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Numero do processo: 10855.722025/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009, 2010
CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. MERO ARGUMENTO COMPLEMENTAR DE DECISÃO. INEXISTÊNCIA DE RECONHECIMENTO DE VÍCIO FORMAL.
Quando o julgador cancela o lançamento fiscal de glosa de despesa em razão de entendimento pela demonstração da comprovação, normalidade e necessidade das despesas incorridas, trata-se o caso de vício material.
A mera inclusão de argumento complementar no sentido de que se o inconformismo do fisco reside na tributação mais favorecida da receita das demais empresas que prestaram serviços à contribuinte deveria o fisco ter autuado tais empresas e não a Interessada, não tem o condão de alterar a conclusão do julgado no sentido de reconhecer vício formal do lançamento.
Numero da decisão: 1201-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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VÍCIO MATERIAL. MERO ARGUMENTO COMPLEMENTAR DE DECISÃO. INEXISTÊNCIA DE RECONHECIMENTO DE VÍCIO FORMAL. Quando o julgador cancela o lançamento fiscal de glosa de despesa em razão de entendimento pela demonstração da comprovação, normalidade e necessidade das despesas incorridas, tratase o caso de vício material. A mera inclusão de argumento complementar no sentido de que se o inconformismo do fisco reside na tributação mais favorecida da receita das demais empresas que prestaram serviços à contribuinte deveria o fisco ter autuado tais empresas e não a Interessada, não tem o condão de alterar a conclusão do julgado no sentido de reconhecer vício formal do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 20 25 /2 01 3- 93 Fl. 8754DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão n. 1201001.530 desta Turma que, por unanimidade de votos, em DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e, por unanimidade de votos, em NEGOU provimento ao Recurso de Ofício, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. COMPROVAÇÃO, NORMALIDADE. NECESSIDADE. Se as despesas incorridas pelo contribuinte são necessárias e possuem vínculo direto com sua atividade fim, bem como, estão devidamente comprovadas, não há razão para glosa da dedução. CONSTITUIÇÃO DE CONSÓRCIO DE EMPRESAS. NECESSÁRIA DISTINÇÃO ENTRE O CONSÓRCIO E OS PARTICIPANTES QUE A COMPÕEM. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si, não existindo fundamento legal para presumir ou exigir que os sócios apliquem a totalidade dos recursos que possuem nas atividades do consórcio. PLANEJAMENTO FISCAL. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ERRO NA DEFINIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. ERRO NA DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO. Se a autuação decorre de eventual abusividade ou fraude na adoção do Lucro Presumido pelas empresas prestadoras de serviços, há claro erro na definição do sujeito passivo e no enquadramento da infração quando a autuação conclui pela glosa da despesa incorrida pela empresa prestadora do serviço. Segundo a ora Embargante, existe OMISSÃO na decisão embargada, conforme trecho dos Embargos que destaco abaixo: Fl. 8755DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.842 S1C2T1 Fl. 3 3 Verificando o inteiro teor da decisão, constatase a existência de omissão, pois a e. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF não se manifestou sobre o seguinte argumento apresentado nas contrarrazões de fls. 8625/8661: “Como salientado diversas vezes pelo acórdão recorrido os sócios participaram de ambas entidades com os mesmos percentuais, tanto na Interessada, como no Consórcio. Assim, na realidade, no final das contas, os riscos inerentes às relações trabalhistas, quer judicialmente ou não perquiridos, seriam dos acionistas da recorrente. (...) A União defendeu que a autuada, na realidade, “contratou a si mesma, não havendo contratação de terceiros”, pois os consórcios são formados pelas mesmas empresas proprietárias direta ou indiretamente da autuada. A e. 1ª Turma Ordinária deu provimento ao recurso voluntário sustentando que a contratação das “terceiras” era necessária à realização das atividades da autuada. Não se manifestando sobre a existência de comando único entre as empresas envolvidas no caso. Essa omissão, além de cercear o direito de defesa da União, tem reflexo na previsão do art. 489, §1º, IV do CPC/2015: Art. 489. (...): § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (Destaque nosso) Além disso, aduz a Embargante haver também CONTRADIÇÃO no acórdão, conforme abaixo: Por fim, convém transcrever a parte final do Acórdão nº 1201 001.530: Me parece claro que eventual vício na tributação de uma receita em uma pessoa jurídica não pode, de forma alguma, impactar na dedutibilidade da despesa em pessoa jurídica distinta. Assim, concluo que diante dos fundamentos utilizados pelo Sr, Fiscal, houve claro erro na tipificação da infração e na determinação do sujeito passivo do lançamento. Conclusão Fl. 8756DF CARF MF 4 Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO. (Grifouse) Data venia, verificase que a decisão embargada contém uma contradição, pois o argumento ligado à violação do art. 142 do CTN por questões relacionadas à identificação do sujeito passivo e à tipificação da infração enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento. Os Embargos foram admitidos por meio de Despacho de fls 87418743. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise dos vícios apontados. Os presentes Embargos de Declaração se referem, basicamente a: i) omissão quanto ao argumento da ora Embargante de que a interessada possuía sócios em comum com o Consórcio e ii) contradição na conclusão do acórdão, vez que o alegado erro quanto à identificação do sujeito passivo e tipificação da infração leva à nulidade por vício formal da infração e não ao seu cancelamento. Da omissão Quanto à alegada omissão do acórdão em relação ao argumento da ora Embargante quanto ao fato dos sócios da Interessada figurarem também como sócios das empresas que formam o Consórcio, tenho que discordar da Embargante. Isso porque, tal fato ou circunstância não foi somente mencionado no acórdão ora embargado, como também recebeu detalhada análise fática e jurídica. Vejamos aqui, alguns trechos do acórdão que fazem tal análise: (...) No caso em tela, a Recorrente é formada por diversas empresas em consórcio. Na época, o consórcio era formado por empresas (construtoras) de pequeno e médio porte que, isoladamente, não seriam capazes de preencher todas os requisitos para vencer e cumprir as regras da licitação, seja por insuficiência de recursos financeiros (caixa para investimento), humanos (técnicos especializados em cada etapa ou parte do objeto de concessão), materiais ( no sentido de maquinários específicos) ou tecnológicos. (...) Fl. 8757DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.842 S1C2T1 Fl. 4 5 Aliás, o auditor fiscal utiliza o próprio racional de que a Recorrente é formada por um consórcio de diversas empresas para alegar que o conjunto de empresas que compõem a Recorrente formam um arcabouço de recursos financeiros, humanos, técnicos, materiais e tecnológicos que dispensariam a contratação de terceiros para o desempenho das atividades. Aqui, há por parte da Fiscalização, uma confusão entre a figura da Recorrente e a figura das empresas que a compõem. O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si. (...) Assim, pareceme claro que o auditor fiscal confundiu por completo a figura do Consórcio e de seus sócios em flagrante ofensa ao Princípio da Entidade. Aliás, a própria ementa do acórdão aborda claramente a questão tida como omitida pela ora Embargante. Vejamos: CONSTITUIÇÃO DE CONSÓRCIO DE EMPRESAS. NECESSÁRIA DISTINÇÃO ENTRE O CONSÓRCIO E OS PARTICIPANTES QUE A COMPÕEM. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si, não existindo fundamento legal para presumir ou exigir que os sócios apliquem a totalidade dos recursos que possuem nas atividades do consórcio. Assim, não enxergo tal omissão levantada pela ora Embargante, não lhe cabendo razão em relação a tal ponto dos Embargos apresentados. Da Contradição Alega a ora Embargante haver contradição no acórdão embargado que cancelou a autuação em discussão. Isso porque, ao reconhecer ter havido erra na imputação da infração e na identificação do sujeito passivo da relação tributária, deveria o acórdão ter concluído pela nulidade da autuação por vício formal e não por seu cancelamento. Também aqui, não cabe razão à ora Embargante. De fato, o acórdão menciona eventual erro na tipificação da infração e na identificação do sujeito passivo, conforme trecho que abaixo destaco: "Assim, se o problema é a tributação pelo Lucro Presumido e não a necessidade das despesas, por que o Fisco glosou as Fl. 8758DF CARF MF 6 despesas da Recorrente? Em tese, segundo o racional adotado pelo Fiscal no TVF, que deixou de recolher tributos forma os sócios da CEOP e CCBO. Mais uma pergunta: se todos os envolvidos tivessem apurado seu IRPJ pela sistemática do Lucro Real, teria o fiscal lavrado o Auto de Infração? A provável resposta é não. ou, ao menos, o TVF deveria ser alterado substancialmente, pois, baseada no racional de planejamento tributário perpetrado através de prática de simulação que visou transferir resultado para empresas optantes pelo Lucro Presumido. Me parece claro que eventual vício na tributação de uma receita em uma pessoa jurídica não pode, de forma alguma, impactar na dedutibilidade da despesa em pessoa jurídica distinta. Assim, concluo que diante dos fundamentos utilizados pelo Sr, Fiscal, houve claro erro na tipificação da infração e na determinação do sujeito passivo do lançamento." Contudo, tratase o trecho acima em destaque dos últimos 05 parágrafos de um voto de 12 páginas em que são detalhadamente abordados a necessidade, comprovação e normalidade das despesas glosadas pelo fisco. O voto faz uma análise detalhada do objeto da licitação vencida pela ora Interessada e das respectivas necessidades de recursos financeiros, humanos, técnicos e tecnológicos para o devido cumprimento do contrato. A conclusão de toda esta análise demonstrada no acórdão embargado vai no sentido de que inexiste qualquer vício em relação às despesas incorridas pela Interessada e glosadas pela Fiscalização, conforme trecho que abaixo destaco: " Feitas tais considerações legais e contratuais, especificamente quanto ao contrato de concessão celebrado pela Recorrente, cabe aqui refletir sobre a real necessidade de contratar serviços de terceiros para desenvolver partes das atividades objeto da concessão e a forma como isso se deu. Vejam, o objeto da concessão traz uma infinidade de atividades para a Concessionária, que vai desde a sinalização da rodovia, atendimento mecânico aos usuários, atendimento de emergência, pesagem e administração de pedágio e chega até as obras de manutenção, recapeamento e ampliação das rodovias. Não é razoável imaginar que uma única empresa, isoladamente, possua expertise, mão de obra qualificada, tecnologia e equipamentos suficientes para fazer frente a toda esta gama de atividades. Não à toa que o próprio edital e modelo de contrato de concessão utilizado (que é praticamente um contrato de adesão, já que parte integrante do edital) previam a formação de consórcios para atendimento ao edital e de contratação de Fl. 8759DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.842 S1C2T1 Fl. 5 7 terceiros para execução de parte das atividades, como foi feito pela Recorrente. " Destaco ainda: Assim, uma vez que: i) as despesas incorridas pela Recorrente foram devidamente comprovadas por notas fiscais; ii) a efetiva prestação dos serviços não foi contestada pelo fisco e iii) a usualidade das despesas em razão da atividade da Recorrente não foi atacada pelo Fisco, restou apenas avaliar se a forma como tais despesas foram incorridas (através da contratação de outras empresas Consórcios) é válida. Veja, o título deste tópico do voto "Da forma da Despesa" não é desmotivada, pois, ressalto novamente, a essência das despesas incorridas não foi contestada pelo Fisco, apenas sua forma. Assim, dadas as motivações negociais, contratuais e mesmo legais acima expostas, não enxergo qualquer vício, ilicitude ou evidências de simulação que posaam prejudicar a dedução das despesas incorridas pela Recorrente junto à CEOP e à CCBO. É possível verificar da leitura dos trechos acima que o acórdão embargado faz uma análise das circunstâncias, natureza, especificidades e necessidades do tipo de contratação que envolveu a ora Interessada para, ao fim, concluir não só pela legalidade das despesas incorridas, mas também por sua necessidade e normalidade, o que vem justificar a respectiva dedutibilidade. Contudo, ao final, o acórdão ora embargado, traz um último tópico com o título "Do verdadeiro inconformismo da Fiscalização e do erro na definição do sujeito passivo e da infração" e é exatamente aqui que reside a suposta contradição alegada pela ora Embargante. Neste trecho do acórdão, resta demonstrada que diante da possibilidade de dedução das despesas pela contribuinte, ora Interessada, e considerando que um dos principais argumentos trazidos pelo fisco reside no fato de que a receita fora tributada de forma mais favorável nas empresas que prestaram serviços à ora Interessada, deveria o fisco ter autuado as empresas prestadoras de serviços em relação ao tratamento fiscal conferidos às suas receitas e não a Interessada em relação às respectivas despesas. Adotando tal racional, houve erro na identificação do sujeito passivo e na definição da infração. Vejam que tratase de mero argumento complementar que reforça a total improcedência do lançamento. Contudo, não foi o argumento principal para cancelamento do auto, cuja conclusão foi motivada, digase novamente, pela demonstração da comprovação, normalidade e necessidade das despesas incorridas pela ora Interessada. Contudo, de forma complementar, fora levantado no acórdão a questão no sentido de que, se o inconformismo do fisco reside na tributação mais favorecida da receita das Fl. 8760DF CARF MF 8 demais empresas que prestaram serviços à Interessada, deveria o fisco ter autuado tais empresas e não a Interessada. O argumento aqui trazido pela ora Embargante tem por finalidade o eventual reconhecimento de um vício formal do lançamento que gera a sua nulidade em lugar do vício material que gera o respectivo cancelamento. Neste sentido, cabe aqui destacar recente julgado deste Conselho de lavra do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1991 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. O procedimento para sanear o erro incorrido na atividade de lançamento implicou na identificação da própria matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo, que não constavam do primeiro lançamento. A ausência desses elementos configura vício grave, não só porque dizem respeito à própria essência da relação jurídicotributária, mas também porque inviabilizam o direito de defesa e do contraditório. Não cabe falar em convalidação do ato de lançamento se está havendo inovação na parte substancial desse ato. Além disso, o Decreto n° 70.235/72, em seus artigos 59 e 60, deixa bastante claro que não cabe saneamento de vício (para fins de convalidação do ato) nos casos de nulidade por preterição do direito de defesa. Não há como reconhecer a ocorrência de vício formal. A regra do art. 173, II, do CTN não é aplicável à situação sob exame para fins de alongar o prazo decadencial em favor do Fisco. A ementa acima aplicase perfeitamente ao caso em tela. Não é possível à Embargante "salvar" o prazo decadencial do tributo buscado, tendo por base eventual vício formal. Conforme explicitado acima, o lançamento fiscal analisado pelo acórdão embargado trata de glosa de despesas de um determinado contribuinte ora Interessada, o que é diametralmente distinto de eventual lançamento referente à tributação da receita de outro contribuinte empresas que prestaram serviços à ora Interessada. Não se trata aqui de mero erro endógeno do lançamento fiscal perpetrado, mas sim de total improcedência do lançamento fiscal que teve como alvo despesas incorridas pelo contribuinte. Fl. 8761DF CARF MF Processo nº 10855.722025/201393 Acórdão n.º 1201001.842 S1C2T1 Fl. 6 9 O lançamento ora em combate não é nulo, mas sim improcedente. Essa foi a conclusão desta turma julgadora no acórdão ora embargado. Conclusão Diante do exposto, NÃO ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 8762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720085/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência e encaminhar o processo à PGFN, a fim de que esse Órgão seja cientificado e se manifeste sobre o Parecer acostado aos autos após o processo ter sido incluído em pauta. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência e encaminhar o processo à PGFN, a fim de que esse Órgão seja cientificado e se manifeste sobre o Parecer acostado aos autos após o processo ter sido incluído em pauta. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência e encaminhar o processo à PGFN, a fim de que esse Órgão seja cientificado e se manifeste sobre o Parecer acostado aos autos após o processo ter sido incluído em pauta. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 08 5/ 20 15 -1 5 Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.154 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SPO em sessão de 20 de abril de 2016, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco (fls. 2434/2462). Também se apreciam 12 (doze) recursos voluntários individuais interpostos pelos sujeitos passivos solidários arrolados pelo Fisco, sendo 10 pessoas físicas e 2 pessoas jurídicas, cuja imputação foi ratificada pela decisão recorrida: Nome CPF/CNPJ Termo (fls.) Carlos Seabra Suarez 071.161.95572 1565 Afonso Arnaldo Junqueira Prata 341.483.96600 1565 Sergio Augusto Najar 087.105.97549 1565 Jorge Goldenstein 196.708.34520 1565 Marcus Vinicius de Magalhães Matos 514.073.61600 1566 Lauro Augusto Oliveira Cruvinel Borges 301.512.52653 1566 Mauricio de Lana 045.092.50649 1566 Renato Nogueira da Silva 072.302.90678 1566 Marco Antonio Pimenta Ferreira 129.973.31668 1566 Ismar Godinho Pereira 727.070.03891 1567 BNY Mellon Serv.Finan.DTVM S/A 02.201.501/000161 1567 Banco Modal S/A 30.723.886/000162 1567 Os autos compõemse de extenso e detalhado TVF (fls. 1628/1645), igualmente extensa e detalhada impugnação (fls. 1739/1797), além das outras impugnações individuais dos responsáveis tributários, Acórdão a quo (fls. 2434/2462), recurso voluntário da recorrente (fls. 2506/2575 – 71 laudas), doze recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários (240 folhas – 20 laudas por recurso), contrarrazões da PGFN (fls. 2959/2974), além de “arquivos não pagináveis” com 94 folhas e volumoso “parecer jurídico” (fls. 3015/3125 – 110 páginas) juntado às vésperas da sessão de julho/2017 desta Turma Ordinária, já com o processo pautado para julgamento, acrescido de centenas de documentos, o que, antecipadamente, mostra a profundidade da lide, tudo convergindo para se verificar se os lançamentos realizados pela Fiscalização e as responsabilizações imputadas de “solidariedade” teriam substância. DA ACUSAÇÃO FISCAL (TVF – fls. 1628/1645) Adoto, por bem resumir os fatos e a acusação imputada, inclusive de responsabilização solidária, o relatório do acórdão a quo: “ A contribuinte transferiu as ações da MULTIVIAS para pessoas físicas e fundos de participação em investimentos além de valorizar as referidas participações com o intuito de aumentar o custo do investimento e assim reduzir o pagamento do imposto de renda pela redução do ganho de capital; Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.155 3 Pelo Livro de Registro de Ações ficou constatada a transferência das ações da MULTIVIAS para as pessoas físicas e fundos de investimentos a data de 24/06/2010; Houve a intenção da contribuinte de fugir à tributação como pessoa jurídica para ser tributado como pessoa física; A forma praticada pela contribuinte para a transferência das ações da MULTIVIAS , foi a redução do capital da ESTRADA com a devolução de capital executada através de ações da MULTIVIAS pelo valor contábil (logo sem auferimento de ganho de capital) e ato contínuo a venda das ações da MULTIVIAS para a CPC; Com os movimentos societários o imposto de renda (15%) a CSLL (9%) que incide sobre o ganho de capital na pessoa jurídica se transformou somente em IR (15%) sobre o ganho de capital das pessoas físicas e nenhum imposto de renda sobre o ganho de capital dos fundos de investimentos em participações, logo, um planejamento tributário abusivo para redução ilícita do valor tributável; Em 25/08/2010, foi consumada a negociação de compra da MULTIVIAS e neste documento não consta ESTRADA SP em nenhum momento, pois no período entre maio e junho a participação foi desmembrada; O interesse da CPC na MULTIVIAS deriva no desejo de controle da SP VIAS, cuja sócia, a MULTIVIAS, detinha uma participação de 26,55%. A CPC acabou por adquirir o restante de participação de outras sócias, passando a deter 100% da SPVIAS; A suposta transferência de ações da MULTIVIAS para pessoas físicas e fundos de investimentos evidenciase pelo fato de a MULTIVIAS pertencer à fiscalizada (ESTRADAS) cuja ação de transferir, via devolução de capital da ESTRADAS, consumado com transferência das ações da MULTIVIAS, não passou de um bem arquitetado para economizar tributos; O objetivo da operação era de reduzir a tributação sobre o ganho de capital, ao invés de calcular tributos a 34% (IRPJ + CSLL) no caso de pessoa jurídica, optou por transferir as ações para pessoa física onde a tributação seria de 15% (IRRF); A transferência de ações para fundos de investimentos em participação que quando as ações são negociadas fora do mercado da bolsa, sem intermediação somente será tributado pelo IR no momento do resgate pelo cotista (art.14, §1º da IN RFB nº 1.022/2010); É de se consignar que todos o novos sócios são efetivamente sócios da ESTRADA SP, mas não eram sócios da MULTIVIAS e a transferência das ações da MULTIVIAS somente ocorreu depois de fechado a negociação e pouco antes da celebração do contrato de compra e venda; Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.156 4 A negociação vinha de anos anteriores e somente começou a ficar mais concreto a partir de 04/12/2009 até o desfecho ocorrido em 25/08/2010, logo houve tempo para dar caráter de uma transação normal, para ocultar o ilícito e abusivo planejamento tributário; Em decorrência dos fatos ora expostos foi aplicada a multa qualificada de 150% bem como a lavratura de Termos de Responsabilidade Tributária de todos os envolvidos na transação ora averiguada no curso da fiscalização”. DAS IMPUGNAÇÕES Procedidas as ciências respectivas, autuada (recorrente) e os doze sujeitos passivos solidários listados pelo Fisco interpuseram impugnações individualizadas, sendo de se destacar que, em relação ao mérito, o aduzido foi registrado na peça impugnatória da contribuinte. Mencionadas impugnações constam às fls. fls.1.680/1.689, 1.704/1.713, 1.727/1.736, 1.739/1.797, 1.870/1.881, 1.928/1.937, 1.959/1.970, 1.985/1.994, 1.997/2.006, 2.018/2.029, 2.131/2.140, 2170/2.179, 2.214/2.222 e, por estarem claramente sintetizadas na relatoria da decisão contestada, aqui as reproduzo: “· No presente caso há a ausência de compromisso do alienante em alienar o bem negociado e do adquirente de pagar o preço contratado, não se podendo falar em compra e venda e de seus efeitos decorrentes. As negociações ocorridas no passado não acarretaram em efetivo compromisso de alienação; · Quanto à cláusula do contrato que previa a atualização dos valores contratados com base no CDI a partir de março de 2010 não passa de apenas mera recomposição de valores defasados pelo tempo não se constituindo de qualquer avença referente à negociação das referidas participações da MULTIVIAS na SPVIAS. Portanto, não houve qualquer tentativa de alienação firmada antes da celebração do contrato; · A alienação jamais poderia ser considerada a partir de março de 2010 tendo em vista que vigia a cláusula suspensiva do contrato (a mera tratativa preliminar não detém força vinculativa – art.462 do NCC); · Ausente o compromisso do alienante em alienar o bem negociado e do adquirente de pagar o preço, não há que se falar em compra e venda ainda que instrumentalizada por contrato preliminar. A formalização de interesse não é capaz de caracterizar contrato preliminar, pois nenhuma das partes poderia exigir a celebração do contrato definitivo; · Os vendedores celebraram o contrato em nome próprio, não podendo este de forma vincular terceiros como a impugnante, pois os alienantes assumiram direitos e obrigações em caráter pessoal e intransferível, não sendo possível confundir a figura dos vendedores com a autuada; · O efeito do presente contrato não possui o condão de vincular a impugnante, pois esta não participou do negócio; Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.157 5 · A alienação das ações da MULTIVIAS ocorreu apenas em 22/10/2010 no fechamento do negócio após a satisfação das condições avençadas pelas partes contratantes; · Tendo a CPC se comprometido a adquirir o percentual de 73,44% das ações de SPVIAS apenas em 03/08/2010, é evidente que a alienação das ações de MULTIVIAS jamais poderia produzir seus efeitos a partir de março de 2010 como diz a Fiscalização; · As receitas decorrentes de negócios acertados sob condição suspensiva somente integram a base de cálculo do IR e da CSLL com o implemento do evento condicionante da eficácia do negócio; · É legítima a redução de capital da impugnante com a entrega de bens e direitos a seus sócios e acionistas a título de devolução de capital (art.22 da Lei nº 9.249/95). Não há a obrigatoriedade de motivo negocial para a transferência de citados bens e direitos; · No que se refere à procuração, esta não foi outorgada na qualidade de acionista, pois todos os vendedores participaram da assembléia, não havendo qualquer razão para se questionar a outorga de poderes de representação por parte da impugnante; · As participações indiretas dos vendedores referemse ao capital social de SPVIAS e não da MULTIVIAS. Os vendedores eram acionistas diretos da MULTIVIAS e foram as ações da MULTIVIAS, e não da SPVIAS, objeto de alienação. Portanto, a impugnante jamais poderia ter alienado as ações da MULTIVIAS, pois sequer era a titular das ações alienadas; · O depósito do sinal pela alienação das ações não ocorreu em 25/03/2010, e, sim, em 25/08/2010, cujo montante somente foi liberado na data de fechamento do negócio (doc.06); · Inexistindo falsidade, inexatidão ou omissão, a conduta da contribuinte, ainda que configure fraude à lei, não enseja a aplicação da multa qualificada de 150%; · O auto de infração é nulo, pois a alienação foi efetuada em 22/10/2010 e sendo a contribuinte optante pelo lucro presumido o fato gerador deveria ser referente ao período encerrado em 31/12/2010; · Como os efeitos da alienação dos ativos ocorreu a partir de 18/03/2010 (PA encerrado em 31/03/2010) o direito de o Fisco efetuar o lançamento tributário terseia encerrado em 09/09/2015, tendo, portanto decaído o crédito tributário ora apurado; · O montante recolhido a título de IRPF dos sócios/vendedores das ações deveria ser compensado com o crédito tributário apurado nestes autos; · Das parcelas acertadas pela alienação ao total de 5, todas sob condição suspensiva, apenas duas delas foram, de fato, pagas, Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.158 6 devendo as três remanescentes ser descontadas por não ter havido disponibilidade jurídica ou econômica destes valores; · Descabem juros sobre as multas de ofício; · DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA: (Afonso Arnaldo Junqueira Prata, Carlos Seabra Soares, Ismar Godinho Pereira, Jorge Goldenstein, Lauro Augusto oliveira Crunivel Borges, Marco Antônio Pimenta Ferreira, Marcus Vinicius de Magalhães Matos, Maurício de Lana, BNY Mellon Serviços Financeiros DTVM, Renato Nogueira Silva, Sergio Augusto Najar, Banco MODAL S/A); · O fato de os acionistas participarem indiretamente dos resultados da sociedade (lucros da empresa) não caracteriza o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal capaz de atribuirlhe responsabilidade solidária como quer a Fiscalização (art.124, I, do CTN); · Não se caracteriza no presente caso o interesse jurídico comum, ou seja, a participação direta na negociação dos acionistas com a empresa ESTRADAS na alienação das ações; · No caso dos Fundos FIP houve a atuação apenas na condição de representante, mera administradora de um fundo de investimento, nunca em nome próprio não cabendo a aplicação do art.124, II, do CTN; · No caso do Banco MODAL a participação na empresa autuada somente ocorreu em 29/12/2014, ou seja, mais de 4 anos depois das operações ora em discussão; · Não se aplica o art.135, III, do CTN no presente caso, pois o responsabilizado não praticou nenhum ato em nome da ESTRADAS vinculado às operações em discussão nem se utilizou de excesso de poderes ou qualquer forma prevista em lei que pudesse responsabilizálo pessoalmente pelos créditos tributários ora exigidos”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 2434/2462) Submetidos os autos à apreciação da 1ª Turma da DRJ/Curitiba, os lançamentos foram mantidos em sua integralidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. GANHO DE CAPITAL Constituise omissão de receitas quando a contribuinte não informa na DIPJ as receitas auferidas com a atividade operacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.159 7 Crédito Tributário Mantido O voto condutor do aresto recorrido, depois de afastar a nulidade levantada pela defesa e descartar as arguições de cerceamento de defesa e decadência, pontuou no mérito: “De acordo com a Fiscalização, a contribuinte transferiu as ações da MULTIVIAS para pessoas físicas e fundos de participação em investimentos além de valorizar as referidas participações com o intuito de aumentar o custo do investimento e assim reduzir o pagamento do imposto de renda pela redução do ganho de capital. O art.521 do RIR/99 estabelece que os ganhos de capital devem ser acrescidos à base de cálculo do IR: (...) A receita omitida em razão de não tributação dos ganhos de capital deve ser aferida e acrescida para a apuração do imposto a pagar (art.528 do RIR/99): (...) No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente as operações societárias ficando evidente pela análise documental que houve a economia tributária via planejamento tributário. A contribuinte defende que não houve nenhuma negociação preliminar que caracterizasse a compra e venda de ações da participação da MULTIVIAS na SPVIAS antes da celebração do contrato definitivo. A atualização dos valores contratados com base no CDI a partir de março de 2010 representa apenas mera recomposição de valores sem valor negocial. Portanto, não é correto considerar os efeitos do contrato a partir de 03/2010 em virtude da cláusula suspensiva contida no contrato. Pelo levantamento efetuado pela Fiscalização, com base na documentação apresentada pela contribuinte, foi observado que na data de 24/06/2010 foi efetuada a transferência das ações da MULTIVIAS da ESTRADAS SP para as pessoas físicas e fundos de investimentos em participações. Ademais, comprovouse, por meio do Livro Registro de Ações, que o objetivo de redução de tributação foi realizada entre o inicio das negociações (12/2009), a definição da do preço da aquisição (18/03/2010) e a concretização do negócio com a assinatura do contrato de compra e venda (25/08/2010). O Novo Código Civil trata do contrato preliminar e estabelece que a avença deve conter todos os requisitos essenciais do contrato a ser celebrado. (...) Após a conclusão do contrato preliminar qualquer das partes pode exigir a celebração do contrato definitivo. Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.160 8 (...) Portanto, os efeitos do contrato já valem a partir de sua celebração e no caso específico a definição do preço do negócio da aquisição representa o início da negociação, pois é um dos elementos essenciais de qualquer contrato oneroso. Assim, em estipulado o objeto do negócio (compra e venda de participação societária) e o preço, o avençado pelas partes já possui eficácia para fins jurídicos obrigacionais mesmo se tratando de ajustes preliminares (art.463 do NCC). A alegação da contribuinte de que o ajuste do preço efetuado em março de 2010 não possuir natureza vinculativa não pode ser aceita, pois nesta etapa já foi iniciado os efeitos do negócio jurídico. A inclusão de cláusula suspensiva como defesa para a postergação de possíveis efeitos jurídicos pode ser incluída em acordos contratuais, no entanto, as convenções particulares que prejudiquem os interesses da Fazenda Pública não possuem validade em razão do interesse público. Segundo a contribuinte, os vendedores celebraram o contrato em nome próprio assumindo direitos e obrigações em caráter pessoal e intransferível, portanto, o avençado pelas partes (alienação em 22/10/2010) não possui o condão de vincular a impugnante, pois esta não participou do negócio. As participações indiretas dos vendedores referemse ao capital social de SPVIAS e não da MULTIVIAS. Os vendedores eram acionistas diretos da MULTIVIAS e foram as ações da MULTIVIAS, e não da SPVIAS, objeto de alienação. Portanto, a impugnante jamais poderia ter alienado as ações da MULTIVIAS, pois sequer era a titular das ações alienadas; Referido argumento não merece prosperar, pois, como já mencionado, pelos registros observados no livro mencionado ficou claramente identificada a data de 24/06/2010 como sendo realizada a transferência das ações da MULTIVIAS da ESTRADAS SP para as pessoas físicas e fundos de investimentos em participações. Segundo a Fiscalização, esta é a prova definitiva do objetivo de redução de tributação, pois foi realizada entre o início das negociações (12/2009), a definição do preço da aquisição (18/03/2010) e a concretização do negócio com a assinatura do contrato de compra e venda (25/08/2010). O que houve no presente caso foi apenas uma transferência de titularidade das ações da impugnante para terceiros, pessoas físicas e fundos de investimentos, com o intuito venda da participação para outra pessoa jurídica e, conseqüentemente fugir da tributação como pessoa jurídica. O levantamento fiscal, com base na análise da documentação apresentada nos autos, constatou que a contribuinte (ESTRADAS) então única sócia da MULTIVIAS teve seu capital reduzido, tendo como contrapartida a devolução através do repasse das ações da MULTIVIAS (atas societárias de 21/05/10 e 24/06/10) para os sócios pessoas físicas e fundos de investimentos em participações Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.161 9 (NOVOS SOCIOS). No período, ora mencionado, materializouse a evasão tributária, considerando que a negociação já tinha sido efetivada com a CPC, somente restando a celebração do contrato de compra e venda e a transferência das ações da MULTIVIAS para os “novos sócios” ocorrida em 14/06/10. Conclui a autoridade fiscal que “Por fim o planejamento alcançou o objetivo deliberado quando no mesmo anocalendário as pessoas físicas e o fundo de investimentos em participações venderam (o que já havia sido vendido) para a CPC. Com esses movimentos societários o imposto de renda (15%) e a contribuição social (9%) que incide sobre o ganho de capital na pessoa jurídica se transformou somente em imposto de renda (15%) sobre o ganho de capital das pessoas físicas e nenhum imposto de renda sobre o ganho de capital dos fundos de investimentos em participações, logo, um planejamento tributário abusivo para redução ilícita do valor tributável.” Pela cronologia dos fatos, em 25/08/2010 foi consumada a negociação de compra da MULTIVIAS e neste documento não constava a ESTRADA SP em nenhum momento, já que no período entre maio e junho a participação foi desmembrada. Ressalta a autoridade fiscal que o interesse da CPC na MULTIVIAS, derivou exclusivamente no desejo de controle da RODOVIAS INTEGRADAS DO OESTE S/A, conhecida como SP VIAS (CNPJ 03.497.792/0001 40) empresa está que tinha como sócio, a MULTIVIAS, entre outros, cuja participação era de 26,55%. A CPC acabou por adquirir o restante de participação de outras sócias, passando a deter 100% da SPVIAS. Referidos artifícios empregados pela interessada, com o fim de afastarse do pagamentos de tributos devidos, não possuem validade para a Fazenda Pública em razão do interesse público (art.123 do CTN): (...) O pagamento dos tributos devidos em razão do ganho de capital deve ser efetuado por quem, de fato, deu origem ao fato gerador da obrigação tributária, que no caso presente é a autuada. Portanto, as receitas decorrentes de negócios acertados entre as partes devem integrar a base de cálculo do IR e da CSLL. É legítima a redução de capital da impugnante com a entrega de bens e direitos a seus sócios e acionistas a título de devolução de capital (art.22 da Lei nº 9.249/95) desde que não viole a ordem jurídica e não prejudique os interesses da Fazenda Nacional. Defende a contribuinte que o depósito do sinal pela alienação das ações não ocorreu em 25/03/2010, e, sim, em 25/08/2010, cujo montante somente foi liberado na data de fechamento do negócio (doc.06). De acordo com o levantamento feito pela Fiscalização no mapa chamado de “PLANILHA DE PREÇOS” que vem a ser o anexo IV Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.162 10 do termo de fechamento do contrato, mencionou claramente que o sinal no valor de R$ 35.653.795,26 foi depositado na conta dos “novos sócios” em 25 de março de 2010, ou seja quando os registros apontavam que o sócio da MULTIVIAS era de fato e de direito a própria ESTRADAS SP. Os valores recebidos como sinal, contingenciados e pagamento bruto constam do documento arrolados no processo (planilha de pagamentos da CPC) assim como a comprovação do valor do patrimônio líquido (balanço 31/08/10) (anexo VI). Os documentos de fls. 1.838/1.841 constituemse apenas de extratos de transferências bancárias, os quais não comprovam estarem relacionadas à operação objeto de análise do presente processo. A interessada alega que das parcelas acertadas pela alienação, ao total de 5, todas sob condição suspensiva, apenas duas delas foram, de fato, pagas, devendo as três remanescentes serem descontadas por não terem havido disponibilidade jurídica ou econômica destes valores. Referido argumento não está comprovada nos autos por meio de documentação comprobatória razão pela qual não merece guarida. Para a contribuinte os montantes recolhidos a título de IRPF dos sócios/vendedores das ações deveriam ser compensados com o crédito tributário apurado nestes autos. A compensação tributária prevista no inciso II do art.156 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), é uma modalidade de extinção do crédito tributário. A contribuinte, com direito a crédito líquido e certo, em conformidade com o art.170 do CTN, poderia, mediante requerimento dirigido à autoridade fiscal, pleitear a restituição do valor do indébito tributário ou efetuar a compensação com débitos vencidos ou vincendos para com a Fazenda Pública. Tal posicionamento encontrase pacificado no âmbito administrativo conforme Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1.499/05: “Como visto, esta modalidade de extinção do crédito tributário tem aplicação restrita aos casos expressamente previstos em lei. Segundo o mandamento transcrito, a lei pode autorizar a utilização de créditos do próprio sujeito passivo contra a Fazenda Pública para quitação de seus débitos tributários. Ou seja, no caso de o sujeito passivo ter direito a recebimento de algum crédito seu contra a Fazenda Pública ele pode optar por compensar esse valor, desde que isso seja permitido em ato legal, não contrário ao CTN.” Portanto, o processo de compensação deverá obedecer aos estritos dizeres previstos no CTN, respeitandose os requisitos específicos previstos para a sua efetivação, sobretudo no que se refere à existência do indébito tributário. A jurisprudência acata esse entendimento em que se exige a apuração prévia da liquidez e certeza do crédito em homenagem ao devido processo legal. Leandro Paulsen em seu Livro Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Fl. 3162DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.163 11 Jurisprudência, Livraria do Advogado Editora, Porto Alegre, 2.000. pág.579: “Tributário. Compensação. Art.66 da Lei nº 8.383/91. Inexistência de Crédito Líquido e Certo Apurado. 1. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido pelo art.66, da Lei nº 8.83/91, exige que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, homenageandose devido processo legal”. Ademais, para a validade da compensação deveria a contribuinte apresentar PER//DCOMP à RFB com todo o detalhamento do crédito tributário e das compensações, às quais pretender efetuar na declaração. A IN RFB nº 1.300/2012 que em seu art.41, §1º diz: (...) No presente caso, deve salientar que o IRRF, decorrente da operação de alienação de ações efetuada pela pessoa física à pessoa jurídica, deve ser pleiteada pela própria pessoa física, pois este valor desembolsado não pertence à contribuinte (pessoa jurídica). Portanto, a compensação requerida pela contribuinte não é possível neste Auto de Infração. Pelo exposto, constatouse a omissão de receitas pela não tributação dos ganhos de capital auferidos devendo ser mantido o Auto de Infração, conforme proposto pela autoridade fiscal”. Quanto à qualificação da multa de ofício (150%), o aresto combatido entendeu presentes os motivos que levaram à sua exasperação, aduzindo que “a contribuinte é obrigada a cumprir a obrigação tributária como qualquer pessoa jurídica quando se apurar tributo devido, o não cumprimento da legislação tributária enseja a aplicação da multa qualificada”. Mais, que, “a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, não prevê nenhuma exceção à aplicação da penalidade”, e que, “no presente caso, a multa qualificada foi aplicada por ter sido constatado pela fiscalização além da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, a incidência das hipóteses previstas na Lei nº 4.502/64 [art. 72], sendo o montante da penalidade aplicada sobre o valor apurado dos tributos, nos termos do artigo 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96”, concluindo que, “constatada a subsunção ao texto legal, em razão do inadimplemento da obrigação em seus respectivos vencimentos, correta a exigência acrescida da devida multa de ofício qualificada”. Finalmente, enfrentou a questão dos juros sobre a multa de ofício, entendendoos devidos; sobre a jurisprudência acostada pela impugnante assentou que, “nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido”; a respeito das doze imputações de solidariedade, analisou as respectivas peças de defesa e decidiu pela mantença no pólo passivo da lide dos sujeitos passivos arrolados e sobre a CSLL destacou que o decidido em relação ao IRPJ a ela se aplica e concluiu pela “procedência do lançamento e pela manutenção do crédito tributário lançado neste PAF”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA RECORRENTE (fls. 1922/1989) Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.164 12 Cientificada do R. decisum em 09/05/2016 (fls. 2491), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/06/2016 (fls. 2506/2575), no qual rebate incisivamente as colocações e conclusões da decisão recorrida e basicamente ratifica o que havia aduzido na impugnação inaugural, reforçando sua posição, pontuando: Fl. 3164DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.165 13 E arremata, neste ponto, ter a decisão recorrida entendido que “antes mesmo da operação de redução de capital e transferência das ações de MULTIVIAS para os VENDEDORES (em 14.06.2010) já haveria um acordo entre as partes para a venda de tais ações” (RV – fls. 2512), e que, para o Acórdão combatido a alegada “evasão tributária teria se materializado em razão de a redução de capital da RECORRENTE ter sido realizada entre o início das negociações (12/2009), a definição do preço de aquisição (18/03/2010) e a concretização do negócio de compra e venda (25/08/2010)”, não se questionando “a validade da realização de operações de redução de capital para restituição de bens a sócios e posterior venda desses bens pelos mesmos” (ibidem – fls. 2515). A partir daí, discorre longamente sobre conceitos relativos à matéria, traz doutrina e jurisprudência, apregoa a nulidade do procedimento fiscal, rebate as alegações do Fisco de que o “sinal” relativo ao negócio teria sido depositado em 25/03/2010, sendo correto 25/08/2010, como atestam documentos (TED) acostados aos autos, que até 22.10.2010, data de fechamento do Contrato, “jamais se poderia dizer que a compra e venda contratada era definitiva”, que em março de 2010 havia apenas “um interesse de CPC na aquisição das ações de MULTIVIAS,manifestado em correspondência datada de 2009. Nada além disso”. Reproduz trechos do Contrato firmado com a CPC pelos doze sujeitos passivos solidários listados pelo Fisco e que, no entender da recorrente seriam os verdadeiros vendedores das ações. Assenta mais doutrina, jurisprudência, reportase à figura dos contratos segundo a ótica da legislação cível, aponta sua congruência e observância com a legislação tributária, aduz que o artigo 22, da Lei nº 9.249/1995 permite a devolução do capital a seus proprietários pelo valor contábil. Reproduz inúmeros julgados do CARF neste sentido, assevera que o fato do acordo entre comprador e vendedores prever cláusula de correção do valor pela variação pro rata da CDI a partir de março de 2010 não significa que a alienação já estaria acordada deste o dia 18 daquele mês e que este aspecto (de correção de valores) seria irrelevante, posto que o contrato “foi celebrado sob condições suspensivas” (RV – fls. 2525). Diz mais, que os vendedores e não ela, recorrente, “celebraram o CONTRATO em nome próprio, não podendo este de forma alguma vincular terceiros”, não sendo lógico nem possível a Fiscalização e a decisão recorrida atribuírem a ela, recorrente, efeitos de uma relação contratual estabelecida por terceiros, sem a sua participação ou mesmo interveniência. Passa, sequencialmente, a buscar demonstrar que o contrato firmado entre vendedores e a CPC tinha condição suspensiva e que sua implementação definitiva dependia de eventos futuros e cumprimento de requisitos e cláusulas rígidas e específicas por parte dos contratantes, sob pena de ser inexistente para todos os efeitos (RV – fls. 2529): Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.166 14 . E continua a recorrente (RV – fls. 2531) dizendo ser “irrefutável, portanto, que, até mesmo na data de celebração do CONTRATO (frisese, quando a titularidade das ações de MULTIVIAS já pertencia aos VENDEDORES), a alienação das ações não era definitiva e somente ocorreria em um momento futuro e incerto”; que tal operação “somente veio a ser fechada meses depois (em 22.10.2010), após terem sido implementadas todas as condições (suspensivas) estipuladas pelas partes”, e que, “caso as referidas condições não tivessem sido devidamente implementadas, a alienação das ações de MULTIVIAS simplesmente não teria ocorrido” (destaques no original). Continuando com seu raciocínio argumenta (RV – fls. 2532): Realça, na mesma linha, restar “evidente, portanto, que a alienação das ações de MULTIVIAS, e os efeitos próprios dela decorrentes, apenas se consumaram em 22.10.2010, nada Data do Fechamento”, momento em que os alienantes passaram, então, “a fazer jus ao recebimento do Preço de Compra”. Disserta longamente sobre a aplicação do artigo 22, da Lei nº 9.249, de 1995 ao caso concreto (redução de capital e devolução aos acionistas pelo valor contábil), traz farta jurisprudência e doutrina que acredita lhe aproveitar, diz não terem sido apenas aspectos tributários que levaram à redução do capital, batese contra a qualificação da multa por entender não presentes os pressupostos para sua exasperação, aduz que, a se considerar, como fez o Fisco, que em 18/03/2010 já sido acordada a alienação das ações, os lançamentos estariam decaídos (regime trimestral – 31/03/2010 – vencimento prazo decadencial – 31/03/2015 ciência 09/09/2015) e, na continuidade, passa a tratar de “nulidade” em função do que nominou de “erro material na identificação do momento da ocorrência do fato gerador” (RV – fls. 2568). Finaliza requerendo a nulidade do lançamento “por erro na identificação do fato gerador do IRPJ e da CSLL exigidos” (RV – fls. 2570). Já em conclusões destaca o recolhimento do IR sobre ganhos de capital pelos alienantes pessoas físicas à alíquota de 15%, argumentando que o Fisco, ao pretender cobrar o mesmo tributo (da recorrente) à alíquota de 34% resvalaria em “patente bis in idem”. Finalmente, sustenta a impossibilidade de incidência de juros sobre as multa de ofício e requer o provimento do RV. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.167 15 Os doze sujeitos passivos solidários eleitos pelo Fisco (e mantidos no pólo passivo da lide pela decisão recorrida) acostaram recursos voluntários individualizados em relação à sujeição imputada e, quanto ao mérito, reportamse ao aduzido pela recorrente ESTRADAS SP PARTICIPAÇÕES S/A. Os recursos voluntários estão assim alinhados nos autos: Nome CPF/CNPJ Termo (fls.) RV fls. Carlos Seabra Suarez 071.161.95572 1565 2927/2942 Afonso Arnaldo Junqueira Prata 341.483.96600 1565 2847/2865 Sergio Augusto Najar 087.105.97549 1565 2886/2904 Jorge Goldenstein 196.708.34520 1565 2770/2788 Marcus Vinicius de Magalhães Matos 514.073.61600 1566 2866/2885 Lauro Augusto Oliveira Cruvinel Borges 301.512.52653 1566 2789/2808 Mauricio de Lana 045.092.50649 1566 2905/2923 Renato Nogueira da Silva 072.302.90678 1566 2809/2827 Marco Antonio Pimenta Ferreira 129.973.31668 1566 2751/2766 Ismar Godinho Pereira 727.070.03891 1567 2828/2846 BNY Mellon Serv.Finan.DTVM S/A 02.201.501/000161 1567 2611/2629 Banco Modal S/A 30.723.886/000162 1567 2685/2703 De modo geral os recursos voluntários trazem as mesmas argumentações, requerendo a descaracterização das imputações realizadas e a exclusão do pólo passivo. No caso das duas pessoas jurídicas citadas, discorrese também acerca dos “Fundos de Investimentos em Participações” e, especificamente em relação ao Banco Modal S/A diz a defesa que “a posição de administrador do FIPI somente foi assumida em 29.12.2014, mais de 4 anos depois das operações ora em discussão” (RV – fls. 2690). DAS CONTRARRAZÕES DA PGFN (fls. 2959/2974) A Procuradoria da Fazenda acostou contrarrazões ao recurso voluntário das recorrentes posicionandose em apoio ao trabalho fiscal e ratificando a decisão recorrida, valendo destacar excertos da peça juntada, que resumem a posição fazendária: “11. Como se observa do breve relatório do caso, estamos diante de autuação referente a ganhos de capital decorrentes da venda de ações da Multivias Participações e Empreendimentos S.A (Multivias) para a compradora Companhia de Participações em Concessões S.A. (CPC), que deveria ter sido apurado pela fiscalizada – Estradas SP Participações S/A (Estradas), e não pelas pessoas físicas e fundos de participação em investimentos sócios de Estradas. 12. Nos termos do que se encontra descrito no Relatório Fiscal, temos que Estradas e CPC vinham, desde o ano de 2006, realizando contatos relativamente à alienação da participação detida indiretamente1 por Estradas no capital social de Rodovia Integrada do Oeste S.A. (SPVIAS). 13. Em dezembro de 2009, tais tratativas ganharam efetiva concretude, tendose iniciado a negociação que redundou na aquisição por CPC Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.168 16 das ações representativas do capital social de Multivias e, por consequência, da participação que esta detinha em SPVIAS. (...) 15. Diante da cronologia dos eventos apontados, a fiscalização concluiu que o aumento do capital social em Estradas, seguido de sua quase imediata devolução mediante transferências das ações da Multivias foi uma manobra engendrada pela autuada para pagar menos tributos. 16. Com razão a autoridade fiscal lançadora. 17. Antes de iniciar propriamente a análise do planejamento tributário levado a efeito, mostrase importante deixar muito claro que a legalidade do lançamento deve ser apurada a partir do exame do campo de incidência da norma tributária, para que se chegue à conclusão sobre a subsunção ou não do fato aos ditames legais. 18. No exercício de seu poderdever de realizar o lançamento, o Fisco tem o papel de conferir se a operação praticada pelo contribuinte, de fato, está abrangida no escopo da lei, pouco importando se, por meio de eventuais construções artificiais, ausentes de substrato econômico ou de propósito negocial, o contribuinte buscou se afastar da mera literalidade do texto legal com vistas a se afastar também da tributação. 19. É imprescindível, portanto, que a autoridade administrativa realize a interpretação da legislação tributária, no intuito de auferir o alcance da lei. O texto escrito é apenas o ponto de partida do intérprete, que deverá atribuir valores aos símbolos e construir o sentido da norma. Para tanto, deverá utilizar como critério não só o conteúdo de cada palavra do suporte físico (interpretação literal), mas também o contexto histórico ou jurídico, a finalidade da lei (interpretação teleológica), a construção da norma perante o ordenamento (método sistêmico), etc. 20. A norma tributária deverá, outrossim, ser construída a partir dos princípios informadores do sistema, tais como o da capacidade contributiva e o da isonomia. 21. Como outro lado dessa mesma moeda, temse que a liberdade do planejamento tributário deve ser compatibilizada com a capacidade contributiva, solidariedade social e a isonomia. Ainda que os atos praticados pelos particulares estejam “formalmente” de acordo com a lei, caso o objetivo seja “escapar” da tributação ou mascarar a prática do fato gerador, caberá à autoridade impedir o efeito fiscal almejado pela parte e realizar a incidência da norma respectiva, garantindo a isonomia daqueles que estão na mesma situação. 22. Conforme relatado acima, a fiscalização verificou a ocorrência de planejamento tributário e reorganização societária objetivando unicamente a redução no pagamento de tributos por ganho de capital na alienação de participação social detida na Multivias. Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.169 17 23. Não há dúvidas de que é licito ao contribuinte procurar a tributação mais favorecida para os seus negócios, utilizando os recursos legais disponíveis. Contudo, não podem ser aceitas pelo Fisco as operações com evidente intuito de evasão fiscal, ou seja, operações sem qualquer propósito negocial, fraudulentas ou simuladas. 24. Esta é exatamente a situação dos presentes autos, quando se percebe que não havia razões para a aumento de capital realizado, seguido de sua quase imediata diminuição via entrega aos sócios dos ativos que já estavam negociados previamente com a CPC, quais sejam as ações da Multivias. 25. No afã de defender o indefensável, a autuada alega a legalidade de suas operações vistas de forma individual, mais precisamente a devolução de capital aos sócios pelo seu valor contábil de acordo com o artigo 22 da Lei nº 9.249/1995. Segundo sua óptica, não teria havido qualquer ilegalidade, mas sim a adoção de um caminho legalmente possível e que deu ensejo a uma menor tributação (opção fiscal). (...) 27. Referida norma, sob o argumento de que as operações de redução de capital dispensam qualquer propósito ou motivação contratual, corriqueiramente é suscitada como fundamento legal a justificar situações como a que se põe a julgamento no presente processo. O artigo 22 da Lei 9.249/95, contudo, apesar de não trazer em suas disposições a exigência de motivos que justifiquem as devoluções de capital realizadas, tampouco pode ser interpretado como uma norma legitimadora de operações feitas claramente com o intuito de lesar o fisco. 28. Como se retira do caput do art. 22, o dispositivo em comento tem por objetivo pura e simplesmente possibilitar que os bens e direito entregues como devolução de participação no capital social sejam avaliados a valor contábil ou de mercado. Nada além disso. 29. Acontece que não foi isso, em rigor, o que se verificou no presente caso. Diante do contexto fático delineado pela fiscalização, não é possível falar que tenha de fato havido uma mera devolução de participação aos sócios. 30. Como bem observado pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto de Infração, a companhia recorrente tinha uma série de reservas que poderiam, já em maio de 2010, ter sido distribuídas aos sócios via dividendos, mas não o fez. Optou por capitalizar tais reservas para, em menos de um mês, reduzir esse mesmo capital praticamente no mesmo valor do aumento realizado e, assim, poder justificar a transferência das ações da Multivias para seus acionistas. 31. A artificialidade das medidas tomadas é patente. Nenhum dos eventos societários mencionados possuía verdadeiro propósito negocial, mas pura e simplesmente o intuito de colocar o bem negociado pela pessoa jurídica Estradas na propriedade das pessoas Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.170 18 físicas e, assim, escapar da tributação que seria devida pela verdadeira alienante da participação societária. 32. Essas operações em sequência – aumento de capital e subsequente redução mediante devolução de ações, seguida de sua venda pelas pessoas físicas – não foi uma operação natural, regida por interesses econômicos legítimos, mas sim um estratagema para que o ganho de capital se desse nas pessoas físicas. 33. Assim, se vê que a justificativa para a redução de capital não se sustenta, evidenciando a inexistência de outro propósito negocial nesse ato societário que não fosse escapar à tributação na pessoa jurídica. 34. O que a contribuinte Estradas desejou transparecer com a arquitetura societária realizada foi que as pessoas físicas, tendo recebido participações societárias da Multivias em virtude de redução de capital da Estradas, resolveram vendêlas à CPC, quando em verdade, a negociação sempre se deu com Estradas e envolvia objeto de propriedade pertencente a Estradas. 35. As contraprovas trazidas pela recorrente não são suficientes para infirmar as conclusões que emergem desses fatos. 36. A alegação de que seria essencial que as ações da Multivias fossem vendidas à CPC pelas pessoas físicas, para que estas respondessem com seu patrimônio pessoal por atos e fatos de gestão da empresa se mostra vazia de conteúdo e não apresenta correlação necessária entre a causa e o efeito. 37. O mero fato de as pessoas físicas constarem em contrato como vendedoras das ações da Multivias não lhes implica a responsabilidade pelos atos de gestão da sociedade antes da transmissão. Tal responsabilidade pode advir de duas origens: da sua condição de administradores da sociedade antes da transferência ou da assunção expressa de tal responsabilidade em contrato com a compradora, a qual poderia perfeitamente constar em cláusula de um eventual contrato firmado entre as pessoas jurídicas. 38. O fato de as pessoas físicas serem meras acionistas ou constarem como vendedores das ações não implica, por si, essa atribuição de responsabilidade, seja na esfera tributária, seja na esfera civil ou trabalhista. 39. Diante de tudo o quanto exposto, mostramse absolutamente sem justificativa tanto a redução do capital social realizada quanto a suposta imprescindibilidade de que a venda ocorresse por meio das pessoas físicas para resguardar a compradora de responsabilidades. 40. Em outras palavras, não há propósito negocial legítimo, ou fundamento econômico, na redução de capital promovida mediante devolução das ações da Multivias. Essas operações em sequência – aumento de capital, redução de capital, devolução das ações da Multivias às pessoas físicas, vendas das pessoas físicas à CPC – foram utilizadas como supedâneo da alienação, para a CPC, da participação societária que a pessoa jurídica Estradas detinha na Multivias. Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.171 19 41. O verdadeiro negócio jurídico subjacente à sequência de atos encetada é a compra e venda de ações entre a autuada e a CPC, negociada pela pessoa jurídica vendedora desde o final de 2009. Está correta, portanto, a autuação que imputou o ganho de capital à pessoa jurídica vendedora dos ativos. 42. No presente caso, em vez de realizar a alienação direta das ações à interessada, a recorrente buscou atingir esse objetivo por caminhos tortuosos, por meio de um planejamento tributário que incluía, nos procedimentos, uma reorganização societária que visava reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital obtido com a alienação das ações. 43. Como já mencionado, é direito legítimo da contribuinte, garantido constitucionalmente, organizar e reorganizar seus negócios para buscar a economia de tributos, decorrente do princípio da autonomia da vontade e da liberdade de contratar, cabendo sempre notar, entretanto, a obrigatoriedade da existência de negócios efetivos, reais, subjacentes a esta reorganização. 44. Não se discute a existência do direito de autoorganização negocial, mas também não se pode negar que esse direito encontra limites, que o seu exercício não é irrestrito. Como já ficou decidido nesse Conselho, “O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário” (Acórdão 10421675). 45. No caso, a conduta da autuada caracterizou ilícito tributário, pois todos os atos que foram praticados numa sequência de poucos meses tiveram o único intuito de retirar a tributação do ganho de capital da pessoa jurídica detentora do controle acionário alienado e deixálo nas pessoas físicas e FIP’s. 46. Por outro lado, tendo sido verificada a prática dolosa de atos jurídicos sem propósito negocial com a única finalidade de subtrair a tributação devida, mediante declarações de vontade simuladas não condizentes com a verdadeira vontade das partes, sob o desígnio de ocultar os sujeitos passivos legítimos do ganho de capital, é devido também o agravamento da multa de ofício, nos termos dos artigos 44, §1º, da Lei 9.430/96 e 71 a 73 da Lei 4.502/64”. Conclui rebatendo os reclamos da recorrente de que teria havido decadência em 31/03/2015, sustenta a permanência no pólo passivo dos sujeitos passivos solidários com fulcro no artigo 124, do CTN, e pontua ser cabível a incidência de juros sobre a multa de ofício. Em 18/07/2017, a recorrente juntou “Parecer Jurídico” elaborado pelo Professor Heleno Taveira Torres, titular do Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário da Faculdade de Direito da USP, contendo 110 páginas (fls. 3015/3125), no qual o catedrático reforça os argumentos da defesa e expõe, longamente, sua percepção e entendimento sobre o tema em discussão, referenciandose à doutrina e jurisprudência pertinentes. Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.172 20 É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.173 21 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Todos os treze Recursos Voluntários são tempestivos, os demandantes estão com suas representações corretamente formalizadas e os demais pressupostos para suas admissibilidades foram atendidos, pelo que os recebo e deles conheço. Não há preliminares a enfrentar. No mérito, embora os autos sejam extensos e existam argumentações de nada menos que treze recorrentes, contrarrazões da PGFN, parecer jurídico e centenas/milhares de documentos, é possível resumir a refrega na seguinte posição: i) se o ganho de capital advindo da alienação das ações da MULTIVIAS a favor de CPC deveriam ser tributado nas pessoas físicas ou jurídicas de seus sócios e que, formalmente e de direito, as venderam à referida compradora, como entendido pela contribuinte e responsáveis solidários; ou, ii) se mencionada alienação foi, de fato, feita pela recorrente, Estradas SP Participações S/A, como quer o Fisco, por entender maculada a operação anterior de redução do seu capital e devolução, a valor contábil, a seus acionistas (no caso, os alienantes citados no item precedente) o que levaria à descaracterização da referida operação, impondo a tributação na pessoa jurídica da recorrente. Certo que neste meio existem outras nuances e variáveis a se considerar, como as responsabilizações imputadas, a decadência arguida, os juros sobre a multa de ofício, e, principalmente, se o permissivo legal de os acionistas e a empresa decidirem por reduzir o capital social e devolvêlo aos investidores pelo valor contábil, conforme preceito do artigo 22, da Lei nº 9.249/19951, foi corretamente observado e, mais ainda, se depois, já retornado aos proprietários o montante investido, estes poderiam alienar tal direito a terceiros ou mesmo aportarem como capital de outra sociedade por valor de mercado ou se haveria restrição para tal ato. Aponta o Fisco falta de propósito negocial que justificasse a devolução aos acionistas do montante do capital investido e que tal operação só se realizou para pagar menos tributos (15% ao invés de 34%), posição confrontada pela recorrente e solidários que, dentre outras argumentações, sustentam não haver impedimento legal para tal procedimento nem 1 Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.174 22 prazo exigindo que os retirantes tenham que aguardar determinado período de tempo para realizarem novas operações com seus ativos (ações). Pois bem, é certo que a jurisprudência ainda não se consolidou, havendo decisões nas duas vias, como mostra o Ac. 1301001.864, além de outros apontados pela recorrente favoráveis aos contribuintes, como também na linha oposta, como presente no Ac. 1302001.746, valendo ver suas duas ementas que bom retratam a dissintonia: Ø Ac. 1301001.864 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2012 DEVOLUÇÃO DE CAPITAL EM BENS. AVALIAÇÃO. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. FRAUDE / SIMULAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não restando comprovada a existência de fraude ou simulação, seja no contrato de promessa de compra e venda, não concretizado e posteriormente distratado e contratado de modo diverso, seja na transferência das participações societárias a serem alienadas para os sócios pessoas físicas, seja no contrato celebrado entre as pessoas físicas e a adquirente, exonerase integralmente a exigência. Ø 1302001.746 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. OPERAÇÕES. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A prática de operações cuja única motivação consiste na criação artificial de condições para auferirse vantagens tributárias não é oponível à Fazenda Pública. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR POR SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. A imputação de pagamentos somente é possível, em procedimento fiscal ou em julgamento, em face de crédito do mesmo tributo, do mesmo período de apuração, e detido pelo mesmo sujeito passivo. Na ausência de um destes elementos, a hipótese é de compensação Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.175 23 expressamente vedada por lei em face de direito creditório apurado por outro sujeito passivo. Na verdade, a solução a ser encaminhada depende das peculariedades dos autos respectivos, das situações fáticas presentes e das provas coletadas, além da composição de cada Turma de Julgamento, não sendo impossível que uma mesma Turma, com julgadores diferentes de composição anterior, prolatem decisões diferentes. Neste sentido, como não poderia deixar de ser, até pela não consolidação jurisprudencial, que certamente virá quando a Câmara Superior for suscitada em processos repetidos que lá chegarão, inevitavelmente, cabe a análise de cada caso per si, como não seria diferente neste processo. No caso concreto, o Fisco, por concluir que a operação não teve propósito negocial entendeu que a verdadeira alienante das ações da MULTIVIAS seria a recorrente e não os doze sujeitos passivos solidários listados anteriormente. Mais ainda, que a operação de compra/venda/ teria se dado em 25/08/2010, assumindo tal data como o momento da ocorrência do fato gerador (como a recorrente era optante do regime do Lucro Presumido, a imputação foi feita, portanto, no 3º trimestre/2010). Importante ainda destacar que a Fiscalização diz ter havido um "sinal" de negócio no valor total de R$ 35.653.795,26 cujo pagamento teria se realizado em 25/03/2010. Para suportar seu pensamento, o Fisco faz referência a "planilha de preços" (TVF fls. 1639) e que os valores individualizados foram depositados "na conta dos novos sócios em 25 de março de 2010, ou seja quando os registros apontavam que o sócio da MULTIVIAS era de fato e de direito a própria ESTRADAS SP". E complementa com demonstrativo (fls. 1640) no qual relaciona os montantes individuais. A recorrente contrapõe dizendo que o "sinal" foi efetivado em 25/08/2010 e que se tratou de mero erro de digitação. De seu turno o Fisco argumenta não ter sido comprovada a data referida pela recorrente. Compulsando os autos, vejo que o argumento do Fisco não prospera e que, de fato, os TED (cópias nos autos) foram feitos em 25/08/2010, como assumido pela recorrente e que seus valores individuais coincidem com a própria planilha elaborada pelo Fisco. Observo que estas ponderações se fizeram necessárias pela posição antagônica do Fisco e da recorrente quanto às questões fáticas (datas e valores) e a própria decisão da DRJ quando alega que "os documentos de fls. 1.838/1.841 constituemse apenas de extratos de transferências bancárias, os quais não comprovam estarem relacionadas à operação objeto de análise do presente processo". Discordo de tal entendimento por haver comprovação nos autos dos argumentos aduzidos pela recorrente, confirmando em data e valores que a operação (sinal de negócio) fez se em 25/08/2010 Feitas estas colocações, poderseia voltar ao mérito. Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.444 S1C4T2 Fl. 3.176 24 Todavia, prima facie a qualquer aprofundamento neste sentido, é induvidoso que o “laudo” ou “Parecer Jurídico” acostado pela defesa às vésperas deste processo ser julgado e já com definição de pauta, à luz do princípio da “busca da verdade material”, norteadora do processo administrativofiscal, precisa ser submetido ao conhecimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, parte nestes autos e que já havia acostado suas “contrarrazões” ANTES da juntada do mencionado Parecer. Dizendo de outro modo, no momento em que integrado ao presente processo o “Parecer Jurídico” elaborado por catedrático da USP, inexistem dúvidas de que a parte contrária, no caso, a Fazenda Nacional, por sua Procuradoria, restou prejudicada, já que a juntada deuse após as contrarrazões interpostas contra o recurso voluntário. Deste modo, em respeito ao princípio de igualdade de tratamento entre os litigantes, basilar no ordenamento jurídico pátrio, a PGFN deve ter acesso e vista ao “Parecer Jurídico” juntado para sobre ele se manifestar, se entender pertinente. Assim, voto no sentido de CONVERTER o julgamento do recurso em diligência e encaminhar o processo à PGFN, a fim de que esse Órgão seja cientificado e se manifeste, no prazo de 30 (trinta) dias e exclusivamente, sobre o teor do Parecer acostado aos autos (fls. 3015/3125) após o processo ter sido incluído em pauta. Transcorrido o prazo citado, com ou sem manifestação da Fazenda Pública, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. Brasília (DF), 15 de agosto de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 3176DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903147/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.420
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 47 /2 01 2- 74 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.683, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903147/201274 Acórdão n.º 3402004.420 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900757/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.066
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 07 57 /2 00 8- 21 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Acórdão n.º 9303005.066 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.950, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Acórdão n.º 9303005.066 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Acórdão n.º 9303005.066 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Acórdão n.º 9303005.066 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Acórdão n.º 9303005.066 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Acórdão n.º 9303005.066 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.725091/2015-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 03/07/2015
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.236
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 03/07/2015 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 10665.000752/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
GANHO DE CAPITAL
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição.
Numero da decisão: 2402-005.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 07 52 /2 00 5- 23 Fl. 332DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10665.000752/200523 Acórdão n.º 2402005.919 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o contribuinte precitado foi formalizada a exigência às fls. 2 a 9 e 20 a 23, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2003, anoscalendário 2000 a 2002„ consubstanciando imposto suplementar no valor de R$ 12.067,46, com multa de oficio e juros de mora calculados até maio de 2005, totalizando crédito tributário no montante de R$ 26.996,79. O lançamento decorre de: I omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos (Ex. 2001 a 2003) e II — falta de recolhimento de imposto sobre ganhos de capital (Ex. 2002 e 2003). Às fls. 10 a 19 consta relatório da ação fiscal e demonstração da exigência formalizada. Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos:arts. 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 10 e 2° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990 e arts. 70 e 21 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. Cientificada em 05/07/2005, fl. 146, a contribuinte apresenta, em 04/08/2005, a impugnação às fls. 147 a 152, acompanhada dos documentos às fls. 153 a 247, na qual alega, em síntese, o seguinte: • Os imóveis de que trata a autuação foram integralizados ao capital de Tangran Empreendimentos e Participações Ltda., consoante registrado na Jucemg em 10/07/1996, contudo não foi feita a averbação no registro de imóveis, o que motivou a inclusão dos referidos bens no inventário de Jaime Martins do Espírito Santo, de cujo espólio o contribuinte é herdeiro. As alienações foram efetuadas em datas posteriores, tendo como transmitente o de cujus, quando na verdade se tratavam de vendas realizadas pela Tangran Empreendimentos e Participações Ltda.; • Não houve insuficiência de recolhimento do imposto sobre ganho de capital,uma vez que os impostos foram calculados e quitados em conformidade com. as metragens e valores existentes nas escrituras dos imóveis. A inconsistência decorre de erro de digitação presente nas escrituras de alguns lotes, havendo apenas erro material quando da apresentação da Fl. 334DF CARF MF 4 Declaração de Ajuste Anual do espólio, erro esse que pode ser sanado a qualquer tempo; • Não foi efetuada a redução de 15% sobre o ganho de capital no caso do imóvel adquirido em 1986, o que viola o art. 18 da Lei n° 7.713, de 1988; • Nos documentos anexados, escrituras públicas de compra e venda, constam valores fiscais (utilizados para cálculo do ITBI) e valores reais (valores reais das operações) sendo que a base utilizada está incorreta; • Descabe a incidência de penalidades sobre os valores lançados. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou em 17/07/2009 procedente em parte a impugnação da Recorrente, cuja acórdão encontrase as fls. 503 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 Ementa: GANHO DE CAPITAL Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Lançamento Procedente em Parte A decisão mencionada reformou o lançamento de forma a reduzir o ganho de capital e a falta de recolhimento por ter a fiscalização utilizado base de calculo incorreta (valores fiscais ITBI x valores reais): "Acrescenta a interessada que nos documentos anexados, escrituras públicas de compra e venda, constam valores fiscais (utilizados para cálculo do ITBI) e valores reais (valores reais das operações) sendo que a base utilizada está incorreta. Pelo exame das escrituras às fls. 222 a 247, formase a convicção de que assiste razão à interessada quanto aos valores reais das operações de compra e venda dos imóveis cujas escrituras se encontram às fls. 224 a 230, 233 a 236 e 238 a 247. Como resultado, o imposto correspondente ao período de agosto de 2002 foi reduzido de R$ 10.946,33 para R$ 9.008,34." Ainda, a decisão acima mencionada excluiu da autuação os valores lançados nos meses de dezembro de 2000 (R$ 62,76), outubro de 2001 (R$ 130,28), dezembro de 2001 (R$ 151,77) e outubro de 2002 (R$ 100,77), por se enquadrem na isenção de que trata o artigo 18 da Instrução Normativa nº 118/00 (alienações com valor inferior a R$ 20 mil). 1 1 IN 118/00 Art. 18. Observado o disposto no artigo anterior, na determinação do ganho de capital sujeito à incidência do imposto, a isenção dos ganhos de capital decorrentes de operações de valor igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais): I no caso de operações financeiras, será considerada em relação ao total das liquidações ou resgates realizados no mês; Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10665.000752/200523 Acórdão n.º 2402005.919 S2C4T2 Fl. 4 5 Em resumo, o crédito tributário passou a ser o seguinte: Ademais, foi exonerada a multa de ofício incidente sobre o tributo alegadamente não pago, tendo como fundamentação o seguinte excerto: "Quanto à aplicação da multa de oficio, entendo que assiste razão à requerente, eis que a responsabilidade de sucessores restringese ao tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação." (fl. 510) Cientificado da decisão de primeira instancia em 10/09/2009, conforme comprovante às fls. 519, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 527 e segs., em 02/10/2009, o recurso voluntário repisando, em linhas gerais, os argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 10/09/2009, o contribuinte interpôs o mesmo no dia 02/10/2009. Atendendo também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. A insurgência recursal cingese a discussão sobre se a alienação por incorporação ao capital da pessoa jurídica Tangran, naquela época efetuada pelo Sr. Jaime Martins do Espírito Santo, é válida em termos fiscais, com o instrumento de Alteração de Contrato Social devidamente registrado na Junta Comercial, ou somente a "validade fiscal" se dá apenas com a averbação no Cartório de Registro de Imóveis. Argumenta a recorrente que não pode apenas uma simples ausência de registro público de um documento ocultar e fazer desaparecer o Fato Gerador da obrigação tributária, uma vez que está devidamente provada a ocorrência anterior da alienação por documento societário e público (Registro na Junta Comercial), devidamente contabilizado no livro Diário da pessoa jurídica à época. Preliminarmente, vale analisar o pedido da recorrente de cancelamento dos valores residuais do auto de infração por suposto de erro de identificação do sujeito passivo, assim como erro na base de calculo e na identificação de datas. Em relação ao erro na identificação os valores e datas, vale destacar que o acórdão recorrido foi bastante claro no sentido de retificar o lançamento por ter reconhecido que a fiscalização incorrido em erro ao lançar ganhos de capital oriundos de operações cujo valor é inferior a R$ 20 mil, nos termos do art. 18 da Lei 7.813/98 e, ainda, retificar a base de cálculo quando identificou que os valores utilizados foram valores fiscais em detrimento do valor realmente praticado. Desta forma, carece de razão a recorrente. Ademais, quanto a erro na identificação do sujeito passivo, também carece de razão a recorrente, tendo em vista que todas as escrituras de compra e venda dos imóveis (fls. 355 e segs) constavam como vendedor o espolio do Sr. Jaime Martins do Espirito Santo e respectivos Darfs recolhidos também. Em referencia às matérias alegadamente não apreciadas pelo acórdão recorrido, quais sejam: ausência de recolhimento insuficiente de tributos e falta de redução de 15% sobre o Ganho de Capital, por tratarse de imóveis adquiridos em 1986, temos que novamente carece de razão a recorrente, tendo em vista que os anexos do próprio auto de infração, mais precisamente os de numero 1 e 2 constam expressamente que o ganho de capital foi deduzido em 15% por trataremse de imóveis adquiridos em 1986 e a imputação dos valores já pagos na planilha de cálculos. Desta forma, o pedido de redução dos valores dos ganhos pelas isenções, pagamentos a maior, e pelos valores das vendas informadas nas Escrituras já foi atendido pelo acórdão recorrido. Caso houvesse alguma outra isenção, pagamento a maior ou valor de venda inferior ao utilizado não considerado, deveria a recorrente têlos apontado individualmente, posto que a alegação genérica não lhe recorre neste momento. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10665.000752/200523 Acórdão n.º 2402005.919 S2C4T2 Fl. 5 7 No que diz respeito ao argumento apresentado pela recorrente de que a ausência e registro de imóveis não tem o condão de afastar a imputação do sujeito passivo como sendo da empresa cujos imóveis foram integralizados, entendo que andou bem a decisão de primeira instancia nos seus argumentos abaixo mencionados (fl. 510): Para combater o lançamento sustenta a interessada que os imóveis de que trata a autuação foram integralizados ao capital de Tangran Empreendimentos e Participações Ltda., consoante registrado na Jucemg em 10/07/1996, contudo não foi feita a averbação no registro de imóveis, o que motivou a inclusão dos referidos bens no inventário de Jaime Martins do Espírito Santo, de cujo espólio a contribuinte é herdeira. Aduz que as alienações foram efetuadas em datas posteriores, sendo que das escrituras consta como transmitente o de cujus, quando na verdade se tratavam de vendas realizadas pela Tangran Empreendimentos e Participações Ltda. Todavia, para que a transferência de propriedade dos imóveis para Tangran Empreendimentos e Participações Ltda. pudesse valer como elemento de prova oponível a terceiros, seria necessário que fosse lavrado o correspondente ato de averbação no Registro. de Imóveis. Isso, entretanto, conforme admite a requerente, não foi feito. Destarte, para todos os efeitos fiscais, o alienante foi o espólio de Jaime Martins do Espírito Santo, conforme consta das escrituras públicas de compra e venda colacionadas, e não a empresa Tangran Empreendimentos e Participações Ltda. Assim sendo, correto o lançamento neste particular. CONCLUSÃO Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724303/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS. OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão quanto a análise da documentação comprobatória apresentada pela contribuinte, que a decisão deixou de apreciar.
CSLL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE CSLL. A contribuinte apresentou nos autos os comprovantes de retenção na fonte de CSLL que atestam o montante declarado na DIPJ entregue no ano-calendário de 2007.
Numero da decisão: 1301-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos com efeitos modificativos a fim de reconhecer as retenções sofridas no valor de R$ 4.003.441,75 que compõem o saldo negativo de CSLL apurado pela embargante no AC de 2007, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha que sanavam a omissão sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca (suplente convocado).
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 EMBARGOS. OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão quanto a análise da documentação comprobatória apresentada pela contribuinte, que a decisão deixou de apreciar. CSLL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE CSLL. A contribuinte apresentou nos autos os comprovantes de retenção na fonte de CSLL que atestam o montante declarado na DIPJ entregue no ano-calendário de 2007.
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OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão quanto a análise da documentação comprobatória apresentada pela contribuinte, que a decisão deixou de apreciar. CSLL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE CSLL. A contribuinte apresentou nos autos os comprovantes de retenção na fonte de CSLL que atestam o montante declarado na DIPJ entregue no anocalendário de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos com efeitos modificativos a fim de reconhecer as retenções sofridas no valor de R$ 4.003.441,75 que compõem o saldo negativo de CSLL apurado pela embargante no AC de 2007, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha que sanavam a omissão sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 03 /2 00 9- 97 Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 15374.724303/200997 Acórdão n.º 1301002.402 S1C3T1 Fl. 1.048 2 Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca (suplente convocado). Relatório Cuida o presente processo de pedido de restituição de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2007, no valor de R$ 4.003.441,75. A DRF, por meio de Despacho Decisório ao analisar as informações prestadas acabou por reconhecer apenas o direito creditório no montante de R$ 3.269.944,96. A Embargante ingressou com Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro. Contra esta decisão, foi interposto Recurso Voluntário, ao qual foi dado, por unanimidade de votos, provimento parcial ao recurso voluntário, por meio do acórdão n° 1301 001.196, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS Se a conta assim denominada registra valores que, na realidade, caracterizamse como perdas efetivas, não procede a sua adição para apuração do lucro real. PROVISÃO PARA LICENÇA PRÊMIO Não constando entre as provisões expressamente autorizadas conforme inciso I do art. 13 da lei nº 9.249/95, cabe proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real. PROVISÃO DE CUSTO DE FORNECEDORES Conta destinada a receber valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte não tem a natureza de provisão. Se no curso do procedimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, o contribuinte dá essa informação ao auditor e ele não a contesta, descabe exigir a adição. PERDAS DE INSS Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da impossibilidade de sua recuperação através da escrita fiscal não têm a natureza de provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CSLL VALOR DAS RETENÇÕES A glosa de valores de retenção de CSLL deve ser mantida se não elidida por prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 15374.724303/200997 Acórdão n.º 1301002.402 S1C3T1 Fl. 1.049 3 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer crédito adicional e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator." Contra decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração (955/1038) para que seja sanada a omissão quanto à análise da Documentação comprobatória das retenções de CSLL. Em despacho às fls. 1044/1046 os embargos foram admitidos com amparo nas disposições do no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Primeiramente, impende destacar que os embargos de declaração são cabíveis quando for constatada obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou caso seja omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. Os embargos de declaração são tempestivos, portanto, deles conheço. Feitas essas considerações iniciais, passase à análise dos argumentos aduzidos pelo Embargante A Embargante alega que houve omissão no que tange a análise da documentação comprobatória das retenções de CSLL, pois o v. acórdão entendeu que a mesma nada trouxe para desconstituir os valores apurados pela autoridade administrativa, conforme excerto da decisão a seguir: "A autoridade administrativa da DERAT calculou as retenções de IRF sofridas pelo interessado, aplicando, sobre os valores informados nas DIRFs, os percentuais fixados na Instrução Normativa SRF n° 539, de 25 de abril de 2005, e, a partir desse resultado, ajustou os valores informados pelo contribuinte em sua DIPJ. O contribuinte nada trouxe para desconstituir os valores apurados pela autoridade administrativa, limitandose a afirmar, tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso, que os impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2007 são coerentes com aqueles registrados nos livros contábeis, devendo, portanto, ser mantido os ajustes efetuados pela decisão recorrida." Nesse ponto, a Embargante rebate tal alegação, demonstrando que juntou aos autos, conforme fls. 871/924, os comprovantes de retenção na fonte da CSLL que atestam o montante declarado na DIPJ entregue no anocalendário de 2007, conforme valores discriminados na tabela abaixo: Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 15374.724303/200997 Acórdão n.º 1301002.402 S1C3T1 Fl. 1.050 4 Dessa forma, a embargante demonstrou que apresentou nos autos o conjunto probatório quanto a parcela do crédito que compõe o saldo negativo de CSLL apurado no ano de 2007, constatando que a decisão deixou de apreciar os documentos por ela apresentados. Embora a Embargante tenha feito em momento posterior a Impugnação, estando sujeita a pena de preclusão, conforme o art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, entendo que a preclusão processual deve ser mitigada em virtude da busca pela verdade material, tendo o julgador o dever de se valer de qualquer prova acostada aos autos para apurar a legalidade da tributação. Ante todo o exposto, acolho os embargos e, no mérito, doulhes provimento para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, a fim de reconhecer as retenções realizadas no valor de R$ 4.003.441,75 que compõem o saldo negativo de CSLL apurado pela Embargante no AC de 2007. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 1050DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003388/88-52
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: CSRF/03-00.042
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos propostos pelo Relator.
Nome do relator: Paulo Affonseca de Barros faria Junior
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Numero do processo: 10830.912072/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.786
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 72 /2 01 2- 24 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.813, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912072/201224 Acórdão n.º 3301003.786 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.725702/2014-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA.
No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Traduz o posicionamento a Súmula-CARF nº 2.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Se o contribuinte não traz em sua impugnação, de forma objetiva, todas as suas razões de defesa e nem mesmo comprova a veracidade de suas alegações, não fica caracterizada a violação ao duplo grau de julgamento preconizado na legislação, pela improcedência da impugnação.
NULIDADE. PRORROGAÇÃO DO MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Quando da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, a ausência da ciência por parte do fiscalizado não fere o princípio do devido processo legal, bem como seus corolários: ampla defesa e o contraditório, posto que a oportunidade para se defender adequadamente tem lugar com a apresentação da impugnação.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSOS JUDICIAL E CRIMINAL. PROVA ILÍCITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário da autuada, havendo autorização judicial para utilização de documentos apreendidos, bem como autorizado, judicialmente, o compartilhamento de informações extraídas do inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente, as provas que servirão de fundamento para a autuação são consideradas lícitas, podendo o contribuinte fiscalizado, no seu direito pleno de defesa, se defender administrativamente por meio da impugnação e, posteriormente, pelo recurso voluntário, apresentando qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante.
NULIDADE. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PRESCINDIBILIDADE.
A conversão do julgamento em diligência apenas é devida quando necessária para a apreciação da matéria litigada. Todavia, sendo prescindível ou impraticável a diligência, deve a autoridade julgadora fundamentar a razão pela qual decide não converter o julgamento em diligência. Ademais, se a interessada não motivar o seu pedido de diligência e nem mesmo formular os quesitos que deseja ter respondidos pelo procedimento requerido, não deve a autoridade julgadora considerar tal pedido como corretamente formulado.
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS E INQUÉRITO POLICIAL. SUSPENSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O fato de a autuação basear-se unicamente em inquérito policial não concluído e em processos administrativos que ainda estão pendentes de análise, não implica diretamente na suspensão da tramitação do processo administrativo em análise, posto que a lavratura do auto de infração, bem com de todo o procedimento fiscalizatório não estão vinculados ao andamento de um inquérito policial ou mesmo à existência de outros processos administrativos. A suspensão só será cabível quando a decisão de um processo administrativo for prejudicial ao processo sob análise.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. DOLO COMPROVADO. INCIDÊNCIA.
A responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica incide automaticamente quando do cabimento da qualificação da penalidade prevista no artigo 44, inciso I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, notadamente quando somado a majoração da multa, também ocorre a utilização de pessoas interpostas e confusão patrimonial entre as empresas do grupo e seus reais proprietários.
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. AFASTAMENTO.
Mantendo-se a multa qualificada pela confirmação da conduta dolosa e fraudulenta por parte do contribuinte, a análise do prazo decadencial obedecerá o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. A alegação de prescrição não merece prosperar diante da apresentação de impugnações e posteriores interposições de recursos voluntários, posto que tais atos interrompem o prazo prescricional.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIA. AFASTADA.
Não há que se falar em inconsistência do arbitramento do lucro quando atendidas as exigências previstas no artigo 530, do RIR/99. Desta forma, o lançamento efetuado com base não em meras presunções, mas sim em provas contundentes, como receitas obtidas mediante artifício fraudulento, obtidos em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, que demonstram a existência de intrincado controle de vendas sem emissão de notas fiscais efetuado à margem da escrituração contábil e fiscal da fiscalizada, não deve sofrer os efeitos da nulidade.
OMISSÃO DE RECEITAS COM VENDAS.
Solidificado farto conjunto probatório demonstrando e quantificando que o controle das receitas de vendas obtidas pela autuada e por todas as empresas do mesmo grupo econômico se deu sem a emissão de notas fiscais, sendo mantido à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada, correto o lançamento emanado pela autoridade fiscal.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO.
A aplicação da multa qualificada, prevista no §1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, está intimamente condicionada ao perfazimento das condutas estipuladas nos artigos 71(sonegação), 72 (fraude) e 73(conluio) da Lei nº 4.502/64, ou seja, a qualificação da penalidade exige o dolo em ocultar o fato gerador. Portanto, uma vez demonstrada suficientemente nos autos tal vontade de esquivar-se das obrigações tributárias de forma dolosa e abusiva, correta a cobrança da multa qualificada.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa.
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
Mantido o lançamento quanto ao IRPJ em decorrência da omissão de receitas, por força do artigo 24, da Lei nº 9.249/95, os mesmos efeitos da glosa do IRPJ se estenderão ao PIS, a COFINS e a CSLL, se não diferirem dos fatos ou argumentos que ensejaram a cobrança do primeiro imposto.
Numero da decisão: 1402-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes a inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida: I) rejeitar: i) as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; ii) as arguições de decadência e de prescrição e: iii) o pedido de produção de prova pericial; e: II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Traduz o posicionamento a Súmula-CARF nº 2. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Se o contribuinte não traz em sua impugnação, de forma objetiva, todas as suas razões de defesa e nem mesmo comprova a veracidade de suas alegações, não fica caracterizada a violação ao duplo grau de julgamento preconizado na legislação, pela improcedência da impugnação. NULIDADE. PRORROGAÇÃO DO MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, a ausência da ciência por parte do fiscalizado não fere o princípio do devido processo legal, bem como seus corolários: ampla defesa e o contraditório, posto que a oportunidade para se defender adequadamente tem lugar com a apresentação da impugnação. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSOS JUDICIAL E CRIMINAL. PROVA ILÍCITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário da autuada, havendo autorização judicial para utilização de documentos apreendidos, bem como autorizado, judicialmente, o compartilhamento de informações extraídas do inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente, as provas que servirão de fundamento para a autuação são consideradas lícitas, podendo o contribuinte fiscalizado, no seu direito pleno de defesa, se defender administrativamente por meio da impugnação e, posteriormente, pelo recurso voluntário, apresentando qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante. NULIDADE. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência apenas é devida quando necessária para a apreciação da matéria litigada. Todavia, sendo prescindível ou impraticável a diligência, deve a autoridade julgadora fundamentar a razão pela qual decide não converter o julgamento em diligência. Ademais, se a interessada não motivar o seu pedido de diligência e nem mesmo formular os quesitos que deseja ter respondidos pelo procedimento requerido, não deve a autoridade julgadora considerar tal pedido como corretamente formulado. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS E INQUÉRITO POLICIAL. SUSPENSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O fato de a autuação basear-se unicamente em inquérito policial não concluído e em processos administrativos que ainda estão pendentes de análise, não implica diretamente na suspensão da tramitação do processo administrativo em análise, posto que a lavratura do auto de infração, bem com de todo o procedimento fiscalizatório não estão vinculados ao andamento de um inquérito policial ou mesmo à existência de outros processos administrativos. A suspensão só será cabível quando a decisão de um processo administrativo for prejudicial ao processo sob análise. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. DOLO COMPROVADO. INCIDÊNCIA. A responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica incide automaticamente quando do cabimento da qualificação da penalidade prevista no artigo 44, inciso I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, notadamente quando somado a majoração da multa, também ocorre a utilização de pessoas interpostas e confusão patrimonial entre as empresas do grupo e seus reais proprietários. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. AFASTAMENTO. Mantendo-se a multa qualificada pela confirmação da conduta dolosa e fraudulenta por parte do contribuinte, a análise do prazo decadencial obedecerá o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. A alegação de prescrição não merece prosperar diante da apresentação de impugnações e posteriores interposições de recursos voluntários, posto que tais atos interrompem o prazo prescricional. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIA. AFASTADA. Não há que se falar em inconsistência do arbitramento do lucro quando atendidas as exigências previstas no artigo 530, do RIR/99. Desta forma, o lançamento efetuado com base não em meras presunções, mas sim em provas contundentes, como receitas obtidas mediante artifício fraudulento, obtidos em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, que demonstram a existência de intrincado controle de vendas sem emissão de notas fiscais efetuado à margem da escrituração contábil e fiscal da fiscalizada, não deve sofrer os efeitos da nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS COM VENDAS. Solidificado farto conjunto probatório demonstrando e quantificando que o controle das receitas de vendas obtidas pela autuada e por todas as empresas do mesmo grupo econômico se deu sem a emissão de notas fiscais, sendo mantido à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada, correto o lançamento emanado pela autoridade fiscal. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada, prevista no §1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, está intimamente condicionada ao perfazimento das condutas estipuladas nos artigos 71(sonegação), 72 (fraude) e 73(conluio) da Lei nº 4.502/64, ou seja, a qualificação da penalidade exige o dolo em ocultar o fato gerador. Portanto, uma vez demonstrada suficientemente nos autos tal vontade de esquivar-se das obrigações tributárias de forma dolosa e abusiva, correta a cobrança da multa qualificada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Mantido o lançamento quanto ao IRPJ em decorrência da omissão de receitas, por força do artigo 24, da Lei nº 9.249/95, os mesmos efeitos da glosa do IRPJ se estenderão ao PIS, a COFINS e a CSLL, se não diferirem dos fatos ou argumentos que ensejaram a cobrança do primeiro imposto.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Traduz o posicionamento a SúmulaCARF nº 2. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Se o contribuinte não traz em sua impugnação, de forma objetiva, todas as suas razões de defesa e nem mesmo comprova a veracidade de suas alegações, não fica caracterizada a violação ao duplo grau de julgamento preconizado na legislação, pela improcedência da impugnação. NULIDADE. PRORROGAÇÃO DO MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, a ausência da ciência por parte do fiscalizado não fere o princípio do devido processo legal, bem como seus corolários: ampla defesa e o contraditório, posto que a oportunidade para se defender adequadamente tem lugar com a apresentação da impugnação. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSOS JUDICIAL E CRIMINAL. PROVA ILÍCITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário da autuada, havendo autorização judicial para utilização de documentos apreendidos, bem como autorizado, judicialmente, o compartilhamento de informações extraídas do inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente, as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 57 02 /2 01 4- 32 Fl. 66629DF CARF MF 2 provas que servirão de fundamento para a autuação são consideradas lícitas, podendo o contribuinte fiscalizado, no seu direito pleno de defesa, se defender administrativamente por meio da impugnação e, posteriormente, pelo recurso voluntário, apresentando qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante. NULIDADE. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência apenas é devida quando necessária para a apreciação da matéria litigada. Todavia, sendo prescindível ou impraticável a diligência, deve a autoridade julgadora fundamentar a razão pela qual decide não converter o julgamento em diligência. Ademais, se a interessada não motivar o seu pedido de diligência e nem mesmo formular os quesitos que deseja ter respondidos pelo procedimento requerido, não deve a autoridade julgadora considerar tal pedido como corretamente formulado. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS E INQUÉRITO POLICIAL. SUSPENSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O fato de a autuação basearse unicamente em inquérito policial não concluído e em processos administrativos que ainda estão pendentes de análise, não implica diretamente na suspensão da tramitação do processo administrativo em análise, posto que a lavratura do auto de infração, bem com de todo o procedimento fiscalizatório não estão vinculados ao andamento de um inquérito policial ou mesmo à existência de outros processos administrativos. A suspensão só será cabível quando a decisão de um processo administrativo for prejudicial ao processo sob análise. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. DOLO COMPROVADO. INCIDÊNCIA. A responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica incide automaticamente quando do cabimento da qualificação da penalidade prevista no artigo 44, inciso I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, notadamente quando somado a majoração da multa, também ocorre a utilização de pessoas interpostas e confusão patrimonial entre as empresas do grupo e seus reais proprietários. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. AFASTAMENTO. Mantendose a multa qualificada pela confirmação da conduta dolosa e fraudulenta por parte do contribuinte, a análise do prazo decadencial obedecerá o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. A alegação de prescrição não merece prosperar diante da apresentação de impugnações e posteriores interposições de recursos voluntários, posto que tais atos interrompem o prazo prescricional. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIA. AFASTADA. Não há que se falar em inconsistência do arbitramento do lucro quando atendidas as exigências previstas no artigo 530, do RIR/99. Desta forma, o lançamento efetuado com base não em meras presunções, mas sim em provas contundentes, como receitas obtidas mediante artifício fraudulento, obtidos Fl. 66630DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.630 3 em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, que demonstram a existência de intrincado controle de vendas sem emissão de notas fiscais efetuado à margem da escrituração contábil e fiscal da fiscalizada, não deve sofrer os efeitos da nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS COM VENDAS. Solidificado farto conjunto probatório demonstrando e quantificando que o controle das receitas de vendas obtidas pela autuada e por todas as empresas do mesmo grupo econômico se deu sem a emissão de notas fiscais, sendo mantido à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada, correto o lançamento emanado pela autoridade fiscal. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada, prevista no §1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, está intimamente condicionada ao perfazimento das condutas estipuladas nos artigos 71(sonegação), 72 (fraude) e 73(conluio) da Lei nº 4.502/64, ou seja, a qualificação da penalidade exige o dolo em ocultar o fato gerador. Portanto, uma vez demonstrada suficientemente nos autos tal vontade de esquivarse das obrigações tributárias de forma dolosa e abusiva, correta a cobrança da multa qualificada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registrese, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Mantido o lançamento quanto ao IRPJ em decorrência da omissão de receitas, por força do artigo 24, da Lei nº 9.249/95, os mesmos efeitos da glosa do IRPJ se estenderão ao PIS, a COFINS e a CSLL, se não diferirem dos fatos ou argumentos que ensejaram a cobrança do primeiro imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes a inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida: I) rejeitar: i) as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; ii) as arguições de decadência e de prescrição e: iii) o pedido de produção de prova pericial; e: II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. Fl. 66631DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 66632DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.631 5 Relatório Adoto a seguir, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1279.223, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJO, em 14 de janeiro de 2016. "Trata o presente processo do auto de infração de fls. 65.113 a 65.244, lavrado pela DRF/MGA, no qual consta a exigência de: Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 20.949.043,13, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 9.424.162,43, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; Contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS, no valor de R$ 18.357.977,36, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; e Contribuição para o PIS/PASEP no valor de R$ 3.977.561,77, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 65.121 a 65.128 e do termo de verificação fiscal de fls. 65.247 a 65.696, os lançamentos se devem a apuração da omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a contribuinte optado indevidamente pela apuração com base no lucro presumido, bem como por ser a escrituração apresentada e mantida pelo contribuinte imprestável para a determinação do lucro real em virtude de erros e fraudes apuradas. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurouse, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que as receitas brutas efetivas da fiscalizada nos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012, este último apurado até setembro, foi, respectivamente, de R$ 203.771.895,18, R$ 216.672.772,65, R$ 260.232.962,69 e R$ 213.044.986,08, sendo Fl. 66633DF CARF MF 6 calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado, e abatido os tributos já declarados pela autuada em DIPJ e DCTF, na modalidade do lucro presumido. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei nº 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915; Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814; Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Cientificada da autuação em 12/12/2014, conforme AR de fl. 65.924, a interessada apresentou em 21/01/2015 a impugnação de fls. 66.165 a 66.248, na qual alega, em síntese, a tempestividade, e: 1) nulidade do lançamento, ante a ausência de cientificação da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, o que afrontaria o principio do devido processo legal e culminaria no violação de seu direito de ampla defesa e de contraditório, que se iniciaria com a chegada do fiscal nas dependências da empresa; 2) a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, uma vez que houve a desconsideração de uma série de documentos apresentados a fiscalização, comprobatórios de todas as operações realizadas, sem que a autoridade fiscal indicasse a base legal para tanto e especificar detidamente os motivos pelos quais os documentos não foram aceitos. Além disso, foi requerido prazo para apresentação de documentos, em vista que estes dependiam de terceiros, prazo não acatado pelo auditorfiscal.; 3) nulidade do lançamento em razão da ilegitimidade passiva da autuada e da utilização de provas ilícitas, extraídas de inquérito policial, no qual não houve contraditório e ampla defesa, sem autorização judicial para utilização das mesmas, não sendo por isso admissível a prova emprestada; 4) nulidade por inobservância dos requisitos para o lançamento, pela impossibilidade de utilização de presunção de ocorrência de infrações, pela impossibilidade de consideração dos integrantes da sociedade impugnante como laranjas, ante a impossibilidade de desconsideração de negócios jurídicos pela autoridade fiscal, e por falta de motivação e fundamentação da autuação; Fl. 66634DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.632 7 5) nulidade pela violação aos princípios informadores do processo, especialmente do devido processo legal e da ampla defesa, posto que a autuação teria sido feita com base em meras suposições e presunções, com total ausência de provas que consubstanciem as alegações da autoridade autuante, uma vez que o ônus de provar a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados e a responsabilidade pela obrigação tributária é do Fisco; 6) que os atos societários praticados pela impugnante são perfeitamente válidos e produzem efeitos no ordenamento jurídico, o que afastaria em absoluto a consideração de que seus sócios seriam “laranjas”, inexistindo qualquer indício de falsidade ou de simulação, resultando na nulidade da autuação; 7) também seria nulo todo o procedimento fiscal, ante a ausência de devolução dos documentos fiscais após o encerramento da fiscalização, por violação aos princípios do devido processo legal e do contraditório; 8) a decadência do crédito tributário lançado; 9) insurgese contra o arbitramento do lucro, uma vez que a suposta ausência de verificação de movimentação financeira e bancária não é capaz de tornar a contabilidade imprestável, sendo possível, de fato, com os elementos que dispunha a fiscalização apurar o lucro da autuada; 10) nega a omissão de receitas e considera, por consequência, a tributação reflexa de CSLL, PIS, COFINS e de Contribuição Previdenciária indevida; 11) a inexistência de dolo, fraude ou simulação, uma vez que todos os atos societários e contábeis praticados foram legais e estavam amparados pela legislação correspondente, o que não pode ensejar a qualificação da multa aplicada, evocando a seu favor o princípio da interpretação mais benéfica, prevista no art. 112, do CTN; 12) na formação da base de cálculo dos tributos pretensamente devidos não teriam sido deduzidos os recolhimentos efetuados e teriam sidos desconsiderados os efeitos da não cumulatividade prevista em lei; 13) insurgese contra o caráter confiscatório da multa aplicada, ante os princípios constitucionais da capacidade econômica do contribuinte e a vedação ao confisco, previstos nos arts. 145, § 1º e 150, IV da CF/88; 14) pleiteia o afastamento dos juros incidentes sobre a multa de ofício proporcional, ante a ausência de previsão legal; 15) a ausência de solidariedade por empresas autônomas. Requereu a realização de diligência para comprovação da regularidade de sua escrita fiscal, a produção de prova pericial para apuração da veracidade das provas coletadas na operação "Laranja Mecânica", as quais alega não ter tido acesso, formalizando quesitos e indicando seu assistente técnico. Requereu, ainda, a suspensão do processo até a conclusão do inquérito judicial, e até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de 5 ações de diretas de Fl. 66635DF CARF MF 8 inconstitucionalidade sobre a quebra de sigilo bancário efetuado diretamente pela autoridade administrativa, com fulcro na Lei Complementar n° 105. Por fim, requereu preliminarmente o cancelamento integral da exigência, em face das nulidades argüidas, e que seja acatada as questões de mérito desconstituindo os créditos tributários exigidos. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 10/12/2014 conforme AR de fls. 65.937, 65.925, 65.939 e 65.927, Rogério Marcio Tolardo, Íris da Silva Tolardo, Samuel Tolardo Júnior, e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore apresentaram em 07/01/2014 as impugnações de fls. 65.942 a 65.993, 65.997 a 66.048, 66.052 a 66.103 e 66.110 a 66.161, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e: 1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; 2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; 3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 4) a ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) pugna pela necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; 9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; 10) a decadência dos créditos tributários lançados; 11) pleiteiam a exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Fl. 66636DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.633 9 Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal. Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 11/12/2014, conforme AR de fls. 65.932, Robson Marcelo Tolardo não apresentou impugnação." Passo, agora, a complementar o relatório que foi acima colacionado. Dá apreciação das 5 impugnações, assim decidiu a 5ª Turma da DRJ/RJO: "Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado: 1) NEGAR PROVIMENTO A IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO lançado de: Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 20.949.043,13, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 9.424.162,43, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; Contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS, no valor de R$ 18.357.977,36, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; e Contribuição para o PIS/PASEP no valor de R$ 3.977.561,77, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. 2) NEGAR PROVIMENTO AS IMPUGNAÇÕES, MANTENDO a imputação de responsabilidade solidária atribuída pela autoridade fiscal a: ÍRIS DA SILVA TOLARDO, CPF 958.804.96953; ROBSON MARCELO TOLARDO, CPF 623.843.84953; ROGÉRIO MARCIO TOLARDO, CPF 723.045.53915; SAMUEL TOLARDO JUNIOR, CPF 121.023.83814; JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, CPF 828.784.55991." A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 66637DF CARF MF 10 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NEGATIVA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO. A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis, mediante arbitramento, quando falte a documentação comprobatória da escrita contábil, situação que alcança a hipótese de ela não ter sido apresentada pela pessoa jurídica após regular intimação para fazêlo. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OPÇÃO INDEVIDA PELA TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. CABIMENTO. Caracteriza hipótese de arbitramento do lucro a opção indevida pela tributação com base no lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO. INDÍCIOS DE FRAUDE. CABIMENTO Caracteriza hipótese de arbitramento a escrituração elaborada com evidentes indícios de fraude. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. Fl. 66638DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.634 11 É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Inconformados com a improcedência de suas impugnações os fiscalizados Iris, Jeane e Samuel, além da pessoa jurídica, recorrerem a este Conselho, repisando seus argumentos, exceto pela nova alegação de incompetência da autoridade que prolatou a decisão, apresentada pelas pessoas físicas fiscalizadas. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 66639DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, deles conheço, exceto quanto às questões atinentes a confisco e a inconstitucionalidade de lei, conforme se abordará oportunamente. Saliento, ainda, que o responsável solidário Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953, não apresentou impugnação, nem recurso voluntário e o responsável solidário Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915, embora tenha apresentado impugnação, também não apresentou recurso voluntário. Tratandose de argumentos idênticos em todas as peças recursais, o voto os tratará de forma conjunta. Em síntese, as questões preliminar e de mérito postas pelo contribuinte em seu recurso voluntário cingemse à (i) preterição do direito de defesa (negativa de perícia técnica e diligências); (ii) ilegalidade da adição, à base de cálculo do IRPJ e CSLL de juros sobre tributos com exigibilidade suspensa por inexistência de norma; e, (iii) inexistência de exclusão indevida relacionada a reversão de provisão adicionada em outro período. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, seguindo, na ordem, os argumentos dispostos pelo contribuinte e responsáveis solidários em seus Recursos Voluntários, passo à análise das preliminares suscitadas, conforme segue mais adiante. Antes ainda, me parece crucial salientar, para a formação do convencimento dos ilustres colegas desta Turma Julgadora, que a operação policial que deu origem ao presente auto de infração (denominada "Laranja Mecânica"), deu igualmente origem a outros tantos autos de infração à empresas envolvidas num conglomerado corporativo do ramo de Auto Peças denominado "REDE PRESIDENTE", sempre envolvendo as mesmas pessoas físicas digase. Um desses autos de infração (A.P.E AUTO PEÇAS LTDA. E OUTROS), foi julgado por esta Turma em 11 de abril de 2017 e, portanto, há menos de 03 meses da sessão de hoje, por meio do acórdão nr. 1402002.462, na lavra do Conselheiro Fernando Brasil que, com sua habitual profundidade e detalhamento, nos levou à decidir pela total improcedência dos Recursos Voluntários lá interpostos. Além de tratar precisamente da mesma operação, os fatos e argumentos são bastante semelhantes aos aqui versados e serviram, inclusive, de referência segura para diversos dos fundamentos proferidos no meu voto. Vejase a ementa do precedente mencionado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 66640DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.635 13 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. PRÁTICA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC/1973 o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. PRESCRIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERRUPÇÃO. A contagem do prazo prescricional iniciase a partir da ciência do lançamento, sendo interrompido com a apresentação de impugnação e de recurso voluntário. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE SÓCIOS DE FATO E PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Constatado que os proprietários de fato da autuada não constam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, implicando a imputação de responsabilidade tributária aos titulares de fato da pessoa jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 66641DF CARF MF 14 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos reflexos quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Passo então à análise das preliminares argüidas no presente processo. 1. Nulidade da decisão de primeiro grau A questão de nulidade, arguida pelo contribuinte neste tópico, cingese à necessidade do Julgador referirse, expressamente, às razões de defesa suscitadas em impugnação. Segundo a Recorrente, não teriam sido analisados diversos pontos trazidos em impugnação, certamente com o intuito de proporcionar celeridade ao PAF, afirmando que uma simples leitura da impugnação e da decisão em primeiro grau permitiria vislumbrar a contradição entre ambas, requerendo, por conseguinte, novo julgamento para a impugnação apresentada, de tal forma a assegurar o duplo grau de julgamento preconizado na legislação. Era dever da Recorrente apontar, de forma objetiva, as razões de defesa apresentadas em impugnação que não teriam sido consideradas pela DRJ por ocasião do julgamento em primeira isntância administrativa, provando a veracidade de sua afirmação (art. 36, da Lei nº 9.784/99). Independentemente de não o ter feito, a r. decisão recorrida, de forma objetiva e no intuito de afastar quaisquer dúvidas quanto ao correto procedimento por ocasião da fiscalização e lavratura dos autos de infração, confirmou, de forma peremptória, que “o auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidades previstas no art. 59, do PAF”, não se justificando, portanto, a devolução para novo julgamento em primeira instância. Fl. 66642DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.636 15 2. Nulidade – prorrogação indevida do MPF Argui a Recorrente que o MPF que deu início a fiscalização em 27.02.2014 foi alterado e prorrogado sem a devida e necessária cientificação da Recorrente, em afronta ao art. 11 da Portaria RFB nº 3.014, de 29.06.2011 c/c o art. 33, § 3º do Decreto 7.574/11. Como bem posto na decisão recorrida, o “Mandado de Procedimento Fiscal é documento de controle administrativo destinado ao planejamento das ações fiscais por parte da administração tributária. A sua eventual ausência, ou a ausência da ciência de sua prorrogação por parte do fiscalizado não implica em ofensa ao devido processo legal para a constituição do crédito tributário, quando muito implicaria em infração administrativa de natureza disciplinar da autoridade autuante, a teor do disposto no caput do art. 195, do Código Tributário Nacional”. Quanto à suposta não observância do devido processo legal, direito de defesa e legalidade, a r. decisão recorrida também tratou do tema com desenvoltura, não se justificando a insurgência da Recorrente. Vejase: “Diferente do que alega a impugnante, o procedimento fiscal, tal qual o inquérito policial, tem natureza inquisitorial, inaugurandose a fase do contraditório com a apresentação da impugnação, a teor do disposto no art. 14, do Decreto n° 70.235/72, submetendose a partir de então ao princípio da ampla defesa na forma prevista no inciso LV, do art. 5°, da Constituição Federal. Desse modo, não há que se falar em cerceamento de defesa antes da existência de litígio”. 3. Nulidade – cerceamento de defesa Alega a Recorrente que houve a desconsideração de uma série de documentos, comprobatórios das operações realizadas, e, que não lhe foi dado prorrogação de prazo para a apresentação de documentos, conforme requerimento, pois dependiam de terceiros para serem obtidos. Também alega que não lhe foi disponibilizado os documentos referidos no relatório do auditor fiscal, que deu azo à lavratura do auto de infração. Mesmo tendo diligenciado na DRF de seu domicílio fiscal, não teve êxito em consultar o conteúdo integral e nem teria obtido cópias antes de exaurido o prazo de impugnação. Não se vislumbra, no presente caso, as nulidades acima suscitadas pela Recorrente, pois não se pode desconsiderar o contexto em que a fiscalização foi realizada, qual seja, em paralelo a um procedimento criminal, com provas obtidas e compartilhadas com autorização judicial, com quebra dos sigilos fiscal e bancário da Recorrente. Ademais, a descrição das infrações contidas na autuação, em face de sua clareza, permitiram à Recorrente apresentar a sua impugnação, permitiram, ainda, que houvesse um julgamento de mérito em primeira instância, e, posteriormente, a apresentação de recursos voluntários, não se vislumbrando cerceamento do direito de defesa no caso concreto. 4. Nulidade – ilegitimidade passiva da recorrente e prova nula Fl. 66643DF CARF MF 16 Alega a Recorrente que não restou comprovado vínculo entre a Recorrente e a empresa autuada nos PAF’s nº 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195, bem como no inquérito Policial nº 256/2008DPF/MGA/PR, instaurado em 02.04.2008 por requisição do MPF e que tramita da Polícia Federal de Maringá/PR, concluindo que em relação à si, a origem do presente processo administrivo tem por base prova ilícita, não submetida ao contraditório, de tal forma que os elementos informativos colhidos no inquérito policial não servem de fundamento para este processo administrativo, o qual é, portanto, nulo. Não se vislumbra a nulidade acima apontada pela Recorrente em razão do que já foi demonstrado no item anterior e destacado na decisão recorrida: havia “autorização judicial para utilização de documentos apreendidos, uma vez que foi deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário da Recorrente, bem cmo autorizado, judicialmente, o compartilhamento de informações coletadas no inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente”. A decisão recorrida fundamenta seu entendimento com base nos elementos de prova colacionados pela Fiscalização, o que não poderia se dar de modo diferente, uma vez que a Recorrente, em nenhum momento, trouxe, no entender da turma julgadora de primeira instância, qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante. 5. Nulidade – ausência de observância de requisitos no processo administrativo fiscal para o lançamento Parte a Recorrente do princípio que a Fiscalização embasou todo o procedimento fiscal com tendencialidade de atribuir aos sócios a qualidade de “laranjas” e considerar a existência de um suposto “Grupo Rede Presidente” composto por diversas empresas e que os autos de infração teriam sido lavrados sob condições não conhecidas pela Recorrente, o que impede e limita a sua defesa, uma vez que o convencimento não está calcado na prova dos autos. Novamente os argumentos da Recorrente mostramse equivocados. A decisão recorrida fundamenta seu entendimento com base nos elementos de prova colacionados pela Fiscalização, o que não poderia se dar de modo diferente, uma vez que a Recorrente, como já dito anteriormente, em nenhum momento trouxe qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante. Em relação ao contraditório e ampla defesa, bem como em relação à suposta ausência de motivação e fundamentação do lançamento, os elementos de prova encontramse todos nos autos, que foram devidamente cientificados ao contribuinte, inclusive relatório do procedimento fiscal (fls. 65.24665.686) e todos os seus anexos. De acordo com o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Portanto, não há que se falar em contraditório até o momento da apresentação da impugnação, exceto quando a lei expressamente assim determina (como no caso do art. 42 da Lei nº 9.430/96, por exemplo). Assim sendo, toda a possibilidade de defesa foi dada à Recorrente a partir da ciência do lançamento, quer com base nos elementos de prova acostados aos autos e cientificados à Recorrente, quer pela profunda e pormenorizada descrição dos fatos levada a efeito pela autoridade fiscal autuante. Vejase o disposto, de forma objetiva, na r. decisão recorrida, demonstrando o acerto do posicionamento, ora mantido, da autoridade julgadora de primeira instância: Fl. 66644DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.637 17 “Quanto a alegada falta de competência da autoridade fiscal para desconsideração de negócios jurídicos, tenho como descabida, na medida que o lançamento decorre da apuração de fraude na constituição da pessoa jurídica, mediante a utilização de interpostas pessoas. Nestes casos, a comprovação da fraude implica necessariamente na desconsideração dos negócios jurídicos fraudulentos para a constituição de créditos tributários mediante o ato administrativo do lançamento, cuja competência privativa de lavratura, pertence, na forma da lei, ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil.” 6. Nulidade – impossibilidade de presunção para o lançamento Parte a Recorrente do princípio que a Fiscalização embasou todo o procedimento fiscal em presunções, sem, no entanto, demonstrar claramente os indícios que levaram a fazer esta grave opção. Como já exposto nos itens acima, o relatório fiscal está farto de documentos e comprovações da atividade ilícita da Recorrente, infringindo a legislação fiscal e justificando as autuações lavradas. Não há prova apresentada pela Recorrente que permita inferir que os autos de infração lavrados estejam fundados tão somente em presunções fiscais. Afasto a preliminar. 7. Nulidade – inobservância dos princípios informadores O tema acerca do devido processo legal, a competência da fiscalização para a realização dos atos administrativos necessários para a apuração dos tributos devidos e a constituição do crédito tributário, a observância ao contraditório e ampla defesa, ao princípio da legalidade, isonomia, a verdade material, a publicidade, dentre outros, todos foram, de uma forma ou de outra, já tratados nos tópicos anteriores. Como a Recorrente não traz, de forma direta e objetiva, a comprovação da violação aos citados princípios e, ao contrário, constatase no Relatório de Atividade Fiscal, o cuidado dos auditores fiscais na condução do procedimento administrativo para a apuração da verdade no caso concreto, não vislumbro a nulidade pleiteada, afastandoa. 8. Nulidade – inexistência de prova material Sem delongas, a quantidade de documentos apresentados pela fiscalização em seu Relatório de Atividade Fiscal e anexos demonstram que há farta prova material acerca da conduta ilícita da Recorrente em relação à legislação tributária, justificandose plenamente a lavratura dos autos de infração. Afasto a preliminar. 9. Nulidade – utilização de elementos coligidos de processos administrativos não transitados em julgado e de inquérito policial ainda não finalizado Fl. 66645DF CARF MF 18 Não há a necessidade de que as provas obtidas para fundamentar a autuação tenham sido coligias de processos administrativos finalizados. Se os elementos probatórios apresentados pela Fiscalização demonstram, por si só, a ocorrência do fato gerador e a omissão do contribuinte em declarálo ao fisco, nos termos da legislação tributária, não há que se falar em nulidade pela utilização desses elementos, ainda que vindo de processos não transitados em julgado ou de inquérito policial em andamento. A prova da ocorrência do fato gerador não se confunde com a cobrança do crédito tributário, que depende do encerramento do processo administrativo para que o lançamento se torne definitivo e adquira o conceito de certeza e liquidez. Afasto a preliminar. 10. Nulidade – apreciação das provas e limites do livre convencimento da autoridade julgadora É garantido à autoridade julgadora a liberdade na apreciação das provas e formar o seu julgamento por livre convencimento, atendose às provas contidas no processo. Formalizado o seu convencimento em forma de razões de decidir e nas provas trazidas aos autos, respeitado foi o devido processo legal, não se justificando as ilações da Recorrente neste ponto. Afasto a preliminar. 11. Nulidade – impossibilidade do auditor considerar como “laranjas” os integrantes da sociedade recorrente Apesar do esforço da Recorrente para tentar demonstrar a higidez de seu registro de constituição societária, enfatizando o arquivamento dos atos constitutivos na competente Junta Comercial, as provas existentes nos autos demonstram o contrário, conforme detalhado e comprovado no Relatório de Atividade Fiscal e documentos existentes no bojo deste processo administrativo. O auditor fiscal responsável pela fiscalização e autuação agiu dentro do devido processo legal e balizou sua conduta dentro das provas obtidas e carreadas ao processo. Se a Recorrente não logrou provar o contrário, não se vislumbra qualquer nulidade na autuação da fiscalização. Afasto a preliminar. 12. Nulidade – falta de motivação e fundamentação Como já demonstrado em todos os itens acima, o auditor fiscal responsável pela fiscalização e autuação agiu dentro do devido processo legal. A questão da motivação e fundamentação da autuação é de mérito e, desta forma, será tratada oportunamente. 13. Nulidade – ausência de autorização judicial para utilização de documentos Fl. 66646DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.638 19 A Recorrente tenta se arvorar na inexistência de mandados de busca e apreensão firmados por autoridade judicial para a obtenção de documentos em seu endereço e que as autoridades que realizaram tais apreensões o fizeram através de mandados destinados para vasculhar pessoas físicas e jurídicas em outros endereços. Já foi esclarecido, alhures, que havia autorização para a quebra dos sigilos fiscal e bancário da Recorrente e, desta forma, todas os elementos de prova obtidos, ainda que em outros processos ou procedimentos, à vista da autorização judicial para o compartilhamento dos mesmos entre a autoridade policial e a Receita Federal afastam a nulidade arguida. Afasto a preliminar. 14. Nulidade – ilicitude das provas utilizadas Já foi esclarecido, neste voto, que não há ilicitude comprovada, pela Recorrente, em relação às provas trazidas a este processo e que fundamentaram a lavratura dos autos de infração lavrados. Não sendo comprovado pela Recorrente a alegada ilicitude, afasto a preliminar. 15. Solicitação de diligência à DRF de origem O tema em questão já foi tratado, de forma absolutamente correta, pela decisão recorrida, razão pela qual adoto as mesmas razões para afastar a solicitação da Recorrente: “A contribuinte requer a realização de diligência para o exame dos seus livros contábeis, com a finalidade de atestar a ausência de irregularidades fiscais em sua escrituração, bem como de perícia para apuração da veracidade das provas coletadas na operação "Laranja Mecânica", as quais alega não ter tido acesso, formalizando quesitos e indicando seu assistente técnico. Os autos estão devidamente instruídos, com todos os elementos de provas colhidos pela fiscalização de modo a sustentar a acusação efetuada. A impugnante exerceu plenamente o seu direito de defesa, por meio da impugnação, contestando todas as condutas atribuídas pela autoridade fiscal, possibilitando o julgamento da lide. A veracidade das provas coletadas na operação Laranja Mecânica estão atestadas por peritos criminais federais, conforme se extrai de laudos periciais constantes dos autos, de modo que considero prescindível a realização de nova perícia. Ademais, a interessada não motivou suficientemente o seu pedido de diligência, nem formulou os quesitos que pretende que sejam respondidos na diligência requerida, de modo que considero o pedido não efetuado, na forma do § 1º e inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 66647DF CARF MF 20 Ante o exposto, denego o pedido de diligência e de perícia, por considerar aquele não formulado, e, também, ambas prescindíveis para o julgamento da presente lide.” 16. Do inquérito policial realizado pela Polícia Federal Ressaltase, neste tópico que a autoridade fiscal não tomou de empréstimo as conclusões do inquérito policial, mas sim os elementos colhidos no curso do inquérito para a realização do procedimento de fiscalização, tendo sido submetidos ao contraditório todas as provas utilizadas quando da ciência do lançamento à Recorrente, não se justificando a insurgência da Recorrente neste ponto. 17. Prejudicial de Mérito – necessidade de suspensão Argumenta a Recorrente que o fato da autuação basearse unicamente em inquérito policial não concluído e em processos administrativos que ainda estão pendentes de análise, impõese suspender a tramitação do presente processo administrativo. Com todo o respeito à Recorrente, a realização de fiscalização e a lavratura de auto de infração, para a constituição de créditos tributários, não se vinculam ao andamento de um inquérito policial ou mesmo a existência de outros processos administrativos. Por outro lado, quando se comprova que a decisão de um processo administrativo pode ser prejudicial ao processo em análise, é possível a suspensão a critério do julgador, em decisão fundamentada. No presente caso, este julgador não vislumbra a prejudicialidade dos processos administrativos apontados pelo contribuinte em relação a este em julgamento, uma vez que o processo administrativo nº 11020.723699/201218 ainda se encontra em primeira isntância administrativa e se refere a outro contribuinte e o outro processo administrativo, de nº 15586.720329/201195, está pendente no CARF, ainda sem o sorteio de um relator, também vinculado a outro contribuinte. Afasto a prejudicial de mérito. 18. Prejudicial de Mérito – necessidade de suspensão – julgamento no STF Requer a Recorrente, ainda, a suspensão do presente processo administrativo até que seja julgado no Supremo Tribunal Federal STF as ações diretas de inconstitucionalidade que questionam a possibilidade de quebra de sigilo bancário pela autoridade administrativa (Lei Complementar 105). Tal prejudicial de mérito não pode ser acatada. A previsão regimental de suspensão do julgamento dos recursos sempre que o STF também sobreste o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do então art. 543B do CPC/1973, então prevista no art. 62 Fl. 66648DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.639 21 A, §1º, do Anexo II, do RICARF/2009 não mais persistiu no atual Regimento Interno do CARF. Além disso, no julgamento das Ações Direta de Inconstitucionalidade 2859, 2390, 2386 e 2397 o STF decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105 não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. Decidiuse ainda que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto, não havendo que se falar em ofensa à Constituição Federal. Portanto, rejeito tal prejudicial de mérito. DO MÉRITO 19. Ausência de solidariedade – empresas autônomas Inicio a análise do tema, transcrevendo excerto da decisão recorrida a respeito do tema: “Sustenta a impugnante a ausência de solidariedade entre empresas autônomas com atividade própria, sócios distintos, sem qualquer identidade em seu quadro social e quadro de funcionários próprios, que não compõem um grupo econômico, com administração própria e descentralizada e que não realizavam conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário. Por isso, não poderia prosperar a tentativa do Fisco de impor a impugnante a responsabilidade tributária solidária por eventuais débitos de empresas estranhas. Descabida a alegação, pois à impugnante esta sendo atribuída a responsabilidade por suas infrações a legislação tributária, tendo o lançamento constituído créditos tributários incidentes sobre suas receitas, e não sobre receitas de outras empresas. Em suma, a Recorrente discorre em sua defesa sobre a questão da responsabilidade tributária para, ao final, afirmar que não pode prosperar a tentativa de impor lhe a responsabilidade tributária solidária por eventuais débitos de empresas estranhas aos mesmos, requerendo sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária, reforçando que não restou comprovado qualquer ato praticado que pudesse gerar a constituição de créditos tributários. No caso concreto, entendo que a imputação de responsabilidade atribuída pela autoridade fiscal está em consonância tanto com o disposto no art. 124, I, quanto com a regra prevista no art. 135, III, do mesmo CTN. Fl. 66649DF CARF MF 22 Vejase o contido no art. 135, III, do CTN, verbis: "São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Percebese que, para a caracterização da responsabilidade de que trata o dispositivo legal em questão, fazse necessária a coexistência de dois elementos essenciais em relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. Passo à análise do caso concreto. As provas coligidas e sintetizadas no voto condutor do aresto recorrido alhures reproduzido demonstram claramente que todos os Recorrentes participavam, de algum modo, na administração da autuada, percebendo, inclusive prólabore mensal. A prova mais evidente diz respeito a pen drives apreendidos (cujos conteúdo de interesse, arquivo CTB29, item 5 às fls. 933 e 934) que continham planilhas (arquivos em formato excel) com os balanços das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada e com o controle de “saldos” referente aos pagamentos de prólabore aos sócios de fato da autuada, ora Recorrentes. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. Comungo do entendimento de que, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, Fl. 66650DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.640 23 também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. No presente caso, entendo que restou sim comprovado o intuito doloso (fraude e sonegação), razão mais do que suficiente para manutenção da multa qualificada, e por todo o exposto, a manutenção da coobrigação imputada aos Recorrentes com base no art. 135, III, do CTN. Ainda que discordem de tal conclusão, há de se levar em consideração, no presente caso, que a autuada estava, sem sombra de dúvidas e conforme já analisado, em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), havendo comprovada confusão patrimonial entre as empresas do grupo e seus reais proprietários, ora Recorrentes. Em casos idênticos este colegiado vem decidindo que nos lançamentos em que reste configurado que a pessoa jurídica autuada encontrase em nome de interpostas pessoas, mas o fato gerador correspondente não tem qualquer correlação com tal interposição (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os reais proprietários de tal pessoa jurídica devem responder pelo crédito tributário correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III, do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica (Acórdão 1402002.210, sessão de 08 de junho de 2016). A respeito do art. 124, I, do CTN, destaco o entendimento comumente adotado pelo i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto: [...] Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 1 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse.2 1 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. 2 idem Fl. 66651DF CARF MF 24 Entendo que uma vez comprovado que os proprietários de fato da autuada não constavam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN. No presente caso, portanto, quer com base no art. 135, III, ou ainda no art. 124, I, ambos do CTN, justificase a inclusão dos Recorrentes no polo passivo da relação tributária. Assim sendo, voto por manter a imputação de responsabilidade tributária aos coobrigados. 20. Prescrição e decadência A exigência, referente aos fatos geradores dos anoscalendário de 2009 a 2012, foi formalizada a partir de arbitramento do lucro e apuração trimestral do IRPJ e CSLL, sendo cominada multa qualificada de 150% em virtude de a Fiscalização entender ter ocorrido sonegação e fraude. Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC/1973) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 66652DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.641 25 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, mantida a penalidade qualificada, confirmouse a conduta dolosa e fraudulenta por parte do contribuinte, implicando que o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. Desse modo, em relação ao IRPJ e a CSLL, para os créditos tributários relativos aos fatos geradores do 1°, 2° e 3º trimestres de 2009, o lançamento poderia ser efetuado ainda no decorrer do ano de 2009, e o primeiro dia do exercício seguinte seria 01/01/2010, ou seja, o lançamento poderia ter sido constituído até 31/12/2014. Considerando se que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 30 de dezembro de 2014, não há que se falar em decadência. Relativamente ao 4º trimestre de 2009, o prazo fatal para o lançamento seria 31/12/2015, afastandose, por óbvio, a extinção do crédito tributário em razão de suposta decadência. Fl. 66653DF CARF MF 26 Relativamente ao PIS e a Cofins, tratandose de períodos de apuração mensais, o raciocínio é idêntico em relação ao período de janeiro a novembro de 2009 (prazo limite para o lançamento seria 31/12/2014) e ao mês de dezembro de 2009 (prazo fatal em 31/12/2015), afastandose também a ocorrência de decadência. Obviamente, para os períodos posteriores, não há que se falar também em decadência. A fim de se evitar qualquer discussão sobre o tema, salientase que todos os coobrigados também foram cientificados do lançamento antes de 31/12/2014. No que diz respeito à arguição de prescrição, tendo o lançamento sido devidamente cientificado ao contribuinte em 30/12/2014, a partir dessa data iniciouse a contagem do prazo prescricional, interrompido pela apresentação das impugnações, e posteriormente recursos voluntários, dos interessados, afastandose, portanto, a ocorrência de prescrição. Logo, voto por rejeitar as arguições de decadência e prescrição em relação a todos os sujeitos passivos. 21. Da suposta inconsistência do arbitramento Adoto as razões da r. decisão recorrida neste tópico por comungar do mesmo entendimento, razão pela qual utilizo os mesmos fundamentos como motivação de decidir. Descabida a alegação da inconsistência do arbitramento, pois à impugnante esta sendo atribuída a responsabilidade por suas infrações a legislação tributária, tendo o lançamento constituído créditos tributários incidentes sobre suas receitas, e não sobre receitas de outras empresas. Ademais, o arbitramento do lucro foi efetuado com fundamento no art. 530, incisos II e IV do RIR/99, in verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (...) IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; Defendese a autuada, afirmando que descabe o arbitramento do lucro, uma vez que a suposta ausência de verificação de movimentação financeira e bancária não é capaz de tornar sua contabilidade imprestável. Não assiste razão a impugnante, a motivação para o arbitramento do lucro utilizado pela autoridade fiscal diverge completamente das alegações da defesa, Fl. 66654DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.642 27 pois o lançamento no presente caso não foi efetuado com base em presunção de receitas decorrente de movimentação bancária sem comprovação de origem, mas de receita comprovada mediante artifício fraudulento, obtidos em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, demonstrando a existência de intrincado controle de vendas sem emissão de notas fiscais efetuado à margem da escrituração contábil e fiscal da interessada, sendo por isso sua escrituração considerada imprestável para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Com a apuração da omissão de receitas, efetuada pela fiscalização, verificouse que a contribuinte não poderia optar pela tributação com base no lucro presumido, uma vez que sua receita bruta anual seria muito superior ao limite legal. Via de regra, todas as empresas são tributadas com base no lucro real. As outras formas de tributação previstas na legislação são aplicadas sob certas condições. A opção pela tributação com base no lucro presumido está assim disposta no art. 516, do RIR/99: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). § 2º Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 2º ). § 3º A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). De fato, tendo a impugnante auferido receita bruta nos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e de janeiro a setembro de 2012 nos montantes respectivos de R$ 203.771.895,18, R$ 216.672.772,65, R$ 260.232.962,69 e R$ 213.044.986,08, tal qual apurado no lançamento, conforme consta da planilha do relatório fiscal, a fl. 65.676, e estava sujeita à tributação pelo lucro real no período, não poderia a mesma ter optado pela tributação com base no lucro presumido, sendo esta uma causa determinante para o arbitramento do lucro. Assim, uma vez presentes todos os requisitos legais para o arbitramento do lucro, e ante a ausência por parte da impugnante da comprovação de qualquer fato impeditivo para apuração nesta forma de tributação, considero procedente o arbitramento do lucro efetuado no lançamento. Fl. 66655DF CARF MF 28 22. Omissão de Receitas inexistência A omissão de receitas indicada pelo Fisco baseiase em extensa documentação e arquivos apreendidos nos próprios estabelecimentos da autuada. A decisão recorrida manteve a exigência. Em seu recurso voluntário a Recorrente não trouxe quaisquer elementos de prova que infirmassem as conclusões da autoridade fiscal e também da decisão recorrida. Por concordar integralmente com as razões de decidir da decisão de primeira instância, adoto seus fundamentos, transcrevendoos a seguir com autorização do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. Limitase a impugnante a suscitar a nulidade na utilização das provas obtidas com base no procedimento cautelar de busca e apreensão, as quais não teriam sido submetidas ao contraditório, nem objeto de julgamento na esfera criminal competente, e de modo genérico em afirmar a inexistência de provas da infração atribuída pela fiscalização. Tendo a alegação de nulidade na utilização de provas emprestadas sido afastada no item que trata sobre a nulidade da autuação, passo a análise da comprovação de receitas omitidas. Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada “Rede Presidente”, uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”. Apurouse que “TAB1” referiase a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referiase a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de CuritibaPR, constante das fls 1.200 a 1.242, e reproduzida às fl. 65.545 a 65.547 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50 % em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 65.547, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos relatórios de vendas extraídos a partir do programa AUTOW (fls 26.982 a 28.207; 30.791 a 31.131; 32.040 a 33.390; 37.348 a 38.504; 43.386 a 43.826; 45.020 a 45.663; 47.299 a 48.136; e 50.333 a 53.635), obtidos no disco rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, somadas às vendas mediante NFe para empresas do próprio esquema (planilha as fls 18.611 a 18.836), bem como os cupons fiscais extraídos dos Livros Fiscais da "filiais" da Rede Presidente, ou do programa Central de Fl. 66656DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.643 29 Cobranças, em que consta o controle mensal das vendas de todas empresas, inclusive a autuada, com individualização das receitas auferidas por estabelecimento e segregação das vendas com emissão de notas fiscais e das vendas sem emissão de documentos fiscais, foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento. A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Assim, tenho como comprovada a omissão de receitas de vendas da autuada, razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento. Desse modo, mantenho a infração relativa a omissão de receitas em relação ao IRPJ. 23. IRPJ A Recorrente procura afastar a constituição do crédito tributário de IRPJ sob a alegação de que “a simples análise de valores creditados em planilhas unilaterais, por não estabelecer o necessário elo de certeza para a determinação da titularidade dos valores, não possibilita a aferição da ocorrência do fato gerador do IRPJ”. Como demonstrado no item anterior, ocorreu a omissão de receitas por parte da Recorrente, devidamente comprovada pela Fiscalização, inclusive em montante que desqualificou a apuração do IRPJ devido com base no lucro presumido, por excederlhe o limite, de tal forma que, seguida a legislação que rege a apuração da base de cálculo do IRPJ por arbitramento, no termos do RIR/99, não há que se falar em inexistência de acréscimo patrimonial ou falta de materialidade do tributo. 24. CSLL, PIS e COFINS Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, mantido o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter também essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Fl. 66657DF CARF MF 30 (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos. 25. PIS e COFINS Discorre a Recorrente sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS, nos moldes da Lei 9.718/98. No entanto, como foi desqualificada a opção da Recorrente pelo lucro presumido, a legislação que rege o PIS e a COFINS passa a ser as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ficando prejudicados os argumentos dispendidos, notadamente porque, em todas as referidas leis, a base de cálculo de ambas as contribuições é a receita bruta. A exclusão do ICMS da base de cálculo de ambas as exações, até o momento, não é objeto de uma decisão final, transitada em julgado, com efeitos erga omnes, de tal forma que, sem a existência de uma demanda própria, transitada em julgado, não é possível admitir a exclusão requerida, de tal forma que a autuação deve ser mantida, em relação às referidas contribuições, nos exatos termos dos autos de infração lavrados. 26. Não dedução de recolhimentos e desconsideração da não cumulatividade Afirma a Recorrente que os valores apurados pela fiscalização foram erroneamente coletados no livro razão, bem como não teria sido consideradas deduções e a nãocumulatividade prevista em lei. Se o contribuinte apurava e recolhia o PIS e a COFINS no regime cumulativo, nos moldes da Lei 9.718/98 e, à vista do faturamento apurado pela fiscalização, a Recorrente foi inserida no lucro real e, portanto, no regime nãocumulativo de PIS e COFINS, haveria, de fato, créditos de PIS e COFINS em suas aquisições para abatimento no PIS e COFINS devidos por suas saídas. Contudo, a Recorrente limitouse a apontar a questão, sem apresentar elementos e informações que atestassem a veracidade de suas ponderações e não cabia à fiscalização refazer toda a contabilidade da Recorrente para averiguar a existência ou não destes créditos. A míngua de prova quanto ao alegado no caso concreto, inviável o deferimento do pedido de abatimento formulado pela Recorrente. 27. Multa – exclusão ou redução Fl. 66658DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.644 31 No que tange às questões postas pela Recorrente que envolvem a aplicação de princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo deste julgador. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencadas no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não se conhece do recurso em relação aos argumentos de inconstitucionalidade de lei. 28. Multa confiscatória – impossibilidade de manutenção Em relação à análise dos argumentos sobre (não) confisco, esclareçase que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição Federal, pelas mesmas razoes apontadas no tópico anterior, estão enquadradas na vedação contida na súmula 02 deste Conselho. Portanto, não se conhece do recurso em relação a estes argumentos. 29. Multa de ofício – ausência dos requisitos para sua aplicação Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 66659DF CARF MF 32 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 66660DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.645 33 Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. A decisão recorrida, assim justifica a exasperação da penalidade: “A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada no percentual de 150%, pela sonegação em razão da suposta utilização de interpostas pessoas, componentes do quadro societário da autuada, de modo a encobrir os reais sócios, integrantes da família Tolardo, eximindoos da responsabilidade pela infração apurada. Tal interposição teria sido perpetrada mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica, e com falsificação de assinaturas. A autoridade administrativa constatou ainda que a autuada omitiu parte considerável de suas receitas de vendas, obtidas sem a devida emissão de notas fiscais, aos quais eram controladas em arquivos digitais mantidos em computadores de empresas da denominada Rede Presidente ou em pendrives dos seus administradores de fato ou de seus empregados e que foram apreendidos em operação conjunta da Polícia, Ministério Público e Receita Federais, em cumprimento a ordem expedida pela justiça federal do Paraná. A autuada teria se eximido do pagamento de parcela considerável de seus tributos, tendo em vista que declarou de valor de receita bruta para os exercícios de 2009 a 2011 de R$ 0,00, R$ 61.789.939,44, R$ 110.485.347,10, tendo sido apurada no lançamento a obtenção de receita com vendas de mercadorias no mesmo período no valor de R$ 203.771.895,18, R$ 216.672.772,65 e R$ 260.232.962,69, respectivamente. Assim, restou caracterizada a ocorrência da hipótese de sonegação e fraude prevista nos incisos I e II, do art. 71, a art. 72 da Lei nº 4.502/64. Nos recursos apresentados, nenhum elemento novo foi trazido aos autos. Cumpre esclarecer que a multa aplicada foi a qualificada, de 150%, baseada em conduta supostamente dolosa por parte da autuada (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96), e não a multa aumentada em 50% a que se referente o inciso I do § 2º do art. 44 do mesmo diploma legal. Retornando ao cerne da qualificação da multa, embora considere que o fato de uma pessoa jurídica estar em nome de interpostas pessoas não possui correlação com os fatos geradores, mas sim com a cobrança do crédito tributário, no caso concreto há razão autônoma, que, por si só, justifica a exasperação da penalidade: conforme se observa, a autuada omitiu receitas, de 2009 a 2012, em montante vultosos, em montante acima de R$ 400 milhões. Fl. 66661DF CARF MF 34 Comprovouse à exaustão, os valores efetivos de receita vendas auferida pelo contribuinte. Logrou também a autoridade fiscal demonstrar que houve, inclusive, a utilização de sistema informatizado com o intuito específico de burlar o Fisco, caracterizando, sem dúvida, o conceito de fraude estampado no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Relativamente à omissão de receitas, nos moldes praticado, sem dúvida caracteriza a intenção dolosa na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, enquadrandose na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação). Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerado mero erro de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito doloso, posto que não se tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos anoscalendário de 2009 a 2012. Em tais circunstâncias, não há como se cogitar a ausência de dolo. A intenção de sonegar, ocultando o fato gerador, é conclusão imediata e inequívoca. Portanto, em relação a tais infrações, correta a posição do Fisco em exasperar a penalidade. Logo, presentes elementos que permitam enquadrar a conduta da autuada nos conceitos de sonegação e fraude (arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64), voto por manter a penalidade qualificada de 150%. 30. Taxa Selic inaplicabilidade No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 31. Provas e impugnação – garantia do devido processo legal Esse assunto já foi tratado, à exaustão, nas preliminares. Não se configurou, no caso concreto, qualquer desrespeito ao devido processo legal, de tal forma que não há razões para a insubsistência da autuação. 32. Da prova pericial À vista de todos os elementos de prova acostados ao processo administrativo, que demonstram a imprestabilidade da contabilidade da Recorrente para a apuração dos créditos tributários decorrentes de omissão de receita, não cabe a realização de prova pericial, notadamente porque, no caso concreto, os documentos produzidos já o foram por peritos judiciais. Fl. 66662DF CARF MF Processo nº 18470.725702/201432 Acórdão n.º 1402002.604 S1C4T2 Fl. 66.646 35 Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso nas questões atinentes a inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida: I) rejeitar: i) as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; (ii) o pedido de produção de provas, iii) as arguições de decadência e de prescrição; e: II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados. É o voto. Demetrius Nichele Macei Fl. 66663DF CARF MF
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