Turma Julgadora ao ratificar o lançamento em questão, requerse a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do auto de infração em questão, face à ausência de liquidez e certeza; Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.332 13 59. Não se pode aplicar a presunção de omissão de receitas sobre depósitos bancários; 60. O lançamento de IRPF por presunção de omissão de receitas, com base exclusivamente em extratos ou depósitos bancários, como no presente caso (item 002 do auto de infração), vem, de longa data, sendo repudiado pela jurisprudência; 61. Assim, além do crédito tributário em questão encontrarse extinto pela decadência, fato é que ele não poderia ter sido constituído com base exclusivamente em depósitos bancários, tendo em vista que tanto a esfera judicial, quanto a administrativa, já pacificou o entendimento de que os depósitos contidos em extratos bancários não legitimam a realização do lançamento, sendo necessária a comprovação do "nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimentos"; 62. Diante do exposto, não se pode admitir o entendimento da Turma Julgadora no sentido de que "diante da existência de uma presunção legal, fica afastada a validade dos argumentos do impugnante de que teria ocorrida ofensa aos princípios da segurança jurídica, da legalidade e tipicidade cerrada. Não houve por parte da autoridade administrativa qualquer arbitrariedade ou confisco, ao contrário, houve a interpretação e aplicação da lei seguindo a atividade vinculada de lançamento nos moldes do artigo 142 do CTN"; 63. Assim, apesar da fiscalização não ter produzido as provas necessárias ao lançamento tributário, fato é que o Recorrente demonstrou quem eram os ordenantes e beneficiários dos valores que simplesmente transitaram pela conta corrente em questão, pelo que deve esse colegiado reformar a decisão recorrida e cancelar o auto de infração em questão; 64. É inaplicável a inversão do ônus da prova, no processo administrativo; 65. Não se pode alegar que o artigo 42, da Lei n° 9.430/96, instituiu alteração que "libere" a atividade fiscal de fixação dos fatos jurídicos tributários na atividade do lançamento, pois lei ordinária não é veículo adequado para a realização de tal desiderato.; 66. Do exposto, diante da ausência da demonstração da efetiva ocorrência do fato jurídico tributário no caso em questão (acréscimo patrimonial ou consumo de renda superior aos rendimentos declarados), deve ser dado provimento ao recurso, com a reforma da decisão ora recorrida, e a conseqüente extinção do crédito tributário corporificado no auto de infração; 67. Inexiste acréscimo patrimonial a descoberto; 68. Na elaboração do demonstrativo da variação patrimonial mensal, a fiscalização confrontou as planilhas de ordens recebidas e ordens remetidas para autuar o Recorrente; Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 69. Contudo, apesar desses valores não serem de titularidade do Recorrente, tampouco da pessoa jurídica, também não representam a realidade da movimentação financeira da conta de da empresa Braza Corporation; 70. Isso porque o Instituto Nacional de Criminalística esclareceu que os dados, relativos às movimentações na conta objeto da presente autuação, podem não refletir a realidade, o que demonstra mais uma vez, a iliquidez e a incerteza que permeiam o presente lançamento; 71. Além da comprovação acima de que não houve acréscimo patrimonial, emitida em laudo técnico do Instituto Nacional de Criminalística, foi juntada aos autos a prova que mais importa na demonstração da movimentação financeira de contas bancárias: os extratos das contas bancárias, emitidos pelo Merchants Bank of New York; 72. Esses extratos fulminam qualquer pretensão fiscal de se exigir imposto sobre omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto, eis que tais documentos comprovam que não houve, em nenhum momento, excesso de aplicações sobre origens; 73. E mais, para que fosse válida a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, deveriam ser considerados todos os ingressos e todas as saídas ocorridas em 2001, e não apenas aquelas movimentações na mencionada conta no exterior, indevidamente atribuída ao Recorrente; 74. Por esse motivo, face à ausência de certeza com relação aos saldos bancários, demonstrase que não há prova suficiente para que seja acolhido o argumento do Sr. Fiscal (ratificado pela Turma Julgadora), caso esse E. Conselho entenda que os valores são de titularidade do Recorrente, o que se alega a título meramente argumentativo; 75. Houve duplicidade nos lançamentos; 76. O lançamento foi lavrado com base na presunção de omissão de receitas aplicada sobre depósitos bancários não comprovados, exigindose imposto relativo à todos os depósitos que são, supostamente, rendimentos omitidos; 77. Em seguida, impôsse ao Recorrente, no mesmo período, imposto relativo à omissão de rendimento, apurada quanto ao excesso de aplicações sobre origens (acréscimo patrimonial a descoberto); 78. Dessa forma, os rendimentos supostamente omitidos foram tributados e, em seguida, apesar de sofrerem tributação, não foram utilizados pelo Fisco para comprovar a origem das retiradas; 79. Ora, se há duas vezes a apuração de omissão de rendimentos sobre os mesmos valores, certamente incorrese em duplicidade no lançamento; 80. Assim, se foi exigido do Recorrente tributo relativamente aos depósitos bancários supostamente não comprovados, por uma questão de lógica, esses depósitos deveriam legitimar as origens da alegada variação patrimonial a descoberto, razão pela qual o presente lançamento deve ser julgado improcedente nesse aspecto (caso o presente lançamento não seja Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.333 15 cancelado pelo equívoco com relação à titularidade da conta bancária e dos depósitos), por esse Conselho; 81. A taxa SELIC não deve ser utilizada; 82. A cobrança de juros sobre a multa é ilegal; 83. O Recorrente aguarda que o CARF determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo; e 84. Diante de todo exposto, requer, em síntese, o recebimento e o conhecimento do presente recurso voluntário, ao qual deverá ser dado provimento, para o fim de se determinar a reforma integral da decisão recorrida e o cancelamento de todas as exigências fiscais, com o que se estará fazendo Justiça. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme a legislação, apresentou suas contra razões, fls. 02288, com os seguintes argumentos, em síntese: 1. O recurso deve ser inadmitido; 2. O sujeito passivo, em seu recurso voluntário, limitouse a repetir os termos da impugnação, não atacando especificamente os fundamentos da decisão da DRJ, motivo pelo qual não pode o recurso ser conhecido; 3. As peças incidentais em língua estrangeira, que não criaram qualquer dificuldade para a defesa do recorrente, estando, ressaltese, nos pontos que interessam à solução da presente lide, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal, não podem inquinar de nulidade o lançamento, pois nada há que lhe impute invalidade, devendo ser refutadas as argüições do recorrente tendentes à sua desconstituição; 4. Quanto a alegação de erro na identificação do sujeito passivo e impossibilidade de desconsideração pa personalidade jurídica, o próprio autuado, em sua peça recursal, fls. 1802, reconhece ser o responsável pela conta corrente mantida em território norte americano, junto ao Merchants Bank, motivo da improcedência do argumento; 5. Quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada o fato do recorrente não ter logrado desconstituir a comprovação documental da titularidade da conta bancária, aliado à circunstância de não ter demonstrado a origem dos recursos envolvidos nas operações de depósito, caracteriza infração à legislação do IRPF e, portanto, merece a conseqüência prevista no auto de infração, com todos os consectários legais, conforme ratificado na decisão de primeiro grau; 6. Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto e a inocorrência de duplicidade de lançamento o regime de tributação aplicado às pessoas físicas, residentes ou domiciliadas no país, obriga a inclusão de todos os rendimentos auferidos no ano calendário, sem distinção de sua origem, devendo, portanto, serem oferecidos à tributação tanto os rendimentos provenientes de fontes nacionais quanto externas; Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 7. É o chamado princípio da universalidade da renda que vige no Brasil e está consagrado pela Lei n° 7.713/88. motivo da manutenção do lançamento; 8. Pretende, ainda, a recorrente a improcedência do lançamento por ter sido realizado em duplicidade, sob a alegação de que o lançamento com base em depósitos bancários não pode ser feito em período no qual o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto tenha sido lavrado; 9. Como bem explicitou a decisão a quo, o que é exigido nesses casos de lançamento concomitante das duas presunções legais é a necessidade de considerar a omissão de rendimentos presumida por conta do art. 42 da Lei 9.430/96 como origem de recursos na planilha de análise de evolução patrimonial que apura o acréscimo patrimonial a descoberto, o que, no presente caso, foi efetivamente feito pela fiscalização; 10. Quanto ao regime de apuração anual do IRPF e a inocorrência da decadência do direito do fisco de lançar o elemento temporal do fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, aperfeiçoandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, salvo nos casos de tributação definitiva ou de rendimentos sujeitos exclusivamente à retenção na fonte; 11. Deste modo, o termo inicial do prazo decadencial para os fatos geradores do anocalendário de 2001 deuse em 01/01/2003, findando em 31/12/2007, conforme artigo 173 do CTN, tendo em conta que a ciência do lançamento ocorreu em 14/12/2007, não há que se falar em decadência do direito de lançar; 12. Destarte, a manutenção do julgado de primeira instância é medida que se impõe; 13. Quanto à taxa SELIC, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula de n° 4 que dispõe em sentido totalmente contrário ao alegado pela recorrente; 14. Já quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do artigo 139 do Código Tributário Nacional, o crédito tributário decorre da obrigação o principal e tem a mesma natureza desta; 15. Diante do exposto, devem ser aplicados os juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício; 16. Em face do exposto, a PGFN requer seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, mantendose a decisão recorrida. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.334 17 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Antes de analisarmos de forma integral o conhecimento, há necessidade de analisarmos questão referente a cerceamento de defesa, que teria ocorrido na análise dos argumentos da impugnação, pela DRJ. Em sua impugnação o recorrente afirma, por diversas vezes, que os recursos contidos na conta não são seus. Para ratificar sua posição afirma que há processo criminal em que está sendo acusado de doleiro, não de possuidor de todo o numerário contido nas contas, conforme abaixo: "Inicia informando que é réu confesso nas ações penais que tratam de operações exclusivas de instituição financeira sem autorização do Banco Central. A ação penal referida foi recebida pelo juiz por existirem indícios de autoria de ilícito previsto no art. 16 da Lei 7.492/86, consubstanciado na realização de atividades de intermediação de recursos financeiros de terceiros por intermédio de pessoa jurídica não autorizada pelo Banco Central. Tais fatos revelam, segundo argumenta, que a autoridade administrativa equivocouse ao atribuir ao impugnante a titularidade de valores movimentados no exterior, sendo que seu nome não constava como ordenante ou beneficiário das remessas. ... Argumenta que a própria Secretaria da Receita Federal admitiu em reportagens que as quantias movimentadas consistem em numerário de diversas pessoas, ou beneficiários, e não dos próprios intermediários que apenas liquidavam as operações. Esse era seu caso, pois utilizava a empresa Braza Corporation para liquidar operações de interesse de diversos clientes. Sendo assim, a aplicação do §5° do art. 42 da Lei 9.430/96 resulta na necessidade de a determinação dos rendimentos omitidos ser feita em relação aos terceiros. Assim, insiste que não é titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza." Destaquese, pois importante, que o lançamento teve origem com informações bancárias vindas de Estado estrangeiro, em que há, antes mesmo da lavratura do lançamento, a citação de diversas pessoas, com documentos, que seriam as possuidoras desses valores. Ressaltese que há nos autos centenas de ordens de pessoas diversas ao recorrente, fls. 0797 a 01807. Em resposta ao questionamento da recorrente, a decisão recorrida simplesmente teceu comentários sobre a autonomia entre processo criminal e processo Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 administrativo, mas nada esclarece sobre a propriedade dos recursos, como indagado na impugnação. Ora, a ausência de análise e decisão de argumento de extrema importância, que define o sujeito passivo e a base de cálculo do tributo deve ocorrer, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, causando a nulidade, como determina a legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: ... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Nesse sentido, voto por anular a decisão de primeira instância, devido à ausência de argumento de extrema relevância, contido na impugnação. Como restei vencido na decisão sobre nulidade da decisão de primeira instância, passo ao exame das demais questões do recurso. DA PRELIMINAR Nas preliminares, ponto a verificar é a ocorrência de decadência. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse pagamento, compete à Administração homologálo ou recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.335 19 I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regara decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 150, pois houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.336 21 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos valores recolhidos no período que importa para a definição da regra, conforme informação do próprio Fisco, no Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 lançamento elaborado, em que, para o ano calendário 2001, há a informação de que houve pagamento parcial de IRPF, fls. 02033, (Imposto Pago = R$ 5.992,50). Tanto a decisão recorrida, como as contra razões da PGFN definem corretamente, em nosso entender que o regime de apuração do IRPF é complexivo anual, aperfeiçoandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, salvo nos casos de tributação definitiva ou de rendimentos sujeitos exclusivamente à retenção na fonte. Assim para o ano calendário 2001, exigido no lançamento, o fato gerador aperfeiçoouse em 31/12/2001. Já para o ano calendário 2002, o fato gerador aperfeiçoouse em 31/12/2002. Como a ciência do lançamento ocorreu em 14/12/2007 e como devemos aplicara regra decadencial prevista no art. 150 do CTN, devido à antecipação de pagamento, as exigências oriundas do ano calendário de 2001 devem ser excluídas do lançamento, pois alcançadas pela regra decadencial imposta pela antecipação de pagamento. Deve ser ressaltado que caso análogo foi decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que aplicou idêntica solução, de lavra do excelso conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator, no processo 18471.001709/200564, Acórdão 9202 003.519: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, há prova, nos autos, de pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano calendário e o lançamento se refere ao ano calendário de 1999, diante da antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 31/12/1999 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 29/11/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Recurso especial negado. Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.337 23 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vale destacar trecho do voto, a fim de demonstrar a identidade de situações: Neste processo, verifico que existiu antecipação de pagamento, pois há prova de imposto pago na forma de demonstrativo de efl. 187, assinado pela autoridade autuante, sendo obrigatória, assim, a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador. Desta forma, como o lançamento se refere ao ano calendário de 1999, diante da caracterização de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 31/12/1999 (data de ocorrência do fato gerador) e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 29/11/2005 (efl. 190), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. Portanto, seguindo, inclusive, a jurisprudência da CSRF, aplicada por unanimidade, deve ser dado provimento parcial ao recurso do contribuinte, neste ponto, devido à antecipação de pagamento, excluindose as exigências oriundas do ano calendário de 2001. DO MÉRITO Quanto ao mérito, informo que o CARF decidiu, por unanimidade, provimento ao recurso do sócio do recorrente, fls. 02025, em que a outra metade dos valores contidos na conta bancária estavam sendo exigidos. Por concordar com a decisão daquele nobre colegiado, composto por colegas de expressiva e histórica competência, reproduzo as razões de decidir e as utilizo para a definição pelo provimento do recurso: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 IRPF DECADÊNCIA ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96 E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso das presunções de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais a descoberto e por depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 24 Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4 0 e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN Relativamente ao ano calendário 2001, inclusive, o contribuinte efetuou recolhimento de imposto de renda pessoa física, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano calendário 2001. 1RPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DOLEIRO O artigo 42 da Lei n° 9,430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Neste feito, a conta fiscalizada pertence a uma pessoa jurídica, que jamais foi instada a comprovar a origem dos créditos bancários, Ademais, restou evidenciado que os recursos movimentados na referida conta não pertenciam ao recorrente, o qual, portanto, não tem legitimidade para figurar no pólo passivo deste lançamento. Por fim, considerando que se está diante de exploração habitual e profissional de atividade comercial, com fim especulativo de lucro, o autuado deveria ser equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § I', inciso II, do Decreto n° 3 000/99, com a tributação incidindo apenas sobre a diferença percentual auferida em cada operação de câmbio e não sobre a movimentação bancária apurada. Recurso provido Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Caio Marcos Cândido Presidente Gonçalo Bonet Allage Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. "Processo n" 19515.003403/200713 Acórdão n " 210100.893) Cabe, para maior clareza, transcrever a conclusão, quanto ao mérito: "De acordo com a instrução do processo, a convicção deste julgador é no sentido de que o Sr Eliott Maurice Eskinazi exercia a atividade de doleiro e era interposta pessoa de quem, de fato, movimentou recursos na conta fiscalizada Por fim, não se pode olvidar que um doleiro (ou qualquer pessoa, física ou jurídica, Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.338 25 que intermedeie a compra e venda de moeda estrangeira) percebe apenas um percentual, uma margem, sobre o montante comercializado, o chamado spread. Não é aceitável aplicar contra de a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com relação a toda a movimentação bancária constatada (ressalto, novamente, que neste feito a autuação restringese a 50% dos créditos, pois o restante está tributado na pessoa física do outro sócio da empresa Br aza Corpo, ation) No caso, considerando que se está diante de exploração habitual e profissional de atividade comercial, com fim especulativo de lucro, o recorrente deveria ser equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § 1°, inciso II, do Decreto n° 3 000/99, com a tributação incidindo apenas sobre a diferença percentual auferida em cada operação de câmbio. O posicionamento defendido por este julgador encontra sustentação na jurisprudência do CARF, conforme ilustram as ementas dos seguintes julgados: DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRIBUTAÇÃO OPERAÇÕES COMERCIAIS EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA À luz do art. 150, àç I', II, do Decreto n" .3.000/99 e do ar! 42, ,sç 2', da Lei 9 430/96, verificandose, durante a auditoria fiscal, que o contribuinte realiza operações comerciais por conta própria (compra e venda de moedas estrangeiras), em caráter habitual, e que os depósitos bancários são relativos a essas operações, devese efetuar a equiparação à pessoa jurídica para fins de exigência dos tributos devidos. Não ,se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art 42 da Lei n° 9 430/96, tributando a totalidade das operações, desconsiderandose que o contribuinte somente aufere as margens (diferenca.$) na compra e venda de moeda estrangeira (Segunda Seção, Primeira Céinzara, Segunda Turma Ordinária, Recurso Voluntário n° 167 .550, Acórdão n°210200329, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 23/09/2009) ... DEPÓSITOS .BANCÁRIOS TRIBUTAÇÃO OPERAÇÕES COMERCIAIS EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURiDICA À luz do ruí 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, e do § 2" da Lei 9.430, de 1996, verificandose, durante a auditoria fiscal, que o contribuinte realiza operações comerciais por conta própria, em caráter habitual, e que os depósitos bancários são relativos a essas operações, há que ser efetuada a equiparação à pessoa jurídica par afins de exigência dos tributos devidos. In casu, a lavrantra de auto de infração na pessoa física (IRPF) constitui erro na identificação do sujeito passivo e nos tributos exigidos, haja vista que o correto seria a exigência de IRPF Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 26 RECURSO DE OF1C10 MULTA QUALIFICADA DE 150% REDUÇÃO PARA 75% A aplicação da multa qualificada erige caracterizar a intenção dolosa, que vai além da simples omissão de rendimentos, Correta, portanto, a decisão recorrida Recurso de oficio negado Recurso voluntário provido (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 139 244, Acórdão 11° 106 16.709, Relato, Conselheiro Luiz Antonio de Paula, julgado em 22/01/2008.) Portanto, sob minha ótica, não pode prosperar a aplicação da presunção do artigo 42 da Lei na 9.430/96 em face do Sr. Eliott Maurice Eskinazi, devendo ser reformada a decisão de primeira instância, já que o lançamento é improcedente, não obstante a gravidade dos fatos apurados pela Policia Federal na Operação Farol da Colina, narrados pelo Ministério Público Federal e apreciados pela Justiça Federal Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.339 27 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Não obstante as bem tecidas razões do voto do D. Relator, e partilhando de sua solução quanto ao tema decadência, divirjo de suas conclusões quanto à preliminar de cerceamento de defesa e no que diz respeito à questão de fundo da controvérsia sob exame. A decisão contestada analisou a contento as razões do recorrente, que arguíam ser os depósitos constantes na conta analisada pertencentes a terceiros, conforme a mera leitura das fls. 2151 e 2152 revela, sendo que eventual discordância quanto à substância dos argumentos então trazidos possibilita a interposição de recurso voluntário, mas não se traduz em hipótese a respaldar a decretação de nulidade daquele aresto, por cerceamento de defesa, diante do disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. No tocante à alegação de ilegitimidade passiva, merece ponderar que no caso resta inequívoco que a conta corrente nº 9006732, mantida no Merchants Bank of New York em nome da Brazacorp, tem como titulares de fato seus sócios Eliott Maurice Eskinazi e Hélio Renato Laniado, ora recorrente. Não foi carreada documentação alguma que comprove ter a referida empresa realizado os aventados negócios de consultoria, empréstimos, ou qualquer atividade negocial. Tampouco livros ou qualquer tipo de escrituração contábil foi apresentada, apesar de assim ter sido solicitado ao contribuinte. Mais: interrogado em sede da ação penal 2003.7000515477, e demandado a apontar quais seriam os "três clientes principais" da empresa, Hélio Renato Laniado simplesmente respondeu (fl. 2027): "Excelência, eu não...não sei lhe informar". De outra parte, referidos sócios constam como as pessoas físicas que detinham os efetivos poderes de titularidade sobre a conta examinada, podendo movimentála e detendo as senhas para tanto, consoante atesta o cartão de assinatura, autorização e documentos bancários afins às fls. 160/178. Oportuno acrescentar a seguinte observação constante do Relatório Fiscal (fl. 2029): O exposto na Conclusão exarada pelo MM Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, onde em seu item 13 consta mencionada a petição, em nome da Braza, datada de 28/01/2005 e subscrita pelos acusados Hélio Renato Laniado e Eliott Maurice Eskinazi, que foram dirigidas às autoridades americanas e através da qual se pretende a liberação para os peticionários do numerário bloqueado relativamente as suas contas (fls. 17 e 18), comprova que na realidade os Srs. Hélio Renato Laniado e Eliott Maurice Eskinazi , eram os titulares de fato embora não o fossem de direito.(grifos do original) Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 28 Nesse rumo, esclareçase que a titularidade de fato advém da mera aplicação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o qual regra que "quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento". A obrigação tributária exsurge diretamente sujeitando o titular de fato da conta bancária, na qualidade de contribuinte, sendo desnecessário cogitar a desconsideração da pessoa jurídica, cuja existência de fato nunca foi comprovada, como visto. Com razão a decisão a quo, que concluiu, após citar trecho às fls. 1479/1480, que a Braza Corporation não representava uma unidade econômica ou profissional, mas apenas um meio formal de o próprio impugnante realizar as operações que interessava para sua suposta carteira de clientes pessoais. Deve ser frisado então que não se comunga, tanto nesse quanto em outros aspectos, com o posicionamento contido no Acórdão nº 210100893, j. 01/12/2010, atinente ao outro sócio da Braza, Eliott Maurice Eskinazi. Pelo contrário, considerase, ainda que respeitosamente, tal entendimento bastante equivocado, até mesmo por privilegiar a forma sobre a substância, em situação na qual não se verificou nenhum prejuízo concreto para a defesa do autuado, traduzindose em clara violação ao princípio assente no brocardo pas de nullité sans grief. Observese, também que o presente entendimento está em consonância com a jurisprudência do CARF, conforme revela o seguinte trecho da ementa do acórdão nº 2202 01435, j. 25/10/2011: AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME DE TERCEIROS. LANÇAMENTO SOBRE O VERDADEIRO SUJEITO PASSIVO. CONTA CORRENTE MANTIDA NO EXTERIOR. TITULARIDADE. Não há que se falar em ilegitimidade passiva por falta de provas acerca da titularidade da conta no exterior, quando consta dos autos conjunto probatório fornecido pelo próprio agente bancário estrangeiro, analisado pelas autoridades americanas e brasileiras e periciado por órgão técnico da Polícia Federal brasileira, emitindose inclusive laudo atestando a autenticidade dos registros. Assim, incabível a alegação de ilegitimidade passiva quando ficar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome de terceiros para movimentação de valores tributáveis. Noutro giro, quanto aos depósitos bancários constantes na conta da Braza, verificase que o contribuinte alega genericamente atuar na intermediação de recursos de terceiros, mas nenhum elemento de prova traz para fins de possibilitar ao Fisco a mensuração do fato gerador da obrigação tributária, ainda que lhe tenha sido propiciado a oportunidade para tanto. Nessa senda, ao apontar mácula na autuação por não ter esta apurado adequadamente a materialidade da incidência tributária, tal intento resta por: afrontar disposição de lei, porque segundo o art. 42 da Lei nº 9.430/96 o ônus de demonstrar que os depósitos realizados em sua conta advém da malfadada atividade de intermediação, é seu encargo, não do Fisco; Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.003515/200774 Acórdão n.º 2402005.196 S2C4T2 Fl. 2.340 29 violar princípio vetusto e basilar da ciência jurídica, segundo o qual a ninguém é dado se beneficiar da própria torpeza (NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS). Com efeito, eventual notoriedade do autuado como sendo "famoso doleiro", atividade ilícita em consequência da qual já foi inclusive condenado em esfera criminal, vir a seu favor para fins de que se impute à autoridade fiscal a missão de apurar, sem a devida participação daquele, o que se pretende ser a correta mensuração do gravame tributário, surge como inadmissível, a afrontar o dever de colaboração do contribuinte com a administração tributária. Vale frisar que o próprio autuado afirma que exerce atividades de consultoria, realizando operações financeiras de blue chip swap, etc. Porque não trouxe ele os respectivos contratos firmados com os clientes? Porque não apontou nas transações financeiras discriminadas nos autos a correlação entre as entradas e saídas de recursos supostamente pertencentes a terceiros? Porque não informou as margens de ganho nas compras e vendas de moeda estrangeira efetuadas via dólar cabo, associadas àquelas transações? Ainda há que se registrar a existência de numerosos depósitos provenientes de outras instituições financeiras, para os quais, diversamente dos exemplos colacionados na peça recursal, não há sequer um terceiro a quem se possa atribuir a autoria da transferência. Aliás, é perfeitamente possível que várias dessas ordens bancárias recebidas, de emissão de terceiros, tenham sido decorrentes de rendimentos auferidos pelo contribuinte por prestação de serviços, pois, segundo sua própria versão dos fatos, não presta ele atividades de consultoria? Qual a credibilidade, então, da tese por ele defendida de que os recursos meramente transitaram pela conta em questão? Vejase que não existe critério de razoabilidade ou jurídico pelo qual a autoridade fiscal possa arbitrar determinado percentual dos depósitos como sendo a receita líquida do contribuinte, a qual representaria em tese sua verdadeira capacidade contributiva, sem que este não forneça os elementos mínimos para tanto, mais acima ilustrados. Tal constatação adquire ainda maior relevo, quando se está diante de atuação do sujeito passivo à margem do sistema financeiro nacional, muitas vezes viabilizando interesses duvidosos, como evidenciado nos autos. Deveria ter ele assim apresentado os documentos hábeis para se eximir ou pelo menos minimizar o encargo tributário que sobre ele recaiu, sendo, como dito, surpreendente que se possa cogitar que tal conduta venha em seu benefício, a premiálo com a exoneração do crédito tributário. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, reconhecer a decadência do anocalendário 2001, a teor do § 4° do art. 150 do CTN, e no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10855.004884/2003-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 01/01/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3201-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim,Tatiana Josefovicz Belisário, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 01/01/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados.
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PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 48 84 /2 00 3- 25 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim,Tatiana Josefovicz Belisário, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA opõe Embargos de Declaração, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face de suposta omissão constante do Acórdão nº 3201001.050, de 21/08/2012, que foi assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do Fato Gerador: 01/01/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. 0 prazo de cinco anos para o fisco exercer a ação de exigência do imposto é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN. DRAWBACK SUSPENSÃO. No presente caso, os insumos desembaraçados sob a égide do regime de Drawback, em decorrência do inadimplemento do compromisso de exportar, perderam o amparo do regime concedido e tornaramse mercadorias sujeitas as normas aplicáveis ao regime comum de importação, vigentes à época do desembaraço aduaneiro, pois, teriam sido exportados equipamentos diferentes daqueles previstos. ACORDAM os membros da 2ª Camara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, preliminarmente, por maioria de votos, negado provimento quanto à preliminar de decadência, vencido o Relator, designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. No mérito, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso quanto ao afastamento da responsabilidade da sucessora; afastada a denúncia espontânea e mantida a multa de mora; mantido também o lançamento por descumprimento do regime de drawback, nos termos do voto do relator. Como se observa acima, em sede de preliminar ( a matéria sobre decadência), o relator original foi vencido e por maioria de votos foi rejeitada essa preliminar e no mérito, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário. Cientificada da referida decisão, o sujeito passivo, tempestivamente, interpôs embargos de declaração. Em síntese, a embargante Metso sustenta vícios (contradição, omissão e obscuridade) a serem sanados, da seguinte forma: 1) há contradição e não concorda com o julgamento no tocante ao prazo decadencial, que deve ser contado, a partir da expiração do prazo para exportação consoante o Fl. 444DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10855.004884/200325 Acórdão n.º 3201002.140 S3C2T1 Fl. 444 3 Ato Concessório e não do primeiro dia do exercício seguinte, na forma do art. 173, do CTN; 2) houve omissão no acórdão, tendo em vista denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, pois a embargante recolheu tributos incidentes sobre insumos nacionalizados com juros devidos espontaneamente e antes de qualquer procedimento fiscal; e 3)houve obscuridade, pois o acórdão não apreciou as disposições do Ato Concessório, eis que descabido o fundamento de que a embargante não cumpriu o Ato Concessório ao exportar mercadorias diferentes da descrita no documento. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O Sujeito Passivo opõe embargos de declaração ao acórdão citado, alegando omissão/contradição/obscuridade em relação às matériasdecadência, denúncia espontânea e cumprimento do Ato Concessório. Inicialmente, cumpre relembrar que versa o presente processo de Auto de Infração lavrado para exigência de recolhimento de tributos suspensos, acrescidos de juros moratórios, bem como das multas para o Imposto de Importação (art. 4, inciso I da Lei 8.218/91 c/c art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e art. 106, inciso II, alínea c da Lei 5.172/66) e para o Imposto sobre Produtos Industrializados (art. 80, inciso II da Lei 14.502/64, com a redação dada pelo Dec. 34/66, art. 2°, e art. 45 da Lei 9430/96 c/e art. 106, inciso II, alínea c da Lei 5.172/66), totalizando o valor de R$ 102.481,61, em função de não terem sido comprovadas as exportações previstas no Ato Concessório 0191 97/00065, relativo a operações de Drawback, modalidade suspensão. Consta, também, dos autos que a autuada já. efetuou alguns pagamentos relativos ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados, conforme informação da repartição de origem. Passemos a análise dos itens embargados, após os fatos narrados. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 1) PRAZO DECADENCIAL A embargante afirma que o acórdão incorre em contradição ao julgar a questão referente à decadência do lançamento. A embargante, contudo, está equivocada. O voto (vencedor) é claro ao estabelecer que a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN não se aplica em se tratando do regime drawback, modalidade suspensão, conforme voto: A decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, relativamente ao imposto de importação, foi objeto de disposição específica do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu o art. 1° do Decretolei nº 2.472/1988, verbis: “Art. 138 – O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único – Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado.” A norma é pacífica no sentido de tratar, no caput, da situação de não lançamento do tributo e, em seu parágrafo único, da em que houve o pagamento, relacionada esta última com o art. 150, § 4°, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Entendo que, como a hipótese em exame – drawback modalidade de suspensão não diz respeito à exigência de diferença de tributo a que se refere o parágrafo único acima transcrito, deve a matéria ser subsumida no caput do artigo. Tratase de benefício fiscal concedido sob condição resolutiva, em que a Fazenda Nacional só poderá agir após ter conhecimento, de parte do órgão administrador do benefício, no caso, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Relatório de Comprovação de Drawback que demonstre o cumprimento ou não do compromisso assumido. Vale dizer, os créditos tributários correspondentes somente poderão ser exigidos do beneficiário do regime se inadimplido o compromisso de exportação por ele assumido, o que somente poderá ser conhecido pelo fisco após a manifestação do órgão concedente e administrador do benefício. Em sendo assim, o prazo de cinco anos para o fisco exercer a ação de exigência do imposto é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, com o qual o art. 138 acima transcrito guarda integral harmonia, visto praticamente repetir sua redação. Da mesma forma ocorre com o imposto sobre produtos industrializados, tendo em vista a disposição expressa no art. 61, inciso II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982, cuja base legal é o mesmo art. 173, inciso I, do CTN. Assim sendo, a contagem se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do recebimento, pela RFB, do Relatório (final) de Comprovação de Drawback, emitido pela SECEX, vinculado ao Ministério Desenvolvimento e Comércio Exterior. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10855.004884/200325 Acórdão n.º 3201002.140 S3C2T1 Fl. 445 5 È o que disciplina o Parecer nº 53/99 da COSIT, segundo o mesmo, o prazo decadencial no regime de Drawback suspensão, começa a fluir a partir do primeiro dia do ano seguinte ao do recebimento, pela RFB, do Relatório (final) de Comprovação de Drawback, emitido pela SECEX, quanto do eventual inadimplemento do compromisso de exportação. Só para reforçar, apesar do fato gerador ser de outra época, o atual Regulamento Aduaneiro/2009, aprovado pelo Decreto de n° 6.759/2009 disciplinou em seu art. 752, § 3o , inc. III, sobre este prazo de constituição do crédito, quando dispõe: Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II ... § 1o ..... § 2o ..... § 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e (grifei) No presente caso, observase que a validade do Ato Concessório para exportação estava dentro do ano de 1998, somente podendose considerar como notificada a Fazenda Pública neste ano, ou seja, o prazo começaria a fluir somente a partir de 1999 sendo válido o lançamento até o final de 2003, o que ocorreu, bem como a ciência. Daí, rejeito esta preliminar. Dessa forma, não existe contradição apontada, logo, não assiste razão a embargante. 2) DENÚNCIA ESPONTÂNEA A embargante argumenta que houve omissão no acórdão, tendo em vista denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, pois a mesma recolheu tributos incidentes sobre insumos nacionalizados com juros devidos espontaneamente e antes de qualquer procedimento fiscal. Inicialmente, é oportuno esclarecer, de pronto, que todos os recolhimentos efetuados pela contribuinte previamente a ciência do lançamento em julgamento foram excluídos da exigência inicial pela decisão da DRJ/SP II, restando para julgamento apenas fatos geradores não recolhidos pela contribuinte, por esta entender indevidos. Desta forma, creio que as alegações acerca da ocorrência de denúncia espontânea por parte da contribuinte mostramse incabíveis, dada a ausência do pagamento do tributo devido exigido. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 Transcrevemse trechos, inclusive da decisão da DRJ, nesse sentido, para deixar bem evidente (reproduzido no relatório do acórdão em discussão): No relatório: Em razão da informação de que a autuada já efetuou alguns pagamentos, anteriormente às lavraturas dos Autos de Infração, relativos ao imposto d importação e aoimposto sobre produtos industrializados, esta DRPSPOII requereu diligência junto à repartição de origem para que fossem alocados para determinação do saldo remanescente a ser recolhido. Atendida a diligência, verificamos constarem os cálculos na fl. 323, dos quais a interessada teve ciência, manifestandose no sentido de que recolheu os tributos e os juros anteriormente à autuação, razão pela qual encontrase extinto o crédito tributário, não podendo ser penalizado por infrações cometidas por pessoa jurídica por ela incorporada. No voto: Cabe ressaltar, com relação ao presente, que a repartição de origem reconhece que já houve recolhimentos por parte da interessada, conforme consta na f.323, sendo, quanto a esses, incabíveis as penalidades de oficio. ....... Em face do exposto, voto pela procedência em parte da cobrança de tributos, juros moratórios e penalidades lançados no presente Auto de Infração, em virtude de levar em conta as informações prestadas pelo setor de arrecadação da repartição de origem relativamente aos pagamentos efetuados pela interessada, conforme consta na fl. 323. É tanto que o julgamento de primeira instância foi procedente em parte, e excluiu alguns valores, por conta da diligência anterior, ratificados pelos cálculos da fl. 323, dos quais a contribuinte teve ciência, manifestandose no sentido de que recolheu os tributos e os juros anteriormente à autuação. Ressaltese que esses valores foram inferiores ao limite de alçada para efeito de recurso de ofício. O relatório reproduziu a afirmação acima (da DRJ), bem como o voto da turma do CARF consignou o seguinte: Registrese que, como já relatado, em razão da informação de que a empresa já tinha efetuado alguns pagamentos, anteriormente As lavraturas dos Autos de Infração, relativos ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados, a DRJ requereu diligência junto à repartição de origem para que fossem alocados esses pagamentos para determinação do saldo remanescente a ser recolhido. Em sendo assim, não há que se falar em omissão neste tópico. 3) E, por fim, a embargante afirma que houve obscuridade, pois o acórdão não apreciou as disposições do Ato Concessório, eis que descabido o fundamento de que a Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10855.004884/200325 Acórdão n.º 3201002.140 S3C2T1 Fl. 446 7 mesma não cumpriu o Ato Concessório ao exportar mercadorias diferentes da descrita no documento. Esse argumento de obscuridade, da mesma forma, mostrase sem razão a embargante. O acórdão é claro ao definir que, para que seja considerado como cumprido o Ato Concessório do Drawback, é imprescindível que os produtos nele previstos sejam efetivamente exportados, independentemente do fato de os insumos terem sido efetivamente exportados em produtos diversos. Neste sentido, transcrevese abaixo trecho do acórdão embargado: O Regime Aduaneiro de Drawback caracterizandose como beneficio fiscal deve ser literalmente interpretada sua legislação, conforme o art. 111, Código Tributário Nacional e acatada, sob risco, por todos os contribuintes beneficiados. Considerase assim não adimplido compromisso, nos termos o art. 43, inciso I, da Portada SECEX, que dispõe: Art. 43 — 0 compromisso de exportação vinculado ao Regime de Drawback, modalidade suspensão, será liquidado mediante a comprovação de uma das condições a seguir: I — exportação efetiva dos produtos previstos no Ato Concessório de Drawback nas quantidades, valores e prazo nele fixados; (grifei) Assim, temse, no presente, que os insumos desembaraçados sob a égide do regime de Drawback, em decorrência do inadimplemento do compromisso de exportar, perderam o amparo do regime concedido e tornaramse mercadorias sujeitas às normas aplicáveis ao regime comum de importação, vigentes à época do desembaraço aduaneiro. Pois, foram, exportados equipamentos diferentes daqueles previstos, conforme a própria recorrente, que alega que o importante é a efetiva exportação do produto acabado com utilização do insumo importado. Destarte, não se acolhem os embargos de declaração, por obscuridade nessa parte a que alude a embargante; enfim, quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela embargante. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 8 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 14041.001185/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato gerador: 18/11/2008
GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, INFORMAR DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES.
A regra de decadência aplicável à obrigação acessória é a do artigo 173 do CTN.
ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO.
Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977.
Não há razão para falar-se em direito à imunidade por prazo indeterminado.
CÓDIGO FPAS 639.
O uso do código FPAS 639 é exclusivo das entidades beneficentes de assistência social, com isenção concedida na forma do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.859
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade do votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, INFORMAR DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. A regra de decadência aplicável à obrigação acessória é a do artigo 173 do CTN. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. CÓDIGO FPAS 639. O uso do código FPAS 639 é exclusivo das entidades beneficentes de assistência social, com isenção concedida na forma do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 85 /2 00 8- 63 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade do votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001185/200863 Acórdão n.º 2201002.859 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0334.185 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória AIOA nº: 37.456.7483, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em BrasiliaDF, contra a empresa em epígrafe, consolidado em 18/11/2008, em razão de a mesma ter infringido o dispositivo previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3” e 6”, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 07/08, a empresa em epígrafe apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social ~ GFIP, nas competências de janeiro a maio de 2003, com erro de preenchimento de campos, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. . Foi informado, incorretamente, o código 639 – ENTIDADE FILANTRÓPICA COM ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS enquanto o correto seria o código 574 ESTABELECIMENTOS DE ENSINO, 'uma vez que a mesma teve sua isenção cancelada, nos termos da Decisão Notificação n." 23/401.4/03/2006 e do Ato Cancelatório n.23.401.002/2006, em 25/09/2006. Da Penalidade Em decorrência do fato acima descrito, foi aplicada a multa, no valor de R$ 313,70 (trezentos e treze reais e setenta centavos),de acordo com o art. 32, §6", da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 e art. 284, inc. III e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, conforme planilha de fls. 09. O valor da multa corresponde a 5% (por cento) do valor mínimo da multa variável de que trata o caput do art. 92, da Lei n.º 8.212/91, limitados aos valores previstos no §4º. Na presente autuação, o valor mínimo foi atualizado pela Portaria MPS n.º 77, de 11/03/2008. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Da Impugnação Cientificado do lançamento em 20/11/08, o contribuinte impetrou defesa tempestiva em 17/12/2008 (fls.l2/39), alegando, em síntese: Que se trata de entidade de direito privado, que, em 04/06/1981, foi declarada de Utilidade Pública Federal, mediante o Decreto n." 86072; e Municipal, conforme Decreto n.” 220, de 31/08/2005, pela Prefeitura Municipal de Silvânia, mediante a Lei Municipal n." 1422, de 31 de agosto de 2005; Que aderiu ao PROUNI ~ Programa Universidade Para Todos, instituído pela lei n." 11.096/05, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8°, III, da lei n." 11.096/05, que preceitua a isenção da Contribuição Social sobre o Financiamento da Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n.° 70, de 30 de dezembro de 1991; Que requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n.” 3.577/59; Que obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança 11.” 89.01 .868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria e faz a imunidade do art. 195, §7" da Constituição Federal, por. preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9° e 14 do CTN. Apesar disto, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e a imunidade, o que a. levou a promover a Ação Ordinária (Proc. 2002.34.00.0249380/ DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade. A ação foi julgada procedente em 1º grau. A pretexto de que a entidade não preenchia os requisitos do art. 14 do CTN, nos termos da Decisão Notificação n.“ 23.401/03/2006, de 04/03/2006 e do Ato Cancelatório n.” 23.401 .002/2006, de 25/09/2006 ~ cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negarlhe o benefício da desoneração de quota patronal, lavrando sete autos de infração, com exigência de principal e multa; ' Que, equivocadamente, a fiscalização lavrou os Autos de Infração n.”37.156.7459 e o 37.156.7483, ora impugnado, acusando a entidade de ter apresentado GFIP com informações inexatas nos dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências entre janeiro e maio de 2003. Descreve, também, que a entidade utilizou indevidamente o código FPAS 639, enquanto o correto seria o 574, o que reduziu o valor devido à Previdência Social. Entende, dessa forma, ser insubsistente a autuação, pela inexistência de obrigação principal, como passa a demonstrar: I. Da ofensa à coisa julgada Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001185/200863 Acórdão n.º 2201002.859 S2C2T1 Fl. 4 5 ... II Da Decadência dos Valores Exigidos em Períodos Anteriores a 12/2003 ... III Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo ... IV Auxílio Alimentação ... V A Impugnante faz jus ao Código FPAS 639 ... Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Direito à isenção da cota patronal: o Aderiu ao PROUNI " Programa Universidade Para Todos", instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo, e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05, Requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então, a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959. o A Recorrente obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria. o Ação Ordinária (Proc. Nº 2002.34.00.0249380/ DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7" da CF. o Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 o Direito adquirido à isenção. o Imunidade artigo 195, parágrafo 7º CF. o Faz jus ao FPAS 639. o Nulidade da exigência fiscal contida no auto de infração por desobediência à decisão judicial. · Decadência. · Bolsas de estudos concedidas a funcionários e seus dependentes · Auxílio alimentação fornecido in natura pelo empregador. O processo baixou em diligência para inclusão de documentos faltantes. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001185/200863 Acórdão n.º 2201002.859 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Este processo trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória. Segundo o Relatório Fiscal a recorrente entregou GFIP nas competências 01 a 05/2003 com erro de preenchimento de campos de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, mais especificamente, foi informado, incorretamente, o código 639 – ENTIDADE FILANTRÓPICA COM ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS enquanto o correto seria o código 574 ESTABELECIMENTOS DE ENSINO. Questões apresentadas no recurso alheias à autuação não serão analisadas. PRELIMINAR DECADÊNCIA Primeiramente, cabe esclarecer que a autuação foi motivada por descumprimento de obrigação acessória tributária (GFIP com informações incorretas quanto a dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias). A decadência está disciplinada no CTN nos artigos 173 e 150, § 4º. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme o texto, a regra do artigo 150 referese a lançamento por homologação, o que não é o caso da obrigação acessória aqui em questão. Disso resulta que a regra devida é a do artigo 173, exatamente a aplicada pelo fisco. Entendo que não cabe razão à recorrente. MÉRITO ISENÇÃO/IMUNIDADE NULIDADE DECISÕES JUDICIAIS A recorrente requer a nulidade do lançamento; afirma ter direito à imunidade; que as normas de interpretação da imunidade tributária não podem ser restringidas pela legislação infraconstitucional; que aderiu ao PROUNI (Lei 11.096/05) e que tem direito à isenção na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05; que com o advento da nova ordem constitucional, obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria; que promoveu perante a 3ª Vara federal do Distrito Federal, Ação Ordinária (Proc. nº 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7º da CF e que faz jus ao FPAS 639 (isenta). Entendo que não assiste razão à recorrente. Destaco que o uso do FPAS 639 é exclusivo das entidades beneficentes de assistência social, com isenção concedida na forma do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Como ficará demonstrado, por não ter direito à isenção, informar esse código FPAS foi um erro. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001185/200863 Acórdão n.º 2201002.859 S2C2T1 Fl. 6 9 Para a questão do direito adquirido, sigo a orientação do STF, que declara ter jurisprudência firme no sentido de "afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado." RMS 27093 / DF DISTRITO FEDERAL RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Relator(a): Min. EROS GRAU Julgamento: 02/09/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma RECTE.(S): FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DA REGIÃO DE JOINVILLE FURJ RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): ADVOGADOGERAL DA UNIÃO EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. Observo que, em essência, o que se discutiu no processo acima referenciado é exatamente o que foi apresentado pela recorrente. Complemento apresentando trechos do relatório e voto da decisão apresentada. Relatório 3. 0 acórdão recorrido afirmou a inexistência de direito adquirido à manutenção do CEBAS por prazo Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 indeterminado, que há de ser renovado a cada 3 [três] anos, nos termos do disposto no art. 55, II, da Lei n. 8.212/91, observados os requisitos previstos no decreto n. 2.536/98. Reconheceu a inadequação da via eleita, eis que o tema de fundo da impetração demanda dilação probatória incompatível com o rito do mandado de segurança. 4. A recorrente alega a existência de direito adquirido à imunidade "por prazo indeterminado", porquanto "cumpridora da legislação vigente à época de sua aquisição, notadamente a Lei n. 3.577, de 1959, e o decretolei n. 1.572, de 1977, por se tratar de situação fática juridicamente consolidada, sob a luz de direito pretérito". Voto 3. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições para a isenção tributária das entidades filantrópicas a exigência expressa de que possuam o CEBAS, renovável a cada três anos. 4. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social as contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 5. Esta Corte fixou o entendimento de que não há direito adquirido a regime jurídico, razão pela qual não há falar se em direito à imunidade por prazo indeterminado. 6. Quanto à exigência de renovação periódica do CEBAS, o Tribunal entende não haver ofensa à Constituição: "EMENTA:I.Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7o: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004; RE 93.770, 17.3.81, Soares Munoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito 'aos lindes da imunidade', à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária y as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune' . II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o beneficio constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7o, da Constituição Federal a Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001185/200863 Acórdão n.º 2201002.859 S2C2T1 Fl. 7 11 exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91". [AgRRE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 7.Nego provimento ao presente recurso. Quanto à imunidade, a Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. Para a questão das ações judiciais, entendo que as alegações da impugnação foram reapresentadas e que a questão foi bem esclarecida no julgamento de primeira instância. Abaixo reproduzo trecho do voto condutor daquela decisão: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 Não merece acolhida a alegação da empresa de que existe nulidade do Auto de infração por desconsideração de decisões judiciais. Conforme se pode observar da documentação anexada aos autos, a referida decisão proferida pela 3ª Vara Federal de Brasilia (fls. 259/265), prolatada em Mandado de Segurança, em janeiro de 1989, ocorreu antes da constatação pela fiscalização de que a UBEC não atendia aos pressupostos legais para continuar se beneficiando da isenção patronal e, também, da emissão do conseqüente Ato Cancelatório n.° 02/2006. Logo, não houve desobediência a ordem judicial. O Mandado de Segurança n.° 89.01.068028, impetrado pela Impugnante junto ao TRF da 1ª Região (fls. 266/270), teve sua Segurança denegada. No que se refere à Decisão proferida na Ação Ordinária n.° 2002.34.00.0249380 (fls.271/277), também não se refere ao Ato Cancelatório que precedeu a presente fiscalização. Como se pode apreender do relatório da decisão, trata o processo de fiscalização empreendida pelo CNAS, cujo inicio estava previsto para 31/07/2002, referente ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos por ele emitido e que, conforme termos da decisão de fls. 276, deve a Impugnante observar "para manutenção da imunidade das contribuições para a seguridade social, os preceitos constantes dos arts. 9° e 14 do CTN", que são, verbis: Art. 9°É vedado a Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: • I. instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto a majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior a data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos politicos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capitulo; (Redação dada pela Lei Complementar n° 104, de 10.1.2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado a observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001185/200863 Acórdão n.º 2201002.859 S2C2T1 Fl. 8 13 I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela Lcp no 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § I° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1" do artigo 9", a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9' são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Quanto às alegações relativas ao PROUNI, essas referemse a tributo distinto do que se discute neste processo, sendo as alegações impertinentes. Outro ponto que merece não ser considerada é a menção é o Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, com citação de estar sub judice, sem comprovação e mencionando o artigo 14 do CTN, que referese a imposto, quando este lançamento referese a contribuição. A desconsideração é motivada pela falta da comprovação do contencioso e da falta de relação da legislação mencionada com o tributo aqui discutido. Abaixo trecho do recurso apresentado: Outrossim, a pretexto de que a entidade não preencheria os requisitos do art. 14 do CTN nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório no 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negarlhe o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 13888.002470/2005-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-004.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 24 70 /2 00 5- 34 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração de fls. 48/55 para cobrança de imposto de renda devido em razão da glosa de valores com dependentes e com despesas médicas não comprovadas, exigese ainda multa de 75% prevista no art. 44, Inciso I, da Lei n° 9.430/96. Em impugnação de fls. 61 o contribuinte alegou como preliminar a decadência do lançamento pela aplicação do art. 150, §4º do CTN. Subsidiariamente, defende que a lei não impõe qualquer impedimento ao pagamento em espécie de serviços médicos, psicológicos e odontológicos, e os documentos juntados aos autos são provas robustas para comprovação da efetiva prestação desses serviços. Argumenta ainda que a dependente em questão é sua sogra, vivendo essa sob sua dependência financeira. A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, reconhecendo a decadência do fato gerador ocorrido em 1999. Em relação ao anocalendário 2000, para a decisão, o contribuinte não comprovou com documentação adequada à efetiva utilização dos serviços profissionais nem o efetivo pagamento dos respectivos dispêndios lançados a titulo de despesas médicas, e em relação. Mantevese a glosa das despesas relativas à sogra sob fundamentação de essa somente ser classificada como dependente nos casos de apresentação de declaração conjunta dos cônjuges. Recurso Voluntário juntado às fls. 117/128 reiterando as argumentações de defesa. A 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por unanimidade dos votos, deu parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer a sogra como dependente, restabelecendo a dedução. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. FATOS SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. HOMOLOGAÇÃO. Para rendimentos tributáveis sujeitos à apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, o prazo decadencial contase a partir do fato gerador ocorrido em 31 de dezembro do respectivo ano calendário. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.002470/200534 Acórdão n.º 9202004.273 CSRFT2 Fl. 196 3 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado. Recurso Voluntário Provido em Parte. O Contribuinte interpôs Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial em relação ao não reconhecimento da decadência do ano calendário de 2000 e em relação à manutenção da glosa das despesas médicas. Em exame e reexame necessário, deuse seguimento ao recurso apenas no que tange a comprovação das despesas médicas. Em contrarrazões a Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso, preenche os requisitos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme mencionado no relatório a controvérsia recursal limitase à discussão de serem os recibos juntados aos autos provas suficientes para caracterização da prestação de serviços ao contribuinte e seus dependentes. No entendimento do acórdão recorrido, considerando o valor das despesas, os recibos apresentados deveriam ter sido acompanhados de outras provas, especialmente comprovantes de movimentações bancárias e relatórios médicos. Em que pesem os argumentos utilizados no acórdão recorrido, entendo que no presente caso houve um excesso da fiscalização ao exigir que o contribuinte apresentasse, além dos recibos emitidos pelos profissionais envolvidos, outras provas para a caracterização da efetiva prestação dos serviços e repasse de valores. Explico: Primeiro é importante mencionar que em relação ao ano calendário objeto da autuação, ano de 2000 (declaração de fls. 28/30 e Termo de Constatação Fiscal fls. 46), o total de despesas médica, odontológica e psicológica informado pelo Contribuinte foi de R$ 15.331,00 (quinze mil reais trezentos e trinta e um reais), valor ao meu ver perfeitamente compatível considerando que o Contribuinte possuía quatro dependentes. No mais, o artigo 8º da Lei n. 9.250/95 assim dispõe: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Pelos dispositivos acima, via de regra, bastaria para a comprovação da realização das despesas dedutíveis previstas no inciso II do art. 8º, a apresentação dos recibos emitidos pelos respectivos profissionais, devendo tais documentos trazerem elementos suficientes para identificação do prestador de serviço que recebeu os valores despendidos pelo contribuinte. Para afastar a validade das declarações emitidas pelos profissionais por meio dos recibos e também por meio de declarações de próprio punho seria necessário que o fisco tivesse suscitado alguma dúvida quanto à idoneidade dos profissionais ou máfé quanto a conduta do contribuinte, ou seja, para desconsiderar os recibos e demais documentos apresentados pelo Recorrente e, por conseguinte, exigir a importância deduzida à título de despesas médicas, deveria a fiscalização ter diligenciado de modo a obter elementos capazes de invalidar tais provas. Reitero que em momento algum foi suscitada qualquer dúvida quanto a veracidade dos documentos apresentados ou mesmo foi feita qualquer verificação junto aos prestadores de serviços no intuito de verificar se os valores em questão foram devidamente tributados em suas respectivas declarações de rendimentos, diligência importantíssima para se evitar uma eventual bitributação e o enriquecimento indevido da Fazenda Pública. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.002470/200534 Acórdão n.º 9202004.273 CSRFT2 Fl. 197 5 O entendimento acima é reforçado pelo Decreto nº 3.000/95, que ao regulamentar a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza assim dispõe em seus artigos 73 e 80: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo: ... III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; ... Interpretandose conjuntamente os dispostos devemos concluir que o art. 73 do Decreto 3.000/99, ao definir que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, deixa claro que referida comprovação se dá por meio da apresentação dos recibos, somente no caso de o contribuinte não os possuir ou forem impróprios, ou na hipótese de haver nos autos elementos que comprovem a má fé das partes envolvidas, será admitida a exigência de novas provas para a devida validação do documento. Portanto, entendo que recebidos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.002470/200534 Acórdão n.º 9202004.273 CSRFT2 Fl. 198 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Com a devida vênia ao entendimento esposado pelo relator, ouso discordar. Pertinente, a meu ver, que se transcrevam os dispositivos que encerram o cerne da presente questão de mérito (glosa de despesas médicas declaradas), a saber, os arts. 73, caput, 80, caput e §1o., inciso III, 845, inciso II, e 932 todos do Decreto no 3.000, de 1999, aqui reproduzidos com referência à respectiva base legal que os suporta : RIR/99 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (...) Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Art.845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (g.n.); Art.932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 108, §6º). A propósito, como já tive oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, entendo que a interpretação sistemática correta do conjunto dos dispositivos acima, a fim de tenham plena vigência e sem a existência de qualquer antinomia, é no sentido do art. 80, §1o. inciso III do RIR/99, ao limitar a dedução de pagamentos a título de serviços médicos e assemelhados àqueles que constem de recibo e/ou indicados como pagos através de cheques nominativos devidamente especificados, estabelecer condição mínima, necessária mas não necessariamente suficiente à dedutibilidade das despesas. Entendo que a suficiência de tais recibos e/ou indicação de cheques nominativos de pagamento como comprovantes para fins de dedutibilidade das despesas, está, consoante expressamente respaldado pelo art. 73 supra reproduzido, condicionada ao juízo da autoridade tributária que pode, assim, no caso de existência de dúvida (razoável, em pleno respeito ao princípio da razoabilidade) quanto aos mesmos, perfeitamente em linha com o disposto no art. 932 do mesmo diploma, solicitar esclarecimentos adicionais (tais como elementos que comprovem o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços). Nesta hipótese, uma vez não tendo sido satisfatórios os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, é de completa legalidade a realização do lançamento de ofício, abandonandose (ou seja, glosandose) as parcelas para as quais o contribuinte não logrou êxito em esclarecêlas de forma satisfatória, na forma prevista pelo art. 845 supra. Realizada tal digressão, verifico que para o caso sob análise: a) O contribuinte declarou, para o referido anocalendário em questão, 25% dos seus rendimentos tributáveis como despesas médicas incorridas, Daí, caracterizada, em meu entendimento, como razoável a dúvida da autoridade tributária acerca das despesas médicas assim declaradas pelo autuado. Destarte, durante a ação fiscal, foram solicitadas à contribuinte, quanto às referidas despesas em análise, documentação relativa ao efetivo pagamento bem como à efetiva prestação dos serviços (vide termo de efl. 05); b) Em resposta, foram apresentados, até a sede impugnatória, recibos e declarações, de efls. 72 a 96. Diante de tal cenário, concluo: a) Plenamente razoável que a fiscalização, diante do montante de despesas édicas deduzidos pelo contribuinte, tenha solicitado, através do termo de efl. 05, provas de efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços médicos que deram origem às despesas declaradas; b) Com base nos elementos carreados aos autos, uma vez solicitados pela fiscalização os esclarecimentos devidos na forma legalmente amparada, não se comprovou, de forma satisfatória, a necessária condição de dedutibilidade aplicável ao caso em questão, em linha com o princípio da verdade material, qual seja: a comprovação documental inequívoca acerca dos pagamentos das despesas deduzidas, bem como acerca da efetiva prestação dos serviços. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso do Contribuinte, mantida integralmente a glosa de despesas médicas na forma decidida pelo Acórdão recorrido. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.002470/200534 Acórdão n.º 9202004.273 CSRFT2 Fl. 199 9 É como voto. Heitor de Souza Lima Junior, Redator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.003195/2003-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal - MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento
Recurso Especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANA PAULA FERNANDES - Relatora.
EDITADO EM: 12/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal - MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento Recurso Especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) ANA PAULA FERNANDES - Relatora. EDITADO EM: 12/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra
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As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento Recurso Especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) ANA PAULA FERNANDES Relatora. EDITADO EM: 12/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 31 95 /2 00 3- 15 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de Uniformização de Jurisprudência motivado pelo Contribuinte, face ao Acórdão 210100.273, proferido pela 1º Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção de Julgamento/CARF. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido, adotando o relatório da DRF/SC, que seguimos em síntese: "Mediante auto de infração de folhas 310 a 316, integrado pelo Termo de Verificação Fiscal, às folhas 298 a 309, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 102.775,95 (cento e dois mil, setecentos e setenta e cinco reais e noventa e cinco centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2000 e 2001, anos calendário 1999 e 2000, acrescido de multa de ofício de 7 5% e juros de mora. A autuação é decorrente da apuração da omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e/ou comprovados, conforme Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial, às folhas 296 e 297; além da glosa de parte das deduções com despesas médicas do anocalendário 2000, pleiteadas indevidamente. Irresignado com o lançamento, o contribuinte apresenta a impugnação de folhas 325 a 359, na qual alega: nulidade do lançamento em virtude de decurso do prazo do primeiro MPF n° 09.2.01.002002005831, à folha 13, e, no segundo MPF sob n° 09.2.01.002003003832, à folha 1, indicação de um mesmo AFRF para dar continuidade à fiscalização, cujo MPF tinha vencido. cancelamento do lançamento fiscal em litígio, uma vez que não houve autorização de reexame do anocalendário 1999. A verificação da ocorrência do reexame no exercício 2000, anocalendário 1999, fazse com o confronto entre o MPF constante da folha 13 e o da folha 1. Assim, afirma que havendo a fiscalização e esta se silenciando sobre os documentos apresentados, houve a homologação do período fiscalizado. de acordo com o relatório do lançamento, "o custo de construção da casa na Rua Visconde de Taunay em Florianópolis/SC, para o período de 01/01/99 a 31/12/2000, foi arbitrado com base no artigo 846, § 4 o do Decreto 3000/99 (RIR/99), utilizando o Custo Básico da Construção Civil de Santa Catarina (CUB Médio mensal) calculado pelo SINDUSCON, em virtude da não apresentação de qualquer comprovante de gastos relacionados com a construção" (folha 308). O impugnante alega, contudo, que em momento algum foi intimado da abertura de procedimento de arbitramento específico, conforme determina o artigo 148 do CTN. não admissão como recursos os valores supostamente tomados como empréstimos de José Antunes Sobrinho e Bruno Fontes Ferreira da Silva (documentos folha 29 a 33), por falta de comprovação do efetivo recebimento dos valores informados na DIRPF dos Fl. 854DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.003195/200315 Acórdão n.º 9202003.956 CSRFT2 Fl. 10 3 anoscalendário 1999 e 2000, uma vez que os contratos não foram registrados em cartório e não haver qualquer comprovação da transferência dos recursos. no que tange aos pagamentos do apartamento 203 do Edifício Odete Mayer, o contribuinte alega que foram considerados efetuados nas datas dos vencimentos das promissórias citadas no contrato de folhas 43 a 46. O sinal no valor de R$ 110.000,00, correspondente a 249,17 CUB foi considerado pago em 27 de abril de 1999 e o restante no valor de R4 57.270,67, equivalente a 124,5 CUB foi considerado pago em 30 de setembro de 1999 (folha 308). Explica que, apesar de no contrato de compra e venda do imóvel (folha 43 a 46) na cláusula quinta, alínea a, o valor de sinal ser de R$ 110.000,00 e na alínea b estar especificado o saldo restante de R$ 55.000,00, o contrato foi retificado, conforme assinatura do credor (folha 46). A parcela de financiamento da cláusula quinta passou de R$ 55.000,00 para R$ 45.000,00. Tal alteração, entretanto, foi totalmente desconsiderada pela autoridade lançadora, conforme se verifica no "Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial"(folha 296). a fiscalização considerou para fins de acréscimo patrimonial do contribuinte, em 22 de junho de 1999, a aquisição de embarcação de propriedade de José Carlos da Silva no valor de R$ 14.400,00, conforme documento de folha 42. O contribuinte, entretanto, havia informado na DIRPF do anocalendário 2000 a venda da citada embarcação pelo valor de R$ 13.000,00. O valor da venda, porém, não foi considerado como recurso no Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial, em virtude da autoridade lançadora considerar que o recibo de compra e venda de embarcação (folha 83) não identifica a data da venda. a autoridade lançadora efetuou o arbitramento do custo de construção da casa na Rua Visconde de Taunay, utilizando o CUB médio calculado pelo Sinduscon, em virtude da não apresentação de qualquer comprovante dos gastos com a construção pelo sujeito passivo. Após seu relato da autuação, o contribuinte afirma que a fiscalização arbitrou a obra por acreditar que o custo foi maior que o valor declarado. Discorda, entretanto, que o arbitramento atinja somente os anoscalendário 1999 a 2000, uma vez que o habitese foi solicitado somente no final de 2002 (folhas 163/164 e 285/286), o qual não foi concedido naquela data por faltarem obras a serem realizadas (folha 163), sendo que o habitese somente foi concedido definitivamente em 10 de outubro de 2003 (folhas 285/286). o contribuinte requer que o saldo dos recursos acumulados ao final do ano de 1999, levantados pela própria fiscalização, sirvam de recursos no início do ano de 2000. Neste sentido, cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes (folhas 397416 e 418437). o contribuinte alega que vários foram os recursos que não foram considerados pela fiscalização quando da elaboração das planilhas (folhas 296 e 297): 1) aquisição do Renaul Megane dando como parte do pagamento o veículo Clio; 2) saldos bancários em 31/12/1998 utilizados em 1999 e desconsiderados pela fiscalização; e 3) rendimentos isentos, nãotributados e sujeitos a tributação exclusiva não levados em consideração. a glosa de parte das deduções com despesas médicas é improcedente, uma vez que tais deduções já teriam sido tacitamente homologadas pela fiscalização ocorrida anteriormente. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 por fim, o contribuinte se insurge contra os juros moratórios, estabelecidos no artigo 84 da lei nº 8.981/95, e a aplicação da Taxa Selic por considerálos eivados de ilegalidade e inconstitucionalidade. Ao apreciar o litígio, DRF/SC (fls. 487/524, 471/508, numeração manual), por maioria de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para considerar como recursos na apuração da evolução patrimonial do contribuinte a indenização recebida da Eletrosul (fl. 36), no valor de R$6.927,94 e o rendimento isento auferido do INSS, no valor de R$29,05 (fl. 37), ambos em janeiro/1999, e o rendimento isento auferido do INSS, em janeiro de 2000, no valor de R$41,82 (fl. 38), mantendo a exigência de R$ 100.851,28, a título de Imposto de Renda Pessoa Física, nos anoscalendário de 1999 e 2000, acrescida da multa de ofício de 7 5% e dos juros de mora. Irresignado o Contribuinte impetrou o Recurso Voluntário (fls. 512/555, numeração manual), repisando as questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. Foi realizada diligência, nos termos da Resolução de n" 10202.395 (fls. 560/573, numeração manual). Em análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, fls. 658/676 (fls. 641/650, numeração manual), Acórdão n° 210100.273, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas, e, por maioria de votos, considerou como origem em janeiro de 2000 o saldo apurado pela autoridade fiscal em dezembro de 1999; no restante, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1999 e excluir da base de cálculo do anocalendário de 2000 o montante de R$ 59.791,31. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 687/711 (fls. 661/685, numeração manual), apresentando, para análise, três divergências: (a) efeitos do vício do MPF sobre o lançamento, (b) imprestabilidade do MPF para substituir a autorização para segundo exame fiscal exigida pelo art. 906 do RIR/99 e (c) presunção de veracidade das informações constantes nas DIRPF. No exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 836/842, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento parcial ao Recurso Especial, admitindo à rediscussão somente no que diz respeito à primeira divergência arguida (efeitos do vício do MPF sobre o lançamento). A Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 843/844) ratificou o exame de admissibilidade do Recurso Especial da União feito pela 1ª Câmara. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, fls. 846/851, vieram os autos conclusos. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.003195/200315 Acórdão n.º 9202003.956 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes, relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende em parte aos pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser admitido. Tratase o presente de Auto de Infração de fls. 310 a 316 (numeração manual) e do Termo de Verificação Fiscal às folhas 298 a 309 (numeração manual), em desfavor do contribuinte, no qual se exige a importância de R$ 102.775,95 (cento e dois mil, setecentos e setenta e cinco reais e noventa e cinco centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2000 e 2001, anoscalendário 1999 e 2000, acrescido de multa de ofício de 7 5% e juros de mora. A autuação é decorrente da apuração da omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e/ou comprovados, conforme Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial, às folhas 296 e 297; além da glosa de parte das deduções com despesas médicas do anocalendário 2000, pleiteadas indevidamente. Na decisão recorrida, rejeitouse as preliminares suscitadas e considerouse como origem em janeiro de 2000 o saldo apurado pela autoridade fiscal em dezembro de 1999; no restante, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1999 e excluir da base de cálculo do anocalendário de 2000 o montante de R$ 59.791,31. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte, na parte em que foi admitido, versa sobre efeitos do vício do MPF sobre o lançamento. Assim, tomando como base a admissibilidade do recurso insta observar que este foi aceito tão somente quanto as alegações de nulidade do lançamento por vício do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Tais nulidades foram apresentadas pelo contribuinte em duas abordagens distintas: a) MPF viciado em função da inobservância do parágrafo único do art. 16 da Portaria SRF n° 3.007/2003 b) Procedimento fiscal viciado em virtude da inexistência da autorização para reexame de exercício fiscal Os quais eu passo a abordar na sequência. De fato assiste razão a alegação da Fazenda Nacional de que o posicionamento da doutrina e da jurisprudência, inclusive no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, é pacífico no tocante a natureza do mandado de procedimento fiscal (MPF), de que este consiste em mero procedimento e não em processo propriamente dito. Isso significa dizer que ele é instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias, e não havendo flagrante Fl. 857DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 irregularidade capaz de trazer prejuízo ao contribuinte não há que se falar em nulidade do lançamento. No caso dos autos observo que o agente era competente e que o contribuinte pode exercer amplamente seu direito de defesa, o que foi pormenorizadamente analisado, inclusive, pelo acórdão recorrido. Quanto ao alegado (a) vício do MPF em função da inobservância do parágrafo único do art. 16 da Portaria SRF n° 3.007/2003. O relator do acórdão que se busca a reforma, Ilustre Conselheiro JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, expôs de forma clara e inequívoca sua razão de decidir, nos seguintes termos: "Inicialmente, o recorrente repisa arguição de nulidade do lançamento tendo em vista que o MPF n° 09.2.01.002002005831, à folha 13, venceu em 09 de dezembro de 2002 sem qualquer prorrogação, nos termos previstos no artigo 15 da Portaria n" 3007, de 2003. Nesta circunstância o decurso do prazo acarreta a extinção do MPF e, conseqüentemente, a impossibilidade de dar prosseguimento à fiscalização. Assim, relata que foi emitido um novo MPF sob n° 09.2.01.002003003832, à folha 1, para que as AFRF's Rosângela Aparecida Lino do Nascimento Pires e Kátia Hayashi dessem continuidade à análise da declaração do contribuinte, descumprindose o artigo 16 da Portaria 3.007/2001 que prevê a impossibilidade de indicar o mesmo AFRF para dar continuidade à fiscalização cujo MPF tenha vencido. Sem razão o recorrente. O entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp n° 182.364 (DJU de 26.6.00, p. 207), é que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. Eventual irregularidade no curso do procedimento administrativo disciplinar, e porque não dizer tributário, sem a prova de influência no indiciamento do servidor público, e porque não dizer na acusação fiscal indicada no lançamento, não tem relevância jurídica. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O parágrafo único do artigo 142 do CTN ainda acrescenta: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Considerando que o funcionário encontravase no exercício de suas funções de acordo com a lei, que lhe outorgou competência para as atividades de fiscalização e lançamento, sob pena de responsabilidade funcional (Decretolei n° 2225/85 e artigo 142 do CTN), e que Portaria da SRF não tem o condão de Fl. 858DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.003195/200315 Acórdão n.º 9202003.956 CSRFT2 Fl. 12 7 alterar a competência do fiscal, por sua posição hierárquia de norma complementar e em face da reserva legal sobre a matéria, rejeito a preliminar suscitada. Eventuais falhas, portanto, decorrente do MPF poderá caracterizar uma irregularidade administrativa, a ensejar apuração de falha funcional do autuante, mas jamais irá macular de nulidade o lançamento, regido estritamente por norma jurídica de base legislativa. Neste sentido, filiome ao entendimento majoritário expressado em diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes que nem mesmo a falta do MPF inicial acarreta a nulidade do procedimento, mas tãosomente uma irregularidade administrativa. Com efeito, não cabe qualquer anulação dos atos praticados pelo Auditor Fiscal. Sem razão o contribuinte quando requer a nulidade do Auto de infração, vez que este foi lavrado por servidor competente, em obediência aos preceitos legais que regem o ato administrativo em questão." Ainda, em relação a alegada nulidade (b) pela inexistência da autorização para reexame de exercício fiscal, o acórdão recorrido também foi cauteloso na análise, observe se: "No caso em exame, a autoridade fiscalizadora emitiu o MPFDiligência, em 10 de outubro de 2002, com o objetivo de "verificar autenticidade das deduções na DIRPF no anocalendário 1999, com código de pagamento 3 e 4 (despesas médicas com clínicas, laboratórios e etc)" (v. folha 13), atendendo ao disposto no artigo 3 o da IN SRF n° 94/97 c/c o parágrafo único do artigo 11 da Portaria SRF n° 3.007/2001. Posteriormente, em 5 de maio de 2003., a autoridade a quo, verificando a necessidade da abertura do procedimento de fiscalização, agora não mais a simples verificação de deduções pleiteadas na declaração (procedimento de malha fiscal) mas a fiscalização de tudo o que se relaciona ao imposto de renda do contribuinte nos anoscalendário 1999 c 2000, emitiu os MPFFiscalização (folhas 1 e 2). Em se tratando de revisão de malha fiscal, não há que se falar em segundo exame em relação ao anocalendário de 1999. Assim, não há que se falar em homologação tácita das despesas médicas pleiteadas ou de saldos bancários. Nesse sentido, é conclusiva a Jurisprudência Administrativa, como se constata na ementa do Acórdão n° 10319.988, sessão de 11 de maio de 1999, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Preliminar de Nulidade Normas Processuais A lavratura de auto de infração para exigência do IRPJ relativo a um exercício no qual o contribuinte já havia sido notificado, em virtude de revisão eletrônica da declaração do imposto (malha), não se configura segundo exame em relação Fl. 859DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 ao mesmo exercício, sendo, portanto, dispensável a autorização de que trata o artigo 642 do RIR/80, Para afastar qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento fiscal, cabe dizer que a determinação contida no § 2 o do artigo 642 do RIR/1980, citado na ementa acima, foi reproduzida fielmente no artigo 906 do RIR/99, que assim dispõe: Art. 906 Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Leis n°s 2.354/54, art. 7o, § 2o, e 3.470/58, art. 34). Por outro lado, verificase que o Delegado da Receita Federal é a autoridade competente tanto para expedir o Mandado de Procedimento Fiscal como para autorizar um segundo reexame em relação ao mesmo exercício. Como o MPF à fl. 01 foi regularmente emitido pelo Delegado da DRF Florianópolis inexiste qualquer óbice ao lançamento relativo ao anocalendário de 1999" Conforme citado acima, as normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento, tal entendimento tem sido majoritário neste conselho, vejamos decisão recente datada de 16 de fevereiro de 2016, da lavra do Conselheiro Eduardo de Oliveira: Processo nº 37216.000666/200646 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.168 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 01/11/2004 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO 11%. MPF. PRORROGAÇÃO APÓS O VENCIMENTO DO MPF PRECEDENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRE NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE MPF COMPLEMENTAR NOTIFICADO AO CONTRIBUINTE APÓS O ENCERRAMENTO DO PRAZO DE VALIDADE DO ANTERIOR. O MPF É MERO INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DA ATIVIDADE FISCAL E NADA MAIS. A COMPETÊNCIA DO FISCO É INSTITUÍDA POR LEI. A RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO É RESPONSABILIDADE DO TOMADOR DO SERVIÇOS, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL, SENDO INAPLICÁVEL AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AS DETERMINAÇÕES LEGAIS DO IRRF PESSOA FÍSICA. O FISCO DEMONSTROU E COMPROVOU A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES E A INEXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO. A RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO FISCAL DISCUTIDO ADMINISTRATIVO É UMA DAS VIRTUDES DO PAF, QUE VISA JUSTAMENTE GARANTIR A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ANTE ALGUM POSSÍVEL EQUIVOCO. Recurso Voluntário Negado. Sendo assim no tocante aos dois vícios alegados no MPF, os quais teriam o condão de tornar nulo o lançamento do crédito, não assiste razão ao contribuinte. As demais matérias não foram admitidas para análise. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.003195/200315 Acórdão n.º 9202003.956 CSRFT2 Fl. 13 9 Diante do exposto, conheço do recurso especial do recorrente e no mérito negolhe provimento. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 861DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10715.721961/2011-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 26/01/2009 a 29/10/2009
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 26/01/2009 a 29/10/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 26/01/2009 a 29/10/2009 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 26/01/2009 a 29/10/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/01/2009 a 29/10/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 19 61 /2 01 1- 10 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 353 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.955, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 354 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 355 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 356 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 357 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 358 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 359 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721961/201110 Acórdão n.º 9303003.795 CSRFT3 Fl. 360 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 360DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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