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Numero do processo: 10480.722273/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 73 /2 00 9- 53 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão nº 1134.175, da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que bem sintetiza os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Da Autuação Em desfavor da contribuinte, acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 04 a 08, relativamente ao anocalendário 2004, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 122.080,19, juros de mora no valor de R$ 69.146,21 e multa no valor de R$ 137.340,21, sendo o total do crédito tributário lançado no valor de R$ 328.566,61, conforme se especificado à fl. 03. Conforme informado pela fiscalização, na Descrição dos Fatos, às fl. 06/08, o Auto de Infração foi lavrado em função da constatação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Na realidade, o procedimento fiscal foi iniciado, diante da constatação de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. A Contribuinte foi intimada para apresentar comprovação da origem dos valores creditados em suas contas correntes, relativamente ao período 2004. Solicitouse que a contribuinte especificasse, mediante documentação hábil e idônea, a natureza da atividade profissional que ensejou os depósitos efetuados nas contas bancárias. Remeteuse RMF – Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira ao Banco do Brasil e ao Bradesco, com o fito de se conseguir os extratos bancários do contribuinte, tendo as instituições financeiras apresentado os extratos solicitados, de 2004. Como a Interessada, intimada, não apresentou quaisquer documentos comprobatórios, que viessem a justificar a origem dos valores depositados, foi lavrado o presente AI, com base na documentação disponibilizada pelos bancos. A Autoridade Fiscal anexou aos autos planilha especificando, mês a mês, os valores tributáveis (rendimentos omitidos). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/200953 Acórdão n.º 2202003.183 S2C2T2 Fl. 236 3 Da Impugnação Cientificada do Auto de Infração, em 28/10/2009, a Contribuinte apresentou a impugnação, de fl. 159/181, em 26/11/2009, distribuindo suas alegações em três fases distintas: procedimentos formais, tributação sobre depósitos de origem não comprovada e inconstitucionalidade da multa aplicada. Com maior especificidade, argumentou: 1. ser ilegal a RMF – Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira emitida. A RMF, emitida em 05/2009, de n.° 04.1.01.002009000291, seria desnecessária, uma vez que a RFB já dispunha de seus dados bancários, por de meio de RMF anterior, de 09/2008. Acredita que a única justificativa condizente seria o fato de a Auditora ter reconhecido algum vício praticado na RMF anterior e tentou sanar o insanável, ou seja, ela resolveu quebrar novamente o sigilo para o qual já tinha sido quebrado. Questiona o motivo pelo qual o relatório da solicitação de RMF (primeira) não foi anexado ao processo. Caberia à fiscal justificar as razões que caberiam ao caso concreto. O relatório deveria ser o meio para a motivação da solicitação da RMF; 2. salienta ser o princípio da motivação como essencial ao processo administrativo. No regime processual da Lei n.° 9.784/1999, determinouse que "a administração tem o dever de expressamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações e reclamações, em matéria de sua competência". Da mesma forma, os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram. Transcreve a legislação e doutrina pertinentes, afirmando que o vício de um ato anterior contamina o posterior; 3. questiona a nova solicitação de RMF, pois, se a fiscalização já dispunha de seus dados bancários referentes aos anos de 2003 e 2004, não haveria necessidade de solicitar novamente uma informação de que já dispunha. Poderia, então, ser pelo fato de que inicialmente os seus dados terem sido obtidos de uma forma ilegal e para remendar o erro cometido. Citando e transcrevendo a legislação sobre o tema, afirma não se enquadrar nas hipóteses previstas no inciso XI, do Decreto 3.724/2001; 4. questiona o fato de a Fiscalização ter emitido relatório da segunda RMF, sem deixar claro que existia uma RMF anterior. Como a nova RMF seria emitida por Autoridade Administrativa (Delegado) diverso, acredita que a nova Autoridade não assinaria a nova RMF, ante a existência de informações já repassadas pelas instituições financeiras à RFB; 5. existência de afronta a um dos Princípios aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal Federal, ou seja, o Princípio da Proibição de Prova Ilícita e ilegítima. Colaciona textos doutrinários sobre o tema, assim como cita decisão judicial. Também apresenta excertos da jurisprudência administrativa e transcreve dispositivos constitucionais. Cita decisão judicial (STJ) que considerou ilegal a apreensão de livros e documentos pela fiscalização, no escritório do contribuinte; 6. o ordenamento jurídico, ao vedar a produção de provas ilícitas, preocupouse verdadeiramente com os direitos fundamentais da pessoa humana, declarados como tais no texto constitucional vigente. Qualquer desrespeito à questão é uma afronta à dignidade da pessoa humana, fundamento primordial da República Federativa do Brasil e alicerce de nossa ordem políticojurídica; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 7. verificase a quebra ilegal do seu sigilo fiscal, por meio da RMF ilegal. Tal fato não merece prosperar, devendo ser anulado respeitando assim as disposições legais. Traz doutrina, a respeito; 8. insurgese contra a tributação sobre os depósitos bancários efetuados em sua conta. Tal fato não merece prosperar, tendo em vista que não ocorreu a disponibilidade econômica sobre tais depósitos. Não cabe cogitarse da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária. Ausente de substrato legal, de há muito vêm sendo anulado pelo Poder Judiciário, procedimentos que se baseiam única e exclusivamente em extratos bancários. Transcreve dispositivos legais e excertos da jurisprudência, além de material doutrinário. Em nenhum momento, a Fiscal Autuante demonstrou que os depósitos acarretaram acréscimo de bens ou direitos. No que se refere aos depósitos bancários, frisase que os mesmos foram repassados pelo seu pai, que já teve a tributação junto às fontes pagadoras; 9. para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, não bastando a simples presunção. Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não se constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida; 10. citando a doutrina e colacionando entendimentos jurisprudenciais, insurgese contra a aplicação da multa de 75%, por ser inconstitucional, tendo efeito confiscatório, afrontando o disposto no art. 150, da CF/88. Por fim, requer que seja declarada a nulidade do Auto de Infração ora questionado, pelos vícios processuais e meritórios trazidos nesta impugnação. É o relatório. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) DRJ/REC julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. A constatação de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza omissão de rendimentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/200953 Acórdão n.º 2202003.183 S2C2T2 Fl. 237 5 Exercício: 2005 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. NÃO CONFISCO. Respeitado está o princípio constitucional do não confisco, em matéria tributária, quando a multa lavrada está lastreada em Lei, que se encontra vigente e eficaz até que seja revogada ou tenha sua inconstitucionalidade declarada pelo órgão que detém o poder para tal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 30/04/2012 (fl. 209), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/05/2012 (fls. 210 a 231), no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Recorrente alega preliminarmente ser ilegal a RMF Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira n.° 04.1.01.002009000291 emitida em 05/2009, uma vez que a RFB já dispunha de seus dados bancários, por meio de RMF anterior, de 09/2008. Aponta a existência de afronta ao princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Não há qualquer óbice legal em se requisitar informações financeiras de um contribuinte, quando estiverem preenchidos os requisitos legais, independentemente de ter ocorrido uma outra ação fiscal em momento anterior. Tratase de procedimentos fiscais distintos, relativos a exercícios financeiros distintos. A alegada ausência de relatório na emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) em procedimento fiscal anterior não tem o condão de invalidar a regular emissão de RMF em uma nova ação fiscal. Ressaltese que o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários. Como não os apresentou, a autoridade fiscal emitiu a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), dentro dos ditames legais. Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a transferência de sigilo bancário das instituições financeiras para a Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/200953 Acórdão n.º 2202003.183 S2C2T2 Fl. 238 7 procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, data de publicação: 03/06/2014, relator Rafael Pandolfo, redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.96, data de publicação: 28/05/2014, relatora Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, data de publicação: 13/02/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia ). A Recorrente também se insurge contra a tributação sobre os depósitos bancários efetuados em sua conta, argumentando que o lançamento não merece prosperar, tendo em vista que não ocorreu a disponibilidade econômica sobre tais depósitos. Afirma que não cabe cogitar da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária. Não lhe assiste razão, pois a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Quanto à alegação da Recorrente de que os depósitos bancários, por si só, não representam rendimentos, pois a Fiscalização não demonstrou acréscimo de bens ou direitos, não há dúvida de que essa tese já está superada. Essa argumentação não se sustenta desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois a Recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Da multa de ofício aplicada A Recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.722273/200953 Acórdão n.º 2202003.183 S2C2T2 Fl. 239 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação da Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16327.720362/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 01/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 Concomitância não evidenciada nos autos. Não há coincidência de causa de pedir (motivos). Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3101-001.826
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a concomitância, com retorno dos autos à DRJ para nova decisão. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adolpho Bergamini.
Nome do relator: José Henrique Mauri redator ad hoc
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Não há coincidência de causa de pedir (motivos). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a concomitância, com retorno dos autos à DRJ para nova decisão. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adolpho Bergamini. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Valdete Aparecida Marinheiro - Relatora José Henrique Mauri - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini, Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 465 2 Relatório Trata-se de autos de infração lavrados contra a contribuinte, entidade seguradora, para a constituição de crédito tributário relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos respectivos valores de R$ 55.629.748,75 (fl. 211) e R$ 9.617.846,17 (fl. 232), já acrescidos de juros de mora calculados até 28/02/2011 e multa de ofício de 75%, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2006, 2007 e 2008. Nos “Termos de Verificação Fiscal” relativos à Cofins, de fls. 196/199, e da Contribuição para o PIS, de fls. 216/219, a autoridade fiscal relata, em síntese, que em razão do julgamento pelo E. Supremo Tribunal Federal do RE 459210 (autos do MS n° 004279824.1999.403.6100, antigo n° 1999.61.00.0427983), a fiscalizada obteve provimento para não se sujeitar à aplicação do §1°, do artigo 3o, da Lei n° 9.718/98, restando preservada no caput do citado artigo, a definição de faturamento como sendo a receita bruta da pessoas jurídica, assim entendido como o resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, no contexto das atividades empresariais típicas exercidas pelo contribuinte. Baseando-se na decisão judicial e no Parecer PGFN/CAT n° 2.773/2007, o autuante entendeu que as receitas de seguros e financeiras integram a base de cálculo do PIS e da Cofins, em razão de se tratarem de rendas decorrentes de atividades de empresa seguradora e, como tais, classificáveis como receitas operacionais. Concluiu a autoridade administrativa que a Impugnante dispõe de provimento mandamental permissivo para a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS, tão-somente, das receitas não operacionais, não tendo sido contemplada pelo referido provimento a dedução de quaisquer outras receitas operacionais. Diante disso, lavrou o auto de infração ora impugnado, apurando as bases de cálculo e valores devidos a titulo de PIS e de COFINS em conformidade com as obrigações tributárias previstas no artigo 2o da Lei n° 9.718/98, bem como no Decreto n° 4.524/2002. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº.. 1632.718 de fl. 337 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006,31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA Fl. 465DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 466 3 A propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda, importa em renúncia ao poder de recorrer às instâncias administrativas quanto à matéria coincidente. LANÇAMENTO. INFORMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ERRO MATERIAL. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA. A alegação de erro material em informações prestadas pelo contribuinte que deram causa ao lançamento deve ser demonstrada com elementos documentais do equívoco cometido, sendo insuficiente a mera indicação, do valor que entende correto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho de Recursos Fiscais através de procurador, onde alega, em suma: I – Da Base de cálculo do PIS e da COFINS – Entendendo que a matéria ainda pendente de discussão judicial restringe-se ao destino dos depósitos judiciais efetuados nos autos do MS nº. 1999.61.00.0427983 à título de prêmios, ou seja, a Recorrente insurge-se contra à pretensão da União para que os depósitos judiciais sejam convertidos em renda integralmente sem levar em conta os efeitos da anistia veiculada pela Lei nº. 11.941/09, conforme certidão de objeto e pé inclusa (doc7). Também, entende equivocado o entendimento adotado pelas orientações contidas no Parecer PGFN/CAT nº. 2.773/2007 no sentido de que devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras. II – Das exclusões – de sinistros pagos em setembro de 2007 e Provisão Complementar de Prêmios de dezembro de 2007; III – Do Pedido – requer a reforma da decisão recorrida para o cancelamento do AI em questão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo. Conforme o relatado, verifica-se a existência de uma ação judicial iniciada pela Recorrente para discutir a abrangência da base de cálculo do PIS/COFINS, com relação as suas receitas operacionais e não operacionais, dentre elas as receitas financeiras e as de prêmio de seguros. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 467 4 Observa-se que quanto as receitas de prêmio de seguros, a Recorrente desistiu da discussão e ainda existe a pendência quanto a conversão dos depósitos em renda da União observando os benefícios de um parcelamento anistiado. Assim, quanto à existência de concomitância apurado pela decisão recorrida, não encontro reparos e para tanto, vou repetir trechos do voto condutor da decisão recorrida, que entendo esclarecedor e merece ser destacado, ou seja: A presente ação de fiscalização iniciou-se com o termo de fl. 13, em que a contribuinte foi intimada, em 1º/02/2011, a apresentar: cópias do razão do subgrupo 361 – receitas financeiras; demonstrativos das bases de cálculos do PIS e da Cofins do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008; valores dessas contribuições declaradas em DCTFs, balancetes mensais desse período e,em relação ao Mandadeo de Segurança nº 1999.61.00.0427983, todas as peças necessárias à compreensão da situação processual, inclusive o agravo nº. 2010.03.00.0160043; pedido de desistência da ação mandamental, se houver, em razão de adesão à anistia ou parcelamento da Lei nº. 11.941/2009, informando se tal pedido foi homologado por sentença. Em resposta à intimação feita em 1º/02/2011, a contribuinte informou que requerera, em 09/11/2009, a conversão parcial dos depósitos judiciais com os benefícios da anistia fiscal trazida pela Lei nº. 11.941/2009 até o montante necessário à integra da extinção da obrigação tributária da contribuição para o Pis e da Cofins incidentes sobre as receitas de prêmios, conforme manifestação de fls. 15/16. Dentre as peças judiciais acostadas aos autos e das informações do autuante, verifica-se que a contribuinte é entidade seguradora e impetrou o Mandado de Segurança nº. 1999.61.00.0427983 (004279824.1999.4.03.6100) contra o titular da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, com a finalidade de afastar as exigências contidas nos artigos 2º, 3º e 8º e seus parágrafos da Lei nº. 9718/98 e, assim, autorizá-la a recolher a contribuição para o PIS com a base de cálculo consoante o disposto na Lei Complementar nº. 07/70 e, no tocante à Cofins, de acordo com as disposições contidas na Lei Complementar nº. 70/91. Pediu, ainda, autorização para compensar os valores recolhidos indevidamente a partir de janeiro de 1999 com as prestações vincendas da Contribuição Social sobre o Lucro. Vitoriosa em primeira instância, a sentença favorável à impetrante foi reformada pelo Colendo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, motivando a contribuinte a interpor Recurso Especial e Extraordinário da decisão colegiada, tendo efetuado depósitos integrais dos valores em discussão e, mediante a Medida Cautelar Inominada nº. 2004.03.00.0003004, obteve medida liminar para “suspender a exigibilidade dos valores que deixaram de ser recolhidos por força da liminar e sentença concessiva da segurança, relativos às diferenças decorrentes da aplicação parcial do disposto no art. 3º da Lei nº. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 468 5 9.718/98, ou seja,somente no que tange à ampliação da base de cálculo do PIS e COFINS, até que seja proferido o juízo de admissibilidade do recurso excepcional interposto pela requerente”. O Egrégio Supremo Tribunal Federal deu provimento parcial ao Recurso Extraordinário nº. 459.210 (autos do MS n° 004279824.1999.403.6100, antigo n° 1999.61.00.0427983),em ordem a afastar, considerada a base de cálculo do PIS e da Cofins, a aplicação do §1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, transitando em julgado o acórdão em 13/03/2006 que, por sua vez, determinou a sorte do Especial nº. 710.036SP, cujo seguimento foi negado pela relatora e confirmado pela Colenda Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça. O autuante efetuou o lançamento da diferença entre os valores dos débitos declarados em Dctf’s a título de contribuição para o PIS e Cofins e aqueles que, de acordo com o julgamento do Supremo Tribunal Federal e o Parecer PGFN/CAT n° 2.773/20 07, entendeu serem devidos. Sucede que um dos pontos controvertidos da presente discussão administrativa também está sendo discutida na fase executiva da ação mandamental, uma vez que a impetrante insurgiu-se com a pretensão da União para que os depósitos judiciais fossem convertidos em renda integralmente, sem levar em consideração os efeitos da anistia veiculada pela Lei nº. 11.941/2009 e a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras, de acordo com as orientações do Parecer PGFN/CAT n° 2.773/2007, consoante indicam as petições e decisões judiciais acostados aos autos de fls. 40/95, 138/193 e 326/336. Tendo em vista o princípio constitucional da unidade de Jurisdição, em relação à possibilidade ou não de incluir as receitas financeiras na base de cálculo das presentes exações, a Receita Federal deverá observar a decisão final do Poder Judiciário a ser proferida no âmbito da fase de execução da ação mandamental. Assim, de acordo com o Ato Declaratório Normativo nº. 3, de 14/02/1996 (DOU de 15/02/1996) da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, o recurso interposto em relação a esta matéria deve ser considerado como desistido pelo contribuinte e o respectivo lançamento, definitivamente constituído na esfera administrativa..” Assim, por tais razões acima exposta, não conheço do recurso voluntário nessa parte por reconhecer, também, a concomitância, com base na Súmula do CARF nº. 01 que dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 468DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 469 6 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto as exclusões, ou seja dos sinistros pagos em setembro de 2007 e Provisão Complementar de Prêmios de dezembro de 2007, primeiro, trata-se de erro ou equívoco da Recorrente nas informações por ela inicialmente apresentadas, segundo que o que se Recorre nessa instância administrativa é da decisão recorrida e nesse ponto a decisão recorrida, também, não merece reparos, pois, o que foi apresentado na oportunidade do julgamento da primeira instância administrativa não foi convincente ou foi insuficiente para concluir que a Recorrente tinha errado ou se equivocado em suas informações apresentadas ao fisco. Isto posto, não conheço do Recurso na parte cuja discussão está no poder judiciário e na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO para manter a decisão recorrida. Esse é meu voto. Valdete Aparecida Marinheiro Voto Vencedor Conselheiro José Henrique Mauri, Redator ad hoc Preliminarmente ressalto que o Conselheiro, Adolpho Bergamini, designado para redigir o voto vencedor renunciou ao cargo, fato que inviabiliza sua assinatura no e- processo. Assim sendo, fui designado para redigir o voto vencedor. Contudo, o ex-conselheiro foi diligente e deixou a minuta pronta, apenas não poderá assinar eletronicamente, pois lhe falta o certificado digital. Assim, adoto, na íntegra, o voto do referido Conselheiro, conforme a seguir: Relativamente à concomitância confirmada pela DRJ, tenho as seguintes considerações a fazer. Conforme é sabido, a legislação federal não permite ao contribuinte discutir determinada matéria no Poder Judiciário e também na esfera administrativa, concomitantemente. Há uma razão lógica para isso: o provimento jurisdicional poderá influenciar o resultado do litígio administrativo, positiva ou negativamente. De fato, se o contribuinte se sair vencedor da disputa judicial, então o processo administrativo será naturalmente arquivado; entretanto, se sair vencido, a exigência fiscal restará automaticamente devida. Logo, para saber se há, ou não, concomitância entre o processo judicial e administrativo, é especialmente relevante verificar se o provimento jurisdicional poderá de algum modo modificar o conteúdo normativo da decisão que vier a ser dada na esfera administrativa. No presente caso, entendo que não há tal possibilidade. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 470 7 Conforme se verifica do dispositivo da r. decisão a quo, a impugnação da ora Recorrente não foi conhecida “em relação à exclusão das receitas financeiras da contribuinte da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, questão a ser decidida pelo Poder Judiciário na fase executiva do Mandado de Segurança nº. 1999.61.00.0427983 (004279824.1999.4.03.6100) [...]”. Ocorre que, ao que se vê da fundamentação da aludida decisão, sua motivação à declaração de concomitância foi outra. Está dito no primeiro parágrafo de fl. 341 que a Recorrente, em resposta a uma intimação, informou que requer a conversão parcial de depósitos judiciais com os benefícios da anistia fiscal trazida pela Lei nº. 11.941/09 até o montante necessário à integral extinção da obrigação tributária de PIS e COFINS sobre as receitas de prêmios. Os parágrafos seguintes apenas informam o trâmite processual da ação judicial e, no quinto parágrafo, fora relatado que a Recorrente se saiu vitoriosa na declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98. E em sequência, o julgador a quo retoma as alegações de conversão do depósito em renda para, a partir daí, consignar haver concomitância. Fá-lo ao sustentar que “sucede que um dos pontos controvertidos da presente discussão administrativa também está sendo discutida na fase executiva da ação mandamental, uma vez que a impetrante insurgiu-se com a pretensão da União para que os depósitos judiciais fossem convertidos em renda integralmente, sem levar em consideração os efeitos da anistia veiculada pela Lei nº. 11.941/09 [...]”. Ora, mas como é notório, os motivos do Auto de Infração (elemento essencial do ato administrativo e, portanto, dele é parte integrante e indissociável) não se referem a divergências quanto à conversão em renda dos depósitos judiciais. Referem-se, sim, à caracterização das receitas de prêmio de seguros e financeiras como base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Neste ponto não há concomitância. É verdade que a Recorrente se socorreu do Judiciário para obter a declaração de inconstitucionalidade do já citado §1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98 – e nesse ponto obteve decisão que lhe foi favorável já transitada em julgado. Mas, também é verdade que, conforme dito pelo próprio julgador a quo, não há, na referida decisão, expressa menção ao fato de que as receitas de prêmio de seguros seriam, ou não, operacionais para os fins de incidências das contribuições. Tanto é assim que, nas páginas seguintes, a decisão recorrida se desdobra em fundamentos para sustentar a posição segundo a qual referidas receitas são, sim, tributadas. Dito de outro modo, o pronunciamento a ser dado no âmbito do presente processo administrativo se centra justamente na caracterização das receitas em questão como sendo de prestação de serviços, não operacionais, financeiras, etc., para então se saber se estão, ou não, abrangidas pela decisão judicial favorável à Recorrente já transitada em julgado. E isso passa ao largo da questão relativa à conversão em renda dos depósitos judiciais nos termos da Lei nº. 11.941/09. É dizer, a decisão a quo se vale dos fundamentos relativos à conversão em renda dos depósitos judiciais para os fins da anistia da Lei nº. 11.941/09 e, no dispositivo, não conhece da impugnação em relação ao próprio mérito da autuação por sustentar haver concomitância com o mérito do Mandado de Segurança nº. 1999.61.00.0427983 (004279824.1999.4.03.6100), especialmente a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 16327.720362/2011-39 Acórdão n.º 3101-001.826 S3-C1T1 Fl. 471 8 Segundo creio, a concomitância se estabelece se atendidas as mesmas condições da litispendência, exaradas no art. 301 §§ 1° e 2° do CPC. Nessa medida, haverá concomitância quando for proposta discussão havendo (i) identidade das partes, (ii) causa de pedir e (iii) pedido. Assim sendo, o direito pleiteado pela Fazenda Nacional, a pretensão resistida pela Recorrente e, portanto, a lide formada na esfera administrativa, têm como objeto única e exclusivamente a inclusão das receitas de prêmio de seguros e outras aqui tratadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, o que não foi tratado no mandado de segurança ajuizado pela Recorrente. Não há, portanto, coincidência de causa de pedir (motivos). Logo, ausente a concomitância no presente caso. Nesse sentido, urge que os autos retornem à DRJ para que lá seja proferida nova decisão, de mérito, com o respectivo juízo de valor à inclusão, ou não, das receitas de prêmios de seguro (e outras objeto da autuação) na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por assim ser, CONHEÇO do Recurso Voluntário e a ele DOU-LHE PROVIMENTO, para que os autos retornem à DRJ, nos termos acima colocados. É como voto. José Henrique Mauri Fl. 471DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001360/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 60 /2 01 0- 42 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001360/201042 Acórdão n.º 2402004.724 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 03/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal (fls. 10/11) informa que não foram informados em suas folhas de pagamento os valores das parcelas in natura fornecidas pela empresa aos seus empregados a título de alimentação, em período em que esta não se encontrava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/10/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 16/143), alegando, em síntese, que o beneficio não tem natureza remuneratória e o fato de a empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não é suficiente para a modificação da natureza do instituto, consoante precedentes jurisprudenciais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1240.972 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 247/252) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O lançamento da obrigação instrumental (acessória) segue o mesmo encaminhamento da obrigação principal, já que aquela é oriunda exclusivamente de valores que não foram inseridos nas folhas de pagamento dos segurados empregados como sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Isso decorre do fato de que um único momento contábil originou o lançamento da obrigação acessória e principal. Neste caso, o lançamento referente à obrigação acessória tornarse, por via reflexa, também insubsistente, tendo em vista que não há incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados. Assim, tratandose de tributação reflexa, o julgamento do lançamento da obrigação principal faz coisa julgada no lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito existente entre ambos. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que o fato gerador decorrente da presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal, informando que “a empresa não possui o PAT para o período do presente lançamento”. Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001360/201042 Acórdão n.º 2402004.724 S2C4T2 Fl. 4 5 § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001360/201042 Acórdão n.º 2402004.724 S2C4T2 Fl. 5 7 de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária e, por consectário lógico, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para que seja excluída, em sua integralidade, a multa decorrente da verba paga a título de vale alimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001514/2002-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RECEITAS.
Cabe à recorrente comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a alegação segundo à qual as saídas de mercadorias registradas em seu Livro Registro de Saídas não tiveram como contrapartida o auferimento de receitas.
Numero da decisão: 1201-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe à recorrente comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a alegação segundo à qual as saídas de mercadorias registradas em seu Livro Registro de Saídas não tiveram como contrapartida o auferimento de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 6963, exarado pela DRJ em Campinas SP. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 371 e ss.): Tratase do auto de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 287/291) e das autuações reflexas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 14 /2 00 2- 81 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/200281 Acórdão n.º 1201001.212 S1C2T1 Fl. 3 2 relativas à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 292/295), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 296/299) e Contribuição Social sobre o Lucro (fls. 300/303), lavrados em 29/11/2002, contra a contribuinte acima qualificada, formalizando o crédito tributário total de R$ 1.258.052,28, já incluídos o principal, a multa de oficio de 75% e os juros de mora cabíveis até 31/10/2002. 2. No "Termo de Verificação e Esclarecimento", fls. 284/285, encontramse relatadas as seguintes irregularidades constatadas pela autuante no levantamento realizado na empresa: "Dos exames procedidos constatei que, embora a empresa lançasse todas as notas fiscais de venda emitidas no livro Registro de Saída, conforme se constata nas cópias do referido livro, anexadas à fls. 40 a 280, declarou valores inferiores de receitas auferidas na DIPJ relativa ao ano calendário de 1998, cópias à fls. 004 a 038. Assim sendo, em 13.11.2002, foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação (doc. À fls. 281 a 282) onde a empresa foi intimada a esclarecer as diferenças lançadas a menor. Em atendimento ao solicitado, a empresa apresentou esclarecimentos (doc. a fls. 283), onde afirma que desconhecia as diferenças, no entanto não as justificou. Em razão da fiscalizada não ter comprovado as receitas não declaradas, as mesmas serão submetidas à tributação para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido e respectivos reflexos : CSLL, PIS e COFINS. " (...) 3. Inconformada com as exigências fiscais, das quais tomou ciência em 29/11/2002, a Defendente interpôs, em 26/12/2002, por meio de seus bastantes procuradores, procuração de fl. 338, a impugnação de fls. 329/337, acompanhada dos documentos de fls. 338/364, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: 3.1 que a impugnante sempre optou pelo regime fiscal do lucro presumido, motivo pelo qual todos os seus tributos federais sempre foram calculados diretamente a partir da aplicação de percentuais prescritos no RIR99 sobre sua receita bruta; 3.2 que a autuação fiscal não pode prosperar, sendo nula, posto que não foram atendidos os princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que antes da cobrança definitiva do crédito tributário o contribuinte deve ter oportunidade de conhecer os fatos e as informações sobre os quais se assenta o processo; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/200281 Acórdão n.º 1201001.212 S1C2T1 Fl. 4 3 3.3 que devido à lentidão do trâmite interno da SRF (remessa dos autos da DEFIC 1 para a DERAT), somente teve acesso às centenas de folhas acostadas aos autos dia 09/12/2002, dez dias após a ciência da lavratura do auto de infração, o que tomou a impugnação bastante prejudicada, sendo patente o cerceamento do direito de defesa; 3.4 no mérito, que os débitos exigidos devem ser cancelados, pois ao proceder a análise das notas fiscais da impugnante a fiscalização deixou de excluir as saídas, que apesar de sujeitas à incidência do ICMS, e portanto, escrituradas no livro Registro de Entradas e Saídas, não foram cobradas dos clientes ou faturadas; 3.5 que, ao contrário do ICMS que incide sobre a circulação de mercadorias, no IRPJ, nos casos de contribuintes optantes pela sistemática do lucro presumido, a incidência ocorre sobre a margem presumida do faturamento ou da receita bruta, isto é, somente nos casos de saída faturada de mercadoria, por exemplo, operação de compra e venda; 3.6 que o procedimento adotado pela fiscalização não foi adequado pois partiu das operações registradas nos livros pertinentes ao ICMS para a apuração da base de cálculo do IRPJ, que envolve somente receita bruta, uma vez que nem todas as operações constantes do livro Registro de Saídas ou Notas Fiscais computadas pela fiscalização em suas planilhas representam efetiva receita bruta; 3.7 nesse contexto salienta que em diversas ocasiões a impugnante oferece mercadorias gratuitamente a seus clientes como forma de incentivo comercial para a atração de novos clientes ou como forma de premiar os clientes assíduos que adquirem grandes quantidades de cimento; 3.8 ao final pede que o Auto de Infração seja declarado nulo, com seu respectivo arquivamento. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde pede sejam afastadas as exigências tributárias sob o argumento de que o critério de apuração da receita bruta de vendas adotado pela autoridade tributária é equivocado, pois inclui todos os registros de saídas de mercadorias presentes no livro do ICMS, sendo que, como é sabido, nem todos os registros constates do livro de Saídas correspondem a receitas (fl. 403 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/200281 Acórdão n.º 1201001.212 S1C2T1 Fl. 5 4 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA OMISSÃO DE RECEITAS A recorrente alega que o auditor deixou de considerar saídas que não representam receitas, tais como as vendas canceladas e as devoluções de vendas, registradas no livro de Entradas. Ocorre que, em primeiro lugar, as alegações de qualquer das partes do processo não se sustentam se estiverem desacompanhadas das provas de sua veracidade. E, em segundo lugar, ainda que tal alegação fosse provada, de modo algum ensejaria a nulidade do lançamento, mas apenas sua retificação, nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) No caso dos presentes autos a recorrente deixou de anexar o mencionado livro Registro de Entradas, que comprovaria as alegadas vendas canceladas e as devoluções de vendas, bem como documentos capazes de comprovar que as saídas de mercadorias registradas no livro Registro de Saídas não correspondem a receitas por ela auferidas. 3) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001514/200281 Acórdão n.º 1201001.212 S1C2T1 Fl. 6 5 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10510.720319/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2009
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
Recurso voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 1201-001.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2009 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Recurso voluntário a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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Recorrente ILHA COMUNICAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida e amplamente exercida pela autuada a oportunidade de manifestarse contra a autuação restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, circunstâncias inocorrentes no caso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. De acordo com a jurisprudência do STJ, firmada em ação processada nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, o dies a quo do prazo decadencial, quando não há pagamento antecipado, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF no 72) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 03 19 /2 01 2- 09 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 3 2 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Recurso voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 1ª Turma da DRJ de Salvador que julgou parcialmente procedentes os autos de infração lavrados com o fito de exigir IRPJ e CSLL, referentes ao período de apuração de janeiro de 2006 a junho de 2007 e de janeiro a dezembro de 2009, acrescidos de multa qualificada. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 4 3 Consoante acusação fiscal, houve arbitramento do lucro, em decorrência da ausência de apresentação de livros fiscais e de comprovação da origem de depósitos bancários, conhecidos pela Fiscalização por força de RMF’s (Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras), além de não submetidas a tributação receitas conhecidas através de notas fiscais emitidas. A qualificação da multa foi fundamentada na entrega de declarações zeradas. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação aduzindo, em apertada síntese: (i) a nulidade do procedimento em virtude de o processo ter se iniciado sem que fosse instruído com documentos que comprovassem os argumentos constantes do Termo de Verificação Fiscal e do Auto de Infração, vício sanado quando já fluido metade do prazo de impugnação; (ii) a decadência em relação ao ano calendário de 2006, com espeque no art. 150, §4º, CTN; (iii) a improcedência do lançamento, sob o argumento de que grande parte dos seus clientes seriam órgãos e empresas públicas que pagariam faturas juntas e em atraso, o que justificaria a efetivação de depósitos após o vencimento das notas fiscais e em valores distintos daqueles individualmente expressos nas notas fiscais; (iv) a minoração da multa de 150% para 75% em virtude de as irregularidades terem sido cometidas não por fraude, mas por inexatidão decorrente problemas com a contabilidade. Os fundamentos da DRJ podem ser assim resumidos: (i) o sujeito passivo fora devidamente cientificado de todos os procedimentos adotados na ação fiscal e teve acesso a todos os documentos que fundamentaram o lançamento, o que afastaria a preliminar de nulidade suscitada; (ii) reconhecida a decadência do direito de lançar créditos referentes aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, consoante disciplina do art. 173, I, CTN, e não do art. 150, §4º, como pretendia o Contribuinte, pois não constatado qualquer pagamento por ele efetuado; (iii) a análise da tabela apresentada pelo contribuinte para comprovar a origem do depósito realizado no dia 08/09/06 restou prejudicada diante da exclusão da tributação referente aos três primeiros trimestres daquele ano; (iv) mantida a multa qualificada de 150%, em razão da apresentação de declarações zeradas que evidenciariam o intuito de impedir ou retardar dolosamente o conhecimento do crédito tributário pela autoridade administrativa; A ementa da decisão recorrida restou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 MEIOS DE PROVA. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 5 4 AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. Incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa e a pretendida declaração de nulidade do Auto de Infração se a contribuinte foi devidamente cientificada de todo o procedimento de fiscalização, os elementos que o compõem foram postos à sua disposição, teve assegurado e exerceu o seu direito de defesa no prazo de 30 (trinta) dias, tudo conforme previsto na legislação que disciplina o Processo Administrativo Fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 LIVROS E DOCUMENTOS. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Constatandose que o direito de constituir o crédito tributário já se extinguira na data do lançamento, impõese o reconhecimento da sua nulidade. Auto de Infração Decorrente Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes." Ainda inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário aduzindo, preliminarmente, a nulidade do procedimento por entender que teria havido preterição do seu direito de defesa, ora reiterada pela ausência de análise por parte da Turma Julgadora recorrida desta questão, e, em seguida, defendeu a decadência para o 4º trimestre do ano calendário de 2006 e o afastamento da multa qualificada, com base nos mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. Na sessão de 7 de março de 2013, o julgamento do recurso foi sobrestado, por meio da Resolução nº 1102000.147, em face do revogado art. 62A do Anexo II, do Regimento Interno do CARF pretérito (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009), em razão da obtenção das informações da movimentação financeira por meio de RMF. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 6 5 Tendo sido designado redator ad hoc (após a saída da conselheira relatora do CARF) para a formalização da referida resolução, e em vista da posterior revogação do mencionado dispositivo e da inexistência de dispositivo equivalente no atual Regimento Interno (Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Aduz a recorrente: "Consta das razões de impugnação, devidamente comprovado, que o processo se iniciou sem que o mesmo tenha sido instruído com qualquer documento que fosse, a exceção do termo de verificação e auto de infração, sendo que o prazo da Recorrente teve o seu termo inicial em 31.01.12, porém o feito somente foi devidamente instruído com as peças necessárias a partir do dia 02.02.12 à tarde, ou seja, não havia nos autos do processo administrativo qualquer elemento comprobatório de que as argumentações da autoridade fiscalizadora pudesse ser confrontada. Tal procedimento administrativo de instruir o feito sem qualquer documentação que desse arrimo ao auto de infração causou sérios prejuízos à Impugnante, que não teve tempo hábil para, por exemplo, solicitar as instituições financeiras os respectivos comprovantes de origem dos créditos que, em sua grande maioria, são apenas transferências de contas bancárias da mesma titularidade ou ainda empréstimos bancários, e provar que não se tratavam de receitas tributáveis, isto porque desconhecia totalmente o conteúdo do processo já que o mesmo foi instaurado sem qualquer documentação que embasasse o auto de infração." Sob estes argumentos, requer a recorrente seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscal. Aduz ainda que a nulidade processual seria reiterada porque a DRJ não teria enfrentado a alegação. Inicialmente, cumpre registrar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do quanto se extrai dos parágrafos acima transcritos, a nulidade, no caso, estaria atrelada ao cerceamento do direito de defesa da recorrente em razão da alegada falta de Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 7 6 elementos nos autos, quando da formalização do processo, os quais seriam essenciais à apresentação de sua defesa em tempo hábil. Com a devida vênia, a alegação de cerceamento do direito de defesa resta totalmente insubsistente, porque, no caso, nem mesmo quase quatro anos após o encerramento da ação fiscal (com a ciência ao contribuinte dos autos de infração), veio aos autos qualquer novo documento ou alegação para refutar o lançamento. Em verdade, o recurso sequer trata de qualquer matéria de fato, posto que a recorrente se limita a arguir a decadência e a inaplicabilidade da multa qualificada. Portanto, não há que se falar em nulidade por alegado vício na formalização do processo, se deste suposto vício nenhum prejuízo adveio à recorrente. Também não é verdade que a DRJ não tenha enfrentado esta questão. Com argumentos ligeiramente diversos, a DRJ também manifestouse claramente no sentido da inexistência de qualquer hipótese de nulidade da autuação, pois a contribuinte foi adequadamente cientificada de todos os atos relevantes ao longo do procedimento, e que culminaram com a lavratura dos autos de infração. Reproduzse abaixo, parcialmente, excertos do voto da autoridade julgadora a quo a respeito: "Ao examinar os documentos que compõem o processo, verificamos que as alegações apresentadas pelo sujeito passivo não procedem, pois ele foi cientificado do início do procedimento fiscal, conforme comprova o Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 175 e 176, cientificado por via postal em 02/02/2011, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 177. Além disso, as informações que embasaram o lançamento foram a ele requisitadas ao longo do procedimento de fiscalização, conforme comprovam os Termos de Intimação Fiscal, fls. 533 a 575, 576 a 582, 655, e 832 a 844, todos cientificados ao sujeito passivo; as solicitações de prorrogação do prazo para a apresentação de documentos, fls. 178 e 236; o Termo de Recebimento de Documentos, cientificado ao sujeito passivo em 14/03/2011, fls. 180 e 181; e a Resposta à intimação assinada em 08/09/2011, fls. 656. Por fim, a Defendente ainda foi cientificada do Termo de Encerramento, em 31/01/2012, fls. 1.033. (...) Assim, (...) não devendo ser declarada a nulidade do lançamento já que o sujeito passivo tomou conhecimento de todos os documentos que fundamentaram o lançamento e teve oportunidade de ver apreciados os argumentos que entendia ser contrários a ele." De fato, a recorrente foi cientificada dos autos de infração, bem como do Termo de Verificação Fiscal, com a descrição detalhada das infrações encontradas, e instruído com tabelas demonstrativas da apuração da matéria tributável, e dos tributos devidos, em 31/01/2012, tendo, portanto, plenas condições de, com estes elementos, elaborar sua defesa a partir desta data. Ademais, os créditos bancários sobre os quais pairava a acusação de omissão de receitas, por presunção legal, já eram do conhecimento da contribuinte desde muito antes, em face das diversas intimações fiscais feitas durante o procedimento, nas quais os referidos créditos foram discriminados especificando banco, agência, conta, data, histórico, documento, e valor. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 8 7 Portanto, completamente insubsistentes as alegações recursais quanto à pretensa nulidade do procedimento e/ou, ainda, da decisão recorrida. Decadência No recurso, a recorrente torna a insistir na tese de que a decadência, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, devem seguir incondicionalmente a regra do art. 150, § 4º, do CTN, motivo pelo qual o 4º trimestre de 2006 também estaria decaído, posto que o lançamento concretizouse após decorridos mais de cinco anos da data do fato gerador, considerado este ocorrido em 31/12/2006. Esta questão, contudo, já foi adequadamente enfrentada pela autoridade julgadora a quo, na medida em que esta esclareceu que, em não tendo havido pagamento, a regra de decadência deslocase do art. 150, § 4º, do CTN, para o art. 173, I, do mesmo CTN, ou seja, o prazo começa a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Até há algum tempo atrás a jurisprudência do CARF, assim como o entendimento deste relator, acompanhavam a tese da defesa, no sentido de que o que se homologa é a atividade do contribuinte, e não o pagamento. Contudo, tendo o STJ se manifestado acerca desta questão, em sede de recurso submetido à sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil ("recursos repetitivos"), e, em face do disposto no § 2º do art. 62, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015, cumpre aos conselheiros reproduzir, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, o entendimento manifestado pelo STJ. De fato, no julgamento do referido REsp 973.733, ao qual foi conferido o caráter de recurso repetitivo, e cuja decisão transitou em julgado em 29.10.2009, o STJ decidiu que, nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo qüinqüenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. Neste contexto, e tendo em vista as informações dada pela autoridade julgadora a quo, no sentido de que consultou os sistemas informatizados da RFB, e verificou inexistir qualquer pagamento relativo ao quarto trimestre de 2006, informação esta não contestada pela recorrente, nada há que se alterar quanto ao que já decidido pela DRJ, que, no caso, reconheceu a decadência tão somente para os três primeiros trimestres de 2006. Ademais, em função da aplicação da multa qualificada às infrações detectadas no quarto trimestre de 2006, sobre a qual se falará no tópico a seguir, também por este fundamento temse que o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste caso, tratase de questão pacífica, no âmbito do CARF, a qual está expressa em súmula, com o seguinte teor: "Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN." Multa qualificada Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 9 8 Alega a recorrente que não se trata, no caso, de fraude, mas sim de declaração inexata, pois não houve falsidade documental, através de notas calçadas, notas paralelas e outras formas de mascarar o efetivo faturamento, mas tão somente apresentação de declarações (DIPJ e DCTF's), sem informações. Afirma ainda que foi somente com o art. 14, da Medida Provisória n° 351, de 22 de Janeiro de 2007, "convertida na Lei n° 10.892 [sic], de 15 de junho de 2007", que foi introduzida na legislação tributária a imposição da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, nos casos previstos nos Artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, como tal norma inexistia à época de alguns dos fatos geradores aqui tratados, não poderia ser aplicada retroativamente. Ademais, a sua imposição violaria diversos princípios constitucionais. Os argumentos recursais, contudo, não procedem. A multa qualificada possui expressa previsão legal, não cabendo a este colegiado administrativo cogitar de sua não aplicação em face de alegações de suposta violação a princípios constitucionais, consoante entendimento já consolidado no CARF, por meio da Súmula CARF nº 2. A mencionada previsão legal, ao contrário do que quer fazer crer a recorrente, não foi instituída pela Medida Provisória n° 351/07, a qual foi posteriormente convertida na Lei n° 11.488/07. Esta lei não instituiu nem tampouco majorou a penalidade aqui discutida, apenas promoveu a sua realocação entre os incisos e os parágrafos do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (originalmente, a multa de 150% estava prevista no inciso II do caput, e, com a referida lei, passou para o parágrafo 1º do mesmo artigo). Quanto ao mérito propriamente dito, a aplicação da multa qualificada encontrase plenamente justificada no caso concreto. Consoante se depreende do Termo de Verificação Fiscal, a recorrente apresentou DCTF's com inexistência de débitos para todos os períodos de apuração discutidos neste processo. Além disto, ainda apresentou DIPJ's relativas aos períodos de apuração aqui discutidos com valores, tanto de receitas quanto de despesas, iguais a zero, com exceção do período relativo ao primeiro semestre de 2007, em que apresentou declaração pelo lucro presumido, com receitas no valor total de R$ 554.049,73 (neste mesmo período, contudo, a fiscalização apurou uma receita total de R$ 918.357,38, considerando as omissões de receita detectadas). A prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento encontra respaldo em diversos precedentes do CARF, dos quais transcrevo a seguir alguns, exemplificativamente: "MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 10 9 qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64." (Acórdão 1102000.916, sessão de 7 de agosto de 2013, relator Antonio Carlos Guidoni Filho) "MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO PATENTE Auferir vultosas receitas de exportação sem declarálas à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendoas mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade." (Acórdão 107 09.150, sessão de 13 de setembro de 2007, relator Luiz Martins Valero) De se destacar, ainda, no caso, a reiteração da conduta, em mais de um ano calendário, pelo que se pede vênia para mencionar mais outros precedentes do CARF, e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA AGRAVADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A declaração a menor de valores relevantes de receitas, praticada de forma reiterada, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração, principalmente quando se trata de empresa que apresentou declarações zeradas por três exercícios consecutivos." (Acórdão 10516.346, sessão de 28 de março de 2007, relator Luis Alberto Bacelar Vidal) "MULTA QUALIFICADA — CONDUTA CONTINUADA — A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada." (Acórdão CSRF/01 05.810, sessão de 14 de abril de 2008, relator José Clóvis Alves) "MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco." (Acórdão CSRF 910100.140, sessão de 12 de maio de 2009, relator Antonio Carlos Guidoni Filho) Tributos reflexos Com relação aos lançamentos reflexos integrantes do presente processo (CSLL), tendo em vista serem decorrentes dos mesmos fatos, e inexistindo com relação a eles qualquer arguição específica por parte da recorrente, devem seguir a mesma sorte conferida ao lançamento principal. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.720319/201209 Acórdão n.º 1201001.292 S1C2T1 Fl. 11 10 João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10930.907071/2011-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/10/2001
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 71 /2 01 1- 59 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.473, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 17187.26532.300605.1.2.049900, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472278). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 73,85, referente ao pagamento efetuado em 15/10/2001, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 18.973,65. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 30/09/2001, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907071/201159 Acórdão n.º 3802004.150 S3TE02 Fl. 93 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/10/2001 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907071/201159 Acórdão n.º 3802004.150 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907071/201159 Acórdão n.º 3802004.150 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13603.724615/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento.
Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.
No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.
Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.
A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO.
Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004).
Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 15 /2 01 1- 49 Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 2 destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 3 O regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 4 Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 13603.724615/201149 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 5 pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de PIS/PASEP apurado no período de 01/05/2008 a 31/05/2008, no valor total de R$ 770.669,07, em conformidade com o artigo 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 671.496,35. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 407,22 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 98.765,50. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 6 Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 7 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 8 Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 9 Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 10 suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura se legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 11 Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 12 monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 13 recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011 004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fls. 1494). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1496/1523, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 14 a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto". Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls. 3638/3643, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto. Intimado a manifestarse, o sujeito passivo, apresentou petição onde requer seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos princípios da ampla defesa e do contraditório. Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 28/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 24/01/2014 conf. fls. 1494). Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 15 Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 16 previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. Do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS O regime da incidência nãocumulativa das contribuições sociais foi instituído, inicialmente, para o PIS/PASEP, mediante a publicação da Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002. Posteriormente, com a publicação da Lei nº 10.833, de 29/12/2003 – conversão da Medida Provisória nº 135, de 2003 –, tal regime foi estendido à COFINS. Concernente à não cumulatividade da COFINS a lei em evidência passou a produzir efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 dispõem, respectivamente, que o PIS/PASEP e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de: a) exportações de mercadorias; b) prestação de serviços no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma do artigo 3º das leis em comento poderá ser utilizado para a dedução da correspondente contribuição a recolher ou para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento em dinheiro. A seguir, examinaremos a legitimidade dos créditos calculados pela interessada seguindo a mesma ordem utilizada pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal TVF. Das glosas objeto do item 3.1 do TVF: bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção A fiscalização entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não estarem diretamente vinculados às atividades de industrialização. Por sua vez, o sujeito II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 17 passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Segundo defende a interessada, seria inapropriado afirmar que os bens em evidência não se prestariam ao exercício de sua atividade industrial. Afirma que “quaisquer bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou indiretamente), autorizam o creditamento”, e ainda, que “os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da Recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico”. O creditamento relativo a bens destinados ao ativo imobilizado está fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em relação ao PIS/PASEP, regramento no mesmo sentido consta da Lei nº 10.637/2002. Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais relevantes para a resolução da contenda: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] (grifo nosso) O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada. Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na produção ou na Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 18 comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação. Apenas esses últimos é que fazem jus ao creditamento. No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais não se enquadram na amplitude conceitual de insumo na produção dos bens destinados à venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito com base em tais rubricas. É por essa razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em que o sujeito passivo pretende se creditar do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção. O alcance do conceito de insumo para fins do regime de incidência não cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte. Das glosas objeto do item 3.2 do TVF: serviços não empregados diretamente na industrialização A fiscalização glosou o creditamento correspondente a alguns serviços que não foram “empregados diretamente na industrialização”. Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão: Instado, conforme Termo de Intimação nº 0551/2011, a informar quais tipos de serviços prestavam as empresas Fiat do Brasil S/A e GFL Gestão de Fatores Logísticos, e a apresentar os respectivos contratos, a empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte: “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A: • Comércio Exterior: ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da CNH em todo o território nacional e relacionados com os modais marítimo, aéreo e rodoviário; ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da CNH em todo o território nacional e relacionados com os modais marítimo, aéreo e rodoviário. • Contabilidade Geral; • Controle Fiscal; • Contas a pagar e Tesouraria; • Controle de ativo fixo; • Registro Fiscal; • Faturamento; • Gestão tributária e societária; • Serviços de assessoria a expatriados. Serviços prestados à INTIMADA pela GFL GESTÃO DE FATORES LOGÍSTICOS LTDA: • Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 19 Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante.” Nenhuma destas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos. Os serviços prestados pela Fiat do Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada. As contas contábeis responsáveis pelo registro dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre serviços, conforme resposta ao Termo de Início entregue em 08/06/2011, são as de nos 144240 e 144241, e a esmagadora maioria dos lançamentos referemse a serviços prestados pelas duas empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal nº 149087 da Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito o contribuinte afirmou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas fiscais, em 2010, referentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos expostos acima, é vedada a geração de créditos. Deste modo, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nas memórias de cálculo entregues em 08/07/2011, em resposta ao Termo de Início, deve ser glosado [...] A análise do problema envolve essa que talvez seja a questão mais controvertida em relação à nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. O inciso II do artigo 3o das Leis 10.833/2003 e 10.637 de 2002 autoriza o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. As normais legais stricto sensu que prevêem a nãocumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – não cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos (como insumos), aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 20 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins3. Segundo ele, pelo fato das contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual, salvo nas hipóteses expressamente vedadas pela Lei nº 10.833/2003, o crédito de insumo deve ser calculado a partir do custo de produção da legislação do imposto de renda (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matériasprimas e quaisquer outros bens, direitos ou serviços aplicados ou consumidos no processo de fabricação, diretos ou indiretos, independentemente de desgaste, dano ou perda de propriedades físicoquímicas. Por sua vez, Marco Aurélio Greco5 defende que os insumos, para fins de PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira comenta a lição de Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. 3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 4 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 317. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 21 Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outros pensamentos doutrinários diversos que revelam grandes divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da nãocumulatividade. Culpa da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto. De nossa parte, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso, não encontra alicerce na legislação pertinente. Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, ressalvadas as exceções legais. O detalhamento das possibilidades de creditamento e das vedações ao mesmo, sujeitos a emendas normativas implementadas no decorrer do tempo, revela, sem nenhuma dúvida, que o legislador sempre optou por um regime de não cumulatividade seletivo. Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o teor do inciso II do artigo 3o de ambas as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que, sobre a correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto de créditos calculados em relação a: II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002) II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Lei 10.637/2002 redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº 10.833/2003. Na Lei nº 10.637/2002 essa redação é decorrente da Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 22 Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços. Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à fabricação dos produtos destinados à venda, o que requer, pois, análise individual do processo produtivo da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não cumulatividade. No caso presente, entendo que os serviços prestados à interessada pela Fiat do Brasil S.A. (despacho aduaneiro de importação e exportação, serviços de contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados) não se destinam diretamente à atividade de “fabricação de máquinas e equipamentos para terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ). Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico que o adotado pela Receita Federal nas suas instruções normativas nos 247, de 21/11/2002 e 404, de 12/03/2004, conforme razões acima desenvolvidas, e mesmo admitindo que muitos desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma direta, à atividade produtiva da interessada. Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. Das glosas objeto dos itens 3.4 e 3.5 do TVF: fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada e fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da COFINS calculados com base em “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 23 Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso II, da mesma norma7. Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Tratase, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme ressaltado. Essa restrição ao gozo do mecanismo creditório se observa também em relação a outros casos previstos no regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, como, por exemplo, nos casos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; edificações e benfeitorias em imóveis; valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. No mais, entendo que aludidos fretes também não caracterizam insumo, até porque, conforme asseverado pela instância recorrida, o frete pago na compra de insumos integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente. Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF). Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. FRETE INTERCOMPANY. OPERAÇÃO DE VENDA NÃO CARACTERIZADA (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II, L10833). IMPOSSIBILIDADE. 1. O frete intercompany, referente à alocação dos produtos acabados das indústrias para os centros de distribuição da empresa, configura simples transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de venda. Com efeito, apenas enseja o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma. 2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até chegar à sua destinação final, a "operação de venda", enquanto negócio 7 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 24 jurídico, é relação estabelecida estritamente entre os sujeitos fornecedor e adquirente. Deste modo, as etapas anteriores à destinação do produto ao consumidor final, ainda âmbito da empresa (fornecedora), não podem ser consideradas operações de venda. 3. Na linha do que defende a doutrina mais moderna, o conceito de "insumo", no campo tributário, não é uniforme para todas as exações. Assim, os conceitos encontrados no IPI não são, de fato, suficientes para abarcar todos os custos que podem gerar créditos de PIS/COFINS. Enquanto na legislação de regência daquele imposto, há referência tãosó às despesas referentes à industrialização dos bens (matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem etc.) aqui, as receitas submetidas às contribuições não são unicamente decorrentes da venda de produtos industrializados. 4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir se ao outro extremo, estendendoo de tal modo a incorporar "todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A nãocumulatividade deve estar adstrita à materialidade do tributo para PIS/COFINS, receita; para IR, lucro líquido. Logo, também imprestável, o conceito de despesa operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR. 5. Nesse contexto, de intermédio, primeiramente, há que se ter, por parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar os créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". 6. Portanto, o conceito legal de insumo, para efeito de crédito de PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens diretamente relacionados com a produção do contribuinte e que afetem o montante das receitas tributáveis pelas contribuições constituem crédito utilizáveis na apuração destas. 7. Por seu turno, Marco Aurélio Greco preconiza o critério da essencialidade ou relevância para análise do conceito de insumo, a ser entendido sob uma perspectiva dinâmica. Devem, assim, ser rechaçados como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte. 8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos, margarinas e cremes vegetais. A ser assim, não é de entenderse o frete entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às filiais, como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo desenvolvido pelo contribuinte. Tal custo é posterior ao processo de fabricação dos bens destinados à venda, não consistindo, pois, em insumo direto. 9. Assim, seja como for, quer se entendendo insumo como o gasto relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que ele corresponde a dispêndio elegível a título de mera conveniência da pessoa jurídica (não alcançando "perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade"), visando à melhor distribuição dos bens fabricados ao adquirente final. Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 25 Apelação a que se nega provimento. (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº 544709. Relator Des. Federal José Maria Lucena. Data do acórdão: 15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. FRETE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA CONTRIBUINTE. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 1 O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é possível o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na sistemática da nãocumulatividade. A utilização do crédito presumido, em relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111 do CTN. 2 O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o conceito de insumo não abrange as operações de transferência interna de mercadorias entre os estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica (AGRESP 1335014). 3 Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada. (Tribunal Regional Federal da 2a Região. Terceira Turma Especializada. Apelação Cível nº 526.709. Relator Des. Federal Geraldine Pinto Vital de Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014) TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. ARTIGO 3º, INCISO IX. ARTIGO 15, INCISO II. LEI Nº 10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1 No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao creditamento, a título de PIS/COFINS, de valores despendidos com fretes contratados pela impetrante desde 2002 até a data da propositura da presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos e pontos de distribuição. 2 A questão em discussão nestes autos diz respeito ao regime da não cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do artigo 195 da Constituição Federal, introduzidos pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (DOU 30.08.2002), convertida na Lei nº 10.637/2002 (DOU 31.12.2002) no que diz respeito ao PIS, e pela Medida Provisória nº 135/2003 (DOU 31.10.2003), convertida na Lei nº 10.833/2003 (DOU 31.12.2003) referente à COFINS. 3 Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e incisos) sobre os créditos passíveis de descontos a título de PIS do valor apurado na forma do artigo 2º da referida lei. E, no que tange a "frete", estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX, do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a interpretação restrita dada pela lei no sentido de se tratar de "frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor" (grifos meus). Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 26 4 Nesse passo, considerando que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais em comento estão afetas à definição infraconstitucional, ao amparo da Lei Maior, os aludidos diplomas normativos restringiram a hipótese de creditamento, não abrangendo a hipótese pretendida nestes autos, como equivocadamente entende a impetrante, ora recorrente. 5 Observase que a pretensão formulada neste mandamus não encontra guarida legal para prosperar, porquanto a impetrante objetiva o creditamento a título de PIS/COFINS de valores despendidos com "fretes contratados pela impetrante, desde 2002 até a data da propositura da presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos e pontos de distribuição", hipótese essa não amparada pela lei de regência, que restringe o creditamento ao frete à operação de venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. 6 Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções de créditos para fins de apuração da base de cálculo das exações em comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo 111 do Código Tributário Nacional. 7 Na verdade, verificase que a recorrente insurgese quanto à base de cálculo das contribuições ao PIS/COFINS, objetivando a redução da incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo somente ocorre mediante expressa previsão legal, a cargo do Poder Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim, não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar a pretensão veiculada na presente ação mandamental, não merece prosperar o apelo da impetrante. 8 Apelação não provida. (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº 325.368. Relator Des. Federal Nery Junior. Data do acórdão: 19/12/2013. Publicado em: 10/01/2014) TRIBUTÁRIO AÇÃO ORDINÁRIA PIS E COFINS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE DESPESAS DE FRETE TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE. 1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa jurídica, a fim de que possa desenvolver as suas atividades, tenha de adquirir insumos, matériasprimas ou serviços de outras pessoas jurídicas. 2. Assim, é natural que uma parcela das suas receitas, dos recursos advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao pagamento dos seus custos, das suas despesas operacionais, ou seja, à remuneração dos seus fornecedores e prestadores de serviço. Os pagamentos feitos aos seus fornecedores e prestadores de serviço representarão faturamento destes e sujeitarseão, por sua vez, à incidência Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 27 do PIS e da COFINS. O que é dispêndio, desembolso para uma pessoa jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o faturamento e, posteriormente, todas as receitas como hipótese de incidência para contribuição destinada ao financiamento da seguridade social. Quando houver várias fases ou etapas de circulação econômica, a incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa. 3. As únicas deduções ou exclusões possíveis seriam aquelas previstas em lei, que teriam a natureza de isenção, de favor fiscal, determinado discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é, que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas das atividades empresariais, representando situação de nãoincidência. 4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela EC nº 47/2005 prevê a possibilidade de as contribuições sociais terem alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, conforme opção a ser exercida pelo legislador ordinário. 5. Por sua vez, o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº 42/2003, determina que a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição social sobre as receitas será nãocumulativa. 6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado do PIS a pessoa jurídica poderá descontar créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 7. Já a Lei nº 10.833/03, no inciso IX do artigo 3º, dispõe que do valor apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 8. Como as exclusões e isenções tributárias devem ter interpretação restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca as despesas incorridas no transporte interno de mercadorias entre os estabelecimentos do contribuinte, porque não são despesas diretamente relacionadas em operações de venda. A transferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa não caracteriza uma operação de venda, e, por isso, as despesas de frete desse transporte não estão relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias. 9. Precedentes deste TRF e do STJ. 10. Apelação da autora desprovida. (Tribunal Regional Federal da 2a Região. Terceira Turma Especializada. Apelação Cível nº 545.908. Relator Des. Federal Luiz Mattos. Data do acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013) (grifos nossos) Finalmente, o precedente do Superior Tribunal de Justiça que alicerçou a fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 28 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. 3. A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido (STJ. Segunda Turma. Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.014. Relator Min. Castro Meira. Data do acórdão: 18/12/2012. Publicado em: 08/02/2013) (Grifos nossos) Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 29 Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 30 não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 31 Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 32 ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a devida vênia, que a DRJ não caminhou bem ao apreciar a questão. Na ocasião, assim nos manifestamos: A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Foi com essa motivação que propusemos a conversão do julgamento em diligência "para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto". Em resposta à diligência supra a unidade de origem apresentou o Relatório Fiscal de fls. 3638/3643, de onde destacamos o seguinte trecho: [...] Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 33 Vários dos CTRCs informados na planilha anexa à Manifestação de Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram objeto de glosa. Tais documentos estão relacionados na planilha anexa denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas na Ação Fiscal”. Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente não tinham sido escrituradas (“Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte, via Termo de Intimação nº 001201500011, item 1, cientificado pessoalmente em 04/02/2015, que nos exibisse tanto estes dois Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas Fiscais a eles vinculadas, determinação esta cumprida parcialmente em 24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e 56000. Também por meio deste Termo de Intimação visamos comprovar a veracidade dos demais vínculos informados cujos créditos foram objeto de glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” do item 3.7 do TVF), solicitando assim, por amostragem, algumas Notas Fiscais e CTRCs, por meio do item 2 da mencionada intimação. Apesar de alguns CTRCs (nos 68797 e 886) e uma Nota Fiscal (nº 37183) não terem sido entregues, segundo o contribuinte, em virtude do “grande volume de documentos arquivados”, pôdese concluir, em consonância com este, que a documentação apresentada referenda a planilha por ele elaborada e anexada à Manifestação de Inconformidade, com exceção destes documentos não exibidos. Apesar de considerarmos comprovados os vínculos informados na defesa do sujeito passivo, algumas das notas fiscais relacionadas, salvo melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus fretes. Tal ocorre porque se referem a aquisições de bens para uso ou consumo ou destinados ao imobilizado, nos CFOPs – Códigos Fiscais de Operação – nos 1551, 2551 e 2556. Neste sentido, aliás, foi a decisão em 1ª instância em relação ao item 3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir: “REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.” Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso e Consumo” detalhamos todos estes registros e, abaixo, temos o resumo mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida: Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 34 Mês PIS COFINS fev/2008 0,92 4,24 jun/2008 3,94 18,13 ago/2008 1,30 6,00 set/2008 3,99 18,40 dez/2008 7,40 34,10 fev/2009 1,13 5,21 mar/2009 2,44 11,19 abr/2009 17,02 78,36 mai/2009 2,02 9,28 jun/2009 10,49 48,30 jul/2009 2,06 9,53 ago/2009 3,67 16,90 set/2009 12,88 59,36 out/2009 9,12 41,98 dez/2009 16,59 76,37 jan/2010 0,48 2,21 fev/2010 17,17 79,05 mar/2010 1,42 6,54 abr/2010 14,41 66,34 mai/2010 5,17 23,77 jun/2010 7,81 35,98 jul/2010 14,48 66,68 ago/2010 36,33 167,37 set/2010 8,98 41,42 Por outro lado, reunimos todas as glosas que o contribuinte logrou comprovar indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a seguir totalizadas mensalmente: Mês PIS COFINS jan/2008 286,53 1.319,78 fev/2008 381,23 1.755,95 mar/2008 3,92 18,06 abr/2008 605,72 2.790,07 mai/2008 804,26 3.704,48 jun/2008 148,17 682,45 jul/2008 2.010,67 9.261,50 ago/2008 3.674,28 16.924,00 set/2008 1.445,04 6.656,14 out/2008 4.608,03 21.224,31 nov/2008 374,20 1.723,23 Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 35 dez/2008 7.588,03 34.950,81 jan/2009 668,90 3.081,03 fev/2009 7.495,94 34.525,92 mar/2009 1.386,62 6.387,71 abr/2009 2.007,42 9.245,72 mai/2009 738,41 3.401,16 jun/2009 6.265,02 28.855,01 jul/2009 3.300,66 15.202,28 ago/2009 840,01 3.869,59 set/2009 719,75 3.315,29 out/2009 965,56 4.447,56 nov/2009 1.303,04 6.001,82 dez/2009 2.257,21 10.397,23 jan/2010 1.974,52 9.094,68 fev/2010 2.248,05 10.354,84 mar/2010 490,59 2.259,87 abr/2010 3.197,74 14.728,89 mai/2010 1.315,44 6.059,04 jun/2010 791,94 3.648,05 jul/2010 1.508,77 6.949,40 ago/2010 2.920,90 13.452,87 set/2010 2.954,21 13.607,00 Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a identificação do CTRC e o valor do PIS e da COFINS glosados. Esta planilha também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510, do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas. É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º trimestre de 2010, período para o qual o contribuinte, à época da fiscalização, não havia ainda apresentado Pedidos de Ressarcimento, portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela fiscalização. Porém, como nas planilhas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal, assim como no demonstrativo anexo à Manifestação de Inconformidade há referências a documentos deste período, optamos por relacionálos também neste trabalho, apesar desta informação não gerar qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte. ***** Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito passivo durante a fiscalização e por ocasião da sua Manifestação de Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 36 Fiscais, no sentido de considerar como créditos de PIS/COFINS correspondentes a fretes pela aquisição de insumos os apurados na escrita do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal. [...] Intimada do teor do relatório fiscal acima reportado, o qual é padrão para todos os processos da interessada que ora apresentamos para julgamento, a recorrente, mediante expediente de fls. 3648/3650, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com as glosas originais, totaliza valor inexpressivo, e que, dado o grande volume de dados a analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação. Até a presente data, contudo, o sujeito passivo não apresentou nenhum argumento adicional frente ao resultado da diligência fiscal conduzida pelo Auditor Fiscal responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal. Portanto, considerando o criterioso trabalho conduzido pela autoridade administrativa, retratado por último na fundamentação objeto do relatório fiscal acima transcrito parcialmente, e ainda, diante da não apresentação, pela recorrente, de razões objetivas capazes de abalar minimamente o resultado do trabalho da autoridade em tela, entendo que deverão ser mantidas as glosas inerentes a fretes pelo transporte de mercadorias não admitidas pelo regime da nãocumulatividade, ajustadas nos termos do aduzido relatório fiscal. Consequentemente, há que se dar provimento em parte aos argumentos apresentados pela reclamante, mas apenas no que concerne aos ajustes perpetrados pela autoridade fiscal, acima referenciados. Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF O sujeito passivo também se insurge contra a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal. Segundo a fiscalização, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20058, os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – são passíveis de ressarcimento ou compensação. Contudo, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações 8 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 37 de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes, “por falta de previsão legal”, não seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Ressalta a autoridade administrativa que a recorrente importou diversas máquinas e veículos para revenda enquadradas nos códigos tarifários elencados no § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos, indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”. Vejamos a questão analisando cronologicamente os preceitos inerentes ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise. Como já ressaltado linhas cima, o artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. No âmbito dos preceitos legais em tela, esse direito de crédito alcança os “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo 3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa do PIS e da COFINS em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Ainda no que concerne às leis que criaram o regime da nãocumulatividade das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 dispõem, respectivamente, que o PIS/PASEP e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de: a) exportações de mercadorias; b) prestação de serviços no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma do artigo 3º das leis em comento poderá ser utilizado para a dedução da correspondente contribuição a recolher ou para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§ 1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003. Posteriormente, foi editada a Lei nº 10.865, de 30/04/2004, que instituiu o PIS e a COFINS incidentes sobre as importações de bens e de serviços. A norma em tela também dispôs sobre o creditamento das referidas contribuições incidentes sobre as importações, conforme o correspondente artigo 15, cujos trechos relevantes seguem abaixo transcritos: 9 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 38 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicamse, no que couber, as disposições dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; [...] Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58A da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: I dos §§ 1º a 3º, 5º a 7º e 10 do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifo nosso) Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 39 Importa destacar que os produtos de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 são “máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”. Não há controvérsia quanto à subsunção das mercadorias importadas pelo sujeito passivo nesse dispositivo, já que ele próprio afirma isso quando denomina a planilha “Importação para Revenda de Máquinas e Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifouse) – vide item 4.2 do TVF. Historicamente, vêse que, até aqui, o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o regime, prevendo, contudo, a compensação ou o ressarcimento em espécie (se inexistir a possibilidade de dedução da contribuição a recolher ou compensação com outros tributos administrados pela RFB) exclusivamente no caso de as receitas serem decorrentes da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior. Sobreveio então a Lei nº 11.033, de 21/12/2004, cujo artigo 17 permitia a manutenção, pelo vendedor, dos créditos decorrentes das “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo 16 estabelece os seguinte: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vêse, pois, que a possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos que a possibilidade de utilização dos créditos para fins de compensação ou de ressarcimento ampara as compras, pelo sujeito passivo, das máquinas e dos veículos destinadas à revenda. Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 40 Quando o § 8º do artigo 15 diz que “as pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei” em relação, dentre outros, aos produtos do § 3º do artigo 8º (“máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório. Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente). Contudo, na realidade presente, inerente à importação das máquinas e veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz referência o inciso I do artigo 17 da mesma lei, os créditos serão apurados “mediante a aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos respectivos produtos, na forma da legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição”. De fato, o artigo 17 da Lei nº 10.865/2004 trata especificamente da possibilidade de desconto de créditos nas hipóteses que elenca, e nada diz a respeito de eventual restrição à utilização do direito creditório calculado segundo as formas prescritas. Reproduzo, abaixo, o teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do presente litígio: Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58A da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: I dos §§ 1º a 3º, 5º a 7º e 10 do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 2º Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos respectivos produtos, na forma da legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei. [...] Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 41 Por fim, vale destacar que quase todos os demais parágrafos do artigo 17 tratam, exclusivamente, de formas de apuração de crédito nas hipóteses abrangidas pelos mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei”, corrobora o presente entendimento concernente ao qual o artigo 17 particulariza a apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do artigo 15. Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida a reclassificação como “não ressarcível” operada pela fiscalização, uma vez que, conforme demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de ressarcimento. Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo. Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. De fato, conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação. Referido ajuste foi baseado no artigo 42 da IN RFB nº 900/2008, cujo § 7º autorizava a compensação de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos incorridos no mercado interno vinculados a receitas de exportação, mesmo antes de findo o trimestre do ano calendário a que se refere o crédito. Em pesquisa à mais atual instrução normativa que trata do assunto observei que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012, dispõe que a compensação dos créditos, dentre outras hipóteses, decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, “poderá ser efetuada somente depois do encerramento do trimestre calendário”. Tal regramento, de fato, está amparado no caput do artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004. (grifo nosso) Vale lembrar que o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 trata, justamente, da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente. Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 42 Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que refiram, tãosomente, ao atraso de um ou dois meses (i.e, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre”, acaso a incidência dos encargos tenha extrapolado o correspondente trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual o contribuinte passou a ter direito ao crédito. Dessa forma, serão corrigidos até a data da compensação unicamente os débitos em aberto posteriormente aos ajustes em tela. Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos termos do parágrafo anterior. Dos erros de cálculo No que concerne aos erros de cálculo o sujeito passivo alega que a DRJ recorrida, “sem muitas justificativas, também negou a realização de diligência para tal verificação”. Todavia, ressaltou que, “quanto a dois dos quatro períodos apontados como exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 0246.070 e 0246.072)”. De fato, dentre todos os processos da empresa sob nossa responsabilidade que ora trazemos à pauta, observamos que a primeira instância já reconheceu crédito remanescente em relação aos seguintes processos da recorrente nos respectivos montantes a seguir discriminados: 13603.724502/201143 (R$ 7.743,90), 13603.724508/201111 (R$ 132.933,34), 13603.724529/201136 (R$ 339.948,59), 13603.724627/201173 (R$ 1.114,90) e 13603.724631/201131 (R$ 596.928,10). Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a reclamante não contesta o resultado das correções perpetradas pela DRJ, tendose limitado unicamente a reiterar a necessidade de “[...] diligência para a verificação da correção do cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade. Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724615/201149 Acórdão n.º 3301002.808 S3C3T1 Fl. 0 43 pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3638/3643; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 16327.003912/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
SALDO NEGATIVO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A atualização de indébito decorrente de pagamento a maior de IRPJ-estimativa, feito após o fim do o ano-calendário, deve ter por base a data da apuração do saldo negativo, e não a data do efetivo recolhimento, não havendo que se falar em enriquecimento sem causa do contribuinte em prejuízo da Fazenda Pública quando o contribuinte efetua o recolhimento no âmbito de programas de anistia.
RECOLHIMENTO DE PIS-DEDUÇÃO SOBRE ESTIMATIVA DE IRPJ. CONVERSÃO EM INDÉBITO DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. O recolhimento feito a título de PIS-DEDUÇÃO, embora relativo a IRPJ-estimativa pago a maior, não pode compor eventual Saldo Negativo do IRPJ a Pagar, pois, como contribuição social, é tributo de natureza distinta de imposto c sujeito à destinação legal própria, e cuja conversão em indébito de IRPJ reclama autorização expressa de norma legal, ora inexistente.
Numero da decisão: 1401-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado I) Por maioria de votos, DAR provimento em relação à atualização monetária em relação aos pagamentos efetuados. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento; II) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação PIS-Dedução; e III) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para restituir o valor de R$ 61.225,72 ao saldo negativo de 1997. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que davam provimento em menor extensão quanto à atualização monetária por considerarem o pagamento como se indevido fosse. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor referente aos itens I e III.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente.
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Souza, Lívia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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(ATUAL BANCO ITAULEASING S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 SALDO NEGATIVO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A atualização de indébito decorrente de pagamento a maior de IRPJestimativa, feito após o fim do o anocalendário, deve ter por base a data da apuração do saldo negativo, e não a data do efetivo recolhimento, não havendo que se falar em enriquecimento sem causa do contribuinte em prejuízo da Fazenda Pública quando o contribuinte efetua o recolhimento no âmbito de programas de anistia. RECOLHIMENTO DE PISDEDUÇÃO SOBRE ESTIMATIVA DE IRPJ. CONVERSÃO EM INDÉBITO DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. O recolhimento feito a título de PISDEDUÇÃO, embora relativo a IRPJ estimativa pago a maior, não pode compor eventual Saldo Negativo do IRPJ a Pagar, pois, como contribuição social, é tributo de natureza distinta de imposto c sujeito à destinação legal própria, e cuja conversão em indébito de IRPJ reclama autorização expressa de norma legal, ora inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado I) Por maioria de votos, DAR provimento em relação à atualização monetária em relação aos pagamentos efetuados. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento; II) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação PIS Dedução; e III) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para restituir o valor de R$ 61.225,72 ao saldo negativo de 1997. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que davam provimento em menor extensão quanto à atualização monetária por considerarem o pagamento como se indevido fosse. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor referente aos itens I e III. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 39 12 /2 00 2- 61 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar VillasBôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Souza, Lívia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/200261 Acórdão n.º 1401001.511 S1C4T1 Fl. 718 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 12 32.401, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro IRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 561 a 566), de 11/12/2007, contra critérios de atualização utilizados pela autoridade fiscal na apuração, em Despacho Decisório Complementar (fls. 520 a 531) de 30/10/2007, de direitos creditórios adicionais de R$ 5.635.316,32, à data de 30/07/99, de R$ 70.739,90, à data de 31/03/2003, créditos esses originários de pagamentos de anistia de IRPJ Estimativa do anocalendário de 97, efetuados em 1999 em excesso ao valor de IRPJ devido daquele ano. Tais créditos foram reconhecidos em adição ao crédito inicialmente acolhido cm Despacho Decisório anterior, de 24/05/2004 (fls. 361 a 367), no montante de R$ 3.426.075,07, para um total então pleiteado de RS 5.206.600,66. 2. O Despacho Complementar em questão resultou de diligências propostas pela Resolução 93, de 08/11/2006 (fls. 419 a 423), desta Turma, em que foi requerida manifestação da autoridade preparadora com respeito à existência de credito em favor do interessado, por conta dos pagamentos feitos na anistia, existência essa indicada cm documentos juntados aos autos (fls. 82e83, 145 a 166, 247 e 286, 302, e 315 a 320). 3. Na presente manifestação o interessado também reitera os termos da manifestação de inconformidade anterior (fls. 384 a 389), de 14/07/2004, apresentada cm face do Despacho Decisório de 24/05/2004, no qual foram indeferidos os valores de : i) RS 156.438,02, relativos a pagamentos de antecipação de PISDEDUÇÃO referentes a IRPJestimativa dc 97; ii) R$ 1.562,861,85, concernentes a IRPJestimatÍva doc 97, com exigibilidade suspensa, e, iii) R$ 61.225,72, relativos a valor de Auto de Infração de IRPJ dc 97 não adicionado ao imposto devido do ano. 4. O interessado argumenta que não merece prosperar a atualização levada a efeito pela autoridade fiscal, dos recolhimentos com anistia do IRPJ do ano calendário de 97 efetuados em 99 e em excesso ao devido em 97, tendo a correção sido feita a partir da data do recolhimento, não a partir de 01/98, como deveria ser, já que se trata de Saldo Negativo do IRPJ a Pagar de 97. Para os pagamentos feitos na anistia, o interessado calculou e recolheu o valor de todas as antecipações devidas no anocalendário de 97, com exigibilidade suspensa, na forma estabelecida pela Medida Provisória 1,858/99. Tendo em conta que no ajuste de 97, foi apurado IRPJ devido menor do que o efetivamente recolhido por conta dessas antecipações pagas na anistia, o montante em excesso incrementou o Saldo Negativo existente do ano calendário de 97. Este montante deveria, então, ser restituído, com atualização pela SELIC desde 01/98, pois se trata de pagamento das antecipações decorrentes de obrigação legal. 5. Diz também que a autoridade, no primeiro Despacho Decisório, glosou, no crédito pleiteado, o valor de RS 156.438,02 relativo a PISDEDUÇÃO, sob o Fl. 730DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 argumento de que não poderia ser considerado estimativa do IRPJ do anocalendário de 97. Esse tributo teria sido em parte quitado em DARF, no valor de R$ 98.766,69, conforme comprovante que anexa (fl. 595), e parte compensado com crédito do Imposto de Renda de 96, no valor de R$ 56.571,33, no PAF 16327.002939/200155, conforme demonstrativo que apresenta (fl. 596). Segundo ele, o PISDEDUÇÃO deve ser considerado como estimativa do Imposto de Renda, porque advém desse imposto, correspondendo a percentual deduzido do IR. Somente é devido quando apurado IR a recolher, que é sua base de cálculo. Se, ao final do períodobase, apura se Saldo Negativo do IR, não haveria que se cogitar de percentual destinado ao fundo determinado na lei, porque inexiste base de cálculo, devendo, então, ser considerado como estimativa do IR recolhida indevidamente. Assim, o valor recolhido por ocasião do recolhimento estimado do IR deve ser considerado como parte do crédito do IR apurado. 6. Alega, ainda, que a autoridade reduziu o Saldo Negativo de IRPJ de 97, no valor de R$ 61.225,72, montante este lançado em Auto de Infração objeto do PAF 16327.001932/200118. Nesse processo, foi interposto recurso junto ao Conselho de Contribuintes (fls. 599 e 600), cujo julgamento já se deu, estando o respectivo acórdão para ser cientificado ao interessado. Assim, o procedimento adotado pela fiscalização para compensar o IRPJ lançado e diminuir o Saldo Negativo do IRPJ de 97 não é cabível, porque em decorrência da ciência a ser dada poderá o autuado ainda interpor recurso especial à Câmara Superior, o que impede a extinção do crédito mediante compensação de oficio. 7. Afirma, por fim, que o valor objeto da Carta de Cobrança 01 recebida no PAF 16327.001060/200358, diverge daquele constante da decisão proferida no PAF 16327.003912/200261 (fl. 601). 8. Com base no exposto, requer o reconhecimento do direito creditório conforme pleiteado e a conseqüente homologação das compensações declaradas. É o relatório. 9. A DRJ indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: Anocalcndário: 1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO DO INDÉBITO A PARTIR DA DATA DO RECOLHIMENTO. VALIDADE. A data inicial para a atualização de indébito decorrente de pagamento a maior de IRPJestimativa feito após findo o anocalendário, deve ser a do efetivo recolhimento, não a de apuração do Saldo Negativo a Pagar pleiteado, a qual, se adotada, propiciaria enriquecimento sem causa do contribuinte em prejuízo da Fazenda Pública. RECOLHIMENTO DE PISDEDUÇÃO SOBRE ESTIMATIVA DE IRPJ. CONVERSÃO EM INDÉBITO DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. O recolhimento feito a título de PISDEDUÇÃO, embora relativo a IRPJ estimativa pago a maior, não pode compor eventual Saldo Negativo do IRPJ a Pagar, pois, como contribuição social, é tributo de natureza distinta de imposto c sujeito à destinação legal própria, e cuja conversão em indébito de IRPJ reclama autorização expressa de norma legal, ora inexistente. DEDUÇÃO NO SALDO NEGATIVO, DO VALOR DE AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. O Saldo Negativo de IRPJ a Pagar somente pode constituir direito creditório para o contribuinte, na sua integralidade, se ostentar os atributos de liquidez e certeza no montante total declarado, Fl. 731DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/200261 Acórdão n.º 1401001.511 S1C4T1 Fl. 719 5 devendo, porém, ser ele reduzido, na parcela correspondente, se se verifica valor devido do IRPJ declarado a menor, exigido em Auto de Infração. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Baixouse o processo em diligência, através da Resolução CARF nº 1401 000.116, de 04 de outubro de 2011, para verificar a situação do processo n. 16327.001932/200116, ficando sobrestado até seu trânsito em julgado. O Processo retornou com informação para prosseguimento do presente feito. É o relatório. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 1) Saldo Negativo – atualização monetária – termo inicial O primeiro ponto do litígio se restringe ao termo inicial para a incidência dos juros calculados à taxa SELIC sobre o saldo negativo IRPJ, apurado pela interessada no ano calendário 1997. Em apertada síntese, a Recorrente deixou de recolher valores devidos a título de estimativa referente ao anocalendário de 1997, amparada que estava por medidas judiciais. Em momento posterior, objetivando usufruir de benefícios trazidos pela Lei n° 9.779, de 1999, desistiu das ações judiciais e promoveu o recolhimento das citadas estimativas na forma preconizada pelo citado ato legal. A Recorrente insurgese então contra a atualização levada a efeito pela autoridade fiscal com base nas datas dos respectivos recolhimentos, dos indébitos relativos ao IRPJEstimativa do anocalendário de 1997 que integraram o Saldo Negativo de IRPJ a Pagar do ano, e pagos somente no anocalendário de 1999, no âmbito do programa de anistia da MP 1.858/99. Pretende ele que a correção se faça a partir de 01/98, por se tratar de Saldo Negativo de IRPJ a Pagar de 97 e não a partir das datas de pagamento, como se pagamento indevido fosse. Ora, o pagamento das estimativas somente se deu em 30 de julho de 1999, sob o benefício do artigo 17 da Lei n°9.779/1999. Por outro torneio, a Fazenda Nacional não esteve de posse das antecipações, nem do saldo negativo, até que ocorresse o pagamento. Assim, somente a partir daquela data (30 de julho de 1999) seriam devidos os juros, sob pena de se constituir indenização financeira por privação fictícia, não real, de capital, pleito esse desprovido de fundamento no direito e na lei. Outrossim, é preciso ter sempre em mente que o objetivo precípuo da atualização de indébito é indenizar o titular do direito creditório pela privação dos recursos financeiros transferidos em excesso para os cofres da Fazenda Pública. Porém, isso não aconteceu, pois embora o indébito em questão se refira a fato gerador ocorrido no último dia do anocalendário de 97, quando se apurou o valor devido do IRPJ, a partir do qual se quantificaram valores eventualmente pagos a maior, tal privação concretamente somente veio a ocorrer a partir das datas dos pagamentos realizados a maior. Não tendo efetuado os recolhimentos das estimativas no ano de 97, por qualquer que seja o motivo, no caso por estar de posse de medidas judiciais, não incorreu em qualquer prejuízo que reclame compensação por juros. De outra forma estarseia legitimando o enriquecimento sem causa, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/200261 Acórdão n.º 1401001.511 S1C4T1 Fl. 720 7 O argumento utilizado de que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo e como tal não poderia se transmutar em pagamento indevido, dissociandose assim a sua atualização monetária do valor principal com marco em dezembro de 1997, para a data do pagamento indevido é sedutora, mas não é uma regra absoluta e inexorável, mormente quando a jurisprudência administrativa derrubou o seu vigor em situações favoráveis à Recorrente. Refirome à situação em que o contribuinte efetivamente demonstra que houve pagamento a maior das estimativas, onde nesses casos o entendimento da Receita quanto da Jurisprudência era de que, independentemente disso, a restituição só se daria por meio da apuração do saldo negativo no final do exercício e a atualização monetária, portanto, não se daria a partir do pagamento indevido da estimativa, mas sim do exercício seguinte à formação do Saldo devedor. Porém, esse dogma foi derrubado seja por novo entendimento da SRFB, através de alteração por meio de uma nova Instrução Normativa, bem assim do CARF mesmo em relação a situações anteriores à essa mudança de critério jurídico. Ora, se então é permitido desvincular situações particulares referidas originalmente à restituição de saldo negativo, tal critério deve funcionar isonomicamente contra ou a favor os contribuintes. Portanto, nego provimento a esse item. 2) PISDEDUÇÃO Nesse ponto, a Recorrente insurgese quanto à glosa do crédito pleiteado, no valor de R$ 156.438,02 relativo a PisDedução. Segundo a Recorrente o PisDedução deve ser considerado como estimativa do Imposto de Renda, porque advém desse imposto e corresponde a percentual deduzido do IR. Por não ter nada a reparar na decisão de piso, utilizome abaixo dos seus fundamentos não refutados pela Recorrente como razões de decidir: (...) 14. Equivocase novamente o interessado já que não leva em conta que, a partir do momento em que o recolhimento é feito a título de PISDEDUÇÃO, tributo de espécie distinta de imposto e com destinação legal específica , não há como procederse à desconstituíção de tal fato e convertêlo cm recolhimento de IRPJEstimativa. Sendo assim, não pode aquele valor compor o Saldo Negativo do IRPJ a Pagar do anocalendário de 97, já que não se trata imposto mas sim de contribuição social. Eventual direito creditório decorrente do recolhimento em questão pode ser pleiteado e apreciado como PISDEDUÇÃO, recolhido a maior, não como IRPJ pago em excesso. Portanto, nego provimento a este item. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 3) Redução do Saldo Negativo – Lançamento de Ofício Por fim, insurgese contra a redução Saldo Negativo de IRPJ de 1997, no valor de R$ 61.225,72, em face de lançamento de ofício de debito de imposto, objeto do Processo nº 16327.001932/200116 em que o resultado do julgamento de recurso interposto junto ao Conselho de Contribuintes (fls. 599 e 600), não foi ainda notificado ao interessado. Diz que tal fato obstaria a extinção do crédito lançado mediante compensação de ofício. Baixouse o processo em diligência, através da Resolução CARF nº 1401 000.116, de 04 de outubro de 2011, para verificar a situação do processo n. 16327.001932/200116, ficando sobrestado até seu trânsito em julgado. Consta do processo que o referido julgamento já aconteceu e foi desfavorável à Recorrente, conforme ementa abaixo: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA EXERCÍCIO: 1998, 1999, 2000, 2001 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DOS JUROS MORATÓRIOS Constituindose acessório do tributo ou contribuição lançados, aos juros moratórios devem ser aplicadas as mesmas regras a que se submetem tais exações, inadmitindose, portanto, a sua dedutibilidade nos casos de suspensão da exigibilidade do principal. CSLL MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA NO CURSO DO ANO CALENDÁRIO Na esteira de manifestações advindas do Supremo Tribunal Federal (STF), tratandose de contribuições que se destinam a financiar a seguridade sociai, é inviável a aplicação da teoria do fato gerador complexivo, vez que, se assim fosse, tornariase inócua a denominada "anterioridade mitigada" do art. 195, parágrafo 6°, da Constituição Federal. Admissível, portanto, a aplicação de alíquota majorada estabelecida em ato legal vigente em data anterior ao da ocorrência do fato gerador. PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO – A compensação de prejuízo fiscal, por se constituir em parte integrante da determinação da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração com base no lucro real, deve ser promovida de ofício. Contudo, para que tal providência seja efetivada cabe ao detentor do direito comprovar a sua existência. Consta despacho da Delegacia, em 07/12/2011, que foi dado ciência ao contribuinte, destacando que a referida matéria constante do processo foi discutido também judicialmente; que houve renúncia ao direito sobre o qual a medida judicial se fundamentava no intuito de aderir aos benefícios da anistia prevista pela Lei n° 11.941/09 “REFIS da Crise”; e que os valores foram depositados judicialmente seriam suficientes para liquidar os referidos débitos: (...) O recurso voluntário contra à decisão da DRJ foi julgado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (artigo 25, II do mencionado decreto) (folhas 168 a 177), o qual, mais uma vez manteve inalterado o lançamento dos créditos tributários aqui em exame. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/200261 Acórdão n.º 1401001.511 S1C4T1 Fl. 721 9 Não foi apresentado novo recurso contra a decisão do CARF. Dessa maneira, o lançamento dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL tornouse definitivo na esfera administrativa, ou seja, não é mais possível questionar a constituição desses montantes na órbita 'administrativa. Ciente disto, o contribuinte passou a questionar o lançamento dos créditos tributários na órbita judicial. Para tanto, apresentou a Medida Cautelar n° 2007.61.00.0089330 na qual depositou em juízo os montantes aqui em exame. As importâncias depositadas foram confirmadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB (folhas234 e 235) e mostraramse suficientes para cobrir integralmente os créditos tributários em análise, conforme reconheceu a manifestação anexa nas folhas 241, com base em cálculos realizados no sistema SICALC (folhas 237 a 240). Posteriormente, a referida medida cautelar deu origem à ação ordinária n° 2007.61.00.0175828 (numeração nova 001758280.2007.4.03.6100). O pedido, causa de pedir e andamento dessa ação ordinária não será objeto de análise da presente manifestação: Isso porque o contribuinte apresentou sua renúncia ao direito sobre o qual a medida judicial se fundamentava no intuito de aderir aos benefícios da anistia prevista pela Lei n° 11.941/09 (folha 261). Tal renúncia é um dos requisitos para,aderir ao chamado "refis da crise", nos termos do artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09, norma secundária que regulamenta a Lei n° 11.941/09. Adicionalmente, o prazo para apresentar a desistência ao recurso administrativo ou à ação judicial até 28/02/2010. foi respeitado pelo interessado (artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 13/09). Esse mesmo pedido de desistência também foi apresentado na apelação cível n° 2007.61.00.0175828 (folhas 269 e 270), sendo admitido pelo Tribunal Regional Federal da 3^ Região TRF da 3^ Região (folha 275). Posteriormente, o memorando n° 38/2010/DEINFSPO/SRRF08/RFB de 30/08/2010 enviado à Divisão de Assuntos Judiciais DIAJU da Procuradoria da Fazenda Nacional em São Paulo PFN/SP, cuja cópia foi anexada ao presente processo (folhas 279 a 284), efetuou os cálculos para a conversão em renda dos depósitos judiciais com os benefícios da anistia trazida pela Lei n° 11.941/09. Por fim, os depósitos que garantiam os créditos tributários lançados no auto de infração mencionado anteriormente permanecem bloqueados no sistemas da RFB (folha 285) aguardando a conversão em renda, cujo cálculo do valor a levantar e a converter ainda permanece em discussão na jurisdição de primeiro grau (folha 287). Assim sendo, diante dos seguintes elementos: o contribuinte desistiu da apelação cível n° 2007.61.00.0175828 apresentado no Poder Judiciário no intuitode aderir à anistia prevista pela Lei,n° 11.941/09. O pedido de desistência foi homologado pelo TRF da 3a Região. Os depósitos judiciais mostraramse suficientes para extinguir os créditos tributários aqui cadastrados. Os valores depositados permanecem bloqueados. Diante desses elementos, os débitos cadastrados no presente processo não são impedimento para a emissão da Certidão Negativa de Débitos CND em nome do contribuinte, uma vez que as importâncias permanecem garantidas pelos mencionados depósitos, aguardando serem extintas por conversão em renda com os benefícios trazidos pela Lei n° 11.941/09. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Porém, consultando o processo n. 16327.001932/200116 às fls. 406, com a retificação parcial às fls.412, consta despacho da DRF, de 26/02/2014, dando conta que os referidos depósitos foram convertidos definitivamente em renda extinguindo os créditos tributários constantes dos mesmos e arquivandose o referido processo : (...) Ao consultar a ação judicial, observouse que encontrase como “BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO em 13/02/2014” na Justiça Federal/SP. Conforme “Consulta Proc. 1º grau – SJSP E SJMS” Movimentação N. 135, temse “ 5. Convertase em renda da União a quantia equivalente a 56,20% depositada judicialmente (fls. 82 e 83) e expeçase alvará de levantamento dos valores excedentes, correspondentes a 43,801% ...” , atos confirmados nos dados constantes na pesquisa no sistema SINALDEP/LEVDEP (IRPJ e CSLL). Consta no referido sistema, os valores de cada tributo, “devolvido ao depositante” e “transformado pagto definitivo, conforme determinação da Justiça Federal. Dessa forma, aloquei os depósitos (DJEs) transformados em pagamentos definitivos, sendo que os saldos de multas e juros foram extintos no “SIEF processo” por “Revisão de Lançamento”, visto que o SIEF não considera as deduções dos benefícios previstos na Lei 11.941/2009. Portanto, entendo que os valores depositados durante a Ação Judicial tiveram seus legítimos destinos dando extinção do débito discutido. De acordo. Com base no exposto, proponho o arquivamento do presente Processo. (destaquei) “Dessa forma, aloquei os depósitos (DJEs) transformados em pagamentos definitivos, sendo que os saldos de multas e juros foram extintos no “SIEF processo” por “Revisão de Lançamento”, visto que o SIEF não considera as deduções dos benefícios previstos na Lei 11.941/2009. Como os débitos do processo n. 16327.001932/200116 que ora serviam de óbice à compensação já foram extintos pela conversão dos depósitos judiciais em renda: Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL a esse item para homologar as compensações até o valor de R$ 61.225,72, atualizados nos mesmos moldes do item 1, tomando como base as datas dos depósitos judiciais e não como se saldo negativo fosse. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 737DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.003912/200261 Acórdão n.º 1401001.511 S1C4T1 Fl. 722 11 Voto Vencedor Conselheira Lívia de Carli Germano, Redatora designada. A divergência quanto ao voto do ilustre Relator diz respeito ao termo inicial para a contagem dos juros calculados à taxa SELIC sobre os valores recolhidos (item 1) e depositados em juízo (item 3) que vieram a compor o saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1997, o qual posteriormente veio a se tornar crédito pleiteado pelo contribuinte via declaração de compensação. Entende o Relator que a atualização deve ser feita a partir da data do recolhimento/depósito (conforme o caso), não a partir de janeiro de 1998, como ocorreria caso tivesse havido pagamento tempestivo dos valores que compuseram referido saldo negativo. Na esteira do decidido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro IRJ, adotar a data de apuração do saldo negativo pleiteada pelo contribuinte propiciaria a este enriquecimento sem causa, em prejuízo da Fazenda Pública. A conclusão acima leva em consideração que o contribuinte, ao recolher/depositar os valores no âmbito de programas de anistia, teria se beneficiado de reduções do saldo devedor e, por isso, pleitear o crédito de saldo negativo atualizado "como se saldo negativo fosse" (é dizer, desde janeiro de 1998), lhe propiciaria uma espécie de "ganho". Isso porque, por um lado, para fins de formação do indébito a compensar, o contribuinte teria os valores atualizados pela SELIC desde janeiro de 1998, enquanto que, para fins do cálculo do valor a ser pago/convertido em renda anos depois, o contribuinte se beneficiou de reduções, tendo, na prática, pago/depositado menos do que o crédito que pretende compensar. Acontece que tal resultado positivo não é "enriquecimento sem causa" do contribuinte, mas consequência direta das próprias anistias concedidas pelo Governo. Ou seja, a "causa" do "ganho" ou "resultado positivo" auferido pelo contribuinte é exatamente a anistia prevista em lei, cujas condições, supõese, o contribuinte regularmente preencheu. De fato, não fosse por tal perdão, os valores de crédito e débito se equivaleriam, eis que corrigidos pela mesma taxa SELIC. Com a devida vênia, entendo que o fato de o contribuinte se beneficiar de programas de anistia expressamente previstos em lei não tem o condão de alterar a natureza dos pagamentos efetuados no âmbito de tais remissões. Assim, se o valor pago/depositado o foi a título de saldo negativo, é esta a natureza do pagamento, e assim ele deve ser corrigido pela SELIC, não obstante o pagamento/depósito tenha ocorrido apenas anos depois e com reduções previstas em lei. Neste sentido, oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário quanto aos itens 1 e 3, considerando os respectivos valores como saldo negativo de 1997, portanto atualizados pela SELIC desde janeiro de 1998. Livia De Carli Germano Redatora designada Fl. 738DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 19/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10840.002715/2004-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL.
O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator
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O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 15 /2 00 4- 09 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/200409 Acórdão n.º 9202003.664 CSRFT2 Fl. 308 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 280200.729, da 2a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 251 a 259), julgado na sessão plenária de 17 de março de 2011, deu provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, cancelando o auto de infração (efls. 170 a 179) e requerendo o recálculo do imposto incidente seguindo o entendimento então dominante no STJ, que considerava a tabela do mês a que se refere o rendimento para a realização do cálculo, conforme se lê na ementa do julgado, nos termos que seguem: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Segundo jurisprudência pacifica do STJ, tratandose de verbas recebidas acumuladamente, mas relativas a períodos pretéritos, devidamente discriminados na ação judicial trabalhista, o mês do efetivo recebimento indica o momento da incidência do imposto e, para efeito de cálculo, deve se considerar a tabela progressiva do mês a que se refere o rendimento. Recurso provido. Recurso Voluntário Provido.” Cabe registrar que o lançamento em questão referese à incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, originário de verbas trabalhistas, em conseqüência da ação proposta pelo contribuinte, relativo a valores salariais do período entre junho de 1988 e março de 1993. A soma total fora recebida parceladamente, em três anoscalendários diferentes (2000, 2001 e 2002), acarretando em 03 processos administrativos fiscais, sendo que, o que está em discussão, é o do Exercício 2001. Posteriormente ao Acórdão supra, foi apresentado pela Fazenda Nacional Recurso Especial (efls. 266 a 274) solicitando a reforma do acórdão recorrido, sendo que, no Exame de Admissibilidade deste Recurso Especial (fls. 285 a 289), realizado em 29 de agosto de 2011, o Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF optou por dar seguimento ao pleito. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/200409 Acórdão n.º 9202003.664 CSRFT2 Fl. 309 3 Em apreciação inicial do Recurso Especial, este Colegiado optou por sobrestar a apreciação do feito, até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (vide Acórdão CSRF/2a. Turma 9.202000.007 – de efls. 302 a 306). Uma vez revogados os mencionados parágrafos do art. 62A e já proferida, inclusive, pelo STF, decisão definitiva, transitada em julgado em 16/12/2014, no âmbito do referido Recurso Extraordinário, retorna o feito para apreciação desta Turma. Mais especificamente, em seu expediente recursal, a Fazenda Nacional se insurge contra a exclusão dos valores tributáveis da base de cálculo do IRPF, com base no Parecer PGFN/CRJ n" 287/2009, no Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, no Ato Declaratório PGFN no 1, de 27 de março de 2009 e, ainda, no Parecer PGFN/CAT 815/2010, este último que seguiria, na forma mencionada pelo recorrido, o entendimento dominante no STJ acerca do tema sob análise. Além de mencionar a suspensão de eficácia do mencionado Ato Declaratório PGFN no 1, de 27 de março de 2009 pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2331/2010, por conta do entendimento por parte do STF no âmbito dos Recursos Extraordinários 614.406 e 614.232, que tiveram repercussão geral reconhecida (fato que originou o sobrestamento já mencionado), sustenta a Fazenda que não há amparo legal para o “fracionamento, mês a mês, decidido pelo Recorrido, com este espargimento do total devido ao empregado, por sentença ou acordo, no número de meses da disputa, para, assestarse a aplicação dos índices constantes das tabelas mensais e logo, promover a não incidência do imposto de renda”. Defende, assim, a incidência do Imposto sobre a Renda sobre a totalidade dos valores recebidos, no mês do recebimento, tendo a Fazenda Nacional, ainda, alegado a existência de divergência jurisprudencial entre o decidido no Acórdão recorrido e o seguinte paradigma, que sustentaria sua tese, com supedâneo no art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e no art. 56, parágrafo único, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999. Acórdão no 10615.696, de 26 de julho de 2006: IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE — Incide imposto de renda sobre a totalidade dos rendimentos recebidos acumuladamente ern razão do trabalho assalariado, nos termos do artigo 12 da Lei n°7.713/88. IRPF MULTA DE OFICIO ERRO ESCUSÁVEL Tendo a fonte pagadora (Centro Técnico Aeroespacial) prestado informação equivocada aos seus funcionários com relação à natureza de rendimentos pagos acumuladamente, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento da declaração de ajuste anual escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de oficio. Recurso parcialmente provido Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 21/09/2011 (efl. 294), o contribuinte ofertou contrarrazões pugnando pela inexistência de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/200409 Acórdão n.º 9202003.664 CSRFT2 Fl. 310 4 condição jurídica da tese da Fazenda Nacional. Registro, ainda, que as referidas contrarrazões não foram juntadas integralmente aos autos, apenas sua primeira folha, seguida da documentação a ela anexa. Ainda que tais contrarrazões não estejam anexadas de forma completa aos autos, deixo de promover o referido saneamento, por não interferir na conclusão do presente voto. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial de divergência é tempestivo. Entretanto, discordo do despacho do Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção que admitiu o recurso. Atentese que o acórdão recorrido não aplicou as diretrizes do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que determina a tributação dos rendimentos recibos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, defendendo o entendimento emanado da aplicação do Parecer PGFN 815/2010, alinhado com a jursiprudência então dominante no STJ, podendo, ainda, em meu entendimento, ser estabelecida plena vinculação entre o mencionado Parecer e o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009, que determinou a dispensa de recursos em ação judiciais que versassem sobre a presente matéria. Assim, inteiramente respaldado o teor do julgado recorrido pelo art. 62, inciso II, alínea “a”, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que permitia que se afastasse a aplicação de lei que fundamentasse crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. Por sua vez, notese que o AcórdãoParadigma citado como divergente foi proferido antes da publicação do citado do referido Parecer PGFN 815/2010 e antes mesmo do mencionado Ato Declaratório de dispensa de recursos e, assim, não analisou a legislação sob os mesmos fundamentos da decisão recorrida. Assim, não é possível dizer que o paradigma interpretou a lei tributária de forma divergente do acórdão recorrido, pois, na ocasião em que foi proferido, não existia nem o Parecer que se decide aplicar no voto condutor nem o ato declaratório da PGFN que determinava a não contestação da matéria, não sendo possível, assim, se deixar de aplicar as determinações legais. Acrescentese que esta 2a Turma já deixou de conhecer de recurso especial da Fazenda Nacional pelos mesmos motivos aqui expostos, no Acórdão nº 9202002.291, julgado na sessão de 08 de agosto de 2012, sendo relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002715/200409 Acórdão n.º 9202003.664 CSRFT2 Fl. 311 5 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, mantendose a decisão recorrida que determinou o recálculo dos valores de tributo devido, com base na tese consolidada do STJ. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720158/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. LANÇAMENTO. PRORROGAÇÃO TARDIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INOCORRÊNCIA. Nos termos da legislação então vigente, a prorrogação do MPF se efetivava mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e não dependia da ciência do sujeito passivo. ERROS DE CÁLCULO. Inexiste prejuízo à validade do lançamento se os critérios de cálculo são claramente expostos pela autoridade lançadora, permitindo a defesa do sujeito passivo e a avaliação, no contencioso administrativo, das alegações assim contrapostas.
GLOSA DE PERDAS. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO PERÍODO FISCALIZADO OU ANTERIOR. PERDAS QUE SUPERAM O VALOR CALCULADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cancela-se a exigência se o recálculo promovido pela autoridade lançadora deixa de considerar aspectos que poderiam afetar o saldo devedor deduzido como perda, e firma a impossibilidade de a contribuinte ter apropriado os juros depois de ultrapassados 60 (sessenta) dias de atraso, sem confirmar contabilmente que este foi o procedimento adotado pelo sujeito passivo. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR. Correta a interpretação fiscal pautada na contagem do prazo legal a partir do último vencimento sem pagamento. PERDAS ASSOCIADAS A OPERAÇÕES FIRMADAS DEPOIS DA DEVOLUÇÃO DE CHEQUES RECEBIDOS PARA QUITAÇÃO DO EMPRÉSTIMO ORIGINAL. Mantém-se a glosa se o crédito original foi levado a perda e o sujeito passivo não prova a contabilização da receita decorrente de sua recuperação antes do segundo registro de perda.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. TAXA APLICÁVEL. VARIAÇÃO PRO RATA DIA. Ao determinar que o cálculo dos juros está limitado à variação pro rata dia, a lei apenas estipulou que será considerando o dia do acréscimo ou decréscimo eventualmente verificado no patrimônio líquido ao longo no ano-calendário. Nada na lei permite concluir que, mesmo mantendo-se inalterado o patrimônio líquido ao longo do período de apuração, a TJLP seria proporcionalizada em razão da quantidade específica de dias de cada trimestre.
Numero da decisão: 1302-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por vícios em prorrogações do MPF; 2) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por erro nos cálculos, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de perdas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE. LANÇAMENTO. PRORROGAÇÃO TARDIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INOCORRÊNCIA. Nos termos da legislação então vigente, a prorrogação do MPF se efetivava mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e não dependia da ciência do sujeito passivo. ERROS DE CÁLCULO. Inexiste prejuízo à validade do lançamento se os critérios de cálculo são claramente expostos pela autoridade lançadora, permitindo a defesa do sujeito passivo e a avaliação, no contencioso administrativo, das alegações assim contrapostas. GLOSA DE PERDAS. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO PERÍODO FISCALIZADO OU ANTERIOR. PERDAS QUE SUPERAM O VALOR CALCULADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cancela-se a exigência se o recálculo promovido pela autoridade lançadora deixa de considerar aspectos que poderiam afetar o saldo devedor deduzido como perda, e firma a impossibilidade de a contribuinte ter apropriado os juros depois de ultrapassados 60 (sessenta) dias de atraso, sem confirmar contabilmente que este foi o procedimento adotado pelo sujeito passivo. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR. Correta a interpretação fiscal pautada na contagem do prazo legal a partir do último vencimento sem pagamento. PERDAS ASSOCIADAS A OPERAÇÕES FIRMADAS DEPOIS DA DEVOLUÇÃO DE CHEQUES RECEBIDOS PARA QUITAÇÃO DO EMPRÉSTIMO ORIGINAL. Mantém-se a glosa se o crédito original foi levado a perda e o sujeito passivo não prova a contabilização da receita decorrente de sua recuperação antes do segundo registro de perda. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. TAXA APLICÁVEL. VARIAÇÃO PRO RATA DIA. Ao determinar que o cálculo dos juros está limitado à variação pro rata dia, a lei apenas estipulou que será considerando o dia do acréscimo ou decréscimo eventualmente verificado no patrimônio líquido ao longo no ano-calendário. Nada na lei permite concluir que, mesmo mantendo-se inalterado o patrimônio líquido ao longo do período de apuração, a TJLP seria proporcionalizada em razão da quantidade específica de dias de cada trimestre.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por vícios em prorrogações do MPF; 2) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por erro nos cálculos, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de perdas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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LANÇAMENTO. PRORROGAÇÃO TARDIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INOCORRÊNCIA. Nos termos da legislação então vigente, a prorrogação do MPF se efetivava mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e não dependia da ciência do sujeito passivo. ERROS DE CÁLCULO. Inexiste prejuízo à validade do lançamento se os critérios de cálculo são claramente expostos pela autoridade lançadora, permitindo a defesa do sujeito passivo e a avaliação, no contencioso administrativo, das alegações assim contrapostas. GLOSA DE PERDAS. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO PERÍODO FISCALIZADO OU ANTERIOR. PERDAS QUE SUPERAM O VALOR CALCULADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cancelase a exigência se o recálculo promovido pela autoridade lançadora deixa de considerar aspectos que poderiam afetar o saldo devedor deduzido como perda, e firma a impossibilidade de a contribuinte ter apropriado os juros depois de ultrapassados 60 (sessenta) dias de atraso, sem confirmar contabilmente que este foi o procedimento adotado pelo sujeito passivo. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR. Correta a interpretação fiscal pautada na contagem do prazo legal a partir do último vencimento sem pagamento. PERDAS ASSOCIADAS A OPERAÇÕES FIRMADAS DEPOIS DA DEVOLUÇÃO DE CHEQUES RECEBIDOS PARA QUITAÇÃO DO EMPRÉSTIMO ORIGINAL. Mantémse a glosa se o crédito original foi levado a perda e o sujeito passivo não prova a contabilização da receita decorrente de sua recuperação antes do segundo registro de perda. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 58 /2 00 8- 20 Fl. 10015DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 3 2 Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. TAXA APLICÁVEL. VARIAÇÃO PRO RATA DIA. Ao determinar que o cálculo dos juros está limitado à variação pro rata dia, a lei apenas estipulou que será considerando o dia do acréscimo ou decréscimo eventualmente verificado no patrimônio líquido ao longo no anocalendário. Nada na lei permite concluir que, mesmo mantendose inalterado o patrimônio líquido ao longo do período de apuração, a TJLP seria proporcionalizada em razão da quantidade específica de dias de cada trimestre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por vícios em prorrogações do MPF; 2) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por erro nos cálculos, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de perdas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Fl. 10016DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório Colhese da Resolução nº 1101000.104 o relatório das ocorrências até então verificadas nos autos: O presente processo retorna de diligência requerida pela Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, então integrante da 2a Turma Ordinária desta 1a Câmara, por meio da Resolução nº 110200.011. A contribuinte interpôs recurso voluntário contra acórdão da 6a Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou improcedente impugnação interposta contra lançamento que lhe exigiu crédito tributário no valor total de R$ 5.065.380,46. A autoridade lançadora constatou excesso de dedução de despesas de juros sobre o capital próprio no anocalendário 2006, dado que a aplicação da TJLP de 7,86808219% sobre o patrimônio líquido no início do período de apuração de R$ 47.568.870,76 resultaria em despesa de R$ 3.742.757,85, ao passo que a interessada deduziu R$ 4.219.239,77. Considerando que a Lei dispõe que o cálculo deve ser realizado pro rata dia, entendeu a autoridade lançadora que para encontrar a taxa efetiva a ser utilizada no cálculo deveria ser ponderada a taxa vigente em cada trimestre pelo número de dias de cada trimestre, em relação ao total de dias do ano. Assim, distribundo os 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias de 2006 ao longo de cada trimestre, e considerando as TJLP divulgadas trimestralmente, apurou a taxa efeitva com oito casas decimais de precisão. Também foram glosadas deduções de perdas no recebimento de créditos. Inicialmente o auditor responsável observa que a ação fiscal originouse de retificação da DIPJ que elevou a dedução em referência, no anocalendário 2006, de R$ 42.726.566,11 para R$ 52.159.908,33. A contribuinte foi intimada a individualizar as perdas registradas, e a apresentar planilhas com as informações de todos os contratos de empréstimos que geraram as perdas mensais no recebimento de créditos no ano de 2006, bem como a indicar qual o sistema de amortização utilizado para o cálculo das parcelas de cada um dos contratos constantes do arquivo mencionado acima, com a indicação da fórmula matemática respectiva e menção à inclusão ou não dos custos referentes à taxa de administração e IOF na determinação do valor da parcela. Concedidas prorrogações de prazo, a fiscalizada apresentou os elementos solicitados, informou que adotava o sistema de amortização francês (usualmente conhecido como “Tabela Price”) e indicou a fórmula respectiva para cálculo das prestações. Exigiuse que a interessada submetesse o arquivo apresentado ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), o que foi feito, bem como esclarecesse o porquê de alguns contratos constantes do arquivo magnético apresentarem valores de parcelas pagas nulos ou em branco, o que, depois de uma segunda intimação, foi atendido mediante apresentação de novos arquivos validados, acompanhados do esclarecimento de que os contratos que ainda permaneciam com valores nulos referiamse a perdas em operações de cartão de crédito ou adições de débitos de contratos já enviados anteriormente para perdas, em função da devolução de cheques e/ou troca de cheques dados em garantia, não se tratando, portanto, de um novo contrato, mas sim de um aumento de saldo de contratos em perdas. Fl. 10017DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 5 4 A autoridade fiscal exigiu outros esclarecimentos acerca destas operações, bem como da forma de sua contabilização, obtendo em resposta que tanto os contratos com apenas uma, como aqueles com nenhuma parcela a ser paga pelo tomador, referiamse a adições de débitos de contratos já enviados anteriormente para perdas, em função de devolução de cheques e/ou troca de cheques dados em garantia, não se tratando, portanto, de um novo contrato, mas sim de aumentos de saldo em contratos em perdas. Acrescentou, ademais, que a contabilização de todos os valores era feita por meio de saldos, através de lançamentos mensais. Diante deste contexto, abordando a legislação acerca da matéria, a autoridade lançadora demonstrou sua aplicação tomando como exemplo um dos contratos de crédito firmados pelo contribuinte, de modo a chegar a algumas conclusões gerais acerca do tema em racionínio indutivo. As características do referido contrato eram: 1) valor financiado: R$ 2.173,42; 2) taxa de juros: 4,5% a.m.; 3) número de prestações: 10; 4) IOF: R$ 14,94; 5) taxa administrativa e período de carência: nulos; 6) valor principal do empréstimo, equivalente ao valor financiado acrescido do IOF e da taxa de administração (neste caso igual a zero): R$ 2.188,36; e 7) cálculo das prestações mensais pelo "sistema Price", incluindo a taxa de administração e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Reportandose à fórmula para o cálculo das prestações no Sistema de Amortização Francês (“Tabela Price”), alteroua na medida em que no caso dos contratos firmados pela fiscalizada, o valor do IOF e da taxa administrativa incidentes na operação são embutidos no valor principal, e no caso eventual de concessão de prazo de carência, os juros são apropriados no período pro rata die. Adotou, assim, as seguintes referências: E, a partir desta fórmula, determinou em R$ 276,56 o valor da prestação do contrato adotado como exemplo, observando que ela não corresponde ao valor indicado pela fiscalizada (R$ 289,00). Defende, assim, o cálculo pela fórmula matemática adotada, a fim de que o valor global das perdas no ano de 2006 não venha a ser alterado em função de erros nos valores das prestações constantes no arquivo fornecido pela fiscalizada. Fl. 10018DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 6 5 Anota que o contrato em referência apresenta como último pagamento sem vencimento a data de 05/07/2005, autorizando sua dedução seis meses depois, em 05/01/2006, na medida em que a perda é inferior a R$ 5.000,00. Observa que o critério de valor é observado porque no contrato em referência o saldo devedor seria de R$ 870,00, equivalente ao valor ainda a amortizar do principal de cada contrato, ao qual se somam os juros embutidos nas duas parcelas seguintes que seriam pagas, haja vista que esses juros, por força do art. 9o da Resolução nº 2.682, de 21 de dezembro de 1999, do Banco Central do Brasil combinado com o art. 11, caput, da Lei nº 9.430/96, ainda são contabilizados como receita, podendo, entretando, ser excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Demonstra os lançamentos contábeis relativos ao contrato tomado como exemplo, no momento da contratação e liberação dos R$ 2.173,42, bem como a evolução contábil decorrente do pagamento de 7 (sete) das 10 (dez) parcelas do financiamento, considerando o valor de parcela apurada segundo os cálculos da Fiscalização, com a consequente apropriação das receitas de juros, apurando o saldo devedor de R$ 829,68, no qual além do principal estão incluídos juros a serem apropriados de R$ 69,43, assim como o IOF e a TAC, de forma proporcional. Na hipótese de transcorridos 3 (meses) meses do último vencimento sem pagamento, demonstra que o mencionado art. 9o da Resolução BACEN nº 2.682/99 autorizaria o reconhecimento de receitas financeiras nos dois primeiros meses de atraso, e a partir daí os valores correspondentes seria contabilizados como rendas a apropriar, em conta retificadora do ativo. Ressalta que o art. 11 da Lei nº 9.430/96, na mesma linha da referida disposição do Banco Central, autoriza a exclusão daquelas receitas financeiras levadas a resultado nos dois meses posteriores ao vencimento do crédito, mas acrescenta que não obstante os encargos financeiros de créditos vencidos poderem ser deduzidos já sessenta dias após o vencimento do crédito, este prazo acaba sendo absorvido, no caso de contratos com perdas de valor igual ou inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), pelos seis meses de atraso necessários para dedução do próprio saldo devedor do contrato (art. 9o, §1o, inciso II, a, da Lei nº 9.430/96). Conclui, assim, que a dedução de perda no recebimento de créditos está limitada à soma do saldo devedor deste contrato com as receitas financeiras embutidas nas duas próximas parcelas que seriam pagas, demonstrados nas planilhas de fls. 138/1928. Acrescenta que neste valor já estão computadas, de forma proporcional, as perdas decorrentes do IOF e das taxas administrativas, na medida em que estes valores encontramse diluídos no cálculo das prestações, compondo o montante amortizado com o pagamento de cada parcela. E demonstra que no contrato tomado como exemplo, a dedução admissível seria de R$ 817,78, e não de R$ 870,00, como indicado pela interessada. Por fim, consigna que, para a dedução em 31/12/2006 de perda gerada por um contrato, é necessário que, nesta data, já tenham transcorridos mais de seis meses do último vencimento em pagamento, ou, em outras palavras, que a diferença entre a data correspondente ao último dia do ano e a data do último vencimento sem pagamento seja superior a seis meses. Passa a abordar, então, a análise da documentação obtida, enfatizando que foram utilizadas as informações prestadas pela contribuinte, substituídas na fórmula de cálculo antes demonstrada. Conclui que há incongruências nos dados apresentados, acerca do sistema de amortização que a interessada diz adotar, e do valor da prestação cobrada dos tomadores do empréstimo. De toda sorte, apesar de demonstrar o cálculo dos juros e da amortização do principal embutidos nas parcelas do contrato antes tomado como exemplo, reafirma que a perda Fl. 10019DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 7 6 corresponde ao que denominado, em sua planilha, de “Saldo Devedor”, “Juros 01” e “Juros 02”. Observa, ainda, que: · os contratos constantes de fls. 1950/1956 somente gerariam perdas dedutíveis em 2007 (dado que não atendido o critério temporal, a perda somente seria dedutível se declarada judicialmente a insolvência, a falência ou a concordata do devedor); · os contratos de fls. 1929/1947 já poderiam ter gerado perdas em 2005, mas que são admitidas em 2006 porque sua dedução é uma faculdade conferida pela lei; · foram excluídos contratos que apresentavam taxa de juros igual a zero e apenas uma ou nenhuma prestação a ser paga pelo tomador do empréstimo, dado ter a contribuinte esclarecido que estes registros de perdas já haviam sido antes efetuados, assim não se configurando um novo contrato, mas sim um aumento de saldo de contratos em perdas, consoante demonstra em abordagem à decolução de cheques dados em garantia, concluindo que seu recebimento representariam recuperação de crédito, e seu não recebimento não alteraria a perda decorrente do contrato original, mas ainda assim cogitando da possibilidade de sua dedução como perda caso o recebimento do cheque representasse receita oferecida a tributação, o que não se verificou porque houve mero controle extracontábil para posterior dedução das perdas; · foram excluídos os contratos que geravam perdas superiores a R$ 5.000,00, mas ainda não vencidos há mais de um ano em 31/12/2006. Para os contratos restantes, o agente fiscal calcula o valor da prestação, do saldo devedor após o pagamento das parcelas pelo tomador, bem como os juros dos dois período seguintes, e, portanto, pela soma dessas últimas parcelas, o valor da perda gerado por aquele contrato. Adicionando 180 dias à data do último vencimento sem pagamento, identifica os contratos geradores de perdas com atraso superior a seis meses, e totalizadas as perdas promove seu confronto com a dedução registrada contribuinte, admitindo como dedutível o menor dos dois valores, na medida em que a Lei apenas faculta, e não obriga, a sua dedução. A dedução admitida representa R$ 45.030.234,18, aí ajá incluídas as perdas consideradas admissíveis quando superiores a R$ 5.000,00, bem como as parcelas que eram dedutíveis em 2005. Considerando que a contribuinte deduziu R$ 52.159.908,33 a este título em sua apuração do anocalendário 2006, a autoridade fiscal promove a glosa de R$ 7.129.674,15. Sobre a base tributável total (R$ 7.129.674,15 + R$ 476.481,92 = R$ 7.606.156,07) calcula o IRPJ e a CSLL devidos, equivalentes aos valores principais de R$ 1.901.539,02 e R$ 684.554,05, respectivamente, aos quais imputa multa de ofício de 75% e juros de mora calculados com base na taxa SELIC, ensejando o crédito tributário total lançado de R$ 5.065.380,46. A Turma Julgadora de 1a instância julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. A suposta inobservância por parte do autuante de norma infralegal relativa à emissão e prorrogação do MPF não atinge a competência dessa autoridade fiscal na realização plena das suas atividades legalmente próprias e nem torna nulo o lançamento. Fl. 10020DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 8 7 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. JULGAMENTO. A realização de diligências e perícias tem por final idade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da l ide, sendo, por conseguinte, prescindível quando o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). DEDUTIBILIDADE. Sem prejuízo dos demais critérios legais, a pessoa jurídica pode deduzir, para efeitos da apuração do lucro real , os JCP que pagar , até o limite calculado sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DEDUTIBILIDADE. Ressalvados os demais critérios legais, as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica podem ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real , desde que estejam os créditos vencidos há mais de seis meses. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Ressalvados os casos especiais, o lançamento reflexo colhe a mesma sorte do denominado matriz, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/10/2009 (fl. 2896), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 13/11/2009 (fls. 2897/2994), apresentando ainda o aditamento de fls. 3067/3070, acompanhado dos documentos de fls. 3084/4449. As razões de defesa estão assim sintetizadas na Resolução nº 1102000.011: Discorre sobre o procedimento e a decisão e, em síntese, pede, a) liminarmente, sejam desconsiderados os argumentos expendidos quanto ao erro da autoridade lançadora, no tocante à dedução das perdas efetivas.(Entre os valores consignados na DIPJ original e retificadora) Posto que se enganara ao redigir suas razões de impugnação mas reitera que igualmente mantevese o erro do autuante quanto a um eventual limite de dedução de R$ 45.030.234,18 (quarenta e cinco milhões, trinta mil, duzentos e trinta e quatro reais e dezoito centavos), eis que tal montante foi considerado antes de apresentada e analisada toda a documentação oferecida pela Recorrente demonstrando as suas perdas com relação aos cartões de créditos, de modo a autorizar os valores utilizados a título de dedução. Tal limite não observou os dados lançados na DIPJ retificadora, mas somente na declaração original; o que por si só já demonstra que as perdas lançadas na DIPJ original estavam inferiores ao que deveria ter sido informado, conforme a própria fiscalização reconhece. Observa que, tendo em vista diversos outros argumentos preliminares e de mérito que corroboram a improcedência da autuação em cotejo, entende não haver qualquer prejuízo para o prosseguimento no trâmite do presente processo e no conseqüente afastamento da respectiva cobrança. b)Pede a análise dos “NOVOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO”, por conta do tempo suficiente que teve para produzir a integralidade dos elementos hábeis a comprovar a regularidade no registro das perdas efetivas em todas as operações comerciais que realizou no anocalendário de 2006.(E que não atendeu este pedido no prazo de 30 dias concedidos na fase inquisitória, pela exigüidade do prazo ante a quantidade de documentos analisados).Trabalho somente concluído nesta fase, em torno de 50.000 operações de empréstimo financeiro foram catalogados). Destaca a impossibilidade de impressão e juntada nos autos de todos esses documentos em um processo administrativo; motivo suficiente para justificar a perícia, conforme requerido anteriormente. Comenta que a impossibilidade de comprovação compreendeu, inclusive, o período pelo qual se estendeu toda a fiscalização, tendo em vista, dentre outros equívocos do procedimento fiscal, as flagrantes inexatidões, incoerências e insuficiências nas exigências apostas pelas intimações encaminhadas quanto aos documentos e informações à época requeridos. Embora apresentasse o contrato meramente ilustrativo, supôs que fosse realizada verificação individualizada dos contratos, providência que não se verificou, embora expressamente requerida. Fl. 10021DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 9 8 Comenta que para se garantir quanto a negativa de conversão do julgamento em diligência , dando continuidade a outras verificações internas, adotará, neste momento, nova conduta, apondo novas informações quanto a seus argumentos muito embora não haja solicitação do fiscal, e aumentando o número de exemplos utilizados para cálculo e documentação, embora se mantenha a impossibilidade de documentação sobre todas as operações, sanável apenas por meio de nova diligência ou perícia fiscal. Desta forma, impõese, de início, registrar tal possibilidade de instrução probatória e oferecimento de novos argumentos em sede de Recurso Voluntário, tal como perfeitamente previsto na legislação aplicável e permitido pela jurisprudência desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suportaria seu pedido a Lei 9784/1999, da qual transcreve os artigos 2o, 3o, 38, 65 e 16 do decreto 70235/1972. Invoca o princípio da verdade material, o que obrigaria a análise dos documentos apontados e oferecidos nessa fase de julgamento. c) Aduz, também, a Preliminar de Nulidade do procedimento, por vício no MPF, e de forma diversa a consignada na decisão combatida, não se trata de "mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por norma infralegal e desprovido do condão de gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal". Mas tal conclusão é equivocada posto que a sua instituição é regrada pelo Decreto n° 3.724/2001, sendo clara a obrigatoriedade da observância das disposições de regência da matéria, mormente após as alterações promovidas pelo Decreto n° 6.104/2007, artigo 2o, § 2o, 4o, 5o, o que prova a essencialidade de respeito aos seus comandos, sob pena de nulidade do procedimento, o que ora requer. Transcreve Portaria SRF 11.371, de 12/12/2007, artigos 11 e 12, e art.7o, § 1o e 2o. do Decreto 70235/1972, linha na qual expende vasto arrazoado, reforçando seus argumentos com as decisões proferidas no acórdão 10613.329; 10194060. Alude que através do demonstrativo de prorrogações (doc. 05), o referido MPF seria inicialmente válido até o dia 28 de junho de 2008 e somente até essa data a autoridade fiscal estaria apta a efetuar a primeira prorrogação, como regularmente feito, prorrogandoo até o dia 27 de agosto subseqüente (doc. 06). Todavia, buscando nova prorrogação até o dia 26 de outubro, a autoridade fiscal incorreu em manifesta ilegalidade, uma vez que o MPF anterior já estava extinto, nos termos inciso II do artigo 14 da Portaria SRF n° 11.371/2007. Também, diante da nova prorrogação, imperioso observar o art 15 § único da Portaria acima mencionada, ou seja, a substituição do autor da ação.Conclui na seguinte linha: (...) “Portanto, os dois últimos procedimentos de prorrogação, que englobaram o período de 28 de agosto até 10 de dezembro de 2008 (data em que a fiscalização foi encerrada), foram instaurados em manifesto desacordo com as normas aplicáveis, restando contaminados de vício insanável o bastante para tornálos nulos de pleno de direito. Referida nulidade afronta ao princípio da moralidade, na medida em que a administração tributária é obrigada a respeitar as regras e prazos por ela própria fixados para validar seus atos. Tal cautela busca evitar a protelação indefinida e sem controle de ações fiscais. Não foi outro o entendimento do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ainda quando denominado Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, na forma seguidamente transcrita.” Transcreve as ementas dos acórdãos Ac 10613329,10194060,10613156, que secundariam seus argumentos. 3)Alude ERROS DE CÁLCULO INCORRIDOS na fiscalização QUANTO À DEDUÇÃO DAS PERDAS EFETIVAS, repisando as razões oferecidas em sede de Fl. 10022DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 10 9 impugnação, para concluir que a metodologia utilizada pelo autuante não se compagina com a realidade dos fatos. Repisa que o autuante escolheu exemplos que não refletem a verdade material, no que tange a imposição da base de cálculo, estima de uma forma completamente em descordo com aquela verdadeiramente ocorrida. Reclama que os termos de adesão juntados à impugnação não tiveram dos julgadores a importância que o assunto requeria. E, continua: “Nada obstante a relevância conferida ao assunto tanto pela fiscalização como pela ora Recorrente enquanto Impugnante, haja vista que tal forma de cálculo serviu de principal base para a cobrança do valor total autuado, a decisão ora recorrida, surpreendentemente, sequer examinou os argumentos relacionados, alegando unicamente que "quanto à inobservância, pela fiscalização, do prazo de carência nos contratos de empréstimos entre a interessada e seus clientes, o fato foi alegado pela defesa sem o necessário acompanhamento de documentação de teor suficiente para dar a ele suporte material, sendo certo que alegar sem provar é o mesmo que não alegar". Ora, primeiramente, devese consignar que os Termos de Adesão juntados a título exemplificativo perfazem plenamente o objetivo de comprovar os dias de carência concedidos a determinado contrato, pois, além de apresentarem a assinatura do beneficiário do empréstimo, descrevem nitidamente o discutido período de carência, por mera confrontação visual no documento, da data de celebração do contrato e a data de vencimento da 1a prestação. Vejase, por exemplo, que no Termo de Adesão da Sra. Lúcia Cabral do Nascimento (Contrato n° 03.6073361, ao invés do informado no Termo de Verificação Fiscal, de n° 00.2424442) doc. 04 da presente e doc. 09 da Impugnação, consta, além de sua assinatura, a data de adesão (30.09.2004) e a data de vencimento da 1a prestação (01.12.2004), o que presume a concessão de 30 (trinta) dias de carência, contados após os primeiros 30 dias usuais de vencimento normal da 1a prestação, conflitando com a carência zero utilizada pela fiscalização.” Reclama da decisão por não informar o motivo que a levou a considerar insuficiente como prova do acerto em seu procedimento, bem como não se preocupar em manter uma exigência respaldada em uma base de cálculo presuntiva. Aponta a falta de motivação como mais um elemento a justificar a necessidade de ser declarada nula a decisão combatida. Além do que, o” racional empregado pela referida decisão se mostra claramente contraditório, uma vez que, se realmente fosse assim, não haveria motivo para rejeitar o pedido de conversão do feito em diligência ou da realização da perícia, outrora requeridas pela ora Recorrente”. Alude a impossibilidade física da juntada desses documentos (50.000)porque os autos não os comportariam, mas, por cautela e com o objetivo de demonstrar de maneira ainda mais clara que os erros de cálculo denunciados se estendem à maior parte das operações realizadas, aumenta por ora o número de exemplos utilizados (doc. 05) e acosta, através de mídias eletrônicas, todas as informações necessárias para o cálculo das operações então realizadas. Cita que restou demonstrado o equívoco de cálculo perpetrado pelo autuante quanto ao exemplo eleito como modelo, ou seja, a operação com a Sra. Lúcia Cabral do Nascimento (Contrato n° 03.6073361), já anteriormente mencionada. Sobre os respectivos valores se aplicou a fórmula referente ao Sistema de Amortização Francês ("Tabela Price"), considerada a apropriação dos juros no período pro rata die. Aponta as variáveis que construíram o modelo, para dizer que na aplicação desta fórmula o fiscal considerou que a variável que representava (carência em dias para o pagamento da primeira prestação) nada valeria, ou seja, não haveria dias de carência naquela hipótese. E continua: “Como exaustivamente consignado pelas razões de Impugnação, assim se afirma porque, como se vê das fls. 20 e 21 do Termo de Verificação Fiscal, a parte da Fl. 10023DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 11 10 fórmula em que se faz a soma ‘n + c/30', para se encontrar a potência a elevar quanto à parte superior da fração, no exemplo utilizado virou 10 (dez). Significa dizer que, sabendose que a variável 'n' (número de prestações do contrato) valia 10 (dez), para calcular o valor da potência a autoridade fiscal entendeu que a fração 'c/30’ seria 0 (zero), como se não houvesse qualquer carência, encontrando, por fim, o valor de R$ 276,56 (duzentos e setenta e seis reais e cinqüenta e seis centavos) , o que confrontaria com o valor declarado pela Recorrente de R$ 289,00 (duzentos e oitenta e nove reais) (...) Conforme já mencionado nas presentes razões, no Termo de Adesão da Sra. Lúcia Cabral (doc. 04 da presente e doe. 09 da Impugnação), consta a data de adesão (30.09.2004) e a data de vencimento da 1a prestação (01.12.2004), perfazendo um período de 2 (dois) meses, o qual é constituído pelo usual decurso de 1 (um) mês para o pagamento e, ainda, mais 30 (trinta) dias de carência. Desta forma, em sua reconstituição dos cálculos relacionados ao contrato da Sra. Lúcia Cabral do Nascimento (fl. 20) , com normal postergação de 30 (trinta) dias, o d. fiscal ignorou este detalhe, concluindo que o valor da prestação calculada para o empréstimo encontrarseia incorreta (fl. 21). Ao repetir o cálculo utilizando a fórmula apresentada ao fiscal em resposta a sua intimação, e considerando o prazo da carência (postergação do 1o vencimento em 30 dias) por ele ignorado. Demonstra a fórmula que utilizou a qual é a realidade dos fatos (doc c). O erro do fiscal teria provocado erro em todos os valores lançados. Esse motivo, por si bastante para anulação do feito. No mérito referese à IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA QUANTO AOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO, porque obedecera aos limites.de dedução instituídos na lei. E o autor da ação, embora registrando que fora respeitado os limites delineados pelo artigo 9o. §1° da Lei 9249/1995, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei 9430/96, afirma que os cálculos consideraram, apenas, o limite do parágrafo, sem observar o limite do caput do artigo. Em suas razões oferece o documento 07, cópia do livro razão e doc 08, balancete gerencial, onde afirma que as informações foram reunidas na planilha de cálculo (doc 09), que comprovaria o valor de deduzido no período R$ 3.746.048,57 sendo a diferença de R$ 473.191,20 decorrente da remuneração aplicada em favor dos sócios e acionistas por estes não haverem recebidos parte dos JCP's no ano de 2005. Comenta que o limite imposto através do artigo 9o. do § 1o do art. 9o da Lei n° 9.249/95 caberia unicamente na forma de cálculo dos juros pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio", não se estendendo a limitar a correção dos valores que não haviam sido distribuídos, a qual traduz mera adequação do valor ao longo do tempo e, por isso,não representando qualquer vantagem a título de dedução, linha na qual invoca decisões administrativas que secundariam sua posição. Comenta, também, a título de argumentação que, mesmo se errada em sua conclusão, quando muito, caberia a cobrança da postergação do pagamento do imposto, nos termos do PN02/1996, o qual transcreve na íntegra, e não o lançamento conforme consignado nos autos. Comenta a falta de certeza do valor exigido, o que macularia a base de cálculo da exigência, implicando em novo cálculo para se chegar ao valor correto. Retorna ao tema – DAS PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – para dizer que observou rigorosamente todos os critérios objetivos estabelecidos pelo art. 9o da Lei n° 9430/1996. Releva que a parte da autuação relacionada a esse item decorreu da adoção pela fiscalização de premissas equivocadas, as quais foram mantidas pela decisão recorrida, também de forma indevida. Isto porque o CRITÉRIO TEMPORAL PREVISTO NO ART. 9o, § 1o, II, “A”, DA LEI N° 9.430/96, conforme se aduz do Termo de Verificação Fiscal, parte dos créditos, sem garantia, de valores menores ou iguais a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) que foi Fl. 10024DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 12 11 desconsiderada com base na equivocada interpretação do art. 9o § 1o, II, a , da Lei n° 9.430/96, através da qual "o critério temporal previsto nesse dispositivo, para dedução de perdas no recebimento de créditos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, é que tenham transcorrido mais de seis meses da data do último vencimento sem pagamento". Alude que a fiscalização foi incapaz de demonstrar a legislação que assim determinava, uma vez que essa manifestamente não existe. E que o prazo utilizado pelo fiscal não se compagina com o dispositivo legal. Desta forma, parte do valor exigido já está diretamente prejudicada, embora não se faça idéia de em quanto a mesma seria calculada, pois a fiscalização não informou o quanto autuou em razão dessa malsinada premissa de contagem, o que exige que os autos sejam baixados em diligência, de forma que possa ser realizada tal aferição. Reclama, ainda, da DA RESTRITIVA INTERPRETAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL QUANTO AOS JUROS EMBUTIDOS PARA FINS DE APURAÇÃO DAS PERDAS EFETIVAS, pois embora a autoridade fiscal não tenha vinculado diretamente qualquer cancelamento das perdas efetivas declaradas pela Recorrente em razão dos juros embutidos em valores principais inadimplidos, ilegalidade idêntica à destacada no tópico anterior se constata da malsinada afirmação de que somente seria permitida a dedução dos acréscimos referentes às duas parcelas seguintes, premissa que, equivocadamente, também serviu de fundamento para o cálculo das autuações analisadas. Acosta os dispositivos relacionados, quais sejam, o art. 11 da Lei n° 9.430/96 e o art. 9o da Resolução BACEN n° 2.682, de 21 de dezembro de 1999, e comenta que à leitura dos aludidos dispositivos somente traduz conduta proibitiva quanto à dedução dos encargos constituídos anteriormente ao período de 60 (sessenta) dias, o que significa que todos os valores correspondentes que superem tal limite mínimo podem ser utilizados no cálculo das perdas definitivas. E comenta: Ao contrário, a redação do art. 11 da Lei n° 9.430/96, que efetivamente possui competência para inaugurar qualquer restrição às condutas fiscais dos contribuintes, se destina ao valor "auferido a partir do prazo definido neste artigo", querendo dizer que todo e qualquer encargo posterior a este lapso pode ser considerado.(destaque das razões) Comenta ser este o caso do exemplo escolhido pela própria Fiscalização, no qual há a possibilidade de os encargos pertinentes às 03 (três) parcelas que não foram quitadas serem incluídos, tendo em vista que todos superaram o período mínimo determinado. Deste modo, novamente se verifica que a Fiscalização pretendeu impor entendimento que não possui qualquer respaldo legal, em prejuízo do seu direito e distorce a realidade de qual seria, efetivamente, a diferença cabível. No tocante AS PERDAS EFETIVAS QUANTO ÀS ADIÇÕES DOS CONTRATOS DE EMPRÉSTIMO EM RAZÃO DA SUBSTITUIÇÃO DE CHEQUES recorda que a parcela restante da autuação se refere aos contratos em que consta uma ou nenhuma parcela a ser paga, em relação à qual a Fiscalização concluiu que o valor adicional dos cheques apresentados pelos clientes em acréscimo à operação original "não é levado a resultado, mediante débito na conta caixa e crédito", alegando que tal valor não seria oferecido à tributação e, por isso, não seria dedutível. Mas informa que os valores são levados a resultado e, conseqüentemente, suscetíveis à tributação, uma vez que os contratos em tela nada mais são do que acréscimos aos negócios jurídicos firmados anteriormente, representando entrega de título (cheque) com cômputo de juros, para pagar prestação em aberto, acrescenta:. Destarte, se verifica com clareza que o recebimento de novos cheques quanto a operações que ensejaram o registro de perdas traduz a cobrança da Recorrente em determinado cliente sobre o acréscimo (juros por atraso) aos valores originários, de forma que o cheque posteriormente apresentado nada mais é do que o pagamento de juros decorrentes Aduz que,se por ocasião do desconto tais cheques não forem cobertos não haveria outra alternativa considerar seus respectivos valores como perdas, na forma do art. 9o da Lei Fl. 10025DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 13 12 n° 9.430/96. A confusão talvez se deva à forma pela qual as instituições financeiras adotam a contabilização de tais perdas, apesar de ser de notório conhecimento que a contabilidade não pode, de maneira alguma, servir como critério exclusivo para a determinação da incidência de tributos a recolher ou do direito de dedução em discussão. Consigna que observa os critério de apuração das perdas segundo os preceitos previstos nas Leis n°s 8.981/95 e 9.430/96 e que todos os ajustes necessários são registrados no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, devidamente apresentado à Fiscalização, nada obstante esta não tenha registrado qualquer descumprimento específico. Mas,diante da inexistência de regulamentação destinada especificamente a esta hipótese, os registros contábeis referentes a estas perdas, tal como ocorria com a sistemática de provisão anterior (PDD), seguem devidamente as disposições de apuração mensal da Resolução n° 2.682 do Banco Central (doc. 10 da Impugnação). Aponta , como exemplo, o contrato de empréstimo celebrado pelo Sr. Abel Vitorino De Moura Neto, a segunda operação nada mais é do que uma complementação da contratação anterior relativa ao pagamento de juros que, evidentemente, não estavam previstos na negociação inicial. E acrescenta que mesmo se tais valores pertinentes aos juros não fossem oferecidos à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, o E. Superior Tribunal de Justiça já consolidou o posicionamento de que tais parcelas não configuram qualquer acréscimo patrimonial a ponto de justificar a incidência do IRPJ e, de forma reflexa, da CSLL, a saber: "TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL ART. 43 DO CTN IMPOSTO DE RENDA JUROS MORATÓRIOS CC, ART. 404: NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA NÃOINCIDÊNCIA. Os valores recebidos pelo contribuinte a título de juros de mora, na vigência do Código Civil de 2002, têm natureza jurídica indenizatória. Nessa condição, portanto, sobre eles não incide imposto de renda, consoante a jurisprudência sedimentada no STJ. Recurso especial improvido." (grifouse) Conclui que não cabe considerar a possibilidade de excluir tais valores das perdas registradas DA DEPRECIAÇÃO NO CÁLCULO DAS PERDAS EFETIVAS EM RAZÃO DA SUPOSTA FACULDADE PREVISTA NO § 1o DO ART. 9o DA LEI N° 9.430/96” Diz encerrar as razões de mérito, para contestar, mais uma vez, os cálculos realizados na referida autuação de forma a comparar "o valor das perdas calculado por esta Fiscalização (Coluna ''Perda Calculada' em fls. 138 a 1.928), (constante da coluna Saldo Devedor Deduzido como Perda' em fls. 138 a 1.928), tendo sido considerado sempre o menor dos dois valores (Coluna Perda Admissível fls. 138 a 1.928)". Teria a autoridade fiscal justificado tal perda em razão do § 1o do art. 9o da Lei n° 9430/96, o qual pretensamente facultaria "a dedução de perdas no recebimento de créditos, o que permitiria, inclusive, uma dedução parcial", mas a adoção do menor valor possuiu o único intuito de lhe prejudicar, haja vista que, a uma, se a razão para alteração de valores decorreu da forma como foram consideradas adições ou deduções nas respectivas fórmulas, o cálculo deve ser meramente matemático, não havendo qualquer elemento de convicção envolvido; e, a duas, restou óbvio que a Recorrente buscou sempre aproveitar as deduções a que tem direito. Sendo a intenção da autoridade fiscal esclarecer de forma justa a questão, dentre os inúmeros documentos e informações solicitados durante o procedimento de fiscalização, poderia em qualquer momento indagar à Recorrente se esta teria a disposição de exercer a aludida faculdade parcialmente. Esclarece, como dito na impugnação, que pretende aproveitar integralmente os direitos de dedução que a legislação competente lhe confere, de modo que PUGNA PELA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO da aludida autuação e dos respectivos documentos vinculados, por se tratar de questão eminentemente material, para que seja aproveitada a integralidade das perdas se, tal como sustentado pela fiscalização, tal aproveitamento Fl. 10026DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 14 13 tenha ocorrido a menor do que o valor a que teria direito, gerando equivocada impressão de opção pelo aproveitamento meramente parcial. E acaso assim não se conclua, pede prazo razoável para apurar o quanto teria sido aproveitado a menor e, assim, retificar as informações e documentos relacionados de forma a obter o aproveitamento integral das perdas geradas quanto ao recebimento de créditos em decorrência das sua atividades comerciais. Como demonstrara, por todos os ângulos, que a autuação ora combatida não deve ser mantida, de modo que os valores lançados como despesa correspondem, efetivamente, às perdas no recebimento de créditos de acordo com os requisitos determinados pela legislação aplicável, notadamente as Leis n°s 9.249/95 e 9.430/96 e, diante dos diversos equívocos incorridos pela Fiscalização e dos documentos e informações já acostados aos autos, a Recorrente requer, acaso a autuação originária não reste nula ou improcedente, o que se admite apenas para fins de argumentação, a conversão do feito em diligência, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 e do art. 38 da Lei n° 9.784/99, especialmente pela comprovada impossibilidade e alto custo financeiro e operacional quanto à emissão, transporte e juntada aos autos de milhares de documentos e informações essenciais ao deslinde da questão em comento. A contribuinte apresenta aditamento às suas razões de recursos , às fls. 3067/3070, e repete da dificuldade em juntar os documentos envolvidos, para fornecer os elementos hábeis comprovar regularidade no registro das perdas quanto a todas as operações comerciais realizadas no anocalendário objeto da autuação, tanto em razão da significativa quantidade de cópias relativas um exercício inteiro (em torno de 50.000 operações de empréstimo financeiro) como em decorrência da impossibilidade de sua impressão e juntada nos autos de um processo administrativo, corroborando a necessidade de conversão do feito em diligência, conforme já requerido alhures. Afirma que a documentação esteve disponível desde o início da fiscalização, caso fosse intimada para tanto ou, ainda, se tivesse ciência de que o fiscal usaria cálculos que dependessem de tais documentos, os quais seriam apresentados por liberalidade. Cita como exemplo, quanto aos dias de carência de cada uma das operações, os quais, diretamente determinantes para o cálculo das respectivas parcelas dos empréstimos concedidos aos clientes (e, consequentemente, no cálculo das perdas no recebimento dos respectivos créditos), foram completamente desconsiderados pela autoridade fiscal, nada obstante houvessem sido plenamente apresentadas durante a fiscalização as planilhas com todas as informações pertinentes que esclareciam a regularidade nos cálculos dos valores respectivamente deduzidos. Por isto acosta novos Termos de Adesão hábeis a demonstrar que em outras operações (as quais se encontram igualmente entre as operações discriminadas na planilha apresentada à fiscalização e através do Recurso Voluntário por meio de mídia eletrônica) a Requerente concedeu carência a seus clientes, de modo que a fórmula aplicada aos cálculos das respectivas perdas deveria também nessas oportunidades considerar tal variável, para assim, encontrar os corretos valores calculados para fins de perdas. E, embora impossibilitada de juntar todos os termos de adesão firmados quanto ao ano base de 2006, com base nas razões anteriormente expostas, a nova juntada que demonstra, ao menos em parte das operações correspondentes, a existência da carência e o conseqüente erro de cálculo da fiscalização, o que reforça não só os argumentos de nulidade da autuação como, subsidiariamente, o requerimento de realização de diligência. Protesta pelo recebimento das razões e dos documentos anexados para, assim, reiterar a necessidade de se determinar a anulação da autuação contestada, tendo em vista o manifesto o erro da fiscalização no cálculo do valor autuado, conforme plenamente comprovado pelo Termo de Adesão já apresentado (Sra. Lúcia Cabral) e pelos outros 12 (doze) juntados através do presente aditamento. A conversão do feito em diligência foi assim justificada pela I. Relatora: O Recurso é tempestivo. Fl. 10027DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 15 14 No termo de verificação de fls. 2625/2674, a causa de lançar, conforme apontado no relatório do voto condutor do acórdão guerreado, decorre: a)excesso no limite de dedutibilidade de despesas com juros sobre capital próprio (JCP) e b) dedução indevida de perdas no recebimento de créditos. No tocante ao primeiro item o auditor comparou as despesas com juros sobre o capital próprio, deduzidas indevidamente, observando dois limites: i) o equivalente ao montante definido pela aplicação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) sobre as contas do patrimônio líquido, excluídos os valores referentes às reservas: (a) de reavaliação de bens e direitos; (b) de reavaliação de bens imóveis e patentes que tenham sido capitalizados, em relação às parcelas não realizadas; e constituídas como contrapartida da correção monetária e ainda não realizadas. ii) igual a metade do lucro computado antes da dedução dos JCP ou dos lucros acumulados e reserva de lucros. Na primeira verificação ela considera os valores de TJLP e o número de dias de cada trimestre do anocalendário de 2006, informado às fls. 2.636, apontando a taxa pro rata dia, arredondada até oito casas decimais, igual a 7,86808219%. Em seguida aplicou este percentual sobre o montante do patrimônio líquido, (porque não havia reservas a serem excluídas, igual a R$ 47.568.870,76) valor obtido na linha 40 da ficha 37B da DIPJ retificadora do período (fls. 130). Com isso chega ao limite de dedutibilidade de R$ 3.742.757,85, valor informado na declaração já referida, ficha 06B, linha 45 (fls.117), em R$ 476.481,92. Na segunda verificação, o autuante confrontou os JCP, iguais a R$ 4.219.239,77 (inicialmente, com o lucro líquido antes do IRPJ ficha 06B, linha 61, da DIPJ retificadora, igual a R$ 5.544.998,15, adicionado dos JCP); depois, com os lucros acumulados (ficha 37B, linha 35), no valor de R$ 21.010.947,61, somados às reservas de lucros (ficha 37B, linha 31, de R$ 1.3953914,44). Em ambas comparações, concluiu que não houve desrespeito aos limites. A Contribuinte, neste item, aduz o acerto em seu procedimento e pede, que se o Colegiado não concordar com sua tese, baixe o processo em diligência para que seja verificada a ocorrência da figura da postergação no pagamento do imposto devido. (Antecipação de despesas). Em relação às deduções de perdas no recebimento de créditos, o autuante considerou indevidos o montante de R$7.129.674,15 número encontrado através de raciocínio indutivo, a partir da análise de um contrato de financiamento entre a interessada e uma cliente sua, para obter conclusões gerais acerca do tema. As características do referido contrato eram: (i) valor financiado, R$ 2.173,42; (ii) taxa de juros, 4,5% a.m.; (iii) número de prestações, 10; (iv) IOF, R$ 14,94; (v) taxa administrativa e período de carência, nulos; (vi) valor principal do empréstimo, equivalente ao valor financiado acrescido do IOF e da taxa de administração (neste caso igual a zero), R$ 2.188,36; e (vii) cálculo das prestações mensais pelo "sistema Price". A Contribuinte, em sede de recurso reitera o pedido de diligência para que fosse revisto o lançamento. No que tange à dedução das despesas referentes ao juros sobre o capital próprio (JCP) e o valor excessivo considerado no ano calendário, invoca a Contribuinte a possível ocorrência de postergação (independente do aspecto de se referir aos juros sobre o capital próprio, matéria não analisada pela Câmara). Assim, por economia processual, e para que se evite o argumento de cerceamento do direito de defesa da recorrente, pedese que o diligenciante observe se houve, provisão a menor desta conta no período anterior e no seguinte. No tocante aos valores referentes às deduções das perdas decorrentes dos financiamentos realizados, entendo que é salutar a conversão do julgamento em diligência por dois motivos: primeiro, porque a Recorrente fez a DIPJ retificadora, e, segundo alega, faz todos os ajustes necessários de sorte a infirmar a Denúncia Fiscal; e, o segundo motivo, é que pela legislação em vigor, o fisco pode utilizar formas racionais de desenvolver seu trabalho de auditoria, mas não lhe é permitido presumir valores a partir de raciocínio indutivo (partindo do particular para o geral) porque a contribuinte Fl. 10028DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 16 15 juntou vários documentos que necessitam ser revisitados pelo Autuante, para que sejam respondidas as seguintes indagações: a) Se os valores de R$ 5.000,00, dizem respeito a cada operação, e se refere a operações parcelas, ainda não pagas, se o prazo de vencimento é superior a l (um) ano? b) Fazer demonstrativo de cada contrato, um a um, demonstrando o valor da operação, o valor das parcelas pagas daquela operação, o valor das parcelas vincendas e não pagas com prazo superior a 6 meses, e valor dos juros eventualmente devidos e o total do débito vencido e não pago há mais de 6 meses. Indicar se o tomador é pessoa física ou jurídica. c) Discriminar os valores de operações superiores de R$ 5.000,00 a R$ 30.000,00, vencidas há mais de 1 (um) ano destacando a que há existe ação judicial de cobrança, indicando as parcelas vencidas e os juros cobrados. d) Discriminar, em relação apartada, no modelo do item “b” os débitos com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o aresto das garantias; e) Discriminar os casos de devedores declarados falidos ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar. Após, relatório circunstanciado será elaborado e dele seja colhido a ciência da Contribuinte para que a mesma se pronuncie, em achando necessário. Sugestão que submeto aos meus pares, neste ato. Os autos foram inicialmente encaminhados à DEMAC/RJ, que produziu informação fiscal com vistas a subsidiar diligência pela unidade administrativa do domicílio da contribuinte (DRF/Vitória). Em tal documento (fls. 4491/4570) a Fiscalização argumenta: · Ser perfeitamente possível, no caso sob análise, tomar um contrato como exemplo para fins de aplicação de fórmula matemática à totalidade dos contratos que geraram perdas no recebimento de créditos no anobase de 2006, mormente tendo em conta que todos os valores contabilizados como provisão para perdas no recebimento de créditos foram afirmados perdas efetivas, e que a fórmula de cálculo adotada pela Fiscalização era aplicável a todos os contratos, como reconhecido pela contribuinte. · Considerados os critérios diferenciados estabelecidos pela legislação tributária para dedução de perdas, esta somente pode ser registrada no período de competência do imposto, mormente tendo em conta as outras regras que regulam a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Por esta razão, foram adotados o menor dos valores quando comparados os cálculos do Fisco e da fiscalizada, especialmente frente à incerteza manifestada pela contribuinte acerca das perdas verificadas. Ademais, os cálculos da Fiscalização levaram em consideração as características dos contratos e a fórmula matemática informados pelo contribuinte. · A desconsideração dos prazos de carência dos contratos decorre da falta de boafé da fiscalizada que, sabendo que estas informações alterariam o cálculo das perdas, não prestou estas informações ao Fisco. Contudo, a partir dos efeitos da fórmula utilizada pela Fiscalização sobre um dos contratos, restou evidenciado que a carência de 30 (trinta) dias ali estabelecida já foi considerada quando do cálculo da prestação e, portanto, também já foi levada em consideração quando do cálculo da perda gerada por este mesmo contrato, assim como nos cálculos das perdas geradas por todos os demais contratos. · Contudo, houve erro na fórmula de cálculo da perda individual gerada por contrato no lançamento original, por ter sido utilizada, como fórmula de Fl. 10029DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 17 16 cálculo da perda gerada por um contrato, o valor de seu saldo devedor acrescido do montante dos juros embutidos nas duas parcelas que ainda seriam pagas (a correspondente à data do primeiro vencimento sem pagamento, e a seguinte), mas ainda assim o valor deduzido pela contribuinte foi superior ao que seria admissível segundo os cálculos da Fiscalização. · Embora solicitado à contribuinte informação acerca da data do último vencimento sem pagamento, a Fiscalização teria utilizado, nos cálculos, a data do primeiro vencimento sem pagamento como termo inicial para determinar o prazo de atraso dos contratos. · Quanto às receitas financeiras embutidas nas parcelas que venceriam nos dois meses seguintes à data do primeiro vencimento sem pagamento, sua exclusão não será necessária pois só seria permitida caso as receitas de juros tenham sido levadas a resultado após estes mesmos dois meses de atraso (art. 11, Lei nº 9.430/96), o que não ocorrerá, já que expressamente vedado pelo art. 9o da Lei nº 9.430/96 e pelo também art. 9o da Resolução CMN nº 2682/99. · No que tange à dedutibilidade das perdas geradas por contratos com uma única ou nenhuma parcela paga pelo tomador, devese ter em conta o disposto no Termo de Verificação Fiscal em fls. 2.663 a 2.666 (item 2). · Perdas em operações com cartão de crédito nunca foram mencionadas no curso da ação fiscal, evidenciando manobras protelatórias, bem como a falta de disposição de colaborar com a Fiscalização na busca da verdade material. · Os dados da DIPJ Retificadora foram considerados pela Fiscalização. · A Fiscalização tomou como verdade os dados dos contratos apresentados em planilha Excel, e deles se valeu para conferir as perdas contabilizadas pela interessada. Se contratos agora são apresentados para desmentir as informações apresentadas em meio magnético evidenciase a desorganização da contribuinte, sua intenção de não colaborar com o Fisco ou, ainda, sua má fé. · Inexatidões das intimações poderiam ter sido argüidas e esclarecidas no curso da ação fiscal. · A análise individualizada dos contratos foi desnecessária porque admitiuse que as planilhas apresentadas refletiam dados verdadeiros. Se a contribuinte pretende adotar agora outra conduta, questionase porque não fez durante a ação fiscal, quando teve chances suficiente para invocar o princípio da verdade material. Conclui, assim, pela necessidade de recomposição dos cálculos segundo a fórmula apontada que melhor reflete a perda por contrato, a ser aplicada sobre novas planilhas fornecidas pela fiscalizada em que constem todos os dados relativos aos contratos e/ou operações que geraram perdas no recebimento de créditos no anobase de 2006, submetidas a necessária auditoria com a documentação de suporte e com os registros contábeis, ainda que por amostragem. Por fim, quanto à glosa de juros sobre o capital próprio, reiterou o que expresso no Termo de Verificação Fiscal. Com estas informações, os autos foram encaminhados a esta 1a Seção de Julgamento, para seguirem posteriormente à Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, unidade administrativa do domicílio da contribuinte. Fl. 10030DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 18 17 Considerando que a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro não mais atua neste Conselho, os autos foram submetidos a novo sorteio e atribuídos para relatoria por esta Conselheira. Na sessão de julgamento de 10 de outubro de 2013 a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção de Julgamento acolheu, por unanimidade, o voto desta Conselheira contrário à declaração de nulidade do lançamento e favorável a nova conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, nos seguintes termos: Em preliminar, a recorrente argui a nulidade do lançamento porque a segunda renovação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF somente teria ocorrido depois de expirado o prazo para tanto, hipótese na qual outro auditor fiscal deveria ser designado para prosseguimento dos trabalhos. Diz que o MPF anterior tinha validade até 27/08/2008, e que o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal somente foi emitido em 01/09/2008. Acrescenta que também a prorrogação que deveria se verificar em 26/10/2008 somente lhe foi cientificada em 20/11/2008. Contudo, em pesquisa ao sítio da Receita Federal na Internet, a partir do código de acesso fornecido à interessada no início do procedimento fiscal (fls. 3/6), constata se que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.66.002008000440 foi prorrogado até 25/12/2008, providência que prescinde da ciência ao fiscalizado, consoante expresso na Portaria RFB nº 11.371/2007: Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Equivocada, portanto, a argumentação da recorrente, que afirma a efetivação da prorrogação do prazo de execução do MPF no momento em que cientificada do prosseguimento dos trabalhos fiscais. A prorrogação se efetiva mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e está demonstrada no documento disponível no sítio da Receita Federal na Internet. Para além disso, como já demonstrado pela autoridade julgadora de 1a instância, o Mandado de Procedimento Fiscal apenas se presta a controlar a execução de procedimentos fiscais e não atinge a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil de promoverem o lançamento de crédito tributário. Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento por vícios em prorrogações do MPF. Ainda a preliminar, a interessada argúi a nulidade do lançamento em razão de erro no cálculo das perdas efetivas, inicialmente observando que a autoridade julgadora de 1a instância rejeitou a prova e os argumentos que lhe foram apresentados a título exemplificativo, de modo a demonstrar os dias de carência concedidos a determinado contrato. Reportase ao Termo de Adesão referente ao contrato adotado como exemplo pela autoridade lançadora, e entende que não foi adequadamente demonstrada sua insuficiência. Prossegue, então, afirmando contraditória a decisão que, ante a demonstração exemplificativa das provas cuja juntada integral seria inviável, não determina a baixa dos autos à fiscalização para novos procedimentos de averiguação. Diz que neste recurso, por cautela, aumentou o número de exemplos utilizados, e acostou através de mídias eletrônicas, todas as informações necessárias para o cálculo das operações então realizadas, para então demonstrar os efeitos da desconsideração, pela Fiscalização, do prazo de trinta dias de carência concedidos aos tomadores de empréstimos, e concluir que este flagrante erro material imputa à Recorrente grave Fl. 10031DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 19 18 cerceamento de defesa, na medida em que anula a motivação que sustenta o lançamento. Enfatiza: 1) a apresentação de elementos suficientes para demonstrar que o valor exigido se mostra impreciso e distante da realidade; 2) a dificuldade em se compreender as requisições fiscais e de atendêlas, ante o volume de documentos envolvidos e o custo operacional de transportálos de sua sede no Espírito Santo para a DEINF no Rio de Janeiro; e 3) a impossibilidade de acostálos aos autos de um processo administrativo. E arremata pleiteando a conversão do julgamento em diligência, caso não seja declarado nulo o lançamento. Inicialmente cumpre observar que não há razões para se declarar a nulidade do lançamento. Ante o volume de operações realizadas pelo sujeito passivo, a autoridade fiscal promoveu a auditoria a partir dos controles informatizados mantidos pela contribuinte, extraindo das características dos contratos ali expressas as variáveis aplicadas a fórmula de cálculo detalhadamente explicitada, para assim determinar as perdas que seriam dedutíveis no período fiscalizado. A extensa demonstração apresentada pelo fiscal autuante validamente permitiu que a contribuinte identificasse a variável inicialmente contestada, bem como demonstrasse, mediante aplicação da fórmula de cálculo adotada pela Fiscalização, seus efeitos na apuração da perda dedutível. Mais à frente, ainda, a recorrente questionou a interpretação datada ao critério temporal estabelecido no art. 9o, §1o, inciso II, alínea a, da Lei nº 9.430/96, bem como ao reconhecimento de juros nos contratos por ela executados, os quais repercutiram nos critérios de cálculo adotados pela Fiscalização. Por fim, a recorrente se defendeu dos motivos apresentados para desconsiderar as perdas vinculadas a cheques em garantia, precisamente opondose à argumentação fiscal de que inexistiria receitas adicionais reconhecidas em tais circunstâncias, além de expressamente pleitear a dedução das parcelas que a Fiscalização entendeu inadmissíveis porque originalmente não consideradas pela contribuinte. Assim, também sob esta ótica, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. Prosseguindo, ainda no que concerne à desconsideração, nos cálculos, do período de carência concedido pela interessada aos tomadores de empréstimo, a recorrente demonstra, a partir da fórmula adotada pela Fiscalização, que admitindose o prazo de carência de 30 (trinta) dias concedido para pagamento da 1a parcela do contrato tomado como exemplo no lançamento, o valor da parcela passaria a ser de R$ 289,00, alterando a quantificação das perdas no período fiscalizado. Recordando os cálculos da Fiscalização, por meio da fórmula do Sistema de Amortização Francês (Tabela “Price”), a autoridade lançadora determinou o valor das prestações do contrato, e tendo em conta aquelas que não foram pagas (no caso 3 x R$ 276,56 = R$ 829,68), deste montante expurga os juros a apropriar e determina o corresponderia ao “saldo devedor” (R$ 720,26), para a ele acrescer apenas os juros correspondentes aos dois primeiros meses de atraso, em razão da limitação imposta pelo art. 9o da Resolução BACEN nº 2.682/99. Na análise preliminar procedida pela autoridade lançadora antes de remeter os autos para conclusão da diligência na unidade de jurisdição do sujeito passivo, além de mencionar a falta de boafé da Fiscalizada que não apresentou, em suas planilhas, uma coluna com os prazos de carência presentes nos contratos, o auditor responsável questiona se esta omissão influenciou significativamente no lançamento tributário, e passa a demonstrar como é feito o cálculo das perdas no recebimento de créditos para cada contrato, levando em conta, agora, o prazo de carência. Fl. 10032DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 20 19 E, nesta abordagem acerca dos efeitos contábeis e fiscais das operações de crédito, e embora reconhecendo a correção do valor da prestação calculado pela recorrente considerando os efeitos do prazo de carência, o fiscal autuante demonstra mensalmente a contabilização dos efeitos do contrato, agora também se reportando às provisões determinadas pela Resolução CMN nº 2.682/99 em razão da classificação de risco da operação de crédito, para assim apurar o resultado econômico ou contábil do contrato, o resultado fiscal do contrato, o resultado financeiro do contrato e o resultado olhando apenas para a Tabela Price do contrato, concluindo que: Caso o contribuinte tenha apropriado corretamente ao resultado todas as receitas e despesas geradas por este contrato, nos períodos de apuração respectivos, aí incluídas as despesas de provisão (que terão que ser adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL), chegamos a conclusão de que poderá fazer uma exclusão, relativa a este contrato, de R$ 839,71 no 1º trimestre de 2006. Conforme se observa na 6ª linha da planilha de fls. 138, a DACASA deduziu o valor de R$ 870,00 a título de perda gerada por este contrato, valor superior aos R$ 839,71 ora calculados. Por outro lado, esta Fiscalização, com base na metodologia utilizada quando da lavratura do Auto de Infração, calculou o valor de R$ 817,78 como perda passível de ser deduzida, valor este também errado. Ao final, reconhecendo a existência de erro nos cálculos, mas de modo a determinar perdas dedutíveis ainda inferiores às consideradas pela contribuinte, consignou que o erro deveuse ao fato de ter sido utilizada, como fórmula de cálculo da perda gerada por um contrato, o valor de seu saldo devedor acrescido do montante dos juros embutidos nas duas parcelas que ainda seriam pagas (a correspondente à data do primeiro vencimento sem pagamento, e a seguinte). Referido documento não foi cientificado ao sujeito passivo porque reconhecida a necessidade de continuidade dos trabalhos de diligência pela unidade de jurisdição do sujeito passivo. Contudo, antes disso, os autos retornaram a este Conselho. Resta evidente, portanto, que há outros esclarecimentos a serem prestados pela autoridade fiscal competente em diligência, no que tange à repercussão do erro constatado na aferição das perdas referentes aos demais contratos operados no período fiscalizado. Mas não só isso: questionase, também, se os ajustes em referência decorrem, apenas, da desconsideração do prazo de carência, na medida em que a abordagem da Fiscalização inicialmente parece pretender afastar este efeito, mas reconhece que outro seria o valor da prestação do contrato tomado como exemplo, prestação esta adotada como referência para o cálculo das perdas. Relevante ainda se mostra ter em conta os demais elementos apresentados pela interessada em complemento ao seu recurso voluntário (fls. 3067/3070), consistentes em outros exemplos de Termos de Adesão demonstrativos da carência concedida aos tomadores de empréstimos (fls. 3071/3082), cujos efeitos devem ser objetivamente demonstrados à semelhança do contrato tomado como exemplo pela Fiscalização. Ressaltese, ainda, a notícia de juntada, ao recurso voluntário, de arquivo magnético que demonstraria a carência concedida nos contratos analisados pela Fiscalização (fl. 2995), devendo a Fiscalização se manifestar acerca destas informações. A recorrente também questiona o procedimento fiscal que, para fins de contagem do prazo previsto em lei para admissibilidade da dedução da perda, teria tomado como referência a data do último vencimento sem pagamento. O fiscal autuante, porém, esclarece que em que pese constar, de fato, na letra “m” do item 2 da Intimação nº 01 (fl. 20) pedido de informação quanto a “data do último vencimento sem pagamento”, utilizouse, de fato, nos cálculos, a data do primeiro vencimento sem Fl. 10033DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 21 20 pagamento como termo inicial para determinar o prazo de atraso dos contratos (fl. 4560). Assim, resta apenas cientificar a interessada acerca da conclusão de que esta referência inicial feita pela Fiscalização não influenciou nos cálculos originais. Na seqüência, abordando a interpretação dada pelo Fisco ao art. 11 da Lei nº 9.430/96 e ao art. 9o da Resolução BACEN nº 2682/99, no que tange aos juros embutidos para fins de apuração das perdas efetivas, diz a recorrente que a leitura dos aludidos dispositivos somente traduz conduta proibitiva quanto à dedução dos encargos constituídos anteriormente ao período de 60 (sessenta) dias, o que significa que todos os valores correspondentes que superem tal limite podem ser utilizados no cálculo das perdas definitivas. À fl. 4562 a autoridade lançadora esclarece que para qualquer contrato, não será necessário excluir qualquer parcela a título de receita de juros após dois meses do primeiro vencimento sem pagamento, haja vista que esta exclusão só é permitida caso as receitas de juros tenham sido levadas a resultado após estes mesmos dois meses de atraso (art. 11, Lei nº 9.430/96), o que não ocorrerá, já que expressamente vedado pelo art. 9º da Lei nº 9.430/96 e pelo também art 9º da Resolução CMN nº 2682/99. Logo, neste ponto também, é necessário apenas cientificar a interessada acerca da conclusão fiscal a respeito do que originalmente questionado. Com referência às perdas efetivas quanto às adições dos contratos de empréstimo em razão da substituição de cheques, a recorrente argumenta que há reconhecimento de acréscimos aos valores originários das dívidas, correspondentes a juros por atraso, de forma que o cheque posteriormente apresentado nada mais é do que o pagamento de juros decorrentes do tempo em que a Recorrente deixou de usufruir da soma que fora anteriormente emprestada. O fiscal autuante, neste ponto, apenas reiterou o que dito no Termo de Verificação Fiscal em fls. 2.663 a 2.666 (item 2) (fl. 4564). Contudo, para melhor julgamento da lide, necessário se faz que a interessada seja intimada a demonstrar documentalmente a ocorrência dos fatos alegados, podendo fazêlo por amostragem para prévia avaliação da autoridade fiscal acerca de sua repercussão dos cálculos, e posteriormente, se necessário, demonstrandoos na íntegra, na medida em que a apresentação de cheques em garantia, em regra, não representa uma nova dívida que possa suscitar novas perdas. Concluindo este tópico da exigência, a recorrente também se opõe à providência da Fiscalização de considerar como dedutível sempre a menor perda apurada, na comparação de seus cálculos com os valores considerados pela contribuinte. Declara que pretende aproveitar integralmente os direitos de dedução que a legislação competente lhe confere, de modo que PUGNA PELA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO da aludida autuação e dos respectivos documentos vinculados. Neste ponto, necessário se faz que a interessada demonstre que não se fez uso posteriormente das perdas que, segundo os cálculos da Fiscalização, poderia ter deduzido no anocalendário 2006. Assim, deve ser ela intimada a apresentar esta prova para posterior avaliação de seu direito à dedução daquelas parcelas. Por fim, no que tange à glosa de juros sobre o capital próprio, a interessada diz que a conta de JCP de 2006 se limitou ao valor de R$ 3.746.048,57, sendo o restante (R$ 473.191,20 decorrente da remuneração aplicada em favor dos sócios e acionistas por estes não haverem recebido parte dos JCP´s do ano de 2005. Acrescenta que para o cálculo em 2006 utilizou a taxa de 7,875% divulgada no site da Receita Federal, diferente daquele aplicado pela Fiscalização 7,86808219%, e arremata argüindo a Fl. 10034DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 22 21 ocorrência de mera postergação, a qual, desconsiderada pela Fiscalização, invalidaria o lançamento. A partir dos documentos de fls. 3055/3061 inferese que na conta de despesa de juros sobre capital próprio foram apropriadas não apenas as parcelas mensais que resultariam no total alegado de R$ 3.746.048,57, como também acréscimos mensais que corresponderiam a correção monetária pela variação do CDI aplicada sobre a base de cálculo de R$ 3.256.818,30, referente a juros s/ capital próprio creditados até 12/2005 e não pagos aos acionistas. Assim, para melhor julgamento da lide, necessário se faz verificar se, de fato, ao final do anocalendário 2005 o montante de R$ 3.256.818,30 havia sido provisionado a título de juros sobre o capital próprio, não se verificando o pagamento desta dívida até o final do anocalendário 2006. Por estas razões, o presente voto reafirma a necessidade de CONVERSÃO do presente julgamento em diligência para que a autoridade que jurisdiciona o sujeito passivo, em razão do que antes exposto: · Demonstre a existência ou não de repercussão, nos cálculos das perdas dedutíveis no anocalendário 2006, do prazo de carência alegado pela recorrente, bem como dos efeitos do erro de cálculo identificado pela autoridade lançadora na abordagem deste tópico, inclusive tendo em conta os demais Termos de Adesão juntados às fls. 3071/3082, e o arquivo magnético apresentado conforme fl. 2995, como exposto ao longo deste voto; · Cientifique a recorrente acerca das conclusões exaradas na Informação Fiscal de fls. 4491/4570 em torno dos argumentos de defesa concernentes à contagem do prazo previsto em lei para admissibilidade da dedução da perda e à limitação dos juros considerados no cálculo da perda; · Intime a recorrente a demonstrar o reconhecimento de receitas relativamente aos contratos de empréstimos nos quais houve substituição de cheques, bem como a ausência de dedução posterior das perdas que, segundo os cálculos da Fiscalização, seriam dedutíveis no período fiscalizado, observando o que exposto neste voto; · Verifique se ao final do anocalendário 2005 foi provisionado o montante de R$ 3.256.818,30 a título de juros sobre o capital próprio, não se verificando o pagamento desta dívida até o final do anocalendário 2006. Ao final, a autoridade competente deverá elaborar relatório circunstanciado acerca dos procedimentos desenvolvidos e das conclusões alcançadas, dele cientificando o sujeito passivo, juntamente com a informação fiscal de fls. 4491/4570, e concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho. Registrese, por fim, que uma vez acolhida a proposta de conversão do julgamento em diligência, as preliminares serão novamente apreciadas por ocasião do julgamento final do recurso voluntário. Cientificada da Resolução nº 1101000.104 e da Informação Fiscal de fls. 4491/4570 em 04/09/2014, assim como intimada a demonstrar o reconhecimento de receitas relativamente aos contratos de empréstimos nos quais houve substituição de cheques, bem como a ausência de dedução posterior das perdas que, segundo os cálculos da fiscalização, seriam dedutíveis no período fiscalizado, e a apresentar as páginas do livro Razão dos anos calendário de 2005 e 2006, relativos à conta "Juros sobre o Capital Próprio (fls. 4612/4614), a contribuinte, em resposta, apresentou os registros da conta "Juros sobre o Capital Próprio" e demonstrou, por amostragem, suas alegações acerca da dedutibilidade das perdas vinculadas a Fl. 10035DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 23 22 contratos de empréstimos nos quais houve substituição de cheques, colocandose à disposição da Fiscalização para demonstração das demais ocorrências em prazo suplementar, caso se entendesse necessário (fls. 4615/4638). A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu outros documentos e esclarecimentos, os quais foram prestados conforme fls. 4641/4647, 4653/4659, 4664/7029. O auditor responsável elaborou os demonstrativos de fls. 7261/9982 e lavrou Termo de Encerramento de Diligência (fls. 9983/9990) no qual relata os procedimentos adotados para recálculo das perdas passíveis de dedução no anocalendário 2006, e determina em R$ 43.022.707,50 os valores dedutíveis, montante que diz superior ao que seria apurado, com os ajustes em razão do período de carência, tendo em conta as informações consideradas durante o procedimento fiscal (R$ 34.340.870,42), assim determinando a adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL para R$ 9.137.200,83. Tendo em conta que a contribuinte manifestou discordâncias em face da metodologia de cálculo adotada pela Fiscalização, destacou que na Informação Fiscal de fls. 4491/4570 foi demonstrado que há diversas maneiras de chegar a um mesmo resultado para as perdas, sendo que no caso optouse por utilizar a "4a Maneira Olhando apenas para a Tabela Price do Contrato", já utilizada no processo 19740.000350/200715, que trata do mesmo assunto. O auditor responsável também relata a resposta apresentada pela contribuinte à intimação para demonstração do reconhecimento de receitas relativamente aos contratos de empréstimo nos quais houve a substituição de cheques, bem como ausência de dedução posterior das perdas que, segundo os cálculos da Fiscalização, seriam dedutíveis, e anota ter constatado no Livro Razão que não foi escriturado provisão a título de juros sobre o capital próprio, nem o respectivo pagamento desta provisão durante o ano de 2006. Cientificada do Termo de Encerramento de Diligência em 06/02/2015, a contribuinte manifestouse em 10/03/2015 (fls. 9994/9996), reiterando sua discordância acerca do método utilizado pela Fiscalização para determinação das perdas, porque descarta diversas variáveis importantes, eis que nem todos os clientes pagam as suas parcelas em dia, dentro das datas de vencimento acordadas, sem atrasos ou adiantamentos, nem inúmeras outras intercorrências comuns no crédito de massa. Acrescenta que o modelo de cálculo sugerido não leva em consideração a continuidade do reconhecimento de receitas, mesmo sendo o devido pagamento das parcelas durante o prazo de 60 (sessenta) dias, conforme prevê a legislação aplicável às instituições financeiras, em respeito ao regime de competência. Conclui que não houve erro no cálculo utilizado pela recorrente para determinação das perdas, e afirma juntar planilha ilustrativa dos seus cálculos para que se demonstre o cálculo válido, que classifica de mais sofisticado e com os controles necessários para observância das normas tributárias e do mercado financeiro. Consta documento anexado às fls. 9997/9998. Em 12/03/2015 a recorrente aditou a petição acima, apresentando quadro comparativo entre as metodologias utilizadas pela fiscalização da Receita Federal e pela DACASA Financeira para apuração das receitas de juros que compuseram, conjuntamente com o valor principal, a base de contratos levados para perdas, de modo a demonstrar, pormenorizadamente, onde se encontra a divergência entre os valores encontrados pela fiscalização e os seus próprios (fls. 10002/10009). Fl. 10036DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 24 23 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O recurso voluntário, como acima demonstrado, é tempestivo. O resultado da primeira diligência não fora cientificado ao sujeito passivo, verificandose tal providência em razão do que determinado no segundo pedido de diligência. Ao final desta, a contribuinte foi cientificada dos trabalhos realizados mediante lavratura do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 9983/9990, o qual teria sido remetido por via postal à contribuinte e por ela recebido em 06/02/2015 (fl. 9991). Considerando, porém, que em referido termo não foi fixado prazo para manifestação da interessada, devese tomar por tempestiva a manifestação de fls. 9994/9996, protocolizada em 10/02/2015 e aditada em 12/03/2015 (fls. 10002/10009). Nos termos do art. 63, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, submetese novamente ao Colegiado o exame das questões preliminares apreciadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência. A recorrente argúi a nulidade do lançamento porque a segunda renovação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF somente teria ocorrido depois de expirado o prazo para tanto, hipótese na qual outro auditor fiscal deveria ser designado para prosseguimento dos trabalhos. Diz que o MPF anterior tinha validade até 27/08/2008, e que o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal somente foi emitido em 01/09/2008. Acrescenta que também a prorrogação que deveria se verificar em 26/10/2008 somente lhe foi cientificada em 20/11/2008. Contudo, em pesquisa ao sítio da Receita Federal na Internet, a partir do código de acesso fornecido à interessada no início do procedimento fiscal (fls. 3/6), constatase que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.66.002008000440 foi prorrogado até 25/12/2008, providência que prescinde da ciência ao fiscalizado, consoante expresso na Portaria RFB nº 11.371/2007: Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Equivocada, portanto, a argumentação da recorrente, que afirma a efetivação da prorrogação do prazo de execução do MPF no momento em que cientificada do prosseguimento dos trabalhos fiscais. A prorrogação se efetiva mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, e está demonstrada no documento disponível no sítio da Receita Federal na Internet. Para além disso, como já demonstrado pela autoridade julgadora de 1a instância, o Mandado de Procedimento Fiscal apenas se presta a controlar a execução de procedimentos fiscais e não atinge a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil de promoverem o lançamento de crédito tributário. Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento por vícios em prorrogações do MPF. Fl. 10037DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 25 24 Ainda em preliminar, a interessada argúi a nulidade do lançamento em razão de erro no cálculo das perdas efetivas, inicialmente observando que a autoridade julgadora de 1a instância rejeitou a prova e os argumentos que lhe foram apresentados a título exemplificativo, de modo a demonstrar os dias de carência concedidos a determinado contrato. Reportase ao Termo de Adesão referente ao contrato adotado como exemplo pela autoridade lançadora, e entende que não foi adequadamente demonstrada a insuficiência da prova juntada à impugnação. Prossegue, então, afirmando contraditória a decisão que, ante a demonstração exemplificativa das provas cuja juntada integral seria inviável, não determina a baixa dos autos à fiscalização para novos procedimentos de averiguação. Diz que neste recurso, por cautela, aumentou o número de exemplos utilizados, e acostou através de mídias eletrônicas, todas as informações necessárias para o cálculo das operações então realizadas, para então demonstrar os efeitos da desconsideração, pela Fiscalização, do prazo de trinta dias de carência concedidos aos tomadores de empréstimos, e concluir que este flagrante erro material imputa à Recorrente grave cerceamento de defesa, na medida em que anula a motivação que sustenta o lançamento. Enfatiza: 1) a apresentação de elementos suficientes para demonstrar que o valor exigido se mostra impreciso e distante da realidade; 2) a dificuldade em se compreender as requisições fiscais e de atendêlas, ante o volume de documentos envolvidos e o custo operacional de transportálos de sua sede no Espírito Santo para a DEINF no Rio de Janeiro; e 3) a impossibilidade de acostálos aos autos de um processo administrativo. Arremata pleiteando a conversão do julgamento em diligência, caso não seja declarado nulo o lançamento. Não há razões, porém, para se declarar a nulidade do lançamento. Ante o volume de operações realizadas pelo sujeito passivo, a autoridade fiscal promoveu a auditoria a partir dos controles informatizados mantidos pela contribuinte, extraindo das características dos contratos ali expressas as variáveis aplicadas na fórmula de cálculo detalhadamente explicitada, para assim determinar as perdas que seriam dedutíveis no período fiscalizado. A extensa demonstração apresentada pelo fiscal autuante validamente permitiu que a contribuinte identificasse a variável inicialmente contestada, bem como demonstrasse, mediante aplicação da fórmula de cálculo adotada pela Fiscalização, seus efeitos na apuração da perda dedutível. Mais à frente, ainda, a recorrente questionou a interpretação dada ao critério temporal estabelecido no art. 9o, §1o, inciso II, alínea a, da Lei nº 9.430/96, bem como ao reconhecimento de juros nos contratos por ela executados, os quais repercutiram nos critérios de cálculo adotados pela Fiscalização. Por fim, a recorrente se defendeu dos motivos apresentados para desconsideração das perdas vinculadas a cheques em garantia, precisamente opondose à argumentação fiscal de que inexistiria receitas adicionais reconhecidas em tais circunstâncias, além de expressamente pleitear a dedução das parcelas que a Fiscalização entendeu inadmissíveis porque originalmente não consideradas pela contribuinte. Assim, o contencioso se estabeleceu validamente a partir do detalhamento da acusação fiscal e dos questionamentos formulados pela contribuinte, sendo perfeitamente possível aplicar as conclusões daí extraídas aos cálculos iniciais da Fiscalização e, se necessário, recompor a exigência fiscal. Recordese, aliás, que na primeira diligência requerida pela 2ª Turma da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento (fls. 4448/4464), a Relatora Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro consignou em seu voto que a glosa de perdas teria sido determinada através Fl. 10038DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 26 25 de raciocínio indutivo, a partir da análise de um contrato de financiamento entre a interessada e uma cliente sua, e mais à frente manifestou seu entendimento de que o fisco pode utilizar formas racionais de desenvolver seu trabalho de auditoria, mas não lhe é permitido presumir valores a partir de raciocínio indutivo (partindo do particular para o geral) porque a contribuinte juntou vários documentos que necessitam ser revisitados pelo Autuante para que fossem respondidas determinadas alegações. E isto possivelmente porque, questionando a interpretação dada pela Fiscalização a diferentes pontos da legislação que rege a dedução de perdas, a recorrente asseverou que não foi informado qual parcela da glosa corresponderia às premissas que entende equivocadas. Na informação fiscal de fls. 4484/4563 a autoridade fiscal encarregada da primeira diligência afirmou ser perfeitamente possível, no caso sob análise, tomar um contrato como exemplo para fins de aplicação de uma fórmula matemática à totalidade dos contratos que geraram perdas no recebimento de créditos do anobase de 2006. Relatando as informações prestadas em DIPJ e as intimações dirigidas à contribuinte, observou que lhe foi apresentada planilha com as características dos contratos que geraram as perdas deduzidas, assim como indicados o sistema de amortização e a fórmula matemática aplicável àqueles contratos, permitindo a conferência das perdas aproveitadas. E, ao assim proceder, a autoridade fiscal produziu as planilhas de fls. 138/1928 comparando, por contrato, os valores que foram deduzidos e aqueles que seriam passíveis de dedução segundo os critérios extensamente abordados no Termo de Verificação Fiscal às fls. 2615/2664. Além disso, individualizou os contratos cujas perdas aproveitadas em 2006 foram admitidas porque já eram dedutíveis em 2005 (fls. 1929/1947), bem como detalhou a origem dos valores superiores a R$ 5.000,00 dedutíveis em 2006 (fls. 1948/1949), os contratos e as perdas dedutíveis apenas em 2007 (fls. 1950/1956) e a origem das perdas decorrentes de cheques devolvidos consideradas indedutíveis (fls. 1957/2584). Tais demonstrativos não só expressaram a análise fiscal de cada contrato que gerou as perdas analisadas e parcialmente glosadas, como também permitiram à contribuinte delimitar os efeitos das divergências manifestadas pela autoridade lançadora e questionálas. Ao final, caso alteradas as premissas que devem ser adotadas nos cálculos, bastaria que elas fossem aplicadas no momento da liquidação da decisão administrativa para se determinar a repercussão no crédito tributário exigido. Cumpre observar, porém, que por ocasião da segunda diligência, a autoridade fiscal encarregada dos trabalhos acabou por alterar os critérios adotados no lançamento original. Para evidenciar tal constatação, tomese como exemplo o contrato nº 03.4460032, que gerou perda registrada em janeiro/2006 no valor de R$ 23,09. No demonstrativo produzido originalmente pela Fiscalização, as características do contrato são assim descritas: · Data de emissão: 05/04/2005; · Valor do principal: R$ 60,00; · Valor do IOF: R$ 0,15; · Valor das parcelas: R$ 23,09; · Número de parcelas: 3; · Taxa de juros mensal: 7,40; Fl. 10039DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 27 26 · Valor das taxas administrativas: zero; · Valor das parcelas pagas: R$ 46,18; · Data do último pagamento: 28/06/2005; · Data do último vencimento sem pagamento: 05/07/2005; e · Saldo devedor deduzido como despesa: R$ 23,09. Os cálculos da Fiscalização, por sua vez, resultaram nas seguintes constatações: · Número de parcelas pagas: 2; · Prestação calculada: R$ 23,09; · Saldo devedor: R$ 21,50; · Juros 01: R$ 1,59; · Juros 02: zero; e · Perda calculada (saldo devedor somado aos juros): R$ 23,09. Logo, esta perda foi admitida integralmente. Já no demonstrativo elaborado por ocasião da segunda diligência, vêse à fl. 7282 que o mesmo contrato, embora seja apresentado com idênticas características, resultaria em perda dedutível de apenas R$ 18,49, valor apurado mediante diferença entre o saldo devedor deduzido como perda (R$ 23,09) e o valor correspondente a receitas financeiras em virtude de pagamento (R$ 4,67). Isto porque a autoridade encarregada da segunda diligência, tendo em conta a informação fiscal produzida em razão da primeira diligência, observou estar ali reconhecido um erro na fórmula utilizada originalmente para o cálculo das perdas admissíveis no recebimento dos créditos. Ao longo da execução da segunda diligência, a autoridade fiscal concluiu que as planilhas apresentadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal original não possuem dados suficientes ou corretos para elaboração do cálculo definitivo das perdas e intimou a contribuinte a apresentar novas informações, bem como memória de cálculo dos contratos antes apresentados a título de exemplo segundo o exposto na informação fiscal produzida em razão da primeira diligência, no item "4a Maneira Olhando apenas para a Tabela Price do contrato", a partir do qual seria aplicada a seguinte fórmula, também indicada naquele documento: Perda do Contrato = Valor das parcelas recebidas do contrato Valor do principal do contrato Receita financeira auferida em razão do contrato Ocorre que abordando aquela informação fiscal no voto condutor da Resolução nº 1101000.104, esta Conselheira afirmou sua obscuridade, consignando a necessidade de que outros esclarecimentos fossem prestados acerca da repercussão do mencionado erro constatado na aferição das perdas, bem como questionando se os ajustes em referência decorrem, apenas, da desconsideração do prazo de carência, na medida em que a Fl. 10040DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 28 27 abordagem da Fiscalização inicialmente parecia pretender afastar este efeito, mas reconhecia que outro seria o valor adotado como referência para o cálculo das perdas. Ao final, solicitouse na nova diligência não só que fossem demonstrados os efeitos do erro de cálculo identificado pela autoridade lançadora, mas também que fosse evidenciada a existência, ou não, de repercussão, nos cálculos das perdas dedutíveis no ano calendário 2006, do prazo de carência alegado pela recorrente. Resta claro, frente às informações prestadas na conclusão da 2ª diligência, que a autoridade fiscal responsável apenas demonstrou os efeitos do erro de cálculo acima mencionado, e nada disse acerca da repercussão do prazo de carência no cálculo original das perdas dedutíveis. Tais providências, porém, não maculam o lançamento original e apenas demandariam nova conversão do julgamento em diligência para que fosse avaliado, sob a ótica do lançamento original, qual o efeito da desconsideração do prazo de carência nos cálculos originalmente produzidos pela autoridade lançadora. Assim, evidenciada a clareza da acusação fiscal, cumpre também REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento em razão de erros de cálculo das perdas efetivas, para, mais à frente, analisar seu mérito e verificar a possibilidade de decidir sobre a sua procedência frente aos argumentos de defesa contra ela opostos. Adentrando ao mérito das exigências decorrentes da glosa de perdas no recebimento de créditos, cumpre recordar que a investigação fiscal foi motivada pela retificação da DIPJ do anocalendário 2006, por meio da qual a contribuinte elevou a dedução àquele título de R$ 42.726.566,11 para R$ 52.159.908,33. Atendendo às intimações fiscais, a contribuinte informou que adotava a "Tabela Price" para cálculo das amortizações e apresentou outros elementos de sua escrituração. Analisando os contratos que deram origem às perdas a partir de um exemplo prático, a autoridade fiscal admitiu como dedutíveis as perdas referentes a contratos inferiores a R$ 5.000,00 para os quais em 31/12/2006 já havia transcorrido mais de seis meses do último vencimento sem pagamento, mas apenas nas parcelas correspondentes ao saldo devedor e aos juros acrescidos nos dois meses posteriores ao vencimento do crédito. Acrescentou às perdas dedutíveis aquelas que poderiam ter sido apropriadas desde 2005, e destacou não admitir a dedução de: a) valores passíveis de apropriação apenas em 2007; b) perdas vinculadas a contratos que, segundo informações da contribuinte, já haviam sido registrados em perdas; e c) perdas superiores a R$ 5.000,00 referentes a contratos ainda não vencidos há mais de um ano em 31/12/2006. As perdas apuradas totalizaram R$ 45.030.234,18 e superaram o valor deduzido em R$ 7.129.674,15. Consta abaixo o resumo dos valores apurados pela Fiscalização em comparação com as informações prestadas pela contribuinte acerca dos contratos que geraram as perdas por ela registradas, consoante detalhado nas planilhas de fls. 138/2584: Fl. 10041DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 29 28 Fls. Valores deduzidos como despesa Perdas admitidas pela Fiscalização 01/2006 138/278 4.117.398,88 3.894.286,87 02/2006 279/414 4.000.420,19 3.775.591,67 03/2006 415/582 4.361.003,38 4.120.003,74 04/2006 583/710 3.642.515,39 3.438.914,34 05/2006 711/839 3.555.442,21 3.366.710,40 06/2006 840/963 3.397.035,04 3.217.974,59 07/2006 964/1114 4.154.440,35 3.919.446,26 08/2006 1115/1303 4.822.586,10 4.561.734,13 09/2006 1304/1443 4.016.105,18 3.806.149,54 10/2006 1444/1588 4.051.951,68 3.845.367,81 11/2006 1589/1710 3.425.189,59 3.248.733,33 12/2006 1711/1928 3.129.701,07 2.887.225,83 Créditos até R$ 5.000,00 Subtotal 46.673.789,06 44.082.138,51 Perdas deduíveis em 2005 1929/1947 527.636,81 498.633,87 Créditos acima de R$ 5.000,00 1948/1949 760.696,87 449.461,80 Perdas dedutíveis em 2007 1950/1956 141.445,31 Nenhuma parcela paga 1957/2491 6.910.673,69 Perdas em razão de cheques devolvidos Uma parcela paga 2492/2584 995.559,11 Total 56.009.800,85 45.030.234,18 Observese que as perdas indicadas nos arquivos apresentados à Fiscalização (R$ 56.009.800,85) superam aquelas deduzidas no período fiscalizado (R$ 52.159.908,33), e embora o demonstrativo apresentado pela contribuinte por ocasião do atendimento à intimação deixasse claro esta ocorrência (fl. 41), não houve qualquer ressalva acerca deste descompasso, quer nas intimações seguintes, quer no Termo de Verificação Fiscal. O fiscal autuante destacou que tomou por base exclusivamente as informações prestadas pela contribuinte, e que o arquivo magnético apresentado foi identificado pelo Sistema Validador de Arquivos Digitais (SVA) de forma única e inequívoca, por meio de código de criptografia de 16 bits (código HASH fl. 59), o que impede sua alteração sem a correspondente modificação do código. Por sua vez, confirmase no extrato do Razão e no demonstrativo de fls. 11/18, assim como na Demonstração de Resultado (fl. 87), no LALUR (fl. 17) e na DIPJ (fl. 116), que o lucro tributável foi afetado por deduções de R$ 52.159.601,95 correspondentes à soma das perdas contábeis de R$ 42.726.259,73 e das exclusões de R$ 9.433.342,22. Em consequência, a análise do presente litígio será direcionada à verificação dos efeitos da defesa apresentada pela contribuinte acerca de cada um dos itens glosados, sem lhes impor qualquer limite individual, mas apenas o limite geral estabelecido pela própria contribuinte ao aproveitar as deduções na apuração do lucro tributável. Em recurso voluntário, a interessada alegou que as perdas de R$ 45.030.234,18 foram apuradas antes de apresentada toda a documentação pela Recorrente demonstrando as suas perdas com relação a cartões de créditos, de modo a autorizar os valores utilizados a título de dedução, e justificou a juntada de novos documentos naquela ocasião em razão do altamente trabalhoso levantamento de uma significativa quantidade de cópias relativas a um exercício inteiro (em torno de 50.000 cinquenta mil operações de empréstimo financeiro, além da dificuldade de compreensão do que estaria sendo exigido pela Fl. 10042DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 30 29 Fiscalização, mas destacando a necessidade de realização de perícia em face da impossibilidade de impressão e juntada de todos os documentos. Em aditamento ao recurso voluntário (fls. 3057/3072), a contribuinte apresentou novos Termos de Adesão para comprovar os dias de carência concedidos aos contratos, destacando que a documentação estaria plenamente disponível à fiscalização acaso fosse intimada a apresentála, ou se tivesse ciência de que as informações seriam relevantes para os cálculos promovidos pela autoridade lançadora, e acrescentando que as informações quanto aos dias de carência constavam das planilhas antes apresentadas. Com referência aos dias de carência de cada uma das operações, acrescentou que eles são determinantes para o cálculo das parcelas dos empréstimos, e asseverou que eles foram desconsiderados pela Fiscalização apesar de apresentadas planilhas com todas as informações pertinentes que esclareceriam a regularidade nos cálculos dos valores deduzidos. Reportouse à juntada de documentos referentes a alguns contratos como exemplos da regularidade de sua conduta, invocando a aplicação da Lei nº 9.784/99 e do Decreto nº 70.235/72 para sua apreciação nesta instância de julgamento. Discordou da rejeição destes documentos pela autoridade julgadora de 1ª instância, sob a justificativa de que suas alegações não teriam sido devidamente provadas, destacando a contradição entre esta conclusão e a rejeição do pedido de conversão do feito em diligência, mormente se demonstrada a impossibilidade de juntada de todos os documentos em razão de seu volume. Na sequência, demonstrou na fórmula de cálculo adotada pela Fiscalização a importância dos dias de carência e asseverou que, considerando esta variável no cálculo do contrato tomado como exemplo pela Fiscalização, a dedução admitida corresponderia ao valor declarado pela recorrente. Concluiu, assim, que o lançamento estaria desprovido de motivação, pleiteando sua nulidade ou, subsidiariamente, a conversão do feito em diligência. Rejeitada a nulidade arguida, e promovida a diligência requerida, cumpre avaliar os efeitos, no lançamento, dos dias de carência referidos pela recorrente. A recorrente demonstrou, a partir da fórmula adotada pela Fiscalização, que admitindose o prazo de carência de 30 (trinta) dias concedido para pagamento da 1a parcela do contrato tomado como exemplo no lançamento, o valor da parcela passaria a ser de R$ 289,00, alterando a quantificação das perdas no período fiscalizado. Por meio da fórmula do Sistema de Amortização Francês (Tabela “Price”), a autoridade lançadora determinou o valor das prestações do contrato, e tendo em conta aquelas que não foram pagas (no caso 3 x R$ 276,56 = R$ 829,68), deste montante expurgou os juros a apropriar e determinou o valor que corresponderia ao “saldo devedor” (R$ 720,26), para a ele acrescer apenas os juros correspondentes aos dois primeiros meses de atraso (R$ 34,21 e R$ 23,31), em razão da limitação imposta pelo art. 9o da Resolução BACEN nº 2.682/99, totalizando a perda dedutível em R$ 817,78, ao passo que a contribuinte deduziu perda de R$ 870,00. A planilha de fl. 137 detalha o cálculo promovido pela autoridade lançadora: Fl. 10043DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 31 30 Na informação fiscal de fls. 4484/4563, prestada em razão da primeira conversão do julgamento em diligência, a autoridade fiscal observou que, de fato, a contribuinte não foi intimada a indicar os prazos de carência, mas destacou que, ao informar que fazia uso da Tabela "Price", cuja fórmula leva em conta aquela ocorrência, deveria a contribuinte ter acrescentado a correspondente informação na planilha apresentada. Frisou que o contribuinte tem o dever de colaborar com o Fisco na busca da verdade material, agindo com transparência e correção, mas no caso em tela preferiu o contribuinte se omitir, silenciando ao longo de toda a ação fiscal quanto aos prazos de carência de seus contratos. Analisando as planilhas elaboradas pela Fiscalização, e considerando sua observação de que as produziu com base em arquivo magnético que não seria passível de alteração sem a correspondente modificação do código, não se confirma a alegação da recorrente de que teria informado o período de carência à autoridade lançadora. Ocorre que o auditor responsável pôs em dúvida se esta omissão influenciou significativamente no lançamento tributário, e passou a demonstrar como é feito o cálculo das perdas no recebimento de créditos para cada contrato, levando em conta, agora, o prazo de carência. Nesta abordagem acerca dos efeitos contábeis e fiscais das operações de crédito, a autoridade fiscal reconheceu a correção do valor da prestação considerado pela recorrente ao apresentar o seguinte cálculo (fl. 4523): Fl. 10044DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 32 31 Na sequência, a autoridade fiscal apresentou a seguinte planilha financeira para o contrato tomado como exemplo: Neste ponto observese que, seguindo a mesma lógica da apuração original da perda neste contrato (planilha de fl. 137), as três últimas parcelas não pagas seriam consideradas com o expurgo dos juros a apropriar (R$ 253,25, R$ 264,64 e R$ 276,55 = R$ 794,44), para então acrescerlhes apenas os juros das duas últimas parcelas não pagas (R$ 35,75 e R$ 24,36), resultando em perda admissível de R$ 854,55. Contudo, na informação fiscal de fls. 4484/4563, o fiscal autuante, considerando os efeitos do prazo de carência, demonstrou mensalmente a contabilização das ocorrências do contrato, agora também se reportando às provisões determinadas pela Resolução CMN nº 2.682/99 em razão da classificação de risco da operação de crédito, assim apurando o resultado econômico ou contábil do contrato, o resultado fiscal do contrato, o resultado financeiro do contrato e o resultado olhando apenas para a Tabela Price do contrato, e concluindo que: Caso o contribuinte tenha apropriado corretamente ao resultado todas as receitas e despesas geradas por este contrato, nos períodos de apuração respectivos, aí incluídas as despesas de provisão (que terão que ser adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL), chegamos a conclusão de que poderá fazer uma exclusão, relativa a este contrato, de R$ 839,71 no 1º trimestre de 2006. Conforme se observa na 6ª linha da planilha de fls. 138, a DACASA deduziu o valor de R$ 870,00 a título de perda gerada por este contrato, valor superior aos R$ 839,71 ora calculados. Por outro lado, esta Fiscalização, com base na metodologia utilizada quando da lavratura do Auto de Infração, calculou o valor de R$ 817,78 como perda passível de ser deduzida, valor este também errado. Para chegar à perda dedutível de R$ 839,71 a autoridade fiscal não adotou o mesmo critério do lançamento original. Se assim tivesse feito, a perda dedutível seria de R$ 854,55, como antes demonstrado. E, examinando a demonstração apresentada acerca dos registros contábeis decorrentes do contrato tomado como exemplo, é possível concluir que tal divergência decorre de dois aspectos: 1) operação inversa para apuração da perda, mediante diferença entre o crédito a receber e a receita de juros a apropriar, dado que nesta conta seriam mantidos os juros cujo reconhecimento no resultado seria vedado pelo art. 9º da Resolução CMN nº 2682/99; e 2) apuração dos juros a apropriar mediante diferença entre o total a receber Fl. 10045DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 33 32 (R$ 2.890,00) e o valor entregue ao cliente (R$ 2.173,42), desconsiderando que este último valor já está reduzido pelo IOF devido na operação (R$ 14,94). Em essência, ao contrário dos cálculos iniciais da Fiscalização, nos quais o IOF integrava o saldo devedor e era objeto de amortização na mesma proporção do principal, na informação fiscal a autoridade lançadora totalizou os juros a apropriar em R$ 716,58, muito embora os valores indicados na tabela de amortização do principal devido, somados, totalizem R$ 701,74. Em termos contábeis, a distinção entre os procedimentos pode ser assim esquematizada: a) Procedimento fiscal Créditos a receber 2.890,00 a Caixa 2.173,42 a IOF a recolher 14,94 a Rendas a apropriar 701,64 b) Informação fiscal da primeira diligência Créditos a receber 2.890,00 Despesa de IOF 14,94 a Caixa 2.173,42 a Rendas a apropriar 716,58 a IOF a recolher 14,94 E, alterada a forma de determinação da perda admissível na primeira diligência, mediante diferença entre o crédito a receber e a receita de juros a apropriar, como este último valor está majorado pelo valor do IOF, a perda restou reduzida em valor equivalente àquele tributo (R$ 854,55 R$ 839,71 = 14,84). Não se pode admitir como correto este segundo procedimento, primeiro porque dele resultaria que, caso pagas regularmente as parcelas devidas, ao final do contrato ainda restaria juros a apropriar de valor equivalente ao IOF devido; mas principalmente porque a interpretação dada aos fatos na informação fiscal é distinta daquela adotada no lançamento, como expresso no Termo de Verificação Fiscal: Cumpre salientar que a determinação do valor que pode ser deduzido como perda, por esse critério, já leva em consideração, de forma proporcional, as perdas decorrentes do IOF (despesa incorrida, repassada ao cliente no cálculo da prestação, que somente é reposta se houver o pagamento desta) e da TAC (receita que somente é auferida com o pagamento das prestações), na medida em que estes valores encontramse diluídos no cálculo das prestações, compondo o valor amortizado com o pagamento de cada parcela. De toda sorte, os elementos assim reunidos são hábeis a evidenciar que o período de carência afetaria o cálculo da perda dedutível. No contrato tomado exemplo, a perda admissível seria elevada de R$ 817,78 para R$ 854,55, e não a R$ 839,71, como indicado por ocasião da primeira diligência. Retomando a informação fiscal de fls. 4484/4563, a autoridade lançadora demonstrou a apuração do resultado econômico/contábil, fiscal e financeiro do contrato, e olhando apenas para a Tabela Price do contrato, identificou o saldo devedor do contrato após o pagamento de 7 parcelas (R$ 794,53) para dele deduzir os juros auferidos até o pagamento daquela 7ª parcela (R$ 629,18) e demonstrar que tal diferença (R$ 165,36), seria idêntica aos Fl. 10046DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 34 33 anteriores resultados econômico/contábil, fiscal e financeiro do contrato. Evidenciou, assim, que o resultado do contrato seria equivalente à diferença entre os juros auferidos em razão das parcelas pagas e o principal que deixou de ser amortizado por falta de pagamento. Ocorre que, na sequência, a autoridade fiscal concluiu que foi considerado nos cálculos o período de carência alegado, mas a perda deduzida pela contribuinte R$ 870,00 seria superior à perda recalculada de R$ 839,71, e isto em razão do erro de considerar como fórmula de cálculo da perda o valor de seu saldo devedor acrescido do montante dos juros embutidos nas duas parcelas que ainda seriam pagas (a correspondente à data do primeiro vencimento sem pagamento, e a seguinte), a demandar o recálculo das perdas passíveis de dedução, mas isto considerando a seguinte fórmula: (Valor das parcelas recebidas do contrato) – (valor do principal do contrato) – (receita financeira auferida em razão do contrato) Demonstrando a aplicação desta fórmula ao contrato adotado como exemplo, a autoridade fiscal assim expôs: a) Valor das parcelas recebidas do contrato: Foram recebidas 7 das 10 parcelas de R$ 289 = 7 x 289 = 2.023,00 b) Valor do Principal do Contrato: Corresponde ao valor entregue ao cliente (não está incluído o IOF) = 2.173,42 c) Receita Financeira auferida em razão do contrato: Corresponde ao valor total dos juros embutidos nas parcelas recebidas do contrato. Pela Tabela Price acima (na contabilidade, este valor também pode ser obtido da conta Receita Financeira ou, ainda, da diferença entre as contas Créditos a Receber e Receita de Juros a Apropriar, uma vez auditadas): 689,29 Assim, temos: (2.023,00) – (2.173,42) – (689,29) = 839,71 De plano observase, a partir do contrato tomado como exemplo, que: 1) se a autoridade fiscal reconheceu que a parcela de R$ 289,00 teria sido corretamente apurada pela contribuinte, e assim fez depois da aplicação da fórmula de cálculo tendo em conta, também, o período de carência alegado; 2) se a partir desta parcela outra é a planilha financeira do contrato; 3) se nesta planilha outros valores são atribuídos à amortização do principal e aos juros; e 4) se a perda dedutível foi originalmente tendo em conta a amortização do principal não recebida e os juros que poderiam ter sido incorridos em até 60 (sessenta) dias depois do último vencimento sem pagamento, a apuração da perda de R$ 854,55, demonstrada neste voto, somente pode ser justificada pela única variação promovida no cálculo: a consideração do período de carência na planilha financeira do contrato. Assim, à míngua dos esclarecimentos exigidos na Resolução nº 1101 000.104, destacados na análise da preliminar de nulidade do lançamento, não há como vincular a diferença entre a perda dedutível originalmente apurada (R$ 817,78) e aquela calculada na informação fiscal (R$ 839,71) ao mencionado erro de se utilizar como fórmula de cálculo da perda gerada por um contrato, o valor de seu saldo devedor acrescido do montante dos juros embutidos nas duas parcelas que ainda seriam pagas (a correspondente à data do primeiro vencimento sem pagamento, e a seguinte), ao invés da fórmula acima descrita, mormente tendo em conta, como exposto neste voto, que a autoridade fiscal somente apurou perda de R$ 839,71 porque, além de considerar o período de carência nos cálculos, deu tratamento ao IOF diverso daquele adotado na apuração original. Fl. 10047DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 35 34 Sem os mencionados esclarecimentos, a segunda diligência foi conduzida no sentido de, apenas, recalcular a perda dedutível a partir da nova fórmula de cálculo que a autoridade fiscal indicou na informação de fls. 4484/4563, para tanto inclusive demandandose da contribuinte outros arquivos de dados, além da apresentação de memórias de cálculo dos contratos antes apresentados a título de exemplo segundo o exposto na informação fiscal produzida em razão da primeira diligência, no item "4a Maneira Olhando apenas para a Tabela Price do contrato", a partir do qual seria aplicada a nova fórmula de cálculo da perda. Antes, porém, de declarar não atendida a diligência antes requerida, cumpre observar que, ao prestar as informações acima referidas à autoridade fiscal encarregada da segunda diligência, a contribuinte anotou em sua resposta que: Em relação ao documento fornecido como "doc. 02", cabe, antes de sua explanação, salientar que a memória de cálculo fornecida, em hipótese alguma, configura qualquer tipo de confissão por parte da Requerente. Há, aqui, apenas cumprimento a uma intimação, pelo que a Requerente afirma, pelos motivos que passará a demonstrar brevemente, que discorda frontalmente do método de cálculo que será aplicado após o fornecimento das informações. Conforme já suscitado quando da apresentação de suas defesas, a Requerente reitera a existência de graves erros incorridos pela autoridade fiscal acaso mantida a simplória fórmula que se pretende utilizar para que se alcance o suposto valor real a ser deduzido com as perdas no recebimento de créditos, simplesmente por que despreza diversas peculiaridades e variáveis dos contratos em questão os quais observam as normas regentes das atividades das instituições financeiras concomitantemente às normas tributárias incidentes nessas. Não há discordância entre a fórmula apresentada na solicitação, a qual serve de base para apuração da perda de cada contrato, sendo esta: "Perda do contrato = Valor das parcelas recebidas do contrato Valor do principal do contrato Receita financeira auferida em razão do contrato". Também há consenso de que a soma desses valores para cada contrato que tenha atingido os prazos legais para o reconhecimento das perdas irá totalizar o montante dedutível da base de apuração de impostos do período. Entretanto, discordase veementemente da memória de cálculo (e consequente metodologia de cálculo) exigida pelo Ilustre Fiscal para apurar os componentes do cálculo de Receitas Financeiras em Virtude do Pagamento (Juros) dos contratos da empresa Contribuinte. Isso porque, com a devida licença, e como já apresentado em peças anteriores, os controles utilizados pela empresa são mais sofisticados do que os apresentados na memória de cálculo e na metodologia de cálculo simplificadas que foram exigidas pela fiscalização para apresentação. Acrescentese que os controles utilizados pela Contribuinte levam em consideração variáveis e condições impossíveis de serem reproduzidas no falho modelo de cálculo exigido pelo Ilustre Fiscal para a apresentação da memória de cálculo (planilha) em questão. Aliás, a metodologia exigida pelo Ilustre Fiscal não só é contrária à adotada e defendida pela empresa Contribuinte, como gera surpresa ao ser exigida pela fiscalização, eis que não condiz com a realidade do mercado financeiro e afronta o direito de defesa da Recorrente reconhecido na Decisão do CARF que determinou a conversão do julgamento em diligência especialmente para confrontar a metodologia utilizada na autuação e a metodologia defendida pela empresa Contribuinte. Fl. 10048DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 36 35 Nessa senda, vale destacar alguns dos pontos de discordância da Contribuinte para com a metodologia de cálculo exigida pelo ilustre fiscal para entrega da Memória de cálculo das Receitas Financeiras em questão: i) Discordância 1: temse que a planilha solicitada prevê um contrato com incidência de juros pela metologia Price, dada condições em que o cliente paga todas suas parcelas em dia, dentro das datas de vencimento acordadas, sem atrasos ou adiantamentos, nem inúmeras outras intercorrências comuns no crédito massificado de varejo, que é a realidade da empresa Contribuinte, e deveria contemplar eventos como o pagamento de parcelas fora de sua ordem natural, a quitação de parte do contrato antecipadamente, entre outros. Ou seja, a planilha da forma que foi solicitada não se atém à atividade real de uma instituição financeira; ii) Discordância 2: o modelo de cálculo sugerido não leva em consideração a continuidade do reconhecimento de receitas, mesmo sem o devido pagamento das parcelas, durante o prazo de 60(sessenta) dias, conforme prevê a legislação aplicável às instituições financeiras, e acaba por influenciar erroneamente na metodologia de cálculo das receitas dessas e, por consequência, na metodologia de reconhecimento de eventuais perdas. Este fato fica nítido ao notarse que no exemplo fornecido pelo Ilustre Fiscal não há valor na coluna"Juros" para os períodos posteriores a 05/06/2005, onde houve o último pagamento realizado pelo cliente; iii) Discordância 3: vários outros controles que visam resolver pequenas questões relacionadas a diferenças de arredondamento e ajustes quanto ao período de acumulação dos juros não são levados em consideração na metodologia exigida pelo Ilustre Fiscal, implicando no acúmulo de mais algumas diferenças. Deveras, ao tomarmos o exemplo dado pela fiscalização, teríamos uma receita total a ser reconhecida nesse contrato de R$ 701,73. CONTUDO, se fizermos a conta aritmética da receita desse contrato, sendo a receita o valor total de parcelas pagas (R$ 289,00 x 10 = R$ 2.890,00) deduzido do valor principal concedido (R$ 2.188,36), obtemos o valor de R$ 701,64. ORA, apresentamse R$ 0,09 (nove centavos) de diferença positiva entre o valor apurado pelo modelo solicitado e o valor real de receitas passíveis de serem obtidas nesse contrato. Destaquese que esse valor também aparece na coluna "Saldo Devedor" do dia 05/09/2005, o qual deveria apresentarse zerado. Em suma, todos esses pontos de divergência não são novos e já foram explicados e discutidos no decorrer do processo, no qual foi apresentado pela empresa Contribuinte outro modelo de cálculo para as receitas auferidas, sendo que tal método é mais sofisticado e com os controles necessários para a observância das normas tributárias e do mercado financeiro. Nada obstante tais questões, apresentase a planilha de Memória de cálculo de Receitas Financeiras em Virtude do Pagamento (Juros) dentro do formato exigido pela fiscalização, e seguindo os modelos cálculos também exigidos por essa, com a exclusiva finalidade de atender à intimação e demonstrar a boafé da Contribuinte, mesmo já estando esta ciente de que os valores se apresentam em alguns casos divergentes da planilha e banco de dados apresentados com o detalhamento dos valores de perdas e receitas, exclusivamente pela metodologia de cálculo enviesada, viciada e equivocada que fora exigida pelo Ilustre Fiscal, e que não servirá para esclarecer os pontos exigidos pelo Colegiado do CARF, mas tão somente para tentarse infrutiferamente ratificar o erro cometido na autuação. A argumentação apresentada no tópico "Discordância 1" foi reiterada nas razões de defesa apresentadas depois da ciência do Termo de Encerramento de Diligência. Por sua vez, é fora de dúvida que, de fato, inúmeras circunstâncias podem se verificar no Fl. 10049DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 37 36 recebimento dos créditos detidos pela pessoa jurídica autuada, e em momento algum a autoridade fiscal delas cogitou. As perdas dedutíveis foram originalmente calculadas tendo em conta a última parcela paga pelo cliente, e nada foi dito acerca do efeito de atrasos e adiantamentos anteriores, ou mesmo verificado o efetivo saldo devedor do contrato no momento em que o pagamento da dívida é interrompido. Os cálculos da Fiscalização têm por referência, objetivamente, o saldo devedor determinado a partir das parcelas não pagas, as quais foram apuradas a partir da aplicação da "Tabela Price" sobre as informações extraídas dos contratos que tiveram alguma parcela registrada em perda no período fiscalizado. Sob esta ótica, portanto, a abordagem fiscal perde credibilidade. Embora a recorrente não demonstre concretamente as ocorrências alegadas, o fato é que não se pode negar a possibilidade de sua existência, assim como não poderia a Fiscalização desconsiderar esta possibilidade ao determinar as perdas dedutíveis. Para evitar que esta dúvida pairasse sobre as perdas apuradas, a autoridade lançadora poderia ter submetido suas apurações previamente à fiscalizada, exigindo justificativas para a dedução de perdas superiores às resultantes da análise realizada. Ao deixar de assim proceder, a deficiência na apuração fiscal exsurge apenas no contencioso administrativo, quando não é mais possível suprila, em razão do decurso do prazo decadencial e dos limites impostos ao lançamento complementar na forma do Decreto nº 7.574/2011: Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §1o O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b)não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. §2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. Fl. 10050DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 38 37 §4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. (negrejouse) Os limites assim fixados para o lançamento complementar implicitamente vedam a alteração da interpretação jurídica acerca de fatos que já eram de conhecimento da autoridade lançadora, e quanto aos fatos novos, é necessário que eles tenham sido subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora, o que não se verificou no presente caso, na medida em que, na verdade, a investigação fiscal não foi aprofundada para tanto. Esclareçase que não se trata, aqui, de exigir a verificação individualizada dos contratos como defendeu a recorrente, e assim contrapôs a autoridade fiscal na informação fiscal de fls. 4484/4563: Desnecessária esta verificação individualizada, salvo se julgado conveniente e oportuno pela Fiscalização, haja vista que partiuse do pressuposto que os dados relativos aos contratos que geraram perdas no ano de 2006, apresentados pela DACASA em meio magnético (Planilha Excel), eram verdadeiros. Ademais, não se vislumbra no curso da ação fiscal qualquer requerimento da Fiscalizada no sentido de que os contratos fossem verificados de forma individualizada, requerimento este que, mesmo existindo, estaria adstrito ao julgamento de conveniência e oportunidade do Fisco. Apenas que, ao entender desnecessária esta análise individualizada, e não cogitar das demais variáveis que poderiam afetar o cálculo das perdas, a autoridade fiscal acabou fundamentando a glosa em aspectos fáticos que são desmerecidos por ocorrências que poderiam aumentar o saldo devedor da dívida, mas não foram cogitadas nem enfrentadas na acusação fiscal. De toda sorte, mesmo admitindose que, em casos semelhantes ao contrato tomado como exemplo (no qual possivelmente não se verificaram as anormalidades mencionadas), o cálculo das perdas consoante originalmente procedido pela Fiscalização, ajustado pelos efeitos do prazo de carência, seria admissível como referencial para determinação das perdas dedutíveis, as diferenças apuradas exigiriam, ainda, a apreciação das alegações de defesa da contribuinte acerca da restrição à apropriação de juros depois de ultrapassados 60 (sessenta) dias do vencimento do título. Alega a recorrente que os dispositivos legais invocados no lançamento somente traduz conduta proibitiva quanto à dedução dos encargos constituídos anteriormente aos período de 60 (sessenta) dias, o que significa que todos os valores correspondentes que superem tal limite mínimo podem ser utilizados no cálculo das perdas definitivas. Observou que no exemplo escolhido pela Fiscalização há a possibilidade de os encargos pertinentes às 03 (três) parcelas que não foram quitadas serem incluídos, tendo em vista que todos superaram o período mínimo determinando. Como evidenciado na informação fiscal, ao admitir correto o cálculo da parcela do contrato em referência, no valor de R$ 289,00, a autoridade fiscal demonstrou na nova planilha financeira que as últimas três parcelas não pagas corresponderiam a amortização do principal de R$ 253,25, R$ 264,64 e R$ 276,55, o que na sistemática original de cálculo resultaria em perda dedutível equivalente à soma destes valores e dos juros a apropriar nos dois Fl. 10051DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 39 38 meses àquele em que verificado o último pagamento. Adicionando àqueles valores tais parcelas de R$ 35,75 e R$ 24,36, esperado seria que a perda dedutível totalizasse R$ 854,55 e, agregando a este montante os juros a apropriar em 05/09/2005 (R$ 12,45), a perda praticamente equivaleria ao valor deduzido pela contribuinte (R$ 867,00 contra R$ 870,00). Para desconsiderar esta última parcela de juros a autoridade fiscal se reportou, primeiramente, à Resolução BACEN nº 2.682/99, que assim dispõe: Art. 9º. É vedado o reconhecimento no resultado do período de receitas e encargos de qualquer natureza relativos a operações de crédito que apresentem atraso igual ou superior a sessenta dias, no pagamento de parcela de principal ou encargos. Segundo o fiscal autuante, o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro (COSIT), a fim de atender ao dispositivo em comento, determina que as receitas financeiras de contratos com atraso igual ou superior a sessenta dias não mais sejam contabilizadas na conta "Rendas de Operações de Crédito" (código COSIF 7.1.1.00.00.1), e sim passem a sêlo na conta contábil "Rendas a Apropriar em Operações de Crédito" (código COSIF 1.6.2.10.00.4), conta esta retificadora de ativo, mais especificamente da conta Operações de Crédito (código COSIF 1.6.0.00.00.1). Observase, porém, que não houve qualquer investigação acerca dos procedimentos contábeis da contribuinte acerca desta matéria. A autoridade fiscal entendeu que a obrigação de ela assim agir seria suficiente para excluir do conjunto de perdas os juros que não poderiam ter sido apropriados no resultado. Neste sentido, inclusive, fez constar à fl. 4562 da informação fiscal que para qualquer contrato, não será necessário excluir qualquer parcela a título de receita de juros após dois meses do primeiro vencimento sem pagamento, haja vista que esta exclusão só é permitida caso as receitas de juros tenham sido levadas a resultado após estes mesmos dois meses de atraso (art. 11, Lei nº 9.430/96), o que não ocorrerá, já que expressamente vedado pelo art. 9º da Lei nº 9.430/96 e pelo também art 9º da Resolução CMN nº 2682/99. Hipoteticamente a cogitação é válida, porque se os juros não fossem apropriados, o direito de crédito teria seu valor afetado pela conta redutora de ativo representativa dos juros a apropriar e o registro da perda se faria pelo valor líquido. Contudo, não se contemplou a possibilidade de a contribuinte ter descumprido a norma do BACEN, apropriando integralmente os juros e aumentando o valor da perda. Vejase, aliás, que a legislação tributária não reproduz os mesmos termos da norma financeira. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 11, apenas permite que a pessoa jurídica credora exclua do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido depois de dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento. Admitese, portanto, que a pessoa jurídica tenha apropriado os encargos financeiros mesmo depois de ultrapassado o prazo mencionado e, assim, possa excluir tal parcela do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Inferese, daí, que se a pessoa jurídica promoveu o registro integral dos juros, e posteriormente excluiu a parcela citada na lei, por certo a perda não poderia ser deduzida, para fins fiscais, integralmente. Contudo, a exclusão é apenas uma possibilidade legal, e nada impede que o sujeito passivo dela não faça uso, especialmente se já apropriou os valores correspondentes como perda no recebimento de créditos. Fl. 10052DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 40 39 As variações assim cogitadas no registro contábil e fiscal destas operações evidenciam que as investigações fiscais foram insuficientes para a glosa promovida, mesmo tendo em conta os contratos nos quais não houve intercorrências semelhantes às antes mencionadas, a afetar o saldo devedor no momento em que interrompido o pagamento da dívida. A autoridade fiscal deveria ter apurado se a prática da pessoa jurídica era, ou não, apropriar os juros para além do que permitido pelo art. 9º da Resolução BACEN nº 2.682/99 e, em caso positivo, se tal prática estava associada à exclusão permitida no art. 11 da Lei nº 9.430/96. Bastaria, para tanto, exigir que a contribuinte demonstrasse não só os valores de receita eventualmente oferecidos à tributação em virtude de atraso não superior a 60 (sessenta) dias (conforme intimação de fls. 19/22) como também as receitas oferecidas à tributação em virtude de atraso superior a 60 (sessenta) dias. Vejase, ainda, que não há registro em DIPJ (fl. 118), ou no LALUR (fl. 17), de que a contribuinte tenha procedido à exclusão de receita de juros apropriados. Logo, caso tenha descumprido o art. 9º da Resolução BACEN nº 2.682/99, não há evidências de que as perdas glosadas seriam incompatíveis com outro aproveitamento fiscal equivalente. Em sua oposição ao critério de apuração em debate a recorrente ainda assevera que a fiscalização não o traduziu em valores, e que se não for o caso de anulação do lançamento, esta aferição deveria ser feita em diligência. Contudo, como antes demonstrado na rejeição da preliminar de nulidade do lançamento, a autoridade destacou uma parte das perdas registradas, representada por contratos que permitiriam o cômputo de perda no anocalendário fiscalizado, e para estes casos limitou o valor dedutível àquele resultante dos cálculos orientados pelas premissas antes analisadas, afetadas pela repercussão do período de carência, atrasos e adiantamentos no saldo devedor e pela impossibilidade de apropriação de juros relativos a operações de crédito que apresentem atraso igual ou superior a 60 (sessenta) dias. Demonstrado que a investigação fiscal deveria ter sido aprofundada para excluir as cogitações que lançaram dúvidas acerca da indedutibilidade dos valores apontados neste conjunto de contratos, as investigações em nova conversão do julgamento de diligência se fazem desnecessárias porque não poderiam subsistir as glosas correspondentes sem aquele aperfeiçoamento, as quais correspondem, no caso, às apurações fiscais consubstanciadas nas planilhas de fls. 138/1928 e 1929/1947. Por oportuno esclareçase que os questionamentos da recorrente acerca da premissa fiscal de, na comparação da perda apurada com aquela deduzida, sempre adotar o menor dos dois valores, somente teria aplicação aos itens acima, na medida em que as demais glosas alcançaram a totalidade da perda informada. Assim, uma vez afastadas tais glosas, é desnecessário apreciar a pretensão da contribuinte de aproveitar integralmente os direitos de dedução que a legislação lhe confere, de modo a afastar a equivocada impressão de opção pelo aproveitamento meramente parcial. Com referência às demais perdas glosadas, a autoridade fiscal demonstrou às fls. 1948/1949 os contratos que geraram perdas em valor superior a R$ 5.000,00. Embora a contribuinte tenha registrado perdas de R$ 760.696,87, apenas foi admitida a dedução da parcela de R$ 449.461,80, correspondente aos contratos que já estavam há mais de um ano em 31/12/2006. A autoridade fiscal indicou, mediante a aposição da referência "ERRO" que as perdas vinculadas aos seguintes contratos não atenderiam ao critério temporal do art. 9º, §1º, II, "a" da Lei nº 9.430/96, e somente seriam passíveis de dedução no anocalendário 2006 caso declarada judicialmente a insolvência, a falência ou a concordata do devedor (art. 9º, §1º, incisos I e IV, Lei nº 9.430/96): Fl. 10053DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 41 40 Número do Contrato Data de Emissão Valor do Principal Número de Parcelas Data do Último Pagamento Data do Último Vencimento sem Pagamento Saldo Devedor Deduzido como Perda Mês da Perda Calculado 19.4349712 22nov05 4.230,00 4 21jan06 5.118,60 200607 19.4581462 01dez05 5.000,00 15 06jul06 06jan06 6.404,34 200607 19.4598955 05dez05 4.000,00 12 05jan06 5.161,09 200607 19.2158245 01set05 5.000,00 12 01ago06 01fev06 5.564,79 200607 19.5032586 14dez05 5.000,00 12 14ago06 14fev06 6.010,86 200608 19.5857662 11jan06 5.000,00 12 23ago06 23fev06 5.817,38 200608 19.5924137 12jan06 5.000,00 6 15fev06 6.368,02 200608 19.5937007 12jan06 4.500,00 7 12fev06 5.470,40 200608 19.6200112 24jan06 5.000,00 12 24ago06 24fev06 6.327,65 200608 19.3790520 01nov05 5.000,00 12 01set06 01mar06 6.009,19 200608 19.3983658 09nov05 5.000,00 12 11set06 09mar06 6.009,19 200609 19.4216591 17nov05 5.000,00 10 19set06 17mar06 5.693,10 200609 19.6430512 03fev06 4.000,00 12 06set06 06mar06 5.069,10 200609 19.6594053 08fev06 4.500,00 12 08mar06 5.334,34 200609 19.6835084 16fev06 4.000,00 10 19set06 16mar06 5.693,12 200609 19.6860240 17fev06 5.000,00 8 19set06 17mar06 7.141,00 200609 19.5717813 05jan06 5.000,00 15 05out06 05abr06 6.505,76 200610 19.6071030 18jan06 5.000,00 8 20mar06 18abr06 5.216,10 200610 19.6263641 26jan06 5.000,00 15 25out06 25abr06 7.277,68 200610 19.6790984 14fev06 5.000,00 12 28abr06 14abr06 5.575,03 200610 19.6899164 18fev06 5.000,00 12 18out06 18abr06 5.928,92 200610 19.6899265 20fev06 4.000,00 15 19out06 19abr06 5.259,23 200610 19.6996678 24fev06 4.988,00 10 24out06 24abr06 5.638,65 200610 19.7020686 24fev06 4.650,00 12 24out06 24abr06 5.330,29 200610 19.6425742 03fev06 5.000,00 12 03nov06 03mai06 5.781,91 200610 19.7613336 20mar06 4.400,00 12 06nov06 05mai06 5.428,11 200611 19.8247162 13abr06 4.000,00 12 13mai06 5.147,74 200611 19.8531685 28abr06 4.000,00 12 28mai06 5.147,74 200611 19.8547784 28abr06 5.000,00 12 28mai06 5.926,96 200611 18.6309156 01ago05 10.000,00 12 01jan06 9.786,40 200606 19.5834622 09jan06 5.000,00 12 11dez06 09jun06 5.094,22 200612 19.7712742 24mar06 5.000,00 7 26mai06 26jun06 5.146,80 200612 19.8293218 17abr06 3.500,00 12 17mai06 17jun06 5.310,61 200612 19.8643858 03mai06 5.000,00 12 03jun06 6.143,52 200611 19.8768082 08mai06 5.000,00 12 11dez06 10jun06 6.306,53 200612 19.9004692 15mai06 5.000,00 12 15dez06 15jun06 6.944,80 200612 19.9064992 24mai06 4.395,00 6 24jun06 5.294,70 200612 19.9139455 22mai06 4.000,00 12 22dez06 22jun06 5.317,84 200612 Total 222.701,71 Fl. 10054DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 42 41 Tomese como exemplo o primeiro contrato acima indicado, qual seja, o contrato nº 19.4349712. A contribuinte informou ter registrado perda de R$ 5.118,60 em julho/2006, mas o contrato firmado em 22/11/2005 deixou de ser pago em 21/01/2006. Contudo, o art. 9º, §1º, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, somente permite o registro como perda de créditos, sem garantia, de valor acima de R$ 5.000 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, salvo se declarada judicialmente a insolvência, a falência ou a concordata do devedor. Claro está que a contribuinte aplicou para o contrato em referência o mesmo critério de apropriação de perda adotado para os créditos de valor abaixo de R$ 5.000,00. Por sua vez, em recurso voluntário, a contribuinte se limitou a afirmar equivocada a interpretação dada pela Fiscalização ao dispositivo legal em referência, defendendo que a contagem do prazo se verificaria a partir do vencimento do crédito, e não da data do último vencimento sem pagamento. Na informação fiscal de fls. 4484/4563 a autoridade lançadora observou que embora solicitado à contribuinte informação acerca da data do último vencimento sem pagamento, utilizou, nos cálculos, a data do primeiro vencimento sem pagamento como termo inicial para determinar o prazo de atraso dos contratos. De fato, no exemplo acima mencionado, considerando que o contrato firmado em 22/11/2005 deveria ser pago em 4 (quatro) parcelas, e nenhuma parcela foi paga, o marco para contagem do prazo para dedução (21/01/2006) corresponde ao primeiro vencimento sem pagamento e não ao último vencimento sem pagamento. Por sua vez, em todos os demais contratos, observase a partir do número de parcelas estipulada no contrato, que as datas indicadas como último vencimento sem pagamento são, em verdade, o primeiro vencimento sem pagamento, restando evidente a partir deste marco que em 31/12/2006 ainda não havia transcorrido o prazo de um ano para dedução da perda. No mais, a interessada apenas alegou que a fiscalização não informou o quanto autuou em razão dessa malsinada premissa de contagem, mas, como evidenciado na tabela acima, a planilha de fls. 1948/1949 permitiu facilmente a seleção das correspondentes ocorrências. Esclareçase, ainda, que a dedução de perdas vinculadas a créditos acima de R$ 5.000,00 foi admitida no valor de R$ 449.461,80, do total de R$ 760.696,87. Os cálculos da planilha de fls. 1948/1949 evidenciam que, além da glosa de R$ 222.701,71 referente a créditos não vencidos há mais de um ano, mesmo para os créditos vencidos há mais de um ano foram identificadas divergências no valor das perdas deduzidas, e isto em razão dos aspectos antes mencionados (desconsideração do período de carência e exclusão do saldo devedor dos juros a apropriar depois de sessenta dias de atraso). Demonstrada a insuficiência do procedimento fiscal para admissibilidade deste segundo conjunto de glosas, subsiste válida apenas a oposição fiscal à dedução de R$ 222.701,71 vinculada aos créditos não vencidos há mais de um ano em 31/12/2006. Elevase, portanto, a perda dedutível de R$ 449.461,80 para R$ 537.995,16 (R$ 760.696,87 R$ 222.701,71). A defesa da recorrente em favor da contagem do prazo legal a partir do vencimento do crédito, e não da data do último vencimento sem pagamento também se aplica à parcela glosada no valor de R$ 141.445,31, demonstrada na planilha de fls. 1950/1956, na qual foram analisadas as perdas inferiores a R$ 5.000,00 que somente poderiam ter sido apropriadas no anocalendário 2007. Contudo, neste demonstrativo, também, foi utilizada nos cálculos, a Fl. 10055DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 43 42 data do primeiro vencimento sem pagamento como termo inicial para determinar o prazo de atraso dos contratos. Tomese como exemplo, dali, o contrato nº 19.868393,2, acerca do qual a contribuinte informou ter registrado perda de R$ 854,76. Uma vez que o contrato foi firmado em 05/05/2006, com pagamento de 1 (uma) das 7 (parcelas) devidas, o marco para contagem do prazo para dedução (05/07/2006) também corresponde ao primeiro vencimento sem pagamento e não ao último vencimento sem pagamento. Assim sendo, e também tendo em conta que a planilha de fls. 1950/1956 detalha todas as operações cujas perdas foram questionadas, a este título, no Termo de Verificação Fiscal, resta incólume a glosa correspondente. Na sequência, a recorrente questiona a glosa de perdas efetivas quanto às adições dos contratos de empréstimo em razão da substituição de cheques. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora relata os questionamentos dirigidos à contribuinte acerca de contratos constantes dos arquivos magnéticos entregues apresentando valores de parcelas pagas nulos ou em branco. Em resposta, disse a contribuinte que os campos com valores nulos se referiam a perdas relacionadas a operações de cartão de crédito ou a adições de débitos de contratos já enviados anteriormente para perdas, em função de devolução de cheques e/ou troca de cheques dados em garantia, não se tratando, portanto, de um novo contrato, mas sim de um aumento de saldo de contratos em perdas. Acrescentou que as informações relacionadas ao contrato original podem ser obtidas extraindo os últimos dois dígitos destes contratos (fl. 61). O fiscal autuante questionou a que se refeririam tais contratos e qual a forma de sua contabilização, apresentando arquivos com as ocorrências identificadas, separando aquelas com apenas uma parcela paga daquelas com nenhuma parcela paga, mas em ambos os casos com IOF e taxa de juros igual a zero. A resposta para os dois questionamentos foi a mesma: os contratos constantes dos arquivos, que apresentam IOF e taxa de juros igual a zero, [...], referemse a adições de débitos de contratos já enviados anteriormente para perda, em função de devolução de cheques e/ou troca de cheques dados em garantia, não se tratando, portanto, de um novo contrato, mas sim de um aumento de saldo de contratos em perdas. Informou, ainda, que a contabilização de todos os valores é devidamente feita por saldo segundo o critério de lançamento mensal e juntou à resposta cópias dos livros Razão nas quais se encontram as contas contábeis e os lançamentos respectivos. Frente a tais esclarecimentos, a autoridade fiscal assim se manifestou: Quanto a este item, nada mais lógico que excluir estes contratos daqueles geradores de perdas em 2006. Observese que, conforme resposta do contribuinte, estes contratos, caracterizados por terem apenas uma ou nenhuma parcela a ser paga pelo tomador do empréstimo e taxa de juros igual a zero, referemse a adições de débitos de contratos enviados anteriormente para perdas, em função de devolução de cheques e/ou troca de cheques dados em garantia, não se tratando, portanto, de um novo contrato, mas sim de um aumento de saldo de contratos em perdas. Ora, eventual cheque devolvido, tendo sido ele dado como garantia ou sendo representativo de pagamento de uma prestação, não pode ter seu valor adicionado às perdas geradas por determinando contrato. De fato, se o cheque foi assinado pelo tomador do empréstimo, visando ao pagamento de uma das prestações, e foi devolvido, por óbvio que seu valor já foi computado dentre as prestações não pagas. Fl. 10056DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 44 43 Caso esse mesmo cheque tenha sido assinado pelo tomador como garantia pelas prestações ainda não pagas, igualmente seu valor não pode ser adicionado às perdas no recebimento de créditos, sob pena de inflálas artificialmente. A autoridade lançadora traçou uma situação hipotética para reforçar suas conclusões, expondo os motivos pelos quais o tomador do empréstimo, depois de deixar de pagar parte de sua dívida, aceita assinar novos cheques depois do vencimento da última prestação, e acrescentou que: Realmente, caso o cheque dado em garantia venha a ser recebido, seu valor deve ser contabilizado como recuperação de créditos, haja vista que o contrato de garantia é mero contrato acessório do contrato principal de empréstimo. A tentativa de desconto desse cheque dado em garantia somente vai ocorrer caso seja impossível o desconto dos cheques originais fornecidos para pagamento das prestações, quiçá para se aproveitar de momentânea melhora na condição financeira do tomador do empréstimo. E, mesmo que seja descontado, seu valor apenas representará recuperação de crédito já computado como perda. Caso o desconto do cheque dado em garantia seja também impossível, a perda a ser computada é somente aquela do contrato original. O fiscal autuante equiparou tal situação àquela de um avalista em contrato de aluguel e abordou o procedimento contábil da contribuinte, nos seguintes termos: Observese que, conforme resposta da fiscalizada de em fls. 75 e 77, a dedução das perdas relativas a esses cheques dados em garantia ou em operações de crédito, e posteriormente devolvidos, dáse mensalmente, pelo saldo. Esta dedução dáse mediante débito na conta contábil "1.6.9.30 Provisão para Financiamentos". Entretanto, quando do recebimento desses cheques (e não quando do seu desconto, o que só ocorrerá em momento posterior), seu valor não é levado a resultado, mediante débito na conta caixa e crédito, por exemplo, na conta de receita de recuperação de créditos. Somente se isso ocorresse, ou seja, se o valor do cheque fosse oferecido à tributação quando do seu reconhecimento, mediante crédito em conta de receita e débito na conta caixa, é que seria possível deduzir a perda por ele gerada do resultado, quando no momento do desconto fosse verificado que o signatário não possuía fundos. Não é o que ocorre in casu, onde a fiscalizada controla os cheques recebidos em garantia extracontabilmente, deduzindo as perdas a eles relativas diretamente pelo saldo mensal, mediante débito em conta de provisão. (negrejouse) Concluiu que o procedimento da contribuinte enseja apenas dedução de perdas, sem o registro contábil anterior das receitas geradas pela operação. E, sem este registro, as perdas não anulam as receitas (e assim deve sêlo, pois a receita acabou não sendo auferida, já que o cheque não foi descontado por falta de fundos), e apenas reduzem artificialmente o resultado. A recorrente, por sua vez, asseverou que tais valores são realmente levados a resultado por representarem acréscimos aos negócios jurídicos firmados anteriormente, representando entrega de título (cheque) com cômputo de juros, para pagar prestação em aberto. Destacou que: Destarte, se verifica com clareza que o recebimento de novos cheques quanto a operações que ensejaram o registro de perdas traduz a cobrança da Recorrente em determinado cliente sobre o acréscimo (juros por atraso) aos valores originários, de Fl. 10057DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 45 44 forma que o cheque posteriormente apresentado nada mais é do que o pagamento de juros decorrentes do tempo em que a Recorrente deixou de usufruir da soma que fora anteriormente emprestada. (negrejouse) Daí porque, se tais cheques, quando do seu desconto em contacorrente, igualmente não apresentarem fundos para pagamento não haveria outra alternativa à Recorrente senão considerar seus respectivos valores como perdas, cuja aplicabilidade aos juros se aplica com clareza, na forma do art. 9º da Lei nº 9.430/96. Entende a recorrente que as características da contratação abaixo deixam claro que a segunda operação nada mais é do que uma complementação da contratação anterior relativa ao pagamento de juros que, evidentemente, não estavam previstos na negociação inicial: Identificase à fl. 498 as características originais do contrato referido. Trata se de acordo firmado em 10/08/2005, no valor de R$ 300,00, para pagamento em 8 (oito) parcelas a partir de 15/09/2005, sendo que nenhuma delas foi paga, ensejando a dedução de perda no valor de R$ 387,47 em março/2006. Já à fl. 2061 a autoridade fiscal informa que a glosa em debate, no valor principal de R$ 197,97, está relacionada ao contrato nº 818895, com data de emissão em 15/09/2005, sem qualquer indicação de juros, IOF ou taxa administrativa. Assim expostos os fatos e os argumentos da acusação e da defesa, resta claro que a autoridade fiscal examinou a escrituração destas operações com vistas a apurar se no momento em que recebidos os novos cheques a contribuinte teria apropriado os correspondentes valores em receita de recuperação de créditos, única hipótese contábil que autorizaria nova dedução a título de perda. E neste exame constatou que não houve o registro daquelas receitas, mas apenas o controle extracontábil dos cheques e subsequente dedução das perdas diretamente pelo saldo mensal, mediante débito em conta de provisão. A recorrente, por sua vez, sem apresentar qualquer prova em contrário, limitouse a afirmar ser evidente que tais valores são realmente levados a resultado. Acrescentou, ainda, que seria possível verificar com clareza que os valores recebidos corresponderiam ao acréscimo de juros por atraso, o que certamente não se pode afirmar sem provas, especialmente frente ao caso tomado como exemplo pela defesa, no qual o acréscimo de R$ 197,97 representaria quase 2/3 (dois terços) do principal emprestado (R$ 300,00), recordandose que já houve acréscimo de juros na apropriação da perda original, no valor de R$ 87,47. Em reforço à conclusão de que a argumentação da recorrente não infirma a acusação fiscal, tomese mais uma perda glosada, que pode ser vinculada a outra operação de crédito, à semelhança do que feito pela defesa. À fl. 2061 a autoridade fiscal não admitiu, sob os fundamentos aqui em debate, a dedução da perda de R$ 5.764,24 vinculada ao contrato nº 43.497, emitido em 15/07/2005. À fl. 196 identificase outra operação com o mesmo tomador, contratada em 21/06/2005, no valor principal de R$ 1.820,00, para pagamento em 12 (doze) parcelas a partir de 15/07/2005, das quais nenhuma foi paga, ensejando a dedução da perda de R$ 2.293,40 em janeiro/2006. Nestes termos, assim como no caso tomado como exemplo pela Fl. 10058DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 46 45 defesa, na data em que o tomador do empréstimo original deixa de promover o primeiro pagamento, outro contrato é registrado (sem referência a juros, IOF ou taxa de administração, por não se tratar de uma operação inicial), mas neste caso por valor superior ao dobro do principal atualizado da dívida, para depois ensejar a dedução de um segunda perda assim majorada, no mesmo anocalendário. De toda sorte, ainda que se admitisse que as perdas em debate correspondessem a juros, como alega, sem provar, a recorrente, nada, na legislação, dispensaria a pessoa jurídica de reconhecer a receita correspondente no momento do novo acordo. Ao contrário, o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 é claro acerca da incidência tributária sobre os juros ativos, que devem ser computados no lucro operacional da pessoa jurídica: Art 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). Esclareçase, ainda, que além de ser absurdo cogitar da não tributação destes valores especialmente frente à constatação de que sua perda foi objeto de dedução na apuração do lucro tributável, a decisão do Superior Tribunal de Justiça invocada pela recorrente (REsp nº 1.037.452/SC), tratava da incidência de IRPF, e não de imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas. Recordese, por fim, que por ocasião da segunda diligência, ante as alegações da defesa, requereuse que a contribuinte fosse intimada a demonstrar documentalmente a ocorrência dos fatos alegados acerca das perdas em debate. A autoridade fiscal encarregada da segunda diligência intimou a contribuinte a demonstrar o reconhecimento de receitas relativamente aos contratos de empréstimos nos quais houve substituição de cheques. Em sua primeira manifestação, a interessada reiterou parte de seus argumentos de defesa, mas alegou que por se tratar de demonstração extremamente complexa, acaso seja do interesse da fiscalização, colocavase à disposição para comprovar o alegado em prazo prorrogado (fls. 4634/4635). Apresentou, apenas, planilha que alegou corresponder ao meio pelo qual se deu o reconhecimento das receitas dos contratos de empréstimos nos quais houve substituição dos cheques, mas cujo conteúdo apenas enunciava, para alguns contratos, as datas de devolução e pagamento dos cheques a eles vinculados (fls. 4636/4638). Novamente intimada a demonstrar o reconhecimento das receitas em referência (fl. 4652), a contribuinte apenas se reportou a 10 (dez) contratos, afirmando não se verificar duplicidade de receita ou despesa em tais casos. Descreveu, como exemplo, as ocorrências vinculadas ao contrato nº 19.2269463, baixado para perda no prazo legal, mas que teria parcelas escrituradas, em razão de eventos seguintes, como receita de recuperação de perdas, seguindose posterior adição de perdas (fls. 4653/4658). Ocorre que, embora seja possível identificar, nas planilhas elaboradas pela autoridade lançadora, que houve glosa de perdas vinculadas ao contrato nº 19.2269463 apropriadas em fevereiro/2006 (sendo duas parcelas de R$ 200,25 e uma de R$ 400,50 conforme fls. 2562, 2567 e 2579), o anterior reconhecimento contábil destes valores como recuperação de perdas novamente não foi provado, mas apenas alegado. Fl. 10059DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 47 46 Frente ao exposto, resta claro que a autoridade lançadora promoveu as glosas em referência por não identificar a contabilização da anterior recuperação de perdas, e a contribuinte não logrou provar tais ocorrências, apesar das oportunidades que teve por ocasião da impugnação, do recurso voluntário e da conversão deste julgamento em diligência. Subsistem válidas, portanto, as justificativas para glosa dos valores demonstrados nas planilhas de fls. 1957/2584, nos valores totais de R$ 6.910.673,69 e R$ 995.559,11. Em consequência, os valores apurados no procedimento fiscal são mantidos apenas parcialmente, consoante a seguir demonstrado: Fls. Valores deduzidos como despesa Perdas admitidas pela Fiscalização Perdas admitidas no julgamento 01/2006 138/278 4.117.398,88 3.894.286,87 4.117.398,88 02/2006 279/414 4.000.420,19 3.775.591,67 4.000.420,19 03/2006 415/582 4.361.003,38 4.120.003,74 4.361.003,38 04/2006 583/710 3.642.515,39 3.438.914,34 3.642.515,39 05/2006 711/839 3.555.442,21 3.366.710,40 3.555.442,21 06/2006 840/963 3.397.035,04 3.217.974,59 3.397.035,04 07/2006 964/1114 4.154.440,35 3.919.446,26 4.154.440,35 08/2006 1115/1303 4.822.586,10 4.561.734,13 4.822.586,10 09/2006 1304/1443 4.016.105,18 3.806.149,54 4.016.105,18 10/2006 1444/1588 4.051.951,68 3.845.367,81 4.051.951,68 11/2006 1589/1710 3.425.189,59 3.248.733,33 3.425.189,59 12/2006 1711/1928 3.129.701,07 2.887.225,83 3.129.701,07 Créditos até R$ 5.000,00 Subtotal 46.673.789,06 44.082.138,51 46.673.789,06 Perdas dedutíveis em 2005 1929/1947 527.636,81 498.633,87 527.636,81 Créditos acima de R$ 5.000,00 1948/1949 760.696,87 449.461,80 537.995,16 Perdas dedutíveis em 2007 1950/1956 141.445,31 Nenhuma parcela paga 1957/2491 6.910.673,69 Perdas cheques devolvidos Uma parcela paga 2492/2584 995.559,11 Total 56.009.800,85 45.030.234,18 47.739.421,03 Considerando que o lucro tributável foi originalmente reduzido por despesas/exclusões no valor total de R$ 52.159.908,33, a glosa fiscal fica reduzida a R$ 4.420.487,30. Assim, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de perdas. Adentrando à glosa de despesa de juros sobre o capital próprio, temse que a constatação, pela autoridade fiscal, de que a dedução de R$ 4.219.239,77 superava a de R$ 3.742.757,85 esperada em razão da aplicação da taxa de juros de longo prazo TJLP sobre o patrimônio líquido no início do anocalendário 2006 (R$ 47.568.870,76). A Lei nº 9.249/95 estabeleceu os seguintes limites para dedução dos juros sobre o capital própriotéria no período autuado: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio Fl. 10060DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 48 47 líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; §4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. §§9º e 10 (Revogados pela Lei nº 9.430, de 1996) (negrejouse) A autoridade lançadora determinou a taxa efetiva a ser utilizada no cálculo mediante ponderação da taxa vigente em cada trimestre pelo número de dias de cada trimestre, em relação ao total de dias do ano considerando oito casas decimais de precisão. Em recurso voluntário, a interessada alegou que o valor deduzido não se refere unicamente ao anocalendário de 2006, uma vez que nesta rubrica foram incluídas também as remunerações dos JCP´s que deixaram de ser distribuídos no anocalendário 2005. Argumenta que os limites legais se aplicam unicamente à forma de cálculo dos juros, não se estendendo a limitar a correção dos valores que não haviam sido distribuídos, a qual traduz mera adequação do valor ao longo do tempo e, por isso, não representando qualquer vantagem a título de dedução. Acrescenta que os juros sobre o capital próprio de 2006 seriam R$ 3.746.048,57, verificandose uma pequena diferença em relação ao valor apurado pelo Fisco em razão do uso da TJLP de 7,86808219%, diferente índice divulgado no site da própria Receita Federal do Brasil, de 7,875%. Fl. 10061DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 49 48 Reportase a julgados administrativos para afirmar que a dedução dos juros é delimitada pelo §1º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 e destaca que, como o excesso apurado pelo Fisco decorre da remuneração que deixou de ser distribuída no anocalendário 2005, haveria apenas postergação do pagamento do tributo, e porque não observado o disposto no art. 273 do RIR/99, confirmado no Parecer COSIT nº 2/96, nulo seria o procedimento fiscalizatório. Esta Conselheira já se manifestou acerca da dedução de juros sobre o capital próprio correspondentes à variação da TJLP sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, nos termos do voto condutor do Acórdão 1101000.904, proferido nos autos do processo administrativo nº 16327.002051/200716: Diz a Lei nº 9.249/95, na redação já atualizada pela Lei nº 9.430/96: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4o (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (negrejouse) A Fiscalização defende que a pessoa jurídica somente pode deduzir, na apuração do lucro tributável, os juros correspondentes à variação da TJLP aplicada sobre o capital próprio no período de referência, ao passo que a contribuinte afirma seu direito de deduzir, no momento da deliberação, também os juros correspondentes à variação daquela taxa em períodos anteriores, mas que ainda não haviam sido contabilizados. Fl. 10062DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 50 49 Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema. A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos: IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP — PAGAMENTO ACUMULADO — LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE —Ainda que nada obste a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter este sido passível de distribuição , para efeitos de aferição dos limites possíveis de dedutibilidade do encargo, se deve levar em conta os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberou a sua distribuição. (Acórdão nº 10708.941, sessão de 28 de março de 2007, Relator Conselheiro Natanael Martins) JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL — O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 10196751, sessão de 29 de maio de 2008, Relator Conselheiro Valmir Sandri) JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. LIMITE TEMPORAL. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP, desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 1402001.179, sessão de 11 de setembro de 2012, Relator Conselheiro Antonio José Praga de Souza) Na concepção que orienta estes julgados, os juros são dedutíveis no período de apuração em que haja o pagamento ou crédito, desde que observado o limite legal para sua distribuição, e isto tendo em conta os parâmetros verificados no ano calendário da deliberação. Nas palavras do I. Conselheiro Antonio José Praga de Souza, no caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinando o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. E acrescenta: antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida, não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência, posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros. A recorrente também reportase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.086.752PR, de cuja ementa extraise: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de Fl. 10063DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 51 50 cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (Relator Ministro Francisco Falcão, DJe: 11/03/2009, julgamento em 17/02/2009) De outro lado, há jurisprudência administrativa favorável ao entendimento que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Os juros sobre o capital próprio devem ser apropriados com observância do regime de competência, com obediência os limites impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos de lucros acumulados ou do exercício, na data do crédito ou pagamento. (Acórdão nº 19500.023, sessão de 20 de outubro de 2008, Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DESPESAS COM PAGAMENTO A TITULAR, SÓCIOS OU ACIONISTAS. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução dos valores de juros pagos a título de remuneração do capital próprio, autorizada pela Lei n° 9.249/1995, não alcança os juros pagos em períodos anteriores, em vista do regime de competência. (Acórdão nº 140100.348, sessão de 10 de novembro de 2010, Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto) DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. INOBSERVÂNCIA DE REGIME CONTÁBIL. INOCORRÊNCIA Não tratando os autos de registro em período diverso ao que competia a despesa, ou de postergação do pagamento do imposto, descabe apreciar os efeitos preconizados pelas normas regulamentares que disciplinam tais matérias (artigos 247 e 273 do RIR/99). (Acórdão nº 130200.465, sessão de 27 de janeiro de 2011, Relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. (Acórdão nº 120100.348, sessão de 11 de novembro de 2012, Relator designado Conselheiro Marcelo Cuba Netto) A Secretaria da Receita também já se manifestou contrariamente ao entendimento da recorrente, ao editar as seguintes Soluções de Consulta: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores. Dispositivos Legais: RIR/3.000, de 1999, art. 347 e IN SRF nº 11/1996, art. 29. (Solução de Consulta SRRF/6a RF nº 63, de 24 de abril de 2001) Fl. 10064DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 52 51 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 78; RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29. (Solução de Consulta SRRF/9a RF nº 32, de 27 de janeiro de 2010) Os julgados administrativos contrários à tese defendida pela recorrente fundamentamse em doutrina que classifica o registro dos juros sobre capital próprio como opcional, de modo a limitar os efeitos da deliberação de crédito/pagamento ao período de apuração no qual auferidos os lucros distribuídos. Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli em Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (36ª ed., São Paulo, IR Publicações, 2011, p. 130), que “(...) a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos). À semelhança do que disse a Fiscalização, o referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio (Op. cit., p. 131). No mesmo sentido é a manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho em Imposto de Renda das Empresas (3a ed., São Paulo, Atlas, 2006, p. 240242): A partir dos dispositivos legais e regulamentares transcritos ou referidos, é possível inferir que a dedutibilidade de despesa relativa a juros sobre o capital próprio está subordinada a critérios quantitativos objetivos. A existência desses critérios, em princípio, não impede que uma empresa remunere, da forma como melhor lhe aprouver, o capital de seus sócios ou acionistas. De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nessa esfera as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode – no presente – deliberar a respeito dos pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. Há que se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, como visto, a dedutibilidade dos juros sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há um primeiro limite que diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e além desses critérios existem dúvidas se tais encargos têm a sua dedutibilidade subordinada ou não ao regime de competência. O art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência, o que está correto; o problema é saber quando surge a despesa e quando o atendimento ao regime de competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em que a despesa se torna incorrida, ou seja, quando houve a formação da relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros. Fl. 10065DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 53 52 Pois bem, o “regime de competência” é um princípio geral que sofre recortes de várias espécies segundo a vontade da lei. Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em cash basis e algumas despesas não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial de imputação temporal dos juros sobre o capital, de modo que é intuitivo que eles devem ser registrados segundo o regime de competência. Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram a regra geral do art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decretolei nº. 1.598/77, as referidas leis não revogaram expressamente ou tacitamente aquele diploma normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto no parágrafo 1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei posterior revoga a anterior “quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior”. As Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96, embora tenham trazido diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. As leis, nesse caso, se entrelaçam, não se excluem. Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 padece do vício da ilegalidade. Ela tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96. Se a dedutibilidade dos juros estivesse subordinada unicamente ao regime de competência, isto é, se não existissem limites objetivos a serem observados, a eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüência porque a observância – e a eventual inobservância – desse regime não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade. A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital, no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas. O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma deliberação nesse sentido e que não imponha condição suspensiva para o aperfeiçoamento do direito e da correspondente obrigação. Antes da formalização do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm nem mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. Ora, se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública, não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o capital é uma faculdade e, como tal, pode ou não ser exercida pelos próprios sócios, razão pela qual os juros não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista. Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães bem sintetiza as conclusões extraídas deste texto, no voto condutor do Acórdão nº 130200.465: Do referido texto, que acolho por inteiro, ressalto as seguintes conclusões: Fl. 10066DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 54 53 1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência; 2. tratandose de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das disposições do art. 6º do DecretoLei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem de forma expressa em disposição de lei; 3. a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio não se subordina única e exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma tributária impõe limites objetivos; 4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida; 5. do ponto de vista estritamente tributário, os juros sobre o capital próprio, diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista; 6. nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado; 7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores; 8. descabe, no contexto em que as disposições relativas à observância do regime de competência devam ser interpretadas, falarse em postergação do pagamento do imposto; 9. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade. A caracterização do registro de juros sobre o capital próprio como faculdade ou opção é aspecto que envolve, também, a definição de sua natureza. Luís Eduardo Schoueri, em seu artigo Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da "Nova Contabilidade" (in Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos), 3o volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193), aborda a criação desta dedução em contexto que facilita a compreensão de sua natureza: Os juros sobre o capital próprio devem ser inseridos em contexto mais amplo, tendo em vista que acompanharam a isenção de dividendos. Sob tal perspectiva, parece possível ver nos juros sobre capital próprio uma criativa solução do legislador brasileiro para enfrentar a prática da subcapitalização, ou thin capitalization. Tal prática, que se mostrou corrente em países nos quais a distribuição de dividendos é tributada, consiste em os sócios de determinada sociedade, em vez de aportarem seus investimentos no capital social da referida sociedade, mantêlos como empréstimos. Revelase vantajosa na medida em que as despesas da sociedade com o pagamento dos juros decorrentes de tais empréstimos são dedutíveis, ao passo que os dividendos distribuídos não. Assim, em situações em que tanto os juros quanto os dividendos pagos aos sócios são tributados, é mais vantajoso para os sócios capitalizar suas empresas por meios de empréstimos do que por aportes no capital social, uma vez que o pagamento de juros, diferentemente dos dividendos, é despesa dedutível da sociedade. Para evitar a prática da thin capitalization, países como os Estados Unidos da América estabeleceram alguns limites para a capitalização por meio de empréstimos dos sócios. Com efeito, a legislação desses países estabeleceram diversos métodos para se constatar Fl. 10067DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 55 54 se a subcapitalização estaria ocorrendo, a exemplo do limite máximo de empréstimos em relação ao valor do capital subscrito e integralizado; uma vez constatada a ocorrência da prática, autorizado ficaria o Fisco a tributar os juros excessivos como dividendos. No Brasil, com o advento da Lei n° 9.249/1995 (produzindo efeitos para o exercício de 1996), os dividendos pagos pelas sociedades brasileiras aos seus sócios ou acionistas, pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou não no País, passaram a ser rendimentos não tributáveis. Conforme reconhecido pela própria Exposição de Motivos do Ministério da Fazenda que acompanhou, à época, o Projeto de Lei n° 913/1995, tratouse de medida de integração entre o imposto de renda da pessoa física e o imposto de renda da pessoa jurídica, com vistas a evitar a incidência do primeiro sobre recursos já tributados pelo ultimo5. O tema da integração da tributação das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, ocupou, nas últimas décadas, estudos e debates nos Estados Unidos e na União Européia6. E dizer, pretendeuse eliminar, com tal expediente, a dupla tributação econômica. Conferirse isenção aos dividendos recebidos pelos acionistas ou sócios é método tradicional para evitarse a dupla incidência econômica do imposto, cuja adoção já foi considerada pelo Departamento do Tesouro norteamericano em estudo sobre os diversos "protótipos" de integração7. Daí encontrarse nos juros sobre capital próprio expediente criativo para se evitar a thin capitalization. Em face da isenção dos dividendos recebidos então estabelecida, e que passou a diferenciar o modelo brasileiro daquilo que se encontrava, via de regra, no direito comparado, a solução adotada seguiu caminho inverso à experiência internacional. Enquanto alhures se conferia aos juros a indedutibilidade própria de dividendos, o Brasil inovava, permitindo que se deduzissem os juros sobre o capital próprio, equiparandoos, portanto, ao tratamento tributário de juros propriamente ditos. Os "juros sobre o capital próprio" têm a finalidade de permitir ao sócio ou acionista perceber um rendimento equivalente ao que receberia se buscasse outra aplicação financeira de longo prazo. Assim, consoante a disciplina do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995, a sociedade paga uma remuneração a seus acionistas e reconhece o valor como uma despesa dedutível, abatendoa de seu lucro tributável8. Ao mesmo tempo, tais valores encontramse sujeitos à retenção na fonte, no momento do pagamento ao acionista, à alíquota de 15%. Desincentivase, pois, a capitalização das sociedades por meio de empréstimos, ou subcapitalização, já que ela não é necessária para se conseguir a dedutibilidade dos pagamentos aos sócios. A este respeito, assinalou a Exposição de Motivos que acompanhou o Projeto de Lei do qual derivou a Lei n° 9.249/1995: "A permissão da dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras, capacitandoas a elevar o nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia." [...] (negrejouse) Na seqüência, descrevendo o debate existente na doutrina acerca da natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio, referido autor conclui que a divergência existente resulta da tentativa de enquadrar os juros sobre o capital próprio nas categorias de Direito Civil, e assume razoável tomálos como vero conceito de Direito Tributário, sem qualquer amparo em categorias do Direito Privado. Daí que: Afastandose qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital. O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica de custo de oportunidade, entendida enquanto renúncia, pelo agente econômico, dos benefícios derivados de determinado investimento em função do potencial de lucro superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o lucro do negócio, sob Fl. 10068DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 56 55 uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se desconsiderado o lucro sobre o capital. [...] A natureza de remuneração do capital emprestada ao instituto constante do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995 permite que se concretizem as exigências do princípio da igualdade e da capacidade contributiva. [...] É neste ponto que se revela, a partir de uma perspectiva essencialmente tributária, a relevância dos juros sobre o capital próprio. Tal instituto, ao permitir que as empresas que se valem de recursos de seus próprios sócios ou acionistas tomem a dedutibilidade dos valores pagos enquanto remuneração pelo referido capital, restabelece a igualdade destes em relação a contribuintes que, com igual capacidade econômica, façam uso de capital emprestado por terceiros. [...] Em síntese, por meio dos juros sobre capital próprio, assegurase igual tratamento tributário à atividade empresarial, afastandose a diferenciação por conta da origem de seu capital (próprio ou de terceiros). Do ponto de vista do investidor, também, se concretiza a igualdade, naquilo que se equiparam ambas as situações. Se é verdadeira a premissa de que do lucro obtido na atividade empresarial, uma parte corresponde à remuneração do capital e outra, à atividade produtiva, então não há razão para a remuneração do capital proveniente de aplicações financeiras ter tratamento diferente daquele mesmo capital investido na empresa. Daí a tributação exclusiva na fonte. [...] Tais considerações, intimamente relacionadas com o conceito econômico de custo de oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que é dedutível. E dizer, do ponto de vista tributário, a situação apresentase tal qual como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (negrejouse) Abordando a questão, expõe Alberto Xavier, em Natureza JurídicoTributária dos “Juros sobre Capital Próprio” face à Lei Interna e aos Tratados Internacionais (in Revista Dialética de Direito Tributário, nº 21, Junho de 1997, p. 7/11), que o “juro sobre capital próprio” outra coisa não é que um resultado distribuível da companhia sujeito a regime fiscal especial” e “opcional”. E acrescenta: Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados não excederem o duplo limite atrás referido, a sua totalidade pode beneficiarse da dedução fiscal, muito embora o contribuinte possa optar por submeter apenas parte ao regime de dedutibilidade, ficando a outra parte sujeita ao regime comum. Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados excederem o duplo limite, só poderão beneficiar da dedução fiscal até o referido limite, ficando no remanescente sujeitos ao regime tributário geral. Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquele que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado: Fl. 10069DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 57 56 Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no momento em que formalizada a obrigação de pagálos em favor dos sócios. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no anocalendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. Pertinente observar que, neste contexto, não há que se falar em inobservância do regime de escrituração, e de eventual antecipação de pagamento dos tributos incidentes sobre o lucro. A tributação foi devida no passado porque a sociedade não optou por destacar parte da base de cálculo como juros sobre capital próprio, e assim descaracterizála como lucro. Como bem observou o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no voto condutor do Acórdão nº 130200.465: As disposições dos artigos 247 e 273 do RIR/99, não custa repisar, não guardam relação com a matéria submetida a exame, eis que não estamos diante nem de valores que competem a outro período de apuração nem de postergação de pagamento de imposto. Despicienda, assim, a análise dos efeitos decorrentes da aplicação dos dispositivos acima mencionados. No que diz respeito ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, cabe, apenas, destacar a ausência de efeito vinculante. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Considerando que, a partir dos documentos de fls. 3055/3061, cogitouse que na conta de despesa de juros sobre capital próprio teriam sido apropriadas não só as parcelas mensais que resultariam no total alegado de R$ 3.746.048,57, como também acréscimos mensais que corresponderiam a correção monetária pela variação do CDI aplicada sobre a base de cálculo de R$ 3.256.818,30, referente a juros s/ capital próprio creditados até 12/2005 e não pagos aos acionistas, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento acolheu a proposta desta Relatora em favor da conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência para que se verificasse, com referência à infração sob análise, se ao final do ano calendário 2005 foi provisionado o montante de R$ 3.256.818,30 a título de juros sobre o capital próprio, não se verificando o pagamento desta dívida até o final do anocalendário 2006 (Resolução nº 1101000.104). Fl. 10070DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 58 57 A contribuinte apresentou os registros da conta "Juros sobre o Capital Próprio" e a Fiscalização informou ter constatado no Livro Razão que não foi escriturado provisão a título de juros sobre o capital próprio, nem o respectivo pagamento desta provisão durante o ano de 2006. Cientificada do Termo de Encerramento de Diligência, a contribuinte nada opôs a estas constatações. Concluise, daí, que o excedente glosado pela Fiscalização não decorre de juros sobre o capital próprio provisionados por ocasião da destinação do lucro do ano calendário 2005. É possível que seu cálculo tenha tomado por referência o capital próprio daquele período passado, e até mesmo observado os limites fixados no §1º do art. 9º da Lei º 9.249/95 para seu creditamento/pagamento em 2006, mesmo quando somados aos juros calculados sobre o capital próprio do anocalendário 2006. Todavia, como consignado nas razões de decidir integradas ao voto condutor do Acórdão nº 1101000.904, quando a contribuinte, em 2005, deixou de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, provisionando os juros sobre o capital próprio que poderiam ser a eles pago em razão da variação da TJLP naquele período, ela destinou integralmente o lucro apurado como remuneração do capital, e limitou o direito dos sócios à distribuição de dividendos. Inadmissível, assim, deduzir do resultado do anocalendário 2006 parcela que deveria ter sido destacada no momento da destinação do resultado do ano calendário 2005. E, como também exposto nas razões de decidir integradas ao voto condutor do Acórdão nº 1101000.904, não se trata, aqui, de inobservância do regime de escrituração ou de eventual antecipação de pagamento dos tributos incidentes sobre o lucro. A tributação foi devida no anocalendário 2005 porque a sociedade não optou por destacar parte da base de cálculo como juros sobre capital próprio, e assim descaracterizála como lucro. Por sua vez, ao pretender fazêlo, quando não mais podia, em 2006, incorreu na redução do lucro deste período por parcela cuja dedução se tornou impossível desde a destinação do lucro de 2005. Inaplicáveis, portanto, os dispositivos legais e normativos que regulam a forma de lançamento frente à postergação decorrente da inobservância do regime de competência. Resta, assim, apenas apreciar a justificativa da recorrente para a diferença entre a parcela considerada dedutível pela Fiscalização (R$ 3.742.757,85) e o valor dos juros sobre o capital próprio que a recorrente afirmou correspondente à variação da TJLP no ano calendário 2006 (R$ 3.746.048,57). Conforme demonstrativos de fl. 3045, a contribuinte apurou este último montante mediante aplicação do percentual de 7,8750% sobre o patrimônio líquido de R$ 47.658.870,76. A autoridade fiscal também toma por referência este valor de patrimônio líquido, mas considerando os valores da TJLP anual divulgados trimestralmente pelo Banco Central do Brasil, determinou as taxas efetivas ponderando a taxa vigente em cada trimestre pelo número de dias de cada trimestre, em relação ao total de dias do ano. A taxa anual representou 7,86808219% a partir do seguinte cálculo: Fl. 10071DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 59 58 A recorrente aduz que o percentual de 7,8750% é apurado a partir de informações do sítio da Receita Federal na Internet, no qual a TJLP é apresentada mensalmente (fl. 3055). À fl. 3053 apresenta um cálculo complexo da TJLP de janeiro/2006 (0,7500%), mas cujo valor é equivalente, simplesmente, à divisão da TJLP do 1º trimestre/2006 (9%) pelos 12 meses do ano. Evidencia, desta forma, que a TJLP mensal apresentada no sítio da Receita Federal corresponde à divisão da TJLP anual do trimestre por 12 (doze), e que a soma daquelas TJLP mensais totaliza 7,8750% no anocalendário 2006. Ocorre que a lei, ao estabelecer que os juros devem ser calculados segundo a variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP, determina, apenas, que o cálculo assim se faça em relação ao saldo das contas de patrimônio líquido, ou seja, considerando as alterações ocorridas ao longo do período de apuração, acréscimos e decréscimos, de forma a limitar os juros ao período em que o capital próprio integrou o patrimônio da pessoa jurídica. Em outras palavras, se houve um aumento de capital em 12 de setembro do anocalendário, os juros serão calculados tendo em conta a variação da TJLP do dia 12 de setembro até o dia 31 de dezembro. No presente caso, porém, não há qualquer discussão acerca de alterações nos saldos das contas de patrimônio líquido ao longo do anocalendário. Os cálculos da Fiscalização e da contribuinte partem do mesmo referencial, qual seja, o saldo das contas do patrimônio líquido em 31/12/2005 (R$ 47.658.870,76). Assim, os juros sobre o capital próprio deveriam ser calculados pela variação cheia da TJLP ao longo do anocalendário 2006. A definição deste percentual, porém, exige que antes se classifique a TJLP como uma taxa de juros simples ou compostos, pois, neste segundo caso, a taxa mensal, por exemplo, seria definida extraindose a raiz 12 (doze), ao passo que no primeiro caso a taxa mensal seria obtida mediante a divisão da taxa anual por 12 (doze). A TJLP foi instituída pela Medida Provisória nº 684/99, convertida na Lei nº 9.365/96, e do art. 1º da referida lei extraise que a taxa tem vigência no trimestrecalendário subsequente à sua divulgação e é influenciada, especialmente, pela meta de inflação calculada pro rata para os doze meses seguintes ao primeiro mês de vigência da taxa. Assim, no último dia útil do trimestre anterior, o Conselho Monetário Nacional estima a TJLP dos próximos 12 meses, mas com vigência apenas durante o trimestre subsequente, até ser substituída por nova estimativa da TJLP anual. Evidências de que a TJLP teria natureza de juros compostos estiveram presentes Circular BACEN nº 2.722/96, hoje revogada pela Circular nº 3491/2010. Referido normativo estabelecia as condições para remessa de juros a investidores estrangeiros a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido, bem como registro de participações estrangeiras nas capitalizações desses juros, e exigia, por ocasião da remessa de tais juros a investidores estrangeiros, a apresentação de demonstrativo no qual a TJLP pro rata dia era assim calculada: DADOS DA TJLP B TJLP ANUAL PERCENTUAL RELATIVA AO TRIMESTRE b. 1 (Dez/ a Fev/ ): __,__ b. 2 (Mar/ a Mai/ ): __,__ b. 3 (Jun/ a Ago/ ): __,__ Fl. 10072DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 60 59 b. 4 (Set/ a Nov/ ): __,__ C FATOR DE ACUMULAÇÃO MENSAL DA TJLP ANUAL RELATIVA AO TRIMESTRE c. 1 (Dez/ a Fev / ): [1+(b.1/100)]1/12= _,____ c. 2 (Mar/ a Mai/ ): [1+(b.2/100)]1/12= _,____ c. 3 (Jun/ a Ago/ ): [1+(b.3/100)]1/12= _,____ c. 4 (Set/ a Nov/ ): [1+(b.4/100)]1/12= _,____ D FATOR DE ACUMULAÇÃO PARA PERÍODO INFERIOR A UM MÊS DA TJLP ANUAL RELATIVA AO TRIMESTRE d. 1 (Dez/ a Fev/ ): (c.1)d/n = _,____ d. 2 (Mar/ a Mai/ ): (c.2)d/n = _,____ d. 3 (Jun/ a Ago/ ): (c.3)d/n = _,____ d. 4 (Set/ a Nov/ ): (c.4)d/n = _,____ E FATOR DE ACUMULAÇÃO DA TJLP PRO RATA DIA NO PERÍODO DE PAGAMENTO (__.__.__ a __.__.__): _,____ F TJLP PRO RATA DIA RELATIVA AO PERÍODO DE PAGAMENTO:(E 1)=__,____ Por sua vez, nas instruções de preenchimento veiculadas na Circular nº 2.722/96 constava: B Indicar as TJLPs anuais percentuais divulgadas trimestralmente por meio de Comunicado pelo Banco Central do Brasil correspondentes aos trimestres sobre os quais será calculada a remuneração. C Informar os resultados dos cálculos, efetuados mediante aplicação das respectivas fórmulas, utilizandose 4 (quatro) casas decimais. D Se for o caso, informar o resultado do cálculo para período inferior a um mês completo, valendose do número de dias a serem capitalizados (d) e do número de dias corridos do mês correspondente (n), utilizandose 4 (quatro) casas decimais. E O fator de acumulação da TJLP pro rata dia no período de pagamento será o resultado do produto dos fatores de acumulação mensais ou diários, se for o caso, das TJLPs correspondentes aos meses ou dias do período em que está sendo paga a remuneração, utilizandose 4 (quatro) casas decimais. F Indicar a TJLP pro rata dia, a ser obtida a partir da fórmula expressa, utilizandose 4 (quatro) casas decimais. Como se vê, o cálculo era exponencial, partindo da premissa, portanto, de que a TJLP representaria juros compostos. Já a TJLP mensal divulgada pela Receita Federal é claramente apurada de forma linear, mediante divisão da taxa trimestral por doze. Ressaltese, porém, que a taxa de juros assim divulgada destinase ao cálculo de tributos em atraso, inseridos em parcelamentos especiais, e não se vincula a qualquer orientação de cálculo de juros sobre o capital próprio. No cálculo da exigência fiscal, a autoridade lançadora concebeu a TJLP como uma taxa de juros simples e, considerando as taxas anuais vigentes em cada trimestre, também definiu linearmente as taxas de cada trimestre a partir da taxa anual divulgada pelo Fl. 10073DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19740.720158/200820 Acórdão n.º 1302001.785 S1C3T2 Fl. 61 60 Conselho Monetário Nacional, mas tendo em conta não a quantidade de meses, e sim a quantidade de dias nos meses e, por consequência, nos trimestres. A questão, contudo, é que o fundamento da autoridade fiscal para assim proceder é a referência à variação, pro rata dia, contida no art. 9º da Lei nº 9.249/95, e esta não é a finalidade da menção assim inserida na norma legal. O objetivo da norma, claramente, é limitar os juros ao período no qual o capital próprio esteve disponível à pessoa jurídica. E, embora nos termos antes expostos fosse possível questionar a TJLP aplicada pela contribuinte, o fato é que não foi este o direcionamento adotado pela autoridade lançadora. Por tais razões, a acusação fiscal não se presta a impedir a dedutibilidade da parcela de R$ 3.746.048,57, demonstrada pela recorrente como referente à variação da TJLP no anocalendário 2006. A glosa subsiste, apenas, sobre a parcela excedente (R$ 4.219.239,77 R$ 3.746.048,57 = R$ 473.191,20), que permanece vinculada à variação da TJLP no ano calendário 2005 e é, pelas razões antes expostas, indedutível. Logo, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para manter a glosa de juros sobre o capital próprio, mas no montante de R$ 473.191,20. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a glosa de perdas a R$ 4.420.487,30 e a glosa de juros sobre o capital próprio a R$ 473.191,20. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 10074DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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