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Numero do processo: 13837.001117/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 2201-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado Digitalmente.
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Assinado Digitalmente.
EDITADO EM: 15/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado Digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Assinado Digitalmente. EDITADO EM: 15/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 00 11 17 /2 01 0- 08 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 22/11/2010, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2006, anocalendário 2005, na qual foi constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Fundação Banco Central de Previdência Privada CENTRUS), no valor de R$ 121.064,64 (cento e vinte um mil sessenta e quatro reais e sessenta quatro centavos), com base nas alterações dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual, o que ocasionou o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 660,59 (seiscentos e sessenta reais e cinquenta e nove centavos) e mais a correspondente multa de ofício de 75% e juros de mora. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte, em sede de impugnação, informou ser portadora de neoplasia maligna e requereu a isenção nos termos da Lei n.º 7.713/88, art. 6º, XIV, anexando documentos médicos para a comprovação. Contudo, considerando a insuficiência dos documentos, a contribuinte foi intimada, de forma específica, para apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, comprovando a moléstia e confirmando a data de início da doença; bem como foi solicitada a comprovação da natureza dos rendimentos por ela recebidos. Em atendimento à intimação, a contribuinte apresentou Laudo Pericial emitido por perita judicial expedido em 22/05/2012. Como não foi apresentado Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios, consoante a legislação em vigor, foi emitido Despacho Decisório DRF/JUNDIAÌ/SP (às fls. 59), datado de 04/03/2013, embasado no Termo Circunstanciado de fls. 56 a 58, por meio do qual foi indeferido o pedido de revisão de lançamento, concluindose pela procedência do lançamento em questão, com a manutenção do crédito tributário lançado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o crédito tributário em parte, determinando o cancelamento da multa de 75% e mantendo o imposto suplementar, com a seguintes considerações: a) a contribuinte não apresentou laudo médico elaborado conforme critérios legais vigentes e tampouco trouxe informações específicas sobre a sua condição de saúde durante o anocalendário em questão; b) tendo em vista que o Imposto de Renda no valor originário de R$ 660,59 foi recolhido em data anterior à apresentação da declaração Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13837.001117/201008 Acórdão n.º 2201002.918 S2C2T1 Fl. 91 3 retificadora que originou o imposto lançado de ofício, cabe afastar a aplicação da multa de ofício de 75%, com fulcro no artigo 44, § 1º, inciso I, da Lei 9.430/1996. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte alegou, em síntese, que, mesmo sendo portadora de câncer de mama, em 2005, tendo direito à isenção, ainda sofria tributação sobre os seus vencimentos, situação que veio a ser regularizada apenas em 2010, quando passou a efetivamente gozar da isenção. Assim, a contribuinte solicitou a restituição dos valores sobre o montante tributado, sendo negada, em razão da consideração da ausência de comprovação da isenção, o que ocasionou o lançamento de imposto suplementar, mesmo diante da decisão judicial favorável à restituição dos anos anteriores à interposição da ação, respeitada a prescrição, incluindo o anobase de 2005, conforme trechos da decisão judicial anexa ao recurso: "Conforme está documentado nos autos, a autora passou a perceber o benefício a partir de 26/09/1999, fls. 78, a partir dessa data é que seria cabível a devolução das importâncias que ficaram retidas pela fonte pagadora. entretanto, incide à espécie a prescrição quinquenária das parcelas vencidas anteriormente ao ajuizamento da ação. Como a presente demanda veio ao protocolo judiciário, na presente subseção, ao 25/05/2011, estão atingidas pela prescrição quinquenal todas as parcelas recolhidas anteriormente ao quinquênio legal, a saber, até 20/05/2006. A partir desta data, até o dia da a implementação definitiva da decisão administrativa que concedeu a isenção á requerente, é que deverá se efetuar o cálculo do montante devido em repetição.(...)". "JULGO PROCEDENTE EM PARTE o pedido inicial, com resolução do mérito da causa, na forma do art. 269, I e IV do CPC. CONDENO a ré a devolver à autora aquilo que, a título de Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre os seus proventos de pensão, foi recolhido, desde 20/05/2006, até a data da efetiva implementação da decisão administrativa que concedeu a isenção tributária à ora requerente, tudo devidamente atualizado através da taxa SELIC, em valor a ser devidamente apurado em ulterior fase de execução. DECLARO a prescrição da pretensão inicial, no que se refere à restituição dos recolhimentos tributários ocorridos antes do quinquênio que antecedeu o ajuizamento (20/05/2006). (...)" Cabe destacar que a mencionada decisão transitou em julgado, conforme consulta pública efetuada no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/, estando em fase de pagamento por meio de precatório. Ademais, foi elaborada Informação Fiscal, pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária, que consta dos processos administrativos fiscais da mesma contribuinte (n.º 13837.001118/201044, n.º 13837.001119/201099, n.º 13837.001120/201013 e Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 13837.720066/201190), acerca do processo judicial 000086579.2011.403.6130, anteriormente citado, que determinou a devolução do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o valor de aposentadoria de contribuinte pessoa física portadora de moléstia grave, por considerar que a mesma teria direito à isenção. O Auditor Fiscal da Receita Federal, Aníbal Malgueiro Moreira, na mencionada Informação, salientou seu entendimento no sentido de que, considerando a existência da decisão judicial, o contribuinte não tem direito ao valor inicial que havia pedido de restituição (pois os valores já serão devolvidos no processo judicial), nem o Fisco tem o direito de cobrar o valor lançado pela fiscalização (pois as rendas seriam não tributáveis, conforme decisão judicial). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo, mas não atende a todos os pressupostos intrínsecos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, em razão da ausência de reconhecimento do direito à isenção da contribuinte decorrente de moléstia grave sobre os valores provenientes da Fundação Banco Central de Previdência Privada CENTRUS. Conforme relatado, a matéria em questão foi objeto da Ação Judicial de Repetição de Indébito Tributário n.º 000086579.2011.403.6130, que tramitou no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com data de protocolo inicial em 20/05/2011, o que implicou no reconhecimento judicial da prescrição quinquenal relativa aos períodos anteriores a 20/05/2006, sendo determinada a restituição dos recolhimentos tributários compreendidos entre 2006 e 2010, quando, administrativamente, houve a concessão da isenção. Cabe salientar, acerca da terminologia empregada na repetição do indébito tributário, como dispõe Luciano Amaro (AMARO, Luciano, Direito Tributário Brasileiro, Saraiva, 15ª ed., 2009, p. 419), que "na restituição (ou repetição) do indébito, não se cuida de tributo, mas de valores recolhidos (indevidamente) a esse título. Alguém (o solvens), falsamente posicionado como sujeito passivo, paga um valor (sob rótulo de tributo) a outrem (o accipiens), falsamente posicionada como sujeito ativo. Se inexistia obrigação tributária, de igual modo não havia nem sujeito ativo, nem sujeito passivo, nem tributo devido. Porém, a disciplina da matéria fala em 'sujeito passivo' (como titular do direito à restituição), em tributo, em crédito tributário, etc... reportandose, como dissemos, ao rótulo falso e não ao conteúdo." Assim, a opção da contribuinte pela via judicial para discussão da obrigação tributária implicou em renúncia à esfera administrativa, em razão da coincidência dos objetos, da causa de pedir e dos pedidos constantes da ação e do processo administrativo fiscal, pois determinada a repetição do indébito tributário, com base no acometimento de moléstia grave pela contribuinte, não há como, administrativamente, considerarse a inexistência da moléstia, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13837.001117/201008 Acórdão n.º 2201002.918 S2C2T1 Fl. 92 5 sob pena de ofensa à coisa julgada, já que a decisão, transitada em julgado, reconheceu expressamente, desde a data de início do recebimento do benefício pela contribuinte, a partir de 26/09/1999, o direito à isenção. Contudo, diante da prescrição, a repetição dos valores foi limitada aos 5 anos anteriores à propositura da demanda. Conforme ensina Cleucio Santos (NUNES, Cleucio Santos. Curso de Direito Processual Tributário. Dialética, 2010, p. 308), considerando que as decisões administrativas estão sujeitas à revisão pelo Poder Judiciário, não há sentido que o processo administrativo fiscal tome seu curso normal se a justiça deverá se pronunciar a respeito da matéria. Nesse caso, o processo judicial prevalece, ficando prejudicado o processo administrativo. A eleição da via judicial importa renúncia à esfera administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais. Nesse contexto, foi editado o Enunciado de Súmula n.º 1 do CARF, que assim dispõe: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pela sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Desse modo, tendo em vista que, no presente caso, já ocorreu trânsito em julgado da decisão judicial, houve a perda do interesse de agir na via administrativa, em decorrência da prevalência das decisões judiciais, de modo que o procedimento adotado para a restituição dos valores devidos será o disposto no art. 100 da Constituição Federal, que é a regra geral regente dos pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária. Nessa mesma linha de raciocínio, não há que se falar em lançamento suplementar pelo fisco, em decorrência dos rendimentos considerados isentos na via judicial. De toda forma, tornase imperioso o acatamento ao disposto na decisão judicial em comento, não cabendo à esfera administrativa se imiscuir na matéria discutida judicialmente. Por todas essas razões, nos termos do art. 78, § 2º, da Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), restou configurada a desistência do recurso interposto, como segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Assim, embora haja atendimento aos pressupostos extrínsecos da admissibilidade recursal, estando tempestivo o recurso e gozando de regularidade formal, identificase a ausência do pressuposto de admissibilidade recursal intrínseco, qual seja a inexistência de ato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer, considerando a desistência decorrente do ajuizamento de ação judicial, o que afasta o conhecimento do recurso interposto. Tais as razões expendidas, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Assinado Digitalmente. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002820/00-48
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/03/1996 a 31/12/1998
COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
A partir da vigência da MP 1.212/95, posteriormente convertida
na Lei n° 9.715/98, a base de cálculo das empresas
eminentemente prestadoras de serviços passou a ser o seu
faturamento.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Constatada a falta de recolhimento da contribuição em
procedimento de oficio, cabível é a aplicação da multa de 75%,
nos termos do inciso Ido art. 44, da Lei n°9.430/1996.
AUTO DE INFRAÇÃO. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com
a União decorrentes de tributos e contribuições administrados
pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic
para títulos federais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12.748
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Siape 91650 stv.” • • . MINISTÉRIO DA FAZENDA Ni,• • : .1,1/ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 15374.002820/00-48 Recurso n° 137.833 Voluntário Cnnteltio Mf•Se9urtd° 02.2rMatéria PIS (Auto de Infração - Base de Cálculo) Pubj31_1" d. Acórdão a° 203-12.748 Rotwçca 09 Sessão de 12 de março de 2008 Recorrente LIBRAPORT OPERADORA PORTUÁRIA S/A Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/1996 a 31/12/1998 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A partir da vigência da MP 1.212/95, posteriormente convertida na Lei n° 9.715/98, a base de cálculo das empresas eminentemente prestadoras de serviços passou a ser o seu faturamento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição em procedimento de oficio, cabível é a aplicação da multa de 75%, nos termos do inciso Ido art. 44, da Lei n°9.430/1996. AUTO DE INFRAÇÃO. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3• É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. j, 1 . • Processo n° 15374.002820/00-48 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.748 As. 259 „,„„,......dillb ‘n -1_ DALTO '.• -":" B E • :: ". I IRANDA Vice-Presidente no exercício . a Presidência ...-- C l }ASSI G(51.N.jUERZONI FIL/ Rato: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Luciano Pontes de Maya Gomes, José Adão Vitorino de Morais, Jean Cleuter Simões Mendonça e Alexandre Kern (Suplente). MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasília, /4./ 1 ag I Og ~de u no de Oliveiradf-L.,____ MM. Sina 91650 2 Processo n° 15374.002820/00-48 CCO2/CO3 - Acórdão n.° 203-12.748 Fls. 260 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração cientificado ao contribuinte em 10/10/2000, lavrado para a constituição de crédito tributário relativo ao PIS/Pasep não recolhido dos períodos de apuração de março de 1996 a dezembro de 1998, no montante de R$ 115.883,29, nele incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. Analisando os termos da Impugnação apresentada, a DRJ do Rio de Janeiro-RJ, por meio do Acórdão n° 9.625, de 28/07/2005, considerou o lançamento inteiramente procedente, o que motivou o Recurso Voluntário da interessada, cujos argumentos, em resumo, foram os de que é pessoa jurídica eminentemente prestadora de serviços, o que a sujeitaria ao recolhimento do PIS/Pasep na modalidade PIS-dedução do Imposto de Renda Devido e não na modalidade PIS-Receita Operacional; de que é inconstitucional a mudança da forma de incidência da contribuição — de PIS-repique do IR para PIS-faturamento e também o alargamento da base de cálculo; de que é descabida a aplicação da multa de oficio de 75% visto que não teria ocorrido as hipóteses para a sua aplicação (incorreu em prejuízo, logo não apurou Imposto de Renda a pagar, e, portanto, também PIS/Pasep a pagar); e, por fim, de que também é descabida a utilização da taxa Selic para efeito de apuração dos juros de mora. Não foram apresentados bens para fins de Arrolamento visto a Recorrente alegar não os possuir. É o relatório. I MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brat:Ni g. , _ ./4/ / Or / o f g( i tvlar?tde Cu ina de 011veira .. ,. IVIat Sope (11650 . 1') 3 Processo n° 15374.002820/00-48 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.748 8.EGJI.JDO CONSELI-10 DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 261 Matilde Cursino de Oliveira Mat. &ene 91650 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 20/02/2006, uma sexta-feira, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 28/03/2006. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. As inconstitucionalidades apontadas pela Recorrente em relação à legislação superveniente à Lei Complementar n° 7/70, qual seja, a MP 1.212/95, Lei n° 9.715/98 e, por fim, a Lei n° 9.718/98, foram as de que não poderiam tais dispositivos, primeiro, mudarem a base de cálculo do PIS/Pasep das prestadoras de serviços para faturamento e, segundo, promoverem o alargamento da base de cálculo, nela incluindo, além do faturamento propriamente dito, outras receitas da empresa. A discussão atualmente em voga quanto à inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que trata do alargamento da base de cálculo não se aplica ao presente caso, vez que tal dispositivo legal somente passou a vigorar a partir de 10 de fevereiro de 1999 e o crédito tributário constituído contempla os períodos de apuração de março de 1996 a dezembro de 1998. Já, em relação à primeira argüição de inconstitucionalidade, este Colegiado não pode se manifestar, a teor, inclusive da Súmula n° 2, aprovada na Sessão Plenária de 18 de Setembro de 2007, publicada no DOU de 26/09/2007, Seção I, pág. 28, que pacificou o assunto no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme se vê em seu enunciado, transcrito abaixo: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Não conheço do recurso, pois, quanto à alegação de inconstitucionalidade. Para os períodos base de março de 1996 a dezembro de 1998 vigia o regamento da Lei n° 9.715/98, de sorte que a base de cálculo do PIS/Pasep era, nos termos de seus artigos 2° e 3°: Art. 2'2 A Contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I - pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; Art. 3° Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considera-se faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. 4 Processo n° 15374.002820/00-48 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.748 Fls. 262 Assim, nesse período, não há que se falar em tomar como base de cálculo para a apuração do PIS/Pasep a pagar montante do Imposto de Renda. Por conta disso, mostra-se também improcedente o seu argumento de que a multa de oficio de 75% que lhe foi aplicada seria descabida em razão de não ter incorrido para tanto. Ora, não sendo a contribuição ao PIS/Pasep devida com base no IR e sim no faturamento, e, tendo ela incorrido em faturamento, deixou de cumprir com a sua obrigação tributária, incorrendo, efetivamente, no disposto no inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, que culmina com a multa de 75% para os casos de falta de recolhimento. Quanto ao cabimento da taxa Selic como juros de mora, vale também a aplicação de súmula, desta feita da Súmula n° 3, que dispõe: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais". Pelo exposto, não conheço do recurso na parte que versa sobre inconstitucionalidade de leis e, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 12 fie março de 2008 DASSI GUERZONI FI O MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OrdGIInJAL Brasília, ,/// trg , o• Madlde Cursino de Orweira Mat. Stape 91650 5 Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1
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Numero do processo: 15940.720162/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
MULTA QUALIFICADA.
Comprovado que a falta de pagamento dos tributos devidos ao Erário Público foi fruto de conduta dolosa do sujeito passivo, e não de mero erro contábil ou negligência, cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. Comprovado que a falta de pagamento dos tributos devidos ao Erário Público foi fruto de conduta dolosa do sujeito passivo, e não de mero erro contábil ou negligência, cabível a qualificação da multa de ofício.
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INTERESSE COMUM. Em razão de interesse comum, nos termos do artigo 124, I, do CTN, é responsável pelos créditos tributários devidos pela contribuinte a pessoa que, em conluio com esta, trama para se evadir do pagamento dos tributos e contribuições devidos à Fazenda Pública. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. Comprovado que a falta de pagamento dos tributos devidos ao Erário Público foi fruto de conduta dolosa do sujeito passivo, e não de mero erro contábil ou negligência, cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 62 /2 01 2- 67 Fl. 5428DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1442.655, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 5288 e ss.): Trata o presente processo de crédito tributário decorrente da ação fiscal procedida na contribuinte acima identificada. Conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 5074/5116), foram constatadas irregularidades que motivaram a lavratura dos autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls. 5084/5123), totalizando crédito tributário no montante de R$ 11.890.825,79, conforme a seguir discriminado: (...) Informa o referido TVF: A contribuinte foi intimada a apresentar Livro Diário, Razão, Registro de Entradas de Mercadorias, Registro de Saídas de Mercadorias, Lalur Livro de apuração do Lucro Real, Livro de Registro de Inventário de Mercadorias e Registro de Apuração do IPI, a INCORVIL atendeu parcialmente ao Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, deixando de apresentar o Livro Registro de Inventário e o Livro de apuração do IRPJ Lalur. Dos arquivos digitais apresentados pela fiscalizada, foram extraídos relatórios do Razão com contrapartidas de algumas contas, sendo a fiscalizada intimada a apresentar documentação hábil e idônea que justificasse e comprovasse: a transferência da conta 1.1.2.01.001 Mútuos Diversos (Ativos não Circulante) para a conta 1.1.1.01.006 EDSR20 Participações Empreendimentos Imobiliários (Mútuo com Empresas Ligadas). Existindo lançamentos a débito da conta 1.1.2.01.001 Mútuos Diversos, cujo histórico traz como ocorrência pagamentos/transferências/adiantamentos a Cid Carneiro e Dalvares Barros de Mattos. Foi a fiscalizada intimada a apresentar documentação comprobatória do negócio jurídico celebrado entre ela e os referidos senhores, e documentação bancária que comprovasse a efetiva transferência (cheques/Ted). Em resposta, a INCORVIL informou: as transferências mencionadas ocorreram em virtude da reclassificação da conta contábil; não existiu nenhum negócio jurídico entre a fiscalizada e os citados senhores, somente ocorreram saques em conta corrente a título de empréstimo do sócio da EDSR20, que eventualmente pode ter utilizado tais importâncias em seus negócios empresariais e que a empresa nos exercícios anteriores se utilizava apenas de registros gerenciais. Fl. 5429DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 4 3 Outras intimações foram feitas a respeito de registros de mútuos. Com relação à empresa VULCAN MATERIAL PLÁSTICO LTDA, CNPJ 33.066.952/000167, existe registro na conta 1.1.1.01.005 Vulcan (Ativo não circulante Mútuo Empresas ligadas) foi solicitado que apresentasse contrato(s) de mutuo(s) firmado(s) entre a fiscalizada e a VULCAN. Em resposta a fiscalizada informou que a transferência do saldo da conta “Vulcan Mútuos Empresas Ligadas” para a conta “Vulcan Mútuos com terceiros” deuse em decorrência da reclassificação contábil executada no plano de contas da empresa, em virtude de equívoco da classificação contábil anterior. Intimada a apresentar as demonstrações financeiras (Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados) conforme as informações contidas na Ficha 38 da DIPJ 2008/2007 apresentada em 15/12/2009, a fiscalizada informou que “a ficha 38 da DIPJ está consistente, visto que o livro que apresenta tal demonstrações (sic) é o Livro Diário nº 89 e não o de nº 44 ali constando”. Foi apresentado o Livro diário nº 89, todavia, sem a transcrição dos demonstrativos, motivo pelo qual foram novamente solicitadas as demonstrações financeiras. Foi também intimada a esclarecer as divergências entre o livro diário nº 89 (fl. 341) e as fichas da DIPJ 6A e 36 A. Em resposta a INCORVIL informou que “as divergências apresentadas entre o livro diário nº 89 e as fichas da DIPJ 6A e 36A, ocorreram em decorrência de inconsistências no processamento do sistema administrativo e fiscal da empresa, pelo que para atendimento da solicitação constante na intimação referenciada elaboramos e anexamos à presente declaração retificadora referente ao ano calendário 2008 bem como procedemos à impressão de novo livro diário com as alterações decorrentes da regularização, e, nessa oportunidade solicitamos autorização para entrega da DIPJ retificadora 2007/2008, e, impressão e substituição do livro diário existente nº 89 onde apresenta tais incorreções.” Todavia, a DIPJ anexada, não consta como retificadora. Intimouse a INCORVIL em 26/07/2012, a informar se possui LIVRO DIÁRIO AUXILIAR, devidamente registrado, da conta 1.0.1.01.001 CLIENTES NACIONAIS Terceiros e da conta 2.0.3.01.001 NACIONAIS e em caso afirmativo apresentálos. Tendo em vista o não atendimento a este Termo de Intimação Fiscal prazo estipulado, em 10/08/2012, houve reintimação. Em 10/08/2012, a INCORVIL postou resposta, via Correios, a esse Termo de Intimação Fiscal, informando que: a empresa não possui o Livro Auxiliar mencionado. O gerenciamento dos valores conta dos clientes, segundo informações obtidas de ex funcionários da época, era executado através de registros gerenciais. Da mesma maneira era realizada a gestão da conta fornecedores". Entretanto, não apresentou os referidos "registros gerenciais". Verificase, portanto, que a escrituração do livro Diário da empresa não obedece às normas contábeis que determinam que Fl. 5430DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 5 4 todas as operações e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais devem ser lançados, em ordem cronológica, com individualização, clareza e referência ao documento probantes (artigo 269 do RIR/99). Outras intimações foram feitas sobre o passivo circulante (mútuo) com a empresa e sobre a conta “recuperação de despesas”. Em resposta datada de 14/08/2012 a INCORVIL informa que "o lançamento Contábil efetuado em 31/12/2007, tendo em contrapartida com a conta 2.0.3.0.01.001Nacionais, com o valor de R$ 1.813.927,99, faz parte dos ajustes contábeis realizados para recomposição de contas, esclarecendo ainda que o referido valor lançado a credito da conta de resultados foi efetivamente oferecido a tributação conforme demonstrações contábeis da empresa”. Referidos valores originados de exercícios anteriores foram ajustados contabilmente, haja vista que a administração realizou a circularização de tais valores onde restou comprovado que os mesmos não existiam de fato." A contribuinte na verdade, faz costumeiramente meras alegações. Nada de prova, o que demonstra que a sua contabilidade é uma verdadeira fábrica de históricos e números, ou seja, totalmente imprestável para apuração dos lucros líquido e real. Sobre a conta 7.0.2.09.010 RECUPERAÇÕES DIVERSAS foi intimada a apresentar documentação comprobatória do lançamento efetuado no dia 02/01/2007, em contrapartida com a conta 1.0.1.01.001CLIENTES NACIONAISTERCEIROS, no valor de R$ 1.908.888,58 (um milhão, novecentos e oito mil, oitocentos e oitenta e oito mil reais e cinqüenta e oito centavos). Em resposta datada de 14/08/2012 a INCORVIL informa que "o lançamento Contábil efetuado em 02/01/2007, tendo em contrapartida com a conta 1.0.1.01.001Clientes Nacionais Terceiros, com o valor de R$ 1.908.888,58, faz parte do ajuste contábil realizado para recomposição de contas, esclarecendo ainda que o referido valor lançado a credito da conta de resultados foi efetivamente oferecido a tributação conforme demonstrações contábeis da empresa. Referido valor originado de exercícios anteriores foram ajustados contabilmente, haja vista que a administração realizou a circularização de tais valores onde restou comprovado que os mesmos não existiam de fato”. Outra vez, a INCORVIL trouxe apenas alegações, não comprovando o que foi afirmado. Informa ainda o referido TVF, que foram efetuadas circularizações em algumas pessoas jurídicas que foram clientes ou fornecedoras da INCORVIL no anocalendário de 2007, intimandoas a apresentarem cópias das notas fiscais de compras/vendas efetuadas no período de janeiro a dezembro do Fl. 5431DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 6 5 referido anocalendário; cópias dos comprovantes de pagamentos/recebimentos relacionados com as compras/vendas ocorridas; cópias do Livro Razão onde constassem os valores debitados/creditados (relativos a compras e vendas de mercadorias) e os pagamentos/recebimentos, incluindo, eventualmente, os lançamentos efetuados no ano de 2008 e cópias de pedidos e contratos de compra/venda. Dentre elas: 1) BMP Têxteis Ltda CNPJ: 03.156.784/000130: Intimada em 01/11/2011, apresentou em 08/11/2011 cópias de notas fiscais; relatório "Posição dos Clientes"; Razão Analítico; e mail trocados durante o ano de 2007 entre a fornecedora e a compradora. Nos email enviados, verificouse que as negociações foram feitas por funcionários da Vulcan que estabeleceram todas as condições de compra: material a ser adquirido, preço, quantidade, data e local de entrega, natureza da operação, condições de faturamento e frete. Isso demonstra que a INCORVIL era administrada pela VULCAN através de funcionários desta. (grifei) Foi reproduzido no TVF, o seguinte email: 1.1) No email do dia 06/07/2007 enviado por André Bender (andré.bender@vulcan.com.br) para eiichi@bmdtexteis.com.br e comnal@bmdtexteis.com.br, com cópia para: Colombo, Milcafmilca.Colombo@vulcan.com.br); SRE Produção 8 fprod8.sre@vulcan.com.br) e SRE Recebimento 1 (recebi .sre@vulcan.com.br), no qual consta: "Prezada Ana, bom dia. Conforme conversamos, segue abaixo programação de faturamento para a Vinitex, com entrega na Vulcan filial São Roque, com um NF de remessa para industrialização por conta e ordem: (grifei) TECIDOO PREÇO(RS/ML) QUANTIDADE (ML) DATA DE ENTREGA Tela 250x5002.30 M 2.88 6.000 10/07/07 Tela 250x5001.48 M 1,86 10.000 10/07/07 2. Solvay Indupa do Brasil S/A – CNPJ 61.460.325/000141, intimada apresentou cópias de notas fiscais, cópias do sistema SAP (substituto do Livro Razão); informou que os seus pedidos de venda são realizados por telefone e email e anexou extratos de pedidos de vendas. Foi reproduzido no TVF alguns email e anotações constantes do referido extrato. 2.1) "Bom dia a todos, Teresa, Favor programar uma carga de Resina com a seguinte informação: Resina 265PY 25 ton; Fl. 5432DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 7 6 Entrega: 10/08 (sextafeira) aqui na Vulcan Filial SR; NF fatura para Vinitex, com Remessa para Ind.para Vulcan Filial SR; (grifei) Qualquer dúvida é só entrar em contato, Att, Ronilson em 080807 (11) 47848987/8972" 2.2) "04/08 Conforme email André Bender da Vulcan: Com relação à programação da Vinitex, que deverá ser feita na operação triangular, precisaremos de 125 TN dentro do mês de Agosto. As datas serão enviadas pela Valéria de acordo com a necessidade".(grifei) 2.3) "19/11 Conf. email Carlos Carregar em 21/11 e entregar em 24/11. De: Scibarauskas, Carlos Enviada em: quartafeira, 19 de novembro de 2008 Para: Belo, Luciana Assunto: Pedido Vulcan Luciana, Por favor, incluir o pedido para a Vulcan da seguinte forma: 75 t Resina 265 PY Faturamento para a INCORVIL Entrega na Vulcan RJ Vendor 120 dias (grifei) Enviar cópias das NF por Fax para a Sra Milca Colombo Em consulta à GFIPRelacão de Trabalhadores e ao sistema DATAPREV CNIS Cadastro Nacional de Informações SociaisConsulta Vínculos Empregaticios do Trabalhador, confirmouse o vinculo empreaatlclo de Milca Rabelo Colombo com a empresa Vulcan Material Plástico Ltda CNPJ: 33.066.952/000167 cuia data de Obrigado, Carlos". Em consulta ao sistema DATAPREV CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais – foi confirmado o vínculo empregatício de André Bender e de Ronilson Ciro Azevedo com a empresa VULCAN. Verificado nos arquivamentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo que a empresa estaria com o endereço na Avenida César Simões, 375Parte, Jardim Henriqueta, Taboão da Serra/SP, a partir de 20/07/10, também foi feita diligência, conforme Termo de Constatação Fiscal em anexo, assinado pelos AFRFB, neste endereço, comprovandose que existe apenas o número 375, no qual funciona atualmente a empresa Adamastor Misleri Rech EPP. Em conversa com a funcionária dessa empresa, Sra Vivian, os AuditoresFiscais tomaram conhecimento de que o proprietário desse imóvel é o Sr. João Sidnei Gesse. Em conversa, via telefone, o Sr. Gesse informou aos AuditoresFiscais que no ano de 2007 ele alugou o prédio em questão para a INCORVIL que era uma "subsidiária' da VULCAN e que as negociações afetas à locação eram feitas com um diretor da VULCAN. Tendo em vista os fatos narrados, os AuditoresFiscais concluíram pela inexistência da EDSR20 nos Fl. 5433DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 8 7 dois endereços acima descritos e pela existência de estreito vínculo entre as empresas INCORVIL e VULCAN. Em diligência ocorrida na empresa Vulcan Material Plástico Ltda, situada à Rua Horácio Manley Lane, 300, São Roque/SP, os AuditoresFiscais foram recebidos pelo Sr.Daniel Schmidt da SilvaCPF: 773.597.120 67 que se apresentou como gerente da fábrica e que prestou as seguintes informações: a) A Incorvil é cliente da Vulcan, que fabrica lonas para impressão, toldos e comunicação visual, e que os negócios entre ambas situase na faixa de RS 500.000,00/ano; b) A Vulcan funcionava no número 400 da Rua Horácio Manley Lane enquanto a VINITEX (hoje INCORVIL) funcionava no número 300 da mesma rua; c) Entre os anos de 2002 e 2003 a Vulcan adquiriu a Vinitex e passou a funcionar nos dois números 300 e 400; d) Foram adquiridos da Vinitex fundo de comércio, máquinas, patentes e marcas como a "Viniforte"; e) Atualmente a Vulcan funciona somente no número 300 e no número 400 está em atividade a empresa Látex São Roque; f) Quem vendeu a Vinitex para a Vulcan foi o Sr. Dalvares. Seguidamente, o Sr. Herik Henrique de Camargo CPF:164.408.56820, que foi funcionário da Vinitex (Incorvil) e atualmente é funcionário da Vulcan, relatou aos Auditores Fiscais o que se segue: a) A Incorvil tinha cerca de noventa empregados e quando ela foi vendida para a Vulcan, ele se afastou por problemas de saúde; b) Ele começou a trabalhar na Vulcan em 2007. Nas notas fiscais emitidas pela empresa Hotel Cordialle Ltda, verificase: a nota fiscal nº 4057 emitida em 13/07/2007, possui como destinatário a empresa VULCAN MATERIAIS PLÁSTICOS LTDACNPJ: 33.066.952/000400; NF n° 2831 emitida em 17/01/2007, NF n° 3169 emitida em 08/03/2007; NF n° 3232 emitida em 17/03/2007; NF n° 3242 emitida em 20/03/2007; NF n° 3315 emitida em 29/03/2007 e NF n° 3262 emitida em 21/03/2007, possuem como destinatária a INCORVIL, mas os usuários dos serviços foram, respectivamente, Renato de Abreu Baena, André Bender, Marcelo Ramos S.Muricy e José Araújo Filho; todos funcionários da VULCAN conforme consulta ao CNISCadastro Nacional de Informações Sociais. Constam Notas Fiscais de aquisição de cestas de alimentos pela INCORVIL cuja natureza da operação é de venda à ordem (CFOP 5919) com remessa das mercadorias (CFOP 5923) para o endereço Rua Horácio Manley Lane, 400, Bairro Marmeleiro, São Roque/SP local onde se estabelecia a filial da VULCAN; conforme se verifica das NF n°s: 161936; 161937; 162140; 162141, 161151, 162513, 162514, 165047 emitidas pela empresa Marbel RCComércio Importação e Exportação Ltda; c NF n° 44456 emitida por SavonIndústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda. Tendo em vista todo o relatado no TVF, os AuditoresFiscais concluíram pela existência de estreito vínculo entre as empresas INCORVIL e VULCAN. Fl. 5434DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 9 8 Com base na documentação carreada ao processo, concluíram os autuantes: “...em nenhum momento as correspondências (emails) reportamse à pessoa do Sr. José Carlos Minutti, que figura como sócioadministrador da INCORVIL, donde se conclui que referido senhor sempre figurou como interposta pessoa que cedeu seu nome para a Vulcan atingir seus fins, qual seja, utilizarse de um esquema com o objetivo de fugir de suas responsabilidades fiscais. Não é por menos que, conforme pesquisa anexa do sistema SinalConsulta Pagamentos, os pagamentos efetuados pela INCORVIL durante o ano calendário de 2007 referemse apenas a recolhimentos relacionados com valores retidos de terceiros (IRRF/CSLL/PIS/Cofins retenção de pagamento feito por pessoa jurídica a pessoa jurídica: códigos de recolhimento 1708, 0561, 8045, 5952), ao passo que no Passivo, conforme balancete constante no Livro Diário nº 89, temos registrado vultuosas dívidas para com as Fazendas Públicas Federal (R$14.726.701,27) e Estadual (R$ 2.615.081,14). Ressaltese também, que a INCORVIL não possui bens suficientes para satisfazer seus débitos fiscais numa possível execução fiscal, uma vez que: 1) Segundo sua contabilidade, o total de bens/direitos constates do Ativo Imobilizado estão totalmente depreciados (a depreciação suplanta o valor dos bens/direitos; 2) Intimada em 30/07/2012 (item 11 acima) a apresentar relação contendo os bens do Ativo Não Circulante Imobilizado existentes no último Balanço Patrimonial com indicação por bem (descrever o bem 59.59.1875959 e seu respectivo valor contábil, líquido de depreciação ) e a informar a atual localização de cada bem, não apresentou nenhuma resposta e 3) Em diligência efetuada em 03/07/2012, na sede da empresa INCORVIL, situada à Rua Amélia dos Anjos Oliveira, 125, Parque Jane, Embu/Sp constatouse existirem somente poucas peças de lonas, estantes com documentos, telefone e mesa e segundo informações do encarregado pela unidade, o qual se encontrava no local no momento, tratase de imóvel alugado pela empresa (vide Termo de Constatação em anexo). Também verificouse que o Sr. José Carlos Minutti reside em prédio residencial simples conforme apurado em diligência efetuada em sua residência (vide Termo de Constatação em anexo) e no que diz respeito às respostas das intimações feitas por essa fiscalização, referido senhor somente passou a assinar pela empresa após ocorrência da citada diligência. Ademais, o Sr. José Carlos Minutti demonstrou em suas respostas apresentadas no decurso da fiscalização, total desinteresse pelos valores a receber constantes do Ativo da Incorvil (vide respostas presentes nos números 5.1; 5.3; 5.4; 5.5 e 5.6 do item “B)Dos Termos e das Respostas”. Quanto ao outro sócio da INCORVIL, a empresa EDSR20 PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A CNPJ: 07.965.146/000110, que detém 99% do capital social da INCORVIL, conforme diligências efetuadas no endereço informado à Secretaria da Receita Federal do Brasil através do CNPJ Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e no Fl. 5435DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 10 9 endereço informado à Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP, comprovouse sua inexistência em ambos e mesmo estando intimada na pessoa de seu presidente, Sr. José Carlos Minutti, não regularizou a situação de seu cadastro (vide item “D” acima). Por outro lado, a EDSR20, com capital social de 1.000,00 (um mil reais), possui em seu quadro societário os senhores José Carlos Minutti – ocupando o cargo de presidente, e Cristiano Cid Carneiro ocupando o cargo de Diretor; esse último, conforme item “D” acima, é funcionário da Prefeitura de Passa Quatro/MG e intimado por essa fiscalização acerca da EDSR20 não apresentou resposta. Por todo o exposto e comprovado no presente Termo de Verificação Fiscal vêse que, na verdade, a VULCAN apoiouse em um esquema fraudulento, utilizandose da INCORVIL, cujos sócios são uma empresa de fachada (EDSR20) e uma interposta pessoa (José Carlos Minutti) objetivando a sonegação fiscal. (grifei) Ademais, por força da determinação contida na Portaria RFBnº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, e diante da constatação de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária previsto no artigo 2º, incisos I e II da Lei nº 8.137/90, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. Conforme relatado no TVF, a INCORVIL foi intimada e reintimada a apresentar escrituração comercial e fiscal e mesmo tendo sido deferidas as quatro prorrogações de prazo solicitadas pela fiscalizada, não foram apresentados os Livros Registro de Inventário e LALURLivro de Apuração do Lucro Real, nem documentos que embasaram sua escrituração contábil (item “G” do TVF). Considerada imprestável a contabilidade da contribuinte para a apuração do imposto com base no Lucro Real, com fulcro no disposto pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR de 1999), arts. 530, III, 532, 536, foram exigidos o IRPJ e a CSLL com base no lucro arbitrado. Diante do comando legal previsto no art. 224 do RIR, de 1999 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31) foi determinada a receita bruta das vendas e serviços, utilizando as contas registradas no Razão, conforme demonstrativo constante do TVF (fl. 5074 e 5075) e outras receitas, com base nos art. 536 do RIR, de 1999 (fls. 5077) para apurar a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Assim, diante dos fatos apontados pelo Fisco, foram lavrados os autos de infração relativos aos citados tributos, sendo aplicada a multa prevista na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I e § 1º (150%), prevista para os casos em que ocorrem as hipóteses previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Considerando que a VULCAN MATERIAL PLÁSTICO LTDA, apoiouse em um esquema fraudulento, utilizandose da INCORVIL, cujos sócios são uma empresa de fachada (EDSR20) Fl. 5436DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 11 10 e uma interposta pessoa (José Carlos Minutti), objetivando a sonegação fiscal, foi lavrado contra esta o Termo de Responsabilidade Solidária com base na Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, (CTN) art. 124, I. Cientificadas dos lançamentos e do Termo de Sujeição Passiva Solidária a autuada e a VULCAN, ingressaram com as impugnações de fls. 5183/5216 e 5131/5150, respectivamente, nas quais alegam: Impugnação da INCORVIL: Nulidade do auto de infração por vício insanável no lançamento. A Constituição Federal (CF) no seu art. 37, dispõe que “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos Princípios da legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência”. Portanto, os atos administrativos devem ser transparentes, claros e precisos, de forma a que o administrado possa entender o que esta se passando. Possa saber se e quando o seu direito está sendo violado. Mas, não é o que esta a ocorrer no presente caso, em que o contribuinte encontra dificuldades para montar a defesa de seus direitos. O art. 142 do CTN dispõe que compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário em procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Hely Lopes Meireles, utilizandose dos ensinamentos do moderno Bielsa, diz que as decisões administrativas devem ser motivadas formalmente, vale dizer que a parte dispositiva deve vir precedida de uma explicação ou exposição dos fundamentos de fato (motivos pressupostos)e de direito (motivos determinantes da lei). Cabe ao Administrador Público, ao constituir o crédito tributário, fazêlo de modo que fiquem demonstrados os fatos que ensejaram o ato administrativo, o que, no caso de lançamento de tributo ou multa, é a ocorrência do “Fato Gerador”, isto é, tem a obrigação de demonstrar a ocorrência do fato descrito no antecedente da norma tributária, que fez nascer o direito subjetivo do credor exigir o seu crédito do sujeito passivo. Se o Agente Público não respeitar esta regra, não terá acabado a sua obra, invalidando o seu ato, tornando nulo o auto de infração, por vício formal insanável, por falta de motivação e elementos probatórios indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 5437DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 12 11 Pis e Cofins declarados em DCTF O auditor fiscal utilizou a receita bruta escriturada da empresa impugnante, somada a alguns valores constantes na contabilidade como recuperação de despesas para a cobrança do PIS e Cofins. Ocorre que no ano de 2007 a impugnante declarou em DCTF valores desses tributos em vários meses, de modo que esses valores deveriam ser excluídos do cálculo realizado para lançamento de ofício, pois a entrega da declaração pelo contribuinte, reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, parte do crédito tributário objeto do auto de infração, foi devidamente declarado em DCTF no ano de 2007, restando evidente que essa parte não poderia ser objeto de autuação. Foram declarados em DCTF, referentes de janeiro a maio de 2007, os montantes de R$ 230.739,86 e R$ 50.094,83, respectivamente à Cofins e ao PIS. Portanto devem ser excluídos do crédito tributário esses valores, para que não haja ilegítima bitributação. Inconstitucionalidade da multa aplicada. Caráter confiscatório. A multa aplicada não se coaduna com o sistema jurídico tributário, porquanto se reveste de caráter absolutamente confiscatório. Embora a multa aplicada ao caso seja um castigo ao contribuinte, que lhe obrigará a maior sacrifício, ela deve obedecer a parâmetros, a limites, ou seja, a multa deve estar revestida por certos contornos que atinjam a função social a que veio. A Constituição Federal no art. 150, IV veda a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco. Em que pese a CF trazer em sua literalidade a palavra ‘tributo”, há de se fazer uma interpretação extensiva e sistemática, aplicandose a referida vedação às multas. Ao compararmos a multa aplicada ao caso com os ditames da CF verificase uma dissonância, posto que a Carta Maior não admite que a multa tenha caráter confiscatório. Assim, cabe aos julgadores diminuir a multa aplicada ao caso, por patente inconstitucionalidade. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem entendido ser pertinente estipular multa entre 20% e 30%. Todavia, entende que o percentual deva ser reduzido para 2% conforme a prevista no art. 52 da Lei nº 9.298, de 1996. Inocorrência de fraude. Impossibilidade de aplicação da multa agravada. Fl. 5438DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 13 12 O art. 72 da Lei nº 4.502 de 1964, define fraude como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar , total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Para haver fraude nos termos do referido artigo, o contribuinte deve praticar condutas dolosas que impeçam ou retardem o nascimento do liame obrigacional entre ele e o Fisco ou que modifiquem ou excluam suas características. Em outras palavras deve praticar condutas ardilosas com o intuito de infringir normas tributárias impedindo ou retardando a ocorrência dos fatos imponíveis, modificando ou excluindo as suas características. Dessa forma é inequívoco que a conduta da impugnante não se amolda ao conceito legal de fraude, uma vez que a insuficiência de declaração dos tributos, cobrados por meio do auto de infração, se deu por mero erro contábil. Isto não caracteriza fraude ou dolo. A mera omissão de receita desprovida do intuito deliberado de fraudar a lei, não é suficiente para a aplicação da multa agravada de 150%. Ofensa a princípio norteador da administração. Moralidade Os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência devem nortear a Administração Pública. Estão expressamente citados no caput do art. 37 da CF. No caso em tela, ferido o princípio da moralidade. Isto porque, conforme amplamente esposado, a Impugnante está sendo compelida ao pagamento de multa de 150% por suposta fraude, o que efetivamente não ocorreu. Como admitir que o procedimento da Administração, de imputar multa de 150% sobre débitos não declarados por mero erro contábil, pautase no princípio da moralidade? Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Taxa Selic. Com o advento da Lei nº 9.065, de 1995, foi estabelecida a incidência da Taxa Selic para débitos tributários ocorridos após 1º de janeiro de 1996. No entanto, essa lei não pode ser aplicada pois afronta diversos Princípios Constitucionais, previstos nos arts. 5º, 150, I, entre eles, o da Legalidade Tributária, da Anterioridade e o da Indelegabilidade de Competência Tributaria. Ainda que se admitisse a lei ordinária criando e regulamentando a Taxa Selic para fins tributários, interpretandose o art. 161, 1º do Código Tributário Nacional, chegaríamos à conclusão de que é permitido fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN, que é de 1% (um por cento ) ao mês. Fl. 5439DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 14 13 Caso desejasse superar esse limite, o legislador teria que se utilizar do mesmo instrumento legislativo, qual seja, a lei complementar. A ressalva “se a lei não dispuser de modo diverso” não significa que a Lei nº 9.065, de 1995, legitimou a incidência da Taxa Selic. A lei ordinária pode estabelecer juros iguais ou inferiores a 1%; nunca superiores ao limite estipulado no CTN. Requer: A autuada requer que sua impugnação seja julgada totalmente procedente, excluindo da autuação os valores declarados a título de Pis e Cofins, reduzido o percentual da multa aplicada para 2%, em razão do nítido caráter confiscatório ou para 75% por não estar caracterizada a fraude, além de ser afastada a correção do débito pela Taxa Selic. Além disso, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, sem exclusão de qualquer que seja. Impugnação da VULCAN MATERIAL PLÁSTICO LTDA Responsabilidade tributária Contestou a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, sob alegação de que o sujeito passivo da obrigação tributária é o sujeito que pratica o fato descrito na hipótese de incidência da norma que institui a exação. Assim, praticado o fato, após a sua versão em linguagem competente, instaurase a relação jurídica entre o Fisco e o contribuinte, tendo por objeto o pagamento de determinada quantia em dinheiro. A exigência do tributo, portanto, deve ser feita somente daquele que praticou o fato descrito na hipótese de incidência da norma, podendo haver, em alguns casos, mais de um sujeito passivo na relação jurídica tributária, justamente o caso da solidariedade. Nos termos da legislação civil, "Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigação à dívida toda", (art. 904, caput, do Código Civil). A solidariedade, portanto, não é forma de inclusão de terceiro na relação jurídica tributária, mas sim a gradação da responsabilidade de coobrigados pela dívida, de modo que para haver a responsabilização solidária no campo do direito tributário é necessário que duas ou mais pessoas pratiquem conjuntamente o fato descrito na hipótese de incidência do tributo. Destarte, só podem ser solidariamente obrigados ao pagamento do crédito tributário aqueles sujeitos de direito que já compõem o polo passivo da obrigação tributária. Com efeito, o Código Tributário Nacional disciplina o tema no bojo do seu artigo 124, utilizado pelo Sr. Fiscal para justificar a Fl. 5440DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 15 14 sujeição passiva da Impugnante. Importante trazer à baila o texto do referido artigo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (grifo nosso) II as pessoas expressamente designadas por lei. Tendo em vista que o Código Tributário fala em "interesse comum" é de fundamental importância analisar o referido termo, para identificarmos o seu alcance semântico. A expressão "interesse comum" não pode ser interpretada como um mero interesse econômico. A análise sistemática do Código Tributário impõe a interpretação de que "interesse comum", para caracterização da solidariedade, é a existência de dois ou mais sujeitos de direito que estejam aptos a compor o polo passivo da obrigação tributária, isto é, que pratiquem conjuntamente a conduta descrita na hipótese de incidência da norma tributária. Conforme se depreende da doutrina e dos julgados colacionados, só há responsabilidade solidária tributária por força do artigo 124, I do CTN, quando dois sujeitos pratiquem conjuntamente o mesmo fato gerador, como por exemplo, a prestação do mesmo serviço por duas pessoas a um único tomador. In casu, não restou demonstrado pelo Sr. Fiscal que a empresa Impugnante praticou os fatos imponíveis em conjunto com a empresa Incorvil. Com efeito, a autoridade administrativa se pautou unicamente em procurar demonstrar que havia um vínculo entre as empresas, deixando de comprovar que ambas poderiam ser sujeitas passivas das obrigações tributárias, por praticarem em conjunto os respectivos fatos imponíveis. Ora, não é o suposto vínculo alegado pelo Sr. Fiscal que tem o condão de caracterizar a responsabilidade solidária da empresa Impugnante. Deveria o Sr. Fiscal para cobrança dos tributos lançados, comprovar que a empresa Impugnante, em conjunto com a empresa Incorvil, auferiu renda e lucro sobre a mesma atividade empresarial (IRPJ e CSLL) e faturou valores decorrentes da mesma atividade (PIS e COFINS). Ocorre que não há nenhum indício de que isto ocorreu, pois as duas empresas são distintas, com personalidade jurídica própria e estabelecimentos industriais autônomos. Em face do exposto, a medida que se impõe é a exclusão da Impugnante do polo passivo do presente processo administrativo, pois não pode ser responsabilizada solidariamente com a empresa INCORVIL. Multa confiscatória Fl. 5441DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 16 15 A multa aplicada no percentual de 150% configura abuso do poder fiscal, na exata medida em que seu montante é excessivo e despropositado, ofendendo frontalmente o princípio do não confisco. É forçoso concluir que a CF ao vedar o confisco para as espécies tributárias, também o fez com relação às penalidades. Se é vedado o confisco por via da instituição de tributos, é lógico afirmarse que não se pode fazêlo por meio da instituição de penalidades ou multas tributárias, pois seria uma clara forma de burlar tal princípio. A cobrança da multa equivalente a 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do imposto, como está sendo cobrado no presente caso, é absolutamente extorsiva. Até porque o fim da economia inflacionária também gerou efeitos par os débitos fiscais e o momento atual é marcado pela estabilidade da moeda. Por isso, é evidente a necessidade de alterar esse percentual para 20% do valor do débito. Não subsunção dos fatos à hipótese de incidência de multa agravada. Considera que não há subsunção dos fatos à hipótese de incidência da multa agravada, aplicável nos casos de fraude, sonegação ou conluio. Aduziu que fraude ocorre quando o contribuinte dolosamente pratica ação ou omissão para impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, visando o não pagamento de tributos. Por isso, a mera omissão de receitas não é suficiente para caracterizar a fraude e a conseqüente majoração da multa. A multa de ofício, em regra é aplicada no percentual de 75%, sendo duplicada quando da existência de fraude, sonegação ou conluio, previstas nos artigos 72 da Lei nº 4502, de 1964. A fraude ocorre quando o contribuinte dolosamente pratica ação ou omissão para impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, com o intuito de enganar o Fisco, ou seja, visando o não pagamento de tributo. Mera omissão de receitas não é suficiente para caracterizar a fraude e a conseqüente majoração da multa. Assim, esse percentual deve ser reduzido para 75%. Juros de Mora Ilegalidade Os juros de mora com base na Taxa Selic ofende o princípio da legalidade previsto no art. 150, I da CF que dispõe que é vedado exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. Em que pese a legislação determinar a aplicação da taxa Selic aos débitos tributários, não há previsão legal do que seja essa taxa. A lei apenas manda aplicála sem indicar nenhum percentual, delegando indevidamente seu cálculo a ato governa mental, que segue as naturais oscilações do mercado financeiro. Fl. 5442DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 17 16 Interpretandos o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, chegamos à conclusão de que é permitido à lei ordinária somente fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN, que é de 1% (um por cento) ao mês. Caso se desejasse superar esse limite, teria o legislador que se valer do mesmo instrumento legislativo usado primeiramente, qual seja, a lei complementar. Tampouco pode ser desprezado o disposto no art. 193, § 3º da CF, que dita taxa de juros não superior a 12% (doze por cento) ao ano. Tendo em vista que da data do vencimento do tributo até hoje, a taxa Selic ficou em patamares inferiores a 1% ao mês, requer o seu afastamento caso ela ultrapasse esse percentual. Requer: Seja acolhida a preliminar argüida, para excluíla do polo passivo do processo e, caso não acolhida a preliminar, no mérito seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa de 150% para 20% em razão do nítido caráter confiscatório, ou para 75% por não haver fraude, além de ser afastada a correção do débito pela taxa Selic, caso o índice ultrapasse 1% ao mês. Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, sem exclusão de qualquer que seja, para comprovação das alegações tecidas ao longo da presente impugnação. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação para excluir a exigência do PIS/Cofins que haviam sido declarados em DCTF. Irresignada, apenas a responsável tributária interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 5354 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Alega a Vulcan, ora recorrente, responsável pelo crédito tributário, que sujeito passivo da obrigação somente pode ser a empresa fiscalizada (a contribuinte, Incorvil), tendo em vista que é ela quem pratica o ato definido em lei como fato gerador do tributo. Fl. 5443DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 18 17 Não assiste razão à defesa. Conforme disposição expressa contida no art. 121 do CTN, abaixo transcrito, terceira pessoa também pode ser considerada sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) No caso dos presentes autos a responsabilidade da ora recorrente advém do interesse comum na situação que constitui o fato gerador, conforme literalmente previsto no art. 124, I, do mesmo CTN, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Mais especificamente, as situações que constituem os fatos geradores dos tributos objeto do lançamento são a receita bruta (PIS/Cofins) e o lucro (IRPJ e CSLL). Por óbvio que a atribuição de responsabilidade tributária não pode advir de um qualquer "interesse comum" entre o contribuinte e a terceira pessoa, e sim de um "interesse comum" qualificado. Por exemplo, pode haver interesse de um fornecedor de bens e serviços que seus clientes aufiram receita bruta e lucro em seus empreendimentos, de forma a permanecerem como seus clientes no futuro, mas o fornecedor não poderá, apenas com base nesse interesse comum, ser alçado a responsável tributário pelos tributos devidos por seus clientes. Há também interesse de uma pessoa jurídica, que possua cotas ou ações no capital de outra empresa, que esta aufira receita e lucro, mas, novamente, esse interesse comum não poderá, por si só, gerar responsabilidade tributária à investidora pelos tributos devidos pela investida. No entanto, se o contribuinte e a terceira pessoa, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação (no caso, o faturamento e o lucro da contribuinte Incorvil) tramam para deixar de pagar ao Fisco os tributos que a este seriam devidos (no caso, PIS/Cofins, o IRPJ e a CSLL), então não há dúvida de que entre o contribuinte e o terceiro há um interesse comum qualificado, capaz de colocar o terceiro como responsável solidário pelo crédito devido pelo contribuinte. Fl. 5444DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 19 18 No caso dos presentes autos foi exatamente isso o que ocorreu, conforme atesta a enorme quantidade de fatos narrados pela fiscalização. Não seria sequer necessário abordar aqui a miríade de fatos que comprovam o dito interesse comum qualificado existente entre a contribuinte (Incorvil) e a ora recorrente (Vulcan), haja vista que aquela não recorreu da decisão de primeiro grau, e esta não contestou a ocorrência dos fatos narrados pela fiscalização. No entanto julgo importante trazer algumas poucas passagens contidas no TVF (fl. 5041 e ss.), que cabalmente demonstram o interesse comum qualificado entre a contribuinte (Incorvil) e a ora recorrente (Vulcan). Primeiramente, em relação à Incorvil, restou constatado que apesar de haver informado em sua DIPJ relativa ao ano de 2007 receita bruta anual superior a R$ 37.000.000,00 (fl. 847), nada recolheu a título de tributos federais. Restou também constatado na contabilidade da Incorvil o registro de vultosos mútuos contratados com a Vulcan, ora recorrente, os quais não se encontravam amparados em contrato escrito. No TVF a autoridade relata os fatos verificados em diligência realizada no estabelecimento da Incorvil (fl. 5058): Efetuada diligência em 03/07/2012, às 10:30h, no endereço atual da INCORVIL, qual seja: Rua Amélia dos Anjos Oliveira, 125, Embu/SP, os AuditoresFiscais constataram, conforme Termo de Constatação Fiscal em anexo, tratarse de um pequeno depósito com poucos rolos de lona, estantes com documentos, telefone e mesa. No referido local encontravase o funcionário da empresa, Sr Kleber Marcelino Salerno, que relatou o que se segue: a) o responsável pelo depósito é o Sr Edson Vieira de Sousa que no momento se encontrava em São Roque, onde se localiza a fábrica da INCORVIL; b) os assuntos de interesse da INCORVIL são todos repassados para sua fábrica em São Roque e que o chefe do Sr Edson, em São Roque é o Sr.Daniel Schmidt; c) atualmente o proprietário da empresa é um grupo e que antigamente era o Sr.Minucci e o Grupo G Brasil; d) antes o depósito funcionava em Taboão da Serra num espaço alugado e que saiu de lá para o endereço atual também alugado, pertencente ao Sr. João Adalto; e) ele praticamente atende oficiais de justiça que aparecem para fazer penhora e às vezes atende pedido de clientes. Encerrada essa diligência, os AuditoresFiscais seguiram para São Roque/SP onde está localizada uma filial da VULCAN; sendo recebidos pelo Sr Daniel Schimidt que se apresentou como gerente da fábrica. Entre outras informações, o Sr. Daniel Schimidt relatou que a VULCAN adquiriu a INCORVIL entre os anos de 2002 e 2003; sendo adquiridos fundo de comércio, máquinas, patentes e marcas como a Viniforte. Fl. 5445DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 20 19 (...) Tendo em vista que o estabelecimento onde se situa a Incorvil é de propriedade do Sr. João Adauto, os auditores constataram junto a esta pessoa o seguinte (fls. 5059/5060): Em diligência ao seu escritório de contabilidade, o Sr. João Adalto Martins dos Reis, proprietário do imóvel onde atualmente se situa a INCORVIL, recepcionou os AuditoresFiscais e declarou que: a) O seu contato na empresa INCORVIL é feito com o Sr. Herick Camargo cujo email é herick.camarqo@vulcan.com.br, telefones: 1147849003 e 78345154/fax: 1147841739; b) Ao reajustar o aluguel, que hoje é de R$ 3.100,00, entrou em contato com o Sr. Herick; c) Foi avisado que receberia a visita dos AuditoresFiscais pela Sra. Joseane, da empresa Vulcan. (...) No ano de 2007, objeto da fiscalização, os sócios da Incorvil eram a empresa EDSR20 (99% de suas cotas) e o Sr. Carlos Minutti (administrador de Incorvil, com 1% de suas cotas, e também Presidente da EDSR20). Sobre a EDSR20, que possui capital social de ínfimos R$ 1.000,00, a fiscalização constatou na contabilidade de Incorvil a existência de vultosos mútuos não amparados em contrato escrito. Também constatou, entre muitas outras coisas, o seguinte (fl. 5057): Tratase de empresa sócia da INCORVIL, desde 23/02/2007, com participação de 99% de seu capital social. No CNPJ Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, consta como seu endereço, desde 30/01/08, Av. Paulista, 2073, Sala 1221, Bairro Bela Vista, São Paulo/SP. Conforme Termo de Constatação Fiscal, que acompanha este Termo de Verificação Fiscal, os AFRFB AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil concluíram que a empresa em questão atualmente não funciona no referido endereço, sendo certo que em nenhum momento esteve ali localizada uma vez que, segundo informou o encarregado predial, Sr. Ricarte, no sistema cadastral do Conjunto Habitacional consta que a sala 1221 esteve locada aos seguintes inquilinos: até o ano de 2006: Carlos Galeão Camacho; de 2007 a 2008: Eduardo Duarte Escritório de Advocacia Eduardo Duarte; a partir de 2009: Ana Carolina V. P. Santos (psicóloga). Verificado nos arquivamentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo que a empresa estaria com o endereço na Avenida César Simões, 375Parte, Jardim Henriqueta, Taboão da Serra/SP, a partir de 20/07/10, também foi feita diligência, conforme Termo de Constatação Fiscal em anexo, assinado Fl. 5446DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 21 20 pelos AFRFB, neste endereço, comprovandose que existe apenas o número 375, no qual funciona atualmente a empresa Adamastor Misleri RechEPP. Em conversa com a funcionária dessa empresa, Sra Vivian, os AuditoresFiscais tomaram conhecimento de que o proprietário desse imóvel é o Sr. João Sidnei Gesse. Em conversa, via telefone, o Sr. Gesse informou aos AuditoresFiscais que no ano de 2007 ele alugou o prédio em questão para a INCORVIL que era uma "subsidiária" da VULCAN e que as negociações afetas à locação eram feitas com um diretor da VULCAN. O Sr. Gesse comprometeuse a enviar aos AuditoresFiscais documentação comprobatória da locação feita à INCORVIL, sendo enviado o aditamento ao contrato de locação de imóvel, datado de 10/02/2009 e celebrado entre ele e a INCORVIL. (...) Em relação ao Sr. José Carlos Minutti, sócio da Incorvil e Presidente da EDSR20, constatou a fiscalização, entre outras coisas, o seguinte (fl. 5060): Em diligência à residência do Sr. Carlos Minutti, sócio administrador da INCORVIL, situada à Rua Almirante Tamandaré, 322 Apto 82 Santo André/SP, num edifício residencial simples, os AuditoresFiscais foram recebidos pela esposa dele, Sra Márcia, a qual informou que ele havia acabado de sair. Perguntado sobre a empresa INCORVIL, ela disse não saber responder, pois não tinha conhecimento das atividades empresariais do marido. A Sra Márcia entrou em contato por celular com seu marido, Sr. José Carlos, avisando sobre a visita dos AuditoresFiscais e que esses queriam falar com ele; O Sr. José Carlos Minutti conversou com a AuditoraFiscal, Sra Luzia, por celular e ao ser perguntado pela Auditora se ele poderia receber os AuditoresFiscais na sede de sua empresa INCORVIL localizada em Embu, respondeu que não mas que poderia receber os AuditoresFiscais em São Paulo, no escritório de seu advogado, situado à Avenida Major Sylvio de Magalhães Padilha, n° 5.200, Morumbi. Então, a Auditora Fiscal marcou uma entrevista para o dia seguinte a ser confirmado o horário exato. Foram anotados os celulares do Sr José Carlos Minutti e a ele foi fornecido o número do celular funcional (celular da Receita Federal do Brasil). Entretanto, no dia 03/07/2012, o Sr. José Carlos Minutti remarcou a reunião com os AuditoresFiscais para o dia seguinte. No dia 04/07/2012 recebemos a ligação do Sr. Fábio, que se apresentou como advogado do Sr. José Carlos Minutti, cancelando o compromisso, alegando que o seu cliente Sr. José Carlos, precisou viajar urgente para o Rio de Janeiro justamente para ter reunião com seu cliente, a empresa VULCAN, uma vez que com a nossa visita à filial dessa empresa, na manhã do dia anterior, na cidade de Taboão da Serra, provocara um desgaste no relacionamento comercial entre a INCORVIL e a VULCAN, sendo que segundo o Sr. Fábio, a Vulcan é a principal cliente da Fl. 5447DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 22 21 Incorvil. Posteriormente, analisando os documentos apresentados pela empresa Vulcan Material Plástico Ltda, que fora circularizada durante a fiscalização, constatamos que o Sr. Fábio Bernardo é advogado que representa a VULCAN nas intimações feitas no curso do processo, cujo escritório Marcos Martins Advogados Asssociados localizase na Av. Major Sylvio de Magalhães Padilha, 5.200, Morumbi, ou seja, no mesmo local onde o Sr. José Carlos Minutti marcou a reunião com os Auditores, dizendo tratarse do escritório de seu advogado. Em relação à Vulcan, ora recorrente, o auditor relata, entre muitas outras coisas, o seguinte o seguinte (fl. 5059): Em diligência ocorrida na empresa Vulcan Material Plástico Ltda, situada à Rua Horácio Manley Lane, 300, São Roque/SP, os AuditoresFiscais foram recebidos pelo Sr. Daniel Schmidt da Silva CPF: 773.597.12067 que se apresentou como gerente da fábrica e que prestou as seguintes informações: a) A Incorvil é cliente da Vulcan, que fabrica lonas para impressão, toldos e comunicação visual, e que os negócios entre ambas situase na faixa de R$ 500.000,00/ano; b) A Vulcan funcionava no número 400 da Rua Horácio Manley Lane enquanto a VINITEX (hoje INCORVIL) funcionava no número 300 da mesma rua; c) Entre os anos de 2002 e 2003 a Vulcan adquiriu a Vinitex e passou a funcionar nos dois números 300 e 400; d) Foram adquiridos da Vinitex fundo de comércio, máquinas, patentes e marcas como a "Viniforte"; e) Atualmente a Vulcan funciona somente no número 300 e no número 400 está em atividade a empresa Látex São Roque; (...) A fim de comprovar a ligação entre a contribuinte, Incorvil, e a Vulvan, ora recorrente/responsável tributária, a fiscalização realizou diligência (circularizações) junto a diversos clientes e fornecedores da primeira, tendo sido constatado, entre muitas outras coisas, o seguinte (fl. 5051 e ss.): Realizaramse circularizações em algumas pessoas jurídicas que foram fornecedoras ou clientes da INCORVIL no anocalendário de 2007, intimandoas a apresentarem cópias das notas fiscais de compras/vendas efetuadas no período de janeiro a dezembro do referido anocalendário; cópias dos comprovantes de pagamentos/recebimentos relacionados com as compras/vendas ocorridas; cópias do Livro Razão onde constem os valores debitados/creditados (compras/vendas de mercadorias) e os pagamentos/recebimentos que se seguiram, incluindo, eventualmente, os lançamentos efetuados no ano de 2008 e cópias de pedidos e contratos de compra/venda, conforme segue: Fl. 5448DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 23 22 1) BMD Têxteis Ltda CNPJ: 03.156.784/000130: Intimada em 01/11/2011, apresentou em 08/11/2011 cópias das Notas Fiscais n°s: 11530; (...) 1.1) No email do dia 06/07/2007 enviado por André Bender (andre.bender@vulcan.com.br) para eiichi@bmdtexteis.com.br e comnal@bmdtexteis.com.br, com cópia para: Colombo, Milca (milca.Colombo@vulcan.com.br); SRE Produção 8 (prod8.sre@vulcan.com.br) e SRE Recebimento 1 (recebi.sre@vulcan.com.br), no qual consta: "Prezada Ana, bom dia. Conforme conversamos, segue abaixo programação de faturamento para a Vinitex, com entrega na Vulcan filial São Roque, com um NF de remessa para industrialização por conta e ordem: (...) Em consulta ao sistema DATAPREV CNIS Cadastro Nacional de Informações SociaisConsulta Vínculos Empreqatícios do Trabalhador, confirmouse o vinculo empregatício de André Bender com a empresa Vulcan Material Plástico LtdaCNPJ: 33.066.952/000167 cuja data de admissão consta como 09/08/2004. (...) 3) Polyornanic Tecnologia Ltda CNPJ: 96.677.646/000187. intimada em 26/10/2011, apresentou 28/10/2011 cópias das Notas Fiscais n°s: 18309; 18494; 18829; 19157 e 20090; cópias do Livro Razão, cópia da ficha cadastral de sua cliente INCORVIL na qual consta como contato o Sr. Antonio Carlos e como email antonio.thomaz@vulcan.com.br. No corpo das Notas Fiscais constam as seguintes informações: NF n° 18309 "Seu pedido nr. 23982 Sr.Antonio"; NF n° 18494: "Seu pedido nr. 24176 Sr. Antonio; NF n° 18829: "Seu Pedido de Compra nr 024124André"; NF n° 19157: "Seu Pedido de Compra Verbal André"; NF n° 20090: "Seu pedido de compra verbal André Bender" que como já visto é funcionário da VULCAN. (...) 5) A Guerra S/A Implementos Rodoviários CNPJ: 59.187.385/000190 Intimada em 01/11/2011, encaminhou cópias das Notas Fiscais das compras efetuadas da INCORVIL durante o anocalendário de 2007 acompanhadas das respectivas Ordens de Compra nas quais constam os dados da INCORVIL: razão social, CNPJ, endereço, inscrição estadual, telefone/fax e email. Nas ordens de compra, o email informado como sendo da INCORVIL é: stephanie.qomes@vulcan,com.br, conforme se verifica das ordens de compra n°s 165441/Mat 08/01/2007; 165523/Mat de 22/01/2007; 167271/Mat de 01/02/2007 167328/Mat de ¡3/02/2007; 168532/Mat de 06/03/2007; 169680/Mat de 20/03/2007 171604/Mat de Fl. 5449DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 24 23 17/04/2007; 172750 de 10/05/2007; 178526/Mat de 30/07/2007; 181261/Mat de 21/09/2007; 183382/Mat de 16/10/2007; 186097/Mat de 26/11 /2007. A autoridade tributária aprofundou ainda mais a fiscalização, circularizando os emitentes de notas fiscais de despesas contabilizadas pela Incorvil, conforme item "E" do TVF, onde se pode encontrar, dentre muitos outros relatos, os seguintes (fl. 5061 e ss): 1) Nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Hotel Cordialle Ltda verificase que: NF n° 4057 emitida em 13/07/2007, possui como destinatário a empresa VULCAN MATERIAIS PLÁSTICOS LTDACNPJ: 33.066.952/000400; NF n° 2831 emitida em 17/01/2007, NF n° 3169 emitida em 08/03/2007; NF n° 3232 emitida em 17/03/2007; NF n° 3242 emitida em 20/03/2007; NF n° 3315 emitida em 29/03/2007 e NF n° 3262 emitida em 21/03/2007, possuem como destinatária a INCORVIL mas os usuários dos serviços foram, respectivamente, Renato de Abreu Baena, André Bender, Marcelo Ramos S.Muricy e José Araújo Filho; todos funcionários da VULCAN conforme consulta CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais; 2) Constam Notas Fiscais de aquisição de cestas de alimentos pela INCORVIL cuja natureza da operação é de venda à ordem (CFOP 5919) com remessa das mercadorias (CFOP 5923) para o endereço Rua Horácio Manley Lane, 400, Bairro Marmeleiro, São Roque/SP local onde se estabelecia a filial da VULCAN; conforme se verifica das NF n°s: 161936; 161937; 162140; 162141, 161151, 162513, 162514, 165047 emitidas pela empresa Marbel RCComércio Importação e Exportação Ltda; e NF n° 44456 emitida por SavonIndústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda. (...) 5) As Notas Fiscais n°s 181678, 181420, 181677 e 182022 emitidas por Aracaí Veículos Ltda têm como destinatário a empresa INCORVIL e referemse à assistência técnica nos veículos placas SP DSS 5211 e RJ DSS 5227 que são de propriedade da VULCAN MATERIAL PLÁSTICO LTDACNPJ: 33.066.952/000167 conforme consulta RENAVAM anexa. As Notas Fiscais n° 181322 e 181420 trazem a assinatura do Sr. Milton Astrath acusando o recebimento dos serviços prestados. Em consulta sistema CNISCadastro Nacional de Informações Sociais em anexo, o Sr. Milton Astrath é funcionário da VULCAN Material Plástico LtdaCNPJ: 33.066.952/000167, com admissão em 01/03/2006. Em todas essas Notas Fiscais consta como endereço da INCORVIL a Rua Horácio Manley Lane, 400, endereço no qual se estabelecia à época a filial da VULCAN (33.066.952/000400); 6) As Notas Fiscais n°s 10108 e 10129 emitidas respectivamente em 31/12/2006 e 15/01/2007 por Auto Posto Rodovia têm como destinatário a empresa INCORVIL, entretanto, constatase que vários dos cupons fiscais que acompanham as citadas NF estão assinadas pelo Sr. Milton Astrath que, conforme consulta ao Fl. 5450DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 25 24 sistema CNISCadastro Nacional de Informações Sociais em anexo, é funcionário da VULCAN Material Plástico LtdaCNPJ: 33.066.952/000167, com admissão em 01/03/2006. Ainda, na maioria dos cupons fiscais as placas dos veículos abastecidos constam os n°s 5227 e 5211 que, conforme item anterior são de veículos de propriedade da VULCAN; (...) 13) As Notas Fiscais n°s 151030, 135655, 168277, 168279, 168710 emitidas por Ipiranga Química S/A trazem no campo "Dados Adicionais" a seguinte informação: "Obs.: Pedido Verbal André Bender". Conforme já visto, tratase de funcionário da empresa VULCAN; 14) A Nota Fiscal Fatura n° 5327 emitida em 22/01/2007 por AUGETEC Serviços, Administração e Terceirização Ltda traz como praça de pagamento a Rua Horácio Manley Lane, 400, endereço no qual se estabelecia à época a filial da Vulcan (33.066.952/000400). (...) 18) A Nota fiscal n° 277 emitida em 12/07/2007 por Via Zip Indústria e Comércio de Roupas Profissionais LtdaME traz como destinatário a empresa "Vulcan Ind. Com. Exp. Produtos Plásticos", o CNPJ da INCORVIL, e o endereço da filial da VULCAN 33.066.952/000400 Rua Horácio Manley Lane, 400, Marmeleiro/São Roque/SP; 19; Muitas Notas Fiscais de entrada trazem o endereço da INCORVIL como Rua Horácio Manley Lane, 400, São Roque/SP, sendo que neste endereço localizavase a filial da VULCAN33.066.952/000400, a INCORVIL saiu desse número desde março do ano de 2005. Como exemplo temos: NF n° 559 emitida em 26/12/06 por Top Flex Comércio e Serviços Ltda; NF n° 10108 e 10129 emitidas em 31/12/06 e 15/01/07, respectivamente, por Auto Posto Rodovia; NF n° 2831 e 4057 emitidas em 17/01/07 e 13/07/07, respectivamente, por Hotel Cordialle Ltda; NF n° 231.998 e 230.930 emitidas por Eletro Buscaroli Ltda; NF n° 195 emitida em 29/12/06 por Engemec Consultoria S/C LTDA; NF n° 1930 emitida em 12/01/07 por Euroformy Confeccções de Uniformes Ltda; NF n° 1127 e NFS n° 56 emitidas em 19/12/06 por Comercial de Pneus L.LLtda; NF n° 12.053 emitida em 18/01/07 por TribelTratamento de Resíduos Industriais de Belford Roxo S/A; NF n° 29262 emitida em 22/01/07 por Triângulo Screen Ltda; NF n° 1259 emitida em 24/01/07 por Com.Ind.Madeiras Viva Ltda; NF n° 23230 emitida em 22/01/07 por Premoltex Comércio Materiais Construção Ltda; NF n° 598 emitida em 24/01/07 por Viniflex Ind. Com.Serviços Ltda; NF n° 47301 emitida em 24/01/07 por Lorenzon Manutenção Industrial Ltda; NF n° 12187 emitida em 24/01/07 por Jupar Ind.Comércio Ltda; NF n° 18084 emitida em 29/12/06 por Supermercado Mairinque Ltda; NF n° 3272 emitida em 22/12/06 por Cordeiros Comi São Roque Ltda; NF n° 105767 emitida em 15/01/07 por INBRA Indústrias Químicas Fl. 5451DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 26 25 Ltda; NF n° 1092 e 1103 emitidas em 01/06/07 e 01/07/07 respectivamente por BL Assessoria, Consultoria e Planejamento Empresarial Ltda; NF n° 259 emitida em 07/07/07 por Gráfica Cistíam Ltda; NF n° 620 e 607 emitidas em 26/07 e 05/07/07 respectivamente por Tudo em Transporte Editora Ltda; NF n° 2138 emitida em 19/09/07 por Comercial Gardini LtdaME; NF n° 28.789 emitida em 02/07/07 por ADREL Aplic.Distr.Revestimentos Decorativos Ltda; NF n° 11828 emitida em 30/08/07 por Barbieri Indústria de Confecções Ltda; NFs n°s 696, 726 e 752 emitidas respectivamente em 05/01/07, 05/03/07 e 03/05/07 por Paiva & Arruda Consultoria Empresarial Ltda; (...) 27) As terceiras vias das Notas Fiscais n°s 8108 de 11/09/07 e 8143 de 17/09/07 emitidas por Duka Embalagens Ltda possuem assinaturas de recebimento das mercadorias, feitas por Vitor Paulo de Aguiar e Valdivino Ribeiro dos Santos, funcionários da empresa VULCAN conforme consulta CNIS anexa; (...) 30) Na Nota Fiscal de entrada n° 2083, emitida em 02/04/07 por MK Express Ltda para a INCORVIL consta um visto de Juliana Toth; nas notas de entrada do mês de abril enviadas pela Vulcan (filial) com endereço na Rua Horácio Manley Lane, 400, São Roque/SP, consta assinatura e carimbo de Juliana Toth Administração, ou seja, a mesma pessoa trabalhando ao mesmo tempo para INCORVIL e VULCAN; (...) Por todo o exposto resta claro que a Incorvil é uma empresa "de fachada", que serve apenas aos interesses de Vulcan, ora recorrente, e que o interesse de ambas é furtaremse de recolher ao Fisco federal os tributos que são devidos, incidentes sobre a receita e o lucro. 3) DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Alega a recorrente ser incabível a imposição da multa de 150% incidente sobre o valor dos tributos devidos, primeiro em razão de seu caráter confiscatória, e segundo porque não restou comprovado o dolo. Quanto ao caráter confiscatória da multa há que se dizer que, de acordo com o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, esse argumento não pode ser apreciado por este Colegiado haja vista que implicaria o exame da constitucionalidade do art. 44 da Lei nº 9.430/96 frente ao art. 150, IV, da Constituição. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 5452DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.720162/201267 Acórdão n.º 1201001.287 S1C2T1 Fl. 27 26 (...) Em relação à conduta da contribuinte e da responsável tributária, observase, pela multitude dos fatos narrados no item anterior deste voto, que não foi fruto de mero erro contábil ou negligência por parte dessas empresas, mas sim de sua vontade livre e consciente de se evadir do pagamento dos tributos devidos ao Erário Público. 4) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a responsabilidade tributária da recorrente Vulcan Material Plástico Ltda. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 5453DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10735.002177/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em devolver o processo à unidade de origem para que sejam juntados os comprovantes do recebimento da intimação relativa à diligência, pelo contribuinte.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente Substituta e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em devolver o processo à unidade de origem para que sejam juntados os comprovantes do recebimento da intimação relativa à diligência, pelo contribuinte. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .0 02 17 7/ 20 05 -2 2 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10735.002177/200522 Resolução nº 2401000.478 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O recurso voluntário visa desconstituir a decisão proferida no acórdão 02 22.145 – 2a. Turma da DRJ/BHE que proveu em parte a impugnação do contribuinte, reduzindo o crédito tributário em R$ 586.121,20 para o ano calendário 2001 e em R$ 657.858,04 para o ano calendário 2002. Este processo está vinculado ao Procedimento Investigatório Criminal n. 1.30.017.000283/201604. O responsável pelo espólio de FÁBIO RAUNHEITTI apresentou recurso voluntário à fls. 477 e seguintes, mencionando os documentos comprobatórios – Declarações prestadas por instituições financeiras (i.e. Caixa Econômica Federal) sobre liberação dos recursos que relaciona e também sobre esclarecimento de depósito (Doc.n 2 e Doc. n. 3) Conforme o recurso, o contribuinte entende que foi autuado sob a alegação de que a falta da comprovação da origem dos depósitos bancários na conta corrente constituiria presunção de omissão de rendimentos. Inicialmente, enfatiza que o que se pretende tributar é renda e não depósitos bancários. Mais ainda, que não é obrigado a ter contabilidade e que não dispõe, com precisão, a origem dos seus movimentos financeiros, 5 anos após a ocorrência dos mesmos. Afirma que existem três situações que se afiguram peculiares nos depósitos remanescentes. A primeira situação referese a vendas de diversas casas situadas em Nova Iguaçu, todas com a mediação da Caixa Econômica, que agiu como ente financiador dos compradores. Na impugnação teriam sido considerados apenas as liberações para as quais existia escritura de compra e venda. No caso de outras operações sem escritura não foram consideradas, apesar dos valores serem iguais e creditados pelo agente financiador dos compradores em conta específica para isso. Argumenta que os contratos de financiamento imobiliário celebrados dentro do Sistema Financeiro de Habitação possuem a mesma natureza jurídica da escritura celebrada em cartório. Assim, não haveria necessidade da escritura para evidenciar a origem dos depósitos. Em função disso pleiteia que sejam reconhecidos os depósitos referidos nas fls. 3 e 4 do recurso voluntário (à fls.481481 dos autos). Menciona documento n.2 – declaração da Caixa Econômica Federal atestando a liberação dos recursos. Tal declaração (doc. n. 2)não foi trazida aos autos. A segunda situação referese aos empréstimos liberados pelas instituições financeiras diretamente nas contas correntes do recorrente. O empréstimo de número 36, no valor de R$ 89.778,60, não foi reconhecido pela autoridade julgadora tendo em vista o histórico (crédito contratado) divergir dos outros que foram aceitos (liberações de mútuo). Informa que estaria fazendo a juntada de declaração prestada pela instituição financeira – Doc. n. 03, para elucidar essa dúvida. O documento n. 03 não foi juntado aos autos. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10735.002177/200522 Resolução nº 2401000.478 S2C4T1 Fl. 4 3 A terceira situação referese à multa agravada pela falta de apresentação de esclarecimentos. Esclarece que a demora na apresentação dos documentos solicitados decorre do tempo que as instituições financeiras necessitaram para obtêlos. Desta forma entende que a multa agravada é de todo infundada. É o relatório. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10735.002177/200522 Resolução nº 2401000.478 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e merece ser conhecido. Primeiramente, importante considerar que a legislação impõe ao contribuinte a guarda dos comprovantes necessários à demonstração da origem e natureza jurídica de seus recursos pelo período de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, no caso dos tributos sujeitos a homologação (par. 4o , art. 150 da Lei 5172/66). Os documentos adicionais mencionados no Recurso Voluntário à fls. 482 (Doc. 2 e Doc 3) não estão anexados ao processo. Considerando a possibilidade desses documentos terem sido extraviados, por cautela, procedeuse primeiramente a verificação da existência de tais documentos, conforme Resolução 2101000.169. Contudo, apenas o relatório da diligência foi anexado aos autos. Dado o exposto, voto por transformar o julgamento em diligência para que a unidade de origem efetue a juntada do comprovante de recebimento da intimação relativa ao resultado da diligência pelo contribuinte, conforme voto da relatora na Resolução 2101 000.169. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 18470.729778/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
O pedido de restituição, estranho à lide, deve ser requerido junto a DRFB do domicílio do contribuinte, na forma estabelecida na legislação de regência.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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O pedido de restituição, estranho à lide, deve ser requerido junto a DRFB do domicílio do contribuinte, na forma estabelecida na legislação de regência. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 97 78 /2 01 2- 75 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18470.729778/201275 Acórdão n.º 2201002.864 S2C2T1 Fl. 69 2 Lustosa Da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente). Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 19ª Turma da DRJ/RJ1 (Fls. 25), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 04/08) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas as seguintes infrações: 1. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas – Aluguéis e Outros, no valor de R$ 38.697,96, conforme abaixo: A fiscalização ressaltou que o lançamento foi efetuado com base na documentação apresentada pelo contribuinte e referese aos rendimentos recebidos de janeiro a setembro. Que o contribuinte com direito à isenção por moléstia grave a partir de 07/10/2008, não havia oferecido à tributação os rendimentos recebidos no período de janeiro a setembro de 2008. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, fls. 02/03, alegando, em síntese, que: 1. “Em 25/04/2009 enviou declaração onde declarou que todos os seus rendimentos do ano calendário de 2008 foram tributados na totalidade, o que lhe gerou um DARF de código 0211, no valor de R$ 5.835,06, da qual pagou em 29/04/2009.” 2. “Tendo em vista o contribuinte ter recebido o direito de isenção por moléstia grave os seus rendimentos a partir de 07/10/2008, o mesmo elaborou sua retificadora para alocar seus rendimentos devidamente, porém cometeu o erro de alocar 100% de seus rendimentos como isento, gerando a notificação.” 3. já efetuou o pagamento de R$ 5.835,06 e não concorda em ter que pagar mais valores. Passo adiante, a 19ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem não conhecer da impugnação, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnada parcela que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18470.729778/201275 Acórdão n.º 2201002.864 S2C2T1 Fl. 70 3 Pelo que se verifica nos autos o Contribuinte foi cientificado em 04/01/2013 (Fls. 30) no endereço cadastrado junto a Receita Federal e também indicado pelo contribuinte na sua impugnação. Em 06/02/2013 (fls. 41), o Recorrente interpôs petição do pedido de restituição/compensação em argumentando em síntese: (...) O Contribuinte sofre de doença grave desde 07/10/2008, conforme LAUDO MÉDICO PERICIAL, já apresentado e arquivado no processo citado acima, com isto, o contribuinte apresentou uma retificação de sua declaração do Imposto de Renda corrigindo os seus rendimentos para condição de isentos e não tributáveis, de acordo com a legislação em vigor e no ajuda do próprio programa, porém cometeu o engano na elaboração de sua declaração retificadora de registrar todos os seus rendimentos como isentos quando deveria ter considerado como isentos os rendimentos a partir do período em que consta no LAUDO MÉDICO PERICIAL. A partir do erro acima, a SRF gerou uma notificação e aplicou uma multa com base em todos os seus rendimentos, dos quais o contribuinte já havia declarado em sua declaração original enviada em 25/04/2009, do qual gerou e pagou um DARF totalizando o valor de R$ 5.835,06 em 29/04/2009. O contribuinte está anexando uma nova declaração confeccionada devidamente e não entregue para efeito de comparação, onde demonstra o valor correto que deveria ter recolhido em 25/04/2009 era de R$ 2.198,32 e não o valor de R$ 5.835,06 como o fez, confirmando que efetuou o pagamento À MAIOR devendo o mesmo ser RESTITUÍDO e não obrigado a pagar mais R$ 2.198,32 acrescido de multas e juros. De acordo com exposto, vem solicitar ao Sr. Delegado a restituição do valor ora paga À MAIOR acrescido da taxa Selic. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o Recorrente não contesta a omissão lançada; vindo a argumentar em seu Recurso que sofre de moléstia grave desde 07/10/2008, conforme laudo Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18470.729778/201275 Acórdão n.º 2201002.864 S2C2T1 Fl. 71 4 médico pericial, e que o mesmo apresentou uma retificadora, porém cometeu o engano ao registrar todos os seus rendimentos como isentos quando deveria ter considerado como isentos os rendimentos a partir do período em que consta no laudo. Alega o Recorrente que em razão deste erro a SRF gerou notificação e aplicou uma multa com base em todos os seus rendimentos, dos quais o contribuinte já havia declarado em sua declaração original enviada em 25/04/2009, e que pagou um DARF totalizando o valor de R$ 5.835,06 em 29/04/2009; razão pela qual pede a devolução do pagamento a maior. Contudo, tal pedido de restituição é estranho à lide. Devendo o contribuinte dirigirse a DRFB do seu domicílio, e pleitear tal devolução, na forma estabelecida na legislação. Deste modo, não combatida a omissão de rendimentos, é dever manter o lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933505/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de recursos versando compensação de direito creditório relativo à
CSLL é da Primeira Seção do CARF.
Numero da decisão: 3401-001.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em razão de a competência ser da Primeira Seção do CARF
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de recursos versando compensação de direito creditório relativo à CSLL é da Primeira Seção do CARF.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em razão de a competência ser da Primeira Seção do CARF JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ewan Teles Aguiar (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori (Suplente) e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Tratase de recurso versando compensação de direito creditório decorrente do recolhimento, por estimativa, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/09/2 011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi incorretamente encaminhado a esta Seção do CARF, pois ele decorre de não homologação de compensação cujo direito creditório decorre de recolhimento de IRRF. Dispõe o Regimento Interno do CARF, baixado pela Portaria MF 256, de 22/7/2009: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § 2º Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluemse na competência da Segunda Seção. Assim, a competência para julgar compensação envolvendo CSLL será da Seção competente para o julgamento de processos envolvendo aquele tributo. Sobre tal competência, estabelece o regimento: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/09/2 011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.933505/200941 Acórdão n.º 3401001.473 S3C4T1 Fl. 2 3 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Desse modo, voto pelo não conhecimento do recurso, que deve ser encaminhado à Primeira Seção de Julgamento do CARF. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/09/2 011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13784.720176/2013-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Somente o valor fixado em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado em juízo ou escritura pública, efetivamente comprovado, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia judicial.
DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades
Numero da decisão: 2202-003.197
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar as seguintes glosas: a) R$ 56.480,90 referente à pensão judicial, dos quais R$ 39.280,00 já foram afastados pela DRJ; b) R$ 25.170,00 referente às despesas médicas dos profissionais de saúde; c) R$ 368,28 referente ao plano se saúde, mantendo-se a glosa de R$ 7.075,20 neste item, contra a qual não houve recurso. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.";
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente o valor fixado em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado em juízo ou escritura pública, efetivamente comprovado, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia judicial. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades
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Recorrente JOSÉ CARLOS FIGUEREDO POLESHUCK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente o valor fixado em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado em juízo ou escritura pública, efetivamente comprovado, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia judicial. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar as seguintes glosas: a) R$ 56.480,90 referente à pensão judicial, dos quais R$ 39.280,00 já foram afastados pela DRJ; b) R$ 25.170,00 referente às despesas médicas dos profissionais de saúde; c) R$ 368,28 referente ao plano se saúde, mantendose a glosa de R$ 7.075,20 neste item, contra a qual não houve recurso. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 72 01 76 /2 01 3- 86 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA."; Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento (fls. 59/64), onde foi exigido imposto suplementar de R$ 24.500,95 e acréscimos legais correspondentes, relativo ao anocalendário 2009, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas e de pensão alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. O contribuinte impugnou o lançamento (fls.02) e apresentou os documentos de fls. 04/56 para comprovar as deduções. O contribuinte deduziu o montante de R$ 56.480,90 a título de pensão alimentícia. Sendo R$ 44.240,00 pago à Rafael Teixeira Figueiredo Poleshuck (filho) e R$ 12.240,90 pago à Leny Bittencourt (ex esposa). O acordo homologado judicialmente (fls.32/39) estabeleceu o pagamento de 8 salários mínimos mensais para Rafael Teixeira Figueiredo Poleshuck a ser depositado em conta corrente de sua genitora. Já com relação aos valores pagos à Leny Bittencourt, o acordo homologado judicialmente (fls. 46/51) estabeleceu o pagamento de 30% dos rendimentos recebidos pelo Recorrente do Ministério da Saúde, os quais deveriam ser depositados na conta corrente da beneficiária. Em relação a dedução das despesas médicas, não foram aceitos os recibos de fls. 21/29 referentes a serviços de fisioterapia prestados por Daniela S Teixeira no valor de R$ 9.600,00, de odontologia prestados por Maite Schendes Granado no valor de R$ 3.950,00, além dos valores pagos à UNIMED. A Delegacia Regional de Julgamento julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 120DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13784.720176/201386 Acórdão n.º 2202003.197 S2C2T2 Fl. 120 3 Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente o valor fixado em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado em juízo ou escritura pública, efetivamente comprovado, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia judicial. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais,serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas edentárias e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em relação à dedução de despesas com pensão alimentícia, a DRJ reconheceu possibilidade de dedução do montante de R$ 44.240,00 (8 salários mínimos) relativos ao anocalendário de 2009, por considerar que a declaração de fls. 13, juntamente com a DIRPF/2009 entregue por Rafael Teixeira Figueiredo, comprovam o respectivo pagamento da pensão alimentícia, devendo ser restabelecida a dedução de R$ 39.280,00, que foi o valor acordado judicialmente. Manteve, todavia, a glosa do montante de R$ 12.240,90 pago a ex esposa, Leny Bittencourt, por entender que a simples declaração de fls. 18 seria insuficiente para comprovar o pagamento, uma vez que a Sra. Leny Bittencourt não declarou esses recebimentos em sua DIRPF/2010. Em relação às despesas médicas, manteve o lançamento por entender que os recibos não possuíam os requisitos previstos no inciso III, do §1º do artigo 80 do RIR/1999, bem como por lhes faltar a indicação inequívoca de quem efetuou o pagamento como a de quem foi o beneficiário do serviço prestado. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual se insurge contra a parte da decisão da DRJ que manteve a glosa dos valores pagos à sua ex esposa. Alega o Recorrente que não poderia ser prejudicado por uma infração que deveria ser imputada a sua exesposa (ausência de declaração) e que, de acordo com o artigo 320 do Código Civil, a quitação das obrigações sempre poderá ser dada por instrumento particular. Em relação a glosa das despesas médicas, o contribuinte concorda parcialmente com a glosa do plano UNIMED, uma vez que somente o valor de R$ 368,28 referese ao anocalendário de 2009 e impugna as demais, por entender que todos os recibos juntados aos autos demonstram o pagamento de dívidas relativas aos tratamentos médicos realizados e identificam de maneira suficiente os profissionais, bem como os valores pagos. É o relatório Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. De acordo com o artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda, cuja matriz legal é o artigo 4º, inciso II, da Lei nº 9.250/94, a dedução das despesas relativas à pensão alimentícia estão sujeitas aos seguintes requisitos: Pensão Alimentícia Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, constatase que o requisito fundamental para dedução das despesas com pensão alimentícia é que ela conste de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Conforme se verifica, foi juntado, às fls. 15, a homologação do acordo datado de 09 de janeiro de 1997, relativo ao processo nº 1.061/96 . Logo em seguida, às fls. 16, foi juntada carta de sentença endereçada ao registro civil em 06 de fevereiro de 1997. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13784.720176/201386 Acórdão n.º 2202003.197 S2C2T2 Fl. 121 5 Nas fls. 46/47, foi juntada outra petição da ação de separação consensual firmada pelo contribuinte e Leny Bittencourt. Na referida petição, o Recorrente e sua ex esposa requerem que os montantes de 70% pago a título de pensão (30% ´para ex esposa e 40% para o filho) passe a incidir tão somente sobre os ganhos auferidos na matrícula 0639322, do Ministério da Saúde pelo prazo de 5 anos. Findo esse prazo, estaria mantido, unicamente, o percentual de 30% (trinta por cento) para ex esposa. Às fls. 45 foi juntada a homologação do acordo de relativo ao Processo nº 50817. Embora tenham sido trazida aos autos as decisões judiciais e as respectivas homologações, a DRJ indeferiu a dedução das despesas pagos à Leny Bittencourt por entender que "a simples declaração de fls. 18 é insuficiente para comprovar esse pagamento, uma vez que a Sra Leny Bittencourt não declarou esses recebimentos em sua DIRPF/2009. Necessário que o contribuinte apresentasse os comprovantes de depósito ou transferência bancária para comprovar esses pagamentos". Os requisitos impostos pela legislação para dedução de despesas com pensão alimentícia são terem sido realizados em cumprimento de ação judicial ou acordo homologado judicialmente. Não há portanto, na legislação, a exigência de que, para sua dedutibilidade, tais valores constem da declaração de ajuste da benefíciária. Ademais, não foi apontado qualquer falha ou indício que pudesse macular o recibo constante de fls. 14, motivo pelo qual, entendo que deve ser aceita a dedução das mencionadas despesas. Sendo assim, diferentemente do que entendeu a DRJ, entendo que parcela que se encontra acompanhada de acordo judicial homologado é a que se refere a pensão de 8 salários mínimos destinados ao filho, pois esse é o acordo que encontrase devidamente homologado. Em relação a dedução das despesas médicas, entendo que assiste razão ao Recorrente. Isso porque, conforme disposto na Solução de Consulta Interna nº 23 da Coordenação Geral de Tributação COSIT, de 30/08/2013, na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem especificação do benefíciário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para afastar as seguintes glosas: a) R$ 56.480,90 referente à pensão judicial, dos quais R$ 39.280,00 já foram afastados pela DRJ; b) R$ 25.170,00 referente às despesas médicas dos profissionais de saúde; c) R$ 368,28 referente ao plano se saúde, mantendose a glosa de R$ 7.075,20 neste item, contra a qual não houve recurso (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13874.000069/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 4. 00 00 69 /2 00 7- 81 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13874.000069/200781 Acórdão n.º 2201002.744 S2C2T1 Fl. 122 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/PRO(Fls. 20), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 13), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), relativa ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/12) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que entregara a referida declaração espontaneamente, o que excluiria a penalidade nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138, e de que a multa só poderia ser exigida após prévia intimação da contribuinte para apresentar a declaração. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/PRO entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. E devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original. Cientificada em 09/06/2009 (Fls. 31), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/07/2009 (fls. 32 a 50), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação: É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao endereço do contribuinte, via correio, com a entrega sendo em 09/06/2009, conforme atesta documento constante das fls. 31 dos autos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13874.000069/200781 Acórdão n.º 2201002.744 S2C2T1 Fl. 123 3 A peça recursal somente foi protocolizada em 15/07/2009, conforme atesta documento de fls. 32, portanto, fora do prazo fatal que seria em 09/07/2009, quintafeira. Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Caberia ao recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10540.000878/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê uma hipótese legal de presunção de omissão de receitas. A apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção.
OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A constatação de omissão de receita não implica, necessariamente, na tributação por meio do arbitramento, quando a fiscalização dispõe de outros meios. Ademais, o arbitramento constitui medida excepcional com hipóteses taxativas, e não cabe ao contribuinte determinar a sua aplicação.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, REJEITAR o sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) no mérito, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior, que dava provimento parcial para manter apenas as exigências das Contribuições ao PIS e à COFINS. Designado para redigir o voto vencedor na matéria preliminar o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor na matéria preliminar, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Numero da decisão: 1101-000.794
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO POR AMOSTRAGEM. INOCORRÊNCIA. A ação fiscal empreendida por amostragem não implica tributação incerta ou indevida. Significa tão somente que a fiscalização se deu nos contornos delimitados pelo MPF, não afastando futuras ações fiscais sobre o mesmo período. SOBRESTAMENTO O Regimento Interno do CARF só admite o sobrestamento quando o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral, pois isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. O processo administrativo se pauta pelo princípio constitucional da celeridade processual. Só há que se falar em sobrestamento quando o STF assim o determinar em relação à matéria discutida. Preliminar rejeitada ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê uma hipótese legal de presunção de omissão de receitas. A apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção. OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 08 78 /2 01 0- 71 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 441 2 A constatação de omissão de receita não implica, necessariamente, na tributação por meio do arbitramento, quando a fiscalização dispõe de outros meios. Ademais, o arbitramento constitui medida excepcional com hipóteses taxativas, e não cabe ao contribuinte determinar a sua aplicação. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, REJEITAR o sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) no mérito, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior, que dava provimento parcial para manter apenas as exigências das Contribuições ao PIS e à COFINS. Designado para redigir o voto vencedor na matéria preliminar o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor na matéria preliminar, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor e do acórdão Composição do colegiado. 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Fl. 718DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 442 3 Fl. 719DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 443 4 Relatório Versam estes autos sobre o Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão exarado pela 2ª Turma da DRJ em Salvador que manteve os créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício no percentual de 75%. O início da fiscalização ocorreu em 16/11/2009. Intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrita fiscal e contábil, a contribuinte requereu a prorrogação do prazo sob o argumento de que os mesmos estavam em poder da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. A autoridade fiscalizadora então encaminhou ofício à Auditoria Fiscal da Secretaria da Fazenda solicitando informações sobre a previsão de conclusão dos trabalhos e consequente devolução dos livros e documentos à fiscalizada. Em resposta, obteve a informação de que os livros foram devolvidos em 02/12/2009. Mais uma vez, a empresa foi intimada a apresentar os documentos constantes do Termo de Início de Fiscalização. Em 29/03/2010, a interessada foi chamada a apresentar os extratos bancários das contas correntes de sua titularidade e arquivos magnéticos. Como não apresentou no prazo estipulado, foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira ao Banco do Brasil e ao banco Bradesco, relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2006. De posse dos extratos bancários, a autoridade fazendária intimou a fiscalizada a esclarecer o fato de não constar na escrituração contábil a movimentação financeira das contas correntes da empresa. Posteriormente, a intimada foi chamada a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem e sua respectiva tributação. Após a concessão de diversos pedidos de prorrogação, transcorreu o lapso de tempo entre abril a agosto, sem que fossem apresentados os documentos solicitados. Conforme consta do Relatório Final (proc. fls. 34 a 37), foi realizado lançamento de ofício das receitas omitidas resultantes do total dos créditos nas contas bancárias que excederam as receitas escrituradas e declaradas pela fiscalizada com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A contribuinte apresentou Impugnação em 20/09/2010 (proc. fls. 407 a 459), manifestandose de início contra a violação do sigilo bancário, pois entendeu que a expedição de Requisição para Informação de Movimentação Financeira (“RMF”) deuse “desatrelada de qualquer respaldo jurídico, ou obediência aos elementos pacificamente tidos como essencialíssimos a tal procedimento”, bem como o lançamento se deu com ofensa aos princípios do Direito Tributário e garantias constitucionais. A Postulante alegou que não houve “movimentações financeiras indiciariamente irregulares, que ensejassem a quebra do sigilo bancário, muito menos a aplicação dos lançamentos constantes dos autos de infração”. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 444 5 Ademais, asseverou que, “o agente federal, no decurso das providências anteriores ao lançamento fiscal, não permitira que a Impugnante exaurisse sua prerrogativa constitucional de demonstrar a consonância existente entre a sua escrituração contábil e a movimentação bancária, presumindo, de forma prematura, sem oportunizar a apresentação de prova, a incidência de irregularidades junto ao Fisco Federal”. Intimada a se manifestar sobre as informações obtidas via RMF, a interessada alegou que lhe foi concedido o exíguo prazo de 5 dias e que isto lhe cerceou o direito de defesa. Ademais, alegou ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Portanto, entendeu que o procedimento administrativo está maculado de vícios, desencadeando em sua nulidade. Asseverou que outro motivo apto a gerar a nulidade do procedimento administrativo por ofensa a princípios constitucionais, foi a aplicação da multa no percentual de 75%. A Impugnante asseverou que houve flagrante desrespeito aos princípios da razoabilidade, do nãoconfisco e capacidade contributiva. Alertou que não restou comprovado o intuito fraudulento por parte da contribuinte, e que a multa tributária aplicada poria em risco a própria existência do contribuinte, comprometendo seriamente sua atividade econômica, diante do faturamento anula da empresa. Portanto requereu a extinção da multa ou, ao menos, sua redução. No mérito, alegou que o legislador não incluiu os depósitos bancários como base de cálculo e que sua atividade exige adiantamentos para produtor rural e fornecedores, por meio de contratos de mandado mercantil, nos quais nem sempre estas operações se concretizam, por depender das condições climatológicas e outras vicissitudes naturais, podendo gerar a circulação do mesmo recurso, diversas vezes, pela mesma conta corrente. Alertou também para o fato de que “não se considerou a movimentação bancária entre as contas da Contribuinte, em especial, aos saldos iniciais dos créditos advindos dos trimestres anteriores, que fazem parte da sua movimentação financeira e as movimentações do caixa da empresa para a conta bancária”. Questionou a legalidade do lançamento, já que, segundo consta do Termo de Encerramento de Fiscalização, a verificação foi feita por amostragem. Neste sentido, afirmou que “o montante oposto por amostragem no auto de infração, referindose ao valor pretendido pelo Estado que é demasiadamente maior ao agregado ao estabelecimento comercial do recorrente, equipamentos, clientela, marca, mercadorias e projeções de lucro por anos, o que viola diretamente ao princípio da capacidade contributiva, aludido na Constituição Federal art. 145, parágrafo 1º”. Desta forma, apresentou tabelas (proc. fls. 439, 440, 441 e 443) por meio das quais tentou provar as apurações da autoridade fiscalizadora, ao comparar as apurações do lucro real da contribuinte com as margens de lucro apuradas pelo auditor fiscal. Asseverou que após as apurações trimestrais do IRPJ e da CSLL, bem como apurações mensais do PIS e COFINS, constantes das tabelas apresentadas, o montante da carga tributária, apurada por presunção, seria capaz de gerar, em termos de exações fiscais, o montante de R$ 951.751,18. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 445 6 Apresentou demonstrativo de cálculo do IRPJ e CSLL, apurados por arbitramento, e de PIS e COFINS com percentuais nãocumulativos, perfazendo o montante de R$ 634.134,14 que considera devido. Tributos apurados por presunção e Lucro Arbitrado 1º Trimestre 2006 2º Trimestre 2006 3º Trimestre 2006 4º Trimestre 2006 Total PIS 12.026,01 9.417,63 9.717,32 11.386,75 42.601,74 COFINS 55.392,67 43.626,88 44.758,56 52.448,03 196.226,14 IRPJ Lucro Arbitrado 73.098,75 58.368,66 59.078,06 74.631,26 265.176,73 CSLL Lucro Arbitrado 35.594,44 28.065,90 29.285,13 36.284,06 130.129,53 Total Geral 176.111,90 140.433,07 142.839,07 174.750,10 634.134,14 Vale mencionar que afastou a aplicação da multa de ofício. Por fim, requereu a admissão de todos os meios de prova em direito consentidos e realização de diligência, inclusive perícia. Em 21/12/10, a DRJ em Salvador exarou Acórdão afastando as preliminares de nulidade, indeferindo os pedidos de diligência e perícia, e mantendo integralmente os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. (proc. fls. 543 a 553). O colegiado afastou a alegação de nulidade do Auto de Infração, afirmando que não se verificou nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (ato lavrado por pessoa incompetente ou despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa). Quanto à alegação de que houve cerceamento do direito de defesa, a Turma asseverou que o procedimento administrativo de fiscalização, que é inquisitivo e apuratório, não se confunde com o processo administrativo fiscal, que se inicia com a apresentação da Impugnação. No processo administrativo foi carreada à contribuinte oportunidade de se manifestar contra o Auto de Infração lavrado, o que o fez de forma plena em consonância com os princípios do contraditório e da ampla defesa. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. O órgão julgador esclareceu que expressão a “amostragem” constante no Termo de Encerramento e que foi questionada pela Impugnante, significa que seria praticamente impossível, dentro do prazo razoável, apreciar todas as possíveis hipóteses de infração à legislação do IRPJ, tendo em vista sua real e efetiva complexidade. Relatou que, “as ações fiscais, via de regra costumam ser direcionadas em função de programas específicos e evidências preliminares ou iniciais, ficando, entretanto ressalvado o direito da Fazenda Nacional de proceder novas verificações em virtude de outros programas ou fatos supervenientes não observados nesta oportunidade, inclusive no período objeto da presente verificação.” Asseverou que, no caso em análise, foram identificadas receitas não oferecidas à tributação, tendo sido examinados os livros e documentos necessários e suficientes para caracterizálas e quantificálas, não restando qualquer prejuízo quanto à apuração. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 446 7 Já no que concerne à alegação de que foram ofertados prazos exíguos para que a contribuinte justificasse sua escrituração contábil em detrimento de sua movimentação financeira, a Turma alertou que a Impugnante foi intimada para tanto em 21/06/10 e, até a data da lavratura do Auto de Infração em 10/08/10, não se manifestou sobre o perquirido, nem mesmo em sede de Impugnação apresentou comprovação da origem dos depósitos questionados. Com fundamento na Constituição, art. 145, no Código Tributário Nacional, art. 197, inciso II e na Lei Complementar nº 105/01, arts. 1º a 6º, o órgão julgador afirmou que agiu em conformidade com o ordenamento vigente no que concerne à obtenção de informações bancárias da Impugnante. Alertou que não se configura quebra de sigilo bancário, pois esse continua a ser assegurado e observado pelas autoridades fazendárias, configurandose verdadeira transferência de sigilo. Destarte, entendeu válidas as provas obtidas junto às instituições financeiras. Quanto aos pedidos de perícia e diligência, a Turma alegou que a contribuinte pretende produzir provas documentais que ela mesma podia e deveria ter apresentado quando da Impugnação. Ademais, os pedidos foram feitos de forma genérica, o que contraria o disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Desta feita, tais pedidos foram indeferidos. O órgão julgador a quo esclareceu que o arbitramento do lucro é instrumento absolutamente excepcional e que apenas quando não for possível a apuração dos resultados pela sistemática eleita pelo contribuinte o Fisco se vale deste tipo de apuração. No caso em tela, ao analisar a escrituração da empresa, a autoridade fiscalizadora entendeu que havia suporte para manter a sistemática eleita pelo contribuinte. Ressaltou que a constatação de omissão de receita não implica em arbitramento do lucro quando possível a apuração de outra forma. A omissão de receita apurada pela autoridade fazendária poderia ter sido ilidida a qualquer tempo pela Impugnante, a qual não o fez. Alertouse ainda que, “a simples alegação de que haveria operações em que valores eram creditados em conta corrente repetidas vezes, na forma de adiamentos a produtores rurais e fornecedores que, ante a não concretização do negócio, retornariam ao fluxo bancário, não se mostra suficiente para afastar a presunção imputada. Necessário, no caso, a apresentação de prova pontual de cada lançamento bancário, demonstrando que o valor creditado não deveria sofrer incidência de tributos ou já teria sido oferecido à tributação”. Relativamente à multa cominada, o colegiado afirmou que, por ser a atividade administrativa plenamente vinculada, verificada a ocorrência do fato gerador, não há outra alternativa que não seja constituir o crédito com os acréscimos determinados em lei, independentemente da repercussão da exigência no patrimônio do contribuinte. Destarte, verificada a hipótese do art. 44, I da Lei nº 9.430/96, não há qualquer reparo a ser feito. Atinente à tributação reflexa, a DRJ afirmou que “sendo decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos que motivaram o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Fl. 723DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 447 8 Jurídica, aplicase a eles, mutatis mutandis, o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas”. Em 02/06/11, foi interposto Recurso Voluntário (proc. fls. 557 a 577), o qual foi iniciado mediante a alegação de que a Lei nº 9430/96 estabelece de forma inequívoca que, para efeito da determinação da suposta receita omitida, não serão considerados os créditos decorrentes de transferências de outras contas bancárias da própria pessoa jurídica. No entanto, afirmou que tal previsão não fora respeitada, uma vez que todas as movimentações financeiras da empresa se encontravam centralizadas na conta contábil “Caixa”, sendo que não foram considerados os montantes referentes aos contratos de mandado mercantil e nem a movimentação bancária entre as contas da contribuinte. No mais, valeuse dos mesmos argumentos esposados na Impugnação, quais sejam: i) a incerteza e falta de liquidez dos créditos, visto que foram apurados por amostragem, como mencionado no Termo de Encerramento; ii) a impossibilidade de tributação tendo como base de cálculo os depósitos bancário; iii) o montante dos tributos apurados por presunção que entendeu cabível, e iv) a necessidade de arbitramento do lucro frente ao caso concreto. É o relatório. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 448 9 Voto Vencido PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face ao pronunciamento da DRJ em Salvador que manteve os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício no percentual de 75%, relativos ao procedimento de ação fiscal que apurou omissão de receitas. PRELIMINAR DE SOBRESTAMENTO Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Fl. 725DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 449 10 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (nossos grifos) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em trâmite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. No entanto, não é este o entendimento desta Turma. Destarte, passo à análise do Recurso interposto. DO MÉRITO De início, é preciso mencionar que a Recorrente não questionou, em sede de Recurso Voluntário, a possibilidade de expedição de RMF e nem a multa aplicada, motivo pelo qual tais matérias encontramse incontroversas. Em preliminar, a Postulante alegou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que o crédito tributário constituído era incerto e impreciso, tendo em vista que foram apurados por amostragem como mencionado no Termo de Encerramento. Entendo que não assiste razão à contribuinte. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 450 11 De acordo com o Termo de Encerramento, proc. fl. 38, a autoridade fiscalizadora afirmou que o procedimento de fiscalização foi encerrado, “tendo sido verificado, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, onde foram constatadas as irregularidades mencionadas nos Demonstrativos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”. Assim, verificase que em nenhum momento há menção de que os créditos tributários foram apurados por amostragem. A expressão “amostragem” em questão relacionase com a finalidade definida no Mandado de Procedimento Fiscal, ou seja, quer significar que a fiscalização foi realizada tendo em vista o disposto no MPF, de forma que outros procedimentos fiscalizatórios podem ser iniciados em relação a outros fatos, mas referentes ao mesmo período. Tratase, na realidade, de método de fiscalização para apurar irregularidades, não guardando qualquer semelhança com a apuração aproximada ou fiscalização incompleta que acarretaria apuração imprecisa ou indevida. Neste diapasão, vide abaixo recente julgado deste Conselho: NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXAME POR AMOSTRAGEM. Não enseja nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, o exame por amostragem da escrituração e respectiva documentação que a embasou, mormente se a infração e respectivos documentos estão perfeitamente descritos e identificados no processo administrativo fiscal. (CARF, 3ª Turma Especial, acórdão nº 180300.915, julgado em 26/05/11) O lançamento questionado pela Postulante foi realizado tendo como objeto de análise a escrituração da contribuinte, bem como os extratos bancários encaminhados por instituições financeiras nas quais a Recorrente mantinha contascorrentes. No que tange à presunção legal de omissão de receita, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, é de conhecimento de todos que se trata de presunção relativa, podendo ser ilidida a qualquer momento pelo contribuinte. Ocorre que, no caso em tela, a par de todas as oportunidades que foram franqueadas à interessada para carrear aos autos documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos valores questionados, nada foi feito. Nessa esteira, vide ementa de recente acórdão deste Conselho: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo. (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 1402 00.1714, julgado em 17/05/10) Fl. 727DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 451 12 Vale mencionar que, a par da manifestação da Recorrente de que lhe foi ofertado o exíguo prazo de cinco dias para comprovar a origem e tributação dos depósitos bancários, tal intimação ocorreu em 21/06/10 e o Auto de Infração só foi lavrado em 10/08/10. Ou seja, é possível afirmar que durante todo esse lapso temporal, e até mesmo em sede de Impugnação, a Postulante poderia ter apresentado os documentos solicitados, mas quedouse inerte. Quanto à alegação de que a atividade explorada pela Requerente exige adiantamentos para produtores rurais e fornecedores, a mesma sequer juntou aos autos mencionados contratos de mandado mercantil. Sendo à Postulante imputado o ônus da prova, caberia a ela a apresentação de documentos aptos a comprovar a origem dos lançamentos em sua conta corrente. O mesmo raciocínio pode ser utilizado quanto aos valores que a contribuinte alega serem provenientes de transferência de outras contas de sua titularidade. Portanto, não há que se falar em nulidade dos lançamentos realizados, tendo em vista que a interessada não comprovou, por qualquer meio idôneo, a origem dos numerários. Ademais, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, arrola expressamente as hipóteses de nulidade: “Art. 59. São Nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Da análise dos presentes autos, verificase que nenhuma dessas hipóteses se concretizou. Ademais, o Auto de Infração foi lavrado segundo todos os requisitos exigidos nos termos do art. 10 do mesmo diploma normativo supracitado. Portanto, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscalizatório em questão. A Recorrente asseverou que o legislador não incluiu os depósitos bancários como base de cálculo para tributação do IRPJ. De fato não o fez. Ocorre que a autoridade lançadora não tributou os depósitos em si, mas as receitas que ocasionaram tais depósitos e que não tiveram suas origens comprovadas. Como se trata de presunção de omissão de receita, diferentemente do que ocorre nos demais lançamentos em que é obrigação da autoridade fazendária provar a ocorrência do fato gerador, a produção de prova cabe à contribuinte, que não logrando êxito em apresentar documentos que comprovem a origem dos recursos, acaba por permitir que o auditor fiscal lance de ofício os tributos devidos com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 452 13 Quanto à forma de tributação, verificada a omissão de receita, o valor do imposto será determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração, nos termos do art. 288 do RIR/99. No caso em análise, em conformidade com o disposto na DIPJ 2007 (proc. fls. 40 a 70), a Recorrente é optante pela sistemática do Lucro Real. É sabido que o arbitramento do lucro constitui medida excepcional com hipóteses taxativas previstas em lei. Neste panorama, se a autoridade fiscalizadora possui documentação fiscal e contábil da contribuinte, não há de se aplicar tal sistemática. Vale mencionar, que a verificação de omissão de receita não implica em imediato arbitramento. São institutos diversos. Desta feita, entendo correta a apuração do tributo devido com base na escrituração e demais documentos disponíveis às autoridades fiscalizadoras. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para manter os créditos lançados, bem como a multa de ofício no percentual de 75%. Sessão, 11 de setembro de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 453 14 Voto Vencedor Tema: Preliminar de Nulidade Sobrestamento CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO – Redator designado. PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão e redação do voto vencedor na parte em que restou vencida a I. Relatora. Tendo em vista não constar dos autos quaisquer informações acerca das razões de decidir do Conselheiro originalmente designado e que o levaram a REJEITAR o pedido preliminar de sobrestamento presente no recurso voluntário da contribuinte, este Redator ad hoc adotará a posição estampada na ata da sessão em que foi realizado o julgamento para consecução do voto vencedor, consignando, porém, que o faz meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não está vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão, com as quais pode ou não concordar em situações concretas. Pois bem, como se vê no extrato da ata, o Conselheiro discordou da Relatora na parte em que esta entendeu que o julgamento deveria ficar sobrestado, “aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico”. (conforme voto antes estampado). Seguindo linha de pensamento oposta à da relatora, o voto vencedor pugnou por afastar o pedido de sobrestamento, votando, pois, pela continuidade do julgamento. Neste trilho, votou por REJEITAR a preliminar suscitada no recurso voluntário e que requeria o sobrestamento do feito. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2012. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO – Redator designado. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10540.000878/201071 Acórdão n.º 1101000.794 S1C1T1 Fl. 454 15 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 12267.000080/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.531
Decisão: Vistos a analisados os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Impedimento: Adriano Gonzáles Silvério.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram do colegiado: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, THEODORO VICENTE AGOSTINHO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Impedimento: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do colegiado: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, THEODORO VICENTE AGOSTINHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 67 .0 00 08 0/ 20 08 -1 7 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12267.000080/200817 Resolução nº 2301000.531 S2C3T1 Fl. 3 2 Consta em Relatório Fiscal que se trata de crédito tributário decorrente da responsabilidade solidária advinda da execução de contrato de cessão de mão de obra pela empresa prestadora de serviços SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, inscrita no CNPJ: 00.729.160/000176. O crédito tributário referese às competências de 11/1995 a 12/1996. O referido crédito tributário engloba as contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT, bem como as contribuições dos segurados empregados. Salientase que o crédito tributário apurado se baseia no art. 31, da Lei 8.212/91, com redação vigente à época dos fatos geradores. Para o crédito tributário em referência houve a emissão de Decisão Notificação de Procedência do Lançamento de Débito, fls. 53. A empresa entrou com recurso contra a decisão. Foi proferido Acórdão negando provimento ao mesmo, fls. 95/101. Posteriormente o processo foi encaminhado à Procuradoria para inscrição, fls. 108. Importante mencionar que consta despacho da Gerência de Cobrança de Grandes Devedores/RJ da Procuradoria da Previdência Social, datado de 25.06.2001, fls. 111, informando: crédito com exigibilidade suspensa por força de liminar em Mandado de Segurança nº 98.00317171, concedida em 15.12.1998 e que não obstante sentença julgando extinto o processo sem julgamento do mérito em 24.06.1999 foi impetrado outro Mandado de Segurança sob o nº 99.02.297366 que atribuiu efeito suspensivo ao recurso de apelação interposto no mandado de segurança originário, revigorando a liminar antes concedida. Informa ainda que naquela data encontravamse ambos conclusos para sentença. A Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do Mandado de Segurança nº 98.00317171, anulou os processos administrativos a partir das autuações. Interposta impugnação, esta foi conhecida, e provida em parte, pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), no dia 25 de março de 2013, Acórdão nº 1254.082: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Em cumprimento à decisão judicial que determinou a verificação de recolhimento pela prestadora de serviços, em se constatando que não é possível estabelecer o vínculo entre os recolhimentos efetuados pela empresa prestadora e que não houve recolhimentos compatíveis com a massa salarial em RAIS da prestadora, mantémse o lançamento por responsabilidade solidária. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12267.000080/200817 Resolução nº 2301000.531 S2C3T1 Fl. 4 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Os contribuintes COSAN COMBUSTÍVEIS E ESPECIALIDADES S/A e SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA foram cientificados do acórdão nº 1254.082, de 25/03/2013, em 11/04/2013 (fls. 319/322), e apresentaram Recurso Voluntário (fls. 326/331 e 346/393) em 10/05/2013. Do Recurso Voluntário da Cosan Combustíveis e Especialidades S/A: A recorrente ressalta que a eventual divida existente já é objeto de cobrança do Fisco junto à própria prestadora de serviços, ademais, poderia o mesmo debito fiscal estar sendo cobrado em duplicidade, em flagrante ilegalidade, haja vista que a presente autuação é referente ao período de novembro/1995 até dezembro/1996. Reitera o pedido no sentido de que seja declarado o cancelamento de plano da NFLD, em caso de impossibilidade, requer que seja anulada a decisão proferida, sendo determinado que a Autoridade Fiscal proceda à aferição direta junto à prestadora dos serviços , real contribuinte, sobre a efetivação do pagamento das cotas previdenciárias relacionadas às notas fiscais de prestação de serviço objeto ainda em cobrança no presente processo. Do Recurso Voluntário da SPOT Representações e Serviços LTDA : Em preliminar, alega ser o auto de infração nulo, pois, não foi devidamente intimada a impugnar o auto de infração, mas somente a manifestarse acerca da diligencia realizada, contrariando o previsto no Decreto nº 70.235/72, bem como os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da legalidade. Aponta a decadência integral do crédito tributário lançado. Diz jamais ter sido intimada do lançamento de oficio formalizado contra a tomadora de serviços, de maneira que expirado o prazo para que seja promovida a constituição do crédito contra si. Com isso requer a declaração da decadência conforme previsto no art. 150, §4º do CTN. No mérito requer que seja desconstituindo o débito em face do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas em face aos funcionários que trabalharam na COSAN entre 11/95 a 12/96, conforme comprovantes em anexo [fls. 360 a 393]; É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12267.000080/200817 Resolução nº 2301000.531 S2C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, sua resolução, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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