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Numero do processo: 11684.001842/2006-57
Data da sessão: Fri Mar 19 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.089
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. j'59, . (//' Henrique 'Pinheiro - Presidente G.çaz.0 Tarásto Campelo Borges - Relator EDITADO EM: 12/04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Valdete Aparecida Marinheiro. RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Tiniria da DRJ Florianópolis (SC) que julgou procedente a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, lançada em face da conversão em pecúnia da pena de perdimento de mercadorias desembaraçadas em 10 de março de 2004 [ I ]: • catodos de níquel não ligado, em forma bruta. Declaração de Importação (DT) 04/0221247-3. registrada em 9 de março de 2004, folhas 16 a 20. Segundo a denúncia fiscal, a pessoa jurídica importadora teria utilizado fatura comercial de origem fraudulenta (preço da mercadoria drasticamente reduzido) na instrução do despacho aduaneiro de importação, infração documentada às folhas 24, 25, 38 e 39 dos autos deste processo administrativo e às folhas 11, 12, 42 e 4$ dos autos apensos (processo 11684.000590/2005-68). Nos autos apensos, os documentos de folhas 11 e 12 são ori ginais e os de folhas 42 e 43 são fotocópias autenticadas por tabelião de notas fornecidas à fiscalização aduaneira pelo representante brasileiro do exportador oportunamente intimado. Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 99 a 121, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 11.1 em preliminar, f...] nulidade [..7 do auto de infração, [J, [que] impossibilitou seu direito ao contraditório na medida em que a fiscalização não propiciou que apresentasse suas justificativas quanto às divergências de preço da mercadoria decorrente do confronto das mencionadas faturas comerciais, evidenciando a produção unilateral de prova, procedimento vedado pela Constituição Federal Salienta que no caso em apreço houve a inversão do ônus da prova, uma vez que fatura encaminhada pelo representante do exportador no Brasil constitui um documento isolado que não tem o condão de ilidfr o desembaraço aduaneiro anteriormente realizado autuação; não podendo o fisco utilizar-se do processo administrativo corno instrumento para coagir a importadora a entregar seus documentos e provar sua inocência. Prosseguindo, a impugnante aduz que o valor aduaneiro indicado pelo fisco não prospera, seja em virtude do cerceamento de defesa havido, da inversão do ônus da prova ou ainda da ausência do devido processo legal, posto que a fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro foi considerada apta para os fins a que se destinava, não havendo como sustentar a acusação de fraude documental pois o próprio fisco não produziu prova nesse sentido, a não ser a apresentação de documento unilateral a sua revelia. Defende a impugnante que o procedimento que culminou na desconsideração da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro deveria ter sido orientado segundo o disposto na tVP n" 66, de 2002, notadamente quanto à necessidade de notificação do contribuinte para apresentar em 30 (trinta) dias os esclarecimentos e as provas que desejasse (artigos 16 e 17 da M17,), uma vez que a norma descrita no 35' único do artigo 116 [do CM possui eficácia limitada, já que depende de regulamentação. Por fim, esclarece que não obstante o artigo 18 da referida ME esclarecer que a desconsideração do negócio ou ato é procedimento autônomo em relação ao auto de infração, ensejando diversas defesas e em momentos distintos, referidos artigos não foram contemplados quando da conversão da referida Medida Provisória na Lei n" 10.637/02, deixando ausente de regulação legislativa o procedimento de desconsideração em comento. Logo, em procedimento de Revisão Aduaneira não há como o fisco ignorar a fatura apresentada no despacho aduaneiro para consumo (registro da DI), sob pena de cometer arbitrariedade e, por conseguinte, ofensa ao principio da legalidade. De orara frita, a impugname alega que a hipótese tratada na presente impugnação não se enquadra no artigo 23, ,§ primeiro, do Decreto-Lei 'p 2 Processo n° 11634.001842/2006-57 s3-C1T1 Resolução n.° 3101-00.089 Fl. 196 • n° 1.455/76, não cabendo, por conseguinte, a aplicação da pena de perdimento de mercadoria p conseqüente, conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro, pois se Trata de mercadoria já desembaraçada, com documentação apta, e sujeita apenas a Revisão de Aduaneira. Pelo exposto, requer o acolhimento das preliminares aduzidas para que seja declarada a nulidade do procedimento e/ou do auto de infração, determinando que a impugnante seja intimada a se defender quanto às discrepâncias de preços verificadas do confronto das ,faturas comei-mais em trato. No mérito, argumenta que a fatura comercial que possui o representante do exportador no Brasil não revela a transação final efetivada, posto que são diversos os contatos e negociações levadas a efeito para se chegar ao valor final de transação, na qual foi considerada, inclusive, a quantidade de mercadoria importada. Portanto, com vista a comprovar a veracidade das informações declaradas na fatura comercial que instruiu o despacho em apreço, providenciou a juntada da cópia autenticada do contrato de câmbio, que demonstra que o valor da transação efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Por todo o exposto requer a análise e o acolhimento das preliminares argüidas para o fim de declarar nulo o procedimento realizado, seja por conta do cerceamento de defesa, nele compreendido a inversão do ónus da prova e do contraditório, assim como também em razão da acusação estar fundamentada em legislação estranha aos fatos apurados ou, no mérito seja cancelado o auto de infração, em razão de restar demonstrado que o valor da mercadoria importada foi o efetivamente pago, conforme contrato de câmbio anexado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 09/03/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, NÃO CONFIGURAÇÃO. O lançamento de oficio com objetivo de formalizar a exigência de crédito tributário da União, efetivada por meio de auto de infração, concretiza a pretensão da Fazenda Nacional, momento em que é disponibilizado ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa mediante a apresentação de impugnação, não havendo em que se falar em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. • LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, o direito de n Fazenda Nacional apurar e constituir seus créditos relativos aos tributos incidentes nas ,s • ê"-Ai. 3 operações de comércio exterior extingue-se depois de cinco [anos] da ocorrência do fato gerador. :NORMAS PROCESSUAIS ADVIINISTRATIVAS CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da constitucionaliciade ou legalidade da legislação tributária, pois se trata de competência privativa do Poder Judiciário. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO, INSTRUÇÃO COM FATURAS COMERCIAIS FALSIFICADAS. MATERIALIDADE COMPROVADA. FRAUDE Aé4 IMPORTAÇÃO. A utilização de faturas comerciais iniddneas, visando obter o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas caracteriza o evidente intuito defraude. Constatado que a importação foi instruída com faturas comerciais falsas, tem-se como legítima a lavratura do auto de infração para a constituição do crédito Tributário correspondente à multa equivalente ao valor comercial das mercadorias. REVISÃO ADUANEIRA. AUTORIDADE FISCAL. DEVER DE OFICIO. No curso do procedimento de revisão, constatado que o contribuinte agiu com fraude à legislação tributária, a autoridade administrativa, por dever de oficio, deverá exigir, por meio do lançamento, a penalidade aplicável. SUBFATURAMENTO. PENALIDADES. A declaração de valores inferiores aos reais, 'astreada em faturas comerciais fraudadas, para fins de despacho aduaneiro de importação de mercadorias, caracteriza a prática do subfaturamento, utilizando-se de artificio doloso (fraude fiscal), resta caracterizado, em tese, crime contra a ordem tributaria e de sonegação fiscal o que justifica a imposição da multa relativa à conversão do perdimento das mercadorias importadas. Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 161 a 178. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Erro cometido na numeração das folhas dos autos deste processo: após o número 32, a sequência retoma ao número 24. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa 2 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 204 folhas3, 2 Despacho acostado à folha 194 determina o encaminhamento dos autos para o outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes. 3 Numeração incorreta grafada na penúltima folha dos autos principais: 194, motivada pela retroação na sequência numérica após a folha 32. 4 25-7- ty 4 Processo n° 11684.001842/2006-57 S3-CITI Resolução n5 3101-00.089 Fl. 197 • afora apenso com 81 folhas (processo 11684.000590/2005-68) e Representação Fiscal para Fins Penais com 255 folhas, em dois volumes (processo 11684.000238/2008-75). Na última folha dos autos principais consta o registro da distribuição mediante sorteio. É o Relatório. VOTO Conselheiro Tarásio Campeio Borges, Relatos Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 161 a 178, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Segundo a denúncia fiscal, conforme relatado, a importadora teria utilizado • fatura comercial de origem fraudulenta na instrução do despacho aduaneiro de importação: preço unitário da mercadoria declarado nas invoices n os 14000001 e 14000002, de folhas 24 e 25 [4], oferecidas na instrução do despacho aduaneiro, discrepam dos valores consignados nas invoices de iguais números (folhas 38 e 39) [ S] fornecidas à fiscalização aduaneira pelo representante brasileiro do exportador oportunamente intimado. A discrepância entre os preços unitários contidos nos documentos fornecidos pela importadora e pelo representante brasileiro do exportador é o suporte fático da exigência fiscal ora discutida. Na impugnação da exigência, oportunidade dada à ora recorrente para falar sobre as invoices fornecidas por terceiro, as razões de mérito estão resumidas no trecho que reproduzo: Primeiramente, cabe ressaltar, que por diversas vezes a fatura que possui o Representante do Exportador no Brasil não revela a transação final efetivada. Isto porque, são diversos contatos e negociações, levando em consideração a grande quantidade de mercadoria importada, já que foram objetos de Revisão Aduaneira dez Declarações de Importação distintas, mas referente [sio] ao mesmo produto a exportador, para ao final ser estabelecido um valor de compra, bem como, a data de . entrega, forma de pagamento, etc. A fatura desconsiderada pela .fiscalização, em Revisão Aduaneira, foi anteriormente desembaraçada permitindo, inclusive, a comercialização das mercadorias em discussão. O que demonstra por si só, que não se trata de um absurdo, de uma fraude, ou qualquer outro método que tenha por objetivo iludir a Receita Federal. 4 Documentos originais às folhas 11 e 12 dos autos apensos (processo 11684.000590/2005-08). Fotocópias autenticadas por tabelião de notas às folhas 42 e 43 dos autos apensos (processo 11684.000592/2005-68). 2 44-84:•, ç5.2 Assim, foi lavrado Auto de Infração sem qualquer prova contundente, o que deve ser rechaçado, por violar o direito de propriedade da Impugnante. Por fim, visando comprovar a veracidade das informações declaradas na fatura comercial do Importador, juntamos a esta Impapnacão cópia autenticada do contrato de fechamento do câmbio e. apesar de não concordar com esta inversão do ônus ela prova, resta demonstrado o valor da transação efetivamente pium pelas mercadorias importadas, senão vejamos: Reza a IN 327 de 2003: Art, 90 O valor de transação é o preco efetivamenpago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exoortação para o país'e. itnportacão, ajustado de acordo com as disposições desta Instrução Normativa. [Grifos da impugnante]. No enfrentamento dessas questões, o voto condutor do acórdão recorrido, ao revés da busca da verdade material, desprezou, sumariamente, o contrato de câmbio oferecido. Esse desdém está ancorado em dois pressupostos: (1) contrato de câmbio cujo valor diverge do somatório do valor das faturas comerciais que sustentam a exigência fiscal não se presta como prova do valor da transação; e (2) contrato de câmbio cujo valor é coincidente com o somatório do valor das faturas utilizadas pela importadora na instrução de seu despacho aduaneiro, refugadas em procedimento de revisão aduaneira, também é documento fraudulento. Nesse ponto, vale lembrar a determinação exarada no caput do artigo 2° da Lei 9.784, de 1999, vez-bis: Art. 27 Á Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidacle, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez Lopez:. Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que "o principio da verdade material ou verdade real, vinculado ao principio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos."6 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre MFDAUA11., Odete. Proeessualidade no direito administrativo. São Paulo: RI, 1993, p. 121. 6 Processo n' 11684.001842/2006-52 S3-CITE Resotução n.°3101-00.039 Fl. l93 • os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte/ Ne,sta perspectiva, é licito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos invericlicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de cliligéncias e pericias.2 Desse modo, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo. voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade competente: a) promova o formal saneamento dos autos deste processo, cuja sequência numérica das folhas retroage para o número 24 imediatamente após a folha 32; • b) informe as providências administrativas adotadas perante a fraude cambial referida na penúltima página do voto condutor do acórdão recorrido; c) intime o representante brasileiro do exportador a fornecer dados detalhados e provas documentais acerca da forma de pagamento das invoices nos 14000001 e 14000002, de folhas 38 e39 [ 9], em face do contrato de câmbio de folhas 133 a 136, cujo valor é coincidente com o somatório do valor das invoices ds 14000001 e 14000002, de folhas 24 e 25 [ 10 ]; e d) emita juizo de valor sobre a resposta à intimação referida na alínea imediatamente anterior. Posteriormente, providenciar o retorno dos autos a esta câmara. Lembro, por oportuno, que toda prova documental acostada aos autos por fotocópia deve ter a autenticidade aferida, seja por tabelião de notas, seja pelo servidor público que a recepcionar. (<5 - Tarasto Campeio Borges 7 XAVIER, Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato do procedimento e do processo tributário. 2. ei Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 124. 3 NEDER, Marcos LÓPEZ, Maria Tereza Martinen. Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. 9 Fotocópias autenticadas por tabelião de notas às folhas 42 e 43 dos autos apensos (procesdão 11684.000590/2005-68). to Documentos ori ginais às folhas 11 e 12 dos autos apensos (processo 11634.000590/2005-68). /6,,L Pró
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Numero do processo: 10860.002588/97-84
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
A desistência formal de parte do recurso interposto pela
contribuinte implica o não julgamento do mérito relativo a tal
matéria, haja vista que a ação perdeu seu objeto, nesta parte.
IPI. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO.
Só poderá ser constituído o crédito tributário relativo a um
determinado tributo, decorrente de uma mesma infração,
referente a um mesmo período, uma única vez.
Recurso não conhecido na parte em que houve desistência
formal do recurso interposto e, na parte remanescente,
provido.
Numero da decisão: 202-16.096
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso, na parte da desistência do recurso; e 11) em dar provimento ao recurso, na parte conhecida, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Nayra Bastos Manatta
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A desistência formal de parte do recurso interposto pela contribuinte implica o não julgamento do mérito relativo a tal matéria, haja vista que a ação perdeu seu objeto, nesta parte. IPI. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Só poderá ser constituído o crédito tributário relativo a um determinado tributo, decorrente de uma mesma infração, referente a um mesmo período, uma única vez. Recurso não conhecido na parte em que houve desistência formal do recurso interposto e, na parte remanescente, provido.
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É O DA FAZENDA MINIST RI d0 Co"tribU!"I.' S09""dO con~~~"~ Oliciai da Un\110 publicado no I fie (; \-\ I 0\.\ I ºDe&d- / VisTO (ft- PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A desistência formal de parte do recurso interposto pela contribuinte implica o não julgamento do mérito relativo a tal matéria, haja vista que a ação perdeu seu objeto, nesta parte. IPI. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Só poderá ser constituído o crédito tributário relativo a um determinado tributo, decorrente de uma mesma infração, referente a um mesmo período, uma única vez. Recurso não conhecido na parte em que houve desistência formal do recurso interposto e, na parte remanescente, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: AÇOS VILLARES S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso, na parte da desistência do recurso; e 11) em dar provimento ao recurso, na parte conhecida, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 .------~"--4- ~~~1ta&r~~ Relatora Particíparam, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Jorge Freire, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Raimar da Silva Aguiar, Adríene Maria de Miranda (Suplente) e Antonio Zomer (Suplente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. c1/opr eONJII!R.E COM O otuOtNAL Brasilia • DF, em /3 1S liW\- 1 .•.•~ t.••. Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10860.002588/97-84 112.574 202-16.096 I. PITM, IFI. Recorrente AÇOS VILLARES S/A RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração objetivando a cobrança do IPI relativo ao período compreendido entre o primeiro decêndio de dezembro/94 e o primeiro decêndio de abriI!95; terceiro decêndio de novembro/95; segundo decêndio de janeiro/96 ao primeiro decêndio de fevereiro/96, em virtude de recolhimento a menor do imposto por ter a contribuinte corrigido monetariamente o saldo credor do LRAIPI; e utilizado irregularmente os créditos oriundos da Lei n° 7.557/86. A contribuinte apresentou impugnação tempestiva, a qual foi analisada pela DRJ em Campinas/SP que, por sua vez, julgou procedente a exigência fiscal, fls. 148/161. Inconforrnada a contribuinte apresenta recurso voluntário, fls. 166/203, ao Segundo Conselho de Contribuintes alegando em sua defesa, em síntese: 2 I. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. nulidade do Auto de Infração por não haver precisado os valores referentes a cada uma das infrações; houve duplicidade de autuação em relação aos valores imputados como irregulares oriundos da Lei n° 7.554/86; o Certificado Aditivo SPIIDCMM/N° 0271II/94 faz referência a projetos originais de empresas controladas que foram incorporadas pela Aço Villares S/A; se o objetivo do incentivo é promover a expansão, modernização do setor siderúrgico, só poderia receber o beneficio o estabelecimento sob cuja titularidade estivesse o projeto; a recorrente obtinha corretamente o retorno de 95% do valor do IPI recolhido para aplicar no projeto; o estabelecimento sede é composto apenas de escritórios, e, por não ser contribuinte do IPI não está relacionado no Certificado da SPI, não podendo, pois, ser beneficiária do incentivo; o incentivo foi outorgado para todos os estabelecimentos relacionados no Certificado Aditivo SPIIDCMMIN° 027/Il/94, que estão desenvolvendo projetos aprovados para fins de gozo do beneficio; o argumento de que não houve depósito distinto para cada estabelecimento não pode prosperar uma vez que sempre houve apenas uma conta especial aberta na agência do BB de São Caetano do Sul, além do que as autoridades do MICT exigiam uma só agência centralizadora para facilitar sua tarefa de controle; \Jj{.,I( ',.•:~/ Processo n' Recurso n' Acórdãon' Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10860.002588/97-84 112.574 202-16.096 CONFERE COM O OR.IGINAL Brasília - DF. em /$ i S- l?<ó' cNã!nt~ Semtâria da S<gI:nda Cimara SeguDdo Constlho de C<mmbuintesIMF ~bJ 9. o beneficio da Lei n° 7554/86 trata-se de incentivo a prazo certo e determinado constante de contrato firmado entre o particular e a Administração; 10. não se pode por fim ao incentivo como se faria no caso de beneficio de caráter incondicionado e a prazo indeterminado; 11. sendo o incentivo da Lei n° 7554/86 limitado a 50% do valor dos investimentos previstos no projeto, ficando os outros 50% a cargo da empresa, não pode o Poder Público simplesmente revogar o beneficio; 12. a concessão de beneficio é ato jurídico perfeito, insuscetivel de alteração unilateral pelo Poder Público, consistindo direito adquirido do particular; 13. tem direito adquirido de receber incentivo do IPI no valor de R$ 49.525.495,00 (50% do projeto a realizar), de acordo com o disposto na Lei nO7554/86; 14. anexa carta enviada ao Secretário de Política Industrial e Parecer da PGFN, no qual afirma-se a existência de direito adquirido à permanência do incentivo; 15. não houve má-fé, apenas recebeu do BB aquilo que lhe era liberado, correspondente ao beneficio, o que toma incabível a aplicação da multa de 75%; 16. a correção dos saldos credores do IPI não guarda relação com os dispositivos legais ditos como infringidos, o que toma nulo o Auto de Infração; e 17. a doutrina vem admitindo a correção do saldo credor de impostos não cumulativos, como é o caso do IPI. Em 30/06/2000 a recorrente apresenta petição, fls. 240/242, na qual afirma que o objeto da autuação hora em litígio, na parte relativa à utilização irregular de créditos oriundos da Lei n° 7554/86, está abrangido na autuação consubstanciada no processo administrativo n° 13808.000763/96-12, lavrado contra a empresa matriz, que abarcou todo o suposto crédito incentivado utilizado em excesso pela empresa, em todos os seus estabelecimentos. Informa, ainda, que a parte da autuação relativa à correção monetário do saldo credor do IPI foi incluída no REFIS, apresentando, portanto, desistência parcial do recurso, no que tange a esta matéria. o julgamento foi convertido em diligência para que fosse verificado: se a parte da autuação relativa à correção monetária do saldo credor do IPI foi incluída no REFIS; se os valores correspondentes aos créditos indevidos oriundos da Lei n° 7.554/86, constante do presente Auto de Infração, estão englobados na exação objeto do processo n° 13808.000763/96-12 e se tais valores foram também incluídos no REFIS. ~Zii/ 3 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10860.002588/97-84 112.574 202-16.096 I "ro", IFI. À fl. 245 consta documento no qual consta que o valor que excedeu os R$ 7.036.881,29, reconhecido pelo MICT, foi reconhecido pela empresa e incluído no REFIS. Em resposta à diligência proposta a autoridade competente informa, às fls. 532/534, que os valores lançados a título de utilização indevida do incentivo fiscal concedido pela Lei n° 7554/86 foram objeto de lançamento no processo n° 13808.000763/96-12 e também foram incluídos no REFIS, bem como os valores correspondentes à correção monetária de saldo credor do IPI. É o relatório. CONFERE COM O ORIGINAL B~í!ia - DF, em /3 / X- / "Ux))- ~:a~ Secrotária da Segunda CAmara Segundo Consolbo de Cor:!ribuintesIMF 4 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10860.002588/97-84 112.574 202-16.096 CONFERE COM O Ol>/Tr.~ AT. Brasilia - DF. em 13- SIM> t/i;~ Secrotãria da Segunds C~mara SegundD Conselho de Con'tribuintesIMF ~Ld VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANA TIA O recurso encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Primeiramente há de se analisar a parte do lançamento relativa à correção monetária de saldo credor do IPI. À fI. 245 a contribuinte formalmente desistiu desta parte do recurso interposto por haver incluído os débitos no REFIS, o que foi confirmado pela autoridade diligenciadora. A finalidade do processo, seja ele administrativo ou judicial, é a de resolver a lide conforme a norma jurídica reguladora da espécie, e tem como objeto material a pretensão. É exatamente esta pretensão que vai ensejar a formação do processo. Ora, havendo desistência por parte daquele que propiciou o ato jurígino do processo, não há mais qualquer pretensão a ser analisada, desaparecendo, assim, o objeto da contenda administrativa. No caso em tela, a contribuinte apresentou a desistência formal de parte do recurso interposto. Deixando de existir objeto de pretensão ou de discórdia não há que se falar em mérito a ser apreciado na parte em que se aplica a desistência formal do recurso. Quanto à parcela do lançamento relativa à utilização irregular de beneficio concedido pela Lei nO7554/86, considerando que já foi objeto de ação fiscal consolidada através de Auto de Infração constante do processo n° 13808.000763/96-12, confirmado pela autoridade competente em diligência efetuada, fls. 532/534, relativa ao mesmo fato gerador e mesmo período, é de julgar-se a improcedência do atual lançamento, referente à infração retrocÍtada. Diante disso, não conheço do mérito do recurso voluntário interposto, relativo à matéria em que houve desistência formal do litígio, por falta de objeto e na parte remanescente voto por dar provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 ~ATIA!( 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 13807.010358/2001-04
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/08/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO -
INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL - PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - INÍCIO DA CONTAGEM DE PRAZO
- MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95, PUBLICADA EM 31/08/95 -
PEDIDO PROTOCOLIZADO INTEMPESTIVAMENTE EM 06.09.2001
Recurso à que se nega provimento.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
COFINS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO -
COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO - Compete à Segunda Seção do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (anteriormente denominado Segundo Conselho de Contribuintes) julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que verse sobre a exigência de Contribuição para o Financinamento da Seguridade Social (COFINS).
Declina-se da competência de julgamento.
Numero da decisão: 3201-00.161
Decisão: ACORDAM os membros da 2° Câmara /1° Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao Finsocial e declinar da competência em favor da Turma competente para julgar recursos que envolvam a legislação do PIS e da COFINS. Parcialmente vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto, que afastava a decadência relativa aos pagamentos realizados até 07/2001, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - INÍCIO DA CONTAGEM DE PRAZO - MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95, PUBLICADA EM 31/08/95 - PEDIDO PROTOCOLIZADO INTEMPESTIVAMENTE EM 06.09.2001 Recurso à que se nega provimento. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. COFINS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO - Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (anteriormente denominado Segundo Conselho de Contribuintes) julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que verse sobre a exigência de Contribuição para o Financinamento da Seguridade Social (COFINS). Declina-se da competência de julgamento.
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Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - INÍCIO DA CONTAGEM DE PRAZO - MEDIDA PROVISÓRIA N" 1.110/95, PUBLICADA EM 31/08/95 - PEDIDO PROTOCOLIZADO INTEMPESTIVAMENTE EM 06.09.2001 Recurso à que se nega provimento. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. COFINS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO - Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (anteriormente denominado Segundo Conselho de Contribuintes) julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que verse sobre a exigência de Contribuição para o Financinamento da Seguridade Social (COFINS). Declina-se da competência de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2 Câmara / Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao Finsocial e declinar da competência em favor da Turma competente para julgar recursos que envolvam a legislação do PIS e da COFINS. Parcialmente vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto, que afastava a decadência relativa aos pagamentos realizados até 07/2001, nos termos do voto do Relator. Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2TI Acórdão n° 3201 -00.161 Fl. 180 e CELO GUERRA DE CASTRO Presidente 9 „NTLTON IZ BARTC Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. 2 r Processo n° 13807.0103$8/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.161 Fl. 181 Relatório O processo em comento trata-se de Pedido de Restituição (11.01), cumulado com Pedido de Compensação (fl. 02), ambos protocolizadas em 06.09.2001, nos quais o contribuinte requer a restituição e posteriormente, a compensação dos valores pagos a maior, a título de contribuição para o FINSOCIAL e COFINS, nos períodos de apuração de 08/89 e 12/93. Os referidos pedidos são instruídos pelos seguintes documentos: Planilha de Valores Recolhidos a título de FINSOCIAUCOFINS (t1s.05/06); DARF's (fls.07/25), Cédula de Identidade e CPF/MF do sócio representante (fls.26/27), Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (11.28), Contrato Social (fls.29/31) e Alterações Contratuais (fls.32/36). O contribuinte anexou, posteriormente, outras Declarações de Compensação às fls.39, 50, 56, 66, 79 e 80, protocolizadas respectivamente em 06.09.2001, 29.10.2001, 31.01.2002, 08.04.2002, 05.06.2002, 10.07.2002 e 10.07.2002, nas quais informa as compensações dos valores recolhidos a título de FINSOCIAL e COFINS, com débitos do SIMPLES. A Divisão de Orientação e Análise Tributária — SAORT proferiu o Despacho Decisório de lis. 114/121, indeferindo o pedido de restituição do contribuinte, sob a alegação de que o direito de restituir os recolhimentos a título de FINSOCIAL e da COFINS, efetuados entre 04.09.1989 e 07.01.1994, encontrava-se decaídos por decurso de prazo, consoante previsto no art. 168 do CTN e no Ato Declaratório SRF n°96, de 26.11.1999. Alega ainda, que a COFINS relativa ao período pleiteado fora devidamente recolhido, conforme as determinações legais, não restando assim, saldo a ser restituído. Ciente do Despacho Decisório acima citado (AR — fl. 22, verso), o contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls.123/126), no qual afirma que a Declaração de Compensação foi protocolizada em 06.09.2001 e o indeferimento desta ocorreu em 20.10.2006. Logo, entre a data de protocolo da Declaração de Compensação e a ciência do Despacho Decisório que não homologou as referidas compensações, transcorreram mais de cinco anos, restando-as, assim, tacitamente homologadas, conforme o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Afirma, também, que o prazo para eventual pedido de recuperação de qualquer tributo sujeito ao lançamento por homologação tem como termo inicial a data da homologação do lançamento, que, sendo tácita, é considerada após cinco anos do fato gerador. Ao final, requer o provimento da presente Manifestação de Inconformidade, para que seja reformada a decisão proferida pela DRF em São Paulo. Instrui sua manifestação os seguintes documentos: Termos de Transferência de Crédito Tributário (fls.128 e 143), Declarações de Compensação protocolizadas em 21.03.2003 e 14.05.2003 (fls.129 e 144, respectivamente), Planilhas com Pagamento a maior ou indevido (fls.130/131 e 145), Pedido de Restituição protocolizado em 06.09.2001 (fl.133), 3 * Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.161 Fl. 182 procuração (1134), Alteração Contratual (fls.I35/140), Cédula de Identidade e CPF/MF do sócio representante (fls.I41/142) e CNPJ (fl.146). Os autos foram remetidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (fls.154/163), a qual deferiu em parte a solicitação do contribuinte, nos termos da seguinte ementa (fl.154): "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL — RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Decadência — O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância do ar. 3" da Lei Complementar n" 118/2005. COFINS — 01/04/1992 a 31/12/1993 Matéria Não Impugnada. O contribuinte não contestou o indeferimento da COF1NS, tornando a matéria julgada definitivamente na via administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelece-se corno tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Solicitação Deferida em Parte." Intimado da decisão de primeira instância (AR —11.164, verso), o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário às fls.170/176, no qual assevera, em resumo, que: conforme o art. 28 do Decreto n" 70.235/72, a fundamentação do mérito do pedido não analisada pressupõe aprovação tácita; a autoridade julgadora defendeu a inércia obrigacional de julgar o mérito no lugar da DRF em São Paulo, a qual não cumpriu seu dever vinculado: ocorre que tal autoridade não pode "proteger" a referida DRF, razão pela qual deve o Conselho de Contribuintes considerar aprovado tacitamente o mérito, consoante o art. 28 do Decreto n" 70.235/72; ‘2, 9)> P Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 183 momento em que se der a homologação expressa ou tácita, no decurso do prazo de cinco anos; a homologação expressa extingue o ato jurídico no momento em que é proferida pela autoridade, já a homologação tácita extingue o ato jurídico no curso do prazo de cinco anos; a homologação satisfaz a condição resolutória extinguindo o ato jurídico iniciado com o fato gerador em seu elemento temporal, ou seja, o crédito tributário possui um termo inicial e um termo final; segundo Sacha Cahnon Navarro Coelho, "em todas as hipóteses em que o contribuinte paga sem prévio exame da autoridade administrativa, o pagamento nada extingue"; conforme o art. 142 do CTN, o lançamento do tributo é ato privativo da autoridade administrativa; de acordo com o art. 150 do CTN, a antecipação do pagamento não extingue nada definitivamente, eis que está vinculada a uma condição resolutó ria, tornando-se então uni ato precário e sem eficácia enquanto se encontrar nesta condição; a homologação tácita constitui em unia omissão que preclui o direito de revisar a antecipação por parte do contribuinte; com base na jurisprudência, ao se considerar o ano de 1989, cujo exercício seguinte é 1990, tem-se o direito de protocolizar o pedido de restituição até 31.12.2000; a morosidade e a inércia do Fisco resultam em homologações tácitas, o que explica, mas não justifica, a elasticidade temporal do prazo de 10 anos; a autoridade julgadora desconsiderou os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real e interesse público. Para corroborar o alegado, cita jurisprudência sobre o prazo decadencial de 10 anos, no caso de lançamento por homologação. Ao final, requer o provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reformada a decisão proferida pela DRJ, julgando-se procedente a manutenção das compensações protocolizadas em 06.09.2001 e 29.10.2001, bem como a homologação dos débitos compensados vencidos. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em um único volume, em 14.10.2008, constando numeração até à f1.178, última. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°314, de 25/08/99. É o relatório. &,41 5 Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 F1, 184 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Conheço em parte do Recurso Voluntário, por tratar de matéria atinente ao Finsocial, que é de competência desta Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (anteriormente denominado Terceiro Conselho de Contribuintes), nos termos do artigo 22, XVI, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Insta esclarecer, que da análise dos autos (fl. 01), verifica-se que a controvérsia reside no direito do Recorrente compensar supostos créditos de Finsocial e Cofins, relativos ao período de agosto de 1989 a dezembro de 1993. De inicio, porém, esclareço que deixo de apreciar o pedido de Restituição/Compensação do Recorrente, no que tange a Cofins relativa ao período de apuração de 04/1992 a 12/1993, em razão desta não ser matéria de competência desta Seção. Assim, no que tange a COFINS, por ser de competência da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (anterior Segundo Conselho de Contribuintes), como dispõe o artigo 20, inciso I, alínea "d", também do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, remeto os autos a esta para apreciação do Recurso Voluntário em questão, na parte concernente à Cofins. Superada a preliminar de competência, passo a análise no que tange Finsocial. Entendo, portanto, que a controvérsia a que me cabe decidir, cinge-se quanto à suposta decadência (prescrição) do pedido de restituição dos recolhimentos, realizados a título de FINSOCIAL. O pedido de restituição/compensação formulado pelo recorrente tem fundamento na inconstitucionalidade das normas que majoraram a alíquota do FINSOCIAL, declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE n° 150.764-PE ocorrido em 16.12.1992, tendo o acórdão sido publicado em 2.3.1993, e cuja decisão transitou em julgado em 4.5.1993. De início, julgo conveniente nos debruçarmos sobre os institutos da decadência e prescrição. Embora ainda haja alguma controvérsia acerca dos elementos que diferenciam a decadência da prescrição, o certo é que ambos os institutos foram introduzidos há muito no direito pátrio objetivando disciplinar as relações jurídicas no tempo. Com efeito, a falta de um termo final para o exercício de um direito poderia desestabilizar as relações sociais, ao deixar indefinidas certas situações, gerando insegurança jurídica. 62/6 Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 185 Bem por isso o legislador houve por estabelecer regras para o exercício de direitos, delimitando sua extensão no tempo e seus termos inicial e final. No que toca ao início do prazo prescricional para o exercício de um direito, é de lógica elementar ser o dies a alto aquele em que o direito passou a ser exercitável. Afinal, não prescreve o direito que ainda não nasceu. Essa foi a linha adotada pelo legislador no Código Civil de 1916, recentemente revogado. Assim dispunha o seu artigo 177, verbis: Art. 177. As ações pessoais prescrevem, ordinariamente, em 20 (vinte) anos, as reais em 10 (dez), entre presentes, e entre ausentes, em 15 (quinze), contados da data em que poderiam ter sido propostas. (grifos nossos) O novo Código Civil, da lavra de ninguém menos do que o aclamado jurista e filósofo Miguel Reale, adotando a mesma lógica, dispõe que: Art 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. (destaques acrescentados) Nesse diapasão, o precioso magistério de Paulo Pimenta' "A pretensão, na lição inesgotável de Pontes de Miranda, é a posição subjetiva de poder exigir de outrem alguma prestação positiva ou negativa'? , ou seja, é a faculdade de exigi,- o cumprimento de uma prestação, seja a de dar, fazer, ou de mio fazer. Além disso, o dispositivo inovador consagra expressamente o princípio da action nata — cuja existência era admitida com tranqüilidade pela doutrina civilista na vigência do Código de 1916 -, por força do qual o prazo de prescrição começa fluir no momento em que ocorre a violação do direito material Vale dizer, o prazo prescricional surge no momento da ocorrência de determinado fato que modifica uma determinada situação jurídica, tornando-a desconforme com o sistema jurídico. Nem sempre esse fato corresponde a uns ato do devedor, podendo ser praticado, também, por terceiros, pode consistir num evento imprevisível (caso fortuito ou força maior), ou até mesmo ser decorrente de provimento jurisdicional que atribua nova qualificação, jurídica a um determinado evento." s A Restituição dos Tributos Inconstitucionais, o Novo Código Civil e a Jurisprudência do STF e do STJ, in Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 91, Editora Dialética, 2003, p. 90/91. 2 Tratado de Direito Privado, t. 5, atual. Por Vislon Rodrigues, Campinas, Boolcseller, 2000, p. 503. ("71). Processo n°13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 186 Na seara tributária, o termo a quo do prazo prescricional do direito do contribuinte de repetir o que pagou indevidamente possui algumas singularidades. De início, há que se perquirir a natureza do pagamento indevido, que comumente ocorre em uma de três modalidades. No primeiro caso, o contribuinte paga espontaneamente tributo que não devia ou além do que devia. No segundo caso, o contribuinte sofre cobrança indevida ou maior do que a devida. No terceiro caso, o contribuinte paga tributo que era devido à época do pagamento, e que posteriormente, por força de um fato que modifica a situação jurídica então vigente, torna-se indevido. Nos dois primeiros casos, o pagamento sempre foi indevido, daí porque o prazo prescricional para o contribuinte reaver o indébito tem inicio na data do próprio pagamento (CTN, art. 168, I), malgrado a redação imprópria do parágrafo I, já que não há se falar em crédito tributário a ser extinto quando o pagamento é integralmente indevido. Já na terceira hipótese, a situação é diametralmente distinta. O que foi pago pelo contribuinte era efetivamente devido à época do pagamento. Não havia, naquele instante, o caráter indevido no recolhimento efetuado, que só viria a adquirir essa feição após o advento de uma inovação na realidade jurídica em vigor. Na esteira do que já foi declinado acerca da prescrição e decadência, a violação do direito que faz nascer a pretensão, in casu, a do contribuinte, só ocorre quando o pagamento que era devido se torna indevido. Decisões recentes e seguidas das mais altas Cortes do pais, judiciais e administrativas, arrimadas na melhor doutrina, vêm elencando três ocorrências que têm o condão de tomar, a posteriori, indevido o pagamento até então tido como devido. São elas: (i) declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle concentrado de constitucionalidade, como as ADINs, de efeito erga omnes; (ii) declaração incidental de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle difuso de constitucionalidade, irradiando efeitos erga omnes a partir da publicação de resolução do Senado Federal que suspenda a execução da lei declarada inconstitucional; e (iii) lei ou ato administrativo que reconheça, implícita ou expressamente, o caráter indevido da exação. O que há de comum nesses três casos é a modificação da ordem jurídico- tributária após o pagamento do tributo. Como não é dificil de intuir, somente após se tomar indevido é que surge para o contribuinte o correspondente direito de reaver aquilo que pagou. No tocante às hipóteses "i" e "ii" acima citadas, é pacifico o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade de uma norma tributária produz efeitos a tunc, tomando inválidos os atos praticados sob sua vigência. Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 187 Eventual exceção a essa regra só poderia ocorrer se viesse expressamente consignada na declaração de inconstitucionalidade da norma, para que, por exemplo, emanasse somente efeitos ex nunc. Não havendo ressalva, a inconstitucionalidade da norma retroage ao momento em que entrou no ordenamento jurídico. Assim, tributos declarados inconstitucionais conferem ao contribuinte, a partir da indigitada declaração de inconstitucionalidade, o direito de repetir o que foi pago indevidamente. O Colendo Superior Tribunal de Justiça, arauto máximo na uniformização da aplicação do direito federal, vem decidindo reiteradamente que, no caso de tributo declarado inconstitucional, o prazo para repetição do que foi pago indevidamente só se inicia com o trânsito em julgado do acórdão do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade da exação. Tal entendimento vem sendo sufragado, inclusive, nos casos relativos ao FINSOCIAL, onde, como se sabe, não houve declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. Nesse sentido, decisão recente proferida por aquela Corte: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CONTAGEM A PARTIR DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PROVIMENTO NEGADO A declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal não elide a presunção de constitucionalidade das normas, razão pela qual não estava o contribuinte obrigado a suscitar a sua inconstitucionalidade sem o pronunciamento da Excelsa Corte, cabendo-lhe, pelo contrário, o dever de cumprir a determinação nela contida. A tese que fixa como termo a quo para a repetição do indébito o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo deverá prevalecer, pois não é justo ou razoável permitir que o contribuinte, até então desconhecedor da inconstitucionalidade da exação recolhida, seja lesado pelo Fisco. Ainda que não previsto expressanzente em lei que o prazo prescricional/d ecadencia I para restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal é contado após cinco anos do trânsito em julgado daquela decisão, a interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio leva a essa conclusão. Cabível a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de decadência/prescrição de cinco anos para pleitear a devolução, contado do trânsito em julgado da decisão do Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T Acórdão n°3201-00.161 Fl. 188 Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional o suposto tributo. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ-2" Turma, AGRESP 414.130-MG, reL Min. Franciulli Netto, j. 3.9.2002, negaram provimento. v.u., DJU 19.5.2003, p. 184) Com efeito, mesmo nos casos onde a declaração de inconstitucionalidade tenha ocorrido em sede incidental, o contribuinte passa a ter ciência da lesão a seu direito. E na esteira no que já dissemos antes, a contagem do prazo de prescrição somente pode ter inicio a partir de uma lesão a um direito. Isso porque, se não há lesão, não há utilidade no ato do sujeito de direito tomar alguma medida. A extinção de direito de que se trata, pelo decurso de prazo fixado em lei, atinge a faculdade conferida ao sujeito ativo para exigir a eficácia do objeto do direito subjetivo. O decurso do prazo convalesce esta lesão, como na lição de SANTIAGO DANTAS, desde que se entenda adequadamente o direito de ação como o de agir manifestando exigibilidade ou pretensão dirigida à obtenção da eficácia substantiva do objeto do direito: "Tenho eu um direito subjetivo apodem passar os anos sem que o tempo tenha a mínima influência sobre o meu direito. Mais eis que, de repente, o meu direito entra em lesão, isto é, o dever jurídico que a ele corresponde não se cumpre: dá-se a lesão do direito. Nasce da lesão do direito o dever de ressarcir e, para mim, o direito de propor uma ação para obter ressarcimento. Se. porém, deixo que passe o tempo sem .fitzer valer o meu direito de ação, o que acontece? A lesão do direito se cura, convalesce, a situação antijuridica torna-se jurídica; o direito anistia a lesão anterior e já não se pode mais pretender que eu faça valer nenhuma ação. Esta é a conceituação da prescrição que mais nos defende de dificuldades da matéria."3 SANTIAGO DANTAS esclarece que "a prescrição conta-se sempre da data em que se verificou a lesão", pois, na verdade, só com esta surge a denominada "actio nata", que sustenta o direito à reparação. Assim sendo, indaga-se: quando se verifica a lesão de um direito pelo recolhimento de um tributo posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que em controle incidental? Estará tal lesão configurada na data em que recolhido o tributo, muito embora a norma, à época do pagamento, ainda detivesse a presunção de inconstitucionalidade? As lições dos mestres MARCO AURÉLIO GRECO e HELENILSON CUNHA PONTES em obra integralmente dedicada ao tema em apreço, merecem ser destacadas: "O exercício de um direito, submetido a prazo prescricional, pressupõe a violação deste direito, apto a configurar a 'aedo nata', isto é, o momento de caracterização da lesão de um direito. Câmara Leal lembra que não basta que o direito tenha existência atual e possa ser exercido por seu titular, é necessário, para admissibilidade da ação, que esse direito sofra 3 Programa de Direito Civil, Editora Forense, 3' Edição, 2001, p. 345. c., In % • Processo n° 13807.0103$8/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 189 alguma violação que deva ser por ela removida. É da violação, portanto, que nasce a ação. E a prescrição começa a correr desde que a ação teve o nascimento, isto é, desde a data em que a violação se verificou. Com base nestes pressupostos doutrinários, pode-se concluir que antes da pronúncia (ou da extensão) da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte não possui efetivamente um 'direito a uma prestação', apto a gerar contra si um prazo prescricional que o fulmine pela sua inércia. Não pode haver inércia a ser fulminada pela prescrição se não há direito exercitável, isto é, se não há 'actio nata'. "4 Alguns dirão: mas com o recolhimento "indevido" (ainda que apenas em cumprimento de lei com presunção de constitucionalidade), surge para o contribuinte o direito de suscitar a declaração de inconstitucionalidade da norma e cumulativamente pleitear a restituição do recolhido. Mais ainda, dirão que o prazo é o previsto nos artigos 165 a 168 do CTN, defendendo ser esta a interpretação mais adequada com o princípio da segurança jurídica, que demanda a imutabilidade de situações que perduram ao longo do tempo, ainda que irregulares. Os mesmos autores da obra já citada prontamente refutam esta argumentação, afirmando que: a) os artigos que tratam de restituição no CTN não prevêem a hipótese de declaração de inconstitucionalidade da norma; e b) o princípio da segurança jurídica deve ser temperado por outro que, fulcrado na presunção de constitucionalidade das leis editadas, demanda a imediata aplicação das normas editadas pelos Poderes competentes, sob pena de disfimção sistêmica. Relevante transcrever os excertos nos quais os brilhantes juristas demonstram o acima destacado. Primeiro a questão dos prazos do CTN: "Nas hipóteses contempladas no artigo 165 do CTN, conto a qualificação jurídica a ser aferida é aquela que resulta da legislação aplicável (fundamento imediato da exigência), a simples realização de um pagamento que não esteja plenamente de acordo com tal disciplina, reúne condições que fazem nascer para o contribuinte o direito de obter a restituição do que indevidamente pagou. Ou seja, nestes casos, existe uma qualificação certa (a da lei) e uma conduta que dela se distancia (espontaneamente, por erro de identificação etc.). Andou bem o CTN quando atrelou a tais eventos os prazos que correm contra o contribuinte e fixou os respectivos termos iniciais na data da extinção do crédito (artigo 168, 1) ou na data em que se tornar definitiva a decisão que reformar a decisão condenatória (artigo 168, 11). Em suma, nas hipóteses reguladas pelo CTN, a qualificação jurídica é certa e está definida antes da ocorrência do evento concreto. E, pela estrita razão de que o evento não se enquadra adequadamente na qualificação jurídica preexistente, é que o contribuinte tem direito à restituição do indevido. O indevido, 4 Inconstitucionalidade da Lei Tributária — Repetição do Indébito, Editora Dialética, 2002, p. 48. Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 190 nestes casos, é aferido mediante cotejo entre um fato e a respectiva previsão normativa, sendo que o fato é posterior a esta? Agora a matéria dos princípios (vale dizer o confronto entre a segurança jurídica e a segurança sistêmica pelo respeito à presunção de constitucionalidade das leis), na página 74: "Nesse passo, estamos perante duas posições. De um lado, os que sustentam que o prazo prescricional se inicia com o pagamento feito (com base nas normas do CTN) e que, passados cinco anos, não cabe mais pedido de repetição de indébito, ainda que, após esse prazo, sobrevenha decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. De outro lado, a nossa posição, no sentido de que, tendo havido inequívoca decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade de unia norma tributária, o contribuinte, no prazo de 5 (cinco) anos pode ingressar com ação de repetição de indébito, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado há mais de cinco anos da propositura da ação, pleiteando a repetição de todo o tributo pago com fundamento na lei declarada inconstitucional. Entendem os primeiros que sua posição deve prevalecer, pois assegura a segurança e a estabilidade das relações. Entendemos nós, porém, que a posição que sustentamos é a que melhor resguarda tais valores e, mais do que isso, é a que preserva o ordenamento jurídico e sua eficácia. Com efeito, se a contagem do prazo de prescrição tiver por termo inicial a data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do C72V), esta é melhor forma para induzir os contribuintes a questionarem toda e qualquer exigência antes de completado o prazo de cinco anos. Ou seja, ela produz o efeito contrário à busca de segurança e estabilidade pois, a priori, tudo seria questionável e mais, deveria ser efetivamente questionado (por mais absurdo que pudesse parecer naquele momento), como medida de cautela para evitar o perecimento do seu direito de pleitear judicialmente a restituição. Em suma, contar a prescrição a partir da data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CI7V) é negar o valor segurança, pois elimina a presunção de constitucionalidade da lei (que tem função estabilizadora das relações sociais e jurídicas), além de provocar desconfiança no ordenamento e induzir seu descumprimento, no sentido de que os contribuintes são levados a impugnar tudo, pois tudo precisa ser questionado para evitar a prescrição. Ob. Cit., p. 50. 09 12 Processo n° 13807.010358/2001-04 53-C2T1 Acórdão n°3201-00.161 Fl. 191 Não se pode deixar de mencionar, também, que discutir quanto a prazo de prescrição por inconstitucionalidade da lei ou ato normativo é defender a mais paradoxal das posições pois, num contexto de relacionamento sadio entre Fisco e contribuinte, se o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade de uma lei e, por conseqüência admitiu ter havido pagamento indevido, seria de se esperar que o Fisco tomasse imediatamente a iniciativa e, ex officio, devolvesse o que recebeu indevidamente aos que foram atingidos pela exigência." A jurisprudência do Poder Judiciário, fundada nos mesmos princípios, vem por consolidar o entendimento de que somente se conta o prazo para a repetição do indébito quando se afasta da norma a presunção de constitucionalidade, através de pronúncia de invalidade por inconstitucionalidade, ainda que no controle difuso. NosEmbargos de Divergência em Recurso Especial n°. 43995/RS, o Eminente Ministro CÉSAR ASFOR ROCHA, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, assim se pronunciou, citando HUGO DE BRITO MACHADO: "Ocorre que a presunção de constitucionalidade das leis não permite que se afirme a existência do direito à restituição do indébito, antes de declarada a inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. É certo que o contribuinte pode promover a ação de restituição, pedindo seja incidentahnente declarada a inconstitucionalidade. Tal ação, todavia, é diversa daquela que tem o contribuinte, diante da declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. Na primeira, o contribuinte enfrenta, como questão prejudicial, a questão da inconstitucionalidade. Na segunda, essa questão encontra-se previamente resolvida. Não é razoável considerar-se que ocorreu inércia do contribuinte que não quis enfrentar a questão da constitucionalidade. Ele aceitou a lei, fundado na presunção de constitucionalidade desta. Uma vez declarada a inconstitucionalidade, surge, então, para o contribuinte, o direito à repetição, afastada que está aquela presunção." Importantíssimo anotar que, no caso apreciado pelo Egrégio STJ, tratava-se de decisão plenária do STF, que afastava, por vício de inconstitucionalidade, a exigência do empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis, conforme RE 121.336. Exatamente como no caso da cota do IBC. Além disso, na data em que concluído o julgamento em destaque, não havia sido editada qualquer resolução senatorial. Pode-se também mencionar o acerto da decisão alcançada pelo mesmo Tribunal no REsp 2009091RS, aliás, como se faz acontecer nos pronunciamentos do Eminente Ministro JOSÉ DELGADO: ‘ Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T 1 Acórdão n°3201-00.161 Fl. 192 "Tributário. Prescrição. Repetição de Indébito. Lei Inconstitucional. Atende ao principio da ética tributária e o de não se permitir a apropriação indevida, pelo Fisco, de valores recolhidos a título de tributo, por ter sido declarada inconstitucional a lei que o exige, considerar-se o início do prazo prescricional de indébito a partir da data em que o colendo Supremo Tribunal Federal declarou a referida ofensa à Carta Magna." E para quebrantar quaisquer resistências, o Ministro SEPÜLVEDA PERTENCE, no RE 136.883-RJ, indicando o precedente no RE 121.336, declarou que o direito à repetição surge com a decisão que declara a inconstitucionalidade. Assim a ementa: "Empréstimo compulsório (Decreto-Lei n". 2.288/86, art. 10: incidência na aquisição de automóveis, com resgate em quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento: inconstitucionalidade não apenas da sua cobrança no ano da lei que a criou, mas também da sua própria instituição, já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 121.336, Plenário, 11-10-90, Pertence): direito do contribuinte à repetição do indébito, independentemente do exercício em que se deu o pagamento indevido." Do voto de S. Exa. extrai-se passagem decisiva: "Declarada, assim, pelo Plenário, a inconstitucionalidade material das normas legais em que fundada a exigência da natureza tributária, porque feita a titulo de cobrança de empréstimo compulsório -, segue-se o direito do contribuinte à repetição do que se pagou (Código Tributário Nacional, art. 165), independentemente do exercício financeiro em que tenha ocorrido o pagamento indevido." Pelas lições que se pode absorver do aresto, é que o Superior Tribunal de Justiça, como não poderia deixar de ser, continua a se manifestar pela contagem da prescrição a partir da declaração de inconstitucionalidade em sessão plenária do STF, conforme REsp 217195/PB: "A iterativa jurisprudência desta Corte consagrou entendimento no sentido de que o prazo prescricional qüinqüenal das ações de repetição de indébito tributário inicia-se com a publicação da decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade da exação (11.10.90)". (a referência de data é a do RE 121.336). De qualquer forma, há ainda a terceira modalidade de fato jurídico apto a tomar indevida uma determinada exação, deflagrando nesse instante o direito à sua repetição. Trata-se de manifestação inequívoca da própria Administração, através de lei ou ato administrativo, que reconhece expressa ou tacitamente a inconstitucionalidade de um determinado tributo. Esse reconhecimento pode se exteriorizar de diferentes formas, como na dispensa da cobrança ou pagamento do tributo, na dispensa da constituição do crédito tributário a ele referente, na revogação total ou parcial na norma tributária inconstitucional, dentre outras. d7I4 Processo n° 13807.010358/2001-04 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 193 A partir da edição desse ato, o contribuinte passa a ter ciência indubitável da ocorrência da violação de seu direito, dando início à fluência do prazo prescricional para que pleiteie a devolução do que pagou indevidamente. É mais uma vez a regra encampada pelo direito pátrio atinente à prescrição, segundo a qual o prazo prescricional só tem início no dia em que o exercício do direito passou a ser possível. Feitas essas considerações gerais, aplicáveis a qualquer tributo reputado inconstitucional, cumpre analisarmos o que se verificou com o F1NSOCIAL. O paradigma na matéria foi o acórdão proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n°. 150.764-PE, de relatoria do eminente Ministro Marco Aurélio, que considerou inconstitucionais os sucessivos aumentos na alíquota desse tributo, veiculados pelo artigo 9' da Lei 7.689/88, artigo 7° da Lei 7.787/89, artigo 1° da Lei 7.894/89, e artigo 10 da Lei 8.147/90. Como se tratou de decisão incidental, proferida em controle difuso de constitucionalidade, a Corte Suprema remeteu o julgado ao Senado Federal, para que fossem tomadas as providências no sentido de se suspender a eficácia das normas declaradas inconstitucionais. Contrariando seu mister constitucional, aquele órgão legislativo não editou a resolução correspondente. Indigitada omissão se configura inconstitucional no entender deste relator. Com efeito, o órgão incumbido pela Carta Magna de promover o controle de constitucionalidade das normas já em vigor é exclusivamente o Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102,1 "a" e III "a", "h" e "c"). Somente antes de ingressarem no ordenamento jurídico é que os projetos de lei sofrem controle de constitucionalidade das respectivas Casas Legislativas por onde tramitam, através das Comissões de Constituição e Justiça. Por conta disso, a declaração de inconstitucionalidade de uma determinada norma, quer em sede de controle concentrado (efeito erga omnes) quer em sede incidental (efeito entre as partes), proferida pelo Supremo Tribunal Federal prescinde de qualquer referendo, de qualquer órgão, para produzir efeitos. O Senado Federal não é instância revisional de decisão de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal. A eficácia da norma inconstitucional já foi invalidada pelo STF. À Corte Suprema, porém, não cabe inovar no campo legislativo, competência privativa do Congresso Nacional (CF, art. 44). A resolução do Senado Federal (CF, art. 52, X) tem como missão unicamente retirar do ordenamento jurídico o que já foi declarado inválido. É ato vinculado, não cabendo àquele órgão legislativo questionar as razões que conduziram à declaração de inconstitucionalidade. gris Processo n°13807.010358/2001-04 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 194 Bem por isso, o entendimento externado pelo senador Amir Lando, quando da recusa em editar a resolução senatorial decorrente no julgamento da inconstitucionalidade do FINSOCIAL, reproduzido no Parecer PGFN/CRJ/N". 3401/2002 é absolutamente inconstitucional, sobre ser fundado em argumentos meta-jurídicos que não têm o condão de "revisar" o mérito de decisão proferida pela Corte Suprema. De fato, a prevalecer o entendimento do cioso Senador, um projeto de lei aprovado por apertada maioria no Congresso Nacional não poderia ser convertido em lei; de igual forma, um projeto de lei, legitimamente aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República, não se tomaria lei por trazer "profunda repercussão na vida econômica do País". Juristas de escol têm considerado atualmente a previsão de edição de resolução do Senado Federal visando suspender a eficácia de normas já declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal como herança histórica e ultrapassada, incompatível com o moderno sistema de controle da constitucionalidade de normas. Com efeito, devemos ter presente que o instituto de conferir ao Senado o poder discricionário de estender efeitos erga omnes às declarações de inconstitucionalidade em controle incidental sofreu, após a Carta de 1988, criticas pela sua ineficiência diante do modelo de controle abstrato adotado, pois irracional que de um mesmo Plenário surjam decisões com efeitos distintos, quando tomadas com fulcro na inconstitucionalidade de certa norma. Nesse sentido, o precioso magistério do jurista e Ministro do STF GILMAR FERREIRA MENDES, que bem definiu a inconsistência do instituto: "A amplitude conferida ao controle abstrato de normas e a possibilidade de que se suspenda, liminarmente, a eficácia de leis ou atos normativos, com eficácia geral, contribuíram, certamente, para que se quebrantasse a crença na própria justificativa desse instituto, que se inspirava diretamente numa concepção de separação de Poderes --- hoje necessária e inevitavelmente ultrapassada. Se o Supremo Tribunal Federal pode, em ação direta de inconstitucionalidade, suspender, liminarmente, a eficácia de urna lei, até mesmo de uma Emenda Constitucional, por que haveria a declaração de inconstitucionalidade, proferida no controle incidental, valer tão-somente para as partes? A única resposta plausível indica que o instituto da suspensão pelo Senado de execução da lei declarada inconstitucional pelo Supremo assenta-se hoje em razão de índole exclusivamente histórica. Deve-se observar, outrossim, que o instituto da suspensão da execução da lei pelo Senado mostra-se inadequado para assegurar eficácia geral ou efeito vinculante às decisões do Supremo Tribunal que não declaram a inconstitucionalidade de uma lei, limitando-se a fixar a orientação constitucionalmente adequada ou correta. Isto se verifica quando o Supremo Tribunal afirma que dada disposição há de ser interpretada desta ou daquela forma, superando, assim, entendimento adotado pelos Tribunais ordinários ou pela própria <6S Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 195 Administração. A decisão do Supremo Tribunal não tem efeito vincidante, valendo nos estritos limites da relação processual subjetiva. Como não se cuida de declaração de inconstitucionalidade de lei, não há que se cogitar aqui de qualquer intervenção do Senado, restando o tema aberto para inúmeras controvérsias. Situação semelhante ocorre quando o Supremo Tribunal Federal adota uma interpretação conforme à Constituição, restringindo o significado de uma dada expressão literal ou colmatando uma lacuna contida no regramento ordinário. Aqui o Supremo Tribunal não afirma propriamente a ilegitimidade da lei, limitando-se a ressaltar que uma dada interpretação é compatível com a Constituição, ou, ainda que, para ser considerada constitucional. determinada norma necessita de um complemento (lacuna aberta) ou restrição (lacuna oculta — redução teleológica). Todos esses casos de decisão com base em uma interpretação conforme à Constituição não podem ter a sua eficácia ampliada com o recurso ao instituto da suspensão de execução da lei pelo Senado Federal Finalmente, mencionem-se os casos de declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, nos quais se explicitam que de um dado significado normativo é inconstitucional sem que a expressão literal sofra qualquer alteração. Também nessas hipóteses, a suspensão de execução da lei ou ato normativo pelo Senado revela-se problemática, porque não se cuida de afastar a incidência de disposições do ato impugnado, mas tão-somente de um de seus significados normativos. Todas essas razões denwnstram a inadequação, o caráter obsoleto mesmo, do instituto de suspensão de execução pelo Senado no atual estágio do nosso sistema de controle de constitucionalidade."6 No caso do FINSOCIAL, entretanto, não se faz necessário perquirir se a declaração incidental de sua inconstitucionalidade teria ou não deflagrado o prazo prescricional para a sua repetição. Em 31.8.1995 foi editada a Medida Provisória n°. 1.110, de 30.8.1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n°. 10.522, de 19.7.2002. Entre outras providências, a Medida Provisória dispensou a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Divida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizou a cancelar o lançamento e a inscrição relativamente a tributos e contribuições julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou ilegais, em última instância, pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 17). 6 Direitos Fundamentais e Controle de Consatucionalidade, Celso Bastos Editor, 1998, p. 376: (51 S;;;Pt7 Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 196 No rol do citado artigo encontrava-se a contribuição ao FINSOCIAL (inciso III). Ao dispensar a constituição de créditos, a inscrição na Dívida Ativa, o ajuizamento de execução fiscal, cancelando o lançamento e a inscrição relativos ao que foi exigido a título de FINSOCIAL na alíquota acima de 0,5%, com fundamento nas Leis 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, a Medida Provisória reconheceu expressamente a declaração de inconstitucionalidade das citadas normas proferida pelo STF no julgamento do RE n°. 150.764-PE. E não se diga que o fato de a majoração das alíquotas do FINSOCIAL estar no rol do artigo 17 não significa necessariamente o reconhecimento de sua inconstitucionalidade, já que todos os demais tributos elencados no artigo 17 já tinham, ao tempo da edição da MP, sido declarados inconstitucionais, inclusive com efeito erga omnes. É o caso da Contribuição instituída pelo artigo 8° da Lei 7.689/88 (art. 17, I), suspensa pela Resolução n° 11 do Senado Federal, de 4.4.95; do Empréstimo Compulsório, instituído pelo Decreto-lei 2.288/86 (at. 17, II), suspenso pela Resolução n° 50 do Senado Federal, de 9.10.95; o IPMF, criado pela Lei Complementar n° 77/93 (art. 17, IV), declarado inconstitucional em parte pelo STF na ADIN 939-DF, acórdão publicado em 18.3.94. Estando o FINSOCIAL em tão boa companhia, é inegável que a Fazenda Nacional, quando da edição da indigitada MP, reconheceu expressamente a sua inconstitucionalidade ao arrolá-lo ao lado de outros tributos já reconhecidamente inconstitucionais, conferindo-lhe igual tratamento (dispensa de constituição de crédito, inscrição, etc.). Da mesma forma, não procede o argumento segundo o qual a Medida Provisória 1.110/95 teria se restringido unicamente aos créditos ainda não extintos, nada dispondo sobre aquilo que foi pago indevidamente. Ora, como foi visto, ao reconhecer a inconstitucionalidade do FINSOCIAL, dispensando a Administração Tributária de procedimentos arrecadatórios nesse particular, a Fazenda Nacional admitiu a violação do direito do contribuinte, marco inicial do prazo prescricional para que este pleiteie sua restituição. Nesse sentido, respaldado pela doutrina de Ricardo Lobo Torres, ensina com sua habitual propriedade Gabriel Lacerda Troianelli7: "Há que se considerar, entretanto, que nem a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, nem a resolução do Senado Federal suspensiva de ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que a Jurisprudência do Superior Tribunal de justiça vem hoje, pacificamente, admitindo como sendo causas de fluências de novo prazo para pleitear a compensação ou restituição de tributo indevidamente pago, encontram-se previstos na legislação como tais. 7 Lei Interpretativa e Prescrição do Direito de Repetir: Novo Prazo para a Contribuição ao PIS, in Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 71, Editora Dialética, 2001, p. 73. cr 18 Processo n° 13807.01035812001-04 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 197 A jurisprudência, na verdade, teve como fundamento não a lei, mas a doutrina, que, especialmente após as lições de Ricardo Lobo Torres8.-, vem defendendo a existência de causas supervenientes de abertura de prazo para o contribuinte reaver tributo indevidamente pago, entre as quais a decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado e a resolução do Senado Federal, hoje pacificamente admitidas pelos Tribunais. Mas não são apenas estas as duas causas supervenientes admitidas pela Doutrina, como bem demonstra Ricardo Lobo Torres, nos trechos a seguir transcritos: 'A restituição do indébito a causa superveniente apresenta o esquema que pode ser desdobrado em vários procedimentos ou atos distintos: (..); 2") um ato intermediário que transforma em ilegal o pagamento até então legal, e que pode ser proferido em ação judicial (decretação de nulidade e da ineficácia do negócio jurídico; declaração de inconstitucionalidade da lei em ação direta), em resolução do Senado Federal (que suspende a execução da lei declarada inconstitucional incidenter pelo STF), em lei de natureza interpretativa ou em ato ou procedimento administrativo (...). (.) Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF. Até aquela data o contribuinte só poderia exercitar o seu direito se, concomitantemente, postulasse a declaração judicial de inconstitucionalidade. Esse, entretanto, seria outro tipo de processo de restituição, sujeito às regras do CTN, como vimos no Titulo II, inconfundível com o que decorre de uma decretação de inconstitucionalidade com eficácia erga °nines. Na hipótese de que se cuida já existe a prejudicialidade da questão da inconstitucionalidade. Logo, a partir da data em que se adquiriu eficácia erga °mires a declaração é que se contará o prazo da decadência. Nem haverá justificativa para restringir o direito do contribuinte, contando o prazo a partir do pagamento (legal e devido), pois serviria de estímulo à multiplicação de repetitó rias dirigidas, concomitantemente, contra a constitucionalidade da O mesmo argumento e a mesmissinia conclusão se impõe para os casos de lei interpretativa. Também ai, a nosso ver o prazo de decadência se intencia da data da publicação da lei que incorporou, em texto formal, os julgados'. No mesmo sentido, é copiosa a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Conselho de Contribuintes: 8 TORRES, Ricardo Lobo. Restituição dos Tributos. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 167/170. 0119 Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.161 Fl. 198• Número do Recurso: Câmara: SEGUNDA CAMAFtA '..;11P Número do Processo: 110183.002651/99-73 r- Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO c.".-.1-5..,.4à Matéria: .RESTITUIÇÃO/COMP PIS, Recorrente: ELÉTRICA CUIABANA LTDA Recorrida/Interessado: .DRJ-CAMPO GRANDE/MS . Data da Sessão: 05/12/2002 08:00:00 Relator: A n tôn io Carlos , Bueno , Ribeiro . • Decisão: 'ACÓRDÃO:202-14475 . . . . Resultado: NPQ — NEGADO PROVIMENTO POR QUALIDADE , Texto da Decisão: Por unanimidade de votos: 1) Acolheu-se a preliminar' para afastar decadência; II) no mérito: a) por unanimidade de.votos, deu-se provimento parcial ao recurso, quanto à semestralidade; e b) pelo voto de qualidade; negou-se provimento . a -O. recurso, quanto aos expurgos inflacionários. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rdcha Schmidt, Gustavo Kdly Ale:néarr; Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ementa: NORMAS PROCESSUAIS , - RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA:O prazo — •••.tf: para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco)anos, distinguindo-se 'o início de sua contagem em razão da forma em que se exteriorila o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a .partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para 6:01 20 Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 199• desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com .a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de Resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada -4;14::14. Medida Provisória ou ntesmo ato administrativo - para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Decadência — Pedido de Restituição — Termo Inicial Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. (CSRF-1 3 Turma, Acórdão n°. CSRF/01-03.491, rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 17.9.2001, DOU 30.10.2002, p. 62); (CSRF-P Turma, Acórdão n°. CSRF/01- 03.239, rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 19.3.2001, DOU 2.10.2001, p. 19) Número do Recurso: 128622 Câmara: SEXTA CÂMARA • Número do Processo: 13678.000008/99-41 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: ILL Recorrente: CIA. AGRO PASTORIL DO RIO GRANDE Recorrida/Interessado: DRJ-JUIZ DE FORA/MG Data da Sessão: 11/07/2002 00:00:00 Relator: Wiltrido Augusto Marques Decisão: 'Acórdão 106-12786 Resultado: OUTROS — OUTROS 4# 21 Processo n° 13807.010358/2001-04 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.161 Fl. 200 Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à • repartição de origem para apreciação do mérito. Ementa: DECADÊNCIA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo • 1.-• decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Decadência afastada. Merece ainda ser transcrito o voto proferido no Acórdão CSRF/01-03.225, de 19.03.2001, de relatoria do preclaro Conselheiro Antonio de Freitas Dutra, Presidente da 2.° Câmara do 1.0 Conselho de Contribuintes: "Em que momento houve a extinção do crédito tributário? A resposta mais óbvia seria — no mês que o imposto passou a indevido As regras definidas pelos artigos 165 e 168 da Lei n". 5.172 de 25/10/66 — Código Tributário Nacional, pelas características próprias do caso em pauta, não podem ser literalmente aplicadas não há como aplicar a regra inserida no inciso Ido art. 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição é de cinco anos da extinção do crédito tributário. Primeiro, porque na época era incabível qualquer pedido de restituição uma vez que, até então, esta espécie de rendimento era considerada tributável, tanto na esfera administrativa como na judiciária. Segundo, em nome do princípio de segurança jurídica não se pode admitir a hipótese de que a contagem para o exercício de um direito TENHA INICIO antes da data de sua AQUISIÇÃO. Como é que o contribuinte poderia pedir RESTITUIÇAO daquilo que legalmente foi retido e recolhido? O contribuinte só adquire o direito de requerer a devolução daquele imposto, que num dado momento foi considerado indevido, por um novo ato legal ou decisão judicial transitada em julgado. No caso aqui enfocado, aplica—se a norma inserida no inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional .... No momento que o pagamento do imposto foi considerado indevido, cabe à administração por dever de oficio, devolvê-lo. A regra é a administração devolver o que sabe que não lhe pertence, a 22 Processo n° 13807.010358/2001-04 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.161 Fl. 201 exceção é o contribuinte ter que requerê-la e, neste caso, só poderia fazê-lo a partir do momento que adquiriu o direito de pedir a devolução Por fim, ainda em referência ao Parecer PGFN/CRJ/N°. 3401/2002 elaborado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, cumpre esclarecer que não há elementos nos autos que permitam concluir ter o contribuinte se utilizado da via judicial para questionar a incidência do FINSOCIAL, tendo obtido desfecho desfavorável passado em julgado, a obstar seu pedido de restituição/compensação na sede administrativa, razão pela qual são inaplicáveis ao caso concreto as digressões nesse sentido. Diante do exposto, tendo o prazo prescricional (decadencial para alguns) se iniciado na data da publicação da MP n°. 1.110/95, qual seja, 31/08/95, é intempestivo o pedido de restituição formulado pelo Recorrente, já que proposto em 06.09.2001 (t1.01) e, conseqüentemente, também são os pedidos de compensação, formulados cumulativamente, de forma que nego provimento ao Recurso Voluntário. No que tange ao pedido de Restituição/Compensação da Cofins, relativa ao período de apuração de 04/1992 a 12/1993, por não ser matéria de competência desta Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (anterior Terceiro Conselho), remeto estes autos à Segunda Seção (anterior Segundo Conselho de Contribuintes) para apreciação do Recurso Voluntário em questão. Sala das Sessões, em 2 m de 2009. )2T0 BARTOL - Relator---"N L
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000753/2005-73
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de combustíveis derivados de petróleo a distribuidores e varejistas, não enseja a tomada de crédito das contribuições sociais porque esses produtos são tributados à alíquota zero. A incidência monofásica, sistemática de tributação desses produtos, é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da não-cumulatividade.
GASTOS COM LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS E PEDÁGIOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E NAS VENDAS DA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica, englobando os dispêndios com lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, realizados para a consecução dos serviços de transporte de carga, assim como para o transporte de insumos adquiridos e de produtos vendidos, desde que os referidos insumos não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados e desde que atendidos os demais requisitos da lei.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS.
O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE.
O ressarcimento de créditos decorrentes da não-cumulatividade das contribuições sociais não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado.
Numero da decisão: 3402-002.699
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, tanto na prestação de serviços de transporte de cargas, quanto nas operações de aquisição de insumos e de venda dos produtos finais, desde que atendidos os demais requisitos da lei e desde que os referidos bens não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem. Vencido o Conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que reconheceu o direito à correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente substituto e relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Alfredo Eduão Ferreira, suplente convocado em substituição ao Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, ausente temporariamente, Fenelon Moscoso de Almeida, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de combustíveis derivados de petróleo a distribuidores e varejistas, não enseja a tomada de crédito das contribuições sociais porque esses produtos são tributados à alíquota zero. A incidência monofásica, sistemática de tributação desses produtos, é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da não-cumulatividade. GASTOS COM LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS E PEDÁGIOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E NAS VENDAS DA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica, englobando os dispêndios com lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, realizados para a consecução dos serviços de transporte de carga, assim como para o transporte de insumos adquiridos e de produtos vendidos, desde que os referidos insumos não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados e desde que atendidos os demais requisitos da lei. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS. O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento de créditos decorrentes da não-cumulatividade das contribuições sociais não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, tanto na prestação de serviços de transporte de cargas, quanto nas operações de aquisição de insumos e de venda dos produtos finais, desde que atendidos os demais requisitos da lei e desde que os referidos bens não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem. Vencido o Conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que reconheceu o direito à correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente substituto e relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Alfredo Eduão Ferreira, suplente convocado em substituição ao Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, ausente temporariamente, Fenelon Moscoso de Almeida, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. CRITÉRIO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Na hipótese de ocorrência concomitante de receitas sujeitas às sistemáticas cumulativa e não cumulativa de apuração da contribuição, não obstante a faculdade dada pela lei de opção entre qualquer dos métodos de apropriação de créditos (apropriação direta ou rateio proporcional), devem ser segregados os custos, as despesas e os encargos de acordo com a destinação das vendas realizadas pelo contribuinte, se no mercado interno ou no mercado externo. COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de combustíveis derivados de petróleo a distribuidores e varejistas, não enseja a tomada de crédito das contribuições sociais porque esses produtos são tributados à alíquota zero. A incidência monofásica, sistemática de tributação desses produtos, é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da não cumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 07 53 /2 00 5- 73 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 707 2 GASTOS COM LUBRIFICANTES, PEÇAS, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, PNEUS, CÂMARAS E PEDÁGIOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E NAS VENDAS DA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica, englobando os dispêndios com lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, realizados para a consecução dos serviços de transporte de carga, assim como para o transporte de insumos adquiridos e de produtos vendidos, desde que os referidos insumos não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados e desde que atendidos os demais requisitos da lei. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS. O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento de créditos decorrentes da nãocumulatividade das contribuições sociais não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, tanto na prestação de serviços de transporte de cargas, quanto nas operações de aquisição de insumos e de venda dos produtos finais, desde que atendidos os demais requisitos da lei e desde que os Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 708 3 referidos bens não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem. Vencido o Conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que reconheceu o direito à correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente substituto e relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Alfredo Eduão Ferreira, suplente convocado em substituição ao Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, ausente temporariamente, Fenelon Moscoso de Almeida, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS Mercado Externo, referente ao 2° trimestre de 2004, no valor total de R$ 144.910,70. O Despacho Decisório n° 136/2009, fls. 565 a 573, indeferiu o pleito em decorrência do (a) recálculo do rateio dos créditos e (b) das glosas tomadas sobre o valor (i) dos bens adquiridos para revenda a pessoas físicas, (ii) das despesas com Selos e Pedágios; (iii) dos serviços contratados; (iv) das faturas de energia elétrica não comprovadas; (v) das despesas de malote; (vi) dos encargos de depreciação de bens cuja utilização no processo produtivo não quedou comprovada; (vii) dos bens devolvidos não sujeitos à sistemática não cumulativa da Contribuição, e (vii) do crédito presumido tomado sobre compras de insumos a pessoas físicas que não se destinaram a fabricação de produtos vendidos a empresas agroindustriais que produzissem mercadorias de origem animal e vegetal (classificados em diversos códigos NCM) destinadas à alimentação humana ou animal. Esse ajustes acabaram por apurar como ressarcível, relativamente ao mercado externo, o valor de R$ 7.228,34. Todavia, como, relativamente ao mercado interno, houve a geração de débito de R$ 19.813,79, deduziuse a parcela ressarcível para lançar de ofício apenas a diferença (R$ 12.585,45). Em Manifestação de Inconformidade de fls. 576 a 607, a interessada controverteu todos os ajustes. Pugnou pela atualização monetária dos eventuais créditos que forem concedidos. A autoridade julgadora de primeira instância baixou o processo à origem, em diligência, para verificar a efetividade e a correção dos dados constantes planilha de fls. 654 e 655, inclusive com a análise se sobre os produtos constantes das notas fiscais listadas nessa planilha, agora com a indicação do NCM, haveria crédito passível de ressarcimento. Em atendimento ao solicitado, a DRF/PTG produziu a Informação Fiscal de fls. 631, consignando que o resultado da diligência foi totalmente favorável às pretensões do interessado, ou seja, de que sobre os valores dos produtos constantes do Anexo I da Manifestação de Inconformidade existia direito ao crédito de PIS passível de aproveitamento. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, para reduzir as glosas referentes a “bens de revenda substituição tributária” (em abril, maio e junho/2004), “despesas de energia elétrica” (junho/2004) e Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 709 4 “devolução de vendas sujeitas à incidência nãocumulativa” (abril e maio/2004). O Acórdão n° 0627.264, de 7 de julho de 2010, fls. 632 a 655, teve ementa vazada nos seguintes temos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. 0 sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no rel , ime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO. Cabível o cancelamento de glosas de créditos relativos à energia elétrica, na parcela que a interessada lograr comprovar a efetividade do consumo em seu nome. CRÉDITOS. INSUMOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. AQUISIÇÃO E DEVOLUÇÃO DE VENDAS. GLOSA INDEVIDA. Comprovandose nos autos serem indevidas glosas relativas a produtos que, supostamente, teriam incidência monofásica no fabricante, mas cujos NCM indicam que eram passíveis da incidência do PIS e da Cofins na aquisição, cabível o cancelamento das glosas efetuadas, inclusive no que se refere ã devolução de vendas de tais produtos. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do § 11 do art. 3° da Lei n.° 10.833, de 2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquiridos diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na fabricação dos produtos especificados em lei, e, como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas e: portados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 710 5 RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre os valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos relativos ao PIS por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CTA. O arrazoado de fls. 658 a 696, após síntese dos fatos relacionados com a lide, controverte as seguintes matérias: a) o cálculo do rateio dos créditos, explicando que optou pela forma de rateio proporcional porque, na época, não possuía sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, condição para a adoção do método de apropriação direta, sedo legalmente vedada a mescla dos métodos, pretendida pela Fiscalização; b) a glosa dos créditos tomados sobre o valor dos gastos com combustíveis, lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus e câmaras, utilizados nos veículos (caminhões) de sua frota própria, explicando que seu processo produtivo iniciase com a coleta dos grãos nas propriedades dos produtores rurais e que também é prestador de serviços de transporte; c) a glosa dos créditos tomados sobre o valor dos pedágios pagos; d) a glosa dos créditos sobre os insumos aplicados no transporte de produtos nas operações de comercialização; e) a glosa dos créditos tomados sobre faturas de energia elétrica não apresentadas ou emitidas em nome de pessoas físicas, sob a alegação de que não as apresentou porque não foi solicitado a tanto, e; f) a glosa do crédito presumido, alegando que atente todos os dois únicos requisitos estabelecidos pela legislação: (i) é pessoa jurídica que produz mercadorias de origem vegetal (soja, milho e trigo, entre outros) elencadas nos códigos referidos pela Lei de Regência e essa produção é destinada à alimentação humana e de animais. (ii) adquire bens e insumos diretamente de pessoas físicas domiciliadas no pais, e; g) o direito à correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 711 6 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 658 a 696 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCTA3ª Turma nº 0627.264, de 7 de julho de 2010. Matérias controvertidas Após a decisão da DRJ Curitiba/PR, que acolheu em parte a reclamação do ora Recorrente, remanescem controvertidas as seguintes matérias: a) critério de apuração dos créditos (apropriação direta ou rateio proporcional); b) créditos sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios; c) crédito sobre transporte em veículos próprios (insumos e vendas); d) glosas de energia elétrica; e) crédito presumido produtos adquiridos de pessoas físicas; f) correção monetária do crédito Taxa Selic. Conceito de insumo adotado neste voto O CARF vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereirto de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 712 7 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 712DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 713 8 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com esse conceito em com o processo produtivo da recorrente em vista, passemos à análise do caso concreto. O objeto social da pessoa jurídica, que se encontra identificado no contrato social nos seguintes termos: Comércio de Produtos Veterinários medicamentos, rações, vacinas, soros, sais e suplementos minerais; insumos agrícolas fertilizantes, sementes, agrotóxicos, expurgos; máquinas e implementos agrícolas; representações comerciais; prestadora de serviços fitossanitários; Compra e Venda de Cereais;prestação de serviços de Secagem e Classificação de cereais;Transporte Rodoviário de Cargas em geral; Importadora e Exportadora de grãos; Produção e Classificação de sementes selecionadas. A par da generalidade do objeto social, confrontado com os dados levantados pela Fiscalização, interessa ao presente caso as atividades do Recorrente consistentes em “compra e venda de cereais”, “prestação de serviços de secagem” e “transporte rodoviário de cargas em geral”. Esses processo foram assim descritos pelo contribuinte: o processo produtivo aplicado aos produtos agrícolas Aveia, Milho, Trigo e Soja, compreendia a secagem, padronização e limpeza em equipamentos industriais como moegas, máquinas de prélimpeza, secadores, máquinas de póslimpeza, fitas transportadoras, elevadores e silos (entre outros), seguidos da posterior comercialização dos referidos produtos beneficiados. a) Aquisição e transporte de produtos agrícolas (milho, soja, trigo, outros) da propriedade do produtor até as dependências da Agrícola Cantelli Ltda; Fl. 713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 714 9 b) o processo de secagem, padronização e limpeza dos citados produtos agrícolas nos equipamentos industriais (Moegas, máquinas de prélimpeza, secadores, máquinas de póslimpeza, Fitas transportadoras, elevadores, silos e outros) da empresa, seguidos da posterior comercialização dos referidos produtos beneficiados. Os produtos são padronizados conforme a portaria 262 e instrução normativa 11 do Ministério da Agricultura; c) os insumos utilizados em todo o processo produtivo são os gastos com transportes dos produtos agrícolas da propriedade do produtor até as dependências da empresa, como combustível, lubrificantes e peças de manutenção dos caminhões. Além disso, o próprio produto agrícola que passa por processo de beneficiamento, a energia elétrica, lenha para geração de calor para secagem, bem como produtos químicos para o tratamento e conservação dos produtos agrícolas em comento. Ajuste no cálculo do rateio proporcional Conforme apontara a repartição de origem no Despacho Decisório n° 136, de 2009, os créditos passíveis de ressarcimento são aqueles relativos aos custos, despesas e encargos que estejam vinculados à receita de exportação e que não possam ser compensados com débitos da própria contribuição decorrente das operações do mercado interno. De acordo com a Administração Tributária, a vinculação dos créditos aos tipos de receitas auferidas deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a sua vinculação exclusiva a cada tipo de receita, sendo que, em relação aos custos comuns das atividades cumulativas e não cumulativas, facultase à pessoa jurídica a utilização de qualquer dos critérios previstos no § 8° do art. 3° da Lei de Regência, ou seja, a apropriação direta (no caso de a pessoa jurídica possuir sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração) ou o rateio proporcional. A defesa do Recorrente é no sentido de que, na apuração dos referidos créditos, diferentemente do entendimento da autoridade fiscal ratificado pelos julgadores de piso, a lei não dera opção à pessoa jurídica para que ela mesclasse as duas formas (apropriação direta ou rateio proporcional), mas apenas definira a possibilidade de opção de apenas uma delas. Segundo o Recorrente, tendo havido a opção pelo método do rateio proporcional, ela deveria ser observada durante todo o anocalendárío para todos os custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa da contribuição. Eis os dispositivos da Lei de Regência que cuidam da matéria: Art. 3° (...) § 7° Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8° Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 715 10 no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9° O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8°, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendárío, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. De acordo com o § 7° do art. 3° supra reproduzido, a regra geral é a apuração dos créditos somente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à não cumulatividade, ou seja, sendo possível segregar os dispêndios de acordo com a tributação da receita sistemática cumulativa ou não cumulativa , o direito ao crédito se dá somente em relação aos dispêndios vinculados à parte da receita sujeita à incidência não cumulativa da contribuição. O § 8°, por seu turno, disciplina a forma de determinação do crédito, pelo método de apropriação direta ou pelo rateio proporcional. O método de apropriação direta permite o atendimento pleno da regra geral prevista no § 7° do mesmo artigo e o método do rateio proporcional possibilita a apropriação a partir da relação percentual entre a receita bruta sujeita à não cumulatividade e a receita bruta total, mas, nesse caso, somente em relação “aos custos, despesas e encargos comuns” (grifei). Segundo a Fiscalização, em algumas rubricas declaradas no Dacon, foi possível identificar que os créditos glosados encontravamse vinculados à Receita do Mercado Interno, e não à Receita do Mercado Externo, o que, em razão do fato de se tratar, na origem, de pedido de ressarcimento da contribuição relativamente às operações do mercado externo, os referidos créditos não poderiam ser vinculados à Receita de Exportação. A Fiscalização, em sua constatação, aponta os chamados "Bens para Revenda", que se referem a produtos e mercadorias que foram revendidos no mercado doméstico, e as "Devoluções de Venda Sujeita à Incidência Nãocumulativa", estas também relativas a produtos e mercadorias que foram revendidas no mercado nacional, sem qualquer vínculo com o mercado externo. O Recorrente, em nenhum momento da relação processual, foi capaz de infirmar, com documentação hábil e idônea, essa constatação da repartição de origem. Nesse sentido, não obstante o acerto da argumentação do Recorrente em relação à faculdade dada pela lei de opção entre qualquer dos métodos de apropriação de créditos, opção essa que deve ser adotada durante todo o anocalendárío, estáse diante de Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 716 11 créditos relativos a operações no mercado interno, operações essas não abarcadas pelo dispositivo legal1 em que se baseara o pedido de ressarcimento. Concluo pelo acerto da decisão da repartição de origem e da decisão recorrida, que o manteve, no que se refere ao ajuste no cálculo do rateio dos créditos. Créditos sobre gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios. Transporte de insumos e nas vendas. Por considerálos não abarcados pelo conceito de insumos adotado pela Lei de Regência, a Fiscalização glosou os créditos tomados sobre determinados bens e serviços. Combustíveis e lubrificantes Considerando o objeto social da pessoa jurídica – “compra e venda de cereais” e “transporte rodoviário de cargas em geral” , é possível constatar que os combustíveis e os lubrificantes encontramse ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, sendo inerentes ao processo produtivo e à prestação de serviços de transporte de carga, alcançando perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade que os torna imprescindíveis ao funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria da atividade produtiva. Além disso, os combustíveis e lubrificantes são utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica e são, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. A possibilidade de desconto de créditos calculados em relação aos gastos com lubrificantes está expressamente prevista no inc. II do art. 3° da Lei de Regência e a glosa respectiva deve ser revertida. Nada obstante, entendo existir óbice intransponível para a tomada de crédito sobre os gastos com combustíveis derivados de petróleo (a menos que sejam comprovadamente adquiridos diretamente às refinarias). As diversas formas de desoneração da tributação (imunidade, nãoincidência, isenção e tributação à alíquota zero) não dão, em princípio, direito ao creditamento. Nesse ponto, convém lembrar o entendimento no STF de que a aplicação do princípio da não cumulatividade, como o próprio vernáculo está a indicar, pressupõe tributação positiva tanto na entrada quanto na saída, sem o que não há cumulação. Não foi por outra razão, a Lei de Regência vedou expressamente o direito a crédito sobre o valor da aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da Contribuição (não gravados), em qualquer hipótese, nos termos do inc. II do § 2° do art. 3°: 1 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 717 12 Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 2° Não dará direito a crédito o valor: ... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A Lei de Regência, ao mesmo tempo, excluiu da base de cálculo as receitas tributadas à alíquota zero, em dispositivo que engloba, indistintamente, também a isenção e a nãoincidência: Art. 1º A Contribuição para o ..., com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); (grifei) A redação original do art. 4° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, instituiu sistema de tributação pelas contribuições sociais cumulativas por substituição tributária (ST) para a cadeia dos combustíveis e derivados de petróleo: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. A técnica de tributação por ST, no que diz respeito aos combustíveis, teve vida breve. O art. 3º da Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000, alterou o art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, instituindo a tributação concentrada na refinaria: Art. 3º Os arts. 4º, 5º e 6º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 718 13 Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP;’ IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. A Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, por sua vez, reduziu a zero as alíquotas incidentes nas etapas subseqüentes das cadeias (distribuidores e varejistas): Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Como se vê, a tributação monofásica dos combustíveis foi erigida dentro da moldura normativa da incidência cumulativa. Toca agora verificar se a nãocumulatividade é compatível com a tributação concentrada nas etapas desoneradas, isso é, das distribuidoras em diante. A propósito do tema, o Ministro Marco Aurélio, no voto condutor do RE nº 460.785/RS, esmiuçou definitivamente o conteúdo do princípio constitucional da não cumulatividade e cristalizou o entendimento, agora predominante na Suprema Corte, de que a aplicação do princípio, como o próprio vernáculo está a indicar, pressupõe tributação positiva tanto na entrada quanto na saída, sem o que não há cumulação. Esclareceu também que não importa se há ou não a incidência na venda dos produtos, mas sim se a operação é ou não onerada pela tributação e só será onerada, por óbvio, se a alíquota for positiva e não haja a isenção. Ilustro com os seguintes excertos os seguintes trechos do voto: No mais, atentem para a razão de ser do creditamento. Visa a evitar a sobreposição de cobrança de tributo consideradas sucessivas operações. Então, ante o princípio da não cumulatividade, o valor do tributo apurado em certa operação Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 719 14 sofre a diminuição do que satisfeito anteriormente. Utilizase o crédito com o objetivo único de não haver a sobreposição, a cobrança do tributo em cascata, transgredindo o princípio vedador da duplicidade. (...) Pois bem, de início, ante a sucessividade de operações versadas neste processo, percebese o nãoenvolvimento do princípio da nãocumulatividade. A conclusão decorre da circunstância de o inciso II do § 3º do artigo 153 da Carta da República, não bastasse o alcance vernacular da expressão – não cumulatividade – , surgir pedagógico ao revelar que a compensação a ser feita levará em conta o que for devido e recolhido em operações anteriores com o montante cobrado na subseqüente. Considerando apenas o princípio da não cumulatividade, se o ingresso da matériaprima ocorreu com incidência do tributo, logicamente houve a obrigatoriedade de recolhimento. Mas, se na operação final verificouse a isenção, não existirá compensação do que recolhido anteriormente ante a ausência de objeto. Compensar o que? [...] Em síntese, presente o princípio da nãocumulatividade – e deste somente é possível falar quando há dupla incidência, sobreposição , o direito do contribuinte ao crédito considerado o que recolhido em operação anterior, tendose a isenção ou alíquota zero na operação final surgiu – e mesmo assim implicitamente, se é que isso é possível – com a edição da Lei nº 9.779/99. Não implicou ela mera explicitação de um direito. Entenderse, como fez a Corte de origem, que no caso pouco importa o período alusivo às operações, se anterior à lei comentada ou posterior, implica fugir a ordem natural das coisas, olvidandose o princípio da nãocumulatividade no que sem o envolvimento de dupla incidência, caminhouse, sem previsão em lei, no sentido de creditamento. Ratificando o decidido no RE nº 460.785/RS e dando consistência à doutrina do STF sobre o princípio da não cumulatividade, extraio excerto do voto condutor do julgamento proferido pelo STF no RE nº 475.551/PR, proferido pelo Ministro Menezes Direito: A alíquota zero, portanto, significa ser o crédito inexigível, sendo uma modalidade de desoneração do tributo. De todo os modos, a conseqüência final não é alterada, porque em todos os casos de isenção ou de alíquota zero o que existe é a desoneração do tributo e daí, penso, respeito embora aqueles que entendem em sentido oposto, não há falar na distinção para efeito de se estabelecer o sistema da não cumulatividade. Portanto, para que se cogite em não cumulatividade deve haver necessariamente incidência plurifásica, sob pena de ofensa à lógica do princípio. A tese está respaldada também na jurisprudência do STJ: REsp nº 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 22/09/2010. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 720 15 TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL PIS COFINS – INCIDÊNCIA MONOFÁSICA – CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE – LEGALIDADE – INTERPRETAÇÃO LITERAL – ISONOMIA – PRESTAÇÃO JURISDICIONAL SUFICIENTE – NULIDADE – INEXISTÊNCIA. [..] 2. A Constituição Federal remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do art. 195, § 12 da CF/88. 3. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. AgRg no REsp n 1.226.371/RD, Rel. Min. Humberto Martins, Dje 10/05/2011 TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. ART. 14 DA LEI N. 11.727/2008. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO ÀS EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. [...] 2. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento.... A Ministra Eliana Calmon, no voto condutor do REsp nº 1.140.723/RS, enfatizou que a técnica de tributação concentrada é incompatível com o creditamento porque não há cumulatividade a compensar: Como bem explanado no aresto recorrido, a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à nãocumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) para a concessão de qualquer benefício fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de benefício fiscal. Na mesma direção caminha a jurisprudência dos tribunais regionais, como ilustra decisão do TRF da 5º Região (AC nº 490.763/SE, TRF da 5º Região, Rel. Des. Geraldo Apoliano, Dje 10/02/2011): Fl. 720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 721 16 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. DIREITO AO CREDITAMENTO. LEIS 10.637/02, 10.833/03 E 10.865/04. IMPOSSIBILIDADE. 1. Mandado de Segurança impetrado por PETROX DISTRIBUIDORA LTDA. firma distribuidora de combustíveis que pretende, com base nas Leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, ver assegurado o direito de escriturar os créditos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,6%), calculados sobre o valor da nota fiscal dos combustíveis adquiridos para revenda. [...] 3. Segundo o regime da Lei nº 9.718/98, a sistemática do recolhimento do PIS e da COFINS para as operações relativas a combustíveis, concretizavase pela via da substituição tributária, uma vez que o primeiro integrante da cadeia produtiva (as refinarias) recolhia as exações através da antecipação do fato gerador. 4. Com o advento da Lei nº 9.900/00, a tributação permaneceu sobre o primeiro integrante da cadeia produtiva; entretanto, na sistemática do 'regime monofásico', no qual as contribuições são pagas com uma alíquota elevada, logo na primeira fase da cadeia produtiva; para as demais pessoas que participam das etapas seguintes (v.g. distribuidores e revendedores) incide a alíquota zero. 5. O regime monofásico permaneceu em vigor, inclusive, após o advento das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que implantaram a sistemática da nãocumulatividade para as contribuições 'PIS/COFINS'. 6. Com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.865/2004, o alcance da sistemática da nãocumulatividade foi ampliado, passando a abranger as receitas provenientes da comercialização de combustíveis. No entanto, tal alteração alcançou apenas as empresas produtoras e importadoras, tendo em vista que foi mantida a alíquota zero para os demais comerciantes (revendedores e distribuidores). 7. Impetrante/Apelante que não faz jus ao creditamento das contribuições em questão, pois, se assim fosse permitido, estaria, de forma indevida, auferindo um crédito relativo a um tributo que não foi por ela suportado, mas sim, pelo fabricante, o que importaria em enriquecimento ilícito. A configuração estrutural do sistema de incidência monofásica, por si só, inviabiliza a concessão do crédito às distribuidoras de combustíveis. 8. Precedentes deste Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Apelação improvida. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 722 17 Reporto, por fim, a percuciente análise do tema desenvolvida pelo AFRFB Cláudio Losse, por ocasião do julgamento da Manifestação de Inconformidade interposta nos autos do processo nº 10469.720452/201048 (grifos do original): 24.4 Assim sendo, da etapa em que a tributação é concentrada em diante, não há sentido em se falar em nãocumulatividade, pois simplesmente não é devida a contribuição. Se não estamos na nãocumulatividade, por definição, também não há o direito ao crédito, a qualquer título. 25. A etapa concentrada bem poderia ainda ser cumulativa – como o foi, por algum tempo, a produção da gasolina e do óleo diesel – mas optou o legislador, por questões de política tributária, permitir, com a edição da Lei nº 10.865/2004, o creditamento nas refinarias. 26. A referida lei, resultado da conversão da MP nº 164/2004, na realidade, tratou de matéria bem mais ampla, que foi a introdução da COFINS Importação e da Contribuição para o PISImportação, que têm por fundamento constitucional o inciso IV do art. 195, introduzido pela Emenda Constitucional nº 42/2003, tanto é que o “mote” principal da Exposição de Motivos (nº 00008/2004) da referida medida provisória foi o “tratamento isonômico entre a tributação dos bens produzidos e serviços prestados no País, que sofrem a incidência da Contribuição para o PISPASEP e da ... COFINS, e os bens e serviços importados de residentes ou domiciliados no exterior, que passam a ser tributados às mesmas alíquotas dessas contribuições”. 26.1. Enfocando o caso específico em discussão, cumpre transcrever ainda outras justificativas trazidas na citada Exposição de Motivos (grifei): 3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS – cumulativa e nãocumulativa – no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência não cumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória. ................... 10. Objetivando evitar evasão fiscal e regular o mercado de combustível, a proposta altera a alíquota ad valorem da Contribuição do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda de gasolina e óleo diesel, bem como estabelece a incidência mediante alíquotas específicas, por opção do contribuinte. 26.2. Aí se vêem três aspectos que interessam à causa em discussão: a) Por mais que o senso comum seja refratário à tese – por parecer, em primeira análise, “injusta”, em alguns casos – a adoção do regime Fl. 722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 723 18 nãocumulativo não necessariamente implica na aceitação de todo e qualquer creditamento, pois, já na exposição de motivos, ele é restrito a bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços e, ainda, nos casos que especifica, ou seja, fica patente que não há determinação constitucional que obrigue que toda e qualquer aquisição necessária à atividade empresarial gere direito a crédito, mas apenas aquelas que o legislador eleger (ainda mais, aí já de acordo com o senso comum, quando toda a tributação já ocorreu em etapa anterior); b) Tanto é assim, que as hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta medida provisória; c) O aumento das alíquotas (que já era mais que esperado, pois senão seria brutal a queda na arrecadação, mas, mesmo assim assombrou a reclamante) não foi só resultante da adoção o regime não cumulativo nas refinarias, mas também foi decorrente de política tributária/econômica. 26.3. Às escancaras, então, o que quis o Poder Executivo foi alterar tãosomente a tributação dos combustíveis derivados de petróleo na importação e na produção (que passou a ser nãocumulativa, com direito a crédito, mas com alíquotas bem superiores na saída), em nada modificando a situação do distribuidores e varejistas. Não foram inseridos estes comerciantes no regime não cumulativo e, como não poderia deixar de ser, não se permitiu a eles qualquer creditamento. Assim sendo, homenageando o AFRFB Cláudio Losse, endosso suas conclusões: da etapa em que a tributação é concentrada em diante, não há sentido em se falar em não cumulatividade, pois simplesmente não é devida a contribuição. Se não estamos na não cumulatividade, por definição, também não há o direito ao crédito, a qualquer título. Não há portanto direito a crédito nas aquisições de combustíveis. Pedágios Quantos aos dispêndios com pedágios, atentese para o fato de que a exploração de rodovia mediante cobrança de preço ou pedágio dos usuários, envolvendo execução de serviços de conservação, manutenção, melhoramentos para adequação de capacidade e segurança de trânsito, operação, monitoração, assistência aos usuários e outros serviços definidos em contratos, atos de concessão ou de permissão ou em normas oficiais, consta do item 2201 da lista anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, configurandose como prestação de serviço. A Administração Tributária Federal admite a tomada de crédito sobre o valor dos pedágios pagos por sociedades prestadoras de serviços de transporte rodoviário de cargas, quando o transportador não utilizar o benefício do art. 2° da Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001. Nesse sentido (negritei): SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF/9ªRF N° 70 de 25 de Fevereiro de 2005 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 724 19 EMENTA: TRANSPORTE DE CARGAS. INSUMOS. Não configuram insumos utilizados na prestação de serviços das empresas de transporte de cargas em geral, para fins de crédito na forma prevista pelo art. 3o , II, da Lei n° 10.637, de 2002, os gastos efetuados com: seguros de qualquer espécie e pedágios para conservação de rodovias, quando a Pessoa Jurídica utilizarse do benefício do art. 2o da Lei n° 10.209, de 2001. Por outro lado, subsumemse no conceito de insumos utilizados na prestação de serviços das empresas de transporte de cargas em geral, para fins dos créditos acima mencionados, desde que atendidos todos os requisitos legais e normativos atinentes à espécie, Os gastos efetuados com: pneus e peças para reposição nos mencionados veículos, desde que não imobilizados e quando não representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas; mãode obra de manutenção da frota, inclusive recauchutagem, desde que paga a pessoa jurídica; pedágios para conservação de rodovias quando a pessoa jurídica não utilizar o benefício do art. 2o da Lei n° 10.209, de 2001; e contratação de veículos de outras pessoas jurídicas para efetuar o transporte, SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF/6ªRF Nº 182 de 06 de Julho de 2005 ASSUNTO:Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: CRÉDITOS. INSUMOS. Não dão direito ao crédito a ser descontado da contribuição devida os gastos efetuados com telecomunicações para rastreamento da frota; seguros de qualquer espécie e pedágios para conservação de rodovias, quando a pessoa jurídica utilizar o benefício do art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001. Por outro lado, dão direito ao crédito a mãodeobra para manutenção da frota, desde que paga a pessoa jurídica, e pedágios para conservação de rodovias quando a pessoa jurídica não utilizar o benefício do art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001. Portanto, quanto à tomada de crédito sobre pedágios, dêse provimento ao recurso, para admitir a dedução das contribuições devidas com créditos calculados sobre o valor dos pedágios pagos, desde que não tenha havido o prévio ressarcimento com vales pedágios. Peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras Constam da peça recursal algumas soluções de consulta da Receita Federal, em que se consigna que “subsumemse no conceito de insumos utilizados na prestação de serviços das empresas de transporte de cargas em geral, para fins dos créditos acima mencionados, desde que atendidos todos os requisitos legais e normativos atinentes à espécie, os gastos efetuados com: pneus e peças para reposição nos mencionados veículos, desde que não imobilizados e quando não representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem Fl. 724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 725 20 em que forem aplicadas; e mãodeobra de manutenção da frota, inclusive recauchutagem, desde que paga a pessoa jurídica”. Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que, na prestação de serviços de transporte de carga, os gastos efetuados com esses itens, desde que não imobilizados e quando não representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, os gastos com mãodeobra de manutenção da frota, inclusive recauchutagem, desde que paga a pessoa jurídica, dão ensejo à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. No contexto do processo produtivo do contribuinte, ora recorrente, esse entendimento alcança, não somente a prestação de serviço de transporte a terceiros, como a coleta dos grãos dos estabelecimentos rurais na atividade de cerealista, também desenvolvida. Revertamse portanto as glosas respectivas. Energia elétrica O Recorrente insurgese contra a glosa dos créditos tomados sobre o valor dos gastos com energia elétrica em razão da falta de apresentação das faturas dos meses de abril e maio de 2004, assim como em relação às glosas de faturas emitidas em nome de pessoa física. Alega que a não apresentação das faturas de energia elétrica decorreu do fato de que, na intimação da Fiscalização, fora solicitada apenas a fatura do mês de junho de 2004 e não as demais dos meses de abril e maio, tendo havido, por conseguinte, atendimento ao que se encontrava expresso na intimação. No que se refere às faturas emitidas em nome de pessoas físicas, segundo o Recorrente, elas referirseiam a uma unidade alugada, cujas faturas eram emitidas em nome do proprietário do imóvel, mas por ele pagas. Contudo, o Recorrente não traz nenhuma prova dos fatos alegados. Ainda que a Fiscalização tivesse solicitado apenas as faturas do mês de julho de 2004, conforme alega o Recorrente, ele deveria, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aportar aos autos as demais faturas no momento da apresentação da reclamação, o que afastaria por completo a constatação da Fiscalização. Mas nenhum elemento de prova foi então acrescentado aos autos. Quanto aos alegados gastos de energia elétrica em unidade alugada, também nenhum elemento de prova foi produzido (como, por exemplo, o contrato de aluguel), o que inviabiliza o atendimento do pleito do Recorrente. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa amparada em documentação apresentada pelo sujeito passivo, decisão essa não infirmada com documentação hábil e idônea. Mantenhase a glosa. Crédito presumido. Produtos adquiridos de pessoas físicas. A Fiscalização embasou a glosa do crédito presumido na constatação de que, para se beneficiar de tal crédito, previsto no § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de Fl. 725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 726 21 dezembro de 2003, seria necessário o atendimento dos seguintes requisitos de forma cumulativa: a) a empresa deveria exercer cumulativamente as atividades de cerealista e adquirir os produtos in natura de origem vegetal classificados nas posições 10.1 a 10.08 e 12.01 da NCM diretamente de pessoas físicas residentes no Pais; b) o crédito somente poderia ser descontado (ou deduzido), em cada período de apuração, da contribuição devida pelas vendas dos produtos a empresas agroindustriais que produzissem mercadorias de origem animal e vegetal (classificados em diversos códigos NCM) destinadas à alimentação humana ou animal. Ainda segundo a Fiscalização, o último requisito afastaria o possível crédito presumido que poderia ser apurado pela empresa cerealista em relação aos produtos exportados. De início, registrese que os fatos sob análise neste processo, relativos ao segundo trimestre de 2004, não foram alcançados pela revogação dos referidos dispositivos legais promovida pela Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. O crédito presumido sob comento encontrase disciplinado na lei de duas formas distintas, a saber: 1) a primeira, prevista no § 10 do art. 3º da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, destinada às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos da NCM nele discriminados, dentre os quais, os capítulos 10 e 12; 2) a segunda, prevista § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, destinada às pessoas jurídicas que adquirem diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01 da NCM, e que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, mas apenas em relação às vendas realizadas às pessoas jurídicas produtoras a que se refere o § 5° do mesmo artigo. Considerando o objeto social da pessoa jurídica, é possível constatar que ela não é produtora de mercadorias de origem animal ou vegetal, mas apenas comerciante de cereais, assim como prestadora de serviços de secagem e classificação de cereais, importadora e exportadora de grãos e produtora de sementes selecionadas, não se lhe aplicando, por conseguinte, as disposições do § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Assim sendo, somente seria possível, para o Recorrente, o creditamento com base no § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, dispositivo esse destinado às pessoas jurídicas adquirentes de produtos in natura de origem vegetal que exercem as atividades Fl. 726DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13982.000753/200573 Acórdão n.º 3402002.699 S3C4T2 Fl. 727 22 de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Contudo, conforme constatado pela a Fiscalização, o crédito presumido previsto no § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, é deferido às pessoas jurídicas ali identificadas que venderem as mercadorias ou produtos às pessoas jurídicas produtoras, indicadas no § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Como, no presente caso, estáse diante de mercadorias ou produtos exportados, o Recorrente não reúne todas as condições para fruir do benefício, em razão do que devese manter a glosa efetuada pela Fiscalização. Correção do valor do ressarcimento O pleito de atualização monetária do valor do ressarcimento encontra óbice instransponível no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15. Nego. Conclusões Com essas considerações, meu voto é por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus, câmaras e pedágios, tanto na prestação de serviços de transporte de cargas, quanto nas operações de aquisição de insumos e de venda dos produtos finais, desde que atendidos os demais requisitos da lei e desde que os referidos bens não tenham sido imobilizados e não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem. Sala de sessões, em 18 de março de 2015 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10865.900825/2008-75
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/1999
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/1999 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/1999 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 08 25 /2 00 8- 75 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900825/200875 Acórdão n.º 3802003.554 S3TE02 Fl. 326 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/1999 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Dispositivos legais: arts. 2º e 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF nº 51, de 03/11/1978. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão de bonificações na base de cálculo das contribuições. Após a conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte seria insuficiente para o reconhecimento do direito. Isso porque as bonificações não constaram da nota fiscal de venda dos bens, tendo sido objeto de nota fiscal própria, o que impede a exclusão da base de cálculo, à medida que não poderiam ser consideradas descontos incondicionais. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900825/200875 Acórdão n.º 3802003.554 S3TE02 Fl. 327 3 O Recorrente, nas razões de fls. 285 e ss., alega que, embora as bonificações tenham sido objeto de nota fiscal separada, as mesmas eram emitidas conjuntamente às notas fiscais de venda, de forma sequencial, o que comprovaria a sua vinculação às operações de venda e a incondicionalidade do desconto concedido. Sustenta que as bonificações tanto podem ser concedidas mediante abatimento do preço ou com entrega de mercadorias em quantidade superior à paga pelo comprado, como na hipótese dos autos. Aduz não ter havido o recebimento de qualquer valor decorrente das notas fiscais de bonificação. Requer, assim, o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 31/03/2010 (fls. 284), interpondo recurso tempestivo em 28/04/2010 (fls. 285). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900825/200875 Acórdão n.º 3802003.554 S3TE02 Fl. 328 4 REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900825/200875 Acórdão n.º 3802003.554 S3TE02 Fl. 329 5 verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte apresentou como prova da liquidez e da certeza do direito de crédito as notas fiscais de bonificação. A DRJ, entretanto, após a Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900825/200875 Acórdão n.º 3802003.554 S3TE02 Fl. 330 6 conversão do julgamento em diligência, entendeu que tais documentos seriam insuficientes porque a nota fiscal em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. Entendo, no entanto, que as notas fiscais, mesmo isoladas ou emitidas em separado, são suficientes para a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito, porque denotam claramente que se trataram de bonificação. Cumpre considerar que há, na verdade, dois tipos de bonificação: as bonificações vinculadas e as desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço de venda e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto (condição), têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Nesse sentido, cumpre destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900825/200875 Acórdão n.º 3802003.554 S3TE02 Fl. 331 7 doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Registrese ainda o Acórdão nº 3802002.410, decidido por unanimidade pela Turma, em sessão de 27 de fevereiro de 2014: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação1. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, as notas fiscais, mesmo isoladas, são suficientes para a demonstrar a liquidez e a certeza do direito, sobretudo quando descrevem claramente a natureza da operação. 1 Isso não significa que todos as bonificações vinculadas à operações de venda devam ser concedidas na mesma nota fiscal. Há casos em que, mesmo em operações subsequentes, a bonificação redutora de custo de aquisição pode estar vinculada a uma ou mais vendas anteriores. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900825/200875 Acórdão n.º 3802003.554 S3TE02 Fl. 332 8 Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos do processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10283.010629/2002-62
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 1998
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCIND1BILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tomou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-000.894
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Hoffmann Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1998 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. PRESCIND1BILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tomou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Susy 1 offrnann Ge es e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade d -/votos em n ,gar provimento ao recurso. p, CARLOS ABE • O • FITAS B • RRETO- Presidente WAV JULIOCESAR VIEI • • GOMES - Relator EDITADO EM: 1 MA I 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Trata-se de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que, ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o artigo 10, § 4 0, inciso I, da IN/SRF n° 43/1997, com a redação do artigo 1°, inciso II, da 1N/SRF n° 67/1997, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 e os artigos 2°, 3° e 16 da Lei n°4.771/65. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançaria; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. O recurso foi admitido através de despacho sob o fundamento de que merece acolhimento. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso c, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. \ 2 Processo n° 10283.010629/2002-62 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.894 Fl. 2 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo e comprovada em tese a contrariedade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1 — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. A matéria é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10 caput, da Lei n° 9393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 1803, de 1989. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § I' Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 11—área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: 3 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7803, de 18 de julho de 1989; -.- Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA?', e a distribuição das áreas, à situação existente em 1° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II § 3° São áreas de utilização limitada: § 4' As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do TRAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: "- II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA: III- se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. • ktj \ Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, \X," contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20111/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 4 Processo n° 10283.010629/2002-62 CSRF-12 Aekclão n " 9202-00.894 Fl. 3 IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: ••• V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso W do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federai" Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ;011 1,1 •-• § 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador,- expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (..) § 6." Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2. 0, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 5 IV - afixação de allquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. -" Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Ainda ressalta-se que a matéria encontra-se sumulada, conforme Súmula CARI; n°41, in verbis: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IRÁ MÁ, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção. Em razao déhxposto, nego provimento ao recurso especial. I í jcízí Julio èesafkra Gomes - Relator 1;
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001389/2005-88
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
CONSTITUCIONALIDADE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
DECADÊNCIA DO TRIBUTO
Matéria de ordem pública deve ser analisada a qualquer tempo do processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-000.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para excluir os períodos anteriores a abril de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Paulo Rogério Celani, Maria Adelaide Carreiro Gonçalves de Aquino. Ausente justificadamente Andréia Dantas Lacerda Moneta..
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CONSTITUCIONALIDADE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DECADÊNCIA DO TRIBUTO Matéria de ordem pública deve ser analisada a qualquer tempo do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECADÊNCIA DO TRIBUTO Matéria de ordem pública deve ser analisada a qualquer tempo do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para excluir os períodos anteriores a abril de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 13 89 /2 00 5- 88 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Paulo Rogério Celani, Maria Adelaide Carreiro Gonçalves de Aquino. Ausente justificadamente Andréia Dantas Lacerda Moneta.. 2 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 5.167, de 27 de outubro de 2005, da 1ª. Turma da DRJ/BEL, referente ao processo administrativo n° 10280.001388/200533, em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada, sendo considerado procedente o auto de lançamento. Tratase de lançamento de Contribuição para o Programa de Interação Social (PIS), referente aos anos de 1999 a 2003, no valor consolidado de R$30.370,03, com imposição de multa de ofício de 75%. 2. A autuação é decorrente da diferença apurada entre o valor de receita escriturado no livro Registro de Apuração de ICMS e o valor declarado em Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), no curso dos anos de 1999 a 2003. Em 14.04.2005, a empresa foi cientificado do lançamento (fl. 152), apresentou impugnação de fls. 153 a 157, pela qual aduz, em síntese: a) Como preliminar, que o lançamento é nulo em razão do cerceamento de defesa resultada da falta de menção do enquadramento legal sobre a atualização monetária e as penalidades aplicáveis; b) Quanto ao mérito, que o art. 3°, parágrafo único, da Lei n° 9.715, de 25.11.1998, e os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27.11.1998, determinam a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, o que implicou a apuração de diferença a pagar que de fato não existe; Que os fatos geradores ocorridos em 1999 foram atingidos pela decadência. É o relatório. Entendeu a DRJ/BEL por conhecer a impugnação apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06.03.1972. Quanto a preliminar de nulidade, esta foi rechaçada pela DRJ/BEL, por entender que “pela simples leitura do auto de infração verificase, às fls. 148 e 149, que a fiscalização apontou corretamente enquadramento legal quanto à multa de ofício e os juros de mora.”. Portanto entendeu a DRJ/BEL que “não há, portanto, o que se falar em cerceamento ao direito de defesa da impugnante e, por conseqüência, inexiste nulidade do lançamento”. 3 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Quanto ao mérito, entendeu a DRJ/BEL em seu julgamento, que deve ser afastada a alegação de decadência, “isso porque, quanto ao PIS, a Lei n° 8.212, de 24.7.1991, estabelece prazo decadencial específico, conforme o disposto em seu art. 45: O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; (...)”. Por esta razão, a DRJ/BEL afastou a decadência por entender que o lançamento de PIS, por se tratar de contribuição regida pela Lei n° 8.212, possui prazo decadencial de 10 anos, o que implicaria a validade da formalização do crédito tributário em questão. Por fim, sobre a alegada dedutibilidade do ICMS da base de cálculo do PIS, entendeu a DRJ/BEL que tal argumento não procede. Para a referida DRJ, “a exclusão prevista pelo parágrafo único do art. 3° da Lei 9.715/98 referese unicamente ao ICMS retido pelo vendedor de bens na condição de substituto tributário”. E prosseguiu seu voto dizendo que “não consta dos autos a notícia de que, dentro da receita bruta de vendas da impugnante registrada no livro de Registro de Apuração de ICMS, esteja incluído o valor de ICMS retido na condição de substituto tributário”. Deste modo, entendeu a DRJ/BEL por considerar procedente o lançamento. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, a fls. 176179, dizendo primeiramente conformada quanto a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, por entender que “o enquadramento de fato está exposto na penúltima página das (17 fls.) que compõe o auto de infração”. Quanto ao mérito, manteve a contribuinte os mesmos argumentos trazidos na impugnação, alegando que deve ocorrer a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS. É o sucinto relatório. 4 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na impugnação apresentada, como no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. “Adotar procedimento contrário, seria (sic) contrariar disposição do Artigo 150, Inciso II da Constituição Federal, a que nos referimos anteriormente, uma atitude ilegal, injusta e discriminatória, pura e simplesmente por que esta empresa adota regras que unilateralmente lhes foi imposta pelo Estado do Pará.” Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso. Por outro lado, apesar de não estar requerido no Recuso Voluntário, e tão somente na impugnação, necessário que seja analisada a decadência do tributo, em razão desta ser matéria de ordem pública. O artigo 45 da Lei 8.212/91 estabelecia o prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de créditos destinados a seguridade social, tais como PIS, COFINS, CSLL e contribuição previdenciária. Entretanto foi editada a Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91. Assim restou o texto da Súmula: STF Súmula Vinculante nº 8 Sessão Plenária de 12/06/2008 DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008 DO de 20/6/2008, p. 1 Constitucionalidade Prescrição e Decadência de Crédito Tributário São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 5 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Após, a Lei Complementar 128, publicada em 19/12/2008, revogou expressamente o artigo 45 da Lei 8.212/91, consolidando, assim, o prazo decadencial estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, vejamos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto, tendo a contribuinte sido cientificada somente em 15.04.2005 e sendo objeto deste lançamento o período de 07/1999 a 12/2003, verificase que está acobertado pelo instituto da decadência o período anterior a abril/2000. Há, portanto, decadência nos seguintes lançamentos: 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000 e 31/03/2000. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir os períodos anteriores a abril de 2000. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator 6 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10830.006102/96-44
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1996
Recurso especial por contrariedade à legislação tributária. Fato superveniente. Súmula Vinculante nº 21. Inconstitucionalidade do §2º do artigo 33 do Decreto 70.235/76. Perda do objeto. Não conhecimento.
Tendo o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se baseado em contrariedade a dispositivo de legislação tributária declarado inconstitucional com efeitos retroativos, o mesmo não há que ser conhecido, tendo em vista a perda do seu objeto.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1996 Recurso especial por contrariedade à legislação tributária. Fato superveniente. Súmula Vinculante nº 21. Inconstitucionalidade do §2º do artigo 33 do Decreto 70.235/76. Perda do objeto. Não conhecimento. Tendo o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se baseado em contrariedade a dispositivo de legislação tributária declarado inconstitucional com efeitos retroativos, o mesmo não há que ser conhecido, tendo em vista a perda do seu objeto. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 615 1 614 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.006102/9644 Recurso nº 217.548 Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.699 – 3ª Turma Sessão de 05 de outubro de 2011 Matéria IPI Auto de Infração Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PORCELANA VERA CRUZ S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1996 Recurso especial por contrariedade à legislação tributária. Fato superveniente. Súmula Vinculante nº 21. Inconstitucionalidade do §2º do artigo 33 do Decreto 70.235/76. Perda do objeto. Não conhecimento. Tendo o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se baseado em contrariedade a dispositivo de legislação tributária declarado inconstitucional com efeitos retroativos, o mesmo não há que ser conhecido, tendo em vista a perda do seu objeto. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 61 02 /9 6- 44 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 32, inciso I, do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, qual seja, o aprovado pela Portaria 55/98, em face ao acórdão de n.º 20214.310, o qual, por maioria de votos, afastou a preliminar de inadmissibilidade do recurso voluntário por falta de depósito recursal, tendo em vista a existência de depósito judicial referente à integralidade do tributo, e, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso voluntário na parte em que foi objeto de ação judicial e, paralelamente, deulhe provimento para entender que a multa de ofício e os juros de mora são indevidos em lançamento destinado a prevenir a decadência, conforme ementa a seguir: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – Tratandose de lançamento elisivo da decadência, mormente quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário pelo depósito integral do tributo, descabe a exigência de depósito recursal, sob pena de contrariedade ao art. 151 do CTN. Preliminar de inadmissibilidade afastada. NORMAS PROCESSUAIS – MEDIDA JUDICIAL – A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio. IPI – MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA – Indevida a imposição em lançamento destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade do crédito tributário encontras suspensa pelo depósito do seu montante integral. Recurso não conhecido na parte submetida ao Poder Judiciário e provido quanto à diferenciada.” Inconformada com o fato de o recurso voluntário ter sido admitido sem que, para tanto, tenha sido realizado depósito recursal de 30% do valor da exigência fiscal, a Fazenda Nacional interpôs, em 18/10/2004, recurso especial por contrariedade à legislação tributária, alegando que aludida decisão teria violado o artigo 33, § 2º do Decreto 70.235/72, eis que o depósito judicial realizado pelo contribuinte se referiria, tão somente, às “parcelas referentes à variação da UFIR, não existindo referência a eventual depósito de multa e juros de mora”, não sendo, portanto, suficiente para a garantia de instância exigida pelo diploma supra mencionado. Em despacho de fls. 583/584, o i. Presidente da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes admitiu o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.006102/9644 Acórdão n.º 9303001.699 CSRFT3 Fl. 616 3 Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contra razões às fls. 589/593 requerendo que o recurso especial da Fazenda Nacional não fosse conhecido ou, caso assim não se entendesse, que lhe fosse negado integral provimento para que fosse mantido o acórdão a quo. Devidamente remetido à Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, a mesma, em sessão de julgamento realizada em 22/01/2007, resolveu, à unanimidade de votos, por meio da resolução CSRF/0100.027, converter o julgamento do recurso especial em diligência à Delegacia de origem, para que a mesma esclarecesse se à época do julgamento do recurso voluntário foram realizados depósitos judiciais integrais relativamente aos valores lançados. Após serem os autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Jundiaí – SP, o chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF de Jundiaí, aprovando, em 17/02/2011, o despacho proferido pela Analista Tributária da Receita Federal do Brasil às fls. 614, propôs a devolução do processo ao CARF para ratificar a necessidade de diligência, tendo em vista a publicação da Súmula Vinculante 21, que declarou inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Retornando os autos à esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o presente processo administrativo foi distribuído à sua Terceira Turma. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Tendo em vista a tempestividade do recurso especial por contrariedade à legislação tributária interposto pela Fazenda Nacional, cabe a esta Conselheira analisar, primeiramente, a sua admissibilidade. Conforme se depreende do relatório, o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se embasou unicamente na possível violação do acórdão recorrido ao artigo 33, §2º do Decreto 70.235/76, o qual exigia a realização de depósito recursal para a interposição de recurso voluntário. No entanto, em que pesem os argumentos suscitados pela Fazenda Nacional, os mesmos se tornaram inócuos em decorrência do fato superveniente ao seu recurso especial, o qual se trata da aprovação da Súmula Vinculante de nº 21 pelo Supremo Tribunal Federal, a qual respaldou o entendimento de que “é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Dessa forma, não havendo que se falar em violação à dispositivo declarado inconstitucional por meio de Súmula Vinculante, voto no sentido de não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional face à perda do seu objeto. Nanci Gama Fl. 626DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13811.003397/2004-21
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2000
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável.
PAGAMENTO DOS TRIBUTOS. MULTA POR ATRASO. DCTF. POSSIBILIDADE.
O pagamento dos tributos declarados nas DCTF apresentadas em atraso não exclui a multa que é aplicada pela inobservância do prazo determinado na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.198
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 0 se Processo n° 13811.003397/2004-21 Recurso n° 142.721 Voluntário Acórdão n° 3102-00.198 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente TOBI MODAS LTDA. Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2000 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. PAGAMENTO DOS TRIBUTOS. MULTA POR ATRASO. DCTF. POSSIBILIDADE. O pagamento dos tributos declarados nas DCTF apresentadas em atraso não exclui a multa que é aplicada pela inobservância do prazo determinado na legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la câmara / 2' turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • EL-<-ENAtarANO DAMORIM d- i Á ia. : C • ULO ROSA Relator o Processo n° 13811.003397/2004-21 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.198 Fl. 48 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre exigência da multa por atraso na entrega de Declarações de Débitos e Créditos de Tributos Federais - DCTF, relativas aos quatro trimestres de 1999, conforme auto de infração de fls.03, no valor de R$ 3.637,33. Cientificada em 26/10/2004 (f1S.16), a contribuinte apresentou impugnação em 17/11/2004 (lis. 01/02), alegando, em síntese, que a empresa apresentou dificuldade de entendimento da alteração na legislação da DCTF, no que se refere à obrigatoriedade de os contribuintes apresentarem a DCTF, inclusive os que tinham tributos a declarar em montante inferior a R$10.000,00. É o Relatório. Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. E sede de recurso, a empresa repisa os argumentos trazidos aos autos na impugnação ao lançamento. Reafirma tratar-se de mero equívoco na interpretação da legislação vigente à época e que não ouve dano ao Erário, na medida em que os tributos foram pagos. O assunto foi adequadamente tratado no voto condutor da decisão recorrida. A imposição de que aqui se trata tem origem no próprio Código Tributário Nacional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. á' 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. sÇ 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela 2 Processo n° 13811.003397/2004-21 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.198 Fl. 49 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3 0 A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A ocorrência que deu origem ao crédito tributário contestado está perfeitamente enquadrada nos parágrafos segundo e terceiro acima transcritos. Trata-se de uma obrigação de caráter acessório, que tem por objeto a prestação de informações no interesse da arrecadação tributária federal e que, não tendo sido observada, deu origem à obrigação principal correspondente à penalidade aplicada. A base legal para a imposição da multa, a partir do ano-calendário de 2002, é a Medida Provisória n. ° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A aplicação desse dispositivo à fatos anteriores enquadra-se no conceito da alardeada retroatividade benigna, pois a obrigação acessória sub examine e a multa decorrente da inobservância de sua apresentação já dispunham de base legal Decreto-lei ri2 1.968/82, com alteração introduzida pelo Decreto-lei n2 2.065/83. § 22 Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORTN para cada grupo de 5 (cinco) informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 3' Se o formulário padronizado (§ 1') for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 (dez) ORTN ao mês-calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § 4' Apresentado o formulário, ou a informação, fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento "ex officio", ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado as multas serão reduzidas à metade." Decreto-lei n2 2.124/83. Art. 5°. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (.) § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2 0, 3" e do art. 11 do Decreto-lei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983." Lei n°9779, de 19 de janeiro de 1999. 3 Processo n° 13811.003397/2004-21 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.198 Fl. 50 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condiçães para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Havendo previsão legal para imposição, não há razão para afastá-la. A responsabilidade tributária é objetiva, independe da intenção do agente, conforme preceitua o Código Tributário Nacional. Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O fato de ter sido efetuado o pagamento integral dos tributos declarados não tem qualquer efeito sobre a aplicação da multa, pois esta não se confunde com a que é devida pela falta de pagamento ou pagamento fora do prazo dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Cada uma das duas infrações e correspondentes penalidades tem previsão legal especifica e são absolutamente dissociadas e independentes. Houvesse o contribuinte deixado de pagar os impostos e contribuições no prazo legal, e lhe seria cobrado, além da penalidade de que aqui se cuida, também a que é devida pelo pagamento fora do prazo ou pela falta de pagamento. E assim que determina a legislação de regência. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário 1-1apresentado pelo co 'buinte. S (1 t a. . essões, em 27 de março de 2009. I 1 l' 1 i A n • • ' ' ULO ROSA 4
score : 1.0
Numero do processo: 10480.734228/2012-47
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/05/2007 a 31/12/2009
LANÇAMENTO. CONDUTA ILÍCITA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Provado pelo Fisco existência do fato gerador, impõe o lançamento, cabe ao contribuinte fazer prova cabal da inexistência dos ilícitos lhe atribuídos, constatado a inexistência de prova idônea capaz de contradizer o afirmado pela fiscalização, há de se manter o crédito tributário por ser consistente.
MULTA QUALIFICADA.
A penalidade agravada decorre da atitude reveladora da intenção do contribuinte em ocultar o fato gerador com intuito exclusivo de suprimir e ou diminuir o valor do imposto a ser recolhido, o que foi constatado nestes autos.
DECADÊNCIA.
Constatado conduta dolosa, a contagem do prazo decadencial desloca do parágrafo quarto do art. 150 do CTN e passa-se a contar pela regra geral, art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 3403-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/05/2007 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. CONDUTA ILÍCITA. AUSÊNCIA DE PROVA. Provado pelo Fisco existência do fato gerador, impõe o lançamento, cabe ao contribuinte fazer prova cabal da inexistência dos ilícitos lhe atribuídos, constatado a inexistência de prova idônea capaz de contradizer o afirmado pela fiscalização, há de se manter o crédito tributário por ser consistente. MULTA QUALIFICADA. A penalidade agravada decorre da atitude reveladora da intenção do contribuinte em ocultar o fato gerador com intuito exclusivo de suprimir e ou diminuir o valor do imposto a ser recolhido, o que foi constatado nestes autos. DECADÊNCIA. Constatado conduta dolosa, a contagem do prazo decadencial desloca do parágrafo quarto do art. 150 do CTN e passa-se a contar pela regra geral, art. 173 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 8 1 7 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.734228/201247 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.246 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria IPI Recorrente L & M INDUSTRIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/05/2007 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. CONDUTA ILÍCITA. AUSÊNCIA DE PROVA. Provado pelo Fisco existência do fato gerador, impõe o lançamento, cabe ao contribuinte fazer prova cabal da inexistência dos ilícitos lhe atribuídos, constatado a inexistência de prova idônea capaz de contradizer o afirmado pela fiscalização, há de se manter o crédito tributário por ser consistente. MULTA QUALIFICADA. A penalidade agravada decorre da atitude reveladora da intenção do contribuinte em ocultar o fato gerador com intuito exclusivo de suprimir e ou diminuir o valor do imposto a ser recolhido, o que foi constatado nestes autos. DECADÊNCIA. Constatado conduta dolosa, a contagem do prazo decadencial desloca do parágrafo quarto do art. 150 do CTN e passase a contar pela regra geral, art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 42 28 /2 01 2- 47 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão recorrida em razão de ter deixado de acolher a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, referente ao período de apuração de 10 de maio de 2007 a 31.12.2009. O levantamento fiscal procedido na matriz da empresa resultou na acusação de sonegação por falta de emissão de nota fiscal relativamente às saídas (transferência de produção) de produtos (bebidas alcoólicas) de fabricação própria para o estabelecimento filial encarregado da comercialização. Segundo consta do Auto de Infração a acusação restou confirmada pela constatação de estoques negativo em alguns períodos de apuração. Consta também do Termo de Verificação Fiscal que as transferências de produção própria para o estabelecimento filial davase com lançamento do IPI, não havia prática de suspensão do tributo autorizado pelo disposto no inciso X do art. 42 do RIPI/2002M sendo assim, a tributação ocorria apenas na saída do estabelecimento industrial, dispensado o estabelecimento filial destacar novamente o imposto, e, a filial não era contribuinte de IPI, que toda contabilidade fiscal acontecia no estabelecimento fabricante. Assevera ainda que o contribuinte atendeu as solicitações de esclarecimentos, algumas vezes solicitou dilação do prazo. Extraíse também do relatório fiscal que o procedimento deuse com base em utilização dos arquivos magnéticos entregue à Secretária da Fazenda Estadual de Pernambuco no formato “SEF”, bem como, documentário fiscal, para fins de validar a movimentação física das bebidas. Detalhando a operação diz a Fiscalização que foi necessária analise do estoque de produtos acabados da filial em face de que as mercadorias circularem pelo estabelecimento filial, o fluxo era de entradas de bebidas para o estabelecimento filial decorrente de transferências de produção da fabrica para a filial, saídas para os clientes e entrada decorrentes de devoluções de venda e saídas a título de devoluções para matriz. Explica o fluxo de produção, saídas e estoque nos períodos de apuração da matriz, sempre partindo da movimentação dessas para a filial. Fala a respeito “IPIENQUAD”, cujos esclarecimentos prestados serem inócuos a não justificar discrepâncias detectadas entre maio de 2007 a dezembro de 2009, relativa a mais de nove milhões e trezentas mil unidades de bebidas. Também teria sido constatado da análise efetuado nos arquivos magnéticos saídas sem destaque do IPI, solicitado esclarecimento, e, cientificado a contribuinte em 17 de setembro de 2012, em resposta reconhecera que as suas transferências de produtos sempre eram tributas que essa foi à única fez ocorreu saída do estabelecimento matriz. Operação Fl. 964DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10480.734228/201247 Acórdão n.º 3403003.246 S3C4T3 Fl. 9 3 considerada pelo Fisco desnudada de intenção de sonegação aplicou para infração multa de 75%. III: GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDOS – AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA DO IPI teria, ainda, sido detectado tomada de crédito de entrada de insumos com suspensão de IPI, demonstrativo das glosas para efeitos de reconstituição da escrita fiscal apresentado em planilha ao contribuinte IV: FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO SALDO DEVEDOR DE IPI ESCRITURADO NO LIVRO RAIPI. Acusa o contribuinte de ter deixado de recolher imposto apurado no livro de IPI, o teria sido constatado após análise dos elementos presentes na escrituração fiscal do IPI, de acordo com a planilha de reconstituição da escrita fiscal, débito não declarado em DCTF relativo saldo devedor apurado nos meses de novembro e dezembro de 2008, e, março a junho de 2009. V – DECADÊNCIA. Segundo o entendimento fiscal em função da caracterização da sonegação praticada pelo contribuinte por ser ação com dolo, incide a ressalva da parte final do § 4º do art. 150, do CTN, motivo segundo o Fisco para justificar aplicação da norma do art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal mencionado antes. Resumo as infrações cometidas: a) infração: falta de destaque do IPI nas saídas de bebidas industrializadas do estabelecimentomatriz transferidas sem emissão de nota fiscal (transferência de produtos entre o estabelecimentomatriz e o estabelecimentofilial sem a emissão da pertinente nota fiscal de transferência) estoques negativos no estabelecimentofilial; b) infração ii: falta de destaque do IPI nas notas fiscais de transferências emitidas nas saídas de bebidas industrializadas do estabelecimentomatriz para o estabelecimentofilial; c) infração iii: glosa de créditos indevidos – aquisições de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do IPI; d) infração iv: falta de recolhimento/declaração do saldo devedor de IPI escriturado no livro RAIPI. Ciente do lançamento apresenta Impugnação fl.833/865. Demonstra, inicialmente, irresignação com justificativa da fiscalização para proceder ao lançamento (sonegação) relativo a fatos geradores alcançados pela decadência. Assevera que nos casos dos tributos lançados por homologação, prevalece a interpretação o concomitante com o parágrafo quarto do art. 150 do CTN. Principalmente, que se trata de apuração por meio indireto (presunção), situação em que está administração tributária impossibilitada de dar o entendimento de dolo por força de Súmula do CARF, no caso Súmula 25; Fl. 965DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Aborda infração I – Faltam de destaque do IPI nas saídas de bebidas industrializados transferidas para a filial sem emissão de nota fiscal, estoques negativos no estabelecimento filial. Discorda dos meios utilizados pela fiscalização que se utiliza de informações prestadas a Fazenda Estadual, chamada prova emprestada, porque teria sido produzida para atender exigência de obrigação acessória de outro órgão tributante e onde constam as informações conforme normas distintas daquelas baixadas pela RFB e, por não retratar a totalidade das operações com mercadorias, capaz de consubstanciar o levantamento fiscal, Disse também que a utilização encontra assentada em suposta assertiva de que a totalidade das operações de entrada e saídas de mercadorias se encontraria naqueles expedientes dirigidos a Fazenda Estadual, ou neles não pudesse constar qualquer falha, tanto em conteúdo quanto em forma. Fala da dificuldade que todo o contribuinte do Estado de Pernambuco vem enfrentado em atender às exigências de informações ao “SEF”, em toda sua plenitude à época dos levantamentos procedidos e contestados. Diz, mais ainda, que informações contidas no “SEF” são de interesse exclusivo do Fisco estadual concernente a apuração do ICMS. O levantamento da RFB deve ser ater aos documentos fiscais por ela emitidos, levantamento físicos periódicos, considerando saídas, devoluções e perdas. Concluiu que o trabalho fiscal partiu de fonte de dados derivada e não dos documentos originários que registram as operações da empresa, abandonando os registros contábeis da empresa. Faz demonstrativo partindo dos estoques de 2007, concluiu inexistir as distorções apontadas pela fiscalização. Insurge contra apuração dita como infração II, segundo a Recorrente, mesmo considerando inexistência circunstâncias agravantes, mas, também, constitui o crédito tributário desde maio de 2007, isso período decaído. Em relação à infração III – diz que só em sede administrativa esse assunto é polemizado, visto que, em sede judicial ganhou corpo no sentido de autorizar o aproveitamento de crédito quando da aquisição de insumo com o IPI suspenso, traz à colação diversos julgados. No que tange acusação da infração IV, alega indevida a apuração, teria a Impugnante declarado o débito em parcelamento e realizado pagamento do passivo, o que é o suficiente para descaracterizar a exigência e aplicação da multa de ofício. INFRAÇÃO IV – Falta de recolhimento e declaração de saldo devedor de IPI escriturado em Livro de Apuração. Afirma a Recorrente que os valores apontados e apurados na escrita já teriam sido objeto de pagamento por meio de DARF e parcelamento, declina os valores parcelados e os pagos por DARF. Os débitos referentes apuração de: 30.11.2008, 31.12.2008, 30.04.2009 e 30.06.2009, nos valores de R$ 257.300,46; R$ 172.153,58; R$ 6.570,23 e 13.220,05, respectivamente, foram objeto de parcelamento. Os débitos referentes aos períodos de apuração de 31.03.2009, valor de R$ 4.202,34 e 31.05.2009, no valor de R$ 13.220,05, todos pagos por DARF. Diz, ainda, que será objeto de DCTF retificadora. Alegou a necessidade de apuração por meio de diligência e perícia. Assevera erro na apuração dos estoques de produtos no estabelecimento Matriz e filial, a partir da documentação originária, levando em conta os eventos de bonificação, perdas, roubos e avarias. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10480.734228/201247 Acórdão n.º 3403003.246 S3C4T3 Fl. 10 5 Sustenta que as transferências para filial a título de bonificações o imposto encontra embutido no valor do produto. Sobrevindo a decisão contraria que deixou de acolher as alegações elencadas na Impugnação, interpõe o Recurso Voluntário, reprisando as mesmas alegações, concluiu pela ausência de possibilidade aplicação da multa qualificada de 150% por tratarse de apuração por presunção, Súmula CARF 25, requer diligência ou perícia, caso seja acolhido às defesas de mérito. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Registrase, nos autos, ausência de comprovação da data da ciência do Acórdão ao contribuinte, motivo pelo qual toma como tempestivo o recurso apresentado, e, atendendo os demais pressupostos admissibilidade, impõe o conhecimento. O cerne da lide se refere: a) a falta de destaque do IPI nas saídas de bebidas industrializadas do estabelecimentomatriz transferidas sem emissão de nota fiscal (transferência de produtos entre o estabelecimentomatriz e o estabelecimentofilial sem a emissão da pertinente nota fiscal de transferência) estoques negativos no estabelecimento filial; b) infração ii: falta de destaque do IPI nas notas fiscais de transferências emitidas nas saídas de bebidas industrializadas do estabelecimentomatriz para o estabelecimentofilial; c) infração iii: glosa de créditos indevidos – aquisições de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do IPI e d) infração iv: falta de recolhimento/declaração do saldo devedor de IPI escriturado no livro RAIPI. No caso especifico deste caderno processual, deixo de examinar a preliminar de decadência inicialmente por entender que a mesma depende do rumo que vier a ser dado a ao mérito da contenda, haja vista aplicação do art. 173 do CTN deslocando a decadência tratada pelo parágrafo 4º do art. 150 do CTN ao argumento da fiscalização de que trata de sonegação. A fiscalização laborou ao longo de aproximadamente, entre a colheita de dados e o tempo da espera de atendimentos de solicitações de esclarecimentos, um ano, concluiu pelo movimento quantitativo de produtos entrados na escrita fiscal transferido da matriz para a filial, a qual era encarregada tão só da comercialização, que as saídas foram superiores as entradas oriundas de transferência entre a unidade produtora e a filial. As transferências da unidade produtora (matriz) para a unidade comercializadora (filial) eram realizadas em sua quase totalidade com o lançamento do imposto, sendo assim, as mercadorias comercializadas pela filial não sofria mais a incidência de IPI. Analisou detidamente a movimentação das vendas de produtos pela filial, comparadas com as transferências da matriz, produtos a produtos, concluiu que a quantidade Fl. 967DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 comercializada em unidade de medida em litros ultrapassava em muito o quanto transferido que sofreu a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. Elaborou a partir da quantidade comercializada, deduzidas das entradas oriundas da transferência entre os dois estabelecimentos, matriz e filial, apurou que houve transferência de produtos sem a devida emissão da nota fiscal, concluiu que a Recorrente sonegou o imposto ao deixar de emitir o documento fiscal obrigatório. A título de prova cuidou de elaborar planilhas, produto a produto, fabricado pela matriz e comercializado pela filial, apurando a totalidade das quantidades vendidas, deduzidas da transferência observou estoque negativo, que autorizou a rematar que a filial tinha comercializado quantidades superiores aquelas provenientes de transferências entre os dois estabelecimentos, produtor e comercializadora. Os demonstrativos tratados nas planilhas foram desenvolvidos classificando os produtos, a data da transferência, a data de ingresso na filial, deduzidos das saídas no mesmo período, apurando o saldo do estoque dia a dia. Esses estoques ao longo do período fiscalizado em terminados momentos se revelavam negativos referentes determinados produtos. Tudo isso está detalhado nas planilhas entregue ao contribuinte junto com o Auto de Infração. Observase, também, que ao longo do trabalho fiscal ao constatar situação anormal solicitava esclarecimentos, os quais eram dados de modo a não justificar a comercialização de produtos acima da quantidade transferida. A impugnação não aborda e tampouco lança dúvida nos demonstrativos fiscais, busca afastar acusação ao argumento de que as provas foram emprestadas de informações prestadas a Fazenda Estadual do Estado de Pernambuco, cuja finalidade era bem distinta daquelas que deveria pautar o trabalho da Receita Federal, sem declinar maiores detalhes. Com esse sofisma intitulou o trabalho fiscal de presunção, inclusive a justificar o argumento da impossibilidade da aplicação da Multa de Ofício Qualificada, mencionado a Súmula CARF nº 25, que inibi o agravamento da penalidade quando constatado ufania. Em que pese o brilhantismo da peça de impugnação, bem como, do recurso, não logrou êxito em desfazer o ilícito tributário apontado no Auto de Infração. É de correntia sabença que cabe a Autoridade fiscal produzir as provas capaz de solidificar o crédito tributário. No caso tratado nestes autos essa incumbência restou cumprida à risca. A descrição das irregularidades, nos termos do Relatório da Atividade Fiscal, a fiscalização faz remissão as planilhas e os documentos (notas fiscais), identificou o fato gerador e determinou a matéria tributável. Portanto, cabia a Recorrente cuidar de demolir a construção dos fatos que ensejaram o lançamento, entretanto, não é o que se vê da impugnação e das razões recursais. Alegações evasivas como alegadas referente às provas tomadas emprestadas pela Fazenda Estadual de que as operações de entrada e saídas de mercadorias consignadas no expediente dirigidos a Secretária de Fazenda ali pudesse constar falhas, tanto em conteúdo quanto em forma não configura argumento solido a contrapor as provas trazidas pela Autoridade Fiscal. É necessário mais do que argumentos para afastar a imputação do ilícito tributário, é preciso que esse venha acompanhado de demonstração inequívoca do desacerto da fiscalização, neste contexto não se vislumbra a mínima condição de aceitar argumentação recursal. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10480.734228/201247 Acórdão n.º 3403003.246 S3C4T3 Fl. 11 7 Diante da ausência de argumento consubstanciado em prova contundente, tenho que o crédito tributário é consistente pela maneira desenvolvida e capacidade de demonstrar com clareza a existência de omissão de receita, o modo pelo foi realizado o trabalho fiscal cumpre requisitos essenciais inscrito no artigo 142 do CTN. Ao contrário da fiscalização o contribuinte não conseguiu comprovar inconsistência na constituição do crédito tributário. Não há discussão quanto à base de cálculo, assim como, as informações extraídas das notas fiscais, do cálculo, do débito apontado. Portanto, convenço de que a operação de transferência com a incidência de IPI no primeiro momento fazia parte de um plano com intuito único de proceder a saídas das mercadorias por meio da filial sem incidência do tributo devido, uma vez que a operação praticada pela filial não enquadrava nas hipóteses de incidência, considerando que a tributação deuse na saída da matriz. Daí a razão da matriz em não optar em transferência de mercadoria para a filial com a suspensão do imposto tratado neste caderno, cuja permissão é autorizada pelo disposto no art. 42 do Regulamento de IPI, se assim fosse a incidência desse tributo ocorreria na saída definitiva da operação da filial para o comércio. Em sendo assim, tenho que a decisão não merece qualquer reparo, bem como, o crédito tributário constituído decorrente de vendas sem emissão do documento fiscal. Créditos indevidos – Aquisições de Insumos Sujeitos à Suspensão. Também não merece prosperar os argumentos da Recorrente, mesmo da vasta jurisprudência trazidas à colação. Só permite o crédito de IPI quando há incidência na operação anterior, não gera direito ao crédito básico a aquisição de matérias primas, materiais intermediários e embalagens que não sofreram incidência do imposto. O que se permite é manter o crédito oriundo das aquisições dos insumos aplicados à industrialização de produtos isentos e alíquota zero, ou quando exportados, quando utilizado na fabricação de produtos não tributados, a legislação impõe o estorno do crédito contabilizado na escrita fiscal. Assim sendo, andou bem a fiscalização em glosar o suposto crédito. Falta de Recolhimento/declaração do Saldo Devedor de IPI Escriturado no livro RAIPI. Das cópias trazidas aos autos constatase saldo devedor. Contestando a exigência, diz a Recorrente que parte teria sido pago por meio de DARF e os demais débitos teriam sido incluídos no parcelamento especial norteado pela Lei nº 11.941. Entretanto, deixou de trazer como prova cabal da sustentação os documentos, DARF’s e o Protocolo do Pedido de Parcelamento, que por si só, mostrava extinção do débito pelo pagamento, e, o parcelamento fazia prova de que os débitos exigidos tinham sido declarados a Autoridade Tributária, afastando a multa de ofício. Alegação de parcelamento em sede de defesa, como é sabido, não se revela apropriada a derrubar o lançamento, pelo menos serve como prova da declaração do débito. Também impõe em manter o lançamento nessa parte, bem como, a Multa de Ofício. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Cabe aqui analisar a questão relativa à decadência. O dolo, fraude e simulação são os elementos que confere ao comportamento o estilo na prática de ocultação do fato gerador. A conduta observada neste caso é típica daqueles que pretende suprimir ou reduzir o imposto devido com sua atitude ilícita. Esse é o quadrado desenhado pela Recorrente vislumbrou a possibilidade de pagar menos imposto com o fato de comercializar os produtos por ela fabricados por meio da filial, essa desobrigada em razão de que não está na condição de contribuinte equiparado e tampouco recebeu as mercadorias com suspensão do imposto. Assim sendo, repassava a filial uma quantidade superior aquelas acobertadas pelas poucas notas fiscais emitidas, visto que, os dois estabelecimentos funcionavam no mesmo endereço, conduta ilícita que restaram evidente e identificada por meio das notas fiscais de venda emitidas quando das saídas dos produtos pela filial. Constatada intenção de fraudar o fisco, impõe o afastamento da aplicação do comando do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, e, desloca a contagem do prazo decadencial para a regra geral, art. 173 do CTN. Assim, não vislumbro qualquer macula no procedimento fiscal, e, mantenho o entendimento de que o prazo no caso desses autos é o estabelecido pelo art. 173. Sendo assim, não há de se falar em decadência./ Da Multa Qualificada. Tudo em que se viu nestes autos confere a certeza que a conduta do contribuinte configura ilícita, atrai para si a ira das normas dos artigos 71 aos 73 da Lei nº 4.502/66. Assim, justifica aplicação da multa qualificada. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 970DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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