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Numero do processo: 19515.001357/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002.
DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO.
Ficando caracterizada a sonegação, fica afastada a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 150 do CTN e é aplicável a contagem conforme o art. 173 do CTN.
DECADÊNCIA. ART. 150 DO CTN.
Os tributos lançados por homologação só ficam alcançados pelo prazo decadencial determinado no § 4 0 do art. 150, do CTN, naquilo que corresponda a fatos considerados pelo contribuinte na quantificação da base de cálculo do tributo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTESTAÇÃO DOS FATOS. PROVAS.
AUSÊNCIA.
Não basta que o contribuinte conteste o lançamento, é preciso que ele comprove seus argumentos.
SONEGAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA.
Restando demonstrado que o contribuinte deixou de declarar os tributos apurados na sua contabilidade, resta demonstrada a sonegação ao Fisco de fatos tributáveis, cabendo a aplicação da multa de 150%.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Não é possível analisar a constitucionalidade de leis, ou adequação das leis ao CTN, em processo administrativo. As leis têm presunção de constitucionalidade e devem ser aplicadas pela Administração, salvo determinação em c ntrário da Justiça.
Numero da decisão: 1101-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em preliminar, por maioria de votos, ACOLHER parcialmente a arguição de decadência, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva que a acolhia em maior extensão; e, no mérito, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva, que dava provimento parcial para afastar a qualificação da penalidade
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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Recorrida 2 Turma da DRJ em BrasiliaEl Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002. DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO. Ficando caracterizada a sonegação, fica afastada a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 150 do CTN e é aplicável a contagem conforme o art. 173 do CTN. DECADÊNCIA. ART. 150 DO CTN. Os tributos lançados por homologação só ficam alcançados pelo prazo decadencial determinado no § 4 0 do art. 150, do CTN, naquilo que corresponda a fatos considerados pelo contribuinte na quantificação da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTESTAÇÃO DOS FATOS. PROVAS. AUSÊNCIA. Não basta que o contribuinte conteste o lançamento, é preciso que ele comprove seus argumentos. SONEGAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. Restando demonstrado que o contribuinte deixou de declarar os tributos apurados na sua contabilidade, resta demonstrada a sonegação ao Fisco de fatos tributáveis, cabendo a aplicação da multa de 150%. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é possível analisar a constitucionalidade de leis, ou adequação das leis ao CTN, em processo administrativo. As leis têm presunção de constitucionalidade e devem ser aplicadas pela Administração, salvo determinação em c ntrário da Justiça. 1 Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.785 Fl. 1.280 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar, por maioria de votos, ACOLHER parcialmente a arguição de decadência, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva que a acolhia em maior extensão; e, no mérito, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva, que dava provimento parcial para afastar a quanação da penalidade. : VALMAR FON EC A DE MENEZES - Presidente. CARLOS EDUARDO E ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, João Carlos de Figueredo Neto, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou parcialmente procedente impugnação a auto de infração. Em 17/08/2006, o contribuinte é cientificado de auto de infração (proc. fls. 498 a 527) e do termo de verificação fiscal (proc. fls. 489 a 493) com seus anexos, que quantificam as infrações (proc fls. 494 a 497). A fiscalização informa que constatou que o contribuinte efetuou compras não registradas nos seus livros e indica tais compras no anexo II. Explica que, nos termos do art. 286 do RIR/1999, essas diferenças são consideradas omissão de receita. Argumenta que "a omissão de compras renunciada denuncia omissão de receitas, as quais, a margem da contabilidade, serviram para efetuar o pagamento das referidas compras omitidas, ou revelam omissão passada, que gerou os recursos necessários a presente aquisição de compras omitida". Aplica a multa de 75%. 0 Fisco também alega que o contribuinte lançou na sua contabilidade custos que não logrou comprovar e indica estes custos no anexo I. Adiciona que informou ao contribuinte estas situações e pediu explicações, mas o contribuinte nada respondeu, por isso tais valores foram adicionados a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aplica a multa de 75%. Informa que a base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme os livros do contribuinte, é maior do que a informada na DIPJ e na DCTF (que coincidem). Explica que a diferença foi lançada e faz a apuração no anexo IV. Aplica a multa de 150%. --7 2 2 SI-C1T1 Fl. 1.281 Processo n° 19515.001357/2006-37 Acórdão n.° 1101-00.785 Diz que também as base da Contribuição para o PIS e para a COFINS declaradas estavam a menor, e que foi feito o lançamento da diferença, conforme anexo III. Aplica a multa de 150%. Quanto a diferença entre declarado e contabilizado, explica do seguinte modo o porque da multa de 150%: A prestação da DlPJ e da DCTF (anexadas ao processo fiscal), coin dados relativos às bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS, evidentemente diversos e inferiores àqueles efetivamente ocorridos, consoante demonstrado pela própria contabilidade do contribuinte, provocou os seguintes efeitos (que se teriam perpetuado, não fosse o decorrer da ação fiscal deflagrada): a) o impedimento, por parte da Administração Fazendária, da ocorrência de fato gerador de tributo e da real base de cálculo; b) o efeito "redução indevida do montante de tributo a pagar", fim último da conduta infratora, que evidencia o intuído da fraude. Assim, a conduta do contribuinte identifica-se com o conteúdo do instituto sonegação, pois, por meio dela, ele impediu o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendciria. Desta forma, as multas decorrentes da adição a base de cálculo dos valores sonegados em razão do divórcio entre as informações contábeis reais e aquelas declaradas na DIPJ e na DCTF foram agravadas, nos termos do inciso H do art. 44 da Lei 9430/96. Além Em 23/08/2006 é lavrado termo de re-ratificação de auto de infração (proc. fls. 529 a 533). No termo, o fiscal informa que a retificação serve para fazer constar o anexo V. Diz que tal anexo não implica em nenhuma alteração do valor apurado ou dos fatos constatados, mas serve apenas para melhor esclarecer a apuração que havia sido sintetizada no anexo IV. Em 15/09/2006, o contribuinte apresenta impugnação (proc. fls. 537 a 567). Diz que a autuação, decorrente das informações obtidas com terceiros, é improcedente. Alega que não basta apenas obter informações junto a terceiros, é preciso que o Fisco prove sua acusação. No caso, como a única prova apresentada pela fiscalização é a informação de terceiros, cabe a anulação desta parte da autuação. Enfatiza que a omissão de receita teve por base legal o art. 286 do RIR/1999, mas a letra da lei não foi obedecida, sendo esquecido de se considerar o livro de inventário, que é elemento integrante da equação proposta no dispositivo legal. Diz que não foi feito o levantamento quantitativo por espécie, mas apenas adotadas as informações de terceiros. Afirma que, também por isso, o auto deve ser cancelado. Explica que a base legal mencionada para sustentar a glosa de custos foram o arts. 289, 290, e 292. Diz que mais uma vez foi feita referência aos estoques da empresa, sem mencionar o livro de inventário. Afirma que "autoridade fiscal limitou-se a fazer o mero somatório das mercadorias desacobertadas de documento fiscal para presumir - erroneamente - que a Impugnante lançou custos superiores aos incorridos, deixando de analisar o estoque, bem como o fato de que não houve o posterior registro do custo da,vpnda". 3 SI -CIT1 Fl. 1.282 Processo n° 19515.001357/2006-37 Acórdao n.° 1101 -00.785 Argumenta que a fiscalização apurou a base de calculo do PIS e da COFINS considerando a ampliação da base de cálculo posta pelo art. 3°, § 1 0, da Lei n° 9.718, de 1998, refutada pelo STF. Alega que a multa de 150% é ilegal e inconstitucional. Diz que a multa foi aplicada sem que a autoridade tivesse comprovado a fraude. Afirma que não cabe a aplicação da taxa Selic. Em 20/09/2006, o contribuinte junta petição referente ao auto de infração e re-ratificação (proc. fls. 622 a 677). Diz que a fiscalização sustentou ter havido fraude, mas a acusação foi baseada em suposições e presunções. Argumenta que a descrição dos fatos é insuficiente e não é clara, impedindo o exercício de defesa. Propugna que a eventual omissão de compras não autoriza, por si só, a presunção de omissão de receitas. Enfatiza que não se pode agravar a multa sem a comprovação de dolo, fraude ou simulação. 0 contribuinte também diz que o auto de infração foi equivocado e que as notas fiscais que o Fisco disse não estarem registradas (indicadas pelo fiscal no anexo II), estão consignadas em seu livro de registro de entrada. Manifesta-se com as seguintes palavras: Senhor Fiscal é tão evidente, que o mesmo não se preocupou em sequer checar se as notas fiscais para as quais apontou irregularidades não estavam registradas no mês posterior a data de sua emissão. E, apenas a titulo de elucidação, foi o que ocorreu com as notas fiscais 251147 e 1654, cujas entradas ocorreram no inicio de janeiro de 2002, conforme se comprova da aposição do carimbo nas respectivas notas fiscais, que comprovam a entrada no mês de janeiro de 2002 e, portanto, o registro ocorreu imediatamente após a entrada da mercadoria, inclusive, dentro do mesmo mês em que se operou a entrada das notas fiscais no estabelecimento do contribuinte. Esta situação é perfeitamente comprovada através das cópias das referidas notas fiscais que encontram-se acostadas a presente. Afirma que está juntando aos autos as notas fiscais que o fiscal disse não existirem, junto com os respectivos lançamentos no livro de entrada. Diz que a fiscalização apurou as bases de calculo incluindo valores que o contribuinte entendeu não serem tributáveis por serem manifestamente ilegais e inconstitucionais. Afirma que as bonificações concedidas, receitas transferidas, vendas não recebidas, e ICMS devem ser excluídas da base de cálculo. Em 15/02/2007, o contribuinte pede juntada de documentos (proc. fls. 756 a 757). Em 17/12/2007, é solicitada diligência, pela DRJ (proc. fls. 800 a 805). Os seguintes esclarecimentos são pedidos: Item I. Verificação da efetividade do pagamento, pela autuada, de cada um dos valores relacionados no anexo I 07. 494) ao Termo de Verificação Fiscal (489/493), cujo montante perfaz a importância de R$ 10.839.684,92, juntando aos autos cópias de cheques, extratos bancários, lançamentos individualizados e/ou qualquer outro elemento comprobatório do efetivo desembolso dos referidos valores, coincidentes em datas e valore 4 - Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.785 Cumpre mencionar que o Livro Diário geral no 3 — Razão 2001 — apreendido pela Fiscalização e apensado ao presente processo contém somente lançamentos sintéticos que não permitem a identificacdo dos referidos pagamentos. Item II: Verificação da idoneidade das notas fiscais ora apresentadas pela impugnante para comprovar o custo de mercadorias adquiridas para revenda, emitidas pelas empresas NORTE PLUS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, no montante de R$ 9.333.191,61 (fi.s. 722, 726, e 738 a 757 dos autos) e AMAZON PC LTDA, no montante de RS 1.000.668,47 (fls. 732 e 733 dos autos), tendo em vista o seguinte: As notas fiscais apresentadas na fase impugnatória correspondem aos custos não comprovados durante o desenvolvimento dos trabalhos de Fiscalização, o que resultou na glosa do valor correspondente ao custo de mercadorias adquiridas para revenda que se encontrava contabilizado no Livro Registro de Entradas, conforme relação detalhada constante do Anexo I (fl. 494) ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 489/493), cujo somatório perfaz o montante de R$ 10.839.684,92. Na fase impugnatória, a autuada apresenta cópias de várias notas fiscais, entretanto, para que as mesmas sejam acatadas como comprobatórias de custos contabilizados, que influenciaram na apuração do lucro real, é necessário que as mesmas possam ser admitidas como documentos fiscais hábeis e idôneos, revestidos das formalidades essenciais. A partir de simples exame das notas fiscais apresentadas às fls.722, 726, 738 a 757, 732 e 733 dos autos verifica-se a existência de vários indícios de irregularidades: a) Relativamente às Notas Fiscais de emissão da NORTE PLUS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, verifica-se os seguintes indícios de irregularidades: - Erro no nome da própria empresa emitente das NF de fls. 738/757, na frase inserida no rodapé, onde consta "RECEBEMOS DE NORTE PLUS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, OS PRODUTOS NA NOTA FISCAL INDICADA AO LADO", sendo que o nome que consta do cabeçalho das mesmas notas é NORTE PLUS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA; - a mesma frase contém mais dois erros: além do erro de diagrama cão, eis que a impressão da frase avança sobre o campo do N° da Nota Fiscal, ainda falta palavra que dê sentido frase: "RECEBEMOS DE NORTE PLUS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, OS PRODUTOS [DISCRIMINADOS] NA NOTA FISCAL INDICADA AO LADO"; Fl. 1.283 5 Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.785 Fl. 1.284 - Nenhuma das notas contém qualquer informação sobre a forma de pagamento, nem informação alguma sobre o peso da mercadoria (bruto e liquido); - As NF n" 142, 143 e 144, emitidas respectivamente eni 8, 16 e 25 de janeiro, servem de indicio de que a (mica cliente da NORTE PLUS COM IMP LTDA num período de 18 dias teria sido somente a autuada, conforme se depreende da numeração seqüencial da referidas notas; - Numeração seqfiencial e ordem cronológica interrompida pela NF no 460, listada no anexo I (fl. 494), sendo que a referida NF n° 460 foi a única que deixou de ser apresentada pela autuada; - As notas fiscais de n° 382 (fl. 722) e 385 (17. 726) encontram-se ilegíveis e incompletas, não sendo possível visualizar quase todos os seus campos, tanto os preenchidos quanto os impressos. Não se vê sequer sombra da autorização para sua impressão; - Apesar das notas fiscais de no 382 722) e 385 (fl. 726) encontrarem-se ilegíveis e incompletas, é visível que a impressão das mesmas difere da impressão das demais NF juntadas às fls. 738/757, saltando aos olhos que as mais recentes aparecem com as letras "CGC" no campo da identificação da empresa destinatária enquanto que as mais antigas aparecem com as letras CNPJ; Além desses indícios, pesquisando os sistemas IRPJCONS e CONSULTACNPJ, verificou-se que a empresa NORTE PLUS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA (atualmente denominada Gamier Comércio de Equipamentos de Informática Ltda — ME): - ficou INATIVA desde a sua constituição até 31.12.1999 (Jls. 773); - apresentou declaração no modelo do Lucro Presumido para o ano-calendário 2000, porém, com todos os campos zerados , informando apenas o valor do Capital Social (fls. 774/775); - não apresentou declaração relativamente ao ano-calendário 2001 (fls. 776), que é o ano no qual teriam sido emitidas as notas fiscais relacionadas no Anexo I 494), no montante de RS 9.333.191,61; - continuou INATIVA nos anos-calendário de 2002 a 2005 (lis. 777/782) - iniciou atividades sob a denominação Center Frutas e Comércio Lida e sua razão social atual é Gamier Comércio de Equipamentos de Informática Ltda— ME (lis. 783/795). b) Relativamente às Notas Fiscais de emissão da AMAZON PC LTDA, verifica-se o seguinte: 6 Processo n° 19515.001357/2006-37 Acórdão n.° 1101-00.785 SI-C1T1 Fl. 1.285 - As copias apresentadas às fls. 732/733 encontram-se totalmente ilegíveis, faltando, inclusive, parte do cabeçalho das referidas notas; - à fl. 734 foi juntada uma única cópia, mostrando partes dos ri% 1192, 1211 e 1212, indicativas de que as referidas notas fiscais existiriam, entretanto, não foram apresentadas; Pesquisando os sistemas IRPJCONS e CONSULTA-CNPJ (11. 796), verificou-se que a empresa AMAZON PC LTDA apresentou 3 (três) declarações para o ano-calendário 2001 (ano das notas fiscais constantes dos autos), sendo: - A empresa declarou-se INATIVA DURANTE TODO 0 ANO CALENDÁRIO 2001, conforme a primeira declaração apresentada (fl. 797); - Embora tenha se declarado INATIVA, as notas fiscais de sua emissão, listadas no Anexo I (A 494) perfazem o montante de RS 1.000.668,47; - A referida pessoa jurídica apresentou declarações retificadoras vários anos depois, respectivamente em 22/04/2005 e 21/07/2006 796); - O responsável pela AMAZON PC LTDA é o sócio Carlos Eugênio Soares Diniz, conforme telas ás fls. 798/799, o qual é também o responsável pela autuada no presente processo - M C D DISTRIBUIDORA LTDA. Diante disso, solicita-se a realização de diligência fiscal para que se verifique a idoneidade das notas fiscais que a autuada pretende sejam acatadas como comprobatórias do custo de mercadorias vendidas, de emissão da NORTE PLUS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA e AMAZON PC LTDA, nos montantes de R$ 9.333.191,61 e R$ 1.000.668,47, respectivamente, de modo a exaurir todos os procedimentos possíveis e necessários para fins de verificação da legitimidade das operações descritas naqueles documentos, quais sejam: III — Verificar se a autuada possui os livros "Livro Registro de Inventário" e "Livro Registro de Controle de Produção e do Estoque", mencionados em sua impugnação, juntando, caso positivo, cópias que demonstrem os registros relevantes para o presente processo. Em 28/11/2008, o contribuinte junta petição (proc. fls. 1029 a 1038). Diz que o art. 38 da Lei n° 9,784, de 1999, permite a juntada posterior de documentos e informações, que devem ser consideradas na decisão. Reclama da aplicação da multa de 150%. Em 23/04/2009, é lavrado termo de diligência fiscal (proc. fl. 1132) que cientifica o contribuinte do relatório de diligência fiscal (proc. fls. 1133 a 1138). No relatório, a fiscalização informa quais das notas fiscais relacionadas no anexo I que tiveram os pagamentos comprovados. Diz que "não foi comprovada a efetividade dos pagamentos ao fornecedor 7 SI-CIT1 Fl. 1.286 Processo if 19515.001357 12006-37 Acórdão n.° 1101-00.785 'Norte Plus Corn. Imp. Lida', o que foi confirmado pela própria autuada eis fls. 1008/1009" e "não foi comprovado o pagamento ao fornecedor 'Armor Latina', Nota Fiscal 0082". Adiciona que "os lançamentos contábeis não eram individualizados e o contribuinte não possuía escrita auxiliar, restando prejudicada a verificação dos lançamentos contábeis com vistas a comprovação do efetivo desembolso dos pagamentos dos títulos, coincidentes em datas e valores". Explica que boa parte da diligência ficou prejudicada porque os endereços estavam fora da regido fiscal. Assim, "com relação aos indícios de irregularidades nas notas fiscais de emissão da Amazon PC e Norte Plus, não foram realizadas diligências nos endereços respectivos, nem nas gráficas impressoras, por se localizarem em outra região .fiscal". Indica que as notas foram registradas no livro de entradas e que a verificação do registro no diário não pode ser feita porque os lançamentos não eram individualizados. Diz que a empresa Norte Plus e a gráfica que teria impresso suas notas fiscais encontram-se com a situação fiscal de "não habilitado" desde 21/01/2004. Informa que a autuada tem livro de inventário, mas não tem livro de controle de produção e estoque. Em 13/05/2009, o contribuinte se manifesta sobre a diligência (proc. fls. 1139). Explica que, em relação ao item I, b, do relatório de diligência, os pagamentos foram feitos antes da data da nota fiscal porque eram antecipações de pagamento. Em 14/08/2009, a 2a Turma da DRJ em Brasilia aceita a juntada posterior de provas, rejeita as preliminares de nulidade, e decide que a impugnação é parcialmente procedente (proc. fls. 1141 a 1172). No voto condutor é explicado que não cabe falar em nulidade, pois o lançamento atende aos requisitos legais e o contribuinte apresentou defesa. Diz que os argumentos apresentados pelo contribuinte para sustentar a nulidade, na verdade são relativos ao mérito do lançamento e não a nulidade. Quanto à omissão de receita, a turma reduz o valor adicionado pela fiscalização em montante correspondente a notas cujos registros ficaram comprovados. Explica ao contribuinte que a apuração de fatos junto a terceiros é valida, principalmente quando o contribuinte é intimado a esclarecer estes fatos e não o faz. Diz que as notas fiscais identificadas pelo Fisco com terceiros foram confirmadas pelo próprio contribuinte, comprovando definitivamente a operação. Informa que é a falta de livros com lançamentos individualizados e a falta de livros auxiliares que impede o aprofundamento da investigação. Argumenta que a fiscalização não presumiu omissão de receitas a partir de informação de terceiros, mas sim constatou a falta do registro contábil de compras efetuadas. Conclui este ponto informando que "a vista da documentação apresentada pela autuada, o único valor remanescente no referido item do Auto de Infração corresponde a uma parte da nota fiscal n° 6.451, emitida pela Elgin S/A (Il. 688), que não teve sua contabilização ou pagamento devidamente comprovados". Assim, mantém a cobrança decorrente da parcela de R$ 98.522,64 referente a nota fiscal n° 6451, no 4° trimestre de 2001. Quanto aos custos não comprovados, diz que o Fisco considerou o montante de R$ 10.839.684,92 não comprovados, conforme o anexo I do termo. Adiciona que "as notas fiscais contabilizadas como custo e não apresentadas a Fiscalização constavam como de emissão das empresas Norte Plus Com. imp. Lida, Amazon PC, Epson do Brasil, Elgin e Mapema Com. Prod. Inf. Ltda, conforme detalhado à fl. 494". Explica que Fisco intimou e reintimou a empresa a esclarecer a situação, mas não obteve resposta. Relata que a autuada apresentou na impugnação diversas notas que não havia apresentad durante a fiscalização 8 Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.785 Fl. 1.287 (proc. fls. 692 a 757), que foram encaminhadas para diligência. Informa que na diligência foram comprovados pagamentos de algumas das notas fiscais, mas outras não. Esclarece as razões pelas quais a fiscalização não considerou comprovados os pagamentos referentes às notas fiscais, nos trabalhos de diligência, e indica essas notas e montantes: a) n° 82 da Amor Latina Brasil Ltda, no montante de R$ 65.670,00; b) no 5518 da Elgin SA, no montante de R$ 43.603,98; c) nenhuma das notas da Norte Plus Com. Ind. Ltda., no montante de R$ 9.620.780,71. Explica que o demonstrativo de pagamentos, extratos do Banco 'tad e demonstrativo de registro no diário, juntados pela autuada (proc. fls. 859 a 880 e 896 a 897), não puderam ser vinculados às notas fiscais da Norte Plus Com. Ind. Ltda, por falta de qualquer coincidência de data e valor. Lembra que inicialmente a empresa sustentou que fez os pagamentos dessas notas, porém conforme suas possibilidades de caixa. Recapitula que depois a empresa admitiu não poder comprovar os pagamentos que teria feito para Norte Plus Com. Ind. Ltda. Lista os indícios de irregularidade presentes nas notas fiscais da Norte Plus Com. Ind. Ltda. Conclui que: Cabe lembrar que as notas fiscais da empresa Norte Plus deixaram de ser apresentadas na fase de Fiscalização, razão pela qual o motivo da autuação foi a ausência de documentação hábil para comprovar os custos registrados pelo contribuinte em sua escrita contábil, atribuidos a compra de mercadorias da empresa Norte Plus. Apesar de ter apresentado as notas fiscais da empresa Norte Plus na fase impugnatória (á exceção da NF no 460), tais documentos não servem como documentação hábil para comprovar os custos registrados pelo contribuinte do montante de RS 9.620.779,83, tendo em vista as contradições de informações por parte da autuada (que chegou a requerer a desconsideração de informações antes prestadas, conforme declaração de seu diretor-presidente à fl. 1009 dos autos), as irregularidades apontadas nos documentos apresentados e ausência de comprovação da efetividade de um pagamento sequer à empresa NORTE PLUS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. Diante disso, os documentos da Norte Plus, apresentados na fase impugnatária, não se revestem de nenhuma das características necessárias para que o valor dos mesmos seja deduzido como custo na apuração do lucro do exercício, nos termos do art. 249, I, do RIR. Ao final, a turma aceita apenas como comprovado os valores indicados pela diligência (R$ 1.005.566,47 no 1° trimestre, e R$ 144.667,74 no 4° trimestre), mantendo as demais glosas do 1 0, 2°, 3° e 4° trimestre, nos montantes de R$ 3.395.791,93, R$ 2.274.089,06, R$ 2.948.471,02, e R$ 1.071.098,70 respectivamente. Quanto à apuração incorreta da base de cálculo do IRPJ e CSLL, lembra que a autuada se defendeu alegando que "tais diferenças decorreriam de conclusão precipitada de que a omissão de compras acarretaria omissão de receitas, apurando suposta base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Explica que a diferença decorreu de outra causa (comparação dos valores apurados nos livros com os valores informados em DIPJ e DCTF). Diz que o contribuinte, apesar de ter se manifestado diversas vezes no processo, não apresent o- um único elemento 9 Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CIT1 Acórdao n.° 1101-00.785 Fl. 1.288 demonstrando eventual erro na apuração feita em seus livros. Informa que a empresa limitou-se a discutir a qualificação da multa e a sua constitucionalidade/legalidade. Conclui que o lançamento do tributo e da multa estão corretos. Afirma que ficou caracterizada a sonegação, pois o contribuinte declarou apenas um percentual muito pequeno do que registrou em seus livros, conforme abaixo, sem apresentar qualquer explicação para o fato: Período de 2001 IRPJ devido de acordo com o Livro Diário n° 3 IRPJ devido de acordo com DCTF/DIPJ 1 0 Trimestre 218.383,56 3.438,81 2° Trimestre 69.042,45 4.120,82 3° Trimestre 61.185,49 2.199,87 4° Trimestre 5.731,36 2.429,90 Período de 2001 CSLL devida de acordo com Livro Diário n° 3 CSLL devida de acordo com DCTF 1°Trimestre 78.618,07 2.947,56 2° Trimestre 24.855,28 3.532,13 3° Trimestre 22.026,77 1.885,60 Esclarece que não se trata de mera inexatidão de declarações, até porque os valores estão registrados nos livros do contribuinte, embora tal apuração tenha sido feita a menor, pois considerou os custos que foram glosados. Quanto à apuração incorreta da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, lembra que a fiscalização verificou que o contribuinte só declarou em torno de 10% das receitas escrituradas (deduzidas as vendas anuladas), conforme quadro abaixo: Receitas de Vendas e Serviços escrituradas no Livro Razão, excluindo- se as vendas anuladas Receita Bruta informada DIPJ e DCTF diferença 3.206.958,13 321.264,08 2.885.694,05 2.517.201,26 252.547,13 2.264.654,13 3.642.527,98 368.039,50 3.274.488,48 3.224.534,56 323.567,80 2.900.966,76 4.312.265,17 428.091,29 3.884.173,88 3.291.902,59 363.662,25 2.928.240,34 3.054.423,46 331.987,52 2.722.435,94 3.049.029,97 317.562,17 2.731.467,80 2.790.445,75 299.664,23 2.490.781,52 2.481.195,60 259.630,46 2.221.565,14 2.543.051,24 256.419,16 2.286.632,08 2.188.958,39 235.155,18 1.953,3,21 Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.785 Fl. 1.289 Explica que a defesa da autuada consistiu em afirmar que a apuração da base de cálculo estava incorreta e em discorrer sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo pela Lei n° 9.718, de 1998. Informa que tais questões não se aplicam ao caso dos autos, pois os valores da receita bruta de vendas e serviços foram extraídos dos próprios livros do contribuinte e ele não comprovou ser parte em ação judicial sobre tais pontos, cabendo ser aplicada a lei. Afirma que as alegações referentes à "exigência de tributos sobre mercadorias recebidas em bonificação", "exclusão da base de cálculo de receitas transferidas de outra pessoa", e "consideração de deduções sobre vendas", não se aplicam ao caso concreto. Explica que "tal argumentação também se mostrou inócua, tendo em vista que a Fiscalização considerou unicamente o valor das receitas de vendas e serviços escrituradas nos livros contábeis da empresa, não tendo a interessada comprovado a aplicação das mencionadas reivindicações ao caso dos autos, cabendo ressaltar que as vendas anuladas foram consideradas pela Fiscalização, conforme demonstrado no Anexo III &IL 496". Conclui que o lançamento foi correto, inclusive quanto à multa de 150%. Quanto a Selic, diz que não é possível fazer juizo de constitucionalidade em julgamento administrativo e que a questão está sumulada pelo CARF. Em 13/11/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 1189). Em 11/12/2009, o contribuinte apresenta recurso voluntário, onde repete seus argumentos (proc. fls. 1192 a 1266). De novo, adiciona que ocorreu a decadência do lançamento, nos termos do art. 150 do CTN, que não cabe autuação de PIS e COFINS por reflexo quando o lucro é arbitrado. Reclama que o julgador não analisou toda a documentação apresentada. Explica que sua contabilidade tem base na Resolução CFC n° 686, de 1990, que permite partidas mensais. Refuta que a ausência de livro de controle de estoques torne válido o lançamento e, por isso, não cabe glosa ou arbitramento em razão da falta de tal livro. Afirma que não cabe arbitramento, principalmente porque o contribuinte tem os livros e documentos. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. 0 recurso do contribuinte, na sua maior parte, repete os argumentos apresentados na impugnação. Mas, dentre as poucas alegações novas, o contribuinte diz que ocorreu a decadência. Assim, cabe iniciar a análise da lide por esta questão preliminar. Para tanto, cabe considerar que o lançamento foi feito em 17/08/2006 e os valores que continuam sendo exigidos após a decisão de la instância. Nesse sentido, vale lembrar que após a reforma parcial do lançamento pela turma julgadora, ainda continuaram sendo exigidos IRPJ e CSLL dos 1 0, 2°, 3° e 4° trimestre de 2001, sujeitos à multa de 75% (omissão de receitas e glosa de custos) e sujeitos à multa de 150% (diferença entre declarado e contabilizado), conforme detalhado na folha 1170 (salvo pelo equivoco de considerar no 1° trimestre os R$ 98.522,64 referente à omissão de receitas que correspondem ao 4 0 trimestre). Também, continuaram sendo exigidas as Contribuição para o PIS e Cofins dos meses de janeiro a dezembro de 2001, sujeitas à multa de 75% (omissão de receitas) e sujeitas à multa de 150% (diferença entre declarado e contabilizado), conforme detalhado na folha 1171. II Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.785 Fl. 1.290 No que tange à omissão de receitas, como após a decisão da DRJ só foi mantida a omissão de dezembro de 2001, quer o prazo se conte pelo art. 150 do CTN, quer se conte pelo art. 173 do CTN, não cabe falar em decadência. No que tange à glosa de custos, mesmo após a decisão da DRJ, foram mantidas glosas nos 1 0, 2°, 3 0, e 4° trimestre. Assim, haverá ou não decadência para parte dos períodos, dependendo da forma que se conte o prazo decadencial. Caso seja aplicável o art. 173 do CTN, não haverá decadência e, caso seja aplicado o art. 150 do CTN, haverá a decadência dos 1° e 2° trimestres. Para a escolha do artigo aplicável, cabe considerar a decisão do STJ, na sistemática do art.543-C do CPC, no Resp n° 973.733/SC. Conforme o acórdão, é preciso haver algum pagamento ou alguma declaração do tributo, para que o prazo decadencial seja contado nos termos do § 4 0, do art. 150, do CTN. Porém, isso deixa em aberto ao intérprete as situações em que se considera ter havido ou não o pagamento ou a declaração. Neste ponto, só haveria sentido em se premiar o contribuinte com um prazo decadencial mais curto nas situações em que ele praticasse algum ato que auxiliasse o Fisco a identificar a matéria tributável. Por isso, parece razoável que os tributos lançados por homologação só fiquem alcançados pelo prazo decadencial determinado no § 4° do art. 150, do CTN, naquilo que corresponda a fatos considerados pelo contribuinte na quantificação da base de cálculo do tributo. Com base neste entendimento, no caso concreto, o lançamento relativo a glosa de custos não comprovados se submete ao prazo do § 4 0 do art. 150, do CTN, já que as despesas estavam informadas na apuração do tributo, declarado na sua DIPJ. Assim, na data do lançamento já havia decaído a possibilidade de lançar os 1° e 2° trimestre de 2001, referente ao IRPJ e CSLL, decorrente da glosa de custos. No que tange ao lançamento das diferenças de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS declaradas e escrituradas, com base no entendimento acima, não seria aplicável o art. 150 do CTN, pois os valores lançados não estavam declarados e nem estavam pagos. Além disso, a circunstância de ter sido aplicada multa de 150% confirma a aplicação do art. 173 do CTN. Assim, como os fatos tributáveis apurados poderiam ser lançados em 2001, o prazo decadencial iniciaria no dia 01/01/2002 e terminaria no dia 31/12/2006. Como o lançamento foi feito em 17/08/2006 não há que se falar em decadência. Assim, voto por declarar que já havia decaído a possibilidade de lançar os 10 e 2° trimestre de 2001, referente ao IRPJ e CSLL, decorrente da glosa de custos. Quanto aos demais aspectos do recurso, não cabe razão ao contribuinte, conforme a turma julgadora explicou. Inclusive, todos os argumentos apresentados naquela decisão, para fundamentar aquele voto, são adotados e passam a fazer parte integrante do presente voto. Sobre a omissão de receita, vale dizer que a apuração de fatos junto a terceiros é válida, principalmente quando o contribuinte é intimado a esclarecer estes fatos e não o faz. Além do mais, as notas fiscais identificadas pelo Fisco com terceiros foram confirmadas pelo próprio contribuinte, comprovando definitivamente a operação. Dessarte, a fiscalização não presumiu omissão de receitas a partir de informação de terceiros, mas sim constatou a falta do registro contábil de compras efetuadas. Também diga-se que foi a falta de — 12 Processo n° 19515.001357/2006-37 SI -CITI Acórdão n.° 1101 -00.785 Fl. 1.291 livros com lançamentos individualizados e a falta de livros auxiliares que impediu o aprofundamento da investigação. Ademais, no recurso, o contribuinte não apresentou qualquer elemento novo que infirmasse a parcela do lançamento que restou mantida pela decisão da DRJ. Por isso, cabem as exigências decorrentes da omissão de receitas de R$ 98.522,64, referente a nota fiscal n° 6451, em dezembro de 2001. Sobre os custos não comprovados, vale lembrar que a fiscalização considerou não comprovados custos, por falta de apresentação da documentação, não logrando o contribuinte provar a efetividade dos custos, embora tenha sido intimado a apresentar as notas fiscais e comprovar os pagamentos (proc. fls. 13 e 14). No recurso, o contribuinte não apresentou qualquer elemento comprobatório da efetividade dos custos. Assim, devem ser mantidas as glosas nos montantes decididos pela DRJ. Mas, considerando-se decadência do 10 e 2° trimestres, sobram apenas as glosas de R$ 2.948.471,02, e R$ 1.071.098,70, referentes ao 3° e 4° trimestre respectivamente. Sobre o lançamento das diferenças entre os valores declarados e os escriturados, cabe notar que a fiscalização demonstrou a declaração a menor do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, enquanto que o contribuinte não conseguiu apresentar qualquer elemento que pudesse infirmar a apuração fiscal, que inclusive foi feita com base nos livros do contribuinte. Ainda, é preciso frisar que a contestação do contribuinte versou apenas sobre questões diversas das lançadas. Por isso, e em razão de não haver período decaído, deve ser mantido o lançamento na integra. Quanto ao juros Selic, a cobrança decorre de lei e o julgador administrativo não pode fazer juizo de constitucionalidade de leis. Quanto a pertinência da aplicação da multa de 150%, ficou demonstrado que o contribuinte declarou débitos menores do que apurou em seus livros. Como é por meio de tais declarações que o Fisco controla e conhece os fatos tributáveis do contribuinte, qualquer informação intencionalmente prestada errada caracteriza sonegação. Assim, frente a freqüência, diferença de valores apurados e declarados, e ausência de qualquer justificativa, fica claro que o contribuinte tentou sonegar tributos. Cabe registrar ainda que diversos argumentos apresentados pelo contribuinte não têm qualquer conexão com a matéria dos autos, tal como já consignou a turma julgadora. Por isso, não cabe analisar ou comentar esses argumentos. Também, cabe registrar que a turma julgadora examinou os documentos apresentados e, portanto, não procede a queixa feita pelo contribuinte no seu recurso voluntário. Ainda, vale destacar que não houve arbitramento na presente autuação, estando equivocado o contribuinte ao combater o arbitramento feito pelo Fisco. 13 Processo n° 19515.001357/2006-37 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.785 Fl. 1.292 Por estas razões, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar apenas as parcelas cujo lançamento estava impedido pela decadência (cancelar a exigência referente aos 1° e 2° trimestre de 2001, relativa ao IRPJ e CSLL, decorrente da glosa de custos). Sala das Sessões, 9 de agosto de 2012. Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 14
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Numero do processo: 10840.000796/2008-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. MATÉRIA DE PROVA.
Cabe ao recorrente alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alega-los, comprová-los efetivamente.
Numero da decisão: 2002-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. MATÉRIA DE PROVA. Cabe ao recorrente alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegalos, comproválos efetivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 07 96 /2 00 8- 28 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10840.000796/200828 Acórdão n.º 2002000.811 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 41/51) contra decisão de primeira instância (fls. 30/36), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 23/25) com o lançamento de imposto de renda relativo ao ano calendário 2004 de R$ 9.708,84, de multa de ofício de R$ 7.281,63 e de juros de mora calculados até 02/2008 de R$ 3.818,48. Durante a ação fiscal, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte beneficiavase de deduções a título de pensão alimentícia por força de acordo homologado judicialmente de pagamento de alimentos a seu cônjuge, em decorrência de uma Ação de Oferta de Alimentos. Ainda segundo descrição dos fatos, o contribuinte foi intimado a informar se a referida ação era decorrente de dissolução conjugal. Com base nos esclarecimentos apresentados, a autoridade fiscal conclui que a dedução efetuada na base de cálculo do IRPF, no período fiscalizado, a título de pensão alimentícia carecia de lastro nas normas do Direito de Família, já que teria sido fruto de mera liberalidade, não se coadunando com as características do dever obrigacional própria das pensões alimentícias. Assim, o procedimento é encerrado com a lavratura do citado auto de infração, por ter sido constatada a seguinte infração a legislação tributária: 1 Dedução da Base de Cálculo Deduzida Indevidamente. Glosa de deduções com pensão judicial pleiteada indevidamente. Enquadramento legal: art. 11, §3° DecretoLei 5.844/43; art. 8°, inciso II, alínea f, da Lei 9.250/95. Cientificado do lançamento em 18/02/2008, o contribuinte inconformado apresenta impugnação de fls. 2703/14, em 22/02/2008, em que alega, em síntese, que: 1 um dos princípios administrativos é o da legalidade; assim a autoridade fiscal está impedida de criar hipóteses de incidência para que haja tributação; 2 ocorrendo a separação do casal, ou mesmo dentro do lar, a falta de assistência material obriga a prestação de alimentos; 3 o art. 24, da Lei 5.478/68 possibilitou ao devedor de alimentos tomar a iniciativa e judicialmente oferecer alimentos; 4 a oferta de alimentos não é uma das causas de rompimento da sociedade conjugal; Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10840.000796/200828 Acórdão n.º 2002000.811 S2C0T2 Fl. 4 3 5 não existe disposição legal que subordine o pedido de alimentos a circunstância de estarem os cônjuges efetivamente separados de fato. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: PENSÃO ALIMENTÍCIA _ AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS ART 24, DA LE1 5.478/68 COABITANDO COM CONTR1BUINTE ALIMENTANTE O CÔNJUGE E FILHOS NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Pagamentos realizados em virtude de acordo homologado judicialmente, nos autos de Ação de Oferta de Alimentos, conforme previsão contida no art. 24, da Lei 5.478/68, quando a pessoa responsável pelo sustento da família não deixe a residência comum, não possuem natureza de obrigação de prestar alimentos e, portanto, não podem ser utilizados para a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, como pensão alimentícia. Tais pagamentos são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro entre os cônjuges e entre estes e os filhos e não do dever obrigacional de prestar alimentos. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 29/07/2009 (fl. 39); Recurso Voluntário protocolado em 11/08/2009 (fl. 41), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Relata o Sr. AFRF, que: “Intimado a apresentar cópia autenticada dos autos da ação de oferta de alimentos e da sentença homologatória, bem como a informar se referida ação é decorrente de dissolução conjugal ou de uma deliberação pessoal do ofertante ou mesmo de um acordo familiar, o contribuinte não logrou fazêlo. Assim, é de se glosar o valor pleiteado por falta de previsão legal, tendo em vista ser fruto de uma mera liberalidade entre as partes, sem lastro nas normas do direito de família, pois, não ficou comprovado ter havido dissolução da sociedade conjugal, o que permitiria a citada dedução”. (fl. 24) Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10840.000796/200828 Acórdão n.º 2002000.811 S2C0T2 Fl. 5 4 A r. decisão entendeu que: “O fato de existir a homologação judicial do acordo não altera a natureza de suas despesas, em razão de não ter havido saída efetiva nem tampouco o animus de o contribuinte deixar a residência em comum com sua família. São estas características do fato concreto em exame que demonstram, às claras, que os pagamentos efetuados não possuem a natureza própria das despesas com pensão alimentícia e não podem se beneficiar de deduções irrestritas da base de cálculo do imposto”. Pois bem, o ônus da prova cabe a autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar do fisco cabe ao sujeito passivo, alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegalos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Feita esta consideração, cabia ao recorrente combater pontualmente a r. decisão revisanda, fato este não ocorrido já que seu recurso é mera repetição da impugnação. Nesta quadra conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.931173/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA
Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada.
DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS
Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.812
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 11 73 /2 01 3- 90 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 3 2 deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini. Relatório Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ nº 04044.574, que manteve o decidido no Despacho Decisório Eletrônico, o qual não homologou a compensação declarada na DCOMP – Declaração de Compensação, transmitida pela recorrente, por inexistência do crédito alegado. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário ora em apreço, trazendo as seguintes alegações: alega que retificou a DCTF para ajustar a apuração de PIS do período, de onde surgiu o crédito utilizado, sendo que o ajuste da DCTF foi realizado nos estritos termos da legislação tributária aplicável, amparada na também retificada DACON, trazida aos autos. apontou os subsídios técnicos do crédito compensado, entretanto o órgão julgador de primeira instância afastou os efeitos jurídicos das declarações retificadoras por entender que deveria, os ajustes estar calcados em documentos contábeis e fiscais hábeis e idôneos. defende que até onde se sabe, o ordenamento pátrio, não traz uma lista específica de documentos aptos a assegurar de forma definitiva a certeza e liquidez de crédito oriundo de declarações retificadoras, mas certo é que, a fiscalização possui à sua disposição diversos recursos para averiguação da certeza e liquidez do crédito à ela submetido. Nesse aspecto, poderia inclusive ter submetido a DCTF retificadora ao procedimento de auditoria interna, na busca da origem do crédito pleiteado. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 4 3 cita o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 onde destaca a possibilidade de retificação da DCTF após apresentação da PER/DCOMP, ou mesmo depois da emissão de despacho decisório que indefere o pedido, citando também Acórdão CARF neste sentido, concluindo que não há razão para a manutenção da decisão de não homologação, pois foram apresentados os fundamentos e critérios adotados pela recorrente na comprovação da certeza e liquidez do crédito. Anexa ao recurso cópia do Parecer Normativo COSITnº 2, de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.811, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.931172/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.811): "Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. Para o deslinde da questão, dois aspectos devem ser analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da compensação na esfera tributária. 1 O DIREITO AO CRÉDITO E SUA COMPROVAÇÃO A decisão de piso já enfrentou a questão com muita clareza, como aqui reproduzimos trecho do voto do ilustre julgador : O indeferimento do pedido de restiutição em questão se deu devido a existência, no momento do processamento eletrônico, de débito declarado em DCTF correspondente ao valor do DARF pago para o tributo e período em questão. Assim, o Despacho Decisório de não homologação foi emitido com base nas informações prestadas pela própria interessada. A retificação da DCTF Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 5 4 e do DACON ocorreu após a ciência do Despacho Decisório. Apesar de o sujeito passivo mencionar “a devida apresentação de toda a documentação necessária para comprovar” e “cabal comprovação”, a manifestação de inconformidade veio acompanhada tão somente de cópias de DCTF e DACON. Nada mais. O sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum documento comprobatório, não explica a origem dos supostos créditos. Apenas proclama um direito genérico. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhadas de documentação hábil e idônea, não é suficiente para modificar o Despacho Decisório. Para o reconhecimento em favor da contribuinte, é necessário que restem plenamente caracterizados os atributos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72, o qual determina: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Enquanto no lançamento de ofício incumbe à autoridade fiscal provar a ocorrência do ilícito (§ 1º do art. 38 do Decreto n.º 7.574/2011), nos casos de restituição e compensação é atribuição do interessado a demonstração da efetiva existência do direito creditório pretendido O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil dispõe: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha legado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).” A recorrente apenas acrescenta que efetivou os ajustes em DCTF e DACON para comprovar a liquidez e certeza do crédito, sem trazer aos autos nenhuma informação sobre a origem do crédito, tratandose de COFINS NÃO CUMULATIVA, a que Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 6 5 receita está vinculada e qual o motivo do ajuste dos valores, qual seria o motivo do ajuste, quais valores estavam informados incorretamente e porquê. Além disso, não traz aos autos documentos que comprovem tal erro, para que se justifique o pagamento a maior do tributo, tampouco traz informações sobre a contabilização de tais valores e suas correções. Portanto, correta a decisão de piso ao afirmar que não existe a comprovação de liquidez e certeza do crédito,o que impede a operacionalização da compensação pleiteada. 2 – A OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com suas várias alteracões, estipula que : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a Secretaria da Receita Federal emitiu Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB nº 1.717/2017, que assim dispõe : Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 7 6 Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instrumento onde o contribuinte declara, como confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, portanto, se a autoridade administrativa, segundo critérios de aprofundamento por ela definidos e após eventuais batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em DCTF como compatível com o do efetivamente devido, pode, a partir dos elementos de que internamente já dispõe, decidir o direito à restituição (e, por decorrência, à compensação) por comparação entre o valor pago do tributo e o correspondente montante declarado em DCTF, sendo dispensável, dado o caráter confessional da DCTF, a intimação do requerente para prestar esclarecimentos ou apresentar provas. A Secretaria da Receita Federal emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade, assim dispôs sobre o cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP : 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos. (...) 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 9 8 Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014). 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). (...) 20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. O foco da questão aqui tratada não deve ser a formalidade e efetividade de um ato da autoridade administrativa, mas o efeito de um ato do sujeito passivo – retificar sua DCTF – em momento que ainda lhe é permitido pela norma e que confirme ato por ele também praticado anteriormente (a compensação ou o pedido de restituição) quando já fora objeto de análise pela autoridade administrativa. A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF são de absoluta responsabilidade do declarante, e podem ser retificados, como admite a Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º : Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 10 9 Desta forma, para alterar os dados declarados, como débitos indevidos ou inexistentes, obrigatoriamente devese informar á Secretaria da Receita Federal, através da DCTF RETIFICADORA, para que, ao efetivar o cruzamento de informações, no caso em exame, de valores declarados em DCTF e valores declarados em DCOMP, sejam compatíveis para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou emitir despacho não homologando a compensação, com a devida fundamentação. É o que acontece no caso presente, a recorrente efetivou a retificação da DCTF, entretanto, não apresentou provas da liquidez e certeza do crédito, o que o torna inaceitável para operacionalização da compensação declarada. Assim, no cruzamento de informações prestadas pela recorrente, na DCTF e na DCOMP,. O sistema de registro eletrônico da Secretaria da Receita Federal detectou que o recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento. Por este motivo, o fundamento da não homologação da compensação foi o de haver um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o pagamento indevido foi vinculado, como crédito, a valor de débito confessado em DCTF, extinguindo, portanto, o débito, não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para o devido encontro de contas no instituto da compensação, nos termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem; Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.) e do artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.), por faltar ao crédito os atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não mais existia á época da transmissão da DCOMP, restando o débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional. Restou, pois, á recorrente, a retificação da DCTF, para alterar a vinculação do débito ao crédito que se pretenda compensar. Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o direito á compensação de crédito, faltandolhe liquidez e certeza. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.931173/201390 Acórdão n.º 3301005.812 S3C3T1 Fl. 11 10 Quanto á homologação e operacionalização da compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás Delegacias da Receita Federal, unidades jurisdicionantes dos requerentes/declarantes. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado para não reconhecer o direito creditório e também não reconhecer o direito á compensação pretendida, porquanto não comprovada, por meio de documentação hábil e idônea, a desvinculação do crédito reconhecido, através de retificação da DCTF, faltando ao crédito os atributos de liquidez e certeza." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.904159/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 41 59 /2 01 2- 79 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10925.904159/201279 Acórdão n.º 3301005.631 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência de crédito disponível. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que apurou crédito tributário da contribuição ao PIS e da Cofins em razão da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Esclarece, a interessada, que a razão de o crédito não ter sido reconhecido está no fato de que o mesmo não constava nos dados de controle da RFB, uma vez que o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. Em sua defesa, a contribuinte traz julgado administrativo do CARF e do judiciário – TRF da 4ª Região a fim de ver reconhecido o direito à compensação. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07031.027. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os termos de sua manifestação de inconformidade, em especial: a) Defende a existência dos créditos empregados na compensação não homologada; b) Sustenta que não há previsão legal para a exigência da retificação da DCTF como condição para a homologação da compensação: ofensa ao princípio da legalidade tributária; c) E acrescenta que a exigência de retificação da DCTF afronta aos princípios da verdade material e do formalismo moderado dos atos administrativos. Ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10925.904159/201279 Acórdão n.º 3301005.631 S3C3T1 Fl. 4 3 3301005.620, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.900617/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.620): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP, mas não retificou a DCTF. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN. Sendo assim, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10925.904159/201279 Acórdão n.º 3301005.631 S3C3T1 Fl. 5 4 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da DCOMP. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10925.904159/201279 Acórdão n.º 3301005.631 S3C3T1 Fl. 6 5 Por conseguinte, se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Contudo, como se verá a seguir, não há suporte probatório da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente aduz que tem crédito de COFINS oponível à Fazenda Nacional, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade pelo STF da ampliação da base de cálculo pelo parágrafo 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98. Por isso, efetuou a compensação, explicando: Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa: as receitas financeiras. Em pedido de iniciativa do contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas financeiras; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as receitas financeiras, que não compunham o seu faturamento. Dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10925.904159/201279 Acórdão n.º 3301005.631 S3C3T1 Fl. 7 6 créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida. Isso porque, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373, do CPC/2015. Logo, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Enfim, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007525/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizá-lo na compensação de crédito tributário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA.
A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária.
PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões.
Numero da decisão: 2402-006.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizálo na compensação de crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 75 25 /2 00 8- 10 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11020.007525/200810 Acórdão n.º 2402006.938 S2C4T2 Fl. 215 2 Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 205 a 212) pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de impugnação (fls. 195 a 198), onde a Turma de DRJ competente acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela empresa para o mês de 12/2004. Em 12.04.2004 a recorrente apresentou PER/DCOMP, requerendo a compensação de débito de IRRF código 0588 (12/2004) com valores retidos nesse mesmo mês (R$ 98.880,53) por tomadores de serviços prestados por seus associados. Em 13.02.2009 a contribuinte foi cientificada da homologação apenas parcial de seu pedido (R$ 59.585,55), vindo a apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão em 13.03.2009. Em 31.03.2009 a autoridade de piso, ao examinar caso, decidiu por converter o julgamento do caso em diligência, a fim de que a fiscalização intimasse, recebesse e analisasse os comprovantes de retenção emitidos em seu nome, bem como emitisse um relatório circunstanciado acerca do montante do crédito comprovado, cientificando ao final a empresa sobre as suas conclusões (fls. 167/168). Realizado tal procedimento, em 23.10.2009 a recorrente manifestou concordância com a parte do crédito reconhecido pela auditoria, pedindo, entretanto, que a DRJ ordenasse uma complementação da diligencia, para que a auditoria examinasse sua contabilidade e detectasse os casos de retenções não declaradas em DIRF pelos tomadores de seus serviços. Pediu, ainda, que, caso o julgador não concordasse com tal complementação, que ao menos concedesse um novo prazo para a empresa juntar as faturas de sua emissão contendo destaques das retenções sofridas no período (fls. 190/191). Em 15.06.2010 a Turma de DRJ exarou o acórdão recorrido, decidindo pela procedência parcial da manifestação de inconformidade da contribuinte (reconheceu o crédito de R$ 19,79) e indeferindo o novo pedido de diligência, ao argumento de que o ônus de prova seria da contribuinte e que caberia a essa, portanto, ter apresentado os elementos probantes de suas alegações junto com inconformidade, em vez de tãosomente disponibilizar sua contabilidade à fiscalização. Em 17.12.2010, ainda irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço, pedindo a anulação do acórdão combatido, por preterição de direito de defesa, e requereu a realização de nova diligência (a fim de comprovar as retenções sofridas) ou que, ao menos, fosse autorizada a juntada de cópias de faturas com os destaques das retenções sofridas. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11020.007525/200810 Acórdão n.º 2402006.938 S2C4T2 Fl. 216 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido de anulação da decisão recorrida Quanto ao pedido de anulação do acórdão recorrido, analisados os autos, verificase que a autoridade de piso concedeu amplas possibilidades de a contribuinte apresentar suas razões e juntar todos os elementos de prova que considerasse necessários. Consta, inclusive, que o primeiro grau autorizou a realização de diligência requerida pela empresa, tendo a fiscalização estendido por 80 dias o prazo para a recorrente apresentar as provas constitutivas de seu direito, além de outros 30 dias para, ao final do procedimento, manifestarse sobre as conclusões da auditoria. Foi observado, também, que o acórdão combatido detalha e análise todos os argumentos e pedidos apresentados pela recorrente, expondo de forma clara as razões que motivaram a decisão proferida. Assim, entendese que o indeferimento do segundo pedido de diligência da recorrente, apresentado logo após a conclusão do primeiro procedimento, em nada afetou seu direito de defesa, descabendo razão à empresa quanto a esse aspecto. Da diligência requerida Sobre o pedido de diligência apresentado no recurso voluntário, conforme exposto, os autos demonstram que foram disponibilizadas à contribuinte todas as oportunidades para a apresentação dos elementos probantes que desejasse, descabendo ao fisco auditar a contabilidade da empresa a fim de localizar informações que a própria contribuinte afirma possuir, uma vez que, na dicção do Art. 373, I do CPC, é do autor o ônus da prova dos fatos constitutivos de seu direito. Do pedido para apresentação de novos documentos A respeito do pedido para apresentação, neste momento processual, de faturas de emissão da recorrente, contendo destaques das retenções sofridas no período, deve ser observada a norma contida no art. 16, §4º, do DL 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11020.007525/200810 Acórdão n.º 2402006.938 S2C4T2 Fl. 217 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Conforme se verifica, tais provas deveriam ter sido produzidas junto com a impugnação (manifestação de inconformidade), estando precluso o direto de a contribuinte apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a impossibilidade de fazêlo anteriormente, seja por motivo de força maior, fato ou direto superveniente ou, ainda, que a prova vise contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente aos autos, circunstâncias que não se vislumbram no presente caso, devendo, por isso, ser denegado o pedido. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962490/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.800
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO
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Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, com a juntada de documentos (cópia do Despacho Decisório; Alteração Contratual e documentos do sócio que assina a Impugnação; Termo de Comparecimento à Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Direta em São Paulo – Banco Central do Brasil; planilha discriminativa de Notas Fiscais e cópia da Nota Fiscal; Recibo de entrega de DCTF Retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 49 0/ 20 08 -9 1 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10880.962490/200891 Resolução nº 3201001.800 S3C2T1 Fl. 142 2 Afirma que no ano base 2003 formam emitidas notas fiscais de prestação de serviços, referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, sendo que as mesmas foram canceladas posteriormente por exigência do Banco Central do Brasil. Tal cancelamento gerou créditos dos tributos PIS e COFINS previamente recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais, o que motivou a emissão da presente PER/DCOMP. No entanto, esclarece que não providenciou, á época, a retificação das DCTF do ano base 2003 para eliminar os débitos do PIS e da COFINS declarados indevidamente. Corrigiu tal situação por meio da emissão de DCTF retificadora, conforme recibo apresentado anexo à Impugnação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16036.637. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta que: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) retificou em tempo hábil a DCTF e c) os livros diário e razão, que traz aos autos, corroboram sua alegação. É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.799, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900837/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.799): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: 4.1.A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.962490/200891 Resolução nº 3201001.800 S3C2T1 Fl. 143 3 4.2.No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 4.378,67 como origem do crédito, conforme fls. 9. 4.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (Rastreamento no 815456972 – fls. 2). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 2172, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. 4.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A própria DRJ ressalta que os argumentos do Contribuinte foram no sentido que a existência de crédito é decorrente do cancelamento de uma série de notas, porém, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos necessários: 5.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 5.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto no 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.962490/200891 Resolução nº 3201001.800 S3C2T1 Fl. 144 4 5.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. 5.4. No caso concreto, a Impugnante afirma que seu crédito decorre de cancelamento de Nota Fiscal de prestação de serviços referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, por exigência do Banco Central do Brasil, as quais haviam sido consideradas base de cálculo do tributo COFINS que foi declarado em DCTF original. 5.4.1. No entanto, o contribuinte não apresentou os registros contábeis referentes ao lançamento do valor da Nota Fiscal em análise, bem como não comprovou seu estorno posterior. Nesses termos, inexistindo comprovação documental do cancelamento da Nota Fiscal que originou (fato gerador) o pagamento do tributo COFINS, recolhido por meio do DARF em análise, não há, consequentemente, confirmação de que o recolhimento foi realizado indevidamente. 5.4.2. Em conclusão, o contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar a origem do direito creditório declarado no presente PER/DCOMP. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Verificado se há crédito. E avaliar prova. c) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) verifique se há crédito; Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.962490/200891 Resolução nº 3201001.800 S3C2T1 Fl. 145 5 b) avalie as provas e c) elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902842/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 17/01/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.672
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 28 42 /2 01 4- 92 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.902842/201492 Acórdão n.º 3401005.672 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.100, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.902842/201492 Acórdão n.º 3401005.672 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10830.902842/201492 Acórdão n.º 3401005.672 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10830.902842/201492 Acórdão n.º 3401005.672 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10830.902842/201492 Acórdão n.º 3401005.672 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900184/2013-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.947
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos nº 3301-002.999 e nº 9303-006.107, proferidos no processo 10983.721188/2013-93, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedidos de ressarcimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.900184/201306 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.947 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PER PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO Recorrente AVIPAL NORDESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos nº 3301002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedidos de ressarcimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de contribuição não cumulativa, transmitido através do Programa PERD/COMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento e Reembolso e Declaração de Compensação), que restou indeferido, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual sustenta a necessidade de julgamento conjunto com outros processos de ressarcimento referentes aos mesmos elementos, inclusive para fins de uniformização dos julgados, também em relação ao auto de infração correspondente (10983.721.188/201393). Ainda em preliminar, aborda a superficialidade do trabalho fiscal e discorre sobre o princípio da verdade material, que entende ofendido no procedimento efetuado, citando entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 00 18 4/ 20 13 -0 6 Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 10530.900184/201306 Resolução nº 3302000.947 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata da instrução probatória no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e da necessidade de conhecimento do processo produtivo. No mérito, discorre sobre o conceito de insumos, sobre a sistemática não cumulativa das contribuições, e sobre a legitimidade de seu pleito. O colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ nº 10050.808. Insurgindose contra a decisão prolatada, a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.930, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10530.900167/201361, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.930): "O presente recurso é tempestivo, trata de matéria trazida a julgamento de competência desta Turma, devendo ser conhecido. Como podemos verificar do relatório acima, o presente processo trata da glosa de crédito de PIS e COFINS, relacionado a produtos utilizados como insumo, no processo produtivo da recorrente. Verificase ainda do relatório a existência de estreita ligação deste processo e outros mais, com o processo de nº 10983.721188/201393, onde o conceito de insumo já foi minuciosamente tratado em dois acórdãos a saber: (i) o de nº 3301 002.999, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, e o de nº 9303006.107, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O primeiro de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, restou decidido da seguinte forma: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 10530.900184/201306 Resolução nº 3302000.947 S3C3T2 Fl. 4 3 em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e HorasMáquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzila para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Da decisão do acórdão acima transcrita, a Fazenda Nacional e contribuinte apresentaram recursos especiais de divergência, sendo certo que a primeira suscitou divergência com relação ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas e, o segundo, além de apresentar contrarrazões, interpôs recurso especial no qual suscitou divergência com relação a duas matérias: 1) possibilidade de tomada de créditos sobre a locação de tratores utilizados na atividade agroindustrial; e 2) não incidência de pis/cofins sobre receitas de exportação e respectiva forma de comprovar. No acórdão da recurso especial, de relatoria do I. Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, restou decidido que: Fl. 4821DF CARF MF Processo nº 10530.900184/201306 Resolução nº 3302000.947 S3C3T2 Fl. 5 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito, (i) quanto à industrialização de produtos lácteos, por unaninimade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. A conselheira Tatiana Midori Migiyama acompanhou o relator pelas conclusões; (ii) quanto às embalagens para transporte, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (iii) quanto ao pagamento de fretes na aquisição de insumos, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento; (iv) quanto aos pallets de madeira, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (v) quanto às despesas com operador logístico, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (vi) quanto às análises laboratoriais, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Locke Freire, que lhe deu provimento e (vii) quanto à repaletização, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e (viii) quanto às tintas para carimbo, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Concluindo, entendo que não há o que ser discutido ou avaliado no presente processo. O que se deve promover é a liquidação dos acórdãos acima mencionados, pela unidade de origem, dentro do objeto de cada um dos pedidos de ressarcimento relacionados ao processo nº 10983.721188/201393. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301 Fl. 4822DF CARF MF Processo nº 10530.900184/201306 Resolução nº 3302000.947 S3C3T2 Fl. 6 5 002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede . Fl. 4823DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000151/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/12/2008, 16/12/2008, 23/12/2008, 02/01/2009
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 9303-008.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 01 51 /2 00 9- 54 Fl. 381DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3302002.730, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2008, 16/12/2008, 23/12/2008, 02/01/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO TRANSPORTADOR. ARTIGO 612, §3º DO DECRETO Nº 4.543/2002 O instituto da denúncia espontânea de infração imputável ao transportador não se aplica depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, conforme disposto no §3º do artigo 612 do Decreto nº 4.543, de 2002.” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando omissão quanto à argumentação de ausência de provas contidas na autuação para identificação do sujeito passivo, pois, segundo o contribuinte, não se vê nos dados constantes do referido procedimento administrativo informação sobre a pessoa do transportador, de caráter Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10907.000151/200954 Acórdão n.º 9303008.393 CSRFT3 Fl. 3 3 fundamental para identificar o sujeito passivo da obrigação da qual se trata, e consequente formalização da exigência em análise. Em Despacho às fls. 217 a 219, foi negado seguimento ao presente embargos declaratórios. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que, relativamente: · À denúncia espontânea, a lavratura do auto ocorreu em 21.1.09 e as prestações das informações ao Siscomex foi realizada com pedido de inclusão de dois NCMs em 8.12.08, 16.12.08, 2.1.09 e retificação e dois CE´s em 23.12.08 – ou seja, todos os atos antes da lavratura; · Consoante a Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos – enunciado 192 “o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37 de 1966”; · Por ser a recorrente mera agente marítima da transportadora nessas operações não pode ser penalizada e, por conseguinte, arcar com prejuízos decorrentes, principalmente de ordem fiscal, inclusive se a norma não a atribuiu claramente a responsabilidade, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração lavrado em seu nome. Em Despacho às fls. 341 a 344 foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · Não pode ser o recurso do contribuinte conhecido, tendo em vista que o acórdão apresentado como paradigma foi reformado pelo acórdão 9303003.276; Fl. 383DF CARF MF 4 · Incabível se apresenta o benefício da denúncia espontânea uma vez que a atracação marca o fim da espontaneidade conforme o art. 32 da IN RFB 800/07; · Uma vez demonstrado a correta tipificação da conduta perpetrada pelo contribuinte, deve ser mantida a exigência da multa aplicada nos presentes autos; · Quanto à responsabilidade do agente marítimo, a norma é clara no sentido da responsabilidade tributária do transportador em relação à mercadoria transportada quando do ingresso no posto aduaneiro. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Ora, ressurge o contribuinte que a atracação do navio não corresponde a nenhum tipo de fiscalização e que tal posicionamento confrontou o entendimento a respeito da denúncia espontânea exarado pelo acórdão 3303002.452 e 3201001.222. Recordando uma das ementas do acórdão indicado como paradigma – nº 3303 002.452: “MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.350/2010. O instituo da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída nos termos do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, alterada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10907.000151/200954 Acórdão n.º 9303008.393 CSRFT3 Fl. 4 5 Ainda que seja matéria sumulada pelo CARF, é de se conhecer o recurso em relação à essa matéria, pois a data do despacho de admissibilidade é anterior à instituição da Súmula CARF nº 126. Quanto à discussão acerca da responsabilidade do agente marítimo, entendo que devo conhecer o Recurso Especial, nos termos do art. 67, § 15, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. Considerando a data da publicação do acórdão que reformou a decisão indicada como paradigma, há que se afastar a invocação do art. 67, § 15, do RICARF. O que, por conseguinte, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, quanto à adoção da denúncia espontânea refletida no art. 102 do DecretoLei 37/66 (redação dada pelo art. 40 da Lei 12.350/10), independentemente de meu entendimento já proferido em diversos acórdãos dessa turma, cabe a essa conselheira se curvar ao enunciado da Súmula CARF nº 126, em respeito ao art. 62 do RICARF/2015. O que, por conseguinte, reflito a Súmula: “Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” E, relativamente à responsabilidade do agente marítimo, manifesto minha concordância com o voto do acórdão recorrido: “[...] Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois sua figura” de agente transportador marítimo, não se confundiria com o próprio transportador Fl. 385DF CARF MF 6 marítimo, o real responsável pela prestação de informações à Secretaria da Receita Federal. Verifico não assistir razão à Recorrente neste tópico. Vejamos: Nos termos do artigo 107, inciso IV, aliena “e” do DecretoLei º 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, temos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. A norma exposta indica expressamente que, além da empresa de transporte internacional, também o agente de cargas pode ser penalizado caso deixe de prestar informações relativas aos dados de embarque, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Comprovada a vinculação entre o Recorrente e o transportador marítimo, não há que se falar em ilegitimidade passiva daquele que foi responsável pela coleta e posição das informações acerca das importações no sistema, em sendo o sujeito passivo o representante do transportador marítimo no país. Ademais, o E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C / Recursos Repetitivos), assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Portanto, na condição de agência marítima e mandatário do transportador, a recorrente é também responsável por prestar as informações acerca da carga transportada pelo seu representado. Assim, demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a alegação preliminar.” Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10907.000151/200954 Acórdão n.º 9303008.393 CSRFT3 Fl. 5 7 Recordo que esse Colegiado já apreciou essa mesma discussão, o que cito o acórdão 9303007.649, que consignou a seguinte ementa: “AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração.” Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, negandolhe provimento ao seu recurso. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722531/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT n° 5/2018, fundado no Recurso Especial n° 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT n° 5/2018, fundado no Recurso Especial n° 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 53 1/ 20 17 -1 0 Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 11516.722531/201710 Resolução nº 3401001.814 S3C4T1 Fl. 2.008 2 Tratase de procedimento fiscal instaurado de ofício em face da Recorrente para verificar a regularidade dos créditos e débitos de PIS/PASEP e COFINS por ela apurados no 3º trimestre de 2012, tendo sido parcela dos respectivos saldos credores objeto de diversos PER/DCOMP’s transmitidos posteriormente. Do procedimento resultou a autuação de 05 (cinco) processos administrativos fiscais, conforme tabela constante de fls. 02 do Relatório Fiscal: Os processos de ressarcimento/compensação foram apensados ao processo em que foi formalizado o Auto de Infração, cujo Relatório Fiscal serve igualmente de fundamento aos Despachos Decisórios. Dos Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação, dos Despachos Decisórios e do Auto de Infração A contribuinte transmitiu Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação de créditos de PIS/PASEP e COFINS, relativos ao 3º trimestre de 2012, sendo parte dos créditos pleiteados utilizados para compensação de débitos relativos a outros tributos federais. Em Despacho Decisório, as compensações declaradas não foram homologadas ou o foram parcialmente, tendo em vista as glosas realizadas pela fiscalização nos créditos originalmente apurados pela contribuinte relativos a: a) bens adquiridos à alíquota zero; b) bens e serviços não enquadrados no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF n° 247/2002 e 404/2004; c) operações de transferência entre unidades da empresa; d) aquisição de bens sujeitos a suspensão obrigatória nos termos das Leis n° 12.088/09 e 12.350/10; e) créditos presumidos da agroindústria (Leis n° 10.637/02, 10.833/04, 10.925/04, 12.058/09 e 12.350/10). Ademais, a Recorrente foi autuada por omissão de receitas sujeitas à tributação por PIS/PASEP e COFINS em razão de: haver atribuído classificação fiscal incorreta a diversas mercadorias vendidas no 3º trimestre de 2012; não ter incluído o valor dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo. Da Impugnação e Manifestações de Inconformidade A contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração e Manifestações de Inconformidade contra os Despachos Decisórios a alegar, no que se refere às glosas realizadas pela fiscalização, em síntese, o seguinte: 1) a nulidade do Despacho Decisório, por violação ao princípio da verdade material, em razão da fiscalização ter realizado as glosas dos créditos relativos à aquisição de determinados insumos mediante a análise de planilhas, com base em presunções e sem conhecimento da vinculação de cada insumo ao processo produtivo da empresa, dado que não compareceu ao seu estabelecimento; Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 11516.722531/201710 Resolução nº 3401001.814 S3C4T1 Fl. 2.009 3 3) que a atual jurisprudência do CARF reconhece que, em todo processo administrativo que envolver créditos referentes à nãocumulatividade do PIS/Pasep ou da COFINS, deve ser analisado cada item relacionado como ‘insumos’ e o seu envolvimento no processo produtivo; 3) que todos os produtos e serviços glosados pela fiscalização estão diretamente relacionados ao seu objeto social, sendo relevantes e essenciais ao seu processo produtivo, permitindo o aproveitamento de créditos da contribuição nos termos da legislação, não havendo como se manter a glosa dos créditos. 4) o reconhecimento do direito aos créditos apurados pela Impugnante, referentes às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, na modalidade não cumulativa, de todos os insumos relevantes e essenciais à atividade da empresa, conforme as decisões do CARF e do STJ que colaciona. 5) o reconhecimento dos créditos decorrentes dos produtos adquiridos com alíquota zero, por se tratar de verdadeira isenção e em observância à regra geral de apropriação do crédito das contribuições. 6) a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS, requerendo o sobrestamento do processo até a manifestação definitiva do STF sobre o tema. 7) a correta classificação, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, dos bens reclassificados pela fiscalização. Das Decisões de 1ª Instância A 4ª Turma da DRJ/FNS, ao julgar conjuntamente os processos aqui analisados, em sessão de 07/03/2018, prolatou Acórdão no processo relativo ao Auto de Infração, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 11516.722531/201710 Resolução nº 3401001.814 S3C4T1 Fl. 2.010 4 No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. COMPROVAÇÃO DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte, quando intimado para tanto, levar ao conhecimento da fiscalização todas as características das mercadorias e insumos utilizados na produção de produtos os quais entenda que sejam sujeitos à alíquota zero devido à sua classificação na NCM. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Processo 11516.722531/201710 Acórdão n.º 0741.405 DRJ/FNS Fls. 2 2 Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias NESH estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGISH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. CARNE. CLASSIFICAÇÃO. Em se tratando de carne, a correta classificação fiscal das mercadorias segundo a NCM não depende apenas da mercadoria ser ou não “in natura”, sendo que toda a carne temperada, exceto se apenas com sal, deve ser classificada no Capítulo 16. BOLSA TÉRMICA. CLASSIFICAÇÃO. A “bolsa térmica” reutilizável que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, não consistindo de uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que acondiciona, deve ser classificada na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. MASSA PARA PÃO DE QUEIJO. CLASSIFICAÇÃO. Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 11516.722531/201710 Resolução nº 3401001.814 S3C4T1 Fl. 2.011 5 A massa para “pão de queijo”, em se tratando de preparação alimentícia de farinhas, na forma de pasta crua e congelada, para a preparação de produtos de padaria, que já é vendida modelada na forma do produto final, deve ser classificada na posição 1901.2000, como entende a fiscalização, e não na posição 1902.1100. TORTAS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “torta” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 19.05, conforme item 10 da NESH da posição. SANDUÍCHES PRONTOS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “sanduíche pronto” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Regra 3, item X, exemplo 1. COXINHA DE FRANGO. CLASSIFICAÇÃO. Processo 11516.722531/201710 Acórdão n.º 0741.405 DRJ/FNS Fls. 3 3 A classificação mais adequada para “coxinha de frango” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Nota “a” do Capítulo 19, Nota 2 do Capítulo 16 e os textos da posição 16.02 e da subposição 1602.32, considerando a RGIHI nº 6. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nos processos de ressarcimento/compensação, foram prolatados Acórdãos, sem ementa nos termos da Portaria RFB n° 2.724/2017, pela improcedência das Manifestações de Inconformidade para manter as glosas realizadas pela fiscalização. Quanto aos bens e serviços glosados por não caracterizar insumos passíveis de geração de créditos, concluiuse por não estarem intrínseca e diretamente associados ao processo produtivo do bem destinado à venda. Regularmente cientificada, a Contribuinte interpôs Recursos Voluntários, que repisam os argumentos apresentados na Impugnação e nas Manifestações de Inconformidade. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator Da Admissibilidade Os Recursos Voluntários são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. Da Proposta de Diligência Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 11516.722531/201710 Resolução nº 3401001.814 S3C4T1 Fl. 2.012 6 Verificase que parcela relevante das glosas de créditos decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais, que ensejaram na negativa de direito ao ressarcimento ou à compensação destes valores, está correlacionada ao não reconhecimento de determinados produtos ou serviços adquiridos como insumos da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente. Analisandose o Relatório Fiscal, bem como a decisão de piso, notase que o conceito de insumo utilizado como premissa para o exame da base de cálculo das contribuições sociais tem supedâneo em entendimento já superado pela própria Receita Federal do Brasil após o que restou decidido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Com o fim de melhor esclarecer as repercussões da decisão, foi exarado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Acerca da aparente adoção de um conceito de insumo em dissonância com o que deve ser atualmente adotado, vejamse trechos do voto condutor dos Acórdãos proferidos em 1ª instância que embasaram a manutenção das referidas glosas: Os créditos possíveis no âmbitos das contribuições em tela são apenas aqueles expressamente previstos na sua legislação de regência, não estando suas Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 11516.722531/201710 Resolução nº 3401001.814 S3C4T1 Fl. 2.013 7 apropriações, ao contrário do que defende a contribuinte, vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Em verdade, a não cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins está, toda ela, regularmente prevista em legislação ordinária, na qual o legislador adotou o critério de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas capazes de gerar crédito, assim como fez ao enumerar de forma minudente as exclusões a serem efetuadas nas bases de cálculo das contribuições.(grifo nosso) Destarte, diante do novo contexto normativo, é pertinente que este colegiado, à semelhança do que resolveu nos autos do PAF n° 13605.000177/200481, em sessão realizada no último dia 29/01/2019, converta o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento. Após, cientifiquese a Recorrente para, querendo, manifestarse em 30 (trinta) dias, contados de sua intimação. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 2013DF CARF MF
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