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6297619 #
Numero do processo: 10480.722273/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e negar provimento ao recurso.   Assinado digitalmente   MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA ­ Presidente e Relator    Composição  do  Colegiado:  participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  MARCO  AURÉLIO  DE  OLIVEIRA  BARBOSA  (Presidente),  JUNIA  ROBERTA  GOUVEIA  SAMPAIO,  PAULO  MAURÍCIO  PINHEIRO  MONTEIRO,  EDUARDO  DE  OLIVEIRA,  JOSÉ  ALFREDO  DUARTE  FILHO  (Suplente  convocado),  MARTIN  DA  SILVA  GESTO,  WILSON  ANTÔNIO  DE  SOUZA  CORRÊA  (Suplente  convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.    Relatório  Reproduzo  o  relatório  do  Acórdão  nº  11­34.175,  da  Sexta  Turma  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento em Recife  (PE),  que bem sintetiza os  fatos ocorridos até a decisão de primeira instância.  Da Autuação  Em desfavor da contribuinte, acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração, de  fls. 04 a 08, relativamente ao ano­calendário 2004, para exigência do  Imposto de  Renda  Pessoa  Física  no  valor  de  R$  122.080,19,  juros  de  mora  no  valor  de  R$  69.146,21  e multa  no  valor  de R$  137.340,21,  sendo  o  total  do  crédito  tributário  lançado no valor de R$ 328.566,61, conforme se especificado à fl. 03.  Conforme informado pela fiscalização, na Descrição dos Fatos, às fl. 06/08, o Auto  de  Infração  foi  lavrado  em  função  da  constatação  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada.  Na  realidade,  o  procedimento  fiscal  foi  iniciado,  diante  da  constatação  de  movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados.   A Contribuinte  foi  intimada  para  apresentar  comprovação  da  origem  dos  valores  creditados  em  suas  contas  correntes,  relativamente  ao  período  2004.  Solicitou­se  que a contribuinte especificasse, mediante documentação hábil e idônea, a natureza  da atividade profissional que ensejou os depósitos efetuados nas contas bancárias.  Remeteu­se RMF – Requisição  de  Informações  sobre  a Movimentação Financeira  ao Banco do Brasil e ao Bradesco, com o fito de se conseguir os extratos bancários  do  contribuinte,  tendo  as  instituições  financeiras  apresentado  os  extratos  solicitados, de 2004.  Como  a  Interessada,  intimada,  não  apresentou  quaisquer  documentos  comprobatórios,  que  viessem  a  justificar  a  origem  dos  valores  depositados,  foi  lavrado o presente AI, com base na documentação disponibilizada pelos bancos. A  Autoridade Fiscal anexou aos autos planilha especificando, mês a mês, os valores  tributáveis (rendimentos omitidos).  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/2009­53  Acórdão n.º 2202­003.183  S2­C2T2  Fl. 236          3 Da Impugnação  Cientificada  do  Auto  de  Infração,  em  28/10/2009,  a  Contribuinte  apresentou  a  impugnação,  de  fl.  159/181,  em  26/11/2009,  distribuindo  suas  alegações  em  três  fases  distintas:  procedimentos  formais,  tributação  sobre  depósitos  de  origem  não  comprovada e inconstitucionalidade da multa aplicada.  Com maior especificidade, argumentou:  1. ser ilegal a RMF – Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira  emitida.  A  RMF,  emitida  em  05/2009,  de  n.°  04.1.01.00­2009­00029­1,  seria  desnecessária,  uma  vez  que  a  RFB  já  dispunha  de  seus  dados  bancários,  por  de  meio  de  RMF  anterior,  de  09/2008.  Acredita  que  a  única  justificativa  condizente  seria o fato de a Auditora ter reconhecido algum vício praticado na RMF anterior e  tentou sanar o  insanável, ou seja, ela resolveu quebrar novamente o sigilo para o  qual já tinha sido quebrado. Questiona o motivo pelo qual o relatório da solicitação  de  RMF  (primeira)  não  foi  anexado  ao  processo.  Caberia  à  fiscal  justificar  as  razões  que  caberiam  ao  caso  concreto.  O  relatório  deveria  ser  o  meio  para  a  motivação da solicitação da RMF;  2. salienta ser o princípio da motivação como essencial ao processo administrativo.  No  regime processual da Lei n.° 9.784/1999, determinou­se que  "a administração  tem o dever de expressamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre  solicitações e reclamações, em matéria de sua competência". Da mesma forma, os  atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente,  podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  anteriores  e  com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram. Transcreve a  legislação  e  doutrina  pertinentes,  afirmando  que  o  vício  de  um  ato  anterior  contamina o posterior;  3. questiona a nova solicitação de RMF, pois, se a fiscalização já dispunha de seus  dados bancários  referentes aos anos de 2003 e 2004, não haveria necessidade de  solicitar novamente uma  informação de que  já dispunha. Poderia,  então,  ser pelo  fato  de  que  inicialmente  os  seus  dados  terem  sido  obtidos  de  uma  forma  ilegal  e  para remendar o erro cometido. Citando e transcrevendo a legislação sobre o tema,  afirma  não  se  enquadrar  nas  hipóteses  previstas  no  inciso  XI,  do  Decreto  3.724/2001;  4.  questiona  o  fato  de  a Fiscalização  ter  emitido  relatório  da  segunda RMF,  sem  deixar  claro que existia uma RMF anterior. Como a nova RMF seria  emitida por  Autoridade Administrativa (Delegado) diverso, acredita que a nova Autoridade não  assinaria  a  nova  RMF,  ante  a  existência  de  informações  já  repassadas  pelas  instituições financeiras à RFB;  5. existência de afronta a um dos Princípios aplicáveis ao Processo Administrativo  Fiscal  Federal,  ou  seja,  o  Princípio  da  Proibição  de  Prova  Ilícita  e  ilegítima.  Colaciona  textos  doutrinários  sobre  o  tema,  assim  como  cita  decisão  judicial.  Também  apresenta  excertos  da  jurisprudência  administrativa  e  transcreve  dispositivos  constitucionais.  Cita  decisão  judicial  (STJ)  que  considerou  ilegal  a  apreensão de livros e documentos pela fiscalização, no escritório do contribuinte;  6.  o  ordenamento  jurídico,  ao  vedar  a  produção  de  provas  ilícitas,  preocupou­se  verdadeiramente com os direitos fundamentais da pessoa humana, declarados como  tais no texto constitucional vigente. Qualquer desrespeito à questão é uma afronta à  dignidade  da  pessoa  humana,  fundamento  primordial  da República Federativa do  Brasil e alicerce de nossa ordem político­jurídica;  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA     4 7. verifica­se a quebra ilegal do seu sigilo fiscal, por meio da RMF ilegal. Tal fato  não  merece  prosperar,  devendo  ser  anulado  respeitando  assim  as  disposições  legais. Traz doutrina, a respeito;  8.  insurge­se  contra  a  tributação  sobre  os  depósitos  bancários  efetuados  em  sua  conta.  Tal  fato  não  merece  prosperar,  tendo  em  vista  que  não  ocorreu  a  disponibilidade  econômica  sobre  tais depósitos. Não cabe  cogitar­se da aquisição  de  disponibilidade  jurídica  ou  econômica,  de  renda  ou  de  proventos  de  qualquer  natureza,  pela  simples  constatação  da  realização  de  depósito  em  conta  bancária.  Ausente de substrato legal, de há muito vêm sendo anulado pelo Poder Judiciário,  procedimentos  que  se  baseiam  única  e  exclusivamente  em  extratos  bancários.  Transcreve  dispositivos  legais  e  excertos  da  jurisprudência,  além  de  material  doutrinário. Em nenhum momento, a Fiscal Autuante demonstrou que os depósitos  acarretaram  acréscimo  de  bens  ou  direitos.  No  que  se  refere  aos  depósitos  bancários,  frisa­se  que  os  mesmos  foram  repassados  pelo  seu  pai,  que  já  teve  a  tributação junto às fontes pagadoras;  9. para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que  seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, não  bastando a simples presunção. Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento  da  Lei  n°  9.430/96,  não  se  constitui,  por  si  só,  fato  gerador  da  aquisição  da  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  renda  ou  de  proventos  de  qualquer  natureza, pois  é necessária a prova cabal e  robusta de que ele  foi  utilizado como  renda consumida;  10.  citando  a  doutrina  e  colacionando  entendimentos  jurisprudenciais,  insurge­se  contra  a  aplicação  da  multa  de  75%,  por  ser  inconstitucional,  tendo  efeito  confiscatório, afrontando o disposto no art. 150, da CF/88.  Por fim, requer que seja declarada a nulidade do Auto de Infração ora questionado,  pelos vícios processuais e meritórios trazidos nesta impugnação.  É o relatório.  A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Recife (PE) ­ DRJ/REC ­ julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.  A constatação de valores creditados em conta de depósito ou de investimento  mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações, caracteriza omissão de rendimentos.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA  DE  MULTA  DE  OFÍCIO.  LEGALIDADE.  É cabível,  por disposição  literal de  lei,  a  incidência de multa de ofício,  no  percentual de 75%, sobre o valor do  imposto apurado em procedimento de  ofício,  que  deverá  ser  exigida  juntamente  com  o  imposto  não  pago  espontaneamente pelo contribuinte.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/2009­53  Acórdão n.º 2202­003.183  S2­C2T2  Fl. 237          5 Exercício: 2005  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.  As decisões administrativas e as  judiciais, não proferidas pelo STF sobre a  inconstitucionalidade  das  normas  legais,  não  se  constituem  em  normas  gerais,  razão  pela  qual  seus  julgados  não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2005  ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.  A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação  ao  confisco,  demandaria  o  exame  da  constitucionalidade  de  dispositivos  legais em vigor, procedimento vedado a este órgão.  PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA.  As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão­ somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas  presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos  não ocorreram na forma como presumidos pela lei.   NÃO CONFISCO.  Respeitado  está  o  princípio  constitucional  do  não  confisco,  em  matéria  tributária,  quando  a multa  lavrada  está  lastreada  em Lei,  que  se  encontra  vigente  e  eficaz  até  que  seja  revogada  ou  tenha  sua  inconstitucionalidade  declarada pelo órgão que detém o poder para tal.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Cientificada  da  decisão  em  30/04/2012  (fl.  209),  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  em  21/05/2012  (fls.  210  a  231),  no  qual  repisa  os  argumentos  da  impugnação.  É o relatório.   Voto             Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  Trata­se  de  Auto  de  Infração  que  imputou  ao  contribuinte  a  infração  de  omissão de  rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada,  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA     6 cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  que  estabeleceu  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos,  determinando  que  estão  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  pessoa  física,  regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.  A  Recorrente  alega  preliminarmente  ser  ilegal  a  RMF  ­  Requisição  de  Informações  sobre  a  Movimentação  Financeira  ­  n.°  04.1.01.00­2009­00029­1  emitida  em  05/2009, uma vez que a RFB já dispunha de seus dados bancários, por meio de RMF anterior,  de 09/2008. Aponta a existência de afronta ao princípios aplicáveis ao processo administrativo  fiscal.  A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu  artigo 6º:  Art.  6º  As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e  registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela  autoridade administrativa competente.  Em  havendo  procedimento  fiscal  em  curso,  é  lícito  às  autoridades  fiscais  requisitar  das  instituições  financeiras  informações  relativas  a  contas  de  depósitos  e  de  aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis.  Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados  bancários do contribuinte sob ação fiscal.  Não há qualquer óbice legal em se requisitar informações financeiras de um  contribuinte,  quando  estiverem  preenchidos  os  requisitos  legais,  independentemente  de  ter  ocorrido  uma  outra  ação  fiscal  em  momento  anterior.  Trata­se  de  procedimentos  fiscais  distintos, relativos a exercícios financeiros distintos.   A  alegada  ausência  de  relatório  na  emissão  de  Requisição  de  Informações  sobre Movimentação Financeira (RMF) em procedimento fiscal anterior não tem o condão de  invalidar a regular emissão de RMF em uma nova ação fiscal.  Ressalte­se  que  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  seus  extratos  bancários. Como  não  os  apresentou,  a  autoridade  fiscal  emitiu  a Requisição  de  Informações  sobre Movimentação Financeira (RMF), dentro dos ditames legais.  Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas  mediante a transferência de sigilo bancário das instituições financeiras para a Receita Federal  do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme  abaixo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2007  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO.  PREVISÃO  NA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  105/2001.  A  Lei  Complementar  nº  105/2001  permite  a  quebra  do  sigilo  por  parte  das  autoridades  e  dos  agentes  fiscais  tributários  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos Municípios,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/2009­53  Acórdão n.º 2202­003.183  S2­C2T2  Fl. 238          7 procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela  autoridade administrativa competente.  [...]  (Acórdão  nº  2202­002.629,  data  de  publicação:  03/06/2014,  relator  Rafael  Pandolfo, redator designado Antonio Lopo Martinez).  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004  [...]  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA.  POSSIBILIDADE.  Havendo  procedimento  fiscal  em  curso,  os  agentes  fiscais  tributários  poderão  requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de  depósitos  e  de  investimentos  do  contribuinte  sob  fiscalização,  sempre  que  essa  providência  seja  considerada  indispensável  por  autoridade  administrativa  competente.  [...]  (Acórdão  nº  2102­002.96,  data  de  publicação:  28/05/2014,  relatora  Núbia  Matos Moura).  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2005  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA.  REQUISIÇÃO  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS. HIPÓTESE.  As  informações,  referentes  à  movimentação  bancária  do  contribuinte,  podem  ser  obtidas pelo Fisco junto às  instituições financeiras, no âmbito de procedimento de  fiscalização  em  curso,  quando  ocorrer,  dentre  outros,  o  não  fornecimento,  pelo  sujeito  passivo,  de  informações  sobre  bens, movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade,  próprios  ou  de  terceiros,  quando  regularmente  intimado.  (Acórdão  nº  2201­002.291, data de publicação: 13/02/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia ).  A  Recorrente  também  se  insurge  contra  a  tributação  sobre  os  depósitos  bancários  efetuados  em  sua  conta,  argumentando  que  o  lançamento  não  merece  prosperar,  tendo em vista que não ocorreu a disponibilidade econômica sobre tais depósitos. Afirma que  não  cabe  cogitar  da  aquisição  de  disponibilidade  jurídica  ou  econômica,  de  renda  ou  de  proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta  bancária.  Não lhe assiste razão, pois a exigência fiscal em exame decorre de expressa  previsão  legal,  pela  qual  existe  uma  presunção  em  favor  do  Fisco,  que  fica  dispensado  de  provar  o  fato  que  originou  a  omissão  de  rendimentos,  cabendo  ao  contribuinte  elidir  a  imputação, comprovando a origem dos recursos.  Conforme  previsão  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96,  é  necessário  comprovar  individualizadamente  a  origem  dos  recursos,  identificando­os  como  decorrentes  de  renda  já  oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Trata­se, portanto, de ônus  exclusivo  do  contribuinte,  a  quem  cabe  comprovar,  de  maneira  inequívoca,  a  origem  dos  valores  que  transitaram  por  sua  conta  bancária,  não  sendo  bastante  alegações  e  indícios  de  prova.  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA     8 Art.  42. Caracterizam­se  também omissão  de  receita  ou  de  rendimento os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em relação aos quais o  titular,  pessoa  física ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.  § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou  recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.  §  2°  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos, submeter­se­ão às normas de tributação específicas previstas na legislação  vigente à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados  individualizadamente, observado que não serão considerados:  1  ­  os  decorrentes  de  transferências de  outras  contas  da  própria  pessoa  física  ou  jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor  individual  igual  ou  inferior  a  R$12.000,00  (doze  mil  Reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$80.000,00  (oitenta mil Reais).  § 4° Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês  em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em  que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.  Quanto à alegação da Recorrente de que os depósitos bancários, por si só, não  representam rendimentos, pois a Fiscalização não demonstrou acréscimo de bens ou direitos,  não há dúvida de que essa  tese  já está  superada. Essa argumentação não se  sustenta desde a  vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o  ônus  de  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários,  sob  pena  de  se  presumir  que  são  rendimentos omitidos.  A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda,  a  demonstrar  sinais  exteriores  de  riqueza  ou  acréscimo  patrimonial  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados,  como  ocorria  sob  a  égide  do  revogado  §  5º  do  art.  6º  da  Lei  nº  8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº  26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada”.  Desse  modo,  deve  ser  mantida  a  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  com  origem  não  identificada,  pois  a  Recorrente  não  logrou  comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos  omitidos no Auto de Infração.  Da multa de ofício aplicada  A Recorrente  também se  insurge contra a aplicação da multa de ofício, por  ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo  150, inciso IV, da Constituição Federal.  A multa de ofício  foi aplicada com base no disposto no art. 44,  inciso  I, da  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido:  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/2009­53  Acórdão n.º 2202­003.183  S2­C2T2  Fl. 239          9 Art.  44. Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas:  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007).  A alegação da Recorrente de ofensa  aos princípios  constitucionais não  será  apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não  deve  ser  abordada  na  esfera  administrativa,  conforme  se  infere  da  Súmula  CARF  nº  2,  publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  REJEITAR  as  preliminares  e,  no  mérito, NEGAR provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA ­ Relator.                                Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 16327.720362/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 01/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 Concomitância não evidenciada nos autos. Não há coincidência de causa de pedir (motivos). Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3101-001.826
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a concomitância, com retorno dos autos à DRJ para nova decisão. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adolpho Bergamini.
Nome do relator: José Henrique Mauri redator ad hoc

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Não há coincidência de causa de pedir (motivos). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a concomitância, com retorno dos autos à DRJ para nova decisão. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adolpho Bergamini. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Valdete Aparecida Marinheiro - Relatora José Henrique Mauri - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini, Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 465 2 Relatório Trata-se de autos de infração lavrados contra a contribuinte, entidade seguradora, para a constituição de crédito tributário relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos respectivos valores de R$ 55.629.748,75 (fl. 211) e R$ 9.617.846,17 (fl. 232), já acrescidos de juros de mora calculados até 28/02/2011 e multa de ofício de 75%, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2006, 2007 e 2008. Nos “Termos de Verificação Fiscal” relativos à Cofins, de fls. 196/199, e da Contribuição para o PIS, de fls. 216/219, a autoridade fiscal relata, em síntese, que em razão do julgamento pelo E. Supremo Tribunal Federal do RE 459210 (autos do MS n° 004279824.1999.403.6100, antigo n° 1999.61.00.0427983), a fiscalizada obteve provimento para não se sujeitar à aplicação do §1°, do artigo 3o, da Lei n° 9.718/98, restando preservada no caput do citado artigo, a definição de faturamento como sendo a receita bruta da pessoas jurídica, assim entendido como o resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, no contexto das atividades empresariais típicas exercidas pelo contribuinte. Baseando-se na decisão judicial e no Parecer PGFN/CAT n° 2.773/2007, o autuante entendeu que as receitas de seguros e financeiras integram a base de cálculo do PIS e da Cofins, em razão de se tratarem de rendas decorrentes de atividades de empresa seguradora e, como tais, classificáveis como receitas operacionais. Concluiu a autoridade administrativa que a Impugnante dispõe de provimento mandamental permissivo para a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS, tão-somente, das receitas não operacionais, não tendo sido contemplada pelo referido provimento a dedução de quaisquer outras receitas operacionais. Diante disso, lavrou o auto de infração ora impugnado, apurando as bases de cálculo e valores devidos a titulo de PIS e de COFINS em conformidade com as obrigações tributárias previstas no artigo 2o da Lei n° 9.718/98, bem como no Decreto n° 4.524/2002. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº.. 1632.718 de fl. 337 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006,31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA Fl. 465DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 466 3 A propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda, importa em renúncia ao poder de recorrer às instâncias administrativas quanto à matéria coincidente. LANÇAMENTO. INFORMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ERRO MATERIAL. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA. A alegação de erro material em informações prestadas pelo contribuinte que deram causa ao lançamento deve ser demonstrada com elementos documentais do equívoco cometido, sendo insuficiente a mera indicação, do valor que entende correto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho de Recursos Fiscais através de procurador, onde alega, em suma: I – Da Base de cálculo do PIS e da COFINS – Entendendo que a matéria ainda pendente de discussão judicial restringe-se ao destino dos depósitos judiciais efetuados nos autos do MS nº. 1999.61.00.0427983 à título de prêmios, ou seja, a Recorrente insurge-se contra à pretensão da União para que os depósitos judiciais sejam convertidos em renda integralmente sem levar em conta os efeitos da anistia veiculada pela Lei nº. 11.941/09, conforme certidão de objeto e pé inclusa (doc7). Também, entende equivocado o entendimento adotado pelas orientações contidas no Parecer PGFN/CAT nº. 2.773/2007 no sentido de que devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras. II – Das exclusões – de sinistros pagos em setembro de 2007 e Provisão Complementar de Prêmios de dezembro de 2007; III – Do Pedido – requer a reforma da decisão recorrida para o cancelamento do AI em questão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo. Conforme o relatado, verifica-se a existência de uma ação judicial iniciada pela Recorrente para discutir a abrangência da base de cálculo do PIS/COFINS, com relação as suas receitas operacionais e não operacionais, dentre elas as receitas financeiras e as de prêmio de seguros. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 467 4 Observa-se que quanto as receitas de prêmio de seguros, a Recorrente desistiu da discussão e ainda existe a pendência quanto a conversão dos depósitos em renda da União observando os benefícios de um parcelamento anistiado. Assim, quanto à existência de concomitância apurado pela decisão recorrida, não encontro reparos e para tanto, vou repetir trechos do voto condutor da decisão recorrida, que entendo esclarecedor e merece ser destacado, ou seja: A presente ação de fiscalização iniciou-se com o termo de fl. 13, em que a contribuinte foi intimada, em 1º/02/2011, a apresentar: cópias do razão do subgrupo 361 – receitas financeiras; demonstrativos das bases de cálculos do PIS e da Cofins do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008; valores dessas contribuições declaradas em DCTFs, balancetes mensais desse período e,em relação ao Mandadeo de Segurança nº 1999.61.00.0427983, todas as peças necessárias à compreensão da situação processual, inclusive o agravo nº. 2010.03.00.0160043; pedido de desistência da ação mandamental, se houver, em razão de adesão à anistia ou parcelamento da Lei nº. 11.941/2009, informando se tal pedido foi homologado por sentença. Em resposta à intimação feita em 1º/02/2011, a contribuinte informou que requerera, em 09/11/2009, a conversão parcial dos depósitos judiciais com os benefícios da anistia fiscal trazida pela Lei nº. 11.941/2009 até o montante necessário à integra da extinção da obrigação tributária da contribuição para o Pis e da Cofins incidentes sobre as receitas de prêmios, conforme manifestação de fls. 15/16. Dentre as peças judiciais acostadas aos autos e das informações do autuante, verifica-se que a contribuinte é entidade seguradora e impetrou o Mandado de Segurança nº. 1999.61.00.0427983 (004279824.1999.4.03.6100) contra o titular da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, com a finalidade de afastar as exigências contidas nos artigos 2º, 3º e 8º e seus parágrafos da Lei nº. 9718/98 e, assim, autorizá-la a recolher a contribuição para o PIS com a base de cálculo consoante o disposto na Lei Complementar nº. 07/70 e, no tocante à Cofins, de acordo com as disposições contidas na Lei Complementar nº. 70/91. Pediu, ainda, autorização para compensar os valores recolhidos indevidamente a partir de janeiro de 1999 com as prestações vincendas da Contribuição Social sobre o Lucro. Vitoriosa em primeira instância, a sentença favorável à impetrante foi reformada pelo Colendo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, motivando a contribuinte a interpor Recurso Especial e Extraordinário da decisão colegiada, tendo efetuado depósitos integrais dos valores em discussão e, mediante a Medida Cautelar Inominada nº. 2004.03.00.0003004, obteve medida liminar para “suspender a exigibilidade dos valores que deixaram de ser recolhidos por força da liminar e sentença concessiva da segurança, relativos às diferenças decorrentes da aplicação parcial do disposto no art. 3º da Lei nº. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 468 5 9.718/98, ou seja,somente no que tange à ampliação da base de cálculo do PIS e COFINS, até que seja proferido o juízo de admissibilidade do recurso excepcional interposto pela requerente”. O Egrégio Supremo Tribunal Federal deu provimento parcial ao Recurso Extraordinário nº. 459.210 (autos do MS n° 004279824.1999.403.6100, antigo n° 1999.61.00.0427983),em ordem a afastar, considerada a base de cálculo do PIS e da Cofins, a aplicação do §1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, transitando em julgado o acórdão em 13/03/2006 que, por sua vez, determinou a sorte do Especial nº. 710.036SP, cujo seguimento foi negado pela relatora e confirmado pela Colenda Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça. O autuante efetuou o lançamento da diferença entre os valores dos débitos declarados em Dctf’s a título de contribuição para o PIS e Cofins e aqueles que, de acordo com o julgamento do Supremo Tribunal Federal e o Parecer PGFN/CAT n° 2.773/20 07, entendeu serem devidos. Sucede que um dos pontos controvertidos da presente discussão administrativa também está sendo discutida na fase executiva da ação mandamental, uma vez que a impetrante insurgiu-se com a pretensão da União para que os depósitos judiciais fossem convertidos em renda integralmente, sem levar em consideração os efeitos da anistia veiculada pela Lei nº. 11.941/2009 e a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras, de acordo com as orientações do Parecer PGFN/CAT n° 2.773/2007, consoante indicam as petições e decisões judiciais acostados aos autos de fls. 40/95, 138/193 e 326/336. Tendo em vista o princípio constitucional da unidade de Jurisdição, em relação à possibilidade ou não de incluir as receitas financeiras na base de cálculo das presentes exações, a Receita Federal deverá observar a decisão final do Poder Judiciário a ser proferida no âmbito da fase de execução da ação mandamental. Assim, de acordo com o Ato Declaratório Normativo nº. 3, de 14/02/1996 (DOU de 15/02/1996) da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, o recurso interposto em relação a esta matéria deve ser considerado como desistido pelo contribuinte e o respectivo lançamento, definitivamente constituído na esfera administrativa..” Assim, por tais razões acima exposta, não conheço do recurso voluntário nessa parte por reconhecer, também, a concomitância, com base na Súmula do CARF nº. 01 que dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 468DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 469 6 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto as exclusões, ou seja dos sinistros pagos em setembro de 2007 e Provisão Complementar de Prêmios de dezembro de 2007, primeiro, trata-se de erro ou equívoco da Recorrente nas informações por ela inicialmente apresentadas, segundo que o que se Recorre nessa instância administrativa é da decisão recorrida e nesse ponto a decisão recorrida, também, não merece reparos, pois, o que foi apresentado na oportunidade do julgamento da primeira instância administrativa não foi convincente ou foi insuficiente para concluir que a Recorrente tinha errado ou se equivocado em suas informações apresentadas ao fisco. Isto posto, não conheço do Recurso na parte cuja discussão está no poder judiciário e na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO para manter a decisão recorrida. Esse é meu voto. Valdete Aparecida Marinheiro Voto Vencedor Conselheiro José Henrique Mauri, Redator ad hoc Preliminarmente ressalto que o Conselheiro, Adolpho Bergamini, designado para redigir o voto vencedor renunciou ao cargo, fato que inviabiliza sua assinatura no e- processo. Assim sendo, fui designado para redigir o voto vencedor. Contudo, o ex-conselheiro foi diligente e deixou a minuta pronta, apenas não poderá assinar eletronicamente, pois lhe falta o certificado digital. Assim, adoto, na íntegra, o voto do referido Conselheiro, conforme a seguir: Relativamente à concomitância confirmada pela DRJ, tenho as seguintes considerações a fazer. Conforme é sabido, a legislação federal não permite ao contribuinte discutir determinada matéria no Poder Judiciário e também na esfera administrativa, concomitantemente. Há uma razão lógica para isso: o provimento jurisdicional poderá influenciar o resultado do litígio administrativo, positiva ou negativamente. De fato, se o contribuinte se sair vencedor da disputa judicial, então o processo administrativo será naturalmente arquivado; entretanto, se sair vencido, a exigência fiscal restará automaticamente devida. Logo, para saber se há, ou não, concomitância entre o processo judicial e administrativo, é especialmente relevante verificar se o provimento jurisdicional poderá de algum modo modificar o conteúdo normativo da decisão que vier a ser dada na esfera administrativa. No presente caso, entendo que não há tal possibilidade. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 470 7 Conforme se verifica do dispositivo da r. decisão a quo, a impugnação da ora Recorrente não foi conhecida “em relação à exclusão das receitas financeiras da contribuinte da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, questão a ser decidida pelo Poder Judiciário na fase executiva do Mandado de Segurança nº. 1999.61.00.0427983 (004279824.1999.4.03.6100) [...]”. Ocorre que, ao que se vê da fundamentação da aludida decisão, sua motivação à declaração de concomitância foi outra. Está dito no primeiro parágrafo de fl. 341 que a Recorrente, em resposta a uma intimação, informou que requer a conversão parcial de depósitos judiciais com os benefícios da anistia fiscal trazida pela Lei nº. 11.941/09 até o montante necessário à integral extinção da obrigação tributária de PIS e COFINS sobre as receitas de prêmios. Os parágrafos seguintes apenas informam o trâmite processual da ação judicial e, no quinto parágrafo, fora relatado que a Recorrente se saiu vitoriosa na declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98. E em sequência, o julgador a quo retoma as alegações de conversão do depósito em renda para, a partir daí, consignar haver concomitância. Fá-lo ao sustentar que “sucede que um dos pontos controvertidos da presente discussão administrativa também está sendo discutida na fase executiva da ação mandamental, uma vez que a impetrante insurgiu-se com a pretensão da União para que os depósitos judiciais fossem convertidos em renda integralmente, sem levar em consideração os efeitos da anistia veiculada pela Lei nº. 11.941/09 [...]”. Ora, mas como é notório, os motivos do Auto de Infração (elemento essencial do ato administrativo e, portanto, dele é parte integrante e indissociável) não se referem a divergências quanto à conversão em renda dos depósitos judiciais. Referem-se, sim, à caracterização das receitas de prêmio de seguros e financeiras como base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Neste ponto não há concomitância. É verdade que a Recorrente se socorreu do Judiciário para obter a declaração de inconstitucionalidade do já citado §1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98 – e nesse ponto obteve decisão que lhe foi favorável já transitada em julgado. Mas, também é verdade que, conforme dito pelo próprio julgador a quo, não há, na referida decisão, expressa menção ao fato de que as receitas de prêmio de seguros seriam, ou não, operacionais para os fins de incidências das contribuições. Tanto é assim que, nas páginas seguintes, a decisão recorrida se desdobra em fundamentos para sustentar a posição segundo a qual referidas receitas são, sim, tributadas. Dito de outro modo, o pronunciamento a ser dado no âmbito do presente processo administrativo se centra justamente na caracterização das receitas em questão como sendo de prestação de serviços, não operacionais, financeiras, etc., para então se saber se estão, ou não, abrangidas pela decisão judicial favorável à Recorrente já transitada em julgado. E isso passa ao largo da questão relativa à conversão em renda dos depósitos judiciais nos termos da Lei nº. 11.941/09. É dizer, a decisão a quo se vale dos fundamentos relativos à conversão em renda dos depósitos judiciais para os fins da anistia da Lei nº. 11.941/09 e, no dispositivo, não conhece da impugnação em relação ao próprio mérito da autuação por sustentar haver concomitância com o mérito do Mandado de Segurança nº. 1999.61.00.0427983 (004279824.1999.4.03.6100), especialmente a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 471 8 Segundo creio, a concomitância se estabelece se atendidas as mesmas condições da litispendência, exaradas no art. 301 §§ 1° e 2° do CPC. Nessa medida, haverá concomitância quando for proposta discussão havendo (i) identidade das partes, (ii) causa de pedir e (iii) pedido. Assim sendo, o direito pleiteado pela Fazenda Nacional, a pretensão resistida pela Recorrente e, portanto, a lide formada na esfera administrativa, têm como objeto única e exclusivamente a inclusão das receitas de prêmio de seguros e outras aqui tratadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, o que não foi tratado no mandado de segurança ajuizado pela Recorrente. Não há, portanto, coincidência de causa de pedir (motivos). Logo, ausente a concomitância no presente caso. Nesse sentido, urge que os autos retornem à DRJ para que lá seja proferida nova decisão, de mérito, com o respectivo juízo de valor à inclusão, ou não, das receitas de prêmios de seguro (e outras objeto da autuação) na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por assim ser, CONHEÇO do Recurso Voluntário e a ele DOU-LHE PROVIMENTO, para que os autos retornem à DRJ, nos termos acima colocados. É como voto. José Henrique Mauri Fl. 471DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Relatório Voto

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Numero do processo: 15586.001360/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2    ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento  ao  recurso  voluntário. Vencidos  os  conselheiros Kleber  Ferreira  de Araujo  e  Ronnie  Soares  Anderson, que negavam provimento ao recurso.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001360/2010­42  Acórdão n.º 2402­004.724  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  pelo  descumprimento  da  obrigação  tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225,  inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto  3.048/1999,  que  consiste  em  deixar  a  empresa  de  preparar  folha(s)  de  pagamento(s)  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 03/2006 a  12/2007.  O Relatório  Fiscal  (fls.  10/11)  informa que não  foram  informados  em  suas  folhas  de  pagamento  os  valores  das  parcelas  in  natura  fornecidas  pela  empresa  aos  seus  empregados  a  título  de  alimentação,  em  período  em  que  esta  não  se  encontrava  inscrita  no  Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  26/10/2010  (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  16/143),  alegando,  em  síntese,  que  o  beneficio  não  tem natureza  remuneratória  e  o  fato  de  a  empresa  estar ou  não  inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não é  suficiente para a modificação da  natureza do instituto, consoante precedentes jurisprudenciais.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  no Rio  de  Janeiro/RJ  –  por  meio  do  Acórdão  12­40.972  da  10a  Turma  da  DRJ/RJOI  (fls.  247/252)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade.  A  Notificada  apresentou  recurso,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as  alegações  da  peça  de  impugnação,  ressaltando  que  os  valores  apurados  em  decorrência  do  salário in natura possui natureza indenizatória.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  CARF  para  processamento  e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  O  lançamento  da  obrigação  instrumental  (acessória)  segue  o  mesmo  encaminhamento  da  obrigação  principal,  já  que  aquela  é  oriunda  exclusivamente  de  valores  que não  foram  inseridos nas  folhas de pagamento dos  segurados  empregados como sujeito  à  incidência  de  contribuição  previdenciária.  Isso  decorre  do  fato  de  que  um  único  momento  contábil originou o lançamento da obrigação acessória e principal.  Neste  caso,  o  lançamento  referente  à  obrigação  acessória  tornar­se,  por  via  reflexa,  também  insubsistente,  tendo  em  vista  que  não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária sobre as verbas pagas a título de vale­alimentação ou salário indireto in natura –  fornecidas aos segurados empregados. Assim,  tratando­se de tributação reflexa, o  julgamento  do lançamento da obrigação principal faz coisa julgada no lançamento decorrente, ante a íntima  relação de causa e efeito existente entre ambos.  A  Recorrente  alega  que  não  há  incidência  de  contribuição  social  previdenciária  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  vale­alimentação  ou  alimentação  “in  natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).  Pelos  motivos  fáticos  e  jurídicos  a  seguir  delineados,  entendo  que  razão  assiste a Recorrente.  Verifica­se que o  fato  gerador decorrente da presente  autuação  se  refere  ao  fornecimento pela empresa aos seus empregados de vale­alimentação in natura, sem inscrição  no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal, informando que “a empresa não possui  o PAT para o período do presente lançamento”.  Com  o  entendimento  do  que  seja  alimentação  in  natura  para  fins  de  tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu  o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução  Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida  aos  trabalhadores  poderá  ser  fornecida mediante  convênios  com  entidades  que  forneçam  ou  prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo.  Instrução Normativa RFB nº 971/2009:  Art.  503.  Para  a  execução  do  PAT,  a  empresa  inscrita  poderá  manter  serviço  próprio  de  refeição  ou  de  distribuição  de  alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem  como  firmar  convênios  com  entidades  que  forneçam  ou  prestem  serviços  de  alimentação  coletiva,  desde  que  essas  entidades  estejam  registradas  no  programa  e  se  obriguem  a  cumprir o disposto na  legislação do PAT, condição que deverá  constar  expressamente  do  texto  do  convênio  entre  as  partes  interessadas.  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001360/2010­42  Acórdão n.º 2402­004.724  S2­C4T2  Fl. 4          5  § 1º Considera­se fornecedora de alimentação coletiva:  I ­ a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições  preparadas e transportadas;  II ­ a administradora da cozinha da contratante;  III  ­  a  fornecedora  de  alimentos  in  natura  embalados  para  transporte individual (cesta de alimentos).  § 2º Considera­se prestadora de serviço de alimentação coletiva  a administradora de documentos de legitimação para aquisição  de:  I  ­  refeições  em  restaurantes  ou  em  estabelecimentos  similares  (refeição­convênio);  II  ­  gêneros  alimentícios  em  estabelecimentos  comerciais  (alimentação­convênio). (g.n.)  Dessa  regra,  percebe­se  que,  no  âmbito  previdenciário,  a  alimentação  in  natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de vale­alimentação, desde  que  este  seja  utilizado  na  aquisição  de  gêneros  alimentícios  em  estabelecimentos  comerciais  conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de  alimentação in natura é caracterizada como alimentação­convênio.  Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse  art.  503  e  os  artigos  498  e 499,  todos  da  Instrução Normativa RFB nº  971/2009, não  fazem  qualquer  distinção  na  modalidade  de  fornecimento  da  alimentação  in  natura  pela  empresa,  podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos,  inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades  que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva  (refeição­convênio e alimentação­ convênio).  Instrução Normativa RFB nº 971/2009:  Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é  aquele  aprovado  e  gerido  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976.  Art.  499. Não  integra a  remuneração, a parcela  in natura,  sob  forma  de  utilidade  alimentação,  fornecida  pela  empresa  regularmente  inscrita  no  PAT  aos  trabalhadores  por  ela  diretamente  contratados,  de  conformidade  com  os  requisitos  estabelecidos pelo órgão gestor competente.  § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido  a título gratuito ou a preço subsidiado.  § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação  integra a base de cálculo das contribuições sociais.  §  3º  As  irregularidades  de  preenchimento  do  formulário  ou  a  execução  inadequada  do  PAT,  porventura  constatadas,  serão  objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida  ao MTE. (g.n.)  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6  Nos  termos  da  legislação  previdenciária,  percebia­se  que  havia  uma  tendência no sentido interpreta­se literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”,  da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo  da  incidência  da  contribuição  previdenciária  somente  a  parcela  in  natura  concedida  rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação  in  natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do  trabalhador.  Lei 8.212/1991:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição: (...)  § 9o Não  integram o  salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  no  9.528,  de  10.12.97) (...)  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de  1976;  Hoje, parece­me que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos  tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos  artigos  195,  I,  alínea  “a”,  e  201,  §  11,  da  Constituição  Federal  –  conclui  que  as  verbas  indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se  exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de  05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ):  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO  ­  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR ­ SALÁRIO IN NATURA  ­  DESNECESSIDADE  DE  INSCRIÇÃO  NO  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  DO  TRABALHADOR­PAT  ­  NÃO­ INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio  empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o  objetivo  de  proporcionar  o  aumento  da  produtividade  e  eficiência  funcionais,  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  sendo  irrelevante  se  a  empresa  está  ou  não  inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador ­ PAT.  2.  Recurso  especial  não  provido.”  (Resp.  1051294  PR  2008/0087373­0;  Relator(a):  Ministra  Eliana  Calmon;  Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009)  No  mesmo  sentido,  o  entendimento  de  que  o  pagamento  in  natura  não  configura hipótese de  incidência de contribuição previdenciária extrai­se do Ato Declaratório  nº  03/2011  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN),  publicado  no  D.O.U.  de  22/12/2011, que dispõe o seguinte:  A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL,  no  uso  da  competência  legal  que  lhe  foi  conferida,  nos  termos  do  inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do  art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em  vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001360/2010­42  Acórdão n.º 2402­004.724  S2­C4T2  Fl. 5          7  de  24.11.2011, DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem  como a desistência dos  já  interpostos,  desde que  inexista outro  fundamento relevante:   "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre  o  pagamento  in  natura  do  auxílio­alimentação  não  há  incidência de contribuição previdenciária".  Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução  Normativa  RFB  nº  971/2009,  retromencionada,  bem  como  da  jurisprudência  do  Superior  Tribunal de Justiça (STJ), extrai­se que a verba paga a título de vale­alimentação in natura, no  presente  processo  configurada  como  um  pagamento  in  natura,  não  integra  o  salário  de  contribuição  independente  de  a  empresa  ter  ou  não  efetuado  adesão  ao  Programa  de  Alimentação do Trabalhador (PAT).  Com  isso,  entende­se  que  devem  ser  excluídos  os  valores  apurados  no  presente processo oriundos das verbas pagas a título de vale­alimentação ou salário indireto in  natura  –  fornecidas  aos  segurados  empregados  –,  pois  tais  valores  não  estão  sujeitos  à  incidência  da  contribuição  previdenciária  e,  por  consectário  lógico,  não  há  que  se  falar  em  descumprimento de obrigação acessória.  CONCLUSÃO:  Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para  que  seja  excluída,  em  sua  integralidade,  a multa  decorrente  da  verba  paga  a  título  de  vale­ alimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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6243426 #
Numero do processo: 19515.001514/2002-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe à recorrente comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a alegação segundo à qual as saídas de mercadorias registradas em seu Livro Registro de Saídas não tiveram como contrapartida o auferimento de receitas.
Numero da decisão: 1201-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.001514/2002­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­001.212  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  8 de dezembro de 2015  Matéria  IRPJ E REFLEXOS ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  IBITIRAMA COM DE MAT P/ CONSTRUÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1998  OMISSÃO DE RECEITAS.  Cabe  à  recorrente  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  alegação segundo à qual as  saídas de mercadorias  registradas  em seu Livro  Registro de Saídas não tiveram como contrapartida o auferimento de receitas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgado  os  Conselheiros:  Marcelo  Cuba  Netto  (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz  de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº  70.235/72, contra o acórdão nº 6963, exarado pela DRJ em Campinas ­ SP.  Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo  o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 371 e ss.):  Trata­se do auto de infração à legislação do Imposto de Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  (fls.  287/291)  e  das  autuações  reflexas     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 14 /2 00 2- 81 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/2002­81  Acórdão n.º 1201­001.212  S1­C2T1  Fl. 3          2 relativas à Contribuição para o Programa de Integração Social ­  PIS  (fls.  292/295),  à  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS  (fls.  296/299)  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  (fls.  300/303),  lavrados  em  29/11/2002,  contra a contribuinte acima qualificada, formalizando o crédito  tributário  total  de  R$  1.258.052,28,  já  incluídos  o  principal,  a  multa  de  oficio  de  75%  e  os  juros  de  mora  cabíveis  até  31/10/2002.  2.  No  "Termo  de  Verificação  e  Esclarecimento",  fls.  284/285,  encontram­se relatadas as seguintes irregularidades constatadas  pela autuante no levantamento realizado na empresa:  "Dos  exames  procedidos  constatei  que,  embora  a  empresa  lançasse  todas  as  notas  fiscais  de  venda  emitidas  no  livro  Registro  de  Saída,  conforme  se  constata  nas  cópias  do  referido  livro,  anexadas  à  fls.  40  a  280,  declarou  valores  inferiores  de  receitas  auferidas  na  DIPJ  relativa  ao  ano  calendário de 1998, cópias à fls. 004 a 038.  Assim  sendo,  em  13.11.2002,  foi  lavrado  o  Termo  de  Constatação  e  Intimação  (doc.  À  fls.  281  a  282)  onde  a  empresa  foi  intimada  a  esclarecer  as  diferenças  lançadas  a  menor.  Em  atendimento  ao  solicitado,  a  empresa  apresentou  esclarecimentos  (doc.  a  fls.  283),  onde  afirma  que  desconhecia as diferenças, no entanto não as justificou.  Em razão da fiscalizada não ter comprovado as receitas não  declaradas,  as  mesmas  serão  submetidas  à  tributação  para  cobrança  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  devido  e  respectivos reflexos : CSLL, PIS e COFINS. "  (...)  3.  Inconformada  com  as  exigências  fiscais,  das  quais  tomou  ciência  em  29/11/2002,  a Defendente  interpôs,  em  26/12/2002,  por meio de seus bastantes procuradores, procuração de fl. 338,  a impugnação de fls. 329/337, acompanhada dos documentos de  fls.  338/364,  na  qual  apresenta,  em  síntese,  os  seguintes  argumentos:  3.1 que a impugnante sempre optou pelo regime fiscal do lucro  presumido,  motivo  pelo  qual  todos  os  seus  tributos  federais  sempre  foram  calculados  diretamente  a  partir  da  aplicação  de  percentuais prescritos no RIR­99 sobre sua receita bruta;  3.2 que a autuação fiscal não pode prosperar, sendo nula, posto  que  não  foram  atendidos  os  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  uma  vez  que  antes  da  cobrança  definitiva  do  crédito  tributário  o  contribuinte  deve  ter  oportunidade  de  conhecer os  fatos e as  informações  sobre os quais se assenta o  processo;  Fl. 448DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/2002­81  Acórdão n.º 1201­001.212  S1­C2T1  Fl. 4          3 3.3  que  devido  à  lentidão  do  trâmite  interno  da  SRF  (remessa  dos autos da DEFIC 1 para a DERAT), somente teve acesso às  centenas de folhas acostadas aos autos dia 09/12/2002, dez dias  após a ciência da lavratura do auto de infração, o que tomou a  impugnação bastante prejudicada, sendo patente o cerceamento  do direito de defesa;  3.4  no  mérito,  que  os  débitos  exigidos  devem  ser  cancelados,  pois  ao  proceder  a  análise  das  notas  fiscais  da  impugnante  a  fiscalização deixou de excluir as saídas, que apesar de sujeitas à  incidência  do  ICMS,  e  portanto,  escrituradas  no  livro Registro  de  Entradas  e  Saídas,  não  foram  cobradas  dos  clientes  ou  faturadas;  3.5 que, ao contrário do ICMS que incide sobre a circulação de  mercadorias, no IRPJ, nos casos de contribuintes optantes pela  sistemática  do  lucro  presumido,  a  incidência  ocorre  sobre  a  margem  presumida  do  faturamento  ou  da  receita  bruta,  isto  é,  somente  nos  casos  de  saída  faturada  de  mercadoria,  por  exemplo, operação de compra e venda;  3.6  que  o  procedimento  adotado  pela  fiscalização  não  foi  adequado  pois  partiu  das  operações  registradas  nos  livros  pertinentes  ao  ICMS  para  a  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ, que envolve somente receita bruta, uma vez que nem todas  as  operações  constantes  do  livro  Registro  de  Saídas  ou  Notas  Fiscais  computadas  pela  fiscalização  em  suas  planilhas  representam efetiva receita bruta;  3.7  nesse  contexto  salienta  que  em  diversas  ocasiões  a  impugnante  oferece  mercadorias  gratuitamente  a  seus  clientes  como  forma  de  incentivo  comercial  para  a  atração  de  novos  clientes  ou  como  forma  de  premiar  os  clientes  assíduos  que  adquirem grandes quantidades de cimento;  3.8  ao  final  pede  que  o  Auto  de  Infração  seja  declarado  nulo,  com seu respectivo arquivamento.  Examinadas  as  razões  de  defesa  a  DRJ  de  origem  julgou  improcedente  a  impugnação.  Irresignada,  a  interessada  interpôs  recurso  voluntário  onde  pede  sejam  afastadas  as  exigências  tributárias  sob  o  argumento  de  que  o  critério  de  apuração  da  receita  bruta de vendas adotado pela autoridade tributária é equivocado, pois inclui todos os registros  de saídas de mercadorias presentes no livro do ICMS, sendo que, como é sabido, nem todos os  registros constates do livro de Saídas correspondem a receitas (fl. 403 e ss.).  Voto             Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator.  1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/2002­81  Acórdão n.º 1201­001.212  S1­C2T1  Fl. 5          4 O  recurso  atende  aos  pressupostos  processuais  de  admissibilidade  estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele deve­se tomar conhecimento.  2) DA OMISSÃO DE RECEITAS  A  recorrente  alega  que  o  auditor  deixou  de  considerar  saídas  que  não  representam receitas, tais como as vendas canceladas e as devoluções de vendas, registradas no  livro de Entradas.  Ocorre  que,  em  primeiro  lugar,  as  alegações  de  qualquer  das  partes  do  processo não se sustentam se estiverem desacompanhadas das provas de sua veracidade. E, em  segundo  lugar, ainda que tal alegação fosse provada, de modo algum ensejaria a nulidade do  lançamento, mas apenas sua retificação, nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72,  in verbis:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  (...)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  (...)  No  caso  dos  presentes  autos  a  recorrente  deixou  de  anexar  o  mencionado  livro Registro de Entradas, que comprovaria as alegadas vendas canceladas e as devoluções de  vendas, bem como documentos capazes de comprovar que as saídas de mercadorias registradas  no livro Registro de Saídas não correspondem a receitas por ela auferidas.  3) CONCLUSÃO  Tendo  em  vista  todo  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto                  Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/2002­81  Acórdão n.º 1201­001.212  S1­C2T1  Fl. 6          5               Fl. 451DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 10510.720319/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2009 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Recurso voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 1201-001.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2009 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Recurso voluntário a que se nega provimento.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10510.720319/2012­09  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­001.292  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de janeiro de 2016  Matéria  IRPJ E REFLEXOS.  Recorrente  ILHA COMUNICAÇÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006, 2007, 2009  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Tendo  sido  regularmente  oferecida  e  amplamente  exercida  pela  autuada  a  oportunidade de manifestar­se contra a autuação restam descaracterizadas as  alegações de cerceamento de direito de defesa.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito  de  defesa,  circunstâncias  inocorrentes no caso.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006, 2007, 2009  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE PAGAMENTO.  De  acordo  com  a  jurisprudência  do  STJ,  firmada  em  ação  processada  nos  termos do artigo 543­C do Código de Processo Civil, o dies a quo do prazo  decadencial, quando não há pagamento antecipado, rege­se pelo disposto no  artigo 173, I, do CTN.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DOLO,  FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  Caracterizada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  contagem  do  prazo decadencial rege­se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF no  72)  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2009     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 03 19 /2 01 2- 09 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 3          2 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.  Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou  de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o  contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação  de  declaração  de  valor muito  inferior  ao  do  efetivo montante  da  obrigação  tributária  principal,  para  eximir­se  de  seu  pagamento,  sem  qualquer  justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e  implica  qualificação  da  multa  de  ofício,  nos  termos  do  art.  71  da  Lei  n.  4.502/64.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.  Aplica­se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto  em  relação  ao  IRPJ  exigido  de  ofício  com base  na mesma matéria  fática  e  elementos de prova.  Recurso voluntário a que se nega provimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.  Documento assinado digitalmente.  Marcelo Cuba Netto ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Marcelo  Cuba  Netto,  João  Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João  Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  acórdão  da  1ª  Turma  da  DRJ de Salvador que julgou parcialmente procedentes os autos de infração lavrados com o fito  de exigir IRPJ e CSLL, referentes ao período de apuração de janeiro de 2006 a junho de 2007 e  de janeiro a dezembro de 2009, acrescidos de multa qualificada.  Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 4          3 Consoante acusação  fiscal, houve arbitramento do  lucro, em decorrência da  ausência de apresentação de livros fiscais e de comprovação da origem de depósitos bancários,  conhecidos  pela  Fiscalização  por  força  de  RMF’s  (Requisições  de  Informações  sobre  Movimentações Financeiras), além de não submetidas a tributação receitas conhecidas através  de notas fiscais emitidas. A qualificação da multa foi fundamentada na entrega de declarações  zeradas.  Cientificado  do  lançamento,  o  Contribuinte  apresentou,  tempestivamente,  Impugnação  aduzindo,  em  apertada  síntese:  (i)  a  nulidade  do  procedimento  em virtude  de o  processo  ter  se  iniciado  sem  que  fosse  instruído  com  documentos  que  comprovassem  os  argumentos  constantes  do Termo  de Verificação  Fiscal  e  do Auto  de  Infração,  vício  sanado  quando  já  fluido  metade  do  prazo  de  impugnação;  (ii)  a  decadência  em  relação  ao  ano­ calendário de 2006, com espeque no art. 150, §4º, CTN; (iii) a improcedência do lançamento,  sob o argumento de que grande parte dos seus clientes seriam órgãos e empresas públicas que  pagariam  faturas  juntas  e  em  atraso,  o  que  justificaria  a  efetivação  de  depósitos  após  o  vencimento  das  notas  fiscais  e  em  valores  distintos  daqueles  individualmente  expressos  nas  notas  fiscais;  (iv) a minoração da multa de 150% para 75% em virtude de as  irregularidades  terem  sido  cometidas  não  por  fraude,  mas  por  inexatidão  decorrente  problemas  com  a  contabilidade.  Os fundamentos da DRJ podem ser assim resumidos:  (i) o sujeito passivo fora devidamente cientificado de todos os procedimentos  adotados  na  ação  fiscal  e  teve  acesso  a  todos  os  documentos  que  fundamentaram  o  lançamento,  o  que  afastaria  a  preliminar  de  nulidade  suscitada;  (ii) reconhecida a decadência do direito de lançar créditos referentes aos 1º,  2º e 3º trimestres de 2006, consoante disciplina do art. 173, I, CTN, e não  do  art.  150,  §4º,  como  pretendia  o  Contribuinte,  pois  não  constatado  qualquer pagamento por ele efetuado;  (iii)  a  análise  da  tabela  apresentada  pelo  contribuinte  para  comprovar  a  origem do  depósito  realizado  no  dia  08/09/06  restou  prejudicada  diante  da exclusão da tributação referente aos três primeiros trimestres daquele  ano;  (iv)  mantida  a  multa  qualificada  de  150%,  em  razão  da  apresentação  de  declarações  zeradas  que  evidenciariam  o  intuito  de  impedir  ou  retardar  dolosamente  o  conhecimento  do  crédito  tributário  pela  autoridade  administrativa;  A ementa da decisão recorrida restou assim redigida:  "Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009  MEIOS DE PROVA. PRECLUSÃO.  A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de  o impugnante fazê­lo em outro momento processual.  Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 5          4 AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DIREITO  DE  DEFESA.  CERCEAMENTO.  NULIDADE.  Incabível  a  alegação  de  cerceamento  ao  direito  de  defesa  e  a  pretendida  declaração  de  nulidade  do  Auto  de  Infração  se  a  contribuinte  foi  devidamente  cientificada de todo o procedimento de fiscalização, os elementos que o compõem  foram postos à sua disposição, teve assegurado e exerceu o seu direito de defesa no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  tudo  conforme  previsto  na  legislação  que  disciplina  o  Processo Administrativo Fiscal.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009  LIVROS E DOCUMENTOS.  A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas  eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos  a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam  vir a modificar sua situação patrimonial.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.  O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5  (cinco)  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Constatando­se que o direito de constituir o crédito tributário já se extinguira  na data do lançamento, impõe­se o reconhecimento da sua nulidade.  Auto de Infração Decorrente  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL  Em  se  tratando  de matéria  fática  idêntica  àquela  que  serviu  de  base  para  o  lançamento  do  Imposto  sobre  a  Renda  Pessoa  Jurídica,  devem  ser  estendidas  as  conclusões  advindas  da  apreciação  daquele  lançamento  ao  relativo  à Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito advindas dos  mesmos fatos geradores e elementos probantes."  Ainda  inconformada,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  aduzindo,  preliminarmente, a nulidade do procedimento por entender que teria havido preterição do seu  direito de defesa, ora reiterada pela ausência de análise por parte da Turma Julgadora recorrida  desta questão, e, em seguida, defendeu a decadência para o 4º trimestre do ano calendário de  2006 e o afastamento da multa qualificada, com base nos mesmos argumentos apresentados em  sede de impugnação.  Na sessão de 7 de março de 2013, o  julgamento do  recurso  foi  sobrestado,  por  meio  da  Resolução  nº  1102­000.147,  em  face  do  revogado  art.  62­A  do  Anexo  II,  do  Regimento Interno do CARF pretérito (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009), em razão  da obtenção das informações da movimentação financeira por meio de RMF.  Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 6          5 Tendo sido designado redator ad hoc (após a saída da conselheira relatora do  CARF)  para  a  formalização  da  referida  resolução,  e  em  vista  da  posterior  revogação  do  mencionado  dispositivo  e  da  inexistência  de  dispositivo  equivalente  no  atual  Regimento  Interno (Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), retornam os autos para julgamento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  dele  tomo conhecimento.    Preliminares  Aduz a recorrente:  "Consta das razões de impugnação, devidamente comprovado, que o processo  se  iniciou  sem  que  o  mesmo  tenha  sido  instruído  com  qualquer  documento  que  fosse, a exceção do  termo de verificação e auto de infração, sendo que o prazo da  Recorrente  teve  o  seu  termo  inicial  em  31.01.12,  porém  o  feito  somente  foi  devidamente instruído com as peças necessárias a partir do dia 02.02.12 à tarde, ou  seja,  não  havia  nos  autos  do  processo  administrativo  qualquer  elemento  comprobatório  de  que  as  argumentações  da  autoridade  fiscalizadora  pudesse  ser  confrontada.  Tal  procedimento  administrativo  de  instruir  o  feito  sem  qualquer  documentação  que  desse  arrimo  ao  auto  de  infração  causou  sérios  prejuízos  à  Impugnante,  que  não  teve  tempo  hábil  para,  por  exemplo,  solicitar  as  instituições  financeiras os respectivos comprovantes de origem dos créditos que, em sua grande  maioria,  são  apenas  transferências  de  contas  bancárias  da  mesma  titularidade  ou  ainda empréstimos bancários, e provar que não se tratavam de receitas  tributáveis,  isto  porque  desconhecia  totalmente  o  conteúdo  do  processo  já  que  o  mesmo  foi  instaurado sem qualquer documentação que embasasse o auto de infração."  Sob  estes  argumentos,  requer  a  recorrente  seja  reconhecida  a  nulidade  do  procedimento  fiscal. Aduz ainda que a nulidade processual  seria  reiterada porque a DRJ não  teria enfrentado a alegação.  Inicialmente,  cumpre  registrar  que,  nos  termos  do  artigo  59  do Decreto  nº  70.235/72  – PAF,  que  rege o  processo  administrativo  fiscal,  somente  ensejam  a  nulidade os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Do  quanto  se  extrai  dos  parágrafos  acima  transcritos,  a  nulidade,  no  caso,  estaria atrelada ao cerceamento do direito de defesa da recorrente em razão da alegada falta de  Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 7          6 elementos  nos  autos,  quando  da  formalização  do  processo,  os  quais  seriam  essenciais  à  apresentação de sua defesa em tempo hábil.  Com  a  devida  vênia,  a  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  resta  totalmente insubsistente, porque, no caso, nem mesmo quase quatro anos após o encerramento  da ação fiscal  (com a ciência ao contribuinte dos autos de  infração), veio aos autos qualquer  novo documento ou alegação para refutar o lançamento. Em verdade, o recurso sequer trata de  qualquer  matéria  de  fato,  posto  que  a  recorrente  se  limita  a  arguir  a  decadência  e  a  inaplicabilidade da multa qualificada.  Portanto, não há que se falar em nulidade por alegado vício na formalização  do processo, se deste suposto vício nenhum prejuízo adveio à recorrente.  Também não é verdade que a DRJ não  tenha enfrentado esta questão. Com  argumentos  ligeiramente  diversos,  a  DRJ  também  manifestou­se  claramente  no  sentido  da  inexistência  de  qualquer  hipótese  de  nulidade  da  autuação,  pois  a  contribuinte  foi  adequadamente  cientificada  de  todos  os  atos  relevantes  ao  longo  do  procedimento,  e  que  culminaram com a lavratura dos autos de infração. Reproduz­se abaixo, parcialmente, excertos  do voto da autoridade julgadora a quo a respeito:  "Ao examinar os documentos que  compõem o processo, verificamos que  as  alegações apresentadas pelo sujeito passivo não procedem, pois ele foi cientificado  do  início do procedimento  fiscal,  conforme comprova o Termo de  Início de Ação  Fiscal, fls. 175 e 176, cientificado por via postal em 02/02/2011, conforme Aviso de  Recebimento (AR), fls. 177.  Além  disso,  as  informações  que  embasaram  o  lançamento  foram  a  ele  requisitadas  ao  longo  do  procedimento  de  fiscalização,  conforme  comprovam  os  Termos  de  Intimação  Fiscal,  fls.  533  a  575,  576  a  582,  655,  e  832  a  844,  todos  cientificados  ao  sujeito  passivo;  as  solicitações  de  prorrogação  do  prazo  para  a  apresentação  de  documentos,  fls.  178  e  236;  o  Termo  de  Recebimento  de  Documentos,  cientificado  ao  sujeito  passivo  em  14/03/2011,  fls.  180  e  181;  e  a  Resposta à intimação assinada em 08/09/2011, fls. 656. Por fim, a Defendente ainda  foi cientificada do Termo de Encerramento, em 31/01/2012, fls. 1.033.  (...)  Assim,  (...)  não  devendo  ser  declarada  a  nulidade  do  lançamento  já  que  o  sujeito passivo tomou conhecimento de todos os documentos que fundamentaram o  lançamento e  teve oportunidade de ver apreciados os argumentos que entendia ser  contrários a ele."  De  fato,  a  recorrente  foi  cientificada  dos  autos  de  infração,  bem  como  do  Termo de Verificação Fiscal, com a descrição detalhada das infrações encontradas, e instruído  com  tabelas  demonstrativas  da  apuração  da  matéria  tributável,  e  dos  tributos  devidos,  em  31/01/2012,  tendo, portanto, plenas condições de, com estes elementos, elaborar sua defesa a  partir desta data. Ademais, os créditos bancários sobre os quais pairava a acusação de omissão  de receitas, por presunção legal,  já eram do conhecimento da contribuinte desde muito antes,  em face das diversas  intimações fiscais  feitas durante o procedimento, nas quais os  referidos  créditos foram discriminados especificando banco, agência, conta, data, histórico, documento,  e valor.  Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 8          7 Portanto,  completamente  insubsistentes  as  alegações  recursais  quanto  à  pretensa nulidade do procedimento e/ou, ainda, da decisão recorrida.    Decadência  No  recurso,  a  recorrente  torna  a  insistir  na  tese  de  que  a  decadência,  nos  tributos sujeitos a lançamento por homologação, devem seguir incondicionalmente a regra do  art. 150, § 4º, do CTN, motivo pelo qual o 4º trimestre de 2006 também estaria decaído, posto  que o lançamento concretizou­se após decorridos mais de cinco anos da data do fato gerador,  considerado este ocorrido em 31/12/2006.  Esta  questão,  contudo,  já  foi  adequadamente  enfrentada  pela  autoridade  julgadora a quo,  na medida em que  esta  esclareceu que,  em não  tendo havido pagamento,  a  regra de decadência desloca­se do art. 150, § 4º, do CTN, para o art. 173, I, do mesmo CTN, ou  seja, o prazo começa a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Até  há  algum  tempo  atrás  a  jurisprudência  do  CARF,  assim  como  o  entendimento  deste  relator,  acompanhavam  a  tese  da  defesa,  no  sentido  de  que  o  que  se  homologa  é  a  atividade  do  contribuinte,  e  não  o  pagamento.  Contudo,  tendo  o  STJ  se  manifestado acerca desta questão, em sede de recurso submetido à sistemática do art. 543­C do  Código de Processo Civil ("recursos repetitivos"), e, em face do disposto no § 2º do art. 62, do  Regimento  Interno  do CARF,  aprovado  pela  Portaria MF Nº  343,  de  09  de  junho  de  2015,  cumpre  aos  conselheiros  reproduzir,  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF,  o  entendimento manifestado pelo STJ.  De  fato,  no  julgamento  do  referido REsp  973.733,  ao  qual  foi  conferido  o  caráter de recurso repetitivo, e cuja decisão transitou em julgado em 29.10.2009, o STJ decidiu  que, nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo  qüinqüenal da regra decadencial rege­se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN.  Neste  contexto,  e  tendo  em  vista  as  informações  dada  pela  autoridade  julgadora a quo, no sentido de que consultou os sistemas informatizados da RFB, e verificou  inexistir  qualquer  pagamento  relativo  ao  quarto  trimestre  de  2006,  informação  esta  não  contestada pela recorrente, nada há que se alterar quanto ao que já decidido pela DRJ, que, no  caso, reconheceu a decadência tão somente para os três primeiros trimestres de 2006.  Ademais,  em  função  da  aplicação  da  multa  qualificada  às  infrações  detectadas no quarto trimestre de 2006, sobre a qual se falará no tópico a seguir, também por  este fundamento tem­se que o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste caso, trata­se  de questão pacífica, no âmbito do CARF, a qual está expressa em súmula, com o seguinte teor:  "Súmula  CARF  nº  72:  Caracterizada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  rege­se  pelo  art.  173,  inciso  I,  do  CTN."    Multa qualificada  Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 9          8 Alega a recorrente que não se trata, no caso, de fraude, mas sim de declaração  inexata,  pois  não  houve  falsidade  documental,  através  de  notas  calçadas,  notas  paralelas  e  outras formas de mascarar o efetivo faturamento, mas tão somente apresentação de declarações  (DIPJ e DCTF's), sem informações.  Afirma ainda que foi somente com o art. 14, da Medida Provisória n° 351, de  22 de Janeiro de 2007, "convertida na Lei n° 10.892 [sic], de 15 de junho de 2007", que foi  introduzida na legislação tributária a imposição da multa de ofício qualificada, no percentual de  150%, nos casos previstos nos Artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, como tal norma  inexistia  à  época  de  alguns  dos  fatos  geradores  aqui  tratados,  não  poderia  ser  aplicada  retroativamente.  Ademais, a sua imposição violaria diversos princípios constitucionais.  Os argumentos recursais, contudo, não procedem.  A  multa  qualificada  possui  expressa  previsão  legal,  não  cabendo  a  este  colegiado administrativo cogitar de sua não aplicação em face de alegações de suposta violação  a  princípios  constitucionais,  consoante  entendimento  já  consolidado  no  CARF,  por meio  da  Súmula CARF nº 2.  A  mencionada  previsão  legal,  ao  contrário  do  que  quer  fazer  crer  a  recorrente,  não  foi  instituída  pela  Medida  Provisória  n°  351/07,  a  qual  foi  posteriormente  convertida na Lei n° 11.488/07. Esta lei não instituiu nem tampouco majorou a penalidade aqui  discutida, apenas promoveu a sua realocação entre os incisos e os parágrafos do art. 44 da Lei  nº 9.430/96  (originalmente, a multa de 150% estava prevista no  inciso  II do caput,  e,  com a  referida lei, passou para o parágrafo 1º do mesmo artigo).  Quanto  ao  mérito  propriamente  dito,  a  aplicação  da  multa  qualificada  encontra­se plenamente justificada no caso concreto.  Consoante  se  depreende  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  a  recorrente  apresentou DCTF's com inexistência de débitos para todos os períodos de apuração discutidos  neste  processo. Além disto,  ainda  apresentou DIPJ's  relativas  aos  períodos  de  apuração  aqui  discutidos  com valores,  tanto de  receitas quanto de despesas,  iguais  a zero,  com exceção do  período  relativo  ao  primeiro  semestre  de  2007,  em  que  apresentou  declaração  pelo  lucro  presumido,  com  receitas  no  valor  total  de R$  554.049,73  (neste mesmo  período,  contudo,  a  fiscalização apurou uma  receita  total de R$ 918.357,38, considerando as omissões de  receita  detectadas).  A prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor  muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir­se de seu  pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de  fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.  Esse entendimento encontra respaldo em diversos precedentes do CARF, dos  quais transcrevo a seguir alguns, exemplificativamente:  "MULTA  DE  OFÍCIO.  A  prática  de  ocultar  do  fisco,  mediante  a  não  apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo  montante  da  obrigação  tributária  principal,  para  eximirse  de  seu  pagamento,  sem  Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 10          9 qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude  e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64."  (Acórdão 1102­000.916, sessão de 7 de agosto de 2013, relator Antonio Carlos  Guidoni Filho)  "MULTA  QUALIFICADA  ­  SONEGAÇÃO  PATENTE  ­  Auferir  vultosas  receitas  de  exportação  sem  declará­las  à  administração  tributária  e  sem  qualquer  pagamento  de  tributos  e  contribuições,  escondendo­as  mediante  apresentação  de  Declaração  de  Inatividade  é  conduta  dolosa  que  se  amolda  perfeitamente  à  figura  delituosa da  sonegação,  justificando a qualificação da penalidade."  (Acórdão 107­ 09.150, sessão de 13 de setembro de 2007, relator Luiz Martins Valero)  De se destacar, ainda, no caso, a reiteração da conduta, em mais de um ano  calendário,  pelo  que  se  pede  vênia  para mencionar mais  outros  precedentes  do CARF,  e  da  própria Câmara Superior de Recursos Fiscais:  "MULTA  AGRAVADA  ­  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  ­  A  declaração a menor de valores  relevantes de receitas, praticada de forma reiterada,  evidencia a  intenção dolosa do agente no cometimento da infração, principalmente  quando se  trata de empresa que apresentou declarações zeradas por  três exercícios  consecutivos." (Acórdão 105­16.346, sessão de 28 de março de 2007, relator Luis  Alberto Bacelar Vidal)  "MULTA  QUALIFICADA  —  CONDUTA  CONTINUADA  —  A  escrituração  e  a  declaração  sistemática  de  receita  menor  que  a  real,  provada  nos  autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da  ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade  fazendária e enquadra­se perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da  Lei  4.502/64,  justificando a  aplicação da multa  qualificada."  (Acórdão CSRF/01­ 05.810, sessão de 14 de abril de 2008, relator José Clóvis Alves)  "MULTA  AGRAVADA  ­  CONDUTA  REITERADA  ­  Nos  termos  da  jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a  prática  reiterada  de  infrações  à  legislação  tributária  denota  a  intenção  dolosa  do  contribuinte  de  fraudar  a  aplicação  da  legislação  tributária  e  lesar  o  Fisco."  (Acórdão  CSRF  9101­00.140,  sessão  de  12  de maio  de  2009,  relator  Antonio  Carlos Guidoni Filho)    Tributos reflexos  Com  relação  aos  lançamentos  reflexos  integrantes  do  presente  processo  (CSLL), tendo em vista serem decorrentes dos mesmos fatos, e inexistindo com relação a eles  qualquer arguição específica por parte da recorrente, devem seguir a mesma sorte conferida ao  lançamento principal.    Conclusão  Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  Documento assinado digitalmente.  Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/2012­09  Acórdão n.º 1201­001.292  S1­C2T1  Fl. 11          10 João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator                                Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 10930.907071/2011-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/10/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/10/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo  para apreciação do mérito.       (assinado digitalmente)  Joel Miyazaki ­ Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.        (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc  (art. 17,  inciso  III,  do  Anexo II do RICARF/2015).    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  Relatório  Preliminarmente, ressalta­se que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo  II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF/2015, fui  designado  como  redator  ad  hoc  (fl.  91),  para  formalização  do  respectivo  Acórdão,  considerando o  resultado  do  julgado,  conforme  o  constante  da ATA da  respectiva  sessão  de  julgamento.    A  Recorrente  MOINHO  GLOBO  ALIMENTOS  S/A.,  interpôs  o  presente  Recurso Voluntário  contra  o Acórdão  nº  06­41.473,  proferido  em  primeira  instância  pela  3ª  Turma da DRJ  em Curitiba/PR,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito  creditório.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  apresentada  em  face do  indeferimento  de  pedido  de  restituição  (PER),  de  nº  17187.26532.300605.1.2.04­9900,  nos  termos  do  despacho  decisório  emitido  em  02/12/2011  (rastreamento  nº  013472278).  No aludido PER,  transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a  contribuinte  indicou  um  crédito  de  R$  73,85,  referente  ao  pagamento  efetuado  em  15/10/2001,  de  PIS/Pasep,  código  de  receita 8109, no valor total de R$ 18.973,65.  Segundo  o  despacho  decisório  recorrido,  a  restituição  foi  indeferida  porque  o  Darf  indicado  como  crédito  estava  totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109,  do  período  de  apuração  de  30/09/2001,  de  acordo  com  a  informação da DCTF transmitida pela Interessada.  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907071/2011­59  Acórdão n.º 3802­004.150  S3­TE02  Fl. 93          3 Cientificada  em  22/12/2011,  a  Contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  em  19/01/2012.  Alega  que  recolheu  valores  indevidos  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins  que  incidiram  sobre  outras  parcelas  que  não  se  compreendem  no  conceito  de  faturamento,  relativamente  às  competências  de  07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004.  Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou  em DCTF os valores devidos a  título de PIS/Pasep e de Cofins  levando em conta a  legislação vigente à época, que alargava a  suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como  integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF  considerou  inconstitucional  tal  ampliação  da  base  de  cálculo.  Anexa jurisprudência do STF e do CARF.  Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época  da  vigência  plena  do  §1o  do  art.  3o  da  Lei  n°  9.718/98,  hoje  declarada  inconstitucional,  hão  de  ser  revistas  de  modo  a  se  adequarem  a  tal  entendimento,  em  prol  da  realidade  material  que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade  pelo E. STF”.  Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais  “correspondem  exatamente  às  receitas  não  operacionais,  não  integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração  de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”.  Argumenta  que  para  o  deferimento  do  pedido  de  restituição  basta  que  a  autoridade  julgadora  exclua  das  DCTF  apresentadas as receitas não operacionais (financeiras),  tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as  declarações prestadas.  Pede o provimento integral do presente recurso..  É o relatório.   Indeferida a Manifestação de  Inconformidade apresentada, o órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da  Ementa que segue:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do Fato Gerador: 15/10/2001  RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.  Correto  o  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  por  inexistência de direito creditório,  tendo em vista que o pagamento alegado  como  origem  do  crédito  estava  integral  e  validamente  alocado  para  a  quitação de débito confessado.  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     4 BASE  DE  CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  CARÁTER  INTER  PARTES.  É  perfeitamente  aplicável  a  disposição  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez  que o  julgamento do STF pela  inconstitucionalidade da ampliação da base  de  cálculo  contida  naquele  dispositivo  não  tem  efeito  erga  omnes,  só  atingindo as partes envolvidas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba –  DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos  apresentados  em  sua manifestação  de  inconformidade,  anexa  trechos  de  seus  livros Diário  e  Razão  nos  quais  constam  as  rubricas  de  receitas  financeiras,  requer  a  homologação  da  compensação  declarada  por  evidente  a  origem  do  crédito  e,  por  conseguinte,  o  direito  à  compensação do mesmo.  É o relatório.  Voto             Conselheiro  Waldir  Navarro  Bezerra,  redator  ad  hoc  designado  para  formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi,  não  mais  compõe  este  colegiado  e  que  a  respectiva  Turma  Especial  foi  extinta,  retratando  hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF,  aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015.  Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros  processos nessa situação tratamento diverso.  Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Conforme  exposto  nas  linhas  acima,  a  Declaração  de  Compensação  da  Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras,  especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da  Cofins  promovida  pela  Lei  nº  9.718/98,  tendo  em  vista  a  ausência  de  mandamento  constitucional  (ou,  doutra  maneira,  a  edição  de  Lei  Complementar  que  estabelecesse  novas  fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência  sobre  receitas  financeiras  e  outras  receitas  operacionais,  não  inseridas  no  conceito  de  faturamento.  Como  bem  observado  pela  decisão  recorrida,  o  Tribunal  Pleno  da  Egrégia  Corte  examinou  os  Recursos  Extraordinários  nºs  346.084/PR,  358.273/RS,  357.950/RS  e  390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art.  3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida:  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907071/2011­59  Acórdão n.º 3802­004.150  S3­TE02  Fl. 94          5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º,  §  1º, DA LEI  Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL  Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não  contempla a figura da constitucionalidade superveniente.  TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO.  A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio da realidade, considerados os elementos tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PIS  RECEITA  BRUTA  NOÇÃO  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo  195  da  Carta  Federal  anterior  à  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas,  jungindo­as  à  venda  de  mercadorias,  de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços. É  inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  (Supremo  Tribunal  Federal,  Tribunal  Pleno,  RE  346.084/PR,  Relator  Ministro  Ilmar  Galvão,  Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)."  Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes  à  luz  da  legislação  de  regência  das  decisões  exaradas  pelo  STF,  o  art.  62,  parágrafo  único,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  autoriza  este  Colegiado  a  afastar  a  aplicação  de  tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por  decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”.  Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame.  Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este  órgão julgador, deve­se reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante  indevidamente  recolhido  a  título  de  Cofins  em  virtude  da  aplicação  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  declarado  inconstitucional  pelo  STF,  em  consonância  com  o  repertório  jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002  DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.  Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito  de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou  em valor maior que o devido, extingue­se com o decurso do prazo de cinco  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento  antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação.  Observância ao princípio da segurança jurídica.  INCONSTITUCIONALIDADE.  DECISÃO  DEFINITIVA  DO  STF.  APLICAÇÃO  Tendo  o  plenário  do  STF  declarado,  de  forma  definitiva,  a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  deve  o CARF  aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias  pagas com fulcro no referido dispositivo legal.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE  IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE.  Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considera­se  não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso  após 29/09/2003.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (CARF,  3ª  Seção,  3ª  Câmara,  2ª  Turma  Ordinária,  RV  501572,  Acórdão  3302­001.245,  Relator  Conselheiro  Walber  José  da  Silva,  Julgamento  06/10/2011)"  Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente.  No entanto, ultrapassada a questão de direito, torna­se fundamental apreciar a  matéria de prova.  No  caso  em  tela,  a  análise  da  prova  restou  prejudicada,  pois  a  DRJ  não  aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente.  Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação,  o  contribuinte  apresentou  excertos  de  seus  livros  Diário  e  Razão  para  buscar  comprovar  o  direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva.  Tais documentos podem excepcionalmente ser  juntados aos autos, diante da  previsão  do  art.  16,  §  4o,  c,  do  RPAF,  que  permite  a  apresentação  de  documentos  posteriormente  à  peça  defensiva  inaugural  para  contrapor  razões  trazidas  em  momento  processual seguinte, pelo que se vê abaixo:  "§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual, a menos que:  a)  fique demonstrada a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por  motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos."  Todavia,  a  análise  da  documentação  acostada  aos  autos  pode  levar  à  supressão de instância.   Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907071/2011­59  Acórdão n.º 3802­004.150  S3­TE02  Fl. 95          7 Assim,  e  considerando  que  a  supressão  de  instância  somente  pode  ser  realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72,  entendo que devem os autos  retornar para  julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de  modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação.  Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802­ 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn:  "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  DECLARADA  PELO  STF.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62­A  DO  REGIMENTO  INTERNO  DO  CARF.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.  O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF  no  julgamento  do  RE  nº  346.084/PR  e  no  RE  nº  585.235/RG,  este  último  decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543­B).  Assim,  deve  ser  aplicado o  disposto  no  art.  62­A do Regimento  Interno  do  Carf,  o  que  implica  a  obrigatoriedade  do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DECORRENTE  DA  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE  IMPEDIU  O  CONHECIMENTO  DO  MÉRITO.  AFASTAMENTO.  RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.  A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a  declaração de  inconstitucionalidade do art.  3º,  § 1º,  da Lei nº 9.718/1998,  não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o  valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da  questão,  inclusive  a  efetiva  inclusão  das  receitas  financeiras  na  base  de  cálculo  da  contribuição  no  período  alegado  pelo  interessado. Destarte,  os  autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de  supressão de instância.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Aguardando Nova Decisão."  No mesmo  sentido,  aplicáveis  à  espécie  os  soma­se os  nºs Acórdãos  3802­ 001.959 e 3802­001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi.  Conclusão  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     8 Diante  de  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  dar­lhe  provimento  parcial,  determinando­se  o  retorno  dos  autos  à  instância  a  quo,  para  fins  de  apreciação do mérito.  Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II  do RICARF/2015, subscrevo o presente.     (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc.                                Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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Numero do processo: 13603.724615/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          2 destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          3 O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          4 Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724615/2011­49 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de Apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          5 pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas  a  saldo  credor  de  PIS/PASEP  apurado  no  período  de  01/05/2008  a  31/05/2008,  no  valor  total  de R$  770.669,07,  em  conformidade  com  o  artigo  5º  da Lei  nº  10.637,  de  2002.  Desse  montante,  a  unidade  jurisdicionante  do  contribuinte  já  reconhecera  o  direito  sobre  a  parcela de R$ 671.496,35. Por  seu  turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser  também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a  R$  407,22  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 98.765,50.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          6 Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          8 Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          9 ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          10 suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          11 ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          12 monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          13 recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  24/01/2014  (fls.  1494).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  28/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1496/1523,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          14 a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3638/3643, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  28/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 24/01/2014 ­ conf. fls. 1494).   Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          15 Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e  Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção  A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito                                                                                                                                                                                                   II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          17 passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          18 comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          19 Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          20 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha  havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          21 Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          22 Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          23 Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.   2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio                                                              7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          24 jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          25 Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          26 4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          27 do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          28 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          29 Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          30 não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          31 Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          32 ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3638/3643, de onde destacamos o seguinte trecho:    [...]  Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          33   Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”     Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          34 Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          35 dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****    Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          36 Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3648/3650, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          37 de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as  importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          38 Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  (grifo nosso)  Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          39 Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          40 Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  [...]  Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          41 Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          42 Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/2011­49  Acórdão n.º 3301­002.808  S3­C3T1  Fl. 0          43 pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3638/3643;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 16327.003912/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 SALDO NEGATIVO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A atualização de indébito decorrente de pagamento a maior de IRPJ-estimativa, feito após o fim do o ano-calendário, deve ter por base a data da apuração do saldo negativo, e não a data do efetivo recolhimento, não havendo que se falar em enriquecimento sem causa do contribuinte em prejuízo da Fazenda Pública quando o contribuinte efetua o recolhimento no âmbito de programas de anistia. RECOLHIMENTO DE PIS-DEDUÇÃO SOBRE ESTIMATIVA DE IRPJ. CONVERSÃO EM INDÉBITO DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. O recolhimento feito a título de PIS-DEDUÇÃO, embora relativo a IRPJ-estimativa pago a maior, não pode compor eventual Saldo Negativo do IRPJ a Pagar, pois, como contribuição social, é tributo de natureza distinta de imposto c sujeito à destinação legal própria, e cuja conversão em indébito de IRPJ reclama autorização expressa de norma legal, ora inexistente.
Numero da decisão: 1401-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado I) Por maioria de votos, DAR provimento em relação à atualização monetária em relação aos pagamentos efetuados. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento; II) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação PIS-Dedução; e III) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para restituir o valor de R$ 61.225,72 ao saldo negativo de 1997. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que davam provimento em menor extensão quanto à atualização monetária por considerarem o pagamento como se indevido fosse. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor referente aos itens I e III. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Souza, Lívia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 717          1 716  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.003912/2002­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­001.511  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de janeiro de 2016  Matéria  Saldo negativo do IRPJ  Recorrente  CIA ITAULEASING DE ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A. (ATUAL  BANCO ITAULEASING S.A.)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1997  SALDO  NEGATIVO.  ATUALIZAÇÃO  PELA  TAXA  SELIC.  A  atualização de indébito decorrente de pagamento a maior de IRPJ­estimativa,  feito após o fim do o ano­calendário, deve ter por base a data da apuração do  saldo  negativo,  e  não  a  data  do  efetivo  recolhimento,  não  havendo  que  se  falar em enriquecimento sem causa do contribuinte em prejuízo da Fazenda  Pública quando o contribuinte efetua o recolhimento no âmbito de programas  de anistia.  RECOLHIMENTO DE  PIS­DEDUÇÃO  SOBRE  ESTIMATIVA DE  IRPJ.  CONVERSÃO  EM  INDÉBITO  DE  IRPJ.  IMPOSSIBILIDADE.  O  recolhimento  feito  a  título  de  PIS­DEDUÇÃO,  embora  relativo  a  IRPJ­ estimativa pago a maior, não pode compor eventual Saldo Negativo do IRPJ  a  Pagar,  pois,  como  contribuição  social,  é  tributo  de  natureza  distinta  de  imposto c sujeito à destinação legal própria, e cuja conversão em indébito de  IRPJ reclama autorização expressa de norma legal, ora inexistente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado  I)  Por  maioria  de  votos,  DAR  provimento  em  relação  à  atualização  monetária  em  relação  aos  pagamentos  efetuados.  Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos  que negavam provimento; II) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação PIS­ Dedução; e III) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para restituir o valor de R$  61.225,72  ao  saldo  negativo  de  1997.  Vencidos  os  Conselheiros  Antonio  Bezerra  Neto  (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que davam provimento em menor extensão quanto  à atualização monetária por considerarem o pagamento como se  indevido fosse. Designada a  Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor referente aos itens I e III.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 39 12 /2 00 2- 61 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO     2  (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente.  (assinado digitalmente)  Livia De Carli Germano ­ Redatora designada.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos  Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas­Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini  de  Carvalho,  Fernando  Luiz  Gomes  de  Souza,  Lívia  De  Carli  Germano  e  Antonio  Bezerra  Neto.  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/2002­61  Acórdão n.º 1401­001.511  S1­C4T1  Fl. 718          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra o Acórdão nº 12 ­ 32.401, da 4ª Turma  da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I­RJ.  Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão  de primeira instância:  Trata­se de manifestação de inconformidade (fls. 561 a 566), de 11/12/2007,  contra  critérios  de  atualização  utilizados  pela  autoridade  fiscal  na  apuração,  em  Despacho  Decisório  Complementar  (fls.  520  a  531)  de  30/10/2007,  de  direitos  creditórios adicionais de R$ 5.635.316,32, à data de 30/07/99, de R$ 70.739,90,  à  data  de  31/03/2003,  créditos  esses  originários  de  pagamentos  de  anistia  de  IRPJ­ Estimativa do ano­calendário de 97, efetuados em 1999 em excesso ao valor de IRPJ  devido  daquele  ano.  Tais  créditos  foram  reconhecidos  em  adição  ao  crédito  inicialmente  acolhido  cm Despacho Decisório  anterior,  de  24/05/2004  (fls.  361  a  367),  no  montante  de  R$  3.426.075,07,  para  um  total  então  pleiteado  de  RS  5.206.600,66.  2.  O  Despacho  Complementar  em  questão  resultou  de  diligências  propostas pela Resolução 93, de 08/11/2006 (fls. 419 a 423), desta Turma, em que  foi  requerida manifestação da autoridade preparadora com respeito à existência de  credito  em  favor  do  interessado,  por  conta  dos  pagamentos  feitos  na  anistia,  existência essa indicada cm documentos juntados aos autos (fls. 82e83, 145 a 166,  247 e 286, 302, e 315 a 320).  3.  Na  presente  manifestação  o  interessado  também  reitera  os  termos  da  manifestação  de  inconformidade  anterior  (fls.  384  a  389),  de  14/07/2004,  apresentada  cm  face  do  Despacho  Decisório  de  24/05/2004,  no  qual  foram  indeferidos os valores de : i) RS 156.438,02, relativos a pagamentos de antecipação  de  PIS­DEDUÇÃO  referentes  a  IRPJ­estimativa  dc  97;  ii)  R$  1.562,861,85,  concernentes  a  IRPJ­estimatÍva  doc  97,  com  exigibilidade  suspensa,  e,  iii)  R$  61.225,72,  relativos a valor de Auto de  Infração de  IRPJ dc 97 não adicionado ao  imposto devido do ano.  4.  O interessado argumenta que não merece prosperar a atualização levada  a  efeito  pela  autoridade  fiscal,  dos  recolhimentos  com  anistia  do  IRPJ  do  ano­ calendário de 97 efetuados em 99 e em excesso ao devido em 97, tendo a correção  sido feita a partir da data do recolhimento, não a partir de 01/98, como deveria ser, já  que se trata de Saldo Negativo do IRPJ a Pagar de 97. Para os pagamentos feitos na  anistia, o interessado calculou e recolheu o valor de todas as antecipações devidas no  ano­calendário  de  97,  com  exigibilidade  suspensa,  na  forma  estabelecida  pela  Medida Provisória 1,858/99. Tendo em conta que no ajuste de 97, foi apurado IRPJ  devido menor do que o efetivamente recolhido por conta dessas antecipações pagas  na anistia, o montante em excesso incrementou o Saldo Negativo existente do ano­ calendário de 97. Este montante deveria, então, ser restituído, com atualização pela  SELIC  desde  01/98,  pois  se  trata  de  pagamento  das  antecipações  decorrentes  de  obrigação legal.  5.  Diz também que a autoridade, no primeiro Despacho Decisório, glosou,  no  crédito  pleiteado,  o  valor  de RS  156.438,02  relativo  a  PIS­DEDUÇÃO,  sob  o  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO     4 argumento de que não poderia ser considerado estimativa do IRPJ do ano­calendário  de 97. Esse tributo teria sido em parte quitado em DARF, no valor de R$ 98.766,69,  conforme  comprovante  que  anexa  (fl.  595),  e  parte  compensado  com  crédito  do  Imposto de Renda de 96, no valor de R$ 56.571,33, no PAF 16327.002939/2001­55,  conforme  demonstrativo  que  apresenta  (fl.  596).  Segundo  ele,  o  PIS­DEDUÇÃO  deve  ser  considerado  como  estimativa  do  Imposto  de Renda,  porque  advém desse  imposto,  correspondendo  a  percentual  deduzido  do  IR.  Somente  é  devido  quando  apurado IR a recolher, que é sua base de cálculo. Se, ao final do período­base, apura­ se  Saldo  Negativo  do  IR,  não  haveria  que  se  cogitar  de  percentual  destinado  ao  fundo  determinado  na  lei,  porque  inexiste  base  de  cálculo,  devendo,  então,  ser  considerado  como  estimativa  do  IR  recolhida  indevidamente.  Assim,  o  valor  recolhido por ocasião do recolhimento estimado do  IR deve ser considerado como  parte do crédito do IR apurado.  6.  Alega, ainda, que a autoridade reduziu o Saldo Negativo de IRPJ de 97,  no  valor  de R$  61.225,72, montante  este  lançado  em Auto  de  Infração  objeto  do  PAF  16327.001932/2001­18.  Nesse  processo,  foi  interposto  recurso  junto  ao  Conselho  de Contribuintes  (fls.  599  e  600),  cujo  julgamento  já  se  deu,  estando  o  respectivo  acórdão  para  ser  cientificado  ao  interessado.  Assim,  o  procedimento  adotado  pela  fiscalização  para  compensar  o  IRPJ  lançado  e  diminuir  o  Saldo  Negativo do IRPJ de 97 não é cabível, porque em decorrência da ciência a ser dada  poderá o autuado ainda interpor recurso especial à Câmara Superior, o que impede a  extinção do crédito mediante compensação de oficio.  7.  Afirma, por fim, que o valor objeto da Carta de Cobrança 01 recebida  no PAF 16327.001060/2003­58, diverge daquele constante da decisão proferida no  PAF 16327.003912/2002­61 (fl. 601).  8.  Com  base  no  exposto,  requer  o  reconhecimento  do  direito  creditório  conforme pleiteado e a conseqüente homologação das compensações declaradas.  É o relatório.  9.  A DRJ indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo:  Ano­calcndário: 1997  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO  DO  INDÉBITO  A  PARTIR  DA  DATA  DO  RECOLHIMENTO.  VALIDADE.  A  data  inicial  para  a  atualização  de  indébito  decorrente  de  pagamento  a  maior  de  IRPJ­estimativa  feito  após  findo o ano­calendário, deve ser a do efetivo recolhimento, não a de apuração  do  Saldo  Negativo  a  Pagar  pleiteado,  a  qual,  se  adotada,  propiciaria  enriquecimento sem causa do contribuinte em prejuízo da Fazenda Pública.  RECOLHIMENTO DE  PIS­DEDUÇÃO  SOBRE  ESTIMATIVA DE  IRPJ.  CONVERSÃO  EM  INDÉBITO  DE  IRPJ.  IMPOSSIBILIDADE.  O  recolhimento  feito  a  título  de  PIS­DEDUÇÃO,  embora  relativo  a  IRPJ­ estimativa pago a maior, não pode compor eventual Saldo Negativo do IRPJ  a  Pagar,  pois,  como  contribuição  social,  é  tributo  de  natureza  distinta  de  imposto c sujeito à destinação legal própria, e cuja conversão em indébito de  IRPJ reclama autorização expressa de norma legal, ora inexistente.  DEDUÇÃO  NO  SALDO  NEGATIVO,  DO  VALOR  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO. VALIDADE. O Saldo Negativo de IRPJ a Pagar somente pode  constituir  direito  creditório  para  o  contribuinte,  na  sua  integralidade,  se  ostentar  os  atributos  de  liquidez  e  certeza  no  montante  total  declarado,  Fl. 731DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/2002­61  Acórdão n.º 1401­001.511  S1­C4T1  Fl. 719          5 devendo,  porém,  ser  ele  reduzido,  na parcela  correspondente,  se  se  verifica  valor devido do IRPJ declarado a menor, exigido em Auto de Infração.    Irresignada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  interpôs  recurso  voluntário  a  este  Conselho,  repisando  os  tópicos  trazidos  anteriormente  na  impugnação.    Baixou­se  o  processo  em  diligência,  através  da Resolução CARF  nº  1401­ 000.116,  de  04  de  outubro  de  2011,  para  verificar  a  situação  do  processo  n.  16327.001932/2001­16, ficando sobrestado até seu trânsito em julgado.  O Processo retornou com informação para prosseguimento do presente feito.  É o relatório.  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO     6       Voto Vencido    Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator.  O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento.  1) Saldo Negativo – atualização monetária – termo inicial  O primeiro ponto do litígio se restringe ao termo inicial para a incidência dos  juros calculados à taxa SELIC sobre o saldo negativo IRPJ, apurado pela interessada no ano­ calendário 1997.  Em apertada síntese, a Recorrente deixou de recolher valores devidos a título  de estimativa referente ao ano­calendário de 1997, amparada que estava por medidas judiciais.  Em momento posterior, objetivando usufruir de benefícios trazidos pela Lei n° 9.779, de 1999,  desistiu  das  ações  judiciais  e  promoveu  o  recolhimento  das  citadas  estimativas  na  forma  preconizada pelo citado ato legal.  A  Recorrente  insurge­se  então  contra  a  atualização  levada  a  efeito  pela  autoridade fiscal com base nas datas dos respectivos recolhimentos, dos indébitos relativos ao  IRPJ­Estimativa do ano­calendário de 1997 que integraram o Saldo Negativo de IRPJ a Pagar  do ano, e pagos somente no ano­calendário de 1999, no âmbito do programa de anistia da MP  1.858/99. Pretende ele que a correção se faça a partir de 01/98, por se tratar de Saldo Negativo  de  IRPJ  a Pagar de 97  e não  a partir  das datas de pagamento,  como  se pagamento  indevido  fosse.  Ora, o pagamento das  estimativas  somente se deu em 30 de  julho de 1999,  sob o benefício do artigo 17 da Lei n°9.779/1999. Por outro torneio, a Fazenda Nacional não  esteve  de  posse  das  antecipações,  nem  do  saldo  negativo,  até  que  ocorresse  o  pagamento.  Assim, somente a partir daquela data (30 de julho de 1999) seriam devidos os juros, sob pena  de  se  constituir  indenização  financeira  por  privação  fictícia,  não  real,  de  capital,  pleito  esse  desprovido de fundamento no direito e na lei.  Outrossim,  é  preciso  ter  sempre  em  mente  que  o  objetivo  precípuo  da  atualização  de  indébito  é  indenizar  o  titular  do  direito  creditório  pela  privação  dos  recursos  financeiros  transferidos  em  excesso  para  os  cofres  da  Fazenda  Pública.  Porém,  isso  não  aconteceu, pois embora o indébito em questão se refira a fato gerador ocorrido no último dia do  ano­calendário  de  97,  quando  se  apurou  o  valor  devido  do  IRPJ,  a  partir  do  qual  se  quantificaram valores eventualmente pagos a maior, tal privação concretamente somente veio a  ocorrer  a  partir  das  datas  dos  pagamentos  realizados  a  maior.  Não  tendo  efetuado  os  recolhimentos das estimativas no ano de 97, por qualquer que seja o motivo, no caso por estar  de posse de medidas  judiciais,  não  incorreu  em qualquer prejuízo que  reclame compensação  por juros. De outra forma estar­se­ia legitimando o enriquecimento sem causa, o que é vedado  em nosso ordenamento jurídico.  Fl. 733DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/2002­61  Acórdão n.º 1401­001.511  S1­C4T1  Fl. 720          7 O argumento utilizado de que a natureza do crédito em questão seria de saldo  negativo e como tal não poderia se transmutar em pagamento indevido, dissociando­se assim a  sua atualização monetária do valor principal com marco em dezembro de 1997, para a data do  pagamento indevido é sedutora, mas não é uma regra absoluta e inexorável, mormente quando  a jurisprudência administrativa derrubou o seu vigor em situações favoráveis à Recorrente.  Refiro­me  à  situação  em  que  o  contribuinte  efetivamente  demonstra  que  houve pagamento a maior das estimativas, onde nesses casos o entendimento da Receita quanto  da Jurisprudência era de que,  independentemente disso, a  restituição só se daria por meio da  apuração do  saldo negativo no  final do  exercício  e  a atualização monetária,  portanto,  não  se  daria a partir do pagamento indevido da estimativa, mas sim do exercício seguinte à formação  do  Saldo  devedor.  Porém,  esse  dogma  foi  derrubado  seja  por  novo  entendimento  da  SRFB,  através de alteração por meio de uma nova Instrução Normativa, bem assim do CARF mesmo  em relação a situações anteriores à essa mudança de critério jurídico.  Ora,  se  então  é  permitido  desvincular  situações  particulares  referidas  originalmente  à  restituição  de  saldo  negativo,  tal  critério  deve  funcionar  isonomicamente  contra ou a favor os contribuintes.  Portanto, nego provimento a esse item.    2) PIS­DEDUÇÃO    Nesse ponto, a Recorrente insurge­se quanto à glosa do crédito pleiteado, no  valor de R$ 156.438,02 relativo a Pis­Dedução. Segundo a Recorrente o Pis­Dedução deve ser  considerado  como  estimativa  do  Imposto  de  Renda,  porque  advém  desse  imposto  e  corresponde a percentual deduzido do IR.  Por  não  ter  nada  a  reparar  na  decisão  de  piso,  utilizo­me  abaixo  dos  seus  fundamentos não refutados pela Recorrente como razões de decidir:  (...) 14. Equivoca­se novamente o interessado já que não leva em  conta que, a partir do momento em que o recolhimento é feito a  título de PIS­DEDUÇÃO, ­ tributo de espécie distinta de imposto  e com destinação legal específica­ , não há como proceder­se à  desconstituíção  de  tal  fato  e  convertê­lo  cm  recolhimento  de  IRPJ­Estimativa. Sendo assim, não pode aquele valor compor o  Saldo Negativo do IRPJ a Pagar do ano­calendário de 97, já que  não  se  trata  imposto mas  sim  de  contribuição  social.  Eventual  direito  creditório  decorrente  do  recolhimento  em  questão  pode  ser  pleiteado  e  apreciado  como  PIS­DEDUÇÃO,  recolhido  a  maior, não como IRPJ pago em excesso.    Portanto, nego provimento a este item.    Fl. 734DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO     8 3) Redução do Saldo Negativo – Lançamento de Ofício    Por  fim,  insurge­se  contra  a  redução  Saldo Negativo  de  IRPJ  de  1997,  no  valor  de  R$  61.225,72,  em  face  de  lançamento  de  ofício  de  debito  de  imposto,  objeto  do  Processo  nº  16327.001932/2001­16  em  que  o  resultado  do  julgamento  de  recurso  interposto  junto ao Conselho de Contribuintes  (fls. 599 e 600), não  foi ainda notificado ao  interessado.  Diz que tal fato obstaria a extinção do crédito lançado mediante compensação de ofício.  Baixou­se  o  processo  em  diligência,  através  da Resolução CARF  nº  1401­ 000.116,  de  04  de  outubro  de  2011,  para  verificar  a  situação  do  processo  n.  16327.001932/2001­16, ficando sobrestado até seu trânsito em julgado.  Consta do processo que o referido julgamento já aconteceu e foi desfavorável  à Recorrente, conforme ementa abaixo:  IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA   EXERCÍCIO: 1998, 1999, 2000, 2001  TRIBUTOS  E  CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE  SUSPENSA  –  TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DOS JUROS MORATÓRIOS   Constituindo­se  acessório  do  tributo  ou  contribuição  lançados,  aos  juros  moratórios  devem  ser  aplicadas  as  mesmas  regras  a  que  se  submetem  tais  exações,  inadmitindo­se,  portanto,  a  sua  dedutibilidade  nos  casos  de  suspensão da exigibilidade do principal.  CSLL  ­  MAJORAÇÃO  DE  ALÍQUOTA  NO  CURSO  DO  ANO­ CALENDÁRIO ­ Na esteira de manifestações advindas do Supremo Tribunal  Federal  (STF),  tratando­se  de  contribuições  que  se  destinam  a  financiar  a  seguridade  sociai,  é  inviável  a  aplicação  da  teoria  do  fato  gerador  complexivo,  vez  que,  se  assim  fosse,  tornaria­se  inócua  a  denominada  "anterioridade mitigada" do  art.  195, parágrafo 6°,  da Constituição Federal.  Admissível,  portanto,  a  aplicação de  alíquota majorada  estabelecida  em  ato  legal vigente em data anterior ao da ocorrência do fato gerador.   PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO – A compensação de prejuízo fiscal,  por se constituir em parte  integrante da determinação da base de cálculo do  IRPJ  das  pessoas  jurídicas  submetidas  ao  regime de  apuração  com base  no  lucro real, deve ser promovida de ofício. Contudo, para que  tal providência  seja efetivada cabe ao detentor do direito comprovar a sua existência.    Consta  despacho  da  Delegacia,  em  07/12/2011,  que  foi  dado  ciência  ao  contribuinte,  destacando  que  a  referida matéria  constante  do  processo  foi  discutido  também  judicialmente; que houve renúncia ao direito sobre o qual a medida judicial se fundamentava  no intuito de aderir aos benefícios da anistia prevista pela Lei n° 11.941/09 ­“REFIS da Crise”;  e que os valores foram depositados judicialmente seriam suficientes para liquidar os referidos  débitos:  (...) O recurso voluntário contra à decisão da DRJ foi julgado pelo Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  (artigo  25,  II  do  mencionado  decreto)  (folhas  168  a  177),  o  qual,  mais  uma  vez  manteve  inalterado  o  lançamento dos créditos tributários aqui em exame.   Fl. 735DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/2002­61  Acórdão n.º 1401­001.511  S1­C4T1  Fl. 721          9 Não foi apresentado novo recurso contra a decisão do CARF. Dessa maneira,  o lançamento dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL tornou­se definitivo  na  esfera  administrativa,  ou  seja,  não  é  mais  possível  questionar  a  constituição  desses  montantes  na  órbita  'administrativa.  Ciente  disto,  o  contribuinte  passou  a  questionar  o  lançamento  dos  créditos  tributários  na  órbita  judicial.  Para  tanto,  apresentou  a  Medida  Cautelar  n°  2007.61.00.008933­0  na  qual  depositou  em  juízo  os  montantes  aqui  em  exame.  As  importâncias  depositadas  foram  confirmadas  nos  sistemas  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB  (folhas234  e  235)  e  mostraram­se  suficientes  para  cobrir  integralmente  os  créditos  tributários  em  análise,  conforme  reconheceu  a  manifestação  anexa  nas  folhas  241,  com  base  em  cálculos realizados no sistema SICALC (folhas 237 a 240). Posteriormente, a  referida medida cautelar deu origem à ação ordinária n° 2007.61.00.017582­8  (numeração nova 0017582­80.2007.4.03.6100).   O pedido, causa de pedir e andamento dessa ação ordinária não será objeto de  análise da presente manifestação:  Isso porque o contribuinte apresentou  sua  renúncia ao direito sobre o qual a medida judicial se fundamentava no intuito  de aderir aos benefícios da anistia prevista pela Lei n° 11.941/09 (folha 261).  Tal renúncia é um dos requisitos para,aderir ao chamado "refis da crise", nos  termos  do  artigo  13  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  n°  06/09,  norma  secundária  que  regulamenta  a  Lei  n°  11.941/09.  Adicionalmente,  o  prazo  para apresentar a desistência ao recurso administrativo ou à ação judicial até  28/02/2010.  foi  respeitado  pelo  interessado  (artigo  2°  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  n°  13/09).  Esse  mesmo  pedido  de  desistência  também  foi  apresentado  na  apelação  cível  n°  2007.61.00.017582­8  (folhas  269  e  270),  sendo  admitido  pelo Tribunal Regional  Federal  da  3^ Região  ­  TRF  da  3^  Região (folha 275).   Posteriormente,  o  memorando  n°  38/2010/DEINFSPO/SRRF08/RFB  de  30/08/2010  enviado  à  Divisão  de  Assuntos  Judiciais  ­  DIAJU  da  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  em  São  Paulo  ­  PFN/SP,  cuja  cópia  foi  anexada ao presente processo (folhas 279 a 284), efetuou os cálculos para a  conversão  em  renda  dos  depósitos  judiciais  com  os  benefícios  da  anistia  trazida pela Lei n° 11.941/09. Por fim, os depósitos que garantiam os créditos  tributários  lançados  no  auto  de  infração  mencionado  anteriormente  permanecem  bloqueados  no  sistemas  da  RFB  (folha  285)  aguardando  a  conversão  em  renda,  cujo  cálculo  do  valor  a  levantar  e  a  converter  ainda  permanece em discussão na jurisdição de primeiro grau (folha 287).   Assim  sendo,  diante  dos  seguintes  elementos:  o  contribuinte  desistiu  da  apelação  cível  n°  2007.61.00.017582­8  apresentado  no  Poder  Judiciário  no  intuito­de  aderir  à  anistia  prevista  pela  Lei,n°  11.941/09.  O  pedido  de  desistência  foi  homologado  pelo TRF  da  3a Região. Os  depósitos  judiciais  mostraram­se  suficientes  para  extinguir  os  créditos  tributários  aqui  cadastrados. Os valores depositados permanecem bloqueados. Diante desses  elementos, os débitos cadastrados no presente processo não são impedimento  para  a  emissão  da  Certidão  Negativa  de  Débitos  ­  CND  em  nome  do  contribuinte,  uma  vez  que  as  importâncias  permanecem  garantidas  pelos  mencionados depósitos,  aguardando serem extintas por conversão  em renda  com os benefícios trazidos pela Lei n° 11.941/09.  Fl. 736DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO     10 Porém, consultando o processo n. 16327.001932/2001­16 às fls. 406, com a  retificação  parcial  às  fls.412,  consta  despacho  da  DRF,  de  26/02/2014,  dando  conta  que  os  referidos  depósitos  foram  convertidos  definitivamente  em  renda  extinguindo  os  créditos  tributários constantes dos mesmos e arquivando­se o referido processo :  (...) Ao consultar a ação judicial, observou­se que encontra­se como “BAIXA  DEFINITIVA ARQUIVO em 13/02/2014” na Justiça Federal/SP.  Conforme “Consulta Proc. 1º grau – SJSP E SJMS” Movimentação N. 135,  tem­se  “  5.  Converta­se  em  renda  da  União  a  quantia  equivalente  a  56,20%  depositada  judicialmente  (fls.  82  e  83)  e  expeça­se  alvará  de  levantamento  dos  valores  excedentes,  correspondentes  a  43,801%  ...”  ,  atos  confirmados  nos  dados  constantes na pesquisa no sistema SINALDEP/LEVDEP (IRPJ e CSLL). Consta no  referido  sistema,  os  valores  de  cada  tributo,  “devolvido  ao  depositante”  e  “transformado pagto definitivo, conforme determinação da Justiça Federal.  Dessa  forma,  aloquei  os  depósitos  (DJEs)  transformados  em  pagamentos  definitivos,  sendo  que  os  saldos  de  multas  e  juros  foram  extintos  no  “SIEF­ processo”  por  “Revisão  de  Lançamento”,  visto  que  o  SIEF  não  considera  as  deduções dos benefícios previstos na Lei 11.941/2009.  Portanto,  entendo  que  os  valores  depositados  durante  a  Ação  Judicial  tiveram seus legítimos destinos dando extinção do débito discutido.  De acordo.  Com base no  exposto,  proponho o  arquivamento do presente Processo.  (destaquei)  “Dessa  forma,  aloquei  os  depósitos  (DJEs)  transformados  em  pagamentos  definitivos,  sendo  que  os  saldos  de  multas  e  juros  foram  extintos  no  “SIEF­ processo”  por  “Revisão  de  Lançamento”,  visto  que  o  SIEF  não  considera  as  deduções dos benefícios previstos na Lei 11.941/2009.    Como os débitos do processo n. 16327.001932/2001­16 que ora serviam de  óbice à compensação já foram extintos pela conversão dos depósitos judiciais em renda:  Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL a esse item para homologar  as  compensações  até  o  valor  de  R$  61.225,72,  atualizados  nos  mesmos  moldes  do  item  1,  tomando como base as datas dos depósitos judiciais e não como se saldo negativo fosse.         (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto    Fl. 737DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/2002­61  Acórdão n.º 1401­001.511  S1­C4T1  Fl. 722          11 Voto Vencedor  Conselheira Lívia de Carli Germano, Redatora designada.  A divergência quanto ao voto do ilustre Relator diz respeito ao termo inicial  para  a  contagem  dos  juros  calculados  à  taxa  SELIC  sobre  os  valores  recolhidos  (item  1)  e  depositados em juízo (item 3) que vieram a compor o saldo negativo de IRPJ referente ao ano­ calendário de 1997, o qual posteriormente veio a se tornar crédito pleiteado pelo contribuinte  via declaração de compensação.  Entende  o  Relator  que  a  atualização  deve  ser  feita  a  partir  da  data  do  recolhimento/depósito (conforme o caso), não a partir de janeiro de 1998, como ocorreria caso  tivesse havido pagamento tempestivo dos valores que compuseram referido saldo negativo.  Na esteira do decidido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio  de  Janeiro  I­RJ,  adotar  a  data  de  apuração  do  saldo  negativo  pleiteada  pelo  contribuinte  propiciaria a este enriquecimento sem causa, em prejuízo da Fazenda Pública.   A  conclusão  acima  leva  em  consideração  que  o  contribuinte,  ao  recolher/depositar  os  valores  no  âmbito  de  programas  de  anistia,  teria  se  beneficiado  de  reduções do saldo devedor e, por isso, pleitear o crédito de saldo negativo atualizado "como se  saldo negativo fosse" (é dizer, desde janeiro de 1998), lhe propiciaria uma espécie de "ganho".  Isso porque, por um lado, para fins de formação do indébito a compensar, o  contribuinte teria os valores atualizados pela SELIC desde janeiro de 1998, enquanto que, para  fins  do  cálculo  do  valor  a  ser  pago/convertido  em  renda  anos  depois,  o  contribuinte  se  beneficiou  de  reduções,  tendo,  na  prática,  pago/depositado  menos  do  que  o  crédito  que  pretende compensar.  Acontece  que  tal  resultado  positivo  não  é  "enriquecimento  sem  causa"  do  contribuinte, mas consequência direta das próprias anistias concedidas pelo Governo. Ou seja,  a "causa" do "ganho" ou "resultado positivo" auferido pelo contribuinte é exatamente a anistia  prevista em lei, cujas condições, supõe­se, o contribuinte regularmente preencheu. De fato, não  fosse  por  tal  perdão,  os  valores  de  crédito  e  débito  se  equivaleriam,  eis  que  corrigidos  pela  mesma taxa SELIC.  Com  a devida  vênia,  entendo que  o  fato  de  o  contribuinte  se  beneficiar  de  programas de anistia  expressamente previstos  em  lei  não  tem o  condão de  alterar  a natureza  dos pagamentos efetuados no âmbito de tais remissões. Assim, se o valor pago/depositado o foi  a título de saldo negativo, é esta a natureza do pagamento, e assim ele deve ser corrigido pela  SELIC, não obstante o pagamento/depósito tenha ocorrido apenas anos depois e com reduções  previstas em lei.   Neste  sentido,  oriento meu voto  para dar provimento  ao  recurso  voluntário  quanto  aos  itens  1  e  3,  considerando  os  respectivos  valores  como  saldo  negativo  de  1997,  portanto atualizados pela SELIC desde janeiro de 1998.  Livia De Carli Germano ­ Redatora designada  Fl. 738DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO     12                 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO

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Numero do processo: 10840.002715/2004-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL. O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/2004­09  Acórdão n.º 9202­003.664  CSRF­T2  Fl. 308          2   Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Relatório  O Acórdão nº 2802­00.729, da 2a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e­fls. 251 a 259), julgado na sessão plenária  de 17 de março de 2011, deu provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos,  cancelando o auto de infração (e­fls. 170 a 179) e requerendo o recálculo do imposto incidente  seguindo o entendimento então dominante no STJ, que considerava a tabela do mês a que se  refere  o  rendimento  para  a  realização  do  cálculo,  conforme  se  lê  na  ementa  do  julgado,  nos  termos que seguem:   “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  – IRPF   Exercício: 2001   RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  EM  DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.  Segundo  jurisprudência  pacifica  do  STJ,  tratando­se  de  verbas  recebidas acumuladamente, mas relativas a períodos pretéritos,  devidamente  discriminados  na  ação  judicial  trabalhista,  o  mês  do  efetivo  recebimento  indica  o  momento  da  incidência  do  imposto  e,  para  efeito  de  cálculo,  deve  se  considerar  a  tabela  progressiva  do  mês  a  que  se  refere  o  rendimento.  Recurso  provido.  Recurso Voluntário Provido.”  Cabe  registrar  que  o  lançamento  em  questão  refere­se  à  incidência  do  imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, originário  de verbas trabalhistas, em conseqüência da ação proposta pelo contribuinte, relativo a valores  salariais do período entre junho de 1988 e março de 1993.   A  soma  total  fora  recebida  parceladamente,  em  três  anos­calendários  diferentes  (2000,  2001  e  2002),  acarretando  em  03  processos  administrativos  fiscais,  sendo  que, o que está em discussão, é o do Exercício 2001.  Posteriormente  ao  Acórdão  supra,  foi  apresentado  pela  Fazenda  Nacional  Recurso Especial (e­fls. 266 a 274) solicitando a reforma do acórdão recorrido, sendo que, no  Exame de Admissibilidade deste Recurso Especial (fls. 285 a 289), realizado em 29 de agosto  de 2011, o Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF optou por dar seguimento ao pleito.  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/2004­09  Acórdão n.º 9202­003.664  CSRF­T2  Fl. 309          3 Em  apreciação  inicial  do  Recurso  Especial,  este  Colegiado  optou  por  sobrestar  a  apreciação  do  feito,  até  que  ocorresse  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62­A,  §§1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009  (vide Acórdão CSRF/2a. Turma 9.202­000.007 – de e­fls. 302 a 306).   Uma vez  revogados os mencionados parágrafos do art. 62­A e  já proferida,  inclusive,  pelo  STF,  decisão  definitiva,  transitada  em  julgado  em  16/12/2014,  no  âmbito  do  referido Recurso Extraordinário, retorna o feito para apreciação desta Turma.  Mais  especificamente,  em  seu  expediente  recursal,  a  Fazenda  Nacional  se  insurge  contra  a  exclusão  dos  valores  tributáveis  da  base  de  cálculo  do  IRPF,  com  base  no  Parecer  PGFN/CRJ  n"  287/2009,  no  Despacho  do  Ministro  da  Fazenda  SN/2009,  no  Ato  Declaratório PGFN no 1, de 27 de março de 2009 e, ainda, no Parecer PGFN/CAT 815/2010,  este último que seguiria, na  forma mencionada pelo  recorrido, o entendimento dominante no  STJ acerca do tema sob análise.   Além de mencionar a suspensão de eficácia do mencionado Ato Declaratório  PGFN  no  1,  de  27  de  março  de  2009  pelo  Parecer  PGFN/CRJ/nº  2331/2010,  por  conta  do  entendimento  por  parte  do STF no  âmbito  dos Recursos Extraordinários  614.406  e  614.232,  que tiveram repercussão geral reconhecida (fato que originou o sobrestamento já mencionado),  sustenta a Fazenda que não há amparo legal para o “fracionamento, mês a mês, decidido pelo  Recorrido, com este espargimento do total devido ao empregado, por sentença ou acordo, no  número de meses da disputa,  para,  assestar­se  a  aplicação dos  índices  constantes das  tabelas  mensais e logo, promover a não incidência do imposto de renda”.   Defende, assim, a incidência do Imposto sobre a Renda sobre a totalidade dos  valores  recebidos,  no  mês  do  recebimento,  tendo  a  Fazenda  Nacional,  ainda,  alegado  a  existência de divergência  jurisprudencial entre o decidido no Acórdão  recorrido e o  seguinte  paradigma,  que  sustentaria  sua  tese,  com  supedâneo  no  art.  12  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro de 1988, e no art. 56, parágrafo único, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999.    Acórdão no 106­15.696, de 26 de julho de 2006:  IRPF ­ RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE —  Incide  imposto  de  renda  sobre  a  totalidade  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  ern  razão  do  trabalho  assalariado,  nos termos do artigo 12 da Lei n°7.713/88.  IRPF  ­ MULTA DE OFICIO  ­  ERRO  ESCUSÁVEL  ­  Tendo  a  fonte  pagadora  (Centro  Técnico  Aeroespacial)  prestado  informação  equivocada  aos  seus  funcionários  com  relação  à  natureza  de  rendimentos  pagos  acumuladamente,  o  erro  cometido pelo  contribuinte no preenchimento da declaração de  ajuste  anual  escusável.  Assim,  o  lançamento  que  reclassificou  ditos  rendimentos  de  isentos  e  não  tributáveis  para  tributáveis  não comporta a exigência da penalidade de oficio.  Recurso parcialmente provido  Cientificado  do  acórdão  e  do  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  em  21/09/2011  (e­fl.  294),  o  contribuinte  ofertou  contrarrazões  pugnando  pela  inexistência  de  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/2004­09  Acórdão n.º 9202­003.664  CSRF­T2  Fl. 310          4 condição jurídica da tese da Fazenda Nacional. Registro, ainda, que as referidas contrarrazões  não  foram  juntadas  integralmente  aos  autos,  apenas  sua  primeira  folha,  seguida  da  documentação  a  ela  anexa.  Ainda  que  tais  contrarrazões  não  estejam  anexadas  de  forma  completa aos autos, deixo de promover o referido saneamento, por não interferir na conclusão  do presente voto.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator  O recurso especial de divergência é tempestivo.  Entretanto, discordo do despacho do Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção que  admitiu o recurso.  Atente­se que o acórdão recorrido não aplicou as diretrizes do art. 12 da Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  determina  a  tributação  dos  rendimentos  recibos  acumuladamente no mês do recebimento do crédito, defendendo o entendimento emanado da  aplicação do Parecer PGFN 815/2010, alinhado com a jursiprudência então dominante no STJ,  podendo, ainda, em meu entendimento, ser estabelecida plena vinculação entre o mencionado  Parecer e o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009, que determinou a dispensa  de recursos em ação judiciais que versassem sobre a presente matéria.  Assim,  inteiramente  respaldado  o  teor  do  julgado  recorrido  pelo  art.  62,  inciso II, alínea “a”, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de  junho  de  2009,  que  permitia  que  se  afastasse  a  aplicação  de  lei  que  fundamentasse  crédito  tributário objeto de ato declaratório do Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na  forma dos  arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002.  Por  sua  vez,  note­se  que  o Acórdão­Paradigma  citado  como  divergente  foi  proferido antes da publicação do citado do referido Parecer PGFN 815/2010 e antes mesmo do  mencionado Ato Declaratório de dispensa de recursos e, assim, não analisou a legislação sob os  mesmos fundamentos da decisão recorrida.  Assim,  não  é  possível  dizer  que o  paradigma  interpretou  a  lei  tributária  de  forma divergente do acórdão recorrido, pois, na ocasião em que foi proferido, não existia nem  o  Parecer  que  se  decide  aplicar  no  voto  condutor  nem  o  ato  declaratório  da  PGFN  que  determinava a não contestação da matéria, não sendo possível, assim, se deixar de aplicar as  determinações legais.  Acrescente­se que esta 2a Turma já deixou de conhecer de recurso especial da  Fazenda Nacional pelos mesmos motivos aqui expostos, no Acórdão nº 9202­002.291, julgado  na sessão de 08 de agosto de 2012, sendo relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/2004­09  Acórdão n.º 9202­003.664  CSRF­T2  Fl. 311          5   Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do  recurso  especial do  Procurador da Fazenda Nacional, mantendo­se a decisão recorrida que determinou o recálculo  dos valores de tributo devido, com base na tese consolidada do STJ.    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                                  Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO

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Numero do processo: 19740.720158/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE. LANÇAMENTO. PRORROGAÇÃO TARDIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INOCORRÊNCIA. Nos termos da legislação então vigente, a prorrogação do MPF se efetivava mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e não dependia da ciência do sujeito passivo. ERROS DE CÁLCULO. Inexiste prejuízo à validade do lançamento se os critérios de cálculo são claramente expostos pela autoridade lançadora, permitindo a defesa do sujeito passivo e a avaliação, no contencioso administrativo, das alegações assim contrapostas. GLOSA DE PERDAS. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO PERÍODO FISCALIZADO OU ANTERIOR. PERDAS QUE SUPERAM O VALOR CALCULADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cancela-se a exigência se o recálculo promovido pela autoridade lançadora deixa de considerar aspectos que poderiam afetar o saldo devedor deduzido como perda, e firma a impossibilidade de a contribuinte ter apropriado os juros depois de ultrapassados 60 (sessenta) dias de atraso, sem confirmar contabilmente que este foi o procedimento adotado pelo sujeito passivo. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR. Correta a interpretação fiscal pautada na contagem do prazo legal a partir do último vencimento sem pagamento. PERDAS ASSOCIADAS A OPERAÇÕES FIRMADAS DEPOIS DA DEVOLUÇÃO DE CHEQUES RECEBIDOS PARA QUITAÇÃO DO EMPRÉSTIMO ORIGINAL. Mantém-se a glosa se o crédito original foi levado a perda e o sujeito passivo não prova a contabilização da receita decorrente de sua recuperação antes do segundo registro de perda. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. TAXA APLICÁVEL. VARIAÇÃO PRO RATA DIA. Ao determinar que o cálculo dos juros está limitado à variação pro rata dia, a lei apenas estipulou que será considerando o dia do acréscimo ou decréscimo eventualmente verificado no patrimônio líquido ao longo no ano-calendário. Nada na lei permite concluir que, mesmo mantendo-se inalterado o patrimônio líquido ao longo do período de apuração, a TJLP seria proporcionalizada em razão da quantidade específica de dias de cada trimestre.
Numero da decisão: 1302-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por vícios em prorrogações do MPF; 2) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por erro nos cálculos, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de perdas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE. LANÇAMENTO. PRORROGAÇÃO TARDIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INOCORRÊNCIA. Nos termos da legislação então vigente, a prorrogação do MPF se efetivava mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e não dependia da ciência do sujeito passivo. ERROS DE CÁLCULO. Inexiste prejuízo à validade do lançamento se os critérios de cálculo são claramente expostos pela autoridade lançadora, permitindo a defesa do sujeito passivo e a avaliação, no contencioso administrativo, das alegações assim contrapostas. GLOSA DE PERDAS. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO PERÍODO FISCALIZADO OU ANTERIOR. PERDAS QUE SUPERAM O VALOR CALCULADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cancela-se a exigência se o recálculo promovido pela autoridade lançadora deixa de considerar aspectos que poderiam afetar o saldo devedor deduzido como perda, e firma a impossibilidade de a contribuinte ter apropriado os juros depois de ultrapassados 60 (sessenta) dias de atraso, sem confirmar contabilmente que este foi o procedimento adotado pelo sujeito passivo. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR. Correta a interpretação fiscal pautada na contagem do prazo legal a partir do último vencimento sem pagamento. PERDAS ASSOCIADAS A OPERAÇÕES FIRMADAS DEPOIS DA DEVOLUÇÃO DE CHEQUES RECEBIDOS PARA QUITAÇÃO DO EMPRÉSTIMO ORIGINAL. Mantém-se a glosa se o crédito original foi levado a perda e o sujeito passivo não prova a contabilização da receita decorrente de sua recuperação antes do segundo registro de perda. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. TAXA APLICÁVEL. VARIAÇÃO PRO RATA DIA. Ao determinar que o cálculo dos juros está limitado à variação pro rata dia, a lei apenas estipulou que será considerando o dia do acréscimo ou decréscimo eventualmente verificado no patrimônio líquido ao longo no ano-calendário. Nada na lei permite concluir que, mesmo mantendo-se inalterado o patrimônio líquido ao longo do período de apuração, a TJLP seria proporcionalizada em razão da quantidade específica de dias de cada trimestre.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 60; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19740.720158/2008­20  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.785  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de fevereiro de 2016  Matéria  IRPJ/CSLL ­ Glosa de juros sobre o capital próprio e de perdas no recebimento  de créditos  Recorrente  DACASA FINANCEIRA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  NULIDADE.  LANÇAMENTO.  PRORROGAÇÃO  TARDIA  DO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  MPF.  INOCORRÊNCIA.  Nos termos da legislação então vigente, a prorrogação do MPF se efetivava  mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e  não dependia da ciência do sujeito passivo. ERROS DE CÁLCULO. Inexiste  prejuízo à validade do  lançamento se os critérios de cálculo  são claramente  expostos pela autoridade lançadora, permitindo a defesa do sujeito passivo e  a avaliação, no contencioso administrativo, das alegações assim contrapostas.  GLOSA  DE  PERDAS.  CRÉDITOS  PASSÍVEIS  DE  DEDUÇÃO  NO  PERÍODO FISCALIZADO OU ANTERIOR. PERDAS QUE SUPERAM O  VALOR CALCULADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cancela­se a exigência se  o  recálculo  promovido  pela  autoridade  lançadora  deixa  de  considerar  aspectos que poderiam afetar o saldo devedor deduzido como perda, e firma a  impossibilidade  de  a  contribuinte  ter  apropriado  os  juros  depois  de  ultrapassados 60 (sessenta) dias de atraso, sem confirmar contabilmente que  este  foi  o  procedimento  adotado  pelo  sujeito  passivo.  CRÉDITOS  PASSÍVEIS  DE  DEDUÇÃO  EM  PERÍODO  POSTERIOR.  Correta  a  interpretação  fiscal  pautada  na  contagem  do  prazo  legal  a  partir  do  último  vencimento  sem  pagamento.  PERDAS  ASSOCIADAS  A  OPERAÇÕES  FIRMADAS  DEPOIS  DA  DEVOLUÇÃO  DE  CHEQUES  RECEBIDOS  PARA QUITAÇÃO DO EMPRÉSTIMO ORIGINAL. Mantém­se a glosa se  o  crédito  original  foi  levado  a  perda  e  o  sujeito  passivo  não  prova  a  contabilização  da  receita  decorrente  de  sua  recuperação  antes  do  segundo  registro de perda.   JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  PERÍODOS  ANTERIORES.  REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração  do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 58 /2 00 8- 20 Fl. 10015DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 3          2 Juros  de  Longo  Prazo  ­  TJLP  verificada  no  período  ao  qual  se  referem  os  lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade  daquele  atribuível  à  utilização  do  capital  dos  sócios,  a  sociedade  designa  integralmente  o  lucro  apurado  como  remuneração  deste  capital,  e  somente  pode  destiná­los  aos  sócios  mediante  distribuição  de  dividendos.  Inadmissível,  portanto,  a  dedução  posterior  de  juros  sobre  capital  próprio  tendo  por  referência  a  variação  da  TJLP  em  períodos  passados.  TAXA  APLICÁVEL. VARIAÇÃO PRO RATA DIA. Ao determinar que o cálculo  dos juros está limitado à variação pro rata dia, a lei apenas estipulou que será  considerando o dia do acréscimo ou decréscimo eventualmente verificado no  patrimônio líquido ao longo no ano­calendário. Nada na lei permite concluir  que,  mesmo  mantendo­se  inalterado  o  patrimônio  líquido  ao  longo  do  período de apuração, a TJLP seria proporcionalizada em razão da quantidade  específica de dias de cada trimestre.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  em:  1)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por vícios em prorrogações do MPF; 2) por  maioria  de  votos,  REJEITAR  a  arguição  de  nulidade  do  lançamento  por  erro  nos  cálculos,  divergindo  as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio  e Talita Pimenta Félix;  3)  por  maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa  de juros sobre o capital próprio, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e  Talita  Pimenta  Félix;  4)  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso voluntário relativamente à glosa de perdas, nos termos do relatório e voto que integram  o presente julgado.   (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo  de  Andrade,  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita  Pimenta  Félix.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.    Fl. 10016DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 4          3   Relatório  Colhe­se da Resolução nº 1101­000.104 o relatório das ocorrências até então  verificadas nos autos:  O  presente  processo  retorna  de  diligência  requerida  pela  Conselheira  Ivete  Malaquias  Pessoa  Monteiro,  então  integrante  da  2a  Turma  Ordinária  desta  1a  Câmara, por meio da Resolução nº 1102­00.011.  A  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  contra  acórdão  da  6a  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/Rio  de  Janeiro  I  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  impugnação  interposta  contra  lançamento  que  lhe  exigiu  crédito  tributário no valor total de R$ 5.065.380,46.  A autoridade lançadora constatou excesso de dedução de despesas de juros sobre o  capital  próprio  no  ano­calendário  2006,  dado  que  a  aplicação  da  TJLP  de  7,86808219% sobre o patrimônio líquido no início do período de apuração de R$  47.568.870,76  resultaria  em  despesa  de  R$  3.742.757,85,  ao  passo  que  a  interessada deduziu R$ 4.219.239,77. Considerando que a Lei dispõe que o cálculo  deve ser realizado pro rata dia, entendeu a autoridade lançadora que para encontrar  a  taxa  efetiva  a  ser  utilizada  no  cálculo  deveria  ser  ponderada  a  taxa  vigente  em  cada trimestre pelo número de dias de cada trimestre, em relação ao total de dias do  ano. Assim, distribundo os 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias de 2006 ao longo  de  cada  trimestre,  e  considerando  as  TJLP  divulgadas  trimestralmente,  apurou  a  taxa efeitva com oito casas decimais de precisão.  Também  foram  glosadas  deduções  de  perdas  no  recebimento  de  créditos.  Inicialmente  o  auditor  responsável  observa  que  a  ação  fiscal  originou­se  de  retificação da DIPJ que elevou a dedução em referência, no ano­calendário 2006,  de R$ 42.726.566,11 para R$ 52.159.908,33.   A  contribuinte  foi  intimada a  individualizar as perdas  registradas,  e a apresentar  planilhas com as informações de todos os contratos de empréstimos que geraram as  perdas mensais no recebimento de créditos no ano de 2006, bem como a indicar qual  o  sistema  de  amortização  utilizado  para  o  cálculo  das  parcelas  de  cada  um  dos  contratos  constantes  do  arquivo  mencionado  acima,  com  a  indicação  da  fórmula  matemática  respectiva e menção à  inclusão ou não dos custos  referentes à  taxa de  administração e IOF na determinação do valor da parcela.  Concedidas  prorrogações  de  prazo,  a  fiscalizada  apresentou  os  elementos  solicitados,  informou  que  adotava  o  sistema  de  amortização  francês  (usualmente  conhecido  como  “Tabela  Price”)  e  indicou  a  fórmula  respectiva  para  cálculo  das  prestações.  Exigiu­se  que  a  interessada  submetesse  o  arquivo  apresentado  ao  Sistema  de Validação  e Autenticação de Arquivos Digitais  (SVA),  o  que  foi  feito,  bem  como  esclarecesse  o  porquê  de  alguns  contratos  constantes  do  arquivo  magnético  apresentarem  valores  de  parcelas  pagas  nulos  ou  em  branco,  o  que,  depois  de  uma  segunda  intimação,  foi  atendido  mediante  apresentação  de  novos  arquivos validados, acompanhados do esclarecimento de que os contratos que ainda  permaneciam  com  valores  nulos  referiam­se  a  perdas  em  operações  de  cartão  de  crédito ou adições de débitos de contratos já enviados anteriormente para perdas, em  função  da  devolução  de  cheques  e/ou  troca  de  cheques  dados  em garantia,  não  se  tratando,  portanto,  de  um  novo  contrato,  mas  sim  de  um  aumento  de  saldo  de  contratos em perdas.  Fl. 10017DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 5          4 A  autoridade  fiscal  exigiu  outros  esclarecimentos  acerca  destas  operações,  bem  como da  forma de sua contabilização, obtendo em resposta que  tanto os contratos  com  apenas  uma,  como  aqueles  com  nenhuma  parcela  a  ser  paga  pelo  tomador,  referiam­se a adições de débitos de contratos já enviados anteriormente para perdas,  em função de devolução de cheques e/ou troca de cheques dados em garantia, não se  tratando, portanto, de um novo contrato, mas sim de aumentos de saldo em contratos  em perdas. Acrescentou, ademais, que a contabilização de todos os valores era feita  por meio de saldos, através de lançamentos mensais.  Diante  deste  contexto,  abordando  a  legislação  acerca  da  matéria,  a  autoridade  lançadora demonstrou sua aplicação  tomando como exemplo um dos contratos de  crédito firmados pelo contribuinte, de modo a chegar a algumas conclusões gerais  acerca do tema em racionínio indutivo. As características do referido contrato eram:  1)  valor  financiado:  R$  2.173,42;  2)  taxa  de  juros:  4,5%  a.m.;  3)  número  de  prestações:  10;  4)  IOF:  R$  14,94;  5)  taxa  administrativa  e  período  de  carência:  nulos; 6) valor principal do empréstimo, equivalente ao valor financiado acrescido  do  IOF  e  da  taxa  de  administração  (neste  caso  igual  a  zero):  R$  2.188,36;  e  7)  cálculo  das  prestações  mensais  pelo  "sistema  Price",  incluindo  a  taxa  de  administração e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).  Reportando­se à fórmula para o cálculo das prestações no Sistema de Amortização  Francês  (“Tabela  Price”),  alterou­a  na  medida  em  que  no  caso  dos  contratos  firmados  pela  fiscalizada,  o  valor  do  IOF  e  da  taxa  administrativa  incidentes  na  operação são embutidos no valor principal, e no caso eventual de concessão de prazo  de  carência,  os  juros  são  apropriados  no  período  pro  rata  die.  Adotou,  assim,  as  seguintes referências:     E,  a  partir  desta  fórmula,  determinou  em  R$  276,56  o  valor  da  prestação  do  contrato  adotado  como  exemplo,  observando  que  ela  não  corresponde  ao  valor  indicado  pela  fiscalizada  (R$  289,00).  Defende,  assim,  o  cálculo  pela  fórmula  matemática  adotada,  a  fim  de  que  o  valor  global  das  perdas  no  ano  de  2006  não  venha  a  ser  alterado  em  função  de  erros  nos  valores  das  prestações  constantes  no  arquivo fornecido pela fiscalizada.  Fl. 10018DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 6          5 Anota  que  o  contrato  em  referência  apresenta  como  último  pagamento  sem  vencimento a data de 05/07/2005, autorizando sua dedução seis meses depois, em  05/01/2006,  na medida  em  que  a  perda  é  inferior  a R$  5.000,00. Observa  que  o  critério  de  valor  é  observado  porque  no  contrato  em  referência  o  saldo  devedor  seria  de R$  870,00,  equivalente  ao  valor  ainda  a  amortizar  do  principal  de  cada  contrato,  ao  qual  se  somam  os  juros  embutidos  nas  duas  parcelas  seguintes  que  seriam pagas, haja vista que esses juros, por força do art. 9o da Resolução nº 2.682,  de 21 de dezembro de 1999, do Banco Central do Brasil combinado com o art. 11,  caput,  da  Lei  nº  9.430/96,  ainda  são  contabilizados  como  receita,  podendo,  entretando, ser excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.  Demonstra os  lançamentos  contábeis  relativos  ao  contrato  tomado  como  exemplo,  no  momento  da  contratação  e  liberação  dos  R$  2.173,42,  bem  como  a  evolução  contábil  decorrente  do  pagamento  de  7  (sete)  das  10  (dez)  parcelas  do  financiamento,  considerando  o  valor  de  parcela  apurada  segundo  os  cálculos  da  Fiscalização,  com  a  consequente  apropriação  das  receitas  de  juros,  apurando  o  saldo devedor de R$ 829,68, no qual além do principal estão incluídos juros a serem  apropriados de R$ 69,43, assim como o  IOF e a TAC, de forma proporcional. Na  hipótese  de  transcorridos  3  (meses)  meses  do  último  vencimento  sem  pagamento,  demonstra que o mencionado art. 9o da Resolução BACEN nº 2.682/99 autorizaria o  reconhecimento  de  receitas  financeiras  nos  dois  primeiros  meses  de  atraso,  e  a  partir daí os valores correspondentes seria contabilizados como rendas a apropriar,  em conta retificadora do ativo.  Ressalta que o art. 11 da Lei nº 9.430/96, na mesma linha da referida disposição do  Banco  Central,  autoriza  a  exclusão  daquelas  receitas  financeiras  levadas  a  resultado nos dois meses posteriores ao vencimento do crédito, mas acrescenta que  não obstante os encargos financeiros de créditos vencidos poderem ser deduzidos já  sessenta  dias  após  o  vencimento  do  crédito,  este  prazo  acaba  sendo  absorvido,  no  caso  de  contratos  com  perdas  de  valor  igual  ou  inferior  a R$  5.000,00  (cinco mil  reais), pelos seis meses de atraso necessários para dedução do próprio saldo devedor  do contrato (art. 9o, §1o, inciso II, a, da Lei nº 9.430/96).  Conclui, assim, que a dedução de perda no recebimento de créditos está limitada à  soma  do  saldo  devedor  deste  contrato  com  as  receitas  financeiras  embutidas  nas  duas  próximas  parcelas  que  seriam  pagas,  demonstrados  nas  planilhas  de  fls.  138/1928. Acrescenta que neste valor já estão computadas, de forma proporcional,  as perdas decorrentes do IOF e das taxas administrativas, na medida em que estes  valores  encontram­se  diluídos  no  cálculo  das  prestações,  compondo  o  montante  amortizado com o pagamento de cada parcela. E demonstra que no contrato tomado  como exemplo, a dedução admissível seria de R$ 817,78, e não de R$ 870,00, como  indicado pela interessada.  Por  fim,  consigna  que,  para  a  dedução  em  31/12/2006  de  perda  gerada  por  um  contrato, é necessário que, nesta data, já tenham transcorridos mais de seis meses do  último vencimento  em pagamento,  ou, em outras palavras,  que  a diferença  entre  a  data  correspondente  ao  último  dia  do  ano  e  a  data  do  último  vencimento  sem  pagamento seja superior a seis meses.  Passa a abordar, então, a análise da documentação obtida, enfatizando que foram  utilizadas  as  informações  prestadas  pela  contribuinte,  substituídas  na  fórmula  de  cálculo antes demonstrada. Conclui que há incongruências nos dados apresentados,  acerca  do  sistema  de  amortização  que  a  interessada  diz  adotar,  e  do  valor  da  prestação  cobrada  dos  tomadores  do  empréstimo.  De  toda  sorte,  apesar  de  demonstrar  o  cálculo  dos  juros  e  da  amortização  do  principal  embutidos  nas  parcelas  do  contrato  antes  tomado  como  exemplo,  reafirma  que  a  perda  Fl. 10019DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 7          6 corresponde ao que denominado, em sua planilha, de “Saldo Devedor”, “Juros 01”  e “Juros 02”.  Observa, ainda, que:   · os contratos constantes de fls. 1950/1956 somente gerariam perdas dedutíveis  em  2007  (dado que  não  atendido  o  critério  temporal,  a  perda  somente  seria  dedutível se declarada judicialmente a insolvência, a falência ou a concordata  do devedor);   · os contratos de fls. 1929/1947 já poderiam ter gerado perdas em 2005, mas que  são  admitidas  em  2006  porque  sua  dedução  é  uma  faculdade  conferida  pela  lei;   · foram  excluídos  contratos  que  apresentavam  taxa  de  juros  igual  a  zero  e  apenas uma  ou  nenhuma prestação  a  ser  paga pelo  tomador  do  empréstimo,  dado  ter  a  contribuinte  esclarecido  que  estes  registros  de  perdas  já  haviam  sido antes efetuados, assim não se configurando um novo contrato, mas sim um  aumento de saldo de contratos em perdas, consoante demonstra em abordagem  à  decolução  de  cheques  dados  em  garantia,  concluindo  que  seu  recebimento  representariam recuperação de crédito, e seu não recebimento não alteraria a  perda  decorrente  do  contrato  original,  mas  ainda  assim  cogitando  da  possibilidade  de  sua  dedução  como  perda  caso  o  recebimento  do  cheque  representasse  receita  oferecida  a  tributação,  o  que  não  se  verificou  porque  houve mero controle extracontábil para posterior dedução das perdas;  · foram  excluídos  os  contratos  que  geravam  perdas  superiores  a  R$  5.000,00,  mas ainda não vencidos há mais de um ano em 31/12/2006.  Para os contratos restantes, o agente  fiscal calcula o valor da prestação, do saldo  devedor após o pagamento das parcelas pelo tomador, bem como os juros dos dois  período seguintes,  e, portanto, pela soma dessas últimas parcelas, o valor da perda  gerado por aquele contrato. Adicionando 180 dias à data do último vencimento sem  pagamento,  identifica os contratos geradores de perdas  com atraso superior a seis  meses,  e  totalizadas  as  perdas  promove  seu  confronto  com  a  dedução  registrada  contribuinte, admitindo como dedutível o menor dos dois valores, na medida em que  a Lei apenas faculta, e não obriga, a sua dedução.  A  dedução  admitida  representa  R$  45.030.234,18,  aí  ajá  incluídas  as  perdas  consideradas admissíveis quando superiores a R$ 5.000,00, bem como as parcelas  que  eram  dedutíveis  em  2005.  Considerando  que  a  contribuinte  deduziu  R$  52.159.908,33 a este título em sua apuração do ano­calendário 2006, a autoridade  fiscal promove a glosa de R$ 7.129.674,15.  Sobre a base tributável total (R$ 7.129.674,15 + R$ 476.481,92 = R$ 7.606.156,07)  calcula  o  IRPJ  e  a  CSLL  devidos,  equivalentes  aos  valores  principais  de  R$  1.901.539,02 e R$ 684.554,05, respectivamente, aos quais imputa multa de ofício de  75%  e  juros  de  mora  calculados  com  base  na  taxa  SELIC,  ensejando  o  crédito  tributário total lançado de R$ 5.065.380,46.  A Turma Julgadora de 1a instância julgou improcedente a impugnação em acórdão  assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ   Ano­calendário: 2006   Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. A suposta  inobservância  por  parte  do  autuante  de  norma  infralegal  relativa  à  emissão  e  prorrogação  do MPF  não  atinge  a  competência  dessa  autoridade  fiscal  na  realização  plena das suas atividades legalmente próprias e nem torna nulo o lançamento.  Fl. 10020DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 8          7 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. JULGAMENTO. A realização de diligências e perícias  tem  por  final  idade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o  julgamento da  l  ide,  sendo,  por  conseguinte,  prescindível  quando  o  feito  fiscal  contém  todos  os  elementos necessários para seu prosseguimento.  JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO  (JCP). DEDUTIBILIDADE. Sem prejuízo  dos  demais critérios legais, a pessoa jurídica pode deduzir, para efeitos da apuração do lucro  real , os JCP que pagar , até o limite calculado sobre as contas do patrimônio líquido e  limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).  PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DEDUTIBILIDADE. Ressalvados os  demais critérios legais, as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades  da pessoa jurídica podem ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real  , desde que estejam os créditos vencidos há mais de seis meses.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CSLL.  Ressalvados  os  casos  especiais,  o  lançamento  reflexo  colhe  a mesma  sorte  do  denominado matriz,  em  razão  da  relação  de  causa  e  efeito existente entre ambos.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  14/10/2009  (fl.  2896),  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  13/11/2009  (fls.  2897/2994), apresentando ainda o aditamento de fls. 3067/3070, acompanhado dos  documentos de fls. 3084/4449.  As razões de defesa estão assim sintetizadas na Resolução nº 1102­000.011:  Discorre sobre o procedimento e a decisão e, em síntese, pede, a) liminarmente, sejam  desconsiderados os argumentos expendidos quanto ao erro da autoridade lançadora, no  tocante à dedução das perdas efetivas.(Entre os valores consignados na DIPJ original e  retificadora) Posto que  se  enganara  ao  redigir  suas  razões de  impugnação mas  reitera  que igualmente manteve­se o erro do autuante quanto a um eventual limite de dedução  de R$ 45.030.234,18  (quarenta  e  cinco milhões,  trinta mil,  duzentos  e  trinta  e  quatro  reais e dezoito centavos),  eis que  tal montante  foi considerado antes de apresentada e  analisada toda a documentação oferecida pela Recorrente demonstrando as suas perdas  com relação aos cartões de créditos, de modo a autorizar os valores utilizados a título de  dedução. Tal limite não observou os dados lançados na DIPJ retificadora, mas somente  na  declaração  original;  o  que  por  si  só  já  demonstra  que  as  perdas  lançadas  na DIPJ  original  estavam  inferiores  ao  que  deveria  ter  sido  informado,  conforme  a  própria  fiscalização reconhece.  Observa que,  tendo em vista diversos outros argumentos preliminares e de mérito que  corroboram  a  improcedência  da  autuação  em  cotejo,  entende  não  haver  qualquer  prejuízo  para  o  prosseguimento  no  trâmite  do  presente  processo  e  no  conseqüente  afastamento da respectiva cobrança.  b)Pede  a  análise  dos  “NOVOS  ELEMENTOS  PROBATÓRIOS  EM  SEDE  DE  RECURSO VOLUNTÁRIO”, por conta do  tempo suficiente que  teve para produzir a  integralidade dos elementos  hábeis a comprovar a  regularidade no  registro das perdas  efetivas  em  todas  as operações  comerciais que  realizou no ano­calendário de 2006.(E  que não atendeu este pedido no prazo de 30 dias concedidos na fase  inquisitória, pela  exigüidade  do  prazo  ante  a  quantidade  de  documentos  analisados).Trabalho  somente  concluído  nesta  fase,  em  torno  de  50.000  operações  de  empréstimo  financeiro  foram  catalogados). Destaca a impossibilidade de impressão e juntada nos autos de todos esses  documentos em um processo administrativo; motivo suficiente para justificar a perícia,  conforme requerido anteriormente.  Comenta  que  a  impossibilidade  de  comprovação  compreendeu,  inclusive,  o  período  pelo  qual  se  estendeu  toda  a  fiscalização,  tendo  em  vista,  dentre outros  equívocos do  procedimento  fiscal,  as  flagrantes  inexatidões,  incoerências  e  insuficiências  nas  exigências  apostas  pelas  intimações  encaminhadas  quanto  aos  documentos  e  informações à época requeridos.  Embora  apresentasse  o  contrato  meramente  ilustrativo,  supôs  que  fosse  realizada  verificação  individualizada  dos  contratos,  providência  que  não  se  verificou,  embora  expressamente requerida.  Fl. 10021DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 9          8 Comenta  que  para  se  garantir  quanto  a  negativa  de  conversão  do  julgamento  em  diligência , dando continuidade a outras verificações internas, adotará, neste momento,  nova conduta, apondo novas informações quanto a seus argumentos muito embora não  haja solicitação do fiscal, e aumentando o número de exemplos utilizados para cálculo e  documentação, embora se mantenha a impossibilidade de documentação sobre todas as  operações, sanável apenas por meio de nova diligência ou perícia fiscal.  Desta  forma,  impõe­se,  de  início,  registrar  tal  possibilidade  de  instrução  probatória  e  oferecimento  de  novos  argumentos  em  sede  de  Recurso  Voluntário,  tal  como  perfeitamente  previsto  na  legislação  aplicável  e  permitido  pela  jurisprudência  desse  Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Suportaria seu pedido a Lei 9784/1999, da qual transcreve os artigos 2o, 3o, 38, 65 e 16  do decreto 70235/1972.  Invoca  o  princípio  da  verdade  material,  o  que  obrigaria  a  análise  dos  documentos  apontados e oferecidos nessa fase de julgamento.  c) Aduz,  também, a Preliminar de Nulidade do procedimento, por vício no MPF, e de  forma diversa a consignada na decisão combatida, não se  trata de "mero elemento de  controle da administração tributária, disciplinado por norma infralegal e desprovido do  condão  de  gerar  nulidade  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal".  Mas  tal  conclusão  é  equivocada  posto  que  a  sua  instituição  é  regrada  pelo  Decreto  n°  3.724/2001,  sendo clara a obrigatoriedade da observância das disposições de  regência  da matéria, mormente após as alterações promovidas pelo Decreto n° 6.104/2007, artigo  2o, § 2o, 4o, 5o, o que prova a essencialidade de respeito aos seus comandos, sob pena de  nulidade do procedimento, o que ora requer.  Transcreve Portaria SRF 11.371, de 12/12/2007, artigos 11 e 12, e art.7o, § 1o e 2o. do  Decreto  70235/1972,  linha  na  qual  expende  vasto  arrazoado,  reforçando  seus  argumentos com as decisões proferidas no acórdão 106­13.329; 101­94060.  Alude  que  através  do  demonstrativo  de  prorrogações  (doc.  05),  o  referido MPF  seria  inicialmente válido até o dia 28 de junho de 2008 e somente até essa data a autoridade  fiscal  estaria  apta  a  efetuar  a  primeira  prorrogação,  como  regularmente  feito,  prorrogando­o até o dia 27 de agosto subseqüente (doc. 06).  Todavia,  buscando  nova  prorrogação  até  o  dia  26  de  outubro,  a  autoridade  fiscal  incorreu em manifesta  ilegalidade, uma vez que o MPF anterior já estava extinto, nos  termos inciso II do artigo 14 da Portaria SRF n° 11.371/2007.  Também, diante da nova prorrogação,  imperioso observar o art 15 § único da Portaria  acima mencionada, ou seja, a substituição do autor da ação.Conclui na seguinte linha:  (...)  “Portanto,  os  dois  últimos  procedimentos  de  prorrogação,  que  englobaram  o  período de 28 de agosto até 10 de dezembro de 2008 (data em que a fiscalização  foi  encerrada),  foram  instaurados  em  manifesto  desacordo  com  as  normas  aplicáveis,  restando  contaminados  de  vício  insanável  o  bastante  para  torná­los  nulos de pleno de direito.  Referida  nulidade  afronta  ao  princípio  da  moralidade,  na  medida  em  que  a  administração tributária é obrigada a respeitar as regras e prazos por ela própria  fixados para validar seus atos.  Tal cautela busca evitar a protelação indefinida e sem controle de ações fiscais.  Não  foi  outro  o  entendimento  do Egrégio Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  ainda  quando  denominado Conselho  de Contribuintes  do Ministério  da  Fazenda, na forma seguidamente transcrita.”  Transcreve  as  ementas  dos  acórdãos  Ac  106­13329,101­94060,106­13156,  que  secundariam seus argumentos.  3)Alude  ERROS  DE  CÁLCULO  INCORRIDOS  na  fiscalização  QUANTO  À  DEDUÇÃO DAS  PERDAS  EFETIVAS,  repisando  as  razões  oferecidas  em  sede  de  Fl. 10022DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 10          9 impugnação, para concluir que a metodologia utilizada pelo autuante não se compagina  com a realidade dos fatos.  Repisa que o autuante escolheu exemplos que não refletem a verdade material, no que  tange a imposição da base de cálculo, estima de uma forma completamente em descordo  com aquela verdadeiramente ocorrida.  Reclama que os termos de adesão juntados à impugnação não tiveram dos julgadores a  importância que o assunto requeria. E, continua:  “Nada obstante  a  relevância  conferida  ao  assunto  tanto pela  fiscalização  como  pela  ora  Recorrente  enquanto  Impugnante,  haja  vista  que  tal  forma  de  cálculo  serviu  de principal  base para  a  cobrança do valor  total  autuado, a decisão ora  recorrida,  surpreendentemente,  sequer  examinou  os  argumentos  relacionados,  alegando unicamente que "quanto à inobservância, pela fiscalização, do prazo de  carência nos contratos de empréstimos entre a interessada e seus clientes, o fato  foi alegado pela defesa sem o necessário acompanhamento de documentação de  teor suficiente para dar a ele suporte material, sendo certo que alegar sem provar  é o mesmo que não alegar".  Ora, primeiramente, deve­se consignar que os Termos de Adesão juntados a título  exemplificativo perfazem plenamente o objetivo de comprovar os dias de carência  concedidos a determinado contrato, pois, além de apresentarem a assinatura do  beneficiário  do  empréstimo,  descrevem  nitidamente  o  discutido  período  de  carência, por mera confrontação visual no documento, da data de celebração do  contrato e a data de vencimento da 1a prestação.  Veja­se,  por  exemplo,  que  no  Termo  de  Adesão  da  Sra.  Lúcia  Cabral  do  Nascimento  (Contrato  n°  03.607336­1,  ao  invés  do  informado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  de  n°  00.242444­2)  ­  doc.  04  da  presente  e  doc.  09  da  Impugnação, consta, além de sua assinatura, a data de adesão (30.09.2004) e a  data de vencimento da 1a prestação (01.12.2004), o que presume a concessão de  30  (trinta)  dias  de  carência,  contados  após  os  primeiros  30  dias  usuais  de  vencimento  normal  da  1a  prestação,  conflitando  com  a  carência  zero  utilizada  pela fiscalização.”  Reclama  da  decisão  por  não  informar  o motivo  que  a  levou  a  considerar  insuficiente  como prova  do  acerto  em  seu  procedimento,  bem como  não  se  preocupar  em manter  uma exigência respaldada em uma base de cálculo presuntiva.  Aponta a falta de motivação como mais um elemento a  justificar a necessidade de ser  declarada nula a decisão combatida. Além do que, o” racional empregado pela referida  decisão se mostra claramente contraditório, uma vez que, se realmente fosse assim, não  haveria  motivo  para  rejeitar  o  pedido  de  conversão  do  feito  em  diligência  ou  da  realização da perícia, outrora requeridas pela ora Recorrente”.  Alude a  impossibilidade física da  juntada desses documentos (50.000)porque os autos  não  os  comportariam,  mas,  por  cautela  e  com  o  objetivo  de  demonstrar  de  maneira  ainda mais  clara  que  os  erros  de  cálculo  denunciados  se  estendem  à maior  parte  das  operações  realizadas,  aumenta  por  ora  o  número  de  exemplos  utilizados  (doc.  05)  e  acosta,  através  de mídias  eletrônicas,  todas  as  informações necessárias  para o  cálculo  das operações então realizadas.  Cita que restou demonstrado o equívoco de cálculo perpetrado pelo autuante quanto ao  exemplo  eleito  como  modelo,  ou  seja,  a  operação  com  a  Sra.  Lúcia  Cabral  do  Nascimento (Contrato n° 03.607336­1), já anteriormente mencionada.  Sobre os respectivos valores se aplicou a fórmula referente ao Sistema de Amortização  Francês ("Tabela Price"), considerada a apropriação dos juros no período pro rata die.  Aponta  as  variáveis  que  construíram  o  modelo,  para  dizer  que  na  aplicação  desta  fórmula o  fiscal  considerou que  a variável que  representava  (carência  em dias para o  pagamento  da  primeira  prestação)  nada  valeria,  ou  seja,  não  haveria  dias  de  carência  naquela hipótese. E continua:  “Como exaustivamente consignado pelas razões de Impugnação, assim se afirma  porque, como se vê das  fls. 20 e 21 do Termo de Verificação Fiscal, a parte da  Fl. 10023DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 11          10 fórmula em que se  faz a soma ‘n + c/30', para se encontrar a potência a elevar  quanto à parte superior da fração, no exemplo utilizado virou 10 (dez).  Significa  dizer  que,  sabendo­se  que  a  variável  'n'  (número  de  prestações  do  contrato)  valia  10  (dez),  para  calcular  o  valor  da  potência  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  a  fração  'c/30’  seria  0  (zero),  como  se  não  houvesse  qualquer  carência,  encontrando, por  fim, o  valor  de R$ 276,56  (duzentos  e  setenta  e  seis  reais e cinqüenta e seis centavos) , o que confrontaria com o valor declarado pela  Recorrente de R$ 289,00 (duzentos e oitenta e nove reais)  (...)  Conforme já mencionado nas presentes razões, no Termo de Adesão da Sra. Lúcia  Cabral (doc. 04 da presente e doe. 09 da Impugnação), consta a data de adesão  (30.09.2004) e a data de vencimento da 1a prestação (01.12.2004), perfazendo um  período de 2 (dois) meses, o qual é constituído pelo usual decurso de 1 (um) mês  para o pagamento e, ainda, mais 30 (trinta) dias de carência.  Desta forma, em sua reconstituição dos cálculos relacionados ao contrato da Sra.  Lúcia Cabral do Nascimento (fl. 20) , com normal postergação de 30 (trinta) dias,  o  d.  fiscal  ignorou  este  detalhe,  concluindo  que  o  valor  da  prestação  calculada  para  o  empréstimo  encontrar­se­ia  incorreta  (fl.  21).  Ao  repetir  o  cálculo  utilizando  a  fórmula  apresentada  ao  fiscal  em  resposta  a  sua  intimação,  e  considerando o prazo da carência (postergação do 1o vencimento em 30 dias) por  ele ignorado.  Demonstra a fórmula que utilizou a qual é a realidade dos fatos (doc c). O erro do fiscal  teria  provocado  erro  em  todos  os  valores  lançados. Esse motivo,  por  si  bastante  para  anulação do feito.  No  mérito  refere­se  à  IMPOSSIBILIDADE  DE  COBRANÇA  QUANTO  AOS  VALORES DEDUZIDOS A  TÍTULO DE  JUROS  SOBRE O CAPITAL  PRÓPRIO,  porque obedecera aos limites.de dedução instituídos na lei. E o autor da ação, embora  registrando  que  fora  respeitado  os  limites  delineados  pelo  artigo  9o.  §1°  da  Lei  9249/1995, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei 9430/96, afirma que os cálculos  consideraram, apenas, o limite do parágrafo, sem observar o limite do caput do artigo.  Em  suas  razões  oferece  o  documento  07,  cópia  do  livro  razão  e  doc  08,  balancete  gerencial, onde afirma que as  informações foram reunidas na planilha de cálculo (doc  09),  que  comprovaria  o  valor  de  deduzido  no  período  R$  3.746.048,57  sendo  a  diferença de R$ 473.191,20 decorrente da remuneração aplicada em favor dos sócios e  acionistas por estes não haverem recebidos parte dos JCP's no ano de 2005.  Comenta que o limite imposto através do artigo 9o. do § 1o do art. 9o da Lei n° 9.249/95  caberia unicamente na forma de cálculo dos juros pagos ou creditados individualmente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio",  não  se  estendendo  a  limitar  a  correção  dos  valores  que  não  haviam  sido  distribuídos,  a  qual  traduz  mera  adequação  do  valor  ao  longo  do  tempo  e,  por  isso,não  representando  qualquer vantagem a  título de dedução,  linha  na qual  invoca decisões  administrativas  que secundariam sua posição. Comenta, também, a título de argumentação que, mesmo  se  errada  em  sua  conclusão,  quando  muito,  caberia  a  cobrança  da  postergação  do  pagamento do imposto, nos termos do PN02/1996, o qual transcreve na íntegra, e não o  lançamento conforme consignado nos autos.  Comenta  a  falta  de  certeza  do  valor  exigido,  o  que  macularia  a  base  de  cálculo  da  exigência, implicando em novo cálculo para se chegar ao valor correto.  Retorna ao tema – DAS PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – para dizer  que observou rigorosamente todos os critérios objetivos estabelecidos pelo art. 9o da Lei  n°  9430/1996.  Releva  que  a  parte  da  autuação  relacionada  a  esse  item  decorreu  da  adoção  pela  fiscalização  de  premissas  equivocadas,  as  quais  foram  mantidas  pela  decisão recorrida, também de forma indevida.  Isto porque o CRITÉRIO TEMPORAL PREVISTO NO ART. 9o, § 1o, II, “A”, DA LEI  N° 9.430/96, conforme se aduz do Termo de Verificação Fiscal, parte dos créditos, sem  garantia,  de  valores  menores  ou  iguais  a  R$  5.000,00  (cinco  mil  reais)  que  foi  Fl. 10024DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 12          11 desconsiderada com base na equivocada  interpretação do art. 9o § 1o,  II, a  , da Lei n°  9.430/96, através da qual "o critério temporal previsto nesse dispositivo, para dedução  de perdas  no  recebimento de  créditos  da base de  cálculo  do  IRPJ e da CSLL,  é que  tenham transcorrido mais de seis meses da data do último vencimento sem pagamento".  Alude que a fiscalização foi incapaz de demonstrar a legislação que assim determinava,  uma vez que essa manifestamente não existe.  E  que  o  prazo  utilizado  pelo  fiscal  não  se  compagina  com  o  dispositivo  legal.  Desta  forma, parte do valor exigido já está diretamente prejudicada, embora não se faça idéia  de  em  quanto  a  mesma  seria  calculada,  pois  a  fiscalização  não  informou  o  quanto  autuou em razão dessa malsinada premissa de contagem, o que exige que os autos sejam  baixados em diligência, de forma que possa ser realizada tal aferição.  Reclama,  ainda,  da  ­  DA  RESTRITIVA  INTERPRETAÇÃO  DA  AUTORIDADE  FISCAL QUANTO AOS JUROS EMBUTIDOS PARA FINS DE APURAÇÃO DAS  PERDAS EFETIVAS, pois embora a autoridade fiscal não tenha vinculado diretamente  qualquer  cancelamento  das  perdas  efetivas  declaradas  pela  Recorrente  em  razão  dos  juros embutidos em valores principais inadimplidos, ilegalidade idêntica à destacada no  tópico  anterior  se  constata  da malsinada  afirmação  de  que  somente  seria  permitida  a  dedução  dos  acréscimos  referentes  às  duas  parcelas  seguintes,  premissa  que,  equivocadamente,  também  serviu  de  fundamento  para  o  cálculo  das  autuações  analisadas.  Acosta os dispositivos relacionados, quais sejam, o art. 11 da Lei n° 9.430/96 e o art. 9o  da Resolução BACEN n° 2.682, de 21 de dezembro de 1999, e comenta que à  leitura  dos  aludidos  dispositivos  somente  traduz  conduta  proibitiva  quanto  à  dedução  dos  encargos  constituídos  anteriormente  ao  período  de  60  (sessenta)  dias,  o  que  significa  que  todos  os  valores  correspondentes  que  superem  tal  limite  mínimo  podem  ser  utilizados no cálculo das perdas definitivas. E comenta:  Ao  contrário,  a  redação  do art.  11 da  Lei  n°  9.430/96, que  efetivamente  possui  competência  para  inaugurar  qualquer  restrição  às  condutas  fiscais  dos  contribuintes,  se  destina  ao  valor  "auferido  a  partir  do  prazo  definido  neste  artigo", querendo dizer que todo e qualquer encargo posterior a este  lapso pode  ser considerado.(destaque das razões)  Comenta ser este o caso do exemplo escolhido pela própria Fiscalização, no qual há a  possibilidade de os  encargos  pertinentes  às 03  (três) parcelas que  não  foram quitadas  serem incluídos, tendo em vista que todos superaram o período mínimo determinado.  Deste modo,  novamente  se verifica que  a Fiscalização pretendeu  impor  entendimento  que não possui qualquer respaldo legal, em prejuízo do seu direito e distorce a realidade  de qual seria, efetivamente, a diferença cabível.  No  tocante  AS  PERDAS EFETIVAS QUANTO ÀS ADIÇÕES DOS CONTRATOS  DE EMPRÉSTIMO EM RAZÃO DA SUBSTITUIÇÃO DE CHEQUES ­ recorda que a  parcela  restante  da  autuação  se  refere  aos  contratos  em  que  consta  uma  ou  nenhuma  parcela a ser paga, em relação à qual a Fiscalização concluiu que o valor adicional dos  cheques apresentados pelos clientes em acréscimo à operação original "não é levado a  resultado, mediante débito na  conta  caixa  e  crédito",  alegando que  tal  valor não  seria  oferecido à tributação e, por isso, não seria dedutível.  Mas informa que os valores são levados a resultado e, conseqüentemente, suscetíveis à  tributação,  uma  vez  que  os  contratos  em  tela  nada  mais  são  do  que  acréscimos  aos  negócios  jurídicos  firmados  anteriormente,  representando  entrega  de  título  (cheque)  com cômputo de juros, para pagar prestação em aberto, acrescenta:.  Destarte,  se  verifica  com clareza que o  recebimento de  novos  cheques  quanto a  operações que ensejaram o registro de perdas  traduz a cobrança da Recorrente  em  determinado  cliente  sobre  o  acréscimo  (juros  por  atraso)  aos  valores  originários,  de  forma que o cheque posteriormente apresentado nada mais  é do  que o pagamento de juros decorrentes   Aduz que,se por ocasião do desconto tais cheques não forem cobertos não haveria outra  alternativa considerar seus respectivos valores como perdas, na forma do art. 9o da Lei  Fl. 10025DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 13          12 n°  9.430/96.  A  confusão  talvez  se  deva  à  forma  pela  qual  as  instituições  financeiras  adotam  a  contabilização  de  tais  perdas,  apesar  de  ser  de  notório  conhecimento  que  a  contabilidade  não  pode,  de  maneira  alguma,  servir  como  critério  exclusivo  para  a  determinação  da  incidência  de  tributos  a  recolher  ou  do  direito  de  dedução  em  discussão.  Consigna que observa os critério de apuração das perdas segundo os preceitos previstos  nas Leis n°s 8.981/95 e 9.430/96 e que todos os ajustes necessários são registrados no  Livro de Apuração do Lucro Real ­ LALUR, devidamente apresentado à Fiscalização,  nada obstante esta não tenha registrado qualquer descumprimento específico.  Mas,diante  da  inexistência  de  regulamentação  destinada  especificamente  a  esta  hipótese,  os  registros  contábeis  referentes  a  estas  perdas,  tal  como  ocorria  com  a  sistemática  de  provisão  anterior  (PDD),  seguem  devidamente  as  disposições  de  apuração mensal da Resolução n° 2.682 do Banco Central (doc. 10 da Impugnação).  Aponta , como exemplo, o contrato de empréstimo celebrado pelo Sr. Abel Vitorino De  Moura  Neto,  a  segunda  operação  nada  mais  é  do  que  uma  complementação  da  contratação  anterior  relativa  ao  pagamento  de  juros  que,  evidentemente,  não  estavam  previstos na negociação inicial.  E acrescenta que mesmo se  tais valores pertinentes aos  juros não  fossem oferecidos à  tributação  pelo  IRPJ  e  pela CSLL,  o E.  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  consolidou  o  posicionamento de que tais parcelas não configuram qualquer acréscimo patrimonial a  ponto de justificar a incidência do IRPJ e, de forma reflexa, da CSLL, a saber:  "TRIBUTÁRIO  ­  RECURSO  ESPECIAL  ­  ART.  43  DO  CTN  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  ­  JUROS  MORATÓRIOS  ­  CC,  ART.  404:  NATUREZA  JURÍDICA  INDENIZATÓRIA ­ NÃO­INCIDÊNCIA.  Os valores recebidos pelo contribuinte a título de juros de mora, na vigência do  Código  Civil  de  2002,  têm  natureza  jurídica  indenizatória.  Nessa  condição,  portanto,  sobre  eles  não  incide  imposto  de  renda,  consoante  a  jurisprudência  sedimentada no STJ.  Recurso especial improvido." (grifou­se)  Conclui  que  não  cabe  considerar  a  possibilidade  de  excluir  tais  valores  das  perdas  registradas  DA  DEPRECIAÇÃO  NO  CÁLCULO  DAS  PERDAS  EFETIVAS  EM  RAZÃO DA SUPOSTA FACULDADE PREVISTA NO § 1o DO ART. 9o DA LEI N°  9.430/96” Diz encerrar as  razões de mérito, para contestar, mais uma vez, os cálculos  realizados na referida autuação de forma a comparar "o valor das perdas calculado por  esta Fiscalização (Coluna  ''Perda Calculada' em fls. 138 a 1.928), (constante da coluna  Saldo  Devedor  Deduzido  como  Perda'  em  fls.  138  a  1.928),  tendo  sido  considerado  sempre o menor dos dois valores (Coluna Perda Admissível fls. 138 a 1.928)".  Teria  a  autoridade  fiscal  justificado  tal  perda  em  razão  do  §  1o  do  art.  9o  da  Lei  n°  9430/96,  o  qual  pretensamente  facultaria  "a  dedução  de  perdas  no  recebimento  de  créditos,  o  que  permitiria,  inclusive,  uma  dedução  parcial",  mas  a  adoção  do  menor  valor possuiu o único  intuito de  lhe prejudicar, haja vista que, a uma, se a  razão para  alteração de valores decorreu da forma como foram consideradas adições ou deduções  nas  respectivas  fórmulas,  o  cálculo  deve  ser  meramente  matemático,  não  havendo  qualquer  elemento  de  convicção  envolvido;  e,  a  duas,  restou  óbvio  que  a  Recorrente  buscou sempre aproveitar as deduções a que tem direito.  Sendo  a  intenção  da  autoridade  fiscal  esclarecer  de  forma  justa  a  questão,  dentre  os  inúmeros documentos e informações solicitados durante o procedimento de fiscalização,  poderia em qualquer momento indagar à Recorrente se esta teria a disposição de exercer  a aludida faculdade parcialmente.  Esclarece, como dito na impugnação, que pretende aproveitar integralmente os direitos  de  dedução  que  a  legislação  competente  lhe  confere,  de  modo  que  PUGNA  PELA  RETIFICAÇÃO  DE  OFÍCIO  da  aludida  autuação  e  dos  respectivos  documentos  vinculados, por se tratar de questão eminentemente material, para que seja aproveitada a  integralidade  das  perdas  se,  tal  como  sustentado  pela  fiscalização,  tal  aproveitamento  Fl. 10026DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 14          13 tenha  ocorrido  a  menor  do  que  o  valor  a  que  teria  direito,  gerando  equivocada  impressão de opção pelo aproveitamento meramente parcial.  E  acaso  assim  não  se  conclua,  pede  prazo  razoável  para  apurar  o  quanto  teria  sido  aproveitado  a menor  e,  assim,  retificar  as  informações  e  documentos  relacionados  de  forma a obter o aproveitamento  integral das perdas geradas quanto ao recebimento de  créditos em decorrência das sua atividades comerciais.  Como demonstrara, por  todos os ângulos,  que a autuação ora combatida não deve ser  mantida, de modo que os valores lançados como despesa correspondem, efetivamente,  às  perdas  no  recebimento  de  créditos  de  acordo  com  os  requisitos  determinados  pela  legislação aplicável, notadamente as Leis n°s 9.249/95 e 9.430/96 e, diante dos diversos  equívocos  incorridos  pela  Fiscalização  e  dos  documentos  e  informações  já  acostados  aos  autos,  a  Recorrente  requer,  acaso  a  autuação  originária  não  reste  nula  ou  improcedente, o que se admite apenas para fins de argumentação, a conversão do feito  em diligência, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 e do art. 38 da  Lei n° 9.784/99, especialmente pela comprovada impossibilidade e alto custo financeiro  e  operacional  quanto  à  emissão,  transporte  e  juntada  aos  autos  de  milhares  de  documentos e informações essenciais ao deslinde da questão em comento.  A  contribuinte  apresenta  aditamento  às  suas  razões  de  recursos  ,  às  fls.  3067/3070,  e  repete da dificuldade em juntar os documentos envolvidos, para fornecer os elementos  hábeis  comprovar  regularidade  no  registro  das  perdas  quanto  a  todas  as  operações  comerciais  realizadas  no  ano­calendário  objeto  da  autuação,  tanto  em  razão  da  significativa quantidade de cópias relativas um exercício inteiro (em torno de 50.000 ­  operações de  empréstimo  financeiro)  como  em decorrência da  impossibilidade de  sua  impressão  e  juntada  nos  autos  de  um  processo  administrativo,  corroborando  a  necessidade de conversão do feito em diligência, conforme já requerido alhures.  Afirma que a documentação esteve disponível desde o início da fiscalização, caso fosse  intimada  para  tanto  ou,  ainda,  se  tivesse  ciência  de  que  o  fiscal  usaria  cálculos  que  dependessem de tais documentos, os quais seriam apresentados por liberalidade.  Cita como exemplo, quanto aos dias de carência de cada uma das operações, os quais,  diretamente  determinantes  para  o  cálculo  das  respectivas  parcelas  dos  empréstimos  concedidos  aos  clientes  (e,  consequentemente,  no  cálculo  das  perdas  no  recebimento  dos respectivos créditos), foram completamente desconsiderados pela autoridade fiscal,  nada  obstante  houvessem  sido  plenamente  apresentadas  durante  a  fiscalização  as  planilhas  com  todas  as  informações  pertinentes  que  esclareciam  a  regularidade  nos  cálculos dos valores respectivamente deduzidos.  Por isto acosta novos Termos de Adesão hábeis a demonstrar que em outras operações  (as  quais  se  encontram  igualmente  entre  as  operações  discriminadas  na  planilha  apresentada  à  fiscalização  e  através  do  Recurso  Voluntário  por  meio  de  mídia  eletrônica)  a  Requerente  concedeu  carência  a  seus  clientes,  de  modo  que  a  fórmula  aplicada  aos  cálculos  das  respectivas  perdas  deveria  também  nessas  oportunidades  considerar tal variável, para assim, encontrar os corretos valores calculados para fins de  perdas.  E, embora impossibilitada de juntar todos os termos de adesão firmados quanto ao ano­ base  de  2006,  com  base  nas  razões  anteriormente  expostas,  a  nova  juntada  que  demonstra, ao menos em parte das operações correspondentes, a existência da carência  e o conseqüente erro de cálculo da fiscalização, o que reforça não só os argumentos de  nulidade  da  autuação  como,  subsidiariamente,  o  requerimento  de  realização  de  diligência.  Protesta pelo recebimento das razões e dos documentos anexados para, assim, reiterar a  necessidade  de  se  determinar  a  anulação  da  autuação  contestada,  tendo  em  vista  o  manifesto  o  erro  da  fiscalização  no  cálculo  do  valor  autuado,  conforme  plenamente  comprovado pelo Termo de Adesão já apresentado (Sra. Lúcia Cabral) e pelos outros 12  (doze) juntados através do presente aditamento.  A conversão do feito em diligência foi assim justificada pela I. Relatora:  O Recurso é tempestivo.  Fl. 10027DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 15          14 No  termo de  verificação  de  fls.  2625/2674,  a  causa  de  lançar,  conforme  apontado  no  relatório  do  voto  condutor  do  acórdão  guerreado,  decorre:  a)excesso  no  limite  de  dedutibilidade de despesas com juros sobre capital próprio (JCP) e b) dedução indevida  de perdas no recebimento de créditos.  No tocante ao primeiro item o auditor comparou as despesas com juros sobre o capital  próprio,  deduzidas  indevidamente,  observando  dois  limites:  i)  o  equivalente  ao  montante definido pela aplicação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP)  sobre as contas do patrimônio líquido, excluídos os valores referentes às reservas: (a) de  reavaliação de bens e direitos; (b) de reavaliação de bens imóveis e patentes que tenham  sido  capitalizados,  em  relação  às  parcelas  não  realizadas;  e  constituídas  como  contrapartida da correção monetária e ainda não realizadas. ii) igual a metade do lucro  computado antes da dedução dos JCP ou dos lucros acumulados e reserva de lucros.  Na primeira verificação ela considera os valores de TJLP e o número de dias de cada  trimestre do ano­calendário de 2006, informado às fls. 2.636, apontando a taxa pro rata  dia, arredondada até oito casas decimais, igual a 7,86808219%. Em seguida aplicou este  percentual sobre o montante do patrimônio líquido, (porque não havia reservas a serem  excluídas,  igual  a  R$  47.568.870,76)  valor  obtido  na  linha  40  da  ficha  37B  da DIPJ  retificadora  do  período  (fls.  130).  Com  isso  chega  ao  limite  de  dedutibilidade  de R$  3.742.757,85, valor  informado na declaração  já referida,  ficha 06B,  linha 45 (fls.117),  em R$ 476.481,92.  Na  segunda  verificação,  o  autuante  confrontou  os  JCP,  iguais  a  R$  4.219.239,77  (inicialmente,  com  o  lucro  líquido  antes  do  IRPJ  ­  ficha  06B,  linha  61,  da  DIPJ  retificadora,  igual  a  R$  5.544.998,15,  adicionado  dos  JCP);  depois,  com  os  lucros  acumulados (ficha 37B, linha 35), no valor de R$ 21.010.947,61, somados às reservas  de lucros (ficha 37B, linha 31, de R$ 1.3953914,44). Em ambas comparações, concluiu  que não houve desrespeito aos limites.  A  Contribuinte,  neste  item,  aduz  o  acerto  em  seu  procedimento  e  pede,  que  se  o  Colegiado  não  concordar  com  sua  tese,  baixe  o  processo  em diligência  para  que  seja  verificada  a  ocorrência  da  figura  da  postergação  no  pagamento  do  imposto  devido.  (Antecipação de despesas).  Em  relação  às  deduções  de perdas  no  recebimento de  créditos,  o  autuante  considerou  indevidos  o  montante  de  R$7.129.674,15  número  encontrado  através  de  raciocínio  indutivo, a partir da análise de um contrato de financiamento entre a interessada e uma  cliente sua, para obter conclusões gerais acerca do tema. As características do referido  contrato  eram:  (i)  valor  financiado,  R$  2.173,42;  (ii)  taxa  de  juros,  4,5%  a.m.;  (iii)  número  de  prestações,  10;  (iv)  IOF,  R$  14,94;  (v)  taxa  administrativa  e  período  de  carência,  nulos;  (vi)  valor  principal  do  empréstimo,  equivalente  ao  valor  financiado  acrescido do IOF e da taxa de administração (neste caso igual a zero), R$ 2.188,36; e  (vii) cálculo das prestações mensais pelo "sistema Price".  A Contribuinte, em sede de recurso reitera o pedido de diligência para que fosse revisto  o lançamento.  No que tange à dedução das despesas referentes ao juros sobre o capital próprio (JCP) e  o  valor  excessivo  considerado  no  ano  calendário,  invoca  a  Contribuinte  a  possível  ocorrência  de  postergação  (independente  do  aspecto  de  se  referir  aos  juros  sobre  o  capital próprio, matéria não analisada pela Câmara).  Assim, por economia processual,  e para que se evite o argumento de cerceamento do  direito de defesa da recorrente, pede­se que o diligenciante observe se houve, provisão a  menor desta conta no período anterior e no seguinte.  No  tocante  aos  valores  referentes  às  deduções  das  perdas  decorrentes  dos  financiamentos  realizados,  entendo  que  é  salutar  a  conversão  do  julgamento  em  diligência por dois motivos:  primeiro,  porque  a Recorrente  fez  a DIPJ  retificadora,  e,  segundo alega, faz todos os ajustes necessários de sorte a infirmar a Denúncia Fiscal; e,  o segundo motivo, é que pela legislação em vigor, o fisco pode utilizar formas racionais  de desenvolver  seu  trabalho de auditoria, mas não  lhe é permitido presumir valores a  partir de raciocínio indutivo (partindo do particular para o geral) porque a contribuinte  Fl. 10028DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 16          15 juntou vários documentos que necessitam ser revisitados pelo Autuante, para que sejam  respondidas as seguintes indagações:  a) Se os valores de R$ 5.000,00, dizem respeito a cada operação, e se refere a operações  parcelas, ainda não pagas, se o prazo de vencimento é superior a l (um) ano?  b) Fazer demonstrativo de cada contrato, um a um, demonstrando o valor da operação, o  valor das parcelas pagas daquela operação, o valor das parcelas vincendas e não pagas  com  prazo  superior  a  6 meses,  e  valor  dos  juros  eventualmente  devidos  e  o  total  do  débito vencido e não pago há mais de 6 meses. Indicar se o tomador é pessoa física ou  jurídica.  c)  Discriminar  os  valores  de  operações  superiores  de  R$  5.000,00  a  R$  30.000,00,  vencidas há mais de 1 (um) ano destacando a que há existe ação judicial de cobrança,  indicando as parcelas vencidas e os juros cobrados.  d) Discriminar,  em relação apartada, no modelo do  item “b” os débitos com garantia,  vencidos  há  mais  de  dois  anos,  desde  que  iniciados  e  mantidos  os  procedimentos  judiciais para o seu recebimento ou o aresto das garantias;  e) Discriminar  os  casos  de  devedores  declarados  falidos  ou  pessoa  jurídica  declarada  concordatária,  relativamente  à  parcela  que  exceder  o  valor  que  esta  tenha  se  comprometido a pagar.  Após,  relatório  circunstanciado  será  elaborado  e  dele  seja  colhido  a  ciência  da  Contribuinte  para  que  a  mesma  se  pronuncie,  em  achando  necessário.  Sugestão  que  submeto aos meus pares, neste ato.  Os autos foram inicialmente encaminhados à DEMAC/RJ, que produziu informação  fiscal com vistas a subsidiar diligência pela unidade administrativa do domicílio da  contribuinte  (DRF/Vitória).  Em  tal  documento  (fls.  4491/4570)  a  Fiscalização  argumenta:  · Ser  perfeitamente  possível,  no  caso  sob  análise,  tomar  um  contrato  como  exemplo  para  fins  de  aplicação  de  fórmula  matemática  à  totalidade  dos  contratos que geraram perdas no recebimento de créditos no ano­base de 2006,  mormente  tendo em conta que  todos os valores contabilizados como provisão  para perdas no recebimento de créditos foram afirmados perdas efetivas, e que  a  fórmula  de  cálculo  adotada  pela  Fiscalização  era  aplicável  a  todos  os  contratos, como reconhecido pela contribuinte.   · Considerados  os  critérios  diferenciados  estabelecidos  pela  legislação  tributária  para  dedução  de  perdas,  esta  somente  pode  ser  registrada  no  período de competência do imposto, mormente tendo em conta as outras regras  que  regulam a  compensação de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  de CSLL.  Por  esta  razão,  foram adotados o menor  dos  valores  quando comparados  os  cálculos  do  Fisco  e  da  fiscalizada,  especialmente  frente  à  incerteza  manifestada  pela  contribuinte  acerca  das  perdas  verificadas.  Ademais,  os  cálculos  da  Fiscalização  levaram  em  consideração  as  características  dos  contratos e a fórmula matemática informados pelo contribuinte.  · A desconsideração dos  prazos  de  carência  dos  contratos  decorre  da  falta  de  boa­fé da fiscalizada que, sabendo que estas informações alterariam o cálculo  das  perdas,  não  prestou  estas  informações  ao  Fisco.  Contudo,  a  partir  dos  efeitos da  fórmula utilizada pela Fiscalização sobre um dos contratos,  restou  evidenciado  que  a  carência  de  30  (trinta)  dias  ali  estabelecida  já  foi  considerada quando do cálculo da prestação e, portanto,  também já  foi  levada  em consideração quando do cálculo da perda gerada por este mesmo contrato,  assim como nos cálculos das perdas geradas por todos os demais contratos.  · Contudo,  houve  erro  na  fórmula  de  cálculo  da  perda  individual  gerada  por  contrato  no  lançamento  original,  por  ter  sido  utilizada,  como  fórmula  de  Fl. 10029DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 17          16 cálculo da perda gerada por um contrato, o valor de seu saldo devedor acrescido  do montante dos juros embutidos nas duas parcelas que ainda seriam pagas (a  correspondente  à data do primeiro vencimento  sem pagamento,  e  a  seguinte),  mas ainda assim o valor deduzido pela contribuinte  foi superior ao que seria  admissível segundo os cálculos da Fiscalização.  · Embora  solicitado  à  contribuinte  informação  acerca  da  data  do  último  vencimento sem pagamento, a Fiscalização teria utilizado, nos cálculos, a data  do primeiro vencimento sem pagamento como termo inicial para determinar o  prazo de atraso dos contratos.  · Quanto às receitas  financeiras embutidas nas parcelas que venceriam nos dois  meses  seguintes à data do primeiro vencimento sem pagamento,  sua exclusão  não  será  necessária  pois  só  seria  permitida  caso  as  receitas  de  juros  tenham  sido levadas a resultado após estes mesmos dois meses de atraso (art. 11, Lei nº  9.430/96), o que não ocorrerá, já que expressamente vedado pelo art. 9o da Lei  nº 9.430/96 e pelo também art. 9o da Resolução CMN nº 2682/99.  · No que tange à dedutibilidade das perdas geradas por contratos com uma única  ou  nenhuma  parcela  paga  pelo  tomador,  deve­se  ter  em  conta  o  disposto  no  Termo de Verificação Fiscal em fls. 2.663 a 2.666 (item 2).  · Perdas  em  operações  com  cartão  de  crédito  nunca  foram  mencionadas  no  curso da ação fiscal, evidenciando manobras protelatórias, bem como a falta de  disposição de colaborar com a Fiscalização na busca da verdade material.  · Os dados da DIPJ Retificadora foram considerados pela Fiscalização.  · A Fiscalização  tomou como verdade os dados dos contratos apresentados em  planilha  Excel,  e  deles  se  valeu  para  conferir  as  perdas  contabilizadas  pela  interessada.  Se  contratos  agora  são  apresentados  para  desmentir  as  informações  apresentadas  em meio magnético  evidencia­se  a  desorganização  da contribuinte, sua intenção de não colaborar com o Fisco ou, ainda, sua má­ fé.  · Inexatidões das intimações poderiam ter sido argüidas e esclarecidas no curso  da ação fiscal.  · A  análise  individualizada  dos  contratos  foi  desnecessária  porque  admitiu­se  que as planilhas apresentadas  refletiam dados verdadeiros.  Se a  contribuinte  pretende adotar  agora  outra  conduta,  questiona­se porque  não  fez durante a  ação  fiscal,  quando  teve  chances  suficiente  para  invocar  o  princípio  da  verdade material.  Conclui, assim, pela necessidade de recomposição dos cálculos segundo a fórmula  apontada  que  melhor  reflete  a  perda  por  contrato,  a  ser  aplicada  sobre  novas  planilhas  fornecidas pela  fiscalizada em que constem  todos os dados relativos aos  contratos e/ou operações que geraram perdas no recebimento de créditos no ano­base  de 2006, submetidas a necessária auditoria com a documentação de suporte e com  os registros contábeis, ainda que por amostragem.  Por fim, quanto à glosa de juros sobre o capital próprio, reiterou o que expresso no  Termo de Verificação Fiscal.  Com  estas  informações,  os  autos  foram  encaminhados  a  esta  1a  Seção  de  Julgamento,  para  seguirem  posteriormente  à  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Vitória/ES, unidade administrativa do domicílio da contribuinte.  Fl. 10030DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 18          17 Considerando que a Conselheira  Ivete Malaquias Pessoa Monteiro não mais atua  neste  Conselho,  os  autos  foram  submetidos  a  novo  sorteio  e  atribuídos  para  relatoria por esta Conselheira.  Na sessão de julgamento de 10 de outubro de 2013 a 1ª Turma Ordinária da  1ª  Câmara  desta  Seção  de  Julgamento  acolheu,  por  unanimidade,  o  voto  desta  Conselheira  contrário à declaração de nulidade do lançamento e favorável a nova conversão do julgamento  do recurso voluntário em diligência, nos seguintes termos:  Em  preliminar,  a  recorrente  argui  a  nulidade  do  lançamento  porque  a  segunda  renovação  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  somente  teria  ocorrido  depois de expirado o prazo para tanto, hipótese na qual outro auditor fiscal deveria  ser  designado  para  prosseguimento  dos  trabalhos. Diz  que  o MPF  anterior  tinha  validade até 27/08/2008, e que o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal somente  foi  emitido  em 01/09/2008. Acrescenta que  também a prorrogação que deveria  se  verificar em 26/10/2008 somente lhe foi cientificada em 20/11/2008.  Contudo, em pesquisa ao sítio da Receita Federal na Internet, a partir do código de  acesso fornecido à interessada no início do procedimento fiscal (fls. 3/6), constata­ se  que  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  nº  07.1.66.00­2008­00044­0  foi  prorrogado  até  25/12/2008,  providência  que  prescinde  da  ciência  ao  fiscalizado,  consoante expresso na Portaria RFB nº 11.371/2007:  Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão  ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as  relativas a  tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão  procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante,  conforme modelo aprovado por esta Portaria.   Equivocada,  portanto,  a  argumentação  da  recorrente,  que  afirma  a  efetivação  da  prorrogação  do  prazo  de  execução  do MPF  no momento  em  que  cientificada  do  prosseguimento  dos  trabalhos  fiscais.  A  prorrogação  se  efetiva mediante  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  outorgante,  e  está  demonstrada  no  documento disponível no sítio da Receita Federal na Internet.  Para além disso, como já demonstrado pela autoridade julgadora de 1a instância, o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  apenas  se  presta  a  controlar  a  execução  de  procedimentos fiscais e não atinge a competência dos Auditores Fiscais da Receita  Federal do Brasil de promoverem o lançamento de crédito tributário.  Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento por  vícios em prorrogações do MPF.  Ainda a preliminar, a interessada argúi a nulidade do lançamento em razão de erro  no cálculo das perdas efetivas, inicialmente observando que a autoridade julgadora  de 1a instância rejeitou a prova e os argumentos que lhe foram apresentados a título  exemplificativo,  de  modo  a  demonstrar  os  dias  de  carência  concedidos  a  determinado  contrato.  Reporta­se  ao  Termo  de  Adesão  referente  ao  contrato  adotado  como  exemplo  pela  autoridade  lançadora,  e  entende  que  não  foi  adequadamente demonstrada sua insuficiência.   Prossegue,  então,  afirmando  contraditória  a  decisão  que,  ante  a  demonstração  exemplificativa  das  provas  cuja  juntada  integral  seria  inviável,  não  determina  a  baixa  dos  autos  à  fiscalização  para  novos  procedimentos  de  averiguação.  Diz  que  neste  recurso,  por  cautela,  aumentou  o  número  de  exemplos  utilizados,  e  acostou  através  de mídias  eletrônicas,  todas  as  informações  necessárias  para  o  cálculo  das  operações  então  realizadas,  para  então  demonstrar  os  efeitos  da  desconsideração,  pela Fiscalização, do prazo de trinta dias de carência concedidos aos tomadores de  empréstimos, e concluir que este flagrante erro material  imputa à Recorrente grave  Fl. 10031DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 19          18 cerceamento  de  defesa,  na  medida  em  que  anula  a  motivação  que  sustenta  o  lançamento.  Enfatiza: 1) a apresentação de elementos  suficientes para demonstrar que o valor  exigido  se  mostra  impreciso  e  distante  da  realidade;  2)  a  dificuldade  em  se  compreender  as  requisições  fiscais  e  de  atendê­las,  ante  o  volume de  documentos  envolvidos  e  o  custo  operacional  de  transportá­los de  sua  sede  no Espírito  Santo  para a DEINF no Rio de Janeiro; e 3) a impossibilidade de acostá­los aos autos de  um processo administrativo. E arremata pleiteando a conversão do julgamento em  diligência, caso não seja declarado nulo o lançamento.  Inicialmente  cumpre  observar  que  não  há  razões  para  se  declarar  a  nulidade  do  lançamento.  Ante  o  volume  de  operações  realizadas  pelo  sujeito  passivo,  a  autoridade  fiscal  promoveu  a  auditoria  a  partir  dos  controles  informatizados  mantidos pela contribuinte, extraindo das características dos contratos ali expressas  as variáveis aplicadas a fórmula de cálculo detalhadamente explicitada, para assim  determinar as perdas que seriam dedutíveis no período fiscalizado.  A extensa demonstração apresentada pelo fiscal autuante validamente permitiu que  a  contribuinte  identificasse  a  variável  inicialmente  contestada,  bem  como  demonstrasse, mediante aplicação da fórmula de cálculo adotada pela Fiscalização,  seus efeitos na apuração da perda dedutível.   Mais  à  frente,  ainda,  a  recorrente  questionou  a  interpretação  datada  ao  critério  temporal  estabelecido  no art.  9o,  §1o,  inciso  II,  alínea  a,  da Lei nº  9.430/96, bem  como  ao  reconhecimento  de  juros  nos  contratos  por  ela  executados,  os  quais  repercutiram  nos  critérios  de  cálculo  adotados  pela  Fiscalização.  Por  fim,  a  recorrente  se  defendeu  dos  motivos  apresentados  para  desconsiderar  as  perdas  vinculadas a cheques em garantia, precisamente opondo­se à argumentação  fiscal  de que inexistiria receitas adicionais reconhecidas em tais circunstâncias, além de  expressamente  pleitear  a  dedução  das  parcelas  que  a  Fiscalização  entendeu  inadmissíveis porque originalmente não consideradas pela contribuinte.  Assim,  também  sob  esta  ótica,  deve  ser  REJEITADA  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento.  Prosseguindo, ainda no que concerne à desconsideração, nos cálculos, do período  de carência concedido pela interessada aos tomadores de empréstimo, a recorrente  demonstra, a partir da fórmula adotada pela Fiscalização, que admitindo­se o prazo  de carência de 30 (trinta) dias concedido para pagamento da 1a parcela do contrato  tomado  como  exemplo  no  lançamento,  o  valor  da  parcela  passaria  a  ser  de  R$  289,00, alterando a quantificação das perdas no período fiscalizado.  Recordando  os  cálculos  da  Fiscalização,  por  meio  da  fórmula  do  Sistema  de  Amortização Francês (Tabela “Price”), a autoridade lançadora determinou o valor  das prestações do contrato, e tendo em conta aquelas que não foram pagas (no caso  3  x  R$  276,56  =  R$  829,68),  deste  montante  expurga  os  juros  a  apropriar  e  determina o corresponderia ao “saldo devedor”  (R$ 720,26),  para a ele acrescer  apenas os juros correspondentes aos dois primeiros meses de atraso, em razão da  limitação imposta pelo art. 9o da Resolução BACEN nº 2.682/99.  Na  análise  preliminar  procedida  pela  autoridade  lançadora  antes  de  remeter  os  autos  para  conclusão  da  diligência  na  unidade  de  jurisdição  do  sujeito  passivo,  além de mencionar a  falta de boa­fé da Fiscalizada que não apresentou,  em  suas  planilhas, uma coluna com os prazos de carência presentes nos contratos, o auditor  responsável questiona se esta omissão influenciou significativamente no lançamento  tributário, e passa a demonstrar como é feito o cálculo das perdas no recebimento de  créditos para cada contrato, levando em conta, agora, o prazo de carência.   Fl. 10032DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 20          19 E, nesta abordagem acerca dos efeitos contábeis e fiscais das operações de crédito,  e embora reconhecendo a correção do valor da prestação calculado pela recorrente  considerando  os  efeitos  do  prazo  de  carência,  o  fiscal  autuante  demonstra  mensalmente a contabilização dos efeitos do contrato, agora também se reportando  às  provisões  determinadas  pela  Resolução  CMN  nº  2.682/99  em  razão  da  classificação  de  risco  da  operação  de  crédito,  para  assim  apurar  o  resultado  econômico  ou  contábil  do  contrato,  o  resultado  fiscal  do  contrato,  o  resultado  financeiro do contrato e o resultado olhando apenas para a Tabela Price do contrato,  concluindo que:   Caso  o  contribuinte  tenha  apropriado  corretamente  ao  resultado  todas  as  receitas  e  despesas geradas por este contrato, nos períodos de apuração respectivos, aí incluídas as  despesas  de  provisão  (que  terão  que  ser  adicionadas  ao  lucro  líquido  para  fins  de  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL),  chegamos  a  conclusão  de  que  poderá  fazer  uma  exclusão,  relativa  a  este  contrato,  de R$  839,71  no  1º  trimestre  de  2006.  Conforme se observa na 6ª linha da planilha de fls. 138, a DACASA deduziu o valor de  R$ 870,00 a título de perda gerada por este contrato, valor superior aos R$ 839,71 ora  calculados. Por outro lado, esta Fiscalização, com base na metodologia utilizada quando  da lavratura do Auto de Infração, calculou o valor de R$ 817,78 como perda passível de  ser deduzida, valor este também errado.  Ao final, reconhecendo a existência de erro nos cálculos, mas de modo a determinar  perdas dedutíveis ainda inferiores às consideradas pela contribuinte, consignou que  o  erro  deveu­se  ao  fato  de  ter  sido  utilizada,  como  fórmula  de  cálculo  da  perda  gerada  por  um  contrato,  o  valor  de  seu  saldo  devedor  acrescido  do montante  dos  juros embutidos nas duas parcelas que ainda seriam pagas (a correspondente à data  do primeiro vencimento sem pagamento, e a seguinte).   Referido  documento  não  foi  cientificado  ao  sujeito  passivo  porque  reconhecida  a  necessidade de continuidade dos trabalhos de diligência pela unidade de jurisdição  do sujeito passivo. Contudo, antes disso, os autos retornaram a este Conselho.  Resta  evidente,  portanto,  que  há  outros  esclarecimentos  a  serem  prestados  pela  autoridade  fiscal  competente  em  diligência,  no  que  tange  à  repercussão  do  erro  constatado  na  aferição  das  perdas  referentes  aos  demais  contratos  operados  no  período  fiscalizado.  Mas  não  só  isso:  questiona­se,  também,  se  os  ajustes  em  referência decorrem, apenas, da desconsideração do prazo de carência, na medida  em  que  a  abordagem  da  Fiscalização  inicialmente  parece  pretender  afastar  este  efeito,  mas  reconhece  que  outro  seria  o  valor  da  prestação  do  contrato  tomado  como exemplo, prestação esta adotada como referência para o cálculo das perdas.  Relevante  ainda  se  mostra  ter  em  conta  os  demais  elementos  apresentados  pela  interessada  em  complemento  ao  seu  recurso  voluntário  (fls.  3067/3070),  consistentes em outros exemplos de Termos de Adesão demonstrativos da carência  concedida aos tomadores de empréstimos (fls. 3071/3082), cujos efeitos devem ser  objetivamente demonstrados à semelhança do contrato tomado como exemplo pela  Fiscalização.  Ressalte­se,  ainda,  a  notícia  de  juntada,  ao  recurso  voluntário,  de  arquivo magnético que demonstraria a carência concedida nos contratos analisados  pela  Fiscalização  (fl.  2995),  devendo  a  Fiscalização  se  manifestar  acerca  destas  informações.  A recorrente também questiona o procedimento fiscal que, para fins de contagem do  prazo previsto em lei para admissibilidade da dedução da perda, teria tomado como  referência a data do último vencimento sem pagamento. O fiscal autuante, porém,  esclarece que em que pese constar, de fato, na letra “m” do item 2 da Intimação nº  01  (fl.  20)  pedido  de  informação  quanto  a  “data  do  último  vencimento  sem  pagamento”,  utilizou­se,  de  fato,  nos  cálculos,  a data do primeiro vencimento  sem  Fl. 10033DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 21          20 pagamento como  termo  inicial para determinar o prazo de atraso dos contratos  (fl.  4560).  Assim,  resta  apenas  cientificar  a  interessada  acerca  da  conclusão  de  que  esta  referência inicial feita pela Fiscalização não influenciou nos cálculos originais.   Na  seqüência,  abordando  a  interpretação  dada  pelo  Fisco  ao  art.  11  da  Lei  nº  9.430/96  e  ao  art.  9o  da  Resolução  BACEN  nº  2682/99,  no  que  tange  aos  juros  embutidos para  fins de apuração das perdas efetivas, diz a recorrente que a leitura  dos  aludidos dispositivos  somente  traduz  conduta proibitiva quanto  à dedução dos  encargos constituídos anteriormente ao período de 60 (sessenta) dias, o que significa  que todos os valores correspondentes que superem tal limite podem ser utilizados no  cálculo das perdas definitivas.  À fl. 4562 a autoridade lançadora esclarece que para qualquer contrato, não será  necessário excluir qualquer parcela a título de receita de juros após dois meses do  primeiro  vencimento  sem  pagamento,  haja  vista  que  esta  exclusão  só  é  permitida  caso as receitas de juros  tenham sido  levadas a resultado após estes mesmos dois  meses de atraso (art. 11, Lei nº 9.430/96), o que não ocorrerá, já que expressamente  vedado pelo art. 9º da Lei nº 9.430/96 e pelo também art 9º da Resolução CMN nº  2682/99.  Logo, neste ponto também, é necessário apenas cientificar a interessada acerca da  conclusão fiscal a respeito do que originalmente questionado.  Com  referência  às perdas  efetivas  quanto  às  adições  dos  contratos  de  empréstimo  em  razão  da  substituição  de  cheques,  a  recorrente  argumenta  que  há  reconhecimento de acréscimos aos valores originários das dívidas, correspondentes  a juros por atraso, de forma que o cheque posteriormente apresentado nada mais é  do que o pagamento de juros decorrentes do tempo em que a Recorrente deixou de  usufruir da soma que fora anteriormente emprestada.  O fiscal autuante, neste ponto, apenas reiterou o que dito no Termo de Verificação  Fiscal em fls. 2.663 a 2.666 (item 2) (fl. 4564).  Contudo, para melhor julgamento da lide, necessário se faz que a interessada seja  intimada a demonstrar documentalmente a ocorrência dos fatos alegados, podendo  fazê­lo por amostragem para prévia avaliação da autoridade  fiscal acerca de  sua  repercussão  dos  cálculos,  e  posteriormente,  se  necessário,  demonstrando­os  na  íntegra, na medida em que a apresentação de cheques em garantia, em regra, não  representa uma nova dívida que possa suscitar novas perdas.   Concluindo este tópico da exigência, a recorrente também se opõe à providência da  Fiscalização  de  considerar  como  dedutível  sempre  a  menor  perda  apurada,  na  comparação  de  seus  cálculos  com  os  valores  considerados  pela  contribuinte.  Declara  que  pretende  aproveitar  integralmente  os  direitos  de  dedução  que  a  legislação  competente  lhe  confere,  de modo  que  PUGNA  PELA  RETIFICAÇÃO  DE OFÍCIO da aludida autuação e dos respectivos documentos vinculados.   Neste  ponto,  necessário  se  faz  que  a  interessada  demonstre  que  não  se  fez  uso  posteriormente  das  perdas  que,  segundo  os  cálculos  da  Fiscalização,  poderia  ter  deduzido no ano­calendário 2006. Assim, deve  ser  ela  intimada a apresentar  esta  prova para posterior avaliação de seu direito à dedução daquelas parcelas.  Por fim, no que tange à glosa de juros sobre o capital próprio, a interessada diz que  a conta de JCP de 2006 se limitou ao valor de R$ 3.746.048,57, sendo o restante (R$  473.191,20 decorrente da remuneração aplicada em favor dos sócios e acionistas por  estes não haverem recebido parte dos JCP´s do ano de 2005. Acrescenta que para o  cálculo  em 2006 utilizou  a  taxa  de 7,875% divulgada no  site  da Receita Federal,  diferente daquele aplicado pela Fiscalização 7,86808219%, e arremata argüindo a  Fl. 10034DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 22          21 ocorrência  de  mera  postergação,  a  qual,  desconsiderada  pela  Fiscalização,  invalidaria o lançamento.  A  partir  dos  documentos  de  fls.  3055/3061  infere­se  que  na  conta  de  despesa  de  juros sobre capital próprio foram apropriadas não apenas as parcelas mensais que  resultariam no total alegado de R$ 3.746.048,57, como também acréscimos mensais  que corresponderiam a correção monetária pela variação do CDI aplicada sobre a  base de cálculo de R$ 3.256.818,30,  referente a  juros  s/ capital próprio creditados  até 12/2005 e não pagos aos acionistas.  Assim, para melhor  julgamento da  lide,  necessário  se  faz  verificar  se,  de  fato,  ao  final  do  ano­calendário  2005  o  montante  de  R$  3.256.818,30  havia  sido  provisionado  a  título  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  não  se  verificando  o  pagamento desta dívida até o final do ano­calendário 2006.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  reafirma  a  necessidade  de  CONVERSÃO  do  presente julgamento em diligência para que a autoridade que jurisdiciona o sujeito  passivo, em razão do que antes exposto:  · Demonstre  a  existência  ou  não  de  repercussão,  nos  cálculos  das  perdas  dedutíveis  no  ano­calendário  2006,  do  prazo  de  carência  alegado  pela  recorrente,  bem  como  dos  efeitos  do  erro  de  cálculo  identificado  pela  autoridade lançadora na abordagem deste tópico, inclusive tendo em conta os  demais Termos de Adesão  juntados às  fls.  3071/3082,  e o arquivo magnético  apresentado conforme fl. 2995, como exposto ao longo deste voto;  · Cientifique a recorrente acerca das conclusões exaradas na Informação Fiscal  de fls. 4491/4570 em torno dos argumentos de defesa concernentes à contagem  do  prazo  previsto  em  lei  para  admissibilidade  da  dedução  da  perda  e  à  limitação dos juros considerados no cálculo da perda;   · Intime a  recorrente a demonstrar o  reconhecimento de receitas  relativamente  aos  contratos  de  empréstimos  nos  quais  houve  substituição  de  cheques,  bem  como a ausência de dedução posterior das perdas que, segundo os cálculos da  Fiscalização,  seriam  dedutíveis  no  período  fiscalizado,  observando  o  que  exposto neste voto;  · Verifique se ao  final  do ano­calendário 2005  foi  provisionado o montante de  R$ 3.256.818,30 a título de juros sobre o capital próprio, não se verificando o  pagamento desta dívida até o final do ano­calendário 2006.  Ao final, a autoridade competente deverá elaborar relatório circunstanciado acerca  dos procedimentos desenvolvidos e das conclusões alcançadas, dele cientificando o  sujeito  passivo,  juntamente  com  a  informação  fiscal  de  fls.  4491/4570,  e  concedendo­lhe o prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de  defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho.  Registre­se, por fim, que uma vez acolhida a proposta de conversão do julgamento  em  diligência,  as  preliminares  serão  novamente  apreciadas  por  ocasião  do  julgamento final do recurso voluntário.  Cientificada  da  Resolução  nº  1101­000.104  e  da  Informação  Fiscal  de  fls.  4491/4570 em 04/09/2014, assim como  intimada a demonstrar o  reconhecimento de receitas  relativamente  aos  contratos  de  empréstimos  nos  quais  houve  substituição  de  cheques,  bem  como a ausência de dedução posterior das perdas que,  segundo os cálculos da  fiscalização,  seriam dedutíveis no período fiscalizado, e a apresentar as páginas do livro Razão dos anos­ calendário de 2005 e 2006, relativos à conta "Juros sobre o Capital Próprio (fls. 4612/4614),  a contribuinte, em resposta, apresentou os registros da conta "Juros sobre o Capital Próprio" e  demonstrou, por amostragem, suas alegações acerca da dedutibilidade das perdas vinculadas a  Fl. 10035DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 23          22 contratos de empréstimos nos quais houve substituição de cheques, colocando­se à disposição  da  Fiscalização  para  demonstração  das  demais  ocorrências  em  prazo  suplementar,  caso  se  entendesse necessário (fls. 4615/4638).  A  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência  exigiu  outros  documentos  e  esclarecimentos, os quais foram prestados conforme fls. 4641/4647, 4653/4659, 4664/7029. O  auditor  responsável  elaborou  os  demonstrativos  de  fls.  7261/9982  e  lavrou  Termo  de  Encerramento  de Diligência  (fls.  9983/9990)  no  qual  relata  os  procedimentos  adotados  para  recálculo  das  perdas  passíveis  de  dedução  no  ano­calendário  2006,  e  determina  em  R$  43.022.707,50 os valores dedutíveis, montante que diz superior ao que seria apurado, com os  ajustes em razão do período de carência, tendo em conta as informações consideradas durante o  procedimento fiscal (R$ 34.340.870,42), assim determinando a adição ao lucro real e à base de  cálculo  da  CSLL  para  R$  9.137.200,83.  Tendo  em  conta  que  a  contribuinte  manifestou  discordâncias  em face da metodologia de cálculo adotada pela Fiscalização, destacou que na  Informação Fiscal de fls. 4491/4570 foi demonstrado que há diversas maneiras de chegar a um  mesmo  resultado  para  as  perdas,  sendo  que  no  caso  optou­se por  utilizar  a  "4a Maneira  ­  Olhando  apenas  para  a  Tabela  Price  do  Contrato",  já  utilizada  no  processo  19740.000350/2007­15, que trata do mesmo assunto.   O auditor responsável também relata a resposta apresentada pela contribuinte  à intimação para demonstração do reconhecimento de receitas relativamente aos contratos de  empréstimo  nos  quais  houve  a  substituição  de  cheques,  bem  como  ausência  de  dedução  posterior das perdas que, segundo os cálculos da Fiscalização, seriam dedutíveis, e anota ter  constatado no Livro Razão que não foi escriturado provisão a título de juros sobre o capital  próprio, nem o respectivo pagamento desta provisão durante o ano de 2006.  Cientificada  do  Termo  de  Encerramento  de  Diligência  em  06/02/2015,  a  contribuinte manifestou­se em 10/03/2015 (fls. 9994/9996), reiterando sua discordância acerca  do método utilizado pela Fiscalização para determinação das perdas, porque descarta diversas  variáveis  importantes,  eis que nem  todos os  clientes pagam as  suas parcelas  em dia,  dentro  das  datas  de  vencimento  acordadas,  sem  atrasos  ou  adiantamentos,  nem  inúmeras  outras  intercorrências comuns no crédito de massa. Acrescenta que o modelo de cálculo sugerido não  leva em consideração a  continuidade do reconhecimento de receitas, mesmo sendo o devido  pagamento das parcelas durante o prazo de 60 (sessenta) dias,  conforme prevê a  legislação  aplicável às instituições financeiras, em respeito ao regime de competência. Conclui que não  houve erro no cálculo utilizado pela recorrente para determinação das perdas, e afirma juntar  planilha ilustrativa dos seus cálculos para que se demonstre o cálculo válido, que classifica de  mais sofisticado e com os controles necessários para observância das normas tributárias e do  mercado financeiro. Consta documento anexado às fls. 9997/9998.  Em  12/03/2015  a  recorrente  aditou  a  petição  acima,  apresentando  quadro  comparativo  entre  as  metodologias  utilizadas  pela  fiscalização  da  Receita  Federal  e  pela  DACASA  Financeira  para  apuração  das  receitas  de  juros  que  compuseram,  conjuntamente  com  o  valor  principal,  a  base  de  contratos  levados  para  perdas,  de  modo  a  demonstrar,  pormenorizadamente,  onde  se  encontra  a  divergência  entre  os  valores  encontrados  pela  fiscalização e os seus próprios (fls. 10002/10009).      Fl. 10036DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 24          23 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  O recurso voluntário, como acima demonstrado, é tempestivo. O resultado da  primeira diligência não fora cientificado ao sujeito passivo, verificando­se tal providência em  razão do que determinado no segundo pedido de diligência. Ao final desta, a contribuinte foi  cientificada  dos  trabalhos  realizados  mediante  lavratura  do  Termo  de  Encerramento  de  Diligência de fls. 9983/9990, o qual teria sido remetido por via postal à contribuinte e por ela  recebido em 06/02/2015 (fl. 9991). Considerando, porém, que em referido termo não foi fixado  prazo para manifestação da  interessada, deve­se  tomar por  tempestiva  a manifestação de  fls.  9994/9996, protocolizada em 10/02/2015 e aditada em 12/03/2015 (fls. 10002/10009).  Nos  termos  do  art.  63,  §5º  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343/2005,  submete­se  novamente  ao  Colegiado  o  exame  das  questões preliminares apreciadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência.   A recorrente argúi a nulidade do lançamento porque a segunda renovação do  Mandado de Procedimento Fiscal – MPF  somente  teria ocorrido depois de  expirado o prazo  para tanto, hipótese na qual outro auditor fiscal deveria ser designado para prosseguimento dos  trabalhos.  Diz  que  o  MPF  anterior  tinha  validade  até  27/08/2008,  e  que  o  Termo  de  Prosseguimento de Ação Fiscal somente foi emitido em 01/09/2008. Acrescenta que também a  prorrogação  que  deveria  se  verificar  em  26/10/2008  somente  lhe  foi  cientificada  em  20/11/2008.  Contudo,  em  pesquisa  ao  sítio  da  Receita  Federal  na  Internet,  a  partir  do  código de acesso fornecido à interessada no início do procedimento fiscal (fls. 3/6), constata­se  que  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  nº  07.1.66.00­2008­00044­0  foi  prorrogado  até  25/12/2008,  providência  que  prescinde  da  ciência  ao  fiscalizado,  consoante  expresso  na  Portaria RFB nº 11.371/2007:  Art.  9º  As  alterações  no  MPF,  decorrentes  de  prorrogação  de  prazo,  inclusão,  exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela  sua execução ou supervisão,  bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de  apuração,  serão  procedidas mediante  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria.   Equivocada, portanto, a argumentação da recorrente, que afirma a efetivação  da  prorrogação  do  prazo  de  execução  do  MPF  no  momento  em  que  cientificada  do  prosseguimento  dos  trabalhos  fiscais.  A  prorrogação  se  efetiva mediante  registro  eletrônico  efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e está demonstrada no documento disponível  no sítio da Receita Federal na Internet.  Para  além  disso,  como  já  demonstrado  pela  autoridade  julgadora  de  1a  instância,  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  apenas  se  presta  a  controlar  a  execução  de  procedimentos fiscais e não atinge a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal do  Brasil de promoverem o lançamento de crédito tributário.  Por  estas  razões,  deve  ser  REJEITADA  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento por vícios em prorrogações do MPF.  Fl. 10037DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 25          24 Ainda em preliminar, a interessada argúi a nulidade do lançamento em razão  de erro no cálculo das perdas efetivas, inicialmente observando que a autoridade julgadora de  1a  instância  rejeitou  a  prova  e  os  argumentos  que  lhe  foram  apresentados  a  título  exemplificativo, de modo a demonstrar os dias de carência concedidos a determinado contrato.  Reporta­se ao Termo de Adesão referente ao contrato adotado como exemplo pela autoridade  lançadora, e entende que não foi adequadamente demonstrada a insuficiência da prova juntada  à impugnação.   Prossegue, então, afirmando contraditória a decisão que, ante a demonstração  exemplificativa das provas cuja juntada integral seria inviável, não determina a baixa dos autos  à  fiscalização para novos procedimentos de averiguação. Diz que neste  recurso, por cautela,  aumentou o número de exemplos utilizados, e acostou através de mídias eletrônicas, todas as  informações necessárias para o cálculo das operações então realizadas, para então demonstrar  os efeitos da desconsideração, pela Fiscalização, do prazo de trinta dias de carência concedidos  aos tomadores de empréstimos, e concluir que este flagrante erro material imputa à Recorrente  grave cerceamento de defesa, na medida em que anula a motivação que sustenta o lançamento.  Enfatiza:  1)  a  apresentação de  elementos  suficientes para demonstrar que o  valor exigido se mostra impreciso e distante da realidade; 2) a dificuldade em se compreender  as  requisições  fiscais  e  de  atendê­las,  ante  o  volume  de  documentos  envolvidos  e  o  custo  operacional de transportá­los de sua sede no Espírito Santo para a DEINF no Rio de Janeiro; e  3)  a  impossibilidade  de  acostá­los  aos  autos  de  um  processo  administrativo.  Arremata  pleiteando  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  caso  não  seja  declarado  nulo  o  lançamento.   Não  há  razões,  porém,  para  se  declarar  a  nulidade  do  lançamento.  Ante  o  volume de operações realizadas pelo sujeito passivo, a autoridade fiscal promoveu a auditoria a  partir  dos  controles  informatizados  mantidos  pela  contribuinte,  extraindo  das  características  dos  contratos  ali  expressas  as  variáveis  aplicadas  na  fórmula  de  cálculo  detalhadamente  explicitada, para assim determinar as perdas que seriam dedutíveis no período fiscalizado.  A  extensa  demonstração  apresentada  pelo  fiscal  autuante  validamente  permitiu  que  a  contribuinte  identificasse  a  variável  inicialmente  contestada,  bem  como  demonstrasse, mediante aplicação da fórmula de cálculo adotada pela Fiscalização, seus efeitos  na apuração da perda dedutível. Mais à  frente, ainda, a  recorrente questionou a interpretação  dada ao  critério  temporal estabelecido no art. 9o, §1o,  inciso  II,  alínea a,  da Lei nº 9.430/96,  bem como ao reconhecimento de juros nos contratos por ela executados, os quais repercutiram  nos  critérios  de  cálculo  adotados  pela  Fiscalização.  Por  fim,  a  recorrente  se  defendeu  dos  motivos  apresentados  para  desconsideração  das  perdas  vinculadas  a  cheques  em  garantia,  precisamente  opondo­se  à  argumentação  fiscal  de  que  inexistiria  receitas  adicionais  reconhecidas  em  tais  circunstâncias,  além  de  expressamente  pleitear  a  dedução  das  parcelas  que  a  Fiscalização  entendeu  inadmissíveis  porque  originalmente  não  consideradas  pela  contribuinte.  Assim,  o  contencioso  se  estabeleceu  validamente  a  partir  do  detalhamento  da  acusação  fiscal  e  dos  questionamentos  formulados  pela  contribuinte,  sendo  perfeitamente  possível  aplicar  as  conclusões  daí  extraídas  aos  cálculos  iniciais  da  Fiscalização  e,  se  necessário, recompor a exigência fiscal.  Recorde­se,  aliás,  que na primeira diligência  requerida pela 2ª Turma da 1ª  Câmara desta 1ª Seção de Julgamento (fls. 4448/4464), a Relatora Conselheira Ivete Malaquias  Pessoa Monteiro consignou em seu voto que a glosa de perdas teria sido determinada através  Fl. 10038DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 26          25 de raciocínio indutivo, a partir da análise de um contrato de financiamento entre a interessada  e uma cliente  sua,  e mais  à  frente manifestou  seu  entendimento de que o  fisco pode utilizar  formas racionais de desenvolver seu trabalho de auditoria, mas não lhe é permitido presumir  valores  a  partir  de  raciocínio  indutivo  (partindo  do  particular  para  o  geral)  porque  a  contribuinte juntou vários documentos que necessitam ser revisitados pelo Autuante para que  fossem  respondidas  determinadas  alegações.  E  isto  possivelmente  porque,  questionando  a  interpretação dada pela Fiscalização a diferentes pontos da  legislação que  rege a dedução de  perdas, a recorrente asseverou que não foi  informado qual parcela da glosa corresponderia às  premissas que entende equivocadas.   Na  informação  fiscal  de  fls.  4484/4563  a  autoridade  fiscal  encarregada  da  primeira diligência afirmou ser perfeitamente possível, no caso sob análise, tomar um contrato  como exemplo para fins de aplicação de uma fórmula matemática à totalidade dos contratos  que  geraram  perdas  no  recebimento  de  créditos  do  ano­base  de  2006.  Relatando  as  informações prestadas em DIPJ e as intimações dirigidas à contribuinte, observou que lhe foi  apresentada  planilha  com  as  características  dos  contratos  que  geraram  as  perdas  deduzidas,  assim  como  indicados  o  sistema  de  amortização  e  a  fórmula  matemática  aplicável  àqueles  contratos, permitindo a conferência das perdas aproveitadas. E, ao assim proceder, a autoridade  fiscal produziu as planilhas de fls. 138/1928 comparando, por contrato, os valores que foram  deduzidos  e  aqueles  que  seriam  passíveis  de  dedução  segundo  os  critérios  extensamente  abordados  no Termo  de Verificação  Fiscal  às  fls.  2615/2664. Além  disso,  individualizou  os  contratos  cujas  perdas  aproveitadas  em 2006  foram  admitidas  porque  já  eram dedutíveis  em  2005  (fls.  1929/1947),  bem  como  detalhou  a  origem  dos  valores  superiores  a  R$  5.000,00  dedutíveis em 2006 (fls. 1948/1949), os contratos e as perdas dedutíveis apenas em 2007 (fls.  1950/1956) e a origem das perdas decorrentes de cheques devolvidos consideradas indedutíveis  (fls. 1957/2584).  Tais demonstrativos não só expressaram a análise fiscal de cada contrato que  gerou as perdas analisadas e parcialmente glosadas, como  também permitiram à contribuinte  delimitar os  efeitos  das divergências manifestadas  pela  autoridade  lançadora  e  questioná­las.  Ao  final,  caso alteradas  as premissas que devem ser adotadas nos  cálculos, bastaria que elas  fossem  aplicadas  no momento  da  liquidação  da  decisão  administrativa  para  se  determinar  a  repercussão no crédito tributário exigido.  Cumpre observar, porém, que por ocasião da segunda diligência, a autoridade  fiscal  encarregada  dos  trabalhos  acabou  por  alterar  os  critérios  adotados  no  lançamento  original.  Para  evidenciar  tal  constatação,  tome­se  como  exemplo  o  contrato  nº  03.446003­2,  que gerou perda registrada em janeiro/2006 no valor de R$ 23,09. No demonstrativo produzido  originalmente pela Fiscalização, as características do contrato são assim descritas:  · Data de emissão: 05/04/2005;  · Valor do principal: R$ 60,00;  ·  Valor do IOF: R$ 0,15;  · Valor das parcelas: R$ 23,09;  · Número de parcelas: 3;  · Taxa de juros mensal: 7,40;  Fl. 10039DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 27          26 · Valor das taxas administrativas: zero;  · Valor das parcelas pagas: R$ 46,18;  · Data do último pagamento: 28/06/2005;  · Data do último vencimento sem pagamento: 05/07/2005; e  · Saldo devedor deduzido como despesa: R$ 23,09.  Os  cálculos  da  Fiscalização,  por  sua  vez,  resultaram  nas  seguintes  constatações:  · Número de parcelas pagas: 2;  · Prestação calculada: R$ 23,09;  · Saldo devedor: R$ 21,50;  · Juros 01: R$ 1,59;  · Juros 02: zero; e  · Perda calculada (saldo devedor somado aos juros): R$ 23,09.  Logo, esta perda  foi  admitida  integralmente.  Já no demonstrativo elaborado  por  ocasião  da  segunda  diligência,  vê­se  à  fl.  7282  que  o  mesmo  contrato,  embora  seja  apresentado com  idênticas  características,  resultaria  em perda dedutível de  apenas R$ 18,49,  valor apurado mediante diferença entre o saldo devedor deduzido como perda (R$ 23,09) e o  valor correspondente a receitas financeiras em virtude de pagamento (R$ 4,67).  Isto porque a autoridade encarregada da segunda diligência, tendo em conta a  informação  fiscal  produzida  em  razão  da  primeira diligência,  observou  estar  ali  reconhecido  um  erro  na  fórmula  utilizada  originalmente  para  o  cálculo  das  perdas  admissíveis  no  recebimento  dos  créditos.  Ao  longo  da  execução  da  segunda  diligência,  a  autoridade  fiscal  concluiu que as planilhas apresentadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal original  não possuem dados suficientes ou corretos para elaboração do cálculo definitivo das perdas e  intimou  a  contribuinte  a  apresentar  novas  informações,  bem  como memória  de  cálculo  dos  contratos  antes  apresentados  a  título  de  exemplo  segundo  o  exposto  na  informação  fiscal  produzida  em  razão  da  primeira  diligência,  no  item  "4a  Maneira  ­  Olhando  apenas  para  a  Tabela Price do contrato", a partir do qual seria aplicada a seguinte fórmula, também indicada  naquele documento:   Perda do Contrato = Valor das parcelas recebidas do contrato ­ Valor do principal  do contrato ­ Receita financeira auferida em razão do contrato  Ocorre  que  abordando  aquela  informação  fiscal  no  voto  condutor  da  Resolução  nº  1101­000.104,  esta  Conselheira  afirmou  sua  obscuridade,  consignando  a  necessidade  de  que  outros  esclarecimentos  fossem  prestados  acerca  da  repercussão  do  mencionado erro constatado na aferição das perdas, bem como questionando se os ajustes em  referência  decorrem,  apenas,  da  desconsideração  do  prazo  de  carência,  na medida  em  que  a  Fl. 10040DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 28          27 abordagem da Fiscalização  inicialmente parecia  pretender  afastar  este  efeito, mas  reconhecia  que outro seria o valor adotado como referência para o cálculo das perdas.  Ao final, solicitou­se na nova diligência não só que fossem demonstrados os  efeitos  do  erro  de  cálculo  identificado  pela  autoridade  lançadora,  mas  também  que  fosse  evidenciada a existência, ou não, de  repercussão, nos cálculos das perdas dedutíveis no ano­ calendário 2006, do prazo de carência alegado pela recorrente.  Resta  claro,  frente  às  informações  prestadas  na  conclusão  da  2ª  diligência,  que  a  autoridade  fiscal  responsável  apenas  demonstrou  os  efeitos  do  erro  de  cálculo  acima  mencionado, e nada disse acerca da repercussão do prazo de carência no cálculo original das  perdas  dedutíveis.  Tais  providências,  porém,  não  maculam  o  lançamento  original  e  apenas  demandariam nova conversão do julgamento em diligência para que fosse avaliado, sob a ótica  do  lançamento  original,  qual  o  efeito  da  desconsideração  do  prazo  de  carência  nos  cálculos  originalmente produzidos pela autoridade lançadora.  Assim, evidenciada a clareza da acusação fiscal, cumpre também REJEITAR  a argüição de nulidade do lançamento em razão de erros de cálculo das perdas efetivas, para,  mais à frente, analisar seu mérito e verificar a possibilidade de decidir sobre a sua procedência  frente aos argumentos de defesa contra ela opostos.  Adentrando  ao  mérito  das  exigências  decorrentes  da  glosa  de  perdas  no  recebimento  de  créditos,  cumpre  recordar  que  a  investigação  fiscal  foi  motivada  pela  retificação da DIPJ do ano­calendário 2006, por meio da qual a contribuinte elevou a dedução  àquele título de R$ 42.726.566,11 para R$ 52.159.908,33. Atendendo às intimações fiscais, a  contribuinte informou que adotava a "Tabela Price" para cálculo das amortizações e apresentou  outros elementos de sua escrituração. Analisando os contratos que deram origem às perdas a  partir de um exemplo prático, a autoridade fiscal admitiu como dedutíveis as perdas referentes  a contratos inferiores a R$ 5.000,00 para os quais em 31/12/2006 já havia transcorrido mais de  seis meses do último vencimento sem pagamento, mas apenas nas parcelas correspondentes ao  saldo  devedor  e  aos  juros  acrescidos  nos  dois  meses  posteriores  ao  vencimento  do  crédito.  Acrescentou  às  perdas  dedutíveis  aquelas  que  poderiam  ter  sido  apropriadas  desde  2005,  e  destacou  não  admitir  a  dedução  de:  a)  valores  passíveis  de  apropriação  apenas  em  2007;  b)  perdas  vinculadas  a  contratos  que,  segundo  informações  da  contribuinte,  já  haviam  sido  registrados em perdas;  e c) perdas  superiores  a R$ 5.000,00  referentes  a contratos ainda não  vencidos há mais de um ano em 31/12/2006. As perdas apuradas totalizaram R$ 45.030.234,18  e superaram o valor deduzido em R$ 7.129.674,15.  Consta  abaixo  o  resumo  dos  valores  apurados  pela  Fiscalização  em  comparação com as informações prestadas pela contribuinte acerca dos contratos que geraram  as perdas por ela registradas, consoante detalhado nas planilhas de fls. 138/2584:            Fl. 10041DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 29          28       Fls.     Valores deduzidos  como despesa    Perdas admitidas pela  Fiscalização   01/2006  138/278         4.117.398,88          3.894.286,87   02/2006  279/414         4.000.420,19          3.775.591,67   03/2006  415/582         4.361.003,38          4.120.003,74   04/2006  583/710         3.642.515,39          3.438.914,34   05/2006  711/839         3.555.442,21          3.366.710,40   06/2006  840/963         3.397.035,04          3.217.974,59   07/2006  964/1114         4.154.440,35          3.919.446,26   08/2006  1115/1303        4.822.586,10          4.561.734,13   09/2006  1304/1443        4.016.105,18          3.806.149,54   10/2006  1444/1588        4.051.951,68          3.845.367,81   11/2006  1589/1710        3.425.189,59          3.248.733,33   12/2006  1711/1928        3.129.701,07          2.887.225,83   Créditos até R$  5.000,00  Sub­total           46.673.789,06         44.082.138,51   Perdas deduíveis em 2005  1929/1947          527.636,81            498.633,87   Créditos acima de R$ 5.000,00  1948/1949          760.696,87            449.461,80   Perdas dedutíveis em 2007  1950/1956          141.445,31                  ­    Nenhuma parcela paga  1957/2491        6.910.673,69                  ­   Perdas em razão  de cheques  devolvidos  Uma parcela paga  2492/2584          995.559,11                  ­    Total           56.009.800,85         45.030.234,18   Observe­se que as perdas indicadas nos arquivos apresentados à Fiscalização  (R$ 56.009.800,85)  superam aquelas deduzidas no período  fiscalizado  (R$ 52.159.908,33),  e  embora o demonstrativo apresentado pela contribuinte por ocasião do atendimento à intimação  deixasse claro esta ocorrência (fl. 41), não houve qualquer ressalva acerca deste descompasso,  quer nas intimações seguintes, quer no Termo de Verificação Fiscal. O fiscal autuante destacou  que tomou por base exclusivamente as informações prestadas pela contribuinte, e que o arquivo  magnético apresentado foi identificado pelo Sistema Validador de Arquivos Digitais (SVA) de  forma única e  inequívoca, por meio de código de criptografia de 16 bits  (código HASH ­  fl.  59), o que  impede sua alteração sem a correspondente modificação do código. Por  sua vez,  confirma­se  no  extrato  do  Razão  e  no  demonstrativo  de  fls.  11/18,  assim  como  na  Demonstração  de  Resultado  (fl.  87),  no  LALUR  (fl.  17)  e  na  DIPJ  (fl.  116),  que  o  lucro  tributável  foi  afetado por deduções de R$ 52.159.601,95 correspondentes  à  soma das perdas  contábeis  de  R$  42.726.259,73  e  das  exclusões  de  R$  9.433.342,22.  Em  consequência,  a  análise do presente litígio será direcionada à verificação dos efeitos da defesa apresentada pela  contribuinte acerca de cada um dos itens glosados, sem lhes impor qualquer limite individual,  mas apenas o limite geral estabelecido pela própria contribuinte ao aproveitar as deduções na  apuração do lucro tributável.  Em  recurso  voluntário,  a  interessada  alegou  que  as  perdas  de  R$  45.030.234,18  foram  apuradas  antes  de  apresentada  toda  a  documentação  pela  Recorrente  demonstrando  as  suas  perdas  com  relação  a  cartões  de  créditos,  de  modo  a  autorizar  os  valores  utilizados  a  título  de  dedução,  e  justificou  a  juntada  de  novos  documentos  naquela  ocasião  em  razão do altamente  trabalhoso  levantamento  de uma  significativa  quantidade  de  cópias  relativas  a  um  exercício  inteiro  (em  torno  de  50.000  ­  cinquenta mil  ­  operações  de  empréstimo financeiro, além da dificuldade de compreensão do que estaria sendo exigido pela  Fl. 10042DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 30          29 Fiscalização,  mas  destacando  a  necessidade  de  realização  de  perícia  em  face  da  impossibilidade  de  impressão  e  juntada  de  todos  os  documentos.  Em  aditamento  ao  recurso  voluntário  (fls.  3057/3072),  a  contribuinte  apresentou  novos  Termos  de  Adesão  para  comprovar  os  dias  de  carência  concedidos  aos  contratos,  destacando  que  a  documentação  estaria plenamente disponível à fiscalização acaso fosse intimada a apresentá­la, ou se tivesse  ciência de que as  informações seriam relevantes para os cálculos promovidos pela autoridade  lançadora,  e  acrescentando  que  as  informações  quanto  aos  dias  de  carência  constavam  das  planilhas antes apresentadas.  Com referência aos dias de carência de cada uma das operações, acrescentou  que eles são determinantes para o cálculo das parcelas dos empréstimos, e asseverou que eles  foram  desconsiderados  pela  Fiscalização  apesar  de  apresentadas  planilhas  com  todas  as  informações pertinentes que esclareceriam a regularidade nos cálculos dos valores deduzidos.  Reportou­se  à  juntada  de  documentos  referentes  a  alguns  contratos  como  exemplos  da  regularidade  de  sua  conduta,  invocando  a  aplicação  da  Lei  nº  9.784/99  e  do  Decreto  nº  70.235/72  para  sua  apreciação  nesta  instância  de  julgamento.  Discordou  da  rejeição  destes  documentos pela autoridade julgadora de 1ª instância, sob a justificativa de que suas alegações  não  teriam  sido  devidamente  provadas,  destacando  a  contradição  entre  esta  conclusão  e  a  rejeição  do  pedido  de  conversão  do  feito  em  diligência,  mormente  se  demonstrada  a  impossibilidade de juntada de todos os documentos em razão de seu volume.  Na sequência, demonstrou na fórmula de cálculo adotada pela Fiscalização a  importância  dos  dias  de  carência  e  asseverou  que,  considerando  esta  variável  no  cálculo  do  contrato tomado como exemplo pela Fiscalização, a dedução admitida corresponderia ao valor  declarado pela recorrente. Concluiu, assim, que o lançamento estaria desprovido de motivação,  pleiteando sua nulidade ou, subsidiariamente, a conversão do feito em diligência.   Rejeitada  a  nulidade  arguida,  e  promovida  a  diligência  requerida,  cumpre  avaliar os efeitos, no lançamento, dos dias de carência referidos pela recorrente.  A recorrente demonstrou, a partir da fórmula adotada pela Fiscalização, que  admitindo­se o prazo de carência de 30 (trinta) dias concedido para pagamento da 1a parcela do  contrato tomado como exemplo no lançamento, o valor da parcela passaria a ser de R$ 289,00,  alterando a quantificação das perdas no período fiscalizado.   Por meio da fórmula do Sistema de Amortização Francês (Tabela “Price”), a  autoridade lançadora determinou o valor das prestações do contrato, e tendo em conta aquelas  que não foram pagas (no caso 3 x R$ 276,56 = R$ 829,68), deste montante expurgou os juros a  apropriar e determinou o valor que corresponderia ao “saldo devedor” (R$ 720,26), para a ele  acrescer apenas os  juros correspondentes aos dois primeiros meses de atraso (R$ 34,21 e R$  23,31),  em  razão  da  limitação  imposta  pelo  art.  9o  da  Resolução  BACEN  nº  2.682/99,  totalizando a perda dedutível em R$ 817,78, ao passo que a contribuinte deduziu perda de R$  870,00. A planilha de fl. 137 detalha o cálculo promovido pela autoridade lançadora:  Fl. 10043DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 31          30   Na  informação  fiscal  de  fls.  4484/4563,  prestada  em  razão  da  primeira  conversão  do  julgamento  em  diligência,  a  autoridade  fiscal  observou  que,  de  fato,  a  contribuinte não foi  intimada a  indicar os prazos de carência, mas destacou que, ao  informar  que  fazia  uso  da  Tabela  "Price",  cuja  fórmula  leva  em  conta  aquela  ocorrência,  deveria  a  contribuinte ter acrescentado a correspondente informação na planilha apresentada. Frisou que  o contribuinte  tem o dever de colaborar  com o Fisco na busca da verdade material, agindo  com  transparência  e  correção,  mas  no  caso  em  tela  preferiu  o  contribuinte  se  omitir,  silenciando ao longo de toda a ação fiscal quanto aos prazos de carência de seus contratos.  Analisando as planilhas elaboradas pela Fiscalização, e considerando sua observação de que as  produziu  com  base  em  arquivo  magnético  que  não  seria  passível  de  alteração  sem  a  correspondente modificação do código, não se confirma a alegação da recorrente de que teria  informado o período de carência à autoridade lançadora.   Ocorre que o auditor responsável pôs em dúvida se esta omissão influenciou  significativamente no lançamento tributário, e passou a demonstrar como é feito o cálculo das  perdas no recebimento de créditos para cada contrato,  levando em conta, agora, o prazo de  carência. Nesta abordagem acerca dos  efeitos contábeis e  fiscais das operações de crédito,  a  autoridade fiscal  reconheceu a correção do valor da prestação considerado pela  recorrente ao  apresentar o seguinte cálculo (fl. 4523):    Fl. 10044DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 32          31 Na  sequência,  a  autoridade  fiscal  apresentou  a  seguinte  planilha  financeira  para o contrato tomado como exemplo:    Neste ponto observe­se que,  seguindo a mesma  lógica da  apuração original  da  perda  neste  contrato  (planilha  de  fl.  137),  as  três  últimas  parcelas  não  pagas  seriam  consideradas com o expurgo dos  juros a apropriar  (R$ 253,25, R$ 264,64 e R$ 276,55 = R$  794,44),  para  então  acrescer­lhes  apenas  os  juros  das  duas  últimas  parcelas  não  pagas  (R$  35,75 e R$ 24,36), resultando em perda admissível de R$ 854,55.   Contudo,  na  informação  fiscal  de  fls.  4484/4563,  o  fiscal  autuante,  considerando os  efeitos do prazo de  carência,  demonstrou mensalmente  a  contabilização das  ocorrências  do  contrato,  agora  também  se  reportando  às  provisões  determinadas  pela  Resolução CMN nº 2.682/99 em razão da classificação de risco da operação de crédito, assim  apurando  o  resultado  econômico  ou  contábil  do  contrato,  o  resultado  fiscal  do  contrato,  o  resultado  financeiro  do  contrato  e  o  resultado  olhando  apenas  para  a  Tabela  Price  do  contrato, e concluindo que:  Caso o contribuinte tenha apropriado corretamente ao resultado todas as receitas e  despesas  geradas  por  este  contrato,  nos  períodos  de  apuração  respectivos,  aí  incluídas as despesas de provisão (que  terão que ser adicionadas ao lucro líquido  para  fins  de  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL),  chegamos  a  conclusão de que poderá fazer uma exclusão, relativa a este contrato, de R$ 839,71  no 1º trimestre de 2006.  Conforme se observa na 6ª linha da planilha de fls. 138, a DACASA deduziu o valor  de  R$  870,00  a  título  de  perda  gerada  por  este  contrato,  valor  superior  aos  R$  839,71 ora calculados. Por outro lado, esta Fiscalização, com base na metodologia  utilizada quando da lavratura do Auto de Infração, calculou o valor de R$ 817,78  como perda passível de ser deduzida, valor este também errado.  Para chegar à perda dedutível de R$ 839,71 a autoridade fiscal não adotou o  mesmo critério do  lançamento original. Se assim  tivesse  feito,  a perda dedutível  seria de R$  854,55,  como  antes  demonstrado.  E,  examinando  a  demonstração  apresentada  acerca  dos  registros contábeis decorrentes do contrato tomado como exemplo, é possível concluir que tal  divergência  decorre  de  dois  aspectos:  1)  operação  inversa  para  apuração  da  perda, mediante  diferença entre o crédito a receber e a receita de juros a apropriar, dado que nesta conta seriam  mantidos  os  juros  cujo  reconhecimento  no  resultado  seria  vedado  pelo  art.  9º  da Resolução  CMN nº 2682/99; e 2) apuração dos juros a apropriar mediante diferença entre o total a receber  Fl. 10045DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 33          32 (R$  2.890,00)  e  o  valor  entregue  ao  cliente  (R$  2.173,42),  desconsiderando  que  este  último  valor já está reduzido pelo IOF devido na operação (R$ 14,94).  Em essência,  ao contrário dos cálculos  iniciais da Fiscalização, nos quais o  IOF integrava o saldo devedor e era objeto de amortização na mesma proporção do principal,  na informação fiscal a autoridade lançadora totalizou os juros a apropriar em R$ 716,58, muito  embora os valores indicados na tabela de amortização do principal devido, somados, totalizem  R$  701,74.  Em  termos  contábeis,  a  distinção  entre  os  procedimentos  pode  ser  assim  esquematizada:  a) Procedimento fiscal             Créditos a receber     2.890,00    a   Caixa         2.173,42   a   IOF a recolher          14,94    a   Rendas a apropriar         701,64               b) Informação fiscal da primeira diligência      Créditos a receber     2.890,00    Despesa de IOF        14,94      a   Caixa         2.173,42   a   Rendas a apropriar         716,58    a   IOF a recolher          14,94   E,  alterada  a  forma  de  determinação  da  perda  admissível  na  primeira  diligência, mediante diferença entre o crédito a receber e a receita de juros a apropriar, como  este  último  valor  está  majorado  pelo  valor  do  IOF,  a  perda  restou  reduzida  em  valor  equivalente àquele tributo (R$ 854,55 ­ R$ 839,71 = 14,84).  Não  se  pode  admitir  como  correto  este  segundo  procedimento,  primeiro  porque dele  resultaria que, caso pagas  regularmente as parcelas devidas,  ao  final do contrato  ainda restaria juros a apropriar de valor equivalente ao IOF devido; mas principalmente porque  a interpretação dada aos fatos na informação fiscal é distinta daquela adotada no lançamento,  como expresso no Termo de Verificação Fiscal:  Cumpre salientar que a determinação do valor que pode ser deduzido como perda,  por  esse  critério,  já  leva  em  consideração,  de  forma  proporcional,  as  perdas  decorrentes  do  IOF  (despesa  incorrida,  repassada  ao  cliente  no  cálculo  da  prestação, que somente é reposta se houver o pagamento desta) e da TAC (receita  que somente é auferida com o pagamento das prestações), na medida em que estes  valores  encontram­se  diluídos  no  cálculo  das  prestações,  compondo  o  valor  amortizado com o pagamento de cada parcela.  De  toda  sorte,  os  elementos  assim  reunidos  são  hábeis  a  evidenciar  que  o  período de carência afetaria o cálculo da perda dedutível. No contrato tomado exemplo, a perda  admissível seria elevada de R$ 817,78 para R$ 854,55, e não a R$ 839,71, como indicado por  ocasião da primeira diligência.   Retomando  a  informação  fiscal  de  fls.  4484/4563,  a  autoridade  lançadora  demonstrou  a  apuração  do  resultado  econômico/contábil,  fiscal  e  financeiro  do  contrato,  e  olhando apenas para a Tabela Price do contrato, identificou o saldo devedor do contrato após  o pagamento de 7 parcelas (R$ 794,53) para dele deduzir os juros auferidos até o pagamento  daquela 7ª parcela (R$ 629,18) e demonstrar que tal diferença (R$ 165,36), seria idêntica aos  Fl. 10046DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 34          33 anteriores  resultados  econômico/contábil,  fiscal  e  financeiro  do  contrato.  Evidenciou,  assim,  que o resultado do contrato seria equivalente à diferença entre os juros auferidos em razão das  parcelas pagas e o principal que deixou de ser amortizado por falta de pagamento.  Ocorre  que,  na  sequência,  a  autoridade  fiscal  concluiu  que  foi  considerado  nos cálculos o período de carência alegado, mas a perda deduzida pela contribuinte R$ 870,00  seria superior à perda  recalculada de R$ 839,71, e  isto em razão do erro de considerar como  fórmula  de  cálculo  da  perda o  valor  de  seu  saldo  devedor  acrescido  do montante  dos  juros  embutidos nas duas parcelas que ainda  seriam pagas  (a  correspondente à data do primeiro  vencimento  sem  pagamento,  e  a  seguinte),  a  demandar  o  recálculo  das  perdas  passíveis  de  dedução, mas isto considerando a seguinte fórmula:  (Valor  das  parcelas  recebidas  do  contrato)  –  (valor  do  principal  do  contrato)  –  (receita financeira auferida em razão do contrato)  Demonstrando a aplicação desta fórmula ao contrato adotado como exemplo,  a autoridade fiscal assim expôs:  a) Valor das parcelas recebidas do contrato: Foram recebidas 7 das 10 parcelas de  R$ 289 = 7 x 289 = 2.023,00   b) Valor do Principal do Contrato: Corresponde ao valor entregue ao cliente (não  está incluído o IOF) = 2.173,42  c) Receita Financeira auferida  em  razão do contrato: Corresponde ao valor  total  dos  juros embutidos nas parcelas recebidas do contrato. Pela Tabela Price acima  (na contabilidade, este valor também pode ser obtido da conta Receita Financeira  ou,  ainda,  da  diferença  entre  as  contas  Créditos  a Receber  e  Receita  de  Juros  a  Apropriar, uma vez auditadas): 689,29  Assim, temos:  (2.023,00) – (2.173,42) – (689,29) = 839,71  De plano observa­se, a partir do contrato tomado como exemplo, que: 1) se a  autoridade fiscal reconheceu que a parcela de R$ 289,00 teria sido corretamente apurada pela  contribuinte, e assim fez depois da aplicação da fórmula de cálculo tendo em conta, também, o  período  de  carência  alegado;  2)  se  a  partir  desta  parcela  outra  é  a  planilha  financeira  do  contrato;  3)  se  nesta  planilha  outros  valores  são  atribuídos  à  amortização  do  principal  e  aos  juros; e 4)  se a perda dedutível  foi originalmente  tendo em conta a amortização do principal  não recebida e os  juros que poderiam ter sido  incorridos em até 60 (sessenta) dias depois do  último  vencimento  sem  pagamento,  a  apuração  da  perda  de  R$  854,55,  demonstrada  neste  voto, somente pode ser justificada pela única variação promovida no cálculo: a consideração do  período de carência na planilha financeira do contrato.   Assim,  à  míngua  dos  esclarecimentos  exigidos  na  Resolução  nº  1101­ 000.104, destacados na análise da preliminar de nulidade do lançamento, não há como vincular  a diferença entre a perda dedutível originalmente apurada (R$ 817,78) e aquela calculada na  informação fiscal (R$ 839,71) ao mencionado erro de se utilizar como fórmula de cálculo da  perda gerada por um contrato, o valor de seu saldo devedor acrescido do montante dos juros  embutidos nas duas parcelas que ainda  seriam pagas  (a  correspondente à data do primeiro  vencimento sem pagamento, e a seguinte), ao invés da fórmula acima descrita, mormente tendo  em conta, como exposto neste voto, que a autoridade fiscal somente apurou perda de R$ 839,71  porque, além de considerar o período de carência nos cálculos, deu tratamento ao IOF diverso  daquele adotado na apuração original.   Fl. 10047DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 35          34 Sem os mencionados esclarecimentos, a segunda diligência foi conduzida no  sentido  de,  apenas,  recalcular  a  perda  dedutível  a  partir  da  nova  fórmula  de  cálculo  que  a  autoridade fiscal indicou na informação de fls. 4484/4563, para tanto inclusive demandando­se  da  contribuinte outros  arquivos de dados,  além da apresentação de memórias de  cálculo dos  contratos  antes  apresentados  a  título  de  exemplo  segundo  o  exposto  na  informação  fiscal  produzida  em  razão  da  primeira  diligência,  no  item  "4a  Maneira  ­  Olhando  apenas  para  a  Tabela Price do contrato", a partir do qual seria aplicada a nova fórmula de cálculo da perda.   Antes, porém, de declarar não atendida a diligência antes requerida, cumpre  observar  que,  ao  prestar  as  informações  acima  referidas  à  autoridade  fiscal  encarregada  da  segunda diligência, a contribuinte anotou em sua resposta que:  Em relação ao documento fornecido como "doc. 02", cabe, antes de sua explanação,  salientar  que  a  memória  de  cálculo  fornecida,  em  hipótese  alguma,  configura  qualquer tipo de confissão por parte da Requerente. Há, aqui, apenas cumprimento  a  uma  intimação,  pelo  que  a  Requerente  afirma,  pelos  motivos  que  passará  a  demonstrar brevemente, que discorda  frontalmente do método de cálculo que será  aplicado após o fornecimento das informações.  Conforme  já  suscitado  quando  da  apresentação  de  suas  defesas,  a  Requerente  reitera a existência de graves erros incorridos pela autoridade fiscal acaso mantida  a  simplória  fórmula  que  se  pretende  utilizar  para que  se  alcance  o  suposto  valor  real a ser deduzido com as perdas no recebimento de créditos, simplesmente por que  despreza  diversas  peculiaridades  e  variáveis  dos  contratos  em  questão  ­  os  quais  observam  as  normas  regentes  das  atividades  das  instituições  financeiras  concomitantemente às normas tributárias incidentes nessas.  Não há  discordância  entre  a  fórmula  apresentada na  solicitação,  a  qual  serve de  base para apuração da perda de cada contrato, sendo esta:  "Perda do contrato = Valor das parcelas  recebidas do contrato  ­Valor do principal do  contrato ­ Receita financeira auferida em razão do contrato".  Também há consenso de que a soma desses valores para cada contrato que  tenha  atingido os prazos legais para o reconhecimento das perdas irá totalizar o montante  dedutível da base de apuração de impostos do período.  Entretanto, discorda­se veementemente da memória de cálculo (e consequente  metodologia de cálculo) exigida pelo Ilustre Fiscal para apurar os componentes  do  cálculo  de  Receitas  Financeiras  em  Virtude  do  Pagamento  (Juros)  dos  contratos da empresa Contribuinte.  Isso porque, com a devida licença, e como já apresentado em peças anteriores, os  controles utilizados pela empresa são mais sofisticados do que os apresentados na  memória de cálculo e na metodologia de cálculo simplificadas que foram exigidas  pela fiscalização para apresentação.  Acrescente­se que os controles utilizados pela Contribuinte levam em consideração  variáveis e condições impossíveis de serem reproduzidas no falho modelo de cálculo  exigido pelo Ilustre Fiscal para a apresentação da memória de  cálculo  (planilha)  em questão. Aliás,  a metodologia  exigida pelo  Ilustre Fiscal não  só é  contrária à  adotada e defendida pela empresa Contribuinte, como gera surpresa ao ser exigida  pela  fiscalização,  eis  que  não  condiz  com  a  realidade  do  mercado  financeiro  e  afronta  o  direito  de  defesa  da  Recorrente  reconhecido  na Decisão  do CARF  que  determinou a conversão do julgamento em diligência especialmente para confrontar  a  metodologia  utilizada  na  autuação  e  a  metodologia  defendida  pela  empresa  Contribuinte.  Fl. 10048DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 36          35 Nessa senda, vale destacar alguns dos pontos de discordância da Contribuinte para  com a metodologia de cálculo exigida pelo ilustre fiscal para entrega da Memória  de cálculo das Receitas Financeiras em questão:  i)  Discordância  1:  tem­se  que  a  planilha  solicitada  prevê  um  contrato  com  incidência  de  juros  pela metologia  Price,  dada  condições  em  que  o  cliente  paga  todas suas parcelas em dia, dentro das datas de vencimento acordadas, sem atrasos  ou  adiantamentos,  nem  inúmeras  outras  intercorrências  comuns  no  crédito  massificado  de  varejo,  que  é  a  realidade  da  empresa  Contribuinte,  e  deveria  contemplar  eventos  como o  pagamento  de  parcelas  fora  de  sua  ordem  natural,  a  quitação de parte do contrato antecipadamente, entre outros. Ou seja, a planilha da  forma que foi solicitada não se atém à atividade real de uma instituição financeira;  ii)  Discordância  2:  o  modelo  de  cálculo  sugerido  não  leva  em  consideração  a  continuidade  do  reconhecimento de  receitas, mesmo  sem o devido pagamento das  parcelas,  durante  o  prazo  de  60(sessenta)  dias,  conforme  prevê  a  legislação  aplicável  às  instituições  financeiras,  e  acaba  por  influenciar  erroneamente  na  metodologia de cálculo das receitas dessas e, por consequência, na metodologia de  reconhecimento  de  eventuais  perdas.  Este  fato  fica  nítido  ao  notar­se  que  no  exemplo  fornecido  pelo  Ilustre  Fiscal  não  há  valor  na  coluna"Juros"  para  os  períodos posteriores a 05/06/2005, onde houve o último pagamento realizado pelo  cliente;  iii) Discordância 3: vários outros controles que visam resolver pequenas questões  relacionadas  a  diferenças  de  arredondamento  e  ajustes  quanto  ao  período  de  acumulação  dos  juros  não  são  levados  em  consideração  na  metodologia  exigida  pelo Ilustre Fiscal, implicando no acúmulo de mais algumas diferenças. Deveras, ao  tomarmos  o  exemplo  dado  pela  fiscalização,  teríamos  uma  receita  total  a  ser  reconhecida  nesse  contrato  de  R$  701,73.  CONTUDO,  se  fizermos  a  conta  aritmética da receita desse contrato, sendo a receita o valor total de parcelas pagas  (R$  289,00  x  10  =  R$  2.890,00)  deduzido  do  valor  principal  concedido  (R$  2.188,36),  obtemos  o  valor  de  R$  701,64.  ORA,  apresentam­se  R$  0,09  (nove  centavos)  de  diferença positiva  entre  o  valor  apurado  pelo modelo  solicitado  e  o  valor  real de  receitas passíveis de  serem obtidas nesse  contrato. Destaque­se que  esse valor também aparece na coluna "Saldo Devedor" do dia 05/09/2005, o qual  deveria apresentar­se zerado.  Em suma, todos esses pontos de divergência não são novos e já foram explicados e  discutidos  no  decorrer  do  processo,  no  qual  foi  apresentado  pela  empresa  Contribuinte  outro  modelo  de  cálculo  para  as  receitas  auferidas,  sendo  que  tal  método é mais  sofisticado e  com os  controles necessários para a observância das  normas tributárias e do mercado financeiro.  Nada  obstante  tais  questões,  apresenta­se  a  planilha  de  Memória  de  cálculo  de  Receitas Financeiras em Virtude do Pagamento (Juros) dentro do formato exigido  pela fiscalização, e seguindo os modelos cálculos também exigidos por essa, com a  exclusiva finalidade de atender à intimação e demonstrar a boa­fé da Contribuinte,  mesmo  já  estando  esta  ciente  de  que  os  valores  se  apresentam  em  alguns  casos  divergentes  da  planilha  e  banco  de  dados  apresentados  com  o  detalhamento  dos  valores de perdas e receitas, exclusivamente pela metodologia de cálculo enviesada,  viciada e equivocada que  fora  exigida pelo  Ilustre Fiscal,  e que não  servirá para  esclarecer  os  pontos  exigidos  pelo  Colegiado  do  CARF,  mas  tão  somente  para  tentar­se infrutiferamente ratificar o erro cometido na autuação.  A  argumentação  apresentada  no  tópico  "Discordância  1"  foi  reiterada  nas  razões de defesa apresentadas depois da ciência do Termo de Encerramento de Diligência. Por  sua  vez,  é  fora  de  dúvida  que,  de  fato,  inúmeras  circunstâncias  podem  se  verificar  no  Fl. 10049DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 37          36 recebimento  dos  créditos  detidos  pela  pessoa  jurídica  autuada,  e  em  momento  algum  a  autoridade fiscal delas cogitou. As perdas dedutíveis foram originalmente calculadas tendo em  conta  a  última  parcela  paga  pelo  cliente,  e  nada  foi  dito  acerca  do  efeito  de  atrasos  e  adiantamentos  anteriores,  ou  mesmo  verificado  o  efetivo  saldo  devedor  do  contrato  no  momento em que o pagamento da dívida é interrompido. Os cálculos da Fiscalização têm por  referência,  objetivamente,  o  saldo  devedor  determinado  a  partir  das  parcelas  não  pagas,  as  quais  foram  apuradas  a  partir da  aplicação da  "Tabela Price"  sobre as  informações  extraídas  dos contratos que tiveram alguma parcela registrada em perda no período fiscalizado.   Sob  esta  ótica,  portanto,  a  abordagem  fiscal  perde  credibilidade.  Embora  a  recorrente  não  demonstre  concretamente  as  ocorrências  alegadas,  o  fato  é  que  não  se  pode  negar a possibilidade de sua existência, assim como não poderia a Fiscalização desconsiderar  esta  possibilidade  ao  determinar  as  perdas  dedutíveis.  Para  evitar  que  esta  dúvida  pairasse  sobre  as  perdas  apuradas,  a  autoridade  lançadora  poderia  ter  submetido  suas  apurações  previamente  à  fiscalizada,  exigindo  justificativas  para  a  dedução  de  perdas  superiores  às  resultantes da análise realizada. Ao deixar de assim proceder, a deficiência na apuração fiscal  exsurge apenas no contencioso administrativo, quando não é mais possível supri­la, em razão  do decurso do prazo decadencial e dos limites impostos ao lançamento complementar na forma  do Decreto nº 7.574/2011:  Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso  do  processo,  forem  verificadas  incorreções,  omissões  ou  inexatidões,  de  que  resultem  agravamento  da  exigência  inicial,  inovação  ou  alteração  da  fundamentação  legal  da  exigência,  será  efetuado  lançamento  complementar  por  meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação  de  lançamento  complementar,  específicos  em  relação  à  matéria  modificada  (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de  1993, art. 1o).  §1o O lançamento complementar será formalizado nos casos:  I ­ em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos  produzidos  na  ação  fiscal,  que  o  autuante,  no  momento  da  formalização  da  exigência:  a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou   b)não  incluiu  na  determinação  do  crédito  tributário  matéria  devidamente  identificada; ou   II  ­  em  que  forem  constatados  fatos  novos,  subtraídos  ao  conhecimento  da  autoridade  lançadora  quando  da  ação  fiscal  e  relacionados  aos  fatos  geradores  objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial.  §2o O  auto  de  infração  ou  a  notificação  de  lançamento  de  que  trata  o  caput  terá  o  objetivo de:  I ­ complementar o lançamento original; ou   II  ­  substituir,  total  ou  parcialmente,  o  lançamento  original  nos  casos  em  que  a  apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder  ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada.  §3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da  exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à  matéria modificada.  Fl. 10050DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 38          37 §4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser  objeto do mesmo processo em que  for  tratado o auto de  infração ou a notificação de  lançamento complementados.  §5o O  julgamento dos  litígios  instaurados no âmbito do processo  referido no § 4o  será objeto de um único acórdão. (negrejou­se)  Os  limites  assim  fixados  para  o  lançamento  complementar  implicitamente  vedam a  alteração da  interpretação  jurídica  acerca de  fatos  que  já  eram de conhecimento da  autoridade lançadora, e quanto aos fatos novos, é necessário que eles tenham sido subtraídos ao  conhecimento da autoridade lançadora, o que não se verificou no presente caso, na medida em  que, na verdade, a investigação fiscal não foi aprofundada para tanto.   Esclareça­se que não se trata, aqui, de exigir a verificação individualizada dos  contratos  como  defendeu  a  recorrente,  e  assim  contrapôs  a  autoridade  fiscal  na  informação  fiscal de fls. 4484/4563:  Desnecessária  esta  verificação  individualizada,  salvo  se  julgado  conveniente  e  oportuno pela Fiscalização, haja vista que partiu­se do pressuposto que os dados  relativos  aos  contratos  que  geraram  perdas  no  ano  de  2006,  apresentados  pela  DACASA em meio magnético (Planilha Excel), eram verdadeiros. Ademais, não se  vislumbra no curso da ação fiscal qualquer requerimento da Fiscalizada no sentido  de que os contratos fossem verificados de forma individualizada, requerimento este  que,  mesmo  existindo,  estaria  adstrito  ao  julgamento  de  conveniência  e  oportunidade do Fisco.  Apenas  que,  ao  entender  desnecessária  esta  análise  individualizada,  e  não  cogitar  das  demais  variáveis  que  poderiam  afetar  o  cálculo  das  perdas,  a  autoridade  fiscal  acabou fundamentando a glosa em aspectos fáticos que são desmerecidos por ocorrências que  poderiam aumentar o  saldo devedor da dívida, mas não  foram cogitadas  nem enfrentadas na  acusação fiscal.  De  toda  sorte, mesmo  admitindo­se  que,  em  casos  semelhantes  ao  contrato  tomado  como  exemplo  (no  qual  possivelmente  não  se  verificaram  as  anormalidades  mencionadas),  o  cálculo  das  perdas  consoante  originalmente  procedido  pela  Fiscalização,  ajustado  pelos  efeitos  do  prazo  de  carência,  seria  admissível  como  referencial  para  determinação das perdas dedutíveis, as diferenças apuradas exigiriam, ainda, a apreciação das  alegações  de  defesa  da  contribuinte  acerca  da  restrição  à  apropriação  de  juros  depois  de  ultrapassados 60 (sessenta) dias do vencimento do título.   Alega  a  recorrente  que  os  dispositivos  legais  invocados  no  lançamento  somente traduz conduta proibitiva quanto à dedução dos encargos constituídos anteriormente  aos período de 60  (sessenta) dias, o que significa que  todos os valores correspondentes que  superem  tal  limite mínimo podem ser utilizados no  cálculo das perdas definitivas. Observou  que no exemplo escolhido pela Fiscalização há a possibilidade de os encargos pertinentes às  03  (três)  parcelas  que  não  foram  quitadas  serem  incluídos,  tendo  em  vista  que  todos  superaram o período mínimo determinando.   Como  evidenciado  na  informação  fiscal,  ao  admitir  correto  o  cálculo  da  parcela do contrato em referência, no valor de R$ 289,00, a autoridade  fiscal demonstrou na  nova planilha financeira que as últimas três parcelas não pagas corresponderiam a amortização  do principal de R$ 253,25, R$ 264,64 e R$ 276,55, o que na  sistemática original de cálculo  resultaria em perda dedutível equivalente à soma destes valores e dos juros a apropriar nos dois  Fl. 10051DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 39          38 meses àquele em que verificado o último pagamento. Adicionando àqueles valores tais parcelas  de  R$  35,75  e  R$  24,36,  esperado  seria  que  a  perda  dedutível  totalizasse  R$  854,55  e,  agregando  a  este  montante  os  juros  a  apropriar  em  05/09/2005  (R$  12,45),  a  perda  praticamente equivaleria ao valor deduzido pela contribuinte (R$ 867,00 contra R$ 870,00).  Para  desconsiderar  esta  última  parcela  de  juros  a  autoridade  fiscal  se  reportou, primeiramente, à Resolução BACEN nº 2.682/99, que assim dispõe:  Art. 9º. É vedado o reconhecimento no resultado do período de receitas e encargos  de qualquer natureza relativos a operações de crédito que apresentem atraso igual  ou superior a sessenta dias, no pagamento de parcela de principal ou encargos.   Segundo  o  fiscal  autuante,  o  Plano  Contábil  das  Instituições  do  Sistema  Financeiro  (COSIT), a  fim de atender ao dispositivo em comento, determina que as  receitas  financeiras  de  contratos  com  atraso  igual  ou  superior  a  sessenta  dias  não  mais  sejam  contabilizadas na conta  "Rendas de Operações de Crédito"  (código COSIF 7.1.1.00.00.1),  e  sim passem a sê­lo na conta contábil "Rendas a Apropriar em Operações de Crédito" (código  COSIF  1.6.2.10.00.4),  conta  esta  retificadora  de  ativo,  mais  especificamente  da  conta  Operações de Crédito (código COSIF 1.6.0.00.00.1).  Observa­se,  porém,  que  não  houve  qualquer  investigação  acerca  dos  procedimentos contábeis da contribuinte acerca desta matéria. A autoridade fiscal entendeu que  a obrigação de ela assim agir seria suficiente para excluir do conjunto de perdas os juros que  não poderiam ter sido apropriados no resultado. Neste sentido, inclusive, fez constar à fl. 4562  da informação fiscal que para qualquer contrato, não será necessário excluir qualquer parcela a  título de receita de juros após dois meses do primeiro vencimento sem pagamento, haja vista  que esta exclusão só é permitida caso as receitas de juros tenham sido levadas a resultado após  estes  mesmos  dois  meses  de  atraso  (art.  11,  Lei  nº  9.430/96),  o  que  não  ocorrerá,  já  que  expressamente vedado pelo art. 9º da Lei nº 9.430/96 e pelo também art 9º da Resolução CMN  nº 2682/99.  Hipoteticamente  a  cogitação  é  válida,  porque  se  os  juros  não  fossem  apropriados,  o  direito  de  crédito  teria  seu  valor  afetado  pela  conta  redutora  de  ativo  representativa dos juros a apropriar e o registro da perda se faria pelo valor líquido. Contudo,  não  se  contemplou  a  possibilidade  de  a  contribuinte  ter  descumprido  a  norma  do  BACEN,  apropriando integralmente os juros e aumentando o valor da perda.   Veja­se, aliás, que a legislação tributária não reproduz os mesmos termos da  norma  financeira.  A  Lei  nº  9.430/96,  em  seu  art.  11,  apenas  permite  que  a  pessoa  jurídica  credora  exclua  do  lucro  líquido,  para  determinação  do  lucro  real,  o  valor  dos  encargos  financeiros  incidentes  sobre  o  crédito,  contabilizado  como  receita,  auferido  depois  de  dois  meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento. Admite­se, portanto,  que a pessoa jurídica tenha apropriado os encargos financeiros mesmo depois de ultrapassado o  prazo mencionado e, assim, possa excluir tal parcela do lucro líquido, para fins de apuração do  lucro real e da base de cálculo da CSLL. Infere­se, daí, que se a pessoa jurídica promoveu o  registro  integral dos  juros, e posteriormente excluiu a parcela citada na lei, por certo a perda  não poderia ser deduzida, para  fins  fiscais,  integralmente. Contudo, a exclusão é apenas uma  possibilidade legal, e nada impede que o sujeito passivo dela não faça uso, especialmente se já  apropriou os valores correspondentes como perda no recebimento de créditos.  Fl. 10052DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 40          39 As  variações  assim  cogitadas  no  registro  contábil  e  fiscal  destas  operações  evidenciam  que  as  investigações  fiscais  foram  insuficientes  para  a  glosa  promovida, mesmo  tendo  em  conta  os  contratos  nos  quais  não  houve  intercorrências  semelhantes  às  antes  mencionadas,  a  afetar  o  saldo  devedor  no  momento  em  que  interrompido  o  pagamento  da  dívida.  A  autoridade  fiscal  deveria  ter  apurado  se  a  prática  da  pessoa  jurídica  era,  ou  não,  apropriar os juros para além do que permitido pelo art. 9º da Resolução BACEN nº 2.682/99 e,  em  caso  positivo,  se  tal  prática  estava  associada  à  exclusão  permitida  no  art.  11  da  Lei  nº  9.430/96.  Bastaria,  para  tanto,  exigir  que  a  contribuinte  demonstrasse  não  só  os  valores  de  receita  eventualmente  oferecidos  à  tributação  em  virtude  de  atraso  não  superior  a  60  (sessenta)  dias  (conforme  intimação  de  fls.  19/22)  como  também  as  receitas  oferecidas  à  tributação em virtude de atraso superior a 60 (sessenta) dias.   Veja­se, ainda, que não há registro em DIPJ (fl. 118), ou no LALUR (fl. 17),  de que a contribuinte  tenha procedido à exclusão de receita de juros apropriados. Logo, caso  tenha descumprido o  art. 9º da Resolução BACEN nº 2.682/99, não há  evidências de que as  perdas glosadas seriam incompatíveis com outro aproveitamento fiscal equivalente.  Em  sua  oposição  ao  critério  de  apuração  em  debate  a  recorrente  ainda  assevera que a fiscalização não o traduziu em valores, e que se não for o caso de anulação do  lançamento, esta aferição deveria ser feita em diligência. Contudo, como antes demonstrado na  rejeição da preliminar de nulidade do lançamento, a autoridade destacou uma parte das perdas  registradas, representada por contratos que permitiriam o cômputo de perda no ano­calendário  fiscalizado,  e  para  estes  casos  limitou  o  valor  dedutível  àquele  resultante  dos  cálculos  orientados pelas premissas antes analisadas, afetadas pela repercussão do período de carência,  atrasos  e  adiantamentos  no  saldo  devedor  e  pela  impossibilidade  de  apropriação  de  juros  relativos a operações de crédito que apresentem atraso igual ou superior a 60 (sessenta) dias.  Demonstrado que a investigação fiscal deveria ter sido aprofundada para excluir as cogitações  que  lançaram  dúvidas  acerca  da  indedutibilidade  dos  valores  apontados  neste  conjunto  de  contratos,  as  investigações  em  nova  conversão  do  julgamento  de  diligência  se  fazem  desnecessárias  porque  não  poderiam  subsistir  as  glosas  correspondentes  sem  aquele  aperfeiçoamento,  as  quais  correspondem,  no  caso,  às  apurações  fiscais  consubstanciadas  nas  planilhas de fls. 138/1928 e 1929/1947.  Por  oportuno  esclareça­se  que  os  questionamentos  da  recorrente  acerca  da  premissa  fiscal  de,  na  comparação  da  perda  apurada  com  aquela  deduzida,  sempre  adotar  o  menor dos dois valores, somente teria aplicação aos itens acima, na medida em que as demais  glosas  alcançaram  a  totalidade  da  perda  informada. Assim,  uma  vez  afastadas  tais  glosas,  é  desnecessário  apreciar  a  pretensão  da  contribuinte  de  aproveitar  integralmente os  direitos  de  dedução que a legislação lhe confere, de modo a afastar a equivocada impressão de opção pelo  aproveitamento meramente parcial.   Com referência às demais perdas glosadas, a autoridade fiscal demonstrou às  fls.  1948/1949 os  contratos  que  geraram perdas  em valor  superior  a R$  5.000,00. Embora  a  contribuinte  tenha  registrado  perdas  de  R$  760.696,87,  apenas  foi  admitida  a  dedução  da  parcela de R$ 449.461,80, correspondente aos contratos que já estavam há mais de um ano em  31/12/2006. A  autoridade  fiscal  indicou, mediante  a  aposição  da  referência  "ERRO"  que  as  perdas vinculadas aos seguintes contratos não atenderiam ao critério temporal do art. 9º, §1º, II,  "a" da Lei nº 9.430/96,  e  somente  seriam passíveis de dedução no ano­calendário 2006 caso  declarada  judicialmente  a  insolvência,  a  falência  ou  a  concordata  do  devedor  (art.  9º,  §1º,  incisos I e IV, Lei nº 9.430/96):  Fl. 10053DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 41          40 Número do  Contrato  Data de  Emissão  Valor do  Principal  Número  de  Parcelas  Data do  Último  Pagamento  Data do  Último  Vencimento  sem  Pagamento  Saldo  Devedor  Deduzido  como Perda  Mês da  Perda  Calculado  19.434971­2  22­nov­05  4.230,00  4     21­jan­06  5.118,60  200607  19.458146­2  01­dez­05  5.000,00  15  06­jul­06  06­jan­06  6.404,34  200607  19.459895­5  05­dez­05  4.000,00  12     05­jan­06  5.161,09  200607  19.215824­5  01­set­05  5.000,00  12  01­ago­06  01­fev­06  5.564,79  200607  19.503258­6  14­dez­05  5.000,00  12  14­ago­06  14­fev­06  6.010,86  200608  19.585766­2  11­jan­06  5.000,00  12  23­ago­06  23­fev­06  5.817,38  200608  19.592413­7  12­jan­06  5.000,00  6     15­fev­06  6.368,02  200608  19.593700­7  12­jan­06  4.500,00  7     12­fev­06  5.470,40  200608  19.620011­2  24­jan­06  5.000,00  12  24­ago­06  24­fev­06  6.327,65  200608  19.379052­0  01­nov­05  5.000,00  12  01­set­06  01­mar­06  6.009,19  200608  19.398365­8  09­nov­05  5.000,00  12  11­set­06  09­mar­06  6.009,19  200609  19.421659­1  17­nov­05  5.000,00  10  19­set­06  17­mar­06  5.693,10  200609  19.643051­2  03­fev­06  4.000,00  12  06­set­06  06­mar­06  5.069,10  200609  19.659405­3  08­fev­06  4.500,00  12     08­mar­06  5.334,34  200609  19.683508­4  16­fev­06  4.000,00  10  19­set­06  16­mar­06  5.693,12  200609  19.686024­0  17­fev­06  5.000,00  8  19­set­06  17­mar­06  7.141,00  200609  19.571781­3  05­jan­06  5.000,00  15  05­out­06  05­abr­06  6.505,76  200610  19.607103­0  18­jan­06  5.000,00  8  20­mar­06  18­abr­06  5.216,10  200610  19.626364­1  26­jan­06  5.000,00  15  25­out­06  25­abr­06  7.277,68  200610  19.679098­4  14­fev­06  5.000,00  12  28­abr­06  14­abr­06  5.575,03  200610  19.689916­4  18­fev­06  5.000,00  12  18­out­06  18­abr­06  5.928,92  200610  19.689926­5  20­fev­06  4.000,00  15  19­out­06  19­abr­06  5.259,23  200610  19.699667­8  24­fev­06  4.988,00  10  24­out­06  24­abr­06  5.638,65  200610  19.702068­6  24­fev­06  4.650,00  12  24­out­06  24­abr­06  5.330,29  200610  19.642574­2  03­fev­06  5.000,00  12  03­nov­06  03­mai­06  5.781,91  200610  19.761333­6  20­mar­06  4.400,00  12  06­nov­06  05­mai­06  5.428,11  200611  19.824716­2  13­abr­06  4.000,00  12     13­mai­06  5.147,74  200611  19.853168­5  28­abr­06  4.000,00  12     28­mai­06  5.147,74  200611  19.854778­4  28­abr­06  5.000,00  12     28­mai­06  5.926,96  200611  18.630915­6  01­ago­05  10.000,00  12     01­jan­06  9.786,40  200606  19.583462­2  09­jan­06  5.000,00  12  11­dez­06  09­jun­06  5.094,22  200612  19.771274­2  24­mar­06  5.000,00  7  26­mai­06  26­jun­06  5.146,80  200612  19.829321­8  17­abr­06  3.500,00  12  17­mai­06  17­jun­06  5.310,61  200612  19.864385­8  03­mai­06  5.000,00  12     03­jun­06  6.143,52  200611  19.876808­2  08­mai­06  5.000,00  12  11­dez­06  10­jun­06  6.306,53  200612  19.900469­2  15­mai­06  5.000,00  12  15­dez­06  15­jun­06  6.944,80  200612  19.906499­2  24­mai­06  4.395,00  6     24­jun­06  5.294,70  200612  19.913945­5  22­mai­06  4.000,00  12  22­dez­06  22­jun­06  5.317,84  200612                 Total  222.701,71     Fl. 10054DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 42          41 Tome­se  como  exemplo  o  primeiro  contrato  acima  indicado,  qual  seja,  o  contrato  nº  19.434971­2.  A  contribuinte  informou  ter  registrado  perda  de  R$  5.118,60  em  julho/2006,  mas  o  contrato  firmado  em  22/11/2005  deixou  de  ser  pago  em  21/01/2006.  Contudo,  o  art.  9º,  §1º,  inciso  II,  alínea  "b"  da  Lei  nº  9.430/96,  somente  permite  o  registro  como  perda  de  créditos,  sem  garantia,  de  valor  acima  de R$  5.000  (cinco mil  reais)  até  R$  30.000,00  (trinta mil  reais),  por operação,  vencidos há mais de um ano,  salvo  se declarada  judicialmente a insolvência, a falência ou a concordata do devedor.  Claro está que a contribuinte aplicou para o contrato em referência o mesmo  critério de apropriação de perda adotado para os créditos de valor abaixo de R$ 5.000,00. Por  sua vez, em recurso voluntário, a contribuinte se limitou a afirmar equivocada a interpretação  dada pela Fiscalização ao dispositivo legal em referência, defendendo que a contagem do prazo  se  verificaria  a  partir  do  vencimento  do  crédito,  e  não  da  data  do  último  vencimento  sem  pagamento.   Na informação fiscal de fls. 4484/4563 a autoridade lançadora observou que  embora  solicitado  à  contribuinte  informação  acerca  da  data  do  último  vencimento  sem  pagamento, utilizou, nos cálculos, a data do primeiro vencimento sem pagamento como termo  inicial  para  determinar  o  prazo  de  atraso  dos  contratos.  De  fato,  no  exemplo  acima  mencionado,  considerando  que  o  contrato  firmado  em  22/11/2005  deveria  ser  pago  em  4  (quatro) parcelas, e nenhuma parcela foi paga, o marco para contagem do prazo para dedução  (21/01/2006) corresponde ao primeiro vencimento sem pagamento e não ao último vencimento  sem pagamento. Por sua vez, em todos os demais contratos, observa­se a partir do número de  parcelas  estipulada  no  contrato,  que  as  datas  indicadas  como  último  vencimento  sem  pagamento são, em verdade, o primeiro vencimento sem pagamento, restando evidente a partir  deste marco que em 31/12/2006 ainda não havia transcorrido o prazo de um ano para dedução  da perda.  No  mais,  a  interessada  apenas  alegou  que  a  fiscalização  não  informou  o  quanto autuou em razão dessa malsinada premissa de contagem, mas, como evidenciado na  tabela acima, a planilha de  fls. 1948/1949 permitiu  facilmente a  seleção das correspondentes  ocorrências.  Esclareça­se, ainda, que a dedução de perdas vinculadas a créditos acima de  R$ 5.000,00 foi admitida no valor de R$ 449.461,80, do total de R$ 760.696,87. Os cálculos da  planilha de fls. 1948/1949 evidenciam que, além da glosa de R$ 222.701,71 referente a créditos  não vencidos há mais de um ano, mesmo para os créditos vencidos há mais de um ano foram  identificadas divergências no valor das perdas deduzidas,  e  isto  em  razão dos  aspectos  antes  mencionados (desconsideração do período de carência e exclusão do saldo devedor dos juros a  apropriar  depois  de  sessenta  dias  de  atraso).  Demonstrada  a  insuficiência  do  procedimento  fiscal para admissibilidade deste segundo conjunto de glosas, subsiste válida apenas a oposição  fiscal à dedução de R$ 222.701,71 vinculada aos créditos não vencidos há mais de um ano em  31/12/2006. Eleva­se, portanto, a perda dedutível de R$ 449.461,80 para R$ 537.995,16  (R$  760.696,87 ­ R$ 222.701,71).  A  defesa  da  recorrente  em  favor  da  contagem  do  prazo  legal  a  partir  do  vencimento do crédito, e não da data do último vencimento sem pagamento também se aplica à  parcela glosada no valor de R$ 141.445,31, demonstrada na planilha de fls. 1950/1956, na qual  foram analisadas as perdas inferiores a R$ 5.000,00 que somente poderiam ter sido apropriadas  no ano­calendário 2007. Contudo, neste demonstrativo,  também,  foi utilizada nos cálculos, a  Fl. 10055DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 43          42 data do primeiro vencimento sem pagamento como termo inicial para determinar o prazo de  atraso dos contratos. Tome­se como exemplo, dali, o contrato nº 19.868393,2, acerca do qual a  contribuinte informou ter registrado perda de R$ 854,76. Uma vez que o contrato foi firmado  em 05/05/2006, com pagamento de 1 (uma) das 7 (parcelas) devidas, o marco para contagem  do  prazo  para  dedução  (05/07/2006)  também  corresponde  ao  primeiro  vencimento  sem  pagamento e não ao último vencimento sem pagamento.   Assim  sendo,  e  também  tendo  em  conta  que  a  planilha  de  fls.  1950/1956  detalha  todas  as  operações  cujas  perdas  foram  questionadas,  a  este  título,  no  Termo  de  Verificação Fiscal, resta incólume a glosa correspondente.  Na  sequência,  a  recorrente  questiona  a  glosa  de  perdas  efetivas  quanto  às  adições dos contratos de empréstimo em razão da substituição de cheques.   No  Termo  de  Verificação  Fiscal  a  autoridade  lançadora  relata  os  questionamentos  dirigidos  à  contribuinte  acerca  de  contratos  constantes  dos  arquivos  magnéticos  entregues  apresentando  valores  de  parcelas  pagas  nulos  ou  em  branco.  Em  resposta,  disse  a  contribuinte  que  os  campos  com  valores  nulos  se  referiam  a  perdas  relacionadas  a  operações  de  cartão  de  crédito  ou  a  adições  de  débitos  de  contratos  já  enviados  anteriormente  para  perdas,  em  função  de  devolução  de  cheques  e/ou  troca  de  cheques dados em garantia, não se tratando, portanto, de um novo contrato, mas sim de um  aumento de  saldo de  contratos em perdas. Acrescentou que as  informações  relacionadas ao  contrato original podem ser obtidas extraindo os últimos dois dígitos destes contratos (fl. 61).  O fiscal autuante questionou a que se refeririam tais contratos e qual a forma  de  sua  contabilização,  apresentando  arquivos  com  as  ocorrências  identificadas,  separando  aquelas com apenas uma parcela paga daquelas com nenhuma parcela paga, mas em ambos os  casos  com  IOF  e  taxa  de  juros  igual  a  zero. A  resposta  para  os  dois  questionamentos  foi  a  mesma: os contratos constantes dos arquivos, que apresentam IOF e taxa de juros igual a zero,  [...],  referem­se a adições de débitos de contratos  já enviados anteriormente para perda, em  função de devolução de  cheques  e/ou  troca de  cheques dados em garantia, não se  tratando,  portanto,  de  um  novo  contrato,  mas  sim  de  um  aumento  de  saldo  de  contratos  em  perdas.  Informou,  ainda,  que  a  contabilização  de  todos  os  valores  é  devidamente  feita  por  saldo  segundo o critério de lançamento mensal e juntou à resposta cópias dos livros Razão nas quais  se encontram as contas contábeis e os lançamentos respectivos.   Frente a tais esclarecimentos, a autoridade fiscal assim se manifestou:  Quanto a este item, nada mais lógico que excluir estes contratos daqueles geradores  de  perdas  em  2006.  Observe­se  que,  conforme  resposta  do  contribuinte,  estes  contratos,  caracterizados  por  terem  apenas  uma  ou  nenhuma  parcela  a  ser  paga  pelo  tomador do empréstimo e taxa de juros igual a zero, referem­se a adições de  débitos de contratos enviados anteriormente para perdas, em função de devolução  de cheques e/ou troca de cheques dados em garantia, não se tratando, portanto, de  um novo contrato, mas sim de um aumento de saldo de contratos em perdas.  Ora,  eventual  cheque  devolvido,  tendo  sido  ele  dado  como  garantia  ou  sendo  representativo de pagamento de uma prestação, não pode ter seu valor adicionado  às perdas geradas por determinando contrato.  De  fato,  se  o  cheque  foi  assinado  pelo  tomador  do  empréstimo,  visando  ao  pagamento de uma das prestações, e  foi devolvido, por óbvio que seu valor  já  foi  computado dentre as prestações não pagas.   Fl. 10056DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 44          43 Caso  esse mesmo  cheque  tenha  sido  assinado  pelo  tomador  como  garantia  pelas  prestações  ainda  não  pagas,  igualmente  seu  valor  não  pode  ser  adicionado  às  perdas no recebimento de créditos, sob pena de inflá­las artificialmente.   A  autoridade  lançadora  traçou  uma  situação  hipotética  para  reforçar  suas  conclusões,  expondo  os motivos  pelos  quais  o  tomador  do  empréstimo,  depois  de  deixar  de  pagar  parte  de  sua  dívida,  aceita  assinar  novos  cheques  depois  do  vencimento  da  última  prestação, e acrescentou que:  Realmente, caso o cheque dado em garantia venha a ser  recebido,  seu valor deve  ser  contabilizado  como  recuperação  de  créditos,  haja  vista  que  o  contrato  de  garantia é mero contrato acessório do contrato principal de empréstimo. A tentativa  de  desconto  desse  cheque  dado  em  garantia  somente  vai  ocorrer  caso  seja  impossível  o  desconto  dos  cheques  originais  fornecidos  para  pagamento  das  prestações,  quiçá  para  se  aproveitar  de  momentânea  melhora  na  condição  financeira  do  tomador  do  empréstimo.  E,  mesmo  que  seja  descontado,  seu  valor  apenas representará recuperação de crédito já computado como perda.  Caso o desconto do cheque dado em garantia seja também impossível, a perda a ser  computada é somente aquela do contrato original.   O fiscal autuante equiparou tal situação àquela de um avalista em contrato de  aluguel e abordou o procedimento contábil da contribuinte, nos seguintes termos:  Observe­se que, conforme resposta da fiscalizada de em fls. 75 e 77, a dedução das  perdas relativas a esses cheques dados em garantia ou em operações de crédito, e  posteriormente  devolvidos,  dá­se  mensalmente,  pelo  saldo.  Esta  dedução  dá­se  mediante  débito  na  conta  contábil  "1.6.9.30  ­  Provisão  para  Financiamentos".  Entretanto,  quando  do  recebimento  desses  cheques  (e  não  quando  do  seu  desconto,  o  que  só  ocorrerá  em  momento  posterior),  seu  valor  não  é  levado  a  resultado,  mediante  débito  na  conta  caixa  e  crédito,  por  exemplo,  na  conta  de  receita de recuperação de créditos. Somente se isso ocorresse, ou seja, se o valor  do cheque fosse oferecido à tributação quando do seu reconhecimento, mediante  crédito em conta de receita e débito na conta caixa, é que seria possível deduzir a  perda por ele gerada do resultado, quando no momento do desconto fosse verificado  que o signatário não possuía fundos. Não é o que ocorre in casu, onde a fiscalizada  controla os cheques recebidos em garantia extracontabilmente, deduzindo as perdas  a  eles  relativas  diretamente  pelo  saldo  mensal,  mediante  débito  em  conta  de  provisão. (negrejou­se)  Concluiu  que  o  procedimento  da  contribuinte  enseja  apenas  dedução  de  perdas,  sem  o  registro  contábil  anterior  das  receitas  geradas  pela  operação.  E,  sem  este  registro, as perdas não anulam as receitas (e assim deve sê­lo, pois a receita acabou não sendo  auferida,  já  que  o  cheque  não  foi  descontado  por  falta  de  fundos),  e  apenas  reduzem  artificialmente o resultado.   A recorrente, por sua vez, asseverou que tais valores são realmente levados a  resultado  por  representarem  acréscimos  aos  negócios  jurídicos  firmados  anteriormente,  representando  entrega  de  título  (cheque)  com  cômputo  de  juros,  para  pagar  prestação  em  aberto. Destacou que:  Destarte,  se  verifica  com  clareza  que  o  recebimento  de  novos  cheques  quanto  a  operações que ensejaram o registro de perdas traduz a cobrança da Recorrente em  determinado cliente sobre o acréscimo (juros por atraso) aos valores originários, de  Fl. 10057DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 45          44 forma que o cheque posteriormente apresentado nada mais é do que o pagamento  de juros decorrentes do tempo em que a Recorrente deixou de usufruir da soma que  fora anteriormente emprestada. (negrejou­se)  Daí  porque,  se  tais  cheques,  quando  do  seu  desconto  em  conta­corrente,  igualmente  não  apresentarem  fundos  para  pagamento  não  haveria  outra  alternativa  à  Recorrente  senão  considerar  seus  respectivos  valores  como  perdas,  cuja  aplicabilidade  aos  juros se aplica com clareza, na forma do art. 9º da Lei nº 9.430/96. Entende a recorrente que  as características da contratação abaixo deixam claro que a segunda operação nada mais é do  que  uma  complementação  da  contratação  anterior  relativa  ao  pagamento  de  juros  que,  evidentemente, não estavam previstos na negociação inicial:    Identifica­se à fl. 498 as características originais do contrato referido. Trata­ se  de  acordo  firmado  em  10/08/2005,  no  valor  de  R$  300,00,  para  pagamento  em  8  (oito)  parcelas  a partir  de 15/09/2005,  sendo que nenhuma delas  foi  paga,  ensejando a dedução de  perda no valor de R$ 387,47 em março/2006. Já à  fl. 2061 a autoridade fiscal  informa que a  glosa em debate, no valor principal de R$ 197,97, está relacionada ao contrato nº 818895, com  data de emissão em 15/09/2005, sem qualquer indicação de juros, IOF ou taxa administrativa.  Assim expostos os fatos e os argumentos da acusação e da defesa, resta claro  que  a  autoridade  fiscal  examinou  a  escrituração  destas  operações  com  vistas  a  apurar  se  no  momento  em  que  recebidos  os  novos  cheques  a  contribuinte  teria  apropriado  os  correspondentes  valores  em  receita  de  recuperação  de  créditos,  única  hipótese  contábil  que  autorizaria nova dedução a título de perda.  E neste exame constatou que não houve o registro  daquelas receitas, mas apenas o controle extracontábil dos cheques e subsequente dedução das  perdas diretamente pelo saldo mensal, mediante débito em conta de provisão.  A  recorrente,  por  sua  vez,  sem  apresentar  qualquer  prova  em  contrário,  limitou­se  a  afirmar  ser  evidente  que  tais  valores  são  realmente  levados  a  resultado.  Acrescentou,  ainda,  que  seria  possível  verificar  com  clareza  que  os  valores  recebidos  corresponderiam ao acréscimo de juros por atraso, o que certamente não se pode afirmar sem  provas, especialmente frente ao caso tomado como exemplo pela defesa, no qual o acréscimo  de  R$  197,97  representaria  quase  2/3  (dois  terços)  do  principal  emprestado  (R$  300,00),  recordando­se que já houve acréscimo de juros na apropriação da perda original, no valor de  R$ 87,47.  Em reforço à conclusão de que a argumentação da recorrente não  infirma a  acusação fiscal, tome­se mais uma perda glosada, que pode ser vinculada a outra operação de  crédito, à semelhança do que feito pela defesa. À fl. 2061 a autoridade fiscal não admitiu, sob  os fundamentos aqui em debate, a dedução da perda de R$ 5.764,24 vinculada ao contrato nº  43.497, emitido em 15/07/2005. À fl. 196 identifica­se outra operação com o mesmo tomador,  contratada em 21/06/2005, no valor principal de R$ 1.820,00, para pagamento em 12  (doze)  parcelas a partir de 15/07/2005, das quais nenhuma foi paga, ensejando a dedução da perda de  R$ 2.293,40 em janeiro/2006. Nestes termos, assim como no caso tomado como exemplo pela  Fl. 10058DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 46          45 defesa,  na  data  em  que  o  tomador  do  empréstimo  original  deixa  de  promover  o  primeiro  pagamento, outro contrato é registrado (sem referência a juros, IOF ou taxa de administração,  por  não  se  tratar  de  uma  operação  inicial),  mas  neste  caso  por  valor  superior  ao  dobro  do  principal  atualizado  da  dívida,  para  depois  ensejar  a  dedução  de  um  segunda  perda  assim  majorada, no mesmo ano­calendário.   De  toda  sorte,  ainda  que  se  admitisse  que  as  perdas  em  debate  correspondessem a juros, como alega, sem provar, a recorrente, nada, na legislação, dispensaria  a  pessoa  jurídica  de  reconhecer  a  receita  correspondente  no  momento  do  novo  acordo.  Ao  contrário,  o  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.000/99  é  claro  acerca  da  incidência  tributária  sobre  os  juros  ativos,  que  devem  ser  computados  no  lucro  operacional da pessoa jurídica:  Art 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de  aplicações  financeiras de renda  fixa, ganhos pelo contribuinte,  serão  incluídos no  lucro  operacional  e,  quando  derivados  de  operações  ou  títulos  com  vencimento  posterior  ao  encerramento  do  período  de  apuração,  poderão  ser  rateados  pelos  períodos a que competirem (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981,  de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º).   Esclareça­se, ainda, que além de ser absurdo cogitar da não tributação destes  valores especialmente frente à constatação de que sua perda foi objeto de dedução na apuração  do lucro tributável, a decisão do Superior Tribunal de Justiça invocada pela recorrente (REsp nº  1.037.452/SC), tratava da incidência de IRPF, e não de imposto de renda devido pelas pessoas  jurídicas.  Recorde­se, por fim, que por ocasião da segunda diligência, ante as alegações  da  defesa,  requereu­se  que  a  contribuinte  fosse  intimada  a  demonstrar  documentalmente  a  ocorrência dos fatos alegados acerca das perdas em debate. A autoridade fiscal encarregada da  segunda  diligência  intimou  a  contribuinte  a  demonstrar  o  reconhecimento  de  receitas  relativamente aos contratos de empréstimos nos quais houve substituição de cheques. Em sua  primeira manifestação, a interessada reiterou parte de seus argumentos de defesa, mas alegou  que  por  se  tratar  de  demonstração  extremamente  complexa,  acaso  seja  do  interesse  da  fiscalização,  colocava­se  à  disposição  para  comprovar  o  alegado  em  prazo  prorrogado  (fls.  4634/4635). Apresentou, apenas, planilha que alegou corresponder ao meio pelo qual se deu o  reconhecimento das  receitas dos contratos de  empréstimos nos quais houve substituição dos  cheques, mas cujo conteúdo apenas enunciava, para alguns contratos, as datas de devolução e  pagamento dos cheques a eles vinculados (fls. 4636/4638).  Novamente  intimada  a  demonstrar  o  reconhecimento  das  receitas  em  referência (fl. 4652), a contribuinte apenas se reportou a 10 (dez) contratos, afirmando não se  verificar  duplicidade  de  receita  ou  despesa  em  tais  casos.  Descreveu,  como  exemplo,  as  ocorrências vinculadas ao contrato nº 19.226946­3, baixado para perda no prazo legal, mas que  teria  parcelas  escrituradas,  em  razão  de  eventos  seguintes,  como  receita  de  recuperação  de  perdas,  seguindo­se  posterior  adição  de  perdas  (fls.  4653/4658).  Ocorre  que,  embora  seja  possível  identificar,  nas  planilhas  elaboradas  pela  autoridade  lançadora,  que  houve  glosa  de  perdas  vinculadas  ao  contrato  nº  19.226946­3  apropriadas  em  fevereiro/2006  (sendo  duas  parcelas  de  R$  200,25  e  uma  de  R$  400,50  conforme  fls.  2562,  2567  e  2579),  o  anterior  reconhecimento  contábil  destes  valores  como  recuperação  de  perdas  novamente  não  foi  provado, mas apenas alegado.  Fl. 10059DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 47          46 Frente ao exposto, resta claro que a autoridade lançadora promoveu as glosas  em  referência  por  não  identificar  a  contabilização  da  anterior  recuperação  de  perdas,  e  a  contribuinte não logrou provar tais ocorrências, apesar das oportunidades que teve por ocasião  da  impugnação,  do  recurso  voluntário  e  da  conversão  deste  julgamento  em  diligência.  Subsistem válidas, portanto, as justificativas para glosa dos valores demonstrados nas planilhas  de fls. 1957/2584, nos valores totais de R$ 6.910.673,69 e R$ 995.559,11.  Em consequência, os valores apurados no procedimento fiscal são mantidos  apenas parcialmente, consoante a seguir demonstrado:        Fls.   Valores  deduzidos como  despesa    Perdas  admitidas pela  Fiscalização    Perdas  admitidas no  julgamento   01/2006  138/278      4.117.398,88      3.894.286,87    4.117.398,88   02/2006  279/414      4.000.420,19      3.775.591,67    4.000.420,19   03/2006  415/582      4.361.003,38      4.120.003,74    4.361.003,38   04/2006  583/710      3.642.515,39      3.438.914,34    3.642.515,39   05/2006  711/839      3.555.442,21      3.366.710,40    3.555.442,21   06/2006  840/963      3.397.035,04      3.217.974,59    3.397.035,04   07/2006  964/1114      4.154.440,35      3.919.446,26    4.154.440,35   08/2006  1115/1303      4.822.586,10      4.561.734,13    4.822.586,10   09/2006  1304/1443      4.016.105,18      3.806.149,54    4.016.105,18   10/2006  1444/1588      4.051.951,68      3.845.367,81    4.051.951,68   11/2006  1589/1710      3.425.189,59      3.248.733,33    3.425.189,59   12/2006  1711/1928      3.129.701,07      2.887.225,83    3.129.701,07   Créditos até R$  5.000,00  Sub­total        46.673.789,06     44.082.138,51   46.673.789,06   Perdas dedutíveis em 2005  1929/1947       527.636,81        498.633,87      527.636,81   Créditos acima de R$ 5.000,00  1948/1949       760.696,87        449.461,80      537.995,16   Perdas dedutíveis em 2007  1950/1956       141.445,31              ­             ­   Nenhuma parcela paga  1957/2491      6.910.673,69              ­             ­  Perdas ­cheques  devolvidos  Uma parcela paga  2492/2584       995.559,11              ­             ­   Total        56.009.800,85     45.030.234,18   47.739.421,03   Considerando  que  o  lucro  tributável  foi  originalmente  reduzido  por  despesas/exclusões  no  valor  total  de  R$  52.159.908,33,  a  glosa  fiscal  fica  reduzida  a  R$  4.420.487,30.  Assim,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso voluntário relativamente à glosa de perdas.  Adentrando à glosa de despesa de juros sobre o capital próprio, tem­se que a  constatação,  pela  autoridade  fiscal,  de  que  a  dedução  de R$  4.219.239,77  superava  a  de R$  3.742.757,85 esperada em razão da aplicação da taxa de juros de longo prazo ­ TJLP sobre o  patrimônio líquido no início do ano­calendário 2006 (R$ 47.568.870,76).   A  Lei  nº  9.249/95  estabeleceu  os  seguintes  limites  para  dedução  dos  juros  sobre o capital própriotéria no período autuado:  Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os  juros pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio  Fl. 10060DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 48          47 líquido e  limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo  ­  TJLP.  §1º  O  efetivo  pagamento  ou  crédito  dos  juros  fica  condicionado  à  existência  de  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  e  reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros  a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996)   § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota  de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.   § 3º O imposto retido na fonte será considerado:   I  ­ antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário  pessoa jurídica tributada com base no lucro real;   II  ­  tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa  jurídica  não  tributada com base no lucro real, inclusive  isenta, ressalvado o disposto no §  4º;  §4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)   § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao  regime  de  tributação  de  que  trata  o  art.  1º  do  Decreto­Lei  nº  2.397,  de  21  de  dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do  pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários.   § 6º No caso de beneficiário pessoa  jurídica  tributada com base no  lucro  real,  o  imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião  do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu  titular, sócios ou acionistas.   §  7º  O  valor  dos  juros  pagos  ou  creditados  pela  pessoa  jurídica,  a  título  de  remuneração do capital  próprio,  poderá ser  imputado ao valor dos dividendos de  que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do  disposto no § 2º.   §  8º  Para  os  fins  de  cálculo  da  remuneração  prevista  neste  artigo,  não  será  considerado  o  valor  de  reserva  de  reavaliação  de  bens  ou  direitos  da  pessoa  jurídica,  exceto  se  esta  for  adicionada  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido.  §§9º e 10 (Revogados pela Lei nº 9.430, de 1996) (negrejou­se)  A autoridade  lançadora determinou a  taxa efetiva a ser utilizada no cálculo  mediante ponderação da taxa vigente em cada trimestre pelo número de dias de cada trimestre,  em relação ao total de dias do ano considerando oito casas decimais de precisão.  Em  recurso  voluntário,  a  interessada  alegou  que  o  valor  deduzido  não  se  refere  unicamente  ao  ano­calendário  de  2006,  uma  vez  que  nesta  rubrica  foram  incluídas  também as remunerações dos JCP´s que deixaram de ser distribuídos no ano­calendário 2005.  Argumenta que os limites legais se aplicam unicamente à forma de cálculo dos juros, não se  estendendo a limitar a correção dos valores que não haviam sido distribuídos, a qual  traduz  mera  adequação  do  valor  ao  longo  do  tempo  e,  por  isso,  não  representando  qualquer  vantagem a título de dedução. Acrescenta que os juros sobre o capital próprio de 2006 seriam  R$  3.746.048,57,  verificando­se  uma  pequena  diferença  em  relação  ao  valor  apurado  pelo  Fisco em razão do uso da TJLP de 7,86808219%, diferente índice divulgado no site da própria  Receita Federal do Brasil, de 7,875%.  Fl. 10061DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 49          48 Reporta­se a julgados administrativos para afirmar que a dedução dos juros é  delimitada pelo §1º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 e destaca que, como o excesso apurado pelo  Fisco decorre da  remuneração que deixou de ser distribuída no ano­calendário 2005, haveria  apenas postergação do pagamento do tributo, e porque não observado o disposto no art. 273 do  RIR/99, confirmado no Parecer COSIT nº 2/96, nulo seria o procedimento fiscalizatório.  Esta Conselheira já se manifestou acerca da dedução de juros sobre o capital  próprio correspondentes à variação da TJLP sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores,  nos  termos  do  voto  condutor  do  Acórdão  1101­000.904,  proferido  nos  autos  do  processo  administrativo nº 16327.002051/2007­16:  Diz a Lei nº 9.249/95, na redação já atualizada pela Lei nº 9.430/96:  Art.  9º A  pessoa  jurídica poderá  deduzir,  para  efeitos  da  apuração  do  lucro  real,  os  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio  líquido  e  limitados  à  variação,  pro  rata  dia,  da Taxa de  Juros de Longo Prazo  ­  TJLP.  §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  e  reservas  de  lucros,  em  montante  igual  ou  superior  ao  valor  de  duas  vezes  os  juros  a  serem  pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996)  § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de  quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.  § 3º O imposto retido na fonte será considerado:  I  ­  antecipação  do  devido  na  declaração  de  rendimentos,  no  caso  de  beneficiário  pessoa jurídica tributada com base no lucro real;  II  ­  tributação definitiva,  no caso de beneficiário pessoa  física ou pessoa  jurídica  não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º;  § 4o (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)  §  5º  No  caso  de  beneficiário  sociedade  civil  de  prestação  de  serviços,  submetida  ao  regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto­Lei nº 2.397, de 21 de dezembro  de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos  rendimentos aos sócios beneficiários.  § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto  de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento  ou crédito de juros, a  título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou  acionistas.  § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração  do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art.  202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º.  § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o  valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for  adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição  social sobre o lucro líquido. (negrejou­se)  A Fiscalização defende que a pessoa jurídica somente pode deduzir, na apuração do  lucro  tributável,  os  juros  correspondentes  à  variação  da  TJLP  aplicada  sobre  o  capital  próprio  no  período  de  referência,  ao  passo  que  a  contribuinte  afirma  seu  direito de deduzir, no momento da deliberação, também os juros correspondentes à  variação  daquela  taxa  em  períodos  anteriores,  mas  que  ainda  não  haviam  sido  contabilizados.   Fl. 10062DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 50          49 Como  se  vê,  a  lei  não  disciplina  precisamente  este  aspecto,  motivo  pelo  qual  há  diferentes  entendimentos  firmados  pelos  colegiados  deste  Conselho  acerca  deste  tema.  A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos:  IRPJ  —  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  ­  JCP  —  PAGAMENTO  ACUMULADO —  LIMITES  PARA  AFERIÇÃO  DE  DEDUTIBILIDADE —Ainda  que nada obste a distribuição acumulada de JCP ­ desde que provada, ano a ano, ter este  sido  passível  de  distribuição  ­,  para  efeitos  de  aferição  dos  limites  possíveis  de  dedutibilidade  do  encargo,  se  deve  levar  em  conta  os  parâmetros  existentes  no  ano­ calendário em que se deliberou a sua distribuição. (Acórdão nº 107­08.941, sessão de 28  de março de 2007, Relator Conselheiro Natanael Martins)  JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE ­ LIMITE TEMPORAL — O  período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  é  aquele  em  que  há  deliberação  de  órgão  ou  pessoa  competente  sobre  o  pagamento  ou  crédito  dos  mesmos,  podendo,  inclusive,  remunerar o  capital  tomando por base o valor  existente  em períodos pretéritos,  desde  que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento  ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada,  ano  a  ano,  ter  esse  sido  passível  de  distribuição­,  levando  em  consideração  os  parâmetros existentes no ano­calendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão  nº 101­96751, sessão de 29 de maio de 2008, Relator Conselheiro Valmir Sandri)  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  JCP.  DEDUTIBILIDADE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  LIMITE  TEMPORAL.  O  período  de  competência,  para  efeito  de  dedutibilidade  dos  juros  sobre  capital  próprio,  é  aquele  em  que  há  deliberação  para  pagamento  ou  crédito  dos mesmos,  podendo,  inclusive,  remunerar  o  capital  tomando  por  base  o  valor  existente  em períodos  pretéritos,  desde  que  respeitado  os  critérios  e  limites previsto em  lei  na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a  distribuição acumulada de JCP, desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de  distribuição,  levando em consideração os  parâmetros  existentes  no  ano­calendário  em  que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 1402­001.179, sessão de 11 de setembro  de 2012, Relator Conselheiro Antonio José Praga de Souza)  Na  concepção  que  orienta  estes  julgados,  os  juros  são  dedutíveis  no  período  de  apuração em que haja o pagamento ou crédito, desde que observado o limite legal  para  sua  distribuição,  e  isto  tendo  em  conta  os  parâmetros  verificados  no  ano­ calendário da deliberação. Nas palavras do I. Conselheiro Antonio José Praga de  Souza, no caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o  sócio  ou  acionista  pode  exigir  o  pagamento  do  valor  respectivo  apenas  após  a  deliberação  da  sociedade  decidindo  efetuar  o  pagamento,  fixando  os  montantes  respectivos  e  determinando  o momento  em  que  tal  pagamento  ocorrerá. Assim,  o  período  de  competência,  no  qual  o  montante  dos  juros  deve  ser  registrado  como  despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o  pagamento dos juros. E acrescenta: antes da deliberação societária no sentido de que  se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito  subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida,  não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência, posto  que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros.   A recorrente também reporta­se a manifestação do Superior Tribunal de Justiça no  julgamento do Recurso Especial nº 1.086.752­PR, de cuja ementa extrai­se:  MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO.  JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO  DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA  CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE.  I  ­ Discute­se,  nos presentes  autos, o direito ao  reconhecimento da dedução dos  juros  sobre  capital  próprio  transferidos  a  seus  acionistas,  quando  da  apuração  da  base  de  Fl. 10063DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 51          50 cálculo do IRPJ e da CSLL no ano­calendário de 2002, relativo aos anos­calendários de  1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência.  II ­ A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser  feita  no  mesmo  exercício­financeiro  em  que  realizado  o  lucro  da  empresa.  Ao  contrário, permite que ela ocorra em ano­calendário futuro, quando efetivamente  ocorrer a realização do pagamento.  III  ­  Tal  conduta  se  dá  em  consonância  com  o  regime  de  caixa,  em  que  haverá  permissão da efetivação dos  dividendos quando esses  foram de  fato despendidos, não  importando  a  época  em  que  ocorrer,  mesmo  que  seja  em  exercício  distinto  ao  da  apuração.  IV  ­  "O  entendimento  preconizado  pelo  Fisco  obrigaria  as  empresas  a  promover  o  creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro,  impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício  da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976".  V ­ Recurso especial improvido. (Relator Ministro Francisco Falcão, DJe: 11/03/2009,  julgamento em 17/02/2009)  De  outro  lado,  há  jurisprudência  administrativa  favorável  ao  entendimento  que  justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos:  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO ­ Os juros sobre o capital próprio devem ser  apropriados  com  observância  do  regime  de  competência,  com  obediência  os  limites  impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos  de  lucros acumulados ou do  exercício, na data do crédito ou pagamento.  (Acórdão nº  195­00.023,  sessão  de  20  de  outubro  de  2008,  Relator  Conselheiro  Walter  Adolfo  Maresch).  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DESPESAS  COM  PAGAMENTO  A  TITULAR,  SÓCIOS  OU  ACIONISTAS.  PERÍODOS  ANTERIORES.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  dedução  dos  valores  de  juros  pagos  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  autorizada  pela  Lei  n°  9.249/1995,  não  alcança  os  juros  pagos  em  períodos  anteriores,  em  vista  do  regime  de  competência.  (Acórdão  nº  1401­00.348,  sessão de 10 de novembro de 2010, Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto)  DESPESAS  OPERACIONAIS.  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DEDUTIBILIDADE  ­  A  remuneração  ou  não  do  capital  próprio  constitui  uma  faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendo­lhe lícito, ao decidir pela  remuneração,  apropriar  a despesa no momento que melhor  lhe  aprouver. Contudo, os  efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência.  Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins  de  dedutibilidade  deve  ser  feita  no  momento  em  que  a  despesa  com  os  juros  é  apropriada  no  resultado.  INOBSERVÂNCIA  DE  REGIME  CONTÁBIL.  INOCORRÊNCIA  ­  Não  tratando  os  autos  de  registro  em  período  diverso  ao  que  competia a despesa, ou de postergação do pagamento do imposto, descabe apreciar os  efeitos preconizados pelas normas regulamentares que disciplinam tais matérias (artigos  247  e  273  do  RIR/99).  (Acórdão  nº  1302­00.465,  sessão  de  27  de  janeiro  de  2011,  Relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães)  REGIME DE COMPETÊNCIA. Os  juros  sobre  o  capital  próprio,  como,  de  regra,  as  demais  despesas,  somente  podem  ser  levados  ao  resultado  do  exercício  a  que  competirem.  (Acórdão  nº  1201­00.348,  sessão  de  11  de  novembro  de  2012,  Relator  designado Conselheiro Marcelo Cuba Netto)  A Secretaria da Receita  também já se manifestou contrariamente ao entendimento  da recorrente, ao editar as seguintes Soluções de Consulta:  JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Sob pena de infringir o regime de competência  previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o  montante  dos  juros  sobre  capital  próprio  de  períodos  anteriores. Dispositivos  Legais:  RIR/3.000,  de  1999,  art.  347  e  IN  SRF  nº  11/1996,  art.  29.  (Solução  de  Consulta  SRRF/6a RF nº 63, de 24 de abril de 2001)  Fl. 10064DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 52          51 JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DEDUTIBILIDADE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  observância  do  regime  de  competência  é  condição  para  a  dedutibilidade dos  juros pagos ou creditados  individualizadamente a  titular,  sócios ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados  sobre  as  contas  do  patrimônio líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de  1996, art. 78; RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29. (Solução de Consulta  SRRF/9a RF nº 32, de 27 de janeiro de 2010)  Os  julgados  administrativos  contrários  à  tese  defendida  pela  recorrente  fundamentam­se  em  doutrina  que  classifica  o  registro  dos  juros  sobre  capital  próprio  como  opcional,  de  modo  a  limitar  os  efeitos  da  deliberação  de  crédito/pagamento ao período de apuração no qual auferidos os lucros distribuídos.   Enfatizando o  aspecto  defendido  pela Fiscalização,  diz Hiromi Higuchi  et  alli  em  Imposto  de  Renda  das  Empresas:  Interpretação  e  Prática  (36ª  ed.,  São  Paulo,  IR  Publicações,  2011,  p.  130),  que  “(...)  a  contabilização  no  período­base  correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio  por tratar­se de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os  juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo  de  terceiro  porque  neste,  há  despesa  incorrida,  ainda  que  os  juros  sejam  contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos).  À  semelhança  do  que  disse  a  Fiscalização,  o  referido  autor  assevera  que  a  apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o  capital  próprio  (Op.  cit.,  p.  131).  No  mesmo  sentido  é  a  manifestação  de  Edmar  Oliveira  Andrade  Filho  em  Imposto  de  Renda  das  Empresas  (3a  ed.,  São  Paulo,  Atlas, 2006, p. 240­242):  A  partir  dos  dispositivos  legais  e  regulamentares  transcritos  ou  referidos,  é  possível  inferir  que  a  dedutibilidade  de  despesa  relativa  a  juros  sobre  o  capital  próprio  está  subordinada  a  critérios  quantitativos  objetivos.  A  existência  desses  critérios,  em  princípio, não impede que uma empresa remunere, da forma como melhor lhe aprouver,  o capital de seus sócios ou acionistas.  De  fato,  a  remuneração  do  capital  dos  sócios  ou  acionistas  é  uma  faculdade  que  depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada  em  Assembléia  de  Acionistas  ou  Reunião  de  Quotistas,  ou  em  virtude  de  cláusula  estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas  jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nessa esfera as ações  são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são  delimitados  e  orientados  pelo  ordenamento  jurídico.  Portanto,  em  princípio,  uma  sociedade  pode  –  no  presente  –  deliberar  a  respeito  dos  pagamento  de  juros  sobre  o  capital  para  períodos  passados,  ou  seja,  pode  adotar  como  marco  inicial  para  a  contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizá­lo ou outro momento  qualquer.  Há  que  se  ter  presente,  todavia,  que  uma  coisa  é  a  possibilidade  jurídica  do  pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o  tratamento fiscal que  deverá  ser  dispensado  a  tais  juros.  De  fato,  como  visto,  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há  um primeiro  limite  que  diz  respeito  à  taxa  de  juros  aceita  como dedutível  e  um  outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e  além  desses  critérios  existem  dúvidas  se  tais  encargos  têm  a  sua  dedutibilidade  subordinada ou não ao regime de competência.  O  art.  29  da  Instrução Normativa  nº.  11/96  determina  que  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência, o que está correto;  o  problema  é  saber  quando  surge  a  despesa  e  quando  o  atendimento  ao  regime  de  competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em que a despesa se  torna incorrida, ou seja, quando houve a formação da relação jurídica incondicional pela  qual a pessoa jurídica torna­se devedora dos juros.  Fl. 10065DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 53          52 Pois bem, o “regime de competência” é um princípio geral que sofre recortes de várias  espécies segundo a vontade da lei.  Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em cash basis e algumas despesas  não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de  imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial de imputação temporal  dos juros sobre o capital, de modo que é  intuitivo que eles devem ser registrados  segundo o regime de competência.  Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram a  regra geral do art. 6º do Decreto­lei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decreto­lei nº.  1.598/77, as referidas leis não revogaram expressamente ou tacitamente aquele diploma  normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto no parágrafo 1º do  art.  2º  da Lei de  Introdução ao Código Civil,  segundo o qual  a  lei  posterior  revoga a  anterior  “quando  regule  inteiramente a matéria de que  tratava a  lei  anterior”. As Leis  nºs.  9.249/95  e  9.430/96,  embora  tenham  trazido  diversas modificações  na  legislação  até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e  da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de  Introdução  ao  Código  Civil,  segundo  o  qual  “a  lei  nova,  que  estabeleça  disposições  gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. As  leis, nesse caso, se entrelaçam, não se excluem.  Portanto,  é  falsa  a  conclusão  de  que  o  art.  29  da  Instrução  Normativa  nº.  11/96  padece  do  vício  da  ilegalidade.  Ela  tem  fundamento  de  validade  no  art.  6º  do  Decreto­lei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95 e  9.430/96.  Se  a  dedutibilidade  dos  juros  estivesse  subordinada  unicamente  ao  regime  de  competência,  isto  é,  se  não  existissem  limites  objetivos  a  serem  observados,  a  eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüência  porque  a  observância  –  e  a  eventual  inobservância  –  desse  regime  não  é  fator  preponderante para fins de aferição da dedutibilidade.  A observância do regime de competência surge, no caso dos  juros sobre o capital, no  momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou  acionistas.  O  que  determina  a  exigibilidade  do  pagamento  ou  do  crédito  é  a  existência  de  uma  deliberação  nesse  sentido  e  que  não  imponha  condição  suspensiva  para  o  aperfeiçoamento  do  direito  e  da  correspondente  obrigação. Antes  da  formalização  do  ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os  titulares do capital não têm nem  mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os  lucros e dividendos.  Ora,  se  os  dividendos,  que  estão  previstos  em  norma  de  ordem  pública,  não  existem  como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que  não ostentam essa mesma natureza  jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o  capital  é  uma  faculdade  e,  como  tal,  pode  ou  não  ser  exercida  pelos  próprios  sócios,  razão pela qual os  juros não decorrem de um direito  subjetivo  inerente à condição de  sócio ou acionista.  Portanto,  o  período  da  competência  do  encargo  relativo  aos  juros  sobre  o  capital  é  aquele  em  que  ocorre  a  deliberação  de  seu  pagamento  ou  crédito  de  forma  incondicional.  Sem  essa  deliberação  a  sociedade  não  se  obriga  (não  assume  a  obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta  falta de título jurídico  que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que  o  valor  dos  juros  é  imputado  ao  resultado  do  exercício  que  o  sujeito  passivo  deverá  observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de  dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os  juros  não  existe  a  despesa  ou  encargo  respectivo  e  não  há  que  se  cogitar  de  dedutibilidade de algo ainda inexistente.  O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães bem sintetiza as conclusões extraídas  deste texto, no voto condutor do Acórdão nº 1302­00.465:  Do referido texto, que acolho por inteiro, ressalto as seguintes conclusões:  Fl. 10066DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 54          53 1. a  remuneração ou não do capital próprio constitui  uma  faculdade  ínsita à esfera de  decisão  da  pessoa  jurídica,  sendo­lhe  lícito,  ao  decidir  pela  remuneração,  apropriar  a  despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de  tal decisão são ditados pela norma tributária de regência;  2.  tratando­se  de  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real,  em  razão  das  disposições do art. 6º do Decreto­Lei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência  é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem  de forma expressa em disposição de lei;  3.  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre  capital  próprio  não  se  subordina  única  e  exclusivamente  à  observância  do  regime  de  competência,  pois,  além  disso,  a  norma  tributária impõe limites objetivos;  4.  no  caso  dos  juros  sobre  o  capital  próprio,  o  regime  de  competência  surge  no  momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou  acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida;  5.  do  ponto  de  vista  estritamente  tributário,  os  juros  sobre  o  capital  próprio,  diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes  da  formalização  do pagamento ou  crédito,  visto que  eles  não decorrem de um direito  subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista;  6. nos  termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e  limites para  fins  de  dedutibilidade  deve  ser  feita  no  momento  em  que  a  despesa  com  os  juros  é  apropriada no resultado;  7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais  de  período  distinto  em  que  efetuou  o  seu  pagamento  ou  crédito,  almeja,  na  verdade,  recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores;  8.  descabe,  no  contexto  em  que  as  disposições  relativas  à  observância  do  regime  de  competência  devam  ser  interpretadas,  falar­se  em  postergação  do  pagamento  do  imposto;  9. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do Decreto­lei  nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade.  A  caracterização do  registro  de  juros  sobre  o  capital  próprio  como  faculdade  ou  opção é aspecto que  envolve,  também, a definição de  sua natureza. Luís Eduardo  Schoueri, em seu artigo Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de  Apuração  diante  da  "Nova  Contabilidade"  (in  Controvérsias  Jurídico­Contábeis  (Aproximações e Distanciamentos), 3o volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012,  p.  169/193),  aborda  a  criação  desta  dedução  em  contexto  que  facilita  a  compreensão de sua natureza:  Os juros sobre o capital próprio devem ser inseridos em contexto mais amplo, tendo em  vista que acompanharam a isenção de dividendos. Sob tal perspectiva, parece possível  ver  nos  juros  sobre  capital  próprio  uma  criativa  solução  do  legislador  brasileiro  para  enfrentar a prática da subcapitalização, ou thin capitalization.  Tal prática, que se mostrou corrente em países nos quais a distribuição de dividendos é  tributada, consiste em os  sócios de determinada sociedade, em vez de aportarem seus  investimentos  no  capital  social  da  referida  sociedade,  mantê­los  como  empréstimos.  Revela­se vantajosa na medida em que as despesas da sociedade com o pagamento dos  juros  decorrentes  de  tais  empréstimos  são  dedutíveis,  ao  passo  que  os  dividendos  distribuídos não.  Assim, em situações em que tanto os juros quanto os dividendos pagos aos sócios são  tributados,  é  mais  vantajoso  para  os  sócios  capitalizar  suas  empresas  por  meios  de  empréstimos do que por aportes no capital social, uma vez que o pagamento de juros,  diferentemente dos dividendos, é despesa dedutível da sociedade.  Para evitar a prática da thin capitalization, países como os Estados Unidos da América  estabeleceram alguns limites para a capitalização por meio de empréstimos dos sócios.  Com efeito, a legislação desses países estabeleceram diversos métodos para se constatar  Fl. 10067DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 55          54 se  a  subcapitalização  estaria ocorrendo,  a  exemplo do  limite máximo de  empréstimos  em  relação  ao  valor  do  capital  subscrito  e  integralizado;  uma  vez  constatada  a  ocorrência  da  prática,  autorizado  ficaria  o  Fisco  a  tributar  os  juros  excessivos  como  dividendos.  No Brasil, com o advento da Lei n° 9.249/1995 (produzindo efeitos para o exercício de  1996), os dividendos pagos pelas  sociedades brasileiras aos  seus  sócios ou acionistas,  pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou não no País, passaram a ser rendimentos não  tributáveis. Conforme reconhecido pela própria Exposição de Motivos do Ministério da  Fazenda que acompanhou, à época, o Projeto de Lei n° 913/1995, tratou­se de medida  de integração entre o imposto de renda da pessoa física e o imposto de renda da pessoa  jurídica, com vistas a evitar a  incidência do primeiro sobre recursos já tributados pelo  ultimo5. O tema da integração da tributação das pessoas físicas e das pessoas jurídicas,  ocupou,  nas  últimas  décadas,  estudos  e  debates  nos  Estados  Unidos  e  na  União  Européia6.  E  dizer,  pretendeu­se  eliminar,  com  tal  expediente,  a  dupla  tributação  econômica.  Conferir­se  isenção  aos  dividendos  recebidos  pelos  acionistas  ou  sócios  é  método  tradicional para evitar­se a dupla incidência econômica do  imposto, cuja adoção já foi  considerada  pelo  Departamento  do  Tesouro  norte­americano  em  estudo  sobre  os  diversos "protótipos" de integração7.  Daí encontrar­se nos juros sobre capital próprio expediente criativo para se evitar a thin  capitalization. Em  face da  isenção dos dividendos  recebidos então estabelecida,  e que  passou  a  diferenciar  o modelo  brasileiro  daquilo  que  se  encontrava,  via  de  regra,  no  direito  comparado,  a  solução  adotada  seguiu  caminho  inverso  à  experiência  internacional.  Enquanto  alhures  se  conferia  aos  juros  a  indedutibilidade  própria  de  dividendos,  o  Brasil  inovava,  permitindo  que  se  deduzissem  os  juros  sobre  o  capital  próprio, equiparando­os, portanto, ao tratamento tributário de juros propriamente ditos.  Os  "juros  sobre  o  capital  próprio"  têm  a  finalidade  de  permitir  ao  sócio  ou  acionista perceber um rendimento equivalente ao que receberia se buscasse outra  aplicação financeira de longo prazo.  Assim, consoante a disciplina do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995, a sociedade paga uma  remuneração  a  seus  acionistas  e  reconhece  o  valor  como  uma  despesa  dedutível,  abatendo­a  de  seu  lucro  tributável8.  Ao  mesmo  tempo,  tais  valores  encontram­se  sujeitos à retenção na fonte, no momento do pagamento ao acionista, à alíquota de 15%.  Desincentiva­se, pois, a capitalização das sociedades por meio de empréstimos, ou  subcapitalização, já que ela não é necessária para se conseguir a dedutibilidade dos  pagamentos  aos  sócios.  A  este  respeito,  assinalou  a  Exposição  de  Motivos  que  acompanhou o Projeto de Lei do qual derivou a Lei n° 9.249/1995:  "A permissão da dedução de juros pagos ao acionista, até o  limite proposto, em  especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas  brasileiras, capacitando­as a elevar o nível de investimentos, sem endividamento,  com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento  sustentado da economia."  [...] (negrejou­se)  Na  seqüência,  descrevendo  o  debate  existente  na  doutrina  acerca  da  natureza  jurídica dos juros sobre o capital próprio, referido autor conclui que a divergência  existente  resulta  da  tentativa  de  enquadrar  os  juros  sobre  o  capital  próprio  nas  categorias  de  Direito  Civil,  e  assume  razoável  tomá­los  como  vero  conceito  de  Direito Tributário, sem qualquer amparo em categorias do Direito Privado. Daí que:  Afastando­se  qualquer  aproximação  com  categorias  de  Direito  Privado,  há  que  se  reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9o  da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital.  O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica  de  custo  de  oportunidade,  entendida  enquanto  renúncia,  pelo  agente  econômico,  dos  benefícios  derivados  de  determinado  investimento  em  função  do  potencial  de  lucro  superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o  lucro do negócio, sob  Fl. 10068DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 56          55 uma  perspectiva  econômica,  somente  poderia  ser  apurado  se  desconsiderado  o  lucro sobre o capital.  [...]  A natureza de remuneração do capital emprestada ao instituto constante do artigo 9o da  Lei n° 9.249/1995 permite que se concretizem as exigências do princípio da igualdade e  da capacidade contributiva.  [...]  É  neste  ponto  que  se  revela,  a  partir  de  uma  perspectiva  essencialmente  tributária,  a  relevância  dos  juros  sobre  o  capital  próprio.  Tal  instituto,  ao  permitir  que  as  empresas que se valem de recursos de seus próprios sócios ou acionistas tomem a  dedutibilidade  dos  valores  pagos  enquanto  remuneração  pelo  referido  capital,  restabelece  a  igualdade  destes  em  relação  a  contribuintes  que,  com  igual  capacidade econômica, façam uso de capital emprestado por terceiros.  [...]  Em  síntese,  por  meio  dos  juros  sobre  capital  próprio,  assegura­se  igual  tratamento  tributário à atividade empresarial, afastando­se a diferenciação por conta da origem de  seu capital (próprio ou de terceiros).  Do  ponto  de  vista  do  investidor,  também,  se  concretiza  a  igualdade,  naquilo  que  se  equiparam  ambas  as  situações. Se  é  verdadeira  a premissa de que do  lucro  obtido na  atividade  empresarial,  uma  parte  corresponde  à  remuneração  do  capital  e  outra,  à  atividade produtiva, então não há razão para a remuneração do capital proveniente  de aplicações financeiras ter tratamento diferente daquele mesmo capital investido  na empresa. Daí a tributação exclusiva na fonte. [...]  Tais  considerações,  intimamente  relacionadas  com o  conceito  econômico  de  custo  de  oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração  dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que  é  dedutível.  E  dizer,  do  ponto  de  vista  tributário,  a  situação  apresenta­se  tal  qual  como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta,  recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao  que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (negrejou­se)  Abordando  a  questão,  expõe  Alberto  Xavier,  em Natureza  Jurídico­Tributária  dos  “Juros  sobre Capital  Próprio”  face  à  Lei  Interna  e  aos Tratados  Internacionais  (in  Revista Dialética de Direito Tributário, nº 21, Junho de 1997, p. 7/11), que o “juro  sobre capital próprio” outra coisa não é que um resultado distribuível da companhia  sujeito a regime fiscal especial” e “opcional”. E acrescenta:  Se os  lucros  efetivamente distribuídos  ou  capitalizados  não  excederem o duplo  limite  atrás  referido,  a  sua  totalidade  pode  beneficiar­se  da  dedução  fiscal,  muito  embora  o  contribuinte possa optar por submeter apenas parte ao regime de dedutibilidade, ficando  a  outra  parte  sujeita  ao  regime  comum.  Se  os  lucros  efetivamente  distribuídos  ou  capitalizados excederem o duplo  limite,  só poderão beneficiar da dedução  fiscal  até o  referido limite, ficando no remanescente sujeitos ao regime tributário geral.  Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercê­la ao final do  período  de  apuração,  é  razoável  afirmar  que  a  sociedade,  por  não  segregar  o  resultado  comum  de  sua  atividade  daquele  que  seria  atribuível  à  utilização  do  capital  dos  sócios,  designou  integralmente  o  lucro  apurado  como  remuneração  deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de  reservas  de  lucros  ou  lucros  acumulados  para  posterior  distribuição.  Em  conseqüência, a destinação destes  lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se  dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital  próprio.  Conclui­se, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem  ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada  pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado:  Fl. 10069DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 57          56  Art.  192.  Juntamente  com  as  demonstrações  financeiras  do  exercício,  os  órgãos  da  administração  da  companhia  apresentarão  à  assembléia­geral  ordinária,  observado  o  disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao  lucro líquido do exercício.  É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no  momento  em  que  formalizada  a  obrigação  de  pagá­los  em  favor  dos  sócios.  Contudo,  a  constituição  de  obrigação a  este  título  somente  é  possível  enquanto  a  sociedade  tem  o  direito  de  destacar  do  resultado  do  exercício  a  parcela  que  corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no  período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e  destinados,  integralmente,  ao  patrimônio  líquido  da  entidade,  a  opção  não  pode  mais ser exercida.   Esclareça­se,  ainda, que o  fato de a  remuneração do capital  próprio por meio de  juros  atribuídos  aos  sócios  ter  seus  limites  estabelecidos,  também,  em  função  do  montante  de  lucros  acumulados  no momento  da  deliberação,  não  significa  que  o  cálculo  dos  juros  podem  considerar  períodos  de  apuração  anteriores,  cujos  resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no  período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício  correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem  este pagamento.   Inadmissível,  assim,  a  redução  dos  lucros  apurados  no  ano­calendário  2005  em  razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração  distinto  daquele  ao  qual  se  refere  os  lucros  que  se  pretendeu  destinar  à  remuneração de capital.  Pertinente observar que, neste  contexto, não há que se  falar  em inobservância do  regime  de  escrituração,  e  de  eventual  antecipação  de  pagamento  dos  tributos  incidentes sobre o lucro. A tributação foi devida no passado porque a sociedade não  optou  por  destacar  parte  da  base  de  cálculo  como  juros  sobre  capital  próprio,  e  assim  descaracterizá­la  como  lucro.  Como  bem  observou  o  Conselheiro  Wilson  Fernandes Guimarães no voto condutor do Acórdão nº 1302­00.465:  As disposições dos artigos 247 e 273 do RIR/99, não custa repisar, não guardam relação  com  a  matéria  submetida  a  exame,  eis  que  não  estamos  diante  nem  de  valores  que  competem a outro período de apuração nem de postergação de pagamento de imposto.  Despicienda,  assim,  a  análise  dos  efeitos  decorrentes  da  aplicação  dos  dispositivos  acima mencionados.  No que diz respeito ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, cabe, apenas,  destacar a ausência de efeito vinculante.   Diante  do  exposto,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário.  Considerando que, a partir dos documentos de fls. 3055/3061, cogitou­se que  na conta de despesa de juros sobre capital próprio teriam sido apropriadas não só as parcelas  mensais  que  resultariam  no  total  alegado  de  R$  3.746.048,57,  como  também  acréscimos  mensais que corresponderiam a correção monetária pela variação do CDI aplicada sobre a base  de  cálculo de R$ 3.256.818,30,  referente  a  juros  s/  capital  próprio  creditados até 12/2005 e  não pagos aos acionistas,  a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de  Julgamento  acolheu a proposta desta Relatora em favor da conversão do julgamento do recurso voluntário  em diligência para que se verificasse, com referência à infração sob análise, se ao final do ano­ calendário  2005  foi  provisionado  o  montante  de  R$  3.256.818,30  a  título  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  não  se  verificando  o  pagamento  desta  dívida  até  o  final  do  ano­calendário  2006 (Resolução nº 1101­000.104).  Fl. 10070DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 58          57 A  contribuinte  apresentou  os  registros  da  conta  "Juros  sobre  o  Capital  Próprio"  e  a  Fiscalização  informou  ter  constatado  no  Livro  Razão  que  não  foi  escriturado  provisão a título de juros sobre o capital próprio, nem o respectivo pagamento desta provisão  durante o ano de 2006. Cientificada do Termo de Encerramento de Diligência, a contribuinte  nada opôs a estas constatações.   Conclui­se,  daí,  que  o  excedente  glosado  pela  Fiscalização  não  decorre  de  juros  sobre  o  capital  próprio  provisionados  por  ocasião  da  destinação  do  lucro  do  ano­ calendário  2005.  É  possível  que  seu  cálculo  tenha  tomado  por  referência  o  capital  próprio  daquele período passado, e até mesmo observado os limites fixados no §1º do art. 9º da Lei º  9.249/95  para  seu  creditamento/pagamento  em  2006,  mesmo  quando  somados  aos  juros  calculados  sobre  o  capital  próprio  do  ano­calendário  2006.  Todavia,  como  consignado  nas  razões  de  decidir  integradas  ao  voto  condutor  do  Acórdão  nº  1101­000.904,  quando  a  contribuinte,  em  2005,  deixou  de  segregar  o  resultado  comum  de  sua  atividade  daquele  atribuível à utilização do capital dos sócios, provisionando os juros sobre o capital próprio que  poderiam  ser  a  eles  pago  em  razão  da  variação  da  TJLP  naquele  período,  ela  destinou  integralmente o  lucro apurado como remuneração do capital, e  limitou o direito dos sócios à  distribuição de dividendos.  Inadmissível, assim, deduzir do resultado do ano­calendário 2006  parcela  que  deveria  ter  sido  destacada  no  momento  da  destinação  do  resultado  do  ano­ calendário 2005.  E, como também exposto nas razões de decidir  integradas ao voto condutor  do Acórdão nº 1101­000.904, não se trata, aqui, de inobservância do regime de escrituração ou  de eventual antecipação de pagamento dos  tributos  incidentes sobre o  lucro. A  tributação foi  devida  no  ano­calendário  2005  porque  a  sociedade  não  optou  por  destacar  parte  da  base  de  cálculo como juros sobre capital próprio, e assim descaracterizá­la como lucro. Por sua vez, ao  pretender fazê­lo, quando não mais podia, em 2006, incorreu na redução do lucro deste período  por  parcela  cuja  dedução  se  tornou  impossível  desde  a  destinação  do  lucro  de  2005.  Inaplicáveis, portanto, os dispositivos legais e normativos que regulam a forma de lançamento  frente à postergação decorrente da inobservância do regime de competência.   Resta,  assim,  apenas  apreciar  a  justificativa  da  recorrente  para  a  diferença  entre a parcela considerada dedutível pela Fiscalização (R$ 3.742.757,85) e o valor dos juros  sobre o capital próprio que a  recorrente afirmou correspondente à variação da TJLP no ano­ calendário  2006  (R$  3.746.048,57).  Conforme  demonstrativos  de  fl.  3045,  a  contribuinte  apurou este último montante mediante aplicação do percentual de 7,8750% sobre o patrimônio  líquido  de R$  47.658.870,76. A  autoridade  fiscal  também  toma  por  referência  este  valor  de  patrimônio  líquido, mas  considerando  os  valores  da  TJLP  anual  divulgados  trimestralmente  pelo Banco Central do Brasil, determinou as taxas efetivas ponderando a taxa vigente em cada  trimestre pelo número de dias de cada trimestre, em relação ao total de dias do ano. A taxa  anual representou 7,86808219% a partir do seguinte cálculo:    Fl. 10071DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 59          58 A  recorrente  aduz  que  o  percentual  de  7,8750%  é  apurado  a  partir  de  informações do sítio da Receita Federal na Internet, no qual a TJLP é apresentada mensalmente  (fl. 3055). À fl. 3053 apresenta um cálculo complexo da TJLP de janeiro/2006 (0,7500%), mas  cujo valor é equivalente, simplesmente, à divisão da TJLP do 1º trimestre/2006 (9%) pelos 12  meses  do  ano.  Evidencia,  desta  forma,  que  a  TJLP mensal  apresentada  no  sítio  da  Receita  Federal corresponde à divisão da TJLP anual do trimestre por 12 (doze), e que a soma daquelas  TJLP mensais totaliza 7,8750% no ano­calendário 2006.  Ocorre que a lei, ao estabelecer que os juros devem ser calculados segundo a  variação, pro  rata dia,  da Taxa de  Juros  de Longo Prazo  ­ TJLP,  determina,  apenas,  que o  cálculo  assim  se  faça  em  relação  ao  saldo  das  contas  de  patrimônio  líquido,  ou  seja,  considerando  as  alterações  ocorridas  ao  longo  do  período  de  apuração,  acréscimos  e  decréscimos,  de  forma  a  limitar  os  juros  ao  período  em  que  o  capital  próprio  integrou  o  patrimônio da pessoa jurídica. Em outras palavras, se houve um aumento de capital em 12 de  setembro do ano­calendário, os juros serão calculados tendo em conta a variação da TJLP do  dia 12 de setembro até o dia 31 de dezembro.   No presente caso, porém, não há qualquer discussão acerca de alterações nos  saldos  das  contas  de  patrimônio  líquido  ao  longo  do  ano­calendário.  Os  cálculos  da  Fiscalização e da contribuinte partem do mesmo referencial, qual seja, o  saldo das contas do  patrimônio líquido em 31/12/2005 (R$ 47.658.870,76). Assim, os juros sobre o capital próprio  deveriam ser calculados pela variação cheia da TJLP ao longo do ano­calendário 2006.   A definição deste percentual,  porém,  exige que  antes  se  classifique  a TJLP  como uma  taxa de  juros simples ou compostos, pois, neste segundo caso, a  taxa mensal, por  exemplo,  seria  definida  extraindo­se  a  raiz  12  (doze),  ao  passo  que  no  primeiro  caso  a  taxa  mensal seria obtida mediante a divisão da taxa anual por 12 (doze).  A TJLP foi instituída pela Medida Provisória nº 684/99, convertida na Lei nº  9.365/96, e do art. 1º da referida lei extrai­se que a taxa tem vigência no trimestre­calendário  subsequente à sua divulgação e é influenciada, especialmente, pela meta de inflação calculada  pro rata para os doze meses seguintes ao primeiro mês de vigência da taxa. Assim, no último  dia útil do trimestre anterior, o Conselho Monetário Nacional estima a TJLP dos próximos 12  meses, mas com vigência apenas durante o trimestre subsequente, até ser substituída por nova  estimativa da TJLP anual.  Evidências  de  que  a  TJLP  teria  natureza  de  juros  compostos  estiveram  presentes Circular BACEN nº  2.722/96,  hoje  revogada  pela Circular nº  3491/2010. Referido  normativo estabelecia as condições para remessa de juros a investidores estrangeiros a título  de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados  sobre  as  contas  do  patrimônio  líquido,  bem  como  registro  de  participações  estrangeiras  nas  capitalizações  desses  juros,  e  exigia,  por  ocasião da remessa de  tais  juros a  investidores estrangeiros, a apresentação de demonstrativo  no qual a TJLP pro rata dia era assim calculada:  DADOS DA TJLP   B ­ TJLP ANUAL PERCENTUAL RELATIVA AO TRIMESTRE   b. 1 ­ (Dez/ a Fev/ ): __,__   b. 2 ­ (Mar/ a Mai/ ): __,__   b. 3 ­ (Jun/ a Ago/ ): __,__   Fl. 10072DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 60          59 b. 4 ­ (Set/ a Nov/ ): __,__   C  ­  FATOR  DE  ACUMULAÇÃO  MENSAL  DA  TJLP  ANUAL  RELATIVA  AO  TRIMESTRE   c. 1 ­ (Dez/ a Fev / ): [1+(b.1/100)]1/12= _,____   c. 2 ­ (Mar/ a Mai/ ): [1+(b.2/100)]1/12= _,____   c. 3 ­ (Jun/ a Ago/ ): [1+(b.3/100)]1/12= _,____   c. 4 ­ (Set/ a Nov/ ): [1+(b.4/100)]1/12= _,____   D  ­  FATOR  DE  ACUMULAÇÃO  PARA  PERÍODO  INFERIOR  A  UM  MÊS  DA  TJLP ANUAL RELATIVA AO TRIMESTRE   d. 1 ­ (Dez/ a Fev/ ): (c.1)d/n = _,____   d. 2 ­ (Mar/ a Mai/ ): (c.2)d/n = _,____   d. 3 ­ (Jun/ a Ago/ ): (c.3)d/n = _,____   d. 4 ­ (Set/ a Nov/ ): (c.4)d/n = _,____   E  ­  FATOR  DE  ACUMULAÇÃO  DA  TJLP  PRO  RATA  DIA  NO  PERÍODO  DE  PAGAMENTO (__.__.__ a __.__.__): _,____   F  ­  TJLP  PRO  RATA  DIA  RELATIVA  AO  PERÍODO  DE  PAGAMENTO:(E­ 1)=__,____   Por  sua  vez,  nas  instruções  de  preenchimento  veiculadas  na  Circular  nº  2.722/96 constava:  B  ­  Indicar  as  TJLPs  anuais  percentuais  divulgadas  trimestralmente  por meio  de  Comunicado pelo Banco Central do Brasil correspondentes aos trimestres sobre os  quais será calculada a remuneração.   C  ­  Informar  os  resultados  dos  cálculos,  efetuados  mediante  aplicação  das  respectivas fórmulas, utilizando­se 4 (quatro) casas decimais.   D ­ Se for o caso, informar o resultado do cálculo para período inferior a um mês  completo, valendo­se do número de dias a serem capitalizados (d) e do número de  dias corridos do mês correspondente (n), utilizando­se 4 (quatro) casas decimais.   E ­ O fator de acumulação da TJLP pro rata dia no período de pagamento será o  resultado do produto dos fatores de acumulação mensais ou diários, se for o caso,  das TJLPs correspondentes aos meses ou dias do período em que está sendo paga a  remuneração, utilizando­se 4 (quatro) casas decimais.   F  ­  Indicar  a  TJLP  pro  rata  dia,  a  ser  obtida  a  partir  da  fórmula  expressa,  utilizando­se 4 (quatro) casas decimais.  Como  se  vê,  o  cálculo  era  exponencial,  partindo  da  premissa,  portanto,  de  que a TJLP representaria juros compostos.   Já  a  TJLP mensal  divulgada  pela  Receita  Federal  é  claramente  apurada  de  forma  linear, mediante divisão da taxa trimestral por doze. Ressalte­se, porém, que a taxa de  juros assim divulgada destina­se ao cálculo de tributos em atraso, inseridos em parcelamentos  especiais, e não se vincula a qualquer orientação de cálculo de juros sobre o capital próprio.  No  cálculo  da  exigência  fiscal,  a  autoridade  lançadora  concebeu  a  TJLP  como uma  taxa de  juros  simples e,  considerando as  taxas anuais vigentes em cada  trimestre,  também definiu  linearmente  as  taxas de  cada  trimestre a partir  da  taxa  anual divulgada pelo  Fl. 10073DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/2008­20  Acórdão n.º 1302­001.785  S1­C3T2  Fl. 61          60 Conselho  Monetário  Nacional,  mas  tendo  em  conta  não  a  quantidade  de  meses,  e  sim  a  quantidade de dias nos meses e, por consequência, nos trimestres.   A  questão,  contudo,  é  que  o  fundamento  da  autoridade  fiscal  para  assim  proceder é a referência à variação, pro rata dia, contida no art. 9º da Lei nº 9.249/95, e esta  não é a finalidade da menção assim inserida na norma legal. O objetivo da norma, claramente,  é  limitar os juros ao período no qual o capital próprio esteve disponível à pessoa jurídica. E,  embora nos termos antes expostos fosse possível questionar a TJLP aplicada pela contribuinte,  o fato é que não foi este o direcionamento adotado pela autoridade lançadora.   Por tais razões, a acusação fiscal não se presta a impedir a dedutibilidade da  parcela de R$ 3.746.048,57, demonstrada pela  recorrente como referente à variação da TJLP  no ano­calendário 2006. A glosa subsiste, apenas, sobre a parcela excedente (R$ 4.219.239,77 ­  R$  3.746.048,57  =  R$  473.191,20),  que  permanece  vinculada  à  variação  da  TJLP  no  ano­ calendário 2005 e é, pelas razões antes expostas, indedutível.  Logo,  deve  ser  DADO  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  para manter a glosa de juros sobre o capital próprio, mas no montante de R$ 473.191,20.  Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições  de  nulidade  do  lançamento  e,  no  mérito,  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário para reduzir a glosa de perdas a R$ 4.420.487,30 e a glosa de juros sobre o capital  próprio a R$ 473.191,20.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                              Fl. 10074DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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