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Numero do processo: 10070.002006/99-28
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – O termo inicial para apresentação do pedido de restituição de valores retidos a título de imposto de renda na fonte por ocasião de quitação de verba indenizatória auferida em Programa de Demissão Voluntária conta-se a partir da data em que foi reconhecida a não incidência de tributação sobre tais verbas.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.530
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. A Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo acompanhou o Conselheiro Relator pelas suas conclusões.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: José Ribamar Barros Penha
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – O termo inicial para apresentação do pedido de restituição de valores retidos a título de imposto de renda na fonte por ocasião de quitação de verba indenizatória auferida em Programa de Demissão Voluntária conta-se a partir da data em que foi reconhecida a não incidência de tributação sobre tais verbas. Recurso especial negado
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Numero do processo: 12689.000437/00-69
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 25/01/1995, 06/04/1995, 19/05/1995, 22/06/1995, 28/07/1995, 04/08/1995, 23/11/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO. PRECLUSÃO.
Não se configurando um dos casos previstos no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, não pode ser conhecido novo recurso oferecido pela contribuinte quando outro recurso já foi anteriormente apresentado, em razão de preclusão consumativa e temporal.
DRAWBACK. ALTERAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSTANTES DO RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO. PRAZO.
A lei faculta à contribuinte a correção de informações contidas no Relatório de Comprovação de Drawback no prazo de 30 dias contados a partir da data limite de exportação contida no Ato Concessório. Após o início da ação fiscal, a contribuinte não goza mais de espontaneidade para fins de proceder alterações nos registro de exportação de regime de drawback.
COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO
Somente serão aceitos para comprovação do regime Drawback Registros de Exportação em nome da pessoa jurídica constante do Ato Concessório, devidamente vinculados a apenas um ato concessório, que contenham a informação de que se referem a uma operação de Drawback (código 81.101) e devidamente efetivados no sistema SISCOMEX.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres- Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente COMPANHIA QUÍMICA METACRIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 25/01/1995, 06/04/1995, 19/05/1995, 22/06/1995, 28/07/1995, 04/08/1995, 23/11/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO. PRECLUSÃO. Não se configurando um dos casos previstos no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, não pode ser conhecido novo recurso oferecido pela contribuinte quando outro recurso já foi anteriormente apresentado, em razão de preclusão consumativa e temporal. DRAWBACK. ALTERAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSTANTES DO RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO. PRAZO. A lei faculta à contribuinte a correção de informações contidas no Relatório de Comprovação de Drawback no prazo de 30 dias contados a partir da data limite de exportação contida no Ato Concessório. Após o início da ação fiscal, a contribuinte não goza mais de espontaneidade para fins de proceder alterações nos registro de exportação de regime de drawback. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO Somente serão aceitos para comprovação do regime Drawback Registros de Exportação em nome da pessoa jurídica constante do Ato Concessório, devidamente vinculados a apenas um ato concessório, que contenham a informação de que se referem a uma operação de Drawback (código 81.101) e devidamente efetivados no sistema SISCOMEX. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 04 37 /0 0- 69 Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados em 27/04/2000 (ciência 28/04/2000), para exigência de II e IPI vinculado, bem como acréscimos legais, no valor total de R$ 601.070,20, referentes às importações efetuadas por meio das DI arroladas naquela peça de autuação. A exigência baseouse no fato de a contribuinte ter perdido o direito ao benefício do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, pelo não cumprimento das obrigações assumidas nos Atos Concessórios n.º 695/0042, 694/0152, 6 95/0441, 695/0506 e 695/1383, conforme informação de fls. 03 e 10 e xerocópias de documentos, às fls. 11/416. Em ação fiscal realizada na empresa COMPANHIA QUÍMICA METACRIL, a Fiscalização da Alfândega do Porto de Salvador/BA examinou as operações de importação cujas Declarações de Importação foram processadas com suspensão do pagamento dos tributos, sob o amparo do regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão. Consta do Relatório de Fiscalização (fls.14/39): “Nos Anexos de Exportação dos Relatórios de Comprovação consta o seguinte aviso aposto pela SECEX : "Análise com base na declaração de que trata o Artigo 2o. da Portaria SECEX No. 07 de 27.04.93 O artigo 2º da Portaria SECEX No. 07 de 27.04.93 tem a seguinte redação: "Quando, por circunstâncias técnicas ou operacionais de uso do SISCOMEX for necessária a comprovação documental, e na impossibilidade de obtenção do Comprovante de Exportação, poderá apresentar declaração, sob as penas da lei às agências bancárias onde o mesmo se encontra autorizada a conduzir operações de Drawback,... " Com base no disposto acima, a empresa beneficiária apresentou apresentou mera declaração informando que os produtos discriminados nos anexos do Relatório de Comprovação foram exportados, sem apresentar o Comprovante de Exportação (...).” Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.536 3 A partir daí, foi realizada auditoria in loco na empresa, com vistas a verificar a efetiva correlação entre as informações prestadas pela beneficiária ao SECEX e os documentos fiscais e comerciais arquivados na empresa, tendose verificado as seguintes infrações: 1. Registro de Exportação não efetivados ou não pertencentes ao exportador: A beneficiária, no Relatório de Comprovação, declarou ter efetuado as seguintes exportações: AC RE DATA 695/0042 95/04008180001 11/06/95 695/0042 95/0464166001 23/06/95 695/0152 96/0020596001 10/01/96 Por meio de consultas ao Sistema de Comércio Exterior — SISCOMEX, verificouse que os Registro de Exportação (RE) não foram efetivados ou não pertenciam ao importador, tendo sido considerados imprestáveis para a comprovação dos Atos Concessórios ao qual estavam associados. 2 – Não enquadramento no SISCOMEX das exportações efetuadas na operação própria de drawback. Verificouse a existência de exportações efetuadas através dos respectivos RE, preenchidos pelo próprio exportador, enquadradas como “exportação normal” (código 80.000) ou “SGP – Sistema Geral de Preferências (Código 80.116), sendo que o código de enquadramento da operação para o regime aduaneiro especial de drawback suspensão comum é o 81.101. Assim, foram desconsiderados os RE consignados com os códigos 80.000 e 80.116 para fins de comprovação do Ato Concessório de drawback (relação constante no Anexo I – fl. 40), visto que somente as exportações enquadradas no código 81.101 podem ser consideradas para tais fins. 3 Falta de averbação no documento de exportação Constatouse que haviam RE utilizados pela contribuinte, para comprovar o drawback, onde não constava o respectivo número do Ato Concessório a que se relacionava. Foram, então, desconsiderados como prova do cumprimento das exportações pactuadas nos Atos Concessórios, por não atenderem ao requisito previsto na norma legal (art. 325 do Regulamento Aduaneiro/85) 4 Registros de Exportação utilizados para comprovação de exportação de dois Atos Concessórios Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Afirmou a autoridade fiscal que, como regra geral, o RE deve estar vinculado a um só Ato Concessório, sendo excepcionada tal situação apenas nos seguintes casos: a) exportação de um produto, por um industrial exportador detentor de um Ato Concessório, em cuja industrialização foram utilizados produtos importados diretamente e produtos fornecidos por um fabricante intermediário, detentor de outro Ato Concessórios (itens 12.2 e 12.3 da Consolidação das Normas do Regime de Drawback – CND, instituída pelo Comunicado DECEX nº. 21/97); e b) Insumos diferentes, importados ao amparo de Atos Concessórios distintos e utilizados na industrialização de um mesmo produto (Art. 30 da Portaria DECEX nº. 24/92). Constatouse a utilização de Registro de Exportação em dois Atos Concessórios distintos, conforme relação do Anexo 3 (fls. 42/43), sem que a empresa se enquadrasse nas exceções acima postas. Após a apuração dos referidos fatos, a fiscalização lavrou os autos de infração, exigindo da contribuinte os tributos suspensos nas importações amparadas pelos referidos atos concessórios de drawback (II e IPI), acrescidos das multas de ofício e dos juros de mora. Inconformada com a autuação, em 29/05/2000 a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 388/395), alegando, em síntese: tece extensos comentários sobre a origem do drawback e seus objetivos; que as comprovações das exportações se deram nos prazos estabelecidos pela antiga CACEX, atual DECEX, ou por ela prorrogados; que a finalidade do drawback foi cumprida, pois as exportações foram realizadas, gerando as divisas esperadas pelo país, razoa pela qual fica caracterizada a improcedência da autuação; que, consoante o disposto nas infrações tipificadas pela Fiscalização, temse que todos os Registros de Exportação (RE) foram devidamente averbados no Siscomex, bem como foram corrigidos os respectivos códigos de identificação para 81.101, comprovando, de forma cabal, a vinculação das exportações com os seus respectivos Atos Concessórios; que o cumprimento do Ato Concessório 695/0506 está parcialmente comprovado, restando, ainda, cerca de 129.978 toneladas de produto a nacionalizar. Afirma que o Imposto de Importação devido está sendo recolhido naquela data, e que a guia de recolhimento será oportunamente juntada, requerendo “a sua posterior homologação desta parcela já recolhida”. Ao final, requereu que a autuação fiscal fosse julgada parcialmente procedente, com a homologação da parcela já recolhida. Em 15/06/2000, a autuada apresentou xerocópias dos DARF pagos, nos valores de R$ 5.092,88 e R$ 43.124,34 (fls. 401/402), referentes ao pagamento de tributos e acréscimos legais, para homologação posterior. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.537 5 A DRJSalvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento fiscal efetuado (fls. 409/414), nos termos da ementa transcrita adiante: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 25/01/1995, 06/04/1995, 19/05/1995, 22/06/1995, 28/07/1995, 04/08/1995, 23/11/1995 Ementa: COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime drawback registros de exportação devidamente vinculados a apenas um ato concessório, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de drawback . REGISTROS DE EXPORTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Não serão considerados para efeito de comprovação de drawback os registros de exportação utilizados na comprovação de dois atos concessórios distintos. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO NÃO EFETIVADO NO SISCOMEX. Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver efetivado no SISCOMEX, e, para registros de exportações não efetivados, não há como se proceder ao despacho de exportação, não se considerando a mercadoria como exportada. EXPORTADOR CONSTANTE DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. As mercadorias exportadas por pessoa jurídica diferente daquela constante do ato concessório como beneficiária do regime de drawback suspensão não serão consideradas para efeito de comprovação do drawback. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 02/08/1995 Ementa: COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime drawback registros de exportação devidamente vinculados a apenas um ato concessório, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de drawback . REGISTROS DE EXPORTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Não serão considerados para efeito de comprovação de drawback os registros de exportação utilizados na comprovação de dois atos concessórios distintos. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO NÃO EFETIVADO NO SISCOMEX. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver efetivado no SISCOMEX, e, para registros de exportações não efetivados, não há como se proceder ao despacho de exportação, não se considerando a mercadoria como exportada. EXPORTADOR CONSTANTE DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. As mercadorias exportadas por pessoa jurídica diferente daquela constante do ato concessório como beneficiária do regime de drawback suspensão não serão consideradas para efeito de comprovação do drawback. LANÇAMENTO PROCEDENTE” Naquele julgamento, determinou o Delegado da Receita Federal de Julgamento que, na execução do julgado, fossem observados os valores recolhidos pela contribuinte a título de II e de IPI. Irresignada com a decisão proferida, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.421/424v.II), aduzindo, em suma: que o objetivo do drawback – que é a criação de um saldo favorável de divisas para o país – foi amplamente superado, levandose em conta todas as exportações realizadas; que todos os Registros de Exportação foram devidamente averbados no Siscomex, bem como os respectivos códigos de identificação foram corrigidos para 81.101, concernente a importação com suspensão de imposto, comprovando, de forma cabal, a vinculação das exportações com os seus respectivos Atos Concessórios. Junta jurisprudência do Conselho de Contribuintes referentes à classificação tarifária; e que o Ato Concessório nº. 695/0506 foi parcialmente cumprido, restando ainda cerca de 129.978 toneladas de produto a nacionalizar, cujo Imposto de Importação já foi recolhido e homologado na decisão a quo. Ao final, requereu fosse a autuação julgada parcialmente improcedente, com a homologação da parcela já recolhida. Em 05 de novembro de 2003, por meio da Resolução nº. 3011.257 (fls. 474/478), a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência (primeira diligência), para que, diante das informações prestadas às fls. 431/434, fosse verificado se teria havido a comprovação do cumprimento dos Atos Concessórios. Às fls. 482/484 (v. II), a Alfândega do Porto de Salvador corroborou os termos do Auto de Infração, alegando que a análise dos RE já havia sido feita pela Fiscalização, de acordo com a legislação em vigor, e afirmou que: a legislação em vigor determina sejam atendidos vários requisitos para que os Registros de Exportação (RE) apresentados pela empresa sejam aceitos para fins de comprovação do regime de drawback; que existem campos próprios no RE para que o contribuinte informe o número do Ato Concessório (AC) que aquela exportação está comprovando, quais sejam, os Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.538 7 campos 2f e 24, e que os RE fazem prova somente em relação aos AC que forem consignados em tais campos; que as alterações efetuadas pela contribuinte não podem ser consideradas, pois se deram após o término do prazo legal. Afirmou que, conforme estabelece o art. 32 da Portaria SECEX n° 4/97, assim como também o art. 36 da Portaria DEEX 24/92, o contribuinte tem o prazo de até trinta dias, contados a partir da datalimite para exportação fixada no Ato Concessório, para apresentação do Relatório de Comprovação, apresentando os saldos de importações e exportações ainda não comprovados. Passado tal prazo, dáse a preclusão, de forma que qualquer contestação deveria ter sido realizada dentro desse prazo de até 30 dias após a data limite para exportação; que, se assim não o fosse, estaríamos diante de uma situação modificável ad eternum, permitindo que, a cada fiscalização, o beneficiário pudesse alterar a vinculação do RE ao Ato Concessório, visando corrigir as irregularidades apuradas em Auto de Infração; que não tem procedência qualquer alegação que atribua ao SISCOMEX óbices para o registro de mais de um Ato Concessório num RE, uma vez que o campo 24 do RE permite a informação de vários Atos Concessórios; e que o contribuinte agiu com negligência quando não se valeu dos trinta dias previstos na norma para promover os ajustes necessários para a comprovação das exportações, bem como agiu com displicência no controle do beneficio do drawback, vinculando os Atos Concessórios aos RE de forma aleatória. Tendo sido encaminhados os autos ao Terceiro Conselho de Contribuintes, em 03/08/2005 a contribuinte requereu a juntada nos autos de substabelecimento, bem como apresentou novas razões de defesa (fls. 494/514v.III), alegando encontrarse amparada pelos princípios da verdade material, da instrumentalidade e da informalidade do processo administrativo. Afirmou que, com isso, trazia ao conhecimento da Câmara fatos ainda não noticiados e esclarecia fatos já admitidos, mas que assim o foram sem a devida profundidade. Alegou tratarse de matéria de ordem pública, o que impunha ser conhecida a qualquer tempo. Naquele instrumento, aduziu, em síntese: que o processo foi baixado em diligência, tendo sido ouvida somente a Alfândega do Porto de Salvador, sem que lhe tivesse sido oportunizado manifestar suas contrarrazões, razão pela qual alegou o cerceamento do direito de defesa suscitou, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração em razão de, no seu entender, haver na autuação assertivas e demonstrativos confusos e de difícil entendimento, o que prejudicaria a sua compreensão. Aduziu que inexatidões dos demonstrativos e dos critérios do agente autuante maculariam seu direito ao contraditório e ampla defesa, pois caracterizariam a ausência de requisitos essenciais e legais de validade do ato administrativo; suscitou, ainda, nulidade da decisão de primeira instância, pois esta não teria examinado os equívocos que “estão apontados na presente peça recursal”. No mérito, alegou, em suma: Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 que a infração apontada no item 3.1 da autuação é inexistente, pois respaldada em fatos inverídicos. Afirma que os RE ali indicados não pertencem à autuada e não serviram para comprovar qualquer Ato Concessório da empresa Metacril, mas sim de outra empresa do mesmo grupo. Entretanto, os impostos exigidos nesta infração foram recolhidos através dos DARF constantes às fls. 401/402; que todos os RE relacionados na infração 3.2 do Relatório Fiscal do Auto de Infração estão expressamente vinculados aos seus respectivos Atos Concessórios, por meio da informação consignada no campo 24, tendo faltado, apenas, o código correto da exportação, relativa a drawback; que em relação à infração 3.3, a afirmação da fiscalização é genérica e dúbia, sem determinar com precisão os fatos. Afirma que no campo 24 dos RE estão devidamente informados os Atos Concessórios a que se vinculam, reiterandose a argumentação anterior. Alega que os documentos acostados pelo autuante “pulam” do campo 23 para o campo 26, “saltando” os campos 24 e 25, onde se encontram as averbações exigidas pelo art. 325 do Regulamento Aduaneiro; que, em relação à infração 3.4, as afirmações do autuante procedem apenas em parte. Afirma que, por falha de controle interno das comprovações de drawback, “justificada pela grande quantidade de Atos Concessórios e exportações sob a responsabilidade de sua administração central”, inadvertidamente apresentou alguns RE para comprovação de mais de um AC. Porém, tão logo detectada a falha, ainda sob fiscalização in loco, reportou tal fato ao autante, que calculou informalmente o tributo a ser pago, o qual foi recolhido aos cofres públicos, por meio de DARF, cuja cópia foi juntada ao recurso voluntário, às fls. 401 e 402. Afirmou entretanto, que, após minucioso exame, verificou que grande parte do referidos RE enquadrase perfeitamente na regra do art 30 da Portaria DECEX nº 24/92, por se tratar de produto final em cujo processo industrial foram utilizadas mais de uma matéria prima incentivada pelo drawback, mediante emissão de mais de um Ato Concessório. que não há outra falha nos documentos senão o código da operação, que é uma falha de natureza secundária, sem substancialidade suficiente para invalidar o incentivo do drawback, tendo sido assinalado o código 80.000 ao invés de 81.101. Diz que a natureza da falha é secundária, meramente formal, e que tão logo tomou ciência do lapso cometido, procedeu à correção dos códigos em todos os RE que se encontravam nessa situação que os incentivos fiscais do drawback decorem de exportações que são operações de procedimentos complexos e que exigem atendimento a diversos requisitos, dentre os quais o código do RE é apenas mais uma obrigação meramente escritural, de forma que a aposição de outro código não deve ter o condão, por si só, de invalidar toda a operação; que, desde a origem, a tipificação da operação como sendo drawback está nitidamente informada no campo 24, com vinculação específica do AC a que se refere, não se justificando qualquer argüição de desconhecimento por parte da Fiscalização, ou de omissão intencional da autuada com o fim de obter vantagem; que é insustentável a alegação de que tais modificações são inválidas por terem sido processadas após o começo da Fiscalização, pois não teria como corrigir os códigos antes do início da fiscalização, visto não terem sido apontados pela Receita Federal no ato da exportação e que todas estavam devidamente vinculadas aos seus respectivos atos concessórios no campo 24; e Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.539 9 que “o RE 96/0489094001 constante do Anexo I do Auto de Infração também consta da Infração 3.3, caracterizando o defeso bis in idem, uma vez que compôs o cálculo do Imposto de Importação sobre as duas infrações, isto é, o mesmo fato está duplamente autuado pelo AFTN” Ao final, requereu fosse declarada a nulidade do Auto de Infração. Não sendo acatada tal preliminar, fosse dado provimento ao recurso, sendo julgado improcedente o lançamento. Em razão da juntada de novos documentos, foi ouvida a Fazenda Nacional, (fls. 1.690/1.694vol.VI), que se manifestou no sentido de que os novos documentos foram juntados pela interessada já em fase de julgamento do recurso, tendo havido, portanto, preclusão. Afirmou que, ao caso, incidia a proibição disposta no art. 16 do Decreto 11 9 70.235/72, vez que a contribuinte não demonstrou nenhuma razão excepcional que justificasse a juntada de novos documentos após a fase de impugnação. Em sessão de 04 de dezembro de 2007, por meio da Resolução nº30101.913, o julgamento foi novamente convertido em diligência (segunda diligência), para que a Alfândega do Porto de Salvador se pronunciasse sobre os novos documentos apresentados pela interessada e esclarecesse outras questões (fls. 1.697/1.702). Às fl. 1.704, a autoridade fiscal assim se manifestou: Em atendimento a Resolução n°301.01.913, prestamos as seguintes informações: • Manifestese acerca da veracidade das informações de que o contribuinte cumpriu corretamente o compromisso pactuado em ato concessório; Conforme já anteriormente manifestado, a fiscalização considerou inadimplido o compromisso pactuado pelas razões já expostas no Relatório de Fiscalização (11s. 14 a 39) e na resposta referente ao cumprimento de diligência realizada em 12/07/2004 (fls. 482 a 484), nada havendo a ser modificado. • Informe se há procedência nas alegações do contribuinte de que houve a efetiva vinculação de todos os RE'S aos seus respectivos Atos Concessários; A vinculação dos RE's aos seus Atos Concessórios, alegado pelo contribuinte, aconteceu depois do término da fiscalização realizada, o que pode ser comprovado pelas telas impressas época pela fiscalização para o Ato 695/0042 (fls. 82 a 131), para o Ato 695/0152 (fls.166 a 206), para o Ato 695/0441 (fls. 236 a 245), para o Ato 695/0506 (fls. 315 a 350) e para o Ato 695/1383 (fls. 366 a 384). Nestas telas verificase que os Registros de Exportação não estão vinculados. A vinculação que o contribuinte se refere foi registrada no Siscomex após o término da fiscalização, quando o prazo para efetuar tal correção já estava expirado. • Verifique se houve a correção dos respectivos códigos de drawback, como consta nos documentos juntados a partir da fl. 515. As cópias das telas dos RE juntados a partir da fl. 515 são as mesmas cópias já juntadas anteriormente no processo pelo contribuinte, não havendo nada de novo que modifique a manifestação da fiscalização datada de 12/07/2004 (fls. 482 a 484). Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Em sessão de 8 de abril de 2011, por meio da Resolução nº 3202000.027, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF novamente converteu o julgamento em diligência(terceira diligência), para que fosse dado ciência, ao contribuinte, daquela mesma Resolução, bem como da Resolução 30101.913 (referente à segunda diligência) e do resultado da diligência demandada por essa resolução. Findo o prazo legal de 30 dias para pronunciamento da interessada, em 07/06/2012, a recorrente não apresentou qualquer manifestação, o que só veio a fazer em julho/2012 (fls.2.530/2.534). Após, retornaram os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Logo de plano, deixo de conhecer do segundo recurso apresentado pela contribuinte (fls. 491/514) e tratoo como simples memorial, por subverter totalmente as normas do processo que, como todos conhecem, é um caminhar para frente. Se as partes pudessem apresentar um recurso e, posteriormente, entendendo que este não ficou a contento, apresentasse outro, as contendas não teriam fim. Daí o acerto do legislador em criar o instituto da preclusão – lógica, temporal e consumativa – sendo que, no caso, poderseia aplicar tanto a preclusão consumativa, pela qual não se admite a repetição da prática de atos já validamente praticados, visto que, com a apresentação do primeiro recurso, a reclamante exauriu sua faculdade de recorrer, quanto a preclusão temporal, vez que transcorrido o prazo legal para oferecimento de recurso. Se, conforme afirmou a querelante, as questões trazidas no primeiro recurso não foram abordadas com a devida profundidade, nada mais havia a ser feito. De outro lado, não se alegue que houve prejuízo à defesa quando não se abriu prazo para a parte contraditar a primeira diligência, pois, no caso, o trabalho fiscal não trouxe qualquer elemento ou informação nova aos autos, limitandose tãosomente a corroborar os dados constantes do auto de infração. Já a segunda peça de defesa trazida aos autos, após a primeira diligência, não trata, simplesmente, de apreciar as conclusões da diligência efetuada, mas revolve toda a matéria, consubstanciandose, na verdade, em um novo recurso, o qual contesta, inclusive, a decisão de primeira instância, trazendo um número infindável de documentos que poderiam ter sido juntados quando do oferecimento da impugnação ou da interposição do primeiro recurso. Aliás, a segunda diligência deuse, exatamente, para que a autoridade preparadora verificasse a documentação trazida em sede de memorial, tendose observado que se tratava da mesma documentação que já constava dos autos, não tendo sido trazido qualquer fato novo. Não se trata, pois, daquelas questões excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, tampouco daquelas que podem ser alegadas a qualquer tempo, a exemplo da decadência. Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.540 11 Da mesma forma, não conheço da manifestação da recorrente, às fls.2.530/2.534, por ser extemporânea e por não se ater a pronunciarse tãosomente sobre resultado da segunda diligência. Feitas essas considerações, passo direto ao mérito do primeiro recurso. O recurso originário (fls.421/424v.II) versa sobre Autos de infração lavrados objetivando a cobrança do Imposto de Importação e do IPI vinculado, bem como acréscimos legais, decorrentes de descumprimento do regime de drawback, na modalidade suspensão. A autoridade fiscal apurou as seguintes irregularidades: a) Os RE nº. 95/0408180001, 95/0464166001, relativos ao Ato Concessório nº. 695/0042, e RE nº. 96/0020596001, relativo ao Ato Concessório nº. 695/0152, não foram efetivados no sistema SISCOMEX ou não pertencem ao importador. b) os RE constantes do Anexo 1, fl. 40, não foram enquadrados como sendo parte de uma operação de drawback, mas sim como uma operação normal. c) os RE constantes do Anexo 2, fl. 41, não foram vinculados aos respectivos Atos Concessórios que tentam comprovar, em desrespeito ao disposto no art. 325 do Regulamento Aduaneiro, que determina que a utilização do benefício de drawback deve ser averbada no documento comprobatório de exportação.e d) Os RE constantes do Anexo 3, fls. 42/43, foram utilizados na comprovação de dois atos concessórios distintos. Os Registros de Exportação, constantes dos Anexos 4 e 5 do Relatório de Fiscalização (fls. 44/45) foram glosados pelo Fisco, sendo considerados inaceitáveis na comprovação dos compromissos assumidos nos Atos Concessórios n.º 695/0042, 694/0152, 694/0441, 694/0506 e 694/1383, por não terem sido vinculados aos respectivos atos concessórios que tentam comprovar, não ter sido feito o devido enquadramento das operações como sendo parte de uma operação de drawback, mas sim no código de operação 8000, relativo a exportação normal, bem como alguns deles terem sido utilizados na comprovação de dois atos concessórios distintos. A empresa defendese com o argumento de que foram efetuadas correções nos referidos RE, enquadrando a operação de exportação no código correto, como sendo um drawback; alega, ainda, que foi efetuada a correta vinculação de cada exportação a um determinado Ato Concessório. Apresenta as planilhas de fls. 433/434, onde lista as exportações realizadas e as correlaciona aos respectivos Atos Concessórios por número de RE, data de embarque, quantidade de produto, valor e identificação de mercadorias. Ocorre que as correções efetuadas pela recorrente foram efetuadas após a averbação dos referidos RE no sistema SISCOMEX, bem como após o início do procedimento fiscal. Iniciado o procedimento fiscal a contribuinte perde o seu direito à espontaneidade, de acordo com o disposto no art. 7º, inciso I e parágrafo 1º do Decreto nº 70.235/72: Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (. . .) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Desta forma, as correções efetuadas pela recorrente, após o inicio da ação fiscal, quando não mais gozava de espontaneidade, não têm o condão de relevar as irregularidades constatadas, as quais acarretaram prejuízo no controle do regime especial do drawback. O art. 32 da Portaria SECEX nº 04/97, bem como o art. 36 da Portaria DECEX nº 24/92, como bem frisado pela autoridade fiscal diligenciadora, estabelecem o prazo de 30 dias, contados da data limite para exportação, fixada no ato concessório de drawback, para que a contribuinte apresente Relatório de Comprovação de drawback, no qual deve constar o saldo das importações e exportações comprovadas e, no caso das não comprovadas, os insumos correspondentes a tais mercadorias. Portaria SECEX nº. 04, de 11/06/1997 Art.32 – Na modalidade suspensão, a empresa beneficiária de Ato Concessório de Drawback deverá comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime: I ) Até o décimo dia de cada mês, mediante apresentação de formulário próprio, consignando as importações e exportações efetivadas no mês anterior. II) No prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da data limite para exportação, estabelecida no Ato Concessório de Drawback, mediante apresentação de formulário próprio, consignando os saldos de importações e exportações ainda não comprovados. A legislação permite à contribuinte a alteração das condições iniciais constantes do Ato Concessório por meio de Aditivos, que devem ser solicitados dentro do prazo de validade do regime, o que, no caso em concreto, não ocorreu. Uma segunda hipótese de correção de informações e condições constantes no Ato Concessório é concedida à contribuinte, desde que os ajustes no Relatório de Comprovação sejam feitos até 30 dias após a datalimite de exportação. Mais uma vez a contribuinte não fez qualquer alteração no relatório de comprovação no prazo estabelecido pela lei. Verificase, pois, que a recorrente, desrespeitando os prazos legais, tenta fazer modificações posteriores de forma a comprovar, de maneira equivocada, que cumpriu as condições estabelecidas nos atos concessórios de drawback aqui em análise. O legislador é claro e preciso ao estabelecer prazo para tais alterações, pois, como bem alertou o fiscal diligenciador, caso fossem permitidas alterações sem prazo pré determinado, haveria a possibilidade de a contribuinte alterar informações para corrigir irregularidades apontadas pelo Fisco a cada ação fiscal que ocorresse, o que inviabilizaria qualquer controle fiscal acerca do regime. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.541 13 Desta forma, as alterações efetivadas pela recorrente, fora do prazo estabelecido na lei e após o inicio da ação fiscal, não podem ser consideradas para se concluir pelo adimplemento do regime de drawback e a improcedência do lançamento. Observese que as mercadorias foram desembaraçadas como sendo uma exportação comum (código 80000) e não como pertencente a uma operação de drawback (código 81101). Tal irregularidade impossibilitou a fiscalização de efetivar os controles pertinentes a uma operação de drawback, como, por exemplo, vincular a exportação ao Ato Concessório ao qual é pertinente, o que possibilitaria a utilização do mesmo RE para comprovação de cumprimento de Atos Concessórios distintos, como bem frisou a autoridade fiscal diligenciadora às fls. 482/483. Esta é uma determinação legal prevista no art. 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/1985, vigente à época dos fatos, o qual estabelece que a utilização do benefício drawback deverá ser anotada no documento comprobatório da exportação. O documento comprobatório da exportação não é outro senão o Registro de Exportação, conforme preceitua o art. 440 do Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pelo Decreto n.º. 661/1992. No mesmo esteio, o art. 34, inciso II da Portaria DECEX n.º 24, de 26 de agosto de 1992, prevê como documento comprobatório de exportação vinculada a operação de drawback a “V” via da Declaração de Exportação, averbada, bem como a anotação deste beneficio na citada DE. Com o advento do SISCOMEX exportação, a DE foi substituída pelo Registro de Exportação (RE), passando este a ser o documento comprobatório de registro de exportação vinculada a operação de drawback. Todavia, resta claro que, de acordo com o disposto na citada Portaria DECEX e no art. 325 do RA, deve ser consignado no citado RE que se trata de operação de drawback (código 81.101), bem como a informação precisa vincular a operação de exportação ao Ato Concessório ao qual se refere. No mesmo sentido estabelece a Portaria SECEX nº. 04/97: Art. 35 – São documentos hábeis para a comprovação de operações vinculadas ao Regime de Drawback: I) Declaração de Importação (DI); II) Comprovante de Importação, devidamente autenticado pela Secretaria da Receita Federal (SRF), acompanhado do extrato da Declaração de Importação e Adições; III) Comprovante de Exportação, devidamente autenticado pela Secretaria da Receita Federal (SRF), acompanhado do extrato do Registro de Exportação (RE) contendo as informações referentes à averbação do embarque; IV) Nota Fiscal de venda, nos casos previstos nos arts. 27, 29, 30 e 34 desta Portaria, acompanhada de cópia do Comprovante de Exportação previsto no inciso III deste artigo, fornecida pela empresa exportadora, quando couber. Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. Inexistindo relação discriminando expressamente nos RE a relação entre as exportações e os respectivos atos concessórios, não se pode comprovar que os bens importados sob o regime de drawback foram efetivamente utilizados na produção dos bens exportados. Por conseguinte, não há como afirmar que a recorrente cumpriu o compromisso assumido no ato concessório. Desacompanhada da prova de exportação, que representa o adimplemento do compromisso assumido pelo contribuinte no ato concessório do regime de drawback, as importações realizadas restam descaracterizadas como amparadas pelo regime aduaneiro especial de drawback, ficando, portanto, sujeitas ao pagamento dos tributos suspensos. O objetivo do regime aduaneiro especial de drawback é incentivar a exportação, de tal sorte que o legislador desonera o produtorexportador dos encargos financeiros fiscais devidos em uma importação comum (II e IPI vinculado), desde que os materiais importados sejam empregados na fabricação de produtos nacionais a serem exportados. Tal procedimento garante ao exportador nacional condições de competitividade no mercado internacional. De toda sorte, é preciso ter sempre em mente que o objetivo primordial do regime de drawback é promover a exportação de produtos de fabricação nacional. Daí a necessidade da vinculação entre exportação e importação. A inexistência desta vinculação impede o efetivo controle por parte do Fisco, de que os bens importados sob amparo do regime de drawback foram efetivamente empregados em bens destinados à exportação. A conseqüência da ineficácia de tais controles é que bens de procedência estrangeira ingressados no país sob o regime de drawback, por conseqüência, sem o pagamento dos tributos incidentes na importação, podem ser destinados ao mercado interno, concorrendo de maneira desigual com a indústria nacional, contribuindo para a desestruturação do parque industrial nacional, o que representa o oposto dos interesses governamentais que levaram à concessão do beneficio do drawback. Vale fazer aqui a observação de que os acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes citados pela recorrente dizem respeito à classificação fiscal da mercadoria exportada e não ao enquadramento da operação de exportação como sendo exportação comum e não vinculada ao regime de drawback. Desta forma, não se prestam como paradigma ao caso em concreto, pois traduzem situações distintas, que não se confundem, em absoluto. Neste ponto, adoto como razões de decidir o voto proferido pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, nos autos do processo nº. 10074.001046/200559, que, com a costumeira competência, bem enfrentou a matéria. Assim, com as devidas homenagens, passo a transcrever os argumentos do ilustre Conselheiro: “Da comprovação da efetiva exportação Como visto a legislação brasileira historicamente adotou o “princípio da vinculação física” para o drawback suspensão: tanto o artigo 78 do DecretoLei nº 37/66 já se referia expressamente a tal exigência, todos os Regulamentos Aduaneiros mantiveram tal prescrição, assim como o CAM – Código Aduaneiro do MERCOSUL também estipula tal exigência, de modo que a mercadoria importada ao amparo do regime deve, necessariamente, ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação de outra a ser exportada, impondo, portanto, que seja integralmente empregada no processo produtivo da mercadoria exportada. Logo, o beneficiário do regime deve comprovar que aplicou os insumos importados no Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.542 15 processo produtivo de mercadoria efetivamente exportada. É condição para utilização do regime. Muito bem. E como se comprova a exportação sob a égide do regime especial de drawback suspensão? Quais sãos os procedimentos a serem adotados pelo beneficiário do regime para comprovar o preenchimento das condições previstas na legislação? Vejamos o que prescrevem os dispositivos normativos que tratam da matéria. O artigo 325 do RA85, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, assim como o artigo 352 do Decreto nº 4.543, de 27/12/2002, dispõem: “A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório de exportação”. Relembremos que o documento comprobatório de exportação, na sistemática operacionalizada pelo SISCOMEX, é o RE Registro de Exportação devidamente averbado, nos termos do que dispõe o Comunicado DECEX nº 21/97 (“Consolidação das Normas de Drawback), verbis: 21.1 Os documentos que comprovam as operações de importação e exportação vinculadas ao Regime de Drawback são os seguintes: I Declaração de Importação (DI); II Registro de Exportação (RE) averbado; III Registro de Exportação Simplificado (RES) averbado; IV Nota Fiscal de venda no mercado interno”. O Comunicado DECEX nº 21/97 prescreve, ainda, em seu item 19.4 a necessidade da vinculação do RE – Registro de Exportação ao Ato Concessório, nos seguintes termos: “19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório”. Cabe, também, transcrever os itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado DECEX nº 21/97 que dispõe sobre o procedimento exigido para a comprovação do regime, verbis: “3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo”I” (I – Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SCE nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante).” Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 No mesmo sentido, a Portaria SECEX nº 4/97 (DOU de 12/06/1997), em seu art. 37: “Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade Suspensão, Registro de Exportação (RE), devidamente vinculado ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor”. Do cotejo dos dispositivos normativos mencionados (artigos 314 e 325 do RA/85 e artigos 335 e 352 do RA/2002), bem como a legislação complementar da SECEX/MDIC, constatase que todas as disposições pertinentes à concessão do referido incentivo à exportação foram rigorosamente disciplinadas, podendose inferir que o texto regulamentar impõe de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime, assim como a legislação da SECEX/MDIC prescreve os procedimentos a serem adotados na comprovação da exportação das mercadorias resultantes do processo produtivo. Todos esses procedimentos exigidos em relação à comprovação das exportações são necessários para que o Fisco possa efetivamente controlar tanto a utilização dos insumos importados com desoneração tributária como a destinação dos bens (efetiva exportação). Não fossem esses controles, restaria caracterizada a ineficácia do incentivo em tela, na medida em que tornaria vulnerável a indústria nacional pelo ingresso de produtos estrangeiros no território nacional, sem o pagamento dos tributos devidos. Ao beneficiar determinadas empresas, o Estado/Fisco deve ter a precaução de não se criar uma situação de desigualdade com outras empresas do mesmo setor econômico, o que fatalmente ocorreria se os produtos importados com suspensão de tributos, em decorrência do regime drawback, fossem “desviados” para o mercado interno. É evidente que a “vinculação física” entre as mercadorias importadas e as mercadorias exportadas deve estar claramente demonstrada, e isto só pode ocorrer se os Registros de Exportação estiverem devidamente vinculados aos Atos Concessórios emitidos pela SECEX. Ademais, também é indiscutível que as exportações beneficiadas e abrigadas por um regime aduaneiro especial devem estar identificadas como tal, o que é feito pelo código da operação respectivo, conforme indicado nas tabelas constantes do Anexo I da Portaria SCE nº 02/92. No caso vertente, a empresa utilizou o código 80.000 exportação normal e 81.301 exportação sujeita a registo de venda, quando deveria utilizar o código 81.101 drawback suspensão comum. Este “simples erro de preenchimento” do Registro de Exportação, na verdade, mascara a operação de exportação, dissimulandoa. Os Registros de Exportação REs que não contiverem ou que contiverem de forma inexata as informações relativas aos códigos de operação de Drawback, assim como os REs que não contemplem a informação do número do Ato Concessório ao qual deveria estar vinculado, não fazem prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso do regime drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório em análise não permite que se conclua que o produto objeto de exportação venha a conter insumos importados sob a égide do citado regime, o que, de forma lógica, impede que o Registro de Exportação seja utilizado para fins de comprovação do adimplemento do que foi compromissado em Ato Concessório. Da exegese das normas acima referidas, concluise que a utilização do benefício deve estar devidamente consignada no documento comprobatório de exportação (RE). Para isso, necessário a informação do código correto da operação Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.543 17 no Registro de Exportação – RE, bem como a sua correta vinculação ao Ato Concessório. Corroborando esse raciocínio, transcrevemos a seguir, trecho do Parecer COSIT Nº 53, de 22 de julho de 1999: “9. No tocante à questão apresentada no item 4 possibilidade de aceitação, pela SRF, de Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios, informese que sobre o assunto, o art. 37 da mencionada Portaria Secex nº 4, de 1997, estabelece que ‘somente poderão ser aceitos para comprovação do regime de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor’.” 9.1 Assim, de acordo com a legislação vigente, nem a Secex nem a SRF poderão aceitar Registro de Exportação que não esteja vinculado ao respectivo ato concessório. Enfatizese, ainda, que compete à SRF proceder ao desembaraço das mercadorias a serem exportadas, autenticando o competente comprovante de exportação, o qual será encaminhado à Secex, pelo beneficiário do regime, a fim de que se verifique a adimplência do compromisso de exportação. .............................................................................................. Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios não serão aceitos pela SRF, para fins de comprovação do regime de drawback”. (negritei). É certo que a legislação estabelece um “procedimento” para a comprovação das exportações, o que evidencia, sem dúvida, norma de direito tributário formal (“deveres instrumentais” / “obrigações acessórias”). Por outro lado, a informação no RE a respeito de sua relação com Ato Concessório tem implicação de inegável caráter substancial, na medida em que assegura e comprova a vinculação da mercadoria por ele amparada ao regime drawback, reputandose, assim, imprescindível para conferir legitimidade ao incentivo fiscal. A ausência destas escorreitas informações nos documentos de exportação – REs não se restringe apenas ao campo das questões “meramente formais”, indo muito além, inserindose, pelo Princípio da Vinculação Física, no pressuposto básico de comprovação do regime, consubstanciandose, assim, em elemento essencial no adimplemento do compromisso de exportar. Registrese, portanto, que não se tratam de apenas “(...) equívocos no preenchimento de registros de exportação”, como argumenta a Recorrente, mas sim de descumprimento de procedimentos previstos na legislação que implicam na ausência de comprovação do adimplemento do compromisso de exportar. À título de comparação, podemos vislumbrar a seguinte situação: um “erro formal” no preenchimento de uma nota fiscal, por exemplo, trocandose um dígito no valor da mercadoria (onde deveria constar R$ 900.000,00, constou R$ 100.000,00) pode levar a uma modificação substancial na base de cálculo; ou um “equívoco” na classificação fiscal do produto pode implicar em alterações relevantes de alíquotas. Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 18 Tratase de “erros formais” com repercussão na relação jurídicotributária/ obrigação tributária. Assim, entendo que a empresa beneficiária do regime de drawback deve, obrigatoriamente, em atendimento ao Princípio da Vinculação Física: i. Quando das importações dos insumos com suspensão dos tributos, efetuar a correta escrituração dos documentos fiscais: Declaração de Importação, Notas Fiscais de Entrada e Livro de Registro de Entrada; ii. Durante o processo produtivo, manter, através de livros fiscais próprios (Livro do Registro de Controle da Produção e Estoques), controles e registros em separado de estoques dos insumos estrangeiros importados em regime aduaneiro de drawback, bem como manter controles e registros em separado dos estoques de produtos finais elaborados com os insumos importados no regime; iii. Quando das exportações dos produtos elaborados com os insumos importados, efetuar a correta escrituração dos documentos fiscais: Registros de Exportação, Declaração de Despacho de Exportação, Notas Fiscais de Saída e Livro de Registro de Saídas. A correta escrituração fiscal, além de obrigatória aos contribuintes, faz prova do cumprimento de suas obrigações tributárias. Cumpre destacar que a mera alegação de que as exportações ocorreram não pode ser considerada como argumento capaz de vincular um Registro de Exportação a um determinado Ato Concessório de drawback. Isso não é suficiente para se comprovar que os bens importados foram efetivamente utilizados na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não fazem prova a favor do beneficiário do regime. O art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil impõe ao sujeito passivo o dever de provar fato constitutivo do seu direito, ou seja, no caso em tela, deve provar que cumpriu as condições previstas na legislação para gozar dos incentivos proporcionados pelo regime especial de drawback – suspensão. Não se pode atribuir ao Fisco o dever de comprovar que as exportações não dizem respeito ao Ato Concessório. O ônus, neste caso, é do sujeito passivo que deveria fazêlo mediante a adoção do procedimento fixado na legislação de regência ou pelo menos empreender esforços no sentido de carrear ao processo elementos que, alternativamente, fizessem prova do cumprimento dos requisitos. Não o fez! Nos casos de isenção condicionada, a concessão do incentivo deve ser revogada em procedimento de fiscalização caso fique comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório, como prescreve o artigo 179/CTN Deste modo, a meu sentir, restou demonstrado que a Recorrente não pode utilizarse da desoneração tributária decorrente do regime de drawback – suspensão para as exportações que não foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório. Por fim, destaco que a posição adotada neste voto está em sintonia com julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão CSRF nº 930301.248, sessão de 06 de dezembro de 2010: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.544 19 DRAWBACK SUSPENSAO, EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação à ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. Recurso Especial do Procurador Provido. Acórdão CSRF nº 930300.210, sessão de 15 de setembro de 2009: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/05/1996, 25/07/1996, 20/08/1996, 21/10/1996, 13/11/1996. DRAWBACK SUSPENSÃO. O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. Recurso Especial do Procurador Provido.” Acrescentese à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Ficais deste CARF, nesse mesmo sentido, o julgado proferido em 11/04/2012, nos autos do processo nº. 13921.000324/200197, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 18/11/1996 a 18/12/1996 Ementa: DRAWBACK Falta de vinculação entre a exportação e o Ato Concessório do Drawback caracteriza inadimplemento do Regime Aduaneiro tornando cabível a cobrança dos tributos suspensos e acessórios. RECURSO NEGADO (Relatora: Maria Teresa Martinéz López) Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 20 Uma prova inequívoca de que a não vinculação da exportação ao ato concessório a que se refere pode levar a prejuízo fiscal, é que a própria contribuinte utilizouse de vários RE para fazer prova do compromisso de exportar assumido em dois atos concessórios distintos. Neste aspecto a legislação é clara ao não permitir a utilização de uma mesma RE para comprovação de mais de uma operação de drawback, como regra geral do citado regime aduaneiro especial. Vejase: Portaria SECEX nº. 04/97 Art. 31 – Para efeito de comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão ou habilitação ao Regime, modalidade isenção, os documentos utilizados na importação e exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. Ademais disto, os RE nº 95/0408180001, 95/0464166001 e 96/0020596 001, utilizados na comprovação dos Atos Concessórios nº 695/0042 e 695/0152, não foram efetivados no sistema SISCOMEX ou não pertenciam ao exportador, segundo alegado pela fiscalização e comprovado pelos documentos acostados aos autos. A concessão do regime de drawback é deferida à pessoa jurídica que ingressa com o pedido de concessão do beneficio junto à SECEX, que defere o pedido emitindo ato concessório em nome da pessoa jurídica solicitante do beneficio. Desta feita, a obrigação de comprovação de adimplemento do compromisso assumido no ato concessório deve ser efetivada pela pessoa jurídica à qual foi concedido o regime aduaneiro especial. Desta forma, RE vinculados a pessoa diversa daquela à qual foi concedido o regime de drawback, conforme constante do ato concessório, não podem ser aceitos como forma de comprovação do regime. Permitir o contrário seria desobedecer ao principio básico do regime, que é a vinculação dos insumos importados com as mercadorias exportadas. Perderseia a efetividade do controle obrigatório ao regime de que os insumos importados com suspensão de tributos sejam efetivamente utilizados na fabricação de mercadorias exportadas. No que diz respeito aos RE não efetivados no sistema SISCOMEX, é de se observar que uma exportação só é considerada efetivada se devidamente averbada no SISCOMEX. Em assim sendo, as mercadorias cujos comprovantes de exportação não estejam devidamente averbados no sistema (SISCOMEX) não são consideradas como exportadas e, por conseguinte, não podem ser utilizadas na comprovação de compromisso assumido em ato concessório de drawback. Por último registrese que a vinculação do RE ao Ato Concessório pode ser feita no campo 2f (2“Enquadramento da Operação” ; f – “Num. Ato Concessório”) ou no campo 24 (“Dados do fabricante”) e que, conforme informa a autoridade fiscal à fl. 483v.II, as vinculações efetuadas com a indicação do AC no campo 24 já foram consideradas quando da autuação. Vejase: “Baseado nas provas, isto é, nos REs, foi considerada a vinculação informada pelo contribuinte no campo 24 do RE. Como conseqüência, a despeito do SECEX ter considerado alguns atos inadimplidos, a fiscalização os considerou adimplidos, por terem atendido as determinações legais, tal como o disposto no já referido art. 325 do RA. De igual sorte, e mantendo a coerência ao analisar as provas, não Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Acórdão n.º 3202000.703 S3C2T2 Fl. 2.545 21 poderíamos considerar comprovados os atos Concessórios para os quais não ha vinculação nos documentos de exportação “ Assim, descumpridas as exigências do regime de drawback e o adimplemento dos Atos Concessórios, caberia à Receita Federal exigir o pagamento dos tributos suspensos na importação, o que foi efetuado por meio dos lançamentos de ofício. Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10715.003217/2003-20
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 22/11/1999 a 10/12/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO OPACIFICANTE À BASE DE IOBITRIDOL.
O produto denominado comercialmente “HENETIX”, identificado como preparação opacificante para exame radiológico à base de IOBITRIDOL classifica-se na posição NCM/SH 3006.30.19.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.852
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 10715003217200320; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2021-10-07T19:12:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 10715003217200320; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 10715003217200320; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2021-10-07T19:12:38Z; created: 2021-10-07T19:12:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2021-10-07T19:12:38Z; pdf:charsPerPage: 822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2021-10-07T19:12:38Z | Conteúdo => Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão nU Sessão de Recorrente Recorrida CCOJ/C02 Fls. 641 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA 10715.003217/2003-20 138.879 Voluntário ll/CLASSIFICAÇÃO FISCAL 302-39.852 15 de outubro de 2008 GUERBET PRODUTOS RADIOLÓGICOS LTDA. DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CLASSIFICAÇAo DE MERCADORIAS Período de apuração: 22/1111999 a 10/12/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO OPACIFICANTE À BASE DE IOBITRIDOL. O produto denominado comercialmente "H ENETIX", identificado como preparação opacificantc para exame radiológico à base de IOBITRIDOL classifica-se na posição NCM/SH 3006.30.19. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. tf\~~ GJ. ()~'~~V-U'\cU ... MARCELO R~ NOGUEí!Y' - Relator Processo n' 10715.003217/2003-20 Acórdão n.o 302-39.852 CC03/C02 Fls. 642 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente), Davi Machado Evangelista (Suplente) e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Ausentes os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecília Barbosa. Este presente o Advogado Rafael de Paula Gomes, OABIDF - 26.345. 2 Processo n° I0715,003217/2003':W Acórdão n,o302-39.852 Relatório CC03/C02 Fls. 643 Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: A contribuinte acima quaNficada providenciou, por meio das Declarações de Importação discriminadas à fi. 02, o despacho aduaneiro do produto denominado comercialmente como HENETIX, classificando-o na Tarifa Externa Comum no código NCM 3006.30.13, com alíquota de Imposto de Importação (11)de 4,j% e 2% A .fiscalização, com supedâneo lias Laudos de Análises na' 20134/01, referente a DI n" 99/0998467-9 e 2013j/01, referente a DI n" 99/1129288-6, que i/{formam que o produto qulmico importado trata-se de "preparação opacificante à base de IOBITRIDOL para exame radiog1Y{{ico", e na página da internet www.cpuc.com.br/def/Ülbric/97.htm. onde a importadora afirma que o princípio ativo do Henetix é o lobitridol, concluiu que a mercadoria foi descrita e class(ficada incorretamente nas referidas declarações de importação, sendo que a classificação .fiscal correta é 110 código NCM 3006.30.19, que previa à época alíquotas de II de Jj% até 31.12.2000, de 14,j% elltre 01.01.2001 e 31.12.2001, de 13,j% entre 01.01.2002 e 19.Oj.2002 e de 12% a partir de 20.0j.2002 (fls. 24 a 27). Por conseguinte, foi lavrado o Auto de lI?/i'ação de fls. OI a 20, para exigir da contribuinte acima qualificada o pagamento da diferença de Imposto de Importação (lI), acrescido de multa de oficio e juros de mora. Regularmente cientificada, em 17.06.2003 ("AR" de fi. 314), a interessada apresenta a Impugllação defls . .lI j a 329, juntamente com os documentos de fls. 330 a j29, na qual, após relato dos fatos elencados na peça de autllaçeio, argúi que: - grande parte do débito ora exigido já foi objeto de autllaçcio nos autos do processo administrativo n" lO074.000226/2001-90, lia medida em que o presellte auto de il{/i'ação trata da reclassificação .fiscal de mercadoria importada por meio de 36 (trinta e sei.\) Declaraçcies de Importação (Dl's), selldo que com relação às 32 (trinta e dum) primeiras DI's nele relacionadas referem-se a exigência consubstanciada no Awo de b!fraçiio n" 32/01, portanto, o crédito tributário ora discutido é de somente R$ 128.j74,3j; - cOl{forme a Regra Geral de Intelpretação do Sistema Harmonizado nº 3 "a ", a c1assificar,:ão adequada ao "Henetix" é a do código NCM 3006.30.13, por se rçferir às preparações opacificantes para exames radiogrríficos à base de Iopamidol, tendo em vista a similaridade da composiçelo e da estrulttra química de ambos prodwos, uma vez que as preparaçries à base de iobitridol e as à base de iopamidol desempenlram.fimç6es idênticas,' 3 Processo "o 10715.003217/2003-20 Acórdão n."302-39.852 - O elemento essencial17(ls referidas preparações são os átomos de iodo ligados ao anel benzênico, entretanto algulls elementos acessórios podem ser acrescelllados a essa estrutura química com li finalidade de promover a solubilidade da preparaçiio e evitar que as ligações abertas reajam com o organismo do paciente, sendo que é e.\'sa particularidade que o lobitridol e o lopamidol se distinguem, conforme pode-.vc observar de suas estruturas moleculares, po.\'suindo, por conseguinte, o mesmo princípio de atividade radiológica; - por conta da referida similaridade entre os dois elementos, o "Henetix ", em observância ao disposto na RG nº 3 "h", deve ser classificado no código NCM 3006.30.13, por ser mais especifico e preciso do que a c1assificaçrlo residual no código tari(ário pretendido pela.fiscalizaçrlo; - a prova de que as preparações opacificantes à base de lobitridol (Guerbet), lopamidol (Schering), de lohexol (Sano.fi Sythelabo) e de loversol (Mallinckodt) SrlOsimilares, é o fato de possuirem a mesma utilizaçào médica e serem comercializados indistintamente para a mesma finalidade; - é irrelevante a alegaçiio da fiscalizaçào quando sustenta que entre () lobitridol e o lopamidol existe uma di(erença de 5 átomos de carbono e i de oxigênio, uma vez que a natureza e~pecf/ica do imposto de importaçiio é econômica, por ser um tributo de caráter extrqfiscal. Cl~jO objetivo é promover a regulaç£io da atividade econômica nacional; - a manutençelo da exigência do imposto de importaçeio demonstra seu uso como instrumento de arrecadaçiio, desvirtuando, por c011.f,;eguinte, sua .finalidade; - pelo filiO de o contribuinte ter agido de boa,(é e em con(ormidade às Regras Gerais de lntel7Jretaçiio do Sistema Harmonizado, complementares à Convençiio internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designaçiio e de Cod~/icaçâo de Mercadorias, aderido pelo Brasil em 31.08.86, deve ser excluida a imposição da multa de o.ficio e dos juros de nlOra em face do exposto no art. 100 do CTN, e seu parágra(o único, recepcionado pela Constituiçrlo Federal de 1988, com stallls de Lei Complementar; - laudo técnico emitido por pro.fissionais de sua confiança comprova suas as.";ertivas acerca do tema em apreço, ademais, foram protocolados no Labor os pedidos de análises n. 22.003 e 22.300, respectivamente, em 25/11/1999 e 05/01/2000, demonstrando a boa,(é da impugnante no sentido de ver seu entendimento respaldado por um ôrgtio o.ficial. Por entender eXistirem dúvidas acerca da matena em trato, foi proposta a diligência de .fls. 269/270 do processo administrativo n" 10074.000226/2001-90, citado pela contribuinte, com o fim de o LABANA se pronunciar I[uanto aos resultados dos pedidos de análises e respectivos laudos defls. 392/393. CC03/C02 Fls. 644 4 Processo n° 10715.003217/2003-20 Acórdão n.o 302-39.852 Adotadas as providencias de praxe para a consecuçeio da r~rerida diligência, foi elaborado pelo LABOR Informaçeio Têcnica n° 020/05, cujas cópias anexei àsfls. 531 a 539. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Classificação de l~fercadorias Período de apuraçeio: 22/11/1999 a 10/12/2002 lDENTIFlCAÇA-O DA MERCADORIA. LABANA. CLASSIFlCAÇA'O FISCAL. O produto químiço denominado comercialmente HENETlX c1assifica- se no código tarifário NCM 3006.30.19 da TEC, por se tralar de uma preparaçeio opacificante para exame radiológico à base de IOBITRlDOL. MULTA DE OFícIO. DlSCORDA'NCIA. A multa de oficio à razeio de 75% do montante do imposto apurado, ê devida em face da ÍI!fi-açeioàs regras instituídas pelo Direito Fiscal, constatada em procedimento de oficio. não havendo previsão legal para a sua di~pensa. Lançamento Procedente em Parte. CCOJIC02 Fls. 645 o contribuinte, restando inconfonnado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratitlca e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na fonna regimental. É o relatório. 5 Processo n° 107 J 5.0032 J 7/2003-20 Acórdão n.o 302-39.852 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. CCO)iC02 Fls. 646 Quanto à questão da correta classificação tiscal do produto em análise, aponto que o diagnóstico por obtenção de imagens dos órgãos internos e dos vasos sanguineos é um dos métodos mais empregados na detenninação da origem e evolução de diversas doenças e que a radiogratia utiliza-se de radiação energética de caráter ionizante. Atualmente os contrastes mais utilizados na radiografia são os baritados e os iodados, sendo o produto em análise um contraste iodado. Dentre os contrastes iodados mais usados temos aqueles à base de 10PAMlDOL e outros à base de 10BlTRlDOL. Os meios de contrastes iônicos monoméricos têm alta osmolalidade e, por este motivo, podem causar dor, trombose, flebite, distúrbios cerebrais, bradieardia, dentre outros efeitos. Logo, os especialistas preferem produtos de baixa osmolalidade, obtida com a utilização de grupos laterais hidrotilicos da segunda geração de monômeros não-iônicos. Os produtos sob análise não têm sua eticiência e utilização finnadas apenas no tàto de serem compostos iodados, mas, ao contrário, sua composição química evoluiu para atender necessidades muito especíticas e anular efeitos colaterais. Tanto o 10BITRlDOL, quanto o 10PAMlDOL, apesar de diferentes, são substâncias quimicas utilizadas na preparação de contrastes radiopacos iodados. Deste modo, embora ambos sejam utilizados para a preparação de contrastes radiopacos iodados, suas diferenças químicas conferem ao produto final características próprias tornando-os mais ou menos adequados a cada situação. Identiticado o produto, devemos passar ao exame de sua correta classiticação fiscal e a disputa entre a autoridade tiscal e a recorrente está limitada, neste particular, ao último digito do código correspondente, ou seja, se deve ser adotado o código NCM/SH 3006.30.13, como pretende a recorrente ou aquele proposto pela autoridade autuante: NCM/SH 3006.30.19. 3006.30 -Preparações opacificantes para exames radiográficos; reagentes de diagnóstico concebidos para serem administrados ao paciente 3006.30.1 Preparações opacificantes para exames radiográficos 3006.30.11 À base de ioexol 3006.30.12 A base de iocarmato de dimeglumina 3006.30.13 À base de iopamidol 3006.30.15 À base de dióxido de zircônio e sulfato de gentamicina 3006.30.16 A base de diatrizoato de sódio ou de meglumina 3006.30.17 A base de ioversol ou de iopromida 3006.30.18 A base de iotalamato de sódio, de iotalamato de meglumina ou de suas misturas 3006.30.19 Outras (, Processo nO 10715.003217/2003-20 Acórdão 11.° 302-39.852 Como bem apontou o Ilustre Conselheiro João processo que cuida do mesmo produto (Recurso nO137.820): CC03/C02 Fls. 647 Luiz Fregonazzi, ao relatar As preparações opae(fieantes elass{licalll-se lla pOSlçao 3006 da NCM/SH e em nenhuma outra, por jiJrça da Nota 4 do capitulo ]0, verbis: 4. A posiçeio ]0.06 compreende apenas os produtos seguintes, que devem ser c1ass(/ieados nessa posição e ntlo em qualquer outra da Nomenclatura: a)os categutes esteri/ízados, os materiais esterilizados semelhantes para suturas cirúrgicas e os adesivos esteri/ízados para tecidos orgânicos, utilizados em cirurgia para fechar ferimentos; b)as laminárias esterilizadas; c)os hemostáticos esterilizados absorviveis para cirurgia ou odontologia; d)as preparações opacificantes para exames radiográficos, bem como os reagentes de diagnóstico concebidos para serem administrados ao paciente e que constituam produtos não misturados apresentados em doses, ou produtos misturados constituidos por dois ou mais ingredientes, próprios para os mesmos usos; e)os reagentes destinados à determinação dos grupos ou dos fatores sangüíneos; /)os cimentos e outros produtos para obturação dentária; os cimentos para a reconstituição óssea; g)os estojos e caixas de primeiros-socorros, guarnecidos; h) as preparações químicas contraceptivas à base de hormônios, de outros produtos da posição 29,37 ou de espermicidas; í) as preparações apresentadas na forma de gel, concebidas para serem utilizadas em medicina humana ou veterinária como lubrificante para certas partes do corpo em intervenções cinírgicas ou exames médicos ou como agente de ligação entre o COlPO e os instrumentos médicos; k) os desperdícios /émnacêuticos, isto é, os produtos farmacêuticos impróprios para o uso a que foram originalmente destinados devido a, por exemplo, expiração do prazo de validade. É de clareza solar que pela Regra Geral de Intelpretaçeio I, e RGC I, ambas as preparações, seja à base de IOPAMIDOL, seja à base de IOBITRIDOL, classificam-se nesraposiçeio: 7 Processo n" 10715.003217/2003.20 Acórdão ll.o 302-39.852 1. Os títulos das seções, capítulos e sub-capítulos têm apenas valor índícatívo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das I/otas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas Regras seguintes. RGC 1. As Regras Gerais para Intell,retaçào do Sistema Harmonizado se aplicariio, "mutatis J11utandis'I, para determinar dentro de cada POSiÇclO ou subposiçdo, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nivel. Niio obstante, A RGI 11.<I 2 expressa que qualquer referência a um produto 011 matéria em determinada posiçdo, diz re.\peito a esse produto ou matéria. Há expressa referência a preparações opacificantes, razào pela qual a preparaçào denominada "HENETIX" c1ass({ica-se nesta posiçiio, segundo essa regra. No que respeita à RGI 3, que expressa que a posiçào mais especifica prevalece sohre (l mais genérica, mio procedem as alegações da requerente. Isto porque ao se analisar os produtos listados na posiçlio 3006.30.1, nào se pode encontrar prepamç,;es à base de IOBITRlDOL. Portanto, nào !lá posiçào especifica pam esse prodlllo, pela aplicaçào da RGC I, e m/o !lá como se valer da RGI 3. Repise-se, nào !lá, na posiçiio 3006, uma referência explícita à preparaçâo opae{ficaJ1te à base de IOBITRIDOL. Falece razào à recorrente. No que respeita à alegação da recorrente, consistente em que os elementos que cOl~[erema característica essencial aos produtos silo os mesmos e que por isso devem ser c1ass{{icados exatamente na mesma posiçào, m/o !lá a menor procedência. Pelo fato das duas preparaç,;es serem opaq"jicantes, à base de iodo e para fins radiogrl~fic()s, devem ser classificadas na posiçào 3006.30.1. As semel!lanças terminam aqui, pois no desdobramento em subitens as diversa preparações opacificallles possuem classificaçào própria. Também não há que se falar em prática reiterada. Está-se diante de lançamento por IlOmologaçào, que pode ser revisto de oficio a teor do disposta no art. 149 do CTN. Nào se cuida de prática reiterada da administraçiio pública como quer a requerente, ao abrigo do artigo 100, IIf, do CTN, que seio normas complementares. Nessa pauta, mio houve expediçeio de qualquer ato administrativo anuindo a c1ass(jicaç(io adotada pela recorrente. No que respeita à possibilidade de classificar lia mesma poslçao produtos d{[erentes porque os mesmos têm a mesma destinaç(io e /inalidade comercial, discordo. O Sistema Harmonizado nlio permite tal posiçlio. A composiçlio dos códigos do SH permite que sejam atendidas as e5pec{ficidades dos produtos, tais como origem, matéria constitlltiva e aplicaçlio, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nivel de sojisticaçtio das mercadorias. Todavia, não se pode, à. vista disso, supor que uma mercadoria possa ser considerada como outra, em ofensa à lógica, apenas porque em algumas situações duas ou mais mercadorias sejam c1ass~'ficadas na mesma posiçiio. O grau de e.\pec{ficidade não permite supor que CC03/C02 Fls. 648 8 Processo n" 10715.003217/2003-20 Acórdào n.o 302.39.852 mercadorias distintas possam ser consideradas como se idênticas fossem. O Sistema Harmonizado não foi criado para contrariar a lógica ou impor conceitos distanciados de critérios cientificas usualmente aceitos. Do contrário, seria correto classificar video cassete como se DVDfosse, ou ácido acetil-salicilico como se dipirona fosse. Considerando o acima exposto, bem assim a Nota 4 do Capítulo 30, as RGI I e 2 e a RGC I, a preparação opacificante à base de IOBITRIDOL classifica-se na posição proposta pela autoridade autuante e endossada pela autoridade julgadora de primeira instância, a saber a posição NCM/SH 3006.30. 19. CC03/C02 Fls. 649 Concordo integralmente com as conclusões e fundamentos acima e, entendo que não tem razão a recorrente neste particular. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2008 (\J~~~r:iJ; O.n:. -~" !'-. ..~õJ M/{RCELO RIB~~'Q'i:;~I~~~tor 9 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002150/2005-44
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO
Na apuração do imposto sobre a renda somente poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, promovidos a favor de dependente, quando informados na declaração de ajuste anual e comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos, até o limite anual individual determinado na legislação de regência., hipótese em que o beneficiário do recorrente não se enquadra
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece de pedido de restituição somente formulado em recurso e carente de apreciação por parte da autoridade competente para a apreciação do pleito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO Na apuração do imposto sobre a renda somente poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, promovidos a favor de dependente, quando informados na declaração de ajuste anual e comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos, até o limite anual individual determinado na legislação de regência., hipótese em que o beneficiário do recorrente não se enquadra PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de pedido de restituição somente formulado em recurso e carente de apreciação por parte da autoridade competente para a apreciação do pleito. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 113 1 112 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.002150/200544 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.978 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO ARTUR RIBEIRO MIRABELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO Na apuração do imposto sobre a renda somente poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, promovidos a favor de dependente, quando informados na declaração de ajuste anual e comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos, até o limite anual individual determinado na legislação de regência., hipótese em que o beneficiário do recorrente não se enquadra PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de pedido de restituição somente formulado em recurso e carente de apreciação por parte da autoridade competente para a apreciação do pleito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida, negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 21 50 /2 00 5- 44 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 86/88) interposto em 04 de junho de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), (fls. 80/82), do qual o Recorrente teve ciência em 05 de maio de 2008 (fls.45), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 33/40, lavrado em 22 de abril de 2005, em decorrência de glosas deduções pleiteadas nas declarações de ajuste anual, exercícios de 2001 e 2002, a título de: dependentes; despesas médicas; despesas com instrução e previdência privada/Fapi. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2001, 2002 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente em Parte Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 86/88), aonde argumenta, em síntese, que: a) Fabrício Huff Mirabelli é seu dependente, na qualidade de filho universitário; b) Há erro formal no DARF que acompanha a intimação, pois apresenta como período de apuração a data de 08/08/1980; c) Incompreensível o fato da parte incontroversa, transferida ao processo administrativo 11080.003976/200521. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.002150/200544 Acórdão n.º 2101001.978 S2C1T1 Fl. 114 3 Por fim, requer o reconhecimento de Fabrício Huff Mirabelli como dependente; a reapreciação dos valores expressos no Termo de Confissão de Dívida e Parcelamento, oriundos do processo nº 11080003.976/200521, mediante a designação de perícia técnica contábil por se tratar do mesmo fato gerador; a liberação de restituição do imposto de renda ano calendário 2006, exercício 2007 e a liberação de eventuais restituições futuras. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Examinada a documentação acostada ao presente processo, passase, de pronto, à análise da matéria litigiosa, que, nessa fase recursal, restringese à discussão de saldo remanescente de imposto, conforme folhas 84, no valor total de R$ 1.871,94, mais acréscimos legais. Ressaltese, preliminarmente, que o saldo remanescente é oriundo da transferência parcial de valores do processo recorrido para o processo nº 11080003.976/2005 21. Quanto às alegações do Recorrente temse que: 1º. Não consta nas Declarações de Ajuste, como dependente, Fabrício Huff Mirabelli e não foi carreado aos autos documento comprobatório do alegado. 2º. O conteúdo do campo 02 do DARF tratase do código de identificação do parcelamento e/ou identificação do sistema, contendo o referido documento de arrecadação os demais dados necessários ao controle. 3º. Os autos demonstram total clareza quanto aos valores exigidos, inclusive dos montantes objeto de parcelamento. Incabível, portanto, quaisquer perícias. 3º. A liberação de restituição está afeta à Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, nos termos da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (DOU de 17/05/2012), não sendo, portanto, atribuição deste Colegiado. Ressaltese que somente há que se falar em apreciação de tais pedidos por parte das Delegacias da Receita Federal do Brasil nos casos de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes para apreciar tais pedidos. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Isto posto, conheço em parte do recurso voluntario e na parte conhecida, , nego provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.001574/2003-21
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO DA BASE NEGATIVA. INCORPORAÇÃO. Até
o advento do artigo 20 da Medida Provisória n° 1.858-6/1999, não havia vedação para que a incorporadora pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurada pela incorporada.
BASES NEGATIVAS. LIMITAÇÃO NA COMPENSAÇÃO. TRAVA. Para
a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento,
tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE
SOCIEDADE DO MESMO GRUPO. Não pode ser afastada a
responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporada, pertencem ao mesmo grupo econômico.
Numero da decisão: 9101-000.197
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso especial da contribuinte, nos term. s do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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(INCORPORADA DA ("GTECH BRASIL HOLDINGS S/A") Interessado FAZENDA NACIONAL CSLL. COMPENSAÇÃO DA BASE NEGATIVA. INCORPORAÇÃO. Até o advento do artigo 20 da Medida Provisória n° 1.858-6/1999, não havia vedação para que a incorporadora pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurada pela incorporada. BASES NEGATIVAS. LIMITAÇÃO NA COMPENSAÇÃO. TRAVA. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE DO MESMO GRUPO. Não pode ser afastada a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporada, pertencem ao mesmo grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da contribuinte, nos term. s do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ttlfé CARLOS ALBERT ITAS B • ". ETO - Presidente Processo n° 10882.001574/2003-21 C.SRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 2 moo' _ KAREM JURE,I DIAS - Relat EDITADO EM: '131 S ET-1009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (substituto do vice- presidente), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Marcos Rodrigues de Mello (substituto convocado) e Irineu Bianchi (substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado em 26/10/2006 pelo Contribuinte, contra Acórdão n° 105-15.999 (não obstante tenha informado o número erroneamente), proferido pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 21 a 23) relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, exigida em decorrência de revisão procedida na declaração de rendimentos do ano-calendário de 1998, no qual foi apontada como irregularidade a compensação da base de cálculo negativa de períodos anteriores, excedente ao limite de 30% do lucro líquido ajustado. Houve aplicação de multa de oficio de 75% (fls. 50 a 52). A ciência foi dada ao contribuinte em 03/06/2003, mediante Aviso de Recebimento (fl. 26). Não obstante o dado da incorporada e incorporadora, constante na capa do processo, conforme se constata no termo de verificação fiscal, às fls. 22, o contribuinte, desde a fiscalização, requer o tratamento da postergação. Para tanto, demonstra o lucro do ano- calendário seguinte, 1999. A fiscalização reitera que "descabe a pretensão do contribuinte, tendo em vista que os trabalhos de revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - INCORPORAÇÃO, da incorporada GTECH Brasil HOLDINGS S/A em 1998 seja utilizado para compensação da base de cálculo da contribuição social da incorporadora GTECH BRASIL LTDA no período de 1999 infringe a legislação que determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, não poderá compensar bases negativas da contribuição social sobre o lucro líquido da sucedida". Diante disto, em 27/06/2003 o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 28 a 42), onde, em síntese, alegou os seguintes itens: -- a) Não haveria, antes da MP 1858-6 de 1999, a vedação à compensação da base de cálculo da sucedida pela sucessora. A previsão do Decreto-Lei 2341/87 se limitaria a disciplinar o tratamento legislativo conferido aos prejuízos fiscais da sociedade incorporada pela incorporadora, sem prever o tratamento de compensação de bases negativas. A aplicação da medida provisória a fatos pretéritos à sua edição constituiria violação do artigo 106, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Por este argumentos, conclui não haver impedimento legal para que a 2 ,,,\) Processo n° 10882.001574/2003-21 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 3 incorporadora se valesse dos prejuízos fiscais da incorporada para compensação. b) Alegou sua sucessão no direito da incorporada de compensar sua base de cálculo negativa. c) Expôs que a incorporadora da Gtech Brasil apresentou lucro no ano seguinte à incorporação (ano-calendário de 1999) suficiente para absorver o montante compensado a maior pela incorporada, de onde conclui ter havido apenas postergação do pagamento da CSLL, uma vez que o montante não pago em 1998 o foi em 1999 (conforme docs. 10/11) Cita ainda parecer COSIT 2/96. d) Reconhecendo a postergação do pagamento da CSLL, efetuou o recolhimento de R$ 183.760,00, correspondente aos encargos decorrentes da compensação das bases negativas da contribuição em 1998, sem observância do limite de 30%. e) Caso não se reconhecesse seu direito de compensar a base de cálculo negativa da incorporada, alegou o direito da incorporada de efetuar a compensação integral da base de cálculo negativa, uma vez que o legislador ao estabelecer a limitação de 30% partiria da premissa de que a empresa continuaria funcionando, do contrário, impor a limitação a uma empresa cujo funcionamento está prestes a ser encerrado constituiria tributação indevida de seu patrimônio. f) Por fim, argumenta que a multa de oficio não poderia ser aplicada à sucessora da empresa incorporada, pois a responsabilidade solidária a que alude o CTN seria apenas quanto aos tributos, e não às sanções por atos ilícitos (multa por não pagamento), razão pela qual sua cobrança da incorporada seria indevida. Em face destes argumentos, requereu a anulação do auto de infração, ou, caso não seja acolhido seu pedido, o afastamento da exigência da multa de oficio. Adveio então Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas — SP (fls. 212 a 224), em 07/01/2005, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento da CSLL e a imposição da multa de oficio e juros de mora. A decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL EMENTA: Base Negativa — Compensação — Limite 30% - Incorporação. A partir do ano-calendário de 1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado no perlo do. Cabível a exigência de oficio de contribuição incidente sobre diferença compensada a maior na declaração de incorporação, uma vez inexistente qualquer exceção ao limite imposto pela legislação ainda que na hipótese de encerramento da empresa. Postergação - Inexistência de Pagamento a Maior — Inaplicabilidade. Inexistindo o alegado recolhimento de CSLL maior que o devido 3 , Processo n° 10882.001574/2003-21 CtitF-T1 Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 4 pela incorporadora em 1999, torna-se inaplicável o tratamento de postergação de pagamento à glosa feita pelo fisco na incorporada, por compensação indevida de base negativa em 1998, atentando-se ainda para a inocorrência no caso de incorporação de descumprimento ao regime de competência na escrituração de receitas e despesas das empresas sucessora e suced ida ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: Sucessão por incorporação. Multa de oficio . Responsabilidade. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições devidos pela incorporada até a data da incorporação, como por eventual multa de oficio e demais encargos legais formalizados após a alteração societária em decorrência de infração cometida pela empresa sucedida. Jurisprudência Administrativa Consoante o art. 100, II, do Código Tributário Nacional, as decisões dos órgãos singulares de jurisdição administrativas não constituem normas complementares da legislação tributária, tampouco vinculam a administração, haja vista não existir lei que lhes confira a efetividade de caráter normativo. ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL EMENTA: BASE NEGATIVA — COMPENSAÇÃO — LIMITE 30% - INCORPORAÇÃO. A partir do ano-calendário de 1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado no período. Cabível a exigência de oficio de contribuição incidente sobre diferença compensada a maior na declaração de incorporação, uma vez inexistente qualquer exceção ao limite imposto pela legislação ainda eu na hipótese de encerramento da empresa. ASSUNTO: Postergação — Inexistência de Pagamento a maior - Inaplicabilidade EMENTA: Inexistindo o alegado recolhimento da CSLL maior que o devido pela incorporadora em 1999, torna-se inaplicável o tratamento e postergação de pagamento à glosa feita pelo fisco na incorporada, por compensação indevida de base negativa em 1998, atentando-se ainda para a inocorrência no caso de incorporação de descumprimento ao regime de competência na escrituração de receitas e despesas das empresas sucessora e sucedida. Lançamento Procedente". Inconformado, o contribuinte apresenta, em 05/05/2005, seu Recurso Voluntario (fls. 232 a 250), aduzindo as mesmas razões oferecidas quando da apresentação da Impugnação. 01)W. 4 V • ., Processo n° 10882.001574/2003-21 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 5 Ato contínuo, em 26/04/2007, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade, negou provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, em decisão que restou assim ementada, no acórdão 105-15.999: "BASE NEGATIVA - COMPENSAÇÃO - LIMITE 30% - INCORPORAÇÃO - A partir do ano-calendário de 1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado no período. Cabível a exigência de oficio de contribuição incidente sobre diferença compensada a maior na declaração de incorporação, uma vez inexistente qualquer exceção ao limite imposto pela legislação ainda que na hipótese de encerramento da empresa. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO - Aa sucessora não pode efetuar a compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida (MP.1858-6/99 e 1999/99), razão pela qual não procede a alegação de postergação do pagamento do imposto. MULTA DE OFÍCIO - 1NCONSTITUCIONALIDADE - A cobrança em auto de infração da multa de oficio decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade. MULTA DE OFICIO NO PERCEIVTUAL DE 75% - A aplicação de multa no percentual de 75% sobre o valor do tributo é legítima, não se caracterizando como confiscató ria. Recurso IMPROVIDO". No voto condutor, o Relator faz as seguintes considerações: a) O fato da Gtech Holdings ter sido incorporada não tem o condão de afastar a limitação de 30% de compensação das bases de cálculo negativas. b) A pretendida compensação por parte da incorporadora dos prejuízos acumulados da incorporada tornou-se vedado pela Medida Provisória n° 1858-6, razão pela qual o aproveitamento dos mesmos ao fim do exercício de 1999 não é mais possível, o que afasta o argumento de mera postergação no recolhimento do tributo. c) A multa de 75% não apresenta caráter confiscatório, estando baseada em dispositivos legais de observância obrigatória pelos agentes públicos até sua retirada do mundo jurídico, pelas vias constitucionais previstas. O Contribuinte por sua vez, em face do Acórdão da Conselho de Contribuintes, apresentou Recurso Especial (fls. 580 a 606), no qual restringiu sua irresignação aos seguintes pontos: a) A inexistência de limitação para compensação de base de" cálculo negativa da CSLL antes de 01/10/1999. Utiliza por paradigma o acórdão CSRF/01-04.448 /, , s Processo n° 10882.001574/2003-21 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 6 b) A existência de acórdão paradigma (108-07238) que possibilita o reconhecimento da postergação do pagamento do imposto quando o contribuinte apurou base positiva da CSLL nos períodos-base posteriores, suficientes à absorção do momento compensado antecipadamente. Neste sentido, cita ainda Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/01-05.314 e CSRF/01-04971). c) Pede, subsidiariamente, a aplicação dos acórdãos paradigmas n° 108- 08526 e CSRF/01-04185 para afastar a multa de oficio, em razão da sucessão, conforme artigo 132 do Código Tributário Nacional Além destas considerações, reitera as teses já apresentadas na impugnação e no recurso voluntário, justificando cada um dos pontos levantados no Recurso Especial. Diante do exposto, requer o provimento do Recurso Especial, acarretando a reforma da decisão da Quinta Câmara do Conselho de Contribuintes, cancelando os autos de infração. - O despacho PRES — 105-143/2008, de fls. 706/708 deu segmento ao recurso especial do contribuinte quanto à vedação à compensação da CSLL, porquanto conforme os acórdãos paradigmas apresentados, as vedações à compensação no ano-calendário de 1998 restringiam-se ao IRPJ, sendo que, para a CSLL, a vedação só veio posteriormente. O despacho também deu segmento ao Recurso Especial quanto ao item relacionado à multa de oficio na sucessão. De outra parte, negou seguimento ao recurso quanto à alegação de postergação. Isto porque, os acórdãos paradigmas tratariam de períodos anteriores a 1999, ao passo que, o acórdão recorrido pretende a postergação a partir do aproveitamento da base de cálculo negativa pela sucessora quando já estava em vigor a vedação de compensação no que diz respeito às sucessoras. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões em 20/05/2006 (fls. 712/723), alegando que o artigo 58 da Lei 8.981/95 se aplica ao caso concreto. No que tange à exoneração da multa de oficio, alega que a lei tributária onera o patrimônio do contribuinte, sendo que o entendimento do STJ é oposto ao adotado nos acórdãos paradigma. Pede que não haja interpretação literal do artigo 132 do Código Tributário Nacional por implicar em injustiça fiscal. Alega ainda que as empresas são do mesmo grupo, sendo certo que nesses casos, a CSRF mantém a multa. É o relatório. N.\ h\\\ 6 Processo n° 10882.001574/2003-21 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 7 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Conheço do Recurso Especial posto que atende aos requisitos legais de admissibilidade e por ter sido objeto de despacho admitindo seu prosseguimento. Esclareço, contudo, que o Recurso Especial só é conhecido em dois pontos, a saber: a) A alegada ausência de restrição da compensação das bases negativas da CSLL da incorporada pela incorporadora, antes do advento da Medida Provisória 2.158-35/01, a qual só teria aplicação no caso concreto em 01/10/1999. b) O afastamento da multa de oficio, em razão da sucessão, conforme artigo 132, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, a alegação de postergação não será conhecida, por ter seu seguimento inadmitido no despacho de admissibilidade do Recurso Especial. Também não será objeto de análise a questão da possibilidade do aproveitamento integral das bases negativas quando houver extinção por incorporação, pois, apesar de ter sido alegada em Impugnação e Recurso Voluntário, não foi expressamente suscitada divergência, tampouco colacionado paradigma no Recurso Especial, razão pela qual o despacho de admissibilidade não elenca esta questão como objeto de conhecimento no Recurso Especial. Quanto à possibilidade de se compensar a base negativa da incorporada, tem razão o contribuinte. Isto porque, somente em 1999 sobreveio legislação que impedia que a incorporadora compensasse as bases negativas da incorporada, com a entrada em vigor do artigo 20 da Medida Provisória n° 1.858-6, de 29 de junho de 1999, que estendeu à CSLL o disposto nos artigos 32 e33 do Decreto-lei n°2.341/87, que assim dispunham: "Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido." (gn:Pi)" Tendo em vista que, no presente caso, trata-se de exigência referente ao ano- calendário de 1998, não há que se falar em vedação para a incorporadora compensar as bases negativas apuradas pela incorporada. Assim já decidiu o Conselho de Contribuintes: "CSLL — COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS NA SUCESSÃO — Somente com advento da expressa vedação imposta pela MP 1.858-6/99 é que surgiu impedimento legal à it J7 Processo n° 10882.001574/2003-21 .SRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 8 compensação de bases negativas, geradas a partir de 1992, em casos de sucessão. Recurso Provido." (Ac. n° 108-06.956, de 21/05/2002). CSLL - A proibição constante no art. 22 da MP n° 2.158-35/01, que dispõe que se aplica à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decreto-lei n° 2.341/87, só tem incidência partir de • 01-10-99." (Ac. n° CSFR/01-04.448, de 25/02/2003)." Entretanto, tal questão só surte efeito no caso concreto como motivação para análise de eventual efeito de postergação, argumento este não submetido à apreciação no recurso em julgamento. De um lado, o lançamento refere-se à utilização de base negativa acima da trava na incorporada; e, de outro lado, a argüição do efeito da postergação não foi objeto de conhecimento do Recurso Especial. Ainda no tocante a compensação de bases negativas da CSLL, necessário notar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já há bastante tempo adota o entendimento de que a limitação à compensação da CSLL em 30% do lucro líquido tem aplicação a partir do ano-calendário de 1995, quando da edição da Lei 8.981/95. A legislação apontada pelo Contribuinte, diz respeito apenas à possibilidade da incorporadora fazer uso das bases negativas da incorporada para fins de compensação da CSLL, sem permitir que o mesmo se valha integralmente das bases negativas acumuladas, devendo, portanto, respeitar o limite de 30%, tal como estabelecem as seguintes decisões: "CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - A compensação da base de cálculo negativa da CSLL, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, acumulada com as bases de cálculo negativas apuradas até 31 de dezembro de 1994, está limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei n°. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei n°. 9.065/95. (CSRF — 1' Turma, Recurso Especial n° 105-131.936, sessão de 11/06/2007)" Desta forma, considerando que, como dito, a matéria relacionada à utilização integral do prejuízo e da base negativa pela incorporada quando de sua extinção não é objeto deste Recurso, voto por negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte quanto à possibilidade de compensar integralmente a base de cálculo negativa da CSLL. \\I\ Quanto ao afastamento da multa de oficio na hipótese de sucessão, considerando que se trata de empresas do mesmo grupo econômico, não pode a incorporação servir de fundamento para o afastamento da multa de oficio. Assim já decidiu o Conselho de Contribuintes, inclusive esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO — INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES SOB CONTROLE COMUM — SUCESSÃO CARACTERIZAÇÃO — A interpretação do artigo 132 do CIN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator - sob pena deitar por terra as normas gerais 8 Processo no 10882.001574/2003-21 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.197 Fl. 9 insculpidas nos artigos 129 e 136, também do CIW -, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum.(CC — 7° Ceiznczra, Recurso n° 143.560, sessão de 24/05/2006) PIS. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporada e a incorporadora possuíam o mesmo quadro societário. (CSRF — 2° Turma, Recurso n°202-122.172, sessão de 23/01/2007). RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer » ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. (CSRF —2° Turma, Recurso n° 201-1 25.478, sessão de 23/04/2007)". Desta forma, uma vez que a incorporada - GTECH Brasil HOLDINGS S/A, e incorporadora GTECH BRASIL LTDA pertenciam ao mesmo grupo econômico, entendo que a multa de oficio deve ser mantida. Por fim, saliento que quando da sustentação oral, o patrono da Recorrente suscitou o pagamento a ser imputado. Referida questão deve ser objeto de verificação pela autoridade competente. Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. / arem Jureidini Dias"- Relátora • 9
score : 1.0
Numero do processo: 13894.000575/2004-99
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO DESMOTIVADA. Comércio Varejista de equipamentos de informática, peças e acessórios, serviços de processamento de dados para terceiros (bureau de serviços), inclusive preparo de software para utilização, venda ou
locação, assessoria e análise de sistemas, não se confunde com o serviço de consultoria vedado pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96.
Atividade permitida.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-06.082
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nanci Gama
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E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LIDA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EIMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO DESMOTIVADA. Comércio Varejista de equipamentos de informática, peças e acessorios, serviços de processamento de dados para terceiros (bureau de serviços), inclusive preparo de software para utilização, venda ou locação, assessoria e análise de sistemas, não se confunde com o serviço de consultoria vedado pelo inciso XIII do artigo 9' da Lei IV 9.317/96. Atividade permitida. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Antonio Pgrt - Presidente Nanei Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Otacilio Dantas Cartaxo, Suzi Gomes I Ioffmann, Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Judith do Amaral Marcondes Armando, Nanci Gama e Antonio Praga. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7 0, inciso I, do Regimento Interno dessa Egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais. Alega o ilustre Procurador da Fazenda Nacional que a Colenda Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes, ao dar provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos, nos termos do acórdão 303-33.131, determinando a manutenção do contribuinte na sistemática de recolhimento de tributos federais de que trata a Lei n° 9.317/96, Simples, contrariou o inciso XIII do artigo 9" de referida lei, devendo, portanto, ser reformada a decisão recorrida. Aduz a Recorrente que a atividade exercida pelo contribuinte, conforme por ele próprio informado em sua manifestação de inconformidade de fls. 1/13, encontra-se impedida eis que consiste no comércio varejista de suprimentos para informática e serviços de assessoria, consultoria. planejamento, projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na area de informática". Por despacho sob o n° 399/2006, a Presidente da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, reconhecendo a tempestividade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, bem assim o seu cabimento, eis que proferida por maioria de votos, conheceu do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O contribuinte foi regularmente intimado, mas não apresentou contra-razões, con forme certificado pelo despacho de fls. 110. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Atendido os pressupostos de cabimento, conheço o recurso especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, e passo ao exame da invocada contrariedade do acórdão 303-33.131 ao disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n°9.430/96. Inicialmente, entendendo necessário destacar a ementa do acórdão recorrido, cujos termos são os seguintes: Carece de legitimidade a excluseio de pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de bnpostos Contribuições das Alicroempresas e Enqwesas de Pequeno Porte (Simples) quando exclusivamente motivada no exercício de consulloria em hardware e essa apenas 11111CIdas atividades da sociedade empresária. A vedação imposta pelo illaS0 XIII do artigo 9 ° da Lei n ° 9.317, de 1996, nao alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte 2 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Processo n" 13894.000575/2004-99 Acórdao n." 03-006.082 C017SI in( idas por empreendedores que agregam nwios de prodwao para explorar atividades económicas de .forma orgcmiatda com O desideralo de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela ê restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organiatda pela prestaçao de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos s(jcio.s da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas 170 dispositivo legal citado. Recurso volunIcirio provido. - É verdade que a ementa conforme redigida pode levar ao entendimento que a decisão contrariou o inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, ao afirmar que as atividades, entre outras. de "preparo de software para utilização, venda ou locação, assessoria e análise de sistemas" são permitidas. Sucede que a decisão recorrida tem por fundamento, conforme entendimento de seu relator. o fato da vedação contida no dispositivo acima mencionado não alcançar as sociedades empresárias de micro ou dc pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o objetivo de gerar ou circular bens ou prestar serviços. A vedação somente atingiria aos casos de "inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado". Todavia, o que importa destacar (5 que a conclusão de ser dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por maioria de votos, incluindo neste posicionamento alguns dos Conselheiros que não concordam com os fundamentos de decidir do relator do acórdão recorrido, encontra-se correta e em observância ao disposto no artigo 9°, XIII, da Lei 9.317/96. Entre as atividade executadas pela Recorrente, a que fundamentou sua exclusão no Simples, foi. segundo consta do Ato Declaratório Executivo DRF/GUA n° 471.716, de 07 de agosto de 2003. a de consultoria de hardware (cfr. fls. 23 dos autos). A alegação da Recorrente de que a contribuinte em sua manifestação de inconformidade dc fis. 1/13 declarou que sua atividade consiste no comércio varejista de suprimentos para informática e serviços de assessoria. consultoria. planejamento. projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na área de informática". não procede, eis que é nítido que a mesma está reproduzindo o seu objeto social, tal qual redigido nos seus instrumentos de constituição e não declarando o que pratica. Veja que próprio ato de exclusão diz: "consultoria em hardware" e nada mais. Não se tem nenhuma outra informação ou indicio de prática de outra atividade, salvo a de comércio de equipamentos. partes e peças de computador, que com aquela se relaciona. E essa "consultoria" em hardware, que motivou a exclusão do contribuinte do Simples, a meu ver, não se confunde corn a atividade de consultor de que trata o inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, uma vez que o seu exercício não depende de habilitação profissional legalmente exigida. Na verdade, o que se pode inferir dos autos (5 que a empresa contribuinte conhece equipamentos de informática, suas partes e peças. e na medida da necessidade de seu cliente orienta a utilização/aquisição de um ou de outro equipamento. Nada mais regular de um loja especializada em informática, e cuja atividade 6. totalmente compatível. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Logo, diante do acima exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. como voto. catei_Qt—b 4 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA
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Numero do processo: 15956.000479/2007-47
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador,
para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo &cadenciai nem o termo inicial
da sua contagem.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
Ementa: INFORMAÇÕES DA CPMF. UTILIZAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. Ao Fisco é garantido o acesso à movimentação financeira em conta bancária dos contribuintes, originada de informações relativas à CPMF, e a sua utilização para fins de constituição do crédito de outros tributos, mesmo que relativo a períodos anteriores à Lei 10.174/2001, segundo pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os
valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem
ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: MULTA QUALIFICADA. A prática de simulação de vendas e de
omissão da escrituração contábil-fiscal de vultosa movimentação financeira
em conta bancária autoriza a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
Ementa: MULTA EX OFFICIO. CONFISCO. O principio constitucional da
vedação ao confisco é dirigido aos tributos em geral, não alcança as multas de lançamento ex officio.
Numero da decisão: 1101-000.166
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro João Sergio Gomes, por ter
sido julgador em primeira instância o conselheiro João Carlos Lima Junior, pela parte.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo &cadenciai nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 Ementa: INFORMAÇÕES DA CPMF. UTILIZAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. Ao Fisco é garantido o acesso à movimentação financeira em conta bancária dos contribuintes, originada de informações relativas à CPMF, e a sua utilização para fins de constituição do crédito de outros tributos, mesmo que relativo a períodos anteriores à Lei 10.174/2001, segundo pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA QUALIFICADA. A prática de simulação de vendas e de omissão da escrituração contábil-fiscal de vultosa movimentação financeira em conta bancária autoriza a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA EX OFFICIO. CONFISCO. O principio constitucional da vedação ao confisco é dirigido aos tributos em geral, não alcança as multas de lançamento ex officio.
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DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorremcia de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo &cadenciai nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 Ementa: INFORMAÇÕES DA CPMF. UTILIZAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. Ao Fisco é garantido o acesso à movimentação financeira em conta bancária dos contribuintes, originada de informações relativas à CPMF, e a sua utilização para fins de constituição do crédito de outros tributos, mesmo que relativo a períodos anteriores à Lei 10.174/2001, segundo pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 -"dr Ementa: MULTA QUALIFICADA. A prática de simulação de vendas e de omissão da escrituração contábil-fiscal de vultosa movimentação financeira em conta bancária autoriza a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA EX OFFICIO. CONFISCO. O principio constitucional da vedação ao confisco é dirigido aos tributos em geral, não alcança as multas de lançamento ex officio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mento, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro João Sergio Gomes, por ter sido julgador em primeira instancia o conselheiro João Carlos Lima Junior, pela parte. ANTÔNIO P. á GA - re • dente ALOYSIO .118 \PE4011 É O »A SILVA Relator EDVEADO EM l? 9(1 h 51•- 20 10tt t, ¡á, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Ricardo da Silva, Aloysio Jose Percinio da Silva, João Sergio Comes (Suplente Convocado), João Carlos Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente) e Antonio Praga (presidente da turma). \ • 2 Processo n° 15956.000479/2007-47 SI-C [Ti Acórdão ne 1101-00.166 121. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 14-18.431/2008 (fls. 4.876), da Sa Turma da DRJ/Ribeirão Preto-SP. O contexto da exigência se encontra assim relatado na decisão contestada: "Contra o contribuinte acima identificado, pessoa jurídica individual, foram lavrados autos de infração que lhe exigiram Imposto de Renda Pessoa Jurídica (MPB no valor de R$ 27.654,73 (fl. 4738), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$27.654,73 (fl. 4747), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de R$ 43.651,08 (ff 4756); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofias) de R$ 37.302,18 (fl.4765) e Contribuição para a Seguridade Social (INSS) de RS 181.387,44 (fl. 4774), acrescidos de juros de mora, multa de oficio de 75% e multa de oficio qualificada de 150%, cuja capitulação legal acha-se descrita nos termos de apuração respectivos. A imposição tributária deu-se no âmbito do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microennpresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES Baseou-se o lançamento tributário em insuficiência de recolhimentos e omissão de receitas, caracterizada por receitas não escrituradas e depósitos bancários não contabilizados. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 4795/4833), o objetivo do procedimento fiscal que resultou na imposição tributária visou verificar a incompatibilidade entre a movimentação bancaria apresentada pela contribuinte declarada ao Fisco, fato que ensejou apurarem-se as operaç5es comerciais por ela oferecidas à tributação em confronto com o que fora informado pelos adquirentes de seus produtos. O resultado do que fora apurado registrou a autoridade fiscal no termo antes referido, desdobrado em diversas planilhas que contêm relação das notas fiscais de vendas (fis.5291556) e créditos nas contas correntes bancárias do contribuinte (fls. 4532(4653). As importâncias obtidas, substrato do lançamento ora controvertido, após minuciosa descrição lavrada no termo de verificação, foram desdobradas em dois grupos: a) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados, sobre os quais incidiu multa de oficio majorada de 150% em face de que a autoridade entendeu ter havido intuito doloso de burlar o fisco, objeto de representação fiscal para fins penais, autuada sob is° 15956.000484/2007-50, em que figuram como imputados a contribuinte e a empresa Guaçu S.A. de Papéis e Embalagens, CNPJ n° 45.78345910001-60; b) insuficiência dos recolhimentos efetuados pela contribuinte, em razão da mudança da base de calculo, motivada pela imposição relativa à omissão de receitas, que ocasionou alteração das aliquotas, nos termos do que dispõe a Lei n°9.317, de 1996, art. 23." , k ( 3 Os autos de infração abrangeram fatos geradores mensais de fevereiro a dezembro do ano-Calendário 2002, com ciência do sujeito passivo no dia 08(10(2007. Após tempestiva impugnação (fls. 3.512), o órgão de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade de votos, mediante decisão resumida nos seguintes termos: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LC rd 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. O art. 6' da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3324/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao principio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n°105/01 e pelo Decreto n°3.724/01. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos de oficio aplica-se a regra contida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que estabelece prazo de cinco anos a partir do primeiro dia em que o lançamento poderia ter sido efetuado, para que a Fazenda Pública proceda a constituição do crédito tributário respectivo, nas situações em que ocorra dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeu-se de artificio doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando a sonegação fiscal. PRESUNÇÃO 31./RIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.• FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal /uris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciaria) corresponde, efetivamente, ao auferánento de rendimentos (fato juridieo tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na sanação concreta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogam à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal 4 A Processo n° 15956.0004:79/2007 .47 SI-CIT1 Acendo DT 1101-00.166 Fl. 3 declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação." Cientificada do aresto em 10/03/2008 (fls. 4.889-verso), a interessada interpôs o recurso no dia 7 do mês seguinte (fls. 4.890). Preliminarmente, discorreu sobre suposta inconstitucionalidade da LC 105/2001 quanto ao acesso a dados de movimentação financeira em conta bancária e sustentou que o crédito tributário relativo aos fatos geradores mensais de janeiro a setembro estaria alcançado pela decadência, tendo em vista a ciência do lançamento ocorrida em outubro de 2007. Ainda no âmbito preliminar, reclamou de cerceamento do direito de defesa, por não ser chamado a se manifestar, durante a fiscalização, acerca de documentos apresentados por terceiros. No mérito, refutou a motivação do inicio da ação fiscal com base em informações bancárias referentes à tributação da CPMF, conforme a Lei 9.311/1996, e a ausência de enquadramento da sua "situação fálica" no art. 3° do Decreto 3.724/2001. Argumentou que movimentação financeira em conta bancária não configuraria renda, exigindo-se do Fisco a comprovação de nexo causal entre depósitos e omissão de rendimentos. Contestou a multa qualificada de 150%, pela falta de prova de evidente intuito de fraude, conforme a Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, além de classificá-la corno "confiscatória". Requereu declaração de insubsistência dos autos de infração e - encaminhamento de intimações ao endereço do seu patrono, além de provar as alegações por "todos os meios de prova em Direito admitidos", especialmente sustentação oral. É o relatório. )). • • 5 Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Este Conselho, na condição de órgão integrante da estrutura administrativa da União, não detém competência para enfrentar argüições de inconstitucionalidade de atos legais, segundo entendimento amplamente pacificado pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, consolidado na Súmula 1°CC n° 2, com o seguinte enunciado: "Súmula PUC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Segundo determinação expressa do art. 72, § 4°, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, as súmulas adotadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de observância obrigatória nos julgamentos deste Colegiado. A oportunidade para se manifestar sobre quaisquer documentos foi ofertada ao sujeito passivo com a instauração do contraditório, no âmbito do presente processo, assegurando-lhe o exercício da ampla defesa. A recorrente contestou a ação fiscal desenvolvida com base em informações bancárias referentes à tributação da CPMF. • No teimo de verificação fiscal (IVE), a autoridade lançadora informou que o procedimento teve por objetivo investigar a causa da diferença entre as receitas oferecidas à tributação e a movimentação financeira em contas bancárias constante das declarações de CPMF. Tal matéria já se encontra pacificada pela Primeira Sessão do Superior Tribunal de Justiça (STS), garantindo-se ao Fisco o acesso à movimentação financeira dos contribuintes e a sua utilização para fins de constituição do crédito tributário, mesmo em relação a períodos anteriores à Lei 10.174/2001, conforme aresto de 09/08/2006 (EREsp 608.053/RS — Embargos de Divergência no Recurso Especial 200610055502-7), assim resumido: "DIREITO TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LC 105/2001 E LEI 10.174/2001. USO DE DADOS DE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS PELAS AUTORIDADES FAZENDÁRIAS. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. APLICAÇÃO BIEDLATA. PRECEDENTES. 1. A Lei 9.311/1996 ampliou as hipóteses de prestação de infonnações bancárias (até então restritas - art. 38 da Lei 4.595164; art. 197, II, do CIN; art. 8° da Lei 8.021/1990), permitindo sua utilização pelo Fisco para fins de tributação, fiscalização e arrecadação da CRNIF (art. 11), bem como para instauração de procedimentos fisealizatórios relativos a qualquer outro tributo (art. 11, § 3°, com a redação da Lei 10.174/01). Processo n!) 15956.000479/2007-47 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.166 E. 4 2. Também a Lei Complementar 105/2001, ao estabelecer normas gerais sobre o dever de sigilo bancário, permitiu, sob certas condições, o acesso c utilização, pelas autoridades da administração tributária, a documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras" (arts. 5°c 6°), 3. Está assentado na jurisprudência do STJ que "a exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o °nuamente de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal" (REsp 685.708/ES, l r Tumm, MM. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005. No mesmo sentido: REsp 628.116/PR, 2 Turma, Min. Castro Mein, DJ de 03/10/2005; AgRg no RE, 669.157/PE, Turma, Min. Francisco Falcão, Dl de 01/07/2005; REsp 691.601/SC, 2" Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005." O voto condutor do acórdão referido foi da autoria do Ministro Teori Albino Zavaseki, aprovado por unanimidade. Presumo que a reclamação quanto à ausência de enquadramento da sua "situação fática" no art. 3' do Decreto 3.724/2001 significa, na verdade, protesto por suposta falta de motivação para expedição das requisições de infonnaçõ es .l"sobre movimentações financeiras (RIVW). É descabido o protesto. A redação do art. 2° do Decreto 3.724/2001, vigente na época das RIVIF relacionadas no item 5 do TVF, previa a sua expedição nos casos de procedimento de fiscalização em curso e exames considerados indispensáveis. O art. 3° do referido Decreto definia as hipóteses em que os exames seriam considerados indispensáveis. No mesmo item 5 do TVF, a autoridade fiscal informou que as RiVIP foram expedidas "a fim de identificar, através de documentos comprobatórios ou demonstrativos, os remetentes dos créditos bancários referentes aos lançamentos relacionados em anexo a cada RMF", tendo em vista a falta de esclarecimento da fiscalizada acerca da origem da maioria dos depósitos bancários nas suas contas, cujos extratos foram fornecidos por ela própria à fiscalização (item 4 do TVF). A "situação fálica" da recorrente, no momento da fase investigatória na qual se encontrava, se enquadrou no art. 3°, VII, do referido Decreto, que previa como indispensável o exame nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei 9.430/96. O dispositivo legal estabelece: "Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: 7 1\2 s' I - embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem corno pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966; . II - resistência à fiscalização, caracterizada pela negatiVa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III - evidências de que a pessoa jurídica esteja constituida por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de Erma individual; Dessa foona, bem se vê que a "situação tática" da recorrente se acomoda perfeitamente no art. 3° do Decreto 3.724/2001. A presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem incomprovada está expressamente prevista no art. 42, capta, da Lei 9.430/96, que assim dispõe: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Segundo a pacifica jurisprudência emanada do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, os depósitos bancários sem comprovação de origem devem ser tributados como receitas omitidas, na forma do dispositivo legal acima referido, conforme se constata nos seguintes acórdãos: "OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os valores . creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica. (Ac. 103- 22.640/2006) OMISSÃO DE RECEITA. DEPOSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do ano calendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Ac. CSRE/01- 05.312/2005) DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a erigem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão de rendimentos, nos Danos do art. 42 da Lei n° 9,430, de 1996. (Ac. CSRE/04-00.452/2006)" No item 14 do termo de verificação fiscal (TVF) — "MAJORAÇÃO DA MULTA" (fis. 4.829), a autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada de 150% com base na prática de operações de vendas de mercadorias sem registro contábil identificadas / n , . Vl Processo n° 15956_000479/2007-47 SI-C/T1 Acórdão rd" 1101-00.166 • Fl. 5 por intermédio de depósitos em contas bancárias não escriturados e de conluio entre a recorrente e a pessoa jurídica Guaçu S/A de Papéis e Embalagens, resultando em simulação de vendas de mercadorias. A recorrente se insurgiu contra a penalidade qualificada ao fundamento de ausência de prova de evidente intuito de fraude, respaldando a sua argumentação na Sumula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, além de classificá-la corno "confiscatória". A referida Súmula contém o seguinte enunciado: "Súmula 1°CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." A omissão de receitas identificada pela fiscalização soma R$ 3.517.567,53, para um valor declarado de RS 1.152.577,01 no ano calendário 2002, conforme discriminado na "relação final dos créditos cujas origens não foram comprovadas , no TFV (fis. 4.828). Da magnitude da receita omitida já se percebe que não se tratou de uma pequena quantidade de depósitos porventura não registrados na contabilidade por mero equivoco. Ao contrário, o vultoso montante omitido, maior do que o triplo da receita declarada, demonstra claramente a prática reiterada com a intenção de subtrair valores da tributação. A simulação de vendas restou bem provada. No item 9.3 do TVF (fls. 4.825), a autoridade lançadora descreveu como a Guaçu S/A de Papéis e Embalagens emitia notas de vendas para a recorrente e depois pagava por essas operações mercantis, mediante créditos em conta bancária, em vez de receber por elas, caracterizando conluio. As notas fiscais correspondentes, devidamente discriminadas no TVF, foram registradas como entradas de mercadorias na contabilidade da recorrente. Entre as razões de recurso, constou a classificação da multa ex officio corno "confiscatória". A vedação ao confisco, expressamente contida no art. 150, IV, da Constituição da República, restringe-se aos tributos, não e extensiva às multas. Observe-se o ensinamento de Hugo de Brito Machado ("Os Princípios Jurídicos da Tributação na Constituição de 1988", Dialética, ria edição, p. 107): "Em síntese, qualquer que seja o elemento de interpretação ao qual se dê ênfase, a conclusão será contrária à aplicação do principio do não-confisco às multas fiscais. Se prestigiarmos o elemento literal, temos que o art.150, inciso IV, refere-se apenas aos tributos. O elemento Ideológico não nos permite interpretar o dispositivo constitucional de outro modo, posto que a finalidade das multas á exatamente desestimular as práticas ilícitas. O elemento lógico-sistêmico, a seu turno, não leva a conclusão diversa, posto que a não-confiscatoriedade dos tributos é garantida para preservar a garantia do livre exercício da atividade econômica, e não é razoável invocar-se qualquer garantia jurídica para o exercício da ilicitude." 9 \ A recorrente também suscitou preliminar de decadência do direito cie constituir o credito tributário relativo aos fatos geradores entre janeiro e dezembro de 2002, que só agora enfrento, após o exame de mérito acerca da aplicação da multa qualificada, tendo em vista a ressalva quanto à necessidade de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, contida no art. 150, § 4', do CTN. Os autos versam sobre exigência de tributos enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. Nesses casos, conforme o referido § 4° do art. 150 do CTN, inicia-se a contagem do prazo qüinqüenal de decadência a partir da data . do fato gerador. Na linguagem do Código, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento c definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. • O legislador do CTN estabeleceu a ressalva para os casos de dolo, fraude ou simulação, mas não o fez acompanhada de determinação expressa do correspondente prazo decadencial a ser aplicado à hipótese. Diante de tal lacuna, a doutrina e a jurisprudência administrativa do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes consagraram o entendimento de que, em tais casos, deve ser utilizada a norma geral de decadência constante do art. 173, I, do Código. Prescreve o dispositivo legal: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." No caso concreto, em que restou comprovada a ocorrência de evidente intuito de fraude, previsto no art. 44. II, da lei 9.430/96, aplica-se a norma de decadência do art. 173, I, do Código. Os seguintes acórdãos do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais exemplificam o entendimento acima exposto: "LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, FRAUDE. DECADÊNCIA. O fisco dispõe de cinco anos para constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio, nos casos de tributos submetidos à modalidade de lançamento por homologação, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando restar comprovado evidente intuito defraude, (Acórdão n°: 103-22.640/2006) DECADÊNCIA. Estando configurada fraude, dolo ou simulação, inclusive com aplicação de multa qualificada de 150%, não pode ser utilizada a norma do § 4o cio art. 150 do CfN, por expressa previsão. - Nesse caso, aplica-se a regra prevista no art. 173, 1, do mesmo diploma 1 egal.(Acórdão 108-09.585/2008) Processo n° 15956.000479/2007-47 51E - C1TI Acórdão n." 1101-00.166 a 6 DECADÊNCIA. IKPJ. A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8383191, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 173-1 e § único do CTN). (CSRF/01-05.751/2007) IRP.T. DECADÊNCIA. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocon-encia de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercicio seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN), hipótese esta que não ocorre no caso. (CSRF701-05.925/2008)" O fato gerador mais antigo é de 28 de fevereiro de 2002, sendo possível a constituição do crédito tributário ex officio no próprio ano-calendário (2002). Aplicando-se a regra do art. 173, I, do CTN, têm-se o primeiro dia do exercício seguinte (2003) como termo inicial de contagem do prazo decadeneial. Tornando-se cinco anos a partir dessa data, o lançamento poderia ser realizado até 31/12/2007. O lançamento foi concluído dentro do prazo legal, no dia 08/10/2007, data da ciência ao sujeito passivo. É descabida, portanto, a preliminar de decadência. Confoone relatado, o processo também abrange autos de infração do tipo reflexo. Nesse caso, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiada, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. O direito à sustentação oral está assegurado ao sujeito passivo ou seu representante legal, nos termos previstos no art. 58/Anexo II do Regimento Interno deste Conselho. A respeito do envio de intimações, cabe ao órgão preparador realizá-las segundo as prescrições do art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. • , ALOXSIO J1S12/PITH r ttaliA SILVA I
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Numero do processo: 11610.011340/2002-74
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1995 a 30/06/2001
FINSOCIAL. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO. DEZ ANOS DO PAGAMENTO.
No caso de lançamento tributário por homologação, como é o caso da contribuição ao Finsocial e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO.
Na forma da jurisprudência firmada pela Primeira Seção do Superior Tribunal da Justiça, no julgamento do REsp n° 378.795/GO, que a simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea e, portanto, não afasta a exigibilidade da multa de mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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PRAZO PARA RESTITUIÇÃO. DEZ ANOS DO PAGAMENTO. No caso de lançamento tributário por homologação, como é o caso da contribuição ao Finsocial e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO. Na forma da jurisprudência firmada pela Primeira Seção do Superior Tribunal da Justiça, no julgamento do REsp n° 378.795/GO, que a simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea e, portanto, não afasta a exigibilidade da multa de mora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ik2.1A.°HE'LLENAI RAJANO DAMORIM - Presidente e AILÀ)^4e.js MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA — Relato EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório O presente feito cuida de recurso voluntário (fls. 102 a 111) apresentado contra decisão da DRJ de São Paulo, que indeferiu solicitação do ora recorrente de restituição e compensação de valores pagos a título de multa de mora relativos a parcelas vencidas de Finsocial e de PIS (fls. 1 a 14), apresentado em 12 de julho de 2002 e relativo a períodos de apuração de setembro de 1995 a junho de 2001. O pedido do ora recorrente foi indeferido ah initio pelo Despacho Decisório de fls. 46 a 50, de 3 de fevereiro de 2004, que afirma que parte do período estaria prescrito e que inexistiria indébitos em relação à multa de mora, pois os tributos foram pagos após os respectivos vencimentos. Em sua impugnação, o contribuinte alega que o prazo para o pedido, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, somente deve ser contado a partir da homologação tácita do lançamento e que a denúncia espontânea também seria aplicável no caso da multa de mora, desde que o tributo fosse pago antes de qualquer manifestação da autoridade fiscal. Acresce ainda que a lei não exige o pagamento no próprio ato da denúncia espontânea e, logo, o pagamento poderia ser efetuado por compensação. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1995 a 30/06/2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue- se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância do art. 3° da Lei Complementar n°118/2005. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARTIGO 138 DO CIN. - O Pagamento a destempo do tributo, deve estar necessariamente acompanhado da multa e dos juros de mora, ou do- depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, não podendo a multa ser restituída com o argumento da Denúncia Espontânea. Solicitação indeferida. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. 2 . . Processo n° 11610.011340/2002-74 53-C IT2 Acórdão n.°3102-O0285 Fl. 141 Inicialmente o processo foi remetido ao antigo Segundo Conselho de Contribuintes, no qual foi julgado pela Primeira Câmara daquele Conselho, que adotou a seguinte ementa em acórdão relatado pelo ilustre Conselheiro José Antonio Francisco: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997, 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 3011111999, 31112/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 Ementa: FINSOCIAL. MULTA DE MORA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA. A competência para apreciar pedido de restituição relativo à multa de mora consectá ria de recolhimento do Finsocial é do 32 Conselho de Contribuintes. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995, 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997, 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 Ementa: PIS. PARCELAMENTO. MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O prazo para pedido de restituição é de cinco anos, contados da data do recolhimento indevido ou a maior do que devido. PARCELAMENTO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 3 A multa de mora é devida no recolhimento de tributo fora do prazo do vencimento legal, ainda que o débito tenha sido espontaneamente confessado pelo sujeito passivo. Recurso negado. Como se pode observar da ementa acima, o Segundo Conselho de Contribuintes decidiu o recurso voluntário quanto à matéria de sua competência e declinou a competência no que toca aos alegados créditos de Finsocial. Assim, os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 4 Processo n° 11610.011340/2002-74 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.285 Fl. 142 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. O pedido de restituição foi protocolado em 12 de julho de 2002, o período de apuração é de setembro de 1995 a junho de 2001. Ora o prazo para o contribuinte requerer a restituição de valor pago indevidamente, quando se trata de tributo apurado por homologação é de dez anos contados da data do pagamento indevido. Neste sentido é a mansa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO. LC N° 118/2005. ART. 3°. NORMA DE CUNHO MODIFICADOR E NÃO MERAMENTE INTERPRETATIVA. INAPLICAÇÃO RETROATIVA. ENTENDIMENTO DA 1" SEÇÃO. I. Está uniforme na 1" Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. 2. A ação foi ajuizada em 05/11/1998. Valores recolhidos, a título de PIS, no período de 08/89 a 12/97. Não transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 11/1988) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação. Precedentes desta Corte Superior. 3. Quanto à LC n° 118/2005, a I" Seção deste Sodalício, no julgamento dos EREsp n° 327043/DF, finalizado em 27/04/2005, posicionou-se, à unanimidade, contra a nova regra prevista no art. 3 0 da referida Lei Complementar. Decidiu-se que a LC inovou no plano normativo, não se acatando a tese de que a mencionada norma teria natureza meramente interpretativa, restando limitada a sua incidência às hipóteses verificadas após a sua vigência, em obediência ao princípio da anterioridade tributária. 5 4. "O art. 3° da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a "interpretação" dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência" (EREsp 327043/DF, Min. Teori Albino Zavascki, voto-vista). 5. Embargos de divergência conhecidos e não-providos. (EREsp n° 652494/CE, relator Ministro José Delgado, Primeira Seção, DJU de 24.10.2005, pág. 162) Contudo, o presente feito, não se limita ao prazo decadencial do valor a ser restituído, mas à efetiva existência do direito de restituir, pois apesar de cuidar de Finsocial, o que o recorrente pretende ver restituído é o valor correspondente à multa de mora paga quando o débito foi confessado e parcelado. A matéria não é nova e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está pacificada sobre a mesma, podendo citar os seguintes exemplos recentes desta jurisprudência: PROCESSUAL CIVIL — VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC — INEXISTÊNCIA — TRIBUTÁRIO — CONFISSÃO DA DÍVIDA — PARCELAMENTO DO DÉBITO — NÃO-CONFIGURAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA — IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA — TAXA SELIC — LEGALIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida. 2.Após o advento da Lei n. 9.250/95, incide a taxa SELIC desde o recolhimento indevido, ou, se for o caso, a partir de 1°.1.1996, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SELIC inclui o índice de inflação do período considerado e a taxa de juros. 3.É assente o entendimento nesta Corte no sentido de ser cabível multa moratória, no caso de parcelamento de débito, decorrente de crédito tributário. 4. A Primeira Seção deste Tribunal firmou o entendimento segundo o qual a simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp n° I 050664/DF, Segunda Turma do STJ, relator Ministro Humberto Martins, DJe 23/04/2009) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PARCELAMENTO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS 6 Processo n° 11610.011340/2002-74 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.285 Fl. 143 ADVOCATICIOS. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. INVIABILIDADE. SÚMULA 07/STJ. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (AgRg no Ag n° 1066250/SP, 1" Turma do STJ, relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 11102/2009) PROCESSUAL CIVIL — AGRAVO REGIMENTAL — EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA — ART. 535 DO CPC — AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE — DÉBITO TRIBUTÁRIO — PARCELAMENTO — MULTA MORATÓRIA — DENÚNCIA ESPONTÂNEA AFASTADA. I. Os embargos de divergência têm como pressuposto de admissibilidade a existência de similitude fática entre os arestos confrontados. 2. Exame em torno de violação do art. 535 do CPC depende de uma verificação casuística que, na esteira do entendimento firmado nesta Corte, não pode ser levado a termo em sede de embargos de divergência. 3. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 284.189/SP em 17/06/2002, reviu seu posicionamento, concluindo pela aplicação da Súmula 208 do extinto TFR, por considerar que o parcelamento do débito não equivale a pagamento, o que afasta o beneficio da denúncia espontânea. 4. Entendimento consentâneo com o teor do art. 155-A do CTN, com a redação dada pela LC 104/2001. 5.Agravo regimental não provido. (AgRg nos EAg n" 870867/SP, Corte Especial do STJ, relatora Ministra Eliana Calmon, DJE 09/03/2009) Assim, independente do entendimento pessoal deste relator, a verdade é que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, que decide a matéria do ponto de vista legal, dentro de competência idêntica à deste Colegiado, ao julgar o REsp n° 284.189/SP em 17/06/2002, reviu o seu posicionamento, concluindo pela aplicação da Súmula n° 208 do extinto Tribunal Federal de Recursos, por considerar que o parcelamento do débito não equivale a pagamento, o que afasta o beneficio da denúncia espontânea. Por este motivo, ressalvada minha opinião pessoal sobre a matéria, submeto- me à jurisprudência daquela Corte Superior e VOTO por conhecer do recurso voluntário, mas para negar provimento ao pedido nele formulado. (\aUl- 4.1/4P-A-cQ MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 7
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900384/2008-10
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2000
BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE.
Equiparam-se aos descontos concedidos incondicionalmente a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as bonificações perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 84 /2 00 8- 10 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de processo que retorna a julgamento em face da conclusão da diligência que deliberáramos por meio da Resolução nº 340100.082, de 27/10/2010. Ocorreu que, em face do Despacho Decisório Eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição de parte da Cofins recolhida em junho de 2000, período de apuração de maio de 2000, a interessada esclarecera em sua Manifestação de Inconformidade que o pagamento a maior tinha origem no fato de ter deixado de excluir da base de cálculo da contribuição daquele período o valor correspondente ao montante das “bonificações” concedidas a clientes. Naquela ocasião, invocara a aplicação da regra contida no inciso I, do parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, podem ser excluídos os “descontos incondicionais concedidos”, ou seja, defendeu a equiparação das “bonificações” aos “descontos incondicionais”. Após a conclusão de diligência por ela própria determinada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. (grifei) A decisão recorrida fundamentouse integralmente nos termos da Solução de Consulta proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 183, em 27 de maio de 2009, ou seja, a pretensão da interessada [de ver reconhecido um pagamento a maior por ter incluído na base de cálculo da contribuição os valores das bonificações de mercadorias a clientes] foi rejeitada por entender aquele Colegiado que as bonificações não poderiam ter o mesmo tratamento dos descontos incondicionais (exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins) e isso pelo fato de, no presente caso, e consoante a documentação acostada ao processo em face de diligência por ela própria, DRJ, requisitada, não terem as bonificações constado da nota fiscal de venda, ou seja, por terem constado de uma nota fiscal própria [bonificação], emitida posteriormente. Depreendese do voto da DRJ que o reconhecimento da “incondicionalidade” do desconto, no caso, representado pela “bonificação”, depende fundamentalmente da inexistência de qualquer hiato entre as duas modalidades de saída de mercadorias [venda e bonificação]; isto é, para a instância de piso a bonificação somente se caracterizaria como um desconto incondicional se constasse do corpo da própria nota fiscal de venda. Por seu turno, a Recorrente argumentou que a emissão apartada dos documentos fiscais decorrera de uma questão meramente formal, não podendo tal “hiato” dar azo ao cumprimento de qualquer condição. Até porque, ressaltou ela, as notas fiscais de bonificação eram emitidas na sequência imediata à das notas fiscais de venda, dandose conjuntamente a saída das mercadorias do estabelecimento. Aduziu ainda a Recorrente que a bonificação ocorre quando há um abatimento no preço de venda normalmente praticado, ou quando é entregue mercadorias em Fl. 446DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 3401001.956 S3C4T1 Fl. 434 3 quantidade superior ao pago pelo comprador, situação esta ocorrida no presente caso, em que não recebeu qualquer valor por conta das bonificações, as quais se revestiram de mero apelo comercial. Daí, a seu ver, as razões pelas quais entende que tal operação equivale a de descontos incondicionais. Outro argumento trazido pela Recorrente é o de que, nos termos do decidido pelo STF no RE nº 170.555PE, a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, de sorte que, a seu ver, a forma pela qual a concessão da bonificação é documentada tornase irrelevante, dado o fato não corresponder à hipótese de incidência dessas contribuições visto que não recebe qualquer valor nesta operação. Neste ponto, colacionou decisão do TRF da 1ª Região. Invocou, por fim, a Recorrente, que eventuais normais infralegais não poderiam alargar a hipótese de incidência constitucionalmente eleita, mormente porquanto o inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, deixa claro que devem ser excluídos da receita bruta os descontos incondicionais. Acolhendo minha proposição, esta Turma, com outra composição [o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho era o Presidente], resolveu converter o julgamento em diligencia para que se verificasse junto às notas fiscais de bonificação de que forma as mesmas se relacionavam com as notas fiscais de venda, ou seja, se havia a “incondicionalidade” reclamada pela instância julgadora. Fora então referida Resolução assim elaborada: Por todo o exposto e, em observância aos princípios da legalidade e da verdade material, e, ainda, ao disposto no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19723, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem informe a este Colegiado: a) se as notas fiscais de bonificação do período de apuração em discussão estão realmente relacionadas às notas fiscais de venda emitidas no momento imediatamente anterior, ou seja, se, em relação às notas fiscais de venda a que se referem, indicam o mesmo cliente, a mesma data, o mesmo produto, o mesmo transportador, as mesmas placas dos veículos e o mesmo horário de saída; e b) para as notas fiscais de bonificação efetivamente caracterizadas como uma espécie de “descontos incondicionais” (o que se conclui a partir da resposta positiva a todos os quesitos da letra “a” acima), apurar o seu total, calcular o valor da Cofins correspondente e utilizálo no procedimento de compensação indicado pela interessada na Dcomp objeto deste processo, informando a este Colegiado o resultado do encontro de contas. O Relatório de Diligência Fiscal atestou que uma parte apenas daquele montante das bonificações preencheu aos quesitos indicados na letra “a” da Resolução, de sorte que a Cofins correspondente, no valor de R$ 1.511,95, poderia ser reconhecida em favor da interessada como originária de um recolhimento a maior. Cientificada dos termos em que elaborado o Relatório de Diligência Fiscal, a interessada não se manifestou. No essencial, é o Relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho A discussão aqui se cinge a se as “bonificações” concedidas pela empresa a seus clientes, o que se dava na forma de entrega de mercadorias em quantidade superior ao valor pago por elas e mediante a emissão de nota fiscal destacada da venda à qual se referia, podem ser equiparadas como “descontos incondicionais concedidos” para fins da exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins de que trata o inciso I, do parágrafo 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Conforme já constara do voto em que resultou na Resolução alhures mencionada, a própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento acerca do tratamento fiscal a ser dado para as “bonificações” em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas, o que se deu no Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, trechos abaixo transcritos: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que, se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real. E a citada IN nº 51/78, dispõe: 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (..) Esse entendimento da Administração Tributária também foi estendido para o PIS/Pasep e a Cofins, consoante se verifica nas “Perguntas e Respostas”, disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil na internet1, cujo texto transcrevo: 370 As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins? 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2004/pergresp2004/pr363a430.htm Fl. 448DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 3401001.956 S3C4T1 Fl. 435 5 Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN nº 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições. (destaques do original) Para o Fisco, portanto, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há que de serem caracterizadas como os descontos incondicionais concedidos assim definidos na IN SRF nº 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e, a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. No presente caso, o resultado da diligência demonstra que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração sequencial imediata, envolveu o mesmo produto [com ressalvas feitas pela fiscalização quanto às referências dos mesmos, o que, para mim se mostra irrelevante], o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, portanto, não vejo como elas possam ter ficado na dependência de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, o que permite que possam ser caracterizadas como “descontos incondicionais concedidos”, mostrandose irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. De outra parte, e tendo a Recorrente quedado inerte, não se reconhece tais características para a parte das bonificações que não puderam ser relacionadas a um mesmo cliente, a um mesmo produto etc. Alem disso, não se tem notícia nos autos, ao contrário, de que a interessada tenha sido paga pelas mercadorias entregues em “bonificação”, situação essa que se lhe retira a característica de integrante da “receita bruta” a que alude a hipótese de incidência das contribuições. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de pagamento a maior no recolhimento da Cofins do período de apuração de maio de 2000, no valor original de R$ 2.899,29, nos termos da diligência fiscal. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10768.012899/97-46
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1992
DECADÊNCIA - IRPJ - Em períodos anteriores a vigência da Lei nº 8.383, de 31/12/91, o termo a quo do prazo decadencial para o Imposto sobre a Renda é a data em que ocorreu a entrega da declaração de rendimentos pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 28 99 /9 7- 46 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório CAFES FINOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 02/19, com os anexo de fls. 21/160, lavrado pela extinta DRF/RIO DE JANEIRO, contra a interessada acima identificada, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 552.460,30, acrescido de multa proporcional de 75% e juros de mora. Decorre a autuação das seguintes infrações imputadas à interessada, conforme Descrição dos Fatos de fls. 03/06 e Termo de Verificação de fls. 21/26: 1 Despesas indedutíveis referentes às contribuições ao FINSOCIAL e ao COFINS, visto ter a interessada ingressado com ações judiciais contra a cobrança das mesmas, tendoas depositado judicialmente (guia dos respectivos depósitos judiciais à ordem da justiça às fls. 100/104). (item 11.2.1 do Termo de Verificação). Período de apuração: março a dezembro de 1992. Valor tributável total: Cr$ 393.940.620,30. Enquadramento legal: arts. 255, §1° e §2°; e 387, inc. I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.° 85.450/1980 (RIR/1980). 2 Variações monetárias passivas efetuadas a maior relativas à: A) atualização monetária da provisão para o imposto de renda sobre o lucro inflacionário, no valor de Cr$ 47.124.102,76 (item 11.1.1 do Termo de Verificação); e B) atualização monetária da provisão para a contribuição social sobre o lucro líquido, no valor de Cr$ 105.620.012,91 (item 11.1.3 do Termo de Verificação). Período de apuração: janeiro de 1992. Enquadramento legal: arts. 157, §1°; 191 e parágrafos; 254, inc. II e parágrafo único; e 387, inc. II, do RIR/1980. 3 Reavaliação espontânea de investimentos em participações societárias, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, visto ter a interessada contabilizado a maior o valor dos investimentos relativos às seguintes empresas: Cafés Finos Teresina Ltda, Restaurante São Luis Ltda, Cafés Finos Salvador Ltda, Palheta Bahia Agrícola e Pecuária Ltda e Cafés Finos Iguaçu Ltda (item 1.1 do Termo de Verificação). Período de apuração: anocalendário 1991. Valor tributável: Cr$ 564.363.326,14. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 3 Enquadramento legal: arts. 157, §1°; 258; 259; 260; 261; 262; 326; 327; e 387, inc. I e II; do RIR/1980. 4 Despesa indevida de correção monetária: A) correção monetária incidente sobre os valores constantes das contas de deoreciação do ativo imobilizado relativas à diferença IPC/BTNF (cópia do razão auxilia fls. 59/66) (item 1.2 do Termo de Verificação). Período de apuração: anocalendário 1991. Valor tributável: Cr$ 44.355.368,90. Enquadramento legal: art. 39, § 1o e § 2o do Decreto n.° 332/1991 c/c art. da Lei n.° 8.200/1991; art. 30 e 32 da Lei n.° 8.541/1992 e arts. 154; 157, §1°; 73; 242; 243 e 387, §1°, do RIR/1980. B) correção monetária efetuada a maior sobre o patrimônio líquido, já que este, em 31/12/1991, encontravase majorado, em virtude de a interessada ter efetuado a menor a provisão para o imposto de renda (Valor tributável: Cr$ 4.434.467,00) (item 11.1.2 do Termo de Verificação). C) correção monetária efetuada a maior sobre a conta n.° 24.51.00.017 (correção monetária complementar Lei n.° 8.200/91), conforme lançamento no livro Diário, cópia à fl. 90. (Valor tributável: Cr$ 143. 656.974,56) (item 11.1.4 do Termo de Verificação). Período de apuração dos itens "B" e "C": janeiro de 1992. Valor tributável total dos itens "B" e "C": Cr$ 148.091.441, 56 D) correção monetária incidente sobre o Patrimônio Líquido, em março/92, tendo em vista os seguintes fatos: em fevereiro/92, a interessada contabilizou indevidamente despesa de correção monetária no valor de Cr$ 54.759.020,22 (fls. 92), tendo ajustado tal engano no LALUR (fls. 107). Em março/92, regularizou contabilmente o prejuízo de fevereiro/92, estornando o valor do prejuízo de Cr$ 85.927.845,61 e lançando o prejuízo correto do mês, Cr$ 31.168.825,39. Entretanto, como também em março lançou receita de correção monetária no valor de CR$ 54.759.020,22 (fls. 95) e a excluiu no LALUR (fls. 109), majorou indevidamente o resultado contábil de março nesse valor, (item 11.3.1 do Termo de Verificação). Período de apuração: abril de 1992. Valor tributável: Cr$ 11.099.653,39. Enquadramento legal: art.s 154; 155; 1.57, §1°; 173, parágrafo único; e 387, inc. I, do RIR/1980 5 Adições não computadas no lucro real, referentes às parcelas dos encargos de depreciação do ativo imobilizado, correspondentes à diferença IPC/BTNF (item I.2 do Termo de Verificação). Período de apuração: anocalendário 1991 Valor tributável: Cr$ 38.082.499,94 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 4 Enquadramento legal: art. 39, § 1o e § 2o do Decreto n.° 332/1991c/c art. ° da Lei n.° 8.200/1991; art. 30 e 32 da Lei n.° 8.541/1992 e arts. 154; 157, §1°; 173; 242; 243 e 387, §1°, do RIR/1980 6compensação de prejuízo fiscal, tendo em vista as alterações introduzia s p. o presente auto de infração, no anocalendário 1992: Períodos de apuração: julho, agosto e setembro de 1992. Enquadramento legal; art. 157, §1°; 382; 386, §2°; e 388, inc. II, do i è80. Em decorrência dos fatos apurados na autuação do IRPJ, foram lavrados autos de infração para exigir o imposto de renda retido na fonte IRF, no valor de R$ 51.345,00 (161/166) e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, no valor de R$ 99.938,40 (fls. 167/74). Cientificada das autuações, fls. 02, 161 e 167, em 12/05/97, a interessada apresentou defesa, mediante a impugnação de fls. 177/197, alegando, em resumo: 1 em relação à dedução das contribuições: que existe discrepância entre a capitulação legal constante do Termo de Verificação e a do Auto de Infração; que, de qualquer forma, a glosa é improcedente, já que procedeu de acordo com a lei então vigente, Decreto n.° 1.598/77, que dispõe, em seu artigo 16, que os tributos são dedutíveis como custo ou despesa operacional no período de incidência em que ocorrer o fato gerador da obrigação tributária, se o contribuinte apurar os resultados segundo o regime de competência; que tal dispositivo legal somente foi revogado pelo artigo 7o da Lei n.° 8.541, de 23/12/1992, segundo o qual as obrigações referentes a tributos e contribuições somente seriam dedutíveis para fins de apuração do lucro real quando pagas; que, na forma de seu art. 57, a citada Lei n.° 8.541/1992 somente passou a produzir efeitos a partir de 01/01/1993, tendo revogado as disposições em contrário, especificamente o art. 16 do Decreto n.° 1.598/1977; que, assim, até 31/12/1992 estava vigente a disposição contida no art. 16 do Decreto n.° 1.598/1977, a qual permitia a dedução dos tributos como custo ou despesa operacional no períodobase de incidência em que ocorresse o fato gerador da obrigação, se o resultado fosse apurado segundo o regime de competência, como é o caso da impugnante; e que, desta forma, não pode o fisco aplicar disposição da Lei n.° 8.541/1992 a fatos geradores ocorridos nos meses de março a dezembro de 1992. 2 em relação às variações monetárias passivas efetuadas a maior: que as referidas provisões foram constituídas em 31/12/90e 31/12/89, para atender, respectivamente, o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o diferimento do lucro inflacionário para os exercícios seguintes; que, em 31/12/91, não registrou contabilmente as atualizações monetárias correspondentes a essa provisões, vindo a fazêlo cumulativamente em janeiro de 1992 (demonstrativo às fls. 239/242); Fl. 461DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 5 que o autuante, não tendo percebido que a impugnante deixou de atualizar monetariamente as provisões, entendeu que o saldo das mesmas, as ,uais geraram as variações monetárias passivas, correspondia as provisões do ano e não de exercícios anteriores, como é o caso; que, ao calcular as variações monetárias passivas, procedeu em conformidade como o que dispõe a lei fiscal, em particular com o que determina o Ato Declaratório Normativo n.° 16/1988, não tendo o fisco contestado o seu direito, entendendo apenas que a variação monetária foi calculada a maior; e que o seu procedimento em nenhum momento trouxe prejuízo ao fisco, já que se apropriasse tais variações nos períodos de competência, haveria redução nos resultados desses períodos, devendo, no caso, ser observado a orientação contida no Parecer Normativo CST n.° 57/79. 3 em relação a reavaliação espontânea das participações societárias: que não ocorreu qualquer reavaliação espontânea dos investimentos em participações societárias; que, ao efetuar o cálculo da equivalência patrimonial, deduziu apenas o valor do investimento, não considerando a diferença resultante da aplicação dos índices do IPC/BTNF, o que resultou no lançamento a maior de equivalência patrimonial; que tal diferença não foi lançada na conta de Reserva de Reavaliação, no Patrimônio Líquido, nem os investimentos foram baixados por eventuais alienações, o que significa dizer que não houve qualquer reflexo tributário, levandose em conta que a equivalência patrimonial é isenta de tributação; que a falta de dedução no aludido exercício da diferença resultante da aplicação dos índices do IPC/BTNF não autoriza a convicção de que foi feita reavaliação espontânea de investimento em participações societárias; e que ao proceder a equivalência patrimonial no exercício seguinte, tal diferença ficou automaticamente ajustada. 4 em relação às despesas indevidas de correção monetária: que, segundo o fisco, a impugnante apropriou despesa indevida de correção monetária, incidente sobre depreciação diferença IPC/BTN, no valor de CR$ 44.355.368,90; que a jurisprudência administrativa consolidou que “o art. 3o. da Lei n.° 8.200/91, ao admitir a dedutibilidade da diferença verificada no ano de 1990, entre a variação do índice de preços ao consumidor IPC e a variação do BTN fiscal, validou os sedimentos adotados pelos contribuintes que utilizarem os índices relativos ao IPC , em vez do BTNF, e deixou de definir como infração ao art. 1o da Lei n.° 7.799/89 .acórdão 10187.589/95 do Conselho de Contribuintes); que se a dedutibilidade da despesa, mediante a utilização dos indices relativos ao IPC, em vez do BTNF, para correção do balanço, é válida, válida também para a depreciação efetuada sobre a diferença entre IPC/BTNF e sua correção; que, ainda nesse item do auto de infração, o fisco apurou despesa indevida de correção monetária, caracterizada pelo saldo devedor de correção monetária maior que o devido, gerando uma diminuição no lucro líquido do exercício, que Fl. 462DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 6 deveria ser adicionado para efeito de tributação, nos valores de Cr$ 148.091.441,56 (fato gerador 01/92) e Cr$ 11.099.653,39 (fato gerador 04/92), sendo que o valor de Cr$ 148.091.441,56 representa a soma das parcelas de Cr$ 4.434.467,00 e Cr$ 143.656.974,56; que, em relação a parcela de Cr$ 4.434.467,00 referente a correção monetária efetuada a maior, tendo em vista que o Patrimônio Líquido encontravase majorado, em,,31/12/91, temse que a provisão para o imposto de renda foi feita a menor, por ter sido realizado um lucro inflacionário menor; que ao revisar a declaração de rendimentos apresentada para o exercício de 1992, anobase 1991, o fisco exarou um lançamento suplementar, submetendo à tributação tal diferença de lucro inflacionário, tendo a impugnante, em 1993, quitado o crédito tributário exigido, retificando a aludida declaração; que não se justifica, assim, que o fisco venha submeter novamente à tributação a aludida parcela de Cr$ 4.434.467,00; que, no tocante à parcela de Cr$ 143.656.974,56, entende o fisco que se trata de correção monetária calculada sobre o saldo credor da diferença IPC/BTNF, conta do Patrimônio Líquido. Portanto, aplicase a mesma argumentação desenvolvida pela impugnante no tópico referente a despesa indevida de correção monetária, constante desse mesmo item; que, quanto à parcela de Cr$ 11.099.653,39, não assiste razão ao autuante; que, por ocasião do encerramento do mês de janeiro/92, apurou prejuízo no montante de Cr$ 209.013.338,48, lançado na conta Lucro do Exercício Corrente, conta do Patrimônio Líquido; que, com o objetivo de controlar o resultado do anocalendário 1992, criou uma conta, 244100056 "apuração de resultado", a qual foi alocada indevidamente dentro do Patrimônio Líquido; ^ que, ao calcular a correção monetária em fevereiro/92 das contas do Patrimônio Líquido com base nos saldos de janeiro/92, corrigiu também o saldo da referida conta, apurando o valor de Cr$ 54.759.020,22, o que neutralizou a correção mc do prejuízo de janeiro/92; que, percebendo o erro em março/92, procedeu as devidas correções na contabilidade: estornou os lançamentos efetuados na conta” 244100056 apuração de resultado" e transferiu os resultados (prejuízos) dos meses de janeiro e fevereiro para a conta 453200019 também chamada de "apuração do resultado" , conta transitória, não integrante do Patrimônio líquido, com a finalidade 3 controlar o resultado do ano; que os acertos procedidos na contabilidade foram também efetuados no LALUR, nos meses de fevereiro/92 e março/92; que, assim, não é devida a correção monetária de Cr$ 11.099.653,39, calculada sobre CR$ 54.759.020,22, já que este representa apenas o valor da correção monetária do prejuízo de janeiro/92, lançado indevidamente na conta 244100056 "apuração de resultado", estornado em março/92; 5 em relação às adições não computadas na apuração do Lucro Real: Fl. 463DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 7 que, nesse item, o autuante adicionou ao Lucro Real as parcelas dos encargos de depreciação correspondente a diferença do IPC/BTNF no valor de CR$ 38.082.499,94, item relacionado com o item 4 do auto de infração; que é líquido e certo o direito da impugnante de considerar dedutíveis os encargos de depreciação calculados sobre a diferença IPC/BTNF, conforme pacífica jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes; 6 em relação à compensação de prejuízos: que, conforme demonstrou e comprovou, os lançamentos efetuados não podem prosperar, o que significa dizer que os mesmos não podem servir de base para a reformulação dos resultados apurados nos exercícios fiscalizados; 7 em relação ao auto de infração do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido: que, com fundamento no art. 35 da Lei n.° 7.713/88, o autuante entendeu que houve insuficiência na determinação da base de cálculo do imposto na fonte sobre o lucro líquido ÍLL, tendo em vista os fatos apurados no auto de infração do IRPJ; que o Colendo Supremo Tribunal Federal, ao ensejo do julgamento do RE n.° 172.0581/SC, sessão de 30/06/95, declarou inconstitucional o art. 35 da Lei n.° 7.713/88, no caso em que o sujeito passivo seja uma sociedade anônima, como é a hipótese dos autos; que, declarada a inconstitucionalidade do aludido dispositivo legal, não há como prosperar a exigência fiscal, independentemente do que foi decidido em relação ao auto de infração do IRPJ; e 3 Em relação ao auto de infração da contribuição social: tratandose de lançamento decorrente, é de aplicar aqui o que for decido em relação ao auto de infração do IRPJ. Finaliza a interessada, solicitando, para a comprovação do que alega, realização de perícia ou diligência. A decisão recorrida está assim ementada: Ementa: TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. DEDUTIBILIDADE. Até o advento da Lei n.° 8.541/92, a dedutibilidade dos encargos com tributos e contribuições estava sujeita ao regime de competência, sendo irrelevante o fato de o contribuinte não têlos recolhidos. VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. PROVISÃO PARA PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO INFLACIONÁRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Após a vigência do Decreto n.° 1.598/1977, a inobservância do regime de competência na escrituração de receita, custo, dedução ou reconhecimento de lucro, só tem relevância, para fins do imposto de renda, quando dela resulte prejuízo para o fisco, traduzido em redução ou postergação de pagamento de imposto. (Parecer Normativo CST n.° 57/1979) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 8 VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. PROVISÃO PARA PAGAMENTO DA CSLL. O art. 44 da Lei n.° 7.799/1989 veda a dedutibilidade da atualização monetária de tributos e contribuições não pagos até a data do vencimento. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. REAVALIAÇÃO ESPONTÂNEA. ALEGAÇÃO DE ERRO DE CÁLCULO. No caso de investimentos em participações societárias obrigatoriamente avaliados pelo método da equivalência patrimonial, se os valores contabilizados como investimentos forem maiores do que os obtidos pelo referido método, a diferença, considerada como reavaliação espontânea,se não computada pelo contribuinte na determinação do lucro real, nos termos do Decretolei n° 1.598/77, art. 35, § 3o, deverá ser tributada. A alegação do contribuinte de que não se trata de reavaliação espontânea, mas, sim, de mero erro de cálculo( da equivalência patrimonial, caso não seja devidamente comprovada, deve ser rejeitada. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTAS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor — IPC e a variação do BTN Fiscal, somente trará efeitos tributários a partir de 1993 (art. 3o da Lei n.° 8.200/1991 e art. 38 do Decreto n ° 332/1991). CORREÇÃO MONETÁRIA. PROVISÃO A MENOR PARA O PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. A insuficiência da constituição da provisão para pagamento do imposto de renda acarretará um variação monetária passiva menor em igual montante a despesa a maior de correção monetária do patrimônio líquido, majorado pela insuficiência dessa provisão, não causando desequilíbrio no resultado do exercício. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTA "CORREÇÃO MONETÁRIA COMPLEMENTAR LEI N.° 8.200/91". A não apresentação de razões de defesa pertinentes, estando o lançamento de acordo com a legislação, tornao incontroverso. CORREÇÃO MONETÁRIA. PATRIMÔNIO LÍQUIDO EM MARÇO/1992. Contabilizado na conta "Lucro do Exercício Corrente" um prejuízo menor do que o correto, apropriouse, por via de conseqüência, uma receita menor de correção monetária. A diferença deve ser tributada. DEPRECIAÇÃO. PARCELA CORRESPONDENTE À DIFERENÇA IPC/BTNF. Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal somente poderá ser deduzida a partir do exercício financeiro de 1994, períodobase de 1993 (art. 39 do Decreto n.° 332/1991). ILL. ART. 35 DA LEI N.° 7.713/1988. A IN SRF n.° 63/1997 determinou o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n.° 7.713/1988, em relação às sociedades por ações, visto a declaração de inconstitucional do Supremo Tribunal Federal. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Uma vez julgada a matéria contida no auto de infração principal, igual sorte colhe o autos de infração lavrado por decorrência dos mesmos fatos que originaram aquele. Lançamento Procedente em Parte Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 9 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual não contesta expressamente as conclusões do acórdão recorrido, propugnando pela decadência do credito tributário. Ao final, requer o provimento nos seguintes termos: “(...) Por todo o exposto, confia a Recorrente na reforma da decisão proferida pela 9a Turma da DRJ no Rio de Janeiro através do Acórdão DRJ/RJOI n° 4.523 de 25.11.2003, eis que comprovado restou que ocorreu a decadência do direito de lançar, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 1991 e de janeiro a abril de 1992. No mérito, a tributação mantida pela decisão de Io grau não se sustenta, ante a absoluta ausência de amparo legal. Assim procedendo, estará a Colenda Câmara aplicando a esperada e irrecusável, JUSTIÇA. (...) O processo foi encaminhado a este Conselho para apreciação do Recurso voluntário em abril/2007 (despacho de fl. 347). Todavia, retornou a origem para saneamento. Mediante Despacho de fl. 383 o processo foi volvido ao CARF, com a seguinte informação: Retornamos o processo n° 10768.012.899/9746 ao CARF CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS MF DF para prosseguimento do Recurso Voluntário, de acordo com folhas 0352/0353. Informamos que, a parte que não está sendo discutida já se encontra parcelada no parcelamento especial referente à Lei 11.941/2009 através do processo 18208.147.233/201175 (fls. 0367/0369 e 0378/0382). É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de auto de infração do IRPJ e Reflexos, cuja decisão de 1a. instância manteve em parte a exigência. Passo então a apreciar as matérias objeto do recurso voluntário. Preliminar de decadência. Aduz a contribuinte, decadência até abril/1992, na esteira do voto vencido do julgador Léo da Silva. O auto de infração foi cientificado em 12/5/1997. Ocorre que, no anocalendário de 1991 o IRPJ era lançado por declaração, sendo que a do anocalendário de 1991 foi entregue 14/05/1992 (fl. 119), logo não há que se falar em decadencial. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do acórdão CSRF/0105.200, assim ementado: DECADÊNCIA – IRPJ – Em períodos anteriores a vigência da Lei nº 8.383, de 31/12/91, o termo a quo do prazo decadencial para o Imposto sobre a Renda é a data em que ocorreu a entrega da declaração de rendimentos pelo sujeito passivo. Já em relação a 1992, o contribuinte optou pela apuração do lucro real semestral, ou seja, em maio/1997 não havia transcorrido o prazo decadencial do 1o. semestre de 1992. Rejeito, pois, a preliminar. No mérito, a contribuinte alega que “Uma vez comprovada a decadência do direito de lançar, confia Recorrente no acolhimento da preliminar argüida, expurgando da tributação os valores suprareferidos.” Registrese que a própria contribuinte não contesta o mérito, resta manter a exigência, haja vista que os fundamentos da decisão de 1a. instância não merecem reparos. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 467DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.012899/9746 Acórdão n.º 1402001.203 S1C4T2 Fl. 0 11 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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