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Numero do processo: 10140.003537/2003-31
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto, há de se aplicar a regra do § 4° do art. 150, uma vez que deixa de existir a controvérsia sobre a regra decadencial aplicável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.681
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ?9..: • '5 *. • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10140.003537/2003-31 Recurso n° 151,467 Especial do Procurador Acórdão n" 9202-00.681 — 2a Turma Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MANUEL TOURINHO FERNANDEZ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1998, 1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto, há de se aplicar a regra do § 4° do art. 150, uma vez que deixa de existir a controvérsia sobre a regra decadencial aplicável. Recurso especial negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em n ar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior. CARLOS ALBER g F ITAS BA' TO- Presidente MO -• L 1 NUN DA SILVA - Relator EDITADO EM: 18 JUN 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Conforme auto de infração de fls. 375 e seguintes, a parte recorrida foi autuada em razão da omissão de rendimentos de trabalho recebidos de pessoa fisica, e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos- calendário de 1998 e 1995. Exigiu-se do contribuinte os montantes de R$ 64.787,71 de imposto, R$ 21590,78 de multa proporcional, R$ 57.085,84 de multa isolada e R8,121.462,08 de juros de mora (calculados até 28/11/2003). O lançamento foi notificado ao sujeito passivo em 12/01/2004. A Câmara Julgadora, por meio do acórdão de fis, 1500 e seguintes, por unanimidade, acolheu a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário de 1998. Neste ano, o sujeito passivo entregou declaração de ajuste anual com imposto devido de R$ 8.870,79 (fi. 372)„ Intimada, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso de fls. 1528 e seguintes, alegando que, no presente caso, "como não houve antecipação de pagamento", ficou descaracterizado o lançamento por homologação, devendo o prazo contar-se na forma do artigo 173 do CTN. O recurso foi admitido conforme despacho de fls. 1553/1558 e a recorrida não apresentou contrarrazões, É o relatório. 2 Processo n° 10140 003537/2003-31 CSRF-T2 Acórdão o' 9202-00.681 Fl 3 Votei Conselheiro MOISES GIACOMELtà 'NUNES DA SILVA, Relatar O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Trata-se de exigência de crédito tributário relativo a fato gerador complexivo que se concretizou em 31/12/1998, cuja notificação ocorreu no ano de 2004, quando decorridos mais de cinco anos. Assim, pelos fundamentos a seguir expostos, correta a decisão recorrida que acolheu a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário de 1998„ 1- Da decadência como forma de extinção do crédito tributário Para que se compreenda o instituto da decadência corno urna das formas de extinção do crédito tributário faz-se necessário entender a constituição deste. se pode falar em extinção do crédito tributário sem compreender como se dá a sua constituição. A constituição do crédito tributário está prevista no Livro Segundo, Título III, Capítulo II, do Código Tributário Nacional, cujo artigo 142 prevê, "in verbis:" Art. .142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, O artigo 142 do CTN não pode ser interpretado corno norma isolada dentro do sistema. Há que se ter presente que o Capítulo II, do Título III, do Livro Segundo, do CTN, é subdividido em duas seções, sendo que a Seção I, composta pelos artigos 142 a 146, trata do lançamento e a Seção II, composta pelos artigos 147 a 150, trata das modalidades de lançamento, a saber: lançamento por declaração (art. 147); lançamento de oficio (art. 149) e lançamento por homologação (art. 150), La) Das modalidades de lançamento O Código Tributário Nacional, nos artigos 147, 149 e 150, prevê três modalidades de lançamento', a saber: a) lançamento por declaração; b) lançamento de oficio e c) lançamento por homologação, 1 O CTN prevê três modalidades de lançamentos que se distinguem peia medida da participação do sujeito passivo: (I) O lançamento por declaração, no qual o sujeito passivo apresenta uma declaração contendo as informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, que fica a cargo da autoridade fiscal definir o '') 3 .' O lançamento por declaração, conforme prevê o artigo 147 do CTN 2 , dá-se quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que o sujeito ativo, com base nas informações prestadas pelo contribuinte, apure o montante do imposto devido. Temos como exemplo de lançamento por declaração a sistemática de pagamento do Imposto de Renda do exercício de 1993, em que os contribuintes preenchiam a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, mas não efetuavam apuração ou recolhimento do imposto devido. Para pagamento do tributo, os sujeitos passivos aguardavam o recebimento de notificação de lançamento, em que constava o valor do débito calculado pela autoridade administrativa. Caracteriza, também, lançamento por declaração o mecanismo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR empregado até 1996, no qual o proprietário informava a extensão de sua propriedade e a produção nela obtida em formulário (declaração) especialmente destinado a este fim, de maneira que a Receita Federal, com base nestes dados, promovia a emissão da notificação de lançamento. O lançamento de oficio, previsto no artigo 149 do CTN3, ocorre na hipótese de haver uma omissão ou inexatidão do contribuinte em relação às atividades que deveria cumprir, de maneira que a autoridade efetuará o lançamento, com a aplicação de penalidade administrativa.. Cabe ressaltar que não há tributo cujo regime de lançamento seja o "de oficio", originalmente. O lançamento de oficio é efetuado de forma residual em relação a tributos cujo regime é "por declaração" ou "por homologação" e que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa no sentido de efetuar um lançamento "complementar" em relação ao período de apuração ou a determinado fato gerador. montante devido e notificar o sujeito passivo para efetuar o pagamento; (ti) O lançamento de oficio, no qual toda a atividade é desenvolvida pela autoridade fiscal E, por fim, (iii) o lançamento por homologação, no qual o contribuinte desenvolve toda a atividade apuratória do valor do tributo devido e realiza o pagamento, ficando a cargo da autoridade fiscal a posterior verificação dessa atividade e, se for o caso, sua respectiva homologação Art, 147.. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação 3 Ar t. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior; deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercicio da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial 4 Processo n° 10140 003537/2003-31 - CSRF-T2 Acórdão n 9202-00,681 Fl 4 No lançamento por homologação, de que trata o artigo 150 do CTN 4, o sujeito passivo é quem identifica e determina a matéria tributável, verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e calcula o montante do tributo devido. Neste caso, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. São exemplos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação os rendimentos decorrentes de ganho de capital na alienação de bens, rendimentos provenientes de aplicação financeiras, pagamentos de lucros e juros a não residentes no país, IPT, ICMS, PIS e FINSOCIAL e, atualmente, o IR, entre outros. Lb) Dos elementos essenciais que caracterizam a constituição do crédito tributário e das questões relacionadas à homologação Com a identificação do sujeito passivo, a matéria tributável, a regra-matriz de incidência tributária e. o cálculo do tributo devido, tem-se os elementos essenciais do lançamento. O pagamento do tributo devido não faz parte do lançamento. Não integra a sua essência e nem é condição de sua validade, O crédito tributário, resultante do lançamento por homologação, existirá ainda que o tributo não seja pago. O pagamento é ato jurídico que ocorre num segundo momento para extinguir o que foi constituído em momento anterior. Quando se fala em constituição e extinção do crédito tributário é preciso identificar o momento da sua constituição e o momento da sua extinção, a) No momento da constituição do crédito tributário, no lançamento por homologação, o sujeito passivo apura a matéria tributável, a ocorrência do fato gerador e calcula o valor do imposto devido, b) No momento da extinção do crédito tributário tem-se o pagamento 5 do tributo correspondente. Nos casos de lançamento por homologação, o lançamento se conswna quando o sujeito passivo pratica atividade tendente a apurar a ocorrência do fato gerador, identificar a matéria tributável, calcular o valor devido, com obrigação de realizar o pagamento, independentemente de intimação a ser feita pelo do sujeito ativo. O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ou por qualquer outra das hipóteses previstas no artigo 156 do CTN, ser extinto. 4 Art, 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tornando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 5 Além do pagamento, há outras causas de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do C . Entretanto, interessa-nos, neste momento, apenas o pagamento. 5 Se o contribuinte, por exemplo, apresentar Declaração de Ajuste Anual com imposto a pagar, tal fato se constitui lançamento por homologação. Apresentada a Declaração de Ajuste Anual, no caso de pessoáfiSica 6, ou DCTF no caso de pessoa jurídica, e apurado o montante do imposto devido, o lançamento está perfeito e consumado, independentemente de pagamento. Se o pagamento não for realizado, não se fará novo lançamento, pois o crédito tributário .já está constituído. Em tais casos, cabe à Procuradoria da Fazenda Nacional intimar o contribuinte para realizar o pagamento, sob pena de inscrição em divida ativa e execução7. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte para apurar o montante devido. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito tributário. O artigo 150 do CTN, abaixo transcrito e grifado por nós, deixa claro que o que se homologa é a atividade (autolançamento) e não o pagamento feito pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento. Art 1 50. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Para confirmar a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada a necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese em que o contribuinte, embora cumpra o dever legal de apurar o quantum debeatur, conclui que não há nada a ser pago, como ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais e nas hipóteses de isenção, não incidência e imunidade. Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de 1PI, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede Encerrado o ano-calendário, a pessoa fisica, apura os rendimentos e as despesas dedutiveis e calcula o valor do imposto devido, informando tal fato à Receita Federal por meio da Declaração de Ajuste Anual. Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual, com imposto a pagar ou a restituir, o lançamento se consuma, tanto isto é verdadeiro que a fiscalização, para exigir o tributo não necessita lavrai auto de infração, bastando encaminhar as informações prestadas pelo contribuinte para que a Procuradoria da Fazenda Nacional proceda a inscrição em divida ativa, com posterior execução. Ver artigos 47 e 74, §§ 70 e 8 0 da Lei n° 9 430, de 1996. Art 47 A pessoa fisica ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo (Redação dada ao artigo pela Lei n° 9 532, de 10 12 1997, DOU 11 12 1997, conversão da Medida Provisória n° 1 602, de 14 11 1997, DOU 17,11 1997) Art 74 § 70 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10 833, de 29 12 2003, DOU 30 12 2003 - Ed Extra) § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7', o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 90 (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10 833,0,., de 29 12 2003, DOU 30 12 2003 - Ed Extra) 6 Processo n° 10140.003537/2003-31 CSRF-T2 Acórdão n .° 9202-00..681 Fl 5 que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei - (tais como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso) -; ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4° do art. 150, do CTN. Igualmente, existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CSLL devidos, por ausência de lucro tributável. No caso de imposto de renda pessoa fisica, por exemplo, o sujeito passivo, ao término de cada ano-calendário, apresenta declaração de ajuste anual. Nas situações em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado. O pagamento, volto a repetir ., é causa de extinção do tributo decorrente da atividade correspondente ao lançamento por homologação praticado pelo sujeito passivo. Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo eventualmente apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões, ou o prazo presericional s para cobrança do que foi declarado, sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4 0, do CTN, nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte, como pode ocorrer com o contribuinte produtor rural. A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa física apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição, Mais, a atual jurisprudência do STJ e de parte da doutrina que o segue e entende que nos casos de crédito tributário constituído por homologação o pagamento, ainda que parcial, é fator essencial para determinar o marco inicial do prazo decadencial, além de não resolver a situação relacionada aos casos em que o sujeito passivo apura prejuízo, também não apresenta solução para os casos em que as pessoas fisicas, por não atingirem determinados rendimentos, estão dispensadas de apresentarem declaração de ajuste anual de imposto de renda. Não há como falar em pagamento para ser homologado em tais hipóteses pois sequer a lei exige que o sujeito passivo realize atividade para apurar eventual imposto. Como falar em pagamento realizado nos casos em que o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo, sem imposto a pagar? 8 Segunda Câmara Leal "...A decadência e a prescrição apresentam um ponto de contacto, que as assemelha: ambas se fundam na inércia continuada do titular durante um certo lapso de tempo, e tem, portanto, como fatores operantes a inércia e o tempo" (CÂMARA LEAL, Antônio Luiz da . Da Prescrição e da Decadência - atualiza por José de Aguir Dias - FORENSE— Rio de Janeiro - 2a Edição - número seqüencial: 00881 - pág. 114) 7 A divergência que tenho em relação aos seguidores da atual jurisprudência do STJ está relacionada ao ponto em que esta entende que a autoridade administrativa pratica ato com a finalidade de homologar o pagamento, o que é um equívoco. O artigo 142 do CTN, anteriormente transcrito, ao dizer que "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento" é expresso quando usa as expressões "assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato ,g-erador obrigacão correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível". Dos comandos da regra aqui destacada tem-se que, nos casos em que o artigo 150, do CTN, determina que o sujeito passivo realize as atividades inerentes à constituição do crédito tributário, o que a autoridade administrativa homologa são os atos praticados pelo sujeito passivo e não o pagamento realizado por este. Pode ocorrer casos, por exemplo, em que a pessoa física entrega Declaração de Ajuste Anual em 30 de abril e requer parcelamento do imposto devido, Isto, entretanto, não impede que a Fiscalização, antes mesmo do pagamento da primeira parcela, homologue a atividade praticada pelo contribuinte. Na linha das razões de decidir até aqui expostos, são dignos de destaque os fundamentos do ilustre Conselheiro Nélson Mallmarui, extraído do acórdão n° 104-20.071: ,.)• Como, também, refuto o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sujeito sempre à regra geral de decadência do art. 173 do CTN É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no captei do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (...) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa," O que é passível de ser ou não homologado é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Administração Tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia . ingressada. deveria ser homologada e, a contrário serisu,. não. homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os .fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN. Faz-se necessário lembrar, que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha a fiscalização federal Ei Processo n° 10140 003537/2003-31 CSRF-T2 Acórdão n ° 9202-00,.681 Fl. 6 Ora, quando o sijeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência cle obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de .saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento ( 1 I.c) Do aspecto temporal do fato gerador: Os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou cornplexivos. O fato gerador instantâneo, corno o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (ex.: imposto de renda com tributação exclusiva na fonte; ganho de capital na alienação de bens etc). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corpofifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa fisica, apurado no ajuste anual. Nos fatos geradores complexivos, o evento que interessa à exigência da obrigação tributária só se consuma em determinada data, como se fosse a linha de chegada de uma maratona No decorrer do trajeto existem inúmeros passos, mas para efeito de conclusão do percurso, só é considerado um único passo, qual seja, o passo em que o atleta atinge a linha de chegada. Em síntese, considerando que o crédito tributário correspondente a este processo se encontra entre os tlibutos 9 cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo amolda-se à sistemática de lançamento por homologação, onde a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação l °, encontra 9 FPI, ICMS, PIS, COFINS, FINSOCIAL e IR, entre outros. 10 Nos casos de dolo, fraude e simulação a data do fato gerador deixa de ser o marco inicial da decadência e passa a prevalecer a regra do artigo 173, I, do CTN, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Nesta linha segue doutrina de Luciano Amam: "A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação . Em estudo anterior; concluímos que a solução é aplicar a regra do artigo 173, 1 Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional (art 156, V, 173, 174, 195, parágrafo único) Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código Aplicar o prazo geral (5 anos, do artjit )917.3) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, respaldo no § 40 do artigo 150, do CFN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Verificado que o caso dos autos tem por objeto a exigência de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o prazo decadencial de cinco anos, para a constituição do crédito pelo Fisco, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4° do CIN, ou seja, da ocorrência do fato jurídico tributário, considerando que a notificação deu- se em data posterior ao prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador da obrigação tributária, voto no sentido negar provimento ao recurso. ISSO POSTO, voto por negar provimento ao recurso. É o voto _ Moisés Giacome 1 Nunes da Silva - Relator por protrair indefinitivamente o início do lapso temporal Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito Melhor seria não ter criado a ressalva (AMARO, Luciano, citado por Leandro Paulsen, in, Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência Ed. Livraria do Advogado, 6'. Edição Porto Alegre, 2004 p 1010) Na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos segue a doutrina de Sacha Calmon Navaro Coelho, para quem "em ocorrendo fraude, ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo, da Obrigação tributária do imposto sujeito a 'lançamento por homologação', a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência. Prevalece o diés a quo do art. 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado." (In Liminares e Depósitos Antes do Lançamento por Homologação — Decadência e Prescrição, 2" ed. Dialética, 2002, p. 16) o
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007000/98-67
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO.
A presença de contradição na decisão, decorrente de evidente erro material, impõe o acolhimento dos embargos de declaração para sanar o vício.
Numero da decisão: 9101-002.035
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÃMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade dos votos, embargos acolhidos e providos sem efeitos infringentes para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada.
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado Fazenda Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. A presença de contradição na decisão, decorrente de evidente erro material, impõe o acolhimento dos embargos de declaração para sanar o vício. ACORDAM os membros da 1ª Turma, por unanimidade dos votos, embargos acolhidos e providos sem efeitos infringentes para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 70 00 /9 8- 67 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007000/9867 Acórdão n.º 9101002.035 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Em sessão 06 de março de 2008, a 8ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, mediante Acórdão n. 10809.565, por maioria de votos, deu provimento ao recurso de Sociedade Educacional Positivo Ltda., em decisão assim ementada: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TACITA — Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5°, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n° 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificandose a definitiva liquidação do tributo. Recurso Voluntário Provido. Tal acórdão foi objeto de recurso especial por parte da Fazenda Nacional, julgado em sessão de 12 de março de 2010, conforme Acórdão n. 910100.556, cuja parte dispositiva restou assim redigida: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a incidência da multa qualificada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffman. Recurso provido. Ciente da decisão, o contribuinte ingressou com Embargos de Declaração, alegando contradição entre a decisão e seus fundamentos, bem como do que traduz sua ementa. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. O voto condutor do acórdão embargado, acolhido pela unanimidade da Turma, ao apreciar recurso especial da Fazenda Nacional contra decisão que considerara tacitamente homologada a compensação pleiteada pelo contribuinte, assim concluiu: “Assim, considerando que à época da entrada em vigor da Lei n° 10.833/2003 o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, entendo que se aplica, ao caso sob análise, o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. Por fim, quanto à ofensa ao CTN e a princípios constitucionais, de acordo com a Súmula n° 2 do CARF, a esfera administrativa não é competente para julgar a inconstitucionalidade de lei. O Fl. 852DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.007000/9867 Acórdão n.º 9101002.035 CSRFT1 Fl. 4 3 dispositivo em questão encontrase plenamente vigente, devendo ser observado pela autoridade julgadora, em atendimento ao principio da legalidade. Questionamentos quanto à legalidade e inconstitucionalidade das leis deve ser feito exclusivamente perante o poder judiciário. “Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial, mantendose a decisão recorrida em todos os termos.” (destaquei) Traduzindo o decidido, a ementa do acórdão reproduziu a ementa do Acórdão da Oitava Câmara (recorrido), que manteve na íntegra, negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por um evidente erro material, contudo, no dispositivo, o Acórdão expressa que foi dado provimento ao recurso especial, fazendo referência à multa isolada, matéria que não é tratada no processo, que cuida de compensação. Isto posto, voto no sentido de acolher os embargos para sanar a contradição, corrigindo o erro material da parte dispositiva do Acórdão n. 910100.556, que passa a ser a seguinte: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 853DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004842/2005-62
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO.
Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de calculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência. GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES.
Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%.
LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR.
A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento. Tendo o contribuinte adquirido, em 12/01/2001, participação em empresa no exterior, os lucros da mesma, relativo dos anos de 1996 a 2000, apurados e ainda não disponibilizados, devem ser oferecidos à tributação pela empresa brasileira alienante e não pela contribuinte.
LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO.
Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas.
Deparando-se com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos,
pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também
pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores
indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material.
Recursos de ofício e voluntário providos em parte.
Numero da decisão: 1402-000.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, dar
provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a qualificação da multa de ofício,vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carlos Pelá e
Moises Giacomelli Nunes da Silva, que negavam provimento em sua totalidade. 2) Em relação ao recurso voluntário: a) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em
face de passivo fictício e auditoria de produção, por adesão a parcelamento especial; b) Por maioria de votos, excluir do lançamento o valor dos lucros gerados no exterior de R$
24.539.865,72, por se tratar de resultado até 12.01.2001, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, que negava provimento ao recurso, e Eduardo Martins Neiva Monteiro que dava provimento
parcial para manter apenas o lucro do ano de 2001, por entender estar incluído nesse valor; c) Por maioria de votos, manter a glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de
debêntures somente do valor efetivamente apurado no Livro Razão, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que davam provimento integral ao recurso; d) Pelo voto de qualidade, acolher a proposta do Conselheiro Antônio José Praga de Souza, para que na reconstituição da apuração do lucro real do ano-calendário de 2001, seja excluída da tributação, de ofício, o valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros distribuídos pela empresa Andree Overseas que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658,
conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator). Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado.Designado para redigir o voto
vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de calculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência. GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento. Tendo o contribuinte adquirido, em 12/01/2001, participação em empresa no exterior, os lucros da mesma, relativo dos anos de 1996 a 2000, apurados e ainda não disponibilizados, devem ser oferecidos à tributação pela empresa brasileira alienante e não pela contribuinte. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparando-se com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. Recursos de ofício e voluntário providos em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a qualificação da multa de ofício,vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que negavam provimento em sua totalidade. 2) Em relação ao recurso voluntário: a) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face de passivo fictício e auditoria de produção, por adesão a parcelamento especial; b) Por maioria de votos, excluir do lançamento o valor dos lucros gerados no exterior de R$ 24.539.865,72, por se tratar de resultado até 12.01.2001, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, que negava provimento ao recurso, e Eduardo Martins Neiva Monteiro que dava provimento parcial para manter apenas o lucro do ano de 2001, por entender estar incluído nesse valor; c) Por maioria de votos, manter a glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de debêntures somente do valor efetivamente apurado no Livro Razão, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que davam provimento integral ao recurso; d) Pelo voto de qualidade, acolher a proposta do Conselheiro Antônio José Praga de Souza, para que na reconstituição da apuração do lucro real do ano-calendário de 2001, seja excluída da tributação, de ofício, o valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros distribuídos pela empresa Andree Overseas que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator). Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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Recorrentes PRIMO SCHINCARIOL INDUSTRIA DE CERVEJA E REFRIGERANTES DO RIO DE JANEIRO S.A SEGUNDA TURMA DA DRJ JUIZ DE FORA (MG) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de calculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência. GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento. Tendo o contribuinte adquirido, em 12/01/2001, participação em empresa no exterior, os lucros da mesma, relativo dos anos de 1996 a 2000, apurados e ainda não disponibilizados, devem ser oferecidos à tributação pela empresa brasileira alienante e não pela contribuinte. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 2 2 Deparandose com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. Recursos de ofício e voluntário providos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a qualificação da multa de ofício, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que negavam provimento em sua totalidade. 2) Em relação ao recurso voluntário: a) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face de passivo fictício e auditoria de produção, por adesão a parcelamento especial; b) Por maioria de votos, excluir do lançamento o valor dos lucros gerados no exterior de R$ 24.539.865,72, por se tratar de resultado até 12.01.2001, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, que negava provimento ao recurso, e Eduardo Martins Neiva Monteiro que dava provimento parcial para manter apenas o lucro do ano de 2001, por entender estar incluído nesse valor; c) Por maioria de votos, manter a glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de debêntures somente do valor efetivamente apurado no Livro Razão, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que davam provimento integral ao recurso; d) Pelo voto de qualidade, acolher a proposta do Conselheiro Antônio José Praga de Souza, para que na reconstituição da apuração do lucro real do anocalendário de 2001, seja excluída da tributação, de ofício, o valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros distribuídos pela empresa Andree Overseas que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator). Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza – Redator Designado (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório PRIMO SCHINCARIOL IND. CERVEJA E REFRIGERANTES DO RIO DE JANEIRO S.A., recorreu a este Conselho contra a decisão proferida SEGUNDA TURMA DA DRJ JUIZ DE FORA (MG), pleiteando sua reforma quanto ao parcela mantida da exigência. Por sua vez, a DRJ recorre de ofício em face da exoneração de valor superior ao limite de alçada. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Foram lavrados pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niteroi/RJ, em 23/09/2005, os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 21.448.261,08 (fls. 06/11), da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 63.693,43 (fls. 69/75), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 7.727.505,23 (fls.80/92) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$293.969,67 (fls. 76/79), que acrescidos de multa e juros de mora com base na SELIC totalizou crédito tributário no montante de R$77.248.673,11. Apurouse as seguintes infrações à legislação do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas: a) Omissão de receita em decorrência da manutenção no Passivo de obrigações incomprovadas; b) Omissão de receita caracterizada pela venda de produtos de fabricação própria sem emissão de nota fiscal, apurada através de procedimentos de auditoria de produção; c) Custos, Despesas Operacionais e encargos não necessários, em razão das amortizações do ágio sobre aquisições de Debêntures , e d) Adições não computadas na apuração do Lucro Real dos rendimentos e/ou ganhos de capital auferidos no exterior disponibilizados pela empresa controlada – Andree Overseas Ltd. No Termo de Constatação Fiscal de fls.12/61, os auditores responsáveis pelo trabalho fiscal descreveram as infrações que, em síntese, expomos a seguir: OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO A fiscalizada mantinha em seu Passivo, em 31/12/2001, a importância de R$ 1.296.368,18, contabilizada a favor da empresa TANDERA COMERCIAL LTDA – CNPJ nº 03.652.100/000190, conta Clientes nº 200741. Intimada a comprovar a empresa apresentou cópias de extratos bancários e de relatórios dos lançamentos contábeis na conta de adiantamento de clientes e cópias de notas fiscais correspondentes (Doc 2). Não foi apresentado nenhum documento emitido por terceiros. Os extratos bancários apresentados não identificam que os recursos depositados saíram do patrimônio da Tandera e referemse a “liquidação de cobrança o que não corresponde a realidade, eis que à época dos depósitos a ‘empresa’ Tandera não Fl. 245DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 4 4 era devedora”. Salienta também, que essa empresa, cujo CNPJ é 03.652.100/0001 90, apresentou desde sua constituição declaração de inatividade (Doc. 3) “Caracterizado está o PASSIVO FICTÍCIO, pela manutenção de obrigações a pagar, cuja exigibilidade o contribuinte fiscalizado não logrou comprovar, nos termos do art. 281 do Decreto 3000/99 (RIR/99).” OMISSÃO DE RECEITA Saída de produtos sem notas fiscais apurado através de auditoria de produção, discriminado no auto de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados. Pelas informações iniciais da autuada o consumo de açúcar foi de 5.840.034,39 quilos, no período de 01/01/2001 a 31/12/2001. De conformidade com os coeficientes de produção também informados pelo contribuinte, os produtos fabricados, neste mesmo período, teriam consumido a quantidade de 5.174.195,38 quilos de açúcar. (fl. 194) Resultando na diferença de 665.839,01 quilos de açúcar (5840.034,39 – 5.174.195,38), consumidos em produtos fabricados para os quais não havia registro correspondente de produtos. “Por conseqüência, caracterizase também, Omissão de Receitas no valor correspondente a R$8.502.620,06 (...) com conseqüente falta de lançamento do tributo IPI, no montante original de R$3.247.041,72 (...)” CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS “O contribuinte teria adquirido, em 28/12/99, 500 (quinhentas) debêntures, emitidas em 27/12/99, pela empresa FORCINT S/A – INDÚSTRIA DE BEBIDAS – CNPJ 03.557.149/000164 (doc. 013).” Esta empresa foi constituída no dia 15/12/99. O valor da operação foi de R$ 300.000.000,00, cujo valor de face era de R$1.000.000,00 e ágio (denominado prêmio) no valor de R$299.000.000,00, que corresponde a 29.900 %. O alegado investimento superaria em milhares de vezes o patrimônio líquido das empresas envolvidas que são ligadas, sendo os acionistas com poderes de decisão comum as duas empresas . O fisco salienta as funções exercidas por cada um dos acionistas que assinaram os diversos documentos da operação de compra /venda das debêntures e a interligação entre as pessoas físicas e as empresas que compõem um conglomerado sob o mesmo comando. O plano de desembolso programado nesta operação deveria ocorrer entre dezembro de 1999 a dezembro de 2002, fato este que não aconteceu. “Alguns dos pagamentos teriam sido feitos através de transferências de recursos de outras empresas do grupo, inclusive quando do recebimento dos dividendos vindos do exterior e recebidos em Títulos do Tesouro NorteAmericano (TBills), em 08/04/2002 e 05/07/2002, 10/07/2002 e 16/07/2002, cujos recursos teriam sido repassados na mesma data para a emitente.” (Doc. 008 e13) O plano de desembolso foi alterado através do Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Debêntures, lavrado em 28/10/2003, ficando Fl. 246DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 5 5 estipulado para julho de 2000 a setembro de 2003. Observese que o termo foi lavrado em data posterior ao cronograma de pagamento nele estipulado. “ Com os procedimentos contábeis adotados o contribuinte fiscalizado vem se beneficiando indevidamente, lançando a título de amortização parcelas calculadas sobre valores ainda não pagos conforme se verifica através da DIPJ ... o que demonstra uma amortização acumulada de R$ 43.334.037,85 (...) – diferença entre R$299.000.000,00 e R$255.665.962,15, reduzindo o lucro líquido do período.” “Deve ser esclarecido que até a época do balanço o contribuinte sob ação fiscal somente teria efetivamente pago à emitente das alegadas debêntures o valor de R$ 49.000.000,00 (...). Por conseqüência a amortização não poderia ser calculada sobre o total do suposto ágio, o qual somente vinha a ser totalmente pago em setembro de 2003.” “A vista do exposto restou comprovado que a alegada operação com as debêntures revestiuse de características que comprovam a sua anormalidade e desnecessidade, devendo ser considerada as respectivas despesas como não dedutíveis na apuração do lucro líquido.” Por se tratar de infração continuada, sobre o mesmo fato e enquadramento legal, tributaram, as despesas de amortizações vinculadas à operação com debêntures, nos anoscalendário de 2000 a 2004, nos valores a seguir: ANOCALENDÁRIO DESPESA DE AMORTIZAÇÃO 2000 14.950.000,00 2001 28.384.037,83 2002 30.405.320,72 2003 28.637.082,72 2004 33.182.148,84 “Por efetivar com artificialismo a operação de compra das debêntures com finalidade determinada de suprimir o pagamento de tributos, imputase o disposto no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, com aplicação da multa de ofício de 150%,...” ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL A fiscalizada deixou de oferecer à tributação parte dos rendimentos e/ou ganhos de capital auferidos no exterior, disponibilizados pela empresa controlada ANDREE OVERSEAS LTD, com sede nas ilhas Virgens Britânicas, localidade com tributação favorecida (IN/SRF 164/99) “Os valores não oferecidos à tributação atingem a importância de R$ 24.539.865,72 (...),apurada mediante o confronto entre os valores constantes do balanço da controlada de 31/12/2001 (doc.005), data da disponibilização dos recursos registrados no ‘Passivo Corriente’ (passivo circulante) – Dividendos a Pagar – Primo Schincariol Ind. de Cerv. e Refrig S/A , no valor de R$ 60.706.179,33 e o valor de R$ 36.166.313,61 lançado na linha 05 – Lucros Disponibilizados do Exterior, da demonstração do Lucro Real – ficha 09A, da DIPJ (doc. 006), corroborado pelo registro em igual valor (R$60.706.179,33), em 31/12/2001, na conta 117016 – Dividendos a Receber (doc. 007)”. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 6 6 A empresa apresentou em 25/10/2005, impugnação ao lançamento argüindo, em síntese: PASSIVO FICTÍCIO “Primeiramente, notese que o enquadramento legal apresentado é inadequado para o caso, no que tange aos arts. 251 e 279 do RIR/99...” A exigência fiscal, como afirma o fisco, originouse em adiantamentos efetuados pela empresa Tandera Comercial Ltda à autuada, no montante de R$ 1.189.571,22, realizados no período de 15/08 a 03/09/2001 e de R$ R$106.796,96, efetivado em 21/12/2001, porém, “ nada obrigava a autuada a liquidar a operação no mesmo exercício financeiro, o que aconteceu no ano seguinte.” “Com efeito o negocio jurídico invocado pelos auditores, como suporte para a exigência, completouse em duas fases; na primeira, nos períodos por eles mencionados, a Tandera fez adiantamentos de recursos à autuada, cujo fato fora escriturado por esta em conta de disponibilidades, tendo por contrapartida crédito à conta “Adiantamento de Clientes – Tandera Comercial Ltda”, na segunda fase, iniciada em 09 de janeiro de 2002 e terminada em 16 de abril do mesmo ano, deuse a liquidação da obrigação por parte da autuada, mediante o fornecimento de produtos de sua fabricação, conforme o comprovam o rol de notas fiscais emitidas na época, escrituradas a débito de Adiantamento de Cliente...” OMISSÃO DE RECEITAS AUDITORIA DE PRODUÇÃO Repete neste processo os argumentos expedidos no processo nº 10730.004845/2005 04, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, quais sejam: “embora envolvendo uma série de cálculos matemáticos, esse método de auditoria de produção, assim como qualquer outro que viesse a ser aplicado, não oferece garantia de certeza absoluta...” “...na referida auditoria um item da produção, da maior relevância, deixou de ser considerado nos cálculos, ou seja, xarope, utilizado como insumo na fabricação de refrigerantes, o qual produzido para emprego na fabricação da própria autuada é também, cedido para outras unidades do Grupo Schincariol, bem assim para outras fábricas pertencentes a terceiros.” “No caso, houve, no período auditado, uma produção registrada de 642.710,5 kgs. desse xarope (doc fls.02), que implica a utilização, conforme respectivo coeficiente de produção, de 475.538,11 kg de açúcar que, quando computados nos levantamentos efetuados pelos auditores, o que deveriam ter feito mas não fizeram, reduz a diferença apontada de 665.839,01 kg para apenas 190.300,90 kg, correspondentes a míseros 3,26% de todo o açúcar utilizado na produção em todo período auditado, incapaz, por si só, de extrapolar das margens de variação admitidas para as quantidades de insumo aplicada na produção.” Diz ainda que o insumo eleito – açúcar pode variar de 0,00% a 10% na produção da cerveja Pilsen sem que isso contrariasse a Instrução Normativa nº 54 da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, sendo que apenas parte da variação admitida, faria desaparecer a diferença de açúcar, após computada a saída de xarope. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 7 7 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS “Inicialmente o impugnante destaca que houve erro de fato, cometido pelos ilustres auditores quanto aos valores constantes do grupo contábil ‘diferido’, amortizados durante os períodos acima referidos, que corretamente, são os seguintes:” Lista ano a ano os valores que considera correto e os imputados pelo fisco achando diferenças para mais e para menos. “Em que pese o inusitado esforço dos auditores, em nenhum momento foi considerado o fato de que a emitente dos referidos títulos era e é uma parceira que, do ponto de vista estratégico das empresas SCHINCARIOL, é de inestimável importância, haja vista que em seu posicionamento estável no mercado redundaria, na época do lançamento e hoje mais do que antes, numa importante base de apoio para o lançamento de uma política agressiva de conquista de mercado, capaz, por si só, de alavancar o crescimento, não só das empresas , mas principalmente da marca SCHIN,...” “Por isso que se combinou um menor valor de face e um robusto valor de prêmio, com o claro propósito de facilitar à empresa, se fizesse necessário, o acesso a outras fontes de financiamento, posto que o prêmio, não sendo exigível, figura na escrituração como capital próprio e não como obrigação, cristalizando uma relação ‘capital terceiros/capital próprio’ bastante reduzida, propícia aos objetivos colimados.” “Por outro lado, para dar cumprimento ao binômio em que se fundamentou toda a operação, fezse necessário que a remuneração do capital investido, se desse por meio de uma participação nos lucros da emitente, o que se fez numa base de 100% (cem por cento) de todos os lucros desta, pelo período de dez anos, ao fim dos quais as debêntures serão convertidas em participação societária.” Alega o impugnante que o não pagamento na data combinada nunca foi condicionante para a dedução da despesa admitida pela legislação. Cita um parecer dado em resposta à consulta elaborada por terceiros, que orienta no mesmo sentido do procedimento adotado pela empresa . “Também não faz sentido dizer que a operação seria fantasiosa porque toda a documentação a ela correspondente fora assinada por pessoa ao mesmo tempo ligadas à emissora e à adquirente das debêntures. Essa afirmativa carece de fundamento tendo em vista que a sociedade de qualquer natureza possui personalidade jurídica diferente da de seus sócios ou acionistas , adquirida a partir do registro de seus atos constitutivos no registro próprio (Código Civil, art. 985), sendo representada em quaisquer de seus atos pelos respectivos administradores...” Também se insurge contra a penalidade aplicada a esta infração. Diz que para sua aplicação não basta uma simples presunção por parte da autoridade, há de ter provas robustas da ocorrência do dolo, até porque a imposição desta penalidade “poderá trazer conseqüências muito mais graves que a simples glosa de uma despesa, podendo ferirlhe a própria honradez ou até mesmo a privação da própria liberdade.” “No caso, comprovada a legitimidade da operação, afastase, de pronto a acusação de evidente intuito de fraude a que se referem os auditores, até porque, se dela resultou alguma vantagem de natureza tributária, foi por mera conseqüência, jamais por burla a qualquer dispositivo de lei. No máximo, tratarseia de ato elisivo, não defeso em lei, impróprio, portanto, como suporte ao agravamento da pena pretendido pelos agentes do Fisco, pela ausência de simulação...” Fl. 249DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 8 8 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Segundo o impugnante os lucros oriundos do exterior, somente seriam computados na determinação do lucro real correspondente ao balanço de 31 de dezembro do ano calendário em que houvesse sido disponibilizado para a empresa no Brasil (IN SRF 38/96). “Esse mesmo tratamento veio posteriormente a ser confirmado pela Lei 9532 de 1997, cuja norma só foi alterada relativamente aos lucros disponibilizados a partir de 2002.” Entende assim que lucros obtidos no exterior apurados até final do ano de 1995, independentemente da data de sua disponibilização não integram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre lucro líquido. “Ocorre que no caso em tela a empresa ANDREE OVERSEAS possuía em seu balanço lucro apurados no ano de 1995, no valor de R$33.058.858,44..., lucros esses que integraram o montante disponibilizado no exterior no ano 2001 e que não foram excluídos da base de cálculo de incidência levantada pelos agentes da Receita Federal, como deveriam têlo sido, o que evidencia erro de fato...” Para os Autos de CSLL, PIS e COFINS apresenta basicamente os mesmos argumentos. Em 14/09/2006, foi solicita à DRF/Niterói/RJ, diligência a fim de esclarecer os argumentos do impugnante a respeito do Passivo Fictício levantado pelo Fisco. Intimada a empresa apresenta relação dos valores que compõem o crédito da Tandera Comercial Ltda, extratos de sua conta corrente dentre outros documentos, os quais estão juntados às fls. 1507/1749. Às fls. 1753/1755, a Fiscalização lavra o Termo de Encerramento da Diligência, no qual afirma, no item 3, que: “examinamos a referida documentação e verificamos que a contribuinte insiste em apresentar os mesmos documentos já constantes deste processo – Anexo I, documentação esta oriunda de sua própria contabilidade, conforme informado no doc. de fls. 1506. A documentação apresentada pela contribuinte não atende ao solicitado pelo Presidente da 2ª Turma da DRF de Julgamento em Juiz de Fora, bem como não foi levado em conta a possibilidade oferecida pela Fiscalização através de Termo de fls. 1504, ou seja, apresentar os documentos que julgasse necessário para comprovar que os recursos de que trata foram provenientes do patrimônio da empresa Tandera Comercial Ltda.” O Fisco faz outras considerações e opina pela manutenção da tributação, haja vista não ter ficado comprovado que os créditos bancários realizados, a título de liquidação de cobrança eram na verdade adiantamento de clientes, como escriturado e nem que tais créditos advieram da empresa Tandera Comercial Ltda, que pelo cadastro da SRF sempre esteve inativa. Cientificada em 31/10/2007, o contribuinte apresenta suas razões adicionais , primeiramente discorda da solicitação de diligência, que segundo ele, não continha matéria fática, tendo apenas o julgador administrativo encontrado “uma maneira de propiciar ao acusador nova manifestação nos autos, há muito tempo revogado” “O passivo fictício tomado pelo Fisco não foi pago em dinheiro, mas sim liquidado com a entrega de mercadorias. A prova só poderia ser feita com notas fiscais...” “Posto isto, esclarecida a tentativa de ‘salvar’ o que não tem conserto, resta requerer o prosseguimento do processo, onde deverá prevalecer o melhor direito, com o cancelamento da exigência.” Fl. 250DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 9 9 A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A presença escritural no Passivo de obrigações desacompanhadas do correspondente respaldo documental autoriza a presunção de omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. O levantamento de produção a partir da técnica de auditoria é procedimento legítimo, conforme reiterada jurisprudência, mormente se calculada com base em elementos subsidiários fornecidos pelo contribuinte DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. AMORTIZAÇÕES DO ÁGIO PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Deve ser glosada a despesa com pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas quando se constata que não houve qualquer necessidade da despesa para a produção de receitas ou manutenção da respectiva fonte produtora na forma da legislação fiscal. RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL DO EXTERIOR . EM 2001, para efeito de tributar os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, considerase ocorrido o fato gerador no anocalendário em que os lucros tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil Lançamento Procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Às fls. 18911916 consta juntada de documentos solicitada pela DRF Campo Grande — MS, relativa a cópias do processo 14112.001250/200870, que versa sobre a declaração de inaptidão fiscal da empresa Primo Schichariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S.A. CNPJ 50.221.019/000136. Em face da Resolução nº 1051.440, fls. 1930 e seguintes, o presente processo deveria ser encaminhado à Unidade de origem, nos seguintes termos(fl. 1935): Pelo exposto, em consenso com o colegiado, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para aguardar na Delegacia da Receita Federal em Niteroi o término da lide relativa ao processo 10730.004845/200504 de IPI. Ocorre que, segundo despacho de fl. 1937, o contribuinte apresentou desistência da parcela mantida no aludido processo de IPI. Além disso, a partir do novo Regimento do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/2009), a atribuição para julgamento do processo de IPI conexo com o de IRPJ passou a ser da 1a. Seção do CARF. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 10 10 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recursos, de oficio e voluntário, preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, deles conheço. I – RECURSO VOLUNTÁRIO. I.1 – OMISSÃO NO REGISTRO DE RECEITAS O crédito tributário neste item decorrente da acusação de que teria ocorrido vendas sem a emissão de notas fiscais (passivo fictício e auditoria de produção), de que resultou, também, lançamento para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, restou incluído em pedido de parcelamento de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009. Assim, diante da desistência do contribuinte, não há que se conhecer do recurso quanto a esta matéria. I.2. – CUSTOS OU ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS O fato concretamente acontecido diz respeito à aquisição, pela recorrente, de 500 (quinhentas) debêntures emitidas por FORCINT S. A. INDÚSTRIA DE BEBIDAS, pelo valor total de R$ 300.000.000,00, dos quais R$ 299.000.000,00 correspondem ao ágio pago na operação, enquanto que o valor de face dos títulos alcançou R$ 1.000.000,00. A autoridade lançadora destaca como evidências de que o negócio jurídico realizado não se reveste das condições de normalidade e necessidade: i) o suposto investimento supera o patrimônio líquido de ambas as empresas contratantes, em milhares de vezes, além do fato de que à época, nenhuma delas possuía condições econômicofinanceira para assumir compromisso de tamanha envergadura: ii) as mesmas pessoas físicas representando vendedores e compradores, o que configura a hipótese descrita no § 2º do artigo 243 da Lei nº 6.404, de 1976, vez que as empresas pertencem ao conglomerado sob o mesmo comando, conforme organograma de fls. 525: iii) descumprimento do cronograma de pagamentos quanto a datas e valores pactuados, além do fato de alguns dos resgates terem ocorrido com utilização de recursos oriundos de outras empresas do grupo empresarial, inclusive dividendos recebidos do exterior: iv) a evolução dos recursos revelada pelos balanços levantados por ambas as contratantes, evidenciam tratarse de “operação ardilosa”, perpetrada com o objetivo de, no futuro, haver o beneficiamento com redução do imposto de renda devido; v) o cálculo das amortizações, tendo por base os valores devidos e não pagos, configura benefício indevido utilizado pela recorrente, vez que deduziu do lucro líquido o montante de R$ 43.334.037,85, a título de amortização acumulada; Fl. 252DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 11 11 vi) o valor efetivamente pago até o momento da auditoria fiscal, alcançava o montante de R$ 49.000.000,00; vii) o valor assumido como ágio na aquisição das debêntures não está contemplado pela regra jurídica inserta no artigo 299, §§ 1º e 2º do Regulamento do Imposto de Renda baixado com o Decreto nº 3.000, de 1999, por lhe faltar os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, no tipo de atividade exercida pela empresa; viii) a dedução do valor do ágio não está autorizada pelo artigo 324 do Regulamento do Imposto de Renda retro mencionado, vez que faltalhe a necessária vinculação à atividade produtiva ou de comercialização dos bens e serviços gerados pela pessoa jurídica. O ilustre relator do voto condutor do Acórdão recorrido, em razão dos argumentos expendidos na fase impugnativa, desenvolve considerações que podem ser assim sintetizadas: a) as debêntures foram concebidas como instrumento capaz de permitir a captação de recursos financeiros para a Companhia, desde que atendidas diversas formalidades, e os recursos captados se equiparam àqueles obtidos através de um contrato de mútuo, vez que, na essência, as Companhias emitentes dos citados títulos estão em busca de empréstimo; b) a remuneração desse “empréstimo” deve guardar correspondência com os juros praticados pelo mercado, podendo ser fixos ou variáveis, e incluir participação no lucro da Companhia e pagamento de prêmio de reembolso; c) a debênture difere da parte beneficiária pela natureza do direito conferido ao possuidor do título contra a sociedade emissora, vez que nesta última o crédito é eventual, enquanto que naquela é permanente; d) a debênture não se reveste do caráter de incerteza, já que remunerada por meio de juros, sendo um mero adicional a atribuição de participação no resultado; e) os recursos captados estariam comprometidos com o desenvolvimento de projetos correlatos à fabricação, engarrafamento e comercialização de cervejas e refrigerantes, sendo estipulado remuneração equivalente a 100% do resultado líquido obtido pela emitente; f) a despeito de as debêntures possuírem caráter de financiamento do capital, no caso sob exame a emitente dos títulos não dispunha de patrimônio capaz de garantir o empréstimo, sendo certo que nem a adquirente possuía disponibilidade patrimonial que pudesse arcar com o volume de dispêndio. Essa operação foge às características do contrato, ferindo o disposto no artigo 60 da Lei nº 6.404, de 1976; g) o fato de ter sido estipulado a entrega da totalidade dos lucros como forma de remuneração das debêntures, e não o pagamento de juros, como seria de acontecer, faz com que a operação de compra e venda de debêntures mais se assemelhe a uma transação de “partes beneficiárias”; h) está demonstrado que até dezembro de 2001, a autuada teria desembolsado o total de R$ 49.000.000,00, em 2002 o montante de R$ 175.000.000,00, e em 2003 R$ 75.000.000,00, para pagamento do prêmio das debêntures, sendo que desde o ano de Fl. 253DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 12 12 2000, apropriou despesas com amortização do ágio, independentemente do seu efetivo desembolso; i) a operação não está relacionada com a produção ou comercialização de bens e serviços da então impugnante, como exigido pelo ordenamento jurídico, ao revés, utilizandose do artifício consistente na aquisição de debêntures com ágio, a empresa acabou por fazer verdadeiro investimento de capital próprio na constituição de uma empresa, o que deveria acontecer mediante subscrição de capital; j) contrariando o disposto no artigo 327 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto nº 3.000, de 1999, foram deduzidos de forma indevida, a título de amortização, valores que não guardam relação com a sistemática imposta pela legislação de regência; k) a evolução dos pagamentos em confronto com as amortizações apropriadas, nos revela que até o ano de 2001, a empresa contabilizou o equivalente a 90% do desembolso efetivado a título de prêmio na aquisição dos títulos; l) relativamente ao alegado “erro de fato”, sua ocorrência não restou comprovada com a apresentação dos documentos de fls. 1470/1475, vez que não guardam correspondência com as DIPJs entregues. Em seu recurso voluntário endereçado a este Conselho, a pessoa jurídica interessada sustenta que a Turma Julgadora de primeiro grau não teria enfrentado seus argumentos expendidos na fase impugnativa, relativamente ao “erro de fato” cometido pela autoridade lançadora, reiterando tudo quanto sustentado. Com razão a recorrente. De fato, estabelecido o confronto entre os lançamentos contábeis sintetizados nas páginas do “Razão Analítico” (fls. 1470/1475), com aqueles declarados nos formulários da DIPJ, pode ser constatado que a Fiscalização, tendo presente os cálculos elaborados, não promoveu a glosa do valor efetivamente apropriado, ora glosando em excesso, ora glosando com deficiência. O quadro abaixo espelha essa realidade: Ano ! Razão Analítico ! DIPJ ! Glosado ! 2000...14.950.000,00..... ..15.275.495,43...........14.950.000,02 2001.....28.899.999,98.. ...30.949.242,32.... . 28.384.037,83 2002....29.900.000,00........30.849.846,46..... ....30.405.320,72 2003....29.900.000,00........32.201.165,33.........28.637.082,72 2004....29.900.000,00........33.182.148,84.........33.182.148,84 Alguns registros se fazem necessários em razão do cometimento do alegado “erro de fato”: i) os valores cujas glosas ocorreram a menor (2001 e 2003), devido ao tempo decorrido desde a ocorrência do fato gerador, não mais podem ser objeto de lançamento suplementar, seja por obediência ao comando inserto no § 4º do artigo 150 do CTN, seja por escapar à competência deste Colegiado para determinar tal providência; Fl. 254DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 13 13 ii) relativamente às glosas promovidas em excesso, devem ser excluídas da base de cálculo, por inequívoco cometimento do “erro de fato”; iii) para o ano de 2004 a glosa dos valores apropriados a título de amortizações alcançou 100% (cem por cento) do total declarado da DIPJ. Com o objetivo de corrigir o “erro de fato” cometido pela autoridade lançadora, devem ser excluídas da base de cálculo, nos anoscalendário de 2002 e 2004, as quantias de R$ 505.320,72 e R$ 3.282.148,84, respectivamente. A questão da dedutibilidade do ágio pago na aquisição de debêntures está disciplinada pelos artigos 324 e 325 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto nº 3.000, de 1999, “verbis”: “Art. 324. Poderá ser computado, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente será admitidas as amortizações de custo ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bem e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e séricos (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Art. 325. Poderão ser amortizados: I – o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): a) .........; b) .........; c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio.” A autoridade lançadora põe em relevo o fato de tanto a “ESCRITURA PARTICULAR DE EMISSÃO DE DEBÊNTURES”, o “INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE DEBÊNTURES” e o “TERMO ADITIVO AO INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE DEBÊNTURES” terem sido firmados por Fl. 255DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 14 14 pessoas físicas que figuram na condição de vendedores e de compradores, razão pela qual faz inúmeras “observações” inclusive este registro: “3.8.4 –Ratifica a informação (...) na qual evidenciado está que todos os documentos apresentados à fiscalização como alegadamente ancoradores das questionadas negociações de debêntures são emanadas de pessoas jurídicas de estrita ligação acionária,especialmente no tocante às pessoas físicas com poderes de decisão em todas as empresas do conglomerado descrito no organograma anexado. Assim, em síntese obsoluta e objetiva, EMITENTE E COMPRADOR das supostas debêntures se confundem numa, se assim podese chamar, entidade única, onde, transportandose para a linguagem cotidiana, seria semelhante a se afirmar que é a questão do “eu vendo par mim mesmo”.” Após a elaboração do quadro de fls. 25, a autoridade lançadora, tendo presente os elementos revelados na escrituração contábil mentida pela recorrente, como também os destaques constantes do relato de fls. 17/24, concluiu tratarse de “operação ardilosa”, cujo objetivo seria beneficiarse com a apropriação de quotas de amortização e, de conseqüência, redução da base de cálculo do tributo. A questão sob exame já foi analisada pela Colenda Primeira Câmara deste Conselho, em Sessão de 16 de junho de 2005, por ocasião do julgamento do Recurso nº 141.030, que deu causa ao Acórdão nº 10195028, cabendo aqui reproduzir, com vênia do nobre relator, a ementa do citado Aresto e estes trechos: EMENTA: “IRPJ – CUSTOS. DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. – ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. – DEDUTIBILIDADE. O Ato Administrativo de Lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocamente, se subsuma à hipótese descrita pela norma jurídica. A fundamentação da glosa de custos ou despesas operacionais realizadas e contabilmente apropriadas pelo sujeito passivo, há de ser acompanhada de elemento probatório, produzido pela Fiscalização, de que os gastos suportados não são necessários à atividade da empresa ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. O ágio pago na aquisição de debêntures, satisfeitas as condições legalmente estabelecidas, por se tratar de despesa necessária é dedutível para efeito de se determinar o lucro real. (...). Recurso conhecido e provido.” (Ac. 10195028, de 16/06/2005). CONTEÚDO DO VOTO: “Como do relato se infere, tratam os presentes autos da glosa da amortização do ágio pago na aquisição de debêntures de emissão da Companhia (...), sob o fundamento de que tais despesas não satisfazem as condições de necessidade, usualidade e normalidade, tal como exigido pela legislação de regência. A autoridade lançadora, partindo do pressuposto de que a operação de emissão, venda e compra das debêntures estaria funcionando “como mecanismo de redução dos resultados tributáveis”, aponta como razões ou fundamentos para que tal redução não tenha a proteção do ordenamento jurídico: Fl. 256DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 15 15 i) inexistência de elementos a justificar a defasagem ou o que denominou de “desproporção” entre o valor investido e aquele correspondente ao ágio pago na aquisição dos títulos; ii) falta de bilateralidade a caracterizar o negócio jurídico realizado, vez que nas condições pactuadas somente é admissível quando envolvendo sociedades coligadas; iii) o que norteou a fixação do ágio foi a possibilidade de apropriação de uma despesa que, uma vez registrada reduziria o montante do lucro tributável. Outras considerações foram apresentadas pela autoridade lançadora, cabendo aqui destacar alguns aspectos: • a criação de uma despesa não pode ser albergada pelo ordenamento jurídico, notadamente por lhe faltar o caráter de razoabilidade, sendo certo que a amplitude da liberdade poderia alcançar o infinito, com calibragem de cada caso concreto; • a operação da qual resultou a emissão das debêntures pode ser formalmente regular, mas a fixação do valor do ágio, aspecto importante da operação, implicou constituição de despesa, sendo relevante analisar o fato sob a ótica da lei fiscal; • (...); • nos termos do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda baixado com o Decreto nº 3.000, de 1999, o ágio pago na aquisição de debêntures (...), por não compreendido no conceito de custo ou despesa operacional, por não necessário à atividade e à manutenção da fonte produtora do rendimento, não sendo normal nem usual, não é dedutível do resultado apurado; • mais um impeditivo à dedução do ágio é encontrado na redação do artigo 324 do citado Regulamento, na medida em que o gasto não está “intrinsecamente relacionado com a produção ou comercialização dos bens e serviços”; Contrapondo os argumentos apresentados pela Fiscalização, a pessoa jurídica autuada sustentou na fase impugnativa: i) inexiste, em nosso ordenamento jurídico, texto de lei que considere ilegal a operação realizada, sendo certo que o planejamento tributário, cujo objetivo seja o pagamento a menor dos impostos, só pode ser atacado se houver presente a figura da simulação, ou se tratar da tentativa de ocultar fato gerador anteriormente ocorrido; ii) (...); iii) a conduta da pessoa jurídica, constante na aquisição das debêntures é plenamente lícita, e a dedutibilidade integral das participações nos lucros, atribuídas à debêntures, está autorizada pelos artigos 462 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto nº 3.000, de 1999, e 56 da Lei nº 6.404, de 1976; iv) nos termos do disposto no artigo 442, III, do citado Regulamento, o prêmio na emissão de debêntures, calculado segundo a expectativa de futura rentabilidade, será receita não tributável se seu preço for registrado como reserva de capital; v) (...); vi) (...); vii) segundo a doutrina de Roberto Barcelos de Magalhães e de Rubens Requião, os rendimentos atribuídos às debêntures, tendo por base os lucros auferidos pela Companhia emissora, caracterizamse como de aplicações financeiras de renda Fl. 257DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 16 16 variável, conclusão que é admitida pela própria CVM, através do Of. CVM/SDM nº 041/94; viii) se a fiscalização tem a pretensão de tributar a receita resultante da operação, não pode considerar indedutível o prêmio pago; ix) se a despesa com a amortização do ágio não for “operacional”, a remuneração das debêntures também não se caracteriza como receita operacional, do que se conclui ser o resultado alcançado também não operacional, fato que sequer encontra obstáculo no ordenamento jurídico. O ilustre relator do Aresto recorrido, centrado na assertiva feita no sentido de que “... o cerne da questão está na análise da possibilidade de dedução do valor do ágio na emissão de debêntures”, traz à tona algumas reflexões que deixam claro que ao promover citada análise aquele julgador refugiu ao tema central colocado como essencial para o deslinde da controvérsia. Com efeito. Ao registrar que a pessoa jurídica autuada poderia ter promovido o lançamento de debêntures no importe ou no montante dos recursos suficientes a suprir sua necessidades (fls. 189), e que “... não era necessária a emissão das debêntures, pois a investidora poderia explorar a atividade diretamente ...” (fls. 194), o ilustre relator deu azo a que a recorrente protestasse, com razão, afirmando textualmente: “36. Quanto à observação constante da Decisão Recorrida (...) demonstra ela o despreparo com que o assunto foi examinado. 37. A recorrente, pela experiência que tem no ramo de negócios (...), pela riqueza de seus recursos humanos especializados e conhecimentos tecnológicos específicos e, principalmente, pela responsabilidade com que assume os riscos do negócio, deve, ela própria, decidir o que deve ou não deve fazer, em conformidade com as disposições legais vigentes. Na verdade, não compete às autoridades julgadoras de processos fiscais emitir opiniões sobre a forma como deveria a empresa conduzir os seus negócios.” Após tecer considerações a propósito dos lançamentos contábeis promovidos pela pessoa jurídica (...), o ilustre relator registra que o valor pago a título de ágio, a teor do disposto no artigo 179, V, da Lei nº 6.404, de 1976, deveria ter sido registrado em conta do Ativo Diferido; e tendo presente os comandos jurídicos insertos no artigo 327 do Regulamento do Imposto de Renda baixado com o Decreto nº 3.000, de 1999, a amortização dos valores ali registrados só é permitida por prazo igual ou superior a cinco anos. Do rol dos encargos ou despesas constantes das alíneas “a” a “e”, do mencionado artigo 325, inciso II, não consta o ágio pago na emissão de debêntures, o que afasta, de plano, a assertiva feita no sentido de que teria ocorrido uma impropriedade digna de registro, derivada do descumprimento de disposição legal constante da legislação tributária vigorante à época. No inciso I do mencionado artigo 325, mais especificamente na sua alínea “c”, temos a previsão ou descrição da hipótese de amortização do custo de aquisição dos direitos de qualquer natureza, dentre os quais está o ágio pago na aquisição de debêntures, sem qualquer limitação quanto ao prazo para recuperação do investimento. A debênture é considerada um instrumento que a Sociedade Anônima ou Companhia utiliza para obter financiamento, notadamente através de capital de terceiros. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 17 17 Como é sabido e consabido, o Acionista contribui para a formação do capital social, e sua contribuição tem caráter permanente, vale dizer, o interesse do acionista no ativo social não é transitório, mas sim permanente, visando ganhos com o investimento, embora assumindo os riscos inerentes ao negócio realizado. Já o debenturista se apresenta como um credor da Companhia, e seu investimento tem natureza transitória. É inegável que a operação com debênture deve ser registrada no Exigível a Longo Prazo, tendo como contrapartida conta do Ativo Diferido. A inversão de capital na aquisição de debêntures, por valor superior ao valor nominal do título, corresponde ao ágio pago na aquisição desses títulos e deve ser registrado em conta do Ativo Diferido, ocorrendo sua recuperação quando da apropriação das correspondentes quotas de amortização, as quais serão computadas diretamente em contas de resultados, como custos operacionais. O reconhecimento de tais custos deve ocorrer enquanto o investimento contribua para a formação do resultado do exercício, ou seja, pelo prazo previsto no contrato. A alegada impropriedade cometida no registro do valor do ágio, se ocorrida de fato, não chega a comprometer nem mesmo a alterar a natureza jurídica do negócio realizado. (...). Como fácil é concluir, a decisão recorrida, fundada no voto condutor do Aresto sob exame, deixou de enfrentar, com profundidade, as questões que envolvem a glosa dos custos apropriados pela recorrente, permanecendo tãosomente em considerações superficiais, às vezes até à margem do tema central posto para decisão. O Decretolei nº 1.598, de 1977, por seu artigo 15, parágrafo primeiro, autoriza a pessoa jurídica a apropriar, a título de custo ou encargo, importância correspondente à recuperação do capital investido e que contribua para a formação do resultado de mais de um período. As amortizações das quotas do capital aplicado a título de custos, encargos ou despesas, a teor do artigo 58 da Lei nº 4.506, de 1964, alcança, inclusive, a aquisição de contratos e direitos de qualquer natureza, notadamente de exploração de fundos de comércio. Segundo registro feito no Aresto atacado, a despesa deve ser glosada pelo fato de não se apresentar como necessária à própria emissão das debêntures. A propósito, cumpre deixar consignado que segundo as justificativas apresentadas pela autoridade lançadora, a emissão dos títulos sequer foi questionada e, muito menos apontada como desnecessária, a ponto de lançar sua influência na apropriação contábil promovida pela investidora. Como já registrado, os fatos que influenciaram a Fiscalização, a ponto de levála a considerar que o valor do ágio pago na aquisição das debêntures seria indedutível, foram; i) tratarse de negócio jurídico realizado entre duas sociedades econômicas de capital fechado, controlada e controladora; ii) alienação de debêntures com cobrança de ágio equivalente a 2550% sobre o valor nominal do título; iii) participação de 95% nos lucros da sociedade investida; Fl. 259DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 18 18 iv) redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, da emitente das debêntures a 5% do lucro líquido; v) a emissão dos títulos foi utilizada como mecanismo para a redução dos resultados tributáveis. Relevante deixar consignado que as justificativas acima elencadas dizem respeito mais à Companhia emissora dos títulos que à recorrente. Aqui, para registro, cabe mencionar que autoridade lançadora sustenta que praticamente os resultados positivos alcançados (...) teriam sido anulados com a redução dos valores pagos a título de ágio. (...). A nosso sentir, o planejamento tributário foi realizado visando a economia de tributos, mas centrado nos resultados apurados pela sociedade emissora das debêntures, já que segundo o disposto nos artigos 442 e 462 do Regulamento do Imposto de Renda baixado com o Decreto nº 3.000, de 1999: i) as contribuições resultantes da subscrição de valores mobiliários, que a pessoa jurídica receber em razão de emissão de debêntures, a título de prêmio, uma vez promovido o registro como reserva de capital, não serão computadas na determinação do lucro real; e ii) as participações nos lucros asseguradas às debêntures podem ser deduzidas do lucro líquido, para efeito de determinar o lucro real. (...). O professor Helenílson Cunha Pontes, atuando na condição de debatedor no Primeiro Seminário do Instituto de Pesquisas Tributárias – IPT, realizado no mês de novembro de 2002, publicado sob o título “IMPACTO TRIBUTÁRIO do Novo Código Civil, publicado pela Editora Quartier Latin do Brasil, São Paulo, 2004, págs. 155 a 170, em face da palestra proferida pelo nobre advogado Marco Aurélio Greco, externou sua posição a propósito do tema “O Planejamento Tributário e o Novo Código Civil”, nestes termos: “... A meu ver, só temos uma hipótese de inexistência de um motivo real: quando estamos na área do abuso. Se eu estou na área do abuso, estou na área do ilícito. Se estou na área do ilícito, o que era permitido se transforma em proibido. Aqui eu lembro que esses temas de fraude à lei e abuso de direito configuram o que a Dogmática denomina ilícitos atípicos. Por que atípicos? Porque a ilicitude não decorre da contrariedade a uma regra expressa prevista no ordenamento. A contrariedade decorre do exercício de um poder ou de uma norma que permite a você agir, ou seja, você age com base numa norma que lhe permite fazer aquilo, mas a conseqüência da sua ação viola a eficácia de um determinado princípio. Isso é óbvio em matéria tributária, temos aqui um princípio que é o princípio da capacidade contributiva que está sempre subjacente ao nosso discurso. Quando dentro da minha liberdade contratual pratico um negócio jurídico que posso praticar porque é permitido pelo ordenamento, mas a conseqüência daquele meu negócio é lesiva à eficácia do princípio da capacidade contributiva, eu posso estar no âmbito do chamado abuso de direito ou abuso da lei. O que vai dizer se estou no âmbito do abuso do direito ou no âmbito do abuso da lei vai ser a ofensa que eu vou ter causado com aquele meu ato ao princípio da capacidade contributiva. ...”. Agora para concluir, me parece que o tema do abuso não pode ser confundido com o tema da antielisão. Colocar o tema do abuso de direito ou fraude à lei dentro do tema antielisão significa tornar ilícitas ações lícitas. Tenho certeza que o Marco Aurélio não está dizendo isso, mas eu tenho medo do que vai acontecer com a aplicação da Medida Provisória 66 (atual Lei 10.637/02). Significa dizer que economizar tributo Fl. 260DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 19 19 passou a ser ilícito, porque diz lá a MP 66 que o motivo seja equivalente. Nós não podemos transformar a exceção, que é a fraude à lei, que é uma possibilidade teórica, uma possibilidade jurídica, uma possibilidade normativa, na regra, isto é, toda e qualquer hipótese de elisão que configurar a prática de um negócio jurídico indireto ou atípico ser desconsiderada simplesmente por que foi para economizar tributo. Uma coisa é elisão, outra coisa é o abuso de forma, o abuso de direito. (...) Dizer que não tenho mais a opção entre duas ou três formas lícitas significa dizer que não tenho mais liberdade de contratar. Liberdade pressupõe alternativas de comportamento. Aceito o pressuposto de que em alguns casos eu não tenho uma alternativa de comportamento na seara tributária, isto é, devo escolher o caminho que o Fisco (não através da lei, mas da interpretação desta), me determinou, significa concluir que desapareceu a liberdade de contratar, de optar entre caminhos igualmente lícitos. Em uma palavra, significa retirar, significa negar tudo que é de valor na Constituição no que tange à liberdade de iniciativa.” Na mesma obra, agora trazendo à baila palestra do Dr. Ricardo Mariz de Oliveira “Reflexos do Novo Código Civil no Direito Tributário”, págs. 176 a 207, pedimos vênia para reproduzir as passagens como abaixo: “Inicialmente, é necessário relembrar que a elisão tributária lícita sempre se caracterizou, e se contrapôs à evasão fiscal ilícita, por três – e apenas três – requisitos: (1) ser resultado de atos ou omissões anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que se quer elidir; (2) ser resultado de atos praticados ou omissões mantidas com absoluta observância da ordem jurídica aplicável à situação, ou seja, com absoluta licitude; (3) ser resultado de atos ou omissões reais, e não de atos simulados. Sempre destaquei que o terceiro requisito está contido no segundo, pois simulação é vício do ato jurídico, portanto, causa de ilicitude, mas é colocada em destaque pó a principal causa de evasão fiscal, como já dito acima. Tanto isto é verdade que a Lei Complementar nº 104 veio se ocupar apenas dela. Os três citados requisitos são referidos na doutrina e na jurisprudência predominantes, a despeito de algumas vozes isoladas, embora respeitáveis. A ilicitude do objeto ou o objetivo de fraudar a lei imperativa não se confundem com a intenção de economizar tributos através de procedimentos lícitos, pois a elisão fiscal é direito que promana da Constituição Federal. Também é preciso não confundir o motivo determinante do negócio, comum a ambas as partes, que, quando ilícito torna nulo o contrato, com a motivação das partes na estruturação regular dos seus negócios, com vistas à economia de tributos. Outrossim, embora a lei tributária seja imperativa, a sua imperatividade somente existe após a ocorrência do fato gerador, de tal arte que, antes desse evento o objetivo de evitálo, que de resto é constitucionalmente assegurado, não representa fraude à lei tributária. Portanto, essas causas de nulidade dizem respeito ao negócio jurídico em si, e não aos efeitos tributários dele decorrentes. Paralelamente, o art. 104 do novo estatuto civil, reprisando o anterior art, 82, afirma que a validade do negócio jurídico requer “objeto lícito, possível, determinado ou determinável”. Ora, determinada estrutura jurídica produtora de objeto lícito, Fl. 261DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 20 20 possível, determinado ou determinável no âmbito privado, e igualmente produtora das conseqüentes incidências ou não incidências tributárias, atende a ambos os dispositivos. Em suma, como sempre foi, o ato continuará lícito enquanto praticado no exercício regular de um direito. O qualificativo “regular” contrapõese, como sempre ocorreu, ao exercício irregular, o que se manifesta em cada situação, segundo as suas peculiaridades e circunstâncias. Mas nem de longe se pode pensar que a escolha de um caminho legal tendente a produzir a elisão fiscal possa, por si só, representar irregular exercício de direito. Pelo contrário, é regular exercício de direito constitucional, na medida em que, como já dito e repetido, o caminho escolhido seja lícito. O parágrafo segundo é importante, na medida em que os atos forem praticados com o ânimo do proprietário exercer os atributos da propriedade, acima aludidos, sem prejudicar outrem, que não é o caso do fisco quando não chega a adquirir direito à cobrança de algum tributo porque o proprietário usou o seu patrimônio sem adentra a situação necessária e suficiente à exigência desse tributo. Em outras palavras, este ou aquele uso da propriedade com vista à economia de tributos é uso que traz utilidade para o proprietário, e, se tal uso não se constitui em “situação definida em lei como necessária e suficiente” à ocorrência do fato gerador, na dicção do art. 114 do CTN, não há intenção de prejudicar o fisco. Tal intenção somente pode existir se o fisco tiver direito ao tributo pela já existência da respectiva situação necessária e suficiente.” Pelos fundamentos acima transcritos, formei convencimento de que a decisão recorrida, nesse particular, merece reforma, devendo ser integralmente cancelado o auto de infração. I.3 GANHO DE CAPITAL – LUCROS DISPONIBILIZADOS A autoridade lançadora concluiu por ter a recorrente deixado de oferecer à tributação, no anocalendário de 2001, ganhos de capital correspondentes aos lucros disponibilizados por pessoa jurídica sediada no exterior: ANDREE OVERSIAS LTD., aflorados em razão do confronto entre os registros constantes do Balanço levantado em 31 de dezembro de 2001 e aqueles indicados na Linha 05 da Ficha 09ª, da DIPJ apresentada no exercício de 2002. Ainda na fase impugnativa o sujeito passivo na presente relação jurídica tributária sustentou que, por força dos comandos jurídicos insertos nas leis de números 9.249, de 1.995 e 9.532, de 1997, os lucros disponibilizados por filiais ou sucursais sediadas no exterior, em benefício de pessoa jurídica com sede no País, somente estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL, se e quando apurados a partir do ano de 1996. Como a pessoa jurídica que disponibilizou os lucros dispunha de saldo que englobava resultados apurados em datas anteriores a 1º de janeiro de 1996, e sendo certo que sua participação no capital social da empresa detentora dos ganhos era da ordem de 58,6327%, o total dos lucros disponibilizados alcançou US$ 15.586.240,99 que, convertidos para a moeda nacional, perfaz a quantia de R$ 36.166.313,61, exatamente o montante oferecido à tributação. O ilustre relator do voto condutor do Aresto recorrido, fundado no saldo dos Dividendos a Receber, demonstrado pela recorrente, como também no valor do saldo da conta Fl. 262DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 21 21 de Dividendos a Pagar, constante do Balanço apurado pela empresa Andree Oversias Ltd., concluiu no sentido de que: “A documentação comprobatória da exigência aponta no sentido de que a contribuinte, em 31/12/2001, era o sócio beneficiário da distribuição de um lucro no valor de R$ 60.706.179,33, os quais não foram integralmente oferecidos à tributação. Daí a exigência da importância de R$ 24.539.865,77. (....). Não obstante a argüição correta da legislação, nada há nos autos que comprove que o valor de R$ 60.706.179,33, repisese, não seja de fato direito seu, nem que nele estivesse contido lucro de ano anterior a 2001. Todos os documentos juntados aos autos apontam no sentido contrário. Assim, nada há que modifique a exigência fiscal neste aspecto, inclusive no tocante à CSLL.” Como fácil é concluir, estamos diante de questão que envolve, essencialmente, matéria de fato, a exigir apresentação do elemento probante. Os documentos que compõem as fls. 1846 a 1875 do volume IX, comprovam que a empresa Andree Overseas ltd. Obteve esses resultados: ANO RESULTADO (US$) 1995..................................................33.920.162,92 1996.................................................. 6.241.749,32 1997.................................................. 6.717.260,22 1998.................................................. 4.032.950,89 1999.................................................. 4.042.230,42 2000.................................................. 4.047.182,90 2001.................................................. 4.046.625,89 Deve ser consignado que a recorrente, no que se refere aos lucros apurados no ano de 1997, promove um ajuste do qual resultou redução da quantia de US$ 2.683.985,33, sem que houvesse uma justificativa plausível, calcada em fundamentos sólidos e de acordo com a documentação apresentada. Basta uma consulta aos documentos de fls. 1859 a 1861, para se concluir no sentido de que os resultados apresentados, tanto o acumulado até o início do ano de 1997, quanto aquele apurado por ocasião do encerramento daquele período, não coincidem com as indicações feitas às fls. 1832 dos autos. Entendo que deve prevalecer, portanto, o resultado estampado no Balanço que é de US$ 6.717.260,22, e não US$ 4.033.274,89, como pretendido pela recorrente. A base de cálculo, por provado que o montante espelhado no Balanço de 31 de dezembro de 2001 incluía o saldo acumulado até 31 de dezembro de 1995, como também que a recorrente já ofereceu à tributação a quantia de R$ 36.166.313,61, deve ser reduzida para R$ 3.462.713,53. Ainda sobre a falta de adição ao lucro real dos ganhos de capital auferidos por filiais e sucursais sediadas no exterior, disponibilizados em 31 de dezembro de 2001, temos a questão da incidência da CSLL que, como admitido pelo ilustre relator do voto condutor do Aresto recorrido, seriam procedentes os argumentos expendidos na fase impugnativa, não fosse Fl. 263DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 22 22 a falta de exibição do elemento probante, capaz de ensejar o reconhecimento do direito pleiteado. Agora, com a exibição das provas já analisadas, e invocando a jurisprudência assente nas diversas Câmaras deste Conselho, entendo caber razão à recorrente, vez que restou reconhecido que a CSLL só incide sobre os lucros auferidos a partir de 1º de outubro de 1999, como declarado nas ementas dos Acórdãos: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIOS: 2000 e 2003 (...).CSLL LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Tratandose de lucros auferidos por controladas, no exterior, de pessoa jurídica domiciliada no país, a Lei nº 9.532, de 1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tãosomente, deslocou o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação, homenageando, no caso, os princípios da uniformidade e da realização. Nessa linha, a tributação da CSLL em bases universais só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1º de outubro de 1999. (...). (Ac. nº 10516365, de 28/03/2007). “ (...). LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CSLL – PRAZO NONAGESIMAL. Antes da vigência do art. 19 da MP nº 18586, de 29/06/99, publicada em 30/06/99, atual art. 21 da MP215835/01, os lucros auferidos no exterior por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil estavam sujeitos exclusivamente ao imposto de renda. A partir desse dispositivo legal foi estendida a tributação para a incidência da CSLL. Os lucros foram disponibilizados somente em 2001, portanto, no momento da ocorrência do fato gerador, o prazo nonagesimal já havia sido ultrapassado. (...).” (Ac. nº 10709248, de 05/12/2007). “CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. A tributação da CSLL em bases universais para respeitar em sua plenitude o princípio da irretroatividade da lei só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1º de outubro de 1999. É necessário, primeiro, separar o critério material (auferir lucros no exterior) do critério temporal (momento que se considera creditado ou pago). Depois perceber que o critério quantitativo (apuração da base de cálculo e aplicação de alíquota) que está no conseqüente da regra matriz de incidência, nada mais faz do que reafirmar o critério material (auferir renda). Dessa forma, quando o critério material, o mais importante de todos, é acionado no momento que se forma a relação jurídico tributária (critério pessoal e critério quantitativo) é necessário que a nova lei colha, para a formação de sua base de cálculo, apenas fatos ocorridos após sua vigência.” (Ac. nº 10323465, de 28/05/2008). II RECURSO DE OFÍCIO A autoridade lançadora concluiu que a recorrente teria efetuado a operação de aquisição das debêntures com “artificialismo”, cujo objetivo seria “suprimir o pagamento de tributo”, razão pela qual enquadrou o fato concretamente acontecido no artigo 44, II da Lei nº 9.430, de 1996, aplicando a penalidade pecuniária equivalente a 150% sobre a diferença de tributo apurada. Acompanhando o entendimento manifestado pelo ilustre relator do voto condutor do Aresto recorrido, a Turma Julgadora “a quo” entendeu de reduzir a penalidade aplicada, conforme explicitado às fls. 1799: Fl. 264DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 23 23 “Entretanto afastase a aplicação de multa qualificada por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação. Houve a tentativa de planejamento tributário com utilização de conceitos existentes na legislação, porém aplicados de forma incorreta pela contribuinte.” É entendimento assente neste Conselho de que a penalidade exasperada somente deve ser aplicada quando comprovado, de forma inequívoca, o evidente intuito de fraude, não podendo prevalecer a pretensão quando presentes apenas meras suspeitas, conforme atestam decisões cujas ementas estão transcritas: “MULTA DE OFÍCIO AGRAVAMENTO INAPLICABILIDADE REDUÇÃO DO PERCENTUAL Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de sonegação, como definido no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (...). Preliminar acolhida.” (Ac. nº 10808187, de 2005) “MULTA AGRAVADA. SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. REDUÇÃO. Descaracterizada a simulação ante a inocorrência de qualquer dos requisitos elencados no art. 102 do Código Civil vigente à época da celebração do negócio jurídico, se impõe a redução da multa de lançamento de ofício qualificada ao percentual normal de 75%. (...). Recurso de ofício a que se nega provimento.” (Ac. nº 10322864, de 2007) A questão da aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, notadamente no que diz respeito à necessidade de que seja demonstrada, de forma inequívoca, a intenção dolosa do sujeito passivo, já foi inclusive sumulada, conforme se constata com a leitura do enunciado, “in fine”: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não a autoriza qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Ainda no que tange ao recurso de oficio, relativamente à omissão de receitas em face das diferenças apuradas em auditoria de produção, cabe também negar provimento, consoante decidido por este Colegiado no processo 10730.004845/200504. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de oficio. III CONCLUSÃO Na esteira destas considerações, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, que seja provido, em parte, para: i) não conhecer do recurso voluntário, em face de passivo fictício e auditoria de produção, por adesão a parcelamento especial, ii) excluir da base de cálculo do tributo a quantia de R$ 21.077.152,19, referente ao lucros auferidos de controlado no exterior, no ano de 2001; iii) excluir da tributação a parcela correspondente ao agia na aquisição de debêntures. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 265DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 24 24 Voto Vencedor Conselheiro Antonio José Praga de Souza – Redator Designado No julgamento em plenário do presente recurso, o ilustre Conselheiro Relator Leonardo Oliveira restou vencido e fui designado para redigir o voto vencedor nas seguintes matérias: Ajustes no valor tributado no ano de 2001 a título de lucros obtidos de controlada no exterior (exclusão dos valores de R$ 24.539.865,72 e R$ 36.166.313,61, por se tratar de resultados obtidos pela controlada até 12/01/2001, ou seja, anteriores à aquisição pela contribuinte); Glosa de despesas com amortização de ágio na aquisição de debêntures; Restabelecimento da multa de oficio qualificada (provimento parcial do recurso voluntário). Passo ao voto. I. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO E AUDITORIA DE PRODUÇÃO. PROVIMENTO PARCIAL EM 1ª. INSTÂNCIA (RECURSO DE OFÍCIO) E DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inicialmente cumpre reiterar que em relação às matérias “omissão de receitas em face de passivo fictício e de auditoria de produção”, o contribuinte apresentou desistência do recurso voluntário, em face adesão ao parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, conforme despacho de fl. 1937. Portanto, não cabe conhecer do recurso voluntário nessa parte. No que tange à parcela da omissão de receitas em face da auditoria de produção que foi exonerada em 1a. instância, entendo que a decisão não cabe reparo nessa parte, posto que a questão foi objeto de diligência fiscal, restando patente o equivoco da fiscalização, conforme reconhecido no Acórdão 140200.488 de 30/03/2011, proferido no processo 10730.004845/200504 (IPIConexo), cuja ementa elucida: RECURSO DE OFICIO. IPI. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Verificado, mediante auditoria fiscal, que o contribuinte fez prova de parte da destinação dos produtos fabricados, apurados em auditoria de produção, correto o cancelamento dessa parcela da exigência. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA EXPRESSA. Havendo desistência expressa do contribuinte, não se conhece de recurso voluntário. Nego provimento ao recurso de ofício quanto a matéria “ajustes no valor da omissão de receitas – auditoria de produção”. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 25 25 II. TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS JUNTO À CONTROLADA NO EXTERIOR A Fiscalização exigiu da autuada o valor de R$ 24.539.865,72 referente aos dividendos disponibilizados no Balanço Patrimonial da empresa ANDREE OVERSEAS LTD. que possui sede nas Ilhas Virgens. Este valor foi apurado pela diferença entre o valor disponível no balanço da empresa estrangeira, para o contribuinte R$60.706.179,33 (doc fl. 29/31 e /38/36 do Anexo II) e o valor efetivamente adicionado ao Lucro Líquido – R$36.166.313,61 (fls. 34 do mesmo anexo). O ilustre conselheiro Relator, Leonardo Oliveira, orientou seu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário nessa parte, por entender que o contribuinte ofereceu os valores corretos à tributação, levandose em conta os fundamentos de seu voto, também vencido, prolatado no Acórdão 140200.493 (Processo 16327.0010722/200658). Para a melhor compreensão da Matéria, transcrevo parte dos fundamentos do voto vencedor que está sendo proferido no aludido Processo 16327.0010722/200658, concomitante a este (Acórdão 140200.493): I. PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO EM FACE DE DUPLICIDADE DA EXIGÊNCIA. Consoante relatado, a Fiscalização apurou que a autuada, Geoglen (cuja denominação anterior era Schincariol Administração Patrimonial), deixou de adicionar na apuração do lucro real os lucros auferidos no exterior por controlada ou coligada (Termo de Verificação Fiscal às fls. 227/232). Dentre as provas relacionadas no aludido Termo de Verificação Fiscal, a Auditoria destaca o instrumento de compra e venda, datado de 12/01/2001 (fls. 119 e 120), entre a Schincariol Administração Patrimonial (SAP) vendedora e Companhia de Bebibas Primo Schincariol (PSICR/RJ) compradora, relacionado à empresa Andree Overseas Ltda. pelo valor de R$ 63.294.163,07, pago no dia 31/01/2001, aliado às cópias dos lançamentos efetuados no Diário da Geoglen (SAP), que registra a baixa do investimento. Concluiu o fisco que naquele momento, janeiro/2001, houve a disponibilização dos lucros auferidos até o dezembro/2000, motivado pela transferência de quotas da controlada direta no exterior ao próprio controlador da Geoglen(SAP), pois configura emprego do valor em favor da beneficiária, caracterizando, por conseguinte, pagamento de lucro disponibilizado nos termos do art. 25 parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95, art. 16 da Lei 9.430/96, art. 20, parágrafo 9º, da IN SRF nº 38/96; art. 1º, item 2, alínea b, item 4, da Lei nº 9.532/97; art. 207, inciso III e inciso I do parágrafo único, art. 249, inciso II, e art. 394, do RIR/99. Ocorre que a empresa compradora, PSICR/RJ também foi sofreu ação fiscal relativa anocalendário de 2001, tendo sido lavrado auto de infração de que trata o processo 10730.004842/200562, cujo julgamento neste Colegiado foi realizado concomitantemente a este. Conforme abordado no Voto Vencido, em Dez/2001 a PSICR/RJ ofereceu a tributação os lucros auferidos com a Andree Overseas Ltda., Fl. 267DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 26 26 sendo que naquele processo exigese diferenças que segundo o Fisco não teriam sido tributadas. Este Colegiado concluiu que a PSICR/RJ realmente incluiu os lucros auferidos com a Andree Overseas na apuração de seus resultados do anocalendário de 2001. Todavia, não se trata de lançamento em duplicidade, pois são duas pessoas jurídicas e sujeitos passivos distintos. Duplicidade ocorreria se a própria Geoglen(SAP) tivesse oferecido esses resultados à tributação, ou sofresse lavratura de auto de infração, seja em período anterior ou posterior à ocorrência do fato gerador. O Código Tributário Nacional – CTN, Lei 5.172 de 1966, estabelece: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (Grifei) Portanto, ainda que o contrato entre a Geoglen/SAP e a PSICR/RJ inclua a transferência dos lucros da Andree Overseas, uma vez que a legislação estabelece que tais lucros devam ser tributados pela Geoglen/SAP, no momento do emprego do valor (adiante fundamentado), correto a lavratura do auto de infração contra a Geoglen/SAP, se considerado apenas esse aspecto. Outrossim, não é dado ao Fisco cobrar tributos em duplicidade, ainda que de contribuintes distintos. A toda evidência, os AuditoresFiscais responsáveis pela auditoria na PSICR/RJ, processo 10730.004842/200562, não atentaram a esta duplicidade, tampouco foram alertados sobre isso durante a fiscalização. É dado a perceber naquele processo que o Fisco concluiu que a tributação seria referente apenas aos resultados do ano de 2001, tanto assim que nas diferenças lá tributadas foram incluídos resultados anteriores a 1995, fatos esclarecidos no acórdão deste Conselho. É certo que, se tais fatos aflorassem no transcurso da auditoria do processo 10730.004842/200562, o Fisco não só teria deixado de lançar diferenças anteriores a 1995, como também teria excluído da base de cálculo o valor indevidamente tributado pela PSICR. Uma vez que, nos termos do art. 145 do CTN, o crédito tributário de que trata o auto de infração lavrado contra a PSICR no processo 10730.004842/200562 poderia ser alterado, haja vista que não estava definitivamente constituído, considerando também que se trata de ajuste na base de cálculo, não implicando em alteração dos fundamentos jurídicos daquele lançamento, bem como amparado no principio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo, o colegiado escoimou a duplicidade, excluindo da base de cálculo do lançamento de oficio daquele processo todo o resultado auferido pela Andree Overseas até o encerramento do ano de 2000. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por duplicidade da exigência, reiterando que tal duplicidade está sendo corrigida no processo 10730.004842/200562, mediante acórdão 140200494 deste colegiado. (...) Fl. 268DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 27 27 V TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS JUNTO À CONTROLADA NO EXTERIOR, HAJA VISTA A OCORRÊNCIA DE “EMPREGO DO VALOR” OCORRIDO EM 12/01/2001, EM FACE DA ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NA ALUDIDA CONTROLADA O tema em questão é recorrente neste Conselho, tendo sido objeto de dezenas de julgados tanto nos colegiados ordinários quanto na Primeira Turma da Câmara Superior. No julgamento do processo 16327.000286/200412, a colenda Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, manteve a tributação, mediante acórdão 101.95.305, de 8/12/2005, cujos fundamentos do voto condutor transcrevo a seguir. (...) Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, em 28/12/2001 a (...) S/A transferiu a totalidade de suas ações na (...), representativa de 87,86% do capital, para participar em aumento de capital da (...). Assim, nessa data, a contribuinte empregou o valor dos lucros auferidos pela controlada no exterior em seu favor. (...) Equivocase a Recorrente. A norma tributária em questão trata da tributação, pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dos rendimentos auferidos no exterior. É que, antes da publicação da Lei nº 9.249/95, os resultados auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil poderiam ser excluídos da apuração da base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro – CSLL. O artigo 25 da Lei 9.249/95 alterou essa situação, ao determinar o cômputo, na apuração do lucro real, dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por pessoa jurídica em qualquer operação praticada no exterior. O art. 1º da Lei 9.532/97 introduziu regra quanto ao momento em que os lucros no exterior se consideram auferidos pela empresa brasileira. Portanto, a obrigação tributária, surge com o auferimento do lucro, e a norma invocada pela recorrente para sustentar não ter ocorrido o fato gerador cuida apenas de estabelecer presunção quanto ao momento de sua ocorrência. Assim, muito feliz a decisão de primeira instância ao se valer de lição de Paulo de Barros Carvalho e argumentar que: (a) “O verbo núcleo do Imposto de Renda não é “empregar”, mas sim “auferir”; (b) “O agente que pratica o verbo, ou seja, o núcleo do aspecto material, não é outro senão o contribuinte (no caso, o controlador). Não é um terceiro (a controlada), portanto”; e, (c) “os dispositivos que compõem o artigo 1° da Lei n° 9.532/97 definem o aspecto temporal, ou melhor, excepcionam o aspecto temporal geral do imposto de renda, que é o próprio momento de aquisição de renda, do aumento de patrimônio.” Assim, não merecem prosperar as razões de bloqueio da recorrente. (Grifei) Nos termos do artigo 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior deveriam ser computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 28 28 A matéria foi disciplinada pela Instrução Normativa nº 38/96 que, dandolhe uma interpretação conforme a Constituição, estabeleceu no art. 2o§9º que “na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil.” (Grifei) A meu, ver não há qualquer aspecto de ilegalidade ou inconstitucionalidade da IN 38/96, que não criou hipóteses de incidência tributária sem amparo legal. Tal Normativa deve ser entendida como norma de integração, que veio disciplinar a lei, numa interpretação “conforme” a Constituição Federal. O art. 1º e § 1º da Lei nº 9.532/97 reza que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, considerandose os lucros disponibilizados para a empresa no Brasil, no caso de coligadas ou controladas, pelo pagamento ou crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, conforme definido no art. 2º. Temse, assim, que na vigência da Lei 9.249/95, em relação aos lucros auferidos por intermédio de coligadas e controladas, o fato gerador ocorria com o pagamento ou crédito, conforme disciplinado pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF 38/96. Na vigência da Lei 9.532/97 a ocorrência do fato gerador permaneceu a mesma, por força do disposto no seu art. 1º e § 1º. Em relação a esta matéria, peço vênia para também adotar os fundamentos do voto proferido pela ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni no acórdão 10197070, a seguir transcritos. (...) Como o artigo 43 do CTN estabelece, como fato gerador do imposto de renda, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica da renda, questionouse quanto à legalidade do art. 25 da Lei nº 9.249/95: teria ele nascido ilegal frente às disposições do CTN. O argumento do questionamento era que as entidades – investidor e investido possuem personalidades jurídicas distintas, e o lucro pertence à empresa que o gerou. Dessa forma, sua mera apuração pela coligada controlada no exterior não denotaria disponibilidade econômica ou jurídica para o investidor no Brasil que, quanto a eles, teria apenas uma expectativa de direito. Enquanto a sociedade que gerou os lucros não deliberasse sobre sua destinação, o investidor, do ponto de vista societário, não seria proprietário desses lucros. Para evitar os problemas que adviriam de um questionamento judicial, foi editada a Instrução Normativa nº 38, de 1996, que elencou situações condizentes com o conceito de disponibilidade econômica ou jurídica de renda como momento da tributação. A Instrução Normativa deu à lei uma interpretação conforme o CTN e a Constituição. Emergiram também discussões quanto a vício de forma da IN, e foi editada a Lei nº 9.532, de 1997, estabelecendo as mesmas situações elencadas na IN nº 38 como momento da tributação, como a seguir: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para Fl. 270DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 29 29 determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (...) § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considera se: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Dessa evolução da legislação transparece que a edição do art. 1º da Lei nº 9.532/97 foi motivada pela necessidade de compatibilizar a incidência do tributo com o conceito de disponibilização. Temse, assim, que na vigência das leis nº 9.249/95 e 9.532/97, em relação aos lucros auferidos por intermédio de coligadas e controladas, o fato gerador ocorria com o pagamento ou crédito, conforme disciplinado pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 38/96 e conforme o disposto no art. 1º e § 1º da Lei 9.532/97. Enquanto o fato gerador ficou representado pelo pagamento ou crédito (ainda que presumido, conforme IN nº 38/96 e conforme Lei nº 9.532/97), o rendimento objeto da tributação representava dividendos e, por determinação legal, qualquer que fosse a opção de pagamento do contribuinte (lucro real trimestral ou lucro real anual), consideravase ocorrido o fato gerador em dezembro do ano em que ocorreu a disponibilização. Ou seja, na forma daquela legislação, o que se tributa não são os lucros auferidos pela empresa no exterior (lucros apurados no balanço), mas sim a parte desses lucros disponibilizada para o investidor brasileiro. E a data de ocorrência do fato gerador é o dia 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao período em que os lucros se consideram creditados ou pagos pela investida . A Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, incluiu dois parágrafos no art. 43 do CTN, sendo que o § 2º dispõe: § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 30 30 Já com lastro na nova redação do CTN, foi editado o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15834/2001, reeditado na MP nº 2.15835, que dispõe: “Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único.Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor”. Na legislação precedente, a distribuição dos lucros (ainda que por presunção) era pressuposto para a ocorrência do fato gerador. A partir da MP 2.158, a tributação passou a incidir não mais sobre os lucros disponibilizados (dividendos), mas sobre os lucros apurados no balanço. Muito embora tanto a legislação precedente como a MP nº 2.15835 usem a expressão “serão considerados disponibilizados”, na legislação anterior essa expressão tem a conotação de presunção legal, enquanto na nova legislação a conotação é de ficção legal. Essa é uma diferença relevante porque, enquanto as presunções se baseiam no que ordinariamente acontece, a ficção se baseia naquilo que se sabe, com certeza, não ter acontecido. A alteração trazida com a MP é claramente evidenciada pela regulamentação baixada com a IN 213/2002, que no § 7º do art. 1º dispõe: § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. Pela legislação anterior, os valores tributados eram os pagos ou creditados. Embora não se tratasse, necessariamente, de pagamento ou crédito efetivo, somente os valores já líquidos do imposto pago no país de origem ou de qualquer outra destinação estatutária ou legal poderiam ser utilizados nas situações definidas na lei como caracterizadoras do pagamento ou crédito. Daí se poder concluir que o que se tributavam eram realmente os dividendos (distribuídos ou atribuídos). (...) Em se tratando de investimentos relevantes e influentes, obrigatoriamente avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com o que dispõe a Lei nº 6.404/76, nos inciso II e III do artigo 248, sobre o valor do investimento, após a correção para manter a expressão do valor monetário, deve ser aplicado o percentual de participação da investidora na coligada ou controlada. A diferença positiva entre o valor assim obtido e o custo de aquisição atualizado poderá ser decorrente de lucros obtidos pela coligada ou controlada ou de reavaliação de bens efetuada pela coligada ou controlada. Se decorrente Fl. 272DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 31 31 de lucros apurados pela coligada ou controlada, deve ser computada como receita no resultado do exercício. Essa a norma contábil. Portanto, o resultado de equivalência patrimonial apenas atesta a apuração de lucros por meio de controladas ou coligadas. A norma fiscal (art. 23 do DL 1.598/77) determinava que esse resultado não seria computado na apuração do lucro real. Uma vez que contabilmente já havia influenciado o lucro líquido do exercício, seria excluído para apuração do lucro real. Aqui é importante fazer um parênteses, para analisar o alcance do § 6º o art. 25 da lei que instituiu a tributação universal (Lei nº 9.249/95). O § 6º do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, ao dispor que os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, ressalvou que isso seria sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º do mesmo artigo. A sistemática prevista na legislação vigente (DL 1.598/77) é exclusão do lucro líquido, para fins de lucro real, da receita de equivalência patrimonial. Se a investida é empresa situada no Brasil, por ocasião da distribuição os lucros não são tributados na investidora, porque já o foram na empresa investida. Entretanto, se a investida não é empresa domiciliada no Brasil, essa tributação deverá se dar na disponibilização dos lucros. Ou seja, o que o § 6º explicitou foi que, quando decorrentes de investimento no exterior, os resultados da equivalência patrimonial, que afetam o lucro contábil, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, ou seja, continuarão a ser excluídos para fins de apuração do lucro real, “sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º ”, ou seja, sem prejuízo da tributação quando da disponibilização. (...) Em síntese temse que antes da MP 2.15835/2001, os lucros obtidos por intermédio das controladas ou coligadas no exterior eram tributáveis quando do pagamento ou crédito (ainda que presumidos, conforme definido na legislação), caracterizandose a tributação como incidindo sobre dividendos. A partir da MP 2.15835/2001, a tributação passou a incidir não sobre dividendos, mas sobre os lucros brutos apurados. (Grifei) Ainda quanto a essa matéria destaco os seguintes julgados deste Conselho, que corroboram o entendimento deste julgador, tanto em relação ao “emprego do valor” quanto da tributação do resultado com a controlada no exterior nos anos de 1996 e 1997: Acórdão 110200.059 de 29/09/2009 de 2009 DECADÊNCIA A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não na data do auferimento dos lucros pela empresa controlada. DISPONIBILIZAÇÃO EMPREGO DO VALOR A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2°, da Lei n° 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros Fl. 273DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 32 32 que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. Acórdão CSRF 910100.420 de 3/09/2009 (decisão unânime) IRPJ. EMPREGO DE LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR. Conforme Lei n. 9532/97, os lucros auferidos por controlada no exterior serão considerados disponibilizados para sua controladora no Brasil quando ocorrer, dentre outras hipóteses previstas, o emprego do valor dos lucros em favor da contribuinte. Se a contribuinte opta por atribuir, às quotas que detinha na controlada estrangeira, o valor patrimonial destas, que inclui os valores de seus lucros acumulados, isto para fins de transferência de aludidas quotas como integralização de quotas em nova sociedade no Brasil, ocorre o emprego do valor dos lucros em favor da contribuinte. Na medida em que as quotas são integralizadas pelo valor patrimonial da controlada no exterior, os lucros acumulados desta já passam a produzir efeitos jurídicos e econômicos definitivos em favor da contribuinte, com reflexos na apuração de eventual ganho de capital ou perdas no novo investimento. (Grifei) Acórdão 120200.118 de 27/10/2009 (decisão unânime) DECADÊNCIA. DIES A QUO. LUCRO DISPONIBILIZADO POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não na data do auferimento dos lucros pela empresa controlada. REDUÇÃO DE CAPITAL. LUCRO NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO. A expressão "o emprego do valor, em favor da beneficiária." contida no artigo 1O., § 2°, "b", item 4, da Lei n° 9.532/97, abrange os casos em que o emprego do valor foi feito pela própria beneficiária. A redução de capital da empresa controladora no país, com entrega aos seus sócios, pessoas fisicas, da totalidade das ações representativas do capital investido na sociedade controlada, situada no exterior, caracteriza hipótese de emprego dos lucros acumulados na controlada em favor da controladora sujeita à incidência de IRPJ. Acórdão 10516.118 de 8/11/2007 (decisão unânime) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO LEGISLAÇÃO ANTERIOR Consoante o disposto no art. 1° da Lei n° 9.532 de 1997, para efeito de disponibilização de lucros de coligada/controlada sob a forma de pagamento, considerase como tal o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça. No caso vertente, o emprego está caracterizado pela utilização da participação societária na empresa estrangeira que auferiu os lucros, para aporte de capital em outra. Portanto, em 12/01/2001, data em que a GeoglenSAP transferiu sua participação na Andree Overseas à PSCIR/RJ, configurouse a hipótese de incidência do IRPJ e CSLL sobre sua parcela dos lucros auferidos pela aludida controlado no exterior nos anos de 1996 a 2000, que corretamente foi objeto do auto de infração. Logo, a exigência fiscal deve mesmo ser mantida nessa parte. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 33 33 Tendo em vista que este Colegiado confirmou que a tributação dos lucros apurados pela Andree Overseas até 12/01/2001 devem ser tributados pela empresa Geoglen SPA, cumpre aqui os seguintes ajustes nas bases de cálculo (lucro liquido ajustado e lucro real) da autuada no anocalendário de 2001. i) Excluir, de oficio, a parcela dos lucros da Andree Overseas indevidamente tributado pelo contribuinte no valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros auferidos pela empresa no exterior, antes de 12/01/2001, que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011. ii) Excluir da tributação a parcela de R$ 24.539.865,72, por também se tratar de resultado até 12/01/2001, haja vista que consoante documentos de fls. 1846 a 1875, especialmente o demonstrativo de fl. 1873, a empresa Andree Overseas possuía em 31/12/2000 lucros acumulados superiores a .90milhoes de Dólares Americanos. No que tange ao item “I”, reitero que, Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparandose com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. Quanto ao item “ii” cabe ainda acrescentar: consta nos autos que a Andree Overseas apurou lucros no ano de 2001 (vide docs de fls. 1871), porém, o doc. de fl. 1873 registra que a empresa distribuiu em 2001 a totalidade de seus resultados até 31/12/2000, repito. Ora, se os lucros acumulados até 31/12/2000 comporta a totalidade das distribuições efetuados em 2001, não é lógico inferir que parte dos R$ 24.539.865,72 seja lucro do ano de 2001, conforme votou o ilustre conselheiro Eduardo Neiva. Pelos fundamentos acima, não resta qualquer valor a ser tributado no ano de 2001 a título de lucros auferidos no exterior com a empresa Andree Overseas, seja de oficio, seja espontaneamente pelo contribuinte. III. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES Vejamos os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida quanto a essa matéria: O contribuinte em 28/12/99, teria adquirido 500 (quinhentas) debêntures, emitidas em 27/12/99, pela empresa FORCINT S/A – INDÚSTRIA DE BEBIDAS – CNPJ 03.557.149/000164 (doc 013). Esta empresa foi constituída no dia 15/12/99. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 34 34 O valor da operação foi de R$ 300.000.000,00, sendo o valor de face de R$1.000.000,00 e ágio (denominado prêmio) no valor de R$299.000.000,00, que corresponde a 29.900 %. Para melhor análise dos fatos, é interessante tecer alguns comentários a respeito da caracterização e disciplinamento das debêntures, bem como de outros títulos cuja rentabilidade esteja atrelada ao resultado da empresa. As debêntures têm disciplinamento jurídico nos artigos 52 a 74 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A), foram concebidas como instrumento de captação de recursos financeiros para a companhia, mediante o atendimento de diversas formalidades. (...) A emitente dos títulos sob análise – FORCINT S/A INDÚSTRIA DE BEBIDAS, é uma sociedade anônima de capital fechado, aberta em 15/12/1999, tendo como responsável o sr. Adriano Schincariol. A escritura particular de emissão privada de debêntures datada de 27/12/1999, especifica que a assembléia de acionista havia deliberado a emissão de 500 debêntures nominativas, no valor total de R$1.000.000,00, com prêmio mínimo de R$ R$299.000.000,00. Todas elas adquiridas pelo contribuinte ora fiscalizado. Em sua cláusula nona foi estabelecido que esses títulos poderiam ser subscritos até 31/12/1999 e seriam pagos conforme cronograma previsto no Anexo I. No parágrafo primeiro desta cláusula estabelece que “o não pagamento do valor de face e/ou do prêmio das debêntures, em conformidade com o cronograma constante do Anexo I, sujeitará os subscritores a multa de 10 % (dez por cento) do montante devido, além de juros de mora de 1% (hum por cento) ao mês,” Os recursos captados seriam aplicados obrigatoriamente no desenvolvimento de projetos correlatos à fabricação, engarrafamento e comercialização de cervejas e refrigerantes, podendo ser aplicados em renda fixa enquanto não direcionados aos objetivos (cláusula décima). A remuneração estipulada na cláusula seguinte foi de 100% (cem por cento) do RESULTADO LÍQUIDO DA EMITENTE . No Anexo I da citada escritura, convencionava pagamentos em 31/12/1999 (valor de face) e a partir de 31/07/2000 até 30/12/2002 parcelas mensais referentes ao ágio Neste anexo foi feita a seguinte observação: “ou em até cinco anos a contar da data da assinatura deste instrumento e em conformidade com o cronograma físico financeiro de investimento que deverá ser apresentado pela emitente até 31/07/2000.” Em 28/10/2003. foi lavrado TERMO ADITIVO AO INSTRUMENTO DE COMPRA E VENDA DE DEBÊNTURES, repactuando as datas de pagamento tanto do valor de face como do prêmio, para o período compreendido entre 31/07/2000 a 30/09/2003. O patrimônio líquido da emitente já computado o ágio como reserva de capital, no ano de 1999 foi de R$299.100.424,71, (capital realizado era de R$100.000,00). Estes valores se mantiveram no ano seguinte. Em 2002, o patrimônio líquido totalizava R$300.000.424,71, ou seja, até então a empresa não havia entrado em operação. A mudança de valor referiase apenas a integralização do capital (R$1.000.000,00). – anexo II fls.113/121 Por outro lado, a fiscalizada possuía em 1999 um patrimônio líquido de R$12.574.069,30. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 35 35 As debêntures têm caráter de financiamento de capital. A despeito disso, no caso ora analisado vêse que a emitente dos títulos não possuía patrimônio para garantir tal empréstimo e nem a adquirente disponibilidade patrimonial para arcar com tal dispêndio, tanto que não cumpriu o cronograma de desembolso dos valores do prêmio. Tal operação foge totalmente as características do instrumento, e fere o art. 60 da Lei das Sociedades Anônimas – Lei 6404/76. Além do mais, ao não estipular juros como remuneração das debêntures e sim a totalidade do lucro (100%) da emitente, a operação chamada de compra de venda de debêntures, neste particular, mais se assemelha a Partes beneficiárias, que como bem definiu Fábio Ulhoa Coelho, repisese “são valores mobiliários que asseguram a seu titular direito de crédito eventual perante a sociedade anônima emissora, consistente da participação nos lucros desta.” Muito embora, a remuneração atribuída às partes beneficiárias, inclusive para formação de reserva para resgate, se houver, não ultrapassará 0,1 (um décimo) dos lucros (§ 2º do art. 46 da Lei 6404/76). Conforme demonstrado pela Fiscalização, o impugnante teria desembolsado até 31/12/2001 o valor de R$ 49.000.000,00, em 2002 o montante de R$ 175.000.000,00 e em 2003 a importância de R$ 75.000.000,00 a título de pagamento do prêmio das debêntures. Entretanto desde anocalendário de 2000 o fiscalizado apropriou despesas com a amortização, independentemente do efetivo desembolso dos prêmios. Vejamos a legislação que rege a matéria: (...) Salientese, de pronto, que a operação sob análise não está relacionada com a produção ou comercialização de bens e serviços da empresa fiscalizada, como determina o art. 324, supra citado. Pelo contrário, através do artifício da aquisição de debêntures com ágio, a autuada fez na verdade investimento de capital próprio na criação de outra empresa do mesmo grupo empresarial. Isso deveria ter sido feito pela subscrição de capital. Inclusive não fica claro, no instrumento particular que estipulou o ágio, qual a projeção de resultado de exercícios futuros, qual a expectativa de rentabilidade em que se basearam para definir o ágio na ordem de 29.900%. O prazo estipulado para resgate das debêntures na cláusula sexta do Instrumento particular (fl 86 do anexo II) foi de DEZ ANOS. Contrariando o art. 327 do RIR/99, acima citado, o contribuinte deduziu indevidamente a título de amortização valores que de forma alguma guardam relação com a sistemática definida pela legislação. ANO CALEND DIPJ /BALANÇO DIFERIDO FLS. PROC. PAGAMENTO DO ÁGIO AMORTIZAÇÃ O EFETIVADA 1999 299.000.000,00 116 0 0 2000 284.049.999,98 179 14.950.000,02 2001 255.665.962,15 236 49.000.000,00 28.384.037,83 2002 225.260.641,43 298 175.000.000,00 30.405.320,72 2003 196.623.528,71 381 75.000.000,00 28.637.082,72 2004 0 33.182.148,84 299.000.000,00 135.558.590,13 Fl. 277DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 36 36 Constatase pela evolução dos pagamentos e das amortizações feitas que até 2001 a autuada amortizou praticamente 90% do real desembolso a título de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures. As amortizações, quando pertinentes só incidem sobre as despesas incorridas, de conformidade com o regime de competência. No caso específico, os gastos efetuados pela empresa não se revestem das características de custos/despesas tais como definido nos arts. 299 e 300 do RIR/99, a seguir transcrito: (...) No máximo, tais pagamentos atenderiam aos interesses econômicos do grupo, haja vista as interligações entre as pessoas responsáveis pelas duas empresas, interesses esses admitidos inclusive em sua impugnação, mais especificamente às fls. 733/734. A descaracterização de tal operação como despesa necessária e usual nada tem de “visão curta, caolha e maldosa” do Fisco. Apenas a aquisição de debêntures, da forma como executada, não se reveste das formalidades legais para assim ser considerada, mormente se evidenciado que o autuado está de fato, investindo capital na criação de outra empresa mesmo conglomerado. Investimento não é despesa/custo. O impugnante alega erro nos valores imputados pelo Fisco, nos anos de 2001 a 2004, conforme “documentação acostada aos autos” Os documentos de fls. 1470/1475, não guardam relação com as DIPJs apresentadas e são insuficientes para comprovar o erro. Por todo o exposto mantémse a glosa dos valores deduzidos indevidamente a título de amortização de ágio sobre debêntures. Entretanto, afastase a aplicação de multa qualificada por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação mesmo que se reconheça nela todo o artificialismo argüido pela Fiscalização. (Grifei) Em seu recurso voluntário endereçado a este Conselho, a pessoa jurídica interessada sustenta que a Turma Julgadora de primeiro grau não teria enfrentado seus argumentos expendidos na fase impugnativa, relativamente ao “erro de fato” cometido pela autoridade lançadora, reiterando tudo quanto sustentado. Na apreciação desse matéria é imperioso destacar o disposto na primeira parte do art. 29 do Decreto 70.235/192: “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Pois bem, ao contrário dos ilustres julgadores de primeira instância, que demonstraram uma pequena incerteza, a partir da análise dos mesmo fatos e provas acima transcritos, formei pleno convencimento do artificialismo dessa operação, tal qual descrito no auto de infração, sendo os autos foram instruídos com um robusto conjunto probatório da acusação fiscal. Em verdade, o objetivo da autuada com essa operação foi reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 37 37 A Representação fiscal de fls. 1891/1893, elaborada pela Delegacia da Receita Federal em Campo Grande, reforça essa conclusão. Vejamos seus termos: (...) De acordo com a documentação anexada, a sociedade Forcint S/A Indústria de Bebidas foi constituída em 12 de novembro de 1999, com sede na Avenida Primo Schincariol, n° 2222, sala 5, município de ITU, Estado de São Paulo, tendo como objeto social "industrialização, comércio e exportação de bebidas, comércio e exportação de bens complementares à atividade de bebidas, podendo ainda participar, sob qualquer forma, de outras sociedades, análogas ou não na condição de acionista ou quotista". A sociedade integra as empresas do Grupo Schincariol de Itu e tem entre seus acionistas Schimar Propaganda e Publicidade Ltda, CNPJ 01.026.909/000181, e Schincariol Participações e Representações SA, CNPJ 52.783.693/000130, do mesmo grupo empresarial. A partir de 2005, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 14 de março de 2005, foram alterados, dentre outras, a denominação da sociedade para PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO MS S/A e a localização de sua sede para a Avenida n° 05, s/n°, Distrito Industrial, Município de Três Lagoas, MS, CEP 79601970. Atualmente, a pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO MS S/A, com endereço localizado na Avenida5, s/n, Distrito Indrustrial, município de Três Lagoas —MS tem como objeto social definido em seu estatuto "industrialização, envase, comércio atacadista e varejista, importação e exportação de bebidas, matériasprimas, insumos, material de embalagem e insumos para fabricação de embalagem em geral, bens complementares à atividade de bebidas e mercadorias e bens em geral; o transporte rodoviário intermunicipal e interestadual de cargas em geral; a importação e exportação de mercadorias e bens em geral; a agropecuária em geral; a pesquisa e lavra de água mineral; a industrialização ja comercialização e a exportação de produtos e subprodutos de origem animal e vegetal; a prestação de serviços em geral, a locação de bens móveis", o qual consta consignado em seu CNPJ pelo código CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas)1113502 Fabricação de cervejas e chopes (extrato anexo). Por ocasião da análise dos processos administrativos n° 14112.000966/200779; n° 14112.000965/200724; n° 14112.000127/200831, a correspondência enviada para o endereço informado no CNPJ foi devolvida. Em correspondência de 28 de maio de 2008, cuja cópia foi anexada a este processo, o procurador da pessoa jurídica, Jorge Luiz Bergamo, informa que "não se encontra em fase de construção, bem como não possui atividades em seu estabelecimento, o qual se encontra localizado na avenida 05, s/n°, Distrito Industrial, Município de Três Lagoas/MS, CEP 79.601970". O procurador foi localizado no endereço de outra empresa do grupo Schincariol na cidade de Itu, Estado de São Paulo. A fim de se apurar a real situação da empresa foi solicitada diligência fiscal, cujo resultado foi anexado, e do qual se extrai as seguintes constatações: " Em visita ao local indicado no cadastro da empresa no CNPJ constatamos a inexistência de qualquer movimentação que pudesse caracterizar a existência ou funcionamento de atividade comercial. No local existe uma área com terraplanagem, cercada nas divisas por cercas de arame. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 38 38 Verificamos (..) que a Prefeitura Municipal de Três Lagoas (.) está solicitando (..) a devolução da área doada para a construção da referida fábrica de bebidas. (..) no endereço citado não existe atividade econômica, tampouco existiu qualquer tipo de comércio ou indústria no local." Verificase, que no endereço informado existe apenas o terreno, nada mais. Portanto, a pessoa jurídica em questão não tem sequer um estabelecimento ou sede. Relativamente ao direito de empresa regulado pelo Novo Código Civil, Lei n° 10.406 de 10 de janeiro de 2002, seus artigos 966, 981, 982, 985 delineiam as características da "empresa" no direito brasileiro. (...) A análise dos processos administrativos citados, incluindo a verificação dos Livros Diário e Razão dos anos 1999 a 2005 e outros documentos trazidos aos autos, revelou que a sociedade formalizada "produz" apenas documentos (atas, estatuto, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo Schincariol. Até mesmo as atas contém informação "fictícia" uma vez que o local de realização indicado como sendo a "Sede social da empresa, localizada na Avenida 5, s/n°, Distrito Industrial de Três Lagoas, no município de Três Lagoas/MS, CEP 79.601970" também não existe, é apenas um terreno sem nenhuma edificação. A referida movimentação de recursos foi formalizada, principalmente, por meio de supostas emissão e aquisição de debêntures pela PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO MS S/A, antiga FORCINT, adquiridas e emitidas, respectivamente, por Primo Schincariol Ind. de Cerveja e Ref. do Rio de Janeiro S/A, CNPJ 02.864.417/0001 28, e Primo Schincariol Ind. de Cervejas e Refrigerantes S/A, CNPJ 50.221.019/000136. Tais operações foram descaracterizadas pela fiscalização da Receita Federal do Brasil em autos de infração, mantidos em julgamento pela primeira instância administrativa, os processos 10730.004842/200562 e 16327.002112/200575. Da análise dos fatos à luz da disciplina legal e doutrina apresentadas, constatase que a empresa PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO MS S/A NÃO EXISTE DE FATO, uma vez que não existe a sua atividadefim, a atividade econômica organizada, declarada em seu objeto social e consignada junto ao CNPJ, qual seja "FABRICAÇÃO DE CERVEJAS E CHOPES" (..) A diligência realizada, a dwumentação trazida aos autos e os fatos expostos demonstram que a PRIMO SCHINCARIOL INDÚTSRIA DE E REFRIGERANTES DO MS S/A, CNPJ 03.557.149/000164, é INEXISTENTE DE FATO incorrendo em três hipóteses previstas no artigo 41 da IN RFB n° 748/2007: 1) não dispõe de capacidade operacional necessária à realização de seu objeto, pois não dispõe de qualquer instalação para a consecução de seu objeto social; 2) não foi localizada no endereço informado à RFB; 3) se encontra com as atividades paralisadas. (...) (Grifei) Fl. 280DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 39 39 Foi juntado também nos autos, às fls. 1896 e seguintes, a manifestação da empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes MS S/A (antiga Forcit), e o Despacho Decisório da DRF Campo Grande e, por fim, o ato declatório que declarou a empresa Inapta. Ainda que a Forcit tenha obtido êxito no restabelecimento de seu CNPJ o que importa aqui são os fatos e as provas dos mesmos. A Forcit teve apenas existência formal, e dentre outros fins, prestouse à emissão das debêntures cujo o “ágio” foi utilizado pela autuada para reduzir os tributos devidos. Outrossim, cabe razão à recorrente no que tange ao erro de fato na determinação dos valores glosados, conforme asseverado no trecho do voto vencido: De fato, estabelecido o confronto entre os lançamentos contábeis sintetizados nas páginas do “Razão Analítico” (fls. 1470/1475), com aqueles declarados nos formulários da DIPJ, pode ser constatado que a Fiscalização, tendo presente os cálculos elaborados, não promoveu a glosa do valor efetivamente apropriado, ora glosando em excesso, ora glosando com deficiência. O quadro abaixo espelha essa realidade: Ano ! Razão Analítico ! DIPJ ! Glosado ! 2000...14.950.000,00..... ..15.275.495,43...........14.950.000,02 2001...28.899.999,98.. ...30.949.242,32.... . 28.384.037,83 2002....29.900.000,00........30.849.846,46..... ....30.405.320,72 2003....29.900.000,00........32.201.165,33.........28.637.082,72 2004....29.900.000,00........33.182.148,84.........33.182.148,84 Todavia, ao invés de simplesmente excluir da tributação os valores que em principio foram glosados em excesso, o correto é a Fiscalização reconstituir as bases de cálculo tributadas a partir dos valores apurados/registrados no Livro Razão da contribuinte. Nos períodos de apuração em que os valores reconstituídos superarem os tributados não poderá haver agravamento da exigência. IV. RESTABELECIMENTO DA MULTA DE OFICIO QUALIFICADA (PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO). Os ilustres julgadores de primeira instância afastaram a aplicação de multa qualificada por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação mesmo que se reconheça nela todo o artificialismo argüido pela Fiscalização. Assim não entendo. Repito: são robustas as provas trazidas aos autos da artificialidade das operações. A começar pelo fato de a Forcit, que teria emitido as debêntures possuir apenas existência formal. Nas palavras da Fiscalização: “a sociedade formalizada "produz" apenas documentos (atas, estatuto, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo Schincariol”. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 40 40 Consoante o enquadramento legal utilizado pela no auto de infração, a multa qualificada no percentual de 150% tem fulcro no do art. 44, inciso II, da Lei n.o 9.430/96, que, com a redação vigente à época da autuação, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei). Com o advento da Medida Provisória n.º 303, de 29 de junho de 2006, art. 18, foi dada nova redação ao art. 44 da Lei n.º 9.430/96: Art.18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IIde cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei). Observo que para os casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata será aplicada a multa de 75%, a menos que o fisco detecte e aponte as condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n.º 4.502, de 1964, arts. 71 a 73: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Não resta dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta Fl. 282DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 140200.494 S1C4T2 Fl. 41 41 (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou minuciosamente os fatos, às fls. 1728 dos autos, bem como trouxe aos provas ali referenciadas,. Por sua vez, a recorrente buscou esquivarse nada apresento de concreto para infirma a acusação fiscal. Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a impedir a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. Portanto, deve ser mantida a tributação sobre a glosa, restabelecendo a aplicação da multa qualificada sobre os valores devidos. VI. CONCLUSÃO. Isso posto, oriento meu voto no sentido de: 1) dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a qualificação da multa de ofício; 2) Em relação ao recurso voluntário: a) não conhecer do recurso voluntário, em face de passivo fictício e auditoria de produção, por adesão a parcelamento especial; b) excluir do lançamento o valor dos lucros gerados no exterior de R$ 24.539.865,72, por se tratar de resultado até 12.01.2001, bem como do valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros distribuídos pela empresa Andree Overseas, que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011; c) manter a glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de debêntures somente do valor efetivamente apurado no Livro Razão. (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza Fl. 283DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10909.000618/2007-84
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPI
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa: ELETROBRÁS INDEDUTIBILLDADE
Os créditos ainda sem o seu prazo de resgate vencido, não seriam dividas vencidas. Ademais, os empréstimos compulsórios não são suscetíveis de dedução como despesa operacional.
MULTA ISOLADA ESTIMATIVA. NÃO CABIMENTO.
A falta de recolhimento das estimativas, após o final do exercício fiscal, não sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada uma vez que o fato gerador do IRPJ é anual.
RECURSO DE OFICIO Tratando-se de Postergação o lançamento deveria ter sido de juros e multa.
Correta foi a decisão da DRJ.
Numero da decisão: 1202-000.044
Decisão: Acordam os Membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator) e Nelson Lósso Filho que negavam provimento, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado. Designado o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPI Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: ELETROBRÁS INDEDUTIBILLDADE Os créditos ainda sem o seu prazo de resgate vencido, não seriam dividas vencidas. Ademais, os empréstimos compulsórios não são suscetíveis de dedução como despesa operacional. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA. NÃO CABIMENTO. A falta de recolhimento das estimativas, após o final do exercício fiscal, não sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada uma vez que o fato gerador do IRPJ é anual. RECURSO DE OFICIO Tratando-se de Postergação o lançamento deveria ter sido de juros e multa. Correta foi a decisão da DRJ.
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Ademais, os empréstimos compulsórios não são suscetíveis de dedução como despesa operacional. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA. NÃO CABIMENTO. A falta de recolhimento das estimativas, após o final do exercício fiscal, não sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada uma vez que o fato gerador do IRPJ é anual. RECURSO DE OFICIO Tratando-se de Postergação o lançamento deveria ter sido de juros e multa. Correta foi a decisão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator) e Nelson Lósso Filho que negavam provimento, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado. Designado o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno para redigir o voto vencedor n NELSON L SO O - Presidente rdtli>:>° uurtm0 S GIO FERN • DES BARROSO —Relator # ORLANDO , *SE G t• fl. • LVES BUENO — Redator Designado EDITADO EM: 07 MI MO Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Disso Filho,(presidente da turma), Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno,Irineu Bianchi, Mário Sérgio Femandes Barroso e Karem Jureidini Dias, Ausentes, justitleadamente, os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca e Valéria Cabral Géo Verçoza. 2 Processo n° 10909.00061812007-84 S1-C2T2 Acórdão m° 1202-00.041 H. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que manteve parcialmente o auto de infração de fl. 167/190. Do Termo de verificação fiscal de extrai: Exclusão indevida do Lucro liquido da provisão da Eletrobrás A fiscalização apurou que por ocasião da cisão da Cevai Alimentos (atual Bunge Alimentos) em 1998 foi transferido para a Seara Alimentos o valor de R$ 892.716,05, referente à provisão Eletrobrás (empréstimo compulsório de 1993).Com o questionamento judicial deste empréstimo, a empresa depositou judicialmente, os valores e registrou a provisão para a perda dos mesmos. Em 31/12/2004, verificada a impossibilidade de reaver o valor depositado, a empresa baixou a provisão tendo como contrapartida a conta de depósito judicial, procedendo, assim, a exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Dedução indevida de despesa de CPMF A contribuinte impetrou em 21/08/2002 mandado de segurança com pedido de liminar para assegurar o direito de não se sujeitar à cobrança da CPMF. Em 22/08/2002 foi indeferida a liminar e autorizado o depósito de CPMF em conta vinculada à justiça federal. A apelação não surgiu efeito, e o acórdão foi publicado em 03/09/2003 (fl. 86/90). Em 27/11/2003 os depósitos foram transformados em pagamento definitivo e o processo arquivado. A empresa contabilizara em 2002 e 2003 despesa com CPMF. A fiscalização sustenta que havia necessidade de que parte desses montantes fossem adicionados na parte A do Lalur, controlando na parte B, para aguardar o desfecho da ação judicial. Assim, foram consideradas indevidas as despesas com CPMF relativas aos meses de setembro a dezembro de 2002, e janeiro a novembro de 2003. Falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada A ora recorrente escriturou débitos com NIPJ referentes a alguns períodos de apuração que não equivaliam com os débitos declarados em DCTF e pagos. Assim, foi exigida a multa isolada prevista no art. 44 da Lei n ° 9.430/96. Da Decisão da DRJ A DRJ em Florianópolis julgou procedente em parte o lançamento para excluir tanto do IRPJ quanto da CSLL os valores relativos à despesa de CPMF, na qual recorreu de oficio. EMENTA DA DRS• Cr19 '8,179 3 A recorrente por meio do recurso voluntário alega: Da correta exclusão referente à provisão eletrobrás A recorrente alega que a provisão Eletrobrás tornara-se dedutivel pela venda dos direitos inerentes aos correlatos depósitos judiciais de 1993 para a empresa Bunge, pelo valor liquido de R$ 2.006,63, pois, a recorrente sofrera uma perda efetiva de R$ 892.716,05, justificando sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL A Seara Alimentos S.A seria resultado da cisão ocorrida em 1998 da antiga Cevai Alimentos S.A (atual Bunge). Neste momento, vertidos ao patrimônio da Seara os direitos relativos ao Empréstimo Compulsório da Eletrobrás consubstanciados pelos depósitos judiciais efetuados em 1992 e 1993. Para o ano de 1993 (objeto da autuação) foram vertidos para a Seara R$ 894.622,68. Havia para tal montante urna provisão para eventual perda judicial no total de R$ 892.716,05 na Ceval. Os valores inerentes aos depósitos judiciais da eletrobrás de 1993, no total de R$ 894.722,68, descontada a provisão constituída de R$ 892.716,05 foram vendidos para a Bungue pelo valor liquido de R$ 2.006,63. Assim, a Seara sofreu uma perda efetiva de R$ 892.716,05. Alega que o fato da empresa ter baixado a conta de depósito judicial em contrapartida à conta de provisão em nada altera o efeito contábil e fiscal. A venda dos direitos referentes aos depósitos judiciais Eletrobrás de 1993 foi efetivada, sendo irrelevante o fato de ter sido informada apenas em sede da impugnação. A recorrente esta providenciando um via de seu contrato de venda para a Bunge com firma reconhecida. Improcedência da multa isolada Alega que a fiscalização não poderia ter tomado como reais os valores de provisão de IRPJ constantes no seu Livro Razão, pois, eram estimativas apresentadas pela contabilidade. Assim, os valores que deveriam ser confrontados com aqueles declarados em DCTF seriam os valores declarados nas DIPJ entregues pela recorrente. Teria recolhido estimativa a maior em diversos meses. Apenas em relação a fevereiro e setembro de 2002 e janeiro de 2003, poderia a multa ser exigida. Contudo, após o encerramento dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, a recorrente não apurou saldo de IRPJ a recolher. Assim não é admissivel a aplicação da multa isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Anexa jurisprudência dos Conselhos. É o relatório. /91/1,„,, 4 1 Processo n° 10909.000618/2007-84 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.044 Fl. 3 Voto Conselheiro MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO, Relator Os recursos preenchem os requisitos legais, portanto merecem serem conhecidos. Primeiramente, analisaremos o recurso de oficio, a saber: Dedução de despesas de CPMF De fato desde a Lei 8.981/95 os tributos e contribuições são dedutiveis na determinação do Lucro Real segundo o regime de competência. Assim, a tributação deve ocorrer na data em que os valores juridicamente deixarem o patrimônio da empresa. No caso em questão a sentença transitou em julgado em 06/10/2003, e os depósitos judiciais foram transformados em pagamento definitivo. Portanto, na apuração do resultado de 2003 a contribuinte já poderia deduzir os valores depositados judicialmente. Assim, a DR' acertou a entender que a contribuinte poderia deduzir a despesa para o ano de 2003 (janeiro a novembro). Quanto aos valores deduzidos para o ano de 2002, parece ter havido alguns equívocos, pois a despesa realmente só ocorrera em 2003, assim, ela deveria ter sido abatida só em 2003, contudo a contribuinte deduziu em 2002. A fiscalização, por outro lado, deveria ter levado em consideração os efeitos da postergação de pagamento do imposto. Conforme assevera a decisão recorrida houve pagamentos de 1RPJ e CSLL em 2003. Assim, de todo modo, mantenho a decisão da DRI, pois, o lançamento para 2002 fora equivocado. Assim, voto por negar provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário temos: Da correta exclusão referente à provisão eletrobrás A recorrente alega que a provisão Eletrobrás tornara-se dedutivel pela venda dos direitos inerentes aos depósitos judiciais de 1993 para a empresa Bunge Primeiramente, a alegada venda com a Benge Alimentos só apareceu na impugnação, pois, no curso da fiscalização a recorrente informou (fl. 75). 'Por ocasião da cisão com a Bunge Alimentos foi transferido para a Seara Alimentos o valor de R$ 892.716,05 referente Provisão Eletrobrás. Este valor ficou contabilizado na conta patrimonial 2260- 3392 (Provisão Eletrobrás), conforme rubrica A e refere-se a empréstimo compulsório da Eletrobrás no ano de 1993. Há época houve o questionamento judicial deste empréstimo, ocasião em que a empresa depositou judicialmente os valores e registrou a provisão para a perda dos mesmos. Em 31/12/2004 após verificar a impossibilidade em reaver este montante, a empresa baixou a provisão tendo corno contra-partida a conta de depósito judicial (1640-1326) ocorrendo, então, a exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL." Por ocasião da impugnação a contribuinte mudou a versão dos fatos informando que teria vendido a Bunge Alimentos S/A tais direitos. Primeiramente, o referido contrato apresentado (fl. 251 a 255) não está registrado no Registro Público, assim não tem como saber se ele foi celebrado na data referida nele ou após a lavratura do auto de infração. Alias, nem mesmo os signatários estão identificados. Na realidade, a própria contribuinte de fl. 75, informa que não houve essa venda, pois, a reversão da provisão teve como contra-partida a conta de depósito judicial. Também, não há nenhum outro elemento de prova de que a alienação realmente ocorreu. A propósito, no recurso a recorrente disse que providenciaria uma via do contrato de venda para a Bunge com firma reconhecida dos seus respectivos signatários. Até agora não vi este documento. Quanto aos empréstimos em si, a contribuinte afirmara, inicialmente, que procedera a exclusão dos créditos junto à Eletrobrás, pois, verificara a impossibilidade de reaver o montante. O empréstimo compulsório para a Eletrobrás teve assegurado o seu retomo a partir de 1977 por um sistema de crédito, conforme disposto no Decreto-Lei n.° 1.512, de 29 de dezembro de 1976 art. 2Y, a saber: -O montante das contribuições de cada consumidor industrial, apurado sobre o consumo de energia elétrica venficado em cada exercício, constituirá, em primeiro de janeiro do ano seguinte, o seu crédito a título de empréstimo compulsório que será resgatado no prazo de 20 (vinte) anos e vencerá juros de 6% (seis por cento) ao ano." No caso, trata-se de crédito realizável a longo prazo, que não poderia ter sido deduzido como despesa operacional. Por derradeiro os empréstimos foram de 1993, ainda não tiveram seu prazo de resgate de vinte anos vencido, de modo que nem mesmo constituem divida vencida. Em assim sendo não vejo em que reparar a referida glosa. Quanto à multa isolada a questão se refere à base de cálculo da multa isolada, assim precisamos tecer algumas considerações a respeito. A base de cálculo mede as proporções reais do fato, compõe a específica determinação da divida tributária. A base de cálculo afirma o verdadeiro critério material da hipótese tributária. Como diz Paulo de Barros Carvalho "a grandeza haverá de ser mensuraria adequada da materialidade do evento" no caso, temos a multa pelo não recolhimento das estimativas. Assim, como querer interpretar que a base de cálculo da multa seria o imposto devido em 31112, se o fato mensurável é a estimativa? Só para relembrar a base de cálculo tem três funções como diz Paulo de Barros Carvalho 'função mensuradora, pois mede as proporções reais do fato; b) função objetiva, porque compõe a especifica determinação da divida c) função comparativa, porquanto, posta em comparação com o critério material da hipótese, é capaz de confirmá-lo, infirmá-lo ou afirmar aquilo que consta no texto da lei, de modo obscuro". Assim, não podemos esquecer a função comparativa da base de cálculo, pois, esta se compara ao critério material da hipótese de incidência. No caso, o critério material de tal multa parece à estimativa não recolhida do fllt.PJ e da CSLL. Assim, se prevalecer o entendimento de que a ."'" 6 Processo n° 10909.000618/2007-84 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.044 R. 4 base de cálculo da multa é limitada ao imposto devido em 31/12 estaria totalmente em discordância base de cálculo e critério material da hipótese de incidência. Ademais, a função objetiva da base de cálculo não permite que se tenha duas bases de cálculo para a multa isolada, uma antes de 31/12 e a outra depois de 31/12. Sabemos, que de acordo com o §1 1' do art. 113 do CTN, que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, e tem objetivo o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Sabemos, também, da natureza declaratório do lançamento, ou seja, teve obrigação tributária já nasce fato gerador e o conseqüente o crédito tributário. Assim, com o não pagamento da estimativa já ocorrera o fato típico e, por conseguinte, já nascera o crédito tributário, este só se extingue pelo pagamento Gr do art. 113), assim, como querer, após nascido à obrigação tributária, e o crédito tributário, em 31/12 ter modificado tal crédito? Teríamos outro fato gerador para a multa em 31/12? E o anterior como desaparece? Estas perguntas certamente precisam de resposta. Será que tais estudiosos querem voltar às discussões tão elaboradas nas obras clássicas de Antônio Berlini e outros sobre a natureza constitutiva do lançamento? Por fim, este entendimento de que a multa isolada se limita ao imposto devido em 31/12, não esta de acordo com a regra matriz de incidência. Assim, prefiro entender que a base de cálculo da multa é a estimativa mensal, e que ela é devida mesmo se houver prejuizo em 31/12. Outro entendimento derruba a teoria da regra matriz de incidência, além de não responder como resolver o crédito tributário (decorrente da multa) já nascido pelo não pagamento da estimativa. Assim, de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio e voto por negar provimento o recurso voluntário. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2009. MÁRIO • ERGIO FERNANDES BARROSO• 7 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, Relativamente a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, data vênia, divido do Sr. Relator, com base no seguinte entendimento. Em breve análise, conforme os ensinamentos científicos do prof. Paulo Barros Carvalho, considerando a premissa jusfilosófica que não há texto, sem contexto, vale dizer, no campo da teoria da interpretação, onde o texto é apenas o ponto inicial para a correta interpretação e a criação da norma jurídica, individual e concreta, manifestada pela decisão administrativa, em sede do processo tributário, passa-se a expor o presente entendimento sobre a multa isolada, nos termos do art. 44, § I°, item IV da Lei n° 9.430/96. Primeiramente trata-se de penalidade, ou seja, consequente normativo para efeito de acepção do que se compõe toda norma, isto é, constitui-se da norma primária, preceito de conduta ôntica (dever ser) que se descumprido, redunda no consequente, que se constitui o efeito sancionatório. Delimita-se, com a multa isolada prevista no texto do art. 44, parágrafo I o, inciso IV, que seu objeto é a disciplina de aplicação de consequente normativo, de natureza sancionatória. Isto posto, veja-se a sua própria redação: "isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeito ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2o., que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente". Na denotação analítica pode-se, no seu corpo textual, distinguir-se as normas e/ou regras condicionantes, existentes, quais sejam: 1- pessoa jurídica obrigada ao pagamento do IRPI e CSLL da estimativa mensal; 2- omissão de pagamentos das respectivas estimativas mensais ainda que tenha apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Pode-se extrair, logicamente,o seguinte enunciado prescritivo: Deixar de pagar as estimativas mensais do IRAI e CSLL, ainda que no final do ano-calendário, tenha apurado prejuízo ou base de cálculo negativa, caberá a multa isolada. Evidencia-se, desde já, que a aludida disposição normativa trata de duas condicionantes: o não-pagamento e a consideração de se apurar ou não o prejuízo fiscal, referindo-se claramente a possibilidade de se apurar, para o período anual, vale dizer, o próprio regime de apuração anual, prejuízo fiscal. E essa referência o legislador não fez sem sentido próprio, ou despropositadamente, como se demonstrará a seguir. Esse desmembramento dos efeitos implicacionais conduz para a análise da identificação da regra-matriz de incidência tributária, que preexiste necessariamente, a fim de se considerar a penalidade pelo descumprimento dessa exigência tributária. I ; Processo ri" 10909.000618/2007-84 S1-C2T2 Acórdão ri! 1202-00.044 FI. 5 Estar-se-á tratando de uma ou de duas regras de incidência tributária sobre o 1RPJ e CSSL ? A meu ver, apenas um regra-matriz de incidência, sendo a sanção meramente uma conseqüência, uma penalidade pelo inadimplemento da obrigação tributária. Qual seria tal regra-matriz de incidência ? Como consequente normativo sancionatório faz expressa menção sobre o prejuízo, que poderia ter lucro, no ano-calendário, bem se pode verificar que diz respeito apenas a um aspecto da regra-matriz, qual seja, o momento temporal do pagamento e a materialidade desse dever tributário, no caso, a falta de pagamento da estimativa mensal. Recorra-se, novamente, aos ensinamentos do prof. Paulo de Barros Carvalho, que analisa a regra-matriz de incidência: "Ao mesmo tempo, a regra-matriz de incidência, como anunciamos anteriormente, se inscreve entre as normas gerais e abstratas, havendo nela condicionalidade. O antecedente é posto em formulação hipotética:' se ocorrer o fato F'. Além disso, integra o quadro das regras de conduta, pois define por inteiro a situação de fato, sobre qualificar deonticamente os comportamentos inter- humanos por ela alcançados. No descritor da norma (hipótese, suposto, antecedente) teremos diretrizes para identificação de eventos portadores de expressão econômica. Haverá um critério material (comportamento de alguma pessoa), condicionado no tempo (critério temporal) e no espaço (critério espacial). Já na conseqüência (prescritor), toparemos com um critério pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e um critério quantitativo (hase de cálculo e aliquota)" Destarte, no texto em comento como se verifica a regra-matriz de incidência tributária? Ora, se buscarmos a identificação de tal modelo doutrinário pode-se, analiticamente, discriminar-se o seguinte: - critério material: pagamento por estimativa mensal (obrigação tributária) (conduta do agente: pagar as estimativas - art .2° da Lei n°9.430/96); - critério temporal: mensalmente, com observância do regime tributário adotado; - critério quantitativo: base de cálculo : o valor da estimativa mensal e sua afiquota. Contudo, ao deixar de pagar as estimativas, ou seja, incorrendo em conduta omissiva, tal fato redunda no consequente da hipótese legal de incidência, qual seja, a sanção, pois que se pode asseverar: tendo o sujeito passivo exercido a opção de recolher por estimativa, constitui ela sua obrigação tributária e se a deixar de pagar, incide no consequente normativo sancionatório em comento, qual seja, a multa isolada, que, por si só, não tem o condão de afetar neutralizando os efeitos, da própria natureza principal da obrigação tributária, o pagamento mensal das estimativas. Em outras palavras a multa pela falta de pagamentos das estimativas não atinge a necessária consideração do tratamento de regime de tributação a que está sujeito o contribuinte, vez que se Direito Tributário - Fundamentos Juridicos da Incidência, Ed. Saraiva , S a ed. p. 94. d„ 9 submete às expressas determinações legais para apuração do tributo devido conforme o regime tributário adotado. Não há com reconhecer duas regras-matriz de incidência tributária, mas uma única, como antecedente e, por seu deseumprimento, o seu consequente, isto é, a sanção constituída na multa isolada. A lição do Prof. Paulo de Barros Carvalho pode nos esclarecer, pelo dado que ocorrem duas coisas distintas, o fato lícito: obrigação tributária e o fato ilícito, seu descumprimento, a saber: "Se é certo asseverar que a relação jurídica que se instala em virtude do acontecimento de um ilícito apresenta grande similitude com a obrigação tributária, na hipótese das multas, posto que em ambas há de prestar o sujeito passivo um valor pecuniário, não menos evidente que o próprio legislador do Código Tributário Nacional traçou as fronteiras que separam as duas entidades, associando-as a fatos intrinsecamente distintos: fato licito para a obrigação tributária; fato ilícito para a penalidade pecuniária. Examinadas isoladamente, nenhuma distinção apresentam a relação jurídica tributária e a relação jurídica sancionadora. Em ambas divisamos um sujeito ativo, titular de um direito subjetivo público de exigir, do sujeito passivo, o cumprimento de específica prestação, simbolizada em valores patrimoniais. É por isso que os elementos caracterizadores desses institutos jurídicos devem ser pesquisados em terreno alheio ao do liame obrigacional. E o legislador elegeu o critério apropriado, na exata proporção em que atrelou cada um dos vínculos a ocorrências fácticas de índoles jurídicas discrepantes: a relação sancionadora será efeito insopitável de todos os ilícitos, ao passo que o liame obrigacional tributário só poderá corresponder à realização dos fatos lícitos. Por amor a formulações singelas e desamor ao senso jurídico, não se admite comprometer a estrutura sistêmica de tão relevantes instituições, que jamais se confundem numa única realidade, mas que operam conjugadas para dar força e expressão ao direito."2 Na linguagem prescritiva do direito positivo de que a regra-matriz de incidência mensal (pagamentos por estimativas mensais) deve estar harmonizada com o regime de tributação anual, estão as seguintes determinações legais: "Lei n°8.981/95: art. 27. Para efeito de apuração do imposto de renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta Seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 dezembro de cada ano-calendário ou na data da extinção. § 3° Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: 2 Curso de Direito Tributário, 17a, Ed. Saraiva, 13.296/297. - io Processo rr W909.000618/2007-84 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.044 Fl. 6 d)do imposto de renda calculado na forma dos arts. 27 e 35 desta Lei, pago mensalmente." Lei n°9.430/96: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 e 32,34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. § 1° ... § 2° ... § 30 A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. § 4' Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III - IV — do imposto de renda pago na forma deste artigo." Ademais, não se pode, igualmente, olvidar o texto de lei citada da multa isolada que diz: "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente", o que determina, insofismavelmente, uma condicionante para a efetiva incidência, ou melhor, a individualização da norma geral e abstrata em norma concreta, ou seja, sua aplicação e exigência. Vale dizer, para que seja o consequente„ necessário cumprir todos os requisitos do antecedente. Tal enunciado remete, portanto, a imperiosa necessidade do agente observador do texto legal em aferir, no período anual, se ocorreu a condição necessária e suficiente, para a incidência penal conforme estipulada. Em outras palavras, o agente, obrigatoriamente, terá que conferir, na realidade, se o sujeito passivo encerrou o ano-calendário, com seu ajuste anual. E como no texto legal não se pode admitir proposições sem sentido, é mister considerar que a aplicabilidade da multa isolada está condicionada ao final do ano-calendário, ou seja, a regra-matriz de incidência somente se completa no implemento do seu critério temporal, final do ano-calendário, sobre o qual deve confirmar sua incidência. Uma vez satisfeita essa condição, ha se analisar se o dispositivo penal pode ser aplicado, posto que constatado se o sujeito passivo deixou de recolher (omitiu-se na conduta de pagar) as estimativas mensais no decorrer do ano-calendário, pura e simplesmente e se se o contribuinte, ao final do exercício, apurou que as estimativas mensais não eram devidas. Sempre presente a atenção para o cânone jurídico básico da obrigação tributária, de que só se deve pagar aquilo que é devido. II Embora seja denominada multa isolada, a inteipretação para a busca do sentido normativo e formação da norma individual e concreta não pode ser isolada, mas sim sistêmica sempre vinculada a um dominio de significações, como ensina Paulo de Barros Carvalho. "O procedimento de quem se põe diante do direito com pretensões cognoscentes há de ser orientado pela busca incessante da compreensão desses textos prescritivos. Ora, como todo texto tem um plano de expressão, de natureza material, e um plano de conteúdo, por onde ingressa a subjetividade do agente, para compor as significações da mensagem, é pelo primeiro, vale dizer, a partir do contacto com a literalidade textual, com o plano dos significantes ou com o chamado plano da expressão, como algo objetivado, isto é, posto intersubjetivamente, ali onde estão as estruturas morfológicas e gramaticais, que o intérprete inicia o processo de interpretação, propriamente dito, passando a construir os conteúdos significativos dos vários enunciados ou frases prescritivas para, enfim, ordená-los na forma estrutural de normas jurídicas, articulando essas entidades para constituir um domínio. Se retivermos a observação de que o direito se manifesta sempre nesses quatro planos: o das formulações literais, o de suas significações enquanto enunciados prescritivos, o das normas jurídicas, como unidades de sentido obtidas mediante o grupamento de significações que obedecem determinado esquema formal (implicação), e o da forma superior do sistema, que estabelece os vínculos de coordenação e subordinação entre as normas jurídicas criadas no plano anterior; e se pensarmos que todo nosso empenho se dirige para estruturar essas normas contidas num estrato de linguagem; não será dificil verificar a gama imensa de obstáculos que se levantam no percurso gerativo de sentido ou, em termos mais simples, na trajetória da intetpretação"3. Isto posto é certo que a regra em comento não pode ser analisada de forma isenta e isolada do seu conteúdo e da sua expressão, enquanto enunciado prescritivo sancionatório, perante a regra de incidência tributária propriamente dita, ou seja, a aplicação do regime tributário a que está sujeito o contribuinte (lucro real, ou presumido, ou arbitrado). O professor mencionado faz importante menção sobre as significações e a implicação. Ora, se a multa isolada deve ser aplicada, ainda que se apure o prejuízo fiscal, o legislador logicamente remete à observância de pertinência para o ano-calendário, sendo lógico que se o núcleo material da conduta omissiva — deixar de pagar as estimativas mensais — se operou, não há se falar na implicação da conseqüência, ou seja, na penalidade isolada, uma vez provada, no final do ano-calendário, que o cerne da obrigação tributária, o tributo devido, remanesceu inexistente, uma vez que a norma primária, em seu antecedente não se verificando a incidência tributária, não pode penalizar pelo que não se materializou como devido. Enfatize-se, é inseparável considerar-se a "multa isolada" de maneira vinculada ao regime de tributação, posto que a estimativa, como diz o art. 2° da Lei n° 9.430/96, se trata de um regime de pagamento e não de tributação, não podendo o mero descumprimento da obrigação tributária isolar-se, para efeito de cobrança e efeitos, para se entender como crédito tributário, sendo na realidade uma penalidade (como disse acima o professor citado, a relação jurídica tributária tem natureza própria que não pode ser confundida com a relação jurídica sancionadora) cabendo interpretar sua aplicabilidade considerando os efeitos determinantes do regime de tributação anual, adotado pelo contribuinte, em observância das disposições da Lei n°9891/95 e Lei n°9.430/96, como anteriormente reproduzidas. 3 Direito Tributário - Fundamentos Jurídicos da Incidência, Ed. Saraiva, p.67;68. 12 Processo n° 10909.000618/2007-84 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.044 Fl. 7 Não se pode esquecer, no caso aqui analisado, que a sanção é decorrente da previsão de falta de cumprimento de obrigação tributária, ligada essa diretamente ao regime de tributação do contribuinte, pois entender uma segregação também "isoladamente" com a finalidade aplicativa, seria como se considerar que as pernas naturais de um corpo humano possam andar independentes do mesmo... Em síntese final e confirmativa, assim, a criação da norma juridica, 'individual e concreta, não pode, na construção de sentido, ser subtraída de seu contexto sistêmico normativo, vez que se está analisando uma penalidade, uma sanção, portanto, decorrente de conduta reconhecida como ilícita, e como tal, em se tratando de um aspecto operacional de pagamento do tributo por estimativa sujeita a conexão do quanto apurado no período, tal interpretação se impõe como adequada para observância do regime tributário adotado pelo sujeito passivo, após o que se pode considerar completa a análise para admissão da multa isolada como enunciada. Isto posto, no caso em julgamento, referindo-se a multa isolada por falta de recolhimentos das estimativas, sou por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da mesma. Sala de sess6es43.maiti •n2009. '• ORLANDO •S GO e • LVES BUENO • 13 ‘,,t,41!M•1. MINISTÉRIO DA FAZENDA ;Mn *Hcio" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ctallkei: Processo : 10909.000618/2007-84 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1202-00.044. Brasília - DF, cm 07 de maio de 2010 José Roberto França Secretá,4o da r Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência. Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001791/99-65
Data da sessão: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 17/05/1999, 18/05/1999
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS DE APARELHOS DE AR-CONDICIONADO SISTEMA SPLIT.
As Unidades evaporadoras e as unidades condensadoras de Aparelhos
condicionadores de ar, ainda que importadas em separado, mas destinadas a formar aparelhos únicos conhecido como sistema split (ar-condicionado do tipo dividido) por terem as características essenciais do produto acabado, devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado, por força da Regra Geral de Interpretação 2 a do Sistema Harmonizado,
codificação 8415.81.10.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9303-001.140
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 186 1 185 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12466.001791/9965 Recurso nº 327.960 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.140 – 3ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2010 Matéria II/IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AROANA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/05/1999, 18/05/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS DE APARELHOS DE ARCONDICIONADO SISTEMA SPLIT. As Unidades evaporadoras e as unidades condensadoras de Aparelhos condicionadores de ar, ainda que importadas em separado, mas destinadas a formar aparelhos únicos conhecido como sistema split (arcondicionado do tipo dividido) por terem as características essenciais do produto acabado, devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado, por força da Regra Geral de Interpretação 2 a do Sistema Harmonizado, codificação 8415.81.10. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator Participaram do presente julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, 2 Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório A PGFN recorre a este colegiado, recurso de divergência, contra Decisão da Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos deu provimento ao recurso do contribuinte. O acórdão divergente apontado teve como ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 02/08/2000 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O Decretolei nº 37/66 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade ou não da importação, do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, ou da regularidade do benefício fiscal aplicado e da exatidão das informações prestadas pelo importador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. As partes de ar condicionado, que tenham as características essenciais do produto acabado, devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado (RGI/SH nº 2a). FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. MULTA DE OFÍCIO. A ocorrência de falta de lançamento total do IPI enseja a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 45 da Lei nº 9.430/96. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO. Aplicase a multa por importação realizada ao desamparo de Guia de Importação quando a mercadoria importada, objeto de licenciamento, não se encontra devidamente descrita na DI, de modo a conter todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO A Decisão a quo ficou assim ementada: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/05/1999, 18/05/1999 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL.UNIDADES EVAPORADORAS E UNIDADES CONDENSADORAS. As unidades condensadoras e unidades evaporadoras não se classificam como 8415.81.10, tendo em vista diligência realizada, pois as mesmas não seriam capazes de aquecer o ar ambiente mediante inversão do ciclo térmico. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.001791/9965 Acórdão n.º 930301.140 CSRFT3 Fl. 187 3 O recurso especial de divergência, que foi por mim recebido, não pela contraposição das ementas, mas pelo conteúdo da lide, notadamente parecida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio o Recurso Especial de Divergência interposto em nome da Fazenda Nacional, em boa forma. O acórdão divergente apontado teve como ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 02/08/2000 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O Decretolei nº 37/66 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade ou não da importação, do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, ou da regularidade do benefício fiscal aplicado e da exatidão das informações prestadas pelo importador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. As partes de ar condicionado, que tenham as características essenciais do produto acabado, devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado (RGI/SH nº 2a). FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. MULTA DE OFÍCIO. A ocorrência de falta de lançamento total do IPI enseja a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 45 da Lei nº 9.430/96. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO. Aplicase a multa por importação realizada ao desamparo de Guia de Importação quando a mercadoria importada, objeto de licenciamento, não se encontra devidamente descrita na DI, de modo a conter todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Inicialmente cumpre observar que fui parte do colegiado a quo que decidiu a questão em favor do contribuinte. Nesta ocasião, revendo aquela decisão à luz da divergência apontada, devo elogiar o brilhante voto trazido como divergente, ressaltando, entretanto, que dois aspectos não se coadunam com a lide da qual tratamos. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Notese os fundamentos do auto de infração, no qual o dizer do autuante é o seguinte: verifiquei que as unidades evaporadora e condensadora se interligam formando um equipamento de ar condicionado do tipo dividido (split).....cf. fls. 06. Sabemos que a classificação fiscal eventualmente abre novas posições ou acrescenta características adicionais às vigentes, tendo em vista razões de ordem tecnológica. No Presente caso, houve acréscimo à posição 8415.81 10, trazido na edição do Decreto nº 4.070, de 2001, portanto posterior ao auto de infração. 84.15 MÁQUINAS E APARELHOS DE ARCONDICIONADO CONTENDO UM VENTILADOR MOTORIZADO E DISPOSITIVOS PRÓPRIOS PARA MODIFICAR A TEMPERATURA E A UMIDADE, INCLUÍDOS AS MÁQUINAS E APARELHOS EM QUE A UMIDADE NÃO SEJA REGULÁVEL SEPARADAMENTE. 8415.10 Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo "splitsystem" (sistema com elementos separados) 8415.10.10 Com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora É importante frizar que antes do Decreto a posição abrangia apenas os ares condicionados de corpo único, utilizados em paredes. (até porque a realidade tecnológica daquele então não indicava a produção de ares condicionados do tipo split – em, corpos separados, formando uma unidade ) De fato, a grande renovação tecnológica dos ares condicionados deuse a partir dos anos 1950, quando começou a produção em massa desses equipamentos na forma que hoje é tida como ultrapassada, logo, a nomenclatura, que relaciona produtos mais comercializados internacionalmente, só com a recente evolução tecnológica tem aberto códigos para diversos modelos de ar condicionado.(split doméstico, para automóveis, móveis) Assim, simplificando, temos que nesta operação tratamos de equipamentos de ar condicionado separados, submetidos a despacho mediante registro de duas declarações apartadas, que depois de despachados formariam um sistema split – isto é uma unidade que não é um corpo único; As unidades resultantes seriam classificadas na posição 8415.81 se fossem capazes de inverter o ciclo térmico. Essa característica foi suscitada em questão dirigida ao técnico do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo, ás fls 112/124, e a resposta foi que não há possibilidade de inversão do ciclo térmico. Volto a afirmar que na época do auto de infração – 1999 ainda não havia sido acrescida a característica Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo "splitsystem" (sistema com elementos separados), que conforme já dissemos foi introduzida em 2001. Por fim, apenas para deixar clara a forma como a administração tributária entende mercadorias desmontadas, a Consulta Interna COANA nº 52, de 28 de junho de 2007 determina que para efeitos de aplicação da Regra 2a as mercadorias devem ser apresentadas conjuntamente, ao mesmo tempo, no mesmo recinto, para o desembaraço. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.001791/9965 Acórdão n.º 930301.140 CSRFT3 Fl. 188 5 Mais de uma vez já comentamos que as RGI assim como toda a Nomenclatura é feita para o comércio legal e leal, e deve refletir entre todos os associados as mesmas características. No presente caso, o que vislumbro ou é fraude à importação pela divisão dos despachos de importação em declarações separadas, com o fito de enganar o fisco e pagar menos tributo, e nesse caso a apresentação do auto de infração deveria trazer com clareza essa característica da operação, o que não elidiria o pagamento dos tributos com alíquotas maiores, mas implicaria em outra condução do processo legal, ou despacho fracionado por razões de logística de transporte, e nesse caso a revisão da classificação fiscal deveria ser feita na forma como foi, estando, entretanto, equivocada, pelas razões já citadas. Na esteira do exposto, voto por desprover o recuso da Fazenda Nacional. Judith do Amaral Marcondes Armando Voto Vencedor O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A solução do litígio é, tãosomente, determinar se deve prevalecer a reclassificação fiscal realizada pelos agentes do Fisco quando da revisão aduaneira ou se deve prevalecer a codificação efetuada pelo sujeito passivo, levando em conta a importação fracionada das partes e peças dos aparelhos de ar condicionado importados pela contribuinte, isto é, se as mercadorias importadas pela reclamante são classificadas no código 8415.81.10, como entendeu a Fiscalização, ou se no 8418.99.00, defendido pela recorrente. A classificação que ora se apresenta já foi, por diversas vezes enfrentas no então Terceiro Conselho de Contribuintes, tendo sido a matéria foi muito bem enfrenta no julgamento realizado na 1ª Câmara daquele Colegiado, a exemplo do julgamento do recurso voluntário nº 133.333, cujo voto condutor, da Lavra da Ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, transcrevo excerto para fundamentar minha decisão. Para decidir qual das classificações adotadas é a correta, se a da reclamante ou a do Fisco, necessário se faz proceder ao exame detalhado das regras legais de classificação fiscal, porquanto a codificação fiscal das mercadorias é determinada legalmente pelas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e, também, pela Regra Geral Complementar (RGC), da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias NBM/SH. Passemos agora à análise da classificação fiscal de acordo com as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado da NBM/SH. Ex vi da Regra Geral nº 1, a classificação fiscal de um produto é determinada, primeiramente, pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Os títulos das seções, dos capítulos e dos subcapítulos têm valor apenas indicativo. As posições são agrupamento de mercadorias representadas por Fl. 17DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 quatro dígitos numéricos. O termo “texto da posição” referese à redação pertinente a cada uma das posições. Em suma, a classificação, em princípio, é determinada pelo enquadramento da mercadoria no texto de uma determinada posição, atendendo ao disposto nas Notas de Seção e de capítulo. A segunda regra de classificação amplia o alcance das posições, vejamos 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. A primeira parte dessa regra, como dito anteriormente, amplia o alcance das posições, de maneira a englobar não apenas o artigo completo, mas, também, o incompleto e o inacabado, desde que apresentem, no estado em que se encontrem, as características essenciais do artigo completo ou acabado. A segunda parte da regra 2 a classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar. De igual sorte se classificam por esta regra os artigos incompleto ou inacabados apresentados por montar ou desmontados. A classificação em exame é exemplo perfeito da aplicação dessa regra 2 a, pois os produtos importados pela autuada, ao contrário do declarado pela recorrente, não são partes de aparelhos condicionadores de ar, mas unidades completas destes, só que desmontadas. Na verdade, a recorrente fracionou as unidades de ar condicionado em partes e estas foram incluídas em Declaração de Importação diversas, com o intuito de dissimular a importação de um todo e simular a importação de componentes do todo. A operação é muito fácil de entender. Em uma DI relacionavase unidades condensadoras (partes externas) e, em outra, unidades evaporadoras (partes internas). As partes do todo vieram no mesmo navio e mais ainda, dentro do mesmo container. Isso demonstra, insofismavelmente, que a autuada importou aparelhos condicionadores de ar, completos, e não peças, como declarado pela importadora. ......................................................................................................... ................... Demonstrado que a importação era de aparelhos condicionadores de ar, completos, não há qualquer dificuldade em proceder à codificação fiscal, pois, aplicandose ao caso às regras de interpretação 1 e 2 a, chegase, facilmente, à posição 8415, que lista textualmente os aparelhos em exame. 8415 máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.001791/9965 Acórdão n.º 930301.140 CSRFT3 Fl. 189 7 De outro lado, não poderia ser classificado na posição 8418 adotada pela recorrente, pois essa posição exclui textualmente as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415. 8418. Refrigeradores, congeladores (‘freezers’) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluídas as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415. Encontrada a posição, o próximo passo é determinar em qual das subposições que compõem essa posição tais produtos são classificados. O caminho para se chegar à subposição correta é dado pela Regra Geral nº 06 do Sistema Harmonizado, que assim dispõe: “6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma subposição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim, como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível (...)” . Então, para se determinar a subposição correta, primeiro comparase, dentro da posição (8415) todas as subposições de primeiro nível (um travessão); em seguida, fixada a de primeiro nível, passase para o segundo nível (dois travessões). 8415.10Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo "splitsystem" (sistema com elementos separados) 8415.20Do tipo dos utilizados para o conforto dos passageiros nos veículos automóveis 8415.8Outros 8415.90.00Partes Comparando os aparelhos condicionadores de ar objeto da reclassificação levada a efeito pelo Fisco, com os textos das subposições acima transcritas, verificase que a classificação legal é na subposição 8415.8. Já que Não são dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando corpo único, tampouco são dos tipos utilizados em veículos. De outra banda, como essas subposições de primeiro nível são abertas, isto é, são subdivididas, há que se fazer comparação a nível de segundo nível (dois travessões). 8415.81Com dispositivo de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de calor reversíveis) 8415.82Outros, com dispositivos de refrigeração 8415.83Sem dispositivo de refrigeração Fl. 19DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Cotejandose as subposições de segundo nível () vêse que pelas características dos aparelhos em exame com dispositivo de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (ciclo reverso, tipo Split System) a codificação é na subposição 8415.81. Desse modo, mencionados aparelhos classificamse, a nível de Sistema Harmonizado, na subposição 8415.81. Encontrada a subposição correta, falta apenas encontrar dentre essa o item e o subitem, para tanto, basta seguir o que dispõe a Regra Geral Complementar nº 1 (RGC1) sobre a classificação a nível de item e subitem. Segundo a RGC1, todas as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado são aplicáveis, feitas as devidas adaptações, para se determinar, dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste, o subitem correspondente, sendo que só são comparáveis um item com outro item ou um subitem com outro subitem. Determinada a subposição correta (8415.81), chegar à codificação completa é muito simples: basta fazerse a comparação dos textos dos itens pertencentes a essa subposição e, logo em seguida, se houver, dos subitens do respectivo item. 8415.81.10Com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora Outros Cotejandose os aparelhos condicionadores de ar com o textos dos itens da subposição 8415.81, vêse que a classificação fiscal dáse no item 1, já que a capacidade é inferior a 30.000 frigorias/horas. Como o item é fechado, a codificação fiscal completa fica 8415.81.10. No caso ora sob exame, o manual de fabricante acostado aos autos referese, justamente, a aparelho de ar condicionado de sistema dividido (split), e dito manual não deixa margem a dúvida de que a unidade evaporadora e a condensadora interligamse formando equipamento único de arcondicionado. Demais disso, as unidades importadas são em números equivalentes (para cada unidade condensadora foi importada, também, uma unidade evaporadora), confirmando a importação fracionada de aparelhos completos de ar condicionado. De todo o exposto, entendo estar demonstrado, à exaustão, o acerto da fiscalização ao proceder a reclassificação fiscal objeto destes autos, e por conseguinte, exigir os tributos e os respectivos consectários legais que deixaram de ser pagos na importação dos aparelhos condicionadores de ar objeto do auto de infração sob exame. Com essas considerações, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância que manteve, na íntegra, o lançamento fiscal. Henrique Pinheiro Torres Fl. 20DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.001791/9965 Acórdão n.º 930301.140 CSRFT3 Fl. 190 9 Fl. 21DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.014258/88-71
Data da sessão: Fri Dec 09 00:00:00 UTC 1994
Ementa: FINSOCIAL -Ex. 1986/1987 - DECORRÊNCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão
proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-29.612
Decisão: CONCORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao
recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ursula Hansen
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LTDA. RECORRIDA 'Ne no RR) DE JANEIRO, TU FINSOCIAL .7 - DECoWENCIA Tratmdo-se de linic_nento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao iulgamentci do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula wri ao outro Vistos„ relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RACHEL MOLINARO & CIA, LTDA. coNcoRnAm os Membros da. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimen- ao recurso, nos termos do voto da relatora. e :-...410 9 de o ézembro de 1994. ' - CARLOS EMAN, NToS PAIVA - PRESIDENTE - A „ UR 4,• EN - RELATO RA RANCIS CO TARGINO DA ROCHA NETO - PROCURADCR DA FA VISTO EM Z ENDA NACIONAL AO nP kt 1 qw: ji-NAN Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: Waldevan Alves de Oliveira, Jrilio César Gomes da Silva, Maria Clelia de Andrade Figueiredo e Rubens Machado da Silva (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Jose Carlos Pas- suello. 2 . MINISTÉRIO DA ZEND.A PRIMEIRO CONS RLHO DE CONTRIBUINTES ung-àriwQQ4-3izttieQ 'g U4 17 I 115 ",=W s"-- T laje V I-% 7,5 i 43A“,117-4) p AUUtWAUf -g.ehr 29.612 RuroPFuNTE F. A rifffi: „ TWOLIN A RO LTDA. 7,3 ffi 1-4 TI 1„, 1 .k,„/ I kj, O Presente processo trata de Auto de Infração de tis, 02 anexos, lavrado em 09/0:54/88, contra RACHEL 3L \R & LTDA , Vi - - 2,t.)VV -5(5, 31,0 Lit5"1e',' Lut .g- eUr-Md. Federal niao ae Janeiro, RI, foimalizando e:xigência de FTNSOCIAL relativa aos exercícios de 1986 e 1987; em valor correspondente a 1, , 7cs-0 X.) rj, anus iemais. ti lancarnento, com l)ase Do artigo /15„ inciso I do RECOFIS, aprovado pelo Decreto 92.698/86, decorreu de irregularidades apuradas em procedimento de fiscalização em que foi apura ria omissão de receita operacional, conforme demonstrado no Drocesso 10768/014,256/88-46, Ft.„. uoinriloulme, tempeslivamente, apresentousua aftpaDhh.k.rao de +=k, rk I I V, 1 AJA., lite; razóes7 processo matriz, Na ("celsa° de primeira instancia„ preferida as na. 26/2 7. em colis,.)1Haiel 1 com o geriu-leo la„), pi O CCSSO principai, O iÍ.1171Carnent0ciIlign Cl O procedente, Ciente „i,„;singular,da contribuinte, tempes tivamente, internos recurso vollintário, reiterando. em 8110S ita7-5 anexadas os arguinenos ionnuiado.snatase im puignatorla.- O recurso é lido integralmente em Plenário. E o relatáriilx. 3, Mif.JINFÉRIO DA FAZENDA pruNIETRO CONSELHO DE (,.o.t---z-rliUBUUNTES PROCESSO N. 10768/014.25 8/88-71 Acórdão ri. 102- 29.612 VOTO Conselheira Ursula Hansen„ Relatora: i ,-,,o ., ,,. legais, , , ustanao ri recurso revesilan (IP iodas aR trmandadeR rIOP. tomo conhecimento, A. ,,,-„;,,,-,,,,j ,- ,_,-„ fi , e ,,-., i „..-,--4 Si'^ ,Á g,--i-... desteo Is,. ,-,,,,,.-.2,--1 5, ,-I ,-.,--e--Én4-... A -,u.s: d .. ,, Á. ". #.4 • , a .kn . --,.,.-,. =A:4,..W., V- -...., t_zz. ,..,,,,=,34:,,,,(-.4 41 foi apurada no processo matriz de n, 10768/014,256/88-46, O recurso interposto no Processo acima mencionado foi,. submetido à apreciação desta Câmara em sessão realizada em 05/11/92„ e, conforme faz certo o Acórdão n. i02-27,515, foi julp-ado Dm ce dente,_ Considerando que a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo matriz -1 iii ,,,,... , _ matriz, ,.: Considerando o Principio adotado neste COnSe1110 de. _,„ Contribuintes de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula UM, ao outro. Voto no sentido de dar provimento ao recurso. tirasilia (DF), 09 de dezembro de 1994. 2 x_.,,, . elatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002288/95-72
Data da sessão: Mon Jun 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1990
Ementa: ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS -
EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL - GANHO DE CAPITAL -
DESÁGIO - A apuração do ganho de capital na alienação de
participação societária avaliada pela equivalência patrimonial
impõe a necessidade de quantificar o deságio correspondente à
sua aquisição bem como os acréscimos correspondentes às
mutações patrimoniais.
Negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/01-05.900
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator) e Luciano de Oliveira Valença que deram provimento integral ao recurso. O Conselheiro Antonio Praga acompanhou o Conselheiro relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos Passuello.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1990 Ementa: ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS - EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL - GANHO DE CAPITAL - DESÁGIO - A apuração do ganho de capital na alienação de participação societária avaliada pela equivalência patrimonial impõe a necessidade de quantificar o deságio correspondente à sua aquisição bem como os acréscimos correspondentes às mutações patrimoniais. Negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário ' o Fernandes Barroso (Relator) e Luciano de Oliveira Valença que deram provimento in -gral o recurso. O Conselheiro Antonio Praga acompanhou o Conselheiro relator pelas co u - s. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos Passuello. . PlItt A ONIO P • • GA / Presidente -t Processo n .° 10920.002288/95-72 CSRF/TO 1 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 2 Orr' JOS /ARLOS PASSUELL,C) Redator Designado FORMALIZADO EIVI: Participaram, ainda, do prser-ite julgarn_erito, os Conselheiros: Antonio Carlos Guidoni Filho, José Clóvis Alves, Marcos -Vinícius Neder de Lima, Hugo Correa Sotero (Substituto Convocado), Karem Jureidini Dias e Valniir Sandri (Substituto Convocado). Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 3 Relatório Primeiramente registra-se que o processo, já teve acórdão da CSRF (CSRF/01- 3.061) rejeitando a decadência, e reformando a primeira decisão da 5' Câmara de n° 105- 11.888. A infração trata de ajuste do lucro líquido. Os fatos foram que houve mudança do método de avaliação de investimento sem observar a legislação fiscal que rege a matéria. A empresa ADMINISTRADORA DE BENS INCA LTDA (contribuinte) era proprietária de ações nominativas de emissão da CIA.NANSEN INDUSTRIAL. A contribuinte vinha utilizando como critério para avaliação do investimento o método do custo, correspondente ao valor de custo do investimento acrescido de correção monetária. Em sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) , exercício de 1 989, anexo 1, observa- se que a contribuinte considerou o investimento como não sendo de participação permanente no capital de empresas coligadas ou controladas. No dia 07/07/1989, a contribuinte vendeu as ações à própria CIA.NANSEN INDUSTRIAL. No momento da venda a contribuinte alterou o método de avaliação do investimento, passando para método de equivalência patrimonial. Ao proceder a mudança do método de avaliação de investimento, acresceu ao valor contábil NCZ$ 36.926.408,95, representado pelo lançamento contábil deste valor como resultado da equivalência patrimonial. Assim, a contribuinte deixou de oferecer à tributação no ano-base de 1989, exercício de 1990, o valor correspondente a NCZ$ 36.926.408,95, (fl. 175) representado pelo lançamento feito a título de resultado de equivalência patrimonial. A decisão recorrida, entendeu, que embora possa haver erro nas operações da contribuinte, a fiscalização deveria fundamentar sua exigência com base nos valores relativos ao momento em que houve a aquisição da participação societária alienada uma vez que a contribuinte teria recomposto os valores com base em tal data. A Douta Procuradoria no recurso afirma que o voto vencedor asseverou: "A empresa em nenhum momento comprovou por demonstrativos claros, que os cálculos apresentados no Slips de fls. 112 representam a realidade dos fatos, uma vez que não especificou o valor patrimonial da participação societária no momento de sua aquisição." A procuradoria, questiona, que o voto vencedor afirma que: "apesar de não esclarecer, entendeu que os valores constantes documento delis. 112, são auto-explicáveis, o que me parece correto. ,n Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/TOI Acórdão n.° CS RF/01-05.900 Fls. 4 Assim, o voto vencedor, segundo a procuradoria, seria contraditório, pois, apesar de afirmar que a empresa em nenhum momento comprovou que os cálculos por ela mesma apresentados, representarem a realidade dos fatos, entendeu que os mesmos eram corretos, ao afirmar que a recorrida poderia ter entendido que tais valores seriam auto- explicáveis. A procuradoria tomou como errado, também, a afirmação do voto de que entendeu que em nenhum momento a contribuinte comprovou por demonstrativos claros, que os cálculos representariam a realidade dos fatos uma vez que não teria especificado o valor patrimonial da participação societária no momento da sua aquisição, mas exigiu que a fiscalização fizesse um aprofimdamento da ação fiscal para exatamente comprovar o que a recorrida não conseguiu fazer. A procuradoria, afirma, que o voto recorrido decidiu contrariamente à prova dos autos. Por fim, procuradoria afirma, que a contribuinte alterou a forma de sua escrita fiscal sem observar a legislação de regência em especial o Parecer Normativo CST n° 17/80. Em contra-razões a contribuinte preliminarmente suscita que o recurso não deveria ser admitido, pois, não estaria comprovado que a decisão foi contrária à prova, pois, alega que o que se discute nos autos é questão de direito, ou seja, se discute se a contribuinte pode ou não efetuar a avaliação patrimonial com base na equivalência patrimonial. Do Mérito Alega a contribuinte que a autuação se deu por ter efetuado ilegalmente a avaliação pelo método de equivalência patrimonial. Entendimento diferente seria mutação dos fatos do lançamento, e cerceamento ao direito de defesa. Alega, a contribuinte que durante todo o tempo teria evidenciado de forma irrefutável que seu investimento na CIA HANSEN INDUSTRIAL seria relevante, e deveria ser efetuado pelo método da equivalência patrimonial. Alega, que inexiste proibição para ela usar tal método. Inaplicabilidade do PN CST n° 17/80 Alega que tal parecer se referiu ao ano de 1978. Alega, novament- que a matéria questionada pela Douta Procuradoria não é objeto da autuação, assim, ao d-ve ser comentada sob pena de cerceamento ao direito de defesa. É o Relatório. Processo n.° 10920.002288/95-72 CS RF/TO 1 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 5 Voto Vencido Conselheiro MÁRIO SÉRGIO FERNAInTE)ES BARROSO, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dela tomo conhecimento para exame das razões trazidas pela Fazenda Nacional. Primeiramente, cumpre analisar a preliminar trazida pela contribuinte em contra-razões. A contribuinte afirma que a matéria objeto do auto de infração foi à impossibilidade dela (a contribuinte) utilizar o método de equivalência patrimonial, contudo em análise do termo de verificação fiscal, não é isso 'que se verifica. Transcrevo partes da fl. 205, 206: "Todavia, a mudança do método de cus to para o da equivalência patrimonial, foi efetivado sem a observei ncia da legislação tributária, em especial, o Parecer Normativo C'S7' 7-7° 1 7/80_ Destarte, a empresa sob ação fiscal deixou de oferecer à tributação, no ano-base de 1989, exercício de 1 990, o -va lor- correspondente a NCZ$ 36.926.408,95, representado it2elo lançamento feito a título de resultado de equivalência patrimonial, em desacordo com a legislação fiscal vigente. A infração à legislação tr-ibutcár-icz a_plerczdcz tem implicações na determinação do imposto de 7-e7zcla pessoa jurídica, contribuição social sobre o lucro e imposto de renda _pessoa jurídica consoante demonstrativos de apuração e eru2z-tczds-arnento legal da infração. Que integram os respectivos autos cie irzfi-czçaa. Observamos, que a infração foi que quando da mudança do critério de contabilização não foi oferecido à tributação o valer resultante desta mudança, pois, foi este o valor que foi lançado. Temos , portanto superado a preliminar_ Ainda, em contra-razões a contribuinte alega que o Parecer Normativo (PN) CST n° 17/80, não se aplicaria ao caso, pois, seria uma orientação normativa para o ano de 1979_ Voltando um pouco no tempo, na realidade PI\I CST n° 17/80 é regra geral. O referido parecer apenas afirma que o deságio apurado na primeira avaliação de investimento pelo método da equivalência patrimonial não caberia dar tratamento tributário idêntico ao art. 26 do DL 1.598/77, pois, se assim fosse, implicaria permitir o acréscimo de valor contábil do investimento, sem produzir efeitos na apuração do lucro real. Por oportuno transcrever o citado art. 26 do DL n° 1 .598, de 23 de dezembro de 1977: "art. 26 No balanço de abertura do períoda-base que se iniciar no ano d- • 78, o contribuinte que tiver o dever legal de avaliizz- investirrzento em coligada ou contro ada pólo valor de patrimônio líquido deverá processa"-, Pios termas do art. 21, à primeira aval ào, - a pp Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/1-01 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 6 diferença entre esse valor e o custo de aquisição que estiver registrado na contab lidade terá o seguinte tratamento: I — o valor de património líquido que exceder do custo de aquisição não será computado na determinação do lucro real desde que creditado à conta de reserva de lucros, como ajuste especial de exercícios anteriores;" Assim, no balanço de abertura do exercício social iniciado em 1978 os contribuintes puderam aumentar o valor contábil dos investimentos em coligadas ou controladas com não—incidência de imposto de renda. Este tratamento foi somente para o ano de 1978. Assim, o PN CST n° 17/80, precisou explicar e citar o DL apenas para mostrar que aquele DL era uma regra específica para um ano base, e que a regra geral é o do referido PN, até pela lógica contábil do ágio e do deságio do método de equivalência patrimonial, pois, o ágio no caso específico tem contrapartida uma despesa, e o deságio têm como contrapartida uma receita. Quanto ao mérito, precisamos saber se o lançamento foi ou não correto. A contribuinte na fl. 184/185 afirma que seu investimento na CIA Hansen Industrial, tinha que ser avaliado por equivalência patrimonial por ser aquela Cia coligada. A fiscalização fl. 205 afirmou que ao proceder a mudança de critério do método de avaliação do investimento, passando do custo de aquisição para o método de equivalência patrimonial, acresceu ao valor contábil do investimento o valor de NCZ$ 36.926.408,95. O PN CST n° 17/80 dispõe: 1. Em exame o tratamento tributário do resultado da primeira avaliação pelo valor de patrimônio líquido, a ser efetuada após o balanço de abertura do período-base iniciado em 1978, dos investimentos em sociedade coligada ou controlada, anteriormente não avaliados pelo método da equivalência patrimonial, por não preencherem os requisitos legalmente estabelecidos. 2. A avaliação de investimento relevante e influente pelo valor de patrimônio líquido de sociedade coligada ou controlada foi estabelecida pelo art. 248. da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e disciplinada, para efeitos da legislação do imposto de renda, nos arts. 20 a 26 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Até o balanço de abertura do exercício social que se iniciou no ano de 1978 (exceção das empresas que se constituíram durante o ano de 1977 e que encerraram seu primeiro exercício após 31/12/77) o critério de avaliação de todos os investimentos em outras sociedades era o de custo de aquisição. O Decreto-Lei n° 1.598/77, em seu art. 26. estabeleceu normas de natureza transitória aplicáveis às pessoas jurídicas que devessem avaliar o seu investimento pelo método de equivalência patrimonial. 3. Pode ter havido investimentos que, no exercício social iniciado em 1978, não preencheram os requisitos estabelecidos na legislação para serem avaliados pelo valor de patrimônio líquido, mas que, devido à aquisição de mais ações ou quotas de capital, ou por outros fatores i supervenientes, tenham passado a se caracterizar como relevantes e v Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 7 influentes em sociedade coligada ou controlada, tornando-se, então, obrigatória sua avaliação pelo método da equivalência patrimonial. Hipótese idêntica pode ocorrer quando a aquisição inicial de participação societária tiver sido efetuada após o balanço de abertura do exercício social que se iniciou no ano de 1978 e o investimento não for enquadrado, desde logo, como relevante e influente em sociedade coligada ou controlada. 3.1 Em tais hipóteses, do cotejo entre o custo de aquisição, corrigido monetariamente, e o valor encontrado na primeira avaliação pelo método da equivalência patrimonial, poderão resultar duas situações de interesse para a matéria em exame: (negritei) a) o custo de aquisição, corrigido monetariamente, excede do valor de patrimônio líquido - caso de existência de ágio no investimento; b) o valor de patrimônio líquido excede do custo de aquisiça- o, corrigido monetariamente - caso de existência e deságio no investimento. (negrita) 4. A nosso ver, segundo a legislação pertinente, o ágio ou deságio referido no subitem anterior será enquadrado conforme a fundamentação econômica referida no 2° do art. 20. do Decreto-Lei n° 1.598/77, devendo ser registrado de modo idêntico a um investimento inicial que seja avaliado pelo método da equivalência patrimonial. 4.1 Consoante o comando do item I do art. 26. do Decreto-Lei n0 1.598/77, a parcela correspondente ao aumento de valor do investimento, avaliado pelo valor do patrimônio líquido, consignada no balanço de abertura do período-base que se iniciou em 1978 não se sujeitou à tributação desde que creditada à conta de reserva de lucros. Em outras palavras, no balanço de abertura do exercício social iniciado em 1978, os contribuintes puderem aumentar o valor contábil dos investimentos em coligadas ou controladas, com não incidência de imposto de renda, no caso de avaliação pelo método de equivalência patrimonial. Observe-se, porém, que o tratamento especial dado pelo mencionado art. 26. foi transitório e especifico para a diferença apurada no balanço de abertura de 1978. 4.2 Quanto ao deságio apurado na primeira avaliação de investimento pelo método da equivalência patrimonial, efetuada após o balanço de abertura do período-base que se iniciou no ano de 1978, não lhe cabe dar tratamento tributário idêntico ao determinado no art. 26. do Decreto-Lei n° 1.598/77, pois isso implicaria permitir o acréscimo de valor contábil do investimento, sem produzir efeitos na apuração do lucro real. (negrita) 5. A propósito convém lembrar o comando do art. 111. da Lei n°5.1 72, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional - que determina que a legislação tributária que disponha sobre outorga • e isenção e suspensão ou exclusão do crédito tributário seja interpreta • ek4 literalmente. I A, '1‘ Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/TO 1 • Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 8 O PN n° 17/80, afirma, antão, q-ue na mudança de um para o outro método de avaliação, a diferença entre o valor contábil pelo método do custo e o da equivalência patrimonial deve ser considerada corno deságio no caso da equivalência patrimonial apurar valor maior que o saldo contábil. Esta diferença é considerada tributável pela legislação. Todavia, a autuada procedeu à excluslo indevida do valor fl. 133, implicando em infração ao disposto no inciso I do art.. 388, do RIR180, transcrito a seguir: "Art. 388 Na determinação do lucro real., poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: I - os valores cuja dedução seja czutorizadcz por este regulamento e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício;" Assim, não resta dúvida do correto procedimento da fiscalização, pois, nas contra-razões a contribuinte não nega ter utilizado o método de equivalência patrimonial no momento da alienação, e nem nega ter excluído da base de cálculo fl. 133 tal deságio. Quanto às razões da procuradoria, eles procedem quanto ao acórdão em questão, pois, também vislumbro contradição, pois, por exemplo na fl. 389 afirma: "A empresa em nenhum momento comprovou por demonstrativos claros que os cálculos apresentados no Slips delis. 112 representaram a realidade dos fatos, unza vez- que ão especificoz,t o valor patrimonial da participação societária no momento d'a aquisição. Contudo em que pese tal assertiva, cancelou o auto de infração com o argumento de que a fiscalização deveria ter se desenvolvido dentro do mesmo critério adotado pela empresa, ou seja, remontando os valeres ao tempo da aquisição da participação societária. Aqui, corri o devido respeito vejo, claramente a contradição, pois, se não há certeza de que a contribuinte fizera de um jeito como exigir que a fiscalização faça do mesmo. O acórdão recorrido ainda, afirniou na fl. 390: "É possível que o procedimento cia ezrzpr-escz, em considerar toda a variação entre o valor da aquis ição mais sua correção monetária e o seu valor patrimonial no rnornerzto de sua aliencaçêío, possa encobrir algum erro de avaliação, pr-incipczlrnerzte no caso de ter- havido ágio ou deságio na aquisição." Ainda, alega que a falha da fiscalização foi desconsiderar que no período transcorrido entre a aquisição e a alienação poderia ter havido lucros ou valores modificativos do patrimônio líquido da participada, e que a fiscalização deveria ter percorrido os diversos balanços encerrados da investida, buscando fundamentos que pudessem embasar o lançamento. Ora, o ônus do lançamento, sem, dúvida, é da fiscalização, e a fiscalização realmente comprovou que a contribuinte mudou o método de avaliação de seu investimento e não ofereceu a tributação o deságio dela decorrente, ou seja, excluiu do lucro líquido o valor decorrente, qualquer outra prova de que não ocorreu exatamente isto deveria a contribuint - carreado aos autos, contudo, veja que nem ao inenos alegara nada, somente que o auto teria sido por não poder usar a equivalência patrimonial. 4 /11 PPIP Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 9 Ademais, como já dito antes, a fiscalização agiu exatamente de acordo com a legislação, notadamente, o PN CST 17/80. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional, e no mérito dar provimento ao mesmo. MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO h ir Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 10 Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Redator Designado O processo se faz presente, remetido pela RM n° 12063, e passo a redigir o voto vencedor proferido pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, por sua 1' Turma. O recurso especial foi admitido na forma expressa no voto do Ilustre Relator Dr. Mário Sérgio Fernandes Barroso. A divergência aberta no julgamento diz respeito ao entendimento de mérito esposado no Judicioso voto vencido, que entendia de forma favorável à Fazenda Nacional o deslinde da questão. A divergência acolheu o entendimento expresso no voto condutor da decisão da 5' Câmara, consubstanciada no Acórdão n° 105-13.493, exclusivamente com relação à matéria relativa à alienação de participação societária, do qual fui o Relator. A defesa da reforma da decisão recorrida baseou-se fortemente no Parecer Normativo n° 17/80. O lançamento apoiou-se no documento de fls. 80 ou 112 (tem dupla numeração) (Aviso de lançamento em 31.07.1989) que considerou o valor da equivalência patrimonial de NCz$ 36.926.408,95, correspondente a todo o período em que a participação societária permaneceu de propriedade da empresa. Não consta do relatório fiscal (fls. 169 a 171 ou 204 a 206) a data de aquisição da participação societária sob exame, porém adotou a fiscalização as disposições do PN n° CST 17/80 que se destinou a interpretar o artigo 21 conjugado com o artigo 26 do Decreto-lei n° 1.598/77, para considerar o lançamento em 31.07.1989 a título de equivalência patrimonial (ajuste do valor do investimento) como se fosse deságio. Faltou à fiscalização o esforço de demonstrar que esse era o deságio apurado na forma do PN, ou seja, correspondente AA primeira avaliação do investimento pela método da equivalência patrimonial, que seria devido na ocasião de sua aquisição, ou, no máximo no período de apuração em que o investimento se tornou relevante. E, é consenso que o investimento deveria ter sido avaliado pela equivalência patrimonial, fato reconhecido pela fiscalização, pela autoridade julgadora de 1° grau e pela Câmara recorrida, logo, devem imperar as normas correspondentes a tal procedimento contábil com os exatos efeitos tributários dele decorrentes. E, repetindo a Câmara recorrida, se houve equívoco na avaliação inicial, é dever da empresa efetuar os ajustes necessários ao cumprimento da lei, como, é dever da fi - • ação demonstrar claramente o valor, os efeitos e o momento em que houve infrin • ncia 1 lei, recompondo os valores de modo a que a tributação seja neutra diante do erro -ventual do contribuinte. Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRFT1-01 . Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 11 A despeito de entender que o PN n° CST 17/80 não se aplica ao caso, já que versa sobre situação transitória temporalmente referenciada ao balanço de abertura de 1988 e não se provou que nessa data já constava da contabilidade da empresa a participação societária sob exame. Isso porque tratava-se de norma de transição somente aplicável à data referida ou a participações societárias adquiridas anteriormente a ela. E, mesmo que a fiscalização tivesse apurado o momento em que foi adquirida a participação societária, e, se fosse o caso de ter sido anteriormente a 01.01.1978, deveria ela ter apurado naquela data o efeito mencionado no PN n° CST 17/80 e, a partir de então, recompondo os valores verificar os efeitos produzidos no patrimônio líquido contábil reconstituído, uma vez que ao provocar a primeira correção monetária faz aflorar no sentido contrário um efeito na correção monetária de balanço que deve ser considerada, sob pena de distorção nos resultados fiscais, procedimento já condenado unanimemente por esta 1' Turma. É que a sistemática de correção monetária de balanço apresenta um aspecto por poucos absorvido, de que é ela neutra no tempo, tendendo os saldos devedores ou credores a se anularem ao longo do tempo, como foi claramente comprovado pelos profissionais que militaram no campo tributário à época em que a correção monetária do balanço era obrigatória. Sem dúvida, com relação a este item, que foi apreciado de forma menos clara pela 5' Câmara, resta evidente que carece o lançamento da necessária identificação dos valores e da comprovação do acerto do fundamento legal adotada, tendo se omitido na precisão dos cálculos e no acerto da imposição, devendo ser cancelado. Afora esses comentários, reitero as razões já trazidas pelo voto condutor da decisão recorrida e que foram acolhidos pela maioria dos integrantes desta i a Turma e contidos a fls. 382 a 391, que comentei em plenário e que, por amor à fidelidade, reproduzo: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Equivalência patrimonial: A descrição dos fatos assim relata o ocorrido: "2— AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO EXCLUSÕES E COMPENSAÇÕES EXCLUSÕES INDEVIDAS Deixar de oferecer a tributação valor consignado pelo contribuinte em sua escrita comercial e fiscal, representado por lançamento feito a titulo de resultado da equivalência patrimonial, sem observar a legislação fiscal vigente, tudo conforme descrito no Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, ato fiscal que integra o Auto de Infração." No referido termo, foi assim detalhada a situação apontada como infração fiscal: "3- AVALIAÇÃO PELO MÉTODO DA EQUIVALÉN IA PATRIMONIAL EM DESACORDO COMA LEGISLAÇÃO FISCAL Processo n.° 10920.002288/95-72 - CSRF/T01 • Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 12 A adoção do método de equivalência patrimonial é prerrogativa e obrigação daquelas empresas que se enquadrarem nas condições definitivas em lei. Atualmente vários dispositivos legais disciplinam os aspectos contábeis e fiscais da avaliação dos investimentos em sociedades coligadas e controladas pelo método da equivalência patrimonial, dentre os quais destacamos como legislação básica aplicável a empresa ora sob procedimento a Lei n.° 6.404/76 (Arts. 243, 247 e e 248), que é a base do sistema, e o Decreto-lei n.° 1.598/77, que surgiu para adaptar a legislação do imposto de renda as disposições da Lei n.° 6.404/76. Consoante legislação tributária vigente, a lei não manda avaliar indiscriminadamente segundo o método da equivalência patrimonial ou segundo o método de custo, antes, discrimina os investimentos segundo sua importância relativa. Importância na capacidade de inversão da investidora, originando o conceito de relevância, e importância no conjunto dos recursos aplicados no empreendimento, gerando o conceito de influência. Destarte, inexistindo relevância ou influência na participação societária, o investimento se refletirá no balanço a custo de aquisição corrigido monetariamente, sendo-lhes vedado avaliá-lo pelo valor de patrimônio líquido. Este é o entendimento emanado pelo Parecer Normativo CST n.° 78/78. Decorrente da legislação retro, foi evidenciada matéria de interesse fazendário no contribuinte sob procedimento, caracterizada pela avaliação indevida de investimento pelo método da equivalência, ou, mudança de método de avaliação de investimento sem observar a legislação fiscal que rege a matéria. Vejamos: A empresa ADMINISTRADORA DE BENS INCA LTDA, era proprietária de 7.688.183 (sete milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, cento e oitenta e três) ações ordinárias nominativas de emissão da CIA. HANSEN INDUSTRIAL. Este investimento está consignado na escrita comercial da empresa sob procedimento na conta intitulada "RP-CIA HANSEN", código da conta n.° 13201.000, consoante cópia da ficha razão acostada ao processo administrativo fiscal. A empresa vinha utilizando como critério para avaliação do investimento em questão o método do custo, correspondente ao valor de custo do investimento acrescido da correção monetária, consoante cópias da ficha Razão Auxiliar em 077V, fichas razão e livro diário constantes dos autos. O critério de avaliação utilizado na forma supra, decorre das informações prestadas pelo contribuinte em sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, mais especificamente no Anexo 1 da declaração apresentada relativa ao exercício de 1989. No referido anexo, no seu verso, observa-se que o contribuinte considero o investimento como não sendo de participação permanente no capi .1 de empresas coligadas ou controladas. Destarte, utilizou o méto • 04 4 custo como critério de avaliação do investimento. Processo n.° 10920.002288/95-72 CsRUTOI • - Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 13 Na data de 07/07/89, a empresa ora sob procedimento, vendeu integralmente o quantitativo das ações em referêncic-z, a própria CIA HANSEN INDUSTRIAL, pela inzportáncicz de 1VGZ,S 44.000.000,00 (quarenta e quatro milhões de cruzeiros novos), conforme documentos compro batórios constantes do processo. Estranhamente, por ocasião da vencia do in-vestirnento, a pessoa jurídica ora fiscalizada, alternou o método de avaliação do investimento, passando do método de custo per rcz o método de equivalência patrimonial. Todavia, a mudança do método de custo para o da equivalência patrimonial, foi efetivado sem a observância da legislação tributária, em especial, o Parecer Normativo CST rz_° 7/80. O referido Parecer trata justamente da matéria errz questão, qual seja, primeira avaliação de investimento relevante e influente pelo valor de patrimônio líquido de coligada ou controlada, efetuada após o balanço de abertura do período-base iniciado em 1978. _Determina que a diferença apurada entre o valor contábil do investimento baseado no custo de aquisição e o valor de equivalência patrimonial será registrada como ágio ou deságio. Atinente a matéria em exame na empresa em epígrafe, vejamos o disposto no item 4.2 do Parecer: "4.2 - Quanto ao deságio apurado na primeira avaliação de investimento pelo método da equivalência patrimonial, efetuada após o balanço de abertura do período-base que se iniciou no ano de 1978, não lhe cabe dar tratamento tributário idêntico ao determinado no artigo 26 do DL n.° 1.598/77, pois isto implicaria _permitir o acréscimo de valor contábil do investimento, serrz produzir efeitos na apuração do lucro real." O ato normativo retro, em especial, o item 4.2 acima transcrito, aplica- se bem a situação do contribuinte sob procedimento Ao proceder a mudança do método de avalia ç.íz-- o do investimento, passando do método do custo para o método de equivalência patrimonial, acresceu ao valor contábil do investimento o valor equivalente a NCZS 36.926.408,95, repre.sentaclo pelo lançamento contábil deste valor como resultado da equivalência patrimonial, conforme "slip" dos lançamentos efituados acostado ao processo fiscal. De todo o acima exposto, visualiza-se duas situações, ambas com implicações tributárias na apuração do lucro real no ano-base de 1989, exercício 90, quais sejam: Empresa não se enquadra nos requisitos que a obriga a avaliar o investimento pelo método da equivalência patrimonial, consoante informação prestada pela mesma em sua declaraç-iio de rendas (Anexo 1, verso, da DIRPJ/89). Nesta situação, seria vedado à errzpresa avaliar o investimento p o valor do patrimônio líquido (Pareceres .1\ror-77za ti-vos CST n. 's 78/78 Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 14 107/78), conseqüentemente, o valor de NCZS 36.926.408,95, é indevido, com reflexos tributários na apuração do resultado do investimento. Empresa obrigada a avaliar o investimento pelo método da equivalência patrimonial, consoante critério utilizado pela mesma no ano de 1989. Nesta situação, a implicação tributária reside no fato de ter apurado a equivalência em desacordo com a legislação fiscal, em especial, o Parecer Normativo CST n.° 17/80. O referido Parecer determina que, na mudança de um para outro método de avaliação, a diferença entre o valor contábil pelo método do custo e o da equivalência patrimonial apurar valor maior que o saldo contábil. Esta diferença é considerada como tributável pela legislação fiscal. Destarte, a empresa sob ação fiscal deixou de oferecer a tributação, no ano-base de 1989, exercício de 1990, o valor correspondente a NCZ$ 36.926.408,95, representado pelo lançamento feito a título de resultado de equivalência patrimonial, em desacordo com a legislação fiscal vigente." O enquadramento legal está assim definido «is. 140): "ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigo 157 e parágrafo 1° e 171 do RIR/80." Um como outro artigo citado é genérico e não se referem a qualquer tipo tributário, o que deixa apenas a descrição dos fatos para exame. A recorrente traz, em sua impugnação, a fls. 184: "0 artigo 258 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, então em vigor, estabelecia que os investimentos relevantes da pessoa jurídica em sociedades controladas, coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social. Nos termos do parágrafo 10 do mencionado artigo 258, são coligadas as sociedades, quando uma participa com10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra sem controlá-la. A Suplicante possuía à época, 10,98% do capital de Cia. Hansen Industrial. Na referida época, o Sr. João Júlio Moeller participava da administração da Cia. Hansen industrial, como prevê o inciso II do mencionado dispositivo regulamentar e, finalmente, o investimento da suplicante em Cia. Hansen Industrial representava quase 70% do seu patrimônio líquido. É evidente que o investimento mantido à época pela suplicante tin a que estar avaliado pelo método de equivalência patrimonial, sen portanto improcedente o lançamento efetuado." • Processo n .° 10920.002288/95-72 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 • Fls. 15 O investimento era, sem clú-vicicz, em sociedade coligada e atendia ao conceito de relevante. Tanto que, a prdpria autoridade julgadora de primeiro grau, fez constar- tal fato de sua decisão (lis. 13): "Restando comprovado, portanto, que o referido investimento deveria ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, (...)" Ademais, se o método a ser- utilizado fosse outro, a fiscalização não teria como qualificar de "cleságio " a parcela tributada, uma vez que deveria denomina-la de ganho de capital, já que afigura do deságio é exclusiva do método da eqruiva lên cia patrimonial, conceitualmente. E, a manutenção da exigência se deu pelo entendimento de que o deságio apurado na primeira a-valiação do investimento pelo método da equivalência patrimonial não representaria parcela de exclusão da tributação, devendo ser corztro &ida de forma individualizada, até a realização do investimento, por sua alienação ou outra forma prevista em lei. Aqui reside o cerne da questão. Como apontado no _P1V CST i ° J 7780 e na legislação de regência, por ocasião da aquisição da participação societária, a adquirente deveria ter procedido sua avaliação pelar método da equivalência patrimonial. Assim não agiu a recorrente. Apenas por ocasião da alienação da participação, que a autoridade administrativa e julgadora local confirmaram ele-ver ser avaliada pelo método da equivalência patrimonial, a recorrente vislumbrou a necessidade de fazê-lo e tentou proceder à correção dos valores equivocadamente contabilizados.. Ao que parece, a recorrente tomou o preço de aquisição e cotejou com o valor patrimonial da participação societária no momento de sua alienação e considerou a diferença entre eles como sendo ganho de equivalência patrimonial, excluindo-o do lucro liquido. Tal valor, porém, não corresporzcieu à totalidade da diferença entre o custo de aquisição e o preço de -verzdcz, tanto que ofereceu à tributação o ganho da operação (difererzça entre o valor da venda, de Cr$ 44.000.000,00, e Cr$ 39_ 3 61. 033,17, custo apurado cf: slips de fis. 112). Sem dúvida, se no rrzornerz to da alienação da participação societária a empresa constatou erro na apricaçíko do método adequado, lhe assistia o direito, até a obrigação, de corrigi-lo, ajustando seus valores à forma adequada de avaliação. Ela assim o fez. Cabia, portanto, à fiscalização proceder a conferência dos valores para constatar de a correção foi feita aos valores tecnicamente adequados. Isso a fiscalização também fez. Porém, o trabalho da fiscalização deveria ter se desenvolvido dentr do mesmo critério adotado pela empresa, ou seja, remontando o valores ao tempo da aquisição da participação .societária e soment então verificando qualquer eventual diferença. _ _ • Processo n.° 10920.002288/95-72 CSRF/TOI Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 16• • Ao buscar a explicação sobre a falha do procedimento fiscal, encontro um indício que talvez seja esclarecedor. O termo de início de fiscalização foi cientificado à empresa no dia 15 de maio de 1995 (fls. 32— sem indicar a hora) e o termo de verificação e de encerramento de ação fiscal (fls. 193 a 207), juntamente com os autos de infração, foram levados para ciência da empresa no dia 17 de maio de 1995 (14:30 horas). Observo que a fiscalização se deu em tempo relâmpago, pois se encerrou e teve o termo de verificação lavrado (10 laudas) contendo matéria de alta complexidade técnica no segundo dia. É possível que a rapidez da ação fiscal não tenha possibilitado uma pesquisa adequada dos fatos e valores. De qualquer forma, se estabelece uma dúvida no processo. A empresa em nenhum momento comprovou por demonstrativos claros, que os cálculos apresentados no slips de fls. 112 representam a realidade dos fatos, uma vez que não especificou o valor patrimonial da participação societária no momento de sua aquisição. Talvez não o tenha feito por não ter sido intimada a tal procedimento, urna vez que não lhe restou qualquer tempo útil para oferecer qualquer esclarecimento. Até porque, como se verifica no termo de início de fiscalização (fls. 32), a intimação foi genérica e pediu livros e cópias das declarações de rendimentos e documentos que serviranz de base para a escrituração. Sendo que, para demonstrativos, composição de contas constantes do balanço, etc., foi dado o prazo "Quando solicitado", mas não consta do processo outra intimação, específica sobre a operação objeto do lançamento. A rigor, a empresa não chegou a ser intimada a demonstrar os valores relativos à aquisição da participação societária nem de seu desdobramento naquela ocasião, o que desobriga à recorrente faze-lo, salvo se pretendesse usar tal demonstrativo em sua defesa. Ou, a empresa, apesar de não esclarecer, entendeu que os valores constantes do documento de fls. 112, são auto-explicáveis, o que me parece correto. Dessa forma, faltou, sem sombra de dúvida o necessário aprofundamento da ação fiscal, que deveria fundamentar sua exigência com base nos valores relativos ao momento em que houve a aquisição da participação societária alienada, uma vez que a recorrente recompôs os valores com base em tal data. É possível que o procedimento da empresa, em considerar toda a variação entre o valor da aquisição mais sua correção monetária e o seu valor patrimonial no momento de sua alienação, possa encobrir algum erro de avaliação, principalmente no caso de ter havido ágio ou deságio na aquisição. Mas, mesmo que tenha havido tal erro de avaliação, não é de se aceitar que tal diferença, apurada no momento da alienação, anos após a aquisição, represente em sua totalidade deságio na aquisição. A principal falha do procedimento fiscalizató rio foi desconsiderar possibilidade de ter havido, durante o período transcorrido entre Processo n.° 10920.002288/95-72 CS RF/TO 1 Acórdão n.° CSRF/01-05.900 Fls. 17 aquisição e a alienação da participação societária, lucros ou valores modificativos do patrimônio líquido da participada, cujos efeitos a recorrente devia apurar contabilmente, e que o fez no momento da alienação. Mais, se tais fatos não ocorreram, deveria a fiscalização percorrer os diversos balanços encerrados pela investida, buscando fundamentos que pudessem embasar o lançamento. Somente poderia obter força no lançamento se, após verificar os valores envolvidos na aquisição da participação societária, apurando a efetividade de existência de deságio, tivesse projetado seu valor para o momento da alienação, mediante correção monetária e outros mecanismos próprios da modalidade de avaliação pela equivalência patrimonial, para então, glosar o valor resultante da amortização que pudesse comprovar indevida. Ao considerar a totalidade do lançamento promovido pela empresa, como se fosse deságio, incluiu em tal valor todas as variações patrimoniais ocorridas na investida, o que provoca inadequado tratamento fiscal, uma vez que lucros, ganhos de participação percentual e outros fatos legalmente mencionados recebem tratamento fiscal diferente daquele atribuído ao deságio amortizado. Vejo, portanto, no procedimento fiscal clara falta de seu aprofundamento e deficiência técnica que o inquina de indevido quanto ao método de apuração de seu quantitativo, bem como não ter procedido à competente formalização da prova cujo ônus era seu, já que alegara o fato tributável. Assim, não vejo como possa prosperar a tributação trazida neste item. Dessa forma, diante dos fatos e do teor do processo, voto, divergindo do Ilustre Relator, por negar proviment. .o recurso especial da Fazenda Nacional. Sala - SA- ssõ e- , em 23 de junho de 2008 . ')91iy / fr0~-e J• É CARLOS PASSUELL
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000329/2004-01
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Ano-calendário: 2000
DRAWBACK. SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DADOS DO RE. POSSIBILIDADE.
Ha previsão nas normas que regem o despacho de exportação para a retificação após o despacho, a teor do disposto no artigo 40 da IN SRF n° 28/94. 0 artigo 342, III, do Regulamento Aduaneiro traz previsão para proceder à regularização em caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concess6rio, cabendo então a retificação do RE.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.380
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Camara / lª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Vencidas as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Judith do Amaral Marcondes Armando.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Ano-calendário: 2000 DRAWBACK. SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DADOS DO RE. POSSIBILIDADE. Ha previsão nas normas que regem o despacho de exportação para a retificação após o despacho, a teor do disposto no artigo 40 da IN SRF n° 28/94. 0 artigo 342, III, do Regulamento Aduaneiro traz previsão para proceder à regularização em caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concess6rio, cabendo então a retificação do RE. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-10T18:21:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-10T18:21:38Z; Last-Modified: 2013-10-10T18:21:38Z; dcterms:modified: 2013-10-10T18:21:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:cfbf23ad-7fcc-4715-8c4d-f974d8275cd7; Last-Save-Date: 2013-10-10T18:21:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-10T18:21:38Z; meta:save-date: 2013-10-10T18:21:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-10T18:21:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-10T18:21:38Z; created: 2013-10-10T18:21:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2013-10-10T18:21:38Z; pdf:charsPerPage: 1247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-10T18:21:38Z | Conteúdo => I Y1 :ARF NM' FL 404 1 • S3-C2T1 Fl. 395 MINISTÉRIO DA FAZENDA CO' SELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TL LRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n 13502.000329/2004-01 Recurso nü 143.610 Voluntário A oirdau no 3201-00.380 — r Camara / la Turma Ordinária SeNsio de 03 de dezembro de 2009 \tatéria II/CLASS1FICAÇÃO FISCAL Recorrente DUSA - DUPONT - SAMBACI BRASIL LTDA. Recorrida DRJ - FORTALEZA/CE ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Ano-calendário: 2000 DRAWBACK. SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DADOS DO RE. POSSIBILIDADE. Ha previsão nas normas que regem o despacho de exportação para a retificação após o despacho, a teor do disposto no artigo 40 da IN SRF n.° 28/94. 0 artigo 342, III, do Regulamento Aduaneiro traz previsão para proceder à regularização em caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concess6rio, cabendo então a retificação do RE. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Camara / la Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Judith do Amaral Marcondes Armando. cApF ML FL 40.-7. Processo n° 13502.000329/2004-01 S3-C2T I Acórdio n.° 3201-00380 Fl. 396 F) JUDIT 0 AMARAL MARCONDES ARMA DO .) 6-‘ r, , .145' A. ! u LUCIANO LOP4ShE ALMEIDA MORAES / Relator Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros Mercia Helena Traj ano D'Amorim, Ricardo Paulo Rosa, Marcelo Ribeiro Nogueira c Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Presid 2 !.;•Lt. VT:PS!) 1- I. 4no S3-C2T1 Fl. 397 CARF MT' Processo n° 13502.000329/2004-01 Acérdao n.° 3201-00380 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador do primeira instancia até aquela fase: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir relacionados: I. Imposto de Importação, auto de infração as fls. 05/13, no valor total de R$ 579.135,03, incluidos encargos legais. II Imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 14/22, no valor total de R$ 525.643,80, incluindo encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 06/07, e Relatório de Fiscalização, fls. 25/36, o lançamento relativo ao imposto de importação decorreu das infrações indicadas a seguir. 01 — Inadimplemento do Compromisso de Exportar — Drawback Suspensão. O Relatório de Fiscalização, fls. 25/36, apontas as irregularidades nos seguintes termos. 3.21. Alteração do código de enquadramento do RE após averbação (AC 6-00/000036-0 e 600/0000700) 0 RE 00/0594052001 (AC 0360) teve o código de enquadramento alterado para 81101 após a averbação, ou seja, depois do embarque. Fica claro portanto que o exportador realizou a operação com um código que não o correto, que seria 81101 (lis. 57 a 60). 0 mesmo procedimento se deu para os RE's 01/0210704002, 01/0281294002, 0110334961003, 01/0571326002, 0110592094001, 01/0642261002, 0110699187002, 01/0710710001, 01/0729884002, 01/0850650002, 01/0894777001, referentes ao AC 0700. Ora, ao solicitar o enquadramento da operação de exportação em regime que não o Drawback Suspensão Comum, o exportador fez com que todo o procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação fosse conduzido com tratamento fiscal diferente e procedimentos diversos, sem que fossem adotadas as cautelas próprias para uma exportação no "regime drawback" (solicitar a apresentação do Ato Concessório Drawback confrontar as mercadorias exportadas com aquelas autorizadas pelo Ato Concessário, etc). Percebendo a irregularidade a empresa tentou depois corrigi-la, alterando o código para 81101. No entanto, conforme se pode ver nos RE's citados (fls. 169/212), estas tentativas ocorreram após a averbagão, ou seja, depois da exportação efetivada e da mercadoria ter sido embarcada e portanto sem que se pudesse proceder à fiscalização adequada. 3 ess0 1 ai 10/201 3 por MARIA MADALENA SIEVA VERSO EM BRANCO Ft. 407 53-C2TI 398 CA PF N1F Processo n0 13502.000329/2004-01 Acórdão n.° 3201-00330 ( Portanto, os Registros de Exportação que não atenderem a esta disposição não fazem prova do cumprimento das exportações pactuadas nos Atos Concessórios por não atenderem a requisito previ. , em norma legal (art. 352 do R.A., aprovado pelo Decreto n° 4.: 7/.4u02). Tal obrigatoriedade se faz necessária para que o 'ten sado comprove o preenchimento das condições e do c, ....rimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a ncessão do beneficio, de acordo com os artigos 120 e 122 du R lament° Aduaneiro e artigo 179 do CTN (Lei n°5.1 72/66). — Substituição do Ato Concessário após averbação (AC 600/0000530 e 600/0000700) Os RE's 00/0985081001 e 0011056775001 (AC 0530) tiveram substituído o Ato Concessório após a averbação, ou seja, depois do embarque. Adotando este procedimento, fica claro que quando a empresa efetuou a exporta cão o fez usando um outro n° de Ato Concessório, diferente portanto do correto, que neste caso seria o AC 600/0000530. ,..._.. O mesmo se deu para os RE's 00/1056869001, 00/1069579001, \ 00/1082979001, 00/1131255001, 00111159447001, 0011159491001 e ,, 0011188614001, referentes ao AC 0700. Fica a pergunta: qual era o Ato Concessório que constava do RE no momenta do embarque, antes da substituição? Assim, o exportador poderia, por exemplo, usar o mesmo RE em 2 ou mais Atos Concessários, tentando comprovar um AC com o I ° RE, depois substituindo o n° do AC e tentando comprovar um 2 0 RE e assim sucessivamente. E desta maneira revender no mercado interno o insumo importado sem pagamento de impostos, necessário na fabricação/produção da mercadoria e não utilizado nas exportações fictícias. Portanto, estes RE's não fazem prova das exportações e portanto devem ser excluídos do total informado pelo contribuinte. 3.2.3 Exportações realizadas antes da importação de insumos (AC 0000360) No Ato Concessório 600/0000360, emitido em 18/04/2000, é concedido empresa o beneficio de Drawback na modalidade Suspensão, mediante o compromisso desta de exportar 101.257 Kg de Fios de Alta TenacidadePoliamida Alifática (NCM 5402.1010). Para a fabricação deste produto se faz necessário o insumo Poliamida6 sem carga (NCAI 3908.1024). Requer então a empresa a Importação, com suspensão de tributos, de 100.000 Kg (posteriormente alterado para 93.150,34 Kg) do insumo Citado, Desta maneira ficam obrigatoriamente vinculadas et importação e exportação objeto destes AC nas quantidades ali descritas. É imperativo ainda que a empresa mantenha registros das entradas, saídas e estoque das diferentes mercadorias envolvidas, com vistas a uma future e eventual fiscalização por parte dos árgclos competentes. 4 Fl /10 Processo no 13502.000329/2004-01 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00380 Fl. 399 Fica claro ta, que os produtos importados com o beneficio da suspensão -nifgaos devem ser utilizados exclusivamente para o que se preter-d:, 11, U seja, a fabricação da mercadoria a ser exportada, confo, s, .citado no Ato Concessário. 7onfi., lie se pode verificar nos RE's (fls. 57/60) e DI's (fls. 43 a 55), • crs ao AC 600/0000360 (Tabelas 121 e HA), a empresa importou Pal 3 datas diferentes a quantidade permitida. Realizou as exportações através de 4 RE's no período de 01/06/2000 a 10/06/2000. Acontece que a última importação (DI 00/06799803) se deu em 25/07/2000, ou seja, em data posterior a todos os embarques. Ora, isso desfigura por completo o sistema de Drawback que é a exportação de uma mercadoria em cuja fabricação se utiliza um ou mais insumos, importados com suspensão de tributos para uma finalidade especifica. Com efeito, se fôssemos aceitar tal procedimento como poderíamos ter certeza de que estes insumos importados sem pagamento de impostos, não teriam sido revendidos no mercado inferno? Outra questão que se apresenta é como foi produzida parte do produto exportado, se urna parte do insumo ainda não havia sido importada ? Desta maneira não podemos aceitar a DI 00/06799803 (adição 001) e os impostos suspensos deverão ser cobrados integralmente, com os devidos acréscimos legais. 3.2.4 — Exportação realizada fora do prazo permitido (AC 6- 00/000053-0) Diz o Regulamento Aduaneiro em seu artigo 340: "0 prazo de vigência do regime será de um ano, admitida uma única prorrogação, por período, salvo nos casos de importação de mercadorias destinadas à produção de bens de capital de longo ciclo de fabricação, quando o prazo máximo será de cinco anos." "Parágrafo único. Os prazos de que trata o caput terão como termo final o fixado para o cumprimento do compromisso de exportação assumido na concessão do regime." 0 campo 29 do Ato Concessório estipula um prazo de validade para a efetiva concretização da exportação. Posteriormente, através de aditivo ao Ato ConcessOrio e dentro do prazo estipulado, a empresa pode solicitar à SECEX prorrogação do mesmo, respeitado o limite maxima de 1 ano após o prazo inicialmente fixado. A empresa solicita por 2 vezes alteração do prazo inicialmente concedido. Na última prorrogação este prazo é fixado em 29/11/2000, conf Aditivo de 27/04/2001 (f/s. 67). 0 RE 00/1361292001 (f/s. 109/113) mostra que a exportação amparada por este documento foi efetivada (data embarque) em data (27/12/2001) posterior ao prazo máximo permitido. Assim sendo, não podemos aceitar este RE como comprobatório das exporiaç lies efetuadas. 5 lir e s , CARF Mt' Processo no 13502.000329/2004-01 Acórdão n.° 3201-00380 S3-C2T1 Fl. 400 3.2.5. Código (12 Enquadramento Incorreto (AC- 6-00/000070-0) 0 RE C 03._. ;961003 (Jis. 166/168) teve o código de enquadramento da (Aron:. J preenchido com 80000, apropriado para exportação normal. Obviamente que tal RE não possui qualquer AC vinculado ao mesmo e portanto não pode este RE servir como comprobatório da exportação. Enquadramento Legal: Arts. 77, inciso I, 80, inciso I, alínea "a", 83, 86, 87, inciso I, alínea "a", 89, inciso II, 90, 99, 100, 103, 111, 112, 220, 314, inciso I, 315, 317, 318, 319, com redação dada pelo Decreto n° 636/92, 328, 499, 500, inciso I e IV, 501, inciso III, 508, 542, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 091.030/85. O lançamento do imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 14/22, é exigência reflexa do auto de infração relativo ao Imposto de Importação. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 29/06/2004, fls. 05 e 14, apresentou o contribuinte impugnação em 28/07/2004, fls. 223/232, contrapondo-se aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. RECOLHIMENTO Preliminarmente esclarece que efetuou integralmente, o pagamento dos impostos com os acréscimos legais, referentes à Declaração de Importação n° 00/06799803 (Adição 002) do Ato Concessário (AC) n° 60010000360, conforme cópia dos Dalfs anexados à presente (doe. 02), relativo ao fato destacado na Tabela lIA (30 linha), item 3.2.3. e 1°' do item 5 do relatório do A.1. Esclarece que se enganou ao consignar na Adição n°002 da citada DI, o n° Ato Concessário Drawback (AC) 6001000036. Na Adição n° 001, colocou corretamente o AC 600/0000530. Esse deveria ter citado na Adição 002 o AC 600/0000700. Poderia ter percebido e corrigido a falha e infelizmente não notou o erro e portanto não pode consertar. Observese que em diversos RE's. ocorreram sobras de produtos de exportação de insurnos sob regime drawback que rid() foram vinculados a nenhum AC. Pela dificuldade operacional de efetuar sucessivas correções, posto que teria de reajustar diversas comprovações subseqüentes do drawback, considerou que deveria efetuar apagamento dos tributos. DOS FATOS E DO DIREITO A defendente tem sua unidade produtiva em operação desde 1997, sendo que até 31/01/1998 chamavase Dupont Nordeste, e a partir de Janeiro de 1999 até hoje, opera e produz como "joint venture" corn a denominação social atual. Produz fios e tecidos de poliarnida 6. Nos anos de 1999/2002 até meados de 2003 a participação percentual de exportação significava 2530% de toda a produção e a expectativa para 2004 é que venha a representar algo próximo de 45%. O 6 Di essa MAkIA CA RF Mt' Fl -t Processo n° 13502.000329/2004-01 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.380 Fl. 401 Essa expressi .icipação é um feito, posto que se trata de um mercado 'nutriente competitivo e que se apresenta cada vez mais domInaa, países asiáticos. E impossível a participação em um merca, tau disputado, sem a utilização do regime de drawback. 3 Au de Infração, que foi dividido em duas partes (II e IP1), mas sob n .co, explicitado e vinculado ao Relatório de fiscalização como rte integrante e inseparável, consoante o disposto no último parágrafo do Relatório, mais precisamente no item 3.2, discorre sobre diversas supostas infrações ao Regime de drawback e ao Regulamento Aduaneiro. Mas o faz de forma infundada como sent demonstrado adiante: No item 3.2.1, do mencionado Relatório de fiscalização, são destacadas como supostas irregularidades que os RE's es 00/0594052001 (AC 036-0), 01/0210704002, 01/0281294002, 0110334961003, 0110571326002, 01/0592094001, 0110642261002, 0110699187002, 01/0710710001, 01/0729884002, 0110850650002 e 01/0894777001, (AC 070-0), tiveram o "código de enquadramento alterado para 81101, após a averbação ou seja depois do embarque". (destaque original), Concluindo que "os Registros de Exportação que não atenderem a esta disposição não fazem prova do cumprimento das exportações pactuadas nos Atos Concessários por não atenderem ao requisito previsto em norma legal (art.352 do R.A., aprovado pelo Decreto n° 454312002". Além dos equívocos diversos proferidos pelo Sr. Auditor (consoante mostrado adiante), somados à estranha interpretação do Regulamento Aduaneiro, ele certamente esqueceuse de um fato inconteste: Que A COMPETÊNCIA para concessão, gerenciamento, baixa e, de aceite ou não, de alterações do Regime de Drawback para comprovação, é da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do MICTD, por delegação, consoante o disposto no Dec.Lei 37/66, art. 78, I a III, e artigos 314, 324, 329 331 e 332, entre outros, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/85) vigente a época das operações ora questionadas. A interessada efetuou corretamente cada exportação, para atendimento as condições descritas nos AC's. n's 0360 e 0700, com o devido cumprimento dos prazos, proporções de insumos, para cada tipo de material peso, quantidade, valor, etc. e no momento da elaboração de alguns RE's, não observou que deveria alterar o n° de um dos códigos em um dos diversos campos do RE, posto que vem originalmente gravado. Por conta disso, ao perceber o equívoco e, antes de solicitor a devida baixa do compromisso, solicitou ao órgão competente a correção desse número e, após atendimento as diversas exigências do SECEX em Brasilia com a apresentação dos correspondentes documentos comprobatárlos, posto que não é uma concessão automática, deferiu o pedido de alteração, bem como analisou e concedeu a baixa e comprova cão final dos citados AC's. Quanto a afirmativa do Sr. Auditor que por conta disso "o exportador fez com que todo o procedimento de desembaraço aduaneiro de exportação fosse conduzido com tratamento fiscal diferente e procedimentos diversos, sem que fossem adotadas cautelas próprias para uma exportação no "regime drawback" (solicitor a apresentação IT 1-1. 41 1 S3-C2T1 FL 402 CARE - ),11 Processo n° 3502.000329/2004-0t Acórdão n.° 3201-00380 do Ato Concessário Drawback, confrontar as mercadorias exportadas com aquelas autorizadas pelo Ato Concessário, etc)", A adoção de cautelas fiscais diferenciadas para atendimento de procedimentos vinculados au Regime especial de Drawback, quando do momento da EXPORTA CA-0, não encontra amparo na legislação vigente, salvo se proci Jimentos internos estabelecidos pela Secretaria da Receita Fed_ ral assim fa exigirem, portanto e certamente está equivocado o Sr. APR?, além do que a impugnante opera desde 1997 com exportações drawback e jamais foi exigida ou apresentada qualquer cópia de AC drawback em nenhum dos portos ou ponto de fronteira em que atua. Buscou informa rse com outros exportadores que atuam com o drawback e recebeu a mesma confirmação. Não se conhece procedimentos especijicos para desembaraço de exportação sob regime drawback e nem mesmo é exigido cópia do AC nas exportações. Buscou analisar ainda, a nível de comparação, a parametrização de centenas de RE's no regime drawback com aqueles sem a inclusão do código antecipadamente, e obteve números percentuais muito próximos. Para demonstrar somente os casos com RE's vinculados ao presente Al, yenficou o total dos 78 RE's., comparando os que tiveram o código alterado, com os outros que foram consignados no momento da exportação verificou o seguinte quadro comparativo: RE's vinculados ao AC: 83% canal verde; 17% canal laranja; 0% canal vermelho. RE's não vinculados : 85% canal verde; 10% canal laranja; 0% canal vermelho. e Observamse números quase idênticos. Importante notar que no demonstrativo global das exportações sequer existem diferenças percentuais a considerar. 1 II Podese concluir, portanto, que a afirmativa sobre os procedimentos adotados está a merecer reformulação por parte do Sr. AFRE, principalmente em se tratando de regime de estimulo e INCENTIVO AS WORTAgõEs como amplamente propalado em todas as normas que tratam do assunto, não se permitindo, portanto, que simples incorreções administrativas impeçam a realização da operação que traz resultados cambiais para o Pais de maneira efetiva e segura. Afinal não se trata de BENEFICIO FISCAL, em cujas operações são necessárias sobejas cautelas fiscais para dar segurança ao servidor que a analisa e concede. A outra conclusão do relatório fiscal de que "os Registros de Exportação que não atenderem a esta disposição não fazem prova do cumprimento das exportações pactuadas nos Atos Concessórios por não atenderem ao requisito previsto em norma legal (art.352 do R.A., aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002)" ficou incompreensível, posto que consta, tanto do Art. 352 do Dec. 4543/2002, como _lei constava de forma quase idêntica do art. 325 do Dec. 91.030/85 (vigente à época das operações): Art. 325 A utilização do beneficio previsto neste Capitulo sera anotada no documento comprobatdrio da exportação. s ! ; 1 -2 S3-C2T1 Fl. 403 \IT Processo no 13502.000329/2004-01 Acórdão n.'' 3201 -00380 Tanto o texto , iikunentar do Decreto então vigente (acima) quanta o texto do n, o Regulamento foram suficientemente atendidos. A utilização do beneficio está anotada no documento comprobatório da exporta cão. (grifado) Emiknhum momento o Regulamento novo ou anterior obriga a cons ignação do regime especial antes do efetivo embarque. A "vinculação" foi feita e os controles atendidos, e dessa forma compreendeu sabiamente a Secretaria de Comércio ExteriorSECEX, ao deferir (efetivar) o pleito. (exaltou). 0 que não se pode em nenhuma hipótese (e nem deve) é anular todo um trabalho que trouxe e sempre traz vantagens para o pais e para as empresas, além dos empregos e divisas que geram, por conta de uma obrigação que os estados definem com "acessórias ou complementares", importantes, mas não vitais, necessárias sim para controles, porém não fundamentais ou imprescindíveis. Não podem por si só, desmanchar ou desvalorizar por completo todo o trabalho digno efetuado: Importou os insumos. Com estes, produziu o bem final e exportouos efetivamente. Um detalhe operacional, passível de correção, como de verdade ocorreu, aceito e efetivado pelo órgão competente, não pode ser simplesmente ignorado para desconsiderar e punir todo um trabalho, além do que, qualquer norma e em qualquer nível, permite a correção voluntária de dados fornecidos indevidamente e que não resultaram em qualquer dano ao erário. Nem seria preciso, mas para corroborar suas afirmativas, transcreve a seguir a ementa do Acórdão 30233772 (Recurso 118676), emitido pelo Egrégio 3° Conselho de Contribuintes em Brasilia, na sessão de 28/07/1998, que deu provimento ao Recurso por Unanimidade, conforme segue: DRAWBACK A certificação dada pela SECEX, através de Relatório de Comprovação de DRAWBACK, de que as mercadorias importadas ao amparo de Ato Concessório foram totalmente utilizadas nos produtos exportados, sem qualquer ressalva quanto aos demais compromissos assumidos no mesmo A. C., descaracterizam o inadimplemento afirmado pela fiscalização e trazidos na Decisão recorrida. RECURSO PROVIDO. Mais completo e claro se torna ainda o entendimento, quando da leitura do Acórdão n°30300223 (Recurso 121639), da 3° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, também com provimento por unanimidade, que com tanta sabedoria esclarece: DRAWBACK COMPROVAÇÃO DE CUMPRIMENTO. Considera-se cumprimento o compromisso assumido no Drawback quando efetivamente há a exportação de produtos na quantidade e no prazo pactuado, sendo irrelevantes para este fim eventuais falhas formals no preenchimento dos Registros de Exportação. esso e 1011012013 por MARIA • M. ADALENA SILVA - VERSO E:m ekANeo Irn Fl. 413 S3-C2T1 FL. 404 CARF MF Processo n° 13502.000329/2004-01 Acórdão n.° 3201-00.380 No item 3.2.2. o Sr. Auditor define e o como infração, a substituição do re de , .1 tos Concesscirios n's 60010000530 e 600/0000700, após averbação, consignados nos RE's es 00/098081001, 0011056775001, (AC '530) e 00/1056869001, 00/1069579001, 00/1082979001, 00/1 1 31255001, 00/11159447001, 0011159491001 e 00/118614001 '1C T0-0). Por conta disso exclui todas as exportações aceitas pela chegando ao absurdo de levantar suspeitas (sem nenhuma ova, motivo ou fundamento) que a impugnante, com essa substituição poderia estar comprovando o drawback com exportações fictícias! Novamente o Sr. AFRF extrapolou sua alçada, ao desconsiderar o trabalho responsável efetuado pela defendente, com relação a todos os diversos procedimentos necessários ao cumprimento dos quesitos de exportação, conforme já descritos no subitem 4.1 e ainda subestimou os controles e o trabalho além de ignorar a concessão da Secretaria de Comércio ExteriorSECEX Durante a tramitação do processo de exportação, ao consignor o n 0 do AC, no RE., a impugnante enganou-se e, posteriormente, após criteriosa analise de controle dos processos, haja vista a necessidade de efetivar o fechamento das comprovações, percebeu o equivoco e solicitou ao órgão competente (SECEX), a correção devida, após consultor e demonstrar o ocorrido. A providência de correção é também consignada oficialmente no Siscomex onde a SECEX, efetiva e autoriza se estiver de acordo. A competência, já exaustivarnente explicado acima, para qualquer andlise e decisão sobre a comprovação do regime é da Secretaria de Comércio Exterior SECEX Desmerecer e desconsiderar esse trabalho equivale a querer substituir a alçada definida legalmente. Mais do que isso, é querer excluir da SECEX o direito de discernir sobre o que é ou não possível de ser aceito, alterado, corrigido, comprovado, baixado, concedido, etc. Um pouco diferente é a competência da Fiscalização da Receita Federal, a quem compete averiguar se o regime foi efetivamente cumprido. Ora, se o DECEX concedeu, autorizou e efetivou a substituição do n° do AC, ao Sr. Auditor, só caberia punir aquilo que fosse contrário a concessão obtida, ou seja, a demonstração de uma inverdade efetivamente ocorrida. Desconsiderar a concessão do órgão responsável (SECEX, sem nenhuma prova de descumprirnento por parte da empresa. Não demonstrar a existência efetiva de Iona falta, que seja contrária a concessão, é mais do que extrapolar direitos, é desrespeito ao órgão e própria Lei. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve ds fis. 229 ementa do Acórdão 30331077 do 3° Conselho de Contribuintes (fls. 229). 0 fato mais lamentável é o Sr. Auditor levantar suspeitas de utilização indevida de exportações ern comprovações duplas ou mesmo para fraudar as operações de drawback, com revenda no mercado interno. • i 0 In t,resso &rn 1[1'10;2013 por MARIA MADALLQA SILVA- VERSO 1-y BRANCO c.ARI: \II: H. 4 1 -I Processo n° 13502.000329/2004-0 I S3-C2T1 AcórclIo n.° 3201-00.380 FL 405 Precisaria haver provas concretas ou no mínimo evidências, as quais, além de não serem sequer citadas, por inexistem de fato, jamais ocorreram em nenhuma hipótese, e por isso nunca poderiam ser sequer pensadas. quanto mais descritas de forma tão inconseqüente. I en resa é idônea, não merece esse tratamento, posto que seu ico fiscal demonstra e exige o respeito que o fisco deve lhe zlicar, principalmente pelo padrão de conduta que adota desde o inicio de suas atividades. Para essas inconseqüências apontadas, deixará de discutir, posto que desmerecem qualquer atenção responsável. Na item 3.2.4 do Relatório o Sr. Auditor autua o que chama de: "Exportação realizada fora do prazo permitido (Ac 600/0000530);" e destaca: "0 RE n°0011361292001 mostra que a exportação amparada por este documento foi efetivada (data do embarque) em data (27/12/2001), posterior ao prazo máximo permitido. "Assim sendo não podemos aceitar este RE como comprobatório das exportações efetuadas." O AFRF cometeu dois equívocos: Não observou a data correta da exportação, (27/12/2000 ao invés do ano de 2001), e não verificou a existência dos Aditivos ao AC, de n°s.: 29780110002400 prorrogando o prazo para exportação até 28/05/2002 e ainda o Aditivo n° 29780210000442, que alonga o prazo para 07/06/2002 (docs. 3 e 4), ambos emitidos tempestivamente. Dificil entender porque o Sr. Auditor insistiu tanto em utilizar o NOVO R.A. promulgado pelo Decreto n° 4.543 de 26/12/02, quando et época das operações de drawback objeto do presente A.1. a vigência era do Regulamento Aduaneiro anterior, sob a égide do Decreto 91.030/85. Não poderia a impugnante se ater a normas do Regulamento que ainda não existiam. Não teria como adivinhar o que poderia ser alterado dois ou três anos depois, no futuro (e atual) Regulamento Aduaneiro. Mesmo assim, para esse exemplo, tanto o novo quanto o R.A. (Dec. 91030/85), vigente a época das operações, são semelhantes em definir que o prazo de concessão do regime será de um ano, prorrogável por prazo não superior a um ano. No caso de drawback suspensão, a concessão de prazo é considerada sempre a partir da data do desembaraço da la importação, obviamente pelo fato de que é somente a partir desta data que o importador efetivamente toma posse da mercadoria e estará apto a produzir os bens de exportação. Fica comprovado então, que o último Aditivo emitido (297802/0000442) cam validade até 07/06/2002, levou em conta o prazo de 2 (dois) anos a partir do desembaraço da primeira importação (07/06/00). Com a apresentação dos aditivos que são a contraprova efetiva, desnecessário sera, alongar-se pelo assunto, para cancelar a autuação respectiva. A última autuação constante do item 3.2.5 do Relatório Fiscal, cita: "Código de enquadramento incorreto (AC 600/0000070-0): 0 RE trrir so :: , 11 p ,-,r NIAPIA MADALE NA Aft VA - VERSO ;=_M BRANCO Fl S3-C2T1 Fl. 406 CART: Nil' Processo n° 13502.000329/2004-01 Acórdio n.° 3201-00.380 0110334961003 ley o código de enquadramento da exportação preenchido con. 80000, apropriado para exportação normal. Obviamente que tal RE não possui qualquer AC vinculado ao mesmo e portanr flÔ 7 pode este RE servir coma comprobatório da exportação". Pare.:t que dessa vez o Sr. AFRF confundiu-se completamente, posto qu Já havia citado e autuado esse mesmo RE (adição 003 do RE) no item 3.2.1 do Relatório Fiscal, copiado no 3° ,f do item 3 desta impugnação (acima), como RE com código alterado após averbação; Posteriormente no item 5 do Relatório Fiscal, (CÁLCULO DO IMPOSTO A PAGAR), quando se refere ao AC 600/0000700, (na 3a. linha) descreve o mesmo RE 0110334961002, para a irregularidade (7) descrita em 3.2.5. Veja que a adição do RE já foi citada como 002 e não mais como 003(7); Obviamente que o cálculo dos tributos e encargos foram acrescidos de valores, com a proporção da adição 002 ou 003 do citado RE. Como nenhuma destas afirmativas apontadas pelo Sr. Auditor é verdadeira, conforme se verá adiante, não será necessário efetuar os cálculos proporcionais. Para comprovação e baixa do AC 0700 somente foi utilizada a adição 003 do citado RE, (ou seja RE 01/0334961003), c412 código 81101 foi inserido, posteriormente aprovado e efetivado pela SECEX. A Adição 002 do RE não foi utilizada para comprovação do Ato Concessório Drawback portanto, mais do que qualquer outro, não poderia nem deveria constar desse AL Ora, se a adição 002 desse RE nab foi utilizada na comprovação do AC g a adição 003 (com o código 81101 consignado) já foi autuada, conforme esclarecido, parece mais sensato concluir que o AFRF confundiu-se na elaboração do Item 3.2.5 do Relatório fiscal e sua conseqüente inclusão no presente A.I. Dessa forma e considerando todo o exposto, requer de V.Sas. o integral provimento à IMPUGNAÇÃO, reconhecendo os legítimos direitos da defendente, levando em canto principalmente os seguintes fatos: • Obteve da Secretaria de Comércio Exterior SECEX, a legitima comprovação, através da baixa efetiva dos compromissos assumidos pelos três Atos Concessários apontados nos autos, cada um com sua baixa individual, consoante os documentos emitidos pela SECEX atendendo às exigências daquele órgão e da legislação e anexados por cópia àpresente (docs.05 a 07); • Para o único engano cometido, efetuou o recolhimento, conforme item 1 da presente Impugnação e docs.de fl. 02; e • A total desconsideração do autuante para com os documentos correta e legalmente emitidos pela SECEX, posto que a defendente somente obteve as comprovações após detalhada e criteriosa análise e baixa de seus compromissos assumidos; e ssa em 10:10/2013 por MARIA MADALENA SILVA- VERSO EM BRANCO • • CARF MF Fl. 416 Processo n° 13502.000329/2004-01 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.380 Fl. 407 • O total cumprime,. :a, por parte da impugnante, da legislação então vigente relativa aa Regime Aduaneiro de Drawback Em 31/')7/2007, a interessada apresentou aditivo ei impugnação, fls. 332 '337, nos seguintes termos. O Irp.vamento, corno procedimento vinculado, portanto, regrado, deve sor celebrado com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo artigo 142, do CI7V, cuja motivação deve estar apoiada em elementos materiais de prova veementes, consubstanciados por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança, seriedade e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ilicitude fiscal. Perfilhando essa tese, vislumbramos ser cediço que o tributo só pode incidir sobre fatos reais, quando estes se consideram relevantes juridicamente. Assim, mister se faz ressaltar que para a tributação, necessário se torna ts2 existência de prova do fato gerador ou infração, a qual deve ter o condão de demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos tributáveis, pois é o que a doutrina denomina de principio da verdade material. Ora, as relações jurídicas devem ser pautadas em critérios de segurança e certeza, sendo defeso os lançamentos tributários louvados em simples suposições, em virtude dos princípios da tipicidade cerrada e da legalidade. O Conselho de Contribuintes tern entendido, que em sede de drawback, para extinção do regime, é suficiente a comprovação da exportação dos bens objeto do ato concessOrio (AC), não sendo legitima a desconsideração da operação por falhas formais, consoante reiteradas decisões (ementas de acórdãos transcritos àsfls. 3331335). O sistema drawback de importação constitui-se num regime aduaneiro especial que tem por finalidade estimular a exportação. Os bens admitidos no regime especial de drawback suspensão destinam-se a serem absorvidos no aparelho produtivo nacional, onde são agregados a outros fatores de produção, para obtenção de um produto final a ser exportado. A condigdo resolutiva do drawback é, obviamente, a exportação. Realizada esta, a suspensão tributária se transmute" numa isenção de jato. Apenas se não concretizada a exporta 00 é que ressurge integralmente a exigência do crédito fiscal. No presente caso contudo, os produtos importados sob o Regime Especial foram todos exportados, tornando inexigiveis o Imposto de Importação e o Em homenagem aos princípios constitucionais da verdade real, boafé, do não confisco, segurança jurídica e razoabilidade, o Judiciário também tem afastado a ilegítima exigência tributária (ementa de julgado transcrita hsfls. 336). No presente caso, se os argumentos da defesa, juntamente com todo o documento probatório, forem desconsiderados, o interesse público set-1i 13 sso •*, (01 ti ■ •,:o • pr, r IA 0.4.4.n.L.i_ - VERSO i.7-40 Ii danificado, urna vez que o Estado certamente sofrerá prejuizos mana empreitada judicial. Toda a presente argumentação leva a uma única conclusdo: o ato administrativo vinculado, no presente caso, o Auto de Infração, deve ger corrigido pela própria Administração, no exercício do controle interno dos atos administrativos. Assim, reitera a peticionante, seja reconhecida a nulidade elou improcedência total do presente auto de infração, como medida de direito e justiça. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE deferiu parcialmente o Pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FOR 13.568, de 27/06/2008, fls. 339/355: Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2000 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DADOS DO RE. ( Na comprovação do adimplemento do compromisso assumido em Regime de Drawback, somente serão aceitos Registros de Exportação que foram vinculados ao respectivo regime, na ocasião oportuna, ou seja, na efetivação da exportação, mediante anotação do código de operação especifico e indicação do número do Ato Concessório a que se vinculam. Após a averbagão da exportação, não são admitidas retificaglies no RE para promover a vinculagdo de uma exportação a determinado Ato Concessário. DRAWBACK PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA EXPORTAÇÃO. Demonstrada a apresentação tempestiva de pedido de prorrogação do prazo final para exportação consignado no Ato ConcessOrio Drawback, não prevalece a acusação de inadimplernento do regime. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO VTNCULAcifo. As referências a entendimentos proferidos em acórdãos do Conselho de Contribuintes ou em manifestações judiciais não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. ERRO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. 0 erro na descrição dos fatos inquina a validade da exação correspondente. PAGAMENTO. DESISTÊNCIA DO LITÍGIO \f'\' S • DI • 417 S3-C2T1 Fl. 408 ALI . %ft . Processo n° 13502.000329/2004-01 Acórdão n.° 3201-00380 14 Processo n° 13502.000329/2004-01 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00380 Ft. 409 A extinção sem res.salva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa a desistência do processo. Lançamento Procedente em Parte. :Ns fls 365 o contribuinte toma ciência da decisão, ofertando recurso voluntário de fls. 366/388 L., ,sim, é dado andamento ao processo. fv■--1 .) 15 Im re em 10/10/2013 pnr MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como verificamos dos autos, a discussão no presente feito se resume a dois pcltos somente, que separam o adimplemento integral do Drawback da recorrente com o ad aplemento parcial deste. o fato de que a decisão recorrida não aceitou no cômputo do Drawback as alterações de código de enquadramento realizadas nos RE's após a averbação (AC 6- 00/000036-0 e 6-00/000070-0), bem como a substituição do Ato Concessório após averbação (AC 6-00/000053-0 e 6-00/000070-0) Vemos então que a discussão resume-se apenas a estes tópicos, pois do resto ou foi julgado procedente a . argumentação da recorrente ou esta quitou já quando tomou conhecimento do auto de infração. limes-de verificar se a retificação dos registros de exportação após o embarque tem o condão. de validar .9 drawback realizado ou_não._, fato incontroverso nos autos que os RE's foram efetivamente retificados e que estas alterações foram aceitas pelo órgão competente. Resta saber se estas alterações possuem o condão de validar a operação realizada, como entende o contribuinte, ou se não, como entende a decisão recorrida. Como o mérito tratado nas duas questões é o mesmo, fag() um voto único para os dois casos. • Hely Lopes Meirelles, In Direito Administrativo Brasileiro, Editora Revista dos Tribunais, 16? Edição, 2! tiragem, pág. 162 e seguintes, assim define os atos administrativos negociais: - Além dos atos administrativos normativos e ordinató rios, isto 6, daqueles que encerram um mandamento geral ou um provimento especial da Administração, outros são praticados contendo uma declaração de vontade do Poder Público coincidente com a pretensão do particular, visando a concretização de negócios jurídicos públicos, ou a atribuição de certos direitos ou vantagens ao interessado. (-) Estes atos, embora unilaterais, encerram um conteúdo tipicamente negocia!, de interesse reciproco da Administração e do administrado, mas nâo adentram a esfera contratual. Sao e continuam sendo atos administrativos (e não contratos administrativos), mas de uma categoria diferenciada dos demais, porque geram direitos e obriga cães 16 1) CARE MI' Processo n° 13502.000329/2004-01 Acórdão n.° 3201-00380 ItI 11 f) S3-C2T1 FL. 410 o er) Or201•3 por MARIA MADALENA SILVA VERSL; LM BR/ANC() CARF 1\117 Fl. 4 7 Processo n° 13502.000329/2004-01 S3-C2T1 Acórao n.° 3201-00380 Fl. 411 para as partes e as jeitarn aos pressupostos conceituais do ato, a que o particukb . .se. subordina incondicionalmente. (.) Os atos administrativos negociais produzem efeitos concretos e individuais para o seu destinatário e para a Administração que os expede. Enquanto os atos administrativos normativos são genéricos, os atos negociais são especificos, só operando efeitos jurídicos entre as partes: Administração e administrado requerente, impondo a ambos a obserwincia de seu conteúdo e o respeitos as condições de sua execução. (.) Atos administrativos negociais são todos aqueles que contém uma declaração de vontade da Administração apta a concretizar determinado negócio jurídico ou a deferir certa faculdade ao particular, nas condições impostas ou consentidas pelo Poder Público. Nesse conceito, enquadram-se, dentre outros, os atos administrativos de licença, autorização, permissão, admissão, visto, aprovação, homologação, dispensa, renúncia e até mesmo o protocolo administrativo, como veremos a seguir. O ato concessório nada mais é do que uma autorização concedida pela Administração Pública permitindo a importação de mercadorias do exterior com suspensão do pagamento dos tributos incidentes, condicionada ao cumprimento de diversos requisitos, especialmente a de industrializar essas mercadorias e posteriormente exportar o produto resultante no prazo previsto. Ocorrendo o inadimplemento de quaisquer das condições presentes no ato concessOrio, há impedimento que o mesmo produza os seus efeitos e constitua-se, finalmente, em ato administrativo consumado, em ato jurídico perfeito. Em suma, as condições estabelecidas em ato concessório, que uma vez emitido determina a suspensão do pagamento dos tributos relativos As mercadorias importadas, são na verdade as mesmas condições que vão permitir o reconhecimento da isenção pela autoridade aduaneira, quando da ação fiscal para verificar o adimplemento dessas condições. O artigo 317 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/1985, que são normas complementares à norma legal instituidora do regime aduaneiro especial denominado drawback, traz as condições estabelecidas para a concessão do beneficio as seguintes condições: Art. 317 — Na modalidade de suspensão do pagamento de tributos o beneficio será concedido após o exame do plano de exportação do beneficiário, mediante expedição, em cada caso, de ato concessário do qual constarão: a) qualificação do beneficiário; VI 421 S3-C2T1 Fl. 412 Ii CARF M Processo n° 13502.000329/2004-01 Acórdao n.° 3201-00380 b) especiflcação e código tarifário das mercadorias a serem importadas, com as quantidades e os valores respectivos, estabelecidos com base na mercadoria a ser exportada; c) quantidade e valor da mercadoria a exportar; d) prazo para exportação; • outras condições, a critério da Comissão de Política Aduaneira. Ainda o artigo 325: Art. 325 — A utilização do beneficio previsto neste Capitulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Do mesmo modo, a Portaria SECEX n° 04, de 11 de junho de 1997, art.31, assim dispõe: Art. 31. Para efeito de comprovação do Regime de Drawback modalidade suspensão ou habilitação ao Regime, modalidade isenção, os documentos utilizados na importação e exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à Comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. De igual modo, o artigo 37 da mesma disposição normativa, verbis: Art. 37. Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime deDrawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação — RE devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback na forma da legislação em vigor. Nesse diapasão, o Comunicado DECEX n°21 de 11 de julho de 1997, item 19.1, dispõe que: 19.1 - AS Declarações de Importação (DI) e os Regimes de Exportação (RE) indicados no relatório Unificado de Drawback deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa. 0 que temos em toda a legislação sobre o tema é de que necessariamente, para fins de drawback, é exigido que nos Registros de Exportação constem as informações exigidas para fins de comprovação do cumprimento daquele regime especial. O lançamento realizado, no que aqui se debate, não foi o inadimplemento do compromisso de exportar, mas a retificação a posteriori dos RE's que comprovam a referida exportação. O artigo 342 do novo Regulamento Aduaneiro, Decreto n.° 4.543/2002, estatui o seguinte: Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessário, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: o em 10'1(1'20 por MARIA MADALNA SILVA - VERSO 'Jo BRANCO CA.RF MI: FL 422 Processo no 13502.000329/2044-0 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00380 Fl. 413 - no caso d, mplernerzto do compromisso de exportar, em até trinta dins di, f :r1,140 fixado para exportação.- a) de, ''10.,-'k) .w exterior ou reexportação; h) de. wição, sob controle aduaneiro, à expensas do interessado; ou c) destinaglio para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; II - no caso de renúncia a aplicação do regime, adoção, no momento da renúncia, de um dos procedimentos previstos no inciso I; e III - no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessdrio, requerimento de regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. ('grifo nosso) O texto supra transcrito 6 o mesmo do artigo 319 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/1985, vigente à época dos fatos. Assim, no caso de descumprimento de outras condições, o contribuinte pode proceder à regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. Nesse diapasão, a IN SRF n.° 28/94, que normatiza o processamento do despacho aduaneiro de exportação, permite, conforme norma contida no artigo 40, a retificação de dados após a averbação: Art. • 40. Concluído a averbação, na forma dos arts. 46 a 49, as alterações nos dados de registro de embarque relativos a quantidade de volumes, peso e identificação da mercadoria embarcada, somente poderão ser efetuadas corn autorização da fiscalização aduaneira. Parágrafo único. Enquanto não implantada, no Sistema, função que contemple o disposto neste artigo, os pedidos de alteração deverão ser apresentados, por escrito, pelo responsável pelo registro, no SISCOMEX, do dado a ser alterado acompanhados da respectiva documentação comprobatória, à unidade da SRF de embarque que, após análise e emissão de parecer, os encaminhará a Coordenação- Geral do Sistema de Controle Aduaneiro-COANA, para as providências cabíveis. Consta dos autos que a recorrente logrou êxito ao proceder h vinculação entre ato concessório e registro de 'exportação. A retificação pode ser realizada mediante requerimento, como visto, ou o SISCOMEX não exige a atuação da autoridade administrativa responsável pela retificação, em alguns casos. Qualquer que tenha sido o expediente, entendo que uma vez procedida retificação, amolda-se a previsão contida no artigo 342, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, acima transcrito. Dessa forma, a vinculação dos atos concessários aos respectivos registros de exportação, requisito indispensável para fruição do beneficio fiscal, foi plenamente atendido no presente caso. em 1 on ii2r./1 3 p.:Ir MARIA MADALENA SILVA- VERSO EM BRANCO irnp ee H -123 S3-C2T1 Fl. 414 D CARF MF Processo n° 13502.000329/2004-01 Acórdão n.° 3201-00.380 Não nos esqueçamos que, forte na Medida Provisória no 2.189-49, de 23 de Agosto de 2001, as declaraçdes retificadoras possuem a mesma natureza e força da originalmente entregue: Art. R. A retificação de declaração de impostos e contribuições imi —strados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em qz.,. admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis retificação de declaração. Por fin, este é o posicionamento desta Corte Administrativa, como vemos no julgamento abaixo: DRAWBACK - SUSPENSÃO. Exportação por estabelecimento diverso daquele que consta no ato concessório. O incentivo à exportação é concedido à pessoa jurídica como um todo, não importando o estabelecimento pelo qual se processa a exportação. Retificação do Registro de Exportação pós despacho aduaneiro. Há previsão nas normas que regem o despacho de exportação para a retificação após o despacho, a teor do disposto no artigo 40 da IN SRF n.° 28/94. 0 artigo 342, Ill, do Regulamento Aduaneiro traz previsão para proceder a regularização em caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, cabendo então a retificação do RE para inclusão de ato concessório. Aditivo ao ato concessorio após o vencimento. Trata-se de matéria pertinente ao controle administrativo as questões relacionadas à concessão do regime e sua prorrogação. Uma vez verificado que o ato foi prorrogado pela autoridade competente, que mediante ato administrativo discricionário exerceu o seu múnus, não cabe à autoridade aduaneira questioná-lo, salvo se contrário a expressa disposição legal. Exportação realizada por outra pessoa jurídica_ Inadmissível o reconhecimento do beneficio previsto no ato concesseirio quando a exportação for realizada por outra pessoa jurídica. Preliminar de nulidade. Ausência de intimação antes da execução do termo de responsabilidade e exigência não realizada no SISCOMEX Não há nulidade no processo quando restam observadas as normas legais que regem o lançamento tributário e o processo administrativo fiscal. Preliminares rejeitadas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE 20 - Irj F , 1 Cr.'1 O2O I 3 por MARIA MADALENA SILVA - VERSC! CM B4ANCO (AF 1 F 1.1 42.-1 Processo n° 13502.000329/2004-01 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.380 Fl. 415 (3° CC — la Câmara - Acórdão 301-34533 — Rel. Cons. Joao Luiz Fregonazzi j. 18/06/2008) Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para fins de afastar a glosa relativa aos Registros de Exportação ora em debate. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2009. , A LUCIANO LOPES LWLME1DA MORAES (1111 21 10i I Ç;/201? rx.4- MARIA MADALCNA SILVA - VERSC Fr,.71 00 '■■•4 ■.7. ,:.
score : 1.0
Numero do processo: 10580.013771/2004-79
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1995
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - DECADÊNCIA CONFIGURADA.
O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em
que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n°165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. No caso, o pedido foi protocolizado em 31/12/2004, portanto quando o crédito já estava extinto pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.679
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar, provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. No caso, o pedido foi protocolizado em 31/12/2004, portanto quando o crédito já estava extinto pela decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar, provimento ao recurso. t, CARLOS ALBERTO F • - AS BA • ETO- Presidente • Conselheiro MOISES TACO I 'UNES DA SILVA, Relator EDITADO EM: 1 4 MAM 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente ao exercício de 1995, sobre verbas trabalhistas que, em tese, foram pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 31/12/2004 (fl. 01), sendo que a decisão recorrida (fl. 26/30), por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retorno dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial de fls. 42 e seguintes, sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I do artigo 168 do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso às fls. 51/52, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. 2 Processo n° 10580.013771/2004-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.679 Fl. 2 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3 0 do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo, cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e; c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.U. em 06/01/1999, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa, nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA — PARECER COSIT N° 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do 3 caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologató rio este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, ,ss' 4 0, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no - requerimento do Recorrente feito em 2000. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; e) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta fauna, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem o poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. 4 Processo n° 10580.013771/2004-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.679 Fl. 3 Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Noiniativa SRF n° 165, de 31/12/1998 (DOU de 06/01/1999) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos. No caso dos autos, o contribuinte protocolizou o pedido em 31/12/2004, ou seja, após o prazo de cinco anos. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
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Numero do processo: 19679.005737/2005-97
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 20/10/1988 a 10/03/1990
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO.
O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário dar-se-ia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 20/10/1988 a 10/03/1990 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO. O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário dar-se-ia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Provido em Parte.
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PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO. O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário darseia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 37 /2 00 5- 97 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão que manteve o indeferimento de Pedido de Restituição da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, protocolado em 08/06/2005, em relação aos valores recolhidos entre o período de 20/10/1988 a 10/03/1990, conforme planilha junto ao pedido, sob o argumento de que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do Decreto Lei n.º 2.445/88 e Decreto Lei n.º 2.449/88, bem como a Resolução n.º 49/98 do Senado Federal. O fundamento contido no Despacho Decisório para negar o pleito é de que o direito do contribuinte sucumbiu pela decadência, haja vista a data do protocolo, 08 de junho de 2005. A decisão recorrida manteve intacto o indeferimento. Ciente da decisão em 02 de maio de 2011 interpôs recurso em 01 de junho de 2011, argumentando improcedência dos fundamentos em relação à decadência e pede provimento ao recurso em toda a sua extensão. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A matéria essa recentemente decidida pelo Supremo Tribunal Federal que caminhou e fincou jurisprudência no sentido de que os processos e pedidos ingressados até o advento da Lei nº 118/2005, deve se norteado pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário darseia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então deverá fluir. E, assim sendo, a prescrição só após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, a contenda gira em torno da perda do direito de requerer a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação depois de decorrido cinco anos contados da data do pagamento do tributo. Deixado de lado a discussão se é o caso de decadência ou prescrição, o fato que o pagamento pode ser atingido por ambos os institutos de direito, pois tanto um quanto o outro em matéria tributária implica em extinção do crédito tributário. Essa matéria encontra atualmente pacificada por força do advento do art. 62 A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e a evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, sob o regime do art. 543A do CPC. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.005737/200597 Acórdão n.º 3302003.011 S3C3T2 Fl. 5 3 A questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática do art. 543A do CPC no Recurso Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 “Recurso extraordinário desprovido.” Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. Esse assunto encontra pacificado nesse E. Conselho por meio da Súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” No caso em exame o indébito pleiteado se refere aos fatos mencionados no preâmbulo do relatório, cujo pedido foi protocolado em 08 junho de 2005. De modo que, solicitado a restituição antes de 09 de junho de 2005, implica em afastar à decadência e assegurar o exame da matéria de fundo pela Instância a quo. Em face do exposto, voto no sentido de afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à origem para o exame da matéria de fundo. É como voto. Domingos de Sá Filho. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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