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Numero do processo: 13819.001095/2005-29
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3102-000.165
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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'''. •. ..-- MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 i fi ., 1:dK., 4,.., CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13819.001095/2005-29 Recurso n° 142.770 Voluntário Acórdão n° 3102-00.165 — 1* Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente J. S. BECKER INFORMÁTICA S/C LTDA. Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1 O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da l a CÂMARA / r TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. tsidei RCIA HEI .NA TRAJANO D'AMORIM nte ij 1 1 CORINTH0 191 , EIRA MACHADO Redator Desi6iado , , i Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 71 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 2 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 72 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata-se de exigência de multa por atraso na entrega de DCTF relativas aos 2° a 4° trimestres/2002. Impugnando a exigência, alega o contribuinte, em síntese, o cumprimento a tempo da "OBRIGAÇÃO PRINCIPAL", entendendo como esta a entrega da declaração de ajuste anual — DIPJ. Entende que "a entrega da DCTF, que nada mais é que a antecipação das informações de Ajuste Anual-PJ, ...". Pondera que cumpriu "todas as obrigações tributárias, principais e Acessórias, nos devidos prazos". A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 3 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 73 Voto Vencido Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. O presente recurso trata de aplicação de multa mínima por descumprimento de obrigação acessória (apresentação a destempo de DCTF), cujo valor total (apesar de parecer irrisório num primeiro exame e talvez apropriado na maioria dos casos) ultrapassa a receita total declarada pelo contribuinte para o mesmo período apontado para o lançamento efetuado. Minha posição original em julgamentos anteriores neste colegiado foi de aceitar a legalidade da aplicação da multa mínima imposta ao contribuinte que deixa de cumprir sua obrigação acessória no prazo fixado pela lei, contudo com a análise fática deste caso - e faço a ressalva que somente neste tipo de caso entendo que os argumentos que produzo abaixo serão válidos -, isto não me parece ser legítimo ou mesmo legal, pelos motivos que passo a expor: Os fundamentos do procedimento administrativo encontram-se normatizados através do artigo 2° da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assim dispõe: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o Direito; II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; 4 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.°3102-O0.165 Fl. 74 VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII - impulsão, de oficio, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (grifos acrescidos ao original). Por mais que se possa discutir a aplicação de Princípios Jurídicos (Constitucionais ou Infraconstitucionais) na via estreita do procedimento administrativo fiscal, é inegável que a norma acima transcrita é regra de direito no sentido estrito, ou seja, lei — norma jurídica válida e escrita de aplicação geral e impositiva, com eficácia plena e vigência atual, que precisa ser considerada no julgamento de todos os feitos administrativos federais. Logo, sua aplicação é obrigatória a toda a administração pública federal, na esfera do procedimento administrativo (gênero do qual o procedimento administrativo fiscal é espécie) e o eventual conflito desta com outra lei deverá ser resolvido pelas regras de interpretação jurídicas, o que passaremos a examinar. Porém antes, outro ponto importante merece destaque, no presente caso, qual seja a possibilidade de discussão desta matéria sem sua argüição expressa pelo recorrente, ou seja, de oficio por este relator. A obrigatoriedade da observância dos princípios inseridos no caput do artigo 2° da Lei n° 9.784/99 e dos critérios listados no parágrafo único daquele mesmo artigo leva à conclusão que a eventual violação ou conflito entre este comando legal e outra norma jurídica deverá ser conhecido de oficio pelo julgador, quando da apreciação de recurso administrativo por tratar-se de regra aplicável diretamente ao julgador e não somente às partes (ou ao interessado, conforme o caso). A regra é dirigida expressamente ao julgador que deverá observá-la e adotá-la como princípio que norteará sua formação de juízo e como critério objetivo para a composição do conflito, logo, dúvida não há que a matéria deve ser conhecida de oficio por este relator, que assim o faz. Aponto ainda, antes de adentrar ao mérito da questão em análise, que a aplicabilidade da Lei n° 9.784/99 ao procedimento administrativo fiscal tem sido encarada como pacífica pela jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e que este Colegiado tem precedentes neste mesmo sentido. 5 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 75 Minha primeira impressão, quando do exame mais aprofundado desta matéria é que haveria uma clara violação da vedação constitucional do confisco (art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988), que entendo também se aplica às multas fiscais. Neste sentido é a lição do Professor José Souto Maior Borges: 5.1. Poder-se-á, numa análise superficial, pretender que a vedação do tributo com efeito de confisco (CF, art. 150, IV) não se estenderia às multas fiscais porque o CTN, no seu art. 3°, exclui do âmbito conceitual da definição normativa do tributo a sanção do ato ilícito e pois a multa tributária. Assim, a multa, diversamente do tributo, poderia revestir efeito confiscatório. 5.2. Nada mais desarrazoado porém. O direito de propriedade está assegurado no art. 5", XXII da CF e dele o proprietário somente pode regularmente ser despojado pelo procedimento expropriatório, na forma da lei e por necessidade ou utilidade pública ou interesse social (art. 5°, XXIV). Assim, sendo, está implícito - mas claramente implícito - que a propriedade individual somente pode ser supressa pela desapropriação na forma da lei." (in. Tributos e Direito Fundamentais - relações entre Tributos e Direitos Fundamentais — Ed. Dialética - p. 220) Também o Supremo Tribunal Federal entendeu em diversas ocasiões e com diversas composições que a vedação ao confisco abrange o tributo e a multa fiscal. Como exemplo, cito algumas lições daquele tribunal: Do Ministro Bilac Pinto: "... não apenas os tributos, mas também as penalidades fiscais, quando excessivas ou confiscatórias, estão sujeitas ao mesmo tipo de controle jurisdicional..." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 80.093, RTJSTF n° 82, p. 814); Do Ministro Xavier de Albuquerque: "Conheço do recurso e lhe dou parcial provimento para julgar procedente o executivo fiscal, salvo quanto à multa moratória que, fixada em nada menos de 100% do imposto devido, assume feição confiscatória." (STF, 2a Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 81.550, RTJSTF n° 74, p. 320); Do Ministro Moreira Alves: "... Tem o S.T.F. admitido a redução de multa moratória imposta com base em lei, quando assume ela, pelo seu montante desproporcional, feição confiscatória." (STF, r Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n" 91.707, RTJSTF n° 96, p. 1354); Do Ministro Ilmar Galvão: "O art. 150, IV, da Carta da República veda a utilização de tributo com efeito confiscatório. Ou seja, a atividade fiscal do Estado não pode ser onerosa a ponto de afetar a propriedade do contribuinte, confiscando-a a título de tributação. Tal limitação ao poder de tributar estende-se, também, às multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que não tenham elas natureza de tributo." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 551, RTJSTF n° 138, p. 55-56); E, do Ministro Celso Mello: "É inquestionável, Senhores Ministros, considerando-se a realidade normativa emergente do ordenamento constitucional brasileiro, que nenhum tributo — e, por extensão, nenhuma penalidade pecuniária oriunda do descumprimento de obrigações tributárias principais ou acessórias — poderá revestir-se de efeito confiscatório." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.075, RDDT n° 139, p. 209). 6 Processo n° 13819.001095/2005-29 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 76 Contudo, a vedação ao confisco não é reproduzida na legislação infraconstitucional, o que poderia tornar duvidosa sua aplicação ao caso em tela, posto que não é dado ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar norma legal, por considerá-la inconstitucional. Não me parece que seja este o caso, posto que o que deve ser feito, s.m.j., é a aplicação da lei que estipula a penalidade exigida pela autoridade fiscal em consonância com a Constituição Federal aos fatos relativos à presente lide. Trata-se não de negativa de aplicação ou de se considerar inconstitucional a norma legal, mas de, aplicando os limites impostos pela Constituição Federal, afastar a incidência da norma jurídica sobre os fatos específicos da lide, ou seja, trata-se de caso de aplicação direta da norma constitucional, hierarquicamente superior, para afastar a multa no caso específico. Observe-se que não se cuida aqui de afastar a aplicação da lei por inconstitucional, o que somente seria possível nos casos excepcionados pelo parágrafo único do artigo 49 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. A hipótese é de interpretação conforme a Carta Magna, respeitando o seu teor, mas não adentrando na esfera de análise de constitucionalidade do diploma legal. É possível tal aplicação direta e há precedentes neste Conselho de Contribuintes e mesmo nesta Câmara. A título meramente exemplificativo desta modalidade de entendimento e aplicação, posso citar os seguintes precedentes: ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR — CSLL — ART. 72, III, DOS ADCT. LEI N° 7.689/88. A máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional à Lei n° 7.689/88, denota a inversão do princípio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei n° 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a indigitada lei impõe que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. (Recurso Voluntário n° 139.335, 3' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe); Neste caso, foi afastada a incidência da norma legal que restringia a incidência tributária à ocorrência de lucro para a cobrança do tributo para se dar interpretação conforme a Constituição Federal, ampliando a incidência do mesmo para alcançar as entidades fechadas de previdência complementar. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO — AUTARQUIA MUNICIPAL — TAXA — APLICABILIDADE — Uma vez comprovado que se trata de entidade autárquica municipal, que presta diretamente, em nome do Poder Público Municipal, com a finalidade essencial pública de tratamento de água e esgotos, enquadra-se na regra constitucional do art. 150, Parágrafo 2° da Constituição Federal, mediante a cobrança de taxa contraprestacional. 7 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 77 E, portanto não auferindo lucro, e não apurando faturamento, na acepção técnica de tal termo, não é passível de tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS. Recurso de oficio negado. Recurso Voluntário provido. (Recurso Voluntário n° 147.747, 8 Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno); A análise desta decisão revela que foi afastada a incidência tributária com base em princípio constitucional da imunidade recíproca, não tendo a decisão se imiscuído na análise da constitucionalidade das normas infraconstitucionais que regem a incidência daqueles tributos. PAPEL DE IMPRENSA. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. Material amparado em imunidade constitucional objetiva, na forma do art. 150, VI, letra "b" da Constituição Federal Mercadoria fora do campo de incidência de tributos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Recurso Voluntário n° 125.748, 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro João Holanda Costa); IMUNIDADE. Desde que satisfeitas as exigências estabelecidas no artigo 150 da Constituição Federal, as entidades fundacionais, instituídas e mantidas pelo Poder Público, estão imunes à incidência do Imposto de Importação e do IPI vinculado, nas importações que realizar. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 115.168, 2 a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheira Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto); Estes dois últimos exemplos me parecem ser os mais próximos do presente feito, possibilitando uma analogia direta, pois em ambos foi afastada a tributação por incidência direta da norma constitucional restritiva, isto é, houve a aplicação direta da Constituição Federal para afastar a incidência tributária (no caso dos julgados acima, por regras de imunidade, e no presente feito, por vedação ao confisco e proteção ao direito de propriedade). Portanto, por todo o exposto, entendo que é possível afastar no presente caso a incidência da multa pelo atraso na apresentação da DCTF, tendo em vista que a receita auferida pelo contribuinte, no respectivo período de apuração, é menor que o valor total da multa aplicada e por entender que a norma constitucional limita o campo de incidência da multa para afastar sua aplicação aos fatos descritos nestes autos, o que não afeta a análise de constitucionalidade da referida norma. Entretanto, meu convencimento e o fundamento para afastar a multa não estão limitados a esta verificação dos limites constitucionais. Em verdade, há argumentos de cunho infraconstitucional suficientes para afastar a mesma multa, isto com base no disposto no artigo 2° e seu parágrafo único da Lei n° 9.784/99 acima transcrito. O primeiro argumento é a violação do critério de "interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige", previsto no inciso XIII do referido artigo 2° e que representa o Princípio do interesse público, apontado no caput do mesmo artigo. 8 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 78 O direito administrativo brasileiro reconhece a existência de dois tipos distintos de interesse público: o primário e o secundário. Na lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello: "Interesse público, ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do Corpo Social. Interesse secundário é aquele que atina tão—só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa" (In Curso de Direito Administrativo. 5' ed., São Paulo, Malheiros, 1994, p. 46) No presente caso, há um claro conflito entre dois interesses públicos, a saber: o interesse público de garantia do valor social do trabalho e da livre iniciativa, assim como do desenvolvimento nacional e da garantia ao direito de propriedade que estão em conflito com o interesse público de controle fiscal e arrecadação tributária. Ao penalizar o recorrente em valor superior ao da totalidade de suas receitas no período pelo descumprimento de uma obrigação acessória, a administração pública (em razão de ser sua atividade vinculada) está aplicando a lei de forma literal e sem qualquer modulação, o que inviabilizará (ou, ao menos, dificultará consideravelmente) a atividade econômica desenvolvida pelo recorrente, o que, por conseqüência, afetará o interesse público do valor social do trabalho (de fato, para aquele período, o contribuinte terá sido "obrigado a pagar para trabalhar"). Além disso, o interesse público de garantia da propriedade privada está diretamente ligado ao interesse público de manutenção da paz social e da livre iniciativa. Assim a manutenção da exigência da multa, como feita nestes autos, levaria a uma inversão dos valores relativos aos interesses públicos envolvidos, isto porque o interesse público primário (valor social do trabalho, livre iniciativa, direito de propriedade) teria um valor menor que o interesse público secundário (controle fiscal arrecadatório), o que numa sociedade democrática de direito é inadmissível. Observe-se que estamos comparando os fundamentos do estado democrático e as garantias pétreas constitucionais com mero interesse arrecadatório. Muito próximo a este conceito, está o do princípio da finalidade, listado como obrigatório pelo caput do artigo 2° da Lei n° 9.784/99 e como critério direcional da atuação administrativa no inciso II do parágrafo único daquele comando legal. O critério de atenção aos fins de interesse geral visa estabelecer que o agente público deva primeiro, e principalmente, considerar, no momento de sua atuação, o bem geral da sociedade a qual serve. Neste sentido, o fiscal autuante agiu certo no meu entender, já que na sua atividade estritamente vinculada à literalidade da lei, não poderia ter deixado de autuar, já que inexiste norma cuja interpretação literal afaste esta exigência (observo que o fiscal até pode aplicar uma interpretação distinta da meramente literal, mas, em regra, como ocorre no presente caso, não está obrigado a tal sofisticação). Contudo, equivocou-se, no meu entender, a decisão de primeira instância, pois o julgador administrativo não está limitado a aplicar a norma legal em sua esfera primeira 9 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 79 de significado, mas, ao contrário, está obrigado a interpretar, considerando todas as possibilidades e interpretações aplicáveis à norma e mais que isto, conhecendo estes significados de forma a não confundi-los ou retirar-lhes a força normativa. Assim, quando a norma infraconstitucional determina a aplicação de princípios e critérios, o julgador administrativo deve promover sua aplicação em consonância com o direito pátrio e resolvendo os eventuais conflitos com as demais normas vigentes. No que se refere ao princípio da finalidade, já é clássica a lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, neste particular: "Assim, o princípio da finalidade impõe que o administrador, ao manejar as competências postas a seu encargo, atue com rigorosa obediência à finalidade de cada qual. Isto é, cumpre-lhe cingir-se não apenas à finalidade própria de todas as leis, que é o interesse público, mas também à finalidade específica abrigada na lei a que esteja dando execução" (In Curso de Direito Administrativo, 5' ed., São Paulo, Malheiros, 1994, p. 53). Ora, qual é a finalidade da norma que aplica a multa por atraso na entrega da DCTF? Parece-me que há duas: uma é punitiva e a outra preventiva. A finalidade punitiva parece evidente, pois se pretende punir o atraso com a aplicação de penalidade pecuniária, contudo, esta punição deve guardar relação razoável entre o dano causado e a pena aplicada. Esta relação será explorada em maior detalhe, quando analisarmos a aplicação do princípio da razoabilidade no caso em discussão. Por outro lado, a finalidade de prevenção ligada à pena aplicada refere-se tem um caráter de manutenção do interesse público secundário, ou seja, visa desestimular a conduta tida como infratora. Esta finalidade, portanto, está limitada, na parte que nos interessa no presente julgamento, ao interesse público de controle fiscal. Ocorre, contudo, que a materialidade real da atividade exercida pelo recorrente, no que se refere aos controles administrativos fiscais e econômicos, exercidos pelo Ministério da Fazenda é praticamente nenhuma (comparado com os critérios nacionais deste controle, a receita auferida pelo recorrente, está muito abaixo da linha de corte para análise macroeconômica e pode ser considerado, para esse efeito, como análogo à bagatela jurídica). Não é outra a razão para a dispensa de apresentação da DCTF aos contribuintes sujeitos à sistemática de tributação do Simples ou àqueles que não obtiveram receita no ano. Logo, o interesse público neste caso é mínimo, senão inexistente e mesmo que assim não se entenda, a manutenção deste tipo de cobrança leva a um gasto público muito maior que aquele correspondente à própria arrecadação da multa, sendo a manutenção deste procedimento prejudicial, do ponto de vista meramente financeiro, aos cofres públicos. Poder-se-á argumentar ainda que a aplicação da multa tenha caráter educativo, entretanto, quando esta é superior às receitas auferidas no período pelo contribuinte e tornam sua atividade, por conseqüência, inviável, qualquer caráter educativo se anula. 10 Processo n° 13819.001095/2005-29 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 80 Por estes motivos, a manutenção da multa em discussão fere o princípio e critério norteador da administração pública da finalidade. Mas não se encerram aí as razões para afastar a multa aplicada. Devo ainda avaliar esta situação, novamente aplicando o comando legal emanado pelo caput do artigo 2° da lei 9.784/99, quando esta manda aplicar o princípio da razoabilidade e estabelece o critério para tanto em seu parágrafo único, inciso VI, como a "adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". O Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades e de forma reiterada, tem aplicado o Princípio Constitucional da Razoabilidade, que está reproduzido na norma infi-aconstitucional acima mencionada. Mais especificamente, no que se refere à matéria tributária, a Suprema Corte já estabeleceu que a exigência de obrigação tributária (principal ou acessória) não pode acarretar a inviabilidade da continuidade da atividade econômica do contribuinte, neste sentido são as Súmulas 70, 323 e 547 daquele Corte Suprema: Súmula 70 É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo. Súmula 323 É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos. Súmula 547 Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfàndegas e exerça suas atividades profissionais. A situação em exame é análoga àquelas que motivaram o STF a editar as súmulas acima transcritas, pois com a cobrança de valor superior à totalidade das receitas auferidas pelo recorrente, num dado período, é certamente o equivalente a impedir sua atividade econômica. Não é razoável, nem justificável de qualquer ponto de vista. Parece resultar evidente na comparação entre infração e penalidade, diante da realidade específica do recorrente, a inadequação desta com relação àquela. Esta análise fática leva à conclusão que a sanção aplicada é muito superior àquela estritamente necessária ao atendimento do interesse público, violando o critério objetivo imposto pelo inciso VI do parágrafo único do artigo 2° da lei n° 9.784/99, apesar de ser a mínima prevista em lei, e, como conseqüência, surge que nenhuma multa deve ser aplicada. E, como corolário de todos os argumentos acima, resta evidenciada a violação do princípio da moralidade administrativa. Ressalvo que não estou a buscar a avaliação da existência ou não do móvel, ou seja, de intenção viciada do agente público (que, em verdade, não parece ser o caso), mas de uma avaliação da situação gerada pela autuação fiscal e imposição da multa, avaliada a realidade do contribuinte/infrator. li Processo n° 13819.001095/2005-29 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 81 O conceito de moralidade exige o comportamento reto, imaculado e leal com o contribuinte, e mesmo que se considerarmos que todos os argumentos acima nada valem, o que admito somente para argumentar, é certo que "non omne quod licet honestum est" (nem tudo o que é legal é honesto), e, logo, ainda assim, a exigência desta multa, nesta situação fática, é impossível. Por estes motivos, VOTO para conhecer do recurso e dar-lhe provimento integral anulando o auto de infração de aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF. Sala das Sessões, em 27 de março de 2009. 0nÁJC...Q.-6 •- ' • MARCELO RI : EIRO NOGUEI 12 Processo n° 13819.001095/2005-29 S3-C11'2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 82 Voto Vencedor Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Redator Designado A entrega da DCTF a destempo é fato incontroverso, uma vez que a autuada não contesta o atraso na entrega da declaração, apenas argúi ter apresentado espontaneamente as declarações exigidas e clama pela nulidade do auto de infração, em virtude de a multa ter sido criada por instrução normativa com base em decreto-lei, e não por lei stricto sensu. DA BASE LEGAL DO AUTO DE INFRAÇÃO A preliminar de nulidade do auto de infração, em virtude de que a base legal plasmada na peça do fisco seria inábil para tanto não procede. Em primeiro plano, cumpre afastar a premissa falsa de que não poderia haver instituição de penalidade por decreto-lei, porquanto ela decorre de uma exegese extremamente equivocada do inciso II do artigo 5° da Constituição Federal. Hodiernamente, após pronunciamentos iterativos do e. Supremo Tribunal Federal, restou superada a tese de que as medidas provisórias e os decretos-leis (advindos do período anterior à atual Constituição) não seriam instrumentos hábeis para instituir impostos e penalidades decorrentes do inadimplemento de obrigações tributárias. A Constituição da República de 1988, assim como as demais Constituições do País, tratou de estabelecer uma nova ordem jurídica ao Estado brasileiro, sem contudo fazer tábula rasa da legislação existente até então, inclusive positivando isso no texto da nova Carta, quando se tratou de sistema tributário'. Assim é que os DDLL não revogados expressamente pela nova legislação ou não declarados pelo Poder Judiciário como incompatíveis com o novo sistema tributário nacional, continuam em pleno vigor, e têm força de lei. Daí completamente despida de fundamento a assertiva da recorrente de que inexiste lei em sentido formal que a obrigue à entrega das DC7F. Demais disso, os fatos geradores da multa (2002) ocorreram na vigência de medida provisória (n° 16/2001) e da própria lei ( n° 10.426/2002) que resultou da convolação da indigitada medida provisória. Nessa moldura, cumpre apontar as seguintes observações cronológicas, para explicitar a existência e correção da base legal utilizada na peça fiscal: Dispõe o art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984: "Art.5° - O ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. I ADCT - Ato das Disposições Constitucionais Transitórias 1 Art. 34. O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda n° 1, de 1969, e pelas posteriores.(...) § 30 Promulgada a Constituição, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão editar as leis necessárias à aplicação do sistema tributário nacional nela previsto. § 40 As leis editadas nos termos do parágrafo anterior produzirão efeitos a partir da entrada em vigor do sistema tributário nacional previsto na Constituição. § 50 Vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele e com a legislação referida nos parágrafos 3° e 4°. 13 Processo n° 13819.001095/2005-29 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 83 (.). §3° - Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3°e 4° do artigo 11 do Decreto- lei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983." Assim, a multa a ser aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória é a prevista nos §§ 2°, 3° e 4° do art. 11 do Decreto-Lei n° 1.968, de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo art. 10 do Decreto-Lei n°2.065, de 1983, in verbis: "Art. 11 - (..) § 2° -Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORIN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 3° - Se o formulário padronizado (§ 19 for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês- calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § 4° - Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex-officio ou se, após intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade". A competência atribuída ao Ministro da Fazenda para instituir ou extinguir obrigações acessórias, expressa no artigo 5° do Decreto-Lei n° 2.124, de 1984, já transcrito, foi delegada ao Secretário da Receita Federal pela Portaria MF n°118, de 1984, que dispõe: "O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, RESOLVE 1— Delegar ao Secretário da Receita Federal a competência que lhe foi atribuída pelo art. 5° do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984." No uso da competência que lhe foi delegada, o Secretário da Receita Federal, através da Instrução Normativa n" 129, de 19 de novembro de 1986, instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais —DCTF. No item 5 do Anexo III da mencionada Instrução Normativa, estabeleceu-se, com matriz legal no art. 11 do Decreto-Lei n°1.968, de 1982, a penalidade a ser aplicada aos casos de apresentação intempestiva da DCTF. No ano-calendário da autuação - 2002 - a multa pelo descumprimento da obrigação acessória estava prevista na Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, cujo art. 6° se traslada: 14 Processo n° 13819.001095/2005-29 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 84 "Art. 64A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 22, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mês-calendário ou fração de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega (Decreto-lei n2 1.968, de 1982, art. 11, §§ 22 e 32, com as modificações do Decreto-lei n2 2.065, de 1983, art. 10; Lei n2 8.383, de 1991, art. 32, inciso 1; da Lei 9.249, de 1995, art. 30). (g.n) (..)" A Instrução Normativa SRF n°255, de 11 de dezembro de 2002, com esteio no art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, estabeleceu novas formas de cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF, observando-se a retroatividade benigna estatuída no art. 106 do C7X Dispõe o art. 7" da referida Instrução Normativa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas: I - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago , no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 32; (g. n.) (.) § 22 Observado o disposto no § 3 2, as multas serão reduzidas: 1- em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II - em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 32A multa mínima a ser aplicada será de: I - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa jurídica inativa; II - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 42 Para DCTF que seja referente até o terceiro trimestre de 2001, a multa será de R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mês-calendário ou fração, salvo quando da aplicação do disposto no caput resultar penalidade menos gravosa." (g.n) 15 Processo n° 13819.001095/2005-29 S3-CI1'2 Acórdão n.° 3102-00.165 Fl. 85 DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Embora ciente de que o e. Segundo Conselho de Contribuintes, noutros tempos, albergava a tese defendida pela recorrente, a tendência atual deste Conselho, e sufragada pela colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, é no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. Assim é que compartilho do entendimento atual desta egrégia Casa, que se pode ilustrar com os arestos que seguem inter plures: DCTF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA. Havendo o contribuinte apresentado DCTF fora do prazo, mesmo antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, há de incidir multa pelo atraso. Recurso de divergência a que se nega provimento (Ac. CSRF/02-01.092 Rel. Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva) DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA.A multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea.NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE (Acórdão 302-36536 Rel. LUIS ANTONIO FLORA) No vinco do quanto exposto, entendo correto o lançamento lavrado pela autoridade fiscal, bem como o quanto decidido pelo órgão julgador de primeira instância. Voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; e, no mérito, desprover o recurso. Sala das Sessões, e 2 d: março de 2009.71 , CORINTHO OLI '• • I ACHADO ii , , 16 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10183.003496/2005-49
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
VTN. LAUDO. REQUISITOS TÉCNICOS. AUSÊNCIA. SIPT. VALOR SEM APTIDÃO AGRÍCOLA.
Por determinação legal, o arbitramento do VTN com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola assim, deve ser restabelecido o VTN informado pelo contribuinte na DITR, quando insatisfatória a apuração realizada pelo laudo de avaliação apresentado.
ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
A área destinada à Reserva Legal (utilização limitada) para ser dedutível da área do imóvel deve estar averbada na matrícula do imóvel, antes da data de ocorrência do fato gerador do ITR, observadas as informações do ADA tempestivo e da DITR, referentes ao mesmo exercício.
ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ART. 2º LEI 4.771/65.
A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, de forma que permita identificar e mensurar a proteção aos recursos naturais exigida por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício.
EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO. CRONOGRAMA. AUSÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Considera-se área de exploração extrativa, para fins de dedução na apuração do ITR, a área objeto de plano de manejo aprovado pelo órgão competente, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada.
Numero da decisão: 2201-002.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Área de Reserva Legal de 99.206,5 hectares e restabelecer o VTN declarado. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes que, além disso, reconheceu a Área de Preservação Permanente.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 VTN. LAUDO. REQUISITOS TÉCNICOS. AUSÊNCIA. SIPT. VALOR SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. Por determinação legal, o arbitramento do VTN com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola assim, deve ser restabelecido o VTN informado pelo contribuinte na DITR, quando insatisfatória a apuração realizada pelo laudo de avaliação apresentado. ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A área destinada à Reserva Legal (utilização limitada) para ser dedutível da área do imóvel deve estar averbada na matrícula do imóvel, antes da data de ocorrência do fato gerador do ITR, observadas as informações do ADA tempestivo e da DITR, referentes ao mesmo exercício. ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ART. 2º LEI 4.771/65. A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, de forma que permita identificar e mensurar a proteção aos recursos naturais exigida por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO. CRONOGRAMA. AUSÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Considera-se área de exploração extrativa, para fins de dedução na apuração do ITR, a área objeto de plano de manejo aprovado pelo órgão competente, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada.
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EXTRATIVA Recorrente MADEIREIRA E AGROPECUÁRIA SOPAU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 VTN. LAUDO. REQUISITOS TÉCNICOS. AUSÊNCIA. SIPT. VALOR SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. Por determinação legal, o arbitramento do VTN com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola assim, deve ser restabelecido o VTN informado pelo contribuinte na DITR, quando insatisfatória a apuração realizada pelo laudo de avaliação apresentado. ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A área destinada à Reserva Legal (utilização limitada) para ser dedutível da área do imóvel deve estar averbada na matrícula do imóvel, antes da data de ocorrência do fato gerador do ITR, observadas as informações do ADA tempestivo e da DITR, referentes ao mesmo exercício. ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ART. 2º LEI 4.771/65. A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, de forma que permita identificar e mensurar a proteção aos recursos naturais exigida por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO. CRONOGRAMA. AUSÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Considerase área de exploração extrativa, para fins de dedução na apuração do ITR, a área objeto de plano de manejo aprovado pelo órgão competente, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 34 96 /2 00 5- 49 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 312 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Área de Reserva Legal de 99.206,5 hectares e restabelecer o VTN declarado. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes que, além disso, reconheceu a Área de Preservação Permanente. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Auto de Infração e demonstrativos foram emitidos para exigir da contribuinte, acima qualificada, o crédito tributário de R$21.171.696,55, sendo R$8.752.251,40 de imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), R$6.564.188,55 de multa de ofício e R$5.855.256,18 de juros de mora (66,9% calculados até 30/06/2005); referentes ao exercício de 2001. Da DITR/2001 A interessada apresentou DITR, exercício 2001, informando área total de 198.413,0 hectares, sendo 19.761,9 hectares de área de preservação permanente e 158.730,0 hectares de área de reserva legal (utilização limitada), resultando área aproveitável de 19.921,1 hectares. Indicou área de exploração extrativa em 6.490,0 hectares, apurando Grau de utilização de 32,6%. Do lançamento Glosadas as áreas de reserva legal (utilização limitada) e de preservação permanente porque a interessada não apresentou nem comprovou ter solicitado ao IBAMA o Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o exercício, em data anterior a 31 de março de 2002. Consta averbada na matrícula do imóvel uma de área de 99.206,5 hectares destinada à reserva legal, mas o ADA foi requerido somente em 3/05/2005, intempestivo para o exercício de 2002. Essa exigências foram estabelecidas a partir da Lei n° 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000. Em relação ao Valor da Terra Nua, o contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, fls. 103 a 122, em desconformidade com a NBR 8.799 da ABNT, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 313 3 sendo necessário utilizar o VTN constante no SIPT (Sistema de Preços de Terras), conforme autoriza o art. 14 §.1º da Lei 9.393, de 1996. A interessada não apresentou o plano de manejo, aprovado pelo IBAMA, nem qualquer outro documento relacionado à atividade de extração de madeira para comprovar a área destinada à exploração, sendo assim desconsiderado o valor declarado. Da Impugnação Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação acompanhada dos documentos de fls. 66 a 89, argumentando, em suma, o que segue: Alega a ocorrência de erro de fato no cálculo do VTN e grau de utilização da área tributada e a possibilidade de revisão do VTN mínimo com base em Laudo Técnico idôneo. Contesta o valor exorbitante do imposto lançado que pode inviabilizar o desenvolvimento de atividades econômicas geradoras da riqueza ou promotoras da circulação desta conseqüência do VTN arbitrado de R$ 221,14 por hectare. Indica que a própria Receita Federal já acatou VTN de 7,98 UFIR/ha para uma área no município vizinho à presente, emitindo novo lançamento do ITR para o exercício de 1994, na Decisão DJ/Dipac/MS nº 0.135/97, da requerente Empreendimentos Santa Laura S/A. Apresenta Laudo Técnico de Avaliação elaborado por engenheiro florestal que apurou o VTN no valor de R$ 9,85 por hectare para o exercício de 2001. Quanto à reserva legal, apesar de apresentar averbação de área equivalente a 50% da área do imóvel, realizada em 05/05/1998, efetivamente preserva 158.730,0 hectares, ou seja, 80% da área total do imóvel. Quanto à área de preservação permanente, devido a sua localização, entre os Rios Teles Pires e São Tomé, com várias nascentes, olhos d'água, afluentes, lagoas, restingas, topo de morros, encostas, foi preservada a área de 19.761,9 ha., como preceitua a Lei nº 4.771, de 1965. Que a apuração correta do ITR deveria considerar 2,0 ha. de benfeitorias, área tributável de 19.919,1 hectares., grau de utilização de 33%, em razão de projeto de desmate de 6.590,0 ha., aprovado junto ao IBAMA em 05/06/1998, e alíquota final de 12%. Suscita a possível ocorrência de erro de fato, inclusive de sua parte quanto à protocolização do ADA/IBAMA em 05/05/2005; cumprindo anotar que este órgão jamais vistoriou ou homologou uma área sequer para fins do cumprimento das determinações legais. Da decisão de 1ª Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 8.034, julgou improcedente a impugnação, justificando a decisão com os argumentos listados a seguir, em forma resumida. O lançamento ora questionado decorreu da glosa das áreas de preservação permanente, utilização limitada e exploração extrativa. Devido à subavaliação do VTN Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 314 4 declarado e subavaliação e deficiência técnica do Laudo apresentado, deve ser mantido o VTN constante do SIPT, sistema de preços de terras mantido pela Secretaria da Receita Federal. Para fins de exclusão da tributação sobre a área de reserva legal é necessária a averbação da área na matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis, antes da ocorrência do fato gerador e a apresentação do ADA ao IBAMA respeitando o prazo estipulado na legislação tributária – requisitos não cumpridos pelo contribuinte. Para fins de dedução da área do imóvel para fins de ITR A comprovação da área de preservação permanente para fins de ITR deve ser feita com Laudo Técnico que permita identificar os recursos naturais protegidos, sua localização destacada em croquis ou mapas e o dimensionamento das respectivas faixas de proteção além de estar informada no ADA, referente ao exercício de 2002, entregue tempestivamente ao IBAMA. O VTN utilizado pela fiscalização deve ser mantido, face à fragilidade probatória do laudo apresentado pela interessada. Essa é a conclusão do i. relator do voto condutor do acórdão recorrido no trecho reproduzido a seguir, a saber: O Laudo Técnico apresentado (fls. 100 a 118), apesar de ter sido elaborado por elaborado por engenheiro florestal, estar acompanhado da ART e fornecer diversas informações sobre o imóvel, desde sua localização até sua utilização, verificase que o profissional se limitou a providenciar comparação com preço de venda de imóveis levantados junto a Cartórios de Registro de Imóveis, sem que tenha sido analisada a situação de cada imóvel tomado como paradigma, para fins de comprovar que esses tinham as mesmas características do imóvel objeto da avaliação. [...] Ainda cabe destacar que o VTN apurado no laudo é inferior ao declarado e sobre o qual a interessada recolheu espontaneamente o ITR no Exercício 2001. Diante desses fatos, entendo que o laudo técnico apresentado não é suficiente para afastar a tributação com base no VTN apurado pela fiscalização a partir de valor constante no SIPT mantido pela Secretaria da Receita Federal, com amparo no art. 14 da Lei n.° 9.393/1996. Do Recurso Voluntário A interessada mediante o Recurso Voluntário de fls. 224 a 234, protocolado em 2/03/2006, aduzindo os argumentos a seguir resumidos. Considera exorbitante o VTN calculado a partir do valor de R$222,46 por hectare, como arbitrado no lançamento, principalmente quando comparado ao valor de 7,98 UFIR por hectare reconhecido pela própria Receita Federal, em município vizinho em área que se encontra na mesma bacia hidrográfica – Gleba Moreru. Informa que, apesar de ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por Engenheiro Florestal, com registro CREA/MT e ART, apurando VTN de R$9,85 por hectare, Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 315 5 para o exercício de 2001, este documento não foi suficiente para comprovar o VTN, conforme entende o i. relator do voto condutor da decisão atacada, a saber: [...] "com essas considerações, verificase que, para a alteração do valor considerado como base de cálculo do 1TR com base no SIPT é indispensável a apresentação de um laudo de avaliação que detalhe completamente o imóvel e todas as suas possíveis benfeitorias e/ou melhoramentos, comprovando que o VTN efetivo é menor do que o ora tributado." "No Laudo Técnico apresentado (fls. 100 a 118), apesar de ter sido elaborado por engenheiro florestal, estar acompanhado da ART e fornecer diversas informações sobre o imóvel, desde sua localização até sua utilização, verificase que o profissional se limitou a providenciar comparação com preço de venda de imóveis levantados junto a Cartórios de Registro de Imóveis, sem que tenha sido analisada a situação de cada imóvel tomado como paradigma, para fins 110 de comprovar que esses tinham as mesmas características do imóvel objeto da avaliação." Requer revisão do valor do VTN, pois considera inaceitável o valor utilizado no lançamento que teve aumento além do limite da atualização monetária. Quanto a área de preservação permanente, devido a sua localização entre os rios Teles Pires e São Tomé, existem várias nascentes, olhos d’água, lagoas, restingas, topo de morros e encostas que são preservados e representam 19.761,9 hectares conforme preceitua a Lei nº 4.771/65. Quanto a área de reserva legal, afirma que, apesar de apresentar averbação de 50% da área total do imóvel, preserva de fato o percentual de 80%, o seja, 158.730,0 hectares. Colaciona ementas de julgados do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes que tem se norteado no sentido de admitir outros meios de se comprovar as áreas isentas do ITR, p.ex., Acórdãos 30131561, 30131393, 30131640, 30332279 e outros. Acrescenta decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional com a seguinte fundamentação: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) — ÁREAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO. (PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL) —COMPROVAÇÃO — ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) — REQUERIDO FORA DO PRAZO REGULAMENTAR. O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação. Além disso não é tal documento o único meio de prova da existência de referidas áreas. Tendo o contribuinte carreado para os autos Laudo Técnico contemporâneo ao fato gerador, indicando a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente, é de se excluíIas da base de cálculo do ITR.”. (Acórdão CSRF/0304.244) Apresenta, ainda, ementas dos Tribunais Federais que afastam exigências advindas de Instruções Normativas que extrapolam disposições legais sobre as áreas isentas de ITR e trechos de artigo reforçando sua argumentação. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 316 6 Requer, ainda, seja recalculado o valor referente ao crédito tributário, com base no valor do VTN apontado na Declaração Anual de Informação com as retificações requeridas, concedendose as reduções de direito pela efetiva utilização e eficiência na exploração da gleba. Aceito o laudo de avaliação em apenso, seja o lançamento do ITR refeito, nos termos da legislação de regência. Da Resolução 3021.468 Por meio da Resolução nº 3021.468, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa envie a este Conselho as informações sobre preços de terras recebidas da Secretaria de Agricultura ou entidades correlatas para o município de Apiacás no Estado do Mato Grosso do Sul, dados estes utilizados para alimentar o sistema SIPT, para o ano em debate. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias, e, após, devem ser encaminhados os autos para este Conselho, para fins de julgamento. Da diligência Fiscal Foi encaminhado Ofício nº 013/2005 da Superintendência Regional da Receita Federal na 1ª Região Fiscal para a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado do Mato Grosso solicitando os valores de terra nua/hectare/aptidão médios por município do Estado, conforme estabelece o § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Em resposta (fl.298), informou que não dispunham de dados atualizados e confiáveis de valores de terra nua por município do Estado. Sugerem “a utilização dos valores históricos constantes dos acervos da Receita Federal até que pudessem viabilizar a realização do trabalho de coleta de informações em cada município de Mato Grosso.” Informação Fiscal do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil (Sefis) em Cuiabá, fls. 300 a 302, considerou inevitável a utilização da alternativa legal prevista no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, uma vez que o interessado não apresentou Laudo Técnico de avaliação com os rigores técnicos estabelecidos pela ABNT e os órgãos estaduais responsáveis não dispõem dos dados confiáveis e atualizados sobre preço de terras em seus municípios. A Receita Federal do Brasil, por meio da Nota COSIT/COTIR n° 330, de 26 de setembro de 2002, indicou a utilização alternativa do preço médio por hectare obtido a partir dos valores informados nas DITR apresentadas para os imóveis rurais localizados em cada município, a saber: “[...} 13. Por oportuno, devese ressaltar que, na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, I1CM pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando legal para a instituição do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, a Secretaria da Receita Federal disporá, para fins de lançamento de oficio do ITR, do preço Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 317 7 médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados em cada município. [...]” É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso Voluntário foi admitido como tempestivo quando julgado pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que lavrou Resolução nº 3021.468. Dele conheço. Inicialmente é importante ressaltar que a diligência solicitada, por meio da Resolução 3021.468, visava confirmar, junto à Secretaria de Agricultura ou entidades correlatas, as informações sobre preços de terras no município de Apiacás, no Estado do Mato Grosso do Sul. Os dados fornecidos por este órgão deveria alimentar o Sistema de Preços de Terras – SIPT, criado para subsidiar os procedimentos de avaliação dos imóveis rurais e, por conseqüência, viabilizar o arbitramento do VTN, quando se constatasse distorções neste valor não esclarecida pelo contribuinte. O artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996, estabelece em que condições a Receita Federal do Brasil (RFB) procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto sobre a propriedade territorial rural, a saber: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do D1AT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização: .§ 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12 §1º inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais" A Lei nº 8.629, de 1993, por sua vez, determina que a avaliação deve refletir o preço atual (data do fato gerador do ITR) de mercado do imóvel, observada a aptidão agrícola, a conferir: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 318 8 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: [...] IIaptidão agrícola. [...] §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. E, nos casos em que os órgãos estaduais não forneçam os preços de terra de determinado município, a RFB tem à sua disposição o preço médio do hectare, obtido a partir dos valores informados nas DITRs apresentadas para imóveis rurais localizados naquele município. No caso concreto, foi o que ocorreu, ratificado, inclusive, pela diligência fiscal. Vale lembrar que, os dados constante do SIPT somente são utilizados quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta Laudo Técnico com os elementos suficientes e representativos para respaldar o valor apurado. Neste caso, o contribuinte apresentou Laudo Técnico de fls. 103 a 170, que não foi aceito pelas autoridades julgadores de primeira instância pela carência de elementos considerados fundamentais para uma avaliação com nível de certeza satisfatório. Consta do referido Laudo a seguinte informação: Conseguimos obter 6 (seis) elementos conforme normativa, provindos de elementos de contrato de compra e venda devidamente lavrado no cartório. Ratifico a decisão de 1ª instância quanto à fragilidade teécnica do Laud Técnico apresentado. Por outro lado, a avaliação constante do SIPT não tem o nível de certeza exigido pela Lei nº 8.629, de 1993, pois não levou em consideração a aptidão agrícola das terras que compõem o imóvel avaliado. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 319 9 Assim, considero os valores avaliados de VTN pelo Laudo e pelo SIPT não satisfatórios, em face das fragilidades apontadas anteriormente, reconhecendo no VTN informado na DITR a melhor e mais adequada alternativa para o deslinde da questão. Quanto à área de Reserva Legal, a recorrente deseja que seja considerada a área que alcança 158.730,0 hectares. Entretanto, a área de Reserva Legal averbada nas matrículas do imóvel é de 99.206,5 hectares e foi realizada em 05/05/1998, área menor que a informada na DITR de 158.730,0 hectares. A exigência da averbação da área de reserva legal está prevista, originariamente, no § 2°, do art. 16, da Lei nº 4.771/1965, com redação dada pela Lei n° 7.803/1.989. A exigência foi mantida pela MP nº 2.166, de 2001. Ao reportarse à Lei n° 4.771, de 1.965 (Código Florestal), a Lei 9.393/1.996, em seu art. 10, caput e § 1°, inciso II, alínea "a", está condicionando, implicitamente, a não tributação da área de reserva legal ao cumprimento da aludida exigência. Reconheço, portanto, a área de Reserva Legal devidamente averbada, de 99.206,5 hectares considerando, no caso da Reserva Legal, dispensável o ADA tempestivo, um dos itens em que se sustenta a decisão de 1ª instância. Quanto à área de preservação permanente declarada de 19.761,9 hectares, verifico que o Laudo apresentado não fornece os elementos de localização geográfica dos itens protegidos. É que o art. 2º da Lei nº 4.771, de 1965, especifica expressamente os locais que devem merecer a proteção ambiental e, no meu entendimento, a comprovação dessas áreas depende essencialmente de uma precisa indicação do Laudo Técnico, de forma a permitir a localização dos rios, lagoas, nascentes e outros elementos que o legislador selecionou para merecer a proteção permanente do proprietário e do Estado. O recorrente por meio do Laudo de fls. 46 a 55 pretendia comprovar as dimensões das áreas não tributáveis e a ocupação da área total do imóvel sob análise. Consta indicada à título de preservação permanente 19.761,9 hectares mas sem a efetiva demonstração de sua localização e dimensões, para cada item protegido, no croquis apresentado. Sem essas indicações, ausentes também do outro Laudo apresentado às fls. 103 a 170, não há como acatar essa área como não tributável. Ademais, o Ato Declaratório Ambiental, apresentado pela recorrente, foi entregue em 3/05/2005, após o prazo fixado pelas normas da RFB e após a ciência do recorrente da intimação inicial do procedimento de revisão de sua DITR. Consta dos autos que a ciência da interessada ocorreu em 8/4/2005, conforme fl. 22. Portanto, não há como reconhecer os efeitos dedutivos da área de preservação permanente na apuração do ITR devido, face à fragilidade dos Laudos em demonstrála e ao ADA intempestivo. Quanto a área utilizada com exploração extrativa, apesar da coerência com o objetivo social da recorrente, a sua comprovação depende que sejam apresentados o plano de manejo, aprovado pelos órgãos competentes, o cronograma das atividades e o demonstrativo com a quantidade de produtos dela extraídos, o que pode ser feito por meio de laudo técnico juntamente com notas fiscais da venda dos produtos. Assim, não comprovada a quantidade extraída de produto, não é possível apurar o índice de rendimento mínimo por hectare e, portanto, não restou devidamente comprovada a exploração extrativa e a respectiva área declarada para esta atividade. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 320 10 Portanto não será considerada, para efeitos de aproveitamento, a área indicada como de exploração extrativa. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a área de Reserva Legal de 99.206,5 hectares e restabelecer o VTN de R$2.976.195,00 como informado na DITR. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10183.003496/200549 Acórdão n.º 2201002.174 S2C2T1 Fl. 321 11 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.174. Brasília, 6 de setembro de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 08/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 10630.720325/2010-20
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PRELIMINAR
DECADÊNCIA
Aplica-se o art. 173, I, do CTN, na contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nas hipóteses de ausência de adiantamento do pagamento do tributo (STJ, REsp. nº 973733-SC) ou de ocorrência de vícios do ato jurídico (art. 150, §4o, do CTN).
MÉRITO
RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA
Não há que se afastar a responsabilização tributária solidária dos sujeitos passivos, quando provada, pela via testemunhal e documental, a sua participação no ilícito tributário (art. 124, I, do CTN).
ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL]
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62-A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa).
Numero da decisão: 1103-001.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e, quanto aos recursos voluntários, rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, por unanimidade, e, no mérito, afastar a responsabilidade tributária dos recorrentes TNT Armazéns Gerais LTDA, Nilton Pereira Portes e Aurea Célia de Souza Pereira, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, mantendo a responsabilização para os recorrentes J I Armazéns Gerais Ltda e João Inácio Sales, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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MÉRITO RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA Não há que se afastar a responsabilização tributária solidária dos sujeitos passivos, quando provada, pela via testemunhal e documental, a sua participação no ilícito tributário (art. 124, I, do CTN). ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL] Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e, quanto aos recursos voluntários, rejeitar as preliminares de nulidade e de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 25 /2 01 0- 20 Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.730 2 decadência, por unanimidade, e, no mérito, afastar a responsabilidade tributária dos recorrentes TNT Armazéns Gerais LTDA, Nilton Pereira Portes e Aurea Célia de Souza Pereira, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, mantendo a responsabilização para os recorrentes J I Armazéns Gerais Ltda e João Inácio Sales, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Diz o relatório do v. acórdão recorrido: “Versa o presente processo de auto de infração dos tributos IRPJ, CSLL, Cofins e Pis, todos, respectivamente, com fatos geradores originários dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. No Relatório de Procedimento Fiscal (fls. 63/89), em síntese, consta que: a empresa em epígrafe declarouse INATIVA entre os anos calendário 2004 e 2005, e no anocalendário 2006 apresentou DIPJ pelo Lucro Presumido com receita zerada. Não apresentou DCTF e tampouco fez quaisquer recolhimentos em todo este período; em sua constituição, a empresa tinha como sócios JORGIANO DE OLIVEIRA MANCO e JUAREZ GONÇALVES DA SILVA. Em 02/09/2003, JUAREZ foi substituído por RUY BARBOSA GOMES; a filial da empresa está localizada à Av. Henrique Givisiez, n° 409, bairro Givisiez, Divino/MG. Sua matriz encontrase à rua Francisco Fialho, n° 108, bairro Baixada, Manhuaçu/MG, onde funciona o escritório de corretagem e compra de café do Sr. MARCOS VINÍCIO ARAÚJO: em procedimento fiscal anterior, a empresa havia apresentado o Livro de Registro de Saídas (DOC 2), acompanhado de Notas Fiscais de Saídas da filial em Divino/MG; Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.731 3 devidamente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte apresentou os livros de Registro de Saídas (DOC 4), o de Registro de Apuração do ICMS e o Registro de Controle da Produção e do Estoque da Matriz em Manhuaçu/MG (DOC 5); também foram obtidas as receitas informadas pela filial de Divino à Secretaria da Fazenda Estadual de Minas Gerais, através do sistema SICAF, referente aos anos e 2006 (DOC 6). Após a consolidação das informações, chegouse aos seguintes valores de receitas de vendas: R$ 31.645.109,30 no ano calendário 2004; R$ 14.818.748,73 no calendário 2005; e, R$ 11.232.564,70 no anocalendário 2006 (ver planilha ANEXO 1); os sistemas informatizados da RFB apontaram que a empresa teve vultosa movimentação financeira nos valores de R$ 19.562.782,63 no anocalendário de 2003, R$ 27.921.879,46, no anocalendário de 2004, R$ 39.304.135,98 no anocalendário de 2005 e R$ 49.208.982,26 no anocalendário de 2006; a empresa foi novamente intimada a apresentar, entre outras coisas, os Livros Fiscais, Livros Contábeis, Livro de Registro de Inventário, procurações outorgadas pela empresa, Notas Fiscais de entrada e saída, Extratos das contas bancárias mantidas pela empresa junto às Instituições Financeiras, estes devidamente acompanhados da comprovação da origem dos recursos movimentados; a contribuinte não apresentou resposta alguma à Intimação e tampouco os extratos bancários solicitados; devido à não apresentação dos extratos bancários e, tendo em vista a negativa pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato e da responsabilidade pela movimentação financeira e, ainda, considerando os esclarecimentos prestados pelos sócios e pelos procuradores da empresa, conforme itens 21, 22 e 23, caracterizaramse indícios veementes de que o Titular de Direito é interposta pessoa do Titular de Fato; diante disso, foram propostas as RMF’s junto às Instituições Financeiras, Banco do Brasil, BRADESCO e SICOOB; de posse dos extratos, foram selecionadas algumas operações de débito no intuito de se verificar a natureza do pagamento e seus reais beneficiários e, ainda, foram requisitados aos respectivos bancos (DOC’s 22, 23 e 24) informações sobre as mesmas com o fim de esclarecêlas, as quais constam de forma sucinta no Relatório de Procedimento Fiscal. diante da falta de apresentação da escrita da contribuinte e com base nos arts. 530, inciso III, e 532 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99, a empresa teve seu lucro arbitrado, sendolhe exigidos os tributos devidos. Consta ainda que, no caso, o Arbitramento se deu com base na Receita Bruta Conhecida, escriturada nos Livros de Registro de Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.732 4 Saída de Mercadorias, de Estoque e informações prestadas pela própria empresa à SEFAZ/MG (planilha DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS ANEXO 1 fl. 92). (...) Outrossim, a fiscalização responsabilizou solidariamente pelo crédito tributário devidamente constituído, nos termos dos arts. 121, 123, 124, 134, 135 e 137 do CTN, além da própria empresa AGAR COMÉRCIO LTDA., os sujeitos passivos: J I ARMAZÉNS GERAIS LTDA (CNPJ:01.196.373/000142); JOÃO INÁCIO DE SALES (CPF:424.753.25615); TNT ARMAZÉNS GERAIS LTDA (CNPJ:01.524.905/000123); NEWTON PEREIRA PORTES (CPF: 181.046.14649); AUREA CÉLIA ALVES DE SOUZA PEREIRA (CPF:380.061.3861(2); MARCUS VINÍCIO ARAÚJO (CPF:314.154.07649); ANTÔNIO JOSÉ BEZERRA (CPF:656.083.99820); CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPL. .8 Lò04/000108); e, CUSTÓDIO FORZZA (CPF: 014.475.05700). (...)” A autuada não apresentou defesa. Todavia, os responsáveis solidários apresentaram defesa, a qual foi parcialmente provida, conforma trecho do v. acórdão, abaixo transcrito: “ manter inalterada a responsabilização pelo crédito tributário da empresa TNT ARMAZÉNS GERAIS LTDA e dos Srs. Newton Pereira Portes e Aurea Célia Alves de Souza Pereira, da empresa J I ARMAZÉNS GERAIS LTDA e do Sr. João Inácio Sales, todos na condição de sujeitos passivos solidários; considerar procedente a impugnação apresentada pela empresa CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. e pela pessoa física do Sr. CUSTÓDIO FORZZA, para, assim, afastar a responsabilização pelo crédito tributário a eles atribuída, exonerandoos integralmente das exigências consubstanciadas nos lançamentos de fls. 01/60; acolher em parte a decadência argüida, e, manter em parte a exigência consubstanciada nos lançamentos de fls. 01/60, nos seguintes termos: • as exigências relativas aos 1º, 2° e 3º trimestres de 2004 tributos IRPJ e CSLL, nos valores, respectivamente, de R$ 642.893,56 e R$ 297.402,10, bem como as exigências relativas Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.733 5 aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2004 tributos Pis e Cofins, nos valores, respectivamente, de R$ 199.105,21 e R$ 918.947,35, por se encontrarem todas abrangidas pela decadência, devem ser exoneradas; • com relação às demais exigências, 4º trimestre de 2004 tributos IRPJ e CSLL, e dezembro/2004 tributos PIS e Cofins, além daquelas relativas aos anoscalendário de 2005 e 2006 tributos IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, todas, em sua integralidade, devem ser mantidas.” Inconformados, os responsáveis solidários interpuseram recurso voluntário, aduzindo: a) TNT Armazéns Gerais Ltda., seus sócios Newton Pereira Portes e Áurea Célia Alves de Souza Pereira (fls. 2214 e ss.): i. Preliminar: decadência (art. 150, §4o, CTN); ii. Mérito: ilegalidade da atribuição de responsabilização solidária aos recorrentes, pois a mesma se deu por presunção; inconstitucionalidade do arbitramento do lucro, na medida em que ele não representa acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte; . inconstitucionalidade da multa qualificada, por afrontar o princípio do não confisco e do direito à propriedade. b) J I Armazéns Gerais Ltda., seu sócio João Inácio Sales (fls. 2267 e ss.): i. Preliminar: decadência (art. 150, §4o, CTN); ii. Mérito: ilegalidade da atribuição de responsabilização solidária aos recorrentes, pois a mesma se deu por presunção; inconstitucionalidade do arbitramento do lucro, na medida em que ele não representa acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte; . inconstitucionalidade da multa qualificada, por afrontar o princípio do não confisco e do direito à propriedade. Foi interposto recurso de ofício pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.734 6 Passo ao voto. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. RECURSO DE OFÍCIO: Inicio pelo julgamento do recurso de ofício. Conforme o v. acórdão recorrido, o crédito tributário constituído referente aos 1°, 2° e 3° trimestres de 2004, relativos ao IRPJ e à CSLL, e de janeiro a novembro de 2004, relativos ao PIS e à COFINS, período em que os contribuintes Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda. e. Custódio Forzza teriam infringido a lei tributária, estão decaídos. Isto porque, aplicandose a regra do art. 173, I, CTN, o prazo decadencial teve início 1° de janeiro de 2005 e seu término em 31 de dezembro de 2009. Os sujeitos passivos Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda. e Custódio Forzza foram cientificados do lançamento de ofício em dezembro de 2010 (AR fls. 863 a 872). Logo, há que ser mantido o v. acórdão recorrido. Assim, julgo improcedente o recurso de ofício. II. RECURSO VOLUNTÁRIO II.I ILEGITIMIDADE DE PARTE Consta do Relatório de Procedimento Fiscal (fls. 64/89), que a ilegalidade praticada pelos recorrentes, consistia em “guiar café”, i.é., o “Armazém compra o café do produtor, e indica que este produtor de café procure uma empresa que emitirá uma nota para acobertar aquela operação. Destaquese que o produtor também não aceita vender direto para o exportador, para não fazer o recolhimento dos tributos. Porém esta empresa que emite a nota pertence a um ‘laranja’, e esta empresa não irá fazer o recolhimento dos tributos ligados àquela operação”. Ou seja, quem realiza a operação é o Armazém, servindo uma terceira empresa, apenas, para emitir a nota fiscal em substituição ao real vendedor de café: o produtor rural, o que acarretaria créditos indevidos de PIS e COFINS. Essa teria sido a função da autuada Agar Comércio Ltda – ME, que, em tese, emitiria a nota fiscal em substituição ao produtor rural, acarretando crédito fiscal ao comprador das mercadorias. Além disso, como parte do esquema, a Agar deixaria de pagar os tributos devidos em decorrência das suas operações. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.735 7 A fiscalização, como se verá abaixo, teria apurados que os responsáveis solidários eram, na verdade, sócios ocultos da autuada. Dessa forma, por possuírem interesse comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124, I, CTN), foram atribuída, aos recorrentes, a responsabilidade tributária: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Os fatos que sustentam a tese da fiscalização, segundo consta do Relatório de Procedimento Fiscal, são: “59.As informações levantadas pela fiscalização permitem concluir que a fiscalizada Agar Comércio Ltda foi criada com o intuito de ‘guiar’ o café, o que na linguagem dos corretores dessa mercadoria significa utilizar seu documentário fiscal para acobertar negócios com café, ou seja, a Agar seria responsável pelo recolhimento do Funrural, na época dos fatos aqui descritos ainda vigente, e dos demais impostos e contribuições que incidem sobre a atividade mercantil, em especial o PIS e a COFINS. 60.O ‘pulodogato’ desse esquema é que a empresa intermediária jamais irá pagar os tributos e contribuições devidos. Para evitar que o Fisco busque satisfazer tal crédito tributário, tais empresas sempre são constituídas por "laranjas" com patrimônio insignificante frente ao crédito tributário que deixam atrás de si. 61. Ao comprar o café dessas intermediárias, o terceiro adquirente obtém créditos do PIS e COFINS que poderá usar para diminuir o valor devido dessas duas contribuições quando revender o café, mas se trata de fato de crédito fictício pois a empresa intermediária jamais recolheu tais contribuições. Aliás, estando com os talões de notas fiscais da ‘intermediária’ o terceiro adquirente, tipicamente um exportador como é o caso da Custódio Forzza, emiteos quando e pelo valor que quiser, gerando custos e créditos tributários fictícios. 62.A empresa AGAR COMÉRCIO LTDA se encaixa perfeitamente nessa descrição. As três pessoas que passaram por seu quadro societário confirmaram para esta fiscalização sua condição de ‘laranjas’, conforme visto nos depoimentos de JORGIANO DE OLIVEIRA MANCO (item 21); JUAREZ GONCALVES DA SILVA (item 34) e RUY BARBOSA GOMES (item 22). A empresa jamais recolheu qualquer centavo de imposto e fez declarações de inatividade ou "zeradas" no período de 2003 a 2006. Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.736 8 63. Cabe notar ainda que a fiscalizada Agar Comércio Ltda possuía contas em diferentes instituições bancárias, ficando aparente a partir das informações coletadas pela fiscalização que tal diversidade de contas bancárias servia para que os verdadeiros responsáveis pela empresa pudessem assim "compartimentar" a utilização da empresalaranja. Dessa forma, a conta 52856 no SICOOB em Divino tinha como referência João Inácio de Sales, ao passo que a conta 53872 também em Divino tinha como referência Newton Pereira Portes. As contas no Banco do Brasil em Manhuaçu eram utilizadas por Marcos Vinicio, em especial a conta n. 14.787, que foi utilizada para pagar diversas contas pessoais suas. A conta aberta no Bradesco em Colatina foi utilizada pela Custódio Forzza. 64.0s fatos constatados mostram a existência de beneficiários diversos dos resultados auferidos pela AGAR e que isto trouxe prejuízos a Fazenda Nacional, através do ocultamento de valores tributáveis. Os sócios ‘de fato’ manipularam seus recursos, de tal forma a descaracterizar completamente seu objeto, carreando recursos para escondêlos da tributação. (...)” – Destacamos. II.I.I J I ARMAZÉNS GERAIS LTDA E JOÃO INÁCIO SALES Conforme o Relatório de Procedimento Fiscal, a responsabilidade solidária foi atribuída aos preditos responsáveis, em razão de serem sócios de fato da autuada Agar. O convencimento do agente fiscal se deu pelas seguintes razões: “67.A seguir indicamos de forma discriminada os motivos da responsabilização das pessoas físicas e jurídicas apontadas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário ora lançado. São responsabilizados pelo crédito tributário lançado por terem relação pessoal e direta com o fato gerador e consciência de que o objetivo maior da simulação era a sonegação dos tributos incidentes sobre tais operações, nos termos dos arts. 121, 123, 124, 134, 135 e 137 do Código Tributário Nacional. (...) J I ARMAZÉNS GERAIS LTDA / JOÃO INACIO DE SALES 77.João Inácio de Sales é dono da firma individual J I ARMAZÉNS GERAIS LTDA. 78. Durante a auditoria constatamos que, de acordo com os depoimentos do sócio da empresa Jorgiano (item 21), Marcos Vinicius e Antônio José Bezerra administravam a Agar ‘a mando’ dos donos dos armazéns TNT Armazéns Gerais Ltda e J I Sales Armazéns Gerais Ltda. Marcos Vinicius Araújo declarou que a Agar era ‘usada’ pelos armazéns TNT Armazéns Gerais Ltda e J I Sales Armazéns Gerais Ltda (item Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.737 9 23). Alairton Geraldo Lopes declarou que a empresa funcionou para ‘guiar’ o café comprado pelo TNT Armazéns Gerais Ltda e J 1 Sales Armazéns Gerais Ltda (item 25). 79.A maior parte das notas fiscais de saída da filial da Agar em Divino indica os armazéns TNT Armazéns Gerais Ltda e J I Sales Armazéns Gerais Ltda como local para retirada das mercadorias. 80.A ficha cadastral e o cartão de autógrafos das contas n° 94412 e n° 52856 do SICOOB contêm o nome do Sr. João Inácio de Sales como referência (DOC 35). 81.Verificamos que nos versos da cópia do cheque n° 021528 do SICOOB nominal a Rui Machado no relevante valor de R$ 350.000,00 datado de 24/11/2006 (DOC 36) e da cópia do cheque n° 021525 do SICOOB nominal a Ouro Verde Comércio de Café de Espera Feliz Ltda no valor de R$ 100.000,00 datado de 24/11/2006 (DOC 37), a informação de que houve confirmação do pagamento com o Sr. João Sales.Identificamos ainda, o cheque n° 02153, no valor de R$ 72.518,00 datado de 24/11/2006 (DOC 38), nominal a Dalva Gomes de Sales, esposa do Sr. João Inácio Sales. Isto é: para confirmar se podia pagar cheques de valores relevantes emitidos pela AGAR, o SICOOB consultava o Sr. João Sales, pessoa que não era sócia de direito da empresa, mas certamente dono de fato, pois esse poder é típico de quem é gestor dos recursos da conta. E o pessoal do SICOOB sabia disso. 0 cheque de mais de R$ 70 mil emitido para a esposa do Sr. Sales, sem que conste qualquer operação da empresa com ela que pudesse gerar tal obrigação, indica mais veementemente a manipulação dos recursos da empresa em beneficio próprio. (...) ” –Destacamos. II.I.II TNT ARMAZÉNS GERAIS LTDA, NILTON PEREIRA PORTES E AUREA CELIA ALVES DE SOUZA PEREIRA Conforme o Relatório de Procedimento Fiscal, a responsabilidade solidária foi atribuída aos preditos responsáveis, em razão de serem sócios de fato da autuada Agar. O convencimento do agente fiscal se deu pelas seguintes razões: “67.A seguir indicamos de forma discriminada os motivos da responsabilização das pessoas físicas e jurídicas apontadas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário ora lançado. São responsabilizados pelo crédito tributário lançado por terem relação pessoal e direta com o fato gerador e consciência de que o objetivo maior da simulação era a sonegação dos tributos incidentes sobre tais operações, nos termos dos arts. 121, 123, 124, 134, 135 e 137 do Código Tributário Nacional. (...) Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.738 10 TNT ARMAZÉNS GERAIS LTDA / NEWTON PEREIRA PORTES / AUREA CELIA ALVES DE SOUZA PEREIRA 82. Newton Pereira Portes e Aurea Celia Alves de Souza Pereira são os dois únicos sócios de TNT Armazéns Gerais Ltda. Depreendese que os dois são casados a partir das informações de suas declarações de renda. 83. Durante a auditoria constatamos que, de acordo com os depoimentos do sócio da empresa Jorgiano (item 21), Marcos Vinicius e Antônio José Bezerra administravam a Agar ‘a mando’ dos donos dos armazéns TNT Armazéns Gerais Ltda e J I Sales Armazéns Gerais Ltda. Marcos Vinícius Araújo declarou que a Agar era ‘usada’ pelos armazéns TNT Armazéns Gerais Ltda e J I Sales Armazéns Gerais Ltda (item 23). Alairton Geraldo Lopes declarou que a empresa funcionou para ‘guiar’ o café comprado pelo TNT Armazéns Gerais Ltda e J I Sales Armazéns Gerais Ltda (item 25). 84.A variação patrimonial declarada por Newton Pereira Portes e Aurea Celia Alves de Souza Pereira excede em mais de R$ 100.000,00 aquela possível a partir dos rendimentos líquidos que ambos declararam à Receita Federal no anobase 2005,indicio de que ambos tinham fonte de renda não declarada. 0 quadro a seguir resume a variação patrimonial do casal. Notese que os bens foram todos declarados na DIRPF de Newton nesses anos, motivo pelo qual foi feita a comparação tomandose por base a variação patrimonial de Newton contra a soma da variação permitida pelos rendimentos de ambos. (...) 85.A maior parte das notas fiscais de saída da filial da Agar em Divino indica os armazéns TNT Armazéns Gerais Ltda e J I Sales Armazéns Gerais Ltda como local para retirada das mercadorias. 86.A ficha cadastral e o cartão de autógrafos da conta n° 53872 do SICOOB contêm o nome do Sr. Newton Pereira Portes como referência (DOC 39). (...)” II.I.III TESTEMUNHOS Os depoimentos das testemunhas (fls. 311/323) consistem: a) Jorgiano de Oliveira Manso diz que a administração de fato da empresa Agar, em Divino, cabia a Newton Portes e João Sales: “7. O declarante afirma que quem administrava de fato a empresa era o Sr. Marcos Vinicio Araújo em Manhuaçu e Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.739 11 o Sr Antonio José Bezerra em Divino, a mando do Sr Newton Portes e do Sr João Sales, proprietários do Portes Armazéns Gerais e JI Sales Armazéns, respectivamente; 8. Para emprestar o nome como ‘laranja’ da empresa, o declarante recebia um salário mínimo por mês do Sr. Marcus Vinicio Araújo, que depositava o dinheiro em sua conta bancária no HSBC, agência 1070, conta corrente 0142255. 0 declarante afirma que os depósitos foram feitos até uns dois anos atrás; (...)” – Destacamos. Marcos Vinício Araújo, testemunha que: “1. O declarante é corretor de café há mais de 20 anos, e trabalha com café desde menino. Começou a trabalhar com café no sul de Minas Gerais, em Varginha, e depois veio prestar serviços na região de Manhuaçu/MG, para comprar café dos produtores para seu patrão; 2. Em Varginha, o declarante trabalhou para a Armazéns Gerais Bandeirantes, Bozzo Brasil e McKinlay S/A, todos do ramo de café. Foi mandado para Manhuaçu/MG pela McKinlay S/A para atuar na compra de café, onde ficou; (...) 17. Em Divino o Sr. Antônio José Bezerra é o responsável pela administração da Agar. A empresa Agar funciona para ‘guiar’ o café comprado por um Armazém de Divino. Por ‘guiar o café’ entendese que um Armazém compra o café do produtor, e indica que este produtor de café procure uma empresa que emitirá uma nota para acobertar aquela operação. Destaquese que o produtor também não aceita vender direto para o exportador, para não fazer o recolhimento dos tributos. Porém esta empresa que emite a nota pertence a um ‘laranja’, e esta empresa não irá fazer o recolhimento dos tributos ligados Aquela operação. Em Divino a Agar é usada pelo TNT Armazéns Gerais, J I Sales e Portes Armazéns Gerais. 18. Sobre a atuação da Agar, informa: que os exportadores de café determinam qual o café desejam adquirir; que o corretor lhe apresenta o café; que o exportador nunca compra diretamente dos produtores, mas sempre exigem uma empresa intermediária; que no caso a Agar, era uma dessas empresas intermediárias, que não possuía estoque de café e nem ‘caixa’ para adquirir café nas quantidades que comercializava; que a empresa Agar estava em nome de pessoas que não possuem capacidade econômica compatível com a direção da empresa; que uma vez Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.740 12 combinada a venda do café, o exportador depositava o dinheiro logo no ato do recebimento do café na conta bancária da empresa intermediária, no caso a Agar; que uma vez com o dinheiro, a empresa intermediária repassa a parte do produtor imediatamente para ele; (...)” – Destacamos. Depoimento de José Bezerra: “1. 0 Sr. JORGIANO DE OLIVEIRA MANCO é o responsável pela AGAR COMERCIO LTDA, e ele pessoalmente administra a empresa, compra o café de produtores rurais e revende para outras empresas como: MARCELINO MARTINS em Caratinga, UNICAFE em Manhumirim, STOCKLER em Varginha e MC KINLAY S.A. em Vitória. A empresa também já comercializou muito café para a GARDINGO TRADE, porém não faz negócios com ales faz algum tempo. 2. 0 Sr. ANTONIO JOSE BEZERRA possui procuração, feita em Manhuaçu, com o apoio do Sr. JOÃO KLEINPAUL, que é contador da AGAR COMERCIO LTDA. Esta procuração lhe da poderes para movimentar conta bancária. Ele começou a trabalhar na AGAR COMERCIO LTDA em 2003, quando o Sr. JORGIANO DE OLIVEIRA MANCO, procurava uma pessoa para preencher notas e cuidar da movimentação financeira em Divino. Ele acredita ter sido indicado pelo Sr. NEWTON PEREIRA PORTES, proprietário do TNT ARMAZENS GERAIS, ou por alguma outra pessoa que trabalha com café. 3. 0 Sr. JORGIANO DE OLIVEIRA MANCO vive em Manhuaçu, porém faz muitas viagens para Divino. Em Divino ele costume ficar hospedado no Hotel Breder e em outros hotéis da cidade. 4. Ao lado do endereço onde hoje funciona a AGAR COMERCIO LTDA, já funcionou a M F SILVA, porém ela fechou antes do Sr. ANTONIO JOSE BEZERRA começar a trabalhar na AGAR COMERCIO LTDA 5. 0 telefone da AGAR COMERCIO LTDA esta em nome de CUSTODIA FELISBINO SALES, que é esposa do Sr. ANTÔNIO JOSE BEZERRA. 0 telefone ficou no nome dela a pedido do Sr.JORGIANO DE OLIVEIRA MANGO. 6. 0 Sr. ANTÔNIO JOSE BEZERRA não conhece o Sr. RUY BARBOSA COMES, atual sócio da AGAR COMERCIO LTDA e nem o Sr. JUAREZ GONÇALVES DA SILVA, antigo sócio da empresa. Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.741 13 7. A empresa está funcionando ativamente em Divino, desde 2003, quando o Sr. ANTÔNIO JOSE BEZERRA começou a trabalhar na empresa. 8. A AGAR COMERCIO LTDA utiliza os armazéns TNT e J I SALES. 9. A AGAR COMERCIO LTDA movimenta contas bancárias no BANCO DO BRASIL e no BANCOB. 0 Sr. ANTÔNIO JOSE BEZERRA é quem assina os cheques quando o Sr. JORGIANO DE OLIVEIRA MANCO não está.” – Destacamos. Por fim, depoimento de Alairton Geraldo Lopes: “15. Em Divino o Sr. Antônio José Bezerra é o responsável pela emissão das Notas Fiscais da Agar. A empresa Agar Comércio Ltda funcionava para ‘guiar’ o café comprado pelo TNT Armazéns Gerais, J I Sales e Portes Armazéns Gerais. Por ‘guiar o café’ entendese que um Armazém compra o café do produtor, e indica que este produtor de café procure uma empresa que emitirá uma nota para acobertar aquela operação. 0 produtor também emite uma nota fiscal avulsa, através da AF da Receita Estadual, de venda para a empresa que irá ‘guiar’ o café. Destaquese que o produtor também não aceita vender direto para o exportador, para não fazer o recolhimento dos tributos. Porém a empresa que emite a nota para ‘guiar o café’ pertence a um ‘laranja’, e esta empresa não irá fazer o recolhimento dos tributos ligados aquela operação. Em Divino a Agar Comércio Ltda era usada pelo TNT Armazéns Gerais, J I Sales e Portes Armazéns Gerais. 16. Sobre a atuação da Agar, informa: que os exportadores de café determinam qual o café desejam adquirir; que o corretor lhe apresenta o café; que o exportador nunca compra diretamente dos produtores, mas sempre exigem uma empresa intermediária; que a Agar, era uma dessas empresas intermediárias, que não possuía estoque de café e nem ‘caixa’ para adquirir café nas quantidades que comercializava; que a empresa Agar estava em nome de pessoas que não possuem capacidade econômica compatível com a direção da empresa; que uma vez combinada a venda do café, o exportador depositava o dinheiro logo no ato do recebimento do café na conta bancaria da empresa intermediária, no caso a Agar; que uma vez com o dinheiro, a empresa intermediária repassa a parte do produtor imediatamente para ele; (...)” – Destacamos. Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.742 14 II.I.IV ANÁLISE DOS FATOS O Código Civil permite a anulação do negócio jurídico simulado: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.” Provada a simulação, diz o CTN, o agente fiscal deverá desconsiderar os atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.” Nesse passo, deverá, segundo o art. 142, CTN, exigir do real sujeito passivo da operação, os tributos devidos. Portanto, a condição a manutenção do lançamento de ofício é a prova da simulação: “..EMEN: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VENDA DE COMBUSTÍVEL A OUTRO ESTADO DA FEDERAÇÃO. RECOLHIDO O ICMS PELA ALÍQUOTA INTERESTADUAL DE 7%. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 121, I E II, DO CTN. EXIGÊNCIA DE ANTERIOR DEMONSTRAÇÃO DE SOLIDARIEDADE (ART. 124, I E II, DO CTN) OU CONDUTA INFRACIONAL APTA A GERAR VÍNCULO JURÍDICO (ART. 135, CAPUT, DO CTN). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. 1. Analisase no presente feito a possibilidade de o Fisco paulista, sem investigar a boafé do vendedor, exigir dele o ICMS com base na alíquota interna, pelo fato de o produto vendido (álcool hidratado) não ter chegado regularmente a outra unidade da Federação (Bahia). 2. O principal fundamento utilizado pelo Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.743 15 Tribunal de origem para manter a cobrança da alíquota interna consistiu no fato de que "[a] infração se consuma com a mera conduta, que efetivamente causou prejuízo ao erário público". 3. Para explicar a imposição foi invocado o artigo 136 do CTN, como suporte da pretendida responsabilidade tributária. Todavia, o citado diploma legal é esclarecedor no sentido de que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável dos efeitos do ato. No caso concreto, todavia, o Fisco não conseguiu identificar o "agente ou responsável" da destinação diversa da mercadoria constante da Nota Fiscal. 4. No caso concreto, o Fisco paulista, em verdade, busca a tributação do ICMS, pela alíquota interna, em face de a mercadoria ter sido desviada de seus destino final, com possível venda no próprio estado. No entanto, não conseguiu demonstrar que a recorrente tenha realizado essa operação fraudulenta, circunstância essa indispensável à caracterização do próprio sujeito passivo que praticou o fato econômico empregado na aplicação da alíquota interna. 5. É incontroverso que, na operação comercial, foram cumpridas todas as exigências fiscais, com a emissão das respectivas notas de venda. Nesse contexto, não há como exigir da vendedora outras provas, que a ela não incumbe; não bastando presumir a simulação quanto ao destino das mercadorias. 6. Recurso conhecido e provido para afastar a exigência fiscal de que a recorrente pague a diferença entre as alíquotas de ICMS incidente nas operações internas. ..EMEN: (RESP 201100950277, BENEDITO GONÇALVES, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:26/06/2013 ..DTPB:.) – Destacamos. “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE INFRAÇÃO/FRAUDE/FALSIDADE OU SIMULAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. 1. Caso em que a agravante declarou diversas despesas médicas, para dedução, conforme declarações, recibos emitidos e ainda extratos bancários. Em análise fiscal, foi excluída a glosa quanto às despesas médicas, cujos recibos foram pagos através de cheques, cujo desconto foi demonstrado por extrato bancário, porém, quanto aos pagos em dinheiro, foi mantida a glosa, pois não comprovada a "efetividade dos pagamentos". 2. Embora as despesas médicas declaradas estejam comprovadas com recibos, adequadamente preenchidos, o Fisco somente aceitou a prova dos gastos dedutíveis quando cobertos os pagamentos através de cheques compensados, mantendo a glosa das despesas médicas pagas por dinheiro porque não devidamente comprovado o pagamento. 3. Todavia, manifestamente presentes os requisitos para a antecipação de tutela na ação originária, a fim de suspender a exigibilidade do IRPF, objeto de suplementação por revisão fiscal, vez que não se pode presumir a inexistência de despesas médicas, objeto de recibos, apenas porque eventualmente os extratos bancários não identificaram o saque de dinheiro para cobrir o pagamento feito em espécie, ou outras situações Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.744 16 equivalentes. 4. Seria possível, na investigação fiscal, apurar, por exemplo, que o recibo é falso ou simulado, por não existir o emitente, por se tratar de clínica médica inexistente ou de profissional com registro cancelado, entre diversas outras situações. Todavia, se nenhum fato contraria ou atinge a idoneidade do documento exibido, se o contribuinte tem renda declarada para cobrir as despesas médicas lançadas, a alegação de pagamento com dinheiro, de forma compatível com os recibos, não pode ser presumida inidônea, pois não existe obrigação legal do contribuinte de pagar somente através de cheques como se não tivesse curso legal a moeda e não produzisse efeitos fiscais o pagamento em espécie. 5. Não se presume infração, fraude, falsidade ou simulação, cabendo ao Fisco provar conduta irregular, frente à presunção de boafé, que impede, pois, a glosa de despesas médicas por suspeitas ou desconfianças sem amparo em fatos e provas específicas. 6. Além da prova inequívoca da verossimilhança do direito alegado, concorre o risco de dano irreparável, fundada não apenas na cobrança executiva dos valores, como nos efeitos legais da suposta inadimplência, comprometendo a condição de regularidade fiscal, além de outras sanções decorrentes. 7. Agravo inominado desprovido. (AI 00259492120114030000, DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/09/2012 ..FONTE_REPUBLICACAO:.)” – Destacamos. Analisando as provas acostadas aos autos há, em comum, contra, J I Armazéns Gerais LTDA, João Inácio Sales, TNT Armazéns Gerais LTDA e Nilton Pereira Portes a declaração das testemunhas de que seriam os reais sócios da empresa Agar. Não é seguro, todavia, escorarse apenas na prova testemunhal para manter a autuação. Isto porque, a prova testemunhal, não foi colhida na presença dos autuados que, portanto, não tiveram a oportunidade de contraditar as testemunhas. O que não quer dizer, contudo, que devam ser ignoradas. Mas se faz necessário, para a caracterização da infração, outros elementos. Não serve como elemento de prova o simples fato da estocagem das mercadorias nos armazéns, a mando da Agar, posto que o negócio jurídico realizado é consistente com a atividade comercial, descrita em objeto social. Se faz necessário, para a caracterização da simulação, de evidência fática, documental, que extrapole a atividade corriqueira da atividade de mercado. Neste ponto, os cheques emitidos pela Agar, em favor de terceiros, mas cujo beneficiado foi o João Inácio Sales, que, em conjunto, somam R$ 522.518,00, evidenciam, em conjunto com as provas testemunhais, a demonstração de que a sua participação na Agar vai além da simples prestação de serviços de armazenagem: “81.Verificamos que nos versos da cópia do cheque n° 021528 do SICOOB nominal a Rui Machado no relevante valor de R$ 350.000,00 datado de 24/11/2006 (DOC 36) e da cópia do cheque n° 021525 do SICOOB nominal a Ouro Verde Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.745 17 Comércio de Café de Espera Feliz Ltda no valor de R$ 100.000,00 datado de 24/11/2006 (DOC 37), a informação de que houve confirmação do pagamento com o Sr. João Sales.Identificamos ainda, o cheque n° 02153, no valor de R$ 72.518,00 datado de 24/11/2006 (DOC 38), nominal a Dalva Gomes de Sales, esposa do Sr. João Inácio Sales. Isto é: para confirmar se podia pagar cheques de valores relevantes emitidos pela AGAR, o S1000B consultava o Sr. João Sales, pessoa que não era sócia de direito da empresa, mas certamente dono de fato, pois esse poder é típico de quem é gestor dos recursos da conta. E o pessoal do SICOOB sabia disso. 0 cheque de mais de R$ 70 mil emitido para a esposa do Sr. Sales, sem que conste qualquer operação da empresa com ela que pudesse gerar tal obrigação, indica mais veementemente a manipulação dos recursos da empresa em beneficio próprio. (...)” –Destacamos. Em sua defesa, apresentada nos Memorais (fls. 2392 e ss.), os responsáveis J I Armazéns Gerais LTDA. e João Inácio Sales alegam: “Os pagamentos efetuados pela AGAR COMÉRCIO LTDA em favor da esposa do recorrente João Inácio Sales e para quitação de dividas de sua responsabilidade (cheques emitidos em favor de Rui Machado e Ouro Verde Comércio de Café de Espera Feliz) tinham como objeto a quitação de café vendido por João Inácio Sales e sua esposa A AGAR COMÉRCIO LTDA, a exemplo de diversas outras operações de compra e venda de café por eles realizadas com outros adquirentes. Com efeito, a emissão pela empresa AGAR COMÉRCIO LTDA de cheque em favor da esposa do recorrente João Inácio de Sales visava a quitação de café vendido por ela e por seu esposo A aludida empresa. Os cheques emitidos em favor de Rui Machado e Ouro Verde Comércio de Café de Espera Feliz, no valor total de R$450.000,00, por sua vez, visavam: em parte (R$230.000,00), a quitação de divida de titularidade do Sr. João Inácio Sales,mediante a utilização de credito dele e de sua esposa perante a AGAR COMÉRCIO LTDA decorrente da venda de café (Anexos VA e VB), a exemplo de diversas outras operações de compra e venda de café que eles realizavam corriqueiramente com outros compradores (Anexo VC); em parte (R$220.000,043), à quitação de divida da própria AGAR COMÉRCIO LTDA com o Sr. Ruy Machado, decorrente da venda de café, conforme notas fiscais fornecidas pelo Sr. Ruy Machado aos recorrentes, a pedido destes (Anexo VD). O Sr. Ruy Machado, por sua vez, parece ter utilizado parte de seu crédito para determinar o pagamento pela AGAR COMÉRCIO LTDA diretamente em favor da empresa Ouro Verde Comércio de Café de Espera Feliz. Tendo em vista que parte dos valores pagos (R$230.000,00) referiamse à quitação de divida do recorrente João Inácio de Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.746 18 Sales, mediante a utilização de crédito que ele detinha com a AGAR COMÉRCIO LTDA (relativo A. venda de café),é compreensível que o funcionário da AGAR COMÉRCIO LTDA (e não necessariamente um funcionário do SICOOB, como concluiu inadvertidamente a fiscalização) confirme previamente a operação com o Sr. João Inácio Sales e anote o fato no verso do cheque, sendo o que se pressupõe ter ocorrido no caso em exame. Registrese que a opção feita pelo recorrente João Inácio Sales de receber parte de seus créditos junto A AGAR COMÉRCIO LTDA por venda de café mediante o pagamento direto de dividas de sua responsabilidade perante terceiros é prática licita, que decorre estritamente da relação comercial por ele travada com a AGAR COMÉRCIO LTDA e visava evitar a cobrança de CPMF (que, de acordo com a EC no 42, teve prorrogado seu prazo de incidência até 31 de dezembro de 2007). Assim, foi estabelecida uma contacorrente entre a autuada e o recorrente, sendo que, eventuais pagamentos decorrentes da relação comercial existente entre as partes, ao invés de serem creditados diretamente em contas bancárias, fazendo incidirse a CPMF, eram realizados mediante a quitação de contas de terceiros, abatendose, assim o quantum devido pela autuada ao recorrente. Como se vê, o pagamento realizado em favor da esposa do recorrente João Inácio Sales e os cheques emitidos para a quitação de dividas de responsabilidade dele tam origem justificada em relações comerciais de compra e venda de café travadas pelo Sr. João Inácio Sales e sua esposa com a AGAR COMERCIO LTDA. Ademais, dentre todos os cheques emitidos pela AGAR COMERCIO LTDA (os quais, dada a sua expressiva movimentação financeira deve ter ultrapassado a ordem de 500 cheques), em apenas 02 (dois) foi identificada a menção de confirmação com o recorrente João Inácio Sales, a indicar que esta não era uma prática recorrente. Registrese, ainda, que os valores que a fiscalização afirma terem sido utilizados em beneficio do Sr. João Inácio Sales correspondem a apenas 0,9% do faturamento da AGAR COMÉRICO LTDA e 0,44% de suas movimentações financeiras e a fiscalização. (...) Com efeito, apesar de investigar minuciosamente todos os extratos bancários da empresa autuada, a fiscalização somente encontrou o percentual de 0,9% do valor global do suposto faturamento da autuada como destinado aos recorrentes os quais, como já demonstrado, dizem respeito a operações normais de negócios efetuados entre eles, igualmente As que a autuada realizou, por certo, com dezenas, quiçá centenas, de outros terceiros que não se encontram no processo, provavelmente em valores muito mais expressivos (recordese, a fiscalização não Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.747 19 fez circularização e não identificou 99,1% do faturamento da autuada, não tendo sequer intimado o Sr. Ruy Machado e a empresa Ouro Verde Comércio de Café de Espera Feliz para que eles indicassem os motivos que justificaram o recebimento de cheques emitidos pela AGAR COMERCIO LTDA)” A argumentação apresentada pelos recorrentes, não convence. As notas fiscais acostadas aos autos (fls. 2682 e ss.), em boa parte ilegíveis, não permitem a afirmação de que os valores recebidos se relacionam com a venda de café à Agar. Somase o fato de que os cheques estão nominais a terceiros. Dessa forma, para que os recorrentes pudessem provar o que alegam, deveriam demonstrar a venda, bem como a relação jurídica com os terceiros, cujos nomes constam da cártula. É irrelevante, também, para a caracterização da infração, a relação de grandeza entre os valores recebidos e o faturamento da Agar, visto que a responsabilização decorre de simulação, sendo característico nessas operações a ocultação do fato real. Ademais, as notas fiscais jungidas aos autos convergem com a acusação: o produtor rural (João Inácio Sales), aliena mercadoria à Agar, que estoca o café vendido a terceiro, no armazém da recorrente (J I Armazéns Gerais LTDA). Portanto, as provas testemunhais e documentais dos autos conduzem à conclusão do acerto do trabalho fiscal. Dessa maneira, voto por manter a responsabilidade dos autuados J I Armazéns Gerais LTDA. e João Inácio Sales. No que tange a TNT Armazéns Gerais LTDA, Nilton Pereira Portes e Aurea Célia Alves de Souza Pereira, a responsabilização teve por fundamento o depoimento das testemunhas, a relação jurídica de prestação de serviços do armazém à Agar e o acréscimo patrimonial injustificado das pessoas físicas. Quanto aos dois primeiros fatos, reitero os argumentos já esposados. No que tange à evolução patrimonial, transcrevo o trabalho fiscal: “84.A variação patrimonial declarada por Newton Pereira Portes e Aurea Celia Alves de Souza Pereira excede em mais de R$ 100.000,00 aquela possível a partir dos rendimentos líquidos que ambos declararam à Receita Federal no anobase 2005,indicio de que ambos tinham fonte de renda não declarada. 0 quadro a seguir resume a variação patrimonial do casal. Notese que os bens foram todos declarados na DIRPF de Newton nesses anos, motivo pelo qual foi feita a comparação tomandose por base a variação patrimonial de Newton contra a soma da variação permitida pelos rendimentos de ambos.” Não há no trabalho fiscal qualquer elemento que ligue a renda omitida com a realização de negócios com a Agar, estranhos ao de prestação de serviços de armazenagem. Para a caracterização do fato, cabia a demonstração que o valor não declarado pelos responsáveis teve por origem operações escusas, realizadas por meio da Agar. A simples omissão de informações fiscais não tem o poder de configurar o vício do ato jurídico e a sonegação fiscal. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.748 20 Nessa linha, voto por excluir a responsabilidade de TNT Armazéns Gerais LTDA, Nilton Pereira Portes e Aurea Célia Alves de Souza Pereira. II.III DECADÊNCIA – ART. 150, §4O, CTN Os recorrentes defendem que ao caso deveria ser aplicado o art. 150, §4o, do CTN. E, nessa linha, haveria a decadência do direito de lançar o crédito tributário. O art. 150, §4o, aplicável aos lançamentos por homologação, possui, como condição à sua implementação, a inexistência de prática de vício do ato jurídico, com finalidade de deixar de pagar tributo. Não implementada a condição, deve ser lançada mão da regra do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo de decadência. Os responsáveis solidários, por meio de interposta pessoa, praticaram atos viciados, com o objetivo de deixar de pagar tributos. Logo, a regra pertinente para a contagem do prazo de decadência é a do art. 173, I, do CTN. Ademais, nos termos do julgamento do REsp. nº 973733SC, adjetivado com repercussão geral, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que nos casos sujeitos ao lançamento por homologação, em que não houve antecipação do pagamento do tributo, a regra de decadência aplicável é a do art. 173, I, do CTN. É o caso dos autos, razão pela qual fica afastado o reconhecimento da decadência, pleiteado pelos recorrentes. III. DO MÉRITO Não recorreram do v. acórdão, proferido em primeira instância, Agar Comércio Ltda. Quanto a estes, operouse o trânsito em julgado administrativo. Quanto (melhorar a redação e falar sobre parcelamento) Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda. e Custódio Forzza. Quanto aos responsáveis solidários, rejeito o argumento de nulidade do lançamento, pois o mesmo não teria sido realizado com fundamento em meras presunções, ferindo o art. 108, §1o, do CTN. Ensina o saudoso Geraldo Ataliba (Lançamento – procedimento regrado. Estudos e parecer de direito tributário. São Paulo: RT, 1978, v. 2, p. 339) que “a presunção é um meio especial de prova, consistente em um raciocínio que, do exame de um fato conhecido, conclui pela existência de um fato ignorado”. Na presunção, portanto, o conhecimento do fato é indireto, pois é veiculado, racionalmente, por meio de outro fato, conhecido. Consoante as provas testemunhal e documental, concluise provada a hipótese do art. 124, I, do CTN. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720325/201020 Acórdão n.º 1103001.076 S1C1T3 Fl. 2.749 21 No que tange aos argumentos de ordem constitucional, deixo de apreciálos, em razão da incompetência deste Conselho para julgar matéria dessa natura (art. 62, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa). Por todo o exposto, RECEBO o RECURSO DE OFÍCIO, para a ele NEGAR PROVIMENTO, recebo os recursos voluntários, para, NEGARLHES PROVIMENTO NO QUE TANGE À PRELIMINAR ARGÜIDA e, no mérito, DAR PROVIMENTO aos recursos interpostos por TNT Armazéns Gerais LTDA, Nilton Pereira Portes e Aurea Célia de Souza Pereira, cancelando a exigência tributária em face deles e, NEGAR PROVIMENTO aos recursos interpostos por J I Armazéns Gerais Ltda e João Inácio Sales, mantendo lançamento de ofício. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/201 4 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000152/2004-51
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
IRPF - REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO,
ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO
COMERCIAL - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE NATUREZA
PERSONALÍSSIMA - TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA.
Não há plausibilidade jurídica em defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um tenista profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a empresa centra-se unicamente na figura do tenista, o qual é o responsável principal pela execução (ou
inexecução) dos contratos geradores de renda, e não meramente um afluente. Claramente seria uma sociedade cujo affectio societatis se resumiria à redução do pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos do trabalho percebidos unicamente por um dos sócios, e não urna atividade
econômica especifica, que pudesse alavancar a carreira ou os negócios do anuente agenciado. O que une os sócios dessa sociedade não é o desenvolvimento de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária, já que todo o ônus (e bônus) da prestação do serviços está vinculado ao desempenho personalíssimo de um dos sócios. Assim, deve ser tributada como rendimento de pessoa fisica a remuneração por serviços
prestados, de natureza personalíssima, sem vinculo empregatício,
independentemente da denominação que lhe seja atribuída.
ART. 129 DA LEI /s18 11.196/2005 - DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM
NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE
APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO
ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI.
Dispositivo que institui uma nova modalidade de tributação não pode ser encarado como norma interpretativa, a retroagir seus efeitos para fatos geradores anteriores a sua edição.
RECLASSIFICAÇÂO DE RECEITAS DE PESSOA JURÍDICA PARA
RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO .SÓC,IO - COMPENSAÇÃO
DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA COM AQUELE
LANÇADO NA PESSOA FÍSICA EM DECORRÊNCIA DOS
RENDIMENTOS/RECEITAS RECLASSIFICADOS - HIGIDEZ.
Em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que foram reclassificados os rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, deve-se adotar o mesmo procedimento em relação aos tributos pagos na pessoa jurídica vinculados aos rendimentos/receitas reclassiticados, ou seja, apurado o imposto na pessoa fisica, deste devem-se abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de oficio.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR - ACORDO - RECIPROCIDADE DE
TRATAMENTO - COMPENSAÇÃO
As pessoas físicas que recebam rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos - desde que haja previsão para tanto eia acordo ou convenção internacional fixada com o pais
de origem dos rendimentos, ou que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. O acordo, ou a lei que estabeleça a reciprocidade, têm que estar um vigor no ano-calendário para o qual a compensação é pleiteada, sob pena da a mesma não ser permitida.
Ademais, caberá ao contribuinte comprovar, através da documentação pertinente, a data e o montante do imposto recolhido. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE
DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de camê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais
penalidades são idênticas.
Multa excluída.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 106-17.147
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aproveitar os tributos pagos pela Pessoa Jurídica para reduzir o imposto sobre a omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem aniculo empregaticio e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Relatora), Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Ana Paula Lecoselli Eriansen (Suplente convocada) e Gonçalo Bonet Allage, que excluíram essa exigência e, por maioria de votos, excluir a multa isolada do camê-leão, vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Sérgio Gaivão Ferreira Garcia (Suplente convocado)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPF - REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA - TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Não há plausibilidade jurídica em defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um tenista profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a empresa centra-se unicamente na figura do tenista, o qual é o responsável principal pela execução (ou inexecução) dos contratos geradores de renda, e não meramente um afluente. Claramente seria uma sociedade cujo affectio societatis se resumiria à redução do pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos do trabalho percebidos unicamente por um dos sócios, e não urna atividade econômica especifica, que pudesse alavancar a carreira ou os negócios do anuente agenciado. O que une os sócios dessa sociedade não é o desenvolvimento de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária, já que todo o ônus (e bônus) da prestação do serviços está vinculado ao desempenho personalíssimo de um dos sócios. Assim, deve ser tributada como rendimento de pessoa fisica a remuneração por serviços prestados, de natureza personalíssima, sem vinculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuída. ART. 129 DA LEI /s18 11.196/2005 - DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI. Dispositivo que institui uma nova modalidade de tributação não pode ser encarado como norma interpretativa, a retroagir seus efeitos para fatos geradores anteriores a sua edição. RECLASSIFICAÇÂO DE RECEITAS DE PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO .SÓC,IO - COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA COM AQUELE LANÇADO NA PESSOA FÍSICA EM DECORRÊNCIA DOS RENDIMENTOS/RECEITAS RECLASSIFICADOS - HIGIDEZ. Em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que foram reclassificados os rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, deve-se adotar o mesmo procedimento em relação aos tributos pagos na pessoa jurídica vinculados aos rendimentos/receitas reclassiticados, ou seja, apurado o imposto na pessoa fisica, deste devem-se abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de oficio. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR - ACORDO - RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO - COMPENSAÇÃO As pessoas físicas que recebam rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos - desde que haja previsão para tanto eia acordo ou convenção internacional fixada com o pais de origem dos rendimentos, ou que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. O acordo, ou a lei que estabeleça a reciprocidade, têm que estar um vigor no ano-calendário para o qual a compensação é pleiteada, sob pena da a mesma não ser permitida. Ademais, caberá ao contribuinte comprovar, através da documentação pertinente, a data e o montante do imposto recolhido. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de camê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Multa excluída. Recurso parcialmente provido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-21T20:35:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-21T20:34:58Z; Last-Modified: 2010-09-21T20:35:00Z; dcterms:modified: 2010-09-21T20:35:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c88c883f-d617-4dd7-8c84-130eb60de044; Last-Save-Date: 2010-09-21T20:35:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-21T20:35:00Z; meta:save-date: 2010-09-21T20:35:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-21T20:35:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-21T20:34:58Z; created: 2010-09-21T20:34:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 63; Creation-Date: 2010-09-21T20:34:58Z; pdf:charsPerPage: 2147; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-21T20:34:58Z | Conteúdo => CCOI/C06 F/s. 2.685 SM/:, i:+.7...,;:r-,;..4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..W;3/4". SEXTA CÂMARA Processo n° 11516.000152/2004-51 Recurso ne 154.280 Voluntário Matéria IRPF Acórdão o° 106-17.147 • • Sessão de 05 de novembro de 2008 Recorrente GUSTAVO KUERTEN Recorrida 3a TURMA/DRS-FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPF - REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA - TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Não há plausibilidade jurídica em defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um tenista profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a empresa centra-se unicamente na figura do tenista, o qual é o responsável principal pela execução (ou inexecução) dos contratos geradores de renda, e não meramente um afluente. Claramente seria uma sociedade cujo affectio societatis se resumiria à redução do pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos do trabalho percebidos unicamente por um dos sócios, e não urna atividade econômica especifica, que pudesse alavancar a carreira ou os negócios do anuente agenciado. O que une os sócios dessa sociedade não é o desenvolvimento de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária, já que todo o ônus (e bônus) da prestação do .s serviços está vinculado ao desempenho personalíssimo de um dos sócios. Assim, deve ser tributada como rendimento de pessoa fisica a remuneração por serviços prestados, de natureza personalíssima, sem vinculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuída. ART. 129 DA LEI /s18 11.196/2005 - DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI. Dispositivo que institui uma nova modalidade de tributação não pode ser encarado como norma interpretativa, a retroagir seus efeitos para fatos geradores anteriores a sua edição. ,2(//7 RECLASSIFICAÇÂO DE RECEITAS DE PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO SÓCIO - COMPENSAÇÃO. , DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA COM AQUELE LANÇADO NA PESSOA FÍSICA EM DECORRÊNCIA DOS RENDIMENTOS/RECEITAS RECLASSIFICADOS - HIGIDEZ. ' Em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que foram reclassificados os rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, deve-se adotar o mesmo procedimento em relação aos tributos pagos na pessoa jurídica vinculados aos rendimentos/receitas reclassiticados, ou seja, apurado o imposto na pessoa fisica, deste devem-se abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de oficio. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR - ACORDO - RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO - COMPENSAÇÃO As pessoas físicas que recebam rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o . cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos - desde que haja previsão para tanto eia acordo ou convenção internacional fixada com o pais de origem dos rendimentos, ou que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. O acordo, ou a lei que estabeleça a reciprocidade, têm que estar um vigor no ano-calendário para o qual a compensação é pleiteada, sob pena da a mesma não ser permitida. Ademais, caberá ao contribuinte comprovar, através da documentação pertinente, a data e o montante do imposto recolhido. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de camê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Multa excluída. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aproveitar os tributos pagos pela Pessoa Jurídica para reduzir o imposto sobre a omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem aniculo empregaticio e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Relatora), Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Ana Paula Lecoselli Eriansen (Suplente convocada) e Gonçalo Bonet Allage, que excluíram essa exigência e, por maioria de votos, excluir a multa isolada do camê-leão, vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Sérgio Gaivão Ferreira Garcia (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto à omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregaticio e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. O Conselheiro Gonçalo Bonet Allage apresentará declaração de voto. -..-""l's \\\... 2 Processo n" 11516.000/52/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.686 • Francisco Assis de Oliveira Júnior - Presidente da 2° Câmara da 2 Seção de Julgamento do CARF (Sucessora da C Câmara do 1°Conselho de Contribuintes) Giovanni/Gluistian Niís ' sis !Ca /d oo: - • -dator-Designado • EDITADO EM: l'IM • 2,0;0 Partliciparam do prei e julgamento, os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Achana de Azeres s e veira Pagetti, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Janaina M- quita L.- enço • e Souza, Sérgio Gaivão Ferreira Garcia (Suplente convocado), Carlos e ta Nicácio (Suplente convocado), Gonçalo Bonet Allage e Ana Maria Ribeiro do Reis (Presidente). Relatório Do lançamento Em face do contribuinte acima mencionado, foi lavrado o Auto de Infração de fis. 1923-1929, com ciência do autuado em 04.022004 (cf. fls. 1933), para exigência do IRPF referente aos anos-calendário de 1999 a 2002. O lançamento abrangeu as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas, nos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002; b) omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, nos anos-calendário de 1999 e 2000; c) compensação indevida do imposto pago no exterior, nos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002; e d) exigência de multas isoladas em razão da falta de recolhimento do camê- leão, em relação aos períodos de 1999, 2000, 2001 e 2002. O fiscal autuante esclareceu, através do Termo de Verificação Fiscal de fls.I884-1909 e anexos, dentre outros, os seguintes aspectos, cuja transcrição se faz necessária para melhor compreensão do lançamento: " Na documentação reunida constatamos a omissão de rendimentos recebidos do exterior na Declaração do Imposto de Renda de 2000 e a tributação de rendimentos da pessoa física na pessoa juriclica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos bifa, conforme descreveremos a seguir. I) Os rendimentos recebidos do exterior em 1999 estão descritos no relatório "Rendimentos Recebidos do Exterior em 1999" (fls. 1880 e 1881), sendo muito superiores aos rendimentos informados na declaração de ajuste anual. Cabe observar que o contribuinte recolheu em 2001 parte do earnê-ledo devido em virtude destas omissões (fls. 1872); II) O contribuinte é um renomado atleta profissional de tênis e possui diversos contratos de patrocínio e de cessão de direitos de , imagem, tendo atuação freqüente na divulgação de marcas e produtos, em anúncios de televisão e nos uniformes e demais produtos utilizados no seu desempenho profissional. Os , contratos que envolvem a participação pessoal de Gustavo Kuerten e/ou a utilização de seu nome, imagem, marca e som de voz são os seguintes: Advantage International — Contrato de administração da carreira (fls. 269 a 278); Head Sport AG — Contrato internacional celebrado entre a pessoa física e a fabricante de raquetes e bolsas térmicas (fls. 279 a 291); Diadora Spa — Itália - Contrato internacional celebrado entre a pessoa física e a marca de material esportivo (lls. 314 a 361); Diadora Spa — Resto do Mundo - Contrato internacional celebrado entre a pessoa física e a marca de material esportivo (l7s. 362 a 417); Banco do Brasil S/A, CNPJ 00.000.000/0001-91 — Contrato de Patrocínio, Promoção e Publicidade celebrado com a instituição bancária brasileira (fls. 426 a 436); Renault Comercial do Brasil S/A, CNPJ 01.069.573/0001-34 — • Contrato de Licença e Endosso celebrado com a fabricante de veículos (lls. 437 a 445); Pepsico & Cia, CNPJ 33.392.093/0001-04 — Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços, Concessão de Imagem e Som de Voz Por Tempo Determinado Para Utilização em Campanha Publicitária (fls. 446 a 459); Banco Real, CNPJ 17.156.514/0001-33 - Instrumento Particular de Contrato de Patrocínio, PromoçãO e Publicidade (fls. 460 a 469); Grendette S/A, CNPJ 89.850.341/0001-60; Grendene Sobral S/A, CNPJ 72.273.196/0001-07; e Indústria de Calçados Grendene Lula, CNPJ 01.299.277/0001-20; - Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serçiços, Concessão de Imagem, Som de Voz e Outras Avenças (lis. 469 a 47V; Grendene S/A, CAPJ 89.850.341/0001-60; Grendene Sobral S/A, CNPJ 71273.196/0001-07; e Indústria de Calçados Grendene Lida, CNPJ 01.299.277/0001-20; e Grendene 17i) Indústria de Calçados Lida, CNPJ 01.315.863/0001-10 — 4 Processo n° 11516.00015212004-5! CCOI /C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.687 Contrato de Licença de Direitos Autorais e Uso de Imagem (fls. 478 a 484); GLB Serviços Interativos S/A, CNPJ 03.304.489/0001-83 — Instrumento Particular de Contrato de Patrocínio (lis. 485 a 487) e Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Patrocínio (fls. 495 e 496); GLB Serviços Interativos S/A, CNPJ 03.304.489/0001-83 — Instrumento Particular de Hospedagem e Outras Avenças (fls. 488 a 494); Tilibra S/A Produtos de Papelaria, CNPJ 44.990.901/0001-72 — Contrato de Licenciamento de Direitos de Uso de Nome, Marca, Imagem e Outras Avenças (fls. 497 a 593); Motorola do Brasil Lida, CNPJ 62.288.584/0001-08, substituída por Motorola Industrial Ltda, CNPJ 01.472.720/0003-84 — Instrumento Particular de Patrocínio e Concessão de Imagem por Tempo Determinado Para Utilização em Campanhas Publicitárias e respectivo aditamento (fls. 504 a 511); Grendene S/A, CNPJ 89.850.341/0001-60; Grendene Sobral S/A, CNPJ 72.273.196/0001-07; e Indústria de Calçados Grendene Ltda, C1VPJ 01.299.277/0001-20 - Contrato de Licença de Direitos Autorais e Uso de Imagem (tis. 512 a 518); Grendene Sobral S/A, CNPJ 72.273.196/0001-07; e Indústria de Calçados Grendene Ltda, CNPJ 01.299.277/0001-20 - Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviço.s, Concessão de Imagem, Som de Voz e Outras Avenças ais. 519 a 522); Grendene S/A, CNPJ 89.850.341/0001-60; e Grendene Calçados S/A, CNPJ 72.273.196/0001-07 - Contrato de Licença de Direitos Autorais e Uso de Imagem (fls. 523 a 529); Reeofarma Indústria do Amazonas Ltda — Contrato de Patrocínio e Outras Avenças (f7s. 530 a 535); Calçados Azaléia S/A, CNPJ 98.408.073/0001 — Contrato de Patrocínio e Outras Avenças (fls. 536 a 547); Cabe observar inicialmente que os contratos internacionais foram celebrados com a pessoa física e os contratos nacionais foram celebrados com a empresa Guga Kuerten Participações e Empreeendimentos Ltda. No entanto, todos os contratos listados acima têm por objeto o patrocínio do atleta profissional Gustavo Kuerten e a participação deste ou a utilização de seu nome, imagem, marca e som de voz em atividades de propaganda dos produtos/serviços fabricados/prestados pelas empresas contratantes. 5 Os rendimentos dos contratos celebrados no Brasil também devem ser tributados na pessoa física, conforme descrevemos a seguir. Verificando as declarações de ajuste anual da pessoa física de Gustavo Kuerten (fis. II a 21 e 1865 a 1870) constata-se que não são declarados os rendimentos provenientes dos contratos de patrocínio e de uso de imagem celebrados com empresas brasileiras, os quais são incluídos como rendimentos da empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, da qual é sócio com o irmão Rafael Kuerten, cada um possuindo 50% das quotas. O que chama a atenção nestes contratos é a tentativa de disfarçar o verdadeiro contratado, que é o Sr. Gustavo Kuerten, incluindo-o como interveniente anuente, e tornando-o o principal responsável pelo cumprimento do contrato, bem corno a principal causa para a sua ruptura. Esta operação tem o clara objetivo de enquadrar os rendimentos em uma tributação menos onerosa, tendo em vista que a tributação na pessoa jurídica, através da opção pelo lucro presumido, é muito inferior àquela aplicável à pessoa física, que é a verdadeira contratada. O fato de a verdadeira contratada ser a pessoa física de Gustavo Kuerten está evidenciado nos contratos (o) Dentre as notas fiscais apresentadas pela empresa, encontramos algumas (fls. 588, 595, 603, 606, 613, e 625) que se referem à participação/utilização da imagem do atleta Gustavo Kuerten na Copa Davis e no Torneio "Brasil Open de Ténis", não vinculadas a nenhum dos contratos apresentados pela empresa. Estes rendimentos, decorrentes diretamente da atividade profissional da pessoa física de Gustavo Ktterten, também devem ser tributados na pessoa física. 2. DAS INFRAÇÕES APURADAS (o) 2.1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATICIO E DA CESSÃO DE DIREITOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes do trabalho sem vinculo empregaticio e da cessão de direitos de uso da imagem, nome, marca e som de voz, discriminados no relatório "Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas Omitidos" (fls. 1877 a 1879). Estes rendimentos firam indevidamente tributados na pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. Cabe destacar ainda que estamos compensando o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os rendimentos omitidos, conforme consta das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte - Processe n° 11516.000152/2004-51 CCD1/C06 Acórdão n.° 106-17.147 • Fls. 2.688 DIRF - entregues à Receita Federal (2s. 663 a 675). Os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte destacados em Notas Fiscais que não constam de DIRF não foram aceitos para compensação com o imposto devido apurado no presente auto de infração. 2.2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR Omissão de parte dos rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, conforme discriminado a seguir. 2.2.1 Ano-calendário de 1999 Inicialmente, elaboramos o relatório "Rendimentos Recebidos do Exterior em 1999" (fls. 1880 e 1881), onde estão discriminados todos os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior no ano-calendário de 1999, bem como o imposto pago compensável, de acordo com os comprovantes apresentados pelo contribuinte. Neste relatório, quando o contribuinte recebeu, no exterior, restituição de imposto que havia sido anteriormente compensado, incluímos entre os rendimentos tributáveis os valores que deixaram de ser tributados em virtude desta compensação. Deste modo, a restituição de US$ 19.088,00, recebida nos Estados Unidos em novembro de 1999 ((ls. 266 e 267), está sendo tributada como rendimento deste mês - no valor de U$ 69.410,91 (19.088,00/0,275) - com a descrição "Rest. Imposto de Renda - USA (Gross Up)". Este procedimento é idêntico ao adotado pelo contribuinte nos anos-calendário posteriores. A conversão dos rendimentos e do imposto pago no exterior para reais consta do relatório "Conversão em Reais dos Rendimentos Recebidos do Exterior e do Imposto Pago Compensável - AC 1999" (fls. 1882). 2.2.1 Ano-calendário de 2000 No ano-calendário de 2000 (rendimentos declarados, fls. 14 e 1352 a 1354) foram omitidos os seguintes rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior: a) R$ 6.015,94 (US$ 3.375,00 x 1,7825) em maio de 2000, recebidos de Ubi Soft, conforme informação do contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°418/03 (fls. 1836); b) R$ 36.096,00 (US$ 20.000,00 x 1,8048) em setembro de 2000, referentes a dois pagamentos, no valor de US$ 10.000,00 cada, recebidos de Ubi Soft, conforme informação do contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°418/03 (fls. 1836). 2.3 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR 7 Glosa de imposto pago no exterior deduzido inclevidamente imposto devido apurado nas declarações de ajuste anual de 2000 a 2003 (anos-calendário de 1999 a 2002), por falta de apresentação de comprovantes destes pagamentos ou por não existir acordos, tratados e convenções internacionais para eliminar a dupla tributação entre o Brasil e o pais onde ocorreu a retenção/pagamento de imposto, conforme discriminado abaixo. a) R$ 9.274,67 (US$ 7.700,66, fls. 11 e 1760) em janeiro de 1999, imposto retido na fonte na Austrália (Aust. Mens Hard e Adictas Sydney International), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Austrália, bem corno não foi provada a reciprocidade de tratamento. Observe-se ainda que houve ressarcimento de imposto retido pelo Departamento Fiscal Australiano (lis. 192 e 193); b) R$ 50.040,00 ((1S$ 30.000,00,11s 11 e 1760) em maio de 1999, EUA - Garantia Diaclora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; c) R$ 7.668,71 (US$ 4.263,00, fls. 13 e 1354) em fevereiro de 2000, imposto retido na fonte no México (Torneio Aberto Mexicano de Tênis Pegas° 2000), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e o México, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; (1) R$ 21.946,41 (US$ 12.360,00, fls. 13 e 1354) em março de 2000, imposto retido na fonte no Chile (Torneio Chevrolet Cup 2000 - Santiago), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e o Chile, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; e) R$ 11.024,40 ((1S$ 6.000,00, fls. 13 e 1354) em junho de 2000, Diadora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento. Obs.: Intimado, através do Termo de Intimação n' 359/03 (fls. 1779 a 1780), a comprovar este pagamento, o contribuinte apresentou cópia de um fax recebido de Diadora Spa, datado de 26/01/2001 (lis. 1796), que diverge do anteriormente apresentado, datado de 24/01/2001 01s. 867), ao omitir os rendánentos recebidos em maio de 2000 e transferir a retenção de LIS 6,000,00 ocorrida neste mês - já aproveitada pelo contribuinte - para o mês de junho. Observe-se que só há retenção na Itália para os valores referentes ao Contrato Itália, não sendo o caso dos valores recebidos em 15 de junho de 2000. Desta forma, estamos convictos que os valores constantes do fax datado de 24/01/2001 (Ls. 867) estão corretos, sendo desconsiderado o fax de 26/01/2001 e efetuada apresente glosa; J) R$ 13.62690 (11$ 7600,00, fls. 18 e 1355) em fevereiro de 2001, Diadora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; g) R$ 94.309,66 (US$ 47.621,52, fls. 18 e 1355) em março de 2001, imposto retido na fonte no México (Torneio de Acapulco), rt a Processo n° 11516.000152'2004-51 CCOI/C06 Acórdão nd 106-17.147 Fs. 2.689 glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e o México, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; h) R$ 36.637,40 (US$ 18.500,00, fls. 18 e 1355) em março de 2001, Garantia do Torneio em Lyon, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; i) RS 2.643,84 (US$ 980,00, fls. 18 e 1356) em outubro de 2001, imposto retido na fonte na Suíça (Swiss Open), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Suíça, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento,. j) R$ 82.552,68 (US$ 30.600,00, fls. 18 e 1356) em outubro de 2001, Garantia de Stuttgart, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; k) RS 20.233,50 (U$ 7.500,00, fls. 18 e 1356) em outubro de 2001, Patrocínio Diadora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; 1) R$ 104.124,71 (US$ 37.479,200, fls. 18 e 1356) em novembro de 2001, imposto retido na fonte na Austrália (ATP Tennis Master Cup, f7s. 1076 e 1077), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Austrália, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; Obs: Estamos compensando no ano-calendário de 2002 o valor do imposto restituído pela Austrália em agosto de 2002 (US$ 30.237,81 = R$ 86017,50, fls. 1266 e 1267). Este valor foi tributado (US$ 109.955,67 = 30.237,81/0,275) como Rest Imposto 02 do Gov. Austrália (Gross-up). Da mesma forma com que o imposto retido não é compensável, a restituição não é tributável. O lançamento de RS 86.017,50 como imposto a compensar no ano-calendário de 2002 elimina a tributação indevida do imposto restituído pelo governo da Austrália. m) R$ 27.547,76 (US$ 11.625,00,11s. 1357 e 1866) em fevereiro de 2002, Diadora Italian Tax, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; n) R$ 159021,75 (USS 67.106,28, fls. 1357 e 1866) em fevereiro de 2002, antecipação de imposto na França, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento. 2.4 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPE DEVIDO A TITULO DE CARNÉ-LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnê-leão, decorrente das omissões de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e glosas de imposto pago no exterior, conforme demonstrado abaixo. ("7, 9 Inicialmente, apuramos na tabela abaixo o imposto devido mensalmente relativo ao total dos rendimentos recebidos de pessoas fisicas e do exterior no periodo de 01/01/1999 a 31/12/2002. Em seguida apuramos o total do carne-leão mais imposto pago no exterior pago pelo contribuinte no período de 01101/1999 a 31/12/2002. E, finalmente, apuramos a base de cálculo da multa isolada, ou seja, o valor do imposto sujeito ao carnê-leão não recolhido pelo contribuinte. Estas foram, em resumo, as bases do lançamento que originou este processo. Da Impugnação e do Julgamento de Primeira Instância Inesignado com o lançamento, o Interessado apresentou, por intermédio de seus procuradores, a impugnação de fls. 1935-1971, através da qual se insurgiu contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para tornar insubsistente o auto de infração, com base nos argumentos que foram devidamente relatados pela autoridade julgadora de Primeira Instância às fls. 2369-2375. Após resumir os fatos constantes da autuação e as razões de defesa apresentadas pelo impugnante, os Membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis-SC concluíram, por maioria de votos, pela procedência em parte do lançamento, através de acórdão cuja ementa é a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO E DE ATIVIDADE ESPORTIVA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA - Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalís.simo e de atividade esportiva (patrocínio, premiação por desempenho) devem ser tributados na declaração da pessoa fisica, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO EXTERIOR. TRATAMENTO FISCAL — Os rendimentos comprovaciamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimento de oficio, serão adicionados a base de cálculo declarada, para efeito de cálculo do imposto devido, ainda que haja antecipação do referido imposto. RENDIMENTOS DO EXTERIOR. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. OBRIGATORIEDADE DE INFORMAÇÃO - A retenção pela fonte pagadora ou o pagamento do imposto no exterior não Processo n° 11516.000152/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. /690 exime o contribuinte de informar os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. ACORDO. RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO — As pessoas físicas que declarem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, somente quando estiverem em conformidade com o previsto no acordo ou convenção internacional fixado com o país de origem dos rendimentos (se não houver sido restituído ou compensado naquele país) ou quando haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LIMITE DE DEDUÇÃO — O imposto pago no exterior (que não houver sido restituído ou compensado naquele país) poderá ser compensado com o imposto apurado na declaração de ajuste, porém não pode exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão do rendimento recebido no exterior e o imposto devido sem a inclusão do mesmo rendimento. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLIIIMENTODO CARNE-LEÃO. É devida a multa isolada concomitantemente com a multa sobre o imposto suplementar apurado na declaração, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (camê-leão), que deixar de fazê- lo, por serem penalidades que têm por origem fatos distintos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS - Diante de matérias não expressamente impugnadas, impedido fica o julgador administrativo de pronunciar-se em relação ao conteúdo do feito fiscal que com elas se relaciona, tornando-se• os créditos tributários a elas associados exigências definitivamente constituídas em sede administrativa. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E LVCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETENCL4 DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARÁ APRECIAÇÃO - As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. NÃO COMPROVADO — Somente o imposto de renda comprovadamente retido na fonte, em nome da pessoa jurídica ainda que por alíquota imprópria, deve acompanhar os rendimentos tributados de oficio na pessoa física. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE — A compensação de impostos e /1 contribuições próprios da pessoa jurídica (IRPJ, CSLL, PIS e Cotins) com débitos da pessoa física não pode ser acatada por (a) ser matéria estranha ao litígio; (h) carecer o contribuinte de interesse jurídico; (c) supressão de instáncia na análise do pedido de restituição e compensação; (d) existir procedimento próprio para constatação de que a exclusão de receitas implicou no quantum do pagamento indevido pela pessoa jurídica e (e) falta de previsão legal para aproveitamento de supostos créditos de impostos e contribuições da pessoa jurídica no auto de infração da pessoa física. Lançamento Procedente em Parte. Através de tal decisão foram acolhidas parcialmente as alegações do Interessado no que diz respeito aos itens 002 e 003 do lançamento, mantendo-se integralmente as parcelas relativas aos itens 001 e 004. Do Recurso Voluntário Cientificado da decisão de Primeira Instância e, com ela não se confonnando, o contribuinte interpôs, por intermédio de seu representante legal o Recurso Voluntário de fls. 2446-2502, acompanhado dos documentos de fls. 2503-2575, através do qual alegou, em resumo, que: - aparentemente a autuação objeto deste processo advém de um último suspiro do Poder Executivo no sentido de tentar impor uma tributação mais elevada para os contribuintes que, na estrita observância das normas legais previstas no ordenamento jurídico brasileiro (e efetiva existência de "business purpose"), se organizam de forma a desenvolverem seus negócios e atividades profissionais de forma mais eficiente do ponto de vista fiscal; - como amplamente noticiado na imprensa, o próprio Secretário da Receita Federal, já admitiu que a legislação brasileira permite aos prestadores de serviços constituírem pessoas jurídicas para desenvolverem as suas atividades profissionais e que tal possibilidade acaba gerando para os referidos contribuintes uma menor carga tributária; - isso aconteceu, por exemplo, por ocasião da edição da Medida Provisória n° 232, de 2004, em que o Poder Executivo tentou aumentar a base de cálculo do IR e da Contribuição Social sobre o Lucro devido pelas sociedades que realizam a apuração da referida contribuição com base no lucro presumido; transcreve reportagem publicada no sitio da Gazeta Digital; - não é possível vislumbrar qualquer possibilidade de que, em um Sistema Democrático de Direito, a decisão recorrida seja mantida e, conseqüentemente, o auto de infração venha a ser considerado corno procedente, ainda que parcialmente; e - a edição da Lei n° 11.196, de 1995, fruto da conversão da Medida Provisória n° 255, de 2005, veio a confirmar o entendimento exposto ao longo deste recurso e de sua própria impugnação, acerca da atual conjuntura tributária brasileira; seu artigo 129 introduziu uma norma de caráter eminentemente interpretativo, nos teimes do art. 106 do CTN, na verdade, ratificando a legalidade da situação pré-existente de inúmeras sociedades prestadoras de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, elucidando, de uma vez por todas, qüe, para fins fiscais e previdenciários a prestação daqueles serviços, em caráter personalíssimo ou não, quando realizada por pessoa jurídica, sujeitam-se tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas. 12 Processo n° 11516.000152 /2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.691 Conclui que não restaria mais qualquer dúvida de que a autuação em concreto, quanto a este aspecto, deveria ser julgada como totalmente improcedente, já que o posicionamento adotado pelas autoridades fazendárias vai manifestamente de encontro com o entendimento do Poder Legislativo, com a Jurisprudência e com as ponderações publicadas na imprensa do próprio Secretário da Receita Federal, destacando o voto vencido do Sr. Éden Ricardo Zanato. Em seguida, passa a combater, um a um, os pontos da decisão recorrida, esclarecendo o motivo pelos quais a mesma mereceria reforma: a) Da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas: - a decisão recorrida se deu no sentido de que os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direitos personalíssimos e de atividade esportiva deveriam ser tributados na declaração da pessoa física, que seria, de fato, aquela que teria relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador; - ainda, alegaram as autoridades julgadoras que a compensação dos valores pagos pela Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. não seria possível, em razão, principalmente, da suposta ausência de desconsideração da personalidade jurídica da referida empresa, no caso que se apresenta; - o entendimento dos julgadores a quo ê equivocado; b) Das atividades da pessoa jurídica "Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda": - como já mencionado, a suposta omissão de rendimentos apontada pelas autoridades fazendárias, pelo recorrido, tem como premissa a equivocada e ilegal desconsideração da personalidade jurídica da referida empresa (ainda que não admitida pela decisão recorrida), pessoa jurídica esta que figura como contratada em todos os contratos analisados pelas autoridades fiscais, tendo auferido e oferecido à tributação os rendimentos indevidamente imputados ao recorrente; - destaca que os rendimentos decorrentes das atividades profissionais pessoais, no caso em concreto, correspondem às garantias e prêmios relacionados aos torneios dos quais participa, bem como às bonificações decorrentes de sua posição no ranking da ATP, sempre oferecidos à tributação na pessoa física; - como se verifica do seu contrato social (fls. 2044 e seguintes), a Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda possui dois sócios distintos, Gustavo Kuerten e Rafael Kuerten, e foi constituída com a participação de cada um em 50% do capital social, percentuais estes respeitados na distribuição dos lucros auferidos pela empresa, a evidenciar que tal empreendimento constitui efetivamente uma sociedade; - assim, nota-se que a empresa decorre da conjugação de esforços de seus sócios, e adquire personalidade jurídica distinta dos mesmos, contraindo direitos e obrigações em seu próprio nome; - destacam-se alguns aspectos relacionados à empresa mencionada, principalmente no que tange às suas atividades, dentre as quais a administração do ativo, 13 constituído pelos direitos sobre a imagem, nome, marca e voz de Gustavo Kuerten, pessoa fisica; - Da livre iniciativa, constitucionalmente prevista, e de conceito de sociedade, de acordo com a legislação e a doutrina acerca da matéria. - sobre o tema, transcreve o art. 170 da Constituição Federal de 1988, e o art. 981 do Código Civil (art. 1.363, DO CC de 1916). - e, conclui que uma sociedade comercial, no direito brasileiro: a) é formada através da livre iniciativa de seus sécios; I)) tem personalidade jurídica própria; e) tem patrimônio próprio; d) exerce atividade económica; e e) tem, como finalidade, a obtenção de lucro. - além do exposto, é possível verificar, ainda que a sociedade decorre da união dos esforços de seus sócios para que alcancem fins comuns, dentre os quais, o lucro; - destaca que a autonomia dos conceitos de Direito Privado para fins tributários é reconhecido pelo CTN, nos termos do art. 109; - aplicando-se ao caso concreto, não há como se questionar a legitimidade da constituição da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, e o exercício do direito de seus sócios à organização empresarial, não se podendo duvidar de seu propósito negociai; - Das atividades exercidas pelos sócios Rafael Kuerten e Gustavo Kuerten para a realização dos objetivos da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. - a referida empresa é resultado da concorrência das atividades desenvolvidas por seus sócios Rafael e Gustavo Kuerten, de modo que os mesmos, abrigados pelo direito de livre iniciativa, constituíram tal sociedade, para fins de exploração dos direitos de imagem, voz, marca e nome do tenista Gustavo Kuerten, sendo certo que a participação de ambos os sócios é essencial para o desenvolvimento das atividades da sociedade; - como forma de demonstrar a efetiva existência empresarial da aludida pessoa jurídica, foi aduzido, inclusive, que a mesma conta com funcionários que dão suporte às atividades desenvolvidas, como se infere da documentação anexada às fls. 2050 e seguintes; - diante deste quadro, não há qualquer fundamento para se desconsiderar a personalidade de pessoa jurídica legalmente constituída, sob a alegação de que as atividades desenvolvidas pelo Sr. Rafael poderiam ser exercidas sobre outra forma jurídica, ou que todas as atividades da empresa são exercidas pelo Sr. Gustavo Kuerten, o que de forma alguma corresponde à verdade dos fatos; - seria impossível pensar que o excelente tenista profissional, fosse excelente administrador de empresas, podendo cumprir todos os compromissos decorrentes da profissão de atleta e se dedicasse com êxito a tal atividade; - a participação do sócio Rafael é considerada da maior importância para o gerenciamento e comercialização da marca Guga Kuerten, uma vez que ele é o responsável de fato, pela participação das negociações e realização dos contratos com terceiros em nome da empresa; - de todo o exposto, não pode restar dúvida de que a sociedade Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda é resultado da conjugação de esforços de seus dois 14 •Processo n° 11516.000152/2004-51 CCOliC06 Acórdão n.° 106-17.147 F. 2.692 sócios e é decorrência natural das atividades profissionais desenvolvidas por Gustavo Kuerten, as quais o afastam do Brasil por longos períodos durante o ano, tornando impossível que o mesmo concilie seu trabalho como tenista profissional com a administração de sua marca, nome, imagem e voz; - a decisão recorrida é teratológica, ao passo que ignora a evolução das relações sociais e materializa raciocínios que parecem estagnados no tempo, pois, não há como se admitir que num mundo globalizado, um atleta profissional, ao exercer suas atividades, deixa de ser apenas um simples trabalhador e se transforma em um verdadeiro centro de negócios - urna unidade econômica e profissional, como ocorre no caso em análise e de outros tantos, nos mais variados esportes e artes, de modo que, ainda que encerrem suas atividades, continuam gerando negócios; - resta evidenciado, desta maneira, que os rendimentos auferidos pelo Sr. Gustavo Kuerten, decorrentes do exercício de sua atividade de atleta profissional, tenista; são tributados, e sempre o foram pela pessoa fisica, conforme determina a Legislação, ao passo que os valores recebidos pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos L•da, decorrentes de sua atividade de administração dos direitos sobre a imagem, nome, marca e voz são tributados por esta, sem que tal fato constitua qualquer infração à legislação fiscal; c) Do direito à imagem e do caráter patrimonial de sua exploração: - através do contrato celebrado entre o atleta profissional Gustavo Kuerten e a empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, aquele transferiu para esta o direito de uso sobre seu nome, imagem, marca e voz; - acerca do caráter patrimonial do direito de imagem dos atletas profissionais, os quais, de acordo com a decisão proferida, não poderiam ser transferidos no que conceine à sua exploração, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça — STJ, em entendimento que se coaduna com o do Recorrente; - da leitura daquela decisão judicial, conclui-se que o direito à imagem, personalíssimo, tem uma característica que o difere dos demais direitos personalíssimos, qual seja, a possibilidade de sua exploração econômica, que lhe confere caráter patrimonial e, assim, de maneira contrária à afirmação da decisão recorrida; - em seguida, transcreve trecho do referido acórdão (RESP 74.473 — STJ — Quarta numa. Publicação no Diário Oficial em 21/06/1999); - cita trecho de ensinamento doutrinário sobre o direito de imagem dos atletas, e conclui não restar qualquer dúvida quanto ao seu direito, enquanto atleta profissional, de transferir à Empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, os direitos sobre seu nome, marca, imagem e voz; e) Dos contratos celebrados pela Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda.: - como titular dos aludidos direitos ao nome, imagem, voz e marca do tenista Gustavo Kuerten, a empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda celebrou contratos com outras empresas, na realização de seu objeto social, contratos que foram objeto da fiscalização que ensejou a autuação de que se trata (fis. 2056 e seguintes); 11) - percebe-se dos referidos contratos que o Recorrente normalmente figura como interveniente afluente, todavia, é de se assinalar que tal interveniência não o transforma em parte no contrato; - é importante ressaltar que todos os direitos e obrigações objetos dos contratos em questão recaem exclusivamente sobre a mencionada empresa e os respectivos contratantes, servindo a anuência do tenista apenas para fro inalizar que este, como titular originário dos direitos, objeto do contrato, estava de acordo com o mesmo; - em nenhuma hipótese, em caso de inadimplemento contratual de qualquer das partes, teria o Recorrente direitos ou obrigações decorrentes dos contratos em questão; - assim, não há quaisquer fundamentos para se sustentar que o Recorrente teria auferido, pessoalmente, tais rendimentos, carecendo de fundamentos jurídicos a autuação fiscal ora recorrida; - e ainda, não pode a fiscalização desconsiderar os contratos celebrados para fins fiscais, como se pretende por intermédio da lavratura do auto de infração em tela; f) Da impossibilidade de desconsideração de atos privados para fins fiscais: - a decisão foi no sentido de que não teria ocorrido a desconsideração de atos privados para fins fiscais, uma vez que a tributação de rendimentos dependeria apenas da vinculação direta do contribuinte com o fato gerador; - não concorda com a referida afirmação, uma vez que as autoridades pretenderam descaracterizar as atividades exercidas pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda para tributação de seus rendimentos pelo recorrido, sendo certo que não há qualquer regra jurídica que autorize sua desconsideração para fins estritamente fiscais; - com efeito, a única regra que se refere à possibilidade de desconsideração de atos privados legítimos para fins tributários encontra-se prevista no parágrafo único do art. 116 do CTN; - a respeito de todas as controvérsias jurídicas relacionadas à validade da referida norma, importa destacar que, como previsto em sua parte final, a sua aplicabilidade encontra-se vinculada à edição de lei ordinária, a qual estabelecerá os procedimentos a serem observados pelas autoridades fiscais para a realização da aludida desconsideração; - acerca do assunto, transcreve ensinamentos da doutrina; - tal entendimento também foi manifesto na decisão recorrida; - a necessária lei ordinária, não promulgada até a presente data, deve-se, presumivelmente, ao fato de ter o Poder Legislativo vislumbrado as imensas injustiças que poderiam advir de se conceder tamanho poder aos agentes fiscais, no sentido de que eles próprios de forma subjetiva, poderiam decidir quanto à desconsideração de determinadas operações; - na presente hipótese, o auditor autuante, extrapolando suas funções de verificar a observância da legislação, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, resolveu conceder, a si mesmo, a atribuição de legislar, procurando suprir, de modo próprio, função que a Lei Complementar 104/2001 atribuíra a futura lei ordinária; ls Processo n° 11516.000152/2004-51 CC0I/C06 Acórdáo n.° 106-17.147 Fls. 2.693 - assim, diante da ausência da referida lei é de se reconhecer a inexistência, no ordenamento jurídico vigente, de qualquer previsão que autorize a desconsideração de atos privados para fins fiscais, conforme pretendido pela fiscalização; acerca da matéria, transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes; - conclui pela inexistência de lastro jurídico que autorize a desconsideração da personalidade jurídica da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, assim como dos contratos celebrados, para fins de se tributar na pessoa do Recorrente rendimentos auferidos pela aludida empresa, como pretendido pela fiscalização; g) Do art. 123 do Código Tributário Nacional — CTN: - a decisão recorrida manteve o entendimento da aplicação, ao caso em tela, da regra contida no art. 123 do CTN; • - entretanto, pela sua leitura, verifica-se uma inaplicabilidade à presente autuação, uma vez que o que o mesmo determina que os contribuintes não podem, por via de um contrato, transferir a posição de sujeito passivo de obrigação tributária, de modo que, determinações entre particulares não poderiam ser opostas ao Fisco, para estes fins; - a constituição da empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda de modo algum perfez a transferência do Recorrente para a referida pessoa jurídica da posição do sujeito passivo de obrigação tributária; - como já anteriormente visto, a razão da constituição da referida pessoa jurídica foi a organização da atividade de exploração da imagem, nome, marca e voz do Recorrente, a qual, por razões óbvias não poderia ser pelo mesmo desenvolvida diante de seus compromissos profissionais como tenista; - desta forma, há que se reconhecer que não houve a transferência de sujeição passiva tributária na presente situação, mas sim o exercício de um direito outorgado pela legislação, que são coisas completamente distintas; h) Da capacidade tributária passiva prevista pelo art. 126 do CTN: - da análise do referido artigo, depreende-se que, para possuir capacidade tributária passiva, basta que a pessoa jurídica configure uma unidade econômica ou profissional; - sobre o assunto destaca ensinamentos de Hugo de Brito Machado e de Luiz Alberto Gurgel de Faria; i) Do direito à compensação dos valores recolhidos pela Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda.: - pretendendo tributar como rendimentos auferidos pelo Recorrente, receitas auferidas pela empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, seriam ignorados todos os recolhimentos de tributos federais (Imposto de Renda; Contribuição Social sobre o Lucro; Contribuição para o PIS e COFINS) realizados pela empresa sobre tais receitas; (kj 17 - ou seja, já tendo recebido todos esses tributos sobre os rendimentos em questão, pretenderia o Fisco tributá-los novamente, em sua integralidade, na pessoa física, sem compensar os valores já recolhidos aos cofres públicos; - ora, se os contratos assinados pela empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda e os conseqüentes rendimentos deveriam, no entender da fiscalização, ser imputados ao Recorrente, é inevitável que se reconheça que todos os pagamentos realizados pela empresa haviam sido feitos às suas expensas; - neste contexto, é imperioso que se proceda à compensação dos valores que foram recolhidos pela pessoa jurídica com aqueles que ora são exigidos da pessoa física, sob pena de se proceder a bis in idem, ou seja, cobrança dupla de tributos sobre um mesmo rendimento; - não há como sustentar a postura adotada pela fiscalização, por intermédio da qual se imputam à pessoa fisica todas as receitas decorrentes de urna determinada atividade enquanto mantem-se na pessoa jurídica todos os recolhimentos de tributos federais decorrentes das mesmas receitas; j) Compensação indevida de imposto pago no exterior: - países como a Austrália, México e Chile autorizam a compensação do imposto pago em outros países sobre rendimentos auferidos que lá também estejam sujeitos à tributação; - como meios de prova de suas alegações, capazes de atestar a reciprocidade de tratamento, anexou cópias das legislações dos mencionados países, devidamente consularizadas e traduzidas por tradutor juramentado; - destaca que o principio da legalidade, previsto no art. 5', inciso II, da Constituç'ão Federal de 1988 preconiza que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo sem lei que o determine; - não obstante, em manifesta afronta ao mencionado principio tem-se o ato da Secretaria da Receita Federal, exteriorizado através da Instrução Normativa n ü 208 de 27 de setembro de 2002, no qual foi baseada a decisão recorrida, que desconsiderou os documentos apresentados; - verifica-se, assim, que o ato normativo exige que a cópia da Lei prevendo a reciprocidade de tratamento seja traduzida por tradutor juramentado e autenticada pela representação diplomática do Brasil no país, de modo que cria nova exigência de procedimento não previsto em lei, o que não se pode admitir; - a Secretaria da Receita Federal ultrapassou sua competência, pois, no máximo, pode regulamentar as leis, todavia, jamais pode editar atos normativos que invalidem o espaço da lei e do Poder Legislativo; - desta forma, não há motivos para se ignorar as legislações da Austrália México e Chile juntadas pelo Recorrente à sua impupação, pelo fato de não terem sido autenticadas pela autoridade brasileira nestes países; - salienta que todas as normas ignoradas foram retiradas de sites oficiais do Governo de cada País, e traduzidas por tradutor juramentado, conforme reconhecido pelos próprios julgadores a quo; n ia• Processo n° 11516.000152/2004-51 CC0IÍC06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.694 - desta forma, não resta dúvidas que além da violação ao principio da legalidade, houve violação ao principio da verdade material, uma vez que, conforme entendimento manifestado pela própria Secretaria da Receita Federal, na Solução de Consulta Interna COSIT n° 33, de 21110/2004, o destinatário da prova é o julgador e os fatos coletados na ação fiscal podem estar evidenciados por outros elementos de prova além dos documentos estrangeiros; - sobre o assunto, transcreve ensinamentos doutrinários; - por todo o exposto, alega que é forçoso concluir que a decisão recorrida se deu em evidente desconsideração ao principio da verdade material; 1) Do torneio ATP Termis Mester Cup: - como se depreende da análise das infonnações constantes da decisão recorrida, no item que se refere aos "limites do litígio", foi afirmado que o Recorrente teria deixado de impugnar, entre outros, valores decorrentes do torneio "ATP Tennis Master Cup", no montante de R$ 104.124,71; - quanto a este aspecto, cumpre esclarecer que o torneio em referência foi realizado na Austrália, de modo que os argumentos utilizados para sua defesa foram aqueles expostos no item acima, pela reciprocidade de tratamento, "nâo devendo restar dúvida de que tal matéria foi, efetivamente, impugnada"; m) Dos comprovantes de rendimentos: - Da glosa de fevereiro de 2001: insiste que o documento apresentado na peça impugnatória (fl. 2.193) é prova da retenção de imposto de renda efetuada pela Diadora, no valor de 15.578.000 liras italianas, equivalente a R$ 13.626,90 (US$ 7.000,00); e que as autoridades julgadoras a quo optaram por não acatar a comprovação de retenção, tendo em vista as divergências de valores; - Da glosa de fevereiro de 2002: já havia apresentado na impugnação, o comprovante da retenção de imposto de renda efetuada pela Diadora em fevereiro de 2002, no valor total de 13.220,38 euros, equivalentes a R$ 27.547,76 (US$ 11.625,00), fl. 2.188, devidamente acompanhado de tradução juramentada; - ressalta que o valor total do imposto retido, expresso em euros, corresponde à soma dos seguintes valores apresentados no referido comprovante: C 8.528,54 + € 8.528,54 + (€3.836,70) := C 13.220,38; - vale notar que o valor de C 3.836,70 corresponde a um número negativo, motivo pelo qual está representado acima entre parênteses; - as autoridades fazendárias consideraram, entretanto, esse valor como sendo positivo, tendo, dessa forma, apurado um montante total de imposto retido no exterior pela Diadora equivalente a 20.893,78 euros (resultante na soma de € 8.528,54 + 8.528,54 + C 3.836,70); (1/4 19 - assim, o valor total do imposto retido pela Diadora, de acordo com o comprovante apresentado corresponde a 13.220,38 cures e não a 20.893,78 euros como consta da decisão; - assim, entende que, também nesse caso, o documento apresentado é prova da retenção de imposto de renda efetuada pela Diadora, no valor de 13220,38 euros; - Do pagamento e retenção do imposto de renda efetuado pela Diadora, em maio de 1999: a retenção de imposto de renda no valor de R$ 50.040,00 (US$ 30.000,00) teria sido efetuada pela fiadora em maio de 1999, em relação a um pagamento efetuado por essa empresa naquele mesmo mês, no valor de RS 166.800,00 (US$ 100.000,00), valores estes que foram inclusive levados em consideração pelo Recorrente em seus cálculos de carne-leão relativos àquele ano-calendário; - no entanto, de acordo com a documentação emitida pela própria Diadora, verificasse que esta não efetuou qualquer pagamento ao Recorrente no mês de maio de 1999, além disso, não foi encontrado qualquer documento que possa estar relacionado a estes valores; - do exposto, conclui que tanto o rendimento como o respectivo imposto de renda relido foram incluidos por um equivoco no camê-leão do Recorrente, não tendo jamais existido de fato, devendo ser ambos desconsiderados para fins dos cálculos do lançamento da presente decisão; n) multas isoladas: - neste aspecto, considerou-se que os rendimentos para os quais teria ocorrido insuficiência de recolhimento de carne-leão, já haviam sido tributados nos itens anteriores do auto de infração, e, o que é mais grave, já haviam sido penalizados com a multa de 75%, prevista no inciso I do mesmo art. 957, do RIR199, caso sofressem uma segunda tributação de multa dos mesmos 75%, calculada sobre o imposto alegadamente não recolhido; - reitera seu entendimento de que já está sendo tributado, no próprio auto recorrido, pelas mesmas infrações alegadas; - as autoridades julgadoras de Primeira Instância optaram inclusive por afastar a jurisprudência apresentada, com base nas absurdas alegações de que as mesmas não guardariam relação com o caso concreto, uma vez que não tratavam de questões relacionadas ao próprio camê-leão e que as decisões cujas ementas foram reproduzidas não poderiam vincular o Recorrente; - a seguir, transcreve inúmeras ementas de Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes. - do exposto, restaria evidente que a multa isolada não deve ser aplicada em conjunto com a multa de oficio, de modo que sua cobrança deve ser cancelada. Estas, foram, em resumo, as questões suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Tendo em vista que o Recurso não fora acompanhado de relação de bens para arrolamento, o contribuinte foi intimado (fls. 276) a recolher o crédito tributário em discussão, sob pena de sua inscrição como Divida Ativa da União. O processo foi então inscrito como Divida Ativa da União (fls. 2602/2615). \i 20 Processo n° 11516.000152.2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.695 O Recorrente, em seguida, obteve decisão judicial que 'determinou o seguimento do recurso. A matéria não impugnada foi transferida para o processo n° 11516.00299512006-53, fl. 2646. Os autos então vieram a este Conselho para julgamento. É o Relatório. (-HA° • 21 • • • Voto Vencido Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira pagetti, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos da lei, por isso dele conheço. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão DRI/ENS n° 07.074, de 02 de dezembro de 2005, através do qual foi considerado parcialmente procedente o lançamento efetuado em face do Recorrente, o qual visava exigir IRPF em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (item 001), omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior (item 002), compensação indevida do imposto pago no exterior (item 003) e exigência de multa isolada em razão da falta de recolhimento do eamê-leão sobre os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior (item 004). A decisão recorrida acolheu apenas em parte a argumentação do Recorrente, de forma a reduzir parcialmente os valores exigidos nos itens 002 e 003 do lançamento. Os demais foram integralmente mantidos. A fim de facilitar a compreensão deste voto, passo à análise de cada um dos itens constantes do Auto de Infração. 01 - DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS (ITEM 001 — AUTO DE rNnzAçÃo). - Com relação a esta parcela de seu inconformismo, o Recorrente não contestou os critérios quantitativos da matéria tributável, mas apenas questões relativas ao critério pessoal. Em outras palavras, ele não questiona o montante da omissão que lhe foi atribuída, mas somente a sua legitimidade passiva para se submeter a tal exigência fiscal, tendo em vista que '— segundo sua defesa — os rendimentos alegadamente omitidos foram todos auferidos não por ele, mas sim pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. — da qual é sócio em conjunto com seu irmão Rafael. Tais omissões estão relacionadas às fls. 1877/1879. A decisão recorrida, a respeito da matéria, negou o pleito do Recorrente pelos seguintes motivos, in verbis: Á autoridade lançadora, ao fundamentar o lançamento, afirma, às folhas 1.885 e 1.886, que os contratos celebrados pela pessoa jurídica, Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda., com a anuência do contribuinte, têm por objeto o patrocínio do atleta profissional Gustavo Kuerten, envolvem a sua participação pessoal e/ou a utilização de seu nome, imagem, marca e som de voz em atividades de propaganda produtos/serviços fabricados/prestados pelas empresas contratantes 22 Processo n° 115 /6.000152/2004-51 CC01/C06 Acórdão n." 106-17.147 Fls. 2.696 A autoridade lançadora esclarece, ainda, às folhas 1.894 e 1.896, que tributou rendimentos na pessoa física relativos à emissão de Notas Fiscais de Prestação de Serviços da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. correspondentes aos direitos de uso de imaenidc Gustavo Kuerten na Copa Davis e no Torneio "Brasil Open de Tênis", não vinculados a nenhum dos contratos apresentados pela empresa (v. folhas 1.360 a 1.368). Resta claro, portanto, que o principal objeto dos contratos é a exploração do direito de imagem do contribuinte, aí genericamente incluídos direitos conexos como nome, apelido, caricatura, fotografia, som de voz, currículo desportivo, assinatura. A simples leitura das cláusulas dos contratos delata que seu objeto não se resume somente à licença do uso do direito de imagem, mas também o patrocínio do contribuinte (do tenista Gustavo Kuerten) incluindo o pagamento de bônus ou prêmios, de acordo com o desempenho profissional do atleta; a participação do atleta (contribuinte) em eventos e campanhas promocionais; o uso de vestuário (unijOrmes, agasalhos) bonés, camisas, camisetas), objetos pessoais, veiculo e artigos e materiais esportivos pelo contribuinte; bem como o testemunho do contribuinte acerca dos produtos produzidos por seus patrocinadores. Fica evidente, portanto, que o objeto dos contratos, as principais obrigações e direitos neles consignados, bem como as causas de rescisão dos contratos possuem relação pessoal e direta com o contribuinte, o tenista Gustavo Kuerten, caracterizando a natureza pessoal dos rendimentos. Desta forma, a materialidade do fato analisado nos tópicos precedentes se identifica perfeitamente com as situações definidas na legislação tributária (hipótese de incidência), em que o contribuinte do imposto será necessariamente a pessoa fisica. (.) Não há discordância quanto à legalidade da constituição da empresa. Entende-se que não há impedimento de a Guga Kuerten Participações e Empreendimentos administrar e gerenciar as licenças de exploração do direito de imagem do contribuinte, auferindo lucros para exercer tais atividades (administração e gerência), que podem ser desenvolvidas por qualquer um dos sócios, Rafael ou Gustavo Kuerten. 23 O que se verifica nos autos, entretanto, é que a realidade não se coaduna com o que alega o contribuinte acerca do propósito da empresa. O impugnante afirma, a folha 1.944, que a atividade desenvolvida pela empresa é completamente distinta daquela em que atua a pessoa fisica, o tenista Gustavo Kuerten; entretanto, como largamente se viu nos tópicos anteriores, no caso dos contratos relacionados, o direito a ser explorado, bem como a execução principal das atividades fica a cargo do contribuinte e não da pessoa física. Como se vê, o ponto central da discussão é a celebração, pela pessoa jurídica da qual o Recorrente é sócio, de diversos contratos cujos objetos teriam ligação "pessoal e direta" com ele, seja através da cessão do seu direito de imagem, ou mesmo através de obrigações a serem por ele cumpridas — todas relacionadas à sua imagem de atleta profissional. No entender da fiscalização, por se tratar de contratos "personalíssimos", não poderiam ter sido celebrados com uma pessoa jurídica, mas somente com a pessoa fisica do próprio Recorrente. Como conseqüência deste entendimento do Fisco, todos os rendimentos recebidos em função destes mesmos contratos estariam sujeitos ao pagamento do IR pela pessoa física, e não pela pessoa jurídica mencionada. O Recorrente, por seu turno, alega que a suposta omissão de rendimentos apontada pelas autoridades fazendárias tem como premissa a "equivocada c ilegal desconsideração da personalidade jurídica da referida empresa" (ainda que não admitida pela decisão recorrida) - pessoa jurídica esta que figura como contratada em todos os contratos analisados pelas autoridades fiscais, tendo auferido e oferecido à tributação os rendimentos que indevidamente lhe foram imputados. Alega ainda que os rendimentos decorrentes das atividades profissionais pessoais, no caso em concreto, correspondem às garantias e prêmios relacionados aos torneios dos quais participa, bem como às bonificações oriundas de sua posição no ranking da ATP, sempre oferecidos à tributação na pessoa física. E o Recorrente conclui que, nos termos do seu contrato social (fls. 2044 e seguintes), a empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda possui dois sócios distintos, Gustavo Kuerten e Rafael Kuerten, e foi constituída com a participação de cada um em 50% do capital social, percentuais estes respeitados na distribuição dos lucros auferidos pela empresa - a evidenciar que tal empreendimento constitui efetivamente uma sociedade. Assevera, ainda, que a empresa decorre da conjugação de esforços de seus sócios, e adquire personalidade jurídica distinta dos mesmos - contraindo direitos e obrigações em seu próprio nome. Partindo à análise das alegações do Recorrente, impende salientar, de plano, que não houve, in casu, a alegada desconsideração da personalidade jurídica da empresa detentora dos direitos da marca, nome, imagem e voz do tenista profissional. Neste ponto, não lhe assiste razão, pois o que ocorreu nos presentes autos não foi verdadeira desconsideração da personalidade jurídica; o que houve foi a transferência (ou deslocamento, como alguns preferem) dos rendimentos por ela recebidos para a pessoa fisica do Recorrente. Isto é, houve uma alteração no apontamento do verdadeiro beneficiário do rendimento. Isto pode ser facilmente confirmado através da leitura do seguinte trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal, do qual consta a justificativa da autoridade fiscal para s 24 \ Processo u° 11516.000152/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n4 106-17.147 Fls. 2.697 efetuar o lançamento em exame na pessoa fisica do Recorrente — deslocando os rendimentos auferidos pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda para ele, pessoa fisica, verbis: Portanto, os contratos celebrados não podem modificar a definição legal do sujeito passivo, que no caso é a pessoa fisica de Gustavo Kuerten, tendo em vista tratar-se de prestação individual de serviços ou pagamento de direitos autorais pela utilização de seu nome, marca, imagem e som de voz. (.) todos os contratos celebrados com empresas brasileiras referentes a patrocínio, prestação de serviços e/ou cessão de direitos de imagem, nome, marca e som de voz de Gustavo Kuerten tiveram como contratada a pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda e não a pessoa • física Gustavo Kuerten. Este procedimento teve o claro objetivo de enquadrar os rendimentos em uma tributação menos onerosa. (sem destaques no original) Por isso, não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica, mas o cume da questão a ser analisada neste tópico é saber quem deve ser o contribuinte do imposto incidente sobre os referidos rendimentos: se a pessoa fisica Gustavo Kuerten (ora Recorrente) - como entendeu a autoridade lançadora - ou se deve ser a pessoa jurídica "Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Lida", como defende o Recorrente. Com efeito, o alegado caráter "personalíssimo" das referidas contratações — fundamento para o lançamento, bem como para sua manutenção - não implica em que as receitas decorrentes de contratos pactuados entre a empresa (Guga Kuerten Particpações e Empreendimentos Ltda.) e outras pessoas jurídicas sejam tributadas como se rendimentos de pessoa física fossem. Alberto Xavier, ao tratar da tributação de serviços tidos como "personalíssimos" através de pessoas jurídicas, assim se manifestou: O Objeto de sociedades profissionais não é tanto o exercício de atividade propriamente dito, que, via de regra, só pode ser realizado pela pessoa física do sócio, mas, sim, a atribuição originária a uma entidade jurídica dos direitos e obrigações patrimoniais resultantes do exercício da atividade, notadamente do direito à remuneração. O que no mundo jurídico ocorre é que, com a constituição da sociedade simples, dotada de personalidade jurídica, as pessoas físicas dos profissionais atribuíram à nova entidade os direitos patrimoniais decorrentes da prestação de serviços ou decorrentes da cessão do direito ao uso de imagem, nome, marca ou som de voz. Ora, se tais direitos patrimoniais foram legitimamente atribuídos à pessoa jurídica, pelo mecanismo facultado por lei que é a 7-` 25 sociedade simples, não pode o fisco pretender um deslocamento dos rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física, sem que invoque um fundamento especifico de nulidade do ato ou contrato que deu origem à constituição da pessoa jurídica ou do ato ou contrato que esta celebrar com a entidade pagadora das remunerações. (Alberto Xavier, em artigo intitulado "Tributação das pessoas jurídicas tendo por objeto direitos patrimoniais relacionados com a atividade profissional de atletas, artistas, jornalistas, apresentadores de rádio e TV, bem como a cessão de direito ao uso de imagem, nome, marca e som de voz. Parecer", publicado na obra "Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas — Aspectos legais, económicos e tributários", IVIP Editora, 2008 -pág. 220 e 221 — sem destaques no originai). Releva notar que, no caso ora em exame, o Recorrente ofereceu à• tributação pela pessoa física todos os rendimentos auferidos por ele em torneios e a titulo de premiação (cf. Declarações de ajuste anual de fls. 11 e seguintes, bem como planilhas de fls. 1352 a 1358). Assim, o que foi tributado através da pessoa jurídica referida foram somente os rendimentos decorrentes de contratos celebrados com outras pessoa jurídicas, notadamente relacionados à exploração da imagem do Recorrente, que — como é sabido — é um atleta profissional mundialmente conhecido. Foi por isso que se explorou bastante, através da decisão recorrida e também no Termo de Verificação Fiscal, a questão da cessão do direito de imagem, a qual, por si só, "justificaria" a tributação das receitas originalmente auferidas pela pessoa jurídica na pessoa fisica do Recorrente. No entanto, a exploração patrimonial de direitos personalíssimos — como é o da imagem - pode ser sim cedida a terceiros, especialmente a pessoas jurídicas, desde que para tanto haja a anuência do detentor destes direitos. O direito à imagem, na Constituição Federal, está previsto no art. 5 0, da seguinte foima: Art. 5' Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; 26 Processo n°11516,000152/2004-SI CC0I1C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls, 2.698 XXVIII- são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; (sem grifes no original) Por outro lado, no Código Civil, o direito à imagem - que é um dos direitos da personalidade - teve o seguinte tratamento: Art. II. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Já a cessão de direitos autorais e conexos (como é o direito à imagem) está prevista no art. 49 da Lei n° 9.610/1998, que assim determina: Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a titulo universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: (..) Decorre destas normas que o direito à imagem é personalíssimo e inviolável, além de intransmissível e irrenunciável. Isto é inconteste. No entanto, a melhor Doutrina esclarece que o direito à imagem tem duas vertentes: uma moral e outra patrimonial. Por isso que a 4' Turma do Eg. STJ, por ocasião do julgamento do RESP 74.473, proferiu julgado do qual se extrai a seguinte ementa, verbis: DIREITO AUTORAL. DIREITO À IMAGEM PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA E VIDEOGRÁFICA. FUTEBOL. GARRINCHA E PELE PARTICIPAÇÃO DO ATLETA. UTILIZAÇÃO ECONÓMICA DA CRIAÇÃO ARTISTICA, SEM AUTORIZAÇÃO. DIREITOS EXTRAPATRIMONIAL E PATRIMONIAL. LOCUPLETAMENTO. FATOS ANTERIORES ÀS NORMAS CONSTITUCIONAIS VIGENTES. PREJUDICIALIDADE. RE NÃO CONHECIDO. DOUTRINA. DIREITO DOS SUCESSORES À INDENIZAÇÃO. RECURSO PROVIDO. UNI ANIME 1 - O direito à imagem reveste-se de duplo conteúdo: moral, porque direito de personalidade; patrimonial, porque assentado no principio segundo o qual a ninguém é licito locupletar-se à custa alheia. II - O direito à imagem constitui um direito de personalidade, extrapatrimonial e de caráter personalíssimo, protegendo o \ 27 interesse que tem a pessoa de opor-se à divulgação dessa imagem, em circunstâncias concernentes à sua vida privada. III- Na vertente patrimonial o direito à imagem protege o interesse material na exploração econômica, regendo-se pelos princípios aplicáveis aos demais direitos patrimoniais. IV - A utilização da imagem de atleta mundialmente conhecido, com fins econômicos, sem a devida autorização do titular, constitui locupletamento indevido ensejando a indenização, sendo legitima a pretensão dos seus sucessores. (REsp 74473/RJ, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 23/02/1999, DJ 21/06/1999 p. 157— sem destaques no original) Em outra oportunidade, aquela Eg. Corte assim se manifestou: DIREITOS AUTORAIS. LIQUIDAÇÃO, ARI'. 610 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DIREITOS MORAIS E DIREITOS PATRIMONIAIS. PEDIDO DE INDENIZAÇÃO AJUIZADO PELA EDITORA E CESSIONÁRL4 POR UTILIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA DA OBRA, DIREITOS MORAIS PERSONALÍSSIMOS. CONFIGURAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITO PATRIMONIAL. PRECEDENTE DA CORTE. 1. A violação de direitos autorais pode alcançar os direitos patrimoniais e os direitos morais estes personalíssimos. Pedido de indenização ajuizado pela editora e cessionária por utilização não autorizada da obra, configura violação a direito patrimonial, sendo assim decidido. O Acórdão exeqiiendo manteve integra a sentença, salvo ligeiro reparo quanto ao critério de indenização, que impós feito por arbitramento considerando o número de vezes em que se deu a veiculação indevida, com o que não ultrapassou o plano do direito patrimonial, tal e qual dispôs a sentença de liquidação, que merece, por isso, restabelecida. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 4I0.734/SP, Rel Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/12/2002, DJ 10/03/2003 p. 190) Fica claro, assim, que o que a pessoa jurídica em questão (Guga Kuerten Participações) faz é se utilizar da "vertente patrimonial" do direito à imagem, que pode sim ser cedida. Trata-se de contrato de autorização de uso de imagem, visto que o Recorrente concede o exercício do direito de exploração de sua imagem a terceiros (no caso, a empresa Guga Kuerten Participações), sem abandoná-lo ou dele abdicar. O que se dá é tão somente a permissão para a exploração de sua imagem, sem turbar a titularidade deste direito (à imagem). Que fique claro aqui, que o Recorrente não cede à pessoa jurídica o seu próprio direito de imagem, mas cede tão-somente os direitos patrimoniais decorrentes do uso de sua imagem. E isto é plenamente possível e legal. Esta licença do direito de imagem é, inclusive, o que justifica a presença do Recorrente como interveniente nos contratos celebrados pela pessoa jurídica, já que é o seu próprio direito de imagem que está envolvido neles. 0q, 28 Processo n° 11516.000152/2004-51 CCOLC06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.699 O contrato de fls. 268 comprova que o contribuinte Gustavo Kuerten — detentor dos direitos sobre sua própria imagem - cedeu a exploração patrimonial destes direitos à pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda.. Assim dispõe o referido contrato: Objeto: O presente contrato particular de autorização, tem por objeto conferir à Autorizada os mais amplos poderes e direitos no que diz respeito a administração e gerenciamento em relação ao uso da imagem, nome, marca e voz do atleta profissional de tênis Autorizador podendo, em qualquer lugar e momento, firmar contratos, permissães de uso, confecção de objetos, comerciais, propagandas, a serem veiculadas na midia em geral e tudo o mais que estiver no interesse da Autorizada tendo como figura central a pessoa do Autorizador sempre respeitados os contratos já existentes para que não haja choque de interesses, bem como a agenda profissional. Dai porque as receitas em questão (repita-se, decorrentes da exploração patrimonial do direito de imagem do Recorrente, devidamente cedido à Guga Kuerten Participações) pertencem à pessoa jurídica, e não à física. Há que se reiterar, aqui, que todos os contratos mencionados pela fiscalização se referem à exploração da imagem do Recorrente, por se tratar de atleta profissional mundialmente conhecido. Diante do exposto, e sendo passível de cessão a exploração destes direitos, nenhuma irregularidade ou ilegalidade existe nas contratações pactuadas pela pessoa jurídica. Por isso mesmo, as receitas decorrentes de tais contratos foram corretamente oferecidas à tributação pela referida pessoa jurídica, não havendo que se falar no deslocamento destas para a pessoa física de seu sócio, o ora Recorrente. Assim, não pode prosperar a exigência fiscal em exame, no que diz respeito ao item 001 do lançamento, eis que não houve omissão de rendimentos por parte do Recorrente. Por este motivo, deixo de analisar o pedido de compensação do imposto pago na pessoa jurídica com o imposto devido pela pessoa fisica, por flagrante perda de objeto — em relação aos rendimentos decorrentes dos contratos celebrados com esta pessoa jurídica. 02 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR (ITEM 002— AUTO DE INFRAÇÃO). Com relação à omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior (item 002 do AI), nos anos-calendário de 1999 e 2000, cabe destacar o contido no primeiro item do acórdão recorrido, in verbis: (.) o contribuinte impugnou parcialmente o lançamento: concordou com a tributação dos rendimentos auferidos no torneio de Dubai, em fevereiro de 1999, bem como aqueles pagos pela UBI Soft Entertainment SÁ., nos meses de fevereiro, julho e agosto de 1999 e maio e setembro 2000. 29 O contribuinte discorda da tributação dos rendimentos auferidos da empresa Digitara SPA, nos meses de setembro e novembro do ano-calendário 1999, e da Ilead Sport AG, nos meses de abril, maio, junho, outubro e novembro do mesmo ano-calendário, conforme relacionado na tabela 13, abaixo. Alega que, embora os rendimentos não tenham sido declarados, o imposto de renda incidente foi devidamente recolhido. Em sua defesa junta aos autos os documentos de folhas 2.171 a 2.179 (Anexo 09) Da parte impugnada, os Membros da 3" Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Florianópolis — SC concluíram que, in verbis: Desta forma, deve-se excluir da matéria tributária do lançamento (item 002 do AI), o montante de R$ 137.336,43 (US$ 69,410.91 x 1,9786), tributado em novembro de 1999. Mantém- se, entretanto, os demais valores tributados em virtude da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Em sede de Recurso, não houve qualquer contestação quanto ao saldo remanescente desta matéria tributável, que por isso mesmo, deve prevalecer. 03 — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR (ITEM 003 do AUTO DE INFRAÇÃO). De inicio, cabe ressaltar que a Relatora do voto vencedor, no item 1 do r. Acórdão, no titulo "Dos limites do litígio", destacou que: No que concerne à compensação indevida do imposto pago no exterior (item 003 do AI), o valor tributável não impugnado, referente aos anos-calendário 2000, 2001 e 2002, totaliza R$ 276.814,70, assim especificado: Fato Gerador Descrição Valor Tributável Multa (%) 30/06/2000 Diadora R$ 11.024,40 75% 31110/2001 Torneio Swiss Open RS 2.643,84 75% 31/11/2001 ATP Tennis MasterCup RS 104.124,71 75% 28/0=002 Antecipação IR na França R$ 159.021,75 75 % TOTAL RS 276.814,70 75% Tabela 7 Fica, então, desde já, limitado o alcance da matéria a ser aqui analisada, considerando a parcela acima mencionada (não impugnada). No que diz respeito à parcela impugnada, a decisão recorrida deixou de acolher o pedido do Recorrente sob os seguintes argumentos (fl. 2401), in verbis: A autoridade lançadora efetuou a glosa do imposto de renda pago no exterior em virtude: ou da falta de apresentação de comprovantes desses pagamentos ou por não existirem acordas, tratados e convenções internacionais para eliminar a dupla tributação entre o Brasil e o pais onde ocorreu a retenção/pagamento de imposto. 30 • Processo ri 11516.000152/2004-51 CC01/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.700 O contribuinte, por sua vez, vem aos autos discordar de parte do lançamento apresentando, às folhas 2.185 a 2.232, os comprovantes relativos a pagamentos de imposto de renda no exterior, devidamente acompanhados de tradução juramentada e, às folhas 2.234 a 2.349, cópias das legislações da Austrália, México e Chile, autenticadas pelas representações diplomáticas no Brasil e traduzidas por tradutor juramentado, que permitiriam a compensação do imposto pago em outros países sobre rendimentos auferidos nestes Ultimas que estejam também sujeitos à tributação pelo imposto de renda. Foram, então, reproduzidos os dispositivos legais que regem a matéria, e tomada a seguinte conclusão: "O tratamento fiscal será, portanto, aquele pactuado entre o Brasil e o país contratante, com o fim de evitar a dupla tributação internacional da renda, ou o definido na legislação que permita a reciprocidade de tratamento fiscal sobre os ganhos e os impostos em ambos os países.". Foi mencionado, ainda, na decisão recorrida, o Ato Declaratorio COSIT n° 31, de 10 de setembro de 1998, que informa os países que assinaram acordos internacionais com o Brasil com o intuito de evitar a dupla tributação da renda. E, dentre os países relacionados, encontram-se a Alemanha, França e Itália (para os quais o contribuinte apresentou os comprovantes de rendimentos relativos ao imposto de renda retido na fonte). A conclusão a que chegaram os membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis-SC, após a análise das provas apresentadas pelo contribuinte às fls. 2.185-2.232, foi a seguinte: 4.2.1. Do imposto de renda pago na Itália — Diadora SPA: Da glosa de fevereiro de 2001: Ocorre que não há correlação entre as informações constantes do documento emitido pela Diadora SPA e os valores e datas declarados pelo contribuinte no ajuste anual. Repita-se: a empresa informa que pagou rendimentos (US$ 24,108.33) e reteve imposto na fonte (US$ 7,232.39) no dia 16 de março de 2001; por outro lado o contribuinte alega que tal comprovante refere-se a rendimentos (US$ 300,000.00) e imposto de renda retido na fonte (US$ 7,000.00) relativos ao mês de fevereiro daquele ano-calendário. Diante do quadro que se apresenta não há corno se concluir, portanto, pela comprovação da retenção. Desta forma, deve-se manter o lançamento da glosa de imposto pago no exterior deduzido indevidamente do imposto devido na declaração, correspondente ao fato gerador de 28 de fevereiro de 2001, no valor de RS 13.626,90. Da glosa de outubro de 2001: ("" "-)É) 31 Por conseguinte, deve-se alterar o lançamento da glosa de imposto pago no exterior deduzido indevidamente do imposto devido na declaração correspondente ao fato gerador de 31 de outubro de 2001, no valor de RS 20.233,50 para R$ 1.485,75 (RS 20.233,50 - R$ 18.747,75). Da glosa de fevereiro de 2002: (-) Da mesma forma que no item (a) acima, verifica-se que não há equivalência nem de valores nem de datas entre as informações declaradas pelo contribuinte e aquelas constantes dos documentos juntados aos autos. Desse modo, deve-se manter a glosa efetuada pela autoridade lançadora do imposto de renda pago no exterior, para o fato gerador de 28 cie jbvereiro de 2002, no valor de R$ 27.547,76. 4.22. Do imposto de renda pago na França — Garantia do Torneio em Lyon: Assim como no item 4.2.1 (b), é de se acatar a comprovação da retenção do imposto de renda pago no exterior em razão da equivalência entre os valores, não obstante o contribuinte declarar o recebimento e a correspondente retenção do imposto de renda na fonte, no mês seguinte ao informado pela fonte pagadora. Por conseguinte, deve-se alterar o lançamento da glosa de imposto pago no exterior deduzido indevidamente do imposto devido na declaração, correspondente ao fato gerador de 31 de março de 2001, no valor de R$ 36 637,40 para R$ 355,28 (RS 36637,40- R$ 36.282,12). 4.2.3. Do imposto de renda pago na Alemanha (Garantia de Stuttgart): Desta fbnna, fica comprovado que o contribuinte recebeu na Alemanha, em outubro de 2001, a importáncia de R$ 269.780,00 (US$ 100,000.00), sendo-lhe retido na fonte o imposto de R$ 82.552,68 (US$ 30,600.00),... Como a dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos, o imposto de renda pago no exterior, passível de compensação na Declaração de Ajuste Anual, limita-se a R$ 74.189,50 (equivalente a 27,5% sobre os rendimentos), conforme artigo 24 do Decreto n° 76988/76, acima transcrito. Deve-se, portanto, alterar o lançamento da glosa de imposto pago no exterior deduzido indevidamente do imposto devido na declaração, correspondente ao fato gerador de 31 de outubro de 2001, no valor de RS 82.552,68 para R$ 8.363,18 (R$ 82.552,68 -R$ 74.189,50). 4.2.4. Conclusão: 32 Processo n° 11516.000152/2004-51 CC01/C06 Acórdão n.° 106-17147 Fls. 2.701 Diante do exposto, deve-se alterar a glosa de imposto pago no exterior deduzido indevidamente do imposto devido na declaração de ajuste anual de 2001 (item 003 do Auto de Infração, à folha 1.927) para os valores abaixo especificados: Em resumo, foram restabelecidas em parte as deduções do IR pago no exterior, no total de R$ 129.219,37; mas somente em relação aos rendimentos auferidos em países com os quais o Brasil comprovadamente mantinha relação de reciprocidade, nos termos acima referidos. Em seguida, as autoridades julgadoras a que analisaram as razões apresentadas pelo contribuinte no tocante às glosas dos valores do imposto de renda pagos na Austrália, México e Chile. Quanto a estes concluíram que não havia a prova da reciprocidade de tratamento entre o Brasil e os referidos países, de forma que a compensação do imposto não seria permitida. Como, em sede de Recurso Voluntário, não foram efetuadas quaisquer novas alegações, eis que o Recorrente basicamente repisou os argumentos já apresentados em sua peça impugnatoria - os quais foram minuciosamente analisados pelas autoridades julgadoras de Primeira Instância. Todavia, o Recorrente ainda acrescenta que não há motivos para se ignorar as legislações de Austrália, México e Chile juntadas à sua impugnação, pelo fato de não terem sido autenticadas pela autoridade brasileira nestes países. Salienta que todas as normas ignoradas foram retiradas de sites oficiais do Governo de cada Pais, e traduzidos por tradutor juramentado, confoune reconhecido pelos próprios julgadores a quo. Por isso pugna pelo reconhecimento de que a decisão recorrida se deu em evidente desconsideração ao princípio da verdade material. Neste ponto, contudo, não assiste razão ao Recorrente. Os motivos que levaram as autoridades julgadoras a quo a não restabelecerem as glosas efetuadas do imposto de renda pago no exterior (Austrália, México e Chile) prendem-se aos seguintes fatos, in verbis: Austrália (o.) Ademais, talvez por equívoco na tradução, o documento de folha 2.236 - confirmação da Lei de Avaliação de Imposto sobre Renda da Austrália - informa que a citada legislação "representa urna parte da atual legislação do imposto sobre renda em vigor na Austrália desde 25 de fevereiro de 2004". Como o contribuinte pleiteia compensar o imposto de renda pago naquele pais em 1999, a legislação juntada aos autos pelo contribuinte não comprovaria a reciprocidade de tratamento naquele ano-calendário. México (.) 33 Por último, a tradução juramentada de confirmação da legislação mexicana, á folha 2.284, afirma que a Lei do Imposto de Renda, em excerto apenso, foi publicada no Diário Oficial em 1° de janeiro de 2002. Ocorre que o contribuinte pretende compensar imposto de renda pago naquele pais nos meses de fevereiro do ano-calendário 2000 e de março do ano-calendário 2001. Os fatos geradores, portanto, são anteriores a publicação da legislação mexicana trazido aos autos. Chile O Decreto n° 4.852, de 2 de outubro de 2003, que promulga a Convenção entre o Brasil e o Chile, destinada a evitar a dupla tributação, firmada em 3 de abril de 2001, informa que a citada Convenção somente entrou em vigor em 24 de julho de 2003, Pelo exposto, conclui-se que não há como acatar o pleito do impugnante em deduzir o imposto pago no Chile, em março de 2000, do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2001, por falta de Acordo, Tratado ou Convenção Internacional, firmado entre o Brasil e aquele pais, e por falta de comprovação da reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no pais, ambos vigentes à época do fato gerador. Percebe-se, assim, que andou corretamente a decisão recorrida, eis que as normas que comprovam a reciprocidade de tratamento entre o Brasil e os referidos países somente entraram em vigor em momento posterior àquele em que os rendimentos lá foram recebidos pelo Recorrente, razão pela qual não procede o pedido de compensação do imposto em questão. Por fim, no que diz respeito ao torneio ATP Tennis Master Cup, o Recorrente assim se manifestou, in verbis: Como se depreende da análise das informações constantes da decisão recorrida, no item que se refere ao "limites do litígio", foi afirmado que o Recorrente teria deixado de impugnar, entre outros, valores decorrentes do torneio "Ali' Tennis A/raster Cup", no montante de R$ 104.124,71; Quanto a este aspecto, cumpre esclarecer que o torneio em referência foi realizado na Austrália, de modo que os argumentos utilizados para sua defesa foram aqueles expostos no item acima, pela reciprocidade de tratamento, "não devendo restar dúvida de que tal matéria for efetivamente, impugnada"; Neste ponto, são infundadas as alegações do Recorrente, pois está claramente identificado na peça impugnatória que o mesmo, no que concerne à compensação indevida do imposto pago no exterior (item 003 do Auto de Infração) — Austrália, assim se expressou às fls. 19691 970, in verbis: Estamos também enviando, em anexo, cópias das legislações da Austrália (documento 15), México (documento 16) e Chile (documento 17), devidamente consularizadas e traduzidas por 34 Processo n" 11516.000152/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls 2.702 tradutor juramentado, que autorizam a compensação do imposto pago em outros países sobre rendimentos auferidos nestes últimos que estejam também sujeitos à tributação pelo imposto de renda na Austrália, no México e no Chile, respectivamente. Logo, uma vez que a legislação brasileira adota a reciprocidade de tratamento, os seguintes valores de imposto pago no exterior poderão ser utilizados na compensação com o imposto de renda no Brasil: • Retenções de imposto de renda relativas aos torneios de tênis "Aust. Mens Hard" e "Adictas Sydney International", realizados em janeiro de 1999 na Austrália, no valor de R$ 9.274,67 ( US$ 7.700,66); (.) No entanto, e considerando que, de fato, a parcela relativa aos rendimentos auferidos na Austrália foi impugnada como um todo, releva notar que nenhum prejuízo teve o Recorrente por terem as autoridades julgadoras considerado esta parcela do litígio como não impugnada. Isto porque os rendimentos em questão teriam sido recebidos ao longo do ano de 2001 na Austrália. Por isso, nos termos já demonstrados acima, o imposto incidente sobre tais rendimentos não seria passível de compensação no Brasil, uma vez que somente a partir do ano de 2004 é que o imposto pago na Austrália passou a ser compensável aqui em razão da reciprocidade de tratamento com aquele país. Por fim, em relação à glosa de fevereiro de 2002, o Recorrente argumenta que já havia apresentado na impugnação, o comprovante da retenção de imposto de renda efetuada pela Diadora naquele mês, no valor total de 13.220,38 euros, equivalentes a R$ 27.547,76 (US$ 11.625,00), fl. 2.186/2190, devidamente acompanhado de tradução juramentada (fls. 2196/2205). Afirmou que o valor total do imposto retido, expresso em euros, corresponde à soma dos seguintes valores apresentados no referido comprovante: C 8.528,54 + € 8.528,54 + (C 3.836,70) = C 13.220,38. O valor de E 1836,70 corresponde a um número negativo, motivo pelo qual está representado entre parênteses. Entretanto, as autoridades fazendarias consideraram esse valor como sendo positivo, tendo, dessa forma, apurado um montante total de imposto retido no exterior pela Diadora equivalente a 20.893,78 euros (resultante da soma de C 8.528,54 + C 8.528,54 + C 3.836,70). Todavia, o valor total do imposto retido pela Diadora, de acordo com o comprovante apresentado, corresponderia a 13.220,38 euros e não a 20.893,78 cures, como consta da decisão. No entanto, a documentação mencionada pelo Recorrente se refere a março, e não a fevereiro de 2002. Assim, como já ressaltado pelas autoridades julgadoras de Primeira Instância, não há equivalência nem de valores nem de datas entre as informações declaradas pelo contribuinte e aquelas constantes dos documentos juntados aos autos. Desse modo, ratifico o entendimento de que deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade lançadora do imposto de renda pago no exterior, para o fato gerador de fevereiro de 2002, no valor de R$ 27.547,76. t 35 04— MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO DE CARNE-LEÃO (ITEM 004— AUTO DE INFRAÇÃO). O último item da autuação a ser analisado por esta Câmara diz respeito à exigência da multa pela falta de recolhimento do camê-leão sobre os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior (objeto do item 002 do lançamento). A decisão recorrida manteve esta parcela da autuação pelos seguintes motivos, in verbis: Como elos autos se infere (v. folhas 1.902-1.908 e 1.927-1.928), a autoridade a quo efetuou o lançamento da multa isolada em virtude de o contribuinte não ter recolhido o carne-leão devido mensalmente, relativo a (a) rendimentos omitidos recebidos de fontes situadas no exterior (item 002 do AI) e (h) glosas de imposto pago no exterior (item 003 do Al), nos anos-calendário 1999 a 2002. Neste caso, não há que se falar em duplicidade na aplicação da multa, visto que a exigência da multa de oficio é sobre o imposto suplementar apurado na declaração de ajuste e a multa isolada é lançada em decorrência da falta de recolhimento mensal do carne-leão. As penalidades, portanto, têm por origem fatos distintos. (.) E ainda: Nota-se que a legislação aplicada não prevê hipótese de exclusão da multa isolada em caso de aplicação de outra multa de oficio, pelo contrário, determina sua imposição "ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste" (art. 44, ,s.Ç 1°, inciso 111). Portanto, embora as multas tenham sido lançadas no contexto do mesmo procedimento fiscal, não têm elas a mesma base de cálculo nem o mesmo embasamento legal. Á multa isolada apenas é exigida nos casos em que demonstrado fica ter ocorrido falta de pagamento mensal obrigatório, em determinados meses, conforme apuração em demonstrativos às folhas 1.903-1.908, 1.911, 1.914, 1.917e 1.920. O Recorrente argumenta que além da multa de oficio, as autoridades fazendárias impuseram também a multa isolada decorrente da falta de recolhimento de imposto de renda a titulo de camê-leão, de forma que teria havido uma dupla penalização sobre uma mesma infração. Conclui que resta evidente que a multa isolada não deve ser aplicada em conjunto com a multa de oficio, de modo que sua cobrança deve ser cancelada. De fato, neste ponto do Recurso entendo que assiste razão ao Recorrente, pois a aplicação conjunta de ambas as multas (de oficio e isolada) implicaria na duplicidade de sanções sobre o mesmo fato, o que é vedado. Oi 36 Processo n° 11516.000152/2004-51 CCOUC06 Acórdão n.° 106-17147 Fls. 2703• Como dos autos se infere (v. folhas 1.902-1.908 e 1.927-1.928), a autoridade a quo efetuou o lançamento da multa isolada cm virtude do contribuinte não ter recolhido o camê-leão devido mensalmente, relativo (I) a rendimentos omitidos e recebidos de fontes situadas no exterior fitem 002 do AI) e (II) glosas de imposto pago no exterior (item 003 do AI), nos anos-calendário 1999 a 2002. Quanto a esta matéria, impende ressaltar que este Conselho vem decidindo de forma reiterada que a multa isolada pela falta de recolhimento do camê-leão não pode ser exigida em conjunto com a multa de oficio quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se vê do seguinte julgado: MULTA ISOLADA E DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.Recurso provido. (Ac. 106-15.639 Rel. Cons. Gonçalo Bonet Ai/age) No mesmo • sentido o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE' CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do 3S' I°, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de calculo.Recurso especial negado. (Ac. CSRF/01-04.987, Rel. Cons. Leila Maria Scherer Leitão) E foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, em que a base para a exigência dos valores relativos à multa isolada é exatamente aquela utilizada pela fiscalização para a exigência do ERRE em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior. Assim, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de oficio), voto no sentido de excluir a parcela da multa isolada do lançamento: Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para cancelar o item 001 do lançamento (relativo a omissão de rendimentos de pessoas juridias), bem como para excluir do mesmo a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio (item 004 do lançamento). rcwtoi OBERTA DE AZE' EDO FERREIRA FAC. I 37 Voto Vencedor Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Redator-Designado A matéria referente a este voto vencedor restringe-se à pertinência da infração relativa à omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas. • Inicialmente, resumem-se os pontos defensivos trazidos no recurso voluntário: 1. a autuação dessa espécie seria um último suspiro do Poder Executivo para fazer valer uma tributação mais gravosa, a despeito da regular constituição de pessoa jurídica para prestação de serviços, personalíssimos ou não; 2. o art. 129 da Lei n° 11,196/2005, norma de caráter eminentemente interpretativo nos termos do art. 106 do CTN, veio ratificar a situação pré-existente de inúmeras sociedades prestadoras de serviços intelectuais, em caráter personalíssimo ou não, quando realizada por pessoa jurídica, sujeitam-se tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas; 3. o atleta profissional Gustavo Kuerten filmou contrato com a empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, transferindo para esta o direito de uso sobre nome, imagem, marca e voz daquele, No tocante ao caráter patrimonial do direito de imagem dos atletas profissionais, os quais, de acordo com a decisão recorrida, não poderiam ser transferidos no que concerne à sua exploração, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça (REsp 74.473-12.1), em linha com a tese esposada pelo recorrente; 4. o procedimento perpetrado pela fiscalização tem como premissa a equivocada e ilegal desconsideração jurídica da empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, a qual percebeu os rendimentos de todos os contratos analisados pela autoridade fiscal, oferecendo-os a regular tributaçãô. Tal pessoa jurídica possui como sócios distintos, Gustavo Kuerten e Rafael Kuerten, constituída com a participação de cada um em 50% do capital, percentual respeitado na distribuição de lucros, a demonstrar que tal empreendimento é efetivamente uma sociedade, que tem como atividade, entre outras, a administração do ativo constituído pelos direitos sobre a imagem, nome, marca e voz de Gustavo Kuerten, pessoa fisica. Trata-se de sociedade desenvolvida a partir dos esforços comuns de seus sócios Rafael e Gustavo Kuerten, sendo certo que a participação de ambos os sócios é essencial para o desenvolvimento das atividades da • 38 Processo n° 11516.000152/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 F. 2.704 sociedade, havendo, inclusive, a contratação de funcionarios que dão suporte às atividades desenvolvidas (vide fis. 2.050 e seguintes); 5. os rendimentos decorrentes das atividades profissionais pessoais, correspondentes às garantias e prêmios relacionados aos torneios dos quais participa o recorrente, além das bonificações decorrentes de sua posição no ranking da ATP, sempre foram oferecidos à tributação na pessoa física. De outra banda, os valores percebidos pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, decorrentes de sua atividade de administração dos direitos sobre a imagem, nome, marca e voz, foram tributados por esta, sem que tal fato constitua qualquer infração à legislação fiscal; 6. Apesar de o tenista Gustavo Kuerten figurar como anuente nos contratos fiscalizados, tal anuência não o transforma em parte nos contratos, sendo que os direitos e obrigações avençados recaem unicamente sobre as partes contratantes, não podendo tais atos privados ser desconsiderados para fins fiscais, inclusive em decorrência da única norma de suporte para tal providência, o art. 116, parágrafo único, do CTN, ter sua aplicabilidade vinculada à edição de lei ordinária, o que ainda não aconteceu, hipótese que não pode ser suprida pelo auditor autuante; 7. a decisão recorrida entendeu aplicar ao caso em tela o art. 123 do CTN, que proibe que convenções particulares possam alterar a sujeição passiva tributária. Ora, isso não ocorreu no caso aqui em debate, já que a pessoa jurídica Gaga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda foi constituída para administrar a atividade de exploração de imagem, nome, marca e voz do recorrente, a qual, por razões óbvias, não poderia ser desenvolvida pessoalmente pelo recorrente diante dos seus compromissos como tenista; 8. na forma do art. 126 do CTN, depreende-se que, para possuir capacidade tributária passiva, basta que a pessoa jurídica configure uma unidade econômica ou profissional, e isso implica que a desconsideração da empresa Guga Kuerten, para fins de imposição de tributação ao recorrente, acabará levando à tributação do centro de negócios ou unidade econômica ou profissional "Gustavo Kuerten", pessoa jurídica; 9. subsidiariamente, o recorrente já aduzira em sua impugnação o direito à compensação dos valores recolhidos pela Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda., a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre as receitas tributadas na pessoa fisica do recorrente, aqui renovando o pleito. A prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica, tendo esta basicamente um único ativo, qual seja, os direitos sobre a imagem, nome, marca e voz de uma pessoa natural famosa, vinha sendo seguidamente debatida no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes. Como se viu no Acórdão n° 104-21.583, sessão de 24 de maio de 2006, quando 39 - I se apreciou o caso do conhecido apresentador de TV Carlos Roberto Massa ("Ratinho"), o qual, de forma similar ao que aqui se debate, havia constituído uma empresa com seu cônjuge para exploração dos direitos de imagem, nome e voz do apresentador junto à emissora de TV, a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes considerou regular a imputação dos rendimentos pagos à empresa que explorava o ativo representado pelo trabalho do apresentador à própria pessoa fisica do apresentador, ou seja, "os apresentadores e animadores de programas de rádio e televisão, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terão seus rendimentos tributados na pessoa fisica, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses". Nos caso ora em discussão, chama a atenção algumas questões, a desnaturar a possibilidade da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda desenvolver um verdadeiro elemento de empresa, ou seja, uma atividade econômica, com receitas diversas da exploração personalíssima dos direitos de imagem do recorrente, tudo a demonstrar que ha apenas uma formalidade jurídica para encampar o desenvolvimento de uma atividade econômica de uma especifica pessoa física: • há contratos internacionais celebrados entre empresas estrangeiras e a própria pessoa fisica do recorrente, com objeto similar aos contratos nacionais capitaneados pela empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, como se podem ver nos contratos com a Diadora Spa-Itália (fls. 314 a 361). Ora, como há um contrato particular entre o recorrente e a Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda para gerenciamento da imagem, nome, marca e voz do atleta profissional de tênis (fl. 2.054), ficaria ao alvedrio do tenista recorrente a celebração de contratos de exploração de sua imagem a partir da pessoa fisica ou da pessoa jurídica? Assim, o elemento pessoal do fato gerador do imposto de renda referente a rendimentos percebidos em situação idêntica poderia ser alterado pelo beneficiário, atribuindo-o a uma pessoa fisica ou a uma pessoa jurídica por si constituida? Ora, o contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, na forma do art. 121, I, do CTN, não estando no âmbito do sujeito passivo desnaturar, ao seu talante, a partir de negócios jurídicos privados, o real contribuinte, como inclusive vedado no art. 123 do CTN; • a cessão dos direitos de imagem do tenista à Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda teria sido feita de forma graciosa? Ademais, parece totalmente implausível que o principal ativo de um atleta profissional de renome internacional, ou seja, sua imagem, seja transferido para uma empresa que não detém outros ativos, ficando o cedente a ser remunerado por apenas 50% dos lucros de tal empresa. Será que há razoabilidade em atribuir metade dos lucros empresariais da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda ao sócio Rafael Kuerten, o qual poderia, no máximo, ser responsável pela captação dos contratos, isso passível de uma remuneração especifica, exceto se visualizamos a empresa como um ente unipessoal, centrado na figura do recorrente, sendo os valores que sobejam a remuneração da captação pelo sócio Rafael Kuerten mera liberalidade de um irmão para o outro? Processo n°1 1516.000152/2004-51 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls 2.705 • alega o recorrente que a Gug a Kuerten P art . cipaçõ es e Empreendimentos Ltda teria funcionários para suportar as atividades comerciais da empresa Para tanto, logrou trazer três contracheques de funcionários diversos (fls. 2.050 a 2.052), a justificar uma estrutura empresarial. Ora, será que os modestos estipêndios dos funcionários da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, como se vê nos contracheques juntados aos autos, traduzem a real existência de uma estrutura empresarial? • O recorrente figura como anuente nos contratos vergastados pela fiscalização. Porém, o recorrente não é um mero anuente, a concordar com a execução de determinado negócio jurídico. Exceto pela disponibilização de imagens, a qual poderia figurar como um acervo já pronto (como no caso de um artista ou esportista já falecido), o recorrente é o principal responsável pela execução ou inexecução das avenças. Veja-se, como exemplo, por todos, o contrato firmado com o Banco do Brasil (fls. 426 a 435). Neste, o anuente deve ser impedido (!?) pelo Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda de usar boné, camisetas ou outras peças de vestuário em marcas de outras instituições; a contratada deve envidar seus maiores esforços para que o anuente mencione o nome do Banco do Brasil em todas as mídias; o anuente deve participar de almoço para divulgação do contrato de patrocínio; o anuente deve estar disponível, sete dias por ano, para gravação de comerciais, sessões de fotos, para participação de torneio de exibição patrocinado pelo Banco do Brasil; o anuente, as suas expensas, deve manter serviço de profissional de assessoria de imprensa, enviando clippinp ao patrocinador; a contratada receberia bônus adicional se o anuente ocupasse a posição de primeiro do ranking mundial da ATP. Ainda, esse contrato seria rescindido se o anuente se envolvesse em atos não condizentes com a postura desportiva; no caso de morte do anuente; no caso de o anuente deixar de jogar profissionalmente por motivo de doença, contusão ou debilidade fisica que perdure por 09 (nove) meses consecutivos; ou caso o anuente fosse condenado por crime inafiançável. Ora, claramente esta não é a posição jurídica de um anuente, que é uma figura passiva em um negócio jurídico, que simplesmente concorda com a realização do pacto. No caso em apreço, temos um contrato bilateral, em que o Banco do Brasil e o recorrente, simultânea e reciprocamente credor e devedor um do outro, assumem obrigações reciprocas. A figura passiva, sequer necessitando figurar como anuente, é a Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda e não o recorrente; • O recorrente defende calorosamente a necessidade da existência da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, como condição necessária para gerenciamento de sua carreira, recheada de compromissos internacionais. Ora, aqui há um rematado equivoco, a se imaginar que apenas uma pessoa jurídica tem condições de gerir patrimônios expressivos. Nada impede que uma pessoa fisica, 41 detentora de expressivo patrimônio, mantenha urna escrituração contábil, com contratação de terceiros agentes de sua carreira. Assim normalmente ocorre com artistas, jogadores e treinadores de futebol. É falaciosa a argumentação da necessidade de uma pessoa jurídica para gerir a carreira de um único artista, jogador ou técnico de futebol. Caso se acoberte essa estapafúrdia tese, qualquer executivo de mna grande empresa, com expressivos ganhos financeiros, se sentiria autorizado a criar uma pessoa jurídica, esta gestora de um experto em administração, o próprio executivo, este passando a perceber os salários pela distribuição de lucros da pessoa jurídica criada e não em decorrência da execução pessoal do trabalho pela pessoa física. Ainda, por que somente iria se autorizar a abertura de empresas em nome de artistas ou jogadores famosos, quando há inúmeros outros profissionais, em todas as áreas da vida social, que poderiam pugnar pelo mesmo direito, desnaturando completamente a tributação do imposto de renda da pessoa física, com ou sem vínculo empregatício? E mais, por que somente os detentores de altos vencimentos teriam direito a abertura de empresas (unipessoais!) e não as demais pessoas físicas de rendimentos mais modestos, com ou sem vínculo empregatício, todos a desfrutar de uma tributação mais favorecida no âmbito da pessoa jurídica? Percebe-se que a constituição da empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda foi um claro abuso de direito, já que o único ativo da empresa seria a imagem, nome, marca e voz do tenista Gustavo Kuerten, o qual apenas permutou a tributação dos serviços prestados de forma personalíssima pelo tenista como pessoa física para uma tributação como pessoa jurídica. Criou-se uma formalidade jurídica, destituída de qualquer substância, com o único fim de economizar o pagamento de tributos. Deve-se anotar que não há plausibilidade jurídica an defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, cujo único ativo é o direito de imagem de um tenista famoso, para a alienação dos desdobramentos patrimoniais de tal direito, quando se verifica que a empresa sequer agrega qualquer valor a marca negociada. Claramente seria uma sociedade cujo affectio societatis seria unicamente a redução do pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos do trabalho percebidos pelo recorrente, e não uma atividade econômica específica, que agregasse valor aos ativos existentes no portfolio da empresa. Ora, é notório que uma pessoa jurídica ou pessoa física equiparada à pessoa jurídica deve desempenhar uma atividade econômica que extrapole a mera prestação pessoal de trabalho, com ou sem vínculo empregaticio, sob pena de subverter completamente o regime trabalhista previsto nas leis pátrias, pois, se a tese do recorrente fosse acatada, nada impediria que qualquer pessoa flsica constituísse uma pessoa jurídica, passando os rendimentos do trabalho a serem pagos diretamente a empresa e essa efetuando a distribuição de lucros ao sócio. A constituição de empresa da espécie é um cristalino abuso de direito, que tem o único fim de perseguir uma tributação menos gravosa em face daquela que incidiria sobre os rendimentos do trabalho da pessoa fisica. Dessa forma, deve ser tributada como rendimento de pessoa fisica a remuneração por serviços prestados, de natureza personalíssima, com ou sem vinculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuida. Como reforço às razões acima deduzidas, esta que bastariam para rechaçar a pretensão do recorrente, traz-se à colação excerto do Acórdão n° 104-21.583, já citado, que julgou o recurso do conhecido apresentador televiso, inclusive enfrentando as mesmas questões de direito deduzidas pelo ora recorrente, que também adoto como razão de decidir, verbis: • 4 2 Processo n° 11516.00015212004-51 CCA 1/C06 Acórdão n." 106-17.147 Eis. 2.706 Antes de adentrar no mérito propriamente dito e em razão da matéria ter sido levantada na fase da sustentação oral se faz necessário algumas considerações a respeito do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, abaixo transcrito: "Para fins fiscais e previdenciá rios, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza cientifica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão-somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei n°10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil," Dispõe o artigo 50 da Lei n°10.406, de 10 de janeiro de 2002 - o Código Civil: "Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." Não há dúvidas, que o artigo 129 foi editado para resolver problemas relacionados à tributação dos rendimentos produzidos em decorrência da prestação de serviço de natureza pessoal, oferecido ao mercado por intermédio de uma sociedade com personalidade jurídica (—empresas unipessoais'). Entretanto, no caso em discussão, o crédito tributário constituído se reporta a fato gerador ocorrido antes da vigência da mencionada lei, razão pela qual se faz necessária a verificação se o referido dispositivo legal faz inovação ou criação de regime jurídico novo, ou apenas expressa entendimento sobre legislação já existente, ou seja, é esta norma meramente interpretativa? • Indiscutivelmente a lei intelpretativa não pode inovar, limita-se a esclarecer dúvida a respeito de dispositivo de lei anterior. No meu entendimento o art. 129 da Lei n°11.196, de 2005 traz inovação e cria as "empresas unipessoais" para fins de tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas fisicas perante a legislação tributária. Entretanto, a norma acima não possui caráter interpretativo, sendo incorreto alegar aplicação retroativa com base no art. 106, inciso I, do CTN. O art. 106, inciso 1, do CTN assim dispõe: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 43 1- em qualquer caso, quando expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Segundo Eduardo Espinola e Eduardo Espínola Filho, "denominam-se leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas" (A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, atualizado por Silva Pacheco, 3` ed., Ed. Renovar, 1999, vol. I, p,294). Portanto, para que uma lei seja considerada interpretativa, são necessários os seguintes requisitos: 1)o caráter interpretativo tem que ser expresso; 2) indicação da lei anterior que está sendo interpretada; 3) existência de lei anterior disciplinando a matéria tratada na lei interpretativa; e 4) existência de dúvida quanto ao sentido de lana lei anterior. Diz o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 1999: "TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS CONTRIBUINTES Art. 146. São contribuintes do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. 27): 1- as pessoas jurídicas (Capítulo Di II - as empresas individuais (Capitulo II). § I° As disposições deste artigo aplicam-se a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 27, § § 2° As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajuilicial e de falência sujeitam-se às normas de incidência do imposto aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo (Lei n` 9.430, de 1996; art. 60). § 3' As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei n°9.430, de 1996, art. 55). § 4° As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes nas mesmas condições das demais pessoas jurídicas (CF, art. 173, § 1°, e Lei n°6.264, de 18 de novembro de 1975, arts. a 39 § 5° As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos 44 Processo ri 11516.00015212004-51 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.707 consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei n° 9532, de 1997, art. 69). § 6` Sujeita-se à tributaÇãO aplicável às pessoas juridicas o Fundo de Investimento Imobiliário nas condições previstas no § 2° do art. 752 (Lei n°9.779, art. 22 § 7° Salvo disposição em contrário, a expressão pessoa jurídica, quando empregada neste Decreto, compreende todos os contribuintes a que se refere este artigo. CAPITULO I PESSOAS JURÍDICAS Art. 147. Consideram-se pessoas jurídicas, para efeito do disposto no inciso Ido artigo anterior: 1- as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, sejam quais forem seus fins, nacionalidade ou participantes no capital (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. 27, Lei n°4131, de 3 de setembro de 1962, art. 42, e Lei n' 6.264, de 1975, art. 1°); 11- as filiais, sucursais, agências ou representações no Pais das pessoas jurídicas como sede no exterior (Lei n°3.470, de 1958, art. 76 Lei n' 4.131, de 1962, art. 42, e Lei n° 5264, de 1975, art. 1°); III - os comitentes domiciliados no exterior, quanto aos resultados das operações realizadas por seus mandatários ou comissários no Pais (Lei n°3.470, de 1958, art. 76). Art. 148. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (decreto-Lei n°2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7°, e Decreto-Lei n°2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3°). Art. 149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos . distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, H (Decreto-Lei n°2.303, de 1986, art. 7", parágrafo único). CAPITULO H EMPRESAS INDIVIDUAIS Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei n°1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2°). sç 1° São empresas individuais: 45 1- as firmas individuais (Lei n°4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alínea "a"); II - as pessoas físicas que, em nome individual explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n°4.506, de 1964, art. 41, § I°, alínea "b"); III - as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capitulo (Decreto-Lei n°7.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1°c 3°, inciso III, e Decreto- Lei n°1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2' O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: - médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. 6°, alínea "a", e Lei n° 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3°); If - profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (Decreto- Lei n` 5.844, de 1943, art. 6° alínea "b'); III - agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregaticio que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (Decreto-Lei n` 5844, de 1943, art. 6°, alínea "c"); IV - serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 6° alínea "cl" V- corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (Decreto-Lei n` 5.844, de 1943, art. 6`, alínea "e '); VI - exploração individual de contratos de empreitada unicamente de favor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetõnicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congéneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (Decreto-Lei 11' 5.844, de 1943, art. 6', alínea (T); VII - exploração de obras artísticas, didáticas, cientificas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (Decreto-Lei n° 5.844, de 1993, ar!. 6°, alínea "g')." Do texto acima transcrito é possível se concluir que as atividades exercidas por pessoas físicas abaixo relacionadas nào se caracterizam corno empresa individual, ainda que, por exigência legal ou contratual, encontrem-se cadastradas no 46 Processo ne 11516.000152/2004-51 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.708 CNPJ ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Junta Comercial: (I) a pessoa física que, individualmente, exerça profissões ou explore atividades sem vinculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares, a exemplo de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (2) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de mão-de-obra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados; (3) a pessoa física receptora de apostas da Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Lotomania, Supersena, Mega-Sena etc) credenciada pela Caixa Económica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore, no mesmo local, outra atividade comercial; (4) representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido pelo art. I° da Lei n°4886, de 1965, uma vez que não os tenha praticado por conta própria; (5)pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veiculo próprio ou locado, mesmo que ocorra a =matação de empregados, como ajudantes ou auxiliares. Como se observa, a legislação tributária nunca permitiu que as pessoas Picas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividade de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, tributassem seus rendimentos como se fossem pessoas jurídicas. Ora, não há dúvidas que os valores recebidos pelo suplicante são decorrentes de natureza eminentemente pessoal, ou seja, decorrem do fruto de seu desempenho pessoal Indiscutivelmente, os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem, do direito de arena, do uso de nome profissional e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, com cláusula que impossibilite de serem procedidas por outra pessoa, jurídica ou física que Mão o titular contratado são rendimentos que devem ser tributadas na pessoa física do efetivo prestador de serviços. Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher 47 determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sécios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sécios ou empregados igualmente qualificados; (4)as sociedades civis são aquelas em que todos os sécios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do suplicante, já que a sociedade é formada pelo suplicante e sua esposa, que não exerce atividade igual ao do suplicante. Como se vê, nunca houve dúvidas que salários e rendimentos provenientes de serviços personalíssimos seriam tributados na pessoa física, tendo corno única exceção a sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, o que não é o presente caso. O legislador sempre foi inequívoco no sentido de que, em relação a salários e rendimentos produzidos pelo exercício de profissões e pela prestação de serviços de natureza não comercial, o contribuinte será a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, em casos semelhantes, sempre se firmou no sentido de que rendimentos provenientes de serviços personalíssimos devem ser tributados na pessoa física. É nítido que o referido artigo inovou no ordenamento jurídico, pois até então, a legislação tributária acerca do imposto de renda nunca deixou duvidas que rendimentos provenientes da exploração do serviço individualmente prestado por um artista, ou seja, serviço personalíssimo, seria tributado na pessoa física prestadora do serviço, mesmo que os serviços fossem contratados e ajustados por meio de uma pessoa jurídica, pois se verifica que, na realidade, o que foi contratado foi um serviço individual. Tenho para mim, que a referida norma tem por objetivo maior esclarecer e orientar os agentes da administração pública para que, no exercício de suas funções, não desconsiderem a personalidade jurídica de sociedades legalmente constituídas paru prestação de serviços intelectuais, com a finalidade de tributar os sócios. Assim, as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais (sociedades de engenheiros, arquitetos, advogados, médicos etc) não podem ser descaracterizadas pelos agentes fiscais ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes. Em conclusão, o art. 129 da Lei n' 11.196, de 2005, é lei inovadora, portanto, inaplicável a regra contida no art. 106, inciso 1, do CTN, aos serviços prestados por "empresas 48 Processo n° 11516.000152/2004-51 CCOLC06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.709 unipessoais" (caráter personalíssimo) antes da publicação da referida lei, já que a legislação tributária anterior vedava que os •rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como de pessoa jurídica. Quanto ao mérito em si, verifica-se que em sua peça recursal, o suplicante questionou a totalidade do lançamento do crédito tributário, oferecendo seus esclarecimentos, pontos de vista, considerações, argumentos, etc. Assim, após a síntese da peça acusatória, não vejo necessidade de tecer comentários quanto à extensa peça defensória, já exposta no Relatório. Desta forma, reordeno em tópicos os assuntos trazidos na peça recursal, para serem apreciados, como segue. I - RELAÇÃO COMERCIAL MASSA & MASSA LTDA x CARLOS ROBERTO MASSA: Com relação à Massa & Massa Ltda e Carlos Roberto Massa, têm-se que no que se refere às alegações da existência formal da pessoa jurídica Massa & Massa Ltda., cabe reforçar que a fiscalização não negou tal existência, bem corno não houve a sua desconstituição, como se pode constatar no Termo de Verificação Fiscal de fls. 285/291, e ao qual o recorrente se atém para elaborar suas argumentações. Verifica-se, que a empresa referida, conforme contratos sociais de fis. 46/56 e 57/61, Massa & Martinez Ltda. até 01/03/99 e dai em diante Massa & Massa Ltda., é uma sociedade constituída por marido e mulher, ou seja, Carlos Roberto Massa e Solange Cipriano Martinez, tendo por objeto mercantil o ramo de publicidade e promoções. Não pairam dúvidas, para quem analisa as peças contidas nos autos, que se trata, realmente, de um caso de trabalho pessoal, ou seja, prestação de serviços de natureza pessoal, prestados pelo próprio litigante, na geração dos rendimentos em causa, pois sem ele, com absoluta certeza que o faturamento da empresa ficaria em torno de receita bruta "quase zero", pois é de uma pretensão sem fronteiras querer fazer crer gue retirando o Sr. Carlos Roberto Massa que o faturamento continuaria no mesmo patamar. Indiscutivelmente, os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem, do direito de arena, do uso de nome profissional e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, com cláusula que impossibilite de ---- serem procedidas por outra pessoa, jurídica ou física que não o titular contratado são rendimentos que devem ser tributadas na pessoa fisica do efetivo prestador de serviços. Constata-se, da mesma forma, que diante dós indícios apontados no Termo de Verificação Fiscal de fls.. 285/291 a autoridade lançadora procedeu à desconsideração , dos atos jurídicos aparentes (contratos de prestação de" serviços, contratos de cessão do direito de imagem e do uso do nome 49 • profissional), entendendo que o objeto de tais contratos são direitos personalíssimos, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. Entendimento esse amplamente defendido pelo relator da matéria quando do julgamento em Primeira Instância do qual só posso compartilhar, como já manifestado em outros julgados. Com relação às alegações da existência formal da pessoa jurídica envolvida; cabe reforçar que a fiscalização não negou tal existência, bem como não houve a sua desconstituição, o que houve foi desconsideração dos atos jurídicos aparentes, ou seja, transferência das rendimentos / receitas lançadas como que fossem da pessoa jurídica para a pessoa física envolvido, que é o beneficiário de fato. Nem poderia ser diferente, já que o Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços para Realização de Programas de Televisão e Outras Avenças de fls. 62/71 e os Contratos de Parceria Para Divulgação Publicitária e Termo de Licença Onerosa de Uso de Imagem de fls. 72/194, firmados entre o suplicante e as empresas recebem a anuência / interveniência deste. Em última análise, é este ato que dá eficácia a cada contrato, porque somente o apresentador Carlos Roberto Massa, por ato de sua vontade, que pode dispor da sua imagem ou dos seus serviços. Vale dizer, que a pessoa jurídica Massa & Massa em questão não tem poder para dispor sobre o objeto do contrato, em face de tratar-se de direitos da personalidade. Não pairam dúvidas, para quem analisa as peças contidas nos autos, que realmente se trata de direitos da personalidade, já que não se pode olvidar o trabalho pessoal, ou prestação pessoalmente de serviços, do chamado "um homem só", no caso o próprio beneficiário final dos rendimentos, na geração dos rendimentos em causa, pois sem ele, com absoluta certeza que o faturamento da empresa ficaria em torno de receita bruta "zero", repito o que já disse, ou seja, que é de uma pretensão sem fronteiras querer fazer crer que retirando o apresentador Carlos Roberto Massa que o faturamento continuaria no mesmo patamar Não tenho cliwidas, que as cláusulas contratuais, esclarecem sem margem de erro que os serviços a serem prestados serão prestados pessoalmente pela pessoa física do apresentador Carlos Roberto Massa, de forma que não se pode negar que os valores pagos pelas empresas envolvidas, relativos ao trabalho pessoal do apresentador Carlos Roberto Massa, são rendimentos tributáveis na pessoa fisicct. Como, também, não tenho dúvidas, que o direito á imagem integra os direitos da personalidade e os rendimentos dai decorrentes, seio de tributação na pessoa física. É de se reforçar, que no caso em questão, o próprio apresentador Carlos Roberto Massa é o responsável pelo cumprimento do contrato, pois, sem ele nada feito, não há como 50 Processo n° 11516.000152/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.710 outro sócio substitui-1o, até porque as cláusulas contratuais são nítidas neste sentido. Assim, não se pode negar que os valores percebidos relativamente à prestação pessoal de tais serviços e relativos aos contratos em análise correspondem a rendimentos obtidos por profissional no exercício de sua função. Restou patente, pelas próprias cláusulas contratuais, a obrigatoriedade de que os serviços sejam executados de forma pessoal pelo profissional Carlos Roberto Massa. Não há espaço para que a contratada Massa & Massa cumpra a obrigação firmada no instrumento sem a presença pessoal do contribuinte. Não há corno substituí- lo, pois a essência do contrato é que a execução dos serviços seja realizada somente pelo interveniente-anuente. É de se salientar que o fato de a fiscalização ter intitulado como "Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício" os valores recebidos da TV SBT Canal 4 de São Paulo não significa que o Fisco teve a intenção de declarar a existência ou não de relação jurídica de emprego, nos termos da CLT, já que, corno aventado pelo interessado, essa não é a sua área de competência, mas apenas separou os rendimentos por suas características em dois gntpos de acordo com a origem dos rendimentos: da TV SBT, por se tratar de contrato com periodicidade praticamente diária (06 programas por semana) e com prazo de duração mais longo; e demais contratos com outras empresas, pelo qual o tempo de inteneniência pessoal do apresentador é menor. No entanto, em que pese às considerações do impugnante, como já visto, a teor do § 4° do art 3 da Lei e 7,713, de 1988, a denominação dada aos rendimentos é absolutamente irrelevante para efeitos de tributação. Não tenho dúvidas, que as cláusulas contratuais, esclarecem sem margem de erro que os serviços a serem prestados referem-se à realização de programas de televisão produzidos pela TV SBT e que serão prestados pessoalmente pela pessoa física de Carlos Roberto Massa, de forma que não se pode negar que os valores pagos pela TV SBT à empresa Massa & Massa Ltda., relacionado no contrato, relativos ao trabalho pessoal do Sr. Carlos Roberto Massa, são de tributação na pessoa física. III (-4 - DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE • JURÍDICA EM SEDE ADMINISTRATIVA: Analisando este item, constata-se pelos elementos que compõem os autos que, ao contrário do argumento do litigante, a fiscalização não adotou procedimentos no sentido de efetivar a desconsideração jurídica da empresa Massa & Massa Ltda. em sede administrativa, mesmo porque, como já exaustivamente repetido em itens anteriores, a tributação em causa, com supedâneo no; enquadramento legal consignado no auto de infração, mormente o preceituado no § 4 0 do art. 3° da Lei n° 51 7.713/88, e em face do disposto nos arts. 4 0, 118 e 123 do CTIV, independia de tal providência, bem como da descaracterização da escrita fiscal da pessoa juriclica citada; cabe acrescer que não foi objeto de fiscalização a empresa referida, de forma que não subsistem as alegações relativas a lucros por ela distribuídos, e despesas e compras incorridas. Não há mais o que comentar ou fundamentar já que não houve a desconsideração jurídica das empresas em questão. O que houve foi o deslocamento de parte da receita lançada como de pessoa jurídica para a pessoa física. No tocante ao pretenso suprimento da lacuna normativa do art. 116, parágrafo único, do CTN pela autoridade autuante, também melhor sorte não socorre ao recorrente. A autoridade administrativa não desconsiderou atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária (doação por alienação; ganho de capital por rendimento de trabalho), mas apenas atribuiu o fato gerador ocorrido, ineonteste, o auferimento de renda, ao sujeito passivo correto, no caso a pessoa física. Trata-se da aplicação do vetusto dispositivo existente no art. 149, VI, do CTN (O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo) ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária). Para finalizar, remanesce o pedido de compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda em decorrência dos rendimentos ora imputados à pessoa física do recorrente, Aqui assiste razão ao recorrente, até cui razão de um paralelismo de procedimento, em obediência ao princípio da moralidade administrativa, já que soaria desarrazoado reclassificar as receitas da pessoa jurídica para rendimentos da pessoa fisica dos sócios, mantendo lá os tributos pagos, obrigando a empresa a solicitar uma restituição, para compensação posterior, sofrendo o ônus de eventual decadência do direito creditório ou mesmo da imposição global da multa de oficio aqui lançada, quando se sabe que, contemporaneamente ao fato gerador das receitas reclassificadas, houve pagamento parcial dos tributos sobre tais receitas/rendimentos. Aqui, para deferir a pretensão do recorrente, mais uma vez reforço as razões acima com as deduzidas no Acórdão n° 104-21.583, em relação a idêntico ponto lá debatido, verbis: VI - COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDOS NA EMPRESA MASSA & MASSA, RELATIVO AOS RENDIMENTOS TRANSFERIDOS DE OFÍCIO PARA A PESSOA FÍSICA DE CARLOS ROBERTO MASSA: Com referência ao pedido de compensação dos recolhimentos efetuados pela empresa Massa & Martinez Ltda. (Massa & Massa Ltda.), no sentido de deduzi-los do imposto de renda pessoa jun'dica e contribuições devidos apurado nas declarações de ajuste anual do autuado, entendo que é, totalmente, procedente o pedido do suplicante. Aliás, diga-se de passagem, deveria ter sido compensado de oficio pela autoridade lançadora, já que se trata de desclassificação de rendimentos da pessoa jurídica para pessoa física, tendo por base documentação da pessoa jurídica, não faz nenhum sentido manter a tributação da pessoa jurídica no que se refere ao valor transferido para pessoa física. 52 Processo a' 11516.000152/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls 2.711 Com a devida vênia dos que assim não entendem, é de se dar razão ao contribuinte no que se refere ao pedido de compensação dos recolhimentos efetuados pela empresa Massa 8c Martinez Ltda. (Massa & Massa Ltda.), no sentido de deduzi- los do valor do imposto apurado na pessoa física do autuado. O Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimaclos (artigos 3 0 e 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerentes ao processo. Dai, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.° 5.172/66. Igualmente, o cancelamento de oficio de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1°, do Decreto n.° 70.235/72). Sob a verdade material, citem-se: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.° 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendê-las necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.` 70.235/72); a correção, de oficio, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.` 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima elencados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito . passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5°, LV, da Constituição Federal de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. • Nesse contexto, entendo que deva ser compensado, proporcionalmente, os tributos (imposto de renda e contribuições) recolhidos na pessoa jurídica oriundo de valores cujo fato gerador foi transferido para a pessoa física. É de se observar, que deve ser compensado o imposto e contribuições recolhidos na pessoa jurídica com o imposto • apurado no auto de infração, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros). 53 Ante o exposto, voto no tido de manter a presente infração, porém deferindo o pleito compensatório com. -xposto act • a. GIOVANNI CII I flpiralf. CAMPOS„À fi 54 Processo n° 11516.000152/2004-5l CC01/C06 Acórdão nf 106-11.147 Fls./712 Declaração de Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator Em que pese a respeitável posição defendida pela corrente vencedora, adotada pelos Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Sérgio Gaivão Ferreira Garcia e Ana Maria Ribeiro do Reis, com relação ao item 001 do auto de infração - omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas — ousei divergir para acompanhar o voto da Relatora, entendendo que esta parcela do lançamento é improcedente. Nesta declaração de voto farei apenas breves considerações sobre a possibilidade, prevista pela legislação pátria, quanto à constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços profissionais por seu sócio, ainda que com caráter personalíssimo e sem concurso de terceiros, empregados ou não, bem como sobre a plena aplicabilidade ao caso da regra prevista no artigo 129 da Lei n° 11.196, de 21/11/2005, cuja conseqüência é a impossibilidade de manutenção da exigência fiscal, relativamente ao item 001 do auto de infração. Pois bem, o Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) prevê, em seus artigos 146 e seguintes e no artigo 647, que as pessoas jurídicas são contribuintes do imposto de renda e que estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, os rendimentos de serviços profissionais prestados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas. Esta situação, aliás, parece-me inquestionável. Segundo Edmar Oliveira Andrade Filhol: A compreensão, sob o ponto de vista estrutural e funcional (teleológico) do enunciado do artigo 129 da Lei n° 11.196/05, requer um exame das normas que dispõem sobre a sujeição passiva do Imposto de Renda Corporativo de modo a verificar em que condições elas determinam ou permitem escolhas por parte dos prestadores de serviços. Percorrendo as normas do vigente Regulamento do Imposto de Renda de 1999 identificamos pelos menos duas possibilidades à disposição de uma pessoa que pretenda prestar serviços de natureza pessoal debaixo de uma forma jurídica especifica: a criação de uma pessoa jurídica. 1 Artigo "Análise Estrutura/ e Teleológica do Enunciado do Art. 129 da Lei n° 11.196/05, publicado na obra "Prestação de Serviços Intelectuais por pessoas jurídicas: aspectos legais, econômicos e tributários / Pedro Anan Si., Marcelo Magalhães Peixoto, coordenadores; Gustavo Tepedino ... [et ali. - São Paulo: MP Ed., 2008, p. 485- 486. gr). Em primeiro lugar, os rendimentos provenientes da prestação de tais serviços poderiam vir a ser tributados de acordo com os regimes de tributação que são acessíveis às pessoas jurídicas se fosse constituída urna sociedade que adquirisse personalidade jurídica segundo um dos tipos previstos na ordem jurídica; esta escolha teria guarida no inciso Ido artigo 147 do Regulamento do Imposto de Renda. Em segundo lugar, haveria a possibilidade de escolha do regime jurídico das denominadas sociedades civis de profissão legalmente regulamentada. Havendo a possibilidade de eleição dessa via (os serviços deveriam ser objeto de lei que regulasse uma dada profissão), os rendimentos gerados podem ser tributados no regime de uma pessoa jurídica se contratado por intermédio de urna sociedade civil, na forma do § 3 0 do artigo 146 do Regulamento do Imposto de Renda. Mi, ainda, uma terceira hipótese. De fato, em face do disposto no inciso III do §1 0 do artigo 150 do Regulamento, serão tributados de acordo com os regitnes aplicáveis às pessoas juridicas os rendimentos auferidos por pessoas fisicas decorrentes da exploração de quaisquer atividades econômicas de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, com exceção daqueles listados nos itens Ia VIII do § 2° do mesmo artigo 150. Trata-se, como se vê, de uma forma de equiparação de pessoas físicas a pessoa jurídica, e, neste caso, seria desnecessária a criação de uma pessoa jurídica. Evoluindo um pouco, a possibilidade de existência de pessoas jurídicas nas quais os serviços são prestados pessoalmente pelo sócio, sem o concurso de empregados ou de outros contribuintes individuais, é admitida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, que encampou orientações dadas pelo INSS (Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003, artigo 156) e pela Secretaria da Receita Previdenciária (IN/SRP n° 03/2005, artigo 148). Refiro-me, especificamente, à Instrução Normativa RFB M 971, de 13/11/2009, cujo artigo 120 tem a seguinte redação: Art. 120. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção, e a contratada, de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: (8) II - a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a 2 (duas) vezes o limite máximo do salário-de-contribuição, cumulativamente; III - a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 118, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou de outros contribuintes g 56 Processo n° 11516.00015212004-51 CC011C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.713 Esta orientação normativa prevalece há longa data. Aliás, no âmbito da legislação previdenciária, a prestação de serviços de natureza estritamente pessoal por pessoas jurídicas está prevista no § 5°, do artigo 201, do Decreto n° 3.048/99. Ainda se pode encontrar previsões legislativas semelhantes no artigo 9 0 , § 30, do Decreto-lei n° 406/68 (ISS), no artigo 6°, inciso II, da Lei Complementar n° 70/91 (COFINS), no artigo 17, inciso XI, da Lei Complementar n° 123/2006 e no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n°9.317/96 (ambos referentes ao SIMPLES). Assim, sob minha ótica, perfeitamente licito e possível que a pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda., da qual o recorrente é sócio em conjunto com seu irmão Rafael Kuerten, firmasse contratos relacionados à exploração da imagem de Gustavo Kuerten e, conseqüentemente, auferisse receitas referentes a tal atividade. A contribuinte do imposto de renda, relativamente a estas receitas, é ela (pessoa jurídica) e não a pessoa física de seu sócio Gustavo Kuerten. Quando o legislador pretendeu que a receita auferida por pessoas jurídicas fosse imputada aos seus sócios, editou norma específica (Decreto-lei n° 2.397/87), já revogada Conforme destacado pela Relatara, o recorrente ofereceu à tributação pela pessoa física todos os rendimentos auferidos em torneios e a título de premiação (cf. Declarações de ajuste anual de fls. 11 e seguintes, bem como planilhas de fls. 1352 a 1358), de modo que a exigência atinge, apenas, valores auferidos pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. de outras pessoas jurídicas, relacionados à exploração - patrimonial do direito de imagem do autuado. Esta parcela do lançamento não pode prosperar. Certamente com o objetivo de dirimir controvérsias semelhantes a esta, em 21/11/2005 veio à tona a Lei n° 11.196, em cujo artigo 129 está expresso que: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza cientifica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão-somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil. Segundo penso, este dispositivo limitou-se a explicitar situação tributária que sempre existiu, apenas esclarecendo que devem ser tributadas pelo imposto de renda, entre outros tributos, as pessoas jurídicas (e não os seus sócios), relativamente às receitas decorrentes da prestação de serviços intelectuais, inclusive de natureza científica, artística ou cultural; em &57 caráter personalíssimo ou não, com ou sem designação de obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços. É evidente, pois, o caráter interpretativo desta norma legal, o que se confirma pela justificação da sua inclusão no projeto de lei de conversão da Medida Provisória n° 252, de 15/06/2005 (PLV n° 23/05), a qual está posta nos seguintes termos. Os princípios da valorização do trabalho humano e da livre iniciativa previstos no art. 170 da Constituição Federal asseguram a todos os cidadãos o poder de empreender e organizar seus próprios negócios. O crescimento da demanda por serviços de natureza intelectual em nossa economia requer a edição de norma interpretativa que norteie a atuarão dos agentes da Administração e as atividades dos prestadores de serviços intelectuais, esclarecendo eventuais controvérsias sobre a matéria. (Grifei) É relevante destacar que a justificação do Poder Legislativo equivale à "Exposição de Motivos" do Poder Executivo. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça — STS tem jurisprudência sedimentada no sentido de que a Exposição de Motivos de ato normativo e, portanto, também a sua justificação, são determinantes para a interpretação da norma, conforme ilustram as ementas dos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO IPI AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO D 2.917/98 ART. 4°, II, DL N° 1.199/71. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1- Embora o Decreto-Lei n° 1.199/71 não faça menção expressa à exigência de motivação, a Exposição de Motivos do Decreto n° 2.917/98 justifica que a elevação da alíquota do IPI para 5% "tem o objetivo de ajustar a tributação do IPI sobre o açúcar, revogando-se em conseqüência, o Decreto no 2.501, de 18 de fevereiro de 1998, por não persistirem as razões que motivaram a atribuição de crédito presumido a estabelecimentos fabricantes para equalização dos preços do produto em todas as regiões do Pais". Desse modo, conclui-se que a medida enquadra-se nos escopos da política económica governamental a que se refere o art. 4 0 do Decreto-Lei no 1.199/71, não havendo violação desta norma pelo Decreto n° 2.917/98, criado com base no Poder Regulamentar que exerce o Presidente da República (art. 84, IV, da Constituição Federal). (STJ, Primeira Turma, REsp n° 710.458/MG, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005, p. 214) ADMINISTRATIVO. 11,98%. SERVIDORES PÚBLICOS. I RI N° 8.880/94. CONVERSÃO DE CRUZEIROS REAIS EM URV'S. REDUÇÃO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 58 Processo if 11516.00015212004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.714 1 - A conversão de que trata o art. 22, da Lei n°8.880/94) quanto aos vencimentos e proventos dos servidores públicos que têm a data de pagamento estabelecida em conseqüência do art. 168 da Constituição Federal, deve observar a data do efetivo pagamento. 11 - Interpretação sistêmica do conteúdo da Lei n° 8.880/94, cuja Exposição de Motivos proclamam a manutenção do poder aquisitivo dos trabalhadores e servidores públicos. 111 - Agravo interno desprovido. (STJ, Quinta Turma, Ag. Rg. No REsp n° 767.792/SP, Relator Ministro Gilson Dipp, DJ de 14/11/2005 p. 403) Segundo penso, é extreme de dúvidas o caráter interpretativo do artigo 129 da Lei n° 11.196/05. Não se pode olvidar que, nos termos do artigo 106, inciso 1, do Código Tributário Nacional — CTN, "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;", de modo que o item 001 do auto de infração é improcedente, conforme, inclusive, voto-vencido na decisão de primeira instância. O posicionamento adotado por este julgador é corroborado pela ampla maioria da doutrina que se debruçou sobre o tema. Nesse sentido, trago à colação excertos do Prefácio da obra citada nesta declaração de voto, de autoria do Secretário da Receita Federal no período 1995-2002, Sr. Everardo Maciel (fls. 07-09): Os lançamentos fiscais, no âmbito da prestação de serviços intelectuais, buscam tangenciar esse impedimento. Procede-se na prática à desconsideração de pessoa, ato ou negócio jurídico como se dissimulação houvera. Não se faz, todavia, alusão a prerrogativa que teria a administração fiscal, nos termos do assinalado art. 116, parágrafo único, do CI7V. Fala-se na esdrúxula figura do deslocamento de renda da pessoa jurídica para pessoa fisica. Cogita-se, também, da reclassificação de rendimentos, como se essa possibilidade não restasse limitada a uma mera revisão, no âmbito de um mesmo contribuinte, nas classes de rendimentos (isento para tributável, tributável exclusivamente na fonte para tributável na declaração de ajuste, etc.). Qualifica-se, por vezes, a infração como simulação, sem a aplicação de multa agravada, gerando uma contradição em termos, tendo em conta seu caráter, por suposto, doloso. As explicações oferecidas para a atitude assumida pelas autoridades fiscais, para além do que faculta a legislação aplicável, são pífias. Não se pode dizer que a tributação das pessoas jurídicas seja mais generosa que a das pessoas físicas. Simplesmente não são comparáveis. Os custos de urna pessoa 59 jurídica contratada, por exemplo, são significativos maiores do que os de uma pessoa física (contabilidade, salários e encargos sociais dos empregados, aluguel e tributos patrimoniais incidentes sobre respectiva sede, etc.). Ainda que fosse procedente o entendimento de que há desequilíbrio de tratamento, a equiparação dar-se-ia pela revisão das aliquotas praticadas, não pela desconsideração da pessoa jurídica contratada. Não cabe igualmente se falar em proteção ao trabalhador, entendido como sócio da pessoa jurídica prestadora de serviço, pois é ele justamente o alvo do auto de infração lavrado, o que revelaria uma profunda ironia. Nesse cenário de incongruências e insubsistências, o Congresso Nacional aprovou emenda à denominada 711/1P do Bem", que resultou no art. 129 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, pondo termo, em princípio, à insegurança jurídica vivida pelos prestadores de serviços intelectuais. Não foi exatamente assim, todavia. Quando considerado, no curso do processo administrativo fiscal, o art. 129 da Lei n' 11.196, de 2005, foi tido como norma que instituiu novo regime fiscal, ainda que não se saiba o que venha a ser tal regime. Os autores deste livro que abordaram especificamente a questão são unânimes em entender o efeito retroativo da norma. Quase todos a vêem como de caráter interpretativo, tese que também perfilho. Ninguém a compreende como marco de um novo regime fiscal, com efeitos a partir de sua vigência. De fato, a partir de 1997, em virtude do art. 55 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, se estabeleceu a integração na tributação da renda entre pessoas jurídicas e físicas, com isenção na distribuição dos resultados, sem qualquer distinção de tratamento no universo das pessoas jurídicas. Esse regime se contrapõe ao que vigorou entre 1988 e 1996, em que se admitia a compulsória distribuição aos sócios, no final de cada período- base, do lucro apurado em sociedade civis de prestação serviços de profissões regulamentadas. Essa distribuição ficava sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, a título de antecipação do que seria devido na declaração de ajuste da pessoa física. Portanto, desde 1997, a norma contida no art. 129 da Lei n° 11,196, de 2005, já produzia efeitos. Nas circunstâncias, sobre ser intetpretativa, ela tem também caráter quase tautológico. A insistência da administração fiscal em perceber de forma restritiva o comando do referido artigo 129 e o disfarçado recurso ao disposto no art. 116, parágrafo único, do C779 já dito como carente de norma que lhe dê concretude, é que certamente inspirou o legislador a introduzir o que veio a ser chamado de Emenda Três no projeto de lei, do qual resultou a Lei ré' 11.457, de 16 de março de 2007, que instituiu a Receita Federal do Brasil, Tal Emenda nada mais é que uma ordem de serviço, pois tão-somente lembra à autoridade administrativa que, ressalvadas as hipóteses de simulação, a desconsideração de ato ou negócio jurídico, sem autorização judicial, só poderia ocorrer com a aprovação, por lei ordinária, dos procedimentos 60 Processo n" 11516.000152/2004-51 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.147 Fls. 2.715 especiais reclamados pela parte final do parágrafo único do artigo 116 do CIN. A prestação de serviços intelectuais, na forma aqui tratada, ainda suscita outras indagações. Se a autoridade fiscal entende ilícita essa prática, por que, desde sempre, não esclareceu seu entendimento, mediante a edição de atos interpretativos? O contribuinte se inscreve no cadastro fiscal, pratica os atos contratuais pactuados com o contratante, recolhe com regularidade os tributos devidos pela pessoa jurídica, por que, então, se vê inopinadamente surpreendido com uma interpretação diversa do que sempre julgou licito? Seria o caso de se falar em deslealdade institucional? Ortega y Gasset, certa vez, nos ensinou que a "clareza é delicadeza do legislador para com o povo". Este livro demonstra à saciedade a natureza interpretativa e a legalidade do mencionado artigo 129 da Lei n° 11.196. Já não seria o tempo de cessar tão minúscula batalha, na perspectiva dos cofres públicos, a despeito da importância que tem para as atividades dos prestadores de serviços intelectuais, encerrando, assim, essa injustificada temporada de insegurança jurídica? Seria bom para o Pais. A transcrição foi longa, mas extremamente valiosa, pois demonstra que, no caso, inexistiu omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas, sendo improcedente a exigência fiscal com relação a este ponto. Também na obra citada, o Professor Roque Antonio Carrazza escreveu artigo chamado "O Caráter Interpretativo do Art. 129, da Lei n° 11.196/2005", cujas conclusões, extraídas das fls. 258 do livro, passo a transcrever: Tudo posto e considerado, só nos resta sumular as seguintes conclusões: 6.1. O artigo 129, da Lei n° 11.196/05, tem caráter meramente interpretativo, inclusive no que respeita à tributação por meio de imposto sobre a renda e de contribuição. 6.2. O dispositivo em foco limitou-se a explicitar situação tributária que, em matéria de imposto sobre a renda e de contribuição, sempre existiu para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais, em caráter personalíssimo ou não, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada e, no caso daquelas de profissão legalmente regulamentada, mereceu tratamento diverso apenas no período compreendido entre 1988 e 1996 (por força do disposto no art. 2°, do Decreto-lei n°2.397/87). 61 6.3. O artigo 129, da Lei n° 11.196/05, apenas esclareceu, de modo nítido e definitivo, que devem ser tributadas, inclusive por meio de imposto sobre a renda e de contribuição, as sociedades civis de prestação de serviços profissionais, e não as pessoas físicas que as integram. 6.4. A aplicação do artigo 129, da Lei n° 11.196105, há de ser feita em sintonia com o disposto no artigo 106, I, do CT/V, que é peremptório no sentido de que as leis tributárias interpretativas retroagem à data da entrada em vigor das leis tributárias interpretadas. Sob minha ótica, a matéria é clara e não comporta maiores digressões. No entanto, para quem ainda tem dúvida quanto ao cometimento de infração à legislação tributária por parte do recorrente, tenho como aplicável ao caso a regra prevista no artigo 112, inciso II, do CTN, segundo a qual "An. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) ii — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;" (Grifei) Com tais considerações relacionadas à improcedência do item 001 do auto de infração, acompanho o voto da Relatora. 0.4 GONÇALO BONS ALLAGE 62 -4 MINISTÉRIO DA FAZENDA :4.,4"Mtte CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ..41S,J20- 2' CAMARA/2° SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 11516.000152/2004-S1 Recurso n°: 154.280 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial no 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 106-17.147. Brasília/DF, .18 MAI giú 41 EVELINE COÊLHO DE , ELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção - Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10510.002578/91-60
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 1996
Ementa: FINSOCIAL - REFLEXO - É devida a contribuição ao Finsocial sobre
a receita comprovadamente omitida.
Numero da decisão: 102-40.413
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ramiro Heise
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-04T15:52:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-04T15:52:08Z; Last-Modified: 2009-07-04T15:52:08Z; dcterms:modified: 2009-07-04T15:52:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-04T15:52:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-04T15:52:08Z; meta:save-date: 2009-07-04T15:52:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-04T15:52:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-04T15:52:08Z; created: 2009-07-04T15:52:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-07-04T15:52:08Z; pdf:charsPerPage: 1123; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-04T15:52:08Z | Conteúdo => ..„--,z --'r - ,- MINISTÉRIO DA FAZENDA P• ",-- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';'''-"TC.:.‘'' PROCESSO Ne'. : 10510[002.578/91-60 RECURSO N°. : 84.009 MATÉRIA : FINSOCIAL/FATURAMENTO - EXS.: 1987 e 1985 RECORRENTE: SEBASTIÃO VITOR DOS SANTOS (FIRMA INDIVIDUAL) RECORRIDA : DRF - ARACAJU - SE SESSÃO DE : 11 DE JULHO DE 1996 ACÓRDÃO N°. : 102-40.413 FINSOCIAL - REFLEXO - É devida a contribuição ao Finsocial sobre a receita comprovadamente omitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SEBASTIÃO VITOR DOS SANTOS (FIRMA INDIVIDUAL), ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. d,.14........_ ANTONIO DE ftÉ ITAS DUTRA 'RE • E J - , i'41 ( N ... Á n !O HEISE 11 LA C t "i.' ' . -• -, ',31:'Ip FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: URSULA HANSEN, MARIA CLÉLIA_' :. it :, • 1, O) 11. à i • SÉ CLÓVLS_ALVES.,_SI TRU EFIGÊNIA_MENDES DE BRITTO, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFEONI. 2 MINIS'TÉIRIO DA FAZENDA 1:" PRIMEMO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/002.578/91-60 ACÓRDÃO N°. : 102-40.413 RECURSO 1\1°. : 84.009 RECORRENTE : SEBASTIÃO VITOR DOS SANTOS (FIRMA INDIVIDUAL) RELATÓRIO Trata-se de exigência de FINSOCIAL sobre omissão de receita operacional. O feito foi contestado, mantendo, no entanto, a decisão de 1° grau integralmente o lançamento Em seu recurso, a recorrente repete os argumentos utilizados na impugnação e no recurso ao processo principal relativo ao IRPJ, do qual o presente é decorrente. A peça recursal é tempestiva e foram cumpridas todas as demais formalidades legais, razão pela qual a recebo. É o Relatório. 3 ' - ,e;) MINISTÉRIO DA FAZENDA -1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/002.578/91-60 ACÓRDÃO : 102-40.413 VOTO CONSELHEIRO RAMIRO HEISE, RELATOR Constata-se nestes autos que o lançamento principal relativo ao IRPJ, do qual o presente é decorrente, foi integralmente mantido. Assim, e não havendo a recorrente apresentado nenhum elemento novo capaz de nos conduzir a rever a decisão relativa ao processo principal, voto no sentido de se negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessõ- DF, em 11 de julho de 1996. -* • è e HEISE Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.720308/2006-50
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1991
DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS. EXTENSÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Havendo decisão judicial concedendo direito creditório, não pode a Administração, por si, alargar os efeitos do provimento judicial, sob pena de ofender a unidade de jurisdição.
Numero da decisão: 3403-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator), Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz, que votaram no sentido de dar provimento parcial ao recurso para determinar que os cálculos da atualização monetária obedeçam ao determinado na decisão judicial até o advento da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de janeiro de 1996. Os Conselheiros Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz acompanharam o relator (vencido) pelas conclusões. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator), Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz, que votaram no sentido de dar provimento parcial ao recurso para determinar que os cálculos da atualização monetária obedeçam ao determinado na decisão judicial até o advento da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de janeiro de 1996. Os Conselheiros Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz acompanharam o relator (vencido) pelas conclusões. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator. ROSALDO TREVISAN - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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EFEITOS. EXTENSÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Havendo decisão judicial concedendo direito creditório, não pode a Administração, por si, alargar os efeitos do provimento judicial, sob pena de ofender a unidade de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator), Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz, que votaram no sentido de dar provimento parcial ao recurso para determinar que os cálculos da atualização monetária obedeçam ao determinado na decisão judicial até o advento da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de janeiro de 1996. Os Conselheiros Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz acompanharam o relator (vencido) pelas conclusões. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 08 /2 00 6- 50 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declarações de Compensação transmitidas por meio eletrônico a partir de 12/11/2003, no montante de R$ 2 293 076,34, decorrente de decisão judicial nos autos da Ação Judicial no 95.06006229, na qual a contribuinte requisitava a devolução dos valores a título de contribuição para o FINSOCIAL recolhidos com alíquota acima de meio por cento, referentes aos períodos de apuração de janeiro/1990 a outubro/1991. A decisão acolheu o parecer expressado no Despacho Decisório por estar compatível com sentença judicial transitada em julgado, onde restou fixado o Critério de atualização monetária e os juros, cuja parte dispositiva transcrevo: “Assim, inconstitucional apenas a exigência de alíquota superior a 0,5%. Quanto à correção monetária, no caso da restituição, deve ser acatada a tese e os índices oficiais. Devese observar, neste aspecto, o seguinte (limitandose, no entanto, as determinações posteriores aos limites temporais desta demanda). Os índices anteriores isto é, a partir de fevereiro de 1991 devem ser os seguintes. Aqui, devese vislumbrar alguns períodos distintos. Primeiramente, durante o seu período de existência, devese utilizar a BTN fiscal. Já, no período de 1° de fevereiro de 1.991 a março de 1991,deve ser utilizado o INPC expedido pelo IBGE. Este mesmo fator de correção deve ser utilizado ainda a partir de 1° de março de 1.991, quando da criação da Taxa Referencial. E, partir da edição da Lei 8.383/91, devese utilizar, por determinação expressa, a UFIR. Aliás, sobre a Taxa Referencial, devese mencionar o seguinte. Não acreditamos exato utilizarse da Taxa Referencial como fator de correção monetária. A Lei n° 8.177/91, parece se referir a esta taxa como de juro de mora. Assim, por exemplo, o seu art. 1º menciona a divulgação de seu valor a partir da remuneração mensal de diversos elementos ali indicados.ora, remuneração mensal de capital nada mais é do que juro. Inclusive, a Lei n° 8.218, de 29.08.91, em seu artigo 3 0 , I, é explicita ao mencionar que sobre os débitos para com a Fazenda, de qualquer natureza, incidirão juros de mora equivalente à TRD. Este dispositivo é indicativo claro da intenção de utilizar a Taxa Referencial como juro de mora e não como fator de correção monetária. No sentido da não utilização da TR como índice de correção, podese mencionar a seguinte decisão: "índices TR e IPC (FIPR) O índice TR não mede a inflação e, mesmo que a Lei no. 8.177/91 não excluísse, não podia ser • Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.720308/200650 Acórdão n.º 3403002.582 S3C4T3 Fl. 303 3 adotado, devendo substituirse pelo IPC (FIPR) Recurso provido para esse fim. (Relator Juiz Antônio de Pádua Ferraz Nogueira, 3' Câmara, j. 16.06.92, v.u., AP. n° 494.7397 São Paulo). O Despacho Decisório: “Neste ponto, merece destaque o fato de o Acórdão em estudo (fls. 69/75) utilizar como índices de correção monetária os abaixo tabelados, embora prolatado em 29 de setembro de 1997, portanto, já sob a égide da Lei n° 9.250/95: Período índice de Correção Até janeiro de 1991 1PC — IBGE De janeiro de 1991 a dezembro de 1991 INPC — IBGE. De janeiro de 1992 até o trânsito em julgado UFIR (Lei n°8.383/91) A partir do transito em julgado 1% ao mês. Da observação da planilha de atualização de créditos lavrada pelo interessado para a instrução desta peça (fls. 85 e 86), notase o uso de índices diferentes dos exarados no Acórdão em estudo. Ora, eventual divergência de entendimento. Neste ponto, merece destaque o fato de o Acórdão em estudo (fls. 69/75) utilizar como índices de correção monetária os abaixo tabelados, embora prolatado em 29 de setembro de 1997, portanto, já sob a égide da Lei n°9.250/95: Sustenta a Recorrente que o cálculo do indébito apresentado por ela teve como base a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 08/97, e, no artigo 39, 6o e 4oda Lei no 9.250/95 (Taxa SELIC). Em razões recursais alega que: “Instrução Normativa SRF 210/02 a ora Recorrente, deu sequência às Compensações, em estrita obediência ao § 4o dessa mesma IN, que assim estabelece: I A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF darseá na forma disposta nesta Instrução Normativa CASO A DECISÃO JUDICIAL NÃO DISPONHA SOBRE A COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS DO SUJEITO PASSIVO.” Disse também que no caso de liquidação administrativa não se aplica o que restou decidido judicialmente: “Isto posto, verificase que, a EXECUÇÃO DA SENTENÇA feita, de FORMA. ADMINISTRATIVA NÃO OBEDECE "IPSIS LITTERIS" O ACÓRDÃO DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL TRF Região haja visto, que na COMPENSAÇÃO nos termos da IN/SRF no 210/02, a ora Recorrente NÃO IRÁ RECUPERAR AS "CUSTAS PROCESSUAIS" BEM COMO OS "HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS” A QUE TINHA DIREITO”. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Assevera a Contribuinte que a partir de 01/01/1996 é inaceitável a hipótese da não aplicação de correção monetária com base na Taxa SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, impondo o conhecimento. A matéria trazida se refere exclusivamente à atualização monetária. A decisão recorrida sustenta que os cálculos seguiram o critério que restou determinado na sentença. O contribuinte elaborou os cálculos com base na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 8, de 27/06/1997, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/1996, nos termos do art. 39, parágrafo 4o da Lei no 9.250/1995. O cerne da questão encontra exatamente com relação ao critério adotado pelas partes, Fazenda Nacional e Recorrente, como se vê do inconformismo trazido em sede recursal. A sentença definiu os parâmetros para atuação monetária nos seguintes termos: “Devese observar, neste aspecto, o seguinte (limitandose, no entanto, as determinações posteriores aos limites temporais desta demanda). Os índices anteriores isto é, a partir de fevereiro de 1991 devem ser os seguintes. Aqui, devese vislumbrar alguns períodos distintos. Primeiramente, durante o seu período de existência, devese utilizar a BTN fiscal. Já, no período de 1° de fevereiro de 1.991 a março de 1991, deve ser utilizado o INPC expedido pelo IBGE. Este mesmo fator de correção deve ser utilizado ainda a partir de 1° de março de 1.991, quando da criação da Taxa Referencial. E, partir da edição da Lei 8.383/91, devese utilizar, por determinação expressa, a UFIR.” Não há dúvida de que a atualização monetária deve obedecer ao dispositivo contido na sentença. No entanto, o comando sentencial manda observar os limites temporais da demanda, em sendo assim, tenho que a obediência ao que restou definido em relação aos índices aplicase até a edição de norma específica, que é o caso da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 8, de 27/06/1997, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/1996, nos termos do 39, parágrafo 4o da Lei no 9.250/1995, sendo que essas são as diretrizes normativas que substituíram a Lei no 8.383/1991, definindo parâmetros. Observo que o juro de 1% (um por cento) deve ser aplicado até o trânsito em julgado da decisão, como consta da sentença. Assim, a Taxa SELIC só pode ser aplicada após o transcurso temporal ali citado, visto tratarse de juros. Quanto a este fato, mesmo que cause prejuízo financeiro a Recorrente, não se vislumbra a possibilidade de aplicação simultânea de dois percentuais de juros sobre o mesmo valor. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.720308/200650 Acórdão n.º 3403002.582 S3C4T3 Fl. 304 5 Embora demonstrado o ponto divergente entre a decisão atacada e o entendimento da Recorrente, tenho que se aplicam ao caso as diretrizes editadas após edição da Lei no 8.383/91, haja vista ser a última mencionada pelo comando dispositivo da sentença. Assim, pareceme que os índices indicados deveriam ser aplicados dentro do lapso temporal até o surgimento de outra orientação. A fundamentação de que aplicou à risca a determinação judicial deve ser revista em razão de não estar coerente com o próprio comando sentencial. Do mesmo modo a sustentação da Recorrente não merece prosperar em sua totalidade, pois essa só passa ser pertinente após edição da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 8, de 27/06/1997, e após incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/1996, nos termos do 39, parágrafo 4o da Lei no 9.250/1995. Com essas considerações, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para determinar que os cálculos da atualização monetária obedeçam ao determinado pela sentença até a regulamentação advinda a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 8, de 27/06/1997, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/1996, nos termos do 39, parágrafo 4o da Lei no 9.250/1995. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado A discussão presente nos autos se refere exclusivamente ao critério de atualização monetária de créditos decorrentes de decisão judicial. Assim, mister se faz, de início, verificar qual o provimento judicial assecuratório do crédito. Na ação ordinária de repetição de indébito de no 95.06006229 (fls. 54 a 661), a empresa solicita restituição, a ser acrescida de juros de 1% ao mês a partir da citação, e correção monetária entre a data dos recolhimentos indevidos e a data de devolução das quantias (fl. 66). O provimento, em primeira instância (fl. 74), é no sentido de acatar “os índices oficiais”, limitados às “determinações posteriores aos limites temporais da demanda”, devendo os índices anteriores ser determinados: pelo BTN fiscal (durante seu período de existência); pelo INPC expedido pelo IBGE (de fevereiro a março de 1991, e a partir de março, com a criação da TR); e pela UFIR (a partir da Lei no 8.383/1991). No TRF da 3a Região, decidese (fls. 83/84) que: “A correção monetária incide nos termos da Súmula no 162 do Superior Tribunal de Justiça e deverá ser calculada segundos os percentuais do IPC divulgados pelo IBGE até janeiro de 1991; de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991, com base nos percentuais do INPC do IBGE (Lei no 8.117/91); e, a partir de janeiro de 1992, segundo os percentuais da UFIR (Lei no 8.383/91), na forma dos precedentes do Superior Tribunal de Justiça (Embargos de Divergência no RESP no 36.519SP, Relator Ministro William Paterson, D.J. 27.11.95; RESP no 71.774RJ, Relator Ministro Demócrito Reinaldo, D.J. 27.11.95). Ressalto que o percentual aplicável no mês de janeiro de 1989 é o de 42,72% (Recurso Especial no 43.055SP, Relator Ministro Sálvio de Figueiredo). Os juros de mora são devidos à taxa de 1% (um por cento) ao mês, a partir do trânsito em julgado da sentença, nos termos dos arts. 161, parágrafo 1o e 167, parágrafo único do Código Tributário Nacional.” Reparese que o julgamento que resulta no acórdão emitido pelo TRF3 ocorre em 29 de setembro de 1997 (fl. 86), data em que já estavam em vigor tanto a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 8, de 27/06/1997, quanto a Lei no 9.250/1995. Assim, não assiste razão à recorrente em tentar obter administrativamente provimento diferente daquele obtido em juízo. A tabela constante do despacho decisório emitido pela unidade local da RFB (fl. 147) utiliza os índices tal qual fixados na decisão judicial. E nem poderia fazêlo diferente, sob pena de ofender à unidade de jurisdição. Da mesma forma, a DRJ, ao apreciar a manifestação de inconformidade da empresa, percebe que os índices de correção e os juros foram judicialmente fixados. 1 Todos os números de folhas indicados neste voto vencedor são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.720308/200650 Acórdão n.º 3403002.582 S3C4T3 Fl. 305 7 Em sede de recurso voluntário, argumentase que a autoridade administrativa deveria ter usado os índices de correção constantes da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no 8, de 27/06/1997, e os juros com a Taxa SELIC, conforme a Lei no 9.250/1995. Ocorre que, como já exposto, o provimento obtido judicialmente (em data posterior tanto à Norma de Execução quanto à Lei) fixa estritamente os índices de correção. Houvesse, no caso, omissão do Poder Judiciário quanto aos índices de correção, poderia ser aplicada a tabela que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal, conforme REsp no 1.112.524/DF, julgado na sistemática dos recursos repetitivos (de observância obrigatória pelo CARF, por força do art. 62A de seu Regimento Interno). Mas tal omissão não existiu, tendo o Poder Judiciário fixado exatamente os índices de correção e os juros aplicáveis. Fosse ainda o provimento judicial definitivo emitido antes da própria existência da Taxa SELIC, ou do estabelecimento em Norma de Execução dos critérios de correção monetária, discutível seria o alargamento da decisão judicial em face de legislação posterior, o que já encontraria precedentes na Solução de Consulta Interna COSIT no 10, de 11/03/2005. Mas, no caso em análise, no qual o provimento judicial definitivo foi emitido posteriormente às normas que a recorrente deseja que sejam aplicadas a seus pedidos, não há como a Administração aplicálas se a decisão judicial indica critérios diversos de correção e de juros, pois estaria a negar o provimento judicial, e a afrontar a unidade de jurisdição. Ainda que exista norma vigente estabelecendo “X”, se o provimento judicial fixou “Y”, não pode a Administração simplesmente ignorálo, ou relativizálo em face de norma que, digase, já era vigente quando da prolação da decisão definitiva. Cabe ainda destacar, em virtude do acima indicado, que a sequência de precedentes trazidos em sede de recurso voluntário, além de não vincular o julgamento administrativo, não guarda correspondência com as circunstâncias do caso em análise, aqui detalhadamente descrito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11516.007024/2008-61
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Qualquer que seja o modo de pagamento ao trabalhador do vale transporte, não há alteração de sua natureza indenizatória, razão pela qual é impossibilitada a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas desta natureza. Entendimento pacificado dos Tribunais Superiores.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência até a competências 09/2003 nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. E no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Qualquer que seja o modo de pagamento ao trabalhador do vale transporte, não há alteração de sua natureza indenizatória, razão pela qual é impossibilitada a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas desta natureza. Entendimento pacificado dos Tribunais Superiores. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 70 24 /2 00 8- 61 Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência até a competências 09/2003 nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. E no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007024/200861 Acórdão n.º 2403002.081 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 2637/2654, interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis/SC, fls. 2610/2634, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para exonerar o crédito previdenciário de R$ 224.710,68, mantendose o montante de R$ 2.169.873,61 (dois milhões cento e sessenta e nove reais oitocentos e setenta e três reais e sessenta centavos). A presente autuação foi consubstanciada no DECBAD nº. 37.151.0066 (Parte Patronal), referente ao período de 01/2003 a 12/2007, no que concerne a Vale Transporte pago em pecúnia. O Relatório Fiscal, fls. 168/174, evidencia os seguintes fatos: 2.1. No desenvolvimento do procedimento fiscal, constatouse que a empresa realizou, de 01/2003 a 12/2007, pagamentos habituais a seus segurados empregados a título de transporte. (...) 2.6. Do exposto, concluise que o pagamento de transporte em pecúnia caracterizase como saláriodecontribuição. Tais verbas caracterizamse como verdadeira remuneração por serviços prestados, incorporandose ao patrimônio dos trabalhadores. 2.7. Este entendimento prospera ainda que os pagamentos sejam, eventualmente, realizados por força de acordo ou convenção coletiva, uma vez que tais instrumentos de negociação entre empregadores e trabalhadores não tem o condão de afastar a aplicabilidade das normas tributárias. (...) 3.1. Face aos fatos narrados, é realizado o presente lançamento fiscal, com o objetivo de constituir os créditos previdenciários relativos às seguintes contribuições, ambas incidentes sobre a remuneração de segurados empregados: a) contribuição básica da empresa (20%); b) contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (2%). 3.2. Além das contribuições devidas pela empresa, foram lançadas as contribuições devidas pelos segurados (AI nº 37.151.0007) e as contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos (AI nº 37.197.4984). 3.3. Os valores lançados encontramse discriminados mensalmente, por estabelecimento, no Relatório de Lançamentos – RL integrante deste Auto de Infração, segundo Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 os códigos de proventos que foram utilizados para pagamento em folha a título de transporte (os códigos e descrições mencionados foram estabelecidos pela empresa). 3.4. Para a correta apuração das bases de cálculo, foram deduzidos, dos valores dos proventos listados acima, os descontos realizados em folha de pagamento relacionados com o fornecimento de transporte em pecúnia, os quais foram identificados pela empresa em atendimento ao TIAD nº 04. (...) 4.1. No curso de procedimento de fiscalização, a empresa apresentou cópias de certidão objeto e pé, petição inicial, liminar e sentença proferida no Mandado de Segurança Coletivo n. 1999.61.00.0456685, impetrado pelo então denominado Sindicato das Empresas de Asseio de Conservação do Estado de São Paulo – SINDICON (atualmente, SEACSP). A petição inicial é datada de 10/09/1999 e a sentença, de 25/05/2001, assegurou aos associados da impetrante a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre valetransporte pago em pecúnia. Atualmente, apelação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS relativa ao mesmo mandado de segurança encontrase aguardando decisão no TRF da 3ª Região. 4.2. Por meio do TIAD n. 06, intimouse a empresa a comprovar que se encontrava filiada ao citado sindicato à época da propositura da ação em questão. Em atendimento à intimação foi apresentada declaração de filiação desde 19/11/2002. 4.3. Portanto, a empresa não está amparada pela decisão judicial apresentada, não havendo base para a suspensão da exigibilidade das contribuições objeto deste lançamento fiscal. 4.4. Adicionalmente, há que se destacar que, do total das contribuições ora lançadas, no valor originário de R$ 1.464.453,21, apenas R$ 3.700,86 (ou seja, 0,25%) referemse a contribuições incidentes sobre a remuneração de trabalhadores lotados no estabelecimento 00.482.840/000561, que vem a ser a filial da empresa localizada em São Paulo, base territorial do sindicato que impetrou a ação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 231/263. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007024/200861 Acórdão n.º 2403002.081 S2C4T3 Fl. 4 5 Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, DRJ/FNS, prolatou o Acórdão n° 07 29.571, fls. 2610/2634, julgando a impugnação parcialmente procedente para exonerar o crédito previdenciário relativo à competências que se encontravam decadentes, mantendose, contudo, os demais valores mencionados anteriormente mencionados no relatório. Segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 VALETRANSPORTE. A concessão de vale transporte em desacordo com a lei específica integra o salário de contribuição conforme o disposto no artigo 28, § 9º, alínea ‘f’, da Lei 8.212, de 1991. CONVENÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO. As Convenções Coletivas de Trabalho, no que tange à matéria tributária, não se sobrepõe à lei e não pode ser oposta à Fazenda Pública para o não pagamento de contribuição previdenciária. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 280/2006. VIGÊNCIA. A possibilidade legal de pagamento em pecúnia do vale transporte ocorreu apenas no período entre a publicação da MP nº 280 e a revogação do artigo 4º desta pela MP nº 283, de 23/02/2006. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, com a edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. Verificando Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 se nos autos a regular ciência e prorrogação do MPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, sob pena de preclusão, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PERÍCIA. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindoo se a entender desnecessária, protelatória ou impraticável, ou ainda, não conhecêlo quando o requerimento não preencher os requisitos legais. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à disposição literal da lei, quando não comprovado que o contribuinte figurou como parte na referida ação judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 11.941, DE 2009. ART. 106, CTN. ART. 35 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. São aplicáveis às multas nos lançamentos de ofício, quando benéficas, as disposições da novel legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Fls. 2637/2654) alegando, em síntese, a não incidência de contribuição previdenciária sobre vale transporte pago em pecúnia, amparandose em diversos julgados dos Tribunais Superiores e do CARF e da aplicação mais benéfica da multa de mora. É o relatório. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007024/200861 Acórdão n.º 2403002.081 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 2666, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Na esteira do entendimento esposado, verificase, então, o equívoco do acórdão da DRJ quando reconheceu a decadência apenas das competências que possuíam antecipação de pagamento tanto ao INSS quanto a Outras Entidades. Assim, diante dos dados fornecidos pela DRJ acerca da existência de antecipação de pagamento, fls. 2621/2622, cujas autoridades fiscais possuem fé de ofício nas informações que prestam, são suficientes para que se aplique o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/2003 a 12/2007, inclusive o 13º salário. A notificação ocorreu em 09/10/2008, fl. 04. Portanto, temse que a decadência fulminou os créditos previdenciários referentes aos fatos geradores ocorridos entre 01/2003 a 09/2003. MÉRITO VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: “Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007024/200861 Acórdão n.º 2403002.081 S2C4T3 Fl. 6 9 de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias”. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, o vale transporte não é incluído no conceito de salário de contribuição, nos termos do art. 2º da Lei 7.418/85, in verbis: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas da concessão de valetransporte, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento da sua residência ao trabalho e viceversa. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão do entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 art.5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos. (STJ. 816829 RJ 2008/02249664, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 14/03/2011, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 25/03/2011) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007024/200861 Acórdão n.º 2403002.081 S2C4T3 Fl. 7 11 totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, este Conselho reúne inúmeros julgados que seguem o mesmo raciocínio dos Tribunais Superiores, conforme a seguir são transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 (...) VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 15758.000509/200832. Acórdão nº. 240102.093 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 26 de outubro de 2011) ************************************************* ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 (...) VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA, NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO. DECRETO 95.247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85. Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em, pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto a. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n. 7418/85. (...) Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 14041.001.393/200862. Recurso de Ofício e Voluntário nº. 561.928. Acórdão nº. 230101.591 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 08 de julho de 2010) ************************************************ ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. VALE TRANSPORTE. VALOR PAGO EM DINHEIRO. NÃO INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. LEI 7.418/85. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. No presente caso aplicase a regra do artigo 173, inciso 1, do CTN, haja vista se tratar de auto de infração lavrado em desfavor do contribuinte por descumprimento de obrigação acessória. O valetransporte pago em espécie pela empresa não integra o salário de contribuição, ou seja, o beneficio não tem caráter salarial, porquanto está de acordo com a legislação que trata do assunto, em especial ao disposto no artigo 2º, da Lei n. 7.418/85. O beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010) Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007024/200861 Acórdão n.º 2403002.081 S2C4T3 Fl. 8 13 Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em pecúnia a título de vale transporte, razão pela qual a autuação em epígrafe deve ser anulada. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do recurso, para, preliminarmente, reconhecer a decadência parcial, até a competência de 09/2003, e, no mérito, dar provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13603.720094/2008-55
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004
RECURSO AVIADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO.
Revela-se perempto o recurso aviado após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância, cujo envio se deu por via postal. Excetua-se no condizente ao co-obrigado Ivagro Agropecuária Ltda, manifestamente tempestivo.
ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A não contestação expressa da imputação fiscal e os fatos apontados na autuação pressupõe a concordância da co-obrigada quando de sua impugnação e indica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Afasta-se a responsabilidade tributária de terceiros não integrantes do quadro societário do sujeito passivo quando não restar suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1102-000.822
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso interposto por Cema – Central Mineira Atacadista Ltda, VAM Empreendimentos e Participações Ltda, Antonio Vilefort Martins, Márcio Vilefort Martins e Virgílio Vilefort Martins, em razão da intempestividade do recurso. Quanto ao recurso da empresa Ivagro Agropecuária Ltda, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, afastar a responsabilidade solidária do 124, I, do CTN, e não conhecer das demais razões de mérito, em razão de preclusão.
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004 RECURSO AVIADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO. Revela-se perempto o recurso aviado após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância, cujo envio se deu por via postal. Excetua-se no condizente ao co-obrigado Ivagro Agropecuária Ltda, manifestamente tempestivo. ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A não contestação expressa da imputação fiscal e os fatos apontados na autuação pressupõe a concordância da co-obrigada quando de sua impugnação e indica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Afasta-se a responsabilidade tributária de terceiros não integrantes do quadro societário do sujeito passivo quando não restar suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 RECURSO AVIADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO. Revelase perempto o recurso aviado após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância, cujo envio se deu por via postal. Excetuase no condizente ao coobrigado Ivagro Agropecuária Ltda, manifestamente tempestivo. ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A não contestação expressa da imputação fiscal e os fatos apontados na autuação pressupõe a concordância da coobrigada quando de sua impugnação e indica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Afastase a responsabilidade tributária de terceiros não integrantes do quadro societário do sujeito passivo quando não restar suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 00 94 /2 00 8- 55 Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.514 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso interposto por Cema – Central Mineira Atacadista Ltda, VAM Empreendimentos e Participações Ltda, Antonio Vilefort Martins, Márcio Vilefort Martins e Virgílio Vilefort Martins, em razão da intempestividade do recurso. Quanto ao recurso da empresa Ivagro Agropecuária Ltda, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, afastar a responsabilidade solidária do 124, I, do CTN, e não conhecer das demais razões de mérito, em razão de preclusão. documento assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Em foco recurso voluntário visando à reforma da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo HorizonteMG que julgou procedentes os lançamentos efetuados em 03/06/2008 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em ContagemMG com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda na Fonte (IRFON), acrescidos de multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). As exigências do IRPJ e CSLL, operadas pelo regime do lucro real anual, afetas aos anoscalendário de 2003 e 2004, decorrem da glosa de custos representados pela contabilização de 507 (quinhentas e sete) notas fiscais de aquisição de mercadorias para revenda cuja imputação fiscal encontrase no sentido de se tratarem de documentos inidôneos em vista dos emitentes serem inexistentes de fato ou de fachada ou, quando verdadeiramente existentes, terem negado relações comerciais com a autuada, aliado ao fato dos pagamentos, nos casos em que localizada a escrituração, terem sido efetuados em espécie ou por dação em pagamento com Títulos da Dívida Pública já prescritos. Já a exigência do IRFON decorre da imputação fiscal dos pagamentos efetuados em espécie serem considerados sem causa ou a beneficiário não identificado, cuja contabilização encontrase a crédito na conta CAIXA nº 1.1.01.01.0001. O Fisco também lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Márcia Vilefort Martins e VAM Empreendimentos e Participações Ltda., sócios da autuada, ao Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.515 3 entendimento de terem interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores tributários, na forma do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), bem assim, em nome de Márcio Vilefort Martins, Antonio Vilefort Martins e Virgílio Vilefort Martins por serem quotistas da sócia majoritária (VAM Empreendimentos) e também por serem os efetivos administradores da autuada, incursos, dessa forma, na responsabilidade prevista no artigo 135, inciso III, do CTN. Finalmente, também foi imputada a solidariedade passiva a Ivagro Agropecuária Ltda., gerenciada e administrada por Virgílio e Antonio, ao fundamento de que a comunhão de recursos financeiros entre as empresas e a assunção de avais em empréstimos tomados pela autuada no mercado financeiro e ainda a cessão de seus imóveis para a contribuinte exercer atividades mercantis caracterizam o interesse comum preconizado pelo artigo 124, I, do CTN. Também foi consignado que a multa de ofício fora qualificada para 150% (cento e cinquenta por cento) com base no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ante a caracterização de conduta dolosa adotada pelo sujeito passivo que visava impedir ou retardar a ocorrência e o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, dos fatos geradores das obrigações principais, inclusive natureza e circunstâncias materiais, enquadrandose, o contribuinte, nas hipóteses previstas nos artigos 71, inciso I, e 72, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Impugnando os lançamentos a contribuinte suscitou preliminar de decadência do direto fiscal no lançamento dos tributos cujos fatos geradores ocorreram entre janeiro a maio de 2003 em vista do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, tendo em vista a ciência do auto de infração em junho de 2008. Quanto ao mérito, aduziu serem fantasiosas as imputações fiscais na medida em que os Atos Declaratórios de não habilitação fiscal baixados pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais são posteriores à realização das compras e vendas firmadas com seus fornecedores, enquanto as diligências do fisco federal foram realizadas recentemente, por volta de cinco anos após a ocorrência das operações comerciais e sem efetiva comprovação de que não existiu a efetiva entrada (e pagamento) das mercadorias em seu estabelecimento. Pugnou pela recomposição da receita tributável nos períodos posteriores, pois, se o fisco entendeu que não houve a entrada da mercadoria caberia então indagar como pode ser exigido IRPJ, CSLL e IRFON referentemente à receita apurada com a saída dessas mercadorias nas operações futuras. Ressaltou que é prática corriqueira no mercado o pagamento de fornecedores diretamente através do caixa, com cheques de terceiros ou mesmo borderôs bancários. Ainda, que é impossível a convivência simultânea de duas exações que, no contexto em que são exigidas, são reciprocamente excludentes. Dessa forma, ou os custos existem e não podem ser glosados para efeitos de recomposição dos lucros (IRPJ/CSLL); ou não existem e não há falar em lançamento do IRFON por entendimento de pagamento a beneficiário não identificado. Argumentou, ainda, que a multa de 150% seria imprópria e confiscatória, inexistindo provas inequívocas que pudessem ensejar o entendimento da prática de conduta fraudulenta exigida pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Também, que se houvesse o dolo não teria escriturado as receitas em sua contabilidade ou prontamente apresentado à Fiscalização os diversos documentos por ela solicitados. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.516 4 Após discorrer sobre a ilegalidade da cobrança de juros à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) requereu, alternativamente, o relevamento da multa e a redução dos juros ao patamar de 1% ao mês, a incidirem, ainda, tão somente sobre o principal e não sobre a pena pecuniária. Os arrolados sujeitos passivos solidários também aviaram impugnações, individualmente, discutindo tão somente a declaração fiscal de solidariedade, isto é, não adentrarem ao mérito das exigências. O Sr. Márcio Vilefort Martins argumentou que não é, e nunca foi, sócio da autuada, muito menos tem ou teve poderes de gerência sobre ela, enquanto a Sra. Márcia Vilefort Martins e VAM Empreendimentos e Participações Ltda. argüiram que, embora sejam sócios jamais possuíram poderes de gerência e nunca receberam qualquer quantia da empresa. Todos asseveraram ser inaplicável o artigo 124, I, do CTN na medida em que este dispositivo não visa instituir uma nova espécie de responsabilidade indireta e mesmo que assim não se entenda ele não pode ser aplicado à hipótese porque a expressão “interesse comum” exige a prática em conjunto nos negócios jurídicos ensejadores do fato gerador, a par desta expressão não poder ser confundida com interesse econômico. Os Srs. Virgílio e Antonio Vilefort Martins também pugnaram pela inaplicabilidade do artigo 124, I, do CTN, com as mesmas razões expendidas pelos solidários anteriores, e argumentaram que o critério para atribuir a responsabilidade prevista no artigo 135, inciso III do Código não se resume ao simples fato de gestão da sociedade, sendo preciso estar presente a culpa subjetiva, bem assim, que a Fiscalização se eximiu de comprovar os atos, de forma individual, que pudessem justificar a inclusão no pólo passivo. Por sua vez, o apontado sujeito passivo solidário Ivagro Agropecuária Ltda. também argumentou idênticas razões de inaplicabilidade do artigo 124, I, do CTN, e acrescentou que seu caso é ainda mais grave do que os demais supostos coobrigados porque, além de não possuir poderes de gerência, sequer possui ligação societária com a autuada. Argüiu, também, que o fato de ter emprestado a quantia de R$ 1.210.000,00 à autuada e de lhe ter cobrado juros de R$ 83.250,00 não poderiam causar tanta estranheza, bastando compulsar os faturamentos das duas empresas para se concluir que não se trata de caixa único, sem contar que inexiste obrigatoriedade legal para a cobrança de juros. Ainda, que a assunção de aval em empréstimo tomado pela autuada junto a instituição bancária de fomento se justifica em razão da identidade de sócios controladores Aquela 2ª Turma de Julgamento admitiu as impugnações, refutou a preliminar de decadência e entendeu procedente o lançamento de IRFON e parcialmente procedente os lançamentos de IRPJ e CSLL, como também, procedentes as declarações fiscais de sujeição passiva solidária, exceto em relação à Sra. Márcia Vilefort Martins em razão de não ter gerenciado ou administrado a autuada no período. O Acórdão nº 0218.824, tomado por unanimidade de votos, assim se expressou: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.517 5 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício será qualificada no percentual de 150 %, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. JUROS DE MORA TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. Não são dedutíveis na apuração do lucro real os custos contabilizados, cujos correspondentes documentos fiscais foram declarados inidôneos. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS Emitidas as correspondentes notas fiscais de devoluções de mercadorias, Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.518 6 ainda que referentes a supostas operações mercantis, é cabível o acerto do lançamento pautado em glosas de custos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2003, 2004 PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DE BENEFICIÁRIO E RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa.” Cientes do decisório em 09 e 15 de setembro de 2008, fls. 1.409v/1.410, os interessados (exceto a Sra. Márcia Vilefort Martins) aviaram em 13 do mês seguinte o recurso de fls. 1.413/1.472, desta vez em petição conjunta, no qual suscitam a nulidade do Acórdão recorrido em vista da violação do direito de defesa caracterizado pelo fato de ter se omitido quanto a uma das teses fundamentais apresentadas pela defesa e consubstanciada no laudo anexado na impugnação, o qual comprova definitivamente a tributação da saída das mercadorias cujas notas de entradas foram glosadas. Reafirmam a incidência do fenômeno decadencial quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro a maio de 2003 e reprisam as razões de impugnação. Ao final, requerem o provimento do recurso para que se dê o cancelamento dos autos de infração e a exclusão dos coobrigados, bem assim, em caráter alternativo, a exclusão da multa ou sua redução para o menor patamar legalmente possível e ainda a substituição dos juros à taxa Selic para o percentual de 1% (um por cento) ao mês previstos no CTN, incidentes apenas sobre o principal dos tributos. O processo foi incluído na pauta de julgamento da Terceira Turma Ordinária desta Câmara no dia 14 de março de 2012, em vista deste relator integrar aquele colegiado à época, ocasião na qual suscitei a perempção do recurso, exceto no que condiz com a co responsável Ivagro Agropecuária Ltda, isso porque os demais peticionários, inclusive a autuada, foram cientificados da decisão de primeira instância em 09 de setembro de 2008 e somente em 13 de outubro seguinte a peça recursal fora protocolizada na Delegacia da Receita Federal do Brasil em ContagemMG, consoante carimbo de protocolo aposto em sua página de rosto, fl. 1.413. Houve a suspensão do julgamento diante da argüição do ilustre patrono que procedeu a sustentação oral, Dr. Henrique Machado Rodrigues de Azevedo (OAB/MG 89.368), no sentido de que averiguaria a possibilidade do recurso ter sido encaminhado por via postal. Seguiuse petição dos Recorrentes apresentando um documento denominado “comprovante do cliente”, emitido às 20:55 horas do dia 09/10/2008 pela Agência dos Correios do BH SHOPPING, bairro Belvedere, em Belo HorizonteMG, que descreve o objeto SEDEX nº S0163285810BR endereçado para o código de endereçamento postal (CEP) nº 32310210 e Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.519 7 um outro denominado “CORREIOS S0163285810BR Histórico do Objeto” reprisando data, hora e local já citados e ainda a situação “postado”. Na sessão seguinte, havida em 10 de abril de 2012, aquele Colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência. Por força da Resolução nº 110300.046 foi determinado o retorno dos autos à origem para que os Recorrentes fossem intimados à apresentação de cópia ou original do “aviso de recebimento – AR”, bem assim, para que a autoridade preparadora prestasse informações suplementares. Desse decisório, colho os seguintes excertos: “Ao longo dos debates travados na Sessão de Julgamento articulou o digno patrono dessas partes, Dr. Henrique Machado Rodrigues de Azevedo, que o recurso dos primeiros seria tempestivo, ocasião em que juntou a petição e documentos de fls. 1.474/1.477, ao pressuposto que o mesmo fora postado em agência de correios no dia 09 de outubro. Ocorre que referidos documentos apenas dizem que em 09/10/2008 fora postada uma correspondência, objeto n° S0163285810BR, para o CEP 32310210, é dizer, não identificam a unidade da Receita Federal como sendo o órgão endereçado, nem tampouco o conteúdo (número do processo). Embora conste dessa documentação que o destinatário (não identificado) se encontra no Código de Endereçamento Postal (CEP) n° 32310210, que se refere ao logradouro Avenida José Faria Rocha do n° 2.402 ao fim, no município de ContagemMG, e no qual se situa a unidade administrativa da Receita Federal, fato é que nele também se encontram outras repartições públicas como, por exemplo, a Subseção da Justiça Federal e a projeção da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG). Portanto, referidos documentos revestemse de meros indícios. Assim, desatendidos os preceitos insertos nas alíneas "a" e "b" do Ato Declaratório Normativo CST n° 19, de 26 de maio de 1997, que estatuem: “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo; c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso" Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.520 8 Não consta dos autos qualquer envelope postal, de sorte que os ditames da alínea "c" transcrita não socorrem a tese de tempestividade recursal. Levantaramse, então, duas hipóteses no sentido do aprofundamento da matéria: 1) a intimação da Recorrente para que apresentasse o original ou cópia "aviso de recebimento AR" e 2) que a repartição preparadora informasse acerca da eventual existência de controle de correspondências recebidas e, caso positivo, se existem registros de entrada da petição em comento.” Regularmente intimados, mediante entrega de cópia da Resolução em comento, os interessados aviaram petição pela qual deduzem que interpelaram a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, vindo resposta no sentido de que o objeto S0163285810BR foi postado no dia 09/10/2008 e entregue no CEP 32310210 em 10/10/2008. Ao final, assim arrematam: “Finalmente, caso todas as informações e documentos não bastassem para comprovar inequivocamente a tempestividade do Recurso Voluntário em questão, os Recorrentes ressaltam que não podem ser prejudicados em decorrência de um equívoco que também foi realizado, data venia, pela própria instância preparadora. Isso porque o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 19/1997, que regulamenta a remessa postal no âmbito do processo administrativo fiscal, é claro em determinar que o órgão destinatário anexará cópia do aviso de recebimento (AR) aos autos, sendo que na impossibilidade de obtenção da cópia desse AR, a tempestividade será aferida pelo carimbo aposto pelos Correios no envelope, de forma que é responsabilidade do órgão destinatário a juntada desse documento aos autos, o que não foi realizado no presente caso.” A autoridade preparadora, por sua vez, registrou que cientificou os interessados da Resolução e facultoulhes a apresentação do aviso de recebimento (AR), sendo passados 30 (trinta) dias sem que tenha ocorrido. Ainda, consignou que inexiste na repartição qualquer envelope ou outro instrumento dando conta de recebimento postal. É o relatório, na síntese que foi possível. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual. Contudo, a peça recursal apresentada, no que toca à autuada e aos co obrigados Márcio Vilefort Martins, Virgílio Vilefort Martins, Antonio Vilefort Martins e VAM Empreendimentos e Participações Ltda, não atende ao requisito de admissibilidade no que tange à regularidade temporal, assim prevista no Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.521 9 “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ................................................................................................. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Com efeito, referidos interessados foram cientificados da decisão de primeira instância em 09 de setembro de 2008, uma terçafeira, iniciandose a contagem no primeiro dia útil seguinte, quartafeira dia 10, de sorte que o lapso de trinta dias findou em 09 de outubro daquele ano, uma quintafeira. Conforme protocolo inserto na página de rosto da petição de fl. 1.413 somente em 13 de outubro a resistência foi apresentada, portanto, fora do prazo legal. De tudo quanto se discutiu acerca da alegação dos interessados no sentido da utilização da via postal para remessa da petição recursal, remanesce incólume e inafastável a seguinte realidade: a cópia ou original do “aviso de recebimento – AR” não veio aos autos. A documentação juntada pelos interessados, seja o “comprovante do cliente” ou o “histórico do objeto” não lhe fazem as vezes, não porque denominados diferentemente, mas sim por absoluta inexistência de correlação e/ou identificação quanto àquilo que fora postado. Cumpre ter em mente que a prova da apresentação de documentos em meio físico à Administração tributária operase, a rigor, no protocolo efetuado nas repartições mediante carimbo mecânico ou manual aposto na peça originária e na cópia mostrada pela contribuinte, ou documento que o valha. Querendo, o contribuinte não precisa dirigirse à repartição de seu domicílio fiscal, sendolhe facultada a apresentação em qualquer unidade da Receita Federal. Tendo em vista que nem todos os municípios brasileiros possuem representações do órgão fiscal, aliás a maioria não possuem, cuidou o legislador administrativo, com a edição do Ato Declaratório Normativo CST n° 19, de 26 de maio de 1997, em regulamentar a opção postal que, uma vez exercida, requisita do contribuinte, necessariamente, fazêla com a utilização do instrumento denominado “aviso de recebimento – AR”, no qual deverá constar o órgão ou a autoridade administrativa destinatária da remessa e também o número do processo administrativo, se já existente. O endereçado, por sua vez, deverá intimar o remetente para que apresente cópia ou original desse “aviso de recebimento – AR” e encartálo aos autos, facultada ao agente público a substituição deste procedimento com a mera juntada do envelope que trouxe a documentação, desde que neste conste e seja visível o carimbo aposto pelos correios mostrando em que data se deu a postagem. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.522 10 Cumprindo a ordem enunciada pela Resolução nº 110300.046 da Terceira Turma Ordinária, a autoridade preparadora realizou o procedimento de intimação dos interessados para a apresentação do “aviso de recebimento – AR”, sem resposta até o presente momento. Portanto, a argüição dos interessados no sentido de que houve falha da repartição ao não juntar um alegado envelope não se sustenta pelo óbvio motivo de que sua existência, a exemplo do “aviso de recebimento – AR, encontrase na seara da presunção. Além disso, eis os expressos termos consignados pela autoridade preparadora: inexiste, nesta DRF/Contagem, qualquer envelope ou outro instrumento, que possa sugerir ter sido enviado, via correios, o recurso voluntário acima referido. Por derradeiro, em sendo a via postal uma opção colocada ao administrado tenho que o ônus da prova da efetiva remessa de todo lhe incumbe. Já o princípio da verdade material que governa o processo administrativo obriga a Administração a trazer aos autos tudo o quanto for do seu conhecimento e conste de seus registros, o que, como se viu, não é o caso dos autos. Reconheço, pois, a perempção. Quanto à coresponsável Ivagro Agropecuária Ltda., sediada em zona rural, de bem ver que a ciência do Acórdão nº 0218.824 da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo HorizonteMG operouse em 15 de setembro daquele ano, do que se extrai que seu recurso foi apresentado no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Analisando a decisão proferida pelo Colegiado de primeira instância, convençome que a mesma não padece do alegado vício de nulidade. Com efeito, verifico que, a par de proferida por quem detém a competência legal, apresenta todos os elementos formais (relatório, fundamentos, conclusão e ordem de intimação) requisitados pelo artigo 31 do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Igualmente, verifico que o decisório enfrentou, sim, a questão do laudo anexado aos autos. Aliás, é a própria Recorrente quem assim assevera: “Ora, conforme se verifica através da simples leitura, o v. acórdão não se manifesta sobre o laudo em comento, apenas aduz, de forma, data venia, completamente equivocada, que não existe qualquer relação de causa e efeito entre a entrada de mercadorias (e a consideração de seu custo) e sua saída (apuração de receitas). Afirma a Colenda 2ª Turma da DRJ/BHE que a saída de mercadorias se deu em razão da venda de seu estoque, sem, contudo, realizar qualquer comprovação sobre tal alegação. Em outras palavras, o douto Órgão julgador simplesmente “pressupõe” que isso possa ter ocorrido.” Bem se vê, portanto, que a autoridade julgadora exprimiu juízo de valor e dessa forma a resposta ao Administrado fora regularmente entregue, sendo válida e eficaz, apta a desafiar inconformismo de mérito em segunda instância recursal. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.523 11 Vale ressaltar que o julgador não está obrigado a acatar as interpretações da defesa, ou a decidir como gostaria a impugnante, mas sim demonstrar sua convicção haurida no contexto dos autos. Conduzo meu voto, portanto, pela rejeição da preliminar. Quanto à aplicação da coresponsabilidade, observo do contrato social da autuada que seu quadro societário é composto por VAM Empreendimentos e Participações Ltda (99,999%) e Márcia Vilefort Martins (0,001%) e foi administrada até 27/02/2005 pelos representantes da quotista majoritária, quais sejam, os Srs. Virgílio Vilefort Martins, Antonio Vilefort Martins e Márcio Vilefort Martins, sendo que a partir de 28/02/2005 não mais contava com a presença deste último. Por sua vez, no período em que se deram os fatos, a apontada coresponsável Ivagro Agropecuária Ltda. pertencia a duas empresas, detendo cada qual metade do capital social, a saber, Vilepart Empreendimentos e Participações Ltda., gerenciada e administrada pelo Sr. Virgílio Vilefort Martins, que detém 51,863% do capital social, e Marpart Empreendimentos e Participações, gerenciada e administrada pelo Sr. Antonio Vilefort Martins, quotista na razão de 52%. Consta da Cláusula Nona das alterações contratuais de 31/07/2002 e 20/03/2003 que a administração e representação de Ivagro Agropecuária Ltda. encontrase a cargo dos Srs. Virgílio e Antonio. Depreendese, então, que a apontada coresponsável realmente não é sócia de direito da autuada, entrelaçandose com esta em um mesmo grupo econômico por força da identidade societária, indireta, ao mesmo tempo em que estes sócios indiretos, pessoas físicas, exercemlhe a administração. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se debruçou quanto a possibilidade da incidência de responsabilidade tributária, nos moldes do artigo 124 do Código Tributário Nacional (CTN) 1, quando envolvido um mesmo grupo empresarial, e sentenciou que o nexo econômico, por si só, não é suficiente à caracterização. Vejase: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do “interesse comum” previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.2007). 2. Recurso especial não provido.” 1 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.524 12 Então resta perquirir se, no caso em exame, o nexo se deu tão somente na seara do interesse econômico ou adentrou no interesse comum a que alude o artigo 124 do CTN. Sirvome da lição de Kiyoshi Harada2: “Quando se aborda a questão da solidariedade entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico é preciso tomar cuidado para não confundir interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador de que cuida o inciso I do art. 124 do CTN, com o interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Uma coisa é as empresas coligadas terem interesse econômico comum na exploração da atividade. Outra coisa bem diversa é o fato de as empresas coligadas terem interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, isto é, que participem entre si da mesma situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária.” No mesmo sentido expressouse a Ministra Denise Arruda, integrante da Colenda Primeira Turma do STJ, quando do julgamento do Resp 843.044/RS: “Portanto, para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico.” A seu turno, os objetivos sociais da empresa autuada e da apontada co responsável são díspares. A primeira tem por foco a comercialização no atacado e varejo, importação e exportação de produtos das mais variadas matizes (Cláusula Terceira), neles incluídos os hortifrutigranjeiros, enquanto a segunda é o de exploração da pecuária em geral e agricultura de hortifrutigranjeiros (Cláusula Terceira). Neste contexto não se faz possível afirmar, segundo a teoria desenvolvida pela doutrina e jurisprudência transcritas, que existe a responsabilidade solidária versada no artigo 124 do CTN, na medida em que o interesse comum, até então, revelase indiciário, quando muito. Realmente, não se pode atribuir solidariedade a outra empresa só por razões factuais, como, no caso, a existência de dirigentes em comum ou o fato de pertencerem ao mesmo grupo. A fiscalização, por sua vez, colacionou algumas vertentes com o fito de lastrear seu entendimento da presença do aludido interesse comum. Vejase os seguintes excertos do relatório do r. acórdão recorrido: “Destacase, inicialmente, que as empresas CEMA e IVAGRO mantêm um fluxo contínuo de transferência direta de recursos mediante contratos de mútuo que celebram. Nesse sentido, a Fiscalização elaborou um quadro demonstrativo (fls. 88, do TVF), indicando os lançamentos contábeis efetuados 2 disponível em http://direito.memes.com.br/jportal/portal.jsf?post=1610, acesso em 13/02/2012. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.525 13 na conta 1.1.02.11.0004 – Empréstimos Concedidos, Ivagro Agropecuária Ltda. Nesse quadro, constatase que a CEMA emprestou R$ 1.210.000,00 para a IVAGRO, entre 10/01/2003 a 01/12/2003, de forma não onerosa, salvo para o empréstimo concedido em 01/12/2003, no qual houve a cobrança de R$ 83.250,00, a título de juros. Salienta o Fisco que não é razoável que empresas que não guardam ligações formais e legais firmem contratos de mútuo em vultuosas somas. Menos razoável é que isso ocorra de forma não onerosa, ou seja, sem que aos menos haja cobrança de juros. As folhas dos Livros Razão onde estão contabilizados os lançamentos em referência estão acostados ao processo (fls. 1004/1011). Há, conforme revelado, senão um caixa único, uma clara comunhão de recursos financeiros entre as empresas IVAGRO e CEMA. A seguir, relata o Fisco que a CEMA contraiu empréstimo junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S/A – BDMG (Cédula de Crédito Comercial, 127.881/05), comprometendose a pagar ao Banco, em 15/11/2004, a importância de R$ 6.996.436,00. Esse financiamento teve como finalidade específica: “...realização de obras civis e aquisição de equipamentos.”. Conforme Anexo que é parte integrante dessa Cédula, o crédito visa proporcionar à CEMA “...recursos destinados exclusivamente à realização do projeto de financiamento destinado ao fomento de comércio atacadista de mercadorias em geral, mediante a realização de obras civis e aquisição de equipamentos.”. Destaca que a empresa IVAGRO comparece como AVALISTA e GARANTIDOR HIPOTECÁRIO nessa operação de crédito concedido à CEMA (a Fiscalização específica os imóveis hipotecados). Além disso, cita a Fiscalização, no TVF, que outros imóveis da IVAGRO foram hipotecados como garantia de dívidas constituídas pela CEMA. Diz o Fisco, assim, a IVAGRO onera parte do seu patrimônio por um período aproximado de 14 anos e responsabilizase solidariamente por vultuosas dívidas contraídas pela CEMA, por um período de cerca de 10 (dez) anos. Salientando a cláusula nona e parágrafo segundo da alteração contratual da IVAGRO, firmada em 20/10/2005 (registrada na JUCEMG, em 08/11/2000, sob o número 3425749), relata que a IVAGRO só pode conceder “...aval da Sociedade em operações de exclusivo interesse dela.”. Assim, ao conceder aval em operações de empréstimos contraídos pela CEMA, a IVAGRO está demonstrando, de forma cabal, que tem interesse direto nessas transações. Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.526 14 Destaca, ainda, o Fisco, no TVF, que imóveis pertencentes à empresa IVAGRO são utilizados por estabelecimentos da CEMA, no desenvolvimento das suas atividades mercantis. Do exposto, verificase que a IVAGRO tem interesse direto nas atividades comerciais desenvolvidas pela CEMA, pois que a insolvência da CEMA poderá resultar na inadimplência das obrigações contraídas junto ao BDMG e, por conseqüência, desaguar na execução do patrimônio da IVAGRO. Eis então que, quanto menor o ônus tributário suportado pela CEMA, menores são os riscos suportados pela IVAGRO. Nesse sentido, há, pois, uma conjugação de esforços entre as duas empresas, objetivando um fim comum. A IVAGRO, na realidade, atua em conjunto com a CEMA, comungando dos riscos e benefícios dos negócios praticados por essa última. Fica claro que essa conjunção de esforços e interesses entre a CEMA e a IVAGRO só é possível e viável porque ambas pertencem ao mesmo grupo econômico e são, no período sob exame, indiretamente pertencentes a administradas pelos irmãos VIRGÍLIO VILEFORT MARTINS e ANTÔNIO VILEFORT MARTINS, conforme já visto.” Nada obstante o conjunto indiciário trazido, tenhoo por insuficiente para a caracterização do interesse comum exigido pela lei de regência. O interesse comum requisita a presença de fatos de maior envergadura, é dizer, devem refletir determinada realidade segundo a qual as empresas envolvidas apresentem considerável confusão patrimonial, de localização física, de gestão e de negócios. E quando isso ocorre? Notadamente, quando os estabelecimentos comerciais/industriais, o maquinário, as instalações e a mãodeobra empregada de uma pessoa jurídica servem, preponderantemente, à outra, quando não os mesmos da outra. No caso dos autos, enfim, não se faz possível determinar a co responsabilidade. Oriento meu voto, pois, pelo provimento do recurso no sentido de afastar a imputação fiscal de solidariedade. Por fim, no que condiz ao mérito da exigência fiscal propriamente dita – redução indevida de custos e pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados – tenho que as razões trazidas não podem ser conhecidas porque a Recorrente nada deduziu em primeira instância, ocasião em que impugnou tão somente a solidariedade. Incide, portanto, os ditames do artigo 17 do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que estatui: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.720094/200855 Acórdão n.º 1102000.822 S1C1T2 Fl. 1.527 15 Com tais razões, VOTO por não tomar conhecimento do recurso aviado por Cema – Central Mineira Atacadista Ltda., VAM Empreendimentos e Participações Ltda, Antonio Vilefort Martins, Márcio Vilefort Martins e Virgílio Vilefort Martins e, em relação ao recurso de Ivagro Agropecuária Ltda, pela rejeição da preliminar de nulidade da decisão recorrida e provimento do recurso voluntário na parte afeta à solidariedade, bem assim, para reconhecer a preclusão quanto ao mérito da exigência fiscal nele deduzido. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/12/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11020.720632/2007-56
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
MULTA DE OFÍCIO - INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 2201-001.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a área declarada a título de reserva legal equivalente a 146,5 hc, considerar 117,90 hc a título de área de preservação permanente e restabelecer o valor do VTN declarado. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento.
(assinatura digital)
FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
EDITADO EM: 22/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco de Assis Oliveira Junior.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. MULTA DE OFÍCIO - INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a área declarada a título de reserva legal equivalente a 146,5 hc, considerar 117,90 hc a título de área de preservação permanente e restabelecer o valor do VTN declarado. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento. (assinatura digital) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 06 32 /2 00 7- 56 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SA NTOS MASSET LACOMBE 2 (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. EDITADO EM: 22/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Trata o presente processo recursos de ofício e voluntário, este interposto pelo contribuinte contra o acórdão 0417.794 la Turma da DRJ/CGE que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte em face da Notificação de Lançamento, através da qual se exige o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2004, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 51.054,45, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Pinhão", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 2.069.4482, localizado no município de São Francisco de Paula/RS. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar as áreas isentas declaradas; que a matricula do imóvel apresentada não possui averbação da área de reserva legal, sendo glosada a área declarada; e que, quanto ao valor da terra nua, o interessado não apresentou o laudo de avaliação apto para a comprovação do valor declarado, razão pela qual o VTN do imóvel foi calculado com base nas informações contidas no SIPT — Sistema de Pregos de Terra da Receita Federal, fornecidos pela Secretaria de Agricultura do Estado. Em sua impugnação o contribuinte sustenta não ser necessário o ADA a área de APP, e da Reserva Legal e por último, requer que os documentos anexados aos autos entre outros o laudo para comprovação do VTN, sejam considerados para tornar sem efeito o lançamento, com o cancelamento da Notificação. A DRJ ao apreciar a impugnação negou provimento ao lançamento nos seguintes termos: Area de Preservação Permanente. Area de utilização limitada/Reserva Legal. ADA. Por expressa determinação legal, a exclusão das Areas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR a que se referir. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SA NTOS MASSET LACOMBE Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 2201001.523 S2C2T1 Fl. 273 3 Valor da Terra Nua. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Lançamento Procedente Inconformado o contribuinte interpôs recurso voluntário reafirmando suas alegações de nulidade do auto de infração. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Da análise dos autos verificase que a autuação desconsiderou indevidamente os documentos simplesmente por conterem erros de fato. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SA NTOS MASSET LACOMBE 4 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º, da Lei nº 9.393/96. Entendo estarem presentes os requisitos para a fruição de parte da dedução dessas áreas da base de cálculo do tributo em questão, é que nas matrículas estão averbadas áreas que totalizam 264,4 hectares de área de utilização limitada. Neste termos é a jurisprudência desta turma: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal. (Processo nº 10540.000033/200357 – Relator Gustavo Lian Haddad) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO COM EFEITOS ASSEMELHADOS. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SA NTOS MASSET LACOMBE Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 2201001.523 S2C2T1 Fl. 274 5 Quando a averbação de Termo de Compromisso com o órgão ambiental, ainda que não formalmente intitulada de reserva legal, impuser à área restrições parelas com aquelas previstas para a reserva legal, caracterizase como de utilização limitada e deve ser aceita sua exclusão da área tributável. MULTA DE OFÍCIO – INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). (Processo nº 13971.002054/200597 – Relator Gustavo Lian Haddad) Assim, demostrada a existência de 264,4 hectares de reserva legal, área passivel de exclusão da base de cálculo. Resta claro o erro de fato. Assim, entendo comprovada a área declarada a título de reserva legal de 146,5 hectares e 117,9 a título de APP. O Recorrente questiona, ainda, o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal. Sustenta, como relatado anteriormente, que a SRF não obteve, junto aos órgãos competentes, as informações previstas em lei como necessárias sobre preços de terras para alimentar o SIPT trazendo como comprovação os documentos de fls. 6 (fls.,7 do PDF). O art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SA NTOS MASSET LACOMBE 6 §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente nas informações do SIPT, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 34. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SA NTOS MASSET LACOMBE Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 2201001.523 S2C2T1 Fl. 275 7 Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pela Recorrente. Por tais razões dou parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer a área declarada a título de reserva legal equivalente a 146,5 ha, considerar 117,90 ha a título de área de preservação permanente e restabelecer o valor do VTN declarado.. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por RODRIGO SA NTOS MASSET LACOMBE
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Numero do processo: 10240.001625/91-30
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL FATURAMENTO EX. 1988
DECORRÊNCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a
decisão proferida no processo matriz se
aplica ao julgamento do processo decorrente,
dada a intima relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.111
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para adequar esta decisão ao decidido no processo matriz, nos termos do relatório e voto da relatora.
Nome do relator: Ursula Hansen
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VíAto3, telatado e ck4cutído4 c.) pteisenteis autos de tecut- 4o pot S. C. MENDES BALDI g JURADO ADVOGADOS ASSOCIADOS. ACORDAM c.) Membtois da Segunda Camata do Pt-Lmeíto Conelho de ContAíbmintezs , pot unanímídade de voto, s, dat pAovlmento pacal ao )1„e cuu o pata adequat uta dec-i.ão ao decÁdÁido no ptoceo matizÁz, no tetmm do voto da telatota. Sala da3 SeA I, em 24 de agoto de 1995 GUALDEM A g $ . 1 .1\l'\D OLIVEIRA - VICE-PRESIDENTE URSULA li, -s , -Ái - RELATORA ISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FAZENDA NA- ESSÀO DE: . CIONAL.„ 2 2 S ET 1995 attícÁlpatam, anda, do jone4 ente julgamento , o ó e g uín,te4 ConAelhe-itoís: oé-", C/j ví3 A/ve4 , Matía ClElía de And/fade Fígue-Ltedo, Jilllo Cé-..a/f. Gomes a Sílva e Joise: CcuzJos Pauello. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0 2 PROCESSO n. 10240/001.625/91-30 RECURSO n. 82.651 ACÓRDÃO n. 102- 30.111 RECORRENTE S C MENDES BALDI & JURADO ADVOGADOS ASSOCIADOS RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fis. 01 e anexos, lavrado contra 5 C MENDES BALDI & JURADO ADVOGADOS ASSOCIADOS, CGC n. 05.924.113/0001-05, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Porto Velho, RO, formalizando a exigência de FTNSOCIAL/Faturamento, relativa ao exercício de 1988, no valor Cr$ 20.979„95 e correspondentes acréscimos legais. O lançamento, com base no parágrafo primeiro do artigo primeiro do Decreto Lei 1940/82 c/c artigo 22 do Decreto Lei 2397/87, decorreu de procedimento de fiscalização em que foram apuradas irregularidades - omissão de receita , ocasionado insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo 10240/001.62,6/91-01. Inconfolinada com a exigência fiscal, a contribuinte, apresentou, em 10/11/91, sua impugnação de fls. 06, com os anexos de fls. 07/09, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 38/92, foi proferida às fts. 23/24, e„ em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular em 20/07/92 (fls. 26), a contribuinte, interpôs recurso voluntário em 19/08/92, referindo-se, em suas Razões, anexadas às fls. 29, aos argumentos formulados no processo referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e requerendo a sustação do julgamento até que seja decidido aquele processo principal. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o relatório. fr 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 03 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 102401001.625191-30 ACÓRDÃO n. 102-30.111 VOTO Conselheira Ursula Hansen - Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n. 10240/001.626/91-01. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 05 de maio de 1993, foi julgado parcialmente procedente, conforme faz certo o Acórdão n. 102-28.183; Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida, e, Considerando o principio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro, Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso, adequando-se a base tributável ao decidido no processo matriz. BRASIL1 )4, DF, 24 de ag os to de, 1995. / iA141 URSULA SEN - Relatora i 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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